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Anamnese ou história clínica
A competência de realizar uma boa 
anamnese determina as etapas 
seguintes da interação com o 
paciente. A evolução por meio 
dessas etapas revelará o perfil 
multifacetado do paciente à sua 
frente. 
Paradoxalmente, as mesmas 
habilidades que possibilitam avaliar 
qualquer paciente também ajudam a 
vislumbrar a imagem do ser humano 
único que foi confiado a seus 
cuidados.
Avaliação do paciente
Avaliação abrangente: É adequada para pacientes novos no 
consultório ou hospital, fornece conhecimentos fundamentais e 
personalizados sobre o paciente, fortalece a relação 
médico-paciente, ajuda a identificar ou descartar causas físicas 
relacionadas com queixas do paciente, compõe uma linha de 
base para avaliações futuras, cria uma plataforma para 
medidas de promoção de saúde mediante educação e 
orientação, desenvolve proficiência em habilidades essenciais 
ao exame físico.
 
Avaliação focalizada: É adequada para pacientes já 
conhecidos, principalmente durante consultas de rotina ou 
urgência. aborda queixas ou sintomas localizados; Aplica 
métodos de exames relevantes à avaliação das queixas ou 
problemas da maneira mais exata e cuidadosa possível.
Dados subjetivos: o que o paciente conta pra você, a 
anamnese, desde a queixa principal até a revisão de sistemas. 
Dados objetivos: o que você detecta durante o exame; todos 
os achados do exame físico → peso, idade, altura, IMC, FC, 
FR, FP, temperatura.
Patrick de Sousa Torres - Med UFMG 155
ai more uma anamnese tu sabe fazer não esquece dos 
atributos da dor, é isto.
Anamnese abrangente do adulto https://www.youtube.com/watch?v=ajrP2l2NVl8
CEFALEIA
é um sintoma muito comum nos 
pacientes que procuram 
atendimento de rotina ou de 
urgência.
A maioria dos pacientes que 
procura atendimento por cefaléia é 
portadora de cefaléias primárias, 
que cursam com história rica e 
exames clínicos e neurológicos 
normais.
Generalidades
avaliação: deve incluir os 7 atributos da dor + análise do 
ambiente em que o paciente vive, evolução prévia do quadro, 
impacto funcional e história familiar. 
diagnóstico: é fácil reconhecer a cefaléia aguda associada a 
glaucoma, sinusite aguda, hemorragia subaracnóidea ou 
meningite bacteriana, ou mesmo a cefaléia associada a um 
tumor de evolução mais lenta. É mais difícil diagnosticar as 
cefaléias recorrentes, crônicas, não acompanhadas de outros 
sintomas. Cefaleia é uma doença cujo diagnóstico é CLÍNICO.
enxaqueca: também chamada de hemicraniana com aura. É 
uma síndrome que se inicia com sintomas premonitórios 
visuais, sensoriais e motores. Geralmente está acompanhada 
de intolerância à luz e aos sons, com náuseas ou vômitos. A 
dor piora com atividade física e pode ter caráter pulsátil. Crises 
duram de 4 a 72 horas. Não há sugestão de doença orgânica 
de base. Alguns alimentos podem agravar (café, chocolate) e 
alguns hábitos também (falta de sono). A aura é o diagnóstico 
diferencial.
cefaleia do tipo tensional: dor em pressão/aperto, de 
intensidade leve a moderada, geralmente bilateral, que não 
piora com a atividade física. Intolerâncias à luz e aos sons 
estão geralmente ausentes e quando presentes são de menor 
intensidade, nunca estando presentes ao mesmo tempo. 
Podem ser divididas em episódicas (duram menos de 15 dias 
por mês ou menos de 180 dias por ano; relacionadas a 
ansiedade) e crônicas (duram mais de 15 dias por mês ou mais 
de 180 dias por ano, associadas a pacientes deprimidos). 
Cefaleia em peso ou pontada, menos intensa que a 
enxaqueca. Geralmente não acompanham náuseas ou 
vômitos.
cefaleia em salva: dor obrigatoriamente unilateral, de grande inten-
sidade e localização orbital, supra-orbital ou temporal, com duração 
de 15 a 180 minutos, podendo ocorrer de um a oito episódios 
diários. Os episódios acompanham-se de fenômenos autonômicos 
(hiperemia conjuntival, lacrimejamento, congestão nasal, rinorréia, 
sudorese facial, ptose e edema de pálpebra). A dor é de forte 
intensidade, ficando o paciente desesperado, segurando a cabeça 
entre as mãos e às vezes perdendo totalmente o controle 
emocional. O fáscie do paciente com cefaléia em salvas é leonino, 
com sulcos na testa e rugas profundas na região nasolabial. A pele 
apresenta-se espessada e com poros grandes. Os pacientes são 
grandes fumantes e ingerem quantidades expressivas de álcool.
cefaleias secundárias: acontecem secundárias a sintomas 
primários (duh!); podem surgir em situações de febre, hipertensão, 
sinusite aguda ou crônica, cefaléia associada a exercício, orgasmo, 
tosse e espirro (relacionada a esforço súbito), cefaléia associada a 
medicamentos, cefaléia pós-traumatismo. 
 
Patrick de Sousa Torres - Med UFMG 155
dor abdominal
Dor é uma manifestação inerente 
ao indivíduo. A percepção pode 
variar, a depender de fatores 
psicossociais, culturais e 
educacionais. 
No caso do abdome, a 
compreensão da dor pode ser 
crítica para a definição do 
diagnóstico e conduta que, a 
depender do caso, pode ser 
urgente ou expectante.
Generalidades
tipos: viscerais, parietais e profundas.
mecanismos de percepção: 1 - através das fibras do SNA, 
vinda do intestino ou do peritônio (a chamada dor visceral); 2 - 
fibras do SNC, originadas da parede abdominal, incluindo 
peritônio parietal e porção mesentérica do intestino delgado (a 
chamada dor somática/parietal)
dor visceral: as dores viscerais se originam de vísceras ocas 
que apresentam espasmos ou estiramentos, são agudas, em 
cólica, com ataques intermitentes que variam em intensidade e 
com intervalos sem dor, de localização indefinida, próxima à 
linha média, acompanhada de agitação psicomotora, náuseas, 
vômitos, palidez e sudorese. Há melhora quando o paciente se 
movimenta, agacha ou dobra o tórax sobre o abdome, 
comprimindo a região. Piora no repouso. Tendem a se irradiar. 
dor parietal: originam-se primariamente do peritônio parietal 
incluindo parede abdominal e retroperitônio, sendo 
desencadeadas a partir de qualquer forma de injúria dos 
tecidos. Seu caráter varia desde dor surda a cortante, contínua, 
com localização circunscrita, assimétrica. O paciente procura 
se manter quieto, refere piora com tosse, espirros e 
movimentos em geral.
dor referida: sensação dolorosa superficial localizada a 
distância da estrutura responsável pela mesma. O fenômeno 
se deve à convergência de impulsos dolorosos viscerais e 
somáticos superficiais e profundos. São exemplos: dor 
epigástrica ou periumbilical, que ocorre nas fases iniciais da 
apendicite aguda, e a dor referida no ombro direito do paciente 
portador de colecistite.
abdome agudo: dor abdominal severa de etiologia não definida 
durando várias horas. É considerada emergência clínica ou cirúrgica 
devido aos sinais e sintomas clínicos e efeitos sistêmicos. Se não 
tratado, evolui com piora dos sintomas e deterioração do estado 
geral.
sintomas locais do abdome agudo: o sintoma mais importante é a 
dor abdominal, que é o sintoma-guia, e pode ser percebida como 
cólica ou dor contínua. O abdome agudo cirúrgico envolve irritação 
peritoneal localizada ou generalizada ou sinais de íleo (dor, cólica, 
vômito, distensão abdominal…). Os pacientes procuram se manter 
imóveis. Pode ser observado piora da dor com incursões 
respiratórias. No abdome agudo clínico a dor não é contínua, não 
há posição de alívio, e não há sinais de peritonite (ex.: colelitíase).
sinais locais do abdome agudo: no exame físico, o silêncio 
abdominal (RHA-) é observado na peritonite. Um sinal importante de 
irritação peritoneal é a descompressão dolorosa + dor a percussão 
no local. Peritonite mais intensa geralmente está presente na 
topografia do órgão afetado. 
sinais sistêmicos do abdome agudo: febre, taquicardia, 
respiração costal, vômitos, soluços, pulso filiforme, língua seca, 
pletora facial, fascies hipocrática (bochechas colabadas, realce 
nasal), parada de eliminação de gases e fezes, sede aguda, 
hipertensão, desidratação, suores frios.
causas de abdome agudo cirúrgico: apendiciteaguda; perfuração 
(gástrica, duodenal); colecistite aguda com peritonite; torções (cisto 
ovariano, tumores genitais; ruptura de trompa com gravidez ectópica; 
traumatismo abdominal (ruptura de vísceras ocas, baço, fígado, 
pâncreas); lesões vasculares.
causas de abdome agudo clínico: pancreatite aguda; gastrite aguda; 
diverticulite aguda; doença de Crohn; cólon irritável; hepatite aguda; 
congestão hepática aguda; linfadenite mesentérica.
causas extra-abdominais que simulam abdome agudo: podem ser 
retroperitoneais (rins, vias urinárias); torácicas (pneumonia, pleurite, 
embolia pulmonar, infarto do miocárdio, pericardite, esofagite, espasmo 
dom esôfago); neurogênicas (neurite, neuralgias, lesões espinhais, 
herpes zoster); metabólicas (distúrbios endócrinos, 
hiperparatireoidismo, cetoacidose diabética); intoxicações (chumbo, 
arsênio); reações de hipersensibilidade; lesões da parede abdominal; 
lesões no quadril como coxartrose.
Patrick de Sousa Torres - Med UFMG 155
dor e febre
A dor é um sintoma com componentes sensoriais, cognitivos e 
afetivo-motivacionais. Aqueles incapazes de sentir dor, 
geralmente, morrem precocemente em função de múltiplas 
lesões, principalmente osteoarticulares, complicadas com 
infecção e grandes escaras de decúbito. Não é apenas uma 
forma de sensação, mas também de reações reflexas, 
aprendizado, memorização, respostas emocionais e 
comportamentais a uma situação dolorosa. Pode ser dividida 
em crônica ou aguda:
● crônica: persiste por um período superior àquele 
necessário para a cura de um processo mórbido ou 
aquela associada a afecções crônicas, ou, ainda, 
relacionada a lesão do sistema nervoso. Determina 
acentuado estresse, sofrimento e perda na 
qualidade de vida. É a maior causa de afastamento 
do trabalho. 
● aguda: é uma importante modalidade sensorial, 
com papel de alerta. Acompanha manifestações 
neuro-degenerativas e desaparece com a remoção 
do fator causal e resolução do processo patológico.
Transdução: ativação de nociceptores, com transformação de 
um estímulo nóxico em potencial de ação. Estímulos 
mecânicos e térmicos nóxicos promovem, também dano 
tecidual e vascular local, com liberação e formação de uma 
série de substâncias
Transmissão: vias e mecanismos que permitem que os 
estímulos alcancem o sistema nervoso central.
Modulação: centros e vias responsáveis por suprimir o 
estímulo doloroso. São ativadas pela própria via nociceptiva. A 
dor pode ser provocada, também, pela lesão desses centros 
modulatórios.
Opioides endógenos: estimulam as áreas que produzem 
analgesia. Beta-endorfina, encefalina, dinofina; 
 
Patrick de Sousa Torres - Med UFMG 155
Dor nociceptiva: ativação de receptores e transmissão de 
impulsos pelas vias nociceptoras até o sistema nervoso central, 
onde serão interpretados. Dor secundária a lesões externas. 
Começa simultaneamente ao fator causal. A remoção deste 
provoca, também alívio da dor. Em pontada, facada, agulhada, 
aguda, rasgando, latejante, surda, contínua, profunda, vaga, 
dolorimento. Essas denominações sugerem dor tissular. 
Dor neuropática: decorre de lesão, de qualquer tipo, infligida 
ao sistema nervoso periférico ou central. Independe de 
qualquer estímulo externo ou interno, sendo gerada dentro do 
próprio sistema nervoso.
Dor mista: decorre dos dois mecanismos superiores. 
Dor psicogênica/idiopática: não há substrato orgânico para a 
dor. Tende a ser difusa, generalizada, imprecisa. Pode mudar 
de região sem razão aparente. 
Dor somática superficial: estimulação de nociceptores do 
tegumento. Bem localizada com qualidade distinta (picada, 
pontada, rasgando, queimor). Intensidade variável com 
proporção ao estímulo. Decorre de trauma, queimadura e 
processo inflamatório. 
Dor somática profunda: ativação de nociceptores dos 
músculos, fáscias, tendões, ligamentos e articulações. 
Provocada por estiramento muscular, contração muscular 
isquêmica, contusão, ruptura tendinosa e ligamentar, síndrome 
miofascial, artrite e artrose. Dor difusa, com localização 
imprecisa, descrita como dolorimento, dor surda, dor profunda 
ou cãimbra. Intensidade variável com o estímulo, mas 
geralmente leve a moderada. Pode se manifestar como dor 
referida.
Anatomia funcional da dor
Dor visceral: estimulação de nociceptores viscerais. Profunda 
e difusa, de difícil localização, descrita como dolorimento, 
surda, vaga, contínua, profunda. Comprometimento primário da 
víscera (dor visceral verdadeira), secundário do peritônio ou 
pleura parietal (dor somática profunda), irritação do diafragma 
ou do nervo frênico, reflexo viscerocutâneo (dor referida).
● Temperatura corporal acima da faixa da 
normalidade. 
● Ação do próprio cérebro ou de substâncias tóxicas 
que influenciam os centros termorreguladores 
(pirogênicos). 
● Regulação da temperatura corporal requer 
equilíbrio entre produção e perda de calor. 
Em algumas poucas infecções, a febre é positiva para controle 
dos microorganismos. Em algumas condições, o aumento da 
temperatura também pode ser benéfico para redução dos 
sintomas.
Acelera processos metabólicos e a perda de peso, além de 
aumentar o trabalho e a frequência cardíacos. Leva, 
geralmente, à indisposição. 
Febre: aumento regulado da temperatura corporal 
que responde a anti-piréticos comuns.
Hipertermia: elevações não decorrentes de ação 
de citocinas, não reguladas e que não respondem a 
antipiréticos comuns. Esforços causam hipertermia, por 
exemplo.
Febre 
Classificação fisiopatológica da dor
Tipos de dor
https://www.youtube.com/watch?v=pY3DHR0y0pI
dor torácica
Nem sempre o sintoma é referido 
como dor, às vezes o paciente se 
queixa de sensação de pressão ou 
de desconforto torácico.
Quando localizada na região do 
precórdio - dor precordial -, o maior 
temor do paciente é de que a 
causa seja cardíaca, significando 
infarto.
Generalidades
etiopatogenia: a mais relevante é, sem dúvida, a doença da
artéria coronária - principal causa de óbito em adultos no 
mundo. Outras doenças cardiovasculares devem ser cogitadas, 
como a pericardite, a dissecção da aorta, a hipertrofia do 
miocárdio, secundária à estenose aórtica e às hipertensões 
arteriais sistêmica e pulmonar, e o prolapso da valva mitral. 
Doenças pulmonares e pleurais, dores oriundas das estruturas 
da parede torácica, distúrbios do aparelho digestivo, além de 
origem psíquica do sintoma em pacientes ansiosos. 
 
isquemia do miocárdio: resulta da diminuição da oferta de 
oxigênio (02) pelo fluxo coronário e/ou aumento do consumo de 
O2 pelo miocárdio.
pleuropericardite: as superfícies viscerais da pleura e do 
pericárdio não possuem inervação sensitiva. A dor resulta de 
comprometimento do folheto parietal da pleura, geralmente de 
natureza inflamatória.
dor relacionada a grandes vasos: havendo fissura do 
endotélio ou hematoma na camada média, forma-se uma 
coluna de sangue na parede do vaso (falso lume) que separa a 
camada íntima da adventícia, acarretando dor torácica e 
predispondo a hemorragias fatais.
dor da parede torácica: a causa mais frequente de dor 
torácica é a de natureza neuromusculoesquelética, decorrente 
de processo inflamatório, degenerativo, traumático ou 
infeccioso - tação mecânica por fraqueza muscular, obesidade, 
mamas muito grandes, vícios de postura, bandas cervicais e 
hipertrofias musculares
dor esofágica: que o refluxo gastroesofágico é a causa mais 
comum de dor torácica relacionada ao esôfago, 
independentemente da presença de esofagite.
doenças pulmonares e pleurais: a dor torácica típica das 
afecções pleuropulmonares é a dor pleurítica, localizada em um 
hemitórax, com sensação de peso, pontada ou facada, que 
caracteristicamente piora com a tosse e com a respiração profunda. 
Quando a inflamação atinge a superfície diafragmática da pleura, a 
dor pode irradiar para o ombro e para o pescoço, do mesmo lado.
 
dores do aparelho digestivo: dentre as afecções do aparelho 
digestivo, as do esôfago, pela sua localização intra torácica, 
determinam comumente dorou desconforto retroesternal. Em geral 
a dor é causada por esofagite de refluxo ou espasmo esofágico e 
acompanha-se de outros sintomas dispépticos como disfagia, pirose 
e eructação.
Patrick de Sousa Torres - Med UFMG 155
Características clínicas
angina de peito: é a dor torácica causada por isquemia do 
miocárdio. Sua localização, na maioria das vezes, é 
retroesternal ou precordial, podendo irradiar-se para o membro 
superior esquerdo (face cubital), epigástrio, dorso, pescoço, 
mandíbula e até mesmo braço direito. Os fatores 
desencadeantes mais comuns são esforço físico, emoções, frio 
e refeição copiosa. Melhora com repouso e vasodilatadores 
sublinguais. A duração é curta, em geral não excede 5 minutos. 
É classificada da seguinte maneira:
1 - angina estável: quando a dor torácica é fugaz e causada 
por esforços físicos de mesma intensidade ou outros fatores 
desencadeantes e mantém-se inalterada por longos períodos.
2 - angina instável: quando a evolução da dor torácica piora, 
surgindo aos mínimos esforços ou em repouso, na ausência de 
infarto do miocárdio. 
pericardite: produz dor torácica retroesternal que piora com a 
inspiração profunda e com a tosse e pode apresentar 
irradiação para ombros, dorso ou pescoço, ocasionada por 
irritação da pleura diafragmática.
dissecação da aorta: determina dor súbita de forte 
intensidade no trajeto da aorta, medioesternal irradiada para o 
pescoço e para o dorso, na região interescapular. Na maioria 
das vezes, o paciente é portador de hipertensão arterial.
Exame Físico
Todo procedimento deve ser explicado previamente ao paciente, 
considerando a importância, metodologia, manobras e finalidade. Os 
achados do exame devem ser explicados em linguagem simples ao 
paciente
Sinais vitais: 1. Pressão Arterial; 2. Frequência de pulso (15s 
se regular, 1 minuto se irregular); 3. Frequência respiratória 
(crianças 44, 2 anos 22, adultos de 12-20, padrão); 4. 
Temperatura (melhores vias são orais e retais, mas ainda 
existe timpânica e axilar. Se o paciente tiver fumado ou tomado 
líquidos quentes ou frios, deve aguardar 10-15 minutos)
Avaliação nutricional: 1. IMC (normal entre 18,5- 24,9; 
cuidado com a distribuição de gordura/massa magra); 2. 
Circunferência abdominal (na altura da crista ilíaca. Até 88 para 
mulher e 102 para homem).
.
Avaliação do estado geral do paciente: se inicia na entrada 
do paciente. É uma impressão subjetiva baseado na saúde, 
higiene e estado mental. Pode ser bom, regular ou mau
Avaliação do nível de consciência e do estado mental: 
inicia também na entrada do paciente, analisando 
comunicação, comportamento. Exame neurológico e análise 
psiquiátrica são fundamentais. Deve avaliar orientação 
temporal, espacial. 
Avaliação do estado de hidratação e nutrição: Por meio do 
exame de pele, mucosa, fâneros, tecido subcutâneo, panículo 
adiposo e indicadores antropométricos 
● Peso e edema: bons para analisar hidratação. 
Edema deve ser analisado considerando a posição 
que o paciente mais se mantém e sinal do cacifo 
(compressão do edema). Se o sinal da fóvea 
aparecer, o aumento do peso corporal pelo edema 
foi de mais que 10%. Deve ainda analisar 
elasticidade, consistência, sensibilidade, 
temperatura e aparência da pele
Patrick de Sousa Torres - Med UFMG 155
● Pele: deve ser analisada a cor (pigmentos, cianose, 
icterícia), umidade (ressecamento, sudorese, 
oleosidade), textura, turgor (normal após 
pinçamento e retorno imediato da pele), 
elasticidade, espessura, vascularização 
(compressão rápida do leito ungueal)
● Mucosas: cor (normocoradas, hipocoradas, 
hipercoradas, graduação em cruzes), umidade, 
grau de hidratação, vascularização e alterações de 
cor
● Fâneros (pelos, unhas): quantidade, implantação, 
distribuição, consistência 
Avaliação das fácies: atípica ou típica, analisando 
sobrancelhas, pálpebras, olhos, comissuras labiais.
COONG: 
● Cabeça: contorno e tamanho do crânio, expressão 
facial, couro cabeludo, pele, cabelo. RN analisar 
fontanelas
● Olhos: posição e alinhamento. Analisar amplitude 
palpebral, coloração, fechamento, edemas. Iris e 
pupilas em relação ao formato, simetria e tamanho
● Orelha: formato, coloração, higiene, sensibilidade
● Nariz: tamanho, sensibilidade tanto do nariz quanto 
dos seios frontais e maxilares
● Boca: lábios, mucosa oral, gengiva, dentes, palato 
duro, língua, assoalho da boca, faringe. Analisar 
coloração, umidade, nódulos, lesões 
● Pescoço: simetria, pele, linfonodos, cicatrizes, 
lesões. Avaliar glândulas
Ectoscopia (Exame Físico Geral)
Exame de linfonodos: palpação com movimentos circulares e 
com maior pressão nos linfonodos profundos. Deve se avaliar 
os linfonodos da cabeça (retroauriculares, preauriculares, 
parotídeos, retrofaríngeos, submandibulares, submentonianos), 
os cervicais (superficiais, profundos, supraclaviculares), 
axilares, epitrocleares, inguinais e femorais. Avaliar tamanho, 
consistência, mobilidade e sinais flogísticos 
Exame da musculatura: inspeção estática e dinâmica 
analisando estado de trofismo (desenvolvimento. Pode ser 
eutrofia, hipo/hipertrofia), tonicidade (contração permanente e 
involuntária. Pode ser eutônico, hiper/hipotônico), força 
muscular, marcha, postura, reflexos, testes de motricidade, 
coordenação, exames neurológicos 
“Paciente em bom estado geral, consciente, orientado no 
tempo e espaço, fácies atípicas. Mucosas normocoradas, 
anictéricas, acianóticas e hidratadas. Pele com turgor e 
elasticidade preservados, coloração, textura, espessura, 
umidade normais. Pelos de distribuição, implantação, 
quantidade e consistência compatíveis com a idade e sexo. 
Unhas de coloração, superfície e formas normais. Boa perfusão 
capilar. Cavidade oral sem alterações, panículo adiposo 
conservado. Marcha normal e postura indiferente. Musculatura 
eutônica e eutrófica, ausência de deformidades esqueléticas, 
linfonodos superficiais não palpáveis, tireoide normopalpável, 
ausência de edema subcutâneo.”
*considerando que esteja tudo bem!
Registro dos sinais vitais e do exame físico geral 
LOMBALGIA
A história clínica deve ser obtida de 
maneira sequencial e lógica, desde 
o início dos sintomas, que devem 
ser descritos minuciosamente e de
forma cronológica.
As principais afecções da coluna 
vertebral se manifestam como dor, 
limitação funcional ou
deformidade, sendo que as duas 
primeiras podem estar associadas.
Avaliação da dor
início e duração: aguda < 4 semanas; subaguda 4 - 12 
semanas; crônica 3 - 6 meses.
modo de início: incidente com início imediato da dor, incidente 
com início retardado da dor; sem incidente e com início súbito, 
sem incidente e com início gradual e progressivo. dores 
imediatas a incidentes sugerem lesão estrutural ou fratura; dor 
súbita com irradiação para o membro inferior esquerdo sugere 
hérnia de disco na região lombar.
tipo: dor mecânica - alivia com o repouso e agrava ao 
movimento; é autolimitada em até 8 semanas; dor em cólica - 
ciclos regulares ou irregulares de intensidade, sem relação ao 
posicionamento do corpo ou movimentação, sugere origem 
visceral extrínseca à coluna;
sinais de alerta: dor noturna ou com piora em repouso, febre, 
emagrecimento significativo não justificável, história neoplásica 
prévia, imunossupressão, uso abusivo de drogas injetáveis.
intensidade: dores na coluna são sempre muito intensas, mas 
para quantificá-las é possível utilizar categorias.
frequência: seja em dias, semanas, meses ou anos. Dores 
intermitentes, geralmente, estão associadas a
melhor prognóstico que dores constantes.
ritmo diário: piora da dor em determinada hora do dia. Pode ajudar 
no diagnóstico diferencial.
localização: cervicalgia, dorsalgia, lombalgia. Dorso é uma região 
importante de manifestações psicogênicas. Quando a dor é 
imprecisa, estranha ou não obedecer a qualquer padrão de dor ou 
anatômico, esse aspecto deve ser investigado.
pontos-gatilho: locais bem definidos e hipersensíveis dentro do 
tecido muscular, que, quando tocados, produzem dordifusa, 
profunda e mal-localizada nas adjacências.
irradiação: pode ser radicular (bem-localizada) ou referida 
(mal-localizada, profunda)
evolução: dor que regride, em geral, denota patologia benigna. Pode, 
ainda, permanecer inalterada ou ter gravamento abrupto ou 
lentamente progressivo. A persistente justifica investigação 
complementar, enquanto a progressiva pode significar agravamento da 
condição clínica ou doença mais séria subjacente.
fatores de alívio ou piora: dicas sobre a origem da dor.
fatores de risco associados: psicossociais - podem ampliar os 
sintomas e atuar como barreiras à recuperação e à eficácia dos 
tratamentos; ocupacionais - trabalhos físicos pesados podem estar 
moderadamente associados à lombalgia. individuais - genéticos, peso 
ao nascer, tabagismo na gravidez, idade > 50 anos, sexo feminino, 
obesidade, estado geral debilitado, tabagismo, sedentarismo.
outros sinais e sintomas: doenças neurodegenerativas podem 
simular dores na coluna vertebral, problemas relatados em nervos 
cranianos. Existe a relação, não tão incomum, entre doenças 
abdominais que se manifestam em dores lombares e vice-versa
avaliação da função: redução de função pode ser decorrente de 
anormalidade anatômica, fisiológica ou psicológica. 
avaliação de deformidades: história familiar, marcos de 
desenvolvimento, habilidades motoras, quedas, estirão de crescimento, 
início de aparecimento de características sexuais e menstruação, 
evidências de distúrbios metabólicos ou neuromusculares. 
Patrick de Sousa Torres - Med UFMG 155

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