Prévia do material em texto
<p>Módulo Incidência e Crédito Tributário</p><p>SEMINÁRIO II - CRÉDITO TRIBUTÁRIO, LANÇAMENTO E ESPÉCIES DE LANÇAMENTO</p><p>Questões</p><p>1. Considerando os conceitos de norma, incidência e crédito tributário, responda: a) Defina o que é lançamento, considerando em sua resposta: (i) quem pode lançar; (ii) se o lançamento é um ato, um procedimento ou ato e procedimento; (iii) qual é a finalidade do lançamento e (iv) quais as espécies de lançamento tributário previstas no ordenamento jurídico brasileiro, deixando claro qual é o critério que justifica essa classificação.</p><p>Valendo-se do princípio de que “(...) ato é, sempre, o resultado de um procedimento e que tanto ato quanto procedimento hão de estar, invariavelmente, previstos em normas do direito posto, torna-se intuitivo concluir que norma, procedimento e ato são momentos significativos de uma e somente uma realidade.”[footnoteRef:1] Assim, ao considerarmos os conceitos de norma, incidência e crédito tributário, podemos entender o Lançamento Tributário como a ação de formalizar um valor ou conferir liquidez a um crédito ou débito tributário. No contexto jurídico, o termo "lançamento" pode ser compreendido como uma norma, um procedimento ou um ato. [1: Curso de Direito Tributário …. pg. 469 ]</p><p>Norma: Refere-se aos dispositivos legais que regulam o desenvolvimento do lançamento.</p><p>Procedimento: Consiste na sequência de atos praticados pela autoridade competente.</p><p>Ato: É o resultado final da atividade desenvolvida durante o procedimento.</p><p>Essa tríplice visão se revela a mais adequada para o entendimento do lançamento tributário, conforme exemplificaremos a seguir. Paulo de Barros Carvalho observa que os três termos – norma, procedimento e ato – têm validade semântica, sendo, portanto, essenciais para a compreensão do instituto.</p><p>O lançamento tributário, portanto, é melhor compreendido como um ato resultante de um procedimento. Como mencionado, é uma ação que se desenrola no âmbito da administração pública, e para que a norma antecedente tenha validade, é necessário que haja fundamentação legal, transformando o fato em um evento jurídico. No consequente, ocorre a formalização do crédito tributário.</p><p>Por assim dizer, temos que quem pode praticar o lançamento trata-se de um agente capaz, ou seja, é de competência privativa da Administração o poder legal de realizar parte da função administrativa, vale ressaltar nesse caso, que a autoridade lançadora terá sua competência claramente definida em lei.</p><p>A competência para realizar o lançamento é exclusiva da Administração, ou seja, cabe a um agente público devidamente habilitado. A autoridade responsável pelo lançamento deve ter sua competência claramente definida em lei. A finalidade do lançamento é garantir que o Estado possa exercer o seu direito de cobrança do tributo, por meio da formalização da obrigação tributária.</p><p>Por fim, o professor Paulo de Barros Carvalho conceitua o lançamento tributário como sendo: “o ato jurídico administrativo, da categoria dos simples, constitutivos e vinculados, mediante o qual se insere na ordem jurídica brasileira uma norma individual e concreta, que tem como antecedente o fato jurídico e, como consequente, a formalização do vínculo obrigacional, pela individualização dos sujeitos ativo e passivo, a determinação do objeto da prestação, formado pela base de cálculo e correspondente alíquota, bem como pelo estabelecimento dos termos espaço temporais em que o crédito há de ser exigido.”</p><p>De acordo com o Código Tributário Nacional em seus artigos 147 a 150, existem três modalidades de lançamento que possuem como fonte inspiradora da tricotomia o índice de colaboração do administrado, deste modo, são elas:</p><p>a) Lançamento direto, ou por ofício, que não há participação, uma vez que todas as providências são feitas no âmbito da Administração, exemplo: lançamento do IPTU;</p><p>b) misto, ou por declaração, ambas as partes colaboram, visando o lançamento ao final, exemplo: lançamento do ITR; e</p><p>c) por homologação, todo o trabalho é praticado pelo Fisco, exemplo: lançamento do IPI e ICMS.</p><p>Aqui se faz uma crítica, pelo fato de que os lançamentos contidos no CTN, tratam-se meramente de procedimentos singulares, que pela teoria abarcada, não cabe ser vislumbrada, haja vista que é possível haver um lançamento sem procedimento, desde que a autoridade tenha todos os dados relativos à ocorrência do fato e à identificação do sujeito passivo.</p><p>b) O lançamento tem eficácia declaratória ou constitutiva? O que é declarado ou constituído por meio do lançamento? Explique confrontando as noções de tempo no fato e tempo do fato.</p><p>Antes de determinarmos qual das teorias se encaixa melhor para o lançamento tributário, vale dizer que, a teoria declaratória, considera a aplicação e incidência do evento, de forma automática e infalível, vez que apenas relata a existência de uma relação jurídica já constituída e do fato já juridicizado, compreendendo-se como uma exigência coercitiva, portanto, o ato de aplicação é declaratório do fato jurídico e da relação, porque apenas relata o que já existe, desde a incidência normativa. A teoria constitutiva por sua vez, tem que o fato somente se tornará jurídico quando relatado em uma linguagem competente, tendo o ato de aplicação natureza constitutiva do fato e da relação jurídica, que, portanto, o ato de aplicação, não declara o fato jurídico, mas sim o constitui, pois antes dele nada existia juridicamente, sendo esta última teoria a mais coerente do ponto de vista abordado neste trabalho.</p><p>Além disso, é preciso explicar as noções de “tempo no fato” e “tempo do fato”, esta matéria diz respeito ao vício formal e material, sendo o primeiro definido como a data do acontecimento relatado e o segundo a data da lavratura do auto de infração, por exemplo. Nesse aspecto, temos que o lançamento declara o tempo no fato, ou seja, declara a situação ocorrida no fato gerador e constitui no tempo do fato, o crédito tributário que será constituído através de um ato de infração.</p><p>c) O que é o arbitramento? É uma espécie “autônoma” de lançamento? Em quais hipóteses pode ser adotado? O contribuinte pode optar pelo arbitramento? Em caso positivo, em qual(is) hipótese(s)? (Vide anexo I)</p><p>Arbitramento é uma forma de lançamento tributário prevista no art. 148 do CTN[footnoteRef:2], que prevê a possibilidade de um arbitramento pelo Fisco para quantificar o crédito tributário quando ausentes os elementos necessários para apurar o tributo devido. Se por autônomo entendermos “aquele que é livre, que possui autonomia”, não poderemos configurar esse lançamento com essa conotação, visto que decorre da falta de informações prestadas no processo. [2: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.]</p><p>Esta espécie de lançamento também pode ser utilizada nos casos de divergências entre as informações prestadas pelo sujeito passivo e os fatos reais ocorridos no lançamento feito por homologação, por exemplo. Todavia, essa técnica gera polêmicas, uma vez que mesmo ocorrendo a possibilidade de a Administração arbitrar o valor do tributo com base em elementos idôneos, deve tomar cuidado para não aplicar arbitrariedade no lugar de arbitramento, sendo sua aplicação feita de forma razoável a todas as partes.</p><p>Pelo exposto, entende-se que o contribuinte não poderá solicitar o arbitramento, visto que se trata de um mecanismo inerente de aplicação do Fisco, ou seja, um ato de ofício, quando o próprio contribuinte não apresentar a documentação necessária ou correta, mesmo que esta ocorra por uma posterior intimação como é prevista na Súmula 59 do Carf.</p><p>2. Dado o auto de infração</p><p>fictício, pergunta-se: (Vide anexo II)</p><p>a) Identifique as normas individuais e concretas veiculadas no respectivo auto de infração;</p><p>Antes da identificação da norma, vale explicar que as normas individuais e concretas são derivadas de uma norma geral e abstrata que lhe sirva de fundamento de validade.</p><p>Assim, a rigor não é o texto normativo que incide sobre o fato social, é o ser humano que, ao buscar fundamento de validade, constrói a norma jurídica individual e concreta, empregando a linguagem que o sistema estabelece como adequada, sendo a linguagem competente. Deste modo, reforça-se que essa atividade consiste na expedição de uma norma individual e concreta, somente será possível se houver outra norma, geral e abstrata, que lhe sirva de fundamento de validade.</p><p>Assim, no caso posto, o auto de infração tanto com relação ao lançamento quando a sanção possui as características necessárias para especificação da norma individual e concreta, vejamos:</p><p>POR NORMA INDIVIDUAL E CONCRETA PARA O LANÇAMENTO</p><p>· ANTECEDENTE</p><p>· Critério material: Transferir ou fazer circular mercadorias entre estabelecimentos (Saída de Mercadorias);</p><p>· Critério Espacial: Entre os Estados da Federação;</p><p>· Critério Temporal: Período entre 01/01/2023 a 31/12/2023.</p><p>· CONSEQUENTE</p><p>· Critério Pessoal:</p><p>· Suj. Ativo: Fazenda Estadual de SP;</p><p>· Suj Passivo: Bate o Pé Indústria e Calçados Ltda;</p><p>· Critério Quantitativo:</p><p>· Base de cálculo - xxxx;</p><p>· Alíquota: 18%</p><p>NORMA INDIVIDUAL E CONCRETA PARA A SANÇÃO:</p><p>· ANTECEDENTE</p><p>· Critério Material: Transferir ou fazer circular mercadorias entre estabelecimentos e não recolher imposto;</p><p>· Critério Espacial: Entre Estados;</p><p>· Critério Temporal: 02/03/2023</p><p>· CONSEQUENTE:</p><p>· Critério Pessoal:</p><p>· Suj. Ativo: Fazenda do Estado de São Paulo;</p><p>· Suj Passivo: Bate o Pé Indústria e Calçados Ltda;</p><p>· Critério Quantitativo: juros e mora: R$ 2.555,31</p><p>b) Confronte as noções de (i) auto de infração – documento, (ii) ato administrativo de imposição de multa, (iii) ato administrativo de lançamento e (iv) ato de notificação;</p><p>O Auto de Infração é o documento pelo qual é possível que a autoridade constate o ilícito e determine a penalidade praticada pelo sujeito passivo e fixe a determinação do instrumento de lançamento de determinado tributo devido.</p><p>Ato administrativo de imposição de multa é quando a autoridade enquadra o fato à norma, pela constatação da prática de um ilícito, de tal maneira que irá descrever a legislação aplicável, impondo ao final uma multa ou uma obrigação de fazer ou não fazer.</p><p>Ato administrativo de lançamento consiste no fato da Autoridade Administrativa verificar a ocorrência de fatos que geram o crédito, proferir o lançamento e constituir o crédito tributário.</p><p>Ato de notificação é feito após o lançamento, constituído o crédito tributário, sendo uma forma de aviso ao sujeito passivo dos fatos ocorridos.</p><p>c) Quando o crédito tributário está constituído de forma definitiva? Justifique sua resposta.</p><p>Dentre os doutrinadores e as teorias estudadas nesta temática, compreendemos ser unânime falar que por meio do lançamento tributário que podemos constituir o crédito, todavia, a polêmica se dá no tocante a constituição definitiva do crédito.</p><p>Para os doutrinadores Paulo de Barros Carvalho, Eurico Marcos Diniz de Santi e Kiyoshi Harada, entendem que o crédito tributário está constituído de forma definitiva por meio da notificação válida do lançamento, pois será nesse momento em que constatamos a publicidade do ato administrativo. Portanto, com o lançamento temos que o procedimento se dará por concluído, porém, a validade jurídica somente se dará com a notificação do contribuinte para que este possa exercer a suas obrigações.</p><p>Já o segundo posicionamento, tem como defensores Hugo de Brito Machado e Sacha Calmon Navarro Coelho, que compreendem que o crédito será constituído definitivamente quando não couber mais qualquer espécie de recurso na esfera administrativa.</p><p>Nesta seara, entendo que a melhor concepção de constituição do crédito tributário de maneira definitiva se dá pela primeira linha de doutrinadores, visto que teremos devidamente constituído o vínculo relacional entre o contribuinte e o Fisco, a partir da notificação e/ou ciência do contribuinte. Vale explicar que mesmo havendo a possibilidade de impugnações administrativas, não poderá retirar o caráter definitivo da constituição.</p><p>3. A indústria Live Strong Ltda. declara e formaliza seus créditos e seus débitos do mês, aplicando o princípio da não-cumulatividade. Como os débitos de IPI são maiores que os créditos, compensa tais valores e faz o pagamento do saldo devedor, conforme ilustrado abaixo:</p><p>Três anos depois, o Fisco Federal entende que essa indústria não tinha direito aos créditos que utilizou para compensar seus débitos e, por isso, faz a glosa desses créditos sem, contudo, efetuar o lançamento de qualquer crédito tributário, pois entende que não é necessário o lançamento de ofício. Em seguida, encaminha para inscrição em dívida ativa os valores não pagos em razão do aproveitamento indevido de créditos (R$ 200.000,00), mas acrescenta valores de penalidades e de juros de mora. Considerando esse caso concreto, pergunta-se:</p><p>(a) O procedimento adotado pelo Fisco Federal está correto?</p><p>O procedimento adotado pelo Fisco não é correto, pois o Fisco deveria ter feito o lançamento de ofício dos créditos que entendem ser devidos. Além disso, não houve observância do princípio da ampla defesa e do contraditório no momento em que houve aplicação da penalidade.</p><p>(b) O crédito tributário de R$ 200.000,00 foi lançado em algum momento? Por meio de que tipo de lançamento?</p><p>Analisando as espécies de lançamentos tributários, podemos dizer que sim, houve um lançamento do crédito no momento em que o Fisco fez a análise desse crédito e compreendeu que o contribuinte não tinha o direito a compensação, logo, entende-se que houve um lançamento por homologação, visto que este, em sua modalidade expressa, visa que o Fisco faça a análise dos créditos lançados e pagos. Mesmo que o procedimento não tenha sido feito observando todos os detalhes, pela teoria ele aconteceu.</p><p>(c) O aproveitamento de créditos na apuração do IPI em razão da aplicação do princípio da não-cumulatividade pode ser equiparado a pagamento antecipado do tributo?</p><p>Sim, a apuração nesse caso poderá ser considerada como o pagamento antecipado do tributo, uma vez que ocorreu antes da aprovação oficial pelo Fisco, ou seja, o pagamento ocorre antes da confirmação formal por parte da Administração, correndo o risco, do Fisco posteriormente, revisar e ajustar os valores.</p><p>(d) A glosa dos créditos pode ser convertida em tributo não pago e, com isso, afastar o dever de o Fisco Federal apurar o crédito tributário?</p><p>Quando a apuração contábil determinar que o crédito é indevido, a glosa será considerada como não pagamento, ou seja, que não existe crédito. Todavia, no caso em tela essa premissa não será aplicada, pois o aproveitamento do crédito poderá ser considerado como pagamento pelo tributo devido.</p><p>Ao responder as perguntas, não deixe de justificar suas respostas. (Vide anexo III)</p><p>4. Com relação ao lançamento por homologação, pergunta-se:</p><p>(a) O que é homologação? O chamado lançamento por homologação é efetivamente lançamento? O que se homologa: (i) o pagamento efetuado antecipadamente; (ii) a norma individual e concreta posta pelo contribuinte; ou (iii) ambos? Há, no ordenamento jurídico brasileiro, a possibilidade de o sujeito passivo pagar tributo sem que tenha havido o lançamento do crédito tributário?</p><p>Lançamento por homologação é uma das espécies de lançamento tributário prevista no Código Tributário Nacional, pela qual o contribuinte, independente de prévia atividade da Administração, antecipa o pagamento do tributo que entende como devido, assim sendo, o contribuinte faz o enquadramento ao fato gerador e faz o recolhimento dos valores do tributo, tendo o Fisco apenas que validar se a ação foi feita corretamente.</p><p>Por todo o exposto anteriormente neste trabalho, temos que o Lançamento</p><p>por Homologação não se encaixa na conceituação de lançamento tributário, pois este último é um ato privativo da Administração. Logo, explica o professor Paulo de Barros Carvalho[footnoteRef:3]: “Assim, considerando que o lançamento não é procedimento e sim ato jurídico administrativo e, como visto, por ser atividade vinculada e obrigatória da Administração, então o denominado lançamento por homologação é apenas procedimento prévio ao lançamento tributário, o qual é obrigatório e vinculado ao Fisco, ou seja, o enquadramento realizado pelo contribuinte ao tributo e o pagamento efetuado trata-se apenas de procedimento prévio ao lançamento tributário realizado pelo Fisco.” [3: CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 14ª ed. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 373. ]</p><p>Neste caso, se homologa toda a operação realizada pelo contribuinte, inclusive o pagamento. Se verifica a atividade do lançamento efetuado pelo contribuinte, bem como a norma individual e concreta, assim como o pagamento efetuado antecipadamente, deste modo se diz que se homologam as duas situações.</p><p>Não vislumbro, mediante tudo que foi apresentado, a possibilidade de pagamento de um tributo sem a realização de um lançamento, por qualquer uma das modalidades de lançamento, este é imprescindível na relação jurídico tributária, constituindo o crédito tributário para o pagamento.</p><p>(b) Quando se verifica a homologação expressa? Trata-se de ato administrativo? Ainda, é possível revisar-se o ato homologatório expresso?</p><p>A homologação será expressa, quando a autoridade editar ato formal afirmando sua concordância com a atividade do sujeito passivo, podendo ser realizada dentro do prazo de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, caso a lei não preveja outro prazo para homologação.</p><p>Como já foi dito alhures, vejamos: ato administrativo de lançamento consiste no fato da Autoridade Administrativa verificar a ocorrência de fatos que geram o crédito, proferir o lançamento e constituir o crédito tributário. Deste modo, verifica-se que a modalidade de homologação não se encaixa nessa premissa.</p><p>De acordo com o previsto no art. 149 do CTN, a revisão poderá ocorrer, desde que observados os pressupostos e se a alteração se enquadrar nas possibilidades previstas, assim como, o crédito não pode estar extinto pelo instituto da decadência.</p><p>(c) Existe homologação tácita? Em caso afirmativo, quando ela se verifica? Qual é a linguagem competente para positivar a homologação tácita?</p><p>Passados 5 anos da ocorrência do fato gerador e não havendo outra determinação em lei a respeito deste prazo, entende-se como homologado tacitamente o lançamento e extingue o respectivo crédito tributário, melhor dizendo a homologação tácita se dá pelo decurso do prazo que dispõe a autoridade para praticar o ato da homologação. Vale ressaltar, que isto somente vai acontecer caso o pagamento tenha sido feito, pois não é razoável que a apuração feita pelo contribuinte seja desconhecida da autoridade administrativa. A positivação da homologação tácita, ocorre pelo decurso do prazo, por intermédio de um critério temporal.</p><p>5. A Lei Federal 13.467/2017 alterou a redação do parágrafo único do artigo 876 da Consolidação das Leis do Trabalho estabelecendo competir à Justiça do trabalho executar, de ofício, as contribuições sociais previstas no inciso I e II do artigo 195 devidas sobre as verbas objeto de sentenças condenatórias ou homologatórias de acordo:</p><p>Art. 876 - As decisões passadas em julgado ou das quais não tenha havido recurso com efeito suspensivo; os acordos, quando não cumpridos; os termos de ajuste de conduta firmados perante o Ministério Público do Trabalho e os termos de conciliação firmados perante as Comissões de Conciliação Prévia serão executada pela forma estabelecida neste Capítulo</p><p>Parágrafo único. A Justiça do Trabalho executará, de ofício, as contribuições sociais previstas na alínea a do inciso I e no inciso II do caput do art. 195 da Constituição Federal, e seus acréscimos legais, relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e dos acordos que homologar.</p><p>Pergunta-se:</p><p>(a) A decisão judicial condenatória em verbas trabalhistas é veículo apto para constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária? Ou há necessidade de lançamento do crédito tributário da contribuição previdenciária devida pela autoridade fiscal federal? Como ficam os princípios do contraditório e da ampla defesa? (Vide anexo IV).</p><p>Sim, a decisão judicial condenatória em verbas trabalhistas é veículo apto para constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária, visto que a Lei Federal nº 3.647/2017, ao modificar o parágrafo único do artigo 876 da CLT, conferiu à Justiça do Trabalho a competência para executar, de ofício, as contribuições sociais previstas na alínea "a" do inciso I e no inciso II do caput do art. 195 da Constituição Federal. Nesse sentido, esse dispositivo, junto ao entendimento consolidado pela jurisprudência, especialmente no REsp nº 1.764.790/SC, estabelece que a sentença condenatória sobre verbas trabalhistas, por si só, constitui título executivo capaz de gerar o crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias.</p><p>Neste caso, não haverá necessidade de lançamento adicional do crédito tributário pela autoridade fiscal federal, uma vez que o magistrado possui competência para tal ato. Os princípios do contraditório e da ampla defesa serão observados no momento em que o empregador, na ação trabalhista, tiver oportunidade de confrontar as questões relacionadas às verbas trabalhistas e às contribuições previdenciárias. Portanto, a sentença trabalhista é considerada válida para constituir o crédito tributário das contribuições previdenciárias.</p><p>6. Sobre as hipóteses de alteração do lançamento, responda:</p><p>(a) Há diferença entre erro de direito e mudança de critério jurídico para fins de revisão do lançamento tributário? Há possibilidade de revisão do lançamento fundado em erro de direito? E em erro de fato? Em caso afirmativo, qual tipo de erro é suficiente para fundamentar a alteração do lançamento? A sua resposta se aplica a qualquer tipo de lançamento tributário? Ou seja, se você entender que lançamento por homologação é modalidade de constituição da obrigação tributária, o próprio contribuinte pode alterar o lançamento realizado por ele com fundamento em erro de fato e erro de direito? (Vide anexos V e VI)?</p><p>Primeiramente é necessário conceituar cada um dos institutos apresentados nessa questão, daremos início com o erro de fato, se caracteriza por um problema intra normativo, ou seja, um desajuste interno na estrutura do enunciado por falta de informações linguísticas ou pelo uso indevido da construção da linguagem que faz prova, nesse sentido as normas para que tenham um erro de fato precisam ser individuais e concretas ou individual e abstrata. Já o erro de direito, diz respeito a problemas de ordem semântica, envolvendo dois enunciados de normas jurídicas diferentes, sendo caracterizado como um descompasso de feição externa, denominado como um problema inter normativo, no que diz respeito a esse erro, há necessidade de duas ou mais normas, sendo uma obrigatoriamente individual e concreta/abstrata e a segunda geral e abstrata.</p><p>Diante dos conceitos apresentados com base na doutrina do professor Paulo de Barros Carvalho, seguimos entendendo que não há diferença nas terminologias apresentadas, devido ao fato de que o critério jurídico seria hipótese de erro de direito, o que para o ordenamento jurídico a revisão do lançamento é vedada. Logo, excluiremos a possibilidade de revisão do lançamento por erro de direito, uma vez que se presume que a autoridade administrativa competente para lançar conhece o Direito e deve aplicá-lo corretamente, não se tolerando então, a revisibilidade do lançamento como decorrência de eventual mudança nos critérios jurídicos adotados para a sua realização. Assim sendo, levamos em consideração o disposto no art. 146 do CTN que prevê expressamente a possibilidade de aplicação</p><p>da alteração apenas para fatos futuros. No entanto, no tocante à revisão do lançamento fundado em erro de fato, não existe nenhum óbice no ordenamento jurídico para a sua aplicação, uma vez que seria apenas a revisão dos critérios da Regra-matriz e não de sua alteração. Sendo nesta última caso, para os erros de fato, aplicadas as disposições previstas nos art. 145, III c/c 149, do CTN, que exemplificam as hipóteses de revisão de ofício.</p><p>Sim, a resposta apresentada poderá ser utilizada em qualquer modalidade de lançamento, tendo em vista a aplicação somente dos erros de fato, posto isso, é possível que o contribuinte ao verificar que promoveu um lançamento equivocado de um tributo, efetue a retificação do lançamento.</p><p>(b) A alteração da base de cálculo, ou da sistemática de apuração do tributo pode ser feita mediante retificação do lançamento? A eleição errônea da base de cálculo ou da sistemática de apuração no momento da realização do lançamento configura-se como erro de fato, erro de direito ou mudança do critério jurídico? E a identificação errada do sujeito passivo? Tais problemas podem acarretar a anulação do lançamento? (Vide anexos VII, VIII, IX e X)</p><p>Vejamos os ensinamentos do professor Paulo de Barros Carvalho:</p><p>O agente público, ao verificar o valor da operação, base de cálculo do imposto, toma- o a menor, promovendo a determinação da dívida em quantia inferior à que efetivamente é. Tempos depois, antes, naturalmente, que flua o prazo decadencial, procede à expedição de ofício, comunicando ao sujeito passivo a alteração ocorrida no lançamento originário. Houve erro de fato e, portanto, é regular a iniciativa modificadora da Fazenda Pública. Noutro quadro, funcionário competente promove o cálculo do tributo devido, mediante aplicação de certa alíquota, digamos, 17%, em virtude d a classificação que entende correta, para determinado produto industrializado, na tabela do IPI. Posteriormente, sem apontar qualquer aspecto material novo do bem que analisar, muda de opinião, passando a classificá-lo numa posição mais gravosa da tabela, em que a alíquota é de 23 %, alegando que este é o percentual juridicamente mais adequado àquele produto industrializado. A alteração não pode prevalecer, fundada que está em mudança de critério jurídico. O agente não poderia, segundo o direito, desconhecer a diretriz jurídica apropriada à escolha da alíquota. Houve erro d e direito e o citado art. 146 só permite aplicar o novo critério para fatos jurídicos tributários subsequentes àquele que ensejou uma tributação.</p><p>Considerando os ensinamentos apresentados, podemos concluir que quando se fala em simples alteração da base de cálculo, existe a possibilidade de revisão do lançamento, haja vista tratar-se de um erro de fato.</p><p>No que tange a eleição errônea da base de cálculo ou da sistemática de apuração no momento da realização do lançamento configura-se como erro de direito, pelo fato de ter ocorrido um problema na subsunção do fato à norma, impossibilitando a verificação de todos os critérios da Regra-Matriz de Indiciência. No caso de identificação equivocada do sujeito passivo da relação jurídica, não haverá possibilidade de correção.</p><p>Os problemas apresentados poderão incorrer em anulação do lançamento se configurarem erro de direito, todavia quando se fala em erro de fato há possibilidades de correção do lançamento.</p><p>(c) Se, ao preencher a declaração de compensação de créditos tributários federais, o contribuinte erra ao preencher o período de apuração do tributo a ser compensado, isso configura erro na realização do ato de constituição da obrigação tributária? Em caso afirmativo, trata-se de fato ou erro de direito? Seria possível uma revisão desse ato pelo próprio contribuinte ou essa revisão cabe apenas à autoridade administrativa?</p><p>Se um contribuinte comete um erro ao informar o período de apuração do tributo em uma declaração de compensação de créditos tributários federais, trata-se de um equívoco na execução do ato, mas isso não implica, necessariamente, um erro na constituição da obrigação tributária. Isso ocorre porque a obrigação tributária já foi estabelecida anteriormente, sendo o procedimento de compensação um ato posterior, destinado à quitação ou extinção do crédito tributário.</p><p>Esse tipo de erro é considerado erro de fato, pois diz respeito a data do lançamento, o desajuste na linguagem neste caso se dá no consequente, logo se configura como um erro de fato, assim como a sua característica por insuficiência de dados linguísticos informativos.</p><p>O erro de fato aplicado ao caso em tela, poderá ser feito pelo contribuinte, desde que observe os prazos estipulados em lei, devido ao fato de a retificação ocorrer antes da análise promovida pelo Fisco.</p><p>image1.png</p><p>image2.jpeg</p><p>image3.jpg</p><p>image4.jpg</p><p>image5.jpg</p>