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<p>03/04/23, 11:47 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/13</p><p>FUNDAMENTOS TEÓRICOS DA</p><p>LITERATURA</p><p>AULA 1</p><p>03/04/23, 11:47 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/13</p><p>Prof. Phelipe de Lima Cerdeira</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Estimado (a) aluno (a), receba as nossas boas-vindas!</p><p>Muito provavelmente, este é um dos primeiros contatos – se não o primeiro – da área de</p><p>estudos literários com você. Após uma trajetória de formação e de estudos no ensino médio, chega o</p><p>momento de abrir um novo capítulo em sua história como estudante: a proposta é estreitar relações</p><p>com temas que sempre lhe despertaram interesse; estar aberto para entender que crescemos a partir</p><p>do diálogo; deixar-se surpreender por discussões antes não imaginadas ou pouco aprofundadas; e,</p><p>ainda, (re)pensar a cada momento as certezas cristalizadas.</p><p>A partir deste material, damos início à discussão da nossa disciplina, um dos conteúdos que</p><p>dizem respeito à grade obrigatória do nosso curso de graduação. Será possível perceber que esta</p><p>disciplina se apresenta como uma grande possibilidade para rever determinados conceitos e alinhar</p><p>as principais questões que terão de fazer parte do seu horizonte crítico. Isso significa que tudo o que</p><p>abordaremos em cada um dos encontros terá a finalidade de lhe deixar mais à vontade, com</p><p>segurança para cursar as demais disciplinas que farão parte do módulo relacionado à literatura.</p><p>Ainda que falemos aqui em “disciplina obrigatória”, precisamos esclarecer um ponto</p><p>fundamental desde o princípio: o nosso grande desafio será, a todo momento, desconstruir a</p><p>sensação de exigência e de certo monitoramento intelectual atrelada ao texto literário ao longo de</p><p>nossa formação na educação básica. Ainda que ganhe foco de interesse teórico e crítico por conta do</p><p>desenvolvimento de uma área específica, os estudos literários, a literatura precisa existir sempre</p><p>como manifestação discursiva. A premissa que, sim, merece valor inicial quando se alude à literatura</p><p>é a da fruição, do prazer advindo da leitura. Ainda que se referindo pontualmente ao livro, ao objeto</p><p>que personifica o plano literário, o poeta gaúcho Mario Quintana parece nos ajudar a lembrar sobre</p><p>o poder da literatura: “O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo</p><p>acompanhado” (Quintana, S.d.).</p><p>03/04/23, 11:47 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 3/13</p><p>Para que possamos acompanhar toda a discussão com atenção e tranquilidade, todas as nossas</p><p>aulas seguirão uma divisão bastante intuitiva e pedagógica. A proposta é que todo o raciocínio possa</p><p>ser apresentado de maneira clara, facilitando a retomada de algum tema específico que precise ser</p><p>revisado ou, ainda, que acabou lhe despertado maior interesse. Nesta aula, por exemplo, o conteúdo</p><p>contará com a seguinte a proposta de seções:</p><p>1. Contextualizando;</p><p>2. Antes de literatura, littera;</p><p>3. Literatura para quê?;</p><p>4. A literatura está em perigo?;</p><p>5. Literatura, um direito;</p><p>6. Na prática;</p><p>7. Finalizando;</p><p>8. Referências.</p><p>É sempre importante reforçar que, ao falar de literatura, espera-se que a leitura seja uma ação</p><p>presente e necessária. Contamos com a sua participação aqui e também em nossas conversas a partir</p><p>de videoaulas, fóruns e atividades extra-curriculares que possam vir a ser oferecidas. Que possamos</p><p>estabelecer um diálogo profícuo até o final deste módulo, (re)descobrindo um mundo chamado</p><p>literatura. Bons estudos!</p><p>TEMA 1 – CONTEXTUALIZANDO</p><p>É muito provável que você tenha ouvido falar em um certo filósofo grego clássico chamado</p><p>Sócrates, não é mesmo? O que ele tem a ver conosco, com as letras e com a literatura? Basicamente,</p><p>tudo. Em um momento apropriado, em uma disciplina que verse sobre a literatura clássica, por</p><p>exemplo, será possível conhecer as contribuições socráticas para o desenvolvimento dos estudos</p><p>literários. Por enquanto, o que nos interessa aqui é retomar o nome de Sócrates para demonstrar a</p><p>importância de tomar a literatura não com uma leitura ou interpretação pronta, decorada, mas</p><p>sempre com uma boa desconfiança, com o interesse de querer ler e perceber diferentes detalhes.</p><p>03/04/23, 11:47 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 4/13</p><p>Com ajuda de muitas das reflexões socráticas, aprendemos que a única certeza possível é a</p><p>dúvida. O que isso quer dizer na prática? Significa que, ao longo de toda a sua formação, você</p><p>perceberá o quanto novas leituras podem ajudar a problematizar o que é apresentado, criando novas</p><p>perguntas e possibilidades para se abordar um mesmo tópico. A partir das letras, (re)escrevemos</p><p>novos caminhos para o aprender e descobrimos, como diria o escritor argentino Jorge Luís Borges,</p><p>que um só jardim pode apresentar diferentes caminhos que se bifurcam. O estudo da literatura,</p><p>assim, apresenta-nos diferentes aspectos que podem ser estudados e esmiuçados, de acordo com o</p><p>nosso recorte de atenção ou objetivo.</p><p>Como vimos desde a apresentação desta disciplina, a literatura – seja a partir de um romance, de</p><p>um poema, de uma obra dramática, de um conto, de uma crônica, de ensaio ou de qualquer outro</p><p>dos seus gêneros e manifestações possíveis – nos convida a pensar. Não é segredo algum que a</p><p>melhor maneira para se começar a falar sobre a literatura é por meio da própria literatura. Por conta</p><p>disso, antes de seguir com as nossas proposições, vale a pena nos dedicarmos à leitura de um</p><p>fragmento de um verdadeiro clássico da literatura brasileira. A alusão aqui é para o romance Grande</p><p>sertão: veredas, de João Guimarães Rosa:</p><p>Sou só um sertanejo, nessas altas ideias navego mal. Sou muito pobre coitado. Inveja minha pura é</p><p>de uns conforme o senhor, com toda leitura e suma doutoração. Não é que eu esteja analfabeto.</p><p>Soletrei, anos e meio, meante cartilha, memória e palmatória. Tive mestre, Mestre Lucas, no</p><p>Curralinho, decorei gramática, as operações, regra-de-três, até geografia e estudo pátrio. Em folhas</p><p>grandes de papel, com capricho tracei bonitos mapas. Ah, não é por falar: mas, desde do começo,</p><p>me achavam sofismado de ladino. E que eu merecia de ir para cursar latim, em Aula Régia – que</p><p>também diziam. Tempo saudoso! Inda hoje, apreceio um bom livro, despaçado. (Rosa, 2010, p. 30)</p><p>O excerto que você acaba de ler foi retirado de uma das obras brasileiras mais lidas até hoje e</p><p>que, sem dúvida alguma, marcou novos caminhos para o desenvolvimento do gênero romanesco</p><p>não somente no Brasil. Publicada pela primeira vez no ano de 1956, a obra Grande sertão: veredas nos</p><p>apresenta a realidade sertaneja a partir da perspectiva da personagem Riobaldo, que é também o</p><p>narrador de toda a trama. Sem nos preocuparmos em uma leitura mais crítica e especializada, ou</p><p>seja, apenas com o compromisso de ter a experiência de ler o texto, o que será que este trecho nos</p><p>provoca? Tente responder esta pergunta voltando para a citação e relendo cada frase como se</p><p>estivesse buscando o sabor das palavras. Como você poderia descrever quem está falando? Seria</p><p>alguém novo? Viveria em qual parte do Brasil? Conhece outras realidades? Este narrador está falando</p><p>03/04/23, 11:47 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 5/13</p><p>com alguém? Se sim, a pessoa com quem ele fala é diferente? Existe algo que desperte o interesse</p><p>deste narrador chamado Riobaldo?</p><p>De forma rápida e sem a preocupação de um rigor crítico, fica evidente como um fragmento de</p><p>um romance nos permite elencar diversas perguntas, aguçando a nossa criatividade, conectando-nos</p><p>com informações e leituras anteriores, provocando a nossa imaginação e curiosidade. Assim, fazendo</p><p>perguntas para nós mesmos, relacionando conhecimentos, dialogando com demais leituras, fruindo o</p><p>texto, ou seja, permitindo realmente ter prazer ao ler é que nos aproximamos do que deve ser a</p><p>literatura.</p><p>Entendidos tais compromissos iniciais, podemos nos dedicar a uma pergunta pontual para o</p><p>nosso primeiro encontro: caso tivéssemos lido aquele mesmo trecho, mas sem saber</p><p>percebia que, cada vez mais, a literatura era tratada de forma secundária, transformando-se em refém</p><p>de uma perspectiva que a transformava em ferramenta para identificação de estruturas ou</p><p>simplesmente uma replicação de uma leitura engessada. Ora, como vimos desde o início, tal postura</p><p>é exatamente o contrário do que se espera para um discurso como o literário, que almeja o diálogo</p><p>constante e o envolvimento dos leitores. Em uma sociedade cada vez mais utilitária, a perspectiva</p><p>humanista e a concepção de que o estímulo à reflexão é a chave para o desenvolvimento passavam a</p><p>ser ameaçadas pelo afã tecnicista e pela desculpa da não praticidade. Ao perceber todo o cenário</p><p>francês de aprendizado – mas que, decididamente, poderia ser replicado para a grande maioria dos</p><p>países ocidentais – Compagnon dedica uma aula inaugural no Collège de France. Dos seus</p><p>apontamentos, surge o ensaio Literatura para quê?, traduzido e publicado no Brasil em 2009.</p><p>A ideia de resgatar esse trabalho é demonstrar como o crítico francês parte da provocação</p><p>daqueles que minimizam a relevância da literatura para a formação humana. Ao longo dos seus</p><p>argumentos, Compagnon atesta:</p><p>Não é que achemos na literatura verdades universais, nem regras gerais, nem somente exemplos</p><p>límpidos. [...] Ora, a literatura age diferentemente dos mandamentos, mas também das parábolas.</p><p>[...] A literatura, exprimindo a exceção, oferece um conhecimento diferente do conhecimento</p><p>erudito, porém mais capaz de esclarecer os comportamentos e as motivações humanas. Ela pensa,</p><p>mas não como a ciência ou a filosofia. Seu pensamento é heurístico (ela jamais cessa de procurar),</p><p>não algorítmico: ela procede tateando, sem cálculo, pela intuição, com faro. (Compagnon, 2009, p.</p><p>51)</p><p>Muito mais do buscar números ou resultados, cabe à literatura o exercício de seguir oferecendo</p><p>possibilidades, de não se contentar. É exatamente por conta disso que “A literatura nos ensina a</p><p>melhor sentir, e como nossos sentidos não têm limites, ela jamais conclui, mas fica aberta como um</p><p>03/04/23, 11:47 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 9/13</p><p>ensaio de Montaigne, depois de nos ter feito ver, respirar ou tocar as certezas e as indecisões, as</p><p>complicações e os paradoxos que se escondem atrás das ações [...]” (Compagnon, 2009, p. 51-52).</p><p>Se insistirmos na mesma pergunta, na razão pela qual estudamos literatura, será bastante</p><p>oportuno considerar uma ponderação mais recente, advinda da Argentina, a partir da escritora e</p><p>crítica María Teresa Andruetto:</p><p>[…] la literatura es todavía esa metáfora de la vida que sigue reuniendo a quien dice y quien</p><p>escucha en un espacio común, para participar de un misterio, para hacer que nazca una historia que</p><p>al menos por un momento nos cure de palabra, recoja nuestros pedazos, acople nuestras partes</p><p>dispersas, traspase nuestras zonas más inhóspitas, para decirnos que en lo oscuro también está la</p><p>luz, para mostrarnos que todo en el mundo, hasta lo más miserable, tiene su destello .</p><p>(Andruetto, 2013, p. 25)</p><p>TEMA 4 – A LITERATURA ESTÁ EM PERIGO?</p><p>Da mesma forma que Antoine Compagnon, o teórico Tzvetan Todorov dedicou espaço para</p><p>pensar sobre o assunto, utilizando as suas impressões de como a literatura passou a ser tratada nas</p><p>salas de aulas francesas a partir da década de 1960. De forma mais incisiva, Todorov parece denunciar</p><p>como a literatura passou a ser pensada não por conta das leituras das obras e do diálogo entre os</p><p>leitores, mas simplesmente pela impressão daquilo que pensavam os críticos. O perigo passado pela</p><p>literatura começava a ser, portanto, que a sua existência estivesse limitada ao conhecimento do que</p><p>outro escreveu, não necessariamente do prazer e da oportunidade de conhecer uma obra (seja ela</p><p>um romance, um livro de poesia, de contos, ou uma peça de teatro).</p><p>Se fôssemos pensar em nosso contexto, talvez seria exatamente o perigo que poderíamos passar</p><p>ao limitar a nossa experiência apenas na leitura de um artigo sobre uma obra ou, muito pior, basear</p><p>as nossas impressões simplesmente a partir de um resumo ou resenha. Isso soa familiar para você? É</p><p>exatamente isso o que queremos combater a partir desta disciplina, reforçando o quanto o caminho</p><p>pode – e deve – ser muito mais prazeroso quando apostamos na literatura como uma experiência</p><p>discursiva.</p><p>Em nossa realidade de estudantes e pesquisadores de letras, é preciso lembrar que o único e</p><p>grande perigo que a literatura corre é quando o direito ao prazer de ler é negado.</p><p>[1]</p><p>03/04/23, 11:47 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 10/13</p><p>TEMA 5 – LITERATURA: UM DIREITO</p><p>Por falar no direito ligado à literatura, seria impossível não reservar a última seção da nossa aula</p><p>para abordar o nome do crítico literário brasileiro mais profícuo e presente em nossos estudos:</p><p>Antonio Candido. Em sua obra Vários escritos (2004), é possível encontrar um ensaio chamado O</p><p>direito à literatura, um exame minucioso a respeito de como a literatura deve ser encarada como um</p><p>verdadeiro bem de primeira necessidade.</p><p>Para alicerçar os seus argumentos, Candido retoma a teoria do sociólogo Louis-Joseph Lebret,</p><p>baseada na diferença entre os bens compreensíveis e os bens incompreensíveis. Esses seriam todos e</p><p>quaisquer bens que jamais deveriam ser negados a alguém, tais como alimento, casa, roupa e a</p><p>própria literatura! Para justificar a sua afirmação, Candido endossa exatamente tudo o que discutimos</p><p>até aqui, demonstrando a necessidade de se entender como a ideia de literatura acabou se</p><p>transformando ao longo do tempo. Para aclarar, então, a sua perspectiva, o crítico brasileiro define:</p><p>Chamarei de literatura, da maneira mais ampla possível, todas as criações de toque poético,</p><p>ficcional ou dramático em todos os níveis de uma sociedade, em todos os tipos de cultura, desde o</p><p>que chamamos folclore, lenda, chiste, até as formas mais complexas e difíceis da produção escrita</p><p>das grandes civilizações.</p><p>Vista deste modo a literatura aparece claramente como manifestação universal de todos os homens</p><p>em todos os tempos. Não há povo e não há homem que possa viver sem ela, isto é, sem a</p><p>possibilidade de entrar em contacto com alguma espécie de fabulação. Assim como todos sonham</p><p>todas as noites, ninguém é capaz de passar as vinte e quatro horas do dia sem alguns momentos</p><p>de entrega ao universo fabulado. (Candido, 2004, 174, grifo nosso)</p><p>A relação indissociável entre a nossa vida e a literatura fica evidente na justificativa crítica de</p><p>Candido, mas seria mesmo a literatura um bem incompreensível? Exagero do professor Candido? Em</p><p>nossa perspectiva, muito pelo contrário, trata-se de um acerto, sobretudo por entender a literatura</p><p>como um discurso que viabiliza (re)significar e fazer pensar sobre a realidade. Ao destacar projetos</p><p>ficcionais, como a poesia de Castro Alves, Antonio Candido demonstra como a literatura é capaz de</p><p>demarcar um quadro do tempo e seguir sendo atual para a discussão não apenas do plano estético.</p><p>Sendo assim, “[u]ma sociedade justa pressupõe o respeito dos direitos humanos, e a fruição da arte e</p><p>da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável” (Candido, 2004,</p><p>p. 191).</p><p>03/04/23, 11:47 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 11/13</p><p>NA PRÁTICA</p><p>A partir de toda a nossa discussão nesta aula, passa a ser possível entender como a ideia a</p><p>respeito da literatura foi se transformando ao longo do tempo. Com base nessa discussão, reflita a</p><p>respeito das duas questões a seguir:</p><p>1. A que se deve o fato de que, muitas vezes, as pessoas acabam simplificando a ideia de</p><p>literatura para um sinônimo de texto escrito?</p><p>2. Como é possível relacionar as perspectivas de teóricos como Todorov, Compagnon e</p><p>Candido para pensar a literatura? Quais são os principais pontos de contato entre os três</p><p>teóricos no que diz respeito à compreensão da literatura?</p><p>FINALIZANDO</p><p>Como beletristas, estudantes de letras, precisamos estar atentos para não minimizarmos a</p><p>literatura apenas como um amontado</p><p>de conceitos ou classificações. Ao longo de toda esta aula, foi</p><p>possível ponderar como a ideia de literatura é flexível e mais ampla do que simplesmente um texto</p><p>que utiliza a linguagem sob uma proposta não usual. Por meio de reflexões como as de Antoine de</p><p>Compagnon, Tzvetan Todorov e Antonio Candido, começamos a perceber como a compreensão a</p><p>respeito da literatura passa a se adaptar conforme o tempo e o contexto de enunciação,</p><p>demonstrando, ainda, a relevância do plano ficcional para tensionar a realidade e fazer com que ela</p><p>seja questionada a todo instante.</p><p>Tal como lembrado pelo crítico literário Antonio Candido, vale a pena pensar na literatura</p><p>também como um direito de todos nós, humanos. Que ao final desta disciplina introdutória, esse</p><p>sentimento faça parte do seu horizonte de expectativas e que lhe estimule enquanto leitor (a) e,</p><p>claro, futuro (a) professor (a)! Nunca é demasiado lembrar que uma sociedade leitora se faz,</p><p>verdadeiramente, quando a literatura passa a fazer parte do nosso dia a dia, de nossas conversas, não</p><p>se restringindo a um conteúdo a ser medido por imposições estruturalistas ou expectativas que</p><p>apenas reduzem o potencial de um texto.</p><p>Para falar de literatura, temos, portanto, que vivê-la intensamente! Ou, dito de outra forma,</p><p>“[a]ssim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja</p><p>equilíbrio social sem a literatura” (Candido, 2004, p. 175).</p><p>03/04/23, 11:47 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 12/13</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANDRUETTO, M. T. Hacia una literatura sin adjetivosM. Córdoba: Comunic-Arte, 2013.</p><p>CANDIDO, A. Vários escritos. São Paulo: Duas cidades, 2004.</p><p>BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.</p><p>COMPAGNON, A. Literatura para quê? Belo Horizonte: UFMG, 2009.</p><p>EAGLETON, T. Teoria da literatura: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 1983.</p><p>LOPES, P. C. Literatura e linguagem literária. BOCC – Biblioteca On-line de Ciências da</p><p>Comunicação. Disponível em: <http://bocc.ubi.pt/pag/bocc-lopes-literatura.pdf>. Acesso em 12 mar.</p><p>2019.</p><p>MICHAELIS DICIONÁRIO BRASILEIRO DA LÍNGUA PORTUGUESA. Disponível em:</p><p><https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/>. Acesso em: 12 mar.</p><p>2019.</p><p>ROSA, J. G. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.</p><p>TODOROV, T. A literatura em perigo. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009.</p><p>“[...] a literatura é ainda essa metáfora da vida que segue reunindo a quem disse e a quem</p><p>escuta em um espaço comum, para participar de um mistério, para fazer que nasça uma história que,</p><p>ao menos por um momento, nos cure da palavra, recolha os nossos pedaços, junte as nossas partes</p><p>dispersas, transpasse as nossas zonas mais inóspitas, para nos dizer que, no escuro também há luz,</p><p>para nos mostrar que tudo no mundo, até o mais miserável, tem o seu brilho” (Tradução-livre).</p><p>[1]</p><p>03/04/23, 11:47 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 13/13</p>de conceitos ou classificações. Ao longo de toda esta aula, foi possível ponderar como a ideia de literatura é flexível e mais ampla do que simplesmente um texto que utiliza a linguagem sob uma proposta não usual. Por meio de reflexões como as de Antoine de Compagnon, Tzvetan Todorov e Antonio Candido, começamos a perceber como a compreensão a respeito da literatura passa a se adaptar conforme o tempo e o contexto de enunciação, demonstrando, ainda, a relevância do plano ficcional para tensionar a realidade e fazer com que ela seja questionada a todo instante. Tal como lembrado pelo crítico literário Antonio Candido, vale a pena pensar na literatura também como um direito de todos nós, humanos. Que ao final desta disciplina introdutória, esse sentimento faça parte do seu horizonte de expectativas e que lhe estimule enquanto leitor (a) e, claro, futuro (a) professor (a)! Nunca é demasiado lembrar que uma sociedade leitora se faz, verdadeiramente, quando a literatura passa a fazer parte do nosso dia a dia, de nossas conversas, não se restringindo a um conteúdo a ser medido por imposições estruturalistas ou expectativas que apenas reduzem o potencial de um texto. Para falar de literatura, temos, portanto, que vivê-la intensamente! Ou, dito de outra forma, “[a]ssim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura” (Candido, 2004, p. 175). 03/04/23, 11:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 12/13 REFERÊNCIAS ANDRUETTO, M. T. Hacia una literatura sin adjetivosM. Córdoba: Comunic-Arte, 2013. CANDIDO, A. Vários escritos. São Paulo: Duas cidades, 2004. BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. COMPAGNON, A. Literatura para quê? Belo Horizonte: UFMG, 2009. EAGLETON, T. Teoria da literatura: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 1983. LOPES, P. C. Literatura e linguagem literária. BOCC – Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação. Disponível em: <http://bocc.ubi.pt/pag/bocc-lopes-literatura.pdf>. Acesso em 12 mar. 2019. MICHAELIS DICIONÁRIO BRASILEIRO DA LÍNGUA PORTUGUESA. Disponível em: <https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/>. Acesso em: 12 mar. 2019. ROSA, J. G. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010. TODOROV, T. A literatura em perigo. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009. “[...] a literatura é ainda essa metáfora da vida que segue reunindo a quem disse e a quem escuta em um espaço comum, para participar de um mistério, para fazer que nasça uma história que, ao menos por um momento, nos cure da palavra, recolha os nossos pedaços, junte as nossas partes dispersas, transpasse as nossas zonas mais inóspitas, para nos dizer que, no escuro também há luz, para nos mostrar que tudo no mundo, até o mais miserável, tem o seu brilho” (Tradução-livre). [1] 03/04/23, 11:47 UNINTER https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 13/13