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Anamnese ou história clínica A competência de realizar uma boa anamnese determina as etapas seguintes da interação com o paciente. A evolução por meio dessas etapas revelará o perfil multifacetado do paciente à sua frente. Paradoxalmente, as mesmas habilidades que possibilitam avaliar qualquer paciente também ajudam a vislumbrar a imagem do ser humano único que foi confiado a seus cuidados. Avaliação do paciente Avaliação abrangente: É adequada para pacientes novos no consultório ou hospital, fornece conhecimentos fundamentais e personalizados sobre o paciente, fortalece a relação médico-paciente, ajuda a identificar ou descartar causas físicas relacionadas com queixas do paciente, compõe uma linha de base para avaliações futuras, cria uma plataforma para medidas de promoção de saúde mediante educação e orientação, desenvolve proficiência em habilidades essenciais ao exame físico. Avaliação focalizada: É adequada para pacientes já conhecidos, principalmente durante consultas de rotina ou urgência. aborda queixas ou sintomas localizados; Aplica métodos de exames relevantes à avaliação das queixas ou problemas da maneira mais exata e cuidadosa possível. Dados subjetivos: o que o paciente conta pra você, a anamnese, desde a queixa principal até a revisão de sistemas. Dados objetivos: o que você detecta durante o exame; todos os achados do exame físico → peso, idade, altura, IMC, FC, FR, FP, temperatura. Patrick de Sousa Torres - Med UFMG 155 ai more uma anamnese tu sabe fazer não esquece dos atributos da dor, é isto. Anamnese abrangente do adulto https://www.youtube.com/watch?v=ajrP2l2NVl8 CEFALEIA é um sintoma muito comum nos pacientes que procuram atendimento de rotina ou de urgência. A maioria dos pacientes que procura atendimento por cefaléia é portadora de cefaléias primárias, que cursam com história rica e exames clínicos e neurológicos normais. Generalidades avaliação: deve incluir os 7 atributos da dor + análise do ambiente em que o paciente vive, evolução prévia do quadro, impacto funcional e história familiar. diagnóstico: é fácil reconhecer a cefaléia aguda associada a glaucoma, sinusite aguda, hemorragia subaracnóidea ou meningite bacteriana, ou mesmo a cefaléia associada a um tumor de evolução mais lenta. É mais difícil diagnosticar as cefaléias recorrentes, crônicas, não acompanhadas de outros sintomas. Cefaleia é uma doença cujo diagnóstico é CLÍNICO. enxaqueca: também chamada de hemicraniana com aura. É uma síndrome que se inicia com sintomas premonitórios visuais, sensoriais e motores. Geralmente está acompanhada de intolerância à luz e aos sons, com náuseas ou vômitos. A dor piora com atividade física e pode ter caráter pulsátil. Crises duram de 4 a 72 horas. Não há sugestão de doença orgânica de base. Alguns alimentos podem agravar (café, chocolate) e alguns hábitos também (falta de sono). A aura é o diagnóstico diferencial. cefaleia do tipo tensional: dor em pressão/aperto, de intensidade leve a moderada, geralmente bilateral, que não piora com a atividade física. Intolerâncias à luz e aos sons estão geralmente ausentes e quando presentes são de menor intensidade, nunca estando presentes ao mesmo tempo. Podem ser divididas em episódicas (duram menos de 15 dias por mês ou menos de 180 dias por ano; relacionadas a ansiedade) e crônicas (duram mais de 15 dias por mês ou mais de 180 dias por ano, associadas a pacientes deprimidos). Cefaleia em peso ou pontada, menos intensa que a enxaqueca. Geralmente não acompanham náuseas ou vômitos. cefaleia em salva: dor obrigatoriamente unilateral, de grande inten- sidade e localização orbital, supra-orbital ou temporal, com duração de 15 a 180 minutos, podendo ocorrer de um a oito episódios diários. Os episódios acompanham-se de fenômenos autonômicos (hiperemia conjuntival, lacrimejamento, congestão nasal, rinorréia, sudorese facial, ptose e edema de pálpebra). A dor é de forte intensidade, ficando o paciente desesperado, segurando a cabeça entre as mãos e às vezes perdendo totalmente o controle emocional. O fáscie do paciente com cefaléia em salvas é leonino, com sulcos na testa e rugas profundas na região nasolabial. A pele apresenta-se espessada e com poros grandes. Os pacientes são grandes fumantes e ingerem quantidades expressivas de álcool. cefaleias secundárias: acontecem secundárias a sintomas primários (duh!); podem surgir em situações de febre, hipertensão, sinusite aguda ou crônica, cefaléia associada a exercício, orgasmo, tosse e espirro (relacionada a esforço súbito), cefaléia associada a medicamentos, cefaléia pós-traumatismo. Patrick de Sousa Torres - Med UFMG 155 dor abdominal Dor é uma manifestação inerente ao indivíduo. A percepção pode variar, a depender de fatores psicossociais, culturais e educacionais. No caso do abdome, a compreensão da dor pode ser crítica para a definição do diagnóstico e conduta que, a depender do caso, pode ser urgente ou expectante. Generalidades tipos: viscerais, parietais e profundas. mecanismos de percepção: 1 - através das fibras do SNA, vinda do intestino ou do peritônio (a chamada dor visceral); 2 - fibras do SNC, originadas da parede abdominal, incluindo peritônio parietal e porção mesentérica do intestino delgado (a chamada dor somática/parietal) dor visceral: as dores viscerais se originam de vísceras ocas que apresentam espasmos ou estiramentos, são agudas, em cólica, com ataques intermitentes que variam em intensidade e com intervalos sem dor, de localização indefinida, próxima à linha média, acompanhada de agitação psicomotora, náuseas, vômitos, palidez e sudorese. Há melhora quando o paciente se movimenta, agacha ou dobra o tórax sobre o abdome, comprimindo a região. Piora no repouso. Tendem a se irradiar. dor parietal: originam-se primariamente do peritônio parietal incluindo parede abdominal e retroperitônio, sendo desencadeadas a partir de qualquer forma de injúria dos tecidos. Seu caráter varia desde dor surda a cortante, contínua, com localização circunscrita, assimétrica. O paciente procura se manter quieto, refere piora com tosse, espirros e movimentos em geral. dor referida: sensação dolorosa superficial localizada a distância da estrutura responsável pela mesma. O fenômeno se deve à convergência de impulsos dolorosos viscerais e somáticos superficiais e profundos. São exemplos: dor epigástrica ou periumbilical, que ocorre nas fases iniciais da apendicite aguda, e a dor referida no ombro direito do paciente portador de colecistite. abdome agudo: dor abdominal severa de etiologia não definida durando várias horas. É considerada emergência clínica ou cirúrgica devido aos sinais e sintomas clínicos e efeitos sistêmicos. Se não tratado, evolui com piora dos sintomas e deterioração do estado geral. sintomas locais do abdome agudo: o sintoma mais importante é a dor abdominal, que é o sintoma-guia, e pode ser percebida como cólica ou dor contínua. O abdome agudo cirúrgico envolve irritação peritoneal localizada ou generalizada ou sinais de íleo (dor, cólica, vômito, distensão abdominal…). Os pacientes procuram se manter imóveis. Pode ser observado piora da dor com incursões respiratórias. No abdome agudo clínico a dor não é contínua, não há posição de alívio, e não há sinais de peritonite (ex.: colelitíase). sinais locais do abdome agudo: no exame físico, o silêncio abdominal (RHA-) é observado na peritonite. Um sinal importante de irritação peritoneal é a descompressão dolorosa + dor a percussão no local. Peritonite mais intensa geralmente está presente na topografia do órgão afetado. sinais sistêmicos do abdome agudo: febre, taquicardia, respiração costal, vômitos, soluços, pulso filiforme, língua seca, pletora facial, fascies hipocrática (bochechas colabadas, realce nasal), parada de eliminação de gases e fezes, sede aguda, hipertensão, desidratação, suores frios. causas de abdome agudo cirúrgico: apendiciteaguda; perfuração (gástrica, duodenal); colecistite aguda com peritonite; torções (cisto ovariano, tumores genitais; ruptura de trompa com gravidez ectópica; traumatismo abdominal (ruptura de vísceras ocas, baço, fígado, pâncreas); lesões vasculares. causas de abdome agudo clínico: pancreatite aguda; gastrite aguda; diverticulite aguda; doença de Crohn; cólon irritável; hepatite aguda; congestão hepática aguda; linfadenite mesentérica. causas extra-abdominais que simulam abdome agudo: podem ser retroperitoneais (rins, vias urinárias); torácicas (pneumonia, pleurite, embolia pulmonar, infarto do miocárdio, pericardite, esofagite, espasmo dom esôfago); neurogênicas (neurite, neuralgias, lesões espinhais, herpes zoster); metabólicas (distúrbios endócrinos, hiperparatireoidismo, cetoacidose diabética); intoxicações (chumbo, arsênio); reações de hipersensibilidade; lesões da parede abdominal; lesões no quadril como coxartrose. Patrick de Sousa Torres - Med UFMG 155 dor e febre A dor é um sintoma com componentes sensoriais, cognitivos e afetivo-motivacionais. Aqueles incapazes de sentir dor, geralmente, morrem precocemente em função de múltiplas lesões, principalmente osteoarticulares, complicadas com infecção e grandes escaras de decúbito. Não é apenas uma forma de sensação, mas também de reações reflexas, aprendizado, memorização, respostas emocionais e comportamentais a uma situação dolorosa. Pode ser dividida em crônica ou aguda: ● crônica: persiste por um período superior àquele necessário para a cura de um processo mórbido ou aquela associada a afecções crônicas, ou, ainda, relacionada a lesão do sistema nervoso. Determina acentuado estresse, sofrimento e perda na qualidade de vida. É a maior causa de afastamento do trabalho. ● aguda: é uma importante modalidade sensorial, com papel de alerta. Acompanha manifestações neuro-degenerativas e desaparece com a remoção do fator causal e resolução do processo patológico. Transdução: ativação de nociceptores, com transformação de um estímulo nóxico em potencial de ação. Estímulos mecânicos e térmicos nóxicos promovem, também dano tecidual e vascular local, com liberação e formação de uma série de substâncias Transmissão: vias e mecanismos que permitem que os estímulos alcancem o sistema nervoso central. Modulação: centros e vias responsáveis por suprimir o estímulo doloroso. São ativadas pela própria via nociceptiva. A dor pode ser provocada, também, pela lesão desses centros modulatórios. Opioides endógenos: estimulam as áreas que produzem analgesia. Beta-endorfina, encefalina, dinofina; Patrick de Sousa Torres - Med UFMG 155 Dor nociceptiva: ativação de receptores e transmissão de impulsos pelas vias nociceptoras até o sistema nervoso central, onde serão interpretados. Dor secundária a lesões externas. Começa simultaneamente ao fator causal. A remoção deste provoca, também alívio da dor. Em pontada, facada, agulhada, aguda, rasgando, latejante, surda, contínua, profunda, vaga, dolorimento. Essas denominações sugerem dor tissular. Dor neuropática: decorre de lesão, de qualquer tipo, infligida ao sistema nervoso periférico ou central. Independe de qualquer estímulo externo ou interno, sendo gerada dentro do próprio sistema nervoso. Dor mista: decorre dos dois mecanismos superiores. Dor psicogênica/idiopática: não há substrato orgânico para a dor. Tende a ser difusa, generalizada, imprecisa. Pode mudar de região sem razão aparente. Dor somática superficial: estimulação de nociceptores do tegumento. Bem localizada com qualidade distinta (picada, pontada, rasgando, queimor). Intensidade variável com proporção ao estímulo. Decorre de trauma, queimadura e processo inflamatório. Dor somática profunda: ativação de nociceptores dos músculos, fáscias, tendões, ligamentos e articulações. Provocada por estiramento muscular, contração muscular isquêmica, contusão, ruptura tendinosa e ligamentar, síndrome miofascial, artrite e artrose. Dor difusa, com localização imprecisa, descrita como dolorimento, dor surda, dor profunda ou cãimbra. Intensidade variável com o estímulo, mas geralmente leve a moderada. Pode se manifestar como dor referida. Anatomia funcional da dor Dor visceral: estimulação de nociceptores viscerais. Profunda e difusa, de difícil localização, descrita como dolorimento, surda, vaga, contínua, profunda. Comprometimento primário da víscera (dor visceral verdadeira), secundário do peritônio ou pleura parietal (dor somática profunda), irritação do diafragma ou do nervo frênico, reflexo viscerocutâneo (dor referida). ● Temperatura corporal acima da faixa da normalidade. ● Ação do próprio cérebro ou de substâncias tóxicas que influenciam os centros termorreguladores (pirogênicos). ● Regulação da temperatura corporal requer equilíbrio entre produção e perda de calor. Em algumas poucas infecções, a febre é positiva para controle dos microorganismos. Em algumas condições, o aumento da temperatura também pode ser benéfico para redução dos sintomas. Acelera processos metabólicos e a perda de peso, além de aumentar o trabalho e a frequência cardíacos. Leva, geralmente, à indisposição. Febre: aumento regulado da temperatura corporal que responde a anti-piréticos comuns. Hipertermia: elevações não decorrentes de ação de citocinas, não reguladas e que não respondem a antipiréticos comuns. Esforços causam hipertermia, por exemplo. Febre Classificação fisiopatológica da dor Tipos de dor https://www.youtube.com/watch?v=pY3DHR0y0pI dor torácica Nem sempre o sintoma é referido como dor, às vezes o paciente se queixa de sensação de pressão ou de desconforto torácico. Quando localizada na região do precórdio - dor precordial -, o maior temor do paciente é de que a causa seja cardíaca, significando infarto. Generalidades etiopatogenia: a mais relevante é, sem dúvida, a doença da artéria coronária - principal causa de óbito em adultos no mundo. Outras doenças cardiovasculares devem ser cogitadas, como a pericardite, a dissecção da aorta, a hipertrofia do miocárdio, secundária à estenose aórtica e às hipertensões arteriais sistêmica e pulmonar, e o prolapso da valva mitral. Doenças pulmonares e pleurais, dores oriundas das estruturas da parede torácica, distúrbios do aparelho digestivo, além de origem psíquica do sintoma em pacientes ansiosos. isquemia do miocárdio: resulta da diminuição da oferta de oxigênio (02) pelo fluxo coronário e/ou aumento do consumo de O2 pelo miocárdio. pleuropericardite: as superfícies viscerais da pleura e do pericárdio não possuem inervação sensitiva. A dor resulta de comprometimento do folheto parietal da pleura, geralmente de natureza inflamatória. dor relacionada a grandes vasos: havendo fissura do endotélio ou hematoma na camada média, forma-se uma coluna de sangue na parede do vaso (falso lume) que separa a camada íntima da adventícia, acarretando dor torácica e predispondo a hemorragias fatais. dor da parede torácica: a causa mais frequente de dor torácica é a de natureza neuromusculoesquelética, decorrente de processo inflamatório, degenerativo, traumático ou infeccioso - tação mecânica por fraqueza muscular, obesidade, mamas muito grandes, vícios de postura, bandas cervicais e hipertrofias musculares dor esofágica: que o refluxo gastroesofágico é a causa mais comum de dor torácica relacionada ao esôfago, independentemente da presença de esofagite. doenças pulmonares e pleurais: a dor torácica típica das afecções pleuropulmonares é a dor pleurítica, localizada em um hemitórax, com sensação de peso, pontada ou facada, que caracteristicamente piora com a tosse e com a respiração profunda. Quando a inflamação atinge a superfície diafragmática da pleura, a dor pode irradiar para o ombro e para o pescoço, do mesmo lado. dores do aparelho digestivo: dentre as afecções do aparelho digestivo, as do esôfago, pela sua localização intra torácica, determinam comumente dorou desconforto retroesternal. Em geral a dor é causada por esofagite de refluxo ou espasmo esofágico e acompanha-se de outros sintomas dispépticos como disfagia, pirose e eructação. Patrick de Sousa Torres - Med UFMG 155 Características clínicas angina de peito: é a dor torácica causada por isquemia do miocárdio. Sua localização, na maioria das vezes, é retroesternal ou precordial, podendo irradiar-se para o membro superior esquerdo (face cubital), epigástrio, dorso, pescoço, mandíbula e até mesmo braço direito. Os fatores desencadeantes mais comuns são esforço físico, emoções, frio e refeição copiosa. Melhora com repouso e vasodilatadores sublinguais. A duração é curta, em geral não excede 5 minutos. É classificada da seguinte maneira: 1 - angina estável: quando a dor torácica é fugaz e causada por esforços físicos de mesma intensidade ou outros fatores desencadeantes e mantém-se inalterada por longos períodos. 2 - angina instável: quando a evolução da dor torácica piora, surgindo aos mínimos esforços ou em repouso, na ausência de infarto do miocárdio. pericardite: produz dor torácica retroesternal que piora com a inspiração profunda e com a tosse e pode apresentar irradiação para ombros, dorso ou pescoço, ocasionada por irritação da pleura diafragmática. dissecação da aorta: determina dor súbita de forte intensidade no trajeto da aorta, medioesternal irradiada para o pescoço e para o dorso, na região interescapular. Na maioria das vezes, o paciente é portador de hipertensão arterial. Exame Físico Todo procedimento deve ser explicado previamente ao paciente, considerando a importância, metodologia, manobras e finalidade. Os achados do exame devem ser explicados em linguagem simples ao paciente Sinais vitais: 1. Pressão Arterial; 2. Frequência de pulso (15s se regular, 1 minuto se irregular); 3. Frequência respiratória (crianças 44, 2 anos 22, adultos de 12-20, padrão); 4. Temperatura (melhores vias são orais e retais, mas ainda existe timpânica e axilar. Se o paciente tiver fumado ou tomado líquidos quentes ou frios, deve aguardar 10-15 minutos) Avaliação nutricional: 1. IMC (normal entre 18,5- 24,9; cuidado com a distribuição de gordura/massa magra); 2. Circunferência abdominal (na altura da crista ilíaca. Até 88 para mulher e 102 para homem). . Avaliação do estado geral do paciente: se inicia na entrada do paciente. É uma impressão subjetiva baseado na saúde, higiene e estado mental. Pode ser bom, regular ou mau Avaliação do nível de consciência e do estado mental: inicia também na entrada do paciente, analisando comunicação, comportamento. Exame neurológico e análise psiquiátrica são fundamentais. Deve avaliar orientação temporal, espacial. Avaliação do estado de hidratação e nutrição: Por meio do exame de pele, mucosa, fâneros, tecido subcutâneo, panículo adiposo e indicadores antropométricos ● Peso e edema: bons para analisar hidratação. Edema deve ser analisado considerando a posição que o paciente mais se mantém e sinal do cacifo (compressão do edema). Se o sinal da fóvea aparecer, o aumento do peso corporal pelo edema foi de mais que 10%. Deve ainda analisar elasticidade, consistência, sensibilidade, temperatura e aparência da pele Patrick de Sousa Torres - Med UFMG 155 ● Pele: deve ser analisada a cor (pigmentos, cianose, icterícia), umidade (ressecamento, sudorese, oleosidade), textura, turgor (normal após pinçamento e retorno imediato da pele), elasticidade, espessura, vascularização (compressão rápida do leito ungueal) ● Mucosas: cor (normocoradas, hipocoradas, hipercoradas, graduação em cruzes), umidade, grau de hidratação, vascularização e alterações de cor ● Fâneros (pelos, unhas): quantidade, implantação, distribuição, consistência Avaliação das fácies: atípica ou típica, analisando sobrancelhas, pálpebras, olhos, comissuras labiais. COONG: ● Cabeça: contorno e tamanho do crânio, expressão facial, couro cabeludo, pele, cabelo. RN analisar fontanelas ● Olhos: posição e alinhamento. Analisar amplitude palpebral, coloração, fechamento, edemas. Iris e pupilas em relação ao formato, simetria e tamanho ● Orelha: formato, coloração, higiene, sensibilidade ● Nariz: tamanho, sensibilidade tanto do nariz quanto dos seios frontais e maxilares ● Boca: lábios, mucosa oral, gengiva, dentes, palato duro, língua, assoalho da boca, faringe. Analisar coloração, umidade, nódulos, lesões ● Pescoço: simetria, pele, linfonodos, cicatrizes, lesões. Avaliar glândulas Ectoscopia (Exame Físico Geral) Exame de linfonodos: palpação com movimentos circulares e com maior pressão nos linfonodos profundos. Deve se avaliar os linfonodos da cabeça (retroauriculares, preauriculares, parotídeos, retrofaríngeos, submandibulares, submentonianos), os cervicais (superficiais, profundos, supraclaviculares), axilares, epitrocleares, inguinais e femorais. Avaliar tamanho, consistência, mobilidade e sinais flogísticos Exame da musculatura: inspeção estática e dinâmica analisando estado de trofismo (desenvolvimento. Pode ser eutrofia, hipo/hipertrofia), tonicidade (contração permanente e involuntária. Pode ser eutônico, hiper/hipotônico), força muscular, marcha, postura, reflexos, testes de motricidade, coordenação, exames neurológicos “Paciente em bom estado geral, consciente, orientado no tempo e espaço, fácies atípicas. Mucosas normocoradas, anictéricas, acianóticas e hidratadas. Pele com turgor e elasticidade preservados, coloração, textura, espessura, umidade normais. Pelos de distribuição, implantação, quantidade e consistência compatíveis com a idade e sexo. Unhas de coloração, superfície e formas normais. Boa perfusão capilar. Cavidade oral sem alterações, panículo adiposo conservado. Marcha normal e postura indiferente. Musculatura eutônica e eutrófica, ausência de deformidades esqueléticas, linfonodos superficiais não palpáveis, tireoide normopalpável, ausência de edema subcutâneo.” *considerando que esteja tudo bem! Registro dos sinais vitais e do exame físico geral LOMBALGIA A história clínica deve ser obtida de maneira sequencial e lógica, desde o início dos sintomas, que devem ser descritos minuciosamente e de forma cronológica. As principais afecções da coluna vertebral se manifestam como dor, limitação funcional ou deformidade, sendo que as duas primeiras podem estar associadas. Avaliação da dor início e duração: aguda < 4 semanas; subaguda 4 - 12 semanas; crônica 3 - 6 meses. modo de início: incidente com início imediato da dor, incidente com início retardado da dor; sem incidente e com início súbito, sem incidente e com início gradual e progressivo. dores imediatas a incidentes sugerem lesão estrutural ou fratura; dor súbita com irradiação para o membro inferior esquerdo sugere hérnia de disco na região lombar. tipo: dor mecânica - alivia com o repouso e agrava ao movimento; é autolimitada em até 8 semanas; dor em cólica - ciclos regulares ou irregulares de intensidade, sem relação ao posicionamento do corpo ou movimentação, sugere origem visceral extrínseca à coluna; sinais de alerta: dor noturna ou com piora em repouso, febre, emagrecimento significativo não justificável, história neoplásica prévia, imunossupressão, uso abusivo de drogas injetáveis. intensidade: dores na coluna são sempre muito intensas, mas para quantificá-las é possível utilizar categorias. frequência: seja em dias, semanas, meses ou anos. Dores intermitentes, geralmente, estão associadas a melhor prognóstico que dores constantes. ritmo diário: piora da dor em determinada hora do dia. Pode ajudar no diagnóstico diferencial. localização: cervicalgia, dorsalgia, lombalgia. Dorso é uma região importante de manifestações psicogênicas. Quando a dor é imprecisa, estranha ou não obedecer a qualquer padrão de dor ou anatômico, esse aspecto deve ser investigado. pontos-gatilho: locais bem definidos e hipersensíveis dentro do tecido muscular, que, quando tocados, produzem dordifusa, profunda e mal-localizada nas adjacências. irradiação: pode ser radicular (bem-localizada) ou referida (mal-localizada, profunda) evolução: dor que regride, em geral, denota patologia benigna. Pode, ainda, permanecer inalterada ou ter gravamento abrupto ou lentamente progressivo. A persistente justifica investigação complementar, enquanto a progressiva pode significar agravamento da condição clínica ou doença mais séria subjacente. fatores de alívio ou piora: dicas sobre a origem da dor. fatores de risco associados: psicossociais - podem ampliar os sintomas e atuar como barreiras à recuperação e à eficácia dos tratamentos; ocupacionais - trabalhos físicos pesados podem estar moderadamente associados à lombalgia. individuais - genéticos, peso ao nascer, tabagismo na gravidez, idade > 50 anos, sexo feminino, obesidade, estado geral debilitado, tabagismo, sedentarismo. outros sinais e sintomas: doenças neurodegenerativas podem simular dores na coluna vertebral, problemas relatados em nervos cranianos. Existe a relação, não tão incomum, entre doenças abdominais que se manifestam em dores lombares e vice-versa avaliação da função: redução de função pode ser decorrente de anormalidade anatômica, fisiológica ou psicológica. avaliação de deformidades: história familiar, marcos de desenvolvimento, habilidades motoras, quedas, estirão de crescimento, início de aparecimento de características sexuais e menstruação, evidências de distúrbios metabólicos ou neuromusculares. Patrick de Sousa Torres - Med UFMG 155