Prévia do material em texto
Comentario Filipenses 4 Russel Norman Champlin
4:1: Portanto, meus amados e saudosos irmãos, minha alegria e coroa, pormanecei
assim firmes no Senhor amados.
A palavra «...portanto...» vincula o presente versículo ao pensamento da
últim a secção do terceiro capítulo, que fala sobre o destino elevadíssimo que
os crentes têm em Cristo, de tal modo que virão a participar de sua própria
natureza e herança. «Em vista» desse alto chamamento e dessa esperança
sublime—permanecei sempre firmes em Cristo, que é o vosso Senhor.
Jamais devereis ceder às pressões do m undo ou da carne, mas vivei sempre
aquela intensa inquirição espiritual (descrita em Fil. 3:9-14). Pode-se
observar aqui a grande similaridade entre esta passagem e o trecho de.I Cor.
15:58, no que respeita à mensagem que a precede: «Portanto, meus amados
irmãos, sede firmes, inabaláveis, e sempre abundantes na obra do Senhor,
sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão». Essas palavras de I
Coríntios aparecem após a secção daquela epístola que aborda a questão da
imortalidade, mediada pela transformação (quando do arrebatam ento da
igreja ou da ressurreição), envolvendo ainda a grandiosa vitória sobre a
morte. Portanto, essas duas passagens são quase idênticas, exceto que a
passagem da primeira epistola aos Coríntios é mais elaborada. (Ver as notas
expositivas sobre I Cor. 15:58, quanto a pensamentos adicionais).
O p resen te versículo, assim sendo, é ta n to a conclusão do terceiro
capítulo como a introdução de novos pensamentos. Na realidade, poderia
ser melhor colocado no fim do terceiro capítulo desta epístola, tal como I
Cor. 15:58 encerra o décimo quinto capítulo daquela epístola.
«...meus irmãos, amados e m ui saudosos...» No grego temos o termo
«agapetoi», que significa «amados», e que com frequência tem o sentido
intensificado de «únicos amados», que se reveste de um significado mais bu
menos como nossa expressão moderna «mui querido» ou «caríssimo». Os
crentes filipenses eram concidadãos de Paulo (ver Fil. 3:20), como também
pertenciam à mesma família divina; e na família divina há amor mútuo
entre todos os seus membros. (Ver as notas expositivas sobre João 14:21 e
15:10, onde o «amor» aparece como «norma orientadora da família divina»,
e do que todos os remidos compartilham). Paulo queria que soubessem os
crentes filipenses que, a despeito de ter ele atacado tão severamente ao
legalismo, que evidentemente havia influenciado a alguns deles, o seu amor
por eles em nada havia diminuído.
«...m ui saudosos...» No grego temos o termo «epipothetos», «desejado»,
«ansiado», cuja forma verbal significa «desejar», «anelar», «ansiar por». Essa
palavra é usada exclusivamente aqui, em todo o N.T., ainda que a sua
forma verbal também apareça nesta mesma epístola, em Fil. 1:8: «Pois
minha testemunha ê Deus, da saudade que tenho de todos vós, na terna
misericórdia de Cristo Jesus». Isso identifica tal emoção como produto do
desenvolvimento espiritual, como um dos aspectos do fruto do Espírito (ver
Gál. 5:22), por tratar-se de um a expressão do amor cristão. Portanto, Paulo
am ava aos crentes filipenses m ais do que um hom em q u alq u er am a
o rd in ariam en te a seus sem elhantes, p o rq u e isso era p ro d u to de seu
desenvolvimento espiritual em Cristo. Assim Paulo viera a experimentar e a
demonstrar o próprio amor de Cristo, espiritualmente inspirado. Todos os
pastores deveriam ter essa espécie de amor, que só surge como resultado do
nosso crescimento em Cristo. Por essa razão é que Paulo amava tanto—era
extraordinariamente bem desenvolvido, espiritualmente falando.
Nessa calorosa demonstração de amor se pode encontrar o sumário desta
e p ísto la in te ira , p o rq u a n to esta é um a ep ísto la de ação de g raças, de
apreciação e de amor pelos crentes filipenses, por tudo quanto tinham feito
em favor do apóstolo (financeiramente e em outros sentidos).
«...minha alegria...» Sim, porque neles Paulo encontrava provas de que
vinha correndo bem, visto que pertenciam a Cristo, o que era demonstrado
em suas vidas. A «alegria» é um a das notas chaves desta epístola. (Ver as
notas expositivas a esse respeito, em Fil. 1:4). Neste ponto essa alegria é
personalizada, como se não se tratasse meramente de alguma coisa que
possuíam, mas também como se fizesse parte do caráter deles, até onde suas
relações com Paulo diziam respeito. Sabe-se muito bem que as realizações
de outros com frequência provocam certas pessoas à inveja; e há até quem
inveje as realizações espirituais dos irmãos. Não se dava assim no caso de
Paulo; pelo contrário, ele se sentia particularmente jubiloso porquanto
sabia que aquele avanço espiritual de seus convertidos glorificava ao nome
do Senhor, ao qual ele tam bém procurava glorificar.
«...coroa...» No grego temos «stephanos«, palavra comum para indicar
«coroa». (V er I T es. 2:19, onde o co jre quase ex atam en te a m esm a
expressão, incluindo tanto a «alegria» como a «coroa», mas em relação aos
cren tes tessalo n icen ses. A li, e n tre ta n to , aqueles crentes são tam bém
chamados de sua «esperança»), E bem provável que a «coroa» seja a da
v itó ria em algum a com petição esportiva, tal com o em um a co rrid a,
porquanto a metáfora da carreira está por detrás das palavras de Paulo.
Paulo havia corrido tão bem que recebera a coroa da vitória; e aqueles
crentes eram a sua coroa; pois, nessa carreira, mediante os seus esforços, na
q u alid ad e de apóstolo dos gentios, eles eram criação sua. M ui
provavelmente, portanto, devemos pensar aqui na coroa de louros do
vitorioso, que era também usada como sinal de honra, em um banquete
oferecido pelos convivas. Normalmente essa coroa de louros era feita de
ramos de certas plantas ou árvores, como a palmeira. Já a coroa do Senhor
Jesus era feita de espinhos. A oliveira brava, a salsa verde, o louro ou o
pinheiro, também eram usados. Há uma outra palavra grega, diadema, que
usualmente se refere à coroa dos reis, mas que, no grego helenistas (do qual
o N.T. é um representante), nenhuma distinção se podia observar entre
essas duas palavras gregas, de tal modo que a palavra «stephanos», também
era usada para indicar coroas feitas de metais diversos.
Apesar de que o «tempo presente» está particularmente em foco, neste
ponto, pois Paulo os considerava seu motivo de alegria e sua coroa desde
quan d o escreveu, co ntudo, há provavelm ente u m a referên cia fu tu ra .
Quando do «tribunal de Cristo», aqueles crentes filipenses seriam tais para o
apóstolo, conferindo-lhe motivo de regozijo e demonstrando o sucesso de
sua missão terrena, de modo a lhe servirem de coroa de vitória. (Quanto a
essa referência futura, comparar com os trechos de Fil. 2:16 e I Tes. 2:19).
«...p e r m a n e c e ifir m e s no Senhor...» Paulo já os havia exortado para
que fossem dignos cidadãos da pátria celeste, mostrando-lhes qual era o seu
grandioso destino. Em face disso, deveriam agora permanecer firmes,
preservando a própria fé e defendendo a doutrina pura, levando um a vida
diária recomendável, em nada cedendo ante a doutrina dos legalistas, e nem
aos hábitos condenáveis dos epicureus. Pelo contrário, deveriam mostrar-se
inabaláveis, a fim de resistirem aos ataques do mal, dos ensinamentos falsos
e da imoralidade—em suma, deveriam fazer finca-pé, como bons soldados,
reunindo forças para poderem obter a vitória. Isso pode ser comparado com
o trecho de Efé. 6:10, onde se lê: «...sede fortalecidos no Senhor e na força
do seu p o d e r...» . E tam bém com o trecho de E fé. 6:11, o q u al reza:
60 FILIPENSES
«Revesti-vos de toda a arm adura de Deus, para poderdes ficar firmes contra
as ciladas do diabo». Está em foco aquele dia mau, dia de teste e tentação
especiais. Os crentes, pois, tendo feito tudo, devem permanecer firmes.
Havia várias condições em Filipos, como a atmosfera pagã, a pressão dos
legalistas, etc., que poderiam pressionar os crentes filipenses à lassidão
esp iritu a l, à fad ig a nocom bate, à deserção e sp iritu a l, ou m esm o ao
abandono da luta por inteiro. Contra tais possibilidades é que Paulo aqui os
advertia. Isso pode ser comparado com a passagem de Fil. 1:27, onde se vê
que o apóstolo já os tinha exortado a estar «...firmes em um só espírito,
como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica». É também naquele
p rim eiro cap ítu lo d esta ep ísto la que Paulo m o stra que o cren te está
envolvido em um conflito eivado de perigos verdadeiros (ver Fil. 1:30). Os
2 E v o S í a v 7T a p a K a X w K a l U v v t v ^ v ir a p a K a X â j t o a v r ò <f>povelv i v K v p í c o
.
z -EVoSiav] EvwS- P 8i i ô i i al Ç) R
4:2: Rogo a Evódia, e rogo a Sintique, que sintam o mesmo no Senhor.
«...Evódia...» Nome feminino que significa «excelente viagem». Sua
form a verbal significa «ajudar n a estrada», d ando a en ten d er,
originalmente, as mulheres que tomavam conta de hospedarias e ajudavam
os viajantes, etc. Mas, tal como se dá com os nomes modernos, muitos
nomes próprios eram aplicados sem referência alguma ao seu significado
original. Am bos os nom es que figuram neste versículo aparecem em
inscrições, e invariavelmente são nomes próprios femininos. Essa é a única
menção desta mulher, em todo o N.T., ainda que o trecho de Atos 17:4,12
também mencione as atividades de mulheres da Macedônia, que tinham
cooperado com o apóstolo, quando ele fu n d a ra o trab a lh o cristão na
Europa.
V ários in té rp rete s supõem que essa m u lh er ocupava a posição de
diaconisa; sendo, por conseguinte, um a das principais figuras femininas da
igreja de Filipos. O evangelho, naquela área, foi pregado inicialmente para
mulheres (ver Atos 16:13). E a igreja de Filipos teve suas primeiras reuniões
na casa de uma mulher (ver Atos 16:14,40).
Muitos nomes próprios femininos aparecem nas epístolas de Paulo, com
notas de recomendação, como Febe, Priscila, M aria, Trifena, Trifosa,
Pérside, Júlia, a mãe de Rufo, a irmã de Nereu. (Ver Rom. 16:1-15). Não
resta dúvidas que a posição delas e a sua importância era muito maior no
cristianismo do que no judaísmo, que considerava as mulheres como seres
degradados. (Quanto a notas expositivas acerca dessa atitude dos judeus
para com suas mulheres, ver João 4:27,29, onde se vê que as condições das
judias eram simplesmente chocante). Já na Macedônia, a posição das
mulheres era muito melhor que na Palestina, porquanto algumas chegaram
até mesmo a ocupar cargos públicos.
Os nomes próprios dos filhos eram derivados de suas mães, e não de seus
pais. Ãs mulheres da Macedônia era permitido terem propriedades, além de
gozarem de outros privilégios desconhecidos às mulheres de outras áreas,
pois, em comparação com as mulheres da Macedônia, as mulheres judias
tinham como companheiros constantes as crianças e os escravos.
Algumas esculturas representando mulheres de alguma importância têm
sido encontradas, evidentemente pessoas bem conhecidas. (Ver as notas
expositivas sobre a posição favorável das mulheres, na Macedônia, em Atos
17:4). Em Jesus Cristo, o ideal é que não haja distinção entre homem e
mulher (ver Gál. 3:28), embora isso não tenha sido plenamente aplicado no
seio da igreja cristã primitiva. (Ver as notas expositivas a respeito, em I Cro.
1 1 :1 1 , 12 , onde se destaca o fato da «interdependência entre homens e
3 v a l i p o J T w Kal a i , y v r jo ie a v t p y e 0,, o v X X a f if iá v o v
crentes filipenses, a despeito das dificuldades que enfrentavam, serviam de
evidência positiva que Paulo estava correndo com sucesso a sua carreira, e o
apóstolo queria que eles continuassem servindo de prova disso.
«...no Senhor...» A saber. 1. Em união com Cristo, como Senhor. 2. Em
comunhão com Cristo, através do Espírito Santo. 3. Portanto, a firmeza se
daria através da fortaleza conferida pelo Senhor. Essa expressão é usada
pelo apóstolo dos gentios por mais de quarenta vezes, assemelhando-se à
expressão «em Cristo», que ele utiliza por nada menos de cento e sessenta e
quatro vezes, a qual expressa tanto a nossa união como a nossa comunhão
íntima com Cristo, bem como os resultados daí decorrentes. Em Cristo
temos a esfera onde essa firmeza do crente deve ser demonstrada.
★ ★ ★
mulheres». Ver também I Cor. 11:7, quanto a notas expositivas sobre como
a sub o rd in ação da m ulher não se ap lica ao estad o etern o . E ssa
subordinação visa apenas propósitos práticos, não sendo questão de ética
d o u trin á ria. Por conseguinte, tal su b o rd in ação tem suas exceções,
dependendo das circunstâncias, porquanto é muito melhor obedecer a Deus
do que ao homem. Quanto a notas expositivas sobre as «diaconisas», ver
Rom. 16:1).
«...Sintique...» Seu nome significa «acidente», sendo difícil dizermos por
que lhe foi dado tal nome, a menos que também queira dizer «chance feliz»,
segundo dizem alguns estudiosos. Não é mesmo impossível que alguns
bebês do sexo feminino fossem chamadas de «acidente», como se houvessem
nascido inesperadamente, sem terem sido planejados.
«...rogo... rogo...», isto é, «exorto», palavra reiterada em um único
versículo. Note-se que Paulo exortou a cada mulher individualmente, para
salientar ainda mais o seu ponto.
«...pensem concordemente...», ou seja, «pensem a mesma cousa» (ver Fil.
2:2, onde a mesma coisa é recomendada a todos os crentes, no que tange às
suas relações pessoais na comunidade cristã e uns com os outros). Aquelas
duas m ulheres crentes deveriam e star em «harm onia». Não estam os
informados sobre qual teria sido o motivo da discórdia, embora possamos
perceber que não se tratava de razão séria, pois, de outro modo, Paulo mui
provavelm ente ter-se-ia m o strad o m ais específico a respeito. A lguns
eruditos pensam que cada um a delas abrigava um a congregação em sua
casa, tendo-se tornado rivais; e outros chegam ao ponto de sugerir que um a
dessas congregações era do tipo judaico e que a outra era do tipo gentílico.
Mas, na realidade, tudo não passa de conjectura.
A trad ição , como é u sual, acrescen ta aqui alguns d etalhes, m ui
provavelmente falsos. Alguns intérpretes pensam que um a das pessoas
nomeadas era do sexo masculino, e ainda outros acham que eram ambos
homens. Mas o terceiro versículo deixa claro que eram ambas mulheres.
Seus nom es p ró p rio s, en co n trad o s em diversas inscrições, sem pre se
referem a mulheres. Também há quem suponha que eles eram «marido e
m ulher», e que algum a d isp u ta em fam ília está aqui em foco; m as tal
opinião é sem fundamento.
«.. .no Senhor...» (Ver o sentido dessa expressão, que também aparece no
primeiro versículo deste capítulo, onde é comentada). A harmonia entre
aquelas duas mulheres deveria ser a harmonia que caracteriza aos que são
leais ao Senhor subordinando a ele seus sentimentos e preferências pessoais.
avTais, c u r (.ves ev r o »
p-erà Kal KXrjp,evTOS Kal tÔjv Xoittwv ovvepyã)v puov1, cbv r à àvóp.a ra iv fiífíXu>
evayyeXLio crvvrjdXrjoáv /xoi
io jr js .
1 3 { B } t&vX oltlú v ovvepyàv fxov p46 Nc A B D G I v,<1 K P ^ 33 81 88
1Q4 181 326 330 436 451 614 629 630 1241 1739 1877 1881 1962 1984 1985 2127
2492 2495 B yz Lect itar c d <lom div-e-f x ? v g sy rp'h co p aa-h
E u se h iu s // t&v trvvepycòv iiovKai ràv Xolttôjv p16ind N*
g oth arm O rigen
a 3 crvÇvye-. T R W H Bov Nes B F 2 AV RV ASV RSV NEB T T Ziir™* Luth (Jer) Seg H X v Ç v y
e : WH™* Zur (Jer)
3 j3t/3X^ Çíúrjs Ex 32.32, 33; Ps 69.28; Dn 12.1; Re 3.5; 13.8
O Textus Receptus, acompanhando 462, erroneamente diz
Alguns têm tomado esta palavra como um nome próprio,
Por causa de descuido escribal, dois antigos manuscritos
Xolitwv («...com Clemente e meus cooperadores, e os outros
4:3: E peço também a ti, meu verdadeiro companheiro, que as ajudes, porque
trabalharam comigo no evangelho e com Clemente, e com os outros meus
cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida.
Ás palav ras « ...com panheiro de ju g o ...» trad u zem a p alav ra grega
«sundzuge», que alguns estudiosos tomam como se fosseum nome próprio,
«Sínzigo», que significa alguém que compartilha do mesmo jugo. Por isso é
que V incent (in loc.) p a ra fra se ia o início deste versículo como «...E
im ploro-te, Sínzigo, cujo nom e é tão bem a p licad o ...» , posto que
compartilhava do jugo comum de Cristo, no ministério do evangelho.
(Q u an to ao «jugo de C risto», que in d ica a leald ad e a ele, ver as notas
expositivas sobre Mat. 11:29,30). A maioria dos intérpretes, entretanto,
pensa que esse vocábulo indica apenas um nome próprio comum, e que
alguma pessoa cujo nome não é expresso está aqui em foco, como Lucas,
que parece ter permanecido em Filipos, depois da partida de Paulo, talvez
po r n ad a m enos de sete anos, que foi o perío d o de tem po que sep ara
historicamente as duas chamadas «secções nós», no livro de Atos (de 16:17 a
20:5 desse livro). Pensasse que naqueles lugares onde é usada a primeira
pessoa do plural, ou «nós» (às vezes subentendido, naturalmente), que
Lucas fizesse parte do grupo que acompanhava ao apóstolo, e que nas
secções onde o escritor do livro de Atos não usa a primeira pessoa do plural,
o autor se valeu de informações de terceiros para dar prosseguimento à sua
narrativa.
17.8; 20.12, 15; 21.27
Kai. Todos os demais testemunhos, ao que parece, dizem vai.
híiÇvye («Sízigo»).
(P (16 vid N*) dizem t&v avvepywv p,ov Kai twv
cujos nomes estão escritos...»).
A lguns estudiosos tam bém têm im aginado que «Lídia» é aqui
endereçada; porém, trata-se de um a opinião bem menos provável. Tanto a
tradição como os escritos dos primeiros pais da igreja fomecem-nos aqui
diversas idéias, mas todas sem o menor fundamento histórico. Há uma
dessas tradições que diz que Paulo se dirigia aqui à sua «esposa», visto que,
no grego, a palavra também pode significar «cônjuge»; e Lídia seria essa
«esposa», ainda de conformidade com outros. Assim explicava Clemente de
Alexandria. Mas o adjetivo que acompanha o substantivo é masculino, e
não feminino, pelo que também não pode estar em foco nenhuma mulher.
Crisóstomo, por sua vez, conjecturava que Paulo aludia aqui ao marido
ou ao irmão de Evódia ou de Sintique; e outros pensam que estaria em foco
«E pafrodito», que haveria de ser o p o rtad o r da ep ísto la aos crentes
filipenses, e que se encontrava em posição de resolver pessoalmente a
dificuldade que su rg ira (ver F il. 2:25 e ss.). O u tras personagens
mencionadas são Timóteo, Silas ou o principal pastor da comunidade cristã
de Filipos, cujo nome não é dado. Mas todas essas conjecturas são apenas
ten tativ as de p reen ch er detalh es onde, na realid ad e, não há nenhum
pormenor.
«...as auxilies...» Literalmente, «te agarres com» (no grego, «sullambano»), provavelmente
um a referência específica à dificuldade de harmonia
que havia en tre aq u elas duas m ulheres. É com o se P au lo houvesse
FILIPENSES 61
recomendado: «Ajuda-as a se reconciliarem entre si». Contudo, a referência
pode ser mais geral: «Ajuda-as em todos os esforços que elas fizerem na
igreja». Há também quem pense que está em pauta, neste ponto, a «ajuda a
viúvas», e que Paulo exortava para que elas fossem ajudadas; mas não há
qualquer indício de tal possibilidade.
«...juntas se esforçaram comigo no evangelho...» Isso atribui uma razão à
necessidade do companheiro de Paulo—sem importar quem fosse ele—de
aju d ar àquelas duas m ulheres. E las se tin h am m ostrado sinceras no
trabalho, muito tinham feito, muito tinham ajudado; e uma disputa entre
as duas, agora, não poderia ser causa de serem elas rejeitadas ou evitadas
por outros. O verbo «esforçar-se», que aqui se acha, também aparece em
Fil. 1:27, onde é comentado; mas não ocorre mais em nenhuma outra
porção do N.T. Em seu sentido original dá a entender uma competição
atlética, m as usu alm en te era em pregado p a ra in d icar m ero esforço
diligente.
«...no evangelho..., isto é, no interesse da propagação do evangelho e do
ministério evangélico em geral. (Quanto a notas expositivas completas sobre
o «evangelho», ver os trechos de M at. 1:1 e Rom . 1:16). Isso pode ser
comparado com Sófocles, em Oedlpus at Colunus, 1367-8: «Essas mulheres
perseveram comigo, são minhas enfermeiras; são como homens, e não como
mulheres, ao trabalharem comigo».
«...com Clemente...» Orígenes foi quem iniciou a conjectura que temos
aqui alusão ao mesmo Clemente de Roma, autor de uma espítola (ou talvez
de mais de uma) que sobreviveu até nós, a qual é a mais antiga peça de
literatura cristã à parte do N.T. canónico. Em algumas congregações locais
da igreja cristã prim itiv a essa epístola de C lem ente era aceita como
canónica. Porém, o «Clemente» aqui referido é um filipense, não havendo
razão alguma para tal identificação. Outros estudiosos pensam que esse
Clemente é o mesmo chamado de «fiel companheiro de jugo», neste mesmo
versículo; no entanto, Clemente é mencionado como indivíduo separado
daquele, por quem o «fiel companheiro de jugo» deveria mostrar respeito,
juntamente com as mulheres mencionadas. Clemente sem dúvida foi um
dos primeiros ajudadores de Paulo. Assim sendo, este versículo pode indicar
uma das duas coisas seguintes: 1 . Ou que o «fiel companheiro de jugo»
deveria ajudar aos três—às duas mulheres e a Clemente. 2. Ou então que os
três são m encionados como antigos au xiliares de Paulò, que tinham
trabalhado no evangelho em sua companhia; e, neste segundo caso, as duas
mulheres são mencionadas como objetos da atenção imediata do «fiel
companheiro de jugo». A segunda dessas possibilidades é a mais provável
4 X a í p ere ev K v p lto T r a v r o r e ' v á X i v ip â> , ^ a ip e re .
4:4: Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos.
A alegria é um dos aspectos dofruto do Espírito Santo. Por conseguinte,
trata-se de um a qualidade espiritual, como subproduto do desenvolvimento
do crente em sua vida espiritual. Portanto, temos aqui o chamamento não
apenas para o regozijo, mas também para um desenvolvimento espiritual
superior, o que nos confere confiança, alegria e o senso de bem-estar, a
despeito de nossas circunstâncias externas. Sim, a «alegria» é uma das notas
chaves d esta epístola, o que é com entado no trecho de Fil. 1:4, onde
também são alistadas todas as referências onde essa idéia é frisada nesta
epístolas. (O u tras n o tas expositivas sobre a alegria, com poem as
ilustrativos, se encontram em João 15:11 e 17:13). Os crentes filipenses, que
naquela época começavam a entrar na terrível era das perseguições contra
os cristãos primitivos, e que já eram testemunhas dos. sofrimentos e das
perseguições que tinham atingido o apóstolo dos gentios, precisavam de
raízes esp iritu a is p ro fu n d as p a ra que pudessem e n fre n ta r a tudo,
inabaláveis, com confiança e alegria.
«...sempre...» Há aqui um volver de olhos para o futuro, quando as
tribulações se tornavam muito severas. Não somente agora, em período de
calma relativa, mas também no futuro, quando os testes mais difíceis
atingissem aos crentes filipenses, eles precisavam da «alegria» produzida
pelo desenvolvimento espiritual. De fato, não há nenhuma ocasião em que
nossa ocasião com Cristo venha a ser maculada de modo a remover de nós a
alegria.
«...outra vez digo, ãlegrai-vos...» Por que Paulo reiterou assim a idéia,
dentro de um mesmo versículo? 1. Alguns pensam que ele havia pensado
su b itam en te em tristezas im inentes, quan d o então teria escrito:
«...contudo, a despeito disso, tal como já disse antes, regozijai-vos». 2 .
Outros acham que Paulo reiterou a idéia meramente a fim de enfatizá-la.
Todavia, Bengel pensa que a palavra «...sempre...» indica um segundo
m an dam ento. P o rta n to , teríam os: «Regozijai-vos»; e em seguida:
«Regozijai-vos sempre».
É in teressan te que a p alav ra aqui trad u z id a po r «.. .alegrai-vos...»
também tinha o sentido de «adeus» (ver Fil. 3:1). E alguns estudiosos
pensam que Paulo empregou o termo em duplo sentido, neste ponto. Por
5 t o i-meiKès v[j,ójv yvuiadrjTO)irâaiv âvdpwTroiç.
b 5 b major: T IÍ Bov Nes B F2 ÀV RV ASV RSV T T Ziir Luth Jer Seg // h
4:5: Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor.
Sim, o Senhor não se demorará a voltar para nós. Portanto, que o crente
não se deixe assaltar por ansiedades e dúvidas a respeito de qualquer coisa.
Que não faça nada em excesso, mas que pratique a moderação. Vincent (in
loc.) parafraseia este versículo como segue: «Que todos os homens percebam
vosso espírito moderado; e sob hipótese alguma vos mostreis ansiosos,
porquanto o Senhor está próximo».
«...moderação...» No grego original temos o termo «eiekes», que significa
«clemência», «gentileza», «graciosidade», «complacência». Também podia
significar «autocontrole» ou «restrição paciente». Aristóteles (em Nich. Eth.
v.10) faz o contraste entre essa qualidade com o «julgamento severo». A
.exortação parece co m b ater posições o b stin ad as e dem onstrações de
como significado tencionado deste versículo.
«...cujos nomes se encontram no livro da vida...» As cidades antigas
m an tin h am o reg istro dos nom es de seus cidadãos; e esse fato foi
transportado para a linguagem espiritual, indicando que, na nossa «pátria»
ou «cidade celestial» esses registros também são conservados. È provável que
esse pensamento fosse aceito literalmente por certos crentes, ao passo que
outros o compreendiam figuradamente. Não há razão para supormos que
haja algum livro lite ral de rol de nom es. T rata-se antes de um uso
metafórico, que indica aqueles que «realmente pertencem aos céus, como
cidadãos», em co n traste com ou tro s, que não podem ser assim
reconhecidos.
Ter alguém o seu nome registrado nesse «livro» é a mesma coisa que dizer
que ele possui a «vida eterna», porquanto é um dos cidadãos do Reino
Eterno. A referência mais antiga que temos, acerca dessa antiga prática de
registrar nomes dos cidadãos aparece em Êxo. 32:32, o que nos mostra
tratar-se de um costume antiquíssimo. (Ver também Isa. 4:3; Eze. 13:9 e
Dan. 12:1). Paulo já se havia referido aos crentes filipenses como cidadãos
dos céus, e isso que aqui encontram os é um desenvolvim ento n a tu ra l
daquele pensamento, embora se trate da única ocorrência da expressão em
todo o N.T., excetuando seu uso comum no livro de Apocalipse. (Ver Apo.
3:5; 13:8; 17:8; 20:12,15; 21:19). As passagens de Apo. 13:8 e 17:8 se
revestem de certo sabor de predestinação, como se os nomes ali escritos ou
não escritos estivessem determinados antes da história da humanidade. Mas
isso não pode ser pressionado demasiadamente. Seja como for, o N.T.
ensina tanto a doutrina da predestinação como a doutrina do livre-arbítrio
humano, sem fazer qualquer tentativa de reconciliar as duas idéias entre si.
São lados opostos de alguma grande verdade, e ambos esses lados são
necessários. Não nos devemos esquecer que Deus se utiliza do livre-arbítrio
humano sem destruí-lo, embora não saibamos oferecer uma explicação
convincente sobre o seu modo de agir. (Ver Luc. 10:20 e Heb. 12:23, que
aludem a esse conceito, embora sem mencionarem diretamente algum
«livro»).
Essa expressão também aparecia comumente nos escritos dos rabinos,
como, por exemplo, no Targum (ou «comentário») sobre Eze. 13:9, onde se
lê: «No livro da vida eterna, que foi escrito para arrolar os justos da casa
de Israel, eles não serão escritos». Os escritos rabínieos p in tam D eus
assentado em seu tribunal, com os livros dos vivos e dos mortos abertos à
sua frente. (Quanto a notas expositivas sobre a «vida eterna», ver o trecho de
João 3:15).
4 Php 3.1
conseguinte, Paulo tê-los-ia convidado e se regozijarem, mas, ao mesmo
tempo, se despede deles. Isso faria esta passagem ser similar, em idéia, ao
trecho de João 14:27, onde o Senhor Jesus, ao mesmo tempo que lhes invoca
a «paz», se despede dos seus discípulos.
«...no Senhor...» (Ver oprim eiro versículo deste capítulo, acerca de notas
expositivas sobre essa expressão). Em v irtude de nosso co n tacto e
identificação com Cristo, e, por conseguinte, com o seu poder, e também
sob a sua inspiração, é que devemos ter aqueja «alegria» que é uma das
facetas do «fruto do Espírito»(verGál. 5:22). Ora, isso nos fazrecordar que
a vida, para o crente, não é mais expressão da vontade própria, sujeita à
chance e aos caos. Ê como se disséssemos: «Quando realmente vivo, não sou
eu, mas a graça de Deus comigo; e não posso tomar para mim mesmo o
crédito por essa vida, simplesmente me alegro ante o fato que estou sendo
aperfeiçoado, sem que ten h a de in d ag a r como, po r que ou com que
finalidade. E sempre que eu falhar, serei lembrado que eu mesmo é quem
fracasso; m as som ente p a ra esquecer-m e da falh a ao entreg ar-m e
novamente a Deus, para que renove a sua obra em mim». (Wicks, in loc.).
Se tivermos a atitude aqui exposta por Wicks, poderemos desfrutar de
alegria permanente. Todavia, teremos de ser honestos em nossa inquirição,
pois a alegria espiritual, em meio a uma carreira cristã deficiente é uma
alegria falsa.
«Pode-se compreender facilmente que a alegria do crente difere da do
mundo, a qual é ilusória, frágil e apagada. Cristo chega mesmo a reputá-la
maldita, em Luc. 6:25. Portanto, só é autêntica aquela alegria em Deus que
nunca nos pode ser tirada». (Calvino, in loc.).
«Paulo duplica a sua recomendação para tirar ocasião ao escrúpulo
daqueles que poderiam dizer: ‘Como nos alegraremos nas aflições?’» (G.
Herbert).
«Essa re ite ra d a ex ortação se to rn a ta n to m ais notável quan d o nos
lembramos que Paulo, ao escrever ou ditar esta epístola, estava com o braço
direito acorrentado ao braço de um soldado romano, ou que, mesmo q^e
assim não fosse, era prisioneiro sob a vigilância constante de uma sentinela,
que nunca o abandonava». (Braune, in loc.).
6 K vpios i y y v s . b
minor: W H NEB 5 ò KVp io s è y y O s He 10.37: Jaa 5.8. 9
severidade dem asiad a sobre q u alq u er coisa. P or conseguinte, nos é
recomendada aqui a gentileza, que é um dos aspectos do fruto do Espírito
Santo. (Ver Gál.5:22,23).
«Essa palavra indica imparcialidade, a disposição de dar e receber, ao
invés de defender rigidamente os próprios direitos». (Scott, in loc.).
Aquela atitude que normalmente se entende por «moderação», segundo o
vocabulário moderno, e que indica não ser extremado em qualquer coisa,
era expressa pela palavra grega «sophrosune», e não pelo termo empregado
no presente texto. (Sophrosune é vocábulo usado em I Tim. 2:9,15 e Atos
26:25). Essa qualidade eleva o indivíduo acima da necessidade de viver
insistindo sobre os seus próprios direitos, o que só serve para endurecer-lhe
o espírito. - ......... .
42 FILIPENSES
■ ...de iodos os homens...» Não apenas aqueles que fazem parte da igreja,
m as tam bém aqueles que são do m undo. Se o crente c o n tro lar seu
temperamento e exibir gentileza para com todos, mostrando-se gracioso e
cortês, os outros homens entenderão que ele goza da influência de Cristo em
sua vida. Outrossim, a vida de tal crente será mais tranqíiila, posto que tal
crente não viverá entrando em disputas e contendas. Além disso, o espírito
calmo e gentil pode aquietar almas agitadas. «Teu espírito doce e cordato»
(Matthew Arnold) servirá de boa propaganda da tua fé cristã». Essa atitude
eleva o crente .acim a do rigor e da ansiedade da m ente (ver o sexto
versículo)». (Alford, in loc.).
«Minha mente é tranquila, porquanto tudo acolho com boa atitude».
(Cícero, Att. 7.7). «Ninguém é tão mal-educado que não seja gentil com
alguém, por algum motivo, em alguma ocasião: o crente deve sê-lo 'para
com todos os hom ens’ e em todas as ocasiões» (F a u c ett, in loc.). «.. .a
mansidão, sob a provocação, a prontidão para perdoar as ofensas, a atitude
justa na realização dos negócios, a candura no julgar o caráter e as ações
dos outros, a d o çura de disposição e o inteiro controle das paixões».
(Macknight).
«...Perto está o Senhor...» Isso indica a proximidade quanto ao «tempo»,
dando a entendernão demorar muito mais a sua «parousia» ou segundo
advento; não está em pauta a proximidade espacial, sua presença conosco.
(Comparar com o trecho de I Cor. 16:22, onde se lêem as palavras «maran
atha», palavras aramaicas que significam «Nosso Senhor vem». No dizer de
Lightfoot (in loc.): «Esse era o lema do apóstolo».
A Esperança De Paulo
Paulo esperava poder escap ar à m orte física, por ocasião do
arrebatamento (ver as notas a respeito em I Tes. 4:15). Essa é a esperança
refletida em I Cor. 15:51. Mas, se chegasse a morrer fisicamente, ainda
assim participaria daquele notável evento futuro (ver I Tes. 4:14). Seja
como for, ele pensava que o período de tempo que restava era curtíssimo, e
que a glória do retorno de Cristo já estava raiando em sua própria alma.
Nossa Advertência
Paulo não foi capaz de perceber a longa era da graça (quando a igreja
está sendo convocada), que interviria antes do retorno de Cristo. Mas, o que
ele esperava p a ra seus dias, certam en te su cederá nos nossos. E ste
comentário toma a posição de que o anticristo já está vivo, e que nossos dias
são os últimos dias. Muitos dos que agora estão vivendo, verão o fim do
presente ciclo das coisas. (V er, na in tro d u ção ao com entário, o artig o
intitulado «A Tradição Profética e a Nossa Época», que explica as razões
para essa crença).
Nosso Consolo
E m bora as nuvens de tem pestade se estejam ju n ta n d o , em bora
primeiramente tenha de haver a violência que caracterizará o fim desta
época, a era áurea haverá de seguir-se de imediato, assim como o dia vem
após a noite. Por conseguinte, enquanto a tempestade se concentra, já
podem os p erceb er os prim eiros raios da m ad ru g ad a do dia eterno.
Vivamos, portanto, para esse novo dia.
6 fiTjòev [MepifjLvâre, áAA’ iv rravri rfj iTpooevxfj xai rfj herjoei fierà ev-)(apiarías Ta alnq
fiara vfiâv
iy V ( J j p i ^ )€ O '0 tÚ T T p O S r O V 0 € O V * C
‘ G c major: T R B ov Nes BF2 AV RV ASV RSV NEB T T Jer Seg jj
c minor: W H jj c exclamation: Zúr Luth
y.r}òtv fji€ptfjívS.T€ M t 6.25; 1 Pe 5.7 rfj w poaevxv-.-*vxa.pt-(7T Ía,s Col 4.2
6 4:6: Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos
conhecidos diante de Deus peia oração e súplica com ações de gratas;
Não devemos ansiar por coisa alguma porque a vinda do Senhor está
próxima, havendo ainda à nossa disposição o recurso da oração, que é um
poder criativo, que pode alterar os acontecimentos e conferir-nos forças
para enfrentar a adversidade. (Notas expositivas completas sobre a oração
aparecem no trecho de Efé. 6:18). Por meio da oração, a força espiritual se
faz presente, porquanto põe à nossa disposição o mesmo Senhor, que algum
dia retornará.
«A oração co n tín u a serve de salvaguarda co n tra toda e q u alq u er
ansiedade, e Paulo a descreve em uma sentença comprimida, falando sobre
a natureza da oração autêntica. Antes de tudo, envolve a atitude de esperar
em Deus; em seguida, indica ele que, em nossa debilidade, rogamos a sua
ajuda; e, "finalmente, fica esclarecido que devemos deixar bem claro aquilo
que queremos da parte de Deus, confiando que ele nos atenderá os pedidos.
E paralelamente a tudo isso deve haver a atitude de ação de graças. Não
podemos rogar a Deus novas demonstrações de misericórdia, a menos que
tenhamos consciência clara daquilo que já nos foi outorgado pelo Senhor. O
homem ingrato não pode orar, porquanto não tem idéia verdadeira da
bondade de Deus». (Scott, in loc.).
A oração serve de elemento disciplinador e de determinador da vontade
de Deus: É óbvio que a oração não opera como um a lâm pada mágica, que
precise apenas ser esfregada para que um gênio apareça, capaz de atender a
todo e qualquer pedido que lhe fizermos. Pois, antes de mais nada, a oração
age como fato r de d isciplina, levando-nos a reo rie n ta r as nossas
prerrogativas, à medida em que formos crescendo na graça, de tal modo
que coisas importantes sejam pedidas, que contribuam para o progresso do
Reino de Deus à face da terra, bem como para o progresso espiritual de nós,
m esm os e de o u tras pessoas, ao invés de visarm os apenas satisfazer
impulsos egoístas. Portanto, na qualidade de um a disciplina, a oração nos
im p ed irá de ser egoístas em nossos alvos, e, p o rtan to , em nossas
solicitações.
Nessa d isciplina haverem os de ap ren d er que as nossas orações
ocasionalmente podem ser respondidas com um Não; pois uma resposta
afirmativa, às vezes, não seria tão boa como uma negativa, embora nos seja
difícil ver o. m otivo disso. O Senhor Jesus, em agonia no jard im do
Getsêmani, buscou uma impossível resposta «afirmativa», ò que significaria
que escaparia da agonia da cruz. Mas isso teria destruído o significado de
sua missão; e ele não demorou um segundo a reconhecer isso, tendo-se
entregue aos cuidados da vontade do Pai. Portanto, na qualidade de fator
disciplinador, a oração nos confere a realização da vontade de Deus; e isso,
afinal de contas, é exatamente o que buscamos, tanto em nossas orações
como em tudo o mais que fazemos. Entretanto, a oração também serve de
força criadora porque apela para um poder infinito, fazendo o impossível,
conforme se verifica em incontáveis casos através da história. Por essa razão
é que nos é recomendado o uso desse extraordinário poder da oração. Ela
pode transformar-nos, bem como pode transform ar as condições em que
vivemos.
«.. .ansiosos. ..» No grego tem os o term o «m erim nao», que significa
«ansiar», ficar «indevidamente preocupado». Paulo não se refere aqui ao
ideal estóico da «apatia», a falta de reação emocional. Mas grande é a
verdade da declaração que a maior parte de nossas circunstâncias, por si
mesmas, em nada nos prejudicam. O que realmente nos prejudica é a nossa
reação emocional às nossas circunstâncias; e isso é um fato bem conhecido
dentro dos estudos psicológicos, e não somente como um preceito religioso.
Além disso, as circunstâncias, em face do imediato retorno de Cristo, e em
face do poder da oração, que ajuda a modificar essas circunstâncias, ou que
nos ajuda a aceitá-las como expressões da vontade de Deus, não devem ser
já recebidas e as bênçãos esperadas, sempre deve dar graças e sempre deve
rogar. A memória e a súplica são os dois elementos necessários de toda a
oração verdadeiramente cristã». (Rilliet, in loc.).
Todavia, a natureza exata dessas ações de graça não é definida aqui.
Muitas coisas nos perturbam, mas, certamente, sabemos que a vontade
de Deus visa ao nosso bem, não sendo caótica e nem destituída do desígnio.
Todavia, esse é um elevado alvo espiritual, que não é fácil de ser alcançado.
Só pode ser atingido através do desenvolvimento espiritual; e um a porção
importante desse desenvolvimento é a oração, pois, quando oramos, nos
disciplinamos a nós mesmos e entramos em contacto com o ser de Deus.
«...de cousa alguma...» Essas palavras fazem violento contraste com as
nossas orações, que devem ser associadas com «tudo», com to d as as
situações. C onform e com enta V incent (in loc.): «Em tu d o , e não por
qualquer motivo (embora essa idéia também esteja inclusa, em Efé. 6:18 e I
Tes. 5:17); mas estão em foco todos os interesses, grandes e pequenos,
p o rq u an to nad a é g ran d e dem ais p a ra o po d er de D eus; e nem n a d a é
pequeno demais para merecer o seu cuidado paternal».
«...oração e...súplica...» Esses dois substantivos indicam a «oração em
geral» e os «pedidos específicos», respectivamente, conforme também se
observa em Efé. 6:18, onde a questão é comentada. (Ver também essas duas
palavras, usadas em conjunção, em I Tim. 2:1 e 5:6. Ver igualmente Fil. 1:4,
onde a distinção reaparece). Desse modo é que nossas ansiedades são
vencidas, porquanto a oração inclui idealmente todas as circunstâncias,
acalmando todas as águas agitadas.
Já pensaste que tu mesmo não continuarias?
Já temeste essas ameaças terrenas?
Já temeste que o futuro nada seria para ti?
Hoje i nada? o passado sem começonada é?
Se o futuro nada è, então certamente aqueles nada são.
(Walt Whitman).
A oi ação oferece-nos um abrigo onde nos podem os o cu ltar das
preocupações mundanas, um lugar onde ficamos a sós com Deus, um
refúgio onde renovam os a esp eran ça, onde nossos cuidados ficam
amortecidos. Paulo ensina-nos a lançar mão do recurso da oração.
«...com ações de graça...» É mister que nos lembremos, com gratidão no
coração, das bênçãos e das vitórias passadas, sabedores que a mesma
esperança que nos enchia o peito no passado, é boa para o futuro. As ações
de graça devem acom panhar nossas orações «...em tudo...» (comparar com
Col. 3:17).
Certamente, o texto fala das lutas do passado, mas também envolve
as circunstâncias difíceis do presente, mediante as quais podemos aprender
lições necessárias. Por isso é que em Efé. 5:20 se lê, «...dando sempre graças
por tudo...», ao passo que em ITes. 5:18 lemos_,«...Em tudo dai graças...».
Posto que muitas pessoas com frequência oram erradamente a Deus (de
forma diferente do que deveriam fazer), com muitas queixas e reclamações,
como se tivessem motivo justo dè acusarem-no, ao passo que há outros que
não podem tolerar demoras na resposta, quando Deus não quer satisfazer
imediatamente aos seus desejos, por isso mesmo é que Paulo vincula a
atitude de agradecimento às nossas orações...porquanto é inquestionável
que a gratidão exercerá sobre nós o efeito de desejarmos que a vontade de
Deus seja cumprida em nossas vidas, como o maior alvo a ser obtido.
«...p e tiç õ es...» No grego tem os a p alav ra «aitema», que significa
«pedido», aquilo que é solicitado, pois, em certo sentido importante, a
oração consiste de «pedir e receber». Estão em foco as coisas particulares
que desejamos, nem um a delas grande demais para o poder do Senhor, e
nem pequena demais para escapar à atenção de seu amor paternal.
« ...sejam conh ecid a s...» Tem os aqui o verbo «g n o rid zo », «lazer
conhecido», «declarar», «revelar». Dá a entender que é como se Deus não
soubesse quais os nossos desejos, e que, ao confiarmos em fazer-lhe tais
revelações, de coração sincero, de mistura com a ação de graças, tocaríamos
no poder divino, de modo a realizar-se aquilo que desejamos. Isso pode ser
comparado com as próprias instruções do Senhor Jesus, acerca da oração,
em João 16:24-27. E Deus Pai quem nos dá tudo, devido ao amor que nos
tem, visto que amamos a Cristo Jesus.
«...diante de Deus...» Tudo deve ser feito na «presença» do Senhor, em
FILIPENSES
63
que o crente «se dirige a ele». Fica subentendido que Deus está sempre perto
de nós, pronto a ouvir-nos. Portanto, apreensões ditadas pela ânsia não têm
razão de ser p a ra o cren te, pois nosso P ai está sem pre p ro n to p a ra
ajudar-nos.
7 Kal rj elprjvrj tov deov rj virepé^ovcra Trávra vovv <f>povpijaei ràs KapSlas vpôw Kal rà
vorj/xara Vfxájv èv'
XpujTO) ’Irjaov.
| XpLCTCo] Kvplcti p 56
7 Is 26.3; Jn 14.27; Col 3.15
7 ®«m] XpiuTov A syhmS
Ambr | vtrq\iaTa] owfiara
G i t : vOTjfí. k m t a
crta/j.. p16
4:7: e a paz de Deus, que
excede todo o entendimento,
guardará os vossos corações
O amor é e foi meu Rei e
Senhor,
E será, ainda que agora eu
me mantenha
Dentro de sua corte, na
terra, e durma
Cercado de sua guarda
fiel,
E ouça vez por outra uma
sentinela
Que se move de um lugar
para outro,
È sussurra para os mundos
do espaço,
Na noite profunda, que
tudo via bem.
(Alfred Lord Tennyson)
e os vossos pensamentos em
Cristo Jesus.
(Quanto a notas expositivas
completas sobre a «paz», ver
Gál. 5:22, onde
essa virtude aparece como
um dos aspectos do «fruto do
Espírito Santo», ou
seja, produto do
desenvolvimento espiritual.
Ver também os trechos de
João
14:27 e 16:33, onde há
poemas ilustrativos,
igualmente inclusos nessas
anotações. Ver o trecho de
Rom. 5:11 e as notas
expositivas ali existentes,
sobre a doutrina da
«justificação pela fé»,
porquanto essa «paz» resulta
de
nossa justificação diante de
Deus).
É declarado aqui que a paz
de Deus ‘guarnece’ o
coração e a mente do
crente. O crente vive tão
bem rodeado de benditos
privilégios que fica em
segurança como quem se
acha em um castelo
inexpugnável». (Gurnall, in
«...paz de Deus...» Essa paz é
atribuída a Deus porque 1.
trata-se de uma
qualidade espiritual, que nos
é divinamente conferida, da
parte do Espírito
Santo; e 2. porque Deus é a
sua fonte originária. Este é o
único trecho onde
essa expressão figura em
todo o N-.T. (Comparar com a
expressão «Deus da
paz», que figura no nono
versículo deste mesmo
capítulo).
A paz é vista aqui como um
subproduto da oração; e isso
é natural, posto
que a comunhão com Deus
acalma todas as águas
perturbadas.
A paz consiste de «...relações
saudáveis e harmoniosas,
que prevalecem
na vida interior, em resultado
da reconciliação com Deus,
por meio de Jesus
Cristo...Deixarmos nossas
ansiedades com Deus é algo
que destrói o poder
corrosivo da ansiedade,
ficando nós acalmados pela
sua paz. A paz é usada
no Talmude como um dos
nomes de Deus». (Kennedy, in
loc.).
« ...que excede todo o e n te n
d im e n to ...» E ssa expressão
tem dois
significados possíveis: 1.
Pode significar que a paz de
Deus é insondável,
não estan d o su jeita ao po d
er de raciocínio do hom em ,
visto que o
transcende; podendo existir
até mesmo quando não há
razões aparentes
para a sua existência, como
quando nos vemos em meio
às tribulações,
porquanto Deus é quem no-la
dá, não sendo produto de
circunstâncias
favoráveis, como a
tranquilidade hum ana
geralmente o é. Também está
fora do alcance de nosso
entendimento, ainda que
tenhamos consciência de
sua presença e de seus
efeitos. 2. Ou então, se
compreendermos a palavra
grega «nous» como «mente»,
no sentido de «engenho» ou
«astúcia», o
sentido pode ser que «Deus
pode fazer mais por nós,
conferindo-nos a paz,
do que poderíamos obter
através de qualquer
planejamento nosso, por
mais
cuidadoso que esse fosse».
Mas o primeiro desses
sentidos é o preferido pela
maioria dos intérpretes.
«...entendim ento...» é
tradução do vocábulo grego
«noos», que tem os
dois significados dados acim
a, isto é, «com preensão» ou
«poder do
raciocínio»^ A paz é algo
perfeitamente real, a
despeito de não podermos
compreender como ela pode
subsistir até mesmo quando
o crente está sob
circunstâncias difíceis. Ou
então ela pode ser algo que
nos é conferido por
Deus, mas que está
totalmente fora do alcance
humano, entregue aos seus
próprios recursos. A primeira
dessas duas possibilidades é
a que mais
provavelmente está aqui em
foco.
«.. .guardará os vossos
corações...» A palavra
«coração» é aqui utilizada
para dar a ideia de «alma»,
indicando o «verdadeiro
homem», e não apenas
o seu intelecto ou as suas
emoções. Assim, pois, o
verdadeiro homem é
guardado pelo poder
pacificador de Deus, ainda
que o homem mortal venha
a ser severamente assediado
por dificuldades de toda a
sorte, externas ou
íntimas. A paz de deus
«guarda» nosso homem
interior. Esse verbo, no
original grego, é «proureo»,
que significa exatamente
isso, «guardar»,
«confiar», «manter sob
custódia». Neste ponto, a
idéia é de m ontar guarda,
para finalidade de proteção. A
paz é pintada como a
sentinela de Deus, que
patrulha e guarda o homem
interior.
loc.).
«...mentes...» Essa palavra
pode significar: 1. ou os
pensamentos; ou 2.
as mentes, no sentido de um
processo intelectual e das
reações emotivas.
Provavelmente ambas as
coisas estão em foco, dando
a entender a mente e
as suas funções em geral.
Alguns estudiosos
consideram que a palavra
«coração», neste ponto,
indica a «sede das emoções»,
ao passo que a «mente»
seria a sede do processo de
raciocínio. As emoções às
vezes dizem-nos que
uma crise é fatal, ou causa de
intensa ansiedade. E o
processo de raciocínio
concorda com isso, pesand o
as coisas conform e elas p
arecem ser,
objetivamente. No entanto, a
paz de Deus altera tudo isso,
mantendo o
coração e a m ente sob g u a
rd a, não p e rm itin d o que as
circu n stân cias
invadam e destruam a nossa
tranquilidade, que se alicerça
sobre a certeza
do bem espiritual, 0 que
nenhuma circunstância
terrena pode alterar.
O
coração é a sede das
emoções, em contraste
com a inteligência (ver
Rom. 9:2; 10:1; II Cor. 2:4;
6:11 e Fil. 1:7); mas também
pode referir-se à
ação mental ou inteligência,
em outros contextos (ver
Rom. 1:21 e Efé.
1:18), também indicando
questões de moral e escolhas
morais (ver I Cor.
7:37; II Cor. 9:7). O coração é
igualmente a sede de nosso
contacto com o
Espírito de Deus (ver Rom.
5:5; II Cor. 1:22; Gál. 4:6; Col.
3:15; I Tes.
3:13; II Tes. 2:17 e 3:5). O
coração é igualmente a sede
da fé (ver Rom.
10:9), bem com o do am or de
D eus (ver Rom . 5:5), sendo
tam bém o
instrumento do louvor
espiritual. (Ver Col. 3:16).
Pode-se ver, assim sendo,
que apesar desse termo não
subentender
necessariamente a alma, em
todas
as suas funções, quando
então se torna local onde
Deus entra em contacto
com o espírito humano, como
a sede da fé e do amor,
somente a alma pode
estar aqui em foco. Porquanto
é com o homem interior, a
alma, o homem
essencial, que esse contacto
tem lugar. Portanto, «kardia» é
palavra grega
que pode ser sinónimo de
«psuche» ou de «pneuma».
«...em Cristo Jesus...» Em
outras palavras, em
comunhão e união com
Jesus, por estarmos
identificados com ele, porque
Deus Pai cuida de nós
como cu id a de seu Filho. E
ssa é a «esfera» onde a p ro
teção divina é
oferecida àqueles
quepertencem a Cristo, onde
também desfrutam de união
mística com ele. (Comparar
com isso a expressão «em
Cristo», que é usada
por cento e sessenta e q u a
tro vezes nas p ág in as do N .T
., com notas
expositivasem I Cor. 1:4; e
com a expressão «no
Senhor», usada por mais de
quarenta vezes no N.T., a qual
é comentada no primeiro
versículo deste 1
capítulo).
Um dos im p o rtan tes elem
entos sociais do perío d o h
elen ista foi o
guarnecimento m ilitar de
muitas cidades da Grécia e
da Ãsia Menor, pelos
sucessores de A lexandre, o G
ran d e. Os leitores de Paulo
certam en te,
estariam familiarizados com
a proteção m ilitar oferecida
às cidades. Ora,
Deus oferece-nos a sua
proteção às nossas almas. A
paz é a sentinela que
garante que tudo vai bem. No
mundo temos tribulação,
mas em Cristo
temos paz.
8 7o X o lt t o v, â8eÁ(j)ol, oaa è o r lv âXrjdrj, ocra o e p v á , S o a òiKaia, oaa
evífrrjfta, et t ts â p e ryj Kal et tis e ir a iv o s , T a v T a X o y í^ e o O e - 8R o 12.17
àyvá, oaa TrpoacfuXij, oaa
8 cttcupoç] aiâ €Trícmjin]s D*G vgs* cl
4:8: Quanto ao mais, irmãos, tudo 0 que é verdadeiro, tudo 0 que é honesto, tudo 0
que é justo, tudo 0 que é puro, tudo 0 que é amável, tudo 0 que é de boa fama, se há
alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.
A palavra «...Finalmente...» é tradução do termo grego «to loipon», que
significa «quanto ao resto».No meio de um a carta pode ser acrescentado um
novo assunto, de m aneira um tanto frouxa, conforme se vê em I Tes. 4:1,
onde dois capítulos inteiros seguem tal uso. (Ver Fil. 3:1 quanto a notas
expositivas a respeito). Essa expressão também é usada para dar início às
porções finais de epístolas, o que certamente é o uso que temos neste ponto.
Não introduz, como antítese, o que os crentes filipenses deveriam fazer, em
adição ao po d er p ro teto r de D eus (em b o ra isso tam bém m ostre um a
verdade), mas trata-se de um simples sinal que indica que Paulo estava
chegando ao fim de sua carta.
As virtudes aqui alistadas fazem todas parte do «fruto do Espírito» (ver
Gál. 5:22,23), devendo ser consideradas como algo que surge mediante o
cultivo e o desenvolvimento espirituais. Essas virtudes é que devem ocupar
as nossas mentes, devendo sempre ser «levadas em conta» por nós, em nossa
inquirição espiritual. Deus nos guarda e nos dá paz como um dom; mas
também temos obrigações e precisamos cultivar as virtudes espirituais. Sem
essas virtudes, o ideal cristão não pode concretizar-se na vida de um a
pessoa. Comenta Robertson (in loc.), acerca dessas diversas virtudes:
«Elas são pertinentes agora, quando tanta imundícia é exposta perante o
mundo, em livros, revistas e filmes, sob o nome de realismo, a fossa mesma
das piores iniquidades». Se Robertson tivesse vivido em nossos dias, mui
provavelmente teria adicionado a «televisão» à lista daquelas coisas que
servem de elementos corruptores dos homens.
«...verdadeiro...» No original grego temos 0 termo «alethe».Deus é a
norma de toda a verdade, como também seu padrão e fonte originária. Nas
páginas do N.T., a «verdade» é frequentemente sinónimo do «evangelho», a
verdade conform e ela é revelada em C risto; e C risto é a verdade
p erso n ificad a (ver João 14:6). A quelas coisas que concordam com a
natureza de Deus, na pessoa de Cristo, são «verdadeiras», em contraste com
a falsidade e a hipocrisia. Aquilo que não se assemelha inerentemente a
Deus, necessariamente é falso. O oposto de Deus são as coisas «insinceras»,
«hipócritas», «pretenciosas» ou «falsas» (não podendo elas representar a
verdade objetiva de Deus em qualquer sentido, espiritual ou não).
« ...resp eitá ve l.. .» No grego é «se m n a », que significa «honroso»,
«reverenciável», «venerável». A form a verbal é «sebo», que quer dizer
«adorar» ou «reverenciar». Dos diáconos se pede que tenham essa qualidade
(ver I Tim. 3:8); mas aqui essa mesma virtude é requerida de todos os
crentes. Os crentes de.vem «exibir uma dignidade que se deriva da salvação
moral, assim convidando o respeito.Nos escritos clássicos, esse é um dos
epítetos dos deuses» (Vincent, in loc.).
«Nobres e sérios, em oposição da kouphos, que significa a quem falta
seriedade intelectual» (Matthew Arnold, in loc.).
«Há muita coisa nos códigos de honra que é estúpido e artificial; mas
existem modos de agir que sabemos ser corretos, segundo nossos mais
profundos instintos. Agir contrariamente a isso é ofender a Deus». (Scott, in .
loc.). Essa palavra se encontra no N.T., somente aqui e nos trechos de I
Tim. 3:8,11 e Tito 2:2.
«...justo...» No original grego temos a palavra «dikaia», que significa
«equitativo», satisfatório em todas as obrigações para com Deus, para com
FILIPENSES
nossos semelhantes e para conosco mesmos. Essa é a forma adjetivada da
«retidão salvadora», que nos é dada pela fé, a saber, a própria retidão de
Deus (ver Rom. 3:21),a qual é lançada na conta dos homens, e realmente é
também formada pelo Espírito Santo no homem interior. Todas as nossas
ações devem co n co rd ar com essa nossa n a tu re za in ata . (V er as notas
expositivas sobre Atos 10:22 e Rom. 5:7).
«...puro...» No grego é «agna», que significa «puro», em sentido moral. A
pureza de motivos e nas ações está aqui em foco. Originalmente, a raiz era
«agos», palavra que indicava qualquer questão que envolve «respeito»
religioso. E essa palavra veio eventualmente a significar, especificamente,
um «sacrifício expiatório» a ser oferecido aos deuses. Daí o termo veio
in d icar «algo sep arad o p a ra os deuses». E n tão , visto que os deuses
supostamente seriam santos, surgiu a idéia de «santidade», de «pureza».
Assim, pois, aquilo que é «puro» é aquilo que foi consagrado a Deus, que
não está m aculado pelo pecado. T al p alav ra tam bém significava,
frequentemente, «castidade» ou «inculpabilidade moral». (Ver Fil. 1:17,
onde a forma adverbial é usada para indicar a pregação do evangelho, por
motivos sinceros e incorruptos. Na Septuaginta (tradução do original
hebraico do A.T. para o grego) essa palavra indicava pureza «cerimonial»,
com a idéia de purificação. E esse sentido também é preservado nas páginas
do N.T. (ver João 11:55; Atos 21:24,26 e 24:18). Nas passagens de Tia. 4:8;
I Ped. 1:22 e 1 João 3:3,o termo indica a purificação espiritual do coração e
da alma. Pensamentos puros, palavras e ações puras, provenientes de uma
alma pura, são aqui indicados.
«...amável...» No grego temos o vocábulo «prosphile», que significa
«digno de amor», indicando aquilo para o que somos atraídos, devido à sua
beleza de caráter. Esse termo é usado exclusivamente aqui, em todo o N.T.,
indicando aquilo que, por sua própria beleza, atrai o amor e se tom a caro
para alguém. Deus é o grande magneto da bondade, que atrai o amor; por
conseguinte, essa qualidade realmente é algo de Deus, insuflado em algo ou
em alguém, para que esse algo ou esse alguém possua encantamento. Mas
essa p alav ra tam bém era usad a com o sentido de «amigável», de
«agradável». Platão, em seu diálogo Simpósio, assevera que aquilo que nos
atrai, nas pessoas ou nas coisas, é a «beleza», porquanto amamos ao belo;
mas que, em última análise, esse amor à beleza é, realmente, amor a Deus,
pois ele é o clím ax de toda a beleza, como seu g ran d e m odelo e fonte
o rig in ária. Por isso m esm o é que o Senhor Jesus disse que se ele fosse
levantado da terra, atrairia a si mesmo todos os homens; e isso mostra até
que ponto ele possuía a beleza divina. Ver o trecho de João 12:32 e as notas
expositivas a respeito, onde se explica como isso pode tornar-se realmente
verdade, e não apenas em p a rte . T rata-se de u m a feliz condição a do
homem para quem são atraídos outros homens, por ter ele, em si mesmo,
algo da beleza de Deus, o que merece amor.
«...de boa fam a...» No grego é «euphema», palavra usada somente aqui
em todo o N.T., e que significa, literalmente, «que soa bem», ou seja,
«conquistador», «gracioso». Também podia indicar aquilo que é «louvado
com palavras», sendo assim que alguns intérpretes entendem esse vocábulo.
Também pode significar «digno de louvor», «atrativo». Assim, pois, o crente
deve buscar aquelas coisas que criam, para ele, a boa «reputação», aquilo
que é «digno de louvor» aos olhos dos outros homens e aos olhos de Deus.
«...alguma virtude...» No original grego, a última dessas duas palavras é
«arete», que significa «virtude», «excelência moral». (Comparar com I Ped.
1:5, onde se lê: «...asso ciai com a vossa fé a v irtude; com a v irtude, o
conhecimento...» Esse termo tinha um significado geral, incluindo tudo
9 ã Kal i/jiádeTe Kal TrapeXá^ere Kal rjK ovaare K a l
C íp T jV T jÇ Ç O T a i V p L O J V . 9 ó 9eòs rrjs eipvvrjs Ro
4:9: 0 que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso
praticai; e o Deus de paz será convosco.
Neste ponto, de maneira enfática, Paulo se oferece uma vez mais como
exemplo a ser seguido. (Ver as notas expositivas completas a esse respeito,
em Fil.'3:17eIC or. 11:1). Quando alguém se torna seguidor do exemplo de
Paulo, torna-se também seguidor do exemplo de Jesus Cristo, conforme se
vê na passagem de I Cor. 1 1 :1 . Isso porque o apóstolo dos gentios ensinava
preceitos verazes, vivendo-os pessoalmente, de modo que ninguém podia
desculpar-se de não haver compreendido as exigências cristãs de ordem
m oral, em co n traste com aquilo que os cristão s prim itivos estavam
acostumados a ver no paganismo.
Pode-se observar aqui como Paulo usa quatro verbos que frisam como os
discípulos deveriam seguir-lhe o exemplo, e sobre quais bases: «aprender» e
«receber» formam um par, e «ouvir» e «ver» formam outro par. E note-se
que, no original grego, todos esses verbos estão no aoristo, assinalando que
todas as experiências passadas dos crentes são aqui vistas como um a única
instância completa desse aprendizado. Os quatro verbos demonstram quão
completa fora aquela experiência dos crentes filipenses, de modo a não
terem qualquer desculpa, como se ainda não houvessem sido informados.
Os crentes filipenses tinham aprendido, da parte de Paulo e de outros
líderes cristãos, mediante instruções orais e escritas e mediante a força do
exemplo pessoal. E haviam recebido o que tinham aprendido, aprovado e
a p ro p riad o , p a ra efeito de ap licação pessoal. Sim, aqueles crentes
aprovavam a excelência das instruções em que haviam sido ensinados.
Tinham ouvido a Paulo pessoalmente, como também, mais tarde, tinham
ap ren d id o aqu elas in stru çõ es m ed ian te c artas; e no apóstolo viam o
exemplo correto.
H á não m uito tem po, ouvi fa la r de um p a sto r, que, num a reunião,
declarou: «Eu não hesitaria em ter a m inha vida inteira projetada num a tela
diante desta congregação». Uma declaração surpreendente! Ou este homem
era louco ou era um gigante em espiritualidade! Mas, Paulo disse algo
essencialmente igual a isto no texto diante de nós. Imite, então, este gigante
em esp iritu a lid ad e , e terá C risto form ado em você. Use os m eios do
q u an to Paulo d issera antes. T odas aqu elas q u alid ad es com põem a
excelência moral que é referida no presente versículo. Essa mesma palavra
era usada para indicar «manifestação do poder divino, milagre» (ver Josefo,
Antiq. 17,130) ou o «poder de Deus» (ver II Ped. 1:3). Era o «milagre moral
divino» que Paulo queria que os crentes recebessem, através da atuação do
Espírito Santo. Nos escritos clássicos, essa palavra era usada em sentido
m oral, tal como aq u i, em bora tam bém envolvesse q u alq u er form a de
excelência, como a bravura, a posição social, a boa qualidade dos animais e
da te rra . No trecho de Isa. 42:8,12 (n a tu ra lm e n te na versão grega da
Septuaginta), essa palavra é usada para indicar os atributos de poder de
Deus, como também a sua sabedoria, etc., ao passo que em Zac. 6:13 é
usad a p a ra in d icar o «Renovo», que h av eria de receb er a trib u to s de
soberania. No entanto, neste versículo, o termo é empregado para indicar
uma excelência mais geral.
«...louvor...» No grego original temos «epainos», que significa «lpuvor»,
«aprovação», também usado como termo para indicar «coisa digna de
louvor», o que sem dúvida é o seu significado neste passo. Paulo sem dúvida
se referia aqui ta n to a D eus como aos hom ens. A quele que possui as
«virtudes» anteriormente mencionadas torna-se digno de louvor e o recebe,
pelo menos da parte de Deus. Por isso mesmo é que há unia declaração no
Talmude, que diz: «Um rabino disse: Qual é o correto caminho que um
homem deve escolher para si mesmo? Tudo quanto lhe sirva de motivo de
orgulho deve ele seguir, e que o faça ter honra entre os homens». No dizer de
Faucett (in loc.): «Não que o louvor dos homens seja o nosso alvo (conferir
com João 12:43), mas devemos viver de tal m aneira que mereçamos esse
louvor».
«Portanto, Paulo não recomendava aqui a eles ‘aos crentes filipenses’ que
procurassem obter o aplauso ou a recomendação de outros através de ações
virtuosas, e nem mesmo que procurassem regulamentar sua vida segundo os
juízos do povo; m as tão-som ente quis dizer que os crentes deveriam
devotar-se à realização de boas obras, que merecem aprovação, a fim de que
os ímpios, bem como aqueles que são adversários do evangelho, embora
zom bem dos crentes e tentem lançá-los no o p róbrio, não o b stan te,
sejam constrangidos a apoiar a sua boa conduta». (Calvino, in loc.).
Ao mencionar o «louvor», tanto quanto ao mencionar a «virtude», Paulo
sumaria, em sua declaração, todas as qualidades morais que havia alistado.
É como se ele tivesse dito: «Se possuirdes essas virtudes, sereis dignos de
louvor».
«.. .seja isso o que ocupe o vosso pensamento...» Que essas coisas dignas de
louvor, essas virtudes, sejam as razões de nossa meditação e consideração,
para que sejam inclusas em nossa conduta diária. Devem ser substituídos os
vãos pensamentos da sensualidade, o lucro e a fama mundanos, buscando
cuidadosamente aquelas coisas que contribuem para o bem de nossas almas
imortais, o que transcende a qualquer bem terreno que os homens busquem
mediante suas mentalidades carnais.
«O que me amedronta é a míngua de ideal que nos abate. Sem ideal, não
h á n o breza de alm a; sem n o breza de alm a,não h á desinteresse; sem
desinteresse, não há coesão; sem coesão, não há pátria». (Olavo Bilac,
discurso).
Variante Textual: Ao invés das palavras «...seja isso o que ocupe o vosso
pensamento...», os mss D(1)G e a maioria das versões latinas dizem «...de
conhecimento...», dando a entender «o louvor do conhecimento». E alguns
manuscritos latinos dizem «de disciplina». Mas essas variantes foram puras
modificações de escribas, de acordo com suas preferências pessoais.
e i ã e r e iv ifj,oí, r a v r a Trpáaaere- K a l 6 deòs rrjs
15.33; 16.20; 1 Cor 14.33; 1 Th 5.23
desenvolvimento espiritual, tais como: oração, meditação, treinamento do
intelecto, o uso dos dons espirituais e a prática da lei do amor, boas obras
práticas.
«...em mim...», isto é, como um exemplo vivo. «Paulo ousou apontar para
a sua própria conduta diária, em Filipos, como ilustração desse elevado
pensamento. O pregador é o intérprete da vida espiritual, devendo também
ser o seu grande exemplo». (Robertson, in loc.).
«...praticai...» Os crentes não devem apenas fazer de suas instruções
morais razão de suas considerações; antes, que essas instruções sejam
poderosa influência sobre todas as suas ações, a base mesma de suas vidas
diárias. O caráter dos crentes deve ser repleto das virtudes enumeradas por
Paulo, para que possam pôr em prática aquilo que viam ser praticado por ele.
No original grego encontramos o verbo «prassein», que significa «praticar»,
em contraste com o verbo «poiein», que significa apenas «fazer», embora
essa distinção nem sempre seja uniformemente m antida. Não obstante,
neste ponto, a prática é recomendada, não podendo haver dúvidas sobre
isso.
«...o Deus da p az será convosco...» (Quanto à expressão «Deus da paz»,
ver as notas expositivas sobre Rom. 15<<33; 16:20; I Tes. 5:23 e Heb. 13:20).
Não está em foco apenas a calma e a tranquilidade, mas também a paz
interior, devido à reconciliação com Deus e com os outros homens, que
também foram assim reconciliados com o Senhor. Esse senso de bem-estar,
baseado na realidade do bem-éstar da alma, vem da parte de Deus. Paz,
neste caso, não é apenas um a atitude emocional, e, sim, moral. Quando a
correção moral lança raízes na alma de um homem, ele sente descanso
consigo mesmo e com Deus, e então com os seus semelhantes. Por essa
exata razão é que o «Deus da paz» é apresentado como o «santificador» da
personalidade inteira do crente. O Messias é chamado de «a paz de Deus»
(em Miq. 5:5), porquanto é ele quem infunde a correção moral em seu
reino, como também bênçãos pacíficas (ver Sal. 77:7 e 85:10). O evangelho
é um a boa m ensagem que an u n cia a p az. (V er E fé. 2:17; 6:15 e Rom .
10:15). Através da agência do evangelho é que Deus estabelece a paz à face
da te rra , en tre ele m esm o e os hom ens, e en tre o hom em e os seus
FILIPENSES 65
semelhantes. Cristo é também' chamado de «Senhor da paz» (ver II Tes.
3:16), porque, quando aceitamos o seu senhorio (idéia comentada nas notas
expositivas sobre Rom. 1:4), encontramos a paz com Deus. E a justificação
pela fé é a origem de toda a nossa paz com Deus. (Ver Rom. 5:1).
«É por intermédio de Deus, como autor e doador da paz, que o homem se
vê capaz de achar a harmonia que procurava nos elementos conflitantes de
sua p ró p ria n a tu re za , bem com o em suas relações com o m undo, sem
falarmos em suas relações com o próprio Deus». (W estcott, comentando
sobre Heb. 13:20).
Não há que du v id ar que há aqui um lan ç ar de olhos late ra l a vários
problemas que haviam surgido na igreja dos filipenses, motivados pela
inveja, pelas facções e pelas contendas (ver Fil. 1:15-17 e 4:2). Aqueles
crentes que estão avançando espiritualmente viverão muito acima dessas
coisas, porquanto o seu Deus é o Deus da paz.
VIII. A Carta de Ação de Graças; as Doações dos Crentes (4:10-20).
Tendo chegadoagora ao final de sua epístola, Paulo destaca um de seus principais
propósitos ao escrevê-la. Os crentes
filipenses se tinhâm mostrado generosos em seu apoio financeiro, reconhecendo as
necessidades de Paulo e as crises de toda a
ordem pelas quais ele passava. Eles queriam aliviar pelo menos suas dificuldades
financeiras, até onde isso lhes fosse possível,
pelo que lhe tinham enviado dinheiro em diversas ocasiões. Ora, neste ponto Paulo
faz uma pausa a fim de agradecer a essas
doações. A última ocasião em que os filipenses tinham enviado auxílio financeiro a
Paulo fora quando da vinda de Epafrodito, o
qual agora retomaria a eles como o portador da presente epístola, bem como seu
representante, autorizado a corrigir alguns
problemas que afligiam aquela comunidade cristã.
O fato (jue Paulo esperou até o fim desta epístola, para mencionar as doações
recebidas mais diretamente, agradecendo aos
crentes filipenses pelas mesmas, é questão que tem deixado perplexos a alguns
intérpretes. Alguns deles têm pensado que Paulo
não tivesse ficado satisfeito ante a quantia recebida, tendo a mesma também
chegado tarde demais para fazer-lhe grande bem.
Mas outros vêem nisso uma demonstfação da delicadeza dos sentimentos de Paulo:
o apóstolo teria adiado a menção da dádiva
porque não queria que a questão parecesse ser demais importante para ele, como se
estivesse motivado pela cobiça. Entretanto, é
perfeitamente possível que ele já houvesse agradecido aos crentes filipenses pelo
dinheiro enviado, em alguma epístola anterior,
que agora desconhecemos; ou então, simplesmente, que as várias admoestações e
instruções, necessárias para correção de outros
problemas, e que foram incluídas nesta epístola, tenham forçado a menção da
questão agora já no final da epístola.
A passagem que ora consideramos aprova as doações feitas a ministros e
missionários do evangelho, como algo digno de
louvor. A passagem de I Cor. 9:7-14 ainda se mostra mais detálhada e dogmática, ao
abordar esse mesmo problema.
Ordinariamente, Paulo não recebia doações das igrejas que fundava, não apenas
para dar exemplo de tal parcimónia a outros,
mas provavelmente porque não queria que seu serviço, prestado à causa de Cristo,
desse a impressão de ser feito a troco de uma
«cobrança». Estava muito mais interessado em prestar seus serviços gratuitamente,
posto que, antes de sua conversão a Cristo,
havia perseguido à igreja do Senhor. Por exemplo, no caso da igreja em Corinto, sob
hipótese alguma aceitou doações da mesma,
visto que alguns de seus membros o tinham criticado concernente a essa questão,
ao passo que outros, mui provavelmente,
tinham dito que ele trabalhava no evangelho a fim de ter uma vida financeiramente
abastada. Nessas criticas, realmente, havia
um ataque contra o seu próprio apostolado.
Além disso, ainda outros explicavam como motivo do fato que ele não queria receber
ajuda financeira, dizendo:<«Ele não aceita
salário, e com razão, pois nem mesmo é um apóstolo». Assim deveriam dizer
especialmente os «judaizantes» que havia na
comunidade cristã de Corinto. (Ver igualmente o trecho de II Cor.ll:8,9, sobre esse
mesmo problema). Esse versículo também
menciona um dom anterior doado pelos filipenses, evidentemente há tempo
considerável atrás.
Embora Paulo não recebesse ajuda financeira da parte de outras igrejas, exceto a dos
filipenses, pelo menos não tendo nós
registro histórico a respeito, o fato é que ele exortou, tanto aos crentes coríntios (ver I
Cor. 9:7-14) como aos crentes gálatas (ver
Gal. 6:6), para que fossem cuidadosos no desempenho fiel desse dever. (Ver as notas
expositivas nesses trechos citados, acerca
desse tema em geral). O texto presente, em sua aplicação, deveria ser dirigido mais
diretamente à questão da responsabilidade
das igrejas locais para com os missionários, sobretudo para com aqueles que
labutam em países estrangeiros, porquanto esse é o
caso aqui especialmente ilustrado.
1 0 ' E ) [ á p r j v 8è iv Kvpícx) peyáÀaJS oti rjS rj ttot€ à v e O a X e r e to virèp ifiov
(f>poveív, i<f> cS xal i<j>poveÍTe
T jK a ip e io d e § € .
4:10: Ora,muito me regozijo no Senhor por terdes finalmente renovado o vosso
cuidado para comigo; dó qual na verdade andáveis lembrados, mas vos faltava
oportunidade.
«...Alegrei-me...» Temos aqui, uma vez mais, um a das notas chaves mais
constantes da presente epístola, a «alegria». (Ver as notas expositivas a
respeito desse tema, em Fil. 1:4 e 4:4, onde são aludidas as passagens onde
esse assunto reaparece). A alegria é um a das facetas do «fruto do Espírito
Santo», ou seja, uma qualidade espiritual. (Ver Gál. 5:22,23 e as notas
expositivas ali ex istentes). A qui Paulo usou o ao risto ep isto lar, no
grego—traduzido em português por «...Alegrei-me...», vendo a questão do
ponto de vista de seus leitores. Quando os crentes filipenses recebessem esta
epístola, sua ação de agrad ecim en to já seria co n siderado com o algo
ocorrido no passado; por essa razão é que Paulo escreveu o verbo no tempo
passado. Normalmente, esses aoristos, a fim de se adaptarem à nossa
m an eira de dizer as coisas, são vertidos p a ra o tem po p resen te, nas
traduções modernas.
«...no Senhor...» (Quanto a notas expositivas completas sobre essa
expressão, usada por mais de quarenta vezes nos escritos de Paulo, ver Fil.
4:1. Essa expressão indica a nossa união e contacto com o Senhor Jesus,
bem como a nossa posição como membros da família divina, juntam ente
com ele; e também fica indicado o seu senhorio, que é comentado no trecho
de Rom . 1:4). Paulo se reg o zijara tan to em face do p ró p rio auxílio
financeiro recebido como também porque o mesmo fora inspirado pelo
amor cristão, o que ele reconheceu como um a das boas qualidades dos
crentes filipenses.
«...agora, uma vez mais...» Essas palavras indicam a pluralidade das
doações enviadas (quando as consideramos juntam ente com a declaração
«...renovastes a meu favor o vosso cuidado...»). E na passagem de II Cor.
11:8,9 vemos que isso já haviá ocorrido relativ am en te cedo em seu
ministério. Desde quase o princípio o apóstolo vinha recebendo ajuda
financeira dos crentes filipenses. Podemos supor, assim sendo, que eles lhe
p restavam a ju d a reg u lar, desde o tem po de sua seg u n d a viagem
missionária, cujo início está registrado em Atos 15:26. E o versículo décimo
sexto desse mesmo capítulo mostra que eles já lhe tinham enviado dádivas
antes.
«...renovastes...» Temos aqui um a metáfora, indicando uma planta que
sofrera de um período de estiagem, mas que agora revivia e florescia, e,
assim, produzia fruto. Essa expressão tem sido compreendida essencialmente de duas
maneiras:
1. Se o verbo for usado intransitivamente, então Paulo estaria dizendo:
«Alegro-me que chegastes ao estado de florescência, novamente, de modo a
terdes podido pensar outra vez em mim, resultando isso na oferta que me
enviastes».
2. Mas se o verbo for transitivo, então ele teria dito: «Recebi a vossa
preocupação por mim», em que a palavra «preocupação» seria o objeto do
verbo. É provável que esta segunda posição seja a forma mais correta de
compreender o trecho, pode subentender certa «reprimenda», porquanto
deixaram aquela preocupação ficar amortecida por algum tempo. Mas,
para evitar que tal interpretação fosse lida em suas palavras, Paulo teria
adicionado que isso o co rrera por fa lta de o p o rtu n id ad e da p a rte dos
filipenses, e não p or fa lta de interesse, conform e se vê no re stan te do
versículo.
«...o vosso c u id a d o ...» Pode-se n o ta r aq u i o uso do verbo no m odo
imperfeito—durante todo o tempo eles tinham tido aquela preocupação,
mas não havia como realizar isso na prática. Isso Paulo observou a fim de
evitar qualquer interpretação errónea de suas palavras, no tocante ao
intervalo que separava aquele envio das dádivas e a vez anterior em que o
tinham feito.
«...faltava oportunidade...» Também no imperfeito. Por todo o tempo,
embora quisessem fazer um a doação ao apóstolo, nunca se lhes apresentava
a chance de enviarem suas dádivas. Os tipos de transporte antigo, bem
como os assaltos frequentes nas poucas estradas, dificultavam imensamente
a questão. Os crentes filipenses talvez não tivessem mesmo os fundos para
uma doação, não possuíam prosperidade financeira bastante para tal coisa,
ou então talvez não contassem com um m ensageiro de confiança que
estivesse livre, no momento, para o propósito de levar ao apóstolo os meios
pecuniários. Mas, finalmente, em Epafrodito, encontraram o portador
certo.
11 o v % o t i x a d * v a ré p rja iv Xéyoj, i y w yàp epuaÕov i v ots elpu a v r á p K r js e iva i.
FILIPENSES
66
11 k v ...e I v a t 1 Tm 6
4:11: Não digo isto por causa de necessidade, porque já aprendi a contentar-me com
as circunstâncias em que me encontre.
É como se Paulo houvesse escrito: «Não estou falando em tom de queixa,
inspirado pela m inha pobreza, como homem que se acha em desesperadora
necessidade, porquanto já aprendi a estar contente em qualquer situação,
tendo dinheiro ou não». No dizer de Vincent (in loc.): «...já aprendi o
segredo de sentir-me auto-suficiente em qualquer condição». Por isso
mesmo é que muitos anos antes, em seu ministério, Paulo foi capaz de
dizer: «De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes; vós mesmos
sabeis que estas mãos serviram para o que me era necessário a mim e aos
que estavam comigo» (Atos 20:33,34). Paulo trabalhava arduamente a fim
de ganhar a vida, à parte de seu trabalho ministerial, a fim de que pudesse
trabalhar desembaraçadamente no evangelho. (Ver o trecho de Atos 18:3,
quanto a notas expositivas de sumário sobre essa questão. Essa mesma nota
expõe o tema «A honradez dos ministros que trabalham». Ali também é
discutida a natureza do ofício de Paulo, bem como o «valor do trabalho
físico» para os ministros).
«...aprendi...» No original grego temos o aoristo, usado em um lugar
onde se poderia esperar o perfeito. A idéia é: «Já aprendi, de um a vez por
todas, através de m inha experiência; e essa ainda é a m inha opinião fixa».
«...em toda e qualquer situação...» Essas palavras representam uma
in te rp reta çã o , e não um a trad u ção , p o rq u a n to o o riginal grego diz
simplesmente «...nos estados (em que) eu estou...» Alguns eruditos fazem
essas palavras referirem-se às circunstâncias de sua «provação presente»;
mas outros pensam em um a declaração mais geral, indicando qualquer
situação em qualquer ocasião. E esta segunda opinião provavelmente é a
mais correta, porquanto Paulo parece estar falando de uma lição aprendida
através de muitas experiências, aplicável a todas as situações.
« ...co n ten te ...» No grego tem os o term o «a u ta rk es», que significa
«auto-suficiência», ou seja, «contentamento». Paulo empregou aqui um
12 olha K a l Taneivovadai, olSa K a l Trepiooeveiv iv
Treivâv, K a l Trepiooeveiv K a l varepetodai.
4:12: Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as
coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em
ter abundância, como em padecer necessidade.
«...humilhado...» é tradução do vocábulo grego «tapeinoo», palavra
comum que significa «humilhar», «degradar», mas que, em discursos morais
e religiosos com frequência queria indicar «autodisciplina». Paulo emprega
essa palavra, referindo-se a si próprio na questão de «humilhar» à sua
própria pessoa, ao trabalhar com as próprias mãos para ganhar a vida,
quando todos os apóstolos tinham o direito de receber ajuda financeira das
igrejas locais.
Alguns elementos de Corinto supunham que a recusa de Paulo em viver
do evangelho era degradante para ele. Mas em muitos outros sentidos o
apóstolo dos gentios já aprendera a viver humildemente como homem
pobre, sofrendo afrontas por causa de sua associação com Cristo e o seu
evangelho. (Ver II Cor. 4:8). No trecho de II Cor. 11:27, Paulo menciona
que algumas vezes experimentara fome e jejum, onde certamente se deve
com preender que eram jeju n s forçados. S im plesm ente ele não tin h a
dinheiro bastante, nessas oportunidades, paraadquirir alimentos., Sua
«humilhação», neste caso, mui provavelmente se refere particularmente ao
seu estado financeiro, conforme o contexto da passagem indica, porquanto
ele falava sobre a ajuda financeira que os filipenses lhe tinham enviado.
Sem essas dádivas várias, por diversas vezes Paulo experimentou pobreza
extrema; mas aprendera a suportar a tudo, continuando a servir a Cristo
apesar disso. E noutras ocasiões fora reduzido à «nudez», ou seja, não tinha
roupas suficientes, tão crítica se tornava a sua situação. Mas o fato que ele
foi honrado mostra-nos, em contraposição a isso, que a sua humildade
incluía também um tratam ento hum ilhante da parte dos homens, visto ter
sido aprisio n ad o e esp an cad o (ver II Cor. 11:23,24), como tam bém
ridicularizado em outros sentidos, por causa de sua fé em Cristo.
As humilhações sofridas por Paulo podem ser confrontadas com as do
Senhor Jesus (ver Fil. 2:5-8). Nessa passagem, Cristo é apontado como o
exemplo da humildade m ental que nos deveria caracterizar, de modo que
nenhum sacrifício fosse reputado grande demais para que completássemos
com êxito a nossa missão cristã.
« ...h o n ra d o ...» No grego tem os o verbo «perisseo», que significa,
literalmente, «extravasar», «ser excessivo»;, e a referência particular é
novamente financeira, embora «honra» também possa ser aqui indicada.
«Sei e star a b atid o , m as não esm agado; sei e star em ab u n d ân c ia , sem
exaltar-me». (Calvino, in loc. , que julgou acertadamente a atitude de
Paulo). Quando Paulo visitava a Filemom (ver File. 22) ou a outros que
tinham meios financeiros abundantes, não se mostrava contrário ao viver na
abundância de bens materiais, durante o tempo em que os visitava.
A minha mente é para mim um reino,
Tais são as alegrias que ali acho,
Que excede todas as outras bênçãos
Que a terra faz medrar por suas espécies:
Embora muito eu queira o que a maioria tem,
Minha mente me proibe cobiçá-las.
(Sir Edward Dyer)
Um a vez mais encontramos a grande lição que a vida de um homem não
consiste da abundância das coisas que possui, conforme se aprende em Luc.
12:15.
«...já tenho exp eriên cia ...» No grego tem os a p alav ra «mueo», que
significa «iniciar», isto é, «iniciar nos mistérios». Podemos observar o
termo famoso dos filósofos estóicos, porquanto a nota chave da filosofia
deles era a «auto-suficiência», isto é, um estad o em que as em oções
provocadas pelas circunstâncias externas não têm a permissão de perturbar
a tranquilidade íntim a do indivíduo. Ora, a cidade natal de Paulo, Tarso,
era um dos grandes centros da filosofia estóica; e todos quantos lêem as
cartas de Sêneca (contemporâneo de Paulo e filósofo estóico romano) sabem
o quanto Paulo tomou do estoicismo certas expressões, em suas epístolas.
Podem ser comparadas as m uitas metáforas de Paulo, baseadas na vida
atlética, com os escritos de autores estóicos, que tinham nisso um a de suas
práticas constantes. (Ver Diog. L.2.24, onde figura essa expressão, acerca
de Sócrates, onde também aparece o adjetivo «semnos», que significa
«augusto», «majestático»). Em Tim. 33 D, Platão usa esse vocábulo acerca
do indivíduo para quem nada faltava, espiritualmente ou em qualquer
outro sentido, o qual é visto como alguém «muito mais excelente» que
aqueles que padecem de alguma necessidade. Sócrates, por sua vez, falava
da verdadeira riqueza, com as seguintes palavras: «Aquele que se contenta é
o mais rico, pois a ‘auto-suficiência’ é a riqueza da natureza». Sêneca dizia:
«Beatus estpraesentibus, qualiacunque sunt, contentus» (De Vita Beata, 6,
a G álio), o que significa: «Feliz é o hom em que, em q u aisq u er
circunstâncias em que se encontre, sente-se contente».
«A mente contente é uma festa contínua. O que podemos obter com as
murmurações e os queixumes?» (Adam Clarke, in loc.).
«Nosso primeiro impulso seria gastar parte desse aumento não merecido
em algum luxo, depositando o resto em ações do governo, à espera do
inevitável dia seco. O dinheiro é tão importante na satisfação de nossas
necessidades imediatas, que não nos faz lem brar naturalm ente do fato qúe
<. ..a vida de um hom em não consiste na a b u n d ân c ia dos bens que ele
possui> (Luc. 12:15). Mas essa verdade jam ais será plenamente apreciada
exceto naqueles pontos onde o dinheiro nada pode fazer por nós». (Wicks,
in loc.).
Travrl Kal iv irâoiv fie/j.rjr)[uu Kal xop rá Ç eod a i Kal
perfeito, dando a entender: «Já fui iniciado nessa forma de contentamento,
por experiências que têm exercido efeitos permanentes em mim». Portanto,
«já aprendi o segredo», conforme a palavra usada nas religiões misteriosas
indicava, dando a entender aqueles que se tornavam seus adeptos, a quem
eram revelados os segredos das mesmas. Assim, pois, Paulo utiliza-se de
um a metáfora tomada por empréstimo das religiões misteriosas a fim de
ilustrar o que queria dizer. Essas religiões misteriosas salientavam uma
disciplina superior, na qual apenas alguns poucos podiam ser iniciados,
em bora q u alq u er pessoa pudesse p a rtic ip a r da ad o ração p ú b lica das
m esm as. Vem os, pois, que Paulo havia ad q u irid o um segredo,
contentando-se com um nível de vida do qual poucos participavam; mas
queria também que todos tivessem o mesmo contentamento, embora tal
contentamento só possa resultar da disciplina espiritual, da inquirição
espiritual intensa, que diminui o valor das coisas terrenas e aumenta o vaior
das realidades espirituais. Portanto, os altos e baixos de sua vida física não
afetavam o seu nível de espiritualidade.
'«...em todas as circunstâncias...» Não particularmente «em todas as
ocasiões», conforme dizem erroneamente algumas traduções, mas sob todas
as circunstâncias, em qualquer estado físico de riqueza ou de pobreza que
os dias nos possam trazer.
«...fartura...» No grego é «chortadzo», na voz passiva neste ponto, que
significa «estar cheio», palavra usada primariamente para indicar as rações
e a engorda do gado. No trecho de Mat. 14:20, porém, é palavra usada para
indicar a satisfação da fome da multidão; e Luc. 6:21 usa o termo para
indicar a satisfação da fome espiritual.
«...fome...» Verbo derivado de «peina», que significa «fome». É vocábulo
correlato de «penes», «pobretão», alguém forçado a labutar (no grego,
«penomai») p a ra sobreviver fisicam ente. T rata-se do pobre que com
frequência padece fome, o que explica como, no grego, a palavra «fome» se
deriva daí. Paulo se referia diretamente a essa parte de sua experiência, em
II Cor. 11:27.
«...abundância...» A mesma palavra usada no princípio deste versículo.
A lgum as vezes P au lo tin h a tu d o em excesso, m as o seu e sp írito não
precisava disso a fim de prosperar. Quando um homem é espiritualmente
miserável, somente o dinheiro conseguirá consolá-lo em sua miséria; mas
isso é um a vantagem ex trem am ente duvidosa, em b o ra in ten sam en te
buscada pelo mundo.
« ...esca ssez...» Vem do vocábulo básico «usteros», que quer dizer
«atrasado», «ficar para trás», expressão popularmente usada para alguém
que en trav a em dificu ld ad es fin an ceiras. E la é u sa d a p a ra in d ic a r a
«deficiência material, em Luc. 15:14 e João 2:3. E também é empregada
para falar da deficiência ou fraqueza moral e espiritual, nos trechos de
Rom . 3:23; I C or. 8:8 e H eb. 13:15. T al como alguns hom ens «ficam
aquém» da glória de Deus, assim também Paulo, com frequência, «ficou
aquém» até mesmo de recursos financeiros adequados. No entanto, isso em
nada prejudicou a sua expressão e o seu desenvolvimento espirituais.
É como se Paulo tivesse dito: «Sei por experiência própria, pois já fui
iniciado nesse segredo, tendo-me tornado um mestre nessa arte de viver
contente sob todas as circunstâncias». (Ver II Cor. 9:8). Paulo reconljecia
ser bom e útil para o crente ter «toda a suficiência em tudo», a fim de que
possa «abundar em toda a boa obra», porquanto as situações financeiras
difíceis podem impedir-nos a obra cristã,e visto que, em certo sentido, a
«falta de dinheiro é um a raiz de todos os males». No entanto, mesmo assim
podemos ser vencedores, contanto que a nossa fé seja suficiente para tanto.
FILIPENSES
1 3 Ttávra la)(VO j i v t o j i v S u v a fx o v v T Í f ie . 13 2 Cor 12.10; 2 Tm 4.17
4:13: Posso todas as coisas naquele que me
fortalece.
Comenta Scott (in loc.) a respeito dessas palavras:
«Até este ponto Paulo
se utilizara da linguagem do estoicismo, e isso não
foi por acidente. Até
mesmo nos tempos antigos a semelhança entre o
pensamento estóico e o
triunfalmente, e, no entanto, com
quanta humildade!» (Meyer, in
loc.).
Mediante tal ênfase, Paulo nào
somente nos conta um a grande
verdade
sobre a fonte do po d er nessa in q
u irição e sp iritu a l, m as tam
p ensam en to p âu lin o foi n o tad a; e essas sem
elhanças têm surgido em
número cada vez mais numeroso, à medida que a
pesquisa m oderna vai
avançando. A cidade nativa de Paulo, Tarso, era
uma das principais sedes
da filosofia estóica e é óbvio que ele fora atraído
por muitos aspectos de seu
ensinamento. Seu discurso em Atenas, conforme
0 registro do décimo
sétimo capítulo do livro de Atos, foi inteiramente
estóico, semelhante
q u an to ao p en sam en to e à linguagem . T
odavia, p or debaixo dessa
sem elhança superficial h á u m a p ro fu n d a d
iferen ça en tre P au lo e os
estóicos, e a natureza dessa diferença transparece
brilhantemente no
presente versículo. Os estóicos m antinham que
no homem, como fragmento
que ele é da alma universal, existe um a força
intrínseca que pode resistir e
vencer todas as pressões externas. Já o apóstolo
Paulo estava convicto que o
hom em , p or si m esm o, n a d a pode fazer, m as
an tes, está em servidão
desesperadora às maldades deste mundo. Por
essa razão é que Deus enviara
um Libertador; e todo o esforço humano deve ser
fútil para sempre, a menos
que contem os com 0 po d er de,C risto que nos
ajude. P or conseguinte,
quando Paulo diz-nos aqui como já havia
aprendido a contentar-se sob
todas as condições de vida, sentindo-se auto-
suficiente, ao mesmo tempo
teve o cuidado de adicionar que não dependia
inteiramente de si mesmo.
Antes, tinha consciência da presença íntima de
Cristo, o qual, a todo o
tempo lhe supria as forças necessárias».
«.. .fortalece.. . »No original grego encontramos o
vocábulo «enduamoo», o
q ual significa «infundir forças», com o sua idéia b
ásica. É p alav ra
empregada para indicar a força da fé (ver Rom.
4:20); também indica a
bém
resg u ard a-se c o n tra a possível
in ferên cia de que ele se u fan av a
em si
mesmo, como se não precisasse
de coisa alguma e de ninguém
mais.
«...tudo...» Certamente essa
palavra inclui todas as questões
relativas às
coisas físicas, ainda que a
declaração seja universal,
envolvendo toda a
inquirição espiritual da vida.
«...naquele...» Algumas versões
suprem a palavra «Cristo», para
maior
clareza, porquanto é óbvio que
Paulo encontrava toda a força
espiritual em
Cristo. A respeito disso,
consideremos os três pontos
seguintes: 1. A idéia
pode ser «instrumental»,
indicando que havia no caso de
Paulo a instilação
ativa do poder de Cristo. 2. Ou
podia esse poder vir através da
comunhão e
da união com ele, mediante o
contacto místico. 3. E é mediante
a associação
com Cristo que essa força nos é
dada.
A força do apóstolo dos gentios
residia em sua «união viva e
identificação
com Cristo», o qual era o seu
poder (Faucett, in loc., referindo-
se a Gál.
2:20). (Quanto a outros versículos
que subentendem que toda a
força
espiritual pode ser encontrada
exclusivamente em Cristo, ou em
Deus Pai,
ver Efé. 6:10; II Cor- 12:9; Atos
9:22; Rom. 4:20; I Tim. 1:12; II Tim.
2:1 e
4:17).
«Toda a autoridade me foi dada no
céu e na terra. Ide, portanto, fazei
discípulos de todas as nações...»
(M at. 28:18,19). Se um crente
tiver fé
b a sta n te , isto é, se en treg ar-se
de alm a aos cuidados de C risto,
com
profundeza suficiente, tam bém
poderá fazer as obras que Cristo
fez, e
maiores ainda, conforme a
promessa que nos fez o próprio
Senhor Jesus, em
João 14:12.
Soldados de Cristo, levantai-vos
força espiritual em geral que possuímos no
«Senhor» (ver Efé. 6:10). Esse
fortalecimento que nos vem da parte de Cristo,
não apenas nos confere
forças, m as tam bém tran sfo rm a nossos p ró p
rio s seres p a ra que
compartilhem de sua natureza, o que permite que
nos tornemos mais fortes
E ponde a vossa armadura,
Fortes na força que Deus supre
Por meio de seu Filho eterno;
Fortes no Senhor dos exércitos,
E em seu grandioso poder,
Pois quem confia na força de
Jesus
Ê mais do que vencedor.
(Charles Wesley)
em nós m esm os, em bora isso se deva in teiram
en te à sua graça; não
obstante, isso é um a verdade. É também desse
modo que crescemos na
«estatura» de Jesus Cristo. (Ver Éfé. 4:13).
«Ele (o apóstolo Paulo) declara aqui o seu poder
universal, tão
1 4 ttÁtjv KaXtòs €TTOirj<jaT€ ovyKoi,vu)vr)oavTés
f± o v r f j dX íiJiei.
4:14: Todavia fizestes bem em tomar parte na
minha aflição.
Tudo quanto Paulo dissera acerca de sua «auto-
suficiência» (ver o décimo
primeiro versículo) e de sua atitude indiferente
para com as coisas materiais
(ver o décimo segundo versículo), e também de
sua «iniciação» na vida de
contentamento e de poder (ver novamente esses
tudo quanto Deus dá, o que é uma
atitude cristã típica. Ao mesmo
tempo,
Paulo reconhecia que Deus usa
instrumentos em suas bênçãos, e
esses
instrumentos merecem o crédito
que lhes cabe.
«Essa simpatia, por parte dos
dois versículos), não foi dito
para deixar entendida qualquer atitude de
indiferença para com o ato de
bondade dos crentes filipenses; antes, Paulo
assegurou-lhes que a doação
que tinham feito aliviaria parte de sua miséria
presente. Embora ele
estivesse livre das contingências terrenas e das
inquirições terrenas comuns,
não haveria ele de deixar de reconhecer a
bondade deles, e nem haveria de
ignorar qualquer expressão de amor, de onde quer
que ela partisse.
«...fizestes bem...», palavras que também podem
ser traduzidas por
«agistes com nobreza». Paulo mostrou-se
generoso aqui em seu louvor, não
se contentando apenas em mencionar de
passagem o que tinham feito,
como se isso nada representasse. Antes,
reconheceu ter sido um a ação bela e
nobre, de acordo com as exigências do evangelho,
como demonstração do
amor cristão. (Quanto à expressão «fazer bem», ver
também os trechos de
Marc. 7:37; Luc. 6:27 e I Cor. 7:37).
«...associando-vos na minha tribulação...»
Conforme diz Lightfoot (in
loc.): «Compartilhastes com a m inha aflição». E
Vincent (in loc.) diz:
«Fizestes causa comum com as minhas aflições».
Sim, os crentes filipenses
sentiam «comunhão» com Paulo, em um a aflição
comum. Sentiam a tensão
da sitúação do apóstolo e fizeram 0 que estava ao
alcance deles, como se eles
mesmos estivessem afligidos. Essa é a indicação
do verbo aqui usado,
«sunkoinoneo», que quer dizer «associar-se com»,
«compartilhar», «ser sócio
em». Na forma nominal, essa palavra era usada
para indicar os «colegas
obreiros» nas lides do evangelho. A queles crentes
filipenses haviam
demonstrado a regra da preocupação fraternal, a
lei do amor, o princípio
normativo da família de Deus. (Quanto a notas
expositivas completas sobre
crentes filipenses com os
sofrimentos
representativos de Cristo e de sua
causa, é a própria característica
de
caráter que o Juiz seleciona para
ser elogiada no último dia. (Ver
Mat.
25:25 e ss.)». (Hackett, no
Comentário de Lange).
A importância de nossas doações
não pode ser superestimada. Esse
é o
sinal da verdadeira religiosidade,
porquanto se origina em um
coração
amoroso, que foi tornado tal por
operação do Espírito Santo (ver
Gál. 5:22),
e, por isso mesmo, é sinal de
crescimento e m aturidade
espirituais. (Ver o
trech o de A tos 3:2 e as n o tas
expositivas .ali existentes,acerca
da
«importância das esmolas», pois
apesar desse não ser o tema
diretamente
aqui abordado, contudo, juntam
ente com outras dádivas gentis,
ilustra a
disposição do amor cristão, que
realmente consiste da
participação no amor
cirstão e no desenvolvimento
espiritual).
As ofertas às missões deveriam
ser encaradas sob esse prisma; e
é uma
afirm ativ a geral v erd ad eira que
quan d o D eus tom a conta de
nossos
corações, também conquista
nosso bolso. Aqueles que assim
contribuem
«fazem bem»; e nenhuma dádiva
dessa natureza deixará de ser
reconhecida
esse tipo de «amor», ver os trechos de João 14:21 e
15:10).
Não há nenhuma apologia nessas palavras,
conforme alguns estudiosos
pensam erradamente, porquanto o apóstolo não
havia repreendido àqueles
crentes. Tão-somente havia posto em sua
perspectiva apropriada a questão
. das riquezas materiais, ao mesmo tempo que se
m ostrara agradecido por
e recompensada por Deus,
porquanto até mesmo um copo
de água fria,
dado em seu nome, não deixará
de receber galardão, segundo se
aprende
em M at. 10:42. P au lo m uito se
alegrou ao receb er aq u ela
dádiva dos
filipenses, porque isso servia de
prova do amor Cristão deles. E
isso lhe era
mais importante do que a própria
dádiva.
«...tribulação...» No original grego
temos o vocábulo «thlipsis»,
palavra
que usualmente significava
«sofrimento», «aflição»,
«perseguição» de
qualquer forma; derivava-se de
«thlibo», que quer dizer
«pressionar»,
«restringir», «oprimir». Mui
provavelmente Paulo sofreu
pressões tanto
financeiras quanto mentais, o que
servia tão-somente para aum
entar ainda
mais suas aflições; e por essa
razão, aquela demonstração de
simpatia da
parte dos crentes filipenses muito
o ajudou naquele momento, em
mais de
um sentido.
67
1 3 /«] add Xpiarta (G )K L P pl Or ç
1 5 OtSare Se Kal vjieis, &(,XnriTr)cnoi, õrt iv ãpxfj tov evayyeXíov, ore i£r)X6ov wtto
Maxehovlas,
ovhefjiíafioi ixKXrjoía iKoivojvrjoev els Xóyov Sóoecos Kal Xr'jfjLifjea>s ei firj Vfxeis [jlovoi-
15 2 Cor 11.9 1 5 Se] OTKp49D *° 69
4:15: Também vós sabeis, ó filipenses, que, no principio do evangelho, quando parti
da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo no sentido de dar e de receber,
senão vás somente;
O verbo «.. .sabeis...» exibe um apelo do apóstolo ao conhecimento que os
crentes de Filipos tinham do fato que somente eles vinham contribuindo
com o apóstolo dos gentios, financeiramente falando. Mas isso não visou
d eixar as dem ais co m unidades cristãs em posição desfavorável, m as
simplesmente serviu para enfatizar a posição ímpar dos crentes filipenses
sobre aquela questão, a qual fazia parte do louvor que Paulo lhes faz, sem
com isso querer diminuir a qualquer outra igreja local cristã. Essa questão
de conhecimento, no que tange à ajuda financeira, tem por intuito incluir
o u tras ações p assad as de benevolência, e não ap enas a ação p resen te
daqueles crentes. As palavras «...também vós...» significam que, além do
apóstolo dos gentios, os próprios crentes filipenses tinham «conhecimento»
desse fato.
«...ó filipenses...» Usualmente o apóstolo dos gentios não se dirigia a seus
leitores originais, chamando-os pelo nome. Mas outros exemplos dessa
prática que aqui vemos aparecem em II Cor. 6:11 e Gál. 3:1. Isso acrescenta
certo toque pessoal às palavras de Paulo, expressando sua afeição profunda
e intensa. Sabe-se bem que o uso do nome de alguém é agradável para a
pessoa assim cham ada, e isso muito aumenta o interesse pessoai no diálogo.
«...no início do evangelho...» Os versículos que se seguem mostram-nos
que Paulo indicava «a primeira vez em que o evangelho fora pregado na
Macedônia», isto é, o «início do ministério do evangelho» naquela região.
Paulo faz aqui alusão ao dinheiro que eles lhe tinham enviado mais ou
menos ao tempo de sua partida da Macedônia. (Ver Atos 17:14). Contudo,
alguns estudiosos supõem que essa expressão não indica algum ponto do
tempo, mas de «importância», como se para Paulo o evangelho então tivesse
68 FILIPENSES
começado realmente a prosperar, na missão
européia, embora ele ainda
filipenses tinham recebido realidades espirituais e haviam dado coisas
estivesse em meio à sua carreira, no tocante ao
tempo. Assim pensa também
L ightfoot (in loc.): «A fé de C risto, por assim dizer,
tivera um novo
começo». Mas isso é ornar desnecessariamente e
complicar demais o sentido
simples das palavras de Paulo. O décimo sexto
versículo menciona uma
dádiva anterior àquela que é aqui mencionada,
quando Paulo ainda se
encontrava em Tessalônica. É perfeitamente
possível que tenha havido
o u tras ofertas sem elhantes, que não são aqui alu d
id as. No presente
versículo, pois, Paulo se refere a uma ocasião cerca
de dez anos antes de
haver ele escrito estas palavras.
«....Macedônia...» (Quanto a notas expositivas
materiais.
2. Ou o lado devedor talvez esteja em branco nessa
conta corrente, do
lado dos crentes filipenses, ao passo que o lado
«credor» estivesse vago do
lado do apóstolo, embora tudo ainda fosse uma
questão de «dar e receber».
No dizer de Vincent (in loc.): «A dádiva dos filipenses
e o recebimento por
parte de Paulo formam os' dois lados da conta
corrente».
3. Naturalmente, não há aqui qualquer indicação de
«dádiva mútua»,
como se Paulo houvesse enviado dádivas em
dinheiro p a ra o trab a lh o
evangelístico em Filipos.
4. Mui provavelmente, nada de especial e particular
está em foco, com o
completas sobre essa
província, ver Atos 16:9. Quanto a «Filipos», cidade
pertencente àquela
província, ver Atos 16:12). Paulo costumava referir-
se, em suas cartas, a
d istrito s ou províncias por onde p assara em suas
viagens, ao invés de
mencionar cidades. (Comparar isso com os trechos
de Rom. 16:5; I Cor.
16:15; II Cor. 2:13; 7:5; 8:1 9:2).
«...se associou comigo...» No original grego temos o
verbo «koinoneo»,
que significa «compartilhar», «fazer parte»,
«participar», «contribuir com
uma porção». Nenhuma outra comunidade cristã,
exceto a de Filipos, se
associara a Paulo no tocante a participar de sua
conta de débito e crédito.
Nenhuma outra igreja cristã local entrara em
«sociedade» com ele nesse
particular. Somente os crentes filipenses se tinham
tornado seus sócios no
evangelho, enquanto ele se encontrava distante
deles, compartilhando de
seu trabalho; e isso através de meios financeiros.
«...dar e receber...» Paulo emprega aqui a
terminologia das finanças,
talvez de modo brincalhão, ou seja, «crédito» e
«débito». No décimo sétimo
versículo ele usa a expressão «...vosso créd ito ...» ,
dando assim
prosseguimento à metáfora mercantil. Conforme
comenta Robertson (in
loc.): «Paulo não precisava manter conta corrente
com nenhuma outra
igreja local, embora, mais tarde, Tessalônica e Beréia
se tenham unido
àquele em apoio ao trabalho de Paulo em Corinto
(ver II Cor. 11:8 e ss.)».
Depois disso, várias outras igrejas locais gentílicas
contribuíram para a
oferta que foi enviada aos santos pobres de
Jerusalém; mas isso não foi uma
dádiva pessoal a Paulo. (Ver Rom. 15:25 sobre essa
questão, bem como
notas expositivas adicionais em II Cor. 9:2, acerca
das áreas específicas que
participaram dessa citada coleta).
uso dessa expressão, quanto a quem teria dado e
quem teria recebido, ou
quanto ao que teria sido dado; mas está em pauta
apenas a idéia bem geral
de alguma forma de transação financeira entre Paulo
e os filipenses, o que
provocou o uso de uma terminologia financeira.
«...igreja...» (Quanto a notas expositivas completas
sobre a «igreja», em
seu aspecto universal e local, ver o trecho de Efé.
3:10).
«...unicamente vós outros...» Neste ponto Paulo se
refere a doações
voluntárias, que podem ser incluídas ou separadas
da remuneração que os
ministros do evangelho merecem. Sobre essa
questão, ver os trechos de I
Cor. 9:6-18; II Cor. 11:7-10 e I Tes. 2:9. D ar «ofertas»,
em adição ao que
era requerido(o dízimo), é algo firmemente baseado
nos preceitos do antigo
pacto. Naturalmente, Paulo em parte alguma ensina
que se pague o dízimo;
m as a experiência m ostra-nos que essa é um a q u a
n tia p rá tica , nad a
havendo, em todo o N.T., contrário a essa prática,
embora não existam ali
ensinamentos específicos que o recomendem. Não
há que duvidar que os
crentes filipenses sustentavam seus ministros
locais. Mas, além disso,
davam ofertas a Paulo, para a sua missão no
estrangeiro, que para eles
importava em autêntico sacrifício. Isso serve de bom
exemplo para a igreja
cristã de qualquer época. Um crente sincero
contribuirá com pelo menos a
décima parte do que ele ganha, para o trabalho do
evangelho; e talvez mais
ainda. Nossa preocupação não deve ser quão pouco
podemos dar, a fim de
cumprir uma «obrigação», mas antes, quanto
podemos dar, ainda que isso
envolva em sacrifício, para garantir a abundância do
sucesso no trabalho.
(Q u an to à ocasião h istó rica em que foi d ad a a o
ferta aqui alu d id a,
comparar Atos 17:14 e 18:5 com II Cor. 11:9.
Os intérpretes têm elaborado sobre a metáfora
mercantil, vendo nela os
significados possíveis seguintes:
Evidentemente, quando da
primeira viagem de Paulo à Europa, a caminho de
Corinto, ao passar por
Atenas, depois que ele partira de Filipos, o apóstolo
recebeu a companhia
1. Talvez Paulo se estivesse referindo a uma conta de «dois lados»: Paulo
lhes dera realidades espirituais e recebera coisas materiais; os
crentes
trouxeram a dádiva dos crentes filipenses).
16 oti Kal ev & e a a a X o v iK r j Kal arraf; Kal Sls els tt^v % p e
i d V fjLO l erre,
are.
! 16 (C| eis r i)v x p e ía v Jioi N B G » K í 33 88 181 1739 1877 1881
2127
/2M’ Sy r h g o th e th // tt)v xpeta.í' fJ-ov I) Rr‘
a rm A m b ro sia ste r A u g u stin e //
2495 B yz L ect itc-d-dem'div'e' f-x-*0 v g // €Ís rrjv \ p eía v ptou D c P 614 629 63C
1962 1984 1985 it(ar1'r2 // tt)v x p ú a v HOi
p46 A 81 104 326 330 436 451 1241 2492
ttteain rrl uxibus niri.s ita
A preposição eis não figura em vários
testemunhos, incluindo P (46) A D (gr*) 81
330 451 1241 2492 sir (h) gót etí; parece
ter sido omitida ou acidentalmente, após ò
ís (Àiceic) ou deliberadamente, a fim de
prover um objeto direto para o verbo
íTré/m^are.
O genitivo p o v (D P 614 630 al) é um a
substituição escribal para o dativo, p.oi
menos usual e m uito melhor
apoiado. As formas do copta e do it (g) parecem ser traduções exageradas do grego. A
forma in unum m ih i (vg (ms)) pode ser
um a confusa reminiscência de Luc. 10:42.
de Silvano e Timóteo, os quais, mui provavelmente, foram aqueles que lhe
;xot TYjV xptía.v jxou (syr»M c•op9tl'b,, f m uuxun mihi // in necesxitatem
trabalho de evangelismo; e isso, afinal de contas, é o motivo mesmo pelo
qual co n tribuím os p a ra os obreiros cristão s. E ssas contribuições
liberam-nos para o trabalho do evangelho.
Em confronto com a cronologia do livro de Atos, Paulo se refere aqui a
eventos registrados no décimo sétimo capítulo desse citado livro. Mais
tarde, quando estava ele a caminho de Corinto (ver o décimo oitavo
capítulo do livro de Atos), Paulo recebeu novamente dádivas, trazidas por
Timóteo e Silas (aquelas mencionadas no décimo quinto versiculo deste
capítulo). Ambas as instâncias representam estágios de sua «partida da
Macedônia», em que a primeira dessas instâncias ocorreu antes de haver ele
realmente abandonado esse território.
Variante Textual: Os mss P(46), A e D(l) omitem a palavra «eis» e fazem de
«chreian» o objeto do verbo «enviar», o que faz com que este versículo diga:
«...enviastes ‘minha falta (isto é, o dinheiro)' para mim...» Essa variante é
antiga, sendo apoiada por algum as versões; mas é variante secundária,
provavelmente criada por acidente, ou devida a uma variação leve, como
paráfrase, do presente texto.
4:16: porque estando eu ainda em Tessalônica, não uma só vez, mas duas,
mandastes suprir-me as necessidades.
A gora Paulo se lem b ra de duas o u tras ocasiões, anterio res, em que
recebera dinheiro da parte dos crentes filipenses. Após a sua primeira visita
a Filipos, Paulo se dirigiu diretamente a Tessalônica, um porto de mar da
Macedônia, evidentemente tendo ficado em dificuldades financeiras de
alguma sorte, sobre o que o livro de Atos nada nos informa. Mas os crentes
filipenses o ajudaram naquele momento de crise; e assim o seu trabalho
pôde continuar. Paulo lhes devia grande gratidão, portanto; e aqui tece
apreciações sobre o espírito fraternal que haviam demonstrado, até mesmo
m ais que sobre a p ró p ria aju d a fin an ceira, p o rq u an to aq u ela a titu d e
amorosa era evidência de que Cristo operava neles, tornando-os segundo a
sua própria imagem.
Em Tessalônica, Paulo viveu principalmente através do seu próprio labor
manual (ver I Tes. 2:9 e II Tes. 3:8). Mas talvez tenha havido alguma
suavização dessa situação, ou talvez ele não ganhasse o bastante para viver
decentemente. Porém, os crentes filipenses se prontificaram a ajudá-lo
n aq u ela questão, a fim de que ele pudesse co n tin u a r devotado ao seu
17 o v )( o t i evi^rjTC ú t o Só jx a , àÀÀà è m ^ rjT W t o v K a p rr ò v t o v v À e o v á Ç o v T a e
ls X ó y o v v p a jv .
17 tTTLÇrjTCà T óv . ..vfiCòv lC o r9 .1 1
4:17: Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que cresça para a vossa conta.
Paulo reitera aqui o seu desinteresse pelas coisas materiais, conforme se
vê nos versículos onze a treze deste capítulo, pela primeira vez. Porém,
apesar de declarar-se assim desinteressado, reconheceu que o que os crentes
filipenses tinham feito era uma coisa boa, em favor de um seu irmão na fé; e
ele pôde apreciar como tal a ação. E aqui declara que isso seria lançado
no «crédito» deles, ou seja, receberiam a recompensa da parte do Senhor.
Haveriam de ganhar uma bênção por terem dado, sendo isso um resultado
natural da lei da colheita de conformidade com a semeadura, conforme se
aprende no trecho de Gál. 6:7,8, onde o leitor pode examinar as respectivas
notas expositivas.
«...que eu procure...» No tempo presente, no original grego, a fim de
assinalar uma ação habitual do apóstolo. Paulo não cobiçava o dinheiro de
quem quer que fosse (ver Atos 20:33), mas labutava com as suas próprias
mãos a fim de suprir as suas necessidades pessoais.
«...donativo...» No grego temos o vocábulo «doma», usado somente aqui
e em Efé. 4:8, em todo o N.T. Paulo não procurava tal -donativo, e nem
qualquer outra forma de dádiva, mas estava antes interessado no «fruto
espiritual», produzido pelas vidas de seus convertidos. Paulo reitera aqui o
verbo «procurar», p a ra dar m aior força à sua asseveração. Ele não
procurava uma coisa, mas procurava a outra (embora nossa versão, na
segunda ocorrência desse verbo, traduza-o por «...o que realmente me
interessa...»).
« ...fr u to . . .» E ssa p alav ra era freq u en tem en te u sa d a p a ra in d icar o
«incremento» produzido pelo dinheiro aplicado. Portanto, Paulo continuava
empregando a metáfora mercantil, iniciada no versículo décimo quinto
deste capítulo. Os crentes filipenses poderiam estar certos de que tinham
feito um excelente investimento, porquanto o Senhor da ceifa, que mantém
o reg istro de todas as contas correntes, p ro v id en ciaria p a ra que não
somente outras almas fossem trazidas aos pés de Cristo, através daquele
donativo, mas também que os próprios doadores seriam enriquecidos,
depois de terem tido suas almas salvas do julgamento, assim aumentando a
glória de Cristo, que é o Salvador. O galardão da parte do Senhor está aqui
em foco. (Ver o trecho de II Cor. 5:10 quanto a notas expositivas sobre o
FILIPENSES 69
Senhor assinalou o aumento correspondente ao crédito deles, nos livros de
contabilidade dos céus. A recompensa ainda será futura, eterna; mas não
há que duvidar que também alguma coisa lhes seria dada até mesmo nesta
vida terrena, por haverem sido generosos para com alguém. Isso sedá com
todos q u an to s se m ostram generosos, so b retu d o com os m in istro s e
missionários do evangelho. Os que assim agirem estarão aumentando o seu
crédito, o seu investimento. Poderão fazer retiradas agora, desse crédito,
mas, no «dia de Cristo», todas as contas serão acertadas. Paulo promete a
Cristo um a grande vantagem nessa questão, por causa do serviço fiel que
lhe tinham prestado; e isso é que realmente o interessava, por ser ele um
bom pastor, interessado no bem-estar eterno de suas ovelhas.
O sentimento deste versículo pode ser comparado com o trecho de Pro.
19:17, que diz: «Quem se compadece do pobre ao Senhor empresta, e este
lhe paga o seu benefício».
Paulo ansiava por livrar-se da possibilidade de ser acusado de desejar
receber sempre donativos, ao mesmo tempo que situava na sua respectiva
apropriada a questão inteira das doações cristãs. Conforme comenta Adam
Clarke (in loc.): «Não vos falo assim para incitar-vos a enviar-me mais
donativos; mas falo acerca do tema em geral, porque quero que produzais
tal fruto que seja lançado em vossa conta no dia do Senhor».
«tribunal de Cristo»; e ver I Cor. 3:8,14, onde também são discutidos os
«galardões» que serão conferidos aos crentes). Os crentes filipenses seriam
enriquecidos eternamente em troca de um serviço temporal que haviam
emprestado, feito mediante o impulso do Espírito Santo.
« ...a u m e n te ...» No grego, «pleonadzo», que quer dizer «abundar»,
«tornar-se mais», «estar presente em abundância». O investimento dos
filipenses produziria 'dividendos abundantes, enriquecendo-os espiritualmente. (Ver
outros usos dessa palavra em Rom. 5:20; 6:1; II Cor. 4:15 e II
Tes. 1:3). A ênfase recai sobre a idéia de abundância. Ê como se Paulo
estivesse dizendo: «Não quero o capital, e, sim, os juros; e isso para ser
lançado em vossa conta, e não na minha». (Scott, in loc.). Por essa mesma
razão é que o Senhor Jesus disse: «Mais bem-aventurado é dar que rec.eber»
(A tos 20:35). E essa é a m aior das razões po r que assim são as coisas,
embora não se trate da única razão. Nenhuma dádiva, conferida com
sinceridade de coração, poderá jam ais perder-se. Deve trazer com isso suas
recompensas. Ora, tudo isso serve de grande motivo para contribuirmos
financeiramente para o trabalho do evangelho, particularmente para as
missões no estrangeiro.
«...vosso crédito...» Tem continuação, com essas palavras, a metáfora
m ercan til. Os crentes filipenses são p in tad o s com o quem tem u m a
conta corrente com o Senhor; mas, tendo feito um donativo a Paulo, o
18 àrré^w Sè rtávra Kal rreptooeva)- 7re7rÀ?7|Oaiju.at Se^á^evos irapà ’ÊrracfipoSÍTOv
rà rrap’ vfiójv,
Ò a jx r jV €V<x)&las, dvaíav SeKTJJV, €l>áp€0TOV t Ó j õeâ>. 18 b a ^ v eíwSías Gn 8.21; Ex
28.18; Eze 20.41
1 8 Se£a/ievos] praem Se |)46
4:18: Mas tenho tudo; tenho-o até em abundânáa; cheio estou, depois que recebi de
Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro suave, como sacrifício
aceitável e aprazível a Deus.
Epafrodito fora fiel em sua missão, evidentemente tendo adoecido ao
longo do caminho, ou depois de sua chegada; mas mesmo assim conseguira
cumpri-la. (Ver Fil. 2:25-30). No vigésimo quinto versículo do segundo
capítulo desta epístola há notas expositivas a respeito de «Epafrodito».
«...Recebi tudo...» O grego original, «apecho», aqui usado, tem sido
encontrado em vários papiros encontrados no Egito, em recibos, para
in d ic a r «pagam ento total». P o rta n to , _parece que aq u i Paulo dá
prosseguimento à sua metáfora mercantil. E como se ele houvesse escrito:
«Vós me pagastes tudo quanto me devíeis». A substância real do donativo
deles era a simpatia e o amor fraternal; e isso servia de oferta especialmente
fragrante a Deus; porquanto aquele que dessa m aneira serve a seus irmãos
na fé, serve a Deus. Amamos a Deus por meio de outros homens, sendo essa
a m aneira pela qual todos os homens possam demonstrar amor a Deus.
Dessa forma, pois, Paulo assegurou-lhes que não buscava donativos da
parte dos crentes filipenses, mas antes, a vantagem espiritual deles nessas
dádivas; e reforçou essa idéia dizendo que eles tinham «pago tudo», não
necessitando enviar mais qualquer donativo.
«...tenho abundância...» N ovam enteéusado o termo «perisseo», que quer
dizer «ter em excesso», «extravasar», assinalando o fato que os crentes
filipenses lhe tinham enviado uma oferta generosa, e não suficiente apenas
p a ra satisfazer algum as de suas necessidades. A quele que sem eia em
abundância, também colherá em abundância; e aquele que semeia com
parcimónia, também colherá com parcimónia. (Ver II Cor. 9:6).
«...estou suprido...» No original grego é «pleroo», que significa «tornar
cheio», na voz passiva, ou «ficar cheio». Não havia mais necessidade de lhe
serem enviados donativos. Isso salienta, um a vez mais a abundância da
oferta, servindo-nos de lição sobre como devemos contribuir para a causa
cristã. Paulo também indicava, com essa palavra, a sua «satisfação íntima»;
mas parece bem certo que ele se referia ao donativo dos crentes filipenses
como abundante. Essa segunda palavra, pois, reitera e intensifica aquela
anterior: «Recebi tudo, e tenho abundância...»
«...aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus...» Trata-se
de um ã expressão comum no A.T., referindo-se aos sacrifícios aceitáveis aos
olhos do Senhor Deus. O aroma das ofertas queimadas é aqui pintado como
algo que ascende até aos céus, onde Deus se encontra; o Senhor sente tal
aroma, fica agradado pelo que tem sido feito em sua honra. O incenso de
aroma suave também era oferecido naquelas ocasiões, aumentando o odor
agradável. Naturalmente, as culturas pagãs se utilizavam de práticas
similares, pensando que os deuses sentiam, literalmente, o odor de seus
sacrifícios, e ficavam satisfeitos. (Ver o uso dessa expressão nos trechos de
Gên. 8:21; Lev. 1:9,13,17. Quanto a trechos do N.T. que falam sobre isso,
ver II Cor. 2:15,16 e Efé. 5:2).
O donativo que’ os filipenses deram a Paulo fora um «sacrifício» para
eles, porquanto tinham dado de sua pobreza, em um ato de autonegação,
pois os seus corações haviam sido tangidos a isso pelo amor de Cristo. Dois
19 ó Se deós fiov rrÁrjpdjoei irâoav xpelav vfx&v Karà rò ttÁovtoç avrov iv iv Xpiorâ)
'Irjoov.
ig vXripaioei] -aai D*G'l> 6g 1/3 9 prn latt
4:19: Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas na
glória em Cristo Jesus.
«...o m eu D e u s ...» O p ró p rio D eus é aquele que reco m p en sará aos
dadivosos; e bastaria isso para assegurar-nos um galardão abundante e
ju sto , p o rq u a n to a recom pensa devida jam a is p o d erá ser olvidada ou
negligenciada pelo Senhor. Paulo não podia recompensar pessoalmente aos
crentes filipenses, mas o seu Senhor podia, pois Cristo é quem se torna o
fiador de todas essas dívidas.
«...segundo a sua riqueza em glória...» Visto que o suprimento consiste
das «riquezas divinas», certamente procedem de um tesouro «infinito». Os
crentes filipenses deram de sua pobreza, como um sacrifício, e estavam
limitados acerca de quando e quanto poderiam dar. Com Deus, entretanto,
não há tais limitações. Se o apóstolo Paulo ficou repleto de bens materiais,
através do donativo dos filipenses (ver o décimo oitavo versículo), então os
incidentes bíblicos podem ser relembrados como ilustração desse tipo de
sacrifício. Com perigo de perderem a própria vida, alguns dos homens de
Davi foram-lhe buscar um pouco de água, quando ele se sentiu sedento; e
essa água tornou-se tão preciosa para que fosse apenas bebida, que ele a
derramou como libação a Deus. Essa água fora tirada dos mananciais de
Belém, lugar onde o Salvador nasceria mil anos mais tarde. (V erlIS am .
23:16). Também temos a ilustração do oferecimento feito por M aria de
Betânia, o caríssimo unguento, uma fragrância que encheu a casa inteira.
(Ver João 12:3).
«...aceitável e aprazível...» Estas palavras podem ser comparadas com a
linguagem de Rom. 12:2,que também falam de nosso sacrifício do próprio
«eu» a Jesus Cristo, como algo «aceitável», «bom» e «perfeito». O primeiro
dos adjetivos aqui empregado é «dektos», que significa «aceitável», «bem
acolhido», «recebido favoravelmente». Trata-se da única ocorrência desse
termo nos escritos paulinos, excetuando o trecho de II Cor. 6:2. No restante
do N.T. é encontrado apenas em Luc. 4:24, onde se lê que um profeta não é
«aceito» em sua própria terra; em Atos 10:35, onde se aprende que Deus
acolhe homens de todas as nações, contanto que o teinam e façam o que é
justo a seus olhos. Em II Cor. 6:2 se lê sobre o «ten:po aceitável» de se
buscar a Deus.
O outro adjetivo que aqui aparece é «euarestos», palavra comum que
significava «agradável», de uso frequente nas epístolas aos Romanos e aos
Hebreus. (Ver Rom. 12:1, acerca de nossa dedicação a Cristo; ver Rom.
14:18, acerca daqueles que são «aprovados», por terem o cuidado de não
ofender a algum irmão, os quais servem ao reino de Deus com retidão e paz,
com alegria no Espírito Santo. Ver igualmente II Cor. 5:9. Nosso labor em
prol de Cristo visa sermos «aceitos» por Cristo, tanto agora como quando do
nosso julgamento. (Ver Efé. 5:10 e Heb. 13:21).
«...a Deus...», como um a oferenda apresentada ao Senhor, recebida e
aprovada por ele. Na passagem de I Ped. 2:5, os crentes são apresentados
como «sacerdócio santo», que oferecem «...sacrifícios espirituais, agradáveis
a Deus por intermédio de Jesus Cristo». No dizer de Braune (in loc.): «Cada
dádiva e ação de am or deveriam ser rep u ta d o s com o um a o ferta de
agradecimento a Deus; pois por isso é que se tornam aceitáveis e agradáveis
a ele.»
«Ai da nossa indolência!—a qual transparece nisto, que enquanto Deus
nos convida com tanta bondade, para a honra do sacerdócio, e até mesmo
deposita sacrifícios em nossas mãos, não obstante, nós mesmos não nos
sacrificamos a ele; e aquelas coisas que foram separadas como oblações
sag rad as, não ap en as desviam os p a ra usos p ro fan o s, m as tam b ém as
desperdiçamos iniquamente nas contaminações mais poluídas. Pois os
altares, onde os sacrifícios dos nossos recursos deveriam ser apresentados,
são deficientes e pobres servos de Cristo. Negligenciando essas coisas
importantes, alguns de nós dilapidam os seus recursos em toda a forma de
luxo, ao passo que outros nos prazeres dà mesa, outros ainda em vestes sem
modéstia, e ainda outros em mansões suntuosas». (Calvino, in loc.).
« ...fa z er o bem e c o m p a rtilh ar do que tem os com os ou tro s, (são)
sacrifícios com os quais Deus se agrada». (Ver Heb. 13:16).
filipenses poderiam esperar com uma esperança bem fundada, de que
haveriam de prosperar extraordinariamente, por terem sido tão generosos
com o seu dinheiro para a causa do evangelho.
«...em glória...» Essas palavras têm sido compreendidas de diversas
maneiras:
1. Alguns pensam que estaria em foco o m undo de cumprimento, ou seja,
o Senhor supriria todas as necessidades dos crentes filipenses de m aneira
«gloriosa»; e assim a glória de Deus séria revelada mediante o suprimento
abundante, porquanto, nesta explicação de Paulo, a glória é vinculada ao
«suprimento».
2. Outros compreendem a palavra «en» como instrumental, traduzindo a
frase na forma «com glória». Em outras palavras, Deus daria glória aos
crentes filipenses. E alguns intérpretes compreendem isso como um a alusão
70 FIMPENSES
velada à «parousia» ou segundo advento de Cristo.
Quando da vinda de
seu próprio ser glorioso, bem como dos tesouros celestes. Seja como for,
Cristo, os doadores fiéis seriam galardoados com
glória, recebendo glória,
essa é a verdade da questão, sem importar o que
está especificamente em
bênção e louvor da parte do Senhor. Conforme esta e
as interpretações que
se seguem, a palavra «glória» está vinculada a
«riquezas». Por isso é que
Lightfoot(m loc.) comentou: «(Isso Deus fará) pondo-
vos na glória», isto é,
naquele estado de glória que haverá quando da
segunda vinda de Cristo.
Embora Paulo visse esse retorno como bem próximo,
a sua alusão, no
presente versículo, ainda que vise especificamente a
«parousia», deve incluir
todo o período de tempo que se passe até chegar
aquele evento. Assim, pois,
até mesmo agora os doadores fiéis têm suas
necessidades abundantemente
supridas.
3. Ainda outros compreendem que devemos pensar
aqui em «riquezas na
glória», como se o termo «glória» se referisse às
glórias celestes, às glórias da
habitação de Deus. Em consonância com o vasto
tesouro dos céus é que
Deus supriria todas as nossas necessidades. Os
céus são aqui pintados como
um vastíssim o depósito, de onde nossas peq u en as
necessidades,
comparativamente falando, recebem o seu
suprimento.
pauta, nesta passagem. Podemos comparar esta
expressão com o que se lê
em Rom. 8:21 e Efé. 1:18, isto é, «as riquezas da
glória» (onde, no grego
original, se vê o genitivo, e não o dativo). E nisso se
deve ver um a alusão à
«parousia» e ao reino messiânico, embora também
esteja em mira um
suprimento para as necessidades presentes. (Ver
igualmente a expressão
«riquezas de sua graça», em Efé. 1:7). -
«...em Cristo Jesus...» Se no original grego tivermos o
locativo, então
«Cristo» é a esfera da com unhão aqui alu d id a; m
as, se tiverm os ali o
instrumental—no qual caso deveríamos traduzir «por
Cristo Jesus»—, então
se deveria pensar que essas bênçãos nos são dadas
por intermédio dele,
porquanto o temos como nosso Senhor. Alguns
estudiosos vêem nisso o
fortalecimento do sentido escatológico da expressão
anterior. Cristo é aqui
assinalado como a base de todas as bênçãos
celestiais, tal como temos em
Efé. 1:3, além de várias outras referências do mesmo
primeiro capítulo da
epístola aos Efésios. Por estarem «em Cristo» (ou
seja), em «comunhão
4. Também há intérpretes que pensam estar em pauta a própria natureza
gloriosa de D eus; m as, nesse caso, o su p rim en
to não seria apenas
financeiro, mas até mesmo a participação na
natureza divina (ver II Ped.
1:4), o que serve de riquíssim o su p rim en to p a
ra a alm a. Em o u tras
palavras, o galardão divino estaria ligado à própria
natureza gloriosa de
D eus e à p a rticip a çã o e m anifestação dessa n
a tu re za , ficando assim
supridas tanto as necessidades materiais como
as necessidades espirituais.
É difícil sabermos qual dessas quatro
possibilidades era a que estava na
mente do apóstolo, pois nenhuma boa razão
gramatical pode ser aduzida
em favor desta ou daquela posição. Talvez, de
abundante de todas as bênçãos,
por intermédio dele.
Naturalmente, o presente
versículo é motivo de profundo
consolo para
todos nós, mais ou menos
semelhante àquele em que Davi
declara: «Fui
moço, e agora já sou velho,
porém, jam ais vi o justo
desamparado, nem a
sua descendência a mendigar o
pão» (Sal. 37:25). Porém, se por
um lado é
verdade que Deus cuida daqueles
que pertencem a Cristo, notemos
que o
alguma m aneira geral,
possamos ter aqui a combinação de todos esses
significados. O suprimento
de Deus é abundantemente rico e glorioso; mas
tudo também procede de
abundante suprimento prometido
aqui é oferecido aos que
contribuem
generosamente para a causa das
missões evangelizadoras. Como
aplicação
prática, podemos ter a certeza
que essa promessa envolve
igualmente
aqueles que contribuem
financeiramente para sustento do
ministério cristão
em qualquer lugar.
20 t <3 Sè 9eâ> K a l irarpl r]iuu>v r j Só£a elç tovs
alcovas t ô > v alw vaiv à^irjv.
4:20: Ora, a nosso Deus e Pai seja dada glória
pelos séculos dos séculos. Amém.
O pensamento de Paulo, de que fora gentilmente
auxiliado pelos crentes
de Filipos, e que o rico suprimento de Deus visa
todos os seus filhos, levou-o
a irromper nessa doxologia a Deus, como nosso
Pai. (Quanto à doutrina da
«paternidade de Deus», ver os trechos de Rom.
8:15 e João 8:42, bem como
as n o tas expositivas ali existentes). Na ep ísto la
aos Efésiosa idéia da
paternidade de Deus é constantemente reiterada;
pois aquela epístola,
acima de qualquer outro livro do N .T., mostra-nos
as riquezas da glória que
Deus, como nosso Pai, outorga a seus filhos,
transformando os remidos
segundo a imagem de Cristo, o nosso Irmão mais
velho (ver Rom. 8:29).
(Q u an to a essa ênfase, ver os trechos de E fé.
1:1-3,5,14,17; 2:18,19;
3:14,15 e 6:23. Quanto a notas expositivas sobre
os usos das «doxologias» do
N.T., ver Efé. 3:21). As doxologias são empregadas
nas Escrituras a fim de
salientar ou enfatizar as mensagens faladas ou a
serem ditas, atribuindo
louvor a Deus, em face das bênçãos que foram
descritas ou serão descritas a
seguir.
«...séculos dos séculos...» Literalmente traduzida,
série in fin ita de tais ciclos é que
com põe a etern id ad e. (V er a m
esm a
doxologia, embora em forma mais
elaborada, em Rom. 11:36, onde
os
pensamentos da mesma são
comentados).
A passagem de Efé. 3:21 encerra
um a doxologia idêntica a esta,
exceto
que ali fica adicionado que essa
glória se manifesta no seio da
igreja, por
meio de Cristo Jesus. Glória
significa aqui o «louvor» dado
pelos lábios e
pela conduta diária. Deus é quem
receberá tal louvor, os crentes
serão um
louvor para Deus, aumentando o
seu bem-estar' e a sua glória.
Deus será
exaltado mediante as vidas dos
seus filhos que estão sendo
conduzidos à
glória, tanto através de suas
palavras como através de suas
ações. Esses
redundam em «louvor vivo» para
ele. Dizer que tudo redunda na
«glória de
a expressão diria
«...eras das eras...», expressão comum no grego
que significa «eternidade»,
p o rq u e a etern id ad e é vista como um a in term
in áv el sucessão de eras,
fazendo-nos en ten d ê-la em períodos de tem po
que possam os
compreender. Na passagem de Efé. 3:21, um dos
parágrafos das notas
expositivas a respeito é devotado à discussão de
várias fórmulas verbais que
expressam a idéia da «eternidade», encontradas
nas Escrituras. (Quanto à
expressão aqui usada, ver igualmente Gál. 1:5; Fil.
4:10; I Tim. 1:17; II
Tim. 4:18; Apo. 1:6; 4:9; 5:13; 7:12; 10:6 e outras
passagens, onde essa
expressão também é usada).
No original grego, um «aeon» indica um longo
período de tempo; e uma
Deus» é a mesma coisa que
afirmar que, de alguma maneira, o
bem deverá
ser o fim de todo o m al, p o rq u a
n to n ad a vive ou m orre em vão.
Pelo
contrário, quando todas as obras
de Deus estiverem cumpridas, o
Senhor
nada jogará fora, como se fosse
refugo lançado no vazio, pois
Deus tem
prazer em salvar, e não em
destruir. Por essas razões, e em
face de toda a
granae mensagem do evangelho
de Cristo, que a glória eterna seja
atribuída
a Deus!
«Deus, o vosso Pai, é infinito nas
riquezas de sua graça e de sua
glória, e
de sua abundância é que todos
nós temos recebido, bem como
graça sobre
g raça. Por conseguinte,, a D eus,
nosso P ai, seja a g ló ria p a ra
todo o
sempre!» (Adam Clarke, in loc.).
«...visando o suprimento de cada
necessidade, temporal ou
espiritual,
posto que todo o dom perfeito
vem da parte dele, devendo tudo
ser atribuído
à sua livre-graça e jam ais a
qualquer merecimento humano».
(John Gill, in
loc.).
mística» com ele, ver I Cor. 1:4,. é que os crentes recebem o suprimento
IX. Saudações, Encorajamentos e Apreciações Finais (4:21-23).
A mensagem da epístola aos filipenses agora é terminada. Paulo já havia mencionado
tudo quanto tencionava dizer. Mas a
epístola não poderia ser fechada sem algumas saudações pessoais. No entanto,
encontramos aqui breves saudações, ao passo que
poderíamos esperar grande número delas, conforme se vê no décimo sexto capitulo
da epístola aos Romanos, visto que o apóstolo
dos gentios era tão bem relacionado em Filipos,onde contava com muitos amigos
sinceros. Todavia, as saudações de Paulo, nesta
epístola, são coletivas, e não individuais, conforme se vê nas palavras, «Saudai a
cada um dos santos...» E as saudações que ele
envia, da parte daqueles que estavam em sua companhia, também são gerais: «Os
irmãos que se acham comigo vos saúdam...» ;
21 'AoTráoaoQç irávTa ã y i o v i v XpLorâ) 'Irjoov. àoTráj^ovTaL vfxâs o i avv ifiol
â8eX(f)oí.
encarcerad o . M uitos desses eram convertidos que
ele fizera estan d o
aprisionado, conforme transparece no versículo
seguinte. O aparente
desacordo dessa declaração com o trecho de Fil.
2:20, onde Paulo se queixa
de falta de qualquer comunhão com homens de
igual mentalidade, não é
fácil de ser explicado. (V er as n o tas expositivas a
respeito, acerca de
algumas sugestões sobre o problema). Seja como
for, o encerramento desta
epístola não era ocasião propícia para Paulo fazer
comparações de valores
entre os seus irmãos na fé, o que somente serviria
para distinguir uns dos
outros. Ele simplesmente inclui a todos em sua
saudações, tanto os fortes
como os fracos na fé. Todos eram alvo de seu amor,
o qual era formado
devido à vinculação comum de todos à pessoa de
Cristo. Dentre esse grupo
poderíamos citar Timóteo e Epafrodito (ver Fil. 2:19 e
ss.), pois pelo menos
foram totalmente leais a Paulo, em sua tribulação,
tendo-lhe sido elementos
úteis.
No tocante à identificação daqueles que
acompanharam a Paulo em seu
encarceramento, em várias oportunidades, pode-se
examinar o trecho de
Col. 4:10-15. Porém, não dispomos de m aneira para
m ostrar que aquela
gente se en co n trav a em co m p an h ia de P au lo ,
em R om a, posto que a
ep ísto la aos C olossenses certam en te alude a um
perío d o a n te rio r de
ap risio n am en to , talvez em Éfeso. (Q u an to a isso,
ver a secção II da
4:21: Saudai a cada um dos santos em Cristo Jesus.
Os irmãos que estão comigo vos
saúdam.
No o riginal grego, « ...sa u d a i...» é «aspadzom ai»,
que significa
exatamente isso, «saudar», «relembrar alguém
perante outrem»,. . «dar as
boas-vindas», embora também quisesse dizer,
algumas vezes, «abraçar», ou
«oscular». A raiz da palavra indica algo «agradável».
Portanto, a saudação
era u m a espécie de desejo expresso pelo b em -
estar de o utrem . E ssa
saudação, mui provavelmente, tinha por intuito ser
feita pelos líderes da
comunidade cristã local, os quais seriam os
primeiros a ler a epístola, para
então transmitirem a sua mensagem ao resto da
congregação.
«...cada um dos santos...» (Quanto a notas
expositivas sobre os crentes,
ao receberem o título de «santos», ver Rom. 1:7).
«.. .em Cristo Jesus...», isto é, em comunhão e união
com o Filho de Deus,
pois é nessa comunhão que se forma a fraternidade
dos remidos. (Ver o
trech o de I C or. 1:4 q u an to às «realidades m
ísticas», im plícitas n esta
expressão). Essas palavras, «em Cristo Jesus»,
podem ser vinculadas com
«santos» ou com «saudai»; mas o mais provável é
que sejam vinculadas a
«santos». Os crentes têm comunhão com Cristo, o
que os tomava irmãos
para o apóstolo dos gentios, e ele os saudou como
tais.
«...os irmãos que se acham comigo...» Paulo contava
com certo número
introdução à epístola aos Efésios, intitulada «Data e
Proveniência»).
de irmãos, em sua companhia, os quais o ajudavam
em seu estado de
22 à(777<x£ovTcu v p -â s 7rávT€s o l ãyiOL, p,á\ioTa S e ol Ík r r js K a l o a p o s o íx ía ç .
FILIPENSES 71
22 oi €K...oÍKÍas Php 1.13
4:22: Todos os santos vos saúdam, especialmente os que são da casa de César.
As palavras «...Todos os santos...» indicam a congregação cristã inteira
de Roma, ou, pelo menos, um largo círculo de crentes que habitavam
naquela cidade, os quais desejavam saudar aos irmãos da igreja de Filipos.
Paulo sem pre se p reocupou em in clu ir a ig reja local in teira de cada
localidade, fomentando assim o espírito de fraternidade e unidade. Por isso
é que em suas epístolas ele comumente enviava tais saudações, enfatizando
a un id ad e da igreja, a despeito de seus ag ru p am en to s separados
geograficamente, como era necessário pela imposição do espaço.
«...os dacasadeCésar...»E ssa expressão era co n sid erad a por m uitos
intérpretes antigos, como também o é por muitos modernos, como alusão a
membros da casa imperial que se teriam convertido ao cristianismo. Porém,
as descobertas arqueológicas têm demonstrado que oficiais subalternos,
membros das forças armadas romanas, e até mesmo escravos que faziam
algum trabalho em prol do governo, em Roma ou fora dessa cidade, nas
colónias e províncias distantes, eram chamados «casa de César». Portanto,
esta frase n ad a com prova no sentido de P au lo estar ou não emRoma,
naquela ocasião, e muito menos que se tinham convertido ao cristianismo
membros importantes da família real.
A guarda pretoriana estava incluída nessa terminologia, sendo perfeitamente possível que
Paulo tenha podido converter a alguns de seus membros
que estivessem encarregados de vigiá-lo; e esses também estão incluídos na
referência geral. (Ver as notas expositivas em Fil. 1:13, que descreve esse
grupo de soldados profissionais). Por conseguinte, ainda que Paulo se
encontrasse ap risio n ad o na cidade de R om a, e embora a maioria dos
intérpretes, até mesmo modernos, pense que o apóstolo se encontrava na
cidade imperial naquela ocasião, nada mais aqui é implícito além do fato que
vários soldados, escravos e oficiais de segunda categ o ria se tin h am
convertido ao evangelho, em Roma, talvez principalmente em resultado
direto dos labores de Paulo em seu período de aprisionamento, ainda que
também seja provável que outros cristãos tenham conseguido ganhar para
Cristo alguns daqueles. São «especialmente» esses que enviaram saudações
aos crentes filipenses, talvez por serem os elementos associados mais de
perto com o apóstolo, no momento.
Certamente Paulo não procurava vangloriar-se de «elevadas conexões», ao
referir-se à « ...casa de C ésar...» , p o rq u a n to já pudem os ver que essa
expressão não se reveste de alguma elevada significação. As saudações
especiais, da parte dos tais talvez também indique que aquela gente, a
serviço do governo rom ano, tin h a am igos nas províncias, igualm ente
pertencentes à «casa de César», e dos quais era bem-conhecido. Dessarte, é
possível que a saudação tenha sido enviada de amigos para amigos, e não
meramente para irmãos na fé, para pessoas que lhes fossem pessoalmente
desconhecidas.
Alguns eruditos têm pensado que Sêneca teria sido um dos membros da
«casa de César» que Paulo conhecia; porém, apesar de serem similares
certas coisas que Paulo e Sêneca escreveram, isso pode ser melhor explicado
pela fam iliarid ad e que am bos tinham com o estoicism o rom ano. As
supostas epístolas de Paulo a Sêneca, e vice-versa, não são autênticas, posto
que interessantes; e a idéia que conheciam um ao outro, e eram amigos, é
apenas uma ficção, sem qualquer base histórica.
23 rj xú -P LS T ° v K v p í o v ’Ir j o o v X p i o r o v j j L e r à t o v T r v e v p - a T o s v p iâ jv.3
3 23 |B) vfiíjúv. B G 1739*l'id 1881 it f,p! co p 8*1 V ioto rin u s-R o m e C h rysosto m E
uthalius // vfiíav. ànyv. p46 M A D K V ¥ -3 3 81 88 104 181 326 330
436 451 614 629 630 1241 1739cl” d 1877 1962 1984 1985 2127 2492 2495 B y z
Lrrt jt^o.d.dem.d^
J oh n -D am a scu s
v g sy rp>,‘ o o p t>,‘ arm eth A m hrosiaster T h e o d o r e t
23 to v ttvçvij.o.tos] 7ravTcov K L pia sy ç |Subscriptio: çypa<f>r) aito Pojjj/qs St E-
nacfipohirov K (L) p l sy ç
Embora alguns tenham suposto que a forma tov Trueíi/iaros — foi introduzida por
copistas, com base em Gál. 6:18 ou File.
25, a comissão ficou impressionada por sua confirmação distintam ente superior (p46 N*
A B D F G P 6 88 104 241 322 330 424
(c) 436 442 463 1319 1898 2005 2127 it (d,g,r) vg cop (sa,bo) ar etí), e explicou a variante
ttávrcov (Nc K L ' ] ' maioria dos
minúsculos sir (p,h) e Textus Receptus) como substituição escribal de um término mais
familiar como bênção (cf. I Cor. 16:24; II
Cor. 13:13; II Tes. 3:18 e Tito 3:15).
O à jiijv (p46 X A D K L P quase todos os minúsculos it (d,r,6l) vg sir (p,h) cop (bo) ara etí)
parece ter sido adicionado por
copistas, em conformidade com a prática litúrgica; se estivesse presente no original, seria
difícil explicar sua omissão em B F G 6
1739* (vid) 1836 1908 it (g) sir (pal) cop (sa) al.
(a) O subtítulo em X A B 33 466 é w pòs ^ iX n r ir r ia ío v s . Outros subtítulos incluem: (b)
irp ò s t& cXi7nr7jcríovs ■ èirXrjpcúÚri
D ; (c) èreXea-dr] irp òs & i\nrirr}<TLovs F G ; (d) irp òs fy iX tirirria ío v s kypafyr] à irò
'Pw/xrjs òt ’Eira(f)poôÍTOv K
1908 al, seguidos pelo Textus Receptus; (e) como (d) mas prefixando t o v à y ío v L ttÒv t ò
X o v IlaúÀou e-jnaToXrj L; (f)
como (c) e term inando com èypácfrr] à irò 'Pcóyurçs ò l’ T ip o d e o v K ai 'E ira cfrp o ò ÍT o
v — (cop (bo)) Etí (pp).
4:23: A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espirito.
Essa doxologia é comum a quase todas as epístolas paulinas, ainda que
algumas vezes apareça com variações superficiais, exceto que a «graça» aqui
invocada em favor dos crentes filipenses, estaria «com o Espírito» deles, ao
passo que normalmente se encontra a expressão «A graça de nosso Senhor
Jesus Cristo seja convosco». (Notas expositivas completas são dadas a
respeito disso, em Rom. 16:24 e I Cor. 16:23). Na passagem de Gál. 6:18, a
doxologia é idêntica àquela encontrada na presente epístola aos Filipenses,
e as notas expositivas ali existentes explicam a adição e os seus significados
possíveis. A adição das palavras «...com o vosso espírito...» pode ter sido
escrito tendo em vista que a epístola seria lida aos ouvidos da comunidade
cristã inteira, quando todos estivessem reunidos juntam ente, em «um
espírito». Portanto, serviria de conclusão apropriada, como se uma bênção
estivesse sendo invocada sobre toda a igreja, em um a reunião pública. Não
há que duvidar que o apóstolo tinha em mente o «espírito» dos crentes
filipenses, embora unidos ao «Espírito Santo». Porquanto assim é que o
«favor» divino invocado sobre eles poderia tornar-se verdadeiramente deles,
estando eles unidos em comunhão com o Espírito do Senhor. Notemos que o
trecho de File. 25 encerra idêntica doxologia, e que ali o favor do Espírito
Santo a ser transmitido destina-se apenas a um crente individual.
Variantes Textuais: A s palavras «...com o vosso espirito...» são lidas nos
mssP(46), Aleph(l), ABDEFGP, bem como na maioria das versões, exceto na
siríaca. Mas «...com todos vós...» são palavras que figuram nos mss Aleph(3),
KL e na versão siríaca, seguidos pelas traduções AC e KJ, dentre as catorze
traduções usadas para efeito de comparação por este comentário (nove em
inglês e cinco em português). Trata-se de uma variante inferior, porquanto a
outra forma conta com o testemunho dos manuscritos m ais antigos e dignos de
confiança.
«...amém....» Usualm ente essa palavra aparece nas epistolas paulinas; m as a
adição dessa palavra neste ponto não é genuína. Neste ponto, os m ss P(46),
Aleph, A D E K L P , as versões latinas d, e, e r, a V ulgata latina, o cóptico, o
siría c o , o a ra m a ico , o etíop e e os e sc rito s dos p a is da ig re ja T eo d o reto ,
Damasceno e Am brosiastro, assim dizem. Porém, os m ss B F G , 47, as versões
latinas f e g , como também o saídico e os pais Crisóstom o e Vitorino, além dos
m anuscritos conhecidos por Êutico, omitem essa palavra. A omissão mui
provavelm ente é a forma correta, porque seria apenas natural que os escribas
tentassem ornar o texto do que tentarem abreviá-lo ou simplificá-lo. Além
disso, somente com raridade o «amém» é autêntico nas epístolas paulinas. N as
epístolas aos Rom anos e aos G álatas o «amém» é autêntico, ao passo que nas
demais epístolas tudo tem sido acrescentado por escribas posteriores.
Sobrescrito. O sobrescrito m ais antigo dos m anuscritos é o simples aos
Filipenses, conforme se lê em Aleph, A B , 17 e 135 . M as isso foi ornado para
«escrita aos Filipenses, de Rom a, através de Epafrodito», conforme dizem os
m ss B(2), K L , o siríaco, os escritosde Teodoreto e a m aioria dos manuscritos
posteriores, incluindo os manuscritos minúsculos. A versão cóptica diz «aos
Filipenses, mediante Timóteo e Epafrodito», podendo-se ver também outras
variações. M as tais sobrescritos não fazem parte original desta epístola, antes,
foram adições feitas por escribas posteriores, acerca de questões relativas à
proveniência e aos destinatários. A lgum as vezes esses sobrescritos são corretos
(com base no teor das próprias epístolas); m as de outras vezes são conjecturas
tentativas, algum as das quais são certas, e outras erradas.