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Radiologia Prof. Dr. Elbio Leiguez Junior Radiologia • Radiologia: é a parte da ciência que estuda órgãos e/ou estruturas através da utilização das radiações, gerando uma imagem. • A radiologia veterinária é uma área da Medicina Veterinária que se destina ao diagnóstico de doenças/alterações em animais. • Raio-x: são ondas eletromagnéticas semelhantes à luz, mas que diferem no comprimento de onda (comprimento de onda no raio-x é muito curto). • Se propagam em linha reta e na mesma velocidade da luz; • Produzem efeitos biológicos, gerando danos somáticos, carcinogênicos e genéticos. • Radiação: é a propagação de energia através de partículas ou ondas eletromagnéticas de um ponto a outro no espaço ou em um meio material, com uma certa velocidade. • 2 formas: eletromagnética ou corpuscular (ionizante) • Eletromagnética: caracterizada pela oscilação entre um campo elétrico e um campo magnético e está classificada de acordo com a frequência de ondas, por exemplo: ondas hertzianas (de rádio ou TV), microondas, radiação infravermelha, ultravioleta, raios X e raios gama. Radiologia • Ionizante (corpuscular): constituída por partículas subatômicas (elétrons, prótons, nêutrons). • IMPORTANTE: qualquer radiação pode ser prejudicial à saúde, levando em consideração o tempo de exposição e a intensidade da radiação. Importância na Medicina Veterinária • Diagnóstico de doenças: fraturas, gestação, luxação, doenças pulmonares, alterações cardíacas ( tamanho), pesquisa de CE. • Favorece: pesquisa de tumores, metástases, avaliação de processo obstrutivo urinário e gastrointestinal (contraste). • Planejamento cirúrgico Importância na Medicina Veterinária • Claudicação ao andar; • Dificuldade e dor ao levantar; • Sensação de dor quando o tutor toca alguma parte do corpo do animal; • Suspeita de ingestão de materiais indevidos; • Inchaço de alguma parte do corpo; Quando solicitar Importância na Medicina Veterinária • Suspeita de lesão muscular, óssea ou cartilaginosa; • Suspeita de lesão em algum órgão interno; • Suspeita de tumores nos órgãos e tumores ósseos; • Suspeita de ingestão de algum material indevido. Quando solicitar Importância na Medicina Veterinária • Permite diagnóstico mais precoce de diversas patologias, facilitando a rápida intervenção do Médico Veterinário. • É indolor; • Não é invasivo (não precisa de corte); • Rápido resultado (geralmente em 24 horas, no máximo); • Por ser um exame rápido, causa o mínimo desconforto ao animal. Vantagens do exame de raio-x Importância na Medicina Veterinária • Abdômen: Geralmente utilizado na pesquisa de corpos estranhos ingeridos por cães e gatos, solicitado também nos seguintes casos: ü diagnóstico da torção gástrica; ü Contagem do número de fetos à partir do 45° dia de gestação; avaliação do grau de retenção fecal; avaliação do trânsito gastrointestinal através da administração via oral de contraste radiográfico; pesquisa de cálculos urinários radiopacos; e diagnóstico de ruptura de bexiga através da administração de contraste via sonda uretral. • Tórax: Geralmente solicitado para observar: ü Silhueta cardíaca, pulmões, traqueia e esôfago torácicos, além do diafragma; Radiografias mais comuns solicitadas pelo veterinário Importância na Medicina Veterinária • Coluna vertebral üMelhores resultados obtidos quando o animal está relaxado. Raios x tirados da coluna vertebral em animais permite a visualização de suas partes ósseas, mostrando os segmentos cervical, cervicotorácico, toracolombar, lombossacro e as vértebras caudais. Importante para identificar lesões da coluna. • Membros torácicos e pélvicos Mostra ao médico veterinário detalhadamente as porções ósseas dos membros, bem como os tecidos moles que as envolvem. üQuadril, Pelve ou Coxal ü Este tipo de imagem é indicada para o diagnóstico da displasia coxofemoral, além da avaliação de fraturas e luxações. Neste sentido, é importante ponderar que para a realização de um laudo oficial para displasia coxofemoral, o animal deve ser sedado/anestesiado e ter mais de 1 (um) ano de vida. Radiografias mais comuns solicitadas pelo veterinário Importância na Medicina Veterinária • Crânio üA análise do crânio não é tão ampla por meio do raio x, porém, é importante para uma melhor avaliação da dentição, das articulações temporomandibulares (ATMs), da integridade dos ossos que compõe a cavidade nasal e os seios da face. Radiografias mais comuns solicitadas pelo veterinário Pós cirúrgico – Transposição da crista tibial Pós cirúrgico TPLO Espondilose ventral em diversas vértebras Gestação Fratura por avulsão Fratura completa do úmero Fratura em espiral História da radiologia • Descoberta dos Raios-X: 08 de novembro de 1895 na Alemanha. Como tudo aconteceu???? Wilhelm Conrad Roentgen • Físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen • Experiências utilizando alta tensão em tubos contendo gases; • Placa recoberta pela substância fosforescente (platinocianureto de bário) apresentava um brilho (fluorescente) durante a aplicação de alta tensão na ampola. • Cobriu a ampola com diferentes materiais repetindo o procedimento de aplicação de alta tensão por várias vezes e em distâncias diferentes. • O brilho apresentava diferenças mas não desaparecia; • Desligando o tubo de alta tensão, não havia mais brilho. • Roentgen teve a ideia de colocar a mão na frente do tubo e viu seus ossos projetados na tela • Estes raios foram chamados de X, pois não era conhecido este tipo de radiação, que atravessava madeira, papel e até o corpo humano. • Tentando barrar o feixe de raio x, segurou um disco de chumbo e percebeu a sombra do disco projetada sobre a placa fluorescente, ou seja, CHUMBO era a única coisa que parava os raios. • 22 de dezembro de 1895: 1ª radiografia em humanos. • Mão de Anna Bertha Roentgen (esposa). Com o descobrimento de Roentgen dá-se o desenvolvimento no estudo da Radiologia (estudo das radiações ionizantes). Radiações ionizantes: são empregadas no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças. A radiação natural ou artificial. Natural: radiação ultravioleta (raios UV) e a infravermelha, sendo o Sol a principal fonte. Radiação ultravioleta artificial: lâmpadas fluorescentes ou câmaras de bronzeamento artificial. História da radiologia no Brasil • O 1º aparelho de raio x foi trazido pelo médico José Carlos Ferreira Pires para a cidade de Formiga, em MG. • 1898: 1ª radiografia no Brasil foi feita no ministro Lauro Muller. • Janeiro de 1938 : medicina veterinária Equipamentos: fixo ou móvel( portátil). • Fixo: equipamento de maior potência, maior capacidade de miliamperagem ( define a densidade radiográfica : miliamperagem X tempo (s)) e de kilovoltagem (responsável pela escala de contraste: 2x espessura + constante do aparelho ). • Portátil: equipamento de potência menor. A forma de captação da radiação pode ser feita através do filme convencional (em desuso) e digital (CR e DR). CR (radiografia computadorizada): placa de imagem que fica dentro do chassi (cassete) e substitui o filme convencional. Equipamento fixo para melhor resultado. DR (radiografia digital): placa fechada (chassi) que capta a radiação, mais sensível à radiação. Equipamentos radiológicos • Fixo: sala exclusiva para sua utilização, com suprimento adequado de energia e espaço para movimentação do paciente. Local reservado para o operador controlar o equipamento à distância, mesa onde se realizam os exames. • Módulos do equipamento fixo: Cabeçote do equipamento: ampola (tubo) de raios x, onde se produz a radiação propriamente dita; Torre: é a coluna onde está preso o cabeçote; Mesa Bucky: local que permite acomodar o paciente e posicioná-Io para a aquisição das imagens; Painel de comando: através do qual e feita à seleção de parâmetros de controle e o acionamento do feixe de raios X para a aquisição da imagem. Ampola Colimador TorreMesa Painel de comando Bandeja para inserir o chassi • Portátil: tamanho e peso cabíveis para ser transportado por uma única pessoa. • Profissional volante. Formação do raio x Ocorre dentro da ampola De um lado ânodo, do outro cátodo; Cátodo forma uma nuvem de elétrons; Por diferença de potencial elétrico entre cátodo e ânodo, a nuvem é impulsionada pelo vácuo em direção ao alvo; Sai da ampola, passa pelo colimador que controla o campo a ser radiado. Proteção radiológica veterinária • Tempo: menor número de exposições (ambiente calmo, paciente calmo); • Barreira física : EPI plumbiferos (avental, protetor de tireoide, óculos e luvas); • Distância: quanto maior a distância do foco primário, menor a radiação recebida; • Colimação: diminui a quantidade de radiação secundária. Proteção radiológica veterinária Tipos de exame radiográfico • Simples: não utiliza nenhum meio de contraste • Contrastado: utiliza contraste. • Contraste positivo: bário e iodo (torna a imagem mais branca) Esofagogastrografia - bário • Contraste negativo: ar e óxido nitroso (torna a imagem mais preta **pouco utilizado**). Pneumocistografia Radiopacidade (radiodensidade) • É um termo que se refere à habilidade da radiação dos raios x de passar por um determinado material. Estruturas com densidade alta barram completamente a passagem dos raios-x, impedindo que eles atinjam o filme radiográfico, portanto, a imagem ficará branca. Ex: ossos Estruturas com densidade intermediária barram parcialmente os raios-x, fazendo com que apenas uma parte da radiação X emitida atinja o filme. Desse modo, a imagem ficará cinza. Ex: músculo, bexiga, coração. Estruturas com baixa densidade deixam passar livremente a radiação, a imagem ficará preta. Ex: pulmão, traqueia. Terminologia • Le ou E para lado esquerdo. • Ld ou D para lado direito. • M para medial. • Cr para cranial. • Cd para caudal. • O para oblíquo. • D para dorsal V para ventral. L para lateral. R para rostral. Pa para palmar. Pl para plantar Planos anatômicos • Caudal: refere às partes de trás da cabeça, do pescoço e parte “de trás” dos membros voltadas para a cauda do animal. • Cranial: é o contrário da caudal, ou seja, se refere às partes do pescoço, tronco e parte “ da frente” dos membros. • Distal: tudo o que está distante do centro do corpo. Ex: extremidade inferior do membro torácico. • Proximal: tudo o que está próximo do centro do corpo. Ex: extremidade superior do membro torácico. • Ventral: superfície do corpo esternal ou abdominal (“embaixo”). • Dorsal: inverso de ventral (“em cima”). • Palmar: membro torácico ( “ palma da mão”). • Plantar: membro pélvico (“ planta do pé”). Rostral: tudo que está em direção à cabeça ou ao focinho do paciente. Posicionamento radiográfico • Decúbito dorsal (incidência ventrodorsal) • Decúbito ventral (incidência dorsoventral) • Decúbito lateral direito ou esquerdo (incidência látero lateral direita ou esquerda) Como dar nomes às projeções radiográficas? • Membros Torácicos 1. De escápula até ossos do carpo em decúbito/incidência: • Lateral: médio-lateral. • Ventral: crânio-caudal. • Dorsal: caudo-cranial. 2. Do carpo até falanges em decúbito/incidência: • Ventral: dorso-palmar. • Dorsal: palmaro-dorsal Membros Pélvicos 3. Do fêmur até ossos do tarso em decúbito/incidência: • Lateral: médio-lateral • Ventral: caudo-cranial • Dorsal: crânio-caudal 4. Do tarso até falanges: • Decúbito ventral: plântaro-dorsal • Decúbito dorsal: dorso-plantar Alterações radiográficas: 1. Lesões ósseas causadas por alterações: a) Traumáticas; b) Nutricionais; c) Alterações de desenvolvimento; d) Infecciosas; e) Neoplásicas. 2. Respostas à injúria: A. Diminuição da radiopacidade : a) Osteopenia (generalizada) : perda gradual da massa óssea, comprometendo a resistência dos ossos. b) Osteólise (focal): reabsorção ativa da matriz óssea com consequente redução de massa óssea. B. Aumento da radiopacidade: a)Esclerose (aumento da densidade óssea): endurecimento anormal do tecido ósseo. Região maxilar aumentada em decorrência do hiperparatireoidismo renal secundário. Diminuição da radiopacidade óssea e da trabeculação. Perda de lâmina dura, aspectos de “dentes “voando Setas: perda da sustentação óssea