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Identificação humana
A busca pelo processo de estabelecer a identidade de uma pessoa tem sido historicamente registrada desde tempos remotos. Para o Médico e antropólogo espanhol Federico Olóriz Aguilera (1855-1912), a identificação é o ato mais frequente e elementar da vida social. Além do processo de identificação civil, posteriormente foi necessário identificar criminalmente as pessoas consideradas nocivas à sociedade. 
A identificação de criminosos, na antiguidade, ocorria de diversas formas, tais como amputação de orelha e/ou mão, de acordo com as infrações cometidas. Porém, com a evolução dos costumes e da sociedade, essas atitudes foram modificando. O método mais antigo foi denominado “Ferrete”, que se baseava no uso de um instrumento de ferro aquecido para se marcar os criminosos. 
No Brasil, houve um movimento com a intenção de integrar, por meio de uma identidade civil, todos os estados federados e o Distrito Federal, garantindo, por meio de processos multibiométricos e de bases de dados, a identificação unívoca do brasileiro nato ou naturalizado. O Decreto nº 7.166 de 05 de maio de 2010 criou o Sistema Nacional de Registro de Identificação Civil – SINRIC e o Comitê Gestor, tendo como órgão central o Ministério da Justiça, porém devido a alterações implantadas na proposta inicial, levou a interrupção dos trabalhos em 2015. Em sequência, foi apresentado pelo Poder Executivo e pelo Tribunal Superior Eleitoral, o Projeto de Lei nº 1.775, de 28 de maio de 2015, o qual propõe a criação do Registro Civil Nacional, ainda em processo de tramitação, para ser implementado pelo Tribunal Superior Eleitoral. 
A Genética Forense constitui-se no uso técnico científico de conhecimentos e métodos genéticos validados como ferramenta eficaz/eficiente para responder as sete perguntas do Heptâmero de Quintiliano: O quê? Quando? Onde? Quem? Como? Por quê? E por que meios? No entanto, até que o desenvolvimento da genética forense pudesse ser efetivo e utilizado na área de identificação humana, observava-se o desenvolvimento gradual do conhecimento científico. Pode-se perceber que o processo de identificação foi alterando, passando pelo método de mutilação, tatuagem, estudo das impressões digitais dentre outros, e séculos mais tarde, a ideia de identificar qualquer pessoa pela análise sanguínea tornou-se possível com a descoberta dos antígenos eritrocitários. 
Figura 2: Biografia de Quintiliano Fonte: Biografías y Vidas. 
Sistema ABO
A partir da descoberta, em 1900, pelo médico e biólogo austríaco Karl Landsteiner, ganhador do Nobel de Fisiologia de 1930, da classificação dos grupos sanguíneos compondo o sistema ABO e o fator Rh, estes foram usados para identificação humana e serviram de base científica para fundamentar a Genética Forense. A tipagem de uma mancha sanguínea encontrada numa cena de crime poderia auxiliar na identificação do criminoso, ou então discriminar o produtor da referida macha. Porém, em casos forenses, a análise do sistema AB0 e Rh do sangue, apesar de rápida e de baixo custo, torna-se pouca informativa e incapaz de individualizar/identificar alguém, uma vez que, pelo menos 40% da população pertence ao grupo sanguíneo do tipo “O”. Assim, embora este método seja útil para excluir uma pessoa de ser a fonte de uma amostra criminal, o teste não é muito útil quando uma inclusão é feita, especialmente se a amostra é do tipo sanguíneo “O”, já que além do suspeito, a vítima, ou até mesmo o policial presente no local de crime, poderiam pertencer ao mesmo grupamento sanguíneo. 
Figura 3: Karl Landesteiner descreveu o sistema ABO (A, B, AB, O) Fonte: Brasil Escola. 
Genética forense
No corpo humano existem trilhões de células, a maioria delas, do tipo diploide, ou seja, possui pelo menos duas cópias de cada cromossomo, sendo um de origem paterna e outro materna. São estes 46 cromossomos que contêm toda informação necessária para a construção e funcionamento do corpo. O genoma humano é composto por mais de 3 bilhões de pares de bases (pb) individuais, contidas nos 23 pares de cromossomos e no genoma mitocondrial. Basicamente, o genoma humano é dividido em regiões codificantes e não-codificantes. As regiões codificantes representam cerca de 2% do genoma e contêm a informação dos cerca de 20 a 25 mil genes expressos pelo genoma humano. As regiões codificantes estão sujeitas à pressão seletiva, de modo que, mutações nessas regiões podem representar modificações em estrutura e função do produto gênico. Em contraste, a porção não-codificante do genoma está sujeita a menor pressão seletiva e, assim, a maioria das mutações nessas regiões são normalmente mantidas e transmitidas à descendência, levando a um aumento na variabilidade genética nessas regiões. Por essa razão, essas regiões são amplamente informativas para individualização genética. 
Figura 4: O DNA nuclear é localizado no núcleo da célula e organizado em cromossomos. Sendo que, apenas algumas regiões são utilizadas no processo de identificação Fonte: Brasil Escola. 
O DNA é uma molécula helicoidal formada por duas fitas complementares, composta por um grupo fosfato ligada a um carboidrato desoxirribose que pode se ligar a uma base nitrogenada de dois anéis, denominada purina: adenina (A) ou guanina (G) ou a uma base nitrogenada de apenas um anel, denominada pirimidina: timina (T) ou citosina (C). A complementaridade das duas fitas de DNA ocorre devido a ligações de hidrogênio, que são específicas entre essas quatro bases nitrogenadas. Assim, adenina sempre está pareada com timina, o mesmo ocorrendo entre citosina e guanina. A ordem destas quatro bases na molécula de DNA determina o conteúdo da informação nos genes. Longos filamentos delgados das moléculas do DNA vão se dobrando e enovelando, formando os cromossomos; alguns cromossomos humanos possuem cerca de 5X108 pares de bases. 
As décadas de 1970 e 1980 foram marcadas pelos avanços relativos aos conhecimentos das principais técnicas moleculares que favoreceram o desenvolvimento e serviu de base para o fortalecimento da Genética Forense como ferramenta de identificação humana. Na década de 1980, Alec Jefreys (1950), geneticista britânico, professor do departamento de genética da Universidade de Leicester, desenvolveu a técnica que permitiu analisar os polimorfismos de tipo minissatélites (conhecidas como VNTRs - do inglês, variable number repeats ou repetições em tandem (ao acaso) de número variável). Tais regiões também podem ser chamadas de marcadores moleculares e foram úteis como ferramenta para identificação humana nos anos 90. 
O bioquímico norte americano, Kary Mullis (1944- 2019) ganhou o Prêmio Nobel de Química em 1993, juntamente com o britânico Michael Smith (1932- 2000) pela invenção da PCR – reação em cadeia da polimerase (polymerase chain reaction), técnica que permitiu a replicação in vitro de forma exponencial de determinadas regiões do DNA, possibilitando analisar amostras mesmo com reduzidas concentrações de material genético, particularmente na área forense, visto que, a grande maioria dos vestígios apresentam pequenas quantidades de amostras e muitas vezes degradadas e ainda, misturadas a contaminantes. 
A maioria dos sistemas de tipagem forense é baseada em polimorfismos de comprimento, classificados em minissatélites e microssatélites. A variação genética entre indivíduos nesses sistemas não está baseada somente nas suas sequências de DNA, mas no número de repetições (gerando diferentes comprimentos de sequência) e na frequência com que essas sequências de repetições randomicamente arranjadas em múltiplas cópias (repetições em tandem) aparecem em uma população, o que determina os diferentes alelos dos diferentes loci de DNA encontrados nos indivíduos, possibilitando diferenciá-los. 
Os marcadores conhecidos como STRs (short tandem repeats, do inglês, sequências curtas repetidas em tandem) consistem em sequências genômicas de 1 a 5 pb de comprimento, repetidas tipicamente de 5 a 30 vezes, sendo as repetições tetra e pentanucleotídicas (ou seja, com motivos de repetiçãocontendo quatro e cinco nucleotídeos) as mais usuais para análises criminais. São os mais utilizados principalmente por proporcionarem a tipagem de amostras que apresentam pouquíssimas quantidades de DNA-molde (fragmentos de DNA que serão utilizados como moldes para a PCR) ou que estão muito degradadas, conhecidas como amostras LCN (Low Copy Number) ou, recentemente, amostras LTD (Low Template DNA). 
Em alguns casos em que a quantidade/qualidade de DNA é muito baixa para se usar STRs, análises do DNA mitocondrial (mtDNA) podem ser fazer necessárias. Como cada célula humana, dependendo do tecido, pode apresentar de centenas a milhares de mitocôndrias, a quantidade de cópias de mtDNA por centímetro cúbico de tecido é muito maior que a quantidade de cópias de DNA nuclear. Na análise do DNA mitocondrial, a sequência base a base de regiões hipervariáveis 1 e 2 (HV1 e HV2) do mtDNA é avaliada. Onde Polimorfismos de Nucleotídeo Simples (em inglês single nucleotide polymorphism; SNP) são comparados com uma sequência consenso figura 5). 
Tecnologias como sequenciamento de nova geração (em inglês Next Generation Sequencing; NGS) para análise de DNA começam a ser aplicadas em análises forenses. Além de ser uma metodologia muito mais rápida ela permite que um grande número de amostras seja analisado ao mesmo tempo. Com esta tecnologia de sequenciamento vários tipos de marcadores moleculares podem ser analisados simultaneamente, gerando, desta forma, uma quantidade massiva de dados por amostra. 
Figura 5: A variabilidade genética mostrada por marcadores moleculares tipo SNPs e STRs Fonte: STRBase. 
 
Saiba mais
 
A Biologia Forense vai muito além do uso do DNA como forma de identificação. Dentro da Biologia, várias subáreas podem contribuir na elucidação de crimes que deixam vestígios. 
Aula 2 – Bases da hereditariedade para genética forense 
Enquanto os experimentos realizados pelo botânico, biólogo e monge austríaco Gregor Mendel (1822-1884) ocorreram entre os anos de 1856 e 1863, a descoberta do DNA ocorre em 1869, pelo bioquímico suíço Johann Friedrich Miescher (1844-1895). No entanto, sua estrutura tridimensional só é descrita em 1953, por James Watson (1928) e Francis Crick (1916-2004), os quais se valendo da fotografia 51 (imagem da captura da dupla hélice do DNA obtida por meio de difração de raio X) da química britânica Rosalind Franklin (1920-1958) desvendaram a dupla hélice. Postumamente, Franklin recebeu o título de mãe do DNA, mesmo sendo desacreditada, e até mesmo chamada de bruxa por seu tutor, o fisiologista neozelandês Maurice Wilkins (1916-2004). 
O DNA humano é organizado por meio de proteínas denominadas histonas. Cada molécula de DNA associada as histonas é denominada cromossomo. Possuímos 46 cromossomos em cada célula de nosso corpo organizados em 23 pares, ou seja, cada cromossomo tem seu par correspondente. Um destes pares é o par de cromossomos sexuais X e Y, também chamados de alossomos, de forma que indivíduos do sexo feminino possuem dois cromossomos X e indivíduos do sexo masculino apresentam um cromossomo X e um cromossomo Y. Os demais 22 pares são chamados de autossomos (figura 6). 
Figura 6: Cariótipo masculino humano Fonte: www.pcs.uem.br. 
A molécula de DNA trata-se de uma dupla hélice complementar. Desta forma, cada hélice possui a capacidade de formar uma cópia exata da outra, conferindo assim um poder de manutenção de sua sequência através das gerações. Eventos aleatórios conhecidos como mutações podem conferir modificações nesta estrutura fornecendo material para que a seleção natural possa atuar e promover desta forma a evolução das espécies. Os eventos mutacionais trazem novas combinações possíveis para o DNA do indivíduo. Estas novas combinações podem ser consideradas deletérias, causar uma perda ou diminuição de função. Por outro lado, elas podem ser favoráveis trazendo um aumento ou diminuição de função. Algumas mutações podem até mesmo ser neutras, não trazendo uma nova variabilidade que cause modificação na função. A Seleção Natural é o elemento que vai selecionar se estas novas combinações serão transmitidas pelas gerações e em qual proporção. 
Cada fita de DNA é formada de nucleotídeos que possuem em sua estrutura as chamadas bases nitrogenadas: adenina (A), guanina (G), citosina (C) e timina (T). O pareamento de cada fita da dupla hélice do DNA acontece por meio de ligações de hidrogênio entre as bases nitrogenadas A-T e C-G (Figura 7). 
Figura 7: A estrutura do DNA mostrando esquematicamente a complementariedade das fitas da dupla hélice Fonte: Brainly. 
Em cada cromossomo existem regiões que são transcritas, as quais chamamos de genes. Como estas regiões irão codificar proteínas, que terão alguma função no organismo, são regiões que sofrem forte pressão evolutiva, pois influenciam na adaptação dos indivíduos ao ambiente, portanto, não podem sofrer muitas modificações em sua sequência, pois estas modificações poderiam afetar a funcionalidade da proteína traduzida. Por exemplo, não se espera uma grande variabilidade na sequência de nucleotídeos que codifica o hormônio insulina, que tem sua função relacionada ao controle de glicose, atuando como uma chave para a entrada de glicose para ser utilizada pelas células como fonte energética. São observadas apenas pequenas variações na sequência, que não afetam a funcionalidade ou que afetam muito pouco. 
Por outro lado, as regiões que não são transcritas sofrem baixa ou nenhuma pressão evolutiva e, portanto, podem acumular mutações, dessa forma, estas regiões apresentam uma alta variabilidade. Estas regiões serão, então, as escolhidas para diferenciar cada indivíduo e assim, são o material de trabalho da Genética Forense. 
As regiões escolhidas para estudos na Genética Forense são chamadas de marcadores moleculares. Destes marcadores são extraídas as informações de variabilidade entre indivíduos. Cada marcador está contido em um locus (que é a palavra em latim para local) e a forma variante de cada marcador em um locus é chamada de alelo. Portanto, cada marcador molecular pode ter uma grande quantidade de alelos. Quanto mais alelos um marcador tiver mais informativo ele será para a diferenciação entre indivíduos. 
Quadro 1: Conceitos e definições importantes em Genética Forense Fonte: Silva, 2022. 
Leis de Mendel
Impossível não abordar em um curso básico de Genética Forense o monge agostiniano Gregor Johann Mendel (1822-1884), que com seus experimentos com ervilhas funda a ciência que hoje chamamos de genética. 
Os experimentos de Mendel são uma aula de como desenvolver metodologicamente um estudo. Seu preparo prévio envolveu um longo trabalho, desde o momento da escolha das características a serem estudadas, até a obtenção de linhagens puras para cada uma dessas. 
As características escolhidas por Mendel eram sempre em pares, facilmente distinguíveis: ervilha verde ou amarela, ervilha lisa ou rugosa, flor branca ou púrpura etc. Após obter as linhagens puras, por exemplo, de flores púrpuras e brancas, Mendel começou a cruzar as linhagens entre si e verificou que em uma primeira geração (F1) as flores brancas desapareciam, havia apenas indivíduos com flores púrpuras nesta geração. Cruzando-se os indivíduos desta F1, formando, portanto, uma segunda geração (F2), plantas com flores brancas voltam a aparecer demonstrando que a característica havia desaparecido na F1 e reaparece na F2, como se tivesse havido um recesso (Figura 8). 
Figura 8: A geração P provinda de autopolinização. A geração F1 fruto do cruzamento de P. A Fonte: Brasil Escola. 
Com isso, Mendel chega à conclusão de que embora a geração F1 fosse composta apenas de indivíduos de com flores púrpuras, estes ainda mantinham a capacidade de produzir indivíduos com flores brancas; demonstrando que um caráter púrpuro dominava sobre o branco, definindo-o como dominante, e como o caráter branco reaparece na F2, foi definido como recessivo. 
Além destes dois conceitos importantes para a genética, Mendel observou que em todos os pares de características estudadasna F2, as características dominantes e recessivas sempre se apresentavam em proporção 3x1 (fig. 8). Levando Mendel, por meio de cálculos matemáticos de proporções, a estipular a primeira Lei de Mendel ou Lei da Segregação dos Fatores: 
Cada característica é condicionada por um par de fatores que se separam na formação dos gametas. 
Figura 9: A proporção esperada em F2 Fonte: mruiz43.blogspot. 
De uma maneira mais didática, Mendel resume em sua primeira lei que um par de alelos vai estabelecer as condições para que uma característica seja expressa, sendo que, um alelo vem da mãe e outro alelo do pai. Este princípio que para nós, hoje, nos parece extremamente básico é o fundamento primordial da Genética e, por conseguinte, da Genética Forense. 
O próximo passo de Mendel foi a observação de como dois pares de características se comportavam (fig. 9). Usando linhagens puras para características diferentes Mendel observou que as características recessivas continuavam desaparecendo na F1 e reapareciam na F2 na proporção 9x3x3x1. Além disso, os pares de características amarelo x verde ou lisa x rugosa se comportavam de maneira independente, definindo desta forma a segunda Lei de Mendel, também chamada de Lei da Segregação Independente: 
Pares de fatores separam-se de forma independente durante a formação dos gametas. 
Figura 10: A proporção esperada em F2 na segunda lei de Mendel Fonte: Brasil Escola. 
O princípio da segunda Lei de Mendel é muito utilizado na Genética Forense, uma vez que os marcadores moleculares normalmente escolhidos têm segregação independente e desta forma podemos aplicar a chamada regra do produto. 
A regra do produto se baseia na ideia de que eventos independentes podem ter suas probabilidades multiplicadas para se descobrir a chance que ambos os eventos possam ocorrer simultaneamente. Imaginemos que temos um dado de 6 faces e uma moeda e queremos calcular a chance de tirarmos 5 no dado e cara na moeda ao mesmo tempo. Como se trata de um dado de seis faces a chance de tirarmos 5 é de 1/6 e a chance de tirarmos cara na moeda é ½. De acordo com a regra do produto, se multiplicarmos as duas frações 1/6 x ½ = 1/12 (8,33%), teremos a chance de tirarmos 5 no dado e cara na moeda ao mesmo tempo. 
Este princípio será, então, adotado para a multiplicação de probabilidades de marcadores que apresentam segregação independente. Falaremos melhor de marcadores moleculares adiante. 
Marcadores genéticos utilizados na Genética Forense - Microssatélites e marcadores uniparentais (cromossomo Y e DNA mitocondrial)
Os marcadores mais usados atualmente (2021), em Genética Forense, são os STRs (short tandem repeats) e SNPs (Single nucleotide polymorphisms). Os SNPs são marcadores que apresentam mudança em apenas um único nucleotídeo, possuem uma reduzida capacidade de informação já que necessita da análise de mais de um loci, por isso, menos utilizado, mas tem uma vantagem de ser utilizada em amostras muito degradadas. São usados normalmente, os STRs que apresentam sequências curtas e repetidas em tandem, que significa dizer que a unidade repetida varia de 2-6 pares de bases repetidas dezenas de vezes e constitui aproximadamente 10% no genoma, estão presentes nos cromossomos e podem ser utilizados com o intuito de individualizar as pessoas. Os kits comerciais existentes apresentam STRs com características ótimas para a identificação humana. Os marcadores existentes em cada kit estão distribuídos em cromossomos diferentes, permitindo, desta forma, a aplicação da regra do produto. Além disso, os kits comerciais apresentam produtos de PCR de tamanho reduzido (100-400pb) o que facilita a amplificação do DNA mesmo de amostras degradadas, ou seja, quanto menor for o fragmento de DNA dos marcadores escolhidos, será mais fácil de obtê-los, mesmo que o DNA da amostra tenha sido segmentado por degradação. 
Além dos cromossomos autossomos, STRs do cromossomo Y são muito empregados em análises forenses, principalmente em casos de violência sexual. Quase a totalidade do cromossomo Y humano não possui região de pareamento com o cromossomo X, desta forma, a recombinação (troca de material entre os dois cromossomos por mecanismo de crossing over) entre estes cromossomos é bem pequena. Assim, os marcadores do cromossomo Y são herdados de forma haploide, ou seja, com apenas um alelo para cada região. Além disso, diferentes loci de STRs ao longo do cromossomo Y são herdados, em bloco, conjuntamente ao longo das gerações. Este conjunto de marcadores herdados juntos são chamados de haplótipo do cromossomo Y. Isso quer dizer que um cromossomo Y de forma geral, se não houver um evento mutacional, é herdado de forma idêntica de pai para filho (figura 2). Assim, marcadores STRs no cromossomo Y são um tipo de herança patrilínea, porque são passadas para sua descendência apenas pelos homens e, dessa forma, identificam uma linhagem de homens de uma família. 
Figura 11: Distribuição dos marcadores ao longo do cromossomo Y Fonte: promega. 
Figura 12: Herança do cromossomo Y pelas gerações sucessivas Fonte: docplayer. 
Por sua vez, análises de DNA mitocondrial (mtDNA) nos permitem verificar a linhagem matrilínea dos indivíduos. Isso acontece porque as mitocôndrias são passadas pelas gerações apenas por indivíduos do sexo feminino. Todas as mitocôndrias presentes no zigoto são provindas do óvulo, porque no momento da fecundação todas as mitocôndrias dos espermatozoides são destruídas (figura 3). 
Figura 13: Herança mitocondrial pelas gerações sucessivas Fonte: slideshare. 
Para se analisar o genoma mitocondrial são empregadas técnicas de sequenciamento onde são observadas modificações pontuais nas sequências do DNA de duas regiões HV1 e HV2. Estas modificações são comparadas com uma sequência consenso e cada modificação é anotada. 
 
Saiba mais
 
Em plantas, além das mitocôndrias, existe uma outra organela que apresenta DNA. São eles os cloroplastos, organelas responsáveis pela fotossíntese. Estudos de filogenia e filogeografia em plantas investigam marcadores do DNA dos cloroplastos para fazer suas análises. 
A maioria dos sistemas de tipagem forense é baseada em polimorfismos de comprimento; 
A variação genética entre indivíduos nesses sistemas não está baseada somente nas suas sequências de DNA, mas no número de repetições; 
Em alguns casos, em que a quantidade/qualidade de DNA é muito baixa para se usar STRs, a análise do DNA mitocondrial (mtDNA) podem ser fazer necessárias; 
STRs do cromossomo Y são muito empregados em análises forenses, principalmente em casos de violência sexual; 
Cada característica é condicionada por um par de fatores que se separam na formação dos gametas; e 
Pares de fatores separam-se de forma independente durante a formação dos gametas. 
	Iniciado em
	quarta, 3 mai 2023, 23:42
	Estado
	Finalizada
	Concluída em
	quinta, 4 mai 2023, 00:33
	Tempo empregado
	51 minutos 26 segundos
	Avaliar
	40,00 de um máximo de 50,00(80%)
	Comentários
	
Questão 1
Correto
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Texto da questão
A tipagem de uma mancha sanguínea, encontrada numa cena de crime, poderia auxiliar na identificação do possível criminoso, porém, em casos forenses, a análise do sistema AB0 e Rh do sangue torna-se pouca informativa. Por quê? Marque a alternativa CORRETA:
Escolha uma opção:
a. 
O estudo da determinação do grupamento sanguíneo não apresenta nenhuma base cientifica para fundamentar a genética forense, que busca a identificação do indivíduo.
.
b. 
Várias amostras em uma cena de crime (sangue de vítima, do suspeito, manchas em vestes...) podem apresentar o mesmo tipo sanguíneo, assim o sistema ABO se torna pouco informativo para identificar o produtor da amostra.
c. 
O método de determinação de grupo sanguíneo (ABO) não é utilizado em amostras de cena de crime devido ao custo elevado de suas análises.
d. 
A determinação do grupo sanguíneo (ABO) é muito útil para inclusão de uma pessoa como produtora de uma amostra de sangue em cena de crime.
e. 
O sistema ABO é utilizado apenaspara determinar grupos sanguíneos em casos de doação de sangue.
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Sua resposta está correta.
A resposta correta é: Várias amostras em uma cena de crime (sangue de vítima, do suspeito, manchas em vestes...) podem apresentar o mesmo tipo sanguíneo, assim o sistema ABO se torna pouco informativo para identificar o produtor da amostra.
Questão 2
Correto
Atingiu 10,00 de 10,00
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Texto da questão
Mendel, o pai da genética, deixou sua marca na história da ciência com dois fundamentos básicos que hoje conhecemos como Leis de Mendel. A primeira lei de Mendel poderia ser explicada da seguinte forma:
Escolha uma opção:
a. 
Para cada casal metade dos filhos serão meninos e metade meninas.
b. 
Para cada gene um alelo diferente é escolhido para metade dos gametas e para a outra metade outro alelo é escolhido.
c. 
Para cada marcador molecular um par de cromossomos diferentes se segrega na meiose produzindo descentes férteis.
d. 
Para cada par de alelos uma característica é traduzida.
e. 
Para cada loci metade dos gametas produzidos de indivíduo possui um alelo e a outra metade o outro alelo.
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Sua resposta está correta.
A resposta correta é: Para cada loci metade dos gametas produzidos de indivíduo possui um alelo e a outra metade o outro alelo.
Questão 3
Correto
Atingiu 10,00 de 10,00
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Texto da questão
Em genética forense são usados marcadores moleculares que estão distribuídos pelas células humanas. Estes possuem características diferentes e são distribuídos em regiões diferentes nas células. São categorias destes marcadores moleculares aplicados a genética forense:
Escolha uma opção:
a. 
Marcadores mitocondriais, marcadores nos cromossomos autossomos e marcadores nos cromossomos sexuais.
b. 
Marcadores nucleares e marcadores dos lisossomos.
c. 
Marcadores morfológicos.
d. 
Marcadores de adenina, de timina, de citosina e de guanina.
e. 
Marcadores dominantes e marcadores recessivos.
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Sua resposta está correta.
A resposta correta é: Marcadores mitocondriais, marcadores nos cromossomos autossomos e marcadores nos cromossomos sexuais.
Questão 4
Incorreto
Atingiu 0,00 de 10,00
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Texto da questão
O crescente desenvolvimento biotecnológico e científico tem proporcionado avanços expressivos nas ciências biológicas, com a criação de novas áreas como a biologia molecular e, mais especificamente, genética forense. Leia as afirmativas a seguir e selecione a alternativa CORRETA:
Escolha uma opção:
a. 
A maioria dos sistemas de tipagem forense é baseada em polimorfismos, baseada somente nas suas sequências de DNA.
b. 
As duas fitas de DNA se complementam de forma específica entre as quatro bases nitrogenadas, ou seja, adenina sempre está pareada com timina, o mesmo ocorrendo entre citosina e guanina.
c. 
No corpo humano existem trilhões de células, a maioria delas do tipo diploide, ou seja, possui pelo menos três cópias de cada cromossomo.
d. 
O genoma humano é dividido em regiões codificantes e não-codificantes, sendo que, regiões não codificantes contêm a informação dos cerca de 20 a 25 mil genes expressos pelo genoma humano.
e. 
As regiões codificantes são preferencialmente utilizadas no estudo de identificação de amostras forenses.
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Sua resposta está incorreta.
A resposta correta é: As duas fitas de DNA se complementam de forma específica entre as quatro bases nitrogenadas, ou seja, adenina sempre está pareada com timina, o mesmo ocorrendo entre citosina e guanina.
Questão 5
Correto
Atingiu 10,00 de 10,00
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Texto da questão
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, sobre os cromossomos humanos:
( ) A espécie humana apresenta 46 cromossomos com sua quantidade padrão.
( ) Dentre os cromossomos um par é conhecido como cromossomos sexuais.
( ) Os indivíduos do sexo masculino apresentam cromossomos sexuais XX.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Escolha uma opção:
a. 
F - V – V.
b. 
F – F – F.
c. 
V – V – F.
d. 
V – F – F.
e. 
V - V – V.
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Sua resposta está correta.
A resposta correta é: V – V – F.
Aula 1 – Amostras forenses 
Hoje, um dos principais métodos de identificação humana utilizado para desvendar crimes é o DNA. Devido ao seu alto poder de discriminação, o DNA é capaz de indicar autoria de crimes conectando suspeitos e locais de crimes; sendo esse potencial ampliado com o uso de Bancos de Perfis Genéticos. 
As amostras encaminhadas ao laboratório poderão ser analisadas para várias aplicações forenses como: averiguação de paternidade fruto do crime de abuso sexual; identificação de cadáveres e restos mortais; determinação do agressor a partir de amostras envolvendo crimes sexuais e identificação de vestígios biológicos, recolhidos em cenas de crime, ou ainda, coletadas, tanto das vítimas, quanto de supostos autores do delito. 
Num laboratório de Genética Forense é comum receber e analisar amostras biológicas diversas, em condições extremas e em suportes diferentes. Sangue, saliva, sêmen, osso, dentes, músculo, pele, material subungueal, são algumas das amostras biológicas comumente utilizadas para traçar perfis de DNA relacionados a crimes. A coleta, o armazenamento e o transporte das amostras biológicas devem ser realizados da maneira adequada de modo a evitar contaminação, degradação, multiplicação microbiana ou qualquer outro fator que possa prejudicar as perícias laboratoriais. 
A molécula do DNA é resistente, todavia, não é indestrutível. As amostras biológicas comumente usadas na investigação de crimes estão sujeitas às condições adversas: exposição ao sol ou chuva, variação de temperatura, umidade, exposição a contaminantes e sujidades, misturas ou outras situações que podem prejudicar o resultado das análises. Desta forma, resultados satisfatórios, bem como o tempo necessário para emissão de um laudo pericial de DNA, varia de acordo com a situação. 
Um ponto que merece atenção é em relação ao cuidado e rigor relativo ao manuseio da amostra biológica, tanto no momento da coleta quanto no momento da análise, a fim de evitar contaminação por material biológico humano e, portanto, mistura e transferência de material biológico entre as amostras. 
Por isso a coleta, acondicionamento, armazenamento, encaminhamento do material biológico e os procedimentos preliminares para exame de identificação humana por DNA devem seguir padrões rígidos, a fim de assegurar o sucesso e fidedignidade das análises. Estes procedimentos deverão garantir a autenticidade e integridade das amostras biológicas, bem como a privacidade e confidencialidade dos resultados nelas obtidos. É fundamental observar a cadeia de custódia e seguir todos os procedimentos regulamentados pelas resoluções da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG) e orientações emitidas pelo Laboratório de Genética Forense. 
A padronização das principais atividades periciais visa uniformizar o processo de produção da prova técnica no país. A produção dos procedimentos operacionais padronizados, os POPs, foram desenvolvidos por uma força conjunta entre o Conselho de Dirigentes de Órgãos Periciais, as associações representativas dos profissionais de perícia, a equipe da Força Nacional de Segurança Pública e outros especialistas nas áreas. No que se refere à Genética Forense, é imperativo o cumprimento das resoluções da RIBPG. 
Principais tipos e características de amostras analisadas no laboratório
A natureza e a qualidade da amostra determinam qual a melhor metodologia para se obter um perfil de DNA com a qualidade necessária para se identificar um indivíduo. 
Sangue
É um dos vestígios biológicos mais comuns em cena de crime.
Cabelos
 Não é analisada rotineiramente. Porém, para as análises de DNA genômico, devem conter o bulbo, ou seja, arrancados pela raiz. Caso não apresentem bulbo, é possível recorrer ao DNA mitocondrial e obter informações importantes de linhagem materna. 
Células da mucosa bucal
Esfregaço da cavidade interna da boca para obter células descamativas da mucosa bucal.É um método de coleta, indolor, não invasivo, é possível obter amostras referências de vítimas vivas, suspeitos e familiares para a realização da comparação de perfis genéticos. 
Sangue intracardíaco
Amostra biológica recomendada quando se trata de “referência” de cadáveres. 
Subungueal
São extremamente úteis em casos em que houve embate físico entre vítima e agressor (crimes sexuais, feminicídio, homicídio etc.). 
Ossos e dentes
Apresentam grande poder de análise na obtenção de perfis genéticos. Deve ser a amostra de preferência a ser encaminhada ao laboratório em caso de identificação de cadáveres quando estes estiverem em grau avançado de decomposição. 
Tecidos moles
São ricos em DNA e de fácil processamento desde que sejam corretamente coletados, conservados e transportados. Recomenda-se o congelamento imediato. 
Amostra referência
Amostra de origem conhecida que sabidamente foi coletada de um indivíduo. 
Amostra questionada
Todo material coletado de origem individual desconhecida, especialmente em local de crime, e que é necessário conhecer para auxiliar a investigação policial. 
Aula 2 – Cadeia de custódia 
Legislação e importância da cadeia de custódia 
O vestígio é o objeto de trabalho da perícia criminal. Para que este forneça as informações fidedignas sobre o evento criminal, o vestígio deve seguir por um caminho denominado cadeia de custódia, em que estas informações não sejam perdidas ou alteradas. 
O artigo 158-A, do Código de Processo Penal, considera cadeia de custódia “O conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte”. Desta forma, as autoridades policiais, de posse da informação e conhecimento da ocorrência de um crime deverão providenciar para que não se alterem o estado e preservação das coisas, segundo o art. 6° do CPP. 
A cadeia de custódia deve garantir elementos essenciais: (1) o Registro documental no qual são assinalados pontos primordiais referentes ao caso, como: data, local, responsável pela coleta, etc.; (2) a Rastreabilidade, fundamento que se baseia na exatidão da movimentação do vestígio, desde o local de coleta até sua custódia final, assegurando uma cadeia de responsabilidades ao longo do percurso, e a (3) Integridade da prova está diretamente ligada com autenticidade do vestígio, ou seja, o elemento coletado é exatamente aquele que foi submetido aos exames necessários e o mesmo exibido à corte judiciária, caso necessário. 
Além da documentação histórica e cronológica dos vestígios, em relação às perícias realizadas em laboratório, a lei nº 13.964, de 24 de dezembro de 2019, que aperfeiçoa a legislação penal e processual penal, determina que o material analisado deve ser guardado para contraprova, resguardando a possibilidade de nova perícia e, assim, garante ao investigado a possibilidade de contraditório e ampla defesa. Uma questão que ainda permanece em discussão, refere-se ao tempo em que as amostras biológicas devem permanecer armazenadas nos laboratórios, uma vez que não está estipulado no art. 170 do CPP. O Decreto nº 7.950, de 12 de março de 2013, que institui o Banco Nacional de Perfis Genéticos e a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos no seu art. 7° esclarece que o perfil genético do identificado criminalmente deverá ser excluído do banco de dados após decorrido o prazo de prescrição do delito. Portanto, legislação futura poderá considerar o mesmo princípio para o armazenamento dos vestígios. 
Para garantir a integridade dos dados e a qualidade das amostras, a portaria nº 82 da SENASP estabelece que todas as unidades de perícia devem ter uma central de custódia destinada à guarda e controle dos vestígios, uma vez que os vestígios forenses, bem como parte das amostras biológicas, devem ser mantidos como contraprova e sob custódia durante anos. Assim, de acordo com art. 158 do CCP – E da Lei nº 13.964/19, a central de custódia deve ser um espaço seguro, com entrada controlada, e apresentar condições ambientais que não interfiram nas características do vestígio. 
Essas considerações legais destacam, portanto, quão importante é um exame detalhado da cena de crime para identificar com clareza, quais os vestígios têm relação com o crime analisado e que devem ser coletados e incluídos como provas no processo. A observância da cadeia de custódia garante a rastreabilidade e confiança de um vestígio a ser analisado, tendo como ponto de partida o isolamento e preservação do local de crime, que propiciará a adequada visão técnica do local da cena de crime, até a coleta adequada dos vestígios, registro dos mesmos, acondicionamento, transporte. Da mesma forma, todo o cuidado e etapas dos procedimentos da manutenção da cadeia de custódia devem ser obedecidos por todos os setores por onde os vestígios passaram. Porém, vale ressaltar que alguns aspectos dificultam a implementação dos procedimentos relacionados à manutenção e implementação da cadeia de custódia, como falhas na preservação do local da cena de crime, a impossibilidade de manter ou dificuldade estrutural na construção das centrais de custódia. 
O perito criminal responsável pelo levantamento da cena de crime deve adotar procedimentos adequados de coleta, armazenamento e preservação das amostras biológicas que serão encaminhadas para análises de DNA, pois a falta dos devidos cuidados pode inviabilizar as análises e, portanto, comprometer a investigação criminal. O Manual de Procedimentos Operacionais da RIBPG apresenta a padronização e recomendações para coleta, armazenamento, acondicionamento e envio de vestígios de forma correta, de forma a garantir a boa qualidade da amostra biológica e por consequência uma análise de DNA que seja capaz de identificar o perfil da vítima e ou suspeito de ter cometido o crime, podendo ter então os dados inseridos no banco de perfis genéticos. 
A inobservância de um exame detalhado da cena de crime e a quebra da cadeia de custódia pode incorrer na inutilidade do trabalho pericial e invalidar a utilização dos vestígios como prova para o processo criminal. Um exemplo clássico deste prejuízo foi o caso O.J Simpson (Orenthal James Simpson), ex-jogador de futebol americano dos Estados Unidos. O Jogador, ex-marido de Nicole Brown, tiveram 2 filhos e a separação ocorreu após 7 anos, motivada especialmente pela agressividade do suposto autor. O passado de agressão à ex-mulher e os ciúmes motivaram o violento assassinato com golpes de faca em Nicole Brown e Ronald Goldman, no dia 12 de junho de 1994. As provas técnicas e periciais apontaram o ex-jogador pela autoria do duplo homicídio. No entanto, a defesa conseguiu a absolvição devido à preservação do local inadequada, aos procedimentos de coleta de vestígios incorretos, registro documental ineficiente em que ficaram evidentes falhas na cadeia de custódia. 
Assim, a cadeia de custódia é fundamental para garantir a robustez da atividade pericial, das atividades realizadas na cena de crime e especialmente das análises das amostras realizadas no laboratório. Além dos cuidados serem extremamente importantes para a eficiência da análise e consequentemente a obtenção de perfis genéticos que garantam a identificação de vítimas e ou suspeitos relacionados ao crime, com possibilidade também da inclusão em bancos de dados, é notável a necessidade da cadeia de custódia em todos os seguimentos envolvidos no processo da produção da prova com qualidade, com bom registro documental, rastreabilidade e integridade para contribuir com a investigação policial. 
Coleta, acondicionamento, armazenamento e envio das amostras
É de extrema importância e limitante para o sucesso das análises que a coleta, acondicionamento, armazenamento e transporte das amostras sejam realizados com todo cuidado e atenção, mesmo sabendo que uma cena de crime pode ser um ambiente bem peculiar, movimentado e complexo. É fundamental que os itens sejam acondicionados separadamente, sendocada amostra identificada e lacrada. Vale ressaltar que as amostras presentes em cenas de crime, ou coletadas dos envolvidos, trata-se de material biológico humano, podendo ser portadores de agentes patogênicos e potencialmente transmissores de doenças, devendo ser manipulados com todos os cuidados e boas práticas, pois além de tomar todos os cuidados para que as amostras levem a bons resultados de análises, é necessário e de extrema importância, a proteção de quem vai manipular o material biológico. 
Sangue
Líquido: Deve ser coletado com uso de suabes (no mínimo dois) ou papel filtro.
Seco: A amostra biológica deve ser raspada e acondicionada em envelope (identificado e lacrado). Todas as amostras devem ser encaminhadas o mais rapidamente possível ao laboratório de Genética Forense. Caso não seja possível, recomenda-se congelar as amostras ou secar em temperatura ambiente, longe de possíveis contaminantes. 
Células da mucosa bucal (Saliva)
Para a coleta, deve-se fazer uso de suabes, que devem ser friccionados suavemente na parte interna da bochecha. Existem dispositivos próprios para esse tipo de coleta, todavia, caso disponha somente do “suabe tradicional”, antes de acondicionar em envelope de papel, secar em temperatura ambiente e longe de contaminantes. 
Tecidos moles
Esse tipo de coleta é considerado “invasiva” e deve ser realizada por médicos legistas e auxiliares no âmbito do IML. Tais amostras devem ser imediatamente submetidas ao processo de congelamento e todo e qualquer transporte deve ser realizado em caixas térmicas. 
Dentes e ossos
Esse tipo de coleta é considerado “invasiva” e deve ser realizada por médicos legistas e auxiliares no âmbito do IML. De forma geral são priorizados dentes molares em bom estado de preservação e depois deles ossos longos. Protocolos mais detalhados sobre a ordem de coleta estão disponíveis nos IML. Tanto dentes, quanto ossos, devem ser embalados em invólucro de papel, identificados e encaminhados. Caso ainda apresentem tecidos moles aderidos, devem ser refrigerados. 
Preservativos
Deve-se coletar a amostra biológica da parte interna do preservativo (DNA do agressor) e repetir o procedimento na parte externa (DNA da vítima), usando dois suabes para cada face do preservativo. Acondicionar os suabes separadamente (parte interna e parte externa), após secagem em temperatura ambiente. Dar um “nó” na extremidade aberta, para evitar extravasar o conteúdo, embalar em invólucro plástico e congelar. 
Material subungueal
Deve-se passar o suabe suavemente na região logo abaixo das unhas. Jamais cortar ou extrair as unhas. Esse procedimento fatalmente prejudicará as análises laboratoriais. Utilizar um suabe para cada dedo. Secar as amostras à temperatura ambiente, ao abrigo da luz do sol. Embalar separadamente em invólucros de papel novos e preservar em local ventilado. 
Vestes
Quando possível e tendo-se a certeza da localização das amostras biológicas, deve-se recortar a parte de interesse e encaminhar para análise de DNA. Peças muito grandes como roupas de cama e banho, não precisam ser enviadas inteiras, somente as partes com as manchas que devem ser recortadas, mantidas secas à temperatura ambiente e abrigo do sol, identificadas e acondicionadas em invólucro de papel. No entanto, em caso de dúvida da localização da mancha na peça, a mesma deve ser enviada inteira ao laboratório. 
Vestígios secos
Em caso de suporte absorvente (banco de carro, roupa, almofada etc.) recomenda-se recortar parte da superfície. 
Quando o suporte for não-absorvente (parede, vidro etc.), recomenda-se a raspagem da superfície ou passar um suabe umedecido para proceder a coleta. 
As perícias de DNA para fins criminais, realizadas no âmbito das Polícias Científicas, englobam uma variedade de aplicações, dentre as quais, destacam-se: 
Confronto de vestígios
Trata-se das amostras biológicas coletadas em diferentes locais de crimes (crimes contra a vida, crimes contra o patrimônio, crimes sexuais etc.), cujos peritos criminais solicitam o confronto de perfis genéticos de vestígios coletados com perfis genéticos de amostras de referência da vítima ou do suspeito. 
Os exames de confronto são o caso clássico em que os exames de DNA são usados para fins forenses. Para exemplificar, podemos tomar uma situação hipotética em que um suspeito de haver cometido um homicídio foi localizado, por meio de denúncia de terceiros, em sua residência. Durante a abordagem policial constatou-se que suas vestes se encontravam manchadas com sangue, e, portanto, foram encaminhadas ao laboratório para serem periciadas. Neste caso, as análises serão realizadas para que sejam feitas a comparação entre o DNA obtido do sangue encontrado em suas vestes, com amostras da vítima. Além dessas amostras, foram encaminhadas também, amostras recolhidas sob as unhas da vítima. Assim, os perfis de DNA obtido entre as amostras de sangue recolhidas na veste e material recolhido sob as unhas podem ser comparados com amostras do suspeito. 
Uma situação bem peculiar que merece chamar atenção é em relação a superfícies que tiveram contato bastante sutil com as mãos (arma de fogo), os lábios (guimba de cigarro), etc., que podem apresentar uma camada de células descamativas, as quais podem fornecer o chamado DNA de contato (touch DNA). Este tipo de exame pode apontar, por exemplo, quem tocou o gatilho da arma encontrado em um local de crime. 
Crime sexual
Os casos de crimes sexuais, apesar de serem bastante semelhantes à comparação descrita nos casos de confronto acima, apresentam algumas particularidades que merecem destaque. As vítimas vivas de crimes sexuais, que normalmente, são indivíduos do sexo feminino adulto ou infantil, são submetidos à coleta de amostras questionadas, as quais habitualmente se tratam de suabes vaginal e perianal. As vítimas mortas passam pelos mesmos processos de coleta de amostras, porém realizadas exclusivamente no IML, pelos médicos legistas. Além dessas amostras, frequentemente são encaminhadas ao laboratório, vestes, roupas íntimas e roupas de cama para serem analisadas. 
Nos casos de violência sexual, além das amostras questionadas citadas anteriormente, são necessárias amostras referências, ou seja, suabes bucais da vítima, do(s) suspeito(s) e do parceiro consentido, se houver, para realizar a comparação entre os perfis obtidos. Faz-se a comparação entre o perfil obtido em uma roupa íntima (por exemplo), com o perfil do suspeito e da vítima, com o objetivo de verificar se o suspeito é o produtor do perfil identificado na amostra questionada. Mistura entre o material genético da vítima e do agressor é muito recorrente neste tipo de análise, o que dificulta, por muitas vezes, a leitura do perfil genético e identificação do agressor, ressaltando, portanto, a necessidade de se possuir uma amostra específica, individualizada da vítima e do(s) suspeito(s), o que justifica a coleta das amostras referências de ambos na forma de suabes orais. 
Vale ressaltar que há situações que as análises laboratoriais de individualização dos perfis tornam-se de difícil solução, como por exemplo, quando um mecanismo molecular, denominado amplificação preferencial, que ocorre devido à grande quantidade de material da vítima presente na amostra questionada, dificulta muito a visualização do perfil do agressor. Nesse caso, uma alternativa para verificar a presença de perfil masculino na amostra é pesquisar o cromossomo Y. Como, na maioria das vezes, o agressor é um indivíduo do sexo masculino, a amplificação do cromossomo Y específico masculino, se faz necessária. Assim tendo-se como alvo apenas o cromossomo Y, não importa a quantidade de material feminino presente na mistura, os reagentes irão “procurar” por Y e executar sua amplificação. Porém, é preciso ficar claro que, as análises do cromossomo Y não identificam o agressor, mas possibilitam a obtenção da linguagem patrilínea, ou seja, revela que se trata de um indivíduo do sexo masculino, pertencente a esta família, podendo ser o próprio suspeito, o pai, irmão etc., o quepode ser um ótimo direcionamento para todo o processo de investigação sobre o caso em questão. 
 
Saiba mais
 
A série “Inacreditável” oferece uma boa visão sobre o andamento de um caso de violência sexual. Inclusive a contribuição da Genética Forense para sua solução. 
Identificação de cadáver
Outras metodologias, além do DNA, podem ser utilizadas para a identificação de cadáver. A Seção Técnica de Papiloscopia, realiza exames em fragmentos de membros (dedos) na tentativa de modelar as impressões digitais e identificar os indivíduos. Já a seção de Odontologia Legal, que funciona normalmente no IML (Instituto Médico Legal), realiza a manipulação da arcada dentária e por comparação com as radiografias dentárias do desconhecido, que são fornecidos pelos parentes, conseguem fazer a identificação. Pode contar ainda, com o trabalho desenvolvido pelos médicos legistas na seção de antropologia legal. 
Para identificação de cadáver através do DNA, faz-se necessário a coleta de amostras questionadas extraídas do cadáver. O médico legista elege qual a melhor amostra biológica a ser coletada dependo das condições de conservação do corpo. Também é imprescindível a coleta de amostra referência fornecidas preferencialmente por parentes de primeiro grau (mãe, pai e filhos) ou na impossibilidade dessas e em última instância, amostras coletadas de pertences da vítima ou desaparecido (escova de dentes, vestuário etc.). 
A identificação de cadáver pode ser necessária em casos de desastre em massa, como desastres de avião, acidentes automobilísticos, rebelião em presídios, que provocam a morte de diversos indivíduos ao mesmo tempo. Nestas situações é necessário seguir o conjunto de metodologias denominado de Disaster Victim Identification. Este protocolo apresenta uma série de sugestões técnicas a se seguir para o bom andamento do trabalho a ser desenvolvido no laboratório, desde a organização de recebimento das amostras, identificação do material, número de pessoas requeridas para as atividades a serem desenvolvidas por etapa de trabalho. O objetivo é a organização de uma dinâmica de trabalho que impeça erros, contaminação de amostras e especialmente para agilidade do serviço prestado, minimizando o sofrimento dos familiares das vítimas. 
No Brasil, dois eventos de mesma natureza ocorreram no estado de Minas Gerais. Em 2015, no dia 05 de novembro, ocorreu um desastre na cidade histórica de Mariana, em Minas Gerais, com o rompimento da barragem de rejeitos de mineradora e ocasionou o óbito de 19 pessoas. Pouco mais de três anos após o desastre de Mariana/MG ocorreu nova catástrofe, desta vez em Brumadinho, uma cidade pertencente à região metropolitana da capital mineira, Belo Horizonte, no dia 25 de janeiro de 2019. Esse foi considerado o maior acidente de trabalho da história do Brasil por ter havido 130 óbitos de trabalhadores da mineradora Vale S.A. entre as 270 pessoas mortas, das quais ainda 6 pessoas se encontram desaparecidas (janeiro de 2022). Devido à imensa força da lama, os corpos das vítimas sofreram grande fragmentação, o que impossibilitou a identificação por outros métodos, e assim, tiveram que ser identificadas por meio de exame de DNA. 
Paternidade criminal
O DNA de cada ser humano é formado por metade da informação genética compartilhada pela mãe e metade do pai. O teste de paternidade pode ser utilizado tanto para casos cíveis, quanto criminais. Ele foi realizado por muitos anos, utilizando-se da análise do grupamento sanguíneo ABO, fatores Rh, Mn, Ss, Cc. Porém, as informações sobre o tipo sanguíneo apenas podiam ser usadas para excluir os pais, em vez de confirmação da paternidade. 
O direito ao reconhecimento da paternidade está assegurado na Constituição Federal, possui regulamentação no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Código Civil. Caso a pessoa apontada negue a paternidade que lhe foi atribuída, a averiguação da paternidade é remetida pela Justiça ao Ministério Público para prová-la por meio do teste de DNA. Nas paternidades cíveis podem ter como objetivo final a verificação da paternidade para fins de herança, pensão alimentícia. 
Já nos casos de paternidade criminal procura-se a verificação de que um crime de violência sexual, o qual foi impetrado a uma menor ou pessoa inimputável, que tenha resultado em gravidez. Normalmente, são utilizadas amostras-referência dos indivíduos envolvidos. Em casos mais raros, tecidos de anexos embrionários (placenta, cordão umbilical etc.). Em outras ocasiões, podem ser utilizados produtos de abortos autorizados pela justiça, em obediência à Cartilha de Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes, do Ministério da Saúde. 
 
Saiba mais
 
As naturezas de exames num laboratório de DNA forense muitas vezes se sobrepõem ou se multiplicam. Acontecem casos em que amostras de confronto são usadas para verificação se um cadáver ainda não identificado foi transportado num porta-malas ou, nos casos de famílias mortas em acidentes de veículo, um cadáver identificado pelo DNA é usado para identificar outro também aparentado. 
Diferentes tipos de tecidos biológicos podem ser elucidativos para os exames periciais e nenhum deles pode ser negligenciado, desde o momento da sua coleta, manuseio, armazenamento, transporte e análises periciais; 
As amostras forenses podem ser relacionadas à diferentes naturezas criminosas, desde violências sexuais até homicídios; 
As amostras forenses podem ser submetidas à diferentes análises dentro do laboratório de Genética Forense; e 
A cadeia de custódia é um elemento essencial e deve ser seguida de maneira estrita para garantir a autenticidade do vestígio. 
O Manual de Procedimentos Operacionais da RIBPG apresenta a padronização e recomendações para o manuseio correto das amostras biológicas. As alternativas abaixo descrevem alguns destes cuidados em relação ao sangue, EXCETO:
Escolha uma opção:
a. 
Embalar separadamente em invólucros de papel novos e preservar em local ventilado.
b. 
O material seco deve se raspado e acondicionado em papel de filtro, lacrado e identificado.
c. 
Se ainda líquido, deve ser recolhido do local de crime por meio de suportes, como papel de filtro.
d. 
Não é necessário secar as amostras, apenas colocar em ambiente com a luz do sol incidente.
e. 
Se úmido, utilizar no mínimo 2 suabes para a coleta.
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Sua resposta está correta.
A resposta correta é: Não é necessário secar as amostras, apenas colocar em ambiente com a luz do sol incidente.
Questão 2
Correto
Atingiu 10,00 de 10,00
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Texto da questão
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, sobre as capacidades do exame de DNA:
( ) O exame de DNA não é capaz de identificar uma pessoa que tocou um objeto.
( ) O material presente abaixo das unhas da vítima não pode ser analisado, porque apresenta uma mistura de material de vítima e agressor.
( ) O sangue presente na arma do crime não pode ser analisada. Afinal, este material não se encontra esterilizado.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Escolha uma opção:
a. 
F – F – F.
b. 
V – V – F.
c. 
V - V – V.
d. 
V – F – F.
e. 
F - V – V.
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Sua resposta está correta.
A resposta correta é: F – F – F.
Questão 3
Correto
Atingiu 10,00 de 10,00
Marcar questão
Texto da questão
Considerando a situação hipotética apresentada, julgue o item que se segue. Em uma cena de crime encontra-se o cadáver envolvo em uma mancha de sangue, com várias perfurações no abdome. E em outro cômodo da residência foi localizada uma faca. Em relação as amostras coletadas:
Escolha uma opção:
a. 
Deve ser coletado apenas o sangue e enviado ao laboratório, pois a faca encontrava-se em outro cômodo da residência, sem relação com a cena de crime.
b. 
Devem ser coletados amostra da mancha de sangue da vítima e a faca, acondicionados separadamente em invólucro de papel.
c. 
Devem ser coletados a faca, o sangue e os cabelos da vítima, acondicionados juntos.
d. 
Deve-se coletar apenas a faca, pois conteráo sangue da vítima.
e. 
Devem ser coletadas a faca e manchas de sangue acondicionando em sacos plásticos separados com identificação.
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Sua resposta está correta.
A resposta correta é: Devem ser coletados amostra da mancha de sangue da vítima e a faca, acondicionados separadamente em invólucro de papel.
Questão 4
Correto
Atingiu 10,00 de 10,00
Marcar questão
Texto da questão
O Perito Criminal é responsável pelo levantamento da cena de crime. E, portanto, deve adotar medidas para que as amostras biológicas de interesse forense sejam encaminhadas corretamente para análises de DNA. As alternativas abaixo afirmam o preconizado no enunciado acima, EXCETO:
Escolha uma opção:
a. 
O Manual de Procedimentos Operacionais (POP) apresenta a padronização e recomendações para que as ações sejam organizadas e garantir a cadeia de custódia.
b. 
A inobservância de um exame detalhado da cena de crime e a quebra da cadeia de custódia pode incorrer na inutilidade do trabalho pericial.
c. 
A falta dos devidos cuidados pode inviabilizar as análises e, portanto, comprometer a investigação criminal.
d. 
Os procedimentos adequados envolvem a coleta, armazenamento, acondicionamento e o envio dos vestígios para análises.
e. 
Um levantamento adequado de uma cena de crime é capaz de identificar o perfil da vítima e raramente do suspeito de ter cometido o crime.
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Sua resposta está correta.
A resposta correta é: Um levantamento adequado de uma cena de crime é capaz de identificar o perfil da vítima e raramente do suspeito de ter cometido o crime.
Questão 5
Incorreto
Atingiu 0,00 de 10,00
Marcar questão
Texto da questão
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, relacionadas às análises de DNA em casos de violência sexual:
( ) Em casos de violência sexual é comum a mistura de material genético da vítima e do agressor.
( ) Amplificação preferencial ocorre devido à grande quantidade de material da vítima presente na amostra questionada o que dificulta a visualização do perfil genético do agressor.
( ) Análises do cromossomo Y podem levantar informações genéticas do agressor, mesmo quando há amplificação preferencial do perfil genético da vítima.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Escolha uma opção:
a. 
V - V – V.
b. 
V – F – F.
c. 
V – V – F.
d. 
F - V – V.
e. 
F – F – F.
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Sua resposta está incorreta.
A resposta correta é: V - V – V.
ula 1 – Etapas da análise de DNA 
Para obtenção de um resultado, que será reportado em um laudo pericial, muitas etapas são necessárias para se processar as amostras biológicas. Desde etapas envolvendo metodologias de Biologia Molecular, além de etapas de análise como a leitura dos perfis genéticos e posteriormente as análises estatísticas que mostrarão a força dos resultados obtidos. 
Extração de DNA
As diferentes metodologias de extração do DNA existentes possuem duas finalidades básicas: a exposição do DNA e sua purificação. Como já dito anteriormente em outros capítulos desse curso, o DNA encontra-se no núcleo da célula, e, portanto, a metodologia de extração consiste em proceder a separação do DNA de demais elementos celulares ou até mesmo, de materiais contaminantes. É um passo fundamental para que as análises subsequentes direcionem a um perfil genético de qualidade. 
Ao se extrair o DNA, as amostras passam por manobras por meio de mistura com soluções que devem estar bem equilibradas e preparadas, a fim de que elas possam ser capazes de atuar na célula sem, no entanto, destruir o DNA que naturalmente está bem protegido por meio de uma membrana nuclear. Os métodos de extração passam por processos de avaliação, validação e testes, para que alcancem o objetivo de expor o DNA sem danificar. Por isso, os técnicos no laboratório devem fazer a escolha do melhor método, para cada tipo de amostra. Assim, a escolha do melhor método para se conseguir extrair o DNA é dependente do tipo, da quantidade e especialmente, da qualidade da amostra a ser analisada. As amostras forenses são desafiadoras, pois sob a ação do tempo e de substâncias interferentes podem dificultar muito a extração de um DNA de qualidade para ser utilizada nas demais etapas de análise. 
Basicamente o objetivo da extração, independente da metodologia utilizada, é romper a membrana celular, expor o núcleo da célula, eliminar os componentes celulares (organelas) e em seguida alcançar o DNA por meio purificação celular. 
Figura 14: Processo de extração de DNA de sangue total Fonte: ResearchGate. 
Quantificação de DNA
As metodologias de quantificação do DNA têm como objetivo básico, como o próprio nome indica, verificar a quantidade de DNA humano obtido na extração. Afinal, tecidos biológicos diferentes fornecem quantidade de DNA diferentes. Quando se trata ainda de amostras forenses estas quantidades podem variar mais ainda, já que podem ser expostas a contaminantes, ação do tempo, temperatura e outros interferentes. A quantificação também irá avaliar a qualidade do DNA obtido por meio da verificação do grau de degradação do mesmo, visto que DNA muito fragmentado pode não fornecer dados de qualidade para permitir uma análise precisa do caso. 
Estas metodologias podem também verificar a presença de inibidores, elementos presentes nas amostras que impossibilitam boas reações de PCR, que serão mais explicadas adiante. No processo de quantificação do DNA pode ser verificada também a proporção de material genético feminino e masculino. Informação esta, que é de suma importância em amostras relacionadas à violência sexual. Sabendo esta proporção já se pode estimar se poderá ser conseguido um perfil de mistura, ou se será observado apenas o perfil da vítima. 
Por último, mas não menos importante, a quantificação específica de cromossomo Y pode ser averiguada para uma possível amplificação destas regiões para obtenção, desta forma, do haplótipo de cromossomo Y das amostras relacionadas a crimes sexuais. 
Amplificação de DNA
A reação em Cadeia da Polimerase (PCR, Polymerase Chain Reaction) foi desenvolvida pelo bioquímico norte americano Kary Mullis (1944-2019) em 1985, que recebeu o Prêmio Nobel de Química em 1993. A PCR é uma reação que propicia a cópia do DNA de maneira exponencial. Esta metodologia revolucionou a biologia molecular por sua capacidade de amplificação da quantidade de DNA presente em uma amostra. Se tratando da Genética Forense, a PCR foi essencial, afinal o DNA provindo de local de crime, normalmente estará em baixa quantidade, com impurezas e degradado. Portanto, a capacidade multiplicativa da PCR pode ser um elemento fundamental para contornar estes problemas. 
Basicamente, a reação de PCR é uma reação que consiste em fazer, de forma seletiva, muitas cópias (amplificação) de uma região específica do DNA, marcador genético, em meio ao DNA total de uma amostra, para comparar o DNA da cena do crime com os suspeitos. Por meio de um par de oligonucleotídeos iniciadores (primers) que são complementares a uma região nas duas fitas de DNA, a enzima taq polimerase adiciona dNTPs (nucleotídeos: adenina e timina, citosina e guanina) as novas fitas a serem sintetizadas. 
Figura 15: A duplicação do DNA por meio de um par de primers na reação de PCR Fonte: Khan Academy. 
Eletroforese capilar
Eletroforese é uma técnica que se baseia na capacidade de as moléculas migrarem em um meio, por diferença de campo elétrico. Os ácidos nucleicos, que compõem o DNA, possuem uma carga negativa devido à presença do grupamento fosfato. Dessa forma, quando aplicados em um meio e ligados a um sistema capaz de induzir uma diferença de carga elétrica, há uma tendência a migrarem para o polo positivo do sistema. Os meios onde o DNA é colocado variam de gel de agarose, poliacrilamida que possuem uma malha, por onde o DNA deve passar durante a migração. 
Atualmente, a eletroforese capilar é a mais utilizada. Os capilares têm em seu interior um polímero viscoso e poroso, no qual os amplicons (fragmentos de DNA amplificados pela reação de PCR), que apresentam tamanhos distintosde acordo com sua natureza, serão separados de acordo com sua velocidade de migração a qual está diretamente relacionada com seu comprimento. Portanto, fragmentos menores migram mais rápido por terem menos massa e ficarem menos presos a viscosidade do polímero e fragmentos maiores terão o efeito contrário, migrando mais devagar. 
Leitura de perfis genéticos
A leitura dos perfis genéticos (figuras 1 e 2), ou seja, visualização e interpretação dos perfis obtidos na eletroforese capilar exigem habilidade e experiência do perito criminal uma vez que a qualidade e o grau de informação devem ser avaliados. O perito criminal necessita distinguir com segurança os elementos verídicos dos artefatos de análise que podem ser vários (stutter, alelos nulos, drop-out, drop-in, spikes etc.). 
Um bom perito criminal pode também, mesmo avaliando um resultado como insatisfatório, averiguar qual reanálise deve ser feita, de acordo com as informações contidas no perfil. O perito criminal responsável pode, por exemplo, requisitar uma nova extração da amostra com metodologia diferente, voltando ao começo da análise da amostra, ou pode até mesmo pedir uma nova eletroforese da amostra. 
Figura 16: A visualização de um perfil genético masculino provindo de uma eletroforese capilar Fonte: promega. 
Figura 17: A visualização de um perfil genético feminino provindo de uma eletroforese capilar Fonte: promega. 
Figura 18: Processamento da evidência biológica de um crime até sua comparação com perfil genético de suspeito/vítima/familiar Fonte: Imagem extraída de Garrido, 2009. 
Análises estatísticas
Uma vez que o perito criminal obtém os perfis necessários para prosseguir com o caso, as análises estatísticas devem ser realizadas para verificação se os resultados obtidos podem ser considerados com poder de discriminação necessário para liberação do laudo pericial. 
Caso os valores obtidos não ofereçam os parâmetros necessários para a finalização do caso, o perito criminal pode encaminhar o caso para novas análises e/ou até mesmo pedir novas amostras que potencialmente asseguram resultados dentro dos critérios estabelecidos pelo Laboratório Forense. 
Diferente do que é divulgado pela grande mídia, os laudos periciais não são liberados normalmente com valores de probabilidade em porcentagem. O afamado 99,999%!!! Na verdade, o valor liberado é de uma grandeza chamada LR (Likelihood ratio, em português Razão de Verossimilhança). O LR é, nada mais, que o confronto dentre duas hipóteses, no qual é feita a proporção da hipótese de acusação (H1) e da hipótese de defesa (H2). Quanto maior for esta proporção, quanto maior for H1 em relação a H2, mais forte será o resultado do exame de DNA. Portanto, por exemplo, quando se lê em um laudo que o LR foi de 5 milhões, isso quer dizer que a hipótese de acusação é 5 milhões de vezes maior que a hipótese de defesa, ou seja, os resultados estatísticos dos exames de DNA são imensamente robustos. 
 
Saiba mais
 
Veja mais de perto a explicação metodológica das técnicas para análise de DNA e a resolução de um caso por nossos colegas do Distrito Federal. 
Análise Forense de DNA; 
Notícia da resolução de caso no DF. 
 
Aula 1 – Etapas da análise de DNA 
Para obtenção de um resultado, que será reportado em um laudo pericial, muitas etapas são necessárias para se processar as amostras biológicas. Desde etapas envolvendo metodologias de Biologia Molecular, além de etapas de análise como a leitura dos perfis genéticos e posteriormente as análises estatísticas que mostrarão a força dos resultados obtidos. 
Extração de DNA
As diferentes metodologias de extração do DNA existentes possuem duas finalidades básicas: a exposição do DNA e sua purificação. Como já dito anteriormente em outros capítulos desse curso, o DNA encontra-se no núcleo da célula, e, portanto, a metodologia de extração consiste em proceder a separação do DNA de demais elementos celulares ou até mesmo, de materiais contaminantes. É um passo fundamental para que as análises subsequentes direcionem a um perfil genético de qualidade. 
Ao se extrair o DNA, as amostras passam por manobras por meio de mistura com soluções que devem estar bem equilibradas e preparadas, a fim de que elas possam ser capazes de atuar na célula sem, no entanto, destruir o DNA que naturalmente está bem protegido por meio de uma membrana nuclear. Os métodos de extração passam por processos de avaliação, validação e testes, para que alcancem o objetivo de expor o DNA sem danificar. Por isso, os técnicos no laboratório devem fazer a escolha do melhor método, para cada tipo de amostra. Assim, a escolha do melhor método para se conseguir extrair o DNA é dependente do tipo, da quantidade e especialmente, da qualidade da amostra a ser analisada. As amostras forenses são desafiadoras, pois sob a ação do tempo e de substâncias interferentes podem dificultar muito a extração de um DNA de qualidade para ser utilizada nas demais etapas de análise. 
Basicamente o objetivo da extração, independente da metodologia utilizada, é romper a membrana celular, expor o núcleo da célula, eliminar os componentes celulares (organelas) e em seguida alcançar o DNA por meio purificação celular. 
Figura 14: Processo de extração de DNA de sangue total Fonte: ResearchGate. 
Quantificação de DNA
As metodologias de quantificação do DNA têm como objetivo básico, como o próprio nome indica, verificar a quantidade de DNA humano obtido na extração. Afinal, tecidos biológicos diferentes fornecem quantidade de DNA diferentes. Quando se trata ainda de amostras forenses estas quantidades podem variar mais ainda, já que podem ser expostas a contaminantes, ação do tempo, temperatura e outros interferentes. A quantificação também irá avaliar a qualidade do DNA obtido por meio da verificação do grau de degradação do mesmo, visto que DNA muito fragmentado pode não fornecer dados de qualidade para permitir uma análise precisa do caso. 
Estas metodologias podem também verificar a presença de inibidores, elementos presentes nas amostras que impossibilitam boas reações de PCR, que serão mais explicadas adiante. No processo de quantificação do DNA pode ser verificada também a proporção de material genético feminino e masculino. Informação esta, que é de suma importância em amostras relacionadas à violência sexual. Sabendo esta proporção já se pode estimar se poderá ser conseguido um perfil de mistura, ou se será observado apenas o perfil da vítima. 
Por último, mas não menos importante, a quantificação específica de cromossomo Y pode ser averiguada para uma possível amplificação destas regiões para obtenção, desta forma, do haplótipo de cromossomo Y das amostras relacionadas a crimes sexuais. 
Amplificação de DNA
A reação em Cadeia da Polimerase (PCR, Polymerase Chain Reaction) foi desenvolvida pelo bioquímico norte americano Kary Mullis (1944-2019) em 1985, que recebeu o Prêmio Nobel de Química em 1993. A PCR é uma reação que propicia a cópia do DNA de maneira exponencial. Esta metodologia revolucionou a biologia molecular por sua capacidade de amplificação da quantidade de DNA presente em uma amostra. Se tratando da Genética Forense, a PCR foi essencial, afinal o DNA provindo de local de crime, normalmente estará em baixa quantidade, com impurezas e degradado. Portanto, a capacidade multiplicativa da PCR pode ser um elemento fundamental para contornar estes problemas. 
Basicamente, a reação de PCR é uma reação que consiste em fazer, de forma seletiva, muitas cópias (amplificação) de uma região específica do DNA, marcador genético, em meio ao DNA total de uma amostra, para comparar o DNA da cena do crime com os suspeitos. Por meio de um par de oligonucleotídeos iniciadores (primers) que são complementares a uma região nas duas fitas de DNA, a enzima taq polimerase adiciona dNTPs (nucleotídeos: adenina e timina, citosina e guanina) as novas fitas a serem sintetizadas. 
Figura 15: A duplicação do DNA por meio de um par de primers na reação de PCR Fonte: Khan Academy. 
Eletroforese capilar
Eletroforese é uma técnicaque se baseia na capacidade de as moléculas migrarem em um meio, por diferença de campo elétrico. Os ácidos nucleicos, que compõem o DNA, possuem uma carga negativa devido à presença do grupamento fosfato. Dessa forma, quando aplicados em um meio e ligados a um sistema capaz de induzir uma diferença de carga elétrica, há uma tendência a migrarem para o polo positivo do sistema. Os meios onde o DNA é colocado variam de gel de agarose, poliacrilamida que possuem uma malha, por onde o DNA deve passar durante a migração. 
Atualmente, a eletroforese capilar é a mais utilizada. Os capilares têm em seu interior um polímero viscoso e poroso, no qual os amplicons (fragmentos de DNA amplificados pela reação de PCR), que apresentam tamanhos distintos de acordo com sua natureza, serão separados de acordo com sua velocidade de migração a qual está diretamente relacionada com seu comprimento. Portanto, fragmentos menores migram mais rápido por terem menos massa e ficarem menos presos a viscosidade do polímero e fragmentos maiores terão o efeito contrário, migrando mais devagar. 
Leitura de perfis genéticos
A leitura dos perfis genéticos (figuras 1 e 2), ou seja, visualização e interpretação dos perfis obtidos na eletroforese capilar exigem habilidade e experiência do perito criminal uma vez que a qualidade e o grau de informação devem ser avaliados. O perito criminal necessita distinguir com segurança os elementos verídicos dos artefatos de análise que podem ser vários (stutter, alelos nulos, drop-out, drop-in, spikes etc.). 
Um bom perito criminal pode também, mesmo avaliando um resultado como insatisfatório, averiguar qual reanálise deve ser feita, de acordo com as informações contidas no perfil. O perito criminal responsável pode, por exemplo, requisitar uma nova extração da amostra com metodologia diferente, voltando ao começo da análise da amostra, ou pode até mesmo pedir uma nova eletroforese da amostra. 
Figura 16: A visualização de um perfil genético masculino provindo de uma eletroforese capilar Fonte: promega. 
Figura 17: A visualização de um perfil genético feminino provindo de uma eletroforese capilar Fonte: promega. 
Figura 18: Processamento da evidência biológica de um crime até sua comparação com perfil genético de suspeito/vítima/familiar Fonte: Imagem extraída de Garrido, 2009. 
Análises estatísticas
Uma vez que o perito criminal obtém os perfis necessários para prosseguir com o caso, as análises estatísticas devem ser realizadas para verificação se os resultados obtidos podem ser considerados com poder de discriminação necessário para liberação do laudo pericial. 
Caso os valores obtidos não ofereçam os parâmetros necessários para a finalização do caso, o perito criminal pode encaminhar o caso para novas análises e/ou até mesmo pedir novas amostras que potencialmente asseguram resultados dentro dos critérios estabelecidos pelo Laboratório Forense. 
Diferente do que é divulgado pela grande mídia, os laudos periciais não são liberados normalmente com valores de probabilidade em porcentagem. O afamado 99,999%!!! Na verdade, o valor liberado é de uma grandeza chamada LR (Likelihood ratio, em português Razão de Verossimilhança). O LR é, nada mais, que o confronto dentre duas hipóteses, no qual é feita a proporção da hipótese de acusação (H1) e da hipótese de defesa (H2). Quanto maior for esta proporção, quanto maior for H1 em relação a H2, mais forte será o resultado do exame de DNA. Portanto, por exemplo, quando se lê em um laudo que o LR foi de 5 milhões, isso quer dizer que a hipótese de acusação é 5 milhões de vezes maior que a hipótese de defesa, ou seja, os resultados estatísticos dos exames de DNA são imensamente robustos. 
 
Saiba mais
 
Veja mais de perto a explicação metodológica das técnicas para análise de DNA e a resolução de um caso por nossos colegas do Distrito Federal. 
Análise Forense de DNA; 
Notícia da resolução de caso no DF. 
Aula 1 – Etapas da análise de DNA 
Para obtenção de um resultado, que será reportado em um laudo pericial, muitas etapas são necessárias para se processar as amostras biológicas. Desde etapas envolvendo metodologias de Biologia Molecular, além de etapas de análise como a leitura dos perfis genéticos e posteriormente as análises estatísticas que mostrarão a força dos resultados obtidos. 
Extração de DNA
As diferentes metodologias de extração do DNA existentes possuem duas finalidades básicas: a exposição do DNA e sua purificação. Como já dito anteriormente em outros capítulos desse curso, o DNA encontra-se no núcleo da célula, e, portanto, a metodologia de extração consiste em proceder a separação do DNA de demais elementos celulares ou até mesmo, de materiais contaminantes. É um passo fundamental para que as análises subsequentes direcionem a um perfil genético de qualidade. 
Ao se extrair o DNA, as amostras passam por manobras por meio de mistura com soluções que devem estar bem equilibradas e preparadas, a fim de que elas possam ser capazes de atuar na célula sem, no entanto, destruir o DNA que naturalmente está bem protegido por meio de uma membrana nuclear. Os métodos de extração passam por processos de avaliação, validação e testes, para que alcancem o objetivo de expor o DNA sem danificar. Por isso, os técnicos no laboratório devem fazer a escolha do melhor método, para cada tipo de amostra. Assim, a escolha do melhor método para se conseguir extrair o DNA é dependente do tipo, da quantidade e especialmente, da qualidade da amostra a ser analisada. As amostras forenses são desafiadoras, pois sob a ação do tempo e de substâncias interferentes podem dificultar muito a extração de um DNA de qualidade para ser utilizada nas demais etapas de análise. 
Basicamente o objetivo da extração, independente da metodologia utilizada, é romper a membrana celular, expor o núcleo da célula, eliminar os componentes celulares (organelas) e em seguida alcançar o DNA por meio purificação celular. 
Figura 14: Processo de extração de DNA de sangue total Fonte: ResearchGate. 
Quantificação de DNA
As metodologias de quantificação do DNA têm como objetivo básico, como o próprio nome indica, verificar a quantidade de DNA humano obtido na extração. Afinal, tecidos biológicos diferentes fornecem quantidade de DNA diferentes. Quando se trata ainda de amostras forenses estas quantidades podem variar mais ainda, já que podem ser expostas a contaminantes, ação do tempo, temperatura e outros interferentes. A quantificação também irá avaliar a qualidade do DNA obtido por meio da verificação do grau de degradação do mesmo, visto que DNA muito fragmentado pode não fornecer dados de qualidade para permitir uma análise precisa do caso. 
Estas metodologias podem também verificar a presença de inibidores, elementos presentes nas amostras que impossibilitam boas reações de PCR, que serão mais explicadas adiante. No processo de quantificação do DNA pode ser verificada também a proporção de material genético feminino e masculino. Informação esta, que é de suma importância em amostras relacionadas à violência sexual. Sabendo esta proporção já se pode estimar se poderá ser conseguido um perfil de mistura, ou se será observado apenas o perfil da vítima. 
Por último, mas não menos importante, a quantificação específica de cromossomo Y pode ser averiguada para uma possível amplificação destas regiões para obtenção, desta forma, do haplótipo de cromossomo Y das amostras relacionadas a crimes sexuais. 
Amplificação de DNA
A reação em Cadeia da Polimerase (PCR, Polymerase Chain Reaction) foi desenvolvida pelo bioquímico norte americano Kary Mullis (1944-2019) em 1985, que recebeu o Prêmio Nobel de Química em 1993. A PCR é uma reação que propicia a cópia do DNA de maneira exponencial. Esta metodologia revolucionou a biologia molecular por sua capacidade de amplificação da quantidade de DNA presente em uma amostra. Se tratando da Genética Forense, a PCR foi essencial, afinal o DNA provindo de local de crime, normalmente estará em baixa quantidade, com impurezas e degradado. Portanto, a capacidademultiplicativa da PCR pode ser um elemento fundamental para contornar estes problemas. 
Basicamente, a reação de PCR é uma reação que consiste em fazer, de forma seletiva, muitas cópias (amplificação) de uma região específica do DNA, marcador genético, em meio ao DNA total de uma amostra, para comparar o DNA da cena do crime com os suspeitos. Por meio de um par de oligonucleotídeos iniciadores (primers) que são complementares a uma região nas duas fitas de DNA, a enzima taq polimerase adiciona dNTPs (nucleotídeos: adenina e timina, citosina e guanina) as novas fitas a serem sintetizadas. 
Figura 15: A duplicação do DNA por meio de um par de primers na reação de PCR Fonte: Khan Academy. 
Eletroforese capilar
Eletroforese é uma técnica que se baseia na capacidade de as moléculas migrarem em um meio, por diferença de campo elétrico. Os ácidos nucleicos, que compõem o DNA, possuem uma carga negativa devido à presença do grupamento fosfato. Dessa forma, quando aplicados em um meio e ligados a um sistema capaz de induzir uma diferença de carga elétrica, há uma tendência a migrarem para o polo positivo do sistema. Os meios onde o DNA é colocado variam de gel de agarose, poliacrilamida que possuem uma malha, por onde o DNA deve passar durante a migração. 
Atualmente, a eletroforese capilar é a mais utilizada. Os capilares têm em seu interior um polímero viscoso e poroso, no qual os amplicons (fragmentos de DNA amplificados pela reação de PCR), que apresentam tamanhos distintos de acordo com sua natureza, serão separados de acordo com sua velocidade de migração a qual está diretamente relacionada com seu comprimento. Portanto, fragmentos menores migram mais rápido por terem menos massa e ficarem menos presos a viscosidade do polímero e fragmentos maiores terão o efeito contrário, migrando mais devagar. 
Leitura de perfis genéticos
A leitura dos perfis genéticos (figuras 1 e 2), ou seja, visualização e interpretação dos perfis obtidos na eletroforese capilar exigem habilidade e experiência do perito criminal uma vez que a qualidade e o grau de informação devem ser avaliados. O perito criminal necessita distinguir com segurança os elementos verídicos dos artefatos de análise que podem ser vários (stutter, alelos nulos, drop-out, drop-in, spikes etc.). 
Um bom perito criminal pode também, mesmo avaliando um resultado como insatisfatório, averiguar qual reanálise deve ser feita, de acordo com as informações contidas no perfil. O perito criminal responsável pode, por exemplo, requisitar uma nova extração da amostra com metodologia diferente, voltando ao começo da análise da amostra, ou pode até mesmo pedir uma nova eletroforese da amostra. 
Figura 16: A visualização de um perfil genético masculino provindo de uma eletroforese capilar Fonte: promega. 
Figura 17: A visualização de um perfil genético feminino provindo de uma eletroforese capilar Fonte: promega. 
Figura 18: Processamento da evidência biológica de um crime até sua comparação com perfil genético de suspeito/vítima/familiar Fonte: Imagem extraída de Garrido, 2009. 
Análises estatísticas
Uma vez que o perito criminal obtém os perfis necessários para prosseguir com o caso, as análises estatísticas devem ser realizadas para verificação se os resultados obtidos podem ser considerados com poder de discriminação necessário para liberação do laudo pericial. 
Caso os valores obtidos não ofereçam os parâmetros necessários para a finalização do caso, o perito criminal pode encaminhar o caso para novas análises e/ou até mesmo pedir novas amostras que potencialmente asseguram resultados dentro dos critérios estabelecidos pelo Laboratório Forense. 
Diferente do que é divulgado pela grande mídia, os laudos periciais não são liberados normalmente com valores de probabilidade em porcentagem. O afamado 99,999%!!! Na verdade, o valor liberado é de uma grandeza chamada LR (Likelihood ratio, em português Razão de Verossimilhança). O LR é, nada mais, que o confronto dentre duas hipóteses, no qual é feita a proporção da hipótese de acusação (H1) e da hipótese de defesa (H2). Quanto maior for esta proporção, quanto maior for H1 em relação a H2, mais forte será o resultado do exame de DNA. Portanto, por exemplo, quando se lê em um laudo que o LR foi de 5 milhões, isso quer dizer que a hipótese de acusação é 5 milhões de vezes maior que a hipótese de defesa, ou seja, os resultados estatísticos dos exames de DNA são imensamente robustos. 
 
Saiba mais
 
Veja mais de perto a explicação metodológica das técnicas para análise de DNA e a resolução de um caso por nossos colegas do Distrito Federal. 
Análise Forense de DNA; 
Notícia da resolução de caso no DF. 
Aula 2 – Bancos de perfis genéticos 
Os Bancos de perfis genéticos, a cada dia, estão sendo mais usados pelas polícias em todo mundo. Sua capacidade de vincular indivíduos ao evento criminoso, mesmo sem haver elementos anteriores que indiquem uma ligação, são um advento que hoje é visto como imprescindível para as forças policiais. 
 
Saiba mais
 
Para saber mais, acesse: 
Ciência Contra o Crime: DNA forense aumenta a eficácia da perícia criminal. 
Histórico do banco de perfis genéticos
O avanço da ciência e tecnologia forense tiveram destaque em meados da década de 1980, quando as técnicas de identificação fundamentadas na análise direta do DNA tornaram-se uma das mais poderosas ferramentas para a identificação humana e investigações criminais, possibilitando a identificação de criminosos em casos em que não há suspeita de autoria. A identidade pode ser descrita como a soma de caracteres que individualizam uma pessoa, distinguindo-a das demais, enquanto o emprego de meios adequados para determinar a identidade ou não identidade das pessoas é o processo de identificação. Os perfis genéticos armazenados nos bancos de dados são confrontados na busca de coincidências que permitam relacionar suspeitos aos locais de crime, ou mesmo relacionar um único suspeito a mais de um local de crime. 
Em 1995, o Reino Unido passou a utilizar o banco de perfis genéticos. Já nos EUA, a partir de 1998, o FBI (Federal Bureau of Investigation), com a denominação NDIS (National DNA Index System), passou a utilizar o software CODIS (Combined DNA Index System), na análise dos perfis genéticos armazenados. O CODIS é um software que armazena e compara, eletronicamente, perfis de DNA elaborados com base em marcadores moleculares a partir de vestígios biológicos. Este software permite a troca e cruzamento de informações entre regiões. O software CODIS foi desenvolvido pelo FBI e por ele cedido à Polícia Federal Brasileira, para instalação em 2010, em Brasília/DF. Por meio do uso do software os laboratórios forenses estaduais e o laboratório federal alimentam o banco de dados para que compartilhem e comparem perfis de DNA, ligando, assim, crimes violentos em série entre si e a ofensores conhecidos, bem como auxilia na identificação de indivíduos desaparecidos ou pessoas não identificadas e, também, identificando vítimas de desastre. 
No Brasil, em maio de 2012 foi sancionada a Lei nº 12.654, inaugurando no ordenamento jurídico pátrio a possibilidade de coleta de perfil genético, como forma de identificação criminal, cuja normativa refere-se, no art. 9°, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA, por técnica adequada e indolor, para os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra pessoa ou pelos crimes previstos no art. 1o da Lei n° 8.072, de 25 de julho 1990. Dada a recentidade do tema no cenário jurídico nacional, em 2017 houve uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal para debater a doação compulsória de amostras pelos condenados. Foram questionadas possíveis violações de princípios legais como o da privacidade, dignidade, intimidade, o da não autoincriminação, além do art. 5°, inciso II, da Constituição Federal, segundo o qual “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Também no campo da bioética, surgiram ressalvas ao tema, especialmenterelacionadas a possíveis utilizações indevidas das informações genéticas para outras finalidades que não a persecução penal, possibilitando uma doutrina baseada na criminologia genética. Porém, fica claro que por meio dos procedimentos exigidos para coleta das amostras nos investigados, esta será sempre realizada por meio indolor, não invasivo e, ademais, que não traduza informações fenotípicas ou comportamentais do réu. Portanto, o objeto de análise forense para auxílio da investigação policial, será o perfil genético coletado para comparação e não a análise de todo o DNA do suposto autor. Desta forma, assim como a coleta de dados do suspeito, como suas impressões digitais, ou sua fotografia para fins de identificação criminal, a coleta de perfil genético é mais uma possibilidade à disposição da justiça. 
Rede integrada de perfis genéticos
A implantação e uso de bancos de perfis genéticos foram instituídos por meio de uma rede organizada de laboratórios periciais criminais e implementado o Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG) e, somente em 2012, o Brasil começou a coletar e armazenar dados para identificação criminal, por meio do software CODIS, como ponto de partida para a formação da RIBPG. A rede foi instituída pelo Decreto nº 7.950/2013, e alterada pelo Decreto nº 9.817/2019. A RIBPG apresenta como principal finalidade manter, compartilhar e comparar perfis genéticos a fim de ajudar na apuração criminal e/ou na instrução processual. Regularmente, os perfis genéticos armazenados nos bancos de dados são confrontados em busca de coincidências que permitam relacionar suspeitos a locais de crime ou diferentes locais de crime entre si. Assim, os perfis genéticos gerados pelos laboratórios da RIBPG e que atendem aos critérios de admissibilidade previstos no Manual de Procedimentos Operacionais, são enviados ao BNPG para os confrontos com os perfis gerados pelos 22 laboratórios de Genética Forense estaduais, bem como, é possível o confronto de perfis entre países, intermediado pela Interpol. 
A utilização dos bancos de perfis genéticos pode ser empregada na identificação de pessoas desaparecidas em que os perfis dos restos mortais e de pessoas de identidade desconhecida são confrontados com os perfis de familiares ou de referência direta do desaparecido, (como por exemplo escova de dentes, fios de cabelo existentes em escova pessoal do desaparecido). 
Até maio de 2021, 22 laboratórios de genética forense formam a RIBPG criada com a finalidade de manter, compartilhar e comparar perfis genéticos, a fim de ajudar na apuração criminal, sendo 20 laboratórios estaduais, um laboratório no DF e um laboratório da Polícia Federal. Apesar do desenvolvimento da Genética Forense no Brasil, até início do ano de 2021, seis estados brasileiros ainda não faziam parte da RIBPG, a saber: Acre, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e Tocantins. Isto quer dizer que caso um crime ocorra nestes estados e o autor cometa outro crime em um estado diverso, não haverá como relacionar os crimes praticados por meio dos perfis genéticos coletados nos locais de crime. Cabe salientar que a adesão dos estados e do Distrito Federal à RIBPG ocorreu por meio de acordo de cooperação técnica celebrado entre a unidade federada e o Ministério da Justiça, necessitando de uma infraestrutura laboratorial adequada para que o proponente estivesse apto para participar desta rede. Entre os requisitos necessários para a admissão do laboratório na RIBPG estão: experiência laboratorial; qualificação técnico-científica dos membros do laboratório para a execução do processamento e das análises; estrutura física e equipamentos adequados; procedimentos e metodologias condizentes com as análises realizadas, entre outros fatores. Os laboratórios devem também possuir um administrador e um perito criminal do banco de perfis genéticos do laboratório, responsáveis por gerir e inserir os dados no CODIS. 
De acordo com o XIV Relatório Semestral Comitê Gestor (2020-2021), tendo-se como base a data de 28 de maio de 2021, o estado com maior contribuição absoluta de perfis genéticos no BNPG é São Paulo (18.546 perfis), seguido por Pernambuco (14.382 perfis), Minas Gerais (9.369 perfis) e Goiás (9.202 perfis), nesta ordem. Verifica-se que atualmente há no BNPG uma maior proporção de perfis genéticos de condenados (75,46%), seguido de vestígios (16,42%), restos mortais não identificados (3,69%) e familiares de pessoas desaparecidas (2,79%). 
Atualmente, os maiores contribuintes na categoria vestígios de crime são: São Paulo (6.763 perfis), Polícia Federal (2.432 perfis) e Goiás (1.572 perfis). No que se refere à categoria condenados, as maiores contribuições são dos estados de Pernambuco (13.093 perfis), São Paulo (10.960 perfis) e Minas Gerais (7.808 perfis). Dados do XIV Relatório Semestral do Comitê Gestor, datado de maio de 2021, informam ainda, que o BNPG que teve um incremento de 18.677 perfis genéticos no período de 28 de novembro de 2020 a 28 de maio de 2021, o que equivale a um aumento de 20% no último semestre, mesmo em tempos de pandemia, que limitou a continuidade de coleta de amostras. Por unidades da Federação, merece destaque os estados de Rondônia (338%), Minas Gerais (93%) e Alagoas (79%). Em termos absolutos, os destaques são os estados de Minas Gerais (4.539 novos perfis), Rio Grande do Sul (2.316 novos perfis) e Goiás (2.100 novos perfis). 
Em relação a identificação de pessoas desaparecidas, merece destaque o Rio de Janeiro pela inserção de perfis oriundos, tanto de referências diretas e indiretas de pessoas desaparecidas, quanto de restos mortais não identificados e pessoas de identidade desconhecida (N=1.275), seguido pelo Rio Grande do Sul (N=857) e Minas Gerais (N=693). A recente Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, lançada em maio de 2021, deverá elevar os números de perfis genéticos da RIBPG. 
Para saber mais, assista ao vídeo abaixo sobre o Lançamento da Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas. 
 
Os dados e análises disponibilizadas no XIV Relatório do Comitê Gestor, permitem uma melhor compreensão do impacto do trabalho desenvolvido pela equipe dos laboratórios que compõem a RIBPG, que apresentou ao poder público 3.666 coincidências confirmadas (aquelas observadas entre vestígios ou entre vestígio e indivíduo cadastrado criminalmente), sendo 2.845 entre vestígios e 821 entre vestígio e indivíduo cadastrado criminalmente, e auxiliou 2.802 investigações (procedimento de investigação criminal no qual o banco de perfis genéticos adiciona valor ao processo investigativo). Esses dados revelam que a taxa de coincidência para os casos criminais vem crescendo constantemente, acompanhando o aumento de perfis genéticos que ingressam na RIBPG, especialmente de indivíduos cadastrados criminalmente e destacam o aumento de eficiência dos bancos de perfis genéticos brasileiros levando a uma maior chance de se encontrar informações que ajudarão na elucidação dos crimes investigados por meio ingresso do perfil genético nos bancos de dados que compõem a RIBPG. 
Legislação
Com a criação da Rede Nacional de Genética Forense em 2004, pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, foi possível ampliar o número de laboratórios de genética forense e melhorar os já existentes. Em 2008, firmou-se um convênio entre o FBI e o Departamento da Polícia Federal para implantação e utilização do software CODIS no Brasil. Em busca de uma legislação específica relacionada ao banco de dados de perfis genéticos no Brasil, foi publicada a Lei n° 12.654, de 28 de maio de 2012, que prevê a coleta de material biológico como parte da identificação criminal e a possibilidade de reunir tais informações em um banco nacional de dados de perfis genéticos. O decreto nº 7.950, de 12 de março de 2013, do Ministério da Justiça, instituiu o BNPG e a RIBPG com a finalidade principal de manter, compartilhar e comparar perfis genéticos, a fim de ajudar na apuração criminal e na instrução processual. No caso doBrasil, o BNPG é vinculado ao Ministério da Justiça e sob a coordenação de um perito criminal Federal com experiência em Genética Forense. Já o comitê gestor da RIBPG tem representantes do Ministério Público, Secretaria Nacional dos Direitos Humanos e representantes das cinco regiões do Brasil. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1° da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, são submetidos obrigatoriamente à identificação do perfil genético. Com isso, a lei nº 12.654, de 28 de maio de 2012, alterou a lei nº 12.037 de 2009 (Lei de Identificação Criminal) e a lei nº 7.210 de 1984 (Lei de Execução Penal), a fim de permitir a identificação criminal por meio do perfil genético. 
Desta maneira, criminosos condenados por crimes como homicídio, latrocínio, estupro, lesão corporal de natureza grave, entre outros, deverão ser compulsoriamente submetidos à coleta de DNA. Ressalta-se que constitui falta grave a recusa do condenado em submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético, segundo Lei 13.964, de 24 de dezembro de 2019, cuja recusa deve ser documentada e comunicada à autoridade judiciária para que seja avaliada e tomadas as providências cabíveis. 
Casos de repercussão
Os laboratórios de Genética Forense realizam um número crescente de análises de DNA, na resolução de casos de identificação de cadáver, crimes relacionados à violência sexual, paternidade criminal, bem como analisam amostras provenientes de locais de crime, com o objetivo de obter coincidência com amostra da vítima ou com possíveis autores do delito. 
Os perfis genéticos armazenados nos bancos de dados são confrontados na busca de coincidências que permitam relacionar suspeitos aos locais de crime, ou mesmo relacionar um único suspeito a mais de um local de crime como, por exemplo, criminosos em série (serial killer) ou em casos de crimes sexuais envolvendo vítimas abusadas por um mesmo autor em localidades diferentes. 
O estupro e homicídio de duas adolescentes, em 1988, na Inglaterra, foi considerado o primeiro caso criminal solucionado com o uso de DNA. Na Inglaterra, no condado de Leicester em 1983, a polícia encontrou o corpo de uma jovem, Lynda Mann, de 15 anos, que tinha sido estuprada e assassinada. Em 1986, a polícia achou o corpo de outra jovem Dawn Ashcroft, também de 15 anos, que também havia sido estuprada e assassinada. Foram coletadas amostras de sêmen deixadas pelo autor. Por confessar os crimes, Richard Buckland, foi preso. 
O médico e geneticista Alec Jeffreys, professor na Universidade de Leicester, publicou em 1985, um artigo na revista Nature com seus achados sobre o poder da análise de “certas” regiões do DNA em identificar uma pessoa com precisão. Procurado pela polícia, o professor, realizou a análise das amostras coletadas nas vítimas e procedeu a comparação com a amostra do suposto autor, réu confesso. O resultado mostrou que as duas amostras de sêmen pertenciam a uma mesma pessoa, porém não pertenciam a Richard Buckland. 
As autoridades locais simularam uma campanha de doação de sangue e amostras da população masculina (3.600 homens) foram analisadas, no entanto nenhum deles possuía o perfil obtido nas amostras de sêmen. Porém em 1988, por meio de uma ligação anônima, afirmando que um funcionário de uma padaria (Ian Kelly) havia doado sangue no lugar de um colega (Colin Pickford), amostras de sangue dos suspeitos foram coletadas e analisadas e por meio de comparação o resultado do sêmen foi possível afirmar que Colin Pickford, como estuprador das duas adolescentes, tornando-o o primeiro a ser condenado devido a análise de exame de DNA. 
Figura 19: Alec Jeffreys e Colin Pitchfork Fonte: forensegenetica. 
Casos de repercussão envolvendo a identificação humana por DNA no Brasil, destaca-se a identificação dos corpos das vítimas do acidente aéreo entre o avião Boeing 737- 800 da companhia aérea Gol Transportes Aéreos e um jato executivo Embraer Legacy 600, em 29 de setembro de 2006. O Boeing 737-800 citado acima, caiu na Floresta Amazônica, na Serra do Cachimbo, matando todas as 154 pessoas a bordo. Outro acidente aéreo envolveu o Airbus A320 da TAM Linhas Aéreas, em 17 de julho de 2007, que incendiou próximo a pista do aeroporto de Congonhas em São Paulo, matando todas as 187 pessoas a bordo e 12 pessoas em terra. Também, em 01 de junho 2009, o Airbus A330-200 da Air France, partindo do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, caiu no oceano, matando 228 pessoas, das quais apenas 50 corpos foram localizados e identificados. 
Entre 2009 e 2010 crimes em série ocorridos em Minas Gerais, na região metropolitana da cidade Belo Horizonte, gerou grande repercussão nacional pelo número de vítimas e o mesmo modus operandi. Na ausência de suspeito a imprensa denominou o autor de “Maníaco de Contagem”. Neste caso específico, o autor, identificado como Marcos Antunes Trigueiro, assassinou cinco mulheres, porém, sem o banco de DNA à época, sua prisão ocorreu somente após a quinta vítima, o que gerou grande pressão no Congresso Nacional por parte da sociedade para implantação do BNPG. Após sua prisão e julgamento, o autor foi condenado por estupro, assassinato e ocultação de cadáver. 
O Instituto de Pesquisa de DNA Forense, da Polícia Civil do Distrito Federal, PCDF, em janeiro de 2021, conseguiu estabelecer, por meio de coincidências de perfis genéticos obtidos pelo Banco de Perfis Genéticos, três crimes de estupro ocorridos em 2013, 2016 e 2019 que foram praticados pelo mesmo agressor, ou seja, um estuprador em série. Os perfis de DNA foram obtidos a partir de vestígios coletados nas vestimentas de uma das vítimas e vestígios coletados nos corpos de outras duas vítimas. 
Em 2015, no dia 05 de novembro, ocorreu um desastre na cidade histórica de Mariana em Minas Gerais: o rompimento da barragem denominada de Fundão. Ele ocasionou o óbito de 19 pessoas, bem como 329 pessoas desabrigadas. Pouco mais de três anos após o desastre de Mariana ocorreu nova catástrofe, desta vez em Brumadinho, uma cidade pertencente à região metropolitana da capital mineira, Belo Horizonte, no dia 25 de janeiro de 2019. Houve o rompimento da Barragem B1, também de responsabilidade da Vale S.A., com capacidade de armazenamento de 12 milhões de metros cúbicos e apresentou como desfecho 270 mortos e 10 desaparecidos de acordo com dados publicados no site da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG - dados de 01/07/2021). Os restos mortais foram encaminhados a Seção Técnica de Biologia e Bacteriologia Legal do IC onde, por meio de análises de comparação com as amostras de parentes das vítimas, conseguiu identificar as vítimas do acidente. Atualmente (janeiro de 2022), ainda existem 6 (seis) vítimas que permanecem sem identificação. 
Figura 20: Rompimento da Barragem da Vale-Brumadinho/MG – 25/01/19 Fonte: Revista Veja - Abril. 
 
Saiba mais
 
Os laboratórios forenses, como o da Polícia Civil de Minas Gerais, têm passado por imensos desafios: identificação das vítimas da Vale em Brumadinho, alimentação do Banco de Dados de Perfis Genéticos para resolução de crimes sem suspeitos, além da análise dos casos que são apresentados suspeitos. O link abaixo mostra estes vários braços do laboratório de DNA da PCMG. 
Modernização do Laboratório de DNA Forense da PCMG 
O objetivo da extração, independente da metodologia utilizada, é romper a membrana celular, expor o núcleo da célula, eliminar os componentes celulares e em seguida alcançar o DNA por meio purificação celular; 
A quantificação do DNA pode verificar os seguintes parâmetros: a quantidade de DNA humano, do grau de degradação do DNA, a presença de inibidores, a proporção de material genético feminino e masculino, a quantificação específica de cromossomo Y; 
A PCR é uma reação que consiste em fazer, de forma seletiva, a amplificação de uma região específica do DNA, em meio ao DNA total de uma amostra; 
A Eletroforese capilar faz a separação dos fragmentos de DNA por tamanho por meio desuas velocidades de migração; 
O perito criminal realiza a leitura dos perfis genéticos para distinguir os elementos verídicos dos artefatos de análise e avaliar se os resultados podem ser encaminhados para conclusão dos exames ou necessitam de mais análises; 
As análises estatísticas devem ser realizadas para verificação se os resultados obtidos podem ser considerados com poder de discriminação necessário para liberação do laudo pericial; 
A implantação e uso de bancos de perfis genéticos foi instituída por meio da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG) e implementado o Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG), utilizando o software CODIS; e 
Os perfis genéticos armazenados nos bancos de dados podem ser confrontados na busca de coincidências que permitam relacionar suspeitos aos locais de crime, ou mesmo relacionar um único suspeito a mais de um local de crime. Podem também auxiliar na identificação de desaparecidos. 
Sobre os resultados da análise DNA reportados no laudo pericial podemos afirmar que:
Escolha uma opção:
a. 
São incontestáveis e indiscutíveis por apresentarem uma probabilidade de 99,9999%.
b. 
São fruto de análise de PCR de material coletado com suabe introduzido na narina do indivíduo.
c. 
Apresentam como resultado estatístico o confronto entre duas hipóteses de acusação e de defesa na forma de LR.
d. 
Dependem da metodologia de extração escolhida que afetará a velocidade de migração no capilar.
e. 
Os resultados do DNA não podem ser estar errados.
Feedback
Sua resposta está correta.
A resposta correta é: Apresentam como resultado estatístico o confronto entre duas hipóteses de acusação e de defesa na forma de LR.
Questão 2
Correto
Atingiu 10,00 de 10,00
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Texto da questão
Os perfis genéticos armazenados nos bancos de dados são confrontados na busca de coincidências que permitam relacionar suspeitos aos locais de crime. Leia as afirmativas a seguir e selecione a alternativa INCORRETA:
Escolha uma opção:
a. 
A partir de vestígios biológicos é possível adivinhar os perfis de DNA das amostras.
b. 
As técnicas de identificação fundamentadas na análise direta do DNA tornaram-se uma das mais poderosas ferramentas para a identificação humana.
c. 
O CODIS é um software que armazena e compara, eletronicamente, perfis de DNA.
d. 
O banco de dados permite a ligação entre crimes violentos e em série entre si.
e. 
O banco de perfis genéticos auxilia na identificação de indivíduos desaparecidos ou pessoas não identificadas.
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Sua resposta está correta.
A resposta correta é: A partir de vestígios biológicos é possível adivinhar os perfis de DNA das amostras.
Questão 3
Correto
Atingiu 10,00 de 10,00
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Texto da questão
São informações corretas sobre a reação de PCR, EXCETO:
Escolha uma opção:
a. 
É uma análise exclusiva para diagnóstico de COVID-19.
b. 
São copiadas regiões específicas do DNA.
c. 
É uma reação que propícia a cópia do DNA de maneira exponencial.
d. 
Apresenta a capacidade de amplificação da quantidade de DNA presente em uma amostra.
e. 
Utilizando reagentes específicos são sintetizadas novas fitas de DNA.
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Sua resposta está correta.
A resposta correta é: É uma análise exclusiva para diagnóstico de COVID-19.
Questão 4
Correto
Atingiu 10,00 de 10,00
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Texto da questão
Muitas metodologias de Biologia Molecular são utilizadas em genética forense. Sobre elas podemos afirmar:
Escolha uma opção:
a. 
Não é possível verificar o grau de degradação do DNA nas amostras forenses tornando os exames mais desafiadores.
b. 
Com as tecnologias atuais sempre conseguimos um perfil genético de qualidade, mesmo com amostras desafiadoras.
c. 
A espectrometria de absorção atômica é usada para verificar a sequência do DNA.
d. 
A reação de PCR tem papel primordial para obtenção de perfis genéticos de qualidade com amostras forenses devido a sua capacidade de multiplicação do DNA presente na amostra.
e. 
Apenas um tipo de extração de DNA tem se mostrado eficiente para casos forenses.
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Sua resposta está correta.
A resposta correta é: A reação de PCR tem papel primordial para obtenção de perfis genéticos de qualidade com amostras forenses devido a sua capacidade de multiplicação do DNA presente na amostra.
Questão 5
Correto
Atingiu 10,00 de 10,00
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Texto da questão
O estupro e homicídio de duas adolescentes, em 1988, na Inglaterra, foi considerado o primeiro caso criminal solucionado com o uso de DNA. Qual foi o embasamento para a conclusão do caso? Marque a alternativa CORRETA:
Escolha uma opção:
a. 
O resultado das análises de DNA mostrou que as vítimas foram estupradas.
b. 
O resultado das análises de DNA mostrou mistura das duas amostras de sêmen.
c. 
O resultado das análises de DNA mostrou que as duas amostras de sêmen, pertenciam as vítimas.
d. 
O resultado das análises de DNA mostrou que as duas amostras de sêmen, presentes nas vítimas, pertenciam a uma mesma pessoa.
e. 
O resultado das análises de DNA mostrou amostras das vítimas no indiciado.
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Sua resposta está correta.
A resposta correta é: O resultado das análises de DNA mostrou que as duas amostras de sêmen, presentes nas vítimas, pertenciam a uma mesma pessoa.

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