Prévia do material em texto
<p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA __ VARA CRIMINAL DA COMARCA</p><p>DE ____ DO ESTADO DE ______________________.</p><p>Pedro Beira Rio, nacionalidade, estado civil, profissão, filiação, RG, CPF, email, endereço,</p><p>vem, por meio de seu advogado, conforme procuração em anexo, apresentar o pedido de</p><p>RELAXAMENTO DE PRISÃO com fundamento no art. 5º, LXV da CF e no art. 310, I do</p><p>CPP, de acordo com os fatos e fundamentos expostos a seguir:</p><p>I - DOS FATOS</p><p>No dia 24 de agosto de 2024, após ingerir um litro de vinho na sede do seu sítio,</p><p>Pedro pegou seu automóvel e passou a conduzi-lo ao longo da estrada que tangencia sua</p><p>propriedade. Após percorrer cerca de cinco quilômetros na entrada absolutamente deserta,</p><p>Pedro foi surpreendido por uma equipe da Polícia Militar de Trânsito que lá estava a fim de</p><p>procurar um indivíduo foragido do presídio da localidade.</p><p>Abordado pelos policiais, Pedro saiu de seu veículo tropeçando e exalando forte</p><p>cheiro de álcool, momento em que, de maneira incisiva, os policiais lhe compeliram a</p><p>realizar um teste de alcoolemia em aparelho de ar alveolar. Quando realizado o teste,</p><p>constatou-se que Pedro possuía concentração de álcool de um miligrama por litro de ar</p><p>expelido pelos pulmões, razão pela qual os policiais acabaram o conduzindo para a central</p><p>de flagrantes, local onde foi lavrado o Auto de Prisão em Flagrante pela prática do crime</p><p>previsto no artigo 306 da Lei 9.503/1997, c/c art. 2º, inciso II, do Decreto 6.488/2008.</p><p>No entanto, foi negado ao requerente o direito de se entrevistar com seus</p><p>advogados ou com seus familiares. A sua prisão não fora comunicada ao juízo competente,</p><p>tampouco a Defensoria Pública, além de que os seus familiares não conseguiram lhe ver,</p><p>mesmo após ter passado dois dias da lavratura do Auto.</p><p>II - DOS DIREITOS</p><p>a) Do princípio da não autoincriminação</p><p>Os policiais compeliram o requerente a realizar o teste de alcoolemia. No entanto,</p><p>ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. O ato policial de compelir o</p><p>requerente a realizar o teste de alcoolemia viola o princípio da não autoincriminação</p><p>compulsória, previsto no art. 5º, inciso LXII, da Constituição Federal de 1988.</p><p>Logo, o auto de prisão em flagrante é nulo e a prisão deve ser relaxada.</p><p>b) Da prova ilícita</p><p>O exame de alcoolemia produzido, foi obtido através de colheita forçada, o que torna</p><p>prova ilícita, significando violação ao preceito constitucional contido no art. 5º, inciso LVI,</p><p>que aduz que são inadmissíveis provas obtidas por meios ilícitos, além de violação ao art.</p><p>157, além de violação ao art. 157, do Código de Processo Penal.</p><p>Logo, tratando-se de prova que foi obtida por meio ilícito, o teste de alcoolemia não</p><p>pode servir de fundamento para a prisão em flagrante do requerente, o que torna a prisão</p><p>ilegal.</p><p>c) Da comunicação da prisão</p><p>A autoridade policial não comunicou imediatamente a prisão do requerente ao juízo</p><p>competente e nem à sua família, o que viola os termos do art. 5º, LXII, da Constituição</p><p>Federal/88 e os termos do art. 306, caput, do Código de Processo Penal.[</p><p>Além disso, o delegado não encaminhou os autos à Defensoria Pública, violando a</p><p>determinação do art. 306, § 1º, do Código de Processo Penal, que exige o encaminhamento</p><p>dos autos em até 24 horas após a realização da prisão, caso o autuado não informe o nome</p><p>de seu advogado.</p><p>Logo, o auto de prisão em flagrante é nulo, devendo a prisão ser relaxada.</p><p>d) Do direito do preso de entrevista-se com seu advogado e da assistência da família</p><p>O delegado negou ao requerente o direito de entrevista-se com seu advogado, além</p><p>de negar também o contato com seus familiares, sendo que é assegurado pela Constituição</p><p>Federal de 88, em seu art. 5º, LXII, o direito do preso de ter assistência familiar e de</p><p>entrevistar-se com seu advogado.</p><p>Negar ao preso comunicação com seu defensor, além de violar preceitos</p><p>constitucionais, viola também aquilo previsto no art. 8.2, “d”, do Decreto 678/92, que garante</p><p>o direito do indivíduo de se comunicar livremente com seu defensor.</p><p>Logo, o auto de prisão em flagrante é nulo, impondo-se o relaxamento em flagrante.</p><p>III - DOS PEDIDOS</p><p>Diante do exposto, tendo em vista que a prisão é ilegal por violar normas constitucionais e</p><p>infraconstitucionais, requer o RELAXAMENTO DA PRISÃO EM FLAGRANTE, com a</p><p>consequente expedição do alvará de soltura, por medida de Justiça</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Porto Velho, 26 de agosto de 2024.</p><p>Eduarda Gabriela de Queiroz Lins, OAB nº XXXXXX</p>