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<p>Proliferação celular</p><p>@resumeairafa</p><p>Rafaela Amaral</p><p>Medicina - FPME - 4°P</p><p>Rafaela Amaral Processos patológicos 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>1. Compreender a célula e o ciclo celular.</p><p>2. Elucidar a patologia e a sequência de aspectos</p><p>patológicos.</p><p>3. Explanar sobre o processo de homeostase a nível</p><p>celular e como os estímulos fisiológicos e patológicos o</p><p>afetam.</p><p>4. Definir os conceitos de metaplasia, hiperplasia,</p><p>hipertrofia e atrofia.</p><p>Célula</p><p>As células são as unidades funcionais e estruturais dos</p><p>seres vivos. Existem somente dois tipos básicos de</p><p>células: as procariontes e as eucariontes.</p><p>O processo de especialização denomina-se</p><p>diferenciação celular. Nele, observa-se uma sequência</p><p>de modificações bioquímicas, morfológicas e</p><p>funcionais que transformam uma célula primitiva</p><p>indiferenciada, que executa apenas as funções</p><p>celulares básicas em uma célula capaz de realizar</p><p>algumas funções com grande eficiência. As células</p><p>apresentam duas partes fundamentais: o citoplasma e o</p><p>núcleo.</p><p>Citoplasma: o componente mais externo do citoplasma</p><p>é a membrana plasmática, que é o limite entre o meio</p><p>intracelular e o ambiente extracelular. No citoplasma se</p><p>localizam o citoesqueleto, as organelas (mitocôndrias,</p><p>o retículo endoplasmático, o complexo ou aparelho de</p><p>Golgi, os lisossomos e os peroxissomos) e os depósitos</p><p>ou inclusões, geralmente temporários, de hidratos de</p><p>carbono, proteínas, lipídios ou pigmentos. O espaço</p><p>entre as organelas e os depósitos é preenchido pela</p><p>matriz citoplasmática ou citosol, contendo diversas</p><p>substâncias, como aminoácidos, proteínas, outras</p><p>macromoléculas, nutrientes energéticos e íons. A</p><p>membrana plasmática contém proteínas denominadas</p><p>integrinas que se ligam a filamentos do citoesqueleto</p><p>localizados no citoplasma e a macromoléculas</p><p>extracelulares. Por meio dessas ligações, existe uma</p><p>troca constante de influências nos dois sentidos, entre</p><p>o citoplasma e o meio extracelular.</p><p>As membranas celulares são compostas, principalmente,</p><p>por duas camadas de moléculas de fosfolipídios, com</p><p>seus grupamentos não polares (hidrofóbicos) voltados</p><p>para o centro da membrana. Os grupamentos polares</p><p>(hidrofilicos) desses lipídios ficam nas duas superficies</p><p>da membrana.</p><p>As trocas de substâncias entre as células e o meio em que</p><p>elas vivem têm lugar através da membrana. Moléculas</p><p>pequenas e alguns íons, como Na+, K+ e Ca2 +, podem</p><p>atravessar a membrana plasmática por canais constituídos</p><p>pelas proteínas integrais. Quando essa travessia não</p><p>consome energia, diz-se que se trata de difusão passiva.</p><p>Quando consome energia, chama-se transporte ativo.</p><p>Outras vezes a transferência se realiza com a participação</p><p>de proteínas carreadoras localizadas na membrana, mas</p><p>sem gasto energético, pelo processo chamado transporte</p><p>facilitado.</p><p>O núcleo é o centro de controle de todas as atividades</p><p>celulares porque contém, nos cromossomos, todo o</p><p>genoma (DNA) da célula, exceto apenas o pequeno</p><p>genoma das mitocôndrias. Chama-se genoma o conjunto</p><p>da informação genética codificada no DNA. Além de</p><p>conter a maquinaria molecular para duplicar seu DNA, o</p><p>núcleo é responsável pela síntese e pelo processamento de</p><p>todos os tipos de RNA (rRNA, mRNA e tRNA), que são</p><p>exportados para o citoplasma. Todavia, o núcleo não</p><p>sintetiza proteínas, dependendo das que são produzidas no</p><p>citoplasma e transferidas para o núcleo. Os principais</p><p>componentes do núcleo são o envoltório nuclear, a</p><p>cromatina, o nucléolo, a matriz nuclear e o</p><p>nucleoplasma.</p><p>O conteúdo intranuclear é separado do citoplasma pelo</p><p>envoltório nuclear, envoltório esse que apresenta poros e</p><p>tem uma estrutura denominada complexo do poro, cuja</p><p>função é o transporte seletivo de moléculas para fora e</p><p>para dentro do núcleo.</p><p>Ciclo celular:</p><p>lntérfase e mitose constituem as duas fases do ciclo</p><p>celular, que é o conjunto de modificações por que passa</p><p>uma célula, desde seu aparecimento até sua própria</p><p>duplicação. Logo, para entender o ciclo celular é preciso</p><p>entender divisão celular.</p><p>Rafaela Amaral Processos patológicos 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Divisão celular:</p><p>Observável ao microscópio óptico no processo</p><p>denominado mitose - uma célula (célula-mãe) se divide</p><p>em duas, recebendo cada nova célula (célula-filha)</p><p>um jogo cromossômico igual ao da célula-mãe.</p><p>Quando não está em mitose, a célula está na intérfase.</p><p>Prófase</p><p>• Condensação gradual da cromatina (o DNA foi</p><p>duplicado na intérfase).</p><p>• O envoltório nuclear se fragmenta no final da</p><p>prófase (originando vesículas que permanecem no</p><p>citoplasma e reconstituem o envelope nuclear no final</p><p>da mitose).</p><p>• Os centrossomos e seus centríolos, que se</p><p>duplicaram na intérfase, separam-se, migrando um</p><p>par para cada polo da célula.</p><p>• Começam a aparecer microtúbulos entre os dois pares</p><p>de centríolos, iniciando-se a formação do fuso</p><p>mitótico.</p><p>• Durante a prófase o nucléolo se desintegra.</p><p>Ausência de nucléolos, cromossomos condensados</p><p>Metáfase</p><p>• Os cromossomos se dispõem no plano equatorial da</p><p>célula.</p><p>• Cada cromossomo, cujo DNA já está duplicado,</p><p>divide-se longitudinalmente em duas cromátides.</p><p>Anáfase</p><p>• Os cromossomos-filhos separam-se e migram para os</p><p>polos da célula - os centrômeros seguem na frente e são</p><p>acompanhados pelo restante do cromossomo.</p><p>Telófase</p><p>• Reconstrução dos envoltórios nucleares das células-</p><p>filhas</p><p>• Os cromossomos se tornam gradualmente menos</p><p>condensados - reaparecimento da cromatina.</p><p>• Núcleo interfásico se refaz - nucléolos se reconstituem.</p><p>A divisão do material nuclear é acompanhada pela divisão</p><p>do citoplasma - citocinese, que se inicia na anáfase e</p><p>termina após a telófase. A citocinese consiste no</p><p>aparecimento de um anel que contém actina e miosina,</p><p>abaixo da membrana celular, na zona equatorial da célula.</p><p>A diminuição gradual do diâmetro desse anel acaba</p><p>dividindo o citoplasma em duas partes iguais, cada uma</p><p>com um núcleo novo, originando as duas células-filhas.</p><p>Rafaela Amaral Processos patológicos 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Ciclo celular:</p><p>Mitose - manifestação visível da divisão celular</p><p>Interfase - duplicação do DNA e dos centríolos, etc.</p><p>A intérfase se subdivide em três fases chamadas G1, S e</p><p>G2</p><p>• A fase G1 - vem logo depois da mitose. Nela ocorre a</p><p>síntese de RNA e de proteínas, com recuperação do</p><p>volume da célula, que foi reduzido à metade na</p><p>mitose. Nos tecidos de renovação rápida, a fase G1 é curta.</p><p>As células dos tecidos que não se renovam saem do ciclo</p><p>celular na fase G1 e entram na chamada fase G-0. Na fase G1</p><p>localiza-se o ponto de restrição, que impede a</p><p>passagem de células com DNA danificado ou então</p><p>que ainda não acumularam uma quantidade crítica</p><p>de proteínas importantes para a continuação do ciclo.</p><p>• Durante a fase S ocorre a síntese do DNA e a</p><p>duplicação dos centrossomos e centríolos.</p><p>•Na fase G2 - células acumulam energia para ser usada</p><p>durante a mitose e sintetizam tubulina para formar os</p><p>microtúbulos do fuso mitótico.</p><p>Patologia e os aspectos patológicos</p><p>A patologia se dedica ao estudo das alterações</p><p>estruturais, bioquímicas e funcionais em células, tecidos</p><p>e órgãos que constituem a base das doenças.</p><p>Os quatro aspectos de um processo de doença que</p><p>formam o cerne da patologia são: sua causa (etiologia),</p><p>os mecanismos bioquímicos e moleculares do seu</p><p>desenvolvimento (patogenia ou patogênese), as</p><p>alterações estruturais provocadas nas células e</p><p>órgãos do corpo (alterações morfológicas) e as</p><p>consequências funcionais dessas alterações</p><p>(manifestações clínicas).</p><p>Etiologia ou Causa</p><p>Os inúmeros</p><p>adquiridas.</p><p>(2) evasão de crise mitótica;</p><p>As células resistentes a senescência não são imortais; ao</p><p>invés disso, elas finalmente entram em uma fase referida</p><p>como crise mitótica e morrem. Esse fenômeno foi</p><p>relacionado ao encurtamento progressivo dos telômeros</p><p>nas extremidades dos cromossomos. Se as células</p><p>afetadas possuírem p53 funcional, a célula interromperá</p><p>seu crescimento e poderá sofrer apoptose, mas se a p53</p><p>for disfuncional, a via de recombinação não-homóloga é</p><p>ativada e poderá unir duas extremidades “descobertas”</p><p>de dois cromossomos. Isso resulta em cromossomos</p><p>dicêntricos que são separados na anáfase, resultando em</p><p>novas quebras na fita dupla do DNA. O dano genômico</p><p>em “bola de neve” causado por repetidos ciclos de</p><p>“pontefusão-quebra” por fim leva à catástrofe mitótica e</p><p>morte celular</p><p>(3) capacidade de autorrenovação.</p><p>Como os cânceres são imortais e possuem capacidade</p><p>proliferativa ilimitada, eles também devem conter</p><p>células que se autorrenovam, as chamadas células-tronco</p><p>do câncer.</p><p>Angiogênese</p><p>Como os tecidos normais, os tumores requerem a</p><p>distribuição de oxigênio e nutrientes e a remoção de</p><p>produtos de excreção; provavelmente, a zona de 1 a 2</p><p>mm representa a distância máxima através da qual o</p><p>oxigênio, os nutrientes e os resíduos podem se difundir a</p><p>partir dos vasos sanguíneos. Cânceres em crescimento</p><p>estimulam a neoangiogênese, durante a qual os vasos</p><p>brotam a partir dos capilares previamente existentes.</p><p>A neovascularização possui um efeito duplo no</p><p>crescimento do tumor: a perfusão provê nutrientes e</p><p>oxigênio e as células endoteliais recém-formadas</p><p>estimulam o crescimento de células tumorais adjacentes</p><p>através da secreção de fatores de crescimento, como</p><p>fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGFs) e</p><p>PDGF.</p><p>Evasão da Defesa do Hospedeiro</p><p>Assumindo que o sistema imunológico é capaz de</p><p>reconhecer e eliminar os cânceres nascentes, segue-se o</p><p>fato de que os tumores que se desenvolvem devem ser</p><p>compostos de células que são invisíveis para o sistema</p><p>imunológico do hospedeiro ou que liberam fatores que</p><p>suprimem ativamente a imunidade do hospedeiro. O termo</p><p>imunoeditoração do câncer está sendo usado para</p><p>descrever a capacidade que o sistema imunológico possui</p><p>de formar e moldar as propriedades imunogênicas das</p><p>células tumorais, de forma que acaba resultando na seleção</p><p>Darwiniana dos subclones, os quais são os melhores em</p><p>escapar da eliminação imunológica.</p><p>Instabilidade Genômica</p><p>Anomalias genéticas que aumentam as taxas de mutação</p><p>são muito comuns em cânceres e aceleram a aquisição de</p><p>mutações condutoras necessárias para a transformação e</p><p>subsequente progressão do tumor. Aimportância do reparo</p><p>do DNAna manutenção da integridade do genoma é ainda</p><p>mais realçada por diversas doenças em que os genes que</p><p>codificam proteínas envolvidas no reparo de DNAestão</p><p>defeituosos. Os indivíduos nascidos com tais defeitos</p><p>hereditários nas proteínas de reparo do DNAestão com</p><p>risco muito aumentado de desenvolver câncer.</p><p>Inflamação Capacitora de Câncer</p><p>Estudos realizados sugerem que as células inflamatórias</p><p>modificam o microambiente do tumor local para permitir</p><p>muitas das características de câncer. Estes efeitos podem</p><p>resultar de interações diretas entre as células inflamatórias</p><p>e as células tumorais, ou através de efeitos indiretos das</p><p>células inflamatórias em outras células estromáticas</p><p>residentes, particularmente os fibroblastos associados ao</p><p>câncer e células endoteliais.</p><p>Agentes carcinogênicos</p><p>A carcinogênese é divida em etapas, em relação aos</p><p>agentes carcinogênicos químicos, tem-se:</p><p>• A iniciação resulta da exposição das células a uma dose</p><p>suficiente de agentes carcinogênicos. A iniciação</p><p>isoladamente não é suficiente para a formação do tumor.</p><p>• A iniciação provoca dano permanente ao DNA - rápida e</p><p>irreversível e possui ”memória“. Dessa forma, os tumores</p><p>são produzidos mesmo se a aplicação do agente promotor</p><p>sofrer um atraso de diversos meses após uma única</p><p>aplicação do iniciador.</p><p>• Os promotores podem induzir o surgimento de tumores</p><p>nas células iniciadas, mas eles não são tumorigênicos por</p><p>si mesmos. Além disso, não há formação de tumores</p><p>quando o agente promotor é aplicado antes, ao invés de</p><p>depois, do agente iniciador.</p><p>Rafaela Amaral Fisiologia da célula tumoral 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Carcinógenos de Ação Direta</p><p>Não requerem a conversão metabólica para se tornarem</p><p>carcinogênicos. A maioria deles são carcinógenos fracos,</p><p>mas alguns são importantes por serem drogas</p><p>quimioterápicas para o câncer (p. ex., agentes</p><p>alquilantes).</p><p>Carcinógenos de Ação Indireta</p><p>refere-se às substâncias químicas que requerem a</p><p>conversão metabólica para tornar o carcinógeno ativo; o</p><p>produto carcinogênico do metabolismo é o chamado</p><p>carcinógeno final. Um dos mais potentes carcinógenos</p><p>químicos indiretos – os hidrocarbonetos policíclicos –</p><p>estão presentes em combustíveis fósseis.</p><p>Relação com o desenvolvimento do câncer:</p><p>Não há alteração isolada ou única associada à iniciação</p><p>do câncer. Também não há uma predisposição aparente</p><p>para que os iniciadores causem mutações em genes em</p><p>particular; presume-se que mutações ocorram ao longo</p><p>do genoma e as células que, aleatoriamente, sofrem</p><p>danos dos “suspeitos comuns”, os oncogenes e</p><p>supressores de tumor como RAS e TP53, obtêm uma</p><p>vantagem seletiva em potencial e estão sob risco de uma</p><p>transformação subsequente.</p><p>Agentes carcinogênicos por radiação</p><p>A energia radiante na forma de raios UV da luz solar ou</p><p>sob a forma de radiação ionizante eletromagnética e</p><p>radiação particulada, é carcinogênica. A luz UV está</p><p>claramente envolvida na etiologia dos cânceres de pele,</p><p>e a exposição à radiação ionizante devido à exposição</p><p>médica ou ocupacional.</p><p>Raios Ultravioleta A exposição está associada a uma</p><p>incidência aumentada de carcinoma de células</p><p>escamosas, carcinoma basocelular e melanoma da pele.</p><p>O grau de risco depende do tipo de raios UV, da</p><p>intensidade da exposição e da quantidade do “manto</p><p>protetor” que absorve luz, composto pela melanina da</p><p>pele.</p><p>A carcinogenicidade da luz UVB ocorre devido a indução da</p><p>formação de dímeros de pirimidina no DNA. Se a energia de um</p><p>fóton de luz UV é absorvida pelo DNA, o resultado é uma reação</p><p>química que resulta na ligação covalente das bases de</p><p>pirimidina, especialmente resíduos de timidina adjacentes na</p><p>mesma fita de DNA. Isto distorce a hélice de DNA e evita o</p><p>pareamento adequado do dímero com bases na fita de DNA</p><p>oposta. Os dímeros da pirimidina são reparados através da via</p><p>dos reparos de excisão de nucleotídeos. É postulado que, com a</p><p>exposição solar excessiva, a capacidade da via de reparo de</p><p>excisão de nucleotídeos é superada e os mecanismos de reparo</p><p>do DNA não moldado propensos a erros se tornam operantes, o</p><p>que gera a sobrevivência da célula à custa de mutações</p><p>genômicas, que em alguns casos, levam ao câncer.</p><p>Radiação Ionizante</p><p>As radiações eletromagnéticas (raios X e raios γ) e</p><p>particuladas (partículas α e β, prótons e nêutrons) são todas</p><p>carcinogênicas. A evidência é tão volumosa que bastam</p><p>poucos exemplos. Muitos indivíduos pioneiros no uso dos</p><p>raios X desenvolveram câncer de pele.</p><p>Em humanos há uma vulnerabilidade hierárquica de</p><p>diferentes tecidos a cânceres induzidos por radiação. Os</p><p>mais frequentes são as leucemias mieloides. O câncer da</p><p>tiroide segue de perto, mas somente nos jovens. Na</p><p>categoria intermediária estão as neoplasias malignas de</p><p>mama, pulmões e glândulas salivares.</p><p>Carcinogênese Microbiana</p><p>Vírus Oncogênicos de RNA - Vírus da Leucemia de</p><p>Células T Humanas Tipo 1, o único firmemente envolvido</p><p>na patogenia do câncer em humanos. O HTLV-1 causa</p><p>leucemia/linfoma da célula T em adultos (ATLL), um</p><p>tumor que é endêmico em algumas partes do Japão, bacia</p><p>Caribenha, América do Sul e África.</p><p>Vírus Oncogênicos de DNA</p><p>Dos diversos vírus de DNA humano, cinco - HPV, vírus</p><p>Epstein Barr (EBV), vírus da hepatite B (HBV),</p><p>poliomavírus das células</p><p>de Merkel e herpesvírus do</p><p>sarcoma de Kaposi, também denominado herpesvírus 8 –</p><p>foram implicados na causa de câncer humano.</p><p>Manifestações clínicas</p><p>Localização é um determinante crítico dos efeitos clínicos,</p><p>tanto em tumores benignos quanto em malignos. Tumores</p><p>podem colidir com tecidos vitais e prejudicar suas funções,</p><p>causando a morte dos tecidos envolvidos e fornecendo um</p><p>ninho para infecção.</p><p>Os sintomas produzidos por um câncer devido a sua localização</p><p>podem (ironicamente) salvar vidas; por exemplo, os poucos</p><p>sobreviventes de câncer pancreático são aqueles cujos tumores</p><p>obstruem “casualmente” os dutos biliares logo no começo de seu</p><p>curso, resultando no surgimento de icterícia e outros sintomas</p><p>no estágio da doença no qual a cura cirúrgica é possível.</p><p>O crescimento erosivo e destrutivo dos cânceres, ou a</p><p>pressão expansiva de um tumor benigno em qualquer</p><p>superfície natural, tal como a pele ou a mucosa do</p><p>intestino, podem provocar ulcerações, infecções</p><p>Rafaela Amaral Fisiologia da célula tumoral 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>secundárias e sangramento. Melena (sangue nas fezes) e</p><p>hematúria, por exemplo, são características de neoplasias</p><p>do intestino e do trato urinário.</p><p>Caquexia por Câncer</p><p>Indivíduos com câncer comumente sofrem de perda</p><p>progressiva da gordura corporal e da massa magra</p><p>corpórea, acompanhada por profunda fraqueza,</p><p>anorexia e anemia, processo denominado caquexia. A</p><p>caquexia por câncer está associada com:</p><p>• Perda uniforme de gordura e músculo magro.</p><p>• Taxa metabólica basal elevada.</p><p>• Evidência de inflamação sistêmica.</p><p>O TNFα (originalmente conhecido como caquexina) é</p><p>um dos suspeitos principais, entre diversos mediadores</p><p>liberados das células imunes que podem contribuir para</p><p>a caquexia. Fatores humorais liberados das células</p><p>tumorais, como o fator de indução da proteólise têm sido</p><p>considerados na perda da massa muscular.</p><p>Síndromes Paraneoplásicas</p><p>Alguns indivíduos com câncer desenvolvem sinais e</p><p>sintomas que não podem ser prontamente explicados</p><p>devido à distribuição anatômica do tumor, ou pela</p><p>elaboração dos hormônios nativos do tecido pelos quais</p><p>o tumor surgiu. As síndromes ocorrem em cerca de 10%</p><p>das pessoas com câncer. Apesar de sua relativa</p><p>infrequência, é importante reconhecer as síndromes</p><p>paraneoplásicas, por diversos motivos:</p><p>• Elas podem representar a manifestação mais precoce de</p><p>uma neoplasia oculta.</p><p>• Em pacientes afetados, elas podem causar problemas</p><p>clinicamente significativos e podem até ser letais.</p><p>• Elas podem mimetizar a doença metastática e, assim,</p><p>atrapalhar o tratamento.</p><p>A hipercalcemia é provavelmente a síndrome</p><p>paraneoplásica mais comum; de fato, a hipercalcemia</p><p>sintomática é mais frequentemente relacionada a</p><p>algumas formas de câncer do que ao</p><p>hiperparatireoidismo. Dois processos gerais estão</p><p>envolvidos na hipercalcemia associada ao câncer:</p><p>(1) a osteólise induzida por câncer, quer seja no osso</p><p>primário, tal como no mieloma múltiplo, ou metastática</p><p>para o osso advinda de qualquer lesão primária e</p><p>(2) a produção de substâncias humorais calcêmicas por</p><p>neoplasias extraósseas. Apenas o segundo mecanismo é</p><p>considerado paraneoplásico; a hipercalcemia devido ao</p><p>envolvimento primário ou secundário do esqueleto através</p><p>do tumor não é uma síndrome paraneoplásica.</p><p>Diversas manifestações vasculares e hematológicas</p><p>podem surgir em associação a uma variedade de tipos de</p><p>câncer. A a tromboflebite migratória (síndrome de</p><p>Trousseau) pode ser encontrada associada aos cânceres de</p><p>localização profunda, mais frequentemente nos</p><p>carcinomas do pâncreas ou de pulmão.</p><p>Classificação/estadiamento</p><p>A classificação de um câncer se baseia no grau de</p><p>diferenciação das células tumorais, e em alguns</p><p>cânceres, no número de mitoses ou nas características</p><p>arquiteturais. O número de mitoses se exprime pelo</p><p>número encontrado em, pelo menos, dez campos</p><p>microscópicos de grande aumento. Os critérios para cada</p><p>classificação individual variam para diferentes tipos de</p><p>tumores, é uma prática comum caracterizar uma neoplasia</p><p>em particular em termos descritivos, por exemplo,</p><p>adenocarcinoma mucossecretor bem diferenciado do</p><p>estômago ou adenocarcinoma pancreático pouco</p><p>diferenciado.</p><p>Utilizam-se três graus descritivos de diferenciação: bem</p><p>diferenciado, moderadamente diferenciado e pouco</p><p>diferenciado. As implicações clínicas dos graus de</p><p>diferenciação se traduzem na maior rapidez de</p><p>crescimento dos tumores menos diferenciados em relação</p><p>aos mais diferenciados de mesma histogênese e mesma</p><p>localização.</p><p>O estadiamento dos cânceres sólidos é baseado no</p><p>tamanho da lesão primária, na extensão de sua</p><p>disseminação para os linfonodos regionais e na</p><p>presença ou ausência de metástases hematogênicas. O</p><p>principal sistema de estadiamento atualmente em uso</p><p>pertence ao American Joint Committee. Esse sistema usa</p><p>uma classificação denominada de sistema TNM – onde T</p><p>significa tumor primário, N, envolvimento dos linfonodos</p><p>regionais e M, metástase. O estadiamento TNM varia para</p><p>formas específicas do câncer, mas há princípios gerais. A</p><p>lesão primária é caracterizada como T1 a T4, com um</p><p>aumento crescente. O T0 é usado para indicar uma lesão</p><p>in situ. N0 significaria ausência de envolvimento</p><p>linfonodal, enquanto N1 a N3 denotaria envolvimento de</p><p>um número e abrangência crescentes de linfonodos. M0</p><p>significa ausência de metástases a distância, enquanto M1,</p><p>ou algumas vezes M2, indica a presença de metástases e</p><p>algum julgamento sobre o seu número.</p><p>Rafaela Amaral Fisiologia da célula tumoral 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p> TX significa que o tumor não pode ser avaliado</p><p> T0 significa que não existe evidência de tumor primário</p><p>(não pode ser encontrado).</p><p> Tis significa que as células cancerígenas estão se</p><p>desenvolvendo apenas na camada mais superficial do</p><p>tecido, sem invadir tecidos mais profundos. Também</p><p>pode ser chamado de câncer in situ.</p><p> Os números que aparecem após o T (como T1, T2, T3 e</p><p>T4) descrevem o tamanho do tumor e/ou a disseminação</p><p>da doença nas proximidades. Quanto mais alto o número</p><p>atribuído a T, maior o tumor e/ou mais disseminado nos</p><p>tecidos próximos se encontra.</p><p> NX significa que os linfonodos não podem ser</p><p>avaliados.</p><p> N0 significa que os linfonodos vizinhos não contêm</p><p>câncer.</p><p> Os números que aparecem após o N (por exemplo, N1,</p><p>N2 e N3) descrevem o tamanho, localização e/ou o</p><p>número dos linfonodos com a doença. Quanto mais alto</p><p>o número atribuído a N, mais o câncer está disseminado</p><p>para os linfonodos.</p><p> M0 significa que nenhuma disseminação foi</p><p>encontrada.</p><p> M1 significa que o câncer se disseminou para tecidos e</p><p>órgãos distantes (metástases à distância foram</p><p>encontradas).</p><p>Uma vez determinados o T, N e M, são combinados para</p><p>atribuir uma nota global. Para a maioria dos cânceres, o</p><p>estágio utiliza um número romano de I a IV, onde o</p><p>estágio IV (4) é o mais elevado e significa que o câncer</p><p>é mais avançado do que a fase imediatamente anterior e</p><p>assim sucessivamente.</p><p>Além das graduações numéricas, as categorias T e N</p><p>podem ser subclassificadas em graduações alfabéticas (a,</p><p>b, c). Tanto as graduações numéricas como as alfabéticas</p><p>expressam o nível de evolução do tumor e dos linfonodos</p><p>comprometidos.</p><p>Hoje, mais do que a graduação, o estadiamento clínico</p><p>representa o mais importante meio de que dispõe o</p><p>oncologista para definir o prognóstico e a terapêutica dos</p><p>pacientes.</p><p>Por vezes, a própria denominação patológica do tumor</p><p>inclui a sua diferenciação - é o caso do adenocarcinoma</p><p>gástrico classificado como "difuso de Lauren" (mal</p><p>diferenciado) ou do "tipo intestinal de Lauren" (bem</p><p>diferenciado).</p><p>A determinação da extensão da doença e a identificação</p><p>dos órgãos envolvidos auxiliam nas seguintes etapas:</p><p>1. obtenção de informações sobre o comportamento</p><p>biológico do tumor;</p><p>2. escolha da terapêutica;</p><p>3. previsão das complicações;</p><p>4. obtenção de informações</p><p>sobre o prognóstico do caso;</p><p>5. avaliação dos resultados do tratamento;</p><p>6. investigação em oncologia: pesquisa clínica,</p><p>publicação de resultados e troca de informações.</p><p>Os parâmetros de estadiamento devem incluir os fatores</p><p>relacionados ao tumor e ao hospedeiro, quais sejam:</p><p>1. órgão e tecido de origem do tumor;</p><p>2. classificação histopatológica do tumor;</p><p>3. extensão do tumor primário: tamanho ou volume;</p><p>invasão de tecidos adjacentes; comprometimento de</p><p>nervos, vasos ou sistema linfático;</p><p>4. locais das metástases detectadas;</p><p>5. dosagem de marcadores tumorais;</p><p>6. estado funcional do paciente.</p><p>Referências</p><p> KUMAR, Vinay; ABBAS Abdul K; ASTER, Jon C.</p><p>Robbins e Cotran: bases patológicas das doenças. 9 a ed.</p><p>Rio de Janeiro: Elsevier, 2016 .</p><p> http://biblioteca.cofen.gov.br/wp-</p><p>content/uploads/2015/03/cap2-fisiopatologia-do-</p><p>cancer.pdf</p><p> https://www.inca.gov.br/estadiamento#:~:text=Estadiar</p><p>%20um%20caso%20de%20c%C3%A2ncer,sua%20rela</p><p>%C3%A7%C3%A3o%20com%20o%20hospedeiro.</p><p> http://www.oncoguia.org.br/conteudo/estadiamento/479</p><p>5/1/</p><p>Rafaela Amaral Câncer de pulmão 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Compreender o câncer de pulmão, suas classificações e</p><p>prevalência.</p><p>Explanar os fatores de risco e manifestações clínicas.</p><p>Elucidar a correlação entre as síndromes paraneoplásicas e o</p><p>câncer de pulmão.</p><p>Sobre o câncer</p><p>O câncer de pulmão atualmente é o câncer</p><p>diagnosticado com maior frequência no mundo entre</p><p>os tipos principais e a causa de mortalidade por câncer</p><p>mais comum mundialmente.</p><p>Etiologia/ Patogenia/ Fatores de risco</p><p>A maioria (mas não todos) dos cânceres pulmonares está</p><p>associada a um carcinógeno bem conhecido — o</p><p>tabagismo.</p><p>Tabagismo</p><p> Em média 80% dos CA de pulmão ocorrem em</p><p>fumantes ativos ou naqueles que pararam de fumar</p><p>recentemente.</p><p> Correlação quase linear - frequência do ca de pulmão e</p><p>a quantidade de maços/ano consumida > O risco</p><p>aumentado torna-se 60 vezes maior entre fumantes</p><p>pesados habituais (dois maços ao dia, por 20 anos)</p><p>comparado com o de não fumantes.</p><p> As mulheres têm maior suscetibilidade aos</p><p>carcinógenos da fumaça do tabaco que os homens.</p><p> O abandono do hábito de fumar diminui no risco, mas</p><p>não reflete retorno aos níveis basais.</p><p> As alterações genéticas que antecedem o ca de pulmão</p><p>podem persistir por muitos anos no epitélio brônquico</p><p>de ex-fumantes.</p><p>Os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos e as</p><p>nitrosaminas são os carcinógenos mais potentes contidos</p><p>na fumaça do cigarro. O primeiro associa-se mais ao</p><p>carcinoma epidermoide, provavelmente pelo fato de o</p><p>tamanho da partícula facilitar a deposição em brônquios</p><p>proximais, enquanto as nitrosaminas se depositam</p><p>preferencialmente em bronquíolos terminais,</p><p>favorecendo o aparecimento de adenocarcinoma. Além</p><p>de dados clínicos e epidemiológicos, outra evidência do</p><p>papel do fumo na carcinogênese pulmonar é o fato de que</p><p>indivíduos fumantes muitas vezes apresentam alterações</p><p>celulares que antecedem o surgimento do tumor</p><p>invasivo, como metaplasia escamosa, displasias e</p><p>carcinoma in situ.</p><p>Embora a duração e intensidade do tabagismo estejam</p><p>bem correlacionadas com o risco de câncer, nem todas as</p><p>pessoas expostas ao tabaco desenvolvem câncer. Alguns</p><p>destes podem ser obra do acaso, mas é também provável</p><p>que o efeito mutagênico dos carcinógenos do tabaco seja</p><p>modificado por variáveis genéticas. Infelizmente, os</p><p>efeitos carcinógenos da fumaça do tabaco se estendem</p><p>àqueles que vivem e trabalham com fumantes. O fumo</p><p>passivo ou a fumaça de tabaco ambiental contém</p><p>numerosos carcinógenos humanos para os quais não existe</p><p>um nível de exposição seguro.</p><p>Riscos Industriais</p><p>Certas exposições industriais, como asbestos, arsênico,</p><p>cromo, urânio, níquel, cloreto de vinila e gás mostarda</p><p>aumentam o risco de desenvolvimento de câncer de</p><p>pulmão.</p><p>Poluição do Ar</p><p>Provavelmente aumenta o risco nos indivíduos que fumam</p><p>ou estão expostos a fumaça de tabaco de terceiros. Isso se</p><p>dá por diferentes mecanismos. A exposição crônica a</p><p>partículas do ar poluído pode causar irritação dos pulmões,</p><p>inflamação e reparo.</p><p>Genética molecular</p><p>Algumas alterações genéticas associadas com câncer</p><p>podem ser encontradas nos epitélios brônquicos</p><p>“benignos” de fumantes sem câncer pulmonar, sugerindo</p><p>que grandes áreas da mucosa respiratória são</p><p>mutagenizadas pela exposição a carcinógenos da fumaça</p><p>do tabaco (“efeito de campo”). Nesse solo fértil, as poucas</p><p>células que acumulam um arsenal suficiente de</p><p>mutações condutoras complementares para adquirirem</p><p>todas as marcas registradas de câncer e se transformam em</p><p>carcinomas invasivos.</p><p>Classificação:</p><p>Existe grande heterogeneidade citológica e histológica das</p><p>neoplasias pulmonares. Visando a simplificação didática</p><p>da questão e segundo a Organização Mundial de Saúde</p><p>(OMS), o câncer do pulmão pode ser dividido nos tipos de</p><p>pequenas células e não pequenas células, e o último</p><p>grupo é constituído por carcinomas de células escamosas</p><p>(carcinoma epidermoide) e adenocarcinomas. Há,</p><p>ainda, uma classificação que adiciona carcinoma de</p><p>células grandes.</p><p>A frequência de cada tipo histológico e a distribuição entre</p><p>os gêneros varia de país para país. Em muitos locais, o</p><p>carcinoma epidermoide é o mais frequente em homens.</p><p>Em geral, a incidência varia de acordo com a série de</p><p>pacientes estudados; a média fica em torno de 30 a 40%</p><p>dos tumores pulmonares, sendo 44% dos casos em homens</p><p>e 25% em mulheres. Os adenocarcinomas incidem mais</p><p>em mulheres (42% dos casos, contra 28% em homens). No</p><p>entanto, alguns estudos mostram que os adenocarcinomas</p><p>estão se tornando a neoplasia pulmonar mais frequente em</p><p>ambos os gêneros.</p><p>Carcinoma epidermoide - escamosas</p><p>Dos quatro tipos principais de câncer do pulmão, o</p><p>carcinoma epidermoide é o mais frequente, o mais</p><p>associado ao tabagismo, o menos heterogêneo do ponto</p><p>de vista morfológico e mais comum em homens. O</p><p>tumor tem localização em geral central, isto é, tende a</p><p>aparecer nos grandes brônquios. Apresenta crescimento</p><p>mais lento do que os demais; dá metástases para os</p><p>Rafaela Amaral Câncer de pulmão 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>linfonodos regionais, mas a disseminação</p><p>hematogênica é tardia. O carcinoma epidermoide é o</p><p>tumor pulmonar de melhor prognóstico.</p><p>Os carcinomas de células escamosas frequentemente são</p><p>precedidos por metaplasia escamosa ou displasia do</p><p>epitélio brônquico, que então se transforma em um</p><p>carcinoma in situ - lesão pode durar vários anos, ser</p><p>assintomática e não detectável em radiografias.</p><p>Com o aparecimento de um carcinoma de células</p><p>escamosas invasivo, o tumor pode, então, seguir uma</p><p>variedade de caminhos:</p><p> Crescer de forma exofítica dentro da luz brônquica,</p><p>produzindo uma massa intraluminal > obstrução ></p><p>atelectasia distal e infecções.</p><p> Penetrar nas paredes dos brônquios e infiltrar o</p><p>tecido peribrônquico, atingindo a carina ou o mediastino.</p><p> Crescer ao longo de uma frente ampla para produzir</p><p>massa intraparenquimatosa em forma de couve-flor, que</p><p>empurra a substância pulmonar à sua frente.</p><p>A-hiperplasia caliciforme; B- hiperplasia basais; C –</p><p>metaplasia escamosa; D - epitélio escamoso desordenado, com</p><p>perda de polaridade nuclear, hipercromasia nuclear,</p><p>pleomorfismo e figuras mitóticas; E – carcinoma in situ; F –</p><p>carcinoma invasivo.</p><p>Macroscopicamente, o tumor apresenta-se como lesão</p><p>que varia de pequena tumoração endobrônquica</p><p>obstrutiva até grandes massas que sofrem cavitação e</p><p>hemorragia, por causa de necrose frequente. Alguns</p><p>tumores mostram-se firmes e esbranquiçados devido a</p><p>reação desmoplásica. A neoplasia tende a invadir a</p><p>parede brônquica e o parênquima pulmonar adjacente. O</p><p>tumor é facilmente visível à endoscopia e pode ser</p><p>diagnosticado por exames citológicos mais comumente do</p><p>que as demais neoplasias pulmonares.</p><p>Carcinoma de pequenas</p><p>células</p><p>Tumores altamente malignos com uma forte relação</p><p>com o tabagismo; apenas cerca de 1% ocorre em não</p><p>fumantes. Podem surgir nos brônquios principais ou na</p><p>periferia do pulmão. Não há fases pré-invasivas</p><p>conhecidas. Esses são os tumores pulmonares mais</p><p>agressivos, amplamente metastáticos, e virtualmente</p><p>sempre provam ser fatais. Além disso, pode produzir e</p><p>secretar ACTH, serotonina, hormônio antidiurético,</p><p>calcitonina, estrógenos e hormônio do crescimento,</p><p>resultando em diversas manifestações paraneoplásicas.</p><p>O carcinoma de células pequenas é neoplasia de</p><p>localização central e formada por células pequenas e</p><p>uniformes, com citoplasma escasso, bordas celulares</p><p>pouco definidas, cromatina nuclear finamente granular</p><p>(padrão de sal e pimenta) e nucléolos ausentes ou pouco</p><p>evidentes. A contagem mitótica é alta. As células crescem</p><p>em grupamentos que não exibem nem organização</p><p>glandular nem diferenciação escamosa. Necrose é comum</p><p>e frequentemente extensa.</p><p>Rafaela Amaral Câncer de pulmão 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Carcinoma de grandes células</p><p>Nas diversas estatísticas, o carcinoma de células grandes</p><p>é o tipo menos frequente de carcinoma</p><p>broncopulmonar. O tumor é indiferenciado e tem</p><p>comportamento altamente agressivo, evoluindo</p><p>rapidamente para óbito.</p><p>As células tipicamente apresentam núcleos grandes,</p><p>nucléolos proeminentes e quantidade moderada de</p><p>citoplasma. O carcinoma de grandes células é um</p><p>diagnóstico de exclusão, já que não expressa os</p><p>marcadores associados com o adenocarcinoma (TTF-1,</p><p>napsina A) e o carcinoma de células escamosas (p63,</p><p>p40).</p><p>A lesão tem localização predominantemente periférica,</p><p>subpleural, não se associa a segmento brônquico e</p><p>caracteriza-se pela tendência a formar grandes massas</p><p>com áreas de necrose e hemorragia.</p><p>Adenocarcinoma</p><p>Tumor epitelial maligno, invasivo, com diferenciação</p><p>glandular ou produção de mucina pelas células</p><p>tumorais. Os adenocarcinomas crescem em vários</p><p>padrões, incluindo acinar, lepídico, papilar,</p><p>micropapilar, e sólido com produção de mucina. Em</p><p>comparação com os carcinomas de células escamosas, as</p><p>lesões em geral estão localizadas mais</p><p>perifericamente e tendem a ser menores. A maioria</p><p>expressa o fator de transcrição da tireoide-1;</p><p>identificado primeiramente na tireoide, esse fator é</p><p>necessário para o desenvolvimento normal do</p><p>pulmão. Na periferia do tumor geralmente há um padrão</p><p>lepídico de disseminação, em que as células do tumor</p><p>“rastejam” pelos septos alveolares com aparência</p><p>normal.</p><p>Tumores (≤3 cm) com um componente invasivo pequeno</p><p>(≤5 mm) associado com cicatrizes e padrões de</p><p>crescimento lepídico periférico são chamados de</p><p>adernocarcinomas microinvasivos. Eles apresentam</p><p>prognósticos muito melhores do que carcinomas</p><p>invasivos do mesmo tamanho. Adernocarcinomas</p><p>mucinosos tendem a se espalhar pelos espaços aéreos,</p><p>formando tumores satélites (podem apresentar-se</p><p>como nódulos solitários ou múltiplos, ou um lobo inteiro</p><p>pode estar consolidado pelo tumor, lembrando uma</p><p>pneumonia lobar, e, portanto, com menor probabilidade</p><p>de cura por cirurgia.</p><p>Manifestacões clínicas</p><p>Tumores centrais: iniciam-se com espessamento da</p><p>mucosa > a lesão cresce para a luz ou para fora do</p><p>brônquio. Na fase avançada, sempre há crescimento para</p><p>fora do brônquio e invasão do parênquima e dos vasos</p><p>linfáticos peribrônquicos.</p><p>Antes da obstrução brônquica > oligossintomáticos > tosse</p><p>seca por irritação da mucosa.</p><p>Após obstrução incompleta > hiperinsuflação pulmonar</p><p>por mecanismo valvular (nem todo o ar que penetra</p><p>consegue sair); com obstrução completa, ocorre colapso</p><p>pulmonar. Ulceração e necrose do tumor, aliadas a</p><p>dificuldade na drenagem de secreções em virtude da</p><p>obstrução brônquica, favorecem infecções. Bronquite,</p><p>bronquiectasia, broncopneumonia, abscesso</p><p>pulmonar, atelectasia, enfisema focal acentuado e</p><p>pleurite são frequentes e podem até mascarar o próprio</p><p>tumor. Mais tarde, a neoplasia invade o mediastino,</p><p>pericárdio, vasos e nervos e atinge o esôfago (estenose</p><p>e/ou fístula).</p><p>Tumores periféricos > sintomas quando atingem a pleura</p><p>(dor, derrame pleural) ou um brônquio. Podem também</p><p>invadir costelas e a coluna vertebral. Tumores do ápice</p><p>podem infiltrar-se no tecido conjuntivo do pescoço, vasos</p><p>linfáticos, ramos do plexo braquial e cadeia simpática</p><p>cervical, causando a síndrome de Horner, que se</p><p>caracteriza por dor no ombro e no braço, paralisia no</p><p>território dos nervos ulnar e mediano, ptose palpebral,</p><p>miose e anidrose no lado da lesão.</p><p>As metástases ocorrem primeiramente nos linfonodos do</p><p>hilo pulmonar; mais tarde, atingem linfonodos cervicais e</p><p>abdominais, pleura e pericárdio. Metástases</p><p>hematogênicas ocorrem sobretudo nas suprarrenais, no</p><p>fígado, nos ossos e no cérebro.</p><p>O diagnóstico de câncer broncopulmonar é feito com base</p><p>em manifestações clínicas (tosse, perda de peso, dor</p><p>torácica, dispneia) e em exames complementares (raio-X,</p><p>tomografia computadorizada etc.), broncoscopia com</p><p>biópsia e/ ou lavado broncoalveolar e exame citológico do</p><p>escarro ou de material obtido por punção aspirativa.</p><p>Rafaela Amaral Câncer de pulmão 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Síndromes paraneoplásicas</p><p>Frequentemente encontradas em pacientes com câncer</p><p>do pulmão, sobretudo do tipo de pequenas células, são</p><p>associadas à produção ectópica de hormônios, com</p><p>altos níveis séricos de L-dopa descarboxilase (DDC),</p><p>gastrina, enolase específica de neurônio,</p><p>creatinocinase-BB (CK-BB) e cromogranina. As</p><p>síndromes paraneoplásicas ocorrem em 15 a 20% dos</p><p>casos de câncer do pulmão.</p><p>Qualquer tipo histológico de tumor pode,</p><p>ocasionalmente, produzir hormônios, porém os tumores</p><p>que produzem ACTH e ADH predominantemente</p><p>são carcinomas de pequenas células, enquanto</p><p>aqueles que produzem hipercalcemia na maioria das</p><p>vezes são carcinomas de células escamosas.</p><p>•Hormônio antidiurético (ADH), induzindo</p><p>hiponatremia decorrente de secreção inapropriada de</p><p>ADH.</p><p>• Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), produzindo</p><p>síndrome de Cushing.</p><p>• Paratormônio, peptídio relacionado ao hormônio da</p><p>paratireoide, prostaglandina E e algumas citocinas, todos</p><p>implicados na hipercalcemia.</p><p>• Calcitonina, causando hipocalcemia.</p><p>• Gonadotrofinas, causando ginecomastia.</p><p>• Serotonina e bradicinina, associadas à síndrome</p><p>carcinoide</p><p>A hipercalcemia é uma das síndromes paraneoplásicas</p><p>de maior associação com o câncer de pulmão,</p><p>principalmente, ao carcinoma de células escamosas.</p><p>Ela é causada por metástase óssea e pela produção</p><p>tumoral de PTH-rp (peptídio relacionado ao</p><p>paratormônio), substância que exerce ações</p><p>equivalentes ao PTH na regulação da reabsorção óssea e</p><p>nos níveis renais de cálcio e fósforo. Suas manifestações</p><p>clínicas incluem efeitos circulatórios (sede, poliúria,</p><p>desidratação e insuficiência renal), gastrointestinais</p><p>(anorexia, náusea, vômito, dor abdominal e constipação),</p><p>neurológicos (fadiga, fraqueza muscular, confusão,</p><p>letargia, irritabilidade e coma) e manifestações</p><p>psiquiátricas (depressão, ansiedade e disfunção cognitiva).</p><p>A síndrome da secreção inapropriada de hormônio</p><p>antidiurético (SIADH) é um estado de hiponatremia</p><p>euvolêmico e hipoosmolar, na ausência de</p><p>hipotireoidismo, insuficiência renal e adrenal, que, no caso</p><p>do CP, é secundária à produção tumoral de ADH. Ela está</p><p>relacionada prioritariamente ao carcinoma de pequenas</p><p>células. Os sintomas da SIADH dependem do grau e da</p><p>velocidade do desenvolvimento da hiponatremia.</p><p>A síndrome de cushing ectópica ocorre pela produção</p><p>tumoral desregulada de ACTH. Costuma-se relacionar</p><p>ao carcinoma de pequenas células. O ACTH estimula a</p><p>produção adrenal de glicocorticoides. O</p><p>hipercortisolismo resulta em alcalose metabólica</p><p>hipocalêmica, hipertensão arterial secundária e</p><p>hiperglicemia. Os achados do exame físico incluem</p><p>deposição anormal de gordura (fácies de lua cheia, giba</p><p>e</p><p>obesidade centrípeta) e estrias violáceas.</p><p>Referências</p><p> KUMAR, Vinay; ABBAS Abdul K; ASTER, Jon C.</p><p>Robbins e Cotran: bases patológicas das doenças. 9 a</p><p>ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016 .</p><p> Bogliolo – Patologia. 8ª edição. Rio de Janeiro:</p><p>Guanabara-Koogan, 2012. Mitchel RN, Kumar V, Abbas</p><p>Ak, Fausto N.</p><p> https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/view/2699</p><p>Rafaela Amaral Câncer de próstata 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>1. Compreender a anatomia e fisiologia da próstata.</p><p>2. Elucidar o Câncer de próstata, fatores de risco, prevalência</p><p>e manifestações clínicas</p><p>3. Diferenciar a hiperplasia prostática benigna da maligna.</p><p>4. Explanar o rastreio e diagnóstico do câncer de próstata.</p><p>Morfofisiologia</p><p>A próstata é a maior glândula acessória do sistema</p><p>genital masculino, 20g, encontra-se inferiormente à</p><p>bexiga urinária, possui consistência firme, é do tamanho</p><p>de uma noz e circunda a parte prostática da uretra. A</p><p>parte glandular representa cerca de dois terços da</p><p>próstata; o outro terço é fibromuscular (parte densa e</p><p>neurovascular, incorporando os plexos prostáticos de</p><p>veias e nervos). Ela mede cerca de 4 cm de um lado a</p><p>outro, aproximadamente 3 cm de cima a baixo, e cerca</p><p>de 2 cm de anterior a posterior.</p><p>A próstata aumenta de tamanho lentamente desde o</p><p>nascimento até a puberdade. Em seguida, se expande</p><p>rapidamente até aproximadamente os 30 anos de idade;</p><p>após esse período, seu tamanho normalmente permanece</p><p>estável até os 45 anos, quando podem ocorrer novos</p><p>aumentos.</p><p>A próstata secreta um líquido fino e leitoso (pH =~</p><p>6,5) que contém cálcio, íon citrato, íon fosfato, uma</p><p>enzima de coagulação e uma pró-fibrinolisina.</p><p>1. O ácido cítrico do líquido prostático é usado pelos</p><p>espermatozoides para a produção de ATP por meio do</p><p>ciclo de Krebs.</p><p>2. Várias enzimas proteolíticas, como o antígeno</p><p>prostático específico (PSA), pepsinogênios, lisozima,</p><p>amilase e hialuronidase, quebram as proteínas de</p><p>coagulação das glândulas seminais.</p><p>3. A plasmina seminal do líquido prostático é um</p><p>antibiótico que pode destruir as bactérias. (ajudar a</p><p>diminuir as que ocorrem naturalmente no sêmen e no</p><p>sistema genital inferior da mulher)</p><p>Os ductos prostáticos (20 a 30) se abrem principalmente</p><p>nos seios prostáticos, situados de cada lado do colículo</p><p>seminal na parede posterior da parte prostática da uretra.</p><p>As secreções da próstata entram na parte prostática da</p><p>uretra por ductos e constituem aproximadamente 25% do</p><p>volume do sêmen > contribuem para a motilidade e</p><p>viabilidade dos espermatozoides.</p><p>A descrição tradicional da próstata inclui os lobos a</p><p>seguir:</p><p>O istmo da próstata situa-se anteriormente à uretra.</p><p>É fibromuscular, e as fibras musculares representam a</p><p>continuação superior do músculo esfíncter externo da</p><p>uretra para o colo da bexiga, e contém pouco ou nenhum</p><p>tecido glandular</p><p>Os lobos direito e esquerdo da próstata, separados</p><p>anteriormente pelo istmo e posteriormente por um sulco</p><p>longitudinal central e pouco profundo, podem ser</p><p>subdivididos, cada um, para fins descritivos, em quatro</p><p>lóbulos indistintos:</p><p>1. Um lóbulo inferoposterior situado posterior à uretra e</p><p>inferior aos ductos ejaculatórios. Esse lóbulo constitui</p><p>a face da próstata palpável ao exame retal digital</p><p>2. Um lóbulo inferolateral diretamente lateral à uretra,</p><p>que forma a maior parte do lobo direito ou esquerdo</p><p>3. Um lóbulo superomedial, situado profundamente ao</p><p>lóbulo inferoposterior, circundando o ducto</p><p>ejaculatório ipsilateral</p><p>4. Um lóbulo anteromedial, situado profundamente ao</p><p>lóbulo inferolateral, diretamente lateral à parte</p><p>prostática proximal da uretra.</p><p>A cápsula da próstata se contrai simultaneamente com as</p><p>contrações do canal deferente, de modo que o líquido fino</p><p>e opaco da próstata seja adicionado ao sêmen. A leve</p><p>alcalinidade é importante para a fertilização bem-sucedida</p><p>do óvulo, uma vez que o líquido do canal deferente é</p><p>relativamente ácido e as secreções vaginais femininas</p><p>também são ácidas (pH de 3,5 a 4,0). O espermatozoide</p><p>não adquire a mobilidade necessária até que o pH dos</p><p>líquidos que o envolvem atinja valores de,</p><p>aproximadamente, 6,0 a 6,5. É provável que o líquido</p><p>prostático ligeiramente alcalino ajude a neutralizar a</p><p>acidez dos outros líquidos seminais, durante a ejaculação,</p><p>e, assim, aumente a mobilidade e fertilidade do</p><p>espermatozoide.</p><p>No adulto, o parênquima prostático pode ser dividido em</p><p>quatro zonas ou regiões biológica e anatomicamente</p><p>distintas: zonas periférica, central, transicional e</p><p>periuretral. Os tipos de lesões proliferativas são</p><p>diferentes em cada região. Por exemplo, a maioria das</p><p>hiperplasias surge na zona de transição, enquanto a</p><p>maioria dos carcinomas é originada na zona periférica.</p><p>Rafaela Amaral Câncer de próstata 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Benigna x Maligna</p><p>Histologicamente, a próstata é composta por glândulas</p><p>revestidas por duas camadas de células: uma camada</p><p>basal de epitélio cuboide baixa coberta por uma camada</p><p>de células secretoras colunares. Os andrógenos</p><p>testiculares controlam o crescimento e a sobrevida das</p><p>células prostáticas.</p><p>Apenas três processos patológicos afetam a glândula</p><p>prostática com frequência suficiente para merecer uma</p><p>discussão: inflamação, aumento nodular benigno e</p><p>tumores.</p><p>Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) ou Hiperplasia</p><p>Nodular</p><p>A HPB é a mais comum doença prostática benigna em</p><p>homens com mais de 50 anos. Resulta de hiperplasia</p><p>nodular das células do estroma prostático e células</p><p>epiteliais, e muitas vezes leva a obstrução urinária.</p><p>Formação de grandes nódulos na região periuretral</p><p>da próstata > comprimem e estreitam o canal uretral (se</p><p>grandes) > obstrução parcial, ou praticamente</p><p>completa, da uretra. A hiperplasia nodular não é</p><p>considerada uma lesão pré-maligna.</p><p>Etiologia e Patogenia</p><p>Acredita-se que a hiperplasia se origine principalmente</p><p>de uma redução da morte celular, resultando no</p><p>acúmulo de células senescentes na próstata. De acordo</p><p>com essa hipótese, os andrógenos aumentam a</p><p>proliferação celular e inibem a morte celular.</p><p>O principal andrógeno na próstata, constituindo 90%</p><p>dos andrógenos prostáticos totais, é a</p><p>dihidrotestosterona (DHT). A DHT é formada na</p><p>próstata a partir da testosterona - ação da 5α-</p><p>redutase tipo 2. Essa enzima está localizada quase</p><p>inteiramente em células do estroma, logo, as células</p><p>estromais são responsáveis pelo crescimento</p><p>prostático dependente de andrógeno.</p><p>A 5α-redutase tipo 1 não é detectada na próstata ou está</p><p>presente em níveis muito baixos. Contudo, essa enzima pode</p><p>produzir DHT a partir de testosterona no fígado e na pele</p><p>e a DHT circulante pode agir na próstata por um</p><p>mecanismo endócrino.</p><p>A DHT se liga ao receptor de andrógeno (RA) nuclear</p><p>presente tanto nas células prostáticas estromais quanto</p><p>nas epiteliais.</p><p>A DHT é mais potente que a testosterona porque</p><p>possui maior afinidade por RA e forma um complexo</p><p>mais estável com o receptor. Essa afinidade estimula a</p><p>transcrição dos genes dependentes de andrógenos,</p><p>que inclui vários fatores de crescimento e seus</p><p>receptores. Os mais importantes fatores de crescimento</p><p>envolvem os fibroblastos (FGF) e o fator transformante</p><p>do crescimento (TGF)-β.</p><p>FGFs, produzidos por células do estroma, são</p><p>reguladores parácrinos de crescimento epitelial</p><p>estimulados por androgênio durante o desenvolvimento</p><p>prostático embrionário, e algumas dessas vias podem ser</p><p>”redespertadas” na idade adulta para produzir o</p><p>crescimento da próstata na HBP. O TGF-β serve como</p><p>um agente mitogênico para fibroblastos e outras células</p><p>mesenquimais, mas inibe a proliferação epitelial.</p><p>Em um caso usual de aumento prostático, a próstata pesa</p><p>entre 60 e 100 g. A hiperplasia nodular da próstata é</p><p>originada quase exclusivamente na porção interna da</p><p>glândula prostática (zona de transição). Os nódulos iniciais</p><p>são compostos quase totalmente por células estromais e</p><p>mais tarde surgem nódulos predominantemente epiteliais.</p><p>Aspectos clínicos</p><p>Obstrução urinária, que decorre a partir do aumento do</p><p>tamanho da próstata e a contração da próstata mediada por</p><p>músculo liso. O aumento da resistência ao fluxo urinário</p><p>provoca hipertrofia e distensão da bexiga,</p><p>acompanhadas por retenção urinária. A incapacidade de</p><p>esvaziar completamente a bexiga cria um reservatório de</p><p>urina residual que é uma fonte comum de infecção. Os</p><p>pacientes apresentam aumento da frequência urinária,</p><p>noctúria, dificuldade em iniciar e interromper o fluxo</p><p>de urina, gotejamento pós-miccional e disúria.</p><p>A terapia médica mais comumente usada e efetiva para os</p><p>sintomas relacionados a HPB consiste nos α-bloqueadores, que</p><p>diminuem o tônus da musculatura lisa prostática pela inibição</p><p>dos receptores α1 -adrenérgicos. Outra terapia farmacológica</p><p>comum se destina a diminuir os sintomas pela redução física da</p><p>próstata com um agente inibidor da síntese de DHT. Os</p><p>inibidores da 5-α-redutase estão nessa categoria. Para casos</p><p>moderados a graves, resistentes à terapia médica, existe uma</p><p>grande variedade de procedimentos mais invasivos.</p><p>Adenocarcinoma</p><p>O adenocarcinoma da próstata é a forma mais comum de</p><p>câncer em homens.</p><p>Incidência/prevalência</p><p>Doença incidente em homens com mais de 50 anos. Sua</p><p>incidência aumenta de 20% em homens na faixa dos 50</p><p>anos, para aproximadamente 70% em homens entre 70 e</p><p>80 anos de idade. O câncer prostático é raro em asiáticos e</p><p>ocorre mais frequentemente entre negros. Há uma</p><p>probabilidade de que um em seis homens seja</p><p>diagnosticado com câncer de próstata ao longo de sua vida.</p><p>Inca – 2020 - 65.840 novos casos – 29,2% e óbitos de</p><p>15.841 pessoas – 13,5%.</p><p>Rafaela Amaral Câncer de próstata 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Etiologia e Patogenia</p><p>Suspeita-se que vários fatores, incluindo idade, raça,</p><p>história familiar, níveis hormonais e influências</p><p>ambientais tenham papel importante. Todavia,</p><p>nenhum fator ambiental foi comprovado como causador.</p><p>Como seus equivalentes normais, o crescimento e a</p><p>sobrevida das células do câncer de próstata</p><p>dependem de andrógenos, que se ligam ao receptor</p><p>androgênico (RA) e induzem a expressão de genes</p><p>pró-crescimento e pró-sobrevida. RAs com extensões</p><p>mais curtas de poliglutamina apresentam maior</p><p>sensibilidade aos andrógenos. As repetições mais curtas</p><p>de poliglutamina são encontradas em geral em afro-</p><p>americanos, enquanto caucasianos possuem uma</p><p>extensão intermediária e os asiáticos possuem a mais</p><p>longa, o que corresponde à incidência e à mortalidade por</p><p>câncer de próstata nesses grupos.</p><p>A castração e o tratamento antiandrogênico</p><p>geralmente induzem a regressão, o que demonstra a</p><p>importância dos andrógenos no CA. Os tumores</p><p>eventualmente ficam resistentes ao bloqueio</p><p>androgênico por: uma hipersensibilidade em níveis</p><p>baixos de andrógeno (p. ex., amplificação do gene de</p><p>RA), ativações de RA independente de ligante (p. ex.,</p><p>via ligações variantes que bloqueiam o domínio de</p><p>ligação do ligante), mutações em RA que permitem</p><p>sua ativação por ligantes não androgênicos, e outras</p><p>mutações ou alterações epigenéticas que ativam as vias</p><p>de sinalização alternativas, que podem evitar</p><p>completamente a necessidade de RA. Entre essas</p><p>últimas estão as alterações que levam a um aumento da</p><p>ativação da via de sinalização PI3K/AKT, que é</p><p>observada mais frequentemente em tumores que se</p><p>tornaram resistentes à terapia antiandrogênica.</p><p>Em comparação aos homens sem história familiar,</p><p>aqueles que possuem parentes de primeiro grau com</p><p>câncer de próstata apresentam o dobro de risco e</p><p>aqueles com dois parentes de primeiro grau possuem</p><p>cinco vezes o risco de desenvolver câncer de próstata.</p><p>Homens com uma forte história familiar de câncer de</p><p>próstata também tendem a desenvolver a doença em</p><p>idade mais precoce. Homens com mutações de linha</p><p>germinativa do supressor tumoral BRCA2 possuem um</p><p>risco 20 vezes maior de desenvolver câncer de próstata,</p><p>e uma mutação hereditária no HOXB13, um gene</p><p>homeobox que codifica um fator de transcrição que</p><p>regula o desenvolvimento da próstata, também confere</p><p>um risco substancialmente aumentado na pequena</p><p>porcentagem de famílias que os carrega. Entretanto, a</p><p>vasta maioria dos cânceres de próstata familiares é</p><p>decorrente de variações em outros loci, que conferem um</p><p>pequeno aumento no risco de câncer.</p><p>A alteração epigenética mais comum no câncer de</p><p>próstata é a hipermetilação no gene da glutationa</p><p>Stransferase (GSTP1) que infrarregula a expressão de</p><p>GSTP1. O gene GSTP1 está localizado no cromossomo</p><p>11q13 e é uma parte importante da via que previne a</p><p>lesão decorrente de uma grande variedade de</p><p>carcinógenos. Outros genes silenciados por modificações</p><p>epigenéticas em um subgrupo de cânceres de próstata</p><p>incluem vários genes supressores de tumor, incluindo</p><p>genes envolvidos na regulação do ciclo celular (RB,</p><p>CDKN2A), na manutenção da estabilidade genômica</p><p>(MLH1, MSH2) e na supressão da via de sinalização Wnt</p><p>(APC).</p><p>Uma suposta lesão precursora de um câncer invasivo, a</p><p>neoplasia intraepitelial prostática (PIN) foi descrita. Em</p><p>primeiro lugar, tanto a PIN quanto o câncer tipicamente</p><p>predominam na zona periférica e são relativamente raros</p><p>em outras regiões. As próstatas contendo câncer possuem</p><p>maior frequência e maior extensão de PIN, que</p><p>frequentemente também é observada próxima ao câncer.</p><p>Ao contrário do câncer do colo uterino, o termo</p><p>“carcinoma in situ não é usado para PIN.</p><p>Benigno x maligno:</p><p>As glândulas malignas tipicamente são menores que as</p><p>glândulas benignas e estão revestidas por uma camada</p><p>única e uniforme de epitélio cuboide ou colunar baixo. Em</p><p>contraste com as glândulas benignas, as glândulas do</p><p>adenocarcinoma de próstata são mais aglomeradas e</p><p>caracteristicamente não possuem ramificações e dobras</p><p>papilares. A camada de células basais externas típicas de</p><p>glândulas benignas está ausente. O citoplasma das células</p><p>tumorais varia de pálido-claro até um aspecto anfofílico</p><p>nítido. Os núcleos são grandes e muitas vezes contêm um</p><p>ou mais nucléolos grandes. Existe alguma variação no</p><p>tamanho e na forma do núcleo, mas em geral o</p><p>pleomorfismo não é acentuado. Figuras mitóticas são</p><p>raras. Uma característica diferencial entre as glândulas</p><p>prostáticas benignas e malignas é que as glândulas</p><p>benignas contêm células basais, enquanto estas estão</p><p>ausentes no câncer.</p><p>Aspectos clínicos</p><p>O câncer prostático localizado é assintomático, e</p><p>geralmente é descoberto pela detecção de um nódulo</p><p>suspeito ao exame retal ou pela elevação do nível sérico de</p><p>PSA. A maioria dos cânceres prostáticos surge</p><p>perifericamente e longe da uretra, e, portanto, sintomas</p><p>urinários ocorrem tardiamente. Pacientes com câncer</p><p>de próstata clinicamente avançado podem apresentar</p><p>sintomas urinários, como dificuldade em iniciar ou</p><p>Rafaela Amaral Câncer de próstata 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>interromper a micção, disúria, frequência ou</p><p>hematúria. O achado de metástases osteoblásticas é</p><p>virtualmente diagnóstico desse tipo de câncer em</p><p>homens.</p><p>Rastreio/diagnóstico</p><p>De acordo a Agência Americana de Câncer:</p><p>A discussão sobre rastreamento seja oferecida a homens</p><p>com risco padrão a partir dos 50 anos e expectativa de</p><p>vida maior que 10 anos e a homens de alto e muito alto</p><p>risco a partir de 45 e 40 anos, respectivamente. Após a</p><p>apresentação dos benefícios e riscos, cada indivíduo deve</p><p>fazer sua escolha. A ACS não recomenda rastreamento</p><p>sem o consentimento informado do paciente</p><p>De acordo o Ministério da Saúde:</p><p>Indicar o rastreamento oportunístico (case finding), ou</p><p>seja, a sensibilização de homens com idade entre 50 e 70</p><p>anos que procuram os serviços de saúde por motivos</p><p>outros que o câncer da próstata sobre a possibilidade de</p><p>detecção precoce deste câncer por meio da realização dos</p><p>exames do toque retal e da dosagem do PSA total,</p><p>informando-os sobre as limitações, os benefícios e os</p><p>riscos da detecção precoce</p><p>do câncer da próstata.</p><p>Instituto Nacional de Câncer:</p><p>Mantém a recomendação de que não se organizem</p><p>programas de rastreamento para o câncer da próstata e</p><p>que homens que demandam espontaneamente a</p><p>realização de exames de rastreamento sejam informados</p><p>por seus médicos sobre os riscos e benefícios associados</p><p>a esta prática.</p><p>O toque retal é o teste mais utilizado, apesar de suas</p><p>limitações, uma vez que somente as porções posterior e</p><p>lateral da próstata podem ser palpadas, deixando de 40%</p><p>a 50% dos tumores fora do seu alcance.</p><p> Toque prostático (TP) - é sempre recomendável e</p><p>também fundamental no estadiamento da doença, bem</p><p>como para definição do tratamento.</p><p> Antígeno prostático específico (PSA) - aceita-se</p><p>como valores limites normais até 4 ng/ml, porém podem</p><p>existir tumores com PSA abaixo deste valor. Quando o</p><p>PSA estiver acima de 10 ng/ml há indicação formal para</p><p>biópsia. Para valores entre 4-10 ng/ml deve-se também</p><p>levar em consideração a velocidade do PSA e a relação</p><p>PSA livre/total.</p><p> Ultrassom transretal – pode ser usado para</p><p>orientar a biópsia da próstata. Também pode ser útil na</p><p>determinação do volume prostático e para avaliar a</p><p>extensão local da doença.</p><p>O diagnóstico do câncer da próstata é feito pelo estudo</p><p>histopatológico do tecido obtido pela biópsia da próstata,</p><p>que deve ser considerada sempre que houver</p><p>anormalidades no toque retal ou na dosagem do PSA. O</p><p>relatório anátomo-patológico deve fornecer a graduação</p><p>histológica do sistema de Gleason, cujo objetivo é</p><p>informar sobre a provável taxa de crescimento do tumor</p><p>e sua tendência à disseminação, além de ajudar na</p><p>determinação do melhor tratamento para o paciente.</p><p>Na graduação histológica, as células do câncer são</p><p>comparadas às células prostáticas normais. Quanto mais</p><p>diferentes das células normais forem as células do câncer,</p><p>mais agressivo será o tumor e mais rápida será sua</p><p>disseminação.</p><p>Curiosidade:</p><p>Referências</p><p> KUMAR, Vinay; ABBAS Abdul K; ASTER, Jon C.</p><p>Robbins e Cotran: bases patológicas das doenças. 9 a</p><p>ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016 .</p><p> https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cancer_d</p><p>a_prostata.pdf</p><p> https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//me</p><p>dia/document//rastreamento-prostata-2013.pdf</p><p>Rafaela Amaral Câncer de tireoide 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>1. Diferenciar a formação dos tumores malignos e benignos da</p><p>tireoide.</p><p>2. Elucidar o perfil epidemiológico, os fatores de risco,</p><p>manifestações clínicas e o diagnóstico do câncer da tireoide.</p><p>Formação tumoral</p><p>Diversos critérios clínicos fornecem pistas sobre a</p><p>natureza de um nódulo tireoidiano:</p><p>• Nódulos solitários, em geral, são mais suscetíveis à</p><p>neoplasia que nódulos múltiplos.</p><p>• Nódulos em pacientes jovens são mais suscetíveis de</p><p>neoplasia que os encontrados em pacientes mais velhos.</p><p>• Nódulos em homens são mais suscetíveis de neoplasia</p><p>que os de mulheres.</p><p>• Um histórico de tratamento por radiação da cabeça e do</p><p>pescoço está associado a uma incidência aumentada de</p><p>malignidade tireoidiana.</p><p>• Nódulos funcionantes que captam iodo radioativo nos</p><p>estudos de imagem (nódulos quentes) são muito mais</p><p>suscetíveis de benignidade que de malignidade.</p><p>O nódulo tireoidiano solitário é um aumento discreto</p><p>e palpável na glândula tireoide supostamente normal. Os</p><p>nódulos simples são cerca de quatro vezes mais comuns</p><p>em mulheres que em homens. A maioria dos nódulos</p><p>solitários da tireoide se mostra como lesões não</p><p>neoplásicas localizadas ou neoplasias benignas, tais</p><p>como os adenomas foliculares. As neoplasias benignas</p><p>se sobrepõem numericamente aos carcinomas</p><p>tireoidianos na razão de aproximadamente 10:1.</p><p>Adenomas</p><p>São tipicamente massas solitárias, discretas e derivadas</p><p>do epitélio folicular (adenomas foliculares).</p><p>Clinicamente, pode ser difícil distinguir os adenomas</p><p>foliculares dos nódulos dominantes da hiperplasia</p><p>folicular ou dos carcinomas foliculares, que são menos</p><p>comuns. Em geral, os adenomas foliculares não são</p><p>precursores dos carcinomas, mas alterações genéticas</p><p>compartilhadas podem fazer com que um subgrupo</p><p>carcinomas foliculares se desenvolva em adenomas</p><p>preexistentes. Em sua maioria, os adenomas são não</p><p>funcionantes, porém um pequeno subconjunto produz</p><p>hormônios tireoidianos e causa tireotoxicose</p><p>clinicamente aparente. A produção hormonal em</p><p>adenomas funcionantes (“adenomas tóxicos”) é</p><p>independente da estimulação de TSH.</p><p>Patogênese</p><p>As mutações somáticas da via de sinalização do</p><p>receptor de TSH são encontradas nos adenomas</p><p>tóxicos, assim como no bócio multinodular tóxico.</p><p>Mutações de ganho de função em algum componente de</p><p>sinalização – mais frequentemente, o próprio gene</p><p>codificador do receptor de TSH (TSHR) ou na</p><p>subunidade-α de Gs (GNAS) – fazem com que as</p><p>células foliculares secretem o hormônio tireoidiano</p><p>independentemente da estimulação de TSH</p><p>(“autonomia tireoidiana”). Isso leva a sintomas de</p><p>hipertireoidismo e produz um nódulo tireoidiano</p><p>“quente” na imagem.</p><p>De forma notável, as mutações em TSHR ou GNAS são</p><p>raras nos carcinomas foliculares, portanto os adenomas</p><p>tóxicos e o bócio multinodular tóxico não parecem ser</p><p>precursores de malignidade. A minoria (<20%) dos</p><p>adenomas foliculares não funcionantes apresenta</p><p>mutações de RAS ou PIK3CA, que codifica a subunidade</p><p>da PI-3-cinase, ou carrega um gene fusionado PAX8-</p><p>PPARG, todos representando alterações genéticas</p><p>compartilhadas com os carcinomas foliculares.</p><p>Morfologia:</p><p>O adenoma tireoidiano típico é uma lesão solitária,</p><p>esférica e encapsulada, a qual é bem demarcada do</p><p>parênquima tireoidiano circundante por uma cápsula</p><p>bem definida, completa e íntegra – características</p><p>importantes para se estabelecer a distinção dos bócios</p><p>multinodulares, os quais contêm múltiplos nódulos</p><p>mesmo em pacientes que, clinicamente, apresentam um</p><p>nódulo dominante solitário. Os adenomas foliculares têm,</p><p>em média, cerca de 3 cm de diâmetro. Áreas de</p><p>hemorragia, fibrose, calcificação e mudanças císticas,</p><p>similares às encontradas nos bócios multinodulares, são</p><p>comuns nos adenomas foliculares, particularmente em</p><p>lesões maiores.</p><p>As células neoplásicas mostram uma pequena variação de</p><p>tamanho, formato e morfologia nuclear, e figuras mitóticas</p><p>são raras.</p><p>Aspectos Clínicos</p><p>Muitos se apresentam como massas indolores</p><p>unilaterais, que são descobertas durante um exame físico</p><p>de rotina. Grandes massas > dificuldade de engolir. Os</p><p>adenomas não funcionantes captam menos iodo radioativo</p><p>do que o parênquima tireoidiano normal - os adenomas não</p><p>funcionantes aparecem como nódulos frios em relação ao</p><p>tecido tireoidiano adjacente. Os supostos adenomas da</p><p>tireoide são cirurgicamente removidos para excluir</p><p>malignidade. Adenomas foliculares não apresentam</p><p>recorrência ou metástase e têm um prognóstico excelente.</p><p>Carcinomas</p><p>Predominância feminina entre os pacientes que</p><p>desenvolveram carcinoma tireoidiano no início ou no meio</p><p>da vida adulta - casos que se apresentam na infância e</p><p>tardiamente na vida adulta são distribuídos igualmente</p><p>entre homens e mulheres.</p><p>Os principais subtipos de carcinoma tireoidiano e suas</p><p>frequências relativas são:</p><p>• Carcinoma papilífero (> 85% dos casos).</p><p>• Carcinoma folicular (5% a 15% dos casos).</p><p>• Carcinoma anaplásico (indiferenciado) (< 5% dos</p><p>casos).</p><p>• Carcinoma medular (5% dos casos).</p><p>Rafaela Amaral Câncer de tireoide 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>A maioria dos carcinomas tireoidianos (exceto os</p><p>medulares) deriva do epitélio folicular tireoidiano, e a</p><p>maioria é formada por lesões bem definidas.</p><p>Patogênese</p><p>Fatores Genéticos</p><p>Eventos genéticos distintos estão envolvidos na</p><p>patogênese das quatro principais variantes histológicas</p><p>de câncer tireoidiano - os carcinomas medulares não</p><p>surgem do epitélio folicular. As alterações genéticas nas</p><p>três neoplasias malignas derivadas das células foliculares</p><p>ocorrem nas vias de sinalização</p><p>do receptor do fator</p><p>de crescimento.</p><p>Células normais: ligação de fatores de crescimento ao</p><p>receptor tirosina-cinase > autofosforilação > ativação de</p><p>RAS e dois braços de sinalização da cadeia que</p><p>envolvem cinase de MAP (MAPK) e PI-3-cinase (PI3K).</p><p>Nos carcinomas: as mutações de ganho de função em</p><p>componentes dessas vias levam à ativação permanente,</p><p>gerando proliferação celular excessiva e aumento da</p><p>sobrevivência das células.</p><p>Fatores ambientais - o maior fator de risco</p><p>predisponente para o câncer tireoidiano é a exposição à</p><p>radiação ionizante, particularmente durante as</p><p>primeiras duas décadas de vida. A deficiência de iodo na</p><p>alimentação está ligada à alta frequência de carcinomas</p><p>foliculares.</p><p> Carcinomas Papilíferos</p><p>A maioria apresenta mutações de ganho de função</p><p>envolvendo os genes que codificam os receptores de</p><p>tirosina-cinases RET ou NTRK1, ou na</p><p>serina/treonina-cinase BRAF, que está na via de</p><p>MAPK.</p><p>O gene RET - localizado no cromossomo 10q11 -</p><p>codifica o receptor tirosina-cinase expressado nas células</p><p>foliculares tireoidianas. Nos cânceres papilares, inversão</p><p>do cromossomo 10 e translocação recíproca entre os</p><p>cromossomos 10 e 17 colocam a tirosina-cinase do RET</p><p>sob o controle de genes expressados no epitélio da</p><p>tireoide. Os novos genes de fusão formados são</p><p>conhecidos como RET/PTC</p><p>(RET/carcinoma tireoidiano papilífero) e estão</p><p>presentes em aproximadamente 20% a 40% dos</p><p>cânceres tireoidianos papilíferos. Dois tipos de fusão do</p><p>RET - PTC1 e PTC2 – são mais comumente observados</p><p>nos cânceres papilíferos esporádicos.</p><p>BRAF codifica um componente de sinalização</p><p>intermediário na via da MAP cinase - inúmeros</p><p>carcinomas tireoidianos papilíferos abrigam mutações de</p><p>ganho de função no gene BRAF. A presença de mutações</p><p>em BRAF nos carcinomas papilíferos se correlaciona com</p><p>fatores prognósticos adversos, como a doença</p><p>metastática e a extensão extratireoidiana. De interesse</p><p>adicional, os rearranjos de RET/PTC e as mutações</p><p>pontuais de BRAF não são observados nos adenomas</p><p>ou carcinomas foliculares.</p><p>Os carcinomas papilíferos são a forma mais comum de</p><p>câncer tireoidiano e ocorrem ao longo de toda a vida,</p><p>embora tenham incidência maior na faixa etária de 25 a 50</p><p>anos. Carcinomas papilíferos podem ser solitários ou</p><p>multifocais. Alguns tumores podem estar bem</p><p>circunscritos e até mesmo encapsulados; outros podem</p><p>infiltrar-se no parênquima adjacente com margens mal</p><p>definidas. Os tumores podem conter áreas de fibrose e</p><p>calcificação, e são frequentemente císticos. Algumas</p><p>vezes, a superfície de corte revela focos papilares que</p><p>apontam para o diagnóstico.</p><p>Aspectos clínicos:</p><p>A maioria dos carcinomas papilares convencionais se</p><p>apresenta como nódulos tireoidianos assintomáticos, mas</p><p>a primeira manifestação pode ser uma massa em um</p><p>linfonodo cervical. Quase sempre são nódulos únicos</p><p>que se movem livremente com a glândula tireoide</p><p>durante a deglutição e não se distinguem, ao exame, dos</p><p>nódulos benignos. Rouquidão, disfagia, tosse e dispneia</p><p>sugerem doença avançada. Em uma minoria de</p><p>pacientes, as metástases hematogênicas estão presentes no</p><p>momento do diagnóstico, mais comumente no pulmão.</p><p>Os cânceres tireoidianos papilíferos têm excelente</p><p>prognóstico, com uma taxa de sobrevivência de dez anos</p><p>em mais de 95% dos casos.</p><p>Rafaela Amaral Câncer de tireoide 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p> Carcinomas Foliculares</p><p>Estão associados a mutações adquiridas que ativam</p><p>RAS ou o braço de PI-3K/AKT da via de sinalização</p><p>do receptor de tirosinacinase. Não se conhece o motivo</p><p>pelo qual as mutações RAS produzem neoplasias</p><p>foliculares, e não neoplasias papilíferas. Cerca de um</p><p>terço a metade dos carcinomas tireoidianos foliculares</p><p>abrigam mutações de ponto de ganho de função de</p><p>RAS ou PIK3CA, amplificações de PIK3CA ou</p><p>mutações de perda de função de PTEN, um gene</p><p>supressor de tumor e regulador negativo dessa via -</p><p>alterações genéticas são sempre mutuamente exclusivas</p><p>nos carcinomas foliculares.</p><p>São responsáveis por 5% a 15% dos cânceres primários</p><p>da tireoide, porém são mais frequentes em áreas com</p><p>deficiência de iodo na dieta, onde constituem de 25% a</p><p>40% dos casos de câncer de tireoide - mais comuns em</p><p>mulheres (3:1) e se apresentam mais frequentes em</p><p>idades mais avançadas do que os carcinomas papilíferos,</p><p>com pico de incidência entre os 40 e os 60 anos.</p><p>Além disso, são nódulos únicos que podem ser bem</p><p>circunscritos ou amplamente invasivos. As lesões</p><p>maiores podem penetrar a cápsula e se infiltrar muito</p><p>além da cápsula tireoidiana até o tecido cervical</p><p>adjacente.</p><p>Microscopicamente, a maioria dos carcinomas</p><p>foliculares é composta de células regularmente</p><p>uniformes que formam pequenos folículos contendo</p><p>coloide, que se assemelham muito à tireoide normal.</p><p>Os carcinomas foliculares se apresentam como nódulos</p><p>indolores que aumentam lentamente - têm uma pequena</p><p>propensão para invadir os linfáticos; os linfonodos</p><p>regionais estão raramente envolvidos, mas a</p><p>disseminação vascular (hematogênica) é comum, com</p><p>metástases para ossos, pulmões, fígado e outros locais. O</p><p>prognóstico depende amplamente da extensão da invasão</p><p>e do estágio de apresentação.</p><p> Carcinomas Anaplásicos (Indiferenciados)</p><p>Altamente agressivos e letais - “desdiferenciação” de um</p><p>carcinoma papilífero ou folicular bem diferenciado. As</p><p>alterações moleculares presentes no carcinoma</p><p>anaplásico incluem aquelas vistas em carcinomas bem</p><p>diferenciados (p. ex., mutações em RAS ou PIK3CA).</p><p>Outros “hits” genéticos, como a inativação de TP53 ou</p><p>as mutações ativadoras da β-catenina, são</p><p>essencialmente restritos aos carcinomas anaplásicos e</p><p>podem contribuir com seu comportamento agressivo.</p><p>ão agressivos, com taxa de mortalidade próxima de</p><p>100%. Pacientes com carcinoma anaplásico são mais</p><p>velhos do que os portadores de outros tipos de cânceres</p><p>tireoidianos, com idade média de 65 anos.</p><p>Os carcinomas anaplásicos costumam apresentar-se como</p><p>massas volumosas no pescoço que aumentam</p><p>rapidamente. Na maioria dos casos, a doença já se</p><p>espalhou além da cápsula tireoidiana para as estruturas</p><p>do pescoço ou passou por metástase para os pulmões no</p><p>momento da apresentação. Sintomas relacionados com</p><p>compressão e invasão, como dispneia, disfagia,</p><p>rouquidão e tosse, são comuns. Não há terapias efetivas,</p><p>e a doença é quase uniformemente fatal</p><p> Carcinoma Tireoidiano Medular</p><p>Ocorrem em neoplasias endócrinas múltiplas do tipo 2 e</p><p>estão associados a mutações na linhagem germinativa</p><p>de RET que levam à ativação permanente do receptor.</p><p>Os casos esporádicos de carcinoma medular chamam a</p><p>atenção médica mais frequentemente como uma massa no</p><p>pescoço, algumas vezes associada a disfagia ou</p><p>rouquidão. Em alguns casos, as manifestações iniciais são</p><p>aquelas da síndrome paraneoplásica, causada pela</p><p>secreção de um hormônio peptídico (p. ex., diarreia</p><p>decorrente da secreção de VIP ou síndrome de Cushing</p><p>decorrente do ACTH). De forma notável, a hipocalcemia</p><p>não é uma característica proeminente, a despeito da</p><p>presença de níveis elevados de calcitonina.</p><p>Perfil epidemiológico e diagnóstico</p><p>Estimativas de novos casos: 13.780, 1.830 sendo</p><p>homens e 11.950 mulheres (2020 - INCA); e</p><p>Número de mortes: 837, sendo 288 homens e 549</p><p>mulheres (2020 - Atlas de Mortalidade por Câncer)</p><p>O diagnóstico do câncer da tireoide começa com a</p><p>história clínica e o exame físico. Muitas vezes, em</p><p>tumores pequenos, os pacientes são assintomáticos. O</p><p>diagnóstico normalmente é feito após realização de</p><p>ultrassonografia do pescoço na qual é encontrado um</p><p>nódulo. De acordo com as características do nódulo,</p><p>é feita a biópsia de aspiração por agulha fina, no qual</p><p>algumas células da área suspeita são retiradas para</p><p>análise no microscópio.</p><p>Referências</p><p> KUMAR, Vinay; ABBAS Abdul K; ASTER, Jon C.</p><p>Robbins e Cotran: bases patológicas das doenças. 9 a</p><p>ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016 .</p><p> https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-</p><p>tireoide#:~:text=por%20um%20m%C3%A9dico.-</p><p>,Diagn%C3%B3stico,qual%20%C3%A9%20encontrad</p><p>o%20um%20n%C3%B3dulo.</p><p>Rafaela Amaral Câncer de estômago 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>1. Compreender o perfil epidemiológico e fatores de risco do</p><p>câncer de estomago.</p><p>2. Elucidar a etiopatologia e manifestações clínicas do</p><p>câncer de estômago.</p><p>3. Explanar as ferramentas de diagnóstico, bem como as</p><p>diferenças nos tipos de endoscopia digestiva alta.</p><p>Epidemiologia + fatores de risco</p><p>O estômago é dividido em quatro regiões anatômicas</p><p>principais: a cárdia, o fundo, o corpo e o antro. A</p><p>cárdia e o antro (células foveolares secretoras de mucina</p><p>que formam as pequenas glândulas). As glândulas antrais</p><p>são similares, mas também contêm células endócrinas,</p><p>tais como as células G, que liberam gastrina para</p><p>estimular a secreção luminal de ácido pelas células</p><p>parietais dentro do fundo e do corpo gástrico. As</p><p>glândulas bem desenvolvidas do corpo e do fundo</p><p>também contêm células principais que produzem e</p><p>secretam enzimas digestivas, tais como a pepsina.</p><p>O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que para</p><p>cada ano do triênio 2020/2022, sejam diagnosticados no</p><p>Brasil 21.230 novos casos de câncer de estômago</p><p>(13.360 em homens e 7.870 em mulheres). Esses valores</p><p>correspondem a um risco estimado de 12,81 casos novos</p><p>a cada 100 mil homens e 7,34 para cada 100 mil</p><p>mulheres. No Brasil, o câncer de estômago é o terceiro</p><p>tipo mais frequente entre homens e o quinto entre as</p><p>mulheres.</p><p>O câncer de estômago afeta principalmente as pessoas</p><p>mais velhas, sendo a idade média do diagnóstico aos 68</p><p>anos. Cerca de 60% dos pacientes com câncer de</p><p>estômago têm 65 anos ou mais. O risco médio de um</p><p>homem desenvolver câncer de estômago em sua vida é</p><p>cerca de 1 em 95, para as mulheres esse risco é de 1 em</p><p>154.</p><p>Fatores que podem aumentar o risco de uma pessoa</p><p>desenvolver câncer de estômago:</p><p>• Gênero. (homem)</p><p>• Idade.</p><p>• Etnia. (+ comum em negros)</p><p>• Geografia. Mundialmente, o câncer de estômago é mais</p><p>frequente no Japão, China, Europa Oriental e Sul, e</p><p>América do Sul e Central. Esta doença é menos comum</p><p>no Norte de África e Ocidental, Centro e Sul de Ásia e</p><p>América do Norte.</p><p>• Infecção por Helicobacter pylori.</p><p>• Dieta - ricas em alimentos defumados, peixes salgados</p><p>e carne e vegetais em conserva tem risco aumentado.</p><p>Nitratos e nitritos são substâncias comumente encontradas</p><p>em carnes curadas, que podem ser convertidas por certas</p><p>bactérias, como o H. Pylori, em compostos que causam</p><p>câncer de estômago em animais.</p><p>• Tabagismo - particularmente na parte superior do</p><p>estômago, próximo ao esôfago.</p><p>• Obesidade</p><p>• Cirurgia prévia do estômago. Pessoas que tiveram parte</p><p>do estômago removido para o tratamento de doenças não</p><p>cancerígenas, como úlceras, são mais propensas a</p><p>desenvolver câncer de estômago. Isso pode ocorrer pela</p><p>presença de bactérias produtoras de nitrito, além disso, a</p><p>produção de ácido diminui após cirurgia da úlcera e pode</p><p>haver refluxo de bile do intestino delgado para o</p><p>estômago.</p><p>• Anemia perniciosa.</p><p>• Síndromes hereditárias - BRCA1/ BRCA2.</p><p>• Histórico familiar.</p><p>• Pólipos.</p><p>Etiopatologia + manifestações</p><p>Gastrite por Helicobacter pylori</p><p>A H. pylori é uma bactéria que coloniza a mucosa</p><p>estomacal causando distúrbios gástricos que podem</p><p>evoluir para gastrites, úlceras, dispepsias e carcinomas;</p><p>são bacilos em forma de espiral ou curva presentes em</p><p>amostras de biópsia gástrica de quase todos os pacientes</p><p>com úlceras duodenais, bem como na maioria dos</p><p>indivíduos com úlceras gástricas ou gastrite crônica. A</p><p>infecção por H. pylori não produz sintomas suficientes</p><p>para que haja um alerta para cuidados médicos, é a</p><p>gastrite crônica que, por fim, faz com que o indivíduo</p><p>busque tratamento.</p><p>Após a chegada da H. pylori ao estômago, movendo-se</p><p>mediante o auxílio de seu flagelo e de sua forma espiralada</p><p>através do suco e muco gástrico, esta se adere de forma</p><p>excepcional à mucosa gástrica para em seguida penetrá-la.</p><p>Em sua patogênese, dois são os principais fatores</p><p>relacionados ao sucesso da H. pylori como agente</p><p>patogênico: a resistência ao ácido clorídrico e a adesão</p><p>à mucosa gástrica para colonização da mesma.</p><p>A infecção por H. pylori apresenta-se, mais</p><p>frequentemente, como uma gastrite predominantemente</p><p>antral, com produção de ácido normal ou elevada. Se a</p><p>inflamação permanece limitada ao antro - o aumento da</p><p>produção de ácido resulta em um risco maior de úlcera</p><p>péptica duodenal. Se a gastrite progride para envolver o</p><p>corpo gástrico e o fundo, gastrite atrófica multifocal,</p><p>pode haver associação a placas de atrofia da mucosa,</p><p>redução da massa de células parietais e da secreção de</p><p>ácido, metaplasia intestinal e risco aumentado de</p><p>adenocarcinoma gástrico. Dessa forma, há um</p><p>relacionamento inverso entre a úlcera duodenal e o</p><p>adenocarcinoma gástrico, o qual se correlaciona com o</p><p>padrão da gastrite.</p><p>Rafaela Amaral Câncer de estômago 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>A virulência está relacionada aos seguintes fatores:</p><p>• Flagelos, os quais permitem que a bactéria seja móvel</p><p>no muco viscoso.</p><p>• Urease, que gera amônia da ureia endógena e assim</p><p>eleva o pH gástrico local e aumenta a taxa de</p><p>sobrevivência bacteriana.</p><p>• Adesinas, que acentuam a aderência bacteriana à</p><p>superfície das células foveolares.</p><p>• Toxinas, como o gene A associado à citotoxina (CagA),</p><p>que pode estar envolvido na progressão da doença.</p><p>Fatores do hospedeiro também têm um papel</p><p>importante na infecção por H. pylori:</p><p>Polimorfismos genéticos, que resultam no aumento da</p><p>expressão do fator de necrose tumoral (TNF), de</p><p>citocinas pró-inflamatórias e interleucina-1β (IL-1β), ou</p><p>a queda de expressão da citocina anti-inflamatória</p><p>interleucina-10 (IL-10), estão associados ao</p><p>desenvolvimento de pangastrite, atrofia e câncer</p><p>gástrico. A deficiência de ferro também pode ser um</p><p>fator de risco para o câncer gástrico associado ao H.</p><p>pylori.</p><p>Além da identificação histológica dos organismos,</p><p>detecção bacteriana fecal e o teste da respiração de ureia,</p><p>baseado na geração de amônia pela urease bacteriana,</p><p>são possíveis testes diagnósticos. As amostras de biópsia</p><p>gástrica também podem ser analisadas pelo teste rápido</p><p>da urease, cultura bacteriana ou detecção de DNA</p><p>bacteriano por PCR. Tratamentos eficazes para a</p><p>infecção por H. pylori incluem combinações de</p><p>antibióticos e inibidores de bombas de prótons.</p><p>Pólipos e Tumores Gástricos</p><p>Os pólipos podem se desenvolver como resultado de</p><p>hiperplasia de células epiteliais ou estromais,</p><p>inflamação, ectopia ou neoplasia.</p><p>Pólipos Inflamatórios e Hiperplásicos</p><p>Até 75% de todos os pólipos gástricos são pólipos</p><p>inflamatórios ou hiperplásicos.</p><p>A inflamação crônica impulsiona o desenvolvimento</p><p>de pólipos, logo, a incidência depende parcialmente da</p><p>prevalência de infecção por H. pylori. Esses pólipos</p><p>são mais comuns em indivíduos entre os 50 e 60 anos</p><p>de idade e geralmente desenvolvem-se em associação</p><p>com a gastrite crônica (que inicia a lesão que resulta na</p><p>hiperplasia reativa e no crescimento do pólipo). Os</p><p>pólipos podem regredir após a erradicação</p><p>bacteriana de H. pylori.</p><p>O risco de displasia se correlaciona com o tamanho, os</p><p>pólipos maiores do que 1,5 cm devem ser removidos e</p><p>examinados histologicamente.</p><p>Pólipos de Glândula Fúndica</p><p>Os pólipos de glândula fúndica ocorrem</p><p>esporadicamente e em indivíduos com pólipos e</p><p>adenomatosa familiar (PAF). A prevalência dos pólipos</p><p>de glândula fúndica tem aumentado marcantemente nos</p><p>últimos anos, como resultado do aumento do uso da</p><p>terapia com inibidores de bombas de prótons. Esses</p><p>fármacos inibem a produção de ácido, o que resulta no</p><p>aumento da secreção da gastrina e, por sua vez, no</p><p>crescimento da glândula oxíntica. Os pólipos de glândula</p><p>fúndica podem ser assintomáticos ou associados a náusea,</p><p>vômito ou dor epigástrica.</p><p>Adenoma gástrico</p><p>Os adenomas gástricos são geralmente lesões solitárias,</p><p>com menos de 2 cm de diâmetro, mais comumente</p><p>localizadas no antro e considerados lesões neoplásticas</p><p>pré-malignas.</p><p>Representam até 10% de todos os pólipos gástricos. Sua</p><p>frequência aumenta progressivamente com a idade,</p><p>prevalente entre 50 e 60 anos de idade e os homens são</p><p>afetados três vezes mais do que as mulheres.</p><p>Similarmente às outras formas de displasia gástrica, os</p><p>adenomas quase sempre ocorrem em um ambiente de</p><p>gastrite crônica com atrofia e metaplasia intestinal. O</p><p>risco de adenocarcinoma em adenomas gástricos está</p><p>relacionado ao tamanho da lesão e é particularmente</p><p>elevado em lesões maiores que 2 cm de diâmetro. No</p><p>geral, o carcinoma pode estar presente em mais de 30%</p><p>dos adenomas gástricos.</p><p>Adenocarcinoma gástrico</p><p>Malignidade mais comum do estômago - 90% de todos os</p><p>cânceres gástricos.</p><p>Separado morfologicamente em:</p><p>Tipo intestinal: tende a formar massas volumosas</p><p>Tipo difuso: se infiltra na parede difusamente, espessando-</p><p>a, e geralmente é composto por células em anel de sinete.</p><p>Os primeiros sintomas de ambos os tipos de</p><p>adenocarcinoma gástrico são similares aos da gastrite</p><p>crônica e da doença ulcerosa péptica, incluindo</p><p>dispepsia, disfagia e náusea. Logo, são mais descobertos</p><p>em estágios avançados, quando perda de peso, anorexia,</p><p>plenitude gástrica (principalmente nos cânceres difusos),</p><p>anemia e hemorragia, incitam avaliações diagnósticas</p><p>adicionais.</p><p>Patogenia</p><p>O câncer gástrico familiar está fortemente associado a</p><p>mutações de perda de função germinativa no gene</p><p>supressor de tumor CDH1, o qual codifica a proteína</p><p>de adesão celular E-caderina – as mutações estão</p><p>presentes em cerca de 50% dos casos esporádicos de</p><p>tumores gástricos difusos. A mutação do TP53 também é</p><p>encontrada na maioria dos cânceres gástricos esporádicos,</p><p>tanto no tipo difuso quanto no tipo intestinal. Em contraste</p><p>com os cânceres gástricos difusos, os do tipo intestinal</p><p>esporádico estão fortemente associados com mutações que</p><p>resultam no aumento da via de sinalização Wnt. Estas</p><p>incluem as mutações de perda de função no gene supressor</p><p>de tumores na polipose adenomatosa coli (APC) e</p><p>mutações de ganho de função no gene codificador da</p><p>βcatenina.</p><p>Aspectos clínicos</p><p>Cânceres tipo intestinal - se desenvolvem a partir de</p><p>lesões precursoras, incluindo a displasia plana e</p><p>adenomas. Ai dade média de apresentação é 55 anos, e</p><p>a razão homem:mulher é de 2:1. Em relação ao câncer</p><p>gástrico difuso, não existem lesões precursoras</p><p>identificadas e a doença ocorre em frequências similares</p><p>em homens e mulheres.</p><p>Rafaela Amaral Câncer de estômago 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Os indicadores do prognóstico são: a profundidade da</p><p>invasão e a extensão das metástases nodais e a distância.</p><p>A invasão local no duodeno, pâncreas e retroperitônio é</p><p>comum. Nesses casos, os esforços estão geralmente</p><p>focalizados na quimioterapia, ou na radioterapia, e no</p><p>cuidado paliativo. No entanto, quando possível, a</p><p>amputação cirúrgica permanece como o tratamento</p><p>preferido para o adenocarcinoma gástrico.</p><p>Linfoma</p><p>Os linfomas extranodais podem surgir em praticamente</p><p>todos os tecidos, mas ocorrem mais comumente no trato</p><p>GI, particularmente no estômago. Cerca de 5% de todas</p><p>as malignidades gástricas são linfomas primários, sendo</p><p>a maioria os linfomas indolentes de células B da zona</p><p>marginal extranodal.</p><p>Patogenia</p><p>Os linfomas de células B da zona marginal extranodal</p><p>geralmente surgem em locais de inflamação crônica.</p><p>Eles podem se originar no trato GI em locais de MALT,</p><p>linfomas do tecido linfoide associado à mucosa,</p><p>preexistente, tais como as placas de Peyer do intestino</p><p>delgado, mas surgem mais comumente em tecidos que</p><p>são normalmente desprovidos de tecido linfoide</p><p>organizado. No estômago, o MALT é induzido,</p><p>geralmente, como resultado de gastrite crônica. A</p><p>infecção por H. pylori é o indutor mais comum no</p><p>estômago e, portanto, é encontrada em associação com a</p><p>maioria dos casos de MALToma gástrico. Notavelmente,</p><p>a erradicação do H. pylori resulta em remissões</p><p>duradouras, com baixas taxas de recorrência na maioria</p><p>dos pacientes com MALToma.</p><p>Aspectos Clínicos</p><p>Dispepsia e dor epigástrica; hematêmese, melena e</p><p>sintomas constitucionais, tais como perda de peso,</p><p>também podem estar presentes.</p><p>Tumor carcinoide</p><p>Surgem de componentes difusos do sistema endócrino e</p><p>são conhecidos como tumores neuroendócrinos bem</p><p>diferenciados. O termo carcinoide foi aplicado porque</p><p>esses tumores tendem a ter um curso clínico mais</p><p>indolente do que os carcinomas GI. Os tumores</p><p>carcinoides gástricos podem estar associados a</p><p>hiperplasia de células endócrinas, gastrite atrófica</p><p>crônica autoimune, MEN-I e síndrome de Zollinger-</p><p>Ellison.</p><p>Aspectos Clínicos</p><p>O pico acontece na 6ª década de vida, mas eles podem</p><p>aparecer em qualquer idade. Os sintomas são</p><p>determinados pelos hormônios produzidos. Por</p><p>exemplo, os tumores que produzem gastrina podem</p><p>causar a síndrome de Zollinger-Ellison, enquanto os</p><p>tumores ileais podem causar síndrome carcinoide, a qual</p><p>é caracterizada por ruborização cutânea, sudorese,</p><p>broncospasmos, cólicas abdominais, diarreia e</p><p>fibrose valvular cardíaca direita. A síndrome</p><p>carcinoide ocorre em menos de 10% dos pacientes e é</p><p>causada por substâncias vasoativas secretadas pelo</p><p>tumor na circulação sistêmica.</p><p>Tumor Estromal Gastrointestinal</p><p>O tumor estromal GI (GIST) é o tumor mesenquimal mais</p><p>comum do abdome, com incidências anuais entre 11 e 20</p><p>a cada um milhão de pessoas. Mais da metade desses</p><p>tumores ocorre no estômago. O termo estromal é</p><p>reconhecido como oriundo de células intersticiais de Cajal,</p><p>ou células marca-passo, na muscular própria</p><p>gastrointestinal.</p><p>Patogenia</p><p>Entre 75% e 80% de todos os GISTs possuem mutações</p><p>oncogênicas de ganho de função no receptor tirosina-</p><p>cinase KIT. Aproximadamente 8% dos GISTs possuem</p><p>mutações que ativam um receptor α do fator de</p><p>crescimento derivado de plaquetas da tirosina-cinase,</p><p>proximamente relacionado. Por motivos desconhecidos,</p><p>os GISTs portando mutações PDGFRAsão mais</p><p>frequentes no estômago.</p><p>Aspectos Clínicos</p><p>Os sintomas dos GISTs na apresentação podem estar</p><p>relacionados aos efeitos de massa. A ulceração mucosa</p><p>pode causar perda sanguínea, e aproximadamente metade</p><p>dos indivíduos com GISTs apresentam anemia ou</p><p>sintomas relacionados.</p><p>Diagnóstico e tipos de EDA</p><p>O principal exame para diagnosticar tumores malignos no</p><p>estômago é a endoscopia digestiva alta, seguida de</p><p>biópsia e exame anatomopatológico.</p><p>Mas outros exames também são importantes para avaliar a</p><p>extensão do tumor, tais quais:</p><p>• Ultrassonografia endoscópica;</p><p>• Tomografia computadorizada;</p><p>• Ressonância magnética.</p><p>O ultrassom endoscópico usa ondas sonoras para produzir</p><p>imagens de órgãos como o estômago. Na ultrassonografia</p><p>endoscópica, um pequeno transdutor é colocado na ponta</p><p>do endoscópio. Esse endoscópio é passado pela garganta</p><p>até o estômago. Desse modo, o transdutor é posicionado</p><p>diretamente sobre a parede do estômago, permitindo que o</p><p>médico visualize as camadas da parede do estômago, bem</p><p>como os linfonodos e outras estruturas. A qualidade da</p><p>imagem é melhor do que um ultrassom padrão em função</p><p>da proximidade.</p><p>O ultrassom endoscópico é útil para verificar a</p><p>disseminação da doença na parede do estômago, nos</p><p>tecidos próximos e linfonodos. Também pode ser usado</p><p>para guiar uma agulha a uma área suspeita para obter uma</p><p>amostra de tecido (biópsia guiada por ultrassom</p><p>endoscópico).</p><p>Existem 4 tipos de endoscopia, além da endoscopia</p><p>digestiva alta:</p><p>A endoscopia é um exame capaz de analisar a mucosa do</p><p>esôfago, estômago e duodeno (primeira parte do intestino</p><p>delgado).</p><p>fatores que causam doença podem ser</p><p>agrupados em duas classes: genéticos (p. ex., mutações</p><p>hereditárias) e adquiridos (p. ex., doenças infecciosas,</p><p>nutricionais). O conceito de que um agente etiológico seja</p><p>a causa de uma doença não é aplicável à maioria das</p><p>doenças.</p><p>Patogenia</p><p>Se refere à sequência de eventos celulares, bioquímicos</p><p>e moleculares que decorrem da exposição das células ou</p><p>tecidos a um agente lesivo.</p><p>Alterações Morfológicas</p><p>Referem-se às alterações estruturais nas células ou tecidos</p><p>que são ora características de uma doença, ora diagnósticas</p><p>de um processo etiológico.</p><p>Perturbações Funcionais e Manifestações Clínicas</p><p>Os resultados das alterações genéticas, bioquímicas e</p><p>estruturais nas células e tecidos são anormalidades</p><p>funcionais, as quais provocam as manifestações clínicas</p><p>(sinais e sintomas) das doenças, bem como a sua</p><p>progressão (curso clínico e consequências).</p><p>Processo de homeostase, aspectos fisiológicos, patológicos e</p><p>definição dos termos:</p><p>A célula normal está limitada, em suas funções e estrutura,</p><p>a uma faixa de variação bastante estreita devido ao seu</p><p>estado de metabolismo, diferenciação e especialização;</p><p>por restrições pelas células vizinhas; e pela disponibilidade</p><p>de substratos metabólicos. No entanto, ela é capaz de dar</p><p>conta das demandas fisiológicas, mantendo um estado</p><p>de equilíbrio chamado homeostase. As adaptações são</p><p>respostas estruturais e funcionais reversíveis às</p><p>alterações fisiológicas (p. ex., gestação) ou a alguns</p><p>estímulos patológicos, durante as quais um novo estado de</p><p>equilíbrio, alterado, é alcançado, permitindo a</p><p>sobrevivência e a atividade funcional da célula.</p><p>Rafaela Amaral Processos patológicos 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>A resposta adaptativa pode consistir em:</p><p>Hipertrofia - aumento do tamanho das células que</p><p>resulta no aumento do tamanho do órgão afetado. O</p><p>órgão hipertrofiado não possui novas células, apenas</p><p>células maiores. O tamanho aumentado das células é</p><p>devido à síntese e à incorporação de novos componentes</p><p>estruturais intracelulares.</p><p>Hiperplasia - aumento no número de células em um</p><p>órgão ou tecido em resposta a um estímulo. Embora</p><p>hiperplasia e hipertrofia sejam processos diferentes,</p><p>frequentemente elas ocorrem juntas e podem ser</p><p>induzidas pelos mesmos estímulos externos. A</p><p>hiperplasia somente ocorre em tecidos que contêm</p><p>células capazes de se dividir, aumentando, portanto, o</p><p>número de suas células. Ela pode ser fisiológica ou</p><p>patológica.</p><p>Hiperplasia Fisiológica</p><p>Devido à ação de hormônios ou fatores do crescimento</p><p>ocorre em várias circunstâncias: quando há necessidade</p><p>de aumentar a capacidade funcional dos órgãos</p><p>hormônio sensíveis; quando há necessidade de aumento</p><p>compensatório após lesão ou ressecção.</p><p>Hiperplasia Patológica</p><p>A maioria das formas causada pela ação excessiva ou</p><p>inapropriada de hormônios ou fatores de crescimento</p><p>sobre suas células-alvo. A hiperplasia endometrial é um</p><p>exemplo de hiperplasia anormal induzida por hormônio</p><p>Atrofia</p><p>Atrofia é definida como a redução do tamanho de um</p><p>órgão ou tecido que resulta da diminuição do tamanho</p><p>e do número de células. Pode ser fisiológica ou</p><p>patológica. A fisiológica é comum durante o</p><p>desenvolvimento normal. A diminuição do tamanho do</p><p>útero, que ocorre logo após o parto, é uma forma de atrofia</p><p>fisiológica. A patológica tem várias causas, e pode ser</p><p>local ou generalizada. As causas comuns de atrofia são:</p><p>• Redução da carga de trabalho (atrofia de desuso).</p><p>Quando um osso fraturado é imobilizado com um molde</p><p>de gesso ou quando um paciente é restrito a repouso</p><p>absoluto no leito, rapidamente sobrevém atrofia dos</p><p>músculos esqueléticos.</p><p>• Perda da inervação (atrofia por denervação). Uma lesão</p><p>dos nervos leva à atrofia das fibras musculares por eles</p><p>inervadas.</p><p>• Diminuição do suprimento sanguíneo – isquemia - em</p><p>consequência de doença oclusiva arterial que se</p><p>desenvolve lentamente resulta em atrofia do tecido.</p><p>Metaplasia</p><p>Alteração reversível na qual um tipo celular diferenciado</p><p>(epitelial ou mesenquimal) é substituído por outro tipo</p><p>celular. Ela, muitas vezes, representa uma resposta</p><p>adaptativa em que um tipo de célula sensível a um</p><p>determinado estímulo nocivo é substituído por outro tipo</p><p>de célula que é mais capaz de suportar o ambiente adverso.</p><p>A metaplasia epitelial mais comum é a colunar para</p><p>escamosa.</p><p>Referências</p><p>• KUMAR, Vinay; ABBAS Abdul K; ASTER, Jon C.</p><p>Robbins e Cotran: bases patológicas das doenças. 9 a ed.</p><p>Rio de Janeiro: Elsevier, 2016 .</p><p>• JUNQUEIRA, Luis C.; CARNEIRO, José. Biologia</p><p>celular e molecular. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,</p><p>2012</p><p>Rafaela Amaral Lesão e morte celular 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>1. Compreender os mecanismos de lesão celular e suas</p><p>consequências.</p><p>2. Diferenciar os tipos de morte celular (necrose,</p><p>apoptose e autofagia).</p><p>Lesão celular</p><p>A lesão celular ocorre quando as células são</p><p>estimuladas tão intensamente que não são mais</p><p>capazes de se adaptar ou quando são expostas a</p><p>agentes naturalmente nocivos ou são prejudicadas</p><p>devido a anormalidades intrínsecas. A lesão pode</p><p>progredir a partir de um estágio reversível e culminar na</p><p>morte celular.</p><p>Causas: variam desde a violência física de um acidente</p><p>automobilístico até anormalidades celulares sutis, tais</p><p>como uma mutação genética causando perda de uma</p><p>enzima vital que compromete uma função metabólica</p><p>normal.</p><p>• Privação de Oxigênio</p><p>A hipoxia causa lesão celular por reduzir a respiração</p><p>oxidativa aeróbica. As causas da hipoxia incluem a</p><p>redução do fluxo sanguíneo (isquemia), a oxigenação</p><p>inadequada do sangue devido à insuficiência</p><p>cardiorrespiratória, e a redução da capacidade de</p><p>transporte de oxigênio do sangue, como na anemia ou no</p><p>envenenamento por monóxido de carbono ou após grave</p><p>perda sanguínea. Dependendo da gravidade do estado</p><p>hipóxico, as células podem se adaptar, sofrer lesão ou</p><p>morrer.</p><p>• Agentes Físicos</p><p>Trauma mecânico, extremos de temperatura</p><p>(queimaduras e frio intenso), alterações bruscas da</p><p>pressão atmosférica, radiação e choque elétrico.</p><p>• Agentes Químicos</p><p>Glicose ou sal em concentrações hipertônicas podem</p><p>lesar a célula diretamente ou pela perturbação do</p><p>equilíbrio eletrolítico das células. Venenos, como</p><p>arsênico, cianeto ou sais mercúricos, podem destruir um</p><p>número suficiente de células, dentro de minutos a horas,</p><p>para causar a morte. Outras substâncias: poluentes do ar</p><p>e do ambiente, inseticidas e herbicidas; riscos industriais</p><p>e ocupacionais; álcool e drogas sociais.</p><p>• Agentes Infecciosos</p><p>Variam desde os vírus submicroscópicos até as tênias de</p><p>vários metros de comprimento.</p><p>• Reações Imunológicas</p><p>As reações imunes também podem causar lesão celular.</p><p>Reações lesivas aos autoantígenos endógenos são</p><p>responsáveis por várias doenças autoimunes.</p><p>• Defeitos Genéticos</p><p>Os defeitos genéticos causam lesão celular devido à</p><p>deficiência de proteínas funcionais, como os defeitos</p><p>enzimáticos dos erros inatos do metabolismo ou o acúmulo</p><p>de DNA danificado ou de proteínas anormalmente</p><p>dobradas, ambos disparando a morte celular quando são</p><p>irreparáveis.</p><p>• Desequilíbrios Nutricionais</p><p>A deficiência proteico-calórica provoca um número</p><p>impressionante de mortes, principalmente entre as</p><p>populações desfavorecidas.</p><p>Mecanismos da lesão celular</p><p>• A resposta celular ao estímulo nocivo depende do tipo de</p><p>agressão, sua duração e sua intensidade.</p><p>• As consequências da lesão celular dependem do tipo,</p><p>estado e adaptabilidade da célula agredida. O estado</p><p>nutricional e</p><p>É feita através de um tubo flexível (conhecido</p><p>https://vencerocancer.org.br/cancer/diagnostico/tomografia-computadorizada/</p><p>Rafaela Amaral Câncer de estômago 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>por endoscópio) que possui um chip responsável por</p><p>capturar as imagens do sistema digestivo através de uma</p><p>câmera. É conhecida como gastroscopia.</p><p>O endoscópio é inserido por via oral e passa pelo esôfago</p><p>e estômago, até chegar ao duodeno. São capturadas</p><p>imagens, que são transmitidas em tempo real por uma</p><p>máquina. Muitas lesões podem ser tratadas ou removidas</p><p>na hora, sem ser necessário algum procedimento</p><p>cirúrgico futuro.</p><p>BRONCOSCOPIA</p><p>Ideal para analisar a região da traqueia, brônquios e parte</p><p>dos pulmões. O exame é realizado através do</p><p>broncoscópio na boca ou no nariz.</p><p>CISTOSCOPIA</p><p>Exame realizado através de um cistoscópio na região da</p><p>uretra, introduzindo uma quantidade de soro fisiológico</p><p>para que a bexiga seja expandida e seja possível analisar</p><p>o órgão de maneira mais eficiente. Tem como finalidade</p><p>relatar casos de cálculos, tumores, endometriose,</p><p>infecções urinárias, inflamações e entre outros.</p><p>COLONOSCOPIA</p><p>Identifica a região interna do cólon, podendo</p><p>diagnosticar: úlcera, tumores, lesões e até mesmo o</p><p>câncer de cólon. É realizado através do colonoscópio que</p><p>é inserido no ânus do paciente e direcionado até o</p><p>intestino delgado.</p><p>Referências</p><p>• KUMAR, Vinay; ABBAS Abdul K; ASTER, Jon C.</p><p>Robbins e Cotran: bases patológicas das doenças. 9</p><p>a ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016 .</p><p>• http://www.oncoguia.org.br/conteudo/estatistica-para-</p><p>cancer-de-</p><p>estomago/5609/273/#:~:text=O%20Instituto%20Naci</p><p>onal%20de%20C%C3%A2ncer,homens%20e%207.8</p><p>70%20em%20mulheres).</p><p>• http://www.oncoguia.org.br/conteudo/fatores-de-</p><p>risco-para-cancer-de-estomago/5613/1137/</p><p>• https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-</p><p>estomago</p><p>• http://www.oncoguia.org.br/conteudo/endoscopia-</p><p>digestiva-alta-para-diagnostico-do-cancer-de-</p><p>estomago/5611/274/</p><p>• http://periodicos.pucminas.br/index.php/percursoacad</p><p>emico/article/view/P.2236-</p><p>0603.2016v6n12p481/11867</p><p>• https://altadiagnosticos.com.br/saude/exames/endosco</p><p>pia-digestiva-alta</p><p>http://www.oncoguia.org.br/conteudo/estatistica-para-cancer-de-estomago/5609/273/#:~:text=O%20Instituto%20Nacional%20de%20C%C3%A2ncer,homens%20e%207.870%20em%20mulheres</p><p>http://www.oncoguia.org.br/conteudo/estatistica-para-cancer-de-estomago/5609/273/#:~:text=O%20Instituto%20Nacional%20de%20C%C3%A2ncer,homens%20e%207.870%20em%20mulheres</p><p>http://www.oncoguia.org.br/conteudo/estatistica-para-cancer-de-estomago/5609/273/#:~:text=O%20Instituto%20Nacional%20de%20C%C3%A2ncer,homens%20e%207.870%20em%20mulheres</p><p>http://www.oncoguia.org.br/conteudo/estatistica-para-cancer-de-estomago/5609/273/#:~:text=O%20Instituto%20Nacional%20de%20C%C3%A2ncer,homens%20e%207.870%20em%20mulheres</p><p>http://www.oncoguia.org.br/conteudo/estatistica-para-cancer-de-estomago/5609/273/#:~:text=O%20Instituto%20Nacional%20de%20C%C3%A2ncer,homens%20e%207.870%20em%20mulheres</p><p>http://www.oncoguia.org.br/conteudo/fatores-de-risco-para-cancer-de-estomago/5613/1137/</p><p>http://www.oncoguia.org.br/conteudo/fatores-de-risco-para-cancer-de-estomago/5613/1137/</p><p>https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-estomago</p><p>https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-estomago</p><p>http://www.oncoguia.org.br/conteudo/endoscopia-digestiva-alta-para-diagnostico-do-cancer-de-estomago/5611/274/</p><p>http://www.oncoguia.org.br/conteudo/endoscopia-digestiva-alta-para-diagnostico-do-cancer-de-estomago/5611/274/</p><p>http://www.oncoguia.org.br/conteudo/endoscopia-digestiva-alta-para-diagnostico-do-cancer-de-estomago/5611/274/</p><p>http://periodicos.pucminas.br/index.php/percursoacademico/article/view/P.2236-0603.2016v6n12p481/11867</p><p>http://periodicos.pucminas.br/index.php/percursoacademico/article/view/P.2236-0603.2016v6n12p481/11867</p><p>http://periodicos.pucminas.br/index.php/percursoacademico/article/view/P.2236-0603.2016v6n12p481/11867</p><p>Rafaela Amaral Câncer colorretal 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>1. Elucidar o perfil epidemiológico e fatores de risco do</p><p>câncer colorretal</p><p>2. Compreender a etiopatogenia (lesões pré-malignas) e</p><p>manifestações clínicas do câncer colorretal</p><p>3. Explanar as ferramentas de rastreio e diagnóstico do</p><p>câncer colorretal</p><p>Epidemiologia + fatores de risco</p><p>Brasil – 3° mais incidente na população. São,</p><p>aproximadamente, 40 mil novos casos diagnosticados por</p><p>ano, entre homens e mulheres. Desse total, cerca de 30%</p><p>ocorrem devido a fatores comportamentais, como má</p><p>alimentação, tabagismo e inatividade física.</p><p>Mantida essa tendência, a estimativa é que até 2030 o</p><p>número de casos aumente três vezes em homens e quase</p><p>três em mulheres.</p><p>Para cada ano do triênio de 2020-2022, 20.540 casos de</p><p>câncer de cólon e reto em homens e 20.470 em</p><p>mulheres. Esses valores correspondem a um risco</p><p>estimado de 19,64 casos novos a cada 100 mil homens e</p><p>19,03 para cada 100 mil mulheres.</p><p>Fatores de risco:</p><p>• Idade > ou =igual 50 anos;</p><p>• Obesidade;</p><p>• Alimentação não saudável (pobre em fibras);</p><p>• Consumo de carnes processadas;</p><p>• Ingestão excessiva de carne vermelha;</p><p>• História familiar de câncer de intestino;</p><p>• História pessoal de câncer de intestino, ovário, útero ou</p><p>mama, além de tabagismo e consumo de bebidas</p><p>alcoólicas.</p><p>• Doenças inflamatórias do intestino</p><p>• Exposição ocupacional à radiação ionizante</p><p>Etiopatogenia</p><p>Pólipos</p><p>Os pólipos são mais comuns na região colorretal, e, na</p><p>maioria das vezes, começa como pequenas elevações</p><p>da mucosa (sésseis). Conforme o aumento dos pólipos</p><p>sésseis, pode ser criado um pedículo; os pólipos com</p><p>pedículos são chamados de pedunculados (ou</p><p>pediculados).</p><p>No geral, os pólipos intestinais podem ser</p><p>classificados, quanto à sua natureza, como não</p><p>neoplásicos ou neoplásicos. O pólipo neoplásico mais</p><p>comum é o adenoma, o qual tem o potencial de evoluir</p><p>para o câncer. Os pólipos não neoplásicos podem ser</p><p>adicionalmente classificados como inflamatórios,</p><p>hamartomatosos ou hiperplásicos.</p><p>Pólipos Hiperplásicos</p><p>São proliferações epiteliais benignas, tipicamente</p><p>descobertas na 6ª ou 7ª década de vida. Resultam da</p><p>reposição diminuída de células epiteliais e do atraso</p><p>na descamação das células epiteliais superficiais,</p><p>levando ao empilhamento das células caliciformes e</p><p>das células absortivas. Sua principal importância é que</p><p>elas devem ser distinguidas dos adenomas serrilhados</p><p>sésseis, os quais são histologicamente similares, mas que</p><p>têm potencial maligno, como descrito adiante.</p><p>Os pólipos hiperplásicos são mais comumente encontrados</p><p>no cólon esquerdo e costumam ter menos de 5 mm de</p><p>diâmetro. Eles são protrusões nodulares lisas da mucosa,</p><p>frequentemente nas cristas das pregas mucosas. Podem</p><p>ocorrer singularmente, porém com mais frequência</p><p>múltiplos, particularmente no cólon sigmoide e no reto.</p><p>Pólipos Inflamatórios</p><p>Ex: os que se formam como parte da síndrome da úlcera</p><p>retal solitária. Os pacientes se apresentam com uma tríade</p><p>clínica de sangramento retal, descarga de muco e lesão</p><p>inflamatória da parede retal anterior. Um pólipo</p><p>inflamatório pode se formar como consequência de ciclos</p><p>crônicos de lesão e cura.</p><p>Pólipos Hamartomatosos</p><p>Ocorrem esporadicamente ou como componentes de</p><p>várias síndromes - por mutações da linhagem germinativa</p><p>nos genes supressores de tumores ou proto-oncogenes.</p><p>Pólipos Juvenis</p><p>São malformações focais do epitélio e da lâmina</p><p>própria. Podem ser esporádicos ou sindrômicos, sendo</p><p>que a grande maioria dos pólipos juvenis ocorre em</p><p>crianças com menos de 5 anos de idade, mas também pode</p><p>se apresentar em pacientes mais velhos. Grande parte dos</p><p>pólipos juvenis está localizada no reto e se apresenta</p><p>tipicamente com sangramento retal.</p><p>Pólipos neoplásicos</p><p>Qualquer lesão de massa neoplásica no trato GI pode</p><p>produzir uma protrusão mucosa, ou pólipo. Os pólipos</p><p>neoplásicos mais comuns são os adenomas colônicos, os</p><p>quais são os precursores da maioria dos</p><p>adenocarcinomas colorretais.</p><p>Os adenomas são neoplasias epiteliais que variam de</p><p>pequenos pólipos frequentemente pedunculados a</p><p>grandes lesões sésseis e são caracterizados pela</p><p>presença de displasia epitelial. Por serem lesões</p><p>precursoras, a prevalência do adenoma colorretal se</p><p>correlaciona com a do adenocarcinoma colorretal, e as</p><p>distribuições dos adenomas e dos adenocarcinomas no</p><p>cólon são similares. Não há ferramentas atualmente</p><p>disponíveis para distinguir entre adenomas que irão ou não</p><p>irão passar por transformação maligna, e essa</p><p>transformação pode ser ao acaso, dependendo da aquisição</p><p>das mutações oncogênicas, que podem ser aleatórias.</p><p>Os adenomas podem ser classificados como tubulares,</p><p>tubulovilosos ou vilosos - pouca importância clínica. Os</p><p>adenomas tubulares tendem a ser pólipos pequenos e</p><p>pedunculados; os adenomas vilosos, são cobertos por</p><p>vilosidades delgadas; os adenomas tubulovilosos têm uma</p><p>mistura de elementos tubulares e vilosos.</p><p>Rafaela Amaral Câncer colorretal 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Embora os adenomas vilosos contenham focos de</p><p>invasão mais frequentemente do que os adenomas</p><p>tubulares, a arquitetura vilosa por si só não aumenta o</p><p>risco de câncer, quando o tamanho do pólipo é</p><p>considerado.</p><p>O carcinoma intramucoso ocorre quando as células</p><p>epiteliais displásicas rompem a membrana basal para</p><p>invadir a lâmina própria ou a muscular da mucosa;</p><p>carcinomas intramucosos têm pouco potencial</p><p>metastático e a polipectomia completa geralmente</p><p>representa a cura. A invasão abaixo da muscular da</p><p>mucosa constitui um adenocarcinoma invasivo e</p><p>apresenta o risco de se espalhar por outros locais.</p><p>Polipose Adenomatosa</p><p>A polipose adenomatosa familiar (PAF) é um distúrbio</p><p>autossômico dominante, no qual os pacientes</p><p>desenvolvem numerosos adenomas colorretais, quando</p><p>adolescentes. Ela é causada por mutações do gene da</p><p>adenomatose polipose coli ou gene APC.</p><p>Aproximadamente 75% dos casos são hereditários,</p><p>enquanto o restante aparenta ser causado por</p><p>mutações adquiridas; pelo menos 100 pólipos são</p><p>necessários para um diagnóstico de PAF clássica. O</p><p>adenocarcinoma colorretal desenvolve-se em 100% dos</p><p>pacientes que não realizaram tratamento para a PAF,</p><p>comumente antes dos 30 anos e quase sempre aos 50.</p><p>Câncer Colorretal Hereditário não Polipose</p><p>O câncer colorretal hereditário não polipose (CCHNP),</p><p>também conhecido como síndrome de Lynch (cânceres</p><p>em vários locais, inclusive no cólon, reto, endométrio,</p><p>estômago, ovário, útero, cérebro, intestino delgado, trato</p><p>hepatobiliar, pâncreas e pele). Acredita-se que o</p><p>CCHNP represente entre 2% e 4% de todos os</p><p>cânceres colorretais, tornando-o a forma sindrômica</p><p>mais comum do câncer do cólon. Os cânceres de cólon</p><p>em pacientes com CCHNP tendem a ocorrer em idades</p><p>mais precoces do que os cânceres de cólon esporádicos e</p><p>estão frequentemente localizados no cólon direito. O</p><p>CCHNP é causado por mutações hereditárias nos genes</p><p>que codificam proteínas responsáveis pela detecção,</p><p>excisão e reparo de erros que ocorrem durante a</p><p>replicação do DNA.</p><p>Adenocarcinoma</p><p>É a malignidade mais comum no trato GI e a principal</p><p>causa de morbidade e mortalidade do mundo. O intestino</p><p>delgado é um local incomum para tumores benignos e</p><p>malignos. Entre os pequenos tumores intestinais</p><p>malignos, os adenocarcinomas e tumores</p><p>neuroendócrinos bem diferenciados (carcinoides)</p><p>apresentam aproximadamente a mesma incidência,</p><p>seguidos dos linfomas e sarcomas.</p><p>No geral, os adenocarcinomas são distribuídos quase</p><p>igualmente ao longo do comprimento total do cólon. Os</p><p>tumores no cólon proximal geralmente crescem como</p><p>massas polipoides e exofíticas, que se estendem ao longo</p><p>de uma parede do ceco, de grosso calibre, e do cólon</p><p>ascendente; esses tumores raramente causam</p><p>obstrução. Em contraste, os carcinomas do cólon distal</p><p>tendem a ser lesões anulares que produzem constrições</p><p>tipo “anel de guardanapo” e estreitamento luminal, às</p><p>vezes até ao ponto de obstrução.</p><p>Aspectos Clínicos</p><p>O câncer colorretal se desenvolve insidiosamente e pode</p><p>passar despercebido por longos períodos. Os cânceres do</p><p>ceco e outros do cólon direito chamam mais</p><p>frequentemente a atenção médica pelo aparecimento de</p><p>fadiga e fraqueza devidas à anemia por deficiência de</p><p>ferro. Adenocarcinomas colorretais do lado esquerdo</p><p>podem produzir sangramento oculto, alterações do</p><p>hábito intestinal ou cólicas e desconforto no quadrante</p><p>inferior esquerdo; os dois fatores prognósticos mais</p><p>importantes são a profundidade da invasão e a presença de</p><p>metástases linfáticas. A invasão da muscular própria reduz</p><p>significativamente a sobrevida, que é diminuída ainda</p><p>mais pela presença de metástases linfáticas. As metástases</p><p>podem envolver linfonodos regionais, pulmões e ossos,</p><p>mas como resultado de uma drenagem portal do cólon, o</p><p>fígado é o local mais comum de lesões metastáticas.</p><p>Rastreio / diagnóstico</p><p>Os tumores de cólon e reto podem ser detectados</p><p>precocemente por meio de dois exames principais:</p><p>pesquisa de sangue oculto nas fezes e endoscopias</p><p>(colonoscopia ou retossigmoidoscopia).</p><p>Esses exames devem ser realizados em pessoas com</p><p>sinais e sintomas sugestivos de câncer, visando ao</p><p>diagnóstico precoce, ou como rastreamento, nas pessoas</p><p>sem sinais e sintomas, mas pertencentes a grupos de médio</p><p>risco (pessoas com 50 anos ou mais) e alto risco</p><p>(indivíduos com história pessoal ou familiar de câncer de</p><p>intestino, de doenças inflamatórias do intestino ou</p><p>síndromes genéticas, como a de Lynch).</p><p>A OMS preconiza o rastreamento com pesquisa de sangue</p><p>oculto nas fezes para pessoas com 50 anos e mais nos</p><p>países com condições de garantir a confirmação</p><p>diagnóstica, a referência e o tratamento.</p><p>Rafaela Amaral Câncer colorretal 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>O exame de sangue oculto nas fezes, nos casos positivos,</p><p>precisa de exame confirmatório. As grandes vantagens</p><p>desse exame são: simplicidade, baixo custo e ausência de</p><p>complicações. Os exames endoscópicos (sigmoidoscopia</p><p>e colonoscopia) são confirmatórios.</p><p>A recomendação no Sistema Único de Saúde brasileiro é</p><p>que sejam priorizadas ações de diagnóstico precoce e</p><p>abordagem personalizada para o grupo de alto risco</p><p>O diagnóstico precoce do câncer de intestino deve ser</p><p>buscado por meio da investigação dos seguintes sinais e</p><p>sintomas mais comuns (Nice, 2015):</p><p>• Hemorragia digestiva baixa</p><p>• Massa abdominal</p><p>• Dor abdominal</p><p>• Perda de peso e anemia</p><p>• Mudança do hábito intestinal</p><p>O diagnóstico de câncer de cólon é estabelecido pelo</p><p>exame histopatológico de espécime tumoral obtido por</p><p>meio da colonoscopia ou do exame de peça cirúrgica. A</p><p>colonoscopia é o método preferencial de diagnóstico, por</p><p>permitir o exame de todo o intestino grosso e a remoção</p><p>ou biópsia de pólipos que possam estar localizados fora</p><p>da área de ressecção da lesão principal.</p><p>O diagnóstico da doença por exame radiológico</p><p>contrastado do cólon (enema opaco) deve ser reservado</p><p>para quando não houver acesso à colonoscopia ou</p><p>quando existir contraindicação médica para esse exame.</p><p>A investigação de possíveis metástases intra-abdominais</p><p>e pélvicas deve ser feita alternativamente por meio de</p><p>exame tomografia computadorizada ou ressonância</p><p>magnética</p><p>Na suspeita de câncer retal pela história clínica é</p><p>mandatória a realização de um exame proctológico</p><p>(toque retal). A identificação correta do local da lesão e</p><p>a possibilidade de obtenção de espécime para exame</p><p>histopatológico fazem com que a retossigmoidoscopia</p><p>(rígida ou flexível) seja sempre indicada na suspeita de</p><p>câncer retal.</p><p>Referências</p><p>• KUMAR, Vinay; ABBAS Abdul K; ASTER, Jon C.</p><p>Robbins e Cotran: bases patológicas das doenças. 9 a</p><p>ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016 .</p><p>• https://www.inca.gov.br/estimativa/sintese-de-</p><p>resultados-e-</p><p>comentarios#:~:text=Para%20o%20Brasil%2C%20esti</p><p>mam%2Dse%2C%20para%20cada%20ano%20do,mil</p><p>%20mulheres%20(Tabela%201)</p><p>• https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-</p><p>intestino/profissional-de-saude</p><p>https://www.inca.gov.br/estimativa/sintese-de-resultados-e-comentarios#:~:text=Para%20o%20Brasil%2C%20estimam%2Dse%2C%20para%20cada%20ano%20do,mil%20mulheres%20(Tabela%201)</p><p>https://www.inca.gov.br/estimativa/sintese-de-resultados-e-comentarios#:~:text=Para%20o%20Brasil%2C%20estimam%2Dse%2C%20para%20cada%20ano%20do,mil%20mulheres%20(Tabela%201)</p><p>https://www.inca.gov.br/estimativa/sintese-de-resultados-e-comentarios#:~:text=Para%20o%20Brasil%2C%20estimam%2Dse%2C%20para%20cada%20ano%20do,mil%20mulheres%20(Tabela%201)</p><p>https://www.inca.gov.br/estimativa/sintese-de-resultados-e-comentarios#:~:text=Para%20o%20Brasil%2C%20estimam%2Dse%2C%20para%20cada%20ano%20do,mil%20mulheres%20(Tabela%201)</p><p>https://www.inca.gov.br/estimativa/sintese-de-resultados-e-comentarios#:~:text=Para%20o%20Brasil%2C%20estimam%2Dse%2C%20para%20cada%20ano%20do,mil%20mulheres%20(Tabela%201)</p><p>hormonal celular e suas necessidades</p><p>metabólicas são importantes na sua resposta à agressão.</p><p>• A lesão celular é resultante de diferentes mecanismos</p><p>bioquímicos que agem em vários componentes celulares</p><p>essenciais. Os componentes celulares que mais</p><p>frequentemente são lesados incluem as mitocôndrias, as</p><p>membranas celulares, a maquinaria de síntese e</p><p>empacotamento de proteínas e o DNA.</p><p>Mecanismos bioquímicos que podem ser ativados por</p><p>diferentes estímulos agressivos e que contribuem para</p><p>a lesão celular e a necrose:</p><p>Depleção de ATP</p><p>A redução dos níveis de ATP é a causa fundamental da</p><p>morte celular por necrose e essa diminuição é</p><p>frequentemente associada a lesão isquêmica e química</p><p>(tóxica). As principais causas de depleção de ATP são a</p><p>redução do fornecimento de oxigênio e nutrientes,</p><p>danos mitocondriais e a ação de algumas substâncias</p><p>tóxicas.</p><p>• A atividade da bomba de sódio é reduzida. A falha desse</p><p>sistema de transporte leva à entrada de sódio e sua</p><p>acumulação dentro das células e difusão do potássio para</p><p>fora. O ganho final de soluto é acompanhado por um ganho</p><p>isosmótico de água, causando tumefação celular e</p><p>dilatação do RE. Quando o fornecimento de oxigênio</p><p>para as células é reduzido, a fosforilação oxidativa cessa,</p><p>resultando em decréscimo do ATP celular e aumento</p><p>associado de monofosfato de adenosina. Essas alterações</p><p>levam a uma taxa aumentada de glicólise anaeróbica, com</p><p>o propósito de manter as fontes de energia da célula</p><p>gerando ATP através do metabolismo da glicose derivada</p><p>do glicogênio. Em consequência, as reservas de glicogênio</p><p>são rapidamente exauridas.</p><p>Rafaela Amaral Lesão e morte celular 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>A glicólise anaeróbica resulta em acúmulo de ácido</p><p>lático e fosfatos inorgânicos da hidrólise de ésteres de</p><p>fosfato. Isso diminui o pH intracelular, resultando na</p><p>diminuição da atividade de muitas enzimas celulares.</p><p>• A depleção prolongada ou crescente de ATP causa o</p><p>rompimento estrutural do aparelho de síntese proteica,</p><p>manifestado como desprendimento dos ribossomos do</p><p>retículo endoplasmático rugoso e dissociação dos</p><p>polissomos, com a consequente redução da síntese</p><p>proteica.</p><p>• Nas células privadas de oxigênio ou glicose, as</p><p>proteínas se tornam anormalmente dobradas e o acúmulo</p><p>de proteínas mal dobradas no retículo endoplasmático</p><p>(RE) desencadeia uma reação chamada de resposta de</p><p>proteína não dobrada que pode culminar em lesão e</p><p>morte celular. Finalmente, há dano irreversível às</p><p>mitocôndrias e às membranas lisossômicas, e a célula</p><p>sofre necrose.</p><p>Danos Mitocondriais</p><p>A mitocôndria pode ser danificada por aumentos de</p><p>Ca2+ citosólico, espécies reativas de oxigênio, privação</p><p>de oxigênio, e assim elas são sensíveis a praticamente</p><p>todos os tipos de estímulos nocivos, incluindo hipoxia e</p><p>tóxicos. Além disso, mutações de genes mitocondriais</p><p>são a causa de algumas doenças hereditárias. Há três</p><p>principais consequências dos danos mitocondriais:</p><p>• O dano mitocondrial frequentemente resulta na</p><p>formação de um canal de alta condutância na membrana</p><p>mitocondrial, chamado de poro de transição de</p><p>permeabilidade mitocondrial. A abertura desse canal</p><p>de condutância leva à perda do potencial de membrana</p><p>mitocondrial, resultando em falha na fosforilação</p><p>oxidativa e na depleção progressiva do ATP,</p><p>culminando na necrose da célula.</p><p>Influxo de Cálcio e Perda da Homeostase do Cálcio</p><p>Os íons cálcio são importantes mediadores da lesão</p><p>celular. De acordo com isto, a diminuição do cálcio</p><p>protege as células de lesões induzidas por uma variedade</p><p>de estímulos nocivos. O cálcio livre no citosol é</p><p>normalmente mantido em concentrações muito baixas. A</p><p>isquemia e certas substâncias tóxicas causam um</p><p>aumento da concentração do cálcio citosólico,</p><p>inicialmente pela liberação do Ca2+ dos estoques</p><p>intracelulares e, posteriormente, pelo aumento do influxo</p><p>através da membrana plasmática. O aumento do Ca 2+</p><p>intracelular causa lesão celular por vários mecanismos.</p><p>Acúmulo de Radicais Livres Derivados do Oxigênio</p><p>A lesão celular induzida por radicais livres, é um</p><p>importante mecanismo de dano celular em muitas</p><p>condições patológicas, como a lesão química e por</p><p>radiação, lesão de isquemia-reperfusão (produzida pela</p><p>restauração do fluxo sanguíneo em um tecido</p><p>isquêmico), envelhecimento celular e morte de</p><p>Rafaela Amaral Lesão e morte celular 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>microrganismos pelos fagócitos. Os elétrons não</p><p>emparelhados são altamente reativos e “atacam” e</p><p>modificam moléculas adjacentes, tanto substâncias</p><p>inorgânicas quanto orgânicas. Algumas dessas reações</p><p>são autocatalíticas, isto é, as moléculas que reagem com</p><p>os radicais livres são convertidas em radicais livres,</p><p>gerando, assim, uma propagação de danos em cadeia.</p><p>Defeitos na Permeabilidade da Membrana</p><p>A perda precoce da permeabilidade seletiva da</p><p>membrana, evoluindo no final para um dano evidente da</p><p>membrana, é uma característica constante na maioria das</p><p>formas de lesão celular (exceto na apoptose).</p><p>Mecanismos da Lesão da Membrana</p><p>Espécies reativas de oxigênio.</p><p>Diminuição da síntese de fosfolipídios.</p><p>Aumento na quebra dos fosfolipídios.</p><p>Anormalidades citoesqueléticas.</p><p>Danos ao DNA e às Proteínas</p><p>As células possuem mecanismos que reparam danos ao</p><p>DNA, porém se o dano é muito grave para ser corrigido</p><p>(p. ex., após exposição do DNA a fármacos nocivos,</p><p>radiação ou estresse oxidativo), a célula inicia um</p><p>programa de suicídio que resulta em morte por apoptose</p><p>Alterações morfológicas da lesão celular – tipos de</p><p>morte</p><p>Há um período de tempo entre o estímulo e as alterações</p><p>morfológicas da lesão e morte celulares; a duração desse</p><p>retardo pode variar com a sensibilidade dos métodos</p><p>usados para detectar essas alterações.</p><p>Lesão Reversível</p><p>Dois aspectos da lesão celular reversível podem ser</p><p>reconhecidos à microscopia óptica: tumefação celular e</p><p>degeneração gordurosa.</p><p>Tumefação celular: surge quando as células se tornam</p><p>incapazes de manter a homeostase hidroeletrolítica e é</p><p>resultante da falência das bombas de íons dependentes</p><p>de energia na membrana plasmática.</p><p>Quando afeta muitas células, provoca certa palidez,</p><p>aumento do turgor e aumento do peso do órgão. Ao</p><p>exame microscópico, podem ser observados pequenos</p><p>vacúolos claros dentro do citoplasma; A tumefação</p><p>celular é reversível.</p><p>Degeneração gordurosa: ocorre na lesão hipóxica e em</p><p>várias formas de lesão metabólica ou tóxica. Ela é</p><p>manifestada pelo surgimento de vacúolos lipídicos no</p><p>citoplasma. É observada principalmente em células</p><p>envolvidas e dependentes do metabolismo da gordura,</p><p>como os hepatócitos e as células miocárdicas.</p><p>Necrose</p><p>Resultado da desnaturação de proteínas intracelulares</p><p>e da digestão enzimática da célula lesada letalmente. As</p><p>células necróticas são incapazes de manter a</p><p>integridade da membrana e seus conteúdos sempre são</p><p>liberados no meio externo, um processo que provoca a</p><p>inflamação no tecido circundante. As enzimas que</p><p>digerem a célula necrótica são derivadas dos lisossomos</p><p>das próprias células que estão morrendo ou dos lisossomos</p><p>dos leucócitos que são recrutados como parte da reação</p><p>inflamatória.</p><p>Quando as enzimas já digeriram as organelas</p><p>citoplasmáticas, o citoplasma se torna vacuolado e</p><p>parece roído por traças. As células mortas podem ser</p><p>substituídas por grandes massas fosfolipídicas3</p><p>espiraladas, chamadas de figuras de mielina, originadas</p><p>de membranas celulares lesadas. Esses precipitados</p><p>fosfolipídicos são, então, fagocitados por outras células</p><p>ou, mais tarde, degradados em ácidos graxos; a</p><p>calcificação desses resíduos de ácidos graxos resulta na</p><p>geração de sabões (que são sais de cálcio).</p><p>As células</p><p>mortas podem, no final, sofrer calcificação.</p><p>Alterações nucleares - destruição inespecífica do DNA.</p><p>Cariólise - basofilia da cromatina pode esmaecer ></p><p>alteração que, provavelmente, reflete a perda de DNA</p><p>pela degradação enzimática por endonucleases.</p><p>Picnose - retração nuclear e aumento da basofilia.</p><p>Aqui, a cromatina condensa-se numa massa sólida</p><p>contraída basófila.</p><p>Cariorrexe - o núcleo picnótico sofre fragmentação.</p><p>Com o decorrer do tempo (1 ou 2 dias), o núcleo da célula</p><p>necrótica desaparece totalmente.</p><p>Rafaela Amaral Lesão e morte celular 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Padrões de necrose:</p><p>Necrose coagulativa: forma de necrose tecidual na qual</p><p>a arquitetura básica dos tecidos mortos é preservada</p><p>por um intervalo de alguns dias. Os tecidos afetados</p><p>exibem uma consistência firme. Supostamente, a lesão</p><p>desnatura não apenas as proteínas estruturais, mas</p><p>também as enzimas, bloqueando, assim, a proteólise</p><p>das células mortas; como resultado, células</p><p>anucleadas e eosinófilas persistem por dias ou</p><p>semanas. Finalmente, as células necróticas são</p><p>removidas por fagocitose dos restos celulares por</p><p>leucócitos infiltrados e pela digestão das células mortas</p><p>através da ação das enzimas lisossômicas dos leucócitos.</p><p>Uma área localizada de necrose de coagulação é</p><p>chamada de infarto.</p><p>N- normal; I- necrótica</p><p>Necrose liquefativa - é caracterizada pela digestão das</p><p>células mortas, resultando na transformação do</p><p>tecido em uma massa viscosa líquida. É observada em</p><p>infecções bacterianas focais ou, ocasionalmente, nas</p><p>infecções fúngicas, porque os micróbios estimulam o</p><p>acúmulo de leucócitos e a liberação de suas enzimas. O</p><p>material necrótico > amarelo-cremoso devido à presença</p><p>de leucócitos mortos e é chamado de pus.</p><p>Necrose gangrenosa: não é um padrão específico de</p><p>morte celular. Em geral é aplicado a um membro,</p><p>geralmente a perna, que tenha perdido seu suprimento</p><p>sanguíneo e que tenha sofrido necrose (tipicamente</p><p>necrose de coagulação). Quando uma infecção</p><p>bacteriana se superpõe, ocorre ainda necrose liquefativa</p><p>devido à ação de enzimas degradativas das bactérias e</p><p>dos leucócitos atraídos (originando a chamada</p><p>gangrena úmida).</p><p>Necrose caseosa: encontrada mais frequentemente em</p><p>focos de infecção tuberculosa. O termo “caseoso” -</p><p>aparência friável esbranquiçada da área de necrose. Ao</p><p>exame microscópico, a área necrótica exibe uma coleção</p><p>de células rompidas ou fragmentadas e restos granulares</p><p>amorfos delimitados por uma borda inflamatória distinta</p><p>> granuloma.</p><p>Necrose gordurosa: se refere a áreas focais de destruição</p><p>adiposa, tipicamente resultantes da liberação de lipases</p><p>pancreáticas ativadas na intimidade do pâncreas e na</p><p>cavidade peritoneal. Isto ocorre na emergência</p><p>abdominal calamitosa, conhecida como pancreatite</p><p>aguda. Nesse distúrbio, as enzimas pancreáticas</p><p>escapam das células acinares e liquefazem as</p><p>membranas dos adipócitos do peritônio. As enzimas</p><p>liberadas quebram os triacilgliceróis contidos dentro</p><p>dessas células. Os ácidos graxos liberados combinam-se</p><p>com o cálcio, produzindo áreas calcárias brancas</p><p>macroscopicamente visíveis (saponificação da</p><p>gordura), que permitem ao cirurgião e ao patologista</p><p>identificarem as lesões.</p><p>Necrose fibrinoide: geralmente observada nas reações</p><p>imunes que envolvem os vasos sanguíneos. Esse padrão</p><p>de necrose ocorre tipicamente quando complexos de</p><p>antígenos e anticorpos são depositados nas paredes das</p><p>artérias. Os depósitos desses “imunocomplexos”, em</p><p>combinação com a fibrina que extravasa, resulta em uma</p><p>aparência amorfa róseo-brilhante.</p><p>Rafaela Amaral Lesão e morte celular 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Apoptose</p><p>A apoptose é uma via de morte celular induzida por um</p><p>programa de suicídio finamente regulado no qual as</p><p>células destinadas a morrer ativam enzimas que</p><p>degradam seu próprio DNA e suas proteínas</p><p>nucleares e citoplasmáticas. As células apoptóticas se</p><p>quebram em fragmentos, chamados corpos apoptóticos,</p><p>que contêm porções do citoplasma e núcleo. A</p><p>membrana plasmática da célula apoptótica e de seus</p><p>corpos apoptóticos permanece intacta, mas sua estrutura</p><p>é alterada de tal maneira que seus fragmentos tornam-se</p><p>alvos “saborosos” para os fagócitos. A célula morta e</p><p>seus fragmentos são rapidamente devorados, antes que</p><p>seus conteúdos sejam liberados no meio, e desse modo a</p><p>morte celular por esta via não desperta uma resposta</p><p>inflamatória no hospedeiro.</p><p>A apoptose resulta da ativação de enzimas chamadas</p><p>caspases. Como muitas proteases, as caspases existem</p><p>como pró-enzimas inativas ou zimogênios, e devem</p><p>sofrer clivagem enzimática para se tornarem ativas.</p><p>A presença de caspases ativas, clivadas, constitui um</p><p>marcador para células que estão sofrendo apoptose.</p><p>O processo de apoptose pode ser dividido em uma fase</p><p>de iniciação, durante a qual algumas caspases se tornam</p><p>cataliticamente ativas, e uma fase de execução, durante a</p><p>qual outras caspases iniciam a degradação de</p><p>componentes celulares críticos. Duas vias distintas</p><p>convergem na cativação das caspases: a via</p><p>mitocondrial e a via do receptor de morte - geralmente</p><p>são induzidas em condições diferentes, envolvem</p><p>moléculas diferentes, e têm funções distintas na</p><p>fisiologia e na doença.</p><p>Via Intrínseca (Mitocondrial) da Apoptose</p><p>A via mitocondrial é o principal mecanismo de apoptose</p><p>em todas as células dos mamíferos. As mitocôndrias são</p><p>organelas notáveis por conterem proteínas, tais como o</p><p>citocromo c, que são essenciais para a vida, mas algumas</p><p>das mesmas proteínas, em particular o citocromo c,</p><p>quando liberadas para o citoplasma (uma indicação</p><p>de que a célula não é saudável), iniciam o programa</p><p>de suicídio da apoptose. A viabilidade celular é mantida</p><p>pela indução de proteínas antiapoptóticas, tais como</p><p>BCL2, por sinais de sobrevivência. Essas proteínas</p><p>mantêm a integridade da membrana mitocondrial e</p><p>evitam a saída de proteínas mitocondriais. Perda de</p><p>sinais de sobrevivência, danos no DNA e outras</p><p>agressões ativam os sensores que antagonizam as</p><p>proteínas antiapoptóticas e ativam as proteínas</p><p>próapoptóticas BAX e BAK, que formam canais na</p><p>membrana mitocondrial. A saída subsequente do</p><p>citocromo c (e de outras proteínas não mostradas) leva à</p><p>ativação de caspases e apoptose.</p><p>Via Extrínseca da Apoptose (Receptor de Morte)</p><p>Esta via é iniciada pela ativação de receptores de morte</p><p>na membrana plasmática em diversas células. Os</p><p>receptores de morte são membros da família do receptor</p><p>TNF - sua função é a de ativar cascatas inflamatórias. Os</p><p>receptores de morte mais bem conhecidos são o receptor</p><p>TNF tipo 1 (TNFR1) e uma proteína relacionada</p><p>denominada Fas (CD95), mas muitos outros foram</p><p>descritos. O mecanismo de apoptose induzido por esses</p><p>receptores de morte é bem ilustrado pelo Fas, um receptor</p><p>de morte expresso em muitos tipos celulares.</p><p>O ligante para Fas é chamado de Fas ligante (FasL). O</p><p>FasL é expresso nas células T que reconhecem antígenos</p><p>próprios (e atuam eliminando os linfócitos autorreativos)</p><p>e alguns linfócitos T citotóxicos (que eliminam células</p><p>tumorais e infectadas por vírus). Quando o FasL se liga ao</p><p>Fas, três ou mais moléculas de Fas se reúnem e seus</p><p>domínios de morte citoplasmáticos formam um sítio de</p><p>ligação para uma proteína adaptadora que também contém</p><p>um domínio de morte e é denominada FADD. A FADD</p><p>ligada aos receptores de morte, por sua vez, liga-se a uma</p><p>forma inativa da caspase-8 novamente através de um</p><p>domínio de morte. Várias moléculas de pró-caspase-8 são,</p><p>assim, aproximadas, e elas clivam umas às outras para</p><p>gerar a caspase-8 ativa. Os eventos subsequentes são os</p><p>mesmos da via mitocondrial e culminam na ativação de</p><p>várias caspases executoras. Essa via da apoptose pode ser</p><p>inibida por uma proteína denominada FLIP, a qual se liga</p><p>à pró-caspase-8 mas não pode clivar nem ativar a caspase</p><p>porque lhe falta um domínio de protease. Alguns vírus e</p><p>células normais produzem FLIP e usam esse inibidor para</p><p>se proteger da apoptose mediada por Fas.</p><p>Rafaela Amaral Lesão e morte celular 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Autofagia</p><p>A autofagia é um processo no qual a célula digere seu</p><p>próprio conteúdo. Ela envolve a entrega de materiais</p><p>citoplasmáticos ao lisossomo para degradação.</p><p>Dependendo da forma como o material é entregue, a</p><p>autofagia pode ser classificada em três tipos:</p><p>• Autofagia mediada por chaperonas (translocação direta</p><p>através da membrana lisossomal por proteínas</p><p>chaperonas).</p><p>• Microautofagia (invaginação para dentro da membrana</p><p>lisossomal para a entrega).</p><p>• Macroautofagia (doravante denominada autofagia), a</p><p>principal forma de autofagia envolvendo o sequestro e</p><p>transporte de porções de citoplasma para dentro de um</p><p>vacúolo autofágico revestido por dupla membrana</p><p>(autofagossomo).</p><p>Referências</p><p>• KUMAR, Vinay; ABBAS Abdul K; ASTER, Jon C.</p><p>Robbins e Cotran: bases patológicas das doenças. 9 a ed.</p><p>Rio de Janeiro: Elsevier, 2016 .</p><p>Rafaela Amaral Tumor e fatores de risco 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>1. Elucidar o processo de formação do tumor e os fatores de risco</p><p>associados (capacidade de diferenciação da célula);</p><p>2. Compreender a diferenciação entre tumor benigno e maligno;</p><p>3. Explanar como se dá a metástase (formas de disseminação dos tipos</p><p>de tumores);</p><p>4. Conhecer a classificação das nomenclaturas dos tumores;</p><p>5. Descrever a prevalência dos tumores.</p><p>Formação do tumor</p><p>Neoplasia significa “novo crescimento”, sendo que o</p><p>termo “tumor” se iguala a neoplasia. “Uma neoplasia é</p><p>uma massa anormal de tecido, cujo crescimento é</p><p>excessivo e não coordenado com aquele dos tecidos</p><p>normais, e persiste da mesma maneira excessiva após a</p><p>interrupção do estímulo que originou as alterações.”</p><p>Formação do câncer = oncogênese/carcinogênese</p><p>Nos tempos modernos, uma neoplasia pode ser definida</p><p>como um distúrbio do crescimento celular que é</p><p>desencadeado por uma série de mutações adquiridas</p><p>que afetam uma única célula e sua progênie clonal. As</p><p>mutações causais fornecem para as células neoplásicas</p><p>uma vantagem de sobrevivência e de crescimento,</p><p>resultando em proliferação excessiva que é</p><p>independente de sinais fisiológicos de crescimento</p><p>(autônoma). Todos os tumores apresentam dois</p><p>componentes básicos:</p><p>1. células neoplásicas clonais que constituem o</p><p>parênquima tumoral,</p><p>2. estroma reativo feito de tecido conjuntivo, vasos</p><p>sanguíneos e números variáveis de células do sistema</p><p>imune inato e adaptativo.</p><p>Há 4 classes de genes reguladores normais:</p><p> Proto-oncogenes - promotores do crescimento</p><p> Antioncogenes - supressores do tumor</p><p> Genes que regulam a apoptose</p><p> Genes envolvidos no reparo do DNA</p><p>Mutações > proto-oncogenes ativados > aumento</p><p>excessivo em uma das funções do produto genético</p><p>codificado / função completamente nova para o produto</p><p>genético afetado.</p><p>Mutações > antioncogenes > “perda de função”</p><p>Genes reguladores de apoptose > anomalias > menos</p><p>mortes > maior sobrevida das células.</p><p>Mutações > genes de reparo de DNA > déficit no</p><p>reconhecimento e reparo de danos.</p><p>Uma fração reduzida das células que passam por</p><p>mutação no organismo produzirá um câncer, porque:</p><p>1. A maioria das células alteradas tem capacidade</p><p>menor de sobrevivência do que as células normais e</p><p>simplesmente morrem.</p><p>2. Apenas poucas dessas células alteradas que</p><p>conseguem sobreviver se tornam cancerosas, pois</p><p>mesmo a maioria das células mutantes ainda tem</p><p>controles de feedback normais que previnem o</p><p>crescimento excessivo.</p><p>3. As células potencialmente cancerosas são</p><p>frequentemente destruídas pelo sistema imune do</p><p>organismo, antes que formem um câncer. (genes alterados</p><p>> proteínas alteradas > ativação do sistema imune ></p><p>formação de anticorpos ou linfócitos sensibilizados ></p><p>destruição das células cancerosas).</p><p>4. Diversos oncogenes devem ser ativados</p><p>simultaneamente para causar câncer.</p><p>A oncogênese é composta por três estágios:</p><p>• Estágio de iniciação, no qual os genes sofrem ação dos</p><p>agentes cancerígenos.</p><p>• Estágio de promoção, no qual os agentes oncopromotores</p><p>atuam na célula já alterada.</p><p>• Estágio de progressão, caracterizado pela multiplicação</p><p>descontrolada e irreversível da célula.</p><p>Como as mutações ocorrem ao acaso, pode-se supor que</p><p>grande número de cânceres é o resultado do acaso.</p><p>Entretanto, a probabilidade de mutações pode ser</p><p>aumentada consideravelmente quando o organismo é</p><p>exposto a fatores químicos, físicos ou biológicos.</p><p>Fatores Ambientais</p><p>Podem ser dominantes sobre os fatores genéticos para a</p><p>maiorias dos tipos de câncer.</p><p>Entre os melhores fatores ambientais que afetam o risco de</p><p>câncer estão os seguintes:</p><p>• Agentes infecciosos > Acredita-se que cerca de 15% de</p><p>todos os cânceres no mundo sejam causados direta ou</p><p>indiretamente por agentes infecciosos, com a carga de</p><p>cânceres ligados a infecções sendo cerca de três vezes</p><p>maior nos países em desenvolvimento do que nos países</p><p>desenvolvidos.</p><p>• Tabagismo > indicado como o fator ambiental isolado</p><p>mais importante que contribui para a morte prematura nos</p><p>Estados Unidos. O fumo, principalmente de cigarros, tem</p><p>sido apontado como causador das mortes por câncer de</p><p>boca, faringe, laringe, esôfago, pâncreas, bexiga e, mais</p><p>significativamente, de cerca de 90% das mortes por câncer</p><p>de pulmão</p><p>• Consumo de álcool > O abuso do álcool por si só</p><p>aumenta o risco de carcinomas de orofaringe (excluindo os</p><p>lábios), laringe e esôfago e carcinoma hepatocelular (pelo</p><p>desenvolvimento da cirrose). O álcool e o tabaco, juntos,</p><p>aumentam de forma sinérgica o risco câncer nas vias</p><p>aéreas superiores e no trato digestório.</p><p>• Obesidade > No geral, os indivíduos mais obesos na</p><p>população norte-americana apresentam aumento de 52%</p><p>(homens) e 62% (mulheres) nas taxas de mortalidade por</p><p>câncer em relação aos seus colegas mais magros;</p><p>• História reprodutiva > exposição acumulativa ao</p><p>estrogênio, especialmente se não houver oposição pela</p><p>Rafaela Amaral Tumor e fatores de risco 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>progesterona, aumenta o risco de câncer de mama e do</p><p>endométrio, tecidos que são sensíveis a esses hormônios.</p><p>• Carcinógenos ambientais > ex. raios ultravioleta</p><p>[UV], poluição atmosférica, água de poço, arsênico,</p><p>certos medicamentos, amianto, entre outros.</p><p>Idade</p><p>A maioria dos carcinomas ocorre nos anos mais tardios</p><p>da vida (>55 anos). O câncer é a principal causa de</p><p>morte entre as mulheres com idade entre 40 e 79 anos</p><p>e entre os homens com idades entre 60 e 79 anos. A</p><p>incidência crescente de câncer com a idade pode ser</p><p>explicada pelo acúmulo de mutações somáticas</p><p>associadas ao surgimento das neoplasias malignas. O</p><p>declínio na imunocompetência, que acompanha o</p><p>envelhecimento, também pode ser um fator.</p><p>Condições Predisponentes Adquiridas</p><p>Podem ser divididas em inflamações crônicas, lesões</p><p>precursoras e estados de imunodeficiência. Distúrbios</p><p>inflamatórios crônicos e lesões precursoras abrangem</p><p>um conjunto diversificado de condições que estão todas</p><p>associadas ao aumento da replicação celular.</p><p>Predisposição Genética e Interações Entre Fatores</p><p>Ambientais e Hereditários</p><p>Em algumas famílias o câncer é uma característica</p><p>hereditária, geralmente devido a mutações germinativas</p><p>em um gene supressor de tumor. Mesmo em tumores</p><p>com um componente hereditário bem definido, o risco de</p><p>desenvolvê-lo pode ser fortemente influenciado por</p><p>fatores não genéticos.</p><p>Diferenciação e Anaplasia</p><p>O termo diferenciação refere-se à extensão com que as</p><p>células do parênquima neoplásico assemelham-se às</p><p>células</p><p>parenquimatosas normais correspondentes,</p><p>tanto morfológica quanto funcionalmente; a falta de</p><p>diferenciação é denominada anaplasia. Em geral, os</p><p>tumores benignos são bem diferenciados (ou seja, se</p><p>parecem muito com as células normais). Somente o</p><p>crescimento de tais células formando uma massa distinta</p><p>revela a natureza neoplásica da lesão. Em tumores bem</p><p>diferenciados benignos, as mitoses são geralmente raras</p><p>e apresentam configuração normal.</p><p>Tumor benigno e maligno</p><p>Diz-se que um tumor é benigno quando seus aspectos</p><p>micro e macroscópicos são considerados relativamente</p><p>inocentes, significando que ele permanece localizado,</p><p>não se disseminará para outras áreas e geralmente</p><p>pode ser removido por cirurgia local.</p><p>Os tumores benignos são constituídos por células bem</p><p>semelhantes às que os originaram e não possuem a</p><p>capacidade de provocar metástases. No entanto, os</p><p>tumores “benignos” podem causar morbidade significativa</p><p>e às vezes serem até fatais.</p><p>Os tumores malignos são referidos coletivamente como</p><p>cânceres. Podem invadir e destruir as estruturas</p><p>adjacentes e se disseminar para áreas distantes</p><p>(metastatizar), levando à morte. Nem todos os cânceres</p><p>seguem um curso tão mortífero.</p><p>Tumores Mistos</p><p>Na maioria das neoplasias benignas e malignas, todas as</p><p>células parenquimatosas se assemelham entre si. Com</p><p>pouca frequência, contudo, a diferenciação divergente de</p><p>um único clone neoplásico cria um tumor misto, tal como</p><p>o tumor misto de glândula salivar.</p><p>Rafaela Amaral Tumor e fatores de risco 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Neoplasias malignas que são compostas por células</p><p>pouco diferenciadas são denominados anaplásicas. A</p><p>anaplasia é considerada uma marca da malignidade.</p><p>A questão se a maioria dos cânceres de fato se origina de</p><p>uma “diferenciação reversa” das células normais</p><p>maduras ao invés da diferenciação incompleta de células</p><p>menos maduras é um item fundamental. A anaplasia está</p><p>associada a muitas outras alterações morfológicas.</p><p>• Pleomorfismo - variação no tamanho e na forma.</p><p>Assim, as células dentro do mesmo tumor não são</p><p>uniformes, mas variam desde células pequenas com um</p><p>aspecto indiferenciado, até células tumorais gigantes,</p><p>muitas vezes maiores do que as suas vizinhas. Algumas</p><p>células tumorais gigantes possuem apenas um único</p><p>núcleo gigante polimórfico, enquanto outras apresentam</p><p>dois ou mais grandes núcleos hipercromáticos.</p><p>• Morfologia nuclear anormal - Caracteristicamente, os</p><p>núcleos são desproporcionalmente grandes para a</p><p>célula, forma do núcleo é variável e muitas vezes</p><p>irregular, e a cromatina está normalmente agrupada de</p><p>forma desordenada e distribuída pela membrana nuclear,</p><p>ou com uma coloração mais escura que o normal</p><p>(hipercromática).</p><p>• Mitoses - Diferentemente dos tumores benignos e de</p><p>algumas neoplasias malignas bem diferenciadas, nos</p><p>tumores indiferenciados, muitas células estão na mitose,</p><p>refletindo atividade proliferativa maior das células</p><p>parenquimatosas. A presença de mitoses, contudo, não</p><p>indica, necessariamente, que um tumor seja maligno</p><p>ou que o tecido seja neoplásico. Importante como</p><p>característica morfológica de malignidade são as figuras</p><p>mitóticas atípicas, bizarras, algumas vezes com fusos</p><p>tripolares, quadripolares ou multipolares.</p><p>• Perda de polaridade - Além das anormalidades</p><p>citológicas, a orientação das células anaplásicas é</p><p>significativamente alterada. Lençóis ou grandes massas</p><p>de células tumorais crescem de maneira anárquica e</p><p>desorganizada.</p><p>• Outras alterações. Células tumorais requerem um</p><p>suprimento sanguíneo, todavia, o estroma vascular é</p><p>escasso e, como resultado grandes áreas centrais de</p><p>necrose isquêmica desenvolvem-se em vários tumores</p><p>malignos de crescimento rápido. As células altamente</p><p>anaplásicas perdem sua semelhança com as células</p><p>normais das quais se originaram e, em alguns casos, novas</p><p>e inesperadas funções emergem.</p><p>Metaplasia e Displasia</p><p>A metaplasia é definida como a substituição de um tipo</p><p>celular por outro tipo celular - quase sempre é</p><p>encontrada em associação com os processos de dano,</p><p>reparo e regeneração teciduais. O termo displasia</p><p>literalmente significa “crescimento desordenado”. Ela</p><p>pode ser encontrada principalmente em epitélios, e as</p><p>alterações incluem a perda da uniformidade das células</p><p>individuais, assim como a perda de sua orientação</p><p>arquitetural. As células displásicas podem exibir</p><p>pleomorfismo considerável e frequentemente contêm</p><p>núcleos hipercromáticos grandes com uma grande razão</p><p>núcleo-citoplasma. Quando as alterações displásicas são</p><p>marcantes e envolvem toda a espessura do epitélio,</p><p>porém a lesão não penetra na membrana basal, ela é</p><p>considerada como uma neoplasia pré-invasiva e é</p><p>denominada carcinoma in situ.</p><p>Uma vez que as células tumorais tenham rompido a</p><p>membrana basal, diz-se que o tumor é invasivo. Embora</p><p>a displasia possa ser uma precursora da transformação</p><p>maligna, ela nem sempre progride para o câncer. Com a</p><p>remoção das causas agressoras, displasias leves a</p><p>moderadas que não envolvem toda a espessura do epitélio</p><p>podem ser completamente reversíveis.</p><p>Até mesmo o carcinoma in situ pode persistir por anos</p><p>antes de se tornar invasivo. Por fim, mesmo que a</p><p>displasia ocorra com frequência no epitélio</p><p>metaplásico, nem todos os epitélios metaplásicos são</p><p>displásicos.</p><p>Metástase</p><p>O crescimento dos cânceres é acompanhado por</p><p>infiltração progressiva, invasão e destruição do tecido</p><p>circundante, ao passo que quase todos os tumores</p><p>benignos crescem como massas expansivas coesas que</p><p>permanecem em seu local de origem e não possuem</p><p>capacidade para se infiltrar, invadir ou formar</p><p>metástase em áreas distantes. Como os tumores</p><p>Rafaela Amaral Tumor e fatores de risco 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>benignos crescem e se expandem lentamente,</p><p>geralmente eles desenvolvem um contorno de tecido</p><p>fibroso comprimido, algumas vezes referido como</p><p>uma cápsula que os separam do tecido hospedeiro.</p><p>Esta cápsula é constituída em grande parte de matriz</p><p>extracelular depositada pelas células estromáticas, tais</p><p>como fibroblastos, que são ativados por danos hipóxicos</p><p>resultantes da pressão do tumor em expansão. Essa</p><p>encapsulação não evita que o tumor cresça, mas cria</p><p>um plano tecidual que torna o tumor bem definido,</p><p>facilmente palpável, móvel (não fixo), e facilmente</p><p>excisável por enucleação cirúrgica.</p><p>Por outro lado, os tumores malignos são, no geral,</p><p>pouco demarcados e não há um plano de clivagem bem</p><p>definido. Os tumores malignos de expansão lenta,</p><p>contudo, podem propiciar o desenvolvimento de uma</p><p>cápsula fibrosa aparente, que pode empurrar uma</p><p>ampla frente tumoral em direção às estruturas normais</p><p>adjacentes. O exame histológico de tais massas</p><p>“pseudoencapsuladas” quase sempre mostra fileiras de</p><p>células penetrando na margem e infiltrando as estruturas</p><p>adjacentes.</p><p>Juntamente com o desenvolvimento de metástases, a</p><p>capacidade de invasão é a característica mais</p><p>confiável para diferenciar os tumores malignos dos</p><p>benignos.</p><p>A metástase é definida pela propagação de um tumor</p><p>para áreas que são fisicamente descontínuas com o</p><p>tumor primário e de forma inequívoca marca um tumor</p><p>como maligno, pois, por definição, neoplasias</p><p>benignas não formam metástases. A invasividade dos</p><p>tumores malignos permite que eles penetrem nos vasos</p><p>sanguíneos, linfáticos e cavidades corpóreas, provendo</p><p>a oportunidade para a disseminação. Todos os tumores</p><p>malignos podem formar metástase, mas alguns o fazem</p><p>muito raramente e é evidente então que as propriedades de</p><p>invasão e metástases são distintas.</p><p>Em geral, a probabilidade de um tumor primário</p><p>formar metástase está correlacionada à falta de</p><p>diferenciação, invasão local agressiva, crescimento</p><p>rápido e tamanho grande. Contudo, muitos fatores</p><p>relacionados tanto ao invasor quanto ao hospedeiro estão</p><p>envolvidos.</p><p>A propagação metastática reduz fortemente a</p><p>possibilidade de cura; nada apresentaria maior benefício</p><p>para os pacientes do que um meio eficaz para bloquear</p><p>as metástases.</p><p>Disseminação Linfática</p><p>O transporte através dos vasos linfáticos é a via mais</p><p>comum para a disseminação dos carcinomas (sarcomas</p><p>podem também utilizar essa rota). Os tumores não contêm</p><p>linfáticos funcionais, mas os vasos linfáticos localizados</p><p>nas margens tumorais são aparentemente suficientes</p><p>para a disseminação das células tumorais. O padrão de</p><p>acometimento dos linfonodos segue as rotas naturais</p><p>da drenagem linfática.</p><p>No câncer de mama, a determinação do envolvimento dos</p><p>linfonodos axilares é importante para a avaliação do</p><p>curso futuro da doença e para a seleção das estratégias</p><p>terapêuticas apropriadas.</p><p>Um linfonodo sentinela é definido como “o primeiro</p><p>linfonodo em uma cadeia linfática regional que recebe</p><p>o fluxo da linfa que vem do tumor primário.” Em</p><p>muitos casos os linfonodos regionais servem como</p><p>barreiras efetivas contra a disseminação futura do</p><p>tumor, pelo menos por um tempo. É concebível que as</p><p>células, após pararem no linfonodo, possam ser</p><p>destruídas por uma resposta imune tumor-específica.</p><p>A drenagem de restos de células tumorais ou de antígenos</p><p>tumorais, ou de ambos, também induz a alterações reativas</p><p>dentro dos linfonodos. Assim, o aumento dos linfonodos</p><p>pode ser causado por disseminação e crescimento das</p><p>células cancerígenas ou por hiperplasia reativa (o que</p><p>não caracteriza a metástase).</p><p>Rafaela Amaral Tumor e fatores de risco 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Disseminação Hematogênica</p><p>A disseminação hematogênica é típica dos sarcomas,</p><p>mas também é vista nos carcinomas. As artérias, com</p><p>suas paredes mais espessas, são menos prontamente</p><p>invadidas do que as veias. Contudo, a disseminação</p><p>arterial pode ocorrer quando as células tumorais passam</p><p>através dos leitos capilares pulmonares, ou através dos</p><p>shunts arteriovenosos pulmonares, ou quando as</p><p>metástases pulmonares por si mesmas originam êmbolos</p><p>tumorais. Nessa disseminação vascular, diversos fatores</p><p>influenciam os padrões de distribuição das metástases.</p><p>Com a invasão venosa, as células produzidas pelo</p><p>sangue seguem o fluxo venoso de drenagem do local</p><p>da neoplasia, enquanto as células tumorais</p><p>frequentemente se detêm no primeiro leito capilar</p><p>que encontram. É compreensível que o fígado e os</p><p>pulmões estejam mais frequentemente envolvidos em tal</p><p>disseminação hematogênica, porque toda a drenagem</p><p>da área portal flui para o fígado e todo o sangue da</p><p>veia cava flui para os pulmões.</p><p>A cascata metastática será dividida em duas fases:</p><p>1. invasão da matriz extracelular (MEC)</p><p>2. disseminação vascular, instalação das células</p><p>tumorais e colonização.</p><p>Invasão da Matriz Extracelular</p><p>A organização estrutural e função dos tecidos normais</p><p>são, em grande parte, determinadas pela interação entre</p><p>as células e a MEC. Sendo que há dois tipos de MEC: a</p><p>membrana basal e o tecido conjuntivo intersticial.</p><p>Apesar de organizados diferentemente, cada um desses</p><p>componentes da MEC é composto por colágeno,</p><p>glicoproteínas e proteoglicanos.</p><p>As células tumorais devem interagir com a MEC em</p><p>diversos estágios da cascata metastática. Um</p><p>carcinoma deve primeiro romper a membrana basal</p><p>subjacente, então atravessar o tecido conjuntivo</p><p>intersticial e, em última instância, ter acesso à</p><p>circulação através da penetração na membrana basal</p><p>vascular.</p><p>• “Relaxamento” das interações célula tumoral-célula</p><p>tumoral.</p><p>• Degradação da MEC.</p><p>• Ligação a novos componentes da MEC.</p><p>• Migração e invasão das células tumorais</p><p>A dissociação das células umas das outras é o primeiro</p><p>passo no processo de invasão. As células epiteliais normais</p><p>são fortemente grudadas entre si e à MEC através de</p><p>diversas moléculas de adesão. As interações célula-</p><p>célula são mediadas pela família de glicoproteínas</p><p>transmembrana chamada de caderina. Em diversos</p><p>tumores epiteliais, incluindo adenocarcinomas do cólon,</p><p>estômago e de mama, a função da E-caderina é perdida</p><p>- o que reduz a capacidade das células de se aderirem umas</p><p>às outras e facilita seu desligamento do tumor primário e</p><p>consequente avanço em direção aos tecidos</p><p>circunjacentes.</p><p>A degradação da membrana basal e do tecido conjuntivo</p><p>intersticial é o segundo passo da invasão. As células</p><p>tumorais podem fazê-lo ao secretar enzimas</p><p>proteolíticas, ou induzir as células estromáticas (p. ex.,</p><p>fibroblastos e células inflamatórias) a elaborar proteases.</p><p>As MMP, metaloproteinases, regulam a invasão tumoral</p><p>através da remodelação de componentes insolúveis da</p><p>membrana basal e da matriz intersticial, mas também</p><p>através da liberação de fatores de crescimento</p><p>sequestrados na MEC.</p><p>O terceiro passo na invasão envolve as alterações na</p><p>ligação das células tumorais a proteínas da MEC. As</p><p>células epiteliais normais possuem receptores, como as</p><p>Rafaela Amaral Tumor e fatores de risco 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>integrinas, para a laminina da membrana basal e para o</p><p>colágeno que estão polarizados em sua superfície basal;</p><p>esses receptores ajudam a manter as células em um</p><p>estado quiescente, diferenciado. A perda de adesão nas</p><p>células normais leva à indução da apoptose, enquanto</p><p>que, não surpreendentemente, as células tumorais são</p><p>resistentes a essa forma de morte celular. Além disso, a</p><p>própria matriz se torna modificada de maneira a</p><p>promover a invasão e a metástase.</p><p>A locomoção é a última etapa da invasão,</p><p>impulsionando as células tumorais através da</p><p>membrana basal degradada e das zonas de proteólise</p><p>da matriz. A migração é um processo em múltiplas</p><p>etapas, que envolve muitas famílias de receptores e</p><p>proteínas de sinalização que afinal se encontram no</p><p>citoesqueleto de actina.</p><p>Dentro da circulação, as células tumorais tendem a</p><p>agregar-se formando massas. As adesões homotípicas</p><p>entre as células tumorais favorecem esse arranjo, assim</p><p>como as adesões heterotípicas entre as células</p><p>tumorais e as células do sangue, principalmente as</p><p>plaquetas. A formação de agregados plaqueta-tumor</p><p>pode aumentar a sobrevida da célula tumoral e sua</p><p>capacidade de se implantar. As células tumorais</p><p>também podem se ligar e ativar os fatores de coagulação,</p><p>resultando na formação de êmbolos.</p><p>Nomenclatura</p><p>A nomeação dos tumores baseia-se na sua histogênese e</p><p>histopatologia. Para os tumores benignos, a regra é</p><p>acrescentar o sufixo "oma" ao termo que designa o</p><p>tecido que os originou.</p><p>Exemplos:</p><p>tumor benigno do tecido cartilaginoso – condroma;</p><p>tumor benigno do tecido gorduroso – lipoma;</p><p>tumor benigno do tecido glandular – adenoma.</p><p>Quanto aos tumores malignos, é necessário considerar a</p><p>origem embrionária dos tecidos de que deriva o tumor.</p><p>Quando sua origem for dos tecidos de revestimento</p><p>externo e interno, os tumores são denominados</p><p>carcinomas. Quando o epitélio de origem for glandular,</p><p>passam a ser chamados de adenocarcinomas. Já os</p><p>tumores malignos originários dos tecidos conjuntivos ou</p><p>mesenquimais será feito o acréscimo de "sarcoma" ao</p><p>vocábulo que corresponde ao tecido. Por sua vez, os</p><p>tumores de origem nas células blásticas, têm o sufixo</p><p>"blastoma" acrescentado ao vocábulo que corresponde ao</p><p>tecido original.</p><p>Exemplos:</p><p>Carcinoma basocelular de face – tumor maligno da pele;</p><p>Adenocarcinoma de ovário – tumor maligno do epitélio do</p><p>ovário;</p><p>Condrossarcoma - tumor maligno do tecido cartilaginoso;</p><p>Lipossarcoma - tumor maligno do tecido gorduroso;</p><p>Leiomiossarcoma - tumor maligno do tecido muscular</p><p>liso;</p><p>Hepatoblastoma - tumor maligno do tecido hepático</p><p>jovem;</p><p>Nefroblastoma - tumor maligno do tecido renal jovem</p><p>Prevalência dos tumores</p><p>A mais recente estimativa mundial, ano 2018, aponta que</p><p>ocorreram no mundo 18 milhões de casos novos de</p><p>câncer (17 milhões sem contar os casos de câncer de pele</p><p>não melanoma) e 9,6 milhões de óbitos (9,5 milhões</p><p>excluindo os cânceres de pele não melanoma). O câncer de</p><p>pulmão é o mais incidente no mundo (2,1 milhões) seguido</p><p>pelo câncer de mama (2,1 milhões), cólon e reto (1,8</p><p>milhão)</p><p>e próstata (1,3 milhão). A incidência em homens</p><p>(9,5 milhões) representa 53% dos casos novos, sendo um</p><p>pouco maior nas mulheres, com 8,6 milhões (47%) de</p><p>casos novos. Os tipos de câncer mais frequentes nos</p><p>homens foram o câncer de pulmão (14,5%), próstata</p><p>(13,5%), cólon e reto (10,9%), estômago (7,2%) e fígado</p><p>(6,3%). Nas mulheres, as maiores incidências foram</p><p>câncer de mama (24,2%), cólon e reto (9,5%), pulmão</p><p>(8,4%) e colo do útero (6,6%). Para o Brasil, a estimativa</p><p>para cada ano do triênio 2020-2022 aponta que ocorrerão</p><p>625 mil casos novos de câncer (450 mil, excluindo os</p><p>casos de câncer de pele não melanoma). O câncer de pele</p><p>não melanoma será o mais incidente (177 mil), seguido</p><p>pelos cânceres de mama e próstata (66 mil cada), cólon e</p><p>reto (41 mil), pulmão (30 mil) e estômago (21 mil).</p><p>Rafaela Amaral Tumor e fatores de risco 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Referências</p><p> KUMAR, Vinay; ABBAS Abdul K; ASTER, Jon C.</p><p>Robbins e Cotran: bases patológicas das doenças. 9 a ed.</p><p>Rio de Janeiro: Elsevier, 2016 .</p><p> https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/abc_do_can</p><p>cer.pdf</p><p> -GUYTON, A.C. e Hall J.E.– Tratado de Fisiologia</p><p>Médica. Editora Elsevier. 13ª ed., 2017.</p><p> http://www.oncoguia.org.br/pub/3_conteudo/2020/esti</p><p>mativa_cancer_2020.pdf</p><p>Rafaela Amaral Fisiologia da célula tumoral 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Elucidar a fisiologia da célula tumoral</p><p>Descrever os agentes carcinógenos e como atuam no</p><p>desenvolvimento do câncer</p><p>Compreender como os tumores causam manifestações clínicas</p><p>Explanar a classificação de estadiamento tumoral e como se</p><p>relaciona com o prognóstico</p><p>Relacionar diferenciação celular com malignidade tumoral</p><p>Fisiologia</p><p>As células cancerosas apresentam quatro características</p><p>que as distinguem das células normais: proliferação</p><p>descontrolada, diferenciação e perda de função,</p><p>poder de invasão e capacidade de sofrer metástases.</p><p>Lembrar de:</p><p>Proto-oncogenes – promotores do crescimento</p><p>Anti-oncogenes – supressores do tumor</p><p>Genes que regulam a apoptose</p><p>Genes envolvidos no reparo do DNA</p><p>Todos os cânceres exibem oito alterações</p><p>fundamentais na fisiologia celular, que são</p><p>consideradas as marcas registradas do câncer.</p><p>• Autossuficiência nos sinais de crescimento:</p><p>Os tumores apresentam a capacidade de proliferação sem</p><p>estímulos externos - ativação de oncogenes.</p><p>• lnsensibilidade aos sinais inibidores do crescimento:</p><p>Com a ativação de antioncogenes, os tumores podem não</p><p>responder a moléculas que inibem a proliferação de</p><p>células normais</p><p>• Metabolismo celular alterado:</p><p>As células tumorais são submetidas a uma mudança</p><p>metabólica para a glicólise aeróbica (efeito Warburg),</p><p>que permite a síntese de macromoléculas e organelas que</p><p>são necessárias para o crescimento celular rápido.</p><p>• Evasão da apoptose: Os tumores são resistentes</p><p>• Potencial de replicação ilimitado (imortalidade):</p><p>Os tumores possuem capacidade proliferativa</p><p>irrestrita, uma propriedade similar às células-tronco que</p><p>permite que as células tumorais evitem a senescência</p><p>celular e a catástrofe mitótica.</p><p>• Angiogênese mantida:</p><p>Os tumores devem induzir a angiogênese pois não são</p><p>capazes de crescer sem suprimento vascular.</p><p>• Capacidade de invadir e metastatizar:</p><p>Surgem da interrelação de processos que são intrínsecos às</p><p>células tumorais e sinais que são iniciados pelo ambiente</p><p>tecidual.</p><p>• Capacidade de evadir da resposta imune do</p><p>hospedeiro.</p><p>As células cancerígenas exibem inúmeras alterações que</p><p>lhes permitem evadir.</p><p>A aquisição das alterações genéticas e epigenéticas que</p><p>conferem essas marcas pode ser acelerada pela</p><p>instabilidade genômica e pela inflamação promotora</p><p>do câncer. Essas são características consideradas</p><p>capacitoras pois promovem a transformação celular e</p><p>a progressão subsequente do tumor.</p><p>Autossuficiência nos Sinais de Crescimento: Oncogenes</p><p>Os oncogenes (os que promovem o crescimento celular</p><p>autônomo nas células cancerígenas) são criados por</p><p>mutações nos proto-oncogenes (contrapartes celulares não</p><p>mutadas). Os oncogenes codificam proteínas chamadas</p><p>de oncoproteínas que possuem a capacidade de</p><p>promover o crescimento celular na ausência de sinais</p><p>promotores de crescimento normais. As oncoproteínas</p><p>carregam mutações que muitas vezes inativam elementos</p><p>reguladores internos; Assim, as células que expressam</p><p>oncoproteínas são liberadas dos pontos de verificação</p><p>e controles normais que limitam o crescimento, e como</p><p>resultado, proliferam excessivamente.</p><p>Sob condições fisiológicas, as vias de sinalização do fator de</p><p>crescimento são:</p><p>• A ligação de um fator de crescimento ao seu receptor</p><p>específico.</p><p>• Ativação transitória e limitada do receptor do fator de</p><p>crescimento, que, por sua vez, ativa a várias proteínas de</p><p>transdução de sinal citoplasmáticas.</p><p>• Transmissão do sinal transduzido para o núcleo através de</p><p>proteínas efetoras citoplasmáticas adicionais e segundos</p><p>mensageiros, ou por uma cascata de moléculas transdutoras</p><p>de sinal.</p><p>• Indução e ativação dos fatores nucleares reguladores que</p><p>iniciam a transcrição do DNA.</p><p>• Expressão de fatores que promovem a entrada e progressão</p><p>da célula no ciclo celular, resultando, finalmente, na divisão</p><p>celular.</p><p>• Em paralelo, alterações na expressão de outros genes que</p><p>suportam a sobrevivência celular e alterações metabólicas</p><p>que são necessárias para o crescimento ideal.</p><p>Aberrações em múltiplas vias de sinalização foram</p><p>identificadas em vários tumores, sendo que muitos</p><p>componentes destas vias atuam como oncoproteínas</p><p>quando sofrem mutação. Uma série antioncogenes atuam</p><p>através da inibição de um ou mais componentes dessas</p><p>vias.</p><p>Rafaela Amaral Fisiologia da célula tumoral 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Fatores de crescimento</p><p>A maioria dos fatores de crescimento solúveis são</p><p>produzidos por um tipo celular e agem em uma célula</p><p>adjacente para estimular a proliferação (ação parácrina).</p><p>Contudo, muitas células cancerígenas adquirem a</p><p>habilidade de sintetizar os mesmos fatores de</p><p>crescimento a que são responsivas, criando uma alça</p><p>autócrina. O mais comum é que os sinais transduzidos</p><p>por outras oncoproteínas causem superexpressão e</p><p>secreção aumentada de fatores de crescimento, desse</p><p>modo iniciando e amplificando a alça autócrina.</p><p>Exemplos de fatores de crescimento:</p><p>Fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF) –</p><p>receptor</p><p>Fator de transformação α (TGF-α)</p><p>Receptores de Fator de Crescimento</p><p>Os receptores tirosina cinases - proteínas</p><p>transmembranares com um domínio de ligação do ligante</p><p>extracelular e um domínio citoplasmático de tirosina</p><p>cinase - indiscutivelmente são as mais importantes no</p><p>câncer.</p><p>Normalmente, a atividade de cinase do receptor é ativada</p><p>transitoriamente pela ligação de um fator de crescimento</p><p>específico para o domínio extracelular, um evento que</p><p>induz uma rápida mudança na conformação do receptor</p><p>para um estado ativo dimérico. O receptor ativado então</p><p>autofosforila os resíduos de tirosina na sua própria cauda</p><p>intracelular, e esses resíduos modificados servem como</p><p>locais para o recrutamento de uma série de moléculas de</p><p>sinalização, incluindo a RAS e a PI3K, que já foram</p><p>descritas como peças fundamentais na sinalização dos</p><p>receptores tirosina cinase. As versões oncogênicas</p><p>destes receptores estão associadas com mutações que</p><p>conduzem à atividade constitutiva de tirosina cinase</p><p>independente de fator de crescimento. Assim, os</p><p>receptores mutantes liberam sinais mitogênicos</p><p>contínuos para a célula, mesmo na ausência do fator</p><p>de crescimento no ambiente. Os receptores tirosina</p><p>cinases podem ser ativados constitutivamente nos</p><p>tumores por múltiplos mecanismos, incluindo mutações</p><p>pontuais, rearranjos gênicos e amplificações</p><p>gênicas.</p><p>Mutações oncogênicas envolvendo receptores:</p><p>• O ERBB1 codifica o receptor do fator de</p><p>crescimento epidérmico (EGFR), que é acometido por</p><p>mutações pontuais em determinados cânceres. Várias</p><p>mutações pontuais diferentes de ERBB1 encontradas em</p><p>um subconjunto de adenocarcinomas do pulmão são de</p><p>grande importância clínica. Essas mutações resultam na</p><p>ativação constitutiva da tirosina ccinase do EGFR.</p><p>• O ERBB2 codifica um membro diferente da família de</p><p>receptores tirosina cinase, o HER2. O gene ERBB2 é</p><p>amplificado em certos carcinomas da mama, levando à</p><p>superexpressão do receptor HER2 e atividade</p><p>constitutiva da tirosina cinase.</p><p>• Rearranjos gênicos ativam outros receptores tirosina</p><p>cinases, como o cinase ALK. Por exemplo, uma deleção</p><p>no cromossomo 5 funde parte do gene ALK com a parte</p><p>de um outro gene chamado EML4 em um subconjunto</p><p>de adenocarcinomas do pulmão.</p><p>O gene de fusão resultante EML4-ALK codifica uma</p><p>proteína quimérica EML4-ALK, novamente com</p><p>atividade constitutiva de tirosina cinase.</p><p>Os cânceres da mama com amplificação do ERBB2 e</p><p>superexpressão do HER2 em geral respondem ao tratamento</p><p>com anticorpos ou medicamentos que bloqueiam a atividade do</p><p>HER2. Esses inibidores não só provocam a interrupção do</p><p>crescimento do tumor, mas também induzem a apoptose e a</p><p>regressão do tumor, o que reflete a capacidade de sinalização do</p><p>receptor tirosina cinase para aumentar a sobrevida da célula,</p><p>bem como a proliferação.</p><p>Componentes à jusante da via de sinalização da</p><p>tirosina cinase receptora</p><p>A ativação de receptores tirosina cinase estimula a</p><p>RAS e dois grandes “braços” de sinalização à jusante, a</p><p>cascata MAPK e a via PI3K/AKT. A RAS, PI3K, e</p><p>outros componentes destes caminhos são frequentemente</p><p>acometidos por mutações de ganho de função em</p><p>diferentes tipos de câncer.</p><p>Mutações de RAS</p><p>As mutações pontuais dos genes da família da RAS são o</p><p>tipo mais comum de anomalia isolada envolvendo proto-</p><p>oncogenes em tumores humanos. Há três genes RAS em</p><p>humanos (HRAS, KRAS e NRAS).</p><p>Mutações Oncogênicas do BRAF e da PI3K</p><p>Outros fatores estão frequentemente envolvidos pelas</p><p>mutações de ganho de função.</p><p>• A BRAF é uma proteína cinase serina/treonina que se</p><p>aloja no topo de uma cascata de outras cinases</p><p>serina/treonina da família do MAPK. Assim como as</p><p>mutações ativadoras de RAS, as mutações ativadoras de</p><p>BRAF estimulam cada uma dessas cinases à jusante e,</p><p>finalmente, ativam os fatores de transcrição.</p><p>Mutações da família de proteínas PI3K</p><p>O PI3K é um heterodímero composto por uma subunidade</p><p>reguladora e uma subunidade catalítica, das quais existem</p><p>várias isoformas tecido-específicas. Sob circunstâncias</p><p>normais, o PI3K é recrutado por ativação de receptor</p><p>tirosina cinase para complexos de proteínas de sinalização</p><p>associados à membrana plasmática. Assim como o BRAF,</p><p>ele ativa uma cascata de serina/treonina cinases, incluindo</p><p>o AKT, que é um nodo de sinalização fundamental.</p><p>Rafaela Amaral Fisiologia da célula tumoral 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>Ciclinas e Cinases Dependentes de Ciclinas</p><p>Os fatores de crescimento transduzem sinais que</p><p>estimulam a progressão ordenada das células através das</p><p>várias fases do ciclo celular, processo pelo qual as células</p><p>replicam o seu DNA no preparo para a divisão celular. A</p><p>progressão ordenada das células através do ciclo celular</p><p>é orquestrada por cinases dependentes de ciclina (CDK),</p><p>que são ativadas através da ligação às ciclinas, assim</p><p>chamadas em decorrência da natureza cíclica de sua</p><p>produção e degradação. Os complexos ciclina-CDK</p><p>fosforilam proteínas alvo cruciais que conduzem a célula</p><p>adiante através do ciclo celular. Enquanto as ciclinas</p><p>estimulam as CDK, seus inibidores (CDKI), dos quais há</p><p>muitos, silenciam as CDK e exercem um controle</p><p>negativo sobre o ciclo celular. A expressão desses</p><p>inibidores tem sua regulação diminuída por vias de</p><p>sinalização mitogênicas, promovendo assim a</p><p>progressão do ciclo celular.</p><p>RB: Regulador da Proliferação</p><p>O RB, um regulador negativo fundamental na transição</p><p>do ciclo celular G1/S, está direta ou indiretamente</p><p>inativado na maioria dos cânceres humanos. O RB</p><p>também controla a diferenciação celular. A proteína RB</p><p>existe em um estado ativo hipofosforilado nas células</p><p>quiescentes e em um estado inativo hiperfosforilado em</p><p>células que passam através da transição entre o ciclo</p><p>celular G1/S. A função da RB pode estar comprometida</p><p>de duas formas diferentes:</p><p>• Mutações de perda de função envolvendo ambos os</p><p>alelos do gene RB.</p><p>• Uma mudança do estado ativo hipofosforilado para o</p><p>estado inativo hiperfosforilado por mutações de ganho de</p><p>função que regulam positivamente a atividade de</p><p>CDK/ciclina D ou por mutações de perda de função que</p><p>anulam a atividade de inibidores de CDK.</p><p>TP53: Guardiã do Genoma</p><p>O TP53, um gene supressor de tumor que regula a</p><p>progressão do ciclo celular, o reparo de DNA, a</p><p>senescência celular e a apoptose, é o gene que sofre</p><p>mutação em cânceres humanos com mais frequência. Na</p><p>maioria dos casos, as mutações estão presentes em ambos</p><p>os alelos TP53 e são adquiridas nas células somáticas (não</p><p>são herdadas na linhagem germinativa). Assim como no</p><p>caso do supressor de tumor RB e o retinoblastoma, a</p><p>herança de uma cópia mutada do gene TP53 predispõe</p><p>indivíduos a tumores malignos, pois apenas um “evento”</p><p>adicional no alelo normal solitário é necessário para anular</p><p>a função do TP53.</p><p>Uma vez ativada, a p53 impede a transformação</p><p>neoplásica por indução ou interrupção transitória do</p><p>ciclo celular, senescência (interrupção permanente do</p><p>ciclo celular), ou morte celular programada (apoptose).</p><p>Acredita-se que a maioria destes efeitos resultem da</p><p>capacidade da p53 de funcionar como um fator de</p><p>transcrição. A p53 se liga ao DNA em uma sequência</p><p>específica e ativa a transcrição de centenas de diferentes</p><p>genes-alvo com elementos de ligação de p53. Os genes-</p><p>alvo fundamentais que executam as funções da p53 não</p><p>são completamente definidos, mas aparentemente se</p><p>dividem em três categorias principais:</p><p>(1) aqueles que causam a interrupção do ciclo celular;</p><p>(2) aqueles que causam a apoptose; e</p><p>(3) aqueles que aumentam o metabolismo catabólico ou</p><p>inibem o metabolismo anabólico.</p><p>Alterações Metabólicas Promotoras de Crescimento: O</p><p>Efeito Warburg</p><p>Mesmo na presença de oxigênio suficiente, as células</p><p>cancerígenas demonstram uma forma distinta de</p><p>metabolismo celular caracterizada por altos níveis de</p><p>absorção de glicose e aumento da conversão de glicose</p><p>para a lactose (fermentação) através da via glicolítica.</p><p>Rafaela Amaral Fisiologia da célula tumoral 4° período - FPME</p><p>@resumeairafa</p><p>A glicólise aeróbica proporciona a células tumorais de</p><p>divisão rápida intermediários metabólicos que são</p><p>necessários para a síntese de componentes celulares, ao</p><p>passo que a fosforilação oxidativa mitocondrial não.</p><p>Uma célula em crescimento apresenta uma rígida</p><p>exigência biossintética; ela deve duplicar todos os seus</p><p>componentes celulares (ou seja: DNA, RNA, proteínas,</p><p>lipídios e organelas), antes que ela possa dividir e</p><p>produzir duas células-filhas.</p><p>Potencial de Replicação Ilimitado: Propriedades das</p><p>Células Cancerígenas Semelhantes às das Células-</p><p>tronco</p><p>Todos os cânceres contêm células que são imortais e que</p><p>possuem potencial replicativo ilimitado. Três fatores</p><p>interrelacionados parecem ser críticos para a</p><p>imortalidade das células cancerígenas:</p><p>(1) evasão de senescência;</p><p>O estado de senescência está associado à regulação</p><p>positiva de supressores de tumor, tais como a p53 e a</p><p>INK4a/p16. Acredita-se que esses supressores de tumor</p><p>contribuam para a senescência, em parte, através da</p><p>manutenção da RB em um estado hipofosforilado, que</p><p>favorece a interrupção do ciclo celular. O ponto de</p><p>checagem do ciclo celular G1/S dependente de RB é</p><p>interrompido em praticamente todos os cânceres por uma</p><p>ampla variedade de aberrações genéticas e epigenéticas</p>