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© 2015 by Editora Atlas S.A. 
1. ed. 2005; 2. ed. 2009; 3. ed. 2015 
Capa: Leonardo Hermano
Produção digital: Geethik
 
Composição: Formato Serviços de Editoração Ltda.
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
 
Michel, Maria Helena 
Metodologia e pesquisa científica em ciências sociais: um guia prático para
acompanhamento da disciplina e elaboração de trabalhos monográficos. – 3.
ed. – São Paulo: Atlas, 2015.
 
Bibliografia. 
ISBN 978-85-970-0114-3
 
1. Ciências sociais – Metodologia 2. Ciências sociais – Pesquisa I. Título. 
05-1061 
CDD-300.72 
Índices para catálogo sistemático: 
1. Ciências sociais : Metodologia 300.72 
2. Ciências sociais : Pesquisa 300.72
 
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS – É proibida a reprodução total ou
parcial, de qualquer forma ou por qualquer meio. A violação dos direitos de
autor (Lei no 9.610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal.
 
Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme Lei no 10.994, de 14 de
dezembro de 2004.
 
Impresso no Brasil/Printed in Brazil 
 
Editora Atlas S.A.
Rua Conselheiro Nébias, 1384
Campos Elísios
01203 904 São Paulo SP
011 3357 9144
atlas.com.br
Aos meus da primeira vez; aos novos meus que depois chegaram, aos meus que se foram, e aos que vieram para agregar,
completar. Vem de vocês a minha força e é a vocês que ofereço minhas conquistas, minhas loucuras, meus prazeres. É em vocês
que me apoio nos tropeços, nas inseguranças, nas alegrias. Vêm de vocês a energia que renova e a força que me move e o meu
caminhar. Quem tem os seus como eu tenho os meus é um privilegiado...
Meus pais, Roberto, Daphne, Leo, Vitor e Theo, Fernando e Crystal.
– É pecado sonhar?
– Não, Capitu. Nunca foi.
– Então por que essa divindade nos dá golpes tão fortes de realidade e parte nossos sonhos?
– Divindade não destrói sonhos, Capitu. Somos nós que ficamos esperando, ao invés de fazer acontecer.
Machado de Assis (Dom Casmurro)
1
1.1
1.2
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2
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2.2
2.2.1
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3.2
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3.5
4
4.1
4.2
4.3
4.4
4.5
4.6
4.7
4.8
4.9
4.10
5
SUMÁRIO
Prefácio a 3a edição
PARTE I – FUNDAMENTOS TEÓRICOS
Ciência e Comportamento Científico
Epistemologia da ciência
Ciência
Comportamento científico ou racional
Resumo do capítulo
Conhecimento e Conhecimento Científico
A maiêutica de Sócrates
O conhecimento
Tipos de conhecimento
O conhecimento científico
Resumo do capítulo
O Texto Científico: a Linguagem da Ciência
A língua e a linguagem escrita
Qualidades da linguagem escrita
Usos da linguagem escrita
Texto e intertexto
A linguagem científica
Resumo do capítulo
 Metodologia e Pesquisa
Metodologia científica
Pesquisa científica
A pesquisa social
A pesquisa qualitativa
A pesquisa quantitativa
Qualificar ou quantificar
A pesquisa qualiquanti ou qualiquantitativa
Classificação da pesquisa quanto aos meios
Classificação da pesquisa quanto aos fins
A execução da pesquisa
Resumo do capítulo
Métodos de Pesquisa
5.1
5.2
5.3
5.4
6
6.1
6.1.1
6.2
6.2.1
6.2.2
6.2.3
6.2.4
6.2.5
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8.5.3
8.5.3.1
8.5.4
8.5.4.1
8.5.4.2
8.5.4.3
8.5.5
O método e a técnica
O método científico – o método geral
Métodos específicos
Indução × dedução
Resumo do capítulo
Técnicas de Coleta de Dados
Técnicas de observação indireta
Análise documental
Técnicas de observação direta intensiva
Observação
A entrevista
A análise de conteúdo
A análise do discurso
Grupo de foco
Técnicas de observação direta extensiva
O questionário
O questionário com escalas de medidas
Resumo do capítulo
PARTE II – TUTORIAL PARA TRABALHOS ACADÊMICOS
Projetos
Considerações gerais
O projeto técnico ou empresarial
Análise organizacional
 Estrutura de um projeto técnico
O projeto científico ou acadêmico
Estrutura de um projeto científico
Resumo do capítulo
O Trabalho Acadêmico: Elementos Textuais
Tipos de trabalhos acadêmicos
Propósitos do trabalho acadêmico
Encadeamento lógico do trabalho acadêmico
Elementos textuais – estruturação em partes ou capítulos
Exposição minuciosa dos elementos textuais
Introdução
Referencial teórico
Metodologia
Como elaborar a metodologia
Análise dos dados
Análise de pesquisa de campo qualitativa com uso de entrevista
Análise de pesquisa de campo quantitativa com uso de questionário
Análise de pesquisa de campo qualiquanti com uso de questionários com escalas
Considerações finais
8.6
9
9.1
9.2
9.3
9.4
10
10.1
10.2
10.3
10.4
10.4.1
10.4.2
10.5
10.6
10.7
Apêndice A –
Apêndice B –
Apêndice C –
Apêndice D –
Apêndice E –
Apêndice F –
Apêndice G –
Apêndice H –
Apêndice I –
Citações
Resumo do capítulo
O Trabalho Acadêmico: Elementos Pré e Pós-Textuais
A Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT
Edição e formatação de trabalhos acadêmicos
Redação
Elementos pré-textuais
Elementos pós-textuais
Resumo do capítulo
A Produção Científica: Tipos de Publicações
Trabalhos que conferem grau acadêmico
A monografia
Comunicação científica
O artigo científico
Artigos teóricos
 Artigos teórico-empíricos
Ensaio acadêmico
Relatório técnico e/ou científico
Resenha crítica
Resumo do capítulo
Caderno de Atividades Didáticas
Apêndices
Formulário para elaboração de projeto de pesquisa
Usos de citações no referencial teórico
Exemplos de análise de dados, com uso de entrevista
Modelo de formulário de entrevista utilizando variáveis de análise
Modelo de formulário de entrevista – sem o uso de variáveis de análise
Exemplo de análise de dados em pesquisa qualitativa com uso de entrevista
Exemplo de análise de dados em pesquisa quantitativa
Exemplo de análise de dados em pesquisa qualiquanti ou qualiquantitativa
Modelo de formulário de questionário com uso de escalas
Bibliografia
Lista de quadros
Quadro 1 – Características e propriedades da ciência
Quadro 2 – Características do comportamento científico ou racional
Quadro 3 – Características do conhecimento científico
Quadro 4 – Classificação do conhecimento
Quadro 5 – Usos da escrita
Quadro 6 – Exemplos de intertextos utilizados em trabalhos acadêmicos
Quadro 7 – Atributos da linguagem científica
Quadro 8 – Compromissos do texto científico
Quadro 9 – Algumas categorias de linguagem, propósitos e textos
Quadro 10 – Pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa
Quadro 11 – Focos e abordagens da pesquisa social
Quadro 12 – Classificação da pesquisa
Quadro 13 – Execução da pesquisa
Quadro 14 – Etapas de elaboração de um estudo de caso
Quadro 15 – Métodos de pesquisa em ciências sociais
Quadro 16 – Indução × dedução
Quadro 17 – Cuidados para realização de um grupo de foco
Quadro 18 – Parâmetros fixos de medidas
Quadro 19 – Questionários com o uso de escalas de medidas
Quadro 20 – Técnicas de coleta de dados
Quadro 21 – Características de um projeto
Quadro 22 – Análise de um problema
Quadro 23 – Exemplo de cronograma de projeto empresarial
Quadro 24 – Exemplo de informação de custos em um projeto empresarial
Quadro 25 – Estrutura básica de um projeto técnico ou empresarial
Quadro 26 – Exemplo de cronograma de projeto científico
Quadro 27 – Exemplo de informação de custos em projeto científico
Quadro 28 – Estrutura básica de projeto de pesquisa científico
Quadro 29 – Tipos de trabalhos que conferem grau acadêmico
Quadro 30 – Caracterização de trabalhos acadêmicos quanto ao propósito
Quadro 31 – Encadeamento lógico de um trabalho acadêmico
Quadro 32 – Estrutura do trabalho acadêmico
Quadro 33 – Conteúdos da introdução
Quadro 34 – Estrutura da metodologia
Quadro 35 – Capítulos do desenvolvimento
Quadro 36 – Sugestão de expressões e conectores auxiliares na redação
Quadro 37 – Conteúdos da conclusão
Quadro 38 – Sugestão de expressões e conectores da conclusão
Quadro 39 – Citações
Quadro 40 – Paralelo entre referências e citações
Quadro 41 – Paralelo entre referências e bibliografia
Quadro 42 – Princípios da monografiaQuadro 43 – Estrutura do artigo científico
Quadro 44 – Tipos de ensaios acadêmicos
Quadro 45 – Estrutura do ensaio acadêmico
Quadro 46 – Estrutura básica de um relatório técnico e/ou científico
Quadro 47 – Estrutura da resenha crítica
PREFÁCIO À 3a EDIÇÃO
Este livro nasceu de uma vontade férrea de colaborar com professores das disciplinas de metodologia e métodos, orientadores
de trabalhos acadêmicos e alunos em fase de elaboração de trabalhos acadêmicos e de conclusão de curso. Ciente das
inseguranças e dificuldades que esses momentos trazem para seus atores, nossa ideia foi criar um guia que fosse, realmente,
prático, útil, claro, de linguagem acessível e atual. Por isso, estamos sempre testando-o, revendo-o, buscando subsídios,
experiências, apreciações de colegas professores, alunos, em todos os quesitos: quantidade de conteúdos, pertinência e
profundidade de abordagens adequadas, linguagem atingível, busca incansável de associação entre teoria e prática.
Nesta terceira edição, grandes e importantes novidades!
No que se refere à estruturação lógica, mudamos a ordem de alguns capítulos, para inserir e agrupar novos conteúdos, sendo
que a alteração mais significativa e que reputamos como a grande contribuição desta terceira edição encontra-se no Capítulo 10
– A produção científica: tipos de publicações. Destinamos esse capítulo para apresentar a estrutura e formatação de alguns
tipos de produção científica mais comuns – artigos científicos, ensaios, relatórios técnico-científicos, resenha crítica, também
adotados como trabalhos de conclusão de curso, além do modelo monográfico tradicional.
Para ganhar mais completude e objetividade, vários conteúdos foram revisados, ampliados e detalhados, tanto na adequação e
quantidade de informações teóricas como em exemplos e aplicações práticas. Assim, também, procedemos a uma revisão
criteriosa de antigos e novos trechos; inserimos novos quadros-resumos de conteúdos e melhoramos o caderno de exercícios.
Esperamos que este livro continue a atender aos que a ele têm recorrido; que esta terceira edição possa, realmente, agregar
mais informação, ajuda e orientação para vocês, professores da disciplina, orientadores de trabalhos e alunos, na árdua tarefa de
ensinar, orientar e elaborar trabalhos acadêmicos. Sabemos que para atender aos interesses e necessidades desse seleto público,
precisamos estreitar nossos laços de comunicação e linguagem com ele; por isso, é fundamental ouvi-lo, pedir-lhe sugestões,
cobrar-lhe opiniões e transformar essa experiência em melhorias. Temos recebido importantes feedbacks e subsídios e
pretendemos fazer com que cada edição traga contribuições de uma nova obra. Sua participação nesse circuito só o enriquecerá.
Nossos endereços encontram-se abaixo; queremos muito conhecer sua opinião, suas críticas e sugestões; queremos fazer
deste livro, cada vez mais, um guia prático para elaboração de trabalhos acadêmicos.
Maria Helena Michel
http://netuno.lcc.ufmq.br/~michel
michel@ufmg.br
AGRADECIMENTOS
A VOCÊS!
Olhando a vida como num mosaico, que a um simples movimento adquire novas formas, novos contornos e cores, vejo
desenhados os caminhos que trilhei. Cheguei aonde queria? Aonde podia? Seria capaz? Não sei, mas gosto do que vejo; andei
bastante, desenvolvi bastantes capacidades, tive muitas sortes, amigos, prazeres, orgulhos, obstáculos; vivo assim. Tive o raro
privilégio de ter vivido cercada de gente boa; não perfeita (que bom!), mas gente do bem. VOCÊS, que fizeram e fazem parte da
minha vida: colegas de profissão, de música, de lazer, professores, alunos, parentes, amigos, concorrentes etc., que me
apoiaram, valorizaram meu trabalho e meu esforço, puxaram minhas orelhas, me criticaram, não acreditaram. VOCÊS, direta ou
indiretamente, me ajudaram a criar esta obra e levá-la até a esta terceira edição. Com VOCÊS, aprendi a perseverar, a não
negociar com a mediocridade; aprendi que devo procurar sempre fazer o que deve ser feito e da melhor forma que eu puder;
aprendi a procurar fazer sempre a coisa certa (mesmo nem sempre conseguindo!). Quando enxergo VOCÊS no mosaico da
minha vida, tenho vontade de ser uma pessoa sempre melhor. Por isso, lhes agradeço!
PARTE I
Fundamentos Teóricos
1.1
1.2
1
CIÊNCIA E COMPORTAMENTO CIENTÍFICO
Tudo o que sabemos que resulta apenas de nossas experiências pessoais é um saber que pouco vale. O verdadeiro saber,
universal, elevado, é reflexivo, racional, é fruto de intenso pensar; somente este nos leva a realmente compreender algo,
criar conceito, visão de mundo; este saber modifica a pessoa que o constrói.
Platão (séc. IV a.C.)
Epistemologia da ciência
Epistemologia ou teoria do conhecimento (do grego “episteme” – ciência, conhecimento; “logos” – discurso): é um
ramo da filosofia que trata dos problemas filosóficos relacionados à crença e ao conhecimento.
HOUAISS
Pode-se definir epistemologia como um ramo da ciência, uma disciplina da filosofia, cujo propósito é fazer uma reflexão
geral em torno da natureza, etapas e limites do conhecimento humano. A epistemologia estuda os postulados, conclusões e
métodos dos diferentes ramos do saber científico, ou das teorias e práticas em geral, avaliados em sua validade cognitiva, ou
descritos em sua trajetória evolutiva, paradigmas estruturais ou relações com a sociedade e a história; é a teoria da ciência.
Discute, ainda, a evidência (entendida não como um mero sentimento que temos da verdade do pensamento, mas sim no sentido
forense de prova), isto é, os critérios de reconhecimento da verdade.
Cabe à epistemologia a responsabilidade de discutir problemas e buscar respostas para questões como: “o que é o
conhecimento?”, “o que podemos conhecer?”, “qual é a origem do conhecimento?”, “como justificamos as nossas crenças?”
Essas questões devem abranger um conjunto de noções relacionadas entre si, como “conhecer”, “perceber”, “prova”, “crença”,
“certeza”, “justificação” e “confirmação”, e mais. A epistemologia se dedica à investigação da natureza, fontes e validade do
conhecimento.
Pode-se dizer que a epistemologia tem origem em Platão, que discute a oposição dos conceitos epistêmê (evidência, teoria) ×
dóxa (opinião). Crença, dóxa, é um ponto de vista, subjetivo e sujeito a interferência de valores e experiências, enquanto a
epistêmê é uma crença racional, comprovada, justificada.
Para Platão, não é possível conhecer falsidades, mas sim ter opiniões falsas, porque o que se conhece é aquilo sobre o que se
tem uma opinião. Assim, o problema que se coloca é saber como se alcança um conhecimento verdadeiro e não uma mera
opinião. A obra Teoria das Ideias de Platão continha uma resposta para esse problema. Para ele, só um processo racional de
afastamento das impressões sensíveis pode levar às ideias perfeitas, verdadeiras. As formas e objetos captados pelos nossos
sentidos são simples cópias imperfeitas. É nas ideias que reside a verdade, pelo que o chamado “conhecimento sensível” não
deve, em rigor, ser considerado conhecimento.
Ciência
A ciência que não se questiona pode até ter acuidade metodológica, mas não abriga capacidade crítica e sobretudo
autocrítica; retorna ao argumento de autoridade, em vez de valorizar a autoridade do argumento [...].
Pedro Demo (2005)
Etimologicamente, ciência é sinônimo de conhecimento atento e aprofundado de alguma coisa. Essa definição se refere a um
tipo de conhecimento que se propõe a revelar a verdade, através do levantamento e análises de suas causas, podendo, por isso,
ser explicado. Pode-se concluir que ciência é um “corpo de conhecimentos”, que trabalha com técnicas especializadas de
•
•
•
verificação, interpretação e inferência da realidade. Assim, é tida como cada um dos inúmeros ramos particulares e específicos
do conhecimento, caracterizados por sua natureza lógica, experimentável e sistemática, baseada em provas, princípios,
argumentações ou demonstrações que garantam ou legitimem a sua validade.
Ciência entendida como conhecimento pressupõe reflexão ou experiência sistemática,adquirida pela observação,
identificação, pesquisa e explicação de fenômenos e fatos formulados metódica e racionalmente. Fazer ciência significa buscar
o controle prático da natureza; e nessa busca incessante, novos meios de controlar e dominar a natureza são produzidos,
sedimentados e consolidados, mas nunca encerrados. Por isso, se diz que a ciência se propõe a atingir conhecimento sistemático
e seguro, de forma que seus resultados possam ser tomados como conclusões certas, aceitas, sob condições mais ou menos
amplas e uniformes, quando ocorrem os vários tipos de acontecimentos. A ciência procura “preservar os fenômenos” e “tornar
inteligível o mundo”.
A investigação científica objetiva contribuir para a evolução do conhecimento humano em todas as áreas e setores da
sociedade. Uma pesquisa é considerada científica se sua realização for objeto de investigação planejada, desenvolvida e redigida
conforme normas metodológicas aceitas pelos órgãos reguladores. Os trabalhos acadêmicos de graduação e pós-graduação, para
serem considerados científicos, devem produzir ciência, ou dela derivar, e acompanhar seu modelo de tratamento.
Algumas propriedades da ciência permitem distingui-la de qualquer outro corpo de conhecimentos, tornando-a essencial para
o progresso e para a qualidade de vida do homem na Terra. São propriedades da ciência:
Distinção entre essência e aparência
O espírito científico parte do princípio que nada se revela na aparência; tudo, para ser explicado, deve ser investigado,
criticado, analisado. Essa capacidade de permitir a distinção entre essência e aparência significa que a ciência fornece,
através da metodologia, um conjunto de procedimentos racionais, rígidos e lógicos, que permitem penetrar na essência
dos fenômenos perceptíveis pela inteligência humana e chegar à sua verdade.
O uso do método racional para fazer ciência a diferencia das outras formas de conhecimento humano. E uma de suas
particularidades é não aceitar como verdadeiro nada que não seja comprovado, explicado lógica e racionalmente. E,
mesmo comprovado, não garante que será verdade para sempre. Se tudo pode ser explicado, tudo pode ser melhorado,
revisto, reinterpretado, reinventado.
Compromisso com a verdade
Ciência não é poesia nem especulação. Como busca o conhecimento científico, exige respostas que expliquem lógica e
racionalmente às indagações: por quê? para quê? como? Para considerar-se uma investigação como científica, as
hipóteses levantadas, suas consequências lógicas, assim como outras explicações do mundo e das coisas devem ser
submetidas a rigorosos testes de equivalência com as coisas observáveis, ou seja, com a realidade, e outras hipóteses
sugeridas.
Exemplificando: um agricultor que acumulou um conhecimento ao longo do tempo pela tradição, vivência, quanto à
época do plantio, tipo de cultura, quantidade de água necessária, época da colheita, como armazenar o produto, terá
grandes chances de obter bons resultados. Para ele, nunca houve curiosidade de saber o porquê da época do plantio, da
quantidade de água, da época da colheita, de determinado modo de armazenamento. A ciência é que dirige o
conhecimento para a explicação desses “porquês”. Dominando, cientificamente, esses “porquês”, o agricultor
multiplicará suas condições de obter melhores resultados.
Desmistificação e dessacralização do mundo
Ciência é o processo de desmistificação e dessacralização do mundo, em favor da racionalidade natural, supondo-se
uma ordem das coisas dada e mantida. Mitos e sagrados são forças que influenciam e direcionam o comportamento do
homem, de tal forma que ele não vê razão para questionar as “verdades”, não se atreve a buscar explicações para os
fenômenos. Se dominado por mitos e sagrados, seu conhecimento do mundo é insuficiente para analisar e criticar o
poder das coisas e dos fenômenos. Se ele entende a lógica e a razão das coisas, mitos e sagrados perdem o poder de
influenciação e controle sobre sua vida.
Mito (Houaiss) é um “relato fantástico de tradição oral, geralmente protagonizado por seres que encarnam, sob forma
simbólica, as forças da natureza e os aspectos gerais da condição humana; lenda, fábula, mitologia”. Podem ser pessoas
ou situações, cuja imagem ou conceito idealizado ou estereotipado amplifica-se no imaginário coletivo, norteando e
interferindo na vida das pessoas. Ex.: o número 13 é tido como sinal de azar; um mito, um artista ou atleta que tenha se
•
•
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•
1.3
destacado com esse número passa a ser modelo de vida das pessoas.
Já “sagrado” refere-se a entidades e crenças religiosas, cultos, ritos, que inspiram veneração, e emanam de poderes e
dons divinos. A ciência, que incentiva o raciocínio, a crítica, a lógica e o racional dos fatos, propriedades e explicações,
é capaz de desmistificar mitos e dessacralizar sagrados.
Imbricação com a teoria, a análise e a política
O compromisso com a teoria resulta no fato de ser ela própria um conjunto de princípios, ou conjunto de tentativas de
explicação de fenômenos. Fazer ciência, em síntese, é reunir bagagem de conceitos teóricos, princípios racionalmente
aceitos para explicar o mundo e as coisas. Quanto ao compromisso com a análise, a ciência se ocupa da explicação, da
análise e da aplicação dos princípios teóricos encontrados. Procura interpretar fatos, fazer precisões, buscar
comprovações. E, com a política, ela tem o compromisso ético de orientar como as coisas devem ou não ser feitas,
balizando seus resultados para o bem da humanidade. Ela se responsabiliza pela transição entre o que é para o como
deve ser. Esta é uma postura ligada ao comprometimento social, à ética.
Quadro 1 – Características e propriedades da ciência
CARACTERÍSTICAS PROPRIEDADES
Análise crítica.
Busca da verdade lógica e reproduzível.
Curiosidade, questionamento, investigação.
Experimentação, comprovação, verificação.
Interpretação e explicação da realidade.
Observação crítica como instrumento.
Pensamento crítico e analítico.
Racionalidade.
Reflexão.
Distinção entre essência e aparência, permitindo alcançar
resultados mais verdadeiros.
Compromisso com a verdade, tornando confiáveis seus
resultados e a sua aplicação a situações futuras.
Imbricação com a teoria, a análise e a política, garantindo
que a evolução dos conceitos se faça de forma a permitir
a melhoria de suas aplicações com ética para o bem da
humanidade.
Desmistificação e dessacralização do mundo, tornando o
mundo e as pessoas mais livres de forças explicáveis,
crenças, mitos.
Fonte: A autora.
Comportamento científico ou racional
O homem é o único animal capaz de refletir, criticar suas ações e modificar o seu comportamento. O exercício dessa
capacidade lhe permite distinguir, escolher e desenvolver ações adequadas para atingir objetivos e solucionar problemas seus e
do seu meio ambiente; e, assim, modificar o mundo. A essa postura racional, planejada e intencional chamamos
comportamento científico ou racional.
O comportamento científico ou racional é disciplinado: requer atitude, postura crítica em relação ao objeto de interesse,
situação ou fato e às suas formas de manifestação; assim como a escolha e uso de técnicas adequadas para enfrentar e solucionar
problemas. É também imparcial: não torce fatos, respeita a verdade, mesmo que ela vá de encontro aos seus valores e crenças;
cultiva a honestidade, a ética, rejeita atitudes suspeitas, falsas, ilegais, duvidosas; não assume como seu o que é produto de
outros; e tem coragem suficiente para enfrentar obstáculos, dificuldades e desânimos que uma situação-problema possa
oferecer.
Muito importante: não se trata de atitude nata; não se nasce com ele; é desenvolvido, conquistado, com muito esforço,
postura, disciplina. É atitude apreendida e aprendida por uma mente crítica, reflexiva, objetiva e racional. A consciência
crítica leva a pessoa a aperfeiçoar seu julgamento e desenvolver o discernimento, tornando-o capaz de distinguir o essencial do
superficial, o principal do secundário.
O comportamento científico ouracional também não é prerrogativa ou necessidade apenas do pesquisador, do cientista de
laboratórios, academias. No mundo atual, caracterizado por radicais mudanças sociais, culturais, ambientais e em todas as áreas,
e por uma evolução sem precedentes da ciência, da tecnologia e das comunicações, o comportamento racional e reflexivo se
torna essencial em quaisquer situações/atividades que buscam entender, solucionar problemas e obter progressos. Cabe e deve
ser incentivado em todas as áreas e situações do cotidiano, como escola, vida profissional, pessoal, em comunidade.
•
•
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•
Criticar é julgar, não prejulgar; é distinguir, questionar, analisar para melhor entender e avaliar os elementos componentes da
questão. O crítico não julga a priori; só aceita como verdade o que é passível de explicação e comprovação. A objetividade
necessária ao espírito científico ou racional rompe com posições subjetivas, pessoais, amparadas em explicações vulgares ou
empíricas. Para tanto, é necessário se libertar de uma visão subjetiva do mundo, ou influenciada pelo meio social, cultural,
organizacional ou religioso. O espírito científico ou racional não admite respostas como: “eu acho”, “eu creio”, “dizem que”, “a
religião manda que”, entre outras posturas sentenciosas.
Para tanto, é necessário compromisso com a humildade; aceitar que o conhecimento nunca está pronto, acabado, e que tudo
pode ser mudado, refeito. É necessário abrir-se para receber e gerar novos conhecimentos, abandonar antigos paradigmas, saber-
se limitado, disposto a aceitar erros e enganos, buscar novas visões de mundo e refazer novos caminhos.
Quadro 2 – Características do comportamento científico ou racional
CARACTERÍSTICA DETALHAMENTO
Aprendido Não é atitude nata no indivíduo; não se nasce com ele; aprende-se; desenvolve-se;
treina-se.
Generalista Não é prerrogativa de determinadas profissões; deve ser incentivado em qualquer
profissão, em qualquer área.
Intencional Vigilante, pressupõe vontade, persistência e atenção constantes sobre as próprias
atitudes, postura, criticidade, discernimento.
Disciplinado Metódico, exige uso adequado de métodos, técnicas, roteiros, caminhos.
Humilde Incompleto, entende que todo saber pode ser mudado, revisto, melhorado; não aceita o
conhecimento como algo pronto, completo, acabado.
Exigente Cobra coerência, lógica, explicação, verdade das coisas.
Modelador Busca uma verdade que possa ser ampliada e aplicada a outras situações.
Questionador
Pergunta, é curioso, não julga precipitadamente, não se deixa dominar por valores e
crenças arraigados; conclui a partir de análise crítica, investigação, comparação,
explicação lógica dos fatos.
Imparcial Não torce dados, fatos, não impõe valores próprios, evita posições subjetivas, inclusive
no uso da linguagem.
Fonte: A autora.
Resumo do capítulo
O uso eficaz de qualquer instrumento ou técnica pressupõe o domínio sobre o seu funcionamento, características e
propriedades. Esse conjunto de informações, a que se denomina corpo teórico ou base de conhecimento, permite entender e
manipular o objeto de interesse e fazer dele o melhor uso. O objetivo deste capítulo foi apresentar e discutir a ciência e seus
principais aspectos que a tornam instrumento fundamental do pensamento em sua tarefa de identificar, descrever e classificar os
diferentes elementos e aspectos da realidade e apresentar o comportamento científico ou racional para análise e solução de
problemas.
2.1
2
CONHECIMENTO E CONHECIMENTO CIENTÍFICO
A investigação do conhecimento de qualquer objeto ou fenômeno não pode ocorrer senão conhecendo; investigar esse
assim chamado instrumento não significa outra coisa senão conhecê-lo. Mas, querer conhecer antes de conhecer é tão
incongruente quanto à sábia resolução daquele escolástico – aprender a nadar antes de aventurar-se na água.
G. W. Hegel (1995)
Quando recorremos a um dicionário de sinônimos ou expressões equivalentes, verificamos que a palavra conhecer admite
múltiplas interpretações: incorporar à memória, adquirir informações, tomar consciência, estar familiarizado, dominar,
experimentar e outras. Como o objeto desta obra é a metodologia da pesquisa científica, procuraremos discutir e buscar um
conceito que mais se adeque às áreas das ciências sociais aplicadas. Antes, porém, um breve relato a respeito, a partir de
Sócrates, século IV a. C., aproximadamente.
A maiêutica de Sócrates
Maiêutica é um vocábulo grego, que significa a arte de dar à luz (parto). Em medicina, maiêutica é sinônimo de
obstetrícia, parte da medicina que estuda os fenômenos da reprodução feminina. Em filosofia, entende-se maiêutica como o
processo dialético e pedagógico, criado por Sócrates, para levar as pessoas a atingirem o verdadeiro conhecimento a respeito do
objeto de interesse.
Ainda na Antiguidade Clássica, a teoria da maiêutica do conhecimento de Sócrates já defendia que os conceitos e visões de
mundo que o ser humano possui são produzidos por ele próprio. Essa teoria tem como premissa que toda ação humana deve ser
consciente, refletir um saber, uma consciência elaborada através de análise rigorosa de seus elementos (HESSEN, 2000). Sem a
reflexão, a ideia que temos sobre as coisas é apenas uma “dóxa” (uma opinião), e não uma “epistêmê” (um saber).
No século IV a. C., Sócrates, filho de uma parteira (Fanarete), por influência das experiências vividas, via o ato de nascer
como uma experiência única, individual, absolutamente solitária e reveladora. Em suas pesquisas, associou a experiência do
nascimento à geração de conceitos, visão de mundo, construção de conhecimento. Como num parto, o indivíduo só conhece o
mundo depois que nasce; assim, o processo de conhecer é o próprio nascimento: só se conhece algo quando o entendimento
desse algo ocorrer dentro do próprio indivíduo, quando esse entendimento fizer parte do seu esforço pessoal, individual de
elaboração, crítica e análise.
Ele encontrou nesse vocábulo a melhor representação para a ideia de que o conhecimento nasce dentro do indivíduo. Para o
filósofo, só ocorre o verdadeiro conhecimento, que é pessoal, individual, produto de reflexão e análise, se o indivíduo voltar-se
para dentro de si próprio e reconhecer suas limitações, assumir suas dúvidas e buscar respostas que o satisfaçam. “Conhece-te a
ti mesmo” era seu lema. O que lhe vem de fora pode ser entendido e assimilado; mas o que lhe vem de dentro é que realmente
modifica a sua forma de ver e viver.
Sócrates pregava que a verdade, o conhecimento, o conceito, a visão livre de mundo estão potencialmente dentro de cada
pessoa, e cabe a ela descobri-los, desenvolvê-los. Por isso, a maiêutica como metáfora é a busca do homem pela sua verdade
interior. O filósofo acreditava na missão de ajudar a dar a luz (alumiar), isto é, contribuir para que cada um encontrasse a
verdade através das suas próprias forças, sem que esta lhe fosse imposta, ensinada ou transmitida.
Para Sócrates, a aquisição de conhecimento deveria assemelhar-se à situação da mãe, que não enxerga pelo filho, mas lhe dá
à luz. Ensinar, portanto, não seria dar respostas, mas criar uma discussão, uma dialética, um interrogatório, um desafio às
pessoas em assuntos que elas acreditavam dominar. Com ironia, sarcasmo, bom humor e muita inteligência, ele as confundia, as
2.2
obrigava a refletir e criticar o que pensavam saber.
Por exemplo, querendo produzir o conceito de coragem, certa vez, dirigiu-se a um general, e perguntou-lhe: – você que é
general, poderia me dizer o que é a coragem? O general respondeu-lhe: – coragem é atacar o inimigo, nunca recuar. Sócrates
retrucou: – mas não é certo que, às vezes há que se recuar para melhor contra-atacar? Estratégia, então, seria falta de coragem?
Com questionamentos dessa natureza, criava o debate, ampliando e colocando em xeque certezas antes indiscutíveis. Assim,
se define, portanto, o método socrático de ensinar, que significa levar as pessoas a se questionar, elaborar ideias mais
complexas acerca de seus conceitos, refletirsobre eles e parir novos conceitos, novas visões de mundo.
O método socrático trabalha com duas etapas. Inicialmente, é necessário levar o indivíduo a criticar, questionar seus
conceitos, obrigando-o a duvidar do seu próprio domínio a respeito de um determinado assunto. Neste estágio, prevalecem o
diálogo, argumentos, contra-argumentos, de forma que o indivíduo encare suas próprias contradições, duvide e reflita.
Caracteriza-se, assim, um processo dialético, constituído de argumentação e contra-argumentação, no qual se bombardeia o
interlocutor com perguntas, a fim de obrigá-lo à autorreflexão, e, portanto, à busca do verdadeiro conhecimento sobre as coisas
e a realidade.
A seguir, induz-se o indivíduo a gerar novos conceitos, com base em seu próprio pensar, sobrepondo desafios, ironias,
sarcasmos, contrapontos, argumentos lógicos, provocações. Sócrates, criador da dialética, via como sua tarefa, enquanto
filósofo e professor, ajudar as pessoas a atingir a compreensão correta das coisas, uma vez que o verdadeiro entendimento deve
vir do interior. Ele não pode ser transmitido por outra pessoa. E só o entendimento que vem de dentro da pessoa pode levá-la ao
verdadeiro conhecimento.
O conhecimento
A expressão Era do conhecimento caracteriza o modo de viver da sociedade pós-industrial, ou seja, após a metade do século
XX. Seria, então, o caso de se concluir que o conhecimento é um produto da era industrial, surgido, apenas, nas últimas
décadas? Poder-se-ia, assim, deduzir que a Era Industrial, a Clássica, e mesmo a Idade Média, não teriam produzido
conhecimento?
Se tratarmos o conhecimento pelo seu aspecto instrumental, veremos que o homem sempre conheceu; nos presumíveis 2/3
milhões de anos em que habita a Terra, ele sempre produziu coisas, criou soluções, inovou situações, transmitiu informações
para gerações posteriores; inclusive, é graças ao conhecimento humano que o mundo chegou ao atual estágio de
desenvolvimento.
A origem da palavra conhecimento é “connaissance” (palavra francesa que significa naissance = nascer com). O homem, ao
contrário do animal, não está no mundo apenas vivendo-o; ele vive e modifica o mundo à sua volta. Tenta conhecê-lo (faz
ciência) e age sobre ele para transformá-lo (com o uso da técnica, do instrumento).
Assim, pode-se verificar que a supremacia do homem sobre o animal está na sua capacidade de conhecer, possuir razão,
relacionar-se entre si e com outros seres, superar a animalidade com a racionalidade; ser capaz de interpretar a realidade e criar
outras, se tornando um ser pensante, que se conhece e se elabora. O conhecimento é uma forma de estar no mundo.
Durante tempos, a ideia de conhecer estava focada na absorção das características do objeto de interesse. Exemplificando:
conhecer alguém significava a ação de receber, registrar e armazenar suas características. O sujeito da ação de conhecer atuava
como um receptáculo, um reservatório de informações sobre pessoas, fatos, objetos. Nesse sentido, o conhecimento era
confundido com as informações que recebia do meio externo sobre o objeto de interesse.
O avanço da ciência e da tecnologia, mudando o mundo a partir da metade do século XX, gerou a necessidade de se criar
novos significados para a palavra conhecer. O foco, antes no objeto, agora vai para o sujeito, para aquele que conhece. O
conhecimento, agora, é propriedade, é domínio do sujeito; realiza-se na medida da sua capacidade de ser sujeito da ação de ver e
de estar no mundo. Cabe a ele apreender, fazer leituras e interpretar o mundo, as pessoas, os fatos.
Por isso, a “era do conhecimento”, como foi chamada a segunda metade do século XX, diferenciou os conceitos de
conhecimento e de informação, dando àquele um sentido mais profundo que a este. O conhecimento é a informação mais
valiosa, pois alguém deu a ela um contexto, significado, interpretação. Trata-se de abstração interior, pessoal, de alguma coisa
ou objeto que foi experimentado, vivenciado por alguém.
Conhecer, portanto, significa criar sínteses, cruzamentos, inferências, tratamentos e interpretações, simulações, aplicações de
informações que permitam a criação de entidades novas, ou uma nova visão das já existentes, acumuladas ou modificadas,
2.2.1
•
•
•
ramificações, extensões das já conhecidas. Integra-se ao conhecimento pessoal anterior. Podemos sintetizar dizendo que
conhecer é o processo de compreender e internalizar as informações recebidas do ambiente, possivelmente combinando-
as de forma a gerar mais conhecimento.
Tipos de conhecimento
São várias as formas de se classificar o conhecimento. Inicialmente, pode-se classificá-lo quanto às suas formas de existência
ou natureza, em: pessoal, particular (tácito), ou compartilhado (explícito), com grupos de interesse.
Conhecimento tácito
Já sabemos que o homem “conhece” quando é capaz de reunir experiências, percepções sensoriais próprias e
lembranças, ideias formando novos conceitos e conferindo sentido à realidade que o cerca, criando teorias, métodos,
sentimentos, valores e habilidades que utilizará em sua vida. Essa construção individual de conceitos, valores,
aprendizados ao longo da vida recebeu a contribuição do especialista em psicologia gestáltica, Michael Polany, que a
denominou de processo do saber.
O conhecimento obtido nesse processo é chamado conhecimento tácito, que é a forma individual com que cada pessoa
interpreta a realidade que a cerca. Como é formado dentro de um contexto social e individual, conclui-se que o
conhecimento tácito representa uma realidade externamente provocada, mas internamente determinada. É gerado pela
pessoa em seu processo do viver, de ser; como exemplo, há as habilidades pessoais, nadar, andar de bicicleta, praticar
um esporte, uma arte, um instrumento musical, entre outras.
O conhecimento tácito envolve experiências individuais, intransferíveis, muitas vezes inconscientes, que participam da
construção individual de cada ser humano; são difíceis de serem externados, mas passíveis de serem comunicados,
ensinados, através da troca de informações sobre ele. Pode-se concluir que as habilidades, competências, artes que
envolvem as práticas físicas e mentais, adquiridas pelo treinamento, pertencem ao campo do conhecimento tácito.
Conhecimento explícito
Embora gerado no indivíduo, de forma pessoal, o conhecimento pode ser construído, também, pelo grupo social. As
pessoas mudam ou adaptam seus conceitos através de suas experiências e utilizam a linguagem para expressá-los,
compartilhá-los, comunicá-los. Assim, as expressões “acervo social”, conhecimento explícito ou conhecimento
compartilhado significam que a experiência do indivíduo, tanto histórica como biográfica, pode ser objetivada,
conservada e acumulada, através do veículo da informação.
Tal processo de acumulação é transmitido de uma geração para outra e utilizado pelo indivíduo na vida cotidiana e na
convivência com seus pares, nas escolas, nas organizações, nas práticas sociais, esportivas, familiares. O conhecimento
explícito é, pois, o conhecimento do indivíduo, que foi exposto, explicitado, entendido, compartilhado com pessoas do
mesmo grupo social, através do processo de transmissão da informação. A experiência, adquirida através da troca de
informações, da reflexão, assim como os julgamentos de valor e as relações do indivíduo com a sua rede social,
pertencem ao campo do conhecimento explícito, compartilhado.
Vieira Pinto (1979) chamou de “hominização do ser humano” o processo de crescer do ser humano, tornar-se homem,
ser vivente, partícipe e culto num grupo social. Nesse processo, ele é, ao mesmo tempo, criador e criatura, pois atua
tanto como agente ativo na criação da realidade, como um receptor dos resultados e produtos desse mesmo processo
(agente e objeto). Ele cria o conhecimento (ideias e instrumentos para melhorar a sua qualidade de vida) e o recebe de
volta, em forma de produtos, serviços e novos conhecimentos, cada qual ao seu modo.
Conhecimento dogmático
O conhecimento dogmático é construído pela pessoa queopta por procurar informações sobre esse objeto junto a
pessoas que conhece e credita confiança, fé. O que afirmarem essas pessoas sobre o objeto será assumido como verdade
absoluta, inconteste. Além de pessoas de confiança, este tipo de conhecimento pode advir de fontes sagradas, livros
religiosos, que falam sobre o objeto.
Esse veículo traz a palavra divina, o que foi dito desse objeto por Deus. No dogma, a fonte da informação (pessoa ou
livro que contém a palavra de Deus) contém a verdade, é inquestionável. Trata-se do dogmatismo, ou conhecimento
teológico, doutrinário, religioso. O conhecimento dogmático é, pois, o conjunto de verdades que as pessoas
interiorizam, assimilam, não com o auxílio da inteligência, mas mediante a aceitação da revelação divina.
•
•
2.3
Para Hessen (2000), “no conhecimento dogmático a possibilidade e a realidade do contato entre sujeito e objeto são
pura e simplesmente pressupostas”. A aquisição desse conhecimento pressupõe uma decisão de aceitar a verdade, não
porque dela se teve uma explicação, ou comprovação, mas porque partiu de alguém a quem se devota inabalável fé e
crença. Pressupõe doutrina, imposição e aceitação, e se explica no interesse da religião e não na prática da comprovação
científica.
Conhecimento empírico e o conhecimento do senso comum
Construir o conhecimento empírico significa vivenciar, experimentar e aprender com a experiência. O objeto de
interesse é considerado em seu aspecto externo e aparente, manipulado, experimentado em termos de suas
características, funções; enfim, significa testá-lo sem maiores propósitos, “brincar” com ele até encontrar respostas.
Assim, pode-se afirmar dele várias coisas que o bom senso dita ou a experiência ensina (peso, temperatura, forma,
função).
Essa forma de conhecer é conhecida como empirismo, ou conhecimento baseado no senso comum. O conhecimento
empírico pressupõe como verdade aquilo que se experimenta, aquilo com que se convive. Ele não retira seus conteúdos
da razão, mas exclusivamente da experiência. Ao nascer, a criança vive experiências concretas que vão se
transformando em representações e conceitos gerais de forma orgânica, visceral. A experiência aparece, assim, como a
única fonte de conhecimento chamado empírico.
Ametódico e assistemático, o conhecimento do senso comum está ligado à realidade, fatos concretos, experiências do
cotidiano, tradição oral. É obtido por acaso, em vivências individuais ou coletivas, envolve interação humana e social, e
é transmitido por tradição, após ensaios e tentativas com erros e acertos, numa convivência coletiva, de geração a outra.
No conhecimento empírico, predominam a opinião, o dóxa, que em grego significa o que pensamos que sabemos. É um
conhecimento não fundado no conhecimento racional, portanto, serve apenas a nós, ou a um grupo que o compartilha e
numa situação específica. Nada garante que aquele saber vá atender a outras situações ou necessidades do próprio
indivíduo que o constrói.
Conhecimento filosófico
Filosofia, palavra grega, significa amigo da sabedoria, devotamento à sabedoria, interesse em acertar nos julgamentos
sobre a verdade e a falsidade, sobre o bem e o mal. A Filosofia se propõe a questionar os problemas reais, usando
princípios racionais, sem se comprometer com a comprovação empírica. Conhecer filosoficamente um objeto é,
portanto, questionar sua origem, realidade e destinação. Idealiza-se o objeto, tentando criar uma imagem ideal dele,
como ele deveria ser, a partir do levantamento racional de suas características, formas e funções.
Cria-se dele um “modelo mental”, no qual o objeto tomaria a forma ideal ou apropriada às suas condições e
especificidades, estabelecidas pelo ideal de ser. Na filosofia, a verdade é idealizada e o conhecimento é presumido, a
visão do mundo é extraída a partir da concepção lógica da natureza das coisas, não dos fatos.
Este tipo de conhecimento procura o sentido, a justificação, as possibilidades de interpretação a respeito do objeto de
interesse. Procura compreender a realidade em seu contexto universal; sua preocupação é a autorreflexão do espírito
sobre a razão do seu comportamento, aspirando a uma inteligência geral, ideal, a uma visão racional de mundo. É a
tentativa do espírito de atingir visão de mundo, mediante a autorreflexão sobre suas funções de valor.
Mais ligado à construção de ideias e conceitos. Busca as verdades do mundo por meio da indagação e do debate; do
filosofar. Portanto, de certo modo, assemelha-se ao conhecimento científico – por se valer de uma metodologia racional
–, mas dele se distancia por tratar de questões imensuráveis, metafísicas, não práticas. A partir da razão do homem, o
conhecimento filosófico prioriza seu olhar sobre a condição humana.
O conhecimento filosófico é valorativo, representa o esforço da razão humana para explicar os problemas humanos e
diferenciar o certo do errado, usando, para tanto, apenas a razão. Ele parte de hipóteses não mensuráveis e, portanto, não
passíveis de observação e comprovação; baseia-se na experiência do pesquisador, e não da experimentação. Por isso,
não verificável, já que as hipóteses filosóficas, ao contrário do que ocorre no campo do conhecimento científico, não
podem ser confirmadas nem refutadas.
O conhecimento científico
Por se tratar de um conhecimento requerido na elaboração de textos e trabalhos científicos, será dada especial atenção à sua
discussão.
Investigativo, o conhecimento científico procura explicação e base na ciência, nos fatos explicados, comprovados e, somente
assim, aceitos como verdades. Ele ultrapassa o interesse e o cuidado do empírico porque procura conhecer, além do fenômeno,
as suas causas e leis, razões e porquês.
Trata-se de uma forma de conhecer racional, que procura aproximar-se das verdadeiras características do objeto de interesse.
Aqui, ele vai além da experiência adquirida na convivência. Para obtê-lo, são necessários disciplina e cuidados, para conhecer o
objeto de interesse de forma mais sistemática, racional, estudando-o, analisando-o, mais objetivamente, investigando
experimentalmente as relações existentes entre suas características e funções. Por isso, a importância da base teórica, fontes de
saber relacionadas, que darão respaldo para uma análise crítica das suas formas, características, funções, relacionando o objeto a
outros, fazendo comparações e testes para comprovar as análises e os dados disponíveis.
A verdade, ou seja, a resposta, tem que ser lógica para que o conhecimento alcançado seja racional e possa ser comprovado.
E as conclusões obtidas a partir da análise crítica do objeto permitirão fazer previsões para outros objetos semelhantes. Ou seja,
quando o conhecimento se dá de forma racional, ele pode ser ampliado, admitido e projetado para casos e situações
semelhantes.
Ele ultrapassa o interesse e o tratamento dado ao empírico, pois procura conhecer, além do fenômeno, as suas causas e leis;
suas razões e porquês. Exige atitude crítica, investigativa; pergunta a todo tempo sobre os fundamentos, e reclama da razão
humana explicação das coisas e do mundo que faça sentido. Pede e estabelece roteiro, planejamento, um caminho para ser
construído; não aceita respostas não comprovadas ou convincentes. Abaixo, uma síntese das características do conhecimento
científico:
Quadro 3 – Características do conhecimento científico
CARACTERÍSTICAS DESCRIÇÃO
Racionalidade Trabalha com conceitos, julgamentos complexos e raciocínios e não com sensações,
imagens, valores, modelos de conduta.
Objetividade Procura concordar, assemelhar-se com o objeto, pois a busca é feita pela observação,
investigação e experimentação.
Verificabilidade Validade aceita quando passa pela prova da experiência, da comprovação; hipóteses
deduzidas ou inferidas não são consideradas científicas.
Planificável,
metódico
Planejado; o pesquisador não age ao acaso, sabe o que procura e como fazer para
alcançá-lo; controla-o com métodos preestabelecidos.
Sistematizável Ideias se organizam em sistemas: conjuntosordenados de proposições (teorias) e não
apenas aglomerados ao acaso ou cronologicamente.
Acumulabilidade
Resulta de um contínuo selecionar de conhecimentos significativos; assim, entende que
novos conhecimentos podem substituir ou serem adicionados aos antigos, quando estes
se revelam disfuncionais ou ultrapassados.
Falibilidade Não se propõe a ser definitivo, absoluto, acabado; sempre pergunta, indaga por novas
possibilidades, novos caminhos; sugere novas hipóteses.
Explicabilidade,
predicidade
Explica os fatos com base em leis físicas, investigação e no acúmulo de experiências.
Atua no plano previsível; busca prognosticar futuro e passado prevendo, controlando e
modificando ocorrências futuras.
Fonte: A autora.
Todas as formas de conhecer representam diferentes formas de ver e apreender o mundo. Todas são válidas, importantes e
adequadas, dependendo da situação e do sujeito do processo. A capacidade de conhecer do homem fornece-lhe competência,
inclusive, para decidir e optar pela forma de conhecer com a qual mais se identifica, ou que for mais conveniente ao ambiente,
ao momento, à situação. Abaixo, uma síntese dos tipos de conhecimento.
Quadro 4 – Classificação do conhecimento
TIPO CARACTERÍSTICAS
Tácito Pessoal, individual, está ligado à aquisição de habilidades e competências.
Explícito Compartilhado, é socialmente construído através da linguagem.
Dogmático Inquestionável, é construído através da fé, crenças, religião.
Empírico Baseado na experimentação, no senso comum passado por gerações.
Filosófico Idealiza e modela o objeto, reflexivo, discute a verdade no nível das ideias.
Científico Investigativo, procura a verdade na razão, na explicação dos fatos, na comprovação.
Fonte: A autora.
Resumo do capítulo
O objetivo deste capítulo foi entender o que é o conhecimento, suas causas, formas, processos de aquisição e formação. O
domínio deste conteúdo é importante elemento para o estudo e elaboração de trabalhos científicos de quaisquer modalidades,
pois só se consegue explicar, modificar, recriar aquilo que se conhece.
3.1
3
O TEXTO CIENTÍFICO: A LINGUAGEM DA CIÊNCIA
Vivemos em um mundo de palavras, nossos pensamentos, o mundo de nossa imaginação, nossas comunicações e nossa
rica cultura são tecidos nos teares da linguagem [...] A linguagem é o nosso meio [...] É a linguagem que separa os
humanos do resto da natureza.
Richard E. Leakey e Roger Lewin (1992)
A fala é o pensamento que é tornado visível quando recebemos pelos sentidos as informações do mundo ao nosso redor e as
concretizamos em forma de comunicação verbal. Os seres humanos pensam e se comunicam por palavras e suas conexões, e a
expressão dessa complicada estrutura do “pensar humano” é feita apropriando-se dos caracteres de uma determinada língua e
usando-se a linguagem como instrumento de comunicação. E esse “pensar humano” se perpetua na linguagem escrita. Vejamos
a diferença entre língua e linguagem.
A língua e a linguagem escrita
Por língua, pode-se entender o conjunto de caracteres estruturados, organizados, que possibilita a comunicação entre os
povos; ou seja, um sistema de signos combinados, relacionados, de natureza social e psíquica, formalmente estruturado e
imposto para todos os membros de uma comunidade linguística. Assim, trata-se de um sistema de representação que usa
palavras e regras que as combinam em frases que os indivíduos de uma comunidade linguística usam como principal meio de
comunicação e de expressão, falado ou escrito.
Já a linguagem trata da manifestação, do uso da língua; é a forma sistemática, organizada de comunicar ideias ou sentimentos
através de signos convencionais, sonoros, gráficos, gestuais etc. É o sistema secundário de sinais ou símbolos criado a partir de
uma dada língua, utilizado como forma de expressão própria de um povo, de uma área geográfica, linguajar, dialeto. A
linguagem não existe, nem se manifesta ou se desenvolve a não ser pelo aprendizado e utilização de uma língua qualquer.
Os dicionários, de modo geral, enfatizam a importância da linguagem como o mecanismo viabilizador da comunicação, pois
nela há um processo de troca, transmissão e recepção de mensagens entre emissor e receptor. Uma troca que envolve uma
codificação no falar e uma decodificação no ouvir. As informações ocorrem por meio de recursos físicos (fala, audição, visão
etc.) e de signos ou símbolos sonoros, escritos, iconográficos, gestuais, e outros, ou de aparelhos e dispositivos técnicos. Assim,
resume-se que a linguagem é o sistema de sinais que serve de meio de comunicação entre os indivíduos; desde que se atribua
valor convencional a determinado sinal, existe uma linguagem.
A função da linguagem é tornar possível a comunicação; e função deve ser entendida como serventia, instrumento. Assim, a
linguagem tem compromisso com a razão, com a verdade, com a lógica, com o conhecimento, e se estrutura em função do
propósito da comunicação. Daí, a importância de se estabelecer o propósito da comunicação para se estabelecer o tipo de
linguagem adequada a ser usada.
Angeloni (2003, p. 18) destaca que o modelo mental de cada pessoa, que são as suas características, experiências e
competências individuais determina a sua capacidade de codificar e decodificar mensagens. Isso, certamente, implica que uma
mesma mensagem poderá ter tantas e diferentes interpretações quantas forem as pessoas que a receberem. A autora faz alguns
comentários importantes, que merecem ser reproduzidos na íntegra:
[...] existem diferenças entre o que queremos dizer e o que realmente dizemos; entre o que dizemos e o que os outros
ouvem; entre o que ouvem e o que escutam; entre o que entendem e lembram; entre o que lembram e retransmitem;
3.2
•
•
•
•
3.3
•
as pessoas só escutam aquilo que querem e como querem, de acordo com suas próprias experiências, paradigmas e pré-
julgamentos;
existem informações que os indivíduos não percebem e não veem; informações que veem, e não ligam; informações que
veem, e não entendem ou não decodificam; informações que veem e usam; informações que procuram; informações que
adivinham;
nosso estado de espírito e humor pode afetar a maneira como lidamos com a informação;
as abordagens informacionais normalmente privilegiam os atributos racionais, sequenciais e analíticos da informação e de
seu gerenciamento, em detrimento a outros igualmente importantes, senão mais, como os relacionados às abordagens
intuitivas e não-lineares. (ANGELONI, 2003, p. 18)
Qualidades da linguagem escrita
[...] Embora o senso comum possa conduzir à ideia de que escrever bem seja uma arte, todos aqueles que já se
aventuraram nessa área sabem que a expressão escrita do pensamento requer, menos que inspiração, muita transpiração,
esforço, investimento [...]
(MICHEL, 2005)
A linguagem escrita tem como propósito inicial o registro de informações. Ela se torna fundamental para o desenvolvimento,
pois garante o armazenamento, estocagem, durabilidade, reprodução confiável, difusão, precisão, preocupação com a forma,
recuperação de dados e informações. Na linguagem falada ou de sinais, a interação com o receptor é mais fácil, pois o emissor
utiliza outros recursos combinados para garantir a comunicação. Na linguagem escrita, essa interação é bem mais complicada,
pois apenas o texto, frio e solitário, deve dar conta da comunicação. Por isso, ela é mais exigente, requer cuidados da gramática
e precisa conter alguns atributos, qualidades, que a tornem eficaz, como os colocados a seguir.
Monossemia
É a qualidade de um texto que não admite mais de uma interpretação. O contrário, a polissemia, é a atribuição de
múltiplos sentidos a um mesmo texto; diferentes interpretações dadas a um mesmo texto, que podem ocorrer em função
do tipo de texto, linguagem, experiência do leitor/ouvinte com a linguagem, grau de escolaridade, conhecimento
gramatical, capacidade de análise linguística, nível sociocultural, motivação, entre outros motivos.
Coesão
É a estruturação linguística do texto – união íntima das partes de umtodo. Trata da tematização, da manutenção viva do
tema; é a ligação correta entre os termos; o uso correto da sintaxe da língua; o encadeamento sintático, lógico dos
termos, que vão contribuir para o seu entendimento. A coesão implica que deve haver um relacionamento correto e claro
entre palavras, entre frases, parágrafos, título e texto, com o uso correto de elementos coesivos (pronomes, artigos,
conectores).
Coerência
É a harmonia da mensagem, garantindo informações e ideias conexas e com sentido; é a não contradição entre ideias; é
a interligação lógica e compreensível de ideias. A coerência exige que a mensagem faça sentido, seja lógica, esteja em
ordem a colocação das ideias, com destaque para a essência, discernimento entre detalhe e essência.
Unidade
É a qualidade do texto que visa a um único objetivo; cuida para que as ideias não se dispersem, ou fujam ao propósito
inicial; em suma, que todas as partes do texto estejam voltadas, ligadas ao assunto. O texto que possui unidade está
sempre preso e orientado pela ideia original.
Usos da linguagem escrita
A linguagem escrita, como instrumento de comunicação, pode ser utilizada para diferentes usos, externando pensamentos,
ideias, mensagens. Pode-se usá-la para contar algo, um ocorrido (narrar), descrever uma situação, um objeto (descrever) ou
desenvolver, discutir, apresentar ideias (dissertar):
 Narrar
•
•
3.4
•
É o uso da escrita, pelo qual se faz um relato organizado de acontecimentos reais ou possíveis. Nela, torna-se imperioso
dar movimento aos fatos, manter aceso o interesse do leitor, expor os acontecimentos com rapidez, relatando-se apenas
o que é significativo, relevante. Recomenda-se evitar o excesso de adjetivos e advérbios que vão criar interpretações
particulares e com possibilidades de criar interpretações polissêmicas ao texto.
No seu uso, deve-se dar preferência pelo uso de substantivos, ou seja, ideias que passam uma imagem completa do que
está sendo descrito. Outro cuidado especial deve ser dado na escolha dos verbos, que devem ser claros, monossêmicos;
os parágrafos devem ser curtos, as orações, preferencialmente, coordenadas. Deve-se ater ao que é significativo para
entendimento do texto, ao objetivo. Os elementos que devem ser observados num texto narrativo são: quem
(personagens), que (fatos), quando (época), onde (lugar, local), como (modo), por que (causa).
Dissertar
Significa discorrer sobre determinado tema, expor algum assunto de forma ordenada, sistemática, abrangente e
profunda, oralmente ou por escrito. Trata-se de uma forma de escrita caracterizada pela apresentação, discussão e
análise de ideias. É a exposição de pontos de vista, baseados em argumentos, estabelecendo relações de causa e efeito.
Na dissertação, não basta narrar ou descrever um fato; é necessário explicá-lo, argumentá-lo. O raciocínio é que deve
predominar nesse tipo de redação, e quanto maior a fundamentação argumentativa, mais consistente será o desempenho.
Os cuidados a serem observados na dissertação: clareza na exposição; disciplina de pensamento; redação de frases com
estruturas gramaticais corretas; argumentação com o maior número de fatos adequados, relevantes, característicos.
Descrição
Significa representar algo ou alguém, por escrito ou oralmente, com detalhes suficientes para que o ouvinte possa
apreender a imagem do objeto descrito. É a escrita utilizada para fazer uma exposição circunstanciada de alguma coisa,
contar em detalhes, retratar, transmitir uma imagem de uma situação, objeto, fato etc. Nela, faz-se uma enumeração
exaustiva de minúcias, detalhamentos de um objeto, um ser qualquer, um processo, um conhecimento.
Quanto maior o rigor na descrição, maior a eficácia do texto. Assim, o pesquisador, ao descrever o objeto de sua
pesquisa, arrola informações como: peso, idade, condições de realização da pesquisa, como temperatura, local, tempo de
duração da experiência, número de elementos submetidos à experimentação, de forma a permitir a identificação do
objeto da pesquisa.
Quadro 5 – Usos da escrita
DISSERTAÇÃO NARRAÇÃO DESCRIÇÃO
Expor e discutir ideias,
fazer análises,
argumentar, explicar,
explanar.
Relatar fatos, situações,
ocorrências, ressaltando aspectos
significativos com fidelidade ao
objeto.
Levantar características de um objeto,
situação, fato, transmitir informações de forma
a permitir traçar uma imagem do objeto.
Fonte: A autora.
Texto e intertexto
Um texto é o conjunto de ideias entrelaçadas para formar um enunciado, capaz de transmitir uma informação, ou mensagem.
É uma redação original de uma ideia, um comunicado. É chamado de tecido verbal, ou seja, um conjunto de ideias estruturado
de tal forma que elas formem um todo coeso, uno, coerente. São frases e ideias que se inter-relacionam. É o espaço discursivo
dos interlocutores. Numa obra, entende-se texto como a parte principal dela, excluindo-se títulos, subtítulos, epígrafes, gravuras,
notas etc., enfim, o texto é a mensagem da obra.
Já o intertexto caracteriza-se por ser um texto produzido a partir de relações com outros textos; um texto originado de outro e
que dele recebeu influência ou o toma como ponto de partida, modelo para o novo texto. Guarda uma relação de significação
com o texto do qual se originou. Em uns, tem sua origem, para outros, aponta, ou se refere. O intertexto é uma variação de um
texto, pois é produzido em momento e circunstâncias diferentes e tem um propósito específico para com o texto original. Vários
são os tipos de intertextos. Vamos optar por apresentar os mais utilizados em trabalhos científicos.
Resumo
•
•
É a apresentação sintética e seletiva das ideias de um texto, ressaltando a progressão e a articulação entre elas, com o
propósito de transmitir uma ideia geral sobre o objeto. Um resumo deve conter as principais ideias do texto original, não
apresentar juízo valorativo ou crítico, e deve ser compreensível por si mesmo; isto é, dispensar a consulta ao original.
Visa abreviar o tempo da leitura; difunde informações, de modo a influenciar e estimular a consulta do texto completo.
O conceito sugerido de compactação do texto não deve levar ao equívoco de que fazer resumo seja cortar palavras. Ao
contrário, deve-se aliar à ideia de compactar outras tão essenciais quanto, como: eleger, selecionar. Um resumo é um
texto abreviado do original que contém as principais ideias deste. Por isso, ao se fazer uma leitura de um texto com
vistas ao seu resumo, deve-se marcar as palavras que contenham as ideias mais importantes para o entendimento da
mensagem geral.
Resenha
Embora a literatura registre dois tipos de resenha, a descritiva e a crítica, o interesse na redação de trabalhos científicos
está direcionado para a última. A resenha descritiva se assemelha ao resumo por ser um relato das principais
informações do texto. Diferencia-se dele, entretanto, por ser um relato pormenorizado, informativo, contendo todos os
dados de identificação do mesmo.
Já a resenha crítica, também conhecida por resumo crítico, é o ato de resenhar, descrever pormenorizadamente algo.
Sendo um intertexto, mantém o propósito inicial, que é apresentar as ideias do texto do qual se origina, mas permite
uma postura crítica do resenhista sobre o assunto. A resenha crítica mantém, assim como o resumo, o compromisso de
ser uma apresentação sintética, fiel e seletiva das ideias de um autor lido.
Importante lembrar que o sentido da palavra crítica não é apontar falhas, erros. Criticar é realizar um exame racional,
sem preconceitos, convenções ou dogmas, uma análise lógica das características de um objeto, com o propósito de se
chegar a um juízo de valor a respeito.
A resenha crítica, portanto, analisa, elogia, comenta, interpreta, destaca aspectos relevantes, faz comparações e/ou cria
situações, discute ideias, argumenta em favor, contra, faz análises e levanta questões a respeito do objeto, desde que
racional e logicamente feitas. É também chamada de recensão e pode abranger objetos de qualquer natureza: romance,
filme, peça de teatro,jogos, álbum, música, e outros. Os critérios de julgamento são de valor, de beleza, de forma, estilo
do objeto (acontecimento ou obra); e prima pela exploração de detalhes para que o autor possa fundamentar suas
críticas, positivas ou negativas, utilizando, preferencialmente, outros autores que trabalharam o mesmo tema.
Paráfrase
Significa expor, desenvolver detalhadamente o que o texto quer dizer. Em trabalhos acadêmicos, a paráfrase é utilizada
para demonstrar ao leitor que o autor leu, entendeu e foi capaz de reproduzir com suas próprias palavras e estilo o texto
lido. Assim, trata-se de um intertexto que tem a função de reapresentar as ideias do texto original, variando-se a sintaxe,
o estilo, a forma, e mantendo-se fiel às ideias.
Sua apresentação admite que ideias sejam recriadas, exemplos sejam dados, tudo com o propósito de manter o menor
desvio do texto original. Pode-se entendê-la, num primeiro momento, como uma forma de traduzir as palavras de um
texto por outras de sentido equivalente, mantendo as ideias originais. Entretanto, o seu caráter explicativo pede
detalhamentos, esclarecimentos, desenvolvimento de ideias, destaques de alguns aspectos, reafirmações, impressões,
atualizações do seu autor.
Como semelhança com o resumo, a paráfrase se concentra nos principais aspectos do texto original. Como diferença,
enquanto o resumo se propõe a compactar, a destacar o essencial, a paráfrase se compromete com a explicação das
ideias desenvolvidas, detalhadas, comentadas, em tamanho igual ou mais longo que as do texto do qual se origina. Na
paráfrase, ocorre uma transformação de forma que não acrescenta informação nova em relação ao texto sobre o qual foi
efetuada a transformação. É outra forma de se dizer a mesma coisa.
Entretanto, principalmente em trabalhos acadêmicos, deve-se ter uma preocupação muito grande com a remissão à
fonte, sempre. É preciso lembrar que paráfrase não é plágio. No entanto, um texto parafraseado, sem a devida
informação da fonte, torna-se plágio. Essa situação pode ser proposital ou fruto de desconhecimento do seu autor, o que
não invalida o caráter ilícito do ato.
Quadro 6 – Exemplos de intertextos utilizados em trabalhos acadêmicos
3.5
RESUMO RESENHA PARÁFRASE
Compactar, sintetizar,
eleger principais ideias.
Resumir com detalhes descritivos,
comentar, comparar, criticar.
Reapresentar com outras palavras, estilo,
demonstrar domínio do sentido.
Fidelidade às ideias
originais. Fidelidade às ideias originais. Fidelidade às ideias originais.
Fonte: A autora.
A linguagem científica
A característica principal do gênero científico é abordar assuntos, problemas, indagações, dúvidas, de forma científica e
racional; quer dizer, buscando a sua explicação lógica e comprovação, tomando-se como referencial uma teoria existente. O
texto científico trabalha com o princípio da busca da verdade, e particulariza-se pelo alto grau de abstração necessário do
pensamento. Pretensiosamente neutro, os raciocínios são logicamente concatenados, utilizando vocabulário preciso, adequado à
área, construído sob o rigor da subordinação e da ausência de emoção.
Essas especificidades do gênero científico fazem dele dependente do tipo de linguagem utilizada para sua expressão. Por isso,
a linguagem científica não é livre, não é pessoal, deve obedecer a quesitos universais de apresentação, padronização, formatação
e expressão; assim como não deve chamar para si a responsabilidade pelo convencimento do leitor. Ela deve ater-se a ser o
instrumento da comunicação científica, não o propósito. E como instrumento de divulgação da ciência, deve possuir alguns
atributos, alguns condicionantes, como ressaltado no quado a seguir:
Quadro 7 – Atributos da linguagem científica
ATRIBUTOS SIGNIFICAÇÃO
Clareza e
objetividade Evitam duplicidade de interpretação, leituras polissêmicas, levam ao objetivo determinado.
Concisão Usa frases despojadas de adjetivação e advérbios; convence pela argumentação lógica.
Precisão É objetiva, vai direto ao ponto necessário, sem voltear; trabalha essencialmente com a
denotação, e evita a conotação, a comunicação por metáforas.
Correção Prega o uso correto da língua, obediência à norma culta gramatical como viabilizadora do
entendimento, sem sofisticação ou rebuscamento.
Conteúdo Mantém o foco no assunto, a unidade de pensamento; evita dispersão.
Gírias e
“clichês”
Evita o uso de linguagem muito popular, informal, expressões chulas, gírias, estrangeirismos,
frases da moda, muletas de linguagem.
Parágrafos Usa parágrafos curtos, objetivos, facilmente lidos e entendidos; frases positivas, prevalência de
substantivos, colocação de termos em ordem direta.
Forma de
escrita
Segue as normas oficiais de redação de textos científicos (ABNT), incluindo elementos de
formatação, estruturação, papel, fontes, espaçamentos.
Fonte: A autora.
O esforço pela neutralidade é expresso pelo uso da terceira pessoa e pelo uso comedido de subordinação. Essas características
não se contrapõem à preocupação com a forma, a organização e a estética do texto, que envolvem a obediência aos critérios
formais de criação de margens, paragrafação, espaçamento interlinear, entre parágrafos, numeração de páginas, divisão em
tópicos e capítulos, entre outros estabelecidos pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
O texto científico, para garantir as qualidades acima, deve se apoiar no uso correto e adequado das normas linguísticas.
Utiliza vocabulário específico para designar instrumentos empregados em determinado ofício ou ciência, ou para apresentar
conceitos científicos, transações comerciais, financeiras ou econômicas. As palavras utilizadas ora podem ser idênticas às da
linguagem comum, mas utilizadas em sentido preciso, monossêmico, ora podem ser estritamente técnicas; porém, sempre
utilizando a linguagem culta. O texto científico exige posturas, compromissos éticos:
Quadro 8 – Compromissos do texto científico
COMPROMISSO CARACTERÍSTICAS, CUIDADOS
Impessoalidade
Redação na 3a pessoa, evitar referências pessoais (meu trabalho, meu objetivo); e, sim:
este trabalho, o presente trabalho etc., assim como o uso da 1a pessoa do plural (nós), que
pode ser usado em situações especiais.
Objetividade
Evitar pontos de vista pessoais, opiniões, subjetivos, não fundados ou comprovados (“penso
que”, “parece-nos que”, “parece ser” etc). Isso viola a objetividade necessária e demonstra
falta de fundamentação teórica.
Modéstia
Deixar os fatos falarem por si; não rechear o texto com formas impositivas, enfáticas de
convencimento. Resultados verdadeiros e consistentes de pesquisa se impõem. Evitar
insinuações a erros de outros trabalhos, certezas absolutas (certamente, lamentavelmente,
sem dúvida alguma etc.).
Humildade
Evitar tratar resultados como verdades absolutas, perenes. Sugere-se usar: sugere-se..., os
resultados levam a crer..., pode-se inferir... etc., pois o conhecimento científico deve ser
questionável; portanto, inacabado; admite, sempre, revisões, inovações, melhorias,
avanços.
Autoria
Deve se comprometer por nunca fazer afirmações de ideias, falas, conceitos, cuja autoria
pertence a outrem sem citá-lo; é incorreto, indelicado e ilegal. Como o conhecimento é
gerado sobre outro já produzido por alguém, deve-se, sempre, outorgar a autoria do
conhecimento que está sendo utilizado.
Fonte: A autora.
Kotz, citado por Fachin (2006, p. 197), resume os princípios que conferem clareza e eficácia ao texto científico: (a) fazer
frases curtas; (b) preferir o simples ao complexo, as palavras familiares; (c) evitar palavras desnecessárias; (d) pôr ação nos
verbos; (e) escrever como se fala; (f) usar termos que o leitor possa compreender; (g) variar formatos; (h) escrever para
expressar, e não para impressionar. A seguir, o Quadro 9 ressalta as características do texto científico, comparando-o com outras
categorias de linguagem, de forma a justificar a importância do uso correto da linguagem escrita nesse tipo de texto.
Quadro 9 – Algumas categorias de linguagem, propósitos etextos
CATEGORIA PROPÓSITO TEXTOS
Literário
Agradar, encantar, sem preocupação de se fazer entender;
tende para a polissemia, faz uso de rima, métrica,
comunicação pelos sentidos. Pode usar a linguagem culta,
sem que isso lhe seja requisito obrigatório.
Poesia, novela, conto, teatro,
música, alguns textos jornalísticos
e outros.
Técnico
Comunicar, orientar, ordenar informações, tarefas.
Obediência a ordens, determinar, cumprir legislação,
normas. Necessita de coesão, coerência, unidade, pois
deve evitar a polissemia, para garantir a comunicação
correta. Usa a linguagem formal e, preferencialmente, a
culta.
Ofícios, circulares, regimentos,
portarias, regulamentos, editais,
contratos, relatórios técnicos e
outros.
Científico
Registrar, comunicar resultados, submeter à apreciação de
pessoas/órgãos/grupos resultados de pesquisas; busca
legitimação, aceitação, aprovação de um produto de
natureza intelectual. Usa a linguagem culta, formal, coesa,
coerente, e, principalmente, monossêmica.
Trabalhos acadêmicos, teses,
dissertações, monografias,
ensaios, artigos científicos,
relatórios técnicos e científicos,
resenhas, comunicações a
congressos e outros.
Fonte: A autora.
Resumo do capítulo
Escrever não é tarefa fácil; mas pode se tornar prazerosa, assim como contribuir significativamente para tornar possível a
comunicação. Mesmo considerada, por alguns, como arte, todos aqueles que já se aventuraram nessa área sabem que a
expressão escrita do pensamento requer, menos que inspiração, muita transpiração, esforço, investimento. Escrever bem exige
cuidado, estudo, conhecimento dos recursos e domínio dos fatos da língua. Apreendê-los e utilizá-los de forma correta,
oralmente ou por escrito, é competência básica para o aprendizado de qualquer outra matéria e para a expressão correta do
pensamento. Neste capítulo, foram discutidos conceitos importantes acerca do texto científico e a linguagem científica,
adequada para trabalhos acadêmicos.
4.1
•
•
•
•
4.2
4
METODOLOGIA E PESQUISA
Talvez venha o dia em que o homem saberá, com antecedência, se choverá ou se virá um tempo de seca; e saberá, além
disso, como conter um raio. Para chegar a tal ponto, é necessário estudar, racionalmente, é necessário nutrir nossa mente,
é necessário cultivar o nosso jardim.
Voltaire (16[...])
Metodologia científica
Fazer uma tese (um trabalho) significa, pois, aprender a pôr ordem nas próprias ideias e ordenar os dados; é uma
experiência de trabalho metodológico; quer dizer, construir um “objeto” que, como princípio, possa também servir aos
outros.
Umberto Eco (1997) (grifo nosso)
Enquanto a ciência se propõe a captar e entender a realidade, a metodologia se preocupa em estabelecer formas de como se
chegar a ela, através da pesquisa científica. Talento, bons professores, bons livros são condições necessárias para uma pessoa
atingir seus objetivos; porém, se ela não tiver atitude, método, disciplina, dificilmente alcançará êxito. Não é por acaso a
afirmação atribuída a Thomas Edson: “o gênio é 10% de inspiração e 90% de transpiração”.
Pode-se entender metodologia como um caminho traçado para se atingir um objetivo. É a forma, o modo de se resolver
problemas e buscar respostas para necessidades e dúvidas. A metodologia científica é a busca da verdade num processo de
pesquisa ou aquisição de conhecimento; um caminho que utiliza procedimentos científicos, racionais e critérios normalizados e
aceitos pela ciência. É o corpo de regras e diligências confiáveis estabelecidas para se realizar uma pesquisa.
Em metodologia científica cabem várias abordagens conceituais:
tratado dos métodos; conjunto de métodos e técnicas utilizados numa investigação, numa ação;
caminho a ser percorrido para atingir o objetivo; resposta que satisfaça à lógica, à verdade;
maneira de conduzir uma pesquisa; preocupação instrumental, que trata das formas de se fazer ciência; procedimentos,
ferramentas, caminhos;
conhecimento geral e habilidades necessárias ao pesquisador para se orientar no processo de investigação, tomar decisões,
selecionar conceitos, hipóteses, técnicas e dados adequados.
Pode-se dizer que a metodologia científica rege todas as formas de conhecimento científico, métodos e técnicas de pesquisa,
projetos de pesquisas, trabalhos científicos, relatórios científicos, monografias, teorias, modelos científicos, problemas, temas,
hipóteses e variáveis de pesquisa.
Metodologia científica, também, está presente na forma correta de escrever textos de comunicação científica, tipificar
conhecimento, classificar ciências, definir e elaborar aspectos gráficos de trabalhos científicos, planejar pesquisas e trabalhos
científicos, assim como nas normas da redação científica. Isto quer dizer que um texto científico, para ser válido, pressupõe o
conhecimento e o domínio da metodologia científica na sua concepção, elaboração e formatação.
Pesquisa científica
[...] a atividade científica pela qual descobrimos a realidade (DEMO, 1995)
4.3
•
[...] investigação sistemática, controlada, empírica e crítica de proposições hipotéticas sobre supostas relações entre
fenômenos naturais (KERLINGER, 1980)
A pesquisa científica se propõe a explorar o mundo físico, estudando a complexão das coisas para melhor entendê-las nos
seus princípios e funcionamento; descrever o mundo físico, estudando, analisando, registrando, interpretando e descrevendo os
fatos do mundo físico sem a interferência do pesquisador; e, finalmente, explicar o mundo físico, registrando fatos, analisando-
os, interpretando-os e identificando suas causas.
A pesquisa é a atividade básica da ciência; a descoberta científica da realidade. É anterior à atividade de transmissão do
conhecimento; é a própria geração do conhecimento. A realidade não se apresenta com clareza na superfície, à primeira vista;
assim, pode-se inferir que as formas humanas de explicar a realidade nunca esgotam a verdade, nunca a satisfazem; sempre há o
que se descobrir na realidade.
E a pesquisa científica, como busca da verdade das coisas, da essência das coisas, é um processo interminável,
intrinsecamente processual. Pesquisa é, então, um fenômeno de busca de conhecimento constituído de aproximações sucessivas
e nunca esgotado; ou seja, não é uma situação definitiva diante da qual já não haveria mais o que descobrir.
Trata-se de um procedimento intelectual, racional, fruto de curiosidade e indagação; uma atitude de busca de respostas, novas
verdades, novas explicações sobre fatos, objetos, sobre a realidade, enfim. A necessidade dessa busca surge a partir de uma
questão não respondida, um problema que nos induz a procurar resposta, de uma curiosidade de conhecer a fundo algo que nos
fascina ou motiva.
E para que as respostas dessa busca sejam válidas, o pesquisador deve usar métodos e técnicas adequados, e procurar
aprofundar seus conhecimentos para manipulá-los e interpretar os resultados corretamente. Para ser científica, a pesquisa
precisa se ancorar em rígidos critérios de coerência, consistência de análise, originalidade e objetividade.
Por isso, a importância do uso de uma metodologia cuidadosamente escolhida e aplicada para se fazer pesquisa científica.
Essa metodologia deve considerar: o planejamento, a divisão da pesquisa em etapas, as atividades específicas de cada etapa, os
recursos que serão utilizados, um cronograma de controle e os objetivos da pesquisa.
 A pesquisa social
[...] a pesquisa social não só orienta a ação, lançando luz e maior compreensão sobre a realidade social, como também nos
auxilia na definição e seleção de diretrizes de atuação e avaliação do desenvolvimento de programas procurando medir
impactos e os seus resultados significativos. (LEHFELD In: JOSÉ FILHO; DALBERIO, 2004)
A pesquisa social estuda o homem, enquanto ser que vive relação dinâmica e contextual com o seu meio; própria das áreas de
ciências humanas e sociais aplicadas, ela se propõe a observar, discutir, descrever e explicar os fenômenos sociais. Inicialmente,
faz um breve paralelo entre o objetode interesse das áreas de ciências naturais e ciências sociais, para ressaltar os aspectos que
fazem da pesquisa em ciência social uma tarefa específica, exigente e complexa. O paralelo é oportuno porque, enquanto nas
ciências naturais o objeto de interesse é dissociado do pesquisador, está fora dele, nas ciências sociais, o objeto da pesquisa é o
próprio homem socialmente atuante com seus problemas, valores, desejos, enfim, os fenômenos interferentes no seu
desempenho, nas suas ações.
O objeto de interesse e estudo das ciências sociais é intrinsecamente diferente do objeto das ciências físicas e naturais. Essas
diferenças devem ser conhecidas pelos pesquisadores de ambas as áreas, pois são orientadoras do seu comportamento e postura
científica deles. É importante notar que a pesquisa social ocorre dentro de um contexto social e deve refleti-lo. Assim, ela
comporta várias correntes de pensamento; pois cada corrente tem sua história, seu contexto, veicula uma visão própria de
mundo e é fruto da realidade social, onde foi gerada e que tenta expressar.
Por isso, os métodos específicos utilizados em pesquisas sociais são diferentes dos métodos de pesquisa utilizados nas
ciências naturais. A seguir, estão referenciadas algumas particularidades da área de ciências humanas e sociais que justificam
esse tratamento diferenciado.
O objeto da área de ciências sociais é histórico
O objeto das ciências sociais é histórico, quer dizer, as entidades estudadas nas CS sofrem desgaste temporal, se
modificam com o passar do tempo. As sociedades humanas existem num determinado espaço, num determinado tempo.
O caráter provisório e processual é a marca da história, significando que as coisas nunca “são” definitivamente, mas
“estão” em passagem, em transição, em mudança. Isso porque as sociedades são definidas no espaço, no tempo em que
•
•
4.4
ocorrem.
Os grupos sociais, as instituições, as leis, as visões de mundo são específicos de um momento, de um espaço; são
transitórios, passageiros, estão em constante dinamismo, e, potencialmente, tudo pode ser transformado. As realidades
físicas, naturais são cronológicas; padecem desgaste temporal, mas suas características intrínsecas não mudam. Ex.: a
água do planeta tende a diminuir com o passar dos anos; mas a sua composição será sempre a mesma (H2O). As
realidades materiais, naturais, não têm consciência de si mesmas, existem independentemente da ação humana; as
realidades das ciências sociais são construídas, ou, no mínimo, influenciadas pela ação do homem.
Enquanto as ciências naturais podem gerar práticas e estudos descomprometidos com o seu uso, ou seja, apenas para
acumular conhecimento, as ciências sociais são engajadas com a realidade: refletem e orientam as práticas históricas.
Assim, a área de Ciências Sociais, entendida como uma consciência, uma identidade possível, está sujeita às questões da
sua época e tem seus limites dados pela realidade do seu desenvolvimento social. Indivíduos, grupos, pesquisadores são,
todos, dialeticamente, autores e frutos de seu tempo histórico.
Nas ciências sociais, a relação sujeito × objeto de pesquisa é ideológica
As ciências sociais têm como objeto de estudo o próprio homem (a si mesmo) e o seu meio ambiente, diferentemente
das naturais, por exemplo, que estudam um objeto sem identidade com o pesquisador. São seres humanos investigando
seres humanos, que, embora diferentes, por razões culturais, classes sociais, idade etc., pertencem ao mesmo substrato;
o que os torna imbricados e comprometidos. Essa diferença de identidade traduz o nível de envolvimento entre uma e
outra, e como as abordagens diferem.
Embora a ideologia e a crença em princípios pertençam a todos os campos da ciência (nas naturais, principalmente na
responsabilidade do uso que se faz delas), nas ciências sociais, elas estão intrinsecamente vinculadas ao objeto de
estudo, que é o homem, seu comportamento e existência dentro de um contexto social. É impossível pesquisar assuntos
das ciências sociais sem se posicionar ideologicamente.
A visão de mundo do pesquisador e dos indivíduos é que dirige o processo de conhecimento e pesquisa. Embora o
pesquisador lance mão de todo o instrumental teórico e metodológico que lhe vai permitir uma maior isenção e
aproximação da realidade, ainda permanece a crítica, não apenas no que se refere às condições de compreensão do
objeto, mas também do próprio pesquisador.
Nas ciências sociais, as manifestações são mais qualitativas que quantitativas
Os fenômenos da área de CSA se manifestam de forma mais qualitativa do que quantitativa. A realidade social se
apreende de forma muito mais efetiva com a aproximação, a vivência, do que com a teoria. A pesquisa social, portanto,
pede, sempre, uma análise qualitativa, pois estuda a pessoa numa determinada condição social, grupo, classe social,
crenças, valores, significados. O seu objeto de estudo é complexo, inacabado, contraditório, não pode ser generalizado e
está em constante transformação. Exemplo: a ideia de democracia é um fenômeno volátil; não sabemos bem quando
surgiu, qual é o seu “tamanho” hoje. Aqui, a medida não é critério fatal, e os resultados são sempre induzidos,
aproximados, prováveis.
Assim, a análise qualitativa é fundamental na pesquisa em ciências sociais, pois essa área necessita de uma avaliação
robusta e consistente de seus termos, ao invés, apenas, de comprovação matemática ou estatística de suas realidades. Já
nas ciências naturais, a medida exata é que caracteriza a verdade científica.
A seguir, serão apresentados os diversos tipos de pesquisa científica. Inicialmente, será feita uma discussão mais robusta
das pesquisas qualitativa e quantitativa e sua variação qualiquanti, como divisões primeiras da pesquisa científica, na
medida em que direcionam o trabalho do pesquisador para os estudos teóricos, a pesquisa de campo e as análises dos
dados.
A pesquisa qualitativa
Por quê? Como? Por que a variação? Como fazer...? Como lidar com...? Quais as implicações de...? Qual a explicação
para...? Qual a melhor solução para...?
A pesquisa qualitativa considera que há uma relação dinâmica, especial, contextual e temporal entre pesquisador e objeto de
estudo; ambos pertencem à mesma realidade e se confundem. Por isso, a pesquisa qualitativa carece de que os fenômenos
sociais sejam interpretados à luz do contexto, do tempo, dos fatos e análise de todas as interferências. O ambiente da vida real é
4.5
a fonte direta para obtenção dos dados, e a capacidade do pesquisador de interpretar essa realidade, com isenção e lógica,
baseando-se em teoria existente, é fundamental para dar significado às respostas.
Este tipo de pesquisa se fundamenta na discussão da ligação e correlação de dados interpessoais, na coparticipação das
situações dos informantes, analisados a partir da significação que estes dão aos seus atos. Na pesquisa qualitativa, a verdade não
se comprova numérica ou estatisticamente; ela surge na experimentação empírica, a partir de análise feita de forma detalhada,
abrangente, consistente e coerente, e na argumentação lógica das ideias. Isso porque os fatos em ciências sociais são
significados sociais, e sua interpretação não pode ficar reduzida a quantificações frias e descontextualizadas da realidade.
A pesquisa qualitativa se propõe a colher e analisar dados descritivos, obtidos diretamente da situação estudada; enfatiza o
processo mais que o resultado, para o que precisa e retrata a perspectiva dos participantes. Na pesquisa qualitativa, verifica-se a
realidade em seu contexto natural, tal como ocorre na vida real, procurando dar sentido aos fenômenos ou interpretá-los, de
acordo com os significados que possuem para as pessoas implicadas nesse contexto. A finalidade primeira da pesquisa
qualitativa não é mostrar opiniões ou pessoas; ao contrário, pretende explorar o espectro de opiniões e as diferentes
representações sobre o assunto em estudo.
Para Pinheiro et al. (2005, p. 125), a pesquisa qualitativa caracteriza-se por um estudo analítico,não necessariamente
estatístico, cujo propósito é identificar e analisar com maior grau de profundidade dados e informações não mensuráveis,
sentimentos, sensações, percepções, pensamentos, intenções, comportamentos passados, expectativas futuras, experiências,
vivências. Para esse objeto de estudo, a pesquisa qualitativa se propõe a entender, interpretar motivos e significados de um
grupo de pessoas em relação a uma questão especificamente determinada.
Deve-se considerar que há termos nas respostas dadas tão carregados de valores, que só um participante do sistema social
estudado, que vive e conhece a realidade daquele grupo, pode compreendê-los e interpretá-los. Por esse motivo, é a pesquisa
mais utilizada, e necessária nas ciências sociais. Na pesquisa qualitativa o pesquisador participa, compreende e interpreta.
A pesquisa quantitativa
Quantas pessoas de uma determinada população compartilham uma característica ou um grupo de características? É
possível quantificar...? Deve-se cruzar quantidades...? Deve-se amostrar...? Qual o percentual de...?
A pesquisa quantitativa parte do princípio de que tudo pode ser quantificável, ou seja, que opiniões, problemas, informações
serão mais bem entendidos se traduzidos em forma de números. Trata-se da atividade de pesquisa que usa a quantificação tanto
nas modalidades de coleta de informações, quanto no tratamento dessas, através de técnicas estatísticas, desde as mais simples
como: percentual, média, desvio-padrão, às mais complexas, como coeficiente de correlação, análise de regressão, e outras.
Ao contrário da qualitativa, que procura entender o fenômeno sob o ponto de vista dos sujeitos, interpretando-o e analisando
suas variáveis, a pesquisa quantitativa entende que os fatos falam por si mesmos; assim, não há necessidade de interpretá-los à
luz de suas variáveis, como ambiente, situação, emoção, história etc. E, também, por se identificar com a linha positivista da
ciência, ela trabalha com a ideia de que tudo pode ser quantificável: opiniões, problemas, situações serão mais bem entendidos
se traduzidos em números. Daí seu uso frequente em estudos descritivos, nos quais busca descobrir e classificar a relação entre
variáveis, identificar tendências, estabelecer relação de causalidade entre fenômenos e gerar padrões.
Como o mundo é regido por leis invariáveis, a forma mais confiável de explicar os fenômenos naturais e sociais é através de
uma análise objetiva e isenta, utilizando números extraídos de observações externas às pessoas e às situações. Por isso, a análise
na pesquisa quantitativa se restringe à leitura e interpretação dos números; ela não considera a influência de fatores ligados ao
contexto, à visão, valores dos sujeitos envolvidos, nem às variáveis humanas que interferem na sua vida.
Esse propósito de dar respostas em números exige muito rigor no processo de escolha dos instrumentos e na análise dos
dados. Em parte porque, quanto mais complexo for o fenômeno investigado, maior o esforço para se chegar a uma quantificação
adequada. E descrições matemáticas são muito complicadas e difíceis de serem manipuladas, do ponto de vista de solução, para
que tenham algum valor prático. Além disso, algumas variáveis sociais também são difíceis de serem mensuradas. Por exemplo,
democracia, medo, autonomia e outros são fenômenos interpretados e não quantificados.
Para quantificar e medir, a Matemática e a Estatística são as grandes ferramentas da pesquisa quantitativa, já que sua intenção
é garantir a precisão dos resultados, evitar distorções de análise de interpretação, possibilitando maior margem de segurança
quanto aos resultados. A Matemática trabalha com noções idealizadas, modelos, abstrações e teorização do mundo. Busca a
precisão, a medida exata. É utilizada para pesquisas cujo objetivo é comprovar a verdade de forma inquestionável, exata,
absoluta (ex.: cálculo do valor de uma mensalidade escolar).
4.6
A Estatística mantém o mesmo propósito de busca da verdade, mas seus resultados indicam probabilidades e não certezas;
por isso, ela procura adotar rigorosos critérios de seleção de amostras para se aproximar o máximo possível da precisão. Na
Estatística, a escolha dos dados para análise é que determina a qualidade dos resultados. Por isso, o cuidado para que estes
sejam selecionados de forma planejada, amostras confiáveis, considerando-se o objetivo a atingir. Esses dados serão tratados na
análise através de amostragens, generalizações, probabilidades (ex.: pesquisa de opinião pública).
Portanto, a pesquisa quantitativa se realiza na busca de resultados precisos, exatos, comprovados através de medidas de
variáveis preestabelecidas, na qual se procura verificar e explicar sua influência sobre outras variáveis, através da análise da
frequência de incidências e correlações estatísticas. Os resultados são obtidos e comprovados pelo número de vezes em que o
fenômeno ocorre ou com a exatidão em que ocorre. A resposta que se busca na investigação deve ser obtida de forma numérica,
exata, inquestionável. Na pesquisa quantitativa o pesquisador descreve, explica e prediz.
Qualificar ou quantificar
É importante salientar que a pesquisa quantitativa e a qualitativa não se excluem. Na verdade, a análise crítica dos resultados
é propósito comum a ambas, à exceção das situações em que o que se pretende chegar seja um resultado numérico, quantitativo
apenas. Um dado estatístico pode conferir mais robustez a uma análise qualitativa, assim como uma análise crítica de um dado
pode auxiliar a dar confiabilidade aos resultados estatísticos obtidos. Ambos devem sinergicamente se complementar, sem
associar processos e questões metodológicas dos métodos quantitativos exclusivamente às ciências exatas, biológicas e naturais,
ou os métodos qualitativos ao pensamento interpretativo ou às ciências humanas e sociais.
A interpretação serve para analisar erros decorrentes de leitura errônea de medidas ou defeitos de instrumentos, assim como a
quantificação pode auxiliar na análise interpretativa de um fenômeno. É preciso superar uma possível dicotomia existente entre
pesquisa qualitativa e pesquisa quantitativa, pois é possível, e quase sempre necessário, fazer uma análise qualitativa de dados
quantitativos, assim como utilizar dados obtidos por técnicas qualitativas para se proceder a uma análise quantitativa.
A pesquisa survey é a pesquisa de mercado, que levanta atitudes, motivos, opiniões de um grupo a respeito de um objeto de
interesse. Faz levantamentos, sondagens, e como trabalha o coletivo de pessoas, coleta e trata dados por amostragem, através de
estatísticas. Ela tem sido considerada a grande resposta na pesquisa social, pois permite que sejam quantificados dados de um
grupo social relacionados com valores, opinião, satisfação, elementos mais adequados para serem analisados qualitativamente.
Além disso, está orientada para atender aos interesses políticos e sociais, que precisam conhecer os “fatos” para tomar decisões
públicas. Porém, nessa linha de raciocínio, a busca volta-se para o “empirismo”, minimizam-se os problemas teóricos e
passíveis de serem interpretados, e reduz-se o papel do pesquisador a um técnico compilador e provedor de informações.
Ao concluir sobre um fenômeno social, apenas através de instrumentos quantitativos, corre-se o risco de não se enxergar
aspectos essenciais da realidade. Isso porque o ponto de vista matemático ou estatístico volta-se, primordialmente, para a correta
manipulação dos dados sob o ponto de vista quantitativo. E, assim, pode-se obter uma “resposta exata” para “perguntas erradas
ou imprecisas”.
Exemplificando, situações que pedem técnicas quantitativas de análise, como: controle de estoques, pesquisas de opinião
pública, marketing, distribuição de material, custos, controle de qualidade, censo, avaliação de desempenho, entre outras,
podem ser combinadas com técnicas qualitativas, para elaboração de previsões, táticas organizacionais, modelos de otimização
do trabalho, estabelecimento de políticas sociais,empresariais etc.
Quadro 10 – Pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa
PESQUISA QUALITATIVA PESQUISA QUANTITATIVA
Caráter subjetivo. Caráter objetivo.
Discute, correlaciona, interpreta situações, fatos,
opiniões e conclui valores através de análise coerente.
Quantifica, coleta e trata dados obtidos através do
uso de técnicas numéricas e/ou estatísticas de
amostragem, população etc.
Analisa e apresenta resultados predominantemente no
formato de texto corrido – ideias, observação,
comparação, análise.
Analisa e apresenta resultados através de tabelas,
gráficos – números para serem analisados
posteriormente.
Desenvolve uma teoria; faz interpretações individuais, Testa uma teoria; usa análises estatísticas para
4.7
narrativas, relata experiências, identifica expectativas,
frustrações, motivos.
abranger grandes grupos.
Procura particularidades, qualidade. Procura generalizações, quantidades.
Pesquisador participa do processo. Pesquisador atua remotamente.
Pesquisador participa, compreende e interpreta Pesquisador descreve, explica e prediz
Fonte: A autora.
 A pesquisa qualiquanti ou qualiquantitativa
Quantos pensam, se comportam da mesma forma? Qual o percentual de pessoas que aprovam condicionalmente...? É
preciso primeiro medir para depois interpretar...? Qual o perfil comportamental do grupo...?
Entende-se como qualiquanti a pesquisa que se propõe a conhecer em maior profundidade uma situação, um problema, um
comportamento, uma opinião não de uma pessoa, mas de um grupo de pessoas. Nela, o pesquisador interpreta, discute e
correlaciona dados obtidos estatisticamente; seu maior interesse é conhecer em profundidade, criticar e avaliar um grupo de
pessoas, uma amostra, gerando um perfil coletivo e qualitativo acerca da variável analisada. Ela contém a essência da pesquisa
social e leva esse nome apenas para enfatizar sua dupla função.
O princípio da pesquisa qualiquanti, que utiliza o questionário com escalas de medidas, baseia-se na premissa de que a atitude
geral manifestada pelo pesquisado reflete suas crenças sobre o objeto avaliado e a força com que mantém essas crenças e
valores ligados ao objeto.
Ela se realiza, portanto, com a colaboração de ambos os tipos de pesquisa. Seu caráter quantitativo se expressa na medida em
que seu interesse não é por um indivíduo, mas por um grupo de indivíduos, socialmente selecionados conforme as variáveis de
interesse da pesquisa. Para tanto, define populações, escolhe amostras, aplica métodos quantitativos de coleta de dados e analisa
os resultados obtidos numérica e estatisticamente. Seu caráter qualitativo se verifica no seu interesse em medir, conhecer, em
profundidade e com maior robustez, opiniões e atitudes do grupo pesquisado, permitindo que seja traçado um perfil desse
grupo, um padrão de comportamento, um sujeito coletivo.
Do grupo escolhido para amostra, a qualiquanti pode levantar: nível de satisfação, expectativas, envolvimento, participação,
comportamento ético, preconceitos, capacidade de solução de problemas, conflitos, atitudes, pontos de vista, preferências,
motivos, opiniões, situações, fatos, características individuais, habilidades, competências, características de personalidade,
posturas políticas, religiosas, perfis pessoais e outros. Sua análise permite identificar falhas, erros, descrever procedimentos,
descobrir tendências, reconhecer interesses, identificar e explicar comportamentos de um grupo social.
Esse tipo de pesquisa, que combina o paradigma quantitativo (objetividade) com o interpretativo (subjetividade), tem tido
grande aceitação no campo das ciências sociais, principalmente da administração, devido à complexidade da área, para se obter
respostas mais completas e confiáveis, um entendimento mais acurado do objeto de estudo.
Entretanto, um modelo ideal, híbrido, ainda se encontra em construção; por ora, pesquisadores e teóricos tentam construir
modelos experimentais, instrumentos novos para esse propósito. De modo geral, têm sido adotados métodos quantitativos e
qualitativos em paralelo, distintamente, com variadas técnicas de coleta de dados, como questionários, entrevistas, observação e
outras. Ao final, depois de finalizados os resultados, os dados qualitativos e quantitativos são comparados.
Acredita-se que não se está distante da criação de uma solução para essa conjugação tão importante de propósitos. O uso e a
necessidade, assim como o avanço de pesquisas epistemológicas na área das ciências sociais, têm impulsionado novas práticas,
modelos empíricos que se renovam e melhoram a cada dia. Aqui, estamos propondo um modelo de questionário com escalas
para ser utilizado na pesquisa qualiquanti, elaborado de forma que se possa medir, com maior confiabilidade e profundidade,
questões qualitativas de grupo de pessoas escolhido por amostragem.
Escalas são critérios adotados pelo pesquisador conforme seus objetivos para medir, quantificar atitudes, opiniões,
comportamentos, predisposição das pessoas em relação a uma pessoa, um objeto, uma situação qualquer, permitindo a análise
qualitativa dos dados obtidos quantitativamente. Ao responder ao questionário, a pessoa estará denotando uma determinada
atitude em relação ao que está sendo proposto. E isso permitirá ao pesquisador associar a resposta a um comportamento.
Esse questionário não contém perguntas; ele é composto por proposições, juízos de valor, afirmações ou negações claras
sobre um fato, uma situação, uma postura, enfim, um valor. As proposições transformam os conceitos teóricos em abordagens
4.8
•
práticas, situações cotidianas da vida real. Ao responder, a pessoa se vê dando uma opinião, ela não se sente questionada ou
sabatinada, e isso permite que ela seja mais coerente e revele atitudes e comportamentos mais verdadeiros.
O questionário com escalas para a pesquisa qualiquanti proposto deve ser elaborado com rigorosos critérios técnicos, de
modo que não comprometam o entendimento e a veracidade das respostas (ver item 8.5.4.3 – Parte II).
Quadro 11 – Focos e abordagens da pesquisa social
TIPO BUSCA FOCO EXEMPLOS DE PESQUISA
Quantitativa
Dados, informações de quaisquer
naturezas ligadas à pesquisa.
Os objetivos
da pesquisa.
Censos, idade, estado civil,
escolaridade, dados de cadastro,
opiniões diversas, eventuais
sugestões, informações profissionais,
financeiras, processuais, fluxos de
processos, técnicas, dentre outros.
Survey
Opinião da amostra acerca do objeto
de interesse da pesquisa.
O “objeto”
pesquisado.
Nível de satisfação, aprovação,
concordância, aceitação, avaliação,
frequência, importância, criação de
novos produtos, mudanças em
hábitos, produtos.
Qualiquanti
Opinião da amostra sobre atitudes e
valores. O formato das proposições
associa respostas a
comportamentos, e isso permite que
se possa traçar o perfil da amostra.
A própria
amostra.
Opinião sobre valores, atitudes,
ética, condutas, competências,
habilidades, participação,
envolvimento, consciência e posturas
política e social, competências,
habilidades etc.
Fonte: A autora.
Classificação da pesquisa quanto aos meios
A pesquisa será classificada como meio quando o seu propósito for identificar, mostrar a forma de atuação do pesquisador, o
modo de caminhar do trabalho. Nesta classificação, a pesquisa funciona como instrumento para se obter respostas e soluções,
indicando como o trabalho foi realizado.
 Estudo exploratório ou pesquisa bibliográfica
Trata-se da fase inicial da pesquisa; busca o levantamento bibliográfico sobre o tema, com o propósito de identificar
informações e subsídios para definição dos objetivos, determinação do problema e definição dos tópicos do referencial
teórico.
As pesquisas exploratórias visam “proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais
explícito ou a construir hipóteses. Pode-se dizer que essas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de
ideias ou a descoberta de intuições” (GIL, 1994, p. 45). Entretanto, elas podem ser consideradas uma forma de pesquisa
porque implicamem leituras sobre o assunto, embora este não seja o seu propósito/fim. Por isso, é comum autores
considerarem a fase de leitura e composição do referencial teórico como sendo uma revisão de bibliografia.
Essencialmente, o estudo exploratório ou pesquisa bibliográfica é uma fase da pesquisa, cujo objetivo é auxiliar na
definição de objetivos e levantar informações sobre o assunto/objeto de estudo. Entretanto, o estudo exploratório ou
pesquisa bibliográfica pode ser considerado uma forma de pesquisa, na medida em que se caracteriza pela busca,
recorrendo a documentos, de uma resposta a uma dúvida, uma lacuna de conhecimento. Esse tipo de pesquisa procura
explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em documentos, dispensando a elaboração de
hipóteses.
Pode ser feito isoladamente, ou como parte da pesquisa científica descritiva ou experimental. Neste caso, seu intuito não
é resolver o problema em si, mas levantar informações que ajudem a entendê-lo melhor, é recolher informações e
conhecimentos prévios sobre o problema, para o qual se procura resposta, ou acerca de uma hipótese que se quer
•
•
•
•
•
experimentar. É o meio de formação teórica, embasamento, criação de conhecimento necessário e básico para a
realização de estudos monográficos.
Por outro lado, não se trata de uma pesquisa no sentido restrito, pois envolve, apenas, uma busca de conhecimento, para
problemas e soluções, cujas fontes são conhecidas; e, também, porque dispensa o emprego de processos rigorosos de
investigação. O levantamento bibliográfico, que é a essência do estudo exploratório, deve ser acompanhado de
anotações, registros, notas de aulas, apontamentos que se relacionarem com o tema de interesse, de forma a se constituir
numa memória importante para o registro e redação do trabalho. Por isso, a importância de se distinguir:
Revisão de bibliografia
Leituras iniciais, que visam arregimentar informações, entender mais detalhadamente o assunto, para auxiliar na
proposição da pesquisa, definição de problemas e objetivos;
Revisão de literatura
Tem o propósito de estudar o estado-da-arte do assunto, aumentar o conhecimento do pesquisador no tema. Ou seja, o
seu propósito é verificar o estágio teórico em que o assunto se encontra no momento atual, com o propósito de levantar
suas novas abordagens, visões, aplicações, atualizações.
Pesquisa teórica
A pesquisa teórica se propõe a discutir e criticar teorias existentes, sendo mais comumente utilizada nas áreas das
ciências teóricas, como matemática, estatística. É a atividade de pesquisa que se preocupa em montar e desmontar,
criticar e reconstruir teorias existentes a partir de críticas e comparações sobre o assunto entre autores diferentes; não
implica em confirmação na vida real. Apoia-se em verdades imperativas, oriundas de estudos anteriores, dispensando a
prática e valorizando o uso da razão e da lógica.
Não admite, porém, a especulação pura e simples; busca procedimentos fundamentais para um quadro teórico de
referência: (a) domínio dos clássicos de determinada disciplina; (b) domínio da bibliografia fundamental, pela qual
atualizamo-nos na produção existente sobre o assunto; (c) verve crítica, através da qual se instala a discussão aberta
como caminho básico do crescimento científico. A pesquisa teórica é mais adequada para solução de problemas que
envolvam matemática, estatística, estudos básicos em outras áreas, que necessitem de estudos exploratórios para se
entender o funcionamento das coisas de um modo geral. A pesquisa teórica fornece a base de conhecimento, a
explicação básica dos fenômenos, necessária para futuras aplicações e investimentos.
Pesquisa prática ou experimental
Na pesquisa prática ou experimental, realizam-se testes práticos de ideias e proposições discutidas na teoria. Esse tipo
de pesquisa implica na simulação de um ambiente laboratorial para verificação de teorias. Mais comumente utilizada
nas áreas das ciências básicas naturais e biológicas, como biologia, química, física.
É a pesquisa que se faz através do teste prático de possíveis ideias ou posições teóricas. Sua função é testar a teoria, para
descobrir novas realidades. Não deve prescindir da base teórica. Ela tem base na experimentação, na comparação e
verificação de condições favoráveis ou necessárias à sua comprovação. A pesquisa experimental é mais apropriada para
a física, química, biologia, saúde, nas quais o fenômeno pode ser reproduzido em situação laboratorial, para serem
confirmadas as hipóteses levantadas. Na área de ciências sociais, a pesquisa experimental pode ser aplicada a situações
nas quais são simuladas condições de laboratório: provocando conflitos, simulando ambientes específicos, reproduzindo
problemas, para se verificar, na prática, como se comportam as variáveis discutidas na teoria.
Pesquisa quase-experimental
Atualmente, um novo tipo, a pesquisa quase-experimental, vem com a proposta de ocupar um espaço importante entre a
teoria, a discussão, a lógica e a prática, que traz a necessidade da experimentação, do uso de elementos do ambiente real
para explicação de suas realidades e validação dos seus resultados. Ela é útil nas situações em que é necessário
manipular, orientar o comportamento de variáveis externas, do ambiente, para aumentar a validade dos resultados. Ou
seja, quando é necessário criar uma situação laboratorial, testes práticos; assim, pode-se dizer que a pesquisa quase-
experimental é uma tentativa de aproximação da experimental, sem, contudo, perder o caráter científico, racional de
escolha de suas variáveis qualitativas.
A diferença com a pesquisa experimental é que, enquanto esta aceita seus resultados válidos apenas quando testados
•
•
•
4.9
•
experimentalmente, a quase-experimental usa variáveis externas, fora do delineamento da pesquisa, com grupos
equivalentes ou com os mesmos sujeitos em outro momento/situação. Dessa forma, permite estabelecer uma relação de
causa e efeito com o grupo pesquisado, enriquecendo seus resultados. As variáveis externas e ambientais na quase-
experimental não são absolutamente puras e confiáveis; são adequadas, manipuladas, não aleatoriamente, já que, em
ciências sociais, é quase impossível a manipulação completa de variáveis externas. Ela é importante em situações nas
quais é preciso estabelecer relações de causa e efeito na pesquisa, o que não se consegue com instrumentos estatísticos,
quantitativos, apenas, e com isso, torna-se necessário aumentar a validade externa e ambiental, para criar um
delineamento mais próximo do mundo real.
Pesquisa de campo
Trata-se da coleta de dados do ambiente natural, com o objetivo de observar, criticar a vida real, com base em teoria,
para verificar como a teoria estudada se comporta na vida real. Confrontando a teoria na prática, permite responder ao
problema e atingir os objetivos.
A pesquisa de campo, no ambiente natural, é particularmente importante na pesquisa social, apropriada para estudos de
indivíduos, grupos, comunidades, organizações, sociedades, considerando que, para a pesquisa social, mais importante
que encontrar soluções é explicar os fenômenos, entender realidades, criar significados sociais.
A pesquisa na área de CSA tem como objeto de estudo o homem, seu comportamento e experiências, inserido em
determinado contexto social; e, para tanto, necessita de instrumentos que possibilitem coletar dados da vida real, das
experiências e vivências do dia a dia para verificar, testar e confirmar como a teoria estudada se aplica à realidade.
Pesquisa empírica
O empirismo se caracteriza pela observação e experimentação dos fenômenos. É a pesquisa que busca respostas e
soluções através da observação e prática dos fenômenos, que embasam suas conclusões. Nesse tipo de pesquisa, o
suporte teórico não é essencial, embora, às vezes, importante para o entendimento e comprovação.
É a pesquisa voltada, sobretudo, para a face experimental, vivenciada e observável dos fenômenos. É aquela que
manipula dados, fatos concretos. Procura traduziros resultados em dimensões mensuráveis. Por esse motivo, tende a ser
quantitativa, na medida do possível. O seu grande valor é trazer a teoria para a realidade concreta. Não precisa coincidir
com o mais relevante na realidade. Constrói modelos a partir de análises de experiências. Não, necessariamente, os
experimenta ou aplica à realidade. O empirismo pode ser facilmente verificado nas receitas caseiras de remédios,
comidas, práticas profissionais e em todas as situações nas quais o aprendizado se dá por tradição, ensaio e erro e
experiências positivas ou negativas vivenciadas pela própria pessoa ou outrem.
Pesquisa-ação
Nesse tipo de pesquisa o pesquisador se envolve na pesquisa tanto na análise crítica do problema, quanto na
implantação das soluções; ele é autor da análise e parte do problema.
É um tipo de investigação social com base empírica, isto é, vivenciada, que é concebida e realizada em estreita
associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo, no qual os pesquisadores e os participantes
representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. O envolvimento do
pesquisador na ação é parte integrante da pesquisa.
Como técnica de observação, se enquadra no tipo observação participante. A pesquisa-ação é bem-sucedida, na medida
em que os testes das variáveis são aceitos e incentivados pelo grupo envolvido na proposta de solução do problema
apresentado. Nas organizações, problemas que envolvam processos de trabalho, motivação, treinamento de pessoas,
melhoria da qualidade do produto, vendas etc. podem ser beneficiados com a pesquisa-ação.
 Classificação da pesquisa quanto aos fins
A pesquisa será classificada como fim quando for utilizada para obtenção de resultados. Nesse caso, ela pretende refletir,
traduzir o propósito do trabalho, indicar o que se quis fazer no trabalho.
Pesquisa básica
Não tem propósito de aplicabilidade imediata; é generalista; voltada para a descoberta de fenômenos naturais e físicos;
(teoricamente) não tem compromisso com a ética, nem com a geração de retorno financeiro, nem de aplicação imediata;
•
•
•
seu propósito é apenas com a geração do conhecimento novo. A pesquisa básica procura os princípios, os fundamentos
do mundo, das coisas, do seu funcionamento; sua intenção é desvendar características, propriedades básicas dos
fenômenos. Ex.: mapeamento do veneno de animais peçonhentos, para entender suas propriedades (análise das
propriedades e identificação das características do veneno de um réptil).
Pesquisa aplicada
Tem como objetivo a aplicação, a utilização dos conhecimentos e resultados adquiridos na pesquisa básica; volta-se
mais para o aspecto utilitário da pesquisa. A pesquisa aplicada procura transformar o conhecimento puro em elementos,
situações destinadas a melhorar a qualidade de vida da humanidade. Implica na ação do homem sobre as descobertas
para criação de produtos, serviços, visando à qualidade de vida na Terra. Ex.: proposição de vacina a partir do
mapeamento do veneno de animais peçonhentos (separação e quantificação exatas do veneno estudado com o propósito
de se obter um remédio, uma vacina).
Pesquisa de inovação ou tecnológica
Pertence ao ramo do conhecimento aplicado, e, para muitos, não é considerada ciência. Utiliza conhecimentos
resultantes das pesquisas básica e aplicada para interesses tecnológicos, industriais. É a transformação do produto já
criado em produtos tecnológicos, comercializáveis, melhorados. A tecnologia se caracteriza pela ação de melhoria de
um produto existente, em termos de praticidade, modernização, conservação, produção em alta escala, aperfeiçoamento,
incremento de tecnologia, avanços de produtos existentes. É um processo essencialmente calculado em base científica,
mas visa interesses de comercialização e lucro (estudo de formas de conservação, reprodução em larga escala, estudos
de compatibilidade, embalagem e distribuição do remédio ou vacina inventado).
Pesquisa descritiva
A pesquisa descritiva verifica, descreve e explica problemas, fatos ou fenômenos da vida real, com a precisão possível,
observando e fazendo relações, conexões, considerando a influência que o ambiente exerce sobre eles. Não interfere no
ambiente; seu objetivo é explicar os fenômenos, relacionando-os com o ambiente. Trata, em geral, de levantamentos das
características de uma população, um fenômeno, um fato, ou do estabelecimento de relações entre variáveis controladas.
A pesquisa descritiva está baseada na premissa de que os problemas sociais podem ser mais bem entendidos e
resolvidos, assim como as práticas relacionadas podem ser melhoradas se for feita uma descrição detalhada de suas
características, propriedades, causas, consequências.
Está relacionada diretamente com a pesquisa qualitativa, na medida em que levanta, interpreta e discute fatos e
situações. Gil (1994, p. 46) assim a define: “As pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das
características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis.”
Apropriada para a área de ciências humanas e sociais, a pesquisa descritiva tem o propósito de analisar, com a maior
precisão possível, fatos ou fenômenos em sua natureza e características, procurando observar, registrar e analisar suas
relações, conexões e interferências. Procura conhecer e comparar as várias situações que envolvem o comportamento
humano, individual ou em grupos sociais ou organizacionais, nos seus aspectos social, econômico, cultural etc.
Para os propósitos da pesquisa descritiva, os fatos e fenômenos devem ser extraídos do ambiente natural, da vida real,
onde ocorrem, e analisados em função das influências do ambiente. Por esse motivo, uma pesquisa de campo deve ser
orientada pelos princípios da pesquisa descritiva. Entre outras formas, podem ser citadas como exemplos de pesquisa
descritiva: pesquisa de opinião, estudo de caso, pesquisa documental etc.
Sendo a pesquisa a atividade básica da ciência, os modos de se fazer pesquisa estão diretamente relacionados e
imbricados com os modos de se fazer ciência. Pode-se dizer que as descobertas na ciência são feitas através de
pesquisas teóricas e básicas, essencialmente. As invenções são resultado de pesquisa aplicada; e as inovações, da
pesquisa tecnológica. Essa separação, não tão clara e visível na prática, é feita por motivos didáticos, para permitir
melhor entendimento dos fins e propósitos da ciência.
Quadro 12 – Classificação da pesquisa
QUANTO AOS MEIOS QUANTO AOS FINS
Estudo exploratório ou pesquisa bibliográfica.
Pesquisa teórica.
Pesquisa básica.
Pesquisa aplicada.
4.10
•
1.
2.
3.
4.
5.
Pesquisa prática ou experimental.
Pesquisa quase experimental.
Pesquisa de campo.
Pesquisa empírica.
Pesquisa-ação.
Pesquisa de inovação ou tecnológica.
Pesquisa descritiva.
Fonte: A autora.
A execução da pesquisa
De modo geral, se considera como etapas de uma pesquisa: a escolha de um assunto, a coleta de informações, o fichamento
(registros da teoria estudada), a formulação de problemas, a elaboração e a execução do plano. Escolhido o assunto, passa-se à
sua delimitação e explicação dos objetivos da pesquisa. O assunto deverá estar em acordo com a formação intelectual do
pesquisador, que deverá verificar a existência de material de pesquisa (bibliografia) suficiente sobre o assunto.
Questões como tempo de pesquisa e recursos financeiros devem ser consideradas, principalmente, para efeito de coleta de
dados. Na coleta, se deve verificar se os dados podem ser coletados, quando, onde, como; e, na delimitação do assunto, a
extensão da pesquisa. Para que o assunto não seja excessivamente abrangente, recomenda-se determinar circunstâncias
especificadoras (tempo e espaço), bem como a definição dos termos e conceitos.
O fichamento é o registro formal e organizado da parte teórica que foi estudada para se entender os dados da pesquisa
efetivamente coletados. Sugere-se o uso de arquivos eletrônicos, separados em diretóriosdistintos, conforme o item. O
levantamento dos problemas que podem surgir durante a pesquisa também é importante, tanto para minimizá-los, quanto para
elaborar um plano de ação e execução.
Para que o fichamento cumpra o seu papel de ser uma memória, uma pequena biblioteca de assuntos, colocados de forma
resumida, para orientar a pesquisa, é importante considerar as fases da leitura que o precedem. Inicialmente, faz-se uma pré-
leitura, ou seja, uma varredura nas sinopses, nos resumos, buscando-se obter uma visão geral, mas superficial, das obras
disponíveis e relacionadas com o assunto, para orientar o pesquisador nas suas opções de leituras mais aprofundadas. A seguir,
procede-se a uma leitura seletiva daquelas que serão objeto de uma leitura mais acurada, séria, para a qual devem ser traçados,
inclusive, critérios de seleção (se estão ligadas com o propósito do trabalho, ou com as hipóteses levantadas, ou se têm a ver
com o problema colocado).
Finalmente, depois de selecionar a leitura que será efetivamente útil para o trabalho, procede-se à leitura e estudo em detalhes
dos textos escolhidos. Nesse momento, toda a atitude crítica e isenção, em termos de opiniões, valores, preconceitos, deve ser
objeto de cuidado por parte do pesquisador. Trata-se de uma fase de reflexão deliberada e consciente, que dá origem à formação
de significados. Nessa fase, o esforço reflexivo se manifesta sob a forma de análises críticas, comparações, diferenciação,
sínteses e julgamentos. Nesse momento é que a teoria lida é, realmente, apreendida e assimilada pelo pesquisador.
Cuidados na execução da pesquisa
A fase de formulação é garantida na elaboração do projeto de pesquisa, que atende a todos os passos previstos. A
formulação, com o maior nível de detalhamento e completeza possível, é fundamental para a execução das fases
seguintes. Um projeto de pesquisa bem elaborado orienta a qualidade e validade dos dados obtidos e resultados
concluídos.
A organização da pesquisa compreende o detalhamento minucioso das variáveis definidas na população da pesquisa: o
objeto de pesquisa (pessoas, instituições, variáveis elegidas), as técnicas de coletas de dados; a definição da população e
da amostra. Nessa fase, o cronograma proposto no projeto deve servir como elemento norteador das ações, devendo ser
acompanhado com seriedade e rigor. Quanto melhor definido o objeto da pesquisa, mais válidas serão as respostas
obtidas na pesquisa de campo ou análise documental a ser feita.
Cada método e técnica escolhido para a pesquisa devem ser justificados; ou seja, conceituadas de forma a explicar o
motivo de suas escolhas e como serão as suas aplicações na pesquisa.
Se for realizada pesquisa de campo, deve-se explicitar, claramente, se a pesquisa irá quantificar, qualificar e, para cada
um, deve-se explicitar os sujeitos de pesquisa (no caso de entrevistas) e a população e a amostra da pesquisa (no caso de
uso de questionários).
Quando se tratar de pesquisa por amostragem, devem ser explicados os motivos, qual a amostra, suas características, sua
6.
7.
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
identificação com os propósitos da pesquisa, os critérios de seleção da amostra.
Deve-se, igualmente, planejar a coleta dos dados, de forma organizada, que inclua uma proposta de cronograma para sua
realização, uma fase de registro e análise dos dados, considerando aspectos como local, hora, responsáveis, ou seja,
elaboração de um plano tático de ação para realização da pesquisa.
A fase de execução da pesquisa consiste no cumprimento e acompanhamento do cronograma proposto, obedecendo-se ao
plano de ação estabelecido. Nessa fase, é importante que os dados, informações e opiniões obtidas sejam registrados tão
logo obtidos, mesmo que de forma provisória e sem formato definido. É fundamental para a validade e utilidade da
pesquisa de campo não adiar o registro dos dados e impressões para após a conclusão da execução do plano.
O êxito da pesquisa está ligado a vários fatores:
indagação minuciosa do assunto;
capacidade para selecionar material bibliográfico e documental;
transcrição correta das informações;
anotações claras e objetivas;
desenvolvimento ordenado e lógico dos fatos;
apresentação ordenada e clara das conclusões e dos resultados alcançados;
desenvolvimento do processo de pesquisa coerente com os objetivos propostos.
Como a pesquisa pressupõe trabalho rigoroso de levantamento de dados, certos critérios devem ser seguidos:
percepção do problema;
definição do problema;
formulação de uma hipótese (quando couber);
seleção do método e da técnica a utilizar;
levantamento de problemas;
exposição e discussão das conclusões, resultados, medidas propostas, recomendações que devem ser anotadas.
Quadro 13 – Execução da pesquisa
FORMULAÇÃO ORGANIZAÇÃO EXECUÇÃO REGISTRO
Escolha do tema.
Formulação do problema.
Geração de objetivos.
Levantamento de
hipóteses (se houver).
Revisão bibliográfica.
Descrição do objeto de
pesquisa.
Escolha e descrição dos
métodos e técnicas para
utilizar.
Construção do
instrumento de coleta de
dados.
Planejamento da coleta.
Realização da coleta.
Criação de um plano de
ação.
Elaboração de um
cronograma.
Coleta de dados.
Registro de resultados.
Análise de resultados.
Redação preliminar dos
resultados.
Revisão gramatical e de
conteúdo.
Redação final.
Fonte: A autora.
Resumo do capítulo
Pesquisar faz parte do cotidiano da vida das pessoas. Qualquer escolha ou busca de solução para problemas ou por mera
curiosidade envolve, conscientemente ou não, uma atividade de pesquisa. O avanço técnico/científico, entretanto, depende de
um trabalho de pesquisa desenvolvido mediante a utilização de métodos que permitam separar sempre o verdadeiro do falso. A
pesquisa científica se preocupa em transformar essa busca em uma ação lúcida, coerente, lógica, racional e verdadeira, com o
auxílio da metodologia, que trata do conhecimento científico, dos métodos científicos, técnicas de pesquisa, projetos de
pesquisas, estrutura e elaboração de textos e relatórios científicos. Isso significa que uma comunicação científica, para ser
válida, pressupõe o conhecimento e o domínio da metodologia científica. Nesta unidade, a pesquisa e a metodologia para a
pesquisa científica foram estudadas em seus tipos, formas, modalidades, passos, critérios, assim como foram apresentados a
execução e os passos para a realização da pesquisa científica.
5.1
5
MÉTODOS DE PESQUISA
Do grego Methodos (meta + dos = “através de” ou “ao longo do caminho”).
Não se deve aceitar jamais como verdadeira alguma coisa de que não se conheça a evidência como tal, isto é, evitar
cuidadosamente a precipitação e a prevenção, incluindo apenas, nos juízos, aquilo que se mostrar de modo tão claro e
distinto ao espírito que não subsista dúvida alguma.
René Descartes, Discurso do método
O método e a técnica
Inicialmente, é preciso lembrar que metodologia requer orientação analítica, reflexão teórica, organização de pensamento; e
que a investigação científica apoia-se na relação e adequação de aspectos teóricos, metodológicos, técnicos e práticos. Definidos
os objetivos, estudada a teoria, o método aparece na forma de como subsidiar a lógica da investigação teórica apropriada para
responder e resolver o problema proposto; e a técnica permite a forma adequada de coletar e tratar os dados empíricos afim de
“testar” a teoria. A teoria é fundamental na análise dos dados, assim como a interpretação dos resultados deve ser teoricamente
orientada.
Por método, entende-se um procedimento, um dispositivo ordenado, um conjunto de procedimentos sistemáticos, utilizado
para se obter um resultado desejado, por exemplo, uma observação, um dado, uma comparação, uma demonstração etc. Método
é, portanto, o plano geral, norteador do processo, o caminho, o modo escolhido para se chegar a uma resposta, a uma solução.
Métodos podem ser qualitativos e quantitativos; são instrumentos utilizados pelo pesquisador para tentar, via estudos,
aproximar-se da realidade observadae dela obter respostas para suas indagações. No entanto, não há métodos perfeitos, que
possibilitem a compreensão completa dessa realidade. O método será bom quando permitir uma construção correta dos dados,
de modo que consiga auxiliar na reflexão sobre a dinâmica da teoria e da prática.
A técnica é o instrumento de aplicação do plano, dos passos a seguir, a forma especial de aplicar o método. As técnicas são
ferramentas importantes no diagnóstico do problema, para detalhamento dos dados e informações a respeito do objeto de
interesse da pesquisa (órgão ou pessoa). Se bem elaboradas, exercem fundamental papel para a fidelidade, qualidade e
completude do diagnóstico situacional.
Assim, o conjunto de técnicas define o método a ser usado numa pesquisa. A relação que pode ser estabelecida é que,
enquanto o método é a estratégia maior, a filosofia de ação, a técnica e a tática são os passos e instrumentos necessários para o
desenvolvimento do método, e, portanto, para o sucesso da pesquisa.
A observação, por exemplo, pode ser um método ou uma técnica. Se o propósito for verificar as modificações que uma
determinada situação sofre a partir da influência de algumas variáveis, ela será o método, a orientação da pesquisa. Por outro
lado, a observação poderá ser uma técnica (método auxiliar) de coleta de dados se for utilizada como um instrumento para
coletar dados num processo de comparação entre duas situações, ou para avaliação de uma situação ao longo do tempo.
Enquanto técnica, seus resultados serão parciais e não determinantes. Se for o método, irá ser a orientação, a condução, a atitude
a ser seguida pelo pesquisador.
Importante entender que o método não é uma fórmula mágica que, se corretamente aplicada, garante os resultados desejados.
Ele é apenas um conjunto de procedimentos que direciona a investigação; portanto, uma ferramenta de trabalho, a soma da
competência do usuário com a boa escolha e aplicação do método.
Os métodos têm graus de variação de abrangência e importância para a pesquisa. Dependendo da situação, podem ser tratados
5.2
5.3
•
•
como técnicas de pesquisa ou métodos de menor grau.
O método científico – o método geral
Descobrir a gota ocasional da verdade no meio de um grande oceano de confusão e mistificação requer vigilância,
dedicação e coragem. Mas, se não praticamos esses hábitos rigorosos de pensar, não podemos ter a esperança de
solucionar os problemas verdadeiramente sérios com que nos defrontamos. E nos arriscamos a nos tornar uma nação de
patetas, um mundo de patetas, prontos para sermos passados para trás pelo primeiro charlatão que cruzar o nosso
caminho.
SAGAN, 1998
O método geral, ou científico, não é uma forma específica de tratar um problema ou assunto; ao contrário, ele trata de uma
maneira geral de proceder, válida e necessária a todas as formas de pesquisa. Ele pode ser assim entendido porque traduz uma
postura objetiva e direcionada do pesquisador; está relacionado diretamente com os princípios da ciência, ou seja, pressupõe que
não haja verdades perenes; ao contrário, a dúvida deve ser constante, metódica, questionadora, com o propósito de esclarecer,
racional e logicamente, as questões envolvidas na investigação.
O método científico de fazer pesquisa procura descobrir a verdade dos fatos, que, uma vez descobertos, devem guiar o uso do
método. Isso quer dizer que ele não deve ser normativo, prescritivo, mas orientador. Em síntese, é postura, atitude de
objetividade do pesquisador, visando obter maior racionalidade e coerência na obtenção dos seus objetivos.
Métodos específicos
Cada área do conhecimento com suas peculiaridades e problemas próprios vai exigir métodos, caminhos específicos a serem
seguidos. São adequações do método científico geral às várias faces e interesses da ciência, aos vários campos do conhecimento
humano. A especificidade e a complexidade de cada problema irão determinar o método (ou métodos) ideal a ser utilizado,
aquele que melhor atenda às exigências do objeto pesquisado, aos meios e processos necessários à pesquisa.
Na metodologia científica, a síntese e a análise são indissociáveis: enquanto a análise determina que o problema seja
desdobrado em partes, e analisada cada parte, separadamente, de forma a conhecer melhor o todo, a síntese sugere que as partes,
que foram separadas na análise, sejam reunidas e tratadas no conjunto, no todo. O uso adequado do método de pesquisa
permitirá que análises e sínteses convirjam para os resultados desejados.
Os métodos específicos têm por objetivo proporcionar ao investigador os meios técnicos para garantir a objetividade e a
precisão no estudo dos fatos sociais. Eles fornecem a orientação necessária à realização da pesquisa social, sobretudo no que se
refere à obtenção, processamento, análise e validade dos dados pertinentes à problemática que está sendo investigada.
Podem ser identificados vários métodos específicos nas ciências sociais. Nem sempre um método é adotado rigorosa ou
exclusivamente numa pesquisa. Em geral, dois ou mais métodos são combinados. Isso porque os métodos específicos de que
dispõem as ciências sociais nem sempre são suficientes para orientar todos os procedimentos a serem desenvolvidos ao longo da
investigação.
Método dialético
A dialética é, por definição, a arte de discutir e, segundo a filosofia antiga, a argumentação dialogada. Pode-se melhor
entendê-lo como sendo um método válido para todas as formas de investigação e áreas do conhecimento, na medida em
que ele é, por definição, a arte de discutir, a argumentação dialogada. A dialética define-se como método de uso geral,
na medida em que sendo a verdade provisória e reformável, a investigação da verdade em qualquer ciência vai exigir do
pesquisador um pensamento dialético, pois o homem avança quando se esforça para superar a si próprio.
A dialética, portanto, é a arte da discussão; método de perguntas e respostas; de argumentação, contra-argumentação,
discussão, levantamento de contradições. Segundo Hegel: “é a conciliação dos contrários nas coisas e no espírito”.
Tese + antítese = síntese. Esse método deve ser incentivado, entre outras situações, para o ambiente de sala de aula, no
qual o professor levará o aluno a encontrar suas próprias respostas, através do uso do raciocínio. Dinâmicas, trabalhos
em grupos, mesas-redondas são exemplos de situações que promovem a dialética.
Método analítico
Trata-se de proceder ao estudo e à análise criteriosa de um texto, em nível de profundidade desejável e com o máximo
•
de informações disponíveis com o propósito de entendê-lo e replicá-lo. Nesse método, inicialmente, procede-se a uma
leitura detalhada do texto, sem outro propósito senão o de se familiarizar-se com ele. A seguir, aconselha-se realizar
algumas análises dele em diferentes aspectos e com diferentes propósitos, abrangendo todos os aspectos necessários
para o domínio do texto.
Inicialmente, faz-se uma análise textual (buscando partes constituintes, problema, objetivos, desenvolvimento,
conclusões, estrutura sintática, tipo de linguagem, aspectos de sentido, procurando sentido para palavras desconhecidas,
fatos, doutrinas e autores citados e sobre os quais não se tenha conhecimento). A seguir, procede-se a uma análise
temática (levantando-se a relevância do tema, qual a mensagem do texto e a lógica entre as ideias colocadas). Depois,
aconselha-se uma análise interpretativa (interpretação geral, verificando coerência na argumentação, originalidade,
profundidade da análise, clareza e consistência das conclusões). E, finalmente, cria-se uma problematização (crítica do
texto, levantando questionamentos sobre os assuntos discutidos, ideias defendidas) e fechando com uma síntese pessoal,
uma reflexão sobre o texto lido.
Estudo de caso
O uso do estudo de caso nas escolas de administração no Brasil é relativamente recente, embora não se tenha uma data
específica do seu surgimento. A ideia básica do método nasceu na Universidade de Harvard, onde começou a ser usado
nas faculdades de medicinae direito inicialmente, com o objetivo de aproximar os alunos da realidade prática dessas
áreas de estudo. Na faculdade de administração, entre 1909 e 1919, executivos passaram a ser convidados a palestrar em
aulas para apresentar questões vivenciadas na realidade empresarial, ensinando os alunos a desenvolver análises,
recomendações e soluções para problemas organizacionais, antes trabalhados de forma teórica, apenas. Essa experiência
representou o início do desenvolvimento de estudos de casos nos Estados Unidos.
O estudo de caso consiste na investigação de casos isolados ou de pequenos grupos, com o propósito de compreender
fatos, fenômenos sociais. É aplicado em pesquisas de campo, que estudam uma unidade, um grupo social, família,
instituição, situação específica, empresa, um programa, processo, situação de crise, e outros, com o objetivo de
compreendê-los em seus próprios termos, ou seja, no seu próprio contexto, verificar suas causas e propor soluções ou
respostas.
Caracteriza-se por exigir estudo aprofundado, qualitativo e/ou quantitativo, no qual se procura reunir o maior número de
informações sobre o objeto de interesse, utilizando-se variadas técnicas de coletas de dados, para apreender todas as
variáveis da unidade analisada e concluir, indutivamente, sobre as questões propostas. Tais preocupações são
necessárias, pois, ao contrário das ciências naturais, os fenômenos nas ciências sociais não estão dissociados do seu
contexto.
A vantagem do estudo de caso reside na possibilidade de penetração na realidade social, o que não é conseguido no
estudo puramente quantitativo. Sua limitação está no fato de que conclusões dele extraídas não podem ser generalizadas,
na medida em que o estudo de caso trata resultados contextuais, contingenciais, específicos de uma unidade, um
momento histórico, um fato. Sua importância reside no fato de que o seu estudo gera não apenas competência teórica
para análise crítica e qualitativa de uma situação, mas, também, cria uma referência de atuação, um modelo a seguir em
situações futuras, quando os mesmos elementos de análise se fizerem presentes.
Como uma estratégia de pesquisa, o estudo de caso é usado em muitos campos, como: ciência política, administração,
psicologia, sociologia; organizações, pesquisa de planejamento regional, como estudos de planos, bairros ou agências
públicas. Em geral, estudos de casos se constituem na estratégia preferida quando o “como” e/ou o “porquê” são as
perguntas centrais. Nesses casos, o investigador terá certo controle sobre os eventos, e quando o enfoque estiver em um
fenômeno contemporâneo dentro de algum contexto de vida real. Assim, o estudo de caso permite uma investigação das
características significantes de eventos vivenciados, tais como: processos organizacionais e administrativos, mudança
em geral.
O uso de estudos de casos em sala de aula é importante e produtivo; baseia-se no método socrático de discussão e
argumentação, com o princípio da participação do aluno, envolvendo-o na discussão e na proposição de solução. O caso
é apresentado, contendo situações em que empresas e pessoas reais precisam explicar situações e tomar decisões sobre
um determinado problema. Após detalhada coleta de dados, ampla discussão e análise crítica, o aluno é levado a
explicar a situação e propor um curso de ação.
A prática do estudo de caso é particularmente importante na administração, uma vez que a teoria, por si só, não
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consegue capacitar, habilitar o administrador para o exercício da sua profissão. Gerenciar requer conhecimento teórico,
e também um tipo de competência, de “saber”, que envolve análise crítica, contingencial, julgamento e decisão
específica para cada caso, cada situação.
Fachin (2006), reunindo definições de vários autores, apresenta algumas características do método de estudo de caso em
pesquisas sociais:
meio adequado de organizar dados sociais preservando o caráter unitário do objeto social estudado;
uso aconselhado se o propósito da pesquisa for aprofundar na compreensão de uma determinada situação, fato, dando-
lhes significado para os envolvidos;
trata fenômenos que só têm sentido, significado dentro do contexto onde estão inseridos; ou seja, seus resultados não
podem ser generalizados;
importante ferramenta para discutir e analisar processos organizacionais que envolvam inovação, mudanças, a partir da
complexidade de forças existentes nesse ambiente, internas ou externas.
Deverá haver sempre a preocupação de se perceber o que o caso sugere a respeito do todo e não o estudo apenas daquele
caso. Acredita-se que se pode adquirir conhecimento do fenômeno estudado a partir da exploração cuidadosa e profunda
de um único caso ou de vários casos similares.
Na visão da autora (p. 121), assim se resumem as principais características do estudo de caso:
[...] deve estar centrado em uma situação ou evento particular cuja importância vem do que ele revela sobre o
fenômeno objeto da investigação [...]; [...] é também característica do estudo de caso a heurística, auxiliando o
pesquisador na compreensão e descoberta de novos significados para aquilo que está sendo estudado [...]; [...]
procedimentos descritivos estão presentes tanto na forma de obtenção dos dados quanto no relatório de
disseminação dos resultados.
Um estudo de caso deve ser elaborado em fases, que devem ser criteriosamente delineadas e realizadas:
Quadro 14 – Etapas de elaboração de um estudo de caso
ETAPAS DESCRIÇÃO
Delineamento
do estudo
Contextualização do ambiente, justificativa da importância ou do interesse que envolve o
assunto, levantamento do problema e objetivos do estudo.
Descrição do
objeto da
pesquisa
Escolha e descrição pormenorizada, incluindo um relato histórico da(s) unidade(s) de
análise, contemplando aspectos da estrutura organizacional, cultura, evolução, crises, e
outros, relacionados aos propósitos da pesquisa.
Descrição das
fontes de
pesquisa
Escolha e definição clara dos sujeitos da pesquisa (no caso de entrevistas) e/ou amostra da
pesquisa. Como fontes de informações da vida real, da prática, esses sujeitos definidos e/ou
amostra devem ser justificados. Se forem consultados documentos, estes devem ser
também informados e justificados.
Fundamentação
teórica
Criação de uma base teórica bem fundamentada, construída a partir do problema, objetivos
e no tipo e características da(s) unidade(s) escolhida(s).
Plano de
pesquisa
Apresentação, descrição detalhada do que será feito e por que será feito o estudo naquela
unidade.
Metodologia
Definição das técnicas de coleta de dados (procedimentos quantitativos e qualitativos:
observação, análise de documentos, entrevista formal ou informal, história de vida,
aplicação de questionário com perguntas fechadas, levantamentos de dados, análise de
conteúdo etc.). Essa preocupação com a amplitude de instrumentos para coleta de dados é
que diferencia o estudo de caso de outras técnicas de pesquisa de campo qualitativa, como
relatos de experiências vividas, descrição histórica de eventos, fatos, situações,
levantamentos de informação etc.
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Interpretação
dos resultados
Seleção, análise e interpretação dos dados obtidos na coleta. A seleção dos dados que
serão aproveitados na análise deve considerar os objetivos da investigação, seus limites e
um sistema de referências para avaliar quais dados serão úteis ou não.
Registro dos
resultados
Elaboração dos relatórios parciais e finais. Vale lembrar que deve ficar especificado como
foram coletados os dados; que teoria embasou a categorização dos mesmos e a
demonstração da validade e da fidedignidade dos dados obtidos. O relatório deve ser claro,
conciso, mas não pode omitir ou resumir detalhes importantes para o propósito do estudo.
Fonte: A autora.
 História de vida
A história de vida tem sua aceitação como método científico de pesquisa quando se considera que a neutralidade e a
objetividade, características das ciências naturais, não são possíveis de ser obtidas quando se trata de realidades sociaisque mudam, transformam a si mesmas e ao mundo. E, principalmente, quando essas realidades são passadas e sua
recuperação é o objeto da pesquisa; nesse método, a realidade, o fato, a situação narrada ultrapassam o narrador, mas
fazem parte do seu universo de vida, pertencem ao seu passado e fazem parte da sua vida.
Analisam-se reações espontâneas, experiências particulares, visões pessoais que traduzam valores, padrões culturais,
exemplos de épocas que auxiliem na análise do objeto de interesse. É a história, o fato, contado da maneira própria do
narrador. O que ele relata é uma produção dos fatos e de si mesmo como um sujeito social que viveu e revive o fato
como o vê; não é exatamente uma apresentação de um ocorrido; há, nesse processo, uma produção de sentido no
processo, uma construção do saber, que ocorre entre pesquisador e pesquisado.
A cientificidade desse método deve ser preocupação primeira e principal do pesquisador, que deve procurar fazer uma
escuta engajada, comprometida e participativa, porém, sem perder a capacidade crítica, lógica. Por isso, a importância
de o pesquisador entender que o relato feito não reflete exatamente o ocorrido, e não é na precisão dos dados históricos
que reside a importância desse método. Mas, sim, no sentido que o narrador dá a essa realidade narrada, de forma a
recriar uma realidade, uma ambiência vivida.
História oral
História oral é muito utilizada quando se pretende entender e aprofundar conhecimento sobre determinada realidade, um
momento histórico, por exemplo. Esse método permite maior aproximação com a realidade na qual o sujeito está
inserido, fazendo uso de conversas, interrogatórios, relatos orais ou escritos de pessoas, cuja experiência de vida esteja
diretamente relacionada com o objeto de estudo. Consiste em buscar impressões, depoimentos orais de pessoas que
testemunharam acontecimentos importantes para a compreensão de fatos sociais e determinantes para a análise do tema
em estudo. A ideia é conhecer a história recente, contada por pessoas que a viveram, obtendo delas a sua visão dos
fatos.
Método funcional
Este método pertence à corrente das ciências humanas que acredita que as relações entre os componentes de um grupo
ou sociedade são estabelecidas claramente, funcionalmente. Mais do que um método de investigação, é um método de
interpretação, pois em sua análise considera a sociedade como um sistema organizado formado por partes, cada uma
com suas características desempenhando suas funções. Assim, todos têm uma função, um papel definido no grupo a que
pertencem; esse papel pode ser identificado e medido, e isso é indispensável para que se possa entender cada indivíduo e
como ele contribui para manter vivo o sistema em que vive.
Ele tem forte relação com a Teoria de Sistemas, na medida em que estuda e procura entender os fenômenos sociais,
através do estudo das partes integrantes do todo, o sistema que envolve o problema. Parte-se do princípio que todo
problema pode ser dividido em partes interdependentes e inter-relacionadas, que, estudadas separadamente, vão permitir
entender o processo global. Assim, ao escolher um objeto para estudo, o pesquisador vai procurar todas as variáveis que
envolvem ou interferem no objeto de estudo, e estudá-las, entendê-las como condição para entender o próprio objeto.
Método matemático
Como a Matemática tem como objeto o estudo das noções ideais, ou seja, as noções que não têm existência real, a
razão, a abstração deverá criá-las, definindo-as. O método matemático parte de princípios ideais, abstração e criação de
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modelos; limita-se a noções simples e precisas para chegar a conclusões rigorosas por processo dedutivo; resultados
exatos, indiscutíveis; daí a denominação de ciência exata. Busca a precisão, a medida exata. Trabalha com abstrações e
teorização do mundo. Utilizado para pesquisas cujo objetivo é comprovar a verdade de forma inquestionável, exata,
absoluta (ex.: cálculo do valor da mensalidade escolar).
 Método estatístico
Consiste da aplicação da teoria estatística da probabilidade. Assim, deve-se ter claro que seus resultados indicam
probabilidades, não certezas. Para tanto, devem ser adotados rigorosos critérios de seleção de amostras para verificação,
de forma a obter um grau razoável de precisão. Nele, a verdade será comprovada através do número de vezes em que o
fenômeno aparece e os instrumentos escolhidos para a busca criam parâmetros e amostras para análise. Não é uma
simples coleção de dados, mas uma matemática aplicada à análise dos dados numéricos de observação, a partir de
amostragens, generalizações, probabilidades (ex.: pesquisa de opinião pública).
No entanto, suas explicações não podem ser consideradas absolutamente verdadeiras, mas com probabilidade de o
serem, com certa margem de erro, o que o torna bastante aceito por parte dos pesquisadores com preocupações de
ordem quantitativa.
Método histórico-evolutivo
Os fenômenos em geral, e principalmente os econômicos contemporâneos, podem ser analisados e entendidos a partir de
uma perspectiva histórica. E, a partir da análise, evolução e comparação histórica das atividades e instituições
econômicas, pode-se traçar uma perspectiva, principalmente no que diz respeito ao comportamento dos agentes do
processo. O resultado de muitas diretrizes econômicas voltadas para áreas específicas, como investimentos, balanços,
variação patrimonial, só podem ter a sua avaliação num prazo mais longo. Através dessa análise e comparações ao
longo do tempo pode-se concluir a importância dessas diretrizes e, em função disso, estabelecer novas políticas a serem
adotadas.
A verdade aqui é comprovada pela análise global da variação do objeto da investigação ao longo do tempo (ex.:
pesquisa realizada para verificar, testar a efetividade, lucro, receita, despesa de medidas organizacionais implantadas).
Outros fenômenos, fatos, situações de outras naturezas também podem ser discutidos, analisados sob uma perspectiva
temporal, que permite avaliações ao longo do tempo para determinar evoluções, involuções, crescimentos, enfim,
mudanças. Outras situações podem ocorrer quando há interesse em preservar o registro de eventos e realizações
passadas. Nessas situações, o uso do método histórico-descritivo é muito útil para mapear a experiência passada,
localizar no tempo e espaço uma pessoa, uma tendência, um evento ou uma organização, para dar respostas para
questões particulares.
Método experimental
Em ciências sociais, a experimentação consiste em submeter o objeto de estudo à influência de certas variáveis, em
condições controladas e conhecidas, para observar os resultados que a variável produz no objeto. Ou seja, cria-se uma
situação laboratorial, ou seja, uma situação qualquer na qual as pessoas vão atuar na vida real (ex.: dinâmicas, jogos).
Nessa situação, a partir dos objetivos, definem-se as variáveis que serão utilizadas, o que se quer medir nelas e quais as
respostas ou indícios (comportamentos) vão comprovar sua validade.
Método observacional
Esse método, embora considerado o mais primitivo, impreciso, é um dos mais utilizados nas ciências sociais, pois
possibilita um elevado grau de precisão na captação dos dados, na medida em que o pesquisador concentra-se no
acompanhamento do fenômeno, estando presente em todas as suas fases e ocorrências. Da mesma forma, entretanto, que
permite elevado grau de precisão, necessita de muita isenção por parte do pesquisador na interpretação dos fatos, das
situações. Por isso, consiste na observação sistemática, continuada do problema ou fenômeno, através do uso dos
sentidos para captar dados da realidade que se quer investigar.
Na experimentação, o pesquisador também observa, mas manipula variáveis com a finalidade de obter determinados
resultados. No método observacional, o pesquisador apenas observa o que está acontecendo ou aconteceu. Para não ser
confundido com a técnica da observação, é importante esclarecer que o método observacional é a opção do caminho a se
seguir numa investigação.Já a técnica da observação é uma forma de obtenção de dados, que pode ser, e o é, em geral,
associada a quaisquer métodos de pesquisa. É também muito eficaz para pesquisas comportamentais, clima
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organizacional etc.
Método comparativo
Esse método procede pela investigação de indivíduos, classes, fenômenos ou fatos, com vistas a ressaltar as diferenças e
similaridades entre eles. Ele permite o confronto, o paralelo entre os elementos investigados, considerando suas
particularidades e relações. Entretanto, deve-se ter claro que comparar, em pesquisa, é mais que um olhar superficial
sobre os elementos investigados colocados lado a lado. Comparar, em ciência, significa levantar características comuns
e diferentes com cuidado e meticulosidade, voltadas essencialmente para o que se pretende discutir ou investigar na
pesquisa.
Sua ampla utilização nas ciências sociais se deve ao fato de possibilitar o estudo comparativo de grandes grupamentos
sociais, separados pelo espaço e pelo tempo. Assim, podem ser feitos estudos comparando diferentes culturas ou
sistemas políticos, padrões de comportamentos familiares, variáveis organizacionais, fatos contábeis, comportamentos
religiosos de épocas diferentes. Esse método é também eficaz para pesquisar e comparar problemas que envolvam
escolha e opção de medidas, estratégias, táticas organizacionais, vendas, custos etc.
Método survey
O survey é o método de pesquisa que busca dados ou informações coletivas sobre características, ações ou opiniões de
determinado grupo de pessoas (amostra), por meio de questionários com escalas de medidas. Ele é o método próprio da
pesquisa quantitativa, cujo propósito é medir e quantificar opiniões e atitudes. Semelhante ao processo utilizado em
censos, o método survey trabalha com amostras da população, enquanto o censo geralmente implica uma enumeração da
população toda.
O significado da palavra survey remete às noções de levantamento, sondagem, varredura; por isso, sua importância e
adequação principalmente para medir atitudes, motivos, opiniões de um grupo de pessoas definido por amostra. Essas
características fazem do survey o instrumento adequado para uso em pesquisas de mercado (market research), pesquisas
de opinião pública, pesquisas políticas (intenção de voto), as quais se pretende medir, através de uma amostra menor
definida, a opinião de uma população também definida de pessoas.
O método survey de pesquisa permite ao pesquisador interpretar, discutir e correlacionar dados obtidos estatisticamente;
seu maior interesse é conhecer, criticar e avaliar um grupo de pessoas, uma amostra, gerando uma visão coletiva do
comportamento de um grupo. Por isso se diz que o propósito desse tipo de pesquisa é a construção de um sujeito
coletivo.
Reúne, portanto, as características da pesquisa qualitativa e quantitativa. Seu caráter quantitativo se expressa na medida
em que trabalha com um grupo de pesquisados, quantificando, amostrando e analisando dados obtidos numérica e
estatisticamente. Seu caráter qualitativo se verifica na medida em que pretende medir, conhecer, em profundidade e com
maior robustez, opiniões e atitudes do grupo pesquisado, permitindo traçar o perfil desse grupo, definir seu padrão de
comportamento, criando, enfim, o perfil do sujeito coletivo.
A escala de medidas utilizada atende a diferentes níveis de atitude, opinião, comportamento, predisposição das pessoas
com relação a uma pessoa, objeto, uma situação qualquer, permitindo a análise qualitativa de dados obtidos
quantitativamente. Ela é composta por proposições, seguidas de parâmetros graduados em intensidade, nos quais o
respondente não só manifesta sua opinião, mas também se posiciona em termos de convicção. Essas proposições fazem
afirmações, juízos de valor, envolvendo situações da vida real, vivências, práticas que facilitam ao respondente se ver
opinando e não sendo avaliado em suas atitudes. Ao responder e graduar sua opinião, o pesquisado denota uma atitude
em relação à proposição, e isso permite ao pesquisador associar a resposta a um comportamento, valores.
Assim, o método survey se adequa muito bem e permite bons resultados quando se deseja traçar o perfil, levantar a
cultura de um grupo, enfim, quando se deseja aprofundar a análise qualitativa, interpretativa de uma amostra, em dados
obtidos quantitativamente. Nesse propósito, podem-se medir posturas, atitudes, expectativas, nível de envolvimento,
participação, comportamento, ética, competências, habilidades, preferências, preconceitos, capacidade de solução de
conflitos, posturas sociais, políticas, religiosas, capacidade de solução de conflitos, de aprendizado, de trabalhar em
grupo, competências artísticas, expectativas e outros de interesse.
Método econométrico
Trata-se de um método voltado para análise de dados e problemas econômicos, utilizando a matemática e a estatística
•
como instrumentos. Trata-se da análise quantitativa de fenômenos econômicos; uma forma científica de traduzir o
modelo teórico para uma formulação empiricamente testável. É uma forma de testar um modelo econométrico teórico.
Por isso se diz que ele estuda o aspecto quantitativo das relações entre os fenômenos econômicos, e que afetam as
situações patrimoniais, financeiras e contábeis de qualquer ente (pessoa física, entidade não lucrativa, empresa ou
pessoa de direito público, como o Estado, a União, o município, autarquias, entre outros). Esse método está calcado em
três campos do conhecimento: a teoria econômica ou contábil, fornecendo os princípios e leis; a matemática, fornecendo
a linguagem ideal ou a forma de expressão simbólica para esses campos do conhecimento; e a estatística, que trabalha
com os dados numéricos da observação, permitindo estabelecer uma relação entre a realidade observada e a teoria
existente. Método eficiente para análises de balanço, variáveis de orçamento, demonstrações contábeis etc.
Método etnográfico
A etnografia significa o registro descritivo da cultura material de um determinado povo; uma forma de descrever uma
cultura, uma tribo, um grupo de cultura específica, com o objetivo de se entender a maneira de viver do ponto de vista
do grupo estudado. Trata-se da observação participante, sistemática de um determinado grupo social, de uma interação
social intensa entre o pesquisador e o grupo pesquisado, com o propósito de conhecer e levantar seu sistema de
significados, valores, formas de aprendizado e convivência; enfim, compreender a cultura desse grupo, já que ela vai
determinar os papéis exercidos e explicar as atitudes e ações tomadas.
Consiste, portanto, em observar um grupo na vida real, no seu cotidiano, para apreender suas características, valores,
hábitos, direcionando o seu interesse, principalmente para verificar como se dá o processo de ensino/aprendizagem e
compartilhamento/transmissão de conhecimento. Por isso, sua melhor aplicação é voltada para os processos
educacionais. O pesquisador precisa ter formação na área e experiência anterior com outros grupos semelhantes.
Nesse método, o objetivo é conhecer o grupo escolhido (educacional, artístico, esportivo etc.) sem, entretanto, definir
objetivos, problemas, hipóteses. À medida que a observação avança e, consequentemente, o conhecimento do grupo e
de seus hábitos e comportamentos, os parâmetros da pesquisa vão se delineando. O pesquisador deve permanecer em
contato direto com o grupo durante um período fechado (um ano, uma temporada, um ciclo, conforme o grupo
estudado), suficiente para que ele possa melhor entender a vida do grupo pesquisado.
Durante esse período, o pesquisador deverá usar várias técnicas, preferencialmente utilizando dados primários, como: a
observação, a entrevista, a história de vida, a análise de documentos, vídeos, fotos, testes psicológicos, relatos de crises
e outros. O uso de variadas técnicas é condição básica para conferir veracidade à análise e garantir a isenção do
pesquisador, já que ele se envolve com o grupo durante muito tempo e, como já dito anteriormente, é muitodifícil
pesquisar assuntos das ciências sociais sem se posicionar ideologicamente.
Quadro 15 – Métodos de pesquisa em ciências sociais
MÉTODO CARACTERÍSTICA
Dialético Usa a discussão e argumentação dialogada, a provocação.
Estudo de
caso
Investiga casos isolados, grupos, pessoas, para entendê-los nos seus próprios termos,
cultura, contexto.
História de
vida
Analisa reações espontâneas, experiências particulares, visões pessoais que traduzam
valores, padrões culturais, exemplos de interesse.
História oral
Busca impressões, depoimentos orais de pessoas que testemunharam acontecimentos
importantes para a compreensão de fatos sociais e determinantes para a análise do tema em
estudo.
Funcional Procura entender fenômenos sociais pela análise isolada e integrada das partes.
Matemático Através de operações matemáticas e estatísticas, busca soluções exatas.
Estatístico Busca soluções por amostragem usando técnicas estatísticas e matemáticas.
Histórico Analisa e compara situações ao longo do tempo e trabalha fatos históricos.
Experimental Submete o objeto de estudo à influência de variáveis.
5.4
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Observacional Usa os sentidos, a observação para captação da realidade.
Comparativo Usa a comparação como medida de observação entre grupos, políticas, fatos, variáveis,
comportamentos, processos, táticas, vendas etc.
Econométrico Analisa qualitativa e quantitativamente variáveis econômicas.
Etnográfico Registra a cultura material de um grupo convivendo estreitamente com ele.
Survey Quantifica opinião, atitudes, motivos, através de amostragem.
Fonte: A autora.
Indução × dedução
Indução e a dedução são operações mentais, formas de raciocínio, conclusões baseadas na reflexão e não, apenas, do livre
curso do pensamento, que se alimenta da realidade externa e é produto direto da experiência; é natural, dispersivo, espontâneo,
tem compromisso com o sentimento, com a opinião. A reflexão requer esforço de concentração; é dirigida e planificada; nela, a
conclusão do raciocínio é o último elo da cadeia lógica de ideias; o raciocínio é ordenado, coerente, lógico.
Silogismo → uma forma de raciocinar, chegar a uma conclusão, formada por 3 proposições: (1) premissa maior; (2) premissa
menor; (3) conclusão, que vai comparar duas a duas. Admitidas como verdadeiras as premissas, a conclusão virá da premissa
maior, por intermédio da premissa menor. Ou seja, a premissa maior deve contar a verdade no seu limite máximo de
abrangência, ser “universal” dentro do propósito estabelecido. A premissa menor deve estar relacionada com a verdade da
premissa maior, podendo ou não ser comprovada integralmente por ela.
Indução → um tipo de raciocínio que caminha do registro de fatos particulares para chegar à conclusão ampliada que
estabelece uma proposição geral. Partindo de dados particulares (fatos, experiências, enunciados empíricos) e, por meio de uma
sequência de operações cognitivas, chega a leis ou conceitos mais gerais, indo dos efeitos à causa, das consequências ao
princípio, da experiência à teoria. Nessa forma de condução do raciocínio, a premissa maior não é uma verdade absoluta, não
contempla toda a verdade da menor. Ela é válida apenas para um número restrito de casos; assim não está completamente
inserida, contemplada na maior, e a conclusão não generaliza todos os casos. É proposta de verdade; verdade comprovada para
uma situação específica e que poderá ser ampliada para outras situações, desde que sejam repetidos os mesmos elementos
verificados na premissa maior. Portanto, a conclusão é uma generalização. Exemplos:
Cobre conduz energia (premissa).
Ouro conduz energia (premissa).
Ferro conduz energia (premissa).
Todo metal conduz energia (conclusão).
O Curso de Direito da Faculdade X é bem conceituado e de boa qualidade (premissa).
A Faculdade X possui, também, cursos de Administração e Economia (premissa).
Logo, os cursos de Administração e Economia são de boa qualidade (conclusão).
A premissa maior não é a que contempla a menor; ela é hipótese, proposta de verdade. Se as premissas são verdade, a
conclusão PODE ser verdade, não É verdade. A conclusão encerra a informação que não constava das premissas.
Dedução → é um tipo de raciocínio que ocorre de modo contrário ao anterior. Parte-se de uma verdade estabelecida (geral)
para provar a validade de um fato particular. Caminha-se da causa para o efeito. Nesse tipo de raciocínio, a premissa maior é
uma verdade absoluta, comprovada e que contempla toda a proposição contida na premissa menor. Assim, a conclusão deverá
ser necessariamente verdadeira. Parte-se de uma verdade universal, para se confirmar um elemento que faz parte desse conjunto
maior. Portanto, a dedução é uma particularização. Exemplos:
Todo homem é inteligente (premissa maior).
Fulano é homem (premissa menor).
Fulano é inteligente (conclusão).
• Minha avó irá completar 60 anos no próximo mês (premissa maior).
O governo baixou lei que isenta as pessoas maiores de 60 anos de pagar passagem de ônibus (premissa menor).
Logo, minha avó não precisará mais gastar dinheiro com passagem de ônibus, a partir do próximo mês (conclusão).
A premissa maior contempla integralmente a verdade da premissa menor; logo, a conclusão será verdadeira. Pode-se
generalizar a verdade. Na dedução, se as premissas são verdadeiras, a conclusão só pode ser verdadeira, pois as informações já
estavam implícitas nas premissas. Na indução, tenta-se generalizar a relação de casualidade entre dois fenômenos, mesmo se
verificada para um número restrito de vezes, e concluir, da relação causal, a lei. É empírica, experimental e hipotética. A
dedução encarrega-se de provar se a lei é verdade para todos os casos. A indução possibilita a extensão do conhecimento, é
imaginosa, criativa. A dedução é lógica, segura e tem a comprovação dos fatos. A busca da verdade pode ser feita tanto pela
indução, como pela dedução. Na última, há uma verdade incontestável; na primeira, probabilidades. Se o homem só trabalhar
com raciocínios dedutivos, a ciência não progredirá; apenas se confirmará. Através de induções, proposições de verdades, serão
descobertos novos caminhos, novas leis, novos princípios úteis ao bem-estar da humanidade.
Quadro 16 – Indução × dedução
INDUÇÃO DEDUÇÃO
Generaliza uma conclusão obtida a partir de um
número restrito de casos.
Premissa maior não é verdade para todos os casos.
Empírica, experimental, hipotética, imaginativa,
criativa, indica probabilidade.
Propõe verdades para serem deduzidas.
Particulariza a conclusão a partir da confirmação geral
de todos os casos.
Premissa maior é a verdade para todos os casos e
contém a premissa menor.
Lógica, segura, comprovada, verdade incontestável.
Comprova verdades induzidas.
Fonte: A autora.
Resumo do capítulo
A escolha do método é que caracteriza uma pesquisa como científica, dá confiabilidade, racionalidade, segurança. É o
conjunto de procedimentos, ferramenta, o modo que direciona a investigação, a solução. Portanto, o sucesso do método depende
da ação do investigador, da sua competência na escolha em termos de adequação e do tratamento do método escolhido. Neste
capítulo, foram discutidos o método científico, assim como alguns métodos de pesquisa mais utilizados nas áreas humanas e
sociais, em termos de conceitos e utilização.
•
•
•
6.1
6
TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS
Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito.
Aristóteles (séc. 384 a.C. – 322 a.C.)
Para se transformar dados brutos coletados na pesquisa em resultados de pesquisa significativos são necessários
procedimentos para sistematizar, categorizar e tornar possível sua análise por parte do pesquisador. Técnicas são instrumentos
utilizados para se coletar dados e informações em pesquisas de campo, que devem ser escolhidos e elaborados criteriosamente,
visando à análise e à explicação de aspectos teóricos estudados. É através delas que as fontes de informações falam, se
manifestam; são, portanto, ferramentas essenciais para apesquisa e merecem todo o cuidado na sua elaboração, para garantir
fidelidade, qualidade e completude dos resultados.
Sua elaboração e aplicação devem seguir critérios técnicos rigorosos; dados e informações ruins obtidos, incompletos,
distorcidos falsearão a realidade e tornarão a análise pobre e sem utilidade para o propósito da pesquisa. As técnicas mais
comuns de coleta de dados na pesquisa social são: a análise de documentos da empresa ou grupo social, a observação pessoal,
as várias modalidades de entrevista e o questionário, a análise de conteúdo. Cada uma dessas técnicas tem uma finalidade, um
público específico e, cada uma, à sua forma, agrega valor ao processo de análise.
A coleta de dados ocorre após a definição clara e precisa do tema, problema, objetivos, revisão da bibliografia e da
identificação das categorias de análise e da opção sobre o tipo de trabalhos que se vai realizar (proposição de planos, avaliação
de programas, estudo de caso etc.). Coletar dados é, em síntese, observar a vida real; por isso, o levantamento de dados
classifica-se quanto à sua natureza em:
Dados primários
Coletados, em primeira mão na pesquisa de campo, testemunho oral, depoimentos, entrevistas, questionários,
laboratórios, conferências gravadas etc. Neste caso, deve-se procurar manter absoluta fidelidade às mensagens, opiniões,
fatos observados e colocações feitas.
Dados secundários
Coletados através de análise documental ou documentada, ou seja, documentos registrados em mídias, relatórios, livros,
revistas, jornais, sites etc. Em dados obtidos por análises documentais, deve-se informar o tipo de documento
consultado, que informações foram extraídas e a autoria dos mesmos.
Dados terciários
Obtidos por terceiros, citados ou fornecidos por outra pessoa, aos quais não se teve acesso à fonte original para
comprovação ou confirmação (ex.: notas de aula, citações de conferências, palestras). Nesse caso, deve-se informar a
impossibilidade da comprovação. Fontes de dados terciários não são colocadas na lista de referências; quando forem
utilizadas no texto de um referencial teórico de trabalhos acadêmicos, deve-se informar em nota de rodapé o dado e
informações que identifiquem a sua fonte, mesmo não sendo possível a comprovação.
Técnicas de observação indireta
Na observação indireta, os dados são obtidos indiretamente; não são extraídos diretamente de pessoas, via entrevistas,
questionários ou observações. São obtidos: de documentos pessoais ou institucionais, material gráfico, quadros, tabelas,
fotografias, quaisquer formas de transmissão de informação acerca do objeto da pesquisa não vindas diretamente. Esse material
6.1.1
6.2
6.2.1
•
•
•
deve ser produzido por pessoas e/ou instituições relacionadas à população definida na metodologia proposta para a pesquisa.
São, portanto, dados secundários, que são feitos e analisados a partir de leitura e interpretação do material disponibilizado. Tal
como as outras fontes de informação da pesquisa de campo, os dados de observação indireta devem ser relacionados na
metodologia do trabalho, com seus elementos identificadores.
Análise documental
A observação indireta se faz através da técnica da análise documental, que significa consulta a documentos, registros
pertencentes ou não ao objeto de pesquisa estudado, aos quais se recorre para buscar informações úteis para o entendimento e
análise do problema. Faz parte do processo de conhecimento e identificação do problema, sem o qual a busca da solução será
inócua e sem eficácia. No caso de documentos pertencentes ao objeto da pesquisa, devem ser pesquisados documentos que
reflitam a natureza, a filosofia, a política da empresa, tais como: regimentos, estatutos, planos de cargos e carreiras,
organogramas, contratos sociais. Documentos de rotina poderão ser utilizados em casos e fins específicos.
Outros documentos podem servir à análise documental: documentos oficiais, publicações parlamentares, jurídicas, fontes
estatísticas, publicações administrativas, particulares, iconográficos, fotografias, objetos e outros. A escolha do tipo de
documento a ser consultado será feita com o propósito de ampliar as informações sobre o objeto de interesse e em função da
importância que o mesmo terá para a análise e interpretação dos dados da pesquisa. Os dados obtidos na observação indireta são
chamados secundários.
Técnicas de observação direta intensiva
A observação direta pode ser intensiva (quando envolve o contato direto, pessoal com a fonte) ou extensiva (quando esse
contato não é essencial para a obtenção das informações). Outra forma de se trabalhar com a observação direta do campo é
através de dados terciários, relatados por terceiros, cuja comprovação não pode ser obtida.
As técnicas de observação direta são utilizadas na pesquisa de campo, que permite verificar como a teoria estudada e as
variáveis propostas se comportam em situações concretas e no ambiente real onde os fatos ocorrem. São dados
contextualizados, extraídos da vida real, que dão sentido à análise em pesquisas sociais, cujo objeto de interesse é o homem e
seu comportamento, dentro de um contexto social específico. A observação direta se faz através de entrevistas, questionários ou
das várias formas de observação.
Observação
Técnica de coleta de dados que utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade; não consiste em apenas
ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenômenos que se deseja estudar; permite perceber aspectos que os indivíduos
não têm consciência, mas a manifestam involuntariamente.
Observação assistemática
Trata-se da observação não estruturada, espontânea, informal, ordinária, simples, livre, ocasional e acidental; recolhe e
registra fatos da realidade sem que o pesquisador utilize meios técnicos especiais ou precise conduzir as perguntas. A
observação assistemática ocorre naturalmente no indivíduo; o registro de informações do ambiente é um ato natural, não
planejado e sem controle. Ela fornece bons subsídios para estudos exploratórios, e requer uma postura atenta e
generalizada do observador. Entretanto, este deve se ater ao que foi presenciado, evitando envolvimento com a situação,
e submetendo as observações a um filtro de racionalidade e objetividade para que a interpretação não assuma caráter
subjetivo.
Observação sistemática
Trata-se da observação estruturada, planejada, controlada; utiliza instrumentos definidos previamente para coleta, e se
realiza em condições dirigidas, para responder a propósitos preestabelecidos. O observador pode utilizar meios
eletrônicos, anotações, escalas, planilhas e outros que julgar apropriados.
Observação não participante
Trata-se da observação feita de fora do objeto de estudo. O observador toma contato com a comunidade, grupo ou
realidade estudada, mas não se integra a ela; permanece oculto ao grupo; presencia o fato, mas não participa dele; não se
deixa envolver pelas situações; é o espectador. O anonimato é importante para situações em que a presença do
•
•
•
•
•
6.2.2
pesquisador pode comprometer, influenciar ou mascarar o fenômeno em estudo.
Observação participante
Como o nome diz, esse tipo de observação pressupõe que o pesquisador participe, incorpore-se à comunidade ou grupo
ou realidade estudada. Nessa forma de observar, o pesquisador consegue conquistar a confiança do grupo, facilitando a
obtenção de dados; entretanto, corre tanto o risco de perder a objetividade na análise, como de influenciar o
comportamento do grupo, de confundir-se com ele, e assim, dar respostas subjetivas para o problema de pesquisa.
Observação individual
É realizada por um pesquisador apenas; a personalidade dele pode se projetar sobre o observado, fazendo inferências ou
distorções, pela limitada possibilidade de controles e comparação com outras visões do fenômeno. Assim, o pesquisador
deve intensificar seu esforço para analisar com objetividade e racionalidade as informações.
Observação em equipe
Realizada por uma equipe, o que permite a grande vantagemdo confronto, da comparação, da possibilidade de ver a
realidade por vários ângulos. Visões diferentes permitem o confronto e garantem mais objetividade, maior aproximação
com a realidade. Além disso, mais aspectos do ambiente podem ser observados.
Observação na vida real ou naturalista
São observações feitas no ambiente da vida real, no local onde o fenômeno ocorre. Assim, os dados são registrados na
medida em que forem ocorrendo, espontânea e naturalmente, sofrendo todas as influências naturais do meio, sem
preparação. Este tipo de observação consegue captar o comportamento humano em situações muito próximas da
realidade.
Observação em laboratório
Este tipo de observação tenta descobrir a ação e a conduta, e ocorre em condições dispostas e controladas. Cria-se um
ambiente preparado artificialmente para testar o fenômeno. Exige o estabelecimento prévio das teorias e hipóteses,
assim como de respostas esperadas para comprovação. Por isso, os instrumentos para observações são mais refinados do
que o uso dos sentidos, e as condições criadas permitem a comprovação de teorias, hipóteses.
A entrevista
A entrevista é o encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de um determinado
assunto, mediante uma conversação de natureza profissional. Considerada um instrumento de excelência da investigação social,
estabelece uma conversação face a face, de maneira metódica, proporcionando a captação imediata e corrente da informação
desejada. Esse encontro permite que sejam tiradas dúvidas de entendimento, e que sejam obtidas e aprofundadas percepções,
tornando a informação mais completa, principalmente, no caso de pesquisa qualitativa, na qual o objetivo maior é entender e
interpretar uma realidade. Ela se presta para averiguação de fatos, determinação de clima, sentimentos, expectativas, sonhos,
descoberta de planos de ação, conduta atual ou do passado, motivos conscientes para opiniões.
Por isso, melhores resultados de uma entrevista serão obtidos se aplicada aos grupos tático e gerencial da empresa (chefes,
gerentes, coordenadores)e ao grupo estratégico (alta administração). Excepcionalmente, é aplicada a grupos estratégicos,
envolvidos com o problema em questão, ou a algum tipo de liderança informal atuante na empresa.
Várias vantagens da entrevista podem ser levantadas: pode ser utilizada em todos os segmentos da população: analfabetos ou
alfabetizados; fornece melhor amostragem, maior flexibilidade, mais precisão; permite esclarecimentos, perguntas,
confirmações. É a técnica de coleta de dados que dá maior oportunidade de avaliar atitudes, condutas, registro de reações,
gestos, enfim, obter dados relevantes que não se encontram em fontes documentais; as informações podem ser comprovadas de
imediato.
Por outro lado, apresenta algumas limitações, como dificuldades de expressão ou comunicação de ambas as partes;
incompreensão do informante do significado das perguntas, levando a uma falsa interpretação. Além disso, a presença do
entrevistador pode influenciar, conscientemente ou não, a boa vontade do entrevistado, sua disposição em dar as informações
necessárias, o que confere um pequeno grau de controle sobre a situação, além de tomar muito tempo de ambos. Assim como na
observação, a entrevista requer postura racional, lógica e isenta, e, se feita por mais de uma pessoa, aumenta a confiabilidade e
objetividade da interpretação e análise dos resultados.
•
•
6.2.3
6.2.4
6.2.5
A entrevista padronizada ou estruturada
O entrevistador segue um roteiro previamente estabelecido: as perguntas feitas são pré-determinadas (formulário),
permitindo a comparação das respostas às mesmas perguntas com a conclusão que as diferenças devem refletir nos
respondentes e não nas perguntas; o pesquisador não é livre para adaptar suas perguntas. As perguntas devem ser feitas
na ordem em que foram elaboradas e com as mesmas palavras, fazendo com que todos os entrevistados recebam da
mesma forma o assunto apresentado.
A entrevista despadronizada, semiestruturada ou livre
O entrevistado tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada; permite
explorar mais amplamente uma questão. Apresenta três modalidades: entrevista focalizada (com roteiro de tópicos,
utilizada para estudos de situações de mudança de conduta); entrevista clínica (organizada em uma série de perguntas
específicas; utilizada para estudar motivos, sentimentos, conduta das pessoas); entrevista não dirigida (liberdade
incentivada do entrevistado). Os entrevistados são abordados com o mesmo número de perguntas, mas estas não são
fechadas, podem ser explicadas, traduzidas. Ao longo do processo, perguntas podem ser retiradas por não fazerem
sentido; outras podem ser oportunamente incluídas. O entrevistador conduz o processo, tem competência para alterar o
roteiro, sem perder a essência do que quer abordar e cuidando de replicar o mesmo foco para as demais.
A análise de conteúdo
A análise de conteúdo é uma técnica de levantamento de dados que utiliza textos, falas, informações já coletados, de forma
extensiva, ou seja, é uma análise feita a posteriori à coleta. É adequada para analisar personalidades, avaliar textos escritos,
intenções de um publicitário, conteúdos das mensagens, propagandas, de campanha, discursos políticos, obras literárias.
Descreve tendências, compara, critica e mede clareza de mensagens, meios e padrões de comunicação, identifica estilos e
intenções de comunicadores, ideologias dos dispositivos legais e pode ser aplicada até em entrevistas.
Procura fazer uma análise aprofundada da mensagem (conteúdo e expressão), para verificar (in)coerência entre a realidade
explícita e a implícita no texto. Busca o que está escondido, latente mas não aparente, o potencial de inédito (o não dito), que
está dentro de qualquer mensagem. Centra-se na pertinência das respostas, na lógica, na coerência, na fidedignidade dos dados
informados, buscando eventuais distorções e omissões voluntárias. Enfim, visa a revelar o que está escondido ou subentendido,
e pode ser utilizada em pesquisas quantitativas e qualitativas.
É uma técnica difícil de ser aplicada, complexa e requer do pesquisador certo grau de maturidade, isenção e responsabilidade.
Isso porque, considerando as características da área de ciências sociais (ideologia, identidade sujeito-objeto), pode provocar
inferências precipitadas ou mal interpretadas, pré-julgamentos, falsos juízos de valor, manipulações conscientes ou
inconscientes de informações, e, portanto, gerar dados inválidos para o propósito final da pesquisa.
A análise do discurso
A análise do discurso deriva da análise de conteúdo e a ela se reporta em termos de objetivo, qual seja: aprofundar o
entendimento do texto para além das palavras. Ela não se propõe exatamente a desvendar segundas intenções no discurso, mas
entender as forças atuantes, a ideologia e as relações de poder implícitas, a produção de sentidos. Assim, tenta alcançar a
estrutura profunda do discurso, criticando a semântica e os aspectos sintáticos, e fazendo questionamentos não apenas sobre o
que é dito, mas também sobre o que não foi dito, mas fez parte do sentido da comunicação.
Inicialmente associada ao discurso político, com propósito de crítica por parte dos linguistas, atualmente é objeto de interesse
de analistas de várias áreas e tipos de discurso, como: político, jurídico, religioso, científico, defensores de movimentos sociais.
 Grupo de foco
Conhecida como entrevista em profundidade, o grupo de foco é uma técnica qualitativa que utiliza a entrevista com grupos de
pessoas pertencentes ao ambiente de análise, para coletar dados sobre clima, expectativas, problemas e conflitos não claros, ou
explicitados. Essa técnica vem ganhando espaço na pesquisa social desde a década de 80; ela permite que pessoas que
vivenciam o mesmo ambiente possam manifestar de forma livre e clara seus anseios, dificuldades, e assim, contribuírem para o
aperfeiçoamento de padrões, produtos, comportamentosetc.
Cruz Neto, Moreira e Sucena (2002, p. 3) discorrem sobre os grupos focais, enumerando suas vantagens e recomendando
cuidados no seu uso:
6.3
Procurando demarcar limites, é preciso assinalar que, assim como quaisquer outras técnicas, a de grupos focais não é
capaz de iluminar por si própria os caminhos metodológicos de uma pesquisa social, nem tampouco condicionar ou
influenciar a escolha de seus objetos e objetivos. Ao contrário, sua escolha encontra-se condicionada à orientação
teórico-metodólogica da investigação, do objeto de investigação e da real necessidade de dados e informações a serem
coletados. Tal postulação não implica a afirmação de que a técnica é um elemento secundário da pesquisa social, mas
sim a de que ela não possui autonomia metodológica para reger ou definir sua própria utilização.
O grupo formado deve ter características comuns e conhecer o foco da discussão (o problema, a instituição, o objeto de
interesse, enfim), para, incentivado pelo moderador do grupo, discutir sobre o objeto de interesse, focando experiências e
interagindo sobre suas ideias, sentimentos, valores, dificuldades, soluções etc. Por isso, a importância de o pesquisador ser e
estar devidamente preparado para a tarefa. No grupo de foco, o pesquisador/moderador cria um roteiro, no qual insere variáveis
e aspectos específicos para observá-los e tratá-los após a aplicação. Esse tratamento requer muito cuidado, utilizando
comparações e análises críticas para evitar manipulações pelo grupo ou distorções de entendimentos.
O moderador cria um contexto ou ambiente social no qual os participantes interajam, defendendo, revendo, ratificando suas
próprias opiniões ou influenciando as opiniões dos demais, num ambiente em que a pluralidade de ideias é mais valorizada que
o consenso. Como observador, ele deve observar a interação do grupo, perceber interferências, propósitos pessoais e posturas
verdadeiras.
Durante a realização do grupo focal, podem ser inseridas outras técnicas, como a observação (exemplo: indicando,
secretamente, um elemento do grupo para observar determinados aspectos do grupo), entrevistas individuais (exemplo: o grupo
escolhe um elemento para ser entrevistado sobre algumas questões), questionário (exemplo: pode ser utilizada alguma dinâmica
por escrito) e atividades lúdicas para incentivar e organizar o debate. O objetivo é que o grupo faça análises qualitativas, levante
motivos, razões, propostas de soluções e visão diferenciada para os problemas apontados. Os procedimentos para o grupo focal
são:
Quadro 17 – Cuidados para realização de um grupo de foco
PASSOS DESCRIÇÃO
Formação Cerca de 3 ou 4 grupos, constituídos de 6 a 12 pessoas.
Escolha dos
participantes
Aleatoriamente ou escolhidos conforme os objetivos. O participante deve ter opinião formada
sobre o assunto e ser previamente informado sobre a técnica.
Membros Devem: pertencer à unidade pesquisada, ter nível sociocultural semelhante e, preferencialmente,
serem estranhos uns aos outros. Devem ter liberdade para exprimir impressões e concepções
próprias do assunto.
Moderador Deve: conhecer e estudar possibilidades e limitações dos membros e das técnicas que utilizará
no processo; não permitir falas descritivas, criar um debate, no qual todos os pontos de vista
possam ser colocados e discutidos; e não acatar impressões individuais sem apoio ou
concordância dos outros.
Aplicação Criar um roteiro, com palavras-chave, categorias de análise; apresentá-lo ao grupo no início da
seção, seguido da apresentação do moderador e participantes. A seção pode ser gravada ou
anotadas as informações obtidas, que devem, igualmente, ser mostradas ao grupo no final da
seção.
Local Agradável, confortável, privado, preferencialmente, com os participantes acomodados em uma
mesa oval ou redonda, em forma de U, ficando o moderador na cabeceira.
Fonte: A autora.
 Técnicas de observação direta extensiva
A observação direta extensiva para coleta de dados quantitativos na pesquisa de campo compreende o questionário, o
formulário e o questionário que utiliza escalas de medida, para medir opinião e atitudes e técnicas mercadológicas. A pesquisa
quantitativa parte do princípio de que os fatos falam por si; tudo pode ser quantificável; e que opiniões, problemas, situações
serão mais bem entendidos se traduzidos em números. Seu uso é frequente em estudos descritivos, na busca e classificação da
6.3.1
6.3.2
relação entre variáveis, identificando tendências, estabelecendo relação de causalidade entre fenômenos e gerando padrões.
O questionário
O questionário é um formulário, previamente construído, constituído por uma série ordenada de perguntas em campos
fechados e abertos, que devem ser respondidas por escrito e, preferencialmente, sem a presença do entrevistador. Por isso, deve-
se atentar para o cuidado na elaboração das perguntas, para que não haja duplicidade de interpretação. É importante que o
pesquisador se conscientize de que em uma pesquisa de dados remota nem sempre há o envolvimento e, consequentemente,
necessita do cuidado para garantir a verdade e completeza das respostas.
O questionário com questões abertas, quando feito na presença do pesquisador, aproxima-se da entrevista, pois permite
ajustes, explicações a respeito das perguntas. Nessa perspectiva, se aproxima da pesquisa qualitativa. Quando feito sem a
presença do pesquisador, deve conter espaço para manifestação de opiniões e explicações pelo pesquisado, acrescentar detalhes
à sua resposta, justificar sua posição. O questionário aberto pode servir como instrumento quantitativo preliminar, para
levantamento e geração de ideias e variáveis a serem medidas na pesquisa posterior fechada. Nesse caso, deve ser utilizada uma
pequena amostra de pessoas, que tenham conhecimento e experiência com o objeto de interesse, de forma a contribuir para a sua
elaboração.
Na aplicação de um questionário sem a presença do pesquisador, deve ser enviada junto uma nota explicativa da natureza da
pesquisa, importância, necessidade da obtenção das respostas, para despertar a colaboração e a devolução dentro do prazo
solicitado. É considerado um instrumento de valor significativo de coleta de dados, embora seu retorno alcance, em média, 25%
de devolução, mais utilizado para coletar dados quantitativos, informativos. Eventualmente, se colocam em questionários
questões abertas para medir clima, opiniões, expectativas. Mas, não é este o seu propósito primeiro.
Desde que bem elaborado, as vantagens de se utilizar o questionário são: economia de tempo, deslocamentos, obtenção de
grande número de dados, maior número de pessoas, economia de pessoal, tanto em adestramento quanto em trabalho de campo,
o anonimato (que permite respostas mais verdadeiras e seguras), menos risco de distorção, pela não influência do entrevistador,
tempo e hora para responder mais favoráveis, mais uniformidade na avaliação, respostas materialmente inacessíveis.
Suas limitações, entretanto, são muitas: percentagem pequena de retorno, perguntas sem resposta, aplicação a analfabetos,
falta de clareza nas perguntas, incompreensão do informante, atrasos na devolução, preenchimento errado, ou por outras pessoas
que não o escolhido e o anonimato (que pode gerar desinteresse e pouco compromisso). Tudo isso pode comprometer a análise
e até desqualificar os resultados.
O questionário com escalas de medidas
O questionário com uso de escalas de medidas, como explicado no capítulo anterior, atende à pesquisa social, também
entendida como qualiquanti, pois une os interesses quantitativos de informações e os aspectos qualitativos, interpretativos. O
instrumento adequado é o questionário que usa escalas de medidas, que permite que os tomadores de decisão, nos variados tipos
de organizações sociais, consigam “ler”, interpretar os dados que coletarem; enfim, saber o que clientes, concorrentes,
mercados, pessoas estão realmente dizendo, ainda que de forma indireta.
No questionário com escalas colocam-se as opções numa escala progressiva, iniciandopelo menor/pior valor até o
maior/melhor valor. Importante, também, é ressaltar que num mesmo instrumento podem ser colocadas diferentes formas de
respostas. A variação entre o menor/maior valor será decidida em função do que se quer obter do entrevistado. Aconselha-se, na
formulação das questões, que as mesmas sejam feitas em forma de perguntas, e depois, colocadas em forma de afirmações para
que o entrevistado possa se posicionar na escala.
Nessa técnica não são feitas perguntas; são feitas afirmações, juízos de valor, cuidadosamente elaborados para medir o que
se pretende. Abaixo ou ao lado são colocados parâmetros de avaliação, com intervalos de variação de opinião, que deverão estar
entre 4 e 7, iniciando do menor para o maior, do mais baixo para o mais alto, do mais fraco para o mais forte etc.
As respostas são fechadas, limitadas a campos previamente definidos, para serem respondidos, através de única marcação
(ex: escolaridade, sexo, nacionalidade etc.). É a chamada escala nominal. Se necessário, coloca-se o campo: OUTROS.
Também, é aconselhável abrir algumas linhas, após cada questão proposta (2/3) para eventuais justificativas ou manifestações
do entrevistado, que irão contribuir para a discussão e análise qualitativa das respostas obtidas.
Escalas de medidas são instrumentos de medição de opiniões, nos quais são feitas proposições contendo afirmações claras,
juízos de valor sobre uma situação, um fato, um valor qualquer, cuja resposta vai denotar uma atitude do respondente e
–
–
–
–
–
–
2.
–
1.
permitirá medir o comportamento, traçar o perfil do grupo. Elas representam assertivas sobre um assunto e os respondentes não
apenas manifestam ou não sua opinião, mas também informam seu grau de manifestação.
Escalas com parâmetros fixos
A proposição pode ser medida em termos de concordância, frequência, importância, aceitação, aprovação, avaliação. As
escalas contêm parâmetros fixos, entre 4 e 7, relacionados ao que se quer medir. Os parâmetros podem ser adequados, inclusive,
na redação, de forma a atender à proposição.
Escalas com parâmetros variáveis
Aqui, os parâmetros são proposições, afirmações, juízos de valor, elaborados pelo pesquisador, limitando as respostas às
alternativas consideradas e escolhidas como sendo de interesse da pesquisa. Pode pretender uma escolha única entre as
proposições ou uma hierarquização das proposições, conforme os objetivos.
Quadro 18 – Parâmetros fixos de medidas
 GRAU
CONCORDÂNCIA Discordo
plenamente
Discordo Sem
opinião
Concordo Concordo
plenamente
FREQUÊNCIA Nunca Não Raramente Muitas vezes Sempre
IMPORTÂNCIA Sem importância Pouco
importante
Sem
opinião
Importante Muito importante
ACEITAÇÃO Contra
definitivamente
Contra Indiferente Favorável em
parte
Favorável
plenamente
APROVAÇÃO Desaprovo
totalmente
Desaprovo Sem
opinião
Aprovo Aprovo totalmente
AVALIAÇÃO Péssimo Ruim Regular Bom Ótimo
SATISFAÇÃO Insatisfeito Pouco
insatisfeito
Indiferente Satisfeito Muito satisfeito
Fonte: A autora.
Escalas com parâmetros variáveis
As informações são fechadas, elaboradas pelo pesquisador para limitar as respostas às alternativas de interesse:
Para escolha de apenas uma alternativa. Ex.: casamentos acabam por:
Traição: pois ela é inevitável; trair é da natureza humana.
Motivos financeiros: nenhuma relação sobrevive a problemas financeiros.
Cansaço: é impossível conviver muito tempo com a mesma pessoa.
Conflitos: as pessoas são diferentes e não abrem mão de suas ideias.
Escolaridade: quem estuda mais desmerece quem não o faz.
OUTROS (informar) (para o caso de a opção ser diferente das colocadas).
Para hierarquização das alternativas. Ex.: enumere os motivos que acabam com um casamento, em ordem de importância
(1 = menor e 4 = maior importância):
Traição: pois ela é inevitável; trair é da natureza humana.
–
–
–
–
 Motivos financeiros: nenhuma relação sobrevive a problemas financeiros.
Cansaço: é impossível conviver muito tempo com a mesma pessoa.
Conflitos: as pessoas são diferentes e não abrem mão de suas ideias.
Escolaridade: quem estuda mais desmerece quem não o faz.
Quadro 19 – Questionários com o uso de escalas de medidas
CUIDADOS DESCRIÇÃO
Propósito
Entender uma população através de uma amostra, usando proposições gerais sobre o
comportamento humano ou pesquisas de mercado. Replica um achado, um conceito, entre
subgrupos de diferentes categorias (sexo, idade, profissão etc.)
Itens de
averiguação
Devem ser colocados na forma de afirmação e não de pergunta. A variável a ser medida (ex.:
atitude, opinião) é transformada em juízos de valor, afirmações, fatos; enfim, uma situação da
vida prática que envolva tal variável. Ex.: se o propósito é medir ética na escola, pode-se colocar
a afirmação: “colar em provas é algo que todo aluno faz; portanto, não há nada de errado nisso”.
Instrumento
de medidas
Utiliza o questionário com escalas, com parâmetros entre 4 a 7, que devem ser adequados à
afirmação: concordância/discordância, frequência, importância, negação/aceitação, avaliação,
satisfação/insatisfação. Ex.: nunca, não, raramente, muitas vezes, sempre.
Pode conter parâmetros fixos para delimitar respostas. Os parâmetros podem variar para se
adequar à proposição e inseridos na escala de forma ascendente (baixo/cima, negativo/positivo,
pior/melhor etc.). Ex.: a violência no país cresce porque: (a) problemas familiares; (b) exemplos
das autoridades; (c) influência da mídia; (d) falta de atuação da escola; (e) impunidade.
Cuidados
na
elaboração
Deve-se buscar compreensão, clareza, completude de dados para permitir respostas válidas.
Proposições negativas devem ser evitadas, pois geram polissemia: “Não se deve abrir mão de
prazeres pessoais por causa de problemas familiares” – não concordo definitivamente, não
concordo...
Deve-se deixar linhas em branco, abaixo das proposições, para manifestações individuais, que
devem ser espontâneas, nunca provocadas.
Deve ser aplicado, preferencialmente, sem a presença do pesquisador, cuja manifestação pode
cristalizar uma opinião já existente, direcionar para outra ou permitir a formação de opiniões
instantâneas. Daí, a importância de haver clareza do objetivo, da conceituação e da formulação
isenta e consciente das questões.
Deve-se evitar direcionar proposições para respostas óbvias, que estejam reforçadas no
parâmetro. Exemplo: “a impunidade é um dos fatores que geram violência em todos os níveis”.
Assim como expressões que geram polissemia, que deixem dúvidas no sentido. Exemplos:
“Todo mundo concorda...” (a expressão gera dúvida na resposta). Ou: “Os professores são
competentes e dominam o conteúdo” (duas afirmações diferentes sendo medidas na mesma
proposição).
Não se pode abrir mão do pré-teste, que mede o entendimento das proposições e permite
ajustar o instrumento antes de sua aplicação, além de evitar a desqualificação de respostas
após a aplicação do instrumento.
Escolha de
variáveis
Conceituar e medir variáveis são características da prática científica; portanto, variáveis não
adequadamente conceituadas e medidas impedem que as correlações façam sentido, pois,
observadores independentes, discordando sobre variáveis, podem discordar da conclusão geral.
Fonte: A autora.
Quadro 20 – Técnicas de coleta de dados
OBSERVAÇÃO DIRETA OBSERVAÇÃO INDIRETA
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Dados primários Dados terciários Dados secundários
OBSERVAÇÃO
DIRETA
INTENSIVA
Observação
Sistemática e
assistemática.
Participante e
não
participante.
Individual e em
grupo.
Na vida real ou
no laboratório.
Entrevista
Estruturada.
Semiestruturada
ou livre.
Grupo focal.
Análise de
conteúdo.
Análise de
discurso.
São falas em entrevistas ou registros
em questionários que foram citados,
fornecidos por outros, sem
comprovação da fonte, relatos de
casos, crises, situações específicas,
recados, falas em nomes de outros.
Análise de documentos, regimentos, estatutos,
planos de cargos e carreiras, organogramas,
contratos sociais, publicações oficiais,
parlamentares, jurídicas, fontes estatísticas,publicações administrativas, particulares,
iconográficos, fotografias, objetos.
OBSERVAÇÃO
DIRETA
EXTENSIVA
Questionário.
Questionário com
escalas.
 
Fonte: A autora.
Resumo do capítulo
Enquanto o método é o caminho, os passos, a técnica é o instrumento utilizado para obter os dados; é a forma mais adequada
para se coletar informações de interesse do pesquisador. É utilizada no momento em que o pesquisador faz contato com a
realidade, com as fontes, sejam pessoas, documentos, empresas, que darão a visão da vida real sobre o propósito da pesquisa.
Neste capítulo, foram apresentadas algumas técnicas de coleta de dados utilizadas nas áreas das ciências humanas e sociais.
PARTE II
Tutorial para Trabalhos Acadêmicos
7.1
•
•
•
7
PROJETOS
Projeto é um empreendimento planejado que consiste num conjunto de atividades inter-relacionadas e coordenadas, com
o fim de alcançar objetivos específicos dentro dos limites de um orçamento e de um período de tempo dados.
Prochnow (1999), ONU (1984)
Considerações gerais
Projeto
Por projeto, entende-se uma intenção de fazer ou realizar (algo) no futuro; descrição escrita e detalhada de um
empreendimento a ser realizado; plano, delineamento, esquema; esboço provisório de um texto; esboço ou desenho de
trabalho a se realizar; plano geral para a construção de qualquer obra, com plantas, cálculos, descrições, orçamento etc.
Anteprojeto
Trata-se de um estudo preliminar de um plano; um estudo preparatório de um projeto; esboço ou conjunto dos estudos
preliminares que irão constituir, depois das necessárias alterações, as diretrizes básicas do projeto definitivo de uma
obra (Houaiss).
 Pré-projeto
Um pré-projeto consiste num conjunto preparatório ou experimental ou antecipatório de um projeto (de qualquer
natureza); o mesmo que anteprojeto.
A mais básica das abordagens da palavra projeto indica ideia, desejo, intenção de fazer ou realizar no futuro; significa um
plano, uma carta de intenções. Em sua etimologia, outros conceitos estão embutidos: esboço provisório de um trabalho
qualquer, plano de objetivos e metas, planejamento, proposta de ação, descrição escrita e detalhada de um empreendimento a ser
realizado, entre outros. Em suma, fazer um projeto significa elaborar uma proposta de ação para se atingir um objetivo e definir,
com determinação e resolução, passos para alcançá-lo.
Todo produto, intelectual, científico ou técnico, para ter qualidade, deve ser feito a partir da elaboração de um projeto, e bem
feito, que o oriente. Certamente que fazer um projeto de trabalho não garante, por si só, o sucesso do produto final; mas, sua
falta ou inadequação, certamente, comprometem o sucesso e a qualidade do produto final.
Um projeto é um documento que informa o caminho, os passos e formas de execução e controle de uma pesquisa ou um
trabalho, visando à obtenção de propósitos e resultados. Ao se “projetar” no papel tudo o que é necessário para o
desenvolvimento da pesquisa ou trabalho, o projeto explicita o conjunto de atividades a serem executadas: os objetivos, meios
que serão utilizados para atingi-los, os recursos necessários, onde serão obtidos e como serão avaliados os resultados.
Organizar as atividades em um documento permite sistematizar o trabalho em etapas a cumprir, compartilhar a imagem do
que se quer alcançar, identificar as principais deficiências a superar e apontar possíveis falhas durante a execução das atividades
previstas.
Pode-se criar e desenvolver projetos para execução em ambientes profissionais e acadêmicos. Nos primeiros, objetiva-se,
essencialmente, a solução de problemas e/ou proposição de inovações em ambientes de trabalho. Os projetos de natureza
científica objetivem buscar avanços no conhecimento, resposta a problemas de cunho científico, aprofundamento de estudos e
pesquisas.
7.2
Independentemente da natureza (técnica ou científica), um projeto possui características básicas que identificam e
caracterizam sua proposta. A estrutura final, entretanto, irá variar conforme a natureza, que determinará se os objetivos estarão
voltados para obtenção de produtos ou serviços empresariais, ou para o avanço do conhecimento científico. Um projeto deve
conter algumas características, como ilustrado no Quadro 21.
Quadro 21 – Características de um projeto
Objetivo Apresenta, submete, de forma organizada e detalhada, uma proposta de ação, intervenção
e/ou pesquisa.
Registro Registrado em documento físico, impresso ou gravado em meio magnético, passível de ser
recuperado e acompanhado.
Composição Formado por uma lista pré-definida de itens (cheklist), campos distintos, separados e
numerados criteriosa e sequencialmente.
Conteúdo do
campo
Contém os passos, o caminho da proposta (seus objetivos e metas), que visam serviços ou
resultados específicos, calculados. Em cada passo, são desenvolvidos e organizados os
recursos, etapas, recursos, fontes, prazos, metodologia, custos, importância, justificativa,
problemas e demais itens que interessam às instituições/pessoas responsáveis pela avaliação
da pertinência e viabilidade da proposta.
Planejamento Requer um planejamento de leituras, avaliação criteriosa da situação atual, planejamento,
implantação, execução, monitoramento e controle.
Tempo Contempla período limitado, uma proposta básica que compreende um início e um fim
definidos.
Envolvimento Implica na participação de pessoas.
Recursos Envolve recursos de quaisquer ordens limitados no tempo, no espaço.
Fonte: A autora.
A elaboração de um projeto técnico (projeto de trabalho) ou científico (pesquisa) contempla, em princípio, os mesmos passos.
O projeto científico se diferencia do técnico pelo fato de se tratar de uma proposta de desenvolvimento de uma pesquisa, para a
qual foram traçados objetivos ligados à curiosidade científica, não necessariamente aplicáveis de imediato, e cujo compromisso
está mais ligado às questões de ordem teórica, de construção de modelos e contribuição para a formação de um corpo teórico da
ciência. Por sua vez, o projeto técnico se trata de uma proposta concreta de trabalho a ser desenvolvido em um local específico,
no qual um problema e/ou necessidade já foram detectados.
O projeto técnico ou empresarial
Desenvolvido por consultores externos ou por membros da organização, seus objetivos podem apontar para duas direções ou
necessidades da organização. Numa delas, podem estar voltados para a identificação de problemas e falhas em processos
organizacionais, visando, portanto, à correção das falhas, ao aprimoramento de processos e melhoria do desempenho
organizacional. Podem, também, objetivar o crescimento organizacional, através de identificação de oportunidades, criatividade
e inovação. Um projeto técnico, a partir da identificação do problema e proposição das ações/resultados do seu estudo, poderá
ser desenvolvido na prática, caracterizando-se como projeto intervencionista ou de implantação.
O projeto técnico trabalha com situações concretas; aborda problemas existentes e/ou propostas de melhorias técnicas,
administrativas, ambientais, inter-relacionais, em quaisquer áreas ou departamentos da empresa, vivenciadas pelo seu autor,
assumindo, portanto, um caráter mais prático e exequível.
As organizações modernas trabalham com diferentes atividades, algumas rotineiras e outras voltadas para a inovação e
criatividade. As atividades de rotina têm a função de manter a estabilidade, o fluxo produtivo e previsível do trabalho. As
tarefas voltadas para a inovação e a criatividade são menos previsíveis, menos rotineiras, mais instáveis, obrigando as pessoas e
os sistemas a se adaptarem a um ambiente de incerteza. As atividades de rotina são menos planejadas; elas ocorrem como
consequência de necessidades de hábitos instalados culturalmente. São esperadas, mas pouco criticadas e renovadas. Já os
processos que visam à inovação, pela própria incerteza que ronda a tomada de decisões, requerem planejamento, planos, metas,
7.2.1
7.2.2
prazos, controle, que permitam dar sustentação e garantir condiçõespara a criação de um ambiente criativo.
O projeto técnico, para ser bem-sucedido, deve aconselhar que seja precedido da realização de um processo de análise
organizacional, através da qual se poderá conhecer mais profundamente e avaliar a viabilidade dos objetivos e metas
pretendidos.
 Análise organizacional
O processo de análise organizacional compreende dois grandes momentos, que são: (1) o diagnóstico situacional das causas;
e (2) a intervenção planejada. Esses momentos, embora distintos, são interdependentes, havendo mesmo certas áreas de
superposição. A separação desses dois momentos tem caráter mais didático, ordenando as ações, e não permitindo que elas
sejam implantadas sem análise criteriosa dos problemas. Esse trabalho pode ser feito por equipes internas à empresa, desde que
com formação especializada. Porém, é importante a participação de consultores externos que possam dar a visão imparcial do
ambiente externo, isenta de qualquer vício ou comprometimento com as deficiências e peculiaridades da empresa.
Fase 1 – Diagnóstico situacional das causas
O diagnóstico é o trabalho de identificação do clima, dos problemas, da estrutura, métodos e processos de trabalho da
empresa, de forma a detectar os problemas reais que estão ocasionando os sintomas apresentados. É a fase da proposição de
ações macro de intervenção na empresa.
Tal como na medicina, os problemas aparentemente identificados na empresa tanto podem ser as verdadeiras “doenças” da
organização, como podem ser apenas sintomas de problemas maiores, ocultos ou camuflados. O diagnóstico tem a função de
investigar, criteriosa e tecnicamente, as razões mais profundas dos problemas aparentes, assim como criar posturas preventivas
em relação a esses problemas. Nessa fase, é feito um completo e detalhado trabalho de coleta de dados e informações da
empresa, através das técnicas de entrevistas, aplicação de questionários, observação e análise documental da empresa
(organogramas, planos de cargos, regimentos, estatutos etc.).
Após a coleta e análise dos dados obtidos, procede-se à elaboração de propostas macro de intervenção para sanar os
problemas e criar medidas profiláticas para o futuro. Nessa fase, o envolvimento e a colaboração de equipes internas tornam-se
fundamentais, não só como fontes de fornecimento de dados, mas também como interfaces na interpretação desses dados. Para a
realização do diagnóstico, é necessário que os responsáveis tenham conhecimento e competência técnica para a adequação,
aplicação e interpretação dos instrumentos de coletas de dados; caso contrário, as ações propostas não surtirão efeito.
O diagnóstico permite identificar até que ponto o desempenho da organização é afetado pelas estratégias adotadas, pela
estrutura organizacional vigente, pelas tecnologias e recursos disponíveis, pela qualidade da comunicação, pela liderança e pelo
comportamento das pessoas, ou seja, são investigados todos os sistemas componentes da estrutura organizacional.
Fase 2 – Intervenção planejada
Envolve o estudo das soluções dos problemas, compreendendo, de início, as fases de planejamento da solução e a sua crítica.
Compreende, também, o planejamento, a implantação e o controle das ações propostas no diagnóstico. Nesse momento, a
participação do pessoal de linha da empresa torna-se fundamental para o sucesso da intervenção. Os chefes de linha devem estar
plenamente acordados com as mudanças propostas, pois serão eles a conduzir a nova estrutura.
Controle e a avaliação
O controle pode ser definido como uma função do processo administrativo, que, mediante a comparação com padrões
previamente estabelecidos, procura medir e avaliar o desempenho e o resultado das ações. A grande finalidade do controle é
realimentar os tomadores de decisões, de forma que possam corrigir ou reforçar esse desempenho ou interferir em funções do
processo administrativo, para assegurar que os resultados satisfaçam aos desafios e aos objetivos estabelecidos. Assim,
controlar significa coletar e retroalimentar informações sobre desempenho, de maneira que os responsáveis pela tomada de
decisões possam comparar os resultados obtidos com os resultados planejados e decidir o que fazer a respeito de distorções ou
problemas diagnosticados.
Estrutura de um projeto técnico
Local – a empresa objeto da pesquisa
Caracterização da empresa: nome, razão social, missão, organograma, natureza, história, principais crises e momentos
evolutivos, produto, segmento, área de atuação, público-alvo. Identificar o local, o objeto de interesse significa, em suma,
levantar elementos identificadores da empresa que será objeto da ação. Além da caracterização da empresa, devem-se detalhar,
também, o setor, a área administrativa ou técnica, departamento, seção na qual o problema e/ou proposta de melhoria se insere,
caracterizações que orientam o estudo de viabilidade do projeto.
De um modo geral, a caracterização do objeto do trabalho deve contemplar informações como: natureza da empresa (se
pública × privada), o porte (se micro, pequena, média ou grande), o ramo (comércio, indústria, serviços), o produto principal, o
tipo de clientela, número de funcionários, a definição dos clientes internos e externos e outras informações que forem julgadas
importantes para a identificação da empresa.
Tema ou assunto
Definir o tema ou assunto significa identificar: (1) o problema, a falha, o erro, enfim, a questão geradora da intenção ou
necessidade de intervenção; ou (2) a inovação, a melhoria pretendida. Uma vez feita a identificação, criou-se a identificação da
situação-problema ou situação-melhoria. Essa definição pede uma descrição pormenorizada do assunto: do que se trata, onde se
origina, como ocorre, onde não ocorre, por que ocorre, quais os caminhos, fluxos, prazos, responsáveis; ou seja, todas as
informações que possam auxiliar na definição clara da situação-problema e/ou melhoria, fornecendo sua dimensão, natureza e
proporções.
Problema
Transformar o tema, que, em síntese, é o problema ou o interesse/necessidade de melhoria, significa agregar a este
informações e detalhamentos dos problemas, prejuízos, atrasos que a sua permanência acarreta. Ou, no caso de melhoria, os
benefícios que ela trará para a empresa/setor. Nesse momento, está se agregando valor ao assunto, dando-lhe a real dimensão.
Feito isso, deverão ser levantadas perguntas, hipóteses de ação e intervenção para sua solução e/ou viabilização.
Definir a situação-problema envolve algumas definições e etapas. Em geral, a primeira questão que se coloca na identificação
do problema é o dimensionamento do seu tamanho, gravidade e prioridade. Uma vez identificado o problema, como atacá-lo? O
que fazer para tomar boas decisões em relação a ele? Para a primeira pergunta: para priorizar os problemas na empresa, deve-se,
antes de qualquer coisa, ter clareza sobre os problemas, o que são, por que são etc. Uma boa forma de escolher e priorizar
problemas é aplicar a metodologia da UTI para solução de problemas, que implica em priorizá-los conforme:
U – urgência: um problema urgente é aquele cujo adiamento da solução poderá trazer riscos e/ou prejuízos à
organização.
T – tendência a piorar: trata-se do problema que, se não enfrentado, poderá piorar e dificultar ou comprometer a sua
solução.
I – importância: um problema é importante para a empresa na medida em que sua solução trará resultados positivos.
De certa forma, problemas que não trazem resultados imediatos, visíveis para a empresa, tendem a ser considerados pouco
importantes. Essa situação é vista com mais frequência em problemas que envolvem as áreas-meio (administração geral,
secretarias, transportes, almoxarifados, pessoas, entre outros). Essa visão, em médio prazo, costuma se mostrar equivocada, pois
problemas que envolvem a área-meio têm evolução silenciosa e, quando aparecem, costumam comprometer as áreas-fim.
Uma vez priorizados e escolhidos os problemas para serem resolvidos, deve-se proceder a uma análise de como resolvê-los.
Aconselha-se fazer a anatomiado problema, ou seja, uma análise criteriosa dele, respondendo às seguintes perguntas:
Quadro 22 – Análise de um problema
IDENTIFICAR O
QUE É O
PROBLEMA
IDENTIFICAR O QUE
NÃO É PROBLEMA CUIDADOS NA ADMINISTRAÇÃO DO PROBLEMA
O que é o problema? O que não é o Fixar prioridades por escrito.
problema?
Onde ele ocorre? Onde ele não ocorre? Dividir o trabalho, criar equipes, distribuir funções.
Quando ele ocorre? Quando ele não
ocorre?
Criar datas para as atividades, comunicar a todos os
envolvidos e comprometer-se com o seu cumprimento.
Com que frequência? Com que frequência ele
não ocorre?
Evitar o perfeccionismo; buscar o melhor possível.
Com quem ele
ocorre?
Com quem ele não
ocorre?
Cultivar e realizar ações proativas; envolver-se com a
iniciativa, inovar.
Por que ele ocorre? Por que ele não
ocorre?
Manter-se atento aos sinais e às mudanças no ambiente.
Fonte: A autora.
Justificativa
Neste item, deve ser relatada e detalhada a importância para a empresa/área/setor da solução do problema ou da implantação
da melhoria pretendida, nos aspectos: relevância do assunto, aspecto financeiro, sobrevivência da empresa, posição no mercado,
importância do ramo, do produto, enfim, o que representa o assunto para a sobrevivência e crescimento da empresa,
justificando, portanto, os esforços a serem envidados na sua solução. A justificativa aborda o cenário organizacional após
resolvido o problema ou implantada a melhoria.
Objetivos
Criar objetivos num projeto técnico ou empresarial significa traçar as soluções ou medidas na forma de alvos que se quer
atingir, o que se quer fazer, implantar, modificar, alterar, regular, enfim, o que se propõe ser feito para que o problema cesse ou
as melhorias surtam o resultado esperado. Sugere-se iniciar os objetivos com verbos no infinitivo que reflitam ações objetivas,
claras, do que se pretende fazer: implantar, identificar, discutir, propor, demonstrar, diferenciar, incorporar etc.
Metodologia
São os passos que deverão ser seguidos para que a solução/implantação seja efetivada. Nesse momento, os objetivos são
transformados em metas, para o que são definidos: etapas, responsáveis, participantes, passos, ações específicas, itens de
verificação e controle para o alcance dos objetivos e para a garantia da qualidade das ações, assim como devem ser definidos e
incluídos parâmetros necessários e verificáveis de execução, controle e avaliação. O detalhamento da metodologia é
apresentado em maiores detalhes no Capítulo 9.
Cronograma
No cronograma do projeto, é feito um dimensionamento do tempo necessário entre a proposição e a avaliação dos resultados
do projeto implantado. Ou seja, trata-se de distribuir as etapas do projeto ao longo do tempo (dias, semanas, meses), de forma a
permitir o seu acompanhamento e controle. O cronograma é um instrumento muito útil para a análise dos responsáveis pela sua
aprovação, e também para o acompanhamento e controle dos envolvidos.
Os parâmetros do cronograma são contextuais, as etapas são criadas de acordo com as necessidades e prioridades do projeto,
assim como o tempo, que pode ser medido em horas, dias, meses; as datas. Além disso, como proposta de teor futuro, sempre
estará passível de mudanças, reajustes, correções de rumos. Sua elaboração deve ouvir todos os participantes antes de ser
submetido à aprovação.
Quadro 23 – Exemplo de cronograma de projeto empresarial
No ETAPA Fev./13 Mar./13 Abr./13 Maio/13 Jun./13 Jul./13
1
Definições iniciais,
levantamento do problema e/ou
melhoria e ações a realizar.
x 
2 Fechamento da proposta. x 
3 Definição do tempo e dos
custos.
 x 
4 Distribuição de pessoas. x 
5 Metodologia de implantação. x 
6 Redação provisória do projeto. x 
6 Submissão do projeto. x 
7 Ajustes recomendados,
redação final.
 x 
8 Submissão para aprovação
final.
 x
Fonte: A autora.
Custos
De modo geral, a solução de problemas ou ações para melhorias nas organizações envolve custos, despesas e ônus. A
informação dos custos dessas ações é item obrigatório para submissão de um projeto, e é criteriosamente avaliado pelos
responsáveis por avaliação de projetos nas organizações, pois a viabilidade financeira vai definir o alcance dos objetivos, e a
interrupção ou implantação parcial de ações pode gerar mais prejuízos às organizações do que a sua não implantação.
Os custos são estimados, e devem prever valores e situações. Entretanto, devem ser bem dimensionados e detalhados dentro
do possível, e, se exigido, devem prever variação monetária: material de uso geral (material de escritório, equipamentos
eletrônicos, computacionais, material bibliográfico e audiovisuais); gastos com pessoal (pesquisa de campo, coleta de dados,
serviços de terceiros – estatísticos, especialistas, digitadores, transportes etc.); despesas finais (para a elaboração do relatório
final, cópias, encadernação e outras não previstas). Agências governamentais financiadoras de estudos e projetos costumam
exigir que os custos sejam informados em moeda internacional (dólares) e com eventuais variações monetárias, para permitir o
controle, o tratamento dos dados e os reajustes de forma individual, por categoria ou rubrica.
Quadro 24 – Exemplo de informação de custos em um projeto empresarial
ITEM RUBRICA DETALHAMENTO
(especificações)
PERÍODO CUSTO
APROXIMADO
01 Material de
consumo
Papel, lápis Dias/mês/ano R$ .....
02 Material
permanente
Mesa, impressora Data R$ .....
03 Serviços de
terceiros
Consultoria Data R$ .....
04 Pessoas Estagiários, contratos
temporários
Tempo de
atuação
R$ .....
Fonte: A autora.
Quadro 25 – Estrutura básica de um projeto técnico ou empresarial
ITEM DESCRIÇÃO SUMÁRIA
7.3
Local da pesquisa
Empresa (ramo, tamanho etc.), setor, área administrativa ou técnica,
departamento, setor etc., no qual o problema e/ou proposta de melhoria se
insere.
Tema/assunto
Assunto, detalhamento do problema existente na organização que gerou o
interesse/necessidade de se fazer um projeto para solucionar, ou
detalhamento da proposta de melhoria em algum processo/setor, escolhido
para ser abordado no projeto.
Justificativa
Importância para a empresa/área/setor, que tem o assunto escolhido; sua
relevância, tanto do aspecto financeiro, da sobreviência da empresa, posição
no mercado, importância do ramo, do produto.
Problema
Problema: prejuízos, erros, atrasos, conflitos que a permanência do
problema acarreta para a empresa e seus resultados. Melhoria: benefícios
que a proposta de melhoria trará para pessoas, setores, processos da
empresa.
Objetivos Soluções e/ou propostas, sob a forma de alvos que se quer atingir. O que se
quer fazer, implantar, modificar, alterar, regular. São as ações a realizar.
Metodologia de ação Passos, etapas, estratégias traçados para que a solução/implantação seja
efetivada.
Cronograma Dimensionamento do tempo necessário entre a proposição e a avaliação dos
resultados do projeto implantado.
Custos Previsão de gastos necessários para a implantação do projeto, sejam eles
financeiros, de pessoas, materiais, tempo, tecnologia etc.
Fonte: A autora.
O projeto científico ou acadêmico
Informação e documentação – Projeto de pesquisa – Apresentação
ABNT NBR 15287:2011
Elaborar projetos no mundo atual turbulento e em constantes mudanças é de importância capital em todas as áreas, e sua
importância não é menor quando se trata de pesquisas acadêmicas. Afinal, uma pesquisa envolve uso de recursos, tempo,
disciplina, custos de variadas naturezas: financeiro, tempo, convívio familiar, concentração de esforços, lazer etc.
O projeto de pesquisa é o instrumento adequado para planejar e organizar os passos, recursos, etapas de uma pesquisa; ele é o
documento físico de proposição de uma pesquisa. Embora sua função seja estruturar, organizar a pesquisa, ele deve ser
considerado, também, um trabalho científico, na medida em que envolve definições metodológicas e uma pesquisa preliminar.
Trata-se de prever e organizar as etapas operacionais de um trabalhode pesquisa, permitindo a avaliação da relevância do
estudo e da pesquisa pela comunidade científica.
Sua elaboração deve ser cuidadosa, abrangente, completa, pois seus itens serão aproveitados na elaboração da monografia ou
trabalho final da pesquisa. Por cuidar da preparação, do planejamento e prospecção da pesquisa, ele é o elemento balizador das
dificuldades e obstáculos que poderão ser encontrados no desenrolar do trabalho, tais como: exequibilidade de execução, tempo,
material bibliográfico, pesquisa de campo, recursos etc., orientando e reorientando o pesquisador, até mesmo possibilitando a
reflexão sobre a viabilidade ou não do trabalho.
Desenvolvido por estudantes ou pesquisadores, visa ao aumento do conhecimento e/ou aplicação de um determinado assunto/
área, e, por conseguinte, colaborando com a construção e fortalecimento do corpo teórico daquela ciência. Sua elaboração
envolve uma revisão bibliográfica, ou atualização conceitual no tema, assim como os aspectos pertinentes, tais como problemas,
dificuldades, vantagens, história, aplicações, entre outras questões envolvidas no tema. O projeto acadêmico, uma vez
desenvolvido, fornecerá subsídios e material para elaboração de trabalhos científicos, como dissertações, monografias, teses.
As agências financiadoras de pesquisa em todo o mundo, assim como as universidades e centros de pesquisa e pós-graduação
7.3.1
stricto senso, exigem, como critério de seleção, a apresentação de um projeto de pesquisa, detalhado e bem elaborado, para
liberação de verbas, vagas e bolsas. Através dele é que se pode apontar a pertinência do assunto, revelar o cuidado, as fontes a
consultar, os métodos a serem utilizados; enfim, o caminho metodológico que será seguido no processo de pesquisa e obtenção
dos resultados. Uma pesquisa que se faz acompanhar de um projeto bem elaborado tem maiores chances de ser bem-sucedida.
Sua apresentação a um órgão, agência, instituição de ensino irá contemplar necessariamente uma parte escrita, e, em alguns
casos, uma defesa oral pelo autor. A parte escrita, como um documento de natureza científica, deverá obedecer às
recomendações da ABNT no que se refere aos cuidados e correção da linguagem, objetividade, clareza, lógica de raciocínio,
precisão, enfim, possuir todas as características de um texto científico.
O esquema para elaboração de um projeto de pesquisa tem uma proposta básica, que poderá variar conforme a instituição na
qual ele se insere. Nessa proposta, serão informados o que se pretende fazer; a curiosidade, o interesse, a importância e
relevância do estudo do assunto, para a área, a instituição, a carreira do pesquisador, o país e o mundo. Serão, também,
informados como está planejada a execução, em termos de métodos e técnicas de pesquisa e registro, tempo para a sua
execução, pessoas e recursos necessários à viabilização da pesquisa proposta.
Em síntese, sua elaboração deve considerar as questões: ...o que será pesquisado? O que se vai fazer?; ...por que se deseja
fazer a pesquisa?; ...para que se deseja fazer a pesquisa?; ...como será realizada a pesquisa?; ...quais recursos serão necessários
para sua execução?; ...quanto vai custar, quanto tempo vai se levar para executá-la e quem serão os responsáveis pela sua
execução?
Sintetizando, um projeto é um apanhado (check-list) de informações indispensáveis para a elaboração da pesquisa. O seu
formato pode variar, conforme interesse e exigência do órgão determinante. O modelo apresentado ao final do capítulo contém
os itens básicos, essenciais à compreensão do propósito e passos da pesquisa. Na sua redação, cada item é numerado e recebe o
título, sem abrir página nova a cada item. Os itens 2 a 6, uma vez definidos e confirmados ao longo da pesquisa, poderão ser
aproveitados, na íntegra, na etapa de redação dos resultados da pesquisa, ou seja, na elaboração da monografia ou documento
equivalente.
A parte escrita, como um documento de natureza científica, deverá obedecer às recomendações da ABNT no que se refere
aos cuidados e correção da linguagem, objetividade, clareza, lógica de raciocínio, precisão, enfim, possuir todas as
características de um texto científico.
Tratando-se de um documento de proposição de um trabalho, os itens Justificativa e Metodologia são valorizados com
especial atenção. Como um documento formal, far-se-á acompanhar pelos elementos protetores, capa e folha de rosto.
Eventualmente, e nos casos em que o órgão solicitante exigir, deverão ser anexados currículos do autor e do orientador
proposto. É importante ressaltar que a qualidade e completeza de um projeto de pesquisa poderá ser fator determinante para a
aceitação e financiamento da pesquisa.
Uma vez desenvolvido o projeto, a bibliografia lida e citada no relatório final da pesquisa realizada transformar-se-á em
Referências, pois refletirá não mais as fontes recomendadas, mas as efetivamente utilizadas e citadas no trabalho. O Glossário é
item opcional, e, dependendo do nível de dificuldade do trabalho, ou da natureza impositiva do tema ou assunto, os itens
Formulação do problema e Formulação da(s) hipótese(s) poderão ser suprimidos.
Estrutura de um projeto científico
Ao final do capítulo será apresentado um quadro-resumo de itens sugeridos para elaboração de um projeto de pesquisa, com
as respectivas definições e orientações. Embora possa haver algumas diferenças em função de necessidades específicas de
algumas áreas do conhecimento, exigências das agências, ou critério do orientador, a estrutura apresentada a seguir servirá
como base para o desenvolvimento de qualquer trabalho científico.
OBS.: No Capítulo 8 serão discutidos, com detalhes e orientações para elaboração, todos os conteúdos e capítulos de um
trabalho acadêmico. Considerando que os itens: Justificativa, Problema, Objetivos, Metodologia, construídos no projeto,
constam também da introdução do trabalho acadêmico, optamos por fazer, aqui, breve definição desses itens, reservando-lhes
maior detalhamento no Capítulo 8.
Tema
Trata-se do assunto, definição da área de conhecimento. É importante lembrar que tema é assunto, não é o título do trabalho.
Portanto, não se define tema criando-se orações, frases que contenham uma ação a ser feita, desenvolvida. Definição do tema é
a indicação sucinta do assunto e da área de interesse. Outro aspecto a considerar é que na definição do tema deve-se cuidar para
delimitá-lo; ou seja, criar seus contornos de forma bem específica, dando-lhe um foco definido, escolher um aspecto, uma
abordagem a ser trabalhada.
Temas muito abrangentes podem levar à dispersão tanto na coleta de dados quanto na análise. Ex.: o tema ESPORTE é amplo
e pode ser abordado sob várias categorias de análise, como: tipo (natação, futebol etc.), categorias (infantil, adulto),
competições (campeonatos nacionais, mundiais) etc. Assim, pode-se delimitar o tema ESPORTE acrescentando-lhe
informações delimitadoras – a natação em campeonatos infantis regionais.
Alguns cuidados sugeridos na escolha do tema: afinidade com o professor orientador, seus métodos e processos; existência de
condições materiais e informacionais e acessibilidade aos dados teóricos e práticos; exequibilidade de prazo e dificuldades para
sua consecução; aquiescência da empresa ou dos agentes financiadores (se for o caso); atendimento a interesses e limitações
institucionais, políticas, sociais; disponibilidade de tempo; garantia de identidade tema × assunto × título; possibilidade de
trabalhar com mais profundidade o assunto escolhido.
Justificativa
Justificar uma pesquisa significa destacar a IMPORTÂNCIA, a RELEVÂNCIA do estudo do assunto para a profissão,
carreira, curso, sociedade, ciência, para o enriquecimento do corpo teórico do assunto etc. Implica em destacar a
CONTRIBUIÇÃO que o estudo e seus resultados poderá fornecer, redundar. Pode se traduzir nas OPORTUNIDADES que a
pesquisa poderá propiciar ao permitir vivenciar, praticar temas de interesse, e nas VANTAGENS práticas, aplicações possíveis
que o estudo do assunto possibilitaráem todas as áreas citadas. São as razões da escolha do tema, o “porquê” da escolha, a
relevância do assunto.
Problema
O problema da pesquisa, ou problemas, traduzem uma DÚVIDA, uma CURIOSIDADE em torno do assunto. Pode significar
a DIFICULDADE, teórica ou prática, que originou a necessidade da pesquisa; para a qual se quer encontrar uma solução.
Portanto, pode-se sintetizar que o problema é a questão que encerra uma dificuldade, teórica ou prática, para a qual se quer
encontrar uma solução. Daí, resulta a obrigatoriedade da sua colocação em forma de pergunta.
Objetivos geral e específicos
Os objetivos são o que se pretende fazer, comprovar, discutir no trabalho. Significam os alvos que se quer atingir com a
elaboração do trabalho. Devem ficar limitados ao trabalho, ou seja, passíveis de serem comprovados ou não ao final do mesmo.
Em síntese, significam o propósito da pesquisa, o que se pretende provar, demonstrar com o trabalho, o alvo a ser atingido,
aonde se quer chegar com a pesquisa.
O objetivo geral, apenas um, traduz o principal interesse do trabalho, está ligado diretamente com a escolha do tema e com o
problema levantado. Enquanto os específicos, intrínsecos ao geral, representam partes do geral, são os interesses, ganhos
adicionais, conhecimentos, periféricos, contidos na delimitação do tema; podem ser vários e devem ser numerados.
Hipótese
Representa as possíveis respostas às dúvidas, soluções de problemas que originaram o interesse na pesquisa e que poderão ser
obtidas com o seu desenvolvimento. Assim, a hipótese será comprovada ou não com a pesquisa. Significa, portanto, uma
suposição verossímil de conhecimento da resposta ao problema formulado, a ser comprovada ou denegada após a realização
da pesquisa.
Como sua função é antever as respostas e/ou soluções buscadas na pesquisa, ela não pode contradizer alguma verdade já
aceita e estabelecida na ciência; ela deve ser simples, sugerida e verificável, passível de ser comprovada. Embora possa haver
mais de uma hipótese, deve-se lembrar que as conclusões do trabalho residem na verificação, na tentativa de validação e
comprovação das hipóteses.
Assim, para cada hipótese levantada, deverá haver uma resposta na pesquisa, confirmando-a ou invalidando-a. A colocação
de hipóteses orienta o pesquisador na direção e formulação das causas do problema, pressupõe a colocação de variáveis
(fatores, identificadores, dados que podem ser mensuráveis na análise – sexo, idade, salário, conflitos, tipos de orçamentos,
taxas etc.). Variáveis são as entidades que serão objeto de avaliação ou mensuração na hipótese colocada, e que devem ser
definidas claramente na pesquisa, de forma a não deixar dúvidas na sua análise e mensuração.
Metodologia
É o caminho, o modo de condução, a explicitação da linha de desenvolvimento da pesquisa. Criar a metodologia do trabalho
significa fornecer ao leitor informações sobre os passos, etapas, métodos, técnicas, que foram traçados para a realização da
pesquisa e o atendimento dos objetivos propostos. Trata-se, então, da explicitação da linha de trabalho, do caminho escolhido
para o trabalho, dos métodos, das técnicas propostos.
Glossário
Criar um glossário significa colocar um dicionário das palavras usadas no trabalho, que possuem sentido obscuro ou pouco
conhecido; criar um elucidário, ou conjunto de termos de uma área do conhecimento e seus significados; vocabulário. Seu
propósito é esclarecer termos pouco usados e expressões dialetais contidas. É opcionalmente colocado no trabalho, e mais
requerido em trabalhos técnicos, cuja terminologia é de pouco acesso e uso no cotidiano comum das pessoas. Sua função é
exatamente informar ao leitor o significado desses termos.
Bibliografia
A bibliografia ou as referências têm ambas a mesma função: indiciar os endereços completos, acessíveis em bibliotecas
físicas ou virtuais, dos assuntos que serão (ou foram) tratados no trabalho. Ambas permitem localizar a teoria estudada.
Enquanto bibliografia significa sugestão de leituras, as referências mostram as leituras efetivamente realizadas e citadas no
trabalho. Portanto, a bibliografia é colocada no projeto de pesquisa e as referências são colocadas no relatório final do trabalho
já concluído.
Alguns cuidados na elaboração da bibliografia: reunir o máximo de fontes possíveis, onde poderão ser buscados os dados
(livros, revistas, jornais, pessoas, sites, que comprovarão as afirmações do autor); não esquecer e que as fontes consultadas e
efetivamente utilizadas no trabalho devem ser, obrigatoriamente, informadas nas referências; cuidar para incluir fontes que
abranjam todos os assuntos e tópicos propostos no trabalho; seguir o formato ABNT na redação; utilizar, sempre que possível,
fontes como livros, artigos científicos, revistas acadêmicas e técnicas, teses, dissertações e monografias; utilizar fontes de
Internet apenas quando houver sido explicitamente informada a autoria do texto e a instituição onde o trabalho foi desenvolvido.
Cronograma
Criar um cronograma significa distribuir as etapas definidas no plano de desenvolvimento ao longo do tempo, considerando-
se o tempo parcial necessário para cada atividade e como referência final a data de finalização e entrega do trabalho. Não se
deve esquecer de considerar tempo de redação, conferência, análise. Um cronograma deverá especificar as ações, tempos,
responsáveis, documentos produzidos, entre outros controles que se fizerem necessários para o melhor gerenciamento do
trabalho. Ele deve contemplar, o máximo possível, a realidade, ser consultado periodicamente, e ser adequado, quando
necessário. O cronograma é um item proposto para orientação e acompanhamento do trabalho pelas agências financiadoras,
instituições, orientador e pelo próprio autor; é sujeito a alterações; deve ser feito em forma de tabela, de forma sucinta.
Quadro 26 – Exemplo de cronograma de projeto científico
No ETAPA Data 1 Data 2 Data 3 Data 4 Data 5
1 Escolha e delimitação do tema. x 
2
Elaboração dos pontos básicos:
contextualização do assunto, justificativa,
problema, objetivos.
 x x 
3 Definição da empresa objeto da pesquisa. x 
4 Elaboração do referencial teórico (ou
escolha dos assuntos do RT).
 x 
5 Metodologia proposta. x 
6 Bibliografia recomendada. x 
6 Submissão do projeto. x
Fonte: A autora.
As etapas poderão variar conforme cada situação e são definidas pelo autor que fará a divisão e distribuição do trabalho ao
longo do tempo, considerando como norte a data final de entrega. O cronograma só tem utilidade para o autor durante o
desenvolvimento; no relatório final, não deve constar. Suas etapas, porém, devem ser informadas no item plano de
desenvolvimento da metodologia.
Custos
Significa fazer o levantamento dos custos prováveis na execução da pesquisa e conclusão do trabalho. Devem ser levantados
custos de qualquer ordem, conforme o tipo de trabalho a ser realizado. Cuidados na elaboração dos custos: avaliação dos custos
necessários ao desenvolvimento, como: material de uso geral (material de escritório, equipamentos eletrônicos, computacionais,
material bibliográfico e audiovisuais); gastos com pessoal (pessoal para pesquisa de campo, coleta de dados, serviços de
terceiros – estatísticos, especialistas, digitadores, transportes etc.); despesas finais (cópias, encadernação e outras despesas não
previstas).
Quadro 27 – Exemplo de informação de custos em projeto científico
ITEM RUBRICA DETALHAMENTO
(especificações)
PERÍODO CUSTO
ESTIMADO
01 Material de
consumo.
Papel, lápis. Dias/mês/ano. R$ .....
02 Serviços de
terceiros.
Uso de bancos de dados, Estagiários, contratos
temporários, análises estatísticas.
Data/período. R$ .....
03 Pronto
pagamento.
Táxis, cópias xerox, encadernação. Tempo de
atuação.
R$ .....
04 Outros. 
Fonte: A autora.
Quadro 28 – Estrutura básica de projeto de pesquisa científico
ITEM DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Tema/assunto A área de interesse, delimitação do assunto, seleção de um tópico do tema.
Justificativa O “porquê”da escolha do tema, o motivo, a relevância.
Problema A dúvida, a curiosidade, a pergunta da pesquisa.
Objetivos O “para quê” da pesquisa, os alvos a serem atingidos com o trabalho.
Metodologia O caminho, os meios, métodos, técnicas utilizados na pesquisa de campo.
Glossário O dicionário técnico de termos não usuais utilizados no trabalho.
Bibliografia As fontes de consulta sugeridas que poderão se transformar em referências.
Cronograma A distribuição temporal das etapas da pesquisa ao longo do tempo disponível.
Custos A previsão de recursos de quaisquer naturezas para implantação e controle
do projeto.
Fonte: A autora.
Resumo do capítulo
O processo de globalização e o avanço irrefreável científico e tecnológico, entre outras causas, têm trazido desafios para as
organizações, que precisam se adequar às mudanças frequentes e radicais, criando mecanismos de adaptação às novas
realidades, que envolvam menos custo, menos recursos, menos prazo, mais competência, mais organização. Para isso, tornam-se
fundamentais a competência, a organização e o planejamento das atividades. Neste capítulo, foram apresentados conceitos e
passos para elaboração de projetos técnicos, implementáveis em qualquer tipo de organização, e de projetos acadêmicos ou
científicos.
8.1
8
O TRABALHO ACADÊMICO: ELEMENTOS TEXTUAIS
O sentido está sempre no viés. Ou seja, para se compreender um discurso é importante se perguntar: o que ele não está
querendo dizer ao dizer isso? Ou: o que ele não está falando, quando está falando disso?
Eni Pulcinelli Orlandi (1993)
O trabalho escolar ou acadêmico (TA), realizado ao longo dos cursos de graduação e pós-graduação, é importante ferramenta
auxiliar do processo de ensino-aprendizagem, em todas as áreas do conhecimento. Instrumento adequado para o registro de
resultados de pesquisas, leituras, análises e observações, ele coloca o aluno frente a uma situação, um conhecimento, uma
realidade qualquer, levando-o a criticar, analisar, reinterpretar essa realidade e produzir um conhecimento novo, ou uma
abordagem nova a respeito. Fazer trabalhos escolares é, portanto, maneira eficiente e eficaz de treinar e preparar o aluno para a
elaboração de monografias de final de curso, assim como outros textos científicos, monografias, dissertações de mestrado ou
teses de doutorado.
Demo (1985) acrescenta que a prática, a vivência, a análise de situações do mundo real são fundamentais para o estudo nas
ciências sociais aplicadas. Para ele, quando tratamos problemas sociais, não estamos apenas idealizando, teorizando a vida, mas
interpretando-a e representando-a segundo nossos modelos heurísticos. Seu caráter ideológico, portanto, é inquestionável. Esse
aspecto, é necessário enfatizar, confere ao professor dessa área o papel e a responsabilidade ética e política de formar não
apenas o profissional, mas, também, o cidadão. Assim concebido, o TA, quando realizado em grupos, gera importantes
contribuições para ambos os atores do processo ensino-aprendizagem: professor e aluno.
Para o aluno: desenvolve a habilidade para trabalhar em equipe, conviver com o dissenso, propicia interação, respeito,
democracia e prevalência das ideias; treina, desenvolve a habilidade e gosto pela leitura, pela pesquisa, pela dissertação de
ideias, organização e expressão do pensamento; exercita a dialética, a argumentação lógica, a discussão; gera a capacidade de
deixar fluir induções criativas, sem perder o compromisso com a busca por deduções lógicas, comprováveis; exercita a escrita,
assim como o uso correto e aplicado da língua; permite a geração de novos conhecimentos, transformando o aluno no agente do
seu próprio desenvolvimento.
Para o professor, o TA fornece importantes feedbacks: permite-lhe avaliar a quantidade e qualidade do conteúdo absorvido
pelo aluno; possibilita-lhe conhecer a sua capacidade para interpretar a realidade, fazer análises críticas, sintetizar e expressar
corretamente o pensamento. Além disso, expõe aspectos importantes sobre o aluno, como, capacidade de organização, de
síntese, de escrita, pontualidade, higiene, dedicação e interesse. Enfim, o aluno se revela no trabalho que produz.
De tal importância se reveste o TA nas escolas, que muitas instituições têm-no como atividade obrigatória nos critérios de
distribuição de pontos das disciplinas. E boas universidades no mundo já estão substituindo, ao final da disciplina, atividades
avaliativas como provas por trabalhos (individuais ou em grupos).
O TA possui tipologias diferentes conforme os fins a que se destina e a profundidade de pesquisa e análise que exige. É
considerado requisito parcial e obrigatório para conclusão de cursos e obtenção de graus acadêmicos, nos níveis superior,
graduação e pós-graduação, conforme Quadro 29.
Tipos de trabalhos acadêmicos
Os TAs desenvolvidos ao longo dos cursos de graduação, pós-graduação lato sensu e stricto sensu, têm as mesmas funções e
visam aos mesmos objetivos, já discutidos. Diferem-se no nível de exigência, profundidade de análise, consistência
metodológica, busca de resultados e formato de apresentação, submissão. O registro impresso ou em mídia, como se pode ver, é
obrigatório em todos os tipos e níveis. Daí a importância do domínio da língua escrita. No Quadro 29, são mostrados os tipos de
•
•
•
•
•
8.2
•
trabalho por nível de formação.
Quadro 29 – Tipos de trabalhos que conferem grau acadêmico
TIPO NÍVEL GRAU CONFERIDO APRESENTAÇÃO
ESCRITA
APRESENTAÇÃO
ORAL
Pedagogia Tecnólogo Superior Professor Tecnólogo/
área
Obrigatória Facultativa
Trabalho de graduação
interdisciplinar Graduação
Realizado durante o
curso – não confere
grau
Opcional Opcional
Trabalho de conclusão de
curso de graduação – TCC Graduação
Bacharel Licenciado
Profissional/área
Obrigatória
Obrigatória
Obrigatória
Facultativa
Facultativa
Facultativa
Lato sensu
MBA
Especialização
Pós-
Graduação
Especialista
Especialista
Obrigatória
Obrigatória
Facultativa
Facultativa
Stricto sensu
Mestrado
Doutorado
Livre-docência
Mestre
Doutor
Livre-docente
Obrigatória
Obrigatória
Obrigatória
Obrigatória
Obrigatória
Obrigatória
Fonte: ABNT NBR 14724:2011 – itens 3.10, 3.33, 3.35.
Propósitos do trabalho acadêmico
O TA também se diferencia conforme a proposta do trabalho, com o que se pretende fazer. Essa classificação tem função
essencialmente didática; apenas direciona o desenvolvimento do trabalho, como visto a seguir:
Pesquisa bibliográfica
As pesquisas exploratórias visam “proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais
explícito ou a construir hipóteses. Pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de
ideias ou a descoberta de intuições” (GIL, 1994, p. 45).
Trata-se da fase do trabalho que antecede à elaboração da proposição de pesquisa, quando o autor ainda não possui
informações suficientes sobre o tema que lhe permitam organizar e estruturar o projeto de trabalho. É realizada numa fase
preparatória, preliminar, de um TA, quando o autor realiza leituras sobre o tema, faz sondagens, busca informações em várias
fontes sobre o assunto escolhido, de forma a se familiarizar com o tema e suas implicações, definir o problema, os objetivos,
mapear o referencial teórico, entre outras definições. Mesmo que seja uma leitura preliminar, menos direcionada e abrangente, é
considerada também um tipo de pesquisa. Porém, tem caráter instrumental, e é insuficiente para caracterizar o trabalho como
um todo.
Revisão da literatura
Abordagem comum em trabalhos monográficos, pretende discutir e explicar um tema ou um problema com base em
referências teóricas publicadas em livros, revistas, periódicos etc. Procura conhecer e analisar contribuições científicas
sobre determinado tema, como, também, comparar abordagens de vários autores sobre um determinado tema. Visa,
portanto, ao aumento do conhecimento do seu autor sobre o assunto, sem a obrigatoriedade de aplicação e/ou
comprovação dos seus resultados na prática. Trata-se de importante meio de formação científica,tanto quando feita
independentemente (análise teórica), ou como parte de investigações empíricas. A pesquisa para fins de atualização na
literatura existente é considerada parte essencial para aquisição de base teórica em qualquer ramo de conhecimento e
para qualquer tipo de pesquisa científica, pois capacita o pesquisador a fazer as análises, comparações e interpretações
•
•
•
8.3
necessárias, através do conhecimento prévio adquirido nas leituras feitas.
Proposição de planos ou programas
Trata-se de uma proposta que objetiva apresentar soluções para problemas organizacionais já diagnosticados. Faz-se
uma pesquisa empírico-analítica, um estudo de viabilidade de planos alternativos (concepção e implantação) para a
solução de problemas organizacionais. Nesse estudo, o autor pode propor a aplicação de modelos conhecidos. Seu
trabalho, nesse caso, é mostrar a efetividade da aplicação desses modelos como solução dos problemas diagnosticados.
Se o trabalho incluir a implantação do plano, o autor deverá emitir comentários e resultados da implantação. Nessa
modalidade de monografia, o autor poderá fazer propostas de implantação de políticas, processos, sistemas, mudança de
estruturas organizacionais, revezamento de pessoas, treinamento, reciclagem de pessoas, entre outras.
Pesquisa de avaliação
Investigação proposta para avaliar programas, projetos, políticas, entre outros. Pesquisa empiricamente fenômenos
dentro do seu contexto real. Seu propósito é verificar se os programas devem parar, ou devem continuar, se os recursos
devem ser aumentados ou diminuídos, e outras decisões, a partir dos objetivos propostos para esses programas. Pode
ocorrer durante a implantação do programa (nesse caso, chama-se pesquisa de avaliação do processo), ou após a sua
implantação (chamando-se, aqui, pesquisa de julgamento de programa). No primeiro caso, pode-se sugerir correção de
rumos, aperfeiçoamento de intervenções e ações humanas. No segundo caso, busca-se medir a efetividade das
intervenções e das ações realizadas. A pesquisa de avaliação permite trabalhar problemas organizacionais como
avaliação de desempenho, eficácia de sistemas de informação implantados, avaliação de processos, políticas
organizacionais, métodos de gerenciamento de pessoas, entre outros.
Pesquisa-diagnóstico
É um tipo de pesquisa aplicada que se dedica a explorar e analisar criticamente o ambiente, levantando e definindo
problemas. Presta-se, principalmente, em situações de mudanças na organização, pesquisa de mercado, análise
competitiva e projetos de benchmarking. Adequada para pesquisadores que atuam como consultores, pois o diagnóstico
da pesquisa assemelha-se a um trabalho de consultoria, no qual se definem os problemas e propõem-se soluções para a
organização. Nessa modalidade, a monografia se propõe a fazer uma “varredura” na vida organizacional, ou do grupo
social, procurando verificar quais problemas estão impedindo o alcance dos objetivos e das políticas sociais ou
organizacionais. Embora seja seu propósito levantar problemas, diagnosticar questões, a pesquisa-diagnóstico necessita
de definição de variáveis (tópicos básicos), considerados essenciais para serem analisados e pesquisados, que serão
tomados como referência de pesquisa.
Quadro 30 – Caracterização de trabalhos acadêmicos quanto ao propósito
Pesquisa bibliográfica Atualização de conhecimento como fase preparatória, instrumento
auxiliar na definição dos problemas e propósitos de um trabalho.
Revisão da literatura existente Explicação e discussão de um tema ou problema com base em teorias
publicadas.
Proposição de planos, programas,
políticas
Apresentação de soluções para problemas diagnosticados, proposição
de novos planos, programas, políticas.
Revisão de planos, programas,
políticas
Avaliação de planos, programas, projetos, políticas, implantadas e em
andamento para incrementar sua execução ou indicar sua interrupção.
Pesquisa-diagnóstico Exploração e análise do ambiente para levantar problemas, cujos
sintomas estão a exigir providências, definindo-os e propondo soluções.
Fonte: A autora.
Encadeamento lógico do trabalho acadêmico
O texto do gênero científico, como discutido no Capítulo 3, tem que atender a duas preocupações: (1) comunicar, se fazer
entender; e (2) submeter, levar à apreciação de outrem um produto intelectual do autor. O TA, assim entendido, assume
compromisso rígido com a estruturação correta e padronizada para garantir que esses propósitos sejam alcançados: sua escrita
deve atender a padrões rígidos e universalmente aceitos em termos de clareza, objetividade, coerência e correção linguística. E
suas ideias devem ser encadeadas lógica e sequencialmente, divididas e estruturadas em partes físicas funcionais distintas,
intituladas e numeradas, de forma a garantir que o leitor não tenha dificuldades para acompanhar o texto e possa avaliar com
clareza o seu conteúdo.
Pode-se dizer que o encadeamento lógico do TA permite perceber três momentos, funções: no primeiro, diz o que será feito;
no segundo, faz o que veio fazer; e, no terceiro momento, avalia o que foi feito, ressaltando os ganhos intelectuais obtidos.
Entendendo as partes dessa divisão lógica como funções a cumprir, verifica-se que a cada função corresponde um
direcionamento que o autor dá ao trabalho, como a seguir:
1o Momento – Introdução: função informar, introduzir. A introdução apresenta o trabalho, fornece informações a respeito
do que será tratado, o porquê, para quê e como o trabalho será desenvolvido. O autor se concentra no leitor e nas informações
necessárias para este entender e aprovar a proposta de trabalho.
2o Momento – Desenvolvimento: função fazer, desenvolver. O desenvolvimento compreende a realização propriamente dita
do trabalho. O foco do autor irá variar conforme as partes do desenvolvimento: ora na teoria estudada, ora na informação do
caminho, métodos e técnicas utilizados, e ora na pesquisa de campo realizada e suas implicações no trabalho.
3o Momento – Conclusão: função refletir, sintetizar. A conclusão se ocupa de recuperar os propósitos do trabalho e verificar
se foram atingidos e se houve ganho ou não com a realização do mesmo. O autor se preocupa com a proposta inicial do trabalho
e com o conhecimento adquirido com a sua realização.
As funções se comunicam, se sequenciam, estão imbricadas umas nas outras; ou seja, não são partes estanques, separadas de
um todo, mas um todo complexo que se divide para ser mais bem entendido.
Quadro 31 – Encadeamento lógico de um trabalho acadêmico
Introdução Apresentação do trabalho, contextualização do assunto, proposição do trabalho,
informação ao leitor sobre o que será feito, por que e para que será feito.
Desenvolvimento Realização efetiva do trabalho; significa cumprir todas as suas etapas, realizar e analisar
pesquisas, análises, interpretações, elaborar conclusões parciais.
Conclusão
Síntese e reunião das análises e conclusões parciais, confirmação dos objetivos, resposta
ao problema, reflexão sobre os ganhos, inclusão de críticas, sugestões de novos estudos,
ganhos adicionais, ganhos de conhecimento com a realização do trabalho.
Fonte: A autora.
Esse encadeamento lógico, quando transformado em texto físico, desdobra-se em partes, capítulos, estruturados com
objetivos específicos distintos, didaticamente separados, mas mantendo a lógica geral. A proposta deste livro é discutir e
detalhar a estrutura formal do TA, seus capítulos e elementos constituintes.
Ao contrário dos relatórios técnicos ou científicos, que registram fases de um processo em desenvolvimento, o TA é um
documento, elaborado ao final da realização de um trabalho de pesquisa, que registra todo o processo realizado, desde a
proposição da pesquisa, o cumprimento das etapas, reflexões e conclusões; enfim, o registro de algo proposto, gerado pelo
interesse/necessidade por um assunto (tema) e do que se fez com ele, sua organização e realização. Daí, a exigência de que a sua
redação seja feita no tempo pretérito, Esse registro contém duasabordagens: (1) estruturação mental da proposta; (2) registro
em documento físico (impresso ou recuperável em mídia).
A abordagem estrutural responde pela organização, estruturação das ideias, concepção, desenvolvimento e fechamento de
uma proposta de pesquisa ou trabalho. Essa parte compreende os elementos textuais do trabalho, que serão vistos neste capítulo.
Fazem parte do registro físico, formal, tabular as orientações sobre normalização, notação e documentação, atendimento de
normas e regras de edição e formatação. Esses quesitos representam os elementos pré-textuais e pós-textuais do trabalho que
serão discutidos no Capítulo 9.
I. Elementos pré-textuais
Elementos que antecedem o texto com informações que ajudam na identificação e utilização do trabalho – NBR 14724,
de 31/12/2005, item 3.12
São os itens introdutórios, informativos, que vêm antes do texto, ou seja, do corpo do trabalho. Não falam do trabalho
propriamente dito; apenas apresentam, de forma sintética e resumida, os elementos identificadores, como o que será feito, quem,
quando, por que, de forma a inteirar o leitor sobre os aspectos que envolveram a elaboração do trabalho. São eles: capa, folha de
rosto, errata, folha de aprovação, dedicatória, agradecimentos, epígrafe, sumário, listas, resumo. A capa, a folha de rosto, o
sumário e o resumo são obrigatórios; os demais ou são opcionais ou situacionais, como a errata.
II. Elementos textuais
Parte do trabalho em que é exposta a matéria – NBR 14724, de 31/12/2005, item 3.13
Parte principal do trabalho, o texto trata da descrição, desenvolvimento, tratamento de dados, conclusões; enfim, é o corpo do
trabalho, no qual o autor expõe e demonstra suas ideias, propósitos, desenvolve a pesquisa e relata resultados. Sua organização
deve obedecer à sequência lógica: introdução, desenvolvimento e conclusão (NBR 14724, item 4, Esquema 1), que podem ser
divididos em capítulos ou seções, conforme a natureza do assunto.
Enquanto os elementos textuais compõem o corpo do trabalho, os que o antecedem (pré-textuais) e o sucedem (pós-textuais)
respondem pela formatação, edição e normalização física do documento. Sua função é informar as fontes de leituras, dar forma,
orientação, ilustrar, esclarecer aspectos tratados no corpo do trabalho.
A introdução apresenta, informa o leitor sobre o quê, como, por que e para quê será feito o trabalho; o desenvolvimento
compreende a realização propriamente dita da pesquisa, compreendendo os momentos de leituras e criação da base teórica
necessária, da informação dos procedimentos metodológicos e do relato e análise dos dados coletados na pesquisa de campo.
Finalmente, a conclusão se propõe a sintetizar as principais observações feitas, responder às questões e objetivos, refletir sobre
todo o processo e verificar o ganho de conhecimento obtido com a realização do trabalho.
III. Elementos pós-textuais
Elementos que complementam o trabalho – NBR 14724, de 31/12/2005, item 3.11
Compreendem as referências citadas no trabalho e os documentos acrescentados ao mesmo, com o objetivo de ilustrar
situações discutidas, enriquecer com dados, informar roteiros seguidos. Em síntese, os elementos pós-textuais, à exceção das
referências, que são obrigatórias, contribuem para enriquecer o trabalho. Deve-se destacar que, à exceção das referências, os
demais, que são os anexos, os apêndices e o glossário, não contêm informação essencial para a discussão do trabalho, nem
foram utilizados na discussão do conteúdo; sua função deve se limitar a ilustrar, adicionar informação, fornecer outros
exemplos. A seguir, apresentamos a estrutura do TA recomendada pela NBR 14724, da ABNT:
Parte externa – Capa (obrigatório) e Lombada (opcional)
Parte interna
Quadro 32 – Estrutura do trabalho acadêmico
PARTE ITENS COMPONENTES STATUS
Elementos pré-textuais
Folha de rosto
Errata
Folha de aprovação
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Resumo em língua vernácula
Resumo em língua estrangeira
Lista de ilustrações
Lista de tabelas
Lista de abreviaturas e siglas
Obrigatório
Opcional
Obrigatório (stricto sensu)
Opcional
Opcional
Opcional
Obrigatório
Obrigatório (stricto sensu)
Opcional
Opcional
Opcional
8.4
Sumário Obrigatório
Elementos textuais (*)
Introdução ou considerações iniciais
Desenvolvimento (**) (subdividido em fases)
Conclusão ou considerações finais
Obrigatório
Obrigatório
Obrigatório
Elementos pós-textuais
Referências
Glossário
Apêndice
Anexo
Índice
Obrigatório
Opcional
Opcional
Opcional
Opcional
Fonte: Adaptado da NBR 14724.
(*) Fica a cargo do autor a escolha pelo título de cada parte ou capítulo, desde que este contemple a função do
capítulo. Ex.: introdução, considerações iniciais, discussões iniciais etc.
(**) O desenvolvimento compreende as 3 fases da elaboração propriamente dita do trabalho, ou seja, o corpo do
trabalho, e correspondem à revisão teórica, à explicitação dos métodos e técnicas utilizados, à obtenção e análise
dos dados da pesquisa. Por serem fases distintas, elas constituem capítulos distintos do desenvolvimento, quais
sejam: Referencial teórico, Metodologia da pesquisa e Análise e interpretação dos dados obtidos na
pesquisa. Assim como os elementos textuais, as partes ou capítulos do Desenvolvimento podem receber
diferentes nomes, desde que indiquem a função da parte. Ex.: Fundamentação Teórica, Procedimentos
Metodológicos, Análise e Relato da pesquisa.
Os elementos textuais, o texto, representam o corpo do trabalho. Contém todos os elementos necessários à sua compreensão:
propósitos, partes, análises e conclusões. Logicamente, é composto por uma parte introdutória, um desenvolvimento
propriamente dito e uma parte conclusiva. Essa separação objetiva orientar o autor na construção do trabalho, permitindo-lhe
identificar e atender à função, conteúdo e propósito de cada parte, e assim criar um trabalho como um “tecido verbal”,
estruturado e correlacionado entre si, atendendo, assim, a todos os requisitos de eficácia, clareza, completeza e persuasão.
O TA é uma comunicação científica, escrita ou virtual, passível de ser recuperada, que para atingir seus objetivos, deve
cumprir rígida obediência a normas e regras de estruturação, edição e formatação padronizada (ABNT). As partes introdução,
desenvolvimento e conclusão são colocadas no texto em partes distintas, capítulos, sem limitação de número, mas com a
obrigação de guardar identidade em termos de nome e conteúdo com a parte lógica a que se referem.
Elementos textuais – estruturação em partes ou capítulos
A seguir, um modelo de estruturação de um TA em capítulos que mostra a lógica sendo tratada em partes/capítulos
específicos, harmonicamente presentes na estrutura física, contemplando as funções de apresentar, desenvolver e concluir, e
associando a função de cada capítulo à parte lógica do texto:
Capítulo 1 – a introdução
Função: apresentar, introduzir o assunto
Momento inicial do trabalho, primeiro contato do autor com o leitor, municiando-os de informações sobre o que será
feito no trabalho: o quê, o porquê, o para quê, dando corpo à proposta do trabalho. Esta parte introdutória é que leva o
leitor a decidir pela leitura ou não do trabalho.
Capítulo 2 – o referencial teórico
Função: apresenta a base, o norte teórico
Momento de comprovação de estudo e conhecimento do assunto, como forma de dar credibilidade ao seu trabalho, às
suas análises e conclusões. Nesse momento, o autor do trabalho se limita a dar voz aos autores lidos, trazendo para o
trabalho suas teorias, falas, conceitos, exemplos, citando-os e explicando-os, sem opinar ou interferir nas ideias
apresentadas.
Capítulo 3 – a metodologia
Função: mostrar o caminho percorrido na pesquisa
8.5
8.5.1
Momento em que o autor explicita o caminho, os passos que seguiu para a realização da pesquisa, especialmente a
pesquisa de campo. Nesse momento, o autor demonstra critério e planejamento dos métodos e técnicas utilizados, de
forma a conferir consistência e confiabilidade às suas análises e seus resultados.
Capítulo 4 – o relatoe análise dos dados da pesquisa
Função: relatar e discutir os dados obtidos na pesquisa
Momento em que relata como viu, analisou e criticou os dados verificados na pesquisa de campo, à luz da teoria
estudada e tendo como referência o problema e objetivos propostos. Nesse momento, o autor dá voz às pessoas
pesquisadas, trazendo delas o testemunho, a vivência, opinião, relatos, criticando-os, comparando-os e concluindo.
Capítulo 5 – considerações finais
Função: resumir resultados, refletir, propor
Momento em que o autor reflete sobre o estudo, recupera seus propósitos com o trabalho (problema e objetivos), critica
o seu próprio caminho, sintetiza as análises e faz conclusões sobre o trabalho, e expressa suas opiniões e conclusões,
fechando, portanto, o ciclo proposto nos elementos introdutórios.
 Exposição minuciosa dos elementos textuais
A seguir, cada parte ou capítulo da estrutura física do TA será apresentado, numerado e detalhadamente discutido em termos
de conceitos, características, normalização e orientações tutoriais para elaboração.
Introdução
Discussões iniciais, apresentação, considerações iniciais
A introdução é o espaço do autor do trabalho; momento em que ele apresenta o tema, seu interesse, justificativas e objetivos.
Sua função é fornecer ao leitor informações esclarecedoras sobre o que será feito, o trabalho, como e porque será feito, criando
uma visão global e permitindo o acompanhamento e entendimento do trabalho. Evita o tratamento abrupto do tema, subsidiando
o leitor das informações necessárias à compreensão do que será discutido, levando-o, inclusive, a decidir pela sua leitura ou não.
Nesse momento, o autor demonstra sua percepção vivenciada ou absorvida sobre a realidade que cerca o tema. Com isso, ele
está demonstrando ao leitor que conhece o ambiente que envolve o assunto escolhido. Não significa dizer que ele conhece a
fundo o assunto, mas reconhece as influências e interferências que o cercam; por isso, tem interesse no seu estudo. Assim, pode-
se dizer que a introdução não é exatamente o momento de trazer definições, citações.
A esse respeito, algumas reflexões devem ser feitas. Em trabalhos mais avançados, autores mais experientes com a redação
científica, essa observação talvez não se aplique. Entretanto, para alunos iniciantes na arte de redigir textos científicos, a
experiência tem nos levado a desaconselhar o uso exacerbado de citações diretas na introdução. Isso porque esse é o momento
do autor demonstrar sua percepção, conhecimento, experiência com o tema e a realidade que o cerca, com o ambiente que
envolve o assunto. Não se pretende que o autor menos experiente domine o assunto, mas que tenha clara percepção das
influências e interferências que justifiquem o seu interesse no estudo. É o senso comum sendo apresentado, e não o momento do
autor recorrer a definições teóricas para sustentar o seu interesse no tema.
Certamente, a fase da revisão bibliográfica é fundamental para que o autor seja capaz de criar o cenário de interesse e
objetivos para a sua pesquisa; reservando-se o uso de citações diretas/indiretas para os conteúdos mais importantes ligados ao
tema. Didaticamente, recorrer a citações diretas na introdução tem levado autores menos experientes a se distanciar de sua
proposta, de seus motivos e se conduzir pelas teorias existentes.
Na introdução, o autor mostra o que pretende fazer. Como todo trabalho deve ser precedido de um projeto de ação, deve-se
entender a introdução como uma reconstrução dos itens propostos no projeto, em forma de conteúdos, informações e não mais
como itens distintos deste.
Em termos de forma, a introdução é um texto corrido, composto por parágrafos curtos, objetivos, claros, diretos; contém
conteúdos que não são separados, não são numerados, nem quebram página. Nela, o autor deve demonstrar capacidade de
sumarização e síntese, formatação de um texto e criação de um contexto, organizar um assunto e criar uma interlocução com o
leitor. Abaixo, os conteúdos da introdução.
•
•
•
Contexto/apresentação
Pelo Houaiss, pode-se entender contexto como sendo uma inter-relação de circunstâncias que acompanham um fato ou
uma situação; ou o conjunto de palavras, frases, ou o texto que precede ou se segue a determinada palavra, assunto,
frase ou texto, e que contribuem para o seu significado, o encadeamento do discurso; enfim, o ambiente que envolve o
assunto em pauta.
Contextualizar um TA significa, pois, reunir informações ou fazer alusões a fatos, dados, comentários, assuntos que
caracterizam, envolvem o assunto, como discutir o momento social, econômico, cultural, organizacional, ou qualquer
outra abordagem envolta no ambiente do tema, com o propósito de preparar o leitor para a sua discussão. Aqui, é
adequado e enriquecedor inserir estatísticas, mencionar pesquisas anteriores de outros autores, criar inter-relações com
outras disciplinas, colocar, eventualmente, alguns conceitos resumidamente, para serem detalhados ao longo do
trabalho.
No contexto ou mesmo antes dele, devem ser inseridas informações sobre o tipo de trabalho que está sendo feito, qual o
assunto que será discutido, dentre outras informações que visem localizar o leitor no que será feito ao longo do trabalho,
motivando-o a lê-lo e apresentando-o formalmente.
 Justificativa
Momento em que se revela a motivação para o desenvolvimento do trabalho. Pode estar relacionada ao interesse do
autor, do curso ou da entidade patrocinadora da pesquisa. Para tanto, deve-se ressaltar a importância, a relevância do
estudo do assunto para a carreira, curso, profissão, sociedade, ciência e outros; assim como a contribuição que o estudo
do tema dará para a formação acadêmica e profissional do autor, enquanto profissional de uma determinada área.
Também são bem-vindas justificativas que atestem emergência do tema, novidades na área, eventuais oportunidades de
vivenciar, praticar, aplicar os resultados do estudo na vida das pessoas, empresas, comunidades. Para assuntos que
possuem poucas referências teóricas disponíveis, a justificativa pode abordar a importância do estudo do tema para
contribuir para a formação do corpo teórico do mesmo.
Problema da pesquisa
Antes de falar de problema de pesquisa, vamos abordar ligeiramente o que é um problema, isso porque um problema
concreto e um problema da pesquisa são abordagens, posturas diferentes do mesmo fato/situação. Numa definição mais
ampla, geral, problema pode ser definido como sendo um obstáculo, dificuldade, situação difícil, mau funcionamento de
algo, inconformação com relação a uma situação, fato, algum distúrbio.
Não há pesquisa sem problema, sem perguntas, pois toda a motivação de um trabalho se dá a partir de um problema real
existente numa empresa, ou de um interesse em melhorar algo. Nas pesquisas organizacionais, o problema pertence, é
de interesse da empresa. Ele se torna um problema de pesquisa quando o pesquisador assume uma atitude científica,
reflexiva em torno do problema/interesse e, antes de buscar a solução, ele quer saber: o que é o problema? Trata-se de
problema um sintoma? Há outros sintomas? Como se dá? Onde se dá? Quais as consequências dele? Ou seja, o
problema de pesquisa não tem a solução como finalidade imediata; sua proposta é pensar sobre o problema, é levantar
questões que satisfaçam à curiosidade científica, à reflexão; é o tratamento teórico, a modelagem para outras situações
que movem o pesquisador a pensar sobre ele.
Para a pesquisa, um problema é um assunto controverso, ainda não satisfatoriamente respondido, e que pode ser objeto
de pesquisas científicas ou discussões acadêmicas, em qualquer campo do conhecimento. Trata-se da análise e reflexão
do problema concreto, do estudo do fato, suas implicações, razões, motivos e possíveis soluções. Assim, o pesquisador
modela o problema e permite que a sua solução possa ser aplicada a outras situações; essa é a função da ciência.
Para a empresa que convive com o problema concreto, ocasionando outros problemas e eventuais prejuízos, o problemaé um fato, uma situação concreta, obstáculo, contratempo, conflito, uma dificuldade, disfunção, que desafia a
capacidade de solução por parte dos gestores e responsáveis. Nas empresas, um problema pode representar, também,
uma vontade ou interesse em melhorar algo; enfim, algo que incomoda, traz prejuízos para a empresa e, por isso, exige
enfrentamento e busca de solução ou melhoria.
O problema da empresa se torna um problema de pesquisa quando o pesquisador assume uma atitude científica,
reflexiva em torno da questão e, sobre o problema, faz perguntas: o que é? Seria esse problema um sintoma? Há outros
sintomas? Como se dá? Onde se dá? Quais as consequências dele?
•
•
Por isso, o problema da pesquisa traduz uma dúvida, uma curiosidade em torno do assunto, a dificuldade, teórica ou
prática, que originou a necessidade da pesquisa, para a qual se quer encontrar uma solução. Portanto, pode-se sintetizar
que o problema é a questão que encerra uma dificuldade, teórica ou prática, para a qual se quer encontrar uma
solução.
Concluindo, o problema da empresa se transforma em problema de pesquisa quando o foco do pesquisador se volta para
uma análise reflexiva do problema, da situação (o que é, por quê, onde, como); ou seja, antecede à abordagem prática de
aplicação de soluções. O alvo é o mesmo; a postura do pesquisador é que varia conforme a abordagem de
enfrentamento. Podemos dizer, também, que são fases diferentes da solução de um problema que requerem posturas
diferentes do autor e que o tratamento de problemas reais deveria sempre ser precedido de uma fase de reflexão, análise
de um tratamento científico do problema concreto.
A formulação do problema da pesquisa é feita em formato interrogativo como condição para que haja um problema,
uma questão em aberto. Em pesquisas qualitativas, nas quais o objetivo é interpretar, entender uma situação, deve-se
evitar direcionar a pergunta para respostas facilmente mensuráveis, que não exijam reflexão e análise, como: quantos?
Quais? Já na pesquisa quantitativa, esse é o foco do interesse da pesquisa: quantos? Qual o percentual de...?
A pergunta, na pesquisa qualitativa, deve conduzir o raciocínio para uma reflexão sobre o assunto: é importante...?
Por que é importante...? Por que fazer...? Ajudaria ...? Deveria...? Como explicar...? O que se pode entender por...?
Hipótese
É uma suposição, uma conjectura a respeito de algo, tecidas pela imaginação que antecipam o conhecimento real e
comprovado desse algo. É uma explicação prévia, uma resposta possível, uma solução esperada para um problema
posto, premissa; enfim, uma proposição de verdade que dirige e orienta a ação do pesquisador. A hipótese deve ser, ao
final do trabalho, confirmada ou negada, pois a pesquisa desenvolve-se com o objetivo de verificá-la. A hipótese
estrutura todo o caminho que será percorrido na pesquisa para o alcance dos objetivos. Assim, deve estar em
consonância com o objetivo geral proposto e deve estar implícita no título do trabalho. Nas ciências sociais aplicadas, a
hipótese se dilui entre o problema e os objetivos, razão por que sua colocação não é obrigatória.
Objetivo geral e objetivos específicos
Nesse momento, é hora de refletir a respeito de intenção do autor ao propor a pesquisa. É o momento de definir os
objetivos que se quer alcançar com ela. Objetivos significam o alvo, o propósito do trabalho, aonde se quer chegar com
o seu estudo e desenvolvimento, a resposta que se quer obter, o conhecimento que se quer demonstrar, os resultados que
se pretende alcançar e/ou qual a contribuição que a pesquisa irá proporcionar. Devem ficar limitados ao trabalho, ou
seja, passíveis de serem comprovados ou não ao final do mesmo. Em síntese, significam o propósito da pesquisa, o que
se pretende provar, demonstrar com o trabalho, o alvo a ser atingido, aonde se quer chegar com a pesquisa. São
divididos em:
Objetivo geral: representa o interesse maior, principal do trabalho, sintetizando o que se pretende alcançar. É único, é a
grande questão que se pretende comprovar com o estudo, o principal alvo que se quer atingir, tese que se quer
demonstrar. Deve estar contido ou implícito no título do trabalho e associado diretamente às hipóteses de solução do
problema levantado.
Objetivos específicos: pertencem ao campo de conhecimento do objetivo geral, são partes dele, subprodutos contidos
no objetivo geral. Funcionam como ganhos ou conhecimentos adicionais obtidos com o trabalho. Os objetivos
específicos definem, com níveis de detalhamento e delimitação, o ponto central do problema estudado, a ideia específica
que está sendo estudada. Eles explicitarão os detalhes e desdobramentos do objetivo geral, podendo ser mais de um e
devem ser numerados para facilitar a análise.
Os objetivos direcionam a escolha dos assuntos que deverão ser estudados com mais profundidade para composição do
referencial teórico e determinam todos os procedimentos metodológicos a serem seguidos, como a empresa, as pessoas e
documentos pesquisados, tipos de pesquisa, métodos e técnicas de coleta de dados. Em relação ao tipo de trabalho que se
pretende fazer (revisão de literatura, avaliação, proposição de planos ou diagnósticos), a adequação dos objetivos ao tipo de
trabalho será determinante para o alcance dos resultados.
Veja-se o caso de um trabalho de revisão de literatura, que visa essencialmente ao aumento do conhecimento no assunto
pelo seu autor, não tem propósito de aplicação imediata e procura explorar o tema em seus aspectos teóricos e verificá-los na
•
•
•
•
•
•
a)
b)
prática. Nesse tipo de trabalho, o objetivo principal deve ser procurar a busca do entendimento, exploração dos aspectos teóricos
e conceituais do tema; aprender sobre o assunto. Já os específicos devem procurar explorar aspectos periféricos do assunto,
como: identificar dificuldades, propriedades, aplicações, vantagens, desvantagens, aspectos históricos, benefícios e outros
relacionados com o assunto de interesse.
Já trabalhos de avaliação, proposição de planos e diagnósticos possuem natureza aplicada e envolvem uma preocupação
maior com soluções, respostas para problemas e interesses do objeto da pesquisa (empresa e pessoas envolvidas). Nesses casos,
o objetivo geral deve direcionar o alvo para o objeto da pesquisa (empresa, pessoas). Em todos os casos de natureza aplicada, os
objetivos específicos devem contemplar aspectos relacionados ao processo (etapas, metas, ações) de implantação, proposição,
avaliação ou diagnóstico, conforme o caso.
Objetivos devem ser construídos com frases curtas, objetivas, claras, orações simples, elaboradas na ordem direta e
INICIADAS por um verbo de AÇÃO no infinitivo, e, preferencialmente, numerando-se um a um, de forma a facilitar o
acompanhamento do seu alcance ao longo da pesquisa. Verbo de ação significa que o objetivo pode ser mensurado, calculado,
visualizado em termos de exequibilidade. Frases não iniciadas por verbos de ação no infinitivo não indicam objetivos; essas
podem significar uma afirmação, uma pergunta, não um propósito definido e mensurável de trabalho. Objetivos, também, não
devem conter justificativas e explicações; objetivo que necessita ser explicado não está claramente posto.
Assim, devem ser evitados verbos que traduzam propósitos subjetivos, como conhecer, saber, descobrir, aprender. Esses
propósitos são subjetivos, pessoais. Por exemplo: quem conhece pode identificar principais características e conceituar; quem
aprende pode distinguir vantagens e desvantagens; quem descobre pode identificar problemas e aplicações. Pela mesma forma,
deve-se evitar, a não ser nos casos específicos, o uso de verbos que indiquem prestação de serviços, consultorias, como:
sensibilizar empresas, conscientizar pessoas, ajudar organizações. A seguir, sugestões de verbos associados ao propósito do
objetivo:
para obter, aumentar conhecimento: apontar, arrolar, enunciar, inscrever, registrar, relatar, identificar, investigar;
para gerar compreensão, discussão: descrever, discutir, esclarecer,examinar, explicar, expressar, identificar, localizar,
traduzir, transcrever, investigar, traçar um perfil;
 para fazer análises: analisar, classificar, comparar, constatar, criticar, debater, diferenciar, provar, distinguir, examinar,
investigar, discutir, traçar perfil, identificar, avaliar;
para fazer sínteses: articular, compor, constituir, coordenar, reunir, organizar, esquematizar;
para fazer avaliações: apreciar, avaliar, eliminar, escolher, estimar, julgar, preferir, selecionar, validar;
para propor aplicação, implantação: aplicar, demonstrar, empregar, ilustrar, interpretar, inventariar, traçar, praticar,
usar, propor a implantação, criar um modelo.
Como elaborar uma introdução
Alguns autores defendem que a introdução é a última coisa a ser elaborada no trabalho, que deve ser feita, inclusive, depois
de encerrada a pesquisa, considerando que a pesquisa pode tomar rumos diferentes durante a sua execução. Entretanto, elaborar
a introdução significa definir conteúdos, estabelecer parâmetros, metas, ações para a pesquisa, enfim, nortes importantes para a
sua condução. Ao longo do seu desenvolvimento, se necessário, poderá ser revista, modificada. A seguir, algumas sugestões e
recomendações para elaborar uma introdução:
A introdução é um texto corrido, composto por parágrafos curtos, objetivos, claros, diretos; contém conteúdos e não
subitens. Esses conteúdos não são separados, não são numerados nem quebram página.
Ao iniciá-la, o autor deve criar um cenário que possibilite ao leitor se ambientar com o assunto que será trabalhado, como
o autor o enxerga, que aspectos pretende focalizar e como pretende fazê-lo. Assim, o autor deve discorrer sobre o tema,
aspectos históricos, abordagens atuais, cenários cultural, social, político, financeiro, organizacional que o cercam e que
estejam relacionados com o que pretende abordar. Isso significa criar um CONTEXTO sobre o tema. Usar resultados
estatísticos, pesquisas anteriores sobre o assunto enriquece o contexto e ajuda a criar ambiente para a discussão do
assunto. Da mesma forma, cabe aqui inserir conceitos, características, relacionamentos do tema com outras disciplinas,
para garantir a interdisciplinaridade necessária entre disciplinas. É a oportunidade para colocar informações que ajudarão
na sua identificação do trabalho, como: tipo, disciplina, equipes, parcerias, financiamentos.
c)
d)
e)
f)
8.5.2
Seguindo e completando o contexto, vem a necessidade de mostrar a relevância do estudo. É o momento de justificar a
escolha do tema, mostrar a importância e relevância do estudo, os motivos que levaram o autor à escolha do assunto,
procurando generalizar os benefícios para empresas, sociedade, grupos, profissionais da área e interessados de um modo
geral. Devem ser evitadas abordagens, manifestações pessoais de interesse no tema, razões particulares, para que o
ganho de conhecimento a ser obtido com o trabalho possa ser privilégio de todos e não uma solução pessoal.
Sobre o contexto e a justificativa, torna-se importante discutir a questão de inclusão de citações na introdução. Trata-se
de assunto controverso, pois é permitido o uso e, às vezes, faz-se necessário usar citações na introdução. Entretanto, e
nossa experiência tem mostrado que, nos casos de trabalhos de graduação, o uso de citações na introdução pode levar o
autor a distanciar-se dos seus próprios argumentos e transformar a introdução em um referencial teórico. Por isso,
aconselha-se evitar o uso de citações nos trabalhos acadêmicos de alunos de graduação, até que eles estejam mais
acostumados com esse tipo de trabalho.
A seguir, deve vir o problema, a questão de pesquisa. Se necessário para o sentido da redação, deve-se inserir um pequeno
texto introdutório para a pergunta, para que ela não fique solta no parágrafo. Ex.: Considerando o exposto acima,
pergunta-se... Considerando..., pergunta-se...
A(s) pergunta(s) abre(m) espaço para os objetivos. Curiosidades motivam e levam a interesses de ação, descobertas,
investigação, que são o norte para as demais partes do trabalho. Os objetivos não devem ser tratados em texto corrido;
entretanto, devem ser distinguidos no tipo de redação e na formatação em tópicos numerados. Assim, o parágrafo poderá
iniciar com uma frase, como: Os objetivos que conduziram este trabalho foram: Geral. Específicos: 1..., 2..., 3...
Pode-se, a critério do autor, inserir informações sobre o plano de desenvolvimento do trabalho; ou seja, informar as etapas
seguidas para a execução ou em quais partes se divide o trabalho. Esse plano de desenvolvimento pode ser colocado ao
final da Introdução ou na metodologia do trabalho, a critério do autor.
Quadro 33 – Conteúdos da introdução
CONTEÚDO DEFINIÇÃO/FUNÇÃO
Contexto/apresentação Ambiente, ideia geral, tema, dados de apresentação.
Justificativa Razão da escolha do tema, importância, relevância do estudo.
Problema A dúvida, a curiosidade, transformadas em pergunta.
Hipóteses A possível resposta, solução ao problema.
Objetivo geral e
específicos
Alvos do trabalho, aonde se quer chegar com o trabalho, o que se quer demonstrar,
provar com a sua realização.
Fonte: A autora.
O desenvolvimento de um trabalho acadêmico
Desenvolver um trabalho é executar a proposta apresentada, fazer o trabalho propriamente dito. Nessa etapa, é feita a revisão
da teoria, informado o caminho metodológico adotado, e realizada a pesquisa de campo, com as análises, interpretações,
relações e correlações necessárias para o alcance dos objetivos propostos.
No desenvolvimento, através das suas partes distintas, o autor mostra o que fez no trabalho e como fez. Como o
desenvolvimento se compõe de assuntos diferentes, a sua estrutura pede que ele seja dividido em capítulos, partes distintas da
execução do trabalho, de forma a contemplar os fundamentos teóricos aprendidos na literatura, os procedimentos metodológicos
utilizados na pesquisa de campo, o relato da pesquisa de campo, as análises e conclusões parciais obtidas.
 Referencial teórico
A fundamentação teórica, exposição, discussão da teoria
Também chamado de levantamento bibliográfico, este item trata da apresentação, em forma resumida, dos tópicos teóricos
estudados, que vão amparar o processo de pesquisa. Nele, o autor deve demonstrar conhecimento da literatura básica sobre o
•
•
•
•
assunto, resumindo os resultados de estudos feitos por outros autores, quanto aos aspectos principais tratados no trabalho.
A fundamentação teórica se propõe a reunir o conhecimento necessário, a base de teoria necessária, para o autor interpretar os
dados, criticar a realidade, analisar objetivamente o assunto, possibilitando a obtenção de conclusões lógicas, racionais,
fundamentadas em teorias já comprovadas, para não ser um trabalho de opinião. Por isso, a fundamentação teórica garante a
cientificidade do trabalho e a neutralidade do autor.
Nela, o autor do trabalho deve se eximir de toda e qualquer expressão de opinião pessoal, crítica, argumentação; deve limitar-
se a transcrever o que os autores lidos disseram, explicando-os, parafraseando-os, mostrando que entendeu o que leu desses
autores; porém, sem manifestar opiniões pessoais e/ou críticas à teoria lida. É o momento de aprender com os autores lidos, não
de criticar ou resenhar suas ideias. Por isso, o que se faz no referencial teórico são, essencialmente, citações.
O referencial teórico é, portanto, considerado o espaço da teoria. Nesse momento, o autor do trabalho dá voz aos autores
lidos, citando-os. Nesse processo, o autor do trabalho aprende, aprofunda seus conhecimentos, e se capacita para realizar a
pesquisa, interpretar os dados e fazer as conclusões cabíveis. A escolha dos itens do referencial teórico, em geral definida no
projeto da pesquisa, deve levar em contar o conteúdo necessário para subsidiar a pesquisa, a discussão do problema, a busca das
hipóteses e a análise dos dados obtidos.
Assim, ao elaborar um referencial teórico, aconselha-se o maior cuidado em:
não deturpar, modificar, criticar as ideiasdos autores lidos no caso da citação indireta, mantendo-se na condição de
intérprete das mesmas;
informar a fonte das ideias, resguardando-lhes a autoria, em qualquer forma de citação;
 guardar postura de isenção, evitando expor ideias próprias;
lembrar que a paráfrase pede que a ideia seja relatada, mas em outras palavras, na redação e estilo próprios do autor do
trabalho; não se trata, apenas, da redação original com algumas palavras trocadas.
Importante lembrar que o referencial teórico não representa, por si só, o desenvolvimento do trabalho; assim como não gera a
conclusão do trabalho. Ele é o momento do estudo dos assuntos relacionados com o tema; é referência de aprendizagem,
momento de atualização de conhecimento pelo autor do trabalho. Por isso, as teorias e conceitos aprendidos no referencial
podem ser recuperados durante a análise dos dados e mesmo na conclusão, para dar forma e consistência aos dados.
Na redação, aconselha-se iniciar o capítulo com um parágrafo introdutório, no qual o autor informará sucintamente os
assuntos que foram estudados, assim como, sucintamente, apontará as principais fontes utilizadas na sua composição.
O referencial teórico costuma, também, ser conhecido como marco teórico ou estado-da-arte. Entretanto, podemos notar
pequenas diferenças: marco teórico é uma afirmação teórica específica defendida por um determinado autor, uma afirmação
incisiva de um teórico de determinado campo do conhecimento que realizou investigações e reflexões ordenadas sobre
determinado tema e chegou a explicações e conclusões metódicas sobre o assunto ou, de outra maneira, é uma afirmação
importante que respalda as reflexões do autor do trabalho. O pesquisador adota essa afirmação como o seu marco, a sua âncora
de teoria, a sua verdade.
Trata-se do ponto de partida de uma investigação; indica a maneira como será visto um problema, sob qual perspectiva ele
será abordado. Apresenta conceitos que serão estudados e delimita a maneira como a questão será elaborada. O marco teórico
reflete a sistematização do conhecimento, distinguindo esse conhecimento do senso comum, permitindo a verificação e a
realização de testes dos resultados obtidos e dos procedimentos usados. Se o marco teórico for mudado no meio da pesquisa,
todos os elementos do trabalho serão destituídos: problema, objetivos, hipóteses etc. Muda-se o marco teórico, muda-se a
pesquisa.
Como elaborar um referencial teórico
Partindo dos princípios de que referencial é reunião de teoria e de que a teoria deve ser buscada em autores que já escreveram
sobre o tema, sua composição deve se guiar por passos:
Inicialmente, definidos o tema, o problema e objetivos, o autor deverá levantar tópicos, assuntos que ele considera
importantes para a compreensão e atualização de conhecimento e para se habilitar a discutir, interpretar a pesquisa. Cada
assunto deverá ser tratado como uma entidade a ser entendida, estudada teoricamente, explorada, conceituada; e irá se
•
•
•
•
•
•
•
8.5.3
transformar num subtítulo do referencial teórico.
Após definir os assuntos que constituirão o referencial, o autor deverá ler e buscar em bibliografia disponível e confiável
informações que irão “rechear” cada assunto, ou seja, compor o conteúdo de cada tópico. Para isso, sugerem-se:
definição, conceituação, delineamento de perfil, apresentação do assunto;
levantamento das principais características e/ou propriedades;
análise ou recuperação da história, evolução, aspectos evolutivos;
identificação de vantagens, ganhos, benefícios no uso, implantação, adoção;
identificação de desvantagens do uso e implantação, dificuldades, problemas, falhas no uso e implantação, limitações,
conflitos;
discussão de possíveis aplicações, usos;
estratégias ações, soluções, aplicações, usos etc.
Uma vez lida a teoria, levantados os assuntos que serão abordados, escolhidos os conteúdos, é hora de redigir o texto do
referencial. Como dito, fazer referencial teórico, em síntese, significa trabalhar com citações. Ao final da exposição da estrutura,
serão apresentadas definições e orientações sobre citações e como inseri-las no texto.
 Metodologia
Os procedimentos metodológicos, os métodos e técnicas
Por metodologia deve-se entender uma forma organizada e planejada, segundo critérios previamente traçados, para se atingir
um propósito, alcançar uma solução, resolver um problema. Criar a metodologia utilizada num trabalho significa, portanto,
planejar e informar locais, pessoas, métodos, técnicas, instrumentos utilizados no processo de busca e análise de informações.
No TA, a metodologia é definida, ou seja, são escolhidos os métodos, técnicas, objeto de pesquisa, pessoas e documentos a
serem consultados em função do tema, do problema e objetivos traçados. A definição da metodologia pressupõe, portanto,
clareza do assunto e do que se quer atingir com ele.
Em metodologia, não basta informar por onde se caminhou para elaborar o trabalho; é preciso informar por que foi escolhido
aquele caminho, justificar os métodos e técnicas utilizadas. Assim, a informação da metodologia de um TA tem que ser
acompanhada de definições dos métodos, técnicas, tipos de pesquisa e de explicações do porquê da escolha dos mesmos. Para
tanto, deve-se usar citações de autores para embasar e justificar a escolha dos instrumentos utilizados.
Embora significando caminho, procedimentos planejados, lógica formal aplicada na condução de um processo, a colocação
da metodologia num trabalho pode variar conforme a abordagem que se dê ao termo. Alguns teóricos entendem metodologia
num formato mais abrangente, compreendendo todas as fases do trabalho, desde a sua concepção até a finalização. Nesse caso,
informar a metodologia significa indicar todos os passos, etapas seguidas, desde a revisão de bibliografia, composição do
referencial, pesquisa de campo, análises e conclusões. Neste caso, pode-se colocá-la ao final da introdução, ou em capítulo à
parte logo após essa.
Outra forma de se entender a metodologia de um TA é tratá-la em função da pesquisa de campo, já que as etapas anteriores
(planejamento, referencial teórico) são etapas pré-postas num TA, com procedimentos padronizados e estabelecidos pela própria
ciência. Nessa corrente, apenas a pesquisa de campo poderia assumir modos diferentes de ser executada. Nesse caso, deve-se
colocá-la depois do referencial teórico e imediatamente antes do item a que se refere, ou seja, da pesquisa de campo, com seu
relato, análises e conclusões. Adotaremos esta última corrente, não desqualificando, porém, outras formas de interpretação.
A informação do caminho seguido pelo autor para realizar a pesquisa de campo deve contemplar todos os itens da seção
8.5.3.1 Como elaborar a metodologia, a seguir. Sua colocação no trabalho pode ser feita em forma de tópicos ou de texto
corrido, a exemplo da introdução. Sugere-se que ela seja feita, inicialmente, na forma de tópicos para que nenhum dos seus itens
deixe de ser contemplado com o necessário detalhamento. Uma vez composta com todos os itens, o autor do trabalho poderá
transformá-la em texto corrido, caso lhe seja exigido, aconselhado, ou mesmo por opção. A informação da metodologia na
forma de tópicos não lhe tira a consistência, e, eventualmente, pode facilitar a análise do leitor.
Toda pesquisa, principalmente na área de ciências sociais aplicadas, necessita que a teoria estudada, o problema e objetivos
propostos sejam confrontados com o ambiente da vida real. Essa verificação permite ao autor adquirir uma visão realista de
8.5.3.1
a)
•
•
•
como a teoria se comporta na prática, habilitando-o a detectar problemas, falhas e enxergar soluções e possibilidades de
melhoria nos processos rotineiros da vida profissional.
Essa é a função da pesquisa de campo. Nessa tarefa, o autor coleta dados da vida prática das fontes: o local onde a pesquisa
foi realizada, as pessoas que fornecerão relatos de suas experiências pessoais e os documentos que foram consultados.
Em trabalhos de revisão de literatura, quevisam ao aumento de conhecimento pelo seu autor, e sem propósito de aplicação
imediata, deve-se considerar que o objeto da pesquisa é um colaborador, que servirá como “laboratório de testes” para as
questões que se pretende discutir. Para a empresa que recebe os pesquisadores e fornece os dados não há ganho no fornecimento
dos dados; apenas a intenção de colaborar com o ensino e a pesquisa no seu país.
Mesmo nos trabalhos de natureza aplicada, como planos de negócios, planejamento estratégico, diagnóstico organizacional,
empresas podem “emprestar” sua realidade para fins didáticos, colaborando com a pesquisa, e não se interessando em se
apropriar dos resultados para implantação. Daí a importância do pesquisador de manter sigilo e prudência no uso, interpretação
e divulgação dos dados obtidos, evitando constrangimentos e preservando-se tanto a qualidade das informações como os atores
do objeto da pesquisa.
Na pesquisa quantitativa, deve-se informar: a técnica, as equações matemáticas, estatísticas, o tipo de amostragem, a
população total e a amostra escolhida na pesquisa.
Assim como identificar as características do local onde determinada situação, resposta, problema foi encontrado, é
fundamental para a análise da pesquisa, associar cargos a respostas, a situações, também é fundamental para a análise.
Entretanto, deve-se distinguir nomes de características. Apresentar nomes reais de empresas e pessoas pode criar vários
problemas para ambas as partes. Para as fontes, isso pode significar vazamento de informações sigilosas, pessoais,
constrangimentos. Além disso, para o autor, identificar nomes não agrega qualquer valor à pesquisa; ao contrário, pode implicar
em dados omitidos, simulados, pode comprometer, enfim, a qualidade dos dados obtidos.
Assim, deve-se cuidar em fornecer, na metodologia, informações que ajudem o leitor a criar uma imagem do objeto da
pesquisa, sem a necessidade de personalizá-lo. Ao orientador, deve ser informada a fonte real; no trabalho, tais nomes podem
ser reais ou fictícios, dependendo do interesse e necessidade de ambas as partes. Entretanto, deverá caber às fontes a permissão
de ter seus nomes divulgados ou não, uma vez que são dados que lhes pertencem; além do fato de que essas fontes estão
colaborando com a pesquisa.
Como elaborar a metodologia
Descrição do objeto de pesquisa ou unidade de análise e das fontes de dados
Objeto de pesquisa ou unidade de análise: a empresa
Trata-se da(s) empresa(s), onde foi realizada a pesquisa de campo, coletados os dados, ouvidas as pessoas. A
identificação do local permite contextualizar e criticar os dados, que devem ser analisados à luz da natureza da empresa,
sua cultura, hábitos, tamanho, modo de funcionamento, entre outros fatores. A essas informações dá-se o nome de
caracterização do objeto da pesquisa – empresa.
O nome real da empresa poderá ou não ser divulgado, dependendo do tipo de análise, tipo de dados fornecidos e do
interesse dela. Substituir no trabalho o nome real da empresa por um fictício pode contribuir para a obtenção de dados
mais confiáveis, além de resguardar o necessário sigilo da empresa. Caberá a esta a decisão de ter ou não o seu nome
divulgado. Quando for o caso, o nome real será informado apenas ao orientador; no corpo do trabalho, a substituição do
nome real pelo fictício deverá ser explicitada e o nome fictício deverá ser citado entre aspas duplas, para caracterizar a
intenção.
Na caracterização do objeto da pesquisa, devem-se definir, a priori, os dados que serão necessários, considerando-se as
exigências do tema, do problema e objetivos. São eles que vão orientar a caracterização da empresa. No seu
levantamento, como dito acima, aconselha-se considerar tanto os interesses da pesquisa, como os da empresa, que terá o
direito de resguardo e sigilo da sua realidade os interesses. Abaixo, estão colocados alguns dados que poderão ser úteis
na caracterização da empresa, podendo ser acrescentados, retirados, adequados à necessidade:
ramo: alimentação, vestuário etc.;
setor da economia: comércio, indústria, serviços etc.;
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natureza: público, privado, estatal etc.;
produto principal: bolsas, comida a quilo, joias etc.;
cultura: missão, objetivos, metas, princípios da empresa;
tamanho: micro, pequena, média, grande empresa;
estrutura organizacional: departamentos, setores, seções, número de funcionários etc.;
localização física: endereços, filiais etc.;
idade: tempo de atuação no mercado, principais crises, mudanças etc.
Fontes de dados primárias: pessoas
Trata-se das pessoas ocupantes de cargos considerados estratégicos para a discussão do tema, que fizeram relatos de
experiências pessoais e/ou profissionais, diretamente relacionadas com o cargo ocupado na empresa.
Tal como no caso do nome da empresa, o procedimento para divulgação dos nomes das pessoas que serão ouvidas na
pesquisa de campo, em qualquer instrumento de coleta de dados, obedecerá aos critérios adotados; assim, ficará a
critério da empresa e/ou das pessoas a divulgação dos seus dados reais. Como no caso do nome da empresa, não
interessa aos objetivos da pesquisa o nome do pesquisado, mas sim o cargo, a função, a responsabilidade profissional
que exerce na empresa. Obviamente, guardam-se exceções para pesquisas que procuram ouvir pessoas de relevância na
área, cujo nome e representatividade conferem credibilidade aos dados. Em pesquisas dessa natureza, o que se busca são
relatos da experiência pessoal do pesquisado como uma ordenação, sem o propósito de análise crítica da mesma.
Como no caso da empresa, ao se utilizar dados fictícios, o orientador deverá ser informado dos dados reais das pessoas.
Na explicitação da metodologia, a situação deverá ficar explicitada e os nomes fictícios deverão ser citados entre aspas
duplas, para caracterizar a intenção.
Na explicitação na metodologia das “pessoas”, deve-se proceder da seguinte forma:
quando houver mais de um pesquisado ocupante do mesmo cargo, deve-se referenciá-los na forma:
Fulano de Tal: cargo X na empresa Y – ENTREVISTADO 1 ou GERENTE 1
Cicrano de Tal: cargo X na empresa T – ENTREVISTADO 2 ou GERENTE 2
quando houver mais de um pesquisado, ocupantes de cargos ou funções diferentes, bastar-se-á referenciá-los pelo
cargo:
Beltrano de Tal: cargo de GERENTE DE VENDAS
Fulano de Tal: cargo de ANALISTA DE MERCADO
No capítulo do relato e discussão dos dados, as pessoas serão referenciadas por ENTREVISTADO 1, 2 etc., ou pelo
cargo: GERENTE DE VENDAS, ANALISTA DE SISTEMAS. Na análise dos dados, deve-se, portanto, evitar
mencionar nomes reais das pessoas, que ficarão restritos (quando for o caso) apenas no item de explicitação da
metodologia. Se a técnica não tiver sido por entrevista, pode-se identificar os participantes da pesquisa como
PARTICIPANTE 1, 2, PESQUISADO 1, 2, ou seja, criando um formato de identificação que preserve o nome do
respondente na análise, deixando-o apenas informado na metodologia.
Note-se, também, que no caso de citação direta da fala de um entrevistado, deve-se proceder da mesma forma que na
citação direta do referencial teórico: devem ser transcritos os trechos exatamente como foram pronunciados ou escritos
pelo respondente, inclusive com os erros de linguagem cometidos.
Fontes de dados secundárias: documentos
São consideradas fontes secundárias de informações os documentos produzidos pelo objeto de pesquisa, cuja consulta e
análise auxiliarão na interpretação dos dados obtidos, tais como: planos de cargos da empresa, portarias, contratos,
regimentos, estatutos, correspondências, planos de cargos etc. Em qualquer situação, deve-se justificar a leitura do
documento como condição importante para análise dos dados, assim como manter todo o sigilo possível sobre eles;
procurar comentá-los sem torná-los públicos. A liberação para consulta e uso de informações documentais é de total
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responsabilidade e decisão da empresa.
Proposta do trabalho
Informa-se se o trabalho será de revisão de literatura,diagnóstico, avaliação ou proposição de planos ou programas. A
informação deve ser acompanhada de explicação, em forma de citação, do porquê da escolha pelo tipo de trabalho.
Caracterização da pesquisa
Caracterizar a pesquisa significa definir lógica e formalmente os tipos de pesquisa que serão utilizados. Num primeiro
momento, como marco orientador do processo, deverá ser definido se a pesquisa será qualitativa, quantitativa ou
qualiquanti. Essas definições irão orientar o tipo de coleta de dados, os instrumentos e a análise. Após essa definição
maior, serão identificados outros tipos de pesquisa: descritiva, teórica, prática, pesquisa de campo, empírica etc. Note-se
que vários tipos de pesquisa podem ser feitos no mesmo trabalho.
Métodos de pesquisa
Identificar os métodos significa definir o caminho, o modo como a coleta de dados será feita. Podem-se usar um ou
vários métodos combinados, como: comparativo, estatístico, estudo de caso, survey. A escolha do método está
relacionada à forma como se pretende tratar os dados obtidos: se comparando-os, se retirando-lhes estatísticas,
informações numéricas, interpretando-os, historiando-os etc.
Técnicas de coletas de dados
Já as técnicas de coletas de dados são os instrumentos, os formulários, os roteiros que serão utilizados na busca e
registro dos dados. As técnicas devem ser adequadas aos métodos, pois o registro dos dados deve ser feito de forma a
permitir a melhor análise dos mesmos. O que se registra numa entrevista, por exemplo, pouco servirá para uma análise
estatística e muito poderá servir a um estudo de caso.
Assim como em métodos, as técnicas também poderão ser mais de uma e combinadas conforme os propósitos. Em todas
as situações, poder-se-á observar que, para que a pesquisa tenha efetividade, o tema, problema e objetivos nortearão
todo o processo de definição da metodologia a ser utilizada. Assim, deve-se ter como referência básica para a definição
da metodologia o melhor caminho para se discutir o tema, responder ao problema e comprovar os objetivos.
Identificam-se e explicam-se as técnicas escolhidas, usando citações e fornecendo informações: entrevista, questionário,
análise documental, assim como datas, tempo gasto com cada etapa da pesquisa, com a análise dos dados e eventuais
dificuldades encontradas no processo de pesquisa e análise.
Plano de desenvolvimento
Colocar um plano de desenvolvimento do trabalho significa informar como todo o processo de elaboração do trabalho
foi “quebrado” em etapas; definir as atividades/tarefas principais que compõem todo o processo de pesquisa, registro e
análise dos dados e ordenando-as cronologicamente. Ele pode ser colocado na metodologia ou final da introdução, de
forma a dar ao leitor uma visão global do que será feito. No plano de desenvolvimento é feito um breve relato dessas
atividades, passos que serão seguidos, desde a escolha do tema até a apresentação do trabalho. Criar um plano de
desenvolvimento da pesquisa é importante instrumento de controle do tempo e das atividades a serem realizadas.
Quadro 34 – Estrutura da metodologia
ITEM DISCRIMINAÇÃO
Objeto da pesquisa Local, a empresa ou empresas.
Fontes primárias Pessoas que serão ouvidas, pesquisadas.
Fontes secundárias Documentos da empresa esclarecedores consultados.
Caracterização do trabalho Proposta do trabalho: revisão, proposição, avaliação,
diagnóstico.
Caracterização da pesquisa Tipo: qualitativa, quantitativa, qualiquanti, campo, descritiva
etc.
8.5.4
8.5.4.1
Métodos de pesquisa Comparativo, survey, histórico, experimental, estatístico etc.
Técnicas de coletas de dados Entrevista, questionário, análise documental, observação.
Plano de desenvolvimento Etapas da elaboração do trabalho.
OBS.: a informação do tipo de pesquisa,
métodos e técnicas utilizados deve ser
acompanhada de citação quanto à definição e
de clara explicitação de como, onde e porque
serão utilizados
Ex.: será utilizado o método estatístico, que, segundo Autor
(ano, p.) significa “...”. Serão compilados os levantamentos
feitos junto à amostra X e trabalhados os dados obtidos para
se verificar, estatisticamente, o percentual de pessoas na
condição XX.
Fonte: A autora.
 Análise dos dados
O relato, crítica, interpretação dos dados da pesquisa
Uma vez colocada a fundamentação teórica e informados os passos na metodologia, o último capítulo do desenvolvimento é
reservado para o relato da pesquisa de campo realizada e a interpretação e análise crítica dos dados obtidos.
A função da pesquisa de campo é averiguar como os assuntos, os problemas discutidos no trabalho se comportam na vida
real. Na pesquisa qualitativa, analisar dados da vida real significa, essencialmente, COMENTAR, ANALISAR, CRITICAR as
respostas e informações obtidas dos consultados e reunir as percepções colhidas do objeto de pesquisa.
Serão apresentados 3 (três) tipos de pesquisa de campo: uma baseada no uso da entrevista na pesquisa qualitativa, outra no
uso do questionário na pesquisa quantitativa e uma terceira, baseada no uso do questionário com escalas na pesquisa
qualiquanti. Embora uma mesma pesquisa possa utilizar mais de uma técnica de coleta de dados, vamos discutir a entrevista, o
questionário e o questionário com escalas, por serem instrumentos de coleta de dados indispensáveis à pesquisa a que se referem
e que melhor a caracterizam.
Análise de pesquisa de campo qualitativa com uso de entrevista
No caso da pesquisa qualitativa realizada com a técnica da entrevista, a exemplo do que se faz no referencial teórico, é
importante verificar que tanto o pesquisador quanto o entrevistado terão voz na análise. O autor do trabalho, além de fazer um
relato fiel da fala do entrevistado, deverá comentar, criticar, questionar, comparar esse relato com outros casos e/ou com a teoria
estudada. O mesmo poderá ocorrer com documentos lidos. A análise das falas e documentos deverá ser feita com base no
referencial teórico, e tendo como propósito a resposta ao problema e aos objetivos estabelecidos.
Embora outras técnicas possam ser utilizadas na pesquisa qualitativa, como questionários, análises de conteúdo, de
documentos etc., vamos nos deter na análise com uso de entrevista, já que essa técnica é a mais utilizada na pesquisa qualitativa.
Esse momento é considerado um dos mais ricos do trabalho, pois direciona a discussão para o ambiente da vida real,
apresentando a realidade empresarial para o autor (aluno), permitindo-lhe a vivência prática de teorias vistas em aulas e leituras.
Daí, o cuidado e a disciplina do autor para permanecer sempre fiel à informação recebida do objeto da pesquisa, seja ele a
empresa, as pessoas ou documentos dela, separando claramente o que é fala do pesquisado e o que é crítica, visão, interpretação
próprias.
O autor poderá transcrever falas do entrevistado, quando entender que a transcrição literal da fala é importante para o
entendimento e análise. Neste caso, deve proceder da mesma forma que na citação direta do referencial teórico: transcrever o
trecho exatamente como foi dito ou escrito pelo respondente, inclusive com os erros de linguagem, eventualmente cometidos,
acompanhada do autor da fala, no formato de citação direta ou indireta.
A construção do instrumento de coleta de dados deve ser feita em função do problema e objetivos propostos, de forma a
facilitar a análise, a comparação e conclusões. Devem ser criadas cerca de três a quatro perguntas para atender a cada objetivo.
O número de perguntas pode variar em função do número de objetivos, para que a entrevista não se prolongue demais. Deve-se
contemplar com mais cuidado o objetivo geral.
Para cada objetivo colocado, o pesquisador deve se perguntar: o que eu quero saber sobre esse objetivo? Para discutir e
demonstrar o que está proposto, o que eu devo perguntar ao entrevistado?
Importante, também, é fazer um pré-teste; aplicar o instrumento a outra pessoa (preferencialmente, colegas que conheçam o
•
•
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assunto), para verificar se a resposta dada será, realmente, de valia para aanálise. Se a resposta não agregar valor ao objetivo, a
pergunta deverá ser retirada. Não existem respostas certas ou erradas; existem respostas adequadas ou não, úteis ou não para o
propósito. O que deve ser medido, portanto, é se houve entendimento do que foi perguntado ou não, e se a resposta irá servir
para discutir o assunto.
O pré-teste é um importante instrumento para verificar se a sua pergunta foi bem interpretada, se gerou ambiguidade ou
interpretação diferente do que se pretende. Se o entendimento da pergunta tiver sido errado, a resposta não irá atender à
discussão.
Importante, também, é lembrar que entrevistar não é sabatinar. Seu propósito não é saber se o entrevistado conhece a teoria,
sabe a matéria. Deve-se evitar fazer perguntas que cobrem conceitos, definições, e sim experiências, vivências, opiniões. A
entrevista não é o momento para discutir conceitos, usar expressões acadêmicas, pois o entrevistado não necessariamente possui
a competência teórica para entender sua linguagem e poderá se fechar no colóquio. Portanto, devem-se evitar perguntas como:
⇒ O que é ...? O que significa ...?
Entrevista é o momento de coletar opiniões, sentimentos, clima, informações que irão ajudar na análise dos objetivos. Deve-
se optar por apresentar situações práticas relacionadas com os objetivos. A pergunta deve ser feita para obter do entrevistado
informações sobre sua opinião, comportamentos adotados em casos específicos, relatos de experiências e estratégias.
Sendo o objetivo da entrevista captar a prática, deve-se procurar exemplos práticos em todas as respostas dadas que
manifestem algum princípio ou valor. Nesses casos, deve ser solicitado ao entrevistado ele exemplifique situações vivenciadas,
onde aquele princípio foi aplicado. Exemplos:
Em sua opinião ...? Em que situação ...? O que você pensa sobre ...? O que você acha de ...? Já houve casos ...? Quando
houve, como você agiu ...? Por que você acha que ...? Você já teve (foi obrigado a) que ...? Quando acontece ... o que você faz?
Na sua avaliação ...? Por que você acha que as pessoas ...? Como as pessoas respondem (ou reagem) quando ...? O que você
acha que deveria ser feito no caso de ...? Em sua opinião, as pessoas são ...?
Preparação: planejamento; trata de levantar o objetivo, obter previamente o conhecimento do entrevistado e analisar o seu
grau de familiaridade com o assunto. Cada tipo de entrevistado requer uma linguagem, uma postura, uma abordagem. Adequar a
oportunidade da entrevista: escolher e agendar hora e local adequados, condições favoráveis. Garantias: sigilo sobre as
confidências e sobre a identidade do entrevistado. Contato: estabelecimento de contatos com líderes, criar maior entrosamento
com o entrevistado e maior variabilidade de informações; enfim, obter conhecimento prévio do campo. Esses cuidados evitam
desencontros e perda de tempo. Finalmente, fazer a preparação específica, ou seja, organização do roteiro ou formulário e das
questões.
Contacto inicial: conversa amistosa, explicação da finalidade, objetivo, relevância, a importância da colaboração, o caráter
sigiloso que será dado às respostas; enfim, deixar o entrevistado ficar à vontade para dar significância a suas respostas.
Elaboração de perguntas: conforme o tipo: padronizadas, obedecendo ao roteiro ou formulário; não padronizadas, deixando
o informante falar à vontade e, depois, ajudá-lo com outras perguntas, solicitando detalhes.
Registro de respostas: anotadas no momento da entrevista, resumidamente, e com as palavras usadas pelo entrevistado (na
medida do possível) para maior fidelidade e veracidade. O gravador é ideal, porém, somente se o entrevistado concordar. Não
deixar as anotações para depois. Conferir respostas, sempre que necessário.
Término da entrevista: como começou; isso em um ambiente de cordialidade, para eventuais retornos ou obtenção de novos
dados.
Requisitos importantes: validade (comparação com fontes externas), relevância (em relação aos objetivos), especificidade e
clareza (referentes a dados, data, nomes, quantidades etc.), profundidade (sentimentos, pensamentos, lembranças do
entrevistado, sua intensidade e intimidade), extensão (amplitude das respostas).
Antes de se dirigir à empresa para a entrevista, deve-se planejar o encontro, definindo parâmetros para:
Observação: o que será observado no ambiente (sala, vestuário, comportamento etc.).
Análise documental: será necessária? Se for, qual o tipo de documento que será necessário, data do documento, dados que
poderão ser divulgados, ou simulados.
Questionário: definir claramente a população de respondentes, o retorno esperado, discutir o tipo de respondentes.
•
8.5.4.2
1.
2.
3.
4.
5.
Entrevista: definição clara do número de respondentes e do tipo de atores para efeito de determinação do roteiro (atores
são pessoas que ocupam o mesmo cargo e para as quais, portanto, deverá ser utilizado o mesmo roteiro de perguntas).
Sobre a empresa objeto da pesquisa
Na entrevista com a empresa e os respondentes da pesquisa, deve-se procurar obter os dados do objeto de pesquisa, já que os
mesmos deverão ser colocados na metodologia do trabalho. Nesse momento, negocia-se a divulgação ou omissão dos nomes
reais da empresa e dos participantes da pesquisa. CUIDADO: lembrar que a empresa funciona como laboratório para a
pesquisa; ou seja, o propósito da pesquisa não é enaltecer ou fazer propaganda da mesma.
No Apêndice 3, serão apresentados exemplos de parágrafos utilizados em análises de dados da pesquisa de campo qualitativa,
usando-se como técnica a entrevista.
Análise de pesquisa de campo quantitativa com uso de questionário
O questionário, por ser um formulário que será respondido por escrito e sem a presença do entrevistador, merece alguns
cuidados especiais para se obter bons resultados. É importante que o pesquisador se conscientize de que em uma pesquisa de
dados remota nem sempre há o envolvimento e, consequentemente, necessita do cuidado para garantir a verdade e completeza
das respostas.
O questionário trabalha com informações quantitativas e, por isso, torna-se importante caracterizar os conceitos de
POPULAÇÃO e AMOSTRA e responder à questão: como fazer? Onde fazer, com quem fazer a pesquisa?
POPULAÇÃO ou UNIVERSO é o conjunto total de elementos que se quer dimensionar e não se refere apenas às pessoas,
mas pode abranger qualquer tipo de elemento: animais, objetos, valores, entidades, cidades, locais etc. Como, na imensa maioria
das vezes, é impossível estudar uma população inteira, ou todo o universo de elementos, escolhe-se para investigar uma parte
dessa população, escolhida por critérios que garantam a sua representatividade; ou seja, determinado número de elementos de
uma classe, denominada amostra.
AMOSTRA, então, é essa parte do todo, criteriosamente escolhida para representá-lo. A amostra não abrange a totalidade dos
componentes do universo e, sim, uma parte desse universo; ou seja, a amostra constitui uma porção ou parcela,
convenientemente selecionada do universo (população); é o subconjunto do universo da população, representativo nas
principais áreas de interesse da pesquisa.
Os tipos de amostragem podem ser:
forma intencional: número de pessoas que são escolhidas intencionalmente, em função da relevância que elas
representam em relação a determinado assunto;
forma aleatória simples: seleção de forma que cada membro da população tenha a mesma probabilidade de ser
escolhido;
amostragem sistemática: os elementos são selecionados a partir de uma lista, e a escolha do número de elementos é
obtida dividindo-se o número de indivíduos da lista pelo número desejado de elementos da amostra;
amostragem estratificada: trata-se da seleção de uma amostra de tal forma que os subgrupos da pesquisa, identificados
na população, estejam representados na amostra na mesma proporção que existem na população. Esse tipo de
amostragem requer utilização de regras estatísticas;
amostragem por conglomerados: é o tipo de seleção indicada nas situações em que é impossívela identificação de seus
elementos; podem ser quarteirões, edifícios, condomínios, vilarejos etc. Retiramos alguns elementos de cada
conglomerado.
Para haver confiabilidade na pesquisa, a amostra deve ser composta de um número suficiente de elementos, que seja
calculado em função do tipo de amostragem escolhido. Quando uma amostra não é representativa, nenhuma conclusão a rigor
pode ser estendida, à população, em sua totalidade.
Cuidados na elaboração do questionário
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deve-se levar em conta tipos, a ordem, os grupos de perguntas, a formulação das mesmas e tudo o que se sabe sobre
percepção, estereótipos, mecanismos de defesa, liderança etc.;
o entrevistador deve conhecer bem o assunto para saber dividi-lo, organizando uma lista de 10 a 12 temas e, retirando, de
cada um, 2 ou 3 perguntas;
 trata-se de processo longo e complexo; exige cuidado na seleção de questões, conforme sua importância e os objetivos
geral e específico da pesquisa;
deve ser limitado em extensão e finalidade (nem muito pequeno – não oferecendo informações suficientes, nem muito
grande – cansando e desmotivando o informante);
deve conter de 20 a 30 perguntas e demorar cerca de 30 min (não são fixos esse números);
deve ser informada a entidade ou organização patrocinadora da pesquisa;
deve ser acompanhado por instruções definidas e notas explicativas;
aspecto material e a estética também devem ser observados: tamanho, facilidade de manipulação, espaço suficiente para
as respostas, disposição dos itens.
Pré-teste
teste da significância das respostas, aplicando exemplares a uma pequena população escolhida;
a análise e a tabulação do pré-teste mostrarão falhas: inconsistência, complexidade ou polissemia nas questões, problemas
de linguagem, perguntas supérfluas ou que causem embaraço ao informante, perguntas não ordenadas ou muito
numerosas etc.;
verificadas falhas, ajusta-se o modelo, conservando, modificando, eliminando ou ampliando itens;
pode ser aplicado mais de uma vez, se necessário, para o seu aprimoramento e aumento de validez;
deve ser aplicado a populações semelhantes, mas nunca à que será alvo do estudo;
deve-se testar no questionário: fidedignidade, validade e operatividade.
Classificação das perguntas
Quanto à forma
Perguntas abertas – livres ou ilimitadas, permitem ao informante usar linguagem própria e emitir opiniões; possibilitam
investigações mais profundas e precisas; porém podem dificultar a resposta ao informante, o processo de tabulação, o
tratamento estatístico, a interpretação, assim como a análise, que fica complexa, cansativa e demorada.
Quanto ao objetivo
As perguntas podem ser de fato – questões concretas, tangíveis, fáceis de precisar, referem-se a dados objetivos; perguntas de
ação – e referem-se a atitudes ou decisões tomadas pelo indivíduo. São objetivas, às vezes diretas demais e devem ser redigidas
com cuidado; perguntas de ou sobre intenção – tentam verificar o procedimento do informante em determinadas circunstâncias.
Seus resultados devem ser considerados aproximativos.
Conteúdo, vocabulário, bateria
deve ser verificado se a pergunta deve ser necessária à investigação;
deve ser verificado se a pergunta deve ou não requerer apoio de outras para ser respondida;
perguntas claras, objetivas, precisas, linguagem acessível, sem prolixidade ou polissemia;
perguntas discretas, devem confirmar as demais, ser bem expressas e não provocar reações ou distorções;
bateria é uma série de perguntas que têm a finalidade de aprofundar pontos importantes da investigação e do questionário;
não colocá-las em seguida para evitar perigo da contaminação ou distorção.
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8.5.4.3
Deformações das perguntas
conformismo ou deformação conservadora – pode ser: tendência do grupo em responder afirmativamente (aceitar
situações de fato, resistindo às mudanças); medo de mudanças – conformismo do grupo;
 efeitos de certas palavras ou estereótipos – carga emocional de termos pode distorcer as respostas;
influência da personalidade – pode ser: prestígio positivo (influência de personalidades conhecidas e respeitadas) e
prestígio negativo – rejeição de opiniões de pessoas sem a aceitação do informante;
influência da simpatia ou da antipatia – necessidade de observação e crítica na redação das perguntas.
Ordem das perguntas
deve obedecer a uma progressão lógica para que o informante vá adquirindo interesse no assunto, indo dos itens mais
fáceis para os mais complexos, não se defrontando prematura e subitamente com informações pessoais, delicadas, mas
gradativamente, de um quadro de referência a outro – facilitando o entendimento;
as primeiras são chamadas de “quebra-gelo”; servem para estabelecer contato;
evitar o efeito de contágio (perguntas interferindo nas seguintes).
Análise de pesquisa de campo qualiquanti com uso de questionários com escalas
A pesquisa qualiquanti utiliza o questionário com escalas, que melhor atende à função de quantificar, medir, criar percentuais
relacionados com sentimentos, opiniões, comportamentos. As escalas são critérios estabelecidos pelo pesquisador conforme
seus objetivos para medir, quantificar atitudes, opiniões, comportamentos, predisposição das pessoas em relação a uma pessoa,
um objeto, uma situação qualquer.
Nesta técnica não são feitas perguntas; são feitas afirmações, juízos de valor, cuidadosamente elaborados para medir o que
se pretende, e colocado abaixo (ou ao lado) parâmetros de avaliação, com intervalos de variação de opinião, que deverão estar
entre 5 e 7, iniciando do menor para o maior, do mais baixo para o mais alto, do mais fraco para o mais forte etc. Ao responder
ao formulário, a pessoa denotará uma determinada atitude em relação ao que está sendo proposto. E isso deverá levar o
pesquisador a associar a resposta a um comportamento.
Ex.: Proposição: a pena de morte deveria ser legalizada no Brasil, considerando-se os altos índices de violência.
Parâmetros: discordo plenamente; discordo; concordo parcialmente; concordo; concordo plenamente.
Podem-se, também, colocar parâmetros definidos, quando se pretende que o objeto da pesquisa opine apenas entre os itens
fornecidos.
Ex.: Proposição: a situação do Brasil não melhora por causa:
Parâmetros fixos: dos políticos; do governo; do povo; OUTROS ____________
No exemplo acima, quando se pretende direcionar a resposta para um conjunto limitado de opções de respostas, podem-se
colocar parâmetros fixos, ao invés de escalas de opinião. Usa-se esse modelo quando o propósito do pesquisador for comparar
as opções colocadas. Nesses casos, é obrigatório o uso do parâmetro OUTROS, para o respondente se manifestar contrariamente
quando a sua resposta não se encaixar em nenhuma das opções propostas. Nesse caso, deve-se insistir com ele para completar a
informação.
Abaixo de cada afirmação, devem-se deixar cerca de 3 linhas para o respondente manifestar uma opinião mais detalhada,
deixando-o livre para tanto. Manifestações adicionais vão auxiliar a posterior análise qualitativa dos dados. Preferencialmente, o
formulário deve ser preenchido pelo pesquisador, que lê as afirmações para o respondente e marca a resposta dada, assim como
registra as eventuais opiniões.
Abaixo de cada afirmação, devem-se deixar cerca de 3 linhas para o respondente manifestar uma opinião mais detalhada, se
for do seu interesse. Preferencialmente, o formulário deve ser preenchido pelo pesquisador, que lê as afirmações para o
respondente e marca a resposta dada, assim como registra as eventuais opiniões.
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O questionário com escalas deve ser cuidadosamente construído, de forma a não induzir o respondente a determinadas
respostas. Também, sob pena de comprometer os dados obtidos, a proposição deve ser acompanhada de todos os parâmetros
necessários para o respondente entender e se posicionar, para evitar que ele não se localize em nenhum dos parâmetros e
reclame por parâmetros como depende, conforme o caso, não se aplica etc. Nessescasos, coloca-se no final: não se aplica, e
desconsidera-se a resposta na análise.
Outro cuidado na elaboração do questionário com escalas é cuidar para adequar os parâmetros de opção à respectiva
proposição. Ex.: não colocar parâmetros que envolvam conceitos de avaliação como muito, pouco, em proposições que
envolvam juízos de concorda, não concorda, por exemplo.
Devem-se tomar os mesmos cuidados da pesquisa qualitativa com entrevistas, quanto ao problema, aos objetivos e a
correspondência entre esses e os juízos de valor a serem medidos. A compilação dos dados deverá ser feita quantificando-se os
resultados e construindo gráficos para cada proposição. Em cada gráfico, deve haver uma análise qualitativa dos resultados,
agrupando-se tendências positivas e negativas na análise. Ex.: ótimo e muito bom podem ser somados na análise qualitativa,
assim como péssimo e muito ruim. Os parâmetros podem variar conforme a proposição, para melhor traduzirem o que se
pretende avaliar:
Escala de concordância
Discordo plenamente; discordo; concordo parcialmente; concordo; concordo plenamente.
Não, definitivamente; não, em parte; indeciso; provavelmente, sim; definitivamente, sim.
Nunca; raramente; às vezes; muitas vezes; sempre.
Escala de importância
Sem importância; pouco importante; importante; muito importante; extremamente importante.
Dispensável; dispensável às vezes; às vezes, indispensável; muitas vezes, indispensável; indispensável.
Escala de avaliação
Péssimo; ruim; bom; muito bom; ótimo.
Ruim; médio; bom; muito bom; excelente.
Quadro 35 – Capítulos do desenvolvimento
ITEM DISCRIMINAÇÃO
REFERENCIAL TEÓRICO
Leitura das obras recomendadas.
Destaque para ideias que contemplem o tema.
Uso de citações diretas ou indiretas.
PROCEDIMENTOS
METODOLÓGICOS
Descrição do objeto da pesquisa, dos dados primários (pessoas) e
secundários (documentos).
Caracterização do trabalho.
Caracterização dos tipos de pesquisa.
Informação dos métodos.
Informação das técnicas.
Plano de desenvolvimento (opcional).
RELATO E ANÁLISE DO
CAMPO
Relato dos dados coletados.
Discussão, análise, comparação.
Fundamentação na teoria estudada.
Discussão dos resultados parciais.
8.5.5
Conclusões parciais.
Fonte: A autora.
Quadro 36 – Sugestão de expressões e conectores auxiliares na redação
ADIÇÃO CONSEQUÊNCIA SEMELHANÇA TEMPO EXEMPLO RESUMO
E
Mais
Além disso
Também
Em adição
Somando-se
Realmente
Quer saber
A propósito
Acrescenta-se
Portanto
Assim
Desta forma
Conclui-se
Então
Efetivamente
Devido
Do mesmo modo
Igualmente
Certamente
Bastante
Pouco
Demasiadamente
Por outro lado
Após
Assim que
Em seguida
Quando
Por fim
Depois que
Às vezes
Após
Exemplificando
Isto é
Como
Decerto
Provavelmente
Por certo
Qualquer que
seja
Quando se fala
A propósito
Em outras
palavras
Em resumo
De fato
Em síntese
Na verdade
Durante
Depois
Logo após
Fonte: A autora.
 Considerações finais
As Discussões finais, reflexões, recomendações
Parte final do texto, na qual se apresentam conclusões correspondentes aos objetivos ou hipóteses. NBR 14724, de
31/12/2005, item 4.2.3.
Última parte do TA, a conclusão é o espaço reservado para o fechamento de todas as ideias, reflexão e sínteses das análises,
confirmação das hipóteses, resposta ao problema e alcance dos objetivos propostos, recomendações de novos estudos.
Trata-se do espaço do autor do trabalho, na medida em que retrata o processo de amadurecimento e a robustez das suas
análises e conclusões. Mostra o “ganho” (conhecimento) obtido com o esforço da leitura e da realização da tarefa. Nela, o autor
se pergunta: atingi? Valeu a pena?
Na conclusão, análises e conclusões parciais obtidas durante a discussão dos dados da pesquisa de campo podem ser
retomadas e rediscutidas. Não se trata de repetir análises feitas, mas de destacar conclusões consideradas importantes para o
alcance dos propósitos do trabalho. Além disso, ao retomar uma análise já feita na discussão da pesquisa de campo, o autor
poderá enriquecer a sua análise conclusiva, incluindo críticas, sugestões, exemplos, relato de experiências já vividas ou vistas a
respeito, entre outros.
Podem-se apresentar outras conclusões, não previstas nos objetivos e problema, e, eventualmente, discutidas na pesquisa de
campo. Deve-se lembrar que a conclusão é o espaço da reflexão final, da síntese de todas as ideias teóricas e práticas vistas e
discutidas. Assim, é natural que surjam novas ideias, novos conhecimentos.
Portanto, a conclusão apresenta sínteses e fechamentos de discussões, análises conclusivas, proposições de novos estudos,
correlações entre outras situações, extrapolações, exemplos, considerações embasadas na discussão durante o desenvolvimento
do trabalho, conhecimento novo.
Obrigatoriamente, devem-se retomar o problema, os objetivos, as hipóteses (quando houver), ressaltando claramente se
foram, um a um, respondidos, alcançados. Esse retorno às proposições básicas do trabalho apresentadas na introdução garante a
unidade do trabalho e o alcance do seu propósito; justifica, portanto, a sua realização. Por isso, nas conclusões, o autor mostra o
quê (e se) apreendeu com a realização do trabalho.
Quadro 37 – Conteúdos da conclusão
AÇÃO DISCRIMINAÇÃO
CONCLUSÃO
Sintetizar, condensar análises.
Reunir principais conclusões.
8.6
•
Verificar ganho de conhecimento.
Verificar utilidade e aplicabilidade dos resultados da pesquisa.
CORRESPONDÊNCIA COM
PROBLEMA E OBJETIVOS
Relacionar resultados obtidos com os objetivos propostos.
Verificar alcance dos objetivos.
Responder ao problema.
EXTRAPOLAÇÃO/REPERCUSSÃO
Apresentar eventuais limitações da pesquisa.
Apresentar eventuais problemas na coleta de dados.
Relacionar os resultados a novos conhecimentos, apresentar
repercussão, desdobramentos.
Criar projeções, eventuais repercussões.
RECOMENDAÇÕES FINAIS
Fazer recomendações.
Sugerir novos estudos, pesquisas, abordagens, aplicações,
encaminhamentos e outros.
Fonte: A autora.
Quadro 38 – Sugestão de expressões e conectores da conclusão
Resumindo...
Em suma...
Finalizando...
Por fim...
Não se pode negar que...
Os resultados levam a crer...
Pelos resultados, somos de opinião de que...
Em poucas palavras...
Pode-se, portanto, concluir...
Para terminar...
Em consequência...
Sintetizando-se os resultados...
Pode-se conclui-se que...
Em definitivo...
Os dados da pesquisa sugerem que...
Pode-se dizer que...
Fonte: A autora.
 Citações
Menção de uma informação extraída de outra fonte NBR 10520, de 31/08/2005, item 3.1.
Lei 5.988, de 14/12/1973 – regulamenta a propriedade intelectual, modificada pela Lei 9.610, de 9/02/1998.
Elementos fundamentais num trabalho acadêmico por atestarem confiabilidade do trabalho, darem consistência à
argumentação do autor, embasarem, darem sustentação à discussão, citações são falas, teorias, definições, trechos retirados da
bibliografia lida e levados para ao trabalho pela pertinência com o assunto estudado, acompanhados de informações resumidas
da fonte.
Conferem cientificidade ao trabalho; “pedem emprestado” o conhecimento e a autoridade acadêmica e científica de
renomados autores, tornando-os âncoras para suas análises e interpretações.
Daí, a importância de se recorrer a autores, de reconhecida autoridade acadêmica, para corroborar, buscar apoio e legitimação
às ideias, teses, teorias. Como o texto envolve autorias diferentes, a forma de colocação das citações no texto é que identifica a
autoria. Por isso, a importância da correta formatação; a apropriação de ideias alheias sem a indicação do autor e da fonte de
onde foi extraída a informação constitui plágio e denuncia desonestidade intelectual, apropriação indébita de propriedade
intelectual. Há duas formas de se citar uma autoria: direta ou indiretamente:
Citação direta, literal ou textual
Transcrição literal de um trecho lido, apresentada com as mesmas palavras do texto original, seguida ou precedida dos
dados do autor lido (Lei 5.988, de 14/12/1973, que regulamenta os direitos autorais), e da página de onde foi retirada.
Na citação direta,o autor do trabalho recupera tanto as ideias quanto as exatas palavras do autor lido. Optar por colocar
no trabalho o trecho lido na sua forma original de escrita ocorre em situações em que se quer demonstrar apreciação
pela redação original, dar ênfase ao autor lido, ou nos casos em que o trecho reproduzido não pode ser tratado a não ser
•
•
•
•
na sua forma original de escrita (equações, textos de leis, por exemplo). Na citação direta, o autor do trabalho
demonstra que leu, sabe e indica onde pode ser encontrado o trecho lido.
Citação direta curta
Trecho contendo, no máximo, 3 (três) linhas do texto original. É inserida no parágrafo normal do texto, entre aspas
duplas e destaque tipográfico em itálico opcional, com o propósito de destacar a fala do autor lido dentro do texto do
autor do trabalho. Exemplos:
De Masi (2000, p. 74) afirma com propriedade a respeito das questões sociais: “... as massas acreditam que se
encontram no centro do sistema, mas, na realidade, são rebanhos de ovelhas, administrados pelos meios de comunicação
de massa”.
Para o propósito deste trabalho, torna-se importante discutir a seguinte afirmação de Hessen (2000, p. 79): “no
conhecimento dogmático a possibilidade e a realidade do contato entre sujeito e objeto são pura e simplesmente
pressupostas”.
“No conhecimento dogmático a possibilidade e a realidade do contato entre sujeito e objeto são pura e simplesmente
pressupostas” (HESSEN, 2000, p. 79).
Citação direta longa
Trata-se de trecho retirado literalmente do texto original que contém mais de 3 linhas. Deve constituir parágrafo
independente, recuado 4 cm da margem esquerda, em espaço datilográfico menor (1 cm), fonte 10 ou 11, e não conter
aspas. Como na citação direta curta, o destaque tipográfico em itálico é opcional. Exemplo de citação com autor fora do
parágrafo:
Para Peplini (1980, p. 38):
Quando falamos (usando o que vou chamar, por falta de termo melhor, estilo falado), estamos sujeitos a muitas
limitações que não existem no caso da escrita: precisamos manter a atenção no interlocutor; não podemos
sobrecarregar sua memória (nem a nossa), não podemos voltar a apagar o que acabamos de dizer, e assim por diante.
Mesmo texto, exemplificando citação direta longa com autor no final do parágrafo:
Quando falamos (usando o que vou chamar, por falta de termo melhor, estilo falado), estamos sujeitos a muitas
limitações que não existem no caso da escrita: precisamos manter a atenção no interlocutor; não podemos
sobrecarregar sua memória (nem a nossa), não podemos voltar a apagar o que acabamos de dizer, e assim por diante
(PEPLINI, 1980, p. 38).
Citação indireta ou livre
Reprodução das ideias de um texto lido, guardando-lhe a fidelidade das ideias, mas utilizando as próprias palavras do
autor do trabalho (paráfrase), seguidas ou precedidas dos dados do autor lido. Ocorre quando são reproduzidas ideias e
informações do documento sem, entretanto, usar as palavras do autor. Nesse caso, é feita uma paráfrase das ideias do
autor, conferindo-lhe, entretanto, a autoria das ideias. Na citação indireta, o autor do trabalho demonstra que leu o texto
original, o entendeu e foi capaz de reproduzi-lo, sem alterar suas ideias; ou seja, demonstra leitura, compreensão da
mensagem e capacidade de reprodução de um texto lido.
Na citação indireta, a informação do número da página é opcional, já que o autor do trabalho pode reproduzir ideias
constantes em várias páginas do trecho lido em poucos parágrafos, ou ampliar sua explicação tornando-a maior que o
trecho original reproduzido. A paráfrase, recurso utilizado na citação indireta, não tem compromisso nem com a
redução, nem com a ampliação do texto original; apenas com as ideias expostas. Na citação indireta, o autor do
trabalho demonstra que leu e entendeu o que leu, tanto que foi capaz de reproduzir o trecho lido com suas próprias
palavras.
Citação de citação
Trata-se da transcrição direta ou indireta de um texto de um autor, ao qual não se teve acesso ao original. Nesses casos,
deve-se considerar que um autor coloca na sua obra uma ideia, uma fala de outra pessoa. O leitor teve acesso não ao
autor da fala, mas ao autor da obra que conta a fala. Assim, cita-se o autor da fala e se diz que ele foi “citado por” ou
•
•
•
usa-se o termo “apud” para indicar o autor da obra lida. A ideia, portanto, é do autor da fala; os dados são do autor da
obra lida. Exemplos:
Richard Cantillon, citado por Dornelas (1971, p. 13), um dos primeiros a diferenciar o empreendedor, assim o definiu
como sendo “aquele que assume riscos controlados”.
Matos, citado por Oliveira (2010, p. 20), enfatiza a importância da indução no processo de aquisição de conhecimento,
afirmando: “A ciência precisa de induções, que uma vez verificadas, comprovadas transformam-se em deduções lógicas,
aplicáveis a quaisquer casos”.
Entendendo a lógica da citação de citação: a frase acima foi dita por Matos, mas o leitor não teve acesso ao texto de
Matos; ele teve acesso à frase dele ao ler a página 20 do livro do Oliveira. Então, o leitor deve dar a Matos a autoria da
frase, e informar que foi do texto do Oliveira que ele retirou a frase (livro de Oliveira, na página 20). Verifica-se que há
lógica nesse recurso, pois ambos, autor da frase e autor que a publicou (ordem obrigatória), são mencionados, cada um
com a sua responsabilidade e papel.
Informação verbal
São dados e informações colocadas no trabalho, retiradas de fontes não escritas (filmes, aulas, palestras etc.), e que,
portanto, não podem ser incluídas nas referências. São colocadas na forma de citações indiretas, e seus dados devem ser
informados no pé de página (autoria, data, tipo de fonte e tudo o que puder ser informado para caracterizar a fonte).
Exemplo:
No texto: Verifica-se a importância da leitura para o desenvolvimento da consciência cidadã e crítica do ser humano1 ...
No pé da página:
Relação entre citações e referencial teórico
Pelo fato de o referencial ser o espaço para se fazer citações, e por não poder conter opiniões, críticas, resenhas às ideias dos
autores lidos, é importante procurar formas de harmonizar e amenizar o texto, tornando sua leitura menos pesada e mais
agradável. Além da questão estética, é importante ressaltar que citação direta indica que houve leitura, acesso direto ao texto, e
citação indireta sugere que o autor leu e soube interpretar e reproduzir com fidelidade e independência o que leu. Assim, é
importante que um referencial contenha os vários tipos de citações. Algumas sugestões:
Alternar citações diretas com indiretas, ou seja, com paráfrases, comentários. O uso de uma indireta após uma direta pode
facilitar a leitura e servir tanto para explicar, comentar a citação direta, como para introduzir novos conceitos, mesmo
que de autores diferentes. Neste caso, a alternância do tipo de citação harmoniza o texto e suaviza a leitura, e o resultado
é um texto mais leve, que mistura estilos e não compromete a fidelidade das ideias discutidas, pois alterna falas diretas
com um texto explicativo (citação indireta), no qual o autor do trabalho demonstra, interpreta e tenta mostrar o que
entendeu do trecho lido.
A autoria da ideia tem que ser informada, identificada em todos os parágrafos. Mas isso não significa que o nome do autor
deva ser repetido em todos os parágrafos. Quando o mesmo autor for citado em várias ideias, em vários parágrafos,
pode-se, após citá-lo corretamente, colocar sobrenome, ano, página (no caso da citação direta) e iniciar os parágrafos
seguintes com: Afirma, ainda, o autor acima...; Continua o autor a defender que...; O mesmo autor diz...; Continua o
autor acima...
Nesses casos, coloca-se apenas a página nova de cada ideia que estiver sendo discutida. Esta estratégia evita repetição
exaustiva de nomes de autores.
Ex.: Para Schneider (1996, p. 102):
Numa cultura de competência, as pessoas se orgulham de examinar os problemas em profundidade, de executar a
tarefa de forma exaustiva e de fazer o trabalho de maneira completa. Não há lugarpara “achismos”; os problemas
mais difíceis são tratados com extremo cuidado.
O autor também defende que: “Os dirigentes preferem incentivos e recompensas diferenciados. Eles estimulam a
competição individual e de grupos” (p. 105).
As afirmações acima levam a crer que a cultura de competência é encontrada em ambientes de forte competição e
•
•
•
•
•
preocupação com o perfeccionismo. São pessoas cuidadosas com o que fazem, preocupadas em executar as tarefas da
melhor forma possível e querem, por isso, ser recompensadas e reconhecidas.
Quando se tratar de parágrafos muito grandes em citações diretas, pode-se optar por aproveitar apenas parte deles para
colocar no referencial. Neste caso, lança-se apenas o trecho de interesse, seguido ou precedido de reticências [...] para
significar meio de parágrafo; assim, colocam-se apenas trechos considerados essenciais para a citação e desprezam-se
partes anteriores ou posteriores não essenciais.
Ex.: Michel (2005, p. 15) entende que o conhecimento tácito: “[...] representa uma realidade externamente provocada,
mas internamente determinada” [...]. “São conhecimentos difíceis de serem externalizados, mas passíveis de serem
comunicados, ensinados [...]”.
Relação entre citações e referências
Citações e referências são elementos intimamente relacionados dentro do trabalho; enquanto citações são formas resumidas
de se colocar a autoria de uma ideia dentro do texto, referências são uma lista colocada ao final do trabalho, que contém as
citações feitas ao longo deste, com todas as informações que permitam identificá-las e recuperá-las. Por isso, a cada citação
(informação resumida de uma fonte) deve corresponder uma referência (informações completas sobre a fonte).
Citações: dados resumidos da fonte
Trechos transcritos no corpo do trabalho e retirados, literal ou parafrasticamente, de obras lidas, com o objetivo de embasar as
discussões.
Ex.: Schneider (1996, p. 102) – autor fora dos parênteses; ou
(SCHNEIDER, 1996, p. 102) – autor dentro dos parênteses
Referências: endereço completo da fonte
Trata-se de uma lista, colocada após o texto (após a conclusão), contendo a relação das obras consultadas e efetivamente
utilizadas no trabalho, com a finalidade de fornecer os elementos necessários para identificação e localização da obra. Mostra a
base de leitura do autor e confere cientificidade e credibilidade ao trabalho.
Ex.:
SCHNEIDER, William E. Uma alternativa à reengenharia. Rio de Janeiro: Record, 1996, p. 102.
Assim:
todas as citações, definições, afirmações, conteúdos retirados de autores e inseridos no trabalho deverão ter sua autoria
informada no item Referências. Se a indicação da autoria vier antes do texto referenciado, o formato adotado deverá ser:
último sobrenome do autor, ano e página. Ex.: Conforme Silva (2003, p. 25): ... Nos casos em que a autoria for indicada
após a citação, o formato adotado deverá ser: “Texto” (SILVA, 2003, p. 25).
todos os autores citados no corpo do trabalho devem, obrigatoriamente, fazer parte do item Referências, ou seja, da lista
das fontes utilizadas, colocadas após as conclusões, obedecendo-se ao formato ABNT. Assim como todas as fontes
constantes da lista deverão ser citadas, mencionadas, discutidas, em alguma parte do texto ou notas de rodapé.
Exemplo:
no texto: Conforme Davenport (1998, p. 99) ou no texto (DAVENPORT, 2003, p. 99).
nas lista das fontes: DAVENPORT, T. Ecologia da Informação. São Paulo: Atlas, 1998. p. 99.
Formas de inserir uma citação num texto
Apud – (citado por) – quando um autor é citado por outro (FERRARI apud CERVO; BERVIAN, 1996, p. 53).
Cf. – (confira) – usado para fazer referência a trabalhos de outros autores ou a notas do mesmo autor.
Et al. ou et alii – (e outros) – para substituir nomes de autores, a partir do segundo autor, quando forem três ou mais os
•
•
•
•
•
autores da obra.
Et seq. – (que se segue) – quando não se quer mencionar todas as páginas da obra referenciada; informa-se a primeira página,
seguida da expressão et seq.
Ibidem ou ibid. – (mesma obra) – quando forem feitas várias citações de uma mesma obra, variando-se, apenas, a paginação.
Idem ou id. – (mesmo autor) – substitui o nome do autor, quando se tratar de outra obra do mesmo autor, já citado.
Loc. cit. – (no lugar citado) – usado para indicar a mesma página de uma obra já citada, quando houver intercalação de uma
ou mais notas.
Opus citatum ou Op. cit – (na obra citada) – usada após o nome do autor, se referindo à obra citada antes, na mesma página,
quando houver intercalação de uma ou mais notas.
Passim – (aqui e ali) – quando a citação está dispersa por vários pontos da obra.
Sequentia ou seq. – quando a citação continua pelo texto adiante.
SIC – usado para destacar erros gráficos ou de outra natureza, informando que estava escrito daquela forma no texto original,
isentando o autor do texto da autoria.
Sobre a notação de citações
Os dados da citação podem ser colocados na fonte no final da citação, entre parênteses, para evitar uma quebra na
sequência do texto. Nesse caso, as entradas pelo sobrenome do autor, pela instituição responsável ou título devem ser em
letras maiúsculas. Exemplo: Após o primeiro isolamento, na Inglaterra, vários casos têm sido descritos em países como
Canadá, Noruega, Holanda, Dinamarca e Finlândia (GLASERBROOK et al., 1973; JONES, 1981, p. 44).
Quando houver coincidência de sobrenomes de autores e datas de publicação, acrescentar as iniciais dos prenomes; se,
assim mesmo, persistir a coincidência, colocam-se os prenomes por extensão. Exemplo: Barbosa, C. (1957); Barbosa,
Carlos (1957).
Para suprimir partes de uma citação, usam-se reticências entre colchetes [...], no local que se quer suprimir.
Quando se tratar de dados obtidos por informação oral (debates, palestras, comunicações etc.), indicar, entre parênteses, a
expressão “informação verbal”, colocando-os em nota de rodapé.
Quando for necessário traduzir ou grifar palavras para destacar alguma passagem, a alteração do original deve ser
indicada entre parênteses. Exs.: (tradução do autor) (grifo do autor) (grifo nosso). Para fazer citação de citação
(informações provenientes de trabalhos não consultados no original), adota-se o seguinte procedimento: no texto, citar o
sobrenome do autor do documento não consultado, seguido da expressão “apud”, ou sua tradução em português “citado
por”, e os dados da fonte secundária consultada. Exemplo: Marinho (1980 apud MARCONI; LAKATOS, 1982, p. 32)...
E, em nota de rodapé, mencionar os dados do documento original, não consultado. Nas Referências, mencionar os dados
completos do documento efetivamente consultado.
Trechos de entrevistas, questionários, depoimentos, quando sua transcrição literal se fizer necessária, podem ser incluídos no
texto, na forma de citação direta, usando-se os mesmos parâmetros. Nesses casos, devem se transcritos, inclusive, com os erros
gráficos e de correção linguística, cometidos pelo autor, acompanhados da expressão SIC, ou seja, “tal como escrito no
original”.
Ver exemplos de parágrafos usando citações, que podem ser utilizados na elaboração do referencial teórico.
Quadro 39 – Citações
CITAÇÃO DIRETA CURTA CITAÇÃO DIRETA LONGA CITAÇÃO INDIRETA
Definição
Transcrição literal de um texto lido;
cópia idêntica, uso das mesmas
palavras do autor original.
Definição
Transcrição literal de um texto lido;
cópia idêntica, uso das mesmas
palavras do autor original.
Definição
Reprodução das ideias do
autor lido, sem rebatê-las,
usando-se texto, estilo e
palavras próprias.
Característica
Texto original até 3 linhas.
Característica
Texto original com mais de 3 linhas.
Característica
Texto original de tamanho
não definido.
Notação
Dentro do parágrafo de texto,
inserida entre aspas duplas,
separada da fala do autor do
trabalho com dois pontos (:).
Notação
Parágrafo independente, recuado 4 cm
da margem esquerda, fonte 10 ou 11,
espaço simples (1 cm) entrelinhas, sem
aspas.
Notação
Dentro do parágrafo normal
de texto, sem qualqueridentificador de transcrição
literal.
Dados obrigatórios
Informação da fonte (último
sobrenome do autor, ano e página).
Dados obrigatórios
Informação da fonte (último sobrenome
do autor, ano e página).
Dados obrigatórios
Informação da fonte (último
sobrenome do autor, ano e,
opcionalmente, página).
SINTAXE
Antes da citação: Sobrenome (ano, p.) Ex.: Oliveira (1900, p. 100)
Depois da citação: (SOBRENOME, ano, p.) Ex.: (OLIVEIRA, 1900, p. 100)
Fonte: A autora.
Formas de atribuição de autoria no texto do referencial teórico
Para atender à questão básica de um referencial teórico, que é a atribuição da autoria aos trechos discutidos, é necessário que
todas as ideias apresentadas devam “conter” a sua autoria. Isso não significa repetir os dados formais (sobrenome, ano e página)
dos autores. Há formas de se atribuir a autoria e, assim, harmonizar o texto, sem a cansativa repetição dos dados formais. Trata-
se do uso de “conectores de linguagem”, ou seja, expressões que reportam diretamente à autoria, como a seguir:
De acordo com Autor (ano, p.)... Continua o autor...
Conforme Autor (ano, p.)... As ideias de... sugerem...
Para Autor (ano, p.)... Autor (ano) defende...
Segundo Autor (ano, p.)... Autor (ano) vem demonstrar...
Diz Autor (ano, p.)... Autor (ano) critica...
Autor (ano, p.) afirma... Reproduzindo as ideias...
O mesmo autor continua... Parafraseando...
Ainda o autor... Sumarizando...
Sintetizando... Com isso, o autor quer dizer...
Deixa claro o autor, portanto... Afirma, ainda, o autor...
Pode-se entender... Explicando as ideias de...
Aponta o autor... Sugere o autor...
Conclui o autor... 
Essas expressões devem estar próximas o suficiente para que os dados formais da autoria possam ser recuperados pelo leitor
com facilidade (não mais que dois parágrafos depois da citação do autor). Para se determinar quando e como usar essas
expressões, recomenda-se o bom senso e uma boa leitura do texto.
Exemplos.: Diz Oliveira (1900, p. 100): “..................”
Explicando as ideias do autor acima, .......
O referido autor acima continua explicitando........
Resumo do capítulo
Organizar e estruturar as partes de um TA não é tarefa fácil, nem pouco importante. A estrutura representa a organização
lógica das ideias, da qual dependem todo o entendimento e o alcance dos objetivos de um trabalho. Neste capítulo, foram
aprofundados conceitos, exemplos, e fornecidas a estrutura e orientações para a elaboração de um TA.
________________
1 Informação verbal: conceitos extraídos do filme: Fahrenheit 451, apresentado na aula do dia 21/04/2000, da disciplina de Métodos e
Técnicas de Pesquisa da Faculdade...
9.1
9
O TRABALHO ACADÊMICO: ELEMENTOS PRÉ E PÓS-TEXTUAIS
Normas são “trilhas” e não “trilhos”.
Autor desconhecido
A Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT
A ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas –, com mais de 50 anos de existência, é a representante no Brasil das
entidades mundiais de normalização International Organization for Standardization (ISO) e International Electrotechnical
Commission (IEC), e considerada o fórum nacional de normalização das normas brasileiras. Responsabiliza-se por elaborar e
manter atualizadas as normas técnicas, incentivar e controlar o seu uso, nos campos: técnico, científico, industrial, agrícola e
comercial. Seu trabalho é realizado por comitês de estudo, compostos por organismos de normalização setorial (ONS), com
representantes dos setores envolvidos, como produtores, consumidores, neutros (universidades e laboratórios de pesquisa etc.).
A ABNT, ainda, procura incentivar e promover, com patrocínios e divulgação científica, a participação das comunidades
técnicas na pesquisa, desenvolvimento e difusão da normalização técnica do país; colabora com organizações similares
estrangeiras e com o Estado nos estudos e na solução dos problemas relacionados com essa área; e concede, diretamente ou
através de terceiros, marcas de conformidade e certificados referentes a normas técnicas.
Normas Brasileiras (NBRs) Utilizadas
Elaboração de Artigos em Publicação Periódica: 2012 – Essa coletânea contém as normas ABNT NBR 6022:2003, ABNT
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Elaboração de Relatório Técnico ou Científico: 2012 – Essa coletânea contém as normas ABNT NBR 6023:2002, ABNT
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Elaboração de TCC, Dissertação e Teses: 2012 – Essa coletânea contém as normas ABNT NBR 6023:2002, ABNT NBR
6024:2012, ABNT NBR 6027:2003, ABNT NBR 6028:2003, ABNT NBR 6034:2004, ABNT NBR 10520:2002, ABNT NBR
14724:2011 e ABNT NBR 15287:2011.
Edição e formatação de trabalhos acadêmicos
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 Papel – branco, formato A4 (21,0 cm × 29,7 cm), uso apenas do anverso da folha.
Margens – superior e esquerda → 3 cm; inferior e direita → 2 cm
Digitação – em espaço 1,5 cm. Exceção para resumo, citações diretas longas, referências, resumo e notas de rodapé, que
devem ser digitados em espaço simples, ou 1 cm. As referências são digitadas com espaço simples (1cm) entre as linhas
e 1,5 cm entre referências.
Fonte – recomenda-se, para o texto, o uso da fonte Times New Roman ou Arial. O tamanho da fonte é 12 para o texto e
para títulos de seções secundárias e demais. Citações longas devem ficar em fonte menor (11), assim como as notas de
rodapé, que devem ficar dentro das margens, separadas do texto por um espaço simples (1 cm), e por filete (linha) de 3
cm, a partir da margem esquerda.
Organização dos capítulos
Capítulos: a organização do texto em capítulos é obrigatória; cada capítulo gera quebra de página; e deve ser numerado
em algarismos arábicos:
seção primária1
seção secundária 1.1
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seção terciária 1.1.1
seção quaternária1.1.1.1
seção quinária 1.1.1.1.1
Títulos de seções primárias ou capítulos
Títulos de capítulos (seções primárias) abrem página nova; são redigidos em caixa alta, fonte 14, com destaque em
negrito e ajustados à esquerda da página. Não se usam ponto, hífen, travessão ou qualquer sinal após o indicativo de
seção ou de seu título. Devem ser colocados na margem superior do papel, a 3 cm da borda superior, guardando-se o
mesmo espaço entre o título do capítulo e seu texto (duplo enter entre o título e o texto). Exemplo:
1 DISCUSSÕES INICIAIS
2 REFERENCIAL TEÓRICO
3 METODOLOGIA
4 ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA DE CAMPO
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Títulos de seções secundárias e demais
Títulos de seções secundárias e demais não abrem página nova; são redigidos em caixa baixa, fonte normal do texto, ou
seja, fonte 12, com destaque em negrito; sem espaços entre o título e o texto, e sem ponto, hífen, travessão ou qualquer
sinal entre a numeração e o título. Usa-se letra maiúscula apenas na primeira letra do título, excetuando-se os casos de
nomes próprios.
Exemplo:
2.1 Empreendedorismo
2.2 Responsabilidade social das empresas
2.3 O novo perfil profissional para as empresas do século XXI
Títulos de elementos pré e pós-textuais
Elementos pré e pós-textuais não constituem capítulos, mas abrem página nova. São escritos em fonte tamanho 12 ou
14, em negrito e devem ficar centralizados na página. Sugere-se que o espaço entre título e texto nos elementos pré e
pós-textuais obedeça ao bom senso: se o texto for maior que meia página, deve-se proceder da mesma forma que para os
títulos das seções primárias, ou seja, devem ser colocados na margem superior do papel, a 3 cm da borda superior,
guardando-se o mesmo espaço entre o título do capítulo e seu texto (duplo enter entre o título e o texto). Se for texto
menor que meia página, deve-se distribuir o texto na página, considerando a estética da mesma. Exemplo:
SUMÁRIO
RESUMO
AGRADECIMENTOS
REFERÊNCIAS
QUADRO 1 – Síntese ...
TABELA 1 – Percentuais ...
ANEXO A – Relação ...
APÊNDICE A – Roteiro ...
Numeração de páginas: a contagem das folhas se dá a partir da folha de rosto e termina na última página do documento.As folhas que antecedem o texto (elementos pré-textuais) são contadas, mas não numeradas. A numeração começa a
aparecer no capítulo introdutório. A numeração deve ser sequencial, e localizada no canto superior direito da página.
•
9.2
9.3
Parágrafos: o autor poderá optar pelo parágrafo tradicional, ou seja, caracterizado pelo recuo de 15 espaços da primeira
linha, sem duplicar espaços entre parágrafos. Outra opção é o parágrafo moderno, que se caracteriza pelo alinhamento à
esquerda e à direita da página, guardando-se um duplo enter entre um parágrafo e outro. Importante é ressaltar que a
opção por um tipo de parágrafo é decisão do autor do trabalho que, uma vez decidido por um tipo, deverá mantê-lo
durante todo o trabalho.
Redação
O texto deve ser redigido em frases curtas, na ordem direta, linguagem formal, positiva, direta, com rígida obediência à
norma culta da língua. Além disso, é é característica do texto científico a clareza, precisão, concisão e rigor nos argumentos e
análises.
A linguagem do texto acadêmico deve ser neutra (evitar tratamentos pessoais), obedecendo às normas corretas de redação,
pontuação e grafia, palavras simples, sem sofisticação de linguagem, gírias, “clichês”, expressões vulgares, parágrafos curtos.
Adjetivos e advérbios devem ser usados com cuidado. Quando necessários, devem vir acompanhados de explicações,
comprovações, argumentações.
É importante ter sempre a clareza de que o texto científico convence não na força da palavra, mas na força do argumento.
Elementos pré-textuais
CAPA
Proteção externa do trabalho e sobre a qual se imprimem as informações indispensáveis à sua identificação – NBR
14724, de 31/12/2005, item 3.5.
Proteção externa do documento, a capa deve conter os elementos necessários à identificação do trabalho, dispostos, em caixa
alta, centralizados na página, com o objetivo de garantir clareza e estética. Página obrigatória, não é contada e nem numerada.
No caso de livros, na lombada, deverá constar o nome do autor, e/ou títulos (impressos no sentido vertical, de cima para baixo).
Elementos: nome/logomarca da instituição na qual foi desenvolvido o trabalho, título, subtítulo (se houver) do trabalho, nome
do autor(es), local (cidade) da instituição onde o trabalho será apresentado, mês e ano de depósito (entrega). O destaque da
página deve ser dado ao título. Subtítulos ficam em letra menor, caixa baixa, abaixo do título principal. Os demais elementos
devem ser distribuídos esteticamente na página.
Modelo
NOME OU LOGOMARCA DA INSTITUIÇÃO
TÍTULO PRINCIPAL:
subtítulo
Nome completo do autor do trabalho
Cidade, mês e ano
FOLHA DE ROSTO
Folha que contém os elementos essenciais à identificação do trabalho – NBR 14724, de 31/12/2005, item 3.15.
Contém, basicamente, os mesmos elementos da capa, excluindo-se o nome/logomarca da instituição e substituindo-o pelo
nome do autor. São acrescentadas, em um parágrafo simples, com destaque alinhado à direita, a finalidade do trabalho
(natureza, instituição/entidade à qual está sendo submetido, e por que está sendo feito, ou seja, a que exigência, requisito ele
atende). Pode-se utilizar a folha de rosto, também, para inserir informações adicionais, como instituições financiadoras,
parcerias, coautorias etc. Página contada, mas não numerada, e obrigatória, apenas, para os casos em que o trabalho objetive a
obtenção de grau acadêmico. No verso da folha de rosto, após a defesa e aprovação do trabalho, deverá ser inserida uma ficha
catalográfica, elaborada por um profissional de normalização bibliográfica da instituição responsável.
Modelo
Nome completo do autor
TÍTULO PRINCIPAL:
subtítulo
Orientador : Prof. Dílson Almeida Franco
Trabalho de conclusão de curso ... (finalidade), submetido à Coordenação do Curso ..., da
Faculdade ... (instituição/entidade), como requisito parcial para ... (exigência)
Cidade, mês e ano
ERRATA
Lista de folhas e linhas em que ocorrem erros, seguidas das devidas correções. Apresenta-se quase sempre em papel
avulso ou encartado, acrescido ao trabalho depois de impresso – NBR 14724, de 31/12/2005, item 3.13.
Lista das folhas e respectivas linhas, onde ocorreram erros de conteúdo e/ou digitação, seguidos das devidas correções. Em
geral, aparece como folha solta, e é colocada aleatoriamente dentro do trabalho, depois da sua impressão definitiva; portanto,
não numerada. A errata é disposta em 4 colunas: na primeira e na segunda, são informadas, respectivamente, a folha (página) e
a linha aonde ocorreu o erro. As duas colunas restantes são reservadas para as correções, colocando-se, na terceira: ONDE SE
LÊ (coloca-se a forma errada como apareceu no documento); e na quarta: LEIA-SE (coloca-se a forma correta).
Modelo
Folha (página) Linha Onde se lê Leia-se
08 15 Aprovacação Aprovação
23 26 R$ 3.000,00 R$ 30.000,00
37 12 Os dados relevam... Os dados revelam...
FOLHA DE APROVAÇÃO
Folha que contém os elementos essenciais à aprovação do trabalho – NBR 14724, de 31/12/2005, item 3.14.
Elemento obrigatório do trabalho que objetiva a obtenção de grau acadêmico. Contém nome/logomarca da instituição, título,
área de concentração, nome do autor, grau obtido, data de aprovação da monografia, nome completo e local para assinatura dos
membros da banca examinadora. Em geral, os colegiados dos cursos determinam o texto a ser colocado para as informações.
Página contada, mas não numerada.
Modelo
Nome ou logomarca da Instituição
Folha de Aprovação
TÍTULO DO TRABALHO
subtítulo, se houver
Autor
(Tipo de trabalho) submetido à Banca Examinadora, designada pelo Colegiado do Curso de
(curso/instituição onde ele foi desenvolvido), como parte dos requisitos à obtenção do título de (grau
pretendido), linha de pesquisa (se houver).
(Tipo de trabalho) aprovado em: data
Por:
Banca examinadora (nomes completos e espaços à frente de cada nome para assinaturas individuais)
Aprovada pelo Colegiado Versão final aprovada por
_______________________ _______________________
Nome do professor Nome do professor
Coordenador do curso Orientador do candidato
 
DEDICATÓRIA
Folha onde o autor presta homenagem ou dedica o seu trabalho – NBR 14724, de 31/12/2005, item 3.7.
Página opcional, feita em texto curto, escrito em destaque e aposto, em geral, no canto esquerdo inferior da página, ou com
outra configuração igualmente elegante. Nessa página, que não recebe título, o autor oferece a obra a alguém, entidade ou
instituição (apenas uma pessoa, instituição, grupo único e restrito). Trata-se de homenagem, com motivação sentimental, e não
deve ser confundida com os agradecimentos, que representam reconhecimento, nem colocada na mesma página. Deve ser
•
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•
expressa de forma breve e sóbria, explicitando a razão do oferecimento. Aconselha-se oferecer um exemplar do trabalho aos
homenageados. Página opcional, contada, mas não numerada.
Modelo
Dedico este trabalho à minha família, que soube entender o momento da profissional, e não cobrou a mãe e a
esposa, por vezes, ausente
AGRADECIMENTOS
Folha onde o autor faz agradecimentos dirigidos àqueles que contribuíram de maneira relevante à elaboração do
trabalho – NBR 14724, de 31/12/2005, item 3.2.
Página reservada para o autor agradecer às pessoas e/ou instituições que contribuíram de forma significativa para a realização
do trabalho (orientador, colaboradores, órgãos de fomento, convênios, programas, contratos, cedentes de bolsas etc.).
Opcionalmente, pode vir intitulada. Trata-se de um reconhecimento pela colaboração, com motivação técnica. Nela, o autor
pode se manifestar de forma mais livre, simples, informal, culta, relacionando a pessoa/instituição à contribuição dada.
Aconselha-se colocar, antes dos agradecimentos específicos, um agradecimento de ordem geral, para evitar constrangimentos
com eventuais esquecimentos. Sugere-se colocar, no início ou no final dos agradecimentos, um agradecimento de ordem geral
(a todos os que, direta ou indiretamente,...) para evitar esquecimentos constrangedores. Página opcional, contada,mas não
numerada.
Modelo
AGRADECIMENTOS
A todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho, os meus
agradecimentos sinceros e emocionados.
Em especial, agradeço:
Ao professor ....., pela orientação competente, presente e essencial.
Aos colegas ....., pela ajuda constante, troca de experiências e apoio incondicional.
Às bibliotecárias ....., pela presteza e boa vontade.
Ao CNPq, que forneceu a bolsa e os recursos indispensáveis à realização deste trabalho.
À Universidade, que me abriu suas portas, me acolheu, incentivou, valorizou e reconheceu o meu trabalho.
À instituição ...., que gentilmente nos recebeu para realização da pesquisa de campo.
EPÍGRAFE
Folha onde o autor apresenta uma citação, seguida de indicação de autoria, relacionada com a matéria tratada no corpo
do trabalho – NBR 14724, de 31/12/2005, item 3.12.
Citação de um pensamento de outrem, que, de alguma forma, embasa ou refere-se à gênese da obra, e demonstra erudição e
conhecimento do autor. Frase que, colocada entre aspas, no início ou no final do texto, serve de mote para o tema em discussão.
Pode ser colocada nos elementos pré-textuais, como também dentro da obra, no início de capítulos ou partes principais. Esta
página não recebe título, sendo o texto apresentado entre aspas, ou em destaque (itálico ou negrito), indicando, sempre, o autor
do pensamento. Aconselha-se que, dada a natureza do trabalho científico, sejam evitadas citações jocosas, desvinculadas da
temática do trabalho ou comprometedoras por vários motivos. Página opcional, contada, mas não numerada.
Modelo
“Só uma geração de discípulos pode formar uma geração de gênios; pois, somente quem, ANTES, é capaz de
escutar e aprender, alimenta uma maturidade pessoal que o torna, DEPOIS, capaz de julgar, de enfrentar, e até,
eventualmente, abandonar aquilo que o alimentou.”
G. Guissani, em “Educar é um risco”
SUMÁRIO
Enumeração das principais divisões, seções e outras partes do trabalho, na mesma ordem e grafia em que a matéria nele
se sucede – NBR 14724, de 31/12/2005, item 3.25.
Em francês: table de matières, e, em inglês: table ou contents, sumário significa tabela de conteúdos. Ele tem a função de
enumerar as divisões, capítulos, seções do trabalho, que lhe sucedem, com o respectivo número da página e na ordem e grafia
em que aparecem em que se encontram no texto. Seu propósito é permitir a localização dos assuntos tratados. A página deve ser
intitulada. Não se deve confundir sumário com índice. Embora tenham a mesma função no texto, qual seja, a de auxiliar o leitor
a localizar um item específico, sumário e índice tratam de conteúdos diferentes. Enquanto o sumário relaciona todos os títulos e
subtítulos do trabalho, o índice, em geral apresentado no final do trabalho, é uma enumeração detalhada de assuntos, termos,
temas ou autores organizada segundo um critério com a indicação de sua localização no texto. Os elementos pré-textuais não
constam do sumário.
Modelo
SUMÁRIO
I INTRODUÇÃO 01
2 REFERENCIAL TEÓRICO 23
2.1 Formas de “conhecer” 27
2.2 O comportamento científico 28
2.3 Áreas do conhecimento científico 31
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 37
4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS OBTIDOS 43
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 66
REFERÊNCIAS 75
ANEXO A – Organograma da empresa pesquisada 76
APÊNDICE A – Modelo da entrevista aplicada 77
LISTAS
Enumeração de elementos selecionados do texto, tais como datas, ilustrações, exemplos etc., na ordem de sua
ocorrência – NBR 6027, de 31/05/2003, item 3.2.
É uma enumeração de elementos iguais selecionados, na ordem em que aparecem no texto. Trata-se de página constituída de
elementos iguais com o número de página na ordem de sua ocorrência. Pode conter: ilustrações, imagens ou figuras que
elucidam o texto, abreviaturas e siglas, com os respectivos significados por extenso, quadros, gráficos e símbolos (elementos
gráficos que representam e/ou indicam, de forma convencional, um elemento importante para o esclarecimento ou realização de
alguma coisa, signo, sinal). Cada conjunto pode se constituir em uma página separada, dependendo da extensão dos respectivos
itens. Página opcional, contada, mas não numerada.
Modelo
LISTA DE FIGURAS
1 – Estrutura do aparelho 05
2 – Representação gráfica da modelagem do aparelho 20
3 – Classificação dos modelos de aparelhos 39
4 – Representação gráfica do processo de produção 54
LISTA DE GRÁFICOS
1 – Evolução da produção por intervalo de tempo 20
2 – Vendas por ano 33
3 – Carteira de clientes por vendedor 59
LISTA DE QUADROS
1 – Avaliação da oferta de produtos 45
2 – Variáveis preditivas da efetividade organizacional 56
3 – Avaliação final da produção 77
LISTA DE ABREVIATURAS
1 – OMS – Organização Mundial da Saúde 25
2 – CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico 36
3 – FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos 65
4 – CNI – Confederação Nacional das Indústrias 79
5 – CDL – Clube dos Diretores Lojistas 93
RESUMO
Apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento – NBR 6028, de 31/11/2003, item 2.2.
9.4
•
•
Em língua vernácula ou estrangeira, o resumo é a síntese dos pontos mais relevantes do trabalho, uma apresentação (redigida
pelo autor) objetiva e enxuta dos pontos relevantes (espécie de sinopse). Em língua estrangeira (SUMMARY), é a versão literal
do resumo feito na língua vernácula. Seus itens serão expandidos, detalhados no decorrer do mesmo. Página intitulada, cuja
função é fornecer informações que levem o leitor a decidir pela conveniência ou não de ler o texto completo.
Deve contemplar sumariamente o tema, a justificativa, os objetivos, a metodologia utilizada (objeto da pesquisa, pesquisa,
métodos e técnicas); e, principalmente, resultados. Digitado em espaço simples, parágrafo único (cerca de 500 palavras), forma
discursiva, concisa e objetiva, evitando-se abreviaturas, símbolos, fórmulas, equações que não sejam absolutamente necessários
para a compreensão do texto.
Resumo não pode ser confundido com recensão. Enquanto o resumo é uma parte incluída no próprio trabalho, é o trabalho
recomendando a si próprio, a recensão é um documento publicado após a edição da obra, servindo como crítica ou avaliação da
mesma, e incluindo todos os dados identificadores da obra citada. Assim, resumo se restringe ao conteúdo do trabalho ora
apresentado, enquanto a recensão apresenta um quadro mais amplo (pós-edição) de crítica e referência da obra, elaborada sob o
ponto de vista do autor da recensão. Página obrigatória, contada, mas não numerada. As palavras-chave devem ser escolhidas a
partir do tema e dos objetivos do trabalho.
Modelo
RESUMO
Neste trabalho, objetivou-se analisar a participação e o envolvimento do usuário em um sistema de informação,
e a influência que a cultura da organização exerce sobre o comportamento informacional desse usuário. Através
da técnica do estudo de caso, tomou-se como objeto de pesquisa o Sistema Acadêmico da Universidade
Federal de Minas Gerais. A entrevista e a análise de documentos do sistema foram os instrumentos utilizados
para a coleta e análise dos dados. O referencial teórico foi organizado para atender às questões de pesquisa e
incluiu autores e pesquisadores de sistemas de informação, uso e necessidades de informação. Os resultados
foram estruturados em torno de um conjunto de categorias e subcategorias de análise, que focalizaram as
questões relação usuário/sistema, envolvimento de usuário × usabilidade do sistema, cultura informacional e o
comportamento do usuário. Os resultados indicam uma forte influência da cultura e do modelo burocrático da
instituição no uso de informações e na manipulação do sistema. Ao final, sugere-se um modelo de
compartilhamento do conhecimento organizacional como forma de minorar os problemas detectados.
Elementos pós-textuais
REFERÊNCIAS
Conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de um documento, que permite sua identificação individual –
NBR 6023, de 31/08/2002, item 3.9.
Dos elementospós-textuais do trabalho acadêmico, as Referências consistem de um conjunto padronizado, uma lista de
elementos descritivos, retirados de um documento, que permite sua identificação. Como único elemento pós-textual obrigatório,
as referências apresentam a lista das obras (livros, monografias, periódicos, capítulos de livros etc.), mencionadas no corpo da
monografia ou em notas de rodapé. Essa lista tem como finalidade mostrar ao leitor a base de leitura e referência para a
elaboração do trabalho. Quanto ao título a ser dado a essa lista, deve-se considerar o tipo de fonte e o momento de sua
elaboração.
Bibliografia compreende quaisquer tipos de fontes (impressas, virtuais, artigos, anais de congressos, revistas etc.)
disponíveis e recomendadas para leitura sobre o tema/assunto e não necessariamente utilizadas e citadas no corpo do
trabalho.
Referências são as obras (apenas livros, monografias ou periódicos – ou parte delas), efetivamente lidas e aproveitadas
para efeito de discussão, análise e interpretação de dados do trabalho. Portanto, obrigatoriamente citadas no trabalho.
A Internet como fonte de informação para trabalhos acadêmicos
No mundo atual, a comunicação e o conhecimento, cada vez mais, migram para meios virtuais; e, assim, cada vez mais obras,
•
•
1.
2.
3.
4.
•
•
•
a)
artigos, informes são divulgados pela Internet. Não se pode negar que há coisas de valor na Internet e que podemos usá-las
como referências em pesquisas. Entretanto, é necessário o cuidado para trabalhar com essas fontes. Em pesquisas, só se deve
reconhecer como fonte de conhecimento aquilo de que se tiver clareza quanto à natureza, qualidade, confiabilidade.
A evolução tecnológica torna inegável e irreversível o fato de que a Internet é a grande fonte de informações atual. Todo e
qualquer assunto, em imediatos intervalos de tempo, pode ser obtido na rede virtual. Tão quanto prático é o meio, mais
importante se tornam o cuidado e o rigor na sua utilização. A Internet possui “lixo” e “luxo”; ou seja, contém informações
verídicas, importantes, assim como pode ser fonte pouco confiável, por não possuir os filtros da cultura impressa (editora,
revisor etc.). Em princípio, pode-se deixar a cargo do pesquisador o bom senso na análise e seleção dos dados obtidos pela
Internet. Porém, há algumas considerações e sugestões úteis:
Conceitos, definições, teorias, estados-da-arte devem ser, essencialmente, buscados em livros e documentos científicos ou
oriundos de instituições acadêmico-científicas.
Exemplos, casos, relatos, experiências vividas, resultados isolados de consultorias, análises e modelagens empíricas
extraídas da Internet podem ter validade para subsidiar análises e discussões em trabalhos.
Algumas instituições oficiais adotam a Internet como meio oficial de veiculação de suas informações, em detrimento de
publicações impressas. Essas, em geral, possuem corpo editorial próprio e confiável; portanto, podem ser utilizadas como fonte
de dados (SEBRAE, MEC, entre outros). Nesses casos, apenas o nome da instituição é suficiente para sustentar a referência.
Nos demais casos, não se devem aceitar como referência artigos, documentos que não tenham reputação e autoria declarada
ou não tenham o suporte editorial de instituições confiáveis. Conheçamos algumas abreviações de endereços na Internet: .gov –
órgãos do GOVerno; .org – ORGanizações parceiras do governo; .edu – instituição EDUcacional, abreviações de
universidades, centros de estudos.
Assim, desde que o texto tenha uma autoria definida, ou seja, um autor (pessoa física ou jurídica) claramente explicitado, e,
além do autor, uma instituição que tenha apoiado a pesquisa em questão (editora, revista científica, agência de estudos,
universidades, órgãos oficiais), pode-se considerar a fonte confiável, pois a Internet, nesse caso, atua, apenas, como fonte de
divulgação, e não de publicação.
É válido, entretanto, buscar na Internet documentos que apresentem o conhecimento prático, experiências vividas, falas de
pessoas do ramo para enriquecer o texto, mas não como fonte de teoria a ser seguida.
Orientações sobre a elaboração da lista de referências
Referências contêm o endereço completo de todas as fontes recuperáveis em meio físico ou magnético citadas no
trabalho;
Comunicações informais pessoais, incluindo correspondências enviadas e recebidas por correio eletrônico não são
consideradas referências; devem ser colocadas na forma de pé de página, logo após o texto a que se referem;
Documentos eletrônicos podem fazer parte de referências, na medida em que podem ser impressos; desde que sejam
devidamente identificados em todos os campos exigidos pela ABNT;
Sítios da Internet (websites) devem ser cuidadosamente escolhidos para que sejam consideradas referências confiáveis.
Sítios oficiais, formais (.org., .gov., .SEBRAE, .MEC etc.) possuem corpo editorial próprio. Portanto, pode-se citar o
próprio sítio como referência. Artigos publicados na Internet, desde que contenham autoria, e uma instituição que tenha
servido de suporte para sua elaboração, ou seja, que os referenda, podem ser utilizados no trabalho. Nas referências,
citam-se o autor, o trabalho, e a Internet servirá apenas como veículo de divulgação, não de publicação. Desaconselha-se
o uso de sítios que não possuam autoria confiável, e não sejam oficiais.
Orientações gerais sobre o formato
Quando o local da publicação é desconhecido, usa-se a expressão [s.i.]
Quando a editora é desconhecida, usa-se a expressão [s.n.]
Quando a data exata não for identificada, registra-se uma data aproximada entre colchetes:
[1981?] para ano provável
b)
c)
d)
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
[187...?] para década provável
[ca.1960] para data aproximada
[18-] para século certo e ano não identificado
A lista é numerada, sequencialmente, obedecendo à ordem alfabética única do último sobrenome de autor e título do
material consultado, em espaço simples e duplo entre os itens da lista.
Quando houver mais de uma obra para o mesmo autor, utiliza-se traço equivalente a seis espaços e ponto a partir da
segunda ocorrência.
No registro do autor, coloca-se o último sobrenome do autor em letras maiúsculas, seguido dos demais nomes em letras
minúsculas, ou suas iniciais em maiúsculas seguidas de pontos.
Caixa alta para sobrenome de autor, entidades coletivas, títulos de eventos, nomes geográficos.
O título da obra é colocado em minúsculas, com destaque tipográfico (negrito, itálico ou sublinhado); os subtítulos não
recebem qualquer destaque. O tipo de destaque fica a cargo do autor; mas, uma vez escolhido o destaque, este deverá ser
usado em todas as referências.
Um autor pode citar a si mesmo, desde que esteja se referindo a outra obra, já escrita e publicada.
É importante estabelecer um paralelo entre citações e referências, e entre referências e bibliografias, já que esses conceitos
estão interligados e são motivo de dúvida no uso.
Quadro 40 – Paralelo entre referências e citações
CITAÇÕES REFERÊNCIAS
Ficam dentro do texto. Ficam depois do texto, após a conclusão.
Mostram a autoria e o conteúdo da ideia que se quer passar. Relacionam as obras citadas no texto.
Contêm dados resumidos da autoria. Fornecem o endereço completo da autoria.
Fonte: A autora.
Quadro 41 – Paralelo entre referências e bibliografia
BIBLIOGRAFIA REFERÊNCIAS
Elemento obrigatório em projetos e propostas de trabalhos e
pesquisas.
Elemento obrigatório em trabalhos acadêmicos.
Fornece opções de consulta e estudos sobre o assunto. Informa leitura feita e ideia citada no corpo do
trabalho.
SUGERE LEITURAS. INFORMA ENDEREÇO DE OBRAS CITADAS.
Fonte: A autora.
Sobre os grupos de informação que compõem uma bibliografia ou uma referência
Uma bibliografia ou referência é composta por grupos de informações, separados por ponto e vírgula (;). Dentre as várias
formas de entrada, a mais utilizada é por autor.
autorianome completo do(s) autor(es)
dados da obra título, subtítulo, volume, edição
publicação cidade: editora
data/páginasano/páginasconsultadas
Da autoria: último sobrenome do autor, em caixa alta, seguido dos demais nomes em ordem direta e em caixa baixa, na
ordem definida pela obra. Termos, palavras que façam parte do sobrenome e que indique parentesco, ordem etc., como Júnior,
Filho, Neto, Sobrinho etc., fazem parte do sobrenome que os precede.
Dos dados da obra: título escrito em caixa baixa, e apenas a primeira letra em letra maiúscula, com destaque tipográfico (I,
N ou S). Quando houver subtítulos, esses não levam destaque tipográfico. Nos casos de revistas, periódicos, capítulos de livros,
o destaque vai para o veículo maior, ou seja, para o nome da revista, do periódico, do livro. Só se informam volume a edição a
partir do segundo.
Da publicação: omite-se a palavra “editora”, colocando a cidade, seguida de (:) e o nome da editora. Em artigos retirados da
Internet, coloca-se o endereço completo do sítio, o dia e hora de acesso.
Da data/página: se for dado destaque a números de páginas, essas devem ser citadas nas referências; se não, informar o
número total de páginas da obra.
EXEMPLOS
PESSOA FÍSICA
AUTOR. Título: subtítulo. Edição. Local (cidade) de publicação: Editora, data de publicação. No de páginas ou
volumes. (Nome e número da Coleção ou Série.)
JIMENEZ, Enrique. Derecho processual penal. 2. ed. Matrid: Ver. De Derecho Privado, 1950. 2 v.
COSTA, João Henrique; BOEIRA, Carlos et al.
MADALOZZO, A. (Org.). Da inteligência ao coração e à ação. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1977. 144 p.
GUIMARÃES, A. R. (Comp.). O que dizem do amor. Petrópolis: Vozes, 1996. 77 p.
ENTIDADES COLETIVAS (órgãos governamentais, empresas etc.)
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Rio de Janeiro. NBR 5891: regras de arredondamento
da numeração decimal. Rio de Janeiro, 1977. 1 f.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Coordenadoria de Planejamento Ambiental. Estudo de
impacto ambiental – EIA. Relatório de impacto ambiental – RIMA. Manual de orientação. São Paulo, 1989.
48 p. (Série Manuais.)
Nota: entrar pela entidade no caso de obras de cunho administrativo ou legal. Exemplo: Relatórios oficiais).
EVENTOS (CONGRESSOS, CONFERÊNCIAS, SIMPÓSIOS, SEMINÁRIOS, ENCONTROS ETC.)
NOME DO EVENTO, no, ano, local de realização (cidade). Título... Local de publicação: Editora, data de
publicação. No de páginas ou volume.
CONGRESSO PAULISTA DE ODONTOLOGIA, 15, 1992, São Paulo. Anais... São Paulo: APCD, 1992. 136 p.
ENCONTRO DE PESQUISA DA ESCOLA DE VETERINÁRIA DA UFMG, 10, 1982, Belo Horizonte: Núcleo de
Assessoramento à Pesquisa, 1982. (Resumos.)
TRABALHOS ACADÊMICOS
AUTOR. Título: subtítulo. Ano. Número de páginas ou volumes. Categoria (Grau) – Curso e Instituição, Local.
SEQUINO, Rosely. Componentes estruturais cefalométricos da classe III em jovens xantodermas da
região de Maringá. 1997. 50 f. Monografia (Especialização em Ortodontia) – Curso de Pós-Graduação em
Ortodontia, Associação Maringaense de Odontologia, Maringá.
DISSERTAÇÕES E TESES
AUTOR. Título: subtítulo. Ano. Número de páginas ou volumes. Categoria (Grau) – Curso e Instituição. Local.
MICHEL, Maria Helena. Estudo da influência da cultura organizacional no comportamento informacional
dos usuários do sistema de informações acadêmicas da UFMG – um estudo de caso. 128 p. Dissertação
(Mestrado em Ciência da Informação) – Curso de Pós-Graduação em Ciência da Informação. Escola de Ciência
da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.
TEXTOS SEM AUTORIA
ENCICLOPÉDIA Mirador Internacional. São Paulo: Encycloppaedia Britannica, 1993. 20 v.
PARTE DE TEXTOS (capítulos de livro, volumes, páginas, coleções) COM AUTORIA PRÓPRIA
AUTOR DO CAPÍTULO. Título do capítulo. In: AUTOR DO LIVRO. Título do livro. Local de publicação: Editora,
data. Número(s) da(s) página(s) ou volumes consultados.
BORSOI, Izabel Cristina Ferreira. A saúde da mulher trabalhadora. In: CODO, Wanderley; SAMPAIO, José
Jackson Coelho (Org.). Sofrimento psíquico nas organizações. Petrópolis: Vozes, 1995. p. 115-126.
PARTE DE TEXTOS (capítulos de livro, volumes, páginas, coleções) SEM AUTORIA PRÓPRIA
AUTOR DA PARTE. Título da parte referenciada: subtítulo (se houver) da parte. Seguido da expressão In:
seguido de um travessão (__________.). Título da obra no todo: subtítulo (se houver). Local de publicação:
Editora, data de publicação. Páginas inicial-final da parte referenciada.
BOGGS, James. A revolução. In: ________. Ação e pensamento. São Paulo: Brasiliense, 1969. v. 3, p. 17-42.
TRABALHOS APRESENTADOS EM CONGRESSOS
AUTOR DO TRABALHO. Título: subtítulo. In: NOME DO CONGRESSO, no, ano, local de realização. Título da
publicação... Local de publicação (cidade): Editora, data. Páginas inicial-final do trabalho.
SONNENBURG, Cláudio R. Um modelo de fluxo de dados e respectiva arquitetura. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO
DE COMPUTADORES, 7, 1995, Canela. Anais... Porto Alegre: Instituto de Informática, UFRGS, 1995. p. 41-60.
PERIÓDICOS CONSIDERADOS NO TODO
TÍTULO DA PUBLICAÇÃO. Local de publicação (cidade): Editora ou Entidade responsável, ano do primeiro
volume. Periodicidade.
CADERNOS DE ARQUITETURA. Belo Horizonte: Pontifícia Universidade Católica Minas Gerais, 1993. Anual.
FASCÍCULOS
TÍTULO DO PERIÓDICO. Local de publicação (cidade): Editor, volume, número, mês e ano.
CADERNOS DE PSICOLOGIA. Belo Horizonte: FAFICH – UFMG, v. 1, n. 1, out. 1994.
FASCÍCULOS COM TÍTULO PRÓPRIO
REVISTA DA ESCOLA DE BIBLIOTECONOMIA DE BRASÍLIA. Estudo e treinamento de usuários de
informação. Brasília: ABDF, v. 10, n. 2, jul./dez. 1982.
ARTIGOS EM REVISTAS
AUTOR DO ARTIGO. Título do artigo. Título da revista, local, no do volume, no do fascículo, página inicial e
final do artigo, mês e ano.
BERTO, Nilo. A violência segundo Champagnat. Veritas, Porto Alegre, v. 28, n. 11, p. 249-253, set. 1993.
ARTIGOS EM JORNAIS
AUTOR DO ARTIGO. Título do artigo. Título do jornal, local, dia, mês, ano. Número ou título do caderno, seção
ou suplemento, páginas inicial-final do artigo.
MICHEL, Maria Helena. Tratamento com justiça. O Estado de Minas, Belo Horizonte, 7 jan. 2004. Caderno
Opinião, p. 7.
MATERIAIS ESPECIAIS
CD-ROM
TEXTO COMPLETO
AUTOR. Título. Edição. Local de publicação: Editora, data de publicação. Tipo de mídia. Notas.
CALDEIRA, Jorge et al. Viagem pela história do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. 1 CD-ROM.
PARTE DE TEXTO (trabalhos apresentados em eventos)
AUTOR. Título. In: NOME DO EVENTO, n., ano, local de realização. Título... Local: Editora, data. Tipo de mídia.
Notas.
LIMA, Newton. A Universidade e o trabalhador. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O
PROGRESSO DA CIÊNCIA, 49, 1997, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: Videolar, 1991. 3 CD-ROM.
DISQUETE – ARQUIVOS
AUTOR. Título. Edição. Local de publicação: Editora, data de publicação. Tipo de mídia. Descrição física. Notas.
JOHNSTON, Jack; DINARCO, John. Econometric methods. 4. ed. New York: McGraw-Hill, 1997. Disquete. 1
disquete de 3 ½. Para uso em PC.
PROGRAMA DE COMPUTADOR
AUTOR. Título e versão. Local de publicação: Editora, data de publicação. Tipo de mídia. Descrição física.
Notas.
MICROSOFT. Acess 2 for Windows. São Paulo, 1994. Disquete. 3 ½. 7 arquivos, 747.808 bytes. Banco de
Dados.
INTERNET
AUTOR. Título. Edição. Local: Editora, data de publicação. Disponível em: Endereço eletrônico entre brachets <
•
•
•
>. Acesso em: dia mês ano.
MUELLER, Suzana Machado. A pesquisa na formação do bibliotecário. Disponível em:
<http://biblioteconomia.cjb.net>. Acesso em: 9 ago. 2000.
Nota: adotar as mesmas regras das referências, aplicáveis a cada tipo de material, seguidas do endereço eletrônico em brachets
< > e da data de acesso.
FILME
Título. Autor. Direção:, ano, duração, color/B&W.
O nome da rosa. Umberto Eco. Direção: Jean-Jacques Annaud, 1986, 130 min, color.
UNIDADES AUTÔNOMAS
Ao longo do trabalho ou após as referências, podem-se incluir (anexar) documentos, textos, modelos de formulários,
fotografias, exemplos de outras empresas, leis, ou qualquer material reproduzível.Esses documentos são chamados de unidades
autônomas porque encerram, em si próprias, um sentido, uma mensagem, dispensando a leitura do texto que os antecede ou
precede para serem entendidas. Quaisquer representações gráficas inseridas em textos são chamadas de unidades autônomas.
Unidades autônomas podem ser ILUSTRAÇÕES ou TABELAS, que são inseridas num trecho ou após este, com propósito
de condensar mensagens em imagens, e cujas informações, embora se refiram ao trecho no qual estão inseridas, trazem sentido
e significado próprios, podendo, por isso, ser retiradas ao texto ou analisadas individualmente.
Ilustrações
Ilustrações são representações da linguagem em sinais visuais inseridas num texto, que podem ser de vários tipos,
conforme o conteúdo a ser apresentado: quadros, gráficos, figuras, desenhos, mapas, organogramas, fluxogramas,
plantas, retratos e qualquer ideia, mensagem, apresentada sob a forma de representação visual. São utilizadas para
facilitar a compreensão do conteúdo discutido; por isso, devem ser indicadas no texto e colocadas nele, o mais próximo
possível do assunto a que se referem.
Ilustrações poderão ser elementos pós-textuais se estiverem sendo anexados ao trabalho para ilustrar, enriquecer o
conteúdo, fornecer exemplos, como informação adicional ao trabalho, desde que não tenham sido objeto de discussão e
análise dentro do texto. Nesse caso, a unidade será inserida. Ex.: modelo de entrevistas. Ilustrações devem ser colocadas
após o texto e serão nominadas como apêndice ou anexo, conforme a sua origem. No caso de mais de duas ilustrações,
deve-se relacioná-las em lista própria antes do resumo.
Um tipo de ilustração que merece destaque é o quadro, por se assemelhar à tabela quanto ao formato. Vejamos:
Quadro
O quadro é um tipo de ilustração utilizado para a apresentação esquemática de informações textuais, apresentando
uma estrutura de linhas-molduras em todos os lados. São elementos demonstrativos de síntese textual agrupados em
colunas.
Tabela
Forma não discursiva de apresentar informações, das quais o dado numérico se destaca como informação central
(IBGE, 1993).
A tabela não é uma ilustração; é uma representação numérica ou percentualizada de resultados que devem ser estatística
ou numericamente interpretados, e tem o gráfico como ilustração de seus resultados. Segundo a Fundação IBGE,
“Tabela é a forma não discursiva de apresentar informações, das quais o dado numérico se destaca como informação
central”. As normas foram baseadas no manual publicado pelo IBGE, conforme orientação da NBR 14724.
Trata-se de um conjunto de dados dispostos em número finito de colunas e número ilimitado de linhas. As colunas são
consideradas os campos da tabela, e caracterizam os tipos de dados que deverão constar na tabela (numéricos,
alfanuméricos, datas, coordenadas etc). O número de linhas pode ser interpretado como o número de combinações de
•
•
1.
2.
3.
•
valores dos campos da tabela, e pode conter linhas idênticas, dependendo do objetivo.
É importante fazer um paralelo entre um tipo de ilustração, o QUADRO e a TABELA. Embora o visual de ambos possa
ter formato semelhante (informação obtida pelo cruzamento de uma linha com uma coluna), eles se diferem pela função:
enquanto a tabela trabalha informações tabuladas em números e percentuais e tem a função de discutir numérica ou
estatisticamente dados, o quadro trata informações textuais, disposição ordenada de fatos e discute informações e ideias
traduzidas em texto.
Quanto à notação de ilustrações e tabelas:
No caso de ilustrações: o título é colocado acima da unidade, centralizado na página, escrito em negrito, numerado com
algarismos arábicos e intitulado. O nome da unidade é escrito só com a 1a letra da 1a palavra em caixa alta. O restante
fica em caixa baixa. Se houver legendas, essas devem ficar abaixo da indicação da fonte.
No caso de tabelas: o título obedece à mesma sintaxe; porém, ele é colocado abaixo da unidade, ajustado à esquerda da
página, obedecendo às dimensões da unidade, com o nome da unidade escrito só com a 1a letra da 1a palavra em caixa
alta. O restante fica em caixa baixa. Quando houver duas ou mais unidades iguais, deve-se criar uma lista própria nos
elementos pré-textuais. Da mesma forma, se houver necessidade de incluir uma legenda, ela deverá ficar abaixo da
indicação da fonte.
O rodapé é destinado, em ambos os casos, para colocação da fonte de onde foi retirado o conteúdo da ilustração e da tabela,
legendas e notas explicativas. No caso de mais de duas unidades iguais, deve-se criar uma lista própria nos elementos pré-
textuais do trabalho.
Obrigatoriamente, unidades autônomas (ilustrações e tabelas) devem ter a autoria informada, que significa a fonte de onde
foram retirados as informações e o conteúdo. A informação da fonte fica abaixo da unidade, ajustada à esquerda da unidade a
que se refere, em fonte 10, e pode pertencer a três tipos:
Citação direta – a fonte é colocada no formato de referências quando se tratar de cópia literal de uma ilustração/tabela
retirada de uma obra lida. Nesse caso, cria-se ou faz-se uma cópia literal da ilustração/tabela, e, na informação da fonte,
coloca-se a referência completa da obra. Nesse caso, as informações têm que ser absolutamente idênticas às do quadro
copiado.
Citação indireta – refere-se aos casos em que o conteúdo for uma adaptação de um texto, um quadro, uma tabela, ou
quando o autor pretende colocar informações lidas em formato de quadro, por exemplo, resumindo-as ou parafraseando-
as. Nesse caso, na fonte deve ser informado que se trata de uma adaptação da obra × (formato de referências).
Autoria própria – refere-se aos casos em que o autor do trabalho elabora uma ilustração ou tabela com dados de sua
autoria, ou seja, com dados obtidos na pesquisa ou conclusões suas a respeito do tema. Trata-se de uma boa forma de
condensar, reunir críticas, sugestões, conclusões. Nesse caso, coloca-se no campo fonte: autor do trabalho ou dados da
pesquisa.
ANEXOS E APÊNDICES
Documentos complementares e/ou comprobatórios dos dados apresentados no texto, como análises, cálculos, dados, figuras,
quadros, tabelas, fotos etc., cuja função é apresentar informações que esclareçam, enriqueçam, elucidem ou detalhem dados do
texto. São opcionais, não essenciais ao corpo do trabalho, mas acrescentados para enriquecer e ilustrar ideias discutidas,
esclarecer eventuais questões, justificar procedimentos.
A inserção de anexos e apêndices fora do texto tem o objetivo de não quebrar a estrutura, a organização dos assuntos e do
pensamento. Quando há mais de um, deve-se colocar cada um em página separada, com o título Anexo ou Apêndice, conforme
o caso (identificando-os com letras). Quando forem anexados documentos ao trabalho, deve-se fazer referência a esses, no
corpo do trabalho, junto do parágrafo que lhes for pertinente, colocando-se a palavra Anexo ou Apêndice, entre parênteses,
seguida de uma letra. Anexos e apêndices são escritos com iniciais maiúsculas, seguidos de um travessão e dos respectivos
títulos. Há clara distinção entre os conceitos de apêndice e anexo.
Anexos
Texto ou documento não elaborado pelo autor, que serve de fundamentação, comprovação e ilustração – NBR
14724, de 31/12/2005, item 3.3.
•
•
Documentos incluídos ao final do trabalho, após as referências, NÃO elaborados pelo autor. A palavra anexo deve ser
referenciada por uma letra em caixa alta, seguida do título respectivo, escrito com a primeira letra em caixa alta. Todos
os anexos do trabalho devem receber a informação da fonte de onde foram retirados, já que são documentos de
empréstimo ao autor do trabalho; não são de sua autoria. Ex.: Anexo A – Mapa do Brasil Colonial.
Apêndices
Texto ou documento elaborado pelo autor, a fim de complementar sua argumentação, sem prejuízo da unidade
nuclear do trabalho – NBR 14724, de 31/12/2005, item 3.4.
Por apêndice se entende os documentos elaborados pelo próprio autor do trabalho (modelos de planilhas, entrevistas,
questionários, quadros,

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