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Cw3 - Psicologia da Educação e da Aprendizagem 
Desenvolvimento Humano 
Aula 1 
Período Sensório-Motor (0 - 2 anos) 
Período sensório-motor (0-2 anos) 
Estudante, nesta aula, adentraremos na teoria de Jean Piaget, investigando as nuances 
do desenvolvimento cognitivo. Aprofundaremos na sua teoria chamada epistemologia 
genética, analisando os processos de construção do conhecimento humano. 
Iniciaremos pelo período sensório-motor, estágio que é a base para as demais 
aprendizagens. Esses temas são relevantes para a atuação docente e estarão presentes 
em toda a sua jornada profissional. Junte-se a nós nesse percurso de descobertas e 
reflexões. 
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula. 
Bons estudos! 
Ponto de Partida 
Nesta aula, exploraremos conceitos propostos por Jean Piaget, centrando-nos na 
compreensão do desenvolvimento cognitivo, destacando a relevância da 
Epistemologia Genética e do período sensório-motor. A proposta é instigar reflexões 
sobre como esses elementos se entrelaçam, moldando a construção do conhecimento 
desde os estágios iniciais. 
Ao problematizar, questionaremos como a teoria de Piaget se aplica no entendimento 
prático do desenvolvimento infantil e como a Epistemologia Genética fornece a base 
para compreendermos a evolução do pensamento humano. Aprofundaremos a análise 
no período sensório-motor, desafiando você, estudante a conectar teoria e prática, 
identificando como esses estágios influenciam a aprendizagem na infância. 
Para contextualizar a sua aprendizagem, nesta aula analisaremos a seguinte situação: 
em um berçário, você, como estagiário, observa que um bebê tem uma forte resposta 
de agarrar objetos sempre que algo toca suas palmas. Ao mesmo tempo, parece não 
demonstrar reconhecimento ou interesse visual por esses objetos. Sua tarefa será 
formular hipóteses sobre o comportamento do bebê, considerando as características 
do período sensório-motor. 
Nesta aula, você está convidado a mergulhar na perspectiva da aprendizagem 
enquanto construção. Observe atentamente, pois cada ponto discutido terá 
implicações diretas em sua prática profissional. O entendimento dessa teoria não só 
enriquecerá sua base teórica, mas também abrirá portas para estratégias pedagógicas 
mais eficazes. Abrace este aprendizado, a compreensão profunda desses temas se 
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/PSICOLOGIA_DA_EDUCACAO_E_DA_APRENDIZAGEM/PPT/U3a1_psi_edu_apr.pdf
torna uma ferramenta essencial em sua jornada como profissional da educação. 
Vamos iniciar essa jornada de descobertas e transformações! 
 
Vamos Começar! 
Jean Piaget (1896-1980), apesar de ser bastante conhecido na área da Educação por 
suas contribuições sobre desenvolvimento infantil e cognição, não era psicólogo nem 
pedagogo. Piaget fez sua formação em Biologia e, por esse motivo, dedicou-se a 
submeter o processo de aquisição do conhecimento pela criança a uma rigorosa 
observação científica. A abordagem teórica criada por ele é denominada 
epistemologia genética porque é considerada uma teoria do conhecimento focada no 
desenvolvimento natural da criança. 
Ao estudar o raciocínio lógico-matemático, Piaget contribuiu enormemente com a 
educação. O raciocínio lógico-matemático é um tipo de pensamento fundamental para 
a escola e para a vida, que depende, no entanto, da estrutura de conhecimento da 
criança. Assim, não pode ser ensinado como outras habilidades. 
As propostas piagetianas demonstram que transmitir conhecimentos tem limitações. 
Desse modo, uma criança é incapaz de aprender questões para as quais não possui 
condições de absorção. Segundo Piaget, o conhecimento infantil acontece por meio de 
descobertas da própria criança, é construído pelo próprio aluno e não pelo professor. 
Por isso, sua teoria inaugura o que chamamos hoje de correntes construtivistas. 
O conhecimento não pode ser concebido como algo pré-determinado nem nas 
estruturas internas do sujeito porquanto estas resultam de uma construção efetiva e 
contínua, nem nas características preexistentes do objeto, uma vez que elas só são 
conhecidas graças à mediação necessária dessas estruturas, e que essas, ao 
enquadrá-las, enriquecem-nas. (PIAGET, 2007, p. 1) 
Em propostas construtivistas, o professor assume um papel de facilitador da 
aprendizagem, incentivando o aluno para que chegue sozinho às suas conclusões. Por 
isso, o professor precisa conhecer e compreender como se dá o desenvolvimento 
psicológico do aluno para utilizar os métodos e procedimentos adequados. De acordo 
com Coll (1996), o construtivismo baliza-se em três pressupostos: 
1. O aluno é o responsável por sua aprendizagem. 
2. No ambiente escolar, o conhecimento que já foi elaborado deve ser reconstruído 
pelo aluno. 
3. O professor tem o papel de orientador no processo de reconstrução do 
conhecimento. 
Nesse sentido, um conhecimento só pode ser verdadeiro se for construído e 
organizado pelo indivíduo e não recebido de fora. O conhecimento é resultado de um 
processo causal em que os indivíduos se adequam e se adaptam ao meio. O 
desenvolvimento intelectual, para Piaget, ocorre do mesmo modo que o 
desenvolvimento biológico. 
Os processos cognitivos não acontecem separados da adaptação do indivíduo ao meio, 
já que se adaptar é uma tendência inerente a qualquer espécie. A organização do 
conhecimento é considerada a habilidade para integrar estruturas físicas e 
psicológicas em sistemas coerentes de funcionamento. Para se adaptar e se organizar 
intelectualmente, os indivíduos fazem uso de estruturas e processos cognitivos 
denominados esquemas (Wadsworth, 1996). 
Ao nascer, os bebês apresentam poucos esquemas, sendo que eles possuem natureza 
apenas reflexa. À medida que se desenvolve, os esquemas da criança se tornam 
generalizados, diferenciados e numerosos. Fica claro, portanto, que as crianças não 
possuem os mesmos tipos de raciocínio que os adultos e atingem a maturidade 
psicológica gradualmente. A inserção de valores, regras e símbolos para a criança 
ocorre por meio de dois mecanismos: assimilação e acomodação. A assimilação 
consiste em incorporar objetos e conhecimentos sobre o mundo em esquemas 
cognitivos já existentes. A acomodação, por sua vez, refere-se a modificações nos 
esquemas que se dão por influência do meio externo. 
• Assimilação: incluir conhecimentos externos em esquemas cognitivos 
preexistentes. 
• Acomodação: modificar um esquema existente para incluir conhecimentos 
sobre o mundo que não pertenciam a esse esquema anteriormente. 
Como ocorrem, na prática, a assimilação e a acomodação? 
Imagine uma criança que conhece como animais de quatro patas somente cachorros. 
O esquema cognitivo para essa categoria de conhecimentos da criança seria algo 
como “cachorros – quatro patas – au”. Certo dia, essa criança estava em uma fazenda 
e viu, pela primeira vez na vida, uma vaca. A criança aponta para a vaca e diz para o 
pai: “Papai, au”. Esse processo representa a assimilação. 
O pai corrige a criança e explica que aquele animal é uma vaca e não um cachorro. 
Também tem quatro patas, mas possui outras diferenças físicas e faz “muuuu” e não 
“au”. Assim, a criança modifica o esquema cognitivo preexistente e organiza seu 
conhecimento em um esquema diferente para incluir uma informação que ela não 
possuía antes: nem todos os animais de quatro patas são cachorros. Esse processo 
representa a acomodação. 
Um importante conceito da epistemologia genética é o egocentrismo. O egocentrismo 
significa que a criança só consegue ver o mundo a partir do seu próprio ponto de 
vista, sem entender ainda que outras pessoas têm visões do mundo diferentes dela. 
Esse conceito representa, ainda, o caráter fantasioso e pouco lógico do raciocínio 
infantil. O desenvolvimento cognitivo da criança implica em um abandono gradual do 
egocentrismo rumo ao raciocínio lógico. É por meio do domínio da lógica que a 
criançaadquire noções de responsabilidade individual, o que é indispensável para sua 
autonomia moral. 
 
Siga em Frente... 
Estágios de desenvolvimento - período sensório-motor 
De acordo com Piaget, o desenvolvimento da cognição durante a infância passa por 
quatro estágios, do nascimento à pré-adolescência. Somente após o último estágio é 
que se pode dizer que o indivíduo atingiu sua capacidade de raciocínio plenamente. 
Os quatro estágios do desenvolvimento propostos por Piaget são: 
1. Sensório-motor (0 a 2 anos). 
2. Pré-operacional (2 a 7 anos). 
3. Operacional concreto (7 aos 11 ou 12 anos). 
4. Operacional formal (12 anos em diante). 
O primeiro estágio, denominado período sensório-motor, vai de 0 a 2 anos. Durante 
esse período, as crianças adquirem a capacidade de administrar reflexos (ações 
reflexas) básicos que gerem ações prazerosas ou vantajosas. É um período anterior à 
aquisição de linguagem, no qual o bebê desenvolve a percepção de si mesmo e dos 
objetos à sua volta. No início do período sensório-motor, o recém-nascido constrói 
esquemas cognitivos por meio de reflexos neurológicos básicos (sucção, movimento 
dos olhos, etc.). 
O bebê precisa pegar e tocar nos objetos com as mãos, leva-os à boca para favorecer o 
reflexo de sucção, vê e acompanha com os olhos tudo o que está diante de si. 
Aprimorando esses esquemas, é capaz de ver um objeto, pegá-lo e levá-lo à boca. 
Esse estágio do desenvolvimento é marcado pela construção prática das noções de 
tempo, espaço, objeto e causalidade (Macedo, 1994). Lopes (1996) destaca que as 
noções de espaço e tempo, durante esse período, são construídas por meio da ação, 
promovendo uma inteligência essencialmente prática. No período sensório-motor, a 
criança conquista o mundo ao redor mediante a percepção e os movimentos. 
Os esquemas de ação referem-se às estruturas mentais que representam as atividades e 
interações do bebê com o ambiente. Durante o período sensório-motor, esses 
esquemas são construídos por meio das experiências sensoriais e motoras. Por 
exemplo, um bebê pode desenvolver um esquema de "pegar" ao repetidamente 
agarrar objetos. Conforme a repetição e a prática dessas ações, os esquemas de ação 
tornam-se mais complexos e adaptáveis, formando a base para o desenvolvimento 
cognitivo subsequente. 
Em suma, no período sensório-motor, as ações reflexas são proeminentes, 
representando respostas automáticas, enquanto os esquemas de ação são gradualmente 
construídos através da interação do bebê com o ambiente, fornecendo a base para a 
compreensão sensorial e motora do mundo ao seu redor. 
 
Vamos Exercitar? 
Como apresentado no início da aula, imagine que você está trabalhando como 
estagiário em um berçário, e seu supervisor pediu para observar e analisar o 
comportamento de bebês recém-nascidos. Durante suas observações, você nota que 
um bebê tem uma forte resposta de agarrar objetos sempre que algo toca suas palmas. 
No entanto, ao mesmo tempo, parece não demonstrar reconhecimento ou interesse 
visual por esses objetos. Como estudante de graduação, sua tarefa é formular 
hipóteses sobre o comportamento do bebê, considerando as características do período 
sensório-motor. 
• Como você explicaria essa situação, levando em conta os conceitos de ações 
reflexas e esquemas de ação? 
• Como isso pode influenciar o desenvolvimento cognitivo do bebê nesse estágio 
inicial? 
Diante dessa situação, é possível inferir que o comportamento do bebê, caracterizado 
por uma forte resposta de agarrar objetos ao tocar suas palmas, reflete a presença 
proeminente de ações reflexas típicas do período sensório-motor. No entanto, a 
aparente falta de reconhecimento visual ou interesse nos objetos pode indicar uma 
limitação na coordenação sensorial-motora. 
Uma explicação possível é que o bebê está focado principalmente em respostas 
motoras automáticas, representando uma ação reflexa de agarrar ao sentir contato nas 
palmas. No estágio sensório-motor, as experiências sensoriais são fundamentais, mas 
a coordenação completa entre diferentes aspectos sensoriais pode ainda estar em 
desenvolvimento. 
Como estudante, você poderia sugerir que o bebê está no início do processo de 
construção de esquemas de ação. Embora as ações reflexas estejam presentes, a 
integração completa entre essas ações e o reconhecimento visual pode exigir mais 
tempo e experiência. Isso destaca a importância de fornecer estímulos sensoriais 
variados e oportunidades para a exploração, promovendo o desenvolvimento 
cognitivo no período sensório-motor. 
Portanto, como parte de sua análise, você pode recomendar estratégias para 
enriquecer o ambiente do bebê com estímulos visuais, incentivando a coordenação 
entre ações reflexas e a percepção visual, contribuindo assim para um 
desenvolvimento mais abrangente durante o período sensório-motor. 
 
Saiba Mais 
Quer entender melhor como a proposta construtivista pode ser utilizada na realidade 
escolar, em diferentes disciplinas? Veja só! 
Entendemos que construtivismo na Educação poderá ser a forma teórica ampla que 
reúna as várias tendências atuais do pensamento educacional. Tendências que têm 
em comum a insatisfação com um sistema educacional que teima (ideologia) em 
continuar essa forma particular de transmissão que é a Escola, que consiste em fazer 
repetir, recitar, aprender, ensinar o que já está pronto, em vez de fazer agir, operar, 
criar, construir a partir da realidade vivida por alunos e professores, isto é, pela 
sociedade – a próxima e, aos poucos, as distantes. A Educação deve ser um processo 
de construção de conhecimento ao qual ocorrem, em condição de 
complementaridade, por um lado, os alunos e professores e, por outro, os problemas 
sociais atuais e o conhecimento já construído” . (BECKER, 1994, [s. p.]) 
Acesse o Blog da Psicologia da Educação para explorar artigos e vídeos sobre a teoria 
piagetiana e o período sensório-motor. Para começar, sugerimos: Desenvolvimento e 
aprendizagem – Piaget. 
 
 
Também indicamos o filme francês Bebês, de 2008, dirigido por Thomas Balmès. 
Esse filme acompanha quatro bebês em seu primeiro ano de vida. Os bebês estão em 
lugares, países e culturas distintas: Namíbia, Mongólia, Japão e Estados Unidos. São 
ambientes e costumes diversos, mas todos lutam de acordo com suas possibilidades 
para conquistar o mundo ao seu redor. 
Aula 2 
Período Pré-operatório (2 - 7 anos) 
Período pré-operatório (2-7 anos) 
Saudações, estudante! Esta aula é dedicada ao período pré-operacional e suas 
características, como o surgimento da linguagem, o jogo simbólico e o pensamento 
reversível. Esses temas são fundamentais para compreender o desenvolvimento 
cognitivo a partir da epstemologia genética. Esteja preparado para embarcar nessa 
jornada de conhecimento e aprimorar suas competências profissionais. 
https://www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/desenvolvimento-e-aprendizagem/
https://www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/desenvolvimento-e-aprendizagem/
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula. 
Bons estudos! 
Ponto de Partida 
Nesta aula, vamos explorar conceitos essenciais do desenvolvimento infantil, como o 
período pré-operacional, o surgimento da linguagem, o jogo simbólico e o 
pensamento reversível. Esses temas são fundamentais para quem atua na educação e 
no cuidado infantil. 
Ao investigarmos o período pré-operacional, vamos entender como as crianças entre 2 
e 7 anos pensam, destacando a curiosidade intensa e a importância do jogo simbólico. 
A linguagem desempenha um papel central, moldando não apenas a comunicação, 
mas também o desenvolvimento cognitivo infantil. 
O jogo simbólico será analisado como uma ferramenta valiosa para entender como as 
crianças interpretam o mundo ao seu redor. Além disso, exploraremos o pensamento 
reversível, compreendendo como as crianças desenvolvem a habilidade de considerar 
diferentes perspectivas. 
O jogo simbólicoserá analisado como uma ferramenta valiosa para entender como as 
crianças interpretam o mundo ao seu redor. Além disso, exploraremos o pensamento 
reversível, capacidade que amplia as possibilidades de interação do sujeito com os 
objetos de conhecimento, por viabilizar que ações sejam revertidas 
mentalmente, desenvolvendo a habilidade de considerar diferentes perspectivas. 
Nosso foco será na aplicação prática desses conhecimentos na sua atuação 
profissional. Como educadores, como podemos usar esses conceitos para melhorar 
nossas práticas pedagógicas? Como o entendimento do jogo simbólico e do 
pensamento reversível pode influenciar na criação de ambientes educacionais mais 
eficazes? 
Fique atento a essas questões, pois serão a base de nossa discussão. Cada tópico 
explorado é uma peça fundamental para compreender o desenvolvimento infantil e 
contribuirá muito para sua prática profissional. 
Convido você a se juntar a nós nessa jornada de aprendizado. Esse conhecimento não 
só ampliará suas bases teóricas, mas também terá um impacto prático em suas 
interações diárias com as crianças. Estamos animados para explorar esses conceitos 
juntos, inspirando práticas educacionais mais enriquecedoras. Vamos lá! 
 
Vamos Começar! 
No contexto do desenvolvimento humano, é importante reconhecer que a criança não 
é simplesmente uma versão reduzida do adulto, mas sim apresenta características 
distintas de sua faixa etária (Bock et al., 2023). A compreensão dessa distinção é 
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/PSICOLOGIA_DA_EDUCACAO_E_DA_APRENDIZAGEM/PPT/U3a2_psi_edu_apr.pdf
fundamental para a apreciação da importância do estudo do desenvolvimento 
humano, conforme indicado por estudos e pesquisas de Piaget (Bock et al., 2023). 
Estudar o desenvolvimento humano significa conhecer as características comuns de 
uma faixa etária, permitindo-nos reconhecer as individualidades, o que nos torna mais 
aptos para a observação e a interpretação dos comportamentos. 
Todos esses aspectos têm importância para a Educação, tanto a escolar como a 
familiar. Planejar o que e como ensinar implica saber quem é o educando. Por 
exemplo, a linguagem que usamos com uma criança de 4 anos não é a mesma que 
usamos com um adolescente de 14 anos. Reconhecer como “próprias da idade” 
algumas manifestações de crianças, jovens, adultos ou idosos também nos ajuda nas 
relações vividas no grupo familiar e educação de todos. 
Finalmente, estudar o desenvolvimento humano significa descobrir que ele é 
determinado pela interação contínua de vários fatores. 
Segundo Bock et al. (2023) vários fatores indissociáveis e em permanente interação 
afetam todos os aspectos do desenvolvimento. São eles: 
• Hereditariedade: a carga genética estabelece o potencial do indivíduo, que 
pode ou não se desenvolver. Existem pesquisas que comprovam os aspectos 
genéticos da inteligência, no entanto, a inteligência pode desenvolver-se aquém 
ou além do seu potencial, dependendo das condições do meio. 
• Crescimento orgânico: refere-se ao aspecto físico. O aumento de altura e a 
estabilização do esqueleto permitem ao indivíduo comportamentos e um 
domínio do mundo que antes não existiam. Pense nas possibilidades de 
descobertas de uma criança, quando começa a engatinhar e depois a andar em 
relação à quando estava no berço com alguns dias de vida. 
• Maturação neurofisiológica: é o que torna possível determinado padrão de 
comportamento. A alfabetização das crianças, por exemplo, depende dessa 
maturação. Para segurar o lápis e manejá-lo, é necessário um desenvolvimento 
neurológico que uma criança entre 2 e 3 anos não tem. Há maneiras de perceber, 
compreender e se comportar diante do mundo, próprias de cada faixa etária. 
• Meio: o conjunto de influências e estimulações ambientais altera os padrões de 
comportamento do indivíduo. Por exemplo, se a estimulação verbal for muito 
intensa, uma criança de 3 anos pode ter um repertório verbal muito maior do que 
a média das crianças de sua idade, mas, ao mesmo tempo, pode não subir e 
descer uma escada com facilidade se essa situação não fez parte de sua 
experiência de vida. 
• Relações sociais: as relações vividas pelas pessoas (que poderiam estar 
incluídas no item anterior) devem ser destacadas pela importância e pelo peso 
que esse fator tem no desenvolvimento. Sabemos, hoje, graças a muitas 
pesquisas que se realizam no campo do desenvolvimento, que a forma como as 
pessoas se relacionam (por exemplo, se há hábito de leitura no grupo familiar; 
se há espaço para conversar sobre o cotidiano da escola ou outras experiências 
das crianças) pode ter grande influência no desenvolvimento. 
• Cultura: os rituais, crenças, formas de comportamento, valores e objetos de 
estimulação de determinada cultura formam o conjunto decisivo para o 
desenvolvimento do ser humano. O tipo de cultura constituída e consolidada em 
um grupo social carrega formas de pensar, de falar e de agir que influenciam o 
desenvolvimento do ser humano, sua trajetória e formas (Bock et al., 2023, p. 
73). 
Lembre-se que o desenvolvimento humano deve ser entendido como uma totalidade, 
mas frequentemente é explorado a partir de quatro aspectos básicos: 
• Aspecto físico-motor: refere-se ao crescimento orgânico, à maturação 
neurofisiológica, à capacidade de manipulação de objetos e de exercício do 
próprio corpo. Exemplo: uma criança leva a chupeta à boca ou consegue tomar a 
mamadeira sozinha por volta dos 7 meses, porque já coordena os movimentos 
das mãos. 
• Aspecto intelectual: é a capacidade de pensamento, raciocínio. Por exemplo, 
uma criança de 2 anos que usa um cabo de vassoura para puxar um brinquedo 
que está embaixo de um móvel ou um jovem que planeja seus gastos a partir de 
sua mesada ou salário. 
• Aspecto afetivo-emocional: é o modo particular de o indivíduo integrar as suas 
experiências. É o sentir. A sexualidade faz parte desse aspecto. Exemplos: a 
vergonha que sentimos em algumas situações, o medo em outras, a alegria de 
rever um amigo querido. 
• Aspecto social: é a maneira como o indivíduo reage diante das situações que 
envolvem outras pessoas. Por exemplo, em um grupo de crianças, no parque, é 
possível observar que algumas buscam espontaneamente outras para brincar, 
enquanto algumas permanecem sozinhas (Bock et al., 2023, p. 74). 
Se analisarmos melhor cada um desses exemplos, descobriremos que todos os outros 
aspectos estão presentes em cada um dos casos. E é sempre assim. Não é possível 
encontrar um exemplo “puro”, porque todos os aspectos se relacionam 
permanentemente. Por exemplo, uma criança tem dificuldades de aprendizagem e 
repete o ano, vai se tornando cada vez mais “tímida” ou “agressiva”, com poucos 
amigos. Um dia, descobre-se que as dificuldades tinham origem em uma deficiência 
auditiva. Quando isso é corrigido, todo o quadro se reverte. A história pode também 
não ter um final feliz se os danos forem graves. 
Todas as teorias do desenvolvimento humano partem do pressuposto de que esses 
quatro aspectos são indissociáveis, mas elas podem enfatizar aspectos diferentes, ou 
seja, estudar o desenvolvimento global a partir da ênfase em um dos aspectos. A 
Psicanálise, por exemplo, estuda o desenvolvimento a partir do aspecto afetivo-
emocional, isto é, do desenvolvimento da sexualidade. Jean Piaget enfatiza o 
desenvolvimento intelectual, vamos aprender sobre mais um dos estágios de 
desenvolvimento a seguir. 
 
Siga em Frente... 
Período pré-operatório (2 a 7 anos) 
Nesse período, também chamado de primeira infância, o mais importante é o 
aparecimento da linguagem, que provocará modificações nos aspectos intelectual, 
afetivo e social da criança. 
A interação e a comunicação entre os indivíduos são, sem dúvida, as consequências 
mais evidentes da linguagem. Com a palavra, há possibilidade de exteriorização da 
vida interior e, portanto, a possibilidade decorrigir ações futuras. A criança já 
antecipa o que vai fazer. 
Como decorrência do aparecimento da linguagem, o desenvolvimento do pensamento 
se acelera. No início do período, o pensamento exclui toda a objetividade, a criança 
transforma o real em função dos seus desejos e fantasias (jogo simbólico); 
posteriormente, utiliza-o como referencial para explicar o mundo real, a sua própria 
atividade, seu eu e suas leis morais; no final do período, passa a procurar a razão 
causal e finalista de tudo (é a fase dos famosos “por quês”). É um pensamento mais 
adaptado ao outro e ao real. 
Como surgem várias novas capacidades, muitas vezes nesse período ocorre a 
superestimação da capacidade da criança. É importante ter claro que grande parte 
do seu repertório verbal é usada de forma imitativa, sem que ela domine o significado 
das palavras. A criança tem dificuldades de reconhecer a ordem em que mais de dois 
ou três eventos ocorrem e não possui o conceito de número. (Bock et al., 2023, p. 75) 
A interação e a comunicação entre os indivíduos são as consequências mais evidentes 
da linguagem. 
Por ainda estar centrada em si mesma, ocorre uma primazia do próprio ponto de vista, 
o que torna impossível o trabalho em grupo. Essa dificuldade mantém-se ao longo do 
período, na medida em que a criança não consegue se colocar sob o ponto de vista do 
outro. 
No aspecto afetivo, surgem os sentimentos interindividuais, sendo um dos mais 
relevantes o respeito que a criança nutre pelos indivíduos que julga superiores a ela, 
como pais e professores. É um misto de amor e temor. Seus sentimentos morais 
refletem essa relação com os adultos significativos – a moral da obediência –, em que 
o critério de bem e mal é a vontade dos adultos. 
Com relação às regras, mesmo nas brincadeiras, concebe-as como imutáveis e 
determinadas externamente. Mais tarde, adquire uma noção mais elaborada de regra, 
compreendendo-a como necessária para organizar a brincadeira, porém não a discute. 
Com o domínio ampliado do mundo, seu interesse pelas diferentes atividades e 
objetos se multiplica, diferencia e regulariza, isto é, torna-se estável. A partir desse 
interesse, surge uma escala de valores própria da criança, que passa a avaliar suas 
próprias ações a partir dessa escala. 
Segundo Bock et al. (2023), é importante ainda considerar que, nesse período, a 
maturação neurofisiológica completa-se, permitindo o desenvolvimento de novas 
habilidades, como a coordenação motora fina – pegar pequenos objetos com as pontas 
dos dedos, segurar o lápis corretamente e conseguir fazer os delicados movimentos 
exigidos pela escrita. 
 
Vamos Exercitar? 
Durante nossa aula, consideramos duas problematizações importantes para os 
educadores: Como podemos utilizar os conceitos apresentados para aprimorar nossas 
práticas pedagógicas? E de que maneira o entendimento do jogo simbólico e do 
pensamento reversível pode influenciar na criação de ambientes educacionais mais 
eficazes? 
Em relação à primeira questão, discutimos o período pré-operacional, o surgimento da 
linguagem, o jogo simbólico e o pensamento reversível. Compreender o pensamento 
das crianças nessa fase, marcado pela curiosidade intensa e pelo jogo simbólico, nos 
permite personalizar abordagens de ensino, tornando-as mais envolventes e eficazes. 
A aplicação prática desses conhecimentos pode envolver atividades que estimulem a 
expressão simbólica, promovendo o desenvolvimento cognitivo e linguístico das 
crianças. 
Quanto à segunda problematização, o jogo simbólico e o pensamento reversível 
podem ser elementos-chave na criação de ambientes educacionais mais eficazes. Ao 
reconhecer o valor do jogo simbólico, os educadores podem criar espaços que 
incentivem a criatividade e a expressão individual. Além disso, o entendimento do 
pensamento reversível nos permite projetar atividades que estimulem a reflexão e a 
consideração de diferentes perspectivas, promovendo habilidades cognitivas e sociais. 
Para além das discussões realizadas, Convido você, estudante, a refletir sobre como 
adaptar essas estratégias à sua realidade específica. Cada ambiente educacional é 
único, e a flexibilidade na aplicação desses conceitos pode ser uma ferramenta 
poderosa para enfrentar desafios específicos. 
Em suma, exploramos possibilidades para aprimorar práticas pedagógicas e criar 
ambientes educacionais mais eficazes, destacando a importância de uma abordagem 
personalizada e flexível. sobre essas possibilidades e aplicando-as em sua jornada 
profissional. . Que esta aula inspire ações concretas para um ambiente educacional 
mais enriquecedor e inclusivo. 
 
Saiba Mais 
Indicamos que você assista ao filme italiano Crianças invisíveis, de 2005, dirigido por 
Mehdi Charef. Trata-se de uma compilação de várias histórias sobre crianças de 
vários países do mundo. É possível observar os desafios do desenvolvimento, as 
interações e aprendizagens. 
Também recomendamos a leitura do artigo A linguagem e as operações intelectuais – 
Piaget, do Blog Psicologia da Educação. 
Aula 3 
Período Operatório-concreto (7 - 11 ou 12 anos) 
Período operatório-concreto (7-11 ou 12 anos) 
Olá, estudante! Na próxima videoaula, exploraremos conceitos fundamentais em 
psicologia do desenvolvimento: lógica, reversibilidade e conservação, segundo 
Piaget. Entender esses elementos é essencial para aprimorar sua prática profissional 
na educação. Acompanhe essa jornada de descoberta e fortaleça suas habilidades 
pedagógicas. 
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula. 
Ponto de Partida 
Na aula de hoje, mergulharemos nos fascinantes conceitos propostos por Jean Piaget, 
focando em lógica, reversibilidade e conservação. Esses pilares do desenvolvimento 
cognitivo infantil são fundamentais para compreendermos como as crianças 
constroem o conhecimento sobre o mundo ao seu redor. 
Exploraremos a lógica na perspectiva de Piaget, compreendendo como as crianças 
desenvolvem padrões de raciocínio ao longo das diferentes fases do desenvolvimento. 
A reversibilidade, por sua vez, nos levará a refletir sobre a capacidade da criança de 
entender que certas operações podem ser desfeitas ou revertidas, um marco crucial no 
desenvolvimento cognitivo. 
https://www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/linguagem-operacoes-intelectuais/
https://www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/linguagem-operacoes-intelectuais/
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/PSICOLOGIA_DA_EDUCACAO_E_DA_APRENDIZAGEM/PPT/U3a3_psi_edu_apr.pdf
A conservação, conceito central em Piaget, será abordada em diferentes contextos, 
desde a conservação de quantidade até a conservação de volume. Entender como as 
crianças adquirem essa noção de permanência de características físicas é essencial 
para orientar práticas educacionais mais eficazes. 
A problematização que guiará nossas discussões hoje é: como podemos aplicar esses 
conceitos de lógica, reversibilidade e conservação em nossas abordagens 
pedagógicas? Como educadores, de que forma podemos estimular o desenvolvimento 
cognitivo infantil, levando em consideração as fases propostas por Piaget? 
Convido você, estudante, a estar atento a esses pontos-chave durante a aula, pois 
serão fundamentais para responder a essas problematizações. Cada tópico abordado 
contribuirá não apenas para sua compreensão teórica, mas também para a aplicação 
prática em seu cotidiano profissional. 
Ao final, quero motivá-lo a mergulhar nesse aprendizado. Entender como as crianças 
constroem o conhecimento é uma ferramenta poderosa para aprimorar suas práticas 
educacionais. Aplique esses conceitos de forma criativa e adaptativa e você verá 
como podem transformar a dinâmica da aprendizagem. Estamos prontos para iniciar 
essa jornada educacional! Vamos lá! 
 
Vamos Começar! 
Período operatório-concreto (7-11/12 anos) 
O desenvolvimento mental, caracterizado no período anterior pelo egocentrismo 
intelectuale social, é superado nesse período pelo início da construção lógica – 
capacidade da criança de estabelecer relações que permitam a coordenação de pontos 
de vista diferentes. Esses pontos de vista podem referir-se a pessoas diferentes ou à 
própria criança, que “vê” um objeto ou uma situação com aspectos diferentes e até 
conflitantes. Ela consegue coordenar esses pontos de vista e integrá-los de modo 
lógico e coerente. 
No plano afetivo, isso significa que ela será capaz de cooperar com os outros, de 
trabalhar em grupo e, ao mesmo tempo, de ter autonomia pessoal. 
No plano intelectual, o que possibilitará isso é o surgimento de uma nova capacidade 
mental da criança: as operações. Ela consegue realizar uma ação física ou mental 
dirigida para um fim (objetivo) e revertê-la para o seu início. Em um jogo de quebra-
cabeça, próprio para a idade, ela consegue, na metade do jogo, descobrir um erro, 
desmanchar uma parte e recomeçar de onde corrigiu, terminando de montá-lo. As 
operações sempre se referem a objetos concretos presentes ou já experimentados. 
Outra característica desse período é que a criança consegue exercer suas habilidades e 
capacidades a partir de objetos reais, concretos. Portanto, mesmo a capacidade de 
reflexão que se inicia – pensar antes de agir, considerar os vários pontos de vista 
simultaneamente, recuperar o passado e antecipar o futuro – é exercida a partir de 
situações presentes ou passadas, vivenciadas pela criança. 
No nível do pensamento, a criança consegue: estabelecer corretamente as relações de 
causa e efeito e de meio e fim; sequenciar ideias ou eventos; trabalhar com ideias sob 
dois pontos de vista, simultaneamente; formar o conceito de número (no início do 
período, sua noção de número está vinculada a uma correspondência com o objeto 
concreto). 
A noção de conservação da substância do objeto (comprimento e quantidade) surge no 
início do período; por volta dos 9 anos, surge a noção de conservação de peso; e, ao 
final do período, a noção de conservação do volume. Por exemplo: 
• Início do período (3-4 anos): conservação do comprimento e quantidade 
Imagine que uma criança tem duas bolinhas de massa de modelar, uma em cada 
mão. As bolinhas são do mesmo tamanho. A criança observa enquanto você rola 
uma das bolinhas para formar uma "minhoca" comprida. Agora, pergunte à 
criança se as duas bolinhas têm a mesma quantidade de massa. No início do 
período, é provável que a criança acredite que a "minhoca" tem mais massa, 
devido à sua aparência mais longa. 
• Por volta dos 9 anos: conservação de peso 
Agora, avançamos para uma criança mais velha, por volta dos 9 anos. Dê a ela 
duas caixas idênticas, uma contendo algodão e outra contendo chumbo. Ambas 
as caixas pesam o mesmo. Despeje o algodão de uma caixa para outra, 
mantendo o chumbo na mesma caixa. Pergunte à criança se as caixas ainda têm 
o mesmo peso. Nessa fase, a criança deve compreender que o peso permanece 
constante, independentemente da distribuição do material dentro das caixas. 
• Final do período (11-12 anos): conservação do volume 
Agora, imagine uma situação em que você tem dois copos idênticos. Despeje 
água de um copo para um copo mais largo e mais baixo. Pergunte à criança se 
há mais ou menos água agora. No final do período, a criança deve ser capaz de 
compreender que o volume da água permanece o mesmo, mesmo que a forma 
do recipiente tenha mudado. 
Esses exemplos ilustram a progressão no desenvolvimento da noção de conservação 
ao longo do período, destacando as diferentes fases nas quais as crianças começam a 
compreender a conservação de diferentes propriedades. 
 
Siga em Frente... 
Ainda durante o período operatório-concreto, no aspecto afetivo, ocorre o 
aparecimento da vontade como qualidade superior e que atua quando há conflitos de 
tendências ou intenções (entre o dever e o prazer, por exemplo). A criança adquire 
uma autonomia crescente em relação ao adulto, passando a organizar seus próprios 
valores morais. 
Os novos sentimentos morais característicos desse período são: o respeito mútuo, a 
honestidade, o companheirismo e a justiça, que considera a intenção na ação. Por 
exemplo, se a criança quebra o vaso da mãe, ela acha que não deve ser punida se 
isso ocorreu acidentalmente. O grupo de colegas satisfaz, progressivamente, as 
necessidades de segurança e afeto. (Bock et al., 2023, p. 73) 
Nesse sentido, o sentimento de pertencer ao grupo de colegas torna-se cada vez mais 
forte. As crianças escolhem seus amigos, indistintamente, entre meninos e meninas, 
sendo que, no final do período, o agrupamento com o sexo oposto diminui. 
Esse fortalecimento do grupo traz a seguinte implicação: a criança, que no início do 
período ainda considerava bastante as opiniões e ideias dos adultos, no final passa a 
“enfrentá-los”. 
A cooperação é uma capacidade que vai se desenvolvendo ao longo do período e será 
um facilitador do trabalho em grupo, que se torna cada vez mais absorvente para as 
crianças. Elas passam a elaborar formas próprias de organização grupal, em que 
regras e normas são concebidas como válidas e verdadeiras, desde que todos as 
adotem e sejam a expressão de uma vontade de todos. Portanto, novas regras podem 
surgir a partir da necessidade e de um “acordo” entre as crianças. 
A criança adquire uma autonomia crescente em relação ao adulto, passando a 
organizar seus próprios valores morais. 
 
Vamos Exercitar? 
Durante nossa aula, tivemos o propósito de explorar esta problematização: como 
aplicar os conceitos de lógica, reversibilidade e conservação em nossas abordagens 
pedagógicas, considerando as fases propostas por Piaget? 
Relacionando essa questão aos conteúdos abordados, destacamos que compreender a 
lógica e a capacidade de reversibilidade nas diferentes fases do desenvolvimento 
cognitivo é crucial. Para estimular o desenvolvimento, sugerimos estratégias 
adaptativas. Por exemplo, ao trabalhar com lógica, é fundamental adequar desafios às 
habilidades cognitivas da criança em cada estágio, proporcionando experiências 
desafiadoras, mas alcançáveis. 
A reversibilidade diz respeito a capacidade de retornar mentalmente uma operação, ou 
seja, ser capaz de revertê-la. Por exemplo, uma criança sem o pensamento reversível, 
não irá concluir que a distância da cidade A para a cidade B é a mesma distância da 
cidade B para a cidade A. 
A conservação, abordada em suas várias formas, como quantidade e volume, requer 
uma abordagem sensível às percepções infantis. Ao aplicar esses conceitos, 
educadores podem criar atividades que envolvam manipulação e experimentação, 
favorecendo a compreensão gradual da permanência de características físicas. 
A reflexão sobre possibilidades adicionais de resolução recai na individualidade de 
cada aluno. Como educador, a observação atenta das características cognitivas 
específicas de cada criança permite adaptações personalizadas. Além disso, a 
colaboração com outros profissionais da educação e a busca por atualizações 
constantes enriquecem a bagagem pedagógica. 
Encerrando a aula, convido você, estudante, a refletir sobre como esses conceitos 
transformarão sua prática pedagógica. A aplicação flexível desses princípios em seu 
cotidiano não apenas aprimorará o processo de aprendizagem, mas também moldará 
um ambiente educacional mais enriquecedor. A jornada de estímulo ao 
desenvolvimento cognitivo infantil é desafiadora, porém gratificante. Continue 
explorando e aplicando esses conhecimentos para um futuro educacional mais 
vibrante. Até a próxima aula! 
Saiba Mais 
Jean Piaget apresenta uma proposta construtivista, que busca compreender o 
desenvolvimento do indivíduo. Seus estudos tiveram grandes reflexos para o campo 
da Educação, apesar da intenção de Piaget não ter sido propriamente formular uma 
teoria sobre aprendizagem. Sendo assim, o propósito do artigo a seguir é tecer 
algumas considerações sobreas concepções do método psicogenético de Piaget, 
concentrando-se principalmente no período operatório concreto, que compreende a 
faixa etária de 7 a 12 anos. 
SOUZA, N. M. de.; WECHSLER, A. M. Reflexões sobre a teoria piagetiana: o 
estágio operatório concreto. Cadernos de Educação: Ensino e 
Sociedade, Bebedouro-SP, v. 1, n. 1, 134-150, 2014. 
Também é recomendado que você assista Dor e Glória (2017), de Pedro Almodóvar, 
cujo protagonista é um cineasta em declínio que retoma seu passado e reflete sobre 
sua infância e outras etapas de sua vida. 
Aula 4 
Período das Operações Formais (11 - 12 anos em diante) 
Período das operações formais (11-12 anos em diante) 
https://unifafibe.com.br/revistasonline/arquivos/cadernodeeducacao/sumario/31/04042014074217.pdf
https://unifafibe.com.br/revistasonline/arquivos/cadernodeeducacao/sumario/31/04042014074217.pdf
Boas-vindas à videoaula de hoje! Vamos explorar a transição do pensamento concreto 
ao abstrato, desvendar o impacto do aspecto afetivo e analisar os estágios do 
desenvolvimento moral segundo Jean Piaget. Esses temas são fundamentais para sua 
prática profissional, proporcionando uma compreensão mais profunda do 
desenvolvimento cognitivo. Não perca a oportunidade de enriquecer seus 
conhecimentos! 
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula. 
Bons estudos! 
Ponto de Partida 
Estudante, até agora você já aprendeu sobre diversos aspectos do desenvolvimento 
segundo Piaget. Nesta aula, exploraremos três elementos para entendermos o 
desenvolvimento humano. Inicialmente, abordaremos a transição do pensamento 
concreto para o abstrato, um marco significativo no crescimento cognitivo. 
Em seguida, vamos explorar o aspecto afetivo, reconhecendo sua relevância na 
formação integral do indivíduo. Analisaremos como as emoções moldam a 
aprendizagem e a interação social, promovendo um ambiente educacional mais 
enriquecedor. Finalmente, dedicaremos nossa atenção aos estágios do 
desenvolvimento moral propostos por Jean Piaget. 
Para conduzir nossas reflexões, iremos partir das seguintes questões norteadoras: 
Como o conhecimento do professor acerca da compreensão da transição do 
pensamento concreto para o abstrato impacta o trabalho pedagógico? De que forma o 
aspecto afetivo impacta no processo educacional? E como a teoria dos estágios morais 
de Piaget pode guiar decisões éticas no cotidiano profissional? 
Portanto, estudante, faça a leitura do material, assista às aulas e dedique-se ao 
máximo. Vamos juntos explorar esses conceitos e transformá-los em prática, 
impulsionando seu crescimento e impacto na educação. O aprendizado começa agora! 
 
Vamos Começar! 
Até agora, você já aprendeu sobre as principais características do desenvolvimento 
segundo Piaget, aprendeu que a inteligência é uma construção, por isso essa vertente 
teórica é chamada de construtivismo. Escolas construtivistas valorizam a ação dos 
estudantes, visto que o aprendizado é uma construção individual. O professor 
enquanto facilitador irá organizar situações que propiciem construções e 
consequentemente a aprendizagem. Agora, vamos explorar o período das operações 
formais. 
Período operatório-formal (a adolescência – 11 ou 12 anos em diante) 
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/PSICOLOGIA_DA_EDUCACAO_E_DA_APRENDIZAGEM/PPT/U3a4_psi_edu_apr.pdf
Segundo Bock et al. (2023, p. 74), nesse período, ocorre a “passagem do pensamento 
concreto para o pensamento formal, abstrato, isto é, o adolescente realiza as 
operações no plano das ideias, sem necessitar de manipulação ou referências 
concretas, como no período anterior”. Ele é capaz de lidar com conceitos como 
liberdade, justiça, etc. 
Aos poucos o adolescente domina, progressivamente, a capacidade de abstrair e 
generalizar; cria teorias sobre o mundo, principalmente sobre aspectos que gostaria de 
reformular. Isso é possível graças à capacidade de reflexão espontânea que, cada vez 
mais afastada do real, é capaz de tirar conclusões de puras hipóteses. 
O livre exercício da reflexão permite ao adolescente, inicialmente, “submeter” o 
mundo real aos sistemas e teorias que o seu pensamento é capaz de criar. Isso vai se 
atenuando de forma crescente, por meio da reconciliação do pensamento com a 
realidade, até ficar claro que a função da reflexão não é contradizer, mas se adiantar 
e interpretar a experiência. (Bock et al, 2023, p. 75) 
Mas é interessante observar que do ponto de vista de suas relações sociais também 
ocorre o processo caracterizado, inicialmente, por uma “fase de interiorização, em que 
aparentemente é antissocial”. Ele se afasta da família, não aceita conselhos dos 
adultos; mas, na realidade, o alvo de sua reflexão é a sociedade, sempre analisada 
como passível de ser reformada e transformada. Posteriormente, atinge o equilíbrio 
entre pensamento e realidade, quando compreende a importância da reflexão para a 
sua ação sobre o mundo real. Por exemplo, no início do período, o adolescente que 
tem dificuldades na disciplina de Matemática pode propor sua retirada do currículo e, 
depois, pode propor soluções mais viáveis e adequadas, que considerem as exigências 
sociais (Bock et al., 2023). 
Conforme Bock et al. (2023) enfatiza, no aspecto afetivo, o adolescente vive 
conflitos. Deseja libertar-se do adulto, mas ainda depende dele. Deseja ser aceito 
pelos amigos e pelos adultos. O grupo de amigos é um importante referencial para o 
jovem, determinando o vocabulário, as vestimentas e outros aspectos de seu 
comportamento. Começa a estabelecer sua moral individual, que é referenciada à 
moral do grupo. 
Os interesses do adolescente são diversos e mutáveis, sendo que a estabilidade chega 
com a proximidade da idade adulta. 
De acordo com Piaget, a personalidade começa a se formar no final da infância, entre 
8 e 12 anos, com a organização autônoma das regras, dos valores e a afirmação da 
vontade. Esses aspectos subordinam-se em um sistema único e pessoal e vão se 
exteriorizar na construção de um projeto de vida, que vai nortear o indivíduo em sua 
adaptação ativa à realidade, por meio de sua inserção no mundo do trabalho ou na 
preparação para ele. É quando ocorre um equilíbrio entre o real e os ideais do 
indivíduo, isto é, de revolucionário, no plano das ideias, ele se torna transformador, 
no plano da ação (Bock et al., 2023). 
Em nossa cultura, em determinadas classes sociais que “protegem” a infância e a 
juventude, a prorrogação do período da adolescência é cada vez maior, 
caracterizando-se por uma dependência em relação aos pais e uma postergação do 
período em que o indivíduo vai se tornar socialmente produtivo e, portanto, entrará na 
idade adulta. 
Na idade adulta, não surge nenhuma nova estrutura mental, e o indivíduo caminha 
então para um aumento gradual do desenvolvimento cognitivo, em profundidade, e 
uma maior compreensão dos problemas e das realidades significativas que o atingem. 
Isso influencia os conteúdos afetivo-emocionais e sua forma de estar no mundo. 
(Bock et al., 2023, p. 75) 
No século XX, dois indicadores usados para marcar a entrada na vida adulta são: o 
ingresso no mundo do trabalho e a constituição de uma nova família. Jean Piaget usa 
essa referência. Por um lado, “as restrições para a entrada no mercado de trabalho 
associadas à ausência de vagas para incorporar a juventude e as exigências de 
qualificação cada vez maiores”; por outro lado, as mudanças na constituição da 
família e sua substituição por associações ou grupos de pertencimento equivalentes – 
ao lado de outros aspectos como os novos padrões de relações amorosas – 
problematizam de modo radical o uso mecânico desses indicadores (Bock et al., 2023, 
p. 75). 
Siga em Frente... 
Desenvolvimento da moralidade 
O juízo moral na criança é um livro clássico escrito por Jean Piaget, publicado 
originalmente em francês em 1932. Nesse trabalho, Piaget examina o 
desenvolvimento damoralidade infantil, fornecendo uma visão valiosa sobre como as 
crianças constroem seu entendimento moral ao longo do tempo. 
O livro baseia-se nas observações e nos experimentos conduzidos por Piaget ao longo 
de sua carreira, nos quais ele investigou como as crianças raciocinam e tomam 
decisões morais em diferentes idades. Piaget propõe uma teoria do desenvolvimento 
moral que destaca os estágios pelos quais as crianças passam ao formar seu juízo 
moral. 
Piaget identifica dois estágios principais no desenvolvimento moral da criança: 
1. Moralidade heterônoma 
Este estágio, também conhecido como moralidade pré-operatória, é 
caracterizado por uma visão de regras como absolutas e impostas por 
autoridades externas. As crianças nesse estágio têm dificuldade em considerar 
perspectivas diferentes e frequentemente acreditam que a punição é inevitável, 
independentemente das intenções por trás de uma ação. 
Um exemplo clássico da moralidade heterônoma, conforme proposto por Jean 
Piaget, pode ser observado em situações em que crianças entre 4 e 7 anos veem 
as regras como absolutas e impostas por figuras de autoridade, sem levar em 
consideração as intenções por trás das ações. 
Considere uma situação em que duas crianças estão brincando juntas e uma 
delas acidentalmente derruba um brinquedo do amigo. Se uma criança estiver no 
estágio da moralidade heterônoma, ela pode acreditar que a ação é 
automaticamente má, independentemente de a outra criança ter ou não a 
intenção de derrubar o brinquedo. Nesse estágio, a criança pode achar difícil 
considerar as circunstâncias ou entender que o derramamento do brinquedo 
pode ter sido um acidente. 
Nesse exemplo, a moralidade heterônoma se manifesta na visão rígida das 
regras, onde as ações são avaliadas com base em uma percepção simples de 
certo ou errado, sem considerar nuances ou intenções. Essa fase do 
desenvolvimento moral é caracterizada por uma compreensão limitada das 
normas sociais, uma vez que as crianças ainda estão internalizando as regras e 
tendem a vê-las como absolutas e inquestionáveis. 
2. Moralidade autônoma 
No estágio autônomo, as crianças desenvolvem uma compreensão mais 
sofisticada das regras morais. Elas reconhecem que as regras podem ser 
alteradas e negociadas através do acordo mútuo. Além disso, começam a levar 
em conta as intenções e as circunstâncias ao fazer julgamentos morais. 
Piaget aborda questões como o papel do jogo na formação do juízo moral, destacando 
como as interações sociais e as experiências práticas contribuem para o 
desenvolvimento moral das crianças. Ele também discute as limitações do 
pensamento moral em idades específicas e como o raciocínio moral se torna mais 
sofisticado com o tempo. 
Ao longo do livro, Piaget enfatiza a importância do desenvolvimento cognitivo na 
construção do juízo moral. Ele argumenta que as mudanças na forma como as 
crianças pensam e compreendem o mundo ao seu redor são fundamentais para o 
progresso moral. 
O juízo moral na criança é uma obra que influenciou significativamente a psicologia 
do desenvolvimento e continua a ser referência para estudiosos interessados na 
compreensão da evolução do pensamento moral infantil. 
Vamos Exercitar? 
A problematização apresentada aborda três questões interconectadas: o conhecimento 
do professor sobre a transição do pensamento concreto para o abstrato, o impacto do 
aspecto afetivo no processo educacional e a aplicação da teoria dos estágios morais de 
Piaget para orientar decisões éticas no cotidiano profissional. 
Em relação à compreensão da transição do pensamento concreto para o abstrato, o 
professor deve considerar como os alunos desenvolvem a capacidade de raciocínio 
abstrato em diferentes estágios. Isso implica ajustar métodos de ensino e materiais 
didáticos de acordo com as necessidades cognitivas dos alunos, proporcionando um 
ambiente que favoreça a transição suave entre esses modos de pensamento. 
No que diz respeito ao aspecto afetivo, é fundamental reconhecer o impacto das 
emoções no processo educacional. O professor deve estar ciente de como as emoções 
podem influenciar o aprendizado, tanto positiva quanto negativamente. Cultivar um 
ambiente emocionalmente seguro e apoiador promove a participação ativa dos alunos 
e cria uma atmosfera propícia ao desenvolvimento cognitivo. 
Quanto à teoria dos estágios morais de Piaget, ela pode ser uma ferramenta valiosa 
para orientar decisões éticas no cotidiano profissional. O entendimento de que as 
crianças passam por diferentes estágios de desenvolvimento moral implica que as 
abordagens pedagógicas e disciplinares devem ser adaptadas de acordo. O professor 
pode considerar as características do estágio moral em que os alunos se encontram 
para tomar decisões éticas mais informadas e eficazes. 
Para resolver essas questões, os professores podem buscar desenvolver habilidades de 
observação e compreensão do desenvolvimento cognitivo e moral de seus alunos. A 
formação continuada e a reflexão constante sobre práticas pedagógicas são essenciais. 
Além disso, promover uma abordagem pedagógica que integre o desenvolvimento 
cognitivo e emocional pode contribuir para um ambiente de aprendizado mais 
holístico. 
Os educadores também podem explorar estratégias que incentivem a empatia, a 
comunicação aberta e a resolução de conflitos, alinhando-se aos princípios da teoria 
de Piaget. Conscientizar-se das diferentes realidades emocionais e cognitivas dos 
alunos permitirá que os professores adaptem suas abordagens, contribuindo para uma 
prática pedagógica mais eficaz e ética. 
Saiba Mais 
Para Piaget o universo moral não é exterior à constituição do sujeito epistêmico e 
psicológico; ao contrário, as opções morais têm influência direta sobre os processos 
integrantes da natureza humana: o princípio da igualdade, condição necessária ao 
exercício da cooperação, passa a ter uma justificativa científica, pois sem essa 
liberdade não há desenvolvimento intelectual e moral. Aprenda mais sobre o tema 
realizando a leitura do artigo: 
LA TAILLE, I. A dimensão ética na obra de Jean Piaget. [S. l.: s. n., s. d.]. 
Também assista ao filme Big mouth (2017), que trata das transformações que ocorrem 
na puberdade de uma dupla de adolescentes. É uma animação de humor. 
Encerramento da Unidade 
Desenvolvimento Humano 
Videoaula de Encerramento 
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá 
aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? 
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula. 
Bons estudos! 
Ponto de Chegada 
Para desenvolver a competência desta unidade, que é discriminar como ocorre o 
desenvolvimento humano em diferentes faixas etárias de acordo com Jean Piaget, 
você primeiramente conheceu os conceitos fundamentais relacionados aos estágios do 
desenvolvimento cognitivo propostos por Piaget. Compreender as características de 
cada estágio, desde o período sensório-motor até as operações formais, é essencial 
para analisar como as habilidades cognitivas evoluem ao longo do tempo. Lembre-se 
de que essa evolução não é automática, ela é uma construção em que a inteligência 
vai evoluindo e mudando de qualidade. 
Na sequência, exploramos como a teoria de Piaget se aplica ao desenvolvimento 
moral. Investigar os estágios morais, como a moralidade heterônoma e autônoma, 
permite que você identifique as mudanças nas perspectivas éticas à medida que as 
crianças amadurecem. 
Ao abordar as aulas, você percebeu também como o aspecto afetivo influencia o 
desenvolvimento humano. Analisou ainda como as emoções desempenham um papel 
na aprendizagem e no comportamento, reconhecendo a interconexão entre o 
desenvolvimento cognitivo e emocional. 
Durante as discussões sobre o impacto do conhecimento do professor na transição do 
pensamento concreto para o abstrato, avaliamos como essa compreensão pode seraplicada na prática pedagógica. Consideramos estratégias de ensino que promovam 
uma transição suave entre esses modos de pensamento, alinhando-nos ao objetivo de 
discriminar o desenvolvimento humano em diferentes faixas etárias. 
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/PSICOLOGIA_DA_EDUCACAO_E_DA_APRENDIZAGEM/PPT/U3_enc_psi_edu_apr.pdf
 
 
É Hora de Praticar! 
O desenvolvimento cognitivo na sala de aula 
Imagine uma turma de alunos do ensino fundamental, composta por crianças entre 7 e 
8 anos de idade. O professor percebe uma grande variação nos níveis de compreensão 
cognitiva dos alunos em relação a conceitos matemáticos abstratos. Alguns alunos 
parecem prontos para entender conceitos mais complexos, enquanto outros ainda 
estão solidificando a compreensão do pensamento concreto. Além disso, há relatos de 
conflitos entre os alunos, indicando diferenças morais na interpretação de regras e 
normas. 
 
Reflita 
Diante do contexto apresentado, responda: 
1. Como o professor pode ajustar sua abordagem para atender às diferentes 
capacidades cognitivas na sala de aula? 
2. De que forma o entendimento dos estágios morais de Piaget pode ajudar a 
abordar os conflitos morais entre os alunos? 
3. Como promover um ambiente afetivo que favoreça o desenvolvimento cognitivo 
e moral em conjunto? 
4. Que outras estratégias podem ser implementadas para desenvolver a moralidade 
autônoma entre os alunos? 
5. Como o uso de tecnologias educacionais pode contribuir para a adaptação às 
diversas capacidades cognitivas na sala de aula? 
Dê o play! 
Reflita 
De que forma o aspecto afetivo pode ser considerado na criação de um ambiente 
educacional mais propício ao desenvolvimento humano? 
Como os professores podem aplicar a teoria dos estágios morais de Piaget para 
orientar decisões éticas no cotidiano escolar? 
Como organizar uma escola construtivista? 
Clique aqui para acessar os slides do Dê o play! 
 
 
Resolução do estudo de caso 
Reflita 
• Como outros métodos de ensino poderiam ser incorporados para atender 
às diferentes necessidades cognitivas? 
• Que outras estratégias podem ser implementadas para desenvolver a 
moralidade autônoma entre os alunos? 
• Como o uso de tecnologias educacionais pode contribuir para a 
adaptação às diversas capacidades cognitivas na sala de aula? 
Diante da diversidade cognitiva na sala de aula, o professor pode implementar 
estratégias diferenciadas de ensino. Para os alunos mais avançados, pode introduzir 
desafios matemáticos mais abstratos, enquanto para os que estão em estágios mais 
iniciais, pode utilizar métodos mais concretos, como manipulativos e jogos 
educativos. Essa sugestão responde a primeira questão proposta. 
Considerando a segunda questão, no aspecto moral, o professor pode promover 
discussões em grupo que incentivem a reflexão sobre as diferentes perspectivas 
morais. Utilizando a teoria dos estágios morais de Piaget, pode orientar os alunos na 
compreensão de que as regras podem ser negociadas e modificadas por consentimento 
mútuo. 
Quanto ao ambiente afetivo, questão de número três, o professor pode implementar 
práticas que promovam a empatia e a compreensão entre os alunos. Atividades que 
incentivem a cooperação e a resolução de conflitos de maneira construtiva 
contribuirão para um ambiente emocionalmente seguro. 
Reflexões Adicionais: 
• Como outros métodos de ensino poderiam ser incorporados para atender às 
diferentes necessidades cognitivas? 
• Que outras estratégias podem ser implementadas para desenvolver a moralidade 
autônoma entre os alunos? 
• Como o uso de tecnologias educacionais pode contribuir para a adaptação às 
diversas capacidades cognitivas na sala de aula? 
Outras estratégias para desenvolver a moralidade autônoma incluem: 
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/PSICOLOGIA_DA_EDUCACAO_E_DA_APRENDIZAGEM/PPT/u3play_psi_edu_apr.pdf
• Discussões de Grupo: Facilitar discussões em grupo sobre dilemas morais e 
situações que exigem julgamento ético, incentivando os alunos a expressarem 
suas opiniões e ouvirem as dos outros. 
• Aprendizagem por Projetos: Envolver os alunos em projetos que exigem 
cooperação e tomada de decisão conjunta, promovendo a responsabilidade 
compartilhada e a negociação. 
• Modelagem de Comportamentos: Demonstrar comportamentos morais e 
éticos através das ações e decisões do professor, servindo de exemplo para os 
alunos. 
• Atividades de Empatia: Realizar atividades que promovam a empatia, como 
role-playing e leitura de histórias que explorem diferentes perspectivas e 
emoções. 
• Regras Compartilhadas: Envolver os alunos na criação de regras de sala de 
aula, permitindo que eles tenham voz e compreendam o raciocínio por trás das 
normas. 
 O uso de tecnologias educacionais pode oferecer várias maneiras de adaptar o ensino 
às diferentes capacidades cognitivas: 
• Recursos Personalizados: Plataformas de aprendizagem online podem oferecer 
conteúdos personalizados que se ajustam ao ritmo e nível de cada aluno. 
• Ferramentas Interativas: Aplicativos e jogos educativos interativos podem 
tornar o aprendizado mais envolvente e acessível, especialmente para alunos que 
precisam de reforço concreto. 
• Feedback Imediato: Tecnologias educacionais frequentemente fornecem 
feedback imediato, ajudando os alunos a identificar e corrigir erros rapidamente. 
• Recursos Visuais e Auditivos: Vídeos educativos, simulações e apresentações 
multimídia podem ajudar a explicar conceitos abstratos de maneira mais 
concreta e visual. 
• Colaboração Online: Ferramentas de colaboração online podem facilitar o 
trabalho em grupo e a troca de ideias, mesmo fora do horário de aula, 
promovendo a aprendizagem colaborativa e o desenvolvimento de habilidades 
sociais. 
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Confira a seguir uma síntese do conteúdo estudado:

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