Prévia do material em texto
INTRODUÇÃO AO JORNALISMO Leticia Sangaletti Revisão técnica: Deivison Campos Bacharel em Filosofia Mestre em Sociologia da Educação Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB -10/2147 S581i Silveira, Guaracy Carlos da. Introdução ao jornalismo / Guaracy Carlos da Silveira, Letícia Sangaletti, Cristina Wagner ; [revisão técnica: Deivison Campos]. – Porto Alegre : SAGAH, 2018. 258 p. : il. ; 22,5 cm ISBN 978-85-9502-336-9 1. Jornalismo. I. Sangaletti, Letícia. II. Wagner, Cristina. III. Título. CDU 070 Introdução ao jornalismo digital Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Compreender o jornalismo digital e suas gerações. � Verificar as características do jornalismo digital. � Conhecer a construção da narração jornalística para a web. Introdução Com o avanço das tecnologias, o jornalismo se adaptou e levou junto para outras plataformas, como as digitais, o impresso, o rádio e a TV. É uma nova era de comunicação, em que tudo está conectado e novas rotinas e linguagens foram introduzidas ao meio jornalístico. Neste capítulo, você vai compreender os processos produtivos das notícias em um contexto digital multimídia. Também irá aprender como utilizar a rede como ferramenta no trabalho de apuração jornalística, e reconhecer as particularidades do texto jornalístico em ambientes digitais. O jornalismo digital e suas gerações Os modos de fazer jornalismo foram sendo modificados com o passar dos anos e o aparecimento das novas tecnologias. A internet e o computador são ferramentas que integram a rotina produtiva e facilitam muito a prática profissional. Hoje em dia, as notícias podem ser publicadas, compartilhadas e divulgadas de qualquer lugar, tendo apenas um aparelho de smartphone conectado à internet. Em sua tese de doutorado, Mielniczuk (2003) elaborou uma sistemati- zação de nomenclaturas relacionadas ao jornalismo digital para facilitar a compreensão dos termos. Isso porque percebeu que “jornalismo on-line” e “jornalismo digital” eram usados por pesquisadores norte-americanos, enquanto “jornalismo eletrônico” era mais usual entre os espanhóis. Além disso, “ciberjornalismo” e “jornalismo transmídia” também eram utilizados por teóricos. No âmbito da pesquisa brasileira, Mielniczuk (2003) identificou que a nomenclatura seguia os termos norte-americanos. Na sistematização, a pesquisadora explica que o campo eletrônico é o mais abarcante, considerando que os aparelhos e a tecnologia utilizada no âmbito jornalístico são eletrônicos, independentemente de serem analógicos ou digitais. “Assim, ao utilizar aparelhagem eletrônica, quer para a captura de informações, quer para a disseminação das mesmas, estar-se-ia exercendo o jornalismo eletrônico [...]” (MIELNICZUK, 2003, p. 25). Os artifícios digitais estão dentro do âmbito eletrônico. “São câmeras foto- gráficas digitais; gravadores de som; ilhas de edição de imagens não-lineares; suportes digitais para a disseminação da informação como disquete, CD e DVD; hardware e software para a manipulação das informações (áudio, vídeo e sons em forma de bits); entre tantos outros recursos [...]” (MIELNICZUK, 2003, p. 25). Para a pesquisadora, o jornalismo digital é conhecido também como “jornalismo multimídia”, já que pode trabalhar conjuntamente com elementos textuais, imagéticos e sonoros. No que tange ao ciberjornalismo, a nomenclatura parte da expressão ciber, que vem de cibernética. Esse termo está relacionado à produção jornalística realizada com o subsídio de tecnologias ofertadas pela cibernética, além de estar ligado também ao jornalismo “[...] praticado no – ou com o auxílio do – ciberespaço. A utilização do computador, para gerenciar um banco de dados na hora da elaboração de uma matéria, é um exemplo da prática do ciberjornalismo [...]” (MIELNICZUK, 2003, p. 25). No que diz respeito ao uso do “on-line”, a estudiosa acredita que o termo leva à concepção de tempo real, com informações sendo transmitidas continuamente e quase instantaneamente. Ela explica que os dados on-line, em grande parte das situações, são transferidos e acessados por meio de uma tecnologia digital, embora “[...] nem tudo o que é digital, é on-line [...]” (MIELNICZUK, 2003, p. 26). A partir dessas elucidações, Mielniczuk (2003) afirma que webjornalismo é um segmento particular da internet. Nas palavras da pesquisadora: O webjornalismo, por sua vez, refere-se a uma parte específica da internet, que disponibiliza interfaces gráficas de uma forma bastante amigável. A internet envolve recursos e processos que são mais amplos do que a web, embora esta seja, para o público leigo, sinônimo de internet. Canavilhas (2001) justifica a escolha do termo ‘webjornalismo’ porque a nomenclatura encontra-se re- lacionada com o suporte técnico. Para designar o jornalismo desenvolvido para a televisão, utilizamos ‘telejornalismo’; para o jornalismo voltado para o Introdução ao jornalismo digital236 rádio, chamamos de “radiojornalismo”; e chamamos de “jornalismo impresso” aquele que é feito para os jornais impressos em papel. Logo, a utilização desse termo parece natural (MIELNICZUK, 2003, p. 27). Observe na figura a seguir, as esferas que ilustram as terminologias indi- cadas pela pesquisadora em suas delimitações. Figura 1. Esferas que ilustram a delimitação das terminologias. Fonte: Mielniczuk (2003, p. 28). Jornalismo eletrônico Jornalismo digital Ciberjornalismo Jornalismo on-line Webjornalismo O jornalismo digital passou por três momentos distintos. São as chamadas etapas de evolução do jornalismo: webjornalismo de primeira, segunda e ter- ceira gerações. Mielniczuk (2003) lança, a partir da sua pesquisa de doutorado, uma classificação própria, dividindo o curso da produção jornalística em: � Webjornalismo de primeira geração: no início, era apenas reprodu- zido o conteúdo produzido no jornalismo impresso, o que se tinha era uma transposição do papel para o on-line de poucas (1 ou 2) notícias. A atualização se dava de 24 em 24 horas, conforme era realizado o fechamento da edição impressa. Acerca do que era produzido, sua rotina era vinculada inteiramente à forma dos jornais impressos. Não há preocupação com o formato em que as narrativas eram apresentadas (MIELNICZUK, 2003). 237Introdução ao jornalismo digital Reges (2011) também trata essa primeira fase como um período transposi- tivo, já que acontece a transposição integral de parte do conteúdo produzido para veículos impressos. Além disso, os textos não eram adequados para a nova mídia, não eram contratados profissionais formados em jornalismo e nem eram treinados para a nova função. “Trata-se de uma tentativa tímida de entrar no ciberespaço [...]” (REGES, 2011, p. 34). � Webjornalismo de segunda geração: nessa segunda fase se desenvolve e aprimora a parte estrutural técnica da internet no Brasil. Sendo que no final da década de 1990, experiências de webjornalismo começaram a serem ofertadas na rede. Esse período foi o que Mielniczuk (2003) chamou de fase da metáfora. Porque foi quando a interface dos produtos acabou preparada a partir do jornalismo impresso, usado como base. Por outro lado: “As publicações para a web começam a explorar as potencialidades do novo ambiente, tais como links com chamadas para notícias de fatos que acontecem no período entre as edições; o e-mail passa a ser utilizado como uma possibilidade de comunicação entre jornalista e leitor ou entre os leitores, através de fóruns de debates e a elaboração das notícias passa a explorar os recursos oferecidos pelo hipertexto [...]” (MIELNICZUK, 2003, p. 34). Reges (2011) aponta que, de 1995 em diante, os jornalistas começaram a serem contratados para se dedicar à internet. � Webjornalismo de terceira geração: com a popularização da internet, o cenário mudou e surgiram iniciativas de editorias e de empresários para esse campo. Criaram-se sites com produtos jornalísticos naweb, avançando o que se tinha no impresso. Com relação aos produtos jor- nalísticos dessa terceira geração, a pesquisadora aponta que foram realizadas tentativas de usar e explorar o campo on-line com a finalidade de produzir jornalismo. Nesse estágio, entre outras possibilidades, os produtos jornalísticos apresentam recursos em multimídia, como sons e animações, que enriquecem a narrativa jornalística; oferecem recursos de interatividade, como chats com a participa- ção de personalidades públicas, enquetes, fóruns de discussões; disponibilizam opções para a configuração do produto de acordo com interesses pessoais de cada leitor/usuário; apresentam a utilização do hipertexto não apenas como um recurso de organização das informações da edição, mas também começam a empregá-lo na narrativa de fatos (MIELNICZUK, 2003, p. 37). Introdução ao jornalismo digital238 Reges (2011) explica que essa terceira geração do webjornalismo também foi definida como período hipermidiático. � Webjornalismo de quarta geração: Reges (2011, p. 37) aponta para uma quarta geração, que surgiu a partir de 2004: “[...] proporcionada por avanços na programação dos códigos-fonte que permitem uma maior relação notícia e usuário, à medida que novas páginas são criadas mediante solicitação do usuário em navegá-las [...]. Hoje em dia, a convergência de mídias ganha cada vez mais espaço no campo do webjornalismo, pois trata de utilizar, paralelamente, elementos diferentes, como texto, fotografia e vídeo, para que um complemente o outro. E também de modo que possam ser visitados individualmente. Características e elementos do jornalismo digital As características do jornalismo digital foram definidas por diferentes teó- ricos. No Brasil, um dos pesquisadores da área se chama Marcos Palácios, que definiu cinco principais delas como sendo: elementos multimidialidade/ convergência, interatividade, hipertextualidade, personalização e memória. O estudioso cita, também, os elementos indicados por Bardoel e Deuze (2000 apud PALÁCIOS et al., 2002), que são: interatividade, customização de conteúdo, hipertextualidade e multimidialidade. Vejamos cada um deles: � Multimidialidade/convergência — Conforme Palácios et al. (2002), a multimidialidade está relacionada à convergência da imagem, texto e som, que são formatos midiáticos tradicionais quando o acontecimento jornalístico é narrado. Mielniczuk (2003) esclarece que esse elemento é bastante usado para organizar e apresentar webjornais, porém quase não possui narrativa jornalística. 239Introdução ao jornalismo digital � Interatividade — Conhecer a construção da narração jornalística para a internet. Utilizando os estudos de Bardoel e Deuze (2000 apud PALÁCIOS et al., 2002) explica que para os estudiosos, a notícia on- -line propicia ao leitor que se sinta parte do processo. Também afirma que nessa esteira não é possível abordar a interatividade de forma simples, mas considerar os processos interativos. Para isso, o termo multi-interativo é adotado para instituir os métodos em situações que envolvem o leitor de jornalismo de web. Assim, Lemos (1997) e Mie- lniczuk (1998) (apud PALÁCIOS et al., 2002, p. 4) determinam que partindo de uma conexão de internet, o usuário/leitor pode estabelecer as relações com “[...] a) com a máquina; b) com a própria publicação, através do hipertexto; e c) com outras pessoas — seja autor ou outros leitores — através da máquina [...]”. Mielniczuk (2003) esclarece que o e-mail é um dos recursos mais sim- ples para explorar essa característica, pois permite que leitor e jornal possam interagir. Fóruns de discussão também possibilitam que leitores troquem informações e são cada vez mais usados. � Hipertextualidade — Palácios et al. (2002) observa que a hipertex- tualidade é característica do jornalismo on-line e possibilita a interco- nexão de texto por meio do uso de links. Bardoel e Deuze (2000 apud PALÁCIOS et al., 2002) indicam que a hipertextualidade permite que, a partir da notícia textual, outros textos podem ser indicados, como sites, releases, arquivo. � Customização de conteúdo — É uma opção para o usuário configurar os produtos de jornalismo, a partir do que achar interessante. Palácios et al. (2002) esclarece que a customização de conteúdo também é co- nhecida como personalização ou individualização. Dentre as formas de uso dessa característica, Mielniczuk (2003) afirma que a newsletter é um dos recursos mais usados quando o usuário cadastra seu e-mail para receber as notícias. E cita sites que possibilitam que assuntos sejam pré-selecionados. Assim, quando o leitor acessa o endereço, já aparecem notícias na tela relacionadas aos seus temas de interesse pessoal. � Memória — A web possibilita um acúmulo de informações muito maior, pois possui um espaço para guardar o material e deixá-lo armazenado e disponível para o acesso imediato. Dessa maneira, é possível que o produtor da informação e o usuário recuperem a memória. “Sem as limitações anteriores de tempo e espaço, o jornalismo tem a sua primeira forma de memória múltipla, instantânea e cumulativa [...]” (PALÁCIOS et al., 2002, p. 5). Introdução ao jornalismo digital240 Para saber mais sobre o assunto, leia o texto Webjorna- lismo — Considerações gerais sobre jornalismo na web (CANAVILHAS, 2001). https://goo.gl/n6iZP5 Narrativa jornalística na web Se falarmos do jornalismo disponível na internet, precisamos retornar aos anos 1990, período do seu surgimento. Na época, ainda era uma ferramenta que auxiliava e completava as mídias já existentes, como a impressa, por exemplo, que simplesmente replicava na web a produção jornalística feita para o papel. Reges (2011) afirma que a produção jornalística na internet é recente e que está sempre se transformando. Ou seja, é uma realidade da sociedade contemporânea e necessita ser mais bem elucidada. No campo on-line brasileiro, o primeiro jornal impresso que ingressou na plataforma digital, e que depois extinguiu sua versão em papel ficando disponível apenas on-line, foi o Jornal do Brasil, em 1995. Sua última edição impressa foi distribuída no dia 31 de agosto de 2010. Depois se tornou total- mente digital, chamando a atenção o crescimento cada vez maior da produção de conteúdo para o campo da internet. No que tange à produção de conteúdo jornalístico especialmente para a internet, Palma e Dreves (2006) afirmam que ainda se discute se é melhor seguir uma forma convencional de jornalismo, ou se o mais conveniente seria implantar um novo formato. O modelo convencional, ao qual as estudiosas se referem, é o definido como padrão no século XX, com o uso da pirâmide invertida. Porém, o que elas ponderam é “[...] pensar hoje se as mesmas van- tagens que este padrão trouxe para o jornalismo impresso vêm ao encontro do jornalismo na web [...]” (PALMA; DREVES, 2006, p. 5). Canavilhas (2001) afirma que ocorreu uma migração dos mass media para a internet, sem alterar a linguagem para o novo meio. Para o estudioso, o jornalismo on-line fazia simplesmente a transposição do escrito, do rádio e da TV para o novo meio, diferente do feito na web, que é bem mais atual, 241Introdução ao jornalismo digital https://goo.gl/n6iZP5 e tem base na convergência, unindo o texto, som e imagem em movimento. Nessas condições todas as potencialidades ofertadas pela internet podem ser exploradas pelo webjornalismo. Palma e Dreves (2006) reiteram que são diferentes os modos de se produzir notícia para os meios impresso e web. Porque é necessário considerar que no jornal impresso, o espaço e tamanho do texto são definidos, enquanto na web são ilimitados. Desse modo, as teóricas apresentam, com base em outros autores, três possibilidades de estrutura de texto para a web: 1. Lineares — Nesta estrutura, o leitor fica dependente de finitas possi- bilidades de navegação na internet. 2. Reticulares — Aqui não fica definido um eixo de estrutura, o que há são alternativasgarantidas por um formato em rede, que possui espaço livre para escolher o seu percurso único e singular. 3. Mistas — Neste tipo há eixo de leitura, como, por exemplo, na estrutura linear. Porém aparecem diversas opções de individualizar seu percurso. As autoras enfatizam que o hipertexto ocorre nas três estruturas, e “[...] é ele que nos mostra que continuar a usar a pirâmide invertida é desperdiçar o potencial de liberdade e personalização da leitura contida na web [...]” (PALMA; DREVES, 2006, p. 08). A internet é um ambiente comunicativo diferente de outros, ela acolhe diferentes mídias e oportuniza aos usuários a informação em variados forma- tos, em um processo chamado de Convergência Multimídia (ROCHA, 2011). Para Castilho (2007 apud ROCHA, 2011), a convergência pode ser entendida como algo que integra, coordena e combina mídias com origem no impresso, visual, áudio e que sejam interativas, com apoio no hipertexto para diferenciar a internet de tradicionais veículos midiáticos. Sobre a cultura da convergência, um dos principais estudiosos do campo, Jenkins (2008, p. 27) afirma que é “[...] onde as velhas e as novas mídias coli- dem, onde a mídia corporativa e mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor de mídia e o poder do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis [...]”. Para o autor, a convergência é um fluxo de conteúdo por meio de várias plataformas midiáticas, com a contribuição de diferentes mercados, e aliado à migração do público de outros meios para a internet. Jenkins (2008) entende a convergência não como um termo que indica questões relacionadas apenas à tecnologia, unindo funções, mídias e aparelhos, mas também a questões de transformação cultural, tendo em vista que há um incentivo para que os consumidores participem das mídias. Introdução ao jornalismo digital242 Nessa perspectiva, Jenkins (2008) levanta a questão de que os meios de comunicação mais antigos não foram substituídos por novos, mas passam por transformações com o uso de novas tecnologias. Dessa forma, existem não só no modelo tradicional, mas também na internet. Dentre as maneiras de se contar histórias a partir da união de diferentes mídias, e com a convergência, temos os conceitos de multimídia, crossmídia e transmídia. Conheça cada um deles: � Multimídia — A história é contada com o uso de diferentes mídias ao mesmo tempo. Porém a narrativa não é compreendida se faltar algum dos elementos, e eles não podem ser entendidos separadamente. � Crossmídia — A mesma história pode ser compreendida em cada mídia de forma independente. Uma vai reforçar a compreensão da outra, porém seu entendimento pode ser individual. Exemplo: adaptação de livros. O Hobbit possui a versão literária, a cinematográfica e também jogos com sua narrativa. Tudo isso pode ser visto separadamente. � Transmídia — Cada história é narrada independentemente, sendo parte de um universo específico e se complementando de modo a formar uma grande narrativa. Por exemplo: filmes e livros como O Senhor dos Anéis. Trata-se de uma trilogia, sendo necessário ler o primeiro livro ou assistir ao primeiro filme, para então dar sequência aos próximos. Caso contrário a compreensão da grande narrativa fica comprometida. Você pode aprender mais sobre convergência e webjor- nalismo no link a seguir (SANTI, 2011): https://goo.gl/PgiAKB 243Introdução ao jornalismo digital https://goo.gl/PgiAKB 1. A estudiosa Mielniczuk (2003) elaborou uma sistematização de nomenclaturas relacionadas ao jornalismo digital, de modo a colaborar com a compreensão dos termos. Sobre isso, assinale a alternativa correta: a) Jornalismo eletrônico: é desenvolvido utilizando tecnologias de transmissão de dados em rede e em tempo real. b) Jornalismo digital: utiliza equipamentos e recursos eletrônicos. c) Ciberjornalismo: emprega tecnologia digital. Todo procedimento que implica no tratamento de dados em forma de bits. d) Jornalismo on-line: envolve tecnologias que utilizam o ciberespaço. e) Webjornalismo: diz respeito à utilização de uma parte específica da internet, que é a web, para a produção de jornalismo. 2. Com relação às gerações de webjornalismo, assinale a alternativa correta: a) No webjornalismo de primeira geração é desenvolvida e aprimorada uma estrutura técnica da internet no Brasil, sendo que no final da década de 1990, experiências de webjornalismo começaram a serem ofertadas na rede. b) Webjornalismo de segunda geração apenas reproduzia o conteúdo produzido no jornalismo impresso. O que se tinha era uma transposição do papel para o on-line de uma ou duas notícias. c) Webjornalismo de terceira geração também chamado de fase metáfora. d) No webjornalismo de primeira geração, a atualização se dava de 48 em 48 horas, conforme era realizado o fechamento da edição impressa. Com relação ao que era produzido, sua rotina era vinculada inteiramente à forma dos jornais impressos. Para você ver mais exemplos de jornalismo digital, acesse a tese Jornalismo na web: uma contribuição para o estudo do formato da notícia na escrita hipertextual (MIELNICZUK, 2003). https://goo.gl/UNgIeH Introdução ao jornalismo digital244 https://goo.gl/UNgIeH Não há preocupação com o formato em que as narrativas eram apresentadas. e) No webjornalismo de terceira geração, os produtos jornalísticos apresentam recursos em multimídia, como sons e animações, que enriquecem a narrativa jornalística; oferecem recursos de interatividade, como chats com a participação de personalidades públicas, enquetes, fóruns de discussões. 3. São características do jornalismo digital, de acordo com o proposto por Palácios et al. (2002)? a) Multimidialidade/convergência; memória; customização de conteúdo; hipertextualidade; interatividade. b) Convergência; memória; customização de conteúdo; hipertextualidade; interatividade, hiperlinks. c) Apenas memória; hipertextualidade; interatividade. d) Multimidialidade/convergência; customização de conteúdo; hipertextualidade; interatividade; ciberjornalismo. e) Ciberjornalismo; webjornalismo, multimidialidade/convergência; memória; interatividade. 4. Palma e Dreves (2006) reiteram que são diferentes os modos de se produzir notícia para os meios impresso e web, pois é necessário considerar que no jornal impresso, o espaço e tamanho do texto são definidos, enquanto na web são ilimitados. Desse modo, as teóricas apresentam, com base em outros autores, três possibilidades de estrutura de texto para a web: lineares, reticulares e mistas. Assinale a resposta correta. a) Mistas: neste tipo há eixo de leitura, como, por exemplo, na estrutura linear. Porém, aparecem diversas possibilidades de individualizar seu percurso. b) Lineares: há eixo de leitura, como na estrutura linear, porém ocorrem diversas possibilidades de individualizar seu percurso. c) Reticulares: nesta estrutura o leitor fica dependente das possibilidades finitas de navegação na internet. d) Lineares: aqui não fica definido um eixo de estrutura. O que se tem são possibilidades garantidas por um formato em rede, que possui espaço livre para escolher o seu percurso único e singular. e) Mistas: aqui não fica definido um eixo de estrutura. O que há são possibilidades garantidas por um formato em rede, que possui espaço livre para escolher o seu percurso único e singular. 5. Com relação aos primórdios do jornalismo on-line, o que o caracterizava? a) A produção independente de notícias para a internet. b) Desde seu início usava convergência de mídias. c) Caracterizava-se pela transposição de notícias do jornalismo escrito. d) Possuía jornalistas que se dedicavam apenas à produção on-line. e) Caracterizava-se pela dedicação em fornecer uma linguagem compatível com o meio on-line. 245Introdução ao jornalismo digital CANAVILHAS, J. M. Webjornalismo: considerações gerais sobre o jornalismo na web. Covilhã: Universidadeda Beira Interior, [2001]. Disponível em: <http://www.bocc.ubi. pt/pag/canavilhas-joao-webjornal.pdf>. Acesso em: 19 jan. 2018. JENKINS, H. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2008. MIELNICZUK, L. Jornalismo na web: uma contribuição para o estudo do formato da notícia na escrita hipertextual. 2003. 246 f. Tese (Doutorado em Comunicação e Culturas Contemporâneas) – Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Culturas Contemporâneas, Faculdade de Comunicação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2003. Disponível em: <http://poscom.tempsite.ws/wp-content/ uploads/2011/05/Luciana-Mielniczuk.pdf>. Acesso em: 24 dez. 2017. PALÁCIOS, M. et al. Um mapeamento de características e tendências no jornalismo on-line brasileiro e português. Comunicarte, Portugal, v. 1, n. 2, p. 159-170, set. 2002. Disponível em: <https://www.facom.ufba.br/jol/pdf/2002_palacios_mapeamentojol. pdf>. Acesso em: 22 dez. 2017. PALMA, G. B.; DREVES, A. As novas formas narrativas do jornalismo online: a procura de um caminho. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 29., 2006, Brasília. Anais... Brasília: UnB, 2006. Disponível em: <http://www.intercom.org. br/papers/nacionais/2006/resumos/R1928-2.pdf>. Acesso em: 19 jan. 2018. REGES, T. L. R. Características e gerações do webjornalismo: análise dos aspectos tec- nológicos, editoriais e funcionais.Barreiras: Faculdade São Francisco de Barreiras, 2011. Disponível em: <http://www.bocc.ubi.pt/pag/reges-thiara-caracteristicas-e- -geracoes-do-webjornalismo.pdf>. Acesso em: 04 dez. 2017. ROCHA, L. V. A utilização de elementos multimídia no jornalismo online: a cobertura do G1 sobre o Tsunami no Japão. In: ENCONTRO NACIONAL DE HISTÓRIA DA MÍDIA, 8., 2011, Guarapuava. Anais... Guarapuava: [s.n.], 2011. Disponível em: <https://goo.gl/ U2R9Ka>. Acesso em: 24 maio 2016. SANTI, V. J. A “cultura da convergência” e o processo de apuração no webjornalismo. Revista de Estudos da Comunicação, Curitiba, v. 12, n. 28, p. 141-152, maio/ago. 2011. Disponível em: <https://periodicos.pucpr.br/index.php/estudosdecomunicacao/ article/view/22366/21464>. Acesso em: 19 jan. 2018. Leitura recomendada CANAVILHAS, J. M. Webjornalismo: da pirâmide invertida à pirâmide deitada. Covilhã: Universidade da Beira Interior, [2001?]. Disponível em: <http://www.bocc.ubi.pt/pag/ canavilhas-joao-webjornalismo-piramide-invertida.pdf>. Acesso em: 19 jan. 2018. Introdução ao jornalismo digital246 http://www.bocc.ubi/ http://poscom.tempsite.ws/wp-content/ https://www.facom.ufba.br/jol/pdf/2002_palacios_mapeamentojol. http://www.intercom.org/ http://www.bocc.ubi.pt/pag/reges-thiara-caracteristicas-e- https://goo.gl/ https://periodicos.pucpr.br/index.php/estudosdecomunicacao/ http://www.bocc.ubi.pt/pag/ Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: