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9Temporalis, Brasília (DF), ano 16, n. 32, jul/dez. 2016.
SERVIÇO SOCIAL:
FUNDAMENTOS, FORMAÇÃO E 
TRABALHO PROFISSIONAL
Alzira Maria Baptista Lewgoy1
Carina Berta Moljo2
José Fernando Siqueira da Silva3
Maria Liduina de Oliveira e Silva4
Raquel Santos Sant’ana5
Nas favelas, no Senado
sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Renato Russo (1987) 
 A epígrafe acima nos inspira a fazer uma analogia sobre o eixo 
1 Assistente social e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
(UFRGS).
2 Assistente social e professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). 
3 Assistente social e professor da Universidade Estadual Paulista (UNESP). Editor-
Chefe da Revista Temporalis (gestão 2015-2016). 
4 Assistente social e professora da Universidade Federal da São Paulo (UNIFESP). 
5 Presidente Nacional da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço 
Social (ABEPSS - gestão 2015-2016). Assistente social e professora da Universidade 
Estadual Paulista (UNESP).
10 Temporalis, Brasília (DF), ano 16, n. 32, jul/dez. 2016.
“Serviço Social: Fundamentos, Formação e Trabalho Profissional” que 
ancora este número 32 da Revista Temporalis6. Sustentar a indagação 
do músico, que por meio de suas canções politiza e embala gerações 
de jovens e de adultos, instiga-nos a indagar à categoria profissional 
o significado do Serviço Social como profissão, seus fundamentos e 
o sentido da formação e do trabalho profissional em um contexto de 
redução de direitos, precarização das relações de trabalho, desregu-
lamentação das profissões e fragilização dos centros de formação, 
particularmente das universidades públicas. 
Este eixo tem o Serviço Social como ênfase, ou seja, o Serviço 
Social como objeto do conhecimento, portanto, sua produção teóri-
ca. Sendo assim, as contribuições dos demais GTPs devem colaborar 
com a atualização e o adensamento dos fundamentos desta profis-
são. Partimos do pressuposto de que o Serviço Social como profissão 
envolve quatro dimensões organicamente relacionadas, enfatizada 
por Abreu (2012), a saber:
- a dimensão da intervenção direta sobre sequelas da questão 
social7, mediada principalmente pelo mercado nacional de trabalho 
dos assistentes sociais, reconfigurado no quadro das transformações 
processadas pela atual crise mundial do sistema capitalista e pelas 
saídas neoliberais para o seu enfrentamento. Isto tem intensificado 
a superexploração do trabalho (MARINI, 2012), retirado direitos con-
quistados pelos trabalhadores e favorecido o enfraquecimento de sua 
organização e luta, com perversas expressões na periferia do sistema 
como é o caso do Brasil e de toda América Latina; 
 - a dimensão da formação profissional, que se desenvolve 
nas contradições entre as estratégias da atual reforma do Ensino Su-
perior fundadas na flexibilização da educação e da pesquisa para o 
mercado e nas lutas de resistência e defesa das diretrizes curricula-
res/1996 da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço So-
cial (ABEPSS). Nisto, o projeto ético-político profissional do Serviço 
6 O referido eixo reproduz o nome do Grupo Temático de Pesquisa (GTP) 
da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social. A comissão 
coordenadora deste GTP na gestão 2015-2016 foi composta pelas seguintes 
assistentes sociais docentes-pesquisadoras: Maria Rosangela Batistoni (UNIFESP/
ABEPSS), Alzira Maria Baptista Lewgoy (UFRGS), Carina Berta Moljo (UFJF), Marina 
Maciel Abreu (UFMA) e Raquel Raichelis Desgezian (PUCSP).
7 Capítulo XXIII de “O Capital” (MARX, 1984, p. 187-259): “A lei geral da acumulação 
capitalista”.
11Temporalis, Brasília (DF), ano 16, n. 32, jul/dez. 2016.
Social na perspectiva de uma educação que estimule níveis crescentes 
de emancipação social; 
- a dimensão da produção do conhecimento, impulsionada 
com a consolidação da pós-graduação na área de Serviço Social, ini-
ciada em 1972. Todavia, a Política de Pós-Graduação tem concentrado 
recursos na expansão das chamadas ciências “duras”, isto é, as Ciên-
cias Exatas e da Terra, as Engenharias, as Ciências da Computação, as 
Agrárias e as Biológicas em detrimento das Ciências Humanas e So-
ciais, nas quais se inclui o Serviço Social. O crescimento e o adensa-
mento da produção teórica em Serviço Social em diversas temáticas, 
não foram suficientemente acompanhados pela visibilidade desta 
área nos órgãos de fomento, Coordenação de Aperfeiçoamento de 
Pessoal de Nível Superior (CAPES) e pelo Conselho Nacional de De-
senvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), os quais estruturam a 
área em duas subáreas desde 1984: Fundamentos do Serviço Social e 
Serviço Social Aplicado, ambas insuficientes para agregar a diversida-
de dos assuntos trabalhados pelas pesquisas em Serviço Social;
 - a organização política das entidades de Serviço Social (con-
junto Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), Conselho Regio-
nal de Serviço Social (CRESS), ABEPSS e pela Executiva Nacional dos 
Estudantes de Serviço Social (ENESSO) como sujeitos possíveis das 
transformações históricas que ocorrem na profissão. Tais entidades 
têm mantido posições e ações de resistência às forças conservadoras 
dominantes na sociedade, forças estas que têm repercutido na pro-
fissão e influenciado negativamente nas lutas sociais democráticas e 
emancipatórias, componentes da luta de classes no atual estágio de 
crise e de acumulação do capital. 
 O conteúdo deste volume se refere à essência do Serviço So-
cial como profissão, inscrita na divisão sociotécnica e política do traba-
lho (IAMAMOTO, CARVALHO, 1985; IAMAMOTO, 2007). É importante 
destacar as mediações que determinam a sua institucionalização e a 
particularizam no movimento do real, no conjunto da práxis social e 
profissional, como expressão desse movimento, enquanto uma tota-
lidade em menor nível de complexidade. Assim, traduz um complexo 
de determinações que constitui a dinâmica contraditória da totalida-
de social em determinada formação social, contribuindo para ações 
de manutenção ou de transformação desta sociabilidade. (CARDOSO, 
2007).
12 Temporalis, Brasília (DF), ano 16, n. 32, jul/dez. 2016.
Nessa perspectiva, é importante destacar a concepção de for-
mação profissional e recuperar o debate que o Serviço Social brasile-
iro realizou através da Associação Brasileira de Ensino de Serviço So-
cial (ABESS), nos anos 1980, registrados especialmente nos números 
3 e 4 dos Cadernos ABESS, no qual contou com as contribuições de 
expoentes do debate profissional: José Paulo Netto, Nobuco Kamey-
ama, Vicente de Paula Faleiros, Marina Maciel Abreu, Franci Gomes 
Cardoso, entre outros intelectuais. Nesse período já se pensava a 
formação como um processo infindável, essencial, que não se encer-
rava na graduação e demandava revisões constantes consoantes às 
condições históricas objetivamente dadas. Nisto, claro, considerar 
que o conhecimento é aproximativo e comprometido com a quali-
dade dos serviços prestados à sociedade (estabelecido no nosso Códi-
go de Ética - 1993), em que se pesem as contradições, armadilhas e 
limites inerentes à realidade. A reflexão sobre a formação profissional 
como determinado complexo social em movimento impõe analisar a 
complexa correlação de forças sociais no cenário nacional e interna-
cional. É importante, ao mesmo tempo, perquirir o conjunto de refor-
mas neoliberais que determinam e reatualizam a esfera produtiva, 
reordenam o papel dos estados nacionais e reorganizam/reatualizam 
– como velho-nova – a sociedade burguesa comandada por sua fração 
financeira. É neste complexo cenário que se inserem as reformas edu-
cacionais realizadas nos países periféricos. (LIMA, 2007). 
Sendo assim, este volume ancora-se nos fundamentos do 
Serviço Social na contemporaneidade, cuja súmula consistiu nos Fun-
damentos históricos, teóricos metodológicos e ético-políticos do 
Serviço Social como profissão e como área de conhecimento noBrasil. 
Nisto é importante destacar: a) a formação e o trabalho profissional e 
sua relação com ações de perfil emancipatório, sem desconsiderar as 
contradições também causadas pelo avanço e dos conservadorismos 
na sociedade e na profissão; b) a análise do/a assistente social como 
trabalhador/a assalariado/a e as tensões na implementação do pro-
jeto ético-político profissional, tendo em vista as metamorfoses do 
mercado de trabalho profissional; c) a pesquisa e a produção de con-
hecimento em Serviço Social a partir da teoria social de Marx e de sua 
tradição (no debate crítico com as demais orientações teóricas); d) a 
organização política dos assistentes sociais como parte constituinte 
da organização e da luta do conjunto da classe trabalhadora.
 Destacamos que este número está organicamente vincu-
lado ao XV Encontro Nacional de Pesquisadores em Serviço Social 
13Temporalis, Brasília (DF), ano 16, n. 32, jul/dez. 2016.
(ENPESS), cuja última edição foi realizada em Ribeirão Preto em de-
zembro de 2016, e que teve como tema central: 20 anos de diretrizes 
curriculares, 70 de ABEPSS e 80 de Serviço Social no Brasil. Formação e 
Trabalho profissional – reafirmando as diretrizes curriculares da ABEPSS. 
O evento e esta publicação reafirmam a direção social construída e as-
sumida no âmbito do Serviço Social brasileiro – denominada por Paulo 
Netto (1991) como Intenção de Ruptura – direção esta comprometida 
com os interesses da classe trabalhadora e com níveis crescentes de 
emancipação humano-social. Entendemos que é fundamental conso-
lidar estes valores presentes no nosso Projeto Ético-Político, registra-
dos na articulação entre o Código de Ética Profissional, as Diretrizes 
Curriculares e a Lei de Regulamentação da Profissão. Compreende-
mos, ainda, que é necessário fazer um balanço destas décadas, dos 
avanços e dos retrocessos vivenciados dentro e fora do Serviço So-
cial. Vivemos tempos regressivos, nos quais o conservadorismo e suas 
heterogêneas expressões (entre elas perspectivas pós-modernas e 
gerencialistas) vêm ganhando força. No caso da Educação Superior, o 
avanço da lógica privatista nas universidades públicas e o crescimento 
do ensino mercantil a distância – ofertado pelos grandes conglomera-
dos educacionais – é uma dura realidade.8
 O XV ENPESS foi construído pela diretoria nacional da ABEPSS 
e suas regionais em conjunto com os Grupo Temático de Pesquisa 
(GTPs). Tem sido, como é de sua tradição, um espaço importante do 
debate político e acadêmico do Serviço Social brasileiro no sentido 
de reafirmar a perspectiva emancipatória que compõe a sua direção 
ético-política. Devido à temática dessa revista, é importante destacar 
alguns elementos do ENPESS que se referem ao GTP Serviço Social 
“Fundamentos, Formação e Trabalho Profissional”, pois eles ilustram 
alguns pontos que fazem eco e sentido à trajetória deste grupo temá-
tico de pesquisa.
 O XV ENPESS contou com 1373 participantes dentre assisten-
tes sociais, pesquisadores, docentes, alunos de graduação e de pós-
graduação e profissionais de áreas afins. O encontro recebeu 1615 
trabalhos, quantidade recorde até então. Destes, 1089 foram apro-
vados, sendo que 917 estão publicados nos anais do evento, a saber: 
799 orais, 85 pôsteres e 33 mesas coordenadas. Entre estes trabalhos 
8 As entidades de Serviço Social (conjunto CFESS/CRESS/ABEPSS e ENESSO) 
consideram essa modalidade de ensino, na primeira graduação, como incompatível 
com as exigências de formação expressas nos princípios da nossa profissão.
14 Temporalis, Brasília (DF), ano 16, n. 32, jul/dez. 2016.
é importante destacar que as produções do GTP - Serviço Social: Fun-
damentos, Formação e Trabalho Profissional, representaram o segun-
do eixo que obteve maior número de produções, sendo: 216 orais, 25 
pôsteres e 6 mesas coordenadas com 25 trabalhos, totalizando 261 
trabalhos. (BATISTONI et al., 2016). 
Destacamos, ainda, a importância das discussões realizadas 
neste evento, por meio da socialização das pesquisas, que contribuí-
ram sobremaneira para a visibilidade das tendências pelas quais este 
eixo vem se espraiando. Estes temas são cruciais para a formação e 
o exercício profissional, uma vez que nos encontramos diante de um 
período extremamente complexo, marcado por uma crise estrutural 
do capital, com retrocessos no âmbito da sociabilidade com consequ-
ências econômicas, políticas, sociais e culturais devastadoras. 
Os dezesseis artigos ora apresentados são oriundos de dife-
rentes regiões do Brasil. Apresentam estudos de resultados de teses 
de doutorado e de pesquisas documentais e empíricas, tendo como 
fio condutor os desafios postos para a consolidação de um perfil de 
profissional crítico, consistente teoricamente, competente técnico e 
politicamente e comprometido com ações e valores que estimulam o 
adensamento da potência humano-genérica do ser social. 
Este número 32 da Revista Temporalis está organizado em dois 
blocos. O primeiro deles, denominado “Ensaios”, apresenta um arti-
go escrito por duas professoras convidadas, uma delas diretamente 
vinculada ao Grupo Temático de Pesquisa (GTP) Serviço Social: Fun-
damentos, Formação e Trabalho Profissional. O texto, denominado O 
PROJETO DE FORMAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL: análise da sua trajetória 
histórica no período 1996 a 2016, apresenta uma importante aprecia-
ção dos principais fatos conjunturais e profissionais que incidiram e 
alicerçaram o percurso empreendido pela formação em Serviço So-
cial, abrangendo o período de 1996 a 2016. É uma análise sobre esse 
percurso, a partir de um balanço crítico dos principais aspectos que 
incidiram no mesmo, bem como sinaliza as polêmicas, os desafios e as 
estratégias de resistência, empreendidos pela categoria profissional, 
no horizonte de luta pela afirmação da direção crítica comprometida 
com a qualidade e direção social desse projeto de formação.
 O segundo bloco, denominado “Seção Temática”, é composto 
por 12 artigos conforme abaixo intitulados e comentados sucintamen-
te: “Trabalho, Serviço Social e o papel educativo da profissão”, oferece 
15Temporalis, Brasília (DF), ano 16, n. 32, jul/dez. 2016.
importantes reflexões sobre a compreensão do Serviço Social como 
uma especialização do trabalho coletivo inscrita nos processos de luta 
por hegemonia, e sobre a dimensão ideopolítica da profissão e sua 
prática educativa, historicamente requisitada nos seus diversos espa-
ços sócio-ocupacionais; - Pós-graduação, formação e trabalho profissio-
nal, apresenta um estudo sobre as diretrizes do atual Plano Nacional 
de Pós-Graduação (2011-2020) e os seus impactos para a formação e 
o exercício profissional do Serviço Social, tendo em vista o incentivo 
ao empresariamento da educação e da produção de conhecimentos 
em nível de pós-graduação, a indução de pesquisas em determinadas 
áreas e temas que são mais vantajosos para o mercado, o estímulo à 
“universidade empreendedora” e às parcerias entre o público e o pri-
vado, o comprometimento da autonomia científica do pesquisador, 
além do fortalecimento dos processos de avaliação da pós-graduação 
como forma de distribuição dos recursos; - “As diretrizes curriculares 
da ABEPSS e os valores éticos e políticos para a formação profissional 
em Serviço Social”, reflete sobre a importância do fortalecimento do 
projeto de Formação Profissional hegemônico da categoria, nos mar-
cos da direção social, ética e política da profissão, engendrada com a 
teoria social de Marx, na perspectiva de intenção de ruptura, enfati-
zando as Diretrizes Curriculares da ABEPSS de 1996 enquanto referên-
cia para a formação nesta proposta crítica; - “Ensino superior no Brasil: 
expansão e mercantilização na contemporaneidade”, trata-se de um 
debate teórico que contribuirá para o desenvolvimento de reflexões 
sobre as demandas contemporâneas para a política de educação no 
Brasil, dada a expansão e mercantilização do ensino superior e a com-
preensão dos determinantes da crise do capital e as saídas impostasem detrimento das políticas sociais; - “Privatização e precarização da 
política de educação superior no Brasil – impactos para a formação pro-
fissional em Serviço Social”, apresenta um debate sobre a política de 
educação superior no Brasil em tempos de governos que se movem 
a partir do ideário neoliberal, elucidando os impactos dessa orienta-
ção para a política de educação superior e para formação de assis-
tentes sociais. Demonstra como principais resultados a privatização 
e a precarização da política educacional, com ênfase no ensino supe-
rior, o que compromete a qualidade da formação em Serviço Social. 
Entretanto, elucida a importância do papel da Associação Brasileira 
de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS) como resistência a 
esta precarização do ensino superior, especialmente na formação de 
assistentes sociais; - “Estágio profissional e precarização do trabalho”, 
trata criticamente do conteúdo das proposições legislativas em trami-
16 Temporalis, Brasília (DF), ano 16, n. 32, jul/dez. 2016.
tação na Câmara Federal que visam alterar a Lei n. 11.788/2008 – “lei 
do estágio”. A análise indica que tais proposições só aparentemente 
configuram ampliação de direitos dos estudantes, mas, na essência, 
constituem formas de precarização do trabalho e, ao mesmo tempo, 
reforçam as perspectivas mercadológicas em detrimento da dimen-
são pedagógica do estágio, sendo este um dos desafios na formação 
em Serviço Social; - “A formação em Serviço Social: conteúdos progra-
máticos e suas tendências teórico-metodológicas”, versa sobre a For-
mação em Serviço Social, destacando a sua efetivação através de con-
teúdos programáticos relacionados às matérias constantes nas Dire-
trizes Curriculares de 1996, vinculadas às competências profissionais 
– teórico-metodológicas e ético-políticas. A análise de tais conteúdos, 
expressos em planos de curso de disciplinas, sugere que a relação en-
tre o projeto de formação profissional e sua efetivação vem sendo 
demarcada por um tensionamento relacionado à disputa de projetos 
profissionais pela direção social da profissão e dos seus conteúdos 
formativos. Dessa disputa participam o pensamento crítico originado 
da teoria social de Marx e os conservadorismos, também reatualizado 
pelo ideário pós-moderno; - “A formação profissional em Serviço Social: 
considerações sobre o estado de Tocantins”, busca compartilhar algu-
mas reflexões sobre a formação profissional em Serviço Social diante 
dos impactos da contrarreforma do ensino superior no Brasil, toman-
do por base algumas dimensões da realidade da formação profissional 
em Serviço Social no Estado do Tocantins. O referido Estado foi cria-
do pela Constituição de 1988, ao mesmo tempo em que se efetivou 
a expansão político-administrativa do Brasil, consoante as diretrizes 
de descentralização pautada pela Carta Magna, fundando órgãos e 
executando políticas sociais. A política de educação e de ensino supe-
rior é apresentada no texto em face à lógica de mercantilização e de 
privatização das IES, que se aprofunda a partir da década de 1990, e se 
objetiva no Estado de Tocantins; - “O neoconservadorismo na produ-
ção do conhecimento em Serviço Social: tensões entre o pós-moderno 
e o projeto profissional”, parte da premissa que extratos da ideologia 
pós-moderna estariam sendo assimilados e incorporados no âmbito 
da produção do conhecimento em Serviço Social, reconhecendo com 
isso a tensão gerada no interior dessa produção com a direção social e 
estratégica aferida nos termos do projeto ético-político da profissão; 
- “Políticas Sociais, Serviço Social e exercício profissional”, tece consi-
derações sobre a articulação das políticas sociais, o Serviço Social e o 
exercício profissional e analisa aspectos fundamentais para compre-
ender as respostas do Estado às demandas sociais, que emergem do 
17Temporalis, Brasília (DF), ano 16, n. 32, jul/dez. 2016.
cotidiano para o profissional de Serviço Social no enfrentamento das 
distintas expressões da questão social em momentos históricos do 
desenvolvimento do capitalismo. Ressalta a formação profissional e a 
capacitação permanente para um exercício profissional articulado às 
contradições e às constantes transformações da sociedade, aliado à 
perspectiva crítica e a um projeto de sociedade; - “Fetichismo e auto-
nomização das formas sociais na crítica da economia política de Marx”, 
tem como objeto a análise do desenvolvimento do processo de au-
tonomização categorial e determinação formal na figura do dinhei-
ro e do capital, objetivando colaborar com a consolidação das bases 
para uma crítica radical de uma sociedade que exige que as relações 
sociais ocorram como relações entre coisas e apresenta um metabo-
lismo social invertido, na medida em que trabalho e dinheiro – como 
formas sociais autonomizadas – se tornam um fim em si, exigindo que 
a sociabilidade seja determinada pela finalidade tautológica de valo-
rização do valor; - “Notas sobre a organização político-sindical dos as-
sistentes sociais na atualidade”, analisa a organização político-sindical 
dos assistentes sociais do Brasil nos dias atuais, tecendo observações 
críticas às proposituras da Federação Nacional dos Assistentes Sociais 
(FENAS), criada nos anos 2000. Retomam-se, neste estudo, as dire-
trizes do movimento chamado “novo sindicalismo” e seus impactos 
para o Serviço Social durante a década de 1980 que, dentre outros, 
se expressou na deliberação e tentativa de transição dos assistentes 
sociais de seus sindicatos corporativos para os constituídos por ramo 
de atividade econômica.
 O terceiro bloco, caracterizado como “Artigos sobre temas li-
vres”, apresenta três textos que dialogam criticamente com o eixo 
temático deste volume da Revista Temporalis: - “Articulação entre 
atores do sistema de garantia de direitos” é um artigo que apresenta 
como ocorre a articulação entre dois atores do Sistema de Garantia 
de Direitos da Criança e do Adolescente, posicionados em eixos es-
tratégicos, no Estado do Espírito Santo, cujos resultados alcançados 
indicam que, apesar das inovações trazidas pelo Estatuto da Criança 
e do Adolescente, este Sistema ainda não atua de forma articulada e 
em parceria entre diferentes atores no território capixaba; - “O ajuste 
e a sustentabilidade do Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT”, ava-
lia se o seguro-desemprego e o abono salarial realmente ameaçam 
a sustentabilidade financeira do Fundo de Amparo ao Trabalhador 
(FAT) e analisa se essa restrição, conforme estabelecido na Medida 
Provisória nº 665/2014 em contexto de ajuste fiscal do orçamento pú-
18 Temporalis, Brasília (DF), ano 16, n. 32, jul/dez. 2016.
blico, é realmente o único caminho para ampliar a sua capacidade de 
financiamento, bem como os dados da execução orçamentária da Lei 
Orçamentária Anual (LOA) no período de 2010 a 2014. A análise revela 
que, ao invés de um aumento substancial das despesas com o seguro-
desemprego e o abono salarial, as principais ameaças ao FAT são o 
mecanismo da Desvinculação de Receitas da União (DRU) e as deso-
nerações fiscais que favorecem o grande capital nacional e estrangei-
ro; - “No fio da meada: um estudo acerca da precarização do trabalho 
na indústria têxtil”, fornece uma aproximação das contradições que 
marcam a realidade do operariado têxtil que se encontra inserido na 
indústria potiguar “Casa de Costura”. O resultado permite a compre-
ensão das alterações processadas no âmbito da indústria estudada e 
elucida como diferentes mecanismos de organização do espaço pro-
dutivo persistem no desenvolvimento das atividades, conformando 
um arranjo particular na gestão da força de trabalho.
 Convidamos a todas e a todos à leitura, ao estudo e à critica 
radical.
“Ousadia e sonhos em tempos de resistência”- ABEPSS - Gestão 
2015-2016.
REFERÊNCIAS
ABREU, Marina Maciel. Comentários e considerações sobre o estado 
da arte do GTP: Serviço Social, Fundamentos, Formação e Trabalho 
profissional. In: LEWGOY, Alzira; BATISTONI; MariaRosangela; PRE-
DES, Rosa. Relatório do Colóquio do GTP “serviço social, fundamen-
tos, formação e trabalho profissional”. In: ENCONTRO NACIONAL DE 
PESQUISADORES EM SERVIÇO SOCIAL, 13., 2012. Juiz de Fora/MG. 
Anais... Juiz de Fora: ABEPSS, 2012.
BATISTONI, Maria Rosangela; LEWGOY, Alzira Maria B; MOLJO, Carina 
Berta. et al. Relatório do colóquio do GTP “serviço social, fundamen-
tos, formação e trabalho profissional. In: ENCONTRO NACIONAL DE 
PESQUISADORES EM SERVIÇO SOCIAL, 15., 2016. Ribeirão Preto/SP. 
Anais... Ribeirão Preto: ABEPSS, 2016.
19Temporalis, Brasília (DF), ano 16, n. 32, jul/dez. 2016.
CARDOSO, Franci Gomes. Fundamentos históricos e teórico-metodo-
lógicos do Serviço Social: tendências quanto à concepção e organi-
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Temporalis, Brasília, DF, Ano VII, n.14, p. 28-39, 2007.
IAMAMOTO, Marilda Vilela. Serviço Social em tempo de capital feti-
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PAULO NETTO, José. Ditadura e Serviço Social: uma análise do Servi-
ço Social no Brasil pós-64. São Paulo: Cortez, 1991.

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