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AULA 1 
SISTEMA DE SEGURANÇA E 
DEFESA CIBERNÉTICA 
NACIONAL 
Prof. Luiz A. O. Santiago 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
O objetivo desta aula é fazer uma introdução aos temas abordados na 
disciplina. Vamos demonstrar o quanto esse assunto já está presente no nosso 
dia a dia, enfatizando a importância de o futuro gestor estar preparado para lidar 
com esse tema. Para isso, inicialmente vamos apresentar um estudo de caso, 
destacando o papel da questão cibernética e seu impacto no mundo. 
A seguir serão abordados, numa análise histórica, temas conceituais que 
definem os parâmetros de conflitos, presentes em toda história da humanidade, 
e que engendram o tema geral da nossa aula: segurança e defesa. 
TEMA 1 – UMA NOITE CALMA NO DESERTO 
1.1 O caso do prédio abandonado 
Os jornais, nos dias seguintes, pouco noticiariam o que seria, no mínimo, 
uma falha de cobertura, dada a dimensão do evento que iria acontecer em 
breves instantes. A verdade é que naquela madrugada de 6 de setembro de 
2007, um novo tipo de ataque estava prestes a acontecer, um ataque que 
começaria pelo ciberespaço. 
A inteligência israelense já havia levantado suspeitas sobre um enorme 
prédio em construção no lado leste do território sírio, a pouco mais de 100 
quilômetros da fronteira sul da Turquia e próximo ao Rio Eufrates. 
Levantamentos indicavam que inúmeros trabalhadores norte-coreanos 
iam e vinham naquele prédio. O turno de trabalho se encerrava por volta das 18 
horas, indicando que, naquele momento, o local deveria estar esvaziado, 
contando apenas com guardas no local. 
Para uma área em construção, o local era estranhamente escuro e 
desprotegido, quase como se o construtor quisesse evitar chamar 
qualquer tipo de atenção. Sem aviso, o mundo desabou para os 
poucos sírios e coreanos que ainda estavam lá. Uma forte luz seguida 
de uma onda sonora destruidora indicavam uma forte explosão e 
destroços desabaram do céu. 
O choque (físico e sensorial) possivelmente embotou a percepção dos 
presentes em terra que, consequentemente, não puderam reparar nos 
emblemas desbotados contendo a Estrela de Davi nas asas e 
fuselagens de jatos F-15 Eagle e F-16 Falcon retornando para o norte 
em direção à Turquia. Atrás de si, os caças israelenses deixavam, 
totalmente destruídos e após somente um rápido momento de ação, 
anos de trabalho secreto realizados no vale do Eufrates. Ataques 
aéreos sobre prédios ocorrem a cada momento de guerra ou mesmo, 
conflitos de menor intensidade. Cada ataque é respondido, pela fração 
 
 
3 
agredida, com reclamações junto a foros internacionais ou fazendo uso 
intensivo da mídia. Neste caso, houve uma mudez política sobre o 
evento. A Síria, que sofreu o bombardeio, nada falou. Talvez Israel 
tivesse se enganado e o prédio fosse relativamente inocente, como a 
“fábrica de leite de criança” em 1990 ou a suposta fábrica de aspirina 
em 1998 de Saddam Hussein, ambas destruídas por ataques 
americanos. (Clarke; Knake, 2015, p. 7-8) 
O governo israelense, contraparte da Síria, igualmente silenciou sobre o 
assunto. No entanto, pouco a pouco, relatos começaram a aparecer na mídia: 
“Israel bombardeia complexo industrial construído por norte-coreanos”. Fontes 
anônimas acrescentaram que o complexo “estaria ligado à produção de armas 
de destruição em massa”. Diante desse quadro e ante à pressão da mídia 
israelense, o governo de Tel Aviv resolve autorizar a citação de fontes norte-
americanas, mas não autoriza a produção de material próprio, alegando razões 
de segurança nacional. 
Enfim, já que pipocavam na mídia internacional notícias sobre o ataque, o 
presidente sírio Bashar Al-Assad finalmente admitiu, muito discretamente, ter 
havido um ataque num prédio vazio em seu território. No coro do discreto 
protesto, curiosamente se somaram vozes do governo norte-coreano. 
A curiosidade da mídia deixava revelar, por meio de supostas fontes 
governamentais israelenses, que o alvo seria uma planta de fabricação de armas 
nucleares projetada pela Coreia do Norte que estaria violando, seriamente, 
acordos internacionais sobre venda de know how de fabricação de armas 
nucleares. Pior, revelava que a Síria, tradicional adversária de Israel, mas que 
vinha, secretamente, estabelecendo conversas com Tel Aviv, por meio do 
governo turco estaria planejando ingressar no rol de potências atômicas. Ante a 
negação do governo sírio deste viés, a dúvida foi instalada. 
Independentemente de o prédio ser uma instalação nuclear clandestina, o 
que geraria nos meses seguintes idas e vindas de opiniões sobre a real 
finalidade do lugar, o fato é que toda a história estava mal esclarecida, desde o 
apoio (se positivo ou não e com qual intensidade) da inteligência americana, 
passando pela cessão do espaço aéreo turco para encobrir o ataque e, 
principalmente o silêncio inicial sobre o ataque, de ambas as partes. No que 
todos concordavam era que algo muito estranho havia ocorrido. 
Ao final, devido inclusive a relatórios da Agência Internacional de Energia 
Atômica da ONU (AIEA), ficou-se praticamente confirmado que a Síria estava, 
de fato, trabalhando secretamente na produção de armas nucleares com a 
colaboração do governo norte-coreano. Era necessário repensar o papel dos 
 
 
4 
governos de ambos os países (Síria e Coreia do Norte). No entanto, havia uma 
questão, ainda mais complexa, a ser esclarecida. 
Poucas horas antes, Israel havia posicionado fortes unidades militares 
nas Colinas de Golan, forçando os sírios a redobrarem sua atenção. Note-se que 
a Síria havia gasto milhões de dólares em um sofisticado sistema de defesa 
aérea e, certamente, os militares estariam ainda mais atentos do que o normal. 
Assim sendo, de que maneira os caças israelenses penetraram no espaço aéreo 
sírio, bombardearam seu alvo e escaparam sem que, no mínimo, nenhum tiro 
fosse dado, quando tal tipo de ataque seria facilmente detectado pelos radares 
sírios? 
O que os sírios concluíram na manhã seguinte de forma relutante, lenta 
e dolorosa foi que Israel havia “dominado” a rede de defesa aérea de 
Damasco durante a noite anterior. O que apareceu em suas telas de 
radar foi o que a Força Aérea Israelense implantou lá, uma imagem de 
um dia qualquer. A imagem vista pelos sírios não tinha nenhuma 
relação com a realidade: seus céus orientais tinham se tornado, 
naquele dia, uma raia de bombardeio da Força Aérea Israelense. Os 
mísseis da defesa antiaérea síria não puderam ser disparados porque 
não existiam alvos no sistema para eles seguirem. 
Durante a tarde daquele mesmo dia, os sírios queriam saber do 
Ministério da Defesa russo: como os seus sistemas de defesa aérea 
poderiam ter sido cegados? Moscou prometeu enviar especialistas e 
técnicos imediatamente. Poderia ter acontecido algum problema na 
implementação, talvez um erro de usuário, mas isso seria consertado 
imediatamente. O complexo militar industrial russo não precisava desse 
tipo de má publicidade sobre seus produtos. Afinal, o Irã estava prestes 
a comprar de Moscou um moderno sistema com mísseis e radares de 
defesa aérea. Tanto em Teerã quanto em Damasco, os comandantes 
da defesa aérea estavam em choque. 
No entanto, havia uma classe de guerreiros que não se assustaram 
com o que viram: os denominados “guerreiros cibernéticos”. 
Era assim que seria a guerra na Era da Informação, isso era a guerra 
cibernética. Quando usamos a expressão “guerra cibernética”, nos 
referimos a ações de um estado-nação para invadir computadores ou 
redes de outra nação com a intenção de causar danos ou transtornos. 
Quando os israelenses atacaram a Síria, eles utilizaram pulsos de luz e 
elétricos, não para cortar como um laser ou eletrocutar com um taser, 
mas para transmitir “0s” e “1s” e controlar o que os radares da defesa 
aérea síria viam. Em vez de estourar as defesas antiaéreas sírias, 
como já o haviam feito seus aliados norte-americanos, anos antes, na 
Guerra do Golfo e desistir do elementosurpresa antes do ataque aos 
alvos principais, na era da guerra cibernética, os israelenses se 
asseguraram de que os inimigos não poderiam sequer levantar suas 
defesas. 
Os israelenses tinham planejado e executado seu ataque cibernético 
sem falhas. (Clarke; Knake, 2015, p. 10-11) 
Um ataque limpo, preciso, com baixo custo material e, principalmente, a 
custo zero em vidas humanas para o seu lado. 
 
 
 
5 
TEMA 2 – A HUMANIDADE E A QUESTÃO DO CONFLITO 
2.1 O surgimento do conflito 
 O que se pretende, neste tema, é apresentar uma análise histórica da 
evolução da Humanidade perante a expressão máxima do conflito humano: a 
guerra. É também explicar que, por mais abjeto que seja esse conceito, ele é 
uma realidade que permeia a história da Humanidade. Assim, será mais fácil 
entender onde se encaixam os conceitos de Defesa e Segurança, bases do 
nosso estudo. 
A história bíblica de Abel e Caim reflete bem, como um ícone, a presença 
do conflito na história da Humanidade. Afinal, se vamos tratar de Segurança e 
Defesa, é necessário abordar de maneira histórica os fatos que levam a tais 
conceitos. 
A guerra precede o Estado e ela é tão antiga quanto é a humanidade. 
Eu costumo afirmar que a guerra é atávica ao homem. 
As suas origens estão patentes nos primórdios da humanidade. No 
decurso da evolução humana, a guerra evoluiu e revestiu-se de várias 
características. Na modernidade, ela assumiu outra dimensão e 
continuou a determinar o curso da história. Ela esteve na origem do 
surgimento e derrubada de impérios e suas sociedades, bem como 
proporcionou o aparecimento e desmoronamento de Estados. Ela 
contribuiu para o avanço técnico-científico da humanidade, como 
também esteve na origem dos grandes desastres e hecatombes por 
que esta passou. (Jornal Cultura, 2016) 
O propósito é apresentá-la como fenômeno social, ver como ela evoluiu e 
como se caracterizou em certos períodos históricos a fim de contextualizar a 
origem dos conceitos de segurança e defesa. 
A origem da guerra encontra ponto de partida nas diversas sociedades 
(grupos, tribos etc.) que procuravam ou adquirir para si um território ou bem que 
lhes era negado ou, ainda, defender seu status quo. A guerra, apesar de não 
desejada, estabelece-se como parte da vida do homem. 
A guerra ganhou forma no seio das civilizações pré-clássicas. Estas 
civilizações surgiram no fim da pré-história e mantiveram-se até ao 
século V a.C. As civilizações egípcia, mesopotâmica e siro-palestiniana 
viveram a guerra, mas cada uma a sua maneira. 
Penetrando na história da guerra da Mesopotâmia, vamos encontrar 
informações que atestam que a guerra civilizada, com carácter 
ininterrupto, começou na Suméria. No decurso do tempo, a guerra 
tornou-se intensa e começaram a despontar, no seu seio, os primeiros 
líderes militares. Enquanto você tinha o artesão, o político, o 
curandeiro, cada qual trabalhando num ramo para atender a sociedade 
em que vivia, eis que surge o líder militar. Fruto dessa liderança militar, 
 
 
6 
a especialização militar começou a ter lugar e a metalurgia das armas 
foi-se fazendo sentir. (Jornal Cultura, 2016) 
2.2 A guerra como parte da vida de uma sociedade 
Ainda na Mesopotâmia, diversos conceitos e inovações tecnológicas 
dedicadas, exclusivamente, ao fazer a guerra foram surgindo tais como o 
conceito de campanha militar (incursão de longa duração), o aparecimento de 
carros de guerra, arcos mais poderosos e soldados mais bem preparados e 
treinados. 
É graças à guerra que a Assíria, por ter incorporado esse modus vivendi, 
se transformou numa potência militar à época. 
Nações que não haviam incorporado esse estilo para si foram obrigadas a 
adotá-lo, em função de agressões recebidas, como os egípcios com os hicsos. 
Subjugados num primeiro momento em função da maior tecnologia militar dos 
hicsos, os egípcios souberam reagir, com o tempo, os expulsando e adquirindo 
novo status militar perante os vizinhos. 
Com as civilizações ocidentais (cidades-estados da Antiga Grécia) 
florescendo, surgiu o conceito de organização militar, isto é, o exército tinha 
caráter permanente e seus integrantes passavam por treinamento constante. 
Segue-se Roma, centro cultural da humanidade de então. Inegável a 
contribuição de seu poder militar no alcance de seu império e na disseminação 
de suas leis e organização, bases para o mundo ocidental de hoje. 
Segue-se a figura do grande líder militar Carlos Magno, fundador do 
Império Carolíngio. Com ele, o objetivo das guerras passa a ter motivação 
política. 
O Islão faz uso da guerra com motivação religiosa para expansão de sua 
doutrina religiosa assim como a cultura e valores dos árabes. 
Chegamos à Idade Moderna, com a expansão da cultura ocidental às 
Américas e África, por força do colonialismo. O surgimento dos primeiros 
Estados Nações deu origem ao processo de transformação de exércitos de 
mercenários para exércitos profissionais. O sistema de conscrição possibilitou 
que as massas pudessem aderir aos exércitos até como forma de meio de vida. 
Dessa forma, surgiram os exércitos de massa, o de Napoleão tendo sido o de 
maior sucesso. 
Em meados do século XIX já se podia distinguir a organização dos 
exércitos nos moldes encontrados hoje. Uma organização regida por forte 
 
 
7 
estamento burocrático, subordinado ao Estado, com a finalidade de exercer, 
segundo aspectos jurídicos legais internacionais, o exercício da força em nome 
desse Estado. 
Assim sendo, cada vez mais os exércitos se profissionalizaram, se 
equiparam a fim de fazer face aos desafios de segurança e defesa que se lhe 
apresentam. 
Rapidamente, pode-se verificar a importância que tanto a evolução 
tecnológica dos armamentos, quanto o comportamento humano foram 
primordiais na evolução da guerra. É lícito entender que os exércitos farão uso 
de todas as inovações tecnológicas da humanidade,. 
Se no passado tivemos o aparecimento dos carros de guerra, do arco e 
flecha e da pólvora e, mais recentemente, do avião, da energia atômica e do 
foguete, no presente e no futuro próximo podemos visualizar os instrumentos de 
segurança e defesa dos Estados fazendo face a essa nova dimensão do campo 
de batalha. É nesse contexto que a cibernética se encaixa. 
TEMA 3 – SEGURANÇA E DEFESA 
3.1 Os conceitos de defesa e segurança 
 Diversos autores já procuraram conceituar a diferença existente entre 
defesa e segurança. Não é propósito dessa aula tecer comentários sobre esses 
estudos, uma vez que o foco aqui é a interação entre esses campos e a 
cibernética. 
 O contra-almirante Alberto Casaes (2017) define defesa e segurança da 
seguinte maneira: 
o que uma nação madura deve esperar de suas Forças Armadas é que 
elas se preparem e estejam prontas para a defesa; assim bem 
entendidas, a preservação da soberania nacional, a integridade 
territorial e a proteção do país contra quaisquer ameaças externas. Já 
a segurança, atribuição da autoridade policial, há que preservar a lei e 
a ordem dentro do país. 
Há quem defenda, ainda, que segurança é uma sensação abstrata, 
subjetiva, que não pode ser mensurada enquanto a defesa é o conjunto de 
ações e medidas necessárias para se contrapor a ameaças que justamente 
possam colocar a sensação de segurança em cheque. 
Segundo Casaes (2017), “a sensação de segurança decorreria da 
ausência de ameaças que possam alterar esse estado. As ameaças, sim, têm de 
 
 
8 
ser identificadas, avaliadas e devidamente neutralizadas, reduzidas ou 
eliminadas, através de ações e medidas (papel da defesa) adequadas a cada 
caso.” 
Segundo o Ministério da Defesa: 
Cabe ao Estado brasileiro prover os meios necessários para que a 
sociedade alcance seus objetivos de prosperidade, assegurando 
condições que lhe permitam ser capaz de, livremente, afirmar seus 
interesses e se dedicar ao próprio desenvolvimento. 
Apesar de se projetar como nação que defende o entendimento e a 
cooperaçãointernacional, o Brasil sustenta que ser um país pacífico 
não significa ser passivo e indefeso. Assim, o artigo 142 da nossa 
Constituição Federal define: “As Forças Armadas, constituídas pela 
Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais 
permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na 
disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e 
destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais 
e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.” 
Por isso, investe numa capacidade militar de dissuasão que lhe 
possibilite reagir não apenas contra ameaças externas convencionais, 
mas também contra riscos contemporâneos como o terrorismo, o crime 
organizado transnacional, a pirataria e os ataques cibernéticos. 
Já em relação à segurança, observa-se um direcionamento às questões 
relativas ao art. 144 da Constituição de 1988 que prevê: “A segurança pública, 
dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a 
preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio 
[...]” (Brasil, 1988). 
Dito isso, o objeto de nosso estudo estará enquadrado neste pensamento: 
defesa envolve as Forças Armadas e segurança envolve órgãos de Segurança 
Pública. No decorrer de nossas aulas veremos, com mais detalhes, uma 
aproximação nessa divisão. 
TEMA 4 – O QUE É CIBERNÉTICA? 
4.1 Definindo cibernética 
 Uma definição amplamente encontrada numa rápida pesquisa nos sites 
nos diria que “ 
A cibernética é a ciência da comunicação e do controle (seja nos seres 
vivos, ou nas máquinas). A comunicação é que torna os sistemas 
integrados e coerentes e o controle é que regula o seu comportamento. 
A cibernética compreende os processos físicos, fisiológico, psicológico 
etc. de transformação da informação”. 
 
 
 
9 
De acordo com a Wikipédia (S.d.): 
a cibernética está associada ao uso de sistemas de comunicação e 
consequentemente aos seus componentes, que são vitais para troca 
de informações da organização com o ambiente e dentro dela mesma. 
Com a mecanização que se iniciou com a Revolução Industrial (que 
será visto na próxima aula), o esforço muscular do homem passou para 
a máquina. Porém, com a automação provocada pela cibernética, 
muitas tarefas que cabiam ao cérebro humano passaram para a 
máquina. A cibernética está levando a uma substituição do cérebro 
humano. O computador tende a substituir o homem em uma gama 
crescente de atividades, e com grande vantagem. As principais 
consequências da cibernética na administração são duas: a automação 
e a informática. 
Fica claro, portanto, que essa ciência vai impactar a sociedade como um 
todo. Como não poderia deixar de ser, também será afetada a esfera dos 
conflitos, da guerra, gerando antagonismos e forçando os países ao 
desenvolvimento de sistemas de segurança e defesa cibernéticas. 
TEMA 5 – O CENÁRIO CIBERNÉTICO NA GUERRA 
5.1 Fechando o circuito 
Para melhor explicar como a questão do conflito, da cibernética e das 
definições de segurança e defesa se entrelaçam, fechando um circuito, faremos 
uso do caso visto anteriormente, o do ataque israelense ao prédio na Síria. 
Para o melhor entendimento, faz-se a pergunta: como isso foi feito? 
Ninguém foi alertado, ninguém viu? Enfim, como isso foi possível? 
5.2 Apresentando soluções no campo da cibernética 
Ainda, como nos contam Clarke e Knake: 
Existem pelo menos três possibilidades para explicar como eles 
“dominaram” os sírios. Primeiro, existe a possibilidade sugerida por 
algumas reportagens na mídia, que o ataque israelense tenha sido 
precedido por um veículo aéreo não tripulado (VANT) furtivo que 
intencionalmente voou dentro do feixe de radar da defesa antiaérea 
síria. 
Radares ainda funcionam da mesma forma que na batalha da 
Inglaterra setenta anos atrás: o radar manda um feixe direcional de 
ondas de rádio; se esse feixe bater em alguma coisa, ele retorna ao 
receptor. O processador então calcula onde o objeto estava quando o 
feixe o atingiu, em qual altitude estava voando, a que velocidade 
estava se movendo, e talvez até mesmo quão grande era o objeto. 
O ponto-chave aqui é que o radar permite que um feixe eletrônico 
venha do ar para dentro de seu computador em terra. Um radar é 
naturalmente uma porta aberta em um computador, de forma que ele 
possa receber de volta as buscas eletrônicas que faz de alvos no céu. 
 
 
10 
Um VANT furtivo israelense poderia não ser visto pela defesa aérea 
síria se o drone fosse revestido com material que absorvesse ou 
desviasse feixes de radar. Mas poderia ter a capacidade de detectar o 
feixe de radar, vindo da base em sua direção, e, utilizando a mesma 
frequência de rádio, transmitir pacotes de volta para o computador do 
radar e dali para a rede de defesa antiaérea síria. Esses pacotes fariam 
o sistema não funcionar direito, mas também diriam para ele agir como 
se não houvesse nada de errado. 
Eles podem ter repetido um cenário igual ao céu de antes do ataque. 
Então, quando o feixe de radar refletiu nos Eagles e Falcons atacantes, 
o sinal que retornou não foi registrado nos computadores do sistema de 
defesa antiaérea sírio. O céu lhes pareceria exatamente como se 
estivesse vazio, mesmo que estivesse cheio de aviões israelenses. 
Reportagens na mídia americana mencionaram que os Estados Unidos 
têm um sistema de ataque cibernético similar, de codinome Senior 
Suter. 
Segundo, existe a possibilidade de que o código dos computadores 
russos que controlavam a rede de defesa aérea da Síria tenha sido 
comprometido por agentes israelenses. Em algum momento, talvez nos 
laboratórios de computação russos ou em algum complexo militar sírio, 
alguém a serviço de Israel ou um de seus aliados pode ter colocado um 
backdoor dentro das milhões de linhas de código do programa de 
defesa aérea. 
Um backdoor ou cavalo de Troia (Trojan horse) são simplesmente 
algumas linhas de código semelhantes a qualquer outra linguagem que 
faça parte das instruções de um sistema operacional ou aplicação 
(testes feitos pela NSA determinaram que nem mesmo os mais bem 
treinados especialistas, observando as milhares de linhas de código a 
olho nu, conseguiriam encontrar erros que tivessem sido introduzidos 
em uma parte do software). O backdoor poderia conter instruções 
sobre como responder em certas circunstâncias. Por exemplo, se o 
processador do radar encontrasse um sinal eletrônico particular, ele 
deveria mostrar um céu limpo por um determinado período, por 
exemplo, nas próximas três horas. 
Tudo o que o VANT israelense teria que fazer seria enviar pequenos 
sinais eletrônicos. O backdoor seria um ponto de acesso eletrônico 
secreto que permitiria explorar a rede de defesa antiaérea, contornando 
o sistema de detecção de intrusos e o firewall, por meio da criptografia, 
e assumir o seu controle, com direitos e privilégios de administrador. 
A terceira possibilidade é um agente israelense ter encontrado um cabo 
de fibra ótica da rede do sistema de defesa antiaérea em algum lugar 
da Síria e feito uma emenda na linha (por mais difícil que pareça, é 
possível). Uma vez “conectado”, o agente israelense poderia digitar um 
comando para que o backdoor o tornasse acessível. 
Mesmo sendo arriscado para um agente israelense ficar andando pela 
Síria cortando cabos de fibra ótica, isso está longe de ser impossível. 
Informes sugerem que durante décadas Israel vem colocando seus 
espiões dentro das fronteiras sírias. Os cabos da rede de fibra ótica da 
defesa antiaérea nacional da Síria correm por todo o país, não apenas 
dentro de instalações militares. A vantagem de colocar um agente 
hackeando a rede é que essa operação não depende do sucesso de 
um “pacote de controle” em entrar na rede a partir de um VANT voando 
pelo céu. 
Na verdade, um agente teoricamente poderia até preparar um link do 
seu local até o posto de comando da Força Aérea Israelense. Um 
agente israelense, utilizando métodos de comunicação debaixa 
probabilidade de interceptação (low-probability-of-intercept), poderia 
estabelecer comunicações secretas, mesmo no centro de Damasco, 
direcionando suas comunicações para um satélite israelense com 
poucas chances de ser percebido pela Síria. (2015, p. 11-12) 
 
 
11 
O que permitiu a manobra foi a manipulação da defesa aérea síria que 
ficou totalmente cega naquela noite, não permitindo o rastreamento das 
aeronaves atacantes. 
Fica, portanto, mais do que comprovada a eficácia do uso da arma 
cibernética em situações atuais de conflito. 
 
 
 
 
12 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988. 
CLARKE, R. A.; KNAKE, R. K. Guerra cibernética. 1 ed. Rio de Janeiro: 2015. 
CASAES, A. A diferença entre segurança e defesa. DefesaNet, 1 mar. 2017. 
Disponível em: <http://www.defesanet.com.br/defesa/noticia/24947/A-diferenca-
entre-defesa-e-seguranca/>. Acesso em: 2 jul. 2019. 
CIBERNÉTICA E ADMINISTRAÇÃO. Wikipédia. Disponível em: 
<https://pt.wikipedia.org/wiki/Cibernética_e_administração>. Acesso em: 2 jul. 
2019. 
JORNAL CULTURA. A Humanidade e a Guerra. Jornal Angolano de Artes e 
Letras, 15 ago. 2016. Disponível em: <http://jornalcultura.sapo.ao/historia/a-
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MINISTÉRIO DA DEFESA. Disponível em: <https://www.defesa.gov.br/estado-e-
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MINISTÉRIO DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA. Disponível em: 
<https://www.justica.gov.br/sua-seguranca/seguranca-publica>. Acesso em: 2 jul. 
2019.

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