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UNIDADE 1 – ARTICULAÇÃO ENTRE 
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) 
E SISTEMA DE ÚNICO DE 
ASSISTÊNCIA SOCIAL (SUAS)
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO
2
Prezado (a) cursista,
É com grande satisfação que iniciamos a primeira unidade des-
te curso. Nela, você conhecerá as ofertas e o funcionamento, em âm-
bito nacional, do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Sistema Único 
de Assistência Social (SUAS), bem como a articulação multissetorial 
para o cuidado das pessoas em situação de vulnerabilidade social 
com sífilis, HIV/AIDS, hepatites virais, tuberculose ou com hansenía-
se. Esperamos que, ao final desta unidade, você seja capaz de:
• Caracterizar as bases conceituais do SUS e SUAS;
• Diferenciar o funcionamento da rede de atenção à saúde e de pro-
teção social;
• Identificar os desafios de acesso das populações mais vulneráveis;
• Reconhecer os serviços e programas de saúde e de assistência social 
oferecidos pelo SUS e pelo SUAS, com foco no acesso à saúde e na 
proteção social das pessoas em situação de vulnerabilidade social;
• Identificar as competências colaborativas para o desenvolvimento 
de ações integradas entre o SUS e SUAS;
• Reconhecer a importância das articulações entre saúde e assistên-
cia social para melhorar as condições do cuidado das pessoas em 
situação de vulnerabilidade social com sífilis, HIV/AIDS, hepatites 
virais, tuberculose ou hanseníase.
Agora, iniciaremos nossa jornada em busca do conhecimento! 
Vamos lá?
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO
3
AULA 1 – COMPREENDENDO 
O SUS: SEUS CONCEITOS, 
OBJETIVOS E FORMAS 
DE ORGANIZAÇÃO
Olá!
Vamos começar esta aula conhecendo um pouco mais sobre o Sistema Único 
de Saúde – SUS. Você sabia que o SUS se organiza em níveis de atenção à saúde? 
Conhece as ferramentas conceituais importantes para que o trabalho em saúde seja 
realizado? Conhece equipes específicas para atuar junto às populações em condi-
ções de maior vulnerabilidade? Vamos responder a essas questões?
O objetivo desta aula é apresentar e discutir o que é o SUS, seus princípios, va-
lores, objetivos e modos de organização.
CONHECENDO AS BASES 
CONCEITUAIS E LEGAIS DO 
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – SUS
A base legal do Sistema Único de Saúde – SUS é composta por diversos de-
cretos, portarias, normatizações e medidas provisórias que se atualizam, porém a 
base que estrutura formalmente o sistema de saúde está contida em três documen-
tos. São eles: 1. A Constituição Federal de 1988, com o setor Saúde compondo com 
a Previdência e a Assistência Social, a Seguridade Social (BRASIL, 1988); 2. A lei 
8.080/1990, Lei Orgânica da Saúde, que dispõe no território nacional a organização 
e regulação das ações e serviços de saúde (BRASIL, 1990a); e 3. A lei 8.142/1990, 
que aponta, sobretudo, as formas de participação popular no SUS (BRASIL, 1990b).
Para compreendermos melhor o SUS, seus objetivos e sua forma de organiza-
ção, será importante recorrermos aos princípios desse sistema de saúde, a saber: 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO
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1. Os doutrinários, que indicam e orientam o horizonte ético do sistema de saúde 
(o “porquê” da existência do sistema e que valores ele defende para a população, 
enquanto uma política pública); e 2. Os princípios organizativos, que propõem a for-
ma de organização do sistema de saúde (indicando o “como” os serviços de saúde, 
equipes e secretarias de saúde, gestores, enfim, todos os que se relacionam com o 
SUS devem organizar as ações e serviços de saúde).
Ao apresentarmos os princípios do SUS, vamos destacar os que podem con-
tribuir com a aproximação entre o SUS e o Sistema Único de Assistência Social – 
SUAS. Agora, vamos conhecer com mais detalhes estes princípios?
Os princípios doutrinários do SUS
O princípio da universalidade
No campo da saúde, o princípio da universalidade tem sido a materialização 
de uma bandeira das lutas populares que a reivindicam no campo dos direitos hu-
manos e da construção da cidadania. A criação do SUS institui a saúde como um 
direito de qualquer cidadão brasileiro, independentemente de raça, escolaridade, 
religião, sexualidade, renda ou qualquer outra forma de discriminação, sendo um 
dever do Estado brasileiro prover as condições para a sua efetivação.
O princípio da universalidade dá sentido aos demais princípios e diretrizes do 
SUS na garantia do direito à saúde, tendo de acontecer de forma integral, equâni-
me, descentralizada e com participação popular (MATTA, 2007).
O princípio da equidade
O princípio da equidade é um dos mais valiosos, pois indica que a atenção à 
saúde deve levar em consideração as necessidades específicas de cada pessoa 
ou grupos de pessoas, ampliando o olhar do sistema de saúde para contemplar a 
multiplicidade e a desigualdade das condições sociossanitárias das pessoas e dos 
grupos populacionais.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO
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Se o SUS oferecesse exatamente o mesmo atendimento para todas as pessoas, 
da mesma maneira, em todos os lugares, estaria provavelmente oferecendo coisas 
desnecessárias para alguns, deixando de atender às necessidades de outros, man-
tendo as desigualdades (BRASIL, 2000, p. 32).
Colocar a equidade em prática é um desafio permanente e di-
nâmico, que merece a atenção constante dos serviços e das equi-
pes de saúde. Nesse contexto, o conceito de vulnerabilidade pode 
nos ajudar a refletir e atuar na perspectiva da equidade. Para Ayres 
(2009), a vulnerabilidade é constituída por condições estruturais que 
tornam determinados grupos populacionais mais vulneráveis que ou-
tros. Com esta compreensão, o autor desloca a lógica “culpabilizante” 
e individualizante contida, por exemplo, na noção de grupos de risco, 
para uma perspectiva coletiva, relacional (ou política) e que exige que 
as possibilidades de transformação se deem por meio de construção 
de redes de proteção para as pessoas ou grupos populacionais. Pos-
sibilitamos, assim, a transformação dos contextos de vulnerabilidade 
(AYRES, 2009).
Desse modo, não falamos de vulnerabilidade enquanto incapa-
cidade ou mesmo fraqueza, mas sim como condições sociais estrutu-
rais que fazem com que a sobrevivência seja mais difícil para alguns 
do que para outros, aumentando a probabilidade e causando com 
frequência sofrimento, adoecimento e exposição a situações de risco. 
“Como via de mão dupla, as relações sociais vulneráveis permeiam 
toda a sociedade” (AYRES, 2009, p. 67), envolvendo usuários, famílias, 
grupos, trabalhadores de saúde, equipes e serviços. Nessa perspecti-
va, cuidar de modo equânime inclui considerar todas as possibilidades 
e limites de pessoas e grupos atendidos, para que estas condições 
sejam consideradas na construção de ofertas de cuidado e atenção.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO
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A construção de ações específicas, para grupos populacionais específicos, que 
levem em consideração as especificidades dos jovens, das mulheres, dos idosos, das 
pessoas que vivem com o vírus HIV, das gestantes, dos homens, das pessoas que 
têm problemas na relação com álcool e outras drogas, das pessoas com sofrimento 
psíquico, ou pessoas privadas deliberdade podem ser exemplos de estratégias para 
oportunizar o acesso, a atenção e o cuidado em saúde de modo equânime. Essas 
ações podem ser sempre construídas em parceria com os serviços e as equipes lo-
cais, sobretudo com as da Assistência Social (CREAS, CRAS, entre outros).
O CRAS é o Centro de Referência da Assistência Social e o CREAS é o 
Centro de Referência Especializado da Assistência Social. Os dois ser-
viços/equipamentos são da Rede SUAS (Sistema Único de Assistência 
Social) e serão descritos com mais detalhes ao longo da Unidade 1.
O princípio da integralidade
A concepção de integralidade surge, entre outras questões, para enfrentar uma 
lógica de fragmentação na assistência em saúde, uma forma de possibilitar um olhar 
mais complexo por parte das equipes e serviços de saúde. O ponto central dessa 
discussão é a ideia de reconexão. Um certo “modelo” fragmentado se inscreveu 
em várias instâncias da produção de cuidado em saúde no Brasil (MATTOS, 2001). 
Mattos (2001) propõe três sentidos para o princípio da integralidade. O primeiro 
sentido da integralidade trabalhado pelo autor é o da prática em saúde integral. 
A boa prática em saúde faz uma crítica ao modelo hegemônico que envolve uma ati-
tude fragmentária, especializada e biologicista em relação às pessoas e aos grupos. 
Seria a construção de uma possibilidade de encontro entre o profissional de saú-
de e o usuário que primaria pela ampliação dos modos de entender e operar os 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO
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processos de saúde-doença, sendo “um valor a ser sustentado e defendido nas prá-
ticas dos profissionais de saúde” (MATTOS, 2001, p. 71).
O segundo conjunto de sentidos da integralidade abordado pelo autor é a for-
ma como os serviços de saúde são organizados. Clínica e epidemiologia deveriam 
andar de mãos dadas na busca de soluções mais eficazes para responder às neces-
sidades observadas pelas unidades de saúde em seus territórios, contribuindo com 
um modo de organizar os processos de trabalho, otimizando seus impactos epide-
miológicos, em uma perspectiva de ações programáticas horizontalizadas (MAT-
TOS, 2001; CAMARGO Jr, 2007).
O terceiro conjunto de sentidos da integralidade trabalhado por Mattos (2001) 
é o das respostas governamentais a determinados problemas de saúde ou às ne-
cessidades de grupos específicos. Nesse sentido atribuído à integralidade, a relação 
com as demais políticas públicas, em especial a Assistência Social, fica evidente. 
Quanto mais plurais e complexas as ações públicas, não se reduzindo às questões 
de saúde específicas, levando em consideração fatores culturais, étnicos, entre ou-
tros, maiores serão as chances de efetividade das ações públicas.
Vimos como os princípios doutrinários do SUS revelam uma política pública 
implicada com valores como a cidadania e a responsabilidade coletiva. Agora, va-
mos ver como esses princípios doutrinários ganham forma na vida real, no dia a 
dia do SUS. Você sabia que a distribuição dos serviços pelos bairros das cidades, 
a organização dos serviços de saúde para atender aos diferentes tipos de proble-
mas de saúde e as formas da população decidir sobre o funcionamento dos ser-
viços também são orientados por princípios do SUS (os organizativos)? Vamos 
conhecer alguns deles.
Princípios organizativos
Este princípio do SUS se relaciona com a orientação das formas de organização 
do acesso ao sistema, apontando que este ocorre de acordo com a complexidade 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO
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do problema e em nível crescente de complexidade: casos mais comuns vão para a 
Atenção Básica; casos complexos para a Atenção Secundária e Terciária.
Regionalização: constituição de regiões de saúde considerando as carac-
terísticas semelhantes, e também considerando a Rede de Atenção à Saúde, si-
tuação de saúde, características populacionais, indicadores, entre outros fatores, 
com o objetivo de garantir a melhor gestão do sistema, favorecendo ações mais 
localizadas e otimizadas.
Hierarquização: estabelece a organização da Rede de Atenção à Saúde em 
serviços de níveis de complexidade: Atenção Básica ou Primária, Atenção Secun-
dária e Atenção Terciária de saúde.
Descentralização político-administrativa
Este princípio trata da distribuição das responsabilidades entre as esferas de 
governo (municipal, estadual e federal). Problemas nacionais têm que ser tratados 
pelo governo federal, problemas de um estado pelo governo estadual, problemas 
municipais pela prefeitura. Implica na transferência de poder de decisão sobre a 
política de saúde do nível federal (Ministério da Saúde – MS) para os estados (Se-
cretaria Estadual de Saúde – SES) e municípios (Secretaria Municipal de Saúde – 
SMS). A transferência envolve também a administração dos recursos financeiros, 
humanos e materiais.
Controle social ou participação comunitária
O princípio do Controle Social é a garantia de que o povo brasileiro participa 
na construção das políticas de saúde e no controle de sua execução. Essa participa-
ção acontece nas Conferências de Saúde (a cada 4 anos) e nos Conselhos de Saú-
de municipal, estadual e federal (geralmente com frequência de reunião mensal). 
É a garantia constitucional de que a população, por meio de suas entidades repre-
sentativas, participará do processo de formulação das políticas de saúde e do con-
trole da sua execução, em todos os níveis, desde o local até o federal.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO
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Caro cursista, este conteúdo será trabalhado com maiores detalhes 
na Unidade 3.
Agora que você já conheceu um pouco mais sobre os princípios que orien-
tam e organizam o Sistema Único de Saúde, vamos avançar e saber mais sobre 
os níveis de atenção no SUS?
OS TRÊS NÍVEIS DE 
ATENÇÃO NO SUS
Como vimos no tópico “Regionalização e hierarquia”, o SUS está organizado 
em níveis crescentes de complexidade no que se refere à atenção à saúde. Segun-
do essa lógica, os serviços de saúde são classificados como Atenção Básica ou 
Primária, Secundária e Terciária, conforme o grau de complexidade, intensidade de 
atenção e cuidado exigido para cada situação de saúde, assim como para a neces-
sidade de densidade tecnológica requerida nos procedimentos realizados.
A Atenção Básica ou Primária (AB/APS) é a porta de entrada preferencial 
do SUS, tendo em vista que são serviços que estão mais próximos das pessoas, de 
onde a população vive a sua vida (atuando a partir das localidades específicas e 
também acompanhando sempre a mesma população local), podendo atuar no cam-
po do cuidado, da prevenção, da promoção de saúde, da reabilitação, da redução 
de danos, etc., com uma capacidade resolutiva importante, sobretudo por trabalhar 
imersa na cultura local. Vamos conhecê-las como as Unidades Básicas de Saúde 
(conhecidas também como Postos de Saúde ou Clínicas da Família ou, ainda, como 
Unidades de Saúde da Família).
A Atenção Básica ou Primária é constituída pelas Unidades Básicas de Saú-
de – UBS (conhecidas também como Postos de Saúde ou Clínicas da Família), 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO
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pelas Equipes de Saúde da Família (ESF), pelas Equipes de Saúde Bucal (ESB), 
pelos Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf AB), pelas 
Academias da Saúde (que ficaminstaladas geralmente nas praças e espaços públi-
cos da cidade), pelas ações de práticas integrativas e complementares, entre outras 
equipes e programas, que abrem um amplo repertório de ofertas em saúde para a 
população local. O modo de atuar junto à população de uma determinada localida-
de é muito próximo à forma como se organizam os CRAS, sendo este serviço um 
parceiro fundamental para as equipes que atuam na UBS.
Na UBS, a população poderá encontrar consultas médicas, consultas de 
enfermagem, inalações, injeções, curativos, vacinas, coleta de exames 
laboratoriais, tratamento odontológico, atendimentos em grupos, ações 
de promoção de saúde, entre outras. Quando na UBS existe uma equipe 
de Nasf AB, também poderão ser encontradas ações de saúde no cam-
po da Psicologia, Nutrição, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Educação 
Física, entre outras.
A Atenção Secundária é o lugar da média complexidade no SUS. São os am-
bulatórios de especialidades, as Unidades de Pronto Atendimento, as Policlínicas. 
Na Atenção Secundária, a complexidade da assistência na prática clínica demanda 
profissionais especializados e a utilização de recursos tecnológicos para o apoio ao 
diagnóstico e tratamento. É adequada para os casos que exijam que a intensidade 
de cuidado e densidade tecnológica seja intermediária entre a Atenção Básica ou 
Primária e a Terciária, que será explicitada a seguir (BRASIL, 2007).
As equipes profissionais nos serviços da Atenção Secundária são compostas 
por especialidades médicas e especialidades não-médicas (Odontologia, Nutrição, 
Assistência Social, Psicologia, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, 
Farmácia, entre outras). O processo de trabalho nesse serviço deve ser organizado 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO
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tendo como fluxo de entrada preferencial os casos encaminhados pela Atenção 
Básica ou Primária. Os casos devem manter sempre uma relação de contato/co-
municação, compartilhando as informações clínicas com a AB/APS, com o objetivo 
de sustentar a integralidade do cuidado. O processo descrito aqui caracteriza o que 
denominamos de referência e contrarreferência, indicando que as informações e, 
sobretudo, a responsabilidade pelos encaminhamentos deve ter “mão dupla”, vai e 
volta, responsabilidade de quem encaminhou e também de quem está “devolven-
do” o paciente para a Atenção Básica ou Primária.
A Atenção Terciária é o nível de atenção no SUS de alta complexidade, tendo 
como espaço o hospital. Designa o conjunto de terapias e procedimentos de eleva-
da especialização, sendo responsável pela assistência aos usuários que apresentem 
potencial de instabilização e de complicações de seu estado de saúde.
A Atenção Terciária envolve também procedimentos que envolvem alta 
tecnologia e/ou alto custo, como Oncologia, Cardiologia, Oftalmologia, 
transplantes, parto de alto risco, Traumato-ortopedia, Neurocirurgia, di-
álise (para pacientes com doença renal crônica), Otologia (para o trata-
mento de doenças no aparelho auditivo). Pode envolver ainda a assis-
tência em cirurgia reparadora (de mutilações, traumas ou queimaduras 
graves), cirurgia bariátrica (para os casos de obesidade mórbida), ci-
rurgia reprodutiva, reprodução assistida, genética clínica, terapia nutri-
cional, distrofia muscular progressiva, osteogênese imperfeita (doença 
genética que provoca a fragilidade dos ossos) e fibrose cística (doença 
genética que acomete vários órgãos do corpo causando deficiências 
progressivas), entre outras ofertas especializadas.
Geralmente, para chegar ao hospital, o usuário é encaminhado depois de ser 
atendido por uma UBS ou em um serviço da Atenção Secundária, dependendo de 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO
12
cada caso. Vale frisar que esse fluxo acontece tendo em vista o processo de troca 
de informações entre os níveis de atenção no SUS.
Vimos nesta aula que o SUS se organiza a partir de princípios e valores mui-
to caros à cidadania. Além disso, o SUS estabelece níveis de atenção à saúde que 
exigem o nosso conhecimento para que possamos oferecer para a população as 
melhores e mais oportunas formas de circulação por esses níveis (Atenção Bási-
ca ou Primária, Secundária e Terciária), levando em consideração as ações clínicas 
específicas de cada um deles. Na próxima aula, saberemos mais sobre as redes de 
atenção à saúde e seus fluxos. Vamos lá?
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AULA 2 – NOÇÕES CONCEITUAIS E ORGANIZACIONAIS DAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE E SEUS FLUXOS
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AULA 2 – NOÇÕES CONCEITUAIS 
E ORGANIZACIONAIS DAS 
REDES DE ATENÇÃO À 
SAÚDE E SEUS FLUXOS
Olá!
Dando sequência à nossa aula sobre os princípios e valores do SUS, nesta 
aula, vamos conversar sobre a da Rede de Atenção à Saúde, seus componentes, 
sua organização e também sobre como podemos trabalhar em rede, seguindo 
uma lógica de trabalho que inclua uma visão e ações mais amplas e complemen-
tares junto à população.
O objetivo desta aula é descrever as Redes de Atenção à Saúde e mostrar 
como o trabalho em rede pode ser potencializado pelos trabalhadores. Vamos ini-
ciar conhecendo o conceito de Redes de Atenção à Saúde. Você sabe qual o ob-
jetivo das Redes de Atenção?
O CONCEITO DE REDES 
DE ATENÇÃO À SAÚDE
As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são as formas de organização dos con-
juntos de serviços de saúde, ligados entre si por uma missão única, por objetivos 
comuns e por um tipo de ação cooperativa e interdependente, que possibilitam 
oportunizar atenção contínua e integral a determinada população, tendo a Atenção 
Básica como coordenadora da rede (MENDES, 2011).
Os elementos principais dessa definição são: têm missão e objetivos comuns; 
operam de forma cooperativa e interdependente; realizam constantemente o in-
tercâmbio de seus recursos; são organizadas sem hierarquia entre os diferentes 
componentes, de modo que todos os pontos de atenção à saúde são igualmente 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AULA 2 – NOÇÕES CONCEITUAIS E ORGANIZACIONAIS DAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE E SEUS FLUXOS
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importantes e se relacionam de forma horizontal; funcionam sob coordenação da 
Atenção Básica; ofertam atenção em tempos e lugares certos, de forma eficiente e 
oferecendo serviços seguros e efetivos, em consonância com as evidências dispo-
níveis; e geram valor de uso para a sua população (MENDES, 2011).
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Figura 1 – A Rede de Atenção à Saúde organizada a partir da AB como centro de comunicação.
Fonte: Adaptado de Mendes (2011).
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AULA 2 – NOÇÕES CONCEITUAIS E ORGANIZACIONAIS DAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE E SEUS FLUXOS
15
Para complementar seus conhecimentos sobre o tema das re-
des, temos os vídeos:
1. Redes de Atenção à Saúde (15 min.)
2. Modelo de atenção às condições crônicas, em níveis de atenção 
(12 min.)
3. Diferenças entre os modelos de atenção (agudas e crôni- 
cas), equipe multiprofissional, atenção à família, cuidado comparti-
lhado, trabalho em grupo, plano de cuidado etc. (11min.)
4. Tecendo Redes entre Gestão e Cuidado (36 min.)
Os três principais elementos das Redes de Atenção à Saúde são a população, 
a estrutura operacional e o modelo de atenção à saúde.
A população é a própria razãode ser de uma rede de atenção. É necessário 
conhecer suas características, suas necessidades de saúde, o território onde vive, 
os riscos singulares de cada segmento dessa população, suas condições de vulne-
rabilidade, seus contextos culturais, econômicos, de lazer, de mobilidade, contextos 
educacionais, seus valores morais e éticos.
A estrutura operacional das Redes de Atenção à Saúde é composta por cin-
co componentes: o centro de comunicação (a AB); os pontos de atenção secundá-
rios e terciários (onde se ofertam determinados serviços especializados); os siste-
mas de apoio (apoio diagnóstico e terapêutico, da assistência farmacêutica e dos 
sistemas de informação em saúde); os sistemas logísticos (soluções tecnológicas, 
baseadas nas tecnologias de informação, para garantir a organização racional dos 
fluxos e contrafluxos de informações, produtos e pessoas na RAS); e o sistema de 
governança da RAS (arranjo organizativo que possibilita a gestão dos componentes 
da RAS, de modo cooperativo, potencializando a interdependência entre os atores 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AULA 2 – NOÇÕES CONCEITUAIS E ORGANIZACIONAIS DAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE E SEUS FLUXOS
16
sociais envolvidos, com o objetivo de obter resultados sanitários e econômicos para 
a população) (MENDES, 2011).
O modelo de atenção à saúde é composto por sistemas lógicos que organi-
zam o funcionamento das RAS. Existem fundamentalmente modelos de atenção à 
saúde para as condições agudas e crônicas. Veja no quadro a seguir.
Condições Agudas Condições Crônicas
Duração limitada Duração longa
Manifestação abrupta Manifestação gradual
Autolimitadas Não autolimitadas
Diagnóstico e prognóstico 
usualmente precisos
Diagnóstico e prognóstico 
usualmente incertos
Intervenção usualmente efetiva Intervenção usualmente com 
alguma incerteza
Resultado: A Cura Resultado: O Cuidado
Quadro 1 – As diferenças entre as condições agudas e as condições crônicas de saúde.
Fonte: Organização Mundial da Saúde (2003).
O SUS enfrenta ainda o desafio de ampliar o modelo de atenção às condições 
crônicas, visto que estas são as que mais iremos encontrar nos serviços de saúde, 
sobretudo na AB, e ofertar atenção às condições crônicas, tendo como base o mo-
delo de atenção às condições agudas (com maior força nas formações em saúde) 
(MENDES, 2011).
Nesse sentido, a atenção às condições crônicas deve envolver uma equipe 
multidisciplinar (e não se centralizar apenas em consultas médicas individuais) 
que atua com atendimentos programados e monitoramento das pessoas aten-
didas; além disso, atendimentos individuais ou em grupos que incluem ações 
preventivas, ações educacionais e ações de autocuidado apoiado, que deve ser 
monitorado de modo presencial, ou por meio de telefone ou, ainda, por correio 
eletrônico. As informações devem alimentar um sistema de informação de fácil 
acesso para as equipes envolvidas. Esses elementos possibilitam que as pesso-
as usuárias estejam informadas e ativas e a equipe de saúde preparada e proa-
tiva para produzir melhores resultados sanitários e funcionais para a população 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AULA 2 – NOÇÕES CONCEITUAIS E ORGANIZACIONAIS DAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE E SEUS FLUXOS
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(MENDES, 2011). Existem outras Redes de Atenção à Saúde no SUS, como a Rede 
de Atenção Psicossocial, a Rede Cegonha, a Rede de Cuidado à Pessoa com De-
ficiência e a Rede de Urgência e Emergência.
Os Fóruns de Território
Uma estratégia interessante para construir e solidificar o trabalho em 
rede em um determinado território é por meio dos Fóruns de Território. 
Esses Fóruns podem ter temas específicos, como, por exemplo: Saúde 
Mental, Criança e Adolescente, Atenção Básica, Serviços Territorializa-
dos (Estratégia de Saúde da Família, CRAS, CREAS, escolas etc.), Álcool 
e outras Drogas, Idosos, entre outros. O mais importante é que o Fórum 
tenha um tema que seja comum ao máximo de áreas possíveis (saúde, 
assistência social, educação, garantia de direitos, justiça, entre outros) 
e que possa fazer convergir interesses comuns. Os fóruns podem aconte-
cer uma vez por mês, bem como também serem itinerantes (em um mês 
acontece em um serviço de saúde, no seguinte em um serviço da assis-
tência social e assim por diante). Outro ponto importante é que sejam 
baseados no objetivo de resolver casos/questões/problemas concretos 
do território, para criar o interesse na participação dos atores desse ter-
ritório. Os Fóruns de Território podem ser divididos em: informes para 
a rede; discussão de casos; e Educação Permanente.
Para saber mais...
Veja, a seguir, alguns materiais de referência sobre o tema. Na nossa bi-
blioteca, acesse:
Guia Rápido para Organização de um Fórum 
de Saúde no Território (Marcelo Pedra)
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COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AULA 2 – NOÇÕES CONCEITUAIS E ORGANIZACIONAIS DAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE E SEUS FLUXOS
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Acesse, no Ambiente Virtual de Aprendizagem, vídeos com estratégias 
sobre como realizar o trabalho em rede:
Articulação SUS & SUAS
Articulação SUS & SUAS para o cuidado junto 
às pessoas que vivem com HIV/aids
Articulação SUS & SUAS para o cuidado junto às 
pessoas em situação de rua
Articulação SUS & SUAS para o cuidado junto às 
pessoas com Tuberculose e Hanseníase
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COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO 
DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS
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AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” 
PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM 
MULTISSETORIAL PARA O 
CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, 
HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, 
TUBERCULOSE OU SÍFILIS
Olá!
Nesta aula, vamos aprofundar o tema das ferramentas de trabalho que fa-
voreçam e facilitem o trabalho em rede e colaborativo. Também apresentaremos 
as equipes de saúde que trabalham junto às populações específicas e, em mui-
tas circunstâncias, em pessoas em situação de vulnerabilidade. Você sabia que é 
possível utilizar algumas metodologias de trabalho que podem facilitar o seu dia 
a dia nos serviços? Sabia que para lidar com casos complexos existem algumas 
estratégias para facilitar o trabalho compartilhado e colaborativo entre as equipes 
do SUS e do SUAS?
A abordagem multissetorial dos problemas de saúde, em especial das pessoas 
com HIV, hepatites virais, hanseníase, tuberculose ou com sífilis, inclui conhecer a 
estrutura e funcionamento do SUS, seus níveis de atenção, ofertas de cuidado e flu-
xos, mas inclui também conhecer e saber usar “ferramentas” conceituais, saberes 
e práticas que possibilitem aos trabalhadores e equipes realizar as abordagens de 
modo multissetorial, com mais facilidade.
Nesta aula, trabalharemos com os conceitos de escuta, de Redução de Danos, 
dos Serviços de Baixa Exigência, do Apoio Matricial e do Projeto Terapêutico 
Singular, que favorecem e facilitam o trabalho em rede e colaborativo.
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A FUNÇÃO DA ESCUTA NO 
TRABALHO EM SAÚDE
Caro cursista, pense um pouco sobre a importância da escuta como ferramen-
ta de trabalho. Você já fez algum trabalho de escuta com seus usuários? Você con-
versa com sua equipe sobre essa ferramenta?
A escuta é, sem dúvida, a primeira e talvez a mais importante destas “ferra-
mentas de trabalho”.
A escuta dos usuários pelotrabalhador e pelas equipes é um dos primeiros 
passos para a construção do vínculo, que será outro elemento central para que as 
reflexões sobre cada caso individual, familiar ou comunitário possam ser avaliadoras 
e para que as propostas de trabalho/cuidado possam ter mais chance de ganhar 
aderência por parte das pessoas envolvidas.
A escuta e o diálogo são habilidades próprias dos seres humanos, porém são 
construídos/fabricados, não são instintivos. Escutar é dar espaço para que o outro 
possa falar. Precisamos propiciar espaço para que o outro revele seus pensamentos, 
sentimentos, necessidades, alegrias, desejos, anseios, curiosidades, inquietações e 
dúvidas. É fundamental que a pessoa seja ouvida sem interrupções, sem inferências, 
sem opiniões por parte de quem escuta: simplesmente ficamos em silêncio para 
podermos escutar. Este procedimento clínico pressupõe reconhecer o outro, estar 
inteiramente disponível para o outro que diz e revela do seu mundo; temos de nos 
colocar abertos à “agenda” do outro, para que as possibilidades de conexão entre 
nós e o outro aconteçam (PACHECO, 2015).
Quando escutamos, é adequado não pressupormos o sofrimento do outro. Isto 
é, não anteciparmos os nossos medos e receios em relação à situação do outro 
sem antes ouvirmos das pessoas como elas estão e se sentem na perspectiva de-
las mesmas. Pressupor o sofrimento do outro, por maior que seja a sua condição 
de vulnerabilidade, poderá “tampar” nossos ouvidos e fazer com que não consiga-
mos escutar o que as pessoas pensam e sentem sobre si e sobre suas situações, 
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podendo fazer com que também percamos a chance de reconhecer quais são os
recursos que as pessoas têm para lidar com seus problemas (PACHECO, 2015).
 
Para saber mais sobre as estratégias de escuta e seus desdo-
bramentos, estas são boas referências complementares:
1. Caderno de Atenção Básica sobre Acolhimento 28.
2. Caderno de Atenção Básica de Saúde Mental 34. 
3. Guia Rápido para a escuta em saúde (Marcelo Pedra), que você 
pode encontrar na biblioteca do nosso curso.
REDUÇÃO DE DANOS NA AB
Redução de Danos (RD) é uma ética do cuidado, uma diretriz de trabalho do 
profissional e do serviço que, em Saúde Pública, visa lidar com as questões e os 
problemas relacionados a comportamentos e/ou situações e condições de risco 
(reforçado pela Política Nacional de Atenção Básica – PNAB, 2017), a partir da es-
cuta das vivências e singularidades das pessoas.
Atuar na perspectiva da RD é construir ações e ofertas em saúde baseadas na 
realidade dos(as) usuários(as) e nas relações entre trabalhador, usuário e serviços, 
considerando as possibilidades e limites de todos (conhecimentos, recursos, con-
textos, laços sociais etc.)
As prioridades são:
1. Reduzir, mitigar as consequências negativas dos comportamentos e/ou situações e condições 
de risco.
2. Lidar com hierarquia de metas: mais imediatas e realistas (propor interagir primeiro com as 
questões mais “fáceis” de serem resolvidas para que a solução das questões de saúde de mais 
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fácil manejo e solução possam ampliar a confiança das pessoas nos profissionais e na equipe, 
a fim de que, com o tempo, as questões mais difíceis de serem enfrentadas possam ser enca-
radas a partir de uma parceria mais sólida entre as pessoas atendidas e a equipe de saúde).
3. Enfocar-se no protagonismo dos(as) usuários(as), de forma que as experiências reais balizem 
as decisões, tanto desses quanto dos(as) trabalhadores(as), pois há uma busca de convergên-
cia entre os saberes tácitos e científicos/profissionais.
4. Alcançar e manter o gerenciamento do risco, sob o ponto de vista da pessoa, ou a extinção do 
comportamento e/ou situação ou condição de risco quando possível e desejado.
A RD, pelas lentes da PNAB (2017), aponta duas dimensões (ética e instrumental):
 Ŋ A dimensão ética: pautada pela promoção de autonomia das pessoas e coletividades; pela 
alteridade; pela legitimação e respeito ao outro, considerando os processos, situações e con-
dições singulares dos sujeitos, além de suas múltiplas inserções socioculturais; pela promoção 
de saúde e pela prevenção de agravos; pela lógica da integralidade do cuidado, atenta à res-
ponsabilidade pela oferta de serviços que reconheçam e interajam com necessidades biológi-
cas, psicológicas, ambientais e sociais.
 Ŋ A dimensão instrumental: operação dos saberes e práticas da RD na perspectiva das aborda-
gens, das técnicas, do manejo e gestão de diferentes tecnologias de cuidado, operando diag-
nósticos, tratamentos, reabilitações e cuidados paliativos no campo da atenção, do cuidado e 
da manutenção da saúde.
Esta opção teórico-metodológica contribui na perspectiva das premissas or-
ganizativas do processo de trabalho da AB, em especial no cuidado às condições 
crônicas, que são as que mais vão estar presentes na AB.
SERVIÇOS DE BAIXA EXIGÊNCIA
Mas o que é fazer um serviço funcionar com baixa exigência? O que significa isso?
Todo serviço possui regras de acesso, sejam elas convenções sociais, morais 
ou legais. Então, o que podemos fazer para melhorar a relação dos usuários com os 
serviços públicos de saúde, facilitando o acesso e a resolutividade? Não condicio-
nar a oferta de cuidados à exigência de frequência diária aos serviços, à abstinência 
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de drogas ou de qualquer outro comportamento desejado pelo profissional ou pela 
equipe (melhorar a alimentação com menos açúcar, sal, ou gorduras, por exemplo), 
evitando culpabilizar as pessoas/usuários por seus comportamentos e ações. Res-
ponsabilizá-las, mas respeitando o momento e o desejo do usuário, utilizando estra-
tégias de RD e Baixa Exigência (BE) como uma maneira de aproximação e inclusão, 
com o objetivo de tornar mais próxima a relação entre usuários e trabalhadores. Com 
isso, é possível tentar novos canais de compromisso dos sujeitos consigo mesmos 
(responsabilização dos usuários por suas ações e vidas e corresponsabilização en-
tre usuários e equipes pelos processos de cuidado e tratamento).
O atendimento de saúde pode ter a potência para que a pessoa retome víncu-
los e reorganize a vida (sentir-se um sujeito de direito e, com isso, ressignificar suas 
relações e desejos) (PACHECO, 2015). Devemos acolher valorizando como o outro 
se apresenta, com suas vivências e seu sofrimento, reconhecendo-o como legítimo 
interlocutor. Essa atitude da equipe pode possibilitar a identificação das prioridades, 
considerando os recursos internos e externos do usuário, contribuindo também na 
divisão de responsabilidades no cuidado entre usuário e equipe/serviço.
APOIO MATRICIAL
O Apoio Matricial é um modo de organizar a clínica que objetiva assegurar a 
retaguarda especializada para as equipes e profissionais generalistas, que são as 
referências para o cuidado. A ação matricial é uma estratégia de organização do 
trabalho em saúde que acontece a partir da integração de equipes de saúde, ou da 
assistência social (com perfil generalista – eSF e CRAS, por exemplo), envolvidas 
na atenção às situações e aos problemas comuns de dado território (equipesde re-
ferência para os usuários) com equipes ou profissionais com outros núcleos de co-
nhecimento diferentes dos profissionais das equipes generalistas (como pode ser o 
caso dos CAPS, CREAS, Consultórios na Rua, CTA, Centro POP etc.).
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O objetivo desta integração é, ao mesmo tempo, contribuir para o aumento da 
capacidade de cuidado das equipes apoiadas, para ampliar a abrangência de ações, 
e auxiliar articulação de/com outros pontos de atenção da rede, quando isso for ne-
cessário, para garantir a continuidade do cuidado dos usuários. Na prática, isso se 
dá com o compartilhamento de casos/problemas, consultas compartilhadas, aten-
dimentos conjuntos entre os profissionais das diferentes equipes, na construção de 
fluxos e protocolos de trabalho entre equipes, nas ações de Educação Permanente, 
enfim, na troca de saberes e práticas entre os diversos profissionais e da articulação 
pactuada de intervenções, que objetivem atender melhor a população do território 
e ampliar os conhecimentos e habilidades dos profissionais envolvidos.
O Apoio Matricial tem sempre duas dimensões, que são complementares:
 Ŋ Clínico Assistencial – ação clínica direta com o usuário (ampliação do repertório de ações 
para qualificar as ações de cuidado e proteção).
 Ŋ Técnico Pedagógico – ação de apoio educativo com e para a equipe (a troca entre os profis-
sionais de diferentes categorias profissionais também objetiva ampliar a “mistura” de conheci-
mentos entre os envolvidos).
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Para saber mais sobre como atuar na perspectiva do Apoio 
Matricial, assista aos vídeos complementares:
1. Apoio Matricial (7 min).
2. Diretrizes do Nasf AB (7 min).
Veja outros materiais que são referência sobre o tema:
3. Guia de Matriciamento em Saúde Mental.
4. Caderno de Atenção Básica 39 – Nasf.
5. Caderno de Atenção Básica de Saúde Mental 34.
6. Guia rápido para Reunião de Matriciamento (Marcelo Pedra), 
disponível na biblioteca do nosso curso.
PROJETO TERAPÊUTICO 
SINGULAR – PTS
O PTS é um tipo específico de modo de organizar uma estratégia de cuidado 
e proteção, junto às pessoas e famílias. O PTS pode ser um modo interessante para 
que as equipes de saúde e de assistência social se organizem para lidar com casos 
de HIV/aids, hanseníase, ISTs, TB, casos com maiores condições de vulnerabilida-
de, entre outros.
O PTS é antes de tudo uma estratégia que tem o objetivo de ser uma forma de 
cuidar das pessoas, ao mesmo tempo que pretende educar os trabalhadores envol-
vidos na construção deste projeto de cuidado, para que estes profissionais ampliem 
seus conhecimentos sobre os casos acompanhados, com vistas à ampliação da au-
tonomia de todos, pessoas acompanhadas e trabalhadores envolvidos. A ideia cen-
tral é que na ocorrência de outros casos semelhantes aos trabalhados por um PTS 
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não seja mais necessário propor esta estratégia, tendo em vista que a construção 
de um PTS exige um grande esforço da equipe de articulação interna e externa de 
saberes e práticas e tem uma função específica para a organização do processo de 
trabalho das equipes. Cabe destacar que a participação das pessoas/usuários e/ou 
famílias envolvidas no PTS é fundamental durante todas as etapas desse processo 
para que a responsabilidade pelo processo de cuidado e proteção seja comparti-
lhada por equipes, serviços e usuários.
Não é necessário (nem possível) construir um PTS para todos os usuários de 
uma equipe ou serviço. Por isso, destacamos pontos para a escolha dos casos para 
construção do PTS que podem acionar a função pedagógica/cuidadora do PTS:
 Ŋ 1: Usuários ou famílias em situações mais complexas (graves/difíceis), para as quais fique clara 
a necessidade de uma atenção com maior grau de complexidade (articulação de diversas ca-
tegorias profissionais, serviços e políticas públicas, intra e intersetoriais) – aqui a lógica é que 
sabendo articular a rede, conhecendo as funções dos demais serviços do território e seus flu-
xos, a partir da discussão de um caso específico, os profissionais envolvidos possam fazer esse 
mesmo exercício em outros casos semelhantes.
 Ŋ 2: Casos mais regulares – aqui a lógica é que, se os profissionais aprendem sobre uma avalia-
ção complexa de um tipo de situação/caso que aconteça muito no seu território, eles adquirem 
conhecimento que pode ser utilizado com boa parte da população local.
Estas duas categorias são sempre construídas a partir do olhar da equipe. Um 
PTS é sempre construído durante a reunião de equipe do serviço. Se for necessário 
(por conta das características do caso), as demais equipes do território (eSF, CRAS, 
CAPS, CREAS etc.) são convidadas pela equipe que está organizando o PTS.
O PTS contém quatro momentos:
1. O diagnóstico: que deverá conter uma avaliação orgânica, psicológica e social que possibilite 
uma conclusão a respeito dos riscos e da vulnerabilidade do usuário. Deve tentar captar como 
o sujeito singular se produz diante de forças como as doenças, os desejos e os interesses, as-
sim como também o trabalho, a cultura, a família e a rede social. Ou seja, tentar entender o que 
o sujeito faz de tudo que fizeram dele.
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2. Definição de metas: uma vez que a equipe fez os diagnósticos em parceria com as pessoas/
usuários envolvidos, constroem-se propostas de curto, médio e longo prazo, que serão nego-
ciadas com todos os envolvidos.
3. Divisão de responsabilidades: é importante definir as tarefas de cada um dos profissionais, 
das pessoas/usuários envolvidos e das demais equipes envolvidas (por exemplo, CRAS, CRE-
AS, CAPS, Centro POP etc.), com clareza.
4. Reavaliação: momento em que se discutirá a evolução e devem ser realizadas correções de 
rumo na estratégia de cuidado e proteção proposta. Essa reavaliação, como todas as etapas do 
PTS, deve incluir a perspectiva de todas as pessoas/usuários envolvidos.
AS EQUIPES E OS SERVIÇOS 
ESPECÍFICOS PARA 
POPULAÇÕES EM CONDIÇÕES 
DE VULNERABILIDADE
Você sabia que todos os trabalhadores do SUS são responsáveis pela atenção 
à saúde de populações que apresentem condições de vulnerabilidades sociais es-
pecíficas? A AB tem a responsabilidade direta sobre ações de saúde em determina-
do território, considerando suas singularidades, o que possibilita intervenções mais 
oportunas nessas situações específicas, com o objetivo de ampliar o acesso à RAS 
e ofertar uma atenção integral à saúde.
Vamos conhecer agora algumas equipes e serviços específicos, no cam-
po da saúde, com o foco nas populações que se encontram em condições de 
vulnerabilidade.
Equipe de Consultório na Rua (eCR)
As eCR são equipes de saúde da AB, multiprofissionais que desenvolvem ações 
integrais de saúde da população em situação de rua. Estas equipes atuam de forma 
itinerante (nas ruas), nas Unidades Básicas de Saúde doterritório e também, quando 
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necessário, nas demais unidades do território (CAPS, CREAS, Centro POP, abrigos/
acolhimento institucional, entre outros). As eCR podem ter três tipos de modalidade, 
com 4, 6 ou 7 trabalhadores. Entre as profissões que podem compor as eCR estão: 
médico, enfermeiro, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, agente so-
cial, técnico ou auxiliar de enfermagem, técnico em saúde bucal, cirurgião-dentista, 
profissional de educação física e profissional com formação em arte e educação. 
Estas equipes têm carga horária de 30h semanais e atendem (cada eCR) de 80 até 
1000 pessoas em situação de rua.
Um material complementar de referência para conhecer melhor 
o trabalho das eCR é o Manual sobre o Cuidado à Saúde junto à Po-
pulação em Situação de Rua.
CTA – Centro de Testagem e Aconselhamento
O CTA é um serviço especializado na prevenção, promoção de saúde, diag-
nóstico e cuidado integral do HIV, de outras IST e das hepatites virais e foi criado no 
final dos anos 1980 como uma das respostas à epidemia de aids no país.
O papel dos CTA no SUS é estratégico para as ofertas das ações de Prevenção 
Combinada, incluindo a articulação e incorporação dessas intervenções nas RAS, 
principalmente com a Atenção Básica. Embora seja um serviço que recebe a popu-
lação em geral, trabalha com o foco epidemiológico em populações mais vulneráveis 
e nas populações chave para a resposta ao HIV/aids (gays e outros homens que 
fazem sexo com homens (HSH); pessoas trans; pessoas que usam álcool e outras 
drogas; pessoas privadas de liberdade e trabalhadoras(es) sexuais), além de jovens, 
população negra, população indígena e população em situação de rua.
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As ações ofertadas pelo CTA não podem ocorrer de modo desarticulado da 
rede, reforçando assim sua função junto aos demais serviços de saúde, potenciali-
zando a incorporação das ações de prevenção combinada do HIV nas RAS, sobre-
tudo no processo de descentralização das ações de prevenção, testagem e acon-
selhamento para o HIV, para a sífilis e para as hepatites B e C na AB. Assim, sua 
relação com os demais serviços que trabalham tendo como base o território (UBS, 
CRAS, CREAS, CAPS, escolas, entre outros) é fundamental.
Em geral, os CTA estão situados em municípios de médio e grande porte.
Para saber mais como funciona um CTA, assista o vídeo.
Para complementar os seus conhecimentos sobre os CTAs, leia: 
Agenda Estratégica para Ampliação do Acesso e Cuidado Integral 
das Populações-Chave em HIV, hepatites virais e outras Infecções 
Sexualmente Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
Serviços de Atenção Especializada em 
IST, HIV/aids e hepatites virais (SAE)
Além dos CTA, existe outro tipo de serviço especializado na atenção ao HIV/
aids, às hepatites virais, outras IST e hanseníase. Os SAE estão localizados na aten-
ção secundária e oferecem ações de atenção integral para as pessoas diagnostica-
das com esses agravos. O SAE é um serviço de Atenção Secundária.
Em que pese que a prevenção, o diagnóstico e o tratamento tenham preferen-
cialmente a Atenção Básica como organizadora do cuidado, os SAE possuem equi-
pes especializadas que, em geral, não se encontram na Atenção Básica, tais como 
infectologistas, hepatologistas, pediatras, farmacêuticos, psicólogos e assistentes 
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sociais especializados nos agravos, dentre outros. Uma das funções dos SAE, além 
de oferecer o tratamento em si, é realizar o Apoio Matricial para a Atenção Básica.
Dentro dos SAE, em geral, existem as Unidades Dispensadoras de Medica-
mentos (UDM) específicas para o tratamento do HIV/aids.
As pessoas com HIV/aids, hepatites virais e/ou outras IST, após diagnostica-
das, possuem uma vinculação com os SAE sobretudo relacionada à adesão ao tra-
tamento, à realização de exames periódicos e a consultas. Nesse processo, a ofer-
ta de ações para a inclusão e melhoria do acesso são cruciais para a adesão, tais 
como os encaminhamentos para benefícios sociais, previdência, transporte, entre 
outros, que comumente são conduzidos por profissionais da assistência social que 
compõem as equipes desse tipo de serviço. Nesse contexto, novamente se apre-
senta como crucial a aproximação entre o SUS e o SUAS, tendo em vista que a ar-
ticulação entre os profissionais do Serviço Social, do SAE, Nasf AB, CRAS e CREAS 
pode, de modo articulado e colaborativo, viabilizar as formas mais oportunas para 
que a população tenha acesso a esses benefícios.
Equipe de Atenção Básica Prisional (eABP)
As eABP são equipes de Atenção Básica multiprofissionais com respon-
sabilidade de articular e prestar atenção integral à saúde das pessoas privadas 
de liberdade. Prestam atenção integral, o que envolve o conjunto de ações de 
promoção, proteção, prevenção, assistência, recuperação e vigilância em saúde, 
executadas nos diferentes níveis de atenção. Atuam em unidades prisionais e/
ou outras unidades onde as pessoas estejam custodiadas. As eABP podem ser 
compostas por enfermeiro, médico, técnico ou auxiliar de enfermagem, cirurgião-
-dentista e técnico ou auxiliar de saúde bucal, psiquiatra ou um médico com ex-
periência em Saúde Mental, um psicólogo, um assistente social, terapeuta ocu-
pacional, psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista, farmacêutico, assistente social, 
entre outros profissionais de saúde.
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Para conhecer mais publicações específicas sobre o trabalho 
dessas equipes, acesse.
Equipe de Saúde da Família Ribeirinha (eSFR)
São equipes de AB que desempenham parte significativa de suas funções em 
UBS construídas nas comunidades localizadas em áreas cujo acesso se dá por 
meio fluvial e que, pela grande dispersão territorial, necessitam de embarcações 
para atender as comunidades dispersas no território. Essas equipes estão localiza-
das na Amazônia Legal e no Pantanal sul mato-grossense. A eSFR é composta por 
médico, enfermeiro, auxiliar ou técnico de enfermagem, podendo ainda fazer parte 
da equipe o Agente Comunitário de Saúde e o de Combate às Endemias, cirurgião-
-dentista e técnico ou auxiliar em saúde bucal.
Conheça mais sobre o trabalho destas equipes assistindo 
ao vídeo.
Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF) e as 
Equipes de Saúde da Família Fluviais (eSFF)
As Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF) são responsáveis por comuni-
dades dispersas, ribeirinhas e pertencentes à área adstrita, cujo acesso se dá por 
meio fluvial. A equipe que atua na embarcação (UBSF) é composta, minimamente, 
por um médico, um enfermeiro, um técnico de saúde bucal e um bioquímico ou téc-
nico de laboratório. São equipes de AB específicas para este recorte populacional 
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e visam garantir a maior qualidade do cuidado e resolutividade, considerando a es-
pecificidade territorial de cada população ribeirinha, com todas as suas especifici-
dades. Para operacionalizar a atenção à saúde das comunidades ribeirinhas disper-
sas no território de abrangência, onde a UBS Fluvial não conseguir aportar, a eSFF 
poderá contar com unidades de apoio, pequenas estruturas que permitam a equipe 
espaço adequado para realizar as ações em saúde.
Conheça mais sobre o trabalho destas equipes assistindo 
ao vídeo.
Caro cursista, pudemos conhecer as diferentes ofertas do SUS para as po-
pulações mais vulneráveis e suas necessidades específicas. Você conhecia essas 
equipes e serviços?
É importante destacar que todas as equipes da Atenção Básica têm condi-
ções de oferecer ações para a prevenção, diagnóstico, tratamento e cuidado inte-
gral quanto às IST, HIV/aids, hepatites virais, tuberculose e hanseníase. E o papel 
dos especializados (SAE e CTA) é de apoio matricial e atendimento de casos es-
pecíficos (que requerem especialidade).
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS
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AULA 4 – CONHECENDO 
O SISTEMA ÚNICO DE 
ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS
Olá, cursista! Depois de ter compreendido um pouco mais sobre o Sistema 
Único de Saúde (SUS), mostraremos a você o que é o Sistema Único de Assistência 
Social – SUAS. Nesta aula vamos percorrer o caminho do SUAS e os aspectos que 
são peculiares a este sistema. Você conhece o SUAS? Sabe quais são seus objeti-
vos e a quem está destinado? Já pensou sobre a importância da assistência social 
e de sua articulação com o SUS? Tem conhecimento dos níveis de proteção social 
e do Cadastro Único para Programas Sociais? Vamos conhecer mais e aprofundar 
nosso entendimento sobre este tema? Vamos seguir!
O QUE É O SUAS, SEUS 
OBJETIVOS E PÚBLICO
O Sistema Único de Assistência Social – SUAS – é responsável pela organi-
zação e gestão, de forma descentralizada e participativa, das ações, programas, 
projetos, serviços e benefícios da Política Pública de Assistência Social em todo 
o território nacional. Isso significa dizer que o SUAS articula recursos dos municí-
pios, estados e União para o financiamento e a execução da Política Nacional de 
Assistência Social.
Este Sistema Único, integrado pelos entes federativos, pelos conselhos de as-
sistência social e pelas entidades e organizações de assistência social, teve sua im-
plementação iniciada no ano de 2005 com a edição da Norma Operacional Básica 
do SUAS (NOB/SUAS), mas foi em 2011 que a Lei nº 8.742, de 1993, Lei Orgânica 
de Assistência Social (LOAS), foi alterada pela Lei nº 12.435, reconhecendo que a 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS
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gestão da Política Pública de Assistência Social ocorre por meio de um sistema 
descentralizado e participativo, o SUAS.
O SUAS consolida a assistência social como política pública, permitindo am-
pla adesão e unidade de direção. É um sistema articulador de ações de proteção 
social, que regula a oferta de serviços, benefícios e ações de caráter continuado ou 
eventuais. O trabalho realizado no SUAS observa a lógica de ações hierarquizadas, 
executadas e providas pelo Estado e em articulação com a sociedade civil. 
Os objetivos do Sistema Único de Assistência Social estão elencados no Art. 
6º da LOAS, então vamos conhecê-los?
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PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS
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É importante acrescentar que a Política Nacional de Assistência Social ope-
racionalizada pelo SUAS também tem seus objetivos definidos na Lei Orgânica de 
Assistência Social – LOAS, sendo eles:
 Ŋ PROTEÇÃO SOCIAL às famílias e indivíduos em situação de vulnerabilidade so-
cial, de risco social, de violação de direitos e de violência, por meio da oferta inte-
grada de serviços, benefícios, programas e projetos socioassistenciais;
 Ŋ VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL que visa analisar nos territórios a ocorrên-
cia de vulnerabilidades/riscos sociais/violação de direitos/ violência e a capaci-
dade protetiva das famílias e indivíduos;
 Ŋ DEFESA DE DIREITOS que visa garantir o pleno acesso aos direitos no conjunto 
das provisões socioassistenciais (BRASIL, 2011).
É importante lembrar que, antes da Constituição de 1988, a Assistência Social 
era materializada pelas ações de caridade, movidas pela boa vontade ou senti-
mento de compaixão pelos pobres. Havia um forte apelo ao voluntariado, especial-
mente relacionado à figura das primeiras damas. A Assistência Social ingressou 
no rol de Políticas Públicas a partir da Constituição Federal de 1988, quando foi 
consolidada como direito, que deve ser assegurado a quem necessitar, indepen-
dentemente de contribuição.
Você sabia que a Política de Assistência Social, além das unidades públicas, 
é executada também por entidades e organizações sociais sem fins lucrativos que 
prestam atendimento e assessoramento aos beneficiários desta política e formam a 
rede privada de assistência social? O trabalho desenvolvido pelas entidades e orga-
nizações privadas fortalece a consolidação da assistência social como direito. Mas 
quem é o público da Política de Assistência Social?
A Política de Assistência Social é destinada a quem dela necessitar, espe-
cialmente para cidadãos e cidadãs ou grupos de pessoas que se encontrem em si-
tuações de vulnerabilidade e riscos, tais como: famílias e indivíduos com perda ou 
fragilidade de vínculos de afetividade, pertencimento e sociabilidade; identidades 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS
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estigmatizadas em termos étnico, cultural e sexual ou em razão de deficiências; 
pessoas em exclusão pela pobreza e/ou por dificuldade de acesso às demais po-
líticas públicas; pessoas em uso de substâncias psicoativas; pessoas que estejam 
sofrendo diferentes formas de violência; grupos e indivíduos com inserção precária 
ou não inserção no mundo do trabalho; ou pessoas que se encontrem em diferen-
ciadas estratégias e alternativas de sobrevivência que representem risco pessoal e 
social (PNAS, 2004).
Identidades estigmatizadas em termos étnico e cultural
São grupos populacionais que possuem formas próprias de 
organização social, ocupam e usam territórios e recursos 
naturais como condição para sua reprodução cultural, social, 
religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, 
inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição. 
Muitas vezes esses povos vivenciam situações de conflitos 
agrário, fraca ou nula capacidadede produção da vida 
material de acordo com seus costumes e tradições, 
confinamento em terras inférteis, ausência de saneamento 
básico ou qualquer infraestrutura básica, como ponto de 
água e energia, ausência de políticas públicas e vivências 
de discriminação étnica e cultural. Esses são os fatores que 
os colocam em situação de risco e vulnerabilidade social, 
tornando-os público das ofertas da assistência social e de 
outras políticas setoriais, como, por exemplo, a de saúde.
Você sabia que fatores sociais relacionados a condições de vida e de trabalho, à 
disponibilidade de alimentos e ao acesso a ambientes e serviços essenciais podem 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS
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ser determinantes para favorecer ou prejudicar as condições de saúde ou o trata-
mento adequado de doenças? Esse pode ser um indicativo de que as “pessoas em 
desvantagem social correm um risco diferenciado, criado por condições habitacio-
nais mais humildes, exposição a condições mais perigosas ou estressantes de traba-
lho” e acesso menor aos serviços públicos (BUSS; PELLEGRINI FILHO, 2007, p. 84).
Por isso, a importância da delimitação do público prioritário dos serviços socio-
assistenciais se justifica pelas características que esta parcela da população apre-
senta, as quais podem ampliar o risco e os impactos de ocorrência de condições 
inadequadas de vida e de acesso a direitos essenciais como saúde, educação, mo-
radia, alimentação adequada, renda, dentre outros. A figura a seguir ilustra alguns 
dos usuários do SUAS.
Figura 2 – Usuários do SUAS
Fonte: Ministério da Cidadania, 2021. Disponível em: Apresentação 
da SNAS sobre o PAIF. Acesso em: 27 abr. 2021.
Descrição: A figura mostra pessoa com deficiência, pessoa indígena, idosos, 
debaixo de um guarda-chuva que representa o SUAS.
Agora, vamos conhecer mais sobre o SUAS? Então, assista ao vídeo sobre 
o funcionamento do Sistema Único de Assistência Social que está disponível no 
link a seguir.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS
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Como funciona o Sistema Único de Assistência Social.
Agora que você já aprofundou seus conhecimentos sobre o funcionamento do 
SUAS, vamos seguir e voltar nossa atenção para as proteções sociais asseguradas 
pelo SUAS. Você tem conhecimento delas e de sua relevância?
AS PROTEÇÕES SOCIAIS 
ASSEGURADAS PELO SUAS: 
CONCEITOS E FUNCIONAMENTO 
DOS NÍVEIS DE PROTEÇÃO 
SOCIAL BÁSICA E PROTEÇÃO 
SOCIAL ESPECIAL DE MÉDIA 
E ALTA COMPLEXIDADE
Você sabia que os serviços do SUAS estão organizados e estruturados na Ti-
pificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais, aprovada pela Resolução do 
Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS nº 109, de 2009? A organização e 
a oferta dos serviços, programas, projetos e benefícios do Sistema Único de Assis-
tência Social estão estruturadas em dois tipos de proteção social. São elas:
A Proteção Social Básica que se destina à prevenção de riscos sociais e pes-
soais, por meio da oferta de programas, projetos, serviços e benefícios a indivíduos 
e famílias em situação de vulnerabilidade social;
A Proteção Social Especial que oferta atenção especializada a famílias e indi-
víduos que já se encontram em situação de risco e que tiveram seus direitos violados 
por ocorrência de abandono, violência, abuso sexual, uso de drogas, entre outros.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS
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Veremos, no infográfico a seguir, as unidades de referência e os serviços e 
programas ofertados no âmbito das Proteções Sociais Básica e Especial do SUAS. 
A Proteção Social Especial – PSE – se divide em PSE de Média Complexidade e 
PSE de Alta Complexidade.
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PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS
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Você sabia que os usuários da Política de Assistência Social recebem aten-
dimento ou acompanhamento, conforme o caso, de forma integrada dentro da 
Rede de Proteção Socioassistencial? Esses conceitos fazem parte do Trabalho So-
cial com Famílias realizado no SUAS e serão aprofundados na próxima aula quando 
tratarmosdas unidades e serviços da Proteção Social Básica.
Agora, vamos falar sobre o Cadastro Único para Programas Sociais do Gover-
no Federal, que é um instrumento muito importante para identificação da realida-
de socioeconômica das famílias de baixa renda para que estas sejam inseridas em 
programas sociais do governo federal, estadual e municipal. Vamos lá?
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS
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CADASTRO ÚNICO PARA 
PROGRAMAS SOCIAIS DO 
GOVERNO FEDERAL
Figura 3 – Entrevista no Cadastro Único
Fonte: Ministério da Cidadania, 2021. Acesso em: 26 abr. 2021. 
Descrição: Uma usuária do Cadastro Único, acompanhada de uma criança sendo atendida pela entrevistadora.
O Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal é um instru-
mento de identificação e caracterização socioeconômica das famílias brasileiras de 
baixa renda. Você sabia que este instrumento, criado em 2001, foi regulamentado 
pelo Decreto nº 6.135, de 26 de junho de 2007? Ele é utilizado pelo Governo Fede-
ral, de forma obrigatória, para seleção de beneficiários e beneficiárias de programas 
sociais. Sabia que só até junho de 2020, já havia mais de 28 milhões de famílias ca-
dastradas no Cadastro Único?
Quando se realiza o cadastro, o sistema atribui o Número de Identificação So-
cial – NIS – para cada um dos membros da família. O NIS é de caráter único, pessoal 
e intransferível e é por meio desse número que o indivíduo ou a família se inscreve 
para acesso aos diversos programas sociais do Governo Federal, como, por exem-
plo, o Programa Bolsa Família; o Programa Minha Casa, Minha Vida; Tarifa Social de 
Energia Elétrica; Carteira do Idoso; dentre outros. 
Sabe quais são os critérios para inscrição no Cadastro Único? Poderão se ca-
dastrar as famílias ou indivíduos cuja renda familiar mensal, per capita, seja de até 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS
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meio salário-mínimo ou que a soma da renda familiar mensal não ultrapasse três 
salários-mínimos. E onde realizar o cadastramento? O cadastramento pode ser re-
alizado nos postos do cadastro único do município, que pode estar localizados no 
CRAS ou em outros locais. O cadastramento pode ser feito por meio de visitas re-
alizada pelo(a) entrevistador(a) do Cadastro Único à família. O(a) entrevistador(a) 
pode realizar a visita domiciliar junto com as equipes do CRAS, bem como com as 
equipes volantes. Aprenderemos mais sobre as equipes volantes na próxima aula! 
Vamos conhecer mais sobre o cadastro único? Acesse o vídeo intitulado “Co-
nheça o Cadastro Único”, disponível na plataforma e no link abaixo, e se atualize 
sobre informações de grande relevância acerca desse instrumento tão importante 
para acesso a direitos.
Conheça o Cadastro Único.
Depois de ter assistido ao vídeo, vamos conhecer um pouco mais sobre o Ca-
dastramento Diferenciado realizado no Cadastro Único!
A Portaria Ministerial nº 177, de 26 de junho de 2011, trata, dentre outros assun-
tos, do Cadastramento Diferenciado, que se refere ào processo de coleta de dados 
e inclusão, no Cadastro Único, de famílias e grupos populacionais que apresentem 
características socioculturais e/ou econômicas específicas que demandem formas 
especiais de cadastramento.
O Cadastro Único busca dar visibilidade ao público mais vulnerável e, por isso, 
criou estratégias para a identificação dos Grupos Populacionais Tradicionais e Es-
pecíficos – GPTEs – em suas variáveis, o que possibilita a elaboração de diagnós-
ticos e o planejamento das ações nos serviços socioassistenciais, além da criação 
de programas e projetos específicos. Sabe quais são eles?
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS
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São grupos compostos por famílias indígenas, quilombolas, extrativistas, ribei-
rinhas, assentadas da Reforma Agrária, agricultores familiares ou pessoas em situ-
ação de rua, dentre outros.
Fique por dentro das informações sobre o cadastramento 
diferenciado para Grupos Populacionais Tradicionais e Específi-
cos! Acesse o caderno Diversidade no Cadastro Único - Respei-
tar e Incluir. 
O Cadastro Único também reservou um bloco do seu formulário para o preen-
chimento de informações sobre a existência de pessoas com deficiência no núcleo 
familiar. Sabia que, no Cadastro Único, a deficiência é entendida como a perma-
nente inabilidade da pessoa de realizar uma ou mais atividades do dia a dia, como 
comunicar-se, cuidar de si, trabalhar, ir à escola, em função da diminuição de algu-
ma capacidade, como enxergar, ouvir, movimentar-se, dentre outras? O formulário 
apresenta os seguintes campos para marcação:
Ŋ cegueira;
Ŋ baixa visão;
Ŋ surdez severa/profunda;
Ŋ surdez leve/ moderada;
Ŋ deficiência física;
Ŋ Deficiência mental ou intelectual;
Ŋ síndrome de Down;
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS
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Ŋ transtorno ou doença mental.
Pessoas que apresentarem doenças crônicas como, por exemplo, câncer, aids, 
entre outras, e também os beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), 
que recebem o benefício por apresentarem doenças incapacitantes, poderão ser 
identificadas em uma das opções listadas no formulário, caso venham a sofrer limi-
tações decorrentes dessas enfermidades para a realização das atividades diárias. 
Gostou de saber mais sobre essas especificidades do Cadastro Único?
Para finalizar esta aula, você está convidado(a) a acompanhar, no Ambiente 
Virtual de Aprendizagem ou na biblioteca do nosso curso, o minicaso em quadri-
nhos “A família vai crescer!”, em que a gestante Jéssica e o seu companheiro Ricardo 
formarão uma nova unidade familiar no Cadastro Único. Neste minicaso, a gestante 
comparecerá ao posto de atendimento do Cadastro Único no Centro de Referên-
cia de Assistência Social – CRAS – para realizar o cadastramento. Ela também será 
atendida e orientada pela médica da equipe de saúde da família sobre a realização 
do pré-natal e sobre a importância do cumprimento da condicionalidade de saúde 
do Programa Bolsa Família.
Minicaso: A família vai crescer!
Gostou do minicaso? Compreendeu a importância da articulação entre a equi-
pe da Assistência Social e a equipe de Saúde no território para a efetivação de pro-
gramas intersetoriais como o Programa Bolsa Família?
Chegamos ao final desta aula em que você conheceu o Sistema Único de As-
sistência Social, as Proteções Sociais e o Cadastro Único para Programas Sociais 
do Governo Federal. A partir daqui, iremos compreender como se forma a rede de 
Proteção Social no SUAS, organizada pela porta de entrada que é o CRAS. As por-
tas da Aula 5 estão abertas. Vamos lá?
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
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AULA 5 – AS PROTEÇÕES 
SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL 
DE MÉDIA COMPLEXIDADE
Olá, cursista! Agora que entendemos sobre a organização do SUAS, seus prin-
cípios, escopo e sua localização no Sistema de Proteção Social, convidamos você 
a conhecer um pouco mais sobre os serviços, programas e particularidades do 
acompanhamento que caracterizam as ofertas socioassistenciais, o que contribui 
para instrumentalizar as possibilidades de articulação em rede.
Você conhece os serviços e unidades de atendimento da PSB e da PSE de Mé-
dia Complexidade? Quais as diferenças entre os formatos de atendimento dessas 
duas proteções?Quais os tipos de situações atendidas? Quais as características 
dos públicos atendidos e de que forma essas especificidades impactam o atendi-
mento? Essas são perguntas centrais a que se pretende responder nesta aula!
A PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA 
(PSB) E SUAS OFERTAS
Olá, cursista! Agora, conheceremos os serviços que compõem a Proteção So-
cial Básica no SUAS, o Trabalho Social com Famílias, os conceitos de atendimento, 
acompanhamento e encaminhamento, o Plano de Acompanhamento Familiar (PAF) 
e os fluxos de organização na rede de Proteção Social Básica.
A Proteção Social Básica tem sua atuação orientada à prevenção da ocorrência 
de situações de risco ou de violações de direitos, por meio de ofertas e intervenções 
que ampliam a capacidade protetiva das famílias e da comunidade.
Suas ações têm caráter preventivo, protetivo e proativo. Isso significa que a 
atuação da PSB no território pretende desenvolver as potencialidades das famí-
lias e dos indivíduos que são usuários da Política de Assistência Social, visando ao 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
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fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. A principal unidade públi-
ca de referência é o Centro de Referência de Assistência Social – CRAS (ARAÚJO, 
2020). E é dele que falaremos agora! Vamos lá?
Centro de Referência de Assistência Social – CRAS
O Centro de Referência de Assistência Social é a unidade básica territorial res-
ponsável pela organização e oferta de serviços da proteção social básica do SUAS 
nas áreas de vulnerabilidade e risco social dos municípios e DF. Em razão de sua 
localização e capilaridade nos territórios, esta unidade socioassistencial “se carac-
teriza como a principal porta de entrada do SUAS, ou seja, é uma unidade que pos-
sibilita o acesso de um grande número de famílias à rede de proteção social de as-
sistência social” (BRASIL, 2009, p. 11).
O Centro de Referência de Assistência Social, assim como as demais uni-
dades de assistência social, devem contar com uma equipe de referência com 
vínculo efetivo e estável, a fim de que haja uma relação de confiança, segurança 
e estabilidade entre esses profissionais e os usuários e usuárias da política de 
assistência social.
Quer conhecer mais sobre as equipes de referência do SUAS? 
Vá até a biblioteca do nosso curso e leia a NOB-RH/SUAS e as Reso-
luções do CNAS nº 17/2011 e nº 09/2014.
Você sabia que as equipes que atuam nos serviços, programas, projetos e be-
nefícios da Política de Assistência Social são compostas por diversas categorias pro-
fissionais como, por exemplo, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacio-
nais, pedagogos, além de trabalhadores(as) de ensino fundamental e médio, como 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
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educador ou orientador social? Por isso, compreender os conceitos de Assistente 
Social, Serviço Social e Assistência Social é fundamental para reconhecermos que 
a Política Pública de Assistência Social é realizada por meio da junção de saberes e 
competências diversas! Quer conferir esses conceitos? Há um texto muito interes-
sante na biblioteca esperando por sua leitura! É o texto “Serviço Social, assistência 
social, assistente social: você sabe a diferença?”.
Gostou da leitura? Compreendeu bem os conceitos? Daremos continuidade à 
nossa aula falando sobre as principais competências do CRAS. Vamos lá?
Dentre as principais competências do CRAS está a oferta exclusiva do Serviço 
de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) e a gestão territorial da rede 
socioassistencial de PSB. A gestão territorial compreende: a articulação da rede so-
cioassistencial referenciada ao CRAS; a promoção da articulação intersetorial; e a 
busca ativa – todas realizadas no território de abrangência dos CRAS.
A promoção da articulação intersetorial propicia o diálogo da política públi-
ca de assistência social com as demais políticas e setores e o acesso das famílias 
aos serviços setoriais. Ela potencializa os objetivos das agendas sociais interseto-
riais e contribui para a definição da prioridade de acesso aos serviços públicos pe-
las famílias em situação de maior vulnerabilidade social.
A busca ativa é comparada ao ato de a equipe socioassistencial colocar uma 
lupa no território para identificar as famílias que estão em situação de risco e vul-
nerabilidade social com o intuito de orientá-las e convidá-las a se inserir nos pro-
gramas, projetos e benefícios socioassistenciais do SUAS. Além disso, é relevante 
para identificar potencialidades e recursos culturais, econômicos, sociais, oferta de 
serviços setoriais e acesso da população a esses serviços.
A busca ativa realizada no SUAS é um trabalho semelhante ao que é realizado 
pela equipe de saúde da família, especialmente pelo agente comunitário de saúde 
que realiza visitas às famílias para orientações e encaminhamento para tratamento 
de saúde. Essa é uma importante ferramenta de proteção social, pois disponibiliza 
informações essenciais para o planejamento local, definição de projetos coletivos e 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
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para a ação preventiva da Proteção Básica, permitindo assim compreender melhor 
a realidade social para nela atuar.
Para que a gestão do território seja orientada para a definição de fluxos, acom-
panhamento de demandas e solução das questões trazidas pelos usuários, é ne-
cessário que a coordenação do CRAS tenha um adequado conhecimento do terri-
tório. Por isso, enfatiza-se a importância da articulação com a equipe de vigilância 
socioassistencial no município. Esta equipe poderá munir a coordenação do CRAS 
de informações essenciais para o encaminhamento dos usuários à rede de Prote-
ção Socioassistencial existente no Território, bem como para o encaminhamento a 
outras políticas setoriais.
Território
O conceito de território abrange as relações de reconhecimento, afe-
tividade e identidade entre os indivíduos que compartilham a vida em 
determinada localidade, não se restringindo à delimitação espacial, mas 
a um espaço de relações humanas em que se expressam a solidarieda-
de, a extensão das relações familiares para além da consanguinidade, o 
fortalecimento da cumplicidade de vizinhança e o desenvolvimento do 
sentimento de pertença e identidade (Caderno de Orientações Técnicas 
do Centro de Referência de Assistência Social – CRAS, 2009). Pensar na 
política pública a partir do território exige também um exercício de revis-
ta à história e ao universo cultural da população que vive nesse território, 
seja ele urbano ou rural, como, por exemplo, o de grupos populacionais 
tradicionais e específicos (GPTE), que vimos no tópico relacionado ao 
cadastro único diferenciado.
Por falar em território e equipes, você lembra que na aula sobre as “ferramen-
tas” para construir a abordagem multissetorial para o cuidado das pessoas com HIV, 
hepatites virais, hanseníase, tuberculose ou com sífilis vimos que o Sistema Único 
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COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
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de Saúde possui equipes como a Equipe de Saúde da Família Ribeirinha (eSFR) e 
Equipes de Saúde da Família Fluviais (eSFF) destinadas ao atendimento de públicos 
específicos em territórios de difícil acesso? O Sistema Único de Assistência Social 
também possui equipes do Centro de Referência de Assistência Social específicas 
para atendimento a essepúblico! São as equipes volantes. Vamos conhecer um 
pouco sobre elas?
Em municípios com território extenso, presença de localidades isoladas, de di-
fícil acesso e com espalhamento populacional, a equipe técnica de referência do 
CRAS pode ser composta por equipes adicionais – concebidas e reguladas como 
equipes volantes. Esta equipe é formada por técnicos de nível superior, e nível 
médio, ou seja, para além da equipe tradicional, prevista na Norma Operacional 
de Recursos Humanos (NOB/RH/SUAS/2006) obrigatória para o CRAS, a equipe 
volante é mais uma equipe que se vincula ao CRAS para levar os serviços e ações 
da PSB para o mais próximo possível da moradia das famílias. E isto especialmen-
te àquelas que, em função das distâncias a serem percorridas, têm dificuldades de 
se deslocarem até a sede do CRAS, como, por exemplo, famílias em áreas rurais ou 
comunidades tradicionais (como indígenas, quilombolas) ou, ainda, em localidades 
com calhas de rios, assentamentos, dentre outros.
As equipes volantes se deslocam pelo território de abrangência do CRAS e seu 
principal objetivo é a oferta do PAIF às famílias que residam em locais que dificul-
tem seu acesso à unidade CRAS. A Portaria MDS nº 303, de 08/11/2011 estabelece 
os objetivos da equipe volante e suas responsabilidades. Vamos conferir?
 Ŋ dar acesso, às famílias desses territórios, ao PAIF e a serviços de proteção básica que poten-
cializem o PAIF;
 Ŋ realizar a busca ativa, contribuindo para o acesso das famílias a serviços do SUAS e de outros 
setores;
 Ŋ apoiar a atualização cadastral e inclusão no CadÚnico de famílias que vivem distantes do CRAS, 
especialmente das famílias em situação de pobreza e extrema pobreza.
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AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
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As equipes volantes devem realizar os encaminhamentos necessários para 
acesso à renda, aos serviços da Assistência Social e de outras políticas setoriais 
como saúde e educação, por exemplo, além de apoiar a inclusão e atualização ca-
dastral das famílias no Cadastro Único. Já pensou em como as equipes volantes do 
SUAS e as equipes de saúde da família, ribeirinhas e fluviais podem se articular para 
desenvolverem um trabalho conjunto nos territórios?
O trabalho realizado por essas equipes é muito importante, pois o acesso a áre-
as antes não alcançáveis, ou pelo menos não regularmente alcançáveis, aumenta 
o número de famílias que se tornam visíveis para a equipe técnica do CRAS, desven-
dando-se uma realidade plural distinta da realidade urbana. A instalação de equi-
pes volantes representa um avanço de iniciativa de territorialização, como resposta 
à diversidade de território, o que permitiu aos Povos e Comunidades Tradicionais 
acessarem os serviços da Proteção Social Básica.
Mas quais são essas ofertas da Proteção Social Básica? Assista ao vídeo “Quais 
serviços encontro no Centro de Referência de Assistência Social – CRAS?”
Quais serviços encontro no Centro de Referência 
de Assistência Social – CRAS?
Gostou do vídeo? Daremos seguimento à nossa aula aprendendo um pouco 
mais sobre o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), Servi-
ço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV – e o Programa Acessuas 
Trabalho. Vamos lá?
Serviço de Proteção e Atendimento 
Integral à Família – PAIF
O Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família consiste no Trabalho 
Social com Famílias (TSF), de caráter continuado, com a finalidade de fortalecer a 
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AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
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função protetiva das famílias, prevenir a ruptura dos seus vínculos, promover seu 
acesso e usufruto de direitos e contribuir na melhoria de sua qualidade de vida.
O público do PAIF é constituído por famílias territorialmente referenciadas ao 
CRAS, sendo, por exemplo, famílias vivendo em territórios com nulo ou frágil aces-
so à saúde, à educação e aos demais direitos, em especial famílias monoparentais 
chefiadas por mulheres, com filhos ou dependentes. Famílias com moradia precária 
(sem instalações elétricas ou rede de esgoto, com espaço muito reduzido, em áreas 
com risco de deslizamento, vivenciando situações declaradas de calamidade públi-
ca, dentre outras); com integrante que apresenta problemas de saúde que deman-
dam do grupo familiar proteção e/ou apoios e/ou cuidados especiais (transtornos 
mentais, doenças crônicas etc), dentre outras, cujas condicionais de vida as coloca 
em vulnerabilidade e risco social.
O conceito de família utilizado na Assistência Social é o descrito na PNAS 
(2004), sendo o conjunto de pessoas unidas, seja por laços consanguíneos, seja por 
laços afetivos e/ou de solidariedade. O serviço é baseado no respeito à heterogenei-
dade dos arranjos familiares, aos valores, às crenças e às identidades das famílias.
O TSF se destina a desenvolver potencialidades e aquisições das famílias e o 
fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, por meio de ações de caráter 
preventivo, protetivo e proativo. As aquisições e potencialidades significam o im-
pacto em termos de autonomia e empoderamento que o TSF pode imprimir na vida 
das famílias e indivíduos, sendo, por exemplo: ganhos sociais e materiais às famí-
lias;acesso a benefícios, programas de transferência de renda e serviços socioas-
sistenciais; dentre outros.
No infográfico a seguir, você verá uma síntese do TSF no PAIF. Vamos conferir?
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Para compreendermos um pouco mais sobre o trabalho social com famílias re-
alizado no PAIF, precisamos distinguir dois conceitos básicos: o conceito de aten-
dimento e o de acompanhamento. Vamos lá?
Atendimento - Ação imediata de prestação ou oferta de atenção, com vistas 
a uma resposta qualificada de uma demanda da família ou do território. Significa a 
inserção da família, um ou mais de seus membros, em alguma das ações do PAIF: 
acolhida, ações particularizadas, ações comunitárias, oficinas com famílias e en-
caminhamentos. Em todos os momentos em que os trabalhadores do SUAS iden-
tificarem uma necessidade demandada pelas famílias, o atendimento e a atenção 
entram em cena.
Acompanhamento - Inserção da família em um conjunto de intervenções de-
senvolvidas de forma continuada, a partir do estabelecimento de compromissos 
entre famílias e os profissionais do serviço. No acompanhamento deve ser constru-
ído o Plano de Acompanhamento Familiar – PAF.
O PAF consiste em um método de intervenção, realizado pela equipe de re-
ferência do CRAS, com ações continuadas e objetivos definidos junto com as fa-
mílias que estão em acompanhamento, considerando a realização de mediaçõesPROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
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periódicas e a inserção em ações do PAIF, a fim de superar gradativamente as vul-
nerabilidades vivenciadas.
Vamos conhecer agora as ações do PAIF! Veja no infográfico a seguir a siste-
matização das ações.
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Fonte: Elaboração baseada no caderno Orientações Técnicas sobre o PAIF – v. 2 (2012).
O enfrentamento cotidiano da pobreza e das vulnerabilidades sociais é com-
plexo, estrutural e multifacetado, por isso é importante se conjugar a totalidade de 
ações públicas voltadas para os sujeitos de direito! Fica a dica: as ações do PAIF 
dependem da intersetorialidade, da consolidação das redes locais e do envolvimen-
to de equipes multiprofissionais. 
Agora você é convidado a ler o minicaso “Ação Comunitária do CRAS Roxo 
Verde”, que nos descreve uma ação comunitária organizada conjuntamente pelas 
equipes que atuam no território do CRAS, que proporcionou a participação da co-
munidade em atividades que visavam a autonomia, o empoderamento e a diversão, 
mas também os cuidados com a saúde.
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Ação Comunitária do CRAS Roxo Verde
O CRAS Roxo Verde oferta o serviço de Proteção e Atendimento Integral 
à Família – PAIF, e dentre as ações deste serviço está a ação comuni-
tária. As ações comunitárias envolvem toda a rede socioassistencial e 
intersetorial existente no território do CRAS. A mobilização da comuni-
dade e o planejamento das ofertas na ação comunitária são feitos com 
antecedência para que esta alcance os objetivos esperados.
Próximo ao Dia da Mulher, no ano de 2019, os técnicos de Nível Superior 
do CRAS Roxo Verde realizaram o planejamento e organização de uma 
ação comunitária destinada à população do bairro. Foi confirmada a pre-
sença de parceiros da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer, 
da Secretaria Municipal de Saúde e do parceiro na área de aprendizagem.
A Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, em parceria com a equipe do 
Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos do CRAS, ofertaria 
apresentações de música, dança, teatro para os jovens e adultos e cama 
elástica e brincadeiras para crianças.
O parceiro da área de aprendizagem ofertaria atividades de corte e es-
covação de cabelo, manicure, produção de bijuterias para mulheres e 
corte de cabelo para os homens.
Os técnicos da Secretaria de Saúde ofertariam escovação dental para 
crianças. Para as mulheres seria realizada uma oficina de cuidados 
com o corpo.
E, por fim, a equipe do PAIF apoiaria nas palestras de sensibilização so-
bre temas de interesse da comunidade.
No dia agendado, a ação foi realizada no espaço da Escola Municipal do 
bairro Roxo Verde. A escola ficou lotada de famílias em busca de infor-
mações e serviços disponibilizados.
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Durante a realização da oficina de cuidados com o corpo ofertada pela 
Equipe de Saúde da Família, uma enfermeira percebeu manchas seme-
lhantes às da hanseníase em uma usuária do CRAS. Ao ser questionada 
sobre a sensibilidade no local das manchas, a usuária respondeu que 
não sentia dor, nem calor ou frio.
A equipe de saúde prontamente orientou a usuária do CRAS e a enca-
minhou para que procurasse o posto de saúde para o agendamento de 
uma consulta, pois a hanseníase é uma doença crônica, transmissível, 
que tem preferência pela pele e nervos periféricos, e que pode causar 
incapacidades e deformidades físicas, principais responsáveis pelo es-
tigma e discriminação às pessoas acometidas.
O momento também foi importante para orientar os familiares que par-
ticipavam da ação juntamente com a usuária, assim como todos os pre-
sentes, de que a transmissão da hanseníase se dá de uma pessoa doen-
te sem tratamento para outra, após um contato próximo e prolongado, 
porém a doença tem cura e o tratamento é gratuito e ofertado pelo SUS 
em unidade de saúde – aquela mesma ali do bairro.
A assistente social do PAIF também orientou que os serviços socioas-
sistenciais ofertados no CRAS são destinados às pessoas e famílias em 
situação de vulnerabilidade e risco social decorrentes de ausência de 
renda, desemprego, moradia e alimentação precárias, com vivência de 
discriminação, como por exemplo as pessoas acometidas por doenças 
estigmatizantes como a hanseníase.
A iniciativa da ação comunitária organizada conjuntamente pelas equi-
pes que atuam no território do Roxo Verde proporcionou, além de ati-
vidades de autonomia, participação, informação e diversão aos partici-
pantes, a identificação de uma necessidade de tratamento de saúde da 
usuária e também o compromisso de realizar o acompanhamento da 
família pelo PAIF.
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Gostou do minicaso? Viu como é importante uma boa gestão do território? 
É disso que falaremos agora! Vamos lá?
Ao afirmar que o CRAS faz a gestão da PSB no território, isso significa que os 
demais serviços e programas da Proteção Social Básica, quando não ofertados di-
retamente nessa unidade socioassistencial, devem estar referenciados a ela. Esse 
é o caso do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), que, 
mesmo quando ofertado por uma organização da sociedade civil – OSC – (entidade 
privada), deve estar referenciado ao CRAS.
Estar referenciado significa estabelecer vínculo com o SUAS. 
Para saber mais sobre a articulação e os fluxos de trabalhos estabe-
lecidos pelo CRAS no território, leia o “Caderno de Orientações do 
Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família e Serviço de 
Convivência e Fortalecimento de Vínculos – Articulação necessária 
na Proteção Social Básica”.Disponível em: Cartilha_PAIF_1605.pdf 
(mds.gov.br)
Gostou de conhecer um pouco sobre o Trabalho Social com Famílias realiza-
do no CRAS? Agora reflita: como anda esse trabalho no seu município? De que 
forma você, trabalhador(a) do SUS ou do SUAS, pode atuar para que mais famí-
lias em situação de vulnerabilidade ou risco possam ter acesso a esse serviço? 
No vídeo “Quais serviços encontro no Centro de Referência de Assistência 
Social – CRAS?” foram apresentadas algumas características do SCFV. Vamos 
saber mais sobre ele?
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Serviço de Convivência e Fortalecimento 
de Vínculos – SCFV
O SCFV é um serviço da PSB ofertado de forma complementar ao trabalho so-
cial com famílias realizado por meio do Serviço de Proteção e Atendimento Integral 
às Famílias (PAIF) e do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado às Famí-
lias e Indivíduos (PAEFI).
Este serviço é realizado em grupos, segundo os ciclos de vida dos participan-
tes, sendo eles:
 Ŋ crianças até 6 anos;
 Ŋ crianças e adolescentes de 6 a 15 anos;
 Ŋ adolescentes de 15 a 17 anos;
 Ŋ jovens de 18 a 29 anos;
 Ŋ adultos de 30 a 59;
 Ŋ e pessoas idosas a partir de 60 anos.
É uma forma de intervenção social planejada, com o objetivo de promover a 
convivência e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, bem como 
estimular e orientar os(as) usuários(as) na construção e reconstrução de suas his-
tórias e vivências individuais, coletivas e familiares.
O SCFV tem ainda como objetivos estimular os(as) usuários(as) a reconhecer 
limites e possibilidades, construir projetos de vida, tomar decisões, exercitar esco-
lhas, admirar as diferenças, dialogar para resolver conflitos, dentre outros. Este ser-
viço pode ser ofertado no CRAS ou nos Centros de Convivência.
Quem é o público do SCFV? O público do SCFV é constituído por crianças, 
adolescentes e pessoas idosas: em situação de isolamento; trabalho infantil; vivên-
cia de violência e/ou negligência; fora da escola ou com defasagem escolar su-
perior a 2 (dois) anos; dentre outros, que você pode conferir na Resolução CNAS 
nº 01, de 2 de fevereiro de 2013, que está lá na nossa biblioteca.
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Além disso, também fazem parte do público: crianças, adolescentes e idosos 
sem amparo da família e da comunidade ou sem acesso a serviços sociais, além de 
outras pessoas inseridas no Cadastro Único. Veja, na figura abaixo, algumas ações 
do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.
Figura 4 – Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.
Fonte: Página da Prefeitura de Guaraí - TO, 2021. Disponível em: Acesse o link. Acesso em 26 abr. 2021.
Descrição: A figura mostra quatro fotos de ações do SCFV. Na primeira, as crianças fazem aula de 
balé; na segunda, aula de artes marciais; na terceira, aula de pintura e, na quarta, aula de violão.
Para saber mais sobre o SCFV, leia o caderno “Perguntas Fre-
quentes sobre o SCFV”.
Agora falaremos do “Programa Acessuas Trabalho”, que também integra as 
ofertas da Proteção Social Básica realizadas no CRAS. Vamos lá?
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Programa Acessuas Trabalho
Você sabia que o Programa Nacional de Promoção do Acesso ao Mundo do 
Trabalho – Acessuas Trabalho – tem como objetivo promover o acesso dos usuários 
do SUAS ao mundo do trabalho por meio de informações e orientações sobre di-
reitos e oportunidades? Ele também oferta ações que estimulem o reconhecimento 
de potencialidades e o desenvolvimento de habilidades, bem como a articulação 
com políticas setoriais.
Figura 5 – Acessuas Trabalho
Fonte: Blog da Rede SUAS – MC, 2021. Disponível em: http://blog.mds.gov.br/redesuas/
repactuacao-do-programa-acessuas-trabalho/. Acesso em: 26 abr. 2021. 
Descrição: A figura mostra o mapa do Brasil preenchido com desenhos 
de pessoas, ferramentas de trabalho, utensílios domésticos e lápis.
Conforme o caderno de Orientações Técnicas do Acessuas Trabalho (2017):
A Constituição Federal (CF), em seu art. 203, e a Lei Orgânica de Assistência 
Social, em seu art. 2º, elencam a “promoção da integração ao mercado de traba-
lho” como objetivo da política pública de Assistência Social. O Acessuas Trabalho 
é o programa da Assistência Social que concretiza o objetivo elencado na CF e na 
legislação, sendo, portanto, a ação relativa à promoção do acesso ao mundo do 
trabalho no âmbito do SUAS (BRASIL, 2017, p. 15).
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Quem é o público do Programa Acessuas Trabalho?
O Acessuas tem como público de suas ações a população urbana e/ou rural, 
em situação de vulnerabilidade e risco social, residente em municípios integrantes 
do Programa, com idade de 14 a 59 anos. Tem prioridade para a participação os 
usuários de serviços, projetos, programas de transferência de renda e benefícios 
socioassistenciais, com atenção especial para os seguintes segmentos:
 Ŋ Beneficiários do Programa Bolsa Família;
 Ŋ Pessoas inscritas no CadÚnico;
 Ŋ Pessoas com deficiência;
 Ŋ Jovens e adultos do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) e egressos;
 Ŋ Adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas, egressos e suas famílias;
 Ŋ Famílias com presença de situação de trabalho Infantil;
 Ŋ Famílias com pessoas em situação de privação de liberdade;
 Ŋ Famílias com crianças em situação de acolhimento provisório;
 Ŋ População em situação de rua;
 Ŋ Adolescentes e jovens no serviço de acolhimento e egressos;
 Ŋ Indivíduos e famílias residentes em territórios de risco, em decorrência do tráfico de drogas;
 Ŋ Indivíduos egressos do Sistema Penal;
 Ŋ Pessoas retiradas do trabalho escravo;
 Ŋ Mulheres vítimas de violência;
 Ŋ Jovens negros em territórios de risco;
 Ŋ Adolescentes vítimas de exploração sexual;
 Ŋ Comunidades e Povos Tradicionais;
 Ŋ População lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais - LGBTT;
 Ŋ Dentre outros, para atender especificidades territoriais e regionais.
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Como é realizado o trabalho no Acessuas?
Os usuários com perfil para participação no Acessuas são identificados, sensi-
bilizados e encaminhados para participarem das oficinas temáticas que têm como 
objetivo o desenvolvimento de habilidades e orientação para o mundo do trabalho. 
As oficinas do Acessuas têm o intuito de promover nos participantes o reconheci-
mento de suas potencialidades, saberes e áreas de interesse em relação ao mundo 
do trabalho. Além disso, é realizado um mapeamento das oportunidades de traba-
lho existentes no território.
É importante esclarecer que o Acessuas Trabalho não atua di-
retamente na qualificação profissional e inclusão produtiva, mas na 
mobilização, orientação, preparação, encaminhamento e acompa-
nhamento de seus usuários.
Depois de ter compreendido as ofertas da PSB, trataremos agora da Proteção 
Social Especial de Média Complexidade.
LOCALIZANDO A ATUAÇÃO 
DA PROTEÇÃO SOCIAL 
ESPECIAL NO SUAS: PSE DE 
MÉDIA COMPLEXIDADE
Agora que conheceu as principais características dos serviços e atendimen-
tos realizados no âmbito da PSB, convidamos você a identificar as particularida-
des e especificidadesdo acompanhamento socioassistencial às situações de risco, 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
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violência e demais formas de violação de direitos realizado pelos serviços da PSE 
de Média Complexidade.
A divisão estabelecida no modelo organizacional do SUAS, entre a Proteção 
Social Básica e Especial, se pauta no princípio de que a realidade social brasileira é 
marcada por extremas desigualdades e heterogeneidades culturais, regionais, situ-
acionais e identitárias, em que indivíduos e famílias acabam por vivenciar cenários e 
experiências de vulnerabilidades e riscos sociais e pessoais muito distintos. Dentro 
desse contexto, a Proteção Social Especial (PSE) é a modalidade de atendimento 
voltada a ofertar um conjunto de serviços, programas e projetos que têm por obje-
tivo contribuir para a reconstrução de vínculos familiares e comunitários, a defesa 
dos direitos, o fortalecimento das potencialidades e a proteção de famílias e indiví-
duos para o enfrentamento das situações de risco e violação de direitos.
Como já vimos na aula anterior, para garantir a cobertura das inúmeras situ-
ações de violações, a PSE se divide em dois níveis de complexidade: média e alta 
complexidade. De acordo com a PNAS (2004), são considerados serviços de mé-
dia complexidade aqueles que oferecem atendimentos às famílias e indivíduos com 
seus direitos violados, mas cujos vínculos familiar e comunitário não foram rompidos. 
A Proteção Social Especial de Alta Complexidade tem como objetivo ofertar serviços 
especializados, em diferentes modalidades e equipamentos, com vistas a assegurar 
o acolhimento a indivíduos e/ou famílias com fragilização ou rompimento de vín-
culos familiares ou, ainda, que necessitam ser afastados temporariamente de seus 
contextos familiares ou comunitários para que lhes seja garantida a sua proteção. 
Desse modo, no desenho do SUAS, as intervenções foram definidas considerando 
o agravamento e a natureza das situações de violação de direitos.
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Pensando conceitos: risco, violência 
e demais formas de violação de direitos
Antes que possamos delimitar especificamente as características do 
trabalho social de cunho especializado, que é realizado no campo da 
Proteção Social Especial, é de extrema importância que você saiba re-
conhecer e identificar um conjunto de conceitos que marcam o espaço 
de atuação desta proteção no SUAS.
Primeiramente, é importante destacar que, para o trabalho social de-
senvolvido pelas equipes especializadas do SUAS, as situações de ris-
co, violência e demais formas de violação de direitos estão para além 
da dimensão pessoal, entendendo que estas se fazem mais frequentes 
em populações em situação de vulnerabilidade, não só devido à ren-
da, envolvendo mais profundamente aqueles/as que se encontram mais 
abaixo nas hierarquias sociais, mas também devido a identidades mar-
ginalizadas socialmente, estigmas e outras situações que marcam his-
toricamente os grupos mais vulnerabilizados e excluídos socialmente. 
Nesse contexto de referencial conceitual, destaca-se que o conceito de 
risco é particularmente importante para a atuação da rede socioassis-
tencial, uma vez que a vivência de riscos decorre de situações que en-
volvam vulnerabilidades, violação de direitos ou ameaça à integridade 
física, emocional e/ou relacional. Assim, o conceito de risco para o SUAS 
é definido como a probabilidade ou a iminência de um evento acontecer. 
Localizando essa perspectiva dentro da configuração do trabalho social 
com famílias e indivíduos, o conceito serve como forma de identificar a 
probabilidade da ocorrência de uma violação ocorrer devido à vivência 
de uma vulnerabilidade social, como também de agravamento de uma 
situação de violação de direitos em que se vivencia novas violações ou 
violações entrelaçadas, ocasionando em vivências cíclicas e contínuas 
de violações. Dessa forma, a operacionalização do conceito de risco visa 
identificar a probabilidade ou a iminência de um fato (social, psicológi-
co, cultural, simbólico, político, biológico ou econômico) acontecer.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
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FIQUE DE OLHO!
Vulnerabilidade e risco são conceitos distintos: a ocorrência 
da vulnerabilidade está associada à possibilidade de ocorrência de 
risco, se não enfrentada a tempo e de forma precisa. Uma situa-
ção de vulnerabilidade não conduz, necessariamente, à vivência de 
uma situação de risco, pois a presença de fatores e condições de 
proteção social pode atenuar tal condição. Por sua vez, a vivência 
das situações de risco pode propiciar novas vulnerabilidades, em 
um processo que fragiliza ainda mais os indivíduos e/ou as famílias 
(FIOCRUZ. 2018, p. 21).
Outro conceito de destaque é o de violência. Para o SUAS, apesar de a violên-
cia se constituir como uma das formas de violação de direitos, sempre que tratamos 
de violação de direitos no campo da Proteção Social Especial esta violação adquire 
maior destaque, devido não só à maior frequência de atendimentos/acompanha-
mentos na PSE a essas situações, como também pelo nível de sofrimento e amplia-
ção das possibilidades de riscos que decorrem da vivência de violências na vida de 
uma pessoa ou família. É muito importante, para efetivação dessa proteção, a iden-
tificação dos tipos de violência e das formas pelas quais elas se materializam nas 
relações interpessoais, comunitárias e sociais. Destaca-se que categorizar em tipos 
essas violações não significa dizer que estas sejam excludentes entre si. A vivência 
de uma situação de violência incide de forma complexa e difusa na vida das pesso-
as e famílias, o que consequentemente ocasiona de forma frequente os interlaces e 
as interfaces entre as suas diferentes formas de materialização. As categorizações, 
servem, assim, para facilitar a identificação e compreensão das particularidades de 
cada experiência, o que contribui para a definição da característica do acompanha-
mento socioassistencial ofertado.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
65
De forma esquemática e para fins didáticos e/ou orientadores, tipifica-se mais 
comumente na literatura especializada as formas de violência como: 
1. violências que são produzidas em nível macrossocial (estrutural, de estado, cultural);
2. violências segundo a direcionalidade das relações sociais (autoinfligida, de gênero, interpes-
soal, coletiva);
3. violências que diferenciam o contexto social (intrafamiliar, comunitária, institucional);
4. violências caracterizadas pela configuração espacial, como rurais, urbanas, periferia ou centro;
5. violências segundo o ciclo da vida, entre outras.
Agora que debatemos um pouco sobre os conceitos de risco, violência e de-
mais formas de violação de direitos e suas formas de materialização, já temos a tela 
de fundo conceitual para adentrar nos serviços da PSE de Média Complexidade.
Os serviços e unidades de atendimento ofertados pela PSE de Média Comple-
xidade se voltam de forma essencial à garantia do direito socioassistencial de acom-
panhamento às famílias e aos indivíduos que vivenciam situações de violação de 
direitos, mas que ainda preservam seus vínculos familiares e/ou comunitários. No 
quadro a seguir, é possível identificar o conjunto de serviços e unidades de ofertas 
garantidos por essa proteção.Notem que os serviços são voltados para o atendi-
mento de públicos/situações específicas que, por sua vez, também são vinculados 
a unidades de atendimento específicas. Esta característica promove a focalização 
e atenção especializadas que essa proteção tem a função de garantir no desenho 
organizacional do SUAS.
SERVIÇOS UNIDADES DE OFERTA
Serviço de Proteção e Atendimento 
Especializado a Famílias e Indivíduos – PAEFI CREAS
Serviço de Proteção Social a 
Adolescentes em Cumprimento de 
Medidas Socioeducativas de Liberdade 
Assistida (LA) e de Prestação de 
Serviços à Comunidade (PSC)
CREAS
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
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SERVIÇOS UNIDADES DE OFERTA
Serviço de Proteção Especial para Pessoas 
com Deficiência, Idosos(as) e suas Famílias
Domicílio do usuário
Centro Dia
CREAS
Unidade referenciada ao CREAS
Serviço Especializado para 
Pessoas em Situação de Rua Centro POP
Serviço Especializado em Abordagem Social
CREAS
Centro POP
Unidade referenciada ao CREAS
Quadro 2 – Síntese dos Serviços e Unidades da PSE de Média Complexidade.
Fonte: Elaboração própria.
Vamos conhecer o Centro de Referência 
Especializado de Assistência Social (CREAS)?
O Centro de Referência Especializado de Assistência Social é uma unidade pú-
blica e estatal do SUAS responsável pela prestação de serviços socioassistenciais, 
sendo unidade de referência para articulação tanto com a proteção social básica, 
quanto com os serviços da alta complexidade. O Serviço de Proteção e Atendimento 
Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI) é o seu principal serviço e sua oferta 
é realizada de forma obrigatória pelo CREAS.Esta unidade pode, ainda, abarcar os 
demais serviços da média complexidade a depender da característica e capacida-
de das ofertas de cada território. Ademais, mesmo quando não presta diretamente 
outros serviços da média complexidade, exerce sempre função de referência para 
os demais prestadores de serviços em outras unidades públicas ou públicas não 
estatais (rede privada, entidades socioassistenciais) no campo desta proteção.
Acesse os vídeos a seguir e conheça as situações atendidas, o trabalho socio-
assistencial especializado e o perfil das equipes do CREAS. Vamos lá?
Centro de Referência Especializado de Assistência 
Social – CREAS
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
67
Vítimas de violações de direitos e violências 
recebem atendimento em mais de 2,6 mil CREAS
Como apontado nos vídeos, o CREAS tem como função fundamental organi-
zar, gerir e referenciar os serviços da PSE de Média Complexidade na direção de 
garantir a oferta das seguranças socioassistenciais de acolhida, convívio familiar e 
de promoção de desenvolvimento de processos voltados à autonomia familiar e/ou 
pessoal de seus/suas usuários/as.
O fato de ser a unidade pública de referência para a prestação 
dos serviços socioassistenciais relacionados a situações de violação 
de direitos, por vezes, pode ocasionar distorções em relação à fun-
ção protetiva do CREAS. Sendo assim, é preciso compreender que 
os atendimentos prestados por esta unidade socioassistencial são 
de cunho protetivo, com garantia de sigilo e voltados exclusivamente 
para o fortalecimento das trajetórias coletivas e individuais de seus/
suas usuários/as, não possuindo atribuição de investigação para a 
responsabilização dos/as autores/as de violência.
A abrangência territorial do CREAS pode ser municipal ou regional, a depen-
der dos desenhos e formatos de oferta de cada estado ou município. O CREAS 
deve funcionar em horários planejados, previsíveis e divulgados à rede e aos/às 
usuários/as, em espaço físico adequado. Algumas demandas, pela gravidade da 
violação, possuem a característica mais emergencial, uma vez que a não realização 
de um pronto atendimento implica necessariamente incidência de novos riscos, ou 
mesmo aprofundamento da violação vivenciada. Esses casos demandam de ime-
diato a atuação com outras políticas e instituições, como conselho tutelar, sistema 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
68
de justiça e saúde. Por meio do mapeamento do território permite-se uma organiza-
ção inteligente do serviço que consegue antecipar perfil das violações, característi-
cas das exclusões, contradições e potencialidades, além de organizar e qualificar o 
atendimento da rede de proteção social, ampliando a capacidade de uma resposta 
integral às violações sofridas.
Sobre as possibilidades de ação integrada entre a rede de saúde e os atendi-
mentos socioassistenciais com foco nas situações de risco, violência e demais for-
mas de violação de direitos, convidamos a ler a seguinte reflexão:
Possibilidades de Ação Integrada com Saúde 1 - 
Articulação e Integralidade do Atendimento
A articulação com a rede de saúde se constitui como uma das principais 
dimensões da garantia dos direitos sociais fundamentais de quem se 
encontra em situação de vulnerabilidade, riscos e violações de direitos, 
uma vez que estas trajetórias são permeadas por negativas de acesso a 
direitos. Em busca do atendimento integral de suas/seus usuárias/os as 
equipes de atendimento socioassistencial mantêm estreita relação com 
as equipes de saúde no território, o que possibilita o diálogo interinstitu-
cional constante e a organização técnica e operacional. 
Esta relação envolve necessariamente: a construção de fluxos entre uni-
dades e serviços das duas políticas; estudos de casos entre equipes; 
construção de estratégias compartilhadas para o desenvolvimento dos 
planos de atendimento/acompanhamento; estratégias de complemen-
taridade de saberes para combate às desproteções; “transferência de 
sigilo” (de modo a evitar revitimizações e retrocessos na efetivação da 
garantia de direitos nas situações de violência encaminhadas entre as 
políticas); ações conjuntas em âmbito familiar, comunitário e territorial; 
entre outras atividades, considerando a incompletude institucional e o 
princípio da garantia da integralidade no atendimento da população.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
69
O CREAS é realmente um equipamento desafiador, uma vez que condensa o 
atendimento de uma ampla gama de situações de violação. Se você tiver interesse 
em saber mais sobre o trabalho do CREAS, acesse na biblioteca do curso o Caderno 
de Orientações Técnicas: Centro de Referência Especializado de Assistência 
Social – CREAS e a Cartilha de Perguntas de Respostas do CREAS. Boa Leitura!
Agora que já sabemos que o CREAS é a principal unidade de atendimento da 
PSE de Média Complexidade, convidamos você a conhecer os serviços que dão 
vida a este equipamento! Você já ouviu falar no PAEFI?
O Serviço de Proteção e Atendimento Especializado 
a Famílias e Indivíduos – PAEFI
Caro/a aluno/a, o Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famí-
lias e Indivíduos, conhecido como PAEFI, é considerado o principal serviço ofertado 
pelo CREAS. É muito comum no dia a dia escutarmos a frase: Não há CREAS sem 
PAEFI e nem PAEFI sem CREAS! Isto porque esse trabalho especializado de carac-
terística continuada desenvolvido pelo PAEFI tem como principal intenção garantir 
a integralidade do acompanhamento socioassistencial por meio da escuta qualifi-
cada e da construção de um plano de acompanhamento, o que envolve a atenção 
às múltiplas dimensões inerentes às situações de riscos e violação dedireitos que 
interseccionam necessariamente: ciclos etários; raça/etnia/cor; etnicidade; classe; 
gênero; identidade de gênero e orientação sexual; e situação de deficiência.
O foco do trabalho reside na superação das desproteções vivenciadas e na pre-
venção da incidência e reincidência de violações de direitos, o que promove mais 
amplamente a interrupção do ciclo de violência no interior dos territórios.
A centralidade na família se constitui como uma das bases de estruturação do 
trabalho desenvolvido por este serviço, que a entende enquanto espaço contradi-
tório que ora funciona como lócus privilegiado de cuidado e proteção, ora como 
palco de conflitos, violência e desproteções. Nesse sentido, o PAEFI direciona suas 
ações para ampliação do fortalecimento das capacidades protetivas das famílias, 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
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buscando contribuir para preservar, restaurar e motivar a integridade e as condições 
de autonomia e autocuidado dos/as usuários/as, de modo a promover rompimento 
de padrões violadores de direitos no interior da família. Esse conjunto de objetivos 
promove a prevenção do agravamento das violações ao mesmo tempo em que se 
cria um cenário possível para a construção e/ou ressignificação de projetos de vida.
Destaca-se, ainda, que o serviço atua para prevenção dos agravamentos que 
podem ocasionar numa situação de rompimento de vínculos e consequente insti-
tucionalização, com foco nas promoções do fortalecimento da função protetiva das 
famílias e comunidades, bem como na edificação de trajetórias marcadas pela au-
tonomia e acesso a direitos.
Você sabe quem são os/as usuários/as do PAEFI?
São todas aquelas famílias e/ou indivíduos que vivenciam situação de ris-
cos, violências e demais formas de violação de direitos, por ocorrência de:
• Violência física, psicológica, moral, simbólica, patrimonial, intrafami-
liar e doméstica;
• Violência sexual (abuso e /ou exploração sexual);
• Negligência;
• Abandono;
• Afastamento e/ou processo de restabelecimento do convívio familiar 
devido à aplicação de medida socioeducativa, medida protetiva ou pri-
são de um ou mais membros familiares;
• Famílias de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa; 
• Tráfico de pessoas;
• Situação de rua;
• Vivência de trabalho infantil;
• Discriminação em decorrência da orientação sexual e/ou identidade 
de Gênero;
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COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
71
• Discriminação em decorrência de cor/raça/etnia;
• Estigma e preconceito em virtude de deficiência, doença e ciclos de vida;
• Descumprimento de condicionalidades do PBF em decorrência de 
violação de direitos;
• Outras formas de violação de direitos decorrentes de discriminações/
submissões a situações que provocam danos e agravos a sua condição 
de vida e os impedem de usufruir autonomia e bem-estar;
Agora que conhecemos as situações atendidas é fundamental compreender 
como elas serão acompanhadas. Assim, convidamos a conhecer a metodologia de 
atendimento e objetivos do acompanhamento! Vamos conhecer o trabalho essen-
cial realizado pelo PAEFI?
A execução deste serviço implica, necessariamente: um planejamento partici-
pativo (técnicos, usuários/as, parceiros) que garanta a adesão e o reconhecimen-
to dos usuários/as e da rede de proteção; definição clara da intencionalidade das 
ações propostas, implicando, ainda, sistematicidade, previsibilidade, metodologias 
flexíveis e passíveis de singularização.
O PAEFI contribui para a ressignificação e/ou superação de situações violado-
ras, com foco na ampliação do acesso a direitos, na reconstrução de relacionamen-
tos familiares e comunitários fragilizados ou na construção de novas referências. 
Esse trabalho é desenvolvido por meio de uma metodologia de acompanhamento 
especializado que que envolve: acolhida; escuta qualificada; estudo social; atendi-
mento especializado (individualizado, familiar e em grupo); construção de vínculo da 
equipe com os usuários; visita domiciliar; atividades coletivas e comunitárias; orien-
tação e acesso aos benefícios e programas socioassistenciais; encaminhamentos 
para as redes de serviços; orientação jurídico-social; informação, comunicação e 
defesa de direitos; Identificação e mobilização de família extensa; articulação intra 
e intersetorial; registro das informações e elaboração de relatórios e prontuários. 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
72
Este conjunto de procedimentos técnicos compõe o que se chama de trabalho es-
sencial do serviço. Veja a seguir!
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As formas de acessar o PAEFI podem se dar tanto a partir de demanda espon-
tânea, que ocorre por meio do reconhecimento por parte do território do CREAS 
como espaço protetivo, como também por meio de encaminhamentos realizados, 
seja por outros serviços socioassistenciais da Rede SUAS, como pelas demais po-
líticas públicas setoriais, mais frequentemente saúde e educação ou, ainda, órgãos 
do Sistema de Garantia de Direitos, como Conselho Tutelar, Ministério Público e 
Defensoria, abarcando também o Sistema de Segurança Pública.
Caro cursista, como indicado acima, muitas podem ser as formas 
de acesso ao PAEFI e também muitos são os encaminhamentos rea-
lizados pelo serviço para a rede de proteção social. Dadas as caracte-
rísticas das situações de violências, sejam físicas ou psicológicas, que 
envolvem, para além da dimensão social, cuidados mais diretamente 
relacionados ao corpo e ao sofrimento mental, a articulação com a rede 
de saúde se constitui como uma atividade central para o atendimento 
dessas situações. 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
73
Com isto em mente, convidamos você a refletir um pouco mais 
sobre as possibilidades de ação integrada entre o PAEFI e os Serviços 
de Saúde. Para tanto, acesse na nossa biblioteca o texto a seguir:
Possibilidades de Ação Integrada com Saúde 2 - PAEFI 
Visando a garantia do atendimento integral à família e aos 
indivíduos que vivenciam formas de violação de direitos, des-
taca-se a relação direta entre o PAEF Ie a Rede de Atenção 
Psicossocial, uma vez que a presença da/o psicóloga/o na 
equipe do PAEFI não se presta à garantia de atendimento clí-
nico (psicoterapia). Destaca-se, também, a intrínseca relação 
do PAEFI no atendimento das pessoas que tiveram notifica-
ção compulsória de doenças, violências e agravos do SUS. 
No contexto desta articulação, o trabalho realizado pelo PAE-
FI pode, ainda, envolver o trabalho social voltado a apoiar 
na adesão aos tratamentos contínuos de doenças crônicas 
como HIV/aids, sífilis, hanseníase e tuberculose, cujos estig-
mas sociais, situações de vulnerabilidades e discriminações 
podem influenciar tanto no acesso a direitos que envolvem o 
acometimento dessas doenças, quanto nas condições para 
continuidade do tratamento. O serviço também se volta para 
a prevenção do agravamento de riscos associados à vivên-
cia destas doenças com foco na ampliação da capacidadeprotetiva das famílias e na autonomia dos indivíduos.
Agora, vamos conhecer mais um serviço da PSE de Média Complexidade?
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
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O Serviço de Proteção Social a Adolescentes 
em Cumprimento de Medida Socioeducativa 
de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação 
de Serviços à Comunidade (PSC) – Serviço 
de MSE em Meio Aberto de LA e PSC
O Serviço de MSE em Meio Aberto de LA e PSC deve ser ofertado necessaria-
mente pelo CREAS. Tem como atividade precípua ofertar atenção socioassistencial 
e acompanhamento de adolescentes de 12 a 18 anos incompletos que praticaram 
algum ato infracional e/ou jovens de 18 a 21 anos – que tenham praticado o ato in-
fracional antes de atingir a maioridade penal – e suas famílias. O serviço possui a 
obrigatoriedade legal de elaborar e acompanhar o Plano Individual de Atendimento 
(PIA) para cada adolescente encaminhado pelo sistema de justiça. 
A construção dessa ferramenta tem como foco a incorporação por meio do de-
senho individual de acompanhamento da dupla dimensão (proteção e responsabi-
lização) que envolve necessariamente o trabalho social com vistas ao cumprimento 
da medida socioeducativa. Ou seja, este conjunto de atuações elencadas no PIA 
deve atuar tanto no campo da garantia da proteção social de sujeitos em desenvol-
vimento quanto na construção de estratégias voltadas à responsabilização pelo ato 
praticado. Sobre essa última, muito longe de se estruturar uma perspectiva punitiva, 
se volta à promoção de uma série de estratégias de atendimentos pautadas na (re)
significação de projetos de vida e ampliação das possibilidades de acessos des-
ses(as) adolescentes, frequentemente marcados(as) por uma trajetória de exclusão, 
vivências de violências e negação de direitos.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
75
Esse serviço apresenta particularidades em relação aos de-
mais serviços do SUAS, visto que envolve a relação entre SUAS e 
Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), no 
qual se insere diálogo direto com o Sistema de Justiça, que envolve 
homologação do PIA por parte do Judiciário, envio de relatórios de 
acompanhamento, entre outras atenções judiciais.
Esse serviço presta um conjunto de ações que estabelece as bases necessá-
rias para ampliar as capacidades e potencialidades desses adolescentes, promo-
vendo um melhor cenário pessoal, familiar e comunitário para o estabelecimento 
e a autoconfiança, assim como para a ampliação da capacidade de reflexão sobre 
as possibilidades de construção de processos de autonomia, incidindo diretamente 
em maiores acessos e oportunidades com vistas à ampliação do universo informa-
cional e cultural e ao desenvolvimento de habilidades e competências.
Sabemos que a garantia do acesso à saúde e a vinculação des-
ses/as adolescentes com esta rede se constitui direito fundamental e 
elemento estruturante para o desenvolvimento do Plano Individual de 
Atendimento, no qual a saúde se estabelece como política correspon-
sável de sua execução, de acordo com a Lei do SINASE. Dessa forma, 
convidamos você a pensar sobre as possibilidades de ação integrada 
entre o Serviço de MSE em Meio Aberto de LA e PSC com a rede de 
saúde. Leia o texto a seguir:
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
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Possibilidades de Ação Integrada com Saúde 3 - 
Serviço de MSE em Meio Aberto de LA e PSC 
No desenvolvimento do Serviço de MSE em Meio Aberto de 
LA e PSC, ganha destaque a Política Nacional de Atenção In-
tegral à Saúde de Adolescentes em Conflito com a Lei, em 
Regime de Internação e Internação Provisória (PNASARI), in-
cluindo-se o cumprimento de medida socioeducativa em meio 
aberto e fechado (2014). Apesar de o título jogar luz no esta-
belecimento de parâmetros para os cuidados com a saúde de 
adolescentes em cumprimento de MSE em meio fechado, este 
documento também abarca os parâmetros em atenção inte-
gral de adolescentes em regime de meio aberto, com desta-
que para: a promoção, prevenção, assistência e recuperação 
da saúde destas/es adolescentes no SUS, que depende, ne-
cessariamente, de um esforço integrado de ações interseto-
riais para a responsabilização conjunta das equipes de saúde 
e das equipes socioeducativas em torno do cuidado da saúde 
física e mental de adolescentes em conflito com a lei.
Desta forma, requer o estabelecimento de relações estrei-
tas no território entre SUAS e SUS, que envolve participa-
ção das equipes de saúde nas informações que subsidiam 
e alimentam a dimensão do acesso à saúde no desenvolvi-
mento do PIA. 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
77
Sendo a adolescência um momento do ciclo de vida carac-
terizado pela experimentação, descoberta da autonomia e 
da sexualidade, ganha destaque no acompanhamento do 
acesso à saúde de adolescentes o trabalho articulado entre 
as duas políticas em torno do enfrentamento ao aumento da 
população que contrai HIV ou convive com HIV/aids na ado-
lescência1 , como também o fomento ao trabalho social com 
aquelas/es que vivem com a doença. 
O preocupante número de ocorrências de gravidez na ado-
lescência, somado ao aumento da ocorrência de doenças se-
xualmente transmissíveis, ocasionado pela ausência de edu-
cação sexual e reprodutiva; a intensificação do consumo de 
drogas e a violência; e a exploração e o abuso sexual de ado-
lescentes ajudam-nos a entender melhor porque as/os jo-
vens são, cada vez em maior número, vulneráveis à infecção 
pelo HIV/aids no Brasil. Neste sentido, o desenvolvimento 
do trabalho socioassistencial, que se efetiva em articulação 
com o acompanhamento da rede de saúde, pode ser funda-
mental e muitas vezes determinante para a instrumentaliza-
ção e potencialização dos cuidados e acesso a direitos. 
1 Estudos demonstram que muitos jovens estão iniciando sua vida sexual mais cedo (em média 15 anos 
para ambos os sexos), muitas vezes sem proteção contra gestações não planejadas e DST/aids. Tal dado 
torna o percentual de infecções na adolescência mais significativo se considerarmos que a aids se mani-
festa de sete a dez anos após a infecção pelo HIV. Logo, supõe-se que grande parte das notificações, em 
pessoas com 25 a 29 anos, corresponda a indivíduos que se infectaram na adolescência ou no início da ju-
ventude, cujos parceiros sexuais também estiveram vulneráveis à infecção. (TOLEDO, M.; TAKAHASHI, R.; 
GUANILO, M. Elementos de vulnerabilidade individual de adolescentes ao HIV/AIDS. Rev. bras. enferm., 
Brasília, v. .64, n. 2, mar./abr. 2011).
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE
78
Ações voltadas ao conhecimento da saúde sexual e repro-
dutiva, ao acesso a benefícios e outras formas de transferên-
cia de renda, ao enfrentamento ao abuso, violência e explo-
ração sexual, bem como o trabalho social voltado à adesão 
ao tratamento de doenças sexualmente transmissíveis são 
essenciais envolvendo, ainda, a família como elemento fun-
damental para a diminuição dos riscos e para a construção 
de formas de comunicação e informação.
Caro cursista, essa aula foi fundamental para compreender a característica de 
cada serviço da PSB e de parte dos Serviços da PSE de Média Complexidade. Para 
além da caracterizaçãodos serviços, foi possível refletir por meio dos recursos didá-
ticos possibilidades factíveis de atuação integrada entre SUAS e SUS, indicadas por 
meio do foco de atuação de cada serviço apresentado. Então, nos vemos na próxi-
ma aula, na qual daremos continuidade à caracterização dos serviços e unidades 
da PSE de Média e de Alta Complexidade.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO 
DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE
79
AULA 6 – CONTINUAÇÃO: 
SERVIÇOS DA PSE DE 
MÉDIA COMPLEXIDADE E 
DE ALTA COMPLEXIDADE
Olá, cursista! Nesta aula, daremos continuidade à apresentação dos Serviços 
da PSE de Média Complexidade e iniciaremos a localização da PSE de Alta Com-
plexidade. Aqui serão apresentadas as diferenças entre esses dois níveis de com-
plexidade da PSE no SUAS por meio da caracterização de seus serviços, unidades 
de atendimento e particularidades de acompanhamento.
Você conhece os serviços e unidades de atendimento da PSE de Média e 
de Alta Complexidade? Quais as diferenças entre os formatos de atendimento 
desses dois níveis da PSE? Quais as ferramentas, metodologias e concepções 
que compõem o trabalho social com famílias e indivíduos em situação de risco 
e violações de direitos? Quais os tipos de situações atendidas em cada serviço/
unidade? Quais as características dos públicos atendidos e de que forma essas 
especificidades impactam o atendimento? Essas são perguntas centrais a que se 
pretende responder nesta aula!
SERVIÇOS DA PSE DE 
MÉDIA COMPLEXIDADE
Vamos agora saber um pouco mais sobre o acompanhamento socioassistencial 
à pessoa com deficiência na Proteção Social Especial de Média Complexidade: “Nada 
sobre nós, sem nós!” (lema do Movimento dos Direitos das Pessoas com Deficiências).
Inicialmente, cabe explicar a você, cursista, por que o acompanhamento socioa-
ssistencial a pessoas com deficiência no SUAS ganha maior destaque no campo de 
atuação da PSE. Isso ocorre porque o SUAS estabelece como premissa fundamental 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO 
DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE
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que as situações de dependência de cuidados de terceiros, o estigma social, o des-
preparo das instalações físicas das cidades brasileiras em torno da acessibilidade, a 
precarização das instituições estatais que ocasiona a precarização da oferta desses 
cuidados pelas famílias, vivenciados de forma frequente na realidade social brasi-
leira por pessoas com deficiência e pessoas idosas, impõem por vezes barreiras in-
transponíveis, ocasionando o aumento das situações de risco de violação de direi-
tos deste público. Dessa forma, este extenso cenário de desproteções aos quais as 
pessoas com deficiência são submetidas fundamenta as razões pelas quais, na or-
ganização do SUAS, a Proteção Social Especial se ocupa de forma central da oferta 
de serviços especializados para efetivação desses direitos.
Nesse sentido, cabe destacar que tanto os serviços quanto as unidades espe-
cializadas que se incumbem da garantia dos direitos socioassistenciais das pesso-
as com deficiência no SUAS se fundamentam na perspectiva de ampliar, qualificar 
e dar suporte aos cuidados familiares e individuais, contribuindo dessa forma para 
a promoção da construção de processos voltados à autonomia e à ampliação da 
participação social deste público e de suas famílias.
Uma vez apresentada essa localização inicial, a qual esclarece e fundamenta 
a atenção especializada a pessoas com deficiência no SUAS, convidamos você a 
conhecer a Unidade Centro Dia e o Serviço de Proteção Social Especial para Pes-
soas com Deficiência, Idosas e suas Famílias, ambos voltados exclusivamente para 
atenção e focalização do conteúdo do trabalho socioassistencial de cunho especia-
lizado para esse público.
Você já ouviu falar no Centro Dia?
O Centro Dia é uma Unidade Especializada, referenciada ao CREAS, de abran-
gência municipal, pública estatal ou não estatal de referência para a oferta do Ser-
viço de Proteção Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias. 
Atende a crianças, jovens, adultos com deficiência (física, intelectual, auditiva, visu-
al, autismo e/ou situações de múltiplas deficiências) em situação de dependência 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO 
DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE
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e idosos em situação de risco e direitos violados, bem como as suas famílias, priori-
tariamente, beneficiários do BPC e incluídos no Cadastro Único. O Centro Dia atua, 
ainda, como unidade articuladora de acesso a outros serviços e direitos no território 
e às tecnologias assistivas de autonomia e convivência.
O Centro Dia é uma unidade socioassistencial com características 
bastante particularizadas, que envolve desde cuidados instrumentais à 
pessoa com deficiência, passando pelo atendimento individual, em grupo 
e familiar, até a promoção de ações de participação comunitária. Dessa 
forma, para saber mais sobre este importante equipamento, acesse na 
biblioteca do curso o Caderno de Orientações Técnicas do Centro Dia!
As atividades do Centro Dia são executadas pela equipe técnica do Serviço de 
Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias, a 
qual desenvolve um conjunto variado de atividades para inclusão social, com foco 
nas ações de fortalecimento de ampliação das vivências de sociabilidade, como me-
dida a evitar o isolamento e o rompimento de vínculos. Essa equipe também realiza 
atividades de compartilhamento de cuidados, ampliando também a capacidade pro-
tetiva da família, não só por meio da efetivação do cuidado em si, mas também por 
meio do apoio e da orientação voltados a esses cuidados para os/as cuidadores/as 
familiares. Este compartilhamento envolve desde os cuidados pessoais até a viabili-
zação de deslocamentos e acesso às ações mais fundamentais do dia a dia.
É importante destacar que o Serviço de Proteção Social Especial para Pesso-
as com Deficiência, Idosas e suas Famílias (incluindo cuidadores/as) realiza oferta 
socioassistencial de característica especializada para o acompanhamento/aten-
dimento de famílias com pessoas com deficiência e idosos, com algum grau de 
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COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
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DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE
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dependência, que tiveram barreiras agravadas por violações de direitos. Esse ser-
viço possui formas de oferta bastante ampliadas, podendo ser realizado no CRE-
AS, no Centro Dia, no domicílio, como também em entidades ou organizações que 
compõem a Rede Privada de Assistência Social, desde que estejam referenciadas 
ao CREAS ou ao Centro Dia. O serviço tem como objetivo fomentar a melhoria da 
qualidade de vida por meio da promoção da autonomia e da inclusão social de 
seus/suas usuários/as, buscando estratégias e garantia de direitos que evitem si-
tuações de confinamento e de isolamento social da pessoa com deficiência e de 
sua família. Possui trabalho social voltado à prevenção e/ou superação de outras 
situações de risco e demais formas de violação de direitos, como: a discriminação 
e os estigmas, negligência, precarização do cuidado, maus-tratos, abandono, vio-
lência física e psicológica, uso indevido da imagem, convivência com a extrema 
pobreza, dentre outros riscos.
O Centro Dia e o Serviço Especializado possuem na rede de saú-
deo seu principal interlocutor no que tange à articulação intersetorial e 
a parcerias interinstitucionais. É primordial que os cuidados instrumen-
tais realizados pelas equipes do SUAS estejam em estreita convergên-
cia com as melhores práticas indicadas pelos profissionais de saúde e, 
neste ponto, a rede de atendimento da saúde está sempre referenciada 
às práticas laborais dos profissionais de saúde presentes nas unidades 
socioassistenciais. Para além dessa relação, este atendimento envolve 
de forma central a articulação entre os cuidados e a garantia do aten-
dimento integral a essas situações. Esta articulação implica necessa-
riamente o estabelecimento de fluxos de referência e contrarreferência 
entre as duas políticas. Se você tem interesse em refletir sobre este 
diálogo que envolve as possibilidades de ação integrada deste atendi-
mento e os Serviços de Saúde, leia o texto a seguir: 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
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Possibilidades de Ação Integrada com Saúde 4 – 
Centro Dia e/ou Serviço de Proteção social Especial 
para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias:
Merece destaque, neste contexto, o acompanhamento vol-
tado a famílias e indivíduos que vivem ou convivem com a 
hanseníase, dada não só a determinação social desta doen-
ça, como também o fato de que se não tratadas; ou, quando 
tratadas tardiamente, sofrem agravos de saúde que podem 
gerar incapacidades e até deficiências. A hanseníase é uma 
doença que pode atingir quase todos os órgãos dos senti-
dos do ser humano. Estas lesões provocam incapacidades 
físicas, visuais e olfativas. As incapacidades físicas trazem 
muitas dificuldades para as pessoas com hanseníase. Elas 
são responsáveis pela exclusão destas pessoas do mundo 
do trabalho e por dificuldades nos cuidados cotidianos e na 
mobilidade, de modo a promover o afastamento do convívio 
familiar, social e da sua participação na comunidade. Esta 
conjunção de fatores que caracterizam a vivência da han-
seníase desperta a importância da inclusão destes indivídu-
os na rede de atendimento socioassistencial, cujo foco do 
atendimento se volta à instrumentalização da autonomia, a 
articulações para o mundo do trabalho e à ampliação da ca-
pacidade de cuidado das famílias. Este conteúdo do trabalho 
social no SUAS para pessoas com deficiências, idosos e suas 
famílias em articulação com o acompanhamento da rede de 
saúde constitui estratégia entre saberes complementares que 
potencializam a adesão ao tratamento e promovem acesso 
a direitos, ampliando a capacidade protetiva das famílias, a 
autonomia dos indivíduos e o bem-estar social de todas/os. 
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Bom, agora que sabemos um pouco mais sobre a rede de atendimento da PSE 
de Média complexidade voltada à pessoa com deficiência e suas famílias, convi-
damos você a conhecer a particularidade do atendimento de mais um público! Va-
mos, a partir de agora, conhecer quais as ofertas da média complexidade voltadas 
à garantia dos direitos socioassistenciais da População em Situação de Rua.
Você já se perguntou como a População em Situação de Rua lava suas roupas, 
acessa documentação, guarda seus pertences, recebe correspondência, compar-
tilha outras formas de convívio e acessa outros direitos? Você conhece ou já ouviu 
falar no Centro POP?
Mas o que é o Centro POP?
O Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua 
– Centro POP – é a unidade pública e estatal, lócus de referência para o trabalho 
socioassistencial especializado com pessoas em situação de rua no âmbito do 
SUAS. Realiza oferta obrigatória do Serviço Especializado para Pessoas em Situ-
ação de Rua, podendo ainda ofertar e/ou referenciar o Serviço Especializado em 
Abordagem Social.
Convidamos você, neste momento da nossa aula, a conhecer de perto o fun-
cionamento do Centro POP e, assim, visualizar como a População em Situação de 
Rua acessa esse espaço. Acesse o vídeo intitulado “Centro POP dá suporte a Pes-
soas em Situação de Rua”.
Centro POP dá suporte a Pessoas 
em Situação de Rua
Como observado no vídeo, fica bem claro que o Centro POP atua como um 
espaço de referência para o convívio, atendimento de necessidades essenciais e 
estabelecimento de outras formas de sociabilidade em grupo e/ou social para além 
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DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE
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daquelas estabelecidas no espaço da rua. Atua ainda como espaço agregador, pro-
movendo o estímulo à organização, mobilização e participação comunitária.
Por se tratar de uma unidade voltada a pessoas que estão desabrigadas 
(utilizam a rua como espaço de moradia ou de sobrevivência) e que têm, 
assim, os seus direitos à dignidade humana e à moradia diretamente 
afetados, promove aquisições essenciais voltadas à garantia de presta-
ção imediata de vários direitos. Entre eles destacam-se:
• Estabelece uma referência física de endereço institucional para os usu-
ários receberem correspondências, atuando, inclusive, para fins de in-
serção no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal;
• Possui copa/cozinha;
• Oferta higiene pessoal (banheiros individualizados com chuveiros, 
inclusive);
• Possui lavanderia com espaço para secagem de roupas;
• Possui refeitório;
• Oferta guarda de pertences, com armários individualizados;
• Oferece acesso à documentação;
• Presta atendimento individualizado, familiar ou em pequenos grupos;
• Promove atividades coletivas com os usuários, possibilitando sociali-
zação e convívio;
• Oferece apoio para acesso à alimentação (por meio de parcerias com 
a área de segurança alimentar e nutricional com equipamentos públi-
cos, como restaurantes populares).
Para aprofundar o conhecimento sobre o funcionamento e os tipos de 
atividades e ofertas prestadas no Centro POP, recomendamos o acesso 
na biblioteca do curso à “Cartilha de Perguntas e Respostas do Centro 
POP”. É sempre bom saber um pouco mais!
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Agora que já apresentamos e visualizamos a estrutura geral de ofertas do Cen-
tro POP, convidamos você a conhecer mais especificamente o Serviço Especializa-
do para Pessoas em Situação de Rua, o qual garante as aquisições apresentadas 
acima. É ofertado de forma obrigatória no Centro POP para jovens, adultos, idosos 
e famílias que utilizam as ruas como espaço de moradia e/ou sobrevivência.
Este serviço tem como finalidade realizar acompanhamento socioassistencial 
especializado com foco nas demandas apresentadas pelos/as usuários/as, com vis-
tas a proporcionar aquisições direcionadas para o desenvolvimento de novas formas 
de sociabilidades e práticas; fortalecimento ou construção de vínculos interpesso-
ais e/ou familiares; leitura ampliada da situação social de rua e renovação/ressig-
nificação de projetos de vida. Seu objetivo principal se presta ao fortalecimento da 
autonomia, viabilizando de forma gradativa o processo de saída da situação de rua.
O serviço tem como base conceitual a compreensão de que a vivência de rua 
transpõe quereres e responsabilidades individuais, perpassando esquemas perver-
sos de desigualdadessociais, estigmas e seletividade. Nesse sentido, funciona tam-
bém como um articulador para os demais acessos a direitos e serviços, com foco 
nas políticas de moradia, trabalho, saúde e educação, uma vez que a trajetória deste 
público é de forma frequente e historicamente marcada pela exclusão e negação de 
direitos fundamentais. As formas de acesso ao serviço se dão por meio de deman-
da espontânea, por encaminhamentos originados por meio do Serviço Especializa-
do em Abordagem Social, mas também de outros serviços do SUAS e das demais 
políticas públicas ou parcerias.
Completando a oferta de serviços voltados ao atendimento especializado de 
média complexidade à população em situação de rua no SUAS, apresentamos a 
partir de agora o Serviço Especializado em Abordagem Social, que se volta à pres-
tação de uma proteção social proativa, que sai das unidades e adentra nos espa-
ços mais marginalizados de um território, considerada estratégia fundamental no 
caso de situações que contam com alto grau de profundidade de vulnerabilidade, 
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DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE
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violações e negação de acesso a direitos, como é o caso das pessoas submetidas 
a situação de rua.
Proteção Social Proativa: O Serviço 
Especializado em Abordagem Social
Este serviço é ofertado de forma continuada por meio do trabalho socioas-
sistencial especializado de busca ativa e abordagem social de crianças, adoles-
centes, jovens, adultos, idosos e famílias que utilizam espaços públicos como for-
ma de moradia e/ou sobrevivência. Realiza trabalho social voltado à identificação, 
nos territórios, da incidência de situações de risco pessoal e social, por violação de 
direitos, como: trabalho infantil, exploração sexual de crianças e adolescentes, situ-
ação de rua, consumo de drogas, dentre outras. Nesse sentido, a equipe de abor-
dagem possui no espaço público seus lócus privilegiados de trabalho: praças, en-
troncamento de estradas, fronteiras, espaços públicos onde se realizam atividades 
laborais, locais de intensa circulação de pessoas e existência de comércio, terminais 
de ônibus, trens, metrô e outros.
A oferta deste serviço constitui-se em processo de trabalho planejado de apro-
ximação contínua, escuta qualificada e construção de vínculo de confiança, visando 
tanto à atenção às necessidades mais imediatas e urgentes, quanto ao acompa-
nhamento das situações em que se promove a mediação de seus/suas usuários/as 
para acesso à rede de proteção social.
É importante destacar, antes que se incorra numa interpretação rasa sobre 
esta oferta, que este serviço não se presta a uma estratégia pura e simples de ma-
peamento ou tentativa perversa de higienização dos espaços públicos. A atuação 
do serviço de abordagem se volta mais profundamente para um trabalho complexo 
que envolve o reconhecimento por parte do estado da existência de uma parcela da 
população totalmente apartada do sistema de proteção.
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DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE
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Sabemos que um terço da população brasileira tem o bacilo da 
tuberculose (infecção latente), no entanto, o desenvolvimento da forma 
ativa da doença ocorre em pessoas que vivenciam condições de vida 
mais vulneráveis, espelhadas nas condições mais precárias de moradia, 
insegurança alimentar e de renda, como também de acesso à informa-
ção sobre tratamento, o que impõe maiores barreiras para continuidade 
e acesso ao tratamento. Nesse sentido, a População em Situação de 
Rua encontra um risco amplamente maior de adoecimento por tubercu-
lose quando comparado à população em geral, o que impõe à atuação 
do trabalho social desenvolvido pelos serviços socioassistenciais um 
olhar específico às necessidades de cuidado identificadas. Este cenário 
implica necessariamente a articulação entre os serviços socioassisten-
ciais que possuem a população de rua como público-alvo e a rede de 
atendimento à saúde. Se você tem interesse em refletir sobre os aspec-
tos que envolvem a amplificação desses cuidados a partir da atuação 
integrada entre SUAS e SUS, leia o texto a seguir:
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Possibilidades de Ação Integrada com Saúde 5 – 
Atendimento à População em Situação de Rua
O Centro Pop e os serviços nele executados, os quais es-
tabelecem foco no acompanhamento socioassistencial à 
população em situação de rua, ganham destaque no reco-
nhecimento de barreiras que possam dificultar a adesão ao 
tratamento da tuberculose. Estes podem atuar por meio de 
estratégias de reabilitação, inclusão social, melhora da auto-
estima, qualificação profissional, entre outras necessidades 
que fazem parte do enfrentamento aos determinantes sociais 
da tuberculose, estabelecendo-se como locais e serviços de 
referência no SUAS para qualificar a trajetória de melhores 
desfechos de tratamento da pessoa com tuberculose.
No caso do Serviço de Abordagem Social, é importante des-
tacar a estreita relação que estas equipes estabelecem com 
os Consultórios de Rua, uma vez que para ambas estratégias 
a rua é o lócus privilegiado de trabalho, o que permite a am-
pliação da atenção a esse público, o qual, devido ao agra-
vamento das violações de direitos essenciais, ficam mais 
vulneráveis a doenças, como o caso da tuberculose. Essa 
atenção, contudo, não se limita apenas à tuberculose, alcan-
çando, ainda, por exemplo, a grave situação de mulheres em 
situação de rua que passam por abuso, exploração sexual 
ou, ainda, situações de gravidez sem o devido acompanha-
mento de pré-natal, envolvendo descumprimento de condi-
cionalidades, de prevenção à sífilis congênita, de acesso a 
benefícios e à transferência de renda.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
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A PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL 
DE ALTA COMPLEXIDADE
Conforme você viu nas aulas anteriores, a Política Nacional de Assistência So-
cial (PNAS) organizou suas ações no âmbito do Sistema Único de Assistência Social, 
na perspectiva de garantir segurança de renda, convivência e acolhida a famílias e 
indivíduos em situação de vulnerabilidade, risco e com direitos violados, com a or-
ganização dos serviços por níveis de proteção social básica e especial (de média e 
alta complexidade).
Agora, vamos saber mais sobre 
a alta complexidade no SUAS?
A Proteção Social Especial de Alta Complexidade do SUAS atende famílias e 
indivíduos que necessitam de acolhimento e, segundo a Tipificação Nacional de 
Serviços Socioassistenciais, os serviços devem ser ofertados em distintas modali-
dades voltadas ao acolhimento, sendo moradias provisórias para famílias ou indiví-
duos que se encontram sem referência familiar ou comunitária ou que necessitam 
ser afastados do núcleo familiar de origem, como forma de garantir sua proteção 
integral. Ao mesmo tempo que o serviço de acolhimento garante apoio e proteção 
nas situações de abandono e isolamento, deve oportunizar, também, a constituição 
da autonomia, o convívio e o protagonismo individual e familiar.
“O Serviço de acolhimento se organiza para garantir privacidade, respeito aos 
costumes e tradições, e à diversidade de ciclos de vida, arranjos familiares, raça/etnia, religião, gênero e orientação sexual” (BRASIL, 2009, p. 44).
Portanto, faz parte do escopo de atuação da equipe de referência dos serviços 
de acolhimento a articulação com a rede socioassistencial e intersetorial, no sen-
tido de viabilizar a ampliação do acesso a políticas públicas que possam impac-
tar as condições concretas de vida da pessoa acolhida e de sua família, tais como 
o acesso a programas de transferência de renda, benefícios, oportunidades de 
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preparação e participação no mundo do trabalho, moradia, educação, saúde etc. O 
atendimento prestado deve ser personalizado, em pequenos grupos e favorecer o 
convívio familiar e comunitário. As regras de gestão e de convivência deverão ser 
construídas de maneira conjunta com os usuários/as, a fim de assegurar sua par-
ticipação e autonomia.
Em geral, os objetivos dos serviços de acolhimento para crianças, adolescen-
tes, jovens, adultos, mulheres em situação de violência, pessoas com deficiência e 
pessoas idosas devem ser voltados a: acolher e garantir proteção integral; contribuir 
para a prevenção do agravamento de situações de negligência, violência e ruptura 
de vínculos; restabelecer vínculos familiares e/ou sociais; possibilitar a convivência 
comunitária; promover acesso à rede socioassistencial, aos demais órgãos do Siste-
ma de Garantia de Direitos e às demais políticas públicas setoriais; favorecer o sur-
gimento e o desenvolvimento de aptidões, capacidades e oportunidades para que 
os indivíduos façam escolhas com autonomia; promover o acesso a programações 
culturais, de lazer, de esporte e ocupacionais internas e externas, relacionando-as a 
interesses, vivências, desejos e possibilidades do público.
O quadro a seguir detalha cada serviço disponível, para cada público, explici-
tando em que unidade deve ser ofertado e, por fim, traz os objetivos do serviço.
PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL DE ALTA COMPLEXIDADE
ALTA COMPLEXIDADE – SERVIÇOS DE ACOLHIMENTO
Público Serviço Unidade Objetivos específicos
Crianças e 
Adolescentes
Acolhimento 
Institucional
Casa Lar
(para até 10 
acolhidos)
Acolher temporariamente, por medida de proteção aplicada judicialmente; 
possibilitar a convivência comunitária e o acesso à rede de políticas 
públicas, mantendo o vínculo com a família de origem para possível 
retorno, salvo determinação judicial em contrário. Desenvolver condições 
às/aos adolescentes para a independência e o autocuidado.
Abrigo Institucional
(para até 20 
acolhidos)
Acolher, temporariamente, por medida de proteção aplicada judicialmente; 
possibilitar a convivência comunitária e o acesso à rede de políticas 
públicas, mantendo o vínculo com a família de origem para possível 
retorno, salvo determinação judicial em contrário. Desenvolver condições 
às/aos adolescentes para a independência e o autocuidado.
Acolhimento em 
Família Acolhedora
Unidade de 
Referência PSE 
e Residência da 
Família Acolhedora
Promover o acolhimento familiar de crianças e adolescentes afastadas 
temporariamente de suas famílias de origem, por determinação judicial; 
possibilitar a convivência comunitária e o acesso à rede de políticas 
públicas, mantendo o vínculo com a família de origem para possível 
retorno, salvo determinação judicial em contrário. Desenvolver condições 
às/aos adolescentes para a independência e o autocuidado.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
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PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL DE ALTA COMPLEXIDADE
ALTA COMPLEXIDADE – SERVIÇOS DE ACOLHIMENTO
Público Serviço Unidade Objetivos específicos
Crianças e 
Adolescentes
Acolhimento 
Institucional
Casa Lar
(para até 10 
acolhidos)
Acolher temporariamente, por medida de proteção aplicada judicialmente; 
possibilitar a convivência comunitária e o acesso à rede de políticas 
públicas, mantendo o vínculo com a família de origem para possível 
retorno, salvo determinação judicial em contrário. Desenvolver condições 
às/aos adolescentes para a independência e o autocuidado.
Abrigo Institucional
(para até 20 
acolhidos)
Acolher, temporariamente, por medida de proteção aplicada judicialmente; 
possibilitar a convivência comunitária e o acesso à rede de políticas 
públicas, mantendo o vínculo com a família de origem para possível 
retorno, salvo determinação judicial em contrário. Desenvolver condições 
às/aos adolescentes para a independência e o autocuidado.
Acolhimento em 
Família Acolhedora
Unidade de 
Referência PSE 
e Residência da 
Família Acolhedora
Promover o acolhimento familiar de crianças e adolescentes afastadas 
temporariamente de suas famílias de origem, por determinação judicial; 
possibilitar a convivência comunitária e o acesso à rede de políticas 
públicas, mantendo o vínculo com a família de origem para possível 
retorno, salvo determinação judicial em contrário. Desenvolver condições 
às/aos adolescentes para a independência e o autocuidado.
Adultos e Famílias
Acolhimento em 
República - Adultos 
em processo de 
saída das ruas
República
Proteger os usuários, preservando suas condições de autonomia e 
independência, preparando-os para o alcance da autossustentação, bem 
como para o restabelecimento de vínculos comunitários, familiares e/ou 
sociais; construir o processo de saída das ruas, possibilitar condições 
de acesso à rede de serviços das políticas públicas e a benefícios 
assistenciais; apoiar a qualificação e inserção profissional e a construção 
de projeto de vida.
Acolhimento 
Institucional - 
pessoas em situação 
de rua, migrantes, 
pessoas em trânsito
Casa de Passagem
Acolhimento imediato e emergencial, em qualquer horário do dia ou da 
noite; desenvolver condições para a independência e o autocuidado; 
promover o acesso à rede de qualificação e requalificação profissional 
com vistas à inclusão produtiva.
Acolhimento 
Institucional - 
Pessoas em situação 
de rua, migrantes, 
pessoas em trânsito
Abrigo Institucional
(para até 50 
acolhidos)
Acolher provisoriamente, com privacidade, pessoas do mesmo sexo ou 
grupo familiar, respeitando o direito de permanência e usufruto da cidade 
com segurança, igualdade de condições e acesso aos serviços públicos. O 
atendimento a indivíduos refugiados ou em situação de tráfico de pessoas 
(sem ameaça de morte) poderá ser desenvolvido em local específico, 
a depender da incidência da demanda. Desenvolver condições para a 
independência e o autocuidado; promover o acesso à rede de qualificação 
e requalificação profissional com vistas à inclusão produtiva.
Jovens entre 
18 e 21 anos
Acolhimento 
em República
República
(para até 6 
acolhidos)
Proteger os usuários/as, preservando suas condições de autonomia e 
independência, preparando-os para o alcance da autossustentação, bem 
como para o restabelecimento de vínculos comunitários, familiares e/ou 
sociais; promover o acesso à rede de políticas públicas.
Jovens e Adultos 
com Deficiência
Acolhimento 
Institucional
Residências 
Inclusivas
(para até 10 
acolhidos)
Desenvolver capacidades adaptativas para a vida diária; promover a 
convivência mista entre os residentes de diversos graus de dependência; 
promover o acesso à rede de qualificação e requalificação profissional 
com vistas à inclusão produtiva.
Mulheres em 
Situação de 
Violência
Acolhimento 
Institucional Abrigo Institucional
Acolher provisoriamente a mulher, acompanhada ou não de seus filhos, 
em situação de risco de morte ou ameaças em razão de violência 
doméstica e familiar; proteger mulheres e prevenir a continuidade de 
situações de violência, propiciando condições de segurança físicae emocional e o fortalecimento da autoestima. Além de possibilitar a 
construção de projetos pessoais visando à superação da situação de 
violência e ao desenvolvimento de capacidades e de autonomia pessoal 
e social; promover o acesso à rede de qualificação e requalificação 
profissional com vistas à inclusão produtiva; oferecer sigilo quanto ao 
local e à identidade das usuárias.
Famílias e 
indivíduos
Serviço de Proteção 
em Situações 
de Calamidades 
Públicas e de 
Emergências
Unidade 
referenciada ao 
órgão gestor da 
Assistência Social
Assegurar acolhimento imediato em condições dignas e de segurança; 
manter alojamentos provisórios, quando necessário; Identificar perdas 
e danos ocorridos e cadastrar a população atingida; articular a rede de 
políticas públicas e redes sociais de apoio para prover as necessidades 
detectadas; promover a inserção na rede socioassistencial e o acesso a 
benefícios eventuais.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO 
DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE
93
PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL DE ALTA COMPLEXIDADE
ALTA COMPLEXIDADE – SERVIÇOS DE ACOLHIMENTO
Público Serviço Unidade Objetivos específicos
Pessoas Idosas
Acolhimento 
Institucional
Casa Lar
(para até 10 
acolhidos)
Acolher, com característica residencial, as pessoas idosas com diferentes 
necessidades e graus de dependência; deve contar com pessoal 
habilitado, treinado e supervisionado por equipe técnica capacitada para 
auxiliar nas atividades da vida diária, assegurando a convivência com 
familiares, amigos e pessoas de referência de forma contínua, bem como 
garantir o acesso às atividades culturais, educativas, lúdicas e de lazer 
na comunidade; incentivar o desenvolvimento do protagonismo e de 
capacidades para a realização de atividades da vida diária; desenvolver 
condições para a independência e o autocuidado; promover o acesso 
à renda; promover a convivência mista entre os residentes de diversos 
graus de dependência.
Abrigo Institucional
Acolher, com característica domiciliar, as pessoas idosas com diferentes 
necessidades e graus de dependência. Deve assegurar a convivência 
com familiares, amigos e pessoas de referência de forma contínua, bem 
como garantir o acesso às atividades culturais, educativas, lúdicas e de 
lazer na comunidade. A capacidade de atendimento das unidades deve 
seguir as normas da Vigilância Sanitária, devendo ser assegurado o 
atendimento de qualidade e personalizado. Incentivar o desenvolvimento 
do protagonismo e de capacidades para a realização de atividades da 
vida diária; desenvolver condições para a independência e o autocuidado; 
promover o acesso à renda; promover a convivência mista entre os 
residentes de diversos graus de dependência.
Acolhimento 
em República República
Proteger os usuários/as, preservando suas condições de autonomia e 
independência, preparando-os para o alcance da autossustentação, bem 
como para o restabelecimento de vínculos comunitários, familiares e/ou 
sociais; promover o acesso à rede de políticas públicas. É destinada a 
pessoas idosas que tenham capacidade de gestão coletiva da moradia e 
condições de desenvolver, de forma independente, as atividades da vida 
diária, mesmo que requeiram o uso de equipamentos de autoajuda.
Quadro 3 – Serviços, públicos, unidades e objetivos do serviço de acolhimento.
Fonte: SNAS, Ministério da Cidadania.
O Serviço, cujos objetivos estão descritos na última coluna do quadro acima, 
deve contribuir para a redução das violações dos direitos socioassistenciais, seus 
agravamentos ou reincidência, para a redução da presença de pessoas em situa-
ção de rua e de abandono. Deve contribuir ainda para manter indivíduos e famílias 
protegidas, para a construção da autonomia dos indivíduos e famílias incluídas em 
serviços e para o rompimento do ciclo da violência doméstica e familiar.
Agora que já sabemos quais são as unidades e os objetivos do serviço, vamos 
saber como se dá o acesso dos/das usuários/as a ele?
O acesso aos serviços de acolhimento no âmbito do SUAS pode se dar por 
encaminhamento de agentes do serviço especializado em abordagem social, pelas 
equipes dos CREAS e de demais serviços socioassistenciais e/ou de outras políticas 
públicas, ou por demanda espontânea, a depender do público. Nos casos de crianças 
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DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE
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e adolescentes, o encaminhamento será mediante determinação judicial ou por re-
quisição do Conselho Tutelar, sendo necessária comunicação ao Sistema de Justiça.
Em se tratando de pessoas idosas, pessoas com deficiência ou mulheres em 
situação de violência, o encaminhamento pode ser por requisição da rede de aten-
dimento de políticas públicas setoriais, CREAS e de demais serviços socioassisten-
ciais, bem como pelo Ministério Público ou Poder Judiciário.
No caso de oferta para o público composto por crianças e ado-
lescentes, o serviço deverá ser organizado em consonância com 
os princípios, diretrizes e orientações do Estatuto da Criança e do 
Adolescente (ECA) e das “Orientações Técnicas: Serviços de Aco-
lhimento para Crianças e Adolescentes”.
As diretrizes do ECA são claras ao “indicarem a prioridade à 
manutenção da criança e do adolescente em sua família de origem 
e em sua comunidade, além da provisoriedade da medida de prote-
ção de acolhimento institucional e familiar” (BRASIL, 2018, p. 32).
FIXANDO CONTEÚDO!
Mas, afinal, o que é o serviço de acolhimento no SUAS?
É um serviço organizado em diferentes modalidades de equipamentos, confor-
me o público, e destina-se a famílias e/ou indivíduos afastados temporariamente do 
núcleo familiar.
Como se organiza esse serviço?
O serviço de acolhimento deve garantir atendimento em pequenos grupos, fa-
vorecer o convívio familiar e comunitário, a privacidade, o respeito aos costumes, 
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às tradições e à diversidade de: ciclos de vida, arranjos familiares, raça/ etnia, reli-
gião, gênero e orientação sexual.
VAMOS ENTENDER COMO DEVE 
SER A CONDIÇÃO DOS LOCAIS 
PARA OFERTA DESSE SERVIÇO?
O serviço deve ser ofertado em unidade inserida na comunidade, possuir carac-
terísticas residenciais e oferecer condições de habitabilidade, higiene, salubridade, 
segurança, acessibilidade e privacidade ou, ainda, em ambiente familiar, nos casos 
de crianças e adolescentes. Os serviços de acolhimento devem também garantir o 
acesso dos acolhidos aos serviços essenciais no território, como educação, saúde, 
trabalho, habitação, lazer, dentre outros, e em comum com os demais cidadãos.
Vamos conhecer mais sobre o Serviço de Acolhimento? Acesse os vídeos 
a seguir!
Serviço de acolhimento para idosos nas Instituições de Longa Perma-
nência – ILPI: Vídeo.
Os Serviços de Proteção em Situação de Calamidade e Emergência 
Pública: Vídeo.
Após a visualização dos vídeos sobre o Serviço de Acolhimento para Pesso-
as Idosas e sobre o Serviço de Proteção em Situação de Calamidade e Emergên-
cia Pública no SUAS, vamos conhecer um pouco mais sobre uma modalidade de 
Serviço de Acolhimento não institucional que é o acolhimento em Família Acolhedora. 
Vamos lá!
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Ficou curioso para saber o queé o Serviço em Família Acolhedora? Vamos 
aprender juntos!
O SERVIÇO DE ACOLHIMENTO 
EM FAMÍLIA ACOLHEDORA
Caro cursista, além do serviço de acolhimento prestado em unidades de aco-
lhimento institucional, o SUAS possui uma alternativa de acolhimento em família, 
denominado: Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, serviço que acolhe:
[...] crianças e adolescentes, afastados da família por medida de proteção, em resi-
dência de famílias acolhedoras cadastradas. Uma equipe da gestão da assistência 
social, é responsável por selecionar, capacitar, cadastrar e acompanhar as famílias 
acolhedoras, bem como realizar o acompanhamento da criança e/ou adolescente 
acolhido e sua família de origem (BRASIL, 2009, p. 105).
O Serviço é organizado conforme os “princípios, diretrizes e orientações do 
Estatuto da Criança e do Adolescente e do documento “Orientações Técnicas: Ser-
viços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes”, sobretudo no que se refere à 
preservação e à reconstrução do vínculo com a família de origem, assim como à 
manutenção de crianças e adolescentes com vínculos de parentesco (irmãos, pri-
mos etc.) numa mesma família. O atendimento também deve envolver o acompa-
nhamento às famílias de origem, com vistas à reintegração familiar (BRASIL, 2009).
O objetivo prioritário do acolhimento, seja ele institucional ou familiar, é o re-
torno da criança e do adolescente à família de origem (que podem ser os pais, ir-
mãos ou parentes próximos). Durante o período de afastamento, todos os esforços 
são empreendidos para que os vínculos com a família de origem sejam mantidos. 
Os familiares devem receber acompanhamento psicossocial para auxílio e supera-
ção das situações que levaram ao acolhimento.
Quando, mesmo após esses esforços, o retorno à família de origem não se 
mostra possível, a criança é encaminhada para adoção por uma família que esteja 
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devidamente habilitada e inscrita no Cadastro Nacional de Adoção. A família que a 
recebeu, na condição de família acolhedora, poderá receber outra criança que ne-
cessite de acolhimento.
Vamos conhecer mais sobre o Serviço de Acolhimento em Família Aco-
lhedora? Acesse os vídeos a seguir.
Família acolhedora oferece alternativa à 
institucionalização de menores em risco
Conheça como funciona o acolhimento familiar.
Depois de assistir aos vídeos sobre família acolhedora, vamos conhecer um 
pouco mais sobre os conceitos de acolhida e acolhimento no SUAS.
PENSANDO CONCEITOS: 
ACOLHIMENTO E ACOLHIDA
Para a Política de Assistência Social, o acolhimento é um dos serviços de Pro-
teção Social Especial de Alta Complexidade do Sistema Único de Assistência Social. 
Seu principal objetivo é promover o acolhimento de famílias ou indivíduos com vín-
culos familiares rompidos ou fragilizados, de forma a garantir sua proteção integral.
O acolhimento pode ser institucional ou por família acolhedora, conforme va-
mos conhecer nesta aula, mais adiante. O acolhimento institucional pode ser ofer-
tado em unidades públicas ou organizações da sociedade civil, em parceria com o 
poder público. Tais unidades devem ser inseridas na comunidade e obrigatoriamente 
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possuir características residenciais, visando ser um ambiente acolhedor e com es-
trutura física adequada para atender às necessidades dos/das usuários/as.
Mas atenção: você, cursista, sabe a diferença entre acolhida 
e acolhimento?
Para a Assistência Social, acolhida é:
[...] o processo de contato inicial ‘qualificado’ de um indivíduo ou família com o 
SUAS. Consiste no processo inicial de escuta das necessidades e demandas tra-
zidas pelas famílias, bem como de oferta de informações sobre as ações do Ser-
viço, da rede socioassistencial (BRASIL, 2012, p. 17).
A acolhida
[...] constitui ação essencial, é quando ocorre o início do vínculo entre o Serviço e 
a família. É o momento em que o/a profissional deve buscar compreender os múl-
tiplos significados das demandas, vulnerabilidades e necessidades apresentadas 
pelas famílias, buscando também identificar seus recursos e potencialidades e 
como tais situações se relacionam e ganham significado (BRASIL, 2012, p. 17).
Já Acolhimento, para a Assistência Social, é um serviço previsto na Tipifica-
ção Nacional dos Serviços Socioassistenciais (Resolução CNAS n° 109/2009); é um 
serviço socioassistencial de Alta complexidade que atende famílias e indivíduos em 
situação de fragilização ou rompimento de vínculos familiares e outras situações.
Segundo a Política Nacional de Humanização (PNH) Humaniza SUS, nas 
práticas de produção de saúde, 
[...] acolher é dar acolhida, admitir, aceitar, dar ouvidos, dar crédito a, agasalhar, 
receber, atender, admitir. O acolhimento como ato ou efeito de acolher expressa, 
em suas várias definições, uma ação de aproximação, um ‘estar com’ e um ‘estar 
perto de’, ou seja, uma atitude de inclusão (BRASIL, 2010, p. 6).
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Resumindo:
ACOLHIDA NO SUAS ACOLHIMENTO NO SUAS ACOLHIMENTO NO SUS
Receber, escutar a demanda, criar 
vínculo com o/a usuário/a.
Serviço previsto na Tipificação 
Nacional dos Serviços 
Socioassistenciais.
Acolher, receber, ouvir, 
atender, admitir.
Quadro 4 – Resumo dos conceitos.
Fonte: Elaboração própria.
A acolhida também pode ser entendida como um processo gradual, visto que, 
a cada encontro, o/a profissional e a família ou indivíduo atendido/a podem criar 
vínculo, o que possibilita ao/a usuário/a relatar aspectos relevantes de sua vida, fa-
zendo com que o/profissional amplie as possibilidades de atuação frente ao caso.
Já sabemos a diferença entre acolhida e acolhimento no SUAS. Vamos conhe-
cer os instrumentos de acompanhamento no serviço de acolhimento?
INSTRUMENTOS DE 
ACOMPANHAMENTO NO SERVIÇO 
Agora vamos saber mais sobre o Plano Individual de Atendimento (PIA), Pron-
tuário Individual/Familiar e outros.
Para a realização de acompanhamento socioassistencial no serviço de acolhi-
mento, a equipe precisa dispor de instrumentos que auxiliem em todo o processo 
de acolhimento dos/as usuários/as e famílias nas unidades de acolhimento. Os ins-
trumentos obrigatórios são o Plano Individual de Atendimento ou Plano de Acom-
panhamento Familiar e o Prontuário Individual ou Familiar.
O Ministério da Cidadania estruturou um modelo nacional de PIA para crian-
ças e adolescentes. No entanto, não existem ainda modelos padronizados para ou-
tros públicos, como para acolhimento de pessoas idosas, pessoas com deficiência, 
mulheres em situação de violência e outros. Mesmo assim, cada município poderá 
criar seus próprios instrumentos para acompanhamento dos/das usuários/as nas 
unidades de acolhimento.
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O Plano Individual ou Familiar é um instrumento de planejamento orientador que:
[...] sistematiza o trabalho a ser desenvolvido com cada criança e adolescente aco-
lhido e sua família, em articulação com os demais serviços, projetos e programas 
da rede local, durante o período de acolhimento e após o desligamento da criança 
ou adolescente do serviço(BRASIL, 2018, p. 12).
Outro instrumento importante é o prontuário individual da família ou indivíduo 
que está no serviço de acolhimento. O Prontuário Individual de Acolhimento é um 
instrumento técnico que visa organizar e qualificar o conjunto de informações ne-
cessárias ao diagnóstico, planejamento e acompanhamento do trabalho social re-
lativo às famílias e aos indivíduos acolhidos e de suas relações familiares e afetivas.
O serviço de acolhimento e os estudos 
de caso: como funcionam?
Outro instrumento importante de acompanhamento no serviço de acolhimento 
é o estudo de caso. Este momento pode ser entendido como uma reflexão coletiva 
realizada entre a equipe do serviço de acolhimento sobre usuários/as ou famílias 
acompanhadas: suas histórias, desejos, ambições, fragilidades e potencialidades, 
com vistas à qualificação do acompanhamento realizado. Neste estudo, é importan-
te relatar informações disponíveis sobre a família ou indivíduo e mostrar resultados 
alcançados por meio das intervenções realizadas, assim como ouvir de colegas de 
trabalho e de parceiros da rede suas impressões.
Na medida do possível, este estudo deve ser realizado com a participação dos/
das profissionais do serviço de acolhimento, da equipe de supervisão do órgão ges-
tor, da Justiça da Infância e da Juventude e de outros serviços da rede que acom-
panhem a família. No caso de usuário/a ou famílias acometidas por problemas de 
saúde, os/as profissionais da unidade básica de saúde devem ser convidados/as 
para o estudo de caso.
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101
Os/as usuários/as ou famílias que estejam em unidades de 
acolhimento e que são acompanhados/as pela unidade básica de 
saúde ou outra unidade do SUS, devem ser orientados/as e encora-
jados/as a seguir o tratamento prescrito pelo/a profissional de saúde.
Assim como nos estudos de caso, precisamos saber se as equipes do serviço 
de acolhimento trabalham articuladas com serviços de outras políticas públicas. 
Então, vamos lá!
O serviço de acolhimento se articula 
com outros serviços?
Os serviços do SUAS funcionam de maneira articulada e hierarquizada entre 
os Serviços de Proteção Social Básica e Especial de Média e Alta Complexidade. 
É importante, também, promover a articulação da oferta dos serviços, benefícios 
e programas de transferência de renda, conforme preconiza o protocolo de gestão 
integrada de serviços, benefícios e transferência de renda no âmbito do SUAS (Re-
solução CIT n° 07 de 2009), integrando a oferta de serviços, benefícios e programas 
de transferência de renda do SUAS.
Nesse sentido, é necessário observar se os/as usuários/as ou famílias acolhi-
das são beneficiários/as ou possuem perfil para acessar algum programa, serviço 
ou programa de transferência de renda do governo federal, estadual ou municipal a 
fim de fazer os encaminhamentos necessários para que estes usuários/as ou famí-
lias possam acessar seus direitos sociais.
É importante, ainda, que a equipe da unidade de acolhimento se articule com 
as demais políticas públicas, de modo a garantir a oferta dos serviços necessários 
ao atendimento adequado das necessidades dos/das usuários/as acolhidos/as, 
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102
de maneira que possam acessar integralmente as políticas públicas disponíveis no 
território, como educação, saúde e outras.
É muito importante orientar os/as usuários/as e famílias a 
buscar tratamento, caso surja alguma demanda de saúde. Reco-
menda-se, sempre que possível, convidar profissionais de saúde, 
por meio de parceria no território, para conversar com os/as usu-
ários/as da unidade de acolhimento sobre a prevenção e o trata-
mento de doenças que acometem crianças e adolescentes; pes-
soas em processo de saídas das ruas; pessoas idosas; e pessoas 
com deficiência acolhidas, além de outros públicos usuários/as do 
serviço de acolhimento.
No caso de crianças e adolescentes acolhidos, é importante que a equipe do 
serviço mantenha contato frequente com a rede de proteção, visto que a rede acom-
panha todo o processo de entrada, permanência e saída das crianças e adolescen-
tes do serviço de acolhimento.
Para os públicos de pessoas idosas e pessoas com deficiência, o Ministério da 
Saúde e o Ministério da Cidadania têm buscado editar normativas para orientar a 
articulação entre essas políticas públicas, visando oferecer maior qualidade de vida 
aos/as usuários/as acolhidos/as, considerando a peculiaridade e as necessidades 
especiais desses públicos.
Os serviços de acolhimento para pessoas idosas e pessoas com deficiência de-
vem contar com o acompanhamento, apoio matricial e atendimento integral – me-
diante a definição conjunta de fluxos assistenciais das equipes de saúde da Atenção 
Primária, das Equipes Multiprofissionais da Atenção Primária, da atenção domici-
liar e dos centros especializados em reabilitação, bem como dos demais pontos 
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COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
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das redes de atenção à saúde presentes na Região de Saúde. A Unidade Básica de 
Saúde (UBS) ou as Equipes de Saúde da Família (ESF) podem ser a referência para 
o cuidado à saúde dos/das usuários/as dos serviços de acolhimento que estejam 
em seu território de abrangência, contando com outros serviços de saúde que se 
fizerem necessários.
Convidamos você, cursista, a refletir um pouco mais sobre as possibilidades de 
ação integrada entre os serviços de acolhimento e os serviços de saúde. Para tanto, 
leia o texto a seguir:
Possibilidades de Ação Integrada com Saúde 6 – 
Atendimento à População em Unidade de Acolhimento
O serviço de acolhimento oferece diversas oportunidades de articulação 
com os serviços de saúde.
Podemos citar, por exemplo, pessoas acolhidas acometidas por doenças 
como hanseníase, tuberculose, HIV/aids e outras. Nestes casos, as equi-
pes da saúde e da unidade de acolhimento podem se articular tanto para 
promover a prevenção e o diagnóstico precoce dessas doenças, bem 
como para auxiliar os/as usuários/as no tratamento mais prolongado.
Os/as profissionais de saúde podem ser convidados/as para bate-papo, 
rodas de conversa ou para ministrar palestras para as pessoas abrigadas. 
Nas falas, os profissionais podem tratar da prevenção e da importância 
do tratamento das doenças, além de tentar diminuir os preconceitos que 
as pessoas sofrem por estarem acometidas por alguma doença.
Ações como estas podem contribuir para que os/as abrigados/as sigam 
o tratamento corretamente; para que sofram menos preconceitos dos 
colegas institucionalizados; e, ainda, para que se previna o rompimento 
do vínculo entre o/a usuário/a acolhido/a com as demais pessoas abri-
gadas e com a unidade de acolhimento.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO 
DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE
104
Nesta aula, você conheceu os equipamentos e serviços da Proteção Social Es-
pecial de Média e Alta complexidade. Na próxima aula, você conhecerá os Progra-
mas Bolsa Família e Criança Feliz, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o 
SISAN. Até lá.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS,HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
105
AULA 7 – SUPERAÇÃO DA 
POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA 
E SEGURANÇA ALIMENTAR E 
NUTRICIONAL
Nesta última aula referente ao conteúdo sobre o SUAS, nós iremos apresentar 
importantes programas e ações intersetoriais e complementares à proteção ofer-
tada pela Política de Assistência Social e que auxiliam na melhora da qualidade de 
vida da população em situação de vulnerabilidade por meio de iniciativas de trans-
ferência de renda, serviços e cuidados à saúde de crianças na faixa etária da primei-
ra infância, englobando também ações de segurança alimentar e nutricional.
Na temática de transferência de renda para a superação da situação de pobre-
za monetária, entraremos em contato com o Programa Bolsa Família e o Benefício 
de Prestação Continuada. Na temática do cuidado com crianças na primeira infân-
cia, estudaremos as principais características do Programa Criança Feliz. Quanto às 
ações que prezam pela segurança alimentar e nutricional, temos a rede de ações 
coordenada pelo Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Todas as 
iniciativas estão sob a gestão federal, em parceria com estados e municípios, nas 
quais estão presentes equipes ligadas à oferta de serviços do Sistema Único de As-
sistência Social (SUAS).
Como o foco da primeira unidade do curso é a articulação das ações do SUAS 
para a inclusão social das famílias em situação de vulnerabilidade social com sífilis, 
HIV/aids, hepatites virais, tuberculose e hanseníases, em cada seção da aula serão 
apresentadas as iniciativas de forma objetiva e, em seguida, as possibilidades de 
intersecção entre as duas áreas de proteção: saúde e assistência social.
Vamos à aula!
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
106
CONHECENDO O PROGRAMA 
BOLSA FAMÍLIA
Certamente, você já ouviu falar do Programa Bolsa Família (PBF), a iniciativa 
governamental de transferência de renda considerada como a maior do mundo em 
termos de famílias beneficiadas. O programa foi criado em 2003 como o propósito 
de diminuição da pobreza e da desigualdade por meio da transferência condiciona-
da de renda às famílias.
Figura 6 – Programa Bolsa Família
Fonte: Logotipo do Programa Bolsa Família. Figura acessada na página cujo link é : 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bolsa_Fam%C3%ADlia, no dia 11 jun. 2021.
O Programa Bolsa Família foi criado por meio da Medida Provisória 132 
em outubro de 2003 e convertido na Lei 10.836 em janeiro de 2004, 
regulamentado pelo Decreto 5.209/2004 e, posteriormente, alterado 
pelo Decreto 7.332/2010, tendo sua gestão descentralizada e compar-
tilhada entre todos os entes federativos, União, estados, Distrito Fede-
ral e municípios.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
107
O PBF foi desenhado para melhorar a condição de vida da população vulnerá-
vel por meio de três eixos básicos de atuação: complementação de renda, acesso a 
direitos e serviços socioassistenciais. De forma mais clara, entendemos por:
 Ŋ Complemento da renda: todos os meses, as famílias atendidas pelo Programa recebem um 
benefício em dinheiro, que é transferido diretamente pelo Governo Federal. Dessa forma, ga-
rante-se o alívio mais imediato da pobreza;
 Ŋ Acesso aos direitos: as famílias devem cumprir alguns compromissos (condicionalidades) 
com o objetivo de reforçar o acesso à educação, à saúde e à assistência social. Esse eixo ofe-
rece condições para as futuras gerações quebrarem o ciclo intergeracional da pobreza, graças 
a melhores oportunidades de inclusão social;
 Ŋ Articulação com outras ações: o Programa tem capacidade de integrar e articular várias po-
líticas sociais a fim de estimular o desenvolvimento das famílias, contribuindo para superarem 
a situação de vulnerabilidade e de pobreza. Destacam-se as políticas nas áreas de saúde, edu-
cação, assistência social.
Segundo dados recentes da gestão federal do programa, o PBF conta com 
cerca de 14 milhões de famílias beneficiárias, das quais praticamente metade reside 
na região Nordeste e pouco mais de um quarto reside na região Sudeste. Claro está 
que essa concentração das famílias beneficiárias do Programa diz muito sobre a 
distribuição da população pobre no Brasil (Nordeste e Norte). Veja o mapa a seguir.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
108
É possível apreciar a distribuição das famílias beneficiárias do 
PBF pelo total de famílias de cada estado no mapa abaixo. Pode-
-se ver que a maior parcela da população de beneficiários por es-
tado esteve concentrada nas regiões Nordeste e Norte (preenchi-
dos pela cor verde). Destaque para Maranhão, Piauí, Bahia, Paraíba, 
Pernambuco e Sergipe (verde escuro), cujo percentual de famílias 
beneficiárias do Programa superou os 13% do total de famílias de 
cada estado.
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Fonte do mapa: Portal Transparência.
Segundo critérios do Ministério da Cidadania, o PBF atende famílias que vivem 
em situação de pobreza monetária classificadas por duas categorias:
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
109
1. Famílias extremamente pobres (renda per capita menor de R$ 89,00 mensais);
2. Famílias pobres (renda per capita entre R$ 89,01 e R$ 178,00 mensais), desde que tenham 
crianças e/ou adolescentes de 0 a 17 anos.
O valor que a família recebe mensalmente corresponde à soma de vários tipos 
de benefícios previstos no Programa. Os tipos e as quantidades de benefícios que 
cada família recebe dependem da renda e composição familiar (número de pesso-
as, idades, presença de gestantes etc.). Logo a seguir, apresentamos os três crité-
rios para os benefícios: básico, variável e de superação da extrema pobreza.
 Ŋ Benefício Básico: pago apenas às famílias extremamente pobres (renda mensal por pessoa 
de até R$ 89,00).
 Ŋ Benefícios Variáveis (até cinco por família): pago às famílias com renda mensal de até R$ 
178,00 por pessoa. Segue as seguintes modalidades: Benefício Variável Vinculado à Criança ou 
ao Adolescente de 0 a 15 anos (é exigida frequência escolar das crianças e adolescentes entre 
6 e 15 anos de idade, bem como vacinação e acompanhamento nutricional de crianças meno-
res de 7 anos); Benefício Variável Vinculado à Gestante (a beneficiária se torna elegível ao be-
nefício se sua gravidez for identificada pela área de saúde e a informação inserida no Sistema 
Bolsa Família na Saúde, sendo realizadas nove parcelas mensais do benefício); Benefício Vari-
ável Vinculado à Nutriz (pago às famílias que tenham crianças com idade entre 0 e 6 meses em 
sua composição, para reforçar a alimentação do bebê, mesmo nos casos em que o bebê não 
more com a mãe, havendo seis parcelas mensais do benefício); e Benefício Variável Vinculado 
ao Adolescente (até dois por família): pago às famílias que tenham adolescentes entre 16 e 17 
anos em sua composição (é exigida frequência escolar dos adolescentes).
 Ŋ Benefício para Superação da Extrema Pobreza (valor calculado individualmente para 
cada família): O valor do benefício é calculado caso a caso, de acordo com a renda e a quan-tidade de pessoas da família, para garantir que a família ultrapasse o piso de R$ 89,00 de renda 
por pessoa.
O PBF tem um papel importante no reforço ao acesso à educação e à saúde 
das famílias por meio de alguns compromissos, chamados condicionalidades. Mas 
não são apenas os beneficiários que têm a responsabilidade de cumprir esses com-
promissos. O poder público também deve ter foco nessas famílias ao garantir-lhes 
a oferta e a qualidade dos serviços.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
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As condicionalidades na área de educação são:
 Ŋ Os responsáveis devem matricular as crianças e os adolescentes de 6 a 17 anos na escola. A 
frequência escolar deve ser de, pelo menos, 85% das aulas para crianças e adolescentes de 6 
a 15 anos e de 75% para os adolescentes que recebem o benefício variável;
 Ŋ Para as situações em que as crianças ou os adolescentes tenham que faltar às aulas, é impor-
tante que a família informe o motivo na escola, o qual deverá ser marcado no Sistema Presença 
– sistema onde se registra o acompanhamento da frequência escolar – do Ministério da Edu-
cação.
As condicionalidades na área de saúde são:
 Ŋ Os responsáveis devem levar as crianças menores de 7 anos para serem acompanhadas pelas 
equipes de saúde, de maneira a serem vacinadas de acordo com o calendário nacional de imu-
nização preconizado pelo Ministério da Saúde, também com a finalidade de pesar, medir e fa-
zer o acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento, além de participar de atividades 
educativas sobre o aleitamento materno e os cuidados gerais para a alimentação e saúde das 
crianças. As gestantes devem fazer o pré-natal, ir às consultas na unidade de saúde e participar 
de atividades educativas sobre o aleitamento materno e os cuidados gerais para a alimentação 
e saúde das crianças.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
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SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
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As condicionalidades não têm uma lógica de punição, mas de 
garantia de que direitos sociais básicos cheguem à população em 
situação de pobreza e extrema pobreza. Por isso, o poder público, em 
todos os níveis, também tem um compromisso: assegurar a oferta 
de tais serviços.
O acompanhamento das condicionalidades permite ao poder 
público mapear os principais problemas vivenciados pelas famílias, 
relacionados à oferta dos serviços ou à dinâmica sociofamiliar, as-
sim como identificar as áreas e as ocorrências de maior vulnerabili-
dade. Com isso, é possível construir diagnósticos sociais territoriali-
zados e programar medidas que contribuam para orientar as ações 
de governo de forma intersetorial, principalmente no âmbito das 
políticas sociais.
É interessante observar que os três níveis de governo (federal, estadual e mu-
nicipal) trabalham em conjunto para acompanhar os compromissos do PBF. Essa 
operação envolve o registro e acompanhamento das informações sobre a frequên-
cia escolar e sobre a agenda da saúde de milhões de pessoas beneficiárias. Todo 
esse esforço se justifica para:
Ŋ Garantir que o poder público ofereça, efetivamente, os serviços de educação e de saúde à po-
pulação em situação de pobreza e extrema pobreza;
Ŋ Identificar quadros de vulnerabilidades entre as famílias que estão com dificuldades para aces-
sar esses serviços públicos;
Ŋ Encaminhar famílias para a rede de assistência social, a fim de que elas possam superar a vul-
nerabilidade e voltar a acessar seus direitos;
Ŋ Contribuir para o desenvolvimento saudável das crianças e para que os estudantes de famílias 
do PBF concluam a educação básica, tendo melhores condições de vencer o ciclo de pobreza.
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Vale ressaltar que cabe ao SUAS a responsabilidade do acompanhamento às 
famílias beneficiadas pelo PBF que estão em situação de descumprimento das con-
dicionalidades. A atuação da rede de assistência social seria no sentido de apoiar 
na superação de vulnerabilidades que afetam o cumprimento das agendas nas áre-
as de saúde e educação, a fim de que voltem a acessar esses direitos.
Se a família tiver dúvidas sobre o valor de seu benefício, ela deve ser 
orientada a procurar o setor responsável pelo Cadastro Único e pelo 
PBF na sua cidade ou ligar para a Central de Relacionamento do Minis-
tério da Cidadania, no telefone 121. A ligação é gratuita.
O ponto de contato entre os sistemas únicos de saúde e de assistência social 
no PBF se dá de várias formas. Aqui, atentamos para algumas principais:
 Ŋ A transferência de renda apresenta impacto positivo sobre o consumo familiar, gerando melho-
ra do estado nutricional de seus membros. Isto leva também à diminuição da taxa de mortali-
dade das crianças, principalmente por óbito por causas evitáveis (relacionadas à desnutrição e 
outras relacionadas à falta de saneamento básico nos domicílios);
 Ŋ A transferência monetária auxilia na melhoria das condições de higiene e de saneamento bá-
sico, podendo levar à diminuição dos casos de hepatites virais, em especial de crianças e ado-
lescentes. Outro ponto de destaque é o efeito da renda na promoção da qualidade de vida de 
pessoas acometidas por hanseníase e de suas famílias, uma vez que a doença possui elevada 
discriminação social;
 Ŋ Por meio da condicionalidade em saúde, crianças e gestantes apresentam maior frequência 
aos serviços de saúde, seja pela vacinação ou por exames pré-natais. Foi observado aumento 
da oferta dos serviços em saúde para as famílias vulneráveis em regiões mais pobres, cuja co-
bertura em saúde é mais frágil;
 Ŋ Com as consultas regulares das gestantes, foi possível identificar casos em que as mães tes-
tam positivo para HIV, hepatite viral ou sífilis, o que pode evitar ou atenuar o contágio (trans-
missão vertical) que é caracterizado pela transmissão da doença da mãe para criança, ou 
durante a amamentação;
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Ŋ Por meio do trabalho social com as famílias pelas equipes de referência da assistência social 
dos CRAS e CREAS, foi possível identificar carências em saúde das famílias vulneráveis. Os 
serviços socioassistenciais estão presentes em quase todos os municípios, especialmente os 
serviços de Proteção Social Básica (CRAS), que são a porta de entrada à assistência social das 
famílias vulneráveis. Essas equipes detêm conhecimento do território e atuam em articulação 
com outras políticas;
Ŋ Parte integrante do trabalho com as famílias envolve aspectos relacionados ao cuidado de seus 
membros com disponibilização de informações de educação sexual, podendo evitar o acometi-
mento de doenças sexualmente transmissíveis (HIV, hepatites virais e sífilis). Outras duas doen-
ças que estão no foco das discussões são a hanseníase e a tuberculose, cuja suspeita de infec-
ção pode ser feita pelas equipes da assistência social e encaminhada aos serviços em saúde;
Ŋ Pode-se observar que o PBF permite uma série de oportunidades de relacionar os serviços da 
assistência social e de saúde na melhora da saúde e qualidade de vida das famílias em situação 
de vulnerabilidade com membros acometidos por HIV e coinfecções, favorecendo o tratamento 
adequado de uma ou mais doenças.
Ŋ Há evidências científicas que mostram a importância do enfrentamento dos determinantes so-
ciais da doença e da oferta de proteção social à pessoa com tuberculosepara melhores des-
fechos do tratamento: pessoas com tuberculose cadastradas no Cadastro Único que recebem 
o Programa Bolsa Família, quando comparadas com aquelas que não recebem, apresentam 
maior percentual de cura e menor percentual de abandono do tratamento.
Para concluir esta seção, sugerimos fortemente que você assista 
à entrevista Sr. Eduardo Pereira, sobre o programa de transferência de 
renda do governo federal em entrevista ao Programa Papo Social.
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BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO 
CONTINUADA DA LEI ORGÂNICA 
DA ASSISTÊNCIA SOCIAL 
(BPC/LOAS)
O Benefício de Prestação Continuada (BPC) é um direito social assegurado na 
Constituição de 1988 e garante um salário-mínimo às pessoas com deficiência de 
qualquer idade e pessoas idosas com 65 anos ou mais que comprovem não possuir 
meios para prover a própria manutenção ou tê-la provida por sua família. Sua regu-
lamentação é dada pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), Lei nº 8.742, de 
07 de dezembro de 1993, e pelo Decreto nº 6.214, de 26 de setembro de 2007 alte-
rado pelo Decreto nº 8.805, de 7 de julho de 2016.
É importante ressaltar que a LOAS considera não possuir meios para prover 
a própria manutenção ou tê-la provida por sua família: a família cuja renda mensal 
per capita seja inferior a 1/4 (um quarto) do salário-mínimo vigente.1
Figura 7 – Benefício de Prestação Continuada.
Fonte: Logotipo do Benefício de Prestação Continuada. Figura acessada na página cujo link é : https://
www.saudades.sc.gov.br/noticias/index/ver/codNoticia/555592/codMapaItem/8565, no dia 11 jun. 2021.
Pessoa com deficiência: pessoa com deficiência é aquela que apresenta im-
pedimentos de natureza física, mental, intelectual ou sensorial de longo prazo (aquele 
que produza efeitos pelo prazo mínimo de dois anos), que, na interação com barrei-
1 Observar a atualização da LOAS trazida pela Lei n 14.176, de 22 de junho de 2021, para estabelecer o critério de renda familiar per capita para 
acesso ao benefício de prestação continuada, estipular parâmetros adicionais de caracterização da situação de miserabilidade e de vulnerabilida-
de social e dispor sobre o auxílio-inclusão [...] e dá outras providências.
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ras sociais, a impossibilita de participar de forma plena e efetiva na sociedade, em 
igualdade de condições com as demais pessoas.
No caso deste público, além da análise do critério da renda mensal familiar per 
capita, é realizada uma avaliação social e médica da deficiência conforme preconi-
za a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência e seu Protocolo Fa-
cultativo (ONU/2007). Tais avaliações são realizadas respectivamente pelo Serviço 
Social e pela Perícia Médica do INSS.
Idoso: para acesso ao BPC, é considerada elegível a pessoa idosa com 65 
anos de idade ou mais. Esta parcela da população se torna cada vez mais relevante 
no debate público, uma vez que a população brasileira passa por um processo de-
mográfico de envelhecimento (decorrente da diminuição das taxas de fecundidade 
e aumento da esperança de vida) e empobrecimento, se não houver medidas de 
proteção social. O BPC e outros benefícios previdenciários asseguram renda, mas 
essa população também necessita de maior atenção à saúde nessa fase da vida.
O Benefício de Prestação Continuada (BPC) da Lei Orgânica 
de Assistência Social (LOAS) é um benefício individual, intransfe-
rível, não contributivo, com parcelas continuadas, orçamento defi-
nido e regras próprias. Instituído na Constituição Federal de 1988, 
compõe as proteções da assistência social como um direito.
Como dito, para os dois públicos do BPC se faz necessário que a renda por 
pessoa do grupo familiar seja menor que ¼ do salário-mínimo vigente. Além disso, 
as pessoas com deficiência também precisam passar por avaliação médica e social 
realizadas por profissionais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e estar 
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cadastradas no Cadastro Único. Por se tratar de um benefício assistencial, não é 
necessário ter contribuído ao INSS para ter direito a ele.
Segundo dados recentes do Ministério da Cidadania, acessados pelo Portal da 
Transparência, cerca de 5 milhões de pessoas com deficiência possuem registro 
no Cadastro Único; já pessoas com 65 anos ou mais: 5,8 milhões. Ou seja, estamos 
falando de um universo de mais de 10 milhões de pessoas em situação de vulnera-
bilidade, dos quais 4,7 milhões são beneficiários do BPC. É possível observar que 
a maior parte dos beneficiários reside nos estados das regiões Nordeste e Norte, 
seguindo a concentração de famílias vulneráveis no território nacional.
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É possível observar a incidência dos benefícios de BPC ofer-
tados em relação à população total por estado no mapa a seguir. 
Pode-se perceber que a maior parcela de beneficiários por estado 
está concentrada nas regiões Nordeste e Norte. Destaque para os 
estados do Ceará, Pernambuco, Alagoas e Bahia na região Nordes-
te; Acre e Amapá na Região Norte; e o estado do Mato Grosso do 
Sul. Para estes estados, os percentuais registrados para fevereiro 
de 2021 estavam acima de 3% (verde escuro).
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Fonte do mapa: Portal Transparência.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
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Para se cadastrar e receber o benefício, a pessoa deve se inscrever no 
sistema “Meu INSS” ou ligar para o Instituto Nacional de Seguro Social 
(INSS) no telefone 135. A ligação é gratuita. Também é possível buscar 
orientações junto ao CRAS da cidade.
Por se tratar de um benefício, o BPC permite que as pessoas com deficiência e 
pessoas com 65 anos ou mais em situação de vulnerabilidade sejam acompanha-
das pelos serviços socioassistenciais, reforçando a importância da integração en-
tre serviços, benefícios, programas e transferência de renda. Também é relevante a 
possibilidade de articulação entre as áreas de saúde e assistência social para uma 
proteção integral, considerando que os serviços de saúde podem identificar pes-
soas em vulnerabilidade e ou risco social e as equipes da assistência social podem 
identificar (ou suspeitar) de doenças, especialmente aquelas com fortes determi-
nantes sociais e realizar o devido encaminhamento à saúde. Nesse público também 
é comum a existência de pessoas que dependem de cuidados de terceiros (familiar, 
de outras redes, como vizinhança ou família extensa, e/ou ainda das políticas públi-
cas) para realizar atividades do dia a dia e evitar violações de direitos relacionadas 
às negligências e ao abandono, entre outras.
Para concluir esta seção, sugerimos que assista o vídeo sobre as princi-
pais regras de funcionamento do BPC.
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PROGRAMA CRIANÇA FELIZ
O Programa Criança Feliz (PCF) é uma iniciativa do Governo Federal, em con-
junto com estados e municípios, com finalidade de apoiar as famílias em seu papel 
protetivo, além de ampliar a rede de atenção e cuidado para o desenvolvimento in-
tegral das crianças na primeira infância (faixa etária entre 0 e 6 anos).
O programa tem como principais ações as visitas domiciliares e a articulação 
com os serviços intersetoriais (principalmente os serviços socioassistenciais, saúde, 
educação, cultura e direitos humanos) com o objetivo de promover o desenvolvi-
mento de crianças na fase de primeira infância. As visitas domiciliares do Programa 
têm duração média de 45 minutos e acontecem de forma planejada e sistemática. 
Nelas, os visitadores realizam orientações sobre práticas que fortalecem o desen-
volvimento da criança, os vínculos familiares, bem como sobre o acesso a diversos 
serviços para a garantia de direitos das famílias.
O Programa estimula a responsabilidade dos adultos, que são referência para a 
criança no seu dia a dia, estabelecendo vínculos afetivos mais próximos durante os 
seus primeiros anos de vida. Promove também o encorajamento para o desenvolvi-
mento de atividades lúdicas envolvendo outros membros da família, com o intuito de 
fortalecer os vínculos familiares e comunitários e estimular o desenvolvimento infantil.
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Figura 8 – Programa Criança Feliz
Fonte: Logotipo do Programa Criança Feliz. Figura acessada na página cujo link é: https://site.sorriso.mt.gov.br/
noticia/sorriso-comeca-implantar-acoes-do-programa-federal-crianca-feliz-5f03327d82899, no dia 11 jun. 2021.
O Programa reforça a implementação do Marco Legal da Primeira Infân-
cia, Lei 13.257/2016, que ressalta a necessidade da integração de esfor-
ços da União, dos estados, dos municípios, das famílias e da sociedade 
no sentido de promover e defender os direitos das crianças e ampliar as 
políticas que promovam o desenvolvimento integral durante essa im-
portante fase de desenvolvimento.
Os objetivos específicos do programa são:
Ŋ Promover o desenvolvimento humano a partir do apoio e do acompanhamento do desenvolvi-
mento infantil integral na primeira infância;
Ŋ Apoiar a gestante e a família na preparação para o nascimento e nos cuidados perinatais;
Ŋ Colaborar no exercício da parentalidade, fortalecendo os vínculos e o papel das famílias para o 
desempenho da função de cuidado, proteção e educação de crianças na faixa etária de até seis 
anos de idade;
Ŋ Mediar o acesso da gestante, das crianças na primeira infância e das suas famílias às políticas 
e aos serviços públicos de que necessitem;
Ŋ Integrar, ampliar e fortalecer ações de políticas públicas voltadas para as gestantes, crianças na 
primeira infância e suas famílias.
Além disso, o Programa Criança Feliz propõe, na sua metodologia de visitas 
domiciliares, o fortalecimento de vínculos propiciados por meio do cuidado integral 
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
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e responsivo às crianças com e sem deficiência e suas famílias, colaborando direta-
mente para a visibilidade deste público no território e a construção de possibilida-
des na oferta adequada dos serviços.
As equipes do PCF estão referenciadas aos CRAS e em contato direto com 
distintos serviços do SUAS por meio da Proteção Social Básica e da Proteção So-
cial Especial (equipes de referência do CREAS, Centros Dia e serviços específicos 
de acolhimento), podendo ampliar a sua capacidade de ação em crianças na fase 
de primeira infância e o diálogo com equipes do SUS. Por esse motivo, não apenas 
as crianças são beneficiadas pela cobertura dos serviços das equipes das áreas de 
assistência social e saúde, mas também os demais membros da família.
Cabe apontar que as atribuições das equipes de visitadores são de conhecer 
e nos aproximar da realidade social das famílias, identificar situações de vulnerabi-
lidade social, repassar informações e identificar desafios, riscos e violações de di-
reitos, assim como potencialidades das famílias. Portanto, coloca-se como positivo 
que as equipes de referência do PCF atuem na disseminação de orientações para 
prevenção de doenças e apoiem (via CRAS) no devido encaminhamento para os 
serviços de saúde para aquelas identificadas entre os membros das famílias visi-
tadas. Destacam-se doenças por transmissão vertical (mãe-bebê), como é o caso 
do HIV, hepatites virais e sífilis, além de outras que estão correlacionadas às popu-
lações vulneráveis devido à precariedade com relação ao saneamento básico e à 
alimentação adequada (tuberculose e hanseníase).
Para concluir esta seção, sugerimos que assista o vídeo sobre as princi-
pais regras de funcionamento do Programa Criança Feliz.
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SISAN – SISTEMA NACIONAL 
DE SEGURANÇA ALIMENTAR 
E NUTRICIONAL
No Brasil, o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN – 
organiza as políticas de promoção e acesso aos alimentos, acesso à água, fomento 
à produção, comercialização e consumo de alimentos da agricultura familiar. Este 
sistema está instituído na Lei nº 11.346, de 2006, e assegura a consecução do Direito 
Humano à Alimentação Adequada – DHAA.
O Direito Humano à Alimentação Adequada corresponde ao direito de todas 
as pessoas ao acesso regular, permanente e irrestrito a alimentos seguros e saudá-
veis, em quantidade e qualidade adequadas e suficientes, que respeitem as tradi-
ções culturais.
O DHAA pode ser impactado por situações de Insegurança Alimentar e Nutri-
cional – (InSAN), quando ocorre a falta de acesso aos alimentos, podendo impactar 
sobre as situações de saúde das famílias e, no caso das crianças, sobre o cresci-
mento e desenvolvimento infantil.
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Figura 9 – Representação gráfica das dimensões da alimentação adequada
Fonte: O direito humano à alimentação adequada e o sistema nacional de segurança 
alimentar e nutricional / organizadora, Marília Leão. Brasília: ABRANDH, 2013, p. 28.
O SISAN tem por objetivos formular e implementar políticas e planos de se-
gurança alimentar e nutricional, estimular a integração dos esforços entre governo 
e sociedade civil, bem como promover o acompanhamento, o monitoramento e a 
avaliação da segurança alimentar e nutricional do país, considerando a diversida-
de alimentar e os aspectos sociais e culturais da população brasileira. O SISAN 
alicerça no Brasil um conjunto de programas sociais voltados à garantia da SAN e 
consecução do DHAA.
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Figura 10 – Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
Fonte: Logotipodo Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Figura acessada 
na página cujo link é : http://mds.gov.br/caisan-mds/sisan, no dia 11 jun. 2021.
Seguindo as dimensões da alimentação adequada do DHAA e da PNSAN, as 
principais ações do SISAN voltadas principalmente à população vulnerável são:
Ŋ Acesso à água (cisternas);
Ŋ Fomento rural às atividades produtivas da agricultura familiar;
Ŋ Programa de Aquisição de Alimentos (PAA);
Ŋ Apoio à agricultura urbana e periurbana, distribuição de alimentos;
Ŋ Inclusão produtiva rural de povos e comunidades tradicionais e/ou grupos e populações tradi-
cionais e específicos;
Ŋ Apoio à estruturação de equipamentos públicos de alimentação e nutrição, como rede de ban-
cos de alimentos,
Ŋ Restaurantes populares e cozinhas comunitárias;
Ŋ Ações de apoio à educação alimentar e nutricional;
Ŋ Produção e divulgação de material informativo e de orientação sobre SAN etc.
Estas ações e programas do governo federal propiciam condições mínimas para 
a garantia do direito constitucional à alimentação adequada e refletem a preocupação 
em mitigar as situações de InSAN, ao reconhecer que a SAN configura uma forma 
de proteção social, em que a garantia do acesso à água e a alimentos é fundamental.
Cada ação do SISAN possui público e área de abrangência geográfica 
específicos. Isso se deve às particularidades de cada iniciativa aplicada 
ao território nacional.
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As ações executadas pelo SISAN possuem enorme relação e articulação com 
os serviços ofertados para as famílias vulneráveis assistidas pelas áreas de assis-
tência social e saúde. A ênfase é clara para as equipes de referência do CRAS e das 
UBS, cujo trabalho com as famílias está intimamente relacionado às peculiaridades 
do território onde residem. O mesmo enfoque territorial possui as ações do SISAN, 
uma vez que está orientada praticamente ao mesmo público.
Destaca-se a possibilidade dos CREAS e Centros Pop identificarem riscos ad-
vindos da insegurança alimentar e nutricional, que agravam as situações de violação 
de direitos, como no caso da População em Situação de Rua, um dos públicos mais 
vulneráveis. É de grande importância que os equipamentos públicos de SAN, assim 
como os restaurantes populares, priorizarem este público, evitando discriminação e 
barreiras de acesso. É por meio de parcerias, estabelecimentos de fluxos, diálogo e 
articulações que é possível a efetivação dos encaminhamentos e atendimento das 
demandas identificadas.
Além disso, por meio das equipes socioassistenciais e de saúde, pode se dar 
a prevenção e o tratamento da hanseníase, tuberculose e vários tipos de hepati-
tes virais em jovens e adultos, sobretudo em áreas rurais e populações específicas 
(quilombolas e indígenas). Destaque também para os Centros Pop, que estão em 
articulação com os Programas de SAN, e com os serviços básicos em saúde, para o 
grupo acometido por tuberculose. Assim, esse público terá condições de ser acom-
panhado pelas equipes da assistência social e saúde de forma complementar, am-
pliando e evitando casos de desistência no tratamento.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
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Segundo o Mapa da Insegurança Alimentar (CAISAN, 2018), 
90 municípios estão em situação de vulnerabilidade nutricional mui-
to alta: 31 na Região Nordeste, 29 na Região Norte, 11 na Região Sul, 
8 na Região Sudeste e 7 na Região Centro-Oeste.
Fonte: CÂMARA INTERMINISTERIAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL – CAISAN. 
Mapeamento da Insegurança Alimentar e Nutricional com foco na Desnutrição a partir da análise do 
Cadastro Único, do Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) e do Sistema 
de Informação da Atenção à Saúde Indígena (SIASI) 2016. Brasília: CAISAN, 2018. p. 19-20.
Para concluir esta seção, sugerimos que assista o vídeo sobre as prin-
cipais regras de funcionamento do Sistema Nacional de Segurança Ali-
mentar e Nutricional.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
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O QUE APRENDEMOS 
NESTA AULA:
 Ŋ Objetivos do Programa Bolsa Família, condicionalidades do Programa e PBF: pontos de conta-
to entre os serviços de assistência social e saúde;
 Ŋ Objetivos do BPC, público-alvo do benefício e BPC: pontos de contato entre os serviços de as-
sistência social e saúde;
 Ŋ Objetivos do Programa Criança Feliz, cuidados na primeira infância e PCF: pontos de contato 
entre os serviços de assistência social e saúde;
 Ŋ Objetivos do SISAN, serviços ofertados pelo Sistema e SISAN: pontos de contato entre os ser-
viços de assistência social e saúde.
PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
ARTICULAÇÃO SUS E SUAS
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AULA 8 – ARTICULAÇÃO 
SUS E SUAS
Prezado cursista, você chegou à última aula da Unidade 1. Nesta unidade, você 
conheceu muitos elementos importantes sobre o trabalho realizado no Sistema Úni-
co de Saúde (SUS) e no Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
Você percebeu que as necessidades apresentadas pelas famílias e pelos indi-
víduos em situação de vulnerabilidade e risco social podem ser múltiplas e deman-
dar respostas de diversas políticas públicas? As políticas públicas apresentam uma 
noção de incompletude em si mesmas e buscam essa complementaridade nos ser-
viços e equipes que formam a rede presente no território em que atuam, no intuito 
de ampliar a capacidade de resposta às necessidades da população.
Nesta unidade, tratamos especificamente da articulação entre SUS e SUAS 
considerando que as condições de moradia, alimentação, renda e acesso à informa-
ção, por exemplo, podem ser determinantes para o contágio e a falta de tratamento 
adequado para determinadas doenças. Isso significa que, ao acessar os diversos 
direitos sociais, como proteção social, renda, alimentação, educação e moradia, isso 
ensejará condições mais favoráveis ao cuidado e à manutenção da saúde de pes-
soas em situação de vulnerabilidade.
A atuação articulada no território é um fator crítico de efetividade das políticas 
públicas e, para ilustrar um pouco do que aprendemos nesta unidade, convidamos 
você a acompanhar, no Ambiente Virtual de Aprendizagem, a radionovela “Um dia 
de Maria”. Vamos lá!
EPISÓDIO 1 – Informação é direito e poder!
EPISÓDIO 2 – Trabalho social com famílias: 
autonomia e empoderamento
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COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
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EPISÓDIO 3 – Articulação de políticas no território
EPISÓDIO 4 – Superando o contexto de violência
Gostou de escutar a radionovela em podcast? Percebeu a importância da ar-
ticulação intersetorial no território? Depois de ter aprendido um pouco mais sobre 
o Sistema Único de Saúde e o Sistema Único de Assistência Social, as unidades e 
ofertas, bem como possibilidades de articulação em prol da concretização de direi-
tos à população mais vulnerável, você agora está convidado(a) a conhecer a Unida-
de 2 – Dimensão social e vulnerabilidades relacionadas à sífilis, HIV/aids, hepatites 
virais, tuberculose e hanseníase.
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COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE
ARTICULAÇÃO SUS E SUAS
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rências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá ou-
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ce artigos ao decreto nº 5.209, de 17 de setembro de 2004, que regulamenta a lei 
nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004, que cria o programa bolsa família. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7332.htm. 
Acesso em: 17 jun. 2021.
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fício de prestação continuada da assistência social devido à pessoa com defici-
ência e ao idoso de que trata a Lei n o 8.742, de 7 de dezembro de 1993, e a Lei 
nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, acresce parágrafo ao art. 162 do Decreto n o 
3.048, de 6 de maio de 1999, e dá outras providências. Disponível em: http://www.
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to da Criança e do Adolescente), o Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 
(Código de Processo Penal), a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada 
pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, a Lei nº 11.770, de 9 de setembro 
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