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TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS MARYELLA JÚNNIA FERREIRA E SILVA U N I D A D E 2 UNIDADE 2| INTRODUÇÃO Fonte: Pixabay No Brasil, a cultura do desperdício de materiais diversos é apontada como um entrave à Gestão de Resíduos (SILVA e ANDREOLI, 2010) que é um dos temas mais importantes quando se trata do cuidado com o meio ambiente e com a sociedade. A gestão de resíduos sólidos abrange um vasto número de tópicos, como o cumprimento da legislação vigente, a busca pela aplicação das melhorias práticas, a classificação e destinação correta dos resíduos entre tantos outros. UNIDADE 2| OBJETIVOS 1. Compreender a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sua importância e história. 2. Analisar as características físicas, químicas e biológicas dos resíduos. 3. Classificar os resíduos de acordo com a origem. 4. Aplicar as técnicas de gerenciamento integrado dos resíduos sólidos. POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS A fim de reduzir o impacto dos resíduos sólidos no meio ambiente, a temática da gestão integrada e do gerenciamento de resíduos sólidos passou a contar com um importante arcabouço legal no país. Fonte: Pixabay Instituída pela Lei Federal nº 12.305/2010 e regulamentada pelo Decreto nº 7.404/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelece as diretrizes, responsabilidades, princípios e objetivos que norteiam os diferentes participantes na implementação da gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, sendo um dos grandes desafios à gestão ambiental urbana nos municípios brasileiros na atualidade. A PNRS estabelece ainda os instrumentos para avanços na gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos no território nacional e, nesse sentido, confere destaque ao planejamento a ser estabelecido mediante articulação entre as diferentes esferas do poder público, e destas com o setor empresarial, com vistas à cooperação para atendimento dos objetivos da Lei. Segundo a PNRS são considerados resíduos sólidos todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnicas ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível. Fonte: Pixabay A falta de gerenciamento apropriado pode prejudicar não somente o meio ambiente, como também a população, além de impactos diretos para as organizações. A responsabilidade pelo gerenciamento de resíduos é dividida entre o poder público e o privado, ou seja, o Governo e cada setor da cadeia produtiva firmam um acordo setorial para implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto. PLANO NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS O Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares) não se confunde com a Lei e a PNRS, visto que representa a estratégia de longo prazo em âmbito nacional para operacionalizar as disposições legais, princípios, objetivos e diretrizes da Política. Fonte: Planares (2021). O Plano tem início com o diagnóstico da situação dos resíduos sólidos no país, seguido de uma proposição de cenários, no qual são contempladas tendências nacionais, internacionais e macroeconômicas. E, com base nas premissas consideradas em tais capítulos iniciais, são propostas as metas, diretrizes, projetos, programas e ações voltadas à consecução dos objetivos da Lei para um horizonte de 20 anos. O Planares tem vigência por prazo indeterminado e deve ser atualizado a cada quatro anos, periodicidade que deverá ser referenciada no processo de elaboração do Plano Plurianual da União (PPA), de modo a orientar os investimentos e a alocação dos recursos para esse setor. A Política Nacional de Resíduos Sólidos integra, por sua vez, a Política Nacional de Meio Ambiente, cabendo ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) coordenar sua implementação, bem como acompanhar e monitorar sua aplicação e desdobramentos, nos termos da Lei n º 12.305, de 2010. Fonte: Pixabay CARACTERÍSTICAS FÍSICAS, QUÍMICAS E BIOLÓGICAS DOS RESÍDUOS A utilização de tecnologias para tratamento baseadas na possibilidade de tratar os resíduos e, concomitantemente, gerar energia, se apresenta relevante, tendo a qualidade fundamental de redução do passivo ambiental para as gerações futuras. Desta forma, o conhecimento das características dos resíduos sólidos urbanos é fundamental para a elaboração de projetos para tratamento e gestão desses resíduos. Fonte: Pixabay A caracterização física dos resíduos sólidos urbanos traz benefícios, visto que permite planejar e avaliar o potencial de recuperação, reciclagem e reutilização dos resíduos tornando possível, a partir desses dados, serem adotadas as melhores medidas de gerenciamento (FIRMEZA, 2005). De acordo com a NBR 10.004 da ABNT de 1987, os resíduos sólidos podem ser classificados em: - Geração per capita; - Composição gravimétrica; - Peso específico aparente; - Teor de umidade; - Compressividade. CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS Os RSU são muito heterogêneos, pois consistem de frações de diversos tamanhos com diferentes composições, sendo estas muito específicas. Isso faz com que a caracterização química dos resíduos sólidos urbanos seja muito difícil e cara (RIBER et al., 2007 apud SOARES, 2011). Fonte: Pixabay O conhecimento das características químicas possibilita a seleção de processos de tratamento e técnicas de disposição final. Como propriedades químicas dos resíduos, temos: • Poder calorífico; • Potencial hidrogeniônico (pH); • Composição química; • Relação carbono/nitrogênio (C:N). Fonte: Pixabay As características biológicas são determinantes na escolha dos métodos de tratamento e disposição final dos resíduos sólidos, e podem ser utilizados como aceleradores da matéria orgânica presente no lixo. CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS Apesar de uma maior participação da fração orgânica no total de RSU coletados no país, ainda se verifica que eles são majoritariamente descartados de forma misturada, inviabilizando ações específicas para o aproveitamento de tal fração, o que contribui sobremaneira para as emissões de gases de efeito estufa. Fonte: Pixabay Os resíduos orgânicos são constituídos basicamente por restos de alimentos e vegetais descartados. Podem ter diversas origens, por exemplo, domiciliar ou urbana (restos de alimentos, de jardinagem, podas etc.), agrícola ou industrial (resíduos de agroindústria alimentícia, indústria madeireira, frigoríficos, etc.) e de saneamento básico (lodo de estações de tratamento de esgoto). Fonte: Freepik Em ambientes naturais e em pequenas quantidades, esses materiais se degradam espontaneamente e reciclam os nutrientes presentes em processos como os ciclos do carbono e do nitrogênio. Entretanto, quando derivados de atividades humanas, especialmente em ambientes urbanos, podem constituir um sério problema ambiental pela velocidade e volume em que são gerados, assim como quando são dispostos em locais inadequados. RESÍDUOS DE SERVIÇOS PÚBLICOS DE SANEAMENTO BÁSICO Os sistemas de tratamento para tornar a água potável ou para a redução da quantidade de poluentes presentes no esgoto antes de seu lançamento em corpos hídricos englobam processos físicos, químicos e biológicos. A geração de resíduos é, assim, inerente à concepção e operação das Estações de Tratamento de Água (ETA) e Estações de Tratamento de Esgotos (ETE). Fonte: Pixabay Os resíduos industriais “são os gerados nos processos produtivos e instalações industriais”, que podem ser perigosos ou não perigosos, e os resíduos de serviços de saúde, por suas características, necessitam de processos diferenciados em seu manejo, não havendo necessidade de tratamento prévio à sua disposição final. Os resíduos da construção civil são “aqueles gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil,incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis”, e também que mesmo sendo diversificado, nota-se que a composição do RSD rural é cada vez mais semelhante ao resíduo urbano, devido, muitas vezes, à proximidade das comunidades rurais a centros urbanos. Os Resíduos de Serviço de Transporte (RST) são aqueles “originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira”, e que as substâncias minerais geradas pelo setor são agrupadas em 3 classes principais: minerais metálicos, minerais não metálicos e energéticos. GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS O gerenciamento de resíduos deve fundamentar- se em ações preventivas, preferencialmente às ações corretivas, e ter uma abordagem multidisciplinar, considerando que os problemas ambientais e suas soluções são determinados não apenas por fatores tecnológicos, mas também por questões econômicas, físicas, sociais, culturais e políticas. Fonte: Pixabay Um programa de gerenciamento de resíduos deve utilizar o princípio da responsabilidade objetiva, na qual o gerador dos resíduos é o responsável pelo seu correto tratamento e descarte (individual ou coletivo), mesmo após sua saída do local onde é gerado (PGRSS, 2018). O gerenciamento dos resíduos sólidos nas cidades é responsabilidade do Poder Público, de acordo com um Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Empresas que atuam ou são geradoras de resíduos também precisam ter um Plano de Gerenciamento de Resíduos. No Plano são planejadas ações exercidas nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos, e a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. MANEJO DE RESÍDUOS O manuseio, o acondicionamento e o armazenamento dos resíduos de forma correta, viabiliza aumentar as oportunidades de reutilização e reciclagem, visto que se forem realizados de forma incorreta, pode ocorrer a contaminação, e tornar o resíduo irrecuperável, inviabilizando sua reutilização. Fonte: Pixabay A coleta, transporte, destinação e disposição final requer uma atenção especial dependendo da origem do resíduo. Essas etapas exigem muita atenção no processo de gerenciamento por apresentarem riscos quanto à alteração da qualidade dos resíduos gerados, em casos como resíduos de serviços de saúde que possuem classes de classificação, a classe pode acabar sendo alterada caso os resíduos sejam misturados. Fonte: Pixabay OBRIGADA!