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UNIDADE ASPECTOS TEÓRICOS E CONCEITUAIS 11 Tatiana Engel Gerhardt e Aline Corrêa de Souza INTRODUÇÃO Esta unidade explora aspectos teóricos e conceituais referentes à metodologia científica, introduzindo alguns conceitos básicos de pesquisa. Também apresenta as diferentes formas de construção do conhecimento científico. A construção desta unidade foi baseada nas publicações de Fonseca (2002), Tartuce (2006) e Gil (2007). OBJETIVOS Os objetivos da Unidade 1 são: (1) introduzir os conceitos-base sobre a metodologia científica e a produção do conhecimento; (2) caracterizar os diferentes tipos de conhecimento e seus pressupostos; (3) discutir processo de construção do conhecimento científico. 1.1 CONCEITOS-BASE Tartuce (2006) aponta que a metodologia científica trata de método e ciência. Método (do grego methodos; met'hodos significa, literalmente, "caminho para chegar a um fim") é, portanto, caminho em direção a um objetivo; metodologia é es- tudo do método, ou seja, é corpo de regras e procedimentos estabelecidos para realizar uma pesquisa; científica deriva de ciência, a qual compreende conjunto de conhecimentos precisos e metodicamente ordenados em relação a determinado do- mínio do Metodologia científica é estudo sistemático e lógico dos métodos empregados nas ciências, seus fundamentos, sua validade e sua relação com as teorias científicas. Em geral, o método científico compreende basicamente um conjunto de dados iniciais e um sistema de operações ordenadas adequado para a formulação de conclusões, de acordo com certos objetivos predeterminados. A atividade preponderante da metodologia é a pesquisa. O conhecimento hu- mano caracteriza-se pela relação estabelecida entre o sujeito e objeto, podendo-se dizer que esta é uma relação de apropriação. A complexidade do objeto a ser conhe- cido determina nível de abrangência da apropriação. Assim, a apreensão simples12 da realidade cotidiana é um conhecimento popular ou empírico, enquanto estudo aprofundado e metódico da realidade enquadra-se no conhecimento científico. O questionamento do mundo e do homem quanto à origem, liberdade ou destino, remete ao conhecimento filosófico (TARTUCE, 2006). 1.1.1 0 que é pesquisa? Segundo Gil (2007, p. 17), pesquisa é definida como (...) procedimento racional e sistemático que tem como objetivo pro- porcionar respostas aos problemas que são propostos. A pesquisa de- senvolve-se por um processo constituído de várias fases, desde a for- mulação do problema até a apresentação e discussão dos resultados. Só se inicia uma pesquisa se existir uma pergunta, uma dúvida para a qual se quer buscar a resposta. Pesquisar, portanto, é buscar ou procurar resposta para alguma coisa. As razões que levam à realização de uma pesquisa científica podem ser agrupa- das em razões intelectuais (desejo de conhecer pela própria satisfação de conhecer) e razões práticas (desejo de conhecer com vistas a fazer algo de maneira mais eficaz). Para se fazer uma pesquisa científica, não basta O desejo do pesquisador em realizá-la; é fundamental ter conhecimento do assunto a ser pesquisado, além de recursos humanos, materiais e financeiros. É irreal a visão romântica de que O pes- quisador é aquele que inventa e promove descobertas por ser genial. Claro que se há de considerar as qualidades pessoais do pesquisador, pois ele não se atreveria a iniciar uma pesquisa se seus dados teóricos estivessem escritos numa língua que ele desco- nhece. Mas, por outro lado, ninguém duvida que a probabilidade de ser bem- sucedi- da uma pesquisa quando existem amplos recursos materiais e financeiros (para pagar um tradutor, por exemplo) é muito maior do que outra com recursos deficientes. Assim, quando formos elaborar um projeto de pesquisa, devemos levar em consideração, inicialmente, nossos próprios limites. Nisso, não se inclui fato de não sabermos ler numa determinada língua, pois, se trabalho for importante e estiver escrito em russo, devemos encaminhá-lo para tradução à pessoa habilitada. O planejamento, passo a passo, de todos os processos que serão utilizados, faz parte da primeira fase da pesquisa científica, que envolve ainda a escolha do tema, a formulação do problema, a especificação dos objetivos, a construção das hipóteses e a operacionalização dos métodos (veremos esses passos em detalhe nas Unidades 3 e 4). 1.1.20 que é metodologia? Para Fonseca (2002), methodos significa organização, e logos, estudo sistemático, pesquisa, investigação; ou seja, metodologia é estudo da organização, dos caminhos a serem percorridos, para se realizar uma pesquisa ou um estudo, ou para se fazer ciência. Etimologicamente, significa estudo dos caminhos, dos instrumentos utili- zados para fazer uma pesquisa científica.É importante salientar a diferença entre metodologia e métodos. A metodolo- 13 gia se interessa pela validade do caminho escolhido para se chegar ao fim proposto pela pesquisa; portanto, não deve ser confundida com conteúdo (teoria) nem com os procedimentos (métodos e técnicas). Dessa forma, a metodologia vai além da des- crição dos procedimentos (métodos e técnicas a serem utilizados na pesquisa), indi- cando a escolha teórica realizada pelo pesquisador para abordar objeto de estudo. No entanto, embora não sejam a mesma coisa, teoria e método são dois termos inse- paráveis, "devendo ser tratados de maneira integrada e apropriada quando se escolhe um tema, um objeto, ou um problema de investigação" (MINAYO, 2007, p. 44). Minayo (2007, 44) define metodologia de forma abrangente e concomitante (...) a) como a discussão epistemológica sobre "caminho do pen- samento" que o tema ou objeto de investigação requer; b) como a apresentação adequada e justificada dos métodos, técnicas e dos ins- trumentos operativos que devem ser utilizados para as buscas relativas às indagações da investigação; c) e como a "criatividade do pesquisa- dor", ou seja, a sua marca pessoal e específica na forma de articular teo- ria, métodos, achados experimentais, observacionais ou de qualquer outro tipo específico de resposta às indagações específicas. 1.1.30 que é conhecimento? De acordo com Fonseca (2002, p. 10), (...) homem é, por natureza, um animal curioso. Desde que nasce interage com a natureza e os objetos à sua volta, interpretando uni- verso a partir das referências sociais e culturais do meio em que vive. Apropria-se do conhecimento através das sensações, que os seres e os fenômenos lhe transmitem. A partir dessas sensações elabora re- presentações. Contudo essas representações, não constituem objeto real. O objeto real existe independentemente de homem conhecer ou não. O conhecimento humano é na sua essência um esforço para resolver contradições, entre as representações do objeto e a realidade do mesmo. Assim, conhecimento, dependendo da forma pela qual se chega a essa representação, pode ser classificado de popular (senso comum), teológico, mítico, filosófico e científico. Veremos mais adiante os diferentes tipos de conhecimento. 1.1.40 que é senso comum? O senso comum, segundo Fonseca (2002, p. 10), surge da necessidade de re- solver problemas imediatos. A nossa vida desenvolve-se em torno do senso comum. Adquirido através de ações não planejadas, ele surge instintivo, espontâneo, subjetivo, acríti- permeado pelas opiniões, emoções e valores de quem produz. Assim,14 senso comum varia de acordo com conhecimento relativo da maioria dos sujeitos num determinado momento Um dos exemplos de senso comum mais conhecido foi de considerar que a Terra era centro do Universo e que o Sol girava em torno dela. Galileu ao afirmar que era a Terra que girava em volta do Sol quase foi queimado pela Inquisição. Por- tanto, senso comum é uma forma específica de conhecimento. A cultura popular é baseada no senso comum. Apesar de não ser sofisticada, não é menos importante sendo crescentemente reconhecida. 1.1.50 que é conhecimento Diante das inúmeras formas de conhecimento, o que é afinal conhecimento cien- tífico? Explicita ainda Fonseca (2002, p. 11): O conhecimento científico é produzido pela investigação científica, através de seus métodos. Resultante do aprimoramento do senso mum, conhecimento científico tem sua origem nos seus procedimen- tos de verificação baseados na metodologia científica. É um conheci- mento objetivo, metódico, passível de demonstração e comprovação. O método científico permite a elaboração conceitual da realidade que se deseja verdadeira e impessoal, passível de ser submetida a testes de fal- seabilidade. Contudo, conhecimento científico apresenta um caráter provisório, uma vez que pode ser continuamente testado, enriquecido e reformulado. Para que tal possa acontecer, deve ser de domínio público. que é ciência? A publicação de Fonseca (2002, p. 11-2) nos diz que a ciência é uma forma particular de conhecer mundo. É saber produzido através do raciocínio lógico associado à expe- rimentação prática. Caracteriza-se por um conjunto de modelos de observação, identificação, descrição, investigação experimental e ex- planação teórica de O método científico envolve técnicas exatas, objetivas e sistemáticas. Regras fixas para a formação de con- ceitos, para a condução de observações, para a realização de experi- mentos e para a validação de hipóteses explicativas. O objetivo básico da ciência não é o de descobrir verdades ou de se cons- tituir como uma compreensão plena da realidade. Deseja fornecer um conhecimento provisório, que facilite a interação com mundo, pos- sibilitando previsões confiáveis sobre acontecimentos futuros e indicar mecanismos de controle que possibilitem uma intervenção sobre eles. Vista desta forma, a ciência adquiriu alto poder em relação ao conhecimento produzido e mantém uma posição privilegiada em relação aos demais conhecimentos (o do senso comum, por exemplo). Essa posição privilegiada foi adquirida pela ciên- cia ao longo da história, sobretudo pelas conquistas efetuadas pela Biologia, Químicae Física, por meio da construção do método científico. Entretanto, deve-se ter cla- 15 reza de que a ciência é apenas uma das formas de se conhecer mundo e, portanto, de que existem outras formas de tornar mundo inteligível. Na sociedade ocidental, segundo Minayo (2007), "a ciência é a forma hegemônica de construção do conhe- cimento, embora seja considerada por muitos críticos como um novo mito da atua- lidade por causa de sua pretensão de ser único motor e critério de verdade" (p.35). Não concordando com absolutismo do sentido e valor da ciência, Minayo (2007, p. 35) lembra que "desde tempos imemoriais, as religiões, a filosofia, os mitos, a poesia e a arte têm sido instrumentos poderosos de conhecimento, desvendando lógicas profundas do inconsciente coletivo, da vida cotidiana e do destino humano". Boaventura de Souza Santos, sociólogo português, no livro Um discurso sobre as ciências (1987), enquadra a natureza da ciência em três momentos: Paradigma da modernidade Crise do paradigma dominante Paradigma emergente Fonseca (2002, p. 11-2) expõe assim, resumidamente, esses três momentos: O paradigma da modernidade é dominante hoje em dia. Substan- cia-se nas ideias de Copérnico, Kepler, Galileu, Newton, Bacon e Des- cartes. Construído com base no modelo das ciências naturais, paradig- ma da modernidade apresenta uma e só uma forma de conhecimento verdadeiro e uma racionalidade experimental, quantitativa e neutra. De acordo com autor, essa racionalidade é mecanicista, pois considera o homem e o universo como máquinas; é reducionista, pois reduz o todo às partes e é cartesiano, pois separa o mundo natural-empírico dos outros mundos não verificáveis, como o espiritual-simbólico. O autor apresenta outros pormenores do paradigma: a) a distinção entre conhe- cimento científico e conhecimento do senso comum, entre natureza e pessoa humana, corpo e mente, corpo e espírito; b) a certeza da expe- riência ordenada; c) a linguagem matemática como modelo de repre- sentação; d) a medição dos dados coletados; e) a análise que decompõe todo em partes; f) a busca de causas que aspira à formulação de leis, à luz de regularidades observadas, com vista a prever o comportamento futuro dos g) a expulsão da intenção; h) a ideia do mundo máquina; i) a possibilidade de descobrir as leis da sociedade. Santos afirma, ainda, que a crise do paradigma dominante tem como referências as ideias de Einsten e os conceitos de relatividade e simultaneidade, que colocaram tempo e espaço absolutos de Newton em debate; Heisenberg e Bohr, cujos conceitos de incerteza e continuum abalaram rigor da medição; que provou a impos- sibilidade da completa medição e defendeu que o rigor da matemática carece ele próprio de fundamento; Ilya Prigogine, que propôs uma nova visão de matéria e natureza. O homem encontra-se num momen- to de revisão sobre rigor científico pautado no rigor matemático e de construção de novos paradigmas: em vez de eternidade, a história; em vez do determinismo, a impossibilidade; em vez do mecanicismo,16 a espontaneidade e a auto-organização; em vez da reversibilidade, a irreversibilidade e a evolução; em vez da ordem, a desordem; em vez da necessidade, a criatividade e acidente. O paradigma emergente deve se alicerçar nas premissas de que todo o conhecimento é científico-social, todo nhecimento é local e total (o conhecimento pode ser utilizado fora do seu contexto de origem), todo conhecimento é autoconhecimento (o conhecimento analisado sob uma prisma mais contemplativo que ati- vo), todo conhecimento científico visa constituir-se em senso comum (o conhecimento científico dialoga com outras formas de conheci- mento deixando-se penetrar por elas). Para Santos, a ciência encontra-se num movimento de transição de uma racionalidade ordenada, previsível, quantificável e testável, para uma ou- tra que enquadra acaso, a desordem, imprevisível, interpenetrável e interpretável. Um novo paradigma que se aproxima do senso comum e do local, sem perder de vista discurso científico e global. Minayo (2007, p. 35) menciona duas razões para a hegemonia contemporânea da ciência como forma de conhecimento: Uma externa, que se acelerou a partir da modernidade, e diz respeito a seu poder de dar respostas técnicas e tecnológicas aos problemas postos pelo desenvolvimento social e humano. Embora esse ponto seja discu- tível, uma vez que problemas cruciais como pobreza, miséria, fome e violência continuam a desafiar as civilizações sem que a ciência tenha sido capaz de oferecer respostas e propostas efetivas. A razão de ordem interna consiste no fato de os cientistas terem sido capazes de estabe- lecer uma linguagem universal, fundamentada em conceitos, métodos e técnicas para a compreensão do mundo, das coisas, dos dos processos, das relações e das representações. Regras universais e padrões rígidos permitindo uma linguagem comum divulgada e conhecida no mundo inteiro, atualização e críticas permanentes fizeram da ciência a "crença" mais respeitável a partir da modernidade.17 ANOTE Sugestão de leitura: SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências na transição para uma ciência pós-moderna. Estudos Avançados, São Paulo, V. 2, n. 2, p. 46-71, 1988. Disponível em: Acesso em: 8 jul. 2007. Pré-publicação. 1.2 CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO Tartuce (2006, p. 5) convida-nos a refletir sobre conceito de conhecimento como ponto de partida para entendermos como se dá a construção do conhecimento: Assim, conhecimento pode ser definido como sendo a manifestação da consciência de conhecer. Ao viver, ser humano tem experiências progressivas, da dor e do prazer, da fome e saciedade, do quente e do frio, entre muitas outras. É conhecimento que se dá pela vivência circunstancial e estrutural das propriedades necessárias à adaptação, interpretação e assimilação do meio interior e exterior do ser. Dessa maneira, ocorrem, então, as relações entre sensação, percepção e conhecimento, sendo que a percepção tem uma função mediadora entre mundo caótico dos sentidos e mundo mais ou menos organi- zado da atividade cognitiva. É importante frisar que conhecimento, como também ato de conhecer, existe como forma de solução de problemas próprios e comuns à vida. O conhecimento como forma de solução problemática, mais ou me- nos complexa, ocorre em torno do fluxo e refluxo em que se dá a base da idealização, pensamento, memorização, reflexão e criação, os quais acontecem com maior ou menor intensidade, acompanhando parâmetros cronológicos e de consciência do refletido e do irrefletido. O conhecimento é um processo dinâmico e inacabado, serve como refe- rencial para a pesquisa tanto qualitativa como quantitativa das relações SO- ciais, como forma de busca de conhecimentos próprios das ciências exatas e experimentais. Portanto, conhecimento e saber são essenciais e exis- tenciais no homem, ocorre entre todos os povos, independentemente de raça, crença, porquanto no homem desejo de saber é inato. As diversificações na busca do saber e do conhecimento, segundo carac- teres e potenciais humanos, originaram contingentes teóricos e práticos diferentes a serem destacados em níveis e espécies. O homem, em seu ato de conhecer, conhece a realidade vivencial, porque se os fenômenos agem sobre os seus sentidos, ele também pode agir sobre os fatos, adqui- rindo uma experiência pluridimensional do universo. De acordo com movimento que orienta e organiza a atividade humana, conhecer, agir, aprender e outros conhecimentos, se dão em níveis diferenciados de apreensão da realidade, embora estejam inter-relacionados.18 A definição clássica de conhecimento, originada em Platão, diz que ele consiste de crença, verdadeira e justificada. Em filosofia, mais especificamente em epistemo- logia, crença é um estado mental que pode ser verdadeiro ou falso. Ela representa elemento subjetivo do conhecimento. Platão, iniciador da tradição epistemológica, opôs a crença (ou opinião doxa, em grego) ao conceito de conhecimento. Uma pessoa pode acreditar em algo e, ainda assim, ter dúvidas. Acreditar em alguma coisa é dar a isso mais de 50% de chance de ser verdadeiro. Acreditar é ação. A crença é a certeza que se tem de alguma coisa. É uma tomada de posição em que se acredita nela até o fim; ou seja, é sinônimo de fé, conjunto de ideias sobre alguma coisa, etc.; atitude que admite uma coisa verdadeira. Verdade significa que é real ou possivelmente real dentro de um sistema de valores. Esta qualificação implica imaginário, a realidade e a ficção, questões centrais tanto em antropologia cultural, artes, filosofia e na própria razão. O que é a verdade afinal? Para Nietzsche, a verdade é um ponto de vista. Ele não define nem aceita definição da verdade, porque diz que não se pode alcançar uma certeza sobre isso. Em epistemologia, justificação é um tipo de autorização a crer em alguma coisa. Quando indivíduo acredita em alguma coisa verdadeira, e está justificado a crer, sua crença é conhecimento. Assim, a justi- ficação é um elemento fundamental do conhecimento. Atualmente têm-se como pressuposto que, para que ocorra a construção do conhe- cimento, há que se estabelecer uma relação entre sujeito e objeto de conhecimento. Assumindo O pressuposto de que todo conhecimento humano reporta a um ponto de vista e a um lugar social, compreende-se que são quatro os pontos princi- pais da busca do conhecimento: Conhecimento empírico Conhecimento filosófico Conhecimento científico Conhecimento teológico 1.2.1 Conhecimento empírico É conhecimento que adquirimos no cotidiano, por meio de nossas experi- ências. É construído por meio de tentativas e erros num agrupamento de ideias. É caracterizado pelo senso comum, pela forma espontânea e direta de entendermos. Tartuce (2006, p. 6) traz alguns elementos relacionados a esse tipo de conhecimento: É conhecimento obtido ao acaso, após inúmeras tentativas, ou seja, conhecimento adquirido através de ações não planejadas. É conheci- mento do dia a dia, que se obtém pela experiência cotidiana. É tâneo, focalista, sendo por isso considerado incompleto, carente de objetividade. Ocorre por meio do relacionamento diário do homem com as coisas. Não há a intenção e a preocupação de atingir que objeto contém além das aparências.Fundamentado apenas na experiência, doutrina ou atitude, que admi- 19 te quanto à origem do conhecimento de que este provenha apenas da experiência. Dentre suas características destacamos: Conjunto de opiniões geralmente aceitas em épocas determinadas, e que as opiniões contrárias aparecem como aberrações individuais. valorativo por excelência, pois se fundamenta numa operação ope- rada com base em estados de ânimo e emoções. É também reflexivo. É verificável. É falível e inexato. O principal mérito do método empírico é de assinalar com vigor a importância da experiência na origem dos nossos conhecimentos. O conhecimento empírico se constitui, assim, em outra forma de conhecer e de se colocar no mundo. 1.2.2 Conhecimento filosófico A palavra filosofia foi introduzida por Pitágoras, e é composta, em grego, de philos, "amigo", e sophia, "sabedoria". Quanto à conceituação de Filosofia, veja estes dados apresentados por Tartuce (2006, p. 6): A Filosofia é a fonte de todas as áreas do conhecimento humano, e todas as ciências não só dependem dela, como nela se incluem. É a ciência das primeiras causas e princípios. A Filosofia é destituída de objeto particular, mas assume papel orientador de cada ciência na solução de problemas universais. Progressivamente, constata-se que cada área do conhecimento des- vincula-se da Filosofia em função da forma como trata objeto, que é para a mesma, a matéria. Em toda trajetória filosófica, surgiram ideias e teorias de grandes filó- sofos, convergentes e divergentes. Portanto, se há generalidades, não há consenso. Isto pode ser exemplificado por expoentes como: Pitágoras a alma governa mundo. As partes do universo unidas entre si refletem a harmonia, expressas pelos números (quantidades). Sócrates - conhecimento é o guia da virtude. "Conhece-te a ti mesmo e conhece a verdade que o outro encerra" (SIC). Platão as ideias não são representações das coisas, mas é a ver- dade das coisas. Santo Agostinho preconiza que a razão é a dimensão espiritual. São Tomás de Aquino considera o homem como indivíduo, estudando-o na prospecção de matéria e forma, admitindo que uni- verso seja dirigido pelo princípio da perfeição. Francis Bacon no Renascimento, defende a Filosofia por meio de concepções ligadas a pesquisas e experimentações. Rousseau no século XVIII, dá prioridade à sensibilidade em de- trimento da razão. O homem é naturalmente bom, a sociedade o per- verte. Trata-se de uma reflexão eminentemente moral, defendendo a democracia vivida na dimensão da liberdade e da igualdade.20 Locke empirista inglês, defende a tese de que homem ao nascer é uma tábua rasa sobre a qual a experiência é gravada. A gênese do conheci- mento, que é a experiência, é a sensação e a reflexão, as quais geram ideias. Kant admite que, se conhecimento se inicia com a experiência, este não resulta só da experiência. Hegel desenvolve uma filosofia cujo ponto de partida são as ideias, inicialmente heterogêneas, e por isso confusas. Para torná-las claras, deve-se considerar vir a ser; ou seja, objeto feito. "Todo dado racional é real e todo dado real é racional." Marx constrói o materialismo dialético e materialismo histórico, que defende a tese de que as contradições existem na Natureza. Portan- to, dispõe-se a interpretar essas realidades que, se são contraditórias, são concretas. A sua metodologia considera os seguintes itens, próprios ao sistema: a matéria, trabalho e a estrutura econômica. Observa-se que não há unanimidade de pensamento e de forma de reflexão en- tre alguns dos grandes expoentes da Filosofia aqui citados, porque a Filosofia repousa na reflexão que se faz sobre a experiência vital, e esta propicia derivações interpreta- tivas diferentes sobre as impressões, imagens e opiniões concluídas. O Conhecimento Filosófico procura conhecer as causas reais dos fe- nômenos, não as causas próximas como as ciências particulares. Pro- cura conhecer, também, as causas profundas e remotas de todas as coisas e, para elas, respostas. Dentre suas características É valorativo, pois seu ponto de partida consiste em hipóteses, que não poderão ser submetidas à observação. Não é verificável. Tem a característica de sistemático. É infalível e exato. Portanto, conhecimento filosófico é caracterizado pelo esforço da razão para questionar os problemas humanos e poder discernir entre certo e errado, unicamente recorrendo às luzes da própria razão humana (TARTUCE, 2006, p. 6). Desta forma, conhecimento filosófico é fruto do raciocínio e da reflexão humana. É conhecimento especulativo sobre gerando conceitos subje- tivos. Busca dar sentido aos fenômenos gerais do universo, ultrapassando os limites formais da ciência. 1.2.3 Conhecimento teológico É o conhecimento revelado pela fé divina ou crença religiosa. Não pode, por sua origem, ser confirmado ou negado. Depende da formação moral e das crenças de cada indivíduo. Exemplos: acreditar que alguém foi curado por um milagre; acreditar em Deus; acreditar em reencarnação; acreditar em espírito, etc. O conhecimento teológico, ou místico, é fundamentado exclusivamente na fé hu- mana e desprovido de método. É alcançado através da crença na existência de entesdivinos e superiores que controlam a Vida e Resulta do acúmulo de re- 21 velações transmitidas oralmente ou por inscrições imutáveis e procura dar respostas às questões que não sejam inteligíveis às outras esferas conhecimento. Exemplos são os textos sagrados, tais como a Bíblia, Alcorão (ou Corão, livro sagrado do isla- mismo), as Escrituras de Nitiren Daishonin (monge budista do Japão do século XIII que fundou budismo Nitiren), entre outros. Adquirido a partir da aceitação de axiomas da fé teológica, esse conhecimento é fruto da revelação da divindade, por meio de indivíduos inspirados que apresentam respostas aos mistérios que permeiam a mente humana. Teixeira nos apresenta em um texto algumas reflexões sobre essa forma de conhecimento: A incumbência do Teólogo é provar a existência de Deus e que os tex- tos bíblicos foram escritos mediante inspiração divina, devendo por isso ser realmente aceitos como verdades absolutas e incontestáveis. "Hoje, diferentemente do passado histórico, a Ciência não se permite ser subjugada às influências de doutrinas da fé: e quem está procuran- do rever seus dogmas e reformulá-los para não se opor à mentalidade científica do homem contemporâneo é a Teologia" (João Ruiz, 1995). Isso, porém, é discutível, pois não há nada mais perfeito do que a monia e equilíbrio do Universo, que, de qualquer modo, está no nhecimento da humanidade, embora esta não tenha mãos que possam apalpá-lo ou olhos que possam divisar seu horizonte infinito... A fé não é cega, baseia-se em experiências espirituais, históricas, arqueológicas e coletivas que lhe dão sustentação. O conhecimento pode ter função de libertação ou de opressão. O conhecimento pode ser libertador não só de indivíduos como também de grupos humanos. Atualmente, a detenção do conhecimento é um tipo de poder disputado entre as nações. Contudo, conhecimento pode ser usado como mecanismo de opressão. Quantas pessoas e nações se utilizam do conhecimento que detêm para oprimir? Para discutir estas questões recém-citadas, vê-se a necessidade de insti- tuirmos um novo paradigma para discussão do conhecimento, conhe- cimento moderno, entende-se por conhecimento moderno, a discussão em torno do conhecimento. É a capacidade de questionar, avaliar metros de toda a história e reconstruir, inovar e intervir. É válido que, além de discutir os paradigmas do conhecimento, é necessário avaliar problema específico do questionamento científico, fonte imorredoura da inovação, tornada hoje obsessiva. No entanto, a competência ino- vadora sem precedentes pode estar muito mais a serviço da exclusão do que da cidadania solidária e da emancipação humana. O fato de mercado neoliberal estar se dando muito bem com conhecimento tem afastado a escola e a universidade das coisas concretas da vida. O questionamento sempre foi a alavanca crucial do conhecimento, sen- do que para mudar alguma coisa é imprescindível desfazê-la em parte ou, com parâmetros, desfazê-la totalmente. A lógica do questionar leva a uma coerência temerária de a tudo desfazer para inovar. Como exem- plo a informática, onde cada computador novo é feito para ser jogado22 fora, literalmente morre de véspera e não sendo possível imaginar um computador final, eterno. E é neste foco que se nos apegarmos à estag- nação, também iremos para o lixo. Podemos então afirmar a reconstru- ção provisória dentro do ponto de vista desconstrutivo, pois tudo que existe hoje será objeto de questionamento, e quem sabe, mudanças. O questionamento é assim passível de ser questionado, quando cria um ambiente desfavorável ao homem e à natureza. É importante conciliarmos o conhecimento com outras virtudes es- senciais para saber humano, como a sensibilidade popular, bom senso, sabedoria, experiência de vida, ética, etc. Conhecer é comuni- car-se, interagir com diferentes perspectivas e modos de compreen- são, inovando e modificando a realidade. A relação entre conhecimento e democracia, modernamente, carac- teriza-se como uma relação intrínseca, o poder do conhecimento se impõe através de várias formas de dominação: econômica, política, social, etc. A diferença entre pobres e ricos é determinada pelo fato de se deter ou não conhecimento, já que acesso à renda define as chances das pessoas e sociedades, cada vez mais, estas chances serão definidas pelo acesso ao conhecimento. Convencionou-se que em li- derança política é indispensável nível superior. E no topo da pirâmide social encontramos o conhecimento como fator diferencial. É inimaginável progresso técnico que conhecimento pode nos proporcionar, como é facilmente imaginável risco da destruição to- tal. Para equalizar esta distorção, o preço maior é a dificuldade de arrumar a felicidade que, parceira da sabedoria e do bom senso, é muitas vezes desestabilizada pela soberba do conhecimento. De forma geral, podemos dizer que conhecimento é distintivo principal do ser humano, é virtude e método central de análise e in- tervenção da realidade. Também é ideologia com base científica a serviço da elite e/ou da corporação dos cientistas, quando isenta de valores. E finalmente pode ser a perversidade do ser humano, quando é feito e usado para fins de destruição. (Disponível em: php?modulo=11&texto=631>) 1.2.4 Conhecimento O conhecimento científico surge com Galileu Galilei (1564-1642). Os gregos já distinguiam no século VII a. C. a diferença entre o conhecimento racional (cien- tífico, mediado pela razão) e conhecimento mítico, este inspirado pelos deuses e do qual se fala sem nenhuma preocupação em relação à prova dos acontecimentos. O conhecimento científico surge a partir: da determinação de um objeto específico de investigação; e da explicitação de um método para essa investigação. A Ciência caracteriza-se como uma forma de conhecimento objetivo, racional, sistemático, geral, verificável e falível. As áreas da Ciência podem ser classificadas em duas grandes dimensões:puras (o desenvolvimento de teorias) e aplicadas (a aplicação de teorias às ne- 23 cessidades humanas); ou naturais (o estudo do mundo natural) e sociais (o estudo do comportamento humano e da sociedade). As Ciências Sociais têm peculiaridades que as distinguem das ciências naturais. Os fenômenos humanos não ocorrem de forma semelhante à do mundo físico, impossibilitando a previsibilidade. A quantificação dos resultados é falha e limitada. Os pesquisadores têm crenças que podem prejudicar os resultados de suas pesquisas. O método por si só não pode explicar um social (TAR- TUCE, 2006, p. 8). Essa distinção entre as ciências naturais e as ciências sociais é objeto, ainda hoje, de inúmeras controvérsias e de disputas de poder entre os diferentes campos de estudo na academia. A postura mais comum é a atribuição de status científico ao que pode ser quantificado e uma pequena tolerância par estudos qualitativos como ferramentas para a exploração de variáveis a serem testadas estatisticamente. Minayo & Minayo-Gómez (2003, p.118) nos fazem a esse respeito três consi- derações importantes: 1) Não há nenhum método melhor do que outro, método, minho do pensamento", ou seja, bom método será sempre aquele capaz de conduzir o investigador a alcançar as respostas para suas per- guntas, ou dizendo de outra forma, a desenvolver seu objeto, explicá- lo ou compreendê-lo, dependendo de sua proposta (adequação do método ao problema de pesquisa); 2) Os números (uma das formas explicativas da realidade) são uma linguagem, assim como as catego- rias empíricas na abordagem qualitativa são e cada abordagem pode ter seu espaço específico e adequado; 3) Entendendo que a questão central da cientificidade de cada uma delas é de outra ordem [...] a qualidade, tanto quantitativa quanto qualitativa depende da pertinên- cia, relevância e uso adequado de todos os instrumentos. Veremos na Unidade 2 mais detalhes sobre a pesquisa quantitativa e qualitativa. Retomando a definição de conhecimento científico, de acordo com Tartuce (2006, p. 8), temos que (...) o conhecimento científico exige demonstrações, submete-se à comprovação, ao teste. O senso comum representa a pedra fundamental do conhecimento humano e estrutura a captação do mundo empírico imediato, para se transformar posteriormente em um conteúdo elabo- rado que, por intermédio do bom senso, poderá conduzir às soluções de problemas mais complexos e comuns até as formas de solução metodi- camente elaboradas e que compõe o proceder científico.24 Suas características são: É real (factual), porque lida com ocorrências ou fatos. Constitui um conhecimento contingente, pois suas proposições ou hi- póteses têm sua veracidade ou falsidade conhecida por intermédio da ex- periência e não apenas razão, como ocorre no conhecimento filosófico. É sistemático. Possui características de verificabilidade. É falível, em virtude de não ser definitivo, absoluto ou final e, por este motivo, é aproximadamente exato. Vemos que conhecimento científico se dá à medida que se investiga o que se pode fazer sobre a formulação de problemas, que exigem estudos minuciosos para seu equacionamento. Utiliza-se conhecimento científico para se conseguir, por intermédio da pesquisa, constatar variáveis. As variáveis são a presença e/ou ausência de um determinado fenômeno inserido em dada realidade. Essa consta- tação se dá para que estudioso possa dissertar ou agir adequadamente sobre as características do que fato apresenta. Representativamente, o estudioso pode estar interessado em investi- gar a situação do menor abandonado e delinquente, com o objetivo de descrever as suas características, como também, procurar conhecer os fenômenos que encerram este fato para sobre eles (fenômenos) agir. Quer aconteça procedimento mantido para um ou outro objetivo, conclui-se que procedimento estará presente, desde que obedeça a um PROJETO determinado, cuja preocupação se estende às generali- zações que possam até atender casos particulares. A atividade desempenhada pelo cientista tem em vista definir as si- tuações fenomenais, pois somente definindo-as ele é capaz de tornar conhecidos os conceitos elaborados. Dessa maneira, o estudioso consegue atingir em termos de conheci- mento as qualidades e quantidades próprias e próximas à verdade ou, às vezes, quase próximas, como também, a certeza que o fato encerra. Pretende-se, assim, atingir melhor índice de validade e fidelidade do conhecimento de um Para atingir tal resultado, é necessário que a busca do conhecimento de um fenômeno seja guiada por perguntas básicas que encaminharão o encontro de respostas concernentes e, portanto, coerentes entre si. Essas perguntas podem ser sintetizadas em: que conhecer? Por que conhecer? Para que conhecer? Como conhecer? Com que conhecer? Em que local conhecer? Observa-se que tais procedimentos acabam por caracterizar uma ação me- todológica que direciona conhecimento do pesquisador, que se dirige a qualquer uma das propostas de formação profissional, seja ela própria ao advogado, ao psicólogo, ao contador, ao administrador, entre outros.Assim sendo, a realidade científica é uma realidade construída e que 25 tem significado à medida que oferece características objetivas, quantita- tivamente mensuráveis e/ou qualitativamente observáveis e controladas. Concluindo, é possível destacar que: O conhecimento científico surgiu a partir das preocupações huma- nas cotidianas e esse procedimento é consequente do bom senso ganizado e sistemático. O conhecimento científico, considerado como um conhecimento superior exige a utilização de métodos, processos, técnicas especiais para análise, compreensão e intervenção na realidade. A abstração e a prática terão que ser dominadas por quem pretende trabalhar cientificamente. São inegáveis as contribuições que a Ciência tem em nossas vidas, e é difícil imaginar como seria nossa vida hoje sem os inúmeros avanços que a pesquisa cientí- fica nos proporcionou. Entretanto, toda aplicação prática, por meio de tecnologias, tem um impacto nem sempre positivo, como a clonagem e a manipulação genética, que levantam inúmeras questões éticas importantes e que merecem reflexão. 1.2.4.1 MÉTODO CIENTÍFICO Considerando que já foi estudado até aqui, reforça-se a concepção de que a Ciência é um procedimento metódico cujo objetivo é conhecer, interpretar e intervir na realidade, tendo como diretriz problemas formulados que sustentam regras e ações adequadas à constituição do conhecimento. Tartuce (2006, p. 12) apresenta alguns conceitos importantes para melhor compreendermos a natureza do método científico: Os métodos científicos são as formas mais seguras inventadas pelos homens para controlar movimento das coisas que cerceiam um fato e montar formas de compreensão adequada dos Fatos - acontecem na realidade, independentemente de haver ou não quem os conheça. Fenômeno - é a percepção que observador tem do fato. Pessoas diversas podem observar no mesmo fato fenômenos dife- rentes, dependendo de seu paradigma. Paradigmas constituem-se em referenciais teóricos que servirão de orientação para a opção metodológica de investigação. Mesmo que os paradigmas sejam constituídos por construções teó- ricas, não há cisão entre a teoria e a prática, ou entre a teoria e a lei científica. Portanto, um e outro coexistem gerando que se pode de- nominar praxiologia. Método Científico é a expressão lógica do raciocínio associada à formulação de argumentos convincentes. Esses argumentos, uma vez apresentados, têm por finalidade informar, descrever ou persuadir um fato. Para isso estudioso vai utilizar-se de: Termos são palavras, declarações, significações convencionais que se referem a um objeto26 Conceito é a representação, expressão e interiorização daquilo que a coisa é (compreensão da coisa). É a idealização do objeto. O conceito é uma atividade mental que conduz um conhecimento, tornando não apenas compreensível essa pessoa ou essa coisa, mas todas as pessoas e coisas da mesma época. Definição é a manifestação e apreensão dos elementos contidos no conceito, tratando de decidir em torno do que se duvida ou do que é ambivalente. Saber utilizar adequadamente termos, conceitos e definições significa metodologicamente expressar na Ciência aquilo que O indivíduo sabe e quer transmitir Método Dedutivo Descartes (1596-1650) apresenta Método Dedutivo a partir da ma- temática e de suas regras de evidência, análise, síntese e enumeração. Esse método parte do geral e, a seguir, desce para o particular. O protótipo do raciocínio dedutivo é silogismo, que, a partir de duas propo- sições chamadas premissas, retira uma terceira chamada conclusão. Exemplo: Todo mamífero tem um coração. Ora, todos os cães são mamíferos. Logo, todos os têm um coração. No exemplo apresentado, as duas premissas são verdadeiras, portanto a con- clusão é verdadeira. Parte-se de princípios reconhecidos como verdadeiros e indiscutíveis, possibi- litando chegar a conclusões de maneira puramente formal, em virtude de sua lógica. Este método tem larga aplicação na Matemática e na Física, cujos princípios podem ser enunciados por Já nas Ciências Sociais seu uso é mais restrito, em virtude da dificuldade de se obterem argumentos gerais cuja veracidade não possa ser colocada em dúvida (Gil, 1999). Método Indutivo Para Francis Bacon (1561-1626), conhecimento científico é único cami- nho seguro para a verdade dos fatos. Como Galileu, critica Aristóteles (filósofo gre- go) por considerar que silogismo e processo de abstração não propiciam um conhecimento completo do universo. O conhecimento é fundamentado exclusiva- mente na experiência, sem levar em consideração princípios preestabelecidos. O conhecimento científico, para Bacon, tem por finalidade servir homem e dar-lhe poder sobre a natureza. Bacon, um dos fundadores do Método Indutivo, considera: as circunstâncias e a frequência com que ocorre determinado os casos em que fenômeno não se verifica; os casos em que o apresenta intensidade diferente.Exemplo: 27 Antônio é mortal. Benedito é mortal. Carlos é mortal. é mortal. Ora, Antônio, Benedito, e Zózimo são homens. Logo, (todos) os homens são mortais. A partir da observação, é possível formular uma hipótese explicativa da causa do Portanto, por meio da indução chega-se a conclusões que são apenas prováveis. Método Hipotético-Dedutivo Este método foi definido por Karl Popper, a partir de suas críticas ao método indutivo. Para ele, método indutivo não se justifica, pois salto indutivo de "al- guns" para "todos" exigiria que a observação de fatos isolados fosse infinita. O método hipotético-dedutivo pode ser explicado a partir do seguinte esquema: PROBLEMA HIPÓTESES DEDUÇÃO DE CONSEQUÊNCIAS OBSERVADAS TENTATIVA DE FALSEAMENTO CORROBORAÇÃO Quando os conhecimentos disponíveis sobre um determinado assunto são in- suficientes para explicar um surge problema. Para tentar explicar problema, são formuladas hipóteses; destas deduzem-se consequências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tentar tornar falsas as consequências dedu- zidas das hipóteses. Enquanto no método dedutivo se procura confirmar a hipótese, no método hipotético-dedutivo se procuram evidências empíricas para derrubá-la. Quando não se consegue derrubar a hipótese, tem-se sua corroboração; segundo Popper, a hipótese se mostra válida, pois superou todos os testes, porém ela não é defi- nitivamente confirmada, pois a qualquer momento poderá surgir um fato que a invalide. Neste módulo introdutório, não se pretende fazer uma revisão de correntes filosóficas (em cursos mais extensos, como os de Mestrado e Doutorado, essas cor- rentes são normalmente apresentadas em disciplinas específicas sobre metodologia científica, que abordam a filosofia e epistemologia da Entendemos que aluno que pretende desenvolver um projeto de pesquisa, uma monografia ou artigo científico terá que buscar muitos subsídios para essa tare- fa. Essa preparação envolve leitura tanto sobre tema a ser investigado quanto sobre a metodologia de pesquisa a ser utilizada. Para uma leitura mais aprofundada em métodos de pesquisa, consulte a bibliografia que se encontra ao final deste módulo e alguns sites na Internet apresentados a seguir. 1 Veja no Glossário alguns termos utilizados na produção do conhecimento científico, como, por exemplo, epistemologia.1.3 REFERÊNCIAS 29 FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002. Apostila. GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999. . Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. MINAYO, M. C. S.; MINAYO-GOMÉZ, C. Difíceis e possíveis relações entre méto- dos quantitativos e qualitativos nos estudos de problemas de saúde. In: GOLDEN- BERG, P.; MARSIGLIA, R. M. G.: GOMES, M. H. A. (Orgs.). O clássico e o novo: ten- dências, objetos e abordagens em ciências sociais e saúde. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003. p. 117-42. MINAYO, desafio do conhecimento. Pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: HUCITEC, 2007. TARTUCE, T. J. A. Métodos de pesquisa. Fortaleza: UNICE - Ensino Superior, 2006. Apostila.