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CASOS CONCRETOS PENAL CPIV
AULA 01
Tema 01
01ª QUESTÃO: JOÃO, ao retornar à sua casa, visualizou a sua esposa ANA na cama com PAULO, seu melhor amigo. Inconformado com a situação, JOÃO saiu da casa e se dirigiu até a área externa, local onde ele guardava uma arma de fogo. ANA e PAULO decidiram que PAULO iria conversar com JOÃO sobre toda a situação. PAULO, então, saiu da casa à procura de JOÃO e tão logo chegou perto do portão, foi atingido várias vezes por disparos de arma de fogo feitos em suas costas por JOÃO. Diante do fato narrado, o Ministério Público denunciou JOÃO como incurso nas penas do art. 121, §§ 1º e 2º, inciso IV do Código Penal. A defesa de JOÃO não contestou os fatos narrados na denúncia, mas pretende que seja decotada a qualificadora prevista no § 2º inciso IV do art. 121 do Código Penal (recurso que dificultou a defesa da vítima), pois ela é incompatível com a forma privilegiada do homicídio (violenta emoção). Pretende ainda que seja reconhecido que o crime imputado na denúncia não se caracteriza como crime hediondo (Lei n.º 8072/90). As pretensões defensivas merecem acolhimento? Fundamente a sua resposta.
Resposta: Não existe incompatibilidade entre a qualificadora do recurso que impossibilita e o privilégio. Com relação ao crime hediondo, é amplamente majoritário, quase uníssono de que não há crime hediondo, há um entendimento superado de que o crime seria hediondo. A atual posição do STJ, segundo o gabarito, é no sentido de que cabe o privilégio. STJ, HC 206888.
02ª QUESTÃO: TATIANA mora em uma casa que é vizinha à casa de PAULA. Durante vários anos, TATIANA pediu para que PAULA retirasse os "mensageiros dos ventos" que ela tem na janela do seu quarto, pois o barulho produzido por eles faz com que TATIANA acorde várias vezes durante a noite. Ocorre que PAULA se recusava a retirá-los, o que gerou intensa irritação em TATIANA, que em determinado dia partiu em direção à casa de PAULA. Tão logo PAULA abriu a porta, a discussão iniciou-se, com xingamentos mútuos, até que TATIANA pegou uma faca que estava em cima da mesa de jantar e perfurou o abdômen de PAULA, causando a sua morte. Diante do evento narrado, o Ministério Público denunciou TATIANA como incursa nas penas do art. 121, §2º, II e VI do Código Penal. A defesa não contestou os fatos narrados na denúncia, mas sustenta que não se trata de feminicídio e, mesmo que se tratasse, não seria possível haver cumulação com a qualificadora do motivo fútil. Você, na qualidade de juiz, como decidiria as alegações de TATIANA? Fundamente a sua resposta.
Resposta: não tem nada a ver com feminicídio, não foi homicídio praticado em função do sexo feminino. Houve femicídio. Não há como incidir a qualificadora do feminicídio, mas o motivo fútil pode ser considerado.
Lembrar que feminicídio pode ser conjugado com motivo torpe ou motivo fútil. Não é bis in idem. Informativo 625. STJ. 6ª Turma do STJ diz que é qualificadora de cunho objetivo o feminicídio.
Tema 02
01ª QUESTÃO: JOÃO, médico anestesista, em razão da inobservância das regras técnicas da sua profissão, deu causa à morte de GILBERTO, que se submetia a uma cirurgia cardíaca. Após o fato, JOÃO, sentindo-se extremamente culpado e arrependido, entrou em contato com a família de GILBERTO e, mediante a concordância dela, arcou com o pagamento de todos os custos decorrentes da morte de GILBERTO, assim como realizou o pagamento de uma indenização a título de dano moral. Diante do caso narrado, JOÃO deverá responder por algum crime? Em caso afirmativo, qual seria esse crime? É cabível a aplicação da causa de diminuição de pena prevista no art. 16 do Código Penal? Fundamente a sua resposta.
Resposta: não cabe arrependimento posterior (Art.16 CP) em crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor. Informativo 590 do STJ.
Obs.: Os tribunais entendem que pode haver arrependimento posterior na lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, pois seria um dano reparável.
02ª QUESTÃO: CAIO resolveu limpar sua arma de fogo no horário de seu seriado preferido da televisão. Distraído com a programação televisiva, não prestou a devida atenção no manejo da arma e acabou efetuando um disparo de arma de fogo, que atingiu seu filho de 13 anos, que com ele assistia ao programa, matando-o. Assustado, embora o filho ainda estivesse com vida, resolveu não socorrê-lo, porque não gostava de ver sangue. Pergunta-se:
a) Qual o crime praticado por CAIO? É cabível o perdão judicial?
Resposta: Art. 121, §3º CP ( Homicídio Culposo) foi o crime praticado. Causa de aumento da omissão de socorro (Art. 121, §4º CP) . É cabível o perdão judicial (Art. 121, §5º CP). Prof não concorda, mas disse que é o gabarito da EMERJ. O motivo de não ter socorrido o filho foi não gostar de ver sangue. Prof ressalva que se o caso era fobia e o sujeito paralisou, poderia alegar perdão. Mas não parece ser o caso, porque só fala que não gostava.
b) E se, além do filho, o mesmo projétil tivesse atingido também o estranho que passava na rua, matando?
Resposta: haveria concurso formal de crimes de homicídio culposo, mas haveria perdão judicial em relação ao filho, não em relação ao terceiro. STJ diz que não comunica o perdão ao terceiro. Doutrina ressalva a divergência doutrinária.
AULA 02
Tema 03
01ª QUESTÃO: BRUNA e LEILA são amigas e, diante de inúmeras decepções amorosas sofridas por ambas, decidem praticar suicídio ingerindo veneno. LEILA não apenas aceita, mas incentiva BRUNA a comprar o veneno para ambas realizarem seu intento. Ao chegar com o veneno, BRUNA não tem coragem de ministrá-lo em si e pede que LEILA o faça. Esta imediatamente enche uma seringa e aplica em BRUNA, que falece. LEILA não percebe que aplicou quase todo o veneno em BRUNA e, ao aplicar o restante em si, não vem a óbito, pois a quantidade de veneno não era suficiente para tal. Com base nessas informações, o Ministério Público denunciou LEILA como incursa nas penas do art. 121, § 2º, lll, do Código Penal. Foi correta a tipificação penal feita pelo parquet? Fundamente a sua resposta.
Resposta: Mesmo que tenha ocorrido reciprocidade na vontade de se matar, seria o art. 122 se Bruna tivesse se matado com o veneno. Porém, a partir do momento que foi Leila quem ministrou veneno em Bruna, é art. 121. Logo, não foi correta a tipificação do Parquet, na verdade, o crime seria o do art.121. O meio insidioso é dissimulado, segundo pacífico entendimento, de modo que essa qualificadora somente deve incidir nos casos em que a vítima não sabe que alguém lhe está ministrando veneno. No caso, Bruna sabia. Portanto, seria homicídio simples (art. 121).
02ª QUESTÃO: CÁSSIA deu à luz um menino, em parto originariamente programado para ser normal, mas que em razão de complicações havidas, acabou por se estabelecer como cesariana. Mãe e filho permaneceram internados, diante dos problemas havidos como derivação das complicações ocorrentes no parto. Assim, e tendo decorrido uma semana desde que o recém-nascido veio ao mundo, CÁSSIA, ao receber a visita no hospital de um outro filho seu, menor, JOSUÉ, com dois anos de idade, ainda experimentando uma condição depressiva pós-parto e aproveitando-se da desatenção de outras pessoas, veio a matar, por sufocamento, este último, JOSUÉ. Para tanto, foi auxiliada por uma outra mulher, MARIA, que estava ali internada em circunstâncias análogas. Com base no evento narrado, qual a capitulação correta do fato? Fundamente a sua resposta.
Resposta: Cássia matou, uma semana após o parto, e enquanto experimentava uma condição depressiva pós parto, o próprio filho. A redação do art.123 tem todas as suas elementares descritas na situação. Embora a descrição típica do delito leve a crer que a vítima foi o filho que nasceu naquele parto recém-havido, nada impede que se interprete esse texto. Logo, interpretação pro réu, seria art. 123 também, mesmo que não seja o filho recém-nascido.
Partindo dessa ideia de Cássia responder pelo art. 123, há duas possibilidades de resposta em relação à Maria:
- Corrente legalista: art. 30CP. Entende-se que comunicariam as condições pessoais da última à Maria, respondendo pelo art. 123.
- Segunda corrente (costuma ser a majoritária). A condição não se comunica. Assim, Maria responderia por homicídio.
Doutrinariamente a majoritária é a exceção a teoria monista.
Tema 04
01ª QUESTÃO: EFIRE, moradora de uma ilha isolada, solteira, constatando que está grávida de seu namorado LIONARDO, dispõe-se a praticar abortamento, com receio da reação familiar à gravidez. Pede a TÉTHYS que o provoque, o que é feito.
a) Que tipo ou tipos penais foram realizados por EFIRE e TÉTHYS? A solução se alteraria, caso:
Resposta:
EFIRE – Art. 124, 2º parte CP, ao dar consentimento
TÉTHYS – Art. 126 CP, realizar aborto com consentimento
b) EFIRE praticasse os atos de abortamento, com o auxílio de TÉTHYS?
Resposta:
EFIRE – Art. 124, 2º parte CP e TÉTHYS ( Participe)
c) LIONARDO convencesse EFIRE de que havia consultado um oráculo e a criança nasceria com grave defeito físico e somente por esta razão ela consentisse no abortamento praticado por ÁCTEON, mediante pagamento feito por LIONARDO?
Resposta:
Se tivesse sido enganada – nada responde
LIONARDO e ÁCTEON – Art. 125 CP – Interrupção da gravidez sem o consentimento da gestante.
EFIRE não poderia consentir com esse aborto, ainda que fosse verdade, por meio de um exame médico. Não é permitido o aborto eugênico. Ela responde pelo art. 124, 2º parte e eles dois pelo art. 125 CP.
d) EFIRE desejasse o abortamento e, sem o conhecimento de LIONARDO, fosse ao consultório de ÁCTEON, onde este, auxiliado pela enfermeira ERICINA, provocasse a expulsão do feto por meio químico, porém este não morresse?
Resposta:
EFIRE – Art. 124, 2º parte do CP
ACTEON e ERICINA – Art. 126, CP c/c Art. 14, II CP ( Tentado)
02ª QUESTÃO: MILENE chegou ao hospital com 39 semanas de gestação para realizar o parto de seu filho. Durante o parto, a médica MARIANA, que a estava atendendo, com dolo de matar o feto, agrediu MILENE. Entretanto, o bebê nasceu com vida, mas, em decorrência das lesões provocadas ainda na fase uterina, a criança vem a falecer. Tipifique, de forma fundamentada, a conduta praticada por MARIANA.
Resposta:
Resposta: foi durante o parto. Não houve aborto. Ocorreu homicídio. Conflito de jurisdição 0062749-82.2022.8.19.0000. Muiños entendeu no caso concreto que em situação de vida extrauterina ainda se pode falar em aborto, porque há lacuna da lei, já que as lesões foram durante a gravidez.
Obs. Se a mãe pratica autoaborto e não consegue, é fato atípico porque não haveria lesão a outro bem jurídico. Para alguns, não haveria tentativa no 124. Para a prof, se iniciou a execução, já colocou em risco um BJ alheio.
Obs. O crime do art. 122 é hediondo.
AULA 03
Tema 05
01ª QUESTÃO: PAULO compareceu à faculdade onde cursa Engenharia e, ao tentar nela ingressar, foi contido pelos seguranças, pois estava suspenso. Ao tentar conversar com EDSON, coordenador do curso, não obteve êxito, razão pela qual PAULO retornou ao estabelecimento quatro horas depois. Nessa ocasião, EDSON se dirigiu até a portaria onde PAULO estava e negou-se a retirar a suspensão, fazendo menção para que PAULO se retirasse do local. Inconformado, PAULO desferiu um soco no rosto de EDSON, o que o fez cair ao chão e bater a cabeça, desmaiando. PAULO não prestou socorro, pois os seguranças da faculdade o recomendaram que deixasse o local. Depois de EDSON ter tido pronto atendimento, a perícia constatou que ele teve "Transtorno de Estresse Pós-Traumático", provocando-lhe alteração permanente da personalidade. Diante dos fatos narrados, o Ministério Público denunciou PAULO como incurso nas penas do art. 129, § 2º, inciso IV, do Código Penal. Responda de forma fundamentada:
a) Foi correta a tipificação feita pelo parquet?
Resposta: Deformidade permanente é dano estético. Não foi correta a tipificação do MP, pois a qualificadora diz respeito a dano estético.
b) Considerando que ela foi correta, a existência de laudo complementar é peça essencial para o julgamento?
Resposta: Laudo complementar é imprescindível para ocupações habituais de 30 dias. A doutrina é unânime no sentido de que é imprescindível o laudo complementar no prazo de 30 dias. No concurso: a princípio não. Se o primeiro laudo é conclusivo, não há necessidade de um segundo, salvo ocupações habituais por 30 dias.
c) Na hipótese da qualificadora prevista no artigo 129 § 1º, I, do Código Penal, ela incidirá se a atividade exercida pela vítima for ilícita ou imoral?
Resposta: O gabarito da EMERJ diz que mesmo que entrasse o dolo eventual, poderá ser aplicada a qualificadora do aborto, só que o prof. diz que isso é minoritário!
O profº pontua que o entendimento majoritário é diferente, no sentido de que se há dolo direto ou eventual em provocar aborto, seria o art. 125 aborto e 129 lesão, mas se há dúvida/culpa, poderia ser a qualificadora do aborto, 129, p. 2º. Também incide a violência doméstica do p. 10.
Caderno BIA: Não, se for ilícita. Se for imoral, incide.
02ª QUESTÃO: RODRIGO e ELIS são irmãos e, desde o falecimento da mãe deles, iniciaram discussões atinentes à herança deixada pela matriarca. No dia 18 de novembro de 2017, RODRIGO foi até a casa de ELIS, arrombou a porta da casa dela, invadiu seu quarto e exigiu que lhe fosse entregue a certidão de óbito da mãe. Ato contínuo, ELIS informou que o documento não se encontrava em sua posse, ocasião em que RODRIGO começou a agredir fisicamente a irmã, deferindo-lhe socos, tapas e golpes com o auxílio do aparelho telefônico que ELIS usava no momento, tentando, ainda, estrangulá-la com o auxílio do fio do telefone. Imediatamente, ELIS informou que estava grávida de quatro semanas, mas RODRIGO não cessou as agressões físicas, provocando, com isso, a morte do feto, além das lesões corporais em ELIS. Diante dos fatos narrados, tipifique de forma fundamentada a conduta praticada por RODRIGO.
Resposta: ele tinha ciência da gravidez. Lesão corporal gravíssima em razão do aborto. 129, §2º, V com majorante do §10 por ser irmão.
Tema 06
01ª QUESTÃO: CAIO, sabendo que determinada prostituta já tinha apresentado, antes, quadro de moléstia venérea, mantém com ela relação sexual, sem adotar qualquer medida protetiva. Posteriormente, se relaciona sexualmente com sua companheira.
a) Realizou CAIO algum tipo penal? A solução se alteraria, caso:
Resposta: Não configuraria o art. 130, porque em nenhum momento diz que ele está contaminado ou a prostituta. Uma situação pretérita não é suficiente para configurar adequação típica.
b) A companheira de CAIO fosse imune à doença ou consentisse no contágio? Fundamente as suas respostas.
Resposta: Se seria impossível ela ser contaminada, não haveria tipicidade.
Obs: e se há consentimento do ofendido em ser contaminado? Via de regra, é causa de justificação supralegal, excludente de ilicitude, desde que se refira a bem jurídico indisponível. A saúde, integridade física, seria indisponível ou disponível? Hoje, é majoritário que indisponível seria a lesão grave, logo se for sífilis, que é grave, poderia ser entendida a indisponibilidade.
02ª QUESTÃO: J, portador do vírus da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), ciente de sua condição clínica, resolve ter relações sexuais, sem uso de qualquer preservativo, com M, pessoa que não possuía a referida moléstia ao tempo da ação, sem se importar com o perigo de contágio - assumindo, portanto, o risco da transmissão. Aproximadamente dois meses após a única cópula, M descobriu por meio de amigos em comum que João era soropositivo, fato que a desesperou. Feito o teste, descobriu que passara a ser portadora da doença. Qual foi a conduta típica praticada por J? Justifique.
Resposta: Segundo entendimento do STF, é lesão corporal qualificada 129, §2º, II (já que transmitiu), ainda que Rogério Greco entenda que é tentativa de homicídio. Se não tivesse ocorrido a transmissão, seria o crime do art.131. HC 160982 STF.
AULA 04
Tema 07
01ª QUESTÃO: CAIO, em viagem para Curitiba, observa, à margemda rodovia, um ciclista ferido, ao que tudo indica, vítima de atropelamento. O local é deserto e CAIO resolve seguir viagem, com receio de ser responsabilizado pelo atropelamento.
a) Realizou CAIO algum tipo penal? A solução se alteraria, caso:
Resposta: O gabarito fala omissão de socorro, art. 135. Isso porque Caio supôs corretamente que o ciclista estava ferido e dolosamente deixou de prestar assistência a pessoa ferida, sendo-lhe possível fazê-lo sem risco pessoal. O professor entende que na verdade seria omissão de socorro de trânsito
b) CAIO tivesse observado que outro motorista estava parando para socorrer a vítima?
Resposta: A obrigação de prestar socorro é solidária. Se uma das pessoas o presta, exime a responsabilidade dos demais. Porém, se o socorro é insuficiente, os outros continuam obrigados e a abstenção de atividade realiza o tipo do art. 135 do CP. No caso, dependerá Caio de que o socorro seja prestado à vítima
c) CAIO fosse médico ou policial?
Resposta: No caso de ser médico ou policial, Caio, diante da situação de perigo para o ciclista, não poderia omitir-se. Registre-se a discussão sobre o omitente ausente, que é o caso do médico chamado para o atendimento que se recusa a ir, apesar de convencido da situação de perigo vivida pelo ferido.
Caderno Bia: Responderia por omissão de socorro. Porém, podemos refletir que, sendo médico ou policial, ele é garantidor. A doutrina discute que como são garantidores, se ligo para o médico, ele nega o socorro por estar de férias, vai responder
d) CAIO estivesse parando para socorrer a vítima e surgissem várias pessoas armadas, dizendo que iriam linchá-lo, por acreditarem que ele era o atropelador?
Resposta: Tal fato pode caracterizar o risco pessoa para o agente que o eximiria do socorro direto, mas não impede o socorro indireto, ou seja, pedir o socorro de autoridade pública.
02ª QUESTÃO: Numa arquibancada de um estádio de futebol, de repente, surge uma briga desordenada em que várias pessoas lutam entre si. Ao final, a polícia intervém para desapartar os contendores, restando CAIO, MARIO, TÍCIO, MÉVIO, menor de 16 anos, e SIMPRÔNIO presos em flagrante, tendo este último sofrido lesões de natureza grave. Não ficou apurado o motivo da briga, mas sim que havia, pelo menos, uns quatro grupos brigando entre si. Restou apurado, também que PAULO e JOÃO participaram da briga, mas dela se afastaram antes da chegada da Polícia e antes da ocorrência da lesão gravosa. Pergunta-se:
a) Qual o crime praticado pelos agentes?
Resposta: Caio, Mário, Tĩcio e Mẽvio (ainda que inimputável), Simpronio (ainda que vítima das lesões), Paulo e João, responderam por rixa qualificada,malgrado tenham se retirado antes da ocorrência da lesão.
b) Quem é o sujeito passivo deste crime?
Resposta: As mesmas pessoas são sujeitos ativos com relação às demais e sujeitos
passivos das condutas praticadas pelos demais
c) A situação se modificaria se tivessem sido identificados dois grupos lutando entre si?
Resposta: sendo dois crimes, há quem entenda que não existe crime de rixa, mas lesão
corporal, tentativa de homicídio, perigo de vida, depender do dolo. Contudo, o
entendimento majoritário é de que para a configuração do crime de rixa, basta uma
luta tumultuosa e confusa que três ou mais pessoas travam entre si.
d) A situação inicial se modificaria se fosse descoberto que CAIO foi o autor das lesões graves contra SIMPRÔNIO?
Resposta: identificando o autor das lesões, todos continuam a responder por rixa qualificada, e o autor por rixa qualificada e lesão corporal grave (posição da exposição de motivos) ou lesão corporal grave e rixa simples (posição de parte da doutrina, para evitar o bis in idem). Obs: não há corrente majoritária.
e) A situação se modificaria se JOSÉ tivesse ficado fora da briga, orientando MÁRIO, inclusive fornecendo-lhe um pedaço de pau para agredir MÉVIO, seu inimigo?
Resposta: Nesse caso, José seria partícipe moral do crime de rixa qualificada.
Tema 08
01ª QUESTÃO: Tendo sido caluniado por um funcionário de cartório, o magistrado ofendido representou ao Promotor de Justiça com atribuição junto à 1ª Central de Inquéritos da Capital, sendo ajuizada a competente ação penal contra o ofensor, que ofereceu exceção da verdade. Neste contexto, indaga-se:
a) É cabível a exceptio veritatis na hipótese?
Resposta: Em regra, é admitida a exceção da verdade na calúnia, em razão do interesse público na apuração do delito imputado, excepcionando-se apneas as situações elencadas no §3º do art. 138. Tendo o excepto foro privilegiado o respectivo Tribunal julgará a exceção. No entendimento do STF, ao Tribunal compete apenas o julgamento, sendo a instrução da exceção também feita pelo juízo original da causa. Tourinho e Cezar Bitencourt argumentam, em sentido contrário, que a palavra julgamento compreende também a instrução, já que a colheita de provas e a decisão sobre o fato principal e a exceção são aglutinadas, não se podendo falar em cisão do julgamento da ação e da exceção.
Caderno Bia: Sim. Art. 138, §3º do CP e art. 523 do CPP.
b) Qual o juízo competente para o julgamento da causa e da exceção da verdade?
Resposta: é o juízo da primeira instância (salvo para tourinho filho e bitencourt) e a exceção da verdade (art. 85 do CPP) é o tribunal.
02ª QUESTÃO: Em novembro de 2014, EDSON concorria à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil e fazia parte de uma chapa opositora àquela liderada por VALDETÁRIO. Naquela ocasião, foi veiculado em páginas eletrônicas um vídeo que retratava uma conversa, gravada de forma clandestina em uma reunião, em que VALDETÁRIO desonrando o nome de seus correligionários, dentre os quais o advogado CLETO. A partir de tal fato, CLETO fez diversos comentários no perfil pessoal de VALDETÁRIO, no site Facebook, atribuindo-lhe a gravação, edição e publicação do referido vídeo. Diante dos fatos expostos, VALDETÁRIO ajuizou ação penal privada em face de CLETO, imputando-lhe a prática dos delitos de calúnia e injúria. Foi correta a tipificação penal feita na queixa? Fundamente a sua resposta.
Resposta: Para a caracterização do crime de calúnia é necessária a imputação a alguém de fato definido como crime, sabendo o autor da calúnia ser falsa a atribuição. Devem estar presentes, simultaneamente, a imputação de fato determinado e qualificado como crime; o elemento normativo do tipo, consistente na falsidade da imputação; e o elemento subjetivo do tipo, o animus caluniandi. A caracterização crime de calúnia depende da indicação concreta, individualizada e cirinstanciada dos fatos imputados, uma vez que o crime de calúnia não se contenta com afirmações genéricas e de cunho abstrato. Dessa forma, não havendo narração um fato específico, definido como crime, contra a suposta vítima do crime contra a honra, não se configura o crime de calúnia. Ademais, deve-se dar relevo ao fato de que não há ilícito penal no ato do interlocutor que procede à gravação ambiental, ainda que sem o conhecimento dos demais participantes, sendo válida, inclusive, em determinadas situações, sua utilização como prova no processo penal.
Caderno Bia: não houve imputação de fato falso definido como crime. A definição não foi correta, pois a hipótese não é de calúnia, considerando que não há imputação falsa de crime, já que isso não é crime, nem mesmo indicação concreta e individualizada de fato. Não acusei ninguém aqui de crime nenhum.
AULA 05
Tema 09
01ª QUESTÃO: A Assembleia Legislativa do Estado X realizou uma audiência pública virtual, que foi transmitida ao vivo no canal do Poder Legislativo Estadual e no YouTube, na qual se discutia o Projeto de Lei que visava à abertura do mercado de gás no Estado X com a venda da CIDIGÁS. ALAN, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado X, que era a favor da abertura do mercado, fez as seguintes declarações: 1) “Quadrilha que vendeu o Banco do Estado X lá atrás tem as mesmas digitais desses bandidos da CIDIGÁS”. 2) “No Estado X nós temos uma quadrilha. Quadrilha com sede lá no Estado Y. É uma vergonhainternacional. Esses bandidos estão matando o povo do Estado X de fome. Chega de bandidagem! Senhor Presidente, estou saindo em respeito ao povo do Estado X. Essa palhaçada, como a palhaçada daquele 'Sindicato do MESSI', que de onze membros, ele tem oito, são os únicos contra a abertura do mercado de gás. Vem falar em três mil e tantos consumidores. Deixe de brincadeira! Respeite a fome do povo do Estado X! Respeite o Estado X! Seus bandidos canalhas”.SILVIO MESSI, diretor da CIDIGÁS, ingressou com queixa-crime em face de ALAN, imputando a ele o crime previsto no art. 139 do Código Penal. Com base no que foi narrado, essa queixa-crime merece ser recebida? Fundamente a sua resposta.
Resposta: STJ Apelação 968/DF entendeu que expressões utilizadas de caráter genérico sem se referir objetivamente a nenhum fato concreto, torna impossível a adequação típica dos delitos de difamação e injúria. Atipicidade das condutas com consequente absolvição sumária.
Obs: a prof. acha que é injúria sim.
02ª QUESTÃO: Leia com atenção os fatos narrados em determinada queixa-crime: "Causou estranheza a MANOEL que, em 18 de agosto de 2010, data do suposto retorno de YASMIN às suas atividades no escritório, a mesma não tenha se apresentado ao estágio em seu horário, às 13h, tampouco tenha dado satisfação alguma sobre a ausência ou atraso. Assim, do meio para o final da tarde, MANOEL houve por bem tentar ligar para o celular de YASMIN, duas ou três vezes, tendo deixado recado na secretária eletrônica. No final da tarde, MANOEL consultou o currículo de YASMIN e encontrou ali o seu telefone residencial. Na primeira tentativa, foi atendido pela sra. NÁDIA, que disse ser mãe de YASMIN, e que sua filha estava no banho. Algum tempo depois, MANOEL ligou novamente para a casa de YASMIN, tendo sido atendido pela irmã dela, que, sem a menor educação ou noção de civilidade, destratou-o rudemente, e ele não mais buscou informações. No dia seguinte ao ocorrido, ainda tomado de grande surpresa pelo descaso de YASMIN, MANOEL pôde perceber que era alvo de tratamento estranho por parte de um dos sócios do escritório, o que fez aumentar gravemente sua preocupação com a reação da irmã de YASMIN ao telefone. No final do dia 20 de agosto de 2010, MANOEL foi informado pelo sócio dr. JOÃO de que YASMIN havia se encontrado com o sócio dr. CRISTIANO, na data de 19.8.2010, no horário matutino, para acusar MANOEL de tê-la assediado. Especificamente, YASMIN disse ter-se sentido assediada, pois teria recebido de MANOEL dois torpedos em seu celular no dia da sua viagem para os Estados Unidos da América com declaração amorosa ("eu te amo"). Esse suposto assédio de MANOEL foi a justificativa para YASMIN afirmar veementemente que não mais pisaria seus pés no escritório. O dr. CRISTIANO confirmou a história do dr. JOÃO e disse ainda que YASMIN afirmou não ter sido assediada nenhuma outra vez por MANOEL durante o estágio, mas que o fato de MANOEL ter-lhe enviado os referidos torpedos e tê-la assediado mediante o conteúdo dos mesmos, impedia a continuidade da relação profissional que haviam travado. Ressalte-se que, como YASMIN era estudante do quarto ano de direito, deveria ter recebido tais mensagens com cautela e sem grande susto, frente a seu conteúdo singelo e nada ofensivo. Entretanto, a reação que teve com o ocorrido demonstra claramente que deu conotação maliciosa para as mensagens e que, deliberadamente, agiu para ofender a honra de MANOEL. Criou-se, então, situação de grande desconforto no ambiente profissional de MANOEL, pois todos os funcionários passaram a inquiri-lo acerca do desaparecimento repentino de YASMIN, sem contar a preocupação de algum dos sócios do escritório com a repercussão do ocorrido. MANOEL, por sua vez, viuse profundamente ofendido em sua honra subjetiva e também profissional, frente à atitude maliciosa e intencionada de YASMIN de denegrir-lhe a imagem. MANOEL jamais assediou YASMIN, tampouco enviou torpedo algum à mesma, sendo as imputações feitas pela segunda desonrosas, inverídicas e caluniosas. Em um momento de desatenção, MANOEL deixou seu celular sobre a mesa e o sr. RAFAEL apossou-se do mesmo e passou a manuseá-lo, aparentemente enviando mensagens. MANOEL solicitou ao amigo a devolução de seu celular, mas não foi atendido pelo mesmo, que, imbuído de animus jocandi, continuava a manusear o aparelho sorridentemente. Frente ao esclarecido, latenteque, em 19/8/2010, no período da manhã, YASMIN difamou MANOEL, imputando-lhe o envio de duas mensagens eletrônicas em seu celular com suposto conteúdo malicioso. Ademais, acusou-o também falsamente da prática do crime de assédio. Não há dúvida de que YASMIN deliberadamente ofendeu a reputação de MANOEL junto a terceiros, e o fato de serem eles sócios do escritório evidencia ainda mais o seu dolo específico, configurando o crime de difamação previsto no art. 139 do Código Penal. Some-se a isso que a falsa acusação de assédio feita ao querelante enseja a capitulação de sua dolosa específica conduta no crime de calúnia, prevista no art. 138 do Código Penal." Pelo exposto, YASMIN responde pela prática dos crimes de calúnia e difamação A defesa de YASMIN impetrou habeas corpus , em que pretende o trancamento da ação penal por atipicidade de conduta, tendo em vista que a paciente agiu com exclusivo animus narrandi, estando ausente o dolo específico, necessário para caracterizar a difamação e, consequentemente, a justa causa para a ação penal. Aduz, ainda, que YASMIN sentiu-se constrangida com a mensagem recebida em seu telefone celular e que, por isso, entendeu não haver mais condições de prosseguir no estágio, razão pela qual entrou em contato com o então sócio administrador do escritório, a fim de tratar sobre sua saída, apontando o ocorrido. Pergunta-se: A ordem deve ser concedida? Resposta objetivamente fundamentada em, no máximo, 15 linhas.
Resposta: Animus narrandi não é suficiente para configurar ofensa à honra. Ela não tinha o dolo de imputar a ele falsamente a prática de um crime, ela se sentiu assediada com o “eu te amo” e narrou apenas. Informativo 472 do STJ. HC 173881 SP.
Tema 10
01ª QUESTÃO: LUIZA, com 72 anos de idade, foi condenada em 18/11/2017 pelo Juízo da Primeira Vara Criminal à pena de 01 ano de reclusão pela prática do crime de injúria tipificado no art. 140, § 3º, do Código Penal, contra o qual se insurgiu apenas a defesa, e, até a presente data, não houve o julgamento do recurso defensivo. Em razão disso, a defesa de LUIZA impetra habeas corpus no qual pretende o reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva. Com base no que foi narrado, responda de forma fundamentada:
a) o habeas corpus merece acolhimento?
b) caso a injúria tivesse sido praticada através de mensagens privadas, (instagram direct) onde teria ocorrido a sua consumação?
Resposta: Em 2023, com a lei 14.523/23, artigo 140, p. 3º passou a ter redação englobando apenas pessoas com deficiência, pessoas idosas e questões religiosas. Logo, prescritível , porque não está na lei do racismo e sim no CP. A ação penal é pública condicionada a representação. Já na lei 7716/89 foi inserido o art. 2º-A pela lei 14.523/23 que considera injuriar alguém por razões de raça, cor , etnia ou procedência nascional crime de rascismo. Nesse caso, será imprescritível e inafiançável. A ação penal será pública incondicionada. Hoje, o que chamamos de injuria racial é rascimo. Antes dessas alterações, a jurisprudência seguia a linha de equiparar o art. 140, p. 3º ao rascismo, considerando-o imprescritível ( que foi inclusive o julgado utilizado como paradigma do gabarito de 2021) . Depois dessa lei em atenção ao principio da reserva legal, a celeuma foi resolvida. Assim, no presente caso, como há apenas menção a pratica da injuria do art. 140, p. 3º do CP, trata-se de crime prescritível. No caso, considerando que a pena a 1ue foi condenada Luiza é de 1 ano. prescreveria em 4 anos, nos termos do art. 109, V do CP, e que a condenação se deu em 2017 ( art. 110, 1º a acusação não recorreu, logo transitou em julgadopara ela, para fins de PPP) o crime prescreveu , porque estamos em 2024.
02ª QUESTÃO: RITA é agente penitenciária lotada no Centro de Detenção Provisória desta cidade. Ela é subordinada a REGINALDO, seu chefe, que desempenha a função de diretor de segurança e disciplina daquele Centro. Após RITA solicitar a REGINALDO o abono de uma falta sua, ela ligou para a secretaria do estabelecimento prisional referido e, por telefone, pediu ajuda para sua colega de trabalho ADRIANA, a fim de fazer um recadastramento, visto que pretendia emendar a falta que seria abonada com outra licença. Contudo, ADRIANA alertou RITA de que REGINALDO não havia abonado a sua falta. Ao saber de tal fato, RITA passou a proferir ofensas contra REGINALDO, afirmando para ADRIANA: "Este macaco, preto, sem-vergonha está indeferindo a minha falta. Eu vou procurar o Dr. Righete". Ocorre que, momentos antes, REGINALDO, que estava no mesmo setor que ADRIANA, havia retirado o telefone do gancho para fazer uma ligação e acabou por ouvir as palavras proferidas por RITA. Então, REGINALDO foi até a sala onde estava ADRIANA e falou que tinha ouvido as palavras proferidas por RITA a seu respeito e que elas tiveram o intuito de diminuí-lo como pessoa, em razão de sua cor negra. Com base no caso narrado, RITA deverá responder por algum crime? Em caso positivo, qual seria ele? Fundamente as suas respostas.
Resposta: se no grupo do whatsapp, falou a qualidade negativa da pessoa, seria uma injúria, não será esse crime, pois não se ofendeu a honra subjetiva. Mas se for calúnia e difamação, tem crime.
AULA 06
Tema 11
01ª QUESTÃO: ANTÔNIO trabalha há cerca de 8 anos com o transporte alternativo de passageiros. Apesar de um período de certa permissividade durante o qual a ausência de regulamentação possibilitou a multiplicação dessa atividade, tão logo a Prefeitura da cidade empreendeu uma reorganização das linhas municipais de ônibus a atividade se tornou proibida. O exercício do transporte de passageiros por vans passou a ficar restrito a determinadas áreas e a trajetos muito específicos. Ainda assim, ANTÔNIO, sem a devida autorização, prosseguiu realizando sua atividade como se nada tivesse ocorrido. Certo dia, durante uma blitz do DETRO (Departamento de Transportes Rodoviários do Rio de Janeiro), ANTÔNIO foi abordado e, constatada a existência de vinte mil reais em multas, além da realização do transporte irregular de passageiros, teve sua van apreendida e recolhida ao depósito terceirizado do departamento. Neste mesmo dia, ANTÔNIO, devidamente acompanhado de dois vizinhos milicianos que estavam armados, vai ao depósito e rende os dois seguranças do local, culminando por retirar sua van. Os fatos foram, então, descobertos e, concluído o inquérito policial, foi ANTÔNIO denunciado pelo Ministério Público pela prática de roubo duplamente circunstanciado (art. 157, § 2º, II e § 2º-A, I, todos do CP). Diante do quadro posto, deve a denúncia ser recebida nestes termos pelo Juiz? Justifique a sua resposta.
Resposta: A capitulação do MP, portanto, não está correta, pois sendo Antônio o proprietário do veículo, ele não pode roubar coisa própria. Também não podemos falar do crime do art. 345 do CP, uma vez que a sua pretensão não é legítima, ou seja, ele não tem como cobrar a restituição do veículo em sede judicial. Desta forma, Antônio cometeu o crime de constrangimento ilegal qualificado pelo p. 1º, duas vezes (dois guardas?), em concurso formal
02ª QUESTÃO: RICARDO é dono de uma boate na Espanha, na qual diversas garotas exercem prostituição. Entre janeiro e março de 2015, RICARDO negociou com diversas mulheres, todas maiores de 18 anos de idade, o ingresso delas na Espanha, a fim de que lá elas exercessem a prostituição na sua boate. Restou acertado entre eles que RICARDO providenciaria os documentos necessários para a viagem e arcaria com o valor da passagem aérea delas, valor esse que seria reembolsado ao longo de um ano, e que ainda ficaria responsável pelo alojamento delas. Algumas mulheres lograram viajar para Espanha e exercer a prostituição na boate de RICARDO. O Ministério Público, ciente dos fatos, no dia 03 de junho de 2016, denunciou RICARDO como incurso nas penas do art. 231, caput, e §1º do Código Penal. A defesa de RICARDO pretende o reconhecimento da atipicidade de sua conduta. Os autos foram para o juiz monocrático no dia 12 de janeiro de 2017, para a sentença. Você, na qualidade de juiz, como decidiria? Fundamente a sua resposta.
Resposta: A antiga redação do art. 231 do CP punia aqueles que, de qualquer forma, contribuíam para o tráfico de mulheres com fins de prostituição, independentemente do modus operandi. Atualmente, a conduta é prevista no art. 149-A que apenas trata como crime o aliciamento praticado com emprego de violência, grave ameaça, fraude etc. Desta forma, pessoas maiores de 18 anos que vão para o exterior cientes que exerceram a prostituição, recebendo ajuda de terceiros, é uma conduta que não possui qualquer repercussão penal.
Tema 12
01ª QUESTÃO: TÍCIO foi internado numa clínica psiquiátrica em razão de uma crise psicótica, por seus familiares. Debelada a crise e já tendo obtido condições de alta hospitalar, o internado deixou de ser liberado em razão dos seus familiares terem alegado não possuírem condições econômicas para o pagamento da conta de internação, condição imposta pelo gerente daquele frenocômio para tal liberação. Minutos após e com a chegada de policiais, cuja presença foi solicitada pelos familiares do internado, este foi encontrado isolado em determinado compartimento da clínica, tendo sido alegado que a justificativa para isto se devia a ter sido ele identificado como portador de doença contagiosa.
a) Existe delito a ser identificado? Em caso afirmativo, qual?
Resposta: Cárcere/sequestro (Elisa prefere) ou exercício arbitrário das próprias razões
b) Caso não houvesse o problema do pagamento da conta de internação e a não-liberação de TÍCIO se devesse a expediente desenvolvido por um dos seus familiares com a direção da clínica, haveria diferença para efeito de eventual tipificação penal?
Resposta: Cárcere/sequestro.
c) O fato de a ausência de liberação do internado ter se verificado por poucos minutos, caracterizaria a tentativa ou a consumação do ilícito?
Resposta: Atipicidade porque a caracterização do sequestro exige que a vítima fique presa por um tempo.
d) A justificativa apresentada para a não liberação do interno, após a chegada da polícia, se verdadeira, seria relevante?
Resposta: Exclusão de ilicitude, mas a professora não concorda.
02ª QUESTÃO: Concurso para Delegado de Polícia 3 ª classeProva Discursiva EspecíficaAplicação: 03/06/2022 Oswald, habilidoso hacker, aproveitou-se de uma vulnerabilidade no sistema informatizado para invadir a conta de criptomoedas (representações digitais de valor sem formato físico, como o bitcoin) de titularidade de Tarsila. Em seguida, ele transferiu as criptomoedas dela para uma conta de sua titularidade e, com isso, aumentou o próprio patrimônio. Tarsila, vendo-se desapossada, procurou a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) para registrar o fato. Nessa situação hipotética, qual é a correta subsunção a ser dada ao fato? Justifique sua resposta, expondo objetivamente os entendimentos doutrinários porventura existentes
Resposta: Para configurar furto, deve ser coisa móvel, a mobilidade precisa ser física, corpórea. Logo,criptomoeda não é coisa móvel, porque só é móvel no mundo virtual, art. 154-A.
AULA 07
Tema 13
01ª QUESTÃO: ALDIR, sócio do restaurante Seachegue, após sofrer com a grave crise financeira decorrente da pandemia ocasionada pela Covid-19, decidiu realizar ligações diretas da rede elétrica da Concessionária Restrita para seu estabelecimento comercial, sem passagem pelo medidor de energia, a fim de minimizar os seus custos mensais, o que efetivamente ocorreu. Constatado o fato, ALDIR foi denunciado pelo Ministério Público Antes do recebimento da denúncia, ALDIR quitou a dívida com a aludida concessionária, razãopela qual pretende a extinção da punibilidade, por aplicação analógica do art. 34 da Lei nº. 9.249/1995, que versa sobre crimes tributários. Com base no que foi narrado, responda fundamentadamente: a) qual foi a conduta típica praticada por ALDIR? b) você, na qualidade de juiz, acolheria a pretensão defensiva? Redação do art. 34 da Lei nº. 9.249/1995: "Art. 34. Extingue-se a punibilidade dos crimes definidos na Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e na Lei nº 4.729, de 14 de julho de 1965, quando o agente promover o pagamento do tributo ou contribuição social, inclusive acessórios, antes do recebimento da denúncia."
Resposta: A pretensão defensiva não pode ser acolhida, porque causas de extinção de punibilidade são matérias de direito estrito, de modo que só se aplicam nas hipóteses para as quais elas foram criadas. Trata-se de furto simples de energia
02ª QUESTÃO: No dia 31 de julho de 2022, por volta da 0h, MARCO, aproveitando-se do repouso noturno e da baixa vigilância no local, após ter arrombado uma janela do estabelecimento comercial (bar) da vítima, ingressou no local e, de lá, subtraiu 03 aparelhos de telefonia celular, uma cártula de cheque preenchida no valor de R$ 1.000,00 e R$ 13.200,00 em espécie, que estavam no interior de uma bolsa, evadindo-se em seguida. Em razão desses fatos, o Ministério Público denunciou MARCO como incurso nas penas do artigo 155, §§ 1° e 4°, inciso I, do Código Penal. Foi correta a tipificação penal feita pelo parquet? Analise todos os aspectos atinentes ao caso, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça.
Resposta: A jurisprudência do STJ atual não mais admite a combinação do furto noturno com a modalidade qualificada. REsp 1890981.
Tema 14
01ª QUESTÃO: RODRIGO foi designado como tesoureiro, responsável pelo departamento financeiro e de compras da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro. De posse das senhas das contas da administração e investimentos, fornecidas pela diretoria, bem como do aparelho Token, que lhe permitia acessar e movimentar, com segurança, todas as contas pelo sistema Internet-Bankline, RODRIGO passou a realizar transferências ilícitas das contas da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro para contas-correntes de terceiros, pessoas físicas e jurídicas. Para evitar qualquer alarde da diretoria da entidade vítima e com o objetivo de ocultar as transferências ilícitas, RODRIGO falsificava os extratos bancários reais das referidas contas, acessando, para tanto, o site da instituição financeira, selecionando todo o extrato, copiando-o, na sequência, colando-o no programa Word e apagando os registros nos quais apareciam as transferências ilegais, atualizando o saldo, já com todas as alterações. Ato contínuo, imprimia o extrato, enviando-o ao contador responsável, para que fosse elaborado o balancete mensal que era enviado para a diretoria da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro. Com isso, no período pouco superior a um ano, RODRIGO adquiriu, mediante as transferências ilícitas on-line provenientes das contas da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro, um enorme patrimônio, consubstanciado em bens móveis, como veículos de luxo, lanchas, e bens imóveis, como casas, flats e bangalô, neste e em outros municípios do Estado de Goiás. Além disso, pagou inúmeras contas de altos valores, que variavam de R$ 7.000,00 (sete mil reais) a R$ 10.000,00 (dez mil reais) referentes a "noitadas" em casas de shows que frequentava na companhia de amigos. Em razão dos fatos narrados, o Ministério Público denunciou RODRIGO como incurso nas penas do art. 155, § 4º, II, do CP. A defesa de RODRIGO não contestou os fatos narrados na inicial, mas afirma que a conduta praticada por ele se amolda ao crime previsto no art. 168 do Código Penal, e subsidiariamente ao art. 171 do Código Penal. Você, na qualidade de juiz, como decidiria? Fundamente a sua resposta.
Resposta: Furto com emprego de fraude. Ele não tem a posse direta. Além disso, não há indução ao erro. AgReg AgRESp 1383669.
02ª QUESTÃO: (QUESTÃO RETIRADA DA PROVA PRELIMINAR DO XXXV CONCURSO PARA INGRESSO NA CLASSE INICIAL DA CARREIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - aplicada em 20/05/2018) Alberto, réu em ação penal por crime de tráfico de drogas, após haver respondido a todo o processo preso preventivamente, obteve, na sentença, a desclassificação da imputação para o delito de posse de drogas para consumo pessoal. Considerando que o tempo da prisão cautelar seria mais que suficiente para compensar eventual condenação, o juiz extinguiu a punibilidade do fato, reconhecendo a detração penal analógica virtual. Publicada a sentença, as partes não interpuseram recurso, operando-se seu trânsito em julgado. Decorridos dois anos, Alberto subtrai para si, às duas horas da madrugada, em concurso de ações e desígnios com um adolescente, mediante explosão de caixa eletrônica instalada em uma padaria, cuja porta arrombou, a importância de R$650,00 (seiscentos e cinquenta reais). Pergunta-se:
Chama-se de sentença autofágica. Ainda que ele tivesse respondido ao processo, ele segue sendo primário, podendo ser discutida a aplicação do privilégio.
a) qual a adequação típica do fato?
Resposta: Furto qualificado pelo concurso de agentes e pela explosão. Além disso, corrupção de menores do art. 244-B do ECA. Se for 650, dá para aplicar o privilégio;
b) qual seria a resposta, caso a importância subtraída fosse de R$3.000,00 (três mil reais)?
Resposta: Se for mais de 1 salário, não tem como.
c) qual seria a resposta, caso Alberto e o adolescente, na hipótese original, fossem detidos em flagrante por policiais, ainda na posse do dinheiro subtraído, assim que deixassem a padaria?
Resposta: Eles tiveram por um breve momento a posse. Súmula 582 do STJ.
d) qual seria a resposta, caso o equipamento avariado pela explosão estivesse sem dinheiro? Resposta objetivamente fundamentada.
Resposta: Crime impossível para furto e delito de explosão. É o gabarito. Porém, o prof. discorda: ele diz que seria tentativa de furto qualificado pela explosão.
AULA 08
Tema 15
01ª QUESTÃO: MÁRIO ingressa numa residência, durante uma festa, e dirige-se ao quarto de CAIO, dono da casa, onde estão guardadas várias jóias. Localiza-as, acomoda todas numa bolsa e, ao se retirar do quarto se surpreende com a chegada de CAIO, que o impede de sair. MÁRIO, então, ameaça CAIO com um revólver que trazia, para qualquer eventualidade, e foge com as jóias. Pergunta-se:
a) Qual o crime praticado por MÁRIO?
Resposta: Roubo impróprio (furto que se tornou roubo impróprio)
b) Seria possível a tentativa, neste caso?
Resposta: Nelson Hungria e Assis Toledo diziam que não, sob o argumento de que o momento consumativo seria no momento da violência ou grave ameaça. Contudo, Nucci e Weber Martins (prof concorda) alegam que se a subtração não se consumar, não há como se ter como consumado um roubo impróprio. O STJ entende que não cabe tentativa no roubo impróprio.
c) Quantos crimes haveria se as jóias pertencessem a três pessoas?
Resposta: Se o sujeito soubesse que pertence a 3 pessoas, 3 roubos. Se ele não souber, apenas um roubo.
d) E se não houvesse nenhuma jóia guardada no quarto porque CAIO, naquela mesma noite, já tivesse sido subtraído por outra pessoa?
Resposta: A inexistência de bens no furto caracteriza crime impossível. Portanto, a ação de empregar violência ou grave ameaça para se evadir do local configura constrangimento ilegal. Nesse sentido, Capez. Já Bittencourt entende que roubo impróprio é crime complexo e portanto a inexistência de bens atrairia a tentativa de roubo.
e) E se MÁRIO tivesse ingressado na casa anunciando com o revólver o roubo, haveria alteração na tipificação?
Resposta: Roubo próprio, do caput.
f) E se MÁRIO não tivesse sido surpreendido por CAIO no quarto, mas sim numa esquina de rua próxima, já depois de ter saído da residência calmamente, quando então, CAIO reconhecendo as suas jóias, interpelasse MÁRIO, momento em quevem a ser agredido por este?
Resposta: Furto + lesão corporal em concurso material
02ª QUESTÃO: SOFIA e duas amigas não identificadas ingressaram no táxi de JONAS e solicitaram corrida à Vila Cruzeiro. Ao chegarem no local, as passageiras não localizaram a pessoa que procuravam, momento em que uma das jovens então pediu para que fossem conduzidas à casa cujo endereço novamente não sabiam precisar, de modo que o táxi percorreu, então, várias ruas até encontrá-lo. Ao terminar a corrida, JONAS cobrou-lhes o valor de R$ 30,00 (trinta reais), ocasião em que SOFIA, de inopino, sacou uma faca e com esta atingiu o pescoço de JONAS, deixando o veículo e se evadindo do local junto das garotas. Ato contínuo, JONAS se dirigiu ao hospital em busca de socorro. Ao ser atendido, foi informado de que o golpe ocasionou lesão corporal leve, mas que poderia ter sido fatal, pois quase atingira a artéria. Em razão dos fatos narrados, o Ministério Público denunciou SOFIA como incursa nas penas do artigo 157, §3º, in fine, na forma do artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal. A defesa confirmou os fatos narrados na inicial, mas afirma ter ocorrido a desistência voluntária, pois a denunciada abandonou o táxi no qual desferira o golpe de faca no motorista, de forma voluntária, sem levar objetos, o que excluiria a tentativa de latrocínio. Com base no caso concreto, foi correta a tipificação penal feita pelo parquet? Fundamente a sua resposta.
Resposta: Não. O dolo do agente é o que importa, e não o resultado. Ao esfaquear o pescoço, o dolo eventual é de matar. Também não é latrocínio, porque não há coisa alheia móvel. Não é possível equiparar preço de serviço como coisa alheia móvel para fins de configuração do latrocínio. REsp 1777543.
Tema 16
01ª QUESTÃO: No dia 05 de novembro de 2018, THOMAS dirigiu-se ao caixa eletrônico localizado no interior da agência do Banco Santo André, na Rua da Assembleia, quando DANIEL se aproximou e lhe mostrou uma faca, ordenando que THOMAS lhe entregasse seu telefone celular, um iPhone 8. Após a entrega do referido bem, DANIEL saiu do local andando tranquilamente, indo em direção à Rua Uruguaiana e, quando estava próximo à Rua da Carioca, foi interceptado por policiais militares que realizaram uma revista pessoal e lograram encontrar DANIEL na posse da res furtiva e da faca utilizada no crime. Em razão desses fatos, DANIEL foi denunciado pelo Ministério Público e posteriormente condenado à pena de 4 anos e 9 meses de reclusão, mais o pagamento de 10 dias-multa, em razão da prática da conduta tipificada no art. 157, caput, do Código Penal. A defesa de DANIEL apresentou recurso de apelação, no qual impugna apenas a exasperação da pena decorrente do uso da faca, uma vez que a prática delituosa ocorreu após a entrada em vigor da Lei nº 13.654/2018. Diante do caso narrado, a pretensão recursal deverá ser provida? Fundamente a sua resposta.
Resposta: O emprego de arma branca ou arma imprópria anteriormente à lei 13654/18 configurava aumento de pena por previsão expressa. A partir dessa lei, desaparece tal possibilidade, mas não fica o juiz impedido de levar em conta tal emprego como circunstância judicial. HC 55629.
02ª QUESTÃO: ANDRÉ, em um domingo de manhã, mediante grave ameaça exercida com emprego de arma de fogo - um revólver Taurus de calibre 38 -, subtraiu para si um veículo Fiat Palio, um aparelho celular, bem como a quantia de R$ 120,00 (cento e vinte reais) de BÁRBARA, que estava sozinha no automóvel. ANDRÉ foi preso em flagrante, logo após testemunhas escutarem o barulho de um tiro dado por ANDRÉ para o alto, que ocorreu segundos antes da subtração. A arma não foi apreendida. Ouvida, ainda extraoficialmente, pelos policiais, a vítima mostrou-se muitíssimo abalada e disse que achou que morreria - dada a agressividade da abordagem. Diante das circunstâncias apresentadas:
a) tipifique a conduta delituosa praticada por ANDRÉ;
Resposta: Se não sabemos a arma empregada, consideraremos que foi de uso permitido
b) a tipificação penal se manteria caso a arma de fogo fosse apreendida, periciada e constatada a inaptidão para realização de disparos? Fundamente as suas respostas.
Resposta: Se apreendeu, fez perícia, potencial lesivo baixo, não vai ter a causa de aumento. AgReg no HC 618879.
AULA 09
Tema 17
01ª QUESTÃO: CAIO abordou nas proximidades do Campo de Santana uma família de quatro pessoas, sendo o casal de pais e um casal de filhos, todos já exercendo atividade laborativa lícita. Quando da abordagem, CAIO, que se encontrava empunhando um revólver, e diante da manifestação das vítimas que não queriam entregar os seus pertences, veio a disparar contra todos eles, produzindo nos mesmos, em conseqüência, lesões corporais de natureza grave, conforme depois foi atestado pelos autos de lesões correspondentes. No entanto, diante da intervenção de populares, CAIO não conseguiu subtrair qualquer daqueles pertences, vindo a ser detido mais adiante.
a) Qual a capitulação da conduta imputada a CAIO, determinando-se se o fato punível em questão deve ser considerado como tentado ou consumado?
Resposta: Latrocínio tentado 4x, com uma única ação. Uma ação repartida em vários atos. Concurso formal. A consumação se dá com a superveniência do resultado mais grave, sendo irrelevante não ter ocorrido a subtração visada. Trata-se de roubo qualificado pela produção de lesão grave. Prof discorda, porque entende que há animus necandi. O gabarito não entende pelo animus necandi. Panoeiro: Roubo qualificado pela produção de lesões corporais de natureza grave. Dependendo da direção das lesões causadas, indicaria uma tentativa de latrocínio e não propriamente roubo seguido de lesões corporais graves.
b) Diante da multiplicidade de resultados ofensivos, como deve ser definida a hipótese: como crime único, como concurso formal de delitos ou como crime continuado?
Resposta: Não é crime único. Patrimônios diferentes. Prof acha que é concurso formal, pois não houve ações autônomas. Se tivesse ocorrido ações autônomas, poderia falar em continuidade delitiva, em que há a mesma situação fática do concurso material. Se entender que houve várias ações tem que indicar continuidade delitiva. Mas prof acha correto que houve uma ação dividida em vários atos. O gabarito explora as diferentes posições e não se posiciona. Panoeiro: Concurso formal impróprio de latrocínio, de acordo com o STJ.
c) E se CAIO tivesse lesionado apenas uma das vítimas, mas subtraído os pertences das quatro, a situação se alteraria?
Resposta: Aqui depende de em quem ele atirou. Se atirou só na vítima 4, responde por roubo com arma para as outras e latrocínio em relação à vítima 4. Aqui, houve roubo qualificado pela lesão corporal grave na forma da tentativa. O gabarito cita texto de bitencourt, mas fala se a pluralidade da vítima ser ou não crime único. Não é crime único, segundo Bitencourt. Panoeiro: 3 roubos e 1 tentativa de latrocínio.
d) Qual a diferença entre o roubo qualificado pela lesão grave e a tentativa de latrocínio na qual ocorre a subtração porém a vítima sobrevive, com lesões corporais graves?
Resposta: Elemento subjetivo. Se o dolo era de matar, 157, §3º, II, na forma tentada. Se foi lesão corporal, consumado
02ª QUESTÃO: No dia 05 de novembro de 2016, FÁBIO e APARECIDA saíram para jantar, a fim de comemorar cinco anos da data em que eles se casaram. Após saírem do restaurante, eles se dirigiram ao veículo Fiat Siena, tendo FÁBIO se colocado na direção dele e APARECIDA, no banco do carona. Tão logo APARECIDA fechou a porta do carro, FERNANDO e MARIA abriram a porta traseira direita do automóvel, adentraram neste e, FERNANDO empunhando uma arma de fogo, determinou que FÁBIO e APARECIDA permanecessem no interior do veículo e seguissem com o carro na direção do Centro de Duque de Caxias, o que foi prontamente atendido por eles. Em seguida, FERNANDO, encostando a todo momento a arma nas costelas de FÁBIO, ordenou que as vítimas lhe entregassem seus pertences. Considerando o caso concreto narrado, tipifique ascondutas praticadas por FERNANDO, caso após os fatos já narrados ocorressem os seguintes fatos:
a) MARIA não se conformasse com a atitude de FERNANDO de encostar a arma nas costelas de FÁBIO e pedisse insistentemente que ele abaixasse a referida arma, ocasião em que FERNANDO, extremamente irritado com a persistência de MARIA, lhe desferisse 2 tiros na cabeça, causando-lhe a morte. FERNANDO logra subtrair os pertences de FÁBIO e APARECIDA.
Resposta: homicídio em relação a Maria. Roubos com emprego de arma para Fábio e Aparecida. Morte do corréu nesse contexto não configura latrocínio. Mas pode acontecer no caso do erro do tiro.
b) FÁBIO, que estava armado, desferiu 2 tiros na cabeça de MARIA, que morreu instantaneamente, e FERNANDO, então, saiu do veículo ainda em movimento sem levar consigo qualquer pertence.
Resposta: Legítima defesa. A morte não gera latrocínio. A ação tem que ser do agente. Fernando responde por roubo tentado.
c) FERNANDO atirou em direção a cabeça de APARECIDA, mas, por erro de execução causou a morte de MARIA. Não houve a consumação da subtração de qualquer bem.
Resposta: Latrocínio consumado. Resp 1557416
Tema 18
01ª QUESTÃO: JOÃO exerce a função de vigilante junto a uma instituição bancária e, nessa qualidade, não possui a chave que dá acesso ao cofre. No dia 02/05/2023, por volta das 19:00, quando JOÃO retornava para sua residência, foi abordado por ARIEL, o qual, mediante grave ameaça exercida com emprego de arma de fogo, o rendeu e ordenou que ficasse próximo de uma árvore e entregasse seu telefone celular. JOÃO acreditou que estava sendo vítima de um roubo, porém, em seguida, um veículo Fiat/Uno, cor prata, parou ao seu lado, e ARIEL ordenou que entrasse no veículo. Ao ingressar no veículo, JOÃO constatou que este já era ocupado por outros três indivíduos, totalizando, com ele, cinco passageiros. Eles trafegaram por cerca de 20 minutos. Durante esse período no veículo, os indivíduos continuaram a ameaçar JOÃO e afirmavam que ele era gerente da agência bancária, tendo JOÃO negado tal informação. Depois desse período, JOÃO foi levado a um barraco de alvenaria, onde permaneceu de cabeça baixa e com os braços e pernas presos com enforca gato. Por volta das 23:50, dois indivíduos entraram no cômodo onde JOÃO estava e afirmaram que tinham confirmado que realmente ele era vigilante, e não gerente, e que ele seria libertado. JOÃO, então, foi levado por dois indivíduos e posteriormente liberado numa via pública sem saída. Com base nos fatos narrados, o Ministério Público denunciou ARIEL como incurso nas penas dos arts. 157, § 2º, inciso II, § 2º-A, inciso I, e 159, todos do Código Penal, em concurso material. A defesa não contestou os fatos narrados pelo parquet, mas pretende: (i) a desclassificação do crime disposto no art. 159 do Código Penal, para o do art. 148, do Código Penal, ou para o crime do art. 158, § 3º, do Código Penal e, subsidiariamente, (ii) o reconhecimento da forma tentada do crime tipificado no art. 159 do Código Penal; e (iii) o reconhecimento da absorção do crime de roubo pelo crime de extorsão. Você, na qualidade de juiz, decida sobre as pretensões da defesa, assim como identifique a correta tipificação penal. Fundamente as suas respostas.
Resposta: aqui teve restrição fundamental à obtenção da vantagem. O crime é o do 158, §3º e roubo do celular.
02ª QUESTÃO: PAULO, aluno do último período do curso de Medicina, diante da dificuldade de aprovação em uma determinada disciplina e da necessidade de se formar naquele semestre, pois havia recebido uma irrecusável proposta de emprego tão logo se formasse, decidiu sequestrar o filho do professor que realizaria a correção da prova daquela matéria. Tão logo a ação foi executada, PAULO entrou em contato com o professor e exigiu como condição do resgate a sua aprovação. Imediatamente, o professor entrou em contato com a polícia e esta logrou livrar o filho do professor, sem que a condição do resgate fosse implementada. Diante do que foi narrado, tipifique, de forma fundamentada, a conduta praticada por PAULO.
Resposta: discussão da vantagem. É crime do 148, pois não há intenção de obter vantagem patrimonial, que é necessária para configurar o 159.
AULA 10
Tema 19
01ª QUESTÃO: TICIO é o melhor amigo de CAIO, a quem pede emprestado um livro de doutrina de Direito Penal para estudar uma determinada matéria. CAIO empresta-lhe o livro, que é raro, para que o devolva tão logo faça a pesquisa. TICIO leva o livro para casa e gosta tanto do mesmo que resolve ficar com ele, dizendo a CAIO que foi roubado e que os ladrões teriam levado o seu livro. Dois meses depois, CAIO descobre a verdade. Pergunta-se:
a) Tipifique a conduta praticada por TICIO.
Resposta: Apropriação indébita, embora tenha havido traição de confiança, por ser seu melhor amigo. No entanto, tício tinha a posse lícita do livro e não a mera detenção vigiada, tendo havido posteriormente a vontade de se apoderar do bem.
b) A situação se alteraria se TICIO pedisse a CAIO para olhar o livro na casa deste e, depois, a pretexto de estar com sede, pedisse um copo d'água a CAIO e aproveitasse o momento em que este se afastasse da sala e fosse embora levando o livro?
Resposta: Sim, seria crime de furto qualificado pela fraude, porque ele usou um ardil de que estava com sede.
c) A situação se alteraria se TICIO pedisse a CAIO para olhar o livro na casa deste e, aproveitando-se da distração de CAIO, colocasse o livro na bolsa e fosse embora com ele?
Resposta: Sim, seria crime de furto qualificado pelo abuso de confiança, pois o fato de distrair-se constitui prova de que Caio confiava em Tício, deixando ao seu alcance suas coisas, e ele, aproveitando-se disso, subtraiu. Há quem entenda que seria furto mediante fraude, mas não é o melhor entendimento, uma vez que ingresso em casa alheia permitido realmente é mais exteriorização de confiança do que fraude.
02ª QUESTÃO: No dia 25/10/2020, FÁBIO, passando-se de cliente, ingressou no estabelecimento empresarial Elite Air Soft e solicitou a arma de Air Soft, avaliada em R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), para ver em mãos, recebendo-a, e, quando deveria devolvê-la, saiu em disparada sendo perseguido pelo gerente BRUNO, detendo a coisa quando a mesma ainda estava sob a esfera de vigilância deste. Em razão dos fatos narrados, o Ministério Público denunciou FÁBIO como incurso nas penas do art. 155, § 4º, II, do Código Penal. dois tipos A defesa de FÁBIO não contestou a dinâmica dos fatos narrados pelo parquet, mas afirma que eles se adequam ao tipo penal do art. 168 do Código Penal. Você, na qualidade de juiz, acolheria a pretensaão de FÁBIO? Fundamente a sua resposta, diferenciando os penais Tema 20: citados na questão .
Resposta: É furto qualificado, porque o agente não tinha a posse desvigiada da coisa que é exigência do tipo penal apropriação indébita.
Caderno Bia: prof entende que não foi furto. A dúvida é se tinha má-fé desde o início ou se apropriou-se. Prof acha que é estelionato, pois teve ardil inicial. O caso do test drive que o sujeito pega o carro e sai correndo seria estelionato, mas por política criminal se diz que é furto. O que difere o furto da apropriação indébita e também do estelionato é o modo de obter a coisa pelo sujeito.
Tema 20
01ª QUESTÃO: JOSÉ, na qualidade médico de um hospital universitário estadual, em período delimitado entre 01/01/2014 e 01/11/2015, registrou seu ponto e se retirou do local de trabalho sem cumprir a sua carga horária. No dia 02/05/2016, o Ministério Público denunciou JOSÉ como incurso nas penas do art. 171, §3º, do Código Penal. A defesa de JOSÉ não contestou os fatos narrados na denúncia, mas pretende o reconhecimento do princípio da insignificância em razão da inofensividade ao bem juridicamente tutelado, da aplicabilidade do princípio da fragmentariedade do Direito Penal e da ausência de prova de prejuízo patrimonial. Com base nos fatos narrados, responda de forma fundamentada:
Regra. Ação penal, em regra, somente se procede mediante representação,salvo os casos do par 5º.
O problema está nos casos em que temos estelionato praticados antes dessa lei e processos tramitando antes dessa lei. Se precisaria que a vítima fosse lá e representasse Solução pelo STJ. A representação é condição de procedibilidade ou prosseguibilidade para os processos que iniciaram antes da lei de 2019.
2015 > respondeu por 171, par 3º.
a) Você, na qualidade de juiz, acolheria a pretensão defensiva?
Resposta: Insignificância alega a defesa. Não pode ser aplicada, INFO 672 STJ. Em geral, o princípio da insignificância pode ser aplicado no estelionato. Ocorre que, nesse caso, o STJ não aplicou a insignificância, pois quem praticou foi um médico no desempenho de um órgão público. Pagamento é de verba pública, não pode ser considerado inexpressivo o valor.
Caderno Bia: Não se admite a incidência do princípio da insignificância na prática do estelionato praticado contra a administração pública.
b) Caso JOSÉ fosse médico de um hospital particular e o julgamento do processo ocorresse no dia 02/02/2020, você, na qualidade de juiz, como decidiria em relação à necessidade de representação da vítima?
Resposta: Julgamento em 2.2.2020 no caso concreto. Cronologia das decisões. Necessidade de representação da vítima. Há uma corrente que indica que atos praticados antes do pacote anticrime, não se aplicaria, desde que tivesse denúncia oferecida. INFO 674 de julho de 2020
INFO 677, setembro de 2020. A retroatividade da representação alcança todos os processos, desde que não transitado em julgado. Norma processual híbrida ou mista, como tem carga penal, deve retroagir para beneficiar o réu.
Outubro de 2020, STF. INFO 995. Supremo entendeu que não retroagia se já tivesse oferecido a denúncia, 1ª Turma.
STJ Novamente, INFO 691. Abril de 2021. 3ª seção. Não retroage se já tem denúncia oferecida.
INFO 1023, STF. Plenário já confirmou o julgado dessa turma. RESPOSTA. DEVE SER APLICADA DE FORMA RETROATIVA, ABRANGENDO AS TRANSITADAS EM JULGADO E NÃO TRANSITADAS EM JULGADO.
§ 5º Somente se procede mediante representação, salvo se a vítima for: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - a Administração Pública, direta ou indireta; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - criança ou adolescente; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
III - pessoa com deficiência mental; ou (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou incapaz. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Caderno BIA: O atual entendimento do stf é no sentido de que a alteração movida pelo pacote anticrime retroage a abranger ações não iniciadas e ações em curso, até o trânsito em julgado.
02ª QUESTÃO: LUIZA procurou empréstimo pessoal na internet e, através de um anúncio que oferecia "empréstimo rápido e fácil", combinou com HENRIQUE, por telefone, o empréstimo no valor de R$ 70.000,00 (setenta mil reais). Para a formalização do negócio, HENRIQUE informou que depositaria um cheque no valor de R$ 72.000,00 na conta-corrente de LUIZA e que ela deveria depositar na conta-corrente de seu amigo JOÃO os valores R$ 987,00 e R$ 869,00, a título de "custas", e mais R$ 2.000,00, como forma de compensação do valor excedente que constou no cheque. Após todas as operações bancárias realizadas, LUIZA constatou ter sido vítima de fraude, pois o cheque depositado em sua conta-corrente foi devolvido por insuficiência de fundos, sendo certo que após isso não logrou obter mais contato com HENRIQUE. Com base no caso concreto narrado, responda fundamentadamente:
a) qual é a conduta típica praticada por HENRIQUE?
Resposta: Henrique usou o cheque para cometer estelionato feito em conta-corrente. Houve estelionato mediante fraude eletrônica. 171, §2º-A, pois foi praticado mediante uso da internet e telefone. O cheque foi apenas o meio utilizado para enganar a vítima e garantir que ela efetivasse o depósito
b) onde ocorreu a consumação do crime praticado por ele?
Resposta: Se consuma quando o valor efetivamente ingressa na conta bancária do beneficiário do crime. O local da consumação é no local onde tem conta. Apesar de doutrina e jurisprudência considerarem como local da consumação onde ingressa na conta do beneficiário, a competência é do juízo do domicílio da vítima. Art. 70, §4º do cpp.
AULA 11
Tema 21
01ª QUESTÃO: CAIO adquiriu de MÉLVIO arma de fogo de uso restrito, estando ciente de que a numeração daquela arma estava raspada. MÉLVIO afirmou para CAIO que aquela arma lhe pertencia, tendo-a recebido de seu pai, sendo acertado o preço justo de mercado, inclusive. Meses depois, em diligência realizada na casa de CAIO, com autorização judicial, foi a arma apreendida, sendo o mesmo preso por receptação, além do crime correspondente, previsto no Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03). Comente a hipótese.
Resposta: POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO E RECEPTAÇÃO DO MESMO ARTEFATO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. NÃO VERIFICAÇÃO. DESÍGNIOS AUTÔNOMOS. MOMENTOS DISTINTOS. REVERSÃO DO ENTENDIMENTO. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. INVIABILIDADE NA VIA ELEITA. 3. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. 2. O Tribunal de origem refutou expressamente a possibilidade de consunção do crime de receptação pelo de posse irregular de arma de fogo, ao afirmar que as condutas se consumaram em momentos distintos, a revelar a violação do bem jurídico tutelado por ambas as normas. Dessa forma, tendo ficado registrada a existência de desígnios autônomos, diante do exame dos fatos e das provas, não é possível na via eleita desconstituir as conclusões do Tribunal de origem, sob pena de indevido revolvimento do arcabouço carreado aos autos, o que não é possível em habeas corpus. 3. Habeas corpus não conhecido. É POSSÍVEL APLICAR A RECEPTAÇÃO E O CRIME DO ESTATUTO, POIS TUTELAM BEM JURÍDICO DIFERENTES; SE O NÚMERO ESTÁ RASPADO, ELE SABE QUE É PRODUTO DE CRIME;
Caderno Bia: nesse caso, haverá concurso de crimes entre o crime do artigo 16 do estatuto do desarmamento e o crime de receptação, tendo em vista que alguém que recebe uma arma com a numeração raspada tem perfeitas condições de saber, deve saber, que aquela arma é proveniente de um crime antecedente.
Na hipótese de armamento raspado, a questão se compatibiliza com o art. 16 do estatuto do desarmamento. Como é cediço que o delito de receptação é um delito acessório ou parasitário, tendo como pressuposto que a coisa seja produto de outro crime, é necessário que se evidencie no caso concreto a ocorrência do crime antecedente, então, é importante a demonstração de que o sujeito ativo tinha conhecimento da origem ilícita daquela arma. Importante demonstrar o elemento subjetivo do tipo assim como a prévia ciência da procedência criminosa da arma. No caso concreto, para que haja responsabilização do agente, o juiz deverá verificar, de acordo com as circunstâncias dos autos, se no exame do delito de receptação, ele tinha como ter condições de saber de que o armamento estava envolvido em crime anterior.
No presente caso concreto, arma adquirida com numeração raspada ou adulterada, o simples fato de a arma estar raspada denota a prática de uma conduta criminosa anterior. Há concurso material de crimes do art. 69 do CP. É o exemplo do ferro velho que recebe constantemente, de maneira estável e permanente, com vários sujeitos atuando com carros furtados para desmanche ou revenda.
Porém, se Gisela, através de uma única conduta, única situação concreta, recebe todos os celulares da sala, responderá por um único crime de receptação. Possuindo o crime diversas vítimas e diversos objetos materiais, mas é um crime único. Porém, se a pessoa pratica diversas receptações ao longo do tempo, haverá crime continuado do art. 71 do §1º do CP.
Se for sabe, é dolo direto. Se for deve saber, é dolo eventual. Se não tiver condições de presumir ou for presumível, poderá caracterizar conduta culposa. Mas como aqui era uma pessoa adulta, que recebeu arma com numeração raspada, ela sabe e tem condições de saber que aquilo é produto de conduta antecedente. Melhor resposta aqui é que a conduta é dolosa.Poderia responder que é conduta culposa numa prova de defensoria, colocando como segunda hipótese.
02ª QUESTÃO: JAIME, comerciante, recebe de MÁRIO diversas caixas de vinho de cuja origem criminosa desconfiava. JAIME não questionou o vendedor sobre tal circunstância. Preso dias depois, veio a ser denunciado pelo Ministério Público. Pergunta-se:
a) Qual a correta capitulação do fato?
Resposta: ART. 180, §1º - receptação qualificada por ser em atividade comercial;
b) O fato de o acusado saber da origem ilícita da coisa pode fazer com que a capitulação seja alterada?
Resposta: apesar do §1º usar o verbo dever saber, o que indica o dolo eventual, um estado psíquico menor do que o dolo direto, também abrange este, pela maior reprovabiidade, estando abrangido no artigo;
Caderno Bia: Não altera a capitulação. Crime próprio. Sempre que for comerciante ou industrial, durante sua atividade, princípio da especialidade. Aplico o §1º.
c) Como diferenciar a hipótese do § 1º daquela prevista no § 3º?
Resposta: O CP usa a teoria volitiva da vontade (aprovação de segundo grau); se o indivíduo não adotou medidas cautelares para evitar o resultado, se conformando com o resultado, será dolo eventual; mas se apesar de conhecer o risco, acredita que toma as medidas cautelares para evitar o resultado, será culpa consciente (representa o resultado, mas acredita que pode evitá-lo) • lembra do exemplo da mae com o filho que não gosta de usar o bb conforto: • dolo eventual: não coloca o filho no bb conforto, não chama alguém para ir com o filho no colo, não usa cinto, deixa no banco de trás, usa via movimentada e velocidade acima do permitido; • culpa consciente: a mae não coloca O FILHO no bb conforto, mas chama uma babá para segurar a criança no carro, usa via não movimentada, velocidade menores;
Caderno Bia: No §3º, há receptação culposa, que pressupõe presunção, inobservância do dever objetivo de cuidado. Verifico natureza da coisa, desproporção entre valor e preço e verifico características de quem está na posse da coisa.