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Comentario Filipenses 4 Russel Norman Champlin 
 
4:1: Portanto, meus amados e saudosos irmãos, minha alegria e coroa, pormanecei 
assim firmes no Senhor amados. 
A palavra «...portanto...» vincula o presente versículo ao pensamento da 
últim a secção do terceiro capítulo, que fala sobre o destino elevadíssimo que 
os crentes têm em Cristo, de tal modo que virão a participar de sua própria 
natureza e herança. «Em vista» desse alto chamamento e dessa esperança 
sublime—permanecei sempre firmes em Cristo, que é o vosso Senhor. 
Jamais devereis ceder às pressões do m undo ou da carne, mas vivei sempre 
aquela intensa inquirição espiritual (descrita em Fil. 3:9-14). Pode-se 
observar aqui a grande similaridade entre esta passagem e o trecho de.I Cor. 
15:58, no que respeita à mensagem que a precede: «Portanto, meus amados 
irmãos, sede firmes, inabaláveis, e sempre abundantes na obra do Senhor, 
sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão». Essas palavras de I 
Coríntios aparecem após a secção daquela epístola que aborda a questão da 
imortalidade, mediada pela transformação (quando do arrebatam ento da 
igreja ou da ressurreição), envolvendo ainda a grandiosa vitória sobre a 
morte. Portanto, essas duas passagens são quase idênticas, exceto que a 
passagem da primeira epistola aos Coríntios é mais elaborada. (Ver as notas 
expositivas sobre I Cor. 15:58, quanto a pensamentos adicionais). 
O p resen te versículo, assim sendo, é ta n to a conclusão do terceiro 
capítulo como a introdução de novos pensamentos. Na realidade, poderia 
ser melhor colocado no fim do terceiro capítulo desta epístola, tal como I 
Cor. 15:58 encerra o décimo quinto capítulo daquela epístola. 
«...meus irmãos, amados e m ui saudosos...» No grego temos o termo 
«agapetoi», que significa «amados», e que com frequência tem o sentido 
intensificado de «únicos amados», que se reveste de um significado mais bu 
menos como nossa expressão moderna «mui querido» ou «caríssimo». Os 
crentes filipenses eram concidadãos de Paulo (ver Fil. 3:20), como também 
pertenciam à mesma família divina; e na família divina há amor mútuo 
entre todos os seus membros. (Ver as notas expositivas sobre João 14:21 e 
15:10, onde o «amor» aparece como «norma orientadora da família divina», 
e do que todos os remidos compartilham). Paulo queria que soubessem os 
crentes filipenses que, a despeito de ter ele atacado tão severamente ao 
legalismo, que evidentemente havia influenciado a alguns deles, o seu amor 
por eles em nada havia diminuído. 
«...m ui saudosos...» No grego temos o termo «epipothetos», «desejado», 
«ansiado», cuja forma verbal significa «desejar», «anelar», «ansiar por». Essa 
palavra é usada exclusivamente aqui, em todo o N.T., ainda que a sua 
forma verbal também apareça nesta mesma epístola, em Fil. 1:8: «Pois 
minha testemunha ê Deus, da saudade que tenho de todos vós, na terna 
misericórdia de Cristo Jesus». Isso identifica tal emoção como produto do 
desenvolvimento espiritual, como um dos aspectos do fruto do Espírito (ver 
Gál. 5:22), por tratar-se de um a expressão do amor cristão. Portanto, Paulo 
am ava aos crentes filipenses m ais do que um hom em q u alq u er am a 
o rd in ariam en te a seus sem elhantes, p o rq u e isso era p ro d u to de seu 
desenvolvimento espiritual em Cristo. Assim Paulo viera a experimentar e a 
demonstrar o próprio amor de Cristo, espiritualmente inspirado. Todos os 
pastores deveriam ter essa espécie de amor, que só surge como resultado do 
nosso crescimento em Cristo. Por essa razão é que Paulo amava tanto—era 
extraordinariamente bem desenvolvido, espiritualmente falando. 
Nessa calorosa demonstração de amor se pode encontrar o sumário desta 
e p ísto la in te ira , p o rq u a n to esta é um a ep ísto la de ação de g raças, de 
apreciação e de amor pelos crentes filipenses, por tudo quanto tinham feito 
em favor do apóstolo (financeiramente e em outros sentidos). 
«...minha alegria...» Sim, porque neles Paulo encontrava provas de que 
vinha correndo bem, visto que pertenciam a Cristo, o que era demonstrado 
em suas vidas. A «alegria» é um a das notas chaves desta epístola. (Ver as 
notas expositivas a esse respeito, em Fil. 1:4). Neste ponto essa alegria é 
personalizada, como se não se tratasse meramente de alguma coisa que 
possuíam, mas também como se fizesse parte do caráter deles, até onde suas 
relações com Paulo diziam respeito. Sabe-se muito bem que as realizações 
de outros com frequência provocam certas pessoas à inveja; e há até quem 
inveje as realizações espirituais dos irmãos. Não se dava assim no caso de 
Paulo; pelo contrário, ele se sentia particularmente jubiloso porquanto 
sabia que aquele avanço espiritual de seus convertidos glorificava ao nome 
do Senhor, ao qual ele tam bém procurava glorificar. 
«...coroa...» No grego temos «stephanos«, palavra comum para indicar 
«coroa». (V er I T es. 2:19, onde o co jre quase ex atam en te a m esm a 
expressão, incluindo tanto a «alegria» como a «coroa», mas em relação aos 
cren tes tessalo n icen ses. A li, e n tre ta n to , aqueles crentes são tam bém 
chamados de sua «esperança»), E bem provável que a «coroa» seja a da 
v itó ria em algum a com petição esportiva, tal com o em um a co rrid a, 
porquanto a metáfora da carreira está por detrás das palavras de Paulo. 
Paulo havia corrido tão bem que recebera a coroa da vitória; e aqueles 
crentes eram a sua coroa; pois, nessa carreira, mediante os seus esforços, na 
q u alid ad e de apóstolo dos gentios, eles eram criação sua. M ui 
provavelmente, portanto, devemos pensar aqui na coroa de louros do 
vitorioso, que era também usada como sinal de honra, em um banquete 
oferecido pelos convivas. Normalmente essa coroa de louros era feita de 
ramos de certas plantas ou árvores, como a palmeira. Já a coroa do Senhor 
Jesus era feita de espinhos. A oliveira brava, a salsa verde, o louro ou o 
pinheiro, também eram usados. Há uma outra palavra grega, diadema, que 
usualmente se refere à coroa dos reis, mas que, no grego helenistas (do qual 
o N.T. é um representante), nenhuma distinção se podia observar entre 
essas duas palavras gregas, de tal modo que a palavra «stephanos», também 
era usada para indicar coroas feitas de metais diversos. 
Apesar de que o «tempo presente» está particularmente em foco, neste 
ponto, pois Paulo os considerava seu motivo de alegria e sua coroa desde 
quan d o escreveu, co ntudo, há provavelm ente u m a referên cia fu tu ra . 
Quando do «tribunal de Cristo», aqueles crentes filipenses seriam tais para o 
apóstolo, conferindo-lhe motivo de regozijo e demonstrando o sucesso de 
sua missão terrena, de modo a lhe servirem de coroa de vitória. (Quanto a 
essa referência futura, comparar com os trechos de Fil. 2:16 e I Tes. 2:19). 
«...p e r m a n e c e ifir m e s no Senhor...» Paulo já os havia exortado para 
que fossem dignos cidadãos da pátria celeste, mostrando-lhes qual era o seu 
grandioso destino. Em face disso, deveriam agora permanecer firmes, 
preservando a própria fé e defendendo a doutrina pura, levando um a vida 
diária recomendável, em nada cedendo ante a doutrina dos legalistas, e nem 
aos hábitos condenáveis dos epicureus. Pelo contrário, deveriam mostrar-se 
inabaláveis, a fim de resistirem aos ataques do mal, dos ensinamentos falsos 
e da imoralidade—em suma, deveriam fazer finca-pé, como bons soldados, 
reunindo forças para poderem obter a vitória. Isso pode ser comparado com 
o trecho de Efé. 6:10, onde se lê: «...sede fortalecidos no Senhor e na força 
do seu p o d e r...» . E tam bém com o trecho de E fé. 6:11, o q u al reza: 
60 FILIPENSES 
«Revesti-vos de toda a arm adura de Deus, para poderdes ficar firmes contra 
as ciladas do diabo». Está em foco aquele dia mau, dia de teste e tentação 
especiais. Os crentes, pois, tendo feito tudo, devem permanecer firmes. 
Havia várias condições em Filipos, como a atmosfera pagã, a pressão dos 
legalistas, etc., que poderiam pressionar os crentes filipenses à lassidão 
esp iritu a l, à fad ig a nocom bate, à deserção e sp iritu a l, ou m esm o ao 
abandono da luta por inteiro. Contra tais possibilidades é que Paulo aqui os 
advertia. Isso pode ser comparado com a passagem de Fil. 1:27, onde se vê 
que o apóstolo já os tinha exortado a estar «...firmes em um só espírito, 
como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica». É também naquele 
p rim eiro cap ítu lo d esta ep ísto la que Paulo m o stra que o cren te está 
envolvido em um conflito eivado de perigos verdadeiros (ver Fil. 1:30). Os 
2 E v o S í a v 7T a p a K a X w K a l U v v t v ^ v ir a p a K a X â j t o a v r ò <f>povelv i v K v p í c o 
. 
z -EVoSiav] EvwS- P 8i i ô i i al Ç) R 
4:2: Rogo a Evódia, e rogo a Sintique, que sintam o mesmo no Senhor. 
«...Evódia...» Nome feminino que significa «excelente viagem». Sua 
form a verbal significa «ajudar n a estrada», d ando a en ten d er, 
originalmente, as mulheres que tomavam conta de hospedarias e ajudavam 
os viajantes, etc. Mas, tal como se dá com os nomes modernos, muitos 
nomes próprios eram aplicados sem referência alguma ao seu significado 
original. Am bos os nom es que figuram neste versículo aparecem em 
inscrições, e invariavelmente são nomes próprios femininos. Essa é a única 
menção desta mulher, em todo o N.T., ainda que o trecho de Atos 17:4,12 
também mencione as atividades de mulheres da Macedônia, que tinham 
cooperado com o apóstolo, quando ele fu n d a ra o trab a lh o cristão na 
Europa. 
V ários in té rp rete s supõem que essa m u lh er ocupava a posição de 
diaconisa; sendo, por conseguinte, um a das principais figuras femininas da 
igreja de Filipos. O evangelho, naquela área, foi pregado inicialmente para 
mulheres (ver Atos 16:13). E a igreja de Filipos teve suas primeiras reuniões 
na casa de uma mulher (ver Atos 16:14,40). 
Muitos nomes próprios femininos aparecem nas epístolas de Paulo, com 
notas de recomendação, como Febe, Priscila, M aria, Trifena, Trifosa, 
Pérside, Júlia, a mãe de Rufo, a irmã de Nereu. (Ver Rom. 16:1-15). Não 
resta dúvidas que a posição delas e a sua importância era muito maior no 
cristianismo do que no judaísmo, que considerava as mulheres como seres 
degradados. (Quanto a notas expositivas acerca dessa atitude dos judeus 
para com suas mulheres, ver João 4:27,29, onde se vê que as condições das 
judias eram simplesmente chocante). Já na Macedônia, a posição das 
mulheres era muito melhor que na Palestina, porquanto algumas chegaram 
até mesmo a ocupar cargos públicos. 
Os nomes próprios dos filhos eram derivados de suas mães, e não de seus 
pais. Ãs mulheres da Macedônia era permitido terem propriedades, além de 
gozarem de outros privilégios desconhecidos às mulheres de outras áreas, 
pois, em comparação com as mulheres da Macedônia, as mulheres judias 
tinham como companheiros constantes as crianças e os escravos. 
Algumas esculturas representando mulheres de alguma importância têm 
sido encontradas, evidentemente pessoas bem conhecidas. (Ver as notas 
expositivas sobre a posição favorável das mulheres, na Macedônia, em Atos 
17:4). Em Jesus Cristo, o ideal é que não haja distinção entre homem e 
mulher (ver Gál. 3:28), embora isso não tenha sido plenamente aplicado no 
seio da igreja cristã primitiva. (Ver as notas expositivas a respeito, em I Cro. 
1 1 :1 1 , 12 , onde se destaca o fato da «interdependência entre homens e 
3 v a l i p o J T w Kal a i , y v r jo ie a v t p y e 0,, o v X X a f if iá v o v 
crentes filipenses, a despeito das dificuldades que enfrentavam, serviam de 
evidência positiva que Paulo estava correndo com sucesso a sua carreira, e o 
apóstolo queria que eles continuassem servindo de prova disso. 
«...no Senhor...» A saber. 1. Em união com Cristo, como Senhor. 2. Em 
comunhão com Cristo, através do Espírito Santo. 3. Portanto, a firmeza se 
daria através da fortaleza conferida pelo Senhor. Essa expressão é usada 
pelo apóstolo dos gentios por mais de quarenta vezes, assemelhando-se à 
expressão «em Cristo», que ele utiliza por nada menos de cento e sessenta e 
quatro vezes, a qual expressa tanto a nossa união como a nossa comunhão 
íntima com Cristo, bem como os resultados daí decorrentes. Em Cristo 
temos a esfera onde essa firmeza do crente deve ser demonstrada. 
★ ★ ★ 
mulheres». Ver também I Cor. 11:7, quanto a notas expositivas sobre como 
a sub o rd in ação da m ulher não se ap lica ao estad o etern o . E ssa 
subordinação visa apenas propósitos práticos, não sendo questão de ética 
d o u trin á ria. Por conseguinte, tal su b o rd in ação tem suas exceções, 
dependendo das circunstâncias, porquanto é muito melhor obedecer a Deus 
do que ao homem. Quanto a notas expositivas sobre as «diaconisas», ver 
Rom. 16:1). 
«...Sintique...» Seu nome significa «acidente», sendo difícil dizermos por 
que lhe foi dado tal nome, a menos que também queira dizer «chance feliz», 
segundo dizem alguns estudiosos. Não é mesmo impossível que alguns 
bebês do sexo feminino fossem chamadas de «acidente», como se houvessem 
nascido inesperadamente, sem terem sido planejados. 
«...rogo... rogo...», isto é, «exorto», palavra reiterada em um único 
versículo. Note-se que Paulo exortou a cada mulher individualmente, para 
salientar ainda mais o seu ponto. 
«...pensem concordemente...», ou seja, «pensem a mesma cousa» (ver Fil. 
2:2, onde a mesma coisa é recomendada a todos os crentes, no que tange às 
suas relações pessoais na comunidade cristã e uns com os outros). Aquelas 
duas m ulheres crentes deveriam e star em «harm onia». Não estam os 
informados sobre qual teria sido o motivo da discórdia, embora possamos 
perceber que não se tratava de razão séria, pois, de outro modo, Paulo mui 
provavelm ente ter-se-ia m o strad o m ais específico a respeito. A lguns 
eruditos pensam que cada um a delas abrigava um a congregação em sua 
casa, tendo-se tornado rivais; e outros chegam ao ponto de sugerir que um a 
dessas congregações era do tipo judaico e que a outra era do tipo gentílico. 
Mas, na realidade, tudo não passa de conjectura. 
A trad ição , como é u sual, acrescen ta aqui alguns d etalhes, m ui 
provavelmente falsos. Alguns intérpretes pensam que um a das pessoas 
nomeadas era do sexo masculino, e ainda outros acham que eram ambos 
homens. Mas o terceiro versículo deixa claro que eram ambas mulheres. 
Seus nom es p ró p rio s, en co n trad o s em diversas inscrições, sem pre se 
referem a mulheres. Também há quem suponha que eles eram «marido e 
m ulher», e que algum a d isp u ta em fam ília está aqui em foco; m as tal 
opinião é sem fundamento. 
«.. .no Senhor...» (Ver o sentido dessa expressão, que também aparece no 
primeiro versículo deste capítulo, onde é comentada). A harmonia entre 
aquelas duas mulheres deveria ser a harmonia que caracteriza aos que são 
leais ao Senhor subordinando a ele seus sentimentos e preferências pessoais. 
avTais, c u r (.ves ev r o » 
p-erà Kal KXrjp,evTOS Kal tÔjv Xoittwv ovvepyã)v puov1, cbv r à àvóp.a ra iv fiífíXu> 
evayyeXLio crvvrjdXrjoáv /xoi 
io jr js . 
1 3 { B } t&vX oltlú v ovvepyàv fxov p46 Nc A B D G I v,<1 K P ^ 33 81 88 
1Q4 181 326 330 436 451 614 629 630 1241 1739 1877 1881 1962 1984 1985 2127 
2492 2495 B yz Lect itar c d <lom div-e-f x ? v g sy rp'h co p aa-h 
E u se h iu s // t&v trvvepycòv iiovKai ràv Xolttôjv p16ind N* 
g oth arm O rigen 
a 3 crvÇvye-. T R W H Bov Nes B F 2 AV RV ASV RSV NEB T T Ziir™* Luth (Jer) Seg H X v Ç v y 
e : WH™* Zur (Jer) 
3 j3t/3X^ Çíúrjs Ex 32.32, 33; Ps 69.28; Dn 12.1; Re 3.5; 13.8 
O Textus Receptus, acompanhando 462, erroneamente diz 
Alguns têm tomado esta palavra como um nome próprio, 
Por causa de descuido escribal, dois antigos manuscritos 
Xolitwv («...com Clemente e meus cooperadores, e os outros 
4:3: E peço também a ti, meu verdadeiro companheiro, que as ajudes, porque 
trabalharam comigo no evangelho e com Clemente, e com os outros meus 
cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida. 
Ás palav ras « ...com panheiro de ju g o ...» trad u zem a p alav ra grega 
«sundzuge», que alguns estudiosos tomam como se fosseum nome próprio, 
«Sínzigo», que significa alguém que compartilha do mesmo jugo. Por isso é 
que V incent (in loc.) p a ra fra se ia o início deste versículo como «...E 
im ploro-te, Sínzigo, cujo nom e é tão bem a p licad o ...» , posto que 
compartilhava do jugo comum de Cristo, no ministério do evangelho. 
(Q u an to ao «jugo de C risto», que in d ica a leald ad e a ele, ver as notas 
expositivas sobre Mat. 11:29,30). A maioria dos intérpretes, entretanto, 
pensa que esse vocábulo indica apenas um nome próprio comum, e que 
alguma pessoa cujo nome não é expresso está aqui em foco, como Lucas, 
que parece ter permanecido em Filipos, depois da partida de Paulo, talvez 
po r n ad a m enos de sete anos, que foi o perío d o de tem po que sep ara 
historicamente as duas chamadas «secções nós», no livro de Atos (de 16:17 a 
20:5 desse livro). Pensasse que naqueles lugares onde é usada a primeira 
pessoa do plural, ou «nós» (às vezes subentendido, naturalmente), que 
Lucas fizesse parte do grupo que acompanhava ao apóstolo, e que nas 
secções onde o escritor do livro de Atos não usa a primeira pessoa do plural, 
o autor se valeu de informações de terceiros para dar prosseguimento à sua 
narrativa. 
17.8; 20.12, 15; 21.27 
Kai. Todos os demais testemunhos, ao que parece, dizem vai. 
híiÇvye («Sízigo»). 
(P (16 vid N*) dizem t&v avvepywv p,ov Kai twv 
cujos nomes estão escritos...»). 
A lguns estudiosos tam bém têm im aginado que «Lídia» é aqui 
endereçada; porém, trata-se de um a opinião bem menos provável. Tanto a 
tradição como os escritos dos primeiros pais da igreja fomecem-nos aqui 
diversas idéias, mas todas sem o menor fundamento histórico. Há uma 
dessas tradições que diz que Paulo se dirigia aqui à sua «esposa», visto que, 
no grego, a palavra também pode significar «cônjuge»; e Lídia seria essa 
«esposa», ainda de conformidade com outros. Assim explicava Clemente de 
Alexandria. Mas o adjetivo que acompanha o substantivo é masculino, e 
não feminino, pelo que também não pode estar em foco nenhuma mulher. 
Crisóstomo, por sua vez, conjecturava que Paulo aludia aqui ao marido 
ou ao irmão de Evódia ou de Sintique; e outros pensam que estaria em foco 
«E pafrodito», que haveria de ser o p o rtad o r da ep ísto la aos crentes 
filipenses, e que se encontrava em posição de resolver pessoalmente a 
dificuldade que su rg ira (ver F il. 2:25 e ss.). O u tras personagens 
mencionadas são Timóteo, Silas ou o principal pastor da comunidade cristã 
de Filipos, cujo nome não é dado. Mas todas essas conjecturas são apenas 
ten tativ as de p reen ch er detalh es onde, na realid ad e, não há nenhum 
pormenor. 
«...as auxilies...» Literalmente, «te agarres com» (no grego, «sullambano»), provavelmente 
um a referência específica à dificuldade de harmonia 
que havia en tre aq u elas duas m ulheres. É com o se P au lo houvesse 
FILIPENSES 61 
recomendado: «Ajuda-as a se reconciliarem entre si». Contudo, a referência 
pode ser mais geral: «Ajuda-as em todos os esforços que elas fizerem na 
igreja». Há também quem pense que está em pauta, neste ponto, a «ajuda a 
viúvas», e que Paulo exortava para que elas fossem ajudadas; mas não há 
qualquer indício de tal possibilidade. 
«...juntas se esforçaram comigo no evangelho...» Isso atribui uma razão à 
necessidade do companheiro de Paulo—sem importar quem fosse ele—de 
aju d ar àquelas duas m ulheres. E las se tin h am m ostrado sinceras no 
trabalho, muito tinham feito, muito tinham ajudado; e uma disputa entre 
as duas, agora, não poderia ser causa de serem elas rejeitadas ou evitadas 
por outros. O verbo «esforçar-se», que aqui se acha, também aparece em 
Fil. 1:27, onde é comentado; mas não ocorre mais em nenhuma outra 
porção do N.T. Em seu sentido original dá a entender uma competição 
atlética, m as usu alm en te era em pregado p a ra in d icar m ero esforço 
diligente. 
«...no evangelho..., isto é, no interesse da propagação do evangelho e do 
ministério evangélico em geral. (Quanto a notas expositivas completas sobre 
o «evangelho», ver os trechos de M at. 1:1 e Rom . 1:16). Isso pode ser 
comparado com Sófocles, em Oedlpus at Colunus, 1367-8: «Essas mulheres 
perseveram comigo, são minhas enfermeiras; são como homens, e não como 
mulheres, ao trabalharem comigo». 
«...com Clemente...» Orígenes foi quem iniciou a conjectura que temos 
aqui alusão ao mesmo Clemente de Roma, autor de uma espítola (ou talvez 
de mais de uma) que sobreviveu até nós, a qual é a mais antiga peça de 
literatura cristã à parte do N.T. canónico. Em algumas congregações locais 
da igreja cristã prim itiv a essa epístola de C lem ente era aceita como 
canónica. Porém, o «Clemente» aqui referido é um filipense, não havendo 
razão alguma para tal identificação. Outros estudiosos pensam que esse 
Clemente é o mesmo chamado de «fiel companheiro de jugo», neste mesmo 
versículo; no entanto, Clemente é mencionado como indivíduo separado 
daquele, por quem o «fiel companheiro de jugo» deveria mostrar respeito, 
juntamente com as mulheres mencionadas. Clemente sem dúvida foi um 
dos primeiros ajudadores de Paulo. Assim sendo, este versículo pode indicar 
uma das duas coisas seguintes: 1 . Ou que o «fiel companheiro de jugo» 
deveria ajudar aos três—às duas mulheres e a Clemente. 2. Ou então que os 
três são m encionados como antigos au xiliares de Paulò, que tinham 
trabalhado no evangelho em sua companhia; e, neste segundo caso, as duas 
mulheres são mencionadas como objetos da atenção imediata do «fiel 
companheiro de jugo». A segunda dessas possibilidades é a mais provável 
4 X a í p ere ev K v p lto T r a v r o r e ' v á X i v ip â> , ^ a ip e re . 
4:4: Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos. 
A alegria é um dos aspectos dofruto do Espírito Santo. Por conseguinte, 
trata-se de um a qualidade espiritual, como subproduto do desenvolvimento 
do crente em sua vida espiritual. Portanto, temos aqui o chamamento não 
apenas para o regozijo, mas também para um desenvolvimento espiritual 
superior, o que nos confere confiança, alegria e o senso de bem-estar, a 
despeito de nossas circunstâncias externas. Sim, a «alegria» é uma das notas 
chaves d esta epístola, o que é com entado no trecho de Fil. 1:4, onde 
também são alistadas todas as referências onde essa idéia é frisada nesta 
epístolas. (O u tras n o tas expositivas sobre a alegria, com poem as 
ilustrativos, se encontram em João 15:11 e 17:13). Os crentes filipenses, que 
naquela época começavam a entrar na terrível era das perseguições contra 
os cristãos primitivos, e que já eram testemunhas dos. sofrimentos e das 
perseguições que tinham atingido o apóstolo dos gentios, precisavam de 
raízes esp iritu a is p ro fu n d as p a ra que pudessem e n fre n ta r a tudo, 
inabaláveis, com confiança e alegria. 
«...sempre...» Há aqui um volver de olhos para o futuro, quando as 
tribulações se tornavam muito severas. Não somente agora, em período de 
calma relativa, mas também no futuro, quando os testes mais difíceis 
atingissem aos crentes filipenses, eles precisavam da «alegria» produzida 
pelo desenvolvimento espiritual. De fato, não há nenhuma ocasião em que 
nossa ocasião com Cristo venha a ser maculada de modo a remover de nós a 
alegria. 
«...outra vez digo, ãlegrai-vos...» Por que Paulo reiterou assim a idéia, 
dentro de um mesmo versículo? 1. Alguns pensam que ele havia pensado 
su b itam en te em tristezas im inentes, quan d o então teria escrito: 
«...contudo, a despeito disso, tal como já disse antes, regozijai-vos». 2 . 
Outros acham que Paulo reiterou a idéia meramente a fim de enfatizá-la. 
Todavia, Bengel pensa que a palavra «...sempre...» indica um segundo 
m an dam ento. P o rta n to , teríam os: «Regozijai-vos»; e em seguida: 
«Regozijai-vos sempre». 
É in teressan te que a p alav ra aqui trad u z id a po r «.. .alegrai-vos...» 
também tinha o sentido de «adeus» (ver Fil. 3:1). E alguns estudiosos 
pensam que Paulo empregou o termo em duplo sentido, neste ponto. Por 
5 t o i-meiKès v[j,ójv yvuiadrjTO)irâaiv âvdpwTroiç. 
b 5 b major: T IÍ Bov Nes B F2 ÀV RV ASV RSV T T Ziir Luth Jer Seg // h 
4:5: Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor. 
Sim, o Senhor não se demorará a voltar para nós. Portanto, que o crente 
não se deixe assaltar por ansiedades e dúvidas a respeito de qualquer coisa. 
Que não faça nada em excesso, mas que pratique a moderação. Vincent (in 
loc.) parafraseia este versículo como segue: «Que todos os homens percebam 
vosso espírito moderado; e sob hipótese alguma vos mostreis ansiosos, 
porquanto o Senhor está próximo». 
«...moderação...» No grego original temos o termo «eiekes», que significa 
«clemência», «gentileza», «graciosidade», «complacência». Também podia 
significar «autocontrole» ou «restrição paciente». Aristóteles (em Nich. Eth. 
v.10) faz o contraste entre essa qualidade com o «julgamento severo». A 
.exortação parece co m b ater posições o b stin ad as e dem onstrações de 
como significado tencionado deste versículo. 
«...cujos nomes se encontram no livro da vida...» As cidades antigas 
m an tin h am o reg istro dos nom es de seus cidadãos; e esse fato foi 
transportado para a linguagem espiritual, indicando que, na nossa «pátria» 
ou «cidade celestial» esses registros também são conservados. È provável que 
esse pensamento fosse aceito literalmente por certos crentes, ao passo que 
outros o compreendiam figuradamente. Não há razão para supormos que 
haja algum livro lite ral de rol de nom es. T rata-se antes de um uso 
metafórico, que indica aqueles que «realmente pertencem aos céus, como 
cidadãos», em co n traste com ou tro s, que não podem ser assim 
reconhecidos. 
Ter alguém o seu nome registrado nesse «livro» é a mesma coisa que dizer 
que ele possui a «vida eterna», porquanto é um dos cidadãos do Reino 
Eterno. A referência mais antiga que temos, acerca dessa antiga prática de 
registrar nomes dos cidadãos aparece em Êxo. 32:32, o que nos mostra 
tratar-se de um costume antiquíssimo. (Ver também Isa. 4:3; Eze. 13:9 e 
Dan. 12:1). Paulo já se havia referido aos crentes filipenses como cidadãos 
dos céus, e isso que aqui encontram os é um desenvolvim ento n a tu ra l 
daquele pensamento, embora se trate da única ocorrência da expressão em 
todo o N.T., excetuando seu uso comum no livro de Apocalipse. (Ver Apo. 
3:5; 13:8; 17:8; 20:12,15; 21:19). As passagens de Apo. 13:8 e 17:8 se 
revestem de certo sabor de predestinação, como se os nomes ali escritos ou 
não escritos estivessem determinados antes da história da humanidade. Mas 
isso não pode ser pressionado demasiadamente. Seja como for, o N.T. 
ensina tanto a doutrina da predestinação como a doutrina do livre-arbítrio 
humano, sem fazer qualquer tentativa de reconciliar as duas idéias entre si. 
São lados opostos de alguma grande verdade, e ambos esses lados são 
necessários. Não nos devemos esquecer que Deus se utiliza do livre-arbítrio 
humano sem destruí-lo, embora não saibamos oferecer uma explicação 
convincente sobre o seu modo de agir. (Ver Luc. 10:20 e Heb. 12:23, que 
aludem a esse conceito, embora sem mencionarem diretamente algum 
«livro»). 
Essa expressão também aparecia comumente nos escritos dos rabinos, 
como, por exemplo, no Targum (ou «comentário») sobre Eze. 13:9, onde se 
lê: «No livro da vida eterna, que foi escrito para arrolar os justos da casa 
de Israel, eles não serão escritos». Os escritos rabínieos p in tam D eus 
assentado em seu tribunal, com os livros dos vivos e dos mortos abertos à 
sua frente. (Quanto a notas expositivas sobre a «vida eterna», ver o trecho de 
João 3:15). 
4 Php 3.1 
conseguinte, Paulo tê-los-ia convidado e se regozijarem, mas, ao mesmo 
tempo, se despede deles. Isso faria esta passagem ser similar, em idéia, ao 
trecho de João 14:27, onde o Senhor Jesus, ao mesmo tempo que lhes invoca 
a «paz», se despede dos seus discípulos. 
«...no Senhor...» (Ver oprim eiro versículo deste capítulo, acerca de notas 
expositivas sobre essa expressão). Em v irtude de nosso co n tacto e 
identificação com Cristo, e, por conseguinte, com o seu poder, e também 
sob a sua inspiração, é que devemos ter aqueja «alegria» que é uma das 
facetas do «fruto do Espírito»(verGál. 5:22). Ora, isso nos fazrecordar que 
a vida, para o crente, não é mais expressão da vontade própria, sujeita à 
chance e aos caos. Ê como se disséssemos: «Quando realmente vivo, não sou 
eu, mas a graça de Deus comigo; e não posso tomar para mim mesmo o 
crédito por essa vida, simplesmente me alegro ante o fato que estou sendo 
aperfeiçoado, sem que ten h a de in d ag a r como, po r que ou com que 
finalidade. E sempre que eu falhar, serei lembrado que eu mesmo é quem 
fracasso; m as som ente p a ra esquecer-m e da falh a ao entreg ar-m e 
novamente a Deus, para que renove a sua obra em mim». (Wicks, in loc.). 
Se tivermos a atitude aqui exposta por Wicks, poderemos desfrutar de 
alegria permanente. Todavia, teremos de ser honestos em nossa inquirição, 
pois a alegria espiritual, em meio a uma carreira cristã deficiente é uma 
alegria falsa. 
«Pode-se compreender facilmente que a alegria do crente difere da do 
mundo, a qual é ilusória, frágil e apagada. Cristo chega mesmo a reputá-la 
maldita, em Luc. 6:25. Portanto, só é autêntica aquela alegria em Deus que 
nunca nos pode ser tirada». (Calvino, in loc.). 
«Paulo duplica a sua recomendação para tirar ocasião ao escrúpulo 
daqueles que poderiam dizer: ‘Como nos alegraremos nas aflições?’» (G. 
Herbert). 
«Essa re ite ra d a ex ortação se to rn a ta n to m ais notável quan d o nos 
lembramos que Paulo, ao escrever ou ditar esta epístola, estava com o braço 
direito acorrentado ao braço de um soldado romano, ou que, mesmo q^e 
assim não fosse, era prisioneiro sob a vigilância constante de uma sentinela, 
que nunca o abandonava». (Braune, in loc.). 
6 K vpios i y y v s . b 
minor: W H NEB 5 ò KVp io s è y y O s He 10.37: Jaa 5.8. 9 
severidade dem asiad a sobre q u alq u er coisa. P or conseguinte, nos é 
recomendada aqui a gentileza, que é um dos aspectos do fruto do Espírito 
Santo. (Ver Gál.5:22,23). 
«Essa palavra indica imparcialidade, a disposição de dar e receber, ao 
invés de defender rigidamente os próprios direitos». (Scott, in loc.). 
Aquela atitude que normalmente se entende por «moderação», segundo o 
vocabulário moderno, e que indica não ser extremado em qualquer coisa, 
era expressa pela palavra grega «sophrosune», e não pelo termo empregado 
no presente texto. (Sophrosune é vocábulo usado em I Tim. 2:9,15 e Atos 
26:25). Essa qualidade eleva o indivíduo acima da necessidade de viver 
insistindo sobre os seus próprios direitos, o que só serve para endurecer-lhe 
o espírito. - ......... . 
42 FILIPENSES 
■ ...de iodos os homens...» Não apenas aqueles que fazem parte da igreja, 
m as tam bém aqueles que são do m undo. Se o crente c o n tro lar seu 
temperamento e exibir gentileza para com todos, mostrando-se gracioso e 
cortês, os outros homens entenderão que ele goza da influência de Cristo em 
sua vida. Outrossim, a vida de tal crente será mais tranqíiila, posto que tal 
crente não viverá entrando em disputas e contendas. Além disso, o espírito 
calmo e gentil pode aquietar almas agitadas. «Teu espírito doce e cordato» 
(Matthew Arnold) servirá de boa propaganda da tua fé cristã». Essa atitude 
eleva o crente .acim a do rigor e da ansiedade da m ente (ver o sexto 
versículo)». (Alford, in loc.). 
«Minha mente é tranquila, porquanto tudo acolho com boa atitude». 
(Cícero, Att. 7.7). «Ninguém é tão mal-educado que não seja gentil com 
alguém, por algum motivo, em alguma ocasião: o crente deve sê-lo 'para 
com todos os hom ens’ e em todas as ocasiões» (F a u c ett, in loc.). «.. .a 
mansidão, sob a provocação, a prontidão para perdoar as ofensas, a atitude 
justa na realização dos negócios, a candura no julgar o caráter e as ações 
dos outros, a d o çura de disposição e o inteiro controle das paixões». 
(Macknight). 
«...Perto está o Senhor...» Isso indica a proximidade quanto ao «tempo», 
dando a entendernão demorar muito mais a sua «parousia» ou segundo 
advento; não está em pauta a proximidade espacial, sua presença conosco. 
(Comparar com o trecho de I Cor. 16:22, onde se lêem as palavras «maran 
atha», palavras aramaicas que significam «Nosso Senhor vem». No dizer de 
Lightfoot (in loc.): «Esse era o lema do apóstolo». 
A Esperança De Paulo 
Paulo esperava poder escap ar à m orte física, por ocasião do 
arrebatamento (ver as notas a respeito em I Tes. 4:15). Essa é a esperança 
refletida em I Cor. 15:51. Mas, se chegasse a morrer fisicamente, ainda 
assim participaria daquele notável evento futuro (ver I Tes. 4:14). Seja 
como for, ele pensava que o período de tempo que restava era curtíssimo, e 
que a glória do retorno de Cristo já estava raiando em sua própria alma. 
Nossa Advertência 
Paulo não foi capaz de perceber a longa era da graça (quando a igreja 
está sendo convocada), que interviria antes do retorno de Cristo. Mas, o que 
ele esperava p a ra seus dias, certam en te su cederá nos nossos. E ste 
comentário toma a posição de que o anticristo já está vivo, e que nossos dias 
são os últimos dias. Muitos dos que agora estão vivendo, verão o fim do 
presente ciclo das coisas. (V er, na in tro d u ção ao com entário, o artig o 
intitulado «A Tradição Profética e a Nossa Época», que explica as razões 
para essa crença). 
Nosso Consolo 
E m bora as nuvens de tem pestade se estejam ju n ta n d o , em bora 
primeiramente tenha de haver a violência que caracterizará o fim desta 
época, a era áurea haverá de seguir-se de imediato, assim como o dia vem 
após a noite. Por conseguinte, enquanto a tempestade se concentra, já 
podem os p erceb er os prim eiros raios da m ad ru g ad a do dia eterno. 
Vivamos, portanto, para esse novo dia. 
6 fiTjòev [MepifjLvâre, áAA’ iv rravri rfj iTpooevxfj xai rfj herjoei fierà ev-)(apiarías Ta alnq 
fiara vfiâv 
iy V ( J j p i ^ )€ O '0 tÚ T T p O S r O V 0 € O V * C 
‘ G c major: T R B ov Nes BF2 AV RV ASV RSV NEB T T Jer Seg jj 
c minor: W H jj c exclamation: Zúr Luth 
y.r}òtv fji€ptfjívS.T€ M t 6.25; 1 Pe 5.7 rfj w poaevxv-.-*vxa.pt-(7T Ía,s Col 4.2 
6 4:6: Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos 
conhecidos diante de Deus peia oração e súplica com ações de gratas; 
Não devemos ansiar por coisa alguma porque a vinda do Senhor está 
próxima, havendo ainda à nossa disposição o recurso da oração, que é um 
poder criativo, que pode alterar os acontecimentos e conferir-nos forças 
para enfrentar a adversidade. (Notas expositivas completas sobre a oração 
aparecem no trecho de Efé. 6:18). Por meio da oração, a força espiritual se 
faz presente, porquanto põe à nossa disposição o mesmo Senhor, que algum 
dia retornará. 
«A oração co n tín u a serve de salvaguarda co n tra toda e q u alq u er 
ansiedade, e Paulo a descreve em uma sentença comprimida, falando sobre 
a natureza da oração autêntica. Antes de tudo, envolve a atitude de esperar 
em Deus; em seguida, indica ele que, em nossa debilidade, rogamos a sua 
ajuda; e, "finalmente, fica esclarecido que devemos deixar bem claro aquilo 
que queremos da parte de Deus, confiando que ele nos atenderá os pedidos. 
E paralelamente a tudo isso deve haver a atitude de ação de graças. Não 
podemos rogar a Deus novas demonstrações de misericórdia, a menos que 
tenhamos consciência clara daquilo que já nos foi outorgado pelo Senhor. O 
homem ingrato não pode orar, porquanto não tem idéia verdadeira da 
bondade de Deus». (Scott, in loc.). 
A oração serve de elemento disciplinador e de determinador da vontade 
de Deus: É óbvio que a oração não opera como um a lâm pada mágica, que 
precise apenas ser esfregada para que um gênio apareça, capaz de atender a 
todo e qualquer pedido que lhe fizermos. Pois, antes de mais nada, a oração 
age como fato r de d isciplina, levando-nos a reo rie n ta r as nossas 
prerrogativas, à medida em que formos crescendo na graça, de tal modo 
que coisas importantes sejam pedidas, que contribuam para o progresso do 
Reino de Deus à face da terra, bem como para o progresso espiritual de nós, 
m esm os e de o u tras pessoas, ao invés de visarm os apenas satisfazer 
impulsos egoístas. Portanto, na qualidade de um a disciplina, a oração nos 
im p ed irá de ser egoístas em nossos alvos, e, p o rtan to , em nossas 
solicitações. 
Nessa d isciplina haverem os de ap ren d er que as nossas orações 
ocasionalmente podem ser respondidas com um Não; pois uma resposta 
afirmativa, às vezes, não seria tão boa como uma negativa, embora nos seja 
difícil ver o. m otivo disso. O Senhor Jesus, em agonia no jard im do 
Getsêmani, buscou uma impossível resposta «afirmativa», ò que significaria 
que escaparia da agonia da cruz. Mas isso teria destruído o significado de 
sua missão; e ele não demorou um segundo a reconhecer isso, tendo-se 
entregue aos cuidados da vontade do Pai. Portanto, na qualidade de fator 
disciplinador, a oração nos confere a realização da vontade de Deus; e isso, 
afinal de contas, é exatamente o que buscamos, tanto em nossas orações 
como em tudo o mais que fazemos. Entretanto, a oração também serve de 
força criadora porque apela para um poder infinito, fazendo o impossível, 
conforme se verifica em incontáveis casos através da história. Por essa razão 
é que nos é recomendado o uso desse extraordinário poder da oração. Ela 
pode transformar-nos, bem como pode transform ar as condições em que 
vivemos. 
«.. .ansiosos. ..» No grego tem os o term o «m erim nao», que significa 
«ansiar», ficar «indevidamente preocupado». Paulo não se refere aqui ao 
ideal estóico da «apatia», a falta de reação emocional. Mas grande é a 
verdade da declaração que a maior parte de nossas circunstâncias, por si 
mesmas, em nada nos prejudicam. O que realmente nos prejudica é a nossa 
reação emocional às nossas circunstâncias; e isso é um fato bem conhecido 
dentro dos estudos psicológicos, e não somente como um preceito religioso. 
Além disso, as circunstâncias, em face do imediato retorno de Cristo, e em 
face do poder da oração, que ajuda a modificar essas circunstâncias, ou que 
nos ajuda a aceitá-las como expressões da vontade de Deus, não devem ser 
já recebidas e as bênçãos esperadas, sempre deve dar graças e sempre deve 
rogar. A memória e a súplica são os dois elementos necessários de toda a 
oração verdadeiramente cristã». (Rilliet, in loc.). 
Todavia, a natureza exata dessas ações de graça não é definida aqui. 
Muitas coisas nos perturbam, mas, certamente, sabemos que a vontade 
de Deus visa ao nosso bem, não sendo caótica e nem destituída do desígnio. 
Todavia, esse é um elevado alvo espiritual, que não é fácil de ser alcançado. 
Só pode ser atingido através do desenvolvimento espiritual; e um a porção 
importante desse desenvolvimento é a oração, pois, quando oramos, nos 
disciplinamos a nós mesmos e entramos em contacto com o ser de Deus. 
«...de cousa alguma...» Essas palavras fazem violento contraste com as 
nossas orações, que devem ser associadas com «tudo», com to d as as 
situações. C onform e com enta V incent (in loc.): «Em tu d o , e não por 
qualquer motivo (embora essa idéia também esteja inclusa, em Efé. 6:18 e I 
Tes. 5:17); mas estão em foco todos os interesses, grandes e pequenos, 
p o rq u an to nad a é g ran d e dem ais p a ra o po d er de D eus; e nem n a d a é 
pequeno demais para merecer o seu cuidado paternal». 
«...oração e...súplica...» Esses dois substantivos indicam a «oração em 
geral» e os «pedidos específicos», respectivamente, conforme também se 
observa em Efé. 6:18, onde a questão é comentada. (Ver também essas duas 
palavras, usadas em conjunção, em I Tim. 2:1 e 5:6. Ver igualmente Fil. 1:4, 
onde a distinção reaparece). Desse modo é que nossas ansiedades são 
vencidas, porquanto a oração inclui idealmente todas as circunstâncias, 
acalmando todas as águas agitadas. 
Já pensaste que tu mesmo não continuarias? 
Já temeste essas ameaças terrenas? 
Já temeste que o futuro nada seria para ti? 
Hoje i nada? o passado sem começonada é? 
Se o futuro nada è, então certamente aqueles nada são. 
(Walt Whitman). 
A oi ação oferece-nos um abrigo onde nos podem os o cu ltar das 
preocupações mundanas, um lugar onde ficamos a sós com Deus, um 
refúgio onde renovam os a esp eran ça, onde nossos cuidados ficam 
amortecidos. Paulo ensina-nos a lançar mão do recurso da oração. 
«...com ações de graça...» É mister que nos lembremos, com gratidão no 
coração, das bênçãos e das vitórias passadas, sabedores que a mesma 
esperança que nos enchia o peito no passado, é boa para o futuro. As ações 
de graça devem acom panhar nossas orações «...em tudo...» (comparar com 
Col. 3:17). 
Certamente, o texto fala das lutas do passado, mas também envolve 
as circunstâncias difíceis do presente, mediante as quais podemos aprender 
lições necessárias. Por isso é que em Efé. 5:20 se lê, «...dando sempre graças 
por tudo...», ao passo que em ITes. 5:18 lemos_,«...Em tudo dai graças...». 
Posto que muitas pessoas com frequência oram erradamente a Deus (de 
forma diferente do que deveriam fazer), com muitas queixas e reclamações, 
como se tivessem motivo justo dè acusarem-no, ao passo que há outros que 
não podem tolerar demoras na resposta, quando Deus não quer satisfazer 
imediatamente aos seus desejos, por isso mesmo é que Paulo vincula a 
atitude de agradecimento às nossas orações...porquanto é inquestionável 
que a gratidão exercerá sobre nós o efeito de desejarmos que a vontade de 
Deus seja cumprida em nossas vidas, como o maior alvo a ser obtido. 
«...p e tiç õ es...» No grego tem os a p alav ra «aitema», que significa 
«pedido», aquilo que é solicitado, pois, em certo sentido importante, a 
oração consiste de «pedir e receber». Estão em foco as coisas particulares 
que desejamos, nem um a delas grande demais para o poder do Senhor, e 
nem pequena demais para escapar à atenção de seu amor paternal. 
« ...sejam conh ecid a s...» Tem os aqui o verbo «g n o rid zo », «lazer 
conhecido», «declarar», «revelar». Dá a entender que é como se Deus não 
soubesse quais os nossos desejos, e que, ao confiarmos em fazer-lhe tais 
revelações, de coração sincero, de mistura com a ação de graças, tocaríamos 
no poder divino, de modo a realizar-se aquilo que desejamos. Isso pode ser 
comparado com as próprias instruções do Senhor Jesus, acerca da oração, 
em João 16:24-27. E Deus Pai quem nos dá tudo, devido ao amor que nos 
tem, visto que amamos a Cristo Jesus. 
«...diante de Deus...» Tudo deve ser feito na «presença» do Senhor, em 
FILIPENSES 
63 
que o crente «se dirige a ele». Fica subentendido que Deus está sempre perto 
de nós, pronto a ouvir-nos. Portanto, apreensões ditadas pela ânsia não têm 
razão de ser p a ra o cren te, pois nosso P ai está sem pre p ro n to p a ra 
ajudar-nos. 
7 Kal rj elprjvrj tov deov rj virepé^ovcra Trávra vovv <f>povpijaei ràs KapSlas vpôw Kal rà 
vorj/xara Vfxájv èv' 
XpujTO) ’Irjaov. 
| XpLCTCo] Kvplcti p 56 
7 Is 26.3; Jn 14.27; Col 3.15 
7 ®«m] XpiuTov A syhmS 
Ambr | vtrq\iaTa] owfiara 
G i t : vOTjfí. k m t a 
crta/j.. p16 
4:7: e a paz de Deus, que 
excede todo o entendimento, 
guardará os vossos corações 
O amor é e foi meu Rei e 
Senhor, 
E será, ainda que agora eu 
me mantenha 
Dentro de sua corte, na 
terra, e durma 
Cercado de sua guarda 
fiel, 
E ouça vez por outra uma 
sentinela 
Que se move de um lugar 
para outro, 
È sussurra para os mundos 
do espaço, 
Na noite profunda, que 
tudo via bem. 
(Alfred Lord Tennyson) 
 
e os vossos pensamentos em 
Cristo Jesus. 
(Quanto a notas expositivas 
completas sobre a «paz», ver 
Gál. 5:22, onde 
essa virtude aparece como 
um dos aspectos do «fruto do 
Espírito Santo», ou 
seja, produto do 
 
desenvolvimento espiritual. 
Ver também os trechos de 
João 
14:27 e 16:33, onde há 
poemas ilustrativos, 
igualmente inclusos nessas 
anotações. Ver o trecho de 
Rom. 5:11 e as notas 
expositivas ali existentes, 
sobre a doutrina da 
«justificação pela fé», 
porquanto essa «paz» resulta 
de 
nossa justificação diante de 
Deus). 
É declarado aqui que a paz 
de Deus ‘guarnece’ o 
coração e a mente do 
crente. O crente vive tão 
bem rodeado de benditos 
privilégios que fica em 
segurança como quem se 
acha em um castelo 
inexpugnável». (Gurnall, in 
 
«...paz de Deus...» Essa paz é 
atribuída a Deus porque 1. 
trata-se de uma 
qualidade espiritual, que nos 
é divinamente conferida, da 
parte do Espírito 
Santo; e 2. porque Deus é a 
sua fonte originária. Este é o 
único trecho onde 
essa expressão figura em 
todo o N-.T. (Comparar com a 
expressão «Deus da 
 
paz», que figura no nono 
versículo deste mesmo 
capítulo). 
 
A paz é vista aqui como um 
subproduto da oração; e isso 
é natural, posto 
 
que a comunhão com Deus 
acalma todas as águas 
perturbadas. 
 
A paz consiste de «...relações 
saudáveis e harmoniosas, 
que prevalecem 
na vida interior, em resultado 
da reconciliação com Deus, 
por meio de Jesus 
Cristo...Deixarmos nossas 
ansiedades com Deus é algo 
que destrói o poder 
corrosivo da ansiedade, 
ficando nós acalmados pela 
sua paz. A paz é usada 
 
no Talmude como um dos 
nomes de Deus». (Kennedy, in 
loc.). 
 
« ...que excede todo o e n te n 
d im e n to ...» E ssa expressão 
tem dois 
significados possíveis: 1. 
Pode significar que a paz de 
Deus é insondável, 
não estan d o su jeita ao po d 
er de raciocínio do hom em , 
visto que o 
transcende; podendo existir 
até mesmo quando não há 
razões aparentes 
para a sua existência, como 
quando nos vemos em meio 
às tribulações, 
porquanto Deus é quem no-la 
dá, não sendo produto de 
circunstâncias 
favoráveis, como a 
tranquilidade hum ana 
geralmente o é. Também está 
fora do alcance de nosso 
entendimento, ainda que 
tenhamos consciência de 
sua presença e de seus 
efeitos. 2. Ou então, se 
compreendermos a palavra 
grega «nous» como «mente», 
no sentido de «engenho» ou 
«astúcia», o 
sentido pode ser que «Deus 
pode fazer mais por nós, 
 
conferindo-nos a paz, 
do que poderíamos obter 
através de qualquer 
planejamento nosso, por 
mais 
cuidadoso que esse fosse». 
Mas o primeiro desses 
sentidos é o preferido pela 
maioria dos intérpretes. 
«...entendim ento...» é 
tradução do vocábulo grego 
«noos», que tem os 
dois significados dados acim 
a, isto é, «com preensão» ou 
«poder do 
raciocínio»^ A paz é algo 
perfeitamente real, a 
despeito de não podermos 
compreender como ela pode 
subsistir até mesmo quando 
o crente está sob 
circunstâncias difíceis. Ou 
então ela pode ser algo que 
nos é conferido por 
Deus, mas que está 
totalmente fora do alcance 
humano, entregue aos seus 
próprios recursos. A primeira 
dessas duas possibilidades é 
a que mais 
 
provavelmente está aqui em 
foco. 
«.. .guardará os vossos 
corações...» A palavra 
«coração» é aqui utilizada 
para dar a ideia de «alma», 
indicando o «verdadeiro 
homem», e não apenas 
o seu intelecto ou as suas 
emoções. Assim, pois, o 
verdadeiro homem é 
guardado pelo poder 
pacificador de Deus, ainda 
que o homem mortal venha 
a ser severamente assediado 
 
por dificuldades de toda a 
sorte, externas ou 
íntimas. A paz de deus 
«guarda» nosso homem 
interior. Esse verbo, no 
original grego, é «proureo», 
que significa exatamente 
isso, «guardar», 
«confiar», «manter sob 
custódia». Neste ponto, a 
idéia é de m ontar guarda, 
para finalidade de proteção. A 
paz é pintada como a 
sentinela de Deus, que 
patrulha e guarda o homem 
interior. 
loc.). 
«...mentes...» Essa palavra 
pode significar: 1. ou os 
pensamentos; ou 2. 
as mentes, no sentido de um 
processo intelectual e das 
reações emotivas. 
Provavelmente ambas as 
coisas estão em foco, dando 
a entender a mente e 
as suas funções em geral. 
Alguns estudiosos 
consideram que a palavra 
«coração», neste ponto, 
indica a «sede das emoções», 
ao passo que a «mente» 
seria a sede do processo de 
raciocínio. As emoções às 
vezes dizem-nos que 
uma crise é fatal, ou causa de 
intensa ansiedade. E o 
processo de raciocínio 
concorda com isso, pesand o 
as coisas conform e elas p 
arecem ser, 
objetivamente. No entanto, a 
paz de Deus altera tudo isso, 
mantendo o 
coração e a m ente sob g u a 
rd a, não p e rm itin d o que as 
 
circu n stân cias 
invadam e destruam a nossa 
tranquilidade, que se alicerça 
sobre a certeza 
do bem espiritual, 0 que 
nenhuma circunstância 
terrena pode alterar. 
O 
coração é a sede das 
emoções, em contraste 
com a inteligência (ver 
 
Rom. 9:2; 10:1; II Cor. 2:4; 
6:11 e Fil. 1:7); mas também 
pode referir-se à 
ação mental ou inteligência, 
em outros contextos (ver 
Rom. 1:21 e Efé. 
1:18), também indicando 
questões de moral e escolhas 
morais (ver I Cor. 
7:37; II Cor. 9:7). O coração é 
igualmente a sede de nosso 
contacto com o 
Espírito de Deus (ver Rom. 
5:5; II Cor. 1:22; Gál. 4:6; Col. 
3:15; I Tes. 
3:13; II Tes. 2:17 e 3:5). O 
coração é igualmente a sede 
da fé (ver Rom. 
10:9), bem com o do am or de 
D eus (ver Rom . 5:5), sendo 
tam bém o 
instrumento do louvor 
espiritual. (Ver Col. 3:16). 
Pode-se ver, assim sendo, 
que apesar desse termo não 
subentender 
necessariamente a alma, em 
todas 
as suas funções, quando 
então se torna local onde 
Deus entra em contacto 
com o espírito humano, como 
a sede da fé e do amor, 
somente a alma pode 
estar aqui em foco. Porquanto 
é com o homem interior, a 
alma, o homem 
 
essencial, que esse contacto 
tem lugar. Portanto, «kardia» é 
palavra grega 
que pode ser sinónimo de 
«psuche» ou de «pneuma». 
«...em Cristo Jesus...» Em 
outras palavras, em 
comunhão e união com 
Jesus, por estarmos 
identificados com ele, porque 
Deus Pai cuida de nós 
como cu id a de seu Filho. E 
ssa é a «esfera» onde a p ro 
teção divina é 
oferecida àqueles 
quepertencem a Cristo, onde 
também desfrutam de união 
mística com ele. (Comparar 
com isso a expressão «em 
Cristo», que é usada 
por cento e sessenta e q u a 
tro vezes nas p ág in as do N .T 
., com notas 
expositivasem I Cor. 1:4; e 
com a expressão «no 
Senhor», usada por mais de 
quarenta vezes no N.T., a qual 
é comentada no primeiro 
versículo deste 1 
capítulo). 
Um dos im p o rtan tes elem 
entos sociais do perío d o h 
elen ista foi o 
guarnecimento m ilitar de 
muitas cidades da Grécia e 
da Ãsia Menor, pelos 
sucessores de A lexandre, o G 
ran d e. Os leitores de Paulo 
certam en te, 
estariam familiarizados com 
a proteção m ilitar oferecida 
às cidades. Ora, 
Deus oferece-nos a sua 
proteção às nossas almas. A 
paz é a sentinela que 
garante que tudo vai bem. No 
mundo temos tribulação, 
mas em Cristo 
temos paz. 
8 7o X o lt t o v, â8eÁ(j)ol, oaa è o r lv âXrjdrj, ocra o e p v á , S o a òiKaia, oaa 
evífrrjfta, et t ts â p e ryj Kal et tis e ir a iv o s , T a v T a X o y í^ e o O e - 8R o 12.17 
àyvá, oaa TrpoacfuXij, oaa 
8 cttcupoç] aiâ €Trícmjin]s D*G vgs* cl 
4:8: Quanto ao mais, irmãos, tudo 0 que é verdadeiro, tudo 0 que é honesto, tudo 0 
que é justo, tudo 0 que é puro, tudo 0 que é amável, tudo 0 que é de boa fama, se há 
alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. 
A palavra «...Finalmente...» é tradução do termo grego «to loipon», que 
significa «quanto ao resto».No meio de um a carta pode ser acrescentado um 
novo assunto, de m aneira um tanto frouxa, conforme se vê em I Tes. 4:1, 
onde dois capítulos inteiros seguem tal uso. (Ver Fil. 3:1 quanto a notas 
expositivas a respeito). Essa expressão também é usada para dar início às 
porções finais de epístolas, o que certamente é o uso que temos neste ponto. 
Não introduz, como antítese, o que os crentes filipenses deveriam fazer, em 
adição ao po d er p ro teto r de D eus (em b o ra isso tam bém m ostre um a 
verdade), mas trata-se de um simples sinal que indica que Paulo estava 
chegando ao fim de sua carta. 
As virtudes aqui alistadas fazem todas parte do «fruto do Espírito» (ver 
Gál. 5:22,23), devendo ser consideradas como algo que surge mediante o 
cultivo e o desenvolvimento espirituais. Essas virtudes é que devem ocupar 
as nossas mentes, devendo sempre ser «levadas em conta» por nós, em nossa 
inquirição espiritual. Deus nos guarda e nos dá paz como um dom; mas 
também temos obrigações e precisamos cultivar as virtudes espirituais. Sem 
essas virtudes, o ideal cristão não pode concretizar-se na vida de um a 
pessoa. Comenta Robertson (in loc.), acerca dessas diversas virtudes: 
«Elas são pertinentes agora, quando tanta imundícia é exposta perante o 
mundo, em livros, revistas e filmes, sob o nome de realismo, a fossa mesma 
das piores iniquidades». Se Robertson tivesse vivido em nossos dias, mui 
provavelmente teria adicionado a «televisão» à lista daquelas coisas que 
servem de elementos corruptores dos homens. 
«...verdadeiro...» No original grego temos 0 termo «alethe».Deus é a 
norma de toda a verdade, como também seu padrão e fonte originária. Nas 
páginas do N.T., a «verdade» é frequentemente sinónimo do «evangelho», a 
verdade conform e ela é revelada em C risto; e C risto é a verdade 
p erso n ificad a (ver João 14:6). A quelas coisas que concordam com a 
natureza de Deus, na pessoa de Cristo, são «verdadeiras», em contraste com 
a falsidade e a hipocrisia. Aquilo que não se assemelha inerentemente a 
Deus, necessariamente é falso. O oposto de Deus são as coisas «insinceras», 
«hipócritas», «pretenciosas» ou «falsas» (não podendo elas representar a 
verdade objetiva de Deus em qualquer sentido, espiritual ou não). 
« ...resp eitá ve l.. .» No grego é «se m n a », que significa «honroso», 
«reverenciável», «venerável». A form a verbal é «sebo», que quer dizer 
«adorar» ou «reverenciar». Dos diáconos se pede que tenham essa qualidade 
(ver I Tim. 3:8); mas aqui essa mesma virtude é requerida de todos os 
crentes. Os crentes de.vem «exibir uma dignidade que se deriva da salvação 
moral, assim convidando o respeito.Nos escritos clássicos, esse é um dos 
epítetos dos deuses» (Vincent, in loc.). 
«Nobres e sérios, em oposição da kouphos, que significa a quem falta 
seriedade intelectual» (Matthew Arnold, in loc.). 
«Há muita coisa nos códigos de honra que é estúpido e artificial; mas 
existem modos de agir que sabemos ser corretos, segundo nossos mais 
profundos instintos. Agir contrariamente a isso é ofender a Deus». (Scott, in . 
loc.). Essa palavra se encontra no N.T., somente aqui e nos trechos de I 
Tim. 3:8,11 e Tito 2:2. 
«...justo...» No original grego temos a palavra «dikaia», que significa 
«equitativo», satisfatório em todas as obrigações para com Deus, para com 
FILIPENSES 
nossos semelhantes e para conosco mesmos. Essa é a forma adjetivada da 
«retidão salvadora», que nos é dada pela fé, a saber, a própria retidão de 
Deus (ver Rom. 3:21),a qual é lançada na conta dos homens, e realmente é 
também formada pelo Espírito Santo no homem interior. Todas as nossas 
ações devem co n co rd ar com essa nossa n a tu re za in ata . (V er as notas 
expositivas sobre Atos 10:22 e Rom. 5:7). 
«...puro...» No grego é «agna», que significa «puro», em sentido moral. A 
pureza de motivos e nas ações está aqui em foco. Originalmente, a raiz era 
«agos», palavra que indicava qualquer questão que envolve «respeito» 
religioso. E essa palavra veio eventualmente a significar, especificamente, 
um «sacrifício expiatório» a ser oferecido aos deuses. Daí o termo veio 
in d icar «algo sep arad o p a ra os deuses». E n tão , visto que os deuses 
supostamente seriam santos, surgiu a idéia de «santidade», de «pureza». 
Assim, pois, aquilo que é «puro» é aquilo que foi consagrado a Deus, que 
não está m aculado pelo pecado. T al p alav ra tam bém significava, 
frequentemente, «castidade» ou «inculpabilidade moral». (Ver Fil. 1:17, 
onde a forma adverbial é usada para indicar a pregação do evangelho, por 
motivos sinceros e incorruptos. Na Septuaginta (tradução do original 
hebraico do A.T. para o grego) essa palavra indicava pureza «cerimonial», 
com a idéia de purificação. E esse sentido também é preservado nas páginas 
do N.T. (ver João 11:55; Atos 21:24,26 e 24:18). Nas passagens de Tia. 4:8; 
I Ped. 1:22 e 1 João 3:3,o termo indica a purificação espiritual do coração e 
da alma. Pensamentos puros, palavras e ações puras, provenientes de uma 
alma pura, são aqui indicados. 
«...amável...» No grego temos o vocábulo «prosphile», que significa 
«digno de amor», indicando aquilo para o que somos atraídos, devido à sua 
beleza de caráter. Esse termo é usado exclusivamente aqui, em todo o N.T., 
indicando aquilo que, por sua própria beleza, atrai o amor e se tom a caro 
para alguém. Deus é o grande magneto da bondade, que atrai o amor; por 
conseguinte, essa qualidade realmente é algo de Deus, insuflado em algo ou 
em alguém, para que esse algo ou esse alguém possua encantamento. Mas 
essa p alav ra tam bém era usad a com o sentido de «amigável», de 
«agradável». Platão, em seu diálogo Simpósio, assevera que aquilo que nos 
atrai, nas pessoas ou nas coisas, é a «beleza», porquanto amamos ao belo; 
mas que, em última análise, esse amor à beleza é, realmente, amor a Deus, 
pois ele é o clím ax de toda a beleza, como seu g ran d e m odelo e fonte 
o rig in ária. Por isso m esm o é que o Senhor Jesus disse que se ele fosse 
levantado da terra, atrairia a si mesmo todos os homens; e isso mostra até 
que ponto ele possuía a beleza divina. Ver o trecho de João 12:32 e as notas 
expositivas a respeito, onde se explica como isso pode tornar-se realmente 
verdade, e não apenas em p a rte . T rata-se de u m a feliz condição a do 
homem para quem são atraídos outros homens, por ter ele, em si mesmo, 
algo da beleza de Deus, o que merece amor. 
«...de boa fam a...» No grego é «euphema», palavra usada somente aqui 
em todo o N.T., e que significa, literalmente, «que soa bem», ou seja, 
«conquistador», «gracioso». Também podia indicar aquilo que é «louvado 
com palavras», sendo assim que alguns intérpretes entendem esse vocábulo. 
Também pode significar «digno de louvor», «atrativo». Assim, pois, o crente 
deve buscar aquelas coisas que criam, para ele, a boa «reputação», aquilo 
que é «digno de louvor» aos olhos dos outros homens e aos olhos de Deus. 
«...alguma virtude...» No original grego, a última dessas duas palavras é 
«arete», que significa «virtude», «excelência moral». (Comparar com I Ped. 
1:5, onde se lê: «...asso ciai com a vossa fé a v irtude; com a v irtude, o 
conhecimento...» Esse termo tinha um significado geral, incluindo tudo 
9 ã Kal i/jiádeTe Kal TrapeXá^ere Kal rjK ovaare K a l 
C íp T jV T jÇ Ç O T a i V p L O J V . 9 ó 9eòs rrjs eipvvrjs Ro 
4:9: 0 que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso 
praticai; e o Deus de paz será convosco. 
Neste ponto, de maneira enfática, Paulo se oferece uma vez mais como 
exemplo a ser seguido. (Ver as notas expositivas completas a esse respeito, 
em Fil.'3:17eIC or. 11:1). Quando alguém se torna seguidor do exemplo de 
Paulo, torna-se também seguidor do exemplo de Jesus Cristo, conforme se 
vê na passagem de I Cor. 1 1 :1 . Isso porque o apóstolo dos gentios ensinava 
preceitos verazes, vivendo-os pessoalmente, de modo que ninguém podia 
desculpar-se de não haver compreendido as exigências cristãs de ordem 
m oral, em co n traste com aquilo que os cristão s prim itivos estavam 
acostumados a ver no paganismo. 
Pode-se observar aqui como Paulo usa quatro verbos que frisam como os 
discípulos deveriam seguir-lhe o exemplo, e sobre quais bases: «aprender» e 
«receber» formam um par, e «ouvir» e «ver» formam outro par. E note-se 
que, no original grego, todos esses verbos estão no aoristo, assinalando que 
todas as experiências passadas dos crentes são aqui vistas como um a única 
instância completa desse aprendizado. Os quatro verbos demonstram quão 
completa fora aquela experiência dos crentes filipenses, de modo a não 
terem qualquer desculpa, como se ainda não houvessem sido informados. 
Os crentes filipenses tinham aprendido, da parte de Paulo e de outros 
líderes cristãos, mediante instruções orais e escritas e mediante a força do 
exemplo pessoal. E haviam recebido o que tinham aprendido, aprovado e 
a p ro p riad o , p a ra efeito de ap licação pessoal. Sim, aqueles crentes 
aprovavam a excelência das instruções em que haviam sido ensinados. 
Tinham ouvido a Paulo pessoalmente, como também, mais tarde, tinham 
ap ren d id o aqu elas in stru çõ es m ed ian te c artas; e no apóstolo viam o 
exemplo correto. 
H á não m uito tem po, ouvi fa la r de um p a sto r, que, num a reunião, 
declarou: «Eu não hesitaria em ter a m inha vida inteira projetada num a tela 
diante desta congregação». Uma declaração surpreendente! Ou este homem 
era louco ou era um gigante em espiritualidade! Mas, Paulo disse algo 
essencialmente igual a isto no texto diante de nós. Imite, então, este gigante 
em esp iritu a lid ad e , e terá C risto form ado em você. Use os m eios do 
q u an to Paulo d issera antes. T odas aqu elas q u alid ad es com põem a 
excelência moral que é referida no presente versículo. Essa mesma palavra 
era usada para indicar «manifestação do poder divino, milagre» (ver Josefo, 
Antiq. 17,130) ou o «poder de Deus» (ver II Ped. 1:3). Era o «milagre moral 
divino» que Paulo queria que os crentes recebessem, através da atuação do 
Espírito Santo. Nos escritos clássicos, essa palavra era usada em sentido 
m oral, tal como aq u i, em bora tam bém envolvesse q u alq u er form a de 
excelência, como a bravura, a posição social, a boa qualidade dos animais e 
da te rra . No trecho de Isa. 42:8,12 (n a tu ra lm e n te na versão grega da 
Septuaginta), essa palavra é usada para indicar os atributos de poder de 
Deus, como também a sua sabedoria, etc., ao passo que em Zac. 6:13 é 
usad a p a ra in d icar o «Renovo», que h av eria de receb er a trib u to s de 
soberania. No entanto, neste versículo, o termo é empregado para indicar 
uma excelência mais geral. 
«...louvor...» No grego original temos «epainos», que significa «lpuvor», 
«aprovação», também usado como termo para indicar «coisa digna de 
louvor», o que sem dúvida é o seu significado neste passo. Paulo sem dúvida 
se referia aqui ta n to a D eus como aos hom ens. A quele que possui as 
«virtudes» anteriormente mencionadas torna-se digno de louvor e o recebe, 
pelo menos da parte de Deus. Por isso mesmo é que há unia declaração no 
Talmude, que diz: «Um rabino disse: Qual é o correto caminho que um 
homem deve escolher para si mesmo? Tudo quanto lhe sirva de motivo de 
orgulho deve ele seguir, e que o faça ter honra entre os homens». No dizer de 
Faucett (in loc.): «Não que o louvor dos homens seja o nosso alvo (conferir 
com João 12:43), mas devemos viver de tal m aneira que mereçamos esse 
louvor». 
«Portanto, Paulo não recomendava aqui a eles ‘aos crentes filipenses’ que 
procurassem obter o aplauso ou a recomendação de outros através de ações 
virtuosas, e nem mesmo que procurassem regulamentar sua vida segundo os 
juízos do povo; m as tão-som ente quis dizer que os crentes deveriam 
devotar-se à realização de boas obras, que merecem aprovação, a fim de que 
os ímpios, bem como aqueles que são adversários do evangelho, embora 
zom bem dos crentes e tentem lançá-los no o p róbrio, não o b stan te, 
sejam constrangidos a apoiar a sua boa conduta». (Calvino, in loc.). 
Ao mencionar o «louvor», tanto quanto ao mencionar a «virtude», Paulo 
sumaria, em sua declaração, todas as qualidades morais que havia alistado. 
É como se ele tivesse dito: «Se possuirdes essas virtudes, sereis dignos de 
louvor». 
«.. .seja isso o que ocupe o vosso pensamento...» Que essas coisas dignas de 
louvor, essas virtudes, sejam as razões de nossa meditação e consideração, 
para que sejam inclusas em nossa conduta diária. Devem ser substituídos os 
vãos pensamentos da sensualidade, o lucro e a fama mundanos, buscando 
cuidadosamente aquelas coisas que contribuem para o bem de nossas almas 
imortais, o que transcende a qualquer bem terreno que os homens busquem 
mediante suas mentalidades carnais. 
«O que me amedronta é a míngua de ideal que nos abate. Sem ideal, não 
h á n o breza de alm a; sem n o breza de alm a,não h á desinteresse; sem 
desinteresse, não há coesão; sem coesão, não há pátria». (Olavo Bilac, 
discurso). 
Variante Textual: Ao invés das palavras «...seja isso o que ocupe o vosso 
pensamento...», os mss D(1)G e a maioria das versões latinas dizem «...de 
conhecimento...», dando a entender «o louvor do conhecimento». E alguns 
manuscritos latinos dizem «de disciplina». Mas essas variantes foram puras 
modificações de escribas, de acordo com suas preferências pessoais. 
e i ã e r e iv ifj,oí, r a v r a Trpáaaere- K a l 6 deòs rrjs 
15.33; 16.20; 1 Cor 14.33; 1 Th 5.23 
desenvolvimento espiritual, tais como: oração, meditação, treinamento do 
intelecto, o uso dos dons espirituais e a prática da lei do amor, boas obras 
práticas. 
«...em mim...», isto é, como um exemplo vivo. «Paulo ousou apontar para 
a sua própria conduta diária, em Filipos, como ilustração desse elevado 
pensamento. O pregador é o intérprete da vida espiritual, devendo também 
ser o seu grande exemplo». (Robertson, in loc.). 
«...praticai...» Os crentes não devem apenas fazer de suas instruções 
morais razão de suas considerações; antes, que essas instruções sejam 
poderosa influência sobre todas as suas ações, a base mesma de suas vidas 
diárias. O caráter dos crentes deve ser repleto das virtudes enumeradas por 
Paulo, para que possam pôr em prática aquilo que viam ser praticado por ele. 
No original grego encontramos o verbo «prassein», que significa «praticar», 
em contraste com o verbo «poiein», que significa apenas «fazer», embora 
essa distinção nem sempre seja uniformemente m antida. Não obstante, 
neste ponto, a prática é recomendada, não podendo haver dúvidas sobre 
isso. 
«...o Deus da p az será convosco...» (Quanto à expressão «Deus da paz», 
ver as notas expositivas sobre Rom. 15<<33; 16:20; I Tes. 5:23 e Heb. 13:20). 
Não está em foco apenas a calma e a tranquilidade, mas também a paz 
interior, devido à reconciliação com Deus e com os outros homens, que 
também foram assim reconciliados com o Senhor. Esse senso de bem-estar, 
baseado na realidade do bem-éstar da alma, vem da parte de Deus. Paz, 
neste caso, não é apenas um a atitude emocional, e, sim, moral. Quando a 
correção moral lança raízes na alma de um homem, ele sente descanso 
consigo mesmo e com Deus, e então com os seus semelhantes. Por essa 
exata razão é que o «Deus da paz» é apresentado como o «santificador» da 
personalidade inteira do crente. O Messias é chamado de «a paz de Deus» 
(em Miq. 5:5), porquanto é ele quem infunde a correção moral em seu 
reino, como também bênçãos pacíficas (ver Sal. 77:7 e 85:10). O evangelho 
é um a boa m ensagem que an u n cia a p az. (V er E fé. 2:17; 6:15 e Rom . 
10:15). Através da agência do evangelho é que Deus estabelece a paz à face 
da te rra , en tre ele m esm o e os hom ens, e en tre o hom em e os seus 
FILIPENSES 65 
semelhantes. Cristo é também' chamado de «Senhor da paz» (ver II Tes. 
3:16), porque, quando aceitamos o seu senhorio (idéia comentada nas notas 
expositivas sobre Rom. 1:4), encontramos a paz com Deus. E a justificação 
pela fé é a origem de toda a nossa paz com Deus. (Ver Rom. 5:1). 
«É por intermédio de Deus, como autor e doador da paz, que o homem se 
vê capaz de achar a harmonia que procurava nos elementos conflitantes de 
sua p ró p ria n a tu re za , bem com o em suas relações com o m undo, sem 
falarmos em suas relações com o próprio Deus». (W estcott, comentando 
sobre Heb. 13:20). 
Não há que du v id ar que há aqui um lan ç ar de olhos late ra l a vários 
problemas que haviam surgido na igreja dos filipenses, motivados pela 
inveja, pelas facções e pelas contendas (ver Fil. 1:15-17 e 4:2). Aqueles 
crentes que estão avançando espiritualmente viverão muito acima dessas 
coisas, porquanto o seu Deus é o Deus da paz. 
VIII. A Carta de Ação de Graças; as Doações dos Crentes (4:10-20). 
Tendo chegadoagora ao final de sua epístola, Paulo destaca um de seus principais 
propósitos ao escrevê-la. Os crentes 
filipenses se tinhâm mostrado generosos em seu apoio financeiro, reconhecendo as 
necessidades de Paulo e as crises de toda a 
ordem pelas quais ele passava. Eles queriam aliviar pelo menos suas dificuldades 
financeiras, até onde isso lhes fosse possível, 
pelo que lhe tinham enviado dinheiro em diversas ocasiões. Ora, neste ponto Paulo 
faz uma pausa a fim de agradecer a essas 
doações. A última ocasião em que os filipenses tinham enviado auxílio financeiro a 
Paulo fora quando da vinda de Epafrodito, o 
qual agora retomaria a eles como o portador da presente epístola, bem como seu 
representante, autorizado a corrigir alguns 
problemas que afligiam aquela comunidade cristã. 
O fato (jue Paulo esperou até o fim desta epístola, para mencionar as doações 
recebidas mais diretamente, agradecendo aos 
crentes filipenses pelas mesmas, é questão que tem deixado perplexos a alguns 
intérpretes. Alguns deles têm pensado que Paulo 
não tivesse ficado satisfeito ante a quantia recebida, tendo a mesma também 
chegado tarde demais para fazer-lhe grande bem. 
Mas outros vêem nisso uma demonstfação da delicadeza dos sentimentos de Paulo: 
o apóstolo teria adiado a menção da dádiva 
porque não queria que a questão parecesse ser demais importante para ele, como se 
estivesse motivado pela cobiça. Entretanto, é 
perfeitamente possível que ele já houvesse agradecido aos crentes filipenses pelo 
dinheiro enviado, em alguma epístola anterior, 
que agora desconhecemos; ou então, simplesmente, que as várias admoestações e 
instruções, necessárias para correção de outros 
problemas, e que foram incluídas nesta epístola, tenham forçado a menção da 
questão agora já no final da epístola. 
A passagem que ora consideramos aprova as doações feitas a ministros e 
missionários do evangelho, como algo digno de 
louvor. A passagem de I Cor. 9:7-14 ainda se mostra mais detálhada e dogmática, ao 
abordar esse mesmo problema. 
Ordinariamente, Paulo não recebia doações das igrejas que fundava, não apenas 
para dar exemplo de tal parcimónia a outros, 
mas provavelmente porque não queria que seu serviço, prestado à causa de Cristo, 
desse a impressão de ser feito a troco de uma 
«cobrança». Estava muito mais interessado em prestar seus serviços gratuitamente, 
posto que, antes de sua conversão a Cristo, 
havia perseguido à igreja do Senhor. Por exemplo, no caso da igreja em Corinto, sob 
hipótese alguma aceitou doações da mesma, 
visto que alguns de seus membros o tinham criticado concernente a essa questão, 
ao passo que outros, mui provavelmente, 
tinham dito que ele trabalhava no evangelho a fim de ter uma vida financeiramente 
abastada. Nessas criticas, realmente, havia 
um ataque contra o seu próprio apostolado. 
Além disso, ainda outros explicavam como motivo do fato que ele não queria receber 
ajuda financeira, dizendo:<«Ele não aceita 
salário, e com razão, pois nem mesmo é um apóstolo». Assim deveriam dizer 
especialmente os «judaizantes» que havia na 
comunidade cristã de Corinto. (Ver igualmente o trecho de II Cor.ll:8,9, sobre esse 
mesmo problema). Esse versículo também 
menciona um dom anterior doado pelos filipenses, evidentemente há tempo 
considerável atrás. 
Embora Paulo não recebesse ajuda financeira da parte de outras igrejas, exceto a dos 
filipenses, pelo menos não tendo nós 
registro histórico a respeito, o fato é que ele exortou, tanto aos crentes coríntios (ver I 
Cor. 9:7-14) como aos crentes gálatas (ver 
Gal. 6:6), para que fossem cuidadosos no desempenho fiel desse dever. (Ver as notas 
expositivas nesses trechos citados, acerca 
desse tema em geral). O texto presente, em sua aplicação, deveria ser dirigido mais 
diretamente à questão da responsabilidade 
das igrejas locais para com os missionários, sobretudo para com aqueles que 
labutam em países estrangeiros, porquanto esse é o 
caso aqui especialmente ilustrado. 
1 0 ' E ) [ á p r j v 8è iv Kvpícx) peyáÀaJS oti rjS rj ttot€ à v e O a X e r e to virèp ifiov 
(f>poveív, i<f> cS xal i<j>poveÍTe 
T jK a ip e io d e § € . 
4:10: Ora,muito me regozijo no Senhor por terdes finalmente renovado o vosso 
cuidado para comigo; dó qual na verdade andáveis lembrados, mas vos faltava 
oportunidade. 
«...Alegrei-me...» Temos aqui, uma vez mais, um a das notas chaves mais 
constantes da presente epístola, a «alegria». (Ver as notas expositivas a 
respeito desse tema, em Fil. 1:4 e 4:4, onde são aludidas as passagens onde 
esse assunto reaparece). A alegria é um a das facetas do «fruto do Espírito 
Santo», ou seja, uma qualidade espiritual. (Ver Gál. 5:22,23 e as notas 
expositivas ali ex istentes). A qui Paulo usou o ao risto ep isto lar, no 
grego—traduzido em português por «...Alegrei-me...», vendo a questão do 
ponto de vista de seus leitores. Quando os crentes filipenses recebessem esta 
epístola, sua ação de agrad ecim en to já seria co n siderado com o algo 
ocorrido no passado; por essa razão é que Paulo escreveu o verbo no tempo 
passado. Normalmente, esses aoristos, a fim de se adaptarem à nossa 
m an eira de dizer as coisas, são vertidos p a ra o tem po p resen te, nas 
traduções modernas. 
«...no Senhor...» (Quanto a notas expositivas completas sobre essa 
expressão, usada por mais de quarenta vezes nos escritos de Paulo, ver Fil. 
4:1. Essa expressão indica a nossa união e contacto com o Senhor Jesus, 
bem como a nossa posição como membros da família divina, juntam ente 
com ele; e também fica indicado o seu senhorio, que é comentado no trecho 
de Rom . 1:4). Paulo se reg o zijara tan to em face do p ró p rio auxílio 
financeiro recebido como também porque o mesmo fora inspirado pelo 
amor cristão, o que ele reconheceu como um a das boas qualidades dos 
crentes filipenses. 
«...agora, uma vez mais...» Essas palavras indicam a pluralidade das 
doações enviadas (quando as consideramos juntam ente com a declaração 
«...renovastes a meu favor o vosso cuidado...»). E na passagem de II Cor. 
11:8,9 vemos que isso já haviá ocorrido relativ am en te cedo em seu 
ministério. Desde quase o princípio o apóstolo vinha recebendo ajuda 
financeira dos crentes filipenses. Podemos supor, assim sendo, que eles lhe 
p restavam a ju d a reg u lar, desde o tem po de sua seg u n d a viagem 
missionária, cujo início está registrado em Atos 15:26. E o versículo décimo 
sexto desse mesmo capítulo mostra que eles já lhe tinham enviado dádivas 
antes. 
«...renovastes...» Temos aqui um a metáfora, indicando uma planta que 
sofrera de um período de estiagem, mas que agora revivia e florescia, e, 
assim, produzia fruto. Essa expressão tem sido compreendida essencialmente de duas 
maneiras: 
1. Se o verbo for usado intransitivamente, então Paulo estaria dizendo: 
«Alegro-me que chegastes ao estado de florescência, novamente, de modo a 
terdes podido pensar outra vez em mim, resultando isso na oferta que me 
enviastes». 
2. Mas se o verbo for transitivo, então ele teria dito: «Recebi a vossa 
preocupação por mim», em que a palavra «preocupação» seria o objeto do 
verbo. É provável que esta segunda posição seja a forma mais correta de 
compreender o trecho, pode subentender certa «reprimenda», porquanto 
deixaram aquela preocupação ficar amortecida por algum tempo. Mas, 
para evitar que tal interpretação fosse lida em suas palavras, Paulo teria 
adicionado que isso o co rrera por fa lta de o p o rtu n id ad e da p a rte dos 
filipenses, e não p or fa lta de interesse, conform e se vê no re stan te do 
versículo. 
«...o vosso c u id a d o ...» Pode-se n o ta r aq u i o uso do verbo no m odo 
imperfeito—durante todo o tempo eles tinham tido aquela preocupação, 
mas não havia como realizar isso na prática. Isso Paulo observou a fim de 
evitar qualquer interpretação errónea de suas palavras, no tocante ao 
intervalo que separava aquele envio das dádivas e a vez anterior em que o 
tinham feito. 
«...faltava oportunidade...» Também no imperfeito. Por todo o tempo, 
embora quisessem fazer um a doação ao apóstolo, nunca se lhes apresentava 
a chance de enviarem suas dádivas. Os tipos de transporte antigo, bem 
como os assaltos frequentes nas poucas estradas, dificultavam imensamente 
a questão. Os crentes filipenses talvez não tivessem mesmo os fundos para 
uma doação, não possuíam prosperidade financeira bastante para tal coisa, 
ou então talvez não contassem com um m ensageiro de confiança que 
estivesse livre, no momento, para o propósito de levar ao apóstolo os meios 
pecuniários. Mas, finalmente, em Epafrodito, encontraram o portador 
certo. 
11 o v % o t i x a d * v a ré p rja iv Xéyoj, i y w yàp epuaÕov i v ots elpu a v r á p K r js e iva i. 
FILIPENSES 
66 
11 k v ...e I v a t 1 Tm 6 
4:11: Não digo isto por causa de necessidade, porque já aprendi a contentar-me com 
as circunstâncias em que me encontre. 
É como se Paulo houvesse escrito: «Não estou falando em tom de queixa, 
inspirado pela m inha pobreza, como homem que se acha em desesperadora 
necessidade, porquanto já aprendi a estar contente em qualquer situação, 
tendo dinheiro ou não». No dizer de Vincent (in loc.): «...já aprendi o 
segredo de sentir-me auto-suficiente em qualquer condição». Por isso 
mesmo é que muitos anos antes, em seu ministério, Paulo foi capaz de 
dizer: «De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes; vós mesmos 
sabeis que estas mãos serviram para o que me era necessário a mim e aos 
que estavam comigo» (Atos 20:33,34). Paulo trabalhava arduamente a fim 
de ganhar a vida, à parte de seu trabalho ministerial, a fim de que pudesse 
trabalhar desembaraçadamente no evangelho. (Ver o trecho de Atos 18:3, 
quanto a notas expositivas de sumário sobre essa questão. Essa mesma nota 
expõe o tema «A honradez dos ministros que trabalham». Ali também é 
discutida a natureza do ofício de Paulo, bem como o «valor do trabalho 
físico» para os ministros). 
«...aprendi...» No original grego temos o aoristo, usado em um lugar 
onde se poderia esperar o perfeito. A idéia é: «Já aprendi, de um a vez por 
todas, através de m inha experiência; e essa ainda é a m inha opinião fixa». 
«...em toda e qualquer situação...» Essas palavras representam uma 
in te rp reta çã o , e não um a trad u ção , p o rq u a n to o o riginal grego diz 
simplesmente «...nos estados (em que) eu estou...» Alguns eruditos fazem 
essas palavras referirem-se às circunstâncias de sua «provação presente»; 
mas outros pensam em um a declaração mais geral, indicando qualquer 
situação em qualquer ocasião. E esta segunda opinião provavelmente é a 
mais correta, porquanto Paulo parece estar falando de uma lição aprendida 
através de muitas experiências, aplicável a todas as situações. 
« ...co n ten te ...» No grego tem os o term o «a u ta rk es», que significa 
«auto-suficiência», ou seja, «contentamento». Paulo empregou aqui um 
12 olha K a l Taneivovadai, olSa K a l Trepiooeveiv iv 
Treivâv, K a l Trepiooeveiv K a l varepetodai. 
4:12: Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as 
coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em 
ter abundância, como em padecer necessidade. 
«...humilhado...» é tradução do vocábulo grego «tapeinoo», palavra 
comum que significa «humilhar», «degradar», mas que, em discursos morais 
e religiosos com frequência queria indicar «autodisciplina». Paulo emprega 
essa palavra, referindo-se a si próprio na questão de «humilhar» à sua 
própria pessoa, ao trabalhar com as próprias mãos para ganhar a vida, 
quando todos os apóstolos tinham o direito de receber ajuda financeira das 
igrejas locais. 
Alguns elementos de Corinto supunham que a recusa de Paulo em viver 
do evangelho era degradante para ele. Mas em muitos outros sentidos o 
apóstolo dos gentios já aprendera a viver humildemente como homem 
pobre, sofrendo afrontas por causa de sua associação com Cristo e o seu 
evangelho. (Ver II Cor. 4:8). No trecho de II Cor. 11:27, Paulo menciona 
que algumas vezes experimentara fome e jejum, onde certamente se deve 
com preender que eram jeju n s forçados. S im plesm ente ele não tin h a 
dinheiro bastante, nessas oportunidades, paraadquirir alimentos., Sua 
«humilhação», neste caso, mui provavelmente se refere particularmente ao 
seu estado financeiro, conforme o contexto da passagem indica, porquanto 
ele falava sobre a ajuda financeira que os filipenses lhe tinham enviado. 
Sem essas dádivas várias, por diversas vezes Paulo experimentou pobreza 
extrema; mas aprendera a suportar a tudo, continuando a servir a Cristo 
apesar disso. E noutras ocasiões fora reduzido à «nudez», ou seja, não tinha 
roupas suficientes, tão crítica se tornava a sua situação. Mas o fato que ele 
foi honrado mostra-nos, em contraposição a isso, que a sua humildade 
incluía também um tratam ento hum ilhante da parte dos homens, visto ter 
sido aprisio n ad o e esp an cad o (ver II Cor. 11:23,24), como tam bém 
ridicularizado em outros sentidos, por causa de sua fé em Cristo. 
As humilhações sofridas por Paulo podem ser confrontadas com as do 
Senhor Jesus (ver Fil. 2:5-8). Nessa passagem, Cristo é apontado como o 
exemplo da humildade m ental que nos deveria caracterizar, de modo que 
nenhum sacrifício fosse reputado grande demais para que completássemos 
com êxito a nossa missão cristã. 
« ...h o n ra d o ...» No grego tem os o verbo «perisseo», que significa, 
literalmente, «extravasar», «ser excessivo»;, e a referência particular é 
novamente financeira, embora «honra» também possa ser aqui indicada. 
«Sei e star a b atid o , m as não esm agado; sei e star em ab u n d ân c ia , sem 
exaltar-me». (Calvino, in loc. , que julgou acertadamente a atitude de 
Paulo). Quando Paulo visitava a Filemom (ver File. 22) ou a outros que 
tinham meios financeiros abundantes, não se mostrava contrário ao viver na 
abundância de bens materiais, durante o tempo em que os visitava. 
A minha mente é para mim um reino, 
Tais são as alegrias que ali acho, 
Que excede todas as outras bênçãos 
Que a terra faz medrar por suas espécies: 
Embora muito eu queira o que a maioria tem, 
Minha mente me proibe cobiçá-las. 
(Sir Edward Dyer) 
Um a vez mais encontramos a grande lição que a vida de um homem não 
consiste da abundância das coisas que possui, conforme se aprende em Luc. 
12:15. 
«...já tenho exp eriên cia ...» No grego tem os a p alav ra «mueo», que 
significa «iniciar», isto é, «iniciar nos mistérios». Podemos observar o 
termo famoso dos filósofos estóicos, porquanto a nota chave da filosofia 
deles era a «auto-suficiência», isto é, um estad o em que as em oções 
provocadas pelas circunstâncias externas não têm a permissão de perturbar 
a tranquilidade íntim a do indivíduo. Ora, a cidade natal de Paulo, Tarso, 
era um dos grandes centros da filosofia estóica; e todos quantos lêem as 
cartas de Sêneca (contemporâneo de Paulo e filósofo estóico romano) sabem 
o quanto Paulo tomou do estoicismo certas expressões, em suas epístolas. 
Podem ser comparadas as m uitas metáforas de Paulo, baseadas na vida 
atlética, com os escritos de autores estóicos, que tinham nisso um a de suas 
práticas constantes. (Ver Diog. L.2.24, onde figura essa expressão, acerca 
de Sócrates, onde também aparece o adjetivo «semnos», que significa 
«augusto», «majestático»). Em Tim. 33 D, Platão usa esse vocábulo acerca 
do indivíduo para quem nada faltava, espiritualmente ou em qualquer 
outro sentido, o qual é visto como alguém «muito mais excelente» que 
aqueles que padecem de alguma necessidade. Sócrates, por sua vez, falava 
da verdadeira riqueza, com as seguintes palavras: «Aquele que se contenta é 
o mais rico, pois a ‘auto-suficiência’ é a riqueza da natureza». Sêneca dizia: 
«Beatus estpraesentibus, qualiacunque sunt, contentus» (De Vita Beata, 6, 
a G álio), o que significa: «Feliz é o hom em que, em q u aisq u er 
circunstâncias em que se encontre, sente-se contente». 
«A mente contente é uma festa contínua. O que podemos obter com as 
murmurações e os queixumes?» (Adam Clarke, in loc.). 
«Nosso primeiro impulso seria gastar parte desse aumento não merecido 
em algum luxo, depositando o resto em ações do governo, à espera do 
inevitável dia seco. O dinheiro é tão importante na satisfação de nossas 
necessidades imediatas, que não nos faz lem brar naturalm ente do fato qúe 
<. ..a vida de um hom em não consiste na a b u n d ân c ia dos bens que ele 
possui> (Luc. 12:15). Mas essa verdade jam ais será plenamente apreciada 
exceto naqueles pontos onde o dinheiro nada pode fazer por nós». (Wicks, 
in loc.). 
Travrl Kal iv irâoiv fie/j.rjr)[uu Kal xop rá Ç eod a i Kal 
perfeito, dando a entender: «Já fui iniciado nessa forma de contentamento, 
por experiências que têm exercido efeitos permanentes em mim». Portanto, 
«já aprendi o segredo», conforme a palavra usada nas religiões misteriosas 
indicava, dando a entender aqueles que se tornavam seus adeptos, a quem 
eram revelados os segredos das mesmas. Assim, pois, Paulo utiliza-se de 
um a metáfora tomada por empréstimo das religiões misteriosas a fim de 
ilustrar o que queria dizer. Essas religiões misteriosas salientavam uma 
disciplina superior, na qual apenas alguns poucos podiam ser iniciados, 
em bora q u alq u er pessoa pudesse p a rtic ip a r da ad o ração p ú b lica das 
m esm as. Vem os, pois, que Paulo havia ad q u irid o um segredo, 
contentando-se com um nível de vida do qual poucos participavam; mas 
queria também que todos tivessem o mesmo contentamento, embora tal 
contentamento só possa resultar da disciplina espiritual, da inquirição 
espiritual intensa, que diminui o valor das coisas terrenas e aumenta o vaior 
das realidades espirituais. Portanto, os altos e baixos de sua vida física não 
afetavam o seu nível de espiritualidade. 
'«...em todas as circunstâncias...» Não particularmente «em todas as 
ocasiões», conforme dizem erroneamente algumas traduções, mas sob todas 
as circunstâncias, em qualquer estado físico de riqueza ou de pobreza que 
os dias nos possam trazer. 
«...fartura...» No grego é «chortadzo», na voz passiva neste ponto, que 
significa «estar cheio», palavra usada primariamente para indicar as rações 
e a engorda do gado. No trecho de Mat. 14:20, porém, é palavra usada para 
indicar a satisfação da fome da multidão; e Luc. 6:21 usa o termo para 
indicar a satisfação da fome espiritual. 
«...fome...» Verbo derivado de «peina», que significa «fome». É vocábulo 
correlato de «penes», «pobretão», alguém forçado a labutar (no grego, 
«penomai») p a ra sobreviver fisicam ente. T rata-se do pobre que com 
frequência padece fome, o que explica como, no grego, a palavra «fome» se 
deriva daí. Paulo se referia diretamente a essa parte de sua experiência, em 
II Cor. 11:27. 
«...abundância...» A mesma palavra usada no princípio deste versículo. 
A lgum as vezes P au lo tin h a tu d o em excesso, m as o seu e sp írito não 
precisava disso a fim de prosperar. Quando um homem é espiritualmente 
miserável, somente o dinheiro conseguirá consolá-lo em sua miséria; mas 
isso é um a vantagem ex trem am ente duvidosa, em b o ra in ten sam en te 
buscada pelo mundo. 
« ...esca ssez...» Vem do vocábulo básico «usteros», que quer dizer 
«atrasado», «ficar para trás», expressão popularmente usada para alguém 
que en trav a em dificu ld ad es fin an ceiras. E la é u sa d a p a ra in d ic a r a 
«deficiência material, em Luc. 15:14 e João 2:3. E também é empregada 
para falar da deficiência ou fraqueza moral e espiritual, nos trechos de 
Rom . 3:23; I C or. 8:8 e H eb. 13:15. T al como alguns hom ens «ficam 
aquém» da glória de Deus, assim também Paulo, com frequência, «ficou 
aquém» até mesmo de recursos financeiros adequados. No entanto, isso em 
nada prejudicou a sua expressão e o seu desenvolvimento espirituais. 
É como se Paulo tivesse dito: «Sei por experiência própria, pois já fui 
iniciado nesse segredo, tendo-me tornado um mestre nessa arte de viver 
contente sob todas as circunstâncias». (Ver II Cor. 9:8). Paulo reconljecia 
ser bom e útil para o crente ter «toda a suficiência em tudo», a fim de que 
possa «abundar em toda a boa obra», porquanto as situações financeiras 
difíceis podem impedir-nos a obra cristã,e visto que, em certo sentido, a 
«falta de dinheiro é um a raiz de todos os males». No entanto, mesmo assim 
podemos ser vencedores, contanto que a nossa fé seja suficiente para tanto. 
FILIPENSES 
1 3 Ttávra la)(VO j i v t o j i v S u v a fx o v v T Í f ie . 13 2 Cor 12.10; 2 Tm 4.17 
4:13: Posso todas as coisas naquele que me 
fortalece. 
Comenta Scott (in loc.) a respeito dessas palavras: 
«Até este ponto Paulo 
se utilizara da linguagem do estoicismo, e isso não 
foi por acidente. Até 
mesmo nos tempos antigos a semelhança entre o 
pensamento estóico e o 
triunfalmente, e, no entanto, com 
quanta humildade!» (Meyer, in 
loc.). 
Mediante tal ênfase, Paulo nào 
somente nos conta um a grande 
verdade 
sobre a fonte do po d er nessa in q 
u irição e sp iritu a l, m as tam 
p ensam en to p âu lin o foi n o tad a; e essas sem 
elhanças têm surgido em 
número cada vez mais numeroso, à medida que a 
pesquisa m oderna vai 
avançando. A cidade nativa de Paulo, Tarso, era 
uma das principais sedes 
da filosofia estóica e é óbvio que ele fora atraído 
por muitos aspectos de seu 
ensinamento. Seu discurso em Atenas, conforme 
0 registro do décimo 
sétimo capítulo do livro de Atos, foi inteiramente 
estóico, semelhante 
q u an to ao p en sam en to e à linguagem . T 
odavia, p or debaixo dessa 
sem elhança superficial h á u m a p ro fu n d a d 
iferen ça en tre P au lo e os 
estóicos, e a natureza dessa diferença transparece 
brilhantemente no 
presente versículo. Os estóicos m antinham que 
no homem, como fragmento 
que ele é da alma universal, existe um a força 
intrínseca que pode resistir e 
vencer todas as pressões externas. Já o apóstolo 
Paulo estava convicto que o 
hom em , p or si m esm o, n a d a pode fazer, m as 
an tes, está em servidão 
desesperadora às maldades deste mundo. Por 
essa razão é que Deus enviara 
um Libertador; e todo o esforço humano deve ser 
fútil para sempre, a menos 
que contem os com 0 po d er de,C risto que nos 
ajude. P or conseguinte, 
quando Paulo diz-nos aqui como já havia 
aprendido a contentar-se sob 
todas as condições de vida, sentindo-se auto-
suficiente, ao mesmo tempo 
teve o cuidado de adicionar que não dependia 
inteiramente de si mesmo. 
Antes, tinha consciência da presença íntima de 
Cristo, o qual, a todo o 
tempo lhe supria as forças necessárias». 
«.. .fortalece.. . »No original grego encontramos o 
vocábulo «enduamoo», o 
q ual significa «infundir forças», com o sua idéia b 
ásica. É p alav ra 
empregada para indicar a força da fé (ver Rom. 
4:20); também indica a 
bém 
resg u ard a-se c o n tra a possível 
in ferên cia de que ele se u fan av a 
em si 
mesmo, como se não precisasse 
de coisa alguma e de ninguém 
mais. 
«...tudo...» Certamente essa 
palavra inclui todas as questões 
relativas às 
coisas físicas, ainda que a 
declaração seja universal, 
envolvendo toda a 
inquirição espiritual da vida. 
«...naquele...» Algumas versões 
suprem a palavra «Cristo», para 
maior 
clareza, porquanto é óbvio que 
Paulo encontrava toda a força 
espiritual em 
Cristo. A respeito disso, 
consideremos os três pontos 
seguintes: 1. A idéia 
pode ser «instrumental», 
indicando que havia no caso de 
Paulo a instilação 
ativa do poder de Cristo. 2. Ou 
podia esse poder vir através da 
comunhão e 
da união com ele, mediante o 
contacto místico. 3. E é mediante 
a associação 
com Cristo que essa força nos é 
dada. 
A força do apóstolo dos gentios 
residia em sua «união viva e 
identificação 
com Cristo», o qual era o seu 
poder (Faucett, in loc., referindo-
se a Gál. 
2:20). (Quanto a outros versículos 
que subentendem que toda a 
força 
espiritual pode ser encontrada 
exclusivamente em Cristo, ou em 
Deus Pai, 
ver Efé. 6:10; II Cor- 12:9; Atos 
9:22; Rom. 4:20; I Tim. 1:12; II Tim. 
2:1 e 
4:17). 
«Toda a autoridade me foi dada no 
céu e na terra. Ide, portanto, fazei 
discípulos de todas as nações...» 
(M at. 28:18,19). Se um crente 
tiver fé 
b a sta n te , isto é, se en treg ar-se 
de alm a aos cuidados de C risto, 
com 
profundeza suficiente, tam bém 
poderá fazer as obras que Cristo 
fez, e 
maiores ainda, conforme a 
promessa que nos fez o próprio 
Senhor Jesus, em 
João 14:12. 
Soldados de Cristo, levantai-vos 
força espiritual em geral que possuímos no 
«Senhor» (ver Efé. 6:10). Esse 
fortalecimento que nos vem da parte de Cristo, 
não apenas nos confere 
forças, m as tam bém tran sfo rm a nossos p ró p 
rio s seres p a ra que 
compartilhem de sua natureza, o que permite que 
nos tornemos mais fortes 
E ponde a vossa armadura, 
Fortes na força que Deus supre 
Por meio de seu Filho eterno; 
Fortes no Senhor dos exércitos, 
E em seu grandioso poder, 
Pois quem confia na força de 
Jesus 
Ê mais do que vencedor. 
(Charles Wesley) 
em nós m esm os, em bora isso se deva in teiram 
en te à sua graça; não 
obstante, isso é um a verdade. É também desse 
modo que crescemos na 
«estatura» de Jesus Cristo. (Ver Éfé. 4:13). 
«Ele (o apóstolo Paulo) declara aqui o seu poder 
universal, tão 
 
1 4 ttÁtjv KaXtòs €TTOirj<jaT€ ovyKoi,vu)vr)oavTés 
f± o v r f j dX íiJiei. 
4:14: Todavia fizestes bem em tomar parte na 
minha aflição. 
Tudo quanto Paulo dissera acerca de sua «auto-
suficiência» (ver o décimo 
primeiro versículo) e de sua atitude indiferente 
para com as coisas materiais 
(ver o décimo segundo versículo), e também de 
sua «iniciação» na vida de 
contentamento e de poder (ver novamente esses 
tudo quanto Deus dá, o que é uma 
atitude cristã típica. Ao mesmo 
tempo, 
Paulo reconhecia que Deus usa 
instrumentos em suas bênçãos, e 
esses 
instrumentos merecem o crédito 
que lhes cabe. 
«Essa simpatia, por parte dos 
dois versículos), não foi dito 
para deixar entendida qualquer atitude de 
indiferença para com o ato de 
bondade dos crentes filipenses; antes, Paulo 
assegurou-lhes que a doação 
que tinham feito aliviaria parte de sua miséria 
presente. Embora ele 
estivesse livre das contingências terrenas e das 
inquirições terrenas comuns, 
não haveria ele de deixar de reconhecer a 
bondade deles, e nem haveria de 
ignorar qualquer expressão de amor, de onde quer 
que ela partisse. 
«...fizestes bem...», palavras que também podem 
ser traduzidas por 
«agistes com nobreza». Paulo mostrou-se 
generoso aqui em seu louvor, não 
se contentando apenas em mencionar de 
passagem o que tinham feito, 
como se isso nada representasse. Antes, 
reconheceu ter sido um a ação bela e 
nobre, de acordo com as exigências do evangelho, 
como demonstração do 
amor cristão. (Quanto à expressão «fazer bem», ver 
também os trechos de 
Marc. 7:37; Luc. 6:27 e I Cor. 7:37). 
«...associando-vos na minha tribulação...» 
Conforme diz Lightfoot (in 
loc.): «Compartilhastes com a m inha aflição». E 
Vincent (in loc.) diz: 
«Fizestes causa comum com as minhas aflições». 
Sim, os crentes filipenses 
sentiam «comunhão» com Paulo, em um a aflição 
comum. Sentiam a tensão 
da sitúação do apóstolo e fizeram 0 que estava ao 
alcance deles, como se eles 
mesmos estivessem afligidos. Essa é a indicação 
do verbo aqui usado, 
«sunkoinoneo», que quer dizer «associar-se com», 
«compartilhar», «ser sócio 
em». Na forma nominal, essa palavra era usada 
para indicar os «colegas 
obreiros» nas lides do evangelho. A queles crentes 
filipenses haviam 
demonstrado a regra da preocupação fraternal, a 
lei do amor, o princípio 
normativo da família de Deus. (Quanto a notas 
expositivas completas sobre 
crentes filipenses com os 
sofrimentos 
representativos de Cristo e de sua 
causa, é a própria característica 
de 
caráter que o Juiz seleciona para 
ser elogiada no último dia. (Ver 
Mat. 
25:25 e ss.)». (Hackett, no 
Comentário de Lange). 
A importância de nossas doações 
não pode ser superestimada. Esse 
é o 
sinal da verdadeira religiosidade, 
porquanto se origina em um 
coração 
amoroso, que foi tornado tal por 
operação do Espírito Santo (ver 
Gál. 5:22), 
e, por isso mesmo, é sinal de 
crescimento e m aturidade 
espirituais. (Ver o 
trech o de A tos 3:2 e as n o tas 
expositivas .ali existentes,acerca 
da 
«importância das esmolas», pois 
apesar desse não ser o tema 
diretamente 
aqui abordado, contudo, juntam 
ente com outras dádivas gentis, 
ilustra a 
disposição do amor cristão, que 
realmente consiste da 
participação no amor 
cirstão e no desenvolvimento 
espiritual). 
As ofertas às missões deveriam 
ser encaradas sob esse prisma; e 
é uma 
afirm ativ a geral v erd ad eira que 
quan d o D eus tom a conta de 
nossos 
corações, também conquista 
nosso bolso. Aqueles que assim 
contribuem 
«fazem bem»; e nenhuma dádiva 
dessa natureza deixará de ser 
reconhecida 
esse tipo de «amor», ver os trechos de João 14:21 e 
15:10). 
Não há nenhuma apologia nessas palavras, 
conforme alguns estudiosos 
pensam erradamente, porquanto o apóstolo não 
havia repreendido àqueles 
crentes. Tão-somente havia posto em sua 
perspectiva apropriada a questão 
. das riquezas materiais, ao mesmo tempo que se 
m ostrara agradecido por 
e recompensada por Deus, 
porquanto até mesmo um copo 
de água fria, 
dado em seu nome, não deixará 
de receber galardão, segundo se 
aprende 
em M at. 10:42. P au lo m uito se 
alegrou ao receb er aq u ela 
dádiva dos 
filipenses, porque isso servia de 
prova do amor Cristão deles. E 
isso lhe era 
mais importante do que a própria 
dádiva. 
«...tribulação...» No original grego 
temos o vocábulo «thlipsis», 
palavra 
que usualmente significava 
«sofrimento», «aflição», 
«perseguição» de 
qualquer forma; derivava-se de 
«thlibo», que quer dizer 
«pressionar», 
«restringir», «oprimir». Mui 
provavelmente Paulo sofreu 
pressões tanto 
financeiras quanto mentais, o que 
servia tão-somente para aum 
entar ainda 
mais suas aflições; e por essa 
razão, aquela demonstração de 
simpatia da 
parte dos crentes filipenses muito 
o ajudou naquele momento, em 
mais de 
um sentido. 
67 
1 3 /«] add Xpiarta (G )K L P pl Or ç 
1 5 OtSare Se Kal vjieis, &(,XnriTr)cnoi, õrt iv ãpxfj tov evayyeXíov, ore i£r)X6ov wtto 
Maxehovlas, 
ovhefjiíafioi ixKXrjoía iKoivojvrjoev els Xóyov Sóoecos Kal Xr'jfjLifjea>s ei firj Vfxeis [jlovoi- 
15 2 Cor 11.9 1 5 Se] OTKp49D *° 69 
4:15: Também vós sabeis, ó filipenses, que, no principio do evangelho, quando parti 
da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo no sentido de dar e de receber, 
senão vás somente; 
O verbo «.. .sabeis...» exibe um apelo do apóstolo ao conhecimento que os 
crentes de Filipos tinham do fato que somente eles vinham contribuindo 
com o apóstolo dos gentios, financeiramente falando. Mas isso não visou 
d eixar as dem ais co m unidades cristãs em posição desfavorável, m as 
simplesmente serviu para enfatizar a posição ímpar dos crentes filipenses 
sobre aquela questão, a qual fazia parte do louvor que Paulo lhes faz, sem 
com isso querer diminuir a qualquer outra igreja local cristã. Essa questão 
de conhecimento, no que tange à ajuda financeira, tem por intuito incluir 
o u tras ações p assad as de benevolência, e não ap enas a ação p resen te 
daqueles crentes. As palavras «...também vós...» significam que, além do 
apóstolo dos gentios, os próprios crentes filipenses tinham «conhecimento» 
desse fato. 
«...ó filipenses...» Usualmente o apóstolo dos gentios não se dirigia a seus 
leitores originais, chamando-os pelo nome. Mas outros exemplos dessa 
prática que aqui vemos aparecem em II Cor. 6:11 e Gál. 3:1. Isso acrescenta 
certo toque pessoal às palavras de Paulo, expressando sua afeição profunda 
e intensa. Sabe-se bem que o uso do nome de alguém é agradável para a 
pessoa assim cham ada, e isso muito aumenta o interesse pessoai no diálogo. 
«...no início do evangelho...» Os versículos que se seguem mostram-nos 
que Paulo indicava «a primeira vez em que o evangelho fora pregado na 
Macedônia», isto é, o «início do ministério do evangelho» naquela região. 
Paulo faz aqui alusão ao dinheiro que eles lhe tinham enviado mais ou 
menos ao tempo de sua partida da Macedônia. (Ver Atos 17:14). Contudo, 
alguns estudiosos supõem que essa expressão não indica algum ponto do 
tempo, mas de «importância», como se para Paulo o evangelho então tivesse 
68 FILIPENSES 
começado realmente a prosperar, na missão 
européia, embora ele ainda 
filipenses tinham recebido realidades espirituais e haviam dado coisas 
 
estivesse em meio à sua carreira, no tocante ao 
tempo. Assim pensa também 
L ightfoot (in loc.): «A fé de C risto, por assim dizer, 
tivera um novo 
começo». Mas isso é ornar desnecessariamente e 
complicar demais o sentido 
simples das palavras de Paulo. O décimo sexto 
versículo menciona uma 
dádiva anterior àquela que é aqui mencionada, 
quando Paulo ainda se 
encontrava em Tessalônica. É perfeitamente 
possível que tenha havido 
o u tras ofertas sem elhantes, que não são aqui alu d 
id as. No presente 
versículo, pois, Paulo se refere a uma ocasião cerca 
de dez anos antes de 
haver ele escrito estas palavras. 
«....Macedônia...» (Quanto a notas expositivas 
materiais. 
2. Ou o lado devedor talvez esteja em branco nessa 
conta corrente, do 
lado dos crentes filipenses, ao passo que o lado 
«credor» estivesse vago do 
lado do apóstolo, embora tudo ainda fosse uma 
questão de «dar e receber». 
No dizer de Vincent (in loc.): «A dádiva dos filipenses 
e o recebimento por 
parte de Paulo formam os' dois lados da conta 
corrente». 
3. Naturalmente, não há aqui qualquer indicação de 
«dádiva mútua», 
como se Paulo houvesse enviado dádivas em 
dinheiro p a ra o trab a lh o 
evangelístico em Filipos. 
4. Mui provavelmente, nada de especial e particular 
está em foco, com o 
completas sobre essa 
província, ver Atos 16:9. Quanto a «Filipos», cidade 
pertencente àquela 
província, ver Atos 16:12). Paulo costumava referir-
se, em suas cartas, a 
d istrito s ou províncias por onde p assara em suas 
viagens, ao invés de 
mencionar cidades. (Comparar isso com os trechos 
de Rom. 16:5; I Cor. 
16:15; II Cor. 2:13; 7:5; 8:1 9:2). 
«...se associou comigo...» No original grego temos o 
verbo «koinoneo», 
que significa «compartilhar», «fazer parte», 
«participar», «contribuir com 
uma porção». Nenhuma outra comunidade cristã, 
exceto a de Filipos, se 
associara a Paulo no tocante a participar de sua 
conta de débito e crédito. 
Nenhuma outra igreja cristã local entrara em 
«sociedade» com ele nesse 
particular. Somente os crentes filipenses se tinham 
tornado seus sócios no 
evangelho, enquanto ele se encontrava distante 
deles, compartilhando de 
seu trabalho; e isso através de meios financeiros. 
«...dar e receber...» Paulo emprega aqui a 
terminologia das finanças, 
talvez de modo brincalhão, ou seja, «crédito» e 
«débito». No décimo sétimo 
versículo ele usa a expressão «...vosso créd ito ...» , 
dando assim 
prosseguimento à metáfora mercantil. Conforme 
comenta Robertson (in 
loc.): «Paulo não precisava manter conta corrente 
com nenhuma outra 
igreja local, embora, mais tarde, Tessalônica e Beréia 
se tenham unido 
àquele em apoio ao trabalho de Paulo em Corinto 
(ver II Cor. 11:8 e ss.)». 
Depois disso, várias outras igrejas locais gentílicas 
contribuíram para a 
oferta que foi enviada aos santos pobres de 
Jerusalém; mas isso não foi uma 
dádiva pessoal a Paulo. (Ver Rom. 15:25 sobre essa 
questão, bem como 
notas expositivas adicionais em II Cor. 9:2, acerca 
das áreas específicas que 
participaram dessa citada coleta). 
uso dessa expressão, quanto a quem teria dado e 
quem teria recebido, ou 
quanto ao que teria sido dado; mas está em pauta 
apenas a idéia bem geral 
de alguma forma de transação financeira entre Paulo 
e os filipenses, o que 
provocou o uso de uma terminologia financeira. 
«...igreja...» (Quanto a notas expositivas completas 
sobre a «igreja», em 
seu aspecto universal e local, ver o trecho de Efé. 
3:10). 
«...unicamente vós outros...» Neste ponto Paulo se 
refere a doações 
voluntárias, que podem ser incluídas ou separadas 
da remuneração que os 
ministros do evangelho merecem. Sobre essa 
questão, ver os trechos de I 
Cor. 9:6-18; II Cor. 11:7-10 e I Tes. 2:9. D ar «ofertas», 
em adição ao que 
era requerido(o dízimo), é algo firmemente baseado 
nos preceitos do antigo 
pacto. Naturalmente, Paulo em parte alguma ensina 
que se pague o dízimo; 
m as a experiência m ostra-nos que essa é um a q u a 
n tia p rá tica , nad a 
havendo, em todo o N.T., contrário a essa prática, 
embora não existam ali 
ensinamentos específicos que o recomendem. Não 
há que duvidar que os 
crentes filipenses sustentavam seus ministros 
locais. Mas, além disso, 
davam ofertas a Paulo, para a sua missão no 
estrangeiro, que para eles 
importava em autêntico sacrifício. Isso serve de bom 
exemplo para a igreja 
cristã de qualquer época. Um crente sincero 
contribuirá com pelo menos a 
décima parte do que ele ganha, para o trabalho do 
evangelho; e talvez mais 
ainda. Nossa preocupação não deve ser quão pouco 
podemos dar, a fim de 
cumprir uma «obrigação», mas antes, quanto 
podemos dar, ainda que isso 
envolva em sacrifício, para garantir a abundância do 
sucesso no trabalho. 
(Q u an to à ocasião h istó rica em que foi d ad a a o 
ferta aqui alu d id a, 
comparar Atos 17:14 e 18:5 com II Cor. 11:9. 
Os intérpretes têm elaborado sobre a metáfora 
mercantil, vendo nela os 
significados possíveis seguintes: 
Evidentemente, quando da 
primeira viagem de Paulo à Europa, a caminho de 
Corinto, ao passar por 
Atenas, depois que ele partira de Filipos, o apóstolo 
recebeu a companhia 
1. Talvez Paulo se estivesse referindo a uma conta de «dois lados»: Paulo 
lhes dera realidades espirituais e recebera coisas materiais; os 
crentes 
trouxeram a dádiva dos crentes filipenses). 
16 oti Kal ev & e a a a X o v iK r j Kal arraf; Kal Sls els tt^v % p e 
i d V fjLO l erre, 
are. 
! 16 (C| eis r i)v x p e ía v Jioi N B G » K í 33 88 181 1739 1877 1881 
2127 
/2M’ Sy r h g o th e th // tt)v xpeta.í' fJ-ov I) Rr‘ 
a rm A m b ro sia ste r A u g u stin e // 
2495 B yz L ect itc-d-dem'div'e' f-x-*0 v g // €Ís rrjv \ p eía v ptou D c P 614 629 63C 
1962 1984 1985 it(ar1'r2 // tt)v x p ú a v HOi 
p46 A 81 104 326 330 436 451 1241 2492 
ttteain rrl uxibus niri.s ita 
A preposição eis não figura em vários 
testemunhos, incluindo P (46) A D (gr*) 81 
330 451 1241 2492 sir (h) gót etí; parece 
ter sido omitida ou acidentalmente, após ò 
ís (Àiceic) ou deliberadamente, a fim de 
prover um objeto direto para o verbo 
 
íTré/m^are. 
O genitivo p o v (D P 614 630 al) é um a 
substituição escribal para o dativo, p.oi 
menos usual e m uito melhor 
apoiado. As formas do copta e do it (g) parecem ser traduções exageradas do grego. A 
forma in unum m ih i (vg (ms)) pode ser 
um a confusa reminiscência de Luc. 10:42. 
de Silvano e Timóteo, os quais, mui provavelmente, foram aqueles que lhe 
;xot TYjV xptía.v jxou (syr»M c•op9tl'b,, f m uuxun mihi // in necesxitatem 
trabalho de evangelismo; e isso, afinal de contas, é o motivo mesmo pelo 
qual co n tribuím os p a ra os obreiros cristão s. E ssas contribuições 
liberam-nos para o trabalho do evangelho. 
Em confronto com a cronologia do livro de Atos, Paulo se refere aqui a 
eventos registrados no décimo sétimo capítulo desse citado livro. Mais 
tarde, quando estava ele a caminho de Corinto (ver o décimo oitavo 
capítulo do livro de Atos), Paulo recebeu novamente dádivas, trazidas por 
Timóteo e Silas (aquelas mencionadas no décimo quinto versiculo deste 
capítulo). Ambas as instâncias representam estágios de sua «partida da 
Macedônia», em que a primeira dessas instâncias ocorreu antes de haver ele 
realmente abandonado esse território. 
Variante Textual: Os mss P(46), A e D(l) omitem a palavra «eis» e fazem de 
«chreian» o objeto do verbo «enviar», o que faz com que este versículo diga: 
«...enviastes ‘minha falta (isto é, o dinheiro)' para mim...» Essa variante é 
antiga, sendo apoiada por algum as versões; mas é variante secundária, 
provavelmente criada por acidente, ou devida a uma variação leve, como 
paráfrase, do presente texto. 
4:16: porque estando eu ainda em Tessalônica, não uma só vez, mas duas, 
mandastes suprir-me as necessidades. 
A gora Paulo se lem b ra de duas o u tras ocasiões, anterio res, em que 
recebera dinheiro da parte dos crentes filipenses. Após a sua primeira visita 
a Filipos, Paulo se dirigiu diretamente a Tessalônica, um porto de mar da 
Macedônia, evidentemente tendo ficado em dificuldades financeiras de 
alguma sorte, sobre o que o livro de Atos nada nos informa. Mas os crentes 
filipenses o ajudaram naquele momento de crise; e assim o seu trabalho 
pôde continuar. Paulo lhes devia grande gratidão, portanto; e aqui tece 
apreciações sobre o espírito fraternal que haviam demonstrado, até mesmo 
m ais que sobre a p ró p ria aju d a fin an ceira, p o rq u an to aq u ela a titu d e 
amorosa era evidência de que Cristo operava neles, tornando-os segundo a 
sua própria imagem. 
Em Tessalônica, Paulo viveu principalmente através do seu próprio labor 
manual (ver I Tes. 2:9 e II Tes. 3:8). Mas talvez tenha havido alguma 
suavização dessa situação, ou talvez ele não ganhasse o bastante para viver 
decentemente. Porém, os crentes filipenses se prontificaram a ajudá-lo 
n aq u ela questão, a fim de que ele pudesse co n tin u a r devotado ao seu 
17 o v )( o t i evi^rjTC ú t o Só jx a , àÀÀà è m ^ rjT W t o v K a p rr ò v t o v v À e o v á Ç o v T a e 
ls X ó y o v v p a jv . 
17 tTTLÇrjTCà T óv . ..vfiCòv lC o r9 .1 1 
4:17: Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que cresça para a vossa conta. 
Paulo reitera aqui o seu desinteresse pelas coisas materiais, conforme se 
vê nos versículos onze a treze deste capítulo, pela primeira vez. Porém, 
apesar de declarar-se assim desinteressado, reconheceu que o que os crentes 
filipenses tinham feito era uma coisa boa, em favor de um seu irmão na fé; e 
ele pôde apreciar como tal a ação. E aqui declara que isso seria lançado 
no «crédito» deles, ou seja, receberiam a recompensa da parte do Senhor. 
Haveriam de ganhar uma bênção por terem dado, sendo isso um resultado 
natural da lei da colheita de conformidade com a semeadura, conforme se 
aprende no trecho de Gál. 6:7,8, onde o leitor pode examinar as respectivas 
notas expositivas. 
«...que eu procure...» No tempo presente, no original grego, a fim de 
assinalar uma ação habitual do apóstolo. Paulo não cobiçava o dinheiro de 
quem quer que fosse (ver Atos 20:33), mas labutava com as suas próprias 
mãos a fim de suprir as suas necessidades pessoais. 
«...donativo...» No grego temos o vocábulo «doma», usado somente aqui 
e em Efé. 4:8, em todo o N.T. Paulo não procurava tal -donativo, e nem 
qualquer outra forma de dádiva, mas estava antes interessado no «fruto 
espiritual», produzido pelas vidas de seus convertidos. Paulo reitera aqui o 
verbo «procurar», p a ra dar m aior força à sua asseveração. Ele não 
procurava uma coisa, mas procurava a outra (embora nossa versão, na 
segunda ocorrência desse verbo, traduza-o por «...o que realmente me 
interessa...»). 
« ...fr u to . . .» E ssa p alav ra era freq u en tem en te u sa d a p a ra in d icar o 
«incremento» produzido pelo dinheiro aplicado. Portanto, Paulo continuava 
empregando a metáfora mercantil, iniciada no versículo décimo quinto 
deste capítulo. Os crentes filipenses poderiam estar certos de que tinham 
feito um excelente investimento, porquanto o Senhor da ceifa, que mantém 
o reg istro de todas as contas correntes, p ro v id en ciaria p a ra que não 
somente outras almas fossem trazidas aos pés de Cristo, através daquele 
donativo, mas também que os próprios doadores seriam enriquecidos, 
depois de terem tido suas almas salvas do julgamento, assim aumentando a 
glória de Cristo, que é o Salvador. O galardão da parte do Senhor está aqui 
em foco. (Ver o trecho de II Cor. 5:10 quanto a notas expositivas sobre o 
FILIPENSES 69 
Senhor assinalou o aumento correspondente ao crédito deles, nos livros de 
contabilidade dos céus. A recompensa ainda será futura, eterna; mas não 
há que duvidar que também alguma coisa lhes seria dada até mesmo nesta 
vida terrena, por haverem sido generosos para com alguém. Isso sedá com 
todos q u an to s se m ostram generosos, so b retu d o com os m in istro s e 
missionários do evangelho. Os que assim agirem estarão aumentando o seu 
crédito, o seu investimento. Poderão fazer retiradas agora, desse crédito, 
mas, no «dia de Cristo», todas as contas serão acertadas. Paulo promete a 
Cristo um a grande vantagem nessa questão, por causa do serviço fiel que 
lhe tinham prestado; e isso é que realmente o interessava, por ser ele um 
bom pastor, interessado no bem-estar eterno de suas ovelhas. 
O sentimento deste versículo pode ser comparado com o trecho de Pro. 
19:17, que diz: «Quem se compadece do pobre ao Senhor empresta, e este 
lhe paga o seu benefício». 
Paulo ansiava por livrar-se da possibilidade de ser acusado de desejar 
receber sempre donativos, ao mesmo tempo que situava na sua respectiva 
apropriada a questão inteira das doações cristãs. Conforme comenta Adam 
Clarke (in loc.): «Não vos falo assim para incitar-vos a enviar-me mais 
donativos; mas falo acerca do tema em geral, porque quero que produzais 
tal fruto que seja lançado em vossa conta no dia do Senhor». 
«tribunal de Cristo»; e ver I Cor. 3:8,14, onde também são discutidos os 
«galardões» que serão conferidos aos crentes). Os crentes filipenses seriam 
enriquecidos eternamente em troca de um serviço temporal que haviam 
emprestado, feito mediante o impulso do Espírito Santo. 
« ...a u m e n te ...» No grego, «pleonadzo», que quer dizer «abundar», 
«tornar-se mais», «estar presente em abundância». O investimento dos 
filipenses produziria 'dividendos abundantes, enriquecendo-os espiritualmente. (Ver 
outros usos dessa palavra em Rom. 5:20; 6:1; II Cor. 4:15 e II 
Tes. 1:3). A ênfase recai sobre a idéia de abundância. Ê como se Paulo 
estivesse dizendo: «Não quero o capital, e, sim, os juros; e isso para ser 
lançado em vossa conta, e não na minha». (Scott, in loc.). Por essa mesma 
razão é que o Senhor Jesus disse: «Mais bem-aventurado é dar que rec.eber» 
(A tos 20:35). E essa é a m aior das razões po r que assim são as coisas, 
embora não se trate da única razão. Nenhuma dádiva, conferida com 
sinceridade de coração, poderá jam ais perder-se. Deve trazer com isso suas 
recompensas. Ora, tudo isso serve de grande motivo para contribuirmos 
financeiramente para o trabalho do evangelho, particularmente para as 
missões no estrangeiro. 
«...vosso crédito...» Tem continuação, com essas palavras, a metáfora 
m ercan til. Os crentes filipenses são p in tad o s com o quem tem u m a 
conta corrente com o Senhor; mas, tendo feito um donativo a Paulo, o 
18 àrré^w Sè rtávra Kal rreptooeva)- 7re7rÀ?7|Oaiju.at Se^á^evos irapà ’ÊrracfipoSÍTOv 
rà rrap’ vfiójv, 
Ò a jx r jV €V<x)&las, dvaíav SeKTJJV, €l>áp€0TOV t Ó j õeâ>. 18 b a ^ v eíwSías Gn 8.21; Ex 
28.18; Eze 20.41 
1 8 Se£a/ievos] praem Se |)46 
4:18: Mas tenho tudo; tenho-o até em abundânáa; cheio estou, depois que recebi de 
Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro suave, como sacrifício 
aceitável e aprazível a Deus. 
Epafrodito fora fiel em sua missão, evidentemente tendo adoecido ao 
longo do caminho, ou depois de sua chegada; mas mesmo assim conseguira 
cumpri-la. (Ver Fil. 2:25-30). No vigésimo quinto versículo do segundo 
capítulo desta epístola há notas expositivas a respeito de «Epafrodito». 
«...Recebi tudo...» O grego original, «apecho», aqui usado, tem sido 
encontrado em vários papiros encontrados no Egito, em recibos, para 
in d ic a r «pagam ento total». P o rta n to , _parece que aq u i Paulo dá 
prosseguimento à sua metáfora mercantil. E como se ele houvesse escrito: 
«Vós me pagastes tudo quanto me devíeis». A substância real do donativo 
deles era a simpatia e o amor fraternal; e isso servia de oferta especialmente 
fragrante a Deus; porquanto aquele que dessa m aneira serve a seus irmãos 
na fé, serve a Deus. Amamos a Deus por meio de outros homens, sendo essa 
a m aneira pela qual todos os homens possam demonstrar amor a Deus. 
Dessa forma, pois, Paulo assegurou-lhes que não buscava donativos da 
parte dos crentes filipenses, mas antes, a vantagem espiritual deles nessas 
dádivas; e reforçou essa idéia dizendo que eles tinham «pago tudo», não 
necessitando enviar mais qualquer donativo. 
«...tenho abundância...» N ovam enteéusado o termo «perisseo», que quer 
dizer «ter em excesso», «extravasar», assinalando o fato que os crentes 
filipenses lhe tinham enviado uma oferta generosa, e não suficiente apenas 
p a ra satisfazer algum as de suas necessidades. A quele que sem eia em 
abundância, também colherá em abundância; e aquele que semeia com 
parcimónia, também colherá com parcimónia. (Ver II Cor. 9:6). 
«...estou suprido...» No original grego é «pleroo», que significa «tornar 
cheio», na voz passiva, ou «ficar cheio». Não havia mais necessidade de lhe 
serem enviados donativos. Isso salienta, um a vez mais a abundância da 
oferta, servindo-nos de lição sobre como devemos contribuir para a causa 
cristã. Paulo também indicava, com essa palavra, a sua «satisfação íntima»; 
mas parece bem certo que ele se referia ao donativo dos crentes filipenses 
como abundante. Essa segunda palavra, pois, reitera e intensifica aquela 
anterior: «Recebi tudo, e tenho abundância...» 
«...aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus...» Trata-se 
de um ã expressão comum no A.T., referindo-se aos sacrifícios aceitáveis aos 
olhos do Senhor Deus. O aroma das ofertas queimadas é aqui pintado como 
algo que ascende até aos céus, onde Deus se encontra; o Senhor sente tal 
aroma, fica agradado pelo que tem sido feito em sua honra. O incenso de 
aroma suave também era oferecido naquelas ocasiões, aumentando o odor 
agradável. Naturalmente, as culturas pagãs se utilizavam de práticas 
similares, pensando que os deuses sentiam, literalmente, o odor de seus 
sacrifícios, e ficavam satisfeitos. (Ver o uso dessa expressão nos trechos de 
Gên. 8:21; Lev. 1:9,13,17. Quanto a trechos do N.T. que falam sobre isso, 
ver II Cor. 2:15,16 e Efé. 5:2). 
O donativo que’ os filipenses deram a Paulo fora um «sacrifício» para 
eles, porquanto tinham dado de sua pobreza, em um ato de autonegação, 
pois os seus corações haviam sido tangidos a isso pelo amor de Cristo. Dois 
19 ó Se deós fiov rrÁrjpdjoei irâoav xpelav vfx&v Karà rò ttÁovtoç avrov iv iv Xpiorâ) 
'Irjoov. 
ig vXripaioei] -aai D*G'l> 6g 1/3 9 prn latt 
4:19: Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas na 
glória em Cristo Jesus. 
«...o m eu D e u s ...» O p ró p rio D eus é aquele que reco m p en sará aos 
dadivosos; e bastaria isso para assegurar-nos um galardão abundante e 
ju sto , p o rq u a n to a recom pensa devida jam a is p o d erá ser olvidada ou 
negligenciada pelo Senhor. Paulo não podia recompensar pessoalmente aos 
crentes filipenses, mas o seu Senhor podia, pois Cristo é quem se torna o 
fiador de todas essas dívidas. 
«...segundo a sua riqueza em glória...» Visto que o suprimento consiste 
das «riquezas divinas», certamente procedem de um tesouro «infinito». Os 
crentes filipenses deram de sua pobreza, como um sacrifício, e estavam 
limitados acerca de quando e quanto poderiam dar. Com Deus, entretanto, 
não há tais limitações. Se o apóstolo Paulo ficou repleto de bens materiais, 
através do donativo dos filipenses (ver o décimo oitavo versículo), então os 
incidentes bíblicos podem ser relembrados como ilustração desse tipo de 
sacrifício. Com perigo de perderem a própria vida, alguns dos homens de 
Davi foram-lhe buscar um pouco de água, quando ele se sentiu sedento; e 
essa água tornou-se tão preciosa para que fosse apenas bebida, que ele a 
derramou como libação a Deus. Essa água fora tirada dos mananciais de 
Belém, lugar onde o Salvador nasceria mil anos mais tarde. (V erlIS am . 
23:16). Também temos a ilustração do oferecimento feito por M aria de 
Betânia, o caríssimo unguento, uma fragrância que encheu a casa inteira. 
(Ver João 12:3). 
«...aceitável e aprazível...» Estas palavras podem ser comparadas com a 
linguagem de Rom. 12:2,que também falam de nosso sacrifício do próprio 
«eu» a Jesus Cristo, como algo «aceitável», «bom» e «perfeito». O primeiro 
dos adjetivos aqui empregado é «dektos», que significa «aceitável», «bem 
acolhido», «recebido favoravelmente». Trata-se da única ocorrência desse 
termo nos escritos paulinos, excetuando o trecho de II Cor. 6:2. No restante 
do N.T. é encontrado apenas em Luc. 4:24, onde se lê que um profeta não é 
«aceito» em sua própria terra; em Atos 10:35, onde se aprende que Deus 
acolhe homens de todas as nações, contanto que o teinam e façam o que é 
justo a seus olhos. Em II Cor. 6:2 se lê sobre o «ten:po aceitável» de se 
buscar a Deus. 
O outro adjetivo que aqui aparece é «euarestos», palavra comum que 
significava «agradável», de uso frequente nas epístolas aos Romanos e aos 
Hebreus. (Ver Rom. 12:1, acerca de nossa dedicação a Cristo; ver Rom. 
14:18, acerca daqueles que são «aprovados», por terem o cuidado de não 
ofender a algum irmão, os quais servem ao reino de Deus com retidão e paz, 
com alegria no Espírito Santo. Ver igualmente II Cor. 5:9. Nosso labor em 
prol de Cristo visa sermos «aceitos» por Cristo, tanto agora como quando do 
nosso julgamento. (Ver Efé. 5:10 e Heb. 13:21). 
«...a Deus...», como um a oferenda apresentada ao Senhor, recebida e 
aprovada por ele. Na passagem de I Ped. 2:5, os crentes são apresentados 
como «sacerdócio santo», que oferecem «...sacrifícios espirituais, agradáveis 
a Deus por intermédio de Jesus Cristo». No dizer de Braune (in loc.): «Cada 
dádiva e ação de am or deveriam ser rep u ta d o s com o um a o ferta de 
agradecimento a Deus; pois por isso é que se tornam aceitáveis e agradáveis 
a ele.» 
«Ai da nossa indolência!—a qual transparece nisto, que enquanto Deus 
nos convida com tanta bondade, para a honra do sacerdócio, e até mesmo 
deposita sacrifícios em nossas mãos, não obstante, nós mesmos não nos 
sacrificamos a ele; e aquelas coisas que foram separadas como oblações 
sag rad as, não ap en as desviam os p a ra usos p ro fan o s, m as tam b ém as 
desperdiçamos iniquamente nas contaminações mais poluídas. Pois os 
altares, onde os sacrifícios dos nossos recursos deveriam ser apresentados, 
são deficientes e pobres servos de Cristo. Negligenciando essas coisas 
importantes, alguns de nós dilapidam os seus recursos em toda a forma de 
luxo, ao passo que outros nos prazeres dà mesa, outros ainda em vestes sem 
modéstia, e ainda outros em mansões suntuosas». (Calvino, in loc.). 
« ...fa z er o bem e c o m p a rtilh ar do que tem os com os ou tro s, (são) 
sacrifícios com os quais Deus se agrada». (Ver Heb. 13:16). 
filipenses poderiam esperar com uma esperança bem fundada, de que 
haveriam de prosperar extraordinariamente, por terem sido tão generosos 
com o seu dinheiro para a causa do evangelho. 
«...em glória...» Essas palavras têm sido compreendidas de diversas 
maneiras: 
1. Alguns pensam que estaria em foco o m undo de cumprimento, ou seja, 
o Senhor supriria todas as necessidades dos crentes filipenses de m aneira 
«gloriosa»; e assim a glória de Deus séria revelada mediante o suprimento 
abundante, porquanto, nesta explicação de Paulo, a glória é vinculada ao 
«suprimento». 
2. Outros compreendem a palavra «en» como instrumental, traduzindo a 
frase na forma «com glória». Em outras palavras, Deus daria glória aos 
crentes filipenses. E alguns intérpretes compreendem isso como um a alusão 
70 FIMPENSES 
velada à «parousia» ou segundo advento de Cristo. 
Quando da vinda de 
seu próprio ser glorioso, bem como dos tesouros celestes. Seja como for, 
 
Cristo, os doadores fiéis seriam galardoados com 
glória, recebendo glória, 
essa é a verdade da questão, sem importar o que 
está especificamente em 
bênção e louvor da parte do Senhor. Conforme esta e 
as interpretações que 
se seguem, a palavra «glória» está vinculada a 
«riquezas». Por isso é que 
Lightfoot(m loc.) comentou: «(Isso Deus fará) pondo-
vos na glória», isto é, 
naquele estado de glória que haverá quando da 
segunda vinda de Cristo. 
Embora Paulo visse esse retorno como bem próximo, 
a sua alusão, no 
presente versículo, ainda que vise especificamente a 
«parousia», deve incluir 
todo o período de tempo que se passe até chegar 
aquele evento. Assim, pois, 
até mesmo agora os doadores fiéis têm suas 
necessidades abundantemente 
supridas. 
3. Ainda outros compreendem que devemos pensar 
aqui em «riquezas na 
glória», como se o termo «glória» se referisse às 
glórias celestes, às glórias da 
habitação de Deus. Em consonância com o vasto 
tesouro dos céus é que 
Deus supriria todas as nossas necessidades. Os 
céus são aqui pintados como 
um vastíssim o depósito, de onde nossas peq u en as 
necessidades, 
comparativamente falando, recebem o seu 
suprimento. 
pauta, nesta passagem. Podemos comparar esta 
expressão com o que se lê 
em Rom. 8:21 e Efé. 1:18, isto é, «as riquezas da 
glória» (onde, no grego 
original, se vê o genitivo, e não o dativo). E nisso se 
deve ver um a alusão à 
«parousia» e ao reino messiânico, embora também 
esteja em mira um 
suprimento para as necessidades presentes. (Ver 
igualmente a expressão 
«riquezas de sua graça», em Efé. 1:7). - 
«...em Cristo Jesus...» Se no original grego tivermos o 
locativo, então 
«Cristo» é a esfera da com unhão aqui alu d id a; m 
as, se tiverm os ali o 
instrumental—no qual caso deveríamos traduzir «por 
Cristo Jesus»—, então 
se deveria pensar que essas bênçãos nos são dadas 
por intermédio dele, 
porquanto o temos como nosso Senhor. Alguns 
estudiosos vêem nisso o 
fortalecimento do sentido escatológico da expressão 
anterior. Cristo é aqui 
assinalado como a base de todas as bênçãos 
celestiais, tal como temos em 
Efé. 1:3, além de várias outras referências do mesmo 
primeiro capítulo da 
epístola aos Efésios. Por estarem «em Cristo» (ou 
seja), em «comunhão 
4. Também há intérpretes que pensam estar em pauta a própria natureza 
gloriosa de D eus; m as, nesse caso, o su p rim en 
to não seria apenas 
financeiro, mas até mesmo a participação na 
natureza divina (ver II Ped. 
1:4), o que serve de riquíssim o su p rim en to p a 
ra a alm a. Em o u tras 
palavras, o galardão divino estaria ligado à própria 
natureza gloriosa de 
D eus e à p a rticip a çã o e m anifestação dessa n 
a tu re za , ficando assim 
supridas tanto as necessidades materiais como 
as necessidades espirituais. 
É difícil sabermos qual dessas quatro 
possibilidades era a que estava na 
mente do apóstolo, pois nenhuma boa razão 
gramatical pode ser aduzida 
em favor desta ou daquela posição. Talvez, de 
abundante de todas as bênçãos, 
por intermédio dele. 
Naturalmente, o presente 
versículo é motivo de profundo 
consolo para 
todos nós, mais ou menos 
semelhante àquele em que Davi 
declara: «Fui 
moço, e agora já sou velho, 
porém, jam ais vi o justo 
desamparado, nem a 
sua descendência a mendigar o 
pão» (Sal. 37:25). Porém, se por 
um lado é 
verdade que Deus cuida daqueles 
que pertencem a Cristo, notemos 
que o 
alguma m aneira geral, 
possamos ter aqui a combinação de todos esses 
significados. O suprimento 
de Deus é abundantemente rico e glorioso; mas 
tudo também procede de 
abundante suprimento prometido 
aqui é oferecido aos que 
contribuem 
generosamente para a causa das 
missões evangelizadoras. Como 
aplicação 
prática, podemos ter a certeza 
que essa promessa envolve 
igualmente 
aqueles que contribuem 
financeiramente para sustento do 
ministério cristão 
em qualquer lugar. 
20 t <3 Sè 9eâ> K a l irarpl r]iuu>v r j Só£a elç tovs 
alcovas t ô > v alw vaiv à^irjv. 
4:20: Ora, a nosso Deus e Pai seja dada glória 
pelos séculos dos séculos. Amém. 
O pensamento de Paulo, de que fora gentilmente 
auxiliado pelos crentes 
de Filipos, e que o rico suprimento de Deus visa 
todos os seus filhos, levou-o 
a irromper nessa doxologia a Deus, como nosso 
Pai. (Quanto à doutrina da 
«paternidade de Deus», ver os trechos de Rom. 
8:15 e João 8:42, bem como 
as n o tas expositivas ali existentes). Na ep ísto la 
aos Efésiosa idéia da 
paternidade de Deus é constantemente reiterada; 
pois aquela epístola, 
acima de qualquer outro livro do N .T., mostra-nos 
as riquezas da glória que 
Deus, como nosso Pai, outorga a seus filhos, 
transformando os remidos 
segundo a imagem de Cristo, o nosso Irmão mais 
velho (ver Rom. 8:29). 
(Q u an to a essa ênfase, ver os trechos de E fé. 
1:1-3,5,14,17; 2:18,19; 
3:14,15 e 6:23. Quanto a notas expositivas sobre 
os usos das «doxologias» do 
N.T., ver Efé. 3:21). As doxologias são empregadas 
nas Escrituras a fim de 
salientar ou enfatizar as mensagens faladas ou a 
serem ditas, atribuindo 
louvor a Deus, em face das bênçãos que foram 
descritas ou serão descritas a 
seguir. 
«...séculos dos séculos...» Literalmente traduzida, 
série in fin ita de tais ciclos é que 
com põe a etern id ad e. (V er a m 
esm a 
doxologia, embora em forma mais 
elaborada, em Rom. 11:36, onde 
os 
pensamentos da mesma são 
comentados). 
A passagem de Efé. 3:21 encerra 
um a doxologia idêntica a esta, 
exceto 
que ali fica adicionado que essa 
glória se manifesta no seio da 
igreja, por 
meio de Cristo Jesus. Glória 
significa aqui o «louvor» dado 
pelos lábios e 
pela conduta diária. Deus é quem 
receberá tal louvor, os crentes 
serão um 
louvor para Deus, aumentando o 
seu bem-estar' e a sua glória. 
Deus será 
exaltado mediante as vidas dos 
seus filhos que estão sendo 
conduzidos à 
glória, tanto através de suas 
palavras como através de suas 
ações. Esses 
redundam em «louvor vivo» para 
ele. Dizer que tudo redunda na 
«glória de 
a expressão diria 
«...eras das eras...», expressão comum no grego 
que significa «eternidade», 
p o rq u e a etern id ad e é vista como um a in term 
in áv el sucessão de eras, 
fazendo-nos en ten d ê-la em períodos de tem po 
que possam os 
compreender. Na passagem de Efé. 3:21, um dos 
parágrafos das notas 
expositivas a respeito é devotado à discussão de 
várias fórmulas verbais que 
expressam a idéia da «eternidade», encontradas 
nas Escrituras. (Quanto à 
expressão aqui usada, ver igualmente Gál. 1:5; Fil. 
4:10; I Tim. 1:17; II 
Tim. 4:18; Apo. 1:6; 4:9; 5:13; 7:12; 10:6 e outras 
passagens, onde essa 
expressão também é usada). 
No original grego, um «aeon» indica um longo 
período de tempo; e uma 
Deus» é a mesma coisa que 
afirmar que, de alguma maneira, o 
bem deverá 
ser o fim de todo o m al, p o rq u a 
n to n ad a vive ou m orre em vão. 
Pelo 
contrário, quando todas as obras 
de Deus estiverem cumpridas, o 
Senhor 
nada jogará fora, como se fosse 
refugo lançado no vazio, pois 
Deus tem 
prazer em salvar, e não em 
destruir. Por essas razões, e em 
face de toda a 
granae mensagem do evangelho 
de Cristo, que a glória eterna seja 
atribuída 
a Deus! 
«Deus, o vosso Pai, é infinito nas 
riquezas de sua graça e de sua 
glória, e 
de sua abundância é que todos 
nós temos recebido, bem como 
graça sobre 
g raça. Por conseguinte,, a D eus, 
nosso P ai, seja a g ló ria p a ra 
todo o 
sempre!» (Adam Clarke, in loc.). 
«...visando o suprimento de cada 
necessidade, temporal ou 
espiritual, 
posto que todo o dom perfeito 
vem da parte dele, devendo tudo 
ser atribuído 
à sua livre-graça e jam ais a 
qualquer merecimento humano». 
(John Gill, in 
loc.). 
mística» com ele, ver I Cor. 1:4,. é que os crentes recebem o suprimento 
IX. Saudações, Encorajamentos e Apreciações Finais (4:21-23). 
A mensagem da epístola aos filipenses agora é terminada. Paulo já havia mencionado 
tudo quanto tencionava dizer. Mas a 
epístola não poderia ser fechada sem algumas saudações pessoais. No entanto, 
encontramos aqui breves saudações, ao passo que 
poderíamos esperar grande número delas, conforme se vê no décimo sexto capitulo 
da epístola aos Romanos, visto que o apóstolo 
dos gentios era tão bem relacionado em Filipos,onde contava com muitos amigos 
sinceros. Todavia, as saudações de Paulo, nesta 
epístola, são coletivas, e não individuais, conforme se vê nas palavras, «Saudai a 
cada um dos santos...» E as saudações que ele 
envia, da parte daqueles que estavam em sua companhia, também são gerais: «Os 
irmãos que se acham comigo vos saúdam...» ; 
21 'AoTráoaoQç irávTa ã y i o v i v XpLorâ) 'Irjoov. àoTráj^ovTaL vfxâs o i avv ifiol 
â8eX(f)oí. 
encarcerad o . M uitos desses eram convertidos que 
ele fizera estan d o 
aprisionado, conforme transparece no versículo 
seguinte. O aparente 
desacordo dessa declaração com o trecho de Fil. 
2:20, onde Paulo se queixa 
de falta de qualquer comunhão com homens de 
igual mentalidade, não é 
fácil de ser explicado. (V er as n o tas expositivas a 
respeito, acerca de 
algumas sugestões sobre o problema). Seja como 
for, o encerramento desta 
epístola não era ocasião propícia para Paulo fazer 
comparações de valores 
entre os seus irmãos na fé, o que somente serviria 
para distinguir uns dos 
outros. Ele simplesmente inclui a todos em sua 
saudações, tanto os fortes 
como os fracos na fé. Todos eram alvo de seu amor, 
o qual era formado 
devido à vinculação comum de todos à pessoa de 
Cristo. Dentre esse grupo 
poderíamos citar Timóteo e Epafrodito (ver Fil. 2:19 e 
ss.), pois pelo menos 
foram totalmente leais a Paulo, em sua tribulação, 
tendo-lhe sido elementos 
úteis. 
No tocante à identificação daqueles que 
acompanharam a Paulo em seu 
encarceramento, em várias oportunidades, pode-se 
examinar o trecho de 
Col. 4:10-15. Porém, não dispomos de m aneira para 
m ostrar que aquela 
gente se en co n trav a em co m p an h ia de P au lo , 
em R om a, posto que a 
ep ísto la aos C olossenses certam en te alude a um 
perío d o a n te rio r de 
ap risio n am en to , talvez em Éfeso. (Q u an to a isso, 
ver a secção II da 
4:21: Saudai a cada um dos santos em Cristo Jesus. 
Os irmãos que estão comigo vos 
saúdam. 
No o riginal grego, « ...sa u d a i...» é «aspadzom ai», 
que significa 
exatamente isso, «saudar», «relembrar alguém 
perante outrem»,. . «dar as 
boas-vindas», embora também quisesse dizer, 
algumas vezes, «abraçar», ou 
«oscular». A raiz da palavra indica algo «agradável». 
Portanto, a saudação 
era u m a espécie de desejo expresso pelo b em -
estar de o utrem . E ssa 
saudação, mui provavelmente, tinha por intuito ser 
feita pelos líderes da 
comunidade cristã local, os quais seriam os 
primeiros a ler a epístola, para 
então transmitirem a sua mensagem ao resto da 
congregação. 
«...cada um dos santos...» (Quanto a notas 
expositivas sobre os crentes, 
ao receberem o título de «santos», ver Rom. 1:7). 
«.. .em Cristo Jesus...», isto é, em comunhão e união 
com o Filho de Deus, 
pois é nessa comunhão que se forma a fraternidade 
dos remidos. (Ver o 
trech o de I C or. 1:4 q u an to às «realidades m 
ísticas», im plícitas n esta 
expressão). Essas palavras, «em Cristo Jesus», 
podem ser vinculadas com 
«santos» ou com «saudai»; mas o mais provável é 
que sejam vinculadas a 
«santos». Os crentes têm comunhão com Cristo, o 
que os tomava irmãos 
para o apóstolo dos gentios, e ele os saudou como 
tais. 
«...os irmãos que se acham comigo...» Paulo contava 
com certo número 
introdução à epístola aos Efésios, intitulada «Data e 
Proveniência»). 
de irmãos, em sua companhia, os quais o ajudavam 
em seu estado de 
 
22 à(777<x£ovTcu v p -â s 7rávT€s o l ãyiOL, p,á\ioTa S e ol Ík r r js K a l o a p o s o íx ía ç . 
FILIPENSES 71 
22 oi €K...oÍKÍas Php 1.13 
4:22: Todos os santos vos saúdam, especialmente os que são da casa de César. 
As palavras «...Todos os santos...» indicam a congregação cristã inteira 
de Roma, ou, pelo menos, um largo círculo de crentes que habitavam 
naquela cidade, os quais desejavam saudar aos irmãos da igreja de Filipos. 
Paulo sem pre se p reocupou em in clu ir a ig reja local in teira de cada 
localidade, fomentando assim o espírito de fraternidade e unidade. Por isso 
é que em suas epístolas ele comumente enviava tais saudações, enfatizando 
a un id ad e da igreja, a despeito de seus ag ru p am en to s separados 
geograficamente, como era necessário pela imposição do espaço. 
«...os dacasadeCésar...»E ssa expressão era co n sid erad a por m uitos 
intérpretes antigos, como também o é por muitos modernos, como alusão a 
membros da casa imperial que se teriam convertido ao cristianismo. Porém, 
as descobertas arqueológicas têm demonstrado que oficiais subalternos, 
membros das forças armadas romanas, e até mesmo escravos que faziam 
algum trabalho em prol do governo, em Roma ou fora dessa cidade, nas 
colónias e províncias distantes, eram chamados «casa de César». Portanto, 
esta frase n ad a com prova no sentido de P au lo estar ou não emRoma, 
naquela ocasião, e muito menos que se tinham convertido ao cristianismo 
membros importantes da família real. 
A guarda pretoriana estava incluída nessa terminologia, sendo perfeitamente possível que 
Paulo tenha podido converter a alguns de seus membros 
que estivessem encarregados de vigiá-lo; e esses também estão incluídos na 
referência geral. (Ver as notas expositivas em Fil. 1:13, que descreve esse 
grupo de soldados profissionais). Por conseguinte, ainda que Paulo se 
encontrasse ap risio n ad o na cidade de R om a, e embora a maioria dos 
intérpretes, até mesmo modernos, pense que o apóstolo se encontrava na 
cidade imperial naquela ocasião, nada mais aqui é implícito além do fato que 
vários soldados, escravos e oficiais de segunda categ o ria se tin h am 
convertido ao evangelho, em Roma, talvez principalmente em resultado 
direto dos labores de Paulo em seu período de aprisionamento, ainda que 
também seja provável que outros cristãos tenham conseguido ganhar para 
Cristo alguns daqueles. São «especialmente» esses que enviaram saudações 
aos crentes filipenses, talvez por serem os elementos associados mais de 
perto com o apóstolo, no momento. 
Certamente Paulo não procurava vangloriar-se de «elevadas conexões», ao 
referir-se à « ...casa de C ésar...» , p o rq u a n to já pudem os ver que essa 
expressão não se reveste de alguma elevada significação. As saudações 
especiais, da parte dos tais talvez também indique que aquela gente, a 
serviço do governo rom ano, tin h a am igos nas províncias, igualm ente 
pertencentes à «casa de César», e dos quais era bem-conhecido. Dessarte, é 
possível que a saudação tenha sido enviada de amigos para amigos, e não 
meramente para irmãos na fé, para pessoas que lhes fossem pessoalmente 
desconhecidas. 
Alguns eruditos têm pensado que Sêneca teria sido um dos membros da 
«casa de César» que Paulo conhecia; porém, apesar de serem similares 
certas coisas que Paulo e Sêneca escreveram, isso pode ser melhor explicado 
pela fam iliarid ad e que am bos tinham com o estoicism o rom ano. As 
supostas epístolas de Paulo a Sêneca, e vice-versa, não são autênticas, posto 
que interessantes; e a idéia que conheciam um ao outro, e eram amigos, é 
apenas uma ficção, sem qualquer base histórica. 
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23 to v ttvçvij.o.tos] 7ravTcov K L pia sy ç |Subscriptio: çypa<f>r) aito Pojjj/qs St E-
nacfipohirov K (L) p l sy ç 
Embora alguns tenham suposto que a forma tov Trueíi/iaros — foi introduzida por 
copistas, com base em Gál. 6:18 ou File. 
25, a comissão ficou impressionada por sua confirmação distintam ente superior (p46 N* 
A B D F G P 6 88 104 241 322 330 424 
(c) 436 442 463 1319 1898 2005 2127 it (d,g,r) vg cop (sa,bo) ar etí), e explicou a variante 
ttávrcov (Nc K L ' ] ' maioria dos 
minúsculos sir (p,h) e Textus Receptus) como substituição escribal de um término mais 
familiar como bênção (cf. I Cor. 16:24; II 
Cor. 13:13; II Tes. 3:18 e Tito 3:15). 
O à jiijv (p46 X A D K L P quase todos os minúsculos it (d,r,6l) vg sir (p,h) cop (bo) ara etí) 
parece ter sido adicionado por 
copistas, em conformidade com a prática litúrgica; se estivesse presente no original, seria 
difícil explicar sua omissão em B F G 6 
1739* (vid) 1836 1908 it (g) sir (pal) cop (sa) al. 
(a) O subtítulo em X A B 33 466 é w pòs ^ iX n r ir r ia ío v s . Outros subtítulos incluem: (b) 
irp ò s t& cXi7nr7jcríovs ■ èirXrjpcúÚri 
D ; (c) èreXea-dr] irp òs & i\nrirr}<TLovs F G ; (d) irp òs fy iX tirirria ío v s kypafyr] à irò 
'Pw/xrjs òt ’Eira(f)poôÍTOv K 
1908 al, seguidos pelo Textus Receptus; (e) como (d) mas prefixando t o v à y ío v L ttÒv t ò 
X o v IlaúÀou e-jnaToXrj L; (f) 
como (c) e term inando com èypácfrr] à irò 'Pcóyurçs ò l’ T ip o d e o v K ai 'E ira cfrp o ò ÍT o 
v — (cop (bo)) Etí (pp). 
4:23: A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espirito. 
Essa doxologia é comum a quase todas as epístolas paulinas, ainda que 
algumas vezes apareça com variações superficiais, exceto que a «graça» aqui 
invocada em favor dos crentes filipenses, estaria «com o Espírito» deles, ao 
passo que normalmente se encontra a expressão «A graça de nosso Senhor 
Jesus Cristo seja convosco». (Notas expositivas completas são dadas a 
respeito disso, em Rom. 16:24 e I Cor. 16:23). Na passagem de Gál. 6:18, a 
doxologia é idêntica àquela encontrada na presente epístola aos Filipenses, 
e as notas expositivas ali existentes explicam a adição e os seus significados 
possíveis. A adição das palavras «...com o vosso espírito...» pode ter sido 
escrito tendo em vista que a epístola seria lida aos ouvidos da comunidade 
cristã inteira, quando todos estivessem reunidos juntam ente, em «um 
espírito». Portanto, serviria de conclusão apropriada, como se uma bênção 
estivesse sendo invocada sobre toda a igreja, em um a reunião pública. Não 
há que duvidar que o apóstolo tinha em mente o «espírito» dos crentes 
filipenses, embora unidos ao «Espírito Santo». Porquanto assim é que o 
«favor» divino invocado sobre eles poderia tornar-se verdadeiramente deles, 
estando eles unidos em comunhão com o Espírito do Senhor. Notemos que o 
trecho de File. 25 encerra idêntica doxologia, e que ali o favor do Espírito 
Santo a ser transmitido destina-se apenas a um crente individual. 
Variantes Textuais: A s palavras «...com o vosso espirito...» são lidas nos 
mssP(46), Aleph(l), ABDEFGP, bem como na maioria das versões, exceto na 
siríaca. Mas «...com todos vós...» são palavras que figuram nos mss Aleph(3), 
KL e na versão siríaca, seguidos pelas traduções AC e KJ, dentre as catorze 
traduções usadas para efeito de comparação por este comentário (nove em 
inglês e cinco em português). Trata-se de uma variante inferior, porquanto a 
outra forma conta com o testemunho dos manuscritos m ais antigos e dignos de 
confiança. 
«...amém....» Usualm ente essa palavra aparece nas epistolas paulinas; m as a 
adição dessa palavra neste ponto não é genuína. Neste ponto, os m ss P(46), 
Aleph, A D E K L P , as versões latinas d, e, e r, a V ulgata latina, o cóptico, o 
siría c o , o a ra m a ico , o etíop e e os e sc rito s dos p a is da ig re ja T eo d o reto , 
Damasceno e Am brosiastro, assim dizem. Porém, os m ss B F G , 47, as versões 
latinas f e g , como também o saídico e os pais Crisóstom o e Vitorino, além dos 
m anuscritos conhecidos por Êutico, omitem essa palavra. A omissão mui 
provavelm ente é a forma correta, porque seria apenas natural que os escribas 
tentassem ornar o texto do que tentarem abreviá-lo ou simplificá-lo. Além 
disso, somente com raridade o «amém» é autêntico nas epístolas paulinas. N as 
epístolas aos Rom anos e aos G álatas o «amém» é autêntico, ao passo que nas 
demais epístolas tudo tem sido acrescentado por escribas posteriores. 
Sobrescrito. O sobrescrito m ais antigo dos m anuscritos é o simples aos 
Filipenses, conforme se lê em Aleph, A B , 17 e 135 . M as isso foi ornado para 
«escrita aos Filipenses, de Rom a, através de Epafrodito», conforme dizem os 
m ss B(2), K L , o siríaco, os escritosde Teodoreto e a m aioria dos manuscritos 
posteriores, incluindo os manuscritos minúsculos. A versão cóptica diz «aos 
Filipenses, mediante Timóteo e Epafrodito», podendo-se ver também outras 
variações. M as tais sobrescritos não fazem parte original desta epístola, antes, 
foram adições feitas por escribas posteriores, acerca de questões relativas à 
proveniência e aos destinatários. A lgum as vezes esses sobrescritos são corretos 
(com base no teor das próprias epístolas); m as de outras vezes são conjecturas 
tentativas, algum as das quais são certas, e outras erradas.

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