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Planejamento Sucessório e a Herança Digital Direito Sucessório Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria MARIA CLARA DONATO MILENA BARBOSA DE MELO AUTORIA Milena Barbosa de Melo Possuo graduação em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba (2004). Doutora em Direito Internacional pela Universidade de Coimbra. Mestre e Especialista em Direito Comunitário pela Universidade de Coimbra. Atualmente sou Professora Universitária e Conteudista. Como jurista atuo principalmente nas seguintes áreas: Direito à Saúde, Direito Internacional público e privado, Jurisdição Internacional, Direito Empresarial, Direito do Desenvolvimento, Direito da Propriedade Intelectual e Direito Digital. Desse modo, fomos convidadas pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estamos muito felizes em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte conosco. Maria Clara Donato Sou bacharel em Direito, com bolsa integral pelo ProUni, pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas (FACISA), Campina Grande/PB. Pós-Graduanda em Inteligência Policial pela FCE. Fui bolsista no programa “Santander Universidades”, tendo a oportunidade de ser aluna do Cursos Internacionales na Universidad de Salamanca, na cidade de Salamanca, Espanha, obtendo a certificação do nível Avanzado em Espanhol. Participei do Grupo de Estudos em Sociologia da Propriedade Intelectual – GESPI – da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) com Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Centro de Ensino Superior e Desenvolvimento (CESED) e Fundação Pedro Américo (FDA) e do Núcleo de Estudos em Direito Internacional (NEDI). Sou pesquisadora na área do Direito Internacional, Ciências Políticas, Relações Internacionais e Direitos Humanos. Me alegro muito em também poder estar presente nesta disciplina e espero poder auxiliar bastante em seus estudos. ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Introdução ao Planejamento Sucessório .......................................... 10 Conceitos .............................................................................................................................................. 10 Objetivos do Planejamento ...................................................................................................... 10 Limites do Planejamento Sucessório ............................................................................... 13 Proteção da Legítima ................................................................................................ 13 Alterações Familiares ................................................................................................ 14 Alterações Legislativas ........................................................................................... 15 Mutações Patrimoniais ............................................................................................. 16 Desdobramentos do Planejamento Sucessório ............................. 18 Instrumentos de Planejamento ........................................................................................... 18 Testamento ....................................................................................................................... 18 Doação ................................................................................................................................. 19 Usufruto ............................................................................................................................. 20 Fideicomisso .................................................................................................................... 21 Bem de Família ..............................................................................................................22 Planos de Previdência Privada Complementar ..................................... 22 Seguro de Vida ..............................................................................................................22 Conta Conjunta ..............................................................................................................23 Regime de Bens ............................................................................................................23 Trust ........................................................................................................................................23 Holding ...............................................................................................................................24 Acordo de Acionistas .................................................................................................25 A Herança Digital .........................................................................................26 O Direito Sucessório e a era Digital ....................................................................................26 Contexto da Herança Digital ...................................................................................................29 Legislação e Jurisprudência na Herança Digital ........................... 33 A Herança Digital e a Legislação Brasileira ..................................................................33 7 UNIDADE 03 Direito Sucessório 8 INTRODUÇÃO Nesta unidade vamos entender o conceito e as vantagens do planejamento sucessório. Identificaremos as maneiras de elaboração do planejamento sucessório e vamos compreender o conceito de herança digital, além de aplicar as formas de legislação, doutrina e jurisprudência na herança digital. Começaremos com a introdução ao planejamento sucessório, seus conceitos, limites e objetivos. Na sequência vamos abordar os desdobramentos do planejamento sucessório e seus instrumentos. Falaremos de testamento, doação, usufruto, fideicomisso, bens de família, planos de previdência privada complementar, seguros de vida, contas conjuntas, regime de bens, trust, holding e acordo de acionistas. Ao final veremos a herança digital onde abordaremos o direito sucessório na era digital. Pronto para esta viagem rumo ao conhecimento? Então vamos lá! Direito Sucessório 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Entender o conceito e as vantagens do planejamento sucessório. 2. Identificar as maneiras de elaboração do planejamento sucessório. 3. Compreender o conceito da herança digital. 4. Aplicar as formas da legislação, doutrina e jurisprudência na herança digital. Então, agora, convido vocês para ingressar nessa jornada em busca da ampliação dos nossos conhecimentos. Vamos lá?! Direito Sucessório 10 Introdução aoPlanejamento Sucessório OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de identificar as noções gerais acerca do planejamento sucessório, bem como da herança digital e todos os institutos relacionados a esses dois importantes instrumentos do Direito Sucessório.. Conceitos Como estudamos até o momento, todo o patrimônio acumulado por um indivíduo não pode ficar sem dono após a morte desse, cabendo à lei ou ao proprietário de tais bens escolher qual deve ser o destino desses. Nesses casos, cabe ao proprietário buscas as opções legais disponíveis para que esse, previamente, deixe estabelecido quem irá receber os seus bens. De acordo com Teixeira (2018), o planejamento sucessório pode ser compreendido como o instrumento jurídico responsável por adotar uma estratégia de transferência de bens que seja considerada, pelo autor da herança, eficaz e eficiente a ser realizada após a sua morte. Desta forma, havendo um planejamento prévio entende-se que haverá uma transferência patrimonial organizada e estável entre os sucessores, sendo a partir dela que o autor da herança idealiza a divisão desta. Objetivos do Planejamento Com relação ao planejamento sucessório é possível identificar no indivíduo diversos motivos que o levam a optar por esta modalidade de sucessão planejada. Quando falamos de herança, é importante relembrar que esta é constituída por um montante indivisível de bens que deve ser transferido aos herdeiros no momento da morte do autor da herança, o de cujus. Assim, no caso da sucessão hereditária, cada um dos herdeiros elencados Direito Sucessório 11 é chamado para receber uma quota da herança total. No entanto, na maioria dos casos, é fácil ocorrer desavenças entre os herdeiros envolvidos no processo, impossibilitando que se haja um acordo sobre o que cada um irá receber no momento que a herança se tornar divisível. Além disso, é possível que outras situações particulares a cada caso podem gerar transtornos, de forma que um dos principais motivos pelo qual o autor da herança procura o planejamento antecipado da mesma é buscar promover a destinação racional da herança e, consequentemente, a preservação dos bens que compõem o montante hereditário. Exemplo: Juliano falece deixando como herança dois imóveis de valor de valor similar para seus dois filhos, Pedro – que é formado em agronomia e adorador da vida no campo – e Letícia – formada em Arquitetura e atua como Urbanista em uma grande metrópole. Um dos imóveis deixados é uma fazenda no interior da cidade natal de Juliano, enquanto o outro imóvel é um apartamento localizado na capital do Estado onde a família residia. De acordo com a sucessão hereditária, cada um dos irmãos teria direito à metade de cada um dos bens em questão, originando uma situação de condomínio em cada um dos imóveis. De forma a facilitar a partilha e tornar eficaz o processo de divisão dos bens, Juliano decide procurar um advogado que, através do planejamento sucessório, destina, previamente, a fazenda para Pedro e o apartamento para Letícia. Com base no exemplo acima, podemos compreender a otimização da partilha dos bens quando se há um planejamento prévio do que será feito com a herança, evitando discussões e disputas entre os herdeiros. Além disso, é através dessa ferramenta jurídica que o autor da herança distribui seu patrimônio de forma a garantir a manutenção e a preservação daquilo que será deixado. Outro motivo que pode levar ao planejamento sucessório é a necessidade do autor da herança de preservar a atividade empresarial da família, uma vez que, em não havendo planejamento prévio, pode ocorrer das quotas ou ações referentes à participação de um indivíduo em determinada sociedade empresarial venham a ser transmitidas aos seus herdeiros necessários que não tenham interesse em dar continuidade à Direito Sucessório 12 atividade empresarial ou não possuam qualquer afinidade com tal ramo de atividades, causando um colapso na empresa que venha a ser gerida por alguém sem experiência ou vontade de nela atuar. A partir do planejamento sucessório é possível que o autor da herança destine suas participações em sociedades àqueles que possuam real capacidade de gerir a mesma, de forma a dar continuidade à atividade prestada, além disso, pode haver a divisão em ações ordinárias e preferenciais, de forma a privilegiar aqueles que possam gerir a empresa da melhor forma possível. Através dos instrumentos de planejamento sucessório é possível que o autor da herança alcance também uma maior rapidez da distribuição e liberação dos bens deixados, de forma a facilitar a partilha e garantir que a demora no processo judicial venha a prejudicar algum dos herdeiros que não tenha condições de manter o seu sustento após o falecimento do de cujus, por exemplo. Assim, é possível apelar para as formas de planejamento que venham a trazer a liberação imediata da quota de herança, como, por exemplo, a doação ou a previdência privada. O autor da herança pode também optar pelo planejamento como forma de impedir e prevenir discussões e disputas pela herança, normalmente ocasionadas quando há a necessidade partilha hereditária entre familiares. Assim, o de cujus pode planejar a partilha de forma com que seja preservado o relacionamento pacífico entre os herdeiros na hora da partilha, podendo recorrer a diversas estratégias das quais iremos discorrer em breve. É também possível que o dono do patrimônio venha a optar pelo planejamento como forma de proporcionar algo diferenciado ou proteger algum dos herdeiros ou a terceiro que não pudesse ser contemplado na ordem de vocação hereditária, assim, por meio do planejamento, o autor confere uma quota maior para determinada pessoa. É necessário destacar que no momento do planejamento é possível que o titular dos bens seja movido por apenas um ou por vários dos motivos aqui elencados de forma a garantir que sua vontade seja plenamente eficaz após a sua morte. Outro ponto que deve ser discutido Direito Sucessório 13 é a existência de outros motivos que possam a levar alguém a optar pelo planejamento hereditário, devendo serem consideradas outras razões e motivações pessoais, sendo aquelas aqui descritas apenas as mais comumente discutidas pela doutrina do Direito Sucessório. Limites do Planejamento Sucessório Assim como em qualquer outra disposição jurídica, no momento do planejamento sucessório também é necessário que sejam observadas regras essenciais que venham a proteger os envolvidos na sucessão, sejam eles aqueles aos quais será destinada a herança (os herdeiros) ou a própria vontade do autor da herança no momento em que decidiu planejá-la. Assim, para que ambas as partes sejam protegidas, é função do Ordenamento Jurídico a criação de limitações ao planejamento sucessório. Proteção da Legítima Uma das primeiras e principais regras a serem observadas no momento do planejamento sucessório é também um dos princípios basilares do Direito Sucessório, a Liberdade Limitada para Testar. No entanto, apesar do nome dado ao princípio, esse deve ser amplamente adotado independentemente do planejamento que venha a ser adotado pelo autor da herança. Como visto anteriormente, a principal função de limitar a liberdade do indivíduo no momento que esse vai dispor de seus bens está na necessidade legal de proteger os herdeiros necessários e garantir que esses venham a receber a sua quota legal da herança, conhecida como legítima. Desta maneira, o art.1.846 do Código Civil determinam que ao menos 50% do patrimônio deixado pelo de cujus deve ser designado aos seus herdeiros legítimos, elencados no próprio Código com base na Ordem de Vocação Hereditária (art.1.845). Direito Sucessório 14 Em havendo disposições do planejamento que venham a desrespeitar a legítima, ultrapassando os limites daquilo que deve ser, obrigatoriamente, destinadoaos herdeiros, ocorre a nulidade parcial do instrumento em questão naquilo que toca justamente os limites excedidos. Nos casos de doações ocorridas antes do falecimento do de cujus e que ultrapassam o limite legal é obrigação do donatário ajustar a parte excedida com os herdeiros necessários no momento em que se der a abertura da sucessão. Alterações Familiares Um dos principais fatos que deve ser observado dentro da sociedade atual e que necessitou de alterações jurídicas para acobertá- lo foram os novos arranjos familiares modernos. É fato que as relações familiares estão passando por constantes mudanças e alterações de padrões antes observados, assim, atualmente podemos encontrar dinâmicas envolvendo casamentos, divórcios e uniões estáveis em uma velocidade bem maior do que a que poderia ser observada no passado. Dentro desse cenário de constantes mudanças e incertezas é preciso compreender também que um dos principais princípios a reger o planejamento sucessório é justamente a antecedência com o qual esse deve ser realizado, assim, deve o autor da herança ter cautela e discernimento na hora de planejar a distribuição post mortem de seus bens de forma que, apesar de eventuais alterações familiares que possam a vir ocorrer, suas disposições sejam plenamente eficazes e observadas. Para que tais instrumentos de planejamento pudessem se adaptar à realidade atual também foi necessária uma certa flexibilização dos mesmos, de forma que a eventual nulidade, seja ela parcial ou total, não fosse tão frequente. Ainda assim, é necessário que as disposições de planejamento sejam feitas de forma parcial, ou seja, é recomendável que o autor não disponha da integralidade de seus bens por meio de um único instrumento de planejamento, principalmente se esse for definitivo – particularidade que será melhor debatida no próximo capítulo – assim gerando conflito na ocorrência de alguma mudança na estrutura familiar. Direito Sucessório 15 Alterações Legislativas Apesar de não serem tão frequentes, é necessário que o autor do planejamento pense na possibilidade de alterações legislativas que possam vir, no futuro, a impedir a concretização plena de sua vontade no momento do planejamento. Tal fato é bem ilustrado por Sales (2009) quando se fala nas alterações encontradas entre as novas disposições do Código Civil de 2002 ante ao que era previsto nas normas anteriores. O Código Civil de 2002 trouxe radicais alterações nas regras sucessórias patrimoniais. Os direitos do cônjuge e do companheiro sobreviventes, para listar os principais, sofreram fundamentais modificações. Um pouco mais atrás, testemunhamos a Constituição de 1988 estabelecer “absoluta igualdade entre todos os filhos, não admitindo mais a retrógrada distinção entre filiação legítima ou ilegítima, segundo os pais fossem casados ou não, e adotiva, que existia no Código Civil de 1916”. Atualmente, “todos são apenas filhos, uns havidos fora do casamento, outros em sua constância, mas com iguais direitos e qualificações”. (BRASIL, 2002) Embora seja compreensivo que mudanças legislativas não ocorram da noite para o dia e que as mais radicais são ainda menos frequentes, é preciso levar em consideração a constante alteração dos moldes sociais que vivemos e que a existência de tais fatos pode desencadear uma nova necessidade de alteração legislativa, o que pode implicar na ineficácia das disposições previstas no planejamento sucessório. Deve também ser destacado que não são apenas as alterações em disposições do Direito Sucessório que podem alterar aquilo previsto no planejamento sucessório, sendo esse também afetado por mudanças legislativas tocantes ao Direito Tributário e Direito Familiar. Direito Sucessório 16 Mutações Patrimoniais Além de todas as questões analisadas anteriormente e que podem limitar a disposição patrimonial do autor da herança, é conveniente também abordar a possibilidade de haver alterações no próprio patrimônio a ser disposto dentro do planejamento sucessório, o que pode implicar, de maneira considerável, na quantidade e no valor dos bens a serem dispostos em tal instrumento. Assim, deve o autor do planejamento estar atento às eventuais alterações que o seu patrimônio pode vir a sofrer entre o momento do planejamento sucessório até a sua concretização, ou seja, o momento de abertura da herança. Exemplo: Edith possui dois imóveis de valores semelhantes em regiões diferentes da mesma cidade, de forma que, ao optar pelo planejamento sucessório, deixou designado cada um deles a um de seus filhos. No entanto 10 anos se transcorrem desde o planejamento até o momento de sua morte, de forma que, ao ser aberta a sucessão se verifica que um dos imóveis, destinado ao herdeiro A, sofreu uma grande valorização em seu valor devido à construção de um grande shopping center no bairro que esse está localizado e, agora, o mesmo possui um valor duas vezes maior que o imóvel destinado ao herdeiro B. Assim, a simples flutuação do mercado imobiliário e a constante valorização e desvalorização dos imóveis pode ser alvo de um grande conflito entre os herdeiros no momento da abertura da herança, já que tais valores, antes semelhantes, com o passar do tempo podem ter se tornado bastante distintos, fazendo com que o planejamento perca o seu objetivo de evitar desavenças entre os herdeiros envolvidos. Outro exemplo trazido por Sales (2009) e que convém ser levado em consideração são os casos em que se têm a perda ou a grande diminuição da capacidade do autor do planejamento em gerar renda ou até mesmo de se sustentar. Tais casos podem ser bastante gravosos nos casos em que se há a transferência antecipada de bens aos herdeiros ou mesmo o planejamento prévio dos mesmos, de forma que se disponha o planejamento sobre futuras rendas derivadas dos bens que se tem atualmente. Direito Sucessório 17 Assim, uma boa forma de se evitar que uma situação futura venha a gerar nulidade das disposições do planejamento, deve o autor do mesmo se proteger, deixando prevista a possibilidade de se reverter a herança sobre determinado bem em prol do seu próprio sustento, de forma que fica o autor autorizado a usufruir do bem deixado em planejamento para custear suas despesas em caso de perdas não previstas no momento em que o planejamento foi realizado. RESUMINDO: O Planejamento Sucessório é uma excelente ferramenta para que o autor da herança possa dispor dela da forma que desejar, objetivando destinar de forma racional o seu patrimônio e de maneira que garanta a preservação ideal dos bens em questão, preservar a atividade empresarial da família, garantir uma maior rapidez na distribuição e liberação da herança aos herdeiros após sua morte ou até mesmo visando proteger algum dos herdeiros em especial ou um terceiro. Além disso, apesar de possuir total titularidade e direito sobre o patrimônio, ainda assim, deve o autor do planejamento ter em mente que sua vontade irá esbarrar em algumas limitações como forma de garantir a plena eficácia de sua vontade, quais sejam as garantias legais da legítima, as possíveis alterações familiares, eventuais mudanças legislativas e também alterações patrimoniais. Observando atentamente tais questões e seguindo as orientações legais, pode o autor da herança buscar meios de planejar como se dará a sucessão com base nos instrumentos que iremos conhecer no próximo capítulo. Vamos lá? Direito Sucessório 18 Desdobramentos do Planejamento Sucessório OBJETIVO: Ao término desse capítulo você será capaz de compreender e diferenciar os atuais métodos legais disponíveis para a realização do planejamento sucessório e as principais características de cada um. Instrumentos de Planejamento Apesar de ser o mais conhecido quando falamos em planejamento sucessório, o testamento não é o único instrumento legal disponível para realizar tal ato. Duranteesta unidade iremos explorar e conhecer as outras opções legais que podem ser utilizadas pelo autor da herança na hora de planejar a sua partilha, de forma que ele possa optar por aquela que melhor atenda os seus interesses e vontades. Testamento Como vimos anteriormente, o testamento é um dos mais comuns métodos de planejamento sucessório e que pode ser definido como um negócio jurídico concretizado de maneira unilateral, possui caráter personalíssimo, formal e revogável, tendo como seu principal objetivo organizar a destinação de bens do patrimônio de um indivíduo após a sua morte e seguindo os critérios por ele próprio estabelecidos ainda em vida. Cabe aqui ressaltar que o caráter de unilateralidade do testamento é encontrado no ato de declaração de vontade do testador, seu caráter personalíssimo advém do fato de que esse apenas pode ser produzido pelo testador – titular dos bens disponíveis no testamento – sendo impossível a existência de testamento realizado por representante legal ou por meio de procurador. Assim como vimos nas unidades anteriores, para que o testamento seja plenamente eficaz é necessário que o mesmo seja realizado de acordo com a forma prevista em lei. Direito Sucessório 19 Assim como alguns outros tipos de instrumentos a partir dos quais se destinam bens de herança, o testamento só pode produzir efeitos após a morte de seu autor, ou seja, no momento em que se der a abertura da sucessão. A capacidade para testar é um dos principais requisitos para que o testamento tenha sua validade plena e dever ser observado de acordo com os dispositivos previstos no art. 1.860 do Código Civil. Outro fator muito importante sobre o testamento é que, além das meras disposições patrimoniais que podem ser realizadas por meio desse instrumento, é também possível que o seu autor disponha, por meio dele, a respeito de seus desejos sobre doações de órgãos ou do próprio corpo após a morte, como também dispor sobre detalhes do seu funeral, entre outras coisas. O autor também pode, por meio do testamento optar por cláusulas que venha a restringir os direitos dos herdeiros sobre os bens herdados como, por exemplo, cláusulas de inalienabilidade, impenhorabilidade, etc. Doação A doação também é vista como uma forma de planejamento sucessório e deriva de um contrato entre duas pessoas onde uma delas (o doador) passa a posse de seus bens para outro indivíduo (o donatário). Tal procedimento é regido pelo Código Civil e está previsto em seu art.538. Esta forma de contrato deve ser classificada como gratuita, unilateral e formal, devendo ser observada a intenção do doador em transferir, deliberadamente, os seus bens para um terceiro. Quando falamos em doação é permitido que sejam objetos desse ato quaisquer bens móveis ou imóveis, materiais ou não, podendo também ser alvo de doações direitos que estejam no comércio (PEREIRA, 2017). Apesar de ser considerado como algo formal e que deve ser realizado de acordo com a forma estabelecida em lei, as doações pode ser também válidas se realizadas de forma oral, desde que se tratem de bens móveis e que possuam baixo valor, com base no art.541 do CC. Direito Sucessório 20 Além da doação simples, é possível que o doador estipule cláusulas especiais como, por exemplo, a ocorrência da doação condicional que só pode ser concretizada com a ocorrência de um evento futuro que irá lhe conferir eficácia. Para todos os casos, o instituto da doação, todos os seus aspectos e especificidades são regulados pelos artigos 538 a 564 do Código Civil. A doação é um dos tipos de planejamento sucessório que pode ser realizado pelo autor da herança ainda em vida, desde que observadas as formalidades legais. Usufruto O usufruto como planejamento patrimonial deve ser compreendido como um instrumento de direito real e temporário, que vem a ser concedido a um indivíduo, autorizando-o a usufruir de algo como se seu fosse, podendo receber, inclusive os frutos e rendimentos advindos deles, desde que não seja alterada sua essência e substância. Figura 1 – Características do Usufruto Temporalidade Intuito Persona Divisibilidade Inalienabilidade Conservação Posse Características do usufruto Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Stollenwerk, 2017. É válido destacar que o usufruto pode recair sobre todo o bem ou apenas sobre parte dele graças a sua característica de divisibilidade, podendo ocorrer casos em que o dono do bem confira o usufruto só de parte desse ou dele como um todo, além de poder também conferir benefícios apenas sobre os frutos e rendimentos desse. Além disso, podem receber os direitos de usufruto pessoas físicas e jurídicas, no Direito Sucessório 21 entanto, tal direito não pode ser repassado para terceiro, por isso, o prazo do usufruto deve ser estipulado no momento em que esse direito for passado, podendo ele ser vitalício ou temporário. Fideicomisso O instituto do fideicomisso também é conhecido como substituição fideicomissária e é através desse que o testador (fideicomitente) após escolher seus sucessores de primeiro grau (fiduciários) deixa estabelecido também um substituto (fideicomissário) que irá herdar os bens deixados ao sucessor de primeiro grau após a sua morte. Exemplo: Caio, em seu testamento, deixou um de seus imóveis para seu primo Gabriel, no entanto, o mesmo deixa estabelecido que após a morte de Gabriel tal imóvel deverá ser destinado aos futuros netos de Caio que, no momento da abertura da sucessão, ainda não haviam sido concebidos. Nesse caso o fiduciário não terá a posse do bem deixado, mas apenas a propriedade resolúvel e temporária do bem, não podendo se desfazer daquilo que lhe foi deixado até que ocorra o que o fideicomitente estabeleceu, podendo ser a morte do fiduciário ou um determinado prazo estipulado por lei. Esse instituto é regulado pelos arts.1.951 a 1.960 do Código Civil, para sua completa eficácia devem ser obedecidas algumas regras como: estabelecimento do fideicomisso em testamento; só pode envolver mais duas pessoas além do fideicomitente (o fiduciário e o fideicomissário); morrendo o fiduciário o bem passa automaticamente ao fideicomissário; o fideicomissário ainda não pode ter sido concebido no momento em que o testamento foi feito e, caso esse já tenha nascido na abertura da sucessão, o fiduciário ainda terá direito aos frutos desse bem pelo tempo ao qual teria direito, embora a posse passe automaticamente para o fideicomissário. Direito Sucessório 22 Bem de Família O bem de família é uma garantia civil-constitucional sobre um bem que possui o objetivo de proporcionar uma garantia à família, o que vem a tornar tal bem algo impenhorável e inalienável durante a vida dos cônjuges e até quando perdurar a menoridade dos filhos. Tal fato é previsto dentro da Lei n°8.009/90 e sua proteção é conferida ao imóvel residencial próprio do casal, que não podem ser atingidos por quaisquer dívidas civis contraídas por eles ou por seus filhos, excetuando-se os casos previstos em lei. Planos de Previdência Privada Complementar Os regimes privados de previdência complementar encontram-se respaldados dentro da própria Constituição Federal, art. 202, que confere ao instituto o caráter facultativo, diferente do regime geral da previdência. Esta categoria de regime previdenciário pertence ao direito privado e é completamente independente do regime geral, é regulamentado por meio de legislação específica e deve ser gerido de maneira pública. Esse instituto era comumente visto dentro do âmbito sucessório, no entanto, ele vem sendo substituído pelo seguro de vida. Apesar de possuir o objetivo inicial de conferir uma aposentadoria extra ao beneficiário, a previdência privada pode servir como um modo de dispor de patrimônio líquido aos herdeiros logo após a morte do beneficiário, não os deixando desamparados até que se tenha o fim doprocesso de partilha da herança. Seguro de Vida Como o próprio nome já diz, o seguro de vida é um tipo de previdência complementar onde, através de contrato fica estabelecido o pagamento de um prêmio em dinheiro no momento da morte do titular do contrato, ficando a prestadora do serviço obrigada a pagar o valor àqueles que foram indicados pelo falecido no momento do contrato. Deve ficar claro que nesta modalidade aquele que assinou o contrato jamais será beneficiado pelo prêmio adquirido, devendo ele ser responsável apenas pelo pagamento das prestações acordadas junto com a seguradora, observados os requisitos, fica obrigada a seguradora fazer o pagamento da indenização instituída no contrato. Direito Sucessório 23 Conta Conjunta A conta conjunta é uma modalidade que faz parte de uma das espécies de contrato bancário, de forma que os seus titulares podem movimentar a conta de maneira individual ou conjunta, de forma que respondem de maneira solidária por ela, tanto em seus frutos como em nas obrigações dela decorrentes. No caso do direito sucessório, apenas uma parte do valor disponível na conta conjunta vai entrar na partilha dos bens, entrando, portanto, apenas a quota correspondente ao que era do cônjuge falecido. No caso de falecimento de um dos titulares, cabe ao outro comprovar o valor correspondente ao seu patrimônio ou, caso contrário, será presumida igualdade entre os valores, ficando 50% com o titular sobrevivente e entrando 50% no total da herança. Regime de Bens O regime de bens adotado pelo casal no momento do matrimônio também pode ser recebido pelo direito como uma forma de planejamento sucessório, uma vez que, dependendo da escolha do casal, pode se optar pela incomunicabilidade entre os bens ou a comunicação total, de forma a privilegiar o cônjuge sobrevivente no momento da partilha dos bens. Assim, dependendo de como foi estabelecido o regime de bens entre o casal, o cônjuge sobrevivente pode ser convocado no momento da partilha de bens como herdeiro ou meeiro do quinhão deixado pelo falecido. Trust O instituto do trust traz a sua tradução para o mundo jurídico, uma vez que se trata de um instrumento que vai depender da confiança ou consignação entre as partes envolvidas. Podemos então entender como Trust quando ocorre a cessão de direitos de uma pessoa à outra ou quando tais direitos são cedidos para que haja a realização de um objetivo particular para benefício de terceiros. Direito Sucessório 24 O instituidor do Trust, ou seja, aquele que cede os bens, fica denominado de settlor, enquanto aquele que recebe se denomina trustee e o cestui que trust o terceiro beneficiário da cessão de bens. Fica então o Trustee limitado a utilizar os bens concedidos apenas nos limites e para a finalidade definida quando cedidos. Por ser um direito decorrente da common law e diretamente vindo do direito anglo-saxão, seus objetivos e regras são considerados incompatíveis com aqueles defendidos por países que seguem o direito de origem romana, como o Brasil, de forma que tal instrumento não é aceito dentro da norma brasileira. Holding O holding é um instrumento regulamentado pela lei n. 6.404/76 e que é caracterizado pela criação de uma sociedade que tem como objetivo participar do quadro de sócios de outras sociedades já existentes como forma de realizar seu objetivo social estabelecido, além de se beneficiar com os incentivos fiscais disponíveis para esse tipo de situação. Quando trazemos o conceito desse instrumento para dentro do direito sucessório é possível compreender o surgimento do chamado holding familiar, onde o objeto social da sociedade criada é gerir diversas atividades empresariais das quais os membros de uma família fazem parte. Assim, é possível que se organize e se administre os bens familiares de maneira mais eficaz, além de promover uma otimização fiscal dos bens envolvidos nas sociedades, bem como também promover uma maior facilidade na apuração dos bens para a sucessão. Assim, o holding aparece para reunir bens e direitos de várias sociedades, concentrando-os de forma que facilite sua transmissão aos herdeiros, facilitando o processo sucessório e sendo uma forma de proteger o patrimônio. Direito Sucessório 25 Acordo de Acionistas O acordo de acionistas vem a participar do planejamento sucessório como uma ferramenta que engloba as espécies de controle societário, sendo elas o voto minoritário, a compra e venda de ações de maneira preferencial. Então, entende-se como um contrato que vem a reger um negócio jurídico privado de uma sociedade, de forma a regular as suas ações. De certa forma, o acordo de acionistas pode ser comparado com o instrumento do holding, divergindo no fato de que o acordo não permite disposições que versem sobre direitos e garantias de herdeiros de forma individual, sendo eles vinculados apenas nas obrigações patrimoniais. RESUMINDO: Nesta unidade, pudemos nos aprofundar um pouco mais nas questões relativas ao planejamento sucessório, mais especificamente no que tange aos meios legais aos quais um indivíduo pode optar no momento de planejar como se dará a sucessão de seus bens. Assim, cabe ao advogado instruir o dono do patrimônio sobre qual dos institutos disponíveis se encaixa melhor naquilo que ele pretende e qual deles virá a trazer os resultados pretendidos no momento da partilha. Direito Sucessório 26 A Herança Digital OBJETIVO: Muito além de uma divisão de transmissão – física – patrimonial após a morte, há, também, o patrimônio digital do de cujus. Esse é um fenômeno atual e sem previsões legais. Sendo assim, vamos estudar os conceitos para que você entenda apropriadamente. Avante! O Direito Sucessório e a era Digital Diz-se que o fenômeno sucessório é corriqueiro nas relações jurídicas vai além do campo do Direito das Sucessões. O ilustre professor Carlos Roberto Gonçalves (2012, p. 19) destaca que esse instituto se trata da “permanência de uma relação de Direito que perdura e subsiste a despeito da mudança dos respectivos titulares”. Ainda, evidenciamos a explicação dos professores Farias e Rosenvald (2018): Volvendo a visão para o particular de uma relação jurídica (e lembrando que toda relação jurídica, necessariamente, é composta de um sujeito, de um objeto e de um vínculo entre eles), observa-se que o sujeito ou o objeto podem, eventualmente, sofrer uma substituição por outro sujeito ou por outro objeto. É exatamente o fenômeno sucessório. A sucessão, assim, é a substituição do sujeito ou do objeto de uma relação jurídica. (FARIAS e ROSENVALD, 2018 p. 30) Assim, observa-se que o Direito das Sucessões é, efetivamente, a substituição do sujeito de uma relação jurídica por causa da morte de seu titular. Explica-se, novamente: Direito Sucessório 27 Quadro 1: Significados Sub-rogação real Substituição do objeto da relação jurídica Sub-rogação pessoal Substituição do sujeito da relação jurídica por ato inter vivos Direito das Sucessões Substituição do sujeito da relação jurídica por ato causa mortis Fonte: Farias e Rosenvald (2018, p. 8). É importante ressaltar que esse instituto tem relevância tanto para as relações familiares quanto sociais uma vez que reflete na transmissão de bens, direitos e deveres do de cujus. Assim, a herança, ou espólio ou monte, é o patrimônio deixado pelo morto. Nesse caminho, o art. 6º do Código Civil diz que “a existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva”. Ainda, os direitos da personalidade (direito à vida, à liberdade, à igualdade, à integridade física e psíquica, ao nome, honra, imagem e vida privada) atribui especial atenção aos direitos individuais do falecido, tutelando, o Estado, a dignidade do morto. Lembrando que o princípio da dignidade da pessoa humana é basilardo Estado Democrático de Direito. Ora, no contexto da internet, onde são indiscutíveis as possibilidades e vantagens que o uso da internet oferece em todos os âmbitos da vida social, econômica e cultural. Nesse contexto de “explosão da internet” muitos aderiram a esta nova forma de entretenimento, de ludicidade e de “convívio social” produzindo um vasto conteúdo digital. Por outro lado, a doutrina, nas palavras dos professores Farias e Rosenvald (2018, p. 33) trazem as seguintes informações: Como pontua o bom (e notável) baiano Orlando Gomes, “o conteúdo do direito de sucessão não é ilimitado. Posto assuma o herdeiro a posição jurídico-econômica do defunto, não se lhe transmitem todos os direitos de que esse era, ou podia ser, titular”. (FARIAS e ROSENVALD, 2018, p. 33) Direito Sucessório 28 Isso porque somente as relações jurídicas patrimoniais (de natureza econômica) admitem a substituição do sujeito da relação jurídica quando da morte do seu titular. Até mesmo porque, naturalmente, as relações jurídicas personalíssimas serão extintas quando do falecimento do seu titular, em face de seu caráter intuito personae. É o exemplo dos direitos da personalidade, afinal de contas a morte do titular põe fim, seguramente, ao exercício da titularidade do direito de imagem, da integridade física ou da vida privada (FARIAS e ROSENVALD, 2018, p. 33). Inclusive, não é comum pensar no que fazer com esse conteúdo após a morte do autor. É vasta a dimensão dos problemas e suas consequências nas relações sucessórias. A principal questão a ser enfrentada é a vivência de legado digital e como regimentar a sucessão dos arquivos na hipótese de declaração de último interesse do cônjuge, o testamento. (BIGUELINI, 2018, p. 12) Figura 2 – Acervo Digital De valor econômico Músicas autorais Poemas e textos autorais Fotos Moedas digitais De valor sentimental/afetivo Conversas online Posts nas redes sociais Senhas e e-mails Outros apps Fonte: SAJ ADV, 2020. Sendo assim, não há óbice no ordenamento jurídico brasileiro para o reconhecimento dos direitos da personalidade do de cujus uma vez que, apesar de morto, esse continua possuindo direitos que o remanescem e a sua violação alcança indiretamente os seus herdeiros. Direito Sucessório 29 SAIBA MAIS: A série “Black Mirror”, traz o episódio “Be Right Back” ou “Volto já”. É um assustador episódio em que a Martha perde o seu marido, Ash. Grávida, Martha vai em busca de um serviço online que permite que as pessoas permaneçam em contato com o falecido. Usando os perfis de comunicação online, redes sociais, imagens, vídeos e mensagens de voz, Martha revive Ash. Nesse caminho, o art. 12, parágrafo único do Código Civil prevê a possibilidade de os herdeiros defenderem a personalidade do de cujus. Contexto da Herança Digital Revela a vasta doutrina que somente as relações jurídicas patrimoniais estão submetidas à transmissão sucessória: Contudo, escapam à incidência das regras do Direito das Sucessões o direito autoral, o usufruto, uso e habitação e a enfiteuse (quando o titular falece sem deixar sucessor) – que possuem regra própria, afastada da norma codificada. (FARIAS e ROSENVALD, 2018, p. 36) No entanto, sabemos da importância e da influência das redes sociais sobre os seres humanos. Por meio dela, é possível a interação e a inclusão de arquivos, como imagens, livros, músicas e informações, em meio digital, e, ainda, a movimentação do e-commerce também por meio das moedas digitais. Ante a essa valorosa herança digital (e sentimental), surge o questionamento sobre o destino dos bens digitais que ficam nos servidores da internet. Direito Sucessório 30 SAIBA MAIS: O e-commerce movimenta bilhões de dólares a cada ano, as pessoas têm o conforto de adquirir bens e serviços sem sair de seus lares e assim fazem aquisições de músicas, livros, filmes, jogos, softwares que ficam armazenados na nuvem, formando acervos digitais sem a necessidade de ocupar espaço físico, podendo acessar seus acervos a qualquer hora e lugar do mundo (RIBEIRO, 2016). Nesse caminho, o Facebook, no menu Configurações, dispõe da função “Configurações de transformação em memorial”. Nela, diz que “Decida o que acontece com a sua conta após o seu falecimento”. Ou seja, vê-se a adaptação das redes sociais ao futuro incerto. Figura 3- Facebook Fonte: Facebook (2021). Nesse caminho, Ribeiro (2016) explica que a Grande dificuldade em aliar direito e as novas situações trazidas pelo uso das redes é encontrar soluções eficazes que sejam gerais, no sentido de que a forma como a tecnologia avança é muito rápida ficando, consequentemente, o direito sempre um passo atrás. (RIBEIRO, 2016, p. 11) Dessa forma, é preciso ressaltar que a herança é garantia constitucional fundamental, conforme o art. 5º da Constituição Federal, sendo elevada a cláusula pétrea. A doutrina não é pacífica quanto ao conceito de herança, no entanto, não há qualquer empecilho a inclusão do “acervo digital” (ou os bens digitais de potencial valor econômico armazenado na internet) uma vez que os significados trazidos são abrangentes. Para sanar essa imprevisão, surgiram os projetos de Lei n° 4.099/2012; 8.562/2017 e 7.742/2012, nos seguintes moldes: Direito Sucessório 31 Figura 4 – Projetos de Lei: Herança Digital PL 4.099/2012 PROPÕE A INSERÇÃO DE UM ARTIGO AO CÓDIGO CIVIL Trata a herança digital no âmbito da sucessão legítima. A ideia é atribuí-la aos herdeiros do falecido, que teriam total liberdade quanto à sua gestão e destino. PROPÕE A INSERÇÃO DE TRÊS ARTIGOS NO CÓDIGO CIVIL Insere o conceito da herança digital no ordenamento jurídico, apresentando um rol exemplificativo dos bens que podem compor o acervo. Também oferece três opções para o eventual herdeiro do material. PROPÕE A INSERÇÃO DE UM ARTIGO AO MARCO CIVIL DA INTERNET Sai em defesa da exclusão das contas online do usuário falecido como primeira opção em caso dele não ter deixado testamento. Apenas como exceção, os familiares poderiam pleitear o acesso a tais contas. PL 8.562/2017 PL 7.742/2017 Fonte: SAJ ADV, 2020. Ainda mais, observa-se que a crescente relevância dos bens digitais possibilita a interferência na parcela legítima reservada aos herdeiros. Sites que são lucrativos podem representar mais de 50% do patrimônio deixado. Assim, nesse contexto de “explosão da internet” muitos aderiram a esta nova forma de entretenimento, de ludicidade e de “convívio social”, acumulando um grande volume de dados online, “Big Data”. Esse último, pode ser definido como conjunto de dados extremamente amplos e que, por esse motivo, necessitam de ferramentas preparadas para lidar com grandes volumes de dados, de forma que toda e qualquer informação nesses meios possa ser encontrada, analisada e aproveitada em tempo Direito Sucessório 32 hábil. Aponta a doutrina que as suas fontes se constituem em três categorias: transmissão de dados (streaming data), dados de redes sociais e fontes publicamente disponíveis. SAIBA MAIS: Hoje, quase metade da população mundial usa as redes sociais de alguma forma. Isso corresponde a quase 4 bilhões de usuários ativos. Agora imagine que cada uma dessas pessoas vem formando, à sua maneira, um denso patrimônio virtual que vai de fotos, vídeos, áudios, games, músicas e filmes, até mensagens privadas, senhas e moedas virtuais. Esse comportamento fez do planejamento sucessório e da herança digital uma discussão inevitável. Da mesma forma como o patrimônio acumulado em vida recebe atenção acerca do seu destino após a morte, em razão de eventuais conflitos de partilha, o patrimônio virtual também precisa ser pensado e planejado. E isso independe de valoração econômica ou não (SAJ ADV, 2020). Por outro lado, revela a doutrina que os documentos eletrônicos são tidos como bens móveis uma vez que possui valor econômico. “O critériode valor aplica-se também a bens gratuitos, mas cuja proteção pode ser aferida economicamente” (COSTA FILHO, 2016). RESUMINDO: Revela a vasta doutrina que somente as relações jurídicas patrimoniais estão submetidas à transmissão sucessória. No entanto, sabemos da importância e da influência das redes sociais sobre os seres humanos. Por meio dela, é possível a interação e a inclusão de arquivos, como imagens, livros, músicas e informações, em meio digital, e, ainda, a movimentação do e-commerce também por meio das moedas digitais. Ante a essa valorosa herança digital (e sentimental), surge o questionamento sobre o destino dos bens digitais que ficam nos servidores da internet. Direito Sucessório 33 Legislação e Jurisprudência na Herança Digital OBJETIVO: A herança digital é um tema extremamente recente e bastante polêmico uma vez que não há, no ordenamento jurídico, previsão legal para esse instituto. Então, vamos estudar como esse tema se comporta na sociedade? Vamos juntos! A Herança Digital e a Legislação Brasileira Como explicitado no capítulo anterior, a legislação brasileira é ausente quanto à disposição que trate especificamente sobre herança digital Assim, como acontece com bens tangíveis e demais formas incontroversas de patrimônio, os direitos sobre bens armazenados virtualmente [...] ficam, em regra, com os familiares mais próximos do falecido. (COSTA FILHO, 2016) É preciso ter em mente que esse tema é extremamente novo na sociedade e não há previsão legal no ordenamento jurídico. Ora, em sentido técnico, a internet é uma conexão entre redes de computadores que utilizam protocolos, mundialmente conhecidos como IPs (internet protocol). Atualmente, nota-se uma virtualização das informações, bem como do cotidiano dos internautas. Palco de encontro do mundo real com o virtual, a internet proporciona um amplo espaço para interação visto que possibilita, ao ser humano, aumentar a sua percepção de mundo, projetar desejos, desenvolver a sua personalidade e expressar-se de forma livre. Sem dúvida, esta ferramenta é o principal símbolo desta revolução tecnológica. Direito Sucessório 34 No entanto, há os casos da ocorrência de falecimento do usuário, ou aquelas pessoas que possuíam uma quantidade considerável de bens digitais ou até mesmo, um largo desenvolvimento da sua personalidade, na internet. Sendo assim, um dos maiores problemas enfrentados na busca pelo patrimônio digital é quando há o armazenamento em nuvem, uma vez que são logados em contas de e-mail, redes sociais ou aplicativos estrangeiros de modo que os acessos ficam a cabo de provedores (e leis) estrangeiros ou até mesmo, tem a sua transmissão regida por termos de serviço. Nesse caminho, é a herança digital o conteúdo incorpóreo, intangível, imaterial formado pelos bens digitais sem valoração econômica e com valoração econômica. As fotos pessoais, blogs, filmes, músicas, redes sociais, e-mails e tudo o que pode ser armazenado em nuvem do morto é chamado de ativos digitais. Santos (2014) conceitua que os bens digitais são uma “espécie de software de computador que, como qualquer outro, é transmitido de uma máquina para outra na forma de fluxo de elétrons, denominados bits. Cada conjunto de oito bits forma um bite”. Como forma de solucionar o imbróglio, dois projetos de lei foram escritos (o PL 4099/2012 e o antigo apenso, o PL 9847/2012) para incluir artigos no Código Civil com a seguinte redação: Art. 1.797-A. A herança digital defere-se como o conteúdo intangível do falecido, tudo o que é possível guardar ou acumular em espaço virtual, nas condições seguintes: I. Senhas; II. Redes sociais; III. Contas da internet; IV. Qualquer bem e serviço virtual e digital de titularidade do falecido. Art. 1.797-B. Se o falecido, tendo capacidade para testar, não o tiver feito, a herança será transmitida aos herdeiros legítimos. Art. 1.797-C. Cabe ao herdeiro: I – Definir o destino das contas do falecido; Direito Sucessório 35 a. Transformá-las em memorial, deixando o acesso restrito a amigo confirmados e mantendo apenas o conteúdo principal ou; b. Apagar todos os dados do usuário ou; c. Remover a conta do antigo usuário. (BRASIL, 2002) O autor do projeto de lei, o Deputado e professor Marçal Filho, justificou: Tudo o que é possível guardar em um espaço virtual como músicas e fotos, passa a fazer parte do patrimônio das pessoas e, consequentemente, da chamada “herança digital”. O Caderno TEC da Folha de S. Paulo trouxe uma reportagem sobre herança digital a partir de dados de uma pesquisa recente do Centro para Tecnologias Criativas e Sociais, do Goldsmiths College (Universidade de Londres). O estudo mostra que 30% dos britânicos consideram suas posses online sua “herança digital” e 5% deles já estão incluindo em testamentos quem herdará seu legado virtual, ou seja, vídeos, livros, músicas, fotos e e-mails. No Brasil, esse conceito de herança digital ainda é pouco difundido. Mas é preciso uma legislação apropriada para que as pessoas ao morrerem possam ter seus direitos resguardados a começar pela simples decisão de a quem deixar a senha de suas contas virtuais e também o seu legado digital. Quando não há nada determinado em testamento, o Código Civil prioriza familiares da pessoa que morreu para definir herdeiros. Dessa forma, o presente Projeto de Lei pretende assegura o direito dos familiares em gerir o legado digital daqueles que já se foram. (BRASIL, 2002) Observa-se, assim, os esforços do legislador para o preenchimento das lacunas no âmbito digital. Ainda mais, aduz a doutrina que o Deputado Federal Jorginho de Mello reflete sobre a disparidade de decisões judiciais sobre o assunto, em vista da falta de regulamentação. Famílias de pessoas falecidas ao pleitear acesso a arquivos ou contas armazenadas na internet, estariam sujeitas a grande insegurança jurídica, constatando-se a disparidade de decisões proferidas pelo judiciário” (COSTA FILHO, p. 193) Direito Sucessório 36 SAIBA MAIS: “Judiciário recebe os primeiros processos sobre herança digital” é a matéria do site Ricardo Alfonsin Advogados. Disponível aqui. No entanto, apesar do ordenamento jurídico possuir lacunas para a tutela da herança digital, os princípios e instrumentos hermenêuticos possibilitam ao Direito que se trate sobre o tema a partir de uma visão mais ampla sobre herança, “uma vez que é inegável o potencial econômico que podem vir a ter sites, músicas, filmes, livros, fotos, textos, aplicativos e diversas outras formas de arquivos armazenados virtualmente” (CARVALHO, 2019). Ainda, é preciso lembrar que, por força do art. 1788 do Código Civil, quando a pessoa não manifesta sua vontade em vida, e não há testamento, a sucessão recebe o nome de legítima presumindo a vontade do de cujus. É importante lembrar que: Figura 5 - Ordem de vocação hereditária - Descendentes, em concorrência com o cônjuge ou companheiro sobrevivente. - Ascendentes, em concorrência com o cônjuge ou companheiro. - Cônjuge ou companheiro sobrevivente. - Colaterais. Fonte: Brasil, 2002. Por outro lado, existe uma parcela do acervo digital que diz respeito a esfera íntima do de cujus, como fotos, mensagens, e-mails etc. que são indisponíveis a outrem. Nesses casos, cabe ao Poder Judiciário decidir qual conteúdo poderá ser revelado ou não. Mas, e se o conteúdo disser respeito a uma pessoa casada? Esse hiato traz consequências à sociedade levando à insegurança jurídica, “porquanto tais arquivos armazenados virtualmente têm suas regras Direito Sucessório https://alfonsin.com.br/judicirio-recebe-os-primeiros-processos-sobre-herana-digital/#:~:text=Por%20esse%20motivo%2C%20segundo%20advogados,deixou%20autoriza%C3%A7%C3%A3o%2C%20n%C3%A3o%20h%C3%A1%20transmiss%C3%A3o 37 de acesso e transferência ditadas única e exclusivamente, até o momento, pelos termos de serviçodos provedores” (COSTA FILHO, 2016, p. 36). SAIBA MAIS: O Google também disponibiliza algo parecido a ferramenta do Facebook. Se o usuário preencher os termos, pode alertar o Google a respeito do momento em que a conta deve ser considerada inativa e, quando isso acontecer, se a empresa pode exclui-la automaticamente. Se essa não for a opção, no entanto, o usuário ainda pode escolher quem pode usá-la em seu nome e o que pode ser compartilhado. Seria uma espécie de testamento digital informal (SAJ ADV, 2020). Pensando na insegurança jurídica, surgiu o art. 10-A da Lei n°. 12.965/2014 (Marco Civil da Internet) que dispõe sobre a destinação das contas de aplicações de internet após a morte do seu titular. Senão vejamos: Art. 10-A. Os provedores de aplicações de internet devem excluir as respectivas contas de usuários brasileiros mortos imediatamente após a comprovação do óbito. §1º A exclusão dependerá de requerimento aos provedores de aplicações de internet, em formulário próprio, do cônjuge, companheiro ou parente, maior de idade, obedecida a linha sucessória, reta ou colateral, até o segundo grau inclusive. §2º Mesmo após a exclusão das contas, devem os provedores de aplicações de internet manter armazenados os dados e registros dessas contas pelo prazo de 1 (um) ano, a partir da data do óbito, ressalvado requerimento cautelar da autoridade policial ou do Ministério Público de prorrogação, por igual período, da guarda de tais dados e registros. §3º As contas em aplicações de internet poderão ser mantidas mesmo após a comprovação do óbito do seu titular, sempre que essa opção for possibilitada pelo respectivo provedor e caso o cônjuge, companheiro ou parente do morto indicados no caput desse artigo formule Direito Sucessório 38 requerimento nesse sentido, no prazo de um ano a partir do óbito, devendo ser bloqueado o seu gerenciamento por qualquer pessoa, exceto se o usuário morto tiver deixado autorização expressa indicando quem deva gerenciá-la. (BRASIL, 2014) Observa-se, assim, a positivação das medidas previstas e concretizadas nos termos de uso dos sites e servidores da internet. O que todas as proposições, PL e intenções apresentam em comum é a autorização da transmissão do acervo digital do morto aos herdeiros “notadamente nas hipóteses em que o bem digital é uma projeção da privacidade e não houve declaração expressa de vontade autorizando a ingerência dos herdeiros” (CARVALHO, 2019). Por outro lado, essa situação oportunizou a criação de serviços de planejamento da destinação dos bens digitais pós morte. Nuland (apud Castells, 1999) refletiu: A crença na probabilidade da morte com dignidade é a tentativa nossa e de nossa sociedade de lidar com a realidade do que frequentemente é uma série de acontecimentos destrutivos os quais, pela própria natureza, envolvem a desintegração da humanidade da pessoa moribunda. Não tenho visto com frequência muita dignidade no processo da nossa morte. A procura no sentido de alcançar a verdadeira dignidade fracassa quando nossos corpos falham... A maior dignidade a ser encontrada na morte é a dignidade da vida que a precedeu. (NULAND apud CASTELLS, 1999, p. 544) Muito se discute sobre a dignidade do morto, principalmente no que envolve a sua personalidade, a divulgação de sua intimidade – a sua família. Todavia, alguns países já regulamentam a problemática. Mostra-se, portanto, a importância do direito digital combinado ao direito sucessório, na medida em que conflitos surgem, na plataforma online, de modo que a normatização é necessária. Direito Sucessório 39 SAIBA MAIS: Leia o e-book “Proteção legal de dados pessoais e restos mortais” do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Nele, temos: introdução ao processo “os desaparecidos”; a proteção legal de dados pessoais e restos mortais; os princípios comumente aceitos; a proteção de dados pessoais; identificação de restos mortais e a proteção de informações genéricas. Disponível aqui. Ora, é possível que os interesses dos herdeiros venham a confrontar com os do de cujus, principalmente no que se refere à sua privacidade, que representa uma extensão da sua personalidade e que, em vida, ele manteve privada. RESUMINDO: Em sentido técnico, a internet é uma conexão entre redes de computadores que utilizam protocolos, mundialmente conhecidos como IPs (internet protocol). Atualmente, nota-se uma virtualização das informações, bem como do cotidiano dos internautas. No entanto, há os casos da ocorrência de falecimento do usuário, ou aquelas pessoas que possuíam uma quantidade considerável de bens digitais ou até mesmo, um largo desenvolvimento da sua personalidade, na internet. No entanto, apesar de o ordenamento jurídico possuir lacunas para a tutela da herança digital, os princípios e instrumentos hermenêuticos possibilitam ao Direito que se trate sobre o tema a partir de uma visão mais ampla sobre herança. Direito Sucessório http://www.icrc.org/data/files/publications/pt/proteccion-de-datos.pdf 40 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei nº 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002. Código Civil. Brasília, DF: Congresso Nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_ato2015- 2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 07 jun. 2020. BECK, U. Sociedade de Riscos: Rumo a uma outra modernidade. São Paulo: Editora 34, 2011. BIGUELINI, T.D. Herança digital: sucessão do patrimônio. Ijuí: UNIJUI, 2018 CARVALHO, H. Herança digital e os conflitos entre a sucessão legítima e os direitos personalíssimos do de cujus. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/77707/heranca-digital-e-os-conflitos-entre- a-sucessao-legitima-e-os-direitos-personalissimos-do-de-cujus. Acesso em: 07 jun. 2020. CARVALHO, L.P.V. de. Direito das Sucessões. São Paulo: Atlas, 2014. CIELO, P.D. Sucessão do companheiro. Disponível em: https:// profpatriciadonzele.blogspot.com/2011/08/sucessao-do-companheiro. html. Acesso em: 07 jun. 2020. 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