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<p>https://www.crmvmg.gov.br</p><p>Escola de Veterinária da UFMG, Campus da Pampulha, Belo Horizonte, Google Maps</p><p>https://www.google.com/maps/@-19.8703561,-43.9716964,325m/data=!3m1!1e3</p><p>ligada aos valores e visões de seu corpo</p><p>docente, discente e servidores técnicos-</p><p>-administrativos. De mãos dadas, con-</p><p>tra a adversidade e com a necessária</p><p>diversidade, cada um de nós ajudou a</p><p>construir sua história e haverá de, com</p><p>orgulho, preservá-la. Conhecer a histó-</p><p>ria, permite-nos entender o presente e</p><p>planejar um futuro de realizações para</p><p>honrar seu passado.</p><p>Méd. Vet. Bruno Divino Rocha</p><p>Presidente do CRMV-MG – CRMV-MG 7002</p><p>Prof. Afonso de Liguori Oliveira</p><p>Diretor da Escola de Veterinária da UFMG – CRMV-MG 4787</p><p>Prof. Antônio de Pinho Marques Junior</p><p>Editor-Chefe do Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e</p><p>Zootecnia (ABMVZ) – CRMV-MG 0918</p><p>Prof. Nelson Rodrigo da Silva Martins</p><p>Editor dos Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia – CRMV-</p><p>-MG 4809</p><p>Editorial</p><p>Comemoramos os 90 anos da Escola de Veterinária da UFMG</p><p>A Escola de Veterinária (EV) da</p><p>UFMG e o Conselho Regional de</p><p>Medicina Veterinária e Zootecnia de</p><p>Minas Gerais têm a satisfação de enca-</p><p>minhar à comunidade veterinária e zoo-</p><p>técnica mineira um volume especial de</p><p>Cadernos Técnicos, comemorativo dos</p><p>90 anos da Escola.</p><p>Cadernos Técnicos desejam tam-</p><p>bém registrar esse momento especial,</p><p>em um volume que inclui breve home-</p><p>nagem aos professores que construíram</p><p>a história da EV. O volume que contém</p><p>informações técnicas relevantes aos pro-</p><p>fissionais, como ectoparasitoses e doen-</p><p>ça dos cascos de bovinos e resistência</p><p>aos princípios antibacterianos.</p><p>A identidade da EV está fortemente</p><p>https://www.google.com/maps/@-19.8703561,-43.9716964,325m/data=!3m1!1e3</p><p>Nello de Moura Rangel Francisco Megale Homero Abílio Moreira</p><p>Leônidas Machado Magalhães Osmane Hipólito Roberto de Souza</p><p>Ivan Barbosa Machado</p><p>Sampaio</p><p>Joaquim Martins Ferreira Neto José de Alencar Carneiro</p><p>Viana</p><p>Professores eméritos</p><p>Élvio Carlos Moreira Norberto Mario Rodriguez Rômulo Cerqueira Leite</p><p>Vera Alvarenga Nunes Ernani Fagundes do</p><p>Nascimento</p><p>Mônica Maria Oliveira Pinho</p><p>Cerqueira</p><p>Alberto Monteiro Wilwerth</p><p>Silvio Romero Soares Alvim Leônidas Machado Magalhães</p><p>Nestor Gióvine Oscar Lamounier Godofredo</p><p>Antônio Vieira Machado</p><p>Moacyr Gomes de Freitas José de Alencar Carneiro Viana Mário Souza Couto Barbosa</p><p>Ex-diretores</p><p>Élvio Carlos Moreira</p><p>Paulo Roberto Carneiro José Ailton da Silva Jonas Carlos Campos Pereira</p><p>José Monteiro da Silva Filho Roberto Baracat de Araújo</p><p>Jadir José Ferreira de Miranda José Oswaldo Costa</p><p>Francisco Carlos Faria Lobato</p><p>José Aurélio Garcia Bergmann Renato de Lima Santos Zélia Inês Portela Lobato</p><p>Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. (Cadernos Técnicos da Escola de Veterinária da UFMG)</p><p>N.1- 1986 - Belo Horizonte, Centro de Extensão da Escola deVeterinária da UFMG, 1986-1998.</p><p>N.24-28 1998-1999 - Belo Horizonte, Fundação de Ensino e Pesquisa em Medicina Veterinária e</p><p>Zootecnia, FEP MVZ Editora, 1998-1999</p><p>v. ilustr. 23cm</p><p>N.29- 1999- Belo Horizonte, Fundação de Ensino e Pesquisa em Medicina Veterinária e</p><p>Zootecnia, FEP MVZ Editora, 1999¬Periodicidade irregular.</p><p>1. Medicina Veterinária - Periódicos. 2. Produção Animal - Periódicos. 3. Produtos de Origem</p><p>Animal, Tecnologia e Inspeção - Periódicos. 4. Extensão Rural - Periódicos.</p><p>I. FEP MVZ Editora, ed.</p><p>Permite-se a reprodução total ou parcial,</p><p>sem consulta prévia, desde que seja citada a fonte.</p><p>Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais - CRMV-MG</p><p>Presidente:</p><p>Méd. Vet. Bruno Divino Rocha - CRMV-MG nº 7002</p><p>E-mail: crmvmg@crmvmg.gov.br</p><p>CADERNOS TÉCNICOS DE VETERINÁRIA E ZOOTECNIA</p><p>Edição da FEPMVZ Editorada em convênio com o CRMV-MG</p><p>Fundação de Estudo e Pesquisa em Medicina Veterinária e</p><p>Zootecnia – FEPMVZ</p><p>Editor da FEPMVZ Editora:</p><p>Prof. Antônio de Pinho Marques Junior</p><p>Editor de Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia:</p><p>Prof. Nelson Rodrigo da Silva Martins</p><p>Editora convidada para esta edição:</p><p>Zélia Inês Portela Lobato - CRMV-MG 3259 (Professora Titular, Escola de Veterinária da UFMG).</p><p>Revisora autônoma:</p><p>Giovanna Spotorno</p><p>Tiragem desta edição:</p><p>1.000 exemplares</p><p>Layout e editoração:</p><p>Soluções Criativas em Comunicação Ltda.</p><p>Impressão:</p><p>Imprensa Universitária da UFMG</p><p>9</p><p>Prefácio</p><p>Neste ano, a Escola de Veterinária</p><p>da Universidade Federal de Minas</p><p>Gerais comemora seus 90 anos, uma</p><p>escola tradicional e com forte atua-</p><p>ção no âmbito do ensino, da pesquisa</p><p>e da extensão para o desenvolvimen-</p><p>to da medicina veterinária brasileira.</p><p>Os Cadernos técnicos em Medicina</p><p>Veterinária e Zootecnia celebram essa</p><p>edição especial apresentando um pou-</p><p>co da sua própria história. Com seu</p><p>primeiro volume publicado em 1986,</p><p>esse ano foi apresentado o de número</p><p>100. Será possível revisitar os primei-</p><p>ros fascículos e também acompanhar</p><p>a evolução dos Cadernos Técnicos e</p><p>sua contribuição científica ao longo</p><p>desses mais de 35 anos de existên-</p><p>cia. Para festejar essa importante data</p><p>essa edição marca também a disponi-</p><p>bilização digital de todos os volumes</p><p>desse periódico, que antes só estavam</p><p>disponíveis a partir do volume 63.</p><p>Nesse volume foram escolhi-</p><p>dos três temas abordando tópi-</p><p>cos de grande importância para</p><p>os médicos veterinários que atu-</p><p>am no campo ou em clínicas.</p><p>Ectoparasitos, como carrapatos e</p><p>moscas, representam um grande de-</p><p>safio sanitário para a pecuária de leite</p><p>e de corte, causando perdas produti-</p><p>vas e gastos com o tratamento dos ani-</p><p>mais e com a contratação de mão de</p><p>obra. Conhecimentos sobre biologia</p><p>Universidade Federal de Minas Gerais</p><p>Escola de Veterinária</p><p>Fundação de Estudo e Pesquisa em</p><p>Medicina Veterinária e Zootecnia</p><p>- FEPMVZ Editora</p><p>Conselho Regional de Medicina</p><p>Veterinária do Estado de Minas</p><p>Gerais - CRMV-MG</p><p>www.vet.ufmg.br/editora</p><p>Correspondência:</p><p>FEPMVZ Editora - Caixa Postal 567</p><p>30161-970 - Belo Horizonte - MG</p><p>Telefone: (31) 3409-2042</p><p>E-mail: editora.vet.ufmg@gmail.com</p><p>Foto de patas da capa: Pixabay</p><p>www.vet.ufmg.br/editora</p><p>mailto:editora.vet.ufmg@gmail.com</p><p>e epidemiologia desses ectoparasitos</p><p>são necessários para o desenvolvimen-</p><p>to de estratégias de controle. Esta edi-</p><p>ção se propõe a compilar informações</p><p>relativas a carrapatos (“carrapato-do-</p><p>-boi”), moscas (“mosca-doméstica”,</p><p>“mosca-dos-estábulos”/“ mosca-da-</p><p>-vinhaça” e “mosca- dos-chifres”) e mi-</p><p>íases (“bicheira” e “berne”), para que</p><p>os profissionais agropecuários consi-</p><p>gam tomar decisões mais assertivas</p><p>para o controle dessas ectoparasitoses.</p><p>O controle e prevenção de infecções</p><p>hospitalares é um campo desenvolvido</p><p>e reconhecido na medicina humana,</p><p>mas, em contraste, o conhecimento</p><p>sobre infecções em clínicas e hospitais</p><p>veterinários encontra-se ainda em um</p><p>estágio inicial, com poucos funcio-</p><p>nários com treinamento específico e</p><p>sem sistemas de vigilância ou progra-</p><p>mas que possam fornecer uma ava-</p><p>liação aprofundada dessas infecções.</p><p>Abordamos nesse artigo aspectos re-</p><p>lacionados à etiologia, epidemiologia</p><p>e fatores de risco, assim como princí-</p><p>pios básicos para a implementação de</p><p>um programa de controle e prevenção</p><p>de infecções em clínicas e hospitais</p><p>veterinários.</p><p>A claudicação é considerada uma</p><p>das três ocorrências mais comuns na</p><p>bovinocultura de leite juntamente</p><p>com a mastite e problemas reprodu-</p><p>tivos. Apesar dos avanços no conhe-</p><p>cimento das práticas de controle e</p><p>tratamento da claudicação, sua frequ-</p><p>ência não diminuiu ao longo do tempo</p><p>mas, ao contrário aparentemente está</p><p>aumentando e hoje atinge prevalência</p><p>inaceitável. Ao longo do tempo, o en-</p><p>foque crescente no bem-estar animal</p><p>e a pressão de mercado por produtos</p><p>que tenham esse diferencial, auxiliou</p><p>para que se lançasse mais luz sobre as</p><p>altas taxas de claudicação nos reba-</p><p>nhos leiteiros e incentivou o desen-</p><p>volvimento de medidas para tentar</p><p>reduzir de forma maciça as altas preva-</p><p>lências de claudicação observadas em</p><p>outros países do mundo. Abordamos</p><p>aqui algumas diretrizes para a imple-</p><p>mentação de um programa sanitário</p><p>para</p><p>aparelho bucal responsá-</p><p>vel pela picada). Possui uma coloração</p><p>acinzentada, com quatro listras escuras</p><p>ao longo do tórax ,com um tamanho</p><p>corporal aproximado de 4 a 7mm de</p><p>comprimento.</p><p>Essas moscas</p><p>[Stomoxys calcitrans]</p><p>são hematófagas e</p><p>podem infestar uma</p><p>diversidade de animais,</p><p>como bovinos, equinos,</p><p>suínos, cães e equinos...</p><p>412. Ectoparasitoses de bovinos:</p><p>biologia e epidemiologia como base para o controle</p><p>Durante o parasitismo, as moscas</p><p>se alimentam por dois a cinco minutos</p><p>e têm preferência em parasitar as par-</p><p>tes mais baixas dos animais (Figura 5),</p><p>como pernas e região ventral, e locali-</p><p>zam o hospedeiro principalmente por</p><p>meio do gás carbônico emitido pela</p><p>respiração. Após o repasto sanguíneo, é</p><p>possível encontrá-las pousadas em cer-</p><p>cas (Figura 5) e cochos. Quando infes-</p><p>tados, os animais batem as pernas em</p><p>direção ao solo e movimentam intensa-</p><p>mente a cauda na tentativa de espantar</p><p>as moscas (Figura 5). É comum que os</p><p>animais se aglomerem ou entrem em</p><p>coleções de água na tentativa de espan-</p><p>tar a mosca (Figura 5).</p><p>Os adultos acasalam, apenas uma</p><p>Figura 4: Diferença entre “mosca-doméstica” e “mosca-dos-estábulos”. A: Musca domestica (“mosca-</p><p>-doméstica”). B: Stomoxys calcitrans (“mosca-dos-estábulos”) – detalhe para o aparelho bucal do tipo</p><p>picador (seta vermelha). Fotos: Lorena Lopes Ferreira.</p><p>42 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>vez. A fêmea realiza a postura de cer-</p><p>ca de 20-30 ovos por vez, em matéria</p><p>orgânica em fermentação, realizando</p><p>uma postura total de cerca de 500-</p><p>1000 ovos durante a vida. Após 1-4</p><p>dias, os ovos eclodem, e o período de</p><p>incubação dos ovos é de aproxima-</p><p>damente dois dias. As larvas, então,</p><p>eclodem, e o período larval (L1, L2</p><p>e L3) é de aproximadamente 12 dias.</p><p>Já a fase de pupa dura entre 4-5 dias.</p><p>Após esse período, emerge a mosca</p><p>adulta (machos e fêmeas), que inicia</p><p>o repasto sanguíneo em até seis ho-</p><p>ras. Já em temperaturas menores ou</p><p>iguais a 20ºC, esses períodos podem</p><p>Figura 5: “Mosca-dos-estábulos” no ambiente e hospedeiro. A: Mosca pousada no arame de cerca -</p><p>destaque para o aparelho bucal picador (seta vermelha). B: Comportamento (aglomeração, balançando</p><p>a cauda e batendo as patas no chão) dos bovinos devido ao parasitismo por “moscas-dos-estábulos”. C:</p><p>Pata do bovino infestada por “moscas-dos-estábulos”. D: Detalhe da posição da “mosca-dos-estábulos”</p><p>durante a alimentação no hospedeiro. Fotos: Lorena Lopes Ferreira.</p><p>432. Ectoparasitoses de bovinos:</p><p>biologia e epidemiologia como base para o controle</p><p>ser superiores a três, 18 e oito dias,</p><p>respectivamente. Em temperaturas</p><p>mais elevadas, esse período pode ser</p><p>ainda menor, entretanto pode tam-</p><p>bém ser prejudicial ao desenvolvi-</p><p>mento e à viabilidade dos estádios da</p><p>mosca.</p><p>Morfologicamente, não é possível</p><p>ser assertivo a olho nu na identifica-</p><p>ção dos ovos, das larvas e das pupas da</p><p>espécie S. calcitrans. No entanto, o lo-</p><p>cal em que se encontram pode auxiliar</p><p>no reconhecimento da espécie, já que</p><p>os estádios imaturos de S. calcitrans</p><p>são encontrados em matéria orgânica</p><p>em fermentação, como palha, restos</p><p>de alimento em cocho, feno, silagem,</p><p>resíduos e pilhas de capim cortado, fe-</p><p>zes secas e material para adubo e ferti-</p><p>lização; Monteiro, 2017).</p><p>No Brasil, pouco se sabe sobre a</p><p>situação da resistência de S. calcitrans</p><p>aos insetidas contra adultos. Há um</p><p>relato de resistência à cipermetrina</p><p>(piretroide). Porém, os químicos sur-</p><p>tem pouco efeito devido ao tempo em</p><p>que a mosca fica em contato com o</p><p>hospedeiro tratado. Até o momento,</p><p>não há recomendações de larvicidas</p><p>que possam ser utilizadas nos cria-</p><p>douros. Assim, o foco para o controle</p><p>dessa mosca é baseado na eliminação</p><p>dos criadouros, ou seja, a estratégia</p><p>se baseia em diminuir locais repro-</p><p>dutivos da mosca, consequentemente</p><p>eliminar ovos e larvas que já estão em</p><p>desenvolvimento, por exemplo, reti-</p><p>rada de restos alimentares do cocho,</p><p>limpeza de baias e currais, manejo de</p><p>cama em bezerreiros e compost-barn,</p><p>destinando-os para compostagem ou</p><p>cobrindo com lona. A utilização de</p><p>armadilhas de atração (telhas, pai-</p><p>néis, bandeiras) com cola entomoló-</p><p>gica para uso nas fazendas e nas usinas</p><p>pode ser uma alternativa para captura</p><p>de ínstares adultos no ambiente. Essas</p><p>armadilhas refletem a luz solar, a qual</p><p>atrai as moscas, que ficam presas na</p><p>superfície adesiva.</p><p>No final da década de 90, todas</p><p>as fases do ciclo biológico da “mosca-</p><p>-dos-estábulos” ou “mosca-da-vinha-</p><p>ça” eram restritas aos locais de criação</p><p>de gado, uma vez que era comum a</p><p>queima da cana-de-açúcar pré-colhei-</p><p>ta. Com as restrições das queimadas</p><p>nas usinas sucroalcooleiras, os locais</p><p>destinados à plantação de cana-de-</p><p>-açúcar tornaram-se um criadouro</p><p>favorável para o desenvolvimento des-</p><p>sa mosca. O controle químico nesses</p><p>locais tende a ser caro e ineficiente;</p><p>agregado a isso, tem-se risco ambien-</p><p>tal desconhecido (Koller et al., 2009;</p><p>Cançado, 2013). Nesse contexto, nas</p><p>regiões de plantação de cana-de-açú-</p><p>car, recomenda-se a incorporação da</p><p>palhada no solo (apesar da contrain-</p><p>dicação por parte dos agrônomos em</p><p>relação a essa conduta) e a drenagem</p><p>de poças de vinhaça. Além disso, a uti-</p><p>lização de armadilhas para captura de</p><p>adultos é desejável.</p><p>44 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>[Haematobia irritans]</p><p>... pica inúmeras vezes</p><p>o mesmo animal,</p><p>produzindo picadas</p><p>dolorosas e irritantes</p><p>em locais de difícil</p><p>acesso, o que impede</p><p>que os bovinos</p><p>espantem as moscas</p><p>e, por conseguinte,</p><p>pode causar anemia.</p><p>As picadas podem</p><p>diminuir a qualidade do</p><p>couro, devido às lesões</p><p>e às reações cutâneas,</p><p>que podem resultar</p><p>em hiperemia, edema,</p><p>hemorragia e áreas</p><p>necróticas focais.</p><p>2.3 Haematobia irritans</p><p>Haematobia irritans, também cha-</p><p>mada de “mosca-dos-chifres”, é uma</p><p>mosca hematófaga, que parasita prefe-</p><p>rencialmente a região próxima à cabe-</p><p>ça e causa irritação no animal, como</p><p>o próprio nome já diz.</p><p>Contudo, nas horas</p><p>quentes, as moscas</p><p>tendem a descer para</p><p>a região do abdômen.</p><p>No Brasil, H. irritans</p><p>representa perdas eco-</p><p>nômicas aproximadas</p><p>de US$ 2,56 bilhões ao</p><p>ano. Esse impacto eco-</p><p>nômico é ligado princi-</p><p>palmente à diminuição</p><p>da produção leiteira e</p><p>à redução no ganho de</p><p>peso causadas pelo es-</p><p>tresse dos animais in-</p><p>festados e pela diminui-</p><p>ção do consumo.</p><p>As infestações pela</p><p>“mosca-dos-chifres”</p><p>variam de acordo com</p><p>a época do ano, a idade e a cor do ani-</p><p>mal. Sua ocorrência está associada a</p><p>períodos de clima quente e chuvoso.</p><p>Contudo, chuva em abundância e frio</p><p>excessivo podem interromper seu ci-</p><p>clo. Durante as estações do ano, em re-</p><p>giões que possuem verão quente e chu-</p><p>voso e inverno frio e seco, a população</p><p>de moscas diminui significativamente</p><p>durante o inverno, com picos durante a</p><p>primavera e no início do verão. A ocor-</p><p>rência de surtos é verificada no início</p><p>e no final da época das águas, sendo</p><p>os animais mais velhos e de cor escura</p><p>mais parasitados.</p><p>A literatura brasileira mais recente</p><p>concentra os estudos</p><p>sobre H. irritans na re-</p><p>gião pantaneira e com</p><p>a raça Nelore. Foi veri-</p><p>ficado que bovinos ma-</p><p>chos dessa raça trata-</p><p>dos contra essa mosca</p><p>ganham cerca de 8,6 a</p><p>16% mais peso do que</p><p>animais não tratados,</p><p>dependendo da idade</p><p>do animal. Vacas e be-</p><p>zerros tratados também</p><p>tendem a ganhar mais</p><p>peso do que os bovi-</p><p>nos não tratados. Por</p><p>ser hematófaga, ela pica</p><p>inúmeras vezes o mes-</p><p>mo animal, produzindo</p><p>picadas dolorosas e irri-</p><p>tantes em locais de difí-</p><p>cil acesso, o que impede que os bovinos</p><p>espantem as moscas e, por conseguinte,</p><p>pode causar anemia. As picadas podem</p><p>diminuir a qualidade do couro, devido</p><p>às lesões e às reações cutâneas, que po-</p><p>dem resultar em hiperemia, edema, he-</p><p>morragia e áreas necróticas focais.</p><p>As formas adultas medem cerca</p><p>de 3-5mm de comprimento, têm cor</p><p>escura e realizam o repasto sanguíneo</p><p>452. Ectoparasitoses de bovinos:</p><p>biologia e epidemiologia como base para o controle</p><p>de cabeça para</p><p>baixo. A picada é dolo-</p><p>rosa e incomoda o animal parasitado.</p><p>As moscas ficam quase exclusivamente</p><p>sobre o hospedeiro, nas regiões superio-</p><p>res do corpo, como na base dos chifres,</p><p>no pescoço, no cupim, na região dorsal</p><p>e na cabeça, sobrevoando em ‘nuvens’</p><p>com grande quantidade delas (Figura</p><p>6). Em determinada hora do dia, depen-</p><p>dendo da posição do sol e da incidência</p><p>dos raios solares no corpo do animal,</p><p>podem ser encontradas na região ven-</p><p>tral do corpo, pois, sendo os machos e</p><p>as fêmeas hematófagos, acasalam-se no</p><p>corpo no hospedeiro.</p><p>As fêmeas fecundadas saem do hos-</p><p>pedeiro assim que ele defeca, realizam a</p><p>postura dos ovos em fezes frescas e vol-</p><p>tam para o bovino. Cada postura pode</p><p>conter 20 ovos, e, durante sua vida, a</p><p>fêmea pode realizar uma postura de até</p><p>400 ovos. As larvas eclodem em até 24</p><p>horas, podendo eclodir em 11 horas,</p><p>em temperaturas médias de 30ºC. Em</p><p>seguida, as larvas que eclodiram pene-</p><p>tram mais ao fundo das fezes, desen-</p><p>volvendo os ínstares larvais (L1, L2 e</p><p>L3) de três a cinco dias, iniciando em</p><p>seguida o período pupal. Temperaturas</p><p>ideais dos estádios de ovo a larva de</p><p>terceiro ínstar variam de 25 a 27ºC, e a</p><p>umidade ideal para o desenvolvimento</p><p>larval é de aproximadamente 90%. Da</p><p>pupa, emerge a mosca adulta em 3-6</p><p>dias, e o ciclo biológico recomeça.</p><p>O controle da “mosca-dos-chifres”</p><p>pode ser considerado mais comum de</p><p>ser realizado quando comparado às de-</p><p>mais moscas que parasitam os bovinos</p><p>pela sua proximidade com o animal,</p><p>uma vez que permanece quase exclusi-</p><p>vamente sobre o hospedeiro. O uso de</p><p>inseticidas químicos (brincos mosqui-</p><p>cidas, pour-on ou pulverização) é um</p><p>grande aliado no controle de surtos, por</p><p>meio do controle tático, e na prevenção,</p><p>mediante o controle estratégico. O con-</p><p>trole estratégico acompanha a sazonali-</p><p>Figura 6: Animais infestados pela “mosca-dos-chifres”. A: Bovino de corte. B: Bovino de leite. Fotos:</p><p>Welber Daniel Zanetti Lopes e Lorena Lopes Ferreira.</p><p>46 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>Em bovinos, as</p><p>miíases mais comuns</p><p>são as causadas por</p><p>larvas de Cochliomyia</p><p>hominivorax e</p><p>Dermatobia hominis,</p><p>popularmente</p><p>conhecidas como</p><p>“bicheira” e “berne”,</p><p>respectivamente, as</p><p>quais parasitam tecido</p><p>vivo. As moscas adultas</p><p>dessas espécies não</p><p>são hematófagas e as</p><p>larvas são parasitos</p><p>obrigatórios de</p><p>mamíferos, incluindo o</p><p>homem e raramente as</p><p>aves.</p><p>dade da mosca, que corresponde a dois</p><p>picos anuais, na maioria das vezes entre</p><p>o início e o final da estação chuvosa que</p><p>ocorre em cada região do país. Já o con-</p><p>trole tático baseia-se em</p><p>tratar os animais quan-</p><p>do eles apresentarem</p><p>inquietação (Barros,</p><p>2001; Barros, 2005).</p><p>Por exemplo, a quan-</p><p>tidade de movimentos</p><p>de cabeça (cabeçadas</p><p>na paleta ou no cupim)</p><p>podem ser um indicati-</p><p>vo do grau de infestação</p><p>e da necessidade de tra-</p><p>tamento. Contudo, mais</p><p>estudos devem ser reali-</p><p>zados para determinar</p><p>esses números.</p><p>Ressalta-se que o</p><p>tratamento de bovinos</p><p>pouco infestados ou</p><p>pouco incomodados é</p><p>desnecessário e econo-</p><p>micamente desvantajoso e pode acarre-</p><p>tar o surgimento de resistência, o que já</p><p>é uma realidade que dificulta o controle</p><p>químico da “mosca-dos-chifres”. A sus-</p><p>peita de resistência ocorre quando,</p><p>após seguir a correta indicação de tra-</p><p>tamentos dos animais, é constatada a</p><p>sobrevivência das moscas ou um retorno</p><p>mais rápido da infestação (Barros,</p><p>2005). No Brasil, já foram demonstra-</p><p>das populações de moscas altamente</p><p>resistentes aos piretroides. E há suspeita</p><p>de que também ocorre resistência para</p><p>o grupo químico dos organofosforados.</p><p>Por isso, quando for necessário utilizar</p><p>o controle químico, devem ser seguidas</p><p>recomendações corretas</p><p>dos produtos, além de</p><p>se considerar a época do</p><p>ano, a sazonalidade da</p><p>mosca e o grau de infes-</p><p>tação dos animais.</p><p>3. Miíases</p><p>Miíase é resultante</p><p>da alimentação e/ou do</p><p>crescimento de larvas</p><p>de moscas em tecido</p><p>vivo ou morto dos hos-</p><p>pedeiros. Em bovinos,</p><p>as miíases mais comuns</p><p>são as causadas por lar-</p><p>vas de Cochliomyia ho-</p><p>minivorax e Dermatobia</p><p>hominis, popularmente</p><p>conhecidas como “bi-</p><p>cheira” e “berne”, respectivamente, as</p><p>quais parasitam tecido vivo. As moscas</p><p>adultas dessas espécies não são hemató-</p><p>fagas e as larvas são parasitos obrigató-</p><p>rios de mamíferos, incluindo o homem</p><p>e raramente as aves.</p><p>3.1 Cochliomyia hominivorax</p><p>No Brasil, a miíase causada por C.</p><p>hominivorax está amplamente distri-</p><p>buída, com relatos em 208 municípios,</p><p>com parasitismo registrado em aves,</p><p>bovinos, humanos e outros mamíferos,</p><p>472. Ectoparasitoses de bovinos:</p><p>biologia e epidemiologia como base para o controle</p><p>como canídeos e felídeos. Na bovino-</p><p>cultura, a “bicheira” causa impacto sa-</p><p>nitário e econômico de 0,34 bilhão de</p><p>dólares/ano. Em con-</p><p>dições naturais, a den-</p><p>sidade populacional da</p><p>“mosca-da-bicheira” é</p><p>baixa. Contudo, o cli-</p><p>ma quente e úmido</p><p>favorece o aumento das</p><p>populações (Forero-</p><p>Becerra et al., 2009).</p><p>A mosca adulta tem</p><p>coloração verde/azul</p><p>metálica e é conheci-</p><p>da como “varejeira”.</p><p>As fêmeas grávidas são</p><p>atraídas pelo cheiro da</p><p>ferida. Assim, qualquer</p><p>ferimento no corpo</p><p>do animal, que pode</p><p>ser causado por briga,</p><p>castração, descorna,</p><p>marcação a fogo, colo-</p><p>cação de brinco, parto,</p><p>cicatrização umbilical</p><p>incompleta, infesta-</p><p>ção por carrapatos ou</p><p>por arame, torna-se</p><p>atraente para fêmeas</p><p>grávidas realizarem a</p><p>oviposição e, consequentemente, o de-</p><p>senvolvimento de larvas nessa ferida.</p><p>Ressalta-se que a “bicheira” no um-</p><p>bigo em bovinos recém-nascidos é a</p><p>mais prevalente e pode levar o animal</p><p>ao óbito, uma vez que pode ocorrer</p><p>infecção bacteriana secundária. A pre-</p><p>valência da miíase umbilical não difere</p><p>entre machos e fêmeas. Contudo, é in-</p><p>fluenciada pela estação</p><p>do ano, sendo maior na</p><p>estação chuvosa do que</p><p>na seca. Na estação chu-</p><p>vosa, quando há chu-</p><p>va intermitentemente</p><p>por quatro, cinco e seis</p><p>dias em uma semana,</p><p>os bezerros têm apro-</p><p>ximadamente 12, 24 e</p><p>11 vezes mais chances,</p><p>respectivamente, de ter</p><p>“bicheira” umbilical em</p><p>comparação com uma</p><p>semana sem chuva.</p><p>As fêmeas grávidas</p><p>realizam postura de</p><p>ovos esbranquiçados e</p><p>cilíndricos (100 a 200</p><p>por vez, cerca de 1.000</p><p>ovos por fêmea) na bor-</p><p>da da ferida. Os ovos</p><p>são colocados em um</p><p>padrão paralelo que se</p><p>assemelha a um “telha-</p><p>do”. As larvas eclodem</p><p>em até 24 horas e come-</p><p>çam a se alimentar de</p><p>tecido vivo do hospedeiro, formando</p><p>lesões com aspectos de cratera e com</p><p>secreção serossanguinolenta (Figura</p><p>7). A presença da larva na ferida difi-</p><p>culta sua cicatrização. As larvas se de-</p><p>senvolvem até o estádio de larva 3, em</p><p>A mosca [Cochliomyia</p><p>hominivorax] adulta</p><p>tem coloração verde/</p><p>azul metálica e é</p><p>conhecida como</p><p>“varejeira”. As fêmeas</p><p>grávidas são atraídas</p><p>pelo cheiro da ferida.</p><p>Assim, qualquer</p><p>ferimento no corpo</p><p>do animal, que pode</p><p>ser causado por briga,</p><p>castração, descorna,</p><p>marcação a fogo,</p><p>colocação de brinco,</p><p>parto, cicatrização</p><p>umbilical incompleta,</p><p>infestação por</p><p>carrapatos ou por</p><p>arame, torna-se atraente</p><p>para fêmeas grávidas</p><p>realizarem a oviposição</p><p>e, consequentemente,</p><p>o desenvolvimento de</p><p>larvas nessa ferida.</p><p>48 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>Figura 7: A: “Mosca-da-bicheira”, de cor verde-azul metálico, realizando postura de ovos. B: Lesão cra-</p><p>teriosa na pele de bovino parasitada por larvas de Cochliomyia hominivorax (“mosca-da-bicheira”).</p><p>Seta vermelha: ovos na borda da ferida. Fotos: Lorena Lopes Ferreira.</p><p>um período de aproximadamente oito</p><p>dias, para, então, deixarem a ferida e</p><p>caírem ao solo para tornarem-se pupa</p><p>(forma de barril e amarronzadas).</p><p>Posteriormente, os adultos emergem</p><p>em aproximadamente oito dias.</p><p>Como já mencionado, casos de bi-</p><p>cheira não tratados podem ser fatais. A</p><p>presença da larva na ferida pode pre-</p><p>dispor a infecções bacterianas secun-</p><p>dárias, consequentemente septicemia.</p><p>Seu controle/tratamento baseia-se em</p><p>manejar adequadamente os animais</p><p>para evitar feridas, remoção</p><p>manual</p><p>das larvas e/ou uso de antiparasitá-</p><p>rios larvicidas tópicos ou injetáveis de</p><p>forma preventiva (por exemplo, após</p><p>castração, descorna, marcação a fogo</p><p>e cura de umbigo) ou curativa (quan-</p><p>do já existem larvas na ferida), tendo</p><p>os larvicidas tópicos mais eficácia que</p><p>os injetáveis quando usados de forma</p><p>preventiva.</p><p>No mercado brasileiro, existem</p><p>produtos para o tratamento preventivo</p><p>e curativo da bicheira (“mata bichei-</p><p>ras”) de uso injetável, à base de aver-</p><p>mectinas (ivermectina, abamectina,</p><p>doramectina), e tópico (solução, pó</p><p>e spray), à base de carbamatos (pro-</p><p>poxur), organofosforados (coumafós,</p><p>diclorfention, diclorvós e triclorfon),</p><p>piretroides (cialotrina) e fenilpirazol</p><p>(fipronil). Os produtos tópicos geral-</p><p>mente vêm associados a uma substân-</p><p>cia cicatrizante, secante, antisséptica,</p><p>emoliente ou repelente, por exemplo,</p><p>sulfadiazina de prata, ácido pícrico e ge-</p><p>492. Ectoparasitoses de bovinos:</p><p>biologia e epidemiologia como base para o controle</p><p>raniol (Sindan, 2021; de</p><p>Aquino, 2022). Porém,</p><p>no Brasil, já existem re-</p><p>latos da ineficácia da</p><p>ivermectina, da abamec-</p><p>tina e da doramectina.</p><p>3.2 Dermatobia</p><p>hominis</p><p>A dermatobiose ou “berne” é causa-</p><p>da pela larva da mosca D. hominis, que</p><p>penetra na pele íntegra do hospedeiro</p><p>sem lesão prévia (Figura 8). A presença</p><p>da larva na pele do animal compromete</p><p>a qualidade do couro e, consequente-</p><p>mente, seu faturamento pela indústria.</p><p>É mais comum em</p><p>animais de pele escu-</p><p>ra, uma vez que a cor</p><p>escura pode atrair as</p><p>moscas foréticas e tem</p><p>uma distribuição bi-</p><p>nomial negativa em</p><p>um rebanho, ou seja,</p><p>poucos serão os ani-</p><p>mais altamente infestados. Além disso,</p><p>em períodos mais quentes e chuvosos</p><p>(primavera-verão), esse tipo de miíase é</p><p>mais frequente, sendo mais comum em</p><p>locais com dias quentes e noites frias.</p><p>No Brasil, o prejuízo econômico é esti-</p><p>mado em 0,38 bilhão de dólares anuais.</p><p>A dermatobiose ou</p><p>“berne” é causada</p><p>pela larva da mosca D.</p><p>hominis, que penetra</p><p>na pele íntegra do</p><p>hospedeiro sem lesão</p><p>prévia.</p><p>Figura 8: Vaca infestada (nódulos) por larvas de Dermatobia hominis (“berne”). Foto: Welber Daniel</p><p>Zanetti Lopes.</p><p>50 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>Por viver na floresta, a mosca adulta</p><p>raramente é vista. Assim que emergem,</p><p>os adultos copulam em 24h. A fêmea</p><p>grávida realiza postura em um forético</p><p>(“inseto carreador”), por exemplo, no</p><p>abdômen de moscas (“mosca-domés-</p><p>tica”, “mosca-dos-estábulos”, “mosca-</p><p>-dos-chifres”) e mosquitos que car-</p><p>regarão os ovos até o hospedeiro. No</p><p>hospedeiro, em resposta à estimulação</p><p>do calor e do gás carbônico eliminado</p><p>na respiração, as larvas eclodem e pe-</p><p>netram rapidamente na pele íntegra,</p><p>formando um nódulo com um orifício</p><p>para a respiração. Esse nódulo é firme e</p><p>causa dor à palpação devido à presença</p><p>de espinhos na superfície do corpo da</p><p>larva e à inflamação gerada. Além dis-</p><p>so, caso não seja retirada a larva, pode</p><p>ocorrer infecção bacteriana secundá-</p><p>ria. As larvas passam por três estádios</p><p>de desenvolvimento (larvas de 1º, 2º e</p><p>3º ínstares), alimentam-se de exsuda-</p><p>tos e permanecem no mesmo local até</p><p>a pupação (33 a 50 dias, nódulos com</p><p>2 a 3cm de diâmetro). As pupas se en-</p><p>terram no solo por cerca de 30 dias, em</p><p>condições de temperatura e umidade</p><p>favoráveis, até emergirem os adultos.</p><p>O ciclo biológico se completa entre 80</p><p>e 150 dias.</p><p>O seu controle é considerado com-</p><p>plexo devido à diversidade de hospedei-</p><p>ros além dos bovinos, ao grande núme-</p><p>ro de foréticos, à criação extensiva de</p><p>bovinos com umidade e temperatura</p><p>favoráveis para o desenvolvimento do</p><p>ciclo biológico de D. hominis e ao uso de</p><p>inseticidas com eficácia residual curta</p><p>(Moya-Borja, 2003). Apesar de a classe</p><p>das avermectinas (abamectina, eprino-</p><p>mectina, ivermectina e doramectina)</p><p>ser droga de eleição para o tratamento</p><p>da dermatobiose, já há relato no Brasil</p><p>de diminuição da eficácia e da resistên-</p><p>cia de larvas de D. hominis a ativos dessa</p><p>classe. Em casos de pequenos rebanhos</p><p>(até 30 animais) e com baixa infestação,</p><p>na qual se contam até cinco a 10 nódulos</p><p>em menos de 30% dos animais, o pince-</p><p>lamento de óleo vegetal é indicado.</p><p>Considerações finais</p><p>Diante do cenário atual de resis-</p><p>tência dos carrapatos, das moscas e das</p><p>miíases às classes químicas existentes</p><p>no mercado, as tomadas de decisão rela-</p><p>cionadas ao tratamento e ao controle de</p><p>infestações em bovinos devem ser base-</p><p>adas na biologia e na epidemiologia des-</p><p>ses parasitos. Ressalta-se que, em cada</p><p>uma das cinco regiões do país, o surgi-</p><p>mento de picos de infestações ao longo</p><p>do ano irá variar, uma vez que o Brasil</p><p>é um país de extensão continental, com</p><p>diferentes biomas, caracterizando épo-</p><p>cas de seca e chuva em diferentes me-</p><p>ses do ano. Além do fator ambiental,</p><p>que determina a sazonalidade, fatores</p><p>relacionados aos hospedeiros, como a</p><p>existência de raças e indivíduos mais</p><p>ou menos resistentes, e aos sistemas de</p><p>produção, em que há diferentes formas</p><p>de intensificação por meio de confina-</p><p>512. Ectoparasitoses de bovinos:</p><p>biologia e epidemiologia como base para o controle</p><p>mento e/ou uso de pastagens, podem</p><p>ser determinantes da intensidade da</p><p>infestação ambiental e precisam ser</p><p>considerados.</p><p>É notório, diante da quantidade de</p><p>dados disponíveis na literatura, o maior</p><p>impacto econômico e sanitário gerado</p><p>pelo “carrapato-do-boi”. Contudo, as</p><p>moscas e as miíases também são consi-</p><p>deradas pontos críticos de extrema rele-</p><p>vância para a pecuária leiteira e de corte,</p><p>necessitando de mais estudos e publica-</p><p>ções para melhor entendimento e abor-</p><p>dagem do problema. Espera-se que o</p><p>conhecimento técnico-científico gerado</p><p>pelas universidades e pelas instituições</p><p>de pesquisas seja difundido com maior</p><p>rapidez entre os diversos participantes</p><p>das respectivas cadeias produtivas, para</p><p>que possa ser colocado em prática, sen-</p><p>do importante ressaltar a colaboração e</p><p>a interação com a indústria de produtos</p><p>veterinários.</p><p>Referências</p><p>1. ANDREOTTI, R., Garvia, M.V., Koller, W.W.</p><p>2019. Carrapatos na cadeia produtiva de bovinos</p><p>Brasília, DF: Embrapa.</p><p>2. BARROS, A.T.M., 2005. Aspectos do controle</p><p>da mosca-dos-chifres e manejo de resistência.</p><p>Embrapa Pantanal. Documento Técnico 77. ht-</p><p>tps://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstre-</p><p>am/doc/784068/1/DOC77.pdf</p><p>3. BARROS A. T. M. (2001). 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Hoje, o controle</p><p>3. Bacterias resistentes 3. Bacterias resistentes</p><p>a antimicrobianos em a antimicrobianos em</p><p>hospitais</p><p>veterinários: hospitais veterinários:</p><p>um desafio crescenteum desafio crescente</p><p>pixabay.com</p><p>e a prevenção de infecções é um campo</p><p>desenvolvido e reconhecido na medici-</p><p>na humana, com funcionários especifi-</p><p>camente treinados e certificados e com</p><p>grandes programas de vigilância forne-</p><p>cendo a avaliação aprofundada da epi-</p><p>demiologia de infecções hospitalares.</p><p>Em contraste, o controle e a preven-</p><p>ção de infecções em medicina veteriná-</p><p>ria encontram-se ainda em um estágio</p><p>inicial, com poucos funcionários dedi-</p><p>Jordana Almeida Santana - CRMV MG 12487</p><p>Isabela Pádua Zanon - UFMG</p><p>Thayanne Gabryelle Viana de Souza - CRMV-BA 7187</p><p>Rodrigo Otávio Silveira Silva - CRMV MG 10763</p><p>Escola de Veterinária, Universidade Federal de Minas Gerais, Avenida Presidente Antônio Carlos, 6627, Belo Horizonte - MG, 31270-901</p><p>56 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>cados, oportunidades</p><p>de treinamento raros e</p><p>sem sistemas de vigi-</p><p>lância, sobretudo, por</p><p>questões de financia-</p><p>mento limitado. Assim</p><p>como aconteceu na</p><p>medicina humana, os</p><p>esforços para controle e</p><p>prevenção de infecções</p><p>em hospitais veteriná-</p><p>rios ainda são reativos,</p><p>em resposta a situações</p><p>desequilibradas, como</p><p>surtos.</p><p>Conforme a medi-</p><p>cina veterinária avança,</p><p>pacientes são subme-</p><p>tidos a procedimentos</p><p>cada vez mais invasivos</p><p>e terapias imunossupressoras que au-</p><p>mentam sua susceptibilidade a infec-</p><p>ções hospitalares. Diante dessa situação,</p><p>o controle e a prevenção de infecções</p><p>também precisam avançar.</p><p>Por um tempo, com a descoberta</p><p>dos antimicrobianos, acreditou-se que</p><p>as doenças infecciosas se extinguiriam,</p><p>o que reduziu consideravelmente o foco</p><p>nas medidas de prevenção. Entretanto,</p><p>atualmente, com a eficácia do arsenal</p><p>antimicrobiano diminuindo, a preven-</p><p>ção de infecções voltou ao topo das</p><p>soluções.</p><p>Assim, existe uma necessidade real</p><p>de aderência às melhores práticas de</p><p>controle e prevenção de infecções em</p><p>hospitais veterinários.</p><p>Programas bem defini-</p><p>dos reduzirão significati-</p><p>vamente a ocorrência de</p><p>infecções nosocomiais,</p><p>resultando em melho-</p><p>res condições de saúde e</p><p>bem-estar dos pacientes,</p><p>dos funcionários, dos</p><p>proprietários e, indireta-</p><p>mente, da comunidade.</p><p>Infecções</p><p>nosocomiais</p><p>em hospitais</p><p>veterinários</p><p>Por definição, in-</p><p>fecções nosocomiais ou</p><p>IRAS (infecções rela-</p><p>cionadas à assistência à</p><p>saúde) são infecções adquiridas em uni-</p><p>dades de assistência à saúde, associadas</p><p>à internação e/ou a procedimentos hos-</p><p>pitalares, que não estavam presentes ou</p><p>em incubação no momento da admissão</p><p>do paciente. Atualmente, seja na saúde</p><p>humana ou na animal, têm sido motivo</p><p>de preocupação global, considerando o</p><p>alto potencial de disseminação e as re-</p><p>duzidas opções terapêuticas de perfis</p><p>multirresistentes dos diferentes patóge-</p><p>nos envolvidos, que, frequentemente,</p><p>estão presentes nesses ambientes.</p><p>Em medicina veterinária, as IRAS</p><p>mais frequentemente relatadas abran-</p><p>gem infecções de sítios cirúrgicos, cor-</p><p>rente sanguínea, trato urinário, trato</p><p>existe uma necessidade</p><p>real de aderência às</p><p>melhores práticas de</p><p>controle e prevenção</p><p>de infecções em</p><p>hospitais veterinários.</p><p>Programas bem</p><p>definidos reduzirão</p><p>significativamente</p><p>a ocorrência de</p><p>infecções nosocomiais,</p><p>resultando em</p><p>melhores condições</p><p>de saúde e bem-</p><p>estar dos pacientes,</p><p>dos funcionários,</p><p>dos proprietários e,</p><p>indiretamente, da</p><p>comunidade.</p><p>573. Bacterias resistentes a antimicrobianos em hospitais veterinários: um desafio crescente</p><p>gastrintestinal e trato respiratório. A</p><p>infecção de sítios cirúrgicos tem sido</p><p>descrita como uma das principais com-</p><p>plicações pós-operatórias em medicina</p><p>veterinária. Segundo Nelson (2011),</p><p>0,8% a 18,1% das cirurgias realizadas</p><p>em pequenos animais terminam em</p><p>infecções bacterianas dos sítios envol-</p><p>vidos. A principal fonte</p><p>de contaminação pode</p><p>ser a própria microbio-</p><p>ta endógena dos pa-</p><p>cientes, uma vez que a</p><p>preparação asséptica</p><p>pode não eliminar su-</p><p>ficientemente as bacté-</p><p>rias associadas à pele.</p><p>Porém, microrganismos</p><p>exógenos provindos do</p><p>equipamento cirúrgi-</p><p>co, do ambiente físico e</p><p>dos funcionários (mãos,</p><p>mucosas e roupas) tam-</p><p>bém são grandes res-</p><p>ponsáveis por esse tipo</p><p>de infecção. As bactérias</p><p>que têm sido isoladas</p><p>com maior frequência de sítios cirúr-</p><p>gicos são: estafilococos resistentes à</p><p>meticilina (MRS), enterobactérias pro-</p><p>dutoras de betalactamases de espectro</p><p>estendido (ESBL), Enterococcus spp.,</p><p>Acinetobacter spp., Staphylococcus pseu-</p><p>dintermedius e Pseudomonas spp. resis-</p><p>tentes a múltiplas drogas. Mais recen-</p><p>temente, tem-se discutido o potencial</p><p>disseminação do fungo Sporothrix sp.,</p><p>causador da esporotricose, em ambien-</p><p>te hospitalar. Independentemente do</p><p>patógeno, os fatores de risco geralmente</p><p>associados às infecções de sítios cirúr-</p><p>gicos incluem condições de saúde do</p><p>paciente, classificação da ferida (tipo e</p><p>grau de contaminação), tricotomia até 4</p><p>horas antes da cirurgia, ausência de an-</p><p>tibioticoterapia profilá-</p><p>tica apropriada, duração</p><p>da anestesia e cirurgia,</p><p>número de pessoas na</p><p>sala de cirurgia, uso de</p><p>implantes e drenos, du-</p><p>ração da hospitalização</p><p>e não conformidade da</p><p>equipe veterinária com</p><p>os protocolos de con-</p><p>trole e prevenção de</p><p>infecções.</p><p>Infecções da corren-</p><p>te sanguínea adquiridas</p><p>em hospitais normal-</p><p>mente estão relacio-</p><p>nadas a dispositivos</p><p>intravasculares. A cate-</p><p>terização, assim como</p><p>sua duração, está amplamente associada</p><p>a esse tipo de infecção, que frequente-</p><p>mente ocorre devido à contaminação</p><p>dos dispositivos com patógenos comen-</p><p>sais e ambientais. Alguns fatores de risco</p><p>já foram associados à contaminação de</p><p>cateteres, como preparação inadequa-</p><p>da da pele do paciente, uso de material</p><p>contaminado, longa duração na colo-</p><p>cação do dispositivo, imunossupressão</p><p>As bactérias que têm</p><p>sido isoladas com</p><p>maior frequência de</p><p>sítios cirúrgicos são:</p><p>estafilococos resistentes</p><p>à meticilina (MRS),</p><p>enterobactérias</p><p>produtoras de</p><p>betalactamases de</p><p>espectro estendido</p><p>(ESBL), Enterococcus</p><p>spp., Acinetobacter</p><p>spp., Staphylococcus</p><p>pseudintermedius e</p><p>Pseudomonas spp.</p><p>resistentes a múltiplas</p><p>drogas.</p><p>58 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>do paciente e infusão de dextrose.</p><p>Staphylococcus spp., Pseudomonas spp.</p><p>e algumas enterobactérias (Escherichia</p><p>coli, Enterobacter spp., Proteus spp. e</p><p>Klebsiella spp.) têm sido os microrga-</p><p>nismos mais encontrados nesse tipo de</p><p>infecção.</p><p>Infecções do trato urinário geral-</p><p>mente estão associadas ao uso de ca-</p><p>teteres e são IRAS muito comuns em</p><p>pequenos animais. A introdução do</p><p>dispositivo pode interferir nos mecanis-</p><p>mos de defesa normais da mucosa, fa-</p><p>vorecendo a colonização bacteriana do</p><p>cateter e a ascensão de microrganismos</p><p>patogênicos até a bexiga urinária do pa-</p><p>ciente. Fêmeas e animais senis parecem</p><p>compor o grupo de maior risco. Os agen-</p><p>tes infectantes, mais uma vez, podem ser</p><p>de origem endógena ou exógena, sendo</p><p>E. coli, Proteus spp., Staphylococcus spp. e</p><p>Streptococcus spp. mais frequentemente</p><p>encontrados nesse sítio. Atenção deve</p><p>ser dada à formação de biofilme na su-</p><p>perfície dos cateteres, pois essa pode</p><p>estar associada à resistência aos antimi-</p><p>crobianos e, consequentemente, a falhas</p><p>terapêuticas.</p><p>Diarreias infecciosas adquiridas em</p><p>hospitais veterinários normalmente são</p><p>notadas quando há aumento conside-</p><p>rável na incidência de casos no local.</p><p>Devido à ampla gama de possíveis pa-</p><p>tógenos envolvidos, determinar a causa</p><p>da diarreia é um desafio. Em clínicas e</p><p>hospitais de pequenos animais, o princi-</p><p>pal patógeno associado à diarreia infec-</p><p>ciosa tem sido Salmonella spp.. Fatores</p><p>de risco frequentemente relatados para</p><p>colonização/infecção de cães e gatos</p><p>por Salmonella spp. abrangem contato</p><p>com algumas espécies animais (répteis,</p><p>anfíbios, aves jovens e animais de pro-</p><p>dução), consumo de alimentos crus de</p><p>origem animal (carne, couro e ovos) e</p><p>uso de probióticos. Além da coloniza-</p><p>ção/infecção, esses animais tornam-se</p><p>elementos-chave na propagação</p><p>do mi-</p><p>crorganismo, pois eliminam constan-</p><p>temente o patógeno em suas fezes. Em</p><p>contraste com hospitais humanos, a</p><p>diarreia nosocomial parece não ser tão</p><p>frequentemente relatada em hospitais</p><p>veterinários, talvez pela ausência de no-</p><p>tificação ou, até mesmo, pela não confir-</p><p>mação por diagnóstico laboratorial do</p><p>patógeno causador.</p><p>Pneumonias são IRAS mais</p><p>observadas na saúde humana,</p><p>principalmente devido ao uso de ven-</p><p>tiladores mecânicos e tubos nasogás-</p><p>tricos e endotraqueais, os quais não são</p><p>empregados com a mesma frequência</p><p>na medicina veterinária. Entretanto,</p><p>pneumonia aspirativa é um evento não</p><p>tão raro em pequenos animais, e pode</p><p>ocorrer por desordens laríngeas e eso-</p><p>fágicas, bem como em animais saudá-</p><p>veis submetidos à anestesia ou sedação.</p><p>A hospitalização prolongada dos ani-</p><p>mais aumenta o risco de colonização</p><p>bacteriana da orofaringe com micror-</p><p>ganismos do ambiente ou mesmo das</p><p>mãos dos funcionários e, comumente,</p><p>593. Bacterias resistentes a antimicrobianos em hospitais veterinários: um desafio crescente</p><p>os agentes infecciosos causadores da</p><p>pneumonia são multirresistentes E. coli</p><p>e Acinetobacter spp. foram os patógenos</p><p>mais frequentes em um estudo de casos</p><p>de pneumonia hospitalar em gatos.</p><p>Como é possível observar, a maio-</p><p>ria dos microrganismos frequentemen-</p><p>te envolvidos em IRAS geralmente são</p><p>oportunistas, resistentes a diferentes</p><p>classes de antimicrobianos e persistente-</p><p>mente estáveis no ambiente. Uma ampla</p><p>gama de patógenos pode estar envolvi-</p><p>da em IRAS, incluindo diferentes vírus,</p><p>fungos e bactérias. Porém, atualmente, o</p><p>principal foco tem sido a emergência de</p><p>bactérias resistentes a múltiplas drogas</p><p>(MDR), devido ao aumento global de</p><p>ocorrências, às opções limitadas e, mui-</p><p>tas vezes, ausentes de tratamento, assim</p><p>como as consequências de saúde públi-</p><p>ca, visto que grande parte dessas bacté-</p><p>rias apresentam potencial zoonótico.</p><p>No Quadro 1 descrevem-se as prin-</p><p>cipais bactérias MDR envolvidas em</p><p>infecções nosocomiais em hospitais</p><p>veterinários. Além disso, também são</p><p>descritos os fatores de risco inerentes ao</p><p>paciente para colonização/infecção por</p><p>cada um desses patógenos.</p><p>De maneira geral, todos os animais</p><p>admitidos diariamente em clínicas e</p><p>hospitais veterinários, doentes ou saudá-</p><p>veis, são potenciais carreadores e trans-</p><p>missores de patógenos causadores de</p><p>infecções nosocomiais. Desde o primei-</p><p>ro contato, é muito importante avaliar</p><p>os fatores de risco inerentes ao paciente,</p><p>Q</p><p>ua</p><p>dr</p><p>o</p><p>1</p><p>–</p><p>Pr</p><p>in</p><p>ci</p><p>pa</p><p>is</p><p>b</p><p>ac</p><p>té</p><p>ria</p><p>s e</p><p>nv</p><p>ol</p><p>vi</p><p>da</p><p>s e</p><p>m</p><p>in</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s n</p><p>os</p><p>oc</p><p>om</p><p>ia</p><p>is</p><p>e</p><p>fa</p><p>to</p><p>re</p><p>s d</p><p>e</p><p>ris</p><p>co</p><p>in</p><p>er</p><p>en</p><p>te</p><p>s à</p><p>co</p><p>lo</p><p>ni</p><p>za</p><p>çã</p><p>o/</p><p>in</p><p>fe</p><p>cç</p><p>ão</p><p>d</p><p>o</p><p>pa</p><p>ci</p><p>en</p><p>te</p><p>.</p><p>Ba</p><p>ct</p><p>ér</p><p>ia</p><p>In</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s n</p><p>os</p><p>oc</p><p>o-</p><p>m</p><p>ia</p><p>is</p><p>m</p><p>ai</p><p>s r</p><p>el</p><p>at</p><p>ad</p><p>as</p><p>Fa</p><p>to</p><p>re</p><p>s d</p><p>e</p><p>ris</p><p>co</p><p>in</p><p>er</p><p>en</p><p>te</p><p>s a</p><p>o</p><p>pa</p><p>ci</p><p>en</p><p>te</p><p>Re</p><p>fe</p><p>rê</p><p>nc</p><p>ia</p><p>s</p><p>M</p><p>RS</p><p>P</p><p>In</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s d</p><p>e</p><p>fe</p><p>rid</p><p>as</p><p>ci</p><p>rú</p><p>rg</p><p>ic</p><p>as</p><p>.</p><p>Ho</p><p>sp</p><p>ita</p><p>liz</p><p>aç</p><p>ão</p><p>p</p><p>ré</p><p>vi</p><p>a</p><p>re</p><p>ce</p><p>nt</p><p>e,</p><p>v</p><p>isi</p><p>ta</p><p>s f</p><p>re</p><p>qu</p><p>en</p><p>te</p><p>s a</p><p>o</p><p>ve</p><p>te</p><p>ri-</p><p>ná</p><p>rio</p><p>, a</p><p>ni</p><p>m</p><p>ai</p><p>s c</p><p>om</p><p>d</p><p>oe</p><p>nç</p><p>as</p><p>d</p><p>e</p><p>pe</p><p>le</p><p>c</p><p>rô</p><p>ni</p><p>ca</p><p>s e</p><p>u</p><p>so</p><p>p</p><p>ré</p><p>vi</p><p>o</p><p>de</p><p>a</p><p>nti</p><p>m</p><p>ic</p><p>ro</p><p>bi</p><p>an</p><p>os</p><p>(p</p><p>rin</p><p>ci</p><p>pa</p><p>lm</p><p>en</p><p>te</p><p>, b</p><p>et</p><p>al</p><p>ac</p><p>tâ</p><p>m</p><p>ic</p><p>os</p><p>).</p><p>N</p><p>ie</p><p>nh</p><p>off</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>1a</p><p>);</p><p>N</p><p>ie</p><p>nh</p><p>off</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>1b</p><p>);</p><p>W</p><p>ee</p><p>se</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>2)</p><p>; L</p><p>eh</p><p>ne</p><p>r e</p><p>t</p><p>al</p><p>. (</p><p>20</p><p>14</p><p>);</p><p>He</p><p>ns</p><p>el</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>6)</p><p>; V</p><p>ie</p><p>ga</p><p>s e</p><p>t</p><p>al</p><p>. (</p><p>20</p><p>20</p><p>).</p><p>M</p><p>RS</p><p>A</p><p>In</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s d</p><p>e</p><p>fe</p><p>rid</p><p>as</p><p>ci</p><p>rú</p><p>rg</p><p>ic</p><p>as</p><p>.</p><p>Ho</p><p>sp</p><p>ita</p><p>liz</p><p>aç</p><p>ão</p><p>p</p><p>ré</p><p>vi</p><p>a,</p><p>h</p><p>os</p><p>pi</p><p>ta</p><p>liz</p><p>aç</p><p>ão</p><p>d</p><p>e</p><p>lo</p><p>ng</p><p>a</p><p>du</p><p>ra</p><p>çã</p><p>o</p><p>(></p><p>3</p><p>di</p><p>as</p><p>),</p><p>us</p><p>o</p><p>pr</p><p>év</p><p>io</p><p>d</p><p>e</p><p>an</p><p>tim</p><p>ic</p><p>ro</p><p>bi</p><p>an</p><p>os</p><p>(p</p><p>rin</p><p>ci</p><p>pa</p><p>lm</p><p>en</p><p>te</p><p>ce</p><p>fa</p><p>lo</p><p>sp</p><p>or</p><p>in</p><p>as</p><p>e</p><p>fl</p><p>uo</p><p>ro</p><p>qu</p><p>in</p><p>ol</p><p>on</p><p>as</p><p>),</p><p>im</p><p>pl</p><p>an</p><p>te</p><p>s c</p><p>irú</p><p>rg</p><p>ic</p><p>os</p><p>e</p><p>tu</p><p>to</p><p>re</p><p>s q</p><p>ue</p><p>e</p><p>st</p><p>ud</p><p>am</p><p>o</p><p>u</p><p>tr</p><p>ab</p><p>al</p><p>ha</p><p>m</p><p>n</p><p>a</p><p>ár</p><p>ea</p><p>d</p><p>e</p><p>sa</p><p>úd</p><p>e.</p><p>Fa</p><p>ire</p><p>s e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>00</p><p>9)</p><p>; F</p><p>ai</p><p>re</p><p>s e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>0)</p><p>;</p><p>M</p><p>ag</p><p>al</p><p>hã</p><p>es</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>0)</p><p>; H</p><p>oe</p><p>t e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>3)</p><p>; V</p><p>in</p><p>cz</p><p>e</p><p>et</p><p>a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>4)</p><p>; W</p><p>al</p><p>th</p><p>er</p><p>,</p><p>Te</p><p>di</p><p>n</p><p>e</p><p>Lü</p><p>bk</p><p>e-</p><p>Be</p><p>ck</p><p>er</p><p>(2</p><p>01</p><p>7)</p><p>.</p><p>(</p><p>Co</p><p>nti</p><p>nu</p><p>a)</p><p>60 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>(C</p><p>on</p><p>tin</p><p>ua</p><p>çã</p><p>o)</p><p>Q</p><p>ua</p><p>dr</p><p>o</p><p>1</p><p>–</p><p>Pr</p><p>in</p><p>ci</p><p>pa</p><p>is</p><p>b</p><p>ac</p><p>té</p><p>ria</p><p>s e</p><p>nv</p><p>ol</p><p>vi</p><p>da</p><p>s e</p><p>m</p><p>in</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s n</p><p>os</p><p>oc</p><p>om</p><p>ia</p><p>is</p><p>e</p><p>fa</p><p>to</p><p>re</p><p>s d</p><p>e</p><p>ris</p><p>co</p><p>in</p><p>er</p><p>en</p><p>te</p><p>s à</p><p>co</p><p>lo</p><p>ni</p><p>za</p><p>çã</p><p>o/</p><p>in</p><p>fe</p><p>cç</p><p>ão</p><p>d</p><p>o</p><p>pa</p><p>ci</p><p>en</p><p>te</p><p>.</p><p>Ba</p><p>ct</p><p>ér</p><p>ia</p><p>In</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s n</p><p>os</p><p>oc</p><p>om</p><p>ia</p><p>is</p><p>m</p><p>ai</p><p>s</p><p>re</p><p>la</p><p>ta</p><p>da</p><p>s</p><p>Fa</p><p>to</p><p>re</p><p>s d</p><p>e</p><p>ris</p><p>co</p><p>in</p><p>er</p><p>en</p><p>te</p><p>s a</p><p>o</p><p>pa</p><p>ci</p><p>en</p><p>te</p><p>Re</p><p>fe</p><p>rê</p><p>nc</p><p>ia</p><p>s</p><p>E.</p><p>c</p><p>ol</p><p>i E</p><p>SB</p><p>L</p><p>In</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s d</p><p>e</p><p>fe</p><p>rid</p><p>as</p><p>c</p><p>irú</p><p>rg</p><p>ic</p><p>as</p><p>e</p><p>do</p><p>tr</p><p>at</p><p>o</p><p>ge</p><p>ni</p><p>tu</p><p>rin</p><p>ár</p><p>io</p><p>.</p><p>Du</p><p>ra</p><p>çã</p><p>o</p><p>pr</p><p>ol</p><p>on</p><p>ga</p><p>da</p><p>d</p><p>a</p><p>ho</p><p>sp</p><p>ita</p><p>liz</p><p>aç</p><p>ão</p><p>(></p><p>3</p><p>di</p><p>as</p><p>),</p><p>us</p><p>o</p><p>de</p><p>a</p><p>nti</p><p>-</p><p>m</p><p>ic</p><p>ro</p><p>bi</p><p>an</p><p>os</p><p>a</p><p>nt</p><p>es</p><p>o</p><p>u</p><p>du</p><p>ra</p><p>nt</p><p>e</p><p>a</p><p>in</p><p>te</p><p>rn</p><p>aç</p><p>ão</p><p>(p</p><p>rin</p><p>ci</p><p>pa</p><p>lm</p><p>en</p><p>te</p><p>ce</p><p>fa</p><p>lo</p><p>sp</p><p>or</p><p>in</p><p>as</p><p>e</p><p>m</p><p>et</p><p>ro</p><p>ni</p><p>da</p><p>zo</p><p>l)</p><p>e</p><p>pá</p><p>tio</p><p>s d</p><p>e</p><p>in</p><p>te</p><p>rn</p><p>aç</p><p>ão</p><p>m</p><p>ist</p><p>os</p><p>(g</p><p>ra</p><p>nd</p><p>es</p><p>a</p><p>ni</p><p>m</p><p>ai</p><p>s)</p><p>.</p><p>Gi</p><p>bs</p><p>on</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>1)</p><p>; M</p><p>ad</p><p>do</p><p>x</p><p>et</p><p>a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>1)</p><p>; S</p><p>hn</p><p>ai</p><p>de</p><p>rm</p><p>an</p><p>-T</p><p>or</p><p>ba</p><p>n</p><p>et</p><p>a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>9)</p><p>.</p><p>Ac</p><p>in</p><p>et</p><p>ob</p><p>ac</p><p>te</p><p>r</p><p>ba</p><p>um</p><p>an</p><p>ni</p><p>i</p><p>In</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s a</p><p>ss</p><p>oc</p><p>ia</p><p>da</p><p>s a</p><p>d</p><p>re</p><p>no</p><p>s</p><p>ci</p><p>rú</p><p>rg</p><p>ic</p><p>os</p><p>e</p><p>c</p><p>at</p><p>et</p><p>er</p><p>es</p><p>(v</p><p>en</p><p>os</p><p>os</p><p>e</p><p>ur</p><p>in</p><p>ár</p><p>io</p><p>s)</p><p>, i</p><p>nf</p><p>ec</p><p>çõ</p><p>es</p><p>d</p><p>e</p><p>fe</p><p>rid</p><p>as</p><p>ci</p><p>rú</p><p>rg</p><p>ic</p><p>as</p><p>, i</p><p>nf</p><p>ec</p><p>çõ</p><p>es</p><p>d</p><p>a</p><p>co</p><p>rr</p><p>en</p><p>te</p><p>sa</p><p>ng</p><p>uí</p><p>ne</p><p>a</p><p>e</p><p>pn</p><p>eu</p><p>m</p><p>on</p><p>ia</p><p>s.</p><p>Ho</p><p>sp</p><p>ita</p><p>liz</p><p>aç</p><p>ão</p><p>(></p><p>1</p><p>di</p><p>a)</p><p>e</p><p>u</p><p>so</p><p>d</p><p>e</p><p>an</p><p>tim</p><p>ic</p><p>ro</p><p>bi</p><p>an</p><p>os</p><p>(<</p><p>15</p><p>d</p><p>ia</p><p>s)</p><p>.</p><p>Fr</p><p>an</p><p>ce</p><p>y</p><p>et</p><p>a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>00</p><p>0)</p><p>; B</p><p>el</p><p>m</p><p>on</p><p>te</p><p>e</p><p>t</p><p>al</p><p>. (</p><p>20</p><p>14</p><p>);</p><p>St</p><p>ul</p><p>l e</p><p>W</p><p>ee</p><p>se</p><p>, (</p><p>20</p><p>15</p><p>).</p><p>Sa</p><p>lm</p><p>on</p><p>el</p><p>la</p><p>sp</p><p>p.</p><p>Di</p><p>ar</p><p>re</p><p>ia</p><p>.</p><p>U</p><p>so</p><p>d</p><p>e</p><p>an</p><p>tim</p><p>ic</p><p>ro</p><p>bi</p><p>an</p><p>os</p><p>, a</p><p>lim</p><p>en</p><p>ta</p><p>çã</p><p>o</p><p>co</p><p>m</p><p>c</p><p>ar</p><p>ne</p><p>c</p><p>ru</p><p>a</p><p>ou</p><p>d</p><p>e-</p><p>riv</p><p>ad</p><p>os</p><p>, u</p><p>so</p><p>d</p><p>e</p><p>pr</p><p>ob</p><p>ió</p><p>tic</p><p>os</p><p>(<</p><p>30</p><p>d</p><p>ia</p><p>s)</p><p>e</p><p>e</p><p>xp</p><p>os</p><p>iç</p><p>ão</p><p>a</p><p>a</p><p>ni</p><p>m</p><p>ai</p><p>s</p><p>de</p><p>p</p><p>ro</p><p>du</p><p>çã</p><p>o</p><p>e</p><p>ré</p><p>pt</p><p>ei</p><p>s.</p><p>Le</p><p>nz</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>00</p><p>9)</p><p>; S</p><p>tu</p><p>ll</p><p>e</p><p>W</p><p>ee</p><p>se</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>; R</p><p>am</p><p>os</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>9)</p><p>; D</p><p>av</p><p>ie</p><p>s,</p><p>La</p><p>w</p><p>es</p><p>e</p><p>W</p><p>al</p><p>es</p><p>(2</p><p>01</p><p>9)</p><p>; V</p><p>ie</p><p>ga</p><p>s e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>02</p><p>0)</p><p>.</p><p>Ps</p><p>eu</p><p>do</p><p>m</p><p>on</p><p>as</p><p>sp</p><p>p.</p><p>In</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s d</p><p>e</p><p>fe</p><p>rid</p><p>as</p><p>c</p><p>irú</p><p>rg</p><p>ic</p><p>as</p><p>,</p><p>in</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s a</p><p>ss</p><p>oc</p><p>ia</p><p>da</p><p>s a</p><p>d</p><p>isp</p><p>o-</p><p>siti</p><p>vo</p><p>s i</p><p>nv</p><p>as</p><p>iv</p><p>os</p><p>(i</p><p>m</p><p>pl</p><p>an</p><p>te</p><p>s e</p><p>di</p><p>sp</p><p>os</p><p>iti</p><p>vo</p><p>s c</p><p>ar</p><p>di</p><p>ov</p><p>as</p><p>cu</p><p>la</p><p>re</p><p>s)</p><p>,</p><p>in</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s d</p><p>e</p><p>pe</p><p>le</p><p>, i</p><p>nf</p><p>ec</p><p>çõ</p><p>es</p><p>d</p><p>o</p><p>tr</p><p>at</p><p>o</p><p>ge</p><p>ni</p><p>tu</p><p>rin</p><p>ár</p><p>io</p><p>e</p><p>o</p><p>tit</p><p>es</p><p>.</p><p>Al</p><p>er</p><p>gi</p><p>as</p><p>c</p><p>rô</p><p>ni</p><p>ca</p><p>s,</p><p>d</p><p>oe</p><p>nç</p><p>a</p><p>en</p><p>dó</p><p>cr</p><p>in</p><p>a</p><p>e</p><p>im</p><p>un</p><p>os</p><p>su</p><p>pr</p><p>es</p><p>sã</p><p>o.</p><p>Pe</p><p>re</p><p>m</p><p>an</p><p>s e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>00</p><p>2)</p><p>; G</p><p>at</p><p>or</p><p>ia</p><p>e</p><p>t</p><p>al</p><p>. (</p><p>20</p><p>06</p><p>);</p><p>Fi</p><p>ne</p><p>e</p><p>To</p><p>bi</p><p>as</p><p>(2</p><p>00</p><p>7)</p><p>;</p><p>N</p><p>utt</p><p>al</p><p>l e</p><p>C</p><p>ol</p><p>e</p><p>(2</p><p>00</p><p>7)</p><p>; P</p><p>at</p><p>er</p><p>so</p><p>n</p><p>e</p><p>M</p><p>at</p><p>ys</p><p>ki</p><p>ew</p><p>ic</p><p>z (</p><p>20</p><p>18</p><p>).</p><p>En</p><p>te</p><p>ro</p><p>co</p><p>cc</p><p>us</p><p>fa</p><p>e-</p><p>ci</p><p>um</p><p>e</p><p>E</p><p>. f</p><p>ae</p><p>ca</p><p>lis</p><p>In</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s d</p><p>o</p><p>tr</p><p>at</p><p>o</p><p>ge</p><p>ni</p><p>tu</p><p>rin</p><p>ár</p><p>io</p><p>(in</p><p>cl</p><p>ui</p><p>nd</p><p>o</p><p>as</p><p>so</p><p>ci</p><p>ad</p><p>as</p><p>a</p><p>c</p><p>at</p><p>et</p><p>er</p><p>),</p><p>in</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s d</p><p>e</p><p>fe</p><p>rid</p><p>as</p><p>c</p><p>irú</p><p>rg</p><p>ic</p><p>as</p><p>,</p><p>in</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s d</p><p>a</p><p>co</p><p>rr</p><p>en</p><p>te</p><p>sa</p><p>ng</p><p>uí</p><p>ne</p><p>a</p><p>e</p><p>pn</p><p>eu</p><p>m</p><p>on</p><p>ia</p><p>s.</p><p>U</p><p>so</p><p>d</p><p>e</p><p>an</p><p>tim</p><p>ic</p><p>ro</p><p>bi</p><p>an</p><p>os</p><p>, i</p><p>m</p><p>un</p><p>os</p><p>su</p><p>pr</p><p>es</p><p>sã</p><p>o</p><p>e</p><p>es</p><p>ta</p><p>di</p><p>a</p><p>pr</p><p>ol</p><p>on</p><p>-</p><p>ga</p><p>da</p><p>e</p><p>m</p><p>U</p><p>TI</p><p>s.</p><p>Gh</p><p>os</p><p>h,</p><p>D</p><p>ow</p><p>d</p><p>e</p><p>Zu</p><p>re</p><p>k</p><p>(2</p><p>01</p><p>1)</p><p>; S</p><p>tu</p><p>ll</p><p>e</p><p>W</p><p>ee</p><p>se</p><p>, 2</p><p>01</p><p>5)</p><p>; P</p><p>rie</p><p>to</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>6)</p><p>.</p><p>613. Bacterias resistentes a antimicrobianos em hospitais veterinários: um desafio crescente</p><p>pois é dessa forma que se determina o</p><p>risco que o animal apresenta de se infec-</p><p>tar e, também, o risco de transmitir para</p><p>outros pacientes, funcionários ou para o</p><p>ambiente. Entre os diferentes fatores de</p><p>risco, hospitalização prévia ou de longa</p><p>duração e uso de antimicrobianos foram</p><p>comuns à aquisição da maioria dos pa-</p><p>tógenos citados (Quadro 1). Por isso,</p><p>animais que já tenham sido expostos a</p><p>esses fatores devem receber atenção re-</p><p>dobrada e ser manejados cumprindo-se,</p><p>rigorosamente, protocolos que impe-</p><p>çam a infecção e a disseminação do pa-</p><p>tógeno pelas instalações.</p><p>Outros fatores de risco frequente-</p><p>mente associados à introdução de pa-</p><p>tógenos MDR, em geral, estão suma-</p><p>rizados no Quadro 2. Juntamente, são</p><p>apresentados, também, fatores de risco</p><p>para pacientes se tornarem portadores</p><p>de patógenos MDR, assim como para</p><p>desenvolverem infecções por patógenos</p><p>MDR dentro de instalações veterinárias.</p><p>Nas últimas décadas, muitos avan-</p><p>ços técnicos foram obtidos na medici-</p><p>na veterinária com o objetivo de me-</p><p>lhorar e prolongar a vida dos animais.</p><p>Dispositivos e procedimentos cirúrgicos</p><p>invasivos, terapias imunossupressoras,</p><p>antimicrobianos, hospitalizações pro-</p><p>longadas e cuidados mais intensivos são</p><p>considerados progressos na saúde vete-</p><p>rinária. Porém, em contrapartida, tudo</p><p>isso tem contribuído para o aumento da</p><p>incidência de infecções nosocomiais em</p><p>hospitais veterinários (Quadro 2).</p><p>É evidente que existe um risco cons-</p><p>tante de introdução, disseminação e ex-</p><p>posição a patógenos zoonóticos MDR</p><p>em hospitais veterinários. O nível desse</p><p>risco pode ser estimado pela população</p><p>animal atendida, pelos patógenos circu-</p><p>lantes em animais daquela comunidade,</p><p>pela proporção de pacientes cujos pro-</p><p>prietários tomam medidas preventivas,</p><p>pelos tipos de serviço oferecidos aos</p><p>pacientes, pelas práticas de controle e</p><p>prevenção de infecções estabelecidas e</p><p>pela aderência a elas pelos funcionários</p><p>e clientes. Dessa forma, é essencial que</p><p>hospitais e clínicas veterinárias realizem</p><p>investigações epidemiológicas que ava-</p><p>liem criteriosamente esses fatores, além</p><p>de pesquisar taxas basais e a dinâmica de</p><p>infecção dos principais patógenos MDR</p><p>envolvidos nas infecções nosocomiais</p><p>em seus estabelecimentos. Esse seria o</p><p>primeiro passo para gerar informações</p><p>úteis à elaboração e implementação de</p><p>medidas de controle e prevenção para</p><p>combater a resistência aos antimicrobia-</p><p>nos em clínicas e hospitais veterinários.</p><p>Possíveis formas de</p><p>transmissão de patógenos</p><p>em hospitais veterinários</p><p>O controle e a prevenção de infec-</p><p>ções estão associados à interrupção da</p><p>transmissão de patógenos de suas fontes</p><p>(humanos ou animais infectados/colo-</p><p>nizados) para novos hospedeiros (huma-</p><p>no ou animal) ou ambientes. O conheci-</p><p>mento das possíveis rotas de transmissão</p><p>62 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>Q</p><p>ua</p><p>dr</p><p>o</p><p>2</p><p>–</p><p>Fa</p><p>to</p><p>re</p><p>s d</p><p>e</p><p>ris</p><p>co</p><p>a</p><p>ss</p><p>oc</p><p>ia</p><p>do</p><p>s à</p><p>in</p><p>tr</p><p>od</p><p>uç</p><p>ão</p><p>, à</p><p>c</p><p>ol</p><p>on</p><p>iz</p><p>aç</p><p>ão</p><p>e</p><p>a</p><p>o</p><p>de</p><p>se</p><p>nv</p><p>ol</p><p>vi</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>d</p><p>e</p><p>in</p><p>fe</p><p>cç</p><p>ão</p><p>p</p><p>or</p><p>b</p><p>ac</p><p>té</p><p>ria</p><p>s</p><p>M</p><p>DR</p><p>e</p><p>m</p><p>in</p><p>st</p><p>al</p><p>aç</p><p>õe</p><p>s v</p><p>et</p><p>er</p><p>in</p><p>ár</p><p>ia</p><p>s.</p><p>Ri</p><p>sc</p><p>o</p><p>Fa</p><p>to</p><p>re</p><p>s d</p><p>e</p><p>ris</p><p>co</p><p>Re</p><p>fe</p><p>rê</p><p>nc</p><p>ia</p><p>s</p><p>In</p><p>tr</p><p>od</p><p>uç</p><p>ão</p><p>d</p><p>e</p><p>ba</p><p>ct</p><p>ér</p><p>ia</p><p>s</p><p>M</p><p>DR</p><p>.</p><p>Cl</p><p>ín</p><p>ic</p><p>as</p><p>e</p><p>h</p><p>os</p><p>pi</p><p>ta</p><p>is</p><p>co</p><p>m</p><p>m</p><p>ai</p><p>or</p><p>e</p><p>nc</p><p>am</p><p>in</p><p>ha</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>d</p><p>e</p><p>pa</p><p>-</p><p>ci</p><p>en</p><p>te</p><p>s;</p><p>a</p><p>ni</p><p>m</p><p>ai</p><p>s q</p><p>ue</p><p>já</p><p>ti</p><p>ve</p><p>ra</p><p>m</p><p>in</p><p>fe</p><p>cç</p><p>õe</p><p>s a</p><p>nt</p><p>er</p><p>io</p><p>re</p><p>s p</p><p>or</p><p>pa</p><p>tó</p><p>ge</p><p>no</p><p>s M</p><p>DR</p><p>o</p><p>u</p><p>co</p><p>nv</p><p>iv</p><p>em</p><p>c</p><p>om</p><p>a</p><p>ni</p><p>m</p><p>al</p><p>o</p><p>u</p><p>pe</p><p>ss</p><p>oa</p><p>s</p><p>qu</p><p>e</p><p>já</p><p>ti</p><p>ve</p><p>ra</p><p>m</p><p>; a</p><p>ni</p><p>m</p><p>ai</p><p>s r</p><p>es</p><p>id</p><p>en</p><p>te</p><p>s d</p><p>e</p><p>cl</p><p>ín</p><p>ic</p><p>as</p><p>e</p><p>h</p><p>os</p><p>pi</p><p>ta</p><p>is</p><p>ve</p><p>te</p><p>rin</p><p>ár</p><p>io</p><p>s;</p><p>v</p><p>et</p><p>er</p><p>in</p><p>ár</p><p>io</p><p>s c</p><p>om</p><p>c</p><p>ar</p><p>re</p><p>am</p><p>en</p><p>to</p><p>a</p><p>ss</p><p>in</p><p>to</p><p>m</p><p>áti</p><p>-</p><p>co</p><p>d</p><p>e</p><p>pa</p><p>tó</p><p>ge</p><p>no</p><p>s M</p><p>DR</p><p>.</p><p>Ha</p><p>ns</p><p>el</p><p>m</p><p>an</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>00</p><p>6)</p><p>; D</p><p>ui</p><p>jk</p><p>er</p><p>en</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>0)</p><p>; J</p><p>or</p><p>da</p><p>n</p><p>et</p><p>a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>1)</p><p>; G</p><p>ho</p><p>sh</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>2)</p><p>; S</p><p>tu</p><p>ll</p><p>e</p><p>W</p><p>ee</p><p>se</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>;</p><p>M</p><p>or</p><p>ris</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>7)</p><p>; W</p><p>al</p><p>th</p><p>er</p><p>, T</p><p>ed</p><p>in</p><p>e</p><p>L</p><p>üb</p><p>ke</p><p>-b</p><p>ec</p><p>ke</p><p>r (</p><p>20</p><p>17</p><p>).</p><p>Co</p><p>lo</p><p>ni</p><p>za</p><p>çã</p><p>o</p><p>po</p><p>r b</p><p>ac</p><p>-</p><p>té</p><p>ria</p><p>s M</p><p>DR</p><p>d</p><p>en</p><p>tr</p><p>o</p><p>de</p><p>in</p><p>st</p><p>al</p><p>aç</p><p>õe</p><p>s v</p><p>et</p><p>er</p><p>in</p><p>ár</p><p>ia</p><p>s.</p><p>Ho</p><p>sp</p><p>ita</p><p>liz</p><p>aç</p><p>ão</p><p>p</p><p>ro</p><p>lo</p><p>ng</p><p>ad</p><p>a;</p><p>tr</p><p>at</p><p>am</p><p>en</p><p>to</p><p>c</p><p>om</p><p>a</p><p>nti</p><p>m</p><p>ic</p><p>ro</p><p>-</p><p>bi</p><p>an</p><p>o</p><p>an</p><p>te</p><p>s d</p><p>a</p><p>ad</p><p>m</p><p>iss</p><p>ão</p><p>; t</p><p>ra</p><p>ta</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>p</p><p>ro</p><p>lo</p><p>ng</p><p>ad</p><p>o</p><p>co</p><p>m</p><p>an</p><p>tim</p><p>ic</p><p>ro</p><p>bi</p><p>an</p><p>os</p><p>; p</p><p>ro</p><p>fil</p><p>ax</p><p>ia</p><p>a</p><p>nti</p><p>m</p><p>ic</p><p>ro</p><p>bi</p><p>an</p><p>a;</p><p>in</p><p>te</p><p>rn</p><p>aç</p><p>ão</p><p>na</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>d</p><p>e</p><p>Te</p><p>ra</p><p>pi</p><p>a</p><p>In</p><p>te</p><p>ns</p><p>iv</p><p>a</p><p>(U</p><p>TI</p><p>);</p><p>us</p><p>o</p><p>de</p><p>d</p><p>os</p><p>es</p><p>su</p><p>bt</p><p>er</p><p>ap</p><p>êu</p><p>tic</p><p>as</p><p>d</p><p>e</p><p>an</p><p>tim</p><p>ic</p><p>ro</p><p>bi</p><p>an</p><p>os</p><p>, b</p><p>io</p><p>ci</p><p>da</p><p>s e</p><p>c</p><p>om</p><p>po</p><p>s-</p><p>to</p><p>s m</p><p>et</p><p>ál</p><p>ic</p><p>os</p><p>p</p><p>or</p><p>lo</p><p>ng</p><p>os</p><p>p</p><p>er</p><p>ío</p><p>do</p><p>s.</p><p>W</p><p>ee</p><p>se</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>00</p><p>6)</p><p>; G</p><p>ib</p><p>so</p><p>n</p><p>et</p><p>a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>1)</p><p>; G</p><p>ho</p><p>sh</p><p>, D</p><p>ow</p><p>d</p><p>e</p><p>Zu</p><p>re</p><p>k</p><p>(2</p><p>01</p><p>1)</p><p>; N</p><p>ie</p><p>nh</p><p>off</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>1a</p><p>);</p><p>Da</p><p>m</p><p>bo</p><p>rg</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>2)</p><p>; M</p><p>ad</p><p>do</p><p>x</p><p>et</p><p>a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>2)</p><p>; L</p><p>eh</p><p>ne</p><p>r e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>4)</p><p>; A</p><p>rg</p><p>ud</p><p>ín</p><p>et</p><p>a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>7)</p><p>.</p><p>De</p><p>se</p><p>nv</p><p>ol</p><p>vi</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>d</p><p>e</p><p>in</p><p>fe</p><p>cç</p><p>ão</p><p>p</p><p>or</p><p>b</p><p>ac</p><p>té</p><p>ria</p><p>s</p><p>M</p><p>DR</p><p>d</p><p>en</p><p>tr</p><p>o</p><p>de</p><p>in</p><p>st</p><p>al</p><p>a-</p><p>çõ</p><p>es</p><p>v</p><p>et</p><p>er</p><p>in</p><p>ár</p><p>ia</p><p>s.</p><p>Ho</p><p>sp</p><p>ita</p><p>liz</p><p>aç</p><p>ão</p><p>p</p><p>ro</p><p>lo</p><p>ng</p><p>ad</p><p>a;</p><p>tr</p><p>at</p><p>am</p><p>en</p><p>to</p><p>c</p><p>om</p><p>a</p><p>nti</p><p>m</p><p>i-</p><p>cr</p><p>ob</p><p>ia</p><p>no</p><p>s;</p><p>c</p><p>at</p><p>et</p><p>er</p><p>ism</p><p>o</p><p>in</p><p>tr</p><p>av</p><p>en</p><p>os</p><p>o;</p><p>q</p><p>ua</p><p>nti</p><p>da</p><p>de</p><p>d</p><p>e</p><p>fu</p><p>nc</p><p>io</p><p>ná</p><p>rio</p><p>s t</p><p>ra</p><p>ba</p><p>lh</p><p>an</p><p>do</p><p>n</p><p>o</p><p>am</p><p>bi</p><p>en</p><p>te</p><p>; p</p><p>ac</p><p>ie</p><p>nt</p><p>es</p><p>im</p><p>un</p><p>os</p><p>su</p><p>pr</p><p>im</p><p>id</p><p>os</p><p>.</p><p>Fa</p><p>ire</p><p>s e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>0)</p><p>; V</p><p>an</p><p>d</p><p>en</p><p>E</p><p>ed</p><p>e</p><p>et</p><p>a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>2)</p><p>; S</p><p>ut</p><p>ha</p><p>r e</p><p>t</p><p>al</p><p>. (</p><p>20</p><p>14</p><p>);</p><p>W</p><p>al</p><p>th</p><p>er</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>4)</p><p>; S</p><p>tu</p><p>ll</p><p>et</p><p>a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>8)</p><p>.</p><p>633. Bacterias resistentes a antimicrobianos em hospitais veterinários: um desafio crescente</p><p>e de suas contribuições na propagação</p><p>de microrganismos permite a adoção de</p><p>medidas de controle e prevenção efeti-</p><p>vas não somente para doenças específi-</p><p>cas, mas para todas aquelas que são dis-</p><p>seminadas pela mesma rota, incluindo</p><p>doenças infecciosas não previstas. As</p><p>principais formas de transmissão de pa-</p><p>tógenos incluem contato direto, fômites,</p><p>aerossóis, ingestão e vetores, lembrando</p><p>que alguns microrganismos podem ser</p><p>transmitidos por mais de uma rota.</p><p>A transmissão por contato direto</p><p>ocorre pelo contato do corpo com tecidos</p><p>ou fluidos de um indivíduo infectado. A</p><p>entrada do microrganismo pode ocorrer</p><p>através de membranas mucosas, feridas e</p><p>pele desgastada, ou ainda por inoculação</p><p>direta, mediante mordidas e arranhões.</p><p>De acordo com Stull et al. (2018), essa</p><p>é, provavelmente, a rota mais comum e</p><p>que envolve maior risco de transmissão</p><p>de patógenos entre pacientes e pessoas</p><p>(funcionários e proprietários).</p><p>A transmissão por fômites acontece</p><p>quando indivíduos susceptíveis entram</p><p>em contato com objetos/superfícies</p><p>contaminados por indivíduos infecta-</p><p>dos. Em ambientes hospitalares, fômites</p><p>podem incluir mesas de exames, gaiolas,</p><p>canis, equipamentos e dispositivos médi-</p><p>cos, superfícies ambientais, roupas e ou-</p><p>tros adereços utilizados pelos pacientes.</p><p>Na transmissão por aerossóis, pató-</p><p>genos são transferidos por partículas/go-</p><p>tículas muito pequenas que são inaladas</p><p>por indivíduos susceptíveis ou deposita-</p><p>das em membranas mucosas ou superfí-</p><p>cies ambientais. Dessa forma, respiração,</p><p>tosse, espirro e vocalização de um indiví-</p><p>duo infectado, assim como alguns pro-</p><p>cedimentos hospitalares, como sucção,</p><p>broncoscopia, odontologia e anestesia</p><p>inalatória, podem acarretar a transmissão</p><p>de microrganismos. As micropartículas</p><p>podem, ainda, permanecer suspensas no</p><p>ar por longos períodos e, por correntes</p><p>de ar, ser disseminadas por cômodos ou</p><p>pelo perímetro da instalação. Entretanto,</p><p>em medicina veterinária de animais de</p><p>companhia, os patógenos mais comuns</p><p>em ambientes hospitalares não “viajam”</p><p>grandes distâncias e requerem proximi-</p><p>dade ou contato para que a transmissão</p><p>ocorra.</p><p>A transmissão oral pode ocorrer por</p><p>ingestão de comida ou água contaminada,</p><p>mastigação ou lambedura de objetos e su-</p><p>perfícies, frequentemente, contaminados</p><p>por patógenos presentes em fezes, urina,</p><p>saliva ou exsudatos.</p><p>Os vetores são organismos vivos que</p><p>podem carrear patógenos e transmitir para</p><p>indivíduos ou ambientes. Em instalações</p><p>de saúde, podem ser representados por</p><p>artrópodes, roedores e outras espécies.</p><p>O potencial papel de carrapatos, pulgas</p><p>e moscas não deve ser ignorado. Além da</p><p>possibilidade de carrear microrganismos</p><p>patogênicos, vetores residentes ou em con-</p><p>tato regular com ambientes hospitalares</p><p>também podem abrigar microrganismos</p><p>resistentes a antimicrobianos, que, mesmo</p><p>que não sejam causadores de doenças, po-</p><p>64 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>dem servir como reservató-</p><p>rio de genes de resistência.</p><p>Princípios bá-</p><p>sicos para a im-</p><p>plementação de</p><p>um programa de</p><p>controle e pre-</p><p>venção de infec-</p><p>ções em hospi-</p><p>tais veterinários</p><p>De acordo com estudos</p><p>sobre infecções nosoco-</p><p>miais em hospitais huma-</p><p>nos, 10 a 70% de todas as</p><p>IRAS podem ser preveni-</p><p>das com a implementação</p><p>de protocolos de controle</p><p>e prevenção de infecções,</p><p>desde que haja conformi-</p><p>dade com as medidas es-</p><p>tabelecidas. Não há dados</p><p>similares sobre infecções</p><p>nosocomiais em medicina</p><p>veterinária, mas esses pro-</p><p>cedimentos, vistos como</p><p>efetivos na saúde humana,</p><p>podem ser incorporados</p><p>aos programas veterinários</p><p>com a expectativa de resul-</p><p>tados similares até que tenhamos estudos</p><p>específicos fomentando medidas mais</p><p>adequadas para nossa realidade.</p><p>Embora os problemas associados a</p><p>infecções nosocomiais e à emergência</p><p>de patógenos multirresistentes e zoonó-</p><p>ticos em animais de</p><p>companhia sejam bem</p><p>conhecidos, a imple-</p><p>mentação prática de</p><p>programas de contro-</p><p>le e prevenção de in-</p><p>fecções ainda é bem</p><p>limitada na medicina</p><p>veterinária Programas</p><p>de controle e preven-</p><p>ção de infecções des-</p><p>crevem procedimentos</p><p>que objetivam prevenir</p><p>a disseminação de pa-</p><p>tógenos para pacientes,</p><p>funcionários, proprie-</p><p>tários e para a comuni-</p><p>dade. Um bom progra-</p><p>ma deve ser exclusivo</p><p>de cada hospital, levan-</p><p>do em consideração as</p><p>condições estruturais</p><p>da instalação veteriná-</p><p>ria, os funcionários, o</p><p>suporte financeiro e</p><p>o apoio dos gestores,</p><p>as características dos</p><p>pacientes, os patóge-</p><p>nos de risco e os da-</p><p>dos epidemiológicos</p><p>regionais.</p><p>Segundo Stull et</p><p>al. (2018), os passos para desenvolvi-</p><p>mento de um programa de controle e</p><p>prevenção de infecções são: (a) desig-</p><p>nar um profissional para supervisão e</p><p>implementação do programa; (b) iden-</p><p>... os passos para de-</p><p>senvolvimento de um</p><p>programa de controle e</p><p>prevenção de infecções</p><p>são: (a) designar um</p><p>profissional para super-</p><p>visão e implementação</p><p>do programa; (b) iden-</p><p>tificar as necessidades e</p><p>desenvolver protocolos</p><p>e checklists; (c) realizar</p><p>uma avaliação inicial da</p><p>instalação para identifi-</p><p>car pontos fortes e áreas</p><p>de melhoria; (d) de-</p><p>senvolver um plano de</p><p>educação e treinamento</p><p>dos funcionários; (e)</p><p>estabelecer um funcio-</p><p>nário para coletar ma-</p><p>teriais de educação do</p><p>cliente específicos para</p><p>uso em sua clínica; (f)</p><p>desenvolver e imple-</p><p>mentar um programa</p><p>de vigilância; e (g) es-</p><p>tabelecer e manter um</p><p>programa de avaliação</p><p>de conformidade das</p><p>medidas adotadas.</p><p>653. Bacterias resistentes a antimicrobianos em hospitais veterinários: um desafio crescente</p><p>tificar as necessidades e desenvolver</p><p>protocolos e checklists; (c) realizar uma</p><p>avaliação inicial da instalação para iden-</p><p>tificar pontos fortes e áreas de melhoria;</p><p>(d) desenvolver um plano de educação</p><p>e treinamento dos funcionários; (e) es-</p><p>tabelecer um funcionário para coletar</p><p>materiais de educação do cliente espe-</p><p>cíficos para uso em sua clínica; (f) de-</p><p>senvolver e implementar um programa</p><p>de vigilância; e (g) estabelecer e manter</p><p>um programa de avaliação de conformi-</p><p>dade das medidas adotadas. Para o su-</p><p>cesso do programa, diferentes autores</p><p>recomendam que o plano de ação seja</p><p>formal, escrito e bem documentado.</p><p>Todas as políticas e práticas adotadas,</p><p>incluindo vigilância e avaliação de con-</p><p>formidade, devem ter procedimentos</p><p>operacionais padrão (POPs) escritos,</p><p>com treinamento específico para todos</p><p>os funcionários e, se necessário, orienta-</p><p>ção para os clientes.</p><p>O estabelecimento de um profis-</p><p>sional responsável pelo controle e pela</p><p>prevenção de infecções é descrito como</p><p>uma das medidas mais importantes para</p><p>o sucesso do processo. Esse indivíduo</p><p>atuará como consultor quanto às ques-</p><p>tões de controle e prevenção de infec-</p><p>ções nosocomiais e terá como funções</p><p>o desenvolvimento, a manutenção e a</p><p>avaliação do programa, bem como a</p><p>elaboração e a documentação de trei-</p><p>namentos da equipe, com avaliação de</p><p>conformidade dos protocolos. Tal papel</p><p>pode ser desempenhado por um técnico</p><p>ou um veterinário que tenha interesse</p><p>em realizar melhorias e dar suporte ao</p><p>programa e motivação para isso.</p><p>Os POPs são guias para orientar</p><p>as práticas gerais e específicas dos</p><p>funcionários. Exemplos de POPs para</p><p>áreas essenciais de uma instalação de</p><p>saúde incluem: higiene das mãos, lim-</p><p>peza e desinfecção, sequência para</p><p>colocar e remover EPIs, identificação</p><p>de pacientes de alto risco, colocação e</p><p>manutenção de cateteres intravenosos</p><p>e urinários, entrada e saída de áreas iso-</p><p>ladas ou destinadas a pacientes de alto</p><p>risco, procedimentos de necropsia, en-</p><p>tre outros. A fim de aumentar a eficácia</p><p>e melhorar a conformidade das práticas,</p><p>é recomendada a realização de “che-</p><p>cklists” para verificação das principais</p><p>tarefas, o que tem auxiliado no controle</p><p>e na redução de infecções nosocomiais.</p><p>A avaliação inicial para identificar</p><p>pontos fortes e áreas de melhoria na ins-</p><p>talação é relevante porque o profissional</p><p>de controle pode, a partir desse procedi-</p><p>mento, focar imediatamente no desen-</p><p>volvimento de medidas para processos</p><p>que, até então, são ineficazes e podem</p><p>impedir o progresso e a efetividade do</p><p>programa a ser implementado.</p><p>Todos os funcionários, incluindo</p><p>veterinários, tratadores, técnicos, recep-</p><p>cionistas, estudantes, voluntários e pes-</p><p>soas contratadas temporariamente, de-</p><p>vem receber treinamento de controle e</p><p>prevenção de infecções. Os treinamen-</p><p>tos devem ocorrer após a contratação,</p><p>66 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>antes do início das atividades do fun-</p><p>cionário, e, se possível, uma atualização</p><p>deve ser implementada anualmente. A</p><p>orientação dos funcio-</p><p>nários pode ser realiza-</p><p>da por meio de leituras,</p><p>reuniões e aulas, com</p><p>uma avaliação docu-</p><p>mentada para pontuar</p><p>seu conhecimento e sua</p><p>compreensão após o re-</p><p>passe das informações.</p><p>Há treinamentos que</p><p>são específicos para de-</p><p>terminados ofícios, mas,</p><p>para todos os casos, é</p><p>importante enfatizar os</p><p>riscos à saúde e os protocolos existentes</p><p>para reduzir a probabilidade de infecção</p><p>de pacientes, funcionários e clientes no</p><p>local de trabalho.</p><p>Stull et al. (2018) também sugerem</p><p>que um funcionário seja designado para</p><p>coletar material exclusivo para educa-</p><p>ção do cliente. Os autores alegam que</p><p>proprietários devem estar cientes dos</p><p>riscos de contrair doenças infecciosas</p><p>zoonóticas e, muitas vezes, resistentes a</p><p>múltiplos antimicrobianos. O material</p><p>deve conter as informações relativas aos</p><p>riscos e os passos básicos para a preven-</p><p>ção do cliente, de sua família e de seus</p><p>animais.</p><p>Um dos passos mais importantes</p><p>para a efetividade de um programa de</p><p>controle e prevenção de infecções é a</p><p>implementação de um sistema de vigi-</p><p>lância. A coleta rotineira de informações</p><p>fornece um feedback sobre a eficácia das</p><p>medidas adotadas, auxilia na identifi-</p><p>cação de áreas que ne-</p><p>cessitam de melhorias</p><p>e permite a identifica-</p><p>ção prévia de ameaças,</p><p>reduzindo os riscos de</p><p>transmissão, os custos e</p><p>o tempo de internação.</p><p>Um plano de avalia-</p><p>ção regular de confor-</p><p>midade é essencial para</p><p>alinhar os protocolos</p><p>com as práticas dos fun-</p><p>cionários. As auditorias</p><p>são ações necessárias e</p><p>devem incluir inspeção do espaço físi-</p><p>co, revisão das práticas de controle de</p><p>infecções e avaliação do conhecimen-</p><p>to dos funcionários. Stull et al. (2018)</p><p>recomendam auditorias anuais, para</p><p>que o profissional de controle estabe-</p><p>leça parâmetros de referências, identi-</p><p>fique e priorize necessidades, encontre</p><p>recursos e trace cronogramas e planos</p><p>de ajuste para atender às necessidades</p><p>apontadas por esse processo.</p><p>Procedimentos gerais de</p><p>um programa de controle</p><p>e prevenção de infecções</p><p>em hospitais veterinários</p><p>Existe uma coleção de procedimen-</p><p>tos e práticas projetados para reduzir o</p><p>risco de exposição a vários patógenos.</p><p>Algumas medidas são</p><p>básicas e devem</p><p>O uso apropriado de</p><p>EPIs é um componente</p><p>crítico de um programa</p><p>de controle de infecção.</p><p>O objetivo é reduzir o</p><p>risco de contaminação</p><p>das roupas, diminuir</p><p>a exposição da pele</p><p>e das mucosas dos</p><p>funcionários e amenizar</p><p>a troca de patógenos</p><p>com os pacientes.</p><p>673. Bacterias resistentes a antimicrobianos em hospitais veterinários: um desafio crescente</p><p>integrar todos os programas de controle</p><p>e prevenção de infecções em clínicas e</p><p>hospitais veterinários.</p><p>• Uso de EPI</p><p>O uso apropriado de EPIs é um</p><p>componente crítico de um programa</p><p>de controle de infecção. O objetivo é</p><p>reduzir o risco de contaminação das</p><p>roupas, diminuir a exposição da pele e</p><p>das mucosas dos funcionários e ameni-</p><p>zar a troca de patógenos</p><p>com os pacientes. Os</p><p>EPIs mais comumente</p><p>utilizados incluem jale-</p><p>cos, pijamas cirúrgicos,</p><p>luvas, máscaras, óculos</p><p>de proteção, gorros e</p><p>protetores de calçados.</p><p>A escolha desses itens</p><p>irá depender da rota</p><p>de transmissão da doença e dos pro-</p><p>cedimentos que serão realizados no</p><p>consultório.</p><p>Jalecos e luvas são itens recomen-</p><p>dados para todas as situações em que</p><p>há contato com o animal e seu ambien-</p><p>te. Máscaras e óculos são indicados</p><p>quando há risco de transmissão aeróge-</p><p>na, como em procedimentos dentários,</p><p>lavagens de ferimentos, doenças res-</p><p>piratórias potencialmente zoonóticas</p><p>e necrópsias. Protetores de calçados</p><p>são recomendados sempre que houver</p><p>suspeita de contaminação do chão com</p><p>patógenos altamente transmissíveis,</p><p>MDR e/ou zoonóticos, geralmente</p><p>presentes em animais com quadros de</p><p>vômito e diarreia infecciosos, feridas</p><p>abertas, leptospirose, entre outros.</p><p>Nenhum EPI deve ser utilizado</p><p>fora do ambiente da clínica ou do hos-</p><p>pital. Os jalecos e os pijamas devem</p><p>ser lavados diariamente, e, se em con-</p><p>tato com animal suspeito ou confirma-</p><p>do para doença infecciosa, substituí-</p><p>dos logo após o atendimento do dele.</p><p>Luvas, máscaras, gorros e protetores</p><p>de calçados devem ser</p><p>utilizados apenas uma</p><p>vez e descartados. A re-</p><p>moção do EPI é muito</p><p>importante para evi-</p><p>tar a transmissão dos</p><p>patógenos para a pele</p><p>e a mucosa. Antes da</p><p>remoção, para evitar</p><p>contaminação do ambiente, é neces-</p><p>sário atenção para não tocar/encostar</p><p>em superfícies que serão tocadas sem</p><p>luvas, como telefone, computador e</p><p>material de escritório.</p><p>• Higiene das mãos</p><p>A higiene das mãos é uma medida</p><p>simples, porém uma das mais impor-</p><p>tantes para prevenir infecções em am-</p><p>bientes de saúde. A lavagem correta</p><p>utilizando água e sabão ou a higieniza-</p><p>ção adequada com sanitizantes à base</p><p>de álcool mata ou remove os microrga-</p><p>nismos da pele, reduzindo a carga de</p><p>patógenos que podem ser facilmente</p><p>compartilhados durante os atendimen-</p><p>A higiene das mãos é</p><p>uma medida simples,</p><p>porém uma das mais</p><p>importantes para</p><p>prevenir infecções em</p><p>ambientes de saúde</p><p>(WHO, 2009).</p><p>68 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>tos. A Figura 1, adaptada do documen-</p><p>to “World Health Organization (WHO)</p><p>- Guidelines on Hand Hygiene in Health</p><p>Care”, descreve a técnica correta para hi-</p><p>gienização das mãos com água e sabão e</p><p>recomenda que a execução do procedi-</p><p>mento deve levar de 40 a 60 segundos.</p><p>A higiene das mãos deve ser empre-</p><p>gada pelos funcionários imediatamente</p><p>antes e após o contato com pacientes,</p><p>principalmente em procedimentos inva-</p><p>sivos; antes e após o contato com itens</p><p>no ambiente dos pacientes; após expo-</p><p>sição a fluidos corpóreos dos pacientes;</p><p>antes e após o uso de luvas; antes e após</p><p>o uso do banheiro; e antes de se alimen-</p><p>tar. É importante salientar que não é</p><p>recomendada a utilização de sabão em</p><p>Figura 1: Técnica de higienização das mãos.</p><p>Traduzido e adaptado de “World Health Organization (WHO) - Guidelines on Hand Hygiene in Health Care”, 2009.</p><p>693. Bacterias resistentes a antimicrobianos em hospitais veterinários: um desafio crescente</p><p>barra, pois são veículos de contamina-</p><p>ção e disseminação de patógenos para</p><p>outras pessoas. Deve-se utilizar sabão</p><p>líquido ou espuma e, caso os recipientes</p><p>sejam recarregáveis, antes da recarga,</p><p>deve ocorrer a limpeza e a desinfecção</p><p>deles.</p><p>• Limpeza e desinfecção</p><p>Em instalações de saúde, o ambiente</p><p>e os equipamentos servem como rotas</p><p>de transmissão de diversos patógenos</p><p>responsáveis por doenças nosocomiais.</p><p>Medidas de limpeza e desinfecção são</p><p>responsáveis por reduzir consideravel-</p><p>mente a carga desses microrganismos</p><p>e, coincidentemente, a ocorrência de</p><p>doenças associadas à saúde.</p><p>A limpeza consiste na remoção de</p><p>matéria orgânica visível com água e sa-</p><p>bão, o que dificulta a sobrevivência am-</p><p>biental de muitos patógenos e potencia-</p><p>liza a ação posterior dos desinfetantes,</p><p>pois esses são ineficazes na presença de</p><p>matéria orgânica. A desinfecção envol-</p><p>ve a aplicação de substâncias químicas</p><p>para a inativação dos microrganismos</p><p>remanescentes. Essa medida é depen-</p><p>dente da limpeza para que alcance uma</p><p>boa efetividade, ainda mais que alguns</p><p>patógenos, como aqueles produtores de</p><p>esporos (Clostridium sp.), são altamente</p><p>resistentes à desinfecção, demandando</p><p>uma boa limpeza para remoção desses</p><p>microrganismos.</p><p>Os desinfetantes devem ser escolhi-</p><p>dos baseados nos patógenos de interes-</p><p>se, na compatibilidade com os materiais</p><p>da instalação e no nível de risco para o</p><p>usuário. A Figura 2 fornece informa-</p><p>ções sobre o espectro antimicrobiano</p><p>de diferentes classes de desinfetantes.</p><p>De maneira geral, um desinfetante com-</p><p>posto por amônia quaternária seria útil</p><p>para a maioria das áreas de uma clínica</p><p>ou de um hospital veterinário. Mas, para</p><p>as áreas de isolamento para atendimen-</p><p>to de infecções por patógenos MDR,</p><p>um desinfetante de espectro estendido</p><p>(aldeídos, alcalinos, biguanidas, halogê-</p><p>nios e agentes oxidantes) seria mais in-</p><p>dicado por, provavelmente, apresentar</p><p>maior eficácia nesses locais. Para atin-</p><p>gir a eficácia esperada, os desinfetantes</p><p>devem ser aplicados na diluição cor-</p><p>reta e agir pelo tempo designado pelo</p><p>fabricante. Alguns produtos podem ter</p><p>várias recomendações diferentes de di-</p><p>luições que dependem do patógeno-al-</p><p>vo, e, para obter sucesso, é importante</p><p>seguir essas diretrizes.</p><p>A identificação de superfícies para</p><p>limpeza e desinfecção e o estabeleci-</p><p>mento da frequência de realização des-</p><p>sas medidas devem ser realizados pelo</p><p>oficial de controle de infecções. As</p><p>superfícies (mesas, quartos de exame,</p><p>piso) e os equipamentos (termômetros,</p><p>estetoscópio, tesouras, eletrocardiogra-</p><p>ma, tubos endotraqueais, entre outros)</p><p>que tiveram contato com os animais</p><p>devem ser limpos e desinfetados entre o</p><p>atendimento de pacientes. O chão deve</p><p>ser desinfetado pelo menos uma vez ao</p><p>70 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>Fi</p><p>gu</p><p>ra</p><p>2</p><p>–</p><p>E</p><p>sp</p><p>ec</p><p>tr</p><p>o</p><p>an</p><p>tim</p><p>ic</p><p>ro</p><p>bi</p><p>an</p><p>o</p><p>de</p><p>d</p><p>ife</p><p>re</p><p>nt</p><p>es</p><p>c</p><p>la</p><p>ss</p><p>es</p><p>d</p><p>e</p><p>de</p><p>sin</p><p>fe</p><p>ta</p><p>nt</p><p>es</p><p>.</p><p>Ad</p><p>ap</p><p>ta</p><p>do</p><p>d</p><p>e</p><p>Fr</p><p>ai</p><p>se</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>3)</p><p>e</p><p>Q</p><p>ui</p><p>nn</p><p>e</p><p>t a</p><p>l.</p><p>(2</p><p>01</p><p>1)</p><p>.</p><p>713. Bacterias resistentes a antimicrobianos em hospitais veterinários: um desafio crescente</p><p>dia e, adicionalmente, todas as vezes</p><p>que animais com doenças infecciosas</p><p>ou patógenos MDR forem atendidos,</p><p>assim como quando o ambiente estiver</p><p>visivelmente sujo (fezes, urina, fluidos</p><p>corpóreos).</p><p>Outras superfícies</p><p>também devem ser lim-</p><p>pas, como interrupto-</p><p>res, maçanetas, teclados</p><p>de computador, entre</p><p>outras. Em casos de sus-</p><p>peita ou confirmação de</p><p>patógenos MDR, uma</p><p>desinfecção melhorada</p><p>é requerida, com lim-</p><p>peza bem-feita e de-</p><p>sinfecção com produto</p><p>de espectro estendido.</p><p>Deixar a sala fechada</p><p>por vários dias não é</p><p>recomendado devido</p><p>à boa sobrevivência</p><p>desses patógenos no</p><p>ambiente. O que pode</p><p>ser feito é uma segun-</p><p>da rodada de desinfec-</p><p>ção. Não há evidências</p><p>de que desinfetantes</p><p>escolhidos adequadamente devam ser</p><p>substituídos rotineiramente devido ao</p><p>desenvolvimento de resistência.</p><p>• Limpeza e desinfecção de</p><p>roupas</p><p>Itens únicos e descartáveis são essen-</p><p>ciais para controle de infecções nosoco-</p><p>miais, entretanto há produção</p><p>a saúde dos cascos em proprie-</p><p>dades leiteiras, além de trazer algumas</p><p>análises históricas sobre como a abor-</p><p>dagem dos problemas de casco mudou</p><p>ao longo do tempo.</p><p>Sumário</p><p>1. Cadernos Técnicos de Medicina Veterinária e</p><p>Zootecnia: Digitalização e disponibilização on-line da</p><p>coleção integral nos 90 anos da Escola de Veterinária da</p><p>UFMG ............................................................................... 15</p><p>2. Ectoparasitoses de bovinos: biologia e epidemiologia</p><p>como base para o controle ................................................ 31</p><p>3. Bacterias resistentes a antimicrobianos em hospitais</p><p>veterinários: um desafio crescente ................................... 55</p><p>4. Abordagens históricas sobre a saúde dos cascos</p><p>em vacas de leite ................................................................ 86</p><p>151. Cadernos Técnicos de Medicina Veterinária e Zootecnia:</p><p>Digitalização e disponibilização on-line da coleção integral nos 90 anos da Escola de Veterinária da UFMG</p><p>1-Introdução</p><p>A biblioteca é um setor de vital im-</p><p>portância para uma universidade. Sua</p><p>missão é apoiar, prover serviços de in-</p><p>formação e facilitar o desenvolvimento</p><p>1. Cadernos Técnicos de 1. Cadernos Técnicos de</p><p>Medicina Veterinária e Medicina Veterinária e</p><p>Zootecnia:Zootecnia:</p><p>Digitalização e disponibilização on-line da coleção Digitalização e disponibilização on-line da coleção</p><p>integral nos 90 anos da Escola de Veterinária da integral nos 90 anos da Escola de Veterinária da</p><p>UFMGUFMG</p><p>pixabay.com</p><p>das atividades bibliográficas e docu-</p><p>mentais necessárias ao desenvolvimen-</p><p>to do ensino, da pesquisa, da extensão,</p><p>da inovação e da gestão da universidade.</p><p>A Biblioteca Professor Ivan Barbosa</p><p>Machado Sampaio da Escola de</p><p>Cristiane Patrícia Gomes dos Santos1</p><p>Márcio Alves dos Santos2</p><p>Wellington Marçal de Carvalho3</p><p>Zélia Inês Portela Lobato4 - CRMV-MG 3259</p><p>1 Bibliotecária na Escola de Veterinária da UFMG. Especialista em Gestão de Bibliotecas Públicas e Escolares. E-mail: crispatriciasantos@</p><p>gmail.com.</p><p>2 Bibliotecário na Escola de Veterinária da UFMG. Especialista em Administração Pública. E-mail: marciobibliotec@gmail.com.</p><p>3 Bibliotecário. Pós-doutor em Estudos Literários (FALE/UFMG). Doutor em Letras / Literaturas de Língua Portuguesa. Coordenador da</p><p>Biblioteca da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (EV/UFMG). E-mail: marcalwellington@yahoo.com.br.</p><p>4 Médica veterinária. Professora titular e Diretora da Escola de Veterinária da UFMG. Doutora em Ciência Animal. E-mail: ziplobato@</p><p>gmail.com.</p><p>16 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>Veterinária da UFMG5 é uma combina-</p><p>ção orgânica de pessoas, recursos, co-</p><p>leções locais e virtuais, que tem como</p><p>propósito o apoio aos usuários no pro-</p><p>cesso de transformação da informa-</p><p>ção em conhecimento. Seu principal</p><p>objetivo é reunir, organizar e difundir</p><p>informações e serviços necessários ao</p><p>desenvolvimento das atividades de en-</p><p>sino, pesquisa e extensão nas áreas de</p><p>medicina veterinária, zootecnia, tecno-</p><p>logia de alimentos e áreas correlatas.6</p><p>Possui uma complexidade em sua</p><p>estrutura administrativa, desempe-</p><p>nhando, em prol dos usuários-fins,</p><p>concomitantemente, serviços de se-</p><p>cretaria, circulação, disseminação, for-</p><p>mação e desenvolvimento de acervo,</p><p>processamento técnico, orientação no</p><p>salão de consulta, estatística, capacita-</p><p>ção de usuários, comutação bibliográ-</p><p>fica, controle patrimonial, além de aco-</p><p>lher graduandos em Biblioteconomia</p><p>para realização do estágio supervisio-</p><p>nado obrigatório.</p><p>Cotidianamente, oferece os seguin-</p><p>tes serviços à comunidade: emprés-</p><p>timo domiciliar; empréstimo rápido;</p><p>empréstimo entre bibliotecas; consulta</p><p>local; envio de cópias via correio ele-</p><p>trônico; atendimento on-line; acesso ao</p><p>COMUT; acesso à  internet; pesquisa</p><p>bibliográfica; orientação à normaliza-</p><p>ção de trabalhos acadêmicos; treina-</p><p>mentos; visitas orientadas; catalogação</p><p>na fonte e acesso às bases de dados do</p><p>Portal Capes, entre outros serviços e</p><p>produtos.</p><p>Alcançar êxito em sua missão re-</p><p>quer a manutenção dos seus recursos</p><p>informacionais, bem como o investi-</p><p>mento contínuo em sua melhoria, ade-</p><p>quação e ampliação, na aplicação de</p><p>políticas, na definição de padrões para</p><p>orientar o desenvolvimento e a avalia-</p><p>ção de seus objetivos e metas.  O êxito</p><p>no desenvolvimento das atividades-</p><p>-fins é determinado pelo valor atribuí-</p><p>do pela própria instituição aos diversos</p><p>processos administrativos, de recursos</p><p>humanos e técnicos da Biblioteca, bem</p><p>como pela autonomia para implemen-</p><p>tação e gerência de suas atividades.</p><p>No processo de gestão de recursos</p><p>de informação, a Biblioteca da Escola</p><p>de Veterinária da UFMG trabalha com</p><p>o conceito de que não é apenas um</p><p>agente que consome informação elabo-</p><p>rada, mas também um setor que siste-</p><p>matiza e dissemina os conhecimentos</p><p>necessários para melhor disponibilida-</p><p>de dos recursos para estudo e apren-</p><p>5 De acordo com Santos; Coelho e Marques Júnior (2017, p. 13), a Escola é “uma das mais importantes insti-</p><p>tuições de ensino em medicina veterinária do país, com protagonismo no desenvolvimento da área em Minas</p><p>Gerais e no Brasil, tanto como nucleadora de muitas outras escolas, como contribuindo para forjar, de forma</p><p>decisiva, o que hoje conhecemos como Medicina Veterinária no Brasil”.</p><p>6 Em 02 de junho de 2022, foi realizado o evento de descerramento da placa em homenagem ao Professor Ivan Barbosa,</p><p>que passa a nomear a Biblioteca da EV-UFMG após decisão, por unanimidade, da Egrégia Congregação da unidade. Para</p><p>mais informações, acessar https://vet.ufmg.br/noticias/exibir/7029/escola_realiza_evento_de_descerramento_da_pla-</p><p>ca_em_homenagem_ao_prof.</p><p>171. Cadernos Técnicos de Medicina Veterinária e Zootecnia:</p><p>Digitalização e disponibilização on-line da coleção integral nos 90 anos da Escola de Veterinária da UFMG</p><p>dizagem, bem como para preservação</p><p>e divulgação do conhecimento gerado</p><p>pela unidade acadêmica a que se vincu-</p><p>la. Seus serviços e produtos estão em</p><p>permanente revisão, visando à melho-</p><p>ria contínua, e são flexíveis para permi-</p><p>tir a incorporação de novas demandas</p><p>e avanços tecnológicos.</p><p>A Escola de Veterinária, em seus</p><p>90 anos de existência, a cada ano vem</p><p>intensificando suas atividades de ensi-</p><p>no, pesquisa e extensão, o que reflete</p><p>diretamente e em mesma proporção</p><p>nos serviços prestados pela Biblioteca.7</p><p>Nesse sentido, é interessante verificar</p><p>o panorama apresentado pelo profes-</p><p>sor Antônio de Pinho Marques Júnior,</p><p>editor-chefe do Arquivo Brasileiro de</p><p>Medicina Veterinária e Zootecnia:</p><p>A Escola de Veterinária da UFMG</p><p>(EV/UFMG), considerada uma pio-</p><p>neira no Brasil na sua área, se aproxi-</p><p>ma de mais um aniversário coroando</p><p>a sua trajetória, a sua história de 90</p><p>anos.</p><p>Se olharmos atentamente a história</p><p>da EV/UFMG, logo é possível perce-</p><p>ber que ela foi criada com um espírito</p><p>de vanguarda, o qual sempre busca</p><p>manter vivo, aliando-se à contempo-</p><p>raneidade de seus campos de ação</p><p>na sua busca de oferecer à sociedade</p><p>não somente produtos e serviços, mas</p><p>principalmente a formação de jovens</p><p>profissionais da veterinária, que se in-</p><p>serem nos diferentes campos de atua-</p><p>ção do médico veterinário.</p><p>A EV/UFMG, desde seu nascimento,</p><p>se viu imbuída da necessidade de não</p><p>só compreender a realidade brasilei-</p><p>ra no campo da veterinária, da zoo-</p><p>tecnia e da tecnologia e inspeção de</p><p>alimentos, mas de levar informações</p><p>científicas e técnicas para a comu-</p><p>nidade de profissionais, atuando no</p><p>ensino, na pesquisa, na prática e na</p><p>indústria. Para tal, concomitantemen-</p><p>te ao seu crescimento e inserção no</p><p>cenário nacional, a Escola criou, em</p><p>1943, o Arquivo Brasileiro de Medicina</p><p>Veterinária e Zootecnia, uma âncora</p><p>na publicação de conhecimentos ge-</p><p>rados pela própria Escola bem como</p><p>por outras instituições de ensino e</p><p>pesquisa nacionais e internacionais, o</p><p>qual se mantém ininterrupto desde a</p><p>sua fundação.</p><p>Anos depois, já em 1986, sob a égi-</p><p>de do brilhante professor Ilto José</p><p>Nunes, foi criado o Caderno</p><p>de grande</p><p>volume de resíduos que sobrecarregam</p><p>o ambiente e geram altos custos na ges-</p><p>tão desse material. Dessa forma, a lava-</p><p>gem de roupas de cama, jalecos, pija-</p><p>mas cirúrgicos, toalhas e de outros itens</p><p>reutilizáveis também é</p><p>componente importante</p><p>para o controle de doen-</p><p>ças infecciosas. Lençóis</p><p>e vestimentas dos pro-</p><p>fissionais podem agir</p><p>como fômites, transpor-</p><p>tando patógenos pela</p><p>clínica e, até mesmo,</p><p>para a comunidade. A</p><p>população de micróbios</p><p>nas roupas sujas é signi-</p><p>ficativamente reduzida</p><p>por diluição e, também,</p><p>pela ação mecânica da</p><p>lavagem. A secagem por</p><p>ar quente também dimi-</p><p>nui a carga de micror-</p><p>ganismos. O transporte</p><p>desses itens para a casa</p><p>dos funcionários ou</p><p>para outras instalações</p><p>aumenta tanto o risco</p><p>de infecção nosocomial como o risco de</p><p>infecção comunitária. Por isso, as ves-</p><p>timentas profissionais e os outros itens</p><p>reutilizáveis devem ser lavados no pró-</p><p>prio hospital/clínica ou por lavanderias</p><p>comerciais especializadas e equipadas</p><p>para limpar roupas médicas.</p><p>As clínicas/hospitais devem ter la-</p><p>Itens ... descartáveis</p><p>são essenciais para</p><p>controle de infecções</p><p>nosocomiais, entretanto</p><p>[tornando-se lixo]</p><p>... sobrecarregam o</p><p>ambiente</p><p>... a lavagem de roupas</p><p>de cama, jalecos,</p><p>pijamas cirúrgicos,</p><p>toalhas e de outros</p><p>[material reutilizável]</p><p>[deve ser diária] ...</p><p>... de animais infectados</p><p>... deve [prever a</p><p>embebição] por 10</p><p>minutos em alvejante</p><p>apropriadamente</p><p>diluído para</p><p>desinfecção, antes de</p><p>ser destinado à lavagem</p><p>na máquina.</p><p>72 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>vanderias apropriadas ou serviços de la-</p><p>vanderia que comportem a limpeza dos</p><p>itens diariamente ou com maior frequên-</p><p>cia, se necessário. Os funcionários da</p><p>lavanderia devem vestir os EPIs necessá-</p><p>rios para evitar as infecções por agentes</p><p>infecciosos. Lençóis com alta carga de</p><p>contaminação devem ser avaliados se são</p><p>destinados à limpeza ou ao descarte. Caso</p><p>sejam destinados à lim-</p><p>peza, a matéria orgânica</p><p>bruta deve ser removida</p><p>antes da lavagem. Em se</p><p>tratando de quartos de</p><p>isolamento e de animais</p><p>infectados, os itens de-</p><p>vem ser lavados e pro-</p><p>cessados separadamente</p><p>dos outros materiais da clínica, e os EPIs</p><p>usados pelos funcionários também de-</p><p>vem ser trocados para que não haja dis-</p><p>seminação dos patógenos. Esse material</p><p>deve ser embebido por 10 minutos em al-</p><p>vejante apropriadamente</p><p>diluído para desinfecção,</p><p>antes de ser destinado à</p><p>lavagem na máquina.</p><p>Roupa suja de quar-</p><p>tos de isolamento deve</p><p>ser lavada em água quen-</p><p>te com alvejante. Após</p><p>desinfecção e lavagem, a</p><p>roupa deve ser comple-</p><p>tamente seca separada-</p><p>mente das outras roupas</p><p>e retornar ao quarto de</p><p>isolamento.</p><p>• Identificação de animais</p><p>infectados por patógenos</p><p>MDR</p><p>A identificação de infecções por</p><p>patógenos MDR é importante para o</p><p>controle de infecção, mas também para</p><p>o gerenciamento adequado dos casos.</p><p>A confirmação do patógeno responsá-</p><p>vel só é possível com</p><p>a realização de testes</p><p>de diagnóstico labora-</p><p>torial, ou seja, cultura</p><p>bacteriana e teste de</p><p>susceptibilidade aos</p><p>antimicrobianos. Esse</p><p>procedimento deve ser</p><p>realizado antes do tra-</p><p>tamento empírico, sempre que possível.</p><p>Em algumas situações, como infecções</p><p>graves e infecções que não responderam</p><p>à terapia empírica, os testes referidos são</p><p>indispensáveis, assim como para pacien-</p><p>tes com histórico de in-</p><p>fecção por patógenos</p><p>MDR, exposição recen-</p><p>te a antimicrobianos,</p><p>hospitalização recente</p><p>ou que convivem com</p><p>pessoal ou animal com</p><p>histórico de infecção</p><p>por patógeno MDR.</p><p>• Práticas de</p><p>isolamento</p><p>O isolamento de</p><p>grupos de risco é um</p><p>conceito básico no con-</p><p>A identificação de</p><p>infecções por patógenos</p><p>MDR é importante</p><p>para o controle de</p><p>infecção, mas também</p><p>para o gerenciamento</p><p>adequado dos casos.</p><p>O isolamento ... é um</p><p>conceito básico no</p><p>controle e na prevenção</p><p>de infecções</p><p>....</p><p>Áreas completamente</p><p>separadas para</p><p>diferentes serviços são</p><p>ideais, e ter uma sala</p><p>exclusiva para doenças</p><p>infecciosas ajuda a</p><p>conter [a transmissão</p><p>de] patógenos ...</p><p>733. Bacterias resistentes a antimicrobianos em hospitais veterinários: um desafio crescente</p><p>trole e na prevenção de infecções. Em</p><p>essência, há o agrupamento de casos</p><p>de infecção semelhantes e a separação</p><p>física e procedimental desse grupo dos</p><p>demais. É uma medida valiosa, princi-</p><p>palmente em instalações com grande</p><p>número de infecções de sítios cirúrgi-</p><p>cos. Além de animais com infecções</p><p>por bactérias multirresistentes ou po-</p><p>tenciais causadoras de quadros nosoco-</p><p>miais, a separação e o isolamento são de</p><p>grande valia para diversos outros qua-</p><p>dros, como infecções por parvovírus,</p><p>potenciais quadros causados pelo vírus</p><p>da cinomose e esporotricose.</p><p>Áreas completamente separadas</p><p>para diferentes serviços são ideais, e</p><p>ter uma sala exclusiva para doenças in-</p><p>fecciosas ajuda a conter os patógenos</p><p>que possam ser introduzidos. Embora</p><p>ainda exista o potencial de transmissão</p><p>de patógenos a outros pacientes e fun-</p><p>cionários que visitam a sala, há uma</p><p>maior contenção, minimizando os ris-</p><p>cos de que um paciente internado seja</p><p>exposto ao patógeno. Além disso, salas</p><p>de isolamento permitem que clínicos e</p><p>técnicos possam ter um papel mais ati-</p><p>vo na garantia de limpeza e desinfecção</p><p>adequadas.</p><p>O isolamento também deve ser es-</p><p>tendido ao fluxo de pacientes e funcio-</p><p>nários, reduzindo o contato geral direto</p><p>e indireto entre diferentes grupos. É im-</p><p>portante que áreas de contato potenciais</p><p>sejam identificadas, considerando-se as</p><p>formas de gerenciar os riscos. Locais de</p><p>contato comuns, como áreas de espera</p><p>e salas de procedimentos gerais, podem</p><p>ser uma fonte significativa de exposição</p><p>a patógenos MDR e são de grande preo-</p><p>cupação quando pacientes com alto ris-</p><p>co de eliminação desses patógenos es-</p><p>tão em contato com aqueles admitidos</p><p>para procedimentos cirúrgicos, ou com</p><p>animais imunocomprometidos. O ideal</p><p>é que pacientes com qualquer suspeita</p><p>de infecção/colonização por patógenos</p><p>MDR tenham uma admissão e uma área</p><p>de espera separadas, embora isso geral-</p><p>mente não seja economicamente viável.</p><p>Caso o contato não possa ser evitado, es-</p><p>forços para limitar o tempo que pacien-</p><p>tes considerados de alto risco passam na</p><p>área de espera devem ser considerados.</p><p>Nessas situações,é recomendado a ela-</p><p>boração de um POP que defina onde</p><p>esses pacientes serão atendidos e quais</p><p>poderão ser internados.</p><p>A identificação prévia e o manejo</p><p>adequado dos pacientes suspeitos, se</p><p>possível antes de entrar na instalação,</p><p>seriam uma forma efetiva de reduzir</p><p>a contaminação ambiental e a trans-</p><p>missão de patógenos que ocorrem por</p><p>meio desse contato direto e indireto</p><p>entre pacientes. A obtenção do históri-</p><p>co dos pacientes antes de seu ingresso</p><p>na instalação poderia auxiliar na pre-</p><p>venção da introdução de patógenos. A</p><p>capacitação de funcionários para identi-</p><p>ficação de pacientes de alto risco já no</p><p>agendamento das consultas, se possível</p><p>por chamada telefônica, seria uma fer-</p><p>74 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>ramenta de grande valia. Assim, o pa-</p><p>ciente não passaria pela recepção geral</p><p>e seria orientado por funcionários a se</p><p>dirigir à área dedicada ao atendimento</p><p>de casos suspeitos, por vias diferentes</p><p>do fluxo comum.</p><p>Stull et al. (2018) ainda sugerem</p><p>que pacientes suspeitos ou confirma-</p><p>dos para infecção por patógenos MDR</p><p>sejam carregados ou transportados com</p><p>auxílio de uma maca até a área de isola-</p><p>mento e, também, nas movimentações</p><p>necessárias dentro da instalação. A rota</p><p>de transmissão do patógeno envolvi-</p><p>do deve ser levada em consideração a</p><p>fim de que os indivíduos em contato</p><p>utilizem os EPIs apropriados para evi-</p><p>tar disseminação. Se a identificação da</p><p>infecção/colonização ocorrer durante</p><p>a consulta, é necessário que os funcio-</p><p>nários evitem o contato dos proprietá-</p><p>rios e do paciente com outros pacientes,</p><p>funcionários e superfícies. Logo após a</p><p>consulta, é recomentado que os funcio-</p><p>nários identifiquem</p><p>as áreas que foram</p><p>expostas a esse paciente e providenciem</p><p>a limpeza e a desinfecção apropriada,</p><p>com desinfetante de eficácia comprova-</p><p>da contra o patógeno diagnosticado.</p><p>• Uso prudente de</p><p>antimicrobianos</p><p>O conceito de uso prudente de an-</p><p>timicrobianos surgiu na última década</p><p>para conscientizar profissionais de saú-</p><p>de a prevenir os efeitos adversos, assim</p><p>como a seleção de patógenos MDR. O</p><p>uso indiscriminado de antimicrobianos</p><p>na saúde humana e animal é, sem dúvi-</p><p>da, um dos fatores-chave que têm leva-</p><p>do à atual epidemia de resistência aos</p><p>antimicrobianos.</p><p>A escolha cuidadosa e o uso apro-</p><p>priado de antimicrobianos são etapas</p><p>importantes para combater o desen-</p><p>volvimento de patógenos MDR no pa-</p><p>ciente, assim como a contaminação e a</p><p>transmissão no ambiente hospitalar. A</p><p>seleção deve levar em consideração a</p><p>eficácia contra o patógeno identificado,</p><p>as condições do paciente (função renal,</p><p>comorbidades, entre outras) e os fatores</p><p>da droga (penetração, via de administra-</p><p>ção, frequência de administração). A ad-</p><p>ministração deve ser criteriosa, apenas</p><p>quando necessária, e sempre com base</p><p>em testes de cultura bacteriana e suscep-</p><p>tibilidade aos antimicrobianos, evitan-</p><p>do, ao máximo, o uso empírico.  Doses</p><p>e duração da terapia devem ser respeita-</p><p>das, usando-se informações e princípios</p><p>farmacológicos atuais. Adicionalmente,</p><p>o antimicrobiano escolhido deve ser</p><p>sempre, de acordo com o resultado dos</p><p>testes, aquele com o espectro mais baixo</p><p>possível.</p><p>Antes da prescrição de qualquer</p><p>antimicrobiano, é recomendado que</p><p>uma investigação diagnóstica bem-</p><p>-feita, com a solicitação dos testes ne-</p><p>cessários para confirmação clínica, seja</p><p>realizada. Médicos veterinários devem</p><p>se esforçar para detectar enfermidades</p><p>não infecciosas que não necessitam de</p><p>753. Bacterias resistentes a antimicrobianos em hospitais veterinários: um desafio crescente</p><p>terapia antimicrobiana, como infecções</p><p>virais, parasitismo, micotoxicoses, de-</p><p>sequilíbrios nutricionais, entre outras.</p><p>Se confirmada a necessidade do uso de</p><p>antimicrobianos, deve ser considerado,</p><p>primeiramente, o tratamento com agen-</p><p>tes antissépticos. Entretanto, se não for</p><p>possível, o tratamento tópico deve ter</p><p>preferência ao tratamento sistêmico,</p><p>pois atua com maior concentração do</p><p>antimicrobiano no local da infecção,</p><p>minimizando a exposição do restante</p><p>da microbiota do animal e reduzin-</p><p>do a pressão de seleção de bactérias</p><p>resistentes.</p><p>Sobre o uso profilático de antimi-</p><p>crobianos, é importante ressaltar que</p><p>esse procedimento nunca deve ser usa-</p><p>do como substituto para o bom manejo</p><p>da saúde animal. O ambiente limpo, a</p><p>técnica estéril e o preparo geral adequa-</p><p>do em cenários cirúrgicos devem elimi-</p><p>nar a necessidade de uso de antimicro-</p><p>bianos como profilaxia.</p><p>Outra consideração relevante so-</p><p>bre o uso prudente de antimicrobianos</p><p>em animais é minimizar, ao máximo, a</p><p>escolha de agentes classificados como</p><p>“criticamente” e “altamente” importan-</p><p>tes para a medicina humana. Porém,</p><p>como é possível observar no Quadro 3,</p><p>a grande maioria desses agentes estão,</p><p>também, listados como críticos e/ou</p><p>altamente importantes para uso na me-</p><p>dicina veterinária.</p><p>A sobreposição da maioria das clas-</p><p>ses antimicrobianas entre as duas listas</p><p>tem sido um grande obstáculo no com-</p><p>bate e na prevenção à resistência aos</p><p>antimicrobianos, pois grande parte dos</p><p>medicamentos que devem ser prioriza-</p><p>dos para seres humanos têm sido roti-</p><p>neiramente utilizados na medicina vete-</p><p>rinária. É recomendado que essas bases,</p><p>em especial carbapenêmicos, só sejam</p><p>utilizadas em animais após revisão cui-</p><p>dadosa e justificativa razoável dos mé-</p><p>dicos veterinários. Porém, a grande se-</p><p>melhança entre as duas listas dificulta</p><p>muito esse processo. Por isso, é muito</p><p>importante que haja fornecimento de</p><p>educação continuada para os médicos</p><p>veterinários, com a implementação de</p><p>guias sobre o uso prudente de antimi-</p><p>crobianos, para facilitar suas escolhas</p><p>terapêuticas, conscientizando-os do</p><p>grande problema que é a resistência aos</p><p>antimicrobianos.</p><p>Apesar da preocupação em torno</p><p>dos patógenos MDR, as infecções cos-</p><p>tumam ser tratáveis e são cuidadas com</p><p>os mesmos princípios gerais usados</p><p>para tratar qualquer infecção bacteria-</p><p>na. Uma combinação de consciência,</p><p>teste de diagnóstico adequado, terapia</p><p>antimicrobiana apropriada, controle de</p><p>infecção e pesquisa de novas terapias</p><p>alternativas pode ser capaz de limitar o</p><p>impacto clínico desses organismos em</p><p>infecções nosocomiais.</p><p>• Gerenciamento de resíduos</p><p>Resíduos biomédicos veterinários</p><p>fonte de patógenos zoonóticos e não</p><p>76 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>zoonóticos e incluem perfurocortantes,</p><p>tecidos, materiais altamente contamina-</p><p>dos e carcaças de animais. Para perfu-</p><p>rocortantes, é obrigató-</p><p>rio o uso de recipientes</p><p>aprovados e resistentes</p><p>a perfurações para des-</p><p>carte desses materiais</p><p>em todos os locais em</p><p>que são manuseados.</p><p>Resíduos não anatômi-</p><p>cos, como gazes e es-</p><p>ponjas com sangue ou</p><p>secreções infecciosas,</p><p>são também classificados como resíduo</p><p>biomédico. Resíduo líquido, como flui-</p><p>do torácico drenado, fluido abdominal,</p><p>excreções e secreções,</p><p>pode ser depositado</p><p>cuidadosamente em um</p><p>vaso sanitário ou em</p><p>um dreno conectado</p><p>a um esgoto sanitário</p><p>ou a uma fossa séptica.</p><p>Nesse caso, regulamen-</p><p>tos locais, estatais ou</p><p>federais devem ditar o</p><p>volume máximo de san-</p><p>Quadro 3 – Classes de antimicrobianos criticamente e</p><p>altamente importantes que são utilizadas em ambas as medicinas humana</p><p>(WHO, 2018) e veterinária (OIE, 2019).</p><p>Classes de</p><p>antimicrobianos</p><p>Classificação</p><p>Criticamente importante Altamente importante</p><p>Humanos</p><p>(WHO, 2018)</p><p>Animais</p><p>(OIE, 2019)</p><p>Humanos</p><p>(WHO, 2018)</p><p>Animais</p><p>(OIE, 2019)</p><p>Aminoglicosídeos x x</p><p>Ansamicinas x x</p><p>Cefalosporinas de 3a e 4a x x</p><p>Macrolídeos x x</p><p>Penicilinas x x</p><p>Penicilinas + inibidores</p><p>de betalactamases</p><p>x x</p><p>Quinolonas x x</p><p>Anfenicóis x x</p><p>Cefalosporinas de 1a e 2a</p><p>geração</p><p>x x</p><p>Lincosamidas x x</p><p>Sulfonamidas, trimeto-</p><p>prim e combinações</p><p>x x</p><p>Tetraciclinas x x</p><p>Resíduos biomédicos</p><p>veterinários são</p><p>fonte de patógenos</p><p>zoonóticos e não</p><p>zoonóticos e incluem</p><p>perfurocortantes,</p><p>tecidos, materiais</p><p>altamente</p><p>contaminados e</p><p>carcaças de animais.</p><p>773. Bacterias resistentes a antimicrobianos em hospitais veterinários: um desafio crescente</p><p>gue ou fluidos corporais que podem ser</p><p>descartados no esgoto sanitário. Deve</p><p>haver cuidado com respingos e aeros-</p><p>sóis, utilizando os EPIs apropriados.</p><p>Em áreas de isolamento, é impor-</p><p>tante acondicionar os resíduos em sa-</p><p>colas duplas, e recipientes utilizados</p><p>para descarte devem ser completamente</p><p>limpos e desinfetados quando esvazia-</p><p>dos. Todos os resíduos</p><p>provindos de quartos</p><p>de isolamento devem</p><p>ser tratados como po-</p><p>tencialmente infeccio-</p><p>sos. O lixo dessas áreas</p><p>deve ser removido por</p><p>pessoas devidamente</p><p>vestidas com os EPIs</p><p>adequados.</p><p>Sistemas de</p><p>vigilância</p><p>em hospitais</p><p>veterinários</p><p>Nos últimos anos, a saúde veteriná-</p><p>ria tem dado maior relevância ao con-</p><p>trole de infecções nosocomiais. Existe</p><p>uma tendência em focar nas medidas</p><p>para controlar as infecções, entretanto</p><p>um programa com ênfase na prevenção</p><p>baseada em evidências poderia, previa-</p><p>mente, identificar situações de risco,</p><p>reduzindo a ocorrência de infecções,</p><p>surtos e óbitos.</p><p>A vigilância é essencial para o con-</p><p>trole de infecções em ambientes hos-</p><p>pitalares. A prática consiste na coleta,</p><p>análise e interpretação sistemática de</p><p>eventos da saúde em uma população,</p><p>que permite respostas específicas para</p><p>o controle de resultados adversos. Um</p><p>programa de vigilância monitora limites</p><p>críticos que, se ultrapassados, gerarão</p><p>ações predeterminadas para reduzir ou</p><p>eliminar um risco identificado.</p><p>Há diferentes formas de vigilância</p><p>que podem ser incorpo-</p><p>radas na rotina de uma</p><p>instalação veterinária:</p><p>passiva, ativa, direciona-</p><p>da e sindrômica. Não há</p><p>técnica definitivamente</p><p>correta. Cada instalação</p><p>deve escolher,</p><p>desen-</p><p>volver e implementar o</p><p>sistema de vigilância de</p><p>acordo com as carac-</p><p>terísticas e os recursos</p><p>disponíveis da clínica/</p><p>hospital, com o objetivo</p><p>de fornecer informações confiáveis para</p><p>elaboração de medidas de controle e</p><p>prevenção de infecções.</p><p>A vigilância passiva utiliza dados</p><p>prontamente disponíveis dos pacientes,</p><p>como cultura bacteriana e antibiogra-</p><p>ma, para determinar taxas de ocorrên-</p><p>cia de diferentes doenças, padrões de</p><p>susceptibilidade de determinados pató-</p><p>genos aos antimicrobianos e mudanças</p><p>que podem indicar um problema no</p><p>controle de infecções, como os surtos.</p><p>Quando centralizada pelo profissional</p><p>de controle, pode aumentar as chances</p><p>A vigilância é essencial</p><p>para o controle de</p><p>infecções em ambientes</p><p>hospitalares. A prática</p><p>consiste na coleta,</p><p>análise e interpretação</p><p>sistemática de eventos</p><p>da saúde em uma</p><p>população, que permite</p><p>respostas específicas</p><p>para o controle de</p><p>resultados adversos.</p><p>78 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>de efetividade, pois, com a análise regu-</p><p>lar dos dados, as ações são direcionadas</p><p>de acordo com as evidências. O pro-</p><p>fissional de controle pode lançar mão</p><p>dos sistemas de registros eletrônicos e</p><p>configurá-los para rastrear códigos de</p><p>diagnósticos relevantes, o que favorece</p><p>o processo. A vigilância passiva é o mé-</p><p>todo de monitoramento mais barato e</p><p>mais fácil de implementar, porém com</p><p>qualidade inferior de dados e, conse-</p><p>quentemente, menor sensibilidade e es-</p><p>pecificidade, uma vez que se utiliza uma</p><p>fonte secundária.</p><p>A vigilância ativa envolve a co-</p><p>leta de informações exclusivamente</p><p>para propósito de monitoramento. Há</p><p>a realização de estudos destinados a</p><p>identificar agentes infecciosos especí-</p><p>ficos. Não são utilizados resultados da</p><p>rotina do hospital/clínica, e sim de uma</p><p>fonte primária com dados muito mais</p><p>completos e informações de melhor</p><p>qualidade. Porém, é um método mais</p><p>demorado e que demanda mais custos.</p><p>A vigilância direcionada ou baseada</p><p>em risco foca em ameaças previamente</p><p>identificadas ou em fatores de risco co-</p><p>nhecidos para um resultado particular.</p><p>Por exemplo, pacientes infectados por</p><p>Salmonella spp. têm grande probabili-</p><p>dade de eliminar e transmitir esse pa-</p><p>tógeno para o ambiente e para outros</p><p>pacientes. Dessa forma, a vigilância</p><p>pode ser direcionada para pacientes</p><p>com doenças gastrintestinais ou que</p><p>apresentem dois de três sintomas co-</p><p>mumente associados à infecção por esse</p><p>microrganismo, como febre, diarreia e</p><p>leucopenia. A desvantagem desse mé-</p><p>todo é a inabilidade de detectar outras</p><p>adversidades que podem estar ocorren-</p><p>do com pacientes que não estão sendo</p><p>monitorados.</p><p>A vigilância sindrômica baseia-se</p><p>em indicadores de doenças não especí-</p><p>ficos (síndromes) que estão frequente-</p><p>mente presentes em quadros clínicos de</p><p>infecção, como inflamação (sítios cirúr-</p><p>gicos, sítios de cateteres intravenosos e</p><p>trato urinário), febre de origem desco-</p><p>nhecida, desordens respiratórias agudas,</p><p>dermatológicas e gastrintestinais, entre</p><p>outros. Nessa abordagem, a análise e a</p><p>interpretação dos dados ocorrem em</p><p>tempo real, antes mesmo do diagnóstico</p><p>confirmatório, permitindo a detecção</p><p>precoce de doenças e surtos. O intuito</p><p>é reduzir o intervalo de tempo associa-</p><p>do à vigilância passiva, monitorando</p><p>as populações antes da confirmação la-</p><p>boratorial. Consequentemente, a sub-</p><p>notificação também é minimizada pela</p><p>triagem sistemática e contínua de infor-</p><p>mações em estágios iniciais do processo</p><p>da doença. A desvantagem observada</p><p>na implantação dessa técnica tem sido</p><p>a falta de disponibilidade contínua de</p><p>dados adequados. Para que esse método</p><p>seja eficaz, é necessário que haja confor-</p><p>midade quanto à colaboração voluntária</p><p>de funcionários e médicos veterinários.</p><p>Embora seja uma técnica de baixo cus-</p><p>to e de fácil implementação, a vigilância</p><p>793. Bacterias resistentes a antimicrobianos em hospitais veterinários: um desafio crescente</p><p>sindrômica ainda não é muito adotada</p><p>em clínicas e hospitais veterinários.</p><p>Perante todos os métodos expostos,</p><p>a vigilância sindrômica parece ser o que</p><p>dispõe de mais vantagens. Ao acumular</p><p>dados longitudinais, a técnica permite a</p><p>detecção e o combate precoce de doen-</p><p>ças infecciosas em geral e não depende,</p><p>como os demais métodos, da confir-</p><p>mação laboratorial do diagnóstico e da</p><p>habilidade do médico veterinário em</p><p>identificar corretamente o agente causa-</p><p>dor. Somada a isso, a vigilância sindrô-</p><p>mica, assim como a passiva, possui bom</p><p>custo-benefício e é um método de fácil</p><p>implementação.</p><p>Independentemente da escolha,</p><p>que deve ser baseada nas características</p><p>individuais e nas condições financeiras</p><p>de cada clínica e hospital veterinário, é</p><p>essencial que haja um sistema de vigi-</p><p>lância contínuo. A coleta, a análise e a</p><p>interpretação de dados devem fornecer</p><p>taxas basais de infecções/patógenos</p><p>MDR, com as quais será possível, poste-</p><p>riormente, detectar situações adversas,</p><p>como surtos ou infecções infrequentes.</p><p>Assim, a partir das evidências, são exe-</p><p>cutadas estratégias e planos de ação para</p><p>controle e prevenção da adversidade, de</p><p>acordo com o estabelecido pelo progra-</p><p>ma de controle e prevenção de infecções</p><p>nosocomiais da instalação.</p><p>Considerações finais</p><p>• Infecções nosocomiais por patógenos</p><p>MDR têm sido motivo de preocupa-</p><p>ção na medicina veterinária, ainda</p><p>mais que sua frequência tende a conti-</p><p>nuar ascendendo com o aumento das</p><p>práticas de terapia intensiva em mui-</p><p>tos hospitais veterinários.</p><p>• Para minimizar resultados negati-</p><p>vos, as equipes hospitalares devem</p><p>melhorar seus esforços, limitando a</p><p>exposição ao patógeno, impedindo a</p><p>introdução ou a transmissão à popula-</p><p>ção da instituição. Além disso, devem</p><p>utilizar métodos de vigilância para de-</p><p>tectar qualquer nova ocorrência rele-</p><p>vante na instalação.</p><p>• Os princípios básicos para um pro-</p><p>grama de controle e prevenção de</p><p>infecções são: estabelecer um profis-</p><p>sional de controle de infecção para</p><p>coordenar e implementar o progra-</p><p>ma; desenvolver POPs baseados em</p><p>evidências relacionados às tarefas re-</p><p>alizadas com frequência pela equipe</p><p>veterinária; avaliar os pontos fortes do</p><p>programa, assim como áreas de me-</p><p>lhoria; criar um plano de educação e</p><p>treinamento de funcionários; catalo-</p><p>gar material de educação do cliente</p><p>específico para uso na instalação; im-</p><p>plementar um sistema de vigilância; e</p><p>manter um programa de avaliação de</p><p>conformidade.</p><p>• Os procedimentos gerais que com-</p><p>põem um programa de controle e</p><p>prevenção de infecções são: higie-</p><p>ne das mãos; uso de EPIs; limpeza e</p><p>desinfecção; identificação de animais</p><p>infectados por patógenos MDR; prá-</p><p>80 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>ticas de isolamento; uso prudente de</p><p>antimicrobianos, gerenciamento de</p><p>resíduos.</p><p>• Clínicas com poucos ou nenhum</p><p>protocolo de controle e prevenção</p><p>de infecções devem ser encorajadas</p><p>a dar pequenos passos. A criação de</p><p>evidências visíveis de que esses pro-</p><p>tocolos são implementados de forma</p><p>consistente dentro do hospital, inva-</p><p>riavelmente, fortalecerá a lealdade dos</p><p>clientes ao hospital, bem como apro-</p><p>fundará o orgulho que a equipe terá</p><p>de suas funções.</p><p>Referências</p><p>1. AAFP/AAHA Basic guidelines of judicious ther-</p><p>apeutic use of antimicrobials, 2014. Disponível</p><p>em: <https://www.avma.org/resources-tools/</p><p>avma-policies/aafpaaha-basic-guidelines-judi-</p><p>cious-therapeutic-use-antimicrobials>. Acesso</p><p>em: 15 abr. 2021.</p><p>2. ANDERSON, M.E.C. Contact precautions</p><p>and hand hygiene in veterinary clinics. The</p><p>Veterinary Clinics of North America. Small</p><p>Animal Practice, v.45, p.343–360, vi, 2015. DOI:</p><p>10.1016/j.cvsm.2014.11.003.</p><p>3. ANDERSON, M.E.C.; MONTGOMERY,</p><p>J.; WEESE, J.S.; PRESCOTT, J.F. 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Abordagens</p><p>históricas sobre a históricas sobre a</p><p>saúde dos cascos em saúde dos cascos em</p><p>vacas de leitevacas de leite</p><p>pixabay.com</p><p>e piora do desempenho reprodutivo. De</p><p>acordo com Silva et al. (2006), as afec-</p><p>ções relacionadas ao sistema locomotor</p><p>são a segunda maior causa de descarte</p><p>de um rebanho bovino</p><p>(18,5%), ficando atrás</p><p>apenas dos problemas</p><p>reprodutivos (27,7%).</p><p>Apesar dos avanços</p><p>no conhecimento das</p><p>práticas de controle e</p><p>tratamento da claudica-</p><p>ção, sua frequência não</p><p>Tiago Facury Moreira, CRMV-MG 11.536</p><p>Rodrigo Melo Meneses, CRMV-MG 13.527</p><p>Elias Jorge Facury Filho, CRMV-MG 3.214</p><p>Antônio Ultimo de Carvalho, CRMV-MG 5.902</p><p>A claudicação é</p><p>considerada uma</p><p>das três ocorrências</p><p>mais comuns na</p><p>bovinocultura de leite,</p><p>juntamente com a</p><p>mastite e os problemas</p><p>reprodutivos.</p><p>874. Abordagens históricas sobre a saúde dos cascos em vacas de leite</p><p>diminuiu ao longo do tempo e, embora</p><p>improvável, aparentemente está aumen-</p><p>tando e hoje atinge prevalência inaceitá-</p><p>vel. No Brasil, a situação não é diferente</p><p>e a incidência de claudicação é preocu-</p><p>pante. Ferreira (2003) avaliou uma pro-</p><p>priedade de sistema free-stall em um</p><p>período de um ano e descreveu que a in-</p><p>cidência de animais claudicantes foi de</p><p>122%, ou seja, alguns animais tiveram</p><p>mais de um caso de claudicação durante</p><p>o período. Já Costa et al. (2018), ao ava-</p><p>liarem a prevalência de claudicação em</p><p>rebanhos alojados em sistema de free-</p><p>-stall, compost barn e sistema de free-stall</p><p>+ compost barn, localizados no estado</p><p>do Paraná, relatou que, de forma geral, a</p><p>prevalência de claudicação foi de 42,5%.</p><p>Estudos em rebanhos de bovinos de lei-</p><p>te a pasto em Minas Gerais e no Paraná</p><p>mostram prevalência não menos preo-</p><p>cupantes, variando de 5 a 76% nos reba-</p><p>nhos estudados.</p><p>Essas dificuldades enfrentadas evi-</p><p>denciam a necessidade de que, para</p><p>conseguir melhorar a saúde do casco,</p><p>também são necessárias pesquisas que</p><p>trabalhem fatores socioeconômicos,</p><p>entendendo a realidade e as dificulda-</p><p>des que os produtores enfrentam para</p><p>controlar as doenças podais. Para que</p><p>se possa realizar qualquer mudança no</p><p>intuito de diminuir as afecções podais,</p><p>é preciso uma motivação de todos os</p><p>envolvidos nesse sentido e o conheci-</p><p>mento dos entraves que podem impedir</p><p>a progressão do problema.</p><p>Historicamente, fazendeiros e ve-</p><p>terinários têm se concentrado no tra-</p><p>tamento de animais claramente claudi-</p><p>cantes; no entanto, mais recentemente,</p><p>houve um movimento em direção a uma</p><p>intervenção mais precoce e rápida, pois</p><p>as evidências indicam que atrasos no</p><p>tratamento estão associados a taxas mais</p><p>baixas de cura e a taxas mais altas de re-</p><p>corrência. Além disso, os processos que</p><p>culminam nas lesões e que, por sua vez,</p><p>resultam em claudicação em vacas mais</p><p>velhas podem começar muito antes, até</p><p>mesmo antes da lactação. Isso indica a</p><p>necessidade de atenção ao manejo das</p><p>novilhas para que se consiga reduzir a</p><p>claudicação no rebanho. Infelizmente,</p><p>com as abordagens tradicionais, as pa-</p><p>tologias associadas às lesões do estojo</p><p>córneo (úlceras de sola, úlceras de pinça</p><p>e lesões de linha branca) são frequente-</p><p>mente irreversíveis quando as lesões são</p><p>identificadas.</p><p>À medida que a conscientização e</p><p>as atitudes entre os consumidores evo-</p><p>luem, o bem-estar das vacas leiteiras as-</p><p>sume, com razão, uma importância cada</p><p>vez maior, e a indústria está sob crescen-</p><p>te pressão para reduzir a prevalência de</p><p>claudicação. Este artigo apresenta algu-</p><p>mas diretrizes para a implementação de</p><p>um programa sanitário para a saúde dos</p><p>cascos em propriedades leiteiras, além</p><p>de trazer algumas análises históricas so-</p><p>bre como a abordagem dos problemas</p><p>de casco mudou ao longo do tempo.</p><p>Apesar de pouco comum, acreditamos</p><p>88 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>que promover um programa para a saú-</p><p>de dos cascos nas propriedades é neces-</p><p>sário devido ao impacto que as afecções</p><p>podais possuem na realidade da pecuá-</p><p>ria leiteira e aos prejuízos econômicos</p><p>e ao bem-estar animal provocados pela</p><p>claudicação.</p><p>Desafios técnicos</p><p>causados pelas mudanças</p><p>na pecuária nos últimos</p><p>anos e a prevalência/</p><p>incidência das doenças de</p><p>casco</p><p>A incidência anual de claudicação</p><p>em rebanhos leiteiros em todo o mundo</p><p>aumentou significativamente, passando</p><p>de 5% no início dos anos 1980 para mé-</p><p>dias superiores a 25% depois dos anos</p><p>2000. É importante levar em conside-</p><p>ração a metodologia usada para se cal-</p><p>cular a incidência das doenças de casco</p><p>entre os trabalhos, sendo a maioria dos</p><p>trabalhos realizados nas décadas de 70</p><p>e 80 feitos calculando-</p><p>-se os casos atendidos</p><p>por veterinários, o que</p><p>representa apenas cerca</p><p>de 30% dos animais tra-</p><p>tados, uma vez que os</p><p>outros 70% são tratados</p><p>pelos próprios fazendei-</p><p>ros ou outros profissio-</p><p>nais. Pesquisadores na</p><p>própria época já acredi-</p><p>tavam que a real incidên-</p><p>cia de lesões de casco no Reino Unido,</p><p>por exemplo, já era próxima de 30% e de</p><p>até 60% em alguns casos. De qualquer</p><p>forma, continuam longe das incidências</p><p>próximas ou até mesmo maiores que</p><p>100% apresentadas mais recentemente.</p><p>Do ponto de vista técnico, o que</p><p>mudou na atividade leiteira para que</p><p>ocorresse esse crescimento na prevalên-</p><p>cia das doenças podais?</p><p>É verdade que as vacas leiteiras de</p><p>hoje enfrentam mais desafios ambien-</p><p>tais, nutricionais e comportamentais</p><p>do que as vacas do passado. A pecuária</p><p>extensiva praticada até poucas décadas</p><p>atrás trazia poucos desafios em rela-</p><p>ção às doenças de casco. Animais com</p><p>desempenhos mais baixos, dietas com</p><p>menos quantidade de concentrado, em</p><p>ambiente com baixa densidade animal</p><p>e com pisos macios caracterizavam esse</p><p>tipo de exploração. O cenário das lesões</p><p>podais mudou quando surgiu a necessi-</p><p>dade de intensificar a produção leiteira,</p><p>para aumentar a produção, diminuir os</p><p>custos variáveis e diluir</p><p>custos fixos. No decor-</p><p>rer desse processo de</p><p>intensificação, foram</p><p>surgindo fatores pre-</p><p>judiciais à saúde dos</p><p>cascos e que levam à</p><p>situação atual na qual</p><p>os problemas de cas-</p><p>co ganharam tanta</p><p>importância.</p><p>Os novos fatores</p><p>A incidência anual</p><p>de claudicação</p><p>em rebanhos</p><p>leiteiros em todo o</p><p>mundo aumentou</p><p>significativamente,</p><p>passando de 5% no</p><p>início dos anos 1980</p><p>para médias superiores</p><p>a 25% depois dos anos</p><p>2000.</p><p>894. Abordagens históricas sobre a saúde dos cascos em vacas de leite</p><p>presentes na moderna pecuária repre-</p><p>sentam desafios para se alcançar a re-</p><p>dução na prevalência das lesões podais.</p><p>Esses fatores podem ser resumidos nos</p><p>seguintes pontos:</p><p>• Aumento da produção de leite por</p><p>animal uma vez que algumas pesqui-</p><p>sas encontraram uma relação linear</p><p>entre produção de leite e prevalência</p><p>de claudicação.</p><p>• Aumento do tamanho das vacas de lei-</p><p>te sem que a conformação das pernas</p><p>e dos pés fosse destacada no processo.</p><p>• Surgimento da dermatite digital (pri-</p><p>meiro relato em 1974).</p><p>• Aumento do número de rebanhos</p><p>confinados.</p><p>• Aumento do número de animais por</p><p>rebanho acarretando também maior</p><p>densidade animal.</p><p>• Menor número de trabalhadores por</p><p>animal ocasionando maior dificuldade</p><p>em fornecer uma atenção individual.</p><p>Logicamente, a realidade enfrentada</p><p>em cada país é diferente e os fatores mais</p><p>determinantes para a ocorrência das do-</p><p>Tabela 1. Incidência de claudicação ao longo do tempo em vários países</p><p>Incidência (%) País Autor e ano Observações</p><p>14% Nova Zelândia Dewes, 1978</p><p>20,7 (2-38) Nova Zelândia Tranter e Morris, 1991</p><p>3,8 Reino Unido Leech et al., 1960</p><p>69 (32-112) Reino Unido Hedges et al., 2001 Incidência</p><p>36 Reino Unido Barker et al., 2010</p><p>31,6 Reino Unido Griffiths</p><p>et al., 2018</p><p>4,4 EUA Barlett et al., 1986</p><p>46 (40-52) EUA Warnick et al., 2001</p><p>31 EUA Hernandez et al., 2002</p><p>22,2 Canadá Cutler et al., 2017 Confinado</p><p>90 Dinamarca Capion et al., 2009 Incidência</p><p>50,2 Brasil (Rio Grande do Sul) Cruz et al., 2001</p><p>29,7 Brasil (Goiás) Silva et al., 2001 Prevalência de lesões</p><p>122 Brasil (Minas Gerais) Ferreira, 2003 Confinados</p><p>4,8 Brasil (Goiás) Romani et al., 2004 Semiconfinado</p><p>41,1 Brasil (Paraná) Bran et al., 2019 Free-stall e Compost</p><p>31,9 Brasil (Paraná) Costa et al., 2018 Free-stall e Compost</p><p>16 Brasil (Minas Gerais) Moreira et al., 2018 Pastejo</p><p>31 Brasil (Paraná) Bran et al., 2018 Pequenas</p><p>propriedades</p><p>90 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>enças de casco variam</p><p>enormemente. Como a</p><p>maior parte da literatu-</p><p>ra científica é de origem</p><p>norte-americana ou</p><p>europeia, muitas vezes</p><p>ficamos mais familiari-</p><p>zados com os proble-</p><p>mas deles do que com</p><p>os nossos. Na União</p><p>Europeia e nos EUA, o</p><p>uso de sistemas confina-</p><p>dos representa a grande</p><p>maioria dos sistemas</p><p>de produção, enquanto</p><p>na Nova Zelândia e na</p><p>Austrália, os sistemas</p><p>de produção se ba-</p><p>seiam em pasto. No</p><p>Brasil, apesar de o</p><p>sistema predominan-</p><p>te ainda ser o pastejo,</p><p>observa-se um movi-</p><p>mento cada vez maior</p><p>de intensificação e</p><p>confinamento, prin-</p><p>cipalmente, no caso</p><p>de Minas Gerais, no</p><p>sistema de Compost</p><p>barn. Nos sistemas de</p><p>confinamento, muita</p><p>importância deve ser</p><p>Figura 1. A intensificação da produção com o aumento da produtividade por animal, a utilização de</p><p>pisos abrasivos, duros e impermeáveis, o aumento da densidade de animais e da energia da dieta são</p><p>fatores que acarretam maior desafio e consequentemente maiores taxas de claudicação em muitas</p><p>propriedades leiteiras modernas.</p><p>Na União Europeia e nos</p><p>EUA, o uso de sistemas</p><p>confinados representa a</p><p>grande maioria ...[da]...</p><p>produção, enquanto</p><p>na Nova Zelândia e na</p><p>Austrália ... em pasto. No</p><p>Brasil, apesar de o sistema</p><p>predominante ainda ser</p><p>o pastejo, observa-se</p><p>um movimento cada vez</p><p>maior de intensificação</p><p>e confinamento,</p><p>principalmente, no caso</p><p>de Minas Gerais ...</p><p>914. Abordagens históricas sobre a saúde dos cascos em vacas de leite</p><p>dada às camas, ao tempo de descanso</p><p>que reflete o conforto promovido pela</p><p>instalação, à qualidade do piso e à lim-</p><p>peza constante do ambiente. Nos siste-</p><p>mas a pasto, as trilhas são consideradas</p><p>fatores importantíssimos, além da higie-</p><p>ne e da conservação das instalações.</p><p>O aumento do preço da terra, a pres-</p><p>são para intensificação da produção, o</p><p>aumento do preço da mão de obra e da</p><p>produtividade animal são alguns fatores</p><p>comuns aos principais países produto-</p><p>res de leite e foram algumas das forças</p><p>que provocaram as mudanças na forma</p><p>de produção animal, o que trouxe com</p><p>elas novos desafios. Uma das soluções</p><p>para essas questões foi o início dos sis-</p><p>temas de confinamento. O uso de sis-</p><p>temas de confinamento se iniciou nos</p><p>anos 70 e 80, principalmente nos países</p><p>mais desenvolvidos.</p><p>Nesse período, no Reino Unido, a</p><p>crescente incidência dos problemas de</p><p>casco levou a pecuária leiteira ao que pa-</p><p>recia um problema sem solução. Com a</p><p>necessidade de mudança no manejo dos</p><p>animais devido aos novos níveis de pro-</p><p>dução, ou seja, com o início dos confina-</p><p>mentos que colocaram os animais sobre</p><p>pisos abrasivos, a incidência de claudi-</p><p>cação aumentou consideravelmente, a</p><p>ponto de se acreditar que a pecuária de</p><p>Figura 2. As trilhas são importante fator de risco para as afecções de casco em sistemas a pasto.</p><p>92 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>leite seria uma atividade inviável.</p><p>Nesse cenário, o aumento na densi-</p><p>dade animal dos sistemas de produção</p><p>para facilitar o manejo, com mais ani-</p><p>mais por unidade de área, proporcionou</p><p>um acúmulo excessivo de fezes e urina</p><p>nas instalações, o que favoreceu a trans-</p><p>missão de doenças contagiosas. Além</p><p>disso, o uso de pisos impermeabilizados</p><p>deixou o casco mais exposto ao desgas-</p><p>te, principalmente quando esse piso é</p><p>associado com umidade, por exemplo,</p><p>com a água utilizada para a limpeza des-</p><p>ses ambientes, deixando os cascos mais</p><p>moles. Os primeiros estudos de casco</p><p>descreviam exatamente isso, creditando</p><p>ao desgaste excessivo o papel de princi-</p><p>pal fator causador das doenças de casco,</p><p>e afirmavam que melhorias no ambiente</p><p>para prevenir esse desgaste teriam re-</p><p>sultados significativos na prevenção das</p><p>doenças de casco.</p><p>O espaço diminuído para movi-</p><p>mentação dos animais</p><p>provoca acúmulo de</p><p>substâncias vasoativas</p><p>que seriam bombeadas</p><p>do casco no processo</p><p>de locomoção. A fal-</p><p>ta de locais adequados</p><p>para descanso (camas</p><p>confortáveis) faz com</p><p>que esses fiquem tempo</p><p>demasiado de pé sobre</p><p>um piso duro, levando</p><p>à liberação de agentes</p><p>inflamatórios que inter-</p><p>ferem na formação de um casco de boa</p><p>qualidade.</p><p>Foi necessário, também, aumentar</p><p>a densidade energética das dietas forne-</p><p>cidas aos animais, no intuito de acom-</p><p>panhar a crescente produção leiteira</p><p>proporcionada pelo melhoramento ge-</p><p>nético deles. Com esse aumento da den-</p><p>sidade energética das dietas, os animais</p><p>ficaram mais propensos ao desenvolvi-</p><p>mento de acidose ruminal subclínica,</p><p>com consequente produção de um teci-</p><p>do córneo de pior qualidade.</p><p>Os problemas de casco</p><p>estão sendo deixados de</p><p>lado?</p><p>A claudicação, apesar de ser uma</p><p>das questões que causam entre os</p><p>maiores impactos, tanto no âmbito</p><p>econômico, como em bem-estar, com</p><p>relação à produção de leite, conti-</p><p>nua a ser deixada em segundo plano,</p><p>principalmente se for</p><p>considerada a aten-</p><p>ção dada à mastite e à</p><p>reprodução.</p><p>Em termos de pu-</p><p>blicações científicas</p><p>(peer reviewed), em</p><p>uma busca em junho</p><p>de 2012 usando as</p><p>palavras-chave “gado”</p><p>e “claudicação” na</p><p>ferramenta de bus-</p><p>ca, Scopus encontrou</p><p>1073 artigos; ao subs-</p><p>A claudicação, apesar</p><p>de ser uma das questões</p><p>que causam entre os</p><p>maiores impactos tanto</p><p>no âmbito econômico</p><p>como [em] bem-estar,</p><p>com relação à produção</p><p>de leite, continua a ser</p><p>deixada em segundo</p><p>plano, principalmente</p><p>se for considerada a</p><p>atenção dada à mastite</p><p>e à reprodução.</p><p>934. Abordagens históricas sobre a saúde dos cascos em vacas de leite</p><p>tituir “claudicação” por “fertilidade”,</p><p>o resultado saltou para 4867 artigos,</p><p>e, ao substituir por “mastite”, o núme-</p><p>ro foi de 7346 artigos encontrados.</p><p>Para os produtores, a doença mais</p><p>impactante sobre a lucratividade do</p><p>negócio é a mastite. Essa percepção</p><p>provavelmente é provocada pela per-</p><p>da visível e imediata do leite descar-</p><p>tado e pelo fato de a contagem de</p><p>células somáticas (CCS) impactar di-</p><p>retamente no preço do leite recebido</p><p>(embora a maior perda seja causada</p><p>pela diminuição da produção gerada</p><p>pela mastite subclínica). A claudica-</p><p>ção, por outro lado, não acarreta per-</p><p>da aparente de forma tão clara, apesar</p><p>de haver uma redução da produção</p><p>de leite. Os principais prejuízos são</p><p>a redução da fertilidade e o aumento</p><p>do descarte.</p><p>Entretanto, essa negligência</p><p>quanto aos problemas podais não</p><p>ocorre somente no contexto da aca-</p><p>demia. Empresas e profissionais</p><p>que promovem assistências vete-</p><p>rinárias a campo também deixam</p><p>muitas vezes a saúde dos cascos</p><p>em segundo plano. Existem diver-</p><p>sas empresas de assistência que</p><p>prestam serviços na área de mas-</p><p>tite e reprodução, mas são poucas</p><p>aquelas que se propõem a montar</p><p>um programa de saúde dos cascos.</p><p>Muitas vezes, essa responsabilidade</p><p>é terceirizada para casqueadores,</p><p>ou o programa se resume a realizar</p><p>pedilúvio. Para alterar essa realida-</p><p>Figura 3. A adoção de um programa para a saúde dos cascos pelas propriedades leiteiras é necessária</p><p>e urgente.</p><p>94 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>de, cabe a nós, veterinários, dar a</p><p>importância merecida ao tema.</p><p>Experiências em</p><p>programas de saúde dos</p><p>cascos</p><p>Nos últimos anos, iniciou-se uma</p><p>mudança na forma de abordagem para</p><p>o controle das lesões podais e das en-</p><p>fermidades, incluindo mudanças na</p><p>relação entre veterinário</p><p>e produtor.</p><p>Esses novos métodos demonstraram</p><p>resultados positivos na redução da</p><p>claudicação no primeiro momen-</p><p>to e representam uma alternativa</p><p>promissora.</p><p>A pressão de mercado na Europa</p><p>para a melhoria do bem-estar animal</p><p>induziu ao desenvolvimento de al-</p><p>gumas medidas para tentar reduzir a</p><p>ocorrência de claudicação nos reba-</p><p>nhos leiteiros. Os primeiros movi-</p><p>mentos começaram no Reino Unido,</p><p>em 2006, e, a partir de então, foram</p><p>lançados alguns programas para se</p><p>tentar alcançar esse fim. Em 2009,</p><p>Bell et al. (2009) relataram um insu-</p><p>cesso no primeiro projeto desenvolvi-</p><p>do, chamado “Lamecow”. As explica-</p><p>ções se baseavam na falta de iniciativa</p><p>dos agricultores em implementarem</p><p>as ações planejadas e na limitação das</p><p>mudanças que poderiam acontecer</p><p>com apenas duas visitas em cada fa-</p><p>zenda, em um período de 12 meses.</p><p>Porém, os pesquisadores demonstra-</p><p>ram otimismo e segurança na conclu-</p><p>são do seu trabalho, com a frase “In</p><p>short, it can be done.” (“Em resumo,</p><p>isso pode ser feito.”; tradução livre).</p><p>Com essa experiência, foi possí-</p><p>vel perceber claramente que apenas</p><p>o conhecimento científico não é sufi-</p><p>ciente para mudar a realidade de uma</p><p>fazenda ou de uma região. Esse resul-</p><p>tado trouxe uma reflexão sobre o foco</p><p>do estudo da medicina veterinária em</p><p>aspectos “técnicos” da saúde animal,</p><p>como a compreensão da etiologia, da</p><p>patogênese, dos tratamentos e das me-</p><p>didas preventivas, e sobre a vontade</p><p>de mudança ou de engajamento dos</p><p>produtores.</p><p>Sem desistir e com o entendi-</p><p>mento de que é preciso considerar a</p><p>melhor forma de passar a mensagem</p><p>para o fazendeiro para que sejam im-</p><p>plementadas algumas mudanças, o</p><p>grupo de pesquisadores da Inglaterra</p><p>reformulou o programa, que passou</p><p>a se chamar “Healthy Feet Project”</p><p>(Projeto Casco Saudável). Nos novos</p><p>moldes do trabalho, uma ênfase foi</p><p>dada à participação do produtor e ao</p><p>uso de ferramentas de marketing.</p><p>O primeiro passo dado foi ouvir os</p><p>produtores sobre as reais dificuldades</p><p>enfrentadas por eles com relação às</p><p>doenças podais e as motivações que</p><p>os levavam a tratar as doenças de cas-</p><p>co. Em uma entrevista com 222 pro-</p><p>dutores, foi apurado que 90% desses</p><p>reconheciam a claudicação como um</p><p>dos maiores problemas enfrentados</p><p>954. Abordagens históricas sobre a saúde dos cascos em vacas de leite</p><p>na propriedade, porém</p><p>62% não a colocavam</p><p>como prioridade.</p><p>Os principais fa-</p><p>tores apontados pelos</p><p>produtores como difi-</p><p>culdades para o contro-</p><p>le das doenças de casco</p><p>foram a falta de mão de</p><p>obra, a falta de tempo e</p><p>as restrições financeiras</p><p>para a implementação</p><p>de alguma mudança.</p><p>Considerando o que os</p><p>produtores observavam</p><p>como sendo as princi-</p><p>pais consequências da</p><p>claudicação, eles apon-</p><p>taram dor e sofrimen-</p><p>to em primeiro lugar,</p><p>seguidos da redução</p><p>do desempenho dos animais. A pesqui-</p><p>sa ainda mostrou que o fator que mais</p><p>motiva o produtor a tomar alguma me-</p><p>dida para melhoria da saúde dos cascos</p><p>é o orgulho de um rebanho saudável.</p><p>O sentimento de dó com relação aos</p><p>animais apareceu em segundo lugar,</p><p>enquanto a perda produtiva, os custos</p><p>com tratamento e a imagem pública fo-</p><p>ram apontados após as opções quanto</p><p>ao bem-estar animal.</p><p>Os pesquisadores também utiliza-</p><p>ram técnicas de marketing para estimu-</p><p>lar os agricultores a discutir abertamen-</p><p>te entre eles os pontos de vista sobre</p><p>os potenciais benefícios e obstáculos à</p><p>melhoria da saúde do</p><p>casco. Os pesquisado-</p><p>res usaram técnicas que</p><p>incentivaram o compro-</p><p>misso com o projeto, es-</p><p>timulando e solicitando</p><p>a implementação das</p><p>ações acordadas. De for-</p><p>ma geral, nesse trabalho,</p><p>o papel dos veterinários</p><p>que visitavam as fazen-</p><p>das era ajudar os agri-</p><p>cultores a sintetizar e</p><p>aplicar o conhecimento</p><p>oferecido durante a vi-</p><p>sita veterinária ou vindo</p><p>de outras fontes, evitan-</p><p>do-se dizer aos agricul-</p><p>tores o que fazer.</p><p>Os resultados dessa</p><p>nova abordagem foram</p><p>positivos e até mesmo inesperados. O</p><p>acompanhamento das fazendas durou</p><p>três anos, e, ao final desse período, a</p><p>média da prevalência de claudicação</p><p>caiu de 33,3% para 21,4% nas fazendas</p><p>que foram acompanhadas e receberam</p><p>orientações. O surpreendente foi que</p><p>até mesmo as fazendas controle, que</p><p>não recebiam nenhuma assistência ve-</p><p>terinária específica sobre os problemas</p><p>de casco e eram apenas monitoradas, ti-</p><p>veram redução da prevalência de claudi-</p><p>cação de 38,9% para 27%. A explicação</p><p>é a de que o próprio ato de observar já</p><p>é uma forma de intervenção. Esse efei-</p><p>to é chamado de “Efeito Hawthorne” e</p><p>Os principais fatores</p><p>apontados pelos</p><p>produtores como</p><p>dificuldades para o</p><p>controle das doenças</p><p>de casco foram a falta</p><p>de mão de obra, a falta</p><p>de tempo e as restrições</p><p>financeiras para a</p><p>implementação de</p><p>alguma mudança.</p><p>A pesquisa ainda</p><p>mostrou que o fator</p><p>que mais motiva o</p><p>produtor a tomar</p><p>alguma medida para</p><p>melhoria da saúde dos</p><p>cascos é o orgulho de</p><p>um rebanho saudável.</p><p>96 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>se refere ao fato de que</p><p>só de ter recebido visi-</p><p>tas periódicas de um</p><p>veterinário, a atenção</p><p>com relação aos proble-</p><p>mas de casco pode ter</p><p>aumentado.</p><p>Outro resultado</p><p>dessa iniciativa foi per-</p><p>ceber que os próprios</p><p>pecuaristas têm muitas</p><p>ideias sobre como eles gostariam de</p><p>gerenciar o problema de claudicação.</p><p>Dessa forma, uma abordagem que faci-</p><p>lita a discussão desses pontos entre fa-</p><p>zendeiros e veterinários pode trazer um</p><p>benefício maior do que uma abordagem</p><p>na qual o veterinário apenas apresenta</p><p>suas recomendações.</p><p>Realidade brasileira</p><p>O assunto de doenças podais não é</p><p>muito recorrente na literatura nacional.</p><p>Podem ser citados três grupos princi-</p><p>pais de pesquisadores que atuam nessa</p><p>área, um proveniente da Universidade</p><p>Federal de Minas Gerais, outro da</p><p>Universidade Federal</p><p>de Goiás e outro da</p><p>Universidade Federal</p><p>de Santa Catarina. A</p><p>Escola de Veterinária da</p><p>Universidade Federal</p><p>de Minas Gerais contri-</p><p>buiu com 13 teses/dis-</p><p>sertações sobre o tema,</p><p>sendo reconhecida na-</p><p>cionalmente por seu en-</p><p>volvimento na área.</p><p>A maior parte dos</p><p>trabalhos brasileiros foi</p><p>realizada depois do ano</p><p>de 2000 e, de forma ge-</p><p>ral, o que se pode con-</p><p>cluir de todos esses tra-</p><p>balhos é que as doenças</p><p>de origem infecciosa são</p><p>as maiores causadoras</p><p>de claudicação nos rebanhos brasileiros,</p><p>salvo algumas exceções, principalmente</p><p>quando são trabalhados rebanhos con-</p><p>finados. Além disso, é possível obser-</p><p>var que muitas ferramentas e manejos</p><p>são feitos de forma inadequada ou não</p><p>são feitos pela maior parte das fazendas</p><p>brasileiras. Podem ser citadas a pouca</p><p>utilização do pedilúvio, a ausência de</p><p>troncos de casco, a deficiência na quan-</p><p>tidade de sombra e de conforto térmico,</p><p>além de o principal tratamento utiliza-</p><p>do ser o uso de antibiótico parenteral,</p><p>o que é sabidamente inadequado para a</p><p>grande maioria das lesões podais.</p><p>Trabalhos que façam algum ensaio</p><p>de tratamento são rarís-</p><p>simos. Outros assuntos</p><p>encontrados, porém</p><p>também com poucas pu-</p><p>blicações, são: impacto</p><p>econômico das doenças</p><p>podais; percepção dos</p><p>produtores rurais sobre</p><p>doenças podais; fatores</p><p>de risco para claudicação</p><p>A Escola de Veterinária</p><p>da Universidade</p><p>Federal de Minas</p><p>Gerais contribuiu com</p><p>13 teses/dissertações</p><p>sobre o tema,</p><p>sendo reconhecida</p><p>nacionalmente por seu</p><p>envolvimento na área.</p><p>... as doenças de</p><p>origem infecciosa são</p><p>as maiores causadoras</p><p>de claudicação nos</p><p>rebanhos brasileiros,</p><p>salvo algumas exceções,</p><p>principalmente quando</p><p>são trabalhados</p><p>rebanhos confinados ...</p><p>974. Abordagens históricas sobre a saúde dos cascos em vacas de leite</p><p>e lesões podais nos diferentes sistemas e</p><p>realidades brasileiras.</p><p>Apesar de a literatura nacional ser</p><p>escassa com relação às doenças podais,</p><p>brasileiros têm contribuído para o avan-</p><p>ço científico da área em outras partes do</p><p>mundo. Isso pode indicar, infelizmente,</p><p>uma exportação de pessoas com poten-</p><p>cial para contribuir para uma melhora</p><p>da realidade do país e um desenvolvi-</p><p>mento de novos conhecimentos consi-</p><p>derando a realidade</p><p>nacional.</p><p>Conclusão</p><p>As novas formas de entendimento</p><p>e abordagem das doenças podais es-</p><p>tão indo ao encontro das mudanças de</p><p>paradigmas da sociedade. Assim, com</p><p>uma visão holística e com o entendi-</p><p>mento de que os fatores não trabalham</p><p>de forma separada, estão sendo capazes</p><p>de criar métodos de ação e programas</p><p>com potencial para contribuir para uma</p><p>mudança da realidade que torna as pers-</p><p>pectivas futuras melhores. Porém, ainda</p><p>existe uma necessidade de se empregar</p><p>e de se sistematizar o uso de ferramentas</p><p>e manejos em um programa de saúdo</p><p>dos cascos dentro das propriedades.</p><p>Ao longo do tempo, o enfoque cres-</p><p>cente no bem-estar animal e a pressão</p><p>de mercado por produtos que tenham</p><p>esse diferencial auxiliaram para que se</p><p>lançasse mais luz sobre as altas taxas de</p><p>claudicação nos rebanhos leiteiros e in-</p><p>centivaram o desenvolvimento de me-</p><p>didas para tentar reduzir de forma ma-</p><p>ciça as altas prevalências de claudicação</p><p>observadas em outros países do mundo.</p><p>No Brasil, esse movimento se mostra</p><p>ainda incipiente, e é necessário, portan-</p><p>to, que as entidades e os profissionais</p><p>atuantes na pecuária leiteira comecem a</p><p>dar maior ênfase ao assunto.</p><p>Referências</p><p>1. BAGGOT, D. G., RUSSEL, A. M. Lameness in</p><p>cattle. Br. Vet. J., v.137, p.113-132, 1981.</p><p>2. BARKER, Z. E.; LEACH, K.A.; WHAY, H.R.;</p><p>BELL, N.J.; MAIN, D.C. Assessment of lameness</p><p>prevalence and associated risk factors in dairy her-</p><p>ds in England and Wales. Journal of dairy science,</p><p>v. 93, n. 3, p. 932–41, 2010.</p><p>3. BELL, N. J.; BELL, M. J.; KNOWLES, T. G.;</p><p>WHAY, H. R.; MAIN, D.J.; WEBSTER, A.J. The</p><p>development, implementation and testing of a</p><p>lameness control programme based on HACCP</p><p>principles and designed for heifers on dairy farms.</p><p>Veterinary Journal, v. 180, n.2, p. 178–88, 2009.</p><p>4. BELL, N., RANDALL, L. Lameness in dairy hei-</p><p>fers: a narrative review of control strategies. UK-</p><p>Vet Livestock, v. 26, n.2, p.68-76, 2021.</p><p>5. BICALHO, R. C.; OIKONOMOU, G. Control</p><p>and prevention of lameness associated with claw</p><p>lesions in dairy cows. Livestock Science, v.156,</p><p>p.96–105, 2013.</p><p>6. BRAN, J.A.; COSTA, J.H.C.; VON</p><p>KEYSERLINGK, M.A.G.; et al. Factors associa-</p><p>ted with lameness prevalence in lactating cows</p><p>housed in freestall and compost-bedded pack dai-</p><p>ry farms in southern Brazil. Preventive Veterinary</p><p>Medicine, v. 172, n. September, p. 104773, 2019.</p><p>7. BRAN, J.A.; DAROS, R.R.; VON</p><p>KEYSERLINGK, M.A.G.; et al. Lameness on</p><p>Brazilian pasture based dairies—part 1: Farmers’</p><p>awareness and actions. Preventive Veterinary</p><p>Medicine, v. 157, p. 134–141, 2018.</p><p>8. BRUIJNIS, M. R. N.; HOGEVEEN, H;</p><p>STASSEN, E. N. Assessing economic consequen-</p><p>ces of foot disorders in dairy cattle using a dyna-</p><p>mic stochastic simulation model. Journal of Dairy</p><p>Science, v.93, n.6, p.2419–32, 2010.</p><p>9. CAPION, N.; THAMSBORG, S. M.;</p><p>ENEVOLDSEN, C. Prevalence and severity of</p><p>foot lesions in Danish Holstein heifers throu-</p><p>98 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>gh first lactation. Veterinary Journal, v.182, n.1,</p><p>p.50–8, 2009.</p><p>10. CASAGRANDE, F. P. Perfíl metabólico e mine-</p><p>ral de vacas no período periparto: qualidade e</p><p>conformação dos cascos. 2013. Belo Horizonte,</p><p>125f. Tese (Doutorado em Clínica e Cirurgia</p><p>Veterinárias) - Curso de Pós-Graduação em</p><p>Ciência Animal, Universidade Federal de Minas</p><p>Gerais.</p><p>11. CHAPINAL, N.; WEARY, D.M.; COLLINGS,</p><p>L.; ON KEYSERLINGK, M.A. Lameness and</p><p>hock injuries improve on farms participating in an</p><p>assessment program. Veterinary Journal, v. 202, n.</p><p>3, p. 646–648, 2014.</p><p>12. CLARKSON, M. J., DOWNHAM, D.Y.;</p><p>FAULL, W. B.; HUGHES, J.W.; MANSON, F.J.;</p><p>MERRITT, J.B.; MURRAY, R.D.; RUSSELL,</p><p>W.B.; SUTHERST, J.E.; WARD, W.R. Incidence</p><p>and prevalence of lameness in dairy cattle.</p><p>Veterinary Record, v. 138, n.23, p. 563-567, 1996.</p><p>13. COSTA, J. H. C.; BURNETT, T. A.; VON</p><p>KEYSERLINGK, M. A. G.; HÖTZEL, M.J.</p><p>Prevalence of lameness and leg lesions of lactating</p><p>dairy cows housed in southern Brazil: Effects of</p><p>housing systems. Journal of Dairy Science, v. 101,</p><p>n. 3, p. 2395–2405, 2018.</p><p>14. CRUZ, C.; DDRIEMEIER, D.; CERVA, C. D.L.;</p><p>CORBELLINI, L.G. Clinical and epidemiologi-</p><p>cal aspects of bovine digital lesions in southern</p><p>Brazil. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária</p><p>e Zootecnia, v. 53, n. 6, p. 654-657, 2001.</p><p>15. CUTLER, J. H.H.; RUSHEN, J.; DE PASSILLÉ,</p><p>A. M.; et al. Producer estimates of prevalence and</p><p>perceived importance of lameness in dairy herds</p><p>with tiestalls, freestalls, and automated milking</p><p>systems. Journal of Dairy Science, v. 100, n. 12, p.</p><p>9871–9880, 2017.</p><p>16. DAIRYCO technical information: Housing for</p><p>dairy cows. Disponível em: http://www.dairyco.</p><p>org.uk/technical-information/buildings/hou-</p><p>sing/#.VPjoUy6GOiw. Acessado em 05 de março</p><p>de 2015.</p><p>17. DEWES, H.F. Some aspects of lameness in dairy</p><p>herds. New Zealand Veterinary Journal, v.26, n.6,</p><p>p.147-157, 1978.</p><p>18. FERREIRA, P. M. Enfermidades podais em rebanho</p><p>leiteiro confinado. 2003. Belo Horizonte, 79f. Tese</p><p>(Doutorado em Clínica e Cirurgia Veterinárias)</p><p>- Curso de Pós-Graduação em Ciência Animal,</p><p>Universidade Federal de Minas Gerais.</p><p>19. GREEN, L. E., V. J. HEDGES, Y. H. SCHUKKEN,</p><p>R. W. BLOWEY u. A. J. PACKINGTON. The</p><p>Impact of Clinical Lameness on the Milk Yield of</p><p>Dairy Cows. Journal of Dairy Science, v. 85, n. 9,</p><p>p. 2250–2256, 2002.</p><p>20. GRIFFITHS, B..; WHITE, D.G.; OIKONOMOU,</p><p>G. A cross-sectional study into the prevalence of</p><p>dairy cattle lameness and associated herd-level</p><p>risk factors in England and Wales. Frontiers in</p><p>Veterinary Science, v. 5, n. APR, p. 1–8, 2018.</p><p>21. HERNANDEZ, J.; SHEARER, J. K.; WEBB, D.</p><p>W. Effect of papillomatous digital dermatitis and</p><p>other lameness disorders on reproductive per-</p><p>formance in a Florida herd. In 11th International</p><p>Symposium on Disorders of the Ruminant Digit,</p><p>Proceedings… Parma: Itália, 2002. p. 353–357.</p><p>22. LAVEN, R. Bovine lameness: still more to learn.</p><p>Veterinary journal (London, England : 1997), v.</p><p>193, n. 3, p. 607–9, set. 2012.</p><p>23. LEACH, K. A.; PAUL, E.S.; WHAY, H.R.;</p><p>BARKER, Z.E.; MAGGS, C.M.; SEDGWICK,</p><p>A.K.; MAIN, D.C. Reducing lameness in dairy</p><p>herds - Overcoming some barriers. Research in</p><p>Veterinary Science, v. 94, n. 3, p. 820–825, 2013.</p><p>24. LEACH, K. A.; WHAY, H. R.; MAGGS, C. M.</p><p>BARKER, Z.E.; PAUL, E.S.; BELL, A.K.; MAIN,</p><p>D.C.J. Working towards a reduction in cattle la-</p><p>meness: 1. Understanding barriers to lameness</p><p>control on dairy farms. Research in Veterinary</p><p>Science, v. 89, n. 2, p. 311–7, 2010a.</p><p>25. LEACH, K. A.; WHAY, H. R.; MAGGS, C. M.</p><p>BARKER, Z.E.; PAUL, E.S.; BELL, A.K.; MAIN,</p><p>D.C.J. Working towards a reduction in cattle la-</p><p>meness: 2. Understanding dairy farmers’ motiva-</p><p>tions. Research in Veterinary Science, v. 89, n. 2, p.</p><p>318–23, out. 2010b.</p><p>26. LEECH, F. B.; DAVIES, M. E.; MACRAE,</p><p>W. D. WITHERS, F. W. Disease, Wastage and</p><p>Husbandry in the British Dairy Herd. London,</p><p>He6r Majesty’s Stationery Office, 1960.</p><p>27. MACHADO, P. P.; HÉLDER, M.P.;</p><p>HAMILTON, P.S.; RUDSON, A. O.; PORFÍRIO,</p><p>C.G.; WHAUBTYFRAN, C.T. Prevalência e</p><p>classificação de afecções podais em fêmeas bo-</p><p>vinas destinadas à produção de leite na bacia</p><p>leiteira do município de Itapecuru-Mirim, MA.</p><p>Establishment and classification of dairy cow po-</p><p>dal diseases at Itapecuru-Mirim dairy basin, state</p><p>of MA. Revista Brasileira de Saúde e Produção</p><p>Animal, v. 9, n. 4, p. 777–786, 2008.</p><p>994. Abordagens históricas sobre a saúde dos cascos em vacas de leite</p><p>28. MAIN, D. C. J.; LEACH, K.A., BARKER, Z.</p><p>E.; SEDGWICK, A.K.; MAGGS, C.M.; BELL,</p><p>N.J.; WHAY, H.R. Evaluating an intervention to</p><p>reduce lameness in dairy cattle. Journal of Dairy</p><p>Science, v. 95, n. 6, p. 2946–54, jun. 2012.</p><p>29. POTTERTON, S. L.; BELL, N. J.; WHAY, H. R.;</p><p>BERRY, E.A.; ATKINSON, O.C.; DEAN, R.S.;</p><p>MAIN, D.C.; HUXLEY, J.N. A descriptive review</p><p>of the peer and non-peer reviewed literature on</p><p>the treatment and prevention of foot lameness</p><p>in cattle published between 2000 and 2011.</p><p>Veterinary Journal, v. 193, n. 3, p. 612–6, 2012.</p><p>Técnico</p><p>da Escola de Veterinária da UFMG,</p><p>uma publicação com cunho temático</p><p>e voltada para atender de forma mais</p><p>dinâmica aos profissionais atuando</p><p>em diferentes áreas, bem como à aca-</p><p>demia de graduação e mesmo da pós-</p><p>-graduação, que possam buscar por</p><p>um conteúdo mais objetivo, porém</p><p>contrastante, mas sem os detalhamen-</p><p>tos inerentes e indispensáveis requeri-</p><p>dos em um artigo científico original.</p><p>Ao longo de sua trajetória, o Caderno</p><p>Técnico da Escola de Veterinária da</p><p>UFMG tem recebido apoio integral</p><p>da Diretoria da EV/UFMG e de</p><p>editores e colaboradores, o que cer-</p><p>tamente não tem sido diferente na</p><p>atual gestão, que se mantém atenta</p><p>para que o Caderno Técnico da Escola</p><p>de Veterinária da UFMG se mantenha</p><p>cada vez mais em dia com conteúdo</p><p>7 Para mais informações sobre a Biblioteca da Escola de Veterinária, ver Rios; Osório; Santos; Santos; Carvalho</p><p>(2020).</p><p>18 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>que reflete as necessidades da comu-</p><p>nidade de usuários, bem como veja</p><p>sempre aprimoradas suas característi-</p><p>cas editoriais.</p><p>Ainda, vale ressaltar que a longa e</p><p>profícua parce-</p><p>ria entre a Escola</p><p>de Veterinária</p><p>da UFMG e o</p><p>Conselho Regional</p><p>de Medicina</p><p>Veterinária tem sido</p><p>um esteio para a</p><p>boa qualidade edi-</p><p>torial dos Cadernos</p><p>Técnicos da Escola</p><p>de Veterinária da</p><p>UFMG, buscando</p><p>alcançar profissio-</p><p>nais com menor</p><p>d i s p o n i b i l i d a d e</p><p>para acesso a artigos</p><p>científicos originais,</p><p>ou que optem por</p><p>uma literatura téc-</p><p>nica mais objetiva</p><p>e, ao mesmo tempo,</p><p>ampla o suficiente</p><p>na abordagem de</p><p>um determinado</p><p>tema.</p><p>Assim, na celebração de 90 anos da</p><p>EV/UFMG, é preciso ressaltar que o</p><p>Caderno Técnico da Escola de Veterinária</p><p>da UFMG também faz parte dessa his-</p><p>tória, com a esperança de que possa</p><p>continuar a contribuir para a informa-</p><p>ção de seus usuários, auxiliando para</p><p>que possam ser construídas as melho-</p><p>res opções de solução de problemas</p><p>no contexto de sua atuação. Portanto,</p><p>parabéns à EV/UFMG e à comunida-</p><p>de de leitores que utilizam o Caderno</p><p>Técnico da Escola de Veterinária da</p><p>UFMG em seu benefício e da socieda-</p><p>de (Marques Júnior, 2022).</p><p>Nesse sentido,</p><p>vislumbrou-se que se-</p><p>ria bastante razoável,</p><p>nos 90 anos da Escola</p><p>de Veterinária e, por</p><p>conseguinte, de sua</p><p>Biblioteca, que fosse</p><p>encaminhada energia</p><p>para ofertar, em supor-</p><p>te digital, o inteiro teor</p><p>de uma das publicações</p><p>mais importantes da la-</p><p>vra da própria Unidade,</p><p>que são os Cadernos</p><p>Técnicos. Considera-se</p><p>que, além de um veículo</p><p>de divulgação científi-</p><p>ca, da tipologia de uma</p><p>publicação periódica8,</p><p>a série, já em seu cen-</p><p>tésimo número, configura-se também</p><p>como um local de memória9, tanto em</p><p>sentido material, quanto funcional e,</p><p>ademais, de modo simbólico, e contri-</p><p>bui, por seu turno, para a manutenção</p><p>do protagonismo no desenvolvimento</p><p>da área.</p><p>8	 O	periódico	científico	é	um	veículo	de	comunicação	do	conhecimento	científico	que	sistematiza	e	estrutura</p><p>o intercâmbio entre os pesquisadores, em diferentes áreas do conhecimento, com o objetivo de divulgar os</p><p>resultados das pesquisas e os conteúdos de interesse de determinada comunidade ou público-alvo de leitores</p><p>(Gruszynski; Golin, 2007).</p><p>9 A	noção	de	“lugares	de	memória”	é	aqui	retomada	da	fundamental	reflexão	do	historiador	francês	Pierre	Nora</p><p>(1993).</p><p>... a longa e profícua</p><p>parceria entre a Escola</p><p>de Veterinária da</p><p>UFMG e o Conselho</p><p>Regional de Medicina</p><p>Veterinária tem sido</p><p>um esteio para a boa</p><p>qualidade editorial dos</p><p>Cadernos Técnicos da</p><p>UFMG se mantenha</p><p>cada vez mais em dia</p><p>com conteúdo que</p><p>reflete as necessidades</p><p>da comunidade</p><p>de usuários, bem</p><p>como veja sempre</p><p>aprimoradas suas</p><p>características</p><p>editoriais.</p><p>191. Cadernos Técnicos de Medicina Veterinária e Zootecnia:</p><p>Digitalização e disponibilização on-line da coleção integral nos 90 anos da Escola de Veterinária da UFMG</p><p>O presente texto objetiva comparti-</p><p>lhar o processo de reunião, tratamento</p><p>e disponibilização, no catálogo infor-</p><p>matizado do Sistema de Bibliotecas da</p><p>UFMG10, na internet, da coleção comple-</p><p>ta dos fascículos dos Cadernos Técnicos</p><p>de Medicina Veterinária e Zootecnia.</p><p>1.1- Os Cadernos Técnicos</p><p>Em certa medida pode-se considerar</p><p>que merece ser celebrada a trajetória per-</p><p>corrida pelos Cadernos Técnicos da Escola</p><p>de Veterinária da UFMG, que, neste mo-</p><p>mento, encontra-se em seu volume de nú-</p><p>mero 100. Vale revisitar os seus primeiros</p><p>fascículos para sublinhar quais eram os</p><p>objetivos que mobilizaram parte da comu-</p><p>nidade acadêmica a planejar e materializar</p><p>esse importante veículo de comunicação</p><p>científica. É o que se passa a fazer.</p><p>Em consulta ao número inaugural,</p><p>publicizado em 1986, são de muita va-</p><p>lia as palavras de apresentação e justi-</p><p>ficativa assinadas pelo então diretor da</p><p>Escola de Veterinária da UFMG, pro-</p><p>fessor Élvio Carlos Moreira e, também,</p><p>pelo então coordenador do Centro</p><p>de Extensão da Escola (Cenex/EV/</p><p>UFMG), professor Ilto José Nunes.</p><p>Toma-se a liberdade de reproduzir aqui</p><p>aquele texto introdutório na íntegra,</p><p>com a devida vênia pela longa citação:</p><p>De certa forma, houve coincidência</p><p>entre o lançamento destes Cadernos e</p><p>as comemorações da quingentésima</p><p>tese defendida nos cursos de mestrado</p><p>da Escola de Veterinária da UFMG,</p><p>mas não foi de datas, foi de amadure-</p><p>cimento. O número 500 demonstrou</p><p>que já era tempo de se divulgar mais e</p><p>de forma simplificada tudo que se faz</p><p>de técnico dentro da Escola. Havia a</p><p>necessidade de ela se extravasar para</p><p>além de suas paredes e continuar assis-</p><p>tindo seus ex-alunos na vida profissio-</p><p>nal, e a maneira de fazê-lo foi a criação</p><p>destes Cadernos Técnicos, editados pelo</p><p>Centro de Extensão.</p><p>Como a publicação visa a atender uma</p><p>demanda bem definida nos médicos</p><p>veterinários e zootecnistas, e nos es-</p><p>tudantes dessas áreas nas diversas</p><p>faculdades de ciências agrárias, não</p><p>poderia ser uma revista de divulgação</p><p>por demais ampla e comercial, nem de</p><p>cunho extremamente científico-formal</p><p>na apresentação. Haveria de ficar entre</p><p>os dois polos – dado que o país é até</p><p>bem servido por eles – , sem perder o</p><p>rigor científico nas informações que</p><p>procurar transmitir. Com este objetivo,</p><p>nasceu a revista.</p><p>Diz-se muito que administrar recur-</p><p>sos escassos, mais do que uma ciên-</p><p>cia, é uma arte. Assim, muitas vezes,</p><p>pequenas atitudes tomadas originam</p><p>grandes retornos: talvez, um exemplo</p><p>seja o próprio formato destes Cadernos</p><p>– um dos mais econômicos. Outro, o</p><p>planejamento das matérias, reduzindo</p><p>muito publicar desnecessariamente,</p><p>pode melhorar os padrões técnico e</p><p>visual dos trabalhos atualmente dados</p><p>a publicar sob a forma de apostilas e</p><p>mesmo folhas soltas, de vida efêmera.</p><p>A melhoria da qualidade é pretendi-</p><p>da pela exigência de atualização dos</p><p>textos e pela revisão cuidadosa. Suas</p><p>10 Para maiores informações sobre esse importante Sistema de Bibliotecas, ver Carvalho; Pontelo; Gomes</p><p>(2017).</p><p>20 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>dimensões são idênticas às do Arquivo</p><p>Brasileiro de Medicina Veterinária e</p><p>Zootecnia (a revista que publica os</p><p>trabalhos científicos da Escola), e a</p><p>padronização é uma consequência que</p><p>traz vantagens, como, entre outras, a</p><p>facilidade de identificação e a perso-</p><p>nalização. Como a capa é resistente, o</p><p>material gráfico está menos sujeito ao</p><p>desgaste do que simples apostilas.</p><p>Algumas outras vantagens poderiam,</p><p>ainda, ser invocadas, mas a principal</p><p>é, sem dúvida, o fato de os Cadernos</p><p>Técnicos da Escola de Veterinária da</p><p>UFMG publicarem conferências, si-</p><p>nopses, seminários, revisões e matérias</p><p>correlatas: assuntos de pouco curso e</p><p>entre as demais publicações e carentes</p><p>de um veículo de divulgação especiali-</p><p>zado. Espera-se que este seja o ponto</p><p>forte desta nova publicação. Aliás, este</p><p>foi o argumento básico do convenci-</p><p>mento de todos que se empenharam</p><p>na feitura deste primeiro exemplar.</p><p>Assim nasceu, com algum esforço já</p><p>esperado, esta revista. Espera-se que</p><p>tenha vida longa e útil! (Moreira;</p><p>Nunes, 1986, p.</p><p>30. PRENTICE, D. E.; NEAL, P. A. Some observa-</p><p>tions on the incidence of lameness in dairy cattle</p><p>in west Cheshire. Veterinary Record, v. 91, p. 1-7,</p><p>1972.</p><p>31. READER, J. D.; GREEN, M. J.; KALER, J.;</p><p>MASON, S.A.; GREEN, L.E. Effect of mobility</p><p>score on milk yield and activity in dairy cattle.</p><p>Journal of Dairy Science, v. 94, n. 10, p. 5045–52,</p><p>2011.</p><p>32. ROMANI, A. F.; SILVA, L. A. F.; FIORAVANTI,</p><p>M. C. S.; RABELO, R. E.; CUNHA, P. H. J.;</p><p>AMARAL, A. V. C.; VERISSIMO, A. C. C.;</p><p>SILVA, E. B. Ocorrência de lesões podais em fê-</p><p>meas bovinas leiteiras no estado de Goiás. ARS</p><p>Veterinaria, v. 20, p. 322–329, 2004.</p><p>33. SILVA, L. A. F.; SILVA L. M.; ROMANI, A. F.;</p><p>RABELO, R.E.; FIORAVANTI, M.C.S.; SOUZA,</p><p>T.M.; SILVA, C.A. Características clínicas e epi-</p><p>demiológicas das enfermidades podais em vacas</p><p>lactantes do município de Orizona–GO. Ciência</p><p>Animal Brasileira, v. 2, n. 2, p.119-126, 2001.</p><p>34. SILVA, L.A.F. Enfermidades digitais em bovinos</p><p>confinados: uso parenteral de cobre na prevenção.</p><p>Veterinária Notícias, Uberlândia, v.12, n. 1, p.21-</p><p>28, jan-jun 2006.</p><p>35. THOMAS, H.J., MIGUEL-PACHECO, G.G.,</p><p>BOLLARD, N.J. Evaluation of treatments for</p><p>claw horn lesions in dairy cows in a randomized</p><p>controlled trial. J Dairy Sci., v.98, n.7, p. 4477-86,</p><p>2015.</p><p>36. TRANTER, W. P.; MORRIS R. S. A case study</p><p>of lameness in three dairy herds. New Zealand</p><p>Veterinary Journal, v.39, n.3, p.88 – 96, 1991.</p><p>37. VERMUNT, J. J. Reflections on prevention</p><p>and control of bovine lameness in australasian</p><p>pasture-based systems. In: 14th International</p><p>Symposium and 6th Conference on Lameness in</p><p>Ruminants. 2006.</p><p>38. WARNICK, L. D.; JANSSEN, D.; GUARD, C. L.;</p><p>GRÖHN, Y.T. The effect of lameness on milk pro-</p><p>duction in dairy cows. Journal of Dairy Science, v.</p><p>84, n.9, p.1988-1997, 2001.</p><p>39. WHAY, H. R.; BARKER, Z. E.; LEACH, K. A.;</p><p>MAIN, D.C.J. Promoting farmer engagement and</p><p>activity in the control of dairy cattle lameness.</p><p>Veterinary Journal, v. 193, n. 3, p. 617–21, set.</p><p>2012.</p><p>40. WHAY, H. R.; SHEARER, J. K. The Impact of</p><p>Lameness on Welfare of the Dairy Cow. Veterinary</p><p>Clinics of North America: Food Animal Practice,</p><p>v. 33, p. 153–164, 2017.</p><p>41. WHITAKER, D. A.; KELLY, J. M., SMITH, E. J.</p><p>Incidence of lameness in dairy cows. Veterinary</p><p>Record, v.113, n. 3, p.60, 1983.</p><p>_GoBack</p><p>1)</p><p>Assim foi dado a lume, em agosto</p><p>de 1986, com tiragem de 5000 exempla-</p><p>res, compostos e impressos na Oficina</p><p>Gráfica da EV/UFMG, o número um</p><p>do então intitulado Cadernos Técnicos da</p><p>Escola de Veterinária da UFMG. O mes-</p><p>mo, desde aquele número, foi editado</p><p>em convênio com o Conselho Regional</p><p>de Medicina Veterinária da sétima re-</p><p>gião (CRMV-7). Integravam o corpo</p><p>editorial, sob coordenação de Ilto José</p><p>Nunes: Eunice de Faria Lopes, Helton</p><p>Mattana Saturnino, Marc Roger Jean</p><p>Marie Henry, Midelvirson de Oliveira e</p><p>Ronon Rodrigues. Guido Decoux, Ilto</p><p>José Nunes, Eunice de Faria Lopes e</p><p>Marília Ferreira de Carvalho responsa-</p><p>bilizavam-se pela revisão textual. Nada</p><p>mais acertado do que observar, sobre o</p><p>nascedouro dos Cadernos, a fala do pró-</p><p>prio professor Ilto José Nunes:</p><p>A ideia dos Cadernos Técnicos surgiu</p><p>provavelmente da minha veia exten-</p><p>sionista. Afinal, foi na extensão que</p><p>comecei minha vida profissional e</p><p>foi no Centro de Extensão que ela se</p><p>consolidou.</p><p>A Escola já tinha um veículo para di-</p><p>vulgar sua geração de conhecimentos,</p><p>mas no Arquivo, por ser uma revista</p><p>científica, a linguagem é às vezes pou-</p><p>co acessível ao profissional e ao estu-</p><p>dante. Além disso, havia uma gama</p><p>de conhecimento técnico e de expe-</p><p>riência profissional que merecia ser</p><p>eternizada. Com esses objetivos, para</p><p>divulgar o conhecimento científico</p><p>e técnico-profissional e como agente</p><p>de educação continuada, nos quais a</p><p>Escola sempre se primou, surgiram os</p><p>Cadernos Técnicos.</p><p>O primeiro número foi feito, a qua-</p><p>tro mãos, com a professora Vera</p><p>[Alvarenga Nunes], minha esposa, pela</p><p>facilidade de execução. Precisávamos</p><p>convencer a comunidade acadêmica</p><p>que o veículo era viável.</p><p>Parece que conseguimos, e o conven-</p><p>cimento não foi só dos autores, mas</p><p>também da comunidade profissional.</p><p>É tanto que o CRMV, na gestão do co-</p><p>lega Fernando Cruz Laender, resolveu</p><p>bancar as publicações e a distribuição</p><p>dos Cadernos Técnicos a todos os filia-</p><p>dos do Conselho.</p><p>Essa, aliada qualidade do conteúdo</p><p>211. Cadernos Técnicos de Medicina Veterinária e Zootecnia:</p><p>Digitalização e disponibilização on-line da coleção integral nos 90 anos da Escola de Veterinária da UFMG</p><p>técnico produzido pela Escola e a de-</p><p>dicação dos editores que me sucede-</p><p>ram é a razão da continuidade deste</p><p>veículo. Que continue assim! (Nunes,</p><p>2022)</p><p>Cumpre, ainda, sublinhar que se pu-</p><p>blicam conteúdos derivados “da produção</p><p>técnica e didática de seus professores e</p><p>pesquisadores, de professores visitantes,</p><p>de seus alunos de graduação e pós-gradu-</p><p>ação e de outros profissionais, a critério</p><p>de seu Corpo Editorial” (Cadernos, v. 1,</p><p>contracapa). Assim, “cada fascículo traz</p><p>um ou mais artigos, sempre da mesma</p><p>área do conhecimento, o que possibili-</p><p>ta a sua coleção por assunto” (Cadernos,</p><p>1986, v. 1, contracapa). A partir do volu-</p><p>me 24, os Cadernos passaram a ser edita-</p><p>dos “pela [Fundação de Estudo e Pesquisa</p><p>em Medicina Veterinária e Zootecnia]</p><p>FEP-MVZ Editora, em convênio com</p><p>o Conselho Regional de Medicina</p><p>Veterinária de Minas Gerais” (Cadernos,</p><p>1999, v. 28, contracapa).</p><p>A partir do número 29, os Cadernos</p><p>Técnicos da Escola de Veterinária da</p><p>UFMG adotam novo nome, mantendo</p><p>a numeração, o formato e a orientação</p><p>editorial, conforme pode ser visto no</p><p>texto de Apresentação do volume 29,</p><p>transcrito a seguir:</p><p>A alteração é consequência de sua</p><p>editoração haver passado para a FEP-</p><p>MVZ Editora, saindo da responsa-</p><p>bilidade da Escola de Veterinária da</p><p>UFMG. Embora conte sempre com</p><p>grande colaboração dos professores e</p><p>alunos da Escola, os Cadernos são um</p><p>periódico aberto a todos os profissio-</p><p>nais que nele queiram publicar, e a</p><p>permanência da vinculação poderia</p><p>confundir alguns como sendo um ór-</p><p>gão constitucional da Escola – o que</p><p>não é verdade. E inibir outros a subme-</p><p>ter trabalhos para publicação – o que</p><p>não é desejável (Silva Filho; Laender;</p><p>Nunes, 1999, v. 29, p. 3).</p><p>O atual editor dos Cadernos, profes-</p><p>sor Nelson Rodrigo da Silva Martins,</p><p>compartilha aspectos considerados pri-</p><p>mordiais para complementar a trajetó-</p><p>ria aqui articulada:</p><p>A Escola de Veterinária da UFMG</p><p>mantém os Cadernos Técnicos, desde</p><p>1994-1997, com o apoio do CRMV-</p><p>MG, uma ferramenta de educação</p><p>continuada de médicos veterinários</p><p>e zootecnistas egressos das escolas</p><p>de veterinária e zootecnia em Minas</p><p>Gerais e no Brasil. A atualização é, a</p><p>cada dia, mais premente, o que exige</p><p>a acessibilidade rápida, fácil e inteli-</p><p>gível. Em Cadernos Técnicos, mantém-</p><p>-se formato que facilita carregá-lo na</p><p>bolsa e a linguagem objetiva, para rá-</p><p>pida consulta. Os volumes temáticos</p><p>contêm assuntos escolhidos pela rele-</p><p>vância e são desenvolvidos com rigor</p><p>científico e profundidade. As tiragens</p><p>impressas esgotam-se rapidamente e a</p><p>pesquisa online indica alto número de</p><p>acessos. Nosso esforço é contínuo para</p><p>que Cadernos Técnicos seja uma fonte</p><p>permanente de conhecimento e atua-</p><p>lização, produto da colaboração entre</p><p>profissionais atuantes no campo e na</p><p>academia (Martins, 2022).</p><p>Uma interessante costura dos as-</p><p>22 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>pectos até aqui recuperados, feita com</p><p>o objetivo de dar a conhecer parte da</p><p>biografia desse periódico, é comparti-</p><p>lhada nas reflexões do atual presiden-</p><p>te do Conselho Regional de Medicina</p><p>Veterinária do Estado de Minas Gerais,</p><p>o médico veterinário Bruno Divino</p><p>Rocha:</p><p>Os inscritos do Conselho histori-</p><p>camente sempre cobraram muito</p><p>a participação do Conselho na sua</p><p>formação, até como uma forma de</p><p>devolver aos colegas parte do que</p><p>eles pagam na anuidade. Os profes-</p><p>sores Fernando Laender e Francisco</p><p>Viana, durante as suas gestões, en-</p><p>xergaram um apoio aos Cadernos</p><p>Técnicos da Escola de Veterinária</p><p>como uma forma de fazer isso, ou</p><p>seja, como um Conselho, um órgão</p><p>de fiscalização, poderia viabilizar</p><p>esse apoio e, depois de muito estu-</p><p>do, se chegou à seguinte alternativa:</p><p>Entendemos hoje que a fiscalização</p><p>era feita de duas formas. Fiscalização</p><p>do exercício profissional é aquela fis-</p><p>calização ostensiva por meio da qual</p><p>nós vamos a todos os estabelecimen-</p><p>tos, e a outra forma, que se constitui</p><p>na fiscalização indireta, é a que a</p><p>gente entende ser a melhor forma de</p><p>capacitação dos colegas.</p><p>Começou-se então o apoio do</p><p>Conselho de Veterinária: primei-</p><p>ro, custeando o envio dos Cadernos</p><p>Técnicos na tiragem inicial de 5.000</p><p>exemplares, que atendiam todos</p><p>os médicos veterinários do estado.</p><p>Posteriormente, além das despesas de</p><p>envio, também foi assumido o custeio</p><p>da produção desse material, desde a</p><p>impressão até os demais custos envol-</p><p>vidos com editores, autores, etc.</p><p>Os Cadernos Técnicos foram esco-</p><p>lhidos para essa educação continu-</p><p>ada dos colegas, médicos e médicas</p><p>veterinárias, porque eles têm uma</p><p>característica de redação muito in-</p><p>teressante voltada para quem está</p><p>na lida do campo, trabalhando, na</p><p>prática, na rotina no dia a dia das</p><p>clínicas veterinárias e dos hospitais</p><p>veterinários, nas fazendas, nas gran-</p><p>jas, nos haras. A linguagem direta e</p><p>a curadoria técnica são fatores muito</p><p>importantes que possibilitam apro-</p><p>veitar temas de interesse dos colegas</p><p>que estão ali na prática da Medicina</p><p>Veterinária no dia a dia.</p><p>Para mim, os Cadernos Técnicos fo-</p><p>ram muito importantes; meu pai é</p><p>médico veterinário, e, desde o pri-</p><p>meiro número, eu acompanho as</p><p>publicações e as tenho guardado em</p><p>casa. Meu pai, o Dr. Altamirando</p><p>Pereira, egresso da Escola, tinha sua</p><p>clínica e recebia sempre os Cadernos</p><p>Técnicos, que foram fundamentais na</p><p>minha formação acadêmica. Estudo</p><p>e utilizo todo esse rico material até</p><p>hoje para minha formação contínua.</p><p>Hoje tenho prazer de ser presidente</p><p>do Conselho veterinário, bem como</p><p>a honra de ajudar a custear esse ma-</p><p>terial. Atualmente, o Conselho con-</p><p>tinua pagando esse material, a produ-</p><p>ção dos Cadernos Técnicos, que, para</p><p>a gente, é motivo de muito orgulho</p><p>e, mais que isso, é muito importante</p><p>como uma forma de fiscalização e ca-</p><p>pacitação dos colegas. O importante</p><p>para o Conselho</p><p>é que o serviço mé-</p><p>dico veterinário para a sociedade seja</p><p>de excelência, e uma das principais</p><p>formas como isso é feito é mediante</p><p>a capacitação dos colegas.</p><p>Reitero que os Cadernos Técnicos são</p><p>a ferramenta ou uma das ferramen-</p><p>tas mais importantes do Conselho</p><p>231. Cadernos Técnicos de Medicina Veterinária e Zootecnia:</p><p>Digitalização e disponibilização on-line da coleção integral nos 90 anos da Escola de Veterinária da UFMG</p><p>Regional de Medicina Veterinária</p><p>para capacitação dos seus inscritos.</p><p>Ademais, tenho certeza de que a</p><p>Medicina Veterinária em Minas se</p><p>encontra no patamar que está hoje,</p><p>em destaque nacional e internacio-</p><p>nal, em grande parte pela capacitação</p><p>continuada que os Cadernos Técnicos</p><p>ofereceram para os colegas, fruto da</p><p>inciativa da Escola de Veterinária</p><p>da UFMG, que sempre os produziu</p><p>desde 1986 e, depois, com apoio</p><p>do Conselho Regional de Medicina</p><p>Veterinária, para os manter sempre</p><p>vivos e, mais que isso, os disponibi-</p><p>lizar para todos os inscritos (Rocha,</p><p>2022).</p><p>Dado esse breve panorama acerca</p><p>da história desse periódico já conso-</p><p>lidado, na próxima parte do presente</p><p>texto, é explicitada a metodologia que</p><p>possibilitou reunir e disponibilizar,</p><p>no catálogo on-line do SB/UFMG,</p><p>o arquivo digital dos Cadernos já</p><p>publicados.</p><p>2. Percurso metodológico</p><p>Para apreender alguns aspec-</p><p>tos de ordem histórica quanto aos</p><p>Cadernos Técnicos, foi realizada pes-</p><p>quisa documental nos arquivos da</p><p>Biblioteca da Escola de Veterinária.</p><p>Esse levantamento foi complemen-</p><p>tado com consultas ao próprio site</p><p>da EV/UFMG, principalmente na</p><p>aba de sua Editora, além de troca de</p><p>informações com parte da equipe</p><p>que trabalha naquele setor. De igual</p><p>modo, relevantes informações foram</p><p>obtidas no site do Conselho Regional</p><p>de Medicina Veterinária do Estado</p><p>de Minas Gerais (CRMV-MG). Esse</p><p>percurso subsidiou a percepção de</p><p>que, para o público leitor potencial,</p><p>a dispersão da coleção de fascícu-</p><p>los não otimiza a disseminação dos</p><p>textos que compõem cada edição da</p><p>revista.</p><p>Daí se vislumbrou que o proces-</p><p>so de digitalização11, sobretudo numa</p><p>data comemorativa tão significativa</p><p>para a EV/UFMG, constituiria uma</p><p>vultosa contribuição da Biblioteca</p><p>dessa unidade acadêmica para maxi-</p><p>mizar o acesso a essa importante fonte</p><p>de informação para a comunidade da</p><p>área.</p><p>Para a etapa de migração de supor-</p><p>te – do analógico para o digital, nota-</p><p>damente dos primeiros 63 volumes –,</p><p>foi crucial o trabalho realizado pelos</p><p>auxiliares administrativos, integran-</p><p>tes da equipe da Biblioteca da EV/</p><p>UFMG, Leila Maria Gusmão e Luiz</p><p>Aldo da Silva Santos. Os volumes de</p><p>número 64 a 100 foram obtidos na pá-</p><p>gina eletrônica da EV. Os arquivos em</p><p>formato pdf foram, então, vinculados</p><p>no registro bibliográfico deste item</p><p>do acervo, no sistema informatizado</p><p>Pergamum, volume a volume, na res-</p><p>pectiva periodicidade.</p><p>11	 De	acordo	com	Ferreira	(2006,	p.	69),	digitalização	consiste	no	“processo	responsável	pela	transformação	de</p><p>informação	analógica	para	formato	digital”.</p><p>24 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>3-Resultados e discussão</p><p>O percurso realizado permitiu diag-</p><p>nosticar que a coleção, em formato di-</p><p>gital, estava em locais diversos e de for-</p><p>ma incompleta. No site da EV/UFMG,</p><p>estão disponibilizados, inclusive com</p><p>a possibilidade de efetuar download do</p><p>texto completo, os volumes de núme-</p><p>ro 64 a 100. Vale ressalvar que, no for-</p><p>mato impresso, no setor de periódicos</p><p>da Biblioteca da EV/UFMG, pode-se</p><p>ter acesso, in loco, à coleção integral</p><p>dos Cadernos, como pode ser visto na</p><p>Figura 1.</p><p>Já na página eletrônica do CRMV-</p><p>MG, para os números de 1 até 63, apre-</p><p>sentam-se informações adicionais para</p><p>aquisição de exemplares daquele res-</p><p>pectivo volume. O pdf do texto integral</p><p>do fascículo é disponibilizado em link a</p><p>partir do número 64 (Figura 2).</p><p>Diante desse cenário, vislumbrou-se</p><p>que a digitalização da coleção, a partir do</p><p>número 1 até o número 63, e a respecti-</p><p>va inserção deles no registro bibliográ-</p><p>fico MARC, do catálogo da Biblioteca,</p><p>permitiriam reuni-los, otimizando a</p><p>busca, a recuperação e a disseminação</p><p>da informação pela comunidade de</p><p>usuários interessada. O resultado desse</p><p>procedimento foi a vinculação dos 100</p><p>fascículos no registro no catálogo on-</p><p>-line, que permite ao usuário, com um</p><p>simples clique em determinado volume,</p><p>baixar o texto completo dele.12</p><p>12 Acessar o endereço www.bu.ufmg.br; clicar em “catálogo on-line”;	digitar,	na	caixa	de	pesquisa	geral,	“cadernos</p><p>técnicos	de	medicina	veterinária	e	zootecnia”;	identificar	o	registro	do	acervo	e,	por	fim,	clicar	em	“sumários	ou</p><p>documentos on-line”.</p><p>Figura 1-Detalhe da coleção integral dos fascículos dos Cadernos Técnicos.</p><p>Fonte: Foto dos autores, fevereiro de 2022.</p><p>251. Cadernos Técnicos de Medicina Veterinária e Zootecnia:</p><p>Digitalização e disponibilização on-line da coleção integral nos 90 anos da Escola de Veterinária da UFMG</p><p>O formato virtual</p><p>ampliou muito o alcan-</p><p>ce dos Cadernos, pois</p><p>permitiu que não só os</p><p>médicos veterinários e</p><p>zootecnistas já gradu-</p><p>ados, que inicialmente</p><p>recebiam pelo correio</p><p>os exemplares, tivessem</p><p>acesso a eles. Em es-</p><p>pecial, foi incluído um</p><p>novo e importante pú-</p><p>blico, o dos alunos de</p><p>graduação.</p><p>Em 2021, conside-</p><p>rando apenas a aba dos</p><p>Cadernos na página da</p><p>Escola de Veterinária,</p><p>foram 19.180 acessos re-</p><p>alizados por 10.858 usuá-</p><p>rios, dos quais 8.426 eram</p><p>novos, o que significa que</p><p>o acesso à página é contí-</p><p>nuo e atrai novos usuários</p><p>pelo seu conteúdo atual e</p><p>especializado.</p><p>O mergulho realiza-</p><p>do durante essa fase de</p><p>geração dos arquivos di-</p><p>gitais e vinculação dos</p><p>mesmos no registro bi-</p><p>bliográfico do catálogo</p><p>informatizado do SB/</p><p>UFMG possibilitou, ain-</p><p>da, constatar a boa fatura</p><p>alcançada por uma eta-</p><p>pa do planejamento do</p><p>editor professor Ilto José</p><p>Figura 2-Cadernos Técnicos disponíveis no sítio do CRMV</p><p>Fonte: Recorte da página do CRMV, em fev. 2022.</p><p>O formato virtual</p><p>ampliou muito</p><p>o alcance dos</p><p>Cadernos, pois</p><p>permitiu que não</p><p>só os médicos</p><p>veterinários e</p><p>zootecnistas já</p><p>graduados, que</p><p>inicialmente</p><p>recebiam pelo correio</p><p>os exemplares,</p><p>tivessem acesso a</p><p>eles. Em especial, foi</p><p>incluído um novo e</p><p>importante público,</p><p>o dos alunos de</p><p>graduação.</p><p>26 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>Nunes, no número inaugural, de 1986.</p><p>Consta, naquele volume de número 1,</p><p>“levantamento do perfil de interesse</p><p>dos filiados do CRMV-7”, nos seguin-</p><p>tes termos:</p><p>Este levantamento objetiva o di-</p><p>mensionamento das edições futu-</p><p>ras dos Cadernos Técnicos da Escola</p><p>de Veterinária da UFMG. Como sua</p><p>matéria editorial tem duas caracterís-</p><p>ticas bem distintas – uma de cunho</p><p>técnico-informativo de divulgação</p><p>ampla e a outra de cunho essencial-</p><p>mente didático e de divulgação mais</p><p>restrita aos estudantes –, o núme-</p><p>ro de exemplares adequado a cada</p><p>assunto é uma forma de economi-</p><p>zar nas tiragens, possibilitando ao</p><p>mesmo tempo satisfazer o interes-</p><p>se, sem deixar estoques por tempo</p><p>prolongado.</p><p>[...]</p><p>O preenchimento do quadro, no verso,</p><p>é simples, exigindo tão somente algo</p><p>de bom senso. Acredito que as áre-</p><p>as maiores podem ser determinadas</p><p>com facilidade. Entretanto, se depois</p><p>de estudar as possibilidades, você não</p><p>encontrar uma que lhe satisfaça, por</p><p>favor, descreva-a em anexo.</p><p>[...]</p><p>Independentemente da sua área de</p><p>interesse, periodicamente, você rece-</p><p>berá uma relação dos títulos publica-</p><p>dos, com indicações da maneira de</p><p>adquiri-los.</p><p>Grato,</p><p>Ilto José Nunes – Editor</p><p>Cad. Téc. Esc. Vet. UFMG (Cadernos,</p><p>1986, v. 1, sem página)</p><p>Vale reproduzir (Figura 3), então, o</p><p>quadro que permitiu o mapeamento de</p><p>temáticas de interesse do público leitor</p><p>em potencial dos Cadernos.</p><p>Como fruto dessa estratégia ini-</p><p>cial, salvo melhor juízo, foi editado</p><p>cada um dos fascículos dedicados às</p><p>seguintes temáticas13: doenças nutri-</p><p>cionais e metabólicas em sanidade</p><p>animal (1); coprofagia em coelhos</p><p>(2); doenças do crescimento dos ossos</p><p>(3); Boophilus microplus (4);</p><p>cálculo</p><p>de rações (5); eimeriose caprina (6);</p><p>cistos nos animais domésticos (7);</p><p>controle do carrapato dos bovinos na</p><p>região Sudeste do Brasil (8); aponta-</p><p>mentos de toxicologia (9); produção e</p><p>produtividade de animais (10); sêmen</p><p>resfriado equino (11); forragicultura</p><p>(12); acidez do leite (13); alimentação</p><p>de bovinos jovens (14); doença ova-</p><p>riana cística (15); exame post mortem</p><p>em suínos (16); nutrição de frango</p><p>de corte (17); cruzamento entre raças</p><p>leiteiras (18); alimentação de equino</p><p>atleta (19); endodontia (20); doen-</p><p>ças de suínos (21); etologia e produ-</p><p>ção animal (22); nutrição e manejo</p><p>alimentar de cães (23); bociogênicos</p><p>(24); anais do Encontro de Produtores</p><p>de Gado Leiteiro (25); SISCAL (26);</p><p>vacina contra carrapatos (27); serpen-</p><p>tes venenosas (28); bovinocultura de</p><p>leite (29); diagnóstico citológico (30);</p><p>13	Para	otimizar	a	apresentação	dessa	listagem	de	assuntos,	optou-se	por	anunciar	cada	temática	agregadora	segui-</p><p>da	pelo	respectivo	volume,	entre	parênteses,	em	que	foi	publicada.	Para	os	volumes	com	múltiplas	temáticas,</p><p>optou-se pela que fosse mais abrangente.</p><p>271. Cadernos Técnicos de Medicina Veterinária e Zootecnia:</p><p>Digitalização e disponibilização on-line da coleção integral nos 90 anos da Escola de Veterinária da UFMG</p><p>Figura 3-Quadro para mapeamento de temáticas.</p><p>Fonte: Reproduzido dos Cadernos Técnicos, 1986, v. 1, sem página.</p><p>28 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>alimentação de monogástricos (31);</p><p>hemodiálise na Medicina Veterinária</p><p>(32); maturação da carne bovina (33);</p><p>avicultura (34); fertilidade de touros</p><p>(35); andrologia (36); artrose em cães</p><p>(37); extensão rural (38); giardíase</p><p>em cães e gatos (39); influenza aviária</p><p>(40); hipotermia em cães e gatos (41);</p><p>suinocultura (42); leveduras e enzimas</p><p>(43); serpentes venenosas (44); exten-</p><p>são rural no Brasil (45); metabolismo</p><p>animal (46); brucelose (47); ovulação</p><p>em caprinos (48); plantas tóxicas (49);</p><p>qualidade da água na criação de peixes</p><p>(50); produção de tilápia (51); forra-</p><p>geiras tropicais (52); alimentação de</p><p>suínos (53); digestão de suínos (54);</p><p>nutrição de ruminantes (55); bovino-</p><p>cultura de leite (56); vacas em lactação</p><p>(57); alimentação de ruminantes (58);</p><p>tuberculose bovina (59); mastite bovi-</p><p>na (60); frangos de corte (61); pneu-</p><p>movirose aviária (62); comportamento</p><p>sexual das cabras (63); retroviroses de</p><p>animais domésticos (64); leishmanio-</p><p>se visceral (65); saneamento ambien-</p><p>tal em atividades agropecuárias (66);</p><p>bem-estar animal (67); gerenciamento</p><p>de resíduos sólidos (68); neurologia</p><p>em cães e gatos (69); oncologia em pe-</p><p>quenos animais (70); dermatologia em</p><p>cães e gatos (71); epidemiologia e con-</p><p>servação de animais silvestres (72); sa-</p><p>nidade em organismos aquáticos (73);</p><p>mudanças climáticas e o setor agro-</p><p>pecuário (74); animais peçonhentos</p><p>(75); sanidade avícola (76); inspeção</p><p>de produtos de origem animal (77);</p><p>doma racional de bovinos (78); zootec-</p><p>nia de precisão em bovinocultura de lei-</p><p>te (79); ureia em dietas de ruminantes</p><p>(80); criação de bezerras leiteiras (81);</p><p>medicina de felinos (82); introdução à</p><p>Medicina Veterinária do coletivo (83);</p><p>atlas de patologia macroscópica de ru-</p><p>minantes e equinos (84); atlas de pato-</p><p>logia macroscópica de cães e gatos (85);</p><p>atlas de patologia macroscópica de aves</p><p>e suínos (86); emergência em Medicina</p><p>Veterinária (87); atlas de diagnóstico</p><p>por imagem (88); inspeção e tecnologia</p><p>de pescado (89); atlas de diagnóstico</p><p>por imagem – tomografia computado-</p><p>rizada – ecoDopplercardiografia (90);</p><p>atlas de doenças das aves (91); atlas de</p><p>parasitologia veterinária (92); radiolo-</p><p>gia dos ossos e das articulações (93);</p><p>atlas de micologia médica veterinária</p><p>(94); queijo minas artesanal (95); api-</p><p>cultura (96); procedimentos aplicados</p><p>para programas de boas práticas agro-</p><p>pecuárias (97); terapia transfusional</p><p>em Medicina Veterinária (98); procedi-</p><p>mentos para o diagnóstico das doenças</p><p>neurológicas em equídeos (99) e, por</p><p>fim, ultrassonografia básica em cães e</p><p>gatos (100).</p><p>Os temas dos Cadernos são pensa-</p><p>dos de forma coletiva, em reuniões com</p><p>o presidente (hoje, Dr. Bruno Divino</p><p>Rocha) e com outros representantes</p><p>do CRMV, o editor-chefe dos Arquivos</p><p>Brasileiros de Medicina Veterinária</p><p>e Zootecnia (hoje, o prof. Antônio</p><p>291. Cadernos Técnicos de Medicina Veterinária e Zootecnia:</p><p>Digitalização e disponibilização on-line da coleção integral nos 90 anos da Escola de Veterinária da UFMG</p><p>de Pinho Marques Júnior), o editor</p><p>dos Cadernos Técnicos de Medicina</p><p>Veterinária e Zootecnia (hoje, o prof.</p><p>Nelson Rodrigo da Silva Martins) e a di-</p><p>retora da Escola de Veterinária. Eles são</p><p>escolhidos visando à educação continu-</p><p>ada e à atualização do público-alvo, mé-</p><p>dicos veterinários e zootecnistas, bus-</p><p>cando sempre variar a área e as espécies</p><p>animais abordadas, a fim de contemplar</p><p>um maior número de profissionais. O</p><p>editor dos Cadernos faz o contato com</p><p>os autores que possuem expertise nos te-</p><p>mas especialistas nacionais ou interna-</p><p>cionais, bem como a revisão dos textos</p><p>produzidos, compilando e organizando</p><p>os fascículos, sendo, portanto, figura</p><p>central na produção desse produto.</p><p>O formato de Atlas tem sido ado-</p><p>tado nos últimos números com grande</p><p>sucesso. Os compilados fotográficos</p><p>mostram um material bibliográfico rico</p><p>em imagens, mesclados com conteúdo</p><p>teórico e esquemas ilustrativos, os quais</p><p>registram casos e situações rotineiras e,</p><p>assim, cativam o leitor pela facilidade</p><p>de leitura e consequente assimilação da</p><p>informação.</p><p>4. Considerações finais</p><p>A reflexão aqui compartilhada de-</p><p>monstra aderência ao movimento mun-</p><p>dial, no campo da divulgação científica,</p><p>que impulsiona o acesso aberto ao co-</p><p>nhecimento que se produz intra e extra-</p><p>muros da academia. A ciência aberta é</p><p>uma ousada meta que estrategicamente</p><p>tem sido perseguida pelas instituições</p><p>universitárias e, notadamente, por di-</p><p>ferentes comunidades de prática da</p><p>UFMG e, por conseguinte, da Escola de</p><p>Veterinária.</p><p>Quando a Biblioteca da EV perce-</p><p>be que é plenamente viável capilarizar a</p><p>ciência registrada, ao longo de 36 anos,</p><p>no já consolidado periódico Cadernos</p><p>Técnicos, conforme assinalado no de-</p><p>correr do presente trabalho, alinha-se,</p><p>indubitavelmente, ao eixo de atuação</p><p>institucional que busca implementar</p><p>ações para ampliar a audiência sobre o</p><p>que nela se constrói, fruto de esforço</p><p>de muitas mentes pesquisadoras, bem</p><p>como das contribuições de profissionais</p><p>da área.</p><p>É razoável que se tome como ob-</p><p>jeto de pesquisa a própria coleção dos</p><p>Cadernos, que se prestariam a inúmeros</p><p>veios de indagação. Muito ainda pode</p><p>ser extraído do conjunto, que poderia</p><p>ajudar a encaminhar respostas para,</p><p>por exemplo, entender o que moti-</p><p>vou as mudanças no projeto gráfico da</p><p>capa, nos distintos períodos. De igual</p><p>modo, poder-se-ia analisar, no campo</p><p>da Cientometria, como se comportou,</p><p>nesses 100 primeiros volumes, a rede de</p><p>autoria e colaboração científica, a partir</p><p>da Análise de Redes Sociais (ARS).</p><p>Vários são os caminhos e, registre-</p><p>-se, todos instigantes, a denotar a asser-</p><p>tividade anunciada, nos idos de 1986,</p><p>pelos professores Élvio Carlos Moreira</p><p>e Ilto José Nunes, no texto de apresenta-</p><p>30 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>ção e justificativa já aqui mencionados.</p><p>Por todo o exposto, cumpre dese-</p><p>jar “vida longa e útil” (Moreira; Nunes,</p><p>1986, p. 1) para os Cadernos Técnicos de</p><p>Medicina Veterinária e Zootecnia e para a</p><p>Escola de Veterinária da UFMG.14</p><p>Referências</p><p>1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS</p><p>TÉCNICAS. NBR 6022: informação e docu-</p><p>mentação – artigos em publicação periódica cien-</p><p>tífica impressa – apresentação. Rio de Janeiro:</p><p>ABNT, 2003.</p><p>2. CADERNOS TÉCNICOS: ESCOLA DE</p><p>VETERINÁRIA UFMG. Belo Horizonte, v. 1,</p><p>1986.</p><p>3. CADERNOS TÉCNICOS: ESCOLA DE</p><p>VETERINÁRIA UFMG. Belo Horizonte, v. 29,</p><p>1999.</p><p>4. CARVALHO, W. M. de; PONTELO, A. das G.</p><p>G.; GOMES, G. M. R. O Sistema de Bibliotecas</p><p>da Universidade Federal de Minas</p><p>Gerais: 90</p><p>anos de um organismo em evolução. Ciência</p><p>da Informação, Brasília, v. 46, n. 2, p. 134-145,</p><p>maio/ago. 2017. Disponível em: http://revista.</p><p>ibict.br/ciinf/article/view/4105. Acesso em: 09</p><p>fev. 2022.</p><p>5. FERREIRA, M. Introdução à preservação di-</p><p>gital: conceitos, estratégias e actuais consensos.</p><p>Guimarães, Portugal: Escola de Engenharia da</p><p>Universidade do Minho, 2006.</p><p>6. GRUSZYNSKI, A. C. U.; GOLIN, C. Periódicos</p><p>científicos eletrônicos e a visibilidade da ciência</p><p>na  web: estudo de caso na UFRGS. Datagrama</p><p>Zero, v. 8, n. 3, p. A02-0, jun. 2007.</p><p>7. LOBATO, M. Escola realiza evento de descer-</p><p>ramento da placa em homenagem ao Prof.</p><p>Ivan Barbosa. Belo Horizonte, 03 jun. 2022.</p><p>Disponível em: https://vet.ufmg.br/noticias/</p><p>exibir/7029/escola_realiza_evento_de_descer-</p><p>ramento_da_placa_em_homenagem_ao_prof_.</p><p>Acesso em: 09 jun. 2022.</p><p>8. MOREIRA, E. C.; NUNES, I. J. Apresentação</p><p>e justificativa necessárias. Cadernos Técnicos</p><p>da Escola de Veterinária da UFMG, Belo</p><p>Horizonte, v, 1, p. 1, ago. 1986.</p><p>9. NORA, P. Entre memória e história: a problemá-</p><p>tica dos lugares. Tradução de Yara Aun Khoury.</p><p>Projeto História, São Paulo, n. 10, p. 7-28, dez.</p><p>1993. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/</p><p>revph/article/view/12101. Acesso em: 08 fev.</p><p>2022.</p><p>10. RIOS, R. R.; OSÓRIO, P. G. S.; SANTOS, C. P.</p><p>G. dos; SANTOS; M. A. dos; CARVALHO, W.</p><p>M. de. A realização do estágio supervisionado em</p><p>Biblioteconomia no contexto do trabalho remoto</p><p>em tempos de pandemia: relato de experiência</p><p>na Biblioteca da Escola de Veterinária da UFMG.</p><p>RevIU – Revista Informação & Universidade,</p><p>São Paulo, v. 2, n. espc. Dossiê Covid-19 p. 1-14,</p><p>jul./dez. 2020. Disponível em: http://reviu.fe-</p><p>bab.org.br/index.php/reviu/article/view/31/35.</p><p>Acesso em: 10 fev. 2022.</p><p>11. SILVA FILHO, J. M. da; LAENDER, F. C.;</p><p>NUNES, I. J. Apresentação. Cadernos Técnicos</p><p>de Veterinária e Zootecnia, Belo Horizonte, v,</p><p>29, p. 3, ago. 1999.</p><p>14		Esta	reflexão	foi	desdobrada	em	apresentação	oral	no	XXIX	Congresso	Brasileiro	de	Biblioteconomia	e	Docu-</p><p>mentação	e,	também,	na	XII	Jornada	de	Apresentação	de	Conhecimento	Produzido	pelos	TAEs	da	UFMG,	no</p><p>escopo	da	programação	da	Semana	do	Conhecimento	2022.	Ambas	as	apresentações	aconteceram	em	outubro</p><p>do ano corrente.</p><p>312. Ectoparasitoses de bovinos:</p><p>biologia e epidemiologia como base para o controle</p><p>Organizadora:</p><p>Lorena Lopes Ferreira1 - CRMV MG 21688</p><p>Colaboradores:</p><p>Daniel Sobreira Rodrigues2 - CRMV MG 6226</p><p>Gabriel Resende Souza3 - CRMV MG 24966</p><p>Welber Daniel Zanetti Lopes4 - CRMV SP 17286</p><p>1 Médica veterinária, professora adjunta do Departamento de</p><p>Medicina Veterinária Preventiva da Escola de Veterinária da</p><p>Universidade Federal de Minas Gerais</p><p>2 Médico veterinário, pesquisador da Empresa de Pesquisa Agrope-</p><p>cuária de Minas Gerais, Campo Experimental Santa Rita</p><p>3 Médico veterinário, mestrando do Programa de Pós-Graduação</p><p>em Ciência Animal da Escola de Veterinária da Universidade</p><p>Federal de Minas Gerais</p><p>4 Médico veterinário, professor adjunto do Instituto de Patologia</p><p>Tropical e Saúde Pública/Escola de Veterinária e Zootecnia da</p><p>Universidade Federal de Goiás</p><p>2. Ectoparasitoses 2. Ectoparasitoses</p><p>de bovinos: de bovinos:</p><p>biologia e biologia e</p><p>epidemiologia epidemiologia</p><p>como base para como base para</p><p>o controle o controle</p><p>pixabay.com</p><p>1. Carrapato</p><p>O principal carrapato para a pe-</p><p>cuária mundial, Rhipicephalus mi-</p><p>croplus, é popularmente conhecido</p><p>como “carrapato-do-boi” e tem pre-</p><p>ferência por parasitar animais tauri-</p><p>nos, uma vez que os zebuínos apre-</p><p>sentam uma resposta imunológica</p><p>mais rápida e intensa quando são</p><p>picados por esse ectoparasito. Além</p><p>disso, a maior quantidade e espessu-</p><p>32 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>ra das papilas da língua, juntamen-</p><p>te com a capacidade de autolimpe-</p><p>za (“self-grooming”) do gado de</p><p>origem indiana, facilita a remoção</p><p>dos carrapatos. Por esses motivos,</p><p>é mais comum ver animais taurinos</p><p>apresentando elevadas infestações.</p><p>Esse carrapato causa prejuízos</p><p>econômicos da ordem de 3,24 bi-</p><p>lhões de dólares anuais, que estão</p><p>relacionados com as consequências</p><p>do seu parasitismo, principalmente</p><p>a redução da produção de leite e de</p><p>ganho de peso dos animais. Além</p><p>desses, também são observados</p><p>danos ao couro (Figura 1), predis-</p><p>posição a miíases por Cochliomyia</p><p>hominivorax, popularmente conhe-</p><p>cida como “bicheira”, e transmissão</p><p>de agentes patogênicos do comple-</p><p>xo da tristeza parasitária bovina, os</p><p>protozoários Babesia bovis e Babesia</p><p>bigemina e a riquétsia Anaplasma</p><p>marginale.</p><p>Figura 1: Vaca infestada pelo carrapato-do-boi. A: Destaque para os carrapatos fixados atrás da orelha e</p><p>na região próxima à boca. B: Região atrás da orelha e próxima à boca apresentando reação inflamatória</p><p>e alopecia decorrentes da ação parasitária. Foto: Lorena Lopes Ferreira.</p><p>332. Ectoparasitoses de bovinos:</p><p>biologia e epidemiologia como base para o controle</p><p>O controle deve ser realizado</p><p>por meio da utilização de acaricidas</p><p>químicos. Contudo, o uso incorreto</p><p>desses produtos acarretou o surgi-</p><p>mento de populações de carrapa-</p><p>tos resistentes ou multirresistentes</p><p>aos carrapaticidas disponíveis no</p><p>mercado. O controle estratégico é</p><p>o método mais recomendado para</p><p>se manter a população de carrapa-</p><p>tos dentro do limite considerado</p><p>como economicamente viável. Para</p><p>que isso seja realizado, é necessário</p><p>conhecimento sobre a sua biologia</p><p>e epidemiologia, além da escolha</p><p>certa do produto e do método de</p><p>aplicação do carrapaticida.</p><p>O carrapato R . microplus é mo-</p><p>noxeno e seu ciclo biológico com-</p><p>preende uma fase de vida não pa-</p><p>rasitária (no ambiente) e uma fase</p><p>de vida parasitária (sobre o hospe-</p><p>deiro). Na fase de vida livre, encon-</p><p>tram-se as fêmeas ingurgitadas (te-</p><p>leóginas) que realizam postura de</p><p>até 3.000 ovos. Os ovos necessitam</p><p>de calor e umidade para que as lar-</p><p>vas eclodam. Por sua vez, as larvas</p><p>sobem na ponta do capim e ficam</p><p>à espera de um hospedeiro (busca</p><p>passiva – “emboscada”). Quando no</p><p>hospedeiro, essas larvas se alimen-</p><p>tam de sangue, fazem a muda para</p><p>ninfas, que se alimentam e dão ori-</p><p>gem a adultos (machos e fêmeas).</p><p>Machos e fêmeas se alimentam, co-</p><p>pulam e, por fim, as fêmeas caem ao</p><p>solo e buscam um local para a pos-</p><p>tura dos ovos, preferencialmente na</p><p>base do capim.</p><p>No hospedeiro, a duração da</p><p>fase de vida parasitária é de 18 a</p><p>25 dias para as fêmeas e de 35 dias</p><p>para os machos. Como o carrapato</p><p>permanece fixado no hospedeiro</p><p>e sofre influência da temperatura</p><p>constante, são observadas menores</p><p>variações de duração para cada es-</p><p>tádio de desenvolvimento. Assim,</p><p>a duração do ciclo biológico do</p><p>“carrapato-do-boi” vai depender</p><p>principalmente das condições de</p><p>temperatura e umidade do ambien-</p><p>te que afetam mais diretamente a</p><p>fase de vida não parasitária. Por</p><p>consequência, para cada estádio de</p><p>desenvolvimento são observadas</p><p>grandes variações de duração. Isso,</p><p>consequentemente, influencia a</p><p>quantidade de gerações de carra-</p><p>patos durante o ano. Tanto é assim</p><p>que, em regiões quentes (tempera-</p><p>tura média acima de 30ºC) e com</p><p>pouca chuva, como os sertões, ou</p><p>em regiões muito frias (temperatu-</p><p>ra média menor que 15ºC), como</p><p>a região Sul do Brasil, o carrapato</p><p>completa até três gerações anuais. Já</p><p>no Brasil Central, que compreende</p><p>as regiões Centro-Oeste e Sudeste,</p><p>podem ocorrer quatro a cinco gera-</p><p>ções anuais.</p><p>No Brasil Central, as estações do</p><p>ano podem ser divididas em chuva</p><p>34 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>(primavera e verão) e seca (outono e</p><p>inverno). O aumento da população de</p><p>carrapatos no ambiente e, consequente-</p><p>mente, nos animais, corresponde à pri-</p><p>mavera (final de setembro), quando é</p><p>considerada a primeira geração. Há um</p><p>aumento da população devido ao au-</p><p>mento da temperatura e da umidade do</p><p>ambiente, que favorece</p><p>a fase de vida não para-</p><p>sitária do carrapato. Em</p><p>outras palavras, o início</p><p>da primavera, que cor-</p><p>responde a temperatu-</p><p>ras mais elevadas e chu-</p><p>vas</p><p>em relação à época</p><p>da seca, encurta o perío-</p><p>do de postura dos ovos</p><p>pela fêmea ingurgitada,</p><p>a incubação dos ovos e a</p><p>eclosão das larvas.</p><p>Os acaricidas dispo-</p><p>níveis no mercado para</p><p>uso em bovinos podem</p><p>agir por contato, quan-</p><p>do os carrapatos entram</p><p>em contato com o pro-</p><p>duto aplicado no corpo do animal, e de</p><p>forma sistêmica, quando os carrapatos</p><p>precisam sugar o sangue dos animais</p><p>tratados para ingerir o carrapaticida.</p><p>Entre os acaricidas mais utilizados que</p><p>agem por contato, há as classes dos orga-</p><p>nofosforados (clorpirifós e triclorfon),</p><p>dos piretroides (deltametrina e ciper-</p><p>metrina), das amidinas (amitraz) e dos</p><p>fenilpirazóis (fipronil). Já aqueles que</p><p>agem de forma sistêmica pertencem às</p><p>classes das lactonas macrocíclicas (iver-</p><p>mectina, eprinomectina, abamectina,</p><p>doramectina e moxidectina), das ben-</p><p>zofenilureas (fluazuron e novaluron), e,</p><p>lançadas em 2022, das isoxazolinas (flu-</p><p>ralaner). A maioria dessas classes age no</p><p>sistema nervoso do carrapato, matando-</p><p>-o por hiperexcitação ou</p><p>paralisia, com exceção</p><p>da classe benzofenilu-</p><p>rea, que age inibindo a</p><p>ecdise (muda) do car-</p><p>rapato. Esses produtos</p><p>estão no mercado na</p><p>forma de soluções para</p><p>pulverização, “pour on”</p><p>e/ou injetáveis. É im-</p><p>prescindível que o pro-</p><p>duto seja utilizado con-</p><p>forme descrito na bula</p><p>do fabricante, quanto</p><p>à dose, à diluição e ao</p><p>período de carência. A</p><p>maior parte dos produ-</p><p>tos indicados para trata-</p><p>mento de vacas em lac-</p><p>tação são apresentações comerciais de</p><p>ação por contato, na forma de aspersão.</p><p>Mesmo assim, existem recomendações</p><p>quanto ao período de carência.</p><p>Para o controle estratégico do car-</p><p>rapato do boi, é fundamental ter co-</p><p>nhecimento da eficácia da base quími-</p><p>ca contra a população de carrapato da</p><p>propriedade. Para isso, é recomendado</p><p>realizar o teste de imersão de adultos,</p><p>O aumento da</p><p>população de</p><p>carrapatos no ambiente</p><p>e, consequentemente,</p><p>nos animais,</p><p>corresponde à</p><p>primavera (final de</p><p>setembro), quando é</p><p>considerada a primeira</p><p>geração. Há um</p><p>aumento da população</p><p>devido ao aumento</p><p>da temperatura e da</p><p>umidade do ambiente,</p><p>que favorece a fase de</p><p>vida não parasitária do</p><p>carrapato.</p><p>352. Ectoparasitoses de bovinos:</p><p>biologia e epidemiologia como base para o controle</p><p>conhecido popularmente como teste</p><p>carrapaticida ou biocarrapaticidograma,</p><p>que indica o(s) produto(s) de disponí-</p><p>veis no mercado mais eficaz(es) contra</p><p>aquela população de carrapato. Com</p><p>base nessas informações, é necessário</p><p>colocar em prática o conhecimento so-</p><p>bre biologia e epidemiologia e proceder</p><p>à aplicação do carrapaticida.</p><p>De maneira geral, é recomenda-</p><p>do iniciar os tratamentos a partir do</p><p>início da estação chuvosa, quando as</p><p>condições ambientais ainda são des-</p><p>favoráveis. São consideradas cerca de</p><p>cinco a oito aplicações, com interva-</p><p>los de 21 dias, que é o período médio</p><p>de duração da fase de vida parasitária</p><p>do carrapato-do-boi. É importante</p><p>ressaltar que as recomendações de-</p><p>vem variar de região para região e</p><p>para cada propriedade. Ressalta-se</p><p>que esse intervalo de 21 dias pode ser</p><p>alterado em função do grau de infes-</p><p>tação dos animais e do tamanho dos</p><p>carrapatos presentes nos hospedeiros</p><p>(fêmeas parcialmente ingurgitadas</p><p>≤ 4mm). Além disso, em um mesmo</p><p>rebanho, de mesma composição gené-</p><p>tica, existem animais com maior per-</p><p>fil de susceptibilidade ao parasitismo</p><p>por carrapatos. Estima-se que 10 a</p><p>15% dos animais de um mesmo reba-</p><p>nho são parasitados por 70% da popu-</p><p>lação de carrapatos. Ou seja, é ineren-</p><p>te a uma característica individual de</p><p>cada animal.</p><p>O pulverizador costal é o equipa-</p><p>mento mais frequentemente utiliza-</p><p>do para o procedimento de aspersão.</p><p>Porém, existem outros equipamentos</p><p>mais adequados que podem ser em-</p><p>pregados, como a câmara atomizadora</p><p>e o pulverizador estacionário motori-</p><p>zado. Na região Sul do Brasil, banhei-</p><p>ro de imersão ainda é observado em</p><p>atividade. Para o banho bem dado, é</p><p>necessário que o operador esteja de-</p><p>vidamente paramentado com equipa-</p><p>mentos de proteção individual, como</p><p>óculos, avental, luvas e botas. O carra-</p><p>paticida deve ser diluído na dose reco-</p><p>mendada pela bula e homogeneizado.</p><p>A aplicação deve ser realizada com o</p><p>animal contido e em toda a superfície</p><p>do corpo (Figura 2), de baixo para</p><p>cima, de trás para frente, na quantida-</p><p>de aproximada de cerca de 1L a cada</p><p>100kg do animal. O equipamento uti-</p><p>lizado deve estar calibrado, sem vaza-</p><p>mentos, trabalhar com pressão entre</p><p>100 e 150psi e barra de aspersão equi-</p><p>pada com bico de cone cheio. O jato</p><p>produzido deve ser suficiente para</p><p>aplicar o produto nos pelos e atingir</p><p>a pele dos animais. Deve-se atentar ao</p><p>horário de aplicação e à condição do</p><p>animal, a fim de se reduzirem riscos</p><p>de intoxicação; priorizar o banho nas</p><p>horas mais frescas do dia e evitar dias</p><p>chuvosos e com ventos intensos. Além</p><p>disso, é contraindicado o tratamento</p><p>de animais cansados, ofegantes, com</p><p>feridas extensas, com escore corpo-</p><p>ral muito baixo e convalescentes.</p><p>36 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>Para os carrapaticidas nas apresenta-</p><p>ções “pour on” e injetável, é mantida</p><p>a recomendação para observar as</p><p>orientações da bula, especialmente</p><p>em relação à dose, à forma de aplica-</p><p>ção e aos prazos de carência.</p><p>A execução de um procedimento</p><p>de banho com erros, como diluição e</p><p>dose do produto inadequadas, equi-</p><p>pamento não calibrado, quantidade</p><p>insuficiente do produto, intervalos de</p><p>tratamento maiores ou menores do</p><p>que o recomendado, contribui para</p><p>o desenvolvimento de resistência nas</p><p>populações de carrapatos, fenôme-</p><p>no que é considerado irreversível e</p><p>passado de geração para geração. No</p><p>Brasil, existem inúmeros relatos de</p><p>resistência do carrapato-do-boi em</p><p>relação às bases químicas disponíveis.</p><p>Populações resistentes a diferentes</p><p>bases, de forma simultânea, são cha-</p><p>madas de multirresistentes e repre-</p><p>sentam a grande maioria das situações</p><p>observadas. Ou seja, um conhecimen-</p><p>to deficiente acerca da biologia e da</p><p>epidemiologia do carrapato e de um</p><p>adequado procedimento de banho fa-</p><p>vorece a ocorrência de elevadas cargas</p><p>parasitárias de carrapatos, bem como</p><p>o desenvolvimento de resistência.</p><p>Figura 2: Sequência do banho carrapaticida de pulverização, sentido contrário dos pelos, começando</p><p>da parte traseira do animal. 1- Face interna do membro posterior, região posterior do úbere, períneo,</p><p>região perianal e cauda. 2- Face interna da coxa, úbere, toda a região ventral abdominal e torácica, face</p><p>interna do membro anterior, axilas e barbela. 3- Face externa do membro posterior, abdômen, costado,</p><p>face externa do membro anterior e face lateral do pescoço. 4 - Região dorsal do pescoço, face externa</p><p>das orelhas, a fronte e o interior do pavilhão auditivo. Fonte: Rodrigues, 2012.</p><p>372. Ectoparasitoses de bovinos:</p><p>biologia e epidemiologia como base para o controle</p><p>2. Moscas</p><p>As moscas são in-</p><p>setos alados e, depen-</p><p>dendo da espécie, po-</p><p>dem ser hematófagas</p><p>ou não. As principais</p><p>moscas que parasitam</p><p>bovinos são popu-</p><p>larmente conhecidas</p><p>como “mosca-domésti-</p><p>ca” (Musca domestica),</p><p>“mosca-dos-estábulos”</p><p>ou “mosca-da-vinhaça”</p><p>(Stomoxys calcitrans)</p><p>e “mosca-dos-chifres”</p><p>(Haematobia irritans).</p><p>O conhecimento sobre a biologia desses</p><p>insetos, como ciclo de vida, característi-</p><p>cas morfológicas, fatores epidemiológi-</p><p>cos, e sobre a importância econômica e</p><p>sanitária favorece a adoção de medidas</p><p>corretas para prevenção e controle, o</p><p>que contribui tanto para a diminuição</p><p>dos prejuízos causados pelo parasitismo</p><p>quanto para a promoção de boas práti-</p><p>cas de bem-estar animal.</p><p>2.1. Musca domestica</p><p>A “mosca-domés-</p><p>tica” é considerada si-</p><p>nantrópica, ou seja,</p><p>habita casas e demais</p><p>ambientes em que as</p><p>pessoas vivem, sejam</p><p>eles urbanos ou rurais.</p><p>Essa característica, so-</p><p>mada a seus hábitos</p><p>alimentares, causa in-</p><p>cômodo e favorece a</p><p>veiculação de agentes</p><p>causadores de doenças.</p><p>Diferentemente das de-</p><p>mais moscas apresen-</p><p>tadas neste Caderno</p><p>Técnico, a “mosca-do-</p><p>méstica” alimenta-se de</p><p>secreções</p><p>e substâncias</p><p>orgânicas, como muco,</p><p>lágrimas, saliva, leite,</p><p>pus, exsudatos de feri-</p><p>das e sangue, além de fe-</p><p>zes dos animais. Matéria</p><p>orgânica em decompo-</p><p>sição ou não, presente</p><p>no lixo e no esgoto, constitui poten-</p><p>cial atrativo para o estabelecimento de</p><p>criatórios, onde quanto maior a abun-</p><p>dância, maior o número de moscas na</p><p>propriedade. Importante ressaltar que a</p><p>mosca apresenta certa predileção pelas</p><p>categorias de bezerros lactantes, já que,</p><p>nesses casos, são frequentes os casos de</p><p>diarreia e disponibilidade de resíduos</p><p>do leite utilizado para a alimentação</p><p>dos animais (Figura 3). Além disso, as</p><p>moscas costumam ser</p><p>observadas em grandes</p><p>quantidades, também,</p><p>próximo às ordenhadei-</p><p>ras e às composteiras.</p><p>Sobre o animal, locali-</p><p>za-se onde há disponi-</p><p>bilidade de alimento.</p><p>São os principais veto-</p><p>As moscas são insetos</p><p>alados e, dependendo</p><p>da espécie, podem ser</p><p>hematófagas ou não.</p><p>As principais moscas</p><p>que parasitam bovinos</p><p>são popularmente</p><p>conhecidas como</p><p>“mosca-doméstica”</p><p>(Musca domestica),</p><p>“mosca-dos-estábulos”</p><p>ou “mosca-da-vinhaça”</p><p>(Stomoxys calcitrans)</p><p>e “mosca-dos-chifres”</p><p>(Haematobia irritans).</p><p>... a “mosca-doméstica”</p><p>alimenta-se de</p><p>secreções e substâncias</p><p>orgânicas, como muco,</p><p>lágrimas, saliva, leite,</p><p>pus, exsudatos de</p><p>feridas e sangue, além</p><p>de fezes dos animais ...</p><p>38 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>res mecânicos dos agentes causadores</p><p>de diarreia, mastite e ceratoconjuntivite.</p><p>Essa mosca é um importante vetor</p><p>mecânico de agentes patogênicos, como</p><p>vírus, bactérias e parasitos, pois, além de</p><p>poder transportar esses agentes em suas</p><p>patas e no aparelho bucal, também pode</p><p>transportá-los e transmiti-los por meio</p><p>de seu aparelho digestivo, pois regurgita</p><p>o conteúdo do trato intestinal e defeca</p><p>com frequência, enquanto se alimenta.</p><p>As moscas adultas também podem atu-</p><p>ar como forético (um tipo de vetor me-</p><p>cânico) dos ovos da mosca Dermatobia</p><p>hominis, causadora de miíase furuncular,</p><p>popularmente conhecida como berne.</p><p>O adulto da Musca domestica possui</p><p>aproximadamente 9mm de comprimen-</p><p>to, com quatro listras dorsais escuras no</p><p>tórax. A lateral de seu abdômen é ama-</p><p>relada, sendo possível identificar essas</p><p>características com facilidade, a “olho</p><p>nu”. Possui o aparelho bucal do tipo</p><p>lambedor, sendo assim não pica os ani-</p><p>mais com objetivo de sugar sangue. Em</p><p>média, a fêmea adulta realiza três a seis</p><p>posturas de 75 a 150 ovos por vez, po-</p><p>dendo depositar de 350 a 900 ovos du-</p><p>rante toda sua vida, e a postura é feita em</p><p>fezes ou matéria orgânica em decompo-</p><p>sição. O período de incubação dos ovos</p><p>pode durar entre 8-96 horas, depen-</p><p>dendo da temperatura e do clima local.</p><p>Após eclodirem, as larvas passam por</p><p>três estádios de desenvolvimento, que</p><p>duram até três semanas. Após os está-</p><p>Figura 3: Infestação por “mosca-doméstica” em bezerra em instalações de “tie-stall”, devido à presença</p><p>de resíduos de leite utilizado na alimentação dos animais. Fotos: Lorena Lopes Ferreira.</p><p>392. Ectoparasitoses de bovinos:</p><p>biologia e epidemiologia como base para o controle</p><p>dios de larva, evoluem para o estádio de</p><p>pupa, cuja duração pode variar bastante</p><p>e, em temperaturas elevadas, ocorre en-</p><p>tre 4-5 dias. Após a eclosão, as moscas</p><p>adultas vivem por aproximadamente 30</p><p>a 60 dias e podem voar</p><p>distâncias de 1 a 3km</p><p>em um dia. Durante a</p><p>estação chuvosa, são</p><p>observadas explosões</p><p>populacionais, uma</p><p>vez que elevadas</p><p>temperaturas e</p><p>pluviometria favorecem</p><p>a eficiência e a rapidez</p><p>com que realizam o ci-</p><p>clo biológico.</p><p>O controle da</p><p>“mosca-doméstica” é</p><p>desafiador. Seu caráter</p><p>sinantrópico dificulta a</p><p>adoção de medidas pre-</p><p>ventivas e de controle</p><p>populacional. Além dos tratamentos</p><p>químicos, por meio de iscas, pincela-</p><p>mentos e pulverizações, podem ser uti-</p><p>lizados diversos tipos de armadilhas co-</p><p>merciais e/ou artesanais. Entretanto, as</p><p>principais medidas preventivas a serem</p><p>tomadas estão relacionadas à manuten-</p><p>ção, ao manejo e à limpeza do ambiente,</p><p>eliminando criadouros. A limpeza cons-</p><p>tante pode auxiliar na diminuição, tanto</p><p>do substrato necessário para deposição</p><p>de ovos de Musca domestica, quanto do</p><p>desenvolvimento das fases imaturas, e</p><p>as armadilhas podem contribuir para a</p><p>redução da população de adultos. É im-</p><p>portante ressaltar que existem poucos</p><p>estudos sobre a mosca-doméstica e os</p><p>impactos causados por ela na pecuária</p><p>brasileira.</p><p>2.2. Stomoxys</p><p>calcitrans</p><p>A “mosca-dos-está-</p><p>bulos” ou “mosca-da-vi-</p><p>nhaça”, de nome cientí-</p><p>fico Stomoxys calcitrans,</p><p>é um ectoparasito en-</p><p>contrado em toda parte</p><p>do Brasil, desde áreas</p><p>com climas mais tropi-</p><p>cais e chuvosos, como</p><p>no sudeste e centro-</p><p>-oeste brasileiro, a áreas</p><p>de temperaturas frias e</p><p>secas, como em regiões</p><p>mais ao sul do Brasil,</p><p>e a perda estimada as-</p><p>sociada ao parasitismo</p><p>por essa mosca é calculada em aproxi-</p><p>madamente US$ 335 milhões ao ano.</p><p>Ressalta-se que surtos em gado de corte</p><p>e de leite estão associados a locais onde</p><p>há a existência de matéria orgânica em</p><p>decomposição/fermentação, como nas</p><p>áreas destinadas à criação de bovinos</p><p>(restos de alimentos, acúmulo de fezes</p><p>e urina) e na produção de cana-de-açú-</p><p>car (subprodutos: bagaço, palha, torta</p><p>de filtro e vinhaça), que geram criadou-</p><p>ros para a multiplicação dessa mosca.</p><p>Nesses locais de plantação de cana-de-</p><p>A “mosca-dos-</p><p>estábulos” ou</p><p>“mosca-da-vinhaça”,</p><p>de nome científico</p><p>Stomoxys calcitrans,</p><p>é um ectoparasito</p><p>encontrado em toda</p><p>parte do Brasil, desde</p><p>áreas com climas mais</p><p>tropicais e chuvosos,</p><p>como no sudeste e</p><p>centro-oeste brasileiro,</p><p>a áreas de temperaturas</p><p>frias e secas, como em</p><p>regiões mais ao sul do</p><p>Brasil ...</p><p>40 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 104 - dezembro de 2022</p><p>-açúcar, S. calcitrans tem sido chamada</p><p>popularmente de “mosca-da-vinhaça”</p><p>ou “mosca-da-cana” (Koller et al., 2009;</p><p>Barros et al., 2010; Bittencourt et al.,</p><p>2012; Corrêa et al., 2013; Dominghetti</p><p>et al., 2015).</p><p>Em condições naturais, o clima é</p><p>um fator de grande influência no ciclo</p><p>biológico da “mosca-dos-estábulos”.</p><p>Na estação chuvosa (de</p><p>novembro a março, de-</p><p>pendendo da região),</p><p>há temperaturas ideais</p><p>para o desenvolvimen-</p><p>to da mosca (25ºC). Já</p><p>em casos em que a S.</p><p>calcitrans se desenvolve</p><p>nos substratos da cultu-</p><p>ra da cana-de-açúcar, os maiores índi-</p><p>ces populacionais dessa mosca tendem</p><p>a ocorrer durante o período seco do</p><p>ano, entre abril e novembro, coincidin-</p><p>do com a época da colheita da cana-de-</p><p>-açúcar nas regiões Sudeste e Centro-</p><p>Oeste do Brasil. Nesse caso, a umidade</p><p>necessária para o desenvolvimento da</p><p>mosca é oriunda da vinhaça que, na</p><p>maioria das vezes, é utilizada como</p><p>fertirrigação. Além disso, a vinhaça,</p><p>quando aplicada como adubo no solo,</p><p>aumenta a emissão de gás carbônico,</p><p>servindo de atrativo para as fêmeas co-</p><p>locarem os ovos na palhada, e se torna</p><p>um criadouro quando há acúmulo e</p><p>decantação (“poças”).</p><p>Essas moscas são hematófagas e</p><p>podem infestar uma diversidade de ani-</p><p>mais, como bovinos, equinos, suínos,</p><p>cães e equinos. Pela necessidade de</p><p>picarem o animal para se alimentarem,</p><p>causam irritação e dor ao animal, po-</p><p>dendo haver diminuição de consumo</p><p>alimentar e consequente diminuição</p><p>na produção de leite e no peso dos bo-</p><p>vinos altamente infestados. A “mosca-</p><p>-dos-estábulos” é um dos vetores dos</p><p>ovos de Dermatobia</p><p>hominis, conhecida por</p><p>causar berne nos bovi-</p><p>nos. É importante des-</p><p>tacar que, apesar da sus-</p><p>peita de que essa mosca</p><p>pode veicular mecani-</p><p>camente o agente cau-</p><p>sal da tripanossomose</p><p>bovina (Trypanosoma</p><p>vivax) no Brasil, não existem estudos</p><p>que comprovem cientificamente essa</p><p>transmissão.</p><p>Em sua forma adulta, a mosca S.</p><p>calcitrans se assemelha muito com a</p><p>“mosca-doméstica” (Figura 4), mas se</p><p>difere pelo tamanho menor e pelo fato</p><p>de o aparelho bucal ser do tipo picador,</p><p>que se projeta para frente da cabeça, em</p><p>forma chamada de “baioneta”, e com</p><p>alto grau de quitinização, dando a ca-</p><p>racterística dura e rígida para a probós-</p><p>cide (parte do</p>

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