Prévia do material em texto
<p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>MÓDULO 5</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>MATERIAL DE APOIO</p><p>MÓDULO 5 – BIOLOGIA FORENSE</p><p>INTRODUÇÃO A BIOLOGIA FORENSE</p><p>A Biologia Forense baseia-se no conjunto de técnicas e conhecimentos</p><p>utilizados em análises de vestígios biológicos, fornecendo importantes</p><p>contribuições ao meio jurídico (Velho, Geiser e Espíndula, 2013). Dentre os</p><p>diferentes vestígios encontrados, os vestígios biológicos podem ser fluídos</p><p>biológicos, organismos ou parte deles, ou ainda qualquer amostra de origem</p><p>biológica que possa direcionar as investigações a um possível suspeito/vítima</p><p>ou ainda que auxilie as investigações periciais.</p><p>As principais áreas estudadas na Biologia Forense são:</p><p>• Hematologia Forense: Existem duas subáreas dentro da hematologia, a</p><p>Hematologia Forense Identificadora, que tem por objetivo identificar e</p><p>caracterizar vestígios de sangue, e a Hematologia Forense Reconstrutora, que</p><p>tem por objetivo inferir através das manchas de sangue, a dinâmica e os meios</p><p>que resultaram no crime.</p><p>• Citologia Forense: Tem como papel identificar células através da</p><p>microscopia a fim de caracterizar presença ou ausência de um determinado</p><p>tipo celular em uma amostra biológica. É comumente utilizada em casos de</p><p>violência sexual, em que pode haver presença de sêmen.</p><p>• Tricologia Forense: É o estudo de pelos por macro ou microscopia</p><p>encontrados em locais de crime a fim de identificá-los, bem como realizar a</p><p>diferenciação de pelos humanos e não humanos (fibras ou até mesmo pelos de</p><p>animais, caracterizando crimes contra a fauna).</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>• Entomologia Forense: Utiliza-se de conhecimentos específicos sobre</p><p>insetos para estimar tempo de morte, assim como possível movimentação do</p><p>corpo e o uso de entorpecentes (entomotoxicologia).</p><p>• Botânica Forense: Caracteriza-se por ser o estudo capaz de relacionar a</p><p>dinâmica dos fatos com organismos vegetais associados ao fato criminoso.</p><p>• Genética Forense: É uma das áreas que ajuda na elucidação de crimes</p><p>por meio da análise genética de vestígios provenientes de locais de crime</p><p>utilizando técnicas de biologia molecular.</p><p>Com o passar dos anos, diversas técnicas de biologia molecular sofreram</p><p>alterações permitindo análises mais complexas e precisas e, assim, sendo</p><p>determinante na vinculação de suspeitos e vítimas. Atualmente, é possível</p><p>realizar a coleta de amostras biológicas em local de crime, de objetos</p><p>relacionados, veículos ou parte deles e até mesmo amostras do corpo das</p><p>vítimas e suspeitos, tudo isso preservando o material de forma a não prejudicar</p><p>as análises posteriores. Dessa forma, acompanhando a evolução de tais</p><p>análises, tornou-se necessário adaptar as documentações de maneira que</p><p>sejam adequadas para o ajudar no esclarecimento de uma investigação</p><p>A necessidade de precisão ao trabalhar com biologia forense torna o</p><p>profissional perito mais bem preparado para realizar a identificação de</p><p>vestígios biológicos, bem como utilizar equipamentos e reagentes adequados</p><p>para coleta, armazenamento e transporte destes (Velho, Costa e Damasceno,</p><p>2013).</p><p>Amostras biológicas provenientes de locais de crime estão sujeitas a</p><p>sofrer contaminação cruzada caso não se tome os devidos cuidados em relação</p><p>ao isolamento do local, manuseio, conservação e transporte.</p><p>Outros fatores que podem influenciar os resultados de exames da área de</p><p>biologia forense estão relacionados ao tempo de encaminhamento das</p><p>amostras até os laboratórios forenses; a identificação dos vestígios; o estado de</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>conservação das amostras e, também, no caso de ser um exame de DNA, o</p><p>encaminhamento posterior de amostras referências.</p><p>Amostras retiradas de locais de crime são denominadas “amostra</p><p>questionada”, normalmente são coletadas em pouca quantidade devido à</p><p>escassez do local de origem e, pode ainda conter mistura de material genético,</p><p>contaminação ou degradação. Amostras coletadas diretamente do suspeito ou</p><p>vítima são denominadas “amostra referência”, pois há certeza de quem aquela</p><p>amostra pertence e normalmente é possível obter em maior quantidade (Dias</p><p>Filho e Francez, 2017).</p><p>A fim de evitar custos desnecessários encaminhando materiais biológicos</p><p>possivelmente relacionados ao fato criminoso, existem alguns testes de</p><p>triagem, chamados testes de orientação que são passíveis de serem realizados</p><p>no próprio local e, somente após a confirmação de correlação com o</p><p>acontecimento, o vestígio é encaminhado a um laboratório específico para</p><p>outras análises.</p><p>HEMATOLOGIA FORENSE</p><p>A Hematologia Forense é uma importante subárea da Biologia Forense,</p><p>pois o sangue é um dos vestígios biológicos mais encontrados em locais de</p><p>crime. Tem como objetivo identificar, caracterizar e inferir manchas de sangue</p><p>provenientes do local de crime, visando também entender a dinâmica, os meios</p><p>e os modos de ocorrência do crime (Velho, Geiser e Espíndula, 2013).</p><p>O sangue é composto basicamente pelo plasma e outros tipos celulares.</p><p>O plasma é formado principalmente por água, que constitui a maior parte do</p><p>sangue e por sais. As células presentes no sangue são, entre outras, eritrócitos</p><p>(hemácias) e leucócitos (glóbulos brancos).</p><p>A hematologia forense é dividida em dois ramos, de acordo com o tipo</p><p>de informação que se busca:</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Hematologia Forense Identificadora</p><p>A hematologia forense identificadora visa, como o próprio nome diz,</p><p>identificar a possibilidade de uma mancha avermelhada ser ou não sangue</p><p>através de testes de orientação (ou presuntivos), ser ou não sangue humano,</p><p>através de testes de certeza (dependendo da espécie) ou também os</p><p>imunológicos, bem como prover informações sobre a tipagem sanguínea. Os</p><p>testes presuntivos são realizados normalmente no próprio local de coleta pois</p><p>sua verificação é rápida e precisa. Contudo há a possibilidade de resultado</p><p>falso-positivo, visto que existe a possibilidade de as substâncias do reagente</p><p>interagirem com outras substâncias de composto químico semelhante</p><p>(Fonseca et al, 2019).</p><p>Os testes de orientação comumente utilizados são os colorimétricos que</p><p>reagem de acordo com a presença de hemoglobina. Dentre eles, estão o teste</p><p>de Kastle-Meyer, que se baseia-se na oxidação da fenolftaleína, o Adler-</p><p>Ascarelli, que se baseia na oxidação da benzidina e o Verde malaquita.</p><p>Porém, deve-se levar em consideração a sensibilidade de cada teste do</p><p>tipo presuntivo, visto que apesar de um resultado negativo ser definitivo, há a</p><p>exceção de quando uma determinada amostra possui concentração hemática</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>inferior ao limite mínimo de detecção do teste. Dessa forma, mesmo em</p><p>resultados negativos, é necessário atenção especial aos limites de cada teste.</p><p>Em relação aos testes de certeza, existem dois tipos:</p><p>- Àqueles que formam cristais quando combinados ao grupo</p><p>heme da hemoglobina (Cristais de Teichman ou</p><p>de Takayama)</p><p>- Àqueles imunológicos, que são baseados na detecção do</p><p>antígeno ou anticorpo da amostra (Vacher-Sutton, que tem por princípio a</p><p>inibição da antiglobulina humana, inviável a realização no local da coleta, e o</p><p>Feca-cult, sendo este imunocromatográfico com impregnação de anticorpo</p><p>anti-hemoglobina humana.</p><p>A Hematologia Forense Identificadora também utiliza de reações de</p><p>luminescência, ou seja, o reagente luminescente reage com o grupo heme da</p><p>hemoglobina, resultando em uma luz visível a olho nu em ambiente escuro. É</p><p>utilizada nos casos em que há suspeita de manchas de sangue, porém este</p><p>encontra-se em estado latente (não são visualmente aparentes) ou em áreas</p><p>extensas. Os reagentes mais utilizados para esta técnica são Luminol ou</p><p>BlueStar, bem como as luzes forenses (Dias Filho e Francez, 2017).</p><p>O Luminol reage com íons de cobre, compostos de cobre, compostos de</p><p>ferro e íons de cobalto. Também reagem com Permanganato de Potássio,</p><p>alguns corantes e hipoclorito de sódio. Porém, ferricianeto, hipoclorito de sódio</p><p>(água sanitária) e peroxidases de plantas dão falsos positivos.</p><p>Alguns estudos demonstraram que a utilização de luminol é capaz de</p><p>provocar a perda de alguns marcadores genéticos, visto que por ser solúvel em</p><p>água, também pode diluir uma amostra. Dessa forma, o vestígio torna-se</p><p>improvável de ser utilizado em análises laboratoriais devido ao baixo limite de</p><p>detecção que este se encontrará.</p><p>Em relação às luzes forenses, estas emitem diferentes comprimentos de</p><p>onda e baseiam-se na percepção da cor e da fotoluminescência.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Hematologia Forense Reconstrutora</p><p>A Hematologia Forense Reconstrutora tem como foco a analise do padrão</p><p>de manchas de sangue encontradas em locais de crime no intuito de interpretá-</p><p>las e apontar hipóteses mais prováveis quanto à dinâmica da sua formação,</p><p>bem como objetos e/ou agentes causadores de tais perfis (Dias Filho e Francez,</p><p>2017).</p><p>São classificadas de acordo com o evento que dá origem:</p><p>Manchas de Formação Passiva: são formadas por ação da gravidade,</p><p>como por exemplo um gotejamento isolado ou sucessivo estático. No caso do</p><p>gotejamento sucessivo estático, após o acúmulo de algum volume ocorre a</p><p>formação de gotas menores chamadas gotas satélites.</p><p>Outra forma de mancha de formação passiva é o escorrimento, em que o</p><p>sangue flui em direção a porção mais baixa de uma superfície inclinada,</p><p>resultando em duas fases distintas de manchas, uma porção coagulada, que</p><p>caracteriza-se por ser avermelhada e gelatinosa, e outra porção sendo o plasma</p><p>sanguíneo, característico por ser mais aquoso e amarelado.</p><p>O empoçamento, ocorre quando o sangue é acumulado em uma</p><p>superfície plana é horizontal, de forma a deixar características diferentes de</p><p>acordo com o tipo de superfície encontrado, por exemplo no caso de uma</p><p>superfície plana e não porosa, permitindo a coagulação do sangue em duas</p><p>fases.</p><p>Já a saturação é caracterizada pela absorção do sangue por um</p><p>determinado objeto ou superfície poroso, como por exemplo em tecidos, mas</p><p>também em madeira rústica.</p><p>Manchas de Formação Ativa são formadas quando o resultado das</p><p>manchas possui um papel importante, mas não exclusivo, da ação da</p><p>gravidade. Tais manchas possuem, geralmente, um formador animado,</p><p>gerando manchas de aspecto dinâmico (Dias Filho e Francez, 2017).</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Estas podem ser classificadas em dois tipos.</p><p>• De transferência por contato, que é o resultado da interação por</p><p>pressão entre duas superfícies, sendo uma delas a impregnada com sangue e</p><p>responsável por transferir o material hemático para a outra, de forma a não</p><p>ocorrer um deslizamento entre elas, como por exemplo manchas de pegadas,</p><p>ou transferência por arrastamento, que são formadas quando um objeto</p><p>ensanguentado e em movimento entra em contato com outro, transferindo o</p><p>sangue entre eles formando um esfregaço.</p><p>• De projeção, que é quando estas são formadas por mecanismos que</p><p>projetam o sangue em uma superfície.</p><p>Estas podem ser:</p><p>• De baixa velocidade (MPBV) – sangue projetado a até 1,5m/s com</p><p>diâmetro maior que 3mm, resultado de gotejamento sucessivo dinâmico ou</p><p>espargimento arterial;</p><p>• De média velocidade (MPMV) – sangue projetado entre 1,5 e 10m/s</p><p>com diâmetro entre 3 e 1mm, resultado de restos ou desprendimento</p><p>centrípeto, dispersão de impacto ou espargimento expectorado;</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>• De alta velocidade (MPAV) - sangue projetado com velocidade de até</p><p>30m/s com diâmetro inferior a 1mm, resultado de um disparo de arma de fogo,</p><p>por exemplo.</p><p>As manchas de formação ativa também podem ser do tipo alteradas se</p><p>porventura sofrerem alguma ação secundária sobre a mancha preexistente,</p><p>como por exemplo limpeza, na tentativa de ocultar uma mancha de sangue;</p><p>silhueta, formada quando após o passar do tempo, o sangue seca, se</p><p>descolando da superfície de forma craquelada ou até mesmo alteradas por</p><p>insetos, visto que dípteros imaturos podem deixar linhas sinuosas.</p><p>A Hematologia Forense Reconstrutora visa ainda, estudar os padrões</p><p>formados por manchas de sangue, bem como os mecanismos que levaram às</p><p>suas formações. Dessa forma, utiliza-se da trigonometria para calcular o ângulo</p><p>de impacto de diferentes manchas, visto que existe uma relação entre o eixo</p><p>longitudinal da mancha (comprimento), o eixo transversal (largura) e o ângulo</p><p>de impacto propriamente dito, permitindo o cálculo da altura.</p><p>Toda mancha é dividida entre cabeça (porção elíptica) e calda (porção</p><p>com projeções agudas) e o sentido da trajetória da gota é da cabeça para a</p><p>cauda.</p><p>A determinação de altura é realizada por meio da equação descrita abaixo</p><p>e os eixos poderão ser visualizados por meio da ilustração abaixo:</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Eixos relacionados à análise técnica de manchas de sangue</p><p>Fonte: Adaptado de johnwoodcock, 2011.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Organograma do resumo da formação de manchas de sangue</p><p>CITOLOGIA (SOROLOGIA) FORENSE</p><p>Citologia ou Sorologia Forense é a área que que permite caracterizar a</p><p>presença ou ausência de um determinado tipo celular em uma amostra forense,</p><p>sendo particularmente útil na identificação de espermatozoides em caso de</p><p>violência sexual (Velho, Geiser e Espíndula, 2013).</p><p>O teste utilizado para a detecção de sêmen mais utilizado é o Antígeno</p><p>Prostático Específico (PSA) sendo este imunocromatográfico que detecta</p><p>qualitativamente o PSA no soro humano, substância produzida na glândula</p><p>prostática. A tira contém o anticorpo anti-psa e, se positiva para a amostra,</p><p>apresenta uma barra rosa.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Além disso, é importante saber que a presença de espermatozoides é</p><p>verificada através de lâminas histológicas coradas que podem ser visualizadas</p><p>em microscópios ópticos comum.</p><p>Algumas das limitações em relação à utilização de espermatozoides na</p><p>pesquisa consistem em azoospermia, Oligospermia (redução), vasectomia, uso</p><p>de preservativos, coleta inadequada, tempo transcorrido até o exame,</p><p>conservação inadequada, procedimentos da vítima e a técnica de coloração</p><p>empregada.</p><p>TRICOLOGIA FORENSE</p><p>É a vertente científica que estuda pelos humanos, pelos de outros animais</p><p>e fibras, e aplica esses conhecimentos tanto para a investigação, quanto para a</p><p>elucidação de crimes, através de técnicas e procedimentos científicos que</p><p>permitem a correta identificação, comparação ou diferenciação destes (Dias</p><p>Filho e Francez, 2017).</p><p>Os principais itens que a tricologia forense visa responder a fim de</p><p>contribuir com a investigação em questão são:</p><p>• Se pelo, é humano?</p><p>• Se pelo animal, de qual espécie?</p><p>• Se humano, trata-se de pelo ou cabelo?</p><p>• Se pelo, de qual parte do corpo?</p><p>• Comparar as características macroscópicas e microscópicas do pelo ou</p><p>cabelo em questão com amostras de referência coletadas da vítima e/ou do</p><p>suspeito.</p><p>• Obter um perfil genético do pelo ou cabelo examinado e comparar com</p><p>o DNA das amostras de referência.</p><p>• Comparar fibras para avaliar natureza, origem e compatibilidade.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Quando se trata da Tricologia Forense, pelos e cabelos são diferentes em</p><p>relação à estrutura, a saber:</p><p>- Cabelo: são fios mais longos e mais finos que, obrigatoriamente,</p><p>localizam-se na cabeça dos seres humanos.</p><p>- Pelo: são mais curtos, mais grossos e com características diversas.</p><p>Encontram-se espalhados pelo corpo humano e, em os organismos de outras</p><p>espécies animais, reveste o corpo. Sua estrutura morfológica poderá ser</p><p>visualizada na figura abaixo.</p><p>Fonte: Adaptado de Dias e Francez, 2017.</p><p>A análise microscópica dos pelos ou cabelos permite avaliar se a amostra</p><p>é pelo humano ou animal, se este foi arrancado ou cortado, se é um pelo ou</p><p>cabelo e de qual parte do corpo, bem como qual a idade da pessoa que</p><p>forneceu a amostra. Também é possível detectar se o pelo foi descolorido, se</p><p>a amostra questionada é compatível com a amostra referência do suspeito ou</p><p>vítima.</p><p>Ainda, através da biologia molecular é possível extrair o DNA do pelo ou</p><p>cabelo e realizar análises a fim de extrair informações úteis para a investigação</p><p>em questão.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>BOTÂNICA FORENSE</p><p>A Botânica Forense teve suas técnicas aprimoradas e aplicadas no ramo</p><p>forense em um momento mais atual. Trata-se do estudo de algas, briófitas,</p><p>pteridófitas, gimnospermas e angiospermas, organismos inteiros, partes deles</p><p>ou até mesmo órgãos, tendo como principais áreas a anatomia, fisiologia e</p><p>taxonomia vegetal, com a finalidade de auxílio na elucidação criminal (Velho,</p><p>Geiser e Espíndula, 2013).</p><p>No Brasil, o caso Mércia Nakashima tornou-se famoso, pois foi o primeiro</p><p>em que a Botânica Forense, através das algas, não foi acessória à resolução do</p><p>crime, mas sim fundamental.</p><p>Os principais casos em que a botânica forense participa são: tráfico de</p><p>drogas, transporte ilegal de árvores, envenenamento, deslocamento de vítimas</p><p>e suspeitos, afogamento e crimes ambientais.</p><p>As análises de amostras vegetais são realizadas em laboratórios</p><p>especializados em genética molecular, toxicologia e composição química das</p><p>plantas. Através dessas análises moleculares é possível identificar espécies de</p><p>plantas relacionadas a determinadas áreas geográficas, ou seja, uma espécie</p><p>de planta encontrada no local de crime pode só existir em um local específico.</p><p>Os vestígios vegetais que se encontram muito degradados não são</p><p>capazes de serem analisados pela sua morfologia e anatomia, necessitando de</p><p>uma análise a nível molecular.</p><p>As estruturas vegetais mais utilizadas para análises em botânica forense</p><p>são:</p><p>Folhas e sementes: pedaços de folhas encontradas na vítima ou no</p><p>suspeito permitem estimar quais lugares essas pessoas estiveram. Há plantas</p><p>de regiões específicas e o botânico pode identificá-las.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Raízes: o profissional botânico forense pode estimar o tempo em que o</p><p>corpo esteve enterrado por meio do estudo das raízes das árvores, já que estas</p><p>começam a se emaranhar nas extremidades da vítima.</p><p>Pólen: são encontradas principalmente no ouvido e nas narinas do</p><p>cadáver. E, devido a particularidade das plantas por região e ao fato que cada</p><p>espécie produz pólen em diferentes épocas do ano, a identificação de uma</p><p>combinação específica indica o tempo e o lugar do crime. Essa estrutura é</p><p>estudada pela área denominada palinologia.</p><p>Capim: a morfologia das plantas presentes embaixo do corpo da vítima</p><p>também pode indicar o tempo que o cadáver está naquele lugar. O botânico</p><p>pode analisar a perda de clorofila, a morte de alguns organismos vegetais no</p><p>local, entre outras características.</p><p>A Limnologia é uma subárea da botânica forense que tem por objetivo o</p><p>estudo das interações físico-químicas de diversos organismos em ambientes</p><p>de água doce, como por exemplo no caso de Mércia Nakashima, a presença</p><p>de diatomáceas foi fundamental para definir o diagnóstico de afogamento e,</p><p>ainda, indicar com precisão o local do incidente (Dias Filho e Francez, 2017).</p><p>Para realizar o trabalho de perícia ambiental, há uma regulamentação</p><p>pela Lei 9.605/98, que classifica os crimes ambientais em:</p><p>Seção I – Dos Crimes contra a Fauna;</p><p>Seção II – Dos Crimes contra a Flora;</p><p>Seção III – Da Poluição e outros Crimes Ambientais;</p><p>Seção IV – Dos Crimes contra o Ordenamento Urbano e o Patrimônio</p><p>Cultural;</p><p>Seção V – Dos Crimes contra a Administração Ambiental.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>ENTOMOLOGIA FORENSE</p><p>Integrada a área de Biologia Forense está a subárea Entomologia Forense.</p><p>Esta subárea objetiva a aplicação de informações sobre à ecologia dos</p><p>invertebrados com o intuito de responder as hipóteses levantadas em</p><p>investigações criminais (Velho, Geiser e Espíndula, 2013).</p><p>A presença dos invertebrados em um local de investigação pode informar:</p><p>- Por quanto tempo o corpo do indivíduo que sofreu o crime está morto;</p><p>- A presença de algum animal que manipulou o cadáver;</p><p>- Dados sobre entomotoxicologia;</p><p>- Como um ambiente está em desuso ou sem nenhum cuidado higiênico,</p><p>a partir da presença em grande quantidade dos insetos;</p><p>- As assolações provocadas por invertebrados em armazenamentos de</p><p>produtos.</p><p>A Entomologia Forense é dividida em quatro principais áreas (Botteon,</p><p>2016):</p><p>A Entomologia Forense Urbana: está relacionada a ações cíveis em que os</p><p>insetos estão deteriorando imóveis ou estruturas. A presença de quantidades</p><p>exageradas destes animais afeta diretamente a saúde humana também. Em</p><p>geral, estão no ambiente urbano das grandes cidades, denominados insetos</p><p>sinantrópicos, como por exemplo cupins e baratas (Ordem - Blattodea),</p><p>percevejos (Ordem - Hemiptera). Logo, são necessários os dados informativos</p><p>sobre quais são os insetos contaminantes do local, o tempo de infestação</p><p>desses animais em algum estabelecimento ou espaço estrutural urbano, para a</p><p>abordagem inicial de um relatório de análise cível.</p><p>A Entomologia Forense de Produtos Armazenados: esta área está</p><p>associada a contaminação em pequena ou larga escala de espécies</p><p>de insetos</p><p>em produtos armazenados e tem objetivos em comum com a Entomologia</p><p>Forense Urbana. Logo, a avaliação pericial se dá por análise dos invertebrados</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>conforme deposição de ovos, os estágios larval e adulto no ambiente em que</p><p>o animal está inserido. As Ordens Coleoptera e Lepidoptera são as principais</p><p>classificações de insetos com mais número de espécies que ocupam os locais</p><p>de crime:</p><p>• Coleoptera: as populares e variadas espécies de besouros integrantes</p><p>da superfamília Bostrichidae. As espécies de besouros mais comuns estão</p><p>inseridas nos gêneros Tribolium e Tenebrio - família Tenebrionidae; gênero</p><p>Lasioderma - família Ptinidae (Anobiidae) e gênero Sitophilus - família</p><p>Curculionidae. Estes besouros atacam produtos alimentícios como arroz, milho</p><p>e outros tipos de grãos.</p><p>• Lepidoptera: é a ordem das traças inseridas nos gêneros Ephestia</p><p>(Anagasta) - família Crambidae e Plodia - família Pyralidae.</p><p>Espécies de Coleoptera e Lepidoptera. (A) Besouro - família Bostrichidae.</p><p>(B) Tribolium - família Tenebrionida. (C) Plodia - família Pyralidae. (D) Ephestia</p><p>(Anagasta) - família Crambidae.</p><p>Fonte: Adaptado de Rafael et al. 2012.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>A Entomologia Forense Médico-Legal: objetiva compreender os casos de</p><p>morte violenta, crimes contra a pessoa, acidentes em massa e genocídios. A</p><p>principal contribuição da Entomologia nesse caso, é a estimativa do Intervalo</p><p>Pós Morte (IPM) descrito com maiores detalhes nos tópicos 6.3 e 6.4.</p><p>A Entomologia Forense Ambiental: tem como objetivo identificar crimes</p><p>contra o meio ambiente. Os dados entomológicos podem auxiliar na</p><p>identificação de alterações ambientais modificadas pela ação humana, crimes</p><p>contra a fauna, flora e poluição. A importância da presença dos insetos na área</p><p>de crime ambiental, permite a constatação de substâncias contaminantes e</p><p>tóxicas, como metais pesados, por meio da análise fisiológica dos insetos no</p><p>local (Dias Filho e Palanch, 2013).</p><p>Classificação e morfologia geral dos insetos</p><p>Os insetos pertencem, ao filo Arthropoda, classe Insecta (em latim,</p><p>Insectum = animal de corpo segmentado) (Botteon, 2016).</p><p>Características principais do filo:</p><p>• Apêndices pareados e articulados;</p><p>• Corpo segmentado (metamerizado) em unidades funcionais (tagmas),</p><p>com exoesqueleto quitinoso (composto por polissacarídeo);</p><p>• Capacidade de realizar troca de exoesqueleto periodicamente (muda),</p><p>em processo denominado ecdise (o exoesqueleto novo denomina-se exúvia);</p><p>• Corpo dividido em cabeça, tórax e abdômen, simetria bilateral, um par</p><p>de antenas na cabeça, tórax apresentando três pares de pernas (totalizando 6</p><p>pernas) e, geralmente dois pares de asas (há exceções).</p><p>Os insetos comumente encontrados em locais de crimes estão presentes</p><p>nas principais classes dos artrópodes. As respectivas características</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>morfológicas e alguns membros das principais classes dos artrópodes estão</p><p>descritas na tabela abaixo:</p><p>Características morfológicas de alguns membros dos Artropodes</p><p>Para a entomologia forense a morfologia do inseto é de grande</p><p>importância de análise técnico pericial. Portanto é imprescindível observar</p><p>minuciosamente as seguintes partes:</p><p>Cabeça: é segmentada e possui órgãos sensoriais, como a presença dos</p><p>olhos compostos - omatídeos, ocelos (percepção de luz); as antenas e o</p><p>aparelho bucal.</p><p>Antena: está presente na cabeça, é articulada, segmentada em escapo,</p><p>pedicelo e flagelo. Apresenta inúmeros antenômeros. A caracterização da</p><p>antena pode ser empregada em identificação de grupos de insetos e espécies.</p><p>Aparelho bucal: os aparelhos bucais dos insetos são especializados de</p><p>acordo com seu hábito alimentar. Por exemplo, pode ser do tipo mastigador,</p><p>presente em besouros, predadores em geral, larvas de alguns grupos de</p><p>insetos, baratas, formiga e nos insetos da ordem Orthoptera (ordem dos grilos,</p><p>gafanhotos e esperanças). Ou do tipo ausente ou atrofiado, presentes em</p><p>adultos de espécies da ordem Ephemeroptera, os quais vivem um curto</p><p>período de vida; adulto da mosca-do-berne (Dermatobia hominis).</p><p>Tórax: região do corpo (tagma) situado entre a cabeça e o abdômen,</p><p>apresentando função locomotora, com presença de pernas e asas.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Pernas: são apêndices locomotores que apresentam os seguintes</p><p>segmentos: coxa, trocanter, fêmur, tíbia e tarso (tarsômeros) e pós-tarso,</p><p>podendo ainda apresentar alguma estrutura especializada.</p><p>Asas: em geral, os insetos apresentam 2 pares de asas (4 asas), sendo o</p><p>primeiro par de asas (anterior), situado no mesotórax, e o par posterior, inserido</p><p>no metatórax (meso + metatórax = pterotórax). Há insetos mais primitivos que</p><p>são ápteros, ou seja, não apresentam asas, como, por exemplo, as traças-de-</p><p>livro (ordem Zygentoma, antigo Thysanura).</p><p>Abdômen: é a parte do corpo do inseto onde contêm as vísceras, maioria</p><p>dos espiráculos (orifício das traqueias para a troca gasosa) presentes em pares</p><p>nas regiões da pleura de cada metâmero, e responsável pela reprodução</p><p>(presença de genitais e do sistema reprodutivo).</p><p>Morfologia básica de inseto – exemplo: estrutura de gafanhoto</p><p>(Orphulella punctata).</p><p>Fonte: Adaptado de Rafael et al., 2012.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Principais insetos de importância Forense</p><p>As Dípteras são as espécies mais rápidas a colonizar o cadáver e tem a</p><p>maior importância neste contexto forense. Elas realizam a oviposição em</p><p>regiões corpóreas lesionadas, machucadas, necrosadas e assim podem indicar</p><p>a presença de ferimentos do corpo que sofreu o crime. Algumas espécies de</p><p>dípteras podem aparecer em estados mais avançados da putrefação do corpo</p><p>do cadáver. As principais famílias e características das Dipteras mais</p><p>importantes envolvidas nas análises de entomologia forense são:</p><p>Calliphoridae: Moscas varejeiras, apresentando coloração esverdeada,</p><p>azul ou cobre metalizado, de médio a grande porte. As espécies são: Lucilia</p><p>eximia, Lucilia sericata, Hemilucilia segmentaria, Cochliomya macellaria,</p><p>Calliphora vomitoria, Calliphora vicina.</p><p>Muscidae: moscas mais vistas (Musca doméstica). Estas moscas podem</p><p>apresentar médio a grande porte, de coloração geralmente preta ou</p><p>acizentada, mas variando até coloração metálica. Exemplo: Ophyra aenescens.</p><p>Sarcophagidae: Moscas que apresentam faixas pretas longitudinais no</p><p>dorso. As Sarcophagidae fêmeas colocam primeiramente as larvas necrófagas</p><p>ao invés dos ovos. Exemplo: Sarcophaga spp., Peckia spp., Microcerella spp.</p><p>Phoridae: moscas de tamanho pequeno a médio porte que podem ser</p><p>confundidas com as drosophilas. Os forídeos são aquelas mosquinhas que</p><p>andam de forma bem ágil e são “corcundas”. Família de difícil identificação</p><p>taxonômica de espécie. Exemplo: Megaselia scalaris. Os forídeos são</p><p>importantes, pois podem entrar em caixões no subsolo (“mosca dos caixões”),</p><p>e outros locais de difícil acesso, como ambientes fechados, porta-malas de</p><p>veículos e cadáveres dentro de sacos fechados.</p><p>Stratiomydae:</p><p>moscas que vem ganhando destaque em pesquisas e</p><p>resoluções de casos. A espécie Hermetia illucens, também conhecida como</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>mosca soldada negra (“black soldier fly”) é a principal representante associada</p><p>a cadáveres e à matéria orgânica em decomposição. São moscas de coloração</p><p>preta, de médio a grande porte, com aparência de uma vespa. As larvas se</p><p>desenvolvem em fezes, em lixos e matéria orgânica em decomposição.</p><p>Espécies de moscas das principais famílias Dipteras. (A) Lucilia eximia. (B)</p><p>Ophyra aenescens. (C) Sarcophaga spp. (D) Megaselia scalaris. (E) Hermetia</p><p>illucens. (F) Larva do gênero Lucilia</p><p>Fonte: Marejón, Consolo, Lewallen, Siamesepuppy e Harding, 2020.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Os besouros (Coleoptera) também são de extrema importância para</p><p>estudos entomológicos, uma vez que infestam a carcaça ao longo das fases de</p><p>putrefação (Costa, 2018). Esta é a maior ordem de insetos, com cerca de 350</p><p>mil espécies descritas, presentes nos mais variados ambientes e com hábitos</p><p>alimentares diversos. Mais de 28 mil espécies de besouros já foram descritas</p><p>no Brasil. Os besouros necrófagos ocorrem no nível mais avançado da</p><p>putrefação do morto. As famílias mais importantes de interesse forense são:</p><p>Dermestidae: família de extrema importância na área, “limpam” a carne</p><p>dos ossos e de articulações dos corpos esqueletizados. Tanto os adultos</p><p>quanto as larvas se alimentam de cadáveres. Museus e laboratórios fazem</p><p>criação destes insetos para a limpeza de ossos de material de origem animal.</p><p>Ex: Dermestes maculatus é a espécie mais conhecida e estudada (capa do livro</p><p>“Insetos Peritos”, organizado pela Dra. Janyra OliveiraCosta).</p><p>Cleridae: gênero Necrobia, espécie N. rufipes é mais conhecida da</p><p>família, de hábito necrófago, coloração verde metálico, aparecendo</p><p>geralmente sobre cadáveres secos. A maioria das espécies desta família é</p><p>predadora de larvas de dípteras e de outros coleópteras.</p><p>Scarabaeidae: são besouros bastante biodiversos de hábitos variados.</p><p>Apresentam as antenas curtas lamelada. São conhecidos como escaravelhos e</p><p>“rola-bostas”, pelo comportamento de espécies coprófagas de enrolarem fezes</p><p>para se alimentar. Algumas espécies podem ser encontradas associadas a</p><p>corpos em decomposição, com hábitos necrófago e coprófago.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Espécies de moscas das principais famílias de Coleopteras. (A) Dermestes</p><p>maculatus. (B) N. rufipes. (C) Scarabaeidae. (D) Larva de Scarabaeidae.</p><p>Fonte: Schmidt e Chapman, 2020.</p><p>As Larvas das espécies acima citadas também são utilizadas realizar o</p><p>intervalo pós morte (IPM). Entretanto, a identificação da espécie através da larva</p><p>pode ser uma tarefa complicada, e, na maioria das vezes, o entomologista</p><p>forense espera a maturidade larval até o seu estágio adulto para identificação</p><p>taxonômica conclusiva. Estas são vermes de cor bege apresentando segmento</p><p>pseudocefálico; presença de esqueleto cefalofaringeano; e ausência de</p><p>pernas.</p><p>Aplicabilidade da Entomologia Forense</p><p>A entomofauna cadavérica apresenta diversas aplicações, que podem</p><p>explicar inúmeras questões de interesse policial e judicial. Por exemplo, os</p><p>insetos são utilizados principalmente na estimativa de tempo de intervalo pós-</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>morte (IPM), a qual estudaremos em outro tópico. Segundo Velho, Geiser e</p><p>Espíndula (2013) outras aplicações que os vestígios entomológicos podem</p><p>apresentar são:</p><p>a) Casos de negligência e maus-tratos: os insetos aparecem em</p><p>ferimentos, fezes e urina existentes nas fraldas de uma criança ou idoso, por</p><p>exemplo. A constatação de larvas e todo seu ciclo de vida evidencia o período</p><p>mínimo pelo qual a vítima vem sofrendo sem higienização adequada e maus-</p><p>tratos. Quando o tempo de morte estimado pelos insetos encontrados não</p><p>corresponde aos outros fenômenos cadavéricos (sendo maior do que a data</p><p>da morte, no caso), é possível suspeitar da ocorrência de negligência e que a</p><p>vítima se encontrava desprovida de cuidados básicos. O mesmo princípio se</p><p>aplica aos animais em crimes contra a fauna (crimes ambientais).</p><p>b) Deslocamento do corpo: a comparação entre a diversidade da</p><p>entomofauna presente em um corpo e daquela observada na região</p><p>geográfica onde o cadáver se encontra pode fornecer elementos importantes</p><p>sobre a movimentação do corpo. O endemismo (distribuição geográfica da</p><p>espécie de inseto) da composição entomofauna de uma região pode indicar</p><p>se um corpo foi deslocado de um local para o outro, até mesmo da zona urbana</p><p>para a zona rural (ou vice-versa), ao se identificar as espécies de insetos e os</p><p>seus respectivos hábitos e habitats. A presença de alguma fase do ciclo</p><p>biológico de determinada espécie de inseto no criminoso, em sua residência,</p><p>veículo, pode também vinculá-lo ao local de crime.</p><p>c) Identificação da vítima e do criminoso: é possível realizar a</p><p>identificação da vítima a partir do levantamento de perfil genético</p><p>(genotipagem de DNA) humano extraído do conteúdo gástrico das larvas de</p><p>insetos necrófagos que estavam (ou estão) se alimentando de seus tecidos sem</p><p>vida.</p><p>Pelo mesmo princípio, em casos de estupro ou de outro crime correlato</p><p>contra a dignidade sexual, é possível identificar a autoria do crime pelo</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>levantamento do perfil genético do suspeito, a partir das larvas que se</p><p>alimentaram do sêmen ou por outro vestígio biológico.</p><p>O perfil genético humano também pode ser levantado em mosquitos</p><p>hematófagos presentes em locais de crimes. O mosquito, ao sugar o sangue</p><p>de uma pessoa, carrega consigo o seu DNA. Tal aplicação pode apresentar</p><p>potencial em casos de sequestro, por exemplo, o qual a vítima fica com um</p><p>agressor (sequestrador) por período indefinido em locais geralmente fechados</p><p>e isolados, assim como em casos de cárcere privado. Portanto, por meio da</p><p>caracterização de material genético humano encontrado em trato digestivo de</p><p>artrópodes hematófagos e necrófagos, apresenta potencial de aplicação</p><p>forense.</p><p>d) Lesões post mortem: os insetos necrófagos provocam lesões no</p><p>cadáver que pode confundir com as lesões causadas quando em vida (com</p><p>relação com o fato) e a determinação da causa-mortis, induzindo o perito a</p><p>realizar interpretações equivocadas. Por isso, é de suma importância interpretar</p><p>corretamente as lesões para uma adequada diagnose diferencial. Em exemplo</p><p>de caso, o ácido fórmico de formigas que se alimentavam de um cadáver já foi</p><p>confundido com a ação do ácido sulfúrico, direcionando os trabalhos de forma</p><p>equivocada. Além disso, os insetos necrófagos podem mascarar a presença de</p><p>lesões; assim como sinais de identificação, como tatuagens, marcas e cicatrizes,</p><p>atrapalhando a identificação da vítima.</p><p>A Entomotoxicologia é uma subárea da Entomologia Forense que estuda</p><p>a aplicação de insetos necrófagos na análise toxicológica, buscando identificar</p><p>e quantificar determinadas substâncias químicas presentes em determinado</p><p>tecido da vítima. Em cadáveres em avançado estado de putrefação,</p><p>amostras</p><p>do corpo podem se tornar inviáveis para a pesquisa toxicológica, e os insetos</p><p>que se alimentam da carcaça tornam-se importantes neste contexto, uma vez</p><p>que introduzem drogas e toxinas em seu metabolismo que foram ingeridas</p><p>pelo indivíduo quando em vida (Botteon, 2016).</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>A identificação de contaminantes do meio ambiente em crimes</p><p>ambientais também é possível de ser efetuada a partir do corpo dos insetos</p><p>presentes na área de interesse pericial. Outra aplicação interessante seria o</p><p>levantamento de resíduos de tiro (partículas do elemento chumbo, por</p><p>exemplo) a partir de larvas necrófagas que se alimentaram de ferimento de</p><p>entrada provocada por projétil de arma de fogo (PAF) no cadáver.</p><p>Além disso, a entomotoxicologia mostra as diferentes substâncias</p><p>químicas no desenvolvimento (ciclo de vida) dos insetos, as quais podem</p><p>acelerar ou retardar seu ciclo biológico, influenciando a precisão da estimativa</p><p>do intervalo pós-morte (IPM) a partir de dados entomológicos.</p><p>Estimativa de Intervalo Pós Mortem (IPM)</p><p>Para se estimar o intervalo pós-mortem (IPM) com maior precisão é</p><p>necessária a identificação da espécie do inseto e da fase de desenvolvimento</p><p>em que ele foi coletado. O IPM é estimado por meio do tempo em que o inseto</p><p>desenvolveu seus estágios de ovo, larva, pupa e fase adulta (se faz necessária a</p><p>criação destes até a fase adulta em caso de coleta em etapas anteriores) (Dias</p><p>Filho e Francez, 2017).</p><p>Biotanatologia é como também pode ser chamado o estudo da morte</p><p>associada aos artrópodes presentes no corpo pós morte. A estimativa do IPM a</p><p>partir de dados entomológicos pode ser mais preciso do que a estimativa</p><p>baseada pelos métodos tradicionais, focados nos fenômenos cadavéricos,</p><p>principalmente quando transcorrido um determinado tempo do fenômeno</p><p>putrefativo. Basicamente, referida estimativa apresenta dois métodos</p><p>principais: o IPM mínimo e o máximo.</p><p>Durante a fase inicial da putrefação, o cálculo pode ser realizado</p><p>principalmente a partir da idade das larvas de moscas mais antigas. Portanto, a</p><p>idade dos imaturos irá nos fornecer o IPM mínimo (IPMmín). Já o IPM máximo</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>(IPMmáx) é medido pelos estágios de amadurecimento dos insetos</p><p>colonizadores da carcaça em diferentes períodos ao longo do processo de</p><p>decomposição.</p><p>O IPMmín pode ser estimado pelo cálculo de graus-dia acumulados</p><p>(GDA) ou pelo período de atividade do inseto (PAI) sobre o cadáver. O método</p><p>de estimativa do IPM pelo GDA é comum cobrado nos concursos, sendo que</p><p>o candidato precisa calcular o GDA ou duração do desenvolvimento do inseto.</p><p>Na prática, tal método é mais aplicado nos países do Hemisfério Norte (clima</p><p>temperado), por causa da menor variação de temperatura. Já o método do PAI</p><p>realiza um estudo do ciclo de vida da espécie do inseto e dos fatores</p><p>ambientais que influenciam diretamente cada estágio do desenvolvimento,</p><p>sendo mais adequado nos países tropicais com grandes variações de umidade</p><p>e temperatura.</p><p>O GDA é uma constante térmica que corresponde à energia térmica</p><p>efetivamente utilizada diariamente para estimular o desenvolvimento do inseto</p><p>até completar o seu ciclo biológico. O GHA seria graus-hora acumulado. A</p><p>fórmula do GDA é calculada da seguinte forma: GDA=D.(Tmédia–Tb). Se o</p><p>período de desenvolvimento estivesse em horas (GHA), precisaria dividir o</p><p>valor por 24 para transformar na unidade de dias.</p><p>D é a duração do desenvolvimento do inseto – ovo ao indivíduo adulto -</p><p>lembrando que as moscas (da ordem Diptera) e os besouros (Coleoptera) são</p><p>insetos holometábolos, apresentando as fases de ovo, larva, pupa e adulto. T é</p><p>a temperatura média do meio ambiente onde a larva foi coletada; e Tb é a</p><p>temperatura base (limite térmico inferior de desenvolvimento), consistindo na</p><p>temperatura mínima a qual o inseto ainda consegue se desenvolver.</p><p>A temperatura é um dos fatores abióticos mais importantes para o</p><p>desenvolvimento e o comportamento dos insetos, os quais apresentam um</p><p>requisito térmico próprio para seu ciclo biológico. Os estudos de exigências</p><p>térmicas pela constante térmica (K), a qual é expressa em graus-dias, iniciaram</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>no campo da entomologia agrícola para previsão de crescimento populacional</p><p>e de ocorrência de pragas e inimigos naturais no campo e em criação no</p><p>laboratório, a partir de inferências sobre a duração das fases de</p><p>desenvolvimento em função da temperatura acumulada, a partir de um limiar</p><p>térmico inferior (temperatura base - Tb). Os insetos, de forma geral, apresentam</p><p>uma faixa ótima de temperatura para o seu desenvolvimento. Temperaturas</p><p>muito baixas tendem a retardar o metabolismo do inseto, e temperaturas altas</p><p>tendem a acelerar o desenvolvimento, até um ponto que pode passar a ser</p><p>prejudicial à vida do inseto.</p><p>A estimativa de IPM pode ser calculada a partir da expressão representada</p><p>abaixo.</p><p>As fases do inseto até o mesmo se tornar mosca são ovo, larva, pupa e</p><p>fase adulta, conforme ilustrado na figura abaixo.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Ciclo de vida do inseto</p><p>Fonte: Adaptado de Grassberger e Frank, 2013.</p><p>A oviposição por espécies de moscas pode ocorrer logo após a morte ou</p><p>exposição de um cadáver. Conhecendo a espécie, sabendo o estágio de</p><p>desenvolvimento do inseto e a temperatura ambiental pode-se calcular o</p><p>tempo da morte de um indivíduo até o seu encontro ou exame pericial. Este</p><p>período é denominado de intervalo pós-morte ou pela sigla popularmente</p><p>conhecida IPM.</p><p>A identificação das larvas poderá ser feita pela boca ou espiráculos</p><p>posteriores (parte traseira) e a das moscas pelo habito ou local (urbano,</p><p>suburbano ou rural).</p><p>As principais famílias de moscas que colaboram com a decomposição do</p><p>cadáver são: Calliphoridae, Sarcophagidae, Muscidae e Stratiomydae.</p><p>A Ordem Coleóptera, que são aquelas dos insetos do tipo besouros,</p><p>chegam ao cadáver nas fases intermediárias e finais da decomposição</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>cadavérica, são ótimos indicadores de tempo de morte. As principais famílias</p><p>de besouros envolvidas na decomposição do cadáver são: Scarabeidae,</p><p>Dermestidae, Carabidae, Cleridae e Silphidae.</p><p>É importante ressaltar que há a possibilidade de que o tempo de</p><p>desenvolvimento de uma espécie possa diferir nas diferentes regiões do</p><p>mundo e a constante térmica das espécies variar, de acordo com a limiar de</p><p>temperatura máxima e mínima para seu desenvolvimento.</p><p>GENÉTICA FORENSE</p><p>A genética forense é a área que se dedica a empregar conhecimento de</p><p>biologia molecular a fim de:</p><p>• Identificar suspeitos em casos de violência sexual (estupros, atos</p><p>libidinosos);</p><p>• Identificar cadáveres carbonizados ou em decomposição;</p><p>• Identificar corpos mutilados;</p><p>• Identificar peças ósseas e órgãos humanos;</p><p>• Auxiliar em investigações de parentescos;</p><p>• Realizar a identificação de evidências biológicas presentes em locais de</p><p>crimes ou apenas obtenção de perfil genético em manchas de sangue,</p><p>manchas de esperma,</p><p>manchas de saliva, pelos e outros.</p><p>Para atingir tais objetivos, são realizadas análises do DNA que está</p><p>presente em todas as células de um indivíduo e possui toda a informação</p><p>genética humana. O DNA pode ser nuclear ou mitocondrial (Dias Filho e</p><p>Francez, 2017).</p><p>O DNA é uma molécula bastante estável e pode se conservar durante</p><p>muitos anos, permitindo uma análise íntegra e capaz de fornecer um perfil</p><p>genético de qualidade para a elucidação de questões de interesse forense.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Neste contexto, a adequada coleta, acondicionamento e todo o manejo das</p><p>amostras de vestígios biológicos são fundamentais para a conservação e não</p><p>contaminação do material genético a ser analisado. Além disso, deve-se levar</p><p>em consideração a qualidade das amostras para as análises, que depende da</p><p>natureza e da conservação do vestígio biológico (Dias Filho et al, 2019).</p><p>As amostras de DNA podem ser degradadas por fatores bióticos, como</p><p>enzimas produzidas por microorganismos (fungos e bactérias), e também</p><p>devido a de fatores abióticos (ambientais), principalmente por causa de</p><p>elevada temperatura, luz direta (solar e UV) e umidade (favorece a proliferação</p><p>de micro-organismos) que podem prejudicar o levantamento de material</p><p>genético e inviabilizar os exames periciais.</p><p>Além da degradação das amostras, o perito criminal precisa se preocupar</p><p>com a contaminação do DNA, tanto no local de crime quanto no laboratório</p><p>forense. A conservação das amostras começa desde a preservação de local de</p><p>crime, onde todo cuidado deve ser tomado visando minimizar possíveis</p><p>interferências que podem alterar o estado dos objetos e vestígios. O perito</p><p>deve sempre seguir os procedimentos operacionais padrões (POP), utilizar</p><p>luvas descartáveis estéreis e outros equipamentos de proteção individual (EPI),</p><p>materiais de coleta estéreis, individualização dos vestígios coletados e</p><p>acondicionamento de forma correta de acordo com cada amostra biológica,</p><p>dentre outros procedimentos adequados, a fim de evitar a contaminação das</p><p>amostras diretamente ou indiretamente por meio de contaminação cruzada.</p><p>Tanto a degradação quanto a contaminação das amostras afetarão a obtenção</p><p>de resultados confiáveis e de qualidade, além de descaracterizar a cadeia de</p><p>custódia, que trata do manuseio e garantia de integridade de todos os</p><p>materiais coletados, bem como a documentação referente ao rastreamento das</p><p>amostras (Velho, Geiser e Espíndula, 2013).</p><p>O DNA Nuclear é constituído por dois filamentos longos unidos em forma</p><p>de espiral (dupla-hélice). Cada filamento é composto por bases nitrogenadas</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>(Adenina, Citosina, Guanina, Timina) ligadas entre si por pontes de hidrogênio,</p><p>um grupamento fosfato e uma pentose. Uma fita é sempre complementar à</p><p>outra, conforme ilustrado na figura abaixo.</p><p>Fonte: Adaptado de Brasil escola, 2019.</p><p>O genoma humano apresenta 3 bilhões de pares de bases que</p><p>representam 100.000 genes localizados em pontos específicos (locus) dos</p><p>cromossomos. Uma determinada sequência de nucleotídeos distintos é</p><p>denominada gene e estes são responsáveis pelas características genotípicas e</p><p>fenotípicas (Dias Filho et al, 2019).</p><p>Quando o DNA está altamente condensado, ele fica na forma de</p><p>cromossomo, e estão localizados no núcleo das células e possuem 22 pares</p><p>autossômicos e um par sexual (herdados), conforme demonstrado na figura 24.</p><p>Os cromossomos homólogos são pares de cromossomos semelhantes e que</p><p>carregam a mesma informação genética. O lócus dos genes em cada</p><p>cromossomo homólogo é o mesmo e estão envolvidos na determinação de um</p><p>mesmo caráter. Podem ser dominantes (AA, Aa) ou recessivos (aa).</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Porém, alguns cromossomos podem apresentar os chamados</p><p>polimorfismos. Estes surgem devido à mutação de bases nitrogenadas e geram</p><p>variações na sequência de DNA. São responsáveis pela diversidade humana e</p><p>podem atuar como marcadores genéticos.</p><p>Os tipos de polimorfismos são (Butler, 2009):</p><p>Polimorfismos de minissatélites - Repetição em Tandem de Número</p><p>Variável (VNTR): são sequências específicas de diferentes tamanhos repetidas</p><p>lado a lado (em tandem) em diferentes regiões do genoma (figura 25), exibem</p><p>grande variabilidade e possuem 10 a 100 pares de base. Apresentam grande</p><p>poder de discriminação, porém, para realizar a análise são necessárias amostras</p><p>biológicas com DNA íntegro e em grande quantidade, o que não é comum em</p><p>cenários forenses.</p><p>Repetição em Tandem de Número Variável (VNTR)</p><p>Fonte: Adaptado de Biology Arizona, 2019</p><p>A metodologia utilizada para detectar este tipo de polimorfismo é</p><p>conhecida como RFLP (“Restriction Fragment Length Polymorphism”). Consiste</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>em enzimas de restrição que clivam o DNA em sequências específicas da</p><p>cadeia.</p><p>Polimorfismos de microssatélites - Short Tandem Repeat (STR): são</p><p>sequências curtas repetidas lado a lado (em tandem), conforme ilustrado na</p><p>figura 26. Possuem 2 a 10 pares de base, encontram-se espalhados pelo</p><p>genoma, ocorrem uma vez a cada 10.000 nucleotídeos. O número de</p><p>repetições observado nos alelos é bastante variável entre os indivíduos. São</p><p>facilmente amplificados por meio de PCR (Polymerase Chain Reaction),</p><p>gerando múltiplas cópias da sequência de interesse. A análise dos fragmentos</p><p>é realizada por meio de eletroforese capilar onde é possível também</p><p>determinar o sexo do indivíduo doador da amostra biológica.</p><p>Short Tandem Repeat (STR)</p><p>Fonte: Adaptado de Bioninja, 2019.</p><p>Os marcadores do tipo STRs ainda podem ser específicos para</p><p>cromossomo Y. O Cromossomo Y representa 2% do genoma total com 60</p><p>milhões de pares de bases, apresentam haplótipos transmitidos de pai para</p><p>filho, devido à ausência de regiões homólogas no cromossomo X. São capazes</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>de realizar o rastreamento de linhagem paterna, delitos sexuais e separação de</p><p>misturas, porém não são utilizados para individualização.</p><p>A padronização do uso dos marcadores do tipo STRs para identificação</p><p>humana foi realizada pelo FBI onde determinou-se o mínimo de 20 marcadores</p><p>moleculares para se obter um perfil genético individual.</p><p>Outro tipo de polimorfismo, são os Polimorfismos de Nucleotídeo Único</p><p>(SNPs), são as variações genéticas mais comuns no genoma humano e ocorrem</p><p>uma vez a cada 1.000 bases. Consistem em uma variação de um único</p><p>nucleotídeo em um determinado ponto do DNA e são capazes de recuperar</p><p>informações de DNA de amostras degradadas. São mais eficientes que STRs</p><p>devido ao seu tamanho reduzido.</p><p>Polimorfismos de Nucleotídeo Único (SNPs)</p><p>Fonte: Adaptado de Nutrigenômica, 2019.</p><p>Podem ocorrer tanto em regiões não-codificantes quanto em genes</p><p>codificadores de proteínas.</p><p>Podem ser analisados por diversas técnicas de tipagem PCR e</p><p>sequenciamento, SNaPshot (minisequenciamento) e Ensaio TaqMan. Além</p><p>disso, permitem a predição fenotípica, técnica que vem ganhando cada vez</p><p>mais espaço na Biologia Forense (Dias filho e Francez, 2017).</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>São bi-alélicos (dois alelos são possíveis). Podem apresentar o alelo</p><p>ancestral ou o mutado (tanto homozigoto como heterozigoto). Necessita da</p><p>análise de uma maior quantidade de SNPs para obter um bom nível de</p><p>discriminação para definir um perfil único.</p><p>Os marcadores estão divididos em quatro categorias diferentes:</p><p>• Auxiliam na identificação;</p><p>• Linhagem;</p><p>• Ancestralidade;</p><p>• Fenótipo.</p><p>Além disso, temos também o DNA mitocondrial (mtDNA), presente na</p><p>mitocôndria. A técnica foi desenvolvida para recuperar padrões genéticos de</p><p>ossos, cabelos e dentes, pois é mais resistente à degradação quando</p><p>comparado ao DNA nuclear devido à maior quantidade de moléculas de</p><p>mtDNA por célula, bem como devido ao seu formato circular. É utilizada</p><p>quando a amostra possui pouco ou não possui DNA nuclear.</p><p>Não permite a individualização, pois todos os indivíduos da linhagem</p><p>materna possuem o mesmo mtDNA, porém, possibilita estabelecer vínculos</p><p>genéticos distantes. As regiões polimórficas são amplificadas por PCR e</p><p>posteriormente analisadas por sequenciamento. Esta molécula representa 1 a</p><p>2% do DNA celular (16.569 pb), em dupla fita circular, com 37 genes.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Dna mitocondrial (mtDNA)</p><p>Fonte: Adaptado de Butler, 2009.</p><p>Os procedimentos mais comuns realizados em laboratórios de genética</p><p>forense, de acordo com Dias Filhos e colaboradores (2019), são:</p><p>Extração de DNA – o protocolo irá variar de acordo com a fonte biológica.</p><p>Porém sempre parte do princípio da ruptura química das membranas celulares.</p><p>Para a separação do DNA utilizando solvente e precipitação em álcool. O</p><p>isolamento do DNA por meio de membranas à base de sílica ou beads</p><p>magnéticos.</p><p>Quantificação do DNA - é necessária para dar continuidade a fase de</p><p>amplificação e análise de perfis genéticos. Porém, alguns fatores quantitativos</p><p>e qualitativos podem afetar a eficácia do DNA.</p><p>Fatores que influenciam quantitativamente são a alta variabilidade</p><p>química e ambiental possibilitando a degradação e a diluição ou contaminação</p><p>de amostras. Os fatores que influenciam qualitativamente são degradação por</p><p>calor, radiação solar, umidade ou ação microbiana, contaminação por DNA de</p><p>outrem, animal, microorganismos, mistura de químicos e diluição.</p><p>Amplificação do DNA - é realizada por meio de marcadores STR obtidos</p><p>através de kits comerciais aprovados por um rígido controle de qualidade.</p><p>Sequenciamento do DNA - se dá por meio de Eletroforese Capilar. O DNA</p><p>tem carga negativa e a técnica de eletroforese capilar possibilitada a separação</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>dos fragmentos de amostras conduzido por corrente elétrica. Por meio de um</p><p>software e através do peso molecular, marcadores de alelos e fluorescência</p><p>nomeiam esses fragmentos de DNA resultantes da migração destes ao longo</p><p>do polímero presente no interior dos capilares.</p><p>A estimativa dos parâmetros estatísticos é importante para analisar se os</p><p>marcadores genéticos empregados nos exames são suficientemente</p><p>discriminativos para individualizar um perfil genético comparando a outro</p><p>indivíduo ao acaso na população.</p><p>A análise relacionada a verossimilhança entre perfis genéticos trata-se de</p><p>um confronto entre ambos onde é calculado, com base nos valores de</p><p>frequências dos alelos identificados pelos marcadores utilizados mediante a</p><p>consulta de bancos de dados específicos de probabilidade, que geram uma</p><p>frequência em números de ocorrência de repetições de bases nitrogenadas a</p><p>fim de determinar um perfil genético único e individual da população em</p><p>questão.</p><p>Poder de discriminação: probabilidade de dois indivíduos ao acaso</p><p>apresentarem genótipos diferentes em determinada população, valor máximo</p><p>de um.</p><p>Probabilidade de coincidência: probabilidade de dois indivíduos ao</p><p>acaso apresentarem genótipos coincidentes na população.</p><p>O compartilhamento de alelos entre um indivíduo (filho) e o seu suposto</p><p>pai, como por exemplo em exames de paternidade, permite estabelecer uma</p><p>relação de paternidade com uma probabilidade maior, menor ou igual a</p><p>99,9999%.</p><p>No confronto de coincidência entre perfis genéticos, a valorização</p><p>estatística dos resultados obtidos no exame deve ser realizada, por meio da</p><p>probabilidade de concordância ou o seu inverso, sendo denominado de razão</p><p>de verossimilhança ou “likelihood ratio”, em inglês (LR - razão bayesiana de</p><p>probabilidades), comparando a qualidade da probabilidade de coincidência</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>entre os perfis analisados. Portanto, a determinação do likelihood ratio é</p><p>importante para a valorização dos resultados dos testes na área da Genética</p><p>Forense.</p><p>Além disso, é possível utilizar da genética forense para fins veterinários. O</p><p>sequenciamento utilizado para identificação de espécies em Medicina</p><p>Veterinária Forense é realizado através de comparação no DNA Barcode. A</p><p>sequência do gene mitocondrial CO1, herança uni parental, garante a</p><p>variabilidade suficiente entre espécies e é curto o suficiente para ser</p><p>sequenciado em uma única reação. Possui regiões conservadas para</p><p>desenvolvimento de primers universais. O Banco de dados DNA Barcode</p><p>(código de barras do DNA) foi criado em 2004 e possui 2.069.661 barcodes de</p><p>DNA de várias espécies (Velho, Geiser e Espíndula, 2013).</p><p>Banco de dados de Perfis Genéticos Humano</p><p>O Banco de Dados Genético Humano foi criado na década de 80 –</p><p>polimorfismos do genoma – e contém registros de regiões em que a sequência</p><p>de nucleotídeos do DNA pode variar de uma pessoa para outra. Perfis</p><p>genéticos são indivíduo-específicos (Dias Filho et al, 2019).</p><p>As primeiras discussões sobre a criação de um banco de dados de perfil</p><p>genético ocorreram nos Estados Unidos em 1989. Porém, o primeiro banco de</p><p>dados foi implementado no Reino Unido em 1995, chamado de National DNA</p><p>Database (NDNAD) em 1998 – Sistema Combinado de Índices de DNA</p><p>(CODIS).</p><p>O Banco de Dados de Perfis Genéticos no Brasil foi inserido em 2008, por</p><p>meio da realização de um evento na Bahia para a assinatura do termo de</p><p>cooperação técnica que disponibiliza o CODIS para a utilização como banco</p><p>de dados de perfis genéticos no Brasil. Em 2009 a plataforma foi utilizada pela</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>primeira vez no caso do voo 447 Air France. Em 2010, apresentou-se um curso</p><p>de capacitação para o uso do CODIS.</p><p>Em 2012, foi promulgada a Lei 12.654 implantando efetivamente o uso</p><p>do banco de dados genéticos no Brasil, obtendo 2.288 amostras cadastradas</p><p>oriundas de indivíduos condenados e 5.925 de vestígios de cena de crime. Esta</p><p>nova lei alterou as leis de execução penal (7.210/1984) e de identificação</p><p>criminal (12.037/2009), permitindo a coleta e armazenamento em banco de</p><p>dados perfis genéticos de condenados por determinados crimes e suspeitos</p><p>por solicitação da justiça.</p><p>Além disso, a utilização de Banco de Evidências (DNA) na Investigação de</p><p>Crimes Sexuais tem como finalidade na Ação Investigatória de orientar a</p><p>Autoridade Policial – Delegado de Polícia da possibilidade de contar com o</p><p>exame de DNA se houver suspeitos.</p><p>Possibilidade de estabelecer correlações</p><p>entre diversos casos, e na prevenção de ocorrência de novos crimes sexo-</p><p>relacionados (“crime serial”).</p><p>Finalidade na Ação Investigativa: Pessoas Desaparecidas. Utilização de</p><p>banco de evidências na investigação de vínculos genéticos de filiação.</p><p>Possibilidade de estabelecer correlações entre diversos casos graus de</p><p>parentescos. Identificação de pessoas, crianças e adolescentes desaparecidos</p><p>e seus familiares. Parentes de pessoas desaparecidas, por doação voluntária,</p><p>podem ter suas identificações genéticas armazenadas e as mesmas serem</p><p>comparadas com a bases de dados de perfis obtidos de encontro de ossadas.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>A.E. Santos. As principais linhas da biologia forense e como auxiliam na</p><p>resolução de crimes. Rev. Bras. Crimin. 7(3), 12-20, 2018</p><p>Botteon, V W. Perspectivas de Uso de Insetos Bioindicadores Ambientais</p><p>em Trabalhos Periciais. Brazilian Journal of Forensic Sciences, Medical Law and</p><p>Bioethics, 5(4), 383-401, 2016.</p><p>Butler, JM. Fundamentals of Forensic DNA Typing. Maryland: Academic</p><p>Press, 2009.</p><p>Brasil, Lei 9.605/ 98. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm</p><p>Brasil, Lei 12.037/09. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-</p><p>2010/2009/lei/l12037.htm</p><p>Brasil, Lei 12.654/12. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-</p><p>2014/2012/lei/l12654.htm</p><p>Costa, JO. A Entomologia Forense no Brasil - 1a edição. Millennium</p><p>Editora. Campinas, SP, 2018.</p><p>CODIS. Resultado Parcial da Plataforma CODIS. 2019.</p><p>https://www.fbi.gov/services/laboratory/biometric-analysis/codis > Acesso em:</p><p>24 abr. 2019.</p><p>Dias Filho CR, Francez PAC. Introdução À Biologia Forense. Millennium.</p><p>2017.</p><p>Dias Filho, C.R. & Palanch, C. Novas Práticas em Entomologia Forense:</p><p>Entomologia Forense Ambiental – Quando os insetos refletem o seu meio.</p><p>Millennium Editora, Campinas, SP, 2013.</p><p>Dias Filho CR, Rodrigues EL, Malaghini M, Francez PAC, Garrido RG.</p><p>Introdução À Genética Forense. Millennium. 2019.</p><p>Fonseca RIB, Ricci EL, Spinosa HS, et al. Actual trends in the use of the</p><p>kastle-meyer test: applications in different species and verification of the limit of</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12037.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12037.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12654.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12654.htm</p><p>https://www.fbi.gov/services/laboratory/biometric-analysis/codis</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>detection of sensitivity and vestigiality. J Dairy Vet Anim Res.8(4):166‒170,</p><p>2019.</p><p>Barbosa, GMP. Química Forense III: Técnicas Forenses. 2019.</p><p>https://betaeq.com.br/index.php/2019/10/09/quimica-forense-iii-tecnicas-</p><p>forenses/ > Acesso em: 27 jul. 2020.</p><p>Oficina de Luz Forense 1 – preparação. Perícia Criminal Alagoana. 2012.</p><p><http://periciacriminalalagoana.blogspot.com/2012/08/oficina-de-luz-</p><p>forense-1-preparacao.html >. Acesso em: 27 jul. 2020.</p><p>Pechenik, Jan A. Biologia dos Invertebrados. McGraw Hill Brasil, Artmed.</p><p>2016.</p><p>Rafael, José Albertino et al. Insetos do Brasil: diversidade e taxonomia.</p><p>Holos. 2012.</p><p>Velho JA, Costa KA, Damasceno CTM. Locais De Crimes - Dos Vestígios À</p><p>Dinâmica Criminosa. Millennium. 2013.</p><p>Velhor JA, Geiser GC, Espindula A. Ciências Forenses - Uma Introdução</p><p>Às Principais Áreas Da Criminalístca. Millennium. 2013.</p><p>VÍDEOS APRESENTADOS EM AULA</p><p>2017 - Polícia de SP identifica bandido a partir de comparação de DNA pela primeira vez.</p><p>Disponível em: https://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/policia-de-sp-identifica-bandido-a-</p><p>partir-de-comparacao-de-dna-pela-primeira-vez.ghtml</p><p>2018 - Polícia holandesa desvenda crime e prende suspeito de assassinato 20 anos</p><p>depois. Disponível em: http://g1.globo.com/globo-news/estudio-i/videos/v/policia-holandesa-</p><p>desvenda-crime-e-prende-suspeito-de-assassinato-20-anos-depois/6975794/</p><p>2019 – Pelo DNA, polícia identifica 11 anos depois suspeito de matar criança em</p><p>Curitiba. Disponível em: http://g1.globo.com/pr/parana/videos/t/todos-os-videos/v/caso-</p><p>raquel-genofre-e-solucionado/7938430/</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>https://betaeq.com.br/index.php/2019/10/09/quimica-forense-iii-tecnicas-forenses/</p><p>https://betaeq.com.br/index.php/2019/10/09/quimica-forense-iii-tecnicas-forenses/</p><p>http://periciacriminalalagoana.blogspot.com/2012/08/oficina-de-luz-forense-1-preparacao.html</p><p>http://periciacriminalalagoana.blogspot.com/2012/08/oficina-de-luz-forense-1-preparacao.html</p><p>http://g1.globo.com/pr/parana/videos/t/todos-os-videos/v/caso-raquel-genofre-e-solucionado/7938430/</p><p>http://g1.globo.com/pr/parana/videos/t/todos-os-videos/v/caso-raquel-genofre-e-solucionado/7938430/</p>