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<p>Ergonomia</p><p>Ana Carolina Gigli Shiguemoto</p><p>© 2019 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida</p><p>ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico,</p><p>incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento</p><p>e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e</p><p>Distribuidora Educacional S.A.</p><p>Presidência</p><p>Rodrigo Galindo</p><p>Vice-Presidência de Produto, Gestão e Expansão</p><p>Julia Gonçalves</p><p>Vice-Presidência Acadêmica</p><p>Marcos Lemos</p><p>Diretoria de Produção e Responsabilidade Social</p><p>Camilla Veiga</p><p>Gerência Editorial</p><p>Fernanda Migliorança</p><p>Editoração Gráfica e Eletrônica</p><p>Renata Galdino</p><p>Supervisão da Disciplina</p><p>Yane Ribeiro De Oliveira Lobo</p><p>Revisão Técnica</p><p>Pedro Donizeti Bolanho</p><p>Yane Ribeiro De Oliveira Lobo</p><p>Thamiris Mantovani CRB-8/9491</p><p>2019</p><p>Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza</p><p>CEP: 86041-100 — Londrina — PR</p><p>e-mail: editora.educacional@kroton.com.br</p><p>Homepage: http://www.kroton.com.br/</p><p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)</p><p>Shiguemoto, Ana Carolina Gigli</p><p>S555e Ergonomia / Ana Carolina Gigli Shiguemoto. – Londrina :</p><p>Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019.</p><p>216 p.</p><p>ISBN 978-85-522-1592-9</p><p>1. Ergonomia organizacional. 2. Ergonomia cognitiva.</p><p>3. Ergonomia física. 4. Antropometria. I. Shiguemoto, Ana</p><p>Carolina Gigli. II. Título.</p><p>CDD 620</p><p>Sumário</p><p>Unidade 1</p><p>Visão da ergonomia....................................................................................... 7</p><p>Seção 1</p><p>Introdução à ergonomia .................................................................... 9</p><p>Seção 2</p><p>Ergonomia física ...............................................................................25</p><p>Seção 3</p><p>Ergonomia cognitiva ........................................................................41</p><p>Unidade 2</p><p>Aspectos relacionados à ergonomia no trabalho ....................................55</p><p>Seção 1</p><p>Macroergonomia ..............................................................................57</p><p>Seção 2</p><p>Doenças relacionadas ao trabalho ..................................................75</p><p>Seção 3</p><p>Normas técnicas e regulamentadoras referentes à ergonomia ...89</p><p>Unidade 3</p><p>Os fatores humanos e organizacionais do trabalho .............................109</p><p>Seção 1</p><p>Fatores humanos no trabalho ......................................................111</p><p>Seção 2</p><p>Organização do trabalho ..............................................................126</p><p>Seção 3</p><p>Posto de trabalho ...........................................................................140</p><p>Unidade 4</p><p>Projeto e aplicação da ergonomia ...........................................................157</p><p>Seção 1</p><p>Aplicações industriais da ergonomia ..........................................159</p><p>Seção 2</p><p>Métodos e técnicas em ergonomia ..............................................177</p><p>Seção 3</p><p>Ergonomia do produto .................................................................193</p><p>Palavras do autor</p><p>Caro aluno,</p><p>Você sabe o que é ergonomia? Essa palavra surge da junção de duas palavras</p><p>gregas: ergon, que significa trabalho, e nomos, que significa leis. Você já</p><p>consegue perceber, a partir da etimologia da palavra, que a ergonomia</p><p>é uma ciência do trabalho cujo objetivo é avaliar a adequação deste ao homem,</p><p>principalmente no que diz respeito ao ambiente em que este ofício está sendo reali-</p><p>zado. Isso é de extrema importância, pois nos fornece indicadores relacionados ao</p><p>bem-estar do ser humano e sobre o desempenho do trabalho, que possibilitam ao</p><p>gestor tomar algumas decisões para otimizar, de forma geral, o seu sistema.</p><p>Na Unidade 1, conheceremos os principais conceitos referentes à ergonomia</p><p>física e cognitiva, de forma que você seja capaz de definir os agentes fundamen-</p><p>tais de um sistema homem-máquina e como ocorre sua interação.</p><p>Na Unidade 2, abordaremos os aspectos da Macroergonomia, as doenças</p><p>relacionadas ao trabalho, bem como as normas técnicas e regulamentadoras</p><p>existentes em nosso país, que nos auxiliarão na orientação de problemas referentes</p><p>à ergonomia, para que você seja capaz de aplicar esses conhecimentos em casos</p><p>práticos. As empresas devem fazer uma análise ergonômica do trabalho e, encon-</p><p>trando problemas, precisam propor soluções que os mitiguem de forma a atender</p><p>à legislação e, também, proporcionar um ambiente mais seguro aos colaboradores.</p><p>Na Unidade 3, conheceremos os principais fatores referentes aos aspectos</p><p>humanos no trabalho e sua organização, o que possibilitará a você definir</p><p>aspectos ergonômicos importantes que devem ser levados em consideração</p><p>no projeto de um posto de trabalho.</p><p>Por fim, na Unidade 4, avaliaremos a metodologia existente para avaliação</p><p>de diversas aplicações em ergonomia e aspectos que devem ser considerados</p><p>no projeto e desenvolvimento de novos produtos, visando proporcionar</p><p>maior conforto aos usuários.</p><p>Por envolver aspectos de engenharia, fisiologia e psicologia, a ergonomia</p><p>é considerada uma ciência interdisciplinar. Ao longo de sua carreira, poderão</p><p>surgir situações em que você deverá atuar com foco na melhoria no ambiente</p><p>de trabalho, seja por um problema relacionado à legislação ou, até mesmo,</p><p>melhorar o conforto e a usabilidade de um produto desenvolvido por você.</p><p>Para solucionar esses problemas, é de extrema importância que você conheça</p><p>os conceitos básicos sobre ergonomia, a nossa legislação vigente e se inspire</p><p>nas situações em que você trabalhará ao decorrer desta disciplina.</p><p>Unidade 1</p><p>Ana Carolina Gigli Shiguemoto</p><p>Visão da ergonomia</p><p>Convite ao estudo</p><p>Caro aluno,</p><p>Como mencionamos anteriormente, a ergonomia é uma ciência do</p><p>trabalho cujo objetivo é avaliar a adequação deste ao homem, levando em</p><p>consideração aspectos físicos e mentais, prezando pela saúde do colabo-</p><p>rador. Nesta unidade, trabalharemos os conceitos iniciais de ergonomia e sua</p><p>origem, definiremos o papel do ergonomista e conheceremos quais são as</p><p>aplicações desta área no nosso dia a dia. Para complementar os conceitos</p><p>relacionados à ciência em si, também precisamos entender conceitos sobre</p><p>a fisiologia humana e como a atividade mental está relacionada ao desem-</p><p>penho no trabalho. É importante que o ambiente de trabalho seja proje-</p><p>tado de forma que a atividade seja confortável, segura, e que respeite os</p><p>aspectos legais, colaborando para que os trabalhadores desempenhem da</p><p>melhor forma possível suas funções. Neste sentido, imagine um operário que</p><p>trabalha em bancada em uma linha de produção: se a altura da bancada for</p><p>inadequada à sua altura, a postura durante a realização do trabalho pode</p><p>ser prejudicada e isso causará danos à saúde, reduzindo sua produtividade e</p><p>aumentando o número de faltas ao trabalho, pois o trabalhador se ausentará</p><p>do serviço para consultar-se ao médico e ao fisioterapeuta.</p><p>Para que seu estudo seja mais proveitoso, você fará o papel de um ergono-</p><p>mista conceituado, contratado por uma grande empresa ligada ao ramo</p><p>do agronegócio, que enfrenta problemas relacionados a diversas queixas</p><p>no ambiente de trabalho. Dentre as principais demandas, os funcionários</p><p>reclamam de dores no corpo devido à posição das estações de trabalho no</p><p>setor administrativo (escritório) e que, também, o ambiente de trabalho é</p><p>muito estressante; alguns colaboradores estão muito cansados e insatisfeitos</p><p>com o trabalho de forma geral. Muitos gerentes, ávidos por resultados, são</p><p>extremamente exigentes e não reconhecem a importância da ergonomia no</p><p>ambiente de trabalho. Parece uma tarefa bastante desafiadora, não é? Frente</p><p>a isso, a primeira etapa de seu trabalho é realizar uma conscientização junto</p><p>aos gestores e demais funcionários, destacando o papel fundamental da</p><p>ergonomia em diversos setores. A segunda etapa do trabalho</p><p>julga importante. Não se sabe como a seleção</p><p>da informação ocorre, mas é sabido que é uma etapa sujeita a emoções do</p><p>momento e de informações prévias importantes armazenadas. Atkinson e</p><p>Shiffrin (1968) elaboraram um modelo de três estágios para descrever como</p><p>a informação é captada e processada:</p><p>1. Memória sensorial (sensação e percepção): os estímulos ambientais</p><p>são captados e armazenados temporariamente. Para estímulos visuais,</p><p>esta etapa dura menos de um segundo; para estímulos auditivos, dura</p><p>poucos segundos. O que é captado pela memória sensorial é condu-</p><p>zido para a memória de curta duração (MCD).</p><p>2. Memória de curta duração (MCD): retém as informações por</p><p>períodos de cinco a trinta segundos. Neste processo, os circuitos de</p><p>neurônios se ligam e se desligam rapidamente e a capacidade média</p><p>de retenção depende das circunstâncias e do grau de atenção. Neste</p><p>sentido, a informação armazenada pela MCD pode ser perdida tanto</p><p>pelo tempo quanto pela sobrecarga: tarefas que são realizadas utili-</p><p>zando diversos canais de informação provocam sobrecarga mental e,</p><p>consequentemente, perda da capacidade média de retenção.</p><p>3. Memória de longa duração (MLD): retém a informação por um</p><p>tempo maior (décadas). Os neurônios se unem em circuitos que não</p><p>desligam. Quando uma rede neural já está formada no cérebro, novas</p><p>informações se conectam mais facilmente a ela.</p><p>A MCD tem natureza fonética (sons e formas), enquanto a MLD está</p><p>relacionada aos aspectos semânticos (conceituais). Algumas informações da</p><p>MCD transformam-se em MLD: é possível que a MCD funcione como uma</p><p>fila, enquanto a informação aguarda arquivamento definitivo na MLD. O</p><p>Quadro 1.4 apresenta as principais diferenças entre a MCD e a MLD.</p><p>45</p><p>Quadro 1.4 | Principais diferenças entre a MCD e a MLD</p><p>Características MCD MLD</p><p>Capacidade de</p><p>armazenamento 7 a 9 itens Grande</p><p>Tempo de retenção 5 a 30 segundos Muitos anos</p><p>Forma de codificação Fonética (sons) Semântica (significados)</p><p>Perda de informação Concorrência de outros sinais Dificuldade de relembrar</p><p>Fonte: Iida e Guimarães (2018, p. 468).</p><p>Pesquise mais</p><p>Consulte as páginas 472 a 475 da seguinte referência:</p><p>IIDA, I.; GUIMARÃES, L. B. M. Ergonomia: projeto e produção. 3. ed. São</p><p>Paulo: Blucher, 2018.</p><p>Você poderá encontrá-la em sua biblioteca virtual para conhecer</p><p>algumas práticas de aperfeiçoamento da memória de curta duração e</p><p>de longa duração.</p><p>Determinadas atividades exigem uma concentração contínua, ou seja,</p><p>manter o estado de alerta em um determinado nível por um tempo prolon-</p><p>gado. Diversos estudos sobre atenção após a experiência na Segunda Guerra</p><p>Mundial foram realizados. Neles foi possível verificar a diminuição da frequ-</p><p>ência de observação de submarinos durante o serviço de vigília. Em síntese,</p><p>a atenção diminuía com a duração do turno. A seguir, abordaremos os fatores</p><p>que afetam a concentração contínua:</p><p>1. Fadiga mental: induzida pelo excesso de trabalho mental e é agravada</p><p>pelas condições insatisfatórias do ambiente de trabalho ou interfaces</p><p>não amigáveis dos dispositivos de informação.</p><p>2. Qualidade e quantidade de trabalho: a quantidade geralmente é</p><p>expressa pelo número de itens processados ou de operações realizadas</p><p>em determinado tempo. A fadiga pode ser considerada em relação</p><p>à qualidade do trabalho ou frequência de acidentes. Nesse contexto,</p><p>devemos tomar cuidado em analisar, uma vez que a fadiga pode não</p><p>ser a causa do problema.</p><p>3. Estresse ocupacional: é um estado emocional que surge devido ao</p><p>nível de demanda e à falta de habilidade da pessoa em lidar com a</p><p>situação. Nesse sentido, o papel do ergonomista é ajustar a carac-</p><p>terística das pessoas e o ambiente de trabalho. As seguintes condi-</p><p>ções podem ser estressores no ambiente de trabalho, de acordo com</p><p>Kroemer e Grandjean (2005):</p><p>46</p><p>3.1 Falta de controle do indivíduo na determinação da sua rotina,</p><p>controle sobre o tempo e supervisão dos processos de trabalho.</p><p>3.2 Falta de apoio de supervisores e colegas (suporte social).</p><p>3.3 Insatisfação, causada pelo estresse excessivo devido ao conteúdo</p><p>e à carga de trabalho. Trabalhos pouco complexos podem trazer</p><p>insatisfação por serem monótonos e repetitivos, enquanto</p><p>aqueles muito complexos podem gerar sentimento de incompe-</p><p>tência, gerando estresse emocional.</p><p>3.4 Demandas de atenção e atendimento de prazos.</p><p>3.5 Excesso de responsabilidade.</p><p>3.6 Problemas com o ambiente físico, no que diz respeito ao conforto</p><p>térmico e acústico.</p><p>4. Tédio: reação à monotonia, caracterizada por uma sensação de</p><p>cansaço, letargia e redução do estado de alerta. Isso pode ser verifi-</p><p>cado em trabalhos nos quais se faz a mesma operação durante um</p><p>período muito longo ou em atividades nas quais os sinais a serem</p><p>respondidos forem muito espaçados e raros. A tendência ao tédio é</p><p>maior em pessoas com baixa motivação e pouco interesse; em ativas</p><p>que buscam um trabalho demandante; nas que apresentam estado de</p><p>fadiga; e aquelas com alto nível de educação, conhecimento e habili-</p><p>dade. No caso de indivíduos que ainda estão aprendendo determi-</p><p>nado ofício, satisfeitas com seu trabalho e descansadas, a resistência</p><p>ao tédio é maior.</p><p>A relação entre ser humano e máquina forma um sistema homem-má-</p><p>quina, que pode ser bastante produtivo se as suas características forem</p><p>empregadas de forma correta: a máquina é capaz de agir com velocidade,</p><p>precisão e pode exercer grande força. O homem, por sua vez, é mais lento, no</p><p>entanto, mais flexível e adaptável.</p><p>Com o desenvolvimento da eletrônica, os controles das máquinas torna-</p><p>ram-se mais elaborados e as respostas mais rápidas, por isso, a informação</p><p>precisa ser interpretada de forma mais acurada, o que tornou o trabalho</p><p>mental mais complexo e demandante. A ergonomia procura que produtos</p><p>sejam adequados à captação da informação e processamento com mais efici-</p><p>ência. Desta forma, os sistemas homem-máquina precisam ser concebidos</p><p>para atender aos requisitos ergonômicos.</p><p>No ambiente de trabalho, podemos apresentar informações de diversas</p><p>formas, sendo que para cada situação existe um formato mais adequado,</p><p>47</p><p>dependendo das condições a serem analisadas. O Quadro 1.5 apresenta</p><p>diferentes situações e as preferências na forma de se apresentar a informação</p><p>ao usuário. Interfaces que têm menus visuais podem ser vantajosas em relação</p><p>aos auditivos, pois permitem a visualização de maior número de opções.</p><p>Assimile</p><p>A interface é a zona de comunicação entre o sistema e usuário em que</p><p>são registradas mensagens aos usuários (visuais ou auditivas). O projeto</p><p>de uma interface amigável deve primar pela facilidade de uso, apren-</p><p>dizagem e comunicação. Seu uso deve ser intuitivo e a realização das</p><p>tarefas, com seu auxílio, deve ocorrer de forma segura.</p><p>Quadro 1.5 | Situações e preferências na forma de se apresentar a informação ao usuário</p><p>Fonte: Iida e Guimarães (2018, p. 499).</p><p>Para que as interfaces sejam amigáveis ao usuário, podemos aplicar as</p><p>regras da Gestalt, conjunto de regras formuladas por psicólogos alemães por</p><p>volta de 1910 que indica que nossa percepção é resultado da relação entre</p><p>as partes de um todo, e não de sua soma, simplesmente. De acordo com a</p><p>Gestalt, ao olharmos determinada imagem, o cérebro tende a organizá-la e</p><p>atribuir um significado, que está relacionado ao seu formato, às suas propor-</p><p>ções, à sua localização e às suas interações entre os demais elementos. A</p><p>Figura 1.15 apresenta as regras do Gestalt.</p><p>Figura 1.15 | Regras da Gestalt</p><p>48</p><p>Fonte: Iida e Guimarães (2018, p. 504).</p><p>1. Figura/fundo: nossa percepção diferencia o objeto do fundo do</p><p>desenho. Em imagens ambíguas, podemos fazer a inversão (porém de</p><p>forma não simultânea).</p><p>2. Simetria: temos a habilidade em descobrir simetrias em formas</p><p>complexas; simetria é sinônimo de beleza na arte.</p><p>3. Proximidade: elementos muito próximos se “fundem”. Pontos</p><p>próximos são percebidos como linhas.</p><p>4. Similaridade: conseguimos perceber padrões.</p><p>5. Continuidade: conseguimos prolongar e extrapolar trajetórias.</p><p>6. Fechamento: podemos completar</p><p>figuras que estão incompletas. Nosso</p><p>cérebro repõe estas falhas para que estes objetos tenham significado.</p><p>Exemplificando</p><p>A Figura 1.16 apresenta duas concepções de projeto para um painel em</p><p>blocos. A aplicação das regras do Gestalt permite o agrupamento dos</p><p>elementos que têm formas ou funções semelhantes, facilitando sua identi-</p><p>ficação, além de colaborar com a redução da complexidade do trabalho.</p><p>49</p><p>Figura 1.16 | Aplicação das regras do Gestalt em um painel em blocos</p><p>Fonte: Iida e Guimarães (2018, p. 505).</p><p>Para Ascencio (2000), para que se tenha maior interação homem-má-</p><p>quina, as interfaces devem respeitar as necessidades individuais e apresentar</p><p>uma linguagem universal e natural. Além disso, deve ser à prova de falhas,</p><p>eficiente, promover agilidade durante sua utilização, flexível, ou seja, atender</p><p>à variedade de diversos usuários, e, por fim, intuitiva.</p><p>Mostradores são partes da máquina que apresentam as informações ao</p><p>operador e seu uso inadequado pode prejudicar o desempenho do sistema</p><p>homem-máquina-ambiente, aumentando o tempo de reação e erros, além de</p><p>aumentar custos relacionados à instalação e manutenção do sistema.</p><p>Para definir os mostradores, precisamos considerar a aplicação, locali-</p><p>zação e dimensão. Corrêa e Boletti (2015) apresentam um exemplo do</p><p>conta-giros veicular, em que modelos digitais devem ser evitados, pois</p><p>não permitem a leitura precisa da rotação do motor; para esta aplicação,</p><p>portanto, o modelo indicado é o analógico. Dependendo da população-</p><p>-alvo, devemos nos preocupar com o tamanho dos caracteres: pessoas mais</p><p>velhas não conseguem ler caracteres muito pequenos devido à perda da</p><p>acuidade visual.</p><p>Em relação aos controles das máquinas, podemos categorizá-los em</p><p>aqueles que exigem pouco ou muito esforço manual para seu acionamento.</p><p>No primeiro caso, são utilizados botões de pressão, interruptores e alavancas</p><p>que podem ser facilmente acionados pelos dedos. No segundo, os aciona-</p><p>mentos são realizados por meio de rodas, manivelas, pedais e alavancas. É</p><p>50</p><p>importante que o posicionamento dos controles considere a anatomia e o</p><p>funcionamento dos membros e as medidas antropométricas, além de estarem</p><p>completamente visíveis.</p><p>Pesquise mais</p><p>Com o vídeo do HoloLens2 da Microsoft, Introducing Dynamics 365</p><p>Remote Assist for HoloLens 2 and mobile devices, como o desenvol-</p><p>vimento tecnológico preconiza o lançamento de novos produtos</p><p>que permitem a realização de trabalho com colaboradores remotos,</p><p>tornando o mais dinâmico, eficiente, rápido e seguro.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Agora, chegou o momento final da sua consultoria: você atuará na questão</p><p>da insatisfação e estresse neste ambiente: demandas elevadas de prazo e de</p><p>atenção; falta de controle sobre o tempo; e falhas na supervisão. Para tanto,</p><p>é importante destacar as condições que podem se tornar fatores estressores</p><p>no ambiente de trabalho e quais são as ações que podem ser realizadas para</p><p>reverter a situação na qual a empresa se encontra. Nesse contexto, você</p><p>consegue identificar quais são as condições que apresentam maior relação</p><p>com o cenário atual? Quais são os sintomas de estresse que os colaboradores</p><p>podem apresentar neste tipo de ambiente? Isso afeta a qualidade do trabalho?</p><p>Quais são as ações que devem ser implementadas para contornar a situação?</p><p>O cenário atual é de insatisfação no trabalho devido a demandas elevadas</p><p>de prazo e de atenção; falta de controle sobre o tempo; e falhas na supervisão,</p><p>o que caracteriza estresse ocupacional. De acordo com Kroemer e Grandjean</p><p>(2005), algumas das condições consideradas estressores no ambiente de</p><p>trabalho são:</p><p>1. Falta de controle do indivíduo na determinação da sua rotina, controle</p><p>sobre o tempo e supervisão dos processos de trabalho.</p><p>2. Demandas de atenção e atendimento de prazos.</p><p>Nesse contexto de estresse ocupacional, o colaborador pode apresentar</p><p>problemas em manter sua atenção no ofício, afetando diretamente a quali-</p><p>dade do trabalho, pois, com uma menor atenção, o trabalhador poderá</p><p>cometer um maior número de erros, reduzir a produtividade devido ao</p><p>maior tempo de resposta para o processamento da informação. Com tantas</p><p>falhas e queda de qualidade no seu trabalho, poderá tornar-se insatisfeito</p><p>devido ao sentimento de incompetência e apresentar tristeza e irritabilidade.</p><p>51</p><p>Para melhorar o clima organizacional, uma sugestão é fazer uma</p><p>campanha de marketing interno para aprimorar a comunicação e as formas</p><p>de se organizar o trabalho, com protocolos bem definidos a serem elaborados</p><p>pelos supervisores, que não gerem dúvidas ou falhas de interpretação de</p><p>informação. Como práticas saudáveis temos também a realização de pausas</p><p>programadas para prática de ginástica laboral e técnicas de relaxamento.</p><p>Avançando na prática</p><p>Adequação de um mostrador analógico</p><p>Em seu trabalho como supervisor de projeto, seu novo estagiário lhe</p><p>apresentou o mais novo projeto de mostrador analógico para um contro-</p><p>lador de um cliente. Antes de iniciar o ofício, o estagiário questionou se o</p><p>mostrador poderia ser digital, no entanto, como é requerida uma elevada</p><p>precisão na leitura do dado, a aplicação exige um mostrador analógico.</p><p>Tendo isto exposto, o aprendiz apresentou o projeto apresentado na Figura</p><p>1.17. Você, como supervisor, detecta algumas falhas. Quais seriam elas? Qual</p><p>sugestão você apresentaria para melhorar o projeto apresentado?</p><p>Figura 1.17 | Projeto inicial do mostrador analógico</p><p>Fonte: adaptado de Kroemer e Grandjean (2005, p. 129).</p><p>Resolução da situação-problema</p><p>Neste projeto, as principais falhas a serem destacadas estão relacionadas</p><p>à espessura da extremidade do ponteiro. Da forma como foi apresentada, ela</p><p>cobre praticamente dois traços da escala, assim, recomenda-se que a espes-</p><p>sura da extremidade do ponteiro seja a mesma do traço da escala. Além disso,</p><p>o ponteiro não deve cobrir os traços nem os números da escala, impossibili-</p><p>tando a leitura ou provando erros de leitura. Desta forma, você pode sugerir</p><p>52</p><p>ao estagiário que ele faça as correções para que o produto final seja similar ao</p><p>apresentado na Figura 1.18.</p><p>Figura 1.18 | Sugestão de melhoria do projeto do mostrador analógico</p><p>Fonte: adaptado de Kroemer e Grandjean (2005, p. 129).</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. A percepção da informação envolve processos cognitivos como a linguagem, atenção</p><p>e memória para que um estímulo ambiental se torne uma informação. Os estímulos são</p><p>captados não só por meio de nossos cinco sentidos básicos, mas também por outros</p><p>sentidos para sentir vibrações, calor, frio, dor, pressão ou movimento, por exemplo. Assim</p><p>que são obtidos, os estímulos são convertidos em impulsos elétricos e transmitidos a áreas</p><p>específicas do sistema nervoso central, sendo interpretados em informações.</p><p>O nome que se dá ao processo essencialmente biológico de captação de estímulos é:</p><p>a. Percepção.</p><p>b. Sensação.</p><p>c. Processamento.</p><p>d. Estimulação.</p><p>e. Transmissão.</p><p>2. Determinadas atividades exigem uma concentração contínua, ou seja, manter o</p><p>estado de alerta em um determinado nível por um tempo prolongado. Diversos estudos</p><p>sobre atenção após a experiência na Segunda Guerra Mundial foram realizados. Neles</p><p>foi possível verificar a diminuição da frequência de observação de submarinos durante</p><p>o serviço de vigília. Em síntese, a atenção diminuía com a duração do turno.</p><p>Selecione a alternativa que está relacionada com a diminuição da atenção contínua.</p><p>a. Satisfação com o trabalho.</p><p>b. Aprendizado de nova tarefa.</p><p>53</p><p>c. Arranjo físico das estações de trabalho.</p><p>d. Legislação trabalhista.</p><p>e. Estresse ocupacional.</p><p>3. A interface é a zona de comunicação entre o sistema e usuário, na qual são regis-</p><p>tradas mensagens aos usuários (visuais ou auditivas). Imagine a situação de um</p><p>designer elaborando um projeto de construção de um website, cuja preocupação é</p><p>criar páginas a serem acessadas por um público diverso. Com isso em mente, analise</p><p>as afirmativas a seguir:</p><p>I. O produto deve ser flexível para atender às necessidades do maior número de</p><p>pessoas</p><p>e ser compatível com as tecnologias de acessibilidade.</p><p>II. Os sistemas devem ser intuitivos, fáceis de usar e aprender.</p><p>As afirmativas estão associadas, respectivamente, aos conceitos de:</p><p>a. Acessibilidade e usabilidade.</p><p>b. Usabilidade e acessibilidade.</p><p>c. Ergonomia e design.</p><p>d. Design e antropometria.</p><p>e. Interface e ergonomia.</p><p>Referências</p><p>ABRAHÃO, R. F. Ergonomia – Antropometria: notas de Aula. Campinas: Faculdade de</p><p>Engenharia Agrícola da UNICAMP, [s.d.].</p><p>ASCENCIO, A. F. G. Método heurístico para projeto de interfaces inteligentes com usabili-</p><p>dade. 2000. Dissertação (Mestrado). Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio</p><p>Grande do Sul, Rio Grande do Sul.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ERGONOMIA. O esquema brasileiro de certificação de</p><p>ergonomistas. Ação Ergonômica, v. 2, n. 1, 2004. Disponível em: http://www.abergo.org.br/</p><p>revista/index.php/ae/article/download/43/40. Acesso em: 28 jun. 2019.</p><p>ATKINSON, R. C.; SHIFFRIN, R. M. Human memory: A proposed system and its control</p><p>processes. In: SPENCE, K. W.; SPENCE, J. T. (Org.) The psychology of learning and motivation:</p><p>advances in research and theory. New York: Academic Press, 1968. p. 89-195. v. 2.</p><p>CORRÊA, V. M.; BOLETTI, R. R. Ergonomia: fundamentos e aplicações. Série Tekne.</p><p>Porto Alegre: Bookman, 2015. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/</p><p>books/9788582603154/cfi/44!/4/4@0.00:25.4. Acesso em: 1 jul. 2019.</p><p>DE JONG, J. R. Introduction and welcome. In: CHAPANIS, A (Ed.) Ethnics variables in human</p><p>factors engineering. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, p. xv-xviii, 1975.</p><p>ERGONOMIA – AULA 01 – CONCEITOS BÁSICOS E HISTÓRIA. 2017. 1 vídeo (21 min).</p><p>Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=q8xoi4fEx6o. Acesso em: 28 jun. 2019.</p><p>ERGONOMIA. Abergo. [s.d.]. Disponível em: http://www.abergo.org.br/internas.php?pg=o_</p><p>que_e_ergonomia. Acesso em: 28 jun. 2019.</p><p>ERGONOMIA. Portal Educação. [s.d.]. Disponível em: https://www.portaleducacao.com.br/</p><p>conteudo/artigos/fisioterapia/ergonomia/10546. Acesso em: 28 jun. 2019.</p><p>HENDRICK, H. W. Future directions in macroergonomics. Ergonomics, v. 38, p. 1617-1624, 1995.</p><p>IIDA, I.; GUIMARÃES, L. B. M. Ergonomia: projeto e produção. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2018.</p><p>INTRODUCING DYNAMICS 365 REMOTE ASSIST FOR HOLOLENS 2 AND MOBILE</p><p>DEVICES. 2019. 1 vídeo (2 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=J-C6GE-</p><p>2gFYw. Acesso em 16 de abril de 2019.</p><p>KROEMER, K. H. E; GRANDJEAN, E. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao</p><p>homem. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.</p><p>TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Corpo humano: fundamentos de anatomia e fisiologia. 8.</p><p>ed. Porto Alegre: Artmed, 2012.</p><p>http://www.abergo.org.br/revista/index.php/ae/article/download/43/40</p><p>http://www.abergo.org.br/revista/index.php/ae/article/download/43/40</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582603154/cfi/44!/4/4@0.00:25.4</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582603154/cfi/44!/4/4@0.00:25.4</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=q8xoi4fEx6o</p><p>http://www.abergo.org.br/internas.php?pg=o_que_e_ergonomia</p><p>http://www.abergo.org.br/internas.php?pg=o_que_e_ergonomia</p><p>https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/fisioterapia/ergonomia/10546</p><p>https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/fisioterapia/ergonomia/10546</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=J-C6GE2gFYw</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=J-C6GE2gFYw</p><p>Unidade 2</p><p>Ana Carolina Gigli Shiguemoto</p><p>Aspectos relacionados à ergonomia no trabalho</p><p>Convite ao estudo</p><p>Prezado aluno, imagine a situação em que um analista executará seu</p><p>trabalho em um laboratório com deficiência em iluminação; um operário</p><p>que, todos os dias, fica exposto a níveis de ruídos elevados, podendo até</p><p>mesmo perder uma parcela de sua capacidade auditiva; ou, ainda, um traba-</p><p>lhador de chão de fábrica em uma situação de desconforto térmico devido ao</p><p>calor exagerado. Todas essas situações geram desconforto aos colaboradores,</p><p>diminuindo o desempenho no trabalho e também causando situações que</p><p>podem prejudicar a sua saúde.</p><p>Dessa forma, é importante que as empresas promovam condições para</p><p>que o funcionário realize suas atividades adequadamente. Para isso, o</p><p>Governo Federal instituiu Normas Regulamentadoras (NRs) que visam</p><p>estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho</p><p>às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a propor-</p><p>cionar conforto, segurança e desempenho eficiente. Nesse sentido, para que</p><p>o ambiente de trabalho seja adequado às atividades a serem realizadas, é</p><p>importante que o profissional conheça e seja capaz de utilizar informações</p><p>sobre os aspectos da macroergonomia, doenças ocupacionais e legislação</p><p>aplicada à ergonomia.</p><p>Pensando nesse contexto e na necessidade de adequação do ambiente</p><p>ao trabalho, imagine que você é um ergonomista especialista em avaliações</p><p>ergonômicas de ruído e presta serviços para indústrias e empresas em geral.</p><p>Seu próximo trabalho será avaliar a pressão sonora causada pelos maquiná-</p><p>rios de uma ferramentaria (torno, furadeira, fresadora e guilhotina), classi-</p><p>ficar a exposição ao ruído e verificar a necessidade de utilização de equipa-</p><p>mentos de proteção individual (EPIs). Para isso, dividiremos o seu trabalho</p><p>em três etapas.</p><p>1. Na primeira etapa, você irá definir o que é ruído e como ele é medido</p><p>e avaliado em trabalhos de avaliação da exposição ocupacional ao</p><p>ruído (NHO 01 – Fundacentro), aplicando esse método na ferramen-</p><p>taria em que você está trabalhando atualmente.</p><p>2. Na segunda etapa, você fará um trabalho de conscientização, em</p><p>forma de palestra, sobre os riscos ocupacionais e problemas de</p><p>audição devido à exposição a ruídos.</p><p>3. Na última etapa, você analisará seus dados frente às normas em</p><p>vigência: NHO 01 - Avaliação da exposição ocupacional ao ruído -</p><p>Fundacentro e ABNT NBR 10159 - Acústica: Níveis de pressão sonora</p><p>em ambientes internos a edificações.</p><p>Os dados coletados permitem fazer a análise de risco de exposição ao</p><p>ruído? Quais as consequências da exposição ao ruído? Como fazer para evitar</p><p>que o trabalhador sofra e desenvolva problemas devido a essa exposição?</p><p>Qual é o nível seguro de ruído ao qual o trabalhador pode ser exposto?</p><p>Vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre os aspectos relacionados à</p><p>ergonomia no ambiente de trabalho para conseguirmos responder a esses</p><p>questionamentos e elaborar um plano de ação. Bom trabalho!</p><p>57</p><p>Seção 1</p><p>Macroergonomia</p><p>Diálogo aberto</p><p>Prezado aluno, para que se desempenhe um bom trabalho, o ambiente</p><p>deve estar adequado à realização de sua atividade. Por exemplo, se não</p><p>houver luminosidade suficiente, o trabalhador em um escritório perderá</p><p>seu desempenho, além de prejudicar sua visão. Um trabalhador exposto ao</p><p>calor excessivo em um chão de fábrica pode vir a ter seu desempenho afetado</p><p>devido ao baixo índice de conforto térmico e poderá ter impacto em sua</p><p>saúde também.</p><p>Pensando em compatibilizar o ambiente de trabalho com as tarefas a serem</p><p>realizadas, imagine-se no papel de um ergonomista especialista em avalia-</p><p>ções ergonômicas de ruído que presta serviços para indústrias e empresas</p><p>em geral. Seu trabalho atual é a avaliação da pressão sonora causada pelos</p><p>maquinários de uma ferramentaria (torno, furadeira, fresadora e guilhotina),</p><p>em que você deve classificar a exposição ao ruído e verificar a necessidade de</p><p>utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs). Para isso, o seu</p><p>trabalho foi dividido em três etapas. A primeira etapa consiste em definir</p><p>o que é ruído e como ele é medido e avaliado em trabalhos de avaliação</p><p>da exposição ocupacional ao ruído (NHO 01 – Fundacentro), aplicando</p><p>esse método na ferramentaria (Figura 2.1) em que você está trabalhando</p><p>atualmente.</p><p>Figura 2.1 | Layout da ferramentaria</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>58</p><p>A avaliação foi realizada utilizando um decibelímetro, portado pelo</p><p>avaliador, posicionado dentro da zona auditiva do operador. Os operadores</p><p>trabalharam por um período de 5 minutos e as amostras do Nível de Pressão</p><p>Sonora (NPS) foram coletadas a cada 10 segundos, totalizando 30 amostras,</p><p>como apresentados na Tabela 2.1.</p><p>Tabela 2.1 | Nível de pressão sonora [dBA] amostrados</p><p>Amostra Fresa Guilhotina Furadeira Torno</p><p>1 85 92 85 80</p><p>2 81 90 84 78</p><p>3 81 95 85 78</p><p>4 54 95 85 83</p><p>5 82 90 85 80</p><p>6 82 97 86 78</p><p>7 82 99 85 78</p><p>8 84 98 86 78</p><p>9 81 95 86 87</p><p>10 84 96 89 78</p><p>11 81 99 87 78</p><p>12 84 98 88 78</p><p>13 82 98 85 77</p><p>14 84 97 86 78</p><p>15 81 96 87 78</p><p>16 81 99 88 79</p><p>17 82 100 89 82</p><p>18 85 101 90 77</p><p>19 81 89 91 78</p><p>20 81 90 90 77</p><p>21 85 97 91 77</p><p>22 81 96 89 78</p><p>23 90 98 88 84</p><p>24 81 98 89 77</p><p>25 85 97 88 78</p><p>26 82 97 87 77</p><p>27 85 96 88 81</p><p>59</p><p>28 84 94 90 77</p><p>29 86 93 92 77</p><p>30 86 93 91 80</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>De acordo com a metodologia empregada, como se calcula o nível de</p><p>exposição ao ruído? Como é classificado o ruído com base nesses dados?</p><p>Com o término dessa etapa, qual a definição de ruído em ergonomia? Claro</p><p>que você conseguirá responder a essas perguntas com um pouco de estudo</p><p>sobre os conceitos de ergonomia ambiental (ruído). Mãos à obra para conse-</p><p>guirmos terminar nossa avaliação!</p><p>Não pode faltar</p><p>O ambiente de trabalho é o lugar onde o serviço é realizado, devendo ser</p><p>adequado para tal. O ramo da ergonomia que se preocupa com essa questão</p><p>é a ergonomia ambiental, que compreende a análise dos componentes desse</p><p>ambiente: iluminação, ruídos, vibração e conforto térmico (temperatura),</p><p>de forma que as estações de trabalho sejam projetadas evitando que esses</p><p>fatores possam trazer desconforto ao colaborador, bem como comprometer</p><p>sua saúde.</p><p>Iluminação</p><p>A correta iluminação no ambiente de trabalho é importante, pois está</p><p>relacionada ao mecanismo fisiológico da visão e da musculatura utilizada para</p><p>movimentação dos olhos. Condições desfavoráveis de iluminação provocam</p><p>o aparecimento da fadiga visual e, consequentemente, dos acidentes relacio-</p><p>nados. Além disso, mesmo que o colaborador consiga efetuar sua tarefa</p><p>em um ambiente deficiente em relação à iluminação, o tempo que levará</p><p>para completar a atividade será muito maior do que se ele estivesse em um</p><p>ambiente iluminado corretamente.</p><p>Reflita</p><p>Na maioria dos projetos, precisamos priorizar ao máximo a luminosi-</p><p>dade natural, como mostra a Figura 2.2. Você consegue, no entanto,</p><p>imaginar uma situação em que esse cenário seria desconfortável ao</p><p>usuário? Qual a sugestão para corrigi-la?</p><p>60</p><p>Figura 2.2 | Escritório com boa iluminação natural</p><p>Fonte: Corrêa e Boletti (2015, p. 49).</p><p>Conforto visual</p><p>De acordo com Kroemer e Grandjean (2005), para que se tenha uma</p><p>condição de conforto visual e bom desempenho óptico, devemos respeitar</p><p>as seguintes premissas:</p><p>1. Nível de iluminância adequado (a Tabela Anexo 2.1 apresenta níveis</p><p>de iluminância adequados para algumas tarefas).</p><p>2. Equilíbrio espacial das luminâncias da superfície.</p><p>3. Uniformidade temporal da iluminação.</p><p>4. Eliminação de ofuscamento (a fonte de luz não deve estar no campo</p><p>visual do colaborador durante seu trabalho).</p><p>Para acessar a Quadro Anexo 2.1 desta seção, utilize o</p><p>link.</p><p>61</p><p>Assimile</p><p>Ofuscamento</p><p>Kroemer e Grandjean (2005) definem dois tipos de ofuscamento (Figura</p><p>Anexo 2.1) que podem ser evitados com ações ergonômicas adequadas:</p><p>• Ofuscamento direto: ocorre ao olhar diretamente para a fonte de</p><p>luz.</p><p>• Ofuscamento indireto: é refletido pela superfície, alcançando os</p><p>olhos, como uma janela refletida na tela do computador.</p><p>Iida & Guimarães (2018) destacam que um ponto importante é o</p><p>contraste, em que se recomenda, por exemplo, a utilização de revestimentos</p><p>em tons de cinza ou bege em mesas onde serão manipulados papéis. A utili-</p><p>zação de cores também é importante, podendo interferir na produtividade e</p><p>ânimo do colaborador. O Quadro Anexo 2.1 apresenta a indicação de utili-</p><p>zação de cores no favorecimento das questões de segurança.</p><p>Para acessar o Quadro Anexo 2.2 desta seção, utilize</p><p>o link</p><p>Ruído</p><p>Pressão sonora associa o som com o deslocamento das partículas de</p><p>um meio elástico, levando em consideração a relação com suas posições de</p><p>equilíbrio. Dessa forma, as compressões e expansões do meio causam flutua-</p><p>ções de pressão. Como essas flutuações ocorrem devido à transmissão de um</p><p>som, recebem a denominação de pressão sonora (GERGES, 2000).</p><p>A unidade usual para a pressão sonora é o Newton por metro quadrado</p><p>(N/m²) ou Pascal (Pa). Existe um valor de pressão sonora abaixo do qual o</p><p>sistema auditivo dos seres humano não é mais sensibilizado. Esse valor é de</p><p>aproximadamente 5 22 10 N m-´ , ou µ20 Pa (KINSLER et al., 1982). Qualquer</p><p>nível de pressão sonora maior ou igual a esse valor é traduzido pelo ouvido</p><p>humano como uma sensação auditiva.</p><p>Os métodos usuais de medição ou de representação da pressão em uma</p><p>escala linear trazem problemas quando o objetivo é representar resposta do</p><p>ouvido humano. A menor pressão sonora (ou o menor som audível) detec-</p><p>tada na frequência de 1000 Hz, para uma amostragem de indivíduos jovens e</p><p>62</p><p>saudáveis, foi de µ20 Pa ou 5 22 10 N m-´ . Esse valor foi normalizado e</p><p>tornou-se o valor de referência do limiar da audição, com o objetivo de</p><p>medições de níveis sonoros (GERGES, 2000). Do outro lado da escala ocorre</p><p>o limiar da dor a uma pressão de aproximadamente 200 Pa. Daí, temos a</p><p>definição de ruído: quando a pressão sonora não é desagradável a nossos</p><p>ouvidos, chamamos de som, e quando esse nível de pressão sonora nos</p><p>perturba, chamamos de ruído.</p><p>Como o ouvido humano, no entanto, não responde linearmente, mas</p><p>algoritmicamente a uma dada excitação, foi convencionado expressar</p><p>grandezas acústicas por meio de uma razão logarítmica de um valor de</p><p>interesse (medido) em relação a um valor de referência. A escala resultante</p><p>é chamada de escala Bel (em homenagem a Alexander Graham Bell) e é</p><p>definida pelo logaritmo de base 10 da razão entre potências ou intensidade</p><p>sonoras, também do quadrado da razão entre pressões sonoras (QUADROS,</p><p>2004). Essa escala pode ser ainda subdividida em 10 partes, para melhor</p><p>aplicação prática, gerando-se, então, a escala decibel (dB), largamente utili-</p><p>zada (LAGE, 2003). A Figura 2.3 ilustra o termômetro do ruído.</p><p>Figura 2.3 | Termômetro do ruído</p><p>Fonte: https://bit.ly/2LCwdgZ. Acesso em: 23 jul. 2019.</p><p>Pesquise mais</p><p>Acesse o item 5 e o item 6.4 da norma NHO 01 - Procedimento Técnico -</p><p>Avaliação da Exposição Ocupacional ao Ruído para conhecer a metodo-</p><p>logia proposta para avaliar a pressão sonora em ambientes de trabalho.</p><p>63</p><p>Essa leitura será fundamental para que você consiga trabalhar a situa-</p><p>ção-problema desta seção.</p><p>BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Fundacentro. NHO 01 -</p><p>Procedimento Técnico - Avaliação da Exposição Ocupacional ao Ruído.</p><p>Brasília, DF: Ministério do Trabalho e Emprego, 2001.</p><p>Vibração</p><p>Podemos considerar o corpo humano como um complexo sistema de massas</p><p>– molas e amortecedores conectados entre si, ou seja, as várias partes do corpo</p><p>estão ligadas entre si visco-elasticamente por ossos, músculos e ligamentos.</p><p>Quando o corpo humano está em contato com ferramenta ou veículo que</p><p>produz vibração durante seu funcionamento, o corpo se desloca da posição</p><p>de repouso devido aos movimentos periódicos regulares ou irregulares</p><p>promovidos pela máquina. Essas vibrações mecânicas são preocupantes, pois</p><p>causam mudanças na posição dos membros do corpo e órgãos importantes.</p><p>Além disso, quando o corpo está sujeito a um ambiente vibratório com</p><p>uma combinação crítica de frequências, pode ocorrer ressonância (sistema</p><p>vibratório que conduz outro sistema a oscilar com maior amplitude em</p><p>frequências). Sentado, em repouso, o corpo humano responde a vibrações</p><p>verticais como uma massa rígida para frequências de até 2 Hz. Acima desse</p><p>valor, a resposta se torna completa, ocorrendo ressonâncias localizadas.</p><p>Podemos afirmar, de maneira geral, que a frequência de ressonância média</p><p>do corpo humano está na faixa entre 4 e 8 Hz.</p><p>Quando se consideram os efeitos da vibração, é possível distinguir três</p><p>faixas de frequência, que correspondem às principais zonas</p><p>de sensibilidade</p><p>do sistema corporal humano às vibrações:</p><p>1. Em baixas frequências (0 a 1-2 Hz), o subsistema corporal mais</p><p>sensível é o sistema vestibular, conjunto de receptores sensoriais do</p><p>ouvido interno. Esse tipo de vibração é gerado por navios, edifícios,</p><p>aviões, carros e ônibus.</p><p>2. Nas frequências médias (2 a 20-30 Hz), ocorrem a maioria das resso-</p><p>nâncias corporais. Esse tipo de vibração é gerado por veículos e aviões.</p><p>3. Nas frequências altas (de 20 a 300 Hz), receptores mecânicos dos</p><p>músculos, tendões e tecido cutâneo são os componentes corporais</p><p>mais sensitivos. Vibrações nessa faixa são geralmente geradas por</p><p>máquinas e ferramentas.</p><p>64</p><p>De forma geral, as vibrações afetam severamente a percepção visual, o</p><p>desempenho psicomotor e a musculatura, com efeito menor nos sistemas</p><p>circulatório, respiratório e nervoso.</p><p>Clima de interiores</p><p>O termo clima não se refere somente à temperatura do ar, mas também</p><p>à temperatura das superfícies no entorno, à umidade, à movimentação e à</p><p>qualidade do ar. O índice de conforto térmico avalia as condições climáticas</p><p>no ambiente em que vivemos e trabalhamos. Para garantir o conforto térmico</p><p>em condições de trabalho sedentário, que não envolve nenhum esforço</p><p>manual, Kroemer e Grandjean (2005) fazem as seguintes recomendações:</p><p>• No inverno, a temperatura do ar deve estar entre 20 e 21°C e, no verão,</p><p>entre 20 e 24°C. É importante lembrar que esse parâmetro pode estar</p><p>relacionado à região e apresentar diferenças devido aos costumes e à</p><p>forma das pessoas se vestirem.</p><p>• A temperatura da superfície dos objetos deve estar próxima à tempe-</p><p>ratura do ar (não mais de 3°C de diferença) e nenhuma superfície</p><p>deve estar 4°C mais fria do que o ar no interior do ambiente.</p><p>• A umidade relativa deve ser no mínimo de 30% no inverno e, no</p><p>verão, deve estar na faixa de 40 a 60%.</p><p>• A velocidade do ar na região entre a cabeça e os joelhos não deve ser</p><p>superior a 0,2 m/s.</p><p>O desconforto térmico causa alterações fisiológicas que estão relacio-</p><p>nadas ao desempenho no trabalho: temperaturas elevadas geram cansaço</p><p>e sonolência, acarretando uma incidência maior de erros; já baixas tempe-</p><p>raturas reduzem o estado de alerta e concentração nas atividades mentais,</p><p>podendo causar tremores.</p><p>Como já mencionado anteriormente, a velocidade do ar também influi</p><p>no conforto térmico: a ventilação retira calor gerado pelo corpo humano e</p><p>pelas máquinas por convecção, além de remover contaminantes em recintos</p><p>industriais e agroindustriais.</p><p>As empresas devem assegurar que os locais de trabalho apresentem</p><p>ventilação natural para execução do trabalho. Se a ventilação natural não for</p><p>suficiente para promover conforto térmico, deve ser utilizada a ventilação</p><p>artificial (ventiladores e exaustores).</p><p>A ergonomia organizacional é baseada em um método participativo em</p><p>que os funcionários contribuem para que as intervenções ergonômicas sejam</p><p>65</p><p>mais efetivas, ou seja, o colaborador se torna um agente de transformações e</p><p>a isso, atribuímos o nome de ergonomia participativa.</p><p>Contexto organizacional</p><p>Entender como os trabalhadores avaliam o contexto do trabalho pode</p><p>ser um diferencial na eficiência de adoção de mudanças visando aumento</p><p>do bem-estar no trabalho, bem como melhoria dos processos de produção.</p><p>Para isso, Siqueira (2008) propõe um método para analisar o contexto de</p><p>trabalho de forma que seja possível compreender a atividade de trabalho dos</p><p>indivíduos: Contexto de Produção de Bens e Serviços (CPBS). As dimensões</p><p>analíticas do CPBS contribuem para a análise macroergonômica e amplia as</p><p>possibilidades do ergonomista. O Quadro Anexo 2.3 apresenta as dimensões,</p><p>a definição e os componentes do CPBS.</p><p>Para acessar a Quadro Anexo 2.3 desta seção, utilize</p><p>o link.</p><p>Clima organizacional</p><p>Sem condições adequadas de trabalho, nenhuma empresa consegue se</p><p>sustentar. No entanto, promover boas condições de trabalho não significa</p><p>apenas possuir os meios de produção adequados, máquinas de última geração</p><p>e oferecer bons salários; o conceito vai além disso, pois inclui aspectos sociais,</p><p>culturais e humanitários.</p><p>O clima organizacional é utilizado para avaliar as condições organiza-</p><p>cionais e é formado por percepções e interpretações compartilhadas dos</p><p>colaboradores. Sua análise leva em consideração o meio interno, aspectos</p><p>emocionais e a atmosfera humana em que são realizadas as tarefas, poden-</p><p>do-se considerar todo o ambiente ou partes dele (setorização).</p><p>Pode-se considerar o clima organizacional como bom ou ruim. Quando</p><p>o clima organizacional é bom, o funcionário é mais feliz, satisfeito, motivado</p><p>e dedicado. O colaborador comprometido com a empresa tem orgulho de</p><p>trabalhar nela e isso reduz conflitos, melhorando o relacionamento inter-</p><p>pessoal, que favorece o desenvolvimento organizacional. Quando o clima</p><p>organizacional é ruim, existe tendência para rotatividade de pessoas, baixo</p><p>desempenho e comprometimento dos profissionais, fofocas e a empresa é</p><p>considerada um lugar ruim de se trabalhar.</p><p>66</p><p>Uma das formas de avaliação desse parâmetro é a Escala de Clima</p><p>Organizacional (ECO); uma escala multidimensional, construída com o</p><p>objetivo de avaliar a percepção do colaborador sobre as diversas dimensões</p><p>do clima organizacional. Essa escala é constituída por 63 itens, agrupados em</p><p>cinco fatores: apoio da chefia, recompensa, conforto físico, controle/pressão</p><p>e coesão entre os colegas.</p><p>Cultura organizacional e valores culturais</p><p>A cultura organizacional é a cultura da empresa formada por percepções incons-</p><p>cientes de comportamento que norteiam normas e processos a serem seguidos</p><p>pelos colaboradores ao se pensar, agir e tomar decisões frente aos problemas, ou</p><p>seja, é o que define a identidade da empresa diferenciando-a das demais.</p><p>A cultura organizacional se manifesta em três níveis diferentes:</p><p>Artefatos visíveis: os artefatos são símbolos e sinais observáveis da</p><p>empresa, tais como seu arranjo físico, recepção aos visitantes, forma de</p><p>recompensa de seus funcionários.</p><p>Valores e pressupostos básicos: valores e pressupostos não são visíveis,</p><p>mas são observados indiretamente via artefatos.</p><p>A análise ergonômica organizacional com foco na cultura organizacional</p><p>diz respeito à cultura adaptativa, que está relacionada ao grau de satisfação dos</p><p>funcionários. Na cultura adaptativa, os funcionários são flexíveis às mudanças</p><p>necessárias para que a empresa se adapte ao ambiente externo, ou seja, as</p><p>mudanças se dão de forma contínua e, dessa forma, os próprios funcionários</p><p>assumem o papel de agentes responsáveis pelo desempenho da empresa e seu</p><p>alinhamento com o mercado. Como consequência dessa cultura adaptativa,</p><p>os funcionários estão mais abertos ao aprendizado, experimentação de novas</p><p>ideias e acreditam que os erros fazem parte do processo de melhoria.</p><p>Exemplificando</p><p>As empresas de tecnologia, como Google, Facebook e Netflix nos oferecem</p><p>alguns casos interessantes para avaliarmos a cultura organizacional:</p><p>1. Google: para que o funcionário se sinta feliz e inspirado para</p><p>criar, a empresa busca motivar os colaboradores com salas de</p><p>massagem, comida à vontade, quadras de vôlei, viagens e outros</p><p>benefícios que buscam motivar seu pessoal a trabalhar com quali-</p><p>dade e emprenho.</p><p>2. Facebook: assim como a Google, oferece aos colaboradores um</p><p>ambiente bastante descontraído e o que a diferencia é a horizon-</p><p>67</p><p>talidade, ou seja, todos os funcionários, independentemente de</p><p>sua função, trabalham lado a lado.</p><p>3. Netflix: não controla o número de horas trabalhadas e sim a</p><p>capacidade em se atingir resultados, desenvolvendo a criativi-</p><p>dade, responsabilidade e autodisciplina; valor muito importante,</p><p>pois a base da empresa é a liberdade. Com isso, a empresa busca</p><p>reduzir custo com controles desnecessários.</p><p>Satisfação no trabalho</p><p>Pessoas realizadas em seus empregos são mais motivadas e produzem</p><p>melhor. Diversos estudos buscam compreender o que motivam os colabora-</p><p>dores em seu ambiente de trabalho e isso é muito importante, pois o monito-</p><p>ramento</p><p>do nível de satisfação pelas empresas permite promover ações para</p><p>proteger a saúde e o bem-estar de seus funcionários.</p><p>Estudos realizados por Hezberg (IIDA e GUIMARÃES, 2018) apontam</p><p>que os fatores motivadores, que promovem satisfação, são: o reconhecimento</p><p>pelo trabalho, responsabilidade, avanço e crescimento. Por outro lado, os</p><p>fatores de insatisfação mais frequentes são: condições de trabalho, salário,</p><p>relacionamento com colegas e superiores e políticas da empresa. Pesquisas</p><p>recentes apontam que o nível geral da satisfação dos colaboradores depende</p><p>dos resultados globais alcançados pela empresa, o que aumenta a responsabi-</p><p>lidade e a cooperação entre equipes e membros de equipe.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Vamos agora retornar o nosso trabalho: você é um ergonomista que</p><p>está trabalhando na avaliação da pressão sonora causada pelos maquiná-</p><p>rios de uma ferramentaria (torno, furadeira, fresadora e guilhotina) (Figura</p><p>2.1). Para tal, você deve classificar a exposição ao ruído e verificar a necesc-</p><p>sidade de utilização de equipamentos de proteção individual (EPI’s). Nesse</p><p>primeiro momento, nos concentraremos na definição de ruído e na metodo-</p><p>logia proposta para avaliação da exposição ocupacional ao ruído (NHO 01</p><p>– Fundacentro), para avaliação dos dados coletados na Tabela 2.1.</p><p>Primeiro, vamos às definições: na ergonomia, a definição de ruído é qualquer</p><p>som indesejado ou desagradável, ou seja, apresenta alto nível de pressão sonora</p><p>(KROEMER e GRANDJEAN, 2005). O ruído pode ser classificado em:</p><p>68</p><p>1. Ruído de impacto ou impulsivo: no caso em que o ruído apresenta</p><p>picos de energia acústica de duração inferior a 1 segundo, em inter-</p><p>valos maiores que 1 segundo.</p><p>2. Ruído contínuo ou intermitente: todo tipo de ruído que não for</p><p>classificado como ruído de impacto ou impulsivo.</p><p>O nível médio representativo da exposição do trabalhador avaliado pode</p><p>ser calculado conforme a Equação 1.</p><p>( )1 2 0,1 0,10,1 0,1</p><p>1 2</p><p>110 log 10 10 10 10i nNM NMNM NM</p><p>i nNM n n n n</p><p>n</p><p>é ù</p><p>ê ú= ´ + ´ + + ´ + + ´</p><p>ê úë û</p><p> (1)</p><p>Em que:</p><p>NM = nível médio representativo da exposição do trabalhador avaliado.</p><p>in = número de leituras obtidas para um mesmo nível médio parcial</p><p>assumido – iNM .</p><p>n = número total de leituras.</p><p>iNM = i-ésimo nível médio de pressão sonora assumido (exceto valores</p><p>de níveis de pressão sonora inferiores a 80 dB(A)).</p><p>Com base no nível médio calculado, definimos o tempo máximo diário</p><p>permissível e, então, calculamos a dose diária, com base no tempo total diário</p><p>em que o trabalhador fica exposto a um nível de ruído específico, de acordo</p><p>com a Equação 2.</p><p>31 2</p><p>1 2 3</p><p>100n</p><p>n</p><p>C CC CDose diária</p><p>T T T T</p><p>æ ö÷ç ÷= + + + + ´ç ÷ç ÷÷çè ø</p><p> (2)</p><p>Em que:</p><p>nC é o tempo total diário em que o trabalhador fica exposto a um nível de</p><p>ruído específico.</p><p>nT é o tempo máximo diário permissível a este nível.</p><p>A Tabela 2.2 apresenta os resultados da análise para a fresa e para a</p><p>furadeira, considerando uma jornada de trabalho de 8 horas diárias. Em</p><p>ambos os casos, o nível de exposição ao ruído ultrapassa 80 dB(A). Faça a</p><p>análise dos demais equipamentos, assim, poderemos fazer, na sequência, as</p><p>recomendações de acordo com a legislação que estudaremos mais a frente.</p><p>Por agora, você já consegue ter alguma ideia do que será preciso fazer, não?</p><p>69</p><p>Tabela 2.2 | Análise dos resultados de nível de pressão sonora para fresa e furadeira</p><p>Fonte de ruído Fresa Furadeira</p><p>i Nível de pressão sono-</p><p>ra [dB(A)] ni Nível de pressão sonora</p><p>[dB(A)] ni</p><p>1 54 1 84 1</p><p>2 81 10 85 6</p><p>3 82 6 86 4</p><p>4 84 5 87 3</p><p>5 85 5 88 5</p><p>6 86 2 89 4</p><p>7 90 1 90 3</p><p>8 91 3</p><p>9 92 1</p><p>10</p><p>11</p><p>12</p><p>Total de leituras 30 30</p><p>NM [dB(A)] 83,58 88,23</p><p>Tempo máximo</p><p>diário permissível</p><p>[minutos]</p><p>604,76 190,48</p><p>Tempo de duração da</p><p>jornada de trabalho</p><p>[minutos]</p><p>480,00 480,00</p><p>Dose diária [%] 79,37 251,99</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>70</p><p>Avançando na prática</p><p>Entendendo a cultura organizacional</p><p>A empresa onde você trabalha está passando por uma forte crise. Como</p><p>forma de fortalecimento da equipe e buscando alternativas para conseguir</p><p>superar essa etapa, a diretoria contratou uma consultoria estratégica que</p><p>expôs ao time de gestores a seguinte imagem (Figura 2.4) e pediu para que</p><p>fossem definidas algumas questões:</p><p>Figura 2.4 | Níveis do ambiente organizacional</p><p>Fonte: https://bit.ly/2LBMkeV. Acesso em: 23 jul. 2019.</p><p>1. Como a cultura organizacional se relaciona com a economia?</p><p>2. Como os clientes afetam a cultura organizacional da empresa?</p><p>3. Como a cultura organizacional afeta a ação dos gestores? Nesse</p><p>sentido, quais os exemplos interessantes e de sucesso de cultura</p><p>organizacional em empresas?</p><p>71</p><p>Resolução da situação-problema</p><p>A cultura organizacional tem relação direta com os aspectos econô-</p><p>micos, uma vez que a organização tem como premissa a obtenção de lucro e,</p><p>para isso, precisa ter um índice de produtividade satisfatório. Para que esse</p><p>índice seja atingido e a empresa se mantenha no mercado de forma ativa</p><p>e competitiva, é necessário o trabalho realizado por pessoas. O principal</p><p>recurso das empresas são as pessoas e estas devem estar motivadas para que a</p><p>empresa atinja resultados cada vez melhores. Em contrapartida, se o cenário</p><p>econômico global (do país ou mundial) não se encontra favorável naquele</p><p>momento, as atividades da empresa podem ser prejudicadas, o que pode</p><p>desmotivar seus colaboradores. No entanto, se a cultura organizacional for</p><p>forte, a equipe terá o cenário econômico como um desafio e irá desenvolver</p><p>soluções criativas para conseguir superar a fase ruim sem que os resultados</p><p>da empresa sejam tão prejudicados.</p><p>A cultura organizacional define a identidade da empresa e estabelece</p><p>os procedimentos da empresa, ou seja, como será feito o relacionamento</p><p>entre os colaboradores e, também, como será o relacionamento com os</p><p>clientes. Os clientes tendem a fazer negócios com empresas alinhadas aos</p><p>seus valores, os quais devem ser divulgados para atrair determinado nicho</p><p>de clientes. É importante que a cultura organizacional esteja definida para</p><p>que ações sejam elaboradas no sentido de difundi-la, tornando seus clientes</p><p>mais próximos, satisfeitos com o serviço oferecido e fazendo com que eles,</p><p>também, recomendem seus serviços/produtos a outros clientes em potencial.</p><p>Os gestores apresentam um papel fundamental na cultura organizacional,</p><p>pois essa pessoa, na posição de liderança, deve ser responsável por difundir</p><p>os procedimentos e normas aos colaboradores e deve dar o exemplo, compor-</p><p>tando-se e agindo de acordo com os valores da empresa. Sendo assim, eles</p><p>são as figuras fundamentais para garantir o engajamento dos funcionários</p><p>frente às mudanças, garantindo o bem-estar de todos na equipe, evitando</p><p>desgaste entre os funcionários.</p><p>De acordo com os objetivos da empresa, busca-se uma cultura organiza-</p><p>cional que permitirá atingir os resultados esperados. Existem diversos tipos</p><p>de cultura organizacional e a Figura 2.5 apresenta as vantagens e desvantagens</p><p>de cada uma, bem como a frequência com que aparecem em uma pesquisa</p><p>realizada pela Harvard Business School. Selecione diferentes empresas</p><p>conhecidas por você e pelo seu grupo: qual o estilo de cultura organizacional</p><p>adotado? Vá além e pesquise o que as empresas tem feito no sentido de inovar</p><p>e buscar cada vez mais motivar as equipes.</p><p>72</p><p>Figura 2.5 | Prós e contras dos estilos de cultura organizacional</p><p>Fonte: adaptada de http://hbrbr.uol.com.br/wp-content/uploads/2018/02/3.png. Acesso em: 23 jul. 2019.</p><p>http://hbrbr.uol.com.br/wp-content/uploads/2018/02/3.png</p><p>73</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. Ruído é definido como qualquer som indesejado ou desagradável (ou seja, aquele</p><p>que apresenta alto nível de pressão sonora) e pode ser classificado em ruído intermi-</p><p>tente, contínuo ou ruído de impacto. Dependendo do nível de pressão sonora, bem</p><p>como do tempo de exposição, podem surgir danos irreversíveis à audição humana.</p><p>Qual o nível de pressão sonora, em dB, que pode causar rompimento do tímpano?</p><p>a. 120.</p><p>b. 100.</p><p>c. 90.</p><p>d. 140.</p><p>e. 85.</p><p>2. Na</p><p>ergonomia, o termo clima não se refere somente na temperatura do ar, mas</p><p>também da temperatura das superfícies no entorno, da umidade do ar, da movimen-</p><p>tação e qualidade do ar. O índice de conforto térmico avalia as condições climáticas</p><p>no ambiente em que vivemos e trabalhamos.</p><p>Para garantir o conforto térmico em condições de trabalho sedentário, indique a</p><p>alternativa que contém a recomendação correta:</p><p>a. No inverno, a temperatura do ar deve estar entre 20 e 24 °C.</p><p>b. A temperatura da superfície dos objetos deve estar próxima à temperatura do</p><p>ar (não mais de 3°C de diferença).</p><p>c. A umidade relativa deve ser no mínimo de 20% no inverno.</p><p>d. A velocidade do ar na região entre a cabeça e os joelhos não deve ser superior</p><p>a 0,5 m/s.</p><p>e. No verão, a temperatura do ar deve estar entre 20 e 21 °C.</p><p>3. A ergonomia organizacional baseia-se em um método em que os funcionários</p><p>contribuem para que as intervenções ergonômicas sejam mais efetivas. Analise as</p><p>afirmações sobre ergonomia organizacional:</p><p>I. Entender como o trabalhador avalia o contexto do trabalho não faz diferença</p><p>nas tomadas de decisão que a organização realiza.</p><p>II. Quando o clima organizacional é bom, o funcionário é mais feliz, satisfeito,</p><p>motivado e dedicado, o que favorece o desempenho da empresa.</p><p>74</p><p>III. Entre os fatores motivadores que promovem satisfação estão: o reconhe-</p><p>cimento pelo trabalho, responsabilidade, avanço e crescimento, além dos</p><p>resultados globais alcançados pela empresa.</p><p>Escolha a alternativa correta:</p><p>a. I, apenas.</p><p>b. II, apenas.</p><p>c. III, apenas.</p><p>d. I, II e III.</p><p>e. II e III, apenas.</p><p>75</p><p>Seção 2</p><p>Doenças relacionadas ao trabalho</p><p>Diálogo aberto</p><p>Prezado aluno, avalie as situações a seguir e imagine como elas interferem</p><p>na saúde do trabalhador: um profissional que atua na função de carrega-</p><p>mento e descarregamento; uma funcionária de um escritório que fica horas</p><p>digitando relatórios e e-mails; mulheres que ocupam cargos em que estão</p><p>submetidas a altos níveis de pressão e estresse e, até mesmo, seu professor,</p><p>que fica boa parte do tempo de pé. Você consegue imaginar quais seriam os</p><p>problemas mais frequentes de saúde desses profissionais?</p><p>• O primeiro caso envolve a sobrecarga do sistema osteomuscular, que</p><p>pode causar problemas de saúde devido às posturas incorretas empre-</p><p>gadas durante o desenvolvimento do trabalho.</p><p>• A funcionária do escritório que passa boa parte do tempo digitando</p><p>está sujeita a desenvolver Lesão por Esforço Repetitivo/Distúrbios</p><p>Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT).</p><p>• Mulheres submetidas a alto nível de estresse estão mais propensas</p><p>a desenvolverem endometriose, doença que provoca forte dor</p><p>abdominal, em que o tecido de revestimento do útero está presente</p><p>fora da cavidade uterina.</p><p>• Seu professor, por ficar muito tempo em pé, pode desenvolver</p><p>problemas circulatórios, tais como varizes e tromboses.</p><p>É claro que existem doenças comuns que não possuem relação nenhuma</p><p>com o trabalho, mas também existem grupos de doenças cujo surgimento se</p><p>deu mais precocemente ou possui complexidade maior devido à contribuição</p><p>das condições de trabalho, como a hipertensão arterial (devido ao estresse)</p><p>ou até mesmo a perda auditiva induzida pelo ruído ocupacional. Aqui,</p><p>podemos fazer uma observação: com a idade, esperamos que se tenha uma</p><p>perda de audição, que pode ser combinada com a perda de audição induzida</p><p>por ruído, se houver exposição do trabalhador ao ruído sem proteção.</p><p>Com essas informações em mente, vamos voltar à situação em que você</p><p>é um ergonomista especialista em avaliações ergonômicas de ruído e presta</p><p>serviços para indústrias e empresas em geral. Nesse momento, você está</p><p>concentrado em um trabalho de avaliação da pressão sonora causada pelos</p><p>maquinários de uma ferramentaria (torno, furadeira, fresadora e guilho-</p><p>tina) e verificação da necessidade de utilização de equipamentos de proteção</p><p>76</p><p>individual (EPIs). O trabalho foi dividido em três etapas. A primeira parte, de</p><p>avaliação do nível de ruído, foi realizada anteriormente. Agora, na segunda</p><p>etapa, você fará um trabalho de conscientização, em forma de palestra, sobre</p><p>os riscos ocupacionais e problemas de audição devido à exposição a ruídos.</p><p>Nessa palestra é importante que você responda os seguintes questionamentos:</p><p>1. O que é e como se detecta a perda auditiva?</p><p>2. Quais são os principais efeitos fisiológicos da perda auditiva?</p><p>3. Quais são as formas de se evitar a perda auditiva em situação de</p><p>trabalho?</p><p>Monte uma apresentação que esclareça esses conceitos e conscientize sua</p><p>audiência (gestores e trabalhadores) sobre os riscos e formas de se evitar problemas</p><p>ligados à perda auditiva. Com base no conteúdo de seu livro-texto relacionado à</p><p>Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR), faça um excelente trabalho.</p><p>Não pode faltar</p><p>Você sabia que entre as causas de afastamento do trabalho, as principais</p><p>são as doenças do trabalho e as doenças ocupacionais ou profissionais?</p><p>Assimile</p><p>Embora ambos estejam relacionados às atividades laborais e sejam</p><p>considerados acidentes de trabalho, os termos “doença do trabalho”</p><p>e doença ocupacional” referem-se a conceitos diferentes, conforme</p><p>determina a Lei 8213 de 24 de junho de 1991 (BRASIL, 1991):</p><p>I – doença do trabalho é adquirida em decorrência</p><p>das condições do ambiente de trabalho, tais como</p><p>doenças induzidas pelo ruído ou condições precárias</p><p>de ventilação ou conforto térmico.</p><p>II – doença ocupacional é desencadeada pelo exercício</p><p>da função do trabalhador, sendo causada por agentes</p><p>físicos, químicos ou biológicos. (BRASIL, 1991, [s.p.])</p><p>As doenças ocupacionais possuem relação direta com a atividade profis-</p><p>sional ou com as condições de trabalho. Entre as doenças mais comuns,</p><p>destacam-se as LER/DORT, que englobam aproximadamente 30 doenças.</p><p>A pressão diária no trabalho e o estresse também são responsáveis</p><p>pelo surgimento de outros problemas, tais como alcoolismo, dependência</p><p>77</p><p>química, síndrome do pânico, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).</p><p>Nesse sentido, as empresas precisam promover ações que busquem melhorar</p><p>a qualidade de vida no trabalho para que os colaboradores estejam aptos a</p><p>suportar as tensões, sejam elas de origem física ou psicológica. Atualmente,</p><p>com as mudanças na forma com a qual o trabalho é realizado, as doenças</p><p>psíquicas estão em destaque, sendo uma ameaça à saúde do profissional.</p><p>Vamos explorar, então, as principais doenças relacionadas ao trabalho.</p><p>LER/DORT</p><p>Atividades em que o indivíduo permanece por um longo período em</p><p>determinada posição ou realizando os mesmos movimentos, repetidamente,</p><p>tendem a causar Lesões por Esforços Repetitivos (LER). Esse tipo de lesão,</p><p>também conhecido como Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho</p><p>(DORT), é muito comum em bancários, digitadores, trabalhadores de linha</p><p>de montagem e operadores de telemarketing.</p><p>LER corresponde a uma síndrome constituída por um grupo de doenças</p><p>que acomete os músculos, nervos e tendões dos membros superiores (provo-</p><p>cando inflamações e dor) e que pode comprometer a capacidade funcional</p><p>da região afetada. Essas doenças ocorrem devido ao excesso de uso dos</p><p>membros sem que se tenha uma pausa para recuperação, resultando em uma</p><p>incapacidade laboral que pode ser temporária ou permanente.</p><p>Existem diversos fatores que podem determinar o aparecimento da LER/</p><p>DORT: movimentos repetitivos, postura inadequada, trabalho estático e esforço</p><p>físico excessivo. A melhor forma de tratar esse tipo de doença é evitar seu apare-</p><p>cimento, portanto, as empresas devem investir em práticas de prevenção. Para</p><p>que possamos prevenir os efeitos adversos de posturas inadequadas, pontuamos</p><p>alguns dos efeitos de diferentes posturas e movimentos no corpo humano:</p><p>1. Em pé: envolve o trabalho das pernas e dos pés, podendo levar a</p><p>problemas circulatórios.</p><p>2. Sentado (sem encosto): sobrecarga dos músculos das costas.</p><p>3. Assento muito alto: afeta pernas, joelhos e pés.</p><p>4. Assento muito baixo: afeta pescoço e ombro.</p><p>5. Braços esticados: afeta ombros</p><p>e braços.</p><p>6. Pegas inadequadas: perigo de lesão do antebraço.</p><p>7. Punho em posição não neutra: lesão nos punhos.</p><p>8. Rotações no corpo: danos na coluna.</p><p>78</p><p>Reflita</p><p>Hoje em dia geralmente trabalha-se na posição sentada; na maioria dos</p><p>escritórios, é comum o colaborador permanecer sentado cerca de 8</p><p>horas diárias. A posição sentada, em relação a em pé, é inegavelmente</p><p>vantajosa em alguns aspectos. Mas até que ponto? Quais são os riscos</p><p>que esse hábito traz a nossa saúde?</p><p>Acesse o Quadro Anexo 2.4 para conhecer mais lesões e suas causas</p><p>ocupacionais.</p><p>Para acessar o Quadro Anexo 2.4, utilize o link.</p><p>Doenças que acometem o sistema respiratório</p><p>O sistema respiratório é uma interface importante do organismo com</p><p>o ambiente, e a poluição aérea nos ambientes de trabalho está associada a</p><p>diversas doenças do trato respiratório que acometem desde o nariz até a o</p><p>espaço entre as membranas que envolvem o pulmão (espaço pleural). Vamos</p><p>destacar algumas das principais doenças do sistema respiratório que são</p><p>relacionadas ao trabalho:</p><p>1. Antracose</p><p>Lesão pulmonar caracterizada pela deposição de partículas de carvão,</p><p>provenientes do ar, nos pulmões de mineradores, populações de áreas</p><p>poluídas e, também, de fumantes. A deposição de carvão, embora não lesione</p><p>o tecido pulmonar, é irreversível. No entanto, se a exposição for intensa, o</p><p>quadro poderá evoluir para disfunções pulmonares graves, podendo causar,</p><p>por exemplo, fibrose pulmonar (substituição do tecido pulmonar por tecido</p><p>cicatricial, que promove redução da capacidade respiratória).</p><p>2. Bissinose</p><p>É uma doença das vias aéreas causada pela aspiração de poeiras de fibras</p><p>orgânicas de algodão, linho, cânhamo ou sisal. É conhecida como síndrome</p><p>das manhãs de segunda-feira, pois a resposta aguda de falta de ar e dor no</p><p>peito ocorre ao retorno do trabalho, após o final de semana. Essa doença</p><p>ocorre com bastante frequência entre trabalhadores que fazem a abertura de</p><p>fardos e iniciam o processamento do algodão. Não há tratamento específico</p><p>79</p><p>para ela. Caso o grau da doença evolua com persistência de queixas, o</p><p>paciente deve ser afastado da função. Por isso, o empregador deve imple-</p><p>mentar medidas de controle ambiental para eliminação ou redução da poeira</p><p>a níveis considerados seguros.</p><p>3. Siderose</p><p>É uma doença caracterizada por alterações pulmonares associadas à</p><p>exposição a fumos de óxido de ferro: em procedimentos de corte de ferro</p><p>com solda elétrica são emitidos vapores de óxido ferroso. A inalação prolon-</p><p>gada desses fumos causa a deposição de óxido férrico (resultado da redução</p><p>do óxido ferroso) no pulmão. Essa deposição, na forma pura, não provoca</p><p>alteração funcional respiratória.</p><p>De forma geral, quando nos referimos à prevenção de doenças do sistema</p><p>respiratório relacionadas ao trabalho, temos que adotar medidas para</p><p>eliminar ou reduzir a concentração dos agentes causadores de doenças, tais</p><p>como sistemas de ventilação, monitoramento ambiental sistemático, isola-</p><p>mento de agentes ou substâncias nocivas, enclausuramento de processos e,</p><p>também, buscar diminuir o tempo de exposição, bem como o número de</p><p>trabalhadores envolvidos, além de fornecer os EPIs adequados, observando</p><p>que as máscaras protetoras respiratórias devem ser usadas como medidas</p><p>temporárias, emergenciais.</p><p>Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR)</p><p>Quando somos submetidos a um estímulo sonoro intenso podemos</p><p>perder a capacidade auditiva temporariamente, no entanto, se essa exposição</p><p>for repetida, o dano pode se tornar permanente. A esse efeito damos o nome</p><p>de Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR): quanto mais intenso e repeti-</p><p>tivo for o ruído, maior o dano para a audição.</p><p>A sensibilidade ao ruído, no entanto, varia de pessoa para pessoa.</p><p>Geralmente, a PAIR se inicia com frequências acima de 4000 Hz e é progres-</p><p>siva, combinando-se com a perda auditiva que ocorre naturalmente com o</p><p>envelhecimento, podendo até ser confundida com esse caso.</p><p>A capacidade de audição ou a extensão da perda auditiva é medida pela</p><p>audiometria, que determina o limiar de audição de tons puros de diversas</p><p>frequências. O resultado da audiometria é o audiograma que apresenta, em</p><p>decibéis, o quanto o limiar de audição foi elevado para cada frequência. Os</p><p>limiares de audição normais estão entre 0 a 20 dB. Acima de 20 dB, a pessoa já</p><p>apresenta dificuldade de compreensão da fala em ambientes ruidosos. Entre</p><p>40 e 70 dB, o grau de deficiência auditiva é moderado, com maior dificuldade</p><p>para se compreender a fala. Entre 70 e 90 dB, é preciso falar bem próximo à</p><p>80</p><p>orelha para que a pessoa consiga compreender. Acima de 90 dB, o grau de</p><p>deficiência auditiva é classificado como profundo.</p><p>A Figura 2.6 ilustra um audiograma em que há redução de capacidade</p><p>auditiva de 50 a 60 dB em torno de 4000 Hz, característica de dados auditivos</p><p>por ruídos.</p><p>Figura 2.6 | Audiograma de tons puros apresentando dano por ruído</p><p>Fonte: Kroemer e Grandjean (2005, p. 260).</p><p>A PAIR ocorre em diversos ramos de atividade, no entanto, a frequência</p><p>é maior nos ramos da construção civil, metalurgia e siderurgia. O risco de</p><p>problemas aumenta tanto com a intensidade do som (acima de 90 dB(A)),</p><p>quanto com a duração da exposição. Interrupções durante a jornada de</p><p>trabalho de trabalhadores submetidos a ambientes ruidosos são favoráveis no</p><p>sentido de reduzirem o risco da perda auditiva. Por isso, para uma jornada de</p><p>8 horas de trabalho, a exposição ao ruído não deve ser maior que 85 db (A). A</p><p>Tabela 2.3 apresenta a relação entre o tempo de exposição e a intensidade da</p><p>exposição para que se tenha o mesmo grau de risco de perda auditiva.</p><p>Tabela 2.3 | Relação entre o tempo de exposição e a intensidade da exposição</p><p>Horas dB (A)</p><p>8 90</p><p>6 92</p><p>3 97</p><p>1,5 102</p><p>0,5 110</p><p>Fonte: Kroemer e Grandjean (2005, p. 262).</p><p>81</p><p>Pesquise mais</p><p>Aprofunde-se mais no tema estudando os efeitos psicológicos e fisioló-</p><p>gicos do ruído em nosso organismo e quais são as formas de nos prote-</p><p>germos contra ele. Leia as páginas 262 a 272 da seguinte obra, dispo-</p><p>nível na Biblioteca Virtual (lembre-se de logar para acessar):</p><p>KROEMER, K. H. E; GRANDJEAN, E. Manual de ergonomia: adaptando o</p><p>trabalho ao homem. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.</p><p>Doenças de pele</p><p>As dermatoses ocupacionais são alterações na pele, mucosas e anexos</p><p>causadas direta ou indiretamente, mantidas ou agravadas pelo trabalho.</p><p>Cerca de 80% das dermatoses ocupacionais são produzidas por agentes</p><p>químicos, sendo que os mais comuns são metais, ácidos e álcalis, hidrocar-</p><p>bonetos aromáticos, óleos lubrificantes e arsênico. Outros agentes de derma-</p><p>toses ocupacionais são os físicos – caracterizados por radiação, vibração,</p><p>pressão, calor, frio ou traumas – e/ou biológicos (fungos, bactérias, vírus,</p><p>parasitas, animais e plantas).</p><p>As dermatoses mais frequentes são as dermatites alérgicas de contato e as</p><p>dermatites de contato por irritantes. Embora não produzam quadros graves,</p><p>essas doenças interferem na vida social e no trabalho, pois causam descon-</p><p>forto, coceira, ferimentos e até alterações estéticas na pele. As lesões começam</p><p>com irritação da pele, evoluindo para rachaduras, seguida de sangramentos</p><p>e eczema. A Figura 2.7 apresenta a dermatose ocupacional causada pelo</p><p>contato com o cimento.</p><p>Figura 2.7 | Dermatose ocupacional causada pelo contato direto com o cimento</p><p>Fonte: https://bit.ly/2JZS0vT. Acesso em: 24 jul. 2019.</p><p>82</p><p>Para que se evitem complicações, o ideal é que o tratamento da doença</p><p>seja iniciado logo no início do aparecimento dos sintomas. O afastamento do</p><p>trabalhador é uma medida que deve ser adotada, no entanto, a prevenção é</p><p>fundamental, por isso, devem ser aderidas medidas de proteção individual</p><p>(higiene pessoal, utilização de EPI) e coletiva (exames periódicos, treina-</p><p>mentos e orientações aos colaboradores).</p><p>No caso de trabalhadores da área agrícola, de mineração e da construção</p><p>civil, que estão expostos à radiação solar, existe o risco de desenvolvimento</p><p>de câncer de pele. Nesse cenário, o empregador é responsável por alertar</p><p>os colaboradores sobre os riscos que aquela atividade traz para sua saúde,</p><p>pelo fornecimento de equipamentos que irão proteger o trabalhador (filtros</p><p>solares, vestuário adequado) e pelo estabelecimento de horários de trabalho</p><p>em que a radiação solar é menor.</p><p>Doenças psicossociais</p><p>Problemas como estresse e depressão podem estar ligados a uma carga</p><p>horária excessiva, à pressão para que o funcionário cumpra as atividades e</p><p>aos conflitos no ambiente de trabalho devido à competição, por exemplo.</p><p>Nesse sentido, é importante que a carga de trabalho e as exigências não</p><p>comprometam a saúde do trabalhador e que o ambiente de trabalho seja</p><p>tranquilo. Ainda, a empresa deve promover ações de conscientização para</p><p>que o funcionário cuide de sua saúde, mantendo bons hábitos alimentares e</p><p>uma prática de exercícios constante.</p><p>O estresse, além de ser um problema social e de saúde pública, inter-</p><p>fere negativamente no trabalho e em casa, pois pessoas estressadas perdem</p><p>a autoestima e autoconfiança, tornando-se desleixadas, agressivas e com</p><p>tendências ao vício em bebidas ou fumo.</p><p>Exemplificando</p><p>Excesso de trabalho no Japão</p><p>No Japão, após a 2ª Guerra Mundial, as pessoas eram estimuladas</p><p>a trabalhar cerca de 12 horas por dia durante 7 dias da semana para</p><p>reerguer a economia do país. Essa cultura de se trabalhar em excesso</p><p>é bem característica desse país, tanto é que, perda de cargo ou do</p><p>emprego é dada como a maior causa de suicídios no Japão. Além disso,</p><p>existe o termo Karoshi, que é morte causada por excesso de trabalho: os</p><p>trabalhadores sofrem ataques do coração e derrame devido ao estresse</p><p>ocupacional e desleixo com sua alimentação e saúde de forma geral. O</p><p>governo japonês e as empresas estão se esforçando para que os traba-</p><p>lhadores trabalhem menos; algumas empresas monitoram em tempo</p><p>83</p><p>real seus escritórios com uso de drones para incentivar os colabora-</p><p>dores a voltarem para casa (JORNADA..., 2019, [s.p.]).</p><p>A condição de estresse, se prolongada, afeta a qualidade de trabalho,</p><p>oferece maior risco de acidentes, é causa de absenteísmo e rotatividade. O</p><p>estresse também pode evoluir para quadros de depressão e ansiedade, como</p><p>síndrome do pânico e TOC.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Você é um ergonomista especialista em avaliações ergonômicas de ruído e</p><p>presta serviços para indústrias e empresas em geral. Neste momento, você está</p><p>concentrado em um trabalho de avaliação da pressão sonora causada pelos</p><p>maquinários de uma ferramentaria (torno, furadeira, fresadora e guilhotina)</p><p>e de verificação da necessidade de utilização de Equipamentos de Proteção</p><p>Individual (EPIs). O trabalho foi dividido em três etapas. A primeira parte</p><p>foi a avaliação da exposição ao ruído. Agora, na segunda etapa, você fará um</p><p>trabalho de conscientização, em forma de palestra, sobre os riscos ocupacio-</p><p>nais e problemas de audição resultantes da exposição a ruídos.</p><p>Apresentamos, a seguir, alguns dos slides preparados para sua palestra. A</p><p>Figura 2.8 contém a definição de PAIR, sendo que sua classificação é apresen -</p><p>tada na Figura 2.9. A PAIR pode ser detectada pela audiometria (Figura</p><p>2.10). Os principais efeitos fisiológicos da PAIR são apresentados na Figura</p><p>2.11 e as formas de prevenção são apresentadas na Figura 2.12.</p><p>Figura 2.8 | O que é PAIR</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>84</p><p>Figura 2.9 | Classificação da perda auditiva</p><p>Fonte: adaptada de http://portalotorrinolaringologia.com.br/SURDEZ-graus.php. Acesso em: 24 jul. 2019.</p><p>Figura 2.10 | Detecção da PAIR</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>http://portalotorrinolaringologia.com.br/SURDEZ-graus.php</p><p>85</p><p>Figura 2.11 | Efeitos fisiológicos da PAIR</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>Figura 2.12 | Prevenção da PAIR</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>Avançando na prática</p><p>Um perigo lento e mortal</p><p>Você está participando de um congresso na área de ergonomia e na</p><p>mesa-redonda, cujo tema foi “Doenças relacionadas ao trabalho”, foi apresen-</p><p>tada a seguinte ilustração (Figura 2.13):</p><p>86</p><p>Figura 2.13 | Efeitos do benzeno no organismo</p><p>Fonte: https://bit.ly/2Gsz1Jp. Acesso em: 24 jul. 2019.</p><p>Levando em consideração a natureza deste trabalho, quais as recomenda-</p><p>ções para que sejam minimizados os riscos de contaminação por benzeno?</p><p>Resolução da situação-problema</p><p>O benzeno é uma substância cancerígena e diversos estudos comprovam</p><p>seus efeitos adversos na saúde do trabalhador que desenvolve atividade como</p><p>87</p><p>frentista, havendo registros, inclusive de morte. Na Europa e nos Estados</p><p>Unidos, essa profissão não existe, no entanto, em nosso país, a sua existência é</p><p>protegida por uma lei que proíbe o funcionamento de bombas de autosserviço</p><p>em todo território nacional.</p><p>Para que o risco de doenças ocupacionais seja minimizado, é preciso</p><p>fazer um trabalho de conscientização com os frentistas, expondo os riscos de</p><p>contaminação, sintomas de intoxicação, quais são as medidas de prevenção e</p><p>os procedimentos de emergência. Nesse sentido, a principal orientação seria</p><p>a proibição do abastecimento após o travamento automático da bomba, para</p><p>evitar a inalação dos vapores. Além disso, é necessário evitar o contato do</p><p>combustível com a pele, por isso não se pode utilizar flanela ou estopa para</p><p>limpeza da lataria do veículo caso extravase combustível; a limpeza deve</p><p>ser feita com toalha de papel absorvente. Para saber mais, consulte o Anexo</p><p>2 da NR09 - Exposição Ocupacional ao Benzeno em Postos Revendedores</p><p>de Combustíveis, a qual aborda outras ações que devem ser empregadas</p><p>(BRASIL, 2017).</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. As doenças ocupacionais possuem relação direta com a atividade profissional ou</p><p>com as condições de trabalho. Entre as doenças mais comuns, destacam-se as LER/</p><p>DORT, que englobam aproximadamente 30 doenças. Analise as afirmações sobre as</p><p>doenças relacionadas ao trabalho:</p><p>I. LER é um termo que se refere às doenças que atingem membros inferiores,</p><p>músculos, tendões e nervos, provocando dores e inflamações neles.</p><p>II. LER/DORT são distúrbios orteomusculares relacionados ao trabalho.</p><p>III. LER significa Lesão por Esforço Repetitivo, mas ela também é conhecida por</p><p>Lesão por Trauma Cumulativo (LTC).</p><p>Escolha a alternativa correta:</p><p>a. I, apenas.</p><p>b. II, apenas.</p><p>c. III, apenas.</p><p>d. I, II e III.</p><p>e. II e III, apenas.</p><p>88</p><p>2. O sistema respiratório é uma interface importante do organismo. O ambiente e</p><p>a poluição aérea nos locais de trabalho estão associados a diversas doenças do trato</p><p>respiratório que acometem desde o nariz até a o espaço entre as membranas que</p><p>envolvem o pulmão (espaço pleural).</p><p>Assinale a alternativa que corresponde à doença ocasionada pela aspiração de poeira</p><p>orgânica:</p><p>a. Beriliose.</p><p>b. Asbestose.</p><p>c. Bissinose.</p><p>d. Antracose</p><p>e. Siderose.</p><p>3. Descrito em 1974, sua principal característica é o estado de tensão emocional e</p><p>estresse crônicos causados por condições de trabalho desgastantes em profissões que</p><p>exigem envolvimento interpessoal direto e intenso, tais como profissões da área da</p><p>saúde, educação e segurança. O sintoma é uma sensação de esgotamento emocional e</p><p>físico, que provocam atitudes negativas, como mudanças repentinas de humor, lapsos</p><p>de memória, dificuldade de concentração, depressão, dores de cabeça, pressão alta,</p><p>entre outros.</p><p>Assinale a alternativa que corresponde à doença descrita no texto-base:</p><p>a. Doença decorrente de contaminação no ambiente de trabalho.</p><p>b. Doença degenerativa.</p><p>c. Lesão por Esforço Repetitivo.</p><p>d. Síndrome de Burnout.</p><p>e. Perda auditiva induzida por ruído.</p><p>89</p><p>Seção 3</p><p>Normas técnicas e regulamentadoras referentes</p><p>à ergonomia</p><p>Diálogo aberto</p><p>Prezado aluno, neste momento, convido você a uma viagem no tempo:</p><p>imagine como cenário, a indústria na época da Revolução Industrial; nessa</p><p>época não havia nenhum cuidado ou preocupação com relação à saúde</p><p>e à segurança do trabalhador, pois o objetivo principal era o aumento da</p><p>produtividade. Com isso, as instalações de trabalho eram precárias, o local</p><p>de trabalho era improvisado e não atendia nenhum requisito quanto à</p><p>segurança, oferecendo risco de acidentes</p><p>e condições agressivas de trabalho,</p><p>pois não havia iluminação suficiente, ventilação adequada para renovação do</p><p>ar e, como você deve imaginar, o local de trabalho era muito sujo.</p><p>Além disso, as condições de trabalho eram tão precárias que o traba-</p><p>lhador era explorado: jornada de trabalho que muitas vezes era estendida</p><p>até a madrugada, os salários eram baixos e não havia benefícios como as</p><p>férias, sem contar que o trabalhador estava exposto ao risco de acidentes</p><p>sem nenhum tipo de respaldo jurídico. Além disso, aos seis anos de idade, as</p><p>crianças já estavam nas fábricas trabalhando.</p><p>Poderíamos parar por aí, não é verdade? Mas, infelizmente, tem mais: as</p><p>máquinas daquela época não previam nenhum sistema de proteção, por isso,</p><p>eram frequentes os acidentes graves (perda de membros em engrenagens,</p><p>por exemplo) ou até mesmo fatais. As máquinas produziam níveis de ruídos</p><p>altíssimos, provocando o aparecimento de doenças, como a Perda Auditiva</p><p>Induzida por Ruído (PAIR).</p><p>Com todo esse cenário, além dos afastamentos de trabalho devido aos</p><p>acidentes, os trabalhadores eram afastados de seus trabalhos devido às</p><p>doenças ocupacionais, o que interrompia os processos produtivos. Com</p><p>tantos problemas, associados à opinião pública, viu-se a necessidade do</p><p>surgimento de uma legislação para proteger os trabalhadores. Essa legis-</p><p>lação, ao longo do tempo, vem sofrendo evoluções, no entanto, ainda temos</p><p>um quadro em que doenças e acidentes de trabalho ainda afetam a classe</p><p>trabalhadora.</p><p>Com todo esse histórico em mente, vamos nos concentrar na última</p><p>etapa de seu trabalho: atuando como ergonomista especialista em avaliações</p><p>ergonômicas de ruído, prestador de serviços para indústrias e empresas em</p><p>90</p><p>geral, seu trabalho atual consiste em três etapas fundamentais. A primeira, foi</p><p>definir o que é ruído e, com base na metodologia prevista em norma, realizar</p><p>a sua medição e avaliação. A segunda etapa foi uma palestra com intuito de</p><p>esclarecer sobre os riscos e formas de se evitar problemas ligados à perda</p><p>auditiva. Agora, com base nos dados analisados anteriormente e nas referên-</p><p>cias legais, você deverá indicar se o trabalho evidencia risco ao trabalhador</p><p>com as máquinas trabalhando isoladamente e, também, com as máquinas</p><p>funcionando simultaneamente. Como tratar os dados para realizar a análise?</p><p>Os dados coletados indicam risco ao trabalhador? Quais as ações a serem</p><p>tomadas para evitar problemas nessa situação? Aprofunde a análise com base</p><p>na teoria relacionada à legislação aplicada à ergonomia e nas normas regula-</p><p>mentadoras para que você consiga entregar um bom resultado ao cliente,</p><p>a fim de que ele possa promover um ambiente de trabalho saudável a seus</p><p>funcionários.</p><p>Não pode faltar</p><p>Prezado aluno, relembrando o estudo realizado até este momento da</p><p>disciplina, sabemos que, com o advento da Revolução Industrial, a atenção</p><p>estava voltada à expansão da produção que, na maioria das vezes, ocorria</p><p>à custa da saúde e da segurança do trabalhador; esses aspectos eram vistos</p><p>como secundários, pois na concepção dos tomadores de decisão daquela</p><p>época, a preocupação com as condições de trabalho não eram convertidas</p><p>em lucro. Frente a essa situação, em 1802 foi aprovada, no Parlamento</p><p>Britânico, a primeira lei de proteção aos trabalhadores: a “Lei de Saúde e</p><p>Moral dos Aprendizes” que limitava uma jornada de trabalho de 12 horas</p><p>por dia, proibindo o trabalho noturno, e obrigava os empregadores a instalar</p><p>ventiladores nas indústrias (para renovação de ar) e a limpar as paredes das</p><p>fábricas duas vezes ao ano.</p><p>Com o passar do tempo, mesmo com a resistência dos empregadores,</p><p>leis complementares foram surgindo e a preocupação com a saúde e com a</p><p>segurança do trabalhador foi ganhando importância.</p><p>Com o intuito de preservar a qualidade de vida do trabalhador, de forma</p><p>que não sejam comprometidas a saúde física e a saúde psíquica, os conhe-</p><p>cimentos em ergonomia foram consolidados em documentos normativos,</p><p>que estabelecem regras e diretrizes a serem respeitadas pelos empregadores.</p><p>No Brasil, temos dois conjuntos desses documentos: as normas técnicas e as</p><p>Normas Regulamentadoras (NR).</p><p>91</p><p>Assimile</p><p>As Normas Regulamentadoras são elaboradas pelo governo federal,</p><p>possuem caráter compulsório (é obrigatório) e são utilizadas para fisca-</p><p>lização do trabalho.</p><p>Normas técnicas são elaboradas por entidades não governamentais,</p><p>envolvendo representantes do governo, consumidores e fabricantes,</p><p>no intuito de beneficiar a maioria da população e, geralmente, não</p><p>possuem caráter compulsório.</p><p>Normas Regulamentadoras</p><p>O órgão responsável pela fiscalização do trabalho, estabelecimento e</p><p>revisão das Normas Regulamentadoras é o Ministério do Trabalho e Emprego</p><p>(MTE), cuja pasta foi, em janeiro de 2019, incorporada ao Ministério da</p><p>Economia na Secretaria Especial de Previdência e Trabalho. As NR devem</p><p>ser respeitadas por todas as empresas brasileiras que tenham empregados</p><p>regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e devem ser revisadas</p><p>periodicamente. Atualmente, existem 37 NRs, sendo que a NR17 - Ergonomia</p><p>é a que aborda especificamente o tema de ergonomia, com o intuito de</p><p>estabelecer os parâmetros que permitam o máximo de conforto e segurança</p><p>para que os colaboradores desempenhem um trabalho eficiente, respeitando</p><p>suas características psicofisiológicas. A NR 17 estabelece diretrizes quanto ao</p><p>levantamento, transporte e descarga de materiais, características de mobiliá-</p><p>rios e equipamentos, além das condições ambientais do posto de trabalho e</p><p>como deve ser a organização do trabalho. De acordo com essa NR, o empre-</p><p>gador é o responsável pela implantação da Análise Ergonômica do Trabalho</p><p>(AET).</p><p>Exemplificando</p><p>A Análise Ergonômica do Trabalho deve abordar as condições de</p><p>trabalho. Oliveira (2015) cita os itens que devem ser apresentados nesse</p><p>documento:</p><p>1. DEPTO/SETOR: GVT</p><p>2. POSTO DE TRABALHO: setor de montagem automo-</p><p>bilística</p><p>3. DADOS DO MEIO AMBIENTE DE TRABALHO: ruído 67</p><p>dB(A), iluminação artificial.</p><p>4. SERVIÇO EM PROCESSO: Montagem de motores</p><p>automotivos</p><p>5. FUNÇÃO ANALISADA: Mecânico montador</p><p>6. QUANTIDADE DE TRABALHADORES ENVOLVIDOS: 1</p><p>92</p><p>7. DADOS DO TRABALHADOR: 74 kg, 1,78 m, sexo</p><p>masculino, 26 anos de idade.</p><p>8. TEMPO DE TRABALHO NA EMPRESA: 5 anos</p><p>9. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS:</p><p>Montam motores com auxílio de ferramentas manuais</p><p>e mecânicas; regulam e testam motores e realizam</p><p>inspeções.</p><p>10. O TURNO DE TRABALHO: 07:00 às 15:00 e 15:00 às</p><p>23:00</p><p>11. O RITMO DE TRABALHO: movimentos rápidos, com</p><p>cerca de 150 movimentações dos braços e mãos</p><p>durante 30 min. de trabalho. O trabalho é repetitivo,</p><p>com montagem de 3 motores durante os 30 min.</p><p>12. AS PAUSAS DE TRABALHO: Descanso em sala de 5</p><p>min. a cada 30min. trabalhado.</p><p>13. A ROTATIVIDADE DE PESSOAL: semanalmente o</p><p>mecânico é direcionado à montagem de motores</p><p>menores GFT</p><p>14. EXIGÊNCIAS FÍSICAS DO TRABALHO: O trabalho é</p><p>realizado em pé, de acordo com as exigências da</p><p>linha de montagem. O trabalho não envolve a pega</p><p>de cargas maiores que 10Kg em freqüência maior que</p><p>uma vez a cada cinco minutos. Não há o uso de ferra-</p><p>mentas vibratórias. A média de peso das ferramentas</p><p>manuais é de 1 kg.</p><p>15. EXIGÊNCIAS DAS POSTURAS INADEQUADAS: O</p><p>mecânico utiliza flexão de tronco, mantendo uma</p><p>postura estática, para operar as ferramentas</p><p>mecânicas. Movimenta principalmente as mãos e</p><p>braços</p><p>16. AS PRINCIPAIS QUEIXAS DOS TRABALHADORES:</p><p>Dores nos braços e mãos.</p><p>17. FOTOS DOS POSTOS DE TRABALHO: Fotos 1,2 e 3</p><p>anexo</p><p>18. AS RECOMENDAÇÕES: Deve-se substituir ferramenta</p><p>x pela y para um melhor conforto e rendimento do</p><p>trabalhador. As pausas devem aumentar para, pelo</p><p>menos 10 minutos. As ferramentas manuais x,t, g e h</p><p>devem ser substituídas.</p><p>19. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS: A forma de</p><p>trabalho atual oferece condições de adquirir LER/</p><p>DORT, devendo-se atentar às recomendações. Ressal-</p><p>93</p><p>te-se que deve-se analisar a organização do trabalho</p><p>de um modo global.</p><p>a ser desenvol-</p><p>vido consiste em definir os conceitos de antropometria aplicados ao projeto</p><p>da estação de trabalho, levando em consideração os dados antropométricos</p><p>dos colaboradores. Para finalizar a sua consultoria, você atuará na questão da</p><p>insatisfação e do estresse neste ambiente, destacando quais são as condições</p><p>que podem se tornar fatores estressores no ambiente de trabalho e quais são as</p><p>ações que podem ser realizadas para reverter a situação na qual a empresa se</p><p>encontra. Para conseguir realizar seu propósito de forma efetiva, você precisa</p><p>conhecer alguns aspectos históricos e aplicações da ergonomia, ter noções</p><p>sobre o organismo humano e entender sobre aspectos da ergonomia cogni-</p><p>tiva, que está relacionada à atividade mental. Neste sentido, você consegue</p><p>definir o papel de um ergonomista? Conhece o termo antropometria e como</p><p>esta ciência nos ajuda a proporcionar maior conforto aos postos de trabalho?</p><p>Além disso, como a realização do trabalho está ligada à ergonomia cogni-</p><p>tiva? Estas e muitas outras perguntas poderão ser respondidas com este seu</p><p>primeiro contato com a ergonomia. Vamos nos aprofundar e colocar em</p><p>prática estes novos conceitos!</p><p>9</p><p>Seção 1</p><p>Introdução à ergonomia</p><p>Diálogo aberto</p><p>Caro aluno,</p><p>Primeiramente, definiremos o que é ergonomia, bem como seus objetivos</p><p>e sua classificação. Além disso, investigaremos o papel de um ergonomista e</p><p>a transdisciplinariedade da área, suas aplicações e o custo-benefício que esta</p><p>ciência traz ao sistema produtivo de diversas empresas.</p><p>A ergonomia foi oficializada como uma disciplina científica após a</p><p>Segunda Guerra Mundial e é resultado do trabalho de profissionais de</p><p>diferentes áreas, tais como engenharia, psicologia e fisiologia. Esta ciência</p><p>vem sofrendo alterações com o tempo; anteriormente, a aplicação estava</p><p>centrada no binômio homem-máquina, atualmente, são avaliados sistemas</p><p>mais complexos e abrangentes, que contam com a interação de diversos</p><p>humanos, máquinas e o ambiente de trabalho das mais diferentes atividades.</p><p>Além disso, precisamos levar em consideração as mudanças em termos da</p><p>natureza do trabalho: cada vez mais as atividades realizadas dependem de</p><p>aspectos cognitivos, ou seja, qual a percepção do colaborador para que este</p><p>tome a melhor decisão, em detrimento de um trabalho que, antigamente,</p><p>exigia apenas esforço físico.</p><p>Para que você aprenda os conceitos de forma mais proveitosa, imagine a</p><p>seguinte situação: você é um renomado consultor em ergonomia e foi contra-</p><p>tado recentemente por uma empresa que enfrenta sérios problemas com as</p><p>reclamações e os resultados de seus colaboradores. As principais demandas</p><p>estão relacionadas às dores no corpo devido à posição das estações de</p><p>trabalho: os colaboradores do setor administrativo queixam-se das mesas e</p><p>das cadeiras fornecidas pela empresa, pois não são confortáveis para a reali-</p><p>zação de trabalho de escritório. Recentemente, a gestora de RH (recursos</p><p>humanos) realizou um levantamento sobre as consultas médicas junto ao</p><p>provedor de plano de saúde, que destacou, de forma preocupante, o número</p><p>de consultas à ortopedistas e de seções de fisioterapia. Em suma, o ambiente</p><p>de trabalho é muito estressante; alguns colaboradores estão muito cansados</p><p>e insatisfeitos com o trabalho de forma geral, o que gera muita “conversa de</p><p>corredor”, principalmente sobre os gestores e a forma de coordenar o trabalho.</p><p>Nesse contexto, como primeira etapa você deve realizar uma conscientização</p><p>junto aos gestores e demais funcionários, destacando o papel fundamental</p><p>da ergonomia em diferentes setores. Qual é a forma que o ergonomista deve</p><p>10</p><p>trabalhar para que a conscientização seja eficaz? Quais são as diversas formas</p><p>que podemos aplicar para lidar com problemas ergonômicos? Nesse cenário,</p><p>quais são os benefícios que a ergonomia poderá trazer à empresa?</p><p>Para isso, você deverá avaliar o papel do ergonomista e as diversas aplica-</p><p>ções que a ergonomia apresenta em termos de avaliação da adequação do</p><p>trabalho ao homem e, também, a relação benefício-custo que a aplicação</p><p>desta área traz ao setor produtivo quando da sua aplicação. Aprofunde seus</p><p>estudos para a realização de uma ótima consultoria!</p><p>Não pode faltar</p><p>Durante a realização de determinada atividade ou serviço, o ser humano</p><p>pode permanecer na mesma posição por um determinado período, o que</p><p>pode levar ao surgimento de problemas, por exemplo, desconforto e fadiga.</p><p>Já esforços repetitivos, aliados a uma postura inadequada, podem ser a</p><p>causa do aparecimento de diversas lesões. Para evitar estes problemas, preci-</p><p>samos avaliar as condições de trabalho, surgindo, portanto, a ergonomia.</p><p>Esta área tem muitas definições, no entanto, todas elas destacam o caráter</p><p>interdisciplinar e um objetivo comum: estudar a adequação do trabalho</p><p>ao ser humano a partir da interação do colaborador com as máquinas</p><p>no ambiente de ofício; isso define o sistema homem-máquina-ambiente.</p><p>A definição mais antiga da ergonomia data de meados dos anos 50 e foi</p><p>formulada pela Ergonomics Research Society (Sociedade de Pesquisa em</p><p>Ergonomia) na Inglaterra:</p><p>Ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem e</p><p>seu trabalho, equipamento, ambiente e, particularmente,</p><p>a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia</p><p>e psicologia na solução dos problemas que surgem deste</p><p>relacionamento. (ERGONOMICS RESEARCH SOCIETY, 1949</p><p>apud ERGONOMIA, [s.d.]</p><p>A Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO) adota a definição</p><p>da Associação Internacional de Ergonomia (International Ergonomics</p><p>Association – IEA):</p><p>Ergonomia (ou Fatores Humanos) é a disciplina científica</p><p>que estuda as interações entre os seres humanos e outros</p><p>elementos do sistema de trabalho aplicando os princípios</p><p>11</p><p>teóricos, dados e métodos, a fim de realizar projetos para</p><p>otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral desse</p><p>sistema. (ERGONOMIA, [s.d.])</p><p>A ergonomia tem como objetivo proporcionar satisfação e conforto aos</p><p>indivíduos e garantir que a atividade laboral e interação com as máquinas/</p><p>equipamentos não causem problemas à saúde do colaborador, reduzindo,</p><p>desta forma, fadiga, estresse, erros e acidentes. Para isso, é necessário avaliar</p><p>diversos fatores que influenciam o desempenho do sistema de produção,</p><p>conforme ilustra a Figura 1.1.</p><p>Reflita</p><p>A ergonomia visa preservar a saúde, segurança, satisfação, eficiência e produ-</p><p>tividade dos trabalhadores. No entanto, não se aceita colocar a eficiência do</p><p>trabalho como objetivo principal da ergonomia, ela seria uma consequência.</p><p>Reflita com seus colegas e docente o porquê desta consideração.</p><p>Figura 1.1 | Medidas antropométricas para postos de trabalho</p><p>Fonte: Iida e Guimarães (2018, p. 5).</p><p>12</p><p>Assimile</p><p>Para que você tenha sucesso em seus trabalhos como ergonomista, é neces-</p><p>sário compreender os seguintes conceitos e as seguintes características:</p><p>• Homem: tem atributos como idade, tamanho, força, habilidade</p><p>cognitiva, experiência, cultura e objetivos que devem ser consi-</p><p>derados no projeto de ergonomia.</p><p>• Máquina: ferramentas, mobília, equipamentos e instalações.</p><p>• Ambiente: onde o homem está inserido e tem como caracterís-</p><p>ticas temperatura, ruídos, vibrações, luminosidade, etc.</p><p>• Informação: sistema de transmissão das informações necessárias</p><p>à realização do trabalho.</p><p>• Organização: elementos do sistema produtivo.</p><p>• Consequências do trabalho: estresse, fadiga, erros e acidentes.</p><p>Os princípios que regem a ergonomia começaram nos primórdios da</p><p>humanidade, quando o homem pré-histórico adaptou ferramentas (Figura</p><p>1.2) para tornar o manuseio mais adequado às suas necessidades e, também,</p><p>mais seguro e eficiente.</p><p>Figura 1.2 | Ferramentas da pré-história</p><p>Fonte: https://www.istockphoto.com/br/vetor/idade-da-pedra-homem-primitiva-gm512907816-87376081.</p><p>Acesso em: 28 jun. 2019.</p><p>Na renascença, período entre o século XIV e início do século XVII,</p><p>surgiram alguns trabalhos na área, tais como:</p><p>https://www.istockphoto.com/br/vetor/idade-da-pedra-homem-primitivas-gm512907816-87376081</p><p>13</p><p>• O</p><p>(OLIVEIRA, 2015, p. 164)</p><p>Iremos, na sequência, ver cada uma das NR de forma resumida (IIDA e</p><p>GUIMARÃES, 2018):</p><p>NR 1 – Disposições gerais: estabelece o campo de aplicação das normas</p><p>preventivas de segurança e saúde no trabalho, bem como das obrigações do</p><p>governo, dos trabalhadores e dos empregadores, além disso, estabelece que</p><p>a NR é de aplicação obrigatória para celetistas (trabalhadores regidos pela</p><p>CLT).</p><p>NR 2 – Inspeção prévia: trata da inspeção prévia de instalações de forma a</p><p>assegurar que as atividades estejam livres de riscos de acidentes e/ou doenças</p><p>de trabalho.</p><p>NR 3 – Embargo ou interdição: trata do embargo ou interdição em casos</p><p>em que existam riscos graves e iminentes ao trabalhador.</p><p>NR 4 – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em</p><p>Medicina do Trabalho (SESMT): estabelece critérios para organização de</p><p>serviços em engenharia de segurança e em medicina do trabalho, envol-</p><p>vendo médico do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, técnico em</p><p>segurança do trabalho, enfermeiro do trabalho e auxiliar de enfermagem.</p><p>Deve ser o parceiro principal da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes</p><p>(CIPA).</p><p>NR 5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA): trata da</p><p>CIPA, cujo objetivo é atuar na prevenção de acidentes e doenças ocupacio-</p><p>nais. A CIPA é composta por representantes do empregador e dos colabora-</p><p>dores da empresa.</p><p>NR 6 – Equipamento de Proteção Individual (EPI): tem como objetivo</p><p>especificar o EPI, dispositivo que possui Certificado de Aprovação, de uso</p><p>individual para proteção da saúde e integridade física do colaborador.</p><p>NR 7 – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO):</p><p>estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação do PCMSO,</p><p>que tem como objetivo preservar a saúde dos colaboradores por meio da</p><p>prevenção, monitoramento e diagnóstico precoce de problemas de saúde</p><p>relacionados ao trabalho. São previstos os exames admissional, periódico,</p><p>quando do retorno ao trabalho, quando da mudança de função e o demis-</p><p>sional, quando do desligamento do colaborador.</p><p>NR 8 – Edificações: estabelece os requisitos a serem observados nas insta-</p><p>lações para garantia de segurança e conforto aos colaboradores.</p><p>94</p><p>NR 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA): estabelece</p><p>a obrigatoriedade da elaboração e implementação do PPRA com finalidade</p><p>de preservar a saúde e a integridade física dos trabalhadores, reconhecendo</p><p>os riscos ambientais (físicos, químicos, biológicos) existentes ou que venham</p><p>a existir no ambiente de trabalho. Os riscos ergonômicos e ambientais podem</p><p>ser incorporados ao PPRA.</p><p>NR 10 – Serviços em eletricidade: determina requisitos e condições</p><p>mínimas para garantia da saúde e segurança dos trabalhadores envolvidos</p><p>em projeto, construção, montagem, operação e manutenção de instalações</p><p>elétricas, bem como aqueles que realizem trabalho próximo a áreas de risco.</p><p>Esta NR exige a realização de um curso com 40 horas de duração e reciclagem</p><p>a cada dois anos.</p><p>NR 11 – Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de</p><p>materiais: determina normas para operação de elevadores, guindastes e trans-</p><p>portadores. O armazenamento de materiais deve obedecer aos requisitos de</p><p>segurança existentes de acordo com a natureza do material em questão.</p><p>NR 12 – Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos: deter-</p><p>mina as medidas a serem adotadas pelas empresas quanto ao projeto, insta-</p><p>lação, operação de máquinas e equipamentos, com a finalidade de prevenir</p><p>acidentes de trabalho.</p><p>NR 13 – Caldeiras e vasos de pressão: determina requisitos relativos à</p><p>instalação, operação e manutenção de caldeiras e vasos de pressão, com a</p><p>finalidade de prevenir acidentes de trabalho.</p><p>NR 14 – Fornos: determina requisitos relativos à construção, operação e</p><p>manutenção de fornos, com a finalidade de oferecer conforto e segurança aos</p><p>trabalhadores, observando os limites impostos pela NR 15.</p><p>NR 15 – Atividades e operações insalubres: define as atividades, opera-</p><p>ções, agentes insalubres (ruído, calor, radiações, pressões, frio, umidade,</p><p>agentes químicos) e estabelece os limites de tolerância dessas atividades,</p><p>prevendo medidas preventivas de proteção à saúde dos trabalhadores.</p><p>NR 16 – Atividades e operações perigosas: estabelece atividades e opera-</p><p>ções consideradas perigosas (motocicletas, explosivos, inflamáveis, radia-</p><p>ções ionizantes, substâncias radioativas e profissionais de segurança pessoal</p><p>e patrimonial).</p><p>NR 17 – Ergonomia: estabelece medidas de prevenção com a finalidade</p><p>de adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos</p><p>trabalhadores, proporcionando conforto, segurança e desempenho eficiente.</p><p>Com isso, o principal objetivo desta norma é a prevenção das doenças</p><p>95</p><p>ocupacionais, que representam grande parte dos problemas relacionados ao</p><p>trabalho, sendo o mais conhecido a lesão por esforço repetitivo. Dessa forma,</p><p>a NR 17 prevê atuação em diferentes níveis do ambiente de trabalho, desde</p><p>levantamento de cargas, trabalhos manuais, movimentação de objetos, como</p><p>condições ambientais de iluminação, temperatura, renovação de ar e mobili-</p><p>ário e equipamentos adequados à atividade em questão.</p><p>Para o empregador, o desrespeito às normas gera perdas financeiras e,</p><p>caso o trabalhador não obedeça às orientações, ele receberá advertência e, se</p><p>houver recorrência, poderá ser demitido por justa causa.</p><p>O cumprimento da NR 17 traz benefícios tanto para o colaborador, que</p><p>tem sua saúde preservada, como para o empregador, que irá sofrer menos</p><p>com absenteísmo, aumentando a produtividade e diminuindo problemas de</p><p>ordem jurídica, devido à redução de ações trabalhistas.</p><p>NR 18 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da</p><p>construção: estabelece diretrizes de ordem administrativa, planejamento</p><p>e organização com a finalidade de implementar medidas de controle e</p><p>prevenção no ambiente de trabalho da construção.</p><p>NR 19 – Explosivos: determina procedimentos para manuseio, transporte</p><p>e armazenamento de explosivos com a finalidade de prevenção de acidentes.</p><p>NR 20 – Líquidos combustíveis e inflamáveis: determina procedimentos</p><p>para manuseio, transporte e armazenamento de líquidos combustíveis, infla-</p><p>máveis e gás liquefeito de petróleo.</p><p>NR 21 – Trabalho a céu aberto: determina critérios mínimos para</p><p>adequação de serviços a céu aberto, obrigando o empregador a providenciar</p><p>abrigos para proteção dos trabalhadores às intempéries.</p><p>NR 22 - Segurança e saúde ocupacional na mineração: estabelece</p><p>diretrizes de ordem administrativa, planejamento e organização com a</p><p>finalidade de implementar medidas de controle e prevenção no ambiente de</p><p>trabalho da mineração.</p><p>NR 23 – Prevenção contra incêndios: determina medidas a serem</p><p>adotadas pelas empresas na prevenção de incêndios, contemplando saídas</p><p>de emergências, equipamentos de combate ao fogo e treinamento de pessoal</p><p>(brigadistas).</p><p>NR 24 – Condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho: estabe-</p><p>lece critérios para construção, instalação de sanitários, vestiários, cozinhas,</p><p>refeitórios e alojamentos, bem como a manutenção da limpeza e ordem</p><p>destes ambientes.</p><p>96</p><p>NR 25 – Resíduos industriais: estabelece critérios para descarte de</p><p>resíduos industriais, adotando métodos e equipamentos adequados, com o</p><p>objetivo de preservar a saúde e segurança do trabalhador.</p><p>NR 26 – Sinalização de segurança: estabelece as cores a serem utilizadas</p><p>nos locais de trabalho para prevenção de acidentes.</p><p>NR 27 – Registro profissional do técnico de segurança do trabalho:</p><p>regulamenta a profissão de técnico de segurança do trabalho (revogada em</p><p>2008).</p><p>NR 28 – Fiscalização e penalidades: estabelece fiscalização, embargo,</p><p>interdição e penalidades, além do procedimento de autuação devido à</p><p>infração das NR. Na primeira visita é feita uma notificação para que as corre-</p><p>ções sejam realizadas em determinado prazo. Na segunda visita, se as corre-</p><p>ções não foram implementadas, a empresa é autuada.</p><p>NR 29 – Norma regulamentadora de segurança e saúde no trabalho</p><p>portu-</p><p>ário: estabelece diretrizes de ordem administrativa, planejamento e organi-</p><p>zação com a finalidade de implementar medidas de controle e prevenção de</p><p>doenças ocupacionais dos trabalhadores de portos e instalações portuárias.</p><p>NR 30 – Segurança e saúde no trabalho aquaviário: estabelece diretrizes</p><p>de ordem administrativa, planejamento e organização com a finalidade de</p><p>implementar medidas de controle e prevenção no ambiente de trabalho</p><p>aquaviário.</p><p>NR 31 – Segurança e saúde no trabalho na agricultura pecuária silvi-</p><p>cultura, exploração florestal e aquicultura: estabelece diretrizes de ordem</p><p>administrativa, planejamento e organização com a finalidade de implementar</p><p>medidas de controle e prevenção nas atividades da agricultura, pecuária,</p><p>silvicultura, exploração florestal e aquicultura.</p><p>NR 32 - Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde: estabe-</p><p>lece diretrizes de ordem administrativa, planejamento e organização com a</p><p>finalidade de implementar medidas de controle e prevenção nas atividades</p><p>de serviços de saúde.</p><p>NR 33 – Segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados: deter-</p><p>mina os requisitos mínimos para a classificação de espaços confinados,</p><p>reconhecimento, avaliação, monitoramento e controle dos riscos existentes</p><p>quando se trata da execução de atividades nesses locais.</p><p>NR 34 - Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da</p><p>construção, reparação e desmonte naval: estabelece diretrizes de ordem</p><p>administrativa, planejamento e organização com a finalidade de implementar</p><p>97</p><p>medidas de controle e prevenção na indústria da construção, reparação e</p><p>desmonte naval.</p><p>NR 35 – Trabalho em altura: determina os requisitos mínimos e medidas</p><p>de proteção em espaço em altura, que inclui treinamento de funcionários,</p><p>como forma de garantir a segurança e a saúde de trabalhadores envolvidos</p><p>em atividades dessa natureza.</p><p>NR 36 - Segurança e saúde no trabalho em empresas de abate e processa-</p><p>mento de carnes e derivados: estabelece diretrizes de ordem administrativa,</p><p>planejamento e organização com a finalidade de implementar medidas de</p><p>controle e prevenção nas atividades desenvolvidas pelos trabalhadores no</p><p>abate e processamento de carnes e derivados para consumo humano.</p><p>NR 37 – Segurança e saúde em plataformas de petróleo: estabelecer</p><p>requisitos mínimos de segurança quando se trata do trabalho a bordo de</p><p>plataformas de petróleo.</p><p>Pesquise mais</p><p>Em 2019, foi colocado em pauta mudanças nas NRs visando a atuali-</p><p>zação das normas com o objetivo de facilitar os trabalhos dos fiscais,</p><p>bem como a interpretação por parte de empregadores e trabalhadores.</p><p>Essas mudanças serão realizadas pela Fundacentro, órgão de pesquisa</p><p>responsável pela produção e divulgação de conhecimento acerca de</p><p>segurança e saúde do trabalho. Leia a entrevista de Marina Brito Batti-</p><p>lani, presidente da Fundacentro e se informe sobre as características</p><p>das mudanças que serão propostas.</p><p>BATTILANI, M. B. Integração é a palavra-chave. [Entrevista cedida a]</p><p>Raira Cardoso. Revista Proteção, Nova Hamburgo-RS, maio 2019.</p><p>Normas técnicas brasileiras</p><p>As normas técnicas brasileiras são elaboradas pela Associação Brasileira</p><p>de Normas Técnicas (ABNT), uma instituição não governamental reconhe-</p><p>cida pela International Organization for Standardization (ISO). A maioria</p><p>das normas técnicas não possui caráter compulsório, no entanto, as que</p><p>envolvem segurança e saúde da população podem se tornar compulsórias.</p><p>Na área de ergonomia, as normas técnicas, de forma geral, não são</p><p>compulsórias. No entanto, é importante sua utilização, pois suas diretrizes</p><p>indicam práticas que criam ambientes de trabalho adequados, reduzindo o</p><p>risco de acidentes e doenças, colaborando com a melhoria do conforto do</p><p>trabalhador e, consequentemente, com a melhoria de seu desempenho.</p><p>98</p><p>As normas técnicas brasileiras possuem objetivo de orientar, por</p><p>exemplo sobre aspectos relacionados à ergonomia no ambiente de trabalho,</p><p>mobiliário para escritório, medidas do corpo humano, ergonomia da</p><p>interação humano-máquina, segurança e saúde ocupacional, segurança</p><p>de máquinas, usabilidade e acessibilidade, destacando-se as normas:</p><p>1. ABNT NBR 9241 – Ergonomia da interação humano-sistema, que</p><p>estabelece uma visão sobre o conteúdo de normas de ergonomia de</p><p>software e especificações quanto aos requisitos de projeto e avaliação</p><p>de interfaces de usuários, para serem consideradas no desenvolvi-</p><p>mento dos softwares.</p><p>2. ABNT NBR ISO 1126 – Ergonomia – avaliação de posturas estáticas</p><p>de trabalho: restabelece recomendações ergonômicas para diferentes</p><p>tarefas de trabalho considerando os conceitos básicos de ergonomia,</p><p>bem como as posturas de trabalho, em particular.</p><p>3. ABNT NBR ISO 11228 – Ergonomia – Movimentação manual:</p><p>estabelece os limites recomendados para movimentos de puxar e</p><p>empurrar com o corpo todo.</p><p>Pesquise mais</p><p>Aprofunde-se mais no tema e consulte as normas técnicas brasileiras</p><p>relacionadas à ergonomia. Leia da página 796 à 809 da obra referen-</p><p>ciada a seguir, que está disponível em sua Biblioteca Virtual (lembre-se</p><p>de que é preciso estar logado para acessar o conteúdo):</p><p>IIDA, I.; GUIMARÃES, L. B. M. Ergonomia: projeto e produção. 3. ed. São</p><p>Paulo: Blucher, 2018.</p><p>Normas técnicas internacionais</p><p>Assim como no Brasil temos a ABNT, outros países possuem órgãos para</p><p>elaboração das normas técnicas, tais como:</p><p>1. DIN (Deutsches Institut für Normung) na Alemanha.</p><p>2. IRAM (Instituto Argentino de Normalización y Certificación) na</p><p>Argentina.</p><p>3. SCC (Standards Council of Canada) no Canadá.</p><p>4. AENOR (Associación Española de Normalización y Certificación) na</p><p>Espanha.</p><p>99</p><p>Além das normas específicas de cada país, existem as internacionais, tais</p><p>como a International Organization for Standardization (ISO), organização</p><p>não governamental integrada por 157 países e a International Electrotechnical</p><p>Comission (IEC), voltada à normalização internacional no campo da eletrô-</p><p>nica e da eletricidade. Na área de ergonomia, as normas técnicas foram</p><p>elaboradas pela ISO.</p><p>No âmbito internacional, a Organização Internacional do Trabalho (OIT)</p><p>atua com a missão de promover oportunidades para que os trabalhadores</p><p>possam ter acesso a um trabalho decente e produtivo, em condições de liber-</p><p>dade, equidade, segurança e dignidade. No Brasil, a OIT atua desde 1950</p><p>realizando ações que promovam as normas internacionais do trabalho, da</p><p>melhoria das condições de trabalho e da ampliação da proteção social, por</p><p>meio do combate ao trabalho escravo, infantil e ao tráfico de pessoas.</p><p>Reflita</p><p>Vimos que existem diversas normas técnicas e normas regulamenta-</p><p>doras para diversas situações. Mas, você já parou para pensar em qual</p><p>seria a alternativa se não houvesse uma norma específica para determi-</p><p>nado caso no país? Qual seria a solução?</p><p>Levando em consideração a legislação aplicada à ergonomia, de forma</p><p>geral, as NR citam as normas técnicas brasileiras para recomendar ou especi-</p><p>ficar itens técnicos, a fim de que o documento não fique extenso demais.</p><p>Além disso, como as normas são dinâmicas, ou seja, constantemente passam</p><p>por revisões e atualizações, você precisa se preocupar em sempre se manter</p><p>atualizado. É importante lembrar que essas revisões são importantes para</p><p>correções, por exemplo, de contradições entre normas. No caso em que há</p><p>duas normas diferentes para a mesma situação, a norma a ser seguida é a que</p><p>apresenta mais restrições, ou seja, aquela que é mais conservadora e, com</p><p>isso, oferece maior proteção ao trabalhador.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Agora que você já domina os aspectos referentes à legislação relacio-</p><p>nada à ergonomia, vamos nos concentrar na última etapa de seu trabalho.</p><p>Atuando como ergonomista especialista em avaliações ergonômicas de ruído,</p><p>prestador serviços para indústrias e empresas em geral, seu trabalho atual</p><p>encontra-se na última etapa: agora, com base nos dados analisados anterior-</p><p>mente e nas referências legais, você deverá indicar se o trabalho evidencia</p><p>100</p><p>risco ao trabalhador com as máquinas trabalhando</p><p>isoladamente e, também,</p><p>com as máquinas funcionando simultaneamente.</p><p>Tomando como base os dados coletados anteriormente e o cálculo da</p><p>dose diária de exposição ao ruído, a Tabela 2.4 apresenta o nível de pressão</p><p>sonora para todos os equipamentos avaliados.</p><p>Tabela 2.4 | Análise dos resultados de nível de pressão sonora para fresa e furadeira</p><p>Fonte de</p><p>ruído Fresa Furadeira Torno Guilhotina</p><p>i</p><p>Nível de</p><p>pressão</p><p>sonora</p><p>[dBA]</p><p>ni</p><p>Nível de</p><p>pressão</p><p>sonora</p><p>[dBA]</p><p>ni Nível de pressão</p><p>sonora [dBA] ni</p><p>Nível de</p><p>pressão</p><p>sonora</p><p>[dBA]</p><p>ni</p><p>1 54 1 84 1 77 8 89 1</p><p>2 81 10 85 6 78 13 90 3</p><p>3 82 6 86 4 79 1 92 1</p><p>4 84 5 87 3 80 3 93 2</p><p>5 85 5 88 5 81 1 94 1</p><p>6 86 2 89 4 82 1 95 3</p><p>7 90 1 90 3 83 1 96 4</p><p>8 91 3 84 1 97 5</p><p>9 92 1 87 1 98 5</p><p>10 99 3</p><p>11 100 1</p><p>12 101 1</p><p>Total de</p><p>leituras 30 30 30 30</p><p>NM 83,58 88,23 77,09 96,70</p><p>Tempo</p><p>máximo</p><p>diário per-</p><p>missível</p><p>[minutos]</p><p>604,76 190,48 -- 30,00</p><p>101</p><p>Tempo de</p><p>dura-</p><p>ção da</p><p>jornada de</p><p>trabalho</p><p>[minutos]</p><p>480,00 480,00 480,00</p><p>Dose diá-</p><p>ria [%] 79,37 251,99 1600,00</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>De acordo com a metodologia proposta para a avaliação da exposição</p><p>ocupacional ao ruído (NHO 01 – Fundacentro) e com a interpretação dos</p><p>resultados, todas as vezes em que a dose diária de exposição for maior que</p><p>100%, o limite de exposição é excedido e é necessário adotar imediatamente</p><p>medidas de controle. Em nossa análise, isso ocorreu na guilhotina.</p><p>Caso a dose esteja entre 50 e 100%, a exposição é considerada acima do</p><p>nível de ação e devem ser tomadas medidas preventivas para minimizar o</p><p>risco de danos à audição do trabalhador, como é o caso das medições reali-</p><p>zadas na fresa e na furadeira. O nível de pressão sonora para operação no</p><p>torno não traz nenhum risco ao trabalhador, pois o nível de pressão sonora</p><p>encontrado é menor que 80 dB (A).</p><p>É importante lembrar que níveis de ruído contínuo ou intermitente</p><p>acima de 115 dB (A) não são permitidos em nenhum momento da jornada</p><p>de trabalho para indivíduos sem a proteção adequada, independentemente</p><p>do nível de exposição. Dessa forma, deverão ser tomadas medidas corre-</p><p>tivas (guilhotina) e de prevenção (fresa e furadeira). Usando os dados de sua</p><p>palestra, para evitarmos problemas com essa situação, é necessário conscien-</p><p>tizar os colaboradores sobre os riscos que a atividade promove em relação à</p><p>saúde auditiva e realizar um monitoramento periódico (audiometria) para</p><p>detectar problemas e sua evolução. Além disso, é de fundamental impor-</p><p>tância a utilização do EPI para redução da intensidade da pressão sonora. Se</p><p>o nível de ruído for excessivo, pode ser realizado o enclausuramento da fonte</p><p>de ruído para que este seja atenuado.</p><p>Avançando na prática</p><p>Uma imagem vale mais do que mil palavras</p><p>102</p><p>Você participou da Semana Interna de Prevenção de Acidentes do</p><p>Trabalho (SIPAT) na empresa onde trabalha. Nessa oportunidade, situações</p><p>de trabalho foram encenadas por atores comediantes e descritas a seguir:</p><p>1. Poeira no ambiente de trabalho: dois amigos estão trabalhando</p><p>em um ambiente insalubre e com alta concentração de material</p><p>em suspensão, no entanto, um está usando máscara de proteção</p><p>e outro não. Ao alertar seu colega que não estava usando máscara,</p><p>este responde que não usará o equipamento, pois sabe o que faz e</p><p>não precisa do conselho de ninguém. Subitamente, o trabalhador</p><p>sem máscara começa a passar mal e rapidamente entra uma equipe</p><p>simulando a sua internação, colocando o paciente em uma maca, com</p><p>alimentação via soro e ventilação mecânica. Na cena seguinte, o colega</p><p>que o advertiu entra no quarto de hospital e, então, comenta: “Viu só</p><p>como no final você acabou usando uma máscara mesmo assim? ”</p><p>2. Máquina perigosa: na primeira cena, a secretária avisa ao gerente</p><p>industrial que os fiscais do trabalho estão na empresa para visto-</p><p>riar a segurança das máquinas e equipamentos. Na cena seguinte,</p><p>é apresentada ao fiscal uma máquina em não conformidade com a</p><p>norma de segurança de máquinas e equipamentos (Figura 2.14) e o</p><p>fiscal questiona: “Veja bem, Sr. gerente industrial, sua máquina não</p><p>é segura! Não podemos deixar que este equipamento continue em</p><p>operação até que esteja totalmente adequado! ” O gerente industrial,</p><p>sem demora, responde: “Imagina, Sr. fiscal, é só deixar o botão de</p><p>acionamento na posição “OFF”, que a máquina fica extremamente</p><p>segura! ”</p><p>Após as encenações, o palestrante dividiu a plateia em grupos para</p><p>discussão dos temas centrais que cada peça trazia, de forma lúdica, ao</p><p>contexto do trabalhador no dia a dia de seu trabalho, buscando resposta ao</p><p>questionamento: sobre o que trata cada uma das situações expostas e como</p><p>fazer para evitá-las?</p><p>103</p><p>Figura 2.14 | Máquina em não conformidade com a norma de segurança de máquinas e equi-</p><p>pamentos</p><p>Fonte: https://bit.ly/2GvVipH. Acesso em: 25 jul. 2019.</p><p>Resolução da situação-problema</p><p>Na primeira situação, o trabalhador fica doente devido à aspiração de</p><p>poeira no ambiente de trabalho. O colega de trabalho alerta que o técnico de</p><p>segurança recomenda a utilização da máscara, pois existe um risco avaliado</p><p>e o EPI correto deve ser utilizado quando o trabalhador está exposto, em</p><p>obediência à NR 09. No entanto, contrariando essa orientação, o colaborador</p><p>se recusa a utilizar o EPI e, como consequência, acaba ficando doente e, por</p><p>ironia do destino, precisa utilizar uma máscara para auxiliá-lo a respirar. O</p><p>importante nesse cenário é dizer que o colega que lembrou o outro sobre</p><p>a necessidade do uso da máscara deveria ter alertado ao superior sobre a</p><p>resistência oferecida pelo trabalhador em utilizar a máscara, pois essa resis-</p><p>tência representa uma ocorrência que pode implicar em risco à saúde, como</p><p>aconteceu, de fato.</p><p>104</p><p>A segunda situação retrata a desobediência à NR 12: as empresas são</p><p>obrigadas a atender todos os requisitos da norma regulamentadora quanto</p><p>aos dispositivos de proteção dos equipamentos, sejam eles mecânicos ou</p><p>elétricos, oferecendo sinalização adequada para advertir os riscos aos quais</p><p>os trabalhadores estarão expostos ao manusear determinada máquina ou</p><p>equipamento. Se a máquina ou equipamento não estiver em conformidade</p><p>com a norma, sua utilização é proibida, assim como sua fabricação, comer-</p><p>cialização e locação.</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. Uma empresa do ramo de teleatendimento notou altos índices de absenteísmo</p><p>e contratou um ergonomista, especialista em saúde ocupacional, para desenvolver</p><p>um estudo que apontasse as causas do problema e, então, elaborar um plano de ação</p><p>para reverter a situação. O ergonomista disse aos diretores da empresa que existe uma</p><p>Norma Regulamentadora (NR) que contém um anexo específico para esse tipo de</p><p>trabalho.</p><p>Assinale a alternativa que aponta o número da NR abordada pelo ergonomista:</p><p>a. 33.</p><p>b. 35.</p><p>c. 9.</p><p>d. 17.</p><p>e. 12.</p><p>2. A NR 17 tem como objetivo regulamentar a ergonomia no ambiente de trabalho,</p><p>visando essencialmente o conforto, a diminuição de lesões e o aumento da produti-</p><p>vidade dentro das empresas. Sua existência é muito importante já que a maioria das</p><p>doenças ocupacionais ocorre devido à exposição a determinado risco ergonômico</p><p>inerente à atividade realizada no dia a dia do colaborador. Analise as afirmações sobre</p><p>a norma regulamentadora NR 17 – Ergonomia.</p><p>I. A organização do trabalho deve ser adequada às características psicológicas</p><p>dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado.</p><p>II. Transporte manual de cargas designa todo transporte em que o peso da</p><p>carga é suportado inteiramente por um só trabalhador ou por dois traba-</p><p>lhadores, compreendendo desde o levantamento até a deposição da carga.</p><p>III. Todos os locais de trabalho devem possuir iluminação adequada, natural ou</p><p>artificial, geral ou suplementar, apropriada à natureza da atividade.</p><p>105</p><p>Escolha a alternativa correta:</p><p>a. I, apenas.</p><p>b. II, apenas.</p><p>c. III, apenas.</p><p>d. I, II e III.</p><p>e. II e III, apenas.</p><p>3. A NR 9 estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação do PPRA</p><p>com a finalidade de preservar a saúde e a integridade física</p><p>dos trabalhadores,</p><p>reconhecendo os riscos ambientais (físicos, químicos, biológicos) existentes ou que</p><p>venham a existir no ambiente de trabalho.</p><p>Assinale a alternativa que indica o significado de PPRA.</p><p>a. Prevenção Periódica de Riscos Ambientais.</p><p>b. Plano de Participação de Riscos Acidentais.</p><p>c. Práticas de Predição de Riscos e Acidentes.</p><p>d. Programa de Prevenção de Riscos e Acidentes.</p><p>e. Programa de Prevenção de Riscos Ambientais.</p><p>Referências</p><p>ABRAHÃO, R. F. O ambiente físico – vibrações mecânicas: Notas de Aula. Faculdade de</p><p>Engenharia Agrícola da UNICAMP, 2012.</p><p>BATTILANI, M. B. Integração é a palavra-chave. [Entrevista cedida a] Raira Cardoso. Revista</p><p>Proteção, Nova Hamburgo-RS, maio 2019. Disponível em: https://bit.ly/2SF02y4. Acesso em:</p><p>25 jul. 2019.</p><p>BRASIL. Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência</p><p>Social e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 24 jul. 1991. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm. Acesso em: 27 jul. 2019.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde/Organização Pan-Americana da Saúde. Doenças relacionadas ao</p><p>trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília: Ministério da Saúde do</p><p>Brasil, 2001. Disponível em: http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/manuais/seguranca%20</p><p>e%20saude%20no%20trabalho/Saudedotrabalhador.pdf. Acesso em: 27 jul. 2019.</p><p>BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Fundacentro. NHO 01 - Procedimento Técnico</p><p>- Avaliação da Exposição Ocupacional ao Ruído. Brasília, DF: Ministério do Trabalho e</p><p>Emprego, 2001. Disponível em: https://bit.ly/1OHJkG9. Acesso em: 23 jul. 2019.</p><p>BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência Social. Alteração na NR - 9 - Programa de</p><p>Prevenção de Riscos Ambientais - ANEXO II - Exposição Ocupacional ao Benzeno em</p><p>Postos Revendedores de Combustíveis. 30 jul. 2017. Disponível em: http://www.acm.org.br/</p><p>acamt/documentos/emfoco/alteracoes-nr9-07-2017.pdf. Acesso em: 27 jul. 2019.</p><p>CORRÊA, V. M. BOLETTI, R. R. Ergonomia: fundamentos e aplicações. Série Tekne. Porto</p><p>Alegre: Bookman, 2015.</p><p>CORRÊA, V. M. BOLETTI, R. R. Ergonomia: fundamentos e aplicações. Série Tekne. Porto</p><p>Alegre: Bookman, 2015.</p><p>FUNDACENTRO. Normas de higiene ocupacional. Disponível em: http://www.fundacentro.</p><p>gov.br/biblioteca/normas-de-higiene-ocupacional. Acesso em: 25 jul. 2019.</p><p>GERGES, S. N. Y. Ruído – Fundamentos e controles. 2 ed. Florianópolis: Universidade Federal</p><p>de Santa Catarina, 2000.</p><p>IIDA, I.; GUIMARÃES, L. B. M. Ergonomia: projeto e produção. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2018.</p><p>Disponível em: https://bv4.digitalpages.com.br/?term=ergonomia&searchpage=1&filtro=to-</p><p>dos&from=busca&page=795§ion=0#/legacy/164477. Acesso em: 25 jul. 2019.</p><p>JORNADA extenuante: empresas japonesas estão usando drones para evitar que as pessoas</p><p>trabalhem demais. BBC NEWS. 17 fev. 2019. Disponível em https://glo.bo/2YsnhRm. Acesso</p><p>em 24 jul. 2019.</p><p>KINSLER, L. E. et al. Fundamentals of Acoustics. 3. ed. 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H. E; GRANDJEAN, E. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao</p><p>homem. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.</p><p>com.br/#/books/9788560031290/cfi/252!/4/2@100:0.00. Acesso em: 24 jul. 2019.</p><p>LAGE, J. T. Níveis de ruído no interior de trens metropolitanos: caso São Paulo. 2003.167f.</p><p>Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Faculdade de Engenharia Civil, Universidade</p><p>de Campinas, Campinas, 2003. Disponível em: http://www.repositorio.unicamp.br/handle/</p><p>REPOSIP/258433. Acesso em: 24 jul. 2019.</p><p>OLIVEIRA, U. R. Ergonomia e segurança do trabalho. MBA em Gestão da Produção e</p><p>Manutenção. 3. ed. Rio de Janeiro: UFF. 2015.</p><p>QUADROS, F. S. Avaliação do ruído ambiental gerado por veículo de utilidade pública estudo</p><p>de caso: caminhão de coleta de resíduos domiciliar. Dissertação (Mestrado em Engenharia</p><p>Mecânica) – Setor de tecnologia, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2004. Disponível</p><p>em: http://www.pgmec.ufpr.br/dissertacoes/dissertacao_039.pdf. Acesso em: 24 jul. 2019.</p><p>SIQUEIRA, M. M. M. Envolvimento com o trabalho. In: SIQUEIRA, M. M. M. et al. Medidas</p><p>do Comportamento Organizacional: ferramentas de diagnóstico e de gestão. São Paulo: Artmed</p><p>Editora S.A., 2008. p. 139-142.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788560031290/cfi/252!/4/2@100:0.00</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788560031290/cfi/252!/4/2@100:0.00</p><p>http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/258433</p><p>http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/258433</p><p>http://www.pgmec.ufpr.br/dissertacoes/dissertacao_039.pdf</p><p>homem vitruviano, que apresenta as proporções do corpo humano</p><p>e sua relação com o espaço que o cerca, de Leonardo da Vinci</p><p>(1452-1519).</p><p>• A primeira sistematização de doenças de trabalho: De morbis</p><p>Artificum Diatriba, realizada por Bernardino Ramazzini (1633-1714).</p><p>• A obra de Wojciech Jastrzebowski (1799-1882): A Ciência do</p><p>Trabalho, na qual aparece, pela primeira vez, o termo ergonomia.</p><p>Com a Revolução Industrial (meados do século XVIII – Inglaterra), o</p><p>surgimento de diversos avanços tecnológicos impactou o processo produtivo</p><p>e a concepção de ergonomia tomou novas proporções devido às condições de</p><p>trabalho (em termos de ruído, segurança e higiene e período de jornada que</p><p>eram de aproximadamente 16 horas).</p><p>Pesquise mais</p><p>Com o advento da Revolução Industrial, a maior preocupação estava</p><p>atrelada ao aumento de produtividade em detrimento dos fatores</p><p>humanos. Aprofunde seu conhecimento na Aula 01 – Conceitos Básicos</p><p>e História, do canal Univesp, na qual o Professor Danilo Corrêa Silva</p><p>ilustra este caso com o filme “Tempos Modernos”, de Charlie Chaplin</p><p>(até 13min17seg).</p><p>Em 1940, a ergonomia passa a ser classificada como uma disciplina cientí-</p><p>fica, mas não eram observados muitos avanços na área, pois a utilização dos</p><p>equipamentos ainda não era bem compreendida. Com os avanços da Segunda</p><p>Guerra Mundial, percebeu-se essa dificuldade de forma mais efetiva, estimu-</p><p>lando a pesquisa na área, envolvendo questões sobre a interação de pessoas</p><p>com equipamentos e ambiente. Em 1949, foi formada a primeira sociedade</p><p>mundial de ergonomia, a Ergonomics Research Society.</p><p>Após a Segunda Guerra Mundial, de acordo com Hendrick (1995), a</p><p>ergonomia pode ser organizada em quatro fases (Quadro 1.1).</p><p>Quadro 1.1 | Fases da Ergonomia (HENDRICK, 1995)</p><p>Ergonomia de hardware</p><p>ou tradicional</p><p>Iniciou-se durante a Segunda Guerra Mundial e destacava</p><p>questões fisiológicas e biomecânicas do ambiente de trabalho e</p><p>interação do sistema homem-máquina. Interesse principal na</p><p>área militar.</p><p>Ergonomia do meio</p><p>ambiente</p><p>Trata-se de como ruído, vibrações, temperatura, iluminação</p><p>e elementos dispersos no ar afetam o trabalho. Interesse na</p><p>compreensão da relação do ser humano com o ambiente.</p><p>14</p><p>Ergonomia de software</p><p>ou cognitiva</p><p>A partir da década de 80, com o avanço no setor de informática,</p><p>passou a ser estudada a interface entre humano e máquina, uma</p><p>vez que o homem não manuseia mais o produto e sim opera</p><p>uma máquina que irá fazê-lo. Fatores cognitivos devem ser</p><p>levados em consideração para facilitar o trabalho.</p><p>Macroergonomia</p><p>Visão ampla da ergonomia: engloba o contexto organizacio-</p><p>nal, psicossocial e político de um sistema. Prioriza o processo</p><p>participativo, prevendo realização de trabalho em equipe</p><p>para garantia de melhores resultados, buscando redução de</p><p>erros e aumentando o nível de satisfação dos colaboradores</p><p>ao trabalho.</p><p>Fonte: Adaptado de Corrêa e Boletti (2015, p. 7).</p><p>No Brasil, o primeiro trabalho acadêmico data de 1973. Em 1983, surge</p><p>a Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO), cujo objetivo é estudar,</p><p>praticar e divulgar a ergonomia no nosso país.</p><p>O profissional responsável pelo planejamento, pelo projeto e pela</p><p>avaliação de tarefas e compatibilização dos postos de trabalho ao ser humano</p><p>é o ergonomista. Suas atividades têm sempre como foco que um sistema</p><p>esteja de acordo com a necessidade do colaborador. São elas:</p><p>1. Investigar as habilidades e as limitações do ser humano.</p><p>2. Analisar como as pessoas utilizam os equipamentos.</p><p>3. Avaliar os riscos do ambiente de trabalho, bem como seus efeitos na</p><p>saúde do trabalhador.</p><p>4. Projetar, sugerir e planejar a implementação de melhorias, para que</p><p>elas sejam implementadas de forma efetiva.</p><p>5. Realizar pesquisa (entrevistas), compilar dados e produzir relatórios.</p><p>6. Aplicar conhecimentos sobre fisiologia humana para o projeto de</p><p>novos produtos.</p><p>Para que estas atividades sejam realizadas com sucesso, é importante que</p><p>o ergonomista tenha conhecimento em diversas áreas, por exemplo, antropo-</p><p>metria, biomecânica, anatomia, fisiologia, psicologia e engenharia. Isso quer</p><p>dizer que a ergonomia é uma disciplina transdisciplinar</p><p>Assimile</p><p>Multidisciplinaridade: conjunto de disciplinas que trata, simultanea-</p><p>mente, de uma dada questão; o objeto em questão é visto sob diversos</p><p>pontos de vista, em uma justaposição de conhecimentos.</p><p>15</p><p>Interdisciplinaridade: conjunto de disciplinas científicas que se interagem,</p><p>sob a coordenação de uma delas, para enriquecimento e transformação</p><p>das disciplinas envolvidas. Há troca de técnicas e metodologias.</p><p>Transdisciplinaridade: busca resolver o problema com base na experi-</p><p>ência acadêmica e não acadêmica, possibilitando o surgimento de</p><p>uma nova visão acerca do assunto, na tentativa de elaborar uma nova</p><p>metodologia unificada.</p><p>Nesta área da ergonomia, os profissionais devem contribuir de forma</p><p>proativa, interagindo com outros profissionais diante da problemática a ser</p><p>resolvida. Segundo a Associação Brasileira de Ergonomia (2004, p.11):</p><p>[...] os problemas da realidade laboral não são exclusivos</p><p>de quaisquer das disciplinas de suporte e muito menos</p><p>admitem reduções a estes olhares segmentados. O próprio</p><p>objeto da ergonomia, a atividade de trabalho, não e apenas</p><p>fisiológico, biomecânico cognitivo ou organizacional, mas</p><p>sintetiza todos esses aspectos face ao problema que é reali-</p><p>zá-lá com eficiência, conforto e segurança. O que significa</p><p>dizer que as soluções propostas devem ser examinadas por</p><p>todos esses ângulos.</p><p>Dessa forma, os ergonomistas devem priorizar o entendimento de todo o</p><p>campo de ação da ergonomia: aspectos físicos, cognitivos, sociais, organiza-</p><p>cionais, ambientais, etc. Quando da intervenção do profissional, este elabora</p><p>um diagnóstico ergonômico do sistema de trabalho e, após a constatação</p><p>da realidade, sugere melhorias e adequações. Dependendo da situação, o</p><p>ergonomista pode lidar com problemas ergonômicos de diferentes maneiras,</p><p>de acordo com a sua classificação:</p><p>1. Abordagem: ergonomia de produto e ergonomia de produção.</p><p>2. Perspectiva: ergonomia de concepção e ergonomia de intervenção</p><p>(conscientização).</p><p>3. Finalidade: ergonomia de correção, de enquadramento, de remaneja-</p><p>mento e de modernização.</p><p>A de concepção ocorre quando se aplica a ergonomia durante o desen-</p><p>volvimento de um produto, máquina, ambiente ou sistema. Como não existe</p><p>nada construído, podemos examinar todas as possibilidades, levando em</p><p>consideração situações hipotéticas, sendo auxiliados por modelos tridimen-</p><p>sionais e modelos virtuais.</p><p>16</p><p>A de correção se aplica em situações já existentes em que é necessário</p><p>resolver problemas para redução de fadiga, doenças de trabalho e melhoria</p><p>nos aspectos relacionados à segurança e ao trabalho que vem sendo execu-</p><p>tado. Neste caso, é possível interpretar a causa do problema, mas resolvê-lo</p><p>pode ser demorado ou ter custo bastante elevado, além de afetar negativa-</p><p>mente a imagem da empresa.</p><p>Exemplificando</p><p>Algumas correções, no entanto, são bastante simples: imagine uma</p><p>situação em que a iluminação estava insuficiente e o trabalho, execu-</p><p>tado com um notebook, estava bastante desconfortável. A solução</p><p>encontrada pelo ergonomista encontra-se ilustrada na Figura 1.3.</p><p>Figura 1.3 | Situação de ergonomia de correção</p><p>Fonte: Corrêa e Boletti (2015, p. 13).</p><p>A correção da luminosidade aconteceu com a colocação de uma luminária</p><p>e o desconforto do trabalho executado com o notebook foi corrigido</p><p>colocando o equipamento em um suporte e acoplando um teclado a ele.</p><p>Você conseguiria definir alguma outra correção neste cenário?</p><p>A ergonomia de conscientização capacita os colaboradores para perceber</p><p>e corrigir os problemas que ocorrem no dia a dia ou aqueles que surgem</p><p>em caráter emergencial. Devido à dinâmica do processo produtivo, podem</p><p>surgir novos problemas, que não eram previstos na fase de concepção ou até</p><p>mesmo de correção. A conscientização é feita por meio de treinamentos, que,</p><p>17</p><p>de forma geral, são realizados coletivamente,</p><p>a fim de estimular o colabo-</p><p>rador a trabalhar de forma segura, reconhecendo todos os fatores de risco</p><p>que o cercam no ambiente de trabalho e, caso uma emergência ocorra, qual</p><p>a melhor forma de proceder.</p><p>A ergonomia de participação busca envolver os usuários na resolução</p><p>dos problemas ergonômicos, pois estes apresentam vivência e conhecimento</p><p>prático, o que não pode ser realidade do projetista.</p><p>Inicialmente, as aplicações da ergonomia eram ligadas à indústria, ao</p><p>setor militar e aeroespacial. Atualmente, no entanto, houve uma expansão da</p><p>ergonomia para atividades do setor agrícola, de serviços e do nosso dia a dia.</p><p>Na indústria, a ergonomia contribui para melhoria da eficiência, quali-</p><p>dade e segurança das operações. Isso acontece por meio de adaptações do</p><p>trabalho às capacidades e limitações do ser humano, avaliando as condições</p><p>ambientais e adequando-as para que o ambiente seja confortável para a reali-</p><p>zação da atividade. Além disso, com a intenção de proporcionar maior satis-</p><p>fação, busca-se organizar o trabalho para que o ritmo mecânico repetitivo</p><p>seja eliminado.</p><p>Para que as melhorias sejam implementadas de forma precisa, é neces-</p><p>sário que se conheça o cenário no qual se está inserido e isso é possível por</p><p>meio da avaliação de alguns indicadores: alto índice de erros, absenteísmo,</p><p>acidentes e doenças. A análise destes pode revelar deficiências ambientais,</p><p>falhas na organização do trabalho, situações que provocam dores musculares</p><p>e problemas psíquicos.</p><p>No setor agrícola, alguns avanços têm sido alcançados com as empresas</p><p>de máquinas e implementos que, preocupadas com os acidentes e condi-</p><p>ções adversas, equipam tratores e máquinas para promover um trabalho</p><p>mais seguro, no âmbito físico, tal como risco de tombamento, e no âmbito</p><p>químico, tal como aplicação de defensivos agrícolas. Outras atividades</p><p>do setor, por exemplo, tarefas de colheita, transporte e armazenagem de</p><p>produtos requerem o desenvolvimento de produtos que promovam melhor</p><p>condições de postura e segurança para o trabalhador.</p><p>A automação na indústria e mecanização da agricultura levam a uma</p><p>migração e a um aumento da mão de obra para o setor de serviços, estimu-</p><p>lando a pesquisa e o desenvolvimento de sistemas de informação, projetos</p><p>de postos de trabalho adequados com telas e sistemas de monitoramento e</p><p>controle de operação.</p><p>No nosso dia a dia, a ergonomia contribui com a segurança e melhoria</p><p>de eficiência de nossos eletrodomésticos e maior conforto nos automóveis</p><p>18</p><p>e móveis. Muitos destes produtos, principalmente aqueles que podem afetar</p><p>a segurança e saúde do usuário, passam por testes e necessitam de um selo de</p><p>homologação para serem fabricados e comercializados. Verificamos que os</p><p>estudos nesta área são amplos e não são restritos às atividades econômicas; de</p><p>forma geral, a ergonomia está relacionada com a melhoria de qualidade de vida.</p><p>No meio produtivo, para afirmar se algo traz benefício, precisamos</p><p>comprovar se é economicamente favorável, por isso, para a implantação</p><p>de projetos ou recomendações ergonômicas, é necessário que se faça uma</p><p>análise de custo-benefício, contemplando todos os custos envolvidos: contra-</p><p>tação de consultores, elaboração de projeto, aquisição de equipamentos,</p><p>treinamentos, etc., bem como de tudo o que se pretende obter como resul-</p><p>tado de projeto (benefícios), por exemplo: economia de material, redução de</p><p>acidentes, redução de absenteísmo, queda na rotatividade de colaboradores,</p><p>diminuição de custos jurídicos e melhoria na produtividade.</p><p>Projetos economicamente viáveis apresentam valores da relação custo-</p><p>-benefício menores que 1, ou seja, os custos são menores que os benefícios.</p><p>As empresas estabelecem que o retorno do investimento aconteça em um</p><p>prazo de cinco anos. Caso o retorno do investimento ocorra em um prazo</p><p>menor, o projeto passa a ser mais interessante.</p><p>Além desta análise, é importante que o tomador de decisão tenha em</p><p>mente que para todo investimento existe um risco associado. Os riscos são</p><p>relativos às incertezas e produzem resultados inesperados, podendo levar o</p><p>projeto ao fracasso.</p><p>Exemplificando</p><p>Iida e Guimarães (2018) ilustram um exemplo interessante de que,</p><p>na década de 80, um banco investiu no redesenho para melhoria dos</p><p>postos de trabalho dos caixas, com um retorno de investimento de 20</p><p>anos, supondo-se, portanto, um custo considerável. No entanto, com o</p><p>avanço da tecnologia, muitos destes postos de trabalho, cerca de 80%,</p><p>foram substituídos por caixas de autoatendimento. Você consegue</p><p>imaginar um outro exemplo?</p><p>Fatores intangíveis, ligados à imagem da empresa, por exemplo, devem ser</p><p>levados em consideração pelos tomadores de decisão, pois podem impactar</p><p>os resultados da empresa a médio e longo prazo e isso afeta diretamente a</p><p>motivação e o compromisso da equipe com as atividades.</p><p>19</p><p>Sem medo de errar</p><p>Vamos retornar para nossa consultoria: você é um renomado consultor</p><p>em ergonomia e foi contratado recentemente por uma empresa que enfrenta</p><p>sérios problemas com as reclamações e os resultados de seus colaboradores.</p><p>As principais demandas estão relacionadas às dores no corpo devido à</p><p>posição das estações de trabalho: os colaboradores do setor administrativo</p><p>queixam-se das mesas e das cadeiras fornecidas pela empresa, pois não são</p><p>confortáveis para a realização de trabalho de escritório. Recentemente, a</p><p>gestora de RH (recursos humanos) fez um levantamento sobre as consultas</p><p>médicas junto ao provedor de plano de saúde, que destacou, de forma preocu-</p><p>pante, um número elevado de consultas à ortopedistas e de seções de fisiote-</p><p>rapia. Em suma, o ambiente de trabalho é muito estressante; alguns colabo-</p><p>radores estão muito cansados e insatisfeitos com o trabalho de forma geral,</p><p>o que gera muita “conversa de corredor”, principalmente sobre os gestores e</p><p>a forma de coordenar o trabalho. Nesse contexto, como primeira etapa você</p><p>deve realizar uma conscientização junto aos gestores e demais funcioná-</p><p>rios, destacando o papel fundamental da ergonomia em diferentes setores.</p><p>Qual é a forma que o ergonomista deve trabalhar para que a conscientização</p><p>seja eficaz? Quais são as diferentes formas que podemos aplicar para lidar</p><p>com problemas ergonômicos? Nesse cenário, quais são os benefícios que a</p><p>ergonomia poderá trazer à empresa?</p><p>Para que a conscientização seja feita de forma eficaz, o ergonomista deve</p><p>elaborar um diagnóstico ergonômico do sistema de trabalho para levan-</p><p>tamento dos problemas e possíveis soluções. Para isso, ele deverá realizar</p><p>algumas atividades:</p><p>1. Investigar as habilidades e as limitações do ser humano naquele ambiente.</p><p>2. Analisar como as pessoas utilizam os equipamentos.</p><p>3. Avaliar os riscos do ambiente de trabalho, bem como seus efeitos na</p><p>saúde do trabalhador.</p><p>4. Projetar, sugerir e planejar a implementação de melhorias, para que</p><p>elas sejam executadas de forma efetiva;</p><p>5. Realizar pesquisa (entrevistas), compilar dados e produzir relatórios.</p><p>6. Aplicar conhecimentos sobre fisiologia humana para o projeto de</p><p>novos produtos.</p><p>Podemos lidar de diferentes formas para resolver problemas ligados à</p><p>ergonomia, por exemplo:</p><p>20</p><p>• A ergonomia de concepção é aplicada durante o desenvolvimento de um</p><p>produto, máquina, ambiente ou sistema. Com ela, podemos examinar</p><p>todas as possibilidades, levando em consideração situações hipotéticas.</p><p>• A ergonomia de correção se aplica em situações já existentes em que</p><p>é necessário resolver problemas para redução de fadiga, doenças de</p><p>trabalho e melhoria nos aspectos relacionados à segurança.</p><p>• A ergonomia de conscientização capacita os colaboradores para</p><p>perceber e corrigir os problemas que ocorrem no dia a dia ou aqueles</p><p>que surgem em caráter emergencial.</p><p>• A ergonomia de participação busca envolver os usuários na resolução</p><p>dos problemas ergonômicos, pois estes apresentam vivência e conhe-</p><p>cimento prático, o que não pode ser realidade do projetista.</p><p>No meio produtivo, para afirmar se algo traz benefício, precisamos</p><p>comprovar se é economicamente</p><p>favorável, por isso, para a implantação</p><p>de projetos ou recomendações ergonômicas, é necessário que se faça uma</p><p>análise de custo-benefício, contemplando todos os custos envolvidos, bem</p><p>como de tudo o que se pretende obter como resultado de projeto (benefí-</p><p>cios). Projetos que são economicamente viáveis apresentam valores da</p><p>relação custo-benefício menores que 1, ou seja, os custos são menores que</p><p>os benefícios. Além desta análise, é importante que o tomador de decisão</p><p>tenha em mente que para todo investimento existe um risco associado e que</p><p>fatores intangíveis podem impactar os resultados da empresa. Alguns dos</p><p>benefícios que podemos obter com um projeto bem-sucedido são: economia</p><p>de material, redução de acidentes, redução de absenteísmo, queda na rotati-</p><p>vidade de colaboradores, diminuição de custos jurídicos, melhoria na produ-</p><p>tividade, além de melhora na motivação e no compromisso da equipe.</p><p>Avançando na prática</p><p>Realizando um diagnóstico</p><p>Você foi contratado por um gestor de um escritório para realizar um</p><p>relatório ergonômico e apontar os principais problemas no ambiente</p><p>de trabalho. Analise a Figura 1.4 de seu relatório fotográfico em grupo</p><p>e descreva as sete situações que não estão adequadas, de acordo com os</p><p>princípios de ergonomia. O que seu grupo de trabalho sugere para corrigir</p><p>os problemas encontrados?</p><p>21</p><p>Figura 1.4 | Consultoria – relatório fotográfico</p><p>Fonte: adaptado de Absoluta (Móveis e Equipamentos para Escritórios). Disponível em: https://www.movei-</p><p>sabsoluta.com.br/informes/7-erros-no-escritorio. Acesso em: 28 jun. 2019.</p><p>Resolução da situação-problema</p><p>Analisando a situação ilustrada, a equipe obteve a seguinte conclusão</p><p>para cada um dos pontos destacados:</p><p>1. A coluna deve estar apoiada no encosto da cadeira (com inclinação</p><p>de 90°) para prevenção de dores nas costas e problemas de postura.</p><p>2. É preciso manter espaço embaixo da mesa para movimentação das</p><p>pernas e garantir postura adequada. As caixas e os documentos devem</p><p>ser colocados em armários ou em gaveteiros.</p><p>3. Os punhos devem estar apoiados para digitação de forma a se evitar</p><p>dores e problemas como tendinite. Para isso, é preciso fazer uma</p><p>regulagem na altura da cadeira e colocar um apoio para os pés, caso o</p><p>colaborador tenha baixa estatura.</p><p>4. Não se deve inclinar o pescoço para segurar o telefone para digitar ao</p><p>mesmo tempo em que se fala. Para isso, é necessário providenciar headsets.</p><p>5. A iluminação do ambiente é bem-vinda, mas, quando refletida na tela</p><p>do computador, causa grande incômodo e pode cansar a visão. Para</p><p>que isso não ocorra, são necessárias persianas na janela.</p><p>https://www.moveisabsoluta.com.br/informes/7-erros-no-escritorio</p><p>https://www.moveisabsoluta.com.br/informes/7-erros-no-escritorio</p><p>22</p><p>6. Devemos sempre estar atentos à posição e à temperatura do ar condi-</p><p>cionado. A temperatura de conforto é 24º C e, para garantir ótimo</p><p>funcionamento da máquina, esta deve estar próxima a este valor. Para</p><p>que o ar frio não se direcione diretamente sobre o funcionário, as</p><p>aletas devem ser direcionadas para cima ou a empresa deve instalar</p><p>um defletor para direcionamento do ar.</p><p>7. As refeições não devem ser feitas na mesa do trabalho. Pausas devem</p><p>ser realizadas (de uma em uma hora, caso a atividade seja repetitiva),</p><p>mas, para isso, é fundamental que o colaborador se dirija ao refeitório</p><p>da empresa.</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. Em 1940, a ergonomia passa a ser classificada como uma disciplina científica,</p><p>mas não eram observados muitos avanços na área, pois a utilização dos equipamentos</p><p>ainda não era compreendida. Com os avanços da Segunda Guerra Mundial, perce-</p><p>beu-se essa dificuldade de forma mais efetiva, estimulando a pesquisa na área, envol-</p><p>vendo questões sobre a interação de pessoas com equipamentos e ambiente. Após</p><p>este período, de acordo com Hendrick (1995), a ergonomia pode ser organizada em</p><p>quatro fases.</p><p>Período Características</p><p>I. Ergonomia</p><p>de hardware ou</p><p>tradicional</p><p>( ) A partir da década de 80, com o avanço no setor de informática,</p><p>passou a ser estudada a interface entre humano e máquina, uma vez</p><p>que o homem não manuseia mais o produto e sim opera uma máquina</p><p>que irá fazê-lo. Fatores cognitivos devem ser levados em consideração</p><p>para facilitar o trabalho.</p><p>II. ergonomia do</p><p>meio Ambiente</p><p>( ) Iniciou-se durante a Segunda Guerra Mundial e destacava questões</p><p>fisiológicas e biomecânicas do ambiente de trabalho e interação do sistema</p><p>homem-máquina. Interesse principal na área militar.</p><p>III. Ergonomia</p><p>de software ou</p><p>cognitiva</p><p>( ) Visão ampla da ergonomia: engloba o contexto organizacional, psi-</p><p>cossocial e político de um sistema. Prioriza o processo participativo,</p><p>prevendo realização de trabalho em equipe para garantia de melhores</p><p>resultados, buscando redução de erros e aumentando o nível de satis-</p><p>fação dos colaboradores ao trabalho.</p><p>IV. Macroergo-</p><p>nomia</p><p>( ) Trata-se de como ruído, vibrações, temperatura, iluminação e ele-</p><p>mentos dispersos no ar afetam o trabalho. Interesse na compreensão da</p><p>relação do ser humano com o ambiente.</p><p>Fonte: Corrêa e Boletti (2015, p. 7).</p><p>23</p><p>Analisando as diferentes fases da ergonomia, associe corretamente a coluna da</p><p>esquerda (período) com a coluna da direita (características):</p><p>a. III – I – IV – II.</p><p>b. III – IV – I – II.</p><p>c. II – I – III – IV.</p><p>d. I – III – IV – II.</p><p>e. II – III – I – IV.</p><p>2. O profissional responsável pelo planejamento, pelo projeto e pela avaliação de</p><p>tarefas e compatibilização dos postos de trabalho ao ser humano é o ergonomista Suas</p><p>atividades têm sempre como foco que um sistema esteja de acordo com a necessidade</p><p>do colaborador. São elas:</p><p>( ) Investigar as habilidades e as limitações da máquina.</p><p>( ) Analisar como as pessoas utilizam os equipamentos.</p><p>( ) Avaliar os riscos do ambiente de trabalho, bem como seus efeitos na saúde</p><p>do trabalhador.</p><p>( ) Evitar a implementação de melhorias, pois a empresa não apresenta risco de</p><p>acidentes.</p><p>( ) Realizar pesquisa (entrevistas), compilar dados e produzir relatórios.</p><p>( ) Aplicar conhecimentos sobre fisiologia humana para o projeto de novos</p><p>produtos.</p><p>Assinale a seguir a alternativa que apresenta a sequência correta de verdadeiro ou falso.</p><p>a. F – F – F – F – F – F.</p><p>b. F – V – F – F – V – F.</p><p>c. V – V – V – V – V – V.</p><p>d. F – V – V – F – V – V.</p><p>e. F – F – V – F – F – V.</p><p>3. A ergonomia de ___________ é aplicada durante o desenvolvimento de</p><p>um produto, máquina, ambiente ou sistema. Com ela, podemos examinar todas</p><p>as possibilidades, levando em consideração situações hipotéticas. A ergonomia</p><p>de ___________ se aplica em situações já existentes em que é necessário resolver</p><p>problemas para redução de fadiga, doenças de trabalho e melhoria nos aspectos</p><p>24</p><p>relacionados à segurança. A ergonomia de ___________ capacita os colaboradores</p><p>para perceber e corrigir os problemas que ocorrem no dia a dia ou aqueles que</p><p>surgem em caráter emergencial. A ergonomia de ___________ busca envolver os</p><p>usuários na resolução dos problemas ergonômicos, pois estes apresentam vivência e</p><p>conhecimento prático, o que não pode ser realidade do projetista..</p><p>Qual das alternativas a seguir apresenta os termos que preenchem corretamente as</p><p>lacunas do texto-base:</p><p>a. Conscientização – correção – participação – concepção.</p><p>b. Correção – participação – concepção – conscientização.</p><p>c. Correção – concepção - conscientização - participação.</p><p>d. Concepção – conscientização – participação – correção.</p><p>e. Concepção – correção – conscientização - participação.</p><p>25</p><p>Seção 2</p><p>Ergonomia física</p><p>Diálogo aberto</p><p>Caro aluno,</p><p>Como se trata de uma disciplina transdisciplinar, o ergonomista precisa</p><p>conhecer minimamente as características físicas e cognitivas humanas para</p><p>conseguir adequar os projetos respeitando as proporções e possibilidades de</p><p>ação do indivíduo. O profissional deve entender também quais são as carac-</p><p>terísticas ligadas ao funcionamento do corpo humano que permitem a reali-</p><p>zação de determinado trabalho. Isso requer o estudo de conceitos relacio-</p><p>nados</p><p>à ergonomia física, que envolve o conhecimento do nosso organismo,</p><p>da anatomia e da fisiologia, ou seja, das funções do nosso organismo que</p><p>permitem o trabalho e sofrem influência do ambiente no qual estamos reali-</p><p>zando o ofício.</p><p>Agora, pare sua leitura por um minuto e se imagine em um parque ou</p><p>em um show em que exista um aglomerado de pessoas. Logo, você poderá</p><p>perceber que não somos todos iguais. Existe uma diversidade (variações) de</p><p>medidas corporais, forças, resistência, que são diferentes de um indivíduo</p><p>para outro. Essa variação também existe quanto às capacidades perceptivas e</p><p>de processamento de informações e precisa ser levada em consideração nos</p><p>projetos de ergonomia.</p><p>Neste momento, voltaremos à nossa situação-problema: você é um</p><p>conceituado ergonomista e foi contratado por uma grande empresa ligada</p><p>ao ramo do agronegócio, que enfrenta problemas relacionados a diversas</p><p>queixas no ambiente de trabalho. A primeira etapa do projeto, o trabalho de</p><p>conscientização na empresa, foi perfeita! Finalmente os gestores compreen-</p><p>deram a importância da ergonomia e se mostraram à disposição para realizar</p><p>as melhorias necessárias, visando maior produtividade e nível de satisfação</p><p>dos colaboradores. Motivados, a segunda etapa a ser desenvolvida consiste</p><p>em definir os conceitos de antropometria aplicados ao projeto da estação de</p><p>trabalho, levando em consideração os dados antropométricos dos colabora-</p><p>dores. Os postos do setor administrativo, de forma geral, são compostos por</p><p>uma mesa, que será utilizada para colocar o computador e realizar anota-</p><p>ções, além de uma cadeira estofada. Como devem ser apresentados os dados</p><p>antropométricos? No projeto, como utilizaremos os dados antropométricos?</p><p>Analisando a Figura 1.5, quais as dimensões que correspondem às medidas</p><p>mínimas e as máximas?</p><p>26</p><p>Figura 1.5 | Medidas antropométricas para postos de trabalho</p><p>Fonte: Iida e Guimarães (2018, p. 234).</p><p>Aprofunde seu conhecimento sobre o organismo humano, bem como os</p><p>conceitos relacionados à anatomia. Dessa forma, a partir dos conceitos de</p><p>antropometria, você certamente conseguirá solucionar o caso.</p><p>Bons estudos e bom trabalho!</p><p>Não pode faltar</p><p>Você já parou para pensar como o nosso corpo funciona? Como conse-</p><p>guimos nos movimentar e realizar as atividades em nosso cotidiano? As</p><p>ciências de anatomia e fisiologia são fundamentais para que se compre-</p><p>endam as estruturas e funções do corpo humano. A primeira é aquela que</p><p>estuda a estrutura do organismo e suas relações. Já a segunda compreende as</p><p>funções corporais de acordo com a atividade de cada órgão. Nesse contexto, o</p><p>conjunto de órgãos que possuem funções comuns compõe um sistema.</p><p>Assimile</p><p>Neste momento, destacaremos os componentes dos principais sistemas</p><p>do corpo humano, a partir dos estudos de Corrêa e Boletti (2015):</p><p>1. Tegumento: pele e estruturas associadas (unhas, pelos e glândulas).</p><p>2. Sistema nervoso: composto pelo cérebro, pela medula espinhal,</p><p>pelos nervos e órgãos como olhos e ouvidos.</p><p>27</p><p>3. Sistema esquelético: composto pelos ossos, pelas articulações e</p><p>pelas cartilagens.</p><p>4. Sistema muscular: musculatura esquelética (ligada aos ossos).</p><p>5. Sistema circulatório: composto pelo coração, pelos vasos sanguí-</p><p>neos e pelo sangue.</p><p>6. Sistema digestório: composto pelos órgãos do trato gastrointestinal e</p><p>órgãos acessórios, tais como glândulas salivares, pâncreas e vesícula.</p><p>7. Sistema respiratório: composto pelo pulmão e pelas vias aéreas.</p><p>8. Sistema urinário: composto pelos rins, pelos ureteres, pela</p><p>bexiga e pela uretra.</p><p>9. Sistema genital: composto pelas gônadas e pelos órgãos associados.</p><p>10. Sistema linfático: composto pela linfa e pelos vasos linfáticos que</p><p>atuam na resposta imunológica.</p><p>11. Sistema endócrino: composto pelas glândulas produtoras de</p><p>hormônios que controlam todos os demais sistemas.</p><p>O sistema esquelético tem a função (A) de oferecer uma estrutura para</p><p>sustentação dos tecidos moles, com pontos de fixação para a maioria dos</p><p>músculos esqueléticos (tendões), (B) proteger órgãos internos de lesões e (C)</p><p>auxiliar o movimento; em conjunto, a ação dos ossos e dos músculos permite</p><p>que o corpo se movimente (Figura 1.6).</p><p>Figura 1.6 | Funções do sistema esquelético</p><p>Fonte: Corrêa e Boletti (2015, p. 25).</p><p>O tecido ósseo altera sua força em função do estresse mecânico: em situa-</p><p>ções nas quais o organismo não sofre estresse mecânico, a massa óssea tende</p><p>a diminuir. No caso de atletas, cujos ossos são estressados em intensidade</p><p>elevada, a massa óssea e a espessura do osso são maiores do que aqueles que</p><p>não são atletas.</p><p>28</p><p>Reflita</p><p>Em vista disso, qual é a recomendação para manutenção da massa</p><p>óssea? O que você pratica no seu dia a dia?</p><p>Parte do sistema esquelético fundamental para o estudo da ergonomia</p><p>é a coluna vertebral, que funciona como uma haste forte e flexível, capaz de</p><p>girar, flexionar para frente e para traz e para os lados. Ela protege a medula</p><p>espinhal, sustenta a cabeça e serve como ponto de fixação das costelas. A</p><p>coluna vertebral é sustentada por diversos músculos e está sujeita a deforma-</p><p>ções que podem ser consequências de má postura ou envelhecimento, por</p><p>exemplo. A Figura 1.7 ilustra esses aspectos. A hérnia de disco é uma defor -</p><p>mação grave causada pela compressão dos discos que separam as vértebras.</p><p>Uma das causas da hérnia de disco é o levantamento de peso sem o cuidado</p><p>de se manter uma postura correta durante este movimento.</p><p>Figura 1.7 | Coluna vertebral e seus principais tipos de alterações</p><p>Fonte: adaptado de Iida e Guimarães (2018, p. 139-141).</p><p>As funções de interesse para a ergonomia do sistema muscular são: a</p><p>produção de movimentos do corpo, a estabilização das posições, ou seja,</p><p>permitir que o indivíduo se mantenha em pé ou sentado, e a produção de</p><p>calor, fundamental para manutenção da temperatura corporal. Para que</p><p>estas funções aconteçam, é necessário que o músculo se contraia: o músculo</p><p>esquelético tem a capacidade de se contrair até metade de seu comprimento</p><p>normal de repouso.</p><p>Para nos mantermos em pé, diversos grupos musculares ficam continu-</p><p>amente contraídos; se permanecemos na mesma posição (trabalho estático)</p><p>29</p><p>por muito tempo, a musculatura começa a doer e provocar incômodo. Ao</p><p>sentar, parte da musculatura relaxa, reduzindo significativamente as exigên-</p><p>cias musculares. Ao deitar, praticamente todo trabalho estático é eliminado</p><p>e, por isso, conseguimos descansar.</p><p>Assimile</p><p>Segundo Kroemer e Grandjean (2005), um trabalho estático é conside-</p><p>rado significativo quando:</p><p>1. O esforço grande é mantido por mais de 10 segundos.</p><p>2. O esforço moderado é mantido por mais de 1 minuto.</p><p>3. O esforço leve (1 3 da força máxima) é mantido durante 5 minutos</p><p>ou mais.</p><p>Durante o trabalho dinâmico, por sua vez, existe contração e relaxamento</p><p>alternados dos músculos. Neste caso, o músculo age como uma bomba sobre</p><p>a circulação sanguínea, favorecendo o fluxo sanguíneo e, consequentemente,</p><p>a oxigenação e a nutrição das células musculares. Por esse motivo, trabalhos</p><p>dinâmicos são preferíveis aos estáticos.</p><p>Exemplificando</p><p>Em muitos casos, é difícil diferenciar uma situação de esforço estático</p><p>ou dinâmico. Uma tarefa pode exigir ambos os esforços. Por exemplo:</p><p>uma pessoa que trabalha utilizando um computador requer uma parcela</p><p>de trabalho estático, para manter a posição das mãos sobre o teclado,</p><p>realizado pelos músculos das costas, dos ombros e dos braços. Já para</p><p>operar os dedos sobre as teclas é necessário trabalho dinâmico. Neste</p><p>caso, o trabalho estático está relacionado à fadiga postural, enquanto o</p><p>dinâmico está relacionado a lesões devido a esforços repetitivos.</p><p>O sistema nervoso tem três funções básicas: sentir (detectar estímulos</p><p>por meio dos nossos sentidos), integrar (processar a informação devido ao</p><p>estímulo ao qual o organismo foi submetido pelo sistema nervoso central),</p><p>agir (função motora), ou seja, uma vez que o estímulo é percebido e proces-</p><p>sado, o sistema nervoso responde ativando músculos e glândulas.</p><p>Segundo Tortora</p><p>e Derrickson (2012), os estímulos transmitidos ao</p><p>sistema nervoso central são recebidos por estruturas associadas à visão, à</p><p>audição, ao olfato, à gustação e ao equilíbrio. Esses cinco sentidos são nossos</p><p>sentidos especiais. Na ergonomia, os de maior importância são a visão e a</p><p>audição, sentidos afetados diretamente pelas condições de iluminação e</p><p>ruído do ambiente.</p><p>30</p><p>Os olhos são os órgãos que captam as ondas de luz e, na retina, trans-</p><p>formam esta informação em impulsos nervosos que são enviados, pelo nervo</p><p>óptico, para o córtex cerebral, no qual é formada a percepção visual. Os</p><p>ouvidos apresentam receptores que convertem vibrações sonoras em sinais</p><p>elétricos; esse impulso elétrico é enviado ao cérebro que processa o som</p><p>devido àquela determinada vibração percebida. Uma função importante do</p><p>ouvido, ligada à estrutura do ouvido interno, está relacionada ao equilíbrio e</p><p>é muito importante para determinadas funções de trabalho.</p><p>Pesquise mais</p><p>Os sentidos somáticos incluem sensações táteis, térmicas de dor e</p><p>proprioceptivas (posição e movimento de membros e cabeça). Para</p><p>conhecer mais sobre estes sentidos e sua importância na ergonomia,</p><p>faça a leitura das páginas 33 e 34 do seguinte livro:</p><p>CORRÊA, V. M.; BOLETTI, R. R. Ergonomia: fundamentos e aplicações.</p><p>Série Tekne. Porto Alegre: Bookman, 2015.</p><p>Você sabe o que é a antropometria? Esta estuda as dimensões corporais e</p><p>os limites dos movimentos. A produção industrial, por sua vez, exige uniformi-</p><p>dade de formas e medidas na seriação, buscando a síntese de padrões dimensio-</p><p>nais para conter toda a gama de variações individuais. A aplicação correta dos</p><p>dados antropométricos no projeto de produtos e ambientes permite conciliar</p><p>as necessidades de produção em larga escala e as exigências da individualidade.</p><p>Reflita</p><p>Estamos inseridos em um mundo que está vivendo a quarta revolução</p><p>industrial ou vivenciando a indústria 4.0. Antigamente, era uma</p><p>exigência trabalhar com dados antropométricos para garantir que o</p><p>produto atendesse a uma população em larga escala. Atualmente, com</p><p>os conceitos de inovação, a ideia da fábrica do futuro está relacionada</p><p>à personalização, ou seja, o cliente pode customizar e personalizar o</p><p>produto. Como esta personalização será possível na indústria 4.0 e</p><p>como os conceitos relacionados à ergonomia são impactados com isso?</p><p>Por meio de pesquisas antropométricas, podemos obter o perfil dimen-</p><p>sional de determinada população e, através do uso de tabelas antropomé-</p><p>tricas, projetaremos o produto mais adequado às variações individuais</p><p>dentro da população.</p><p>William Sheldon desenvolveu um método para determinar a constituição</p><p>física dos indivíduos baseando-se em um registro fotográfico de 4000 alunos</p><p>31</p><p>da Universidade de Harvard. Analisando-se cada fotografia, o pesquisador</p><p>determinou três tipos extremos da forma corporal: endomorfo, mesomorfo</p><p>e ectomorfo.</p><p>Figura 1.8 | Três biótipos básicos</p><p>Fonte: Iida e Guimarães (2018, p. 195).</p><p>A variabilidade dimensional humana está ligada a:</p><p>1. Variabilidade histórica ou secular: observa-se, ao longo do tempo,</p><p>significativo aumento da média de altura de populações. A Figura 1.9</p><p>apresenta a evolução da altura média de recrutas holandeses entre os</p><p>anos de 1870 e 1970 (DE JONG, 1975). Durante este período houve</p><p>um crescimento médio de 14 cm, podendo ser observada certa acele-</p><p>ração no processo de crescimento. Isso ocorre devido à melhoria de</p><p>condições de vida desta população.</p><p>Figura 1.9 | Evolução da altura média de recrutas holandeses entre os anos de 1870 e 1970</p><p>Fonte: Iida & Guimarães (2018, p. 195).</p><p>32</p><p>2. Diferentes etnias: em termos de proporção corporal, os negros apresentam</p><p>as pernas mais longas em relação aos troncos do que os brancos. Povos de</p><p>origem asiática têm membros inferiores menores que as demais etnias; tal</p><p>apontamento pode ser vislumbrado na Figura 1.10. No entanto, é interess-</p><p>sante observar que, mesmo com a evolução da estatura de determinada</p><p>população, as proporções permanecem as mesmas</p><p>Figura 1.10 | Proporções dimensionais típicas de cada etnia</p><p>Fonte: Iida e Guimarães (2018, p. 194).</p><p>3. Sexo: o homem apresenta, de forma geral, ombros e tórax mais</p><p>largos, pélvis mais estreita, braços e pernas mais compridos com</p><p>mãos e pés maiores. A mulher apresenta ombros estreitos, tórax</p><p>mais leve e arredondado, pélvis larga e inclinada para frente, braços</p><p>e pernas mais curtos com mãos e pés menores. A diferença média</p><p>entre a altura de homens e mulheres é em torno de 6 a 7%. A consti-</p><p>tuição corporal também muda: no homem, o tecido muscular</p><p>predomina sobre o adiposo (tecido de células de gordura), enquanto</p><p>nas mulheres, ocorre o inverso.</p><p>As medidas antropométricas dividem-se em estruturais (estáticas),</p><p>obtidas com o corpo do sujeito em posições padrão e utilizadas em projetos</p><p>de equipamentos que demandem pouca movimentação corporal para sua</p><p>operação, e funcionais (dinâmicas), obtidas com o corpo do sujeito em</p><p>diversas posturas de trabalho. O Anexo desta seção apresenta as figuras</p><p>relacionadas às medidas antropométricas estáticas (Figura-anexo 1.1)</p><p>e dinâmicas (Figura-anexo 1.2 e Figura-anexo 1.3), além de tabelas que</p><p>33</p><p>registram medidas antropométricas de diferentes populações, inclusive a</p><p>brasileira (Tabela-anexo de 1.1 a Tabela-anexo 1.4).</p><p>Para acessar as figuras e tabelas relacionadas às medidas</p><p>antropométricas estáticas e dinâmicas, utilize o link.</p><p>Cada medida antropométrica é coletada, registrada e, dessa forma, os</p><p>valores são ordenados de modo a indicarem a frequência da ocorrência</p><p>destes valores, ou seja, o número de vezes em que estes foram observados.</p><p>Os histogramas permitem que a distribuição dos dados seja entendida</p><p>mais facilmente. A Figura 1.11 apresenta a forma de apresentação dos</p><p>dados antropométricos. Apesar das variações, a distribuição dos dados</p><p>se aproxima de uma Curva Normal (ou Gaussiana), isso significa que a</p><p>maior porcentagem da distribuição se encontra em torno da área central</p><p>da curva e a concentração diminui à medida que se aproxima dos dois</p><p>extremos da escala.</p><p>Os dados antropométricos são apresentados em percentis, separatrizes</p><p>que dividem a série de valores em cem partes, cada uma correspondendo a</p><p>1% da distribuição. Dessa forma, os percentis representam a porcentagem</p><p>de pessoas com certa medida ou abaixo desta, indicando a quantidade de</p><p>indivíduos acomodados ou excluídos em determinada dimensão. Podemos</p><p>apresentar os percentis de forma gráfica ou tabular, conforme verificamos</p><p>nas Tabelas-anexo.</p><p>Dependendo do objetivo do projeto, podemos usar os dados antropo-</p><p>métricos de diferentes formas; no caso de projetos antropométricos consi-</p><p>derando valores mínimos e máximos, utilizamos as dimensões máximas</p><p>(95° percentil) para as dimensões do produto que envolvam espaços livres</p><p>e aberturas. As dimensões mínimas (5° percentil) são utilizadas nas dimen-</p><p>sões que envolvam alcance. O Quadro 1.2 apresenta medidas antropomé-</p><p>tricas mínimas (5° percentil) e máximas (95° percentil) da população para</p><p>o dimensionamento de postos de trabalho.</p><p>34</p><p>Figura 1.11 | Apresentação de dados antropométricos: distribuição da frequência das estaturas</p><p>de 2960 cadetes da força aérea americana</p><p>Fonte: Iida e Guimarães (2018, p. 194).</p><p>35</p><p>Quadro 1.2 | Uso de medidas antropométricas mínimas (5° percentil) e máximas (95° percentil)</p><p>da população para o dimensionamento de postos de trabalho</p><p>Fonte: Iida e Guimarães (2018, p. 235).</p><p>Biomecânica ocupacional e cinesiologia</p><p>As medidas antropométricas permitem a realização da adaptação do</p><p>posto de trabalho ao trabalhador. Nesse contexto, a área que se ocupa do</p><p>estudo da postura corporal no trabalho, da aplicação de forças e suas possí-</p><p>veis consequências é denominada de biomecânica ocupacional. A biomecâ-</p><p>nica cinesiologia (ou, somente cinesiologia), por sua vez, é a área que estuda</p><p>os movimentos humanos.</p><p>Na biomecânica ocupacional, as dimensões do corpo e a postura no</p><p>trabalho se relacionam quando o trabalhador tenta se ajustar ao equipamento,</p><p>assumindo posturas inadequadas ou, também, no caso em que o equipa-</p><p>mento é ajustado para respeitar as dimensões corporais do trabalhador para</p><p>que este adote posturas confortáveis e adequadas ao trabalho. A aplicação</p><p>da biomecânica ocupacional tem como objetivo o alívio das tensões nos</p><p>músculos e nas articulações durante um movimento ou uma postura, tendo</p><p>como princípios básicos:</p><p>1. Conservar as articulações em posições neutras.</p><p>2. Manter pesos próximos ao corpo.</p><p>3. Evitar curvar o corpo para frente (deve-se flexionar o joelho).</p><p>4. Evitar torções bruscas do tronco.</p><p>5. Evitar alternância de movimentos e posturas.</p><p>6. Reduzir o tempo de esforço muscular.</p><p>7. Prevenir a fadiga muscular e realizar pausas para descanso frequentes</p><p>e curtas.</p><p>36</p><p>Existem pontos em comum entre a cinesiologia e a biomecânica: enquanto uma</p><p>área estuda os movimentos, a outra o quantifica em termos físicos e matemáticos.</p><p>A biomecânica pode ser classificada em interna e externa. A biomecânica interna</p><p>determina as forças articulares e musculares frente aos vários tipos de solicitação</p><p>mecânica para verificar o que isso implica em termos de tensões no material bioló-</p><p>gico (ossos e musculatura). A biomecânica externa determina padrões das varia-</p><p>ções do corpo humano. Este entendimento sobre como o corpo se comporta frente</p><p>às solicitações é no âmbito da ergonomia, pois permite atuar de forma preventiva,</p><p>mas também é uma importante ferramenta na realização de atividades desportivas</p><p>(principalmente as de alto rendimento) e nas atividades de recreação.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Motivados pelo sucesso do primeiro contato dos gestores com a ergonomia,</p><p>a segunda etapa do trabalho a ser desenvolvido consiste em definir os conceitos</p><p>de antropometria aplicados ao projeto da estação de trabalho, levando em</p><p>consideração os dados antropométricos dos colaboradores. Os postos de</p><p>trabalho do setor administrativo, de forma geral, são compostos por uma mesa</p><p>de trabalho para computador e para realização de anotações, além de uma</p><p>cadeira estofada. A Figura 1.12 ilustra as medidas antropométricas que devem</p><p>ser consideradas para o projeto de postos de trabalho.</p><p>Figura 1.12 | Medidas antropométricas para postos de trabalho</p><p>Fonte: Iida e Guimarães (2018, p. 234).</p><p>Para apresentarmos os dados antropométricos, cada medida antropomé-</p><p>trica é coletada, registrada e, dessa forma, os valores são ordenados de modo a</p><p>indicarem a frequência da ocorrência destes valores. A Quadro 1.2 apresenta</p><p>37</p><p>a forma de apresentação dos dados antropométricos. Uma sugestão é a repro-</p><p>dução desta com os dados da população que representa a sala de aula (supondo</p><p>que estamos nos referindo aos trabalhadores da situação-problema).</p><p>Os dados antropométricos são apresentados em percentis, separatrizes</p><p>que dividem a série de valores em cem partes, cada uma correspondendo a</p><p>1% da distribuição. Dessa forma, os percentis representam a porcentagem de</p><p>pessoas com certa medida ou abaixo desta, indicando a quantidade de pessoas</p><p>acomodadas ou excluídas em determinada dimensão. Podemos apresentar os</p><p>percentis de forma gráfica ou tabular, no caso de projetos antropométricos</p><p>considerando valores mínimos e máximos, usamos as dimensões máximas</p><p>(95° percentil) para as dimensões do produto que envolvam espaços livres</p><p>e aberturas. As dimensões mínimas (5° percentil) são utilizadas nas dimen-</p><p>sões que envolvam alcance. Nesse sentido, as dimensões correspondentes</p><p>às medidas mínimas (5° percentil das mulheres) são as dimensões c, d, i, j.</p><p>As dimensões correspondentes às máximas (95° percentil dos homens) são</p><p>as dimensões a, b, e, f, g, h. Determine as medidas antropométricas de sua</p><p>população com base nos dados apresentados na Figura 1.12.</p><p>Assim, reforçaremos a descrição da atividade para que a realização seja</p><p>dinâmica e bastante interessante: colete os dados antropométricos de sua</p><p>turma, apresente-os em forma de tabela e em uma curva de distribuição de</p><p>frequência e quais são os valores que serão utilizados para o projeto do posto</p><p>de trabalho específico para esta população. Utilize estes mesmos dados para</p><p>a situação proposta no Avançando na Prática para determinação de altura de</p><p>bancada de trabalho em pé.</p><p>Não se esqueça de que, para realizar a atividade, você deve levar para a</p><p>sala de aula trena flexível ou fita métrica para levantar as medidas antropo-</p><p>métricas dos alunos.</p><p>Avançando na prática</p><p>Dimensionando alturas de acordo com a</p><p>natureza do trabalho</p><p>Você é o responsável pelo projeto das bancadas de trabalho para empaco-</p><p>tamento na fábrica na qual está empregado e, animado com as aulas de</p><p>ergonomia, enxerga a possibilidade de aplicar os conceitos estudados em sala</p><p>de aula. É necessário determinar a altura de uma bancada fixa, para trabalho</p><p>em pé, na qual produtos serão empacotados e não existe espaço disponível</p><p>38</p><p>para colocação de um estrado. As recomendações gerais são apresentadas</p><p>na Figura 1.14. Nesta tarefa, existe necessidade de aplicação de força para</p><p>o empacotamento. Qual é a situação a ser considerada? Qual é a altura da</p><p>bancada considerando que será utilizada por homens e mulheres?</p><p>Figura 1.13 | Medidas antropométricas para postos de trabalho</p><p>Fonte: Abrahão ([s.d.], notas de aula).</p><p>Resolução da situação-problema</p><p>Durante a execução do trabalho o operador faz força e, por isso, podemos</p><p>classificar o ofício como pesado. Nesse contexto, a recomendação é que o</p><p>operador tenha a superfície de trabalho de 8 a 20 cm abaixo da altura do</p><p>cotovelo (medida antropométrica da altura do cotovelo, em pé, ereto).</p><p>Tomando como base os valores extremos 5° percentil das mulheres e 95°</p><p>percentil dos homens, utilizaremos os dados de medidas antropométricas da</p><p>Tabela-anexo 1.1. (sugestão: fazer o levantamento destas medidas em grupo).</p><p>Com isso, consideramos 95,7 cm a dimensão mínima e a máxima 117,9 cm.</p><p>A essas medidas, acrescenta-se 2,5 cm devido ao salto do sapato (mínima de</p><p>98,2 cm e máxima de 120,4 cm).</p><p>Com isso, o limite inferior para as dimensões mínimas, considerando o</p><p>5° percentil das mulheres, é 78,2 cm, e o superior, 90,2 cm. Considerando as</p><p>dimensões máximas, o limite inferior é 100,4 cm e o limite superior é 112,4</p><p>cm. Nossa solução de compromisso considerará os valores que estão mais</p><p>próximos entre si: 90,2 cm e 100,4 cm. Buscando adequação a ambas as popula-</p><p>ções, definiremos a altura da bancada como um valor aproximado da média</p><p>destes valores, ou seja, nossa solução será de 95 cm para a altura da bancada em</p><p>questão para este tipo de trabalho, para esta população em específico.</p><p>39</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. A coluna vertebral protege a medula espinhal, sustenta a cabeça e serve como</p><p>ponto de fixação das costelas. Além disso, é sustentada por diversos músculos e está</p><p>sujeita a deformações que podem ser consequências de má postura ou envelheci-</p><p>mento, tais como as descritas a seguir:</p><p>Deformação Característica</p><p>I. Lordose ( ) Curvatura acentuada, para fora, da parte superior da coluna vertebral.</p><p>II. Cifose ( ) Curvatura lateral da coluna vertebral, geralmente da região torácica.</p><p>III. Escoliose ( ) Curvatura, para dentro, da região lombar da coluna vertebral.</p><p>Analisando as diferentes deformações da coluna vertebral, associe corretamente a</p><p>coluna da esquerda (deformações) com a coluna da direita (características):</p><p>a. I – II – III.</p><p>b. II – III – I.</p><p>c. III – II – I.</p><p>d. I – III – II.</p><p>e. II – I – III.</p><p>2. No caso de projetos antropométricos considerando valores mínimos e máximos,</p><p>usamos as dimensões máximas (95° percentil) para as dimensões do produto que</p><p>envolvam espaços livres e aberturas. As dimensões mínimas (5° percentil) são utili-</p><p>zadas nas dimensões que envolvam alcance. Imagine que você precisa determinar a</p><p>altura entre a bancada e o piso, de forma que o operador consiga sentar-se conforta-</p><p>velmente à bancada para realização de seu trabalho.</p><p>Qual é a solução de compromisso a ser adotada?</p><p>a. Trata-se de dimensão que envolve espaço livre, portanto será considerado o</p><p>5º percentil (dimensões máximas).</p><p>b. Trata-se de dimensão que envolve alcance, portanto será considerado o 5º</p><p>percentil (dimensões mínimas).</p><p>c. Trata-se de dimensão que envolve alcance, portanto será considerado o 95º</p><p>percentil (dimensões máximas).</p><p>d. Trata-se de dimensão que envolve alcance, portanto será considerado o 95º</p><p>percentil (dimensões mínimas).</p><p>40</p><p>e. Trata-se de dimensão que envolve espaço livre, portanto será considerado o 95º</p><p>percentil (dimensões máximas).</p><p>3. A aplicação da biomecânica ocupacional tem como objetivo o alívio das tensões</p><p>nos músculos e nas articulações durante um movimento ou uma postura. Com base</p><p>neste princípio, analise as afirmativas a seguir e marque (V), para verdadeira, e (F),</p><p>para falsa:</p><p>( ) Conservar as articulações em posições neutras.</p><p>( ) Manter pesos afastados do corpo.</p><p>( ) Evitar curvar o corpo para frente (deve-se flexionar o joelho).</p><p>( ) Evitar torções bruscas do tronco.</p><p>( ) Promover a alternância de movimentos e posturas.</p><p>( ) Aumentar o tempo de esforço muscular.</p><p>( ) Prevenir a fadiga muscular e diminuir a frequência de pausas para descanso.</p><p>Assinale a seguir a alternativa que apresenta a sequência correta do verdadeiro ou falso.</p><p>a. V – V – F – V – F – F – F.</p><p>b. V – V – V – V – V – V – F.</p><p>c. V – F – V – V – F – F – F.</p><p>d. F – V – F – F – F – V – F.</p><p>e. F – F – V – F – V – F – V.</p><p>41</p><p>Seção 3</p><p>Ergonomia cognitiva</p><p>Diálogo aberto</p><p>Caro aluno,</p><p>O aumento do emprego de sistemas informatizados, buscando automação</p><p>e robotização do trabalho, fez com que muitas tarefas repetitivas, que</p><p>exigiam utilização de força, fossem transferidas paras as máquinas. Com isso,</p><p>o trabalho humano concentrou-se basicamente em programar as máquinas,</p><p>realizar tarefas de comando e controle e fazer a manutenção destas. Para que</p><p>estes sistemas funcionem adequadamente, é necessário que o homem capte</p><p>as informações, processe-as e, em seguida, tome decisões, ou seja, a reali-</p><p>zação do trabalho ficou mais dependente da cognição humana.</p><p>Dessa forma, surge a necessidade de a ergonomia estudar aspectos cogni-</p><p>tivos das relações entre pessoas e o sistema de trabalho, nascendo, dessa</p><p>forma, a ergonomia cognitiva, também conhecida como engenharia psico-</p><p>lógica. Nesse sentido, estudos datam da década de 50, na França, quando</p><p>Le Guillant e colaboradores desenvolveram uma pesquisa clássica, intitu-</p><p>lada “a neurose das telefonistas”, na qual são relatados casos de adoecimento</p><p>(dores de cabeça, costas, alterações no humor) devido às características de</p><p>organização do trabalho. Em outras palavras, era necessário seguir um script</p><p>durante o atendimento, que era monitorado e tinha seu tempo controlado.</p><p>Além disso, as telefonistas não tinham pausas durante o trabalho e a pressão</p><p>por resultados era grande.</p><p>Neste campo de estudo, analisam-se os processos mentais: percepção de</p><p>sinais, raciocínio, respostas, memória, concentração e atenção do colabo-</p><p>rador; elementos que afetam a relação entre homem e os demais elementos</p><p>do sistema de trabalho. O principal objetivo com este estudo é tornar a inter-</p><p>face de trabalho compatível às necessidades e características do usuário,</p><p>lidando com as dificuldades que os trabalhadores apresentam ao exercerem</p><p>funções que exigem maior esforço mental.</p><p>Outro aspecto relevante da ergonomia cognitiva é que essa área busca</p><p>aprimorar o desempenho e a capacidade dos colaboradores nas tomadas</p><p>de decisão, influenciando a satisfação que o indivíduo tem em relação à</p><p>realização de determinado trabalho e que, consequentemente, atua na sua</p><p>motivação profissional.</p><p>42</p><p>Com isso em mente, chegou o momento final da sua consultoria: você é</p><p>um conceituado ergonomista e foi contratado por uma grande empresa ligada</p><p>ao ramo do agronegócio, que enfrenta problemas relacionados a diversas</p><p>queixas no ambiente de trabalho. Neste momento, você atuará na questão</p><p>da insatisfação e do estresse no ambiente: demandas elevadas de prazo e de</p><p>atenção; falta de controle sobre o tempo; e falhas na supervisão. Para tanto,</p><p>é importante destacar as condições que podem se tornar fatores estressores</p><p>no ambiente de trabalho e quais são as ações que podem ser realizadas</p><p>para reverter a situação na qual a empresa se encontra. Nesse cenário, você</p><p>consegue identificar quais são as condições que apresentam maior relação</p><p>com o contexto atual? Quais são os sintomas de estresse que os colaboradores</p><p>podem apresentar neste tipo de ambiente? Isso afeta a qualidade do trabalho?</p><p>Quais são as ações que devem ser implementadas para contornar a situação?</p><p>Estude a teoria relacionada à ergonomia cognitiva e verifique quais são as</p><p>ações que o ergonomista pode promover para alterar a satisfação do colabo-</p><p>rador e os resultados de produtividade.</p><p>Bom trabalho!</p><p>Não pode faltar</p><p>Para iniciar nossa discussão sobre ergonomia cognitiva, devemos</p><p>primeiramente compreender como o trabalho era realizado antigamente,</p><p>tomando como base seu conhecimento sobre a história e conversas com</p><p>seus familiares: o trabalho era tido como uma atividade braçal que não</p><p>exigia praticamente nenhuma participação mental dos operadores, ou seja,</p><p>a atividade de trabalho era puramente mecânica. O aumento do emprego de</p><p>sistemas informatizados, cujo aparecimento mais intenso aconteceu após o</p><p>término da Segunda Guerra Mundial, buscando automação e robotização do</p><p>trabalho, fez com que muitas tarefas repetitivas, que exigiam utilização de</p><p>força, fossem transferidas para as máquinas e, com isso, algumas posições</p><p>passaram a exigir bastante atividade mental: processamento de informação,</p><p>tomada de decisões e supervisão de trabalho.</p><p>Assimile</p><p>Atividade mental é o termo utilizado para definir um tipo de trabalho</p><p>que envolve informação a ser processada pelo cérebro e pode ser</p><p>dividida em duas categorias:</p><p>1. Trabalho cerebral: processo do pensamento que exige criativi-</p><p>dade. A informação precisa ser recebida, processada, combinada</p><p>com a informação memorizada e, dessa forma, aprendida. Este</p><p>43</p><p>trabalho inclui conhecimento, experiência, agilidade e habilidade</p><p>mental. Exemplos de atividades que envolvem trabalho cerebral</p><p>são: planejamento de produção, construção de máquinas, análise</p><p>de dados e redação de relatórios.</p><p>2. Processamento de informação como parte do sistema homem-má-</p><p>quina: consiste em perceber, interpretar e processar a informação</p><p>para tomada de decisão. Exemplos de atividades: o mostrador da</p><p>máquina informa sobre o status da produção, o operador visualiza</p><p>e entende a informação e, com base em sua interpretação e conhe-</p><p>cimento prévio (experiência), realiza a tomada de decisão por meio</p><p>de controles da máquina (Figura 1.14).</p><p>Figura 1.14 | Processamento de informação como parte do sistema homem-máquina</p><p>Fonte: Corrêa e Boletti (2015, p. 64).</p><p>No cotidiano do trabalho, os processos mentais mais importantes para o</p><p>ergonomista são a captação ou percepção da informação, além da memória e</p><p>da manutenção do estado de atenção.</p><p>A percepção da informação envolve processos cognitivos como a</p><p>linguagem, a atenção e a memória para que um estímulo ambiental se torne</p><p>uma informação. Os estímulos são captados por meio de nossos cinco</p><p>sentidos básicos, mas também podem ser captados por outros sentidos</p><p>para sentir vibrações, calor, frio, dor, pressão ou movimento, por exemplo.</p><p>Assim que são captados, os estímulos são convertidos em impulsos elétricos</p><p>44</p><p>e transmitidos a áreas específicas do sistema nervoso central. A partir do</p><p>processamento do estímulo sensorial, este passa a ter um significado tradu-</p><p>zido em informações acerca do ambiente, comparando-as com aspectos que</p><p>o indivíduo traz em sua memória. Esta percepção depende de experiências</p><p>anteriores e de fatores individuais: nível de atenção, afinidade e personalidade.</p><p>Reflita</p><p>Com a explanação de como ocorre o processamento da informação,</p><p>você consegue distinguir os conceitos de sensação e percepção?</p><p>O processo de armazenamento da informação no cérebro é a memória.</p><p>Neste processo, parte da informação é selecionada de acordo com o que</p><p>o indivíduo subjetivamente</p>