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Curso Técnico Subsequente em EaD
Administração
Tópicos de Direito
Administrativo e
Comercial
Prof. Me. Robson Lubas Arguelho
Ementa
• Constituição jurídica da empresa.
• Composição do capital.
• Legislação comercial.
• Legislação tributária.
• Código de defesa do consumidor.
• Falência.
• Procedimentos falimentares.
• Recuperação Judicial e Recuperação
Extrajudicial de Empresas.
Bibliografia Básica
• FABRETTI, D. R.; FABRETTI, D.; FABRETTI, L. C. Direito empresarial para cursos de
• administração e ciências contábeis. São Paulo: Atlas, 2014.
• GLADSTON, M. Manual de direito empresarial. São Paulo: Atlas, 2018.
• GLADSTON, M. Empresa e atuação empresarial: direito empresarial brasileiro. São
Paulo: Atlas, 2017.
• SICA, L. P. P. P. Direito empresarial atual. Rio de Janeiro: Forense, 2014.
• THEODORO JR. H. Direitos do consumidor. Rio de Janeiro: Forense, 2017.
Bibliografia Complementar
• CHAGAS, E. E. Direito empresarial esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2017.
• FINKELSTEIN, M. E. Manual do direito empresarial. São Paulo: Atlas, 2016.
• RIZZARDO, A. Direito de empresa. Rio de Janeiro: Forense, 2018.
Objetivos de Aprendizagem
• Compreender a origem e a evolução
histórica, bem como alguns
institutos que regem o Direito
Empresarial.
• Compreender a autonomia, as
fontes e os princípios do Direito
Empresarial.
Aula 1 – Teoria Geral do Direito Empresarial
Uma breve introdução ao Direito Comercial
• Muitos imaginam que o Direito Empresarial é muito
próximo do Direito Civil, mais é um engano. O ramo
mais próximo do Direito Empresarial é o Direito do
Trabalho. Assim, temos no Direito Empresarial como
o ramo do direito que tutela o empresário e o Direito
do Trabalho como ramo do direito que tutela o direito
do trabalhador.
Teoria Geral do Direito Empresarial
• Antes de adentramos no conceito de Direito Empresarial, faz-se
necessário entendermos o que vem a ser o Comércio. E, desde logo,
podemos, segundo a doutrina, conceituá-lo sob dois aspectos:
• 1º) sob o aspecto econômico: que se relaciona com as atividades humanas
que colocam em circulação as riquezas produzidas; e
• 2º) sob o aspecto jurídico: relativo à atividade de mediação, que tem
como característica a habitualidade e os fins lucrativos dos produtos da
natureza ou da indústria. Nesse sentido, a atividade comercial pode ser
caracterizada por elementos básicos, como:
• a) a intermediação (produtor/consumidor),
• b) a finalidade lucrativa,
• c) habitualidade da atividade.
Definição de Comércio
• Para TOMAZETTE (2013), o comércio não seria
somente a mera troca de mercadorias, já que a atividade
comercial compreende a intermediação (como facilitador)
e o lucro.
• Por sua vez, Cometti (2019) ensina que o Direito
Comercial ou Direito Empresarial seria um complexo de
normas jurídicas que ao mesmo tempo regula e disciplina
a atividade e a exploração das atividades da empresa.
Evolução Histórica do Direito Empresarial
• É na Babilônia que surgem as primeiras normas que
regulavam a atividade comercial, com o Código de
Hamurabi
(http://www.cpihts.com/PDF/C%C3%B3digo%20hamur
abi.pdf), não como um complexo sistema de normas,
como já dito anteriormente, voltado para o Direito
Comercial, mas sim como um meio de regulamentar o
comércio marítimo da época, além de alguns contratos de
depósitos, empréstimos ou transportes.
Evolução Histórica do Direito Empresarial
• Como uma ciência jurídica, surge na Baixa Idade
Média, período em que a vida urbana tem um
expressivo crescimento, resultado da cessação das
invasões dos bárbaros. Período em que surgem novos
burgos e os antigos são expandidos. Eis que, em meio
a esse cenário favorável para o comércio, já que as
corporações de comércio começaram a se expandir e
as linhas de comércio com o oriente são
reestabelecidas, após expulsão dos árabes do
continente europeu, surge um novo sistema
econômico, qual seja, o capitalismo comercial.
Evolução Histórica do Direito Empresarial
• Faltava ainda, entretanto, a edição de uma norma que desvinculasse a aplicação
de leis comerciais e a jurisdição das leis comerciais do juízo comercial,
exclusivamente daquelas pessoas que, por estarem inscritas em determinadas
corporações do comércio, eram consideradas comerciantes.
• Essa barreira, conforme no ensina Cometti (2019) só foi superada com a
Revolução Francesa, transpondo, definitivamente, a estrutura classista do
Direito Comercial em prol do liberalismo econômico. Ou seja, em vista dos
ideais revolucionários da época, não havia mais espaço para privilégios de
classes ou qualquer restrição à liberdade profissional, de trabalho ou de
comércio. Desvinculação que só veio de maneira real com o Código Comercial
Francês em 1808 (Código Napoleônico), que acaba por inovar a aplicação do
Direito e da jurisdição comercial, transformando o Direito Comercial, de
“direito dos comerciantes” em “direito dos atos de comércio”, que poderia, a
partir daí, ser praticado por qualquer cidadão comum. Vale um destaque aqui neste
ponto, em que temos uma ideia clara no Código Napoleônico, sobre Igualdade entre cidadãos e
ao mesmo tempo que se fortalece o estado nacional frente às corporações.
Evolução Histórica do Direito Empresarial
• Cometti (2019 p.35) “surge, em 1942, na Itália, uma nova teoria que
procurou alargar o âmbito de incidência das normas do Direito
Comercial”, consequência, em que a tônica da comercialidade se
deslocou do “ato”, considerado de maneira estática, para a
“atividade”, isto é, para a sequência de atos preordenados pelo
agente para a consecução de uma finalidade, qual seja, a satisfação da
necessidade do mercado de bens e serviços.
• Esse novo sistema foi denominado então “Teoria da Empresa”,
procurando substituir antigas teorias de atos de comércio e
comerciantes pela noção de “empresário” que o Art. 966 do Código
Civil Brasileiro de 2002 conceitua como sendo “aquele que exerce
atividade econômica organizada para a produção ou circulação
de bens ou serviços” para o mercado.
Evolução Histórica do 
Direito Empresarial
Evolução Histórica do Direito Empresarial no Brasil
• No Brasil, com o estabelecimento da família real portuguesa a
partir de 1808 e o crescimento econômico no século XIX,
forçou-se a criação de um Código Comercial próprio, o que
acaba por ocorrer em 1850, ainda que norteado pelo Código
Napoleônico Francês e pelos Atos de Comércio.
• Informação importante, conforme nos ensina Cometti (2019),
é que no Brasil, até 1875, existiam os Tribunais do Comércio,
que era o órgão competente para solucionar as lides (conflitos
de interesse apresentados em juízo) comerciais. Outro
documento existente à época foi o Regulamento nº 737, de 25
de novembro de 1850, que buscou regulamentar o Código
Comercial brasileiro, de modo a definir matérias mercantis
para fins de atuação dos referidos tribunais.
Evolução Histórica do Direito Empresarial no Brasil
• A Teoria dos Atos do Comércio permaneceu mesmo após a extinção desses Tribunais e do
Regulamento nº 737 em meados de 1960, quando o direito brasileiro passaria a se
aproximar do sistema italiano de disciplina privada aplicadas às atividades econômicas.
• Assim, Cometti (2019 p. 38) “Com o advento do Código Civil de 2002, e sua entrada
em vigor 2003, o sistema brasileiro incorpora, definitivamente a Teoria da Empresa
Italiana, além de estabelecer um regime geral para a atividade econômica.”. Dessa
forma, unificou-se em um mesmo diploma normativo o Direito Civil e o Direito
Comercial.
• Porém, não obstante à unificação do Código Civil de 2002 das matérias de Direito Civil e
Direito Empresarial, a doutrina majoritária defende a autonomia do Direito Empresarial,
como sendo um ramo independente do Direito Civil, pelo fato de a atividade econômica
reger-se por princípios próprios e, por vezes, diversos daqueles que regem o Direito Civil.
Justificando, portanto, a didática de separação desses dois ramos no ordenamento jurídico.
Autonomia do Direito Empresarial
• Para Tomazette (2013), essa autonomia deve ser vista sob dois aspectos:a autonomia formal (ou legislativa) e a autonomia substancial (ou
jurídica).
• Como já observado, no Brasil, inicialmente, passou-se a adotar a
autonomia formal por meio da adoção do Código Comercial de 1850,
que teve sua importância reduzida com a vigência do Código Civil de
2002 e a unificação das matérias.
• Apesar das divergências de opinião entre os doutrinadores que
reconhecem a autonomia do Direito Empresarial e dos que não
reconhecem, aqueles destacam que o Direito Comercial possui
princípios próprios, por vezes decorrentes da atividade econômica e de
seu dinamismo e adaptabilidade.
Autonomia do Direito Empresarial
• Como exemplos desses princípios, podemos citar a) a onerosidade, que
se consubstancia na ideia de lucro inerente às atividades mercantis; b) a
simplicidade das formas e informalismo, sobretudo pela diversidade
de contratos e negócios celebrados no âmbito do Direito Comercial; c) a
proteção ao crédito e aos fornecedores do crédito, de maneira a
fomentar a atividade empresarial; d) o cosmopolitismo - ou
internacionalidade, constante necessidade de superação de fronteiras
para a expansão do campo de atuação das atividades econômicas; e) a
elasticidade, verificada pela necessidade de adaptação das regras e dos
contratos às constantes mudanças econômicas; f ) o fragmentarismo,
com a adoção, em âmbito do Direito Comercial, de múltiplos
microssistemas normativos, como disciplinas de Direito Bancário, Direito
de Mercado, Títulos de Crédito etc.; g) o dinamismo, presente na
velocidade dos negócios.
Autonomia do Direito Empresarial
• Voltando ao assunto da nomenclatura (Direito Comercial/Direito Empresarial), a
nomenclatura “Direito Empresarial” mostra-se mais adequada do que
simplesmente Direito Comercial, pois a preocupação da disciplina não está apenas
na atividade de intermediação de mercadorias, mas também na produção e na
prestação de serviços, portanto, mais abrangente que a proposta de Direito
Comercial.
• Neste sentido, Cometti (2019 p. 42) “uma concepção mais antiga, o Direito
Comercial podia ser entendido como um sistema de normas reguladoras das
relações entre homens de comércio”. Nota-se, portanto, um caráter de
exclusividade do Direito Comercial. No entanto, com a Constituição de 1988 e o
Código Civil de 2002 e, por conseguinte a positivação do conceito de
“empresário” no Código Civil, esse conceito se altera, de maneira significativa, não
se falando mais em comércio ou “em defesa do interesse do comércio (de maneira
limitada), mas em empresa, como o cerne do assunto”.
Autonomia do Direito Empresarial
• Código Civil de 2002 (LEI Nº 10.406,
DE 10 DE JANEIRO DE 2002:
• http://legislacao.planalto.gov.br/legi
sla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/
lei%2010.406-
2002?OpenDocument)
• Art. 966. Considera-se
empresário quem exerce
profissionalmente atividade
econômica organizada para a
produção ou a circulação de bens
ou de serviços.
Fontes do Direito Empresarial
• Fonte deve ser entendida como sendo o local ou a forma de onde
emana uma norma jurídica de uma determinada disciplina. Essa
fonte pode ser “formal” (primária ou secundária) ou “material”.
As Fontes Materiais são os elementos (fatos sociais, éticos,
filosóficos, econômicos etc.) que concorrem para a criação das leis,
já a Fonte Formal seria a forma (maneira/modo) de externar e
manifestar-se o direito positivo. Como um exemplo de fonte
formal, seria a própria lei em si e, de fonte material, seria a
conclusão de uma discussão internacional sobre um determinado
assunto que pode/irá ensejar a criação de uma norma em um
determinado país.
Fontes do Direito Empresarial
• Antes da vigência do Código Civil de 2002, no Brasil, a fonte
primária do Direito Comercial era representada pelo Código
Comercial de 1850, além de leis suplementares e regulamentos
expedidos pelo Poder Público. Atualmente, podemos citar como
fonte primária do Direito Empresarial a Constituição Federal de
1988, as normas de matéria comercial, disposições do Código Civil
e do Código Comercial. Já as fontes secundárias, as práticas
comerciais, a analogia, tratados internacionais e os princípios gerais
do direito.
Princípios do Direito Empresarial
• Princípios, assim como as regras, são uma espécie de norma, sendo que (regra e princípio) exprimem um “dever ser” por meio de expressões deontológicas
básicas que emanam mandado/obrigação, permissão e ou proibição.
• De forma objetiva, temos como princípios do Direito Empresarial, além dos princípios gerais do direito, os constantes no Art. 170 da Constituição Federal de
1.988, quais sejam:
• I - soberania nacional;
• II - propriedade privada;
• III - função social da propriedade;
• IV - livre concorrência;
• V - defesa do consumidor;
• VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de
elaboração e prestação;
• VII - redução das desigualdades regionais e sociais;
• VIII - busca do pleno emprego;
• IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País.
Princípios do Direito Empresarial
• Somados a estes incisos do Art. 170 da Constituição, temos ainda, o direito fundamental à liberdade de associação, que é a
base para a constituição de sociedades e está previsto no Art. 5º, incisos XVII e XX da Constituição Federal de 1988.
• No entanto, conforme no ensina Cometti (2019 p. 47), sabemos que o Direito Comercial no Brasil “é atualmente dividido em
diversos microssistemas, tais como o Direito Bancário, Direito Concorrencial, o Direito do Mercado de Valores Mobiliários,
o Direito Falimentar, Propriedade Intelectual”, sendo que, cada um com seus próprios princípios.
• Ainda assim, cabe-nos tratar, ainda que de maneira breve, do princípio geral da função social da empresa, basilar no
Direito Empresarial. Nesse sentido, Coelho (2012 p. 37) alerta e ensina que “cumpre a sua função social a empresa que
gera empregos, tributos e riqueza, contribui para o desenvolvimento econômico, social e cultural da comunidade
em que atua, sua região ou país”, além de adotar práticas empresariais sustentáveis com o objetivo de proteger e preservar
o meio ambiente, bem como, o respeito ao direito dos consumidores.
• Assim, após essas breves considerações iniciais e introdutórias, estamos preparados para adentrarmos aos conceitos mais
específicos do Direito Empresarial, empresa e empresário.
Revisando
Nessa primeira parte do curso, podemos compreender que comércio não seria
somente a mera troca de mercadorias, já que a atividade comercial compreende a
intermediação (como facilitador) e o lucro. Direito Comercial ou Direito Empresarial
seria, portanto, um complexo de normas jurídicas que ao mesmo tempo regula e
disciplina a atividade e a exploração das atividades da empresa. É na Babilônia que
surgem as primeiras normas que regulavam a atividade comercial, não como um
complexo sistema de normas como já dito anteriormente voltado para o Direito
Comercial, mas sim, como um meio de regulamentar o comércio marítimo da
época, além de alguns contratos de depósitos, empréstimos ou transportes. Faltava
ainda, entretanto, a edição de uma norma que desvinculasse a aplicação de leis
comerciais e a jurisdição das leis comerciais do juízo comercial exclusivamente
daquelas pessoas que, por estarem inscritas em determinadas corporações do
comércio, eram consideradas comerciantes. No Brasil, com o advento do Código
Civil de 2002, e sua entrada em vigor 2003, o sistema brasileiro incorpora,
definitivamente a Teoria da Empresa Italiana, além de estabelecer um regime geral
para a atividade econômica. Dessa forma, unificou-se em um mesmo diploma
normativo o Direito Civil e o Direito Comercial. Vimos também que o conceito se
altera, de maneira significativa, não se falando mais em comércio ou “em defesa do
interesse do comércio” (de maneira limitada), mas em empresa, como o cerne do
assunto, por isso, a concepção de Direito Empresariale não mais Direito Comercial.

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