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CURSO DE MEDICINA - AFYA 
 
NOTA FINAL 
Aluno: 
Componente Curricular: Estágio em Atenção Ambulatorial e Hospitalar em Clínica 
Cirúrgica 
Professor (es): 
Período: 202401 Turma: Data: 13/03/2024 
 
Prova N2 de CC 2024.1 Rotação I 
 
RELATÓRIO DE DEVOLUTIVA DE PROVA 
PROVA 10978 - CADERNO 001 
 
1ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Paciente do sexo masculino, 45 anos de idade, com histórico de consumo excessivo de álcool, 
apresenta-se no pronto-socorro com intensa dor abdominal e vômitos recorrentes há 2 dias. O paciente 
relata uma história recente de consumo excessivo de álcool. Ao exame físico, o paciente apresenta-se 
agitado, com dor abdominal difusa intensa à palpação. A pressão arterial está diminuída e a frequência 
cardíaca elevada. Os exames laboratoriais mostram aumento significativo das enzimas pancreáticas, 
como a amilase e a lipase. A tomografia computadorizada abdominal revela inflamação pancreática 
grave com evidências de necrose e hemorragia na região pancreática adjacente. 
 
Acercado quadro clínico do paciente, avalie as afirmações a seguir. 
 
 
I. Paciente necessita de ressuscitação volêmica, utilizando coloides, com prioridade para a solução de 
albumina. 
II. O paciente necessita de intervenção cirúrgica, com desbridamento de área necrótica e controle de 
sangramento local. 
III. Deve ser instituída antibioticoterapia de amplo espectro, dando ênfase a patógenos Gram positivos e 
negativos, e anaeróbios. 
 
 
É correto apenas o que se afirma em 
Alternativas: 
 
(alternativa C) (CORRETA) 
II e III. 
 
 
Resposta comentada: 
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I. Proposição incorreta. A reposição volêmica deve ser instituída, priorizando o uso de cristaloides, com 
a Solução fisiológica e Ringer com lactato. 
 
II. Proposição correta. Paciente necessita de intervenção cirúrgica, para abordagem de tecido necrótico 
e hemostasia. 
 
III. Proposição correta. O uso de antibioticoterapia é necessário, contemplando patógenos como 
Escherichia coli, Bacteroides, Staphylococcus, Klebsiella, Proteus, Candida albicans. 
 
Referência: 
 
Doherty, G.M. et al. Current Cirurgia, 14ª edição, 2017. Pâncreas, pág. 620. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Considerando o caso de paciente, de 15 anos, no 5o pós-operatório de apendicectomia convencional 
por incisão tipo MacBurney, apresenta quadro de febre (39°C) e taquicardia, dor abdominal localizada 
na região logo abaixo da cicatriz cirúrgica. Sem sinais de peritonite. Relato do cirurgião assistente falava 
em achado cirúrgico de apendicite aguda perfurada, com necrose da base apendicular. Foi deixado 
dreno laminar que foi retirado no 2° dia pós-operatório por ter apresentado boa evolução. Realizado 
Tomografia computadorizada que demonstra coleção uniloculada de 6 x 6cm na goteira parieto-cólica 
direita. Analise o que é colocado a seguir e assinale a opção correta. 
 
I. Provavelmente se trata de fístula da sutura do ceco, recomendado a exploração cirúrgica, colectomia 
direita e ileostomia terminal. 
 
II. Se trata de infecção de ferida operatória, recomenda-se abertura dos pontos da ferida operatória para 
drenagem e antibioticoterapia. 
 
III. Considerando o provável diagnóstico de abcesso intra-abdominal e não havendo contraindicações 
recomenda-se a drenagem cirúrgica percutânea guiada por exames de imagem e antibioticoterapia. 
Alternativas: 
 
(alternativa D) (CORRETA) 
II está correta. 
 
Resposta comentada: 
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I. Incorreta. A presença de uma coleção uniloculada na goteira parieto-cólica direita não sugere 
necessariamente fístula da sutura do ceco. Além disso, a colectomia direita e ileostomia terminal não 
seriam as primeiras escolhas de tratamento para uma coleção pós-apendicectomia. 
 
II. Incorreta. A descrição da coleção na tomografia computadorizada não é consistente com uma 
infecção de ferida operatória. A abertura dos pontos da ferida operatória pode não ser suficiente para 
tratar a coleção intra-abdominal, e a drenagem percutânea guiada por imagem é frequentemente mais 
indicada. 
 
III. Correta. A presença de uma coleção uniloculada na goteira parieto-cólica direita, associada ao 
quadro clínico de febre, taquicardia, e dor abdominal, é sugestiva de um abcesso intra-abdominal. A 
drenagem cirúrgica percutânea guiada por exames de imagem, como a tomografia computadorizada, é 
uma abordagem adequada para o tratamento, juntamente com antibioticoterapia. 
 
Referências: 
 
TOWNSEND, C.; BEAUCHAMP, R. D.; EVERS, B. M. et al. Sabiston - Tratado de cirurgia: as bases 
biológicas da prática cirúrgica moderna. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. 
ROHDE, Luiz; OSVALDT, Alessandro Bersch. Rotinas em cirurgia digestiva. 2. ed. Porto Alegre: 
ArtMed, 2015. 1 recurso online. ISBN 9788536325798. Disponível em: 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788536325798. Acesso em: 06 mar. 2024. 
 
3ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Paciente masculino, de 56 anos, procura atendimento referindo afilamento das fezes associado a 
sangramento durante as evacuações. 
 
 
Foi submetido a colonoscopia completa que demonstrou um pólipo hiperplásico de 5 mm no ceco e uma 
lesão ulcerada de 2 cm no sigmoide, a 17 cm da borda anal. O laudo histopatológico da lesão do 
sigmoide foi de adenocarcinoma bem diferenciado. 
 
 
Dentre as alternativas abaixo, quais exames devem ser realizados para o estadiamento e seguimento 
regular pós-tratamento? 
Alternativas: 
(alternativa A) (CORRETA) 
Tomografia de tórax, abdome, pelve e dosagem do CEA. 
 
 
Resposta comentada: 
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Para um paciente que apresenta alteração do hábito intestinal associado a sangramento durante as 
evacuações, além de um bom exame físico e uma anamnese eficaz faz-se necessário a investigação 
com colonoscopia. Vale ressaltar que o rastreamento de câncer colorretal inicia-se a partir dos 50 anos 
de idade com colonoscopia, de 10 em 10 anos. O último guideline defende o início mais precoce, com 
45 anos. 
 
Outras alterações clínicas que merecem avaliação do trato gastrointestinal são: alteração do hábito 
intestinal, hemorragia digestiva, anemia ferropriva e fezes em fita. 
 
O diagnóstico do câncer colorretal é feito após a realização de colonoscopia com biopsia e envio de 
material a histopatologia. Feito o diagnóstico, submete-se o paciente a um primeiro estadiamento clínico. 
Nessa fase, os exames preconizados são: um exame de imagem do tórax (tomografia de tórax ou 
radiografia de tórax), um exame de imagem do abdome e pelve (TC, RNM), e ainda, a dosagem 
do antígeno carcinoembrionário CEA. Vale ressaltar que o CEA não tem valor diagnóstico, pela sua 
baixa sensibilidade (negativo em mais de 50% dos casos) e especificidade (positivo em outras 
neoplasias malignas ou mesmo em doenças benignas). Os níveis de CEA podem estar elevados nas 
seguintes condições: tabagismo, cirrose hepática, neoplasias do ovário e neoplasias do pâncreas. 
 
O antígeno carcinoembrionário (CEA) é provavelmente o marcador tumoral mais estudado e seu uso 
clínico principal é para pacientes com câncer colorretal. 
 
O livro Sabiston, em sua página 713, descreve que níveis elevados de CEA costumam refletir a carga 
do tumor presente, nos tumores secretores do marcador. O grau de elevação do CEA se correlaciona 
com estádio avançado da doença e, portanto, os níveis de CEA têm valor prognóstico. O CEA sérico 
pré-operatório é um preditor independente de sobrevida – quanto mais alto o nível sérico pré-operatório, 
pior o prognóstico. Esse efeito persiste mesmo após os pacientes serem estratificados para 
ressecabilidade e extensão da invasão local do tumor. A sobrevida de cinco anos é significativamentepior em pacientes com elevados níveis de CEA pré-operatório em comparação com aqueles com um 
nível CEA pré-operatório normal. 
 
Segundo a American Society of Clinical Oncology guidelines: “For patients with stage II and stage III 
colorectal cancer who are candidates for surgery or chemotherapy, post-operative/post-treatment CEA 
measurement should be done every three months for at least two years along with annual CT scans, 
followed by every six months for five years”. 
 
Referência: 
 
Sabiston Textbook of Surgery. The. Biological Basis of Modern Surgical Practice. 21th ed. Philadelphia: 
Elservier. 2022 - Seção 10 - Capítulo 52: Cólon e reto Embriologia do cólon e do reto Anatomia do cólon, 
do reto e do assoalho pélvico Fisiologia do cólon Preparo intestinal antes da operação Doença 
diverticular Volvo colônico Obstrução e pseudo-obstrução do intestino grosso. Doença intestinal 
inflamatória Colite infecciosa Isquemia colônica. 
 
 
 
 
 
4ª QUESTÃO 
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Enunciado: 
 
Um homem, de 45 anos, é admitido para uma apendicectomia aberta devido a um diagnóstico de 
apendicite aguda. No terceiro dia pós-operatório, o paciente apresenta febre, dor abdominal difusa e uma 
leve leucocitose. Não há sinais de evisceração ou deiscência de sutura na inspeção do sítio cirúrgico. O 
exame físico revela uma defesa abdominal voluntária e dor à palpação no quadrante inferior direito, sem 
sinais de peritonite generalizada. A ultrassonografia abdominal demonstra a presença de uma pequena 
quantidade de líquido livre intra-abdominal. 
 
Qual é a complicação pós-operatória provável nesse paciente e o tratamento apropriado? 
Alternativas: 
 
(alternativa C) (CORRETA) 
Abscesso intra-abdominal; tratamento com drenagem percutânea e antibióticos. 
 
 
Resposta comentada: 
 
A presença de febre, leucocitose e líquido livre intra-abdominal no pós-operatório de uma 
apendicectomia aberta sugere um abscesso intra-abdominal, especialmente na ausência de sinais 
claros de complicações superficiais ou sistêmicas mais graves. O tratamento com drenagem 
percutânea guiada por imagem e antibioticoterapia é muitas vezes eficaz para esta condição. 
 
Hemorragia interna geralmente apresenta instabilidade hemodinâmica e sinais de choque, o que não foi 
relatado no caso. 
 
Uma hérnia incisional não se desenvolve tão rapidamente no pós-operatório e não está associada a 
febre ou leucocitose. 
 
Infecção de sítio cirúrgico superficial apresentaria sinais inflamatórios na incisão, que não foram 
observados. 
 
Íleo paralítico é uma paralisia temporária do intestino que pode ocorrer após a cirurgia, mas não é 
acompanhado por febre ou leucocitose, e não há acúmulo de líquido intra-abdominal. 
 
Referência: 
 
Silva, A.C., et al. (2019). Complicações pós-operatórias em cirurgias abdominais: uma revisão 
sistemática. Revista da Associação Médica Brasileira, 65(9), 1234-1242. DOI:10.1590/1806- 
9282.65.9.1234. 
 
5ª QUESTÃO 
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Enunciado: 
 
Homem dá entrada em UPA, trazido pelo SAMU, com relato de ter sido encontrado desacordado em 
seu domicílio por sua companheira, a qual relata que no chão próximo havia uma grande quantidade de 
sangue. Informa que paciente possui, como comorbidade conhecida, cirrose hepática secundária a 
etilismo. 
 
À entrada paciente Glasgow 8, PA: 64x37mmHg, FC: 140 bpm, Sat O2: 87% com cateter alto fluxo, 
extremidades frias e pegajosas, pulsos finos. Abdômen: globoso, algo ascitico, presença de circulação 
colateral e indolor a palpação. 
 
Considerando que você é o médico plantonista, pela sala de emergência, qual seria sua conduta no 
caso em questão, visando a estabilização clínica mais eficaz ao paciente. 
Alternativas: 
 
(alternativa D) (CORRETA) 
Transfusão de hemoconcentrados tipo O negativo, intubação orotraqueal e passagem de balão de 
Sengstaken-Blakemore na sala de emergência, o qual deverá ser retirado em 24 horas, se possível sob 
visão direta em exame de Endoscopia Digestiva Alta. 
 
 
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Resposta comentada: 
 
Paciente com indicativos clínicos de hipertensão portal hepática do tipo sinusoidal secundária a cirrose 
de etiologia alcoólica. 
 
Dá entrada em pronto socorro com quadro de instabilidade hemodinâmica grave por apresentar 
hemorragia digestiva alta provavelmente secundária a varizes esofagianas. 
 
Trata-se então de paciente grave, com quadro clínico que, caso não conduzido de forma adequada pode 
ter desfecho desfavorável. 
 
Importante frisar a indicação do balão nesse paciente, a qual deve ser realizada em sala de emergência 
por plantonista médico. O mesmo deverá ser desinsuflado em 24h, por conta do risco de necrose 
esofágica. Salientar sobre a importância da intubação orotraqueal nesse paciente grave, com sinais de 
rebaixamento do nível de consciência. 
 
Esses pacientes não devem ser negligenciados e considerados somente como pacientes com 
indicativos de libação alcoólica momentânea. 
 
Referência: 
 
SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica moderna. 19.ed. Saunders. 
Elsevier. 
 
6ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Um paciente, de 30 anos de idade, vítima de um acidente automobilístico de alta velocidade, é trazido 
ao pronto-socorro com suspeita de trauma abdominal. Ele se queixa de dor abdominal difusa intensa e 
apresenta sinais de choque, incluindo taquicardia e hipotensão. O exame físico revela distensão 
abdominal, sinais de peritonite e hemorragia ativa no abdômen. Os exames laboratoriais mostram 
hemoglobina diminuída e aumento dos níveis de lactato. 
 
Com base no caso clínico apresentado, qual das seguintes afirmações é a mais correta? 
Alternativas: 
 
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(alternativa B) (CORRETA) 
 
A presença de distensão abdominal e sinais de choque, mesmo na ausência de peritonite evidente, 
justifica a realização imediata de laparotomia exploratória. 
 
 
 
Resposta comentada: 
 
Quando um paciente apresenta sinais de choque e suspeita de trauma abdominal, especialmente se 
houver evidência de hemorragia intra-abdominal ou instabilidade hemodinâmica, a laparotomia 
exploratória imediata é indicada mesmo na ausência de sinais óbvios de peritonite. Isso se deve ao fato 
de que o trauma abdominal pode resultar em lesões graves nos órgãos abdominais, como ruptura de 
órgãos sólidos (por exemplo, fígado, baço) ou lesões vasculares, que podem causar hemorragia interna 
e choque hipovolêmico. A laparotomia precoce permite a identificação e o controle imediato dessas 
lesões, o que pode ser crucial para a sobrevivência do paciente 
 
Referência: 
 
American College of Surgeons. (2012). Advanced Trauma Life Support (ATLS®) Student Course 
Manual. 9th ed. Chicago, IL: American College of Surgeons. 
 
7ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Uma estudante de medicina do 1º período, com 20 anos de idade e com IMC de 35kg/m2 será 
submetida a colecistectomia videolaparoscópica. Em sua segunda consulta pré-operatória, ela diz que 
fez uma busca em sites de pesquisa sobre a cirurgia e questiona você sobre “a REMIT”. Você explica 
melhor o que é REMIT e adiciona que realizar a cirurgia por vídeo tem por objetivo justamente diminuir a 
REMIT. Ela está impressionada com a "REMIT" e quer saber mais sobre a prescrição pós-operatória. 
 
 
Considerando que a prescrição pós-operatória deve estar ajustada à reação metabólica ao trauma 
cirúrgico (REMIT), é correto afirmar que 
Alternativas: 
 
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(alternativa C) (CORRETA) 
 
precisamos realizar hemoglucotestes regulares, porque a REMIT pode alterar a glicemia. 
 
 
 
Resposta comentada: 
 
No momento da incisão cirúrgica, fibras aferentes sinalizamao SNC que está ocorrendo um trauma. A 
partir daí, todo o corpo se mobiliza para disponibilizar glicose para suprir o aumento da demanda 
metabólica provocada pelo trauma. Este estímulo ao SNC provoca a liberação de hormônios contra 
insulínicos, como cortisol, catecolaminas, GH e glucagon, além de hormônio antidiurético (ADH) e 
aldosterona. 
 
Estes hormônios são liberados no intuito de fornecer água e glicose para o paciente, mas eles também 
produzirão: íleo adinâmico, oligúria funcional, alcalose mista, hiperglicemia, elevação discreta da 
temperatura, anorexia. 
 
Cortisol: é o hormônio fundamental do trauma. Promove mobilização de aminoácidos através do 
catabolismo muscular (proteico) e também estimula o catabolismo lipídico ao facilitar a ação das 
catecolaminas. Este hormônio também é fundamental, porque só na sua presença é que as 
catecolaminas podem exercer as suas funções 
 
Hormônio antidiurético: o ADH (vasopressina) promove reabsorção de água nos túbulos distais e 
coletores, promovendo oligúria funcional. Além disso, o ADH tem efeito deletério quando em excesso: 
vasoconstrição esplâncnica que pode favorecer a translocação bacteriana. 
 
Catecolaminas: além de preservar a perfusão através da vasoconstrição e do aumento da frequência 
cardíaca, as catecolaminas, por efeito permissivo do cortisol, promovem lipólise (catabolismo lipídico). 
As catecolaminas, junto com os opioides endógenos, promovem a atonia intestinal ou íleo adinâmico. 
 
A resposta imune ao trauma é caracterizada por liberação de várias substâncias com potencial imune, 
principalmente as Interleucinas (IL). Os macrófagos que migram para a área de trauma produzem o 
fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa), também chamado de caquexina. Quanto maior a incisão 
cirúrgica, maior a resposta imune. A IL-1 é a responsável pela discreta hipertermia (37.8ºC) 
 
Após o exposto, avaliemos as alternativas: 
 
Precisamos incluir propranolol, porque a frequência cardíaca aumenta nas primeiras 48 horas. O 
aumento da FC, quando ocorre, é fisiológico em resposta à dor e à liberação de catecolaminas; não há 
necessidade de realizar bloqueio beta sistemático nos pacientes por esta razão. 
 
Precisamos fazer antibiótico terapêutico por 7 dias, porque a febre nas primeiras 24 horas indica 
infecção. A hipertermia ou até mesmo febre em geral representam a ação de interleucinas e o antibiótico 
indicado é profilático, ainda na indução anestésica, somente. 
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Anti-inflamatório para 7 dias porque o cortisol sanguíneo aumenta somente nas primeiras 48 horas. O 
uso de analgésicos e anti-inflamatórios tem como principal objetivo o controle da dor pós operatória e 
não deve ser prolongado desnecessariamente. 
 
Devemos incluir diurético, porque a diurese retrai nas primeiras 24 horas. De forma alguma devemos 
prescrever diurético preventivamente no pós operatório de pacientes sem indicação precisa. A oligúria 
pós operatória, se ocorrer, deve ser em princípio fisiológica, por ação do hormônio antidiurético. 
 
Precisamos indicar hemoglucoteste periódico porque a REMIT pode alterar a glicemia. Sim, a 
realização de hemoglucoteste ou a dosagem sérica da glicemia deve ser feita regularmente nos pós 
operatórios de médio e grande porte, devido ao risco de variações para mais ou para menos. 
 
Referência: 
 
Sabiston Textbook of Surgery. The. Biological Basis of Modern Surgical Practice. 21th ed. Philadelphia: 
Elservier. 2022 - Capítulo 6 - Metabolismo em pacientes cirúrgicos. 
 
 
. 
 
8ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Mulher, 63 anos, diabética, deu entrada no Hospital Terciário em capital da região Amazônica com 
história de diabetes mellitus descompensada e história de uma descoberta acidental, em exames de 
rotina, de colelitiase. Ao ser questionada a respeito de dor abdominal, a paciente nega qualquer episódio, 
refere descoberta de colelitiase há cerca de 3 anos, porém sem qualquer sintoma associado. Aos 
exames realizados na unidade apresenta os seguintes: ultrassonografia de abdome total com evidência 
de pólipo em vesícula associado a imagem em sombra acústica posterior apresentando a maior 
imagem com cerca de 3cm de diâmetro. Laboratoriais com hemoglobina de 11 g/dL (VR 12.0 a 16.0 
g/dL), leucócitos de 7.860 µL (VR 4000 a 11000/µL), Hba1c de 8,5% (VR 4% a 6%), Fosfatase Alcalina 
de 220 U/L (VR 40 U/L a 150 U/L), Gama GT de 85 U/L (5 a 27 U/L). Refere uso irregular de metformina 
e glibenclamida além de uso eventual de polivitaminicos. Diante do quadro, a equipe de endocrinologia 
solicitou avaliação para colecistectomia da equipe da cirurgia geral: 
 
Analise as informações e identifique a alternativa que contempla a conduta mais apropriada a ser 
adotada pela equipe de cirurgia: 
Alternativas: 
 
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(alternativa C) (CORRETA) 
O quadro assintomático associado à diabetes, pólipo de vesícula e cálculo acima de 2 centímeros 
indicam colecistectomia profilática. 
 
Resposta comentada: 
 
Grande parte da literatura internacional recomendada para colecistectomia profilática os pacientes com 
colelitiase assintomática quando os pacientes preenchem os seguintes critérios: expectativa de vida 
superior a 20-30 anos, cálculos com mais de 2cm de diâmetro, cálculos menores que 3mm com ducto 
cistico patente, cálculo calcificado, pólipos na vesícula biliar, doenças crônico-degenerativas severes 
(especialmente o diabetes), vesícula biliar não funcionante, habitantes de regiões com alta incidência de 
câncer de vesícula (américa do sul), vesícula calcificada, pacientes candidatos a transplante renal ou 
hepático. 
 
REFERÊNCIAS 
 
NUNES, S.I., et al, Colelitiase assintomática: quando operar? HU Rev, Juiz de Fora, v.33, p. 69-73, jul. 
2007. 
 
9ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Mulher, obesa, 35 anos, admitida no pronto-atendimento com queixa de dor abdominal em faixa, 
associada a vômitos. Histórico de litíase biliar em acompanhamento clínico. 
 
Em relação à pancreatite aguda biliar, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas: 
 
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(alternativa E) (CORRETA) 
É sugerida pela ultrassonografia evidenciando litíase biliar. 
Resposta comentada: 
 
A presença de uma ultrassonografia evidenciando litíase biliar sugere a origem biliar da pancreatite 
aguda. Icterícia e colangite geralmente não estão associadas à pancreatite biliar. A tomografia de 
abdome com contraste é útil na avaliação de complicações da pancreatite como necrose, porém, é 
muito inespecífica nas primeiras 24h. A antibioticoterapia não deve ser realizada de rotina, sendo 
indicada somente em casos suspeitos de infecção relacionada a coleções ou necrose pancreática. O 
diagnóstico de coledocolitíase pode ser feito através da colangiorressonância, colangiografia 
perioperatória, não sendo necessariamente indicada a CPRE. 
 
Referência: 
 
Sabiston Tratado de Cirurgia (21ª edição) 
 
10ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Um jovem, de 32 anos, sofreu uma colisão automobilística. Ele está estável hemodinamicamente, sem 
ferimentos aparentes e sem déficit neurológico, mas com dor abdominal. A tomografia de abdome e 
pelve com contraste evidencia trauma intraperitoneal de bexiga com extravasamento de contraste para 
a cavidade peritoneal. A equipe corretamente indica exploração cirúrgica para reparo da lesão 
supracitada. 
 
 
Dentre as opções abaixo, qual tipo de fio cirúrgico e agulha seriam os mais indicados para a rafia 
vesical? 
Alternativas: 
 
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(alternativa C) (CORRETA) 
Polidioxanona; agulha cilíndrica. 
 
 
Resposta comentada: 
 
Em vias urinárias, uma grande preocupação é a formação de cálculos (litíase) urinários no pós- 
operatório. Por esse motivo, apesar de maisresistentes e delicados, evitamos fios inabsorvíveis, como 
o polipropileno (prolene®) e algodão (polycot®). Os mais utilizados são a polidioxanona (PDS®), 
poliglactina (vicryl®) e categutes. Por esse motivo, melhor resposta seria a "Polidioxanona; agulha 
cilíndrica". A agulha cortante é utilizada somente para a sutura de pele. Para as demais utilizamos 
agulhas cilíndricas. 
 
Referência: 
 
Sabiston Textbook of Surgery. The. Biological Basis of Modern Surgical Practice. 21th ed. Philadelphia: 
Elservier. 2022 – Capítulo 11 – Princípios de pré-operatório e transoperatório. 
 
11ª QUESTÃO 
Enunciado: 
A pancreatite aguda é uma inflamação súbita do pancreas que pode ser devido a diversas causas, 
tendo os cálculos biliares e o abuso de alcool as principais causas. Dentre as opções abaixo, determine 
qual escala é comumente utilizada para estratificação de risco em pacientes com pancreatite aguda? 
Alternativas: 
 
(alternativa C) (CORRETA) 
Índice de Ranson. 
 
 
Resposta comentada: 
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O Índice de Ranson é uma das escalas amplamente utilizadas para estratificação de risco em pacientes 
com pancreatite aguda. Esta escala inclui critérios como idade, contagem de leucócitos, nível de 
glicose, nível de LDH (desidrogenase láctica), nível de AST (aspartato aminotransferase) e nível de 
bilirrubina no momento da admissão, bem como mudanças em alguns desses parâmetros nas 
primeiras 48 horas após a admissão. O Índice de Ranson ajuda a prever a gravidade da pancreatite 
aguda e a identificar pacientes com maior risco de complicações graves. 
 
Towsend, Beauchamp, Evers, Mattox KL. SABISTON: tratado de cirurgia - a base biológica da prática 
cirúrgica moderna. 2Vol. 20ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12ª QUESTÃO 
Enunciado: 
Uma mulher, de 28 anos, chega ao pronto-socorro devido a história de dor abdominal, febre, vômitos e 
diminuição do apetite há 6 dias. Sua dor começou fraca e difusa, mas progrediu para uma dor aguda no 
lado direito. Ela não procurou atendimento médico antes porque não quis ir ao hospital e “estava 
esperando a dor passar”. Ela não tem histórico de doença grave. Ela é sexualmente ativa com um 
parceiro masculino e usa preservativo de forma consistente. Sua temperatura é de 38,2°C, o pulso é de 
88/min, a respiração é de 18/min e a pressão arterial é de 125/75 mm Hg. O exame abdominal mostra 
sensibilidade à palpação do quadrante inferior direito. Sua concentração de hemoglobina é de 13,6 g/dL, 
a contagem de leucócitos é de 16.500/mm3 e a contagem de plaquetas é de 215.000/mm3. Um teste 
sérico de gravidez é negativo. A tomografia computadorizada de abdome mostra apêndice edemaciado 
com coleção líquida periapendicular de 5 cm. A paciente é colocada em repouso intestinal e iniciado o 
tratamento com fluidos intravenosos. Além da administração de antibióticos intravenosos, qual das 
alternativas a seguir é o próximo passo mais apropriado no tratamento? 
Alternativas: 
 
(alternativa C) (CORRETA) 
Antibiótico intravenoso e drenagem percutânea. 
 
 
Resposta comentada: 
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O tratamento inicial inclui antibióticos intravenosos e drenagem do abscesso guiada por TC ou 
operatória. 
 
Pacientes com abscessos periapendiculares grandes (> 4 cm) devem ser tratados com medidas não 
cirúrgicas (isto é, antibióticos intravenosos, fluidos e repouso intestinal) e drenagem percutânea do 
abscesso. Embora a apendicectomia possa ser considerada em pacientes cujo abscesso apendicular 
não é elegível para drenagem percutânea e em pacientes com abscessos pequenos, a apendicectomia 
de emergência geralmente deve ser evitada em pacientes com abscessos apendiculares devido ao alto 
risco de complicações cirúrgicas devido à reação inflamatória aguda na área ao redor do abscesso. A 
apendicectomia de intervalo de 6 a 8 semanas após o tratamento conservador, com ou sem drenagem 
percutânea, costumava ser realizada rotineiramente como parte do tratamento padrão de pacientes com 
abscessos apendiculares, mas atualmente não há evidências que apoiem essa abordagem. O 
procedimento ainda pode ser considerado em pacientes com sintomas persistentes ou recorrentes que 
foram inicialmente tratados de forma conservadora e em pacientes com > 40 anos de idade se houver 
preocupação com um tumor apendicular subjacente. 
 
A apendicite perfurada é mais comum em pacientes que só vão ao médico vários dias após o início dos 
sintomas da apendicite. Pacientes com apendicite perfurada podem ter uma perfuração livre (ou seja, 
diretamente na cavidade abdominal) ou uma perfuração oculta (ou seja, um abscesso apendicular). 
 
Referência: 
 
BMJ Best Practice. Apendicite aguda. Última atualização em 05 de dezembro de 2023. Disponível em: 
https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/290. Acesso em: 06 mar. 2024. 
 
 
 
13ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Homem, 65 anos, ex-tabagista, possui doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e hipertensão 
arterial em tratamento clínico, encontra-se em programação cirúrgica para colectomia devido a 
neoplasia de cólon. 
 
Em relação aos exames pré-operatórios necessários a serem solicitados para esse paciente, assinale a 
alternativa correta. 
Alternativas: 
 
(alternativa D) (CORRETA) 
Devem ser solicitados eletrocardiograma, RX de tórax e espirometria. 
 
Resposta comentada: 
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14ª QUESTÃO 
 
 
Para o paciente supracitado em enunciado, a avaliação pulmonar deve fazer parte do pré-operatório 
considerando o fato de ser ex-tabagista e suas comorbidades. Dentre os exames pré-operatórios, 
devem ser solicitados eletrocardiograma, RX de tórax e espirometria, além de coagulograma, 
hemograma, avaliação da função renal, glicemia de jejum, entre outros. A idade e o porte da cirurgia 
também influenciam na definição de exames a serem solicitados. O RX de tórax não avalia a função 
pulmonar, sendo necessária neste caso a espirometria. Considerando que o paciente possui 
hipertensão arterial, e muito provavelmente faz uso de medicamentos anti-hipertensivos, é aconselhável 
solicitar a dosagem de íons como sódio e potássio, além da avaliação da função renal do paciente. 
 
Referência: 
 
Sabiston Tratado de Cirurgia (21ª edição). 
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Enunciado: 
 
Uma mulher, de 58 anos, procurou o pronto-socorro por causa de uma história de 2 dias de piora da dor 
no abdome superior. Relata náuseas e vômitos, sendo incapaz de tolerar a ingestão oral. Ela parece 
desconfortável. Sua temperatura é de 38,1°C, pulso é de 92/min, respirações são de 18/min e pressão 
arterial é de 132/85 mm Hg. O exame físico mostra coloração amarelada da esclera. O abdome é 
sensível no quadrante superior direito. Não há distensão abdominal ou visceromegalia. Estudos 
laboratoriais mostram: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A ultrassonografia do quadrante superior direito mostra ductos biliares intra e extra-hepáticos dilatados e 
múltiplas esferas hiperecoicas no interior da vesícula biliar. O pâncreas não é bem visualizado. 
Ressuscitação volêmica intravenosa e antibioticoterapia com ceftriaxona e metronidazol são iniciadas. 
Doze horas depois, o paciente apresenta-se agudamente doente e não está orientado no tempo. Sua 
temperatura é de 39,1°C, pulso é de 105 bpm/min, respiração de 22 irpm/min e pressão arterial é de 
112/82 mm Hg. 
 
O próximo passo mais adequado na conduta do paciente seria a realização de 
 
 
Hemoglobina 
 
13 g/dL 
 
Contagem de leucócitos 
 
16.000/milímetro3
 
 
Soro 
 
 
Nitrogênio ureico 
 
25 mg/dL 
 
Creatinina 
 
2 mg/dL 
 
Fosfatase alcalina 
 
432 U/L 
 
Alanina aminotransferase196 U/L 
 
Aspartato transaminase 
 
207 U/L 
 
Bilirrubina 
 
 
Total 
 
6 mg/dL 
 
Direta 
 
4,7 mg/dL 
 
Lipase 
 
82 U/L (N = 14–280) 
 
Alternativas: 
 
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(alternativa B) (CORRETA) 
colangiopancreatografia retrógrada endoscópica. 
 
 
Resposta comentada: 
 
A drenagem biliar por colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) é o tratamento de 
escolha para a colangite aguda. Nos casos leves que respondem bem à antibioticoterapia, a CPRE é 
um procedimento eletivo que ocorre de 24 a 48 horas, após a melhora clínica. Em pacientes que não 
respondem bem aos antibióticos ou que têm colangite grave (por exemplo, sinais de sepse), a CPRE 
deve ser realizada de emergência. Essa paciente apresenta alterações do estado mental, taquipneia, 
taquicardia, febre e pressão arterial mais elevadas do que na admissão, apesar do tratamento com 
ceftriaxona e metronidazol, tornando-a candidata à CPRE imediata. 
 
Se a CPRE não for possível nessa paciente, o próximo passo seria a drenagem biliar trans hepática 
percutânea, pois drenaria toda a árvore biliar de forma mais confiável. 
 
Referência: 
 
Clínica cirúrgica / editores Joaquim José Gama-Rodrigues, Marcel Cerqueira Cesar Machado, Sarnir 
Rass lan. - Barueri, SP: Manole, 2008. 
 
15ª QUESTÃO 
Enunciado: 
Lactente deu entrada na emergência pediátrica com história de pneumonia bacteriana há 5 dias, já em 
uso de amoxicilina + clavulanato em domicílio, porém sem boa resposta. Após primeiro atendimento 
verificou-se que a criança estava dispneica, gemente, irritada, sua temperatura era 38,5°C, murmúrios 
vesiculares diminuídos e era visível tiragem intercostal. Sobre o caso, qual a melhor conduta? 
Alternativas: 
 
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(alternativa C) (CORRETA) 
Internação hospitalar, exame de imagem do tórax e considerar drenagem. 
 
Resposta comentada: 
 
Lactente com pneumonia, apresentando sinais de insuficiência respiratória, em uso de antibiótico que 
não apresenta boa resposta e alterações importantes na ausculta pulmonar condizentes com derrame 
pleural, sugerem pneumonia complicada. A internação hospitalar é imperativa, assim como exames de 
imagem e a drenagem torácica por provável empiema pleural. 
 
Referência: 
 
SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica moderna. 19. ed. Saunders. 
Elsevier. 
 
16ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Paciente idoso, hipertenso, tabagista (um maço por dia, por 20 anos), cessou vício após diagnóstico de 
aneurisma de aorta abdominal em exames de rotina, no último mês. Após avaliação do angiologista e 
indicação de tratamento cirúrgico, foi encaminhado ao anestesista. 
 
 
Sobre o pré-operatório, assinale a alternativa correta. 
Alternativas: 
 
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(alternativa B) (CORRETA) 
Visto se tratar de cirurgia de grande porte, deverá ser encaminhado para exames complementares, 
estudo de capacidade pulmonar e orientações com o pneumologista. 
 
Resposta comentada: 
 
Paciente com diagnóstico de aneurisma de aorta, idoso, hipertenso e tabagista, será submetido a 
cirurgia de grande porte, anestesia geral (intubação orotraqueal), ventilação mecânica e risco de 
sangramento, e aumento de demanda endócrino metabólica. 
 
Portanto, precisará passar por avaliação pré-operatório de função cardiopulmonar: estudo de 
capacidade pulmonar com espirometria, radiografia de tórax, bem como, preparo e avaliação por 
especialista (Pneumologista). 
 
O impacto da fisioterapia pré-operatória no aumento da capacidade pulmonar pode reduzir os riscos de 
complicações respiratórias. 
 
A radiografia simples de tórax não defini capacidade pulmonar. 
 
A cirurgia não é de urgência, mas sim eletiva, tendo sido encaminhado para avaliação pré-anestésica. 
 
A cirurgia abdominal de grande porte interfere na dinâmica ventilatória, com alta incidência de atelectasia 
e pneumonia no idoso. 
 
Referência: 
 
Sabiston, Tratado de Cirurgia Geral. 
 
17ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Uma paciente, com 60 anos de idade, diabética, encontra-se em tratamento hospitalar de pneumonia 
grave, recebendo antibioticoterapia venosa, hidratação, insulina e broncodilatadores há 3 dias. Todavia, 
vem evoluindo com febre e piora do quadro clínico nas últimas 24 horas. Realizou tomografia de tórax 
que evidenciou um derrame pleural volumoso e a toracocentese diagnóstica desta manhã deu saída 
imediata de secreção purulenta. 
 
Diante o exposto, qual é a melhor conduta nesse momento? 
Alternativas: 
 
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(alternativa C) (CORRETA) 
Realizar drenagem pleural em selo d’água. 
 
 
Resposta comentada: 
 
O empiema pleural (pus na cavidade pleural) decorre de derrame pleural parapneumônico complicado. 
O tratamento inicial neste caso é a drenagem torácica em selo d’água devido ao aspecto purulento 
evidenciado na toracocentese. 
 
Um empiema ocorre tipicamente após um derrame pleural reativo em consequência de uma infecção 
pulmonar. Historicamente, no passado, a etiologia mais comum era pneumonia estreptocócica ou 
pneumocócica; atualmente, no entanto, organismos Gram-negativos e anaeróbicos são causas comuns 
de empiema. Empiema tuberculoso também pode ocorrer. Empiema pode ocorrer após trauma ou 
cirurgia torácica (a partir de um espaço pleural residual ou fístula broncopleural), contaminação 
hematogênica do espaço pleural, ruptura de um abscesso pulmonar ou mediastinal ou perfuração 
esofágica. Os sintomas tipicamente incluem sintomas constitucionais de febre, mal-estar geral, perda 
de apetite e perda de peso. Tosse e dispneia são comuns se houver infecção pulmonar. A avaliação 
inclui uma radiografia de tórax, em incidência póstero-anterior e em perfil, além de TC do tórax e 
abdome superior. 
 
Tratamento do empiema depende da extensão da doença e sua localização. Drenagem completa da loja 
empiemática é necessária. Antibióticos e cuidados de suporte (p. ex., líquidos, nutrição, cuidados com a 
pele) são geralmente iniciados no diagnóstico. Uso local de agentes fibrinolíticos, como ativadores do 
plasminogênio tecidual, pode ser eficaz em casos com leves loculações. 
 
Uma drenagem completa e eficaz do empiema é necessária para um resultado bem-sucedido. Esta 
drenagem pode ser facilmente obtida com a inserção de um dreno torácico, 
Caso a drenagem mostrasse apenas líquido, sem evidencia de material purulento, poderíamos aventar 
a possibilidade de apenas a presença de um exsudato decorrente de um derrame parapneumônico. 
Neste caso, deveríamos solicitar a dosagem da DHL, glicose e pH do líquido pleural no intuito de se 
confirmar realmente que estamos de exsudato. 
 
Referência: 
 
Sabiston Textbook of Surgery. The. Biological Basis of Modern Surgical Practice. 21th ed. Philadelphia: 
Elservier. 2022 – Capítulo 58 – pulmão, parede torácica, pleura e mediastino. 
 
18ª QUESTÃO 
Enunciado: 
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Mulher, 72 anos, obesa, diabética de longa data, chega ao pronto socorro relatando leve dor em 
epigástrio associada a plenitude gástrica e náuseas com início após a ceia de Natal na qual consumiu 
alimentos com alto teor de gorduras e bebidas alcoólicas. No exame físico, a paciente relata leve 
desconforto à palpação profunda do epigástrio e icterícia leve. Ao questionar a paciente sobre a icterícia, 
a resposta é que já está presente há 3 dias e já apresentou outros episódios semelhantes, alguns 
seguidos de febre (não aferida), com resolução espontânea, e perda ponderal de 15% da massa 
corporal em 6 meses devido a regime e atividade física. Relata não ter se preocupado com esse sinal 
pois já o apresentou na infância e houve resolução espontânea apóso uso de “chá de picão”. 
Imediatamente o plantonista informa sobre a possibilidade de colecistolitíase mas a paciente relata que 
já fez colecistectomia há 3 anos. Foi submetida a ultrassonografia abdominal com achado de distensão 
gasosa de alças intestinais, ausência de vesícula biliar e dilatação leve do colédoco e ducto hepático 
comum. 
 
Com base no caso clínico acima, assinale a etiologia mais provável do quadro atual, o melhor método 
diagnóstico para o caso e a conduta terapêutica. 
Alternativas: 
 
(alternativa C) (CORRETA) 
Coledocolitíase, CPRE (colangiopancreatografia endoscópica retrógrada), papilotomia endoscópica. 
 
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Resposta comentada: 
 
No enunciado é apresentado o caso de uma paciente com fatores de risco para litíase biliar (idosa, 
obesa, perda ponderal importante em pequeno período de tempo) com quadro clínico evidenciando 
icterícia flutuante e presença de dor abdominal inespecífica associada as náuseas relacionadas a 
alimentação copiosa. Os achados ultrassonográficos, associados ao quadro clínico, são compatíveis 
com coledocolitíase já que a paciente não possui vesícula biliar e apresenta imagem com sombra 
acústica em colédoco. 
 
Considerando o diagnóstico do caso apresentado, a resposta correta é Coledocolitíase, CPRE 
(colangiopancreatografia endoscópica retrógrada), papilotomia endoscópica, por apresentar 
diagnóstico de coledocolitíase com proposta de CPRE que é o exame padrão ouro para tal avaliação. 
Além disso, apresenta a melhor terapia indicada por ser tratar de paciente idosa e comórbida e por ser 
técnica minimamente invasiva. 
 
Referências: 
 
TOWNSEND, Courtney M. Sabiston Tratado de Cirurgia: A Base Biológica da Prática Cirúrgica 
Moderna. 20. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. E-book. 9788595150461. Disponível em: 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595150461/. Acesso em: 05 fev. 2024. 
 
Charles Brunicardi, Dana K. Andersen, Timothy R. Billiar , David L. Dunn, John G. Hunter, Jeffrey B. 
Matthews e Raphael E. Pollock. SCHWARTZ - TRATADO DE CIRURGIA, 10ª EDIÇÃO - Disponível 
em: 
https://ia800908.us.archive.org/23/items/SchwartzsPrinciplesOfSurgery10thEdition/Schwartz%27s%20P 
rinciples%20of%20Surgery%2C%2010th%20Edition.pdf. Acesso em: 5 fev. 2024. 
 
19ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Paciente, 25 anos, vítima de politraumatismo, trazido pelo SAMU ao pronto atendimento. Relato de fuga 
de incêndio e o paciente pulou do 2o andar tendo queda de nível. Ao exame – paciente agitado, pálido, 
sudoreico, pulsos finos. Verbaliza dor abdominal em flanco direito. FC – 125 bpm. PA – 80 x 40 mmHg. 
FR 26 irpm. Apresenta ainda, ferimento corto contuso em flanco direito com 5cm, com exposição da 
musculatura da parede abdominal (sem exposição de vísceras ou evisceração do epiplon). Diante do 
caso, sobre o uso do FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) leia as afirmativas a 
seguir e marque a opção correta. 
 
I. O FAST é um exame que avalia 4 regiões/janelas ultrassonográficas permitindo detectar as principais 
alterações no trauma: Saco pericárdico (subxifóide), Espaço hepatorrenal (Espaço de Morrison), 
Espaço esplenorrenal e tórax (2o. e 3o Espaço Intercostal). 
II. Apesar do trauma penetrante na região abdominal, não existe contraindicação de ser realizado o 
exame FAST neste paciente, visto a instabilidade hemodinâmica deste paciente. 
 
III. Os ferimentos no flanco/parede abdominal posterior são melhores avaliados por exame de 
tomografia computadorizada, sendo a melhor opção neste caso por permitir avaliar melhor as lesões de 
órgãos retroperitoneais. 
 
IV. A melhor opção neste paciente é o lavado peritoneal diagnóstico considerando a instabilidade 
hemodinâmica do paciente. A presença do ferimento abdominal não interfere na realização do lavado 
peritoneal diagnóstico, sendo que nesses casos se realiza o procedimento por incisão mediana supra 
umbilical. 
Alternativas: 
 
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(alternativa D) (CORRETA) 
II, apenas. 
 
 
Resposta comentada: 
 
O exame FAST é um exame que avalia 6 regiões, ajuda a determinar quais pacientes precisam de 
laparotomia emergente e quais podem ser monitorados ou aguardar estudos que demandam mais 
tempo e definitivos. Pacientes com instabilidade hemodinâmica devem ser submetidos aos FAST. 
 
Cerca de 80% das lesões traumáticas são contusas, sendo a maioria das mortes secundárias ao 
choque hipovolêmico. Destes sangramentos intraperitoneais ocorrem em 12% dos traumas contusos, 
justificando a importância do uso do FAST para avaliação de pacientes politraumatizados. 
 
No contexto da emergência, o FAST está indicado para avaliar pacientes com trauma abdominal ou 
torácico contuso ou penetrante, com choque ou hipotensão sem causa óbvia, contraindicado apenas 
em casos onde a cirurgia é inevitável. 
 
 
Referência: 
 
ATLS - Advanced Trauma Life Support for Doctors. American College of Surgeons. 10 a. Ed. 2018. 
 
20ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
A Resposta Endócrino, Metabólica e Imunológica ao Trauma é conjunto de reações desenvolvidas pelo 
organismo para tentar manter a homeostasia em situações de trauma, inclusive no trauma cirúrgico. 
 
 
Qual das seguintes medidas pré-operatórias visa diminuir e tornar menos deletéria a Resposta 
Endócrino Metabólica ao Trauma (REMIT), em pacientes com comorbidades? 
Alternativas: 
 
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(alternativa D) (CORRETA) 
Otimização do estado nutricional do paciente. 
 
Resposta comentada: 
 
Uma das medidas pré-operatórias que visa diminuir e tornar menos deletéria a Resposta Endócrina 
Metabólica ao Trauma (REMIT) em pacientes com comorbidades é a otimização do estado nutricional 
dos pacientes. O paciente em bom estado nutricional tem menos risco de apresentar complicações no 
pós-operatório como infecções, deiscências, maior tempo de internação e dificuldade na cicatrização. 
 
Referência: 
 
Towsend, Beauchamp, Evers, Mattox KL. SABISTON: tratado de cirurgia - a base biológica da prática 
cirúrgica moderna. 2Vol. 20ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. 
 
21ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Um paciente, de 40 anos, deu entrada no pronto atendimento com quadro de dor em abdome superior, 
com irradiação para dorso, náuseas, vômitos e queda do estado geral há 1 dia. Apresenta ainda 
histórico de colelitíase sintomática. Está desidratado. Após algum tempo, você recebe os resultados 
dos exames laboratoriais e vê-se elevação da amilase e da lipase para 5 vezes o normal; sendo 
considerada a hipótese de pancreatite aguda. A tomografia com contraste realizada em seguida 
demonstra somente colelitíase, aumento da cabeça do pâncreas e densificação da gordura 
peripancreática; sem necrose ou coleções. 
 
Marque a alternativa correta para a condução do caso. 
Alternativas: 
 
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(alternativa B) (CORRETA) 
Manter em dieta zero por 12-24 h para observaçao; hidratação e analgesia. 
 
 
Resposta comentada: 
 
A amilase costuma se elevar já no primeiro dia do quadro clínico (2-12h após o início dos sintomas), 
mantendo-se alta por 3-5 dias. Sua sensibilidade é de 85-90% entre 2-5 dias. Sua especificidade é de 
70-75%. O normal da amilase sérica geralmente é abaixo de 160 U/L. A especificidade aumenta muito 
quando considerados níveis acima de 500 U/L e, principalmente, 1.000 U/L! A amilase pode estar 
normal nos casos de pancreatite crônica avançada agudizada (como na pancreatite alcoólica), pois o 
parênquima pancreático já está destruído, exaurido de suas enzimas. 
 
A Lipase se eleva junto com a amilase na pancreatite aguda, porém, permanece alta por um período 
mais prolongado (7-10 dias). Possui sensibilidade igual à da amilase (85%), sendo mais específica 
(80%).A lipase também existe dentro do lúmen intestinal e as mesmas condições abdominais que 
fazem aumentar a amilase também podem fazer aumentar a lipase – em geral, essas condições 
também não aumentam mais que três vezes o limite da normalidade (normal: até 140 U/L; 3x o normal: 
> 450 U/L, variando conforme o método laboratorial usado. 
 
Não indicamos mais antibioticoprofilaxia aos pacientes com pancreatite aguda, nem mesmo para 
aqueles com pancreatite aguda grave e > 30% de necrose do pâncreas (como era feito antigamente), 
pois não parece haver nenhum benefício, aumentando inclusive o risco de infecções fúngicas. A 
antibioticoterapia, por outro lado, fica indicada aos pacientes com necrose infectada. 
 
A TC pode mostrar aumento focal ou difuso do pâncreas, borramento da gordura peripancreática e 
perirrenal, coleções líquidas peripancreáticas, pseudocistos e áreas não captantes de contraste 
indicativas de necrose. Possui elevada sensibilidade e especificidade, e pode, como vimos, esclarecer 
os casos de dúvida diagnóstica (aqueles em que a clínica é sugestiva, mas a dosagem de amilase e 
lipase não é confirmatória). 
 
Um paciente que estava vomitando por tempo prolongado e que se encontra desidratado não deve 
receber alimentação oral ou por SNE ou SNG, mas ser hidratado e receber antieméticos e pro-cinéticos 
inicialmente. Somente após um breve período de observação (12-24 horas) podemos perceber como 
está sendo a evolução do caso e decidir entre alimentar por via oral, enteral ou parenteral. 
 
A CPRE pode ser realizada nos casos de pancreatite biliar comprovada, com coledocolitíase, mas a 
colecistectomia só deve ser realizada após um período de tempo maior que 24 h, que tenha permitido 
confirmar a boa evolução do caso. 
 
Referência: 
 
Sabiston Textbook of Surgery. The. Biological Basis of Modern Surgical Practice. 21th ed. Philadelphia: 
Elservier. 2022 - Seção 10 - Capítulo 47 – abdome agudo / Capítulo 56 – Pâncreas exócrino. 
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22ª QUESTÃO 
Enunciado: 
Traumatismo cranioencefálico(TCE) constitui uma emergência médica com alta morbimortalidade, 
resultando em grandes impactos socioeconômicos. Dentre as alternativas abaixo, qual mostra a 
primeira prioridade no manejo clínico de um paciente com traumatismo cranioencefalico? 
Alternativas: 
 
(alternativa C) (CORRETA) 
Estabilização das vias aéreas, respiração e circulação(ABC). 
 
Resposta comentada: 
 
De acordo com o Protocolo ATLS 10ª edição, a primeira prioridade no manejo clínico de um paciente 
com traumatismo cranioencefálico (TCE) leve, moderado ou grave é a estabilização das vias aéreas, 
respiração e circulação (ABC). Garantir uma adequada oxigenação e perfusão cerebral é fundamental 
para prevenir a hipóxia e a hipotensão, que podem agravar o dano cerebral. Portanto, a ABC deve ser 
priorizada antes de outras intervenções no paciente com TCE. 
 
ATLS, Advanced Trauma Life Support. 10a Ed, 2018. 
 
23ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Paciente, 72 anos, deu entrada no ambulatório apresentando quadro de aumento do volume da bolsa 
escrotal à esquerda segundo ele há tanto tempo que não lembra mais. O mesmo relata que tem sentido 
dores mas que não está com qualquer outro sintoma. Ao analisar o paciente é visto que a hérnia toca a 
lateral do dedo na palpação do anel inguinal é que o mesmo não se apresenta dilatado. 
 
Para correção da hérnia, desse paciente, foi escolhida uma técnica sem tensão. Assinale a alternativa 
como o nome desse procedimento? 
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Alternativas: 
 
(alternativa E) (CORRETA) 
Lichtenstein. 
Resposta comentada: 
 
Das técnicas acima apenas Lichtenstein é sem tensão, as outras são com uso de tensão para o reforço 
da parede posterior. 
 
Referências: 
 
Sabiston e Atlas de cirurgia Zollinger. 
 
24ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Paciente do sexo masculino, branco, 36 anos, operário industrial, procurou o serviço queixando-se de 
um "caroço" nas costas com mais de 10 anos de evolução. A lesão era assintomática, e seu tamanho 
estava aumentando progressivamente desde o aparecimento. Negava história de trauma local. Ao 
exame, observou-se na região dorsal inferior direita um tumor de configuração ovoide, 10cm x 8cm, 
pouco móvel e de consistência firme e elástica. 
 
 
De acordo com as alternativas abaixo, qual é a provável hipótese diagnóstica que mais se encaixa com 
o caso? 
Alternativas: 
 
(alternativa E) (CORRETA) 
Hérnia de Petit. 
Resposta comentada: 
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Hérnia de Petit se localiza no triângulo lombar inferior. 
Hérnia de Grynfeld se localiza no triângulo lombar superior 
Hérnia de Spighel está localizada na parede anterior entre a borda lateral do músculo reto abdominal e a 
linha semilunar, abaixo da linha arqueada de Douglas. 
 
Hasselbach não é hipônimo de hérnia e sim do trígono onde se localiza as hérnias inguinais, que é 
formado pelo ligamento inguinal, vasos epigástricos inferiores e bainha do músculo reto do abdome. 
 
Referência: 
 
SABISTON, JR., D. C., TOWNSEND, M. C. Tratado de cirurgia. 20ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2019. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25ª QUESTÃO 
Enunciado: 
O trauma cirúrgico é capaz de induzir alterações conhecidas como resposta endócrino metabólica e 
imunológicas ao trauma. A avaliação pré-operatória é fundamental para evitar resposta exacerbada e 
deletéria após cirurgias eletivas. Entendendo a importância da avaliação ambulatorial pré-operatória, 
analise as situações clínicas e condutas ambulatoriais e assinale a alternativa correta. 
Alternativas: 
 
 
(alternativa B) (CORRETA) 
Paciente em programação de implante de cateter duplo J. Além do exame simples de urina precisará 
realizar urocultura. 
 
 
Resposta comentada: 
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Incorreta a alternativa “Paciente faz uso a dois meses de corticoide oral. Deve suspender o uso de 
corticoides 48 horas antes da cirurgia de prostatectomia radical.” O paciente que utiliza de forma crônica 
corticoides orais deve continuar o uso e realizar uma adaptação parenteral enquanto persistir a 
necessidade de jejum e retornar o uso assim que possível. 
 
 
Incorreta a alternativa: “Paciente hipertenso e faz uso de propranolol. Deve suspender o uso da 
medicação 48 horas antes do procedimento colecistectomia videolaparoscópica.” Não é indicado a 
interrupção de beta bloqueadores visto o risco de abstinência se interrupção. Caso necessário será 
indicada via parenteral. 
 
 
Incorreta a alternativa: “Paciente diabética que faz uso de metformina. Deve manter o uso da medicação 
até 8 horas antes da cirurgia histerectomia.” A metformina não deve ser administrada na noite e na 
manhã que precedem a cirurgia. Deve ser adotado protocolo para controle glicêmico com insulinas. 
 
 
Incorreta a alternativa: “Paciente em uso de sinvastatina a um mês. Deve interromper o uso por 7 dias 
antes da cirurgia de hernioplastia.” Não há evidencias de benefício na interrupção do uso das estatinas 
no pré-operatório. 
 
 
Correta a alternativa: “Paciente em programação de implante de cateter duplo J. Além do exame 
simples de urina precisará realizar urocultura.” Procedimentos onde ocorrerá a manipulação de vias 
urinárias e contato com urina há a necessidade de urocultura e tratamento da bacteriúria mesmo que 
assintomática. 
 
Referência: 
 
Protocolos em Anestesia. 14º edição. 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520455692/pageid/0. Acesso em: 06 mar. 
2024. 
 
 
 
 
 
26ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
Um homem, de 45 anos, é levado ao médico para um exame de acompanhamento. Há três semanas, 
foi internado e tratado de peritonite bacteriana espontânea. Ele tem cirrose hepática alcoólica e 
hipotireoidismo.Seus medicamentos atuais incluem espironolactona, lactulose, levotiroxina, 
sulfametoxazol-trimetoprima e furosemida. Ele parece doente. Sua temperatura é de 36,8°C, pulso é de 
77 bpm/min e pressão arterial é de 106/68 mm Hg. Ele encontra-se confuso. O exame físico mostra 
icterícia escleral e na pele. Há edema de MMII até os joelhos e vermelhidão das palmas das mãos 
bilateralmente. O tecido mamário parece aumentado e várias telangiectasias são visíveis no tórax e nas 
costas. O exame abdominal mostra veias tortuosas dilatadas na parede abdominal. Na percussão do 
abdome apresenta Piparote positivo. Os murmúrios vesiculares estão diminuídos em ambas as bases 
pulmonares. O exame cardíaco não mostra anormalidades. O tremor bilateral é observado quando os 
punhos estão estendidos. O exame genital mostra volume testicular reduzido de ambos os testículos. O 
toque retal e a proctoscopia mostram hemorroidas. 
 
Assinale a alternativa que indica a complicação que se observada neste paciente e que seria a 
indicação mais forte para a colocação de um shunt portossistêmico intra-hepático transjugular (TIPS). 
Alternativas: 
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(alternativa A) (CORRETA) 
Hemorragia digestiva alta recorrente por varizes. 
 
 
Resposta comentada: 
 
A hemorragia recorrente por varizes esofágicas decorrente da hipertensão portal é uma indicação 
para a colocação de TIPS. O TIPS pode aliviar a alta pressão venosa portal contornando 
o fígado congestionado através de um shunt da veia porta para a veia hepática. Este procedimento 
também é usado em pacientes com hemorragia aguda por varizes se o tratamento farmacológico e 
endoscópico de primeira linha não conseguir parar o sangramento. 
 
Após a colocação de TIPS, os pacientes correm maior risco de desenvolver encefalopatia 
hepática porque o sangue agora contorna o fígado, reduzindo a eliminação de amônia. 
 
Referência: 
 
Clínica cirúrgica / editores Joaquim José Gama-Rodrigues, Marcel Cerqueira Cesar Machado, Sarnir 
Rass lan. - Barueri, SP: Manole, 2008. 
 
27ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
A classificação de Nyhus para as hérnias de parede abdominal tem o propósito de promover uma 
linguagem comum e permitir comparações apropriadas entre os tipos de hérnias. 
 
Sobre o tema de hérnias da parede abdominal e a classificação de Nyhus, assinale a alternativa correta. 
Alternativas: 
 
(alternativa E) (CORRETA) 
As hérnias tipo IIIC são as hérnias femorais. 
Resposta comentada: 
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Hérnias tipo III são as que possuem defeito na parede posterior. 
Não há classificação IIID. 
As hérnias tipo II são as hérnias inguinais indiretas com anel inguinal interno dilatado. 
As hérnias tipo IVC são as hérnias femorais recidividas. 
Fonte: TOWNSEND, C.; BEAUCHAMP, R. D.; EVERS, B. M. et al. Sabiston: Tratado de cirurgia: a 
base biológica da prática cirúrgica moderna. 19. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. 2 v. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
A compreensão da fisiopatologia da hipertensão portal pode ter implicações terapêuticas, pois esses 
fatores podem representar alvos para o tratamento. Consciente desta premissa analise as seguintes 
informações: 
 
I - Estudos mostraram que o uso da somatostatina e seu análogo, o octreotide, tem resposta inferior 
comparado ao tratamento endoscópico nos casos de hemorragia aguda varicosa. 
II - A causa mais comum da hipertensão portal pré-hepática é a trombose da veia porta. 
III - Nos casos de hipertensão portal esquerda (trombose da veia esplênica), a esplenectomia isolada é 
o tratamento de escolha para reverter o problema. 
IV - Nos casos de hipertensão portal com hemorragia varicosa, o tratamento de emergência deve ser 
conservador ( não cirúrgico). 
 
Marque a alternativa que contenha apenas afirmativas corretas. 
Alternativas: 
 
(alternativa D) (CORRETA) 
II, III e IV. 
 
 
Resposta comentada: 
 
Estudos mostram que, nos casos de hemorragia varicosa, o uso da somatostatina ou o octeotride deve 
ser feito antes mesmo da endoscopia e tem resultado análogo no controle da hemorragia. 
 
 
Referência: 
 
SABISTON. Tratado de cirurgia, capítulo 54. 19ª edição. 
 
29ª QUESTÃO 
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Enunciado: 
 
Mulher, 26 anos, portadora de Lúpus, realizando tratamento contínuo com corticoides. Estava 
retornando da casa de seus avós quando sofreu um grave acidente automobilístico na estrada, sendo 
encaminhada a um pronto atendimento e necessitando de laparotomia exploradora para enterectomia 
com anastomose primaria, rafia de mesodelgado e esplenectomia. Cirurgia crítica com duração de 
cerca de 6 horas. Foi encaminhada para pós-operatório em leito de UTI e em ventilação mecânica. 
 
 
O que é esperado para o pós-operatório: 
Alternativas: 
 
(alternativa E) (CORRETA) 
em cenário de choque hipovolêmico refratário, cursando com hipotensão constante, deve-se introduzir 
suplementação com cortisona. 
Resposta comentada: 
 
A paciente, em questão, a despeito de ser jovem, possui comorbidade crônica com necessidade de uso 
crônico de corticoide. Soma-se ao fato de que a mesma foi submetida a cirúrgica de urgência. Podemos 
então pontuar alguns cenários presentes na situação de REMIT. 
 
Sabe-se que, logo após o trauma, inicia-se a ação dos hormônios glucagon, glicocorticoides e 
epinefrina. Ativa-se então o eixo simpaticoadrenal, visando manter a pressão arterial e o fluxo 
sanguíneo, necessários para a normalidade do sistema cardiovascular. 
 
Na população em geral, os níveis sanguíneos e urinários de cortisol permanecem elevados por 
semanas ou meses. Porém, em doentes com uso prolongado de corticosteroides por doenças 
crônicas, não ocorre o aumento sérico do cortisol do período pós-operatório. 
 
Esses pacientes frequentemente apresentam problemas hemodinâmicos, caracterizados porhipotensão 
e choque. Dessa forma, deve-se lembrar desse cenário e proceder à administração de doses 
adequadas de cortisona no período pós-operatório. 
 
Lembrar que o cortisol mobiliza os aminoácidos do músculo esquelético e estimula a gliconeogênese 
hepática. Ao mesmo tempo, ele inibe a captação de aminoácidos e a síntese proteica 
 
Referências: 
 
Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica moderna. 19. ed. Saunders. Elsevier. 
 
Medeiros, Aldo & Filho, Antonio. (2017). Resposta metabólica ao trauma. JOURNAL OF SURGICAL 
AND CLINICAL RESEARCH. 8. 56. 10.20398/jscr.v8i1.13036. 
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30ª QUESTÃO 
Enunciado: 
 
O Colangiocarcinoma é um tumor incomum que pode ocorrer em qualquer parte ao longo da árvore 
biliar intra ou extra-hepática. 
 
 
Qual das seguintes opções descreve uma abordagem terapêutica comum para o colangiocarcinoma? 
Alternativas: 
 
(alternativa B) (CORRETA) 
Transplante hepático como opção terapêutica para paciente com colangiocarcinoma intra-hepático, em 
estágio avançado. 
 
 
Resposta comentada: 
 
O transplante hepático é uma opção terapêutica para pacientes com colangiocarcinoma intra-hepático 
em estágio avançado e sem evidência de metástases extra-hepáticas. Esta abordagem pode oferecer 
uma chance de cura em alguns casos selecionados, especialmente quando a ressecção cirúrgica não é 
possível devido à extensão da doença ou a comorbidades subjacentes. O transplante hepático pode ser 
considerado em pacientes cuidadosamente selecionados, após uma avaliação abrangente e discussão 
multidisciplinar do caso. 
 
Referência: 
 
Towsend, Beauchamp, Evers, Mattox KL. SABISTON: tratado de cirurgia - a base biológica da prática 
cirúrgica moderna. 2 vol. 20ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019.

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