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Prévia do material em texto

Planejamento Sucessório e a 
Herança Digital
Direito Sucessório
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
MARIA CLARA DONATO 
MILENA BARBOSA DE MELO
AUTORIA
Milena Barbosa de Melo 
Possuo graduação em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba 
(2004). Doutora em Direito Internacional pela Universidade de Coimbra. Mestre e 
Especialista em Direito Comunitário pela Universidade de Coimbra. Atualmente 
sou Professora Universitária e Conteudista. Como jurista atuo principalmente 
nas seguintes áreas: Direito à Saúde, Direito Internacional público e privado, 
Jurisdição Internacional, Direito Empresarial, Direito do Desenvolvimento, Direito da 
Propriedade Intelectual e Direito Digital.
Desse modo, fomos convidadas pela Editora Telesapiens a integrar seu 
elenco de autores independentes. Estamos muito felizes em poder ajudar você 
nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte conosco.
Maria Clara Donato
Sou bacharel em Direito, com bolsa integral pelo ProUni, pela Faculdade 
de Ciências Sociais Aplicadas (FACISA), Campina Grande/PB. Pós-Graduanda em 
Inteligência Policial pela FCE. Fui bolsista no programa “Santander Universidades”, 
tendo a oportunidade de ser aluna do Cursos Internacionales na Universidad 
de Salamanca, na cidade de Salamanca, Espanha, obtendo a certificação do 
nível Avanzado em Espanhol. Participei do Grupo de Estudos em Sociologia da 
Propriedade Intelectual – GESPI – da Universidade Federal de Campina Grande 
(UFCG) com Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Centro de Ensino Superior 
e Desenvolvimento (CESED) e Fundação Pedro Américo (FDA) e do Núcleo de 
Estudos em Direito Internacional (NEDI). Sou pesquisadora na área do Direito 
Internacional, Ciências Políticas, Relações Internacionais e Direitos Humanos. Me 
alegro muito em também poder estar presente nesta disciplina e espero poder 
auxiliar bastante em seus estudos.
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Introdução ao Planejamento Sucessório .......................................... 10
Conceitos .............................................................................................................................................. 10
Objetivos do Planejamento ...................................................................................................... 10
Limites do Planejamento Sucessório ............................................................................... 13
Proteção da Legítima ................................................................................................ 13
Alterações Familiares ................................................................................................ 14
Alterações Legislativas ........................................................................................... 15
Mutações Patrimoniais ............................................................................................. 16
Desdobramentos do Planejamento Sucessório ............................. 18
Instrumentos de Planejamento ........................................................................................... 18
Testamento ....................................................................................................................... 18
Doação ................................................................................................................................. 19
Usufruto ............................................................................................................................. 20
Fideicomisso .................................................................................................................... 21
Bem de Família ..............................................................................................................22
Planos de Previdência Privada Complementar ..................................... 22
Seguro de Vida ..............................................................................................................22
Conta Conjunta ..............................................................................................................23
Regime de Bens ............................................................................................................23
Trust ........................................................................................................................................23
Holding ...............................................................................................................................24
Acordo de Acionistas .................................................................................................25
A Herança Digital .........................................................................................26
O Direito Sucessório e a era Digital ....................................................................................26
Contexto da Herança Digital ...................................................................................................29
Legislação e Jurisprudência na Herança Digital ........................... 33
A Herança Digital e a Legislação Brasileira ..................................................................33
7
UNIDADE
03
Direito Sucessório
8
INTRODUÇÃO
Nesta unidade vamos entender o conceito e as vantagens do 
planejamento sucessório. Identificaremos as maneiras de elaboração do 
planejamento sucessório e vamos compreender o conceito de herança 
digital, além de aplicar as formas de legislação, doutrina e jurisprudência 
na herança digital. 
Começaremos com a introdução ao planejamento sucessório, seus 
conceitos, limites e objetivos. 
Na sequência vamos abordar os desdobramentos do planejamento 
sucessório e seus instrumentos. Falaremos de testamento, doação, 
usufruto, fideicomisso, bens de família, planos de previdência privada 
complementar, seguros de vida, contas conjuntas, regime de bens, trust, 
holding e acordo de acionistas. Ao final veremos a herança digital onde 
abordaremos o direito sucessório na era digital. Pronto para esta viagem 
rumo ao conhecimento? Então vamos lá!
Direito Sucessório
9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o 
término desta etapa de estudos:
1. Entender o conceito e as vantagens do planejamento sucessório.
2. Identificar as maneiras de elaboração do planejamento sucessório.
3. Compreender o conceito da herança digital.
4. Aplicar as formas da legislação, doutrina e jurisprudência na 
herança digital.
Então, agora, convido vocês para ingressar nessa jornada em busca 
da ampliação dos nossos conhecimentos. Vamos lá?!
Direito Sucessório
10
Introdução aoPlanejamento Sucessório
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de identificar 
as noções gerais acerca do planejamento sucessório, bem 
como da herança digital e todos os institutos relacionados a 
esses dois importantes instrumentos do Direito Sucessório..
Conceitos
Como estudamos até o momento, todo o patrimônio acumulado 
por um indivíduo não pode ficar sem dono após a morte desse, cabendo à 
lei ou ao proprietário de tais bens escolher qual deve ser o destino desses. 
Nesses casos, cabe ao proprietário buscas as opções legais disponíveis 
para que esse, previamente, deixe estabelecido quem irá receber os seus 
bens. 
De acordo com Teixeira (2018), o planejamento sucessório pode 
ser compreendido como o instrumento jurídico responsável por adotar 
uma estratégia de transferência de bens que seja considerada, pelo autor 
da herança, eficaz e eficiente a ser realizada após a sua morte. Desta 
forma, havendo um planejamento prévio entende-se que haverá uma 
transferência patrimonial organizada e estável entre os sucessores, sendo 
a partir dela que o autor da herança idealiza a divisão desta.
Objetivos do Planejamento
Com relação ao planejamento sucessório é possível identificar no 
indivíduo diversos motivos que o levam a optar por esta modalidade de 
sucessão planejada.
Quando falamos de herança, é importante relembrar que esta é 
constituída por um montante indivisível de bens que deve ser transferido 
aos herdeiros no momento da morte do autor da herança, o de cujus. 
Assim, no caso da sucessão hereditária, cada um dos herdeiros elencados 
Direito Sucessório
11
é chamado para receber uma quota da herança total. No entanto, na 
maioria dos casos, é fácil ocorrer desavenças entre os herdeiros envolvidos 
no processo, impossibilitando que se haja um acordo sobre o que cada 
um irá receber no momento que a herança se tornar divisível.
Além disso, é possível que outras situações particulares a cada caso 
podem gerar transtornos, de forma que um dos principais motivos pelo 
qual o autor da herança procura o planejamento antecipado da mesma é 
buscar promover a destinação racional da herança e, consequentemente, 
a preservação dos bens que compõem o montante hereditário.
Exemplo: Juliano falece deixando como herança dois imóveis 
de valor de valor similar para seus dois filhos, Pedro – que é formado 
em agronomia e adorador da vida no campo – e Letícia – formada em 
Arquitetura e atua como Urbanista em uma grande metrópole. Um dos 
imóveis deixados é uma fazenda no interior da cidade natal de Juliano, 
enquanto o outro imóvel é um apartamento localizado na capital do 
Estado onde a família residia. De acordo com a sucessão hereditária, cada 
um dos irmãos teria direito à metade de cada um dos bens em questão, 
originando uma situação de condomínio em cada um dos imóveis. De 
forma a facilitar a partilha e tornar eficaz o processo de divisão dos bens, 
Juliano decide procurar um advogado que, através do planejamento 
sucessório, destina, previamente, a fazenda para Pedro e o apartamento 
para Letícia.
Com base no exemplo acima, podemos compreender a otimização 
da partilha dos bens quando se há um planejamento prévio do que será 
feito com a herança, evitando discussões e disputas entre os herdeiros. 
Além disso, é através dessa ferramenta jurídica que o autor da herança 
distribui seu patrimônio de forma a garantir a manutenção e a preservação 
daquilo que será deixado.
Outro motivo que pode levar ao planejamento sucessório é a 
necessidade do autor da herança de preservar a atividade empresarial 
da família, uma vez que, em não havendo planejamento prévio, pode 
ocorrer das quotas ou ações referentes à participação de um indivíduo em 
determinada sociedade empresarial venham a ser transmitidas aos seus 
herdeiros necessários que não tenham interesse em dar continuidade à 
Direito Sucessório
12
atividade empresarial ou não possuam qualquer afinidade com tal ramo 
de atividades, causando um colapso na empresa que venha a ser gerida 
por alguém sem experiência ou vontade de nela atuar.
A partir do planejamento sucessório é possível que o autor da 
herança destine suas participações em sociedades àqueles que possuam 
real capacidade de gerir a mesma, de forma a dar continuidade à 
atividade prestada, além disso, pode haver a divisão em ações ordinárias 
e preferenciais, de forma a privilegiar aqueles que possam gerir a empresa 
da melhor forma possível.
Através dos instrumentos de planejamento sucessório é possível 
que o autor da herança alcance também uma maior rapidez da distribuição 
e liberação dos bens deixados, de forma a facilitar a partilha e garantir que 
a demora no processo judicial venha a prejudicar algum dos herdeiros 
que não tenha condições de manter o seu sustento após o falecimento 
do de cujus, por exemplo. Assim, é possível apelar para as formas de 
planejamento que venham a trazer a liberação imediata da quota de 
herança, como, por exemplo, a doação ou a previdência privada. 
O autor da herança pode também optar pelo planejamento 
como forma de impedir e prevenir discussões e disputas pela herança, 
normalmente ocasionadas quando há a necessidade partilha hereditária 
entre familiares. Assim, o de cujus pode planejar a partilha de forma com 
que seja preservado o relacionamento pacífico entre os herdeiros na hora 
da partilha, podendo recorrer a diversas estratégias das quais iremos 
discorrer em breve.
É também possível que o dono do patrimônio venha a optar pelo 
planejamento como forma de proporcionar algo diferenciado ou proteger 
algum dos herdeiros ou a terceiro que não pudesse ser contemplado na 
ordem de vocação hereditária, assim, por meio do planejamento, o autor 
confere uma quota maior para determinada pessoa. 
É necessário destacar que no momento do planejamento é 
possível que o titular dos bens seja movido por apenas um ou por vários 
dos motivos aqui elencados de forma a garantir que sua vontade seja 
plenamente eficaz após a sua morte. Outro ponto que deve ser discutido 
Direito Sucessório
13
é a existência de outros motivos que possam a levar alguém a optar pelo 
planejamento hereditário, devendo serem consideradas outras razões 
e motivações pessoais, sendo aquelas aqui descritas apenas as mais 
comumente discutidas pela doutrina do Direito Sucessório.
Limites do Planejamento Sucessório
Assim como em qualquer outra disposição jurídica, no momento 
do planejamento sucessório também é necessário que sejam observadas 
regras essenciais que venham a proteger os envolvidos na sucessão, 
sejam eles aqueles aos quais será destinada a herança (os herdeiros) 
ou a própria vontade do autor da herança no momento em que decidiu 
planejá-la. Assim, para que ambas as partes sejam protegidas, é função 
do Ordenamento Jurídico a criação de limitações ao planejamento 
sucessório.
Proteção da Legítima
Uma das primeiras e principais regras a serem observadas no 
momento do planejamento sucessório é também um dos princípios 
basilares do Direito Sucessório, a Liberdade Limitada para Testar. No 
entanto, apesar do nome dado ao princípio, esse deve ser amplamente 
adotado independentemente do planejamento que venha a ser adotado 
pelo autor da herança.
Como visto anteriormente, a principal função de limitar a liberdade 
do indivíduo no momento que esse vai dispor de seus bens está na 
necessidade legal de proteger os herdeiros necessários e garantir que 
esses venham a receber a sua quota legal da herança, conhecida como 
legítima. Desta maneira, o art.1.846 do Código Civil determinam que ao 
menos 50% do patrimônio deixado pelo de cujus deve ser designado 
aos seus herdeiros legítimos, elencados no próprio Código com base na 
Ordem de Vocação Hereditária (art.1.845).
Direito Sucessório
14
Em havendo disposições do planejamento que venham a 
desrespeitar a legítima, ultrapassando os limites daquilo que deve ser, 
obrigatoriamente, destinadoaos herdeiros, ocorre a nulidade parcial 
do instrumento em questão naquilo que toca justamente os limites 
excedidos. Nos casos de doações ocorridas antes do falecimento do de 
cujus e que ultrapassam o limite legal é obrigação do donatário ajustar a 
parte excedida com os herdeiros necessários no momento em que se der 
a abertura da sucessão.
Alterações Familiares
Um dos principais fatos que deve ser observado dentro da 
sociedade atual e que necessitou de alterações jurídicas para acobertá-
lo foram os novos arranjos familiares modernos. É fato que as relações 
familiares estão passando por constantes mudanças e alterações de 
padrões antes observados, assim, atualmente podemos encontrar 
dinâmicas envolvendo casamentos, divórcios e uniões estáveis em uma 
velocidade bem maior do que a que poderia ser observada no passado.
Dentro desse cenário de constantes mudanças e incertezas é 
preciso compreender também que um dos principais princípios a reger 
o planejamento sucessório é justamente a antecedência com o qual 
esse deve ser realizado, assim, deve o autor da herança ter cautela e 
discernimento na hora de planejar a distribuição post mortem de seus 
bens de forma que, apesar de eventuais alterações familiares que possam 
a vir ocorrer, suas disposições sejam plenamente eficazes e observadas.
Para que tais instrumentos de planejamento pudessem se adaptar 
à realidade atual também foi necessária uma certa flexibilização dos 
mesmos, de forma que a eventual nulidade, seja ela parcial ou total, não 
fosse tão frequente.
Ainda assim, é necessário que as disposições de planejamento 
sejam feitas de forma parcial, ou seja, é recomendável que o autor não 
disponha da integralidade de seus bens por meio de um único instrumento 
de planejamento, principalmente se esse for definitivo – particularidade 
que será melhor debatida no próximo capítulo – assim gerando conflito 
na ocorrência de alguma mudança na estrutura familiar. 
Direito Sucessório
15
Alterações Legislativas 
Apesar de não serem tão frequentes, é necessário que o autor 
do planejamento pense na possibilidade de alterações legislativas que 
possam vir, no futuro, a impedir a concretização plena de sua vontade no 
momento do planejamento. 
Tal fato é bem ilustrado por Sales (2009) quando se fala nas 
alterações encontradas entre as novas disposições do Código Civil de 
2002 ante ao que era previsto nas normas anteriores.
O Código Civil de 2002 trouxe radicais alterações nas 
regras sucessórias patrimoniais. Os direitos do cônjuge e 
do companheiro sobreviventes, para listar os principais, 
sofreram fundamentais modificações. Um pouco mais 
atrás, testemunhamos a Constituição de 1988 estabelecer 
“absoluta igualdade entre todos os filhos, não admitindo 
mais a retrógrada distinção entre filiação legítima ou 
ilegítima, segundo os pais fossem casados ou não, e 
adotiva, que existia no Código Civil de 1916”. Atualmente, 
“todos são apenas filhos, uns havidos fora do casamento, 
outros em sua constância, mas com iguais direitos e 
qualificações”. (BRASIL, 2002)
Embora seja compreensivo que mudanças legislativas não ocorram 
da noite para o dia e que as mais radicais são ainda menos frequentes, é 
preciso levar em consideração a constante alteração dos moldes sociais 
que vivemos e que a existência de tais fatos pode desencadear uma nova 
necessidade de alteração legislativa, o que pode implicar na ineficácia 
das disposições previstas no planejamento sucessório. 
Deve também ser destacado que não são apenas as alterações em 
disposições do Direito Sucessório que podem alterar aquilo previsto no 
planejamento sucessório, sendo esse também afetado por mudanças 
legislativas tocantes ao Direito Tributário e Direito Familiar.
Direito Sucessório
16
Mutações Patrimoniais
Além de todas as questões analisadas anteriormente e que podem 
limitar a disposição patrimonial do autor da herança, é conveniente 
também abordar a possibilidade de haver alterações no próprio patrimônio 
a ser disposto dentro do planejamento sucessório, o que pode implicar, 
de maneira considerável, na quantidade e no valor dos bens a serem 
dispostos em tal instrumento.
Assim, deve o autor do planejamento estar atento às eventuais 
alterações que o seu patrimônio pode vir a sofrer entre o momento do 
planejamento sucessório até a sua concretização, ou seja, o momento de 
abertura da herança. 
Exemplo: Edith possui dois imóveis de valores semelhantes 
em regiões diferentes da mesma cidade, de forma que, ao optar pelo 
planejamento sucessório, deixou designado cada um deles a um de 
seus filhos. No entanto 10 anos se transcorrem desde o planejamento até 
o momento de sua morte, de forma que, ao ser aberta a sucessão se 
verifica que um dos imóveis, destinado ao herdeiro A, sofreu uma grande 
valorização em seu valor devido à construção de um grande shopping 
center no bairro que esse está localizado e, agora, o mesmo possui um 
valor duas vezes maior que o imóvel destinado ao herdeiro B.
Assim, a simples flutuação do mercado imobiliário e a constante 
valorização e desvalorização dos imóveis pode ser alvo de um grande 
conflito entre os herdeiros no momento da abertura da herança, já que 
tais valores, antes semelhantes, com o passar do tempo podem ter se 
tornado bastante distintos, fazendo com que o planejamento perca o seu 
objetivo de evitar desavenças entre os herdeiros envolvidos.
Outro exemplo trazido por Sales (2009) e que convém ser levado 
em consideração são os casos em que se têm a perda ou a grande 
diminuição da capacidade do autor do planejamento em gerar renda ou 
até mesmo de se sustentar. Tais casos podem ser bastante gravosos nos 
casos em que se há a transferência antecipada de bens aos herdeiros ou 
mesmo o planejamento prévio dos mesmos, de forma que se disponha 
o planejamento sobre futuras rendas derivadas dos bens que se tem 
atualmente. 
Direito Sucessório
17
Assim, uma boa forma de se evitar que uma situação futura venha a 
gerar nulidade das disposições do planejamento, deve o autor do mesmo 
se proteger, deixando prevista a possibilidade de se reverter a herança 
sobre determinado bem em prol do seu próprio sustento, de forma que 
fica o autor autorizado a usufruir do bem deixado em planejamento para 
custear suas despesas em caso de perdas não previstas no momento em 
que o planejamento foi realizado. 
RESUMINDO:
O Planejamento Sucessório é uma excelente ferramenta 
para que o autor da herança possa dispor dela da forma 
que desejar, objetivando destinar de forma racional o seu 
patrimônio e de maneira que garanta a preservação ideal 
dos bens em questão, preservar a atividade empresarial 
da família, garantir uma maior rapidez na distribuição e 
liberação da herança aos herdeiros após sua morte ou 
até mesmo visando proteger algum dos herdeiros em 
especial ou um terceiro. Além disso, apesar de possuir total 
titularidade e direito sobre o patrimônio, ainda assim, deve 
o autor do planejamento ter em mente que sua vontade 
irá esbarrar em algumas limitações como forma de garantir 
a plena eficácia de sua vontade, quais sejam as garantias 
legais da legítima, as possíveis alterações familiares, 
eventuais mudanças legislativas e também alterações 
patrimoniais. Observando atentamente tais questões e 
seguindo as orientações legais, pode o autor da herança 
buscar meios de planejar como se dará a sucessão com 
base nos instrumentos que iremos conhecer no próximo 
capítulo. Vamos lá?
Direito Sucessório
18
Desdobramentos do Planejamento 
Sucessório
OBJETIVO:
Ao término desse capítulo você será capaz de compreender 
e diferenciar os atuais métodos legais disponíveis para 
a realização do planejamento sucessório e as principais 
características de cada um.
Instrumentos de Planejamento 
Apesar de ser o mais conhecido quando falamos em planejamento 
sucessório, o testamento não é o único instrumento legal disponível para 
realizar tal ato. Duranteesta unidade iremos explorar e conhecer as outras 
opções legais que podem ser utilizadas pelo autor da herança na hora 
de planejar a sua partilha, de forma que ele possa optar por aquela que 
melhor atenda os seus interesses e vontades.
Testamento
Como vimos anteriormente, o testamento é um dos mais comuns 
métodos de planejamento sucessório e que pode ser definido como 
um negócio jurídico concretizado de maneira unilateral, possui caráter 
personalíssimo, formal e revogável, tendo como seu principal objetivo 
organizar a destinação de bens do patrimônio de um indivíduo após a sua 
morte e seguindo os critérios por ele próprio estabelecidos ainda em vida. 
Cabe aqui ressaltar que o caráter de unilateralidade do testamento 
é encontrado no ato de declaração de vontade do testador, seu caráter 
personalíssimo advém do fato de que esse apenas pode ser produzido 
pelo testador – titular dos bens disponíveis no testamento – sendo 
impossível a existência de testamento realizado por representante legal 
ou por meio de procurador. Assim como vimos nas unidades anteriores, 
para que o testamento seja plenamente eficaz é necessário que o mesmo 
seja realizado de acordo com a forma prevista em lei.
Direito Sucessório
19
Assim como alguns outros tipos de instrumentos a partir dos quais 
se destinam bens de herança, o testamento só pode produzir efeitos após 
a morte de seu autor, ou seja, no momento em que se der a abertura da 
sucessão. A capacidade para testar é um dos principais requisitos para 
que o testamento tenha sua validade plena e dever ser observado de 
acordo com os dispositivos previstos no art. 1.860 do Código Civil.
Outro fator muito importante sobre o testamento é que, além das 
meras disposições patrimoniais que podem ser realizadas por meio desse 
instrumento, é também possível que o seu autor disponha, por meio 
dele, a respeito de seus desejos sobre doações de órgãos ou do próprio 
corpo após a morte, como também dispor sobre detalhes do seu funeral, 
entre outras coisas. O autor também pode, por meio do testamento 
optar por cláusulas que venha a restringir os direitos dos herdeiros sobre 
os bens herdados como, por exemplo, cláusulas de inalienabilidade, 
impenhorabilidade, etc.
Doação
A doação também é vista como uma forma de planejamento 
sucessório e deriva de um contrato entre duas pessoas onde uma delas (o 
doador) passa a posse de seus bens para outro indivíduo (o donatário). Tal 
procedimento é regido pelo Código Civil e está previsto em seu art.538. 
Esta forma de contrato deve ser classificada como gratuita, unilateral 
e formal, devendo ser observada a intenção do doador em transferir, 
deliberadamente, os seus bens para um terceiro.
Quando falamos em doação é permitido que sejam objetos desse 
ato quaisquer bens móveis ou imóveis, materiais ou não, podendo também 
ser alvo de doações direitos que estejam no comércio (PEREIRA, 2017). 
Apesar de ser considerado como algo formal e que deve ser realizado de 
acordo com a forma estabelecida em lei, as doações pode ser também 
válidas se realizadas de forma oral, desde que se tratem de bens móveis 
e que possuam baixo valor, com base no art.541 do CC. 
Direito Sucessório
20
Além da doação simples, é possível que o doador estipule cláusulas 
especiais como, por exemplo, a ocorrência da doação condicional que 
só pode ser concretizada com a ocorrência de um evento futuro que irá 
lhe conferir eficácia. Para todos os casos, o instituto da doação, todos os 
seus aspectos e especificidades são regulados pelos artigos 538 a 564 
do Código Civil. A doação é um dos tipos de planejamento sucessório 
que pode ser realizado pelo autor da herança ainda em vida, desde que 
observadas as formalidades legais.
Usufruto
O usufruto como planejamento patrimonial deve ser compreendido 
como um instrumento de direito real e temporário, que vem a ser 
concedido a um indivíduo, autorizando-o a usufruir de algo como se seu 
fosse, podendo receber, inclusive os frutos e rendimentos advindos deles, 
desde que não seja alterada sua essência e substância.
Figura 1 – Características do Usufruto
Temporalidade
Intuito Persona
Divisibilidade
Inalienabilidade
Conservação
Posse
Características do usufruto
Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Stollenwerk, 2017.
É válido destacar que o usufruto pode recair sobre todo o bem 
ou apenas sobre parte dele graças a sua característica de divisibilidade, 
podendo ocorrer casos em que o dono do bem confira o usufruto só 
de parte desse ou dele como um todo, além de poder também conferir 
benefícios apenas sobre os frutos e rendimentos desse. Além disso, 
podem receber os direitos de usufruto pessoas físicas e jurídicas, no 
Direito Sucessório
21
entanto, tal direito não pode ser repassado para terceiro, por isso, o prazo 
do usufruto deve ser estipulado no momento em que esse direito for 
passado, podendo ele ser vitalício ou temporário.
Fideicomisso
O instituto do fideicomisso também é conhecido como substituição 
fideicomissária e é através desse que o testador (fideicomitente) após 
escolher seus sucessores de primeiro grau (fiduciários) deixa estabelecido 
também um substituto (fideicomissário) que irá herdar os bens deixados 
ao sucessor de primeiro grau após a sua morte. 
Exemplo: Caio, em seu testamento, deixou um de seus imóveis para 
seu primo Gabriel, no entanto, o mesmo deixa estabelecido que após a 
morte de Gabriel tal imóvel deverá ser destinado aos futuros netos de 
Caio que, no momento da abertura da sucessão, ainda não haviam sido 
concebidos. 
Nesse caso o fiduciário não terá a posse do bem deixado, mas 
apenas a propriedade resolúvel e temporária do bem, não podendo se 
desfazer daquilo que lhe foi deixado até que ocorra o que o fideicomitente 
estabeleceu, podendo ser a morte do fiduciário ou um determinado prazo 
estipulado por lei. 
Esse instituto é regulado pelos arts.1.951 a 1.960 do Código Civil, 
para sua completa eficácia devem ser obedecidas algumas regras como: 
estabelecimento do fideicomisso em testamento; só pode envolver mais 
duas pessoas além do fideicomitente (o fiduciário e o fideicomissário); 
morrendo o fiduciário o bem passa automaticamente ao fideicomissário; 
o fideicomissário ainda não pode ter sido concebido no momento em 
que o testamento foi feito e, caso esse já tenha nascido na abertura da 
sucessão, o fiduciário ainda terá direito aos frutos desse bem pelo tempo 
ao qual teria direito, embora a posse passe automaticamente para o 
fideicomissário.
Direito Sucessório
22
Bem de Família
O bem de família é uma garantia civil-constitucional sobre um 
bem que possui o objetivo de proporcionar uma garantia à família, o 
que vem a tornar tal bem algo impenhorável e inalienável durante a vida 
dos cônjuges e até quando perdurar a menoridade dos filhos. Tal fato é 
previsto dentro da Lei n°8.009/90 e sua proteção é conferida ao imóvel 
residencial próprio do casal, que não podem ser atingidos por quaisquer 
dívidas civis contraídas por eles ou por seus filhos, excetuando-se os 
casos previstos em lei.
Planos de Previdência Privada Complementar
Os regimes privados de previdência complementar encontram-se 
respaldados dentro da própria Constituição Federal, art. 202, que confere 
ao instituto o caráter facultativo, diferente do regime geral da previdência. 
Esta categoria de regime previdenciário pertence ao direito privado e é 
completamente independente do regime geral, é regulamentado por 
meio de legislação específica e deve ser gerido de maneira pública.
Esse instituto era comumente visto dentro do âmbito sucessório, no 
entanto, ele vem sendo substituído pelo seguro de vida. Apesar de possuir 
o objetivo inicial de conferir uma aposentadoria extra ao beneficiário, a 
previdência privada pode servir como um modo de dispor de patrimônio 
líquido aos herdeiros logo após a morte do beneficiário, não os deixando 
desamparados até que se tenha o fim doprocesso de partilha da herança.
Seguro de Vida
Como o próprio nome já diz, o seguro de vida é um tipo de 
previdência complementar onde, através de contrato fica estabelecido o 
pagamento de um prêmio em dinheiro no momento da morte do titular do 
contrato, ficando a prestadora do serviço obrigada a pagar o valor àqueles 
que foram indicados pelo falecido no momento do contrato. 
Deve ficar claro que nesta modalidade aquele que assinou o 
contrato jamais será beneficiado pelo prêmio adquirido, devendo ele ser 
responsável apenas pelo pagamento das prestações acordadas junto 
com a seguradora, observados os requisitos, fica obrigada a seguradora 
fazer o pagamento da indenização instituída no contrato.
Direito Sucessório
23
Conta Conjunta
A conta conjunta é uma modalidade que faz parte de uma das 
espécies de contrato bancário, de forma que os seus titulares podem 
movimentar a conta de maneira individual ou conjunta, de forma que 
respondem de maneira solidária por ela, tanto em seus frutos como em 
nas obrigações dela decorrentes.
No caso do direito sucessório, apenas uma parte do valor disponível 
na conta conjunta vai entrar na partilha dos bens, entrando, portanto, 
apenas a quota correspondente ao que era do cônjuge falecido. No caso 
de falecimento de um dos titulares, cabe ao outro comprovar o valor 
correspondente ao seu patrimônio ou, caso contrário, será presumida 
igualdade entre os valores, ficando 50% com o titular sobrevivente e 
entrando 50% no total da herança.
Regime de Bens
O regime de bens adotado pelo casal no momento do matrimônio 
também pode ser recebido pelo direito como uma forma de planejamento 
sucessório, uma vez que, dependendo da escolha do casal, pode se optar 
pela incomunicabilidade entre os bens ou a comunicação total, de forma 
a privilegiar o cônjuge sobrevivente no momento da partilha dos bens. 
Assim, dependendo de como foi estabelecido o regime de bens 
entre o casal, o cônjuge sobrevivente pode ser convocado no momento 
da partilha de bens como herdeiro ou meeiro do quinhão deixado pelo 
falecido. 
Trust
O instituto do trust traz a sua tradução para o mundo jurídico, uma 
vez que se trata de um instrumento que vai depender da confiança ou 
consignação entre as partes envolvidas. Podemos então entender como 
Trust quando ocorre a cessão de direitos de uma pessoa à outra ou 
quando tais direitos são cedidos para que haja a realização de um objetivo 
particular para benefício de terceiros.
Direito Sucessório
24
O instituidor do Trust, ou seja, aquele que cede os bens, fica 
denominado de settlor, enquanto aquele que recebe se denomina trustee 
e o cestui que trust o terceiro beneficiário da cessão de bens. Fica então o 
Trustee limitado a utilizar os bens concedidos apenas nos limites e para a 
finalidade definida quando cedidos.
Por ser um direito decorrente da common law e diretamente 
vindo do direito anglo-saxão, seus objetivos e regras são considerados 
incompatíveis com aqueles defendidos por países que seguem o direito 
de origem romana, como o Brasil, de forma que tal instrumento não é 
aceito dentro da norma brasileira.
Holding 
O holding é um instrumento regulamentado pela lei n. 6.404/76 
e que é caracterizado pela criação de uma sociedade que tem como 
objetivo participar do quadro de sócios de outras sociedades já existentes 
como forma de realizar seu objetivo social estabelecido, além de se 
beneficiar com os incentivos fiscais disponíveis para esse tipo de situação. 
Quando trazemos o conceito desse instrumento para dentro do 
direito sucessório é possível compreender o surgimento do chamado 
holding familiar, onde o objeto social da sociedade criada é gerir diversas 
atividades empresariais das quais os membros de uma família fazem 
parte. Assim, é possível que se organize e se administre os bens familiares 
de maneira mais eficaz, além de promover uma otimização fiscal dos bens 
envolvidos nas sociedades, bem como também promover uma maior 
facilidade na apuração dos bens para a sucessão. 
Assim, o holding aparece para reunir bens e direitos de várias 
sociedades, concentrando-os de forma que facilite sua transmissão 
aos herdeiros, facilitando o processo sucessório e sendo uma forma de 
proteger o patrimônio.
Direito Sucessório
25
Acordo de Acionistas
O acordo de acionistas vem a participar do planejamento sucessório 
como uma ferramenta que engloba as espécies de controle societário, 
sendo elas o voto minoritário, a compra e venda de ações de maneira 
preferencial. Então, entende-se como um contrato que vem a reger um 
negócio jurídico privado de uma sociedade, de forma a regular as suas 
ações.
De certa forma, o acordo de acionistas pode ser comparado com o 
instrumento do holding, divergindo no fato de que o acordo não permite 
disposições que versem sobre direitos e garantias de herdeiros de forma 
individual, sendo eles vinculados apenas nas obrigações patrimoniais.
RESUMINDO:
Nesta unidade, pudemos nos aprofundar um pouco mais 
nas questões relativas ao planejamento sucessório, mais 
especificamente no que tange aos meios legais aos quais 
um indivíduo pode optar no momento de planejar como se 
dará a sucessão de seus bens. Assim, cabe ao advogado 
instruir o dono do patrimônio sobre qual dos institutos 
disponíveis se encaixa melhor naquilo que ele pretende 
e qual deles virá a trazer os resultados pretendidos no 
momento da partilha.
Direito Sucessório
26
A Herança Digital
OBJETIVO:
Muito além de uma divisão de transmissão – física – 
patrimonial após a morte, há, também, o patrimônio digital 
do de cujus. Esse é um fenômeno atual e sem previsões 
legais. Sendo assim, vamos estudar os conceitos para que 
você entenda apropriadamente. Avante!
O Direito Sucessório e a era Digital
Diz-se que o fenômeno sucessório é corriqueiro nas relações 
jurídicas vai além do campo do Direito das Sucessões. O ilustre professor 
Carlos Roberto Gonçalves (2012, p. 19) destaca que esse instituto se trata 
da “permanência de uma relação de Direito que perdura e subsiste a 
despeito da mudança dos respectivos titulares”.
Ainda, evidenciamos a explicação dos professores Farias e 
Rosenvald (2018):
Volvendo a visão para o particular de uma relação jurídica 
(e lembrando que toda relação jurídica, necessariamente, 
é composta de um sujeito, de um objeto e de um vínculo 
entre eles), observa-se que o sujeito ou o objeto podem, 
eventualmente, sofrer uma substituição por outro sujeito 
ou por outro objeto. É exatamente o fenômeno sucessório. 
A sucessão, assim, é a substituição do sujeito ou do 
objeto de uma relação jurídica. (FARIAS e ROSENVALD, 
2018 p. 30)
Assim, observa-se que o Direito das Sucessões é, efetivamente, a 
substituição do sujeito de uma relação jurídica por causa da morte de seu 
titular. Explica-se, novamente:
Direito Sucessório
27
Quadro 1: Significados
Sub-rogação real Substituição do objeto da relação jurídica
Sub-rogação pessoal
Substituição do sujeito da relação jurídica por ato 
inter vivos
Direito das Sucessões
Substituição do sujeito da relação jurídica por ato 
causa mortis
Fonte: Farias e Rosenvald (2018, p. 8).
É importante ressaltar que esse instituto tem relevância tanto para 
as relações familiares quanto sociais uma vez que reflete na transmissão 
de bens, direitos e deveres do de cujus. Assim, a herança, ou espólio ou 
monte, é o patrimônio deixado pelo morto.
Nesse caminho, o art. 6º do Código Civil diz que “a existência 
da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto 
aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão 
definitiva”. Ainda, os direitos da personalidade (direito à vida, à liberdade, 
à igualdade, à integridade física e psíquica, ao nome, honra, imagem e 
vida privada) atribui especial atenção aos direitos individuais do falecido, 
tutelando, o Estado, a dignidade do morto. Lembrando que o princípio da 
dignidade da pessoa humana é basilardo Estado Democrático de Direito.
Ora, no contexto da internet, onde são indiscutíveis as possibilidades 
e vantagens que o uso da internet oferece em todos os âmbitos da vida 
social, econômica e cultural. Nesse contexto de “explosão da internet” 
muitos aderiram a esta nova forma de entretenimento, de ludicidade e de 
“convívio social” produzindo um vasto conteúdo digital.
Por outro lado, a doutrina, nas palavras dos professores Farias e 
Rosenvald (2018, p. 33) trazem as seguintes informações:
Como pontua o bom (e notável) baiano Orlando Gomes, 
“o conteúdo do direito de sucessão não é ilimitado. Posto 
assuma o herdeiro a posição jurídico-econômica do 
defunto, não se lhe transmitem todos os direitos de que 
esse era, ou podia ser, titular”. (FARIAS e ROSENVALD, 
2018, p. 33)
Direito Sucessório
28
Isso porque somente as relações jurídicas patrimoniais (de natureza 
econômica) admitem a substituição do sujeito da relação jurídica quando 
da morte do seu titular. Até mesmo porque, naturalmente, as relações 
jurídicas personalíssimas serão extintas quando do falecimento do seu 
titular, em face de seu caráter intuito personae. É o exemplo dos direitos 
da personalidade, afinal de contas a morte do titular põe fim, seguramente, 
ao exercício da titularidade do direito de imagem, da integridade física ou 
da vida privada (FARIAS e ROSENVALD, 2018, p. 33).
Inclusive, não é comum pensar no que fazer com esse conteúdo 
após a morte do autor. 
É vasta a dimensão dos problemas e suas consequências 
nas relações sucessórias. A principal questão a ser 
enfrentada é a vivência de legado digital e como regimentar 
a sucessão dos arquivos na hipótese de declaração de 
último interesse do cônjuge, o testamento. (BIGUELINI, 
2018, p. 12)
Figura 2 – Acervo Digital
De valor econômico
Músicas autorais
Poemas e textos autorais
Fotos
Moedas digitais
De valor sentimental/afetivo
Conversas online
Posts nas redes sociais
Senhas e e-mails
Outros apps
Fonte: SAJ ADV, 2020.
Sendo assim, não há óbice no ordenamento jurídico brasileiro para o 
reconhecimento dos direitos da personalidade do de cujus uma vez que, 
apesar de morto, esse continua possuindo direitos que o remanescem e a 
sua violação alcança indiretamente os seus herdeiros.
Direito Sucessório
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SAIBA MAIS:
A série “Black Mirror”, traz o episódio “Be Right Back” ou 
“Volto já”. É um assustador episódio em que a Martha perde 
o seu marido, Ash. Grávida, Martha vai em busca de um 
serviço online que permite que as pessoas permaneçam 
em contato com o falecido.
Usando os perfis de comunicação online, redes sociais, imagens, 
vídeos e mensagens de voz, Martha revive Ash.
Nesse caminho, o art. 12, parágrafo único do Código Civil prevê a 
possibilidade de os herdeiros defenderem a personalidade do de cujus. 
Contexto da Herança Digital
Revela a vasta doutrina que somente as relações jurídicas 
patrimoniais estão submetidas à transmissão sucessória:
Contudo, escapam à incidência das regras do Direito das 
Sucessões o direito autoral, o usufruto, uso e habitação e 
a enfiteuse (quando o titular falece sem deixar sucessor) – 
que possuem regra própria, afastada da norma codificada. 
(FARIAS e ROSENVALD, 2018, p. 36)
No entanto, sabemos da importância e da influência das redes 
sociais sobre os seres humanos. Por meio dela, é possível a interação e a 
inclusão de arquivos, como imagens, livros, músicas e informações, em 
meio digital, e, ainda, a movimentação do e-commerce também por meio 
das moedas digitais. Ante a essa valorosa herança digital (e sentimental), 
surge o questionamento sobre o destino dos bens digitais que ficam nos 
servidores da internet. 
Direito Sucessório
30
SAIBA MAIS:
O e-commerce movimenta bilhões de dólares a cada ano, 
as pessoas têm o conforto de adquirir bens e serviços sem 
sair de seus lares e assim fazem aquisições de músicas, 
livros, filmes, jogos, softwares que ficam armazenados na 
nuvem, formando acervos digitais sem a necessidade de 
ocupar espaço físico, podendo acessar seus acervos a 
qualquer hora e lugar do mundo (RIBEIRO, 2016).
Nesse caminho, o Facebook, no menu Configurações, dispõe da 
função “Configurações de transformação em memorial”. Nela, diz que 
“Decida o que acontece com a sua conta após o seu falecimento”. Ou seja, 
vê-se a adaptação das redes sociais ao futuro incerto.
Figura 3- Facebook
Fonte: Facebook (2021).
Nesse caminho, Ribeiro (2016) explica que a
Grande dificuldade em aliar direito e as novas situações 
trazidas pelo uso das redes é encontrar soluções 
eficazes que sejam gerais, no sentido de que a forma 
como a tecnologia avança é muito rápida ficando, 
consequentemente, o direito sempre um passo atrás. 
(RIBEIRO, 2016, p. 11)
Dessa forma, é preciso ressaltar que a herança é garantia 
constitucional fundamental, conforme o art. 5º da Constituição Federal, 
sendo elevada a cláusula pétrea.
A doutrina não é pacífica quanto ao conceito de herança, no 
entanto, não há qualquer empecilho a inclusão do “acervo digital” (ou os 
bens digitais de potencial valor econômico armazenado na internet) uma 
vez que os significados trazidos são abrangentes.
Para sanar essa imprevisão, surgiram os projetos de Lei n° 
4.099/2012; 8.562/2017 e 7.742/2012, nos seguintes moldes:
Direito Sucessório
31
Figura 4 – Projetos de Lei: Herança Digital
PL 4.099/2012
PROPÕE A INSERÇÃO DE UM 
ARTIGO AO CÓDIGO CIVIL
Trata a herança digital no âmbito da 
sucessão legítima. A ideia é atribuí-la 
aos herdeiros do falecido, que teriam 
total liberdade quanto à sua gestão 
e destino. 
PROPÕE A INSERÇÃO DE TRÊS 
ARTIGOS NO CÓDIGO CIVIL
Insere o conceito da herança 
digital no ordenamento jurídico, 
apresentando um rol exemplificativo 
dos bens que podem compor o 
acervo. Também oferece três opções 
para o eventual herdeiro do material.
PROPÕE A INSERÇÃO DE UM ARTIGO 
AO MARCO CIVIL DA INTERNET
Sai em defesa da exclusão das 
contas online do usuário falecido 
como primeira opção em caso 
dele não ter deixado testamento. 
Apenas como exceção, os familiares 
poderiam pleitear o acesso a tais 
contas.
PL 8.562/2017
PL 7.742/2017
Fonte: SAJ ADV, 2020.
Ainda mais, observa-se que a crescente relevância dos bens digitais 
possibilita a interferência na parcela legítima reservada aos herdeiros. 
Sites que são lucrativos podem representar mais de 50% do patrimônio 
deixado. 
Assim, nesse contexto de “explosão da internet” muitos aderiram a 
esta nova forma de entretenimento, de ludicidade e de “convívio social”, 
acumulando um grande volume de dados online, “Big Data”. Esse último, 
pode ser definido como conjunto de dados extremamente amplos e que, 
por esse motivo, necessitam de ferramentas preparadas para lidar com 
grandes volumes de dados, de forma que toda e qualquer informação 
nesses meios possa ser encontrada, analisada e aproveitada em tempo 
Direito Sucessório
32
hábil. Aponta a doutrina que as suas fontes se constituem em três 
categorias: transmissão de dados (streaming data), dados de redes sociais 
e fontes publicamente disponíveis.
SAIBA MAIS:
Hoje, quase metade da população mundial usa as redes 
sociais de alguma forma. Isso corresponde a quase 4 
bilhões de usuários ativos. Agora imagine que cada uma 
dessas pessoas vem formando, à sua maneira, um denso 
patrimônio virtual que vai de fotos, vídeos, áudios, games, 
músicas e filmes, até mensagens privadas, senhas e 
moedas virtuais.
Esse comportamento fez do planejamento sucessório e da herança 
digital uma discussão inevitável. Da mesma forma como o patrimônio 
acumulado em vida recebe atenção acerca do seu destino após a 
morte, em razão de eventuais conflitos de partilha, o patrimônio virtual 
também precisa ser pensado e planejado. E isso independe de valoração 
econômica ou não (SAJ ADV, 2020).
Por outro lado, revela a doutrina que os documentos eletrônicos 
são tidos como bens móveis uma vez que possui valor econômico. “O 
critériode valor aplica-se também a bens gratuitos, mas cuja proteção 
pode ser aferida economicamente” (COSTA FILHO, 2016).
RESUMINDO:
Revela a vasta doutrina que somente as relações jurídicas 
patrimoniais estão submetidas à transmissão sucessória. 
No entanto, sabemos da importância e da influência das 
redes sociais sobre os seres humanos. Por meio dela, 
é possível a interação e a inclusão de arquivos, como 
imagens, livros, músicas e informações, em meio digital, e, 
ainda, a movimentação do e-commerce também por meio 
das moedas digitais. Ante a essa valorosa herança digital (e 
sentimental), surge o questionamento sobre o destino dos 
bens digitais que ficam nos servidores da internet.
Direito Sucessório
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Legislação e Jurisprudência na Herança 
Digital
OBJETIVO:
A herança digital é um tema extremamente recente e 
bastante polêmico uma vez que não há, no ordenamento 
jurídico, previsão legal para esse instituto. Então, vamos 
estudar como esse tema se comporta na sociedade? 
Vamos juntos!
A Herança Digital e a Legislação 
Brasileira
Como explicitado no capítulo anterior, a legislação brasileira é 
ausente quanto à disposição que trate especificamente sobre herança 
digital 
Assim, como acontece com bens tangíveis e demais 
formas incontroversas de patrimônio, os direitos sobre 
bens armazenados virtualmente [...] ficam, em regra, com 
os familiares mais próximos do falecido. (COSTA FILHO, 
2016)
É preciso ter em mente que esse tema é extremamente novo na 
sociedade e não há previsão legal no ordenamento jurídico. Ora, em 
sentido técnico, a internet é uma conexão entre redes de computadores 
que utilizam protocolos, mundialmente conhecidos como IPs (internet 
protocol).
Atualmente, nota-se uma virtualização das informações, bem como 
do cotidiano dos internautas. Palco de encontro do mundo real com o 
virtual, a internet proporciona um amplo espaço para interação visto que 
possibilita, ao ser humano, aumentar a sua percepção de mundo, projetar 
desejos, desenvolver a sua personalidade e expressar-se de forma livre. 
Sem dúvida, esta ferramenta é o principal símbolo desta revolução 
tecnológica.
Direito Sucessório
34
No entanto, há os casos da ocorrência de falecimento do usuário, 
ou aquelas pessoas que possuíam uma quantidade considerável de bens 
digitais ou até mesmo, um largo desenvolvimento da sua personalidade, 
na internet.
Sendo assim, um dos maiores problemas enfrentados na busca 
pelo patrimônio digital é quando há o armazenamento em nuvem, uma 
vez que são logados em contas de e-mail, redes sociais ou aplicativos 
estrangeiros de modo que os acessos ficam a cabo de provedores (e leis) 
estrangeiros ou até mesmo, tem a sua transmissão regida por termos de 
serviço.
Nesse caminho, é a herança digital o conteúdo incorpóreo, intangível, 
imaterial formado pelos bens digitais sem valoração econômica e com 
valoração econômica. As fotos pessoais, blogs, filmes, músicas, redes 
sociais, e-mails e tudo o que pode ser armazenado em nuvem do morto 
é chamado de ativos digitais. Santos (2014) conceitua que os bens digitais 
são uma “espécie de software de computador que, como qualquer outro, 
é transmitido de uma máquina para outra na forma de fluxo de elétrons, 
denominados bits. Cada conjunto de oito bits forma um bite”.
Como forma de solucionar o imbróglio, dois projetos de lei foram 
escritos (o PL 4099/2012 e o antigo apenso, o PL 9847/2012) para incluir 
artigos no Código Civil com a seguinte redação:
Art. 1.797-A. A herança digital defere-se como o conteúdo 
intangível do falecido, tudo o que é possível guardar ou 
acumular em espaço virtual, nas condições seguintes:
I. Senhas;
II. Redes sociais;
III. Contas da internet;
IV. Qualquer bem e serviço virtual e digital de titularidade 
do falecido.
 Art. 1.797-B. Se o falecido, tendo capacidade para testar, 
não o tiver feito, a herança será transmitida aos herdeiros 
legítimos.
Art. 1.797-C. Cabe ao herdeiro:
I – Definir o destino das contas do falecido;
Direito Sucessório
35
a. Transformá-las em memorial, deixando o acesso restrito 
a amigo confirmados e mantendo apenas o conteúdo 
principal ou;
b. Apagar todos os dados do usuário ou;
c. Remover a conta do antigo usuário. (BRASIL, 2002)
O autor do projeto de lei, o Deputado e professor Marçal Filho, 
justificou:
Tudo o que é possível guardar em um espaço virtual 
como músicas e fotos, passa a fazer parte do patrimônio 
das pessoas e, consequentemente, da chamada “herança 
digital”.
O Caderno TEC da Folha de S. Paulo trouxe uma reportagem 
sobre herança digital a partir de dados de uma pesquisa 
recente do Centro para Tecnologias Criativas e Sociais, do 
Goldsmiths College (Universidade de Londres). O estudo 
mostra que 30% dos britânicos consideram suas posses 
online sua “herança digital” e 5% deles já estão incluindo 
em testamentos quem herdará seu legado virtual, ou seja, 
vídeos, livros, músicas, fotos e e-mails.
No Brasil, esse conceito de herança digital ainda é pouco 
difundido. Mas é preciso uma legislação apropriada para 
que as pessoas ao morrerem possam ter seus direitos 
resguardados a começar pela simples decisão de a quem 
deixar a senha de suas contas virtuais e também o seu 
legado digital.
Quando não há nada determinado em testamento, o 
Código Civil prioriza familiares da pessoa que morreu 
para definir herdeiros. Dessa forma, o presente Projeto de 
Lei pretende assegura o direito dos familiares em gerir o 
legado digital daqueles que já se foram. (BRASIL, 2002)
Observa-se, assim, os esforços do legislador para o preenchimento 
das lacunas no âmbito digital. Ainda mais, aduz a doutrina que o Deputado 
Federal Jorginho de Mello reflete sobre a disparidade de decisões judiciais 
sobre o assunto, em vista da falta de regulamentação.
Famílias de pessoas falecidas ao pleitear acesso a arquivos 
ou contas armazenadas na internet, estariam sujeitas a 
grande insegurança jurídica, constatando-se a disparidade 
de decisões proferidas pelo judiciário” (COSTA FILHO, p. 
193)
Direito Sucessório
36
SAIBA MAIS:
“Judiciário recebe os primeiros processos sobre herança 
digital” é a matéria do site Ricardo Alfonsin Advogados. 
Disponível aqui. 
No entanto, apesar do ordenamento jurídico possuir lacunas para 
a tutela da herança digital, os princípios e instrumentos hermenêuticos 
possibilitam ao Direito que se trate sobre o tema a partir de uma visão mais 
ampla sobre herança, “uma vez que é inegável o potencial econômico 
que podem vir a ter sites, músicas, filmes, livros, fotos, textos, aplicativos 
e diversas outras formas de arquivos armazenados virtualmente” 
(CARVALHO, 2019).
Ainda, é preciso lembrar que, por força do art. 1788 do Código Civil, 
quando a pessoa não manifesta sua vontade em vida, e não há testamento, 
a sucessão recebe o nome de legítima presumindo a vontade do de cujus. 
É importante lembrar que:
Figura 5 - Ordem de vocação hereditária
- Descendentes, em concorrência com o cônjuge ou companheiro 
sobrevivente.
- Ascendentes, em concorrência com o cônjuge ou companheiro.
- Cônjuge ou companheiro sobrevivente.
- Colaterais.
Fonte: Brasil, 2002.
Por outro lado, existe uma parcela do acervo digital que diz respeito 
a esfera íntima do de cujus, como fotos, mensagens, e-mails etc. que são 
indisponíveis a outrem. Nesses casos, cabe ao Poder Judiciário decidir 
qual conteúdo poderá ser revelado ou não. Mas, e se o conteúdo disser 
respeito a uma pessoa casada?
Esse hiato traz consequências à sociedade levando à insegurança 
jurídica, “porquanto tais arquivos armazenados virtualmente têm suas regras 
Direito Sucessório
https://alfonsin.com.br/judicirio-recebe-os-primeiros-processos-sobre-herana-digital/#:~:text=Por%20esse%20motivo%2C%20segundo%20advogados,deixou%20autoriza%C3%A7%C3%A3o%2C%20n%C3%A3o%20h%C3%A1%20transmiss%C3%A3o
37
de acesso e transferência ditadas única e exclusivamente, até o momento, 
pelos termos de serviçodos provedores” (COSTA FILHO, 2016, p. 36).
SAIBA MAIS:
O Google também disponibiliza algo parecido a ferramenta 
do Facebook. Se o usuário preencher os termos, pode alertar 
o Google a respeito do momento em que a conta deve ser 
considerada inativa e, quando isso acontecer, se a empresa 
pode exclui-la automaticamente. Se essa não for a opção, no 
entanto, o usuário ainda pode escolher quem pode usá-la 
em seu nome e o que pode ser compartilhado. Seria uma 
espécie de testamento digital informal (SAJ ADV, 2020).
Pensando na insegurança jurídica, surgiu o art. 10-A da Lei n°. 
12.965/2014 (Marco Civil da Internet) que dispõe sobre a destinação 
das contas de aplicações de internet após a morte do seu titular. Senão 
vejamos:
Art. 10-A. Os provedores de aplicações de internet devem 
excluir as respectivas contas de usuários brasileiros mortos 
imediatamente após a comprovação do óbito.
§1º A exclusão dependerá de requerimento aos 
provedores de aplicações de internet, em formulário 
próprio, do cônjuge, companheiro ou parente, maior de 
idade, obedecida a linha sucessória, reta ou colateral, até 
o segundo grau inclusive.
§2º Mesmo após a exclusão das contas, devem os 
provedores de aplicações de internet manter armazenados 
os dados e registros dessas contas pelo prazo de 1 (um) 
ano, a partir da data do óbito, ressalvado requerimento 
cautelar da autoridade policial ou do Ministério Público de 
prorrogação, por igual período, da guarda de tais dados e 
registros.
§3º As contas em aplicações de internet poderão ser 
mantidas mesmo após a comprovação do óbito do seu 
titular, sempre que essa opção for possibilitada pelo 
respectivo provedor e caso o cônjuge, companheiro ou 
parente do morto indicados no caput desse artigo formule 
Direito Sucessório
38
requerimento nesse sentido, no prazo de um ano a partir 
do óbito, devendo ser bloqueado o seu gerenciamento por 
qualquer pessoa, exceto se o usuário morto tiver deixado 
autorização expressa indicando quem deva gerenciá-la. 
(BRASIL, 2014)
Observa-se, assim, a positivação das medidas previstas e 
concretizadas nos termos de uso dos sites e servidores da internet. O 
que todas as proposições, PL e intenções apresentam em comum é a 
autorização da transmissão do acervo digital do morto aos herdeiros 
“notadamente nas hipóteses em que o bem digital é uma projeção da 
privacidade e não houve declaração expressa de vontade autorizando a 
ingerência dos herdeiros” (CARVALHO, 2019).
Por outro lado, essa situação oportunizou a criação de serviços de 
planejamento da destinação dos bens digitais pós morte. Nuland (apud 
Castells, 1999) refletiu:
A crença na probabilidade da morte com dignidade é 
a tentativa nossa e de nossa sociedade de lidar com 
a realidade do que frequentemente é uma série de 
acontecimentos destrutivos os quais, pela própria 
natureza, envolvem a desintegração da humanidade 
da pessoa moribunda. Não tenho visto com frequência 
muita dignidade no processo da nossa morte. A procura 
no sentido de alcançar a verdadeira dignidade fracassa 
quando nossos corpos falham... A maior dignidade a ser 
encontrada na morte é a dignidade da vida que a precedeu. 
(NULAND apud CASTELLS, 1999, p. 544)
 Muito se discute sobre a dignidade do morto, principalmente no 
que envolve a sua personalidade, a divulgação de sua intimidade – a sua 
família. Todavia, alguns países já regulamentam a problemática. Mostra-se, 
portanto, a importância do direito digital combinado ao direito sucessório, 
na medida em que conflitos surgem, na plataforma online, de modo que 
a normatização é necessária.
Direito Sucessório
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SAIBA MAIS:
Leia o e-book “Proteção legal de dados pessoais e restos 
mortais” do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Nele, 
temos: introdução ao processo “os desaparecidos”; a 
proteção legal de dados pessoais e restos mortais; os 
princípios comumente aceitos; a proteção de dados 
pessoais; identificação de restos mortais e a proteção de 
informações genéricas. Disponível aqui.
Ora, é possível que os interesses dos herdeiros venham a confrontar 
com os do de cujus, principalmente no que se refere à sua privacidade, 
que representa uma extensão da sua personalidade e que, em vida, ele 
manteve privada.
RESUMINDO:
Em sentido técnico, a internet é uma conexão entre redes 
de computadores que utilizam protocolos, mundialmente 
conhecidos como IPs (internet protocol). Atualmente, 
nota-se uma virtualização das informações, bem como 
do cotidiano dos internautas. No entanto, há os casos 
da ocorrência de falecimento do usuário, ou aquelas 
pessoas que possuíam uma quantidade considerável de 
bens digitais ou até mesmo, um largo desenvolvimento 
da sua personalidade, na internet. No entanto, apesar de 
o ordenamento jurídico possuir lacunas para a tutela da 
herança digital, os princípios e instrumentos hermenêuticos 
possibilitam ao Direito que se trate sobre o tema a partir de 
uma visão mais ampla sobre herança.
Direito Sucessório
http://www.icrc.org/data/files/publications/pt/proteccion-de-datos.pdf
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Direito Sucessório
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