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1 
 
 
ERGONOMIA, AMBIENTE E AS DOENÇAS DO TRABALHO 
1 
 
 
 
Sumário 
A origem e evolução da ergonomia ......................................................................... 3 
Conceito ................................................................................................................ 11 
Intervenção ergonômica ........................................................................................ 12 
Antropometria........................................................................................................ 14 
Biomecânica ......................................................................................................... 18 
Análise dos postos de trabalho ............................................................................. 20 
Ergonomia Cognitiva ............................................................................................. 21 
Métodos/Ferramentas de Avaliação Ergonômica ................................................. 24 
UNIDADE II ............................................................................................................. 1 
Abordagem Ergonômica Moderna .......................................................................... 1 
A Noção de Variabilidade ........................................................................................ 2 
A Integração das Características da População .................................................. 7 
UNIDADE III – FISIOLOGIA DO TRABALHO ....................................................... 12 
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 23 
 
 
 
2 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em 
atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. 
Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais 
em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no 
desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de 
promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem 
patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras 
normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável 
e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. 
Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de 
cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor 
do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
A origem e evolução da ergonomia 
A origem e a evolução da ergonomia estão relacionadas às transformações sociais, 
econômicas e, sobretudo, tecnológicas, que vêm ocorrendo no mundo do trabalho. A 
ergonomia surge de modo mais sistematizado por volta de 1940, sua origem prática está, 
em parte, associada às necessidades de guerra, basicamente ligadas à construção de 
aviões e armas mais adaptados às características dos seres humanos e, portanto, mais 
facilmente manejáveis por uma quantidade maior de pessoas. Segundo Iida (2005, p. 6): 
Com o avanço da II Guerra Mundial (1939-1945), foram utilizados conhecimentos 
científicos e tecnológicos disponíveis para construir instrumentos bélicos 
relativamente complexos como submarinos, tanques, radares e aviões. Estes 
exigiam habilidade do operador, em condições ambientais bastante desfavoráveis e 
tensas, o campo de batalha. Os erros e acidentes eram frequentes e muitos tinham 
consequências fatais. Todo este contexto fez com que se redobrassem os 
investimentos em pesquisas com o objetivo de adaptar esses instrumentos bélicos 
às características e capacidades do operador/militar, melhorando o desempenho e 
reduzindo a fadiga e por efeito, os acidentes. 
Nesta fase inicial da ergonomia, o foco estava em desenvolver projetos e pesquisas 
voltados para os aspectos microergonômicos definidos como: Antropometria que é o 
processo ou técnica de mensuração do corpo humano ou de suas várias partes; análise e 
definição de controle, de painéis, do arranjo de espaço físico e dos ambientes de trabalho; 
questões fisiológicas de esforço físico, higiene nos postos de trabalho e interface com a 
máquina, equipamentos, ferramentas, mobiliário e instalações. 
Sempre houve preocupação com a adaptação do homem ao meio ambiente, quer 
natural ou construído, abordando os aspectos físico-ambientais, como ruído, ventilação, 
iluminação, vibração, aerodispersóides, temperatura, mobiliário e as questões posturais. 
No início da década de 1960, a ergonomia estava voltada para a área de softwares, 
envolvendo-se em pesquisas sobre questões do conhecimento relacionadas a aspectos 
específicos da interface com o usuário. E na década de 1980, a ergonomia passa a se 
preocupar com o grau de repetitividade, monotonia, desempenho, turnos de trabalho, 
segurança, higiene, layout e biorritmo. Nesse contexto, o caráter participativo do 
funcionário/cliente/usuário serve como base para as avaliações ergonômicas. 
Paralelamente às questões específicas do trabalho, de acordo com Rio e Pires 
(2001) “os princípios e técnicas ergonômicas têm-se expandido para fora dos ambientes 
4 
 
 
de trabalho, visando maior conforto e adequação anatômica pelas pessoas. Isto se aplica 
aos sapatos, colchões, carros, etc.”. Rio (1999, p. 22-23) distingue três fases históricas 
dos estudos e pesquisas relacionados ao trabalho: 
1ª. A adaptação do homem à máquina - os estudos se concentram sobre a máquina, 
procurando formar e selecionar os operadores de acordo com as exigências da máquina; 
2ª. O erro humano - que pode levar aos acidentes e a custos econômicos. Surge a 
consciência de que os estudos devem se concentrar no homem, a fim de respeitar e 
conhecer seus limites; 
3ª. O sistema homem-máquina - as investigações se reconduzem aos sistemas 
determinados pelo homem e pela máquina, buscando a mútua adaptação e 
operacionalidade. 
A crescente globalização da economia e dos processos produtivos desencadeou 
um forte sentimento de competitividade, o trabalho vem enfrentando situações inusitadas 
para a ergonomia, como apontam Rio e Pires (2001, p. 75): 
Novas exigências de produtividade e desempenho que trazem desafios crescentes, 
exigindo que as concepções e práticas aliem de maneira mais incisiva as questões de 
saúde e produtividade. 
A progressiva falta de exercício físico no trabalho exige não apenas a redução de 
cargas físicas, mas também a oferta de cargas mínimas necessárias para a manutenção 
da saúde de sistemas orgânicos. Como o músculo-esquelético e o cardiovascular. 
A intensificação e globalização do estresse psíquico exigem novas abordagens, 
para as quais a ergonomia ainda não desenvolveu metodologias eficazes e necessita 
solicitar apoio de outras áreas como a psicologia, sociologia e antropologia do trabalho. 
Você sabe quais são os principais objetivos da ergonomia? Ela atua para garantir 
o bom funcionamento do sistema produtivo das empresas ou se preocupa também com a 
saúde dos trabalhadores? Devemos entender que a ergonomia como ciência não é um 
estudo independente, mas sim comum a diversas outras disciplinas, como a Medicina do 
Trabalho: estudo da biomecânica, antropometria e fisiologia; Engenharia da produção: 
EPIs e CIPA; Ciências Humanas e Sociais: psicologia, sociologia, antropologia; e, com a 
Economia: administração, relações sindicais. Todas estas áreas do conhecimento buscam 
5 
 
 
criar a ergonomia com uma diretriz ética e técnica fundamental: Adaptar o trabalho ao ser 
humano e nunca o contrário! 
Entretanto, na prática, nem sempre isto é possível em função dasdificuldades 
operacionais, que vão desde a insuficiência técnica até as questões financeiras e de 
interesses políticos da empresa. Para Vidal (2002, p. 28), trabalhar com ergonomia é 
desenvolver maneiras de dar conta dos problemas que surgem na vida profissional. A 
forma de encaminhar soluções ou perspectivas para uma ação ergonômica efetiva, o autor 
denomina de modalidades, e assim os campos de atuação das ergonomias para ele 
podem ser: 
1. Quanto ao objeto – Ergonomia de Produto e de Produção. 
2. Quanto à perspectiva – Ergonomia de Intervenção e de Concepção. 
Moraes e Mont’Alvão (2000) indicam alguns métodos e técnicas para este processo 
de intervenção. As autoras recomendam as pesquisas participantes, onde o 
usuário/cliente/consumidor/funcionário expressa sua opinião sobre a forma de executar a 
tarefa, o funcionamento do posto, as dificuldades pertinentes às ferramentas em uso, ou 
mesmo, o desconforto proveniente de alguma situação. Deste modo, nas pesquisas 
descritivas o pesquisador/ ergonomista procura conhecer e interpretar a realidade, sem 
nela interferir, somente descreve, classifica e interpreta os dados, eventos, fatores, 
situações ou problemas. Para tanto, os métodos recomendados pelas autoras para fazer 
uma exploração ergonômica são: 
1. Observação: direta (pessoalmente), indireta (registro através de fotografia, 
filmagem, binóculo, etc.), assistemática (ocasional, sem agendamentos, não segue 
nenhum padrão sequencial) ou de forma sistemática (estruturada, controlada, planilhas de 
registro, fichas de entrevista, etc.). 
2. Registro de comportamento: anotações expressões verbais e não-verbais em 
relação a posturas, deslocamentos, comunicações, exploração visual, tomada de 
informação, movimento do corpo em geral: cabeça, braços, pernas, olhos, etc. 
3. Inquirição: entrevistas tanto abertas como fechadas (questionário), testes, 
enquetes, escalas de avaliação, etc. 
Seguindo estas técnicas e métodos, podemos estabelecer parâmetros para aplicar 
uma intervenção ergonômica dentro de uma organização, seja no chão de fábrica, no 
6 
 
 
operacional, seja nos escritórios, no setor administrativo. Diversas etapas são descritas 
por diferentes autores para explicarem a maneira apropriada para a análise ergonômica. 
Moraes e Mont’Alvão(2000) dividem este processo em cinco etapas: 
A primeira etapa é o mapeamento dos problemas ergonômicos denominada por 
Apreciação ergonômica, que consiste de um levantamento sobre situações problemas. Na 
segunda etapa, a da Diagnose ergonômica, podemos aqui entrevistar o trabalhador, filmar 
e fotografar para depois comparar com as melhorias feitas. O importante é ouvir as queixas 
para focar no problema. A terceira etapa busca adaptar as condições de trabalho na 
promoção da qualidade de vida, gerando assim maior segurança ao trabalhador. Na 
quarta etapa, Avaliação ou Validação é o momento de testar o projeto incialmente proposto 
através de simulações ou outras formas pertinentes. A última etapa Detalhamento 
ergonômico e otimização consiste de uma revisão durante o acompanhamento do projeto 
na busca de falhas para novas melhorias. 
A ergonomia objetiva, através de sua ação, “resolver os problemas da relação entre 
homem/trabalhador, máquina, equipamentos, ferramentas, programação do trabalho, 
instruções e informações, solucionando os conflitos entre o humano e o tecnológico, entre 
a inteligência natural e a artificial nos sistemas homem-máquina-produção” (Moraes; 
Mont’alvão, 2000, p. 35). Da mesma forma, é válido repetir que a ação do ergonomista 
dentro de uma organização, busca melhorar as condições ambientais; aumentar a 
motivação, a segurança, o conforto e a satisfação do trabalhador; evitar riscos de 
acidentes de trabalho; reduzir o retrabalho e o absenteísmo, como também, atua 
diretamente na saúde ocupacional. 
 
PRIMEIRA DEFINIÇÃO DE ERGONOMIA 
A primeira definição de Ergonomia foi feita em 1857 na égide do movimento 
industrialista europeu. Esta definição foi feita por um cientista polonês, Wojciech 
Jarstembowsky numa perspectiva típica da época, de se entender a Ergonomia como uma 
ciência natural em um artigo intitulado “Ensaios de ergonomia, ou ciência do trabalho, 
baseada nas leis objetivas da ciência sobre a natureza”. Esta primeira definição 
estabelecia que: A ergonomia como uma ciência do trabalho requer que entendamos a 
atividade humana em termos de esforço, pensamento, relacionamento e dedicação 
(Jastrzebowski, 1857). KARWOWSKY (1991), assim descreve o texto pioneiro: 
7 
 
 
A partir de que Wojciech Jastrzebowski da Polônia (1857) definiu ergonomia 
juntando dois termos gregos ergon= trabalho e nomos= leis naturais, os 
pesquisadores têm procurado estabelecer as leis fundamentais baseadas nas quais 
este disciplina em desenvolvimento pode ser classificada como uma ciência6 . O 
conceito de Jastrzebowski para esta proposta trata da maneira de mobilizar quatro 
aspectos da natureza anímica, quais seriam a natureza físico-motora, a natureza 
estéticosensorial, a natureza mental-intelectual e a natureza espiritual-moral. Esta 
ciência do trabalho portanto significava a ciência do esforço, jogo, pensamento e 
devoção. Uma das idéias básicas de Jastrzebowski é a proposição chave de que 
estes atributos humanos deflacionam-se e declinam devido a seu uso excessivo ou 
insuficiente. 
 
ERGONOMIA NO PERÍODO CLÁSSICO 
das por Plaute. Neste mesmo período, anotam-se trabalhos no campo da 
toxicologia e da patologia do trabalho, abordando particularmente riscos físicos como os 
impactos do temperatura e da umidade (Villeneuve, Idade Média; Coulomb e Lavoisier, 
séc. XVIII), riscos ergonômicos como a adoção de posturas inadequadas (Villeneuve, 
Idade Média,). Entretanto, é no período dito moderno onde mais elementos podem ser 
aludidos dada a existência de fontes históricas mais consistentes como os estudos de 
manuseio inadequado de cargas (Vauban e Bélidor, séc XVII), riscos químicos como 
inalação de vapores e poeiras (Fourcroy, séc XVIII). Existem, também, registros de 
estudos de biomecânica e antropometria (Leonardo Da Vinci), trabalhos de higiene 
industrial, basicamente sobre ventilação e iluminamentos dos locais (Désargulires, Hales 
e Camus, séc XVI; D’Arret, séc. XIX) e de medicina do trabalho, tanto num âmbito 
específico de afecções profissionais (Ramazzini e Tissot, séc XVIII), como na 
epidemiologia (Villermé e Patissier, séc. XIX). Este último século é também a origem da 
higiene do trabalho (D’Arret, regras de higiene nas fábricas; Patissier, mentor do 
movimento para criação da inspeção do trabalho na França). Importante menções cabem 
ser feitas ao período que circundou a chamada Revolução Industrial, que não pode ser 
limitada a avanços nos processos técnicos mas a toda uma evolução das formas de 
divisão do trabalho e das formas de interação entre pessoas e equipamentos técnicos. 
A passagem do putting-out system para as manufaturas engendrou a criação de 
postos de trabalho que rapidamente se diferenciaram das instalações da produção 
doméstica. Em seguida a instrumentação de energia possibilitada pelo sucesso da 
Spinning Jenny de James Watt cria novas possibilidades. Mais adiante as propostas de 
8 
 
 
Adam Smith significaram postos e métodos de trabalho distintos de seus antecessores. E 
é nesse bojo que aparece a proposição de Wojciech Jastrzebowski, autor da primeira 
definição de ergonomia. 
ERGONOMIA NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO 
A virada do século XIX para o século XX caracterizou-se pela passagem dos 
fisiologistas aos engenheiros como os principais agentes ergonômicos. Já no início do 
século a proposta de F.W. Taylor não se limitava a um novo projeto organizacional. Seu 
estudo sobre as pás - de capacidade maior para o manuseio do carvão, material mais 
leve, e de menor capacidade para o minério, material mais pesado e, sem sombra de 
dúvida um dos primeiros trabalhosempíricos de Ergonomia publicados que temos notícia. 
Isto não se deu por acaso, pois já haviam alguns estudos que permitiam esse tipo de 
concepção. Os fisiologistas do final do século XIX já haviam desenvolvido uma série de 
métodos, técnicas e equipamentos que permitiam, finalmente, mensurar efetivamente o 
desempenho físico do ser humano: o esfigmógrafo, o cardiógrafo, o pneumógrafo (Marey), 
ao mesmo tempo que se aprofundava o estudo teórico acerca do desgaste fisiológico e 
da energética muscular. Em relativa contemporaneidade a Taylor, J. Amar verificava, de 
forma experimental os princípios apontados por Taylor, então acusados de falta de 
embasamento. O trabalho de J. Amar, é, nesse sentido, um verdadeiro clássico sobre a 
fisiologia experimental do trabalho. Suas formulações constituem-se no primeiro dos 
paradigmas da ergonomia: o homem como transformador de energia, o motor humano, 
como o próprio autor denomina. 
Esta interpretação mecânica serviu de paradigma científico do início do século até 
o início da segunda metade deste século, portanto o período de expansão da base material 
da produção industrial no planeta. Ela se consolida a partir de 1915 quando, na Inglaterra, 
foi formado um comitê destinado a estudar a saúde dos trabalhadores empregados na 
indústria de guerra, uma espécie de assistência técnica ao fator humano na indústria. Esse 
comitê, formado por médicos, fisiologistas e engenheiros, atacou, na época, uma ampla 
variedade de questões de inadaptação entre trabalho e trabalhadores envolvidos nessa 
produção. Estes resultados se mantiveram nos tempos (breves) de paz entre as duas 
grandes guerras. Forma-se a ergonomia clássica imediatamente após a segunda guerra, 
enquanto um disciplina estruturada a partir da atividade dos grupos citados. A definição 
de ergonomia adotada por estas pessoas foi a seguinte: ergonomia é o estudo do 
relacionamento entre o homem e seu trabalho, equipamento e ambiente, e particularmente 
9 
 
 
a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia, e psicologia na solução dos 
problemas surgidos desse relacionamento. Esta ergonomia com seu paradigma 
mecânico/termodinâmico do ser humano foi o desaguar de atividades portanto milenares 
a partir de diversas disciplinas científicas como mostra o quadro abaixo. 
Quadro 1 - Principais disciplinas formadoras do pensamento ergonômico clássico 
 
A ERGONOMIA NA II GUERRA MUNDIAL : IMPORTÂNCIA DOS FATORES 
HUMANOS 
Na II guerra mundial, a falta de compatibilidade entre o projeto das máquinas e 
dispositivos e os aspectos mecânico-fisiológicos do ser humano se agravou com o 
aperfeiçoamento técnico dos motores. Foram registradas situações terríveis, agora 
atingindo tropas e material bélico em pleno uso. Os aviões, por exemplo, passaram a voar 
mais alto e mais rápido. Os pilotos, porém, sofriam da falta de oxigênio nas grandes 
altitudes, perda de consciência nas rápidas variações de altitude exigidas pelas manobras 
aéreas, e vários outros "defeitos" no sub-sistema fisiológico. Os projetistas não 
consideraram o funcionamento do organismo em diversas altitudes e submetidos a 
acelerações importantes! Como conseqüência, muitos aviões se perderam. A perda do 
material bélico era importante, vultosa e por si só justificaria esforços. No entanto, dado 
que o treinamento de um piloto levava dois a quatro anos, a perda de um piloto treinado 
se constituía em perda irreversível no duração da guerra. Nessas novas circunstâncias 
foram formados, tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos, novos grupos 
interdisciplinares, agora com a participação de psicólogos somados aos engenheiros e 
médicos. Os objetivos eram os de "elevar a eficácia combativa, a segurança e o conforto 
dos soldados, marinheiros e aviadores". Os trabalhos desses grupos foram voltados para 
a adaptação de veículos militares, aviões e demais equipamentos militares às 
características físicas e psicofisiológicas dos soldados, sobretudo em situações de 
emergência e de pânico. E o que nos interessa particularmente, estes estudos se 
10 
 
 
baseavam na análise e nos estudos dos materiais que retornavam e no relato de seus 
problemas operacionais. Assim sendo, em seu nascedouro, a Ergonomia se alimentou 
profundamente de dados e estudos de manutenção bélica. 
Segundo nos relata Iida (1990), os cientistas que haviam participado desse esforço 
de guerra decidiram continuar a empreitada voltando-se para a produção civil, utilizando 
os métodos, técnicas e dados obtidos para a indústria. Numa precursora forma de 
extensão universitária, são formados laboratórios universitários para atender a demandas 
industriais, com sucesso. Em decorrência é formada em 1947 a primeira sociedade de 
Ergonomia do planeta, a Ergonomics Research Society. Nasce a corrente de ergonomia 
chamada de fatores humanos (Human Factors Engineering ou HFE ), como uma 
continuidade da prática acima mencionada em operações civis. Desde então a corrente 
HFE tem buscado responder à seguinte pergunta: o que se sabe acerca do ser humano e 
que pode ser empregado nos projetos de instrumentos, dispositivos e sistemas. Em suas 
interfaces com o operador humano a HFE, até o presente, tem sido baseada em 
procedimentos experimentais que vão do laboratório clássico para o estudo de fatores 
humanos em si mesmo até às modernas técnicas de simulação, buscando uma melhor 
conformação das interfaces entre pessoas e sistemas técnicos. Os principais tratados de 
ergonomia foram produzidos nos anos 60 tendo como dominante a abordagem HFE. Os 
mais interessantes a nosso ver são Woodson e Conover, (USA, 1966) e Grandjean (Suiça, 
1974), aqui lançado pela Editora Qualimark sob o título “Ergonomia”. Uma compilação 
acessível destes livros pode ser obtida em Iida, (1991). Para um uso prático de 
especialistas recomendamos o “Ergonomic Checkpoints” editado pela International Labour 
Office, em Genebra, com o apoio da International Ergonomics Association – IEA. 
A ERGONOMIA NA RECONSTRUÇÃO EUROPÉIA: A ANÁLISE ERGONÔMICA DO 
TRABALHO 
No período do pós-guerra surgiu uma outra vertente da ergonomia, ensejada pelas 
necessidades da reconstrução do parque industrial europeu dizimado. No bojo de um 
amplo pacto social, o projeto de reconstrução abria uma janela para o estudo de condições 
de trabalho, tendo como emblema a fábrica de automóveis Renault que, dadas suas 
características peculiares tornarse-ia um modelo da nova política industrial francesa7 . 
Esta segunda vertente partiu da seguinte questão: como conceber adequadamente os 
novos postos de trabalho a partir do estudo da situação existente? Desta preocupação 
nasce em 1949 com Suzanne Pacaud, a análise da atividade em situação real, resgatada 
11 
 
 
em 1955 por Obrendame & Faverge como análise do trabalho. Estes autores 
preconizavam que o projeto de um posto de trabalho deveria ser precedido por um estudo 
etnográfico da atividade e mostravam o distanciamento entre as suposições iniciais e o 
auferido nas análises. A proposta veio a ser formalizada somente em 1966 por Alain 
Wisner8 já como Análise Ergonômica do Trabalho (AET). 
AS ERGONOMIAS CONTEMPORÂNEAS 
A década de 1970 marca a passagem definitiva da análise situada para o campo 
da ação com uma crescente integração da ergonomia na prática industrial, para o que, foi 
decisivo o mesmo ambiente que engendra o movimento pela gestão da qualidade. Surge 
em especial na Europa um conceito novo, a intervenção ergonômica, hoje expressão 
corrente nos EUA, Japão, 
França, Alemanha, Canadá, Suécia e Brasil, apenas para citar os países onde 
existe um maior avanço da ergonomia. As mudanças de paradigmas econômicos, no limiar 
dos anos 80, ampliaram este quadro fazendo brotar duas novas considerações que dão à 
ergonomia seu formato atual da ação ergonômica. A primeira delas nos Estados Unidos e 
Países Nórdicos, preconiza que os projetos de melhoria ergonômica são mais bem 
sucedidosnuma perspectiva maior e inseridas na estratégia organizacional, e que foi 
chamada a partir de 1990 de Macroergonomia (Brown Jr., 1990). A segunda nova vertente 
amplia este mesmo debate para o nível das contingências sociais e culturais, a que uma 
empresa está afeita no seu ambiente mediato e que foi cunhada por seu autor em 1974 
de Antropotecnologia(Wisner, 1974, 1980). Examinemos, pois, estes três formatos da 
ação ergonômica contemporânea. 
Conceito 
O conceito de ergonomia é derivado das palavras gregas ergon (trabalho) e nomos 
(lei ou regra). “Pode-se dizer que a ergonomia se aplica ao projeto de máquinas, 
equipamentos, sistemas e tarefas, com o objetivo de melhorar a segurança, saúde, 
conforto e eficiência no trabalho” (DUL; WEERDMEESTER, 1995, p. 17). Muitos autores 
buscam conceituar a ergonomia como uma ciência associando-a a diversos enfoques. O 
termo ergonomia data de 1857, quando o polonês W. Jastrzebowski nomeou como título 
de uma de suas obras o “Esboço da Ergonomia ou Ciência do Trabalho baseada sobre as 
Verdadeiras Avaliações das Ciências da Natureza”. Oficialmente o termo Ergonomia foi 
12 
 
 
adotado na Inglaterra em 1949, ano da fundação da Ergonomic Research Society - 
Sociedade de Pesquisa Ergonômica. Vejamos alguns conceitos: 
“Ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem e seu trabalho, 
equipamentos e ambiente, e particularmente, a aplicação dos conhecimentos de 
anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse 
relacionamento” (IIDA, 2005, p. 54). 
 “Ergonomia é o conjunto dos conhecimentos científicos relativos ao homem 
e necessários para a concepção de ferramentas, máquinas e dispositivos que 
possam ser utilizados com o máximo de conforto, de segurança e de eficácia” 
(WISNER, 1987, p. 25). 
“Ergonomia é uma nova ciência que transcende a abordagem médica 
ortodoxa focada no indivíduo, para, com a coparticipação da psicologia, engenharia 
industrial, desenho industrial, etc., conceber, transformar ou adaptar o trabalho às 
características humanas” (GUIMARÃES, 1999, p. 43). 
“Ergonomia é o estudo do comportamento do homem no seu trabalho, 
convertendo-se o mesmo homem no sujeito-objeto, ou ainda, como o estudo das 
relações entre o homem no trabalho e seu ambiente” (KROEMER, 2005, p. 28). 
 Há muitos outros autores que tratam desse tema e também vários outros modos de 
conceituar ergonomia, mas independentemente do autor, o enfoque desta ciência está no 
homem, no seu processo de trabalho para a eliminação de riscos e esforços, na constante 
busca da maximização do conforto e da eficiência do sistema. Para Kroemer (2005) as 
contribuições dos estudos ergonômicos auxiliam no ajuste das exigências do trabalho em 
relação do ajuste de carga física e mental, a concepção de máquinas, ferramentas ou 
instrumentos que ofereçam maior eficácia, precisão com segurança, buscando sempre 
adaptar o ambiente às necessidades do trabalhador. 
Intervenção ergonômica 
O conceito de intervenção ergonômica inicialmente desenvolvido pela escola 
francesa de Ergonomia (Wisner, 1974, Duraffourg et al. 1977; Guérin et al. 1991) é hoje 
uma forma internacional de atuação do profissional que trabalha com a ergonomia9 . A 
efetividade da ergonomia consiste no fato de resultar em transformações positivas no 
ambiente de trabalho (ambiente aqui tomado em seu sentido amplo, o que inclui a 
tecnologia e a organização como seus componentes). Segundo um consultor norte-
americano contemporâneo (Burke, 1998), o trabalho de preparar um diagnóstico é 
13 
 
 
irrelevante se este não criar mudanças positivas. Isto significa que a intervenção 
ergonômica é uma tecnologia da prática que objetiva modificar a situação de trabalho para 
torná-la mais adequada às pessoas que nela operam. Diferencia-se desta forma de 
estudos e análises de caráter apenas descritivo ou sem comprometimento de fato com as 
mudanças no trabalho, como a produção de laudos ou diagnósticos puramente 
acadêmicos. 
O que caracteriza uma intervenção ergonômica é a construção que vai viabilizar a 
mudança necessária, e que possa inserir os resultados da ergonomia nas crenças e 
valores das organizações que as demandam e recebem os seus resultados. Esta 
construção divide a intervenção e se realiza em distintas etapas: a instrução da demanda, 
a análise da atividade e dos riscos ergonômicos, a concepção de soluções ergonômicas 
e a implementação ergonômica (figura 1). 
 
Figura 3 : Esquema de uma intervenção ergonômica (Vidal, 1999) 
A instrução da demanda compreende todo o encaminhamento contratual da 
intervenção, o que passa pelo ajuste e foco do problema, identificação do processo de 
tomada de decisão na organização, levantamento dos recursos humanos para formar a 
consultoria interna, e determinação das formas de apresentação de resultados. A análise 
da atividade e dos riscos ergonômicos consiste no conjunto de coletas de dados e 
informações que permitem ao ergonomista realizar as modelagens necessárias para 
prover mudanças no ambiente de trabalho. Por risco ergonômico entenderemos a 
condição ou a prática que traga obstáculos à produtividade, que desafie a boa qualidade 
ou que traga prejuízos ao conforto, segurança e bem estar do trabalhador. A etapa de 
14 
 
 
concepção de soluções ergonômicas varia de acordo com a natureza do problema e da 
forma com a demanda foi instruída e ainda dos resultados da fase anterior. A 
implementação ergonômica se constitui na fase final de uma intervenção. 
Os trabalhos em ergonomia têm uma dupla vertente: cientifica e prática. Os 
resultados práticos se traduzem nas mudanças implantadas nas organizações onde as 
intervenções são realizadas. Do ponto de vista científico os resultados das intervenções 
ergonômicas vão interagir nos diversos campos e áreas do conhecimento. 
Numa intervenção em uma agência de notícias (Pavard et al.,1980), a finalidade 
era realizar um rearranjo das instalações para torná-la compatível com os procedimentos 
de editoração eletrônica em redes e da estrutura dinâmica de uma grande redação de 
jornal. O resultado da intervenção foi efetivamente um rearranjo, porém o estudo no qual 
se baseou permitiu uma discussão conceitual em arquitetura (Dejean, 1981), teórica em 
psicolingüística (Pavard, 1982) e mesmo metodológica em ergonomia (Guérin et al.,1981). 
A ergonomia é uma disciplina para a ação sobre o real, e, como tal, se expressa de 
forma especialmente pertinente para os projetos de mudanças na tecnologia física e de 
gestão. Os desdobramentos de uma intervenção ergonômica, no âmbito científico e 
tecnológico podem ser muitos, mas o que confere a uma ação no ambiente de trabalho, o 
caráter de intervenção ergonômica é o resultado materializado num projeto implantado de 
mudanças para melhor. Assim, uma intervenção cujo resultado aparentemente pífio seja 
a redefinição de especificações da compra de mobiliário (Santos e Palmer, 1992) é 
ergonômica na medida em que atinge um resultado em termos de boas modificações da 
situação de trabalho; inversamente, uma profunda reflexão detalhada e interessante sobre 
as dimensões psíquicas dos maquinistas ferroviários sem repercussões concretas 
(Moscovici, 1977) não caracteriza uma intervenção ergonômica10 . 
 
Antropometria 
A etimologia da palavra vem do grego e significa anthropos, homem, e, metron, 
medida, ou seja, forma de mensurar as medidas físicas do corpo humano ou de suas 
partes. Inicialmente parece ser uma tarefa muito simples, mas, se você considerar que 
cada indivíduo tem um biótipo específico para altura, peso, medida de mãos, dedos, 
braços, pernas, peito do pé, coxas, quadril, ombros, etc., então é preciso ter cuidado para 
15 
 
 
dimensionar postos de trabalho, uniformes, calçados entre outros Equipamentos de 
Proteção Individual. As variações das medidas diferem entre sexo, homens e mulheres; 
faixa etária entre crianças, jovens, adultose idosos; etnia; genótipo; região climática, etc. 
Na figura 2 podemos observar algumas diferenças nas proporções corporais para diversas 
etnias. O homem americano branco e negro, o japonês e o brasileiro. Os movimentos 
migratórios fazem com que hábitos alimentares, locais de convívio, clima e culturas se 
mesclem gerando descendentes miscigenados, ou seja, mistura de etnias em decorrência 
de fatores externos. 
Figura 2: Proporções corporais típicas das etnias 
 
Estas questões antropométricas reiteram que a ergonomia não trabalha com 
médias corporais, pois conforme o relato do autor uma máquina, layout ou posto de 
trabalho deve ser projetado e desenvolvido para cada indivíduo em particular, sob medida 
ou de forma personalizada para gerar conforto, segurança e bem-estar. Claro que para 
não se ter tanta especificidade a ergonomia busca o ajuste, a adaptação ou regulagem 
dos postos e do layout para que cada trabalhador faça as devidas adaptações do seu local 
de trabalho para as suas proporções físicas. As diferenças inter-individuais, dentro de uma 
mesma população foram apresentadas por William Sheldon (1836-1915), arquiteto 
americano, que realizou um minucioso estudo com estudantes americanos e acabou por 
definir três tipos físicos básicos, cada um com certas características bem específicas. 
Ectomorfo: tipo físico de formas alongadas. Tem corpo e membros longos e finos, 
com um mínimo de gorduras e músculos. Os ombros são mais largos, mas caídos. O 
16 
 
 
pescoço é fino e comprido, o rosto é magro, queixo recuado e testa alta e abdômen estreito 
e fino. 
Mesomorfo: tipo físico musculoso, de formas angulosas. Apresenta cabeça cúbica, 
maciça, ombros e peitos largos e abdômen pequeno. Os membros são musculosos e 
fortes. Possui pouca gordura subcutânea. 
Endomorfo: tipo físico de formas arredondadas e macias, com grandes depósitos 
de gordura. Em sua forma extrema, têm características de uma pêra (estreita em cima e 
larga em baixo). O abdômen é grande e cheio e o tórax parece ser relativamente pequeno. 
Braços e pernas são curtos e flácidos. Os ombros e a cabeça são arredondados. Os ossos 
são pequenos. O corpo tem baixa densidade, podendo flutuar na água. A pele é macia. 
Outra forma de análise antropométrica é pertinente à maneira de execução das 
tarefas. Iida (2005) apresenta a antropometria estática, dinâmica e funcional. Mas o que o 
autor quer dizer com estes termos? Que há um diferencial caso a pessoa tenha a sua 
atividade laborativa parada, em movimento e as relacionadas com a execução de tarefas 
específicas. Vamos detalhar. A antropometria estática se refere ao corpo parado ou com 
poucos movimentos onde as medições a serem feitas serão através de pontos anatômicos 
claramente identificados. Por exemplo, o comprimento entre ombro e cotovelo ou entre o 
quadril e joelho. A antropometria dinâmica mede os alcances dos movimentos. “Os 
movimentos de cada parte do corpo são medidos mantendo-se o resto do corpo estático” 
(IIDA, 2005, p. 110). O autor sugere como exemplo o alcance máximo das mãos com a 
pessoa sentada. Todos os autores sugerem que, quando necessário, se façam ajustes 
para acomodar os movimentos corporais. A antropometria funcional refere-se às medidas 
na execução de uma tarefa, como ao acionar uma manivela ao fechar uma comporta. 
Nesta situação a extensão do braço será acompanhada por uma inclinação do tronco para 
frente ou para o lado, sem estes movimentos integrados não há como executar a tarefa 
prescrita. 
Sempre que a adaptação não for possível entre as dimensões corporais e a 
realidade dos postos de trabalho a eficácia da tarefa estará comprometida. Muitas 
decorrências podem advir desta situação como: falhas, retrabalho, acidentes, 
desencadeamento ou agravamento de doenças ocupacionais, ou seja, custos que são 
acrescidos ao produto ou ao serviço mas que não devem ser repassados ao 
consumidor/cliente/usuário. Para que ocorram as adaptações necessárias e se garanta 
17 
 
 
um trabalho seguro e produtivo Iida (2005) comenta sobre cinco princípios para a 
aplicação das medidas antropométricas. São eles: 
 Os projetos são dimensionados para a média da população: a idéia é ter um 
produto de uso coletivo para servir vários usuários/ clientes/consumidores, 
como um banco, uma altura de pia ou bancada de recepção. Já comentamos 
sobre a ergonomia não ser utilizada para uma média de pessoas e neste 
caso este banco ou bancada não será ótimo para todos. Haverá 
inconvenientes e dificuldades para a grande maioria das pessoas. 
 Os projetos são dimensionados para um dos extremos da população: boa 
parte dos produtos industrializados é dimensionada para acomodar e 
satisfazer até 95% da população, muito em função de questões econômicas. 
Aumentar ou reduzir o tamanho, tornar ajustável o produto implica em 
aumentar custos e nem sempre as indústrias se dispõe a isto. 
 Os projetos são dimensionados para faixas da população: os produtos são 
fabricados em diversos tamanhos e números que vão desde o PP (muito 
pequeno) ao GG (extragrande), como também a numeração dos calçados 
que é muito variável se for calçados masculino (números maiores) ou 
femininos (numeração menor). Uma diversidade maior de tamanhos e 
numerações tornariam o produto no mercado, então as pessoas buscam se 
adaptar à numeração vigente. Você deve conhecer alguém que gostaria de 
comprar para o pé direto uma numeração e para o pé esquerdo outra; ou 
mesmo pessoas que sempre compram calçados com cadarço, pois o peito 
do pé direito é maior do que o esquerdo, ou vice-versa, e comprar um 
calçado não ajustável significa ter algum desconforto ao usar aquele produto. 
 Os projetos que apresentam dimensões reguláveis: as dimensões variáveis 
não abrangem o produto como um todo, ou que ergonomicamente seria 
ideal, mas são ajustáveis algumas variáveis consideradas críticas para o 
desempenho: altura do assento, do apoio para braços e pés ou mesmo 
ângulo do encosto. • Os projetos são adaptados ao indivíduo: aqui se 
encontra a ação ergonômica ideal, pois o produto projetado é feito 
especificamente para o indivíduo como uma roupa feita pelo alfaiate, uma 
cadeira de rodas específica para o cadeirante ou o cockpit de um carro de 
fórmula 1. 
18 
 
 
Biomecânica 
A biomecânica ocupacional implica no estudo dos movimentos corporais e das 
forças relacionadas ao trabalho. Quando um operador de máquinas vai utilizar 
determinada ferramenta ou transportar algum material qual a postura adotada? Que 
músculos estão presentes nesta atividade? Este operador conhece as consequências de 
posturas inadequadas? Há possibilidade de ele desenvolver doenças ocupacionais ou 
mesmo se acidentar em função do estresse muscular? A ergonomia também está 
presente em todas estas situações e objetiva encontrar soluções para eliminar ou 
minimizar alguns distúrbios decorrentes de uma biomecânica ocupacional incorreta ou 
inadequada. Mas quais ações ergonômicas são cabíveis? As pausas, ajustes de 
mobiliário, melhoria no layout, redução de jornada de trabalho, avaliação do biorritmo, 
melhorias na organização do trabalho, etc. 
Esta preocupação não é recente como possa parecer para alguns. Bernardino 
Ramazzini, médico italiano, considerado o “Pai da Medicina do Trabalho”, já realizava 
estudos sobre este tema desde 1700. Este estudioso analisou diversas categorias 
profissionais (mineiros, químicos, ferreiros, parteiras, coveiros, joalheiros) com o objetivo 
de sistematizar e classificar as doenças segundo a natureza e o grau de nexo com o 
trabalho. Ramazzini associou que certos movimentos violentos ou irregulares, bem como, 
o constante posicionamento inadequado da coluna ou de outras regiões do corpo levavam 
ao adoecimento de muitos artesões. Em alguns postos de trabalho não há como se ter 
uma postura adequada, por exemplo, os trabalhadores que permanecem agachados, 
submersos ou em altura.É preciso redesenhar postos, ferramentas, equipamentos, 
melhorar posturas para a promoção da redução da fadiga, dores corporais, adoecimentos, 
acidentes com lesões permanentes ou afastamentos. 
Para Iida (2005, p. 165) existem três situações principais em que a má postura pode 
produzir consequências danosas: 
 Trabalhos estáticos que envolvem uma postura parada por longos períodos. 
 Trabalhos que exigem muita força. 
 Trabalhos que exigem posturas desfavoráveis, como o tronco inclinado e 
torcido. (Grifo meu). 
Algumas posturas são básicas para todas as pessoas e para todas as profissões: 
posições sentada, deitada e em pé. Para cada uma destas posturas há o esforço de feixes 
19 
 
 
musculares específicos para manter a posição do corpo na execução das tarefas 
laborativas. A permanência prolongada de uma determinada postura pode provocar dores 
localizadas naquele conjunto de músculos solicitados na manutenção da mesma. 
Permanecer muito tempo em pé pode levar a problemas de dores nos pés e pernas como 
varicose, varizes ou trombose. E sentar-se sem encosto compromete os músculos 
extensores do dorso, fazer rotações do corpo independente de estar sentado ou em pé 
com certeza levará a problemas de coluna em geral e utilizar ferramentas com pegas 
inadequadas decorre em problemas no antebraço. 
Mas também há posições quase inconscientes que causam transtornos para a 
saúde do trabalhador/operador, como por exemplo, a inclinação da cabeça em 
decorrência de um assento muito alto, ou de uma mesa muito baixa, ou de estar sentado 
em uma cadeira distante do posto ou do painel, ou utilizar alguma ferramenta como 
microscópio ou lupa. Se o tempo de exposição for grande, as dores no pescoço, ombros, 
braços e até mesmo na coluna são inevitáveis. 
A fadiga muscular pode ser reduzida distribuindo-se o tempo de pausa durante a 
jornada de trabalho. Paradas curtas e mais frequentes são mais adequadas do que uma 
única parada longa. Outra situação muito comum para algumas atividades laborativas é o 
levantamento de peso ou carga. Para minimizar ou até eliminar os problemas decorrentes 
deste trabalho é preciso estabelecer condições favoráveis para sua realização, 
respeitando os princípios da fisiologia e da biomecânica que estabelecem alguns 
parâmetros de levantamento tolerável de carga máxima: na posição agachada é de 15 Kg; 
para a posição dobrada aumenta para 18Kg; e conforme a NR 17 – Ergonomia, todo o 
conteúdo referente ao item 17.2 se reporta ao levantamento, transporte e descarga 
individual de materiais de carga A ergonomia prescreve como ações preventivas a 
alternância de posturas e movimentos. As articulações devem buscar posições neutras, 
tanto quanto possível, como também, evitar curvar o corpo ou cabeça para frente, torcer 
tronco, evitar movimentos bruscos e, para o levantamento de carga, manter o objeto de 
trabalho o mais próximo possível ao corpo. Mãos e cotovelos devem sempre permanecer 
abaixo do nível dos ombros, mas se isso não for possível, em decorrência do posto 
inadequado, o tempo de exposição deve ser controlado e pausado. 
20 
 
 
Análise dos postos de trabalho 
Ao longo do estudo sobre ergonomia analisamos diversas áreas e métodos que 
otimizem melhorias nos postos de trabalho. Mas qual o significado técnico deste termo tão 
utilizado em segurança do trabalho? Para Iida (2005, p. 17) a análise dos postos de 
trabalho: 
É o estudo de uma parte do sistema onde atua um trabalhador. A 
abordagem ergonômica ao nível do posto de trabalho faz a análise da tarefa, da 
postura e dos movimentos do trabalhador e das suas exigências físicas e cognitivas. 
Considerando um posto mais simples, onde o homem opera apenas uma máquina, 
a análise deve partir do estudo da interface homem-máquina-ambiente, ou seja, das 
interações que ocorrem entre o homem, a máquina e o ambiente. 
O mesmo autor ainda afirma que ao se analisar um posto de trabalho é possível se 
ter dois enfoques: o taylorista e o ergonômico. Frederick Winslow Taylor (1856 - 1915) 
engenheiro mecânico estadunidense, é considerado o “Pai da Administração Científica” 
por propor a utilização de métodos científicos na administração de empresas. Seu foco 
está na eficiência e eficácia operacional na administração industrial através do controle de 
tempos e movimentos. Seu modelo de gestão prescreve a centralização do poder; a 
limitada mobilidade ou flexibilidade para mudanças no ambiente de trabalho; a baixa 
participação ou envolvimento dos trabalhadores nas decisões administrativas; valorização 
das normas, rotinas; a restrita comunicação entre as pessoas. Sua ênfase está na 
produtividade, na valorização da tecnologia e não nas pessoas. 
O enfoque ergonômico busca desenvolver postos de trabalho que reduzam as 
exigências biomecânicas e cognitivas, colocando o trabalhador/ operador em uma postura 
confortável e segura de trabalho. Para Iida (2005, p. 192): 
No enfoque ergonômico, as máquinas, equipamentos, ferramentas e 
materiais são adaptados às características do trabalho e capacidades do 
trabalhador, visando promover o equilíbrio biomecânico, reduzir as contrações 
estáticas da musculatura e o estresse geral. Assim, se pode garantir a satisfação e 
segurança do trabalhador e a produtividade do sistema. Procura-se também eliminar 
tarefas altamente repetitivas, principalmente aquelas de ciclo menores a 1,5 minuto. 
Fica claro que a diferença entre os enfoques está na valorização do potencial 
humano, na forma de execução das tarefas e nas implicações para a saúde ocupacional 
do trabalhador. Diferentes aspectos podem ser adotados para se avaliar um posto de 
21 
 
 
trabalho que vão desde o tempo gasto na execução até o percentual de falhas, erros, 
incidentes e acidentes. A ergonomia busca priorizar a postura, o esforço, as tensões, as 
pausas. É bem verdade que todos os aspectos abordados em nosso estudo são 
relevantes, pois os fatores físicos ambientais, a organização do trabalho, os fatores 
cognitivos na execução das tarefas, o layout, a biomecânica, etc., todos devem estar 
presentes ao se fazer uma análise ergonômica, pois deve-se ter um “olhar” macro para 
que se possa contemplar a soma dos fatores que viabilizam um posto de trabalho 
ergonomicamente correto, e não apenas a altura de um monitor ou de uma cadeira. 
Ergonomia Cognitiva 
A ergonomia cognitiva é para Guimarães (2000, p. 4.3-1) uma área que “engloba 
os processos perceptivo, mental e de motricidade”. Pense agora o que você mais utiliza 
mentalmente para executar suas tarefas diárias: memória? Cálculos? Raciocínio lógico? 
Criatividade? Alguns destes aspectos mais que outros? Todos ao mesmo tempo? Qual é 
a carga mental que você precisa “gastar” para ser produtivo/competente? 
Para Fonseca (1999, p. 43), “é o ato de conhecer ou de captar, integrar, elaborar e 
exprimir informação, para a resolução de problemas”. Está diretamente relacionada aos 
processos pelos quais um indivíduo percebe (input), elabora e comunica (output) a 
informação para se adaptar ao meio em que vive. O input está associado aos órgãos dos 
sentidos que captam os estímulos do meio externo. Esses estímulos de cores, sons, 
texturas, sabores, odores são processados sob a forma de informações no cérebro, 
através das percepções do indivíduo. O resultado final de processamento será observado 
pelos comportamentos, ações ou movimentos, aqui denominados de output. 
O raciocínio do ser humano pode ser comparado a um sistema aberto, flexível às 
mudanças ao longo de toda a sua vida. O conhecimento é obtido através do 
desenvolvimento das potencialidades ou aptidões inerentes a qualquer pessoa. O nível ou 
grau de conhecimento que um indivíduo apresenta denomina-se inteligência. Sendo 
assim, inteligência é o conjunto de habilidades para a resolução de problemas, ou, se 
preferir, a capacidade que uma pessoa tem de criar alternativas que visem alcançar seus 
objetivos.Para Abbad e Borges-Andrade (2004), a aprendizagem, para ser realizada, 
precede de três domínios pessoais e intransferíveis: cognitivo, afetivo e psicomotor: 
 Domínio cognitivo: aborda a resolução de tarefas mediante aprendizagem 
escolar ou de treinamentos profissionais (princípio organizador). 
22 
 
 
 Domínio afetivo: está associado aos interesses, apreciações, atitudes, 
valores que estão presentes durante o ato de aprender, as relações 
emocionais pertinentes entre o aprendiz e a instrução ou conhecimento a ser 
assimilado (princípio de internalização). 
 Domínio psicomotor: diz respeito às ações motoras ou musculares 
decorrentes da manipulação de objetos, ferramentas, instrumentos durante 
o processo de aprendizagem (princípio de automatização). 
Vamos imaginar um trabalhador que executa a tarefa de movimentação de cargas 
e mercadorias. Ele precisa montar um sistema de rotas de transporte, níveis de estoque, 
processar pedidos, ou seja, vai planejar geograficamente o aspecto espacial, o tempo, 
estratégias e custos operacionais. Todo este processo logístico exige domínios cognitivo, 
afetivo e psicomotor. A preocupação da ergonomia cognitiva está em saber se o 
trabalhador em questão executa com habilidade os três domínios ou se há uma deficiência 
em algum deles e claro, investigar qual é a mais comprometida para partindo desta análise 
oferecer uma capacitação mais específica para este trabalhador. Por exemplo, o 
trabalhador compreende a tarefa a ser realizada, mas apresenta algum tipo de 
comprometimento motor, de lateralidade, de percepção visual, de atenção ou de 
concentração, de memória, ou ainda, tem dificuldade em se adequar a ferramentas, 
equipamentos de proteção e não simpatiza muito com a tarefa. Seu desempenho nesta 
situação está comprometido não somente na produtividade, mas também pode levar a 
algum acidente em função da carência de atenção, concentração, lateralidade ou outro 
comprometimento que o trabalhador possa ter. 
As empresas buscam profissionais competentes que saibam aplicar suas 
qualificações, transformando-as em resultados e ações valiosas. Estes são os chamados 
trabalhadores multifuncionais ou polivalentes, capazes de aprender, de se autoavaliar 
constantemente, de buscar novas soluções, resolver problemas complexos, assumir 
riscos e enfrentar desafios sem medo de errar. Além das qualificações técnicas e 
tecnológicas para a função, ainda devem guardar características de automotivação, com 
valores internos bem arraigados e uma aprendizagem flexível para toda a alteração que 
se faça necessária. É preciso que as empresas se estruturem para que haja mudanças e 
novas aprendizagens por meio da criação de programas de TD&E, ou seja, a importância 
de investirem financeiramente em programas de Treinamento, Desenvolvimento e 
Educação. O conhecimento é um processo, e como tal exige tempo, dedicação, 
23 
 
 
motivação, investimentos, e, principalmente, a participação integrada de ações da 
diretoria, gestores e trabalhadores. 
Para os autores Abbad e Borges-Andrade (2004, p. 256) para que o desempenho 
seja eficaz, as pessoas precisam saber e fazer a tarefa de acordo com certo padrão de 
excelência. Para isso, precisam, obrigatoriamente, do suporte organizacional (máquinas, 
equipamentos, ferramentas), terem o domínio da tarefa através de treinamento oferecido 
pela empresa, como também do fator motivacional, relacionado à organização do trabalho 
(comunicação, relacionamento interpessoal, relações de poder harmoniosas). 
É fundamental um clima organizacional sinergético para que esses aspectos 
possam ocorrer. O conceito de desempenho compreende, além do conjunto de 
habilidades, conhecimentos, atitudes, capacidades, inteligência e experiências pessoais, 
componentes de saber fazer a motivação e as condições de trabalho. Isso implica criar 
condições pelas quais o trabalhador possa expressar sua subjetividade, suas 
características individuais e pessoais nos ambientes de trabalho. 
Dessa forma, os inputs e outputs precisam ser direcionados de acordo com as 
características de cada um e não de forma generalizada, pois cada trabalhador apresenta 
uma característica particular de aprendizagem e de execução da tarefa a ele determinada. 
O conhecimento deve ser estimulado de forma contínua e sequencial, iniciando pelos 
elementos mais simples até alcançar os mais complexos. E sendo acompanhada pelos 
gestores, os quais devem apresentar características mediadoras, ou seja, ações 
gerenciais mais flexíveis, participativas, solidárias e empáticas, de tal forma que o 
processo de aprendizagem organizacional não se torne uma luta pelo poder ou elemento 
de obrigatoriedade por parte dos trabalhadores. 
 
 
 
 
 
24 
 
 
Métodos/Ferramentas de Avaliação Ergonômica 
Desde a década de 70 vêm sendo desenvolvidos roteiros para execução de uma 
análise ergonômica, alguns dos quais se converteram em modelos e serviram de base 
para outras propostas metodológicas (LIMA, 2004). Wisner (1987) fez referência aos 
métodos como protocolos de avaliação das condições de trabalho. Para Iida (2005), o 
método é um procedimento para estabelecer a relação entre causa e efeito, sendo 
composto pelas etapas que vão da hipótese ao resultado. Na prática, a avaliação 
ergonômica do trabalho é realizada através de métodos/ferramentas e normas, que 
consideram um grupo de condições de trabalho e um foco específico, melhor definida 
por Másculo e Vidal (2011): “O método ergonômico consiste no uso de recursos dos 
campos de conhecimento que possibilitem averiguar, levantar, analisar e sistematizar o 
trabalho e suas condições, através de instrumentos qualitativos e quantitativos”. Essa 
definição é alinhada com o significado da palavra “método”, definindo-o como o conjunto 
dos meios dispostos convenientemente para alcançar um fim e chegar a um 
conhecimento científico (MICHAELIS, 2009). Essa definição embasará a classificação 
dos métodos para o desenvolvimento deste artigo; entretanto, é válida para este estudo 
e não representa um novo conceito. No intuito de contribuir para a fluidez, e ainda, 
respeitar as diferentes nomenclaturas, o termo ferramenta será utilizado como sinônimo 
de método de avaliação ergonômica. Nos quadros de 1 a 5 são apresentados os 24 
métodos/ferramentas de avaliação ergonômica revisados neste artigo, e suas 
características fundamentais, classificados como métodos com base nas definições 
adotadas e agrupados por tipo de avaliação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
 
Quadro 1 - Métodos/ferramentas ergonômicas para avaliação de riscos posturais e posto de 
trabalho. 
Elaborado pelo autor a partir de múltiplas fontes 
(Continua) 
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DE RISCOS POSTURAIS E POSTO DE TRABALHO 
Método Definições Procedimentos 
Checklist de 
Couto 
São utilizados para avaliação de riscos 
para trabalhos manuais, DORT, 
lombalgias, trabalhos informatizados, 
condição ergonômica e condição 
biomecânica. 
Em observação ao checklist, percebe-se que a 
ferramenta permite uma avaliação simplificada do 
fator biomecânico no risco para distúrbios 
musculoesqueléticos de membros superiores 
relacionados ao trabalho. Neste checklist, as 
perguntas avaliam seis aspectos: sobrecarga 
física, força com as mãos, postura no trabalho, 
posto de trabalho e esforço estático, repetitividade 
e organização do trabalho e ferramenta de 
trabalho. 
Constitui-se de perguntas que são 
avaliadas percentualmente em intervalos, 
indicando resultados de péssimo – alto 
risco (abaixo de 31%) à excelente – 
ausência de risco (próximo a 100%) 
(SOARES; SILVA, 2012) 
Avaliação das condições ergonômicas em postos 
de trabalho e ambientes informatizados – Versão 
2013. Este checklist avalia os aspectos 
relacionados à estação de trabalho, sistema de 
trabalho e ambiente. 
EWA, 
também 
chamado de 
FIOH 
O EWA (Ergonomics Workplace Analysis) 
é uma metodologia criada pelo InstitutoFinlandês de Saúde Ocupacional (FIOH) 
utilizada para identificar riscos 
ergonômicos do local de trabalho. Tem 
como base a fisiologia do trabalho, 
biomecânica ocupacional, aspectos 
psicológicos, higiene ocupacional e um 
modelo participativo de organização do 
trabalho (PACOLLA; 
SILVA, 2009). 
Avalia os seguintes aspectos: espaço de trabalho, 
atividade física geral, levantamento de cargas, 
posturas de trabalho e movimentos, risco de 
acidente, satisfação com o trabalho, restrições, 
comunicação entre trabalhadores, tomada de 
decisão, repetitividade, atenção, iluminação, 
temperatura ambiente e ruído. 
LUBA - 
Loading on 
the Upper 
Body 
Assessment 
Avalia cargas relacionadas à postura da 
parte superior do corpo (mão, braço, 
pescoço e costas), sendo a postura de 
uma parte do corpo classificada de acordo 
com os ângulos das articulações 
(ROMAN-LIU, 2014). 
Considera os índices de desconforto, expressos 
através de pontuação numérica, e o número 
máximo de movimentos em posturas estáticas, no 
intuito de avaliar estresse postural e atuar na 
prevenção de distúrbios osteomusculares (KEE; 
KARWOWSKI, 2001). 
OCRA Método desenvolvido pela Dra. Daniela 
Colombini e Dr. Enrico Occhipinti, na 
Clínica de Lavoro de Milão em 2000, que 
por meio de um checklist avalia e 
recomenda ações para prevenção de 
riscos decorrentes de esforços repetitivos. 
Também considera fatores mecânicos, 
ambientais e organizacionais que 
forneçam evidências da relação de 
causalidade com DORT (COLOMBINI; 
OCCHIPINTI, 2006). 
Também chamado de índice OCRA, baseia-se na 
relação entre Ações Reais Técnicas (ATA), obtidos 
por meio da análise de tarefas e ações de 
Referência Técnica (RTA). O valor RTA é obtido 
levando-se em conta a frequência e repetitividade 
de movimentos dos membros superiores, uso 
excessivo da força, tipo de postura inadequada ou 
falta de variação postural, períodos de recuperação 
insuficientes e fatores adicionais, tais como 
vibração e compressão do tecido localizado. O 
método OCRA fornece dois índices separados 
(ombro e cotovelo / pulso / mão) para cada um dos 
lados direito e esquerdo do corpo 
(CHIASSON, 2012). 
26 
 
 
Quadro 1 - Métodos/ferramentas ergonômicas para avaliação de riscos posturais e posto de 
trabalho 
(Continuação) 
FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO PARA RISCOS POSTURAIS E POSTO DE TRABALHO 
Método Definições Procedimentos 
OREGE Desenvolvido na França pelo INRS 
(Instituto Nacional de Pesquisa de 
Segurança), é um método de identificação 
e avaliação cujo objetivo é quantificar 
tensões biomecânicas representadas por 
forças, posturas constrangedoras e 
movimento repetitivo, sendo baseado na 
observação do operador, sua percepção 
das demandas e indicações. É realizada a 
partir da avaliação de força, vigor e 
repetitividade (APTEL, 2008). 
Para cada ação considerada, à força atribui-se um 
valor de 0 a 10 em uma ficha de avaliação, 
preenchidas uma pelo pesquisador e outra pelo 
operador, separadamente, sendo a avaliação 
realizada com base nas duas fichas. Para cada 
aspecto preocupante, o pesquisador observa os 
movimentos dos membros superiores do operador 
(pescoço, ombro, cotovelo e punhos), atribuindo 
valores de 1 (aceitável), 2 (não recomendado) e 3 
(a evitar) para cada articulação, considerando a 
lateralidade, impressas em figuras que 
representam as pontuações e os respectivos 
ângulos. Já os movimentos repetitivos dos 
membros superiores são avaliados numa escala de 
0 a 10, num período de tempo, duplamente e 
separadamente avaliados em fichas, cuja 
pontuação também é representada por figuras. 
OWAS - 
Ovako 
Working 
Posture 
Analysing 
System 
Foi desenvolvido na Finlândia entre 1974 
e 1978, no intuito de analisar as posturas 
corporais durante as atividades no 
trabalho. Os dados para a aplicação 
desse método podem ser coletados 
através de observação direta (em campo) 
ou indireta (por vídeo), e as fases da 
atividade podem ser categorizadas em um 
código de seis dígitos. Após a 
categorização, o método calcula e 
classifica a carga de trabalho em quatro 
categorias, determinando ainda as 
medidas a serem adotadas 
(MÁSCULO; VIDAL, 2011). 
A partir de análises fotográficas, foram 
colecionadas 72 posturas típicas (dorso, braços e 
pernas e carga/força) que ocorrem em uma 
indústria pesada, sendo codificadas de 1 a 4, onde 
1 é não patológico e 4 indica que providências 
imediatas devem ser tomadas. Também se 
considera a frequência e o tempo despendido em 
cada postura, a fim de avaliar o efeito resultante 
sobre o sistema musculoesquelético. 
QEC - Quick 
Exposure 
Check 
Baseia-se na postura, onde a combinação 
da avaliação do observador com 
respostas do trabalhador para questões 
fechadas, permite que os fatores de risco 
MSD para as costas, braços, pescoço e 
extremidades superiores a uma estação 
de trabalho 
sejam avaliados (CHIASSON, 2012). 
Avalia a postura, a força aplicada, a frequência, a 
duração, os movimentos e os fatores psicológicos 
relacionados à tarefa. É aplicado em duas etapas: 
1) avaliação das posturas por meio de checklist, 
2) questionário aplicado ao trabalhador. 
Os níveis de exposição são obtidos através do 
cruzamento das etapas. 
Questio- 
nário Bipolar 
O questionário bipolar de fadiga foi 
elaborado pelo médico Hudson Couto em 
1995. Ele é composto por 3 
questionários/etapas, sendo o primeiro 
aplicado no início da jornada, o segundo 
na hora de saída para o almoço e o 
terceiro no final da jornada (COSTA; 
SOUZA, 2014). 
A pontuação varia de 1 a 7, sendo 1 a esquerda e 
7 à direita; quanto mais à direita, maior a fadiga. A 
análise dos questionários é realizada de forma 
qualitativa, observando: a fadiga acumulada (4 
pontos ou mais em dor nos músculos do pescoço 
e ombros e dor nos braços, e continuidade das 
queixas durante a jornada) e o nível de fadiga 
(intensa quando 6 ou 7 em alguns itens). 
R.N.U.R / 
Renault 
Régie 
Nationale 
des Usines 
Renault 
R.N.U.R. ou job profile method (método 
de perfil de trabalho), com origem nos 
anos 50, Renault, França, onde 
especialistas procuravam soluções para 
definir de forma objetiva as variáveis que 
definem as condições de um posto de 
trabalho (CALLEJÓN-FERRE, 2009). 
Analisa oito fatores através de vinte e três critérios, 
pontuados em cinco níveis de satisfação (onde 1 é 
muito satisfatório e 5 é muito perigoso). 
27 
 
 
Quadro 1 - Métodos/ferramentas ergonômicas para avaliação de riscos posturais e posto de 
trabalho 
(Conclusão) 
FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO PARA RISCOS POSTURAIS E POSTO DE TRABALHO 
Método Definições Procedimentos 
REBA É derivado dos métodos de avaliação 
postural RULA e OWAS (CARDOSO JR, 
2006). 
Estabelece uma tabela relacionada ao Fator de 
“Pega”, onde são estabelecidos cinco níveis de 
ação (ao invés dos quatro propostos no RULA). 
Avalia o nível do risco, de muito baixo a muito alto 
e indica a ação da investigação, de não necessária 
à necessária e urgente. 
É uma ferramenta de análise de posturas 
de corpo inteiro desenvolvido para avaliar 
posturas de trabalho imprevisíveis 
(GUIMARÃES, 2004). 
ROSA – 
Rapid Office 
Strains 
Assessment 
Foi criado com base nas posturas 
descritas nas orientações da CSA 
(Canadian Standarts Association) e da 
CCOHS (Centro Canadense de Saúde 
Ocupacional e Segurança), onde 
especialistas chegaram a um consenso 
sobre a configuração da estação de 
trabalho adequada (SONNE et al., 2012). 
Os fatores de risco no uso do computador foram 
identificados, diagramados e agrupados nas 
seguintes áreas: cadeira, monitores, telefone, 
teclado e mouse. Uma pontuação foi atribuída, 
variando de 1 a 10 (quanto maior a pontuação, 
maior o desconforto). Em testes realizados por 
Sonne et al. (2012), este método provou ser eficaz 
e confiável para a identificação de fatores de 
desconforto no uso do computador. 
RULA - 
Rapid Upper 
Limb 
Assessment 
Método de observação rápida para 
análise postural, desenvolvido pelos Prof. 
McAtammey e Corlett, da Universidade de 
Ohio,para investigações ergonômicas de 
postos de trabalho onde é possível 
desenvolver lesões por esforços 
repetitivos em membros superiores 
(DOCKRELL, 2012). 
Na prática, utiliza-se de figuras de diferentes 
posturas corporais, que recebem um valor 
numérico que indica o grau de intervenção 
necessário. Essa pontuação vai de 1 a 7, com 
níveis de ação de 1 a 4, onde o nível 1 é postura 
aceitável, e 4 sugere mudanças imediatas. 
O RULA baseia-se na metodologia 
OWAS, onde as posturas adotadas são 
representadas através de escores, que 
associados a critérios biomecânicos e de 
função muscular classificam a postura de 
acordo com a carga (BARROS et al., 
2014). 
Suzzane 
Rodgers 
Quantificação numérica, com pontuação 
indicativa de risco da ocorrência de 
LER/DORT, para os diversos 
seguimentos corpóreos, como os punhos, 
pescoço, ombros, cotovelos, tronco, mãos 
e membros inferiores (GUIMARÃES, 
2004). 
Avalia o nível de esforço em baixo (1), moderado 
(2) e pesado (3); o tempo de esforço de 0 a 6 
segundos (1), 6 a 20 (2), 20 a 30 (3) e maior que 
30 (4); e o número de esforços por minuto de 0 a 1 
minuto (1), 1 a 5 minutos (2), 5 a 15 minutos (3) e 
maior que 15 minutos (4). Essa avaliação 
contempla os segmentos do pescoço, ombros, 
tronco, braços, punho, mão e dedos, pernas, 
joelhos, tornozelos, pés e dedos. 
ERGO/ IBV Desenvolvido pelo Instituto de 
Biomecânica de Valência – Espanha, 
avalia os riscos laborais associados à 
carga física (COSTA, 2011). 
Classifica os riscos laborais associados à carga 
física em quatro níveis, de ergonomicamente 
aceitável (nível 1) à prioridade de investigação 
(nível 4) (COSTA, 2011). 
Permite analisar tarefas repetitivas dos 
membros superiores com ciclos de 
trabalho claramente definidos, a fim de 
avaliar o risco de lesão 
musculoesquelética (INSHT, 2009). 
Fonte: Elaborado pelo autor a partir de múltiplas fontes 
28 
 
 
Quadro 2- Métodos/ferramentas ergonômicas para avaliação de carga física (continua) 
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DA CARGA FÍSICA 
Método Definições Procedimentos 
NIOSH - Método que avalia a carga levantada O NIOSH considera: 
National pelos trabalhadores sem causar lesões, LPR: Limite de Peso Recomendado, ou seja, o 
Institute of foi concebido em 1981, e revisado ao peso da carga suportada por trabalhadores sadios 
Occupa- longo dos anos, tornando-se uma num período de tempo, sob determinadas 
tional Safety equação que fornece métodos para a condições, sem aumentar o risco de lombalgia. 
and Health avaliação de tarefas de levantamento Sua fórmula considera a distância horizontal entre 
 assimétrico de cargas e levantamento de o indivíduo e a carga, a distância vertical entre 
 objetos com pegas não ideias com ambos, o deslocamento, o ângulo de assimetria, a 
 ambas as mãos (ERGO, 2006). frequência média de levantamentos e a qualidade 
 da pega. 
 IL: Índice de Levantamento, fornece uma 
 estimativa do nível de estresse físico em 
 levantamento manual; 
 Terminologia e Definições de Dados: Define os 
 parâmetros do levantamento, peso da carga, 
 distância horizontal, altura vertical, altura vertical 
 percorrida, ângulo de assimetria, posição do 
 corpo, frequência e duração do levantamento, 
 classificação da pega e controle motor 
 significativo. 
INSHT (Inst. É um método de avaliação de riscos na Considera severidade do dano (ligeiramente 
Nac. MMC (Manipulação Manual de Cargas) prejudicial, prejudicial, extremamente prejudicial) 
Seguridad (CCOO, 2015). e a probabilidade de ocorrência do dano (alta, 
Higiene em média, baixa). Entretanto, por ser de 
el Trabajo aplicabilidade individual e subjetiva, recomenda- 
 se combinar os resultados técnicos com as 
 condições de trabalho e a opinião dos 
 trabalhadores. 
JSI – JOB O método JSI, também conhecido como Utiliza como parâmetros a intensidade, duração e 
STRAIN critério semi-quantitativo, criado em 1995 frequência do esforço, postura, ritmo e duração do 
INDEX ou SI por Moore & Garg, quantifica a exposição trabalho e avalia o índice de sobrecarga para os 
ou a fatores de risco MSD (desordens membros superiores, sendo baseado no campo 
MOORE musculoesqueléticas) para as mãos e da fisiologia, biomecânica e epidemiologia, e vem 
AND GARG pulsos, fornecendo um índice que leva sendo amplamente aplicado na indústria. Vários 
 em conta o nível de percepção de estudos validam a ferramenta, em termos de 
 esforço, tempo de esforço como uma conteúdo relevante e consistente, validade 
 percentagem do tempo de ciclo, número preditiva (identifica corretamente um perigo), e 
 de esforços, mão e postura de pulso, validade externa (eficaz em diferentes cenários) 
 velocidade de trabalho e tempo de (CABEÇAS, 2007). 
 deslocamento (CHIASSON, 2012). 
 É um aprimoramento do método de 
 Rodgers, feita com base em vídeos. Se 
 propõe a avaliar mãos e pulso. Sugere a 
 avaliação de 6 fatores, dividindo-a em 
 hemicorpo direito e esquerdo 
 (GUIMARÃES, 2004). 
0 
 
 
Quadro 2- Métodos/ferramentas ergonômicas para avaliação de carga física
 (C
onclusão) 
FERRAMENTAS PARA AVALIAÇÃO DA CARGA FÍSICA 
Método Definições Procedimentos 
KIM – Key 
Indicator Method 
É utilizado para avaliar tarefas que 
envolvem operações de movimentação 
manual (DOUWES, KRAKER, 2014). 
Segundo o ETUI - Instituto Sindical Europeu 
(2014), duas ferramentas KIM foram 
desenvolvidas para a avaliação dos riscos no 
caso de tarefas de: levantar, manter, colocar; e 
empurrar ou puxar uma carga. Considera o 
número de levantamentos ou transporte de carga 
por dia de trabalho, a sua duração total no dia 
(<5s) e a distância total percorrida no 
transporte da carga, o que gera uma pontuação 
de duração de 1 a 10. 
Este método realiza a descrição da 
tarefa e a avalição separadamente, 
quando os itens chaves são pontuados 
sem necessitar de medições exatas 
(imprecisão calculada) (OSHA - Agência 
Europeia para a Segurança e 
Saúde no Trabalho, 2015). 
A análise de risco é baseada num modelo de 
dose (duração multiplicada pela intensidade). 
Fonte: Elaborado pelo autor a partir de múltiplas fontes 
 
 
Quadro 3 - Métodos/ferramentas ergonômicas para avaliação do conforto térmico 
FERRAMENTA PARA AVALIAÇÃO DO CONFORTO TÉRMICO 
Método Definições Procedimentos 
FANGER O modelo de conforto térmico de Fanger (anos 
70), é um dos modelos mais adiantados e 
ainda o mais extensamente usado em predizer 
a sensação térmica (ALAHMER, 2012). 
É baseado em dois índices: 
PMV (voto médio estimado, de um grande grupo 
de pessoas sujeitas a um mesmo ambiente 
térmico) e PPD (percentagem de pessoas 
insatisfeitas, calculado sobre o valor de PMV e 
na escala de ASHRAE) (TALAIA, 2013). 
O conforto térmico é condição essencial para 
a saúde, segurança e produtividade do 
trabalhador (OLIVEIRA et al., 2010). 
É baseado em um contrapeso de energia do 
corpo humano, considerado como um sistema 
termodinâmico que troca calor com o ambiente 
externo. 
Fonte: Elaborado pelo autor a partir de múltiplas fontes 
 
 
 
 
 
 
1 
 
 
UNIDADE II 
Abordagem Ergonômica Moderna 
 
A análise ergonômica do trabalho não se restringe ao uso de 
ferramentas de medição, observações e entrevistas com os 
trabalhadores, cada ação ergonômica deve se contextualizar com a 
situação demandada (GUÉRIN, 2001). Deve conceber os diversos pontos 
de vistas que envolvem o trabalho e ter uma contribuição significativa 
daqueles que estão diretamente envolvidos no mesmo (GUÉRIN, 2001). 
Dentro de uma abordagem ergonômica é importante fazer a distinção 
entre tarefa e atividade. Tarefa é a prescrição que é imposta ao operador 
para executar seu trabalho, trata-se de normas e regulamentos que 
devem ser seguidos, já a atividade será aquilo que realmente o operador 
irá fazer no dia a dia de trabalho. Trata-se de uma realidade complexa 
que envolve a invocação de saberes por parte dos trabalhadores, 
projeção de seus valores em sua atividade, articulação com o coletivo de 
trabalho, usos desi por si e uso de si pelos outros, entre vários outros 
elementos envolvidos na complexidade do trabalho. A análise da 
atividade possibilita a identificação dos mecanismos de regulação, em 
tempo real pelo trabalhador, que auxiliarão para compreensão do 
trabalho, e assim transforma-lo (GUÉRIN, 2001). 
 
Uma análise dos mecanismos funcionais da organização do 
trabalho possibilita, em grande parte, a compreensão da atividade 
desenvolvida pelo trabalhador. Conhecer como se dá a comunicação dos 
serviços na empresa, a relação entre gestão e operação, entender os 
procedimentos de manutenção, as ferramentas de segurança, a 
engenharia de projetos, contribuem para esclarecer muito da realidade 
de trabalho enfrentada pelo indivíduo. Entender se há reconhecimento e 
valorização do agir competente dos trabalhadores por parte dos gestores, 
e se o sujeito possui certa autonomia para desenvolver seu trabalho, 
auxilia a decifrar a complexidade da atividade de trabalho. 
2 
 
 
Na obra “Compreender o Trabalho Para Transformá-lo”, Guérin 
(2001) propõe que a atividade possui um papel integrador no trabalho, pois 
é nela que as contradições entre o prescrito e o real se materializam; é 
onde trabalhador mobilizará conhecimentos para driblar as variabilidades; 
é o local onde os valores dos indivíduos são projetados e histórias são 
construídas. Portanto, para que uma análise ergonômica tenha bons 
resultados é de suma importância uma compreensão significativa da 
atividade de trabalho. 
Segundo Mendes (2014, p.49), "a análise da atividade pode ser 
feita, a partir da observação e apreensão de comportamentos, e de 
verbalizações ligadas diretamente à realização do trabalho ou que se 
fazem durante a realização do mesmo". Portanto, na construção deste 
estudo foi utilizada a análise ergonômica do trabalho para fazer emergir 
da atividade, a variabilidades que os indivíduos estão susceptíveis, a 
materialização do confronto de diversas dimensões do trabalho, os 
mecanismos de regulação adotados pelos mecânicos, que garantem que 
atinjam os objetivos da produção, de saúde e segurança. 
A Noção de Variabilidade 
As empresas, na organização do processo de trabalho, planejam e 
fornecem os meios necessários à produção, na medida em que dividem tarefas, 
estabelecem critérios, nor- mas e regras definindo, assim, os objetivos a serem 
alcança- dos no processo de trabalho. Muitas vezes, adotam como referência 
um pressuposto herdado de Taylor, cuja máxima reside na concepção de um 
“operário médio”, bem treinado e que trabalha em um posto estável (Wisner, 
1987). Porém, o que se observa no cotidiano é que esta estabilidade não 
corresponde à realidade. Os estudos demonstram uma dife- rença entre o que é 
previsto e o que é realizado, entre o desejável e o real, pois nas situações de 
trabalho ocorrem variações freqüentes, em decorrência de vários fatores. Den- tre 
eles, vale ressaltar a organização do trabalho bem como aqueles relacionados às 
características do trabalhador. 
Na perspectiva da organização do trabalho, devem ser incluídos desde os 
materiais, os equipamentos e os proce- dimentos, até a gestão dos incidentes. 
3 
 
 
Quanto às caracte- rísticas do trabalhador, a literatura aponta as fontes de va- 
riabilidade do indivíduo como as de natureza inter e intra individuais, levando-se 
em conta os aspectos físicos, psí- quicos e cognitivos, neles inseridos, a 
experiência como história das representações mentais, o envelhecimento como 
história biológica e outras intrinsecamente ligadas à histó- ria do trabalho. É 
neste contexto do real que a atividade realmente ocorre e não naqueles 
previstos, malgrado os esforços da organização na sua tentativa de estabilização 
do processo ou ainda da normatização. 
A atividade compreende vários artefatos tais como ins- trumentos, signos, 
procedimentos, máquinas, métodos, re- gras e formas de organização do 
trabalho. Entretanto, uma das características importantes destes artefatos é o 
seu pa- pel de mediação entre o trabalhador e o objeto do trabalho (Wisner, 
1997; Rabardel, 1995 e Monoud, 1970). 
A mediação entre o objeto e objetivo, segundo Engeström (1987), é 
estabelecida através de um terceiro elemento - ar- tefato. Portanto, a relação 
entre o sujeito e o objeto tem como mediador os artefatos que podem ser 
instrumentais utilizados no processo de transformação, sejam eles, mate- riais 
ou intelectuais. Por exemplo, a relação entre o sujeito e o coletivo tem como 
mediador as regras que compreen- dem as normas explicitas ou implícitas, as 
convenções e as relações sociais no seio do coletivo. A relação entre o obje- to 
e o coletivo tem como mediador a divisão de trabalho que qualifica a organização 
explicita e implícita em relação ao processo de transformação do objeto em 
produto. Cada um destes mediadores é constituído historicamente e de forma 
diferente. 
Muitas vezes, os artefatos são criados e transformados durante o 
desenvolvimento da atividade e trazem em si uma cultura particular, resíduo 
histórico deste desenvolvimen- to. Assim sendo, a atividade constitui por si só o 
contexto significativo mínimo para a compreensão das ações de tra- balho. Neste 
sentido, é possível que o objeto e o objetivo só se revelem no processo do fazer. 
Nesta perspectiva, podemos constatar que na situação real de trabalho, a 
variabilidade está sempre presente e de forma estrutural. Este cenário é o 
espaço onde se confron- tam as características do indivíduo, as exigências da 
4 
 
 
pro- dução e a organização do trabalho. Portanto, é necessário integrar estas 
variações de maneira a facilitar a qualidade de vida no trabalho e a favorecer, a 
contento, o funciona- mento da produção. 
Perrow (1967) e Wisner (1994a), em períodos distintos, ressaltam que a 
variabilidade das tarefas pode ser avaliada segundo o número de exceções 
verificadas para o funcio- namento normal do sistema. Outro aspecto destacado 
pelos autores está relacionado ao grau de dificuldade que o tra- balhador 
encontra, para identificar as alterações e varia- ções dos parâmetros que 
ocorrem durante o processo de trabalho e que afetam o funcionamento do 
sistema. Estes fatos, na prática, têm grande importância para a ergonomia que, 
há muito tempo, tem se empenhado em demonstrar que as tarefas 
aparentemente mais monótonas e as estrita- mente organizadas exigem uma 
adaptação permanente dos trabalhadores às variações das máquinas e da 
matéria pri- ma (Wisner, 1994a, p.166). É por isto que os ergonomistas tendem a 
recomendar uma organização mais flexível, quan- do se fala na inserção de 
novas tecnologias, com o objetivo de permitir ao trabalhador responder 
adequadamente a es- sas variações no decorrer do seu trabalho. 
A resposta dos operadores a esta variabilidade era en- tendida 
anteriormente como o afastamento do trabalho pres- crito e, portanto, como um 
risco à qualidade da produção e aos equipamentos. Entretanto, com os avanços 
da psicolo- gia cognitiva, este afastamento é hoje entendido como uma forma de 
gestão desta variabilidade. Wisner (1996) afirma que o operador constitui a todo 
momento, o problema que ele tem a resolver. Esta construção se apoia tanto nas 
vari- ações da máquina, do ambiente, da matéria prima e das relações 
sociotécnicas, quanto nas competências do pró- prio operador. 
A compreensão da competência dos trabalhadores está relacionada à sua 
capacidade de regulação, ou seja, gerir a variabilidade de acordo com as 
situações. Quanto maior a variabilidade das situações, menor a probabilidade de 
an- tecipação, exigindo assim, maior competência dos traba- lhadores para a 
passagem de uma operação prescrita à uma ação situada (contextualizada). 
Esta competência possibi- lita, também, redefinir a atividade, favorecendo a 
reconsti- tuição de situações anteriores por meio de reformulações, utilizando 
para isto recursos do próprio contexto como,por exemplo, o apelo à competência 
5 
 
 
de outros trabalhadores, a elaboração de novos parâmetros para esta atividade 
ou, até mesmo, a utilização eventual de uma estratégia operatória antiga. Esta 
capacidade de regulação constitui uma compe- tência, que é necessário 
considerar nas diferentes etapas de um projeto industrial ou organizacional, 
objetivando atin- gir um funcionamento que possibilite uma produção está- vel 
em quantidade e qualidade. 
A análise ergonômica do trabalho permite identificar, por intermédio da 
observação do contexto real de trabalho, quais são as variáveis que o operador 
busca para compre- ender os problemas aos quais ele é confrontado e, desta 
forma, associar os processos cognitivos que ele mobiliza na execução do seu 
trabalho. Estes dados são fundamentais para a melhoria do dispositivo técnico, 
da organização e da formação. 
Segundo Laville (1976/1977), o objetivo do estudo da atividade do 
trabalhador é conhecer as funções que este mobiliza e compreender as 
modalidades de utilização des- tas funções. 
Os modelos que habitualmente são utilizados nas inter- venções 
ergonômicas buscam estabelecer uma relação en- tre a atividade e a 
multiplicidade de fatores que a determi- na, ou seja, procuram integrar a atividade 
com estes fato- res. Por exemplo, compreender como se processa a inter- 
relação entre as características da população (variabilidade intra e inter-
individual) com aquelas oriundas do contexto do trabalho (organização, 
tecnologia, gerenciamento, den- tre outros). 
Por que é importante considerar estas características no projeto, seja no 
momento da concepção ou da introdu- ção de novas tecnologias? Em outros 
termos, para que de- veria servir uma analise das características da população 
em um projeto industrial/organizacional? 
Às vezes, o modo de funcionamento deteriorado de uma unidade é 
caracterizado pela multiplicidade e diversidade entre o prescrito (o que é 
estabelecido pela organização do trabalho) e o real (atividade). Perrow (1967), 
sociólogo americano da área organizacional, realizou um estudo onde, já naquela 
época, demonstrou a importância da variabili- dade das atividades nas 
contingências da organização do trabalho, bem como a importância das 
6 
 
 
empresas conside- rarem este elemento nas etapas de um projeto industrial/ 
organizacional. 
Os erros da produção atribuídos, muitas vezes, à incom- petência dos 
trabalhadores, são frutos do desconhecimento da empresa sobre as reais 
situações do trabalho, assim como à variabilidade das atividades às quais os 
operadores são confrontados. Neste enfoque, a literatura é consensual e aponta 
para a importância de se considerar, nas diferentes etapas de um projeto 
industrial/organizacional, as caracterís- ticas da população e as competências 
exigidas para cada situação a fim de prevenir o risco de um funcionamento 
técnico de forma degradada, comprometendo as competên- cias já 
estabelecidas. 
A atividade de trabalho, entendida neste contexto, como o modo segundo 
o qual cada um dos indivíduos se relaciona com os objetivos propostos, com a 
organização do trabalho e com os meios que ele dispõe para realizá-los. Este 
modo configura um conjunto sempre singular de determinações, denominado 
modo operatório, ou seja, seqüências de ação, de gestos, de sucessivas buscas 
e tratamento de informações, de comunicações verbais ou gráficas e de 
identificação de incidentes. Enfim, significa a mobilização de suas represen- 
tações mentais, de suas estratégias operatórias e das suas competências. Este 
fazer, reafirmamos, é o que caracteriza a atividade efetivamente realizada pelo 
sujeito. 
Neste sentido, a atividade atua como um agente integrador desta 
multiplicidade de fatores no processo de trabalho, em especial, da integração 
das características di- ferenciadas e variáveis. 
Portanto, ao considerar a variabilidade, busca-se um equilíbrio entre as 
características dos sujeitos e o seu ambi- ente de trabalho visando obter os 
resultados esperados pela produção, dentro das melhores condições possíveis. 
Segundo Weill-Fassina (1990), o trabalho é considerado uma condu- ta finalística 
que o sujeito apreende e é dirigida por uma meta cuja consecução deve se 
adaptar às exigências do ambiente material e social. 
A análise ergonômica do trabalho possibilita o estabe- lecimento das 
relações entre a atividade e os seus diferen- tes níveis de determinantes. Como 
7 
 
 
integrar a noção de variabilidade, se conside- rarmos a singularidade de cada 
situação estudada, a vari- abilidade natural do homem e, por vezes, a volatilidade 
da ação? Quais as conseqüências desta integração para o pro- cesso de 
trabalho? 
A Integração das Características da População 
O trabalho é uma atividade desenvolvida por homens e mulheres, para 
suprir o que não é determinado pela organi- zação do trabalho. Por isto, não é 
suficiente o trabalhador seguir somente as prescrições, é necessário interpretar, 
cor- rigir, adaptar e às vezes criar. Para atender às exigências da situação de 
trabalho, ele está constantemente submetido a um processo de regulação 
interna. A sua inteligência se manifesta ao suprir as lacunas da prescrição e ao 
transitar pela variabilidade da situação de trabalho, das ferramentas, do objeto 
de trabalho e da organização real do trabalho. 
Ao transitar nestas situações, o trabalhador utiliza es- tratégias 
individuais, denominadas modos operatórios, bem como estratégias coletivas, 
caracterizadas pelo comparti- lhar da atividade de trabalho com a hierarquia e 
com os seus pares. 
A atividade de um operador de processo contínuo, por exemplo, consiste, 
basicamente, em obter, processar e ar- mazenar informações oriundas de 
pontos diferentes, de na- tureza diversa e de conteúdos distintos. A partir disso, 
ele constrói seu problema para, posteriormente, agir sobre o funcionamento do 
processo. Para que esta ação seja efici- ente é preciso que ele tenha acesso à 
uma representação atualizada (tempo real) do estado funcional do sistema. 
Esse operador, raramente, age sozinho. Ele confronta seus indicadores e 
indícios com as representações mentais que outros operadores constróem do 
processo, para assim efetivar o seu diagnóstico. Nesse sentido, o trabalho de 
equi- pe, regulado por um coletivo de trabalho, constitui um dos fatores 
determinantes para a execução do trabalho. Esse coletivo, se apoia, de um lado, 
na competência dos operado- res e de outro, tão importante quanto o primeiro, 
nos limi- tes impostos pelas práticas de segurança. 
Segundo Vigotsky (1996), um princípio regulatório am- plamente difundido 
no comportamento humano é o da siginificação através do qual as pessoas, no 
8 
 
 
contexto de seus esfor- ços para solucionar um problema, criam ligações 
temporári- as e dão significado a estímulos previamente neutros (p. 98). A 
competência permite ao indivíduo atribuir um signi- ficado para a ação nas 
situações de trabalho. Segundo Vergnaud (1985), a competência de um 
indivíduo pressu- põe um repertório de procedimentos ou métodos alternati- vos, 
que lhe permite se adaptar de forma mais fina às dife- rentes situações que se 
apresentam. Isto ocorre em função do valor que ele atribui às diferentes 
variáveis da situação. Assim, o operador é capaz de adotar o procedimento 
corre- to em menor espaço de tempo, com menor custo operacional e de forma 
menos aleatória, o que lhe permite transitar com maior ou menor grau de 
dificuldade na diversidade das si- tuações às quais é confrontado. Nessa 
perspectiva, as com- petências são descritas do ponto de vista da atividade, 
possibilitando a compreensão da própria ação. 
Se nós admitirmos que toda a ação é inscrita no tempo e que ela sofre 
evolução contínua, podemos afirmar que a experiência favorece a reconstituição 
de um novo evento a partir de situações vivenciadas anteriormente. Este fato é 
o que évisível e passível de formalização. A experiência per- mite, inclusive, a 
regulação dos efeitos das más condições do trabalho, na medida em que 
contribui no processo de antecipação dos incidentes. 
Desta forma, ele modifica procedimentos, elabora so- luções e avalia 
alternativas, realizando a gestão de eventu- ais incidentes que podem ser 
previstos, evitados, identifi- cados e até corrigidos. Este processo, exige 
condutas de regulação interna, que podem resultar em aumento da car- ga de 
trabalho que varia em função, dentre outros fatores, daqueles decorrentes da 
experiência. 
Assim, a atividade, como fio condutor da análise ergonômica, adota como 
base de sustentação o fundamen- to e a gênese das experiências e das 
competências solicita- das no processo do fazer e que estruturam as tarefas no 
contexto organizacional. 
Quando integramos no projeto de trabalho a noção de variabilidade 
(experiências, formação) a distância entre o prescrito e o real toma um outro 
significado, o de campo de atividade de construção de resposta relevante, 
9 
 
 
especialmente no que concerne ao processo de aprendizagem e à melhoria das 
condições de trabalho. A prescrição polariza uma for- ma de agir. 
A ausência do reconhecimento da interação, entre os pla- nos do trabalho 
prescrito e do trabalho real, é um fator nega- tivo para a produtividade, pois, além 
de não favorecer um espaço adequado para o processo de aprendizagem 
necessá- ria, nega todos os processos de regulação executados pelos 
operadores quando estes são os meios que permitem aos ope- radores 
estabelecerem relações privilegiadas entre as infor- mações presentes no 
ambiente, suas próprias ações e seus resultados. Neste sentido, a integração dos 
resultados da aná- lise ergonômica constitui um suporte muito importante para os 
processos de capacitação/qualificação dos operadores. 
A análise ergonômica, quando abordada sob a ótica do processo de 
aprendizagem e articulada com os diferentes níveis de competência, nos fornece 
subsídios para a com- preensão das exigências de qualificação dos indivíduos, 
pois permite descrever e explicar as condutas de regulação dos indivíduos, 
considerando o contexto sociotécnico no qual está inserido. 
As competências podem ser analisadas sob dois ângu- los, aqueles 
exigidos pelas tarefas (formalizadas) e aqueles operacionalizados em função 
das condições reais da reali- zação do trabalho (vivenciadas). Weill-Fassina, 
Rabardel e Dubois, (1993) chama a atenção para o fato de que o nível de 
complexidade de uma tarefa para determinado operador depende de sua 
competência. As abstrações, as antecipa- ções, o tratamento de um número 
elevado de dados, as in- terferências e as coordenações, segundo a mesma 
autora, constituem algumas das dimensões da complexidade das tarefas. A 
passagem à antecipação é uma atividade de natu- reza cognitiva, o que significa 
esquematização, diagnósti- co, teste de hipóteses, enfim, abstrações em 
situação. 
A transição do pensamento situacional para o pensa- mento taxonômico 
conceitual, segundo Vigotsky, citado por Luria (1994), está relacionada a uma 
mudança básica no tipo de atividade que o indivíduo está envolvido (p. 70). Ele 
afirma, no seu trabalho sobre a formação de conceitos, que o “pensamento 
categorial” e a “orientação abstrata” são conseqüências de uma reorganização 
10 
 
 
fundamental da atividade cognitiva que ocorre sob o impacto de um fato novo, 
social. 
A característica principal do pensamento categorial ou abstrato, segundo 
Luria (1994), está relacionada com a ca- pacidade dos sujeitos transitarem 
livremente de uma cate- goria para outra. Já no pensamento concreto ou 
situacional, os sujeitos classificam os objetos não em categorias lógi- cas, mas 
os incorporam às situações gráfico-funcionais reproduzidas de memória. 
Vigotsky (1996) distinguiu duas formas fundamentais de experiência que 
deram origem a dois grupos de concei- tos diferentes, contudo interdependentes, 
o “científico” e o “espontâneo”. O grupo dos conceitos “científicos” tem sua 
origem nas atividades altamente estruturadas e especializa- das da instrução 
escolar e são conceitos logicamente defi- nidos. O grupo dos conceitos 
“espontâneos” emerge da re- flexão do sujeito sobre a sua experiência cotidiana. 
Os con- ceitos “espontâneos”, segundo Vigotsky, seguem um cami- nho 
ascendente em direção a uma maior abstração, deline- ando assim o caminho 
para os conceitos científicos no seu desenvolvimento descendente em direção 
ao concreto. 
Nesta perspectiva, distinguimos duas formas possíveis de aprendizagem 
na formação de conceitos: uma sistema- tizada pela via da instituição escolar e, 
a outra, a aprendi- zagem espontânea, decorrente das vivências do sujeito. 
A compreensão destes conceitos quando da introdução de novas 
tecnologias, é importante, pois torna-se difícil não considerarmos neste processo 
os conceitos espontâneos dos operadores, quando são submetidos às novas 
tecnologias. Se tal dinâmica não é considerada, o processo de aprendi- zagem 
se inicia tendo como base os conceitos científicos que exigem maior 
capacidade de abstração. 
Entretanto, quando da introdução de uma nova tecnologia, o processo de 
formação deve se iniciar tomando como base o repertó- rio oriundo dos 
“conceitos espontâneos”, retidos pela po- pulação de trabalhadores, fazendo 
com que a passagem à abstração seja facilitada. O processo conduzido desta 
for- ma permite ao operador transitar do concreto ao abstrato e facilita a 
elaboração de ligações preferenciais nas situa- ções de resolução de problemas. 
11 
 
 
Esta possibilidade de abstração contribui favoravelmente para a 
capacidade de antecipar os incidentes durante o pro- cesso, demonstrando, 
assim, o papel essencial dos opera- dores para gerir a distância entre o trabalho 
prescrito e aquele efetivamente realizado. Assim, face a uma situação anor- mal, 
os operadores constróem e resolvem problemas de características singulares, 
mediante processos, muitas ve- zes de natureza heurística, que combinam 
uma certa criatividade com anos de experiência socialmente distribu- ída e 
compartilhada entre os demais participantes. 
Para compreender as modalidades de atividades cognitivas presentes 
na situação real de trabalho e, eventu- almente, transformá-las, é indispensável 
dispor de um ins- trumento metodológico que possibilite, especialmente, apre- 
ender a forma segundo a qual os operadores constituem os problemas, antes de 
resolvê-los. A abordagem adotada como referencial neste artigo – a ergonomia, 
através da metodo- logia de AET em um sentido mais geral, permite descrever 
a alternância das fases de constituição e resolução dos pro- blemas, fornecendo 
parâmetros não só para a transforma- ção de sistemas técnicos, como também 
para a organização do trabalho, a formação e a transferência de tecnologia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
 
UNIDADE III – FISIOLOGIA DO TRABALHO 
O corpo humano é um organismo complexo que pode ser amplamente 
afetado por riscos químicos e físicos; o corpo também possui muitas maneiras 
de regular a si mesmo quando exposto aos riscos. Para controlar os riscos para 
o corpo é necessário entender como ele funciona e os tipos de danos que podem 
ocorrer como resultado da exposição. 
PELE 
A pele é a camada externa que cobre o corpo, também conhecida como 
epiderme. É o maior órgão do corpo e é formada por múltiplas camadas de 
tecidos epiteliais e protege os músculos, ossos e órgãos internos subjacentes. 
Uma vez que a pele entra em contato com o ambiente, ela tem um papel 
importante na proteção (do corpo) contra patógenos. 
A pele desempenha múltiplas funções: 
▪ Proteção: uma barreira anatômica contra patógenos e danos entre o 
interior e o ambiente externo na defesa do corpo. 
▪ Sensação: contém uma variedade de terminações nervosas que reagem 
ao calor, frio, toque, pressão,vibração e lesão do tecido. 
▪ Regulagem de calor: a pele contém um suprimento sanguíneo muito 
maior que sua necessidade, o que permite controle preciso da perda de energia 
por radiação, convecção e condução. Vasos sanguíneos dilatados aumentam a 
perfusão e a perda de calor enquanto vasos contraídos reduzem muito o fluxo 
sanguíneo cutâneo e conservam o calor. 
▪ Controle de evaporação: a pele fornece uma barreira relativamente seca 
e impermeável contra a perda de líquidos. A perda de função contribui para a 
perda massiva de fluidos em queimaduras. 
▪ Armazenagem e síntese: age como um centro de armazenagem para 
lipídeos, assim como um meio de síntese da vitamina D. 
▪ Excreção: o suor contém ureia, no entanto, sua concentração é de 1/130 
a da urina, portanto a excreção pelo suor é no máximo uma função secundária 
para regulagem da temperatura. 
13 
 
 
▪ Absorção: Enquanto a pele age como uma barreira, alguns químicos são 
prontamente absorvidos por ela. 
▪ Resistência à água: A pele age como uma barreira resistente contra a 
água, de forma que nutrientes essenciais não sejam lavados para fora do corpo. 
A pele pode ser afetada por agentes químicos, físicos e biológicos e os 
transtornos cutâneos são responsáveis por uma proporção substancial de 
doenças industriais. Os tipos de efeitos podem ser classificados em: dermatite, 
dano físico, câncer, biológico ou outros efeitos. 
DERMATITE 
O transtorno mais comum é a dermatite de contato e 70% dos casos se 
devem a irritação primária, isto é, ação direta na pele, mais frequentemente nas 
mãos e antebraços. Um irritante é um agente que danifica diretamente as células 
se aplicado à pele em concentração e por tempo suficientes (isto é, todos os 
efeitos são relacionados à dose), levando a dermatite de contato por irritante. 
Álcalis dissolvem a queratina e alguns solventes removem o sebo. Quaisquer 
efeitos diretos na pele podem tornar a superfície mais vulnerável a outros 
agentes e reduzem as defesas de entrada na pele. 
A outra forma de dermatite de contato é a dermatite por contato alérgico. 
Isto resulta da sensibilização da pele por contato inicial com uma substância e 
subsequente repetição do contato. Um sensibilizante (alergênico) é uma 
substância que pode induzir uma sensibilidade imunológica especifica a si 
mesmo. A dose inicial pode precisar ser bem alta e leva a uma resposta de 
hipersensibilidade retardada mediada por linfócitos e envolvendo a produção de 
anticorpos. A primeira dose não produz nenhum efeito visível, mas exposições 
subsequentes, frequentemente de um minuto, podem levar a dermatite. 
Irritantes comuns incluem detergentes, sabões, solventes orgânicos, 
ácidos e álcalis. Sensibilizantes comuns são plantas (jardinagem), antibióticos 
(indústria farmacêutica), corantes (indústria de tintas e cosméticos), metais 
(níquel (geralmente não-industrial) e cromados (indústria de cimentos)), 
borrachas e resinas. Pessoas que trabalham com óleos de corte podem 
apresentar dermatite de contato irritante e alérgica, sendo irritadas pelo óleo em 
si e alérgicas aos biocidas nele presentes. 
14 
 
 
DANOS FÍSICOS 
Agentes físicos que podem danificar a pele incluem o clima, fricção e 
lesão. Frio, vento e chuva podem causar pele rachada e o sol pode queimar ou 
causar tumores de pele, então ocupações expostas a esses elementos (pesca, 
agricultura) apresentam risco. Lesões por fricção são comuns em trabalhos 
manuais pesados (construção e mineração) e equipamentos cortantes usados 
em muitas ocupações podem levar a abrasões e lacerações. 
AGENTES BIOLÓGICOS 
A pele está sujeita aos efeitos de agentes biológicos tais como infecções 
virais de animais, infecções por leveduras e fungos quando contato prolongado 
com água ocorre e infecções por antraz onde produtos animais são manuseados. 
CÂNCER 
Tumores de pele benignos e cânceres podem resultar de contato com 
creosoto, óleos minerais e radiação ultravioleta e radiação ionizante (trabalho 
com radioisótopos, radiologistas) podem causar câncer de pele. Exposição à 
radiação ultravioleta ao trabalhar em áreas externas também é uma causa 
comum de câncer de pele. 
OUTROS EFEITOS 
Trabalhos que envolvem óleos minerais podem levar a acne oleosa 
particularmente nos antebraços e coxas. Poros obstruídos que se tornam 
infectados produzem cravos e pústulas. Cloracne, com cravos e cistos na face e 
pescoço resulta dos efeitos de alguns hidrocarbonetos aromáticos policlorinados 
nas glândulas sebáceas. Alterações na pigmentação da pele podem resultar do 
contato químico. Fortes soluções alcalinas e ácidas causam queimadura. 
SISTEMA MÚSCULO ESQUELÉTICO 
O sistema músculo esquelético fornece forma, estabilidade e movimento 
ao corpo humano. Ele é formado por ossos do corpo, o esqueleto, músculos, 
cartilagem, tendões, ligamentos e articulações. As funções primárias do sistema 
músculo esquelético incluem suportar o corpo, permitir o movimento e proteger 
órgãos vitais. A porção esquelética do sistema serve como sistema de 
armazenamento principal para cálcio e fósforo e contém componentes 
essenciais envolvidos na produção do sangue. 
15 
 
 
Há, no entanto, doenças e transtornos que podem afetar adversamente a 
função e eficácia geral do sistema. Estas doenças podem afetar o diagnóstico 
em decorrência da relação próxima do sistema músculo esquelético com outros 
sistemas internos. O sistema músculo esquelético se refere ao sistema que tem 
seus músculos conectados a um sistema músculo esquelético interno e é 
necessário para que os seres humanos de movimentem para uma posição mais 
favorável. 
O sistema esquelético tem muitas funções importantes; ele estabelece o 
formato e forma de nossos corpos, além de suporte, proteção, permitindo o 
movimento corporal, produzindo sangue para o corpo e armazenando minerais. 
Outra função dos ossos é a armazenagem de certos minerais. Cálcio e fósforo 
estão entre os principais minerais armazenados. A importância deste 
“dispositivo” de armazenagem ajuda a regular o equilíbrio mineral na corrente 
sanguínea. Esta capacidade de armazenagem pode ser importante durante a 
exposição a substâncias perigosas. Por exemplo; chumbo é armazenado no 
sangue por longos períodos após a exposição, este pode ser liberado de forma 
seletiva posteriormente e gera problemas com envenenamento por chumbo no 
corpo, por exemplo, durante a gravidez. 
SISTEMA NERVOSO 
O sistema nervoso é uma rede de células especializadas que comunicam 
informações sobre o ambiente dos nossos corpos e nós mesmos. Ele processa 
estas informações e causa reações em outras partes do corpo. O sistema 
nervoso está dividido, grosso modo, em duas categorias: o sistema nervoso 
central e o sistema nervoso periférico. O sistema nervoso central (SNC) é a parte 
maior do sistema nervoso e inclui o cérebro e a medula espinhal. O sistema 
nervoso periférico é um termo para as estruturas nervosas coletivas que não 
estão no SNC. 
Toxinas industriais podem afetar o sistema nervoso central (cérebro e 
medula espinhal) ou sistema nervoso periférico (nervos motores e sensoriais) ou 
ambos e as condições resultantes dependem do local do ataque. O sistema 
nervoso é semelhante ao fígado uma vez que agentes solúveis em gordura têm 
muito mais probabilidade de causar danos. Elas também podem cruzar a barreira 
hematoencefálica. Danos no sistema nervoso central podem produzir narcose, 
16 
 
 
psicose orgânica tóxica, epilepsia, Parkinsonismo e alterações 
comportamentais. 
Provavelmente, o efeito sobre o sistema nervoso central mais facilmente 
reconhecido é a perda aguda de consciência produzida por agentes narcóticos 
tais como clorofórmio, tetracloreto de carbono e tricloroetileno (todos 
hidrocarbonetos halogenados solúveis em gordura) e solventes tais como 
acetona, tolueno e dissulfeto de carbono. Descobriu-se que alterações 
comportamentais, demonstradas por testesde inteligência, destreza e vigilância, 
resultam em níveis muito mais baixos que os normalmente aceitos como seguros 
na exposição ao tricloroetileno, benzina, monóxido de carbono e cloreto de 
metileno. 
SISTEMA ENDÓCRINO 
O sistema endócrino é o nome coletivo dado a um sistema de pequenos 
órgãos que liberam moléculas sinalizadoras extracelulares conhecidas como 
hormônios. O sistema endócrino é essencial para regular o metabolismo, 
crescimento, desenvolvimento, puberdade e função dos tecidos. Também tem 
um papel importante na determinação de nosso humor. O sistema endócrino é 
um sistema de sinalização de informação muito similar ao sistema nervoso. No 
entanto, o sistema nervoso utiliza os nervos para transportar as informações, 
enquanto o sistema endócrino utiliza principalmente vasos sanguíneos como 
canais de informações por meio dos quais transporta os hormônios. 
Trabalhadores farmacêuticos que manuseiam fármacos endócrinos como 
estrogênio (na “pílula') ou tiroxina (usada para o tratamento da tireoide) 
apresentam risco de perturbar seu próprio equilíbrio endócrino e o 
dietilestilbestrol (DES) levou a tumores em crianças de trabalhadores de ambos 
os sexos. Gases anestésicos (anestésicos femininos) e a exposição de cloreto 
de vinila durante a gravidez foi associada a parto de natimorto ou defeitos 
congênitos. Radiação ionizante pode danificar as gônadas reduzindo a fertilidade 
ou aumentando os riscos de más-formações congênitas e câncer nos filhos. 
 
 
17 
 
 
O SISTEMA CIRCULATÓRIO 
O sistema circulatório move nutrientes, gases e resíduos de e para as 
células para ajudar a combater doenças e ajudar a estabilizar a temperatura e o 
pH do corpo. Este sistema pode ser visto estritamente como uma rede de 
distribuição de sangue, mas algumas pessoas podem considerar o sistema 
circulatório como composto pelo sistema cardiovascular, que distribui o sangue 
e o sistema linfático, que distribui a linfa. Os principais componentes do sistema 
circulatório humano são o coração, o sangue e os vasos sanguíneos. O sistema 
circulatório inclui: 
▪ Circulação pulmonar: onde o sangue passa pelos pulmões e se torna 
oxigenado. 
▪ Circulação sistêmica: onde o sangue oxigenado passa pelo resto do 
corpo. 
Um adulto médio contém 4,7 a 5,7 litros de sangue, que consiste de 
plasma, glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Também, o sistema 
digestivo trabalha com o sistema circulatório para fornecer os nutrientes que o 
sistema precisa para manter o coração bombeando. O sistema linfático é 
responsável pela remoção do fluido intersticial dos tecidos assim como a 
absorção e transporte de gorduras e ácidos graxos. O sistema linfático também 
é responsável pelo transporte de células que possuem antígeno (APCs). 
O sistema cardiovascular é exposto a qualquer agente transportado no 
sangue. Acredita-se que o monóxido de carbono e muitos metais (incluindo 
cromo, manganês e chumbo) causem danos ao músculo cardíaco, mas a única 
associação comprovada é com o cobalto. Hidrocarbonetos clorinados como 
CFCs, tricloroetileno e 111- tricloroetano podem induzir arritmias (ritmos 
cardíacos anormais em decorrência de defeitos na condução elétrica no 
coração). O tricloroetileno causa morte súbita desta forma. Dissulfeto de carbono 
(setor de viscose rayon) acelera a aterosclerose (endurecimento das artérias). O 
trabalho em temperatura alta ou baixa afeta a circulação periférica e pode 
prejudicar o coração. 
 
18 
 
 
O SANGUE 
A produção de hemoglobina, o pigmento vermelho que transporta 
oxigênio nas células, é inibida pelo chumbo inorgânico que interfere com os 
sistemas de enzimas. O resultado é anemia caracterizada por pele e membranas 
mucosas pálidas, fadiga e algumas vezes dispneia de esforço. Arsina e estibina 
causam o rompimento dos glóbulos vermelhos (hemólise) e o resultado 
novamente é anemia. Radiação X (acidentes nucleares) ou benzeno pode 
causar leucemia (crescimento excessivo das células sanguíneas), 
provavelmente por ação na síntese do DNA. 
O transporte de oxigênio pode ser afetado de duas formas, ambas sendo 
formas de asfixia. Em atmosferas onde o ar normal é deslocado pelos gases 
inertes como nitrogênio, metano, hélio e dióxido de carbono, o conteúdo de 
oxigênio (normalmente 21%) é diluído resultando em hipóxia (baixa tensão de 
oxigênio no sangue). Isto inicialmente levará a um aumento compensatório na 
frequência cardíaca e respiratória. Se a hipóxia continuar, o julgamento será 
prejudicado e a pessoa ficará inconsciente e eventualmente morrerá. Respirar 
100% de gás inerte (colocar a cabeça em uma câmara cheia de gás) causará 
inconsciência instantânea. 
A outra forma industrial de asfixia é a asfixia química. Anilina e 
nitrobenzeno, como líquidos absorvidos por meio da pele intacta e monóxido de 
carbono inalado, interferem com a habilidade do sangue de transportar oxigênio 
associada com oxigênio, como oxihemoglobina. Anilina e nitrobenzeno se 
associam com hemoglobina para formar metahemoglobina levando a cianose 
(uma coloração azul nas membranas mucosas, especialmente os lábios). O 
monóxido de carbono combina com a hemoglobina competindo com o oxigênio 
para formar carboxihemoglobina, uma coloração carmim brilhante, fazendo com 
que a pessoa afetada pareça ter cor de cereja. 
SISTEMA RESPIRATÓRIO 
A principal função do sistema respiratório é a troca de gases entre o 
ambiente externo e o sistema circulatório. Isto envolve retirar o oxigênio do ar e 
levar para o sangue e liberar o dióxido de carbono (e outros resíduos gasosos) 
do sangue de volta para o ar. Na inalação, a troca gasosa ocorre nos alvéolos, 
as pequenas bolsas que são o componente funcional básico dos pulmões. As 
19 
 
 
paredes alveolares são extremamente finas (aprox. 0,2 micrômetros). Essas 
paredes são compostas de uma única camada de células epiteliais próximas dos 
capilares sanguíneos que, por sua vez, são compostos de uma única camada de 
células endoteliais. A proximidade desses dois tipos de células permite a 
permeabilidade para gases e, portanto, a troca gasosa. O oxigênio é levado para 
o sangue enquanto o excesso de dióxido de carbono é liberado. 
Como a pele e os olhos, os pulmões são afetados por irritantes e 
alergênicos. Eles também respondem na forma de pneumoconiose fibrótica e 
doença maligna a uma variedade de agentes industriais. Partículas maiores que 
10 µm de diâmetro são filtradas pelo nariz. A estrutura ramificada das vias aéreas 
encoraja a deposição de partículas de 2-10 µm que podem então ser eliminadas 
pelo escalador mucociliar. Nos alvéolos, as partículas remanescentes passam 
de volta na árvore brônquica livremente ou são fagocitadas pelos macrófagos e 
levadas para o escalador mucociliar ou sistema linfático adjacente. A despeito 
de sua eficiência, grandes volumes de partículas podem sobrecarregar estes 
mecanismos de defesa. 
A irritação causada pelos gases e vapores produz inflamação do trato 
respiratório e os sintomas tendem a ser agudos ou retardados, dependendo da 
solubilidade do agente tóxico. Também pode haver efeitos crônicos. Efeitos 
crônicos da exposição prolongada podem ser bronquite crônica e danos 
permanentes nos pulmões. Reações alérgicas a substâncias podem causar 
asma ocupacional. Os sintomas incluem insuficiência respiratória grave assim 
como chiado, tosse e aperto no peito. Certas substâncias tais como isocianatos 
(usado em tintas), pó de farinha e vários vapores podem causar asma. Estas 
substâncias são chamadas de “sensibilizantes respiratórios” ou asmagênicos. 
Eles podem causar uma mudança nas vias aéreas das pessoas, conhecida como 
'estado hipersensível'. Nem todos que se tornem sensíveis passam a sofrer de 
asma. Mas, uma vez que os pulmões se tornam hipersensíveis, exposição 
adicional à substância, mesmo em níveis muito baixos, pode gerar um ataque. 
Pneumoconiose é a reação dos pulmões à poeiramineral inalada e a 
alteração resultante em sua estrutura. As principais causas são pó de carvão, 
sílica e amianto e todos eles levam a cicatrização do pulmão conhecida como 
fibrose colagenosa. A pneumoconiose pode não produzir qualquer sintoma por 
20 
 
 
anos. No entanto, à medida que os pulmões se tornam menos flexíveis e porosos 
sua função é amplamente reduzida. Os sintomas incluem insuficiência 
respiratória, tosse e mal estar geral. A insuficiência respiratória geralmente 
começa apenas com esforço severo. À medida que a doença progride, a 
insuficiência respiratória pode estar presente todo o tempo. A tosse geralmente 
não está associada com catarro, mas pode eventualmente estar associada com 
sangue. Em decorrência da baixa oxigenação do sangue pelos pulmões 
danificados, as unhas e lábios podem parecer pálidos ou azulados. 
Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) se refere a bronquite crônica 
e enfisema. Estas são duas doenças pulmonares que com frequência ocorrem 
simultaneamente e resultam no estreitamento das vias aéreas. Isto leva a uma 
limitação do fluxo de ar de e para os pulmões causando insuficiência respiratória. 
Diferente da asma ocupacional, o estreitamento das vias aéreas não é fácil de 
reverter e geralmente piora progressivamente com o tempo. A DPOC pode ser 
ativada por uma variedade de partículas e gases que fazem com que o corpo 
produza uma inflamação anormal dos tecidos. 
Tumores malignos de origem industrial podem afetar os pulmões e tecidos 
subjacentes. Câncer do pulmão foi descoberto em pessoas que trabalham com 
amianto (mineiros, insuladores) e o risco é aumentado pelo fumo, arsênico 
(pesticidas), cromo (fabricantes de pigmentos), hidrocarbonetos aromáticos 
policíclicos (manufatura de gás de carvão, trabalhadores de tabaco) e radiação 
ionizante (mineradores de urânio). Pó de madeira (fabricantes de móveis de 
madeira), pó de couro e pó de níquel causaram câncer dos seios nasais. 
O TRATO GASTROINTESTINAL 
O trato gastrointestinal é o sistema usado pelo corpo para ingerir, quebrar 
e absorver nutrientes, assim como excretar resíduos. Ingestão como uma rota 
tóxica de entrada na indústria é improvável, mas pode ocorrer se as pessoas 
puderem comer ou fumar em suas estações de trabalho, arriscando, dessa 
forma, a contaminação pelas mãos ou a partir de superfícies contaminadas. 
Vômito e diarreia são mecanismos naturais de defesa contra toxinas ingeridas e 
o ácido gástrico neutraliza os invasores alcalinos até certo ponto e também mata 
bactérias. Absorção de toxinas é relativamente menos eficiente do que via 
inalação, também limitando a entrada no corpo. No entanto, qualquer agente 
21 
 
 
irritante ou corrosivo que afetaria as membranas mucosas do trato respiratório 
também pode causar edema nos lábios, boca e epiglote (causando engasgo) e 
ulceração do esôfago e estomago. 
O FÍGADO 
O fígado é um dos principais órgãos metabólicos usados para processar 
nutrientes que foram absorvidos no sangue a partir do trato gastrointestinal ou 
via outras rotas tais como inalação. O fato de que é usado para quebrar materiais 
significa que é particularmente suscetível a quaisquer toxinas no corpo. As 
células do fígado podem se regenerar após danos tóxicos, sendo que a causa 
mais comum é o álcool. No entanto, a absorção contínua pode interromper o 
processo de regeneração e causar dano permanente no fígado. Doença hepática 
pré-existente pode tornar isso mais provável. 
Industrialmente, álcoois solúveis em gordura e hidrocarbonetos 
halogenados são particularmente conhecidos por seus danos nas células 
hepáticas. O sinal mais óbvio de dano hepático é a icterícia. Dano hepático, 
geralmente cirrose, é um precursor importante de hepatomas (tumores no 
fígado) e, portanto, danos hepáticos a longo prazo industrialmente induzidos 
predispõem os funcionários a tumores no fígado. O fígado em si é um órgão 
protetor, uma vez que seu processo de desintoxicação normal altera toxinas 
potenciais para formas seguras (e algumas vezes ocorre o contrário). 
SISTEMA EXCRETOR 
O rim tem um papel importante na manutenção do equilíbrio de fluidos e 
eletrólitos por meio de filtragem e sua reabsorção seletiva no sangue. Ele excreta 
(por meio da urina) resíduos indesejados (incluindo toxinas), que se tornaram 
solúveis em água por meio do metabolismo no fígado. 
Toxinas podem danificar os rins os quais, por sua vez, afetam o 
metabolismo do cálcio, equilíbrio ácido-base e reabsorção de água. Na falha 
renal aguda, o fluxo de urina cessa totalmente. A radiação ionizante pode causar 
danos na célula renal e fibrose. Uma vez que a urina é concentrada e 
armazenada na bexiga, a exposição a este órgão é bem mais longa do que ao 
restante do trato urinário. Portanto, ele é bem mais suscetível aos cânceres 
industrialmente induzidos. 
22 
 
 
OS OLHOS 
Não há necessidade de explicação quanto à função dos olhos. Também 
está claro que eles são relativamente frágeis. Os olhos são protegidos até certo 
ponto pelos ossos frontais acima deles e pelas pálpebras, juntamente com o 
reflexo de piscar. 
Os cílios mantêm as partículas de poeira longe dos olhos e as lágrimas 
fornecem um fator de diluição para químicos invasores e esterilização contra 
agentes infecciosos. Em decorrência de sua construção frágil os olhos são 
particularmente suscetíveis a lesões. Feridas perfuro-cortantes podem levar a 
danos na córnea, catarata e descolamento da retina, todos levando a cegueira. 
Danos à íris podem provocar uma reação simpática no outro olho e cegueira 
total. Ácidos e álcalis queimam a córnea. Álcalis são especialmente perigosos, 
pois a dor é menor e quando a vítima percebe e os lava, a frente do olho pode 
ter sido dissolvida. 
Qualquer gás irritante, como dióxido de enxofre e amônia, pode causar 
conjuntivite (caracterizada por vermelhidão, desconforto e lacrimejamento dos 
olhos). Alergênicos, como plantas e tinturas, algumas vezes produzem uma 
reação semelhante. Uma conjuntivite extremamente dolorosa incluindo fotofobia 
(desconforto ao olhar para a luz) ocorre algumas horas após exposição à 
radiação ultravioleta usada em soldagem. A condição é conhecida como olho de 
arco e geralmente envolve a córnea assim como a conjuntiva 
(ceratoconjuntivite). Catarata (opacidade do cristalino) resulta de trauma (uma 
ferida penetrante ou golpe grave), calor (olho do vidraceiro) e irradiação (lasers 
e micro-ondas). Queimaduras da retina podem ser causadas por radiação 
infravermelha e lasers. Cataratas podem ser removidas e substituídas por 
cristalinos artificiais ou lentes de contato. Queimaduras e lacerações da retina 
produzem danos irreparáveis naquela área de visão (pontos cegos). 
 
 
 
 
23 
 
 
REFERÊNCIAS 
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development of first and second language skills. In D. Forrest-Presseley 
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