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<p>Módulo Incidência e Crédito Tributário</p><p>SEMINÁRIO I - ISENÇÕES TRIBUTÁRIAS E REGRA-MATRIZ DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA</p><p>Questões</p><p>1. Defina o que é isenção, considerando ao menos duas das teorias existentes sobre o tema e justificando o motivo pelo qual você adota uma delas. A partir disso, explique as diferenças e as semelhanças que existem em relação: (i) à imunidade; (ii) à não incidência; (iii) à anistia; (iv) à remissão; (v) à alíquota 0% e (vi) à redução da base de cálculo.</p><p>Em relação à isenção, existem atualmente três teorias, sendo elas a da não incidência; clássica; e a do fato impeditivo.</p><p>A teoria da não incidência foi proposta por Becker com base na teoria das normas de Pontes de Miranda e aprofundada por José Souto Mayor Borges. Segundo essa teoria, a regra de isenção incide para que a tributação não possa incidir, sendo que as isenções tratam-se de hipóteses de não incidência legalmente qualificadas.</p><p>Já a teoria clássica aborda que a isenção é um favor legal consubstanciado na dispensa de pagamento de tributo, e tem como seu principal expoente Rubens Gomes de Souza.</p><p>Por fim, existe a teoria do fato impeditivo, defendida por Alberto Xavier e João Augusto Filho, segundo a qual "o suposto da norma jurídica de isenção tem estrutura mais complexa que a hipótese da norma jurídica tributária, porque, além de abranger todos os aspectos desta, encerra um fato impeditivo que elide a eficácia da norma do tributo”.</p><p>Para esse seminário, adotarei o conceito introduzido por Paulo de Barros Carvalho, segundo o qual as normas de isenção pertencem à classe das normas de estrutura, que determinam modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, investindo contra um ou mais critérios de seu antecedente ou de seu consequente, ao subtrair parcela de seu campo de abrangência. Desse modo, o resultado é a inibição da incidência da hipótese tributária sobre os eventos abstratamente qualificados pelo preceito isentivo</p><p>.</p><p>Sendo assim, a partir do conceito adotado por PBC, sera analisado os seguintes institutos:</p><p>(i) imunidade: a imunidade, assim como a isenção, são normas estruturais, mas por sua vez atuam na competência do legislador ordinário para criar normas que afetem determinados fatos. Desta forma, ao invés de atuar na própria regra matriz, atua em uma etapa preliminar, atuando na criação do próprio padrão;</p><p>(ii) Não-incidência: ocorre quando determinados fatos não estão incluídos na hipótese de incidência fiscal, ou seja, o antecessor do RMIT não inclui aquele fato que, portanto, não será um fato jurídico;</p><p>(iii) Anistia: com a anistia temos o perdão da penalidade aplicada por descumprimento da norma, pelo o que extrai-se que o tributo já incidiu, houve sua cobrança bem como a incidência da norma sancionatória, com a consequente penalidade, mas o contribuinte, por uma benesse do Estado, não está obrigado ao seu pagamento;</p><p>(iv) Remissão: A remissão também é o perdão da dívida, porém está vinculada ao crédito tributário e não à multa;</p><p>(v) Alíquota 0: a alíquota 0 define o critério quantitativo resultante da regra da matriz de incidência tributária, de forma que, se a alíquota for zero, não haverá imposto a pagar;</p><p>(vi) Redução da base de cálculo: por fim, a redução da base de cálculo �� um benefício fiscal concedido pela administração tributária, que reduz a base de cálculo, fazendo parte do critério quantitativo resultante do RMIT, para reduzir a base de cálculo.</p><p>2. A que se refere a expressão “crédito tributário” utilizada no art. 175 do CTN no contexto da isenção tributária (inciso I)? E no contexto da anistia (inciso II)?</p><p>O termo “crédito tributário” de acordo com o artigo 175 do Código Tributário Nacional (CTN) refere-se a diferentes aspectos dependendo do contexto em que é utilizado.</p><p>No âmbito da isenção tributária, “crédito tributário” refere-se à obrigação de pagar um imposto já cobrado, mas do qual o contribuinte está isento. A isenção tributária é uma forma de isenção do pagamento de tributos, mas não elimina a existência de créditos tributários.</p><p>Já a anistia significa que não há necessidade de pagar tributos. Isso ocorre porque afeta a regra matriz de incidência tributária e evita sua incidência.</p><p>Neste sentido, a frase empregada no inciso I do artigo 175 do CTN se refere à própria obrigação fiscal.</p><p>Por outro lado, a anistia é um perdão de dívida quanto às penalidades que resultaram do descumprimento da obrigação, de modo que o termo "crédito tributário" refere-se à sanção pecuniária no inciso II do art. 175.</p><p>3. É possível afirmar que uma isenção por prazo certo sempre será uma isenção condicionada e que uma isenção por prazo indeterminado sempre será uma isenção incondicionada? Quais critérios são utilizados nessas classificações? A revogação de uma isenção incondicionada reinstitui a regra-matriz de incidência tributária no sistema ou é necessária a publicação de nova regra-matriz de incidência tributária no ordenamento jurídico? E no caso da revogação de uma isenção condicionada? Há que se falar em direito adquirido? É necessário que se observe o princípio da anterioridade de exercício e da anterioridade nonagesimal na hipótese de revogação de isenção por prazo certo quano isso ocorre antes do termo final desse prazo? (Vide anexos I, II, III e IV)?</p><p>A isenção condicionada ou incondicionada não está relacionado à concessão de isenção por prazo certo ou indeterminado.</p><p>A isenção incondicionada é dada de forma ampla, sem restrições para o usufruto, enquanto a isenção condicionada é dada quando o contribuinte deve cumprir requisitos específicos para obtê-la.</p><p>A isenção por prazo determinado é aquela que tem um prazo definido para receber o benefício e pode ser condicionada ou incondicionada, da mesma forma que a isenção por prazo indeterminado, que não tem um prazo final para receber o benefício, pode ser condicionada ou incondicionada.</p><p>Neste sentido, entendemos que as isenções por prazo certo ou indeterminado e condicionadas estão associadas aos critérios de utilização.</p><p>A revogação de uma isenção incondicionada não implica na necessidade de edição de uma norma jurídica de incidência, pois a norma de incidência já foi publicada e nunca foi retirada do ordenamento.</p><p>Isso também se aplica à isenção condicionada por prazo indeterminado. Todavia, em relação à isenção condicionada por prazo determinado, conforme o entendimento do STF e a redação do art. 178 do CTN, há direito adquirido, de forma que a benesse não poderia ser revogada ou modificada por lei a qualquer tempo, devendo ser cumprido o prazo anteriormente estabelecido para sua fruição.</p><p>Por fim, havendo majoração indireta de tributo, deverão ser respeitados os princípios da anterioridade de exercício e nonagésima.</p><p>4. A aquisição de insumos isentos a serem utilizados no processo de industrialização confere direito a crédito tributário de IPI? Por quê? Em caso afirmativo, qual critério deve ser utilizado para determinar o valor desse crédito presumido de IPI? Suas respostas seriam as mesmas se o insumo adquirido estivesse previsto como “não tributado” (NT) na TIPI? E se estivesse previsto como alíquota 0%? E se for um insumo adquirido na Zona Franca de Manaus? (Vide anexos V, VI, VII, VIII e IX)</p><p>Segundo André Mendes, contrariando a hipótese de não incidência e alíquota zero, a aquisição de insumos isentos deverá ativar a retenção de créditos tributários de IPI. Isso porque, diferentemente da imunidade, em que temos efetivamente a exclusão da própria incidência, e da alíquota zero, em que o aspecto quantitativo da regra matriz foi modificado, na isenção o fato está sob o âmbito de incidência do tributo, estando o contribuinte dispensado do seu pagamento em função da benesse concedida pelo legislador.</p><p>Entretanto, uma vez que adotamos o conceito de PBC, a isenção, tal como a imunidade, será norma que atua sobre a RMIT, alterando o âmbito de sua incidência, ao subtrair determinados fatos de seu antecedente ou consequente. Desta forma, aplicando-se este conceito, não haverá a manutenção dos créditos.</p><p>Por fim, no caso da Zona Franca de Manaus, haverá crédito de IPI em caso de isenção, alíquota zero e não incidência. Nesse caso, trata-se de uma exceção a Zona Franca de Manaus foi criada justamente para ser uma região socioeconômica com diferentes políticas extrafiscais, o que exclui a técnica da não-cumulatividade (RE nº 596.614/SP).</p><p>5. Um Estado federado é obrigado a conceder isenção de IPVA para proprietários de veículos automotores que tenham alguma deficiência física e precisem de veículos adaptados? Há uma garantia constitucional a esse “benefício” ou a sua concessão depende da liberalidade de cada Estado?</p><p>Considerando que o IPVA é um tributo que, em regra, incide anualmente, se determinado Estado editou lei concedendo isenção condicionada desse imposto a esse tipo de contribuinte, esse mesmo Estado pode alterar essas condições para evitar fraudes? Em caso positivo, a partir de quando essas novas condições podem ser aplicadas? O contribuinte que era isento até então e não conseguir cumprir as novas condições poderá sofrer a cobrança do IPVA ou terá direito adquirido a essa isenção? (Vide anexo X)</p><p>A concessão de uma isenção, que não tem base constitucional, não tem garantia constitucional, pois é um ato de liberalidade do Estado que não está sujeito à sua instituição.</p><p>6. Há relação entre isenção tributária e o princípio da legalidade estrita tributária? O contribuinte pode optar por pagar um tributo que é isento? Esse valor pago por quem renuncia à isenção é tributo?</p><p>Considere o exemplo de determinado Estado que institui isenção de ICMS, com fundamento em convênio CONFAZ, exclusivamente para operações realizadas pelo contribuinte atacadista de determinado produto. A legislação (i) expressamente veda que essa isenção seja utilizada por estabelecimentos industriais e varejistas e (ii) nada fala sobre a possibilidade de manutenção de crédito pelo atacadista. Qual o efeito prático desta isenção para a cadeia do ICMS? Essa isenção é constitucional? Poderia o estabelecimento atacadista renunciar à isenção tributária e decidir tributar regularmente sua operação?</p><p>Sim, a isenção se rege pelo princípio da legalidade estrita, conforme os demais institutos de direito tributário, e de acordo com a disciplina do art. 176 do CTN.</p><p>Existem isenções automáticas e outras que devem ser solicitadas pela concedente. No caso das isenções automáticas, embora não exista nenhuma norma que impeça o pagamento do contribuinte, isso simplesmente não é possível do ponto de vista prático, uma vez que não será possível emitir as guias necessárias ao recolhimento. Por outro lado, as isenções solicitadas, será possível seu pagamento, mas ocorrendo, não constitui tributo e sim indébito tributário, sendo passível de reembolso.</p><p>A isenção descrita é constitucional, ao passo que a constituição expressamente concede aos estados a competência legislativa sobre as matérias concernentes ao ICMS. Sendo uma benesse, inexiste qualquer violação à igualdade ou isonomia, sendo certo que sua concessão antenderá aos interesses do Estado e da sociedade.</p><p>Nos termos do art. 155, §2, II da CF/88, a concessão de isenção implicará na anulação dos créditos de ICMS, de forma que não será possível sua manutenção, sendo esse o principal efeito para a cadeia do ICMS.</p><p>A possibilidade de renúncia, ou não, à isenção dependerá, como acima exposto, de se a benesse é automática ou não. Sendo automática, sua renúncia não será factível do ponto de vista prático.</p><p>image1.jpeg</p><p>image2.jpeg</p><p>image3.jpg</p>