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Revista Multidisciplinar em Saúde ISSN: 2675-8008 V. 4, Nº 2, 2023
DOI: 10.51161/convesp2023/20093
 
 
MUCOCELE EM CANINO: RELATO DE CASO 
 
BRUNA ZIMMER MARTINS; CAROLINE RAFAELA FRANCO; FERNANDA 
CAMARGO NUNES; VITÓRIA DA FONSECA JUSTO 
 
RESUMO 
 
A mucocele salivar nada mais é que o acúmulo de saliva anormal próximo aos ductos excretores 
ou nas glândulas salivares. Essa alteração advém de duas principais causas, sendo elas o trauma 
ou a obstrução do ducto salivar excretor. Na rotina clínica de pequenos animais, acomete 
comumente caninos machos de meia idade. O principal sinal clínico é aumento de volume e 
distorção do contorno facial. O diagnóstico se dá pela anamnese, sinais clínicos e exames 
complementares, sendo o principal deles a citologia através de punção aspirativa por agulha 
fina (PAAF). O tratamento indicado é cirúrgico. O presente trabalho tem por objetivo analisar 
a evolução da mucocele de um paciente da raça Shih-tzu, com 11 anos de idade, atendido no 
Centro Veterinário Murialdo com queixa principal de aumento em topografia de glândula 
salivar mandibular esquerda. Nesse caso, o tratamento medicamentoso, associado a profilaxia 
dentária, teve resultados positivos, não sendo necessário submeter o paciente a 
sialoadenectomia. 
 
Palavras-chave: Cães; sialocele; glândula salivar; sialoadenectomia; tratamento. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Os caninos possuem diversas glândulas salivares as quais podem ser divididas nas 
chamadas glândulas maiores e menores. As Glândulas maiores são as parótidas, sublinguais, 
zigomáticas e submandibulares, já as menores se distribuem em toda a cavidade oral, como os 
lábios, bochecha, língua, palato, faringe e esôfago. É válido ressaltar que a saliva tem por 
funções a termorregulação, lubrificação, umidificação e auxilia na digestão de alimentos 
(FURTADO et al., 2017). 
Essa anomalia que pode ser chamada, também de sialocele, é considerada comum em 
cães machos adultos. Os pacientes acometidos pela mucocele podem apresentar diferentes 
sinais clínicos, dentre os quais, aumento no volume facial contornos submandibulares 
distorcidos, dor ao abrir a boca, raspam das patas na boca, halitose, sialorréia intensa, disfagia, 
perda dentária, exoftalmia e, em casos mais graves e avançados, tosse, dispneia, descarga nasal, 
rinite crônica, anorexia, perda de peso ou fratura patológica (da mandíbula ou da maxila) por 
comprometimento ósseo grave (SOUZA et al., 2019). 
As causas dessa afecção podem ser infecciosas, traumáticas, neoplásicas, idiopáticas ou 
obstrutivas por cálculos mineralizados, os chamados sialólitos. Não é comprovado que haja 
predisposição genética, porém, as raças poodles, pastores alemães, yorkshires e dachshunds são 
os mais comumente acometidos. O diagnóstico se dá pela anamnese, exame físico somado a 
punção aspirativa por agulha fina para citologia do material coletado. Além disso, pode ser 
solicitado radiografia simples, cujo intuito é investigar a presença de sialólitos ou corpos 
RELATO DE CASO: MUCOCELE CERVICAL
JÁ USEI TODO O TEXTO DA INTRODUÇÃO
Revista Multidisciplinar em Saúde ISSN: 2675-8008 V. 4, Nº 2, 2023
DOI: 10.51161/convesp2023/20093
estranhos (DIAS et al., 2013). 
O objetivo deste trabalho é relatar o caso de um paciente canino, de 11 anos, 
diagnosticado com mucocele salivar. Esse paciente apresentava aumento no lado esquerdo em 
topografia de glândula salivar submandibular, levando a suspeita de mucocele, a qual se 
comprovou através do resultado da citologia. Até o resultado do exame ficar pronto foi 
introduzido tratamento para alivio de dor com predinizolona e tramadol. Após 5 dias o paciente 
retornou sem nenhuma inflamação no local, não sendo necessário cirurgia para retirada da 
glândula. 
 
2 RELATO DE CASO 
 
Foi atendido no Centro Veterinário Murialdo, na Unidade de Pequenos Animais, um 
paciente da espécie canina, com onze anos de idade, pesando 12,2 kg. Durante a anamnese foi 
relatado pelo tutor o aumento de volume no lado esquerdo do pescoço dois dias antes da data 
da consulta, o qual havia crescido significativamente de um dia para o outro. Ademais, o animal 
apresentava dor ao toque na região e, por isso, a proprietária administrou 12 gotas de dipirona 
dia anterior ao atendimento. 
Ao exame físico, o paciente apresentou temperatura de 39,2°C, linfonodo 
submandibular esquerdo aumentado e presença de uma massa em topografia de glândula salivar 
submandibular esquerda. Além disso, foi observada doença periodontal grau IV, não sendo 
descrita outras alterações. Perante os achados no exame físico, suspeitou-se de mucocele, fístula 
dentária, neoplasia ou linfadenopatia e, por isso, foram solicitados exames complementares. O 
exame realizado inicialmente foi de citologia, cuja coleta se deu por punção aspirativa por 
agulha fina (PAAF). Somado a isso, até se ter o resultado da citologia, foi receitado medicações 
para reduzir a dor e desconforto do paciente, sendo esse prednisolona na dose de 10mg/kg, BID 
e tramadol 50mg/kg TID, ambos durante 4 dias. 
O resultado do exame citológico foi compatível com mucocele salivar (sialocele) sem 
presença de células neoplásicas, então, solicitou-se o retorno do paciente para coleta de exames 
de sangue pré-operatórios, seguido da realização de sialoadenectomia. No retorno, o paciente 
não apresentava mais aumento de volume no local, não sendo necessária a realização de 
tratamento invasivo. Porém a indicação foi a realização da profilaxia dentária, onde nove dentes 
foram extraídos. 
Para MPA utilizou-se 0,6ml de zoletil e 0,2ml de metadona, ambas intramusculares. No 
acesso venoso com soro NaCl 0,9%, para indução anestésica, aplicou-se 3,6ml de propofol. Já 
para manutenção foi utilizado isoflurano. Somado a isso, foram feitos bloqueios infiltrativos 
com lidocaína 2%. Os dentes extraídos foram os de número 101, 102, 103,110, 201, 202, 305, 
405 e 411. A sutura usada foi ponto simples isolado com fio poliglactina 4-0. No pós-operatório, 
receitou-se agemoxi, tramadol, flamavet e dieta pastosa por 4 dias. 
 
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 
 
Por conseguinte, a mucocele, como já dito, é uma alteração na(s) glândula(s) salivar(s) 
que acomete mais comumente a espécie canina quando comparada a felina. Essa afecção pode 
afetar diversos locais, sendo que a do paciente atendido era mucocele cervical. Esta é a mais 
comum de ocorrer (FOSSUM, 2002). 
A queixa principal era aumento de volume na região do pescoço e os achados no exame 
clínico foram, linfonodo submandibular esquerdo aumentado, dor na região aumentada, 
doença periodontal grau IV e consequente halitose, somado ao aumento de volume em 
topografia glândula salivar submandibular esquerda (SOUZA et al., 2019). A massa se 
apresentava flutuante, edematosa e dolorida, isso porque ocorre resposta inflamatória no local 
Revista Multidisciplinar em Saúde ISSN: 2675-8008 V. 4, Nº 2, 2023
DOI: 10.51161/convesp2023/20093
(FURTADO et al., 2017). 
No exame de sangue, na parte do leucograma, observou-se leucocitose por neutrofilia 
com desvio a direita, discreta trombocitose e nos bioquímicos, a fosfatase alcalina aumentada. 
Essas alterações são esperadas devido a resposta inflamatória (VILLALBA; SÁNCHEZ, 
2021). 
Já o material enviado para exame citológico revelou grande quantidade de material 
anfolitico amorfo mucinoso e hemácias entremeadas por ocasionais neutrófilos e macrófagos, 
o que condiz com a literatura (SOUZA et al., 2019). O resultado foi compatível com sialocele, 
não sendo observadas células neoplásicas na lâmina. 
Para aguardar o resultado que demorou alguns dias, foram receitadas medicações para 
o paciente sendo elas, prednisolona na dose de 10mg/kg, BID e tramadol 50mg/kg TID, 
ambos durante 4 dias, os quais, resultaram na redução da tumefação e ausência de dor 
(FURTADO et al., 2017). Após o tratamento, no retorno do paciente para receber o resultado 
da citologia e o encaminhamento adequando, que neste caso é cirúrgico, o paciente havia 
apresentado melhora (FURTADO et al., 2017).Então, sugeriu-se realização de profilaxia 
dentária, já que se suspeitou que a causa dessa mucocele poderia ser corpo estranho. 
Caso fosse realizado ressecção da glândula salivar comprometida, a sialoadenectomia 
seria abordada lateralmente: incisão elíptica de pele entre o ângulo da mandíbula e pescoço, 
tecido subcutâneo e músculos platisma e parotidoauricular são incisados, expondo a glândula 
mandibular esquerda, nesse caso, veias e nervos. Deve-se fazer o rompimento da cápsula da 
glândula, trancionando o parênquima caudalmente. Além disso, incisa-se os músculos masseter 
e digástrico para facilitar a dissecação e exposição da mesma. A síntese deve ser em padrão de 
sutura simples separado com fio absorvível (NARDI et al., 2019). Porém, o animal passou por 
profilaxia dentária, com anestesia geral inalatória, ambas já descritas acima. 
 
4 CONCLUSÃO 
 
Frente ao relato, pode-se afirmar que a administração prednisolona, que é um anti- 
inflamatório esteroidal, deve ser considerada em tratamentos conservativos de mucocle/ 
sialocele. Entretanto, mais estudos frente a isso precisam ser realizados para concretização 
dessa afirmação. 
 
REFERÊNCIAS 
 
DIAS, Fernanda Gosuen Gonçalves et al. Mucocele em Cães. Enciclopédia Biosfera, Goiânia, 
v.9, n.16, p. 1534- 1543, 2013. DOI: 
http://www.conhecer.org.br/enciclop/2013a/agrarias/mucocele.pdf 
 
FOSSUM, Theresa Welch. Cirurgia de pequenos animais. São Paulo: Elsevier Brasil, 2014. 4 
ed. Vol. 1. 
 
FURTADO, Maria Carolina da Silveira et al. Mucocele faríngea em cães: Revisão de 
literatura. Revista Brasileira de Higiene e Sanidade Animal, Fortaleza, v.11, n.4, p. 448 – 455, 
out - dez 2017. DOI: file:///C:/Users/User/Desktop/419-3470-1-PB.pdf 
 
NARDI, Rodrigo Barbosa et al. Casos de Rotina Cirúrgica em Medicina Veterinária de 
Pequenos Animais. São Paulo: MedVet, 2019. p. 92-93. 
 
VILLALBA, Ignacio López; SÁNCHEZ, Ignacio Mesa. Guia Prático de Interpretação 
Lbaoratorial e Diagnóstico Diferencial de Pequenos Animais: Hematologia e Bioquímica. São 
Revista Multidisciplinar em Saúde ISSN: 2675-8008 V. 4, Nº 2, 2023
DOI: 10.51161/convesp2023/20093
Paulo: MedVet, 2021. 
 
SANTA, C. L. et al. Mucocele Salivar Complexa em Cão: Relato de caso. In: 12 º 
CONPAVET. 
DOI:https://www.revistamvezcrmvsp.com.br/index.php/recmvz/article/view/24107/24953 
 
SOUZA, Mary’Anne Rodrigues et al. Mucocele salivar em canino: relato de caso. Pubvet 
Medicina Veterinária e Zootecnia, Aracaju, v.13, n.12, a474, p.1-3, dez. 2019. DOI: 
https://web.archive.org/web/20200211185853id_/http://www.pubvet.com.br/uploads/e 
d9ccfc7693d444baa7bd409194dbe67.pdf