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JOÃO PAULO LOPES DOS PASSOS UPE 5M 2020.2 TRAUMA TORÁCICO 1. INTRODUÇÃO 25% das mortes por trauma. Trauma contuso por eventos de trânsito representam 70-80% das lesões torácicas. São casos cirúrgicos: < 10% das lesões torácicas contundentes, 15% a 30% das lesões penetrantes no tórax. Grande minoria dos pacientes que tem um trauma torácico irá precisar de uma cirurgia. A maioria das intervenções são não-cirúrgicas e podem ser feitas por quaisquer médicos treinados pelo ATLS. Maioria dos traumas torácicos resulta em: Pneumotórax Hemotórax Hemopneumotórax Consequências fisiológicas do trauma torácico = hipóxia, hipercabia e acidose. A hipóxia tecidual resulta de oferta inadequada de oxigênio aos tecidos causada pela hipovolemia (perda de sangue). O atendimento inicial do doente com traumatismo torácico consiste em avaliação primária, normalização dos sinais vitais, avaliação secundária pormenorizada e tratamento definitivo. Como a hipóxia é a característica mais grave da lesão torácica, devem ser tomadas medidas precoces para evitá-la ou corrigi-la. SE LIGA NISSO!! A maioria das lesões torácicas com risco à vida é tratada pela permeabilização da VA ou pela inserção apropriada de um dreno ou de uma agulha. ATENÇÃO!! O tórax e o pescoço do doente devem ser expostos completamente para que se possa avaliar a ventilação e as veias do pescoço. As características dos movimentos respiratórios e da ventilação como um todo podem ser avaliadas pela inspeção, palpação e ausculta. PORTANTO!! O aumento da FR e a mudança no padrão dos movimentos da caixa torácica, especialmente a ocorrência de movimentos respiratórios cada vez mais superficiais, constituem-se em evidências importantes de lesões torácicas ou de hipóxia. OBS.: A cianose é um sinal tardio de hipóxia no doente traumatizado. A ausência de cianose, não implica que a oxigenação tecidual adequada ou via aérea permeável. O tratamento na avaliação primária inclui: Obstrução da VA Pneumotórax hipertensivo Pneumotórax aberto Tórax instável (retalho móvel costal) e contusão pulmonar Hemotórax maciço Tamponamento cardíaco* 2. TRAUMA TORÁCICO GRAVE 4 condições que não podem sair da sala de emergência sem diagnóstico = JOÃO PAULO LOPES DOS PASSOS UPE 5M 2020.2 1. Pneumotórax hipertensivo 2. Hemotórax maciço 3. Pneumotórax aberto 4. Tórax instável/contusão pulmonar. PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO: Ocorre quando há vazamento de ar, tanto do pulmão como através da parede torácica, para o espaço pleural por um sistema de “válvula unidirecional”. O ar entra para a cavidade pleural sem possibilidade de sair, colapsando completamente o pulmão. O mediastino é deslocado para o lado oposto, diminuindo o retorno venoso e comprimindo o pulmão contralateral. Sistema de válvula unidirecional = colapso pulmonar + deslocamento mediastinal + diminuição do retorno venoso. O choque decorrente dessa situação é consequente à acentuada diminuição do retorno venoso, determinando uma queda do DC, e é denominado choque obstrutivo. O diagnóstico de PH é clínico e reflete ar sob pressão no espaço pleural. O tratamento não deve ser adiado à espera de confirmação radiológica. Importantes sinais de PH = timpanismo notado à percussão, desvio da traqueia e ausência de murmúrio vesicular no hemitórax afetado. QC = dor torácica, dispneia importante, desconforto respiratório, taquicardia, hipotensão, desvio da traqueia para o lado contrário à lesão, ausência unilateral de murmúrio vesicular, elevação do hemitórax sem movimento respiratório, distensão das veias do pescoço, cianose como manifestação tardia. Mecanismos do pneumotórax hipertensivo = Lesão no parênquima pulmonar ou na parede torácica. A diferença entre um pneumotórax aberto ou fechado depende do tipo do trauma que pode causar uma ferida aberta ou fechada. JOÃO PAULO LOPES DOS PASSOS UPE 5M 2020.2 Pneumotórax hipertensivo, não deve fazer exame de imagem, deve-se fazer o diagnóstico e tratamento o mais rápido possível = diagnóstico clínico. Fratura de costela pode dar fechado ou hipertensivo. O erro está em que o RX não deveria existir. Erro de diagnóstico clínico. Conduta = descompressão imediata, sendo a drenagem torácica o tratamento definitivo. Punção no quinto EIC (normalmente no nível do mamilo), imediatamente anterior à linha axilar média, abrir para fazer com que haja escape de ar acumulado. Transformar pneumotórax hipertensivo em pneumotórax simples. JOÃO PAULO LOPES DOS PASSOS UPE 5M 2020.2 HEMOTÓRAX MACIÇO: Presença de 1.500 ml de sangue maciço ou 1/3 da volemia no hemitórax acometido. Diagnóstico é completamente clínico, com QC de ausência de MV e macicez à percussão da região acometida. Maciço = sague na cavidade pleural. Paciente está chocado, com ausência de MV (igual PT hipertensivo), diferencia na percussão = aqui a percussão é maciça. ATENÇÃO!! Sangue na cavidade pleural. O sangue não consegue comprimir as estruturas torácicas assim como acontece no PT hipertensivo com ar. Não deveria ser feito um Raio X (= erro), desvio de mediastino para o lado contralateral. Hemopneumotórax pois o hemotórax maciço sozinho não dá desvio de mediastino, é o pneumotórax que está fazendo isso por pressão. Conduta = drenagem torácica e, se necessário, toracotomia de emergência. Só sabe que é mesmo maciço depois que drena. Se mais que 1.500 ml (maciço) deve mandar pra cirurgia que vai fazer uma toracotomia para controlar esse sangramento cirurgicamente. O hemotórax maciço é tratado inicialmente por reposição do volume sanguíneo e descompressão da cavidade torácica, realizadas simultaneamente. A decisão final para realizar a toracotomia de emergência é o estado hemodinâmico do doente. Toracotomia de emergência, quais são as indicações? Drenagem > 1.500 ml de imediato Ferimento torácico penetrante + PCR (pode inclusive fazer abertura do tórax na sala de emergência e fazer massagem cardíaca). A única que pode fazer na sala de urgência mesmo sem precisar levar pro bloco cirúrgico é essa. As outras quem tem que fazer é o cirurgião geral na sala de cirurgia. Hemotórax < 1.500 ml, porém com drenagem > 200 ml/h nas próximas 2-4 horas Tamponamento cardíaco JOÃO PAULO LOPES DOS PASSOS UPE 5M 2020.2 ATENÇÃO!! A toracotomia não é indicada, a não ser que esteja presente um cirurgião qualificado por seu treinamento e por sua experiência. SE LIGA NISSO!! As lesões mais críticas que comprometem a circulação e que devem ser diagnosticadas e tratadas durante a avaliação primária incluem pneumotórax hipertensivo, hemotórax maciço e tamponamento cardíaco. PNEUMOTÓRAX ABERTO (FERIDA TORÁCICA ASPIRATIVA): O ar passa preferencialmente pelo local de menor resistência, por isso, se a abertura da parede torácica é de aproximadamente dois terços do diâmetro da traqueia ou maior, nos esforços ventilatórios o ar passa preferencialmente pela lesão da parede. Por isso, a ventilação efetiva é prejudicada, resultando em hipóxia e hipercapnia. O diagnóstico é clínico, sendo a QP = hipóxia. É uma ferida aspirativa, o ar entra diretamente pela cavidade na torácica. Conduta = como tratamento inicial, deve-se fazer um curativo valvular (de 3 pontas, “C”). Qualquer curativo oclusivo (gaze vaselinada, lâmina de plástico, etc.) pode ser usado como medida temporária de modo a permitir que a avaliação prossiga rapidamente (durante a inspiração o curativo tapa o ferimento, e durante a expiração impede que se forme um PH). Como tratamento definitivo, um dreno de tórax deve ser inserido longe do ferimento. Em geral, o ferimento necessita ser fechado definitivamente por procedimento cirúrgico. TÓRAX INSTÁVEL COM CONTUSÃO PULMONAR: O tórax instável (retalho costal móvel) ocorre quando um segmento da parede torácica não tem mais continuidade óssea com a caixa torácica e geralmente é consequentea um trauma que provoca múltiplas fraturas de arcos costais, ou seja, duas ou mais fraturas em dois ou mais lugares. OBS.: Se lesão de duas ou mais costelas em dois pontos = respiração paradoxal. Fratura que dói muito, então o paciente respira superficialmente. A presença de um segmento torácico instável resulta em grave prejuízo dos movimentos normais da parede torácica. Embora a instabilidade da parede torácica leve ao seu movimento paradoxal durante a inspiração e a expiração, este efeito isolado não causa hipóxia. JOÃO PAULO LOPES DOS PASSOS UPE 5M 2020.2 As maiores repercussões do tórax instável provêm da lesão pulmonar subjacente (contusão pulmonar). Se a lesão do parênquima pulmonar subjacente for grande, poderá ocorrer hipóxia grave. Os fatores que mais contribuem para gerar a hipóxia são a dor associada à restrição dos movimentos ventilatórios e a lesão do parênquima pulmonar. A insuficiência respiratória não é desenvolvida imediatamente. Há palpação de movimentos respiratórios anormais e de crepitação decorrente de fraturas de arcos costais ou de cartilagens, que ajudam no diagnóstico. QC = dor, restrição respiratória, hipóxia (PaO2 < 65 mmHg, SatO2 < 90%) Conduta = a terapia definitiva consiste em garantir a melhor oxigenação possível, administrar líquidos cautelosamente e providenciar analgesia para melhorar a ventilação. Contusão pulmonar = RX, reposição líquida criteriosa, IOT. Fraturas de costela. Contusão pulmonar não é vista no RX. Costelas posteriores quebradas (embora geralmente as mais afetadas sejam as anteriores), assim, subentende- se que causou alguma coisa provavelmente. 3. TRAUMA TORÁCICO Diferentemente das lesões com risco iminente à vida que são reconhecidas durante a avaliação primária, as lesões abaixo frequentemente não são óbvias ao exame físico. O diagnóstico requer alto índice de suspeita e a utilização de exames complementares. A avaliação secundária inclui a identificação e o tratamento inicial das seguintes lesões com risco potencial à vida, podendo utilizar RX, exames laboratoriais e ECG: Pneumotórax simples Hemotórax Contusão pulmonar JOÃO PAULO LOPES DOS PASSOS UPE 5M 2020.2 Lesão da árvore traqueobrônquica Contusão cardíaca Ruptura traumática de aorta Ruptura traumática de diafragma Ruptura esofágica por trauma fechado PNEUMOTÓRAX SIMPLES: Entrada de ar no espaço entre a pleura visceral e parietal. É todo aquele em que não há desvio do mediastino para o lado contralateral ao pneumotórax, podendo decorrer tanto de trauma penetrante quanto fechado. QC = MV diminuído. Dor pleurítica intensa (na inspiração), falta de ar e tosse seca. O hipertimpanismo é muito difícil de ser observado na sala de emergência movimentada. Assim, um RX anteroposterior, em expiração, pode auxiliar no diagnóstico. Conduta = drenagem torácica. Todo pneumotórax é tratado melhor com a inserção de um dreno de tórax no quarto ou quinto EIC, anteriormente à linha axilar média. Paciente não tá grave e nem instável. Não ameaça a vida dele de imediato, dá até pra fazer um exame de imagem para se ter a confirmação. ATENÇÃO!! Os doentes que apresentam pneumotórax traumático ou que tenham risco de desenvolver um pneumotórax hipertensivo no transoperatório, não devem ser submetidos a anestesia geral ou a ventilação com pressão positiva até que tenham seu tórax drenado. SE LIGA NISSO!! Um pneumotórax simples em um doente traumatizado não pode ser ignorado ou esquecido, pois ele pode evoluir para um pneumotórax hipertensivo. HEMOTÓRAX SIMPLES: Acúmulo de sangue no espaço pleural. QC = MV diminuído. Conduta = drenagem torácica. Paciente não tá grave e nem instável de maneira alguma. Não ameaça a vida dele de imediato, dá até pra fazer um exame de imagem para se confirmar. Permite a realização de RX. JOÃO PAULO LOPES DOS PASSOS UPE 5M 2020.2 Tamponamento cardíaco: Ocorre quando há sangramento para a cavidade pericárdica e este interfere no enchimento e o DC. O saco pericárdico é uma estrutura fibrosa inelástica = pequena quantidade de sangue já é suficiente para restringir a atividade cardíaca e interferir no enchimento. Pode desenvolver-se lentamente, permitindo uma avaliação mais tranquila, ou pode ocorrer rapidamente, requerendo rápido diagnóstico e tratamento (este último entra no tratamento de avaliação primária e não de secundária). Assim, quem vai te dizer se você vai fazer o raio X ou não é o paciente (estado hemodinâmico). Tríade de Beck = aumento da pressão venosa (turgência de veias jugulares), hipotensão arterial e abafamento de bulhas cardíacas. Tratamento cirúrgico ou pericardiocentese na fase do atendimento inicial. Deve-se fazer uma janela pericárdica para fazer uma zona de escape para o sangue do espaço pericárdico. OU SEJA!! Quando a intervenção cirúrgica não for possível, a pericardiocentese pode ser tanto diagnóstica como terapêutica, mas NÃO se constitui em tratamento definitivo para o tamponamento cardíaco. POR ISSO!! A decisão final para realizar a toracotomia de emergência é o estado hemodinâmico do doente. É um hemopericárdio. O sangue extravasa e comprime o coração e o mediastino. Um hemotórax simples não evacuado completamente pode resultar em hemotórax coagulado e retido com encarceramento pulmonar e, se infectado, transformar-se em empiema.