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Avaliando a estabilidade do tronco: core stability tests
Copyright © 2019 by Cauê Vazquez La Scala Teixeira
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meio, sem autorização prévia por escrito do autor/editor. Sua distribuição e/ou
comercialização também não é permitida por outros meios que não os
autorizados pelo autor/editor. O descumprimento está sujeito às penas
previstas em lei.
Como citar:
La Scala Teixeira, CV. Avaliando a estabilidade do tronco: core stability tests.
Santos: Edição do Autor, 2019.
Inclui bibliografia
ISBN: 978-85-917506-3-4
Apresentação
Devido à grande prevalência de dor lombar crônica (lombalgia) na
população mundial, à consequente incapacidade funcional gerada por essa
condição e à associação da lombalgia com o baixo nível de condicionamento
dos músculos estabilizadores do tronco (core), torna-se cada vez maior o
interesse de pesquisadores e profissionais da área da saúde por testes que
permitam identificar disfunções nos músculos do core, possibilitando
diagnósticos mais precisos que auxiliam no tratamento e/ou na prevenção das
dores lombares.
Porém, embora também seja crescente o número de publicações
técnicas e científicas explorando os mais diferentes testes e suas
características, grande parte dessas publicações está em língua estrangeira, o
que dificulta o entendimento para muitos estudantes e profissionais brasileiros.
Esse e-book tem o propósito de facilitar o acesso à informação de
qualidade, apresentando testes específicos para avaliar a estabilidade do
tronco extraídos de publicações com elevada relevância científica. Além do
amparo científico, os testes selecionados para apresentação nesse livro têm
boa relação custo-benefício, o que viabiliza sua aplicação imediata por parte de
terapeutas e treinadores.
Para que o leitor não se limite ao conteúdo aqui apresentado, o e-book
tem um formato interativo, permitindo cliques sobre as referências, o que
direciona à fonte da informação, possibilitando a complementação da leitura.
Nesse sentido, sugere-se fortemente que o leitor não se limite às informações
aqui expressas, mas busque informações em diversas fontes. Afinal, o
constructo do conhecimento depende da aquisição de informações em
diferentes fontes, bem como da conexão entre as mesmas.
Desfrute do conteúdo. Bons estudos e ótimos testes!
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Sumário
Estabilidade do tronco (core stability) ................................................................. 6
Teste de 4 apoios: identifique o nível de consciência postural ........................... 7
Sorensen test: o preditor de dor lombar ............................................................. 9
Agachamento unipodal: o preditor de lesões no joelho .................................... 11
McGill test: identifique desequilíbrios musculares no tronco ............................ 13
Teste de prancha ventral: avalie a performance abdominal ............................. 15
Teste de ponte dorsal: avalie a cadeia posterior e antirrotacional .................... 17
Teste de extensão lombar passiva: identifique instabilidade lombar ................ 19
Teste de Adams: identifique as escolioses ...................................................... 20
Teste de unidade pressórica de biofeedback: avalie a força do transverso
abdominal ......................................................................................................... 21
Referências ...................................................................................................... 23
Sobre o autor .................................................................................................... 25
6
Estabilidade do tronco (core stability)
Core é uma palavra da língua inglesa que significa núcleo, centro ou a
parte mais importante de um corpo. No corpo humano, o core representa a
região de tronco. Essa região abriga 29 pares de músculos que possuem a
importante função de manter a estabilidade do segmento axial (coluna; tronco)
no intuito de amenizar as sobrecargas impostas a essa região pelo postura
bípede e fornecer uma boa base de suporte para as tarefas realizadas pelos
segmentos apendiculares (membros superiores e inferiores) (La Scala Teixeira
et al., 2019).
Devido a diversos fatores presentes na sociedade moderna como o
aumento do comportamento sedentário, a manutenção da posição sentada por
longos períodos, o estresse, dentre outros, não é raro observar pessoas com
dores lombares (lombalgia) crônicas e recorrentes. Embora a lombalgia seja
multifatorial, uma das características que é comumente observada em sujeitos
lombálgicos é o baixo nível de condicionamento dos músculos do tronco,
especialmente, os músculos profundos, o que leva à baixa estabilidade do
tronco. Essa condição, além de prejudicar o desempenho em tarefas cotidianas
e esportivas, pode contribuir para a elevação das sobrecargas às estruturas
passivas (ex. articulações), aumentando o risco de dores e lesões (ex. hérnia
de disco, condromalácia patelar).
Assim, conhecer técnicas que permitem avaliar o nível de
condicionamento desses músculos e, por conseguinte, o nível de estabilidade
do tronco pode ser interessante para auxiliar no diagnóstico de problemas
existentes e evitar o desenvolvimento de diversos problemas futuros. Em
outras palavras, dominar testes específicos que mensuram a estabilidade do
core passa a ser uma obrigação para profissionais da saúde, especialmente,
Profissionais de Educação Física e Fisioterapeutas.
As páginas seguintes apresentam uma série de testes destinados à
avaliação da estabilidade do core. Embora existam muitos outros testes além
dos que são aqui apresentados, a seleção de testes para esse e-book
considerou, principalmente, a viabilidade e a praticidade da aplicação dos
mesmos em academias, clínicas e no personal training.
7
Teste de 4 apoios: identifique o nível de consciência postural
O teste de 4 apoios é um teste não validado, porém útil para analisar o
nível de consciência corporal do avaliado com relação à manutenção das
curvaturas anatômicas da coluna diante da ausência de feedback visual ou
verbal.
Para tanto, o avaliado deve permanecer em 4 apoios (mãos e joelhos) e,
mantendo o olhar para o solo, deve ser orientado a manter a postura do tronco
da forma que julga ideal. O avaliador deve observar o tronco do avaliado, com
atenção especial às curvaturas da coluna e ao posicionamento das escápulas:
Lordose lombar: acentuação (hiperlordose), atenuação (retificação) ou
normalidade
Cifose torácica: acentuação (hipercifose), atenuação (retificação) ou
normalidade
Lordose cervical: acentuação (hiperlordose), atenuação (retificação) ou
normalidade Escápulas: abdução, adução ou normalidade
A observação de padrões posturais que fogem à normalidade (desvios)
pode indicar um baixo nível de consciência postural, o que tende a prejudicar a
manutenção de uma postural ideal durante atividades cotidianas e esportivas,
aumentando o risco de desenvolver desequilíbrios musculares e lesões. Assim,
diante da observação de desvios, o avaliador deve fornecer feedback verbal
8
e/ou visual para que o avaliado os perceba através da somestesia
(propriocepção), facilitando assim as correções e a reeducação postural.
9
Sorensen test: o preditor de dor lombar
O Sorensen test leva o nome do pesquisador que propôs a sua
utilização através de um estudo publicado em 1984 (Biering-Sorensen, 1984).
Trata-se de um teste que avalia a resistência isométrica dos extensores
do tronco, registrando-se o tempo (em segundos) que o avaliado, posicionado
em decúbito ventral sobre uma maca, é capaz de manter o tronco suspenso em
posição horizontal pela ação dos músculos extensores da coluna.
Embora o procedimento seja simples, os resultados podem trazer
informações bastante interessantes. No referido estudo, como esperado,
homens livres de dor lombar no momento do teste apresentaram desempenho
superior em relação aos que relataram dor lombar, ou seja, conseguiram
sustentar a isometria por mais tempo. Porém, o mais curioso é que os homens
que apresentaram desempenho intermediário desenvolveram dor lombar no
período de 1 ano.
Assim, o autor sugere que o teste pode predizer a lombalgia e que
homens que apresentam desempenho mediano (~176 segundos) devem
receber uma atenção especial no que se refere às intervenções futuras, no
intuito de evitar o desenvolvimento de dores lombares.
10
Característica dos sujeitos
Desempenho médio (em seg.)
Homens (n=442) Mulheres (n=478)
Sem dor lombar (saudáveis 198 197
Apresentaram dor lombar em 1 ano 176 210
Com dor lombar (lombálgicos) 163 177
Vale ressaltar que essa observação só foi feita em homens. Para
mulheres, os resultados do teste não foram válidos para predizer lombalgia no
período de 1 ano, pois as que apresentaram melhor desempenho no teste
foram as que apresentaram dores no referido período.
Estudo mais recente sugere que, em pessoas de ambos os sexos com
dores lombares, um desempenho superior a 60 segundos nesse teste seria
pré-requisito para que a mesma possa ser submetida a exercícios resistidos
mais intensos, como o levantamento terra (Berglund et al, 2015).
11
Agachamento unipodal: o preditor de lesões no joelho
O teste de agachamento unipodal, como o nome já leva a crer, consiste
na execução de um agachamento realizado sob apoio de um único pé
(dominante ou não). O avaliado pode ou não estar posicionado sobre uma
caixa baixa (~20cm). Ao comando do avaliador, mantendo os braços cruzados
à frente do peito, o avaliado deverá agachar lentamente (~2") sobre um dos
pés, tão profundo quanto possível, mantendo a sola do pé em contato com o
solo durante todo o tempo. O número de repetições não é fixo, mas,
geralmente, fica entre 3 e 5.
Posicionado na frente do avaliado, o avaliador deverá observar possíveis
desalinhamentos do tronco, da pelve e do joelho durante a execução dos
movimentos. A figura abaixo mostra algumas das possíveis (e mais comuns)
performances observadas no teste (Crossley et al., 2011).
A. Performance desejada; boa performance
B. Performance ruim (tronco)
C. Performance ruim (pelve e quadril)
D. Performance ruim (quadril e joelho)
12
O mais interessante desse teste é que a observação de performance
ruim, principalmente relacionada ao quadril e/ou joelho, é um indicativo de risco
aumentado para lesão em membros inferiores, sobretudo no ligamento cruzado
anterior. Isso é mais comum em mulheres (Zeller et al., 2003). Assim, diante da
performance ruim, especialmente C e D, atenção especial deve ser dada aos
músculos adjacentes ao quadril.
13
McGill test: identifique desequilíbrios musculares no tronco
O McGill test leva o nome do pesquisador que propôs sua aplicação
para avaliar a resistência isométrica dos músculos do tronco: cadeias anterior,
posterior e laterais (McGill et al., 1999).
Consiste na execução de 4 testes, separados por um intervalo mínimo
de 5 minutos, nos quais o avaliado deve permanecer nas posições requeridas
pelo máximo de tempo possível:
1. Sentado com os pés apoiados e travados no solo, mantendo 90º de
flexão dos joelhos e tronco a 60º do solo (obs.: o caixote de madeira
serve para marcar a posição inicial e deve ser desencostado das costas
do avaliado ao início do teste) - A
2. Deitado em decúbito ventral sobre uma maca, mantendo o tronco
suspenso em posição horizontal - B
3. Prancha lateral direita com apoio do antebraço e dos pés (pé esquerdo à
frente) - C
4. Prancha lateral esquerda com apoio do antebraço e dos pés (pé direito à
frente) - D
14
Os resultados obtidos nos 4 testes podem ser comparados com as
médias observadas pelos autores em adultos jovens de ambos os sexos. O
desejável é que um adulto jovem saudável apresente desempenho semelhante.
Teste
Desempenho médio observado (em seg.)
Homens (n=31) Mulheres (n=44) Geral (n=75)
Extensores 146 189 171
Flexores 144 149 147
Prancha lateral direita 94 72 81
Prancha lateral esquerda 97 77 85
Além de avaliar a resistência isométrica dos músculos do tronco em uma
abordagem multidimensional, o que pode ser um bom indicativo do nível de
estabilidade do tronco e do risco de desenvolver lombalgia, o teste permite
analisar o equilíbrio entre as cadeias anterior e posterior, bem como entre
direita e esquerda. Para isso, basta calcular a razão (divisão) entre os
respectivos resultados (ex.: anterior/posterior, direita/esquerda). As razões
observadas no estudo podem ser vistas abaixo e o desejável é que um adulto
jovem saudável apresente resultados semelhantes.
Razão Homens Mulheres
Anterior/Posterior ~1,0 ~0,8
Direita/Esquerda ~1,0 ~1,0
15
Teste de prancha ventral: avalie a performance abdominal
O teste de prancha ventral (ou prancha abdominal) tem o propósito de
avaliar a resistência isométrica dos músculos da cadeia anterior,
especialmente, do tronco e do quadril (Bohannon et al., 2018).
Para tanto, o avaliado deve permanecer na posição de prancha ventral,
com apoio dos antebraços e dos pés, pelo máximo tempo possível, mantendo o
corpo alinhado e preservando as posições neutras da pelve, da coluna e das
escápulas. Nesse teste, embora não haja padrão de referência para
classificação, o tempo observado deve ser utilizado para verificar o progresso
do avaliado após período de intervenção.
Uma possível variação que visa otimizar o tempo de aplicação do teste é
a prancha ventral em intervalo. O procedimento do teste é semelhante, porém
o avaliado deve permanecer na posição somente por 95 segundos. Após esse
tempo, o teste é interrompido e o avaliador registra a percepção de esforço do
avaliado em uma escala de 0 a 10. A percepção de esforço serve para predizer
o tempo máximo que o avaliado permaneceria na posição, porém deve-se
considerar o nível de atividade física do mesmo (Reece, 2009). O nível de
atividade física deve ser relatado pelo próprio avaliado, considerando-se
sedentário quando as atividades físicas do avaliado se restringem às tarefas
cotidianas, pouco ativo quando atividades leves, como caminhada, são
praticadas por, aproximadamente, 45 minutos diários, ativos quando a soma
entre atividades físicas leves e moderadas chega a 75 minutos por dia e muito
ativo quando atividades pesadas ou vigorosas são praticadas por 60-75
minutos diários.
16
PSE (95") Sedentário Pouco ativo Ativo Muito ativo
0 300 318 335 353
1 277 294 312 330
2 253271 289 306
3 230 248 265 283
4 206 224 242 260
5 183 201 218 236
6 160 177 195 213
7 136 154 172 189
8 113 131 148 166
9 - 107 125 143
10 - - 101 119
17
Teste de ponte dorsal: avalie a cadeia posterior e
antirrotacional
O teste de ponte dorsal ou ponte supina tem o objetivo de identificar
fraqueza nos músculos de cadeia posterior, bem como naqueles que exercem
a função antirrotacional do tronco.
O avaliado deve deitar em decúbito dorsal, mantendo os joelhos
flexionados, as solas dos pés apoiadas no solo e os braços estendidos e
paralelos ao corpo. Ao comando do avaliador, o avaliado deve elevar os
quadris até extensão completa, alinhando a coxa com o tronco, mantendo a
posição neutra da coluna e sustentando essa posição por 5 segundos (A).
Caso tenha executado a tarefa anterior, deverá prosseguir no teste, retirando
um dos pés do solo e estendendo o respectivo joelho, mantendo essa posição
por mais 5 segundos (B). Caso tenha concluído essa tarefa, deverá executar o
mesmo procedimento com a outra perna, sustendo por mais 5 segundos e
retornando ao apoio bipodal e à posição inicial (Friedrich et al., 2017).
18
Observando toda a execução do teste, o avaliador deve considerar os
escores abaixo:
0. Inapto a manter a posição neutra da coluna durante os 5 segundos
iniciais: sugestivo de fraqueza dos músculos da cadeia posterior,
encurtamento dos flexores de quadril e baixa consciência corporal.
1. Interrupção do teste por fadiga muscular: sugestivo de fraqueza dos
músculos da cadeia posterior.
2. Execução da transferência de peso (perna) com pobre qualidade (>3 cm
de rotação da pelve): sugestivo de fraqueza dos músculos rotadores do
tronco
3. Execução da transferência de peso (perna) com boa qualidade (coluna
neutral e pelve estável): resultado desejável
19
Teste de extensão lombar passiva: identifique instabilidade
lombar
Esse teste tem a função de verificar a presença de dor na região lombar
diante de uma hiperextensão realizada de forma passiva.
Com o avaliado deitado sobre uma maca ou colchonete em decúbito
ventral, o avaliador deverá elevar as pernas do avaliado até que os pés do
mesmo atinjam, aproximadamente, 30 cm da maca (ou solo). Além de
suspender as pernas, o avaliador deve tracioná-las levemente, orientando o
avaliado a manter os joelhos estendidos.
O resultado positivo se dá quando o avaliado reclama de forte dor
lombar durante a elevação das pernas e a dor desaparece assim que as
pernas retornam à posição inicial. Em contrapartida, quando o avaliado reclama
de uma leve sensação ou ausência de desconforto na região lombar, o
resultado é negativo.
Estudo recente sugere que esse teste é um dos mais sensíveis para
identificar instabilidade lombar quando observado resultado positivo (Ferrari et
al., 2015).
20
Teste de Adams: identifique as escolioses
O teste de Adams, também conhecido como teste de flexão anterior,
leva o nome de seu proponente e tem por objetivo auxiliar no diagnóstico de
escoliose da coluna vertebral (Fairbank, 2004).
Nesse teste, o avaliado deve permanecer sem camisa, manter os pés
unidos e flexionar o tronco levando as mãos unidas em direção aos pés,
mantendo os joelhos estendidos. O avaliador, posicionado à frente ou atrás do
avaliado, deve olhar, de forma longitudinal, em toda a extensão da coluna para
identificar possíveis alterações na altura do tórax de um lado em relação ao
outro (gibosidade). Para identificar as gibosidades, o avaliador pode somente
observar ou utilizar um nível de bolha.
A gibosidade observada indica escoliose, ou seja, diante da observação
de gibosidade do lado direito, há uma escoliose convexa direita ou destro-
convexa. Se a gibosidade for observada do lado esquerdo, a escoliose é
convexa esquerda ou sinistro-convexa.
Esse teste pode ser complementado com o teste de McGill (prancha
lateral), pois diante da observação de escoliose, possivelmente haja
desequilíbrio na resistência isométrica entre as cadeias laterais.
21
Teste de unidade pressórica de biofeedback: avalie a força do
transverso abdominal
Esse teste se propõe a avaliar, de forma indireta, a força isométrica do
transverso do abdome (Costa et al., 2004). Para isso, utiliza-se uma bolsa
inflável com medidas específicas (17 x 24 cm, dividida em 3 camadas
específicas) conectada ao um manômetro que mensura a pressão em
milímetros de mercúrio (mmHg).
O avaliado deve deitar em decúbito ventral sobre a bolsa inflável que
deve permanecer abaixo do seu abdome, posicionando a borda inferior da
bolsa entre as duas espinhas ilíacas ântero-superiores e com seu centro sob a
linha alba. Após posicionada de forma correta, a bolsa deve ser inflada até que
o manômetro atinge 70 mmHg.
O avaliador deve orientar o avaliado a manter a posição neutra da
coluna ao mesmo tempo em que expira e contrai o transverso do abdome
("encolher a barriga", "aproximar o umbigo das costas"). A contração deve ser
sustentada por 10 segundos.
Diante da contração do transverso, espera-se que o valor de pressão
registrado no manômetro diminua. O ideal é que o mesmo diminua entre 4 e 10
mmHg e que essa diminuição se mantenha constante durante os 10 segundos
do teste. Caso o avaliado não atinja essa zona de diminuição da pressão ou
não a consiga sustentar por 10 segundos, o teste sugere fraqueza do
transverso abdominal.
22
Como a bolsa inflável específica não é popular, pode-se adaptar o teste
usando esfigmomanômetro convencional (13 x 22 cm). Os procedimentos são
semelhantes, porém a pressão inicial para o teste deve ser de 40 mmHg
(Carvalho et al., 2011).
23
Referências
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https://scholarsarchive.byu.edu/etd/1845/
24
Zeller BL et al. Differences in kinematics and electromyographic activity
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Med 2003;31(3):449-56.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12750142
25
Sobre o autor
Cauê Vazquez La Scala Teixeira
é graduado em Educação Física,
Especialista em Fisiologia do
Exercício, Mestre e Doutorando em
Ciências. Docente no ensino superior
(graduação e pós-graduação),
palestrante em congressos e eventos
técnicos e científicos. Pesquisador do
Grupo de Estudos da Obesidade
(GEO/UNIFESP). Autor de 9 livros e
mais de 50 artigos científicos
publicados em revistas nacionais e
internacionais.
Para saber mais, clique sobre a imagem
http://caueteixeira.com/