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TÓPICOS CONTEMPORÂNEOS DA HISTÓRIA DO BRASIL 
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SUMÁRIO 
 
1 - Brasil pré-colonial ................................................................................................................. 6 
1.1 - A expansão portuguesa ............................................................................................. 6 
1.2 - O Brasil e o descobrimento ........................................................................................ 7 
1.3 - A exploração do pau-brasil ........................................................................................ 8 
1.4 - As invasões estrangeiras ........................................................................................... 8 
1.5 - Os indígenas brasileiros............................................................................................. 9 
2 - Brasil colônia ou América portuguesa ................................................................................. 9 
2.1 - A ocupação do litoral e os sistemas administrativos ............................................... 10 
Capitanias hereditárias: ....................................................................................................... 10 
2.2 - O surgimento das primeiras vilas ............................................................................ 11 
2.3 - Cana- de - açúcar como produto agrícola ............................................................... 12 
2.4 - O negro na América portuguesa .............................................................................. 14 
3 - O processo de consolidação de ocupação do litoral ......................................................... 15 
3.1 - Os governos gerais .................................................................................................. 15 
3.2 - Fundação das primeiras cidades ............................................................................. 16 
3.3 - Franceses e Holandeses no Brasil .......................................................................... 17 
3.4 - A invasão holandesa ................................................................................................ 19 
3.5 - Portugal e Brasil sob domínio espanhol .................................................................. 20 
4 - Expansão para o interior .................................................................................................... 21 
4.1 - Entradas e bandeiras ............................................................................................... 21 
4.2 - O ouro nas Minas gerais .......................................................................................... 21 
5 - Os movimentos nativistas e emancipacionistas no Brasil colônia .................................... 23 
5.1 - Revoltas Nativistas ................................................................................................... 24 
5.2 - A revolta de Beckman 1684 ..................................................................................... 24 
5.3 - Guerra dos Emboabas ............................................................................................. 25 
5.4 - Guerra dos Mascates ............................................................................................... 26 
5.5 - A revolta de Vila Rica ou Revolta de Filipe dos Santos .......................................... 26 
5.6 - Revoltas Emancipacionistas .................................................................................... 27 
6 - Revoltas Emancipacionistas .............................................................................................. 27 
6.1 - Inconfidência mineira ............................................................................................... 27 
6.2 - Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates (1798) .............................................. 29 
6.3 - A Revolução Pernambucana ................................................................................... 29 
7 - Brasil a caminho da independência ................................................................................... 30 
7.1 - A corte portuguesa no Brasil (1808) ........................................................................ 30 
7.2 - O governo de Dom João .......................................................................................... 31 
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7.3 - O Brasil como reino .................................................................................................. 32 
7.4 - D. Pedro como príncipe regente .............................................................................. 32 
7.5 - Proclamação da independência .............................................................................. 34 
8 - Brasil Império (1822 a 1889) .............................................................................................. 35 
8.1 Primeiro reinado (1822-31) ........................................................................................ 35 
Guerra de independência .................................................................................................... 35 
8.2 - Reconhecimento externo da independência ........................................................... 36 
8.3 - A Assembleia constituinte ........................................................................................ 37 
8.4 - A constituição de 1824 ............................................................................................. 37 
8.5 A confederação do Equador ...................................................................................... 38 
8.6 - Abdicação de D. Pedro I .......................................................................................... 39 
9 - Período Regencial .............................................................................................................. 40 
9.1 As regências trinas ..................................................................................................... 41 
9.2 - Reforma Constitucional ou Ato Adicional de 1834 .................................................. 41 
9.3 - A Regência Una ....................................................................................................... 42 
9.4 - Revoltas Provinciais ................................................................................................. 42 
9.5 - Cabanagem (1835-40) ............................................................................................. 42 
9.6 - A Sabinada (1837-38) .............................................................................................. 43 
9.7 - A Balaiada (1838-41) ............................................................................................... 44 
9.8 - Guerra dos Farrapos (1835-45) ............................................................................... 45 
9.9 - Golpe da maioridade ................................................................................................ 46 
10 - Segundo reinado (1840-1889) ......................................................................................... 47 
10.1 - Afirmação do Império 1840-1850 .......................................................................... 47 
I - A reinstalação da monarquia e a afirmação do Império 1840-1850 ............................... 47 
II - O apogeu do Império 1850-1870 .................................................................................... 48 
III - O declínio da monarquia 1870-1889 ............................................................................. 48 
10.2 - A consolidação imperial ......................................................................................... 48 
11- Partidos políticos do período imperial ............................................................................... 49 
a) O Partido Moderado ......................................................................................................... 49
b) O Partido Exaltado .......................................................................................................... 49 
c) O Partido Português........................................................................................................ 49 
d) Os Moderados................................................................................................................. 50 
11.1 - A dinâmica política imperial ................................................................................... 50 
11.2 - O grupo de sustentação do Império: os saquaremas ........................................... 50 
12 - Por trás da estabilidade, o café ........................................................................................ 51 
A) A Praieira (1848-50) ....................................................................................................... 51 
B) Os praieiros .................................................................................................................... 52 
C) O auge do Império (1850-70) ......................................................................................... 52 
13 - Estrutura Econômica Brasileira ........................................................................................ 53 
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I - A expansão cafeeira ........................................................................................................ 53 
II - Início da economia da borracha ..................................................................................... 54 
III - O fim do tráfico 1850...................................................................................................... 54 
IV - Os empreendimentos indústrias e as instalações das ferrovias .................................. 54 
14 - Guerra do Paraguai (1864-70) ......................................................................................... 55 
I - Os interesses sobre a região do Rio da Prata ................................................................ 55 
II - Consequências da guerra ............................................................................................... 56 
III - O tráfico interno de cativos ............................................................................................ 56 
IV - Abolicionismo................................................................................................................. 57 
V - As leis abolicionistas ...................................................................................................... 57 
15 - A ascensão da aristocracia do Oeste paulista e a imigração .......................................... 57 
I - O movimento republicano ................................................................................................ 58 
II - A questão militar ............................................................................................................. 58 
III - A questão religiosa ........................................................................................................ 59 
IV - A abolição no Ceará e no Amazonas ........................................................................... 59 
V - A abolição ....................................................................................................................... 59 
VI - A situação dos libertos .................................................................................................. 60 
16 - Implantação da Republica ................................................................................................ 60 
I - A proclamação e os governos militares .......................................................................... 60 
II - O golpe e Republica ....................................................................................................... 61 
III - Os governos militares .................................................................................................... 61 
17 - As Revoltas ....................................................................................................................... 62 
I - O impulso à industrialização ............................................................................................ 62 
II - A República oligárquica 1894-1930 ............................................................................... 63 
III - A Política do café com leite ........................................................................................... 63 
IV - O Coronelismo ............................................................................................................... 63 
V - As Rebeliões da República Velha .................................................................................. 64 
VI - Revolta de Canudos (1893-97) ..................................................................................... 64 
VII - A repressão .................................................................................................................. 65 
VIII - A Guerra do Contestado (1912-16) ............................................................................ 65 
IX - A Revolta da Vacina 1904 ............................................................................................. 66 
X - A Revolta da Chibata 1910 ............................................................................................ 66 
18 - A Coluna Prestes (1925-1926) ......................................................................................... 67 
19 - A semana de Arte Moderna ............................................................................................. 68 
20 - A classe operária no Brasil ............................................................................................... 68 
21 - O Partido Comunista ........................................................................................................ 69 
I - O movimento tenentista ................................................................................................... 69 
22 - A Revolução de 1930 ....................................................................................................... 70 
I - A crise de 29 e o Brasil .................................................................................................... 71 
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II - O Golpe de 30 ................................................................................................................. 71 
III - A Revolução constitucionalista de 1932........................................................................ 72 
23 - O Governo Constitucional e os movimentos políticos ..................................................... 72 
23.1- O Governo Constitucional 1934-1937 ........................................................................ 73 
I - A nova Constituição (1934) ............................................................................................. 73 
II - O Estado Novo (1937-1945) ........................................................................................... 75 
23.2 - O novo papel do Estado ........................................................................................ 76 
23.3 - A queda de Getúlio ................................................................................................ 77 
23.4 - O surgimento dos novos partidos .......................................................................... 78 
24 - A Constituição de 1946 .................................................................................................... 79 
24.1 - Vargas volta ao poder (1951-54) ........................................................................... 80 
24.2 - O Governo Juscelino Kubitschek (1956 -1960) ..................................................... 81 
25 - Do Governo Jânio Quadros à posse de João Goulart ..................................................... 81 
25.1 - As eleições de 1960 ...............................................................................................
81 
25.2 - O Governo Jânio Quadros 1961 ............................................................................ 82 
25.3 - Os movimentos sociais .......................................................................................... 84 
26 - O Brasil e período militar .................................................................................................. 85 
26.1 - O modelo econômico ............................................................................................. 87 
26.2 - Da Resistência Cultural à Guerrilha ...................................................................... 88 
27. Ato Institucional número 5 (AI-5) ................................................................................... 89 
28. 1983 – Diretas Já ............................................................................................................... 91 
OS GOVERNOS MILITARES E SUAS AÇÕES À FRENTE DO EXECUTIVO ................. 91 
O MOVIMENTO “DIRETAS JÁ” E A EMENDA DANTE DE OLIVEIRA RUMO A 
LIBERDADE ......................................................................................................................... 95 
PROJETO DANTE DE OLIVEIRA ....................................................................................... 96 
29. Plano Cruzado .................................................................................................................. 99 
29.1. A concepção do Plano Cruzado .............................................................................. 99 
29.2. A implementação do Plano Cruzado ........................................................................101 
29.3. O Cruzado II ..............................................................................................................104 
29.4. As razões para o insucesso do Plano Cruzado .......................................................105 
30. Constituição Federal ........................................................................................................ 106 
Antecedentes:o ocaso do regime militar ...........................................................................107 
Instalação, ambiente político e métodos de trabalho da Assembléia Nacional Constituinte: 
o preâmbulo do texto final aprovado .................................................................................109 
Características gerais da Constituição de 1988:a estrutura do texto(virtudes e defeitos)
 ............................................................................................................................................110 
Vigência da Constituição de 1988; as eleições de 1989; os governos Fernando Collor, 
Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso; as reformas constitucionais ....................114 
31. O governo de Fernando Collor de Melo .......................................................................... 117 
31.1. O impeachment .......................................................................................................119 
32. Plano Real ...................................................................................................................... 124 
5 
 
 
33. Início do governo de Fernando Henrique Cardoso ........................................................ 125 
34. Início do governo Lula .................................................................................................... 129 
35. Início do governo de Dilma Rousseff ............................................................................. 140 
36. Início do governo de Michel Temer ................................................................................ 156 
37. O governo de Jair Bolsonaro ........................................................................................... 159 
Referências ............................................................................................................................ 161 
 
 
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1 - Brasil pré-colonial 
 
1.1 - A expansão portuguesa 
 
A revolução comercial iniciada mais ou menos no século XI, na Europa possibilitou 
mudanças no sistema feudal, até então vigente. Com o desenvolvimento do comercio 
foram surgindo também as cidades como fator importante para o comercio. A 
economia do antigo sistema feudal era a de subsistência, ou seja, agrícola não 
havendo também o monetarismo “dinheiro”. Foi a partir desse contexto que as trocas 
comerciais passaram a ser cada vez mais intensa baseada agora na economia 
monetária. 
Nesse momento com o surgimento e desenvolvimento do comercio aparece outra 
classe social, a chamada burguesia comercial. Essa burguesia é que vai juntamente 
com os reis vão centralizar o poder político. Foram através das centralizações do 
poder que surgiram os Estados Nacionais. 
Portanto, Portugal se torna o primeiro país a centralizar o poder na figura do rei, com 
isso facilitou as atividades comerciais já que nesse momento era o seu maior 
interesse. Com a monopolização do comercio no 
Mediterrâneo pelos italianos foi necessário encontrar novos territórios para realizar 
comercio, isto foi um dos mais importantes fatores da expansão marítima dos 
Europeus entre os séculos XV e XVI, especialmente Portugal. 
 
A expansão portuguesa teve início quando a nação se lançou no atlântico em busca 
de comercio, isto no início do XV, quando o reino de Portugal decide ocupar Ceuta, 
um importante centro de comercio mouro localizado no norte do continente africano 
no ano de 1415. Ceuta era também um importante centro comercial de Marrocos, 
tratava-se, portanto de rotas transaarianas que traziam metais preciosos como o ouro 
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e produtos orientais vindos do Egito e do Sudão, uma região da Ásia. 
Dando continuidade à expansão no atlântico, navegadores portugueses foram 
multiplicando as descobertas de novos territórios ao longo da costa do continente 
africano esses novos territórios eram os seguintes: Ilhas de Porto santo, Madeira, dos 
Açores e do Cabo verde. Em 1488, Bartolomeu Dias conseguiu ultrapassar o extremo 
sul da África, esse local denominado de Cabo das tormentas, contudo o rei mudou o 
nome para Cabo da boa esperança. Mas em 1498, Vasco da Gama seguindo a 
mesma rota de Bartolomeu Dias, passando pelo cabo da boa esperança finalmente 
consegue chegar até as Índias. 
Outra expedição organizada em 1500, sob o comando de Pedro Álvares Cabral em 
direção à Índia e depois de uma mudança de rota, alcança o que seria o litoral 
brasileiro em 22 de abril de 1500. 
 
 
1.2 - O Brasil e o descobrimento 
 
Depois de desvio da rota que levaria até as Índias em 22 de Abril de 1500, a esquadra 
comandada por Cabral aporta no litoral brasileiro. A primeira exploração feita na nova 
terra foi realizada pela própria esquadra de Cabral, navegando em direção ao norte à 
procura de um porto onde suas caravelas ficassem abrigadas. O lugar escolhido foi 
batizado de Porto Seguro, hoje litoral do estado da Bahia. 
Os portugueses permaneceram na região durante uma semana e nesse período eles 
batizaram com o nome de terra de Vera cruz e também mantiveram contatos com os 
habitantes. E com o intuito de assinalar a posse da terra fora erguida uma cruz com 
o brasão do rei, havendo depois uma mudança em relação ao nome deixando de ser 
terra de Vera cruz, passando a ser chamado de terra de Santa cruz, novamente 
substituída em favor do nome Brasil que desde então se tornou definitivo. 
Antes mesmo do prosseguimento da viagem em direção às índias, no dia dois de 
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maio um navio foi mandado de volta a Portugal levando a notícia da descoberta da 
nova terra. 
 
1.3 - A exploração do pau-brasil 
 
Por ser já conhecida na Europa e ter em abundância no litoral brasileiro o pau-brasil 
passou a ser a primeira riqueza que de fato os portugueses começaram a explorar. 
O pau-brasil era usado na fabricação de corantes por países europeus, apesar da 
comercialização
da madeira não ser tão vantajosa, aos produtos como: as especiarias 
e os artigos de luxo vindos do oriente, contudo, o governo português tratou o mais 
breve possível fazer do comercio pau-brasil uma exclusividade da coroa Lusitana. 
Essa exclusividade portuguesa estava no direito de somente esse produto ser 
explorado por pessoas autorizadas pela coroa através de concessões e a primeira 
concessão foi dada a Fernão de Noronha em 1503, em troca este comerciante tinha 
que construir uma fortaleza, também enviar ao Brasil até seis navios por ano. A 
exploração do pau-brasil, fora meramente extrativa, ou seja, não tinha o caráter de 
colonização efetiva. Todo o processo de extração da madeira, desde o corte até o 
embarque era feito pelos indígenas, no chamado escambo no qual se trava de uma 
troca, os indígenas retiravam a madeira e recebiam objetos como: machado, facas, 
roupas, espelhos etc. 
 
1.4 - As invasões estrangeiras 
 
Durante as três primeiras décadas, desde o descobrimento do Brasil, não teve a 
efetiva ocupação do território, por isso era alvo de invasões estrangeiras 
especialmente os franceses que reconheciam a posse lusitana da região. E nos 
primeiros anos da descoberta era frequente a presença de franceses em busca 
também do pau-brasil. A reação do governo português foi tentar impedir, tais invasões 
organizando expedições que pudessem inibir a presença destes invasores. Dentre 
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essas expedições estava a de Cristóvão Jaques em 1516, que fundou uma feitoria 
Itamaracá, atualmente Pernambuco essas ações se perduraram por mais dez anos, 
perseguindo os franceses que vinham em busca do cobiçado pau-brasil. 
 
1.5 - Os indígenas brasileiros 
 
Os povos indígenas já existiam aqui no Brasil bem antes da chegada da chegada dos 
portugueses. Oriundos de povos vindos da Ásia que chegaram ao continente 
americano, através do estreito de Bering, uma parte que aproxima os dois 
continentes, pois é a teoria mais aceita pela comunidade cientifica, dessa forma foi 
povoado todo o continente americano. Contudo no Brasil este povoamento ocorre, 
tardiamente aproximadamente entre nove a dez mil anos. 
As organizações econômicas predominantes entre os indígenas, evidentemente eram 
a caça, a pesca e a coleta de frutos e raízes etc. Na relação com os brancos de início 
foi pacifico, uma vez que os primeiros contatos entre os dos povos foram cordiais de 
1500 a 1530, período que Portugal ainda não tinha iniciado o processo de 
colonização, dentro desse contexto o indígena foi usado no comercio do pau-brasil 
no sistema de escambo que se dava da seguinte maneira: os indígenas cortavam a 
madeira e traziam até o ponto de embarque geralmente nas feitorias, onde recebiam 
objetos como facas, machados, pentes dentre outros. O que viria a mudar tempos 
depois com o processo de colonização principalmente do litoral mais adiante o interior 
do Brasil. 
Quanto à contribuição herdada dos povos indígenas, está na própria formação da 
sociedade brasileira, tanto nos costumes, na cultura um exemplo disso está culinária, 
danças e também nas palavras que compõe nosso idioma. 
 
2 - Brasil colônia ou América portuguesa 
 
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2.1 - A ocupação do litoral e os sistemas administrativos 
 
Capitanias hereditárias: 
 
Com a necessidade de colonização das terras da América pelos portugueses em 
1530 o rei envia para o Brasil a expedição de Martim Afonso de Sousa, cujo objetivo 
era formar núcleos de povoamento ao longo da costa brasileira evitando para evitar 
a presença de franceses em domínio português. Por volta de 1532, o próprio Martim 
Afonso de Sousa funda a vila de São Vicente que na verdade foi à primeira vila 
brasileira. Tendo em vista que somente formar núcleo de povoamento estava longe 
de resolver questões referentes às investidas francesas que vinham em busca do 
cobiçado pau-brasil. 
Como se fazia necessário o mais breve possível povoar esta região, contudo a coroa 
portuguesa não detinha os recursos, tanto humanos como financeiros suficientes que 
pudesse de imediato efetivar a ocupação do território. Pois a coroa encontrava-se 
“quebrada” financeiramente e a população era muito escassa na época. Então a 
solução encontrada para resolver o problema, foi implantar no Brasil o sistema de 
Capitanias a partir de 1534, uma vez que o processo de capitanias já tinha sido usado 
séculos antes na ilha da Madeira e nos Açores e tendo um resultado positivo. 
Os sistemas de capitanias adotados no Brasil davam-se da seguinte maneira: o 
território era dividido em grandes lotes e doado a um donatário geralmente 
pertencente à nobreza portuguesa, portanto, essa doação tinha o caráter hereditário, 
ou seja, de pai para filho. Depois de doados os donatários ficavam no dever de 
explorar, evidentemente com seus próprios recursos tais capitanias recebidas já que 
estas foram entregues a particulares. Logicamente que o donatário ao receber a 
capitania, além do direito de explorar este tinha também o dever: dentre esses direitos 
estavam, todas as salinas, moendas de água, e os engenhos existente na capitania. 
Era permitido escravizar os indígenas e enviar trinta e nove anualmente a Portugal. 
Ficava com a vigésima parte da renda do que fosse produzido com o pau-brasil. 
Quanto ao dever ou vantagem à coroa, tinha que doar dez por cento de tudo o que 
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produtos da terra, vinte por cento das pedras e metais preciosos, monopólio do pau-
brasil, das drogas e especiarias. 
O território brasileiro fora dividido em quinze capitanias entre doze donatários que 
foram: Maranhão, Ceará, Rio grande, Itamaracá, Pernambuco, Bahia de todos os 
santos, Ilhéus, Porto seguro, Espírito santo, São Tomé, São Vicente, Santo Amaro, e 
Santana. Mas foi somente a capitania de Pernambuco e São Vicente que 
prosperaram doadas a Duarte Coelho e Martim Afonso de Sousa respectivamente, 
pois nelas foram implantadas a cultura canavieira e a criação de gado e também pela 
situação financeira dos donatários. As demais entraram em decadência devido a 
muitos fatores como a falta de recursos econômicos de alguns donatários ou mesmo 
o abandono, uma vez que, muitos destes nunca vieram tomar posse de seus lotes, e 
também por causa de ataques dos indígenas nos povoados, dificultando, assim seu 
desenvolvimento. 
 
2.2 - O surgimento das primeiras vilas 
 
Com a criação das capitanias hereditárias é que foi possível a fundação da primeira 
vila brasileira, a vila de São Vicente, contudo outras vilas foram surgindo depois. Uma 
das características do surgimento dessas vilas com processo de colonização é pelo 
fato de quase todas tiveram sua fundação no litoral com exceção a vila de São Paulo 
que durante muito tempo fora a única vila fundada no interior, em 1554. 
 
As vilas de uma maneira geral apresentavam desenvolvimento lento logo na primeira 
fase da colonização devido à imposição que a Metrópole exercia sobre sua colônia, 
principalmente por se tratar de estrutura agrária o que dificultava seu 
desenvolvimento. Pois era comum também o ataque de indígenas a esses núcleos 
de povoamento, uma vez que o envolvimento entre brancos e índios havia mudado 
desde os tempos do descobrimento. 
De certo modo as primeiras vilas apresentavam um comercio bastante pobre, poucas 
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casas, mas nunca faltando uma Igreja no centro de cada uma dessas vilas, por se 
tratar também de característica fundamental do período colonial já que a Metrópole 
era absolutamente Católica, na verdade muitas vilas e cidades surgiram a partir de 
uma Igreja ou capela, existia além da Igreja a câmara, a cadeia e o pelourinho que 
era um marco feito de pedra que significava autonomia da vila. A câmara era um 
órgão da administração local e sua estrutura era composta de três, dois juízes 
ordinários e um procurador, os membros que compunham este órgão, então 
chamados oficiais da Câmara os quais eram escolhidos
entre os “os homens bons” 
geralmente os ricos proprietários de terras que pertenciam às camadas mais altas da 
sociedade da época. 
Conclui-se, portanto que os demais elementos dessa sociedade não participavam das 
decisões como os comerciantes, os estrangeiros, os judeus, as mulheres e todos 
aqueles que exerciam atividade manual, de todo modo não eram considerados 
“homens bons” por isso não poderiam participar das decisões políticas, deixando de 
ter o caráter democrático. 
 
2.3 - Cana- de - açúcar como produto agrícola 
 
O desenvolvimento agrícola se tornou possível à implantação das capitanias 
hereditárias e como nos primeiros momentos da colonização, os portugueses ainda 
haviam encontrado ouro, ou qualquer outro tipo de metais preciosos. A saída foi 
justamente fazer a exploração agrícola. 
E o açúcar por ser um produto com alto valor no mercado europeu e o solo adequado 
e favorável, pois este era produto na época mais adequado para a economia da 
colônia, principalmente na capitania de São Vicente e Pernambuco que foram as duas 
capitanias hereditárias que tiveram êxito na plantação de cana. A cultura da cana-de-
açúcar se desenvolveu na zona costeira e mais comum no litoral do nordeste na Bahia 
e Pernambuco, onde de fato se consolidaria a colonização portuguesa e por causa 
do solo de massapé e o clima propício o plantio da cana se tornou mais intenso 
nesses locais. 
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As características principais de um engenho eram as seguintes: casa grande local 
onde residia o proprietário e sua família, a senzala que servia 
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de alojamento para os escravos e a capela destinada aos encontros religiosos. Com 
a consolidação efetiva da colonização brasileira, devido à cultura canavieira ter dado 
certo, surgiu no nordeste uma sociedade baseada no latifúndio, escravidão e 
patriarcalismo. 
Latifúndio, porque as propriedades eram grandes extensões de terra, lá também se 
plantava a cana e produzia-se o açúcar. A posição social e o poder de certos 
indivíduos praticamente dependiam da posse dessas grandes extensões de terras 
(latifúndio). Escravocrata, pois a sobrevivência dos proprietários era à custa dos 
escravos, somente o escravo trabalhava. Era uma sociedade extremamente 
patriarcalista, ou seja, tinha autoridade absoluta sobre todos os membros da família 
e todos os escravos. 
 
2.4 - O negro na América portuguesa 
 
A chegada dos primeiros negros na América portuguesa aconteceu ainda no início da 
colonização. Já no século XVII, o número de escravos superava o número de brancos. 
No continente africano os negros negociados e trocados por produtos como o fumo 
no caso o tabaco, aguardente de cana, facões etc. depois marcados e trancados nos 
navios negreiros, de lá enviado ao continente americano. Onde eram vendidos como 
mercadorias nos portos da Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. 
Os primeiros negros enviados para o Brasil foram usados como escravos nas 
plantações de cana-de- açúcar, mineração e posteriormente na lavoura de café. Por 
se tratar de uma mercadoria o negro africano não era considerado pessoa e estava 
sujeito aos mais variados abuso por parte de seu dono, podendo ele fazer o que bem 
entendesse com o seu escravo. A introdução do escravo negro em terras brasileiras 
foi de fundamental importância no processo de formação da nação, do contato que 
esses dois povos tiveram ao longo da colonização que juntamente com os indígenas, 
a mestiçagem que deu origem ao povo brasileiro. 
Também herdamos os aspectos culturais e religiosos, desses povos como a dança, 
a música, o folclore como um todo, na culinária, língua falada em nosso país. Quanto 
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à religião temos a influência do Candomblé, Umbanda dentre espalhadas pelo Brasil 
a fora. 
 
3 - O processo de consolidação de ocupação do litoral 
 
3.1 - Os governos gerais 
 
Como as capitanias hereditárias não surtiram o efeito esperado por parte do governo 
português e de certa forma os pequenos núcleos de povoamento não trazia nenhuma 
segurança a colônia. Com o objetivo de povoar de fato as terras do Brasil que no 
entender do rei faltava nessas capitanias uma autoridade que pudesse de forma mais 
presente coordenar as ações do estado nos esforços da colonização. 
E o sistema de governo geral de certa forma traria para a colônia a autoridade a 
autoridade do rei. Então ficaram estabelecidos assim, os três primeiros governadores-
gerais que foram Tomé de Sousa, Duarte da costa e Mem de Sá. 
 
A administração de Tomé de Sousa iniciou em 1549, com a criação da primeira cidade 
do Brasil Salvador, com isso teve significativo impulso na ação colonizadora da 
América. O governador-geral desembarcou em território acompanhado de mais de 
mil pessoas, entre funcionários civis e militares, os missionários jesuítas e colonos. 
O governador-geral distribuiu terras entre os colonos, implementou a pecuária e a 
lavoura de cana-de-açúcar na Bahia. Mandou vir para o Brasil às primeiras levas de 
africanos para trabalhar como escravo nas lavouras de cana. No governo de Tomé 
de Sousa, os jesuítas missionários um papel importantíssimo na figura do padre 
Manoel de Nóbrega que se dedicaram a catequese dos indígenas e também a 
questão do ensino na colônia. Em 1551, instituído o primeiro bispado em terras 
brasileiras. Pois se trata de um ponto importantíssimo para consolidar a união dos 
poderes político e religioso da estrutura administrativa da colônia portuguesa na 
16 
 
 
América. 
Duarte da Costa, o segundo governador-geral, assumiu a administração em 1553 a 
1558, sua administração foi marcada por embates entre colonos e jesuítas. Os 
jesuítas querendo impedir a escravização dos indígenas entraram em choque com os 
colonos. Entre o primeiro o primeiro bispo, D. Pero Fernandes Sardinha e o filho de 
Duarte da Costa, Dom Álvaro, ocorreu um incidente de consequências drásticas para 
o bispo. A censura do bispo afetou o próprio filho do governador que criticava a 
agressividade e os maus costumes de Dom Álvaro. Chamado a Lisboa o religioso 
seguiu num barco que acabou naufragando, ele ainda consegue se salvar, mas foi 
capturado e devorado pelos índios caetés. 
Para piorar a situação do governo de Duarte da Costa, teve a invasão do Rio de 
Janeiro pelos franceses, que se estabeleceram em 1555, fundando um povoamento 
com o nome de França Antártica. Fora ainda nesse governo que houve a fundação 
do colégio de São Paulo em 22 de janeiro de 1554. 
 
Mem de Sá, terceiro governador-geral (1558 a 1572), foi ele quem impulsionou 
restabelecendo e consolidando a autoridade real na colônia e expulsando os 
franceses em 1567, que ocupavam o Rio de Janeiro. Um fato importante é que os 
invasores franceses uniram-se aos índios, estabelecendo uma relação cordial e 
insultavam estes contra os portugueses. Seu governo esteve marcado pelo feroz 
combate aos índios caetés. Logicamente tiveram outros governadores, mas esses 
três são de maiores relevância para entender o período de consolidação do litoral. 
 
3.2 - Fundação das primeiras cidades 
 
A primeira cidade a ser fundada foi Salvador 1549, mas ao longo do processo histórico 
de colonização, surgiram outras cidades como é o caso de São Sebastião do Rio de 
Janeiro, que em 1763, a segunda, capital do Brasil colonial, Filipéia de nossa Senhora 
das Neves, atual João Pessoa. Os locais escolhidos nem sempre eram propícios para 
17 
 
 
o seu desenvolvimento, sendo frequente a mudança de um lugar para outro mais 
adequado. Com o passar do tempo naturalmente uma foi se sobrepondo a outra, no 
caso São Vicente foi superada pela vila de Santos, pois tinha um melhor porto, caso 
parecido aconteceu com Olinda superada por Recife, Rio de Janeiro também foi 
mudado por Mem de Sá em 1567. Depois surgiram as cidades do interior, 
principalmente com a descoberta de ouro nas Minas gerais. As cidades do interior 
tiveram sua criação
bem diferente das que surgiram no litoral, devido a contexto bem 
diferente também. 
 
3.3 - Franceses e Holandeses no Brasil 
 
Durante muito tempo a colônia portuguesa vinha sendo alvo de incursões estrangeira 
que estavam à procura de riquezas ou dos produtos que as primeiras vilas e cidades 
podiam oferecer. Outros países europeus tentaram invadir e fixar de forma 
permanente, no caso a França tempos depois os holandeses. 
Em 1555, os franceses fundam a França Antártica no rio de janeiro e a França 
Equinocial no Maranhão em 1612. A invasão francesa no Rio de Janeiro se deu por 
motivos religiosos, os protestantes de corrente calvinista que aceitaram a doutrina de 
João Calvino, foram duramente perseguidos. Conhecidos como huguenotes, por esse 
motivo o seu chefe o almirante Gaspar de Coligny, aprovou o plano de Nicolau Durand 
de Villegaignon, cujo objetivo era fundar no Brasil uma colônia que abrigasse os 
calvinistas. Contudo os planos de fundar uma colônia não deram muito certo, os 
portugueses trataram de expulsar os invasores, até mesmo por motivos religiosos, já 
que os invasores eram protestantes. 
A invasão do Maranhão em 1612, a colonização portuguesa ainda não havia chegado 
de fato ao litoral norte da colônia. O território do Maranhão continuava sem qualquer 
sinal da ação colonizadora portuguesa, tais situações estimulava a incursão de 
piratas franceses, dos quais Charles des Vaux, que voltou a França com a ideia de 
fundar no Maranhão uma colônia francesa chamada de França Equinocial. Com a 
ajuda de um nobre conhecido como Daniel de la Touche e da rainha Maria de Médicis, 
18 
 
 
foi mandado para o Brasil uma expedição com três navios que atingiram o litoral e 
fundaram a cidade de São Luís em 1612.
19 
 
 
 
3.4 - A invasão holandesa 
 
O ano em que a Holanda invade o Brasil, já houve a conhecida união ibérica e a 
Holanda proclamou sua independência da Espanha. Nesse contexto o governo 
espanhol, decreta o fechamento dos portos do Brasil e de Portugal aos navios e 
comerciantes holandeses. Prejudicando assim o comercio e produção do açúcar 
brasileiro que haviam financiado, suas perdas foram incalculáveis. 
Como tinham sidos prejudicados com o fechamento dos portos brasileiros e 
portugueses os comerciantes flamengos, estavam buscando estratégias para retomar 
o lucrativo comercio do açúcar do Brasil. A capitania da Bahia fora o primeiro objetivo 
mais precisamente o recôncavo baiano. Mas os preparativos da invasão foi 
descoberta por espiões da coroa espanhola que mandou avisar o governo da Bahia. 
Todavia os holandeses efetivaram seu objetivo e seus navios chegam em 08 de maio 
de 1624, cujo seu poderio militar assustou os que viviam na região. Eles tomaram a 
cidade de Salvador prenderam o governador Diogo de Mendonça Furtado, quem 
assume o governo em nome dos conquistadores é Johan Van Dorth. 
Mas a reação espanhola foi imediata o governo espanhol tratou de organizar forças 
contra os holandeses. Organizou uma esquadra que ficou conhecida como “jornada 
dos vassalos” essa esquadra era composta de setenta navios e doze mil homens. No 
comando estava Fradique de Toledo Osório, sua esquadra aportou na Bahia em 
1625, diante da sua inferioridade militar os holandeses não tiveram outra escolha a 
não ser rendendo-se depois de alguns poucos combates, sendo respeitado o direito 
de voltar para suas terras. 
 
As perdas com os ataques na Bahia à companhia das Índias ocidentais continuaram 
fazendo pirataria ao longo da costa brasileira, depois de evitarem combate com tropas 
espanholas seguiram para a Paraíba, mas foram expulsos pelas forças portuguesas, 
mas os holandeses não desistiram do comercio da companhia das índias com o 
Brasil. Já em 1630, chega ao litoral de Pernambuco uma esquadra das companhias 
20 
 
 
das índias composta de 67 navios, 1.170 canhões e 7.000 homens. O objetivo agora 
invadir o maior polo açucareiro do nordeste, em Pernambuco e conseguiram tomar 
Olinda e Recife, sob o comando holandês estava, Diederik van Waerdenburch, as 
tropas desembarcaram na praia conhecida com pau amarelo e avançaram em direção 
a Olinda, que fora tomada depois de muita luta. 
O fato é que os holandeses conseguem êxito na invasão contra Pernambuco depois 
da traição de Domingos Fernandes Calabar, com isso foi implantado o governo 
holandês e toda a máquina administrativa da companhia das índias e se tornou de 
fato mais efetiva com a vinda com conde Mauricio de Nassau em 1637, foi ele quem 
garantiu o desenvolvimento do comercio com as políticas de incentivos aos donos de 
engenho, criando condições para ampliar a produção açucareira. Realizou também 
obras e revitalizou a cidade de Recife, ou seja, criou o aparato necessário de uma 
cidade. Mas com a saída de Nassau da companhia das índias em 1644, os outros 
administradores não os mesmos feitos de Nassau, companhia entra em crise e depois 
de lutas os português tomam o controle de Pernambuco e os holandeses são 
expulsos definitivamente. 
 
3.5 - Portugal e Brasil sob domínio espanhol 
 
A união Ibérica, no qual ficou conhecido na história, corresponde ao período em que 
os dois países foi governado por um só rei. A união ibérica teve boa repercussão, 
tanto em Portugal como no Brasil principalmente, porque com a união das duas 
coroas o tratado de Tordesilhas, deixou de existir, pois as fronteiras estavam abertas. 
Isso permitiu que os portugueses pudessem ampliar os domínios do território colonial. 
Por parte dos espanhóis eles não tinham muito interesse em ocupar terras luso-
brasileiras, estavam mais voltados para com as riquezas do Peru e da Nova Espanha. 
 
Estando sob domínio espanhol, Portugal passa a ser hostilizada por algumas 
potencias da Europa, inimigas da Espanha, uma dessas potencias era a Holanda. 
 
Para a colônia umas das consequências negativas dessa união e da inimizade entre 
21 
 
 
as duas potencias foi à invasão holandesa na Bahia e Pernambuco. Outro fator 
importante desse período foi à divisão da colônia em duas unidades administrativas, 
através de uma medida adotada em 1621. Foram criados dois Estado dentro da 
colônia, o Estado do Maranhão com sede em São Luís e o Estado do Brasil com sede 
em Salvador. 
 
4 - Expansão para o interior 
 
4.1 - Entradas e bandeiras 
 
Entradas e bandeiras foram às expedições que tornaram possíveis a expansão da 
colonização brasileira. Não existia diferença muito grande entre as duas 
denominações, o que se sabe é a entrada era geralmente organizada pelo Estado e 
as bandeiras por particulares. Mas existiram entradas particulares e bandeiras 
organizadas pelo Estado. 
 
As primeiras entradas foram organizadas logo nos primeiros anos da colonização e 
tinha um caráter mais de reconhecimento da região, mas com a criação do governo-
geral tiveram outras mais importantes, saindo da Bahia, Sergipe, Ceará e Espírito 
Santo que iam à busca de metais preciosos e de índios para trabalhar como escravo. 
 
Já as bandeiras quase todas partiram de São Paulo em direção ao sertão, mas saíram 
bandeiras de Taubaté, Mogi das Cruzes, dentre outros pontos espalhados pelo Brasil. 
Essas viagens duravam meses ou anos para serem concluídas e os bandeirantes 
estavam muitas vezes a serviço de particulares ou do governo. As duas bandeiras 
mais importantes no século XVII, foram a de Antônio Raposo Tavares em 1647 e de 
Fernão Dias Pais de 1674. 
 
4.2 - O ouro nas Minas gerais 
 
22 
 
 
Desde o início da colonização com o nome de entradas ou bandeiras, depois de tanto 
tempo de procura os sertanistas como também eram conhecidos finalmente 
encontram ouro no interior da colônia portuguesa. No ano de 1694, Bartolomeu Bueno 
de Siqueira encontrou as primeiras amostras do tão sonhado ouro, na serra de 
Itaberaba, atual estado de Minas Gerais. 
 
Com a descoberta do ouro a notícia logo se espalhou pelo território,
saiu da colônia 
e chegou até a Europa. A partir desse momento, colônia e reino foram tomados como 
que uma epidemia incontrolável, conduziu milhares de pessoas na direção das minas, 
em busca do metal que proporcionava riqueza fácil a quem os encontrassem. 
 
Tendo como consequência a exploração do ouro, em menos de um século entre 1690 
e 1680, população teve um crescimento enorme passando de 300 mil chegando 
2.500.000. O mesmo fato acontece em Minas Gerais em finais do século XVII, 400 
mil pessoas já vivem na região. O desenvolvimento da mineração trouxe uma 
mudança significativa no modo vida da colônia, principalmente do nordeste, já que a 
lavoura de cana havia declinado. E muitos moradores migraram para “as gerais” em 
busca do ouro. Outro fator importante foi a do tráfico negreiro que saiu do litoral para 
o interior, muito dos negros usados como escravos na lavoura açucareira foram 
vendidos para a região das Minas Gerais. 
 
A sociedade mineradora, diferente da litorânea, era basicamente urbana, uma vez 
que tudo funcionava em volta do comercio do ouro. O comercio cresceu e a circulação 
de riquezas e mercadoria. O tráfico de escravo intensifica-se nesse momento. Com 
isso a sociedade se tornou mais complexa e diversificada, com o surgimento de novos 
grupos sociais. 
 
Outro fator importante da mineração foi à integração das capitanias e das regiões 
brasileiras que acabou formando uma verdadeira rede de abastecimento para servir 
a região mineradora. O nordeste e o sul forneciam carne de gado para a região 
mineradora, do sul também vinham cavalos e mulas de carga que usados como de 
transporte. De São Paulo vinham os gêneros alimentícios. Com o comercio intenso 
entre a zona mineradora e as capitanias fez surgir ou favoreceu a abertura de 
estradas, usados para o escoamento das mercadorias. 
23 
 
 
 
 
 
No sistema de administração das minas, a coroa fez publicar pelo governo do Rio de 
Janeiro, antes mesmo da instalação do corpo de funcionários o regimento das minas 
em 1700, que nos anos seguinte tiveram algumas mudanças. Nas partes 
fundamentais do regimento estava a distribuição das datas que refere a cada um dos 
lotes em terrenos aurífero. De acordo com o regimento duas datas eram outorgadas 
ao descobridor da jazida, uma ficava com a coroa, outra para o guarda-mor 
funcionário responsável de todo o processo os demais lotes eram distribuídos entre 
os mineradores que demonstrassem interesse em explorá-los. O tamanho e o numero 
de lote dependia da quantidade de escravos e a condição que cada minerador 
possuía. 
 
Outro aspecto da administração eram os impostos, entre os mais importantes estava 
o quinto que era pago por bateia, ou seja, estava de acordo com a produção de cada 
minerador. Outra forma de imposto era quando o ouro deixava a circunscrição da 
mineradora. A partir de 1719, o governo tornou obrigatório o sistema de casa de 
fundição, pela qual todo ouro extraído, pudesse circular, deveria ser transformado em 
barras, neste momento era cobrado o quinto real. Em 1725, outro imposto foi instituído 
o chamado processo de Derrama. O fisco estabeleceu o total arrecadado anualmente 
com os quintos nas casas de fundição deveria chegar ao mínimo de sem arrobas de 
ouro. Quando superado esse total o excesso serviria para completar o pagamento do 
ano seguinte. Quando as 100 arrobas não fossem atingidas, a diferença deveria ser 
paga no ano seguinte. Caso a dívida persistisse seria ser declarada a Derrama, ou 
seja, o total devido seria pago por toda a população da região recorrendo-se, 
necessário, o sequestro de bens. 
 
5 - Os movimentos nativistas e emancipacionistas no Brasil 
colônia 
 
24 
 
 
5.1 - Revoltas Nativistas 
 
As revoltas nativistas caracterizavam-se como movimento de esfera local ou regional, 
os interesses eram específicos de uma determinada região. De maneira geral, 
buscavam as melhorias, sem contestar o sistema ou a base social e econômico 
vigente. 
 
5.2 - A revolta de Beckman 1684 
 
Revolta ocorrida no Maranhão em 1684 estava ligada a mão de obra. A companhia 
de comercio do Maranhão, criada em 1682, obteve o monopólio de comercio da 
região, comprometendo-se a fornecer por vinte anos quinhentos escravos por ano e 
comprar a produção local para vender no mercado europeu e também abastecer os 
colonos com gêneros importados da Europa. Compromete-se ainda a incentivar a 
produção de cravo, baunilha e cacau. Porem os importados era de má qualidade e os 
preços muito altos. Apenas parte da produção era comprada, mesmo assim por 
preços baixos. A companhia também não cumpria com regularidade o fornecimento 
de escravos negros. 
Diante desse problema, os grandes proprietários do Maranhão liderados pelos irmãos 
Beckman (Tomás e Manuel) rebelaram-se contra os abusos da companhia em 1684. 
Os objetivos compreendiam o fim do monopólio e a liberdade de escravizar os 
indígenas. Os revoltosos decidiram ainda, em assembleia realizada na Câmara 
municipal, a exoneração do capitão-mor, a expropriação dos depósitos da companhia 
e a prisão dos padres jesuítas que queriam impedir a escravização dos indígenas. 
Mas a revolta foi sufocada e o novo governador recém-nomeado pela coroa, Gomes 
Freire de Andrade, prendeu e enforcou as principais cabeças do movimento, deportou 
outros revoltosos e o movimento fora aniquilado. Mas um dos objetivos da revolta foi 
alcançado e a companhia de comercio fora extinta por ordem real. 
25 
 
 
 
5.3 - Guerra dos Emboabas 
 
Esta outra revolta também envolvia comerciantes e o monopólio da metrópole, assim 
foi a Guerra dos Emboabas. Ocorrida em Minas Gerais entre 1708 e 1709. A corrida 
em busca do ouro trouxe uma enxurrada de aventureiros e desempregados de todos 
os cantos da colônia e também de Portugal. Os paulistas se opunham aos 
estrangeiros na busca do ouro nas Gerais. Achavam-se com direitos maiores sobre 
as pessoas de fora, porque haviam sido os descobridores das minas de ouro e 
segundo eles aquelas terras estavam dentro da capitania de São Paulo. 
Emboaba em língua tupi quer dizer “aves de pés cobertos de penas” era usado como 
termo pejorativo ao recém-chegados que usavam botas ou panos para cobrir os pés, 
enquanto os paulistas descalços, ai esta razão para o apelido. Para os paulistas, 
emboabas eram todos os que não fossem originários da capitania de São Paulo, 
incluindo os portugueses. Os conflitos começaram em 1707, com o linchamento de 
chefes paulistas por emboabas. E seguiram-se com violência nos caminhos das 
minas, já final de 1708, os emboabas controlavam duas das principais áreas de 
mineração, Rio das Velhas, hoje Sabará e Vila Rica, os paulistas ficaram confinados 
à região do rio das Mortes, atualmente São João Del Rei. Os emboabas aclamaram 
então Manuel Nunes Viana com governador das Gerais, encarregou Bento do Amaral 
Coutinho de expulsar os paulistas do lugar onde tinham se refugiado, depois de 
derrotados se retiraram da região. 
Preocupada com a queda na produção aurífera devido aos conflitos, a coroa criou a 
capitania real de São Paulo e Minas do Ouro, foi perdoado os envolvidos e conseguiu 
a pacificação. O governo português também atendeu as reivindicações dos 
mineradores, com elevação a condição de vila as localidades de Ribeirão do Carmo, 
Sabará e Vila Rica. 
 
26 
 
 
5.4 - Guerra dos Mascates 
 
A Guerra dos Mascates fora um movimento com caráter regionalista que aconteceu 
em Pernambuco em 1710. Desde o início do século XVIII, os senhores de engenho 
de Pernambuco sofriam dois problemas sérios. A produção açucareira antilhana e a 
concorrência holandesa. Além da queda do preço do açúcar no mercado 
internacional. Do outro a elevação do preço dos escravos, devido a grande demanda 
das regiões das Gerais, Isso encarecia o açúcar do nordeste. 
E o endividamento foi uma consequência drástica dos senhores de engenho
com os 
comerciantes que além de manipular os preços das mercadorias, emprestavam 
dinheiro a juros muito altos. Os conflitos entre senhores de engenho e mascates, 
como eram chamados depreciativamente os comerciantes, acabaram de 
configurando na rivalidade entre Olinda e Recife. Olinda sede da capitania e da 
Câmara Municipal estava sob o controle dos senhores de engenho, que impunham o 
pagamento de altas taxas à população de Recife, que o lugar controlado pelos 
comerciantes e que embora economicamente forte, não tinham recebido o direito de 
tornase vila. 
Todavia no momento em que Recife foi elevada a categoria de vila, em 1709, 
tornando-se, portanto independente de Olinda, revoltou os senhores de engenho. O 
governador e os comerciantes mais ricos foram presos e os rebeldes exigiram à 
anulação do decreto de elevação de Recife a vila, o tabelamento dos escravos 
africanos, a não hipoteca das terras dos proprietários aos mascates por causa da 
dívida e também a permissão para o comercio direto com embarcações inglesas e 
francesas. Contudo o governo português nomeou um novo governante e enviou 
tropas para controlas a região. Com o termino do movimento em 1712, Recife foi 
confirmada como a capital de Pernambuco. 
 
5.5 - A revolta de Vila Rica ou Revolta de Filipe dos Santos 
 
27 
 
 
Em 1719, foi criada a casa de fundição pela coroa portuguesa, consistia em 
transformar o ouro pó em barras o que facilitaria a cobrança do imposto por parte da 
metrópole. Foi justamente por causa dessas decisões adotada pelo governo que 
ocorreu a revolta em 1720, sob o comando de Filipe dos Santos Freire. Esta revolta 
tinha caráter regionalista e foi motivada somente por fatores econômicos. Portanto 
seu objetivo era para que fossem revogadas a proibição do ouro em pó e a extinção 
das casas de fundição. 
 
No dia 22 de junho de 1720, iniciou a revolta em Vila Rica, hoje Ouro Preto. Os 
revoltosos seguiram para Ribeirão do Carmo atual Mariana pressionaram o governo 
da região das Minas o então Dom Pedro de Almeida, conde de Assumar, para que 
pudesse acatar as suas exigências. De imediato as exigências foram cumpridas, pois 
o governo estava sem forças armadas e não podia enfrentar os revoltosos. Depois 
que o governante adquiriu as forças necessárias, esmagou a revolta e prendeu todas 
as cabeças da revolta. O líder Filipe dos Santos foi morto e esquartejado em 16 de 
junho de 1720. 
 
5.6 - Revoltas Emancipacionistas 
 
As revoltas emancipacionistas tinha um caráter bem mais radical, no sentido de que, 
contrariavam o poder estabelecido na colônia. Inspirados em ideias iluministas, na 
revolução francesa, na independência dos Estados Unidos da América. 
 
6 - Revoltas Emancipacionistas 
 
6.1 - Inconfidência mineira 
 
28 
 
 
Em meado de 1750, a coroa portuguesa decidiu implantar a finta que era o rendimento 
anual do quinto, que deveria render no mínimo 100 arrobas. O que faltasse para 
atingir esse total seria cobrado pela derrama quando rei decidisse. E isso era que 
aterrorizava a capitania de Minas Gerais, tanto que a decretação da derrama era 
prenuncio de violência por parte das autoridades. 
De um lado a opressão metropolitana, do outro, a crise econômica com o 
esgotamento das lavras de ouro. Além do mais a difusão das ideias filosóficas da 
Europa e a notícia da Independência dos EUA. Isso fazia crescer o nível de 
consciência de alguns grupos da sociedade mineira, como padres, literatos, 
funcionários e profissionais liberais. O projeto dos conspiradores defendia a livre 
produção com, com o apoio ao desenvolvimento de manufaturas têxteis e 
siderúrgicas, além do estimulo a produção agrícola através de doação de terras as 
famílias pobres. Os conspiradores também defendiam a liberdade comercial, 
eliminando qualquer tipo de monopólio. Contudo há alguns aspectos que é valido 
levar em conta no processo revolucionário, porque havia muitos interesses pessoais 
e isso confundiu, ou seja, os desenganos pessoais foram confundidos com os 
interesses coletivos e de qualquer forma tudo levaria os mineiros à revolução. E um 
interesse pessoal foi à causa da delação dos inconfidentes ao governo português, no 
caso Silvério dos Reis, que denunciou a revolta em troca de perdão das dívidas. 
 
Entre os principais inconfidentes estavam: Claudio Manoel da Costa,Alvarenga 
Peixoto, Tomás Antônio Gonzaga, Francisco Paula Freire de Andrade, José Joaquim 
da Silva Xavier, Carlos Correa, Oliveira Rolim dentre outros. 
 
A revolta fora marcada no dia em fosse instaurada a Derrama, no ano de 1789, 
contudo, diante da denúncia a derrama foi suspensa pelo governo e os revoltosos 
foram presos, fracassando assim com os planos da revolta. A devassa (investigação) 
iniciada em Minas Gerais durou quase três anos, encerrando-se no Rio de Janeiro. A 
primeira sentença condenando 11 acusados à morte foi modificada depois pela rainha 
D. Maria I, que estabeleceu então degredo aos dez principais conspiradores, tendo 
sido condenado à morte apenas Tiradentes, que fora usado como bode expiatório. 
Tido como líder da revolta pelos juízes e os outros inconfidentes era o menos letrado 
e mais pobre entre os conjurados. Os religiosos que também participaram da revolta 
29 
 
 
cumpriram pena em conventos penitenciários na metrópole. 
 
6.2 - Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates (1798) 
 
Esta revolta foi a mais popular que as anteriores, porque muitos alfaiates, sapateiros, 
bordadores, carpinteiros, pedreiros aderiram ao movimento, por isso ficou conhecido 
como “Revolta dos Alfaiates”. 
 
Os conspiradores influenciados, por ideias mais radicais da Revolução francesa 
(jacobinos), planejavam de alguma forma acabar com a escravidão e com o 
preconceito racial, fundar uma República Democrática que comerciaria com todos os 
países. Em 12 de agosto de 1798, os revoltosos colocaram nos muros da cidade 
manuscritos convidando o povo à luta e proclamando os ideais de liberdade, 
igualdade, fraternidade e república. Mas seus planos foram descobertos e a 
repressão agiu com rapidez, impedindo a reunião convocada para o Campo do Dique. 
Foram presas 49 pessoas e sendo as sentenças as mais variadas como exílios, 
açoites e pena de morte. Coube a pena máxima a quatro soldados e alfaiates: Lucas 
Dantas, Luiz Gonzaga das Virgens, João de Deus e Manoel Faustino. 
 
6.3 - A Revolução Pernambucana 
 
Foi última revolta do período colonial, o Brasil passava por uma situação bastante 
diferente dos movimentos que antecederam com a vinda da família real o Brasil tinha 
passado por uma profunda transformação. 
 
No ano de 1817, a revolta desencadeou-se em na capitania de Pernambuco, esse 
movimento se deu basicamente pela crise econômica no qual Pernambuco e o 
nordeste como um todo vinham passando. A revolta aconteceu em meio a uma 
difusão dos ideais franceses ensinados e debatidos dentro das entidades como o 
Areópago de Itambé e também no seminário de Olinda. Foi influenciado por outros 
30 
 
 
fatores como a independência das colônias espanholas, dos Estados Unidos e as 
ideias de liberdade que vinham se propagando desde o século anterior em todo o 
Brasil. 
 
A eclosão da revolta aconteceu quando José de Barros Lima assassina um 
comandante português, rapidamente a rebelião entre os militares e a população da 
capitania de Pernambuco. Os revoltosos assim que conseguiram dominar a situação 
organizaram um governo provisório que entre as providencias adotadas fora estender 
o movimento as demais capitanias do nordeste e buscar o reconhecimento do novo 
governo no exterior. Alagoas, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte foram as 
capitanias para onde o movimento se expandiu. 
 
Contudo o movimento foi duramente reprimido pelo governo de D. João. Alguns dos 
líderes foram executados como Domingos José Martins, Domingos Teotônio Jorge, 
José de Barros Lima, o
Padre Miguelinho dentre outros envolvidos na revolta. O 
movimento ocorrido em Pernambuco não teve o êxito esperado por seus 
participantes, mas contribuiu decisivamente para o processo de independia que viria 
acontecer tempos mais tarde. 
 
7 - Brasil a caminho da independência 
 
O Brasil chega ao século XIX, praticamente com mesmos problemas do ponto de 
vista político, econômico e social. O Brasil continuava a ser explorado pela metrópole 
que levava toda a riqueza produzida na colônia. 
 
7.1 - A corte portuguesa no Brasil (1808) 
 
A transferência da família real portuguesa para o Brasil foi consequência da situação 
em que o continente europeu estava passando nesse momento, início do século XIX, 
pois a política imperialista adotada por Napoleão Bonaparte causava certa 
31 
 
 
instabilidade política no continente europeu. No processo de expansão do domínio 
continente a Napoleão esbarra com a Inglaterra a maior potência econômica da época 
e não poderá vencer. Por isso em 1806, institui o bloqueio continental, cujo objetivo 
era obrigar todas as nações da Europa continental a fecharem os seus portos ao 
comercio inglês. Por meio do bloqueio continental, Napoleão pretendia enfraquecer o 
comercio da Inglaterra, principalmente privando esta dos mercados consumidores e 
suas fontes de abastecimento de matérias primas. 
 
Portugal nesse momento era governado pelo príncipe regente Dom João, pois D. 
Maria I se encontrava afastada por causa de sérios problemas de saúde. O príncipe 
regente se encontrava em uma situação bastante difícil, fora pressionado por 
Napoleão que exigia o fechamento dos portos de Portugal ao comercio inglês, como 
Dom João tinha a pretensão de manter as relações comerciais com a Inglaterra tenta 
adiar o quanto possível as determinações de Napoleão. Se aderisse ao bloqueio 
continental Portugal em condições muito difíceis já que sua economia dependia quase 
que exclusivamente do comercio inglês. Diante da situação e traves de acordos entre 
as duas nações é decidido pela transferência da família real portuguesa para a sua 
colônia na América, as vésperas da invasão dos franceses em Portugal. E no dia 29 
de novembro, Dom João e sua família partem em direção a colônia, é escoltada pela 
marinha inglesa até o litoral brasileiro que chega no dia 22 de janeiro de 1808 na 
Bahia. 
 
7.2 - O governo de Dom João 
 
A vinda ou transferência da família representou um avanço para o Brasil, pois 
algumas medidas adotadas por Dom João que de então deixava de ser colônia. Umas 
das principais adotadas pelo governo foram à abertura dos portos as nações amigas 
subentendido como sendo a Inglaterra, também assina o alvará que permite a 
instalação de indústrias em terras brasileiras. Outra medida foi aconteceu em 1810 
quando são assinados com a Inglaterra os tratados de aliança, comercio e 
32 
 
 
navegação, logicamente quem saía ganhando na nessa questão toda era a Inglaterra. 
 
Para receber toda a nobreza portuguesa, o Rio de Janeiro passou por uma 
urbanização considerável com a criação de escolas, academia militar, tipografia, 
Banco do Brasil, museu, bibliotecas dentre outros. 
 
7.3 - O Brasil como reino 
 
A partir de 1815, Napoleão foi definitivamente derrotado e o congresso de Viena 
passa a organizar o continente europeu e recolocando nos tronos as dinastias que o 
imperialismo da França havia destronado. Para ser reconhecida a dinastia de 
Bragança, deveria ter o representante da dinastia na metrópole. Mas nesta época 
Dom João e a maioria da nobreza não desejam deixar o Brasil, onde haviam também 
criado interesses econômicos, para retornar a Portugal que se encontrava 
empobrecida e devastada pela guerra. Com o objetivo de atender as exigências do 
Congresso de Viena e sem retorna a Europa, foi sugerida que o Brasil fosse elevado 
a categoria de reino, pelo ministro do exterior da França Talleyrand. Então é levado a 
Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e com essa medida permitiu que Dom 
João prolongasse a sua permanência no Brasil. 
 
7.4 - D. Pedro como príncipe regente 
 
Depois de algumas hesitações resolve voltar para Portugal e parte no dia 26 de abril 
de 1821, deixa no Brasil seu filho como governo regente. Nesse momento abre 
caminho para uma possível separação entre colônia e metrópole. 
 
Logo depois da partida de Dom João tornou-se muito claro a contradição no meio 
33 
 
 
político da corte portuguesa que defendiam o liberalismo em Portugal, pretendiam a 
recolonização do Brasil. Tais medidas tomadas na antiga metrópole revelou-se que a 
burguesia portuguesa via no restabelecimento do pacto em terras brasileiras a 
solução para a superação da crise econômica que reino luso estava enfrentando. 
34 
 
 
 
7.5 - Proclamação da independência 
 
Quando marcaram os grandes avanços das lutas dos patriotas, centralizada com 
objetivo de manter o príncipe em terras brasileiras em desobediência às 
determinações vindas da corte. E a mobilização tornou-se intensa e através de um 
manifesto com aproximadamente oito mil assinaturas foi entregue a D. Pedro a sua 
permanência. No momento da entrega abaixoassinado José Clemente Pereira 
discursou e afirma que a volta do príncipe levaria a ruptura entre Brasil e Portugal. 
Nesse momento tomou e decide por ficar “dia do fico”. 
 
O general Avilês, comandante do Rio de Janeiro fiel à corte portuguesa tentou o 
embarque do príncipe regente, mas foi frustrado pela mobilização dos brasileiros que 
se agruparam em armas no Campo de Santana. Em fevereiro, o comandante 
português era obrigado a retirar-se do país e D. Pedro proibiu o desembarque de 
tropas no Rio de Janeiro para substituir a divisão auxiliadora que retornava a Portugal. 
 
Os acontecimentos que se desencadearam nesse período mergulharam em uma 
grande crise no governo e os ministros portugueses féis as cortem se demitiram. 
Então o príncipe forma um novo ministério sob a liderança de 
José Bonifácio, que até o momento era vice-presidente da Junta governativa de São 
Paulo. No mês que se seguiram, o governo estabelecia que qualquer determinação 
vinda de Portugal só poderia ser acatada por determinações de D. Pedro. Na 
capitania da Bahia, desencadeava-se numa luta entre tropas portuguesas e 
brasileiras. Cada vez mais ficava evidente através das mobilizações dos brasileiros, 
que o país caminhava rumo à independência. 
 
Com o objetivo de conter a decisão do príncipe, as cortes tomarem algumas medidas 
radicais, pois declaram ilegítima a Assembleia Constituinte que fora reunida no Brasil 
e tornam ilegal o governo do príncipe, este deveria retornar imediatamente a Portugal. 
Tais atitudes foram que levaram ao gesto exasperado do dia 7 de setembro de 1822 
antes que “algum aventureiro” o faça. A independência do Brasil foi conduzida sem a 
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participação da população, sob a liderança de um príncipe português e do partido 
brasileiro que ocupava o ministério. Classe dominante, ou seja, os grandes senhores 
de terras, instalados no poder e que manteriam por muito tempo o controle da recém-
criada nação brasileira. 
 
8 - Brasil Império (1822 a 1889) 
 
Brasil império é o período que compreende a instalação da independência em 1822 
a até a proclamação da Republica em 1889. Mas o império pode ser dividido em três 
etapas que vai de 1822 a 1831, o primeiro reinado, de 1831 a 1840 temos o período 
regencial e finalmente de 1840 a 1889 segundo reinado. 
 
8.1 Primeiro reinado (1822-31) 
 
Guerra de independência 
 
Em algumas regiões do país, forças portuguesas tentaram resistir à independência 
do Brasil, mas foram logo vencidas em lutas de curta duração, muito ao contrário do 
que ocorreram nos demais países da América espanhola onde a guerra de 
independência se perdurou por um longo período. Os maiores focos de resistência se 
encontravam na Bahia e no Pará.
Contra eles desencadeou-se uma luta de forças 
populares locais que, mais tarde tiveram ajuda de tropas enviadas do Rio de Janeiro. 
 
Na Bahia o movimento esteve sob a liderança de Maria Quitéria que mantiveram 
encurraladas as tropas do general Madeira, definitivamente vencida com a chegada 
das tropas mandadas por D. Pedro, comandadas pelo general francês Labatut. Com 
a derrota dos portugueses foi estabelecido um governo fiel ao imperador, sem a 
participação direta das classes populares. 
36 
 
 
 
No Pará, o processo ocorrido foi bem parecido, mas que terminou com uma tragédia. 
As classes populares derrotaram o domínio português com a ajuda de forças navais, 
mandadas do Rio de Janeiro e que eram comandadas pelo mercenário inglês 
Grenfell. Com ajuda deste favoreceu a implantação de um governo fiel a D. Pedro, 
mas ainda impopular na província. Os paraenses se rebelaram contra o novo 
governo, e contra eles o comandante reprimiu com bastante violência. Trezentos 
patriotas foram encarcerados, lotando os porões de navios. E sobre eles foi mandado 
atirar cal viva pelas escotilhas, após o fato quase todos morreram. 
 
Depois da reduzida resistência na província da Cisplatina às forças portuguesas 
foram finalmente vencidas, em todo o país se impôs o poder centralizador do Rio de 
Janeiro com a aliança das classes dominantes de cada província, ou seja, os 
senhores de terras e escravos. 
 
8.2 - Reconhecimento externo da independência 
 
No que se refere às relações exteriores, o império brasileiro enfrentou primeiro lugar 
o reconhecimento da independência. Pois de acordo com o Congresso de Viena, 
nenhum Estado europeu poderia reconhecer a nova nação antes que Portugal. Deste 
modo, em 1824, os Estados Unidos foram à primeira nação a reconhecer o Brasil 
independente, de acordo com a doutrina Monroe que se opunham as tentativas de 
recolonização pelos europeus, nesse período teve o reconhecimento da Argentina e 
México. 
 
A diplomacia inglesa desejava estabelecer relações com o império do Brasil e 
pressionou Portugal para o que fizesse primeiro. Negociados pelos ingleses o 
reconhecimento veio acontecer em agosto de 1825, no qual obrigava o Brasil a pagar 
uma vultosa quantia de dois milhões de libras à sua ex-metrópole. A Inglaterra com 
de praxe foi quem de fato lucrou com esse processo, porque emprestou o dinheiro ao 
governo brasileiro. E Portugal devia aos bancos ingleses, cuja indenização foi usada 
para saldar tais dividas. 
37 
 
 
 
Logo em seguida a Inglaterra reconheceria a independência, mais precisamente em 
outubro de 1825 e passava a negociar um novo tratado de comercio e amizade, 
assinado no mês seguinte onde termos eram semelhantes aos tratados de 1810 no 
governo joanino. Dentre acordos nos tratados de 1826 o Brasil se comprometia a 
abolir o tráfico negreiro em um próximo. A Inglaterra continuou a ter exclusividade na 
economia brasileira, mas que veio a mudar na década de 1820 outras nações 
europeias estabeleceram relações diplomáticas e comerciais, e seguidas começaram 
a pagar a mesma tarifa de quinze por cento que até então era exclusividade dos 
comerciantes ingleses. 
 
8.3 - A Assembleia constituinte 
 
Nos anos finais de 1822, reuniu-se a Assembleia constituinte, liderada por 
componentes do partido brasileiro, representante da aristocracia agrária e escravista 
entre as figuras de maior representação estava Antônio Carlos de Andrada e Silva 
irmão de José Bonifácio aquele que tinha atuado na revolução de 1817. Os trabalhos 
duraram aproximadamente seis meses no qual trataram de elaborar a primeira 
constituição do Brasil. 
Contudo a primeira carta constitucional apesar de bastante conservador não agradou 
o imperador, porque limitava o poder imperial pelo Legislativo e também porque 
hostilizava os portugueses. D. Pedro acaba dissolvendo a constituinte e manda 
prender os deputados, tal episódio ficou conhecido como “noite da agonia”. 
 
8.4 - A constituição de 1824 
Depois de dissolvida a Constituinte D. Pedro nomeia uma comissão com intuito de 
elaborar uma constituição para o país. 
 
38 
 
 
A nova carta constitucional fortaleceu o poder imperial, como de se esperar. Era 
estabelecido quatro poderes os três já conhecidos executivo, legislativo, judiciário e 
o poder moderador este último a ser exercido pelo monarca e possuía as seguintes 
atribuições: dissolver a Câmara dos Deputados; nomear ministros e escolher os 
senadores vitalícios a partir de uma lista tríplice apresentada por cada província. 
Podia ainda nomear os presidentes de províncias, suspender juízes além dos atos 
dos conselhos provinciais que eram as assembleias de cada província. 
 
8.5 A confederação do Equador 
 
Foi um movimento teve início na província de Pernambuco, que no decorrer das lutas 
estendeu-se a Paraíba, Ceará, e Rio Grande Norte. Este movimento tinha o caráter 
separatista ainda que por um período curto é estabelecido o sistema republicano. 
 
Assim como revolta de 1817 que resultou de causas econômicas. A economia 
exportadora se encontrava em crise e acentuava o esvaziamento da economia do 
nordeste, agravado ainda pelos autos impostos cobrados pelo governo central do Rio 
e Janeiro. Junta vinha também uma solução em aumentar a autonomia das províncias 
e diminuir poder central. 
 
A revolta teve como centro a província de Pernambuco e contou com a participação 
de diversos setores da sociedade. As ideias foram amplamente empregadas dois 
jornalistas que são Cipriano Barata e frei Joaquim do Amor Divino Caneca. 
 
Cipriano Barata um velho conhecido da conjura dos Alfaiates e da revolta de 1817 e 
ficou conhecido como “o homem de todas as revoluções”. Em 1823 quando dirigia os 
seus inúmeros jornais, A Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco, na qual 
atacava violentamente o despotismo de D. Pedro, as ameaças de recolonização. Em 
novembro antes que fosse instaurado o movimento do qual defendia foi preso e na 
prisão permaneceu até 1830. 
 
39 
 
 
O frei carmelita mais conhecido por frei Caneca porque vendia canecas nas ruas de 
Recife quando criança, ele também havia participado de revolta de 
1817. Logo depois da prisão de Cipriano Barata, funda o Tifis Pernambucano que 
atacava a carta outorgada pelo imperador e, em especial seu caráter centralizador, 
pregava uma estrutura republica e federalista para o Brasil. 
 
A revolução desencadeou-se a 2 de junho de 1824 quando D. Pedro mandou destituir 
o governo de Pernambuco Manuel Pais de Andrade grande proprietário de terras e 
defensor ideias e federalistas. Tendo à frente Pais de Andrade, os revolucionários 
proclamaram a Confederação do Equador, a ser formada inicialmente pelas 
províncias do nordeste, conclamando o restante do Brasil a segui-las. A massa da 
camada mais popular também aderiu ao movimento. 
 
Fora de Pernambuco, movimento não chegou a se consolidar e no Rio de Janeiro e 
Bahia era organizada a repressão, visando liquidar o movimento, D. Pedro contrai 
mais um empréstimo junto aos banqueiros ingleses com intuito de organizar um 
exército e o pagamento de uma esquadra inglesa comandada pelo Lord Thomas 
Cochrane. O porto de Recife foi bloqueado as tropas foram desembarcadas, e os 
rebeldes enfraquecidos e sem preparo militar, foram facilmente derrotados em 
algumas batalhas. Já no dia 12 de setembro de 1824 a cidade de Recife era ocupada 
e partes da cidade foram incendiadas entregas a saques, violações e vinganças. 
 
Enquanto que Pais de Andrade conseguia asilo em um navio inglês frei Caneca e 
outros líderes tentavam resistir no interior. Mas, em novembro de 1824 foram 
derrotados e presos. Nos tribunais militares foram extremamente rigorosos, 
decretados, portanto inúmeras condenações à morte. Frei Caneca foi executado em 
janeiro de 1825, ele se tornou o mártir da revolução, devia ser enforcado, mas os
executores o recusaram sendo então fuzilado. 
 
8.6 - Abdicação de D. Pedro I 
 
No ano de 1831 crescia a oposição em toda parte do Brasil á política do imperador, 
40 
 
 
sua popularidade havia caído muito desde a dissolução da constituinte e vinha 
aumentando cada vez mais. D, Pedro passa a usar o que restava de seu prestigio 
pessoal para diminuir a oposição e neste sentido realizou uma viagem a Minas Gerais 
acompanhado de grande parte de sua corte. A viagem revelou-se um fracasso, além, 
recepção fria o encontrou em várias partes faixas de protesto pelo assassinato Libero 
Badaró, um jornalista de oposição de São Paulo e recebidos na cidade de Barbacena 
com toques de sino de finados. 
 
Sabendo dos acontecimentos os portugueses do Rio de Janeiro realizaram grandes 
festividades para receber o imperador, mas a festa resultou em grandes conflitos 
entre portugueses e brasileiros, esses movimentos aconteceram nos dias 12 e 13 de 
março que ficaram conhecidos como noite das garrafadas. 
 
Depois de vários acontecimentos D. Pedro decide na madrugada de 7 de abril 1831 
e entrega ao major Frias e Vasconcelos o ato de sua abdicação em favor seu filho D. 
Pedro de Alcântara. No mesmo dia D. Pedro embarcaram no navio que os levaria a 
Europa. 
 
9 - Período Regencial 
 
Com a abdicação de D. Pedro I, em 7 de abril de 1831, de certa forma consolidou a 
independência e abriu caminho para uma espécie de primeira experiência republicana 
no Brasil, isto é, porque durante o período regencial os regentes que ocupavam o 
poder executivo passaram a ser eleitos. É neste momento que as camadas populares 
tentaram participar da vida política do país, qual reivindicavam democracia e 
descentralização administrativa, através de várias rebeliões, no entanto de um leve 
avanço liberal, o período terminou coma vitória das forças conservadoras que 
predominou durante todo segundo reinado. 
 
41 
 
 
9.1 As regências trinas 
 
A regência trina provisória se deu no momento em D. Pedro I renuncia ao trono e 
como o príncipe herdeiro ainda era menor de idade, não podendo assumir o trono. 
Como os parlamentares se encontravam de recesso, foi montado um governo 
provisório pelos poucos parlamentares que lá se encontravam. A regência trina 
provisória composta por José Carneiro de Campos, Nicolau Campos Vergueiro e 
Francisco de Lima e Silva. 
 
Regência trina permanente durou de 1831 a 1835, a Assembleia imperial reunida em 
junho de 1831 os três novos regentes que eram: Costa, Bráulio Muniz e novamente 
Francisco de Lima e Silva. Neste período a inquietação política tomava conta do país 
e o importante cargo de ministro da justiça confiado ao Diogo Antônio Feijó, com 
poderes quase ditatoriais, o novo ministro também tinha permissão de manter um 
jornal para defender, principalmente suas posições políticas. 
 
9.2 - Reforma Constitucional ou Ato Adicional de 1834 
 
No ano de 1834, os moderados mantinham-se no poder, mas os seus adversários, 
os liberais, exaltados mesmo derrotados nas rebeliões, ainda possuíam bastante 
força em várias partes do Brasil, o que tornou a agitação política maior no decorrer 
do período regencial. 
 
O ato adicional propunha algumas mudanças na constituição de 1824. Visando 
manter-se no poder, os moderados fizeram mudanças de caráter mais liberal e 
federalista. Foi promulgado o ato adicional em agosto de 1834 estabelecendo criação 
de município neutro, abolição do Conselho de Estado que assessorava o governo 
imperial, criação de uma Regência Una a serem eleita a cada quatro anos e a 
substituição dos conselhos provinciais de reduzidos poderes por assembleias 
legislativas provinciais. 
 
42 
 
 
9.3 - A Regência Una 
 
Em 1835 é realizado pela primeira vez para a escolha de um representante do poder 
executivo no Brasil. Quem vence é o padre Diogo Antônio Feijó que derrota se 
adversário Antônio Holanda Cavalcanti. Em 1836, ao ser empossado o novo regente, 
a situação do era drástica. No Pará desencadeava-se a Cabanagem, um movimento 
insurrecional de base popular duraria muito tempo. A guerra dos farrapos também 
agitavam o Rio Grande do Sul e também na Bahia um levante de escravos, reprimido 
rapidamente apavorava muito as classes dominantes, nesse sentido a inquietação 
política causaria em outros movimentos. 
 
9.4 - Revoltas Provinciais 
 
Para se entender as muitas revoltas no período regencial é valido analisar os vários 
aspectos tanto econômicos, políticos e sociais. Na segunda metade do período 
regencial, eclodiram muitas revoltas com ampla participação popular, em alguns 
casos chegaram a ameaçar o sistema monárquico. Se analisadas em termos gerais 
as camadas populares livres, às vezes aliada a grupos oligárquicos, desejavam 
mudanças mesmo que não definissem de forma objetiva se seria uma sociedade 
nova. 
 
9.5 - Cabanagem (1835-40) 
 
Em fins do ano de 1834 a 1840, a província do Grão-Pará foi agitada por uma 
revolução apoiada pela população pobre, mestiços e índios que moravam em 
cabanas nas margens dos rios da região. 
 
A luta pela independência na província teve caráter popular, e além da libertação 
43 
 
 
reivindicavam a distribuição de terras e o fim da escravatura. Essas reivindicações 
eram dirigidas contra a classe dominante formada por grandes senhores de terras e 
comerciantes portugueses de Belém. A pressão das massas sobre os governadores 
nomeados pelo Rio de Janeiro tornou-se mais frequente. 
 
Com intuito de controlar a situação, os governadores passaram a utilizar violenta 
repressão, em especial o recrutamento de elementos rebeldes mandados para 
regiões distantes e eram enquadrados na rígida disciplina do Exercito e da Marinha. 
 
A revolta iniciou praticamente em fins de 1834, onde a rebelião dos Cabanos se se 
radicalizou em janeiro de 183, quando os rebelados tomam a cidade de Belém, 
executaram o governador e outras autoridades. Entre os lideres estavam o Batista 
Campos, Eduardo Nogueira Angelim e os irmãos Francisco e Antônio Vinagre. Saindo 
vitoriosos os Cabanos no governo Felix Malcher, que adotou uma política bastante 
moderada preocupando-se em prestar fidelidade ao governo central e esquecendo 
as reivindicações populares defendidas pelos cabanos. 
 
Diante do ocorrido desencadeou-se uma nova rebelião. Malcher foi deposto e 
executado. Quem assume o comando do governo é Antônio Vinagre que, no entanto, 
adota a mesma política conciliatória de Malcher. As armas foram retomadas e 
chefiadas por Francisco Vinagre e Eduardo Angelim, chegaram a proclamar a 
Republica e a Independência do Pará. Mas o movimento entrou em declínio logo 
depois, debilitados pelos anos de luta, pelas traições e outros problemas relacionados 
a doenças. Enquanto isso as forças governamentais continuavam a chegar e com a 
ajuda das classes dominante locais, infligiram derrotas sucessivas aos cabanos que 
resistiram com guerrilhas no interior da província até derrota final, já no segundo 
reinado. 
 
9.6 - A Sabinada (1837-38) 
 
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Em 1837 a insatisfação popular desencadeou uma revolta liderada pelo médico 
Francisco Sabino, figura versada no pensamento político francês. O levante iniciou 
em Salvador em 7 de novembro de 1837 e teve como estopim o recrutamento forçado 
para as tropas a serem mandadas para lutar contra os Farrapos no sul do país. Assim 
como na Conjura dos Alfaiates foi proclamada a Republica Baiense, que deveria durar 
até a maioridade do futuro D. Pedro II. 
A reação do governo foi extremamente rápida, organizada pelos latifundiários que 
logo receberam ajuda do governo central. Assim como em outros movimentos, 
preparo militar dos militares era deficiente. Salvador fora cercado por mar e por terra, 
foi tomada pelas forças do governo depois de intensos combates. Morreram 
aproximadamente duas mil pessoas e o número de presos chegou a três
mil, uma 
boa parte da cidade foi incendiada. Foram condenados a morte seis líderes e a prisão 
outros tantos, mandados para degredo. 
 
9.7 - A Balaiada (1838-41) 
 
Revolta que aconteceu no Maranhão e teve início em 13 de dezembro de 1838, tinha 
como causa insatisfação popular contra o mandonismo dos grandes latifundiários, 
agitação liberal das camadas medias contra os abusos da oligarquia. 
Na década de 1830, o Maranhão possuía um contingente populacional de 200 mil 
habitantes, sendo que 90 mil eram de escravos. Os trabalhadores livres eram 
geralmente vaqueiros sertanejos das grandes fazendas do interior. 
Entre os anos de 1838 a 1841, a província do Maranhão foi palco de uma série de 
lutas das camadas populares contra o mandonismo dos grandes latifundiários no qual 
faziam de sua vontade a lei, oprimindo negros forros, brancos pobres, e a reduzida 
camada media. Na origem do movimento se tem a agitação liberal dos chamados 
Bem-Te-Vis, que eram elementos da camada media e lutavam contra os abusos da 
oligarquia local. De uma agitação passou a ser um movimento popular, com o 
aparecimento de vários grupos armados que atuavam juntos e separados. Dentre 
esses grupos o mais importante era liderado por fabricante de balaio (cestos), Manuel 
45 
 
 
Francisco dos Anjos, “O Balaio”. No meio de toda essa luta, ocorreram fugas de um 
grande número de escravos que chegaram até mesmo um quilombo nas 
proximidades do litoral do Maranhão. 
A rebelião teve então seu auge em 1839, quando os balaios ocuparam a cidade de 
Caxias, improvisaram, pois um governo que decretou o fim da guarda nacional e 
expulsão dos portugueses. Contudo a organização política dos rebeldes não evoluiu 
e continuou a atuar dividida a maior parte do tempo, o que enfraqueceu ainda mais o 
movimento e a repressão por parte das oligarquias, com a ajuda do Exército imperial 
sob o comando do coronel Luís Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias. 
Depois de sucessivos combates, em 1840, os foram então derrotados e os que 
sobreviveram acabaram sendo anistiados por D. Pedro II, logo que assume o trono. 
 
9.8 - Guerra dos Farrapos (1835-45) 
 
Revolta ocorrida no Rio Grande do Sul, qual é considerada a mais importante do 
período regência. A luta dos rebeldes gaúchos durou de 1835 a 1845 e foi favorecida 
pelo caráter militarizado da sociedade riograndense, cujo exército foi organizado 
desde as lutas fronteiriças, ainda na época da colônia do Sacramento. 
 
Os fatores econômicos sem dúvida foram determinantes na deflagração do conflito. 
Pois a província pagava ao governo imperial impostos territoriais, além de altas taxas 
sobre as exportações de charque e outros derivados do gado como o couro e sebo. 
Outro aspecto importante foi à concorrência do charque da região platina, mas barato 
por produzido com mão de obra livre, no mercado brasileiro. O charque era usado 
como alimentação de escravos e o governo central, dominado pelos latifundiários do 
Centro Sul e do Norte, tendia a liberar a importação dos países platinos prejudicando 
os produtores do Rio Grande do Sul. 
 
Principalmente por causa dessas questões relacionadas aos impostos, a classe 
dominante gaúcha apoiou a as ideias federalistas, visando diminuir o poder central e 
aumentar a autonomia da província. Nas eleições realizadas em 1834 para a 
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assembleia provincial, os federalistas chamados de exaltados ou farroupilhas fizeram 
maioria. A partir daí as relações da assembleia com o presidente da província 
nomeada pelo poder imperial tornaram-se cada vez mais tensas, em setembro de 
1835, eclodiu um levante armado e os rebeldes, comandados por Bento Gonçalves, 
ocuparam Porto Alegre e o governador é deposto. 
 
A escolha de um novo governador, nomeado pelo Rio de Janeiro reacendeu a luta e, 
vitoriosos na batalha de Seival, os farroupilhas proclamaram a Republica de Piratini 
em setembro de 1836. A guerra continuou e as tropas do governo depois uma vitória 
na Ilha Fanfa conseguiram prender vários chefes rebeldes, entre eles Bento 
Gonçalves que foi mandado preso para a Bahia. Com a ajuda da maçonaria o líder 
gaúcho consegue fugir da prisão, em setembro de 1837, regressando ao sul assume 
o posto de presidente da República de Piratini. A luta dos farrapos se tornava cada 
vez mais popular e agora com intuito mais audaciosos, a eles se juntando 
revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi. Em 1839 atacaram Santa Catarina onde 
foi proclamada a republica Catarinense, também conhecida como Juliana, pois esta 
foi proclamada no mês de julho. 
 
Depois de 1840 comas forças do governo imperial organizada iniciou uma fase de 
derrotas para os farroupilhas. Em 1842 o Barão de Caxias assume a presidência e o 
comando militar da província, combatendo e procurando negociar com os revoltosos. 
Enquanto a luta prosseguia foram realizadas mais tarde sintetizadas na paz de 
Ponche Verde no qual estabelecia anistia para os dois lados; reconhecimento da 
alforria dada aos escravos que combateram ao lado dos farroupilhas também a 
taxação do charque vindos da região platina. 
 
9.9 - Golpe da maioridade 
 
Fora do poder a algum tempo, os liberais passaram a defender o fim da regência e a 
decretação da maioridade de D. Pedro II, como forma de pacificar o país. Essa seria 
logicamente uma forma de desalojar os conservadores do poder, pois D. Pedro 
tornando-se imperador formaria um novo ministério onde os liberais teriam maioria. 
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A ideia de tornar legalmente a maioridade de D. Pedro que no momento contava com 
apenas 14 anos de idade levou a criação do Clube da Maioridade que além dos 
liberais contava elementos conservadores e com a chamada facção palaciana que 
era formada por políticos que cercavam o jovem príncipe. Na capital a campanha 
maiorista ganhou força rapidamente, terminando por triunfar a 23 de julho de 1840, 
momento em D. Pedro jura respeitar a constituição, perante a Assembleia do império. 
 
Tendo fim o período em que o Brasil se torna uma república. De certa forma a 
maioridade fortaleceu a monarquia, a centralização tendeu a acentuar novamente o 
caráter conservador do regime. No ano de 1840 havia sido aprovada a lei 
Interpretativa, em novembro de 1841, foi restaurado o Conselho de Estado, órgão que 
assessoraria ao monarca formado por pessoas da classe dominante e foi 
caracterizado por um forte conservadorismo. 
 
10 - Segundo reinado (1840-1889) 
 
10.1 - Afirmação do Império 1840-1850 
 
O Segundo Reinado se estende de 1840 a 1889, caracterizado pelo governo de D. 
Pedro II. Este período representa a lenta passagem do país de uma estrutura colonial 
para uma nova organização socioeconômica mais moderna. Devido a sua longa 
duração costuma-se dividir O Segundo Reinado em três fases. 
 
I - A reinstalação da monarquia e a afirmação do Império 1840-1850 
 
Fase de preparação política de Pedro II e de pacificação das lutas regenciais, de 
ajuste dos partidos políticos e da introdução do sistema parlamentarista de governo; 
48 
 
 
 
II - O apogeu do Império 1850-1870 
 
Fase de tranquilidade política no plano interno e de vitórias em questões 
internacionais; 
 
III - O declínio da monarquia 1870-1889 
 
Fase da lenta desagregação das instituições monárquicas, do envelhecimento do 
Imperador e da propaganda republicana. 
 
10.2 - A consolidação imperial 
 
O Brasil foi governado por regentes, que conduziram o governo até que o herdeiro 
atingisse a maioridade e assumisse o trono. A regência inaugurou uma nova fase da 
história do Brasil Império, marcada pela eclosão de inúmeras rebeliões sediciosas e 
pela reorganização das forças políticas nacionais. Durante o primeiro reinado, 1822-
1831, predominaram três correntes políticas, organizadas em dois partidos políticos: 
o Partido Brasileiro que representava os interesses dos grandes proprietários
agrários 
e dos liberais, com maior inserção nas camadas urbanas e o Partido Português que 
representava os interesses da alta burocracia do Estado e dos comerciantes 
portugueses ligados ao antigo comércio colonial. No início do período regencial, 
essas forças políticas se reorganizaram e surgiram, então, dois novos partidos: o 
Partido Moderado e o Partido Exaltado. Esses dois grupos políticos no final da 
Regência se organizaram em partidos. O partido liberal, mais favorável às autonomias 
regionais e as liberdades e o partido conservador, mais poderoso, centralizador, 
ligado ao Imperador ao longo de todo o Segundo Reinado. Os dois partidos, no 
49 
 
 
entanto, estão assentados em grupos sociais similares, ambos são constituídos por 
proprietários de escravos e de terras. Portanto são contra o fim da escravidão e contra 
reformas realmente democratizantes. 
 
11- Partidos políticos do período imperial 
 
a) O Partido Moderado 
 
Apelidado de chimangos, passou a representar, unicamente, os interesses dos 
grandes proprietários agrários. Eram defensores da escravidão; da monarquia 
moderada, isto é, sem absolutismo; da preservação da unidade territorial do país, e 
da ampliação da autonomia das províncias. Seus líderes mais importantes foram o 
padre Diogo Feijó e Evaristo da Veiga. 
 
b) O Partido Exaltado 
 
Apelidado de farroupilhas, passou a representar os interesses das camadas urbanas. 
Defendiam a ampla descentralização do poder através da autonomia administrativa 
das províncias e instauração do sistema federalista. Desejavam substituir a 
monarquia pelo regime republicano. Seus principais líderes foram Cipriano Barata e 
Borges da Fonseca. 
 
c) O Partido Português 
 
Apenas modificou sua denominação para Partido Restaurador, seus membros foram 
apelidados de Caramurus. Os restauradores tinham como principal objetivo articular 
50 
 
 
o retorno de Pedro I ao trono imperial. Defendiam um regime absolutista e 
centralizador. Seu principal líder foi José Bonifácio de Andrada e Silva. 
 
d) Os Moderados 
 
Agora chamados de liberais, viram-se alijados do poder com o Regresso conservador. 
Eles tramaram o golpe da Maioridade para empossar D. Pedro II, mesmo este tendo 
apenas 15 anos. Conseguindo assim que todo o ministério do Segundo Reinado fosse 
constituído pelos liberais. Desta forma o país volta a ter um imperador, e com isso o 
retorno do poder moderador. 
 
11.1 - A dinâmica política imperial 
 
Em 1840, logo após o golpe da Maioridade e devido ao acirramento das brigas 
políticas, ocorreram eleições extremamente violentas e fraudulentas, foram às 
chamadas eleições do cacete. No entanto, a corrupção e a violência serão marcas da 
política em todas as eleições do Segundo Reinado. Liberais e conservadores iriam se 
alternar nos ministérios ao longo do Segundo Reinado. 
 
11.2 - O grupo de sustentação do Império: os saquaremas 
 
O partido conservador, ao longo de todo o Império, foi mais poderoso do que o partido 
liberal. Dentro do grupo do partido conservador, havia um grupo proeminente que 
conseguiu dá o tom da política imperial. Eram os Saquaremas, os conservadores do 
estado do Rio de Janeiro, ligados à cafeicultura escravista. 
 
51 
 
 
12 - Por trás da estabilidade, o café 
 
Mais importante do que as disputas políticas, para se entender a estabilização política 
do Império, é preciso entender a economia. Desde 1830, o café vinha sendo o 
principal produto de exportação do Brasil, superando o açúcar. A partir de 1840 e 
1850, as exportações aumentaram vertiginosamente, possibilitando ampla 
arrecadação e amplos superávits na balança comercial. O café foi o produto que 
impulsionou a economia brasileira até a década de 1930. A princípio sua plantação 
estava concentrada no Vale do Paraíba (região localizada entre Rio de Janeiro e São 
Paulo) e depois nas zonas de terra roxa do interior de São Paulo e do Paraná, o grão 
foi o principal produto de exportação do país durante quase 100 anos. Como o Brasil 
detinha o controle sobre grande parte da oferta mundial desse produto, podia 
facilmente controlar os preços do café nos mercados internacionais, obtendo assim 
lucros elevados. Dessa forma, tinha-se uma situação de crescimento da oferta do 
café muito superior ao crescimento de sua demanda, indicando uma tendência 
estrutural de baixa de preços ao longo prazo. A produção era feita em grandes 
fazendas usando basicamente mão de obra escrava, contudo, no Oeste paulista essa 
mão de obra foi gradualmente sendo substituída pela de imigrantes europeus. 
 
A) A Praieira (1848-50) 
 
Foi à última das revoltas provinciais, está ligada às lutas político-partidárias que 
marcaram o Período Regencial. Seu fracasso representou uma demonstração de 
força do governo de D. Pedro II. Teve caráter autonomista e antilusitano. Ocorrida em 
Pernambuco, foi uma reação à centralização monárquica e ao jogo político entre 
liberais e conservadores. Um grupo do partido liberal da província de Pernambuco 
não aceitava a alternância de poder entre conservadores e liberais e formou o partido 
da praia, composto por uma elite emergente da província. Os praieiros chegaram ao 
poder na província e fizeram o mesmo tipo de governo que liberais e conservadores, 
com a nomeação de parentes para o funcionalismo público e licitações fraudulentas. 
52 
 
 
Como os conservadores locais (gabirus) impediram que os praieiros fossem eleitos 
senadores, estes entraram em confronto armado com os gabirus. O governo imperial 
interferiu e suprimiu a revolta. Foi um movimento influenciado pelas ideias liberais, 
pela falta de autonomia provincial e marcado pelo repúdio à monarquia. Esse 
movimento contou com a participação das camadas menos favorecidas da Província 
de Pernambuco, sacrificadas pelas péssimas condições de vida, eram pequenos 
arrendatários, boiadeiros, mascates e negros libertos. 
 
B) Os praieiros 
 
Como fundo socioeconômico tem-se nesse confronto a presença da histórica 
rivalidade entre brasileiros e portugueses, que dominavam o comércio na Província. 
Aos líderes do movimento, pertencentes à classe dominante local, o governo imperial 
concedeu anistia e, com isso, voltaram a ocupar os seus cargos públicos e a 
comandar os seus engenhos. Quanto aos rebeldes das camadas sociais menos 
privilegiadas, estes foram condenados sem direito a julgamento. 
 
C) O auge do Império (1850-70) 
 
Em 1850, a Praieira havia sido controlada, as exportações de café batiam recordes, 
a indústria brasileira dava seus primeiros passos e a arrecadação aumentava 
crescentemente. As rivalidades políticas entre o partido Liberal e Conservador não 
eram mais tão profundas e entre os dois lados havia consenso entre as principais 
questões. 
Em Tal convergência de princípios entre liberais e conservadores possibilitou 
finalmente, entre 1853 e 1868, o período ficou conhecido como conciliação, os dois 
partidos governaram juntos. Contudo, neste ano aboliase o tráfico internacional de 
escravos, fato este que se constituiria na semente da ruína do Império, já que a 
53 
 
 
principal base de sustentação eram os proprietários escravistas. 
 
13 - Estrutura Econômica Brasileira 
 
Durante a época colonial, a economia brasileira, além de escravista, era voltada para 
a exportação de bens valorizados no mercado europeu. Essas características 
continuaram essenciais na economia imperial com as exportações de café do qual o 
Brasil se tornou o maior produtor e exportador do mundo no século XIX e de outros 
produtos, além do trabalho escravo. 
 
I - A expansão cafeeira 
 
Desde as primeiras décadas do século XIX, os cafezais já começavam a se expandir, 
primeiro, no litoral do Rio de Janeiro (Angra dos Reis e Parati) depois para o Vale do 
Paraíba. Dentre os fatores que contribuíram para tal sucesso estão às condições 
climáticas
e geográficas altitude, temperatura ideal e as encostas protegidas contra o 
vento, em virtude de a região ser montanhosa, entretanto, o solo da região logo foi 
desgastado em consequência da derrubada da floresta e as consequentes erosões. 
Deste modo, apesar da prosperidade, a cultura cafeeira após poucos decênios, 
entrou em decadência. Na segunda metade do século XVIII seguiu em direção ao 
Oeste paulista. O Oeste paulista, apesar de cultivar café desde o início do XIX, foi 
somente após 1850, que sua produtividade ganhou vulto, passando a superar a 
produção do Vale do Paraíba a partir de 1880. A expansão cafeeira não cessou após 
a Proclamação da República, em 1889, ao contrário, ela continuou se expandindo no 
interior de São Paulo até no início do século XX, no Paraná. 
 
54 
 
 
II - Início da economia da borracha 
 
Na segunda metade do século XIX e primeiras décadas do século XX, a borracha 
produzida na Amazônia se torna um importante produto de exportação. Dominada 
por empresas estrangeiras, a produção da borracha chegou a ser o segundo item de 
exportações no início do século XX, com 28% do valor das exportações, sendo o 
Brasil o maior produtor mundial no período, com 50% do mercado mundial. 
 
III - O fim do tráfico 1850 
 
O Brasil se comprometeu várias vezes a acabar com o tráfico de escravos, mas o 
Estado nunca se empenhou. A Inglaterra, interessada no fim da escravidão, e 
consequentemente no alargamento do mercado brasileiro pressionava 
insistentemente o Brasil para pôr fim ao tráfico. Em 1845, o Parlamento britânico criou 
a lei Bill Alberdeen, que permitia aos navios de guerra britânicos a apreensão de 
navios negreiros brasileiros. Em 1850, aprova-se a apreensão de navios negreiros 
inclusive em águas territoriais brasileiras, gerando uma série de incidentes, com troca 
de tiros em portos, furor nacionalista e pedidos de guerra. 400 navios negreiros 
brasileiros foram capturados pelos ingleses segundo essa lei. Fruto dessa pressão 
britânica, em 1850, o Congresso brasileiro aprova a lei Eusébio de Queirós, que abole 
o tráfico de escravos. 
 
 
IV - Os empreendimentos indústrias e as instalações das ferrovias 
 
Muitos empresários e industriais, dentre eles o mais rico e mais conhecido, o visconde 
de Mauá – favorecidos na época por alguns fatores como a imposição da tarifa Alves 
55 
 
 
Branco (que elevaram de 15% para 30% os direitos alfandegários e assim possibilitou 
uma maior dinâmica ao mercado interno brasileiro); a abolição do tráfico negreiro (que 
liberou capitais até então retidos nesse comércio) e a ascensão do café 
(interessaram-se pelos capitais dos traficantes de escravos, os homens mais ricos do 
Brasil na época). Mauá chegou a criar um banco de investimento para atrair esses 
capitais. De fato, o fim do tráfico fortaleceu mais ainda os investimentos em indústrias 
e outros empreendimentos que marcaram o auge do Império. São bancos, 
companhias de navegação a vapor, seguradoras, telégrafos e principalmente as 
ferrovias. Nesse momento foi criada a primeira ferrovia do Brasil em 1854, a ferrovia 
D. Pedro II, muitos desses empreendimentos tinham investimentos maciços de 
capitais estrangeiros principalmente ingleses. 
 
14 - Guerra do Paraguai (1864-70) 
 
I - Os interesses sobre a região do Rio da Prata 
 
Na raiz do conflito que culminou com a Guerra do Paraguai, encontra-se o processo 
de independência das províncias da região do Prata, e principalmente os interesses 
de um poderoso grupo de comerciantes do porto de Buenos Aires, que esperavam 
manter a unidade da região sob seu controle, o que significava empreender as 
anexações do Paraguai e do Uruguai. O Brasil já interviera na política interna do 
Uruguai e Argentina com invasões militares em 1851, complicando a política na 
região. Outra intervenção brasileira no Uruguai em 1864 colocou em perigo a saída 
para o mar da produção paraguaia. Querendo, então, controlar a saída do Rio da 
Prata, o Paraguai invade o Brasil e a Argentina, objetivando chegar ao Uruguai. Não 
se podem esquecer os interesses externos, pois nessa ocasião o Brasil e Argentina 
encontravam-se plenamente incorporados à ordem mundial, dominada pela 
Inglaterra, enquanto o Paraguai seguia uma política de pouca dependência em 
relação ao exterior. Além disso, a Inglaterra enfrentava problemas com o 
fornecimento de algodão para a suas indústrias, em virtude da Guerra de Secessão 
56 
 
 
nos Estados Unidos e buscava novos fornecedores para a sua indústria têxtil. 
Nesse panorama, países como o Paraguai, praticamente fechados ao mercado 
externo, eram absolutamente contrários aos interesses ingleses. Deste modo, a 
Inglaterra financiou a guerra contra o Paraguai e acabou como a principal beneficiada 
com a sua derrota. 
Nesse sentido forma-se contra os paraguaios uma Tríplice Aliança entre Brasil, 
Argentina e Uruguai que conta com o apoio inglês. O Brasil passa a lutar sozinho a 
partir de 1866 e para vencer uniram-se os esforços do Exército, da Guarda Nacional 
e dos Voluntários da Pátria, como ficaram conhecidos os recrutados e os escravos 
com a promessa da alforria ao fim da guerra. 
 
II - Consequências da guerra 
 
O ditador paraguaio Solano Lopez não se rendeu e isso levou a guerra a se estender 
ainda mais, tornando-se extremamente nociva para os paraguaios. Cerca de 95% da 
população masculina adulta do país morreu nessa guerra e 40% do território 
paraguaio foi anexado por Argentina e Brasil. Morreram aproximadamente 300 mil 
pessoas durante a guerra. Deve-se salientar ainda que a guerra foi a mais importante 
razão do atraso econômico do Paraguai em relação aos outros países platinos, 
situação, aliás, que mantém até a atualidade. No Brasil, a investida contra o Paraguai 
trouxe prejuízos políticos e também custou caro, aumentando o poder do Exército e 
trazendo à tona a questão da escravidão. 
 
III - O tráfico interno de cativos 
 
Desde 1850 com o fim do tráfico de escravos atlântico, tem início no país um amplo 
comércio de escravos internamente. Existem fluxos: interprovincial, de áreas mais 
decadentes como o Nordeste, para áreas mais dinâmicas, claramente o Sudeste; 
57 
 
 
intraprovincial, de áreas menos dinâmicas para mais dinâmicas em uma mesma 
província; e interclasses: de classes inferiores para classes dominantes. 
 
 IV - Abolicionismo 
 
Aumentam as pressões externas e internas pelo fim da escravidão. No Brasil, surgem 
diversos grupos abolicionistas com jornais e atos contra a escravidão. Em São Paulo, 
organizam-se os caifases na década de 1880, são homens livres que organizam 
fugas escravas. Paralelamente a isso, aumentavam drasticamente as resistências 
escravas, com várias fugas, suicídios, assassinatos de senhores e formação de 
quilombos. Com o fim da Guerra do Paraguai (1870), a luta pela abolição da 
escravatura ganhou o centro dos debates políticos, produzindo sérias agitações 
sociais. 
 
V - As leis abolicionistas 
 
Com toda essa pressão, o Congresso aprova em 1871 a Lei do Ventre Livre, que 
liberta os filhos de escravos. O Norte e o Nordeste, já com pouquíssimos escravos, 
votam maciçamente a favor e o Rio Grande do Sul e Sudeste votam amplamente 
contra a lei. Em 1885, aprova-se a Lei dos Sexagenários, que liberta os escravos com 
mais de 60 anos que eram pouquíssimos, na verdade. 
 
15 - A ascensão da aristocracia do Oeste paulista e a imigração 
 
O fim da escravidão não representou, contudo, o declínio da economia cafeeira. Com 
o crescimento da produtividade do café no Oeste paulista nessa mesma época, teve 
início, nessa região a transição do trabalho escravo para o trabalho livre assalariado 
58 
 
 
através da imigração europeia. Os proprietários paulistas passam a trazer imigrantes 
europeus para trabalhar nas lavouras, com o pagamento das viagens feito pela 
província de São Paulo. Na década
de 1880, as viagens passam a ser maciças. Os 
imigrantes aqui chegados encontram péssimas condições de trabalho, próximas até 
daquelas encontradas anteriormente no regime de trabalho escravo. Outra questão 
se relaciona com a falta de representação política dos cafeicultores paulista no 
centralismo monárquico, o que gerou os anseios federalistas desse grupo. 
 
I - O movimento republicano 
 
Em 1870 surge no Rio de Janeiro o Partido Republicano, que logo ganha força em 
outros estados. Elementos centrais do pensamento republicano eram o federalismo 
e o positivismo. O republicanismo e o positivismo vão ter grande penetração no 
Exército. 
 
 
II - A questão militar 
 
Somente após o fim da Guerra do Paraguai o exército brasileiro, até então 
reconhecido como instituição secundária, torna-se uma unidade consciente de sua 
força e importância para o país. Da mesma forma passam também a se organizar 
politicamente e a expressar suas opiniões políticas, dentre elas a defesa do 
republicanismo. Em virtude de tais acontecimentos, ocorre um incidente: o imperador 
se indispõe com uma série de militares simpatizantes à abolição e ao republicanismo 
que haviam deixado claro em público essas tendências. Um dos punidos pelo Império 
por estas tendências é Deodoro da Fonseca, que era presidente da província do Rio 
Grande do Sul e foi destituído do cargo, o que contribuiu para aumentar ainda mais o 
descontentamento dos militares com a coroa. 
59 
 
 
 
III - A questão religiosa 
 
Como já se sabe pelo regime do padroado, o Império brasileiro o estado era quem 
pagava os padres como funcionários públicos e interferia, diretamente dentro dos 
assuntos da Igreja, ou seja, a igreja era submetida ao estado no Brasil. D. Pedro II se 
coloca contra a Igreja quando uma Bula Papal passa a condenar a maçonaria. Bispos 
brasileiros, seguindo a ordem do Vaticano, haviam suspendido irmandades com 
maçons. D. Pedro II prende estes bispos, dando princípio a uma grande crise entre a 
Igreja e o Estado e com o pedido de bispos de separação entre Estado e Igreja. Este 
fato contribuiu para afastar a Igreja do Império num momento em que a crise da 
monarquia já adquiria forma. 
 
IV - A abolição no Ceará e no Amazonas 
 
Com toda a pressão interna e externa e com a resistência escrava, a abolição se 
tornará inevitável. Primeiramente, as províncias que praticamente não tinham mais 
escravos abolem unilateralmente a escravidão. É o caso do Ceará e da Amazonas 
em 1884. 
 
V - A abolição 
 
Com um afastamento provisório do monarca, sua filha Isabel manda um projeto para 
o Congresso com o fim imediato da escravidão sem indenizações. É aprovado e tem 
fim a escravidão no país em 1888. No entanto, a maioria dos escravos brasileiros foi 
libertada pelas leis paliativas, ou fugiram, ou compraram sua liberdade entre 1850 e 
1888. Com a Lei Áurea, apenas 500 mil escravos são libertados. Isso desfaz a base 
60 
 
 
política imperial e vários fazendeiros do Vale do Paraíba viram os republicanos de 14 
de maio. 
 
VI - A situação dos libertos 
 
O fim da escravidão no Brasil foi feito gradualmente entre 1850 e 1888, constituindo 
a maior transformação social na história do Brasil. Isso não quer dizer que esses ex-
escravos viraram pequenos proprietários ou trabalhadores assalariados. Regimes de 
trabalho opressivos similares à escravidão prevaleceram no campo, o que fez com 
que muitos libertos fossem para as cidades. Alguns abolicionistas defendiam uma 
reforma agrária complementar a abolição que dessas terras aos libertos. Não foi 
adiante no Império nem na República pela obstinada defesa da propriedade pelos 
parlamentares. Tais fatores conduziram a um isolamento da monarquia entre os 
principais grupos sociais, tanto da aristocracia rural, como dos setores urbanos e 
militares, precipitando assim a proclamação da república. 
 
16 - Implantação da Republica 
 
Só foi possível acontecer à proclamação da república no Brasil por causa da 
conjugação de forças dos setores urbanos com os fazendeiros do Oeste paulista e o 
Exército. Tal mudança no regime não trouxe mudanças profundas ao sistema, como 
por exemplo, não houve avanços em termos de democracia, isso fica evidente 
sufrágio que, segundo os novos critérios republicanos, fazia com que o novo regime 
tivesse menos eleitores do que na época do império. 
 
I - A proclamação e os governos militares 
 
61 
 
 
Diante de várias pressões por mudanças, o Imperador manda ao Congresso um 
grupo de reformas que incluíam: a ampliação do eleitorado, incluindo todos os 
alfabetizados que trabalhassem; autonomia para os municípios; liberdade de culto; 
Senado não vitalício; aperfeiçoamento do ensino; nova lei de terras facilitando sua 
aquisição e a redução dos direitos de exportação. Essas reformas, se aprovadas, 
tornariam o regime monárquico mais democrático e igualitário do que acabou sendo 
a Primeira República, no entanto, as tais reformas foram barradas no Congresso 
pelos senadores. O Imperador, então, dissolveu o Congresso e antes da nova 
reunião, o Império caiu. 
 
II - O golpe e Republica 
 
Com o Congresso dissolvido, o general afastado Deodoro da Fonseca liderou o golpe 
contra o Império, criou um governo provisório (1889-91) e convocou, em seguida, a 
Assembleia Constituinte. As primeiras medidas e a nova Constituição 1891 - Durante 
a Primeira República ou República Velha, como ficou conhecido o período entre 1889 
e 1930, o Brasil foi governado por treze presidentes. A característica mais marcante 
desse período reside no fato da predominância da oligarquia cafeeira que exerceu o 
poder político a favor dos seus próprios interesses. Logo que a República foi 
proclamada, o Marechal Deodoro tomou algumas decisões que depois foram 
respaldadas pela nova Constituição, algumas das principais são: a adoção de 
federalismo, a concessão da cidadania aos estrangeiros residentes no Brasil, a 
separação entre Estado e Igreja e a instituição do casamento e do registro civil. 
 
III - Os governos militares 
 
O grupo dos militares e o grupo dos federalistas, representados no Congresso, logo 
entram em confronto. Deodoro tomou medidas autoritárias, tentou dissolver o 
Congresso, mas foi obrigado a renunciar. Seu vice, eleito indiretamente, Floriano 
62 
 
 
Peixoto (1891-94) deveria convocar novas eleições, o que não fez, levando a diversas 
revoltas pelo país. 
 
17 - As Revoltas 
 
Primeiramente, há o Manifesto dos trezes generais em 1892 pedindo eleições diretas 
para presidente. Floriano reforma esses generais. No ano seguinte, pelo mesmo 
motivo, há a Revolta da Armada no Rio de Janeiro e a Revolução Federalista no Sul 
do país, ambas massacradas duramente. 
Na consolidação da República o Marechal de Ferro foi à alcunha atribuída a Floriano 
Peixoto em virtude de sua ação vigorosa contra as rebeliões armadas ocorridas 
durante o seu governo (A Revolta da Armada e a Revolução Federalista). Com o 
apoio do Exército e do PRP (Partido Republicano Paulista), Floriano consolidou o 
novo regime, garantindo assim a sucessão presidencial, consolidando também a 
política da oligarquia cafeeira. 
 
I - O impulso à industrialização 
 
Desde a década de 1880, inicia-se no país especialmente nas cidades do Rio e São 
Paulo um processo sólido de industrialização, em função da gradual adoção do 
trabalho livre e da importação de imigrantes. Essas indústrias receberão capital 
acumulado no comércio e com a cafeicultura e elas se restringem aos bens de 
consumo não duráveis como tecidos, bebidas, alimentos etc. Não há ainda indústrias 
de bens de consumo duráveis e indústrias de bens de capital relevantes. A produção 
industrial do Distrito Federal é mais importante do que a de São Paulo inicialmente, 
isso vai se inverter em 1920, quando a indústria paulista supera a carioca. 
 
63 
 
 
II -
A República oligárquica 1894-1930 
 
A aliança temporária entre militares e cafeicultores contra o Império não durou muito, 
e isso porque ambos possuíam projetos diferentes. Enquanto os primeiros queriam 
melhores salários e a ampliação dos efetivos das forças armadas e não era favorável 
a autonomia dos estados, a aristocracia rural de São Paulo e Minas Gerais queriam 
garantir a supremacia política do setor agrário-exportador, além de estabelecer os 
meios tributários e financeiros para assegurar sua expansão. Após a saída dos 
militares do poder e a chegada dos civis em 1894, deu-se a vitória do grupo liberal e 
federalista dos cafeicultores e o projeto político deste grupo foi imposto como um todo. 
Instalou-se uma república baseada nos poderes locais e regionais, baseada num 
liberalismo excludente e autoritário, que perdurou até 1930 com poucas modificações 
em seus elementos essenciais. 
 
III - A Política do café com leite 
 
O Partido Republicano era o maior partido do país, no entanto, ele era dividido em 
partidos estaduais. Assim existia o Partido Republicano Paulista (PRP), o Partido 
Republicano Mineiro (PRM). Esses dois estados, Minas e São Paulo, tinham as 
oligarquias mais fortes e como eram os estados mais populosos, possuíam também 
os maiores colégios eleitorais. Assim, os líderes do PRP e PRM passaram a se 
revezar na presidência da República, na chamada política do café com leite. 
 
IV - O Coronelismo 
 
Na época imperial, os regionalismos foram sufocados pelo poder centralizador da 
monarquia. Com a instituição da República e do federalismo, abriu-se espaço para o 
fenômeno que ficou conhecido como coronelismo. O termo coronel vem de uma 
64 
 
 
patente da extinta Guarda Nacional. Esses coronéis da República Velha tinham 
(graças à Política dos Governadores, que articulou os fazendeiros desde suas 
localidades até o plano federal) um poder sobre os eleitores locais e impunham esse 
poder com a ajuda de jagunços. Esse poder local era facilitado pela inexistência ainda 
da radiodifusão. Os coronéis ganhavam algo em troca dos governantes pelo voto em 
favor destes. Havia muita fraude e muitos eleitores fantasmas. Os governantes ainda 
beneficiavam suas famílias e havia muito nepotismo. A cidadania era extremamente 
restrita. 
 
V - As Rebeliões da República Velha 
 
Após a proclamação da república, ocorreram algumas rebeliões em consequência 
das alterações provocadas pelo capitalismo, que dentre outras coisas, foi responsável 
no Brasil pelo fim da escravidão e a ascensão da república. A expansão do 
capitalismo desestabilizou antigas formas de organização e dominação sociais, 
gerando protestos contra a opressão e a miséria, no entanto, tais movimentos não 
possuíam projetos políticos definidos e se confundiram muitas vezes com aspirações 
religiosas. Tais características explicam o isolamento e o fracasso dessas rebeliões 
frente à dura repressão do poder do Estado. 
 
VI - Revolta de Canudos (1893-97) 
 
Assim como o Contestado, essa foi uma revolta rural, contra a oligarquia e com 
características messiânicas, com uma religiosidade acentuada. Canudos, local livre 
do mandonismo - Desde 1870, o beato Antônio Conselheiro percorria o sertão 
nordestino com seus fiéis construindo instituições como igrejas, escolas e orfanatos. 
Ele e seus fiéis se instalaram em Canudos, no sertão baiano, formando ali uma 
comunidade que, em consequência das pressões locais de civis e religiosos, decidiu 
romper com o mundo exterior, organizando uma comunidade autônoma, com 
65 
 
 
produção própria para as suas necessidades. Neste sentido muitos camponeses e 
empregados de fazendeiros seguiram para o arraial de Canudos e lá foram recebidos. 
A fuga dessas pessoas para este local acaba ferindo o interesse dos fazendeiros da 
região, que começam a se ver sem braços para o trabalho em suas fazendas. Tantas 
pessoas para lá foram que a cidade chegou a ter quase 30 mil habitantes. A Igreja 
Católica passou a condenar Antônio Conselheiro e os fazendeiros pediram a 
intervenção militar no local. 
 
VII - A repressão 
 
Foram enviadas quatro expedições para o local e a população do arraial resistiu. Fez-
se uma propaganda de que se tratava de uma resistência monarquista, o que não era 
verdade. A quarta expedição com 8 mil homens do exército massacrou com extrema 
violência o arraial em 1897. 
 
VIII - A Guerra do Contestado (1912-16) 
 
Trata-se da maior revolta do período, ocorreu na divisa entre os estados do Paraná e 
de Santa Catarina, em uma região contestada pelos dois estados. Assim como 
Canudos, foi uma revolta contra o mandonismo local e também com características 
messiânicas, sendo a comunidade que promoveu a rebelião também profundamente 
religiosa. 
Nesse ambiente, floresceram principalmente duas opções ideológicas para enfrentar 
as duras condições de vida: o messianismo (a crença na salvação pelo milagre, o 
mito da superação religiosa dos problemas cotidianos) e o cangaço. Nas ações do 
cangaço, grupos de pessoas invadiam e saqueavam fazendas, lugarejos e cidades 
com o uso da violência. Seu expoente maior foi Virgulino Ferreira, o Lampião, que 
atuou como líder de um grupo cangaceiro na região entre 1920 a 1938. 
66 
 
 
 
IX - A Revolta da Vacina 1904 
 
Durante toda a segunda metade do século XIX, a cidade do Rio de Janeiro foi lugar 
de várias e terríveis epidemias de varíola, febre amarela, peste bubônica e cólera. 
Milhares de pessoas morriam e não conseguia erradicar essas doenças. 
Rodrigues Alves (1902-1906) foi eleito presidente com o projeto de melhorar o porto 
e sanear a cidade do Rio de Janeiro. Ele indicou como interventor da cidade (prefeito 
não eleito) Pereira Passos, e o médico sanitarista Oswaldo Cruz para resolver o 
problema da saúde. A principal reforma realizada foi à construção de um novo e 
moderno porto na cidade. Porém a reforma incluiu também a construção de amplas 
avenidas, desmontes de morros e destruição dos cortiços. As pessoas que viviam 
nos lugares onde passavam as avenidas projetadas foram deslocadas à força. No 
campo da saúde, houve uma tentativa de desinfestação dos ratos que se 
multiplicavam pela cidade e decidiu-se pela vacinação obrigatória contra a varíola. 
 
X - A Revolta da Chibata 1910 
 
Desde finais do século XIX, os homens que compunham a marinha do Brasil, eram 
muitas vezes recrutados à força dentre os considerados vagabundos. A posição 
destes indivíduos dentro do corpo militar da marinha era similar àquela dos antigos 
escravos, inclusive recebendo punição com castigos físicos, em especial, as 
chibatadas. Isso leva marinheiros de quatro navios se revoltaram, mataram alguns de 
seus superiores e exigiram o fim dos castigos físicos e a melhoria da alimentação 
recebida melhores condições de trabalho e aumento de salário. Sob a liderança de 
um marinheiro negro, chamado João Cândido ameaçou bombardear a cidade. O fim 
do movimento se deu quando governo aceitou as exigências e concedeu anistia aos 
revoltosos. Terminada a rebelião, todos os revoltosos foram presos, sendo 
desconsiderada a garantia dada pelo governo. Muitos deles morreram nas prisões. 
67 
 
 
 
18 - A Coluna Prestes (1925-1926) 
 
Duas revoltas tenentistas se deram em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Os dois 
grupos se juntaram e formaram a Coluna Prestes, sob liderança do militar Luís Carlos 
Prestes. Essa coluna percorreu o interior do país lutando contra os exércitos 
legalistas, obtendo seguidas vitórias. Desfez-se logo em seguida. Os membros da 
coluna defendiam o voto secreto, o fim das fraudes eleitorais, castigo para os 
corruptos a liberdade para os presos políticos de 1922, dentre eles membros da 
revolta dos 18 do forte. 
68 
 
 
 
19 - A semana de Arte Moderna 
 
A semana de arte moderna tido como um grande marco na História da Arte e da 
Cultura no país
aconteceu em São Paulo e apresentou as novas tendências 
modernistas no campo das artes. O grupo idealizador do evento, inspirado nas novas 
tendências da arte internacional, propunha o rompimento com o simbolismo e o 
parnasianismo. Partes desses artistas se posicionaram contrários ao governo, 
produzindo críticas à República em suas estruturas políticas. Outra parte preferiu não 
misturar arte com política e defendeu a arte pela arte. 
 
20 - A classe operária no Brasil 
 
O surgimento da classe operária brasileira se deu ainda durante o Império, mas foi 
na República e com o desenvolvimento da indústria no auge da Primeira Guerra 
Mundial que teve um crescimento mais acentuado. 
 
É primordial destacar um fato a respeito do operariado brasileiro, desde surgimento 
até os anos 20 predominava o operariado de origem estrangeira composta 
principalmente por Italianos, portugueses, espanhóis dentre outros. Neste sentido 
foram estrangeiros que com a ideia de luta classe para se melhores condições de 
vida, é neste momento que vão surgir às greves como, por exemplo, a que ocorreu 
em 1917, conhecida como greve geral. 
 
Enquanto as condições de vida do trabalhador, não eram nenhum pouco satisfatório. 
O salário era muito baixo o que não garantiam uma vida decente com mínimas 
condições de sobrevivência, o do trabalho também não oferecia o suporte necessário 
para a execução do trabalho, além do mais a jornada de trabalho excedia as de 
quatorze até dezesseis horas diárias. Se para o homem as condições de trabalho 
eram ruins, isso piora com relação às mulheres e crianças que trabalhavam o mesmo 
69 
 
 
tanto que um trabalhador homem e recebiam salários bem inferiores. 
 
21 - O Partido Comunista 
 
Em meio aos movimentos anarco-sindicalistas ocorridos nos anos 20 e a disputa pela 
liderança do movimento operário com as demais facções ideológicas da época. No 
entanto com o passar do tempo o cerco do governo no sentido reprimir os movimentos 
operários acabaram por enfraquecer e diminuir a influência anarco-sindicalista. 
 
Dentro desse contexto é que surge o Partido Comunista fundado por intelectuais e 
operários em março de 1922, contudo quatro meses depois de sua legitimação o seu 
funcionamento foi proibido. Mesmo na clandestinidade, o Partido Comunista teve 
grande influência no meio social e passou a lidera os movimentos operários. Diante 
dos desgastes anarquistas e a atuação mais efetiva do Partido comunista no 
movimento sindical contribuíram bastante para os comunistas organizarem a união 
sindical e também para a ascensão do partido ao operariado. 
 
No ano de 1927 o partido volta à legalidade. Mas em agosto, devido à chamada Lei 
Celerada do governo de Washington Luís, na qual pretendia combater o avanço do 
comunismo censurava a imprensa, proibia reuniões cortava a liberdade de 
pensamento e expressão, novamente o Partido Comunista foi posto na 
clandestinidade de onde só veio a sair em 1945 com fim do Estado Novo. 
 
I - O movimento tenentista 
 
No que diz respeito aos movimentos sociais e políticos que marcaram a década de 
1920 que resultaram no declínio e na derrubada das oligarquias, ganha lugar de 
destaque o movimento político militar ligado a jovem oficialidade do Exército, 
conhecido na história como Tenentismo. 
 
70 
 
 
A jovem oficialidade movida pelo descontentamento generalizado com as 
apodrecidas e corruptas instituições da República oligárquica, os tenentes iniciaram 
um processo de luta para derrubar as oligarquias e assumir o poder político. 
 
Teve início com a Revolta do Forte de Copacabana no dia 5 de julho de 1922, liderado 
por capitães e tenentes, que tentaram depor o Presidente da República, Epitácio 
Pessoa, o tenentismo foi o resultado de uma série de levantes militares ocorridos na 
década de 1920. 
 
Jovens oficiais reivindicavam a redução do poder das oligarquias, a consolidação das 
instituições republicanas, o fim da corrupção política, a centralização administrativa, 
o voto secreto e a presença do Exército no comando do país. 
 
Para os tenentes, somente os militares poderiam salvar o país da degradação moral 
causada pelas oligarquias. Defendia, também, o ensino fundamental e profissional 
gratuitos, a reforma da Justiça, a punição para os corruptos, a diminuição dos gastos 
públicos, a proteção das riquezas nacionais contra o capital estrangeiro e o estímulo 
ao desenvolvimento industrial. 
 
22 - A Revolução de 1930 
 
Trata-se um movimento armado composto pelas oligarquias dissidentes e militares 
que teve origem na cisão das antigas oligarquias. Este movimento depôs o presidente 
Washington Luís e ocasionou, em 1930, a emergência ao poder de uma nova figura 
política no cenário nacional: Getúlio Vargas. 
 
Essa revolução marca o fim da República Velha e de suas estruturas políticas. Tem 
início a Era Vargas e com ela o Estado passa a ser o grande incentivador da 
industrialização que, doravante, vai se tornar mais diversificado. 
 
71 
 
 
I - A crise de 29 e o Brasil 
 
A crise de 1929 e a depressão dos anos 30 foram a maior crise do capitalismo de 
todos os tempos. Teve início nos EUA e teve importantes desdobramentos no resto 
do mundo, afetando todos os países capitalistas. No Brasil a Depressão de 29 foi 
responsável pela desorganização da economia cafeeira, fato este que conduziu o 
governo à política de queima do café, isso, porém, não foi um fenômeno unicamente 
brasileiro, a França também queimou trigo, a Argentina abateu o gado e os Estados 
Unidos desmontou carros nas fábricas. 
 
II - O Golpe de 30 
 
Sob um clima de desconfiança e tensão, Júlio Prestes foi considerado vencedor das 
eleições de 1930. Mesmo com a derrota dos liberais, um golpe armado ainda era 
cogitado. Com o assassinato do liberal João Pessoa, candidato a vice na chapa de 
Getúlio, em julho do mesmo ano, o movimento articulou a derrubada do governo 
oligárquico com o auxílio de grupos militares. Depois de controlar os focos de 
resistência nos estados, A Aliança Liberal e o grupo tenentista do Exército chegaram 
ao Rio de Janeiro, em novembro de 1930, tomou o poder, empossando Getúlio 
Vargas provisoriamente, iniciando a chamada Era Vargas. Getúlio ficaria por quinze 
anos no poder, entre 1930 e 1945 e, logo depois, seria eleito pelo voto popular 
voltando à presidência entre os anos de 1951 e 1954. 
 
As primeiras medidas do governo provisório após o golpe foi instalar um governo 
provisório, de 1930 a 1934, chefiado por Getúlio Vargas, e assim teve início a 
centralização do político. O Congresso e as Assembleias Legislativas estaduais foram 
dissolvidos. Os tenentes, conhecidos adversários das antigas oligarquias, foram 
nomeados interventores e encarregados de retirar do poder as velhas oligarquias 
estaduais. No entanto, apesar de ocuparem importantes cargos no governo, os 
tenentistas não demoraram a demonstrar novamente insatisfação e a aliança entre 
72 
 
 
tenentistas e o governo logo depois foi desfeita. Em 1930 ainda, Vargas reformulou a 
máquina do governo, criando o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. 
 
A questão social que antes era considerada caso de polícia, passou a ser questão 
política, tratada dentro da esfera do Estado. Em seguida foi publicado o Novo Código 
Eleitoral que sepultaria toda a estrutura política da República Velha. Nele, previa-se 
o voto secreto, o voto feminino e a representação classista representação de 
deputados eleitos pelos sindicatos de trabalhadores e sindicatos patronais. Outra 
ruptura na ação do Estado fica clara na criação dos institutos de planejamento e 
assessoramento técnico. São eles: Instituto Brasileiro do Café (IBC), Instituto do 
Açúcar e do Álcool (IAA), Instituto Nacional do Mate (INM), Instituto Nacional do Pinho 
(INP) etc. Esses institutos eram órgãos do Estado que deveriam planejar a produção 
e
assessorar os produtores, apresentando uma nova função do Estado perante a 
agricultura e o problema da superprodução agrícola. 
 
III - A Revolução constitucionalista de 1932 
 
Os antigos oligarcas paulistas exigiram, em 1932, um interventor paulista e civil no 
governo do estado de São Paulo. Vargas atendeu somente a primeira exigência e 
São Paulo respondeu com a Revolução 
Constitucionalista de 1932 que foi esmagada em três meses pelas forças do governo 
federal. O enfrentamento com São Paulo representou uma forte ruptura do governo 
com as estruturas políticas da República Velha. Getúlio Vargas rompeu com os 
membros do tenentismo durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Isso porque 
os tenentes se recusaram a reprimir a revolta paulista. O movimento tenentista perdeu 
força depois disso e se dissolveu em meios aos grandes movimentos políticos 
nacionais dos anos 30. 
 
23 - O Governo Constitucional e os movimentos políticos 
 
73 
 
 
Após o fim da Primeira Grande Guerra, o mundo passava por grandes transformações 
e mais fortemente ainda depois da crise de 29. O mundo entre guerras era descrente 
no liberalismo, testemunhava a ascensão das ideologias nacionalistas fascistas e ao 
mesmo tempo era polarizado entre os fascismos e o movimento comunista 
internacional. O Brasil não ficou fora dessa radicalização, por aqui surgiram dois 
grandes movimentos nacionais, a Ação Integralista Brasileira AIB, de direita e a 
Aliança Nacional Libertadora ANL, de esquerda. 
 
23.1- O Governo Constitucional 1934-1937 
 
I - A nova Constituição (1934) 
 
De acordo com o novo código eleitoral, foi eleita em 1933 uma Assembleia 
Constituinte que seria responsável pela elaboração da terceira Constituição brasileira, 
que foi promulgada em julho de 1934. De acordo com a nova Carta, foram 
preservados o federalismo, o presidencialismo (o próximo presidente seria eleito 
indiretamente pela Assembleia e o segundo, eleito pelo voto direto) e a independência 
dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Além disso, a nova Constituição 
criou a Justiça do Trabalho, inibiu a imigração, criou uma legislação trabalhista, 
reafirmou o novo código eleitoral, estatizou o subsolo, nacionalizou a imprensa, 
instituiu o ensino público primário obrigatório e previu a estatização de empresas 
nacionais e estrangeiras quando do interesse da nação. Esta Constituição teve um 
caráter mais nacionalista e voltado para as questões trabalhistas. Vargas foi eleito 
pelo Congresso em 1934. 
 
A legislação trabalhista - A legislação sobre os direitos trabalhistas estabeleceu: a 
regulamentação dos sindicatos, do trabalho infantil e do trabalho feminino; a proibição 
da diferenciação salarial por sexo, idade, nacionalidade ou estado civil; os salários 
mínimos regionais; a carga horária de trabalho de oito horas por dia; o descanso 
74 
 
 
semanal; férias anuais remuneradas; a indenização em caso de demissão sem justa 
causa; a regulamentação das profissões e a proibição do trabalho infantil abaixo de 
14 anos. Contudo não se pode pensar, que os direitos trabalhistas foram 
simplesmente garantidos pela boa vontade de Vargas, sem pressão dos 
trabalhadores, pois esta legislação representava velhas exigências dos operários 
brasileiros, e produzia pressões, principalmente através das greves, para alcançar a 
criação dessas leis. 
 
Uma das principais razões para a concessão desses direitos pela classe patronal foi 
à preocupação em deter a organização do operariado que se agrupava em torno das 
ideologias anarquista e comunista. Com o intuito de controlar os trabalhadores 
organizados em grupos ou sindicatos, o Estado forjou uma política trabalhista que 
vinculava todos os sindicatos diretamente ao Ministério do Trabalho. 
 
A Sindicalização controlada uma vez atrelada ao Ministério do Trabalho, todos os 
sindicatos precisavam ser obrigatoriamente registrados nesse ministério e por este 
era fiscalizado. O governo criou um forte esquema de controle sobre as organizações 
sindicais, indicando inclusive os presidentes dos principais sindicatos com o objetivo 
de paralisar as exigências dos trabalhadores. Os sindicatos ou trabalhadores que não 
aceitavam tais medidas eram frequentemente perseguidos. Os principais movimentos 
políticos. Desde a promulgação da Constituinte de 1934, o movimento tenentista que 
até então tinha sido o mais forte mecanismo na tentativa de tirar do poder as 
oligarquias estaduais encontrava-se em franca decadência. 
 
Apesar disso, o tenentismo não havia apresentado um programa político para 
reorganização do Brasil. No vazio deixado pelo tenentismo, emergiram novas 
organizações políticas inspiradas pelos movimentos políticoideológico europeus. 
Além de fortemente ideológicos esses novos movimentos – seguiam os ideais ditos 
de direita e de esquerda, respectivamente a AIB e a ANL – apresentavam outra 
novidade: ambos possuíam projetos políticos bem elaborados para o Brasil, ao 
contrário dos antigos partidos estaduais da República Velha e do tenentismo. 
 
A Ação Integralista Brasileira (AIB) - Surgiu em 1932, com a publicação do Manifesto 
à Nação Brasileira feita pelo líder do movimento, Plínio Salgado, um ex-membro do 
75 
 
 
PRP. Caracterizava-se como uma espécie de fascismo adaptado ao Brasil, com 
algumas modificações. Pregava o governo ditatorial ultranacionalista, de um único 
partido, a AIB, e obediente a um único líder. Defendia os valores da pátria, a família 
e a propriedade e, além disso, era anticomunista. Incluía membros da antiga 
oligarquia, da alta hierarquia militar, do alto clero e uma parcela significativa das 
classes populares. Por isso, chegou a ter 500 mil membros. Tinha ainda a simpatia 
de Getúlio Vargas e possuía integrantes do movimento dentro do governo. 
 
De 1932 a 1935, reprimiu manifestações de esquerda com grupos paramilitares, de 
forma similar ao praticado pelo movimento fascista italiano. A Aliança Nacional 
Libertadora (ANL) surgiu como reação à AIB e era fundamentalmente de esquerda. 
Teve como seu presidente de honra o líder tenentista depois adepto do comunismo 
Luís Carlos Prestes. O PCB se articulava dentro da ANL. Essa organização teve muito 
menos adesão numérica do que a AIB, e possuiu no máximo cerca de 50 mil 
membros. 
 
Nesse período eram frequentes os embates nas ruas entre partidários da AIB e da 
ANL. A Insurreição Comunista de 1935 Chamada pejorativamente de “Intentona” que 
quer dizer plano insensato ou revolta frustrada foi um movimento surgido no interior 
da ANL que tentou tomar o poder. Tinha Prestes como líder e articulador dos setores 
militares. A insurreição tomou o controle da cidade de Natal e mobilizaram forças em 
Recife, Olinda e no Rio de Janeiro. Foi facilmente debelado pelo Exército. 
 
II - O Estado Novo (1937-1945) 
 
Em 1937, Getúlio Vargas valendo-se do pretexto da ameaça comunista no Brasil, 
preparou o golpe que culminou com a instituição da ditadura do Estado Novo. Com o 
golpe, o país entrou na pior ditadura já vivida até então. Opositores do regime, dentre 
eles, inclusive, líderes de trabalhadores foram presos e torturados. A imprensa 
passou a ser censurada e os direitos básicos violados. Houve forte influência do 
fascismo sobre as práticas políticas do Estado Novo, Getúlio foi apresentado como a 
encarnação viva do povo e da nação, e assim conseguiu através da ditadura suprimir 
76 
 
 
os poderes locais e viabilizar um projeto político realmente nacional. Forjou-se 
também nesse período, um novo modelo político: o populismo, que deu o tom da 
política brasileira até 1964. 
 
23.2 - O novo papel do Estado 
 
O governo passou a adotar uma postura mais centralizadora, intervencionista e 
planejadora, principalmente nos setores econômico e administrativo. Novos impostos 
foram criados, como, por exemplo, o imposto de renda. O Instituto
Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE) em 1938, com o objetivo de produzir mais informações 
sobre o país. Foi criado também o Departamento Administrativo do Serviço Público 
(DASP), que centralizava a administração pública. O novo modelo de industrialização 
- O Estado passou a adotar uma política intervencionista e planejadora do 
desenvolvimento. A legislação trabalhista fortalecia o mercado interno. Em 1939, 
Vargas organizou um plano quinquenal com enfoque na indústria de base prevendo 
uma indústria siderúrgica, uma fábrica de aviões, a construção de hidrelétricas, 
ferrovias, uma hidrovia no vale do São Francisco e a compra de navios e aviões de 
guerra alemães. 
 
Através da criação de novas indústrias e empresas estatais, o Estado se tornava o 
principal investidor econômico. A Segunda Guerra Mundial iria favorecer o plano de 
Vargas de industrialização e o Brasil pôde exportar pela primeira vez na história bens 
industrializada ao longo da guerra. As estatais seguindo o plano quinquenal, várias 
empresas estatais foram criadas em áreas que não havia capital nacional suficiente. 
 
Foi criada a Companhia Vale do Rio Doce, em 1942, que explorava os minérios 
nacionais; a Fábrica Nacional de Motores, em 1943, na cidade do Rio de Janeiro; a 
indústria química Álcalis, em 1943; a Companhia Hidrelétrica do São Francisco, em 
1945; e, finalmente, a Companhia Siderúrgica Nacional – CSN, em 1941, na cidade 
de Volta Redonda, com empréstimos norte-americanos. A Consolidação das Leis 
Trabalhistas (CLT) toda legislação trabalhista, mais alguns benefícios, como o salário 
77 
 
 
mínimo nacional, de 1940, foram reunidos em 1943 na Consolidação das Leis 
Trabalhistas (CLT). Contudo, só beneficiava os trabalhadores urbanos, os 
trabalhadores rurais não gozavam dos mesmos direitos. 
 
O Brasil na Segunda Guerra havia dentro do governo uma divisão entre ministros e 
altos funcionários que tendiam para o Eixo e outros que tendiam para os EUA durante 
a 2ª Guerra. Vargas aproximou-se dos EUA após receber o empréstimo de um banco 
norte-americano para a construção da CSN e ao perceber que poderia ser invadido 
por tropas daquele país. Em 1942, o governo brasileiro liberou a cidade de Natal e a 
ilha de Fernando de Noronha para receberem militares norte-americanos e após 
perder 18 navios, declarou guerra ao Eixo. O Brasil ajudou com matérias-primas e 
com a Força Expedicionária Brasileira – FEB, corpo formado por 23 mil homens que 
foi lutar na Itália ao lado dos Aliados. 
 
23.3 - A queda de Getúlio 
 
As contradições do próprio Estado Novo se impuseram determinando o fim do regime. 
Como explicar a incoerência de um Estado claramente inspirado no fascismo italiano 
que enviou tropas para guerra para se empenhar na luta antifascista e em defesa do 
fim do autoritarismo, quando aqui no Brasil o mesmo regime era dirigido por uma 
ditadura? Esses fatores, aliados às questões políticas impuseram não só a queda do 
regime de ditadura como também a própria deposição de Vargas do poder. Em 1943, 
com a derrota alemã em Stalingrado, a invasão do Sul da Itália pelas tropas aliadas 
e a vitória sobre os japoneses em Midway, ficou clara que a vitória aliada na Segunda 
Guerra estava próxima. Os líderes aliados passaram a ter reuniões periódicas para 
decidir o futuro da Europa e do mundo. A vitória sobre o nazi fascismo representava 
a vitória da democracia sobre as ditaduras ultra-autoritárias. Com isso, espalham-se 
os ventos de democratização pelo mundo. Com as tropas brasileiras lutando ao lado 
das forças democráticas contra o fascismo, teve início uma pressão pela democracia 
no Brasil. Nesse mesmo ano de 1943, surgiu um forte movimento de oposição a 
Vargas que exigia a redemocratização do país. Vargas promete a redemocratização 
para o logo após o fim da guerra. Com o fim desta, em 1945, houve grandes agitações 
78 
 
 
nas cidades brasileiras pedindo o fim da ditadura e a redemocratização. Objetivando 
diminuir as pressões, Vargas concedeu anistia aos presos políticos, inclusive ao líder 
comunista Luís Carlos Prestes; prometeu a realização de eleições para dezembro 
daquele ano; acabou com a censura à imprensa e foi permitida também a formação 
de novos partidos. 
 
23.4 - O surgimento dos novos partidos 
 
Do próprio aparato do Estado Novo surgiram dois grandes partidos PSD (Partido 
Social Democrático) e o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). O primeiro era composto 
por grandes proprietários rurais e era ligado a Getúlio, foi o partido mais forte durante 
a nova democracia. O PTB também oriundo do aparato governamental era constituído 
por sindicalistas e simpatizantes da causa trabalhista. A UDN União Democrática 
Nacional foi formada por um grupo elitista assim como o PSD, contudo, era duramente 
antigetulista. Da UDN depois surgiria o PSB Partido Socialista Brasileiro. Além destes, 
o PCB voltou à legalidade. Nesse contexto foi criado um movimento com chamado 
queremismo, e defendia a continuidade de Vargas no poder. O PCB, inclusive o seu 
líder, recém-liberto pela lei de anistia, Luís Carlos Prestes, apoiaram este movimento. 
A razão do apoio se deve a uma orientação do Komintern de se apoiar em todo o 
mundo frentes nacionais anti-imperialistas e antifascistas. Getúlio alimentou esse 
movimento discretamente ao propor uma lei antitruste, chamada Lei Malaia, de junho 
de 1945, que tinha um forte caráter nacionalista e anti-imperialista. 
 
A República que vai de 1945 a 1964 constituiu-se de certa forma em uma continuação 
de algumas práticas políticas e da lógica do Estado Novo (1937-1945). O projeto 
político de governo que prevaleceu nos dois períodos foi o populismo. Este se trata 
de um fenômeno latino-americano de meados do século XX que, exceto por algumas 
particularidades, possui algumas características principais como, por exemplo: a 
manipulação das massas trabalhadoras por líderes políticos carismáticos, no entanto, 
ao mesmo tempo, promove-se o reconhecimento da cidadania desses trabalhadores, 
havendo concessões sociais e trabalhistas aos mesmos. 
79 
 
 
 
24 - A Constituição de 1946 
 
A Constituição de 1946 diminuiu novamente o poder do Executivo, de acordo com as 
suas determinações, os ministros devem prestar contas ao Legislativo e permitiu 
ainda, sempre que julgado necessário, a realização das Comissões Parlamentares 
de Inquérito – as CPIs, seguindo o modelo das CPIs norte-americanas. A carta 
manteve também a legislação trabalhista do período varguista. 
 
O alinhamento na Guerra Fria por decisão do presidente Dutra, o país definiu-se no 
plano da política externa como aliado dos Estados Unidos no período da Guerra Fria. 
O Brasil assinou um tratado de assistência mútua e acordos militares com os EUA. 
Seguindo a lógica do alinhamento, o Brasil cortou relações diplomáticas com a União 
Soviética e levou o PCB novamente à ilegalidade em 1947. 
 
A abertura econômica Dutra recebeu de Vargas uma economia bem estruturada, 
saneada e com ampla possibilidade de crescimento. Vargas havia criado um modelo 
de desenvolvimento baseado no capital estatal e no capital privado nacional, com 
uma participação menor do capital internacional. Seguindo a lógica do alinhamento, 
Dutra abriu a economia brasileira para as empresas multinacionais, enfraquecendo, 
assim, o empresariado nacional. Apesar disso, o crescimento econômico no período 
foi considerado altíssimo. O salário-mínimo. Apesar de todo o crescimento econômico 
e do desenvolvimento da economia no período, Dutra congelou o valor do salário-
mínimo em sua gestão, fazendo com que o mesmo se desvalorizasse. Em 1940, valia 
cerca de R$ 828,00 – este e todos os outros valores são equivalentes ao valor do 
Real em 2004. O salário-mínimo retomou o seu valor no período entre 1952 e 1964, 
chegando ao ápice de R$1.036,00 em 1957. Após o golpe de 1964, o salário-mínimo 
seria novamente
congelado por oito anos, chegando ao final da ditadura com um valor 
próximo ao atual. 
 
80 
 
 
24.1 - Vargas volta ao poder (1951-54) 
 
Vargas voltaria ao poder eleito pelo voto popular em 1951, ficando no poder por mais 
três anos. Ele retomou a política de desenvolvimento autônomo nacionalista e com 
amplas concessões às classes populares. Com isso, acabou gerando uma forte 
oposição ao seu projeto de governo, dentro e fora do país. O desfecho dessa história 
foi a sua trágica saída do poder em agosto de 1954. 
 
Vargas, que estava em exílio político em sua cidade Natal, São Borja, no Rio Grande 
do Sul, lançou-se candidato a presidente da República em 1951 pelo PTB. Mesmo 
sem o apoio do PSD, venceu as eleições. No seu projeto nacionalista Vargas cria um 
amplo projeto de desenvolvimento de caráter fortemente nacionalista, que priorizaria 
o fortalecimento do capital nacional, confrontando-se por isso com os interesses 
imperialistas internacionais, e, sobretudo, com os norte-americanos. Nessa política, 
sua principal medida foi à nacionalização do petróleo, com a criação da Petrobrás, 
em 1953. O governo Vargas passou também a adotar uma política externa mais 
independente, o que acarretou em retaliações do presidente norteamericano, 
Esienhower. Este rompeu unilateralmente o acordo de desenvolvimento entre Brasil 
e Estados Unidos concedendo somente 180 milhões de dólares dos cerca de quase 
400 milhões acordados anteriormente. Na aliança com os trabalhadores e voltando-
se para o movimento trabalhista, Vargas pretendia reforçar a aliança populista com 
os trabalhadores, buscando com isso, reaver o apoio popular para garantir o 
cumprimento do seu programa econômico. No início de 1953, nomeou para ministro 
do Trabalho político gaúcho João Goulart, que reorganizou os sindicatos, buscando 
novamente a aproximação destes com o governo e chegou a criar um projeto de 
aumento de 100% do salário mínimo, não aceito pelo Congresso. O BNDE - Foi criado 
nessa época o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), que „depois 
foi acrescido de um “s” de Social e passou a se chamar BNDES. Este banco passou 
a ser, a partir de então, um dos principais mecanismos de investimento e 
desenvolvimento brasileiros, principalmente para o capital nacional. Para a sua 
atuação, utiliza recursos da União e de impostos trabalhistas para emprestar 
financiamento para projetos de investimento nas áreas de desenvolvimento 
econômico e social. 
81 
 
 
 
24.2 - O Governo Juscelino Kubitschek (1956 -1960) 
 
Em 31 de janeiro de 1956, Juscelino Kubitschek veio a assumir a presidência da 
República depois de uma conturbada eleição. Vence seu principal adversário Juarez 
Távora com 36% dos votos. Contudo quase que não assume a presidência, pois foi 
vítima de golpe armado pelos conservadores ligados a UDN, mas depois de 
contragolpe posto em pratica pelo general Henrique Teixeira Lott para garantir a 
posse do novo presidente. 
 
Ao assumir a presidência, JK estabeleceu para seu governo um ambicioso plano de 
grandes realizações, qual prometia desenvolver o Brasil (50 anos em 5). E de fato em 
seu governo houve certa tranquilidade política o que lhe permitiu algumas realizações 
no âmbito econômico do país. 
 
Nesse aspecto o governo de JK foi marcado por obras de grande porte que 
dinamizaram a economia brasileira como exemplo: estabeleceu o Plano de Metas 
com objetivo de desenvolver a economia; cria também o Grupo Executivo da Indústria 
Automobilística (GEAIA); o Conselho Nacional de Energia Nuclear; constrói as 
barragens de Furnas e Três Marias para a produção de energia elétrica; foi criado 
também o Grupo Executivo da Indústria de Construção Naval (GEICON); a 
Subintendência para o Desenvolvimento da Nordeste (SUDENE), e finamente a sua 
obra de maior repercussão a construção de Brasília a nova capital do Brasil. 
 
 
25 - Do Governo Jânio Quadros à posse de João Goulart 
 
25.1 - As eleições de 1960 
 
82 
 
 
No cenário deixado por JK, em meio à inflação e ao início das radicalizações políticas, 
emergiu com grande força política, o governador de São Paulo, Jânio da Silva 
Quadros. Quadros iniciou sua carreira política como vereador, passando, em seguida, 
a prefeito da cidade de São Paulo. No ano de 1954, venceu as eleições, contra o 
candidato da UDN, Ademar de Barros. Em seus discursos, apresentava-se ao público 
como apolítico e capacitado, pela habilidade administrativa, de promover uma 
mudança radical nos hábitos e costumes políticos brasileiros. Para enfrentar Jânio 
Quadros, os governistas escolheram o general Henrique Lott. Apesar de sua 
inexperiência política, Lott foi escolhido candidato pela aliança eleitoral PSD-PRB. A 
UDN, seguindo o apelo feito por Carlos Lacerda, apoiou Jânio, o único homem que, 
por seu carisma, poderia vencer o esquema governamental, procurando-se colocar 
acima das estruturas partidárias convencionais. Fundaram-se no período de 
campanha os comitês JanJan, que faziam campanha em favor de Jânio (para 
presidente) e João Goulart (para vice), este último, era o político governista, 
companheiro de chapa da candidatura do general Lott. Em 03 de outubro de 1960, 
Jânio Quadros foi eleito com 48% dos votos; João Goulart foi eleito vice-presidente, 
por uma pequena margem de votos. A UDN, abalada pela derrota de seu candidato 
à vice-presidência, percebeu que a vitória de Jânio não era propriamente sua e 
revelava a decomposição do PSD e um protesto contra a situação econômica e 
política do país, do que um suposto entusiasmo udenista do povo brasileiro. 
 
25.2 - O Governo Jânio Quadros 1961 
 
Seu governo lançou prontamente um programa de combate à inflação fortemente 
impopular: reformou o sistema cambial, reduziu os subsídios para importações e 
investiu no setor exportador, com forte restrição financeira, através da limitação de 
créditos, desvalorizou a moeda, congelou os salários e corte dos subsídios à 
importação, visando o saneamento econômico. Além disso, Jânio contava com a 
simpatia do governo dos Estados Unidos, sob a presidência de John Kennedy, que 
parecia inaugurar uma nova política americana para a América Latina. 
 
83 
 
 
No entanto, o entusiasmo externo não era acompanhado pelo interno. O rigoroso 
programa anti-inflacionário encarecera a gasolina, o pão e os transportes e provocara 
a desaprovação geral de trabalhadores, consumidores em geral e empresários. Após 
seis meses de administração, Quadros, convencido do desgaste político provocado 
pelo severo programa de estabilização, resolveu abandonar sua política de 
austeridade. 
 
Jânio pretendeu combater a insuficiência e corrupção da administração pública de 
maneira totalmente inadequada, enviava bilhetinhos a todas as repartições, querendo 
desta forma controlar o aparelho administrador através da imposição de sua 
personalidade aos negócios públicos. Ainda no plano interno, Quadros, que sempre 
procurara se colocar acima dos partidos, sofreu desgaste. Jânio Quadros há pouco 
tinha chegado à UDN e não se alinhava às posições de políticos tradicionais da UDN, 
como Carlos Lacerda e Ademar de Barros. Era altamente autoritário e conservador, 
tentou controlar os sindicatos, reprimiu revolta camponesa e prendeu estudantes. 
Suas campanhas moralistas afetavam não só o pessoal administrativo, mas também 
os antigos detentores do poder. Imediatamente após assumir o governo, deu início a 
uma série de investigações sobre os escândalos financeiros das gestões anteriores. 
 
Em maio de 1961, veio a público um relatório sobre eventuais irregularidades no trato 
dos fundos da Previdência Social. Na qual, estariam envolvidos, além do vice-
presidente João Goulart, elementos da antiga aliança governista PSD-PTB. Além 
disso, suas atitudes desenvolvimentistas preocupavam a UDN. As bases políticas de 
Jânio, no entanto, foram definitivamente
minadas pela orientação imposta às 
questões relativas aos negócios exteriores. Com o apoio de Afonso Arinos de Melo 
Franco, ministro das Relações Exteriores procurou levar o Brasil a uma política 
externa independente. Atitudes como a defesa da não intervenção americana em 
Cuba, apoio à participação da China Comunista na ONU e, principalmente, a 
condecoração de Ernesto Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul irritaram os 
conservadores e as Forças Armadas. Na noite de 24 de agosto de 1961, Carlos 
Lacerda, acusou o ministro da Justiça, Oscar Pedroso d’ Horta, de preparar um golpe, 
no sentido de serem ampliados os poderes do Presidente da República. A 25 de 
agosto, Jânio submeteu sua renúncia ao Congresso, as Forças Armadas apoiaram a 
continuação de seu governo. O Congresso, contrariando suas expectativas, aceitou 
84 
 
 
a renúncia. 
 
A crise da renúncia e o a instituição do parlamentarismo. No dia da renúncia de Jânio, 
o vice-presidente João Goulart encontrava se em viagem à China comunista. De 
acordo com a Constituição de 1946, Jango seria o sucessor legal do Presidente. Na 
ausência de Goulart, de acordo com o preceito constitucional, assumiu a chefia do 
governo, o então presidente da Câmara dos Deputados. A 28 de agosto, o Presidente 
interino remeteu ao Congresso uma mensagem dos ministros militares informando 
que o retorno de João Goulart ao país seria inconveniente à segurança nacional. 
 
O Congresso, entretanto, negou-se a vetar a posse de Jango. Os ministros militares 
esperavam impedir Goulart de assumir a presidência e realizar novas eleições no 
prazo de sessenta dias. O país estava à beira da guerra civil. O Rio Grande do Sul 
estava pronto para a luta. O comandante do III Exército tinha o apoio de Leonel 
Brizola, governador do Rio Grande do Sul e cunhado de João Goulart. Brizola também 
organizou rapidamente demonstrações populares em Porto Alegre, em apoio ao seu 
conterrâneo. 
 
As dissidências na área militar e o surgimento, na opinião pública, de uma corrente 
legalista, que defendia o direito constitucional de Jango de assumir a Presidência, 
levaram o Congresso a uma solução de improviso para contornar a crise. A 02 de 
setembro de 1961, foi votado um Ato Adicional à Constituição de 1946: foi instaurado 
o sistema parlamentarista de governo no Brasil, com poderes limitados, Goulart 
tomou posse da Presidência da República a 07 de setembro de 1961. 
 
25.3 - Os movimentos sociais 
 
Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) - Nesse período, começam a aparecer 
movimentos sociais com uma maior organização das camadas populares, em parte 
devido à crise econômica do período e das perdas salariais. Um exemplo disso é a 
criação da CGT, em 1962, a primeira organização intersindical brasileira, com o intuito 
de dirigir o movimento sindical no Brasil. Na área rural também os trabalhadores 
85 
 
 
passam a se organizar para conseguir direitos mínimos de trabalho. As Ligas 
Camponesas foram associações de trabalhadores rurais criadas inicialmente em 
Pernambuco e posteriormente em outras regiões do Brasil. 
 
Essas Ligas tiveram forte atuação desde meados da década de 50, até a queda de 
Jango. Os principais objetivos das Ligas eram assistenciais (assistências médicas e 
jurídicas); pregavam também a autodefesa, nos casos de ameaças a seus membros, 
como aquelas nas quais, esses eram obrigavam deixar as terras ocupadas sem 
indenização pelas benfeitorias realizadas; fortalecer a consciência dos direitos 
comuns dos trabalhadores rurais. Os novos ganhos dos trabalhadores: Alguns 
direitos foram conseguidos no período e adicionados à CLT: o 13º. Salário, de 1962, 
o salário-família, de 1963, e o Estatuto dos Trabalhadores Rurais do mesmo ano. Este 
último dava aos trabalhadores rurais as mesmas condições trabalhistas que os 
trabalhadores urbanos. 
 
A implantação do parlamentarismo não permitia que João Goulart conseguisse 
aprovar suas propostas políticas. Mesmo assim, Jango elaborou um plano de governo 
voltado para três pontos fundamentais: o desenvolvimento econômico, o combate à 
inflação e a diminuição do déficit público. Todavia, o regime parlamentarista 
impossibilitava a articulação de uma coalizão política. A impopularidade do 
parlamentarismo acabou permitindo a antecipação do plebiscito que decidiria qual 
sistema político deveria ser adotado no Brasil. Desta forma, em 1963, consultada, a 
população brasileira votou pela volta do sistema presidencialista. Com a volta do 
presidencialismo, João Goulart defendeu a realização de reformas que poderiam 
promover a distribuição de renda por meio das chamadas Reformas de Base. 
 
 
26 - O Brasil e período militar 
 
Após os acontecimentos que derrubaram o governo de Jango e tendo fim, portanto a 
fase do populismo no Brasil e inicia nesse momento outra fase da História do país, o 
86 
 
 
que alguns estudiosos definem como anos de “chumbo”, ou seja, é o período mais 
conturbado até então da História do Brasil. 
 
O golpe militar de 64 inaugurou uma nova era na história do Brasil e, em certa medida, 
também para a América Latina. Foi, até certo ponto, a mais contundente resposta que 
a direita deu à Revolução Cubana, em cujo rastro cresceu e se radicalizou a 
mobilização popular na América Latina. 
 
Logo após o golpe, ocorrido em 1º de abril de 1964, os militares editaram o 
Ato Institucional nº 1, declarando a formação de um Comando Revolucionário que se 
sobrepunha à própria Constituição - embora reconhecesse a vigência desta. Entre os 
poderes autoconferidos estava o de suspender os direitos políticos de cidadãos 
brasileiros por dez anos. Estabelecido o regime de exceção, o general Castelo Branco 
foi empossado como presidente. 
 
Quanto aos civis, que não apenas respaldaram o golpe, mas o exigiram, o poder lhes 
seria devolvido tão logo à vida política do país fosse depurada dos elementos 
indesejáveis. Alguns políticos de renome nacional, como Carlos Lacerda e Juscelino 
Kubitschek, começaram, inclusive, a se preparar para as eleições presidenciais, que 
supostamente iriam acontecer em 1965 - ano em que expiraria o mandato de Goulart. 
Contra o retorno dos civis, trabalhavam os militares da “linha dura”, cujo porta-voz era 
o ministro da Guerra, general Artur da Costa e Silva. Pressionado por esse grupo, 
Castelo Branco viu-se forçado a editar o Ato Institucional nº 2 (1965), que dissolveu 
os partidos e implantou a eleição indireta para a presidência. O presidente seria, 
doravante, eleito pelo Congresso Nacional. 
 
O sucessor de Castelo Branco foi Costa e Silva, nome imposto pela linha dura, que 
assumiu em março de 1967. 
 
As Forças Armadas transformaram-se num partido político que, efetivamente, passou 
a monopolizar os poderes do Estado. Enquanto isso, os militares autorizaram a 
criação de apenas dois partidos: a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que apoiava 
o regime militar, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposição 
consentida. Ambos existiam apenas como fachada. 
87 
 
 
 
Porém, o regime de semiabertura existente ainda permitia mobilizações populares de 
protesto contra os militares, que chegaram à máxima intensidade em 1968, quando, 
então, produziu-se a grande virada. Em dezembro daquele ano, os militares reagiram 
implantando o Ato Institucional nº 5 (AI-5), que, finalmente, instaurou sem disfarces a 
ditadura militar. Com Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), consolidaram-se o 
regime militar obscurantista e o terrorismo de Estado. 
 
O AI-5 sujeitou o Legislativo e o Judiciário ao poder Executivo e este às Forças 
Armadas. Além disso, criou condições para a total liberdade de ação dos órgãos 
repressivos. 
 
Com esse fechamento político, os grupos de esquerda, sem alternativas, lançaram-
se à luta armada, sendo tragicamente derrotados. 
 
26.1 - O modelo econômico 
 
A ditadura militar brasileira,
em contraste com a longa tradição latinoamericana, não 
se implantou para impor a ordem e manter ou restaurar um dado estado de coisas. 
Ao contrário, remodelou a economia e a sociedade e, quando o poder finalmente 
retornou aos civis, depois de vinte anos, o Brasil não era mais o mesmo. 
 
Reprimindo brutalmente os agentes da “subversão”, os militares instalaram, mediante 
o terror, um clima de estabilidade favorável ao ingresso do capital estrangeiro, 
acelerando-se, assim, o processo de internacionalização do mercado brasileiro. 
 
O novo modelo econômico concretizou-se nos anos do “milagre econômico” (1968-
1973), sob comando do Ministro da Fazenda Delfim Neto. Foi durante esse período 
que a economia brasileira passou a ter como carro-chefe as indústrias de bens 
duráveis (automóveis geladeiras etc.). O modelo econômico tinha como característica 
a alta concentração da renda, o que promoveu uma grande distorção do mercado. 
Apenas uma minoria altamente remunerada apresentava-se como consumidora 
88 
 
 
desses bens, de elevado custo unitário. Ao mesmo tempo, surgiram poderosas 
organizações empresariais e, através de fusões, nasceram grandes estabelecimentos 
bancários. O consumismo, detonado pelas classes de altas rendas, possibilitou o 
aparecimento de redes de supermercados, shopping centers e ampliou 
consideravelmente o mercado publicitário e a influência dos meios de comunicação. 
Cabe destacar a importância da televisão, cujas emissoras organizaram-se em redes 
para abranger todo o território nacional. 
 
Por trás dessa expansão econômica, entretanto, o fantasma da inflação assombrava 
junto com a inquietante elevação da dívida externa. A crise econômica explicitou-se, 
de maneira clara, a partir de 1974, com o choque do petróleo, exatamente quando 
chegava ao poder o quarto general presidente, Ernesto Geisel. 
 
 Paralelamente, crescia o prestígio da oposição, o MDB, cujo êxito eleitoral foi 
expressivo em 1974. Dez anos depois, a ditadura militar terminava, 
melancolicamente, com o fim do mandato de João Batista Figueiredo (19791985). 
 
26.2 - Da Resistência Cultural à Guerrilha 
 
A vitória do golpe militar se consolidou com o fechamento de organizações da 
sociedade civil, intervenção nos sindicatos, prisão e exílio dos líderes considerados 
“subversivos”. 
 
Os Atos Institucionais baixados pela ditadura concentraram todo o poder nas mãos 
dos militares: tornaram indiretas as eleições para a presidência, autorizaram o 
Executivo a cassar mandatos de parlamentares, a suspender direitos políticos e a 
fechar o Congresso quando quisesse. Os partidos políticos foram extintos, e só duas 
agremiações foram autorizadas: a Aliança Renovadora Nacional (Arena) - que 
apoiava o regime - e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) – que fazia uma 
oposição branda. Intelectuais e artistas procuraram organizar espetáculos musicais e 
teatrais de forte conteúdo político para criticar o regime e tiveram grande sucesso de 
89 
 
 
público, especialmente entre estudantes de classe média. 
 
 
27. Ato Institucional número 5 (AI-5) 
 
O Ato Institucional nº 5, AI-5, baixado em 13 de dezembro de 1968, durante o governo 
do general Costa e Silva, foi a expressão mais acabada da ditadura militar brasileira 
(1964-1985). Vigorou até dezembro de 1978 e produziu um elenco de ações 
arbitrárias de efeitos duradouros. Definiu o momento mais duro do regime, dando 
poder de exceção aos governantes para punir arbitrariamente os que fossem inimigos 
do regime ou como tal considerados. 
O ano de 1968, "o ano que não acabou", ficou marcado na história mundial e na do 
Brasil como um momento de grande contestação da política e dos costumes. O 
movimento estudantil celebrizou-se como protesto dos jovens contra a política 
tradicional, mas principalmente como demanda por novas liberdades. O radicalismo 
jovem pode ser bem expresso no lema "é proibido proibir". Esse movimento, no Brasil, 
associou-se a um combate mais organizado contra o regime: intensificaram-se os 
protestos mais radicais, especialmente o dos universitários, contra a ditadura. Por 
outro lado, a "linha dura" providenciava instrumentos mais sofisticados e planejava 
ações mais rigorosas contra a oposição. 
Também no decorrer de 1968 a Igreja começava a ter uma ação mais expressiva na 
defesa dos direitos humanos, e lideranças políticas cassadas continuavam a se 
associar visando a um retorno à política nacional e ao combate à ditadura. A 
marginalização política que o golpe impusera a antigos rivais - Carlos Lacerda, 
Juscelino Kubitschek, João Goulart - tivera o efeito de associá-los, ainda em 1967, na 
Frente Ampla, cujas atividades foram suspensas pelo ministro da Justiça, Luís Antônio 
da Gama e Silva, em abril de 1968. Pouco depois, o ministro do Trabalho, Jarbas 
Passarinho, reintroduziu o atestado de ideologia como requisito para a escolha dos 
dirigentes sindicais. Uma greve dos metalúrgicos em Osasco, em meados do ano, a 
primeira greve operária desde o início do regime militar, também sinalizava para a 
90 
 
 
"linha dura" que medidas mais enérgicas deveriam ser tomadas para controlar as 
manifestações de descontentamento de qualquer ordem. Nas palavras do ministro do 
Exército, Aurélio de Lira Tavares, o governo precisava ser mais enérgico no combate 
a "idéias subversivas". O diagnóstico militar era o de que havia "um processo bem 
adiantado de guerra revolucionária" liderado pelos comunistas. 
A gota d'água para a promulgação do AI-5 foi o pronunciamento do deputado Márcio 
Moreira Alves, do MDB, na Câmara, nos dias 2 e 3 de setembro, lançando um apelo 
para que o povo não participasse dos desfiles militares do 7 de Setembro e para que 
as moças, "ardentes de liberdade", se recusassem a sair com oficiais. Na mesma 
ocasião outro deputado do MDB, Hermano Alves, escreveu uma série de artigos 
no Correio da Manhã considerados provocações. O governo, atendendo ao apelo de 
seus colegas militares e do Conselho de Segurança Nacional, declarou que esses 
pronunciamentos eram "ofensas e provocações irresponsáveis e intoleráveis". O 
governo solicitou então ao Congresso a cassação dos dois deputados. Seguiram-se 
dias tensos no cenário político, entrecortados pela visita da rainha da Inglaterra ao 
Brasil, e no dia 12 de dezembro a Câmara recusou, por uma diferença de 75 votos (e 
com a colaboração da própria Arena), o pedido de licença para processar Márcio 
Moreira Alves. No dia seguinte foi baixado o AI-5, que autorizava o presidente da 
República, em caráter excepcional e, portanto, sem apreciação judicial, a: decretar o 
recesso do Congresso Nacional; intervir nos estados e municípios; cassar mandatos 
parlamentares; suspender, por dez anos, os direitos políticos de qualquer cidadão; 
decretar o confisco de bens considerados ilícitos; e suspender a garantia do habeas-
corpus. No preâmbulo do ato, dizia-se ser essa uma necessidade para atingir os 
objetivos da revolução, "com vistas a encontrar os meios indispensáveis para a obra 
de reconstrução econômica, financeira e moral do país". No mesmo dia foi decretado 
o recesso do Congresso Nacional por tempo indeterminado - só em outubro de 1969 
o Congresso seria reaberto, para referendar a escolha do general Emílio Garrastazu 
Médici para a Presidência da República. 
Ao fim do mês de dezembro de 1968, 11 deputados federais foram cassados, entre 
eles Márcio Moreira Alves e Hermano Alves. A lista de cassações aumentou no mês 
de janeiro de 1969, atingindo não só parlamentares, mas até ministros do Supremo 
Tribunal Federal. O AI-5 não só se impunha como um instrumento de intolerância em 
um momento de intensa polarização ideológica, como referendava uma concepção 
91 
 
 
de modelo econômico em que o crescimento seria feito com "sangue, suor e 
lágrimas". 
 
28. 1983 – Diretas Já 
 
 OS GOVERNOS MILITARES E SUAS AÇÕES À FRENTE DO EXECUTIVO
Como dito antes, durante 21 anos que sucederam ao governo conturbado de João 
Goulart o Brasil tivera em seu mais alto cargo do executivo membros do exército que 
se utilizaram de diversos mecanismos para se garantirem e perpetuarem no poder. A 
seguir propõe-se uma breve exposição desses governos e seus principais 
acontecimentos. Os militares começaram seu governo com Marechal do Exército 
Humberto de Alencar Castelo Branco, foi eleito presidente pelo Congresso Nacional 
no dia 15 de abril de 1964 e ficou no poder até 15 de março de 1967. Na sua posse 
disse que com o cargo de presidente, defenderia a democracia, contudo, assim que 
assumiu, seu posicionamento foi considerado como autoritário. Castelo Branco além 
de dissolver os partidos políticos, também estabeleceu eleições indiretas para 
presidente. Várias outras medidas autoritárias foram registradas durante seu governo. 
Uma das metas do Presidente Castelo Branco seria combater a inflação que estava 
muito alta. Dentre as medidas tomadas decidiu parar os gastos, aumentou os 
impostos, entre outros. Com a arrecadação que havia conseguido e o corte nos 
gastos, felizmente a inflação diminuiu e estimulou o crescimento econômico. Uma das 
medidas utilizadas por esses governos foi a utilização dos chamados Atos 
Institucionais . O Ato Institucional n° 1- AI-1, ou somente Ato Institucional, seu nome 
original sem numeração por supor-se que se trataria do único Ato a ser baixado, 
anunciado em 09 de abril de 1964, pela junta militar composta pelos seguintes 
militares: general do exército Artur da Costa e Silva, tenente-brigadeiro Francisco de 
Assis Correia de Melo e o vicealmirante Augusto Hamann Rademaker Grünewald. O 
AI-1, assinado pela junta militar dava poder ao Executivo condições legais para 
cassação de direitos adquiridos como os dos expresidentes Juscelino Kubitschek, 
Jânio Quadros e João Goulart, além de governadores, senadores, deputados, 
92 
 
 
diplomatas, juízes, lideres sindicais, operários, funcionários públicos, estudantes, 
militares, professores. O AI-1 permitia cassar mandatos legislativos, impedia os 
direitos políticos dos cidadãos por um tempo determinado de 10 anos e decretar o 
estado de sítio6 . 
Em 27 de outubro de 1965 foi decretado o segundo dos Atos Institucionais, como 
resposta aos resultados das eleições que ocorreram no início deste mesmo mês. 
Dentre as principais prerrogativas do AI-2, podemos destacar a dissolução dos 
partidos políticos existentes e a criação do sistema bipartidário. Foram então criados 
a Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e o Movimento Democrático Brasileiro 
(MDB), que viria a ocupar o lugar da oposição. No ano de 1966, precisamente em 05 
de fevereiro, o presidente Castelo Branco editou o Ato Institucional de número 03, 
que estabelecia eleições indiretas para governador e vicegovernador. Além disso, tal 
decreto legalizou o fato de que os prefeitos das capitais seriam indicados pelos 
governadores, tendo a aprovação das assembleias legislativas. Logo, estabeleceu-
se o calendário eleitoral, com a eleição presidencial em 03 de outubro, já a eleição do 
Congresso ocorreu em 15 de novembro. Em 07 de dezembro de 1966, foi anunciado 
mais um Ato Institucional o AI-4, por meio desse novo ato o presidente Castelo Branco 
convocou o Congresso Nacional para a votação e publicação do projeto da nova 
Constituição, que acabava definitivamente com a Constituição de 1946. A nova carta 
(constituição de 1967) dava legalidade ao regime civil militar para praticar seus atos 
sem nenhuma imposição, recebendo poder ilimitado, legalizando totalmente o 
governo dos militares. Com essa nova Constituição o regime não tinha mais 
preocupação em agir de maneira que não estivesse na lei ou contra o país, porque 
eles criaram as regras de maneira que lhes fossem favoráveis a tudo que interessasse 
fazer no país. O substituto de Castelo Branco chega ao poder em 15 de março de 
1967, o General Artur da Costa e Silva, foi o primeiro dos presidentes militares 
considerados da “linha-dura7 ”, isto é, ele defendia o endurecimento do regime militar 
no combate a todos aqueles que, de alguma forma, fosse contrario ao regime. Com 
ele no governo, iniciou a fase mais dura do regime militar, com o aumento da 
repressão e a resistência ao regime aumentando a perseguição aos contrários à nova 
Constituição já em vigor. Na presidência, ele combateu a inflação, organizou a política 
salarial e ampliou o comércio exterior. Também iniciou a reforma administrativa e 
educacional, estabeleceu que o vestibular fosse em forma de concurso classificatório, 
93 
 
 
e o segundo grau seria obrigatoriedade do ensino profissionalizante atrelado ao 
ensino normal. Tal medida fora desastrosa e trouxe grandes influências para o 
sistema educacional brasileiro pós-regime. 
Num clima de grande tensão, Costa e Silva foi vítima de um derrame e afastou-se da 
presidência. Ainda no governo Costa e Silva, mais um Ato Institucional o de nº 05 ou 
AI-5, que lhe deu total poder para fechar o Congresso Nacional, caçar os políticos, 
demitir e aposentar os trabalhadores que fossem considerados ameaças ao seu 
governo. O Ato dava poder absoluto ao presidente Costa e Silva, poderes para 
governar o país sem a oposição e sem ser aconselhado por nenhum civil. Vale 
ressaltar que, todo tempo os militares vinham agindo de forma desarmoniosa com a 
nação, pois queriam o controle total e sem a influência de qualquer civil a frente do 
governo, que fosse contrário aos seus interesses. Em agosto de 1969, o general 
Costa e Silva ficou gravemente doente. Sem condições de continuar no governo, foi 
substituído, só que não pelo vice-presidente, que era civil, Pedro Aleixo, uma vez que 
os chamados “linhas duras” o impediram de assumir, quem assume o poder são três 
ministros militares: Aurélio de Lyra Tavares, que era ministro do Exercito, o ministro 
da Marinha Augusto Rademarker e por fim Marcio de Souza Mello, que era ministro 
da aeronáutica. Os três administraram o governo de 31 de agosto a 30 de outubro de 
1969 e dividiram entre si o poder. 
Em 30 de outubro de 1969, a junta repassa o poder a Emílio Garrastazu Médici, o 
terceiro presidente do regime militar, um general que também fazia parte do grupo 
dos “linhas duras”. No seu governo teve o período mais intenso da repressão, 
conhecido como os “anos de chumbo”, seu governo vai até 15 de março de 1974. 
O golpe militar inaugurou uma nova fase na economia do Brasil, por causa das 
medidas de violência, de repressão e à censura, especialmente a partir do ano de 
1968. A oposição foi silenciada e os militares puderam exercer o plano econômico 
que estivesse de acordo com seus interesses, sem ter quer prestar conta a ninguém. 
O principal alvo era combater a inflação, uma luta de todos os governos, e dar 
crescimento à economia, mas não se tinha interesse de diminuir as diferenças sociais 
e a pobreza. Com o fim do governo Médici, o quarto presidente regime militar, o 
general Ernesto Geisel, era do grupo dos “moderados” assume em 15 de março de 
1974 e dava a entender que os moderados tinham se fortalecido. 
94 
 
 
O seu plano de governo seria ou pretendia avançar na direção de um regime mais 
democrático, mas faria isso aos poucos, um processo chamado de “abertura lenta, 
gradual e segura”. Seu propósito era afastar os militares da “linha dura” do poder, não 
permitir ou retardar a assumir cargos da mais alta importância (no caso a da 7 
presidência), sendo que os da “linha dura” ocupavam cargos importantes da oposição 
nos órgãos de repressão. Com a política de abertura de Geisel: as eleições 
parlamentares de novembro de 1974, quando as 22 vagas que estavam sendo 
disputadas pelo senado, a oposição preencheu 16 dessas 22 vagas. Dando entender 
o desejo era de mudança da nação. Os militares “linhas duras” não estavam parados, 
ocorreram algumas mortes que alcançaram um destaque internacional,
a partir disso 
aconteceu uma grande repercussão devidos esses assassinatos, o governo não pode 
mais continuar negando que no Brasil não havia tortura e morte de prisioneiros 
políticos. Diante desses fatos o presidente Geisel determinou o afastamento do 
comando do Segundo Exército. Os “linhas duras” sofreram uma grande derrota, mas 
continuaram por algum tempo nos principais cargos administrativos e à frente ainda 
de secretarias ligadas à censura e repressão. 
Com o crescimento da oposição e com a maioria no Congresso Nacional, Geisel 
decretou um conjunto de medidas que ficou conhecido por “Pacote de Abril”. Nesse 
pacote tinham: um terço do Senado seria preenchido pelo voto indireto; os pequenos 
estados em que a Arena era mais forte passariam a ter direito a um número de 
deputados na Câmara Federal; o mandato do presidente da República foi ampliado 
de 5 para 6 anos. Com essas manobras políticas para eleições parlamentares de 
1978 a oposição conseguiu mais votos, mas essa estratégia deu ao governo 
conseguir manter a maioria no Congresso Nacional. Chegado o ano de 1979, o último 
ano de Geisel na presidência, este dá um passo muito importante na política de 
abertura revogando o AI – 5. Com isso o presidente não poderia mais decretar o 
fechamento do congresso e nem caçar mandatos ou suspender os direitos políticos 
dos cidadãos. O habeas corpus voltou a ter validade e acabou a censura à imprensa. 
Durante muitos anos sem direito de voz, nos dolorosos períodos dos “anos de 
chumbo” os movimentos sindicais começaram a ressurgir no final do governo de 
Geisel, que vai ate 15 de março de 1979. 
Com o fim do governo Ernesto Geisel, os militares do grupo “linhas duras” tentaram 
impor a candidatura do general Sílvio Frota, ministro da Guerra, porém não 
95 
 
 
conseguiram. Geisel conseguiu impor o nome de sua preferência, o general João 
Batista Figueiredo, que era chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI), órgão do 
serviço secreto brasileiro desde 1964. Em sua posse presidencial em 15 de março de 
1979, o general Figueiredo assumiu o governo jurando “fazer deste país uma 
democracia”. Assim, Figueiredo deu continuidade ao processo de abertura política. 
No começo do seu governo enviou ao Congresso Nacional um 8 projeto de Anistia, 
que significa perdão aos “crimes de qualquer natureza relacionados com crimes 
políticos ou praticados por motivação política”. Com a aprovação da lei da anistia 
permitiu que diversos exilados políticos que estavam fora do país desde o golpe de 
1964 voltassem ao Brasil. Pessoas exiladas como Leonel Brizola, Miguel Arraes e 
Luis Carlos Prestes. Só que o benefício da anistia favorecia também agentes de 
repressão responsáveis por tortura, morte e desaparecimentos de presos políticos. 
A anistia foi uma vitória que levava multidões às ruas, fortalecia-se e forçava o regime 
da ditadura ceder a cada dia mais, nas campanhas pela anistia, assim foi o governo 
até 15 de março de 1985. 
 
O MOVIMENTO “DIRETAS JÁ” E A EMENDA DANTE DE OLIVEIRA RUMO A 
LIBERDADE 
Da ditadura à democracia o ambiente sombrio do Regime Civil Militar enfrentado por 
todos que eram opostos à forma severa de governo, tiveram seus direitos retirados e 
após muitas percas nessa luta desigual, dá se início à união popular para viverem em 
um novo tempo de mudança no cenário político nacional. Através das pequenas, 
depois medias e por fim gigantescas reuniões que juntou um milhão e meio de 
pessoas, onde se via um regime que não suportava mais o movimento “Diretas Já”. 
Esse período foi muito violento aos opositores do Regime onde as “autoridades” tinha 
poder para alterar a Constituição em vigor, caçar direitos políticos ou de quem não 
tivesse de acordo. Mas o tempo foi passando e as pessoas não esqueciam a que já 
tinha passado. A população brasileira não suportava mais ficar de fora das decisões 
políticas de nosso país. Há quem acredite que um dos fatores principais para o fim 
do Regime Civil- Militar se devia à mobilização popular que ocorreu em vários estados 
e cidades brasileiras entre os anos de 1983 a 1985, levando uma grande massa de 
96 
 
 
pessoas convictas de seus direitos para com a nação às ruas, para pedir mudanças 
no cenário eleitoral brasileiro. Ainda há outros que acreditam que a ditadura chegou 
ao fim não por causa das mobilizações de pessoas contrariadas com seus direitos 
excluídos, mas devido aos absurdos dos governantes em controlar com mão de ferro 
dentro e fora o próprio regime liderado pelos seus militares. A legislação eleitoral 
aprovada em 1965 tinha-se convertido em armadilha para os detentores do poder. 
Cada vez mais, as eleições se transformavam em plebiscitos em que se 9 votava pró 
ou contra o governo. O voto contra conferido ao MDB abrigava diferentes ideologias 
e refletia descontentamentos de todo tipo. Boris Fausto (2012, p. 430-431) comenta 
dizendo: 
Para tentar quebrar a força da oposição, o governo obteve do Congresso, 
em dezembro de 1979, a aprovação da Nova Lei Orgânica dos Partidos8 . A 
lei extinguiu o MDB e a Arena, obrigando as novas organizações partidárias 
a serem criadas a conter em seu nome a palavra “partido” 
 
Com isso houve o surgimento de novos partidos e a reorganização de antigas 
alianças que ficaram fora do cenário eleitoral devido às fortes pressões de 
governamentais do Regime Civil Militar. 
 
PROJETO DANTE DE OLIVEIRA 
 
Eleito pelo Partido Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em 1982 e empossado 
em 1º de fevereiro de 1983, já no dia 2 de março de 1983 finalmente Dante de Oliveira 
apresentou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) número 5, emenda essa que 
aspirava às eleições diretas. O Deputado Federal Dante de Oliveira empenhou-se em 
coletar as assinaturas necessárias para apresentar o projeto de emenda 
constitucional que estabelecia eleições diretas para a Presidência da República (170 
assinaturas de deputados e 23 de senadores). O projeto era o caminho para a 
consolidação do desejo de votar, um clarão de luz para iluminar a oportunidade ao 
movimento das “Diretas Já”, movimento caracterizado pela luta ao direito civil de 
reivindicação por eleições presidenciais diretas no Brasil. A possibilidade de eleições 
diretas para a Presidência da República no Brasil se concretizou com a votação da 
97 
 
 
proposta de Emenda Constitucional Dante de Oliveira pelo Congresso. Entretanto, a 
Proposta de Emenda Constitucional foi rejeitada, frustrando o desejo da sociedade 
brasileira. Um período em que população se declarou insatisfeita com a situação 
eleitoral do país, quando foi votada a emenda, obtendo 298 votos a favor, 65 contra 
e 03 abstenções. Devido a uma manobra de políticos aliados ao regime, não 
compareceram 112 deputados ao plenário da Câmara dos Deputados no dia da 
votação. A emenda foi rejeitada por não alcançar o número mínimo de votos para a 
sua aprovação que seria de 320 votos. 
O som que vem das ruas era para fazer valer o direito de ser cidadão brasileiro que 
tinha o desejo de votar em Presidente da República, sem ficar de fora dessa escolha 
que é, ou pelo menos deve ser, de todos os brasileiros. Nossa nação não aceitava 
mais a decisão dessa escolha exclusivista pelas regras eleitorais estabelecidas pela 
ditadura civil militar de somente poder votar em presidente os senhores: Deputados 
Estaduais, Federais os Senadores, que comporiam um colégio eleitoral, tirando o 
direito do cidadão escolher o seu próprio Presidente da República. O direito a 
democracia verdadeira, na manifestação de mulheres por eleições direitas no 
Congresso Nacional em Brasília no ano de 1984 continuou a chamar atenção por 
meios da mobilização, união que levava as mais variadas classes de trabalhadores 
para lutar por mudança no cenário político nacional. O som que vem das ruas faz a 
sua primeira manifestação pública a favor de eleições diretas no então recém-
emancipado município de
Abreu e Lima, em Pernambuco, no dia 31 de março de 
1983, com um público em torno de 300 (trezentas) pessoas. Assim dava-se início às 
manifestações nas capitais e principais cidades em favor das diretas. No ano de 1984 
registra-se a maior concentração do Estado Piauí, um registro muito simbólico; 
As maiores manifestações no estado do Piauí aconteceram em Teresina. A primeira 
foi em frente ao Palácio de Karnak no dia 26 de junho de 1983. Outras mais surgiram 
no centro da cidade, uma delas na Praça Pedro II e nas escadarias da Igreja São 
Benedito. A maior de todas, no entanto, foi a do dia 13 de fevereiro de 1984 na Praça 
Marquês de Paranaguá, bairro Marquês, localizado na zona norte da capital 
piauiense” . 
Contudo, o movimento vai sendo divulgado cada vez mais nas principais cidades e 
capitais finalizando em São Paulo, em 16 de abril de 1984 aconteceu o último comício 
98 
 
 
das Diretas Já, no Vale do Anhangabaú em São Paulo e reuniu cerca de 1.500.000 
pessoas. O som que vem das ruas é dos trabalhadores em greve por melhores 
condições de trabalho e ganhos. O som que vem das ruas é pela alegria do retorno 
dos exilados que tinham ido para outros países. Permitindo o espaço para formação 
da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e CGT (Central Geral de Trabalhadores), 
restabeleceu e promulgou-se a lei que permitia a criação de novos partidos, direito 
excluído no período da ditadura civil militar restabelecendo o direto de eleições diretas 
para governadores. O som que vem das ruas é de todos os insatisfeitos com o Regime 
Civil Militar. Com base nessas pesquisas, entende-se que as Diretas Já, mesmo com 
toda a sua grandeza, porém, não foi possível chegar a todos os lugares. Logo 
observou-se que através de materiais já publicados, a sociedade pode ter um pouco 
de conhecimento sobre a história de homens e mulheres que saíram às ruas 
clamando por justiça, direito, respeito e honra, pois os manifestantes queriam ser 
livres para votar em candidatos que acreditassem ser o melhor governante para o 
país, seja para Prefeito, Governador, ou Presidente, quem foi às ruas, concordava, e 
queria apenas o seu direito devolvido, e o que lhes pertencia através de conquistas 
antes adquirido. 
99 
 
 
 
 29. Plano Cruzado 
 
Plano de estabilização econômica anunciado em 28 de fevereiro de 1986, no governo 
do presidente José Sarney (1985-1990). Inicialmente bem-sucedido, pois os índices 
inflacionários caíram consideravelmente, o recrudescimento da inflação levou o plano 
ao fracasso no final de 1986. 
 
29.1. A concepção do Plano Cruzado 
 
O governo Sarney implementou, em 28 de fevereiro de 1986, um plano de combate 
à inflação que ficou conhecido como Plano Cruzado, o nome da nova moeda brasileira 
que substituiu o cruzeiro. Este plano surgiu como uma esperança para a população 
brasileira que, na época, se defrontava com uma trajetória ascendente da inflação, 
que atingiu uma taxa anual de 517% nos meses de janeiro e fevereiro de 1986, de 
acordo com o índice geral de preços da Fundação Getúlio Vargas. Nove meses 
depois, o Plano Cruzado fracassou pois a inflação voltou, e no primeiro bimestre de 
1987 a taxa anual de inflação já estava em 337%. 
Quais as razões do fracasso do Plano Cruzado? Alguns analistas atribuem a erros de 
administração do próprio plano a principal razão para o seu fracasso. Outros 
economistas identificam na sua concepção a única causa para o seu malogro. Para 
avaliar o Plano Cruzado é preciso, então, entender a concepção do processo 
inflacionário da equipe de economistas responsável pela elaboração do plano. 
Uma questão que surgia normalmente entre economistas que tentavam compreender 
o processo endêmico da inflação brasileira era como explicar a diferença entre uma 
inflação do tipo latino-americana e a inflação em outras partes do mundo. Os 
economistas latino-americanos, da escola estruturalista, identificavam na mudança 
dos preços relativos dos produtos agrícolas a principal fonte da inflação em países, 
como o Brasil, que procuravam aumentar a taxa de crescimento do produto real da 
economia através de instrumentos de política econômica. Depois da quintuplicação 
dos preços do petróleo em 1973, pela Organização dos Países Exportadores de 
100 
 
 
Petróleo (OPEP), o jargão dos economistas, no hemisfério norte, passou a usar a 
denominação “choque de oferta” para designar mudanças de preços relativos, um 
fenômeno bastante conhecido dos estruturalistas latino-americanos desde a década 
de 1950. 
Uma outra hipótese bastante popular, entre os estruturalistas, para explicar a inflação 
era o suposto conflito distributivo entre capitalistas e trabalhadores. De acordo com 
esta hipótese, a inflação é o resultado das demandas inconsistentes dessas duas 
classes sociais que desejariam frações do bolo que, somadas, seria maior do que o 
todo. Este conflito em outras partes do mundo seria resolvido de maneira diversa, 
mas na América Latina a inflação se encarregaria de resolvê-lo. Analiticamente o 
conflito distributivo poderia ser compreendido através da determinação dos preços e 
salários da economia. Mas os economistas estruturalistas nunca foram capazes de 
oferecer uma explicação convincente para o fato de a determinação de preços e 
salários, aqui na América Latina, ser diferente de outras partes do mundo. Alguns 
preferiam ficar com a crença no conflito distributivo quando a lógica era incapaz de 
produzir um modelo econômico capaz de explicar esta hipótese. 
Durante a primeira metade da década de 1980 alguns economistas brasileiros 
associados ao Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio 
de Janeiro (Pérsio Arida, Edmar Bacha, Francisco Lopes, Eduardo Modiano, André 
Lara Resende) e à Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação 
Getúlio Vargas (Luís Carlos Bresser Pereira e Yoshiaki Nakano), inspirados no 
estruturalismo, desenvolveram a hipótese neo-estruturalista para a inflação brasileira. 
Os neo-estruturalistas diagnosticaram a inflação brasileira como sendo do tipo 
inercial, resultado da fixação dos preços através de uma margem (mark-up) sobre os 
custos de produção, indexação dos salários e política de minidesvalorização cambial, 
sendo este processo impulsionado por choques de oferta que ocorriam de maneira 
não-sistemática, mas que determinariam a dinâmica do sistema. Nesta concepção, a 
inflação de hoje dependia da inflação de ontem, que, por sua vez, dependia da 
inflação de anteontem, e assim por diante. Daí o nome inercial para apelidar este 
processo inflacionário, e a imagem de uma catraca para caracterizar o fato de que a 
inflação dependia dela própria. 
101 
 
 
Os economistas neo-estruturalistas estavam divididos quanto à maneira mais 
adequada para acabar com o processo inflacionário. A proposta Lopes-Bresser 
Pereira-Nakano consistia num choque heterodoxo, através do congelamento dos 
preços e salários. A proposta Larida (Lara Resende-Arida) consistia na 
superindexação da economia, através da introdução de uma nova moeda. O Plano 
Cruzado optou pelo congelamento, enquanto o Plano Real preferiria o caminho da 
superindexação pela URV, que se transformaria no real, a nova moeda brasileira a 
partir de julho de 1994. 
 
29.2. A implementação do Plano Cruzado 
 
As principais medidas do Plano Cruzado foram editadas através dos decretos-leis nº 
2.283 e nº 2.284, respectivamente de 28 de fevereiro de 1986 e 10 de março de 1986. 
O segundo decreto-lei corrigiu apenas alguns erros do primeiro. De maneira sucinta, 
as principais medidas do Plano Cruzado foram as seguintes: 
a) introdução de nova moeda: a unidade do sistema monetário brasileiro passou a ser 
o cruzado, em substituição ao cruzeiro. A conversão de valores expressos em 
cruzeiros para cruzados foi fixada à razão de mil cruzeiros para cada cruzado; 
b) regra de conversão de obrigações contratuais: critérios
distintos foram aplicados 
para as obrigações contratadas com cláusulas de indexação e àquelas que não 
previam tal cláusula. No caso de obrigações sem cláusula de indexação, ficou 
estabelecido que a partir do dia 3 de março de 1986 o cruzado teria uma valorização 
diária de 0,45% em relação ao cruzeiro, equivalente a uma inflação mensal de 14,42% 
da antiga moeda. Para as obrigações com cláusula de indexação, a conversão foi 
efetuada em duas etapas. Na primeira, os valores em cruzeiros foram atualizados 
para cruzeiros do dia 28 de fevereiro de 1986, mediante a aplicação pro rata da 
correção monetária. Na segunda etapa, os valores assim obtidos foram convertidos 
para cruzados à razão de um cruzado para cada mil cruzeiros. Este procedimento foi 
usado para a conversão dos saldos das cadernetas de poupança, do Fundo de 
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo de Participação PIS/PASEP; 
102 
 
 
c) congelamento de preços: todos os preços foram congelados, e nomeou-se também 
como agente fiscalizador qualquer pessoa do povo. O congelamento poderia ser 
suspenso por ato do Poder Executivo; 
d) desindexação: a Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional (ORTN), que era 
corrigida mensalmente pela taxa de inflação, foi extinta. Em seu lugar foi criada a 
Obrigação do Tesouro Nacional (OTN), cujo valor foi congelado até o dia 3 de março 
de 1987. O uso de cláusula de correção monetária nos contratos com prazos 
inferiores de um ano foi proibido. A correção monetária para a caderneta de poupança 
e para os fundos de poupança forçada (FGTS e PIS/PASEP) foi mantida; 
e) conversão dos salários para cruzados: os salários foram convertidos para 
cruzados pelos seus valores reais médios, de acordo com o Índice Nacional de Preços 
ao Consumidor (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao 
valor real médio foi acrescido um abono de 8%. O valor fixado para o salário mínimo 
incorporou um abono de 16%; 
f) indexação dos salários — os salários foram indexados de acordo com uma escala 
móvel, que reajustaria automaticamente o salário toda vez que a inflação acumulada 
alcançasse 20%. Nas datas-base do reajuste de cada categoria profissional, os 
salários teriam um reajuste de, no mínimo, 60% da variação acumulada de 60% da 
inflação, medida pelo índice de preços ao consumidor do IBGE; 
g) conversão dos aluguéis, prestações do Sistema Financeiro de Habitação e 
mensalidades escolares: estes preços foram convertidos para cruzados de acordo 
com o princípio do valor real médio; 
h) política cambial: a taxa de câmbio foi utilizada como âncora do sistema e o seu 
valor foi fixado em 13 cruzados e 80 centavos por dólar. Mas este valor não foi 
congelado, pois o Banco Central do Brasil poderia alterá-lo a qualquer momento. 
A concepção neo-estruturalista do processo inflacionário supunha que a moeda era 
passiva e que, portanto, caberia à política monetária ajustar a oferta de moeda à 
quantidade demandada. Na economia brasileira, por razões institucionais, em virtude 
do sistema de reservas bancárias defasadas e da liquidação da compra e venda dos 
títulos públicos na conta reservas bancárias que os bancos mantêm junto ao Banco 
103 
 
 
Central, o instrumento que esta instituição utilizava para conduzir a política monetária, 
no dia-a-dia de suas operações, consistia na fixação da taxa de juros do overnight, a 
taxa pela qual os bancos comerciais trocam reservas bancárias entre si. No primeiro 
dia útil após o lançamento do Plano Cruzado, o Banco Central do Brasil fixou a taxa 
de juros supondo que a inflação esperada pelo público coincidia com a meta de 
inflação zero estabelecida pelo governo. O comportamento do público nos primeiros 
três meses do Plano Cruzado, entretanto, mostrava sinais claros de que a taxa de 
inflação esperada pelo público não era zero. A monetização da economia não era, 
portanto, compatível com a meta de inflação zero, em virtude do descompasso entre 
o que o público desejava e o que o Banco Central injetava de moeda na economia. 
Os autores do Plano Cruzado não tiveram nenhuma preocupação com a política 
fiscal, pois o déficit público e seu financiamento nada tinha a ver com o processo 
inflacionário, segundo a visão inercialista da inflação. Na verdade, a política fiscal do 
Plano Cruzado foi expansionista porque houve um aumento dos salários reais do 
setor público, em virtude dos abonos concedidos na conversão dos mesmos para 
cruzados. 
A combinação de políticas monetária e fiscal expansionistas, congelamento de preços 
e taxa de câmbio fixa fez com que as exportações diminuíssem e as importações 
aumentassem. O saldo da balança comercial que tinha um superávit mensal de mais 
de um bilhão de dólares, tornou-se negativo em outubro de 1986, quando as 
importações superaram as exportações em 79 milhões de dólares. As reservas 
internacionais do Brasil, que estavam próximas de dez bilhões de dólares em 
fevereiro de 1986, diminuíram para menos de cinco bilhões de dólares em fevereiro 
de 1987. 
O congelamento de preços provocou inúmeras distorções no sistema de preços, 
como ensina a boa teoria econômica. Por exemplo, em meados de 1986, o preço de 
um automóvel Monza com um ano de uso era maior do que o mesmo carro zero 
quilômetro. As empresas estatais de petróleo, eletricidade e telecomunicações 
tornaram-se vítimas do Plano Cruzado, pois não tinham mecanismos para contornar 
o congelamento de preços, como poderiam fazer as empresas privadas através, por 
exemplo, da maquiagem de produtos. A lucratividade real dessas empresas diminuiu 
ao longo de 1986, contribuindo para agravar as contas públicas do governo. 
104 
 
 
 
29.3. O Cruzado II 
 
Em meados de 1986 a equipe econômica responsável pelo Plano Cruzado já 
começava a se curvar diante da evidência empírica e reconhecia que havia um 
excesso de demanda generalizado na economia. Nestas circunstâncias, os remédios 
clássicos consistem na adoção de políticas monetária e fiscal contracionistas. A partir 
de maio de 1986, o Banco Central do Brasil começou a aumentar a taxa de juros 
básica da economia, a taxa over-night, mas este aumento foi tímido em relação ao 
que era necessário fazer naquele momento. Em meados de 1986 um novo pacote 
econômico foi anunciado, denominado Plano de Metas, que na época ficou conhecido 
como Cruzadinho. Este pacote criou o Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND), e 
instituiu um empréstimo compulsório, com validade até 31 de dezembro de 1989, que 
incidia sobre o consumo de gasolina e álcool, e sobre a compra de automóveis e 
utilitários, cujo pagamento seria feito em cotas do FND, além de outras medidas de 
menos importância. O resultado deste pacote foi praticamente nenhum, pois a 
economia continuou aquecida e a inflação engessada pelo congelamento. 
O tiro de misericórdia do Plano Cruzado foi dado pelo pacote econômico de novembro 
de 1986, anunciado logo após as eleições de 15 de novembro, em que o Partido do 
Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), partido político que dava sustentação ao 
governo Sarney, obteve uma vitória esmagadora. Este pacote ficou conhecido como 
Plano Cruzado II. Na divulgação do pacote, o Ministério da Fazenda classificou as 
medidas em seis categorias: 
a) medidas de estímulo à poupança; 
b) medidas fiscais com correção de preços; 
c)outras medidas fiscais; 
d) medidas de estímulo à exportação; 
e) medidas de desindexação; e 
f) medidas de redução da participação do Estado na economia. 
105 
 
 
Além de um bom número de medidas cosméticas, o pacote aumentou impostos 
indiretos, reajustou preços de bens e serviços que estavam completamente 
defasados, concedeu alguns subsídios para as exportações, e expurgou do índice da 
inflação as variações de preços de produtos considerados supérfluos, como cigarros 
e bebidas. O fracasso desta última tentativa de salvar o Plano Cruzado deveu-se 
única e exclusivamente
ao fato de que as origens do processo inflacionário brasileiro 
não foram atacadas, isto é, o financiamento do déficit público pela emissão de moeda 
não foi estancado e o regime monetário-fiscal-cambial não foi alterado. 
 
29.4. As razões para o insucesso do Plano Cruzado 
 
A inflação caracteriza-se pelo aumento contínuo e sistemático dos preços dos bens e 
serviços da economia, isto é, a moeda perde o seu valor pois, com a mesma 
quantidade de moeda, obtém-se ao longo do tempo uma menor quantidade de bens 
e serviços. Como entender uma inflação crônica, como a brasileira, sem compreender 
como o Banco Central aumenta o estoque de moeda na economia? Na teoria da 
inflação inercial é a inflação que gera a própria inflação. O Banco Central teria um 
comportamento passivo, sem nenhuma influência na dinâmica da inflação. 
É bem verdade que nas economias latino-americanas a política monetária nos países 
com longa tradição inflacionária tem sido passiva, mas a razão desta passividade é a 
obrigação do Banco Central financiar de maneira sistemática uma parcela significativa 
do déficit público. Quando a receita fiscal e a colocação de títulos públicos não é 
suficiente para financiar as despesas do governo, o Banco Central emite moeda para 
financiar o déficit remanescente. Na primeira metade da década dos 1980 a emissão 
de moeda financiou um déficit fiscal de 2-3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. 
Por que a sociedade usa este mecanismo, em vez de deixar para o Banco Central a 
tarefa de preservar o valor da moeda, como fazem outros bancos centrais do mundo? 
Esta pergunta pode ser respondida analisando-se o verdadeiro conflito distributivo 
entre vários grupos das sociedades latino-americanas, que procuram usar o Estado 
para apropriar-se de renda de outros grupos da sociedade. A redução do déficit 
poderia ser efetuada através de aumento dos impostos ou de diminuição dos gastos, 
106 
 
 
ou por uma combinação dos dois. Todavia, os contribuintes alegam que estão 
pagando impostos demais, enquanto aqueles que se beneficiam dos gastos do 
governo argumentam que estão recebendo menos do que deveriam. Como diz o 
ditado popular, a corda termina rebentando do lado mais fraco, pois o imposto 
inflacionário, que é a contrapartida da emissão de moeda, termina sendo pago pelas 
classes menos favorecidas, que não estão devidamente representadas nos órgãos 
de decisão política nem tampouco dispõem de recursos para se organizarem na 
reivindicação de seus interesses. Usando-se o jargão do economista, a razão para a 
solução do conflito distributivo através da emissão de moeda é uma falha no mercado 
político, que não está devidamente organizado para impedir que grupos com maior 
poder de influência no processo decisório explorem os grupos menos favorecidos da 
sociedade. As instituições de um país, como o Banco Central, são produto de 
escolhas e decisões da sociedade. Elas não existem num vazio, mas suas funções e 
atribuições dependem do contrato implícito entre os diversos grupos que influenciam 
as decisões políticas da sociedade. 
O fracasso do Plano Cruzado deve-se única e exclusivamente ao fato de que ele não 
atacou a causa básica da inflação no Brasil, o financiamento do déficit público através 
de emissão de moeda pelo Banco Central, mas tão-somente procurou estancar a 
inflação congelando os preços. Confundiu-se inércia inflacionária com inflação 
inercial. Apesar da causa básica da inflação no caso brasileiro ser o financiamento do 
déficit público através de emissão de moeda, a propagação da inflação não é 
instantânea em virtude de rigidez no sistema de preços. Esta rigidez existe devido a 
contratos previamente acordados entre as partes, estabelecendo regras de reajustes 
que dependem de preços passados, ou porque previsões do futuro são feitas com 
base em dados do passado, ou ainda em virtude de cláusulas de correção monetária 
que reajustam preços hoje em função da inflação de ontem. Portanto, a inflação tinha 
uma componente inercial, mas isto não significa dizer que esta componente era a 
origem da inflação, como queriam os economistas responsáveis pelo Plano Cruzado. 
A principal lição que se pode extrair do Plano Cruzado está consagrado no ditado 
popular: o que começa errado não pode dá certo. 
 
30. Constituição Federal 
107 
 
 
 
CONSTITUIÇÃO DE 1988 
 
Antecedentes:o ocaso do regime militar 
 
A posse do general Ernesto Geisel na presidência da República, em 1974, marcou o 
início do processo “lento e gradual” de refluxo do poder ditatorial no Brasil. Não 
obstante a utilização de instrumentos discricionários, que ensejavam a cassação de 
mandatos parlamentares e a decretação do recesso do Congresso Nacional, coube 
historicamente a Geisel a reação à violência física perpetrada pelo Estado brasileiro 
contra os adversários políticos. Ao término de seu governo, a Emenda Constitucional 
nº 11, de 13 de agosto de 1978, revogou os atos institucionais e os atos 
complementares, símbolos do regime de exceção instaurado em 1964. 
Indicado por Geisel como candidato do regime à sua sucessão, o general João Batista 
de Oliveira Figueiredo foi eleito indiretamente pelo Congresso, derrotando o general 
Euler Bentes Monteiro, lançado pela oposição. Figueiredo tomou posse em 15 de 
março de 1979 reafirmando o compromisso de restauração da legalidade 
democrática. Ainda no segundo semestre de 1979 foi aprovada a Lei da Anistia, 
permitindo a volta dos brasileiros que estavam no exílio e a libertação da maioria dos 
presos políticos. No mesmo ano foi votada a nova lei dos partidos políticos, rompendo 
com o bipartidarismo artificial e dando ensejo ao pluripartidarismo. Atentados 
terroristas cuja origem estava na própria base de sustentação militar do governo, 
contra a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 1980; e no Riocentro, em 1981, 
embora impunes, não comprometeram a lenta marcha em direção ao Estado 
democrático. 
A crescente e generalizada insatisfação com o regime militar desaguou num amplo 
movimento suprapartidário pelo restabelecimento das eleições diretas para 
presidente da República. Nas principais capitais do país, centenas de milhares de 
pessoas acorreram às ruas em manifestações de oposição ao governo sob a palavra 
de ordem “diretas já”. Em 25 de abril de 1984, sob estado de emergência decretado 
na capital federal, foi votada a proposta de emenda constitucional que restauraria o 
108 
 
 
pleito direto. Embora tivesse obtido a maioria dos votos dos parlamentares, a emenda 
não teve o apoio de dois terços dos deputados, necessários para que ela fosse 
encaminhada ao Senado. Caso ela tivesse sido aprovada, com maioria qualificada, 
nas duas Casas do Congresso a Constituição seria, então, modificada. Apesar da 
frustração trazida pelo desfecho do movimento, a verdade é que o regime militar já 
não apresentava unidade interna nem contava com apoio político suficiente para 
prolongar-lhe a duração. 
Após intensa disputa interna, o Partido Democrático Social (PDS), de sustentação do 
regime militar, indica como candidato à presidência o ex-governador de São Paulo 
Paulo Maluf. Forma-se, no entanto, uma dissidência no PDS, que vai unir-se ao 
Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), a principal agremiação de 
oposição, formando a Aliança Democrática. Tancredo Neves, um dos principais 
líderes da oposição moderada ao longo de todo o regime militar, é lançado candidato 
à presidência, tendo como vice-presidente, na mesma chapa, José Sarney, que fora 
um dos principais articuladores civis do regime militar. Tancredo derrota Maluf na 
eleição indireta pelo Colégio Eleitoral realizada em 15 de janeiro de 1985. No entanto, 
adoece antes de tomar posse e morre em 21 de abril de 1985. 
José Sarney assumiu a presidência num momento difícil. Salvo o breve período de 
sucesso do plano econômico de combate à inflação, denominado Plano Cruzado, seu
governo foi marcado por uma crescente insatisfação política e social, para a qual não 
deixaram de contribuir a personalidade do presidente, os desacertos econômicos e 
as denúncias persistentes de corrupção e favorecimentos. Ao longo dos cinco anos 
do governo Sarney, que se estende até 15 de março de 1995, afirmou-se política e 
eleitoralmente o Partido dos Trabalhadores (PT). 
Em cumprimento ao compromisso de campanha assumido por Tancredo Neves, foi 
convocada, pela Emenda Constitucional nº 26, de 15 de maio de 1985, uma 
assembléia nacional constituinte para elaborar a nova Constituição brasileira. 
 
109 
 
 
Instalação, ambiente político e métodos de trabalho da Assembléia Nacional 
Constituinte: o preâmbulo do texto final aprovado 
Previu a Emenda Constitucional nº 26/85 que os membros da Câmara dos Deputados 
e do Senado Federal reunir-se-iam, unicameralmente, em Assembléia Nacional 
Constituinte, livre e soberana, no dia 1º de fevereiro de 1987. Não prevaleceu a idéia, 
lançada por segmentos da sociedade civil, de eleição de uma assembléia constituinte 
exclusiva, que se dissolveria quando da conclusão de seus trabalhos. Optou-se pela 
outorga de poderes constituintes ao Congresso Nacional, tendo sido admitida, 
inclusive, a participação dos senadores alcunhados de biônicos, resíduo autoritário 
do governo Geisel, que outorgara a Emenda Constitucional nº 8, de 1977, na qual se 
previa que um terço das vagas do Senado seria preenchido por eleição indireta. 
Instalada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro José Carlos 
Moreira Alves, a Assembléia Constituinte elegeu, em seguida, como seu presidente, 
o deputado Ulisses Guimarães (PMDB-SP), que fora o principal líder parlamentar de 
oposição aos governos militares. Os trabalhos, a exemplo do que já ocorrera em 
1946, desenvolveram-se sem a apresentação de um anteprojeto prévio. É de 
interesse assinalar que o próprio Poder Executivo havia instituído, em julho de 1985, 
a Comissão Provisória de Estudos Constitucionais, conhecida, em razão do nome de 
seu presidente, como Comissão Afonso Arinos, que veio a apresentar um anteprojeto. 
Tal texto, todavia, a despeito de suas virtudes, não foi encaminhado à Constituinte 
pelo presidente Sarney, inconformado, entre outras coisas, com a opção 
parlamentarista nele veiculada. 
A ausência de um texto base e a ânsia de participação de todos os segmentos da 
sociedade civil, arbitrariamente alijados do processo político por mais de 25 anos, 
dificultaram significativamente a racionalização e a sistematização dos trabalhos 
constituintes. Dividida, inicialmente, em 24 subcomissões, oito comissões temáticas 
e a Comissão de Sistematização, o processo constituinte padeceu das vicissitudes 
inevitáveis a um empreendimento do seu porte naquele contexto, assim como de 
ingerências excessivas do Executivo e da dificuldade de formação de maiorias 
consistentes, mesmo em questões meramente regimentais. 
Após uma fase de conclusão penosa e desgastante, a Constituição foi finalmente 
110 
 
 
promulgada em 5 de outubro de 1988, tendo sido aclamada como a “Constituição 
Cidadã”, na expressão do presidente da Assembléia, Ulisses Guimarães. No texto de 
seu preâmbulo, está uma fotografia, retocada pela retórica e pelo excesso de boas 
intenções, do momento histórico de seu nascimento e das aspirações de que deveria 
ser instrumento: 
“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional 
Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício 
dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o 
desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade 
fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, 
na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, 
promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República 
Federativa do Brasil.” 
 
Características gerais da Constituição de 1988:a estrutura do texto(virtudes e 
defeitos) 
A Constituição brasileira de 1988 teve, antes e acima de tudo, um valor simbólico: foi 
ela o ponto culminante do processo de restauração do Estado democrático de direito 
e da superação de uma perspectiva autoritária, onisciente e não pluralista de exercício 
do poder, timbrada na intolerância e na violência. Ao reentronizar o direito e a 
negociação política na vida do Estado e da sociedade, removeu o discurso e a prática 
da burocracia tecnocrático-militar que conduzira a coisa pública no Brasil por mais de 
20 anos. 
À medida que se distanciou no tempo, foi-se tornando possível o exame do ciclo que 
se encerrou em outubro de 1988 sem a distorção das paixões políticas. O que se 
constatou foi que o período ditatorial exibiu indicadores econômicos positivos e 
indicadores sociais dramáticos. Inserido na economia mundial como um dos dez 
grandes produtores de riquezas, o Brasil ainda convivia com índices sofríveis em 
áreas como educação, habitação e saúde. A inapetência política para o 
enfrentamento da questão agrária agravou os problemas urbanos, que em sua ponta 
mais visível manifestava-se no aumento da criminalidade e da violência em geral. 
111 
 
 
No plano institucional, o exercício autoritário do poder desprestigiou e enfraqueceu 
os órgãos de representação política e afastou da vida pública as vocações de toda 
uma geração. O processo de amadurecimento democrático, de consciência política e 
de prática da cidadania ficou truncado. Agravou-se, ainda, pelo fisiologismo e pelo 
clientelismo, que não podiam ser denunciados nem combatidos à luz do dia, a atávica 
superposição entre o público e o privado, com as perversões que a acompanharam: 
favorecimentos, nepotismo, corrupção e descompromisso com a eficiência. 
O processo constituinte que resultou na nova Carta teve como protagonistas, 
portanto, uma sociedade civil marcada por muitos anos de marginalização, e um 
Estado apropriado pelos interesses privados que ditavam a ordem política e 
econômica até então. Na euforia, saudável, de recuperação das liberdades públicas, 
a Constituinte foi um amplo exercício de participação popular. Neste sentido, foi 
inegável o seu caráter democrático. Mas, paradoxalmente, foi precisamente este 
caráter democrático que fez com que o texto final expressasse uma vasta mistura de 
interesses legítimos de trabalhadores e categorias econômicas, cumulados com 
interesses cartoriais, corporativos, ambições pessoais etc. O produto final foi 
heterogêneo, com qualidade técnica e nível de prevalecimento do interesse público 
oscilantes entre extremos. 
A doutrina constitucional caracteriza a Carta de 1988 como sendo compromissória, 
analítica e dirigente. Compromissória por ser um texto dialético, sem predomínio 
absoluto de uma única tendência política. Em um mundo ainda marcadamente 
dividido em dois blocos ideológicos antagônicos, o texto buscou um equilíbrio entre 
os interesses do capital e do trabalho. Ao lado da livre iniciativa, alçada à condição 
de princípio fundamental da ordem institucional brasileira, consagraram-se regras de 
intervenção do Estado no domínio econômico, inclusive com a reserva de 
determinados setores econômicos à exploração por empresas estatais, alguns deles 
sob regime de monopólio. O texto contemplou, ademais, um amplo elenco de direitos 
sociais para os trabalhadores e impôs restrições ao capital estrangeiro. 
Os constituintes de 1988 optaram, igualmente, por uma Carta analítica, na tradição 
do constitucionalismo contemporâneo, materializado nas constituições portuguesa e 
espanhola, respectivamente de 1976 e 1978. Os dois países, a exemplo do Brasil, 
procuravam superar experiências autoritárias. O modelo oposto é o que tem como 
112 
 
 
paradigma a Constituição dos Estados Unidos, exemplo típico do constitucionalismo 
sintético, cujo texto contém apenas
sete artigos e 27 emendas (em sua maior parte, 
aditamentos e não modificações à versão original). A tradição brasileira, a 
complexidade do contexto em que se desenvolveu a reconstitucionalização do país e 
as características de nosso sistema judicial inviabilizaram a opção pela fórmula do 
texto mínimo, cuja importação seria um equívoco caricatural. É inevitável a 
constatação, todavia, de que os constituintes de 1988 caíram no extremo oposto, 
produzindo um texto que, menos que analítico, é casuístico e prolixo. 
Por fim, a Carta brasileira de 1988 é dirigente. O termo, trazido do constitucionalismo 
português, identifica uma opção pela inclusão no texto constitucional de grandes 
linhas programáticas, que procuram sinalizar caminhos a serem percorridos pelos 
legisladores e pela administração pública. Estabelecem-se fins, tarefas e objetivos 
para o Estado e para a sociedade. Este tipo de constitucionalismo diminui, de certa 
forma, a densidade jurídica do texto, embora represente um esforço para condicionar 
a atuação dos poderes e impulsioná-los na direção eleita pelos constituintes, 
notadamente em domínios como os da educação, da cultura, da saúde e da 
realização de valores como a justiça social e os direitos a ela inerentes. O 
constitucionalismo dirigente é extremamente dependente da atuação do Congresso 
Nacional na edição das leis ordinárias necessárias ao desenvolvimento dos 
programas meramente alinhavados na Constituição. 
A Constituição de 1988 convive com o estigma, já assinalado antes, de ser um texto 
excessivamente detalhista, que em diversos temas perdeu-se no varejo das 
miudezas, seja no capítulo da administração pública, como no título da ordem 
tributária ou no elenco de mais de 70 artigos no Ato das Disposições Constitucionais 
Transitórias, para citar apenas alguns exemplos. Não escapou, tampouco, ao ranço 
do corporativismo exacerbado, que inseriu no seu texto regras específicas de 
interesse das mais diversas categorias, inclusive magistrados, membros do Ministério 
Público, advogados públicos e privados, polícias federal, rodoviária, ferroviária, civil e 
militar, corpo de bombeiros, cartórios de notas e de registros, que bem servem como 
eloqüente ilustração. O texto foi marcado, em sua versão originária, pela densificação 
da intervenção do Estado na ordem econômica, em um mundo que caminhava na 
direção oposta, e por uma recaída nacionalista que impôs restrições ao ingresso de 
capital estrangeiro de risco, em domínios como os da mineração, das 
113 
 
 
telecomunicações, do petróleo, do gás etc. 
A nova Carta não foi capaz de conter a crônica voracidade fiscal do Estado brasileiro, 
nem de impedir um sistema tributário que, na prática, constitui um cipoal de tributos 
que se superpõem, criando uma onerosa e ineficiente burocracia nos diferentes níveis 
de poder. O sistema de seguridade social, notadamente no campo previdenciário, 
integra uma estrutura que se tornou economicamente inviável e incapaz de conter a 
sangria de recursos imposta pelas fraudes e pela corrupção. É preciso, todavia, 
conservar a capacidade de identificar as vicissitudes que podem e devem ser 
associadas ao texto constitucional de 1988 com outras tantas que fazem parte da 
crônica patologia institucional, social e cultural brasileira, e que não podem ser 
imputadas ao trabalho dos constituintes, mas, sim, a um país fragilizado por 
sucessivas rupturas políticas e pelo desequilíbrio de suas relações sociais. 
Nesta linha de raciocínio, é preciso evitar que a crítica, cabível e necessária, venha a 
encobrir as virtudes e as inovações criativas e valiosas trazidas pela Carta de 1988. 
Os direitos fundamentais, por exemplo, transplantados para o início do texto 
constitucional, antes da disciplina da organização do Estado e dos poderes, 
configuram, a despeito da enunciação prolixa e desarrumada, uma valiosa carta de 
proteção dos cidadãos brasileiros, tanto contra os abusos estatais como contra os 
privados. Novas ações judiciais, como o mandado de segurança coletivo e a 
constitucionalização da ação civil pública, ampliaram os mecanismos de proteção dos 
direitos, inclusive os de última geração, intitulados direitos difusos, que abrigam áreas 
importantes como a tutela do meio ambiente e do consumidor. 
A nova Constituição, além disso, reduziu o desequilíbrio entre os poderes da 
República, que no período militar haviam sofrido o abalo da hipertrofia do Poder 
Executivo, inclusive com a retirada de garantias e de atribuições do Legislativo e do 
Judiciário. A nova ordem restabelecia e, em verdade, fortalecia a autonomia e a 
independência do Judiciário, assim como ampliava as competências do Legislativo. 
Não obstante, a Carta de 1988 manteve a capacidade legislativa do Executivo, não 
mais através do estigmatizado decreto-lei, mas por meio das medidas provisórias, 
importadas do regime italiano, onde o sistema parlamentar de governo dava maior 
lastro de legitimidade ao instituto. Embora em todo o mundo se tivesse operado, em 
maior ou menor intensidade, o esvaziamento da capacidade legislativa originária do 
114 
 
 
Parlamento, o fato é que a redação do texto constitucional e a timidez do Legislativo 
e do Judiciário deram ensejo ao abuso da utilização de um instrumento que, nascido 
para acudir a situações excepcionais, de “relevância e urgência”, como prevê o artigo 
62, passou a integrar a rotina no processo de edição de normas jurídicas. 
A Federação, mecanismo de repartição do poder político entre a União, os estados e 
os municípios, foi amplamente reorganizada, superando a fase do regime de 1967-
1969, de forte concentração de atribuições e receitas no governo federal. Embora a 
União tenha conservado, ainda, a parcela mais substantiva das competências 
legislativas, ampliaram-se as competências político-administrativas de estados e 
municípios, inclusive com a previsão de um domínio relativamente amplo de atuação 
comum dos entes estatais. A partilha das receitas tributárias foi feita de forma mais 
equânime, sem a prevalência quase absoluta da União, como no regime anterior. A 
prática revelou, no entanto, que os principais beneficiários do sistema de distribuição 
de receitas foram os grandes municípios. Os estados brasileiros, dez anos depois de 
promulgada a Constituição, a despeito da recuperação da plena autonomia política, 
não tinham conseguido, em sua grande maioria, encontrar o equilíbrio financeiro 
desejável. 
Em matéria eleitoral, a Constituição de 1988 reintroduziu o voto direto para a 
presidência da República, transformado em cláusula pétrea (artigo 60, §4º, II), e 
estabeleceu a eleição em dois turnos na hipótese de nenhum candidato alcançar a 
maioria absoluta na primeira votação (artigo 77, §2º e §3º). 
 
Vigência da Constituição de 1988; as eleições de 1989; os governos Fernando Collor, 
Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso; as reformas constitucionais 
Em 15 de novembro de 1989 realizou-se a primeira eleição de um presidente da 
República, por via direta, desde a sagração de Jânio Quadros, em 1960. O Partido 
dos Trabalhadores (PT), o principal partido de oposição, e que ganhou densidade 
política e eleitoral no rastro do desgaste do governo Sarney, lançou como candidato 
Luís Inácio Lula da Silva, seu principal líder desde a fundação, uma década antes. No 
setor liberal-conservador, também beneficiado pelo descrédito das principais figuras 
políticas do país, o candidato que se destacou foi Fernando Collor de Melo, lançado 
115 
 
 
pelo inexpressivo Partido da Reconstrução Nacional (PRN) e que acabou obtendo o 
apoio dos setores empresariais e dos principais meios de comunicação. No primeiro 
turno das eleições Collor obteve 28% dos votos, seguido de Lula, com 16%. Não se 
habilitaram para o segundo turno concorrentes de expressão e tradição política no 
país, como Leonel Brizola (PDT), Ulisses Guimarães (PMDB) e Mário Covas (PSDB). 
Collor
derrotou Lula no segundo turno, realizado em dezembro, com 42,75% dos 
votos, contra 37,86%. Empossado, o novo presidente deflagrou um ambicioso plano 
econômico, que, em medida de questionável constitucionalidade, promoveu a 
retenção da quase totalidade dos ativos depositados em instituições financeiras, 
inclusive nas cadernetas de poupança. O Plano Brasil Novo foi instituído mediante 
utilização abusiva das recém-criadas medidas provisórias, e, em pouco mais de um 
ano, já havia se tornado uma nova aventura monetária fracassada. 
A despeito do choque inicial, o discurso neoliberal e privatizante de Collor contou com 
amplo apoio da mídia e da opinião pública. Sua credibilidade, todavia, começou a 
desmoronar no início do segundo ano de governo. Um provinciano desentendimento 
entre o presidente e seu irmão Pedro Collor de Melo trouxe à tona uma enorme rede 
de extorsão e corrupção que comprometia o chefe de Estado e o tesoureiro de sua 
campanha presidencial, Paulo César Farias. 
A crise que se seguiu às denúncias de Pedro Collor levou à instauração de uma 
comissão parlamentar de inquérito (CPI) que, contrariando uma tradição de 
inconseqüência, revelou, para um país atônito, que o poder público fora tomado de 
assalto por personagens envolvidos em variados ilícitos penais. Ao final de agosto de 
1992, quando a CPI deliberou pela responsabilização do presidente, por 16 votos 
contra cinco, o país já sofria o impacto das multidões que, em movimento espontâneo, 
exigiam o impeachment de Collor. 
Em 29 de setembro de 1992, a Câmara dos Deputados, ao apreciar o requerimento 
apresentado pelos presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da 
Associação Brasileira da Imprensa (ABI), aprovou a abertura de processo por crime 
de responsabilidade contra Collor, com a expressiva margem de 441 votos a favor. O 
presidente foi, então, afastado do cargo. Quando de seu julgamento pelo Senado, já 
iniciada a sessão, Collor enviou uma carta-renúncia, mas viu frustrado o artifício para 
116 
 
 
livrar-se da cassação de seus direitos políticos pelo prazo de oito anos. Perdeu o 
mandato e teve seus direitos políticos cassados por oito anos. 
O desfecho exemplar do episódio revigorou as instituições e desfez o mito do 
golpismo. O país mostrou-se capaz de administrar suas crises políticas sem violentar 
a Constituição. 
Com a destituição de Collor, assumiu definitivamente o cargo o vice-presidente Itamar 
Franco, um tradicional político mineiro, que fora membro histórico do PMDB. 
Em 21 de abril de 1993, realizou-se o plebiscito sobre a forma e o sistema de governo, 
previsto no artigo 2º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias: por 66% 
contra 10,2% venceu a república sobre a monarquia; e, por 55,4% contra 24,6%, o 
povo brasileiro optou pelo modelo presidencialista, derrotando a proposta 
parlamentarista. 
Nas eleições presidenciais de 3 de outubro de 1994 venceu, em primeiro turno, 
Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco. Em 
segundo lugar ficou, mais uma vez, Luís Inácio Lula da Silva, do PT. Com Fernando 
Henrique chegou ao poder, pela primeira vez, um integrante da geração que fora 
perseguida pelo regime de 1964. 
Fernando Henrique Cardoso atravessou seu primeiro mandato com expressivos 
índices de apoio popular. A oposição, enfraquecida e desarticulada, não foi capaz de 
dar densidade e repercussão à crítica que fazia ao governo pela fragilidade de sua 
atuação na área social. A eterna indignação pela existência atávica de uma legião de 
excluídos continuou a assombrar o país, sem soluções objetivas ou de curto prazo. 
O governo, no entanto, no período de 1995 a 1998, foi capaz de capitalizar como 
ganho político a duradoura estabilidade econômica. Em 4 de junho de 1997, foi 
aprovada, pelo quórum constitucional de 3/5 dos membros de cada casa do 
Congresso, e em contraste com a tradição republicana brasileira, a Emenda 
Constitucional nº 16, pela qual passava a ser permitida a reeleição do presidente da 
República e dos chefes dos executivos estaduais e municipais por um período 
subsequente. 
Realizaram-se, ainda, neste quadriênio (observe-se que a Emenda Constitucional de 
117 
 
 
Revisão nº 5, de 7 de junho de 1994, reduzira o mandato presidencial de cinco para 
quatro anos) reformas econômicas substanciais, que importaram na quebra ou na 
flexibilização de monopólios estatais, na privatização de inúmeras empresas 
controladas pelo poder público e na significativa redução de restrições ao capital 
estrangeiro em múltiplas áreas. Em 1988 encontravam-se em curso reformas de 
natureza tributária, administrativa e previdenciária. 
 
 
31. O governo de Fernando Collor de Melo 
 
As eleições de 1990 As eleições deste ano no Brasil ficarão na história deste país 
como um triste episódio de incerteza e retrocesso. No plano parlamentar, o sistema 
eleitoral proporcional, ao invés de distrital ou distrital misto, provocou mais uma vez 
violenta renovação do Congresso (60% dos deputados não foram reeleitos) ao 
mesmo tempo em que contribuiu para a manutenção de sua falta de 
representatividade, já que os eleitores não conhecem os eleitos. No plano das 
eleições para governador, o retrocesso se manifestou através da eleição de velhos 
políticos comprometidos com o autoritarismo. As eleições presidenciais de 1989 
foram um momento de incerteza, de confusão, mas nada justificava falar em 
retrocesso. Havia desilusão com a Nova República, havia indignação contra os 
políticos e particularmente os políticos do PMDB, mas não havia volta para o passado. 
Collor não era o passado. Era o futuro, era a esperança para milhões de eleitores. 
Futuro e esperança que o novo presidente, um ano depois, ainda continua 
encarnando, apesar dos arranhões que seu governo vem sofrendo em função da 
resistência da inflação em cair. Nas eleições de 3 de outubro de 1990 o governo Collor 
não foi julgado. Certamente não foi repudiado. No segundo turno, em 25 de 
novembro, a derrota de candidatos ligados de alguma forma ao presidente permitiu a 
interpretação de que ele sofrera uma derrota. Mas uma derrota muito relativa, já que 
o presidente pouco se envolveu nas eleições. Por outro lado, houve uma forte 
desideologização nestas eleições. Enquanto em 1989 a alternativa final foi Collor ou 
Lula, direita ou esquerda, em 1990 a identificação dos candidatos com posições 
ideológicas perdeu importância. Neoliberalismo no governo As eleições de 3 de 
118 
 
 
outubro e 25 de novembro ocorreram ao mesmo tempo em que o governo Collor ia 
delineando seu perfil político. Para um grande número de intelectuais de esquerda, 
esse perfil estaria identificado ideologicamente com a direita neoliberal. Na medida 
em que Collor, na sua campanha eleitoral e agora no governo, promove a 
liberalização comercial e a privatização, na medida em que defende a idéia de que a 
coordenação da economia caiba antes ao mercado do que ao Estado, ele seria um 
neoliberal. Esta é uma visão equivocada do neoliberalismo. Neoliberalismo é a 
ideologia da nova direita radicalmente contrária à intervenção do Estado na economia. 
Neoliberalismo é o velho liberalismo econômico modernizado pela microeconomia 
neoclássica da Escola Austríaca (Hayek), pela macroeconomia monetarista 
(Friedman) e dos novos clássicos (Lucas), e pela crítica econômica e política do 
Estado realizada pela Escola da Escolha Racional (Buchanan e Olson). 
Neoliberalismo foi o que Margareth Thatcher tentou implementar sem êxito durante 
onze anos na Inglaterra. Neoliberalismo era mais o discurso do que a prática (uma 
curiosa mistura de neoliberalismo e populismo) de Ronald Reagan, prática que levou 
a economia norte-americana à crise fiscal e a um sério agravamento da situação 
social 1 . O neoliberalismo é profundamente individualista e pessimista a respeito da 
possibilidade de cooperação social ou de ação coletiva. Seu objetivo
é o Estado 
Mínimo. Não apenas política industrial e tecnológica não fazem nenhum sentido para 
os neoliberais. As próprias políticas macroeconômicas de curto prazo seriam em 
princípio inúteis. O mercado é perfeitamente auto-regulável a partir das expectativas 
dos agentes econômicos. Além disso, para o verdadeiro neoliberal a própria política 
social é condenável, na medida em que desestimularia o trabalho e a iniciativa 
individual. Conforme Hirschman (1989) demonstrou, essa nova direita está baseada 
no velho princípio do "efeito perverso" que já estava presente na filosofia social de 
Edmund Burke: a tentativa de distribuir melhor a renda, de alcançar uma maior 
equidade social é perversa, na medida em que seus efeitos reais seriam opostos aos 
objetivos pretendidos. Não importa que a história das social-democracias européias 
desminta esse fato. Para o verdadeiro neoliberal, para a nova direita que viceja nos 
Estados Unidos, onde a social-democracia jamais prevaleceu, e onde, portanto, os 
níveis de desigualdade são fortíssimos, a teoria implícita do efeito perverso é o grande 
argumento contra uma ação social mais efetiva do Estado e a explicação padrão para 
todas as falhas dessa ação. Ora, definindo o neoliberalismo nestes termos é evidente 
que Collor não é um neoliberal. A política industrial e tecnológica que seu governo vai 
119 
 
 
aos poucos estruturando nada tem de neoliberal. Procurar dar um papel maior ao 
mercado na coordenação da economia não é neoliberalismo, é mero bom senso 
quando o Estado cresceu demais. Privatizar é uma solução óbvia quando o Estado 
enfrenta uma crise fiscal gravíssima. Através da privatização o Estado pode obter 
recursos que lhe permitam reduzir sua dívida, ao invés de aplicar mais recursos em 
atividades produtivas que podem ser desempenhadas pelo setor privado. Liberalizar 
o comércio exterior é uma providência há muito necessária na medida em que a 
estratégia de substituição de importações esgotou-se já nos anos 60. Collor é 
chamado "neoliberal" devido a uma compreensão equivocada e ampla demais da 
expressão. Na verdade o neoliberalismo não é no Brasil uma ideologia efetivamente 
adotada por setores significativos da "classe" política e do empresariado. 
 
 
31.1. O impeachment 
 
O conflito entre Pedro Collor e PC Farias teve novo capítulo em maio de 1992. No dia 
10, o irmão do presidente entregou à revista Veja documentos que demonstravam 
que PC tinha irregularmente pelo menos sete empresas no exterior. Dois dias depois, 
Collor mandou que fossem investigadas as denúncias contra PC, que, por sua vez, 
negou que elas tivessem qualquer fundamento. No dia 19, porém, quando Leda 
Collor, mãe do presidente e a matriarca da família, destituiu Pedro Collor da chefia do 
grupo Arnon de Melo, sob a justificativa de que ele estaria psicologicamente 
perturbado, ficou claro que a disputa estava ligada à luta pelo comando das 
empresas. Em resposta à atitude da mãe, Pedro submeteu-se a um exame de 
sanidade mental, que o deu como são, e responsabilizou Fernando Collor e PC 
Farias por sua integridade física. 
Em nova entrevista à Veja, em 23 de maio, Pedro Collor apontou operações ilegais 
de PC que envolviam o presidente. Pressionado pela família, que exigia que parasse 
de fazer tais denúncias, concedeu uma terceira entrevista, ainda mais incisiva, 
acusando o irmão de conivência com os crimes de PC, que seria seu “testa-de-ferro”. 
120 
 
 
Diante da gravidade das acusações, que Collor garantia serem desprovidas de bases, 
em 25 de maio a Polícia Federal abriu um inquérito sobre as atividades de PC Farias. 
No dia seguinte, a Câmara dos Deputados aprovou a criação de uma comissão 
parlamentar de inquérito (CPI) para apurar as denúncias. A CPI iniciou seus trabalhos 
totalmente desacreditada. O secretário de Governo, Jorge Bornhausen, afirmou que 
ela não levaria a lugar nenhum, como todas as CPIs anteriores. 
Durante o mês de junho, a CPI colheu depoimentos e recolheu material que mostrava 
ligações entre atividades ilegais de PC Farias e o governo federal. No dia 11, 
entidades civis e partidos oposicionistas lançaram o Manifesto Democrático contra a 
Impunidade, com o objetivo de aproveitar o momento para aprofundar a luta contra a 
corrupção. Como o governo tentasse evitar que a CPI o investigasse, no dia 24 de 
junho várias entidades, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência 
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Confederação Nacional dos Trabalhadores 
na Agricultura (Contag), a CUT e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência 
(SBPC) e partidos políticos de oposição fizeram no Senado a manifestação que ficou 
conhecida como Vigília pela Ética na Política, com a intenção de chamar a atenção 
da sociedade para a necessidade de fiscalizar os trabalhos da comissão e conseguir 
a punição dos culpados, inclusive os que ocupassem cargos públicos. 
A situação chegara a um ponto tal que, em 30 de junho, o jornal Folha de S. 
Paulo denunciou em editorial o estado de ingovernabilidade em que o país estaria e 
exigiu a imediata renúncia do presidente. Isolado politicamente, Collor fez um 
pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, para o qual o governo e, 
especialmente o governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães (PFL), 
praticamente o único aliado de peso do presidente naquele momento, procuraram 
criar grande expectativa. Antônio Carlos afirmou, porém, que condicionava a 
manutenção de seu apoio a Collor às suas explicações para as denúncias de que sua 
secretária, Ana Acióli, pagava com recursos de PC as despesas da Casa da Dinda, 
residência de Collor em Brasília. Collor garantiu, então, que o secretário Cláudio 
Vieira era o provedor de sua conta. No dia seguinte, contudo, Francisco Eriberto, 
motorista de Ana Acióli, contestou na CPI essa versão. Segundo seu depoimento, em 
que reafirmou as declarações já feitas à revista IstoÉ dias antes, as empresas de PC 
pagavam as despesas familiares do presidente por meio de depósitos na conta de 
sua secretária. 
121 
 
 
Depois de tomar conhecimento dos resultados de uma pesquisa de opinião que 
mostrava alto índice de aprovação de seu pronunciamento na televisão, Collor tentou 
retomar a ofensiva, atribuindo ao que chamou de “sindicato do golpe” a campanha de 
que seu governo vinha sendo alvo. A expressão foi incorporada pelos parlamentares 
governistas, que passaram a acusar os partidos derrotados na eleição presidencial, 
principalmente o PT, e setores econômicos supostamente ameaçados em seus 
privilégios, como os cartéis das indústrias de cimento e automóveis, de buscar a 
revanche contra Collor. 
No dia 7 de julho, o presidente recebeu manifestações de solidariedade de 
representantes de entidades corporativas, inclusive do presidente da CNI, senador 
Albano Franco, que afirmou a importância da preservação da política econômica em 
vigor, em respeito aos sacrifícios feitos pela sociedade brasileira na busca da 
estabilização. Collor teve apoio, também, nesse momento, do governador do Rio de 
Janeiro, Leonel Brizola (PDT). Em visita ao município de Duque de Caxias (RJ) no 
dia 21, o presidente discursou ao lado do governador e, dirigindo-se a cerca de 1.500 
pessoas, acusou uma “minoria intransigente” de tentar impedi-lo de governar e de 
desejar o “retrocesso político”. E afirmou que, de maneira alguma, abriria mão das 
liberdades individuais e políticas de que o país estava desfrutando. Essa disposição 
de resistir foi transmitida a seus auxiliares, aos quais o presidente garantia que só 
morto deixaria o palácio do Planalto. Apesar dessas declarações, ele dizia também 
que estava convicto de que a campanha pelo seu afastamento era apenas uma 
encenação das forças de oposição, que, na verdade, não estariam dispostas a 
assumir o ônus da administração do país, até porque sabiam que não teriam os votos 
necessários para aprovar seu impeachment no Congresso.
Novo passo na defesa do presidente foi dado em 27 de julho, na CPI, com o 
depoimento de Cláudio Vieira. Ele informou ter levantado, em 1989, um empréstimo 
de 3,7 milhões de dólares no Uruguai para financiar a campanha de Collor. Para 
comprovar a afirmação, apresentou documento em que o doleiro Najum Turner 
assumia a responsabilidade pelos depósitos feitos por pessoas fictícias os “laranjas” 
com supostas sobras da campanha na conta da secretária Ana Acióli, que, por sua 
vez, utilizava esses recursos para custear despesas pessoais do presidente e de sua 
esposa. A explicação foi, porém, desmontada dois dias depois pelo depoimento de 
Sandra de Oliveira, secretária da empresa ASD, de propriedade de Alcides Diniz, que 
122 
 
 
garantiu ter presenciado reuniões nas quais os documentos apresentados por Vieira 
sobre a chamada Operação Uruguai teriam sido forjados. 
As investigações sobre as denúncias de corrupção no núcleo central do governo eram 
acompanhadas atentamente pela opinião pública. Entidades representativas da 
sociedade civil, como a OAB, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a CUT 
formaram em agosto o Movimento Cívico contra a Impunidade e pela Ética na Política. 
A crise trouxe, também, o retorno dos estudantes à atividade política, sob a liderança 
da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes 
Secundaristas (UBES). Com os rostos pintados com as cores da bandeira nacional, 
o que lhes valeu o apelido de caras-pintadas, secundaristas e universitários puseram-
se na linha de frente do movimento contra o governo. Em resposta a Collor, que, 
subestimando a insatisfação que se generalizava no país, convocara o povo a sair às 
ruas vestido de verde-e-amarelo para apoiá-lo, só tendo obtido a adesão de cerca de 
trezentas pessoas em frente à sua casa em Brasília, no dia 16 de agosto milhares de 
manifestantes vestidos de preto fizeram passeatas em dez capitais brasileiras, 
exigindo o impeachment do presidente. 
Alguns dias depois, os grupos oposicionistas escolheram o jornalista Barbosa Lima 
Sobrinho, presidente da ABI, para apresentar o pedido de impeachment de Collor, 
assinado também por Marcelo Lavanère, presidente da OAB. A iniciativa se baseava 
nas seguintes acusações: Collor tivera despesas pessoais e familiares pagas com 
dinheiro oriundo de recursos obtidos por Paulo César Farias através de tráfico de 
influência no governo; um dos automóveis de Collor fora comprado com cheque de 
um “laranja” de PC; a reforma da Casa da Dinda, no valor de 2,5 milhões de dólares, 
fora paga com cheques igualmente emitidos por “laranjas” de PC; Collor mentira ao 
afirmar na televisão que suas despesas pessoais não eram pagas por PC e tampouco 
conseguira explicar a origem dos recursos com que mantinha um padrão de vida 
ostensivamente superior ao permitido por sua renda oficial. 
As sondagens de opinião entre os parlamentares que votariam o impeachment não 
deixavam muita esperança para o governo. Em meados de agosto, seus próprios 
líderes admitiam que a base de apoio a Collor estava rachada, e a dissidência atingia 
30% do PFL e 60% do PDS, os maiores partidos governistas. Até Paulo Maluf, 
candidato a prefeito de São Paulo na eleição daquele ano, anunciou no programa 
123 
 
 
eleitoral do PDS na televisão, no dia 23, que aderia à campanha pelo impeachment. 
No dia seguinte, em meio a acusações de estar oferecendo um total de um bilhão de 
dólares em verbas públicas em troca de apoio no Congresso, Collor teve a abertura 
de seu processo de impeachment recomendado pelo relatório da CPI, que o 
considerou culpado de ter recebido 6,5 milhões de dólares do “esquema PC”. O cerco 
a Collor levou ministros e secretários de Estado a divulgar, no dia 25, um comunicado 
à nação em que se declaravam seguros da “honradez de suas vidas”, mas tomando 
a precaução de não mencionar a do presidente da República. 
O relatório final da CPI foi aprovado por ampla maioria no plenário da comissão no 
dia 26 de agosto. Em seguida, foi encaminhado à Procuradoria Geral da República e 
à Câmara dos Deputados. Dois dias depois, Rosane Collor foi condenada pela Justiça 
Federal de Brasília a devolver aos cofres públicos o dinheiro da LBA por ela usado 
para custear a festa de aniversário de uma amiga. Dois anos depois, Rosane seria 
indiciada no processo que investigou denúncias de superfaturamento numa licitação 
para a compra de leite em pó para a LBA. 
Entregue o pedido de impeachment ao presidente da Câmara no dia 1º de setembro, 
à noite Collor fez novo pronunciamento por rede nacional de rádio e televisão para 
anunciar a disposição de não renunciar ao cargo. Uma semana depois, cancelou a 
viagem que faria proximamente aos Estados Unidos, onde participaria da abertura da 
Assembleia Geral da ONU. 
Lutando para impedir a oposição de conseguir os votos necessários para que o 
plenário da Câmara aceitasse iniciar o processo de impeachment, Collor teria usado 
de recursos de todo tipo. Segundo revelou Cláudio Humberto, seu amigo e ex-porta-
voz, no livro Mil dias de solidão — Collor bateu e levou, o presidente e seus aliados 
se dispuseram a pagar até um milhão de dólares por voto contra a abertura do 
processo. Alguns dias antes da votação, o presidente teria subornado dois deputados 
do PRN do Paraná, Antônio Barbara e Mateus Iensen, para que votassem contra a 
abertura do processo de impeachment. Os dois parlamentares teriam, contudo, 
recebido o dinheiro e traído o combinado no dia 29 de setembro, quando a Câmara, 
por 441 votos contra 38, aprovou a admissibilidade do processo de impeachment. 
124 
 
 
Afastado da presidência, Collor foi substituído interinamente em 2 de outubro pelo 
vice-presidente Itamar Franco. Em sua residência, reunido com assessores políticos 
e jurídicos, com seu porta-voz e seu secretário particular, procurou uma forma de 
retornar ao cargo ou, pelo menos, evitar um julgamento também na Justiça comum. 
Decidido a não renunciar, resolveu acompanhar o desdobramento do processo na 
condição de presidente titular sem funções governativas e formou uma comissão para 
preparar a transição com a equipe de Itamar Franco. 
O julgamento no Senado realizou-se em 29 de dezembro. Em face da majoritária 
tendência dos senadores a afastá-lo definitivamente do cargo e suspender seus 
direitos políticos por oito anos, Collor renunciou, numa última tentativa de escapar à 
condenação. O Senado, contudo, prosseguiu o julgamento, condenando-o à 
inelegibilidade e à inabilitação, por oito anos, para o exercício de qualquer cargo 
público. Quatro horas depois, Itamar Franco foi efetivado na presidência. 
. 
32. Plano Real 
 
Duas características básicas podem ser identificadas no Plano Real dentro da 
sequência de tentativas de estabilização da economia brasileira, depois da crise da 
dívida externa do início da década de 1980. Uma característica foi a intenção 
deliberada de fugir aos movimentos bruscos e do elemento surpresa que fizeram a 
glória e o fracasso de seus antecessores, e que atingiram o paroxismo no Plano 
Collor. A segunda característica foi a insistência da equipe no governo em anunciar o 
plano como uma estratégia multifásica de estabilização, da qual a reforma monetária 
seria apenas um momento, e não necessariamente o mais importante. Essas duas 
características tinham o objetivo de desarmar os espíritos dos agentes econômicos, 
que tinham se habituado a associar programas de estabilização a perdas súbitas de 
direitos. 
O comportamento defensivo contra os choques antiinflacionários exacerbava conflitos 
e acelerava a inflação ao gerar corrida contra a moeda, aumentando, a cada tentativa, 
os custos dos programas de choque e diminuindo as chances de sucesso em 
programas baseados em desindexação. A concepção de uma sequência de etapas 
125 
 
 
permitiria certa flexibilidade para a correção dos erros inevitáveis dos programas de
choque, mas, ao mesmo tempo, se tornaria compatível com a construção de uma 
imagem de serenidade na reinstitucionalização da política econômica, que seria útil 
para minimizar os custos da estabilização em termos de perdas bruscas de 
crescimento econômico e de desemprego. 
 
 
33. Início do governo de Fernando Henrique Cardoso 
 
Empossado o novo Congresso no dia 1º de fevereiro, Fernando Henrique apoiou 
ativamente as candidaturas do deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) à 
presidência da Câmara, que derrotou a de José Genoíno (PT-SP), e de José Sarney 
(PMDB-MA) à presidência do Senado. Definia, assim, o elemento central da base 
parlamentar de que disporia para implementar seu programa de reformas, constituída 
pelos partidos que o haviam apoiado- PSDB, PFL e PTB, pelo PMDB e outros partidos 
de menor expressão. 
A despeito da amplitude dessa base, era geral no Congresso a impressão de que o 
governo enfrentaria dificuldades para concretizar as reformas. A maioria dos 
deputados e senadores se manifestara pelo “enxugamento” do texto constitucional, 
considerado muito detalhista, mas havia resistências a medidas específicas, 
principalmente a modificações das regras do sistema previdenciário, ao fim da 
estabilidade dos servidores públicos no emprego e à quebra dos monopólios do 
petróleo e das telecomunicações. Tendo sancionado, em 13 de fevereiro, a lei de sua 
iniciativa no Senado a de Concessões Públicas, que abriu à iniciativa privada a 
exploração de serviços prestados pelo Estado como a distribuição de energia elétrica 
e o abastecimento de água, Fernando Henrique apresentou ao Congresso, nove dias 
depois, o primeiro grupo de reformas que implicavam emendas à Constituição. Os 
cinco principais temas eram os seguintes: redefinição do conceito de empresa 
brasileira, fim do monopólio estatal sobre o petróleo e as telecomunicações, liberação 
da participação do capital privado na distribuição de gás natural canalizado e 
permissão para que capitais estrangeiros participassem da navegação de cabotagem. 
A divulgação dessas metas provocou protestos em vários pontos do país, e o 
126 
 
 
presidente foi alvo de manifestações oposicionistas, algumas com certa violência, 
como em Recife e no Rio de Janeiro. 
O programa de reformas enfrentou seu teste de estréia em maio, um mês de altíssima 
densidade política para o governo. No dia 3 teve início uma greve nacional dos 
petroleiros. Logo em seguida, cerca de trezentos mil servidores federais paralisaram 
as atividades em protesto contra as propostas de privatização dos Correios e das 
empresas do setor elétrico, e em defesa do monopólio estatal nos setores de petróleo 
e de telecomunicações. Reivindicavam ainda reajuste mensal dos salários pelo índice 
de inflação apurado pelo órgão de pesquisa econômica dos sindicatos, o 
Departamento de Estudos Estatísticos e Socioeconômicos (DIEESE). 
Nos dias que se seguiram, porém, o governo obteve algumas vitórias. Aprovou na 
Câmara a emenda que redefinia o conceito de empresa nacional, eliminando 
restrições ao capital estrangeiro e, em primeiro turno, as emendas referentes ao fim 
da reserva de mercado na navegação de cabotagem e à extinção do monopólio 
estatal das telecomunicações. 
Já as emendas relativas à reforma da administração federal e da previdência, tidas 
como imprescindíveis para a redução dos gastos públicos, encontraram resistência 
maior no Congresso. Representantes da oposição e da própria base governista na 
Câmara dos Deputados fizeram muitas alterações no projeto do governo para a 
reforma administrativa, que ficaria parado no Senado. Os pontos que despertaram 
maiores polêmicas foram a quebra da estabilidade dos servidores públicos no 
emprego, as regras da disponibilidade e da paridade salarial e a proibição de 
empréstimos e convênios federais com estados e municípios que não se adaptassem 
à exigência constitucional que limitava os gastos com pessoal a 60% da arrecadação. 
No início de 1996, Fernando Henrique abriu negociações para a incorporação do 
Partido Progressista Brasileiro (PPB) à base de sustentação do governo no 
Congresso. Embora o PPB já manifestasse apoio ao governo desde o início, e sua 
bancada em geral apoiasse as propostas encaminhadas pelo Executivo, o partido não 
integrava formalmente a aliança governista. Além disso, o principal líder da 
agremiação, Paulo Maluf, mais uma vez cogitando lançar-se na disputa pela 
presidência da República, insistia em manter o partido numa faixa política própria, 
127 
 
 
com autonomia em relação ao governo federal. Temendo enfrentar dificuldades para 
aprovar itens importantes das reformas com votações previstas para os meses 
seguintes, o governo nomeou em maio o pepebista Francisco Dornelles para a pasta 
da Indústria, Comércio e Turismo, até então ocupada por Dorotéia Werneck. Na 
ocasião foram criados os ministérios extraordinários de Coordenação de Assuntos 
Políticos – destinado a cuidar da articulação política do governo – e de Política 
Fundiária, ocupados, respectivamente, por Luís Carlos Santos e Raul Jungmann. 
Houve ainda outras substituições, com a nomeação do senador mineiro Arlindo Porto 
para o Ministério de Agricultura e do Abastecimento, Carlos Albuquerque para o 
Ministério da Saúde, e Antonio Kandir para o Ministério do Planejamento e 
Orçamento. 
Em 9 de abril de 1997, finalmente, o plenário da Câmara aprovou a emenda da 
reforma administrativa. O substitutivo do relator, deputado Moreira Franco (PMDB-
RJ), foi aprovado por um voto a mais que o mínimo de 308 necessários. Entre os 
assuntos afetados pela emenda estavam a idade de 75 anos para a aposentadoria 
compulsória do servidor público, que até então ocorria aos 70 anos, e a demissão de 
servidores, dos quais era exigido um estágio probatório de dois anos e que passaram 
a ter garantia de estabilidade no emprego somente depois de cinco anos. Além disso, 
a emenda tornou possível a demissão de servidores estáveis quando o gasto com a 
folha de pagamento ultrapassasse 60% da receita. 
A tramitação da emenda da previdência não foi mais fácil. Apresentada ao Congresso 
em março de 1995, dois anos e meio depois continuava em discussão, embora só 
propusesse mudanças gerais, deixando as especificações para a legislação 
complementar. A Câmara decidiu detalhar algumas regras previdenciárias na própria 
emenda, o que provocou polêmicas. No final aprovou-se um texto que pouco mudava 
o sistema vigente. No Senado, o substitutivo apresentado reincorporou parte das 
propostas do governo, mas precisou voltar à Câmara para ser aprovado. Apenas em 
janeiro de 1998 o Congresso aprovaria definitivamente a emenda da reforma 
previdenciária, embora alterando medidas propostas originalmente pelo governo. 
Na virada do primeiro semestre de 1997, estavam regulamentadas importantes 
mudanças na legislação econômica do país, como o fim do monopólio da Petrobras 
sobre a exploração e o refino do petróleo, que liberou esse mercado para as grandes 
128 
 
 
multinacionais do setor, até então restritas à distribuição; quebra do monopólio da 
Petrobras sobre a exploração de gás natural; privatização do setor de 
telecomunicações, o que permitiu a venda das empresas estatais do setor para o 
capital privado e estabeleceu a criação da Anatel (Agência Nacional de 
Telecomunicações), responsável pela regulamentação do setor; e a abertura da 
navegação de cabotagem a empresas de capital estrangeiro. 
O governo fez reformas também na área de educação, um dos cinco pontos 
prioritários do programa eleitoral de Fernando Henrique. Inicialmente empreendeu-se 
uma investigação sobre o quadro do ensino no país. Para isso, avaliaram-se os cursos 
de primeiro e segundo graus e de nível superior, graduação e pós-graduação, e 
implantou-se o Exame Nacional de Cursos, conhecido como “provão”, compulsório 
para os formandos. Em 20 de dezembro de 1996, foi sancionada a nova
Lei de 
Diretrizes e Bases (LDB), baseada em projeto do senador Darcy Ribeiro (PDT-RJ). 
Entre as inovações trazidas pela LDB estava o fim da obrigatoriedade do exame 
vestibular para o acesso ao ensino superior. Foi lançado à discussão da sociedade, 
também, um projeto de reforma do ensino médio com o fim de dirigir os alunos, a 
partir da segunda série, para cinco áreas específicas: ciências exatas, artes e 
comunicação, ciências da vida, ciências sociais e humanas e gerência e informática, 
favorecendo a profissionalização do ensino de segundo grau. A divisão do curso de 
segundo grau em três séries seria substituída por outra, em ciclos ou módulos. Seria 
instituído um currículo básico para os alunos de todo o país, cobrindo 75% das 
disciplinas; o restante variaria de acordo com as necessidades de cada estado, 
visando a atender às necessidades de profissionalização ou preparação do aluno 
para o exame vestibular. 
Na área de segurança, outro dos cinco pontos prioritários do programa eleitoral, a 
atuação do governo, após dois anos e meio, traduziu-se na criação da Secretaria 
Nacional de Segurança Pública; no início da implantação de um banco de dados 
informatizado para tornar acessíveis, no plano nacional, informações sobre mandados 
de prisão, veículos furtados e armas de fogo; na reativação da Academia Nacional de 
Polícia; e na criação de oito conselhos regionais de segurança pública, encarregados 
de ações conjuntas de repressão a sequestros, tráfico de drogas e roubos e furtos de 
carros. No fim do primeiro semestre de 1997, o governo federal foi chamado a intervir 
na área de segurança de vários estados. Durante dois meses, policiais militares e 
129 
 
 
civis mobilizaram-se em 17 estados, promovendo greves e manifestações que 
resultaram, em alguns casos, em confrontos violentos que deixaram dois mortos e 
cerca de dez feridos. Embora convencido de que a segurança pública deveria ser 
responsabilidade dos governadores, Fernando Henrique coordenou um debate inicial 
sobre o assunto. 
 
 
34. Início do governo Lula 
 As expectativas negativas em relação ao governo de Lula por parte dos investidores 
foram sendo aplacadas antes mesmo de sua posse, à medida que foram sendo 
anunciados alguns dos nomes de seu ministério. O núcleo central da administração 
foi ocupado por políticos do PT, como José Dirceu na Casa Civil e Antonio Palocci no 
Ministério da Fazenda. Mas o anúncio mais surpreendente, que visava a deixar claro 
que as promessas de respeito a todos os contratos eram sérias, foi o do novo 
presidente do Banco Central, Henrique Meireles. Meireles acabara de ser eleito 
deputado federal em Goiás pelo PSDB e havia ocupado o posto de diretor geral (CEO 
na sigla em inglês) do Banco de Boston, um dos principais credores da dívida externa 
brasileira. Além desses nomes, Roberto Rodrigues, que havia fundado a Associação 
Brasileira do Agrobusiness, foi escolhido para o Ministério da Agricultura, e Luís 
Fernando Furlan, do grupo Sadia, para a pasta do Desenvolvimento, Indústria e 
Comércio Exterior, demonstrando a importância que o setor exportador, centrado no 
agronegócio e na produção de commodities, teria na formulação da política 
econômica do governo. 
A posse ocorreu em 1º de janeiro de 2003, com uma grande festa popular em Brasília, 
reunindo cerca de 70 mil pessoas nas ruas da capital federal. Em seu discurso de 
posse no Congresso, Lula resgatou os temas da esperança e da mudança: 
“‘Mudança’; esta é a palavra- chave, esta foi a grande mensagem da sociedade 
brasileira nas eleições de outubro. A esperança finalmente venceu o medo e a 
sociedade brasileira decidiu que estava na hora de trilhar novos caminhos”. Na fala 
ao povo reunido na Esplanada dos Ministérios, concitou a uma grande mobilização 
nacional para acabar com a fome no país. 
130 
 
 
Tal apelo se materializou na criação do programa Fome Zero, que buscava parcerias 
entre o governo, a iniciativa privada e a população em geral, para garantir alimentação 
aos setores mais pobres da população brasileira. As políticas sociais do governo 
evoluíram, ao longo dos primeiros anos, para a unificação em torno de um programa 
principal, o Bolsa Família. Essa política de complementação de renda unificou 
programas anteriores, como Bolsa Escola, do governo anterior, e os tíquetes de leite 
e gás, vindo a atender, em 2006, a mais de 11,1 milhões de famílias, ou seja, cerca 
de 45 milhões de pessoas, que receberam 8,2 bilhões de reais, o que corresponde a 
0,4% do PIB brasileiro. 
Dada a composição do ministério, um dos espaços em que se manteve uma grande 
expectativa de mudanças estava na política externa. Com Celso Amorim nomeado 
ministro das Relações Exteriores e Samuel Pinheiro Guimarães, conhecido crítico da 
proposta de tratado de livre comércio continental, a ALCA, na Secretaria-Geral do 
Itamaraty, a expectativa era de uma intervenção na política externa mais próxima da 
autonomia em relação aos ditames Estados Unidos. Logo no início do governo, a 
diplomacia brasileira apoiou o presidente venezuelano Hugo Chavez, enviando 
petróleo brasileiro ao país, diante de uma greve da petroleira estatal venezuelana 
(PSV) cuja direção política dava todos os sinais de associação com manobras para a 
desestabilização do governo, que já havia enfrentado uma tentativa de golpe no ano 
anterior. 
Em junho de 2004, o governo brasileiro enviou tropas ao Haiti e passou a comandar 
a missão militar da ONU naquele país. A intervenção brasileira atendeu a indicação 
da política norte-americana e teve relação direta com a ênfase que o Ministério das 
Relações Exteriores deu à pretensão brasileira de integrar permanentemente o 
Conselho de Segurança da ONU. 
Em relação à política econômica, priorizou-se a estabilidade, aprofundando-se o 
compromisso de campanha de “respeito aos contratos”. Logo que o governo teve 
início, foi determinado que a meta de superávit primário para 2003 seria elevada para 
4,5% do PIB, contra os 4,25% implementados pelo governo anterior, conforme o 
acordo com o FMI estipulara. Além disso, a taxa Selic de juros foi elevada em três 
pontos percentuais, dos 21,9% para 24,9%, chegando a mais de 26% ao ano em 
maio. A taxa de juros básica brasileira permaneceu ao longo de todo o primeiro 
131 
 
 
mandato de Lula como a maior do mundo. 
Uma das prioridades do governo foi a aprovação de uma conjunto de reformas 
constitucionais. A primeira proposta encaminhada ao Congresso Nacional foi a da 
reforma da Previdência, baseada principalmente no aumento dos requisitos e na 
limitação dos benefícios para a aposentadoria dos servidores públicos, que deveriam 
assim recorrer também aos planos de previdência complementar privados. O projeto 
apresentado pelo governo foi referendado pelo Conselho de Desenvolvimento 
Econômico Social, com representação de empresários, centrais sindicais e membros 
indicados pelo Executivo. Em 13 de agosto de 2003, a proposta foi aprovada em 
primeiro turno na Câmara dos Deputados, apesar de uma greve nacional de 
servidores públicos federais e manifestações de rua em oposição ao projeto. Após a 
aprovação em segundo turno na Câmara e no Senado, em dezembro a proposta foi 
sancionada pelo presidente Lula. Outras propostas polêmicas, como a de uma 
reforma tributária e uma reforma judiciária foram também apresentadas como 
prioritárias. No entanto, ao fim dos debates políticos, tanto as alterações no sistema 
fiscal como as mudanças no Judiciário foram bem mais limitadas do que as 
proposições iniciais. 
A agenda de reformas constitucionais, especialmente a reforma da Previdência, 
provocou uma cisão no interior do PT. A recusa em votar favoravelmente a essa 
proposta por parte da senadora por Alagoas Heloísa Helena e dos deputados federais 
Luciana Genro (RS), Babá (PA) e João Fontes (SE), que ficaram conhecidos como 
os parlamentares “radicais”, resultou na abertura de um
processo no Conselho de 
Ética do partido e, finalmente, na expulsão dos quatro em 14 de dezembro de 2003. 
O grupo acabaria por participar da construção de uma nova legenda, o Partido 
Socialismo e Liberdade (PSOL). Lula defendeu a expulsão dos “radicais”, afirmando 
que era preciso reforçar a unidade do PT na defesa do governo e fazer respeitar sua 
autoridade como presidente da República e a de José Genoíno como presidente do 
PT. 
Por outro lado, nas negociações para a aprovação das reformas o governo contou 
com muitos votos da oposição. Isso ocorreu, particularmente, nos casos das reformas 
da Previdência e tributária, em que pesaram os votos do PSDB e do PFL, visto que 
as propostas eram coerentes com aquelas por eles defendidas. Para o dia a dia do 
132 
 
 
trabalho no Congresso Nacional, entretanto, a base de apoio ao governo foi frágil, e 
o Executivo fez diversas concessões a partidos e parlamentares que não compunham 
a aliança eleitoral que elegera Lula, de forma a constituir uma base aliada majoritária 
na Câmara dos Deputados e a negociar maiorias ocasionais no Senado. Foi nesse 
contexto que surgiram denúncias de que o PT, em ações comandadas por membros 
do primeiro escalão do governo, estaria comprando apoio político com recursos de 
“caixa dois”, ou sobras de arrecadação de campanha. 
As denúncias deram origem ao chamado “escândalo do mensalão”. As primeiras 
notícias de que o PT havia “comprado” o apoio do PTB nas eleições municipais de 
2004 surgiram em setembro de 2004 na revisa Veja. Dias depois, Miro Teixeira, 
deputado federal que no início do governo havia ocupado o Ministério das 
Comunicações por indicação do PDT, em declarações ao Jornal do Brasil, afirmou 
que realmente havia no Congresso Nacional um esquema de pagamento de 
“mesadas” a parlamentares para votarem com o governo, conforme havia noticiado a 
reportagem de Veja. 
Em maio de 2005, novas denúncias na imprensa, a partir de gravações secretas de 
conversas com o diretor do Departamento de Contratação e Administração de 
Material dos Correios, Maurício Marinho, revelaram um esquema de corrupção 
envolvendo as licitações da empresa, que teria como protagonista político o deputado 
federal do PTB Roberto Jefferson. Essas denúncias levaram à instalação de uma 
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para analisar as denúncias de 
corrupção nos Correios. Isolado pelas denúncias, Jefferson declarou à Folha de S. 
Paulo, publicada no dia 6 de junho, que Delúbio Soares, tesoureiro do PT, era o 
responsável pelo pagamento de mensal de 30 mil reais a alguns deputados para que 
votassem favoravelmente às propostas do governo. Jefferson referiu-se a esse 
pagamento como “mensalão”. Afirmou ainda que o principal operador do esquema 
era o publicitário mineiro Marcos Valério de Sousa. Em 20 de julho, foi instalada uma 
nova CPI especificamente criada para apurar o escândalo do “mensalão”, tema que 
já vinha ocupando os debates da primeira comissão. 
Os trabalhos da CPI do “Mensalão” se estenderiam até novembro de 2005, enquanto 
os da CPI dos Correios só se encerrariam em abril de 2006. Ao longo da crise, 
membros do primeiro escalão do governo foram atingidos: José Dirceu, ministro da 
133 
 
 
Casa Civil e principal articulador político do governo, demitiu-se em junho de 2005 e 
reassumiu o mandato de deputado federal; em julho seguinte Luiz Gushiken afastou-
se da Secretaria de Comunicação. No mesmo mês, José Genoíno renunciou à 
presidência do PT. A CPI dos Correios recomendou a abertura de processo, por 
quebra de decoro parlamentar, contra vários deputados. Jefferson e Dirceu foram 
cassados. Quatro parlamentares renunciaram aos mandatos e outros 12 foram 
absolvidos. 
O presidente Lula negou conhecer os fatos revelados pelas denúncias e apurações, 
por ele definidos como “práticas inaceitáveis”, e fez um pronunciamento à nação, em 
12 de agosto de 2005, no qual afirmou não ter “nenhuma vergonha de dizer ao povo 
brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O 
governo, onde errou, tem que pedir desculpas”. Apesar de toda a repercussão do 
escândalo do “mensalão”, a popularidade do presidente não foi substancialmente 
abalada. Em julho de 2005, no auge das denúncias, as pesquisas indicavam que a 
avaliação do desempenho pessoal do presidente Lula melhorara de maio para julho, 
passando o índice de aprovação de 57,4% para 59,9%. 
Na campanha presidencial, o “mensalão” retornou ao debate, mas novamente ficou 
claro que a maioria dos eleitores não associava as denúncias à figura de Lula. O tema 
central da campanha acabou sendo o das políticas sociais do governo, de tal forma 
aprovadas que mesmo a oposição se comprometia em mantê-las, especialmente no 
que tange ao programa Bolsa Família. 
Lula venceu o primeiro turno, tendo novamente como vice José Alencar, que em 
setembro de 2005 deixara o PL, cuja imagem se havia desgastado pelas denúncias 
de envolvimento no escândalo do “mensalão”, e se filiara ao Partido Municipalista 
Renovador (PMR), pouco depois rebatizado de Partido Republicano Brasileiro (PRB). 
A aliança que sustentou os vencedores envolvia assim o PT, o PRB e o PCdoB. O 
segundo turno foi realizado em 29 de outubro de 2006. Lula venceu mais uma vez, 
com mais de 58 milhões de votos (60,83% dos votos válidos), derrotando novamente 
um candidato do PSDB, o governador licenciado de São Paulo, Geraldo Alckmin. 
A manutenção das altas taxas de popularidade e o resultado final das eleições de 
2006, muito semelhante ao de 2002, atribuídos em grande parte ao sucesso das 
134 
 
 
políticas sociais compensatórias, não significaram, entretanto, uma simples fidelidade 
do eleitorado original de Lula. De acordo com Jairo Nicolau, registrou-se uma 
mudança qualitativa na distribuição dos votos em Lula e no PT em 2006, em relação 
a todas as suas votações anteriores. A vitória esmagadora de Lula na região Nordeste 
e sua votação majoritária nos pequenos municípios, em contraste com as vantagens 
eleitorais anteriores no Sudeste e nas cidades mais populosas, seriam o indicador 
mais claro dessa mudança de perfil da base eleitoral de Lula e, em menor escala, do 
PT. 
 
O segundo governo 
 
No discurso de posse em 1º de janeiro de 2007, no Congresso Nacional, Lula resgatou 
novamente sua trajetória de criança pobre, nordestina, retirante, mas ressaltou que, 
se havia semelhanças entre aquele momento e o de sua chegada à presidência da 
República quatro anos antes, havia também diferenças. Diferenças pessoais, pois se 
via agora como mais experiente e conhecedor dos limites do cargo que ocupava, 
embora continuasse comprometido com mudanças, mas principalmente diferenças 
no país, que chegava a 2007 melhor, “na força da sua economia, na consistência de 
suas instituições e no seu equilíbrio social. Em que momento de nossa história 
tivemos uma conjugação tão favorável e auspiciosa: de inflação baixa; crescimento 
das exportações; expansão do mercado interno, com aumento do consumo popular e 
do crédito; e ampliação do emprego e da renda dos trabalhadores?” Reconhecendo 
problemas em diversas esferas, Lula enfatizava que, se em 2003 a ênfase do discurso 
de posse tinha sido na mudança, agora, em 2007, a ênfase era em aceleração e 
crescimento: “Vamos destravar o Brasil para crescer e incluir de forma mais 
acelerada”. 
O segundo governo manteve muitas das características do primeiro, como a política 
econômica ortodoxa, que continuou a ser comandada por Henrique Meireles no 
Banco Central e Guido Mantega no Ministério da Fazenda. Também o Ministério das 
Relações Exteriores manteve o mesmo comando. Foi a continuidade de uma outra 
colaboradora do primeiro governo de Lula que passou a chamar mais atenção, pela 
135 
 
 
própria ênfase que Lula passou a atribuir à sua figura, logo identificada como a 
candidata preferencial do presidente à sua sucessão. Trata-se
de Dilma Rousseff, 
que fora ministra das Minas e Energia e assumira a chefia da Casa Civil com a queda 
de José Dirceu. 
Foi a ela que Lula entregou a coordenação do Programa de Aceleração do 
Crescimento (PAC), carro-chefe da proposta anunciada em seu discurso de posse. 
Para o PAC, lançado em 28 de janeiro de 2007, foram anunciados investimentos totais 
de 503,9 bilhões de reais até 2020. Outro programa que recebeu destaque no início 
do segundo governo Lula foi o Programa Nacional de Segurança Pública com 
Cidadania (Pronasci), criado sob responsabilidade do Ministério da Justiça, com o 
objetivo de apoiar os governos estaduais na questão da segurança, considerada 
prioritária por boa parte dos eleitores brasileiros nos debates eleitorais de 2006. O 
programa foi constituído por um conjunto de iniciativas referentes a remuneração e 
financiamento para o aperfeiçoamento e treinamento policial, formação de lideranças 
comunitárias e atendimento a jovens em situação de risco, além da construção de 
presídios federais. 
Logo no primeiro ano da nova gestão, o governo enfrentou o desgaste de uma crise 
no setor aéreo nacional, marcada por acidentes com muitas vítimas, problemas no 
sistema de controle do tráfego aéreo e atrasos constantes dos vôos, gerando filas e 
conflitos nos aeroportos. Em maio de 2007, duas CPIs foram instaladas – uma na 
Câmara e outra no Senado – para investigar os motivos do que foi chamado de 
“apagão aéreo”. As investigações resultaram no afastamento de diretores da Agência 
Nacional de Aviação Civil (ANAC) no segundo semestre de 2007, e a situação nos 
aeroportos normalizou-se nos meses seguintes. 
Do ponto de vista da situação econômica, no entanto, os primeiros 20 meses do 
segundo governo Lula mantiveram-se dentro do quadro de estabilidade e crescimento 
que marcara o final de sua primeira gestão presidencial. Os índices de inflação 
haviam caído ao longo dos anos de governo de Lula. Em 2002, a inflação chegara a 
12,53%, caindo para 9,3% no ano seguinte, o primeiro de Lula na presidência. Os 
índices continuaram caindo nos anos seguintes, chegando a 3,14% em 2006 e 4,46% 
em 2007. O crescimento do PIB avançou da taxa de 1,1% em 2003 para 5,7% no ano 
seguinte, patamar novamente alcançado em 2007. Já as taxas de desemprego 
136 
 
 
caíram de 12,32% em 2003 para 7,89% em 2008. O Programa das Nações Unidas 
para o Desenvolvimento (PNUD), em seu Relatório de Desenvolvimento Humano 
(RDH) 2007/2008, classificou o Brasil, pela primeira vez em sua história, entre os 
países com Alto Desenvolvimento Humano, embora o país ocupasse a 70ª. posição 
no ranking das nações avaliadas. As reservas internacionais do país aproximaram-se 
da marca dos 200 bilhões de dólares. Em fevereiro de 2008, tais reservas superaram 
o total da dívida externa e, também pela primeira vez em sua história, o Brasil tornou-
se tecnicamente credor internacional. Enfim, no dia 30 de abril de 2008, a agência de 
classificação de risco Standard and Poors divulgou relatório alterando a classificação 
da dívida externa brasileira de médio prazo. Pouco depois o Brasil foi classificado 
também com um grau de investimento. 
No entanto, no segundo semestre de 2008, a conjuntura global, que havia sido 
favorável ao crescimento brasileiro até então, mudou significativamente. Iniciou-se 
naquele momento uma crise econômica de dimensões globais, que atingiu também a 
economia brasileira. As taxas de desemprego, por exemplo, elevaram-se 
rapidamente, atingindo 8,5% em fevereiro de 2009. Já o PIB passou por dois 
trimestres de queda – o quarto de 2008 e o primeiro de 2009 –, o que caracterizaria 
uma recessão. 
No primeiro momento de eclosão da crise Lula reagiu afirmando que o Brasil 
apresentava um crescimento econômico sólido e pouco seria atingido pela situação 
internacional. Comparando o impacto da crise nos EUA e no Brasil, afirmou, em 
outubro de 2008, que “lá (nos EUA), ela é um tsunami; aqui, se ela chegar, vai chegar 
uma marolinha que não dá nem para esquiar”. Meses depois, reconheceu que a 
situação era mais grave, mas afirmou que o Brasil sairia “fortalecido” da crise. Com a 
recuperação parcial dos indicadores econômicos no início do segundo semestre de 
2009, retomou as avaliações anteriores para dizer que "a crise econômica foi apenas 
uma marolinha para o Brasil, talvez um pouco maior". 
Do ponto de vista das relações internacionais, um dos efeitos da crise foi favorável às 
posições defendidas pelo Brasil: a ampliação dos fóruns multilaterais. As reuniões do 
G-8 (grupo das oito nações mais ricas) foram substituídas em 2009 por reuniões mais 
amplas, do que passou a ser denominado G-20. 
137 
 
 
As políticas aplicadas pelo governo para conter a crise foram baseadas em injeção 
de recursos no setor privado através do Banco Nacional de Desenvolvimento 
Econômico e Social (BNDES), redução de impostos em alguns setores industriais 
importantes, como automóveis e eletrodomésticos, que obtiveram isenção do Imposto 
sobre Produtos Industrializados (IPI) de forma a estimular o consumo dos setores 
médios, e elevação do salário mínimo assim como dos valores do programa Bolsa 
Família, para garantir o poder de compra dos setores de baixa renda. Em meados de 
2009 os efeitos dessas medidas pareciam dar os primeiros sinais positivos, com a 
reversão da tendência de queda do PIB no segundo trimestre do ano e a diminuição 
das taxas de desemprego, que em setembro estavam em 7,7%. 
Tanto o relativo crescimento econômico da maior parte do período 2003-2008, quanto 
o impacto da crise e seu aparente abrandamento no ano de 2009, não significaram a 
resolução do grave quadro de desigualdade social que Lula apontou como principal 
problema brasileiro em vários momentos de sua trajetória política e mesmo quando 
assumiu a presidência da República. E se as políticas sociais por ele postas em 
prática contribuíram para retirar milhares de famílias da pobreza absoluta, também 
não tiveram grande impacto sobre esse quadro. 
No ano de 2009, o Bolsa Família mantinha-se atendendo a mais de 45 milhões de 
pessoas (quase 24% da população total do país). Apesar disso, a melhoria da 
distribuição de renda resultante do crescimento econômico de quase seis anos 
seguidos e de políticas sociais de grande alcance foi muito pequena. No período 
compreendido entre o fim de 2002 e o início de 2008, o índice de Gini (quanto mais 
próximo de 1 pior, mais desigual é a distribuição de renda) da renda do trabalho, ou 
o intervalo entre a média dos 10% mais pobres da população e a média dos 10% mais 
ricos, caiu de 0,543 para 0,505. Uma variação que, embora tenha sido comemorada 
pelo governo, foi pouco significativa, mesmo para analistas comprometidos com as 
políticas então em curso. Segundo o presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas 
Aplicadas (IPEA), Márcio Pochmann, "para um país não ser primitivo, esse índice 
precisa estar abaixo de 0,45". 
No que diz respeito à reforma agrária, bandeira histórica de Lula e do PT, as metas 
previstas pelo II Plano Nacional de Reforma Agrária para cinco anos eram de 550 mil 
novas famílias assentadas e 500 mil regularizações de posses fundiárias. 
138 
 
 
Examinados de forma desagregada os dados oficiais sobre a questão, entre 2003 e 
2007 o governo Lula assentou 163 mil novas famílias (30% do previsto) e regularizou 
a situação de 113 mil (23% da meta). 
Esses dados explicam, em grande medida, por que a concentração fundiária, apurada 
pelo Censo Agropecuário do IBGE de 2006, piorou no Brasil desde 1995 (data do 
censo anterior). O índice de Gini da estrutura agrária brasileira (quanto mais próximo 
de 1, maior a concentração de terras) passou de 0,856 em 1995 para 0,872 em 2006. 
Assim, no ano desse último censo, os estabelecimentos com mais de mil hectares de 
terra ocupavam 43% da área total das propriedades rurais no Brasil, enquanto os que 
possuíam menos de 10 hectares
ocupavam menos de 2,7% da área total das 
propriedades. Os estabelecimentos classificados como pequenos ocupavam menos 
de 30% do total das áreas, mas respondiam por 84% das pessoas empregadas na 
agricultura. 
Outra área importante do ponto de vista social, a da educação, foi alvo de diversas 
políticas específicas do governo Lula em seus dois mandatos. No caso da educação 
básica, o governo apresentou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), 
elaborado a partir do “Compromisso Todos pela Educação”, formulado por fundações 
e ONGs como a Fundação Roberto Marinho, a Fundação Ayrton Sena e a Fundação 
Abrinq. Entre seus objetivos encontravam-se o estabelecimento de um piso salarial 
nacional para os professores e a criação de mecanismos de avaliação dos estudantes 
como o “prova Brasil” e o “provinha Brasil”. 
Já na educação superior, o governo implementou, no setor privado, o Programa 
Universidade para Todos (ProUni), criado pela Lei nº 11.096/2005. O programa possui 
como finalidade explícita a concessão de bolsas de estudos integrais e parciais a 
estudantes de cursos de graduação e de cursos sequenciais de formação específica, 
em instituições privadas de educação superior. Cotas de vagas no programa para 
negros e indígenas são garantidas, na proporção ocupada por essas populações em 
cada estado da Federação. As instituições privadas de ensino que aderem ao 
programa recebem isenção de tributos. A isenção de tributos foi estimada na época 
da aprovação do programa em até 2 bilhões de reais ao ano, que se somam a cerca 
de 1 bilhão destinado ao Financiamento Estudantil (FIES), antes chamado de crédito 
educativo. O número de bolsas criado pelo programa foi de 112 mil em 2005 e, em 
139 
 
 
2009, atingia cerca de 248 mil. 
No setor público, particularmente nas instituições federais de ensino superior, o 
Ministério da Educação implantou, a partir de 2007, um programa de reestruturação 
denominado ReUni. Seu objetivo é dobrar as matrículas na rede universitária federal, 
através da ampliação de vagas nos vestibulares, da diminuição da evasão e da 
redução do tempo de formação nos cursos de graduação dessas instituições. Para 
efetivá-lo o governo apresentou como contrapartida às instituições a realização de 
concursos públicos para docentes e servidores técnico-administrativos e a 
transferência de até 7,2 bilhões de reais, num período de cinco anos, para a 
construção de novas instalações, condicionando a transferência das verbas ao 
cumprimento de metas estabelecidas em acordos firmados por cada universidade 
com o Ministério da Educação. 
Apesar dos limites do crescimento econômico e das políticas sociais no que diz 
respeito à desigualdade social, e passado o período mais crítico do impacto da crise 
econômica no Brasil, a popularidade do presidente Lula continuou em alta. 
Pesquisas de setembro de 2009 indicaram que Lula possuía 69% de aprovação 
(governo considerado ótimo ou bom). O desafio a que Lula se lançou, ao longo de 
2009, foi o de transferir essa popularidade para a candidata por ele preferida à sua 
sucessão, a ministra Dilma Rousseff, apelidada de “mãe do PAC”, programa que se 
constituiu como a vitrine da aceleração do crescimento por ele prometida nos 
discursos iniciais do segundo governo. 
A ligação entre Lula e Dilma foi fundamental para que a imagem da candidata se 
fortalecesse e a candidatura petista à presidência da República tomasse corpo. De 
acordo com o portal G1 de notícias, números do IBOPE apontavam que, em fevereiro 
de 2010, Dilma tinha 25% das intenções de voto contra 36% de José Serra, do PSDB. 
O portal apurou ainda que em agosto, após o lançamento oficial da candidatura petista 
e da vinculação da imagem de Lula à Dilma, a candidata passou a ter 51% das 
intenções de voto, contra 27% do tucano. 
Lula participou ativamente da campanha de Dilma pelo Brasil, marcando presença 
em comícios, atuando no corpo a corpo e mantendo presente sua imagem em 
programas eleitorais de TV, além de ter atuado pela criação de uma vasta aliança 
140 
 
 
partidária para a candidatura petista à reeleição presidencial, que inicialmente contou 
com o apoio do PSB, do PC do B e do PMDB, que indicou Michel Temer como vice 
na chapa petista. Dilma liderou o primeiro turno, quando foi votada por 46, 91% dos 
eleitores, derrotando seus dois principais adversários: o tucano José Serra, eleito para 
o segundo turno com 32, 61% dos votos, e Marina Silva, do PV, terceira colocada 
com 19, 33% dos votos. 
A primeira pesquisa de intenção de votos para o segundo turno mostrava uma disputa 
acirrada. Números apurados pelo Instituto Datafolha revelaram vantagem de 6% do 
PT sobre o PSDB, com 49% das intenções de voto para Dilma e 43% para Serra. 
Durante o acirramento da disputa, novas alianças se formaram à campanha petista, 
que chegou a contar com o apoio de 11 partidos. A candidata petista, por sua vez, 
nunca deixou de enfatizar sua estreita ligação com o presidente e de ressaltar que, 
em seu mandato, daria continuidade às principais diretrizes consolidadas no governo 
Lula. No pleito de 31 de outubro, Dilma Rousseff tornou-se a primeira mulher eleita 
presidente do Brasil, com 56, 05% dos votos válidos. 
Uma pesquisa realizada pelo IBOPE a partir da solicitação da Confederação Nacional 
da Industria (CNI) e publicada pela imprensa em meados de dezembro de 2016 
revelou que, no último mês de seu mandato, Lula bateu recordes de popularidade, 
tendo obtido 87% de aprovação entre entrevistados de 140 municípios do país, com 
melhor índice de avaliação na região Nordeste, seguida das regiões norte e Centro-
Oeste, Sudeste e Sul, respectivamente. No dia 1º de janeiro de 2011, numa cerimônia 
acompanhada por cerca de 30 mil pessoas em Brasília, Lula transmitiu o cargo à 
Dilma que, durante seu discurso de posse, novamente citou a importância do agora 
ex-presidente na formação do seu posicionamento político, assinalando: "A maior 
homenagem que posso prestar a ele é ampliar e avançar as conquistas do seu 
governo. Reconhecer, acreditar e investir na força do povo foi a maior lição que o 
presidente Lula deixou para todos nós." 
 
 
35. Início do governo de Dilma Rousseff 
 
141 
 
 
 Em 1 de janeiro de 2011 Dilma Rousseff tomou posse na Presidência da Republica, 
junto com o vice-presidente eleito Michael Temer (PMDB). Nesse mesmo dia, Dilma 
deu posse ao seu ministério. Composto por 37 ministros, estava assim subdividido, 
petistas: Antonio Palocci (Casa Civil), José Eduardo Cardoso (Justiça), Guido 
Mantega (Fazenda), Mirian Belchior (Planejamento), Gilberto Carvalho (Secretaria-
Geral), Fernando Haddad (Educação), Paulo Bernardo (Comunicações), Fernando 
Pimentel (Desenvolvimento), Aluisio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Ideli Salvatti 
(Pesca), Maria do Rosário (Direitos Humanos), Alexandre Padilha (Saúde), Jorge 
Hage (Controladoria-Geral da União), Tereza Campello (Desenvolvimento Social), 
Luiz Sérgio (Relações Institucionais), Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário), 
Ana de Hollanda (Cultura), Luis Inácio Adams (Advocacia-Geral da União), Iriny Lopes 
(Secretaria de Política para Mulheres); peemedebistas: Nelson Jobim (Defesa), 
Wagner Rossi (Agricultura), Edson Lobão (Minas e Energia), Garibaldi Alves 
(Previdência), Pedro Novais (Turismo), Moreira Franco (Assuntos Estratégicos); 
demais componentes da base aliada: PR - Alfredo Nascimento (Transportes), PDT - 
Carlos Luppi (Trabalho), PCdoB - Orlando 
Silva (Esportes), PP - Mário Negromonte (Cidades), PSB - Fernando Bezerra Coelho 
(Integração Nacional) e Leônidas Cristino (Portos). Dentre os chamados ministros 
técnicos estavam: Alexandre Tombini (Banco Central), Helena Chagas (Secretaria de 
Comunicação da Presidência), Antônio Patriota (Relações Exteriores), Isabela 
Teixeira (Meio Ambiente), Luiza Barros (Igualdade Racial), José Elito Carvalho 
Siqueira (Gabinete de Segurança Institucional).
O novo governo começou com a saída de Henrique Meirelles da presidência do Banco 
Central, depois de oito anos à frente da instituição. Dilma optou pela permanência de 
Guido Mantega à frente do Ministério da Fazenda, apesar das persistentes críticas do 
mercado financeiro e de diversos analistas econômicos. 
Em evento na cidade de São Paulo, contrariando a opinião de setores do partido 
favoráveis à regulamentação da imprensa, Dilma declarou que a imprensa livre era 
imprescindível para a democracia. 
 Logo no início de sua gestão, a presidente lançou o programa Plano Brasil Sem 
Miséria para atingir uma das principais metas de seu governo, que era a de tirar 16,2 
142 
 
 
milhões de pessoas da pobreza extrema. O programa era uma ampliação do Bolsa 
Família. A presidente também continuou as ações de seu antecessor como o Minha 
Casa, Minha Vida, que subsidiava a compra de moradia popular. A meta era subsidiar 
dois milhões de casas até 2014. 
Antes de completar um ano de governo, sete ministros saíram, sendo que seis deles 
por acusações de corrupção. O primeiro a deixar o governo em 8 de junho foi Antonio 
Palocci (PT/SP), suspeito de enriquecimento ilícito, teria multiplicado seu patrimônio 
em 20 vezes nos quatro anos anteriores; foi substituído pela senadora por Gleisi 
Hoffman (PT/PR). No mês seguinte, foi a vez de Alfredo Nascimento (PR/AM), sua 
saída se deu por denúncias de que construtoras e consultorias de projetos de obras 
em rodovias e ferrovias teriam pagado propina para a cúpula do PR, que controlava 
a pasta dos Transportes. Em agosto, Wagner Rossi (PMDB/SP), perdeu a pasta da 
Agricultura, suspeito de receber propina e usar dinheiro público para sanar dívidas 
privadas. Orlando Silva (PCdoB/SP) saiu em outubro, por denúncias de envolvimento 
em um esquema de corrupção por meio do Programa Segundo Tempo. Pedro Novais 
(PMDB/MA) renunciou depois que irregularidades na pasta levaram à prisão 38 
pessoas na Operação Voucher, após a descoberta de desvio de cerca de R$ 4,5 
milhões destinados ao treinamento de profissionais da área de turismo no Amapá. Em 
novembro foi a vez de Carlos Luppi (PDT/RJ), acusado de viajar no avião de uma 
ONG que tinha contrato com o ministério. Apenas o ministro Nelson Jobim 
(PMDB/RS) deixou o governo em agosto por declarações feitas à imprensa com 
críticas a ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann. Entretanto, o ministro Fernando 
Pimentel (PT/MG), titular da pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, 
chamado ao Senado para esclarecer denúncias de que teria se beneficiado de tráfico 
de influências para realizar consultorias milionárias, acabou não respondendo ao 
Senado e permanecendo no cargo. No inicio de 2012, Mario Negromonte (PP/BA), 
ministro das Cidades, deixou a pasta acusado de uma série de denúncias desde sua 
posse no cargo. A forma com que Dilma lidou com esses episódios fez que a 
população passasse a vê-la como responsável pela faxina ética contra a corrupção. 
Isso se refletiu na aprovação de seu governo por parte de 59% da população. 
 No início do mandato, Dilma tirou aproveito do capital político do ex-presidente Lula 
em suas relações com o Congresso. O PT tinha a maior bancada na Câmara dos 
Deputados, composta por 88 deputados. E controlava 15 cadeiras do Senado, cinco 
143 
 
 
a menos que o PMDB. Ao longo do mandato, Dilma precisou conter resistências da 
base aliada, em partidos como o PR e PMDB. Os parlamentares aliados reclamavam 
que não eram recebidos pela presidente; como as queixas foram se tornando cada 
vez mais freqüentes, o governo resolveu trocar o então ministro das Relações 
Institucionais, Luiz Sergio (PT/RJ), por Ideli Salvatti (PT/SC). Já a oposição acusava 
Dilma de governar por decreto, o numero de medidas provisórias editadas pelo 
Executivo nos quatro anos do primeiro mandato foram mais de 140 MPs, apenas uma 
foi revogada. 
No primeiro ano de governo a economia já dava sinais de desaceleração, depois de 
o PIB brasileiro ter crescido 7,5% em 2010, o maior avanço desde 1986. Em 2011, o 
PIB cresceu 2,7%, bem menos que a projeção feita de 5,5%. O dado favorável era 
que o emprego formal se mantinha em alta, apenas 5% da população 
economicamente ativa estava desempregada. Outra medida conquistada por Dilma 
foi a Emenda à Constituição 68/2011, que prorrogava a Desvinculação de Receitas 
da União (DRU) até 31 de dezembro de 2015; com isso o Executivo ficaria autorizado 
a movimentar mais livremente até 20% das receitas das contribuições sociais, 
excetuando as previdenciárias. 
Em relação à política externa, Dilma iniciou sua gestão com algumas mudanças, uma 
delas foi relacionada às questões dos direitos humanos do Irã, deixando claro que o 
governo estaria disposto a mudar o padrão de votação do Brasil em resoluções que 
tratassem das violações aos direitos humanos. Houve também uma maior 
aproximação com a Argentina, buscando maior integração comercial e incentivando 
a relação produtiva pela transferência de unidades de grandes empresas brasileiras 
para o país vizinho. 
No inicio de 2012, algumas mudanças no ministério: Fernando Haddad deixou a 
Educação para disputar a prefeitura da cidade de São Paulo, sendo substituído por 
Aluísio Mercadante. Iriny Lopes deixou a Secretaria de Política para Mulheres para 
disputar a prefeitura de Vitória (ES), que passou a ser ocupada por Eleonora 
Menicucci. Para dar maior participação a um pequeno partido aliado do governo, Luís 
Sérgio cedeu seu lugar para Marcelo Crivella, do Partido Republicano Brasileiro 
(PRB), que assumiu a Ministério da Pesca. Pepe Vargas (PT/RS) substituiu Afonso 
Florence no Ministério de Desenvolvimento Agrário. E em setembro, depois de 
144 
 
 
receber diversas críticas, Ana de Hollanda deixou a pasta da Cultura, quem assumiu 
foi a senadora Marta Suplicy. 
Em fevereiro de 2012, o governo Dilma concedeu à iniciativa privada o controle de 
três aeroportos brasileiros: o consórcio Invepar venceu a disputa pelo aeroporto de 
Guarulhos, o aeroporto de Viracopos ficou com o grupo Aeroportos Brasil, e o grupo 
Inframerica Aeroportos ficou com o Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília. A 
concessão do aeroporto de Campinas deveria durar 30 anos, o de Brasília 25 anos e 
o de Guarulhos, 20. A Infraero, empresa estatal, permaneceria com até 49% do capital 
de cada aeroporto. 
 No segundo ano de mandato, Dilma sancionou a Lei de Acesso à Informação, que 
obrigava órgãos públicos a prestarem informações sobre suas atividades a qualquer 
cidadão interessado, e valeria para todo o serviço público do país. Essa lei acabava 
com o sigilo eterno de documentos públicos e estabelecia prazo máximo de 50 anos 
para que as informações classificadas pelo governo como ultra-secretas fossem 
mantidas em segredo. 
 Foi instalada a Comissão Nacional da Verdade, em maio. Por dois anos e sete meses, 
a comissão apurou violações dos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988. O 
relatório final responsabilizou 377 pessoas por crimes como tortura e assassinato. A 
comissão não tinha poder de punição, mas recomendou a abertura de processos 
judiciais. 
 Ainda em 2012, Dilma sancionou, com nove vetos, a lei que alterou o Código 
Florestal. Um dos principais objetivos foi o preservar a vegetação e recuperar parte 
do que tinha sido desmatado. Dois anos após a aprovação, o governo publicou as 
regras para inscrição no Cadastro Ambiental Rural, a fim de permitir o controle e 
planejamento de áreas rurais e fornecer informações para o combate ao 
desmatamento. 
 Em novembro, o governo da presidente Dilma sofreu um abalo com a prisão seis 
pessoas pela Polícia Federal, entre elas, dois diretores de agencias reguladoras, 
acusados de vender pareceres técnicos do governo para empresas. No centro da 
denúncia estava a assessora da Presidência da República, Rosemary de Noronha, 
ligada ao ex-presidente Lula, que foi apontada
como o elo entre os agentes públicos 
145 
 
 
e privados. 
Dilma chegou ao final de 2012 com a popularidade em alta devido, principalmente, às 
medidas como a desoneração do setor automobilístico e a redução das contas de luz. 
O governo publicou a MP 579, com renovação antecipada das concessões de energia 
e a redução de encargos, o que proporcionou uma redução média de 20% na tarifa 
de energia. No entanto, já em 2012 apagões em diferentes regiões do país sugeriam 
falta de investimentos do setor. 
A presidente começou o terceiro ano do mandato enfrentando a desaceleração 
econômica. Em 2012 a economia cresceu 0,9% e em 2013 se recuperou um pouco, 
cresceu 2,3%, impulsionada pela alta de investimentos. Para enfrentar a situação o 
governo apelou para medidas de desoneração tanto do setor produtivo quanto para 
os consumidores. Pacotes de estímulos fiscais e financeiros foram lançados contra 
os gargalos de infra-estrutura como nas entradas e portos. A redução de impostos, 
que começou no governo Lula como forma de estimular o crescimento do país, 
passou a ser mais intensa durante o primeiro mandato de Dilma. 
Em junho de 2013, uma onda de protestos tomou conta das principais cidades do país 
contra o aumento das tarifas de transporte público. As manifestações também 
criticavam a corrupção e os gastos com a Copa do Mundo que aconteceria no ano 
seguinte; a pauta de reivindicações incluía desde investimentos na saúde e educação 
até a preservação dos poderes investigatórios do Ministério Público. Dilma, em 
pronunciamento em rede nacional, anunciou cinco pactos para atender aos pedidos: 
responsabilidade fiscal, reforma política, saúde, transporte e educação, além de um 
plebiscito para uma reforma constituinte. O único pacto cumprido foi o da saúde, com 
a criação do Programa Mais Médicos. A medida incentivava médicos brasileiros e 
estrangeiros a trabalhar em áreas carentes das periferias das grandes cidades e no 
interior do país. A chegada de médicos estrangeiros, principalmente cubanos, 
provocou vários protestos. Organizações de representantes do Conselho Federal de 
Medicina (CFM), da Associação Médica Brasileira (AMB), da Federação Nacional dos 
Médicos (Fenam) e de organizações estudantis acusaram o governo de tentar 
transferir a responsabilidade pelos problemas do Sistema Único de Saúde (SUS) para 
os profissionais da área. Outra crítica foi quanto à liberação dos estrangeiros de 
validarem o diploma por meio de um exame: eles teriam uma avaliação distinta e, se 
146 
 
 
fossem aprovados, receberiam um registro provisório com validade apenas para 
atuação dentro do Programa. Alguns meses depois, a maioria da população aprovava 
a iniciativa. 
No final de agosto, o ministro Antônio Patriota foi demitido em virtude do turbulento 
processo de fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina de La Paz (Bolívia) para 
Corumbá (MT), em território brasileiro, no qual estiveram envolvidos integrantes do 
Ministério das Relações Exteriores. Foi substituído no cargo por Luís Alberto 
Figueiredo. Já Patriota foi nomeado para chefiar a Delegação Brasileira na 
Organização das Nações Unidas (ONU). 
Em 2013, a presidente montou uma operação para evitar problemas com o PMDB e 
outros partidos da base aliada para não prejudicar a campanha à reeleição em 2014. 
A estratégia servia principalmente para acabar as querelas entre o Palácio do Planalto 
e o PMDB, e incluía liberar dinheiro das emendas parlamentares e apoiar mudanças 
na tramitação das medidas provisórias para não afogar o Senado. 
Dilma sancionou em setembro a lei 12.858 aprovada no Congresso que destinava 
75% dos royalties da exploração do petróleo para a educação e 25% para a saúde. A 
proposta original do governo dava 100% dos recursos para a educação, mas foi 
alterada pela Câmara dos Deputados. 
Nesse mesmo mês, a presidente Dilma decidiu cancelar sua viagem oficial aos 
Estados Unidos marcada para 23 de outubro, após suspeita de espionagem 
envolvendo o governo americano. A seguir, foi instalada uma CPI no Senado Federal 
para investigar denúncias de espionagem pelos Estados Unidos a e-mails, 
telefonemas, e dados digitais do Brasil. O mal-estar só foi solucionado em um 
encontro de Dilma com o presidente americano Barack Obama durante a reunião do 
G20, em São Petersburgo, Rússia. 
A redução dos preços de energia em 2012 ajudou a segurar a inflação em 2013, ano 
em que também foram suspensos reajustes de ônibus, após as manifestações. Só 
que esses preços represados em algum momento teriam que ser repassados. Assim, 
a inflação foi de 5,91% em 2013. 
Em abril de 2014, a presidente Dilma sancionou a lei que estabeleceu um marco civil 
147 
 
 
para a internet, durante o Encontro Global Multissetorial sobre o Futuro da 
Governança da Internet - NET Mundial, em São Paulo. Entre as conquistas dos 
usuários, estavam a neutralidade da rede e a proteção do sigilo tanto dos dados 
quanto da navegação, que não poderia ser vendida pelos provedores para marketing 
dirigido, por exemplo. A lei só seria regulamentada quase dois anos depois de entrar 
em vigor. 
Em final de abril, dois partidos da base aliada (PR e PSD) lançaram dúvidas sobre a 
capacidade de Dilma de manter a coalização partidária montada para sustentar sua 
campanha de reeleição. Dilma esperava ter a seu lado 11 partidos em sua campanha 
de reeleição e, com isso, dispor de cerca de 10 minutos em cada bloco do horário de 
propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Essa movimentação dos partidos 
expunha a fragilidade da presidente e estimulava os defensores da volta de Lula à 
disputa eleitoral, apoiada por uma grande parte do PT. No inicio de maio, durante o 
14º. Encontro Nacional do PT, em São Paulo, apesar da expectativa de lançamento 
da candidatura de Lula por uma expressiva ala do partido, o presidente da legenda, 
Rui Falcão, anunciou a campanha para a reeleição de Dilma. 
A presidente Dilma sancionou em junho de 2014, sem vetos, o Plano Nacional de 
Educação (PNE), que estabeleceu 20 metas e estratégias para o setor por 10 anos. 
Entre as principais medidas estavam o investimento de 10% do PIB em educação, a 
erradicação do analfabetismo absoluto e a universalização da educação infantil e dos 
ensinos fundamental e médio. Dos 21 objetivos de curto prazo, apenas um foi atingido 
– a criação de um fórum para acompanhar a evolução salarial dos professores. 
 Novos protestos ocorreram durante a Copa do Mundo em 2014. Dilma foi alvo de 
vaias e xingamentos durante a abertura do evento em São Paulo. Os protestos foram 
contra os gastos com estádios de futebol, em detrimento dos serviços públicos. O 
evento, que ocorreu sem maiores problemas, foi saudado como um grande sucesso, 
apesar do fracasso da Seleção Brasileira. Mas os grandes gastos com a realização 
do torneio e o atraso na entrega de obras de infraestrutura, especialmente de 
mobilidade urbana, foram apontados pelos críticos do governo. 
Evidências de que a compra de uma refinaria em Pasadena, no Texas, teria sido 
desastrosa para a Petrobras na época em que Dilma ainda era ministra das Minas e 
148 
 
 
Energia do governo Lula e presidente do Conselho Administrativo da estatal levaram 
os senadores da oposição a pedirem a instalação de CPI no final do primeiro 
semestre. Em seguida, a Operação Lava-Jato da Polícia Federal - que investigava o 
esquema de corrupção na Petrobras -, ligaria recursos desviados da estatal a 
pagamento de propinas no Congresso. As delações premiadas do ex-diretor da 
Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef deixaram o mundo 
político em suspense. Manobras para evitar o desgaste de uma CPI em um ano 
eleitoral levaram o caso até o Supremo Tribunal Federal. Duas CPIs foram criadas: 
uma exclusiva do Senado e uma mista. Após meses de investigação, a CPI mista 
aprovou o relatório do deputado Marco Maia (PT/RS), que pedia o indiciamento de 52
pessoas e reconhecia prejuízo de US$ 561,5 milhões na compra da refinaria. As 
ações da empresa despencaram. 
Com o avanço da Operação Lava Jato, cresceram os indícios de desvio de dinheiro 
público e superfaturamento nas obras dos estádios da Copa, o que aumentou a 
impopularidade do governo. Os desdobramentos da Lava Jato, que acabou se 
transformando na maior investigação da história do país, atingiram a Petrobras, os 
principais partidos políticos e figuras políticas nacionais, da base e da oposição. 
Longe do fim, a operação desestabilizou de forma irreversível o governo Dilma, 
resultou na prisão dos maiores empreiteiros do país e disseminou o uso da delação 
premiada como instrumento de investigação. 
 Após crescer nos três primeiros anos, os sinais de desgaste ainda no primeiro 
mandato trouxeram uma das maiores recessões da história brasileira, com cinco 
trimestres consecutivos de encolhimento da economia; só em 2015 o PIB recuou 
3,8%. A inflação disparou com o “tarifaço” de energia elétrica após a eleição de 2014, 
ultrapassando os dois dígitos, após o governo ter reduzido o preço da conta de luz 
em 18% para o consumidor e até 32% para as indústrias. O desemprego teve alta de 
16 meses consecutivos, somando mais de 11 milhões de desempregados. O crédito 
secou, os juros subiram, a população perdeu poder de compra e a arrecadação 
despencou, criando uma grave crise fiscal. 
Em 2012, a balança comercial brasileira registrou um superávit (exportações menos 
importações) de US$ 19,43 bilhões. Frente ao ano de 2011, quando o saldo positivo 
somou US$ 29,79 bilhões, foi registrada uma queda de 34,75%, o pior desempenho 
149 
 
 
em 10 anos. Nos anos seguintes, os resultados seriam ainda mais fracos: em 2013, 
a balança comercial brasileira teve superávit de US$ 2,56 bilhões, e em 2014, foi 
contabilizado um déficit (importações maiores do que exportações) de US$ 3,93 
bilhões, o primeiro desde o ano de 2000. 
Sob efeito da Lava Jato e dos primeiros indícios de crise econômica, o Brasil viveu 
em outubro de 2014 uma das mais acirradas disputas presidenciais da história e cheia 
de imprevistos, como a morte do candidato do PSB, Eduardo Campos, que estava 
em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de votos, e sua substituição pela 
candidata a vice Marina Silva. Dilma da coligação Com a Força do Povo derrotou, em 
segundo turno, o senador Aécio Neves (PSDB/MG) da coligação Muda Brasil por 
diferença de 3,4 milhões de votos. O PSDB pediu uma auditoria do pleito, e a seguir 
o partido denunciou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abuso de poder político e 
econômico e fraude na campanha presidencial do PT. 
A evolução da crise na Petrobras e a piora de indicadores econômicos como o PIB e 
o resultado fiscal formam o cenário pós-eleições. Para acalmar o mercado, Dilma 
antecipou os nomes de sua nova equipe econômica: Joaquim Levy, com passagens 
pelo governo federal e então executivo do Bradesco, foi anunciado como o novo 
ministro da Fazenda. Levy logo anunciou que teria como objetivo estabelecer uma 
meta de superávit primário - economia para pagar os juros da dívida -, para os três 
primeiros anos de sua gestão, que seria 1,2% do PIB em 2015 e de pelo menos 2% 
em 2016 e 2017; acenou com a possibilidade de cortes no orçamento e pediu o apoio 
da iniciativa privada para que a economia voltasse crescer. No Planejamento, a 
escolha recaiu sobre Nelson Barbosa, também com longa experiência no governo. 
Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, foi convidado a permanecer no 
cargo. Desafiados a conter os gastos públicos, eles sinalizariam medidas em nome 
da austeridade. 
Dilma Rousseff tomou posse do cargo de Presidente da República para o seu 
segundo mandato no dia 1 de janeiro de 2015, em sessão solene na Câmara dos 
Deputados, com a presença do presidente do Senado, Renan Calheiros, do 
presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do presidente do STF, Ricardo 
Lewandowski. Na ocasião, anunciou o lema do seu novo governo: "Brasil, Pátria 
Educadora”. 
150 
 
 
Em seguida, a presidente deu posse a seu ministério. Permaneceram nos cargos os 
ministros Aluízio Mercadante, da Casa Civil, Arthur Chioro, da Saúde, José Eduardo 
Cardozo, da Justiça, Ideli Salvatti, da Secretaria de Diretos Humanos - esta sob o 
protesto de uma ala do PT que preferia um nome mais ligado ao tema, e José Elito 
Carvalho Siqueira do Gabinete de Segurança Institucional. Além disso, Izabella 
Teixeira seguiu no Ministério do Meio Ambiente, Guilherme Afif Domingos ficou na 
Secretaria da Micro e Pequena Empresa e Eleonora Menicucci permaneceu à frente 
da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Os outros nomes do ministério eram 
Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Kátia Abreu (PMDB), Cidades - Gilberto 
Kassab (PSD), Ciência, Tecnologia e Inovação - Aldo Rebelo (PCdoB), 
Comunicações - Ricardo Berzoini (PT), Controladoria-Geral da União - Valdir Simão, 
Cultura - Juca Ferreira (PT), Defesa - Jaques Wagner (PT), Desenvolvimento, 
Indústria e Comércio Exterior - Armando Monteiro (PTB), Desenvolvimento Agrário - 
Patrus Ananias (PT), Desenvolvimento Social e Combate à Fome - Tereza Campello 
(PT), Educação - Cid Gomes (Pros), Esporte - George Hilton (PRB), Integração 
Nacional - Gilberto Occhi (PP), Minas e Energia - Eduardo Braga (PMDB), Pesca e 
Aquicultura - Helder Barbalho (PMDB), Previdência Social - Carlos Gabas (PT), 
Relações Exteriores - Mauro Luiz Iecker Vieira, Secretaria de Assuntos Estratégicos 
- Marcelo Neri, Secretaria de Aviação Civil - Eliseu Padilha (PMDB), Secretaria de 
Comunicação Social - Thomas Traumann, Secretaria de Políticas de Promoção da 
Igualdade Racial - Nilma Lino Gomes, Secretaria dos Portos - Edinho Araújo (PMDB), 
Secretaria de Relações Institucionais - Pepe Vargas (PT), Secretaria-Geral da 
Presidência - Miguel Rossetto (PT), Trabalho e Emprego - Manoel Dias (PDT), 
Transportes - Antonio Carlos Rodrigues (PR), Turismo - Vinicius Lages (PMDB). 
Já nos primeiros meses de governo Dilma as mudanças ministeriais tiveram início. 
Roberto Mangabeira Unger assumiu a Secretaria de Assuntos Estratégicos no lugar 
de Marcelo Neri. Em seguida, Cid Gomes deixou a pasta da Educação devido a uma 
discussão com deputados, foi sucedido pelo professor Renato Janine Ribeiro. Já 
Edinho Silva (PT) assumiu a Secretaria de Comunicação Social. Em abril, Henrique 
Eduardo Alves substituiu Vinicius Lages no Turismo. O vice-presidente Michael Temer 
foi nomeado articulador político do governo, após as manifestações ocorridas no mês 
anterior, quando milhares de pessoas foram às ruas pedindo a saída de presidente 
Dilma. Com isso, foi extinto o cargo de ministro da Secretaria de Relações 
151 
 
 
Institucionais, ocupado pelo deputado Pepe Vargas e as funções dessa secretaria 
passaram para a vice-presidência. O objetivo do governo seria melhorar sua já 
desgastada relação com o Congresso e, principalmente, com o PMDB. Pepe Vargas 
assumiu a Secretaria de Direitos Humanos. 
Em relação à economia, Joaquim Levy adotou medidas de ajuste fiscal, como as 
Medidas Provisórias 664 e 665, que modificavam as regras de concessão de 
benefícios trabalhistas e previdenciários. Essas medidas desagradaram vários 
setores da sociedade; além de parlamentares do próprio PT e centrais sindicais. O 
ministro da Fazenda alegou que eram fundamentais para a volta do crescimento do 
país. A produção industrial brasileira que tinha crescido 2,1% em 2013, recuou 3,2% 
em 2014; em março de 2015 teve queda de 3,5%, acumulando no ano retração de 
5,9% , segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O 
volume de vendas do comércio varejista, que teve expansão de 3,6% em 2013, caiu 
1,7% em 2014 e 7,5% nos primeiros meses de 2015. O mercado de trabalho estava 
em queda, foram fechadas 97.828 vagas de emprego formais, em abril, o pior 
resultado desde 1992. No primeiro bimestre
de 2015, as exportações registraram 
queda de 16,4% e as importações de -15,7%. A dívida bruta externa do país subiu a 
US$351,1 bilhões. As duas medidas provisórias foram sancionadas pela presidente 
Dilma em meados de junho. 
Na ocasião, o índice de aprovação do governo vinha apresentando uma queda 
acentuada. Registrou 13%, o pior desde o início de seu primeiro mandato, sendo que 
62% dos entrevistados avaliaram o governo de Dilma como ruim ou péssimo. 
Em julho de 2015, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), proclamou 
seu rompimento formal com o governo, agravando a crise política. Após esse anúncio, 
Michael Temer procurou acalmar os ânimos, alegando que a atitude de Cunha era 
isolada e não representava uma posição partidária. Entretanto, logo depois o vice-
presidente deixou a função que exercia de articulador político, alegando ter sofrido 
boicote em seu trabalho, passando essa responsabilidade para seu aliado o ministro 
da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB/RS). Temer tinha se reunido 
dias antes com o ex-presidente Lula e lideranças do PMDB, na tentativa de uma maior 
aproximação entre o partido e o governo. 
152 
 
 
Em seguida, com objetivo de dar mais equilíbrio à coalização do governo, Dilma fez 
uma reforma ministerial no início de outubro, cortando oito das 39 pastas e ampliando 
o espaço do PMDB, que passou de seis para sete ministérios, incluindo a pasta da 
Saúde; já eram ocupados por integrantes do partido os ministérios da Ciência, 
Tecnologia e Inovação, dos Portos, Agricultura, Minas e Energia, Turismo e Secretaria 
de Aviação Civil. O PT, partido da presidente Dilma, ficou com o comando de nove 
pastas. Os partidos PTB, PSD, PP, PRB, PR, PCdoB e PDT teriam o comando de 
uma pasta cada. Outros oito ministérios seriam chefiados por ministros sem partido, 
de perfil técnico. Houve a redução de 39 para 31 ministérios, com a fusão de algumas 
pastas e extinção de outras. A Secretaria da Pesca foi para Agricultura. O Gabinete 
de Segurança Institucional perdeu o status de ministério, e a Secretaria de Assuntos 
Estratégicos foi extinta. A Secretaria-Geral se uniu à de Relações Institucionais e 
passou a ser chamada Secretaria de Governo, ficando responsável pelo Gabinete de 
Segurança Institucional, e pela Secretaria da Micro e Pequena Empresa. O Ministério 
das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos seria resultado da fusão das 
secretarias de Direitos Humanos, de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e de 
Políticas para Mulheres. 
Ainda em outubro, o plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou ao 
Congresso a reprovação das contas do governo Dilma de 2014. Para os ministros, ao 
adotar manobras para aliviar as contas públicas - as chamadas “pedaladas fiscais”-, 
e editar decretos para créditos suplementares sem autorização do Congresso, a 
presidente Dilma desrespeitou a Lei de Responsabilidade Fiscal. 
Em 2 de dezembro de 2015, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha 
acatou um dos pedidos de abertura do processo de impeachment contra a presidente 
Dilma. A ação protocolada em outubro foi elaborada pelos juristas Miguel Reale Jr., 
Janaína Conceição Paschoal e Hélio Bicudo e subscritos por três líderes de 
movimentos populares que articularam as manifestações ocorridas em várias cidades 
do país; eram eles Kim Patroca Kataguiri (Movimento Brasil Livre – MBL), Rogério 
Chequer (Vem pra rua) e Carla Zambelli Salgado(Movimento contra a corrupção). 
Nesse pedido os denunciantes formularam a acusação de crime de responsabilidade 
contra a presidente Dilma com base no artigo 85 da Constituição Federal e na Lei 
1.079/1950. O argumento principal dizia respeito à violação, por parte da presidente, 
de leis relativas ao orçamento e ao controle fiscal, como a Lei de Diretrizes 
153 
 
 
Orçamentárias (LDO) e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Essa violação teria 
sido cometida com a edição de decretos de créditos suplementares sem a aprovação 
do Congresso Nacional e a realização de operação de crédito com instituição 
financeira controlada pela União, as chamadas “pedaladas fiscais” – que constituíam 
no atraso de pagamento ao Banco do Brasil por subsídios agrícolas referentes ao 
Plano Safra. Em votação secreta, ocorrida em uma sessão marcada por tumultos, a 
Câmara dos Deputados elegeu uma chapa alternativa integrada por deputados de 
oposição e dissidentes da base governista para a comissão especial do processo de 
impeachment. Entretanto, o ministro do STF Luiz Edson Fachin, sorteado para ser o 
relator da ação em que o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), - partido da base 
aliada da presidente Dilma -, discutia o rito proposto pelo presidente da Câmara, 
decidiu suspender a formação e a instalação da comissão e determinou que os 
trabalhos ficassem interrompidos até que o plenário do Supremo analisasse o caso; 
o que foi feito no dia 17 de dezembro, quando a maioria do STF decidiu anular a 
eleição da chapa alternativa e determinou que a votação para a escolha dos 
integrantes fosse aberta. Ficou decidido também que o Senado poderia recusar a 
abertura do processo de impeachment mesmo após a autorização da Câmara. 
Em meados de dezembro, o ministro da Fazenda Joaquim Levy pediu demissão do 
cargo, foi substituído por Nelson Barbosa, homem de confiança da presidente. A saída 
do ministro ocorreu após uma acirrada pressão de setores do PT, encabeçada por 
Lula. Levy e Barbosa discordavam a cerca das medidas para restabelecer o 
reequilíbrio da dívida pública, sobretudo no que dizia respeito ao nível da meta de 
superávit primário. 
Com o impeachment instalado, aliados de Dilma passaram a cobrar um gesto de 
lealdade de Temer. Dias depois, Eliseu Padilha deixou o governo e, em seguida, 
Michael Temer enviou carta à presidente Dilma onde apontou fatos reveladores da 
desconfiança que o governo nutria em relação a ele e ao PMDB; reclamou de sua 
posição no governo como um "vice decorativo", que tinha perdido todo protagonismo 
político que teve no passado e que só era chamado para resolver as votações do 
PMDB e as crises políticas. Nos primeiros meses de 2016, o PMDB romperia com o 
governo. 
Diante do agravamento da crise econômica, novos protestos tomaram as ruas 
154 
 
 
pedindo o impeachment da presidente. A avaliação do governo chegou a atingir 8% 
de ótimo/bom e 71% de ruim/péssimo - a maior reprovação de um presidente da 
República da história. Em 13 de março de 2016, três milhões e seiscentas pessoas, 
segundo a PM (seis milhões e novecentas, segundo organizadores), foram às ruas 
pedir o impeachment, na maior manifestação da história recente do país. 
Ainda em março, a Câmara elegeu os membros da comissão especial que analisaria 
o impeachment. PT e PMDB eram os dois partidos com mais integrantes na comissão. 
José Eduardo Cardozo, que tinha deixado o Ministério da Justiça e assumido a 
Advocacia-Geral da União, apresentou a defesa de Dilma à comissão especial, 
argumentando que a presidente não tinha cometido ilegalidade porque não teria 
havido dolo ou má fé na abertura de créditos suplementares. Além disso, as 
pedaladas fiscais não eram empréstimos, mas prestação de serviços cujos 
pagamentos foram regularizados após orientações do Tribunal de Contas da União; 
afirmou ainda que o processo de impeachment foi aberto como um ato de vingança 
do deputado Eduardo Cunha por não ter recebido apoio da bancada do PT para barrar 
o processo de cassação dele. 
Em meados de abril, Dilma tomou uma atitude bastante polêmica nomeando Lula para 
o cargo de ministro chefe da Casa Civil. Ao mesmo tempo, em uma atitude bastante 
questionada, o juiz Sérgio Moro, encarregado das investigações da Operação Lava 
jato em primeira instância, tirou o sigilo de interceptações telefônicas do ex-presidente 
Lula e revelou uma conversa com Dilma, na qual ela lhe prometia entregar um papel, 
para usar em caso
de necessidade. O ministro do STF, Gilmar Mendes, cassou a 
nomeação, alegando que a atitude da presidente foi movida pela eventualidade de 
uma denúncia contra Lula fosse julgada pelo STF, foro por prerrogativa de função dos 
ministros de Estado. A decisão foi tomada baseada em dois mandados de segurança 
impetrados no Supremo pelo Partido Popular Socialista (PPS) e pelo Partido da Social 
Democracia Brasileira (PSDB). Com isso, o processo contra Lula voltaria para o juiz 
Sérgio Moro. Além disso, o STF decidiu autorizar o inquérito para investigar Lula e 
Dilma por tentativa de obstrução à Justiça. 
Ainda em abril, a Comissão especial do impeachment aprovou por 38 votos a 27 
parecer do deputado Jovair Arantes (PTB/GO) pela continuidade do processo. O caso 
foi então levado para o plenário da Câmara dos Deputados. A Advocacia Geral da 
155 
 
 
União foi ao Supremo para tentar barrar o impeachment, sob a alegação de que teria 
havido lesão ao 'direito de defesa'. Ao todo, cinco pedidos tentaram barrar a votação 
ou alterar a ordem de votação dos deputados estabelecida por Eduardo Cunha; todos 
foram negados. No dia 17 de abril, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou por 
376 votos favoráveis e 137 contrários o prosseguimento do processo de impeachment 
da presidente, que foi levado para o Senado Federal. Nesta Casa, também foi 
instituída a Comissão Especial, que aprovou, por quinze votos a favor e cinco 
contrários, o relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) favorável ao 
prosseguimento do processo de afastamento da presidente Dilma. O relatório foi à 
votação no plenário no dia 12 de maio, por 55 votos a 22 foi admitida a abertura do 
processo de impeachment pelo Senado. A presidente Dilma foi afastada da função 
por 180 dias e o vice-presidente Michael Temer assumiu como presidente em 
exercício. 
No início de agosto, após a aquisição de documentos, produção de perícia e 
depoimentos de 45 testemunhas, a Comissão Especial decidiu, ao aprovar o relatório 
de Anastasia por catorze a cinco, que Dilma deveria ser levada à julgamento. Nesta 
fase também votada pelo plenário, os senadores decidiram por 59 votos a 21, que a 
denúncia contra Dilma procedia e que a petista deveria ser julgada por crime de 
responsabilidade. Em seguida, a acusação e defesa entregaram manifestações finais 
do processo e listas de testemunhas que escolheram para depor no Senado. O 
julgamento começou no final de agosto com o depoimento de testemunhas. No dia 
29 Dilma foi ao Senado para fazer sua própria defesa, declarou que era alvo de um 
'golpe de estado' e negou ter cometido os crimes de responsabilidade pelos quais era 
acusada. 
A votação decisiva ocorreu no dia 31 de agosto. Todavia, antes que tivesse início, o 
primeiro-secretário do Senado, senador Vicentinho Alves, apresentou um 
requerimento da bancada do PT, que pedia o destaque do texto da votação que falava 
da penalidade aplicada ao presidente que sofreria impeachment. O texto integral 
previa a destituição do cargo e a perda dos direitos políticos, isto é, a inabilitação para 
o exercício de funções públicas, por oito anos. O requerimento pedia que ocorressem 
duas votações, uma para cada quesito da sentença. Os senadores votariam: 1) a 
favor ou contra a perda do mandato da presidente e 2) a favor ou contra a perda dos 
direitos políticos. O requerimento foi deferido pelo presidente da mesa, ministro 
156 
 
 
Ricardo Lewandowski, presidente do STF. Ocorreram, então, duas votações e a 
presidente foi destituída do cargo por 61 votos, mas ficou com os seus direitos 
políticos preservados, quando 42 senadores optaram por não deixar Dilma inabilitada 
para o exercício de funções públicas, contra 36 que se opuseram. Esse “fatiamento” 
do texto da pena gerou intensa discussão entre juristas, políticos e jornalistas, já que 
foi considerado inconstitucional por muitos. O PMDB e PSDB, em ação coletiva com 
outros partidos, questionaram o fatiamento da votação do impeachment e pediram 
que o STF suspendesse os direitos políticos da ex-presidente. Entretanto, Miguel 
Reale Jr., Hélio Bicudo e Janaína Paschoal decidiram não recorrerem da decisão. 
Dilma entrou com uma liminar no Supremo Tribunal Federal para suspender a 
condenação do Senado que determinou a perda de seu mandato presidencial. 
Entretanto, o ministro Teori Zavascki negou o pedido, alegando que uma intervenção 
desse tipo pelo STF traria instabilidade ao país. 
Após o impeachment, Dilma mudou-se para Porto Alegre (RS). Até o final de 2016, 
tramitavam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quatro processos que pediam a 
cassação da chapa Dilma Rousseff/Michel Temer, eleita à Presidência da República 
no pleito de 2014. Nas ações apresentadas pelo PSDB, entre final de 2014 e início 
de 2015, a acusação era de abuso de poder econômico e recebimento de recursos 
desviados de obras estatais. 
 
36. Início do governo de Michel Temer 
 
Em 12 de maio, depois de uma sessão que se prolongou por mais de 20 horas, o 
plenário aprovou por 55 a 22, a abertura do processo de impeachment pela Câmara 
dos Deputados. Dilma Rousseff foi afastada da função por 180 dias e o vice-
presidente Michael Temer assumiu como presidente em exercício. Neste mesmo dia, 
empossou seu ministério, composto por membros dos partidos PMDB, PP, PSDB, 
PSD, DEM, PRB, PSB, PTB e PR; o número dos ministérios caiu de 32 para 23. Houve 
a fusão das pastas de Comunicação e Ciência e Tecnologia e a incorporação da 
Secretaria da Aviação Civil e da Secretaria dos Portos, até então com status de 
ministério, ao Ministério dos Transportes. O Ministério de Direitos Humanos, Política 
157 
 
 
para Mulheres e Igualdade Racial foi incorporado ao Ministério da Justiça, que passou 
a se chamar Ministério da Justiça e Cidadania. Os ministérios do Desenvolvimento 
Social e Combate à Fome e do Desenvolvimento Agrário viraram Ministério do 
Desenvolvimento Social e Agrário. Os ministérios da Educação e Cultura foram 
unidos em uma única pasta. A Controladoria-Geral da União passou a se chamar 
Ministério da Fiscalização, Transparência e Controle. A Secretaria de Comunicação 
Social da Presidência da República, a Chefia de Gabinete, a Advocacia-Geral da 
União, e o Banco Central perderam o status de ministério. E o Gabinete de Segurança 
Institucional passou a ser considerado um ministério. Em discurso proferido na 
cerimônia de posse, Temer defendeu a unificação do país, medidas para superar a 
crise econômica que assolava a nação, o reequilíbrio das contas públicas, a 
manutenção dos programas sociais e a continuidade das investigações da Operação 
Lava Jato, que investigava o esquema de corrupção ocorrido na Petrobras. Houve 
muitas críticas em relação à composição dos ministérios, notadamente no que 
concerne à ausência de mulheres. Devido às críticas recebidas, e ao protesto de 
milhares de pessoas ligadas ao setor, Temer recriou o Ministério da Cultura. 
Tendo herdado o governo com uma grave crise econômica, com a inflação chegando 
à casa dos 10%, Michael Temer nomeou Henrique Meireles para o Ministério da 
Fazenda, atendendo os anseios do mercado, uma vez que era visto como defensor 
de uma política econômica mais ortodoxa. 
Em apenas dozes dias de gestão o ministro do Planejamento, Desenvolvimento e 
Gestão, Romero Jucá, homem de confiança de Temer, deixou o governo após o 
vazamento de áudios de uma conversa do senador com o ex-presidente da 
Transpetro, Sérgio Machado, na qual se falava da necessidade de um pacto em 
relação à Operação Lava Jato. Em seguida, Fabiano Silveira, ministro da 
Transparência, Fiscalização e Controle, também pediu demissão do cargo pelo 
mesmo motivo. E ainda Henrique Eduardo Alves, ministro do Turismo, foi exonerado 
devido às suspeitas de recebimento de propina, durante sua campanha para o 
governo do Rio Grande do Norte em 2014. Esta delação de Sergio Machado levou a 
investigação
da Operação Lava Jato para dentro do governo Temer. Segundo 
Machado, Temer teria pedido recursos ilícitos para a campanha de Gabriel Chalita 
(PMDB) à Prefeitura de São Paulo em 2012. Além dele, citou nomes de cerca de 20 
políticos que teriam recebido propina no esquema de corrupção na subsidiaria da 
158 
 
 
Petrobras. 
Em 15 de junho Temer, apresentou ao Congresso uma proposta de emenda 
constitucional que limitaria o aumento dos gastos públicos, chamada PEC do Teto 
dos Gastos, medida fundamental para os planos do governo. Por esta proposta, os 
gastos públicos ficariam limitados, a partir de 2017, por 20 anos; as despesas seriam 
corrigidas tão somente pela inflação do ano anterior; ao passo que as despesas com 
saúde e educação só entrariam no limite de teto a partir de 2018. 
Com o término do processo impeachment e a cassação do mandado da presidente 
Dilma Rousseff pelo Senado Federal, ocorrido em 31 de agosto de 2016, Michael 
Temer assumiu o cargo de presidente da República, para um mandato até 31 de 
dezembro de 2018. 
Em uma tentativa de revitalizar a economia, Temer disponibilizou uma linha de crédito 
de 30 bilhões de reais para a micro e pequena empresa, através do Banco do Brasil 
e da Caixa Econômica Federal. Em seguida, anunciou um pacto nacional para o 
equilíbrio das contas públicas, pelo qual o governo aceitaria dar aos estados uma fatia 
dos recursos arrecadados com o programa de repatriação, processo que incentivava 
a regularização de bens mantidos no exterior e não declarados ao Imposto de Renda; 
já os governadores se comprometeriam a fazer um forte ajuste fiscal, incluindo o 
aumento de contribuição previdenciária paga pelos servidores. 
Desde os primeiros dias, o governo Temer foi alvo de protestos, que culminou com a 
manifestação de 22 de setembro, chamado Dia Nacional de Paralisação e 
Mobilização das Categorias, convocado por centrais sindicais. Houve atos em 23 
estados, além do Distrito Federal, quando milhares de pessoas foram às ruas contra 
perda de direitos trabalhistas e a reforma da previdência. Novos protestos ocorreram 
em novembro contra a PEC do Teto dos Gastos, que acabou sendo aprovada pelo 
Senado Federal em 13 de dezembro, por 53 votos a favor e 16 contra. 
Em 18 de novembro de 2016, o ministro da Cultura, Marcelo Calero pediu demissão 
do cargo devido à pressão de Geddel Vieira Lima, secretário de Governo, para que o 
ministro produzisse um parecer técnico para favorecer seus interesses pessoais. A 
crise acabou derrubando Geddel, que pressionado, entregou carta de demissão ao 
presidente Temer uma semana depois. Como resultado, representantes de 
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movimentos sociais, do PT e PCdoB, protocolaram na Câmara dos Deputados um 
pedido de impeachment contra o presidente Michael Temer em 8 de dezembro, sob 
acusação de ter havido fortes indícios de atos ilícitos por parte de Temer no episódio 
em que o ex-ministro Geddel Vieira Lima pressionou o então ministro da Cultura, 
Marcelo Calero, para que interviesse junto ao Instituto do Patrimônio Histórico 
Nacional (Iphan) a fim de liberar a construção de um edifício de alto padrão em 
Salvador, onde Geddel tinha adquirido um imóvel. Outro pedido sob esta mesma 
acusação já tinha sido feito pelo PSOL em 28 de novembro. 
No final de 2016, o governo Temer apresentava baixos índices de popularidade, fato 
atribuído pela cobertura especializada à lenta retomada da economia, às medidas 
impopulares defendidas pelo Planalto, à manutenção de altas taxas de desemprego, 
e a uma série de escândalos envolvendo componentes do governo em delações 
obtidas nas investigações da Operação Lava Jato. Tentando reverter este quadro, o 
governo anunciou em 15 de dezembro uma série de medidas para estimular o 
crescimento e diminuir a taxa de desemprego no país. O objetivo seria de facilitar 
acesso ao crédito e desburocratizar o ambiente de negócios, permitindo a retomada 
econômica com mais rapidez. Entre as iniciativas, estariam: a criação de um programa 
de recuperação de débitos fiscais para as empresas, o incentivo ao crédito 
imobiliário, medidas para reduzir juros do cartão de crédito, e a redução de multa do 
Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para o empregador. 
 
37. O governo de Jair Bolsonaro 
 
Empossado Presidente da República em 1 de Janeiro de 2019, Jair Bolsonaro 
defendeu ampla agenda de reformas, assumiu compromissos com o combate à 
criminalidade e à ideologia de gênero, tendo saudado a família e feito referência a um 
modelo conservador e tradicional para esta última. Assumiu também como 
compromisso, sob o mote dos dizeres"Mais Brasil e menos Brasília", desconcentrar 
poder e aproximar a política do âmbito local e popular. E, enfatizando pautas 
assumidas enquanto atuou como deputado, defendeu o porte de armas e a defesa do 
excludente de ilicitude. Acenou ao setor agropecuário e defendeu o livre mercado 
160 
 
 
como diretriz econômica a qual teria confiado ao ministro Paulo Guedes, 
nominalmente citado como formulador do plano econômico e de projetos de reformas 
estruturantes, como a do regime de previdência. 
 
 
 
161 
 
 
 
Referências 
 
 
FAUSTO, Boris. 1930. História do Brasil / Boris Fausto 2° ed. São Paulo: Editora 
da Universidade de São Paulo: Fundação do desenvolvimento da Educação 1995- 
(Didática I) 
 
FERREIRA, Olavo Leonel. História do Brasil: São Paulo. Ática, 1978. Del Priore, 
Mary. Uma breve história do Brasil / Mary del Priore, Renato Venâncio. – São 
Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010. 
 
FONTES: ARIDA, P. & RESENDE, A. Inflação; ARIDA, P. & RESENDE, A. Inertial; 
BACHA, E. Moeda; BARBOSA, F. & SIMONSEN, M. Plano Cruzado; LOPES, 
F. Choque; MODIANO, E. Da inflação; MODIANO, E. Inflação; PEREIRA, L. & 
NAKANO, Y. Inflação. 
 
FONTES: BARROSO, L. Interpretação; BASTOS, C. & MARTINS, I. Comentários; 
HORTA, R. Estudos; SILVA, J. Curso de direito constitucional. 
 
VILLALTA, L.C. Coletânea de Documentos e Textos de História do Brasil 
Colonial pesquisa, transcrição, seleção e organização: Luiz Carlos Villalta. 
 
OLIVEIRA, Eduardo Romero de. A ideia de Império e a fundação da Monarquia 
constitucional no Brasil (Portugal–Brasil), (1772-1824), São Paulo. Rio de janeiro 
n°18 pp43-64.

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