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<p>eISSN 2179-426X</p><p>10.26843/rencima.v12n1a01</p><p>Recebido em 26/10/2020 | Aceito em 28/11/2020 | Publicado em 01/01/2021</p><p>Metodologias alternativas no ensino de Evolução em uma escola</p><p>pública do Piauí</p><p>Sintiane Maria de Sá Lima1</p><p>Maurício dos Santos Araújo2</p><p>Michelle Mara de Oliveira Lima3</p><p>Resumo: O conhecimento evolutivo é necessário para a compressão de toda a Biologia.</p><p>No entanto, esse conteúdo é ministrado de forma rápida e desvinculada da realidade</p><p>biológica, a partir da exposição dos conceitos e processos de forma mecanizada e</p><p>fragmentada. O objetivo desta pesquisa foi avaliar o uso do jogo didático “Vida na lagoa”</p><p>desenvolvido com o intuito de permitir a compreensão dos processos e conceitos</p><p>evolutivos. O jogo foi aplicado com 32 alunos da 3ª série do Ensino Médio de uma escola</p><p>pública do estado do Piauí. A pesquisa teve uma abordagem quali-quantitativa, e a coleta</p><p>de dados foi realizada por meio de dois questionários (pré-teste e pós-teste). A progressão</p><p>dos conhecimentos dos alunos, após o uso do jogo, foi avaliada a partir do ganho de Hake</p><p>(g). O jogo foi satisfatório no aprendizado de conceitos evolutivos, com ganho normalizado</p><p>de aprendizagem médio para o conceito de mutação (g=0,60) e seleção natural (g=0,54).</p><p>Os dados obtidos demonstram que o jogo foi eficiente no entendimento dos conceitos e</p><p>processos evolutivos, o que permitiu aos alunos a compreensão da dinâmica evolutiva, para</p><p>além da mera exposição de conceitos.</p><p>Palavras-chave: Dificuldades de aprendizado. Ensino de Biologia. Jogos didáticos.</p><p>Alternative methodologies in teaching Evolution in a public school in</p><p>Piauí</p><p>Abstract: Evolutionary knowledge is necessary for the compression of biology. However,</p><p>this content is approached in a quickly way and it is usually disconnected from biological</p><p>reality, through the exposure of concepts and processes in a mechanized and fragmented</p><p>way. This study aimed to evaluate the use of a didactic game entitled "Vida na lagoa"</p><p>developed to facilitate the understanding of evolutionary processes and concepts. The game</p><p>was applied to 32 students from the 3rd grade of high school in a public school in the state</p><p>of Piauí. The research had a qualitative and quantitative approach, and data collection was</p><p>performed by two questionnaires (pre-test and post-test). The progression of the students'</p><p>knowledge, after using the game, was assessed based on the normalized learning gain (g).</p><p>The students' knowledge about evolutionary concepts and processes was satisfactory after</p><p>using the didactic game. The average normalized learning gain was (g = 0.60) for the</p><p>concept of mutation and (g = 0.54) for the concept of natural selection The teaching</p><p>1 Mestranda em Ensino de Biologia pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Piauí, Brasil. </p><p>sintiane.lima@hotmail.com https://orcid.org/0000-0002-7924-511X http://lattes.cnpq.br/5165225402004734.</p><p>2 Doutorando em Genética e Melhoramento pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Professor Colaborador no</p><p>Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do</p><p>Maranhão (IFMA). Minas Gerais, Brasil. mauricio.araujo@ufv.br https://orcid.org/0000-0002-7728-2590</p><p>3 Mestra em Ensino de Biologia. Professora no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Biologia do Instituto Federal</p><p>de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI). Piauí, Brasil. michellelima@ifpi.edu.br https://orcid.org/0000-</p><p>0001-6522-8477</p><p>https://doi.org/10.26843/rencima.v12n1a01</p><p>https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/deed.pt_BR</p><p>mailto:sintiane.lima@hotmail.com</p><p>https://orcid.org/0000-0002-7924-511X</p><p>https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=04163612657830952DBF2AAC57E833EE</p><p>mailto:mauricio.araujo@ufv.br</p><p>https://orcid.org/0000-0002-7728-2590</p><p>mailto:michellelima@ifpi.edu.br</p><p>https://orcid.org/0000-0001-6522-8477</p><p>https://orcid.org/0000-0001-6522-8477</p><p>2 REnCiMa, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 1-15, jan./mar. 2021</p><p>methodology allowed students to understand the evolutionary dynamics and the exposure</p><p>of evolutionary concepts present in biology.</p><p>Keywords: Learning difficulties. Biology teaching. Didactic games.</p><p>Metodologías alternativas en la enseñanza de la Evolución en una</p><p>escuela pública de Piauí</p><p>Resumen: La enseñanza de la evolución es importante para comprender los processos</p><p>evolutivos de las especies. La enseñanza de la biología enfrenta muchas dificultades,</p><p>principalmente la falta de herramientas y de las estratégias metodológicas. El objetivo del</p><p>estudio fue evaluar el uso de un juego didáctico, "Vida na lagoa", creado y aplicado con el</p><p>propósito de facilitar la comprensión de los estudiantes de escuelas públicas sobre los</p><p>procesos y mecanismos evolutivos. El estudio se desarrolló en una escuela pública del</p><p>interior de Piauí, con 32 alumnos de 3º grado de Bachillerato. La investigación fue guiada</p><p>por un enfoque cualitativo y cuantitativo, la reunión de datos se realizó a través de dos</p><p>cuestionarios, aplicados antes (pre-test) y después (post-test) del uso del juego. La</p><p>metodología mostró resultados satisfactorios para el aprendizaje de conceptos evolutivos,</p><p>ayudando en la motivación de los estudiantes. La ganancia de aprendizaje normalizada (g)</p><p>fue medio para el concepto de mutación (g = 0.60) y selección natural (g = 0.54). La</p><p>percepción de los estudiantes sobre la importancia de utilizar metodologias alternativas en</p><p>la enseñanza de la Biología, mostró que el 67,4% sintieron motivados con las prácticas y</p><p>experimentos en las clases de Biología. Por lo tanto, los resultados sugieren que la</p><p>metodologia fue eficiente para comprender y aprender conceptos y procesos evolutivos.</p><p>Palabras clave: Dificultades de aprendizaje. Enseñanza de la biología. Juegos</p><p>educacionales.</p><p>Introdução</p><p>O Ensino Médio no Brasil tem sido repensado e reformulado nos últimos anos com</p><p>o intuito de permitir que o aluno consiga construir competências e habilidades necessárias</p><p>para viver em sociedade de forma autônoma e crítica (SIMPLÍCIO; SANTOS, 2020). Nessas</p><p>novas adaptações as diversas disciplinas foram adequadas ao contexto do ensino ativo e</p><p>crítico. Dentre as diversas disciplinas do currículo do Ensino Médio, a biologia vem</p><p>buscando o entendimento sobre os processos biológicos que permeiam o ser humano e o</p><p>seu entorno (OLIVEIRA et al., 2017).</p><p>Mesmo com as reformas no currículo escolar, ainda se observa, na prática, que o</p><p>ensino permanece descontextualizado, conceitual e embasado na memorização (MUNIZ et</p><p>al., 2020). Contradizendo o que é planejado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC)</p><p>para o Ensino Médio, que é pautado na compreensão dos conteúdos por meio de</p><p>resoluções de situações problematizadoras que facilitariam a aquisição do conhecimento</p><p>(SOARES et al., 2016). Na construção do saber científico faz-se necessário o entendimento</p><p>dos seus conceitos fundamentais em biologia. Nela, a evolução biológica contribui como</p><p>3 REnCiMa, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 1-15, jan./mar. 2021</p><p>alicerce para a compreensão de diversos eventos históricos e biológicos da humanidade e</p><p>de todo o meio ambiente (OLIVEIRA; BIZZO, 2015; NOBRE; LOPES; FARIAS, 2018;</p><p>RIBEIRO JÚNIOR et al., 2020).</p><p>A evolução estuda o surgimento e diversificação dos seres vivos e do meio ao longo</p><p>do tempo. Ela é considerada como fundamental na compreensão de outros temas que</p><p>compõem a biologia (FUTUYMA, 2009). A teoria evolutiva se alicerça em conceitos como</p><p>deriva genética, mutação e seleção natural, destacando a importância do ácido</p><p>desoxirribonucleico (DNA) e dos genes nesse processo (RIDLEY, 2006). De acordo com a</p><p>BNCC, o estudante, durante o Ensino Médio, deve entender as dinâmicas da vida, da Terra</p><p>e do Cosmo, a fim de compreender a evolução dos seres vivos e do Universo, destacando</p><p>a importância dos conhecimentos evolutivos (BRASIL, 2017).</p><p>A evolução biológica é um elemento estruturador do ensino de biologia, mas ainda</p><p>não é vista no contexto escolar de forma satisfatória. Vários são os fatores que dificultam o</p><p>ensino e a aprendizagem desse tema, como: a presença de distorções conceituais; livros</p><p>didáticos com definições rígidas; ausência de contexto histórico-social e abordagens</p><p>errôneas deste conceito vinculado à mídia (OLIVEIRA; CESCHIM; CALDEIRA, 2018;</p><p>LIPORINI et al., 2020). Além disso, as crenças pessoais dos alunos e professores também</p><p>podem dificultar o ensino de evolução em sala de aula (MOTTA; BIZZO; ARAÚJO, 2018;</p><p>ZABOTTI; JUSTINA, 2020).</p><p>Uma das maiores dificuldades apontadas por alunos e professores é a abstração dos</p><p>conhecimentos, conceitos e processos, associados à teoria evolutiva das espécies. O</p><p>entendimento dos mecanismos que atuam nas populações é complexo e não observável</p><p>facilmente no dia-a-dia, pois demandam de um longo período de tempo para ocorrer,</p><p>dificultando a compreensão dos alunos (OLIVEIRA; MENEZES; DUARTE, 2017). Esse</p><p>entrave proporciona uma compreensão superficial por parte dos alunos (e até de alguns</p><p>professores), incitando-os a acreditar que a evolução dos seres vivos seria algo imediatista</p><p>e de mudanças drásticas e rápidas (ASSIS et al., 2008).</p><p>A teoria evolutiva das espécies deve ser compreendida a partir da interação de</p><p>mecanismos evolutivos, meio ambiente e das populações. O entendimento dos conceitos-</p><p>chave dos mecanismos evolutivos – adaptação, seleção natural, mutação e deriva genética</p><p>– são essenciais para a compreensão de toda a teoria evolutiva (ZAMBERLAN; SILVA,</p><p>2012). Contudo, os alunos sentem dificuldade de compreender esses conceitos por</p><p>apresentarem características sutis no ambiente e demandarem tempo para a atuação</p><p>(LUCKMANN; SOARES, 2019).</p><p>4 REnCiMa, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 1-15, jan./mar. 2021</p><p>Como uma forma de tentar minimizar os problemas de entendimento e aprendizado</p><p>nas aulas de biologia, as metodologias alternativas de ensino vêm se destacando como</p><p>aliadas do processo pedagógico (NICOLA; PANIZ, 2016; ARAÚJO et al., 2018; ARAÚJO;</p><p>LEITE, 2020). Os professores, em sala de aula, podem buscar essas metodologias para</p><p>que tornem as aulas e a assimilação do conteúdo um momento descomplicado, de forma</p><p>mais eficiente e que produza resultados satisfatórios. O lúdico se faz importante como um</p><p>recurso didático dinâmico e planejado com uma concepção construtivista (SANTOS et al.,</p><p>2018; FERREIRA; SANTOS, 2019).</p><p>Os jogos didáticos são ferramentas eficientes e de baixo custo no processo</p><p>educativo. Eles têm a capacidade de tornar as aulas mais dinâmicas e interativas</p><p>(OLIVEIRA et al., 2016). Recursos dessa natureza são importantes no desenvolvimento de</p><p>habilidades para resolução de problemas e a apropriação de conceitos de caráter complexo</p><p>(SOARES et al., 2016). Os jogos didáticos e outras metodologias alternativas motivam o</p><p>aluno, transformando o aprendizado em uma construção mais dinâmica (ACRANI et al.,</p><p>2020).</p><p>As metodologias alternativas auxiliam na construção do conhecimento científico por</p><p>caminhos próprios de raciocínio e habilidades, constituindo um aprendizado mais eficiente</p><p>e conectado com o cotidiano (PIFFERO et al., 2020). O aluno, ao tentar interpretar e</p><p>solucionar os problemas propostos pelo jogo, acaba aprendendo de forma inconsciente o</p><p>conteúdo de interesse da aula. Isso acontece porque ele internaliza os termos, os conceitos,</p><p>as palavras-chave, os processos e os mecanismos durante a interpretação, pois seu</p><p>raciocínio lógico é instigado (CONCEIÇÃO; MOTA; BARGUIL, 2020).</p><p>Várias metodologias consideradas simples e muito utilizadas no cotidiano escolar</p><p>conseguem auxiliar os alunos com dificuldades de compreensão (SANTOS et al., 2016). A</p><p>simples utilização de projeções de figuras ampliadas ou reproduções palpáveis, construção</p><p>e uso de modelos didáticos, aulas práticas e de campo, simulações e aulas invertidas é</p><p>motivadora e facilita o aprendizado do aluno. Instrumentos que o auxiliem a visualizar o que</p><p>o professor tenta transmitir apenas de forma verbal contribuem no ensino, além de</p><p>despertar interesse pelo novo (SANTOS; SILVA, 2020).</p><p>Os alunos sentem-se mais motivados a aprender quando são protagonistas do seu</p><p>aprendizado, não apenas quando o assunto é repassado (FONSECA; MATTAR NETO,</p><p>2017). Assim, um avanço na prática escolar mais tradicional é a utilização de recursos</p><p>audiovisuais no auxílio de conteúdos mais abstratos e de difícil compreensão, visto que</p><p>eles melhoram significativamente a aprendizagem de determinados assuntos no ensino de</p><p>5 REnCiMa, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 1-15, jan./mar. 2021</p><p>biologia (OLIVEIRA et al., 2017; ARAÚJO et al., 2018).</p><p>O uso do lúdico no ensino permite que o aluno integre as suas diferentes dimensões</p><p>como ser humano, desenvolvendo diversos aspetos cognitivos, sociais e afetivos. Essas</p><p>ferramentas são utilizadas na busca de um aprimoramento no ensino e em uma</p><p>aprendizagem de qualidade (OLIVEIRA et al., 2016; SILVA; FERREIRA; SILVA, 2020). Os</p><p>professores devem buscar abordagens de ensino que tornem as aulas e a assimilação do</p><p>conteúdo um momento descomplicado que, de forma mais eficiente, produza resultados</p><p>satisfatórios (LARA et al., 2017; PALHETA JÚNIOR et al., 2018).</p><p>O presente trabalho teve como objetivo avaliar a utilização de um jogo didático, “Vida</p><p>na lagoa”, desenvolvido e aplicado com propósito de facilitar o entendimento dos alunos de</p><p>uma escola pública do Piauí sobre os processos e mecanismos evolutivos.</p><p>Material e métodos</p><p>Caracterização da amostra</p><p>O estudo foi realizado em uma escola pública estadual, que oferece apenas Ensino</p><p>Médio, localizada na cidade de Floriano – PI (06° 46' 01” S, 43° 01' 22” O e altitude de 140</p><p>m). O grupo amostral foi 32 alunos que cursavam a 3ª série do Ensino Médio no turno</p><p>vespertino. Entre os participantes do estudo 75% eram do sexo feminino e 25% do sexo</p><p>masculino, os alunos tinham idades variando entre 17 a 20 anos. O critério de inclusão no</p><p>estudo foi o aceite na participação das atividades desenvolvidas.</p><p>Instrumento de coleta de dados</p><p>A pesquisa foi delimitada por um estudo de natureza qualitativa e quantitativa com</p><p>enfoque descritivo. As características da população estudada foram descritas, observando</p><p>o fenômeno de interesse e estabelecendo relações entre as variáveis identificadas. As</p><p>qualidades e características das variáveis são discutidas a partir das percentagens e</p><p>proporções obtidas (GIL, 2019).</p><p>A coleta de dados foi por meio de questionários aplicados em dois momentos</p><p>distintos: antes (pré-teste) e após (pós-teste) a aplicação do jogo. O lúdico foi utilizado como</p><p>ferramenta no auxílio da abordagem de conceitos relacionados à evolução biológica. Os</p><p>questionários eram compostos por perguntas objetivas e subjetivas, que versavam sobre</p><p>conceitos da evolução biológica das espécies: adaptação, deriva genética, evolução,</p><p>mutação e seleção natural.</p><p>6 REnCiMa, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 1-15, jan./mar. 2021</p><p>A aplicação dos questionários buscou analisar os conhecimentos prévios dos alunos</p><p>sobre a temática e identificar possíveis melhorias das respostas anteriores. Além disso,</p><p>procurou-se entender, no pós-teste, a opinião dos alunos em relação às metodologias mais</p><p>utilizadas durante as aulas de biologia e quais delas foram consideradas mais eficientes.</p><p>Atividade de intervenção</p><p>O jogo “Vida na lagoa” é embasado na teoria da evolução biológica das espécies.</p><p>Essa ferramenta propicia aos jogadores o entendimento de processos naturais que uma</p><p>população pode experimentar ao longo da vida, e como estes podem influenciar na seleção</p><p>natural e adaptação ao meio em que vivem (Figura 1).</p><p>Figura 1: Caminho, lagoas, cartas e peixes coloridos do Jogo “Vida na lagoa”</p><p>Fonte: Acervo da pesquisa</p><p>O jogo é composto por um tabuleiro com quatro lagoas, que formam os habitats de</p><p>adaptação, e um caminho que é percorrido pelos jogadores com pinos de diferentes cores</p><p>representando os componentes de cada lagoa. O objetivo é buscar o aumento da taxa</p><p>populacional em cada lagoa, enfrentando condições adversas e/ou favoráveis à</p><p>7 REnCiMa, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 1-15, jan./mar. 2021</p><p>sobrevivência dos indivíduos em cada habitat, tal como acontece no ambiente natural4.</p><p>Regras do jogo</p><p>Os participantes devem construir uma população mais adaptada (maior número de</p><p>peixes) às condições ambientais propostas, vencendo ao final das rodadas quem apresenta</p><p>uma maior população. O jogo possui cartas com informações classificadas em diferentes</p><p>tipos: deriva genética (acontecimentos que mudavam o ritmo e condições de vida na lagoa),</p><p>mutações (características que facilitavam o enfrentamento de situações pelas populações);</p><p>predação (quantidades de indivíduos que serão perdidos em cada rodada); reprodução</p><p>(quantidades de indivíduos que serão gerados em cada rodada) e seleção natural (escolha</p><p>de determinadas características que melhorariam [ou não] as populações). A quantidade</p><p>de peixes é determinada pelos acontecimentos que vem descritos nas cartas retiradas</p><p>pelos jogadores a cada rodada. A perda ou ganho na população das lagoas contabiliza</p><p>pontos para os participantes; o ritmo do jogo é comandado por um dado.</p><p>Os participantes devem retirar as cartas com as informações que mudam a</p><p>quantidade das populações de suas lagoas. Esses acontecimentos vão desde melhores</p><p>adaptações ao meio, como também fatos inesperados que alteram drasticamente a vida</p><p>das populações. A ideia inicial do jogo, com utilização de caminhos, cartas, pinos, habitats</p><p>e animais, pode ser adaptada a diferentes contextos e a conteúdos para serem trabalhados</p><p>com os mais diversos públicos.</p><p>Análise estatística</p><p>Os dados coletados durante a pesquisa foram analisados de forma quantitativa, com</p><p>a construção de tabelas demonstrando as porcentagens das respostas produzidas nos</p><p>questionários pré-teste e pós-teste, relacionando numericamente os índices de acertos e</p><p>erros, antes e após a aplicação do jogo “Vida na lagoa”. O percentual de acertos no pré-</p><p>teste e pós-teste foi analisado pelo ganho normalizado de aprendizagem (g). A equação</p><p>permite conhecer a progressão do aprendizado, em relação à temática trabalhada, sendo</p><p>categorizados em: ganho alto (g ≥0,70), médio (0,30 ≤g<0,70) e baixo (g<0,30) (HAKE,</p><p>1998). O ganho médio normalizado (g) é definido pela equação:</p><p>4 O jogo está disponibilizado no link https://drive.google.com/file/d/1EPbIu_-</p><p>0zJhRof8Y3PNfdxWk6N7qW3Z/view?usp=sharing para uso, aprimoramento e adequação por outros professores.</p><p>https://drive.google.com/file/d/1EPbIu_-0zJhRof8Y3PNfdxWk6N7qW3Z/view?usp=sharing</p><p>https://drive.google.com/file/d/1EPbIu_-0zJhRof8Y3PNfdxWk6N7qW3Z/view?usp=sharing</p><p>8 REnCiMa, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 1-15, jan./mar. 2021</p><p>𝑔 =</p><p>% 𝑝ó𝑠 − %𝑝𝑟é</p><p>100 − % 𝑝𝑟é</p><p>%pós = percentual de acertos do estudante no pós-teste.</p><p>%pré = percentual de acertos do estudante no pré-teste.</p><p>A análise qualitativa dos dados foi realizada a partir dos resultados da aplicação do</p><p>jogo, em relação ao aprendizado dos alunos, analisando suas falas e suas opiniões</p><p>expressas nos questionários. Ademais, houve também uma discussão teórica sobre as</p><p>metodologias apontadas como de frequente uso pelo professor, as quais eram</p><p>consideradas como mais efetivas para o aprendizado pelos alunos.</p><p>Resultados e discussões</p><p>Os alunos tiveram melhor desempenho nos principais conceitos evolutivos no pós-</p><p>teste. O ganho normalizado de aprendizagem (g) mostrou que a metodologia permitiu</p><p>melhor assimilação dos conhecimentos referentes a evolução biológica das espécies.</p><p>Conceitos como mutação e seleção natural tiveram os maiores valores de g, com 0,60 e</p><p>0,54, respectivamente. O conceito de evolução foi o que possuiu menor valor de g (Tabela</p><p>1).</p><p>Tabela 1: Respostas dos alunos sobre conceitos evolutivos (pré-teste e pós-teste)</p><p>g – Valores para ganho normalizado de aprendizagem, segundo Hake (1998): alto</p><p>(g ≥0,70), médio (0,30 ≤ g <0,70) e baixo (g<0,30); Fonte: Dados da pesquisa</p><p>Dionízio, Barros e Fernandes Sobrinho (2020) constataram que ao utilizar alguns</p><p>jogos didáticos, especificamente um virtual, influenciaram positivamente o aprendizado de</p><p>conceitos científicos em biologia pelos alunos. Rocha et al. (2017) também se utilizaram de</p><p>um jogo didático e observaram uma compreensão, pelos alunos, mais efetiva em relação</p><p>apenas a utilização da aula expositiva. A partir da utilização do jogo, que demonstrava o</p><p>processo de transcrição e tradução, os alunos conseguiram entender até mesmo um</p><p>assunto considerado abstrato e de difícil compreensão. O jogo traz partes palpáveis,</p><p>mimetiza os processos e encaminha o aluno para uma visão macroscópica do conteúdo,</p><p>Conceito Pré-teste (%) Pós-teste (%) g</p><p>Adaptação 21,88 53,12 0,40</p><p>Deriva genética 31,25 62,50 0,46</p><p>Evolução 53,12 65,62 0,27</p><p>Mutação 68,75 87,50 0,60</p><p>Seleção natural 18,75 62,50 0,54</p><p>9 REnCiMa, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 1-15, jan./mar. 2021</p><p>tornando-o mais fácil de assimilar.</p><p>Quibão et al. (2019) observaram uma progressão média (g=0,38) nos conhecimentos</p><p>dos alunos de turmas submetidas à aplicação de metodologias alternativas, como jogos</p><p>didáticos. Isso sugere os aspectos positivos da utilização das metodologias alternativas no</p><p>ensino aprendizado, a partir de atividade de interação entre professores e alunos em sala</p><p>de aula. Silva et al. (2019) aplicaram uma oficina de metodologias alternativas no ensino de</p><p>ciências e fizeram uso de jogos didático, concluíram a partir disso que, mesmo as</p><p>metodologias apresentando ganhos relativamente baixos (g ≤ 0,20), foram efetivas, pois</p><p>qualquer ganho de aprendizado é positivo em relação ao conhecimento dos alunos.</p><p>Os alunos avaliaram o uso dos jogos no ensino de biologia, assim, discutiram as</p><p>possíveis contribuições na forma de conceituar os termos evolutivos. Com base nas</p><p>respostas, observou-se que 97% dos alunos afirmaram que “sim” (o jogo facilitou a</p><p>construção do conceito) e 3% dos alunos disseram que não sentiram diferença, mas sem</p><p>apresentar justificativa. Como justificativas das afirmativas positivas, destaca-se algumas</p><p>respostas:</p><p>“Após e durante os jogos aprendemos várias informações que nos ajudaram a responder,</p><p>afinal aprendemos brincando.” (Aluno A);</p><p>“Além de ensinar os alunos vão aprender se divertindo e com isso acaba despertando o</p><p>interesse.” (Aluno B);</p><p>“O uso de uma atividade mais atrativa, o conteúdo se aplica e entra melhor em nossa mente.”</p><p>(Aluno C).</p><p>Os relatos dos alunos sugerem que o jogo, por meio da ludicidade pode contribuir na</p><p>compreensão de conceitos mais complexos, despertou interesse no conteúdo trabalhado,</p><p>além de promover um momento de descontração e diversão, tornando o ensino mais</p><p>dinâmico.</p><p>Outros autores também demostraram a eficácia do uso de jogos didáticos no ensino</p><p>de conceitos evolutivos, como Ferreira e Silva (2017), com o uso de jogos no formato “bean</p><p>bag” que se utiliza de feijões para demonstrar os processos evolutivos. Essa, do mesmo</p><p>modo, foi uma metodologia que despertou interesse dos alunos e facilitou o entendimento</p><p>da teoria sintética da evolução. Os jogos induzem o aluno a raciocinar e a escolher as</p><p>melhores táticas, assim, fazendo-o pensar sobre o conteúdo de forma indireta, resultando</p><p>em um aprendizado mais ativo.</p><p>Jogos recreativos com cunho educativo se mostram como uma técnica que motiva</p><p>os alunos fazendo com que eles se sintam provocados a refletir sobre o conteúdo e, até</p><p>10 REnCiMa, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 1-15, jan./mar. 2021</p><p>mesmo, a abrir debate em sala de aula (FERREIRA; SANTOS, 2019; ACRANI et al., 2020).</p><p>Jogos didáticos, quando avaliados pelos alunos, recebem comentários positivos em relação</p><p>ao aprendizado, o que reafirma a importância da utilização dessas metodologias para a</p><p>motivação e aprendizado dos alunos (THEODORO;</p><p>COSTA; ALMEIDA, 2015; HONÓRIO</p><p>et al., 2018).</p><p>Em seguida, por meio do questionário pós-teste, buscou-se compreender a</p><p>percepção dos alunos quanto às metodologias de ensino utilizadas pela professora titular,</p><p>durante a sua prática pedagógica a partir das seguintes perguntas (P): (P. 1) quais</p><p>metodologias seriam mais efetivas para o aprendizado; (P. 2) quais metodologias são</p><p>utilizadas com mais frequência nas aulas de Biologia; (P. 3) quais as melhores</p><p>metodologias podem ser utilizadas nas aulas de Evolução e (P. 4) como foi abordado o</p><p>assunto de Evolução em sala de aula e quais as metodologias foram utilizadas. Dentre as</p><p>opções apresentadas em cada pergunta, os alunos poderiam marcar mais de uma</p><p>alternativa (Tabela 2).</p><p>Tabela 2: Percepção dos alunos quanto a utilização de metodologias diversificadas.</p><p>Tipos de metodologias P1 (%) P2 (%) P3 (%) P4 (%)</p><p>Aula expositiva 7,0 14,3 9,3 51,3</p><p>Práticas e experimentos 67,4 14,3 33,3 2,6</p><p>Jogos didáticos 18,6 2,9 37,1 2,6</p><p>Slides com imagens 4,7 65,6 20,3 43,5</p><p>Outros 2,3 2,9 - -</p><p>P: pergunta; (P. 1) quais metodologias seriam mais efetivas para o aprendizado; (P. 2) quais</p><p>metodologias são utilizadas com mais frequência nas aulas de Biologia; (P. 3) quais as melhores</p><p>metodologias podem ser utilizadas nas aulas de Evolução e (P. 4), como foi abordado o assunto</p><p>de Evolução em sala de aula, quais as metodologias foram utilizadas. Fonte: Dados da pesquisa.</p><p>Em relação a P.1, as práticas e experimentações se sobressaíram sobre as demais</p><p>alternativas, como também 2,3% dos alunos destacaram a importância do uso de</p><p>dinâmicas. Sobre a P.2, dentre as alternativas apresentadas a que mais se destacou foi a</p><p>utilização de slides dos conteúdos durante as aulas da disciplina de Biologia, com 65,60%.</p><p>Também foi indicada, como outra metodologia utilizada, a aplicação de seminários para os</p><p>alunos.</p><p>Depois, em P.3, todos os alunos afirmaram que acham necessária a utilização de</p><p>metodologia alternativa, já que todos marcaram pelo menos uma alternativa. Como</p><p>resultado, as assertivas que mais se destacaram foram os jogos didáticos e as práticas e</p><p>experimentações que obtiveram respectivamente, 37,10% e 33,30%. Na P.4, os alunos</p><p>apontaram que a maior parte das aulas é expositiva, através do auxílio de livro e slides,</p><p>11 REnCiMa, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 1-15, jan./mar. 2021</p><p>com 51,30% e 43,50%, respectivamente.</p><p>Alencar et al. (2019) investigaram a visão dos alunos em relação aos jogos e outras</p><p>metodologias alternativas utilizadas no desenvolvimento da pesquisa. Os autores</p><p>identificaram o desempenho positivo dos alunos, sugerindo que o uso de metodologias</p><p>diversificadas durante as aulas de biologias é eficiente. A utilização de recursos</p><p>audiovisuais também garante uma projeção em alta resolução e detalhada de imagens.</p><p>Essa ampliação e melhoria na visualização do conteúdo, como um todo, auxilia o aluno na</p><p>compreensão fazendo com que ele pense, aprenda, questione e, principalmente, sinta-se</p><p>instigado a aprender mais (PALHETA JÚNIOR et al., 2018; PEREIRA; ARAÚJO, 2020).</p><p>A partir da observação dos resultados obtidos com a aplicação do jogo didático e dos</p><p>questionários pré-teste e pós-teste, percebe-se que o jogo “Vida na lagoa”, de fato, motiva</p><p>os alunos a buscar uma resolução dos problemas evolutivos. Como resultado, obteve-se</p><p>uma maior compreensão dos conceitos e dos processos contidos na resolução dos</p><p>problemas. Assim, a pesquisa auxilia em tantas outras na demonstração de que a</p><p>Educação Básica brasileira necessita se utilizar cada vez mais das metodologias</p><p>alternativas e diversificadas. Os professores devem buscar atingir os mais diferentes tipos</p><p>de aprendizado com o intuito de alcançar o maior número de alunos, motivando-os e</p><p>contextualizando conceitos abstratos.</p><p>Considerações Finais</p><p>O desenvolvimento desta pesquisa possibilitou criar, aplicar e analisar o uso do jogo</p><p>“Vida na lagoa”, voltado para a abordagem da teoria da evolução biológica no Ensino Médio,</p><p>buscando uma compreensão mais eficiente de conceitos pelos alunos. Além disso, também</p><p>permitiu realizar uma pesquisa de campo a fim de compreender a opinião dos discentes</p><p>sobre o uso de metodologias alternativas, e como o professor pode facilitar o aprendizado</p><p>destes.</p><p>O jogo auxiliou os alunos no aprendizado dos conceitos embasados da teoria</p><p>evolutiva. Mesmo apresentando ganho de aprendizado considerado médio, mostrou uma</p><p>efetividade na melhoria da compreensão do assunto e de conceitos importantes,</p><p>contribuindo na mudança positiva em relação às respostas. Isso foi percebido tanto na</p><p>análise de dados gerados pelas conceituações, como pelas próprias palavras dos alunos.</p><p>Os discentes, na sua maioria, afirmaram que o jogo auxiliou no momento de responder o</p><p>teste e deram justificativas que corroboraram com os resultados.</p><p>12 REnCiMa, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 1-15, jan./mar. 2021</p><p>Com a análise do questionário foi possível verificar quais as metodologias são</p><p>utilizadas com mais frequência em sala de aula pelo professor, e quais ferramentas os</p><p>alunos indicam como mais significativas à aprendizagem e à motivação. Nesse sentido, a</p><p>pesquisa contribuiu tanto para a criação e a verificação da aplicabilidade e eficiência do</p><p>jogo, como também para a constituição de uma porta de observação do ensino. Além disso,</p><p>propiciou o levantamento da opinião dos alunos quanto a métodos facilitadores de</p><p>aprendizado.</p><p>Este estudo mostrou a contribuição do jogo no entendimento de conceitos evolutivos,</p><p>como também da importância das metodologias e ferramentas diferenciadas no ensino.</p><p>Nas futuras pesquisas e aplicações de metodologias alternativas cabe empenhar-se na</p><p>melhoria das ferramentas didáticas, a fim de alcançar ganhos mais significativos no</p><p>aprendizado dos alunos sobre conceitos complexos e abstratos.</p><p>O jogo “Vida na lagoa” permanece como um produto da pesquisa disponível para</p><p>utilização, melhoria, reformulação e adaptação por outros professores, atendendo as suas</p><p>necessidades e a sua realidade escolar. Com isso, propõe-se ampliar a utilização dos jogos</p><p>didáticos no ensino de biologia como forma de buscar minimizar as dificuldades observadas</p><p>na prática escolar.</p><p>Referências</p><p>ACRANI, S. et al. A utilização de jogos didáticos como estratégia de aprendizagem no</p><p>ensino de biologia. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 2, p. 7930-7935, 2020.</p><p>ALENCAR, G. M. et al. A utilização de jogos didáticos no processo de ensino-aprendizado</p><p>em Biologia. Areté, v. 12, n. 25, p. 216-226, 2019.</p><p>ARAÚJO, M. S.; LEITE, A. “O caminho das ervilhas”: recurso didático no ensino da genética</p><p>mendeliana. Revista de Ensino de Ciências e Matemática (REnCiMa), São Paulo, v. 11,</p><p>n. 6, p. 514-529, 2020.</p><p>ARAÚJO, M. S. et al. A Genética no contexto de sala de aula: dificuldades e desafios em</p><p>uma escola pública de Floriano-PI. Revista de Ensino de Ciências e Matemática</p><p>(REnCiMa), v. 9, n. 1, p. 19-30, 2018.</p><p>ASSIS, J. E. et al. 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