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SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO À ERGONOMIA ................................................................................ 
1.1 Importância da ergonomia no ambiente de trabalho e na vida cotidiana ...............4 
1.2 Objetivos da ergonomia..........................................................................................6 
2 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ERGONOMIA ................................................ 9 
2.1 Adaptação ao ser humano ...................................................................................11 
2.2 Interação entre ser humano, tarefa e ambiente ...................................................12 
2.3 Abordagem multidisciplinar da ergonomia ...........................................................13 
3 ERGONOMIA FÍSICA .............................................................................................. 4 
3.1 Postura corporal adequada...................................................................................15 
3.2 Manipulação de cargas e objetos ........................................................................ 16 
3.3 Layout de espaços de trabalho ........................................................................... 17 
3.4 Ferramentas e equipamentos ergonomicamente projetados .............................. 18 
3.5 Prevenção de lesões musculoesqueléticas ......................................................... 19 
4. ERGONOMIA COGNITIVA.................................................................................... 21 
4.1 Carga mental de trabalho ................................................................................... 23 
4.2 Tomada de decisões ........................................................................................... 24 
4.3 Processos de atenção e concentração .............................................................. 25 
4.4 Interface homem-máquina ................................................................................. 26 
5. ERGONOMIA ORGANIZACIONAL ..................................................................... 27 
5.1 Organização do trabalho .................................................................................... 28 
5.2 Gestão de horários e pausas ............................................................................. 29 
5.3 Rotatividade de tarefas ...................................................................................... 30 
5.4 Ambiente psicossocial e clima organizacional ................................................... 31 
5.5 Participação e autonomia dos trabalhadores ..................................................... 32 
6. ERGONOMIA AMBIENTAL ................................................................................. 33 
6.1 Conforto térmico ................................................................................................. 34 
6.2 Iluminação adequada ......................................................................................... 35 
 
3 
 
6.3 Qualidade do ar e ventilação .............................................................................. 36 
6.4 Ruído e vibração ................................................................................................ 37 
7. APLICAÇÕES PRÁTICAS DA ERGONOMIA...................................................... 37 
7.1 Ergonomia no escritório e ambientes de trabalho sedentários .......................... 38 
7.2 Ergonomia na indústria e setores produtivos ..................................................... 39 
7.3 Ergonomia no setor de saúde e cuidados médicos ........................................... 40 
7.4 Ergonomia no design de produtos e interfaces .................................................. 41 
8. LEGISLAÇÃO E NORMAS RELACIONADAS.................................................... 42 
8.1 Normas regulamentadoras (NRs) brasileiras ..................................................... 43 
8.2 Responsabilidades dos empregadores e trabalhadores na aplicação da 
ergonomia ................................................................................................................. 44 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 47 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
1. INTRODUÇÃO À ERGONOMIA 
A ergonomia é uma disciplina que visa otimizar a interação entre seres 
humanos, tarefas e ambientes, com o objetivo de melhorar o bem-estar, a segurança 
e a eficácia das atividades humanas. Nesta aula, exploraremos os conceitos 
fundamentais da ergonomia, sua importância no ambiente de trabalho e em nossa 
vida cotidiana, assim como seus objetivos e princípios básicos. 
Definição de Ergonomia: A ergonomia é definida como o estudo científico da 
relação entre o homem e seu ambiente de trabalho, focando no design de 
equipamentos, tarefas e ambientes de modo a melhorar o conforto, a eficácia e a 
segurança do trabalhador. Ela considera as capacidades e limitações humanas, 
buscando otimizar a interação homem-máquina-ambiente. 
Importância da Ergonomia: A ergonomia desempenha um papel crucial em 
nossas vidas, uma vez que influencia a forma como interagimos com objetos, 
máquinas e espaços. No ambiente de trabalho, a ergonomia ajuda a prevenir lesões 
relacionadas ao esforço repetitivo, posturas casadas e outros problemas de saúde 
ocupacional. Além disso, ela contribui para o aumento da produtividade e satisfação 
dos trabalhadores. 
Princípios Fundamentais da Ergonomia: A ergonomia é guiada por três 
princípios fundamentais: 
Adaptação ao Ser Humano: Os sistemas e ambientes devem ser projetados 
considerando as características físicas, cognitivas e emocionais dos usuários. 
Interação Tripla: A interação entre o ser humano, a tarefa e o ambiente deve 
ser harmoniosa e eficaz para alcançar resultados excelentes. 
Abordagem Multidisciplinar: A ergonomia requer a colaboração de diversas 
disciplinas, como psicologia, engenharia, medicina e design, para abordar de maneira 
abrangente as complexidades das humanas. 
 
1.1 A importância da ergonomia 
A ergonomia é uma disciplina que desempenha um papel fundamental na 
promoção da saúde, segurança e eficiência nos ambientes de trabalho e em diversas 
atividades humanas. Ela se concentra na adaptação das tarefas, equipamentos e 
ambientes às características e capacidades dos seres humanos, buscando otimizar a 
interação entre as pessoas e seu ambiente. A importância da ergonomia abrange 
 
5 
 
tanto o âmbito profissional quanto o cotidiano, e seus benefícios impactam 
diretamente a qualidade de vida e a produtividade. 
1. Prevenção de Lesões e Doenças Ocupacionais: A aplicação dos 
princípios ergonômicos contribui significativamente para a prevenção de lesões 
musculoesqueléticas, como tendinites, lesões por esforço repetitivo (LER) e dores 
crônicas. Ao projetar ambientes de trabalho que promovem posturas corretas, 
movimentos naturais e distribuição adequada das cargas, reduz-se a tensão e o 
estresse nos músculos e articulações. Isso resulta em menor incidência de 
afastamento e licenças médicas, mantendo os trabalhadores saudáveis e ativos. 
2. Aumento da Produtividade: Ambientes de trabalho ergonomicamente 
projetados têm o potencial de melhorar a eficiência e a produtividade. Funcionários 
que se sentem confortáveis e não estão sujeitos a desconforto físico conseguem 
concentrar-se melhor em suas tarefas, evitando distrações causadas por dores ou 
desconforto. Além disso, a redução da fadiga permite que os mantenham um 
desempenho constante ao longo do dia. 
3. Bem-Estar e Satisfação do Trabalhador: A ergonomia contribui 
diretamente para o bem-estar físico e mental do trabalhador. Ambientes que priorizam 
o conforto e a saúde dos funcionários resultam em maior satisfação no trabalho. 
Trabalhadoressaudáveis e felizes tendem a ser mais engajados, motivados e 
tolerantes a permanecerem em suas posições por mais tempo. 
4. Redução de Custos e Absenteísmo: Investir em ergonomia pode gerar 
economias para as empresas a longo prazo. A redução de lesões e doenças 
ocupacionais diminui os custos associados a tratamentos médicos, substituição de 
trabalho e treinamento de novos funcionários. Além disso, a diminuição do 
absenteísmo contribui para a continuidade das operações sem frequência. 
5. Melhoria da Qualidade de Vida: A aplicação dos princípios ergonômicos 
não se limita ao ambiente de trabalho. No dia a dia, ela influencia a forma como 
utilizamos dispositivos eletrônicos, móveis, veículos e espaços em geral. A ergonomia 
em produtos e ambientes domésticos contribui para a prevenção de problemas 
posturais, dores e desconfortos que podem afetar a qualidade de vida ao longo do 
tempo. 
Em resumo, a importância da ergonomia transcende os limites do local de 
trabalho e impacta diversos aspectos da vida cotidiana. Ela é uma ferramenta 
 
6 
 
essencial para promover a saúde, a segurança, a produtividade e o bem-estar das 
pessoas, criando ambientes mais adequados e adaptados às necessidades humanas. 
 
1.2 Objetivos da ergonomia 
A história e evolução da ergonomia têm uma forte ligação com as atividades e 
tarefas laborais ao longo do tempo. A percepção de que o desconforto e a fadiga 
vieram das condições e da repetição contínua de exercícios podem resultar em lesões 
causadas pelo reconhecimento da importância de abordar esse cenário. A fim de 
preservar tanto a integridade do indivíduo quanto a produtividade produtiva, surgiu a 
necessidade de adaptar as tarefas e o trabalho em si às características humanas, que 
representam o foco central da nossa disciplina. 
Dentro do contexto das atividades laborais, o objetivo principal da ergonomia é 
garantir o funcionamento eficaz do sistema produtivo das empresas, ao mesmo tempo 
em que assegura o bem-estar dos trabalhadores. De acordo com as considerações 
de lida (2005), essa disciplina visa harmonizar o ambiente de trabalho e as demandas 
da tarefa com as capacidades e limitações do ser humano. 
A ergonomia estuda os diversos fatores que influem no desempenho do 
sistema produtivo e procura reduzir as suas consequências nocivas sobre o 
trabalhador. Assim, ela procura reduzir a fadiga, estresse, erros e acidentes, 
proporcionando segurança, satisfação e saúde aos trabalhadores, durante o 
seu relacionamento com esse sistema produtivo. 
Com o intuito de mitigar as adversidades que recaem sobre os trabalhadores, 
a ergonomia investiga uma variedade de elementos que moldam o desempenho de 
um sistema, visando proporcionar segurança, satisfação e bem-estar aos indivíduos 
envolvidos. Para alcançar seu objetivo central, que é ajustar o trabalho de forma 
confortável às características humanas, fica evidente que seu escopo vai além da 
análise da interação entre o operador ou trabalhador e as máquinas ou equipamentos. 
A ergonomia também engloba o contexto organizacional e psicossocial de um 
sistema. 
O entendimento da ergonomia estabelece que, desde as fases iniciais de 
concepção e projeto, o desenvolvimento de produtos deve considerar as capacidades 
e limitações humanas, com o propósito de reduzir as restrições impostas ao usuário, 
em vez de forçá-lo a se adaptar às situações incômodas e desconfortáveis. Sob essa 
perspectiva, surge uma ergonomia como um contraponto ao método taylorista, que 
 
7 
 
delineava um procedimento operacional apontado como mais eficiente, ao qual os 
seres humanos deveriam se conformar. 
Em resumo, a ergonomia procura proporcionar um ambiente laboral mais 
favorável e às necessidades humanas, transcendendo a simples relação homem-
máquina e considerando aspectos organizacionais e sociais. Sua abordagem na 
concepção de produtos e processos visando ao conforto e à eficácia do trabalhador 
marca uma mudança de paradigma em relação ao antigo modelo taylorista, em prol 
de um ambiente laboral mais humano e adequado. 
Esse cuidado entre as necessidades humanas e as exigências do trabalho é 
crucial para promover uma experiência laboral saudável e produtiva. A ergonomia 
busca, portanto, criar uma simbiose entre a eficiência operacional das empresas e a 
qualidade de vida dos trabalhadores, alcançada em um equilíbrio que beneficia tanto 
os aspectos produtivos quanto o bem-estar individual. 
Uma abordagem original da ergonomia, que se concentra primordialmente nas 
atividades laborais, tem sido enriquecida por uma série de perspectivas que englobam 
a interação entre o ser humano e os produtos/equipamentos. Isso resulta em uma 
abrangência incontestável da disciplina. Desde o início, a ergonomia foi caracterizada 
como uma área interdisciplinar, inicialmente fundamentada em campos das ciências 
biológicas, como antropologia, psicologia, fisiologia e medicina, além da engenharia. 
Atualmente, essa abrangência se estende a diversas outras esferas do conhecimento. 
É por essas razões que a ergonomia é considerada uma orientação ética e técnica 
fundamental, como ressaltado por Barros (2011): 
Devemos entender que a ergonomia como ciência não é um estudo 
independente, mas sim comum a diversas outras disciplinas, como a 
Medicina do Trabalho: estudo da biomecânica, antropometria e fisiologia; 
Engenharia da produção: EPIs e CIPA; Ciências Humanas e Sociais: 
psicologia, sociologia, antropologia; e, com a Economia: administração, 
relações sindicais. 
 
Em suma, a ergonomia transcendeu suas raízes iniciais e se expandiu para 
englobar múltiplas áreas de aplicação, mantendo-se interdisciplinar e enriquecendo 
sua abordagem. Ela se mantém como uma diretriz crucial, essencial tanto do ponto 
de vista ético quanto técnico, para a criação de ambientes, produtos e sistemas que 
estejam em sintonia com as necessidades e características humanas. 
 
8 
 
A ergonomia é uma disciplina interdisciplinar que busca otimizar a relação entre 
seres humanos, tarefas, equipamentos e ambientes, visando melhorar a eficiência, 
segurança e qualidade de vida. Seus objetivos são amplos e têm como foco principal 
a adaptação do trabalho ao ser humano, considerando suas capacidades, limitações 
e necessidades. Vamos explorar os principais objetivos da ergonomia e como eles 
impactam diversos aspectos da vida e do ambiente de trabalho. 
No decorrer das nossas atividades podemos, nos deparamos com sensações 
que acontecem entre conforto e bem-estar, e incômodo e fadiga. Na atualidade do 
século XXI, é notável e perceber que os sistemas produtivos estão cada vez mais 
voltados para a consideração do usuário, conferindo à ergonomia o estatuto de uma 
ciência altamente relevante para a vida contemporânea. De fato, estamos vivendo em 
um contexto histórico em que a busca por conveniência é aplicada em diversos 
aspectos, como vestiários, móveis e veículos, apenas para citar alguns exemplos, 
como: 
1. Adaptação das Tarefas e Ambientes: Um dos principais objetivos da 
ergonomia é adaptado as tarefas e ambientes de trabalho às características físicas, 
cognitivas e emocionais dos seres humanos. Isso envolve projetar atividades que não 
exijam esforço excessivo, posturas desconfortáveis ou movimentos prejudiciais. A 
ergonomia busca eliminar ou minimizar riscos à saúde e lesões ocupacionais, 
proporcionando um ambiente mais seguro e saudável. 
2. Redução da Fadiga e Desconforto: A ergonomia visa reduzir a fadiga física 
e mental causada por atividades repetitivas, prolongadas ou mal projetadas. Ao 
ajustar as demandas do trabalho para que se alinhe com a capacidade do trabalhador, 
é possível prevenir o desgaste excessivo e exigir de dores crônicas, garantido para a 
melhoria do bem-estar geral. 
3. Aumento da Eficiência e Produtividade: Ao projetar tarefas e ambientes 
de trabalho ergonomicamente corretos, é possível aumentar a eficiência e a 
produtividade.Funcionários que não enfrentam obstáculos físicos ou cognitivos têm 
maior capacidade de concentração e desempenho, o que resulta em uma execução 
mais rápida e precisa das atividades. 
4. Melhoria da Qualidade de Vida no Trabalho: A ergonomia contribui para a 
criação de um ambiente de trabalho que promove a qualidade de vida dos 
funcionários. Ao reduzir o estresse físico e mental e proporcionar condições mais 
 
9 
 
confortáveis, os trabalhadores têm uma experiência mais positiva no ambiente laboral, 
o que pode levar a maior motivação e motivação. 
5. Prevenção de Problemas de Saúde Ocupacional: Um objetivo crucial da 
ergonomia é prevenir a ocorrência de problemas de saúde ocupacional, como lesões 
por esforço repetitivo (LER), tendinites, bursites e distúrbios musculoesqueléticos. A 
aplicação de princípios ergonômicos reduz a exposição a riscos biomecânicos e ajuda 
a evitar condições debilitantes relacionadas ao trabalho. 
6. Melhoria do Design de Produtos e Interfaces: Além do ambiente de 
trabalho, a ergonomia também influencia o design de produtos e interfaces, tornando-
os mais intuitivos, acessíveis e fáceis de usar. Isso abrange desde utensílios 
domésticos até dispositivos eletrônicos, garantindo para a experiência do usuário e 
evitando possíveis lesões ou frustrações. 
7. Promoção do Bem-Estar Geral: A ergonomia tem um impacto direto na 
promoção do bem-estar geral dos indivíduos. Ao eliminar os obstáculos físicos e 
emocionais e proporcionar um ambiente que respeite as necessidades humanas, a 
ergonomia contribui para um equilíbrio mais saudável entre a vida profissional e 
pessoal. 
Os objetivos da ergonomia estão intrinsecamente ligados à criação de 
ambientes mais seguros, saudáveis e eficientes para os seres humanos. Ao adaptar 
tarefas, equipamentos e ambientes às capacidades humanas, a ergonomia promove 
a qualidade de vida, a produtividade e a segurança, beneficiando tanto os 
trabalhadores quanto a sociedade como um todo. 
 
2. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA ERGONOMIA 
 
Os princípios fundamentais da ergonomia são a base para o desenvolvimento 
de ambientes de trabalho e atividades que se alinham com as características, 
capacidades e necessidades dos seres humanos. Esses princípios são orientações 
essenciais que garantem a aplicação eficaz dos conceitos ergonômicos, visando 
melhorar a saúde, a segurança e a eficiência das pessoas com o ambiente e as 
tarefas. Vamos explorar os principais fundamentos que norteiam a ergonomia. 
1. Adaptação ao Ser Humano: O princípio da adaptação ao ser humano é o 
cerne da ergonomia. Ele enfatiza que as tarefas, equipamentos e ambientes devem 
 
10 
 
ser projetados levando em consideração os recursos físicos, cognitivos e emocionais 
dos usuários. Em vez de forçar os seres humanos a se adaptarem às condições 
adquiridas, a ergonomia preconiza a criação de sistemas que se ajustam às 
características individuais e coletivas. 
2. Interação Tripla: Homem-Tarefa-Ambiente: Esse princípio destaca a 
importância da harmonia entre o ser humano, a tarefa e o ambiente em que a atividade 
é realizada. A interação tripla ressalta que todos esses elementos estão 
interconectados e influenciam diretamente o sucesso e a eficácia de uma tarefa. Para 
otimizar essa interação, a ergonomia procura ajustar as características das tarefas e 
do ambiente às capacidades e necessidades dos usuários. 
3. Abordagem Multidisciplinar: A ergonomia é uma disciplina interdisciplinar por 
natureza, envolvendo campos como engenharia, medicina, psicologia, design, entre 
outros. Esse princípio enfatiza que a compreensão completa das complexidades das 
humanas confortáveis requer uma colaboração ativa entre diferentes disciplinas. Uma 
abordagem multidisciplinar assegura que os aspectos físicos, cognitivos, emocionais 
e sociais sejam pensados de maneira integrada. 
4. Prevenção de Riscos e Danos: Um dos principais objetivos da ergonomia é 
prevenir riscos à saúde e reduzir a ocorrência de lesões, desconfortos e problemas 
de saúde ocupacional. Ao projetar projetos e tarefas de forma a minimizar os fatores 
de risco, a ergonomia contribui para um ambiente de trabalho mais seguro e saudável. 
A prevenção de danos é um princípio orientador que visa proteger a saúde e o bem-
estar dos trabalhadores. 
5. Enfoque na Variedade Humana: A diversidade humana é uma realidade que 
a ergonomia reconhece e abraça. Esse princípio destaca que as variações individuais 
em termos de tamanho, forma, habilidades, emoções e contenção devem ser 
pensadas durante o processo de design. A ergonomia procura criar soluções que 
atendam à ampla variedade de características humanas, garantindo que os produtos 
e ambientes sejam acessíveis a todos. 
6. Melhoria Contínua: A aplicação dos princípios ergonômicos requer um 
compromisso com a melhoria contínua. Esse princípio destaca a importância de 
revisar constantemente as condições de trabalho, avaliar o feedback dos usuários e 
atualizar as práticas e soluções de acordo com as mudanças nas necessidades e nos 
 
11 
 
avanços tecnológicos. A ergonomia é um processo em constante evolução, 
adaptando-se às demandas em transformação. 
Os princípios fundamentais da ergonomia fornecem um guia essencial para a 
criação de ambientes e atividades que respeitam as características humanas e 
promovem a saúde e a eficiência. Ao aplicar esses princípios, é possível alcançar 
resultados positivos, minimizando riscos à saúde, melhorando a qualidade de vida e 
promovendo a harmonia entre as pessoas, as tarefas e o ambiente. 
 
2.1 Adaptação ao ser humano 
A ergonomia é uma disciplina que tem como objetivo primordial a adaptação do 
ambiente, das tarefas e dos equipamentos ao ser humano. Ela reconhece a 
complexidade dos recursos físicos, cognitivos e emocionais dos indivíduos e busca 
otimizar a interação entre as pessoas e seu ambiente de forma a garantir eficiência, 
segurança e conforto. 
A adaptação ao ser humano é o cerne da ergonomia. Ela reconhece que não 
podemos esperar que os seres humanos se ajustem a ambientes e tarefas 
inadequadas. Pelo contrário, a ergonomia nos ensina que devemos moldar o trabalho 
e os ambientes de acordo com as características humanas para minimizar riscos à 
saúde e maximizar o desempenho. 
Isso envolve considerar antropometria (medidas corporais), biomecânica 
(movimentos e forças do corpo), fisiologia (funcionamento interno do corpo) e até 
mesmo aspectos psicológicos e sociais. Por exemplo, ao projetar um posto de 
trabalho em um escritório, a ergonomia leva em consideração a altura da mesa e da 
cadeira para se ajustar ao corpo do trabalhador, a fim de evitar tensões musculares e 
lesões posturais. 
A adaptação ao ser humano também se estende à tecnologia e aos produtos. 
A ergonomia influencia o design de interfaces de usuário em dispositivos eletrônicos, 
tornando-os intuitivos e fáceis de usar, além de moldar o formato de objetos como 
volantes de carros para garantir o conforto e a segurança do motorista. 
Além disso, a ergonomia não se limita apenas à adaptação física, mas também 
considera fatores psicossociais. Ambientes de trabalho que promovem a colaboração, 
a comunicação e o equilíbrio eficaz entre a vida profissional e pessoal motivaram para 
a saúde mental e a satisfação dos trabalhadores. 
 
12 
 
Em resumo, a ergonomia e a adaptação ao ser humano andam de mãos dadas. 
Ela busca criar ambientes, tarefas e produtos que respeitem as características e 
limitações humanas, promovendo uma sinergia entre as necessidades das pessoas e 
as demandas das atividades, gerada em maior eficiência, segurança e qualidade de 
vida. 
2.2 Interação entre ser humano, tarefa e ambiente 
A interação entre ser humano, tarefa e ambiente desempenhando um papel 
crucial na disciplina da ergonomia. A ergonomia é centrada na compreensão e 
otimização dessa interação complexa, buscando criar condições que atenderamaos 
indivíduos executando suas atividades de maneira eficiente, segura e confortável. 
Ser Humano: O ser humano é o ponto de partida em qualquer abordagem 
ergonômica. Seus recursos físicos, cognitivos e emocionais moldam a forma como 
eles executam tarefas. Fatores como altura, força, coordenação, percepção, memória 
e atenção afetam diretamente a maneira como as atividades são realizadas. A 
ergonomia reconhece a diversidade humana e procura criar soluções que se adaptam 
às características individuais e coletivas. 
Tarefa: A tarefa se refere à atividade específica que o indivíduo precisa realizar. 
Pode ser uma ação simples, como operar um interruptor, ou uma tarefa mais 
complexa, como pilotar uma aeronave. A ergonomia analisa a natureza da tarefa, 
incluindo a sequência de movimentos, a carga de trabalho mental exigida, a duração 
da atividade e a interação com ferramentas e equipamentos. O objetivo é simplificar 
as tarefas, minimizar esforços necessários e reduzir o risco de erros. 
Ambiente: O ambiente refere-se ao contexto em que a tarefa é executada. Isso 
inclui tanto o ambiente físico, como um escritório ou uma fábrica, quanto o ambiente 
virtual, como interfaces de software. A ergonomia avalia as condições do ambiente, 
como iluminação, ruído, temperatura e layout espacial. Ao criar ambientes que se 
adequem às necessidades do usuário, a ergonomia busca minimizar distrações, 
reduzir riscos à saúde e melhorar a experiência geral do usuário. 
A interação entre ser humano, tarefa e ambiente é abordada pela ergonomia 
de maneira holística. Ao compreender como esses três elementos se conectam, a 
ergonomia busca criar projetos e soluções que otimizem o desempenho humano, ao 
mesmo tempo em que promovem a segurança e o bem-estar. A disciplina também 
 
13 
 
reconhece a importância das retroalimentações contínuas: feedback dos usuários é 
essencial para perfeição e refinar projetos ergonômicos. 
A interação entre ser humano, tarefa e ambiente é um princípio fundamental na 
ergonomia. Ela molda o modo como projetamos ambientes, tarefas e produtos, 
garantindo que esses elementos se alinhem com os recursos humanos, gerados em 
um aumento da eficiência, segurança e qualidade de vida. 
 
2.3 Abordagem multidisciplinar da ergonomia 
A abordagem multidisciplinar da ergonomia é um dos pilares dessa disciplina, 
que busca entender e otimizar a interação entre seres humanos, tarefas e ambientes. 
Ela reconhece que o estudo das pessoas confortáveis com o mundo ao seu redor 
requer uma colaboração eficaz de várias disciplinas, cada uma esperançosa com sua 
expertise para criar soluções abrangentes e eficazes. 
A natureza multidisciplinar da ergonomia reflete-se em sua origem e 
desenvolvimento. Desde sua concepção, a ergonomia sempre esteve enraizada em 
uma variedade de campos, como ciências biológicas (anatomia, fisiologia), psicologia, 
engenharia, design industrial, antropologia, sociologia, entre outras. Essa diversidade 
de disciplinas contribui para uma compreensão mais abrangente das complexidades 
envolvidas na relação entre seres humanos e seu ambiente. 
Ao adotar uma abordagem multidisciplinar, a ergonomia beneficia-se de uma 
ampla gama de conhecimentos especializados. Por exemplo: 
- Ciências Biológicas: Contribuem com insights sobre os recursos físicos e 
funcionamento do corpo humano, como a biomecânica dos movimentos e a fisiologia 
envolvida em diferentes atividades. 
- Psicologia: Ajuda a compreender os aspectos cognitivos e emocionais do 
comportamento humano, influenciando como as pessoas percebem e reagem a 
diferentes ambientes e tarefas. 
- Engenharia: Fornecer conhecimentos sobre o design de equipamentos e 
tecnologias que se alinham com os recursos humanos, mantendo a carga física e 
cognitiva necessária para a realização das tarefas. 
- Design: Contribui para a criação de produtos e interfaces que sejam intuitivos, 
eficazes e aceitáveis de usar, considerando a ergonomia visual e funcional. 
 
14 
 
- Sociologia e Antropologia: Oferecem perspectivas sobre como fatores 
culturais, sociais e comportamentais influenciam a interação entre indivíduos e seus 
ambientes de trabalho. 
Uma abordagem multidisciplinar permite uma análise mais completa e holística 
das complexidades humanas. Ao considerar as múltiplas perspectivas, a ergonomia 
busca criar soluções que atendam às necessidades e características das pessoas de 
maneira mais abrangente. Isso resulta em ambientes de trabalho mais seguros, 
produtos mais acessíveis e experiências mais satisfatórias. 
É essencial para a eficácia da ergonomia. Ela reconhece que a compreensão 
completa das pessoas humanas com o meio ambiente requer a colaboração de 
diversas disciplinas, cada uma esperançosa para a criação de soluções que 
promovem o bem-estar, a eficiência e a segurança. 
 
3. ERGONOMIA FÍSICA 
A Ergonomia constitui uma ciência dedicada à compreensão e aprimoramento 
da relação entre o ser humano e suas atividades laborais, estabelecendo diretrizes 
com a intuição de perfeição essa interação. Em sua aplicação prática, a Ergonomia 
delineia o perfil dos colaboradores, permitindo a formulação de estratégias dirigidas à 
mitigação dos riscos inerentes às funções exercidas pelos funcionários. 
Nos dias atuais, a ergonomia apresenta uma divisão em três áreas principais: 
ergonomia física, ergonomia organizacional e ergonomia cognitiva. No presente texto, 
concentramos nossa exploração na ergonomia física, abordando exemplos concretos, 
delineando seus objetivos e importância, para posteriormente mencionarmos de forma 
sucinta as outras modalidades de ergonomia. 
• O que é ergonomia física e alguns exemplos: 
A área da ergonomia física está direcionada à análise dos riscos ergonômicos 
que se relacionam ao ambiente de trabalho e à saúde física dos colaboradores. Essa 
abordagem aborda uma ampla gama de aspectos, desde a qualidade das ferramentas 
utilizadas até a postura corporal adotada pelos funcionários. O seu escopo abrange a 
compreensão da interconexão entre as atividades que exigem esforço físico e as 
características anatômicas, regulatórias e biomecânicas do corpo humano. 
É importante ressaltar que a ergonomia física tem um foco preventivo, 
buscando identificar soluções para evitar ou reduzir os riscos associados ao 
 
15 
 
desenvolvimento de distúrbio de saúde e bem-estar. Ela busca não apenas corrigir 
problemas existentes, mas também prevenir o de possíveis complicações por meio de 
ajustes no ambiente e nas práticas laboratoriais. 
Um exemplo proeminente de aplicação da ergonomia física é observado no 
contexto das cadeiras utilizadas por colaboradores, com o intuito de promover uma 
postura adequada durante o trabalho sentado. Além disso, um exemplo adicional 
consiste na avaliação dos movimentos realizados ao erguer objetos específicos. 
A principal finalidade da ergonomia física é assegurar o desempenho otimizado 
do trabalhador, alcançado por meio da investigação de três dimensões específicas: 
- Fisiologia: aborda as funções e o funcionamento regular do corpo humano. 
- Antropometria: envolve técnicas de medição de partes do corpo ou do 
organismo como um todo. 
- Biomecânica: lida com os movimentos realizados pelas pessoas, quando 
aplicada aos contextos laborais. 
 
3.1 Postura corporal inadequada 
A postura é definida como a configuração harmônica entre músculos, 
articulações e ossos, cuja função primordial é estabilizar espacialmente o corpo 
humano e salvá-lo enquanto reage aos estímulos provenientes do ambiente. A postura 
cansada, por sua vez, implica na ausência de equilíbrio entre os componentes de 
sustentação corporal. A coluna vertebral, que desempenha o papel central nesta 
estrutura, serve como o eixo fundamental do corpo. 
Os efeitos adversos da má postura vão além das considerações estéticas, 
incorporando impactos físicos capazes de comprometer a qualidade de vida. Manteruma postura emocional pode afetar áreas distintas do organismo. Ainda que as 
manifestações imediatas possam não ser sintomáticas, a médio e longo prazo, tais 
desvios posturais podem manifestar-se através de condições patológicas diversas. 
As idéias da má postura podem resultar em alterações na coluna vertebral, 
sobretudo nas regiões cervical e lombar. A inversão das curvaturas nestas áreas é 
uma das irregularidades mais frequentemente observadas, frequentemente seguidas 
por dores que geralmente irradiam para os ombros. 
 
16 
 
Como mencionado anteriormente, as repercussões da má postura 
transcendem as meras considerações estéticas, englobando principalmente efeitos 
deletérios para a saúde e incômodos diários. A seguir, alguns serão delineados: 
- Dor de cabeça: A má postura se figura como uma das principais origens das dores 
nas costas e cefaleias. A inclinação para frente gera uma sobrecarga adicional nos 
músculos da região posterior do pescoço, a fim de prevenir a queda da cabeça para 
a frente. Esse desequilíbrio muscular pode culminar em dores nas costas. 
- Distúrbios do sono: A má postura pode afetar a capacidade de sono. O 
desalinhamento muscular prejudica o atleta do corpo. 
- Desconforto nos pés: O desalinhamento corporal resultante da má postura também 
pode se manifestar nos pés, gerando desconforto e dor, tornando relevante atenção 
à postura desde a cabeça até os pés. 
- Fadiga: Uma má postura exige um esforço adicional para manter a estabilidade. Isso 
pode gerar uma sensação de fadiga. 
É essencial destacar que a má postura pode acarretar problemas mais graves 
nas costas, incluindo DORT (Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho), 
hérnia de disco, escoliose, lordose, cifose, além de outros desvios na coluna vertebral. 
Consequentemente, a promoção de uma postura adequada, seja por meio de 
consciência postural, ajustes ergonômicos ou medidas de prevenção, é de primordial 
importância para evitar a evolução desses problemas e assegurar a saúde a longo 
prazo. 
3.2 Manipulação de cargas e objetos 
A manipulação de cargas e objetos é um aspecto central na área da ergonomia, 
visto que influencia diretamente a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. Através do 
estudo detalhado da biomecânica, da fisiologia humana e da interação entre o corpo 
humano e seu ambiente de trabalho, a ergonomia busca desenvolver diretrizes e 
práticas associadas que minimizem os riscos à manipulação de cargas e objetos. 
A manipulação de cargas, sejam elas pesadas ou volumosas, pode 
sobrecarregar os sistemas musculoesquelético e cardiovascular do indivíduo. Isso 
pode levar a lesões agudas, como distensões musculares e lombalgias, bem como ao 
desenvolvimento de condições crônicas, como hérnias de disco e problemas 
articulares. Além disso, a manipulação de cargas combinadas pode resultar em 
acidentes no local de trabalho, aumentando os riscos de lesões. 
 
17 
 
Uma abordagem ergonômica na manipulação de cargas e objetos busca 
minimizar esses riscos por meio da aplicação de princípios biomecânicos. Isso inclui 
o uso de técnicas corretas de levantamento, transporte e colocação de objetos, 
visando a distribuição equitativa das cargas entre os grupos musculares, o 
acompanhamento adequado das articulações e a minimização das forças de 
resistência na coluna vertebral. Além disso, a ergonomia recomenda o uso de 
dispositivos de auxílio, como carrinhos, guinchos e equipamentos de levantamento, 
para reduzir a carga física sobre o corpo do trabalhador. 
Vale ressaltar que a manipulação adequada de cargas não se limita apenas à 
força física imposta, mas também à consideração de fatores contextuais, como o 
espaço disponível, a altura das prateleiras e a distância de transporte. A integração 
desses aspectos no design dos locais de trabalho e na organização das tarefas é 
fundamental para criar um ambiente seguro e saudável. 
A manipulação de cargas e objetos constitui uma área crucial na ergonomia, 
onde a aplicação dos princípios biomecânicos visa proteger os trabalhadores de riscos 
de lesões e promover um ambiente laboral mais seguro e eficiente. A compreensão 
das técnicas corretas de manipulação, a implementação de dispositivos de auxílio e a 
integração dos fatores contextuais são elementos centrais na promoção da saúde e 
do bem-estar dos colaboradores. 
 
3.3 Layout de espaços de trabalho 
O layout dos espaços de trabalho é um componente fundamental na 
abordagem ergonômica, pois desempenha um papel significativo na eficiência, 
segurança e bem-estar dos trabalhadores. A ergonomia busca otimizar o design e a 
organização dos ambientes de trabalho, levando em consideração as características 
físicas e psicológicas dos indivíduos, a fim de promover uma interação harmoniosa 
entre o ser humano e o espaço em que realiza suas atividades laborais. 
Um layout inadequado pode resultar em ineficiências operacionais, riscos à 
saúde dos trabalhadores e até mesmo em acidentes. Portanto, o projeto de layout 
ergonômico visa minimizar esses problemas, proporcionando um ambiente que facilita 
o desempenho das tarefas de forma confortável e segura. 
Ao considerar a ergonomia no layout de espaços de trabalho, aspectos como a 
disposição de estações de trabalho, móveis, equipamentos e fluxos de trabalho são 
 
18 
 
cuidadosamente planejados. Isso envolve o posicionamento ideal de ferramentas e 
materiais, a altura adequada de mesas e cadeiras, a localização de monitores e telas, 
entre outros elementos relevantes. 
A ergonomia também considera a movimentação dos trabalhadores no 
ambiente, buscando minimizar a necessidade de movimentos repetitivos, posturas 
desconfortáveis ou excessivos. Isso não apenas contribui para a prevenção de lesões, 
mas também para a eficiência das operações. 
Além disso, a iluminação, a ventilação e o controle de ruído são fatores que 
também são considerados na criação de um layout ergonômico. A ergonomia procura 
criar um ambiente de trabalho que proporcione conforto visual, climático e acústico, 
minimizando a fadiga sensorial e o estresse. 
Um layout ergonômico bem projetado não apenas contribui para o bem-estar 
dos trabalhadores, mas também para a produtividade e a satisfação no trabalho. 
Trabalhadores que trabalham em ambientes ergonomicamente planejados tendem a 
apresentar menor fadiga, menor risco de lesões por esforço repetitivo e maior 
motivação para realizar suas atividades. 
O layout de espaços de trabalho em ergonomia engloba uma disposição 
cuidadosa de elementos físicos e funcionais, visando proporcionar um ambiente de 
trabalho seguro, saudável e eficiente. O design ergonômico considera tanto as 
características do trabalhador quanto as demandas das tarefas, geradas em um 
ambiente que promove o melhor desempenho possível e o bem-estar dos 
colaboradores. 
 
3.4 Ferramentas e equipamentos ergonomicamente projetados 
O planejamento e design de espaços de trabalho, dentro do escopo da 
ergonomia, desempenha um papel crucial na promoção do bem-estar e eficiência dos 
trabalhadores. O layout de um ambiente de trabalho, abrangendo desde a disposição 
de estações individuais até a organização geral do espaço, é uma consideração de 
grande importância na busca por ambientes que atendem às necessidades físicas, 
cognitivas e emocionais dos colaboradores. 
A ergonomia, como disciplina interdisciplinar, busca alcançar uma 
convergência entre as características humanas e as demandas impostas pelo 
ambiente de trabalho. O layout inadequado pode levar a uma série de problemas, 
 
19 
 
desde desconforto e fadiga até o aumento do risco de lesões por esforços repetitivos 
e outros distúrbios musculoesqueléticos. Assim, a compreensão das melhores 
práticas de design ergonômico é de vital importância para criar espaços que 
promovam a saúde e o desempenho eficiente dos indivíduos. 
Quando se trata de layout de espaços de trabalho, é imperativoconsiderar a 
disposição das estações de trabalho, móveis e equipamentos de acordo com as 
características antropométricas dos trabalhadores. A altura das mesas, a posição dos 
monitores e a disposição de elementos como teclados e mouse devem ser pensadas 
de modo a minimizar posturas desconfortáveis e movimentos excessivos. Além disso, 
a organização dos fluxos de trabalho deve ser iniciada de forma a otimizar a sequência 
de tarefas e minimizar a necessidade de movimentos repetitivos e não essenciais. 
A eficácia de um layout ergonômico também está ligada à consideração de 
fatores como iluminação, ventilação e acústica. Um ambiente bem iluminado, com 
fluxo de ar adequado e níveis de ruído controlados, contribui significativamente para 
o conforto dos trabalhadores e sua capacidade de concentração. 
Além disso, o layout ergonômico também pode influenciar aspectos 
psicossociais. A disposição das estações de trabalho pode impactar a comunicação 
entre colegas, promovendo colaborativas e confortáveis o isolamento. A organização 
do espaço também pode afetar a sensação de pertencimento e a identificação dos 
trabalhadores com a empresa. 
A consideração do layout dos espaços de trabalho sob a perspectiva da 
ergonomia transcende a mera estética ou funcionalidade. Trata-se de criar ambientes 
que se adequem às características físicas e cognitivas dos indivíduos, promovendo 
uma relação saudável entre o ser humano e o ambiente laboral. Uma abordagem 
ergonômica no design de espaços de trabalho contribui para a satisfação e eficiência 
dos trabalhadores, bem como para a promoção de um ambiente que favorece a saúde 
e o bem-estar no contexto profissional. 
 
 
3.5 Prevenção de lesões musculoesqueléticas 
A prevenção de lesões musculoesqueléticas é um aspecto central e vital dentro 
do escopo da ergonomia, uma disciplina que se concentra na otimização da interação 
entre os seres humanos, como tarefas que executam e o ambiente em que trabalham. 
 
20 
 
Lesões musculoesqueléticas, frequentemente relacionadas a exercícios repetitivos, 
posturas seguidas e exercícios excessivos, representam um desafio significativo à 
saúde ocupacional e ao bem-estar dos trabalhadores. 
Uma abordagem ergonômica para a prevenção de lesões musculoesqueléticas 
engloba uma análise detalhada dos fatores que criaram para o desenvolvimento 
dessas condições. Isso inclui a avaliação das atividades laboratoriais, a biomecânica 
do corpo humano e os aspectos psicossociais que podem influenciar o 
comportamento dos trabalhadores. 
Uma das abordagens fundamentais na prevenção de lesões 
musculoesqueléticas é a análise ergonômica das tarefas. Isso envolve uma avaliação 
minuciosa das atividades executadas, identificando movimentos repetitivos, posturais 
competitivos, exercícios excessivos e outros fatores que podem contribuir para o 
desgaste físico. Com base nessa análise, podem ser propostas modificações nas 
tarefas, como a introdução de pausas regulares, a rotação de tarefas e o uso de 
equipamentos de auxílio. 
A adaptação do ambiente de trabalho também é um componente essencial na 
prevenção de lesões musculoesqueléticas. Isso inclui a configuração ergonômica das 
estações de trabalho, a seleção de acomodação adequada, a disposição correta de 
ferramentas e equipamentos, bem como a criação de espaços que geraram a 
movimentação adequada. 
A educação e o treinamento dos trabalhadores são ferramentas importantes na 
prevenção de lesões musculoesqueléticas. Ao conscientizar os colaboradores sobre 
a importância da postura adequada, dos movimentos corretos e da identificação 
precoce de desconfortos, é possível promover uma cultura de segurança e 
autocuidado. 
A implementação de programas de exercícios de alongamento e fortalecimento 
específicos para os músculos e articulações mais sobrecarregados também faz parte 
das estratégias ergonômicas de prevenção. Esses programas visam melhorar a 
resistência muscular, a flexibilidade e a coordenação, a probabilidade de lesões. 
É importante destacar que a prevenção de lesões musculoesqueléticas é um 
esforço contínuo e colaborativo, que envolve não apenas os trabalhadores, mas 
também os empregadores, os profissionais de saúde e os especialistas em 
ergonomia. A adoção de abordagens proativas, a análise criteriosa das tarefas e 
 
21 
 
ambientes, bem como a promoção de uma cultura de saúde ocupacional, são 
fundamentais para minimizar os riscos de lesões musculoesqueléticas e proporcionar 
um ambiente de trabalho seguro e saudável. 
 
4. ERGONOMIA COGNITIVA 
A Ergonomia Cognitiva emergiu nos anos 1980, impulsionada pelo surgimento 
do computador. A maioria dos estudos inicialmente focava na interface e interação 
humano-computador, destacando os aspectos semânticos e cognitivos da informação 
exibida na tela. No entanto, a Ergonomia Cognitiva, também conhecida como 
engenharia psicológica, abrange processos mentais como percepção, cognição, 
atenção, controle motor e armazenamento e recuperação de memória. Seu enfoque 
reside nas interações entre seres humanos e elementos de um sistema, incluindo a 
resposta do indivíduo ao operar no sistema. Tópicos relevantes abrangem carga 
mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, erro 
humano, interação humano-computador e capacitação/treinamento. 
Estudos relacionados aos fatores humanos na cognição têm fornecido uma 
base sólida para pesquisas sobre capacidade de trabalho e incidentes. Por exemplo, 
os estudos sobre o processo de memória de Atkinson e Schiffrin, (Quadro 1) são 
considerados pilares clássicos na Ergonomia Cognitiva. Esses estudos estão 
intrinsecamente ligados aos processos de trabalho em si, indo além das simples 
características da tela do computador, como cores e tamanhos de letras. Essa 
abordagem contrasta com muitos estudos de interação humano-computador (IHC) 
que predominaram no início dos anos 1980, quando o computador começou a ganhar 
destaque. 
 
Quadro 1: Modelo de memória proposto por Atkinson e Schiffrin, em 1968. 
 
22 
 
 
Fonte: https://encurtador.com.br/yH149. 
No modelo de Atkinson e Schiffrin (1968) descreve o fluxo de informações do 
ambiente para a mente humana. Os dados captados do ambiente entram na caixa de 
armazenamento sensorial, que preserva as informações por um curto período (<1 s). 
O que é selecionado é então transferido para a memória de trabalho ou curto prazo, 
onde é retido por alguns segundos ou minutos antes de ser filtrado para a memória 
de longo prazo. Esta última mantém as informações indefinidamente. As atividades 
diárias são alimentadas pela memória de curto prazo, que possui capacidade limitada 
(geralmente cerca de 5 a 9 fragmentos de informações, conforme sugerido por Miller, 
1956), mas é facilmente acessível. Na memória de longo prazo, reside o 
conhecimento adquirido ao longo da vida, não sendo apagado devido à sua vasta 
capacidade de armazenamento. No entanto, a recuperação dessas informações nem 
sempre é simples. 
O modelo proposto por Card, Moran e Newell (1986), conhecido como o modelo 
processador humano, tem a intenção de aplicar os princípios da psicologia à 
engenharia prática. Este modelo simplifica os processos cognitivos em um conjunto 
de parâmetros de memória e processadores, juntamente com princípios de operação. 
O modelo é dividido em três subsistemas que interagem: a) sistema perceptual; b) 
sistema motor; e c) sistema cognitivo. Cada um destes subsistemas possui suas 
próprias memórias e processadores específicos. Esses elementos são descritos 
através de vários parâmetros. A capacidade de armazenamento, uma constante de 
 
23 
 
perda e o tipo de código principal são os principais parâmetros da memória. O tempo 
de ciclo é o parâmetro mais crucial de um processador. 
 
4.1 Carga mental de trabalho 
A carga mental de trabalho é um conceito fundamental na ergonomia, 
relacionado à quantidadee intensidade de recursos cognitivos que uma tarefa ou 
atividade demanda dos indivíduos. Refere-se à demanda imposta ao sistema cognitivo 
durante a execução de tarefas, abrangendo processos como percepção, memória, 
raciocínio, tomada de decisão e processamento de informações. 
A carga mental de trabalho pode ser dividida em diferentes componentes, 
incluindo carga mental intrínseca, carga mental extrínseca e carga mental gerada pelo 
indivíduo. A carga intrínseca está associada à complexidade inerente da tarefa, como 
o grau de dificuldade ou a quantidade de informações a serem processadas. A carga 
extrínseca refere-se ao ambiente em que a tarefa é realizada e aos recursos 
disponíveis. Já a carga gerada pelo indivíduo diz respeito à capacidade cognitiva e ao 
nível de experiência do indivíduo para lidar com a tarefa. 
Quando a carga mental de trabalho ultrapassa a capacidade de processamento 
cognitivo de um indivíduo, pode resultar em fadiga mental, diminuição do 
desempenho, erros e aumento do estresse. Por outro lado, uma carga mental muito 
baixa pode levar ao tédio e à falta de engajamento. 
A avaliação e o gerenciamento adequado da carga mental de trabalho são 
essenciais para criar ambientes de trabalho eficientes e saudáveis. A ergonomia 
procura equilibrar a carga mental de trabalho com as habilidades e capacidades dos 
trabalhadores, visando otimizar o desempenho e a satisfação. Isso pode envolver a 
simplificação de tarefas complexas, o uso de tecnologias de apoio, a melhoria da 
interface homem-máquina e a implementação de estratégias de treinamento para 
melhorar a capacidade de lidar com cargas cognitivas desafiadoras. 
Além disso, a consideração da carga mental de trabalho também é crucial no 
design de sistemas e equipamentos, bem como na organização de tarefas e 
processos. Ao projetar tarefas e ambientes que levem em consideração a carga 
cognitiva, é possível reduzir os riscos de erros humanos, melhorar a eficiência das 
operações e promover a saúde mental dos trabalhadores. 
 
24 
 
É um elemento crucial na ergonomia, influenciando diretamente o desempenho, 
a segurança e o bem-estar dos trabalhadores. O equilíbrio entre a demanda cognitiva 
e as capacidades individuais é fundamental para promover ambientes de trabalho 
produtivos e saudáveis. 
 
4.2 Tomada de decisões 
A tomada de decisões é um componente essencial na interação entre seres 
humanos e sistemas complexos, e desempenha um papel crucial na abordagem 
ergonômica. No contexto da ergonomia, a tomada de decisões refere-se ao processo 
pelo qual os indivíduos selecionam ações apropriadas para alcançar objetivos em um 
ambiente específico, levando em consideração fatores cognitivos, emocionais e 
situacionais. 
A ergonomia reconhece que as decisões dos trabalhadores podem ser 
influenciadas por uma variedade de fatores, como a complexidade da tarefa, as 
informações disponíveis, as habilidades e experiências pessoais, bem como o 
ambiente de trabalho e as pressões temporais. Portanto, o design de sistemas, 
equipamentos e ambientes deve considerar esses elementos para facilitar a tomada 
de decisões eficazes e seguras. 
Em um ambiente de trabalho ergonomicamente projetado, a tomada de 
decisões é otimizada de várias maneiras: 
- Informações Claras e Acessíveis: As informações relevantes devem ser 
apresentadas de forma clara e organizada. Isso inclui uma interface intuitiva e fácil de 
entender, onde os trabalhadores possam obter as informações necessárias de 
maneira eficiente. 
- Redução de Carga Cognitiva: Minimizar a carga cognitiva excessiva é fundamental. 
Isso significa que a interface e os processos devem ser projetados de maneira a não 
sobrecarregar o usuário com informações desnecessárias ou complexas. 
- Feedback Adequado: Fornecer feedback instantâneo sobre as decisões tomadas 
ajuda os trabalhadores a avaliarem a eficácia de suas ações. O feedback contribui 
para a aprendizagem e melhoria contínua. 
- Treinamento e Capacitação: Oferecer treinamento adequado aos trabalhadores 
ajuda a desenvolver habilidades de tomada de decisões. Isso inclui a familiarização 
 
25 
 
com o sistema, a compreensão de cenários possíveis e o desenvolvimento de 
estratégias para lidar com diferentes situações. 
- Design Participativo: Envolver os usuários no processo de design permite a 
incorporação de perspectivas do mundo real. Isso garante que os sistemas e as 
interfaces sejam intuitivos e atendam às necessidades dos trabalhadores. 
- Redução de Estresse: Ambientes de trabalho ergonomicamente projetados reduzem 
o estresse e a pressão sobre os trabalhadores, o que, por sua vez, melhora a 
qualidade da tomada de decisões. 
A ergonomia considera tanto os aspectos individuais quanto os contextuais da 
tomada de decisões. Ela reconhece que os trabalhadores não são apenas executores 
de tarefas, mas também tomadores de decisões que contribuem para o funcionamento 
eficaz dos sistemas. Portanto, um design ergonômico visa criar um ambiente que 
facilite a tomada de decisões assertivas, minimizando a probabilidade de erros e 
garantindo que as escolhas realizadas sejam compatíveis com os objetivos e as 
necessidades do sistema e dos trabalhadores. 
 
4.3 Processos de atenção e concentração 
Ao explorarmos a intersecção entre a ergonomia e os processos de atenção e 
concentração, adentramos em um território crítico para a compreensão e otimização 
do desempenho humano em diversos contextos. A atenção e a concentração são 
processos cognitivos fundamentais que influenciam a forma como os indivíduos 
interagem com sistemas, equipamentos e ambientes de trabalho. Nesse sentido, a 
ergonomia busca criar ambientes que favoreçam a atenção e a concentração, a fim 
de promover a eficácia, a segurança e o bem-estar dos trabalhadores. 
Atenção, envolve a alocação seletiva de recursos cognitivos para determinados 
estímulos ou tarefas, enquanto outros são filtrados ou ignorados. Esse processo é 
essencial para lidar com a sobrecarga de informações presentes no ambiente de 
trabalho. Em um contexto ergonômico, isso significa projetar interfaces, displays e 
sistemas de forma a facilitar a atenção seletiva, minimizando distrações e facilitando 
a rápida identificação de informações relevantes (NORMAN, 1986). 
A concentração, por sua vez, é a capacidade de manter o foco em uma tarefa 
específica, apesar das potenciais distrações. O conceito de "fluxo", destaca um estado 
de concentração profunda e envolvimento total em uma atividade, sendo 
 
26 
 
frequentemente associado a um alto desempenho. A ergonomia busca criar condições 
que favoreçam o estado de fluxo, considerando a complexidade da tarefa e a 
habilidade do indivíduo, a fim de manter um nível ótimo de desafio e motivação. 
A importância dos processos de atenção e concentração na ergonomia é 
refletida nas estratégias de design de interfaces, sistemas e ambientes. Interfaces 
intuitivas e claras, que minimizam a necessidade de tomadas de decisão complexas 
e reduzem a carga cognitiva, são essenciais para manter a atenção durante a 
execução de tarefas críticas (WICKENS, 2003). Além disso, a organização do espaço 
de trabalho, a minimização de ruídos e distrações e a implementação de estratégias 
de gerenciamento do tempo são fatores que podem influenciar positivamente a 
concentração e a eficácia (NEWELL & CARD, 1985). 
Nesse contexto, a ergonomia desempenha um papel crucial ao alinhar os 
princípios da psicologia cognitiva com o design de ambientes de trabalho que 
otimizam a atenção e a concentração dos trabalhadores. Ao considerar tanto as 
características individuais quanto os contextos específicos de cada tarefa, a 
ergonomia busca criar ambientes que promovam a eficiência cognitiva, contribuindo 
para um desempenho humano aprimorado e a promoção da saúde mental. 
 
4.4 Interface homem-máquina 
No âmbito da ergonomia, a interface homem-máquina desempenhaum papel 
central na otimização da interação entre seres humanos e sistemas tecnológicos. A 
compreensão profunda das características e dinâmicas dessa interface é essencial 
para projetar ambientes de trabalho que promovam a eficiência, segurança e 
satisfação dos usuários. Nesse contexto, examinaremos os principais conceitos 
relacionados à interface homem-máquina, considerando suas dimensões cognitivas, 
perceptivas e funcionais. 
A interface homem-máquina (IHM) refere-se ao ponto de contato onde a 
interação entre humanos e sistemas ocorre. Segundo Dul e Weerdmeester (2016), a 
IHM engloba os dispositivos, displays, controles e elementos de feedback que 
permitem a comunicação e a troca de informações entre o usuário e a tecnologia. É 
fundamental que essa interface seja projetada de maneira a atender às características 
cognitivas e físicas dos usuários, a fim de otimizar a usabilidade e minimizar erros. 
 
27 
 
No que tange à dimensão cognitiva da interface homem-máquina, é essencial 
considerar a carga mental de trabalho imposta aos usuários durante a interação. 
Wickens (2021) apontam que interfaces confusas, com excesso de informações ou 
falta de organização podem sobrecarregar a capacidade cognitiva dos usuários, 
resultando em dificuldades de compreensão e tomada de decisões. Portanto, projetar 
interfaces claras, organizadas e intuitivas é crucial para promover uma interação fluida 
e eficaz. 
Além disso, a dimensão perceptiva da IHM desempenha um papel significativo. 
A disposição dos elementos visuais, cores, fontes e ícones pode influenciar a forma 
como os usuários interpretam as informações (PREECE, 2015). Uma adequada 
compreensão da psicologia da percepção visual é crucial para criar interfaces que 
transmitam informações de maneira clara e eficiente. 
No que diz respeito à dimensão funcional, a disposição física dos dispositivos 
de interação, como botões, telas sensíveis ao toque e controles, deve ser projetada 
considerando as características antropométricas e biomecânicas dos usuários 
(COUTO, 2018). Isso garante que a interação seja confortável e ergonômica, 
minimizando o risco de lesões e fadiga. 
A interface homem-máquina é uma área crucial da ergonomia que busca 
harmonizar as necessidades, capacidades e expectativas dos usuários com as 
características tecnológicas dos sistemas. Ao compreender e aplicar os princípios da 
IHM, é possível projetar ambientes de trabalho que otimizam a interação, melhoram a 
produtividade e promovem a saúde e bem-estar dos trabalhadores. 
 
5. ERGONOMIA ORGANIZACIONAL 
 
Os pioneiros da ergonomia estabeleceram suas contribuições muito antes da 
formalização dessa disciplina. Um dos precursores notáveis foi Frederick Taylor, 
amplamente reconhecido por sua pesquisa pioneira na administração científica do 
trabalho. Taylor aplicou seus princípios no setor de mineração de ferro e carvão em 
1918, determinando a combinação ideal de ferramentas, quantidade de produção e a 
seleção dos operários mais adequados para otimizar a eficiência. O casal Frank e 
Lillian Gilbreth deram continuidade a essas análises sistemáticas, focando na 
racionalização do trabalho por meio do estudo dos tempos, movimentos e 
 
28 
 
gerenciamento do trabalho em diversos domínios. Entre seus estudos notáveis está a 
inovação na alvenaria, em que desenvolveram andaimes ágeis, permitindo aos 
pedreiros operar em níveis ideais para maximizar a eficiência (aumentando a taxa de 
assentamento de tijolos de 120 para 350 tijolos por pedreiro por hora - um incremento 
de 200%). Além disso, os Gilbreth aprimoraram o procedimento cirúrgico, introduzindo 
a prática atual em que os instrumentos são entregues diretamente ao cirurgião pela 
assistente. 
Os princípios de economia de movimentos desenvolvidos pelo casal Gilbreth, 
originalmente listados em 20, foram posteriormente refinados por Barnes (1949) para 
22 princípios. Esses estudos de tempos e movimentos, iniciados por esses pioneiros, 
geraram desdobramentos complexos na ergonomia contemporânea. A economia de 
tempos e movimentos, a padronização de tarefas e o planejamento da organização 
do trabalho passaram a ser administrados pela gerência, resultando na apropriação 
do conhecimento do trabalhador, como proposto por Taylor. No entanto, essa 
abordagem tradicional de organização do trabalho tem sido associada a problemas 
de saúde e insatisfação dos trabalhadores. Recentemente, um novo paradigma tem 
emergido: a macroergonomia (HENDRICK E KLEINER, 2006), que abrange a 
otimização de sistemas sociotécnicos, incluindo estruturas organizacionais, políticas 
e processos. Esta abordagem está alinhada com o pensamento da escola 
sociotécnica de trabalho cooperativo e participativo, fornecendo uma alternativa às 
práticas fragmentadas e alienantes. 
Dentro desse contexto, diversos tópicos são de relevância crítica, como 
trabalho em turnos, programação de trabalho, satisfação no trabalho, teorias 
motivacionais, supervisão, trabalho em equipe, modalidades de trabalho à distância e 
questões éticas. Um capítulo subsequente deste trabalho abordará essas questões 
de maneira mais aprofundada. 
5.1 Organização no trabalho 
A organização do trabalho é um componente fundamental na ergonomia, 
desempenhando um papel crucial na configuração das condições em que os 
trabalhadores desempenham suas funções. Esse aspecto da ergonomia busca 
otimizar o ambiente laboral, considerando não apenas as tarefas individuais, mas 
também a estrutura organizacional, a distribuição de tarefas e a interação entre os 
membros da equipe. Ao explorar a organização no trabalho na perspectiva da 
 
29 
 
ergonomia, podemos identificar suas implicações tanto na saúde e bem-estar dos 
trabalhadores quanto na eficiência geral dos processos. 
A organização do trabalho, como discutida por Dejours (1994), vai além da 
simples divisão de tarefas e abrange a maneira como as atividades são planejadas, 
coordenadas e gerenciadas em um contexto mais amplo. Um aspecto crucial é a 
consideração das demandas psicossociais no ambiente de trabalho, como o nível de 
autonomia, o grau de controle sobre as tarefas e a interação social. Esses fatores 
podem influenciar diretamente o engajamento dos trabalhadores, a satisfação no 
trabalho e até mesmo a saúde mental. 
Além disso, a organização do trabalho na ergonomia também lida com a 
questão dos ritmos e horários de trabalho. A pesquisa de Costa (2020) demonstra que 
a organização inadequada de turnos e a imposição de horários irregulares podem 
afetar negativamente o ritmo circadiano dos trabalhadores, levando a problemas de 
saúde, como distúrbios do sono e fadiga crônica. A abordagem ergonômica nesse 
contexto visa a criar horários de trabalho que respeitem os ritmos biológicos 
individuais, promovendo maior equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. 
A organização do trabalho também pode ser analisada em relação à gestão da 
ergonomia participativa. A abordagem de ergonomia participativa, discutida por Guérin 
(2001), envolve a colaboração dos trabalhadores na tomada de decisões relacionadas 
ao design de tarefas, equipamentos e ambiente de trabalho. Essa abordagem não 
apenas leva em consideração o conhecimento prático dos trabalhadores, mas 
também aumenta o senso de pertencimento e responsabilidade, resultando em um 
ambiente mais saudável e produtivo. 
Em resumo, a organização do trabalho na ergonomia transcende a estrutura 
tradicional de tarefas e hierarquias. Ela aborda as complexidades das interações 
humanas, a saúde mental dos trabalhadores e a criação de ambientes que promovam 
o bem-estar, a satisfação e a eficiência no trabalho. 
 
5.2 Gestão de horários e pausas 
A gestão de horários e pausas no contexto ergonômico desempenha um papel 
fundamental na promoção da saúde e bem-estar dos trabalhadores, bem como na 
otimização da eficiência e produtividade. Considerando a complexidadedas 
interações entre as demandas de trabalho e as capacidades humanas, a abordagem 
 
30 
 
ergonômica busca estabelecer horários e pausas que respeitem os ritmos biológicos, 
garantindo o equilíbrio entre a atividade laboral e a recuperação. 
No âmbito da ergonomia, o estudo dos ritmos biológicos ganhou destaque, com 
pesquisas que enfocam a cronobiologia e seus efeitos na saúde dos trabalhadores 
(Costa, 2020). Horários de trabalho irregulares e noturnos podem perturbar os ritmos 
circadianos naturais, levando a problemas de sono, fadiga e impactos negativos na 
saúde cardiovascular e metabólica. Portanto, a gestão de horários deve considerar 
esses aspectos para promover um ambiente de trabalho saudável. 
Além disso, a questão das pausas é de extrema relevância. A ergonomia 
reconhece a importância de pausas regulares durante o dia de trabalho para prevenir 
a fadiga e manter a concentração e o desempenho (IIDA, 2005). A pesquisa de Soni 
(2017) destaca que pausas programadas podem reduzir o estresse físico e mental 
dos trabalhadores, melhorar a qualidade do trabalho e diminuir o risco de acidentes. 
O planejamento adequado de pausas, considerando a natureza das tarefas, pode 
contribuir significativamente para o bem-estar dos trabalhadores. 
A gestão de horários e pausas também pode ser abordada sob a perspectiva 
da ergonomia participativa. A consulta aos trabalhadores na definição dos horários e 
pausas não apenas leva em consideração suas preferências, mas também reconhece 
suas necessidades individuais e coletivas. Essa abordagem, discutida por Guérin 
(2001), resulta em um ambiente de trabalho mais humano, no qual as decisões são 
compartilhadas e contribuem para o bem-estar geral. 
Portanto, a gestão de horários e pausas em ergonomia vai além da mera 
alocação de tempo de trabalho. Ela considera os ritmos biológicos, a necessidade de 
recuperação, a prevenção de riscos à saúde e a promoção da qualidade de vida no 
ambiente laboral. 
 
5.3 Rotatividade de tarefas 
A abordagem da rotatividade de tarefas na ergonomia desempenha um papel 
importante na busca por um ambiente de trabalho saudável e produtivo. A análise 
criteriosa das tarefas executadas pelos trabalhadores e sua distribuição adequada 
podem influenciar significativamente a saúde física e mental dos indivíduos, bem 
como a eficiência geral dos processos. 
 
31 
 
A rotatividade de tarefas, estudada por Almeida (2015), envolve a alternância 
entre diferentes tipos de tarefas durante o dia de trabalho. Isso pode ser benéfico, pois 
reduz a exposição prolongada a movimentos repetitivos e posturas inadequadas, que 
estão associados a riscos de lesões musculoesqueléticas. A diversificação das 
atividades permite que grupos musculares diferentes sejam ativados, diminuindo a 
sobrecarga em áreas específicas do corpo. 
No entanto, é importante ressaltar que a rotatividade de tarefas também deve 
ser planejada de forma criteriosa para evitar problemas como fadiga cognitiva. A 
transição frequente entre tarefas complexas pode aumentar a carga mental e levar a 
erros, prejudicando a qualidade do trabalho (Lima et al., 2017). Portanto, a ergonomia 
considera não apenas a diversificação das tarefas, mas também a avaliação das 
características cognitivas e físicas de cada atividade. 
Um aspecto relevante é a implementação da rotação de tarefas de maneira 
participativa, como discutido por Guérin (2001). Envolvendo os trabalhadores na 
decisão sobre quais tarefas são alternadas e em quais intervalos, a ergonomia 
participativa reconhece o conhecimento prático dos trabalhadores e promove um 
ambiente de trabalho mais saudável e engajado. 
Em resumo, a abordagem da rotatividade de tarefas na ergonomia visa 
equilibrar os benefícios da diversificação das atividades com a consideração dos 
impactos cognitivos e físicos. Ela também promove a participação dos trabalhadores 
na tomada de decisões, contribuindo para um ambiente laboral mais saudável e 
produtivo. 
 
5.4 Ambiente psicossocial e clima organizacional 
O ambiente psicossocial e o clima organizacional constituem elementos 
cruciais na análise ergonômica do trabalho, uma vez que têm um impacto profundo 
no bem-estar dos trabalhadores e na eficiência global das organizações. A abordagem 
ergonômica reconhece a importância de criar um ambiente que promova a saúde 
mental, a satisfação e a motivação dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que 
otimiza os processos de produção. 
O ambiente psicossocial, discutido por Mendes (2019), engloba uma série de 
fatores interligados, como as relações interpessoais, a liderança, o reconhecimento e 
a carga de trabalho. Uma das preocupações da ergonomia é analisar como esses 
 
32 
 
fatores se inter-relacionam para influenciar a saúde mental dos trabalhadores. Um 
ambiente psicossocial favorável está relacionado a um clima organizacional positivo, 
onde as relações são saudáveis, as decisões são transparentes e o trabalho é 
reconhecido e valorizado. 
O clima organizacional, conforme abordado por Ferreira (2020), refere-se ao 
conjunto de percepções, sentimentos e atitudes dos colaboradores em relação à 
organização em que trabalham. Um clima organizacional saudável envolve um 
ambiente de trabalho harmonioso, onde os trabalhadores se sentem apoiados, têm 
oportunidades de desenvolvimento e percebem a equidade nas relações. A ergonomia 
analisa o clima organizacional para identificar fatores que podem gerar estresse, 
desmotivação e insatisfação, afetando a qualidade do trabalho e a saúde dos 
trabalhadores. 
Um aspecto relevante na análise ergonômica do ambiente psicossocial é a 
implementação da ergonomia participativa, como proposto por Guérin (2001). 
Envolver os trabalhadores nas decisões relacionadas ao ambiente de trabalho, à 
organização e ao clima organizacional não apenas reconhece suas perspectivas, mas 
também fortalece o senso de pertencimento e colaboração. 
Em resumo, a análise do ambiente psicossocial e do clima organizacional na 
ergonomia busca equilibrar as demandas de produção com a promoção do bem-estar 
dos trabalhadores. Ao criar um ambiente onde as relações são saudáveis, o 
reconhecimento é valorizado e as oportunidades de desenvolvimento são 
proporcionadas, a ergonomia contribui para uma cultura organizacional mais positiva 
e produtiva. 
 
5.5 Participação e autonomia dos trabalhadores 
A participação e a autonomia dos trabalhadores são aspectos cruciais dentro 
da abordagem ergonômica, contribuindo para a promoção de um ambiente de trabalho 
saudável, produtivo e sustentável. A ergonomia reconhece a importância de envolver 
os trabalhadores nas decisões que afetam seu próprio trabalho, bem como garantir 
que eles tenham certo grau de autonomia para gerir suas tarefas e processos. 
A participação dos trabalhadores, discutida por Costa (2017), envolve incluir os 
colaboradores nas decisões que impactam suas atividades diárias. Isso vai além de 
apenas fornecer feedback; trata-se de incorporar suas perspectivas no planejamento 
 
33 
 
de processos, na organização do trabalho e na definição de metas. A ergonomia 
participativa valoriza o conhecimento prático dos trabalhadores e busca estabelecer 
um ambiente de trabalho no qual eles se sintam ouvidos e respeitados. 
A autonomia dos trabalhadores, conforme abordada por Ferreira (2018), diz 
respeito à capacidade dos colaboradores de tomar decisões relacionadas às suas 
tarefas e processos. A ergonomia entende que a autonomia não apenas promove um 
maior engajamento e motivação, mas também pode melhorar a qualidade do trabalho 
e a inovação. A autonomia permite que os trabalhadores ajustem suas atividades de 
acordo com suas necessidades, ritmos e conhecimentos. 
Um aspecto crucial é a implementação da ergonomia participativa, como 
proposto por Guérin (2001). Essa abordagem envolve a colaboração ativa dos 
trabalhadores na concepção e no redesenho de processosde trabalho, bem como na 
definição de melhorias ergonômicas. A ergonomia participativa fortalece a relação 
entre os trabalhadores e a gestão, resultando em um ambiente de trabalho mais 
democrático e eficiente. 
A participação e a autonomia dos trabalhadores na ergonomia são 
fundamentais para criar um ambiente de trabalho no qual os colaboradores sintam-se 
valorizados, engajados e empoderados. Ao envolvê-los nas decisões e promover a 
autonomia, a ergonomia contribui para uma cultura organizacional mais saudável e 
eficiente. 
6. ERGONOMIA AMBIENTAL 
A Ergonomia Ambiental é um campo essencial dentro da abordagem 
ergonômica, concentrando-se na análise e no design dos elementos do ambiente 
físico de trabalho a fim de promover a saúde, o conforto e o desempenho dos 
trabalhadores. Ela reconhece a interação complexa entre os aspectos físicos do 
ambiente e as necessidades humanas, visando criar um espaço que seja adequado e 
propício para a execução das tarefas laborais. 
A iluminação, abordada por Abrahão (2016), é um fator crítico na Ergonomia 
Ambiental. Ela influencia diretamente a capacidade visual e pode afetar o conforto e 
a produtividade dos trabalhadores. Uma iluminação inadequada pode levar à fadiga 
visual, desconforto e até mesmo a problemas de saúde. A ergonomia ambiental avalia 
a quantidade, qualidade e distribuição da luz no ambiente de trabalho, buscando 
garantir condições visuais ideais. 
 
34 
 
A temperatura e a umidade, conforme discutido por Lima (2020), são outros 
aspectos chave na Ergonomia Ambiental. Ambientes muito quentes ou muito frios 
podem causar desconforto e afetar o desempenho dos trabalhadores. A ergonomia 
ambiental considera fatores como o controle da temperatura, a ventilação e a 
umidificação para proporcionar um ambiente termicamente agradável e produtivo. 
A acústica, abordada por Ferreira (2017), é igualmente relevante na Ergonomia 
Ambiental. Ruídos excessivos podem causar estresse, dificuldade de concentração e 
perda de produtividade. A ergonomia ambiental busca identificar fontes de ruído e 
implementar medidas para reduzir a exposição sonora no ambiente de trabalho. 
Além disso, a organização do espaço físico também é uma consideração 
fundamental na Ergonomia Ambiental. O layout, os móveis e a disposição dos 
equipamentos devem ser projetados de maneira a otimizar o fluxo de trabalho e 
garantir que os trabalhadores possam executar suas tarefas de forma eficiente e 
confortável. 
Em resumo, a Ergonomia Ambiental atua na criação de um ambiente de 
trabalho que promova a saúde, o conforto e o desempenho dos trabalhadores. A 
análise criteriosa da iluminação, temperatura, umidade, acústica e organização do 
espaço contribui para a construção de um ambiente propício para a realização das 
atividades laborais. 
 
6.1 Conforto térmico 
O conforto térmico é um componente vital dentro da Ergonomia Ambiental, 
focando na manutenção de condições climáticas ideais que promovam o bem-estar e 
o desempenho dos trabalhadores. Esse aspecto reconhece a influência direta da 
temperatura ambiente e da umidade relativa sobre o conforto físico e psicológico dos 
colaboradores, e a sua relação com a produtividade. 
A norma NBR ISO 7243:2013 (ABNT, 2013) define limites de conforto térmico 
em termos de temperaturas efetivas para diferentes níveis de atividade e vestuário. A 
ergonomia ambiental utiliza essas diretrizes para avaliar e otimizar as condições 
térmicas no ambiente de trabalho, garantindo que as temperaturas sejam adequadas 
para as atividades desempenhadas. 
A ventilação, conforme discutido por Ferreira (2018), é uma consideração 
crítica no conforto térmico. A troca de ar adequada ajuda a evitar o acúmulo de calor 
 
35 
 
e a melhorar a sensação térmica dos trabalhadores. A ergonomia ambiental avalia a 
eficiência dos sistemas de ventilação, bem como a distribuição de fluxo de ar, para 
garantir uma circulação de ar adequada. 
É importante ressaltar que as variações individuais podem influenciar a 
percepção de conforto térmico. A norma NBR ISO 7730:2006 (ABNT, 2006) considera 
fatores como a taxa metabólica, vestuário e características fisiológicas dos indivíduos. 
Portanto, a ergonomia ambiental leva em conta esses aspectos individuais ao projetar 
e ajustar as condições de temperatura. 
Em síntese, a Ergonomia Ambiental, ao abordar o conforto térmico, busca criar 
um ambiente que proporcione temperaturas e umidade adequadas, a fim de garantir 
o bem-estar, a produtividade e a satisfação dos trabalhadores. 
 
6.2 Iluminação adequada 
A iluminação adequada é um elemento crucial dentro da Ergonomia Ambiental, 
pois tem um impacto significativo na saúde ocular, no desempenho e no conforto dos 
trabalhadores. Este aspecto reconhece a importância da quantidade e qualidade da 
luz no ambiente de trabalho para promover uma atmosfera que favoreça a 
produtividade e o bem-estar. 
A norma NBR ISO/CIE 8995-1:2013 (ABNT, 2013) estabelece critérios para a 
iluminação em locais de trabalho, considerando aspectos como níveis de iluminância, 
uniformidade e distribuição da luz. A ergonomia ambiental utiliza essas diretrizes para 
avaliar e otimizar a iluminação nos espaços de trabalho, a fim de garantir condições 
visuais adequadas. 
A ergonomia ambiental também considera a seleção adequada das fontes de 
luz, como discutido por Oliveira (2020). A utilização de lâmpadas de espectro 
adequado e a minimização de reflexos e sombras contribuem para uma iluminação 
mais confortável e eficaz. A utilização de iluminação natural, quando possível, também 
é um aspecto valorizado para reduzir a fadiga visual e melhorar a qualidade ambiental. 
É importante reconhecer as diferenças individuais na percepção da iluminação, 
como mencionado por Santos (2018). Algumas pessoas podem ser mais sensíveis à 
luminosidade e ao contraste do que outras. Portanto, a ergonomia ambiental leva em 
consideração essas variações individuais ao projetar a iluminação. 
 
36 
 
Em síntese, a Ergonomia Ambiental, ao tratar da iluminação adequada, visa 
criar um ambiente luminoso que proporcione condições visuais confortáveis e 
eficazes, promovendo a saúde ocular, o conforto e a produtividade dos trabalhadores. 
 
6.3 Qualidade do ar e ventilação 
A qualidade do ar e a ventilação adequada são pilares essenciais dentro da 
Ergonomia Ambiental, pois influenciam diretamente na saúde respiratória, no bem-
estar e no desempenho dos trabalhadores. Este aspecto reconhece a importância de 
um ambiente com ar puro e bem circulado para promover uma atmosfera propícia à 
produtividade e ao conforto. 
A norma NBR 16401-1:2019 (ABNT, 2019) estabelece critérios para sistemas 
de ventilação e qualidade do ar em ambientes de trabalho. A ergonomia ambiental 
utiliza essas diretrizes para avaliar e otimizar a qualidade do ar e a ventilação nos 
espaços de trabalho, a fim de garantir condições respiratórias saudáveis. 
A ventilação natural e mecânica são abordadas como elementos fundamentais 
na Ergonomia Ambiental. A renovação adequada do ar, a remoção de poluentes e a 
manutenção da umidade relativa são aspectos considerados para criar um ambiente 
com qualidade do ar apropriada. A ventilação adequada também auxilia na dissipação 
de calor e na manutenção de temperaturas confortáveis. 
É importante salientar que a exposição a poluentes atmosféricos pode 
prejudicar a saúde dos trabalhadores. A presença de substâncias químicas e 
partículas em suspensão no ar pode causar irritações, alergias e até doenças 
respiratórias mais graves. A ergonomia ambiental busca identificar e mitigar esses 
riscos por meio de sistemas de ventilação eficazes e do controle de fontes de 
poluentes. 
A Ergonomia Ambiental, ao tratar da qualidade do ar e ventilação, almeja criar 
um ambiente saudável, livre de poluentes e com ventilação adequada, proporcionando 
condições respiratórias confortáveis e contribuindo paraa saúde e o bem-estar dos 
trabalhadores. 
 
 
 
 
 
37 
 
6.4 Ruído e vibração 
A consideração e o controle adequado do ruído e da vibração no ambiente de 
trabalho são componentes cruciais dentro do campo da Ergonomia Ambiental. Esses 
fatores podem ter impactos significativos na saúde física e mental dos trabalhadores, 
afetando sua qualidade de vida, desempenho e bem-estar. 
A norma NBR 10151:2000 (ABNT, 2000) estabelece critérios para avaliação do 
ruído em áreas habitadas, visando garantir condições acústicas adequadas para a 
saúde e o conforto. A ergonomia ambiental utiliza essas diretrizes para avaliar e 
controlar os níveis de ruído nos ambientes de trabalho, com o objetivo de minimizar a 
exposição a sons prejudiciais e promover um ambiente acusticamente saudável. 
Quanto à vibração, um estudo de referência é o de Oliveira (2018), que 
investigou a exposição ocupacional à vibração em diferentes setores industriais. A 
vibração pode resultar em desconforto, fadiga muscular e até em lesões, como a 
Síndrome das Mãos Brancas. A ergonomia ambiental considera a aplicação de 
medidas de controle, como a utilização de sistemas antivibração e a adoção de 
posturas adequadas, a fim de proteger os trabalhadores contra esses riscos. 
É essencial ressaltar que a exposição prolongada ao ruído excessivo pode 
levar a problemas auditivos irreversíveis, como destacado por Silva (2015). Além 
disso, a exposição contínua a vibrações nocivas pode resultar em danos 
neuromusculares e circulatórios. Portanto, a ergonomia ambiental busca a 
implementação de medidas preventivas e protetivas para assegurar um ambiente de 
trabalho seguro e saudável. 
Em síntese, a Ergonomia Ambiental, ao abordar o ruído e a vibração, visa 
minimizar os riscos à saúde dos trabalhadores, promovendo um ambiente propício ao 
bem-estar, à saúde auditiva e à qualidade de vida no trabalho. 
 
7. APLICAÇÕES PRÁTICAS DA ERGONOMIA 
As aplicações práticas da ergonomia desempenham um papel fundamental na 
melhoria das condições de trabalho, na saúde dos trabalhadores e na otimização dos 
processos produtivos. Através da análise e adaptação de ambientes, ferramentas e 
tarefas, a ergonomia busca criar um ambiente de trabalho mais seguro, saudável e 
eficiente. 
 
38 
 
Uma das áreas em que a ergonomia tem um impacto significativo é no design 
de postos de trabalho. Através da aplicação de princípios ergonômicos, como a 
adequação da altura das mesas, cadeiras e monitores, é possível minimizar os riscos 
de lesões musculoesqueléticas e melhorar o conforto dos trabalhadores. Nesse 
contexto, o estudo de Casali (2017) abordou a importância do design ergonômico no 
ambiente de trabalho, ressaltando como a adaptação dos espaços pode influenciar 
diretamente na produtividade e na saúde dos trabalhadores. 
Além disso, a ergonomia também se aplica na análise e prevenção de 
acidentes de trabalho. Através da identificação de situações de risco e da 
implementação de medidas de segurança, é possível reduzir a ocorrência de 
acidentes e lesões. Nesse sentido, o estudo de Costa (2020) discute a importância da 
ergonomia na prevenção de acidentes e destaca a relevância da análise ergonômica 
do trabalho como ferramenta de gestão de segurança. 
Outra aplicação prática da ergonomia é a adaptação de ferramentas e 
equipamentos. Através do design de produtos ergonômicos, é possível melhorar a 
usabilidade, reduzir a fadiga e aumentar a eficiência no desempenho das tarefas. O 
trabalho de Silva (2019) explora o design ergonômico de ferramentas manuais, 
destacando como a ergonomia contribui para a redução da sobrecarga biomecânica 
dos trabalhadores. 
As aplicações práticas da ergonomia são vastas e abrangem desde o design 
de postos de trabalho até a prevenção de acidentes e a adaptação de ferramentas. 
Ao considerar o bem-estar dos trabalhadores e a otimização dos processos, a 
ergonomia desempenha um papel fundamental na construção de um ambiente de 
trabalho mais seguro, saudável e eficiente. 
 
7.1 Ergonomia no escritório e ambientes de trabalhos sedentários 
A ergonomia desempenha um papel crucial na promoção da saúde e do bem-
estar dos trabalhadores, especialmente em ambientes de escritório e trabalhos 
sedentários. O design inadequado do espaço de trabalho, a postura incorreta e a falta 
de movimento podem resultar em diversos problemas de saúde, como lesões 
musculoesqueléticas e problemas posturais. 
No contexto de escritórios, a ergonomia é frequentemente aplicada na 
configuração dos móveis e equipamentos, como mesas, cadeiras e monitores de 
 
39 
 
computador. Através da adequação da altura, angulação e posicionamento desses 
elementos, é possível minimizar os riscos de dores lombares, tensões cervicais e 
fadiga visual. De acordo com Rebelo (2019), uma disposição adequada do mobiliário 
contribui para a manutenção de posturas saudáveis e confortáveis. 
A falta de movimento é uma preocupação crescente em trabalhos sedentários. 
A adoção de medidas que incentivem pausas ativas e movimentos regulares é 
essencial para evitar problemas de saúde relacionados ao sedentarismo. Nesse 
contexto, o estudo de Dias (2018) explora estratégias de intervenção para promover 
a atividade física no ambiente de trabalho, destacando a importância da ergonomia 
na promoção de estilos de vida mais ativos. 
Além disso, a ergonomia também aborda questões de organização do trabalho, 
como a distribuição de tarefas, a carga de trabalho mental e a gestão do tempo. A 
aplicação de princípios ergonômicos na organização do trabalho pode reduzir o 
estresse, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores 
(PINTO, 2020). 
A ergonomia desempenha um papel vital na promoção da saúde e bem-estar 
em ambientes de escritório e trabalhos sedentários. Através do design adequado do 
espaço, incentivo à atividade física e organização do trabalho, a ergonomia contribui 
para a criação de ambientes de trabalho mais saudáveis, confortáveis e produtivos. 
 
7.2 Ergonomia na indústria e setores produtivos 
A aplicação da ergonomia na indústria e em setores produtivos desempenha 
um papel fundamental na melhoria das condições de trabalho, na segurança dos 
trabalhadores e na eficiência dos processos produtivos. A adequação dos ambientes, 
equipamentos e tarefas às características humanas é essencial para prevenir lesões, 
reduzir a fadiga e aumentar a produtividade. 
Um dos principais focos da ergonomia na indústria é a análise e adaptação de 
postos de trabalho. Através da avaliação dos movimentos realizados pelos 
trabalhadores, é possível identificar possíveis sobrecargas biomecânicas e riscos de 
lesões musculoesqueléticas. Nesse contexto, a aplicação da ergonomia na indústria 
metalúrgica, destacando a importância da adaptação dos postos de soldagem para 
reduzir riscos à saúde dos trabalhadores. 
 
40 
 
Além disso, a ergonomia também é aplicada na seleção e projeto de 
ferramentas e equipamentos. Através do design ergonômico de máquinas, é possível 
melhorar a usabilidade, reduzir o esforço físico e aumentar a eficiência na realização 
das tarefas. O estudo de Santos (2018) explora a adaptação ergonômica de 
equipamentos agrícolas, ressaltando como a ergonomia pode contribuir para a 
prevenção de lesões ocupacionais nesse setor. 
A organização do trabalho também é um aspecto importante na aplicação da 
ergonomia na indústria. A distribuição adequada das tarefas, a gestão da carga de 
trabalho e a consideração das necessidades dos trabalhadores são fundamentais 
para evitar o esgotamento físico e mental. O trabalho de Pereira (2019) discute a 
influência da organização do trabalho na saúde dos trabalhadores da indústria 
moveleira, enfatizando como a ergonomia pode contribuir para a promoção do bem-
estar. 
Desempenha um papel crucial na indústria e em setores produtivos, 
contribuindo para a prevenção de lesões, a melhoriada eficiência e a promoção da 
saúde dos trabalhadores. Através da análise e adaptação de postos de trabalho, 
equipamentos e organização do trabalho, a ergonomia contribui para a construção de 
ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e produtivos. 
 
7.3 Ergonomia no setor de saúde e cuidados médicos 
A aplicação da ergonomia no setor de saúde e cuidados médicos é de extrema 
importância para garantir a segurança dos profissionais de saúde e a qualidade do 
atendimento prestado aos pacientes. Nesse contexto, a ergonomia desempenha um 
papel fundamental na prevenção de lesões ocupacionais, na otimização dos 
processos de trabalho e na promoção da saúde dos trabalhadores. 
No ambiente hospitalar, a ergonomia é aplicada na adequação dos espaços 
físicos, mobiliários e equipamentos médicos. Através do design ergonômico de áreas 
como salas de cirurgia, unidades de terapia intensiva e postos de enfermagem, é 
possível reduzir riscos de acidentes, facilitar o acesso a materiais e melhorar a 
eficiência do trabalho. O estudo de Cunha (2020) explora a aplicação da ergonomia 
na organização de salas de cirurgia, enfatizando a importância da adaptação dos 
espaços para garantir a segurança dos profissionais e dos pacientes. 
 
41 
 
Além disso, a ergonomia também é aplicada na análise e adaptação dos 
processos de trabalho dos profissionais de saúde. A identificação de movimentos 
repetitivos, posturas inadequadas e sobrecargas físicas permite a implementação de 
medidas preventivas, como a adoção de pausas ativas e a utilização de equipamentos 
auxiliares. O estudo de Souza (2019) aborda a aplicação da ergonomia na prevenção 
de lesões ocupacionais em fisioterapeutas, ressaltando a importância de estratégias 
ergonômicas para reduzir os riscos à saúde desses profissionais. 
A ergonomia também é relevante na análise do ambiente psicossocial no setor 
de saúde. A carga emocional, o estresse e a pressão decorrentes das atividades 
médicas podem afetar a saúde mental dos profissionais. Nesse sentido, a aplicação 
de estratégias ergonômicas que promovam um ambiente de trabalho mais 
colaborativo, com apoio emocional e gestão do estresse, é essencial para o bem-estar 
dos trabalhadores. O trabalho de Alves (2021) explora a influência do clima 
organizacional na saúde mental de enfermeiros, evidenciando como a ergonomia 
psicossocial pode contribuir para a melhoria das condições de trabalho. 
Em síntese, a ergonomia desempenha um papel crucial no setor de saúde e 
cuidados médicos, contribuindo para a prevenção de lesões, a otimização dos 
processos de trabalho e a promoção da saúde física e mental dos profissionais. 
Através da adequação dos espaços, equipamentos e processos, bem como do 
cuidado com o ambiente psicossocial, a ergonomia é uma aliada na construção de um 
ambiente de trabalho seguro, saudável e eficiente. 
 
7.4 Ergonomia no design de produtos e interfaces 
No âmbito do design de produtos e interfaces, a ergonomia desempenha um 
papel essencial na criação de produtos e sistemas que atendam às necessidades, 
capacidades e limitações dos usuários. A integração da ergonomia nesse processo 
contribui para a usabilidade, eficiência e satisfação dos usuários, resultando em 
produtos mais seguros e funcionais. 
No design de produtos, a ergonomia se concentra na adaptação dos elementos 
físicos dos produtos às características anatômicas e biomecânicas dos usuários. 
Através da análise das dimensões corporais, alcances e movimentos naturais dos 
usuários, é possível projetar produtos que se encaixem de forma confortável e segura. 
O trabalho de Pernambuco (2018) aborda a aplicação da ergonomia no design de 
 
42 
 
móveis escolares, evidenciando como a consideração das características dos 
usuários é fundamental para a eficácia do produto. 
Além disso, a ergonomia também é fundamental no design de interfaces de 
sistemas digitais. A usabilidade e a experiência do usuário são influenciadas pela 
forma como as informações são apresentadas e as interações são realizadas. A 
aplicação de princípios ergonômicos na disposição de elementos, no tamanho das 
fontes, na facilidade de navegação e na consistência visual contribui para interfaces 
mais intuitivas e eficazes. O estudo de Silva (2020) explora a aplicação da ergonomia 
no design de interfaces de aplicativos móveis, ressaltando como a adaptação às 
características cognitivas e motoras dos usuários influencia a usabilidade. 
A consideração da ergonomia no design de produtos e interfaces não apenas 
melhora a experiência dos usuários, mas também contribui para a prevenção de erros, 
acidentes e lesões. Ao criar produtos que se encaixam naturalmente nas habilidades 
dos usuários e que facilitam as interações, é possível aumentar a eficiência, a 
produtividade e a satisfação geral. 
 
8. LEGISLAÇÃO E NORMAS RELACIONADAS 
 
No contexto da ergonomia, a legislação e as normas são instrumentos 
essenciais para promover a segurança, saúde e bem-estar dos trabalhadores, além 
de orientar a aplicação adequada dos princípios ergonômicos nos ambientes de 
trabalho. Através de regulamentações específicas, busca-se assegurar que as 
condições laborais sejam compatíveis com as capacidades e limitações humanas. 
No Brasil, a legislação trabalhista contempla diversos aspectos relacionados à 
ergonomia. A Norma Regulamentadora 17 (NR-17) do Ministério do Trabalho e 
Emprego aborda a ergonomia de forma abrangente, estabelecendo diretrizes para a 
adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos 
trabalhadores. Essa norma estabelece parâmetros relacionados a mobiliário, 
equipamentos, condições de trabalho, carga horária, entre outros. Através da NR-17, 
busca-se minimizar os riscos de lesões musculoesqueléticas e outros problemas de 
saúde associados às atividades laborais. 
Além da legislação, existem normas técnicas e diretrizes específicas que 
detalham os aspectos ergonômicos em diferentes setores. A Associação Brasileira de 
 
43 
 
Normas Técnicas (ABNT) desenvolve normas que estabelecem critérios para o projeto 
de espaços, mobiliário, equipamentos e interfaces de acordo com princípios 
ergonômicos. A norma ABNT NBR ISO 9241-11:2018, por exemplo, trata da 
usabilidade e da experiência do usuário em sistemas interativos. 
Internacionalmente, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) também 
contribui com a promoção da ergonomia por meio de convenções e recomendações. 
A Convenção nº 184 da OIT, de 2006, trata da segurança e saúde na agricultura e 
inclui diretrizes relacionadas à ergonomia em atividades agrícolas. 
Em suma, a legislação e as normas são pilares fundamentais para a aplicação 
adequada dos princípios ergonômicos nos ambientes de trabalho. Através desses 
instrumentos, busca-se garantir a proteção dos trabalhadores e a melhoria das 
condições laborais, promovendo a saúde, a segurança e o bem-estar no ambiente de 
trabalho. 
 
8.1 Normas Regulamentadoras (NRs) brasileiras 
As Normas Regulamentadoras (NRs) brasileiras desempenham um papel 
fundamental na promoção da segurança, saúde e bem-estar dos trabalhadores, 
abordando diversas áreas de atuação. No âmbito da ergonomia, as NRs têm como 
objetivo principal orientar as empresas a adaptarem os ambientes de trabalho às 
características físicas e psicofisiológicas dos trabalhadores, minimizando riscos à 
saúde e prevenindo lesões relacionadas ao trabalho. 
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17), do Ministério do Trabalho e Emprego, 
é a principal norma que trata de ergonomia no Brasil. Ela estabelece parâmetros que 
visam a adaptação das condições de trabalho às características dos trabalhadores, 
de modo a proporcionar o máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. A 
NR-17 aborda diversos aspectos, como mobiliário, equipamentos, posturas, 
iluminação, ventilação, organização do trabalho e ritmo de trabalho, buscando 
minimizar os riscos de distúrbiosmusculoesqueléticos e outras condições de saúde 
relacionadas ao trabalho. 
Além da NR-17, outras NRs também contêm elementos relacionados à 
ergonomia em setores específicos. A NR-12, por exemplo, trata da segurança no 
trabalho em máquinas e equipamentos, incluindo aspectos ergonômicos na 
concepção e uso desses equipamentos. A NR-20 aborda a segurança e saúde no 
 
44 
 
trabalho com inflamáveis e combustíveis, considerando também aspectos 
ergonômicos na organização das atividades. 
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) também contribui com a 
regulamentação de aspectos ergonômicos através de normas técnicas específicas. A 
norma ABNT NBR 9050, por exemplo, estabelece critérios de acessibilidade a 
edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, considerando aspectos 
ergonômicos na concepção de ambientes inclusivos. 
É fundamental que os profissionais e empresas estejam familiarizados com as 
NRs e normas técnicas relevantes para garantir a aplicação adequada dos princípios 
ergonômicos em seus ambientes de trabalho. Ao seguir as orientações dessas 
normas, é possível criar ambientes mais seguros, saudáveis e eficientes para os 
trabalhadores. 
 
8.2 Responsabilidades dos empregadores e trabalhadores na aplicação 
da ergonomia 
No âmbito da aplicação da ergonomia, tanto os empregadores quanto os 
trabalhadores possuem responsabilidades cruciais para garantir ambientes de 
trabalho seguros, saudáveis e ergonomicamente adequados. A colaboração ativa 
entre esses dois grupos é essencial para a promoção do bem-estar dos trabalhadores 
e a prevenção de riscos à saúde. 
Responsabilidades dos Empregadores: Os empregadores têm a 
responsabilidade primordial de criar e manter condições de trabalho que sejam 
compatíveis com as capacidades e limitações dos trabalhadores. Isso envolve a 
adoção de medidas que visem à prevenção de doenças ocupacionais e acidentes, 
bem como ao aprimoramento do ambiente laboral. Dentre as principais 
responsabilidades dos empregadores em relação à aplicação da ergonomia, 
destacam-se: 
Adequação do Ambiente de Trabalho: É dever dos empregadores fornecer 
um ambiente de trabalho que esteja ergonomicamente adequado. Isso inclui a 
disponibilização de mobiliário e equipamentos ergonômicos, iluminação adequada, 
ventilação adequada e condições que promovam a saúde física e mental dos 
trabalhadores. 
 
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Treinamento e Capacitação: Os empregadores devem oferecer treinamentos 
e capacitações aos trabalhadores, visando orientá-los sobre boas práticas 
ergonômicas, posturas corretas, uso adequado de equipamentos e prevenção de 
riscos relacionados à ergonomia. 
Identificação de Riscos Ergonômicos: A avaliação e identificação dos riscos 
ergonômicos presentes nas atividades laborais é uma obrigação dos empregadores. 
Isso inclui a análise dos movimentos repetitivos, posturas inadequadas, esforços 
excessivos e outras situações que possam comprometer a saúde dos trabalhadores. 
Adaptação das Tarefas: Os empregadores devem buscar adaptar as tarefas 
às características individuais dos trabalhadores, levando em consideração fatores 
como idade, gênero, condições de saúde e experiência. 
Responsabilidades dos Trabalhadores: Os trabalhadores também possuem 
um papel fundamental na promoção da ergonomia no ambiente de trabalho. Eles 
devem se engajar em práticas que contribuam para sua própria saúde e bem-estar, 
bem como comunicar eventuais riscos ou desconfortos identificados. As 
responsabilidades dos trabalhadores incluem: 
Uso Adequado dos Equipamentos: Os trabalhadores devem utilizar 
corretamente os equipamentos e mobiliários ergonômicos disponibilizados pelo 
empregador, buscando ajustá-los de acordo com suas necessidades. 
Manutenção da Postura Adequada: Adotar posturas corretas durante as 
atividades laborais é essencial para prevenir lesões e desconfortos. Os trabalhadores 
devem ser conscientes de sua postura e ajustá-la conforme as recomendações 
ergonômicas. 
Comunicação de Problemas: Caso identifiquem problemas ergonômicos no 
ambiente de trabalho, os trabalhadores têm a responsabilidade de comunicar essas 
situações aos seus superiores ou ao setor responsável pela segurança e saúde no 
trabalho. 
Participação em Treinamentos: Participar ativamente dos treinamentos e 
capacitações oferecidos pelos empregadores, buscando adquirir conhecimentos 
sobre ergonomia e suas aplicações práticas. 
A colaboração entre empregadores e trabalhadores é crucial para o 
estabelecimento de ambientes de trabalho que priorizem a saúde e o bem-estar de 
todos. Ao cumprir suas responsabilidades de maneira conjunta, é possível criar 
 
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ambientes mais seguros e saudáveis, contribuindo para a promoção da ergonomia e 
a melhoria das condições laborais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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