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UNIDADE 1 – ARTICULAÇÃO ENTRE SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) E SISTEMA DE ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (SUAS) PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO 2 Prezado (a) cursista, É com grande satisfação que iniciamos a primeira unidade des- te curso. Nela, você conhecerá as ofertas e o funcionamento, em âm- bito nacional, do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), bem como a articulação multissetorial para o cuidado das pessoas em situação de vulnerabilidade social com sífilis, HIV/AIDS, hepatites virais, tuberculose ou com hansenía- se. Esperamos que, ao final desta unidade, você seja capaz de: • Caracterizar as bases conceituais do SUS e SUAS; • Diferenciar o funcionamento da rede de atenção à saúde e de pro- teção social; • Identificar os desafios de acesso das populações mais vulneráveis; • Reconhecer os serviços e programas de saúde e de assistência social oferecidos pelo SUS e pelo SUAS, com foco no acesso à saúde e na proteção social das pessoas em situação de vulnerabilidade social; • Identificar as competências colaborativas para o desenvolvimento de ações integradas entre o SUS e SUAS; • Reconhecer a importância das articulações entre saúde e assistên- cia social para melhorar as condições do cuidado das pessoas em situação de vulnerabilidade social com sífilis, HIV/AIDS, hepatites virais, tuberculose ou hanseníase. Agora, iniciaremos nossa jornada em busca do conhecimento! Vamos lá? PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO 3 AULA 1 – COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO Olá! Vamos começar esta aula conhecendo um pouco mais sobre o Sistema Único de Saúde – SUS. Você sabia que o SUS se organiza em níveis de atenção à saúde? Conhece as ferramentas conceituais importantes para que o trabalho em saúde seja realizado? Conhece equipes específicas para atuar junto às populações em condi- ções de maior vulnerabilidade? Vamos responder a essas questões? O objetivo desta aula é apresentar e discutir o que é o SUS, seus princípios, va- lores, objetivos e modos de organização. CONHECENDO AS BASES CONCEITUAIS E LEGAIS DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – SUS A base legal do Sistema Único de Saúde – SUS é composta por diversos de- cretos, portarias, normatizações e medidas provisórias que se atualizam, porém a base que estrutura formalmente o sistema de saúde está contida em três documen- tos. São eles: 1. A Constituição Federal de 1988, com o setor Saúde compondo com a Previdência e a Assistência Social, a Seguridade Social (BRASIL, 1988); 2. A lei 8.080/1990, Lei Orgânica da Saúde, que dispõe no território nacional a organização e regulação das ações e serviços de saúde (BRASIL, 1990a); e 3. A lei 8.142/1990, que aponta, sobretudo, as formas de participação popular no SUS (BRASIL, 1990b). Para compreendermos melhor o SUS, seus objetivos e sua forma de organiza- ção, será importante recorrermos aos princípios desse sistema de saúde, a saber: PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO 4 1. Os doutrinários, que indicam e orientam o horizonte ético do sistema de saúde (o “porquê” da existência do sistema e que valores ele defende para a população, enquanto uma política pública); e 2. Os princípios organizativos, que propõem a for- ma de organização do sistema de saúde (indicando o “como” os serviços de saúde, equipes e secretarias de saúde, gestores, enfim, todos os que se relacionam com o SUS devem organizar as ações e serviços de saúde). Ao apresentarmos os princípios do SUS, vamos destacar os que podem con- tribuir com a aproximação entre o SUS e o Sistema Único de Assistência Social – SUAS. Agora, vamos conhecer com mais detalhes estes princípios? Os princípios doutrinários do SUS O princípio da universalidade No campo da saúde, o princípio da universalidade tem sido a materialização de uma bandeira das lutas populares que a reivindicam no campo dos direitos hu- manos e da construção da cidadania. A criação do SUS institui a saúde como um direito de qualquer cidadão brasileiro, independentemente de raça, escolaridade, religião, sexualidade, renda ou qualquer outra forma de discriminação, sendo um dever do Estado brasileiro prover as condições para a sua efetivação. O princípio da universalidade dá sentido aos demais princípios e diretrizes do SUS na garantia do direito à saúde, tendo de acontecer de forma integral, equâni- me, descentralizada e com participação popular (MATTA, 2007). O princípio da equidade O princípio da equidade é um dos mais valiosos, pois indica que a atenção à saúde deve levar em consideração as necessidades específicas de cada pessoa ou grupos de pessoas, ampliando o olhar do sistema de saúde para contemplar a multiplicidade e a desigualdade das condições sociossanitárias das pessoas e dos grupos populacionais. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO 5 Se o SUS oferecesse exatamente o mesmo atendimento para todas as pessoas, da mesma maneira, em todos os lugares, estaria provavelmente oferecendo coisas desnecessárias para alguns, deixando de atender às necessidades de outros, man- tendo as desigualdades (BRASIL, 2000, p. 32). Colocar a equidade em prática é um desafio permanente e di- nâmico, que merece a atenção constante dos serviços e das equi- pes de saúde. Nesse contexto, o conceito de vulnerabilidade pode nos ajudar a refletir e atuar na perspectiva da equidade. Para Ayres (2009), a vulnerabilidade é constituída por condições estruturais que tornam determinados grupos populacionais mais vulneráveis que ou- tros. Com esta compreensão, o autor desloca a lógica “culpabilizante” e individualizante contida, por exemplo, na noção de grupos de risco, para uma perspectiva coletiva, relacional (ou política) e que exige que as possibilidades de transformação se deem por meio de construção de redes de proteção para as pessoas ou grupos populacionais. Pos- sibilitamos, assim, a transformação dos contextos de vulnerabilidade (AYRES, 2009). Desse modo, não falamos de vulnerabilidade enquanto incapa- cidade ou mesmo fraqueza, mas sim como condições sociais estrutu- rais que fazem com que a sobrevivência seja mais difícil para alguns do que para outros, aumentando a probabilidade e causando com frequência sofrimento, adoecimento e exposição a situações de risco. “Como via de mão dupla, as relações sociais vulneráveis permeiam toda a sociedade” (AYRES, 2009, p. 67), envolvendo usuários, famílias, grupos, trabalhadores de saúde, equipes e serviços. Nessa perspecti- va, cuidar de modo equânime inclui considerar todas as possibilidades e limites de pessoas e grupos atendidos, para que estas condições sejam consideradas na construção de ofertas de cuidado e atenção. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO 6 A construção de ações específicas, para grupos populacionais específicos, que levem em consideração as especificidades dos jovens, das mulheres, dos idosos, das pessoas que vivem com o vírus HIV, das gestantes, dos homens, das pessoas que têm problemas na relação com álcool e outras drogas, das pessoas com sofrimento psíquico, ou pessoas privadas deliberdade podem ser exemplos de estratégias para oportunizar o acesso, a atenção e o cuidado em saúde de modo equânime. Essas ações podem ser sempre construídas em parceria com os serviços e as equipes lo- cais, sobretudo com as da Assistência Social (CREAS, CRAS, entre outros). O CRAS é o Centro de Referência da Assistência Social e o CREAS é o Centro de Referência Especializado da Assistência Social. Os dois ser- viços/equipamentos são da Rede SUAS (Sistema Único de Assistência Social) e serão descritos com mais detalhes ao longo da Unidade 1. O princípio da integralidade A concepção de integralidade surge, entre outras questões, para enfrentar uma lógica de fragmentação na assistência em saúde, uma forma de possibilitar um olhar mais complexo por parte das equipes e serviços de saúde. O ponto central dessa discussão é a ideia de reconexão. Um certo “modelo” fragmentado se inscreveu em várias instâncias da produção de cuidado em saúde no Brasil (MATTOS, 2001). Mattos (2001) propõe três sentidos para o princípio da integralidade. O primeiro sentido da integralidade trabalhado pelo autor é o da prática em saúde integral. A boa prática em saúde faz uma crítica ao modelo hegemônico que envolve uma ati- tude fragmentária, especializada e biologicista em relação às pessoas e aos grupos. Seria a construção de uma possibilidade de encontro entre o profissional de saú- de e o usuário que primaria pela ampliação dos modos de entender e operar os PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO 7 processos de saúde-doença, sendo “um valor a ser sustentado e defendido nas prá- ticas dos profissionais de saúde” (MATTOS, 2001, p. 71). O segundo conjunto de sentidos da integralidade abordado pelo autor é a for- ma como os serviços de saúde são organizados. Clínica e epidemiologia deveriam andar de mãos dadas na busca de soluções mais eficazes para responder às neces- sidades observadas pelas unidades de saúde em seus territórios, contribuindo com um modo de organizar os processos de trabalho, otimizando seus impactos epide- miológicos, em uma perspectiva de ações programáticas horizontalizadas (MAT- TOS, 2001; CAMARGO Jr, 2007). O terceiro conjunto de sentidos da integralidade trabalhado por Mattos (2001) é o das respostas governamentais a determinados problemas de saúde ou às ne- cessidades de grupos específicos. Nesse sentido atribuído à integralidade, a relação com as demais políticas públicas, em especial a Assistência Social, fica evidente. Quanto mais plurais e complexas as ações públicas, não se reduzindo às questões de saúde específicas, levando em consideração fatores culturais, étnicos, entre ou- tros, maiores serão as chances de efetividade das ações públicas. Vimos como os princípios doutrinários do SUS revelam uma política pública implicada com valores como a cidadania e a responsabilidade coletiva. Agora, va- mos ver como esses princípios doutrinários ganham forma na vida real, no dia a dia do SUS. Você sabia que a distribuição dos serviços pelos bairros das cidades, a organização dos serviços de saúde para atender aos diferentes tipos de proble- mas de saúde e as formas da população decidir sobre o funcionamento dos ser- viços também são orientados por princípios do SUS (os organizativos)? Vamos conhecer alguns deles. Princípios organizativos Este princípio do SUS se relaciona com a orientação das formas de organização do acesso ao sistema, apontando que este ocorre de acordo com a complexidade PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO 8 do problema e em nível crescente de complexidade: casos mais comuns vão para a Atenção Básica; casos complexos para a Atenção Secundária e Terciária. Regionalização: constituição de regiões de saúde considerando as carac- terísticas semelhantes, e também considerando a Rede de Atenção à Saúde, si- tuação de saúde, características populacionais, indicadores, entre outros fatores, com o objetivo de garantir a melhor gestão do sistema, favorecendo ações mais localizadas e otimizadas. Hierarquização: estabelece a organização da Rede de Atenção à Saúde em serviços de níveis de complexidade: Atenção Básica ou Primária, Atenção Secun- dária e Atenção Terciária de saúde. Descentralização político-administrativa Este princípio trata da distribuição das responsabilidades entre as esferas de governo (municipal, estadual e federal). Problemas nacionais têm que ser tratados pelo governo federal, problemas de um estado pelo governo estadual, problemas municipais pela prefeitura. Implica na transferência de poder de decisão sobre a política de saúde do nível federal (Ministério da Saúde – MS) para os estados (Se- cretaria Estadual de Saúde – SES) e municípios (Secretaria Municipal de Saúde – SMS). A transferência envolve também a administração dos recursos financeiros, humanos e materiais. Controle social ou participação comunitária O princípio do Controle Social é a garantia de que o povo brasileiro participa na construção das políticas de saúde e no controle de sua execução. Essa participa- ção acontece nas Conferências de Saúde (a cada 4 anos) e nos Conselhos de Saú- de municipal, estadual e federal (geralmente com frequência de reunião mensal). É a garantia constitucional de que a população, por meio de suas entidades repre- sentativas, participará do processo de formulação das políticas de saúde e do con- trole da sua execução, em todos os níveis, desde o local até o federal. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO 9 Caro cursista, este conteúdo será trabalhado com maiores detalhes na Unidade 3. Agora que você já conheceu um pouco mais sobre os princípios que orien- tam e organizam o Sistema Único de Saúde, vamos avançar e saber mais sobre os níveis de atenção no SUS? OS TRÊS NÍVEIS DE ATENÇÃO NO SUS Como vimos no tópico “Regionalização e hierarquia”, o SUS está organizado em níveis crescentes de complexidade no que se refere à atenção à saúde. Segun- do essa lógica, os serviços de saúde são classificados como Atenção Básica ou Primária, Secundária e Terciária, conforme o grau de complexidade, intensidade de atenção e cuidado exigido para cada situação de saúde, assim como para a neces- sidade de densidade tecnológica requerida nos procedimentos realizados. A Atenção Básica ou Primária (AB/APS) é a porta de entrada preferencial do SUS, tendo em vista que são serviços que estão mais próximos das pessoas, de onde a população vive a sua vida (atuando a partir das localidades específicas e também acompanhando sempre a mesma população local), podendo atuar no cam- po do cuidado, da prevenção, da promoção de saúde, da reabilitação, da redução de danos, etc., com uma capacidade resolutiva importante, sobretudo por trabalhar imersa na cultura local. Vamos conhecê-las como as Unidades Básicas de Saúde (conhecidas também como Postos de Saúde ou Clínicas da Família ou, ainda, como Unidades de Saúde da Família). A Atenção Básica ou Primária é constituída pelas Unidades Básicas de Saú- de – UBS (conhecidas também como Postos de Saúde ou Clínicas da Família), PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO 10 pelas Equipes de Saúde da Família (ESF), pelas Equipes de Saúde Bucal (ESB), pelos Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf AB), pelas Academias da Saúde (que ficaminstaladas geralmente nas praças e espaços públi- cos da cidade), pelas ações de práticas integrativas e complementares, entre outras equipes e programas, que abrem um amplo repertório de ofertas em saúde para a população local. O modo de atuar junto à população de uma determinada localida- de é muito próximo à forma como se organizam os CRAS, sendo este serviço um parceiro fundamental para as equipes que atuam na UBS. Na UBS, a população poderá encontrar consultas médicas, consultas de enfermagem, inalações, injeções, curativos, vacinas, coleta de exames laboratoriais, tratamento odontológico, atendimentos em grupos, ações de promoção de saúde, entre outras. Quando na UBS existe uma equipe de Nasf AB, também poderão ser encontradas ações de saúde no cam- po da Psicologia, Nutrição, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Educação Física, entre outras. A Atenção Secundária é o lugar da média complexidade no SUS. São os am- bulatórios de especialidades, as Unidades de Pronto Atendimento, as Policlínicas. Na Atenção Secundária, a complexidade da assistência na prática clínica demanda profissionais especializados e a utilização de recursos tecnológicos para o apoio ao diagnóstico e tratamento. É adequada para os casos que exijam que a intensidade de cuidado e densidade tecnológica seja intermediária entre a Atenção Básica ou Primária e a Terciária, que será explicitada a seguir (BRASIL, 2007). As equipes profissionais nos serviços da Atenção Secundária são compostas por especialidades médicas e especialidades não-médicas (Odontologia, Nutrição, Assistência Social, Psicologia, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, Farmácia, entre outras). O processo de trabalho nesse serviço deve ser organizado PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO 11 tendo como fluxo de entrada preferencial os casos encaminhados pela Atenção Básica ou Primária. Os casos devem manter sempre uma relação de contato/co- municação, compartilhando as informações clínicas com a AB/APS, com o objetivo de sustentar a integralidade do cuidado. O processo descrito aqui caracteriza o que denominamos de referência e contrarreferência, indicando que as informações e, sobretudo, a responsabilidade pelos encaminhamentos deve ter “mão dupla”, vai e volta, responsabilidade de quem encaminhou e também de quem está “devolven- do” o paciente para a Atenção Básica ou Primária. A Atenção Terciária é o nível de atenção no SUS de alta complexidade, tendo como espaço o hospital. Designa o conjunto de terapias e procedimentos de eleva- da especialização, sendo responsável pela assistência aos usuários que apresentem potencial de instabilização e de complicações de seu estado de saúde. A Atenção Terciária envolve também procedimentos que envolvem alta tecnologia e/ou alto custo, como Oncologia, Cardiologia, Oftalmologia, transplantes, parto de alto risco, Traumato-ortopedia, Neurocirurgia, di- álise (para pacientes com doença renal crônica), Otologia (para o trata- mento de doenças no aparelho auditivo). Pode envolver ainda a assis- tência em cirurgia reparadora (de mutilações, traumas ou queimaduras graves), cirurgia bariátrica (para os casos de obesidade mórbida), ci- rurgia reprodutiva, reprodução assistida, genética clínica, terapia nutri- cional, distrofia muscular progressiva, osteogênese imperfeita (doença genética que provoca a fragilidade dos ossos) e fibrose cística (doença genética que acomete vários órgãos do corpo causando deficiências progressivas), entre outras ofertas especializadas. Geralmente, para chegar ao hospital, o usuário é encaminhado depois de ser atendido por uma UBS ou em um serviço da Atenção Secundária, dependendo de PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE COMPREENDENDO O SUS: SEUS CONCEITOS, OBJETIVOS E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO 12 cada caso. Vale frisar que esse fluxo acontece tendo em vista o processo de troca de informações entre os níveis de atenção no SUS. Vimos nesta aula que o SUS se organiza a partir de princípios e valores mui- to caros à cidadania. Além disso, o SUS estabelece níveis de atenção à saúde que exigem o nosso conhecimento para que possamos oferecer para a população as melhores e mais oportunas formas de circulação por esses níveis (Atenção Bási- ca ou Primária, Secundária e Terciária), levando em consideração as ações clínicas específicas de cada um deles. Na próxima aula, saberemos mais sobre as redes de atenção à saúde e seus fluxos. Vamos lá? PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 2 – NOÇÕES CONCEITUAIS E ORGANIZACIONAIS DAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE E SEUS FLUXOS 13 AULA 2 – NOÇÕES CONCEITUAIS E ORGANIZACIONAIS DAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE E SEUS FLUXOS Olá! Dando sequência à nossa aula sobre os princípios e valores do SUS, nesta aula, vamos conversar sobre a da Rede de Atenção à Saúde, seus componentes, sua organização e também sobre como podemos trabalhar em rede, seguindo uma lógica de trabalho que inclua uma visão e ações mais amplas e complemen- tares junto à população. O objetivo desta aula é descrever as Redes de Atenção à Saúde e mostrar como o trabalho em rede pode ser potencializado pelos trabalhadores. Vamos ini- ciar conhecendo o conceito de Redes de Atenção à Saúde. Você sabe qual o ob- jetivo das Redes de Atenção? O CONCEITO DE REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são as formas de organização dos con- juntos de serviços de saúde, ligados entre si por uma missão única, por objetivos comuns e por um tipo de ação cooperativa e interdependente, que possibilitam oportunizar atenção contínua e integral a determinada população, tendo a Atenção Básica como coordenadora da rede (MENDES, 2011). Os elementos principais dessa definição são: têm missão e objetivos comuns; operam de forma cooperativa e interdependente; realizam constantemente o in- tercâmbio de seus recursos; são organizadas sem hierarquia entre os diferentes componentes, de modo que todos os pontos de atenção à saúde são igualmente PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 2 – NOÇÕES CONCEITUAIS E ORGANIZACIONAIS DAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE E SEUS FLUXOS 14 importantes e se relacionam de forma horizontal; funcionam sob coordenação da Atenção Básica; ofertam atenção em tempos e lugares certos, de forma eficiente e oferecendo serviços seguros e efetivos, em consonância com as evidências dispo- níveis; e geram valor de uso para a sua população (MENDES, 2011). �� ����������� ���������� �������� �� �������� � ������������ ������������� ���������� ��������� �������� ��� ������ Figura 1 – A Rede de Atenção à Saúde organizada a partir da AB como centro de comunicação. Fonte: Adaptado de Mendes (2011). PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 2 – NOÇÕES CONCEITUAIS E ORGANIZACIONAIS DAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE E SEUS FLUXOS 15 Para complementar seus conhecimentos sobre o tema das re- des, temos os vídeos: 1. Redes de Atenção à Saúde (15 min.) 2. Modelo de atenção às condições crônicas, em níveis de atenção (12 min.) 3. Diferenças entre os modelos de atenção (agudas e crôni- cas), equipe multiprofissional, atenção à família, cuidado comparti- lhado, trabalho em grupo, plano de cuidado etc. (11min.) 4. Tecendo Redes entre Gestão e Cuidado (36 min.) Os três principais elementos das Redes de Atenção à Saúde são a população, a estrutura operacional e o modelo de atenção à saúde. A população é a própria razãode ser de uma rede de atenção. É necessário conhecer suas características, suas necessidades de saúde, o território onde vive, os riscos singulares de cada segmento dessa população, suas condições de vulne- rabilidade, seus contextos culturais, econômicos, de lazer, de mobilidade, contextos educacionais, seus valores morais e éticos. A estrutura operacional das Redes de Atenção à Saúde é composta por cin- co componentes: o centro de comunicação (a AB); os pontos de atenção secundá- rios e terciários (onde se ofertam determinados serviços especializados); os siste- mas de apoio (apoio diagnóstico e terapêutico, da assistência farmacêutica e dos sistemas de informação em saúde); os sistemas logísticos (soluções tecnológicas, baseadas nas tecnologias de informação, para garantir a organização racional dos fluxos e contrafluxos de informações, produtos e pessoas na RAS); e o sistema de governança da RAS (arranjo organizativo que possibilita a gestão dos componentes da RAS, de modo cooperativo, potencializando a interdependência entre os atores PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 2 – NOÇÕES CONCEITUAIS E ORGANIZACIONAIS DAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE E SEUS FLUXOS 16 sociais envolvidos, com o objetivo de obter resultados sanitários e econômicos para a população) (MENDES, 2011). O modelo de atenção à saúde é composto por sistemas lógicos que organi- zam o funcionamento das RAS. Existem fundamentalmente modelos de atenção à saúde para as condições agudas e crônicas. Veja no quadro a seguir. Condições Agudas Condições Crônicas Duração limitada Duração longa Manifestação abrupta Manifestação gradual Autolimitadas Não autolimitadas Diagnóstico e prognóstico usualmente precisos Diagnóstico e prognóstico usualmente incertos Intervenção usualmente efetiva Intervenção usualmente com alguma incerteza Resultado: A Cura Resultado: O Cuidado Quadro 1 – As diferenças entre as condições agudas e as condições crônicas de saúde. Fonte: Organização Mundial da Saúde (2003). O SUS enfrenta ainda o desafio de ampliar o modelo de atenção às condições crônicas, visto que estas são as que mais iremos encontrar nos serviços de saúde, sobretudo na AB, e ofertar atenção às condições crônicas, tendo como base o mo- delo de atenção às condições agudas (com maior força nas formações em saúde) (MENDES, 2011). Nesse sentido, a atenção às condições crônicas deve envolver uma equipe multidisciplinar (e não se centralizar apenas em consultas médicas individuais) que atua com atendimentos programados e monitoramento das pessoas aten- didas; além disso, atendimentos individuais ou em grupos que incluem ações preventivas, ações educacionais e ações de autocuidado apoiado, que deve ser monitorado de modo presencial, ou por meio de telefone ou, ainda, por correio eletrônico. As informações devem alimentar um sistema de informação de fácil acesso para as equipes envolvidas. Esses elementos possibilitam que as pesso- as usuárias estejam informadas e ativas e a equipe de saúde preparada e proa- tiva para produzir melhores resultados sanitários e funcionais para a população PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 2 – NOÇÕES CONCEITUAIS E ORGANIZACIONAIS DAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE E SEUS FLUXOS 17 (MENDES, 2011). Existem outras Redes de Atenção à Saúde no SUS, como a Rede de Atenção Psicossocial, a Rede Cegonha, a Rede de Cuidado à Pessoa com De- ficiência e a Rede de Urgência e Emergência. Os Fóruns de Território Uma estratégia interessante para construir e solidificar o trabalho em rede em um determinado território é por meio dos Fóruns de Território. Esses Fóruns podem ter temas específicos, como, por exemplo: Saúde Mental, Criança e Adolescente, Atenção Básica, Serviços Territorializa- dos (Estratégia de Saúde da Família, CRAS, CREAS, escolas etc.), Álcool e outras Drogas, Idosos, entre outros. O mais importante é que o Fórum tenha um tema que seja comum ao máximo de áreas possíveis (saúde, assistência social, educação, garantia de direitos, justiça, entre outros) e que possa fazer convergir interesses comuns. Os fóruns podem aconte- cer uma vez por mês, bem como também serem itinerantes (em um mês acontece em um serviço de saúde, no seguinte em um serviço da assis- tência social e assim por diante). Outro ponto importante é que sejam baseados no objetivo de resolver casos/questões/problemas concretos do território, para criar o interesse na participação dos atores desse ter- ritório. Os Fóruns de Território podem ser divididos em: informes para a rede; discussão de casos; e Educação Permanente. Para saber mais... Veja, a seguir, alguns materiais de referência sobre o tema. Na nossa bi- blioteca, acesse: Guia Rápido para Organização de um Fórum de Saúde no Território (Marcelo Pedra) PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 2 – NOÇÕES CONCEITUAIS E ORGANIZACIONAIS DAS REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE E SEUS FLUXOS 18 Acesse, no Ambiente Virtual de Aprendizagem, vídeos com estratégias sobre como realizar o trabalho em rede: Articulação SUS & SUAS Articulação SUS & SUAS para o cuidado junto às pessoas que vivem com HIV/aids Articulação SUS & SUAS para o cuidado junto às pessoas em situação de rua Articulação SUS & SUAS para o cuidado junto às pessoas com Tuberculose e Hanseníase PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS 19 AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS Olá! Nesta aula, vamos aprofundar o tema das ferramentas de trabalho que fa- voreçam e facilitem o trabalho em rede e colaborativo. Também apresentaremos as equipes de saúde que trabalham junto às populações específicas e, em mui- tas circunstâncias, em pessoas em situação de vulnerabilidade. Você sabia que é possível utilizar algumas metodologias de trabalho que podem facilitar o seu dia a dia nos serviços? Sabia que para lidar com casos complexos existem algumas estratégias para facilitar o trabalho compartilhado e colaborativo entre as equipes do SUS e do SUAS? A abordagem multissetorial dos problemas de saúde, em especial das pessoas com HIV, hepatites virais, hanseníase, tuberculose ou com sífilis, inclui conhecer a estrutura e funcionamento do SUS, seus níveis de atenção, ofertas de cuidado e flu- xos, mas inclui também conhecer e saber usar “ferramentas” conceituais, saberes e práticas que possibilitem aos trabalhadores e equipes realizar as abordagens de modo multissetorial, com mais facilidade. Nesta aula, trabalharemos com os conceitos de escuta, de Redução de Danos, dos Serviços de Baixa Exigência, do Apoio Matricial e do Projeto Terapêutico Singular, que favorecem e facilitam o trabalho em rede e colaborativo. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS 20 A FUNÇÃO DA ESCUTA NO TRABALHO EM SAÚDE Caro cursista, pense um pouco sobre a importância da escuta como ferramen- ta de trabalho. Você já fez algum trabalho de escuta com seus usuários? Você con- versa com sua equipe sobre essa ferramenta? A escuta é, sem dúvida, a primeira e talvez a mais importante destas “ferra- mentas de trabalho”. A escuta dos usuários pelotrabalhador e pelas equipes é um dos primeiros passos para a construção do vínculo, que será outro elemento central para que as reflexões sobre cada caso individual, familiar ou comunitário possam ser avaliadoras e para que as propostas de trabalho/cuidado possam ter mais chance de ganhar aderência por parte das pessoas envolvidas. A escuta e o diálogo são habilidades próprias dos seres humanos, porém são construídos/fabricados, não são instintivos. Escutar é dar espaço para que o outro possa falar. Precisamos propiciar espaço para que o outro revele seus pensamentos, sentimentos, necessidades, alegrias, desejos, anseios, curiosidades, inquietações e dúvidas. É fundamental que a pessoa seja ouvida sem interrupções, sem inferências, sem opiniões por parte de quem escuta: simplesmente ficamos em silêncio para podermos escutar. Este procedimento clínico pressupõe reconhecer o outro, estar inteiramente disponível para o outro que diz e revela do seu mundo; temos de nos colocar abertos à “agenda” do outro, para que as possibilidades de conexão entre nós e o outro aconteçam (PACHECO, 2015). Quando escutamos, é adequado não pressupormos o sofrimento do outro. Isto é, não anteciparmos os nossos medos e receios em relação à situação do outro sem antes ouvirmos das pessoas como elas estão e se sentem na perspectiva de- las mesmas. Pressupor o sofrimento do outro, por maior que seja a sua condição de vulnerabilidade, poderá “tampar” nossos ouvidos e fazer com que não consiga- mos escutar o que as pessoas pensam e sentem sobre si e sobre suas situações, PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS 21 podendo fazer com que também percamos a chance de reconhecer quais são os recursos que as pessoas têm para lidar com seus problemas (PACHECO, 2015). Para saber mais sobre as estratégias de escuta e seus desdo- bramentos, estas são boas referências complementares: 1. Caderno de Atenção Básica sobre Acolhimento 28. 2. Caderno de Atenção Básica de Saúde Mental 34. 3. Guia Rápido para a escuta em saúde (Marcelo Pedra), que você pode encontrar na biblioteca do nosso curso. REDUÇÃO DE DANOS NA AB Redução de Danos (RD) é uma ética do cuidado, uma diretriz de trabalho do profissional e do serviço que, em Saúde Pública, visa lidar com as questões e os problemas relacionados a comportamentos e/ou situações e condições de risco (reforçado pela Política Nacional de Atenção Básica – PNAB, 2017), a partir da es- cuta das vivências e singularidades das pessoas. Atuar na perspectiva da RD é construir ações e ofertas em saúde baseadas na realidade dos(as) usuários(as) e nas relações entre trabalhador, usuário e serviços, considerando as possibilidades e limites de todos (conhecimentos, recursos, con- textos, laços sociais etc.) As prioridades são: 1. Reduzir, mitigar as consequências negativas dos comportamentos e/ou situações e condições de risco. 2. Lidar com hierarquia de metas: mais imediatas e realistas (propor interagir primeiro com as questões mais “fáceis” de serem resolvidas para que a solução das questões de saúde de mais PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS 22 fácil manejo e solução possam ampliar a confiança das pessoas nos profissionais e na equipe, a fim de que, com o tempo, as questões mais difíceis de serem enfrentadas possam ser enca- radas a partir de uma parceria mais sólida entre as pessoas atendidas e a equipe de saúde). 3. Enfocar-se no protagonismo dos(as) usuários(as), de forma que as experiências reais balizem as decisões, tanto desses quanto dos(as) trabalhadores(as), pois há uma busca de convergên- cia entre os saberes tácitos e científicos/profissionais. 4. Alcançar e manter o gerenciamento do risco, sob o ponto de vista da pessoa, ou a extinção do comportamento e/ou situação ou condição de risco quando possível e desejado. A RD, pelas lentes da PNAB (2017), aponta duas dimensões (ética e instrumental): Ŋ A dimensão ética: pautada pela promoção de autonomia das pessoas e coletividades; pela alteridade; pela legitimação e respeito ao outro, considerando os processos, situações e con- dições singulares dos sujeitos, além de suas múltiplas inserções socioculturais; pela promoção de saúde e pela prevenção de agravos; pela lógica da integralidade do cuidado, atenta à res- ponsabilidade pela oferta de serviços que reconheçam e interajam com necessidades biológi- cas, psicológicas, ambientais e sociais. Ŋ A dimensão instrumental: operação dos saberes e práticas da RD na perspectiva das aborda- gens, das técnicas, do manejo e gestão de diferentes tecnologias de cuidado, operando diag- nósticos, tratamentos, reabilitações e cuidados paliativos no campo da atenção, do cuidado e da manutenção da saúde. Esta opção teórico-metodológica contribui na perspectiva das premissas or- ganizativas do processo de trabalho da AB, em especial no cuidado às condições crônicas, que são as que mais vão estar presentes na AB. SERVIÇOS DE BAIXA EXIGÊNCIA Mas o que é fazer um serviço funcionar com baixa exigência? O que significa isso? Todo serviço possui regras de acesso, sejam elas convenções sociais, morais ou legais. Então, o que podemos fazer para melhorar a relação dos usuários com os serviços públicos de saúde, facilitando o acesso e a resolutividade? Não condicio- nar a oferta de cuidados à exigência de frequência diária aos serviços, à abstinência PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS 23 de drogas ou de qualquer outro comportamento desejado pelo profissional ou pela equipe (melhorar a alimentação com menos açúcar, sal, ou gorduras, por exemplo), evitando culpabilizar as pessoas/usuários por seus comportamentos e ações. Res- ponsabilizá-las, mas respeitando o momento e o desejo do usuário, utilizando estra- tégias de RD e Baixa Exigência (BE) como uma maneira de aproximação e inclusão, com o objetivo de tornar mais próxima a relação entre usuários e trabalhadores. Com isso, é possível tentar novos canais de compromisso dos sujeitos consigo mesmos (responsabilização dos usuários por suas ações e vidas e corresponsabilização en- tre usuários e equipes pelos processos de cuidado e tratamento). O atendimento de saúde pode ter a potência para que a pessoa retome víncu- los e reorganize a vida (sentir-se um sujeito de direito e, com isso, ressignificar suas relações e desejos) (PACHECO, 2015). Devemos acolher valorizando como o outro se apresenta, com suas vivências e seu sofrimento, reconhecendo-o como legítimo interlocutor. Essa atitude da equipe pode possibilitar a identificação das prioridades, considerando os recursos internos e externos do usuário, contribuindo também na divisão de responsabilidades no cuidado entre usuário e equipe/serviço. APOIO MATRICIAL O Apoio Matricial é um modo de organizar a clínica que objetiva assegurar a retaguarda especializada para as equipes e profissionais generalistas, que são as referências para o cuidado. A ação matricial é uma estratégia de organização do trabalho em saúde que acontece a partir da integração de equipes de saúde, ou da assistência social (com perfil generalista – eSF e CRAS, por exemplo), envolvidas na atenção às situações e aos problemas comuns de dado território (equipesde re- ferência para os usuários) com equipes ou profissionais com outros núcleos de co- nhecimento diferentes dos profissionais das equipes generalistas (como pode ser o caso dos CAPS, CREAS, Consultórios na Rua, CTA, Centro POP etc.). PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS 24 O objetivo desta integração é, ao mesmo tempo, contribuir para o aumento da capacidade de cuidado das equipes apoiadas, para ampliar a abrangência de ações, e auxiliar articulação de/com outros pontos de atenção da rede, quando isso for ne- cessário, para garantir a continuidade do cuidado dos usuários. Na prática, isso se dá com o compartilhamento de casos/problemas, consultas compartilhadas, aten- dimentos conjuntos entre os profissionais das diferentes equipes, na construção de fluxos e protocolos de trabalho entre equipes, nas ações de Educação Permanente, enfim, na troca de saberes e práticas entre os diversos profissionais e da articulação pactuada de intervenções, que objetivem atender melhor a população do território e ampliar os conhecimentos e habilidades dos profissionais envolvidos. O Apoio Matricial tem sempre duas dimensões, que são complementares: Ŋ Clínico Assistencial – ação clínica direta com o usuário (ampliação do repertório de ações para qualificar as ações de cuidado e proteção). Ŋ Técnico Pedagógico – ação de apoio educativo com e para a equipe (a troca entre os profis- sionais de diferentes categorias profissionais também objetiva ampliar a “mistura” de conheci- mentos entre os envolvidos). PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS 25 Para saber mais sobre como atuar na perspectiva do Apoio Matricial, assista aos vídeos complementares: 1. Apoio Matricial (7 min). 2. Diretrizes do Nasf AB (7 min). Veja outros materiais que são referência sobre o tema: 3. Guia de Matriciamento em Saúde Mental. 4. Caderno de Atenção Básica 39 – Nasf. 5. Caderno de Atenção Básica de Saúde Mental 34. 6. Guia rápido para Reunião de Matriciamento (Marcelo Pedra), disponível na biblioteca do nosso curso. PROJETO TERAPÊUTICO SINGULAR – PTS O PTS é um tipo específico de modo de organizar uma estratégia de cuidado e proteção, junto às pessoas e famílias. O PTS pode ser um modo interessante para que as equipes de saúde e de assistência social se organizem para lidar com casos de HIV/aids, hanseníase, ISTs, TB, casos com maiores condições de vulnerabilida- de, entre outros. O PTS é antes de tudo uma estratégia que tem o objetivo de ser uma forma de cuidar das pessoas, ao mesmo tempo que pretende educar os trabalhadores envol- vidos na construção deste projeto de cuidado, para que estes profissionais ampliem seus conhecimentos sobre os casos acompanhados, com vistas à ampliação da au- tonomia de todos, pessoas acompanhadas e trabalhadores envolvidos. A ideia cen- tral é que na ocorrência de outros casos semelhantes aos trabalhados por um PTS PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS 26 não seja mais necessário propor esta estratégia, tendo em vista que a construção de um PTS exige um grande esforço da equipe de articulação interna e externa de saberes e práticas e tem uma função específica para a organização do processo de trabalho das equipes. Cabe destacar que a participação das pessoas/usuários e/ou famílias envolvidas no PTS é fundamental durante todas as etapas desse processo para que a responsabilidade pelo processo de cuidado e proteção seja comparti- lhada por equipes, serviços e usuários. Não é necessário (nem possível) construir um PTS para todos os usuários de uma equipe ou serviço. Por isso, destacamos pontos para a escolha dos casos para construção do PTS que podem acionar a função pedagógica/cuidadora do PTS: Ŋ 1: Usuários ou famílias em situações mais complexas (graves/difíceis), para as quais fique clara a necessidade de uma atenção com maior grau de complexidade (articulação de diversas ca- tegorias profissionais, serviços e políticas públicas, intra e intersetoriais) – aqui a lógica é que sabendo articular a rede, conhecendo as funções dos demais serviços do território e seus flu- xos, a partir da discussão de um caso específico, os profissionais envolvidos possam fazer esse mesmo exercício em outros casos semelhantes. Ŋ 2: Casos mais regulares – aqui a lógica é que, se os profissionais aprendem sobre uma avalia- ção complexa de um tipo de situação/caso que aconteça muito no seu território, eles adquirem conhecimento que pode ser utilizado com boa parte da população local. Estas duas categorias são sempre construídas a partir do olhar da equipe. Um PTS é sempre construído durante a reunião de equipe do serviço. Se for necessário (por conta das características do caso), as demais equipes do território (eSF, CRAS, CAPS, CREAS etc.) são convidadas pela equipe que está organizando o PTS. O PTS contém quatro momentos: 1. O diagnóstico: que deverá conter uma avaliação orgânica, psicológica e social que possibilite uma conclusão a respeito dos riscos e da vulnerabilidade do usuário. Deve tentar captar como o sujeito singular se produz diante de forças como as doenças, os desejos e os interesses, as- sim como também o trabalho, a cultura, a família e a rede social. Ou seja, tentar entender o que o sujeito faz de tudo que fizeram dele. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS 27 2. Definição de metas: uma vez que a equipe fez os diagnósticos em parceria com as pessoas/ usuários envolvidos, constroem-se propostas de curto, médio e longo prazo, que serão nego- ciadas com todos os envolvidos. 3. Divisão de responsabilidades: é importante definir as tarefas de cada um dos profissionais, das pessoas/usuários envolvidos e das demais equipes envolvidas (por exemplo, CRAS, CRE- AS, CAPS, Centro POP etc.), com clareza. 4. Reavaliação: momento em que se discutirá a evolução e devem ser realizadas correções de rumo na estratégia de cuidado e proteção proposta. Essa reavaliação, como todas as etapas do PTS, deve incluir a perspectiva de todas as pessoas/usuários envolvidos. AS EQUIPES E OS SERVIÇOS ESPECÍFICOS PARA POPULAÇÕES EM CONDIÇÕES DE VULNERABILIDADE Você sabia que todos os trabalhadores do SUS são responsáveis pela atenção à saúde de populações que apresentem condições de vulnerabilidades sociais es- pecíficas? A AB tem a responsabilidade direta sobre ações de saúde em determina- do território, considerando suas singularidades, o que possibilita intervenções mais oportunas nessas situações específicas, com o objetivo de ampliar o acesso à RAS e ofertar uma atenção integral à saúde. Vamos conhecer agora algumas equipes e serviços específicos, no cam- po da saúde, com o foco nas populações que se encontram em condições de vulnerabilidade. Equipe de Consultório na Rua (eCR) As eCR são equipes de saúde da AB, multiprofissionais que desenvolvem ações integrais de saúde da população em situação de rua. Estas equipes atuam de forma itinerante (nas ruas), nas Unidades Básicas de Saúde doterritório e também, quando PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS 28 necessário, nas demais unidades do território (CAPS, CREAS, Centro POP, abrigos/ acolhimento institucional, entre outros). As eCR podem ter três tipos de modalidade, com 4, 6 ou 7 trabalhadores. Entre as profissões que podem compor as eCR estão: médico, enfermeiro, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, agente so- cial, técnico ou auxiliar de enfermagem, técnico em saúde bucal, cirurgião-dentista, profissional de educação física e profissional com formação em arte e educação. Estas equipes têm carga horária de 30h semanais e atendem (cada eCR) de 80 até 1000 pessoas em situação de rua. Um material complementar de referência para conhecer melhor o trabalho das eCR é o Manual sobre o Cuidado à Saúde junto à Po- pulação em Situação de Rua. CTA – Centro de Testagem e Aconselhamento O CTA é um serviço especializado na prevenção, promoção de saúde, diag- nóstico e cuidado integral do HIV, de outras IST e das hepatites virais e foi criado no final dos anos 1980 como uma das respostas à epidemia de aids no país. O papel dos CTA no SUS é estratégico para as ofertas das ações de Prevenção Combinada, incluindo a articulação e incorporação dessas intervenções nas RAS, principalmente com a Atenção Básica. Embora seja um serviço que recebe a popu- lação em geral, trabalha com o foco epidemiológico em populações mais vulneráveis e nas populações chave para a resposta ao HIV/aids (gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH); pessoas trans; pessoas que usam álcool e outras drogas; pessoas privadas de liberdade e trabalhadoras(es) sexuais), além de jovens, população negra, população indígena e população em situação de rua. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS 29 As ações ofertadas pelo CTA não podem ocorrer de modo desarticulado da rede, reforçando assim sua função junto aos demais serviços de saúde, potenciali- zando a incorporação das ações de prevenção combinada do HIV nas RAS, sobre- tudo no processo de descentralização das ações de prevenção, testagem e acon- selhamento para o HIV, para a sífilis e para as hepatites B e C na AB. Assim, sua relação com os demais serviços que trabalham tendo como base o território (UBS, CRAS, CREAS, CAPS, escolas, entre outros) é fundamental. Em geral, os CTA estão situados em municípios de médio e grande porte. Para saber mais como funciona um CTA, assista o vídeo. Para complementar os seus conhecimentos sobre os CTAs, leia: Agenda Estratégica para Ampliação do Acesso e Cuidado Integral das Populações-Chave em HIV, hepatites virais e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. Serviços de Atenção Especializada em IST, HIV/aids e hepatites virais (SAE) Além dos CTA, existe outro tipo de serviço especializado na atenção ao HIV/ aids, às hepatites virais, outras IST e hanseníase. Os SAE estão localizados na aten- ção secundária e oferecem ações de atenção integral para as pessoas diagnostica- das com esses agravos. O SAE é um serviço de Atenção Secundária. Em que pese que a prevenção, o diagnóstico e o tratamento tenham preferen- cialmente a Atenção Básica como organizadora do cuidado, os SAE possuem equi- pes especializadas que, em geral, não se encontram na Atenção Básica, tais como infectologistas, hepatologistas, pediatras, farmacêuticos, psicólogos e assistentes PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS 30 sociais especializados nos agravos, dentre outros. Uma das funções dos SAE, além de oferecer o tratamento em si, é realizar o Apoio Matricial para a Atenção Básica. Dentro dos SAE, em geral, existem as Unidades Dispensadoras de Medica- mentos (UDM) específicas para o tratamento do HIV/aids. As pessoas com HIV/aids, hepatites virais e/ou outras IST, após diagnostica- das, possuem uma vinculação com os SAE sobretudo relacionada à adesão ao tra- tamento, à realização de exames periódicos e a consultas. Nesse processo, a ofer- ta de ações para a inclusão e melhoria do acesso são cruciais para a adesão, tais como os encaminhamentos para benefícios sociais, previdência, transporte, entre outros, que comumente são conduzidos por profissionais da assistência social que compõem as equipes desse tipo de serviço. Nesse contexto, novamente se apre- senta como crucial a aproximação entre o SUS e o SUAS, tendo em vista que a ar- ticulação entre os profissionais do Serviço Social, do SAE, Nasf AB, CRAS e CREAS pode, de modo articulado e colaborativo, viabilizar as formas mais oportunas para que a população tenha acesso a esses benefícios. Equipe de Atenção Básica Prisional (eABP) As eABP são equipes de Atenção Básica multiprofissionais com respon- sabilidade de articular e prestar atenção integral à saúde das pessoas privadas de liberdade. Prestam atenção integral, o que envolve o conjunto de ações de promoção, proteção, prevenção, assistência, recuperação e vigilância em saúde, executadas nos diferentes níveis de atenção. Atuam em unidades prisionais e/ ou outras unidades onde as pessoas estejam custodiadas. As eABP podem ser compostas por enfermeiro, médico, técnico ou auxiliar de enfermagem, cirurgião- -dentista e técnico ou auxiliar de saúde bucal, psiquiatra ou um médico com ex- periência em Saúde Mental, um psicólogo, um assistente social, terapeuta ocu- pacional, psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista, farmacêutico, assistente social, entre outros profissionais de saúde. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA 3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS 31 Para conhecer mais publicações específicas sobre o trabalho dessas equipes, acesse. Equipe de Saúde da Família Ribeirinha (eSFR) São equipes de AB que desempenham parte significativa de suas funções em UBS construídas nas comunidades localizadas em áreas cujo acesso se dá por meio fluvial e que, pela grande dispersão territorial, necessitam de embarcações para atender as comunidades dispersas no território. Essas equipes estão localiza- das na Amazônia Legal e no Pantanal sul mato-grossense. A eSFR é composta por médico, enfermeiro, auxiliar ou técnico de enfermagem, podendo ainda fazer parte da equipe o Agente Comunitário de Saúde e o de Combate às Endemias, cirurgião- -dentista e técnico ou auxiliar em saúde bucal. Conheça mais sobre o trabalho destas equipes assistindo ao vídeo. Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF) e as Equipes de Saúde da Família Fluviais (eSFF) As Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF) são responsáveis por comuni- dades dispersas, ribeirinhas e pertencentes à área adstrita, cujo acesso se dá por meio fluvial. A equipe que atua na embarcação (UBSF) é composta, minimamente, por um médico, um enfermeiro, um técnico de saúde bucal e um bioquímico ou téc- nico de laboratório. São equipes de AB específicas para este recorte populacional PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AULA3 – AS “FERRAMENTAS” PARA CONSTRUIR A ABORDAGEM MULTISSETORIAL PARA O CUIDADO DAS PESSOAS COM HIV, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE, TUBERCULOSE OU SÍFILIS 32 e visam garantir a maior qualidade do cuidado e resolutividade, considerando a es- pecificidade territorial de cada população ribeirinha, com todas as suas especifici- dades. Para operacionalizar a atenção à saúde das comunidades ribeirinhas disper- sas no território de abrangência, onde a UBS Fluvial não conseguir aportar, a eSFF poderá contar com unidades de apoio, pequenas estruturas que permitam a equipe espaço adequado para realizar as ações em saúde. Conheça mais sobre o trabalho destas equipes assistindo ao vídeo. Caro cursista, pudemos conhecer as diferentes ofertas do SUS para as po- pulações mais vulneráveis e suas necessidades específicas. Você conhecia essas equipes e serviços? É importante destacar que todas as equipes da Atenção Básica têm condi- ções de oferecer ações para a prevenção, diagnóstico, tratamento e cuidado inte- gral quanto às IST, HIV/aids, hepatites virais, tuberculose e hanseníase. E o papel dos especializados (SAE e CTA) é de apoio matricial e atendimento de casos es- pecíficos (que requerem especialidade). PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS 33 AULA 4 – CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS Olá, cursista! Depois de ter compreendido um pouco mais sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), mostraremos a você o que é o Sistema Único de Assistência Social – SUAS. Nesta aula vamos percorrer o caminho do SUAS e os aspectos que são peculiares a este sistema. Você conhece o SUAS? Sabe quais são seus objeti- vos e a quem está destinado? Já pensou sobre a importância da assistência social e de sua articulação com o SUS? Tem conhecimento dos níveis de proteção social e do Cadastro Único para Programas Sociais? Vamos conhecer mais e aprofundar nosso entendimento sobre este tema? Vamos seguir! O QUE É O SUAS, SEUS OBJETIVOS E PÚBLICO O Sistema Único de Assistência Social – SUAS – é responsável pela organi- zação e gestão, de forma descentralizada e participativa, das ações, programas, projetos, serviços e benefícios da Política Pública de Assistência Social em todo o território nacional. Isso significa dizer que o SUAS articula recursos dos municí- pios, estados e União para o financiamento e a execução da Política Nacional de Assistência Social. Este Sistema Único, integrado pelos entes federativos, pelos conselhos de as- sistência social e pelas entidades e organizações de assistência social, teve sua im- plementação iniciada no ano de 2005 com a edição da Norma Operacional Básica do SUAS (NOB/SUAS), mas foi em 2011 que a Lei nº 8.742, de 1993, Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), foi alterada pela Lei nº 12.435, reconhecendo que a PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS 34 gestão da Política Pública de Assistência Social ocorre por meio de um sistema descentralizado e participativo, o SUAS. O SUAS consolida a assistência social como política pública, permitindo am- pla adesão e unidade de direção. É um sistema articulador de ações de proteção social, que regula a oferta de serviços, benefícios e ações de caráter continuado ou eventuais. O trabalho realizado no SUAS observa a lógica de ações hierarquizadas, executadas e providas pelo Estado e em articulação com a sociedade civil. Os objetivos do Sistema Único de Assistência Social estão elencados no Art. 6º da LOAS, então vamos conhecê-los? ��������������������������������������������������� ��� ��������������������������������� ����������������������������������� ��������������� �������������� ������ ������������������� ���������������������������������������� � ����������������������������� ���������� ���� ���������� �������������������������� ���������������������������������������� ��������������������������������������������������� ����������������� ���������� � ���������������������������� ������������������������ ������������ ������������� ������������������ �������������������������������� ������������������������������������������������������������������������������ ������������������������������������� ����������������� ����������� ���������������������������������������������������� PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS 35 É importante acrescentar que a Política Nacional de Assistência Social ope- racionalizada pelo SUAS também tem seus objetivos definidos na Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS, sendo eles: Ŋ PROTEÇÃO SOCIAL às famílias e indivíduos em situação de vulnerabilidade so- cial, de risco social, de violação de direitos e de violência, por meio da oferta inte- grada de serviços, benefícios, programas e projetos socioassistenciais; Ŋ VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL que visa analisar nos territórios a ocorrên- cia de vulnerabilidades/riscos sociais/violação de direitos/ violência e a capaci- dade protetiva das famílias e indivíduos; Ŋ DEFESA DE DIREITOS que visa garantir o pleno acesso aos direitos no conjunto das provisões socioassistenciais (BRASIL, 2011). É importante lembrar que, antes da Constituição de 1988, a Assistência Social era materializada pelas ações de caridade, movidas pela boa vontade ou senti- mento de compaixão pelos pobres. Havia um forte apelo ao voluntariado, especial- mente relacionado à figura das primeiras damas. A Assistência Social ingressou no rol de Políticas Públicas a partir da Constituição Federal de 1988, quando foi consolidada como direito, que deve ser assegurado a quem necessitar, indepen- dentemente de contribuição. Você sabia que a Política de Assistência Social, além das unidades públicas, é executada também por entidades e organizações sociais sem fins lucrativos que prestam atendimento e assessoramento aos beneficiários desta política e formam a rede privada de assistência social? O trabalho desenvolvido pelas entidades e orga- nizações privadas fortalece a consolidação da assistência social como direito. Mas quem é o público da Política de Assistência Social? A Política de Assistência Social é destinada a quem dela necessitar, espe- cialmente para cidadãos e cidadãs ou grupos de pessoas que se encontrem em si- tuações de vulnerabilidade e riscos, tais como: famílias e indivíduos com perda ou fragilidade de vínculos de afetividade, pertencimento e sociabilidade; identidades PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS 36 estigmatizadas em termos étnico, cultural e sexual ou em razão de deficiências; pessoas em exclusão pela pobreza e/ou por dificuldade de acesso às demais po- líticas públicas; pessoas em uso de substâncias psicoativas; pessoas que estejam sofrendo diferentes formas de violência; grupos e indivíduos com inserção precária ou não inserção no mundo do trabalho; ou pessoas que se encontrem em diferen- ciadas estratégias e alternativas de sobrevivência que representem risco pessoal e social (PNAS, 2004). Identidades estigmatizadas em termos étnico e cultural São grupos populacionais que possuem formas próprias de organização social, ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição. Muitas vezes esses povos vivenciam situações de conflitos agrário, fraca ou nula capacidadede produção da vida material de acordo com seus costumes e tradições, confinamento em terras inférteis, ausência de saneamento básico ou qualquer infraestrutura básica, como ponto de água e energia, ausência de políticas públicas e vivências de discriminação étnica e cultural. Esses são os fatores que os colocam em situação de risco e vulnerabilidade social, tornando-os público das ofertas da assistência social e de outras políticas setoriais, como, por exemplo, a de saúde. Você sabia que fatores sociais relacionados a condições de vida e de trabalho, à disponibilidade de alimentos e ao acesso a ambientes e serviços essenciais podem PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS 37 ser determinantes para favorecer ou prejudicar as condições de saúde ou o trata- mento adequado de doenças? Esse pode ser um indicativo de que as “pessoas em desvantagem social correm um risco diferenciado, criado por condições habitacio- nais mais humildes, exposição a condições mais perigosas ou estressantes de traba- lho” e acesso menor aos serviços públicos (BUSS; PELLEGRINI FILHO, 2007, p. 84). Por isso, a importância da delimitação do público prioritário dos serviços socio- assistenciais se justifica pelas características que esta parcela da população apre- senta, as quais podem ampliar o risco e os impactos de ocorrência de condições inadequadas de vida e de acesso a direitos essenciais como saúde, educação, mo- radia, alimentação adequada, renda, dentre outros. A figura a seguir ilustra alguns dos usuários do SUAS. Figura 2 – Usuários do SUAS Fonte: Ministério da Cidadania, 2021. Disponível em: Apresentação da SNAS sobre o PAIF. Acesso em: 27 abr. 2021. Descrição: A figura mostra pessoa com deficiência, pessoa indígena, idosos, debaixo de um guarda-chuva que representa o SUAS. Agora, vamos conhecer mais sobre o SUAS? Então, assista ao vídeo sobre o funcionamento do Sistema Único de Assistência Social que está disponível no link a seguir. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS 38 Como funciona o Sistema Único de Assistência Social. Agora que você já aprofundou seus conhecimentos sobre o funcionamento do SUAS, vamos seguir e voltar nossa atenção para as proteções sociais asseguradas pelo SUAS. Você tem conhecimento delas e de sua relevância? AS PROTEÇÕES SOCIAIS ASSEGURADAS PELO SUAS: CONCEITOS E FUNCIONAMENTO DOS NÍVEIS DE PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA E PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL DE MÉDIA E ALTA COMPLEXIDADE Você sabia que os serviços do SUAS estão organizados e estruturados na Ti- pificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais, aprovada pela Resolução do Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS nº 109, de 2009? A organização e a oferta dos serviços, programas, projetos e benefícios do Sistema Único de Assis- tência Social estão estruturadas em dois tipos de proteção social. São elas: A Proteção Social Básica que se destina à prevenção de riscos sociais e pes- soais, por meio da oferta de programas, projetos, serviços e benefícios a indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade social; A Proteção Social Especial que oferta atenção especializada a famílias e indi- víduos que já se encontram em situação de risco e que tiveram seus direitos violados por ocorrência de abandono, violência, abuso sexual, uso de drogas, entre outros. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS 39 Veremos, no infográfico a seguir, as unidades de referência e os serviços e programas ofertados no âmbito das Proteções Sociais Básica e Especial do SUAS. A Proteção Social Especial – PSE – se divide em PSE de Média Complexidade e PSE de Alta Complexidade. ����������������������� ���������������������� �������������������������������� ������������������� ������������ ���� ���� ������������ ���������� ������������������������������������������� ����� ����������� ���������� ���� ���� ����������� ����� ������������������������������������ ���� ���������������������������������������������������������� ����������� ����� ����������������������������� ����� ������������������������������� ����������������� ������ ������������������������ ������������������ ����������������������� ���������������������������������� ������������ ���������� ��������������������������������������������������������� ������ ���������� ����������� ��������� ���� ���� ����������� ����� ������������������������������ ������������������������� ������ ����������������� ����������������������� ������� ��������������������������������������� ��������������������������� ���������������� �������� ���������������������������������������� ����������������� ������������������������������������������������� ������������������������������������������������������ �� �������������������������� ��� �������������������������������������������������� ����������������� ������ ���������������� � ����������������������������������������������� ������� ����������� ������������������������� ��� ������������������������������������������������ � ������������ ���������� ������������������� �������� �������� ������� �������������������� ������������������������������������ ���������������������������������� �������������������������������������������� ����������� ����� ������������������������������ ����������������������� ��������� ���� ���� PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS 40 ����������������������� ���������������������� �������������������������������� ������������������� ������������ ���� ���� ������������ ���������� ������������������������������������������� ����� ����������� ���������� ���� ���� ����������� ����� ������������������������������������ ���� ���������������������������������������������������������� ����������� ����� ����������������������������� ����� ������������������������������� ����������������� ������ ������������������������ ������������������ ����������������������� ���������������������������������� ������������ ���������� ��������������������������������������������������������� ������ ���������� ����������� ��������� ���� ���� ����������� ����� ������������������������������ ������������������������� ������ ����������������� ����������������������� ������� ��������������������������������������� ��������������������������� ���������������� �������� ���������������������������������������� ����������������� ������������������������������������������������� ������������������������������������������������������ �� �������������������������� ��� ����������������� ������ ���������������� � ����������������������������������������������� ������� ����������� ������������������������� ��� ������������������������������������������������ � ������������ ���������� ������������������� �������� �������� ������� �������������������� ������������������������������������ ���������������������������������� �������������������������������������������� ����������� ����� ������������������������������ ����������������������� ��������� ���� ���� �������������������������������������������������� Você sabia que os usuários da Política de Assistência Social recebem aten- dimento ou acompanhamento, conforme o caso, de forma integrada dentro da Rede de Proteção Socioassistencial? Esses conceitos fazem parte do Trabalho So- cial com Famílias realizado no SUAS e serão aprofundados na próxima aula quando tratarmosdas unidades e serviços da Proteção Social Básica. Agora, vamos falar sobre o Cadastro Único para Programas Sociais do Gover- no Federal, que é um instrumento muito importante para identificação da realida- de socioeconômica das famílias de baixa renda para que estas sejam inseridas em programas sociais do governo federal, estadual e municipal. Vamos lá? PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS 41 CADASTRO ÚNICO PARA PROGRAMAS SOCIAIS DO GOVERNO FEDERAL Figura 3 – Entrevista no Cadastro Único Fonte: Ministério da Cidadania, 2021. Acesso em: 26 abr. 2021. Descrição: Uma usuária do Cadastro Único, acompanhada de uma criança sendo atendida pela entrevistadora. O Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal é um instru- mento de identificação e caracterização socioeconômica das famílias brasileiras de baixa renda. Você sabia que este instrumento, criado em 2001, foi regulamentado pelo Decreto nº 6.135, de 26 de junho de 2007? Ele é utilizado pelo Governo Fede- ral, de forma obrigatória, para seleção de beneficiários e beneficiárias de programas sociais. Sabia que só até junho de 2020, já havia mais de 28 milhões de famílias ca- dastradas no Cadastro Único? Quando se realiza o cadastro, o sistema atribui o Número de Identificação So- cial – NIS – para cada um dos membros da família. O NIS é de caráter único, pessoal e intransferível e é por meio desse número que o indivíduo ou a família se inscreve para acesso aos diversos programas sociais do Governo Federal, como, por exem- plo, o Programa Bolsa Família; o Programa Minha Casa, Minha Vida; Tarifa Social de Energia Elétrica; Carteira do Idoso; dentre outros. Sabe quais são os critérios para inscrição no Cadastro Único? Poderão se ca- dastrar as famílias ou indivíduos cuja renda familiar mensal, per capita, seja de até PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS 42 meio salário-mínimo ou que a soma da renda familiar mensal não ultrapasse três salários-mínimos. E onde realizar o cadastramento? O cadastramento pode ser re- alizado nos postos do cadastro único do município, que pode estar localizados no CRAS ou em outros locais. O cadastramento pode ser feito por meio de visitas re- alizada pelo(a) entrevistador(a) do Cadastro Único à família. O(a) entrevistador(a) pode realizar a visita domiciliar junto com as equipes do CRAS, bem como com as equipes volantes. Aprenderemos mais sobre as equipes volantes na próxima aula! Vamos conhecer mais sobre o cadastro único? Acesse o vídeo intitulado “Co- nheça o Cadastro Único”, disponível na plataforma e no link abaixo, e se atualize sobre informações de grande relevância acerca desse instrumento tão importante para acesso a direitos. Conheça o Cadastro Único. Depois de ter assistido ao vídeo, vamos conhecer um pouco mais sobre o Ca- dastramento Diferenciado realizado no Cadastro Único! A Portaria Ministerial nº 177, de 26 de junho de 2011, trata, dentre outros assun- tos, do Cadastramento Diferenciado, que se refere ào processo de coleta de dados e inclusão, no Cadastro Único, de famílias e grupos populacionais que apresentem características socioculturais e/ou econômicas específicas que demandem formas especiais de cadastramento. O Cadastro Único busca dar visibilidade ao público mais vulnerável e, por isso, criou estratégias para a identificação dos Grupos Populacionais Tradicionais e Es- pecíficos – GPTEs – em suas variáveis, o que possibilita a elaboração de diagnós- ticos e o planejamento das ações nos serviços socioassistenciais, além da criação de programas e projetos específicos. Sabe quais são eles? PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS 43 São grupos compostos por famílias indígenas, quilombolas, extrativistas, ribei- rinhas, assentadas da Reforma Agrária, agricultores familiares ou pessoas em situ- ação de rua, dentre outros. Fique por dentro das informações sobre o cadastramento diferenciado para Grupos Populacionais Tradicionais e Específi- cos! Acesse o caderno Diversidade no Cadastro Único - Respei- tar e Incluir. O Cadastro Único também reservou um bloco do seu formulário para o preen- chimento de informações sobre a existência de pessoas com deficiência no núcleo familiar. Sabia que, no Cadastro Único, a deficiência é entendida como a perma- nente inabilidade da pessoa de realizar uma ou mais atividades do dia a dia, como comunicar-se, cuidar de si, trabalhar, ir à escola, em função da diminuição de algu- ma capacidade, como enxergar, ouvir, movimentar-se, dentre outras? O formulário apresenta os seguintes campos para marcação: Ŋ cegueira; Ŋ baixa visão; Ŋ surdez severa/profunda; Ŋ surdez leve/ moderada; Ŋ deficiência física; Ŋ Deficiência mental ou intelectual; Ŋ síndrome de Down; PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONHECENDO O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS 44 Ŋ transtorno ou doença mental. Pessoas que apresentarem doenças crônicas como, por exemplo, câncer, aids, entre outras, e também os beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que recebem o benefício por apresentarem doenças incapacitantes, poderão ser identificadas em uma das opções listadas no formulário, caso venham a sofrer limi- tações decorrentes dessas enfermidades para a realização das atividades diárias. Gostou de saber mais sobre essas especificidades do Cadastro Único? Para finalizar esta aula, você está convidado(a) a acompanhar, no Ambiente Virtual de Aprendizagem ou na biblioteca do nosso curso, o minicaso em quadri- nhos “A família vai crescer!”, em que a gestante Jéssica e o seu companheiro Ricardo formarão uma nova unidade familiar no Cadastro Único. Neste minicaso, a gestante comparecerá ao posto de atendimento do Cadastro Único no Centro de Referên- cia de Assistência Social – CRAS – para realizar o cadastramento. Ela também será atendida e orientada pela médica da equipe de saúde da família sobre a realização do pré-natal e sobre a importância do cumprimento da condicionalidade de saúde do Programa Bolsa Família. Minicaso: A família vai crescer! Gostou do minicaso? Compreendeu a importância da articulação entre a equi- pe da Assistência Social e a equipe de Saúde no território para a efetivação de pro- gramas intersetoriais como o Programa Bolsa Família? Chegamos ao final desta aula em que você conheceu o Sistema Único de As- sistência Social, as Proteções Sociais e o Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal. A partir daqui, iremos compreender como se forma a rede de Proteção Social no SUAS, organizada pela porta de entrada que é o CRAS. As por- tas da Aula 5 estão abertas. Vamos lá? PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 45 AULA 5 – AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE Olá, cursista! Agora que entendemos sobre a organização do SUAS, seus prin- cípios, escopo e sua localização no Sistema de Proteção Social, convidamos você a conhecer um pouco mais sobre os serviços, programas e particularidades do acompanhamento que caracterizam as ofertas socioassistenciais, o que contribui para instrumentalizar as possibilidades de articulação em rede. Você conhece os serviços e unidades de atendimento da PSB e da PSE de Mé- dia Complexidade? Quais as diferenças entre os formatos de atendimento dessas duas proteções?Quais os tipos de situações atendidas? Quais as características dos públicos atendidos e de que forma essas especificidades impactam o atendi- mento? Essas são perguntas centrais a que se pretende responder nesta aula! A PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA (PSB) E SUAS OFERTAS Olá, cursista! Agora, conheceremos os serviços que compõem a Proteção So- cial Básica no SUAS, o Trabalho Social com Famílias, os conceitos de atendimento, acompanhamento e encaminhamento, o Plano de Acompanhamento Familiar (PAF) e os fluxos de organização na rede de Proteção Social Básica. A Proteção Social Básica tem sua atuação orientada à prevenção da ocorrência de situações de risco ou de violações de direitos, por meio de ofertas e intervenções que ampliam a capacidade protetiva das famílias e da comunidade. Suas ações têm caráter preventivo, protetivo e proativo. Isso significa que a atuação da PSB no território pretende desenvolver as potencialidades das famí- lias e dos indivíduos que são usuários da Política de Assistência Social, visando ao PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 46 fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. A principal unidade públi- ca de referência é o Centro de Referência de Assistência Social – CRAS (ARAÚJO, 2020). E é dele que falaremos agora! Vamos lá? Centro de Referência de Assistência Social – CRAS O Centro de Referência de Assistência Social é a unidade básica territorial res- ponsável pela organização e oferta de serviços da proteção social básica do SUAS nas áreas de vulnerabilidade e risco social dos municípios e DF. Em razão de sua localização e capilaridade nos territórios, esta unidade socioassistencial “se carac- teriza como a principal porta de entrada do SUAS, ou seja, é uma unidade que pos- sibilita o acesso de um grande número de famílias à rede de proteção social de as- sistência social” (BRASIL, 2009, p. 11). O Centro de Referência de Assistência Social, assim como as demais uni- dades de assistência social, devem contar com uma equipe de referência com vínculo efetivo e estável, a fim de que haja uma relação de confiança, segurança e estabilidade entre esses profissionais e os usuários e usuárias da política de assistência social. Quer conhecer mais sobre as equipes de referência do SUAS? Vá até a biblioteca do nosso curso e leia a NOB-RH/SUAS e as Reso- luções do CNAS nº 17/2011 e nº 09/2014. Você sabia que as equipes que atuam nos serviços, programas, projetos e be- nefícios da Política de Assistência Social são compostas por diversas categorias pro- fissionais como, por exemplo, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacio- nais, pedagogos, além de trabalhadores(as) de ensino fundamental e médio, como PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 47 educador ou orientador social? Por isso, compreender os conceitos de Assistente Social, Serviço Social e Assistência Social é fundamental para reconhecermos que a Política Pública de Assistência Social é realizada por meio da junção de saberes e competências diversas! Quer conferir esses conceitos? Há um texto muito interes- sante na biblioteca esperando por sua leitura! É o texto “Serviço Social, assistência social, assistente social: você sabe a diferença?”. Gostou da leitura? Compreendeu bem os conceitos? Daremos continuidade à nossa aula falando sobre as principais competências do CRAS. Vamos lá? Dentre as principais competências do CRAS está a oferta exclusiva do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) e a gestão territorial da rede socioassistencial de PSB. A gestão territorial compreende: a articulação da rede so- cioassistencial referenciada ao CRAS; a promoção da articulação intersetorial; e a busca ativa – todas realizadas no território de abrangência dos CRAS. A promoção da articulação intersetorial propicia o diálogo da política públi- ca de assistência social com as demais políticas e setores e o acesso das famílias aos serviços setoriais. Ela potencializa os objetivos das agendas sociais interseto- riais e contribui para a definição da prioridade de acesso aos serviços públicos pe- las famílias em situação de maior vulnerabilidade social. A busca ativa é comparada ao ato de a equipe socioassistencial colocar uma lupa no território para identificar as famílias que estão em situação de risco e vul- nerabilidade social com o intuito de orientá-las e convidá-las a se inserir nos pro- gramas, projetos e benefícios socioassistenciais do SUAS. Além disso, é relevante para identificar potencialidades e recursos culturais, econômicos, sociais, oferta de serviços setoriais e acesso da população a esses serviços. A busca ativa realizada no SUAS é um trabalho semelhante ao que é realizado pela equipe de saúde da família, especialmente pelo agente comunitário de saúde que realiza visitas às famílias para orientações e encaminhamento para tratamento de saúde. Essa é uma importante ferramenta de proteção social, pois disponibiliza informações essenciais para o planejamento local, definição de projetos coletivos e PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 48 para a ação preventiva da Proteção Básica, permitindo assim compreender melhor a realidade social para nela atuar. Para que a gestão do território seja orientada para a definição de fluxos, acom- panhamento de demandas e solução das questões trazidas pelos usuários, é ne- cessário que a coordenação do CRAS tenha um adequado conhecimento do terri- tório. Por isso, enfatiza-se a importância da articulação com a equipe de vigilância socioassistencial no município. Esta equipe poderá munir a coordenação do CRAS de informações essenciais para o encaminhamento dos usuários à rede de Prote- ção Socioassistencial existente no Território, bem como para o encaminhamento a outras políticas setoriais. Território O conceito de território abrange as relações de reconhecimento, afe- tividade e identidade entre os indivíduos que compartilham a vida em determinada localidade, não se restringindo à delimitação espacial, mas a um espaço de relações humanas em que se expressam a solidarieda- de, a extensão das relações familiares para além da consanguinidade, o fortalecimento da cumplicidade de vizinhança e o desenvolvimento do sentimento de pertença e identidade (Caderno de Orientações Técnicas do Centro de Referência de Assistência Social – CRAS, 2009). Pensar na política pública a partir do território exige também um exercício de revis- ta à história e ao universo cultural da população que vive nesse território, seja ele urbano ou rural, como, por exemplo, o de grupos populacionais tradicionais e específicos (GPTE), que vimos no tópico relacionado ao cadastro único diferenciado. Por falar em território e equipes, você lembra que na aula sobre as “ferramen- tas” para construir a abordagem multissetorial para o cuidado das pessoas com HIV, hepatites virais, hanseníase, tuberculose ou com sífilis vimos que o Sistema Único PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 49 de Saúde possui equipes como a Equipe de Saúde da Família Ribeirinha (eSFR) e Equipes de Saúde da Família Fluviais (eSFF) destinadas ao atendimento de públicos específicos em territórios de difícil acesso? O Sistema Único de Assistência Social também possui equipes do Centro de Referência de Assistência Social específicas para atendimento a essepúblico! São as equipes volantes. Vamos conhecer um pouco sobre elas? Em municípios com território extenso, presença de localidades isoladas, de di- fícil acesso e com espalhamento populacional, a equipe técnica de referência do CRAS pode ser composta por equipes adicionais – concebidas e reguladas como equipes volantes. Esta equipe é formada por técnicos de nível superior, e nível médio, ou seja, para além da equipe tradicional, prevista na Norma Operacional de Recursos Humanos (NOB/RH/SUAS/2006) obrigatória para o CRAS, a equipe volante é mais uma equipe que se vincula ao CRAS para levar os serviços e ações da PSB para o mais próximo possível da moradia das famílias. E isto especialmen- te àquelas que, em função das distâncias a serem percorridas, têm dificuldades de se deslocarem até a sede do CRAS, como, por exemplo, famílias em áreas rurais ou comunidades tradicionais (como indígenas, quilombolas) ou, ainda, em localidades com calhas de rios, assentamentos, dentre outros. As equipes volantes se deslocam pelo território de abrangência do CRAS e seu principal objetivo é a oferta do PAIF às famílias que residam em locais que dificul- tem seu acesso à unidade CRAS. A Portaria MDS nº 303, de 08/11/2011 estabelece os objetivos da equipe volante e suas responsabilidades. Vamos conferir? Ŋ dar acesso, às famílias desses territórios, ao PAIF e a serviços de proteção básica que poten- cializem o PAIF; Ŋ realizar a busca ativa, contribuindo para o acesso das famílias a serviços do SUAS e de outros setores; Ŋ apoiar a atualização cadastral e inclusão no CadÚnico de famílias que vivem distantes do CRAS, especialmente das famílias em situação de pobreza e extrema pobreza. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 50 As equipes volantes devem realizar os encaminhamentos necessários para acesso à renda, aos serviços da Assistência Social e de outras políticas setoriais como saúde e educação, por exemplo, além de apoiar a inclusão e atualização ca- dastral das famílias no Cadastro Único. Já pensou em como as equipes volantes do SUAS e as equipes de saúde da família, ribeirinhas e fluviais podem se articular para desenvolverem um trabalho conjunto nos territórios? O trabalho realizado por essas equipes é muito importante, pois o acesso a áre- as antes não alcançáveis, ou pelo menos não regularmente alcançáveis, aumenta o número de famílias que se tornam visíveis para a equipe técnica do CRAS, desven- dando-se uma realidade plural distinta da realidade urbana. A instalação de equi- pes volantes representa um avanço de iniciativa de territorialização, como resposta à diversidade de território, o que permitiu aos Povos e Comunidades Tradicionais acessarem os serviços da Proteção Social Básica. Mas quais são essas ofertas da Proteção Social Básica? Assista ao vídeo “Quais serviços encontro no Centro de Referência de Assistência Social – CRAS?” Quais serviços encontro no Centro de Referência de Assistência Social – CRAS? Gostou do vídeo? Daremos seguimento à nossa aula aprendendo um pouco mais sobre o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), Servi- ço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV – e o Programa Acessuas Trabalho. Vamos lá? Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família – PAIF O Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família consiste no Trabalho Social com Famílias (TSF), de caráter continuado, com a finalidade de fortalecer a PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 51 função protetiva das famílias, prevenir a ruptura dos seus vínculos, promover seu acesso e usufruto de direitos e contribuir na melhoria de sua qualidade de vida. O público do PAIF é constituído por famílias territorialmente referenciadas ao CRAS, sendo, por exemplo, famílias vivendo em territórios com nulo ou frágil aces- so à saúde, à educação e aos demais direitos, em especial famílias monoparentais chefiadas por mulheres, com filhos ou dependentes. Famílias com moradia precária (sem instalações elétricas ou rede de esgoto, com espaço muito reduzido, em áreas com risco de deslizamento, vivenciando situações declaradas de calamidade públi- ca, dentre outras); com integrante que apresenta problemas de saúde que deman- dam do grupo familiar proteção e/ou apoios e/ou cuidados especiais (transtornos mentais, doenças crônicas etc), dentre outras, cujas condicionais de vida as coloca em vulnerabilidade e risco social. O conceito de família utilizado na Assistência Social é o descrito na PNAS (2004), sendo o conjunto de pessoas unidas, seja por laços consanguíneos, seja por laços afetivos e/ou de solidariedade. O serviço é baseado no respeito à heterogenei- dade dos arranjos familiares, aos valores, às crenças e às identidades das famílias. O TSF se destina a desenvolver potencialidades e aquisições das famílias e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, por meio de ações de caráter preventivo, protetivo e proativo. As aquisições e potencialidades significam o im- pacto em termos de autonomia e empoderamento que o TSF pode imprimir na vida das famílias e indivíduos, sendo, por exemplo: ganhos sociais e materiais às famí- lias;acesso a benefícios, programas de transferência de renda e serviços socioas- sistenciais; dentre outros. No infográfico a seguir, você verá uma síntese do TSF no PAIF. Vamos conferir? PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 52 ����� ������� ����������������������������������������� ���������������������������������� ������������� ������������� ����������� ������������������������������������������������������������������� �������� ��������������������������������������������������������������������������� ������������������������� � ����������������� ������������������������������������������������� ���������������������������� ����������������������������������������������������������� �������� ����������������������������������������������������������������������������� � ������������������������������������������������������������������������ ����������������������������������������� ���������� ��������������� �������������������������������������������������� �������������������������������������������������������� ���������������������������� ���������� ��������������������� ������ Para compreendermos um pouco mais sobre o trabalho social com famílias re- alizado no PAIF, precisamos distinguir dois conceitos básicos: o conceito de aten- dimento e o de acompanhamento. Vamos lá? Atendimento - Ação imediata de prestação ou oferta de atenção, com vistas a uma resposta qualificada de uma demanda da família ou do território. Significa a inserção da família, um ou mais de seus membros, em alguma das ações do PAIF: acolhida, ações particularizadas, ações comunitárias, oficinas com famílias e en- caminhamentos. Em todos os momentos em que os trabalhadores do SUAS iden- tificarem uma necessidade demandada pelas famílias, o atendimento e a atenção entram em cena. Acompanhamento - Inserção da família em um conjunto de intervenções de- senvolvidas de forma continuada, a partir do estabelecimento de compromissos entre famílias e os profissionais do serviço. No acompanhamento deve ser constru- ído o Plano de Acompanhamento Familiar – PAF. O PAF consiste em um método de intervenção, realizado pela equipe de re- ferência do CRAS, com ações continuadas e objetivos definidos junto com as fa- mílias que estão em acompanhamento, considerando a realização de mediaçõesPROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 53 periódicas e a inserção em ações do PAIF, a fim de superar gradativamente as vul- nerabilidades vivenciadas. Vamos conhecer agora as ações do PAIF! Veja no infográfico a seguir a siste- matização das ações. ���������������� ��������� �������� ������������������������������������������������������������������������������������� ������ ����������������������������� ������������� ����������� ������������������������������ �������������������������������� ����������������� �������������������������������������������������������� �������������������� ������������������������������������������������������ ������� ��������������������������������������������������������������� ���������������������������������� ���� ���� ���� �������������������������������������������������������� ��� ���������������������������������������������� ���������������������������������������������������� ����������� ��� ���� ���������������������������� ��������������������������������� ������������������ ��������������������������� �������������������� ��������������������������������������������������� ������������ ���������������������������������������������������������������� ������������������������������������������������� ������������������� ��������������������� ���������������������������������������� ����� ������������������� ����������������������� ������������ ������� ���� ��� � ��������������������������� ��������������� �������������� ������ ��������������������������������������������������������������� � ������������������� ���������������������������� ���������������� ������������������������������������� ������������� �� ��� ����������� ������������������������������������������������������ �������������������� ������������������������������������������� �������������������������������� ����������� ��������������� ������������������������������������������������������������ ��� ����������������������� Fonte: Elaboração baseada no caderno Orientações Técnicas sobre o PAIF – v. 2 (2012). O enfrentamento cotidiano da pobreza e das vulnerabilidades sociais é com- plexo, estrutural e multifacetado, por isso é importante se conjugar a totalidade de ações públicas voltadas para os sujeitos de direito! Fica a dica: as ações do PAIF dependem da intersetorialidade, da consolidação das redes locais e do envolvimen- to de equipes multiprofissionais. Agora você é convidado a ler o minicaso “Ação Comunitária do CRAS Roxo Verde”, que nos descreve uma ação comunitária organizada conjuntamente pelas equipes que atuam no território do CRAS, que proporcionou a participação da co- munidade em atividades que visavam a autonomia, o empoderamento e a diversão, mas também os cuidados com a saúde. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 54 Ação Comunitária do CRAS Roxo Verde O CRAS Roxo Verde oferta o serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família – PAIF, e dentre as ações deste serviço está a ação comuni- tária. As ações comunitárias envolvem toda a rede socioassistencial e intersetorial existente no território do CRAS. A mobilização da comuni- dade e o planejamento das ofertas na ação comunitária são feitos com antecedência para que esta alcance os objetivos esperados. Próximo ao Dia da Mulher, no ano de 2019, os técnicos de Nível Superior do CRAS Roxo Verde realizaram o planejamento e organização de uma ação comunitária destinada à população do bairro. Foi confirmada a pre- sença de parceiros da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer, da Secretaria Municipal de Saúde e do parceiro na área de aprendizagem. A Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, em parceria com a equipe do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos do CRAS, ofertaria apresentações de música, dança, teatro para os jovens e adultos e cama elástica e brincadeiras para crianças. O parceiro da área de aprendizagem ofertaria atividades de corte e es- covação de cabelo, manicure, produção de bijuterias para mulheres e corte de cabelo para os homens. Os técnicos da Secretaria de Saúde ofertariam escovação dental para crianças. Para as mulheres seria realizada uma oficina de cuidados com o corpo. E, por fim, a equipe do PAIF apoiaria nas palestras de sensibilização so- bre temas de interesse da comunidade. No dia agendado, a ação foi realizada no espaço da Escola Municipal do bairro Roxo Verde. A escola ficou lotada de famílias em busca de infor- mações e serviços disponibilizados. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 55 Durante a realização da oficina de cuidados com o corpo ofertada pela Equipe de Saúde da Família, uma enfermeira percebeu manchas seme- lhantes às da hanseníase em uma usuária do CRAS. Ao ser questionada sobre a sensibilidade no local das manchas, a usuária respondeu que não sentia dor, nem calor ou frio. A equipe de saúde prontamente orientou a usuária do CRAS e a enca- minhou para que procurasse o posto de saúde para o agendamento de uma consulta, pois a hanseníase é uma doença crônica, transmissível, que tem preferência pela pele e nervos periféricos, e que pode causar incapacidades e deformidades físicas, principais responsáveis pelo es- tigma e discriminação às pessoas acometidas. O momento também foi importante para orientar os familiares que par- ticipavam da ação juntamente com a usuária, assim como todos os pre- sentes, de que a transmissão da hanseníase se dá de uma pessoa doen- te sem tratamento para outra, após um contato próximo e prolongado, porém a doença tem cura e o tratamento é gratuito e ofertado pelo SUS em unidade de saúde – aquela mesma ali do bairro. A assistente social do PAIF também orientou que os serviços socioas- sistenciais ofertados no CRAS são destinados às pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade e risco social decorrentes de ausência de renda, desemprego, moradia e alimentação precárias, com vivência de discriminação, como por exemplo as pessoas acometidas por doenças estigmatizantes como a hanseníase. A iniciativa da ação comunitária organizada conjuntamente pelas equi- pes que atuam no território do Roxo Verde proporcionou, além de ati- vidades de autonomia, participação, informação e diversão aos partici- pantes, a identificação de uma necessidade de tratamento de saúde da usuária e também o compromisso de realizar o acompanhamento da família pelo PAIF. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 56 Gostou do minicaso? Viu como é importante uma boa gestão do território? É disso que falaremos agora! Vamos lá? Ao afirmar que o CRAS faz a gestão da PSB no território, isso significa que os demais serviços e programas da Proteção Social Básica, quando não ofertados di- retamente nessa unidade socioassistencial, devem estar referenciados a ela. Esse é o caso do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), que, mesmo quando ofertado por uma organização da sociedade civil – OSC – (entidade privada), deve estar referenciado ao CRAS. Estar referenciado significa estabelecer vínculo com o SUAS. Para saber mais sobre a articulação e os fluxos de trabalhos estabe- lecidos pelo CRAS no território, leia o “Caderno de Orientações do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família e Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – Articulação necessária na Proteção Social Básica”.Disponível em: Cartilha_PAIF_1605.pdf (mds.gov.br) Gostou de conhecer um pouco sobre o Trabalho Social com Famílias realiza- do no CRAS? Agora reflita: como anda esse trabalho no seu município? De que forma você, trabalhador(a) do SUS ou do SUAS, pode atuar para que mais famí- lias em situação de vulnerabilidade ou risco possam ter acesso a esse serviço? No vídeo “Quais serviços encontro no Centro de Referência de Assistência Social – CRAS?” foram apresentadas algumas características do SCFV. Vamos saber mais sobre ele? PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 57 Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV O SCFV é um serviço da PSB ofertado de forma complementar ao trabalho so- cial com famílias realizado por meio do Serviço de Proteção e Atendimento Integral às Famílias (PAIF) e do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado às Famí- lias e Indivíduos (PAEFI). Este serviço é realizado em grupos, segundo os ciclos de vida dos participan- tes, sendo eles: Ŋ crianças até 6 anos; Ŋ crianças e adolescentes de 6 a 15 anos; Ŋ adolescentes de 15 a 17 anos; Ŋ jovens de 18 a 29 anos; Ŋ adultos de 30 a 59; Ŋ e pessoas idosas a partir de 60 anos. É uma forma de intervenção social planejada, com o objetivo de promover a convivência e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, bem como estimular e orientar os(as) usuários(as) na construção e reconstrução de suas his- tórias e vivências individuais, coletivas e familiares. O SCFV tem ainda como objetivos estimular os(as) usuários(as) a reconhecer limites e possibilidades, construir projetos de vida, tomar decisões, exercitar esco- lhas, admirar as diferenças, dialogar para resolver conflitos, dentre outros. Este ser- viço pode ser ofertado no CRAS ou nos Centros de Convivência. Quem é o público do SCFV? O público do SCFV é constituído por crianças, adolescentes e pessoas idosas: em situação de isolamento; trabalho infantil; vivên- cia de violência e/ou negligência; fora da escola ou com defasagem escolar su- perior a 2 (dois) anos; dentre outros, que você pode conferir na Resolução CNAS nº 01, de 2 de fevereiro de 2013, que está lá na nossa biblioteca. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 58 Além disso, também fazem parte do público: crianças, adolescentes e idosos sem amparo da família e da comunidade ou sem acesso a serviços sociais, além de outras pessoas inseridas no Cadastro Único. Veja, na figura abaixo, algumas ações do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos. Figura 4 – Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos. Fonte: Página da Prefeitura de Guaraí - TO, 2021. Disponível em: Acesse o link. Acesso em 26 abr. 2021. Descrição: A figura mostra quatro fotos de ações do SCFV. Na primeira, as crianças fazem aula de balé; na segunda, aula de artes marciais; na terceira, aula de pintura e, na quarta, aula de violão. Para saber mais sobre o SCFV, leia o caderno “Perguntas Fre- quentes sobre o SCFV”. Agora falaremos do “Programa Acessuas Trabalho”, que também integra as ofertas da Proteção Social Básica realizadas no CRAS. Vamos lá? PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 59 Programa Acessuas Trabalho Você sabia que o Programa Nacional de Promoção do Acesso ao Mundo do Trabalho – Acessuas Trabalho – tem como objetivo promover o acesso dos usuários do SUAS ao mundo do trabalho por meio de informações e orientações sobre di- reitos e oportunidades? Ele também oferta ações que estimulem o reconhecimento de potencialidades e o desenvolvimento de habilidades, bem como a articulação com políticas setoriais. Figura 5 – Acessuas Trabalho Fonte: Blog da Rede SUAS – MC, 2021. Disponível em: http://blog.mds.gov.br/redesuas/ repactuacao-do-programa-acessuas-trabalho/. Acesso em: 26 abr. 2021. Descrição: A figura mostra o mapa do Brasil preenchido com desenhos de pessoas, ferramentas de trabalho, utensílios domésticos e lápis. Conforme o caderno de Orientações Técnicas do Acessuas Trabalho (2017): A Constituição Federal (CF), em seu art. 203, e a Lei Orgânica de Assistência Social, em seu art. 2º, elencam a “promoção da integração ao mercado de traba- lho” como objetivo da política pública de Assistência Social. O Acessuas Trabalho é o programa da Assistência Social que concretiza o objetivo elencado na CF e na legislação, sendo, portanto, a ação relativa à promoção do acesso ao mundo do trabalho no âmbito do SUAS (BRASIL, 2017, p. 15). PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 60 Quem é o público do Programa Acessuas Trabalho? O Acessuas tem como público de suas ações a população urbana e/ou rural, em situação de vulnerabilidade e risco social, residente em municípios integrantes do Programa, com idade de 14 a 59 anos. Tem prioridade para a participação os usuários de serviços, projetos, programas de transferência de renda e benefícios socioassistenciais, com atenção especial para os seguintes segmentos: Ŋ Beneficiários do Programa Bolsa Família; Ŋ Pessoas inscritas no CadÚnico; Ŋ Pessoas com deficiência; Ŋ Jovens e adultos do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) e egressos; Ŋ Adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas, egressos e suas famílias; Ŋ Famílias com presença de situação de trabalho Infantil; Ŋ Famílias com pessoas em situação de privação de liberdade; Ŋ Famílias com crianças em situação de acolhimento provisório; Ŋ População em situação de rua; Ŋ Adolescentes e jovens no serviço de acolhimento e egressos; Ŋ Indivíduos e famílias residentes em territórios de risco, em decorrência do tráfico de drogas; Ŋ Indivíduos egressos do Sistema Penal; Ŋ Pessoas retiradas do trabalho escravo; Ŋ Mulheres vítimas de violência; Ŋ Jovens negros em territórios de risco; Ŋ Adolescentes vítimas de exploração sexual; Ŋ Comunidades e Povos Tradicionais; Ŋ População lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais - LGBTT; Ŋ Dentre outros, para atender especificidades territoriais e regionais. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 61 Como é realizado o trabalho no Acessuas? Os usuários com perfil para participação no Acessuas são identificados, sensi- bilizados e encaminhados para participarem das oficinas temáticas que têm como objetivo o desenvolvimento de habilidades e orientação para o mundo do trabalho. As oficinas do Acessuas têm o intuito de promover nos participantes o reconheci- mento de suas potencialidades, saberes e áreas de interesse em relação ao mundo do trabalho. Além disso, é realizado um mapeamento das oportunidades de traba- lho existentes no território. É importante esclarecer que o Acessuas Trabalho não atua di- retamente na qualificação profissional e inclusão produtiva, mas na mobilização, orientação, preparação, encaminhamento e acompa- nhamento de seus usuários. Depois de ter compreendido as ofertas da PSB, trataremos agora da Proteção Social Especial de Média Complexidade. LOCALIZANDO A ATUAÇÃO DA PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL NO SUAS: PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE Agora que conheceu as principais características dos serviços e atendimen- tos realizados no âmbito da PSB, convidamos você a identificar as particularida- des e especificidadesdo acompanhamento socioassistencial às situações de risco, PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 62 violência e demais formas de violação de direitos realizado pelos serviços da PSE de Média Complexidade. A divisão estabelecida no modelo organizacional do SUAS, entre a Proteção Social Básica e Especial, se pauta no princípio de que a realidade social brasileira é marcada por extremas desigualdades e heterogeneidades culturais, regionais, situ- acionais e identitárias, em que indivíduos e famílias acabam por vivenciar cenários e experiências de vulnerabilidades e riscos sociais e pessoais muito distintos. Dentro desse contexto, a Proteção Social Especial (PSE) é a modalidade de atendimento voltada a ofertar um conjunto de serviços, programas e projetos que têm por obje- tivo contribuir para a reconstrução de vínculos familiares e comunitários, a defesa dos direitos, o fortalecimento das potencialidades e a proteção de famílias e indiví- duos para o enfrentamento das situações de risco e violação de direitos. Como já vimos na aula anterior, para garantir a cobertura das inúmeras situ- ações de violações, a PSE se divide em dois níveis de complexidade: média e alta complexidade. De acordo com a PNAS (2004), são considerados serviços de mé- dia complexidade aqueles que oferecem atendimentos às famílias e indivíduos com seus direitos violados, mas cujos vínculos familiar e comunitário não foram rompidos. A Proteção Social Especial de Alta Complexidade tem como objetivo ofertar serviços especializados, em diferentes modalidades e equipamentos, com vistas a assegurar o acolhimento a indivíduos e/ou famílias com fragilização ou rompimento de vín- culos familiares ou, ainda, que necessitam ser afastados temporariamente de seus contextos familiares ou comunitários para que lhes seja garantida a sua proteção. Desse modo, no desenho do SUAS, as intervenções foram definidas considerando o agravamento e a natureza das situações de violação de direitos. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 63 Pensando conceitos: risco, violência e demais formas de violação de direitos Antes que possamos delimitar especificamente as características do trabalho social de cunho especializado, que é realizado no campo da Proteção Social Especial, é de extrema importância que você saiba re- conhecer e identificar um conjunto de conceitos que marcam o espaço de atuação desta proteção no SUAS. Primeiramente, é importante destacar que, para o trabalho social de- senvolvido pelas equipes especializadas do SUAS, as situações de ris- co, violência e demais formas de violação de direitos estão para além da dimensão pessoal, entendendo que estas se fazem mais frequentes em populações em situação de vulnerabilidade, não só devido à ren- da, envolvendo mais profundamente aqueles/as que se encontram mais abaixo nas hierarquias sociais, mas também devido a identidades mar- ginalizadas socialmente, estigmas e outras situações que marcam his- toricamente os grupos mais vulnerabilizados e excluídos socialmente. Nesse contexto de referencial conceitual, destaca-se que o conceito de risco é particularmente importante para a atuação da rede socioassis- tencial, uma vez que a vivência de riscos decorre de situações que en- volvam vulnerabilidades, violação de direitos ou ameaça à integridade física, emocional e/ou relacional. Assim, o conceito de risco para o SUAS é definido como a probabilidade ou a iminência de um evento acontecer. Localizando essa perspectiva dentro da configuração do trabalho social com famílias e indivíduos, o conceito serve como forma de identificar a probabilidade da ocorrência de uma violação ocorrer devido à vivência de uma vulnerabilidade social, como também de agravamento de uma situação de violação de direitos em que se vivencia novas violações ou violações entrelaçadas, ocasionando em vivências cíclicas e contínuas de violações. Dessa forma, a operacionalização do conceito de risco visa identificar a probabilidade ou a iminência de um fato (social, psicológi- co, cultural, simbólico, político, biológico ou econômico) acontecer. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 64 FIQUE DE OLHO! Vulnerabilidade e risco são conceitos distintos: a ocorrência da vulnerabilidade está associada à possibilidade de ocorrência de risco, se não enfrentada a tempo e de forma precisa. Uma situa- ção de vulnerabilidade não conduz, necessariamente, à vivência de uma situação de risco, pois a presença de fatores e condições de proteção social pode atenuar tal condição. Por sua vez, a vivência das situações de risco pode propiciar novas vulnerabilidades, em um processo que fragiliza ainda mais os indivíduos e/ou as famílias (FIOCRUZ. 2018, p. 21). Outro conceito de destaque é o de violência. Para o SUAS, apesar de a violên- cia se constituir como uma das formas de violação de direitos, sempre que tratamos de violação de direitos no campo da Proteção Social Especial esta violação adquire maior destaque, devido não só à maior frequência de atendimentos/acompanha- mentos na PSE a essas situações, como também pelo nível de sofrimento e amplia- ção das possibilidades de riscos que decorrem da vivência de violências na vida de uma pessoa ou família. É muito importante, para efetivação dessa proteção, a iden- tificação dos tipos de violência e das formas pelas quais elas se materializam nas relações interpessoais, comunitárias e sociais. Destaca-se que categorizar em tipos essas violações não significa dizer que estas sejam excludentes entre si. A vivência de uma situação de violência incide de forma complexa e difusa na vida das pesso- as e famílias, o que consequentemente ocasiona de forma frequente os interlaces e as interfaces entre as suas diferentes formas de materialização. As categorizações, servem, assim, para facilitar a identificação e compreensão das particularidades de cada experiência, o que contribui para a definição da característica do acompanha- mento socioassistencial ofertado. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 65 De forma esquemática e para fins didáticos e/ou orientadores, tipifica-se mais comumente na literatura especializada as formas de violência como: 1. violências que são produzidas em nível macrossocial (estrutural, de estado, cultural); 2. violências segundo a direcionalidade das relações sociais (autoinfligida, de gênero, interpes- soal, coletiva); 3. violências que diferenciam o contexto social (intrafamiliar, comunitária, institucional); 4. violências caracterizadas pela configuração espacial, como rurais, urbanas, periferia ou centro; 5. violências segundo o ciclo da vida, entre outras. Agora que debatemos um pouco sobre os conceitos de risco, violência e de- mais formas de violação de direitos e suas formas de materialização, já temos a tela de fundo conceitual para adentrar nos serviços da PSE de Média Complexidade. Os serviços e unidades de atendimento ofertados pela PSE de Média Comple- xidade se voltam de forma essencial à garantia do direito socioassistencial de acom- panhamento às famílias e aos indivíduos que vivenciam situações de violação de direitos, mas que ainda preservam seus vínculos familiares e/ou comunitários. No quadro a seguir, é possível identificar o conjunto de serviços e unidades de ofertas garantidos por essa proteção.Notem que os serviços são voltados para o atendi- mento de públicos/situações específicas que, por sua vez, também são vinculados a unidades de atendimento específicas. Esta característica promove a focalização e atenção especializadas que essa proteção tem a função de garantir no desenho organizacional do SUAS. SERVIÇOS UNIDADES DE OFERTA Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos – PAEFI CREAS Serviço de Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medidas Socioeducativas de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC) CREAS PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 66 SERVIÇOS UNIDADES DE OFERTA Serviço de Proteção Especial para Pessoas com Deficiência, Idosos(as) e suas Famílias Domicílio do usuário Centro Dia CREAS Unidade referenciada ao CREAS Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua Centro POP Serviço Especializado em Abordagem Social CREAS Centro POP Unidade referenciada ao CREAS Quadro 2 – Síntese dos Serviços e Unidades da PSE de Média Complexidade. Fonte: Elaboração própria. Vamos conhecer o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS)? O Centro de Referência Especializado de Assistência Social é uma unidade pú- blica e estatal do SUAS responsável pela prestação de serviços socioassistenciais, sendo unidade de referência para articulação tanto com a proteção social básica, quanto com os serviços da alta complexidade. O Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI) é o seu principal serviço e sua oferta é realizada de forma obrigatória pelo CREAS.Esta unidade pode, ainda, abarcar os demais serviços da média complexidade a depender da característica e capacida- de das ofertas de cada território. Ademais, mesmo quando não presta diretamente outros serviços da média complexidade, exerce sempre função de referência para os demais prestadores de serviços em outras unidades públicas ou públicas não estatais (rede privada, entidades socioassistenciais) no campo desta proteção. Acesse os vídeos a seguir e conheça as situações atendidas, o trabalho socio- assistencial especializado e o perfil das equipes do CREAS. Vamos lá? Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 67 Vítimas de violações de direitos e violências recebem atendimento em mais de 2,6 mil CREAS Como apontado nos vídeos, o CREAS tem como função fundamental organi- zar, gerir e referenciar os serviços da PSE de Média Complexidade na direção de garantir a oferta das seguranças socioassistenciais de acolhida, convívio familiar e de promoção de desenvolvimento de processos voltados à autonomia familiar e/ou pessoal de seus/suas usuários/as. O fato de ser a unidade pública de referência para a prestação dos serviços socioassistenciais relacionados a situações de violação de direitos, por vezes, pode ocasionar distorções em relação à fun- ção protetiva do CREAS. Sendo assim, é preciso compreender que os atendimentos prestados por esta unidade socioassistencial são de cunho protetivo, com garantia de sigilo e voltados exclusivamente para o fortalecimento das trajetórias coletivas e individuais de seus/ suas usuários/as, não possuindo atribuição de investigação para a responsabilização dos/as autores/as de violência. A abrangência territorial do CREAS pode ser municipal ou regional, a depen- der dos desenhos e formatos de oferta de cada estado ou município. O CREAS deve funcionar em horários planejados, previsíveis e divulgados à rede e aos/às usuários/as, em espaço físico adequado. Algumas demandas, pela gravidade da violação, possuem a característica mais emergencial, uma vez que a não realização de um pronto atendimento implica necessariamente incidência de novos riscos, ou mesmo aprofundamento da violação vivenciada. Esses casos demandam de ime- diato a atuação com outras políticas e instituições, como conselho tutelar, sistema PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 68 de justiça e saúde. Por meio do mapeamento do território permite-se uma organiza- ção inteligente do serviço que consegue antecipar perfil das violações, característi- cas das exclusões, contradições e potencialidades, além de organizar e qualificar o atendimento da rede de proteção social, ampliando a capacidade de uma resposta integral às violações sofridas. Sobre as possibilidades de ação integrada entre a rede de saúde e os atendi- mentos socioassistenciais com foco nas situações de risco, violência e demais for- mas de violação de direitos, convidamos a ler a seguinte reflexão: Possibilidades de Ação Integrada com Saúde 1 - Articulação e Integralidade do Atendimento A articulação com a rede de saúde se constitui como uma das principais dimensões da garantia dos direitos sociais fundamentais de quem se encontra em situação de vulnerabilidade, riscos e violações de direitos, uma vez que estas trajetórias são permeadas por negativas de acesso a direitos. Em busca do atendimento integral de suas/seus usuárias/os as equipes de atendimento socioassistencial mantêm estreita relação com as equipes de saúde no território, o que possibilita o diálogo interinstitu- cional constante e a organização técnica e operacional. Esta relação envolve necessariamente: a construção de fluxos entre uni- dades e serviços das duas políticas; estudos de casos entre equipes; construção de estratégias compartilhadas para o desenvolvimento dos planos de atendimento/acompanhamento; estratégias de complemen- taridade de saberes para combate às desproteções; “transferência de sigilo” (de modo a evitar revitimizações e retrocessos na efetivação da garantia de direitos nas situações de violência encaminhadas entre as políticas); ações conjuntas em âmbito familiar, comunitário e territorial; entre outras atividades, considerando a incompletude institucional e o princípio da garantia da integralidade no atendimento da população. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 69 O CREAS é realmente um equipamento desafiador, uma vez que condensa o atendimento de uma ampla gama de situações de violação. Se você tiver interesse em saber mais sobre o trabalho do CREAS, acesse na biblioteca do curso o Caderno de Orientações Técnicas: Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS e a Cartilha de Perguntas de Respostas do CREAS. Boa Leitura! Agora que já sabemos que o CREAS é a principal unidade de atendimento da PSE de Média Complexidade, convidamos você a conhecer os serviços que dão vida a este equipamento! Você já ouviu falar no PAEFI? O Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos – PAEFI Caro/a aluno/a, o Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famí- lias e Indivíduos, conhecido como PAEFI, é considerado o principal serviço ofertado pelo CREAS. É muito comum no dia a dia escutarmos a frase: Não há CREAS sem PAEFI e nem PAEFI sem CREAS! Isto porque esse trabalho especializado de carac- terística continuada desenvolvido pelo PAEFI tem como principal intenção garantir a integralidade do acompanhamento socioassistencial por meio da escuta qualifi- cada e da construção de um plano de acompanhamento, o que envolve a atenção às múltiplas dimensões inerentes às situações de riscos e violação dedireitos que interseccionam necessariamente: ciclos etários; raça/etnia/cor; etnicidade; classe; gênero; identidade de gênero e orientação sexual; e situação de deficiência. O foco do trabalho reside na superação das desproteções vivenciadas e na pre- venção da incidência e reincidência de violações de direitos, o que promove mais amplamente a interrupção do ciclo de violência no interior dos territórios. A centralidade na família se constitui como uma das bases de estruturação do trabalho desenvolvido por este serviço, que a entende enquanto espaço contradi- tório que ora funciona como lócus privilegiado de cuidado e proteção, ora como palco de conflitos, violência e desproteções. Nesse sentido, o PAEFI direciona suas ações para ampliação do fortalecimento das capacidades protetivas das famílias, PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 70 buscando contribuir para preservar, restaurar e motivar a integridade e as condições de autonomia e autocuidado dos/as usuários/as, de modo a promover rompimento de padrões violadores de direitos no interior da família. Esse conjunto de objetivos promove a prevenção do agravamento das violações ao mesmo tempo em que se cria um cenário possível para a construção e/ou ressignificação de projetos de vida. Destaca-se, ainda, que o serviço atua para prevenção dos agravamentos que podem ocasionar numa situação de rompimento de vínculos e consequente insti- tucionalização, com foco nas promoções do fortalecimento da função protetiva das famílias e comunidades, bem como na edificação de trajetórias marcadas pela au- tonomia e acesso a direitos. Você sabe quem são os/as usuários/as do PAEFI? São todas aquelas famílias e/ou indivíduos que vivenciam situação de ris- cos, violências e demais formas de violação de direitos, por ocorrência de: • Violência física, psicológica, moral, simbólica, patrimonial, intrafami- liar e doméstica; • Violência sexual (abuso e /ou exploração sexual); • Negligência; • Abandono; • Afastamento e/ou processo de restabelecimento do convívio familiar devido à aplicação de medida socioeducativa, medida protetiva ou pri- são de um ou mais membros familiares; • Famílias de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa; • Tráfico de pessoas; • Situação de rua; • Vivência de trabalho infantil; • Discriminação em decorrência da orientação sexual e/ou identidade de Gênero; PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 71 • Discriminação em decorrência de cor/raça/etnia; • Estigma e preconceito em virtude de deficiência, doença e ciclos de vida; • Descumprimento de condicionalidades do PBF em decorrência de violação de direitos; • Outras formas de violação de direitos decorrentes de discriminações/ submissões a situações que provocam danos e agravos a sua condição de vida e os impedem de usufruir autonomia e bem-estar; Agora que conhecemos as situações atendidas é fundamental compreender como elas serão acompanhadas. Assim, convidamos a conhecer a metodologia de atendimento e objetivos do acompanhamento! Vamos conhecer o trabalho essen- cial realizado pelo PAEFI? A execução deste serviço implica, necessariamente: um planejamento partici- pativo (técnicos, usuários/as, parceiros) que garanta a adesão e o reconhecimen- to dos usuários/as e da rede de proteção; definição clara da intencionalidade das ações propostas, implicando, ainda, sistematicidade, previsibilidade, metodologias flexíveis e passíveis de singularização. O PAEFI contribui para a ressignificação e/ou superação de situações violado- ras, com foco na ampliação do acesso a direitos, na reconstrução de relacionamen- tos familiares e comunitários fragilizados ou na construção de novas referências. Esse trabalho é desenvolvido por meio de uma metodologia de acompanhamento especializado que que envolve: acolhida; escuta qualificada; estudo social; atendi- mento especializado (individualizado, familiar e em grupo); construção de vínculo da equipe com os usuários; visita domiciliar; atividades coletivas e comunitárias; orien- tação e acesso aos benefícios e programas socioassistenciais; encaminhamentos para as redes de serviços; orientação jurídico-social; informação, comunicação e defesa de direitos; Identificação e mobilização de família extensa; articulação intra e intersetorial; registro das informações e elaboração de relatórios e prontuários. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 72 Este conjunto de procedimentos técnicos compõe o que se chama de trabalho es- sencial do serviço. Veja a seguir! ������������������� ������������������� ������� ���������� ��������������� ��������� ����� ����� ����������� ��������� ��������� ������ ����� ��������������� � ������� �������� �� ��������������� ��� ����� ���� ���� ���� ����� ���������� ������������������� ���������������� ������������������� ������������ �� �� ������ ������������� �������� ���� �������������������������������������� As formas de acessar o PAEFI podem se dar tanto a partir de demanda espon- tânea, que ocorre por meio do reconhecimento por parte do território do CREAS como espaço protetivo, como também por meio de encaminhamentos realizados, seja por outros serviços socioassistenciais da Rede SUAS, como pelas demais po- líticas públicas setoriais, mais frequentemente saúde e educação ou, ainda, órgãos do Sistema de Garantia de Direitos, como Conselho Tutelar, Ministério Público e Defensoria, abarcando também o Sistema de Segurança Pública. Caro cursista, como indicado acima, muitas podem ser as formas de acesso ao PAEFI e também muitos são os encaminhamentos rea- lizados pelo serviço para a rede de proteção social. Dadas as caracte- rísticas das situações de violências, sejam físicas ou psicológicas, que envolvem, para além da dimensão social, cuidados mais diretamente relacionados ao corpo e ao sofrimento mental, a articulação com a rede de saúde se constitui como uma atividade central para o atendimento dessas situações. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 73 Com isto em mente, convidamos você a refletir um pouco mais sobre as possibilidades de ação integrada entre o PAEFI e os Serviços de Saúde. Para tanto, acesse na nossa biblioteca o texto a seguir: Possibilidades de Ação Integrada com Saúde 2 - PAEFI Visando a garantia do atendimento integral à família e aos indivíduos que vivenciam formas de violação de direitos, des- taca-se a relação direta entre o PAEF Ie a Rede de Atenção Psicossocial, uma vez que a presença da/o psicóloga/o na equipe do PAEFI não se presta à garantia de atendimento clí- nico (psicoterapia). Destaca-se, também, a intrínseca relação do PAEFI no atendimento das pessoas que tiveram notifica- ção compulsória de doenças, violências e agravos do SUS. No contexto desta articulação, o trabalho realizado pelo PAE- FI pode, ainda, envolver o trabalho social voltado a apoiar na adesão aos tratamentos contínuos de doenças crônicas como HIV/aids, sífilis, hanseníase e tuberculose, cujos estig- mas sociais, situações de vulnerabilidades e discriminações podem influenciar tanto no acesso a direitos que envolvem o acometimento dessas doenças, quanto nas condições para continuidade do tratamento. O serviço também se volta para a prevenção do agravamento de riscos associados à vivên- cia destas doenças com foco na ampliação da capacidadeprotetiva das famílias e na autonomia dos indivíduos. Agora, vamos conhecer mais um serviço da PSE de Média Complexidade? PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 74 O Serviço de Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC) – Serviço de MSE em Meio Aberto de LA e PSC O Serviço de MSE em Meio Aberto de LA e PSC deve ser ofertado necessaria- mente pelo CREAS. Tem como atividade precípua ofertar atenção socioassistencial e acompanhamento de adolescentes de 12 a 18 anos incompletos que praticaram algum ato infracional e/ou jovens de 18 a 21 anos – que tenham praticado o ato in- fracional antes de atingir a maioridade penal – e suas famílias. O serviço possui a obrigatoriedade legal de elaborar e acompanhar o Plano Individual de Atendimento (PIA) para cada adolescente encaminhado pelo sistema de justiça. A construção dessa ferramenta tem como foco a incorporação por meio do de- senho individual de acompanhamento da dupla dimensão (proteção e responsabi- lização) que envolve necessariamente o trabalho social com vistas ao cumprimento da medida socioeducativa. Ou seja, este conjunto de atuações elencadas no PIA deve atuar tanto no campo da garantia da proteção social de sujeitos em desenvol- vimento quanto na construção de estratégias voltadas à responsabilização pelo ato praticado. Sobre essa última, muito longe de se estruturar uma perspectiva punitiva, se volta à promoção de uma série de estratégias de atendimentos pautadas na (re) significação de projetos de vida e ampliação das possibilidades de acessos des- ses(as) adolescentes, frequentemente marcados(as) por uma trajetória de exclusão, vivências de violências e negação de direitos. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 75 Esse serviço apresenta particularidades em relação aos de- mais serviços do SUAS, visto que envolve a relação entre SUAS e Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), no qual se insere diálogo direto com o Sistema de Justiça, que envolve homologação do PIA por parte do Judiciário, envio de relatórios de acompanhamento, entre outras atenções judiciais. Esse serviço presta um conjunto de ações que estabelece as bases necessá- rias para ampliar as capacidades e potencialidades desses adolescentes, promo- vendo um melhor cenário pessoal, familiar e comunitário para o estabelecimento e a autoconfiança, assim como para a ampliação da capacidade de reflexão sobre as possibilidades de construção de processos de autonomia, incidindo diretamente em maiores acessos e oportunidades com vistas à ampliação do universo informa- cional e cultural e ao desenvolvimento de habilidades e competências. Sabemos que a garantia do acesso à saúde e a vinculação des- ses/as adolescentes com esta rede se constitui direito fundamental e elemento estruturante para o desenvolvimento do Plano Individual de Atendimento, no qual a saúde se estabelece como política correspon- sável de sua execução, de acordo com a Lei do SINASE. Dessa forma, convidamos você a pensar sobre as possibilidades de ação integrada entre o Serviço de MSE em Meio Aberto de LA e PSC com a rede de saúde. Leia o texto a seguir: PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 76 Possibilidades de Ação Integrada com Saúde 3 - Serviço de MSE em Meio Aberto de LA e PSC No desenvolvimento do Serviço de MSE em Meio Aberto de LA e PSC, ganha destaque a Política Nacional de Atenção In- tegral à Saúde de Adolescentes em Conflito com a Lei, em Regime de Internação e Internação Provisória (PNASARI), in- cluindo-se o cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto e fechado (2014). Apesar de o título jogar luz no esta- belecimento de parâmetros para os cuidados com a saúde de adolescentes em cumprimento de MSE em meio fechado, este documento também abarca os parâmetros em atenção inte- gral de adolescentes em regime de meio aberto, com desta- que para: a promoção, prevenção, assistência e recuperação da saúde destas/es adolescentes no SUS, que depende, ne- cessariamente, de um esforço integrado de ações interseto- riais para a responsabilização conjunta das equipes de saúde e das equipes socioeducativas em torno do cuidado da saúde física e mental de adolescentes em conflito com a lei. Desta forma, requer o estabelecimento de relações estrei- tas no território entre SUAS e SUS, que envolve participa- ção das equipes de saúde nas informações que subsidiam e alimentam a dimensão do acesso à saúde no desenvolvi- mento do PIA. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 77 Sendo a adolescência um momento do ciclo de vida carac- terizado pela experimentação, descoberta da autonomia e da sexualidade, ganha destaque no acompanhamento do acesso à saúde de adolescentes o trabalho articulado entre as duas políticas em torno do enfrentamento ao aumento da população que contrai HIV ou convive com HIV/aids na ado- lescência1 , como também o fomento ao trabalho social com aquelas/es que vivem com a doença. O preocupante número de ocorrências de gravidez na ado- lescência, somado ao aumento da ocorrência de doenças se- xualmente transmissíveis, ocasionado pela ausência de edu- cação sexual e reprodutiva; a intensificação do consumo de drogas e a violência; e a exploração e o abuso sexual de ado- lescentes ajudam-nos a entender melhor porque as/os jo- vens são, cada vez em maior número, vulneráveis à infecção pelo HIV/aids no Brasil. Neste sentido, o desenvolvimento do trabalho socioassistencial, que se efetiva em articulação com o acompanhamento da rede de saúde, pode ser funda- mental e muitas vezes determinante para a instrumentaliza- ção e potencialização dos cuidados e acesso a direitos. 1 Estudos demonstram que muitos jovens estão iniciando sua vida sexual mais cedo (em média 15 anos para ambos os sexos), muitas vezes sem proteção contra gestações não planejadas e DST/aids. Tal dado torna o percentual de infecções na adolescência mais significativo se considerarmos que a aids se mani- festa de sete a dez anos após a infecção pelo HIV. Logo, supõe-se que grande parte das notificações, em pessoas com 25 a 29 anos, corresponda a indivíduos que se infectaram na adolescência ou no início da ju- ventude, cujos parceiros sexuais também estiveram vulneráveis à infecção. (TOLEDO, M.; TAKAHASHI, R.; GUANILO, M. Elementos de vulnerabilidade individual de adolescentes ao HIV/AIDS. Rev. bras. enferm., Brasília, v. .64, n. 2, mar./abr. 2011). PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE AS PROTEÇÕES SOCIAIS BÁSICA E ESPECIAL DE MÉDIA COMPLEXIDADE 78 Ações voltadas ao conhecimento da saúde sexual e repro- dutiva, ao acesso a benefícios e outras formas de transferên- cia de renda, ao enfrentamento ao abuso, violência e explo- ração sexual, bem como o trabalho social voltado à adesão ao tratamento de doenças sexualmente transmissíveis são essenciais envolvendo, ainda, a família como elemento fun- damental para a diminuição dos riscos e para a construção de formas de comunicação e informação. Caro cursista, essa aula foi fundamental para compreender a característica de cada serviço da PSB e de parte dos Serviços da PSE de Média Complexidade. Para além da caracterizaçãodos serviços, foi possível refletir por meio dos recursos didá- ticos possibilidades factíveis de atuação integrada entre SUAS e SUS, indicadas por meio do foco de atuação de cada serviço apresentado. Então, nos vemos na próxi- ma aula, na qual daremos continuidade à caracterização dos serviços e unidades da PSE de Média e de Alta Complexidade. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 79 AULA 6 – CONTINUAÇÃO: SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E DE ALTA COMPLEXIDADE Olá, cursista! Nesta aula, daremos continuidade à apresentação dos Serviços da PSE de Média Complexidade e iniciaremos a localização da PSE de Alta Com- plexidade. Aqui serão apresentadas as diferenças entre esses dois níveis de com- plexidade da PSE no SUAS por meio da caracterização de seus serviços, unidades de atendimento e particularidades de acompanhamento. Você conhece os serviços e unidades de atendimento da PSE de Média e de Alta Complexidade? Quais as diferenças entre os formatos de atendimento desses dois níveis da PSE? Quais as ferramentas, metodologias e concepções que compõem o trabalho social com famílias e indivíduos em situação de risco e violações de direitos? Quais os tipos de situações atendidas em cada serviço/ unidade? Quais as características dos públicos atendidos e de que forma essas especificidades impactam o atendimento? Essas são perguntas centrais a que se pretende responder nesta aula! SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE Vamos agora saber um pouco mais sobre o acompanhamento socioassistencial à pessoa com deficiência na Proteção Social Especial de Média Complexidade: “Nada sobre nós, sem nós!” (lema do Movimento dos Direitos das Pessoas com Deficiências). Inicialmente, cabe explicar a você, cursista, por que o acompanhamento socioa- ssistencial a pessoas com deficiência no SUAS ganha maior destaque no campo de atuação da PSE. Isso ocorre porque o SUAS estabelece como premissa fundamental PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 80 que as situações de dependência de cuidados de terceiros, o estigma social, o des- preparo das instalações físicas das cidades brasileiras em torno da acessibilidade, a precarização das instituições estatais que ocasiona a precarização da oferta desses cuidados pelas famílias, vivenciados de forma frequente na realidade social brasi- leira por pessoas com deficiência e pessoas idosas, impõem por vezes barreiras in- transponíveis, ocasionando o aumento das situações de risco de violação de direi- tos deste público. Dessa forma, este extenso cenário de desproteções aos quais as pessoas com deficiência são submetidas fundamenta as razões pelas quais, na or- ganização do SUAS, a Proteção Social Especial se ocupa de forma central da oferta de serviços especializados para efetivação desses direitos. Nesse sentido, cabe destacar que tanto os serviços quanto as unidades espe- cializadas que se incumbem da garantia dos direitos socioassistenciais das pesso- as com deficiência no SUAS se fundamentam na perspectiva de ampliar, qualificar e dar suporte aos cuidados familiares e individuais, contribuindo dessa forma para a promoção da construção de processos voltados à autonomia e à ampliação da participação social deste público e de suas famílias. Uma vez apresentada essa localização inicial, a qual esclarece e fundamenta a atenção especializada a pessoas com deficiência no SUAS, convidamos você a conhecer a Unidade Centro Dia e o Serviço de Proteção Social Especial para Pes- soas com Deficiência, Idosas e suas Famílias, ambos voltados exclusivamente para atenção e focalização do conteúdo do trabalho socioassistencial de cunho especia- lizado para esse público. Você já ouviu falar no Centro Dia? O Centro Dia é uma Unidade Especializada, referenciada ao CREAS, de abran- gência municipal, pública estatal ou não estatal de referência para a oferta do Ser- viço de Proteção Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias. Atende a crianças, jovens, adultos com deficiência (física, intelectual, auditiva, visu- al, autismo e/ou situações de múltiplas deficiências) em situação de dependência PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 81 e idosos em situação de risco e direitos violados, bem como as suas famílias, priori- tariamente, beneficiários do BPC e incluídos no Cadastro Único. O Centro Dia atua, ainda, como unidade articuladora de acesso a outros serviços e direitos no território e às tecnologias assistivas de autonomia e convivência. O Centro Dia é uma unidade socioassistencial com características bastante particularizadas, que envolve desde cuidados instrumentais à pessoa com deficiência, passando pelo atendimento individual, em grupo e familiar, até a promoção de ações de participação comunitária. Dessa forma, para saber mais sobre este importante equipamento, acesse na biblioteca do curso o Caderno de Orientações Técnicas do Centro Dia! As atividades do Centro Dia são executadas pela equipe técnica do Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias, a qual desenvolve um conjunto variado de atividades para inclusão social, com foco nas ações de fortalecimento de ampliação das vivências de sociabilidade, como me- dida a evitar o isolamento e o rompimento de vínculos. Essa equipe também realiza atividades de compartilhamento de cuidados, ampliando também a capacidade pro- tetiva da família, não só por meio da efetivação do cuidado em si, mas também por meio do apoio e da orientação voltados a esses cuidados para os/as cuidadores/as familiares. Este compartilhamento envolve desde os cuidados pessoais até a viabili- zação de deslocamentos e acesso às ações mais fundamentais do dia a dia. É importante destacar que o Serviço de Proteção Social Especial para Pesso- as com Deficiência, Idosas e suas Famílias (incluindo cuidadores/as) realiza oferta socioassistencial de característica especializada para o acompanhamento/aten- dimento de famílias com pessoas com deficiência e idosos, com algum grau de PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 82 dependência, que tiveram barreiras agravadas por violações de direitos. Esse ser- viço possui formas de oferta bastante ampliadas, podendo ser realizado no CRE- AS, no Centro Dia, no domicílio, como também em entidades ou organizações que compõem a Rede Privada de Assistência Social, desde que estejam referenciadas ao CREAS ou ao Centro Dia. O serviço tem como objetivo fomentar a melhoria da qualidade de vida por meio da promoção da autonomia e da inclusão social de seus/suas usuários/as, buscando estratégias e garantia de direitos que evitem si- tuações de confinamento e de isolamento social da pessoa com deficiência e de sua família. Possui trabalho social voltado à prevenção e/ou superação de outras situações de risco e demais formas de violação de direitos, como: a discriminação e os estigmas, negligência, precarização do cuidado, maus-tratos, abandono, vio- lência física e psicológica, uso indevido da imagem, convivência com a extrema pobreza, dentre outros riscos. O Centro Dia e o Serviço Especializado possuem na rede de saú- deo seu principal interlocutor no que tange à articulação intersetorial e a parcerias interinstitucionais. É primordial que os cuidados instrumen- tais realizados pelas equipes do SUAS estejam em estreita convergên- cia com as melhores práticas indicadas pelos profissionais de saúde e, neste ponto, a rede de atendimento da saúde está sempre referenciada às práticas laborais dos profissionais de saúde presentes nas unidades socioassistenciais. Para além dessa relação, este atendimento envolve de forma central a articulação entre os cuidados e a garantia do aten- dimento integral a essas situações. Esta articulação implica necessa- riamente o estabelecimento de fluxos de referência e contrarreferência entre as duas políticas. Se você tem interesse em refletir sobre este diálogo que envolve as possibilidades de ação integrada deste atendi- mento e os Serviços de Saúde, leia o texto a seguir: PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 83 Possibilidades de Ação Integrada com Saúde 4 – Centro Dia e/ou Serviço de Proteção social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias: Merece destaque, neste contexto, o acompanhamento vol- tado a famílias e indivíduos que vivem ou convivem com a hanseníase, dada não só a determinação social desta doen- ça, como também o fato de que se não tratadas; ou, quando tratadas tardiamente, sofrem agravos de saúde que podem gerar incapacidades e até deficiências. A hanseníase é uma doença que pode atingir quase todos os órgãos dos senti- dos do ser humano. Estas lesões provocam incapacidades físicas, visuais e olfativas. As incapacidades físicas trazem muitas dificuldades para as pessoas com hanseníase. Elas são responsáveis pela exclusão destas pessoas do mundo do trabalho e por dificuldades nos cuidados cotidianos e na mobilidade, de modo a promover o afastamento do convívio familiar, social e da sua participação na comunidade. Esta conjunção de fatores que caracterizam a vivência da han- seníase desperta a importância da inclusão destes indivídu- os na rede de atendimento socioassistencial, cujo foco do atendimento se volta à instrumentalização da autonomia, a articulações para o mundo do trabalho e à ampliação da ca- pacidade de cuidado das famílias. Este conteúdo do trabalho social no SUAS para pessoas com deficiências, idosos e suas famílias em articulação com o acompanhamento da rede de saúde constitui estratégia entre saberes complementares que potencializam a adesão ao tratamento e promovem acesso a direitos, ampliando a capacidade protetiva das famílias, a autonomia dos indivíduos e o bem-estar social de todas/os. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 84 Bom, agora que sabemos um pouco mais sobre a rede de atendimento da PSE de Média complexidade voltada à pessoa com deficiência e suas famílias, convi- damos você a conhecer a particularidade do atendimento de mais um público! Va- mos, a partir de agora, conhecer quais as ofertas da média complexidade voltadas à garantia dos direitos socioassistenciais da População em Situação de Rua. Você já se perguntou como a População em Situação de Rua lava suas roupas, acessa documentação, guarda seus pertences, recebe correspondência, compar- tilha outras formas de convívio e acessa outros direitos? Você conhece ou já ouviu falar no Centro POP? Mas o que é o Centro POP? O Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua – Centro POP – é a unidade pública e estatal, lócus de referência para o trabalho socioassistencial especializado com pessoas em situação de rua no âmbito do SUAS. Realiza oferta obrigatória do Serviço Especializado para Pessoas em Situ- ação de Rua, podendo ainda ofertar e/ou referenciar o Serviço Especializado em Abordagem Social. Convidamos você, neste momento da nossa aula, a conhecer de perto o fun- cionamento do Centro POP e, assim, visualizar como a População em Situação de Rua acessa esse espaço. Acesse o vídeo intitulado “Centro POP dá suporte a Pes- soas em Situação de Rua”. Centro POP dá suporte a Pessoas em Situação de Rua Como observado no vídeo, fica bem claro que o Centro POP atua como um espaço de referência para o convívio, atendimento de necessidades essenciais e estabelecimento de outras formas de sociabilidade em grupo e/ou social para além PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 85 daquelas estabelecidas no espaço da rua. Atua ainda como espaço agregador, pro- movendo o estímulo à organização, mobilização e participação comunitária. Por se tratar de uma unidade voltada a pessoas que estão desabrigadas (utilizam a rua como espaço de moradia ou de sobrevivência) e que têm, assim, os seus direitos à dignidade humana e à moradia diretamente afetados, promove aquisições essenciais voltadas à garantia de presta- ção imediata de vários direitos. Entre eles destacam-se: • Estabelece uma referência física de endereço institucional para os usu- ários receberem correspondências, atuando, inclusive, para fins de in- serção no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal; • Possui copa/cozinha; • Oferta higiene pessoal (banheiros individualizados com chuveiros, inclusive); • Possui lavanderia com espaço para secagem de roupas; • Possui refeitório; • Oferta guarda de pertences, com armários individualizados; • Oferece acesso à documentação; • Presta atendimento individualizado, familiar ou em pequenos grupos; • Promove atividades coletivas com os usuários, possibilitando sociali- zação e convívio; • Oferece apoio para acesso à alimentação (por meio de parcerias com a área de segurança alimentar e nutricional com equipamentos públi- cos, como restaurantes populares). Para aprofundar o conhecimento sobre o funcionamento e os tipos de atividades e ofertas prestadas no Centro POP, recomendamos o acesso na biblioteca do curso à “Cartilha de Perguntas e Respostas do Centro POP”. É sempre bom saber um pouco mais! PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 86 Agora que já apresentamos e visualizamos a estrutura geral de ofertas do Cen- tro POP, convidamos você a conhecer mais especificamente o Serviço Especializa- do para Pessoas em Situação de Rua, o qual garante as aquisições apresentadas acima. É ofertado de forma obrigatória no Centro POP para jovens, adultos, idosos e famílias que utilizam as ruas como espaço de moradia e/ou sobrevivência. Este serviço tem como finalidade realizar acompanhamento socioassistencial especializado com foco nas demandas apresentadas pelos/as usuários/as, com vis- tas a proporcionar aquisições direcionadas para o desenvolvimento de novas formas de sociabilidades e práticas; fortalecimento ou construção de vínculos interpesso- ais e/ou familiares; leitura ampliada da situação social de rua e renovação/ressig- nificação de projetos de vida. Seu objetivo principal se presta ao fortalecimento da autonomia, viabilizando de forma gradativa o processo de saída da situação de rua. O serviço tem como base conceitual a compreensão de que a vivência de rua transpõe quereres e responsabilidades individuais, perpassando esquemas perver- sos de desigualdadessociais, estigmas e seletividade. Nesse sentido, funciona tam- bém como um articulador para os demais acessos a direitos e serviços, com foco nas políticas de moradia, trabalho, saúde e educação, uma vez que a trajetória deste público é de forma frequente e historicamente marcada pela exclusão e negação de direitos fundamentais. As formas de acesso ao serviço se dão por meio de deman- da espontânea, por encaminhamentos originados por meio do Serviço Especializa- do em Abordagem Social, mas também de outros serviços do SUAS e das demais políticas públicas ou parcerias. Completando a oferta de serviços voltados ao atendimento especializado de média complexidade à população em situação de rua no SUAS, apresentamos a partir de agora o Serviço Especializado em Abordagem Social, que se volta à pres- tação de uma proteção social proativa, que sai das unidades e adentra nos espa- ços mais marginalizados de um território, considerada estratégia fundamental no caso de situações que contam com alto grau de profundidade de vulnerabilidade, PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 87 violações e negação de acesso a direitos, como é o caso das pessoas submetidas a situação de rua. Proteção Social Proativa: O Serviço Especializado em Abordagem Social Este serviço é ofertado de forma continuada por meio do trabalho socioas- sistencial especializado de busca ativa e abordagem social de crianças, adoles- centes, jovens, adultos, idosos e famílias que utilizam espaços públicos como for- ma de moradia e/ou sobrevivência. Realiza trabalho social voltado à identificação, nos territórios, da incidência de situações de risco pessoal e social, por violação de direitos, como: trabalho infantil, exploração sexual de crianças e adolescentes, situ- ação de rua, consumo de drogas, dentre outras. Nesse sentido, a equipe de abor- dagem possui no espaço público seus lócus privilegiados de trabalho: praças, en- troncamento de estradas, fronteiras, espaços públicos onde se realizam atividades laborais, locais de intensa circulação de pessoas e existência de comércio, terminais de ônibus, trens, metrô e outros. A oferta deste serviço constitui-se em processo de trabalho planejado de apro- ximação contínua, escuta qualificada e construção de vínculo de confiança, visando tanto à atenção às necessidades mais imediatas e urgentes, quanto ao acompa- nhamento das situações em que se promove a mediação de seus/suas usuários/as para acesso à rede de proteção social. É importante destacar, antes que se incorra numa interpretação rasa sobre esta oferta, que este serviço não se presta a uma estratégia pura e simples de ma- peamento ou tentativa perversa de higienização dos espaços públicos. A atuação do serviço de abordagem se volta mais profundamente para um trabalho complexo que envolve o reconhecimento por parte do estado da existência de uma parcela da população totalmente apartada do sistema de proteção. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 88 Sabemos que um terço da população brasileira tem o bacilo da tuberculose (infecção latente), no entanto, o desenvolvimento da forma ativa da doença ocorre em pessoas que vivenciam condições de vida mais vulneráveis, espelhadas nas condições mais precárias de moradia, insegurança alimentar e de renda, como também de acesso à informa- ção sobre tratamento, o que impõe maiores barreiras para continuidade e acesso ao tratamento. Nesse sentido, a População em Situação de Rua encontra um risco amplamente maior de adoecimento por tubercu- lose quando comparado à população em geral, o que impõe à atuação do trabalho social desenvolvido pelos serviços socioassistenciais um olhar específico às necessidades de cuidado identificadas. Este cenário implica necessariamente a articulação entre os serviços socioassisten- ciais que possuem a população de rua como público-alvo e a rede de atendimento à saúde. Se você tem interesse em refletir sobre os aspec- tos que envolvem a amplificação desses cuidados a partir da atuação integrada entre SUAS e SUS, leia o texto a seguir: PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 89 Possibilidades de Ação Integrada com Saúde 5 – Atendimento à População em Situação de Rua O Centro Pop e os serviços nele executados, os quais es- tabelecem foco no acompanhamento socioassistencial à população em situação de rua, ganham destaque no reco- nhecimento de barreiras que possam dificultar a adesão ao tratamento da tuberculose. Estes podem atuar por meio de estratégias de reabilitação, inclusão social, melhora da auto- estima, qualificação profissional, entre outras necessidades que fazem parte do enfrentamento aos determinantes sociais da tuberculose, estabelecendo-se como locais e serviços de referência no SUAS para qualificar a trajetória de melhores desfechos de tratamento da pessoa com tuberculose. No caso do Serviço de Abordagem Social, é importante des- tacar a estreita relação que estas equipes estabelecem com os Consultórios de Rua, uma vez que para ambas estratégias a rua é o lócus privilegiado de trabalho, o que permite a am- pliação da atenção a esse público, o qual, devido ao agra- vamento das violações de direitos essenciais, ficam mais vulneráveis a doenças, como o caso da tuberculose. Essa atenção, contudo, não se limita apenas à tuberculose, alcan- çando, ainda, por exemplo, a grave situação de mulheres em situação de rua que passam por abuso, exploração sexual ou, ainda, situações de gravidez sem o devido acompanha- mento de pré-natal, envolvendo descumprimento de condi- cionalidades, de prevenção à sífilis congênita, de acesso a benefícios e à transferência de renda. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 90 A PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL DE ALTA COMPLEXIDADE Conforme você viu nas aulas anteriores, a Política Nacional de Assistência So- cial (PNAS) organizou suas ações no âmbito do Sistema Único de Assistência Social, na perspectiva de garantir segurança de renda, convivência e acolhida a famílias e indivíduos em situação de vulnerabilidade, risco e com direitos violados, com a or- ganização dos serviços por níveis de proteção social básica e especial (de média e alta complexidade). Agora, vamos saber mais sobre a alta complexidade no SUAS? A Proteção Social Especial de Alta Complexidade do SUAS atende famílias e indivíduos que necessitam de acolhimento e, segundo a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, os serviços devem ser ofertados em distintas modali- dades voltadas ao acolhimento, sendo moradias provisórias para famílias ou indiví- duos que se encontram sem referência familiar ou comunitária ou que necessitam ser afastados do núcleo familiar de origem, como forma de garantir sua proteção integral. Ao mesmo tempo que o serviço de acolhimento garante apoio e proteção nas situações de abandono e isolamento, deve oportunizar, também, a constituição da autonomia, o convívio e o protagonismo individual e familiar. “O Serviço de acolhimento se organiza para garantir privacidade, respeito aos costumes e tradições, e à diversidade de ciclos de vida, arranjos familiares, raça/etnia, religião, gênero e orientação sexual” (BRASIL, 2009, p. 44). Portanto, faz parte do escopo de atuação da equipe de referência dos serviços de acolhimento a articulação com a rede socioassistencial e intersetorial, no sen- tido de viabilizar a ampliação do acesso a políticas públicas que possam impac- tar as condições concretas de vida da pessoa acolhida e de sua família, tais como o acesso a programas de transferência de renda, benefícios, oportunidades de PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 91 preparação e participação no mundo do trabalho, moradia, educação, saúde etc. O atendimento prestado deve ser personalizado, em pequenos grupos e favorecer o convívio familiar e comunitário. As regras de gestão e de convivência deverão ser construídas de maneira conjunta com os usuários/as, a fim de assegurar sua par- ticipação e autonomia. Em geral, os objetivos dos serviços de acolhimento para crianças, adolescen- tes, jovens, adultos, mulheres em situação de violência, pessoas com deficiência e pessoas idosas devem ser voltados a: acolher e garantir proteção integral; contribuir para a prevenção do agravamento de situações de negligência, violência e ruptura de vínculos; restabelecer vínculos familiares e/ou sociais; possibilitar a convivência comunitária; promover acesso à rede socioassistencial, aos demais órgãos do Siste- ma de Garantia de Direitos e às demais políticas públicas setoriais; favorecer o sur- gimento e o desenvolvimento de aptidões, capacidades e oportunidades para que os indivíduos façam escolhas com autonomia; promover o acesso a programações culturais, de lazer, de esporte e ocupacionais internas e externas, relacionando-as a interesses, vivências, desejos e possibilidades do público. O quadro a seguir detalha cada serviço disponível, para cada público, explici- tando em que unidade deve ser ofertado e, por fim, traz os objetivos do serviço. PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL DE ALTA COMPLEXIDADE ALTA COMPLEXIDADE – SERVIÇOS DE ACOLHIMENTO Público Serviço Unidade Objetivos específicos Crianças e Adolescentes Acolhimento Institucional Casa Lar (para até 10 acolhidos) Acolher temporariamente, por medida de proteção aplicada judicialmente; possibilitar a convivência comunitária e o acesso à rede de políticas públicas, mantendo o vínculo com a família de origem para possível retorno, salvo determinação judicial em contrário. Desenvolver condições às/aos adolescentes para a independência e o autocuidado. Abrigo Institucional (para até 20 acolhidos) Acolher, temporariamente, por medida de proteção aplicada judicialmente; possibilitar a convivência comunitária e o acesso à rede de políticas públicas, mantendo o vínculo com a família de origem para possível retorno, salvo determinação judicial em contrário. Desenvolver condições às/aos adolescentes para a independência e o autocuidado. Acolhimento em Família Acolhedora Unidade de Referência PSE e Residência da Família Acolhedora Promover o acolhimento familiar de crianças e adolescentes afastadas temporariamente de suas famílias de origem, por determinação judicial; possibilitar a convivência comunitária e o acesso à rede de políticas públicas, mantendo o vínculo com a família de origem para possível retorno, salvo determinação judicial em contrário. Desenvolver condições às/aos adolescentes para a independência e o autocuidado. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 92 PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL DE ALTA COMPLEXIDADE ALTA COMPLEXIDADE – SERVIÇOS DE ACOLHIMENTO Público Serviço Unidade Objetivos específicos Crianças e Adolescentes Acolhimento Institucional Casa Lar (para até 10 acolhidos) Acolher temporariamente, por medida de proteção aplicada judicialmente; possibilitar a convivência comunitária e o acesso à rede de políticas públicas, mantendo o vínculo com a família de origem para possível retorno, salvo determinação judicial em contrário. Desenvolver condições às/aos adolescentes para a independência e o autocuidado. Abrigo Institucional (para até 20 acolhidos) Acolher, temporariamente, por medida de proteção aplicada judicialmente; possibilitar a convivência comunitária e o acesso à rede de políticas públicas, mantendo o vínculo com a família de origem para possível retorno, salvo determinação judicial em contrário. Desenvolver condições às/aos adolescentes para a independência e o autocuidado. Acolhimento em Família Acolhedora Unidade de Referência PSE e Residência da Família Acolhedora Promover o acolhimento familiar de crianças e adolescentes afastadas temporariamente de suas famílias de origem, por determinação judicial; possibilitar a convivência comunitária e o acesso à rede de políticas públicas, mantendo o vínculo com a família de origem para possível retorno, salvo determinação judicial em contrário. Desenvolver condições às/aos adolescentes para a independência e o autocuidado. Adultos e Famílias Acolhimento em República - Adultos em processo de saída das ruas República Proteger os usuários, preservando suas condições de autonomia e independência, preparando-os para o alcance da autossustentação, bem como para o restabelecimento de vínculos comunitários, familiares e/ou sociais; construir o processo de saída das ruas, possibilitar condições de acesso à rede de serviços das políticas públicas e a benefícios assistenciais; apoiar a qualificação e inserção profissional e a construção de projeto de vida. Acolhimento Institucional - pessoas em situação de rua, migrantes, pessoas em trânsito Casa de Passagem Acolhimento imediato e emergencial, em qualquer horário do dia ou da noite; desenvolver condições para a independência e o autocuidado; promover o acesso à rede de qualificação e requalificação profissional com vistas à inclusão produtiva. Acolhimento Institucional - Pessoas em situação de rua, migrantes, pessoas em trânsito Abrigo Institucional (para até 50 acolhidos) Acolher provisoriamente, com privacidade, pessoas do mesmo sexo ou grupo familiar, respeitando o direito de permanência e usufruto da cidade com segurança, igualdade de condições e acesso aos serviços públicos. O atendimento a indivíduos refugiados ou em situação de tráfico de pessoas (sem ameaça de morte) poderá ser desenvolvido em local específico, a depender da incidência da demanda. Desenvolver condições para a independência e o autocuidado; promover o acesso à rede de qualificação e requalificação profissional com vistas à inclusão produtiva. Jovens entre 18 e 21 anos Acolhimento em República República (para até 6 acolhidos) Proteger os usuários/as, preservando suas condições de autonomia e independência, preparando-os para o alcance da autossustentação, bem como para o restabelecimento de vínculos comunitários, familiares e/ou sociais; promover o acesso à rede de políticas públicas. Jovens e Adultos com Deficiência Acolhimento Institucional Residências Inclusivas (para até 10 acolhidos) Desenvolver capacidades adaptativas para a vida diária; promover a convivência mista entre os residentes de diversos graus de dependência; promover o acesso à rede de qualificação e requalificação profissional com vistas à inclusão produtiva. Mulheres em Situação de Violência Acolhimento Institucional Abrigo Institucional Acolher provisoriamente a mulher, acompanhada ou não de seus filhos, em situação de risco de morte ou ameaças em razão de violência doméstica e familiar; proteger mulheres e prevenir a continuidade de situações de violência, propiciando condições de segurança físicae emocional e o fortalecimento da autoestima. Além de possibilitar a construção de projetos pessoais visando à superação da situação de violência e ao desenvolvimento de capacidades e de autonomia pessoal e social; promover o acesso à rede de qualificação e requalificação profissional com vistas à inclusão produtiva; oferecer sigilo quanto ao local e à identidade das usuárias. Famílias e indivíduos Serviço de Proteção em Situações de Calamidades Públicas e de Emergências Unidade referenciada ao órgão gestor da Assistência Social Assegurar acolhimento imediato em condições dignas e de segurança; manter alojamentos provisórios, quando necessário; Identificar perdas e danos ocorridos e cadastrar a população atingida; articular a rede de políticas públicas e redes sociais de apoio para prover as necessidades detectadas; promover a inserção na rede socioassistencial e o acesso a benefícios eventuais. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 93 PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL DE ALTA COMPLEXIDADE ALTA COMPLEXIDADE – SERVIÇOS DE ACOLHIMENTO Público Serviço Unidade Objetivos específicos Pessoas Idosas Acolhimento Institucional Casa Lar (para até 10 acolhidos) Acolher, com característica residencial, as pessoas idosas com diferentes necessidades e graus de dependência; deve contar com pessoal habilitado, treinado e supervisionado por equipe técnica capacitada para auxiliar nas atividades da vida diária, assegurando a convivência com familiares, amigos e pessoas de referência de forma contínua, bem como garantir o acesso às atividades culturais, educativas, lúdicas e de lazer na comunidade; incentivar o desenvolvimento do protagonismo e de capacidades para a realização de atividades da vida diária; desenvolver condições para a independência e o autocuidado; promover o acesso à renda; promover a convivência mista entre os residentes de diversos graus de dependência. Abrigo Institucional Acolher, com característica domiciliar, as pessoas idosas com diferentes necessidades e graus de dependência. Deve assegurar a convivência com familiares, amigos e pessoas de referência de forma contínua, bem como garantir o acesso às atividades culturais, educativas, lúdicas e de lazer na comunidade. A capacidade de atendimento das unidades deve seguir as normas da Vigilância Sanitária, devendo ser assegurado o atendimento de qualidade e personalizado. Incentivar o desenvolvimento do protagonismo e de capacidades para a realização de atividades da vida diária; desenvolver condições para a independência e o autocuidado; promover o acesso à renda; promover a convivência mista entre os residentes de diversos graus de dependência. Acolhimento em República República Proteger os usuários/as, preservando suas condições de autonomia e independência, preparando-os para o alcance da autossustentação, bem como para o restabelecimento de vínculos comunitários, familiares e/ou sociais; promover o acesso à rede de políticas públicas. É destinada a pessoas idosas que tenham capacidade de gestão coletiva da moradia e condições de desenvolver, de forma independente, as atividades da vida diária, mesmo que requeiram o uso de equipamentos de autoajuda. Quadro 3 – Serviços, públicos, unidades e objetivos do serviço de acolhimento. Fonte: SNAS, Ministério da Cidadania. O Serviço, cujos objetivos estão descritos na última coluna do quadro acima, deve contribuir para a redução das violações dos direitos socioassistenciais, seus agravamentos ou reincidência, para a redução da presença de pessoas em situa- ção de rua e de abandono. Deve contribuir ainda para manter indivíduos e famílias protegidas, para a construção da autonomia dos indivíduos e famílias incluídas em serviços e para o rompimento do ciclo da violência doméstica e familiar. Agora que já sabemos quais são as unidades e os objetivos do serviço, vamos saber como se dá o acesso dos/das usuários/as a ele? O acesso aos serviços de acolhimento no âmbito do SUAS pode se dar por encaminhamento de agentes do serviço especializado em abordagem social, pelas equipes dos CREAS e de demais serviços socioassistenciais e/ou de outras políticas públicas, ou por demanda espontânea, a depender do público. Nos casos de crianças PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 94 e adolescentes, o encaminhamento será mediante determinação judicial ou por re- quisição do Conselho Tutelar, sendo necessária comunicação ao Sistema de Justiça. Em se tratando de pessoas idosas, pessoas com deficiência ou mulheres em situação de violência, o encaminhamento pode ser por requisição da rede de aten- dimento de políticas públicas setoriais, CREAS e de demais serviços socioassisten- ciais, bem como pelo Ministério Público ou Poder Judiciário. No caso de oferta para o público composto por crianças e ado- lescentes, o serviço deverá ser organizado em consonância com os princípios, diretrizes e orientações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e das “Orientações Técnicas: Serviços de Aco- lhimento para Crianças e Adolescentes”. As diretrizes do ECA são claras ao “indicarem a prioridade à manutenção da criança e do adolescente em sua família de origem e em sua comunidade, além da provisoriedade da medida de prote- ção de acolhimento institucional e familiar” (BRASIL, 2018, p. 32). FIXANDO CONTEÚDO! Mas, afinal, o que é o serviço de acolhimento no SUAS? É um serviço organizado em diferentes modalidades de equipamentos, confor- me o público, e destina-se a famílias e/ou indivíduos afastados temporariamente do núcleo familiar. Como se organiza esse serviço? O serviço de acolhimento deve garantir atendimento em pequenos grupos, fa- vorecer o convívio familiar e comunitário, a privacidade, o respeito aos costumes, PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 95 às tradições e à diversidade de: ciclos de vida, arranjos familiares, raça/ etnia, reli- gião, gênero e orientação sexual. VAMOS ENTENDER COMO DEVE SER A CONDIÇÃO DOS LOCAIS PARA OFERTA DESSE SERVIÇO? O serviço deve ser ofertado em unidade inserida na comunidade, possuir carac- terísticas residenciais e oferecer condições de habitabilidade, higiene, salubridade, segurança, acessibilidade e privacidade ou, ainda, em ambiente familiar, nos casos de crianças e adolescentes. Os serviços de acolhimento devem também garantir o acesso dos acolhidos aos serviços essenciais no território, como educação, saúde, trabalho, habitação, lazer, dentre outros, e em comum com os demais cidadãos. Vamos conhecer mais sobre o Serviço de Acolhimento? Acesse os vídeos a seguir! Serviço de acolhimento para idosos nas Instituições de Longa Perma- nência – ILPI: Vídeo. Os Serviços de Proteção em Situação de Calamidade e Emergência Pública: Vídeo. Após a visualização dos vídeos sobre o Serviço de Acolhimento para Pesso- as Idosas e sobre o Serviço de Proteção em Situação de Calamidade e Emergên- cia Pública no SUAS, vamos conhecer um pouco mais sobre uma modalidade de Serviço de Acolhimento não institucional que é o acolhimento em Família Acolhedora. Vamos lá! PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 96 Ficou curioso para saber o queé o Serviço em Família Acolhedora? Vamos aprender juntos! O SERVIÇO DE ACOLHIMENTO EM FAMÍLIA ACOLHEDORA Caro cursista, além do serviço de acolhimento prestado em unidades de aco- lhimento institucional, o SUAS possui uma alternativa de acolhimento em família, denominado: Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, serviço que acolhe: [...] crianças e adolescentes, afastados da família por medida de proteção, em resi- dência de famílias acolhedoras cadastradas. Uma equipe da gestão da assistência social, é responsável por selecionar, capacitar, cadastrar e acompanhar as famílias acolhedoras, bem como realizar o acompanhamento da criança e/ou adolescente acolhido e sua família de origem (BRASIL, 2009, p. 105). O Serviço é organizado conforme os “princípios, diretrizes e orientações do Estatuto da Criança e do Adolescente e do documento “Orientações Técnicas: Ser- viços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes”, sobretudo no que se refere à preservação e à reconstrução do vínculo com a família de origem, assim como à manutenção de crianças e adolescentes com vínculos de parentesco (irmãos, pri- mos etc.) numa mesma família. O atendimento também deve envolver o acompa- nhamento às famílias de origem, com vistas à reintegração familiar (BRASIL, 2009). O objetivo prioritário do acolhimento, seja ele institucional ou familiar, é o re- torno da criança e do adolescente à família de origem (que podem ser os pais, ir- mãos ou parentes próximos). Durante o período de afastamento, todos os esforços são empreendidos para que os vínculos com a família de origem sejam mantidos. Os familiares devem receber acompanhamento psicossocial para auxílio e supera- ção das situações que levaram ao acolhimento. Quando, mesmo após esses esforços, o retorno à família de origem não se mostra possível, a criança é encaminhada para adoção por uma família que esteja PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 97 devidamente habilitada e inscrita no Cadastro Nacional de Adoção. A família que a recebeu, na condição de família acolhedora, poderá receber outra criança que ne- cessite de acolhimento. Vamos conhecer mais sobre o Serviço de Acolhimento em Família Aco- lhedora? Acesse os vídeos a seguir. Família acolhedora oferece alternativa à institucionalização de menores em risco Conheça como funciona o acolhimento familiar. Depois de assistir aos vídeos sobre família acolhedora, vamos conhecer um pouco mais sobre os conceitos de acolhida e acolhimento no SUAS. PENSANDO CONCEITOS: ACOLHIMENTO E ACOLHIDA Para a Política de Assistência Social, o acolhimento é um dos serviços de Pro- teção Social Especial de Alta Complexidade do Sistema Único de Assistência Social. Seu principal objetivo é promover o acolhimento de famílias ou indivíduos com vín- culos familiares rompidos ou fragilizados, de forma a garantir sua proteção integral. O acolhimento pode ser institucional ou por família acolhedora, conforme va- mos conhecer nesta aula, mais adiante. O acolhimento institucional pode ser ofer- tado em unidades públicas ou organizações da sociedade civil, em parceria com o poder público. Tais unidades devem ser inseridas na comunidade e obrigatoriamente PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 98 possuir características residenciais, visando ser um ambiente acolhedor e com es- trutura física adequada para atender às necessidades dos/das usuários/as. Mas atenção: você, cursista, sabe a diferença entre acolhida e acolhimento? Para a Assistência Social, acolhida é: [...] o processo de contato inicial ‘qualificado’ de um indivíduo ou família com o SUAS. Consiste no processo inicial de escuta das necessidades e demandas tra- zidas pelas famílias, bem como de oferta de informações sobre as ações do Ser- viço, da rede socioassistencial (BRASIL, 2012, p. 17). A acolhida [...] constitui ação essencial, é quando ocorre o início do vínculo entre o Serviço e a família. É o momento em que o/a profissional deve buscar compreender os múl- tiplos significados das demandas, vulnerabilidades e necessidades apresentadas pelas famílias, buscando também identificar seus recursos e potencialidades e como tais situações se relacionam e ganham significado (BRASIL, 2012, p. 17). Já Acolhimento, para a Assistência Social, é um serviço previsto na Tipifica- ção Nacional dos Serviços Socioassistenciais (Resolução CNAS n° 109/2009); é um serviço socioassistencial de Alta complexidade que atende famílias e indivíduos em situação de fragilização ou rompimento de vínculos familiares e outras situações. Segundo a Política Nacional de Humanização (PNH) Humaniza SUS, nas práticas de produção de saúde, [...] acolher é dar acolhida, admitir, aceitar, dar ouvidos, dar crédito a, agasalhar, receber, atender, admitir. O acolhimento como ato ou efeito de acolher expressa, em suas várias definições, uma ação de aproximação, um ‘estar com’ e um ‘estar perto de’, ou seja, uma atitude de inclusão (BRASIL, 2010, p. 6). PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 99 Resumindo: ACOLHIDA NO SUAS ACOLHIMENTO NO SUAS ACOLHIMENTO NO SUS Receber, escutar a demanda, criar vínculo com o/a usuário/a. Serviço previsto na Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais. Acolher, receber, ouvir, atender, admitir. Quadro 4 – Resumo dos conceitos. Fonte: Elaboração própria. A acolhida também pode ser entendida como um processo gradual, visto que, a cada encontro, o/a profissional e a família ou indivíduo atendido/a podem criar vínculo, o que possibilita ao/a usuário/a relatar aspectos relevantes de sua vida, fa- zendo com que o/profissional amplie as possibilidades de atuação frente ao caso. Já sabemos a diferença entre acolhida e acolhimento no SUAS. Vamos conhe- cer os instrumentos de acompanhamento no serviço de acolhimento? INSTRUMENTOS DE ACOMPANHAMENTO NO SERVIÇO Agora vamos saber mais sobre o Plano Individual de Atendimento (PIA), Pron- tuário Individual/Familiar e outros. Para a realização de acompanhamento socioassistencial no serviço de acolhi- mento, a equipe precisa dispor de instrumentos que auxiliem em todo o processo de acolhimento dos/as usuários/as e famílias nas unidades de acolhimento. Os ins- trumentos obrigatórios são o Plano Individual de Atendimento ou Plano de Acom- panhamento Familiar e o Prontuário Individual ou Familiar. O Ministério da Cidadania estruturou um modelo nacional de PIA para crian- ças e adolescentes. No entanto, não existem ainda modelos padronizados para ou- tros públicos, como para acolhimento de pessoas idosas, pessoas com deficiência, mulheres em situação de violência e outros. Mesmo assim, cada município poderá criar seus próprios instrumentos para acompanhamento dos/das usuários/as nas unidades de acolhimento. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 100 O Plano Individual ou Familiar é um instrumento de planejamento orientador que: [...] sistematiza o trabalho a ser desenvolvido com cada criança e adolescente aco- lhido e sua família, em articulação com os demais serviços, projetos e programas da rede local, durante o período de acolhimento e após o desligamento da criança ou adolescente do serviço(BRASIL, 2018, p. 12). Outro instrumento importante é o prontuário individual da família ou indivíduo que está no serviço de acolhimento. O Prontuário Individual de Acolhimento é um instrumento técnico que visa organizar e qualificar o conjunto de informações ne- cessárias ao diagnóstico, planejamento e acompanhamento do trabalho social re- lativo às famílias e aos indivíduos acolhidos e de suas relações familiares e afetivas. O serviço de acolhimento e os estudos de caso: como funcionam? Outro instrumento importante de acompanhamento no serviço de acolhimento é o estudo de caso. Este momento pode ser entendido como uma reflexão coletiva realizada entre a equipe do serviço de acolhimento sobre usuários/as ou famílias acompanhadas: suas histórias, desejos, ambições, fragilidades e potencialidades, com vistas à qualificação do acompanhamento realizado. Neste estudo, é importan- te relatar informações disponíveis sobre a família ou indivíduo e mostrar resultados alcançados por meio das intervenções realizadas, assim como ouvir de colegas de trabalho e de parceiros da rede suas impressões. Na medida do possível, este estudo deve ser realizado com a participação dos/ das profissionais do serviço de acolhimento, da equipe de supervisão do órgão ges- tor, da Justiça da Infância e da Juventude e de outros serviços da rede que acom- panhem a família. No caso de usuário/a ou famílias acometidas por problemas de saúde, os/as profissionais da unidade básica de saúde devem ser convidados/as para o estudo de caso. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 101 Os/as usuários/as ou famílias que estejam em unidades de acolhimento e que são acompanhados/as pela unidade básica de saúde ou outra unidade do SUS, devem ser orientados/as e encora- jados/as a seguir o tratamento prescrito pelo/a profissional de saúde. Assim como nos estudos de caso, precisamos saber se as equipes do serviço de acolhimento trabalham articuladas com serviços de outras políticas públicas. Então, vamos lá! O serviço de acolhimento se articula com outros serviços? Os serviços do SUAS funcionam de maneira articulada e hierarquizada entre os Serviços de Proteção Social Básica e Especial de Média e Alta Complexidade. É importante, também, promover a articulação da oferta dos serviços, benefícios e programas de transferência de renda, conforme preconiza o protocolo de gestão integrada de serviços, benefícios e transferência de renda no âmbito do SUAS (Re- solução CIT n° 07 de 2009), integrando a oferta de serviços, benefícios e programas de transferência de renda do SUAS. Nesse sentido, é necessário observar se os/as usuários/as ou famílias acolhi- das são beneficiários/as ou possuem perfil para acessar algum programa, serviço ou programa de transferência de renda do governo federal, estadual ou municipal a fim de fazer os encaminhamentos necessários para que estes usuários/as ou famí- lias possam acessar seus direitos sociais. É importante, ainda, que a equipe da unidade de acolhimento se articule com as demais políticas públicas, de modo a garantir a oferta dos serviços necessários ao atendimento adequado das necessidades dos/das usuários/as acolhidos/as, PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 102 de maneira que possam acessar integralmente as políticas públicas disponíveis no território, como educação, saúde e outras. É muito importante orientar os/as usuários/as e famílias a buscar tratamento, caso surja alguma demanda de saúde. Reco- menda-se, sempre que possível, convidar profissionais de saúde, por meio de parceria no território, para conversar com os/as usu- ários/as da unidade de acolhimento sobre a prevenção e o trata- mento de doenças que acometem crianças e adolescentes; pes- soas em processo de saídas das ruas; pessoas idosas; e pessoas com deficiência acolhidas, além de outros públicos usuários/as do serviço de acolhimento. No caso de crianças e adolescentes acolhidos, é importante que a equipe do serviço mantenha contato frequente com a rede de proteção, visto que a rede acom- panha todo o processo de entrada, permanência e saída das crianças e adolescen- tes do serviço de acolhimento. Para os públicos de pessoas idosas e pessoas com deficiência, o Ministério da Saúde e o Ministério da Cidadania têm buscado editar normativas para orientar a articulação entre essas políticas públicas, visando oferecer maior qualidade de vida aos/as usuários/as acolhidos/as, considerando a peculiaridade e as necessidades especiais desses públicos. Os serviços de acolhimento para pessoas idosas e pessoas com deficiência de- vem contar com o acompanhamento, apoio matricial e atendimento integral – me- diante a definição conjunta de fluxos assistenciais das equipes de saúde da Atenção Primária, das Equipes Multiprofissionais da Atenção Primária, da atenção domici- liar e dos centros especializados em reabilitação, bem como dos demais pontos PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 103 das redes de atenção à saúde presentes na Região de Saúde. A Unidade Básica de Saúde (UBS) ou as Equipes de Saúde da Família (ESF) podem ser a referência para o cuidado à saúde dos/das usuários/as dos serviços de acolhimento que estejam em seu território de abrangência, contando com outros serviços de saúde que se fizerem necessários. Convidamos você, cursista, a refletir um pouco mais sobre as possibilidades de ação integrada entre os serviços de acolhimento e os serviços de saúde. Para tanto, leia o texto a seguir: Possibilidades de Ação Integrada com Saúde 6 – Atendimento à População em Unidade de Acolhimento O serviço de acolhimento oferece diversas oportunidades de articulação com os serviços de saúde. Podemos citar, por exemplo, pessoas acolhidas acometidas por doenças como hanseníase, tuberculose, HIV/aids e outras. Nestes casos, as equi- pes da saúde e da unidade de acolhimento podem se articular tanto para promover a prevenção e o diagnóstico precoce dessas doenças, bem como para auxiliar os/as usuários/as no tratamento mais prolongado. Os/as profissionais de saúde podem ser convidados/as para bate-papo, rodas de conversa ou para ministrar palestras para as pessoas abrigadas. Nas falas, os profissionais podem tratar da prevenção e da importância do tratamento das doenças, além de tentar diminuir os preconceitos que as pessoas sofrem por estarem acometidas por alguma doença. Ações como estas podem contribuir para que os/as abrigados/as sigam o tratamento corretamente; para que sofram menos preconceitos dos colegas institucionalizados; e, ainda, para que se previna o rompimento do vínculo entre o/a usuário/a acolhido/a com as demais pessoas abri- gadas e com a unidade de acolhimento. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE CONTINUAÇÃO DA APRESENTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA PSE DE MÉDIA COMPLEXIDADE E LOCALIZAÇÃO DA PSE DE ALTA COMPLEXIDADE 104 Nesta aula, você conheceu os equipamentos e serviços da Proteção Social Es- pecial de Média e Alta complexidade. Na próxima aula, você conhecerá os Progra- mas Bolsa Família e Criança Feliz, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o SISAN. Até lá. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS,HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 105 AULA 7 – SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL Nesta última aula referente ao conteúdo sobre o SUAS, nós iremos apresentar importantes programas e ações intersetoriais e complementares à proteção ofer- tada pela Política de Assistência Social e que auxiliam na melhora da qualidade de vida da população em situação de vulnerabilidade por meio de iniciativas de trans- ferência de renda, serviços e cuidados à saúde de crianças na faixa etária da primei- ra infância, englobando também ações de segurança alimentar e nutricional. Na temática de transferência de renda para a superação da situação de pobre- za monetária, entraremos em contato com o Programa Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada. Na temática do cuidado com crianças na primeira infân- cia, estudaremos as principais características do Programa Criança Feliz. Quanto às ações que prezam pela segurança alimentar e nutricional, temos a rede de ações coordenada pelo Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Todas as iniciativas estão sob a gestão federal, em parceria com estados e municípios, nas quais estão presentes equipes ligadas à oferta de serviços do Sistema Único de As- sistência Social (SUAS). Como o foco da primeira unidade do curso é a articulação das ações do SUAS para a inclusão social das famílias em situação de vulnerabilidade social com sífilis, HIV/aids, hepatites virais, tuberculose e hanseníases, em cada seção da aula serão apresentadas as iniciativas de forma objetiva e, em seguida, as possibilidades de intersecção entre as duas áreas de proteção: saúde e assistência social. Vamos à aula! PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 106 CONHECENDO O PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA Certamente, você já ouviu falar do Programa Bolsa Família (PBF), a iniciativa governamental de transferência de renda considerada como a maior do mundo em termos de famílias beneficiadas. O programa foi criado em 2003 como o propósito de diminuição da pobreza e da desigualdade por meio da transferência condiciona- da de renda às famílias. Figura 6 – Programa Bolsa Família Fonte: Logotipo do Programa Bolsa Família. Figura acessada na página cujo link é : https://pt.wikipedia.org/wiki/Bolsa_Fam%C3%ADlia, no dia 11 jun. 2021. O Programa Bolsa Família foi criado por meio da Medida Provisória 132 em outubro de 2003 e convertido na Lei 10.836 em janeiro de 2004, regulamentado pelo Decreto 5.209/2004 e, posteriormente, alterado pelo Decreto 7.332/2010, tendo sua gestão descentralizada e compar- tilhada entre todos os entes federativos, União, estados, Distrito Fede- ral e municípios. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 107 O PBF foi desenhado para melhorar a condição de vida da população vulnerá- vel por meio de três eixos básicos de atuação: complementação de renda, acesso a direitos e serviços socioassistenciais. De forma mais clara, entendemos por: Ŋ Complemento da renda: todos os meses, as famílias atendidas pelo Programa recebem um benefício em dinheiro, que é transferido diretamente pelo Governo Federal. Dessa forma, ga- rante-se o alívio mais imediato da pobreza; Ŋ Acesso aos direitos: as famílias devem cumprir alguns compromissos (condicionalidades) com o objetivo de reforçar o acesso à educação, à saúde e à assistência social. Esse eixo ofe- rece condições para as futuras gerações quebrarem o ciclo intergeracional da pobreza, graças a melhores oportunidades de inclusão social; Ŋ Articulação com outras ações: o Programa tem capacidade de integrar e articular várias po- líticas sociais a fim de estimular o desenvolvimento das famílias, contribuindo para superarem a situação de vulnerabilidade e de pobreza. Destacam-se as políticas nas áreas de saúde, edu- cação, assistência social. Segundo dados recentes da gestão federal do programa, o PBF conta com cerca de 14 milhões de famílias beneficiárias, das quais praticamente metade reside na região Nordeste e pouco mais de um quarto reside na região Sudeste. Claro está que essa concentração das famílias beneficiárias do Programa diz muito sobre a distribuição da população pobre no Brasil (Nordeste e Norte). Veja o mapa a seguir. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 108 É possível apreciar a distribuição das famílias beneficiárias do PBF pelo total de famílias de cada estado no mapa abaixo. Pode- -se ver que a maior parcela da população de beneficiários por es- tado esteve concentrada nas regiões Nordeste e Norte (preenchi- dos pela cor verde). Destaque para Maranhão, Piauí, Bahia, Paraíba, Pernambuco e Sergipe (verde escuro), cujo percentual de famílias beneficiárias do Programa superou os 13% do total de famílias de cada estado. �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� ����� ������������������ ������������������ ������������������� �������������������� �������������� � �� �������������� � � Fonte do mapa: Portal Transparência. Segundo critérios do Ministério da Cidadania, o PBF atende famílias que vivem em situação de pobreza monetária classificadas por duas categorias: PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 109 1. Famílias extremamente pobres (renda per capita menor de R$ 89,00 mensais); 2. Famílias pobres (renda per capita entre R$ 89,01 e R$ 178,00 mensais), desde que tenham crianças e/ou adolescentes de 0 a 17 anos. O valor que a família recebe mensalmente corresponde à soma de vários tipos de benefícios previstos no Programa. Os tipos e as quantidades de benefícios que cada família recebe dependem da renda e composição familiar (número de pesso- as, idades, presença de gestantes etc.). Logo a seguir, apresentamos os três crité- rios para os benefícios: básico, variável e de superação da extrema pobreza. Ŋ Benefício Básico: pago apenas às famílias extremamente pobres (renda mensal por pessoa de até R$ 89,00). Ŋ Benefícios Variáveis (até cinco por família): pago às famílias com renda mensal de até R$ 178,00 por pessoa. Segue as seguintes modalidades: Benefício Variável Vinculado à Criança ou ao Adolescente de 0 a 15 anos (é exigida frequência escolar das crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos de idade, bem como vacinação e acompanhamento nutricional de crianças meno- res de 7 anos); Benefício Variável Vinculado à Gestante (a beneficiária se torna elegível ao be- nefício se sua gravidez for identificada pela área de saúde e a informação inserida no Sistema Bolsa Família na Saúde, sendo realizadas nove parcelas mensais do benefício); Benefício Vari- ável Vinculado à Nutriz (pago às famílias que tenham crianças com idade entre 0 e 6 meses em sua composição, para reforçar a alimentação do bebê, mesmo nos casos em que o bebê não more com a mãe, havendo seis parcelas mensais do benefício); e Benefício Variável Vinculado ao Adolescente (até dois por família): pago às famílias que tenham adolescentes entre 16 e 17 anos em sua composição (é exigida frequência escolar dos adolescentes). Ŋ Benefício para Superação da Extrema Pobreza (valor calculado individualmente para cada família): O valor do benefício é calculado caso a caso, de acordo com a renda e a quan-tidade de pessoas da família, para garantir que a família ultrapasse o piso de R$ 89,00 de renda por pessoa. O PBF tem um papel importante no reforço ao acesso à educação e à saúde das famílias por meio de alguns compromissos, chamados condicionalidades. Mas não são apenas os beneficiários que têm a responsabilidade de cumprir esses com- promissos. O poder público também deve ter foco nessas famílias ao garantir-lhes a oferta e a qualidade dos serviços. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 110 As condicionalidades na área de educação são: Ŋ Os responsáveis devem matricular as crianças e os adolescentes de 6 a 17 anos na escola. A frequência escolar deve ser de, pelo menos, 85% das aulas para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos e de 75% para os adolescentes que recebem o benefício variável; Ŋ Para as situações em que as crianças ou os adolescentes tenham que faltar às aulas, é impor- tante que a família informe o motivo na escola, o qual deverá ser marcado no Sistema Presença – sistema onde se registra o acompanhamento da frequência escolar – do Ministério da Edu- cação. As condicionalidades na área de saúde são: Ŋ Os responsáveis devem levar as crianças menores de 7 anos para serem acompanhadas pelas equipes de saúde, de maneira a serem vacinadas de acordo com o calendário nacional de imu- nização preconizado pelo Ministério da Saúde, também com a finalidade de pesar, medir e fa- zer o acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento, além de participar de atividades educativas sobre o aleitamento materno e os cuidados gerais para a alimentação e saúde das crianças. As gestantes devem fazer o pré-natal, ir às consultas na unidade de saúde e participar de atividades educativas sobre o aleitamento materno e os cuidados gerais para a alimentação e saúde das crianças. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 111 As condicionalidades não têm uma lógica de punição, mas de garantia de que direitos sociais básicos cheguem à população em situação de pobreza e extrema pobreza. Por isso, o poder público, em todos os níveis, também tem um compromisso: assegurar a oferta de tais serviços. O acompanhamento das condicionalidades permite ao poder público mapear os principais problemas vivenciados pelas famílias, relacionados à oferta dos serviços ou à dinâmica sociofamiliar, as- sim como identificar as áreas e as ocorrências de maior vulnerabili- dade. Com isso, é possível construir diagnósticos sociais territoriali- zados e programar medidas que contribuam para orientar as ações de governo de forma intersetorial, principalmente no âmbito das políticas sociais. É interessante observar que os três níveis de governo (federal, estadual e mu- nicipal) trabalham em conjunto para acompanhar os compromissos do PBF. Essa operação envolve o registro e acompanhamento das informações sobre a frequên- cia escolar e sobre a agenda da saúde de milhões de pessoas beneficiárias. Todo esse esforço se justifica para: Ŋ Garantir que o poder público ofereça, efetivamente, os serviços de educação e de saúde à po- pulação em situação de pobreza e extrema pobreza; Ŋ Identificar quadros de vulnerabilidades entre as famílias que estão com dificuldades para aces- sar esses serviços públicos; Ŋ Encaminhar famílias para a rede de assistência social, a fim de que elas possam superar a vul- nerabilidade e voltar a acessar seus direitos; Ŋ Contribuir para o desenvolvimento saudável das crianças e para que os estudantes de famílias do PBF concluam a educação básica, tendo melhores condições de vencer o ciclo de pobreza. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 112 Vale ressaltar que cabe ao SUAS a responsabilidade do acompanhamento às famílias beneficiadas pelo PBF que estão em situação de descumprimento das con- dicionalidades. A atuação da rede de assistência social seria no sentido de apoiar na superação de vulnerabilidades que afetam o cumprimento das agendas nas áre- as de saúde e educação, a fim de que voltem a acessar esses direitos. Se a família tiver dúvidas sobre o valor de seu benefício, ela deve ser orientada a procurar o setor responsável pelo Cadastro Único e pelo PBF na sua cidade ou ligar para a Central de Relacionamento do Minis- tério da Cidadania, no telefone 121. A ligação é gratuita. O ponto de contato entre os sistemas únicos de saúde e de assistência social no PBF se dá de várias formas. Aqui, atentamos para algumas principais: Ŋ A transferência de renda apresenta impacto positivo sobre o consumo familiar, gerando melho- ra do estado nutricional de seus membros. Isto leva também à diminuição da taxa de mortali- dade das crianças, principalmente por óbito por causas evitáveis (relacionadas à desnutrição e outras relacionadas à falta de saneamento básico nos domicílios); Ŋ A transferência monetária auxilia na melhoria das condições de higiene e de saneamento bá- sico, podendo levar à diminuição dos casos de hepatites virais, em especial de crianças e ado- lescentes. Outro ponto de destaque é o efeito da renda na promoção da qualidade de vida de pessoas acometidas por hanseníase e de suas famílias, uma vez que a doença possui elevada discriminação social; Ŋ Por meio da condicionalidade em saúde, crianças e gestantes apresentam maior frequência aos serviços de saúde, seja pela vacinação ou por exames pré-natais. Foi observado aumento da oferta dos serviços em saúde para as famílias vulneráveis em regiões mais pobres, cuja co- bertura em saúde é mais frágil; Ŋ Com as consultas regulares das gestantes, foi possível identificar casos em que as mães tes- tam positivo para HIV, hepatite viral ou sífilis, o que pode evitar ou atenuar o contágio (trans- missão vertical) que é caracterizado pela transmissão da doença da mãe para criança, ou durante a amamentação; PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 113 Ŋ Por meio do trabalho social com as famílias pelas equipes de referência da assistência social dos CRAS e CREAS, foi possível identificar carências em saúde das famílias vulneráveis. Os serviços socioassistenciais estão presentes em quase todos os municípios, especialmente os serviços de Proteção Social Básica (CRAS), que são a porta de entrada à assistência social das famílias vulneráveis. Essas equipes detêm conhecimento do território e atuam em articulação com outras políticas; Ŋ Parte integrante do trabalho com as famílias envolve aspectos relacionados ao cuidado de seus membros com disponibilização de informações de educação sexual, podendo evitar o acometi- mento de doenças sexualmente transmissíveis (HIV, hepatites virais e sífilis). Outras duas doen- ças que estão no foco das discussões são a hanseníase e a tuberculose, cuja suspeita de infec- ção pode ser feita pelas equipes da assistência social e encaminhada aos serviços em saúde; Ŋ Pode-se observar que o PBF permite uma série de oportunidades de relacionar os serviços da assistência social e de saúde na melhora da saúde e qualidade de vida das famílias em situação de vulnerabilidade com membros acometidos por HIV e coinfecções, favorecendo o tratamento adequado de uma ou mais doenças. Ŋ Há evidências científicas que mostram a importância do enfrentamento dos determinantes so- ciais da doença e da oferta de proteção social à pessoa com tuberculosepara melhores des- fechos do tratamento: pessoas com tuberculose cadastradas no Cadastro Único que recebem o Programa Bolsa Família, quando comparadas com aquelas que não recebem, apresentam maior percentual de cura e menor percentual de abandono do tratamento. Para concluir esta seção, sugerimos fortemente que você assista à entrevista Sr. Eduardo Pereira, sobre o programa de transferência de renda do governo federal em entrevista ao Programa Papo Social. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 114 BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA DA LEI ORGÂNICA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL (BPC/LOAS) O Benefício de Prestação Continuada (BPC) é um direito social assegurado na Constituição de 1988 e garante um salário-mínimo às pessoas com deficiência de qualquer idade e pessoas idosas com 65 anos ou mais que comprovem não possuir meios para prover a própria manutenção ou tê-la provida por sua família. Sua regu- lamentação é dada pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), Lei nº 8.742, de 07 de dezembro de 1993, e pelo Decreto nº 6.214, de 26 de setembro de 2007 alte- rado pelo Decreto nº 8.805, de 7 de julho de 2016. É importante ressaltar que a LOAS considera não possuir meios para prover a própria manutenção ou tê-la provida por sua família: a família cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto) do salário-mínimo vigente.1 Figura 7 – Benefício de Prestação Continuada. Fonte: Logotipo do Benefício de Prestação Continuada. Figura acessada na página cujo link é : https:// www.saudades.sc.gov.br/noticias/index/ver/codNoticia/555592/codMapaItem/8565, no dia 11 jun. 2021. Pessoa com deficiência: pessoa com deficiência é aquela que apresenta im- pedimentos de natureza física, mental, intelectual ou sensorial de longo prazo (aquele que produza efeitos pelo prazo mínimo de dois anos), que, na interação com barrei- 1 Observar a atualização da LOAS trazida pela Lei n 14.176, de 22 de junho de 2021, para estabelecer o critério de renda familiar per capita para acesso ao benefício de prestação continuada, estipular parâmetros adicionais de caracterização da situação de miserabilidade e de vulnerabilida- de social e dispor sobre o auxílio-inclusão [...] e dá outras providências. º PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 115 ras sociais, a impossibilita de participar de forma plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições com as demais pessoas. No caso deste público, além da análise do critério da renda mensal familiar per capita, é realizada uma avaliação social e médica da deficiência conforme preconi- za a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência e seu Protocolo Fa- cultativo (ONU/2007). Tais avaliações são realizadas respectivamente pelo Serviço Social e pela Perícia Médica do INSS. Idoso: para acesso ao BPC, é considerada elegível a pessoa idosa com 65 anos de idade ou mais. Esta parcela da população se torna cada vez mais relevante no debate público, uma vez que a população brasileira passa por um processo de- mográfico de envelhecimento (decorrente da diminuição das taxas de fecundidade e aumento da esperança de vida) e empobrecimento, se não houver medidas de proteção social. O BPC e outros benefícios previdenciários asseguram renda, mas essa população também necessita de maior atenção à saúde nessa fase da vida. O Benefício de Prestação Continuada (BPC) da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) é um benefício individual, intransfe- rível, não contributivo, com parcelas continuadas, orçamento defi- nido e regras próprias. Instituído na Constituição Federal de 1988, compõe as proteções da assistência social como um direito. Como dito, para os dois públicos do BPC se faz necessário que a renda por pessoa do grupo familiar seja menor que ¼ do salário-mínimo vigente. Além disso, as pessoas com deficiência também precisam passar por avaliação médica e social realizadas por profissionais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e estar PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 116 cadastradas no Cadastro Único. Por se tratar de um benefício assistencial, não é necessário ter contribuído ao INSS para ter direito a ele. Segundo dados recentes do Ministério da Cidadania, acessados pelo Portal da Transparência, cerca de 5 milhões de pessoas com deficiência possuem registro no Cadastro Único; já pessoas com 65 anos ou mais: 5,8 milhões. Ou seja, estamos falando de um universo de mais de 10 milhões de pessoas em situação de vulnera- bilidade, dos quais 4,7 milhões são beneficiários do BPC. É possível observar que a maior parte dos beneficiários reside nos estados das regiões Nordeste e Norte, seguindo a concentração de famílias vulneráveis no território nacional. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 117 É possível observar a incidência dos benefícios de BPC ofer- tados em relação à população total por estado no mapa a seguir. Pode-se perceber que a maior parcela de beneficiários por estado está concentrada nas regiões Nordeste e Norte. Destaque para os estados do Ceará, Pernambuco, Alagoas e Bahia na região Nordes- te; Acre e Amapá na Região Norte; e o estado do Mato Grosso do Sul. Para estes estados, os percentuais registrados para fevereiro de 2021 estavam acima de 3% (verde escuro). �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� �� ����� ������������������ ������������������ ������������������ ������������������ �������������� � �� ���� ���������� � � Fonte do mapa: Portal Transparência. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 118 Para se cadastrar e receber o benefício, a pessoa deve se inscrever no sistema “Meu INSS” ou ligar para o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) no telefone 135. A ligação é gratuita. Também é possível buscar orientações junto ao CRAS da cidade. Por se tratar de um benefício, o BPC permite que as pessoas com deficiência e pessoas com 65 anos ou mais em situação de vulnerabilidade sejam acompanha- das pelos serviços socioassistenciais, reforçando a importância da integração en- tre serviços, benefícios, programas e transferência de renda. Também é relevante a possibilidade de articulação entre as áreas de saúde e assistência social para uma proteção integral, considerando que os serviços de saúde podem identificar pes- soas em vulnerabilidade e ou risco social e as equipes da assistência social podem identificar (ou suspeitar) de doenças, especialmente aquelas com fortes determi- nantes sociais e realizar o devido encaminhamento à saúde. Nesse público também é comum a existência de pessoas que dependem de cuidados de terceiros (familiar, de outras redes, como vizinhança ou família extensa, e/ou ainda das políticas públi- cas) para realizar atividades do dia a dia e evitar violações de direitos relacionadas às negligências e ao abandono, entre outras. Para concluir esta seção, sugerimos que assista o vídeo sobre as princi- pais regras de funcionamento do BPC. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA,PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 119 PROGRAMA CRIANÇA FELIZ O Programa Criança Feliz (PCF) é uma iniciativa do Governo Federal, em con- junto com estados e municípios, com finalidade de apoiar as famílias em seu papel protetivo, além de ampliar a rede de atenção e cuidado para o desenvolvimento in- tegral das crianças na primeira infância (faixa etária entre 0 e 6 anos). O programa tem como principais ações as visitas domiciliares e a articulação com os serviços intersetoriais (principalmente os serviços socioassistenciais, saúde, educação, cultura e direitos humanos) com o objetivo de promover o desenvolvi- mento de crianças na fase de primeira infância. As visitas domiciliares do Programa têm duração média de 45 minutos e acontecem de forma planejada e sistemática. Nelas, os visitadores realizam orientações sobre práticas que fortalecem o desen- volvimento da criança, os vínculos familiares, bem como sobre o acesso a diversos serviços para a garantia de direitos das famílias. O Programa estimula a responsabilidade dos adultos, que são referência para a criança no seu dia a dia, estabelecendo vínculos afetivos mais próximos durante os seus primeiros anos de vida. Promove também o encorajamento para o desenvolvi- mento de atividades lúdicas envolvendo outros membros da família, com o intuito de fortalecer os vínculos familiares e comunitários e estimular o desenvolvimento infantil. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 120 Figura 8 – Programa Criança Feliz Fonte: Logotipo do Programa Criança Feliz. Figura acessada na página cujo link é: https://site.sorriso.mt.gov.br/ noticia/sorriso-comeca-implantar-acoes-do-programa-federal-crianca-feliz-5f03327d82899, no dia 11 jun. 2021. O Programa reforça a implementação do Marco Legal da Primeira Infân- cia, Lei 13.257/2016, que ressalta a necessidade da integração de esfor- ços da União, dos estados, dos municípios, das famílias e da sociedade no sentido de promover e defender os direitos das crianças e ampliar as políticas que promovam o desenvolvimento integral durante essa im- portante fase de desenvolvimento. Os objetivos específicos do programa são: Ŋ Promover o desenvolvimento humano a partir do apoio e do acompanhamento do desenvolvi- mento infantil integral na primeira infância; Ŋ Apoiar a gestante e a família na preparação para o nascimento e nos cuidados perinatais; Ŋ Colaborar no exercício da parentalidade, fortalecendo os vínculos e o papel das famílias para o desempenho da função de cuidado, proteção e educação de crianças na faixa etária de até seis anos de idade; Ŋ Mediar o acesso da gestante, das crianças na primeira infância e das suas famílias às políticas e aos serviços públicos de que necessitem; Ŋ Integrar, ampliar e fortalecer ações de políticas públicas voltadas para as gestantes, crianças na primeira infância e suas famílias. Além disso, o Programa Criança Feliz propõe, na sua metodologia de visitas domiciliares, o fortalecimento de vínculos propiciados por meio do cuidado integral PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 121 e responsivo às crianças com e sem deficiência e suas famílias, colaborando direta- mente para a visibilidade deste público no território e a construção de possibilida- des na oferta adequada dos serviços. As equipes do PCF estão referenciadas aos CRAS e em contato direto com distintos serviços do SUAS por meio da Proteção Social Básica e da Proteção So- cial Especial (equipes de referência do CREAS, Centros Dia e serviços específicos de acolhimento), podendo ampliar a sua capacidade de ação em crianças na fase de primeira infância e o diálogo com equipes do SUS. Por esse motivo, não apenas as crianças são beneficiadas pela cobertura dos serviços das equipes das áreas de assistência social e saúde, mas também os demais membros da família. Cabe apontar que as atribuições das equipes de visitadores são de conhecer e nos aproximar da realidade social das famílias, identificar situações de vulnerabi- lidade social, repassar informações e identificar desafios, riscos e violações de di- reitos, assim como potencialidades das famílias. Portanto, coloca-se como positivo que as equipes de referência do PCF atuem na disseminação de orientações para prevenção de doenças e apoiem (via CRAS) no devido encaminhamento para os serviços de saúde para aquelas identificadas entre os membros das famílias visi- tadas. Destacam-se doenças por transmissão vertical (mãe-bebê), como é o caso do HIV, hepatites virais e sífilis, além de outras que estão correlacionadas às popu- lações vulneráveis devido à precariedade com relação ao saneamento básico e à alimentação adequada (tuberculose e hanseníase). Para concluir esta seção, sugerimos que assista o vídeo sobre as princi- pais regras de funcionamento do Programa Criança Feliz. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 122 SISAN – SISTEMA NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL No Brasil, o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN – organiza as políticas de promoção e acesso aos alimentos, acesso à água, fomento à produção, comercialização e consumo de alimentos da agricultura familiar. Este sistema está instituído na Lei nº 11.346, de 2006, e assegura a consecução do Direito Humano à Alimentação Adequada – DHAA. O Direito Humano à Alimentação Adequada corresponde ao direito de todas as pessoas ao acesso regular, permanente e irrestrito a alimentos seguros e saudá- veis, em quantidade e qualidade adequadas e suficientes, que respeitem as tradi- ções culturais. O DHAA pode ser impactado por situações de Insegurança Alimentar e Nutri- cional – (InSAN), quando ocorre a falta de acesso aos alimentos, podendo impactar sobre as situações de saúde das famílias e, no caso das crianças, sobre o cresci- mento e desenvolvimento infantil. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 123 ������������������������ ��������������� � ������� �� �� ���� ����������� ������������ ��� ������� ��� ������ �� ������ ���������� ��������� ��������� ��������� ����� ����� ��������� ���� �������� �������� ��� ���������� ��� ������ � ����� �� ��� � ���� � ������� �� ������ ���� ������ ����� ������ ���������� � �� ������������ ����������� �������� Figura 9 – Representação gráfica das dimensões da alimentação adequada Fonte: O direito humano à alimentação adequada e o sistema nacional de segurança alimentar e nutricional / organizadora, Marília Leão. Brasília: ABRANDH, 2013, p. 28. O SISAN tem por objetivos formular e implementar políticas e planos de se- gurança alimentar e nutricional, estimular a integração dos esforços entre governo e sociedade civil, bem como promover o acompanhamento, o monitoramento e a avaliação da segurança alimentar e nutricional do país, considerando a diversida- de alimentar e os aspectos sociais e culturais da população brasileira. O SISAN alicerça no Brasil um conjunto de programas sociais voltados à garantia da SAN e consecução do DHAA. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 124 Figura 10 – Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional Fonte: Logotipodo Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Figura acessada na página cujo link é : http://mds.gov.br/caisan-mds/sisan, no dia 11 jun. 2021. Seguindo as dimensões da alimentação adequada do DHAA e da PNSAN, as principais ações do SISAN voltadas principalmente à população vulnerável são: Ŋ Acesso à água (cisternas); Ŋ Fomento rural às atividades produtivas da agricultura familiar; Ŋ Programa de Aquisição de Alimentos (PAA); Ŋ Apoio à agricultura urbana e periurbana, distribuição de alimentos; Ŋ Inclusão produtiva rural de povos e comunidades tradicionais e/ou grupos e populações tradi- cionais e específicos; Ŋ Apoio à estruturação de equipamentos públicos de alimentação e nutrição, como rede de ban- cos de alimentos, Ŋ Restaurantes populares e cozinhas comunitárias; Ŋ Ações de apoio à educação alimentar e nutricional; Ŋ Produção e divulgação de material informativo e de orientação sobre SAN etc. Estas ações e programas do governo federal propiciam condições mínimas para a garantia do direito constitucional à alimentação adequada e refletem a preocupação em mitigar as situações de InSAN, ao reconhecer que a SAN configura uma forma de proteção social, em que a garantia do acesso à água e a alimentos é fundamental. Cada ação do SISAN possui público e área de abrangência geográfica específicos. Isso se deve às particularidades de cada iniciativa aplicada ao território nacional. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 125 As ações executadas pelo SISAN possuem enorme relação e articulação com os serviços ofertados para as famílias vulneráveis assistidas pelas áreas de assis- tência social e saúde. A ênfase é clara para as equipes de referência do CRAS e das UBS, cujo trabalho com as famílias está intimamente relacionado às peculiaridades do território onde residem. O mesmo enfoque territorial possui as ações do SISAN, uma vez que está orientada praticamente ao mesmo público. Destaca-se a possibilidade dos CREAS e Centros Pop identificarem riscos ad- vindos da insegurança alimentar e nutricional, que agravam as situações de violação de direitos, como no caso da População em Situação de Rua, um dos públicos mais vulneráveis. É de grande importância que os equipamentos públicos de SAN, assim como os restaurantes populares, priorizarem este público, evitando discriminação e barreiras de acesso. É por meio de parcerias, estabelecimentos de fluxos, diálogo e articulações que é possível a efetivação dos encaminhamentos e atendimento das demandas identificadas. Além disso, por meio das equipes socioassistenciais e de saúde, pode se dar a prevenção e o tratamento da hanseníase, tuberculose e vários tipos de hepati- tes virais em jovens e adultos, sobretudo em áreas rurais e populações específicas (quilombolas e indígenas). Destaque também para os Centros Pop, que estão em articulação com os Programas de SAN, e com os serviços básicos em saúde, para o grupo acometido por tuberculose. Assim, esse público terá condições de ser acom- panhado pelas equipes da assistência social e saúde de forma complementar, am- pliando e evitando casos de desistência no tratamento. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 126 Segundo o Mapa da Insegurança Alimentar (CAISAN, 2018), 90 municípios estão em situação de vulnerabilidade nutricional mui- to alta: 31 na Região Nordeste, 29 na Região Norte, 11 na Região Sul, 8 na Região Sudeste e 7 na Região Centro-Oeste. Fonte: CÂMARA INTERMINISTERIAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL – CAISAN. Mapeamento da Insegurança Alimentar e Nutricional com foco na Desnutrição a partir da análise do Cadastro Único, do Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) e do Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena (SIASI) 2016. Brasília: CAISAN, 2018. p. 19-20. Para concluir esta seção, sugerimos que assista o vídeo sobre as prin- cipais regras de funcionamento do Sistema Nacional de Segurança Ali- mentar e Nutricional. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE SUPERAÇÃO DA POBREZA, PRIMEIRA INFÂNCIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL 127 O QUE APRENDEMOS NESTA AULA: Ŋ Objetivos do Programa Bolsa Família, condicionalidades do Programa e PBF: pontos de conta- to entre os serviços de assistência social e saúde; Ŋ Objetivos do BPC, público-alvo do benefício e BPC: pontos de contato entre os serviços de as- sistência social e saúde; Ŋ Objetivos do Programa Criança Feliz, cuidados na primeira infância e PCF: pontos de contato entre os serviços de assistência social e saúde; Ŋ Objetivos do SISAN, serviços ofertados pelo Sistema e SISAN: pontos de contato entre os ser- viços de assistência social e saúde. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE ARTICULAÇÃO SUS E SUAS 128 AULA 8 – ARTICULAÇÃO SUS E SUAS Prezado cursista, você chegou à última aula da Unidade 1. Nesta unidade, você conheceu muitos elementos importantes sobre o trabalho realizado no Sistema Úni- co de Saúde (SUS) e no Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Você percebeu que as necessidades apresentadas pelas famílias e pelos indi- víduos em situação de vulnerabilidade e risco social podem ser múltiplas e deman- dar respostas de diversas políticas públicas? As políticas públicas apresentam uma noção de incompletude em si mesmas e buscam essa complementaridade nos ser- viços e equipes que formam a rede presente no território em que atuam, no intuito de ampliar a capacidade de resposta às necessidades da população. Nesta unidade, tratamos especificamente da articulação entre SUS e SUAS considerando que as condições de moradia, alimentação, renda e acesso à informa- ção, por exemplo, podem ser determinantes para o contágio e a falta de tratamento adequado para determinadas doenças. Isso significa que, ao acessar os diversos direitos sociais, como proteção social, renda, alimentação, educação e moradia, isso ensejará condições mais favoráveis ao cuidado e à manutenção da saúde de pes- soas em situação de vulnerabilidade. A atuação articulada no território é um fator crítico de efetividade das políticas públicas e, para ilustrar um pouco do que aprendemos nesta unidade, convidamos você a acompanhar, no Ambiente Virtual de Aprendizagem, a radionovela “Um dia de Maria”. Vamos lá! EPISÓDIO 1 – Informação é direito e poder! EPISÓDIO 2 – Trabalho social com famílias: autonomia e empoderamento PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE ARTICULAÇÃO SUS E SUAS 129 EPISÓDIO 3 – Articulação de políticas no território EPISÓDIO 4 – Superando o contexto de violência Gostou de escutar a radionovela em podcast? Percebeu a importância da ar- ticulação intersetorial no território? Depois de ter aprendido um pouco mais sobre o Sistema Único de Saúde e o Sistema Único de Assistência Social, as unidades e ofertas, bem como possibilidades de articulação em prol da concretização de direi- tos à população mais vulnerável, você agora está convidado(a) a conhecer a Unida- de 2 – Dimensão social e vulnerabilidades relacionadas à sífilis, HIV/aids, hepatites virais, tuberculose e hanseníase. PROTEÇÃO SOCIAL DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL COM SÍFILIS, HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HANSENÍASE OU TUBERCULOSE ARTICULAÇÃO SUS E SUAS 130 REFERÊNCIAS ABRAHÃO, J. Política Social, distribuição de renda e Crescimento Econômico. In: FONSECA, Ana; FAGNANI, Eduardo(org.). Políticas sociais, desenvolvimento e cidadania. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2013. p. 167-196. ARAÚJO, E. T. de. Proteção social no SUAS a indivíduos e famílias em situa- ção de violência e outras violações de direitos: fortalecimento da rede socio- assistencial. Salvador: Ministério da Cidadania; Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação; Secretaria Nacional de Assistência Social; Universidade Federal da Bahia, 2020. AYRES, J. R. C. M. et al. O conceito de vulnerabilidade e as práticas de saúde: no- vas perspectivas e desafios. In: CZERESNIA, D.; FREITAS, C. M. (org.). Promoção da saúde: conceitos, reflexões, tendências. 2. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2009. p.116-39. 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