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1 CIDADE E MEIO AMBIENTE - TURMA 2º ANO - 2023 EFEITOS DO ANTROPOCENO - 2 ª ETAPA TEMA CENTRAL - EFEITOS DO ANTROPOCENO SUB-TEMAS : ➢História da Terra; ➢ Consumismo; ➢ Mineração, Agricultura e pecuária; ➢ Redução da biodiversidade; ➢ Exploração florestal; ➢ Atividade industrial; ➢ Descarte incorreto do resíduo sólido; ➢ Uso incorreto da água e do solo; ➢ Diferentes tipos de poluição; ➢ Modificação Genética; ➢ Problemas acerca do deslocamento de animais silvestres para áreas urbanas; ➢ Destruição de habitats e suas consequências; ➢ Mudanças climáticas e a extinção de animais silvestres; ➢ Indústria farmacêutica e a exploração/caça de animais; ➢ Derretimento das calotas polares e suas consequências. CIDADE E MEIO AMBIENTE - TURMA 2º ANO - 2023 NÚMERO DA APOSTILA______________ ELA PERTENCE AO ALUNO: _______________________________ 2º 5 ESCOLA ESTADUAL JUSCELINO KUBITSCHEK DE OLIVEIRA Diretor: Sidnei Cornélio Silva - Vice-diretores: Alessandra Lúcia, Ludmila Isabel, Douglas Moura Coordenação Pedagógica: Ana Paula, Nádia, Gisele, Selma Professor (a): Maria Valéria Componente curricular: CIDADE E MEIO AMBIENTE TURMA: 2º ANO 2 SUMÁRIO 1- CAPÍTULO 1 1.1 A FORMAÇÃO DA TERRA E OS SERES VIVOS -------------------------------------------------------------------------------------------3 1.2 O ANO GEOLÓGICO --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------4 1.3 ESTRUTURA DA TERRA --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 6 1.4 ERAS GEOLÓGICAS ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------6 1.5 QUAL É A ORIGEM DA HUMANIDADE SEGUNDO A CIÊNCIA?---------------------------------------------------------------------- 7 1.6 COMO OCORREU A EVOLUÇÃO HUMANA?-------------------------------------------------------------------------- ---- 7 2- CAPÍTULO 2 2.1 SER HUMANO NOS DIAS ATUAIS ----------------------------------------------------------------------------------------------------------8 2.2 O QUE É, ENTÃO, O SER HUMANO?-------------------------------------------------------------------------------------------------------9 3- CAPÍTULO 3 3.1 CONSUMISMO----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- --- 11 3.2 CAUSAS DO CONSUMISMO ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------11 3.3 CONSUMISMO, CAPITALISMO E GLOBALIZAÇÃO -------------------------------------------------------------------------------------12 3.4 CONSEQUÊNCIAS DO CONSUMISMO--------------------------------------------------------------------------------------------------- 12 3.5 CONSEQUÊNCIAS PARA O MEIO AMBIENTE -----------------------------------------------------------------------------------------12 3.6 CONSUMISMO NO BRASIL -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------12 3.7 DIFERENÇA ENTRE CONSUMISMO E CONSUMO -------------------------------------------------------------------------------------13 CAPÍTULO 4 4.1 O LIXO E SEU IMPACTO AMBIENTAL ----------------------------------------------------------------------------------------------------13 4.2 CULTURA DO LIXO --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------14 4.3 LIXO E SEU IMPACTOS AMBIENTAIS ----------------------------------------------------------------------------------------------------14 4.4 A CONTAMINAÇÃO DA ÁGUA ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- -14 4.5 A POLUIÇÃO DO AR ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------14 4.6 LEI SOBRE DESCARTE DE LIXO------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 15 4.7 COMO RESOLVER O PROBLEMA ---------------------------------------------------------------------------------------------------------15 5- CAPÍTULO 5 5.1 IMPACTOS AMBIENTAIS CAUSADOS PELA MINERAÇÃO ---------------------------------------------------------------------------15 5.2 PRINCIPAIS IMPACTOS AMBIENTAIS GERADOS PELA MINERAÇÃO --------------------------------------------------------------15 5.3 SÃO ESTES OS PRINCIPAIS IMPACTOS AMBIENTAIS CAUSADOS PELA MINERAÇÃO:----------------------------------------16 5.4 O QUE SÃO BARRAGENS DE REJEITO? --------------------------------------------------------------------------------------------------17 5.5 OS PRINCIPAIS IMPACTOS AMBIENTAIS ASSOCIADOS À MINERAÇÃO DE FERRO SÃO:-------------------------------------17 5.6 IMPACTOS AMBIENTAIS CAUSADOS PELA MINERAÇÃO DO OURO----------------------------------------------------------------18 6- CAPÍTULO 6 6.1 A AGROPECUÁRIA E OS PROBLEMAS AMBIENTAIS -----------------------------------------------------------------------------------19 7 - CAPÍTULO 7.1 PERDA DE BIODIVERSIDADE: QUAIS AS CAUSAS E AS CONSEQUÊNCIAS? -------------------------------------------------------20 7.2 O QUE É A BIODIVERSIDADE? -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 21 7.3 PORQUE É A BIODIVERSIDADE IMPORTANTE --------------------------------------------------------------------------------------------21 7.4 PRINCIPAIS CAUSAS PARA A PERDA DE BIODIVERSIDADE ------------------------------------------------------------------------------21 7.5 COMO A FALTA DA BIODIVERSIDADE PODE NOS AFETAR? -----------------------------------------------------------------------------21 7.6 A BIODIVERSIDADE É A BASE DA SAÚDE DO PLANETA E TEM UM IMPACTO DIRETO SOBRE A VIDA DE TODOS NÓS. ---22 7.7 O QUE PROMOVE A EXPLORAÇÃO FLORESTAL? ------------------------------------------------------------------------------------------22 7.8 SOLUÇÃO PARA A EXPLORAÇÃO FLORESTAL NO BRASIL ------------------------------------------------------------------------------- 22 8 -CAPÍTUO 8 8.1 OS IMPACTOS DA INDÚSTRIA NO MEIO AMBIENTE -------------------------------------------------------------------------------------23 9- CAPÍTULO 9 9.1 O QUE É O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL? ----------------------------------------------------------------------------------------24 9.2 QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS PREJUÍZOS DO DESCARTE DE LIXO NOS RIOS? ------------------------------------------------------- 25 3 9.3 QUAL A SITUAÇÃO DO DESCARTE DE LIXO NO PANORAMA BRASILEIRO? -------------------------------------------------------25 9.4 QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS PROBLEMAS CAUSADOS PELO DESCARTE INADEQUADO DE LIXO? -----------------------------25 9.5 QUAL É A PUNIÇÃO LEGAL PARA QUEM JOGA LIXO NOS RIOS? ---------------------------------------------------------------------26 9.6 COMO A SOCIEDADE PODE CONTRIBUIR PARA EVITAR O DESCARTE DE LIXO NOS RIOS? -----------------------------------26 9.7 QUAL É A SOLUÇÃO PARA O DESCARTE INCORRETO DO LIXO? ---------------------------------------------------------------------26 9.8 COMO É FEITA A DESPOLUIÇÃO DE RIOS? ------------------------------------------------------------------------------------------------27 CAPÍTULO 10 10.1 POLUIÇÃO DO SOLO ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------27 10.2 QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS TIPOS DE POLUIÇÃO? --------------------------------------------------------------------------------------28 10.3 QUAIS SÃO OS IMPACTOS DA POLUIÇÃO NA SOCIEDADE? --------------------------------------------------------------------------30 10.4 POLUIÇÃO GENÉTICA -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------3010.5 OGM E TRANSGÊNICOS ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------31 10.6 COMO OS TRANSGÊNICOS PODEM AFETAR O MEIO AMBIENTE? -----------------------------------------------------------------31 CAPÍTULO 11 11.1 DESCARTE INCORRETO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS ---------------------------------------------------------------------------------------31 11.2 DESTINO CORRETO DO LIXO------------------------------------------------------------------------------------------------------------------32 11.3 LIXO ELETRÔNICO ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- -33 11.4 OUTROS TIPOS DE RESÍDUO -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------33 11.5 FORMAS DE CONTAMINAÇÃO GENÉTICA ------------------------------------------------------------------------------------------------33 11.6 INVASÕES BIOLÓGICAS, EROSÃO GENÉTICA E O GENE EXTERMINADOR ---------------------------------------------------------34 11.7 O PERIGO DA POLUIÇÃO GENÉTICA PARA A SOBERANIA ALIMENTAR ------------------------------------------------------------34 11.8 COMO O RISCO DA POLUIÇÃO GENÉTICA PODE SER MINIMIZADO? --------------------------------------------------------------34 CAPÍTULO 12 12.1 DESTRUIÇÃO DE HABITAT --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------34 12.2 AQUECIMENTO GLOBAL E A EXTINÇÃO DE ESPÉCIES ---------------------------------------------------------------------------------36 12.3 QUAIS ESPÉCIES CORREM RISCO DE EXTINÇÃO EM RAZÃO DO AQUECIMENTO GLOBAL? -----------------------------------37 12.4 A EXPLORAÇÃO ANIMAL NAS INDÚSTRIAS DE COSMÉTICOS ------------------------------------------------------------------------38 CAPÍTULO 13 13.1 CALOTAS POLARES: QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS DE SEU DERRETIMENTO? -------------------------------------------------------38 13.2 QUAIS AÇÕES ACELERAM O DERRETIMENTO DAS CALOTAS POLARES? -------------------------------------------------------------39 4 Capítulo 1 1.1 A formação da Terra e os seres vivos Uma das primeiras formas de vida, os Trilobitas, Para alcançar o nível de evolução no qual encontra o planeta hoje, foi preciso milhões de anos para que esse se configurasse e pudesse oferecer condições para o desenvolvimento da vida. Segundo a classe de cientistas a Terra está datada de 4,5 a 5,0 bilhões de anos. Ao longo de sua formação o planeta já possuiu diferentes características em consistência e principalmente em temperatura, houve períodos com temperaturas extremamente elevadas, e supostamente o planeta passou por processo de glaciação. Em forma de retrospectiva, segue os principais eventos que marcaram a formação do planeta e de seus habitantes, os seres vivos. 1º evento: Formação da Terra há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, nesse período o planeta era extremamente quente equivalente a uma imensa bola de fogo, não abrigando nem uma forma de vida. 2º evento: Passados milhões de anos após a formação do planeta, a Terra entrou em um processo de resfriamento gradativo, essa alteração originou uma estreita camada de rocha em toda a Terra. 3º evento: Com as mudanças ocorridas na temperatura do planeta, que foi se resfriando, foi expelida do interior da Terra uma imensa quantidade de gases e vapor de água. Esse processo fez com que os gases formassem a atmosfera e o vapor de água favoreceu o surgimento das primeiras precipitações, um longo tempo de chuva ocasionou a formação dos oceanos primitivos, que possuíam cerca de 20 cm de profundidade. 4º evento: A formação dos oceanos foi fundamental para o surgimento da vida no planeta, pois a origem da vida veio dos seres aquáticos. Dessa forma surgiram primeiramente no plantae as bactérias e algas, além de microrganismos, isso há cerca de 3 bilhões e 500 milhões de anos. 5º evento: Essas primeiras formas de vida foram importantes para o surgimento de outros seres. Surgiram então, oriundos dos microrganismos, os invertebrados dentre eles medusas, trilobitas, caracóis e estrela-do-mar, além disso, desenvolveram plantas tais como as algas verdes, todos os seres vivos desse momento habitavam ambientes marinhos. 6º evento: Pouco tempo depois algumas espécies de plantas marinhas desenvolveram a capacidade de se adaptar fora do ambiente aquático migrando para áreas continentais, dando origem às primeiras plantas terrestres. 7º evento: Os animais terrestres tiveram sua origem a partir do momento que algumas espécies de peixes saíram da água dando origem aos anfíbios e posteriormente aos répteis. Houve um tempo no qual o planeta Terra ficou povoado por grandes répteis denominados de dinossauros, esse ficou caracterizado como o Período Jurássico. O período permiano deu origem às plantas com flores e os 5 mamíferos. Os grandes répteis foram extintos há 70 milhões de anos. 8º evento: Há aproximadamente 65 milhões de anos teve início a formação das grandes cadeias de montanhas como o Himalaia e os Alpes. Os animais como os mamíferos e as aves proliferaram por todo o planeta, a atmosfera já possuía as mesmas características atuais. 9º evento: Há aproximadamente 4 milhões de anos surgiram os ancestrais dos seres humanos, o planeta a partir de então entrou em períodos de muito frio ocasionados pelo crescimento das geleiras, no entanto, há 11 mil anos as geleiras se fixaram nas zonas polares. 1.2 O ano geológico Os 4,5 bilhões de anos de idade do nosso planeta são um intervalo de tempo tão grande que é impossível a um ser humano captar seu real significado. Aliás, nem mesmo 1 milhão de anos podemos conceber o que seja. Por isso, uma das maneiras de torná-lo algo mais real e assimilável é comprimi-lo no intervalo de um ano, este, sim, um fragmento de história que conseguimos entender bem. Assim, fazendo, obtém-se, por exemplo, as seguintes datas: • 1º de janeiro – início da formação da Terra. • 24 de fevereiro – formação das primeiras rochas. • 24 de fevereiro a 17 de março – a Terra é muito bombardeada por meteoritos. • 17 de março a 18 de abril - surgem os primeiros continentes. Em 28 de março já existem bactérias. • 18 de abril a 20 de maio – formam-se estromatólitos por toda a Terra. • 20 de maio a 13 de junho - há bacias sedimentares, evidências de fraturas intracontinentais, colisões entre continentes e eventos orogênicos de âmbito global bem disseminados. • 13 de junho a 24 de agosto - surgem os primeiros seres eucariontes. • 24 de agosto a 12 de outubro - surge a reprodução animal sexuada. • 12 de outubro a 17 de novembro – surge a biota Ediacarana, entre 10 e 17 de novembro. • 17 a 22 de novembro - o clima é suave em todo o mundo. Surgem os anelídeos, artrópodes, braquiópodes, equinodermos, moluscos e esponjas, entre outros anmais. Domínio dos trilobitas e dos braquiópodes. Vegetais são representados apenas por algas marinhas, não havendo cobertura vegetal na Terra. • 22 a 25 de novembro - clima mostra temperaturas médias e atmosfera muito úmida. No final do período, porém, formaram-se grandes geleiras, provável causa do desaparecimento de cerca de 60% de todos os gêneros e 25% dos invertebrados marinhos de todas as famílias. Aparecem os primeiros animais gigantescos, artrópodes marinhos com 2 metros, e os primeiros peixes sem mandíbula e com pares de nadadeiras. http://pt.wikipedia.org/wiki/Anel%C3%ADdeos http://pt.wikipedia.org/wiki/Artr%C3%B3podes http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Braqui%C3%B3podes&action=edit&redlink=1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Equinodermos http://pt.wikipedia.org/wiki/Moluscos http://pt.wikipedia.org/wiki/Invertebrado http://pt.wikipedia.org/wiki/Peixe 6 • 25 a 28 de novembro - derretimento das calotas polares e elevação do nível dos mares.Surgem recifes de corais e os primeiros peixes com mandíbula. Os artrópodes invadem o ambiente terrestre e, no final do período, aparecem animais e plantas em áreas continentais. Surgem os amonites. • 28 de novembro a 2 de dezembro - aparecem plantas de pequeno porte e os corais atingem o apogeu. Surgem os primeiros anfíbios. Insetos têm grande desenvolvimento e peixes começam a deixar a água, com transformação de nadadeiras em quatro patas. • 2 a 7 de dezembro - formação de grandes jazidas de carvão. Nos últimos dias desse intervalo, os répteis adquirem a capacidade de se reproduzir em terra. • 7 a 11 de dezembro - os continentes unem-se e formam a Pangéia. Fauna terrestre é dominada por insetos semelhantes a baratas e animais que não são nem répteis nem mamíferos (os Synapsida). Nas águas doces, há anfíbios gigantes e no mar, tubarões primitivos, moluscos cefalópodes, braquiópodes, trilobitas e artrópodes gigantescos são os animais dominantes. Únicas criaturas voadoras são parentes gigantes das libélulas. Flora Glossopteris. Répteis como o Mesosaurus. No fim do intervalo, extinção de 95% da vida na Terra, acabando com os trilobitas, mas permitindo desenvolvimento dos répteis. • 11 a 15 de dezembro - América do Sul é um vasto deserto arenoso. Os répteis dividem-se em muitos grupos e ocupam diversos habitats. Surgem os primeiros dinossauros e os primeiros mamíferos ovíparos. Florescem as coníferas. • 15 a 19 de dezembro - Pangéia começa a se dividir. As maiores formas de vida são os répteis marinhos (ictiossauros, plesiossauros e crocodilos), bem como os peixes. Em terra, os grandes répteis (arcossauros) permanecem dominantes. No ar, desenvolvem-se os primeiros pássaros e os pterossauros são comuns. Surgem plantas com flores. • 19 a 25 de dezembro - os continentes começam a adquirir a atual conformação e os dinossauros alcançaram seu apogeu, sofrendo, porém, uma extinção em massa às 18 h do dia 25. Surgem mamíferos placentários primitivos e plantas com flores. • 25 a 29 de dezembro – surgem os mamíferos modernos, extinguindo-se as espécies arcaicas. • 29 a 31 de dezembro - expansão dos mamiferos de grande porte, embora muitos tenham tenham sido extintos, e aparecimento dos hominideos primitivos, que usavam ferramentas. O Homo sapiens surge no dia 31 de dezembro, às 23h 36min 51s. A Terra no futuro As gravuras abaixo mostram como os cientistas imaginam como será: Terra daqui a 50 milhões de anos. Terra daqui a 100 milhões de anos. http://pt.wikipedia.org/wiki/Amonite http://pt.wikipedia.org/wiki/Anf%C3%ADbio http://pt.wikipedia.org/wiki/Barata http://pt.wikipedia.org/wiki/Synapsida http://pt.wikipedia.org/wiki/Cefal%C3%B3pode http://pt.wikipedia.org/wiki/Braqui%C3%B3pode http://pt.wikipedia.org/wiki/Trilobita http://pt.wikipedia.org/wiki/Artr%C3%B3pode http://pt.wikipedia.org/wiki/Lib%C3%A9lula http://pt.wikipedia.org/wiki/Glossopteris http://pt.wikipedia.org/wiki/Vida http://pt.wikipedia.org/wiki/Terra http://pt.wikipedia.org/wiki/Dinossauro http://pt.wikipedia.org/wiki/Mam%C3%ADfero http://pt.wikipedia.org/wiki/Ov%C3%ADparo http://pt.wikipedia.org/wiki/Ictiossauro http://pt.wikipedia.org/wiki/Plesiossauro http://pt.wikipedia.org/wiki/Crocodilo http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1ssaro http://pt.wikipedia.org/wiki/Pterossauro http://pt.wikipedia.org/wiki/Plantae http://pt.wikipedia.org/wiki/Flor http://pt.wikipedia.org/wiki/Dinossauro http://pt.wikipedia.org/wiki/Mam%C3%ADferos http://pt.wikipedia.org/wiki/Placenta 7 Terra daqui a 250 milhões de anos. 1.3 Estrutura da Terra A estrutura da Terra está constituída por três partes principais: crosta terrestre, manto e núcleo (externo e interno). "As camadas da Terra são três: crosta, manto e núcleo. Elas compõem a estrutura interna do nosso planeta e possuem particularidades que as definem, como composição química, densidade e temperatura. Entre cada uma das camadas existe uma faixa de transição que recebe o nome de descontinuidade. As diferentes camadas constituem corpos dinâmicos que apresentam processos internos próprios e também interagem entre si, resultando muitas vezes em fenômenos sentidos e observados na superfície terrestre, como abalos sísmicos, transformações no relevo e vulcanismo." 1.4 Eras Geológicas O planeta Terra tem 4,53 bilhões de anos. Neste tempo todo, muitas mudanças ocorreram. Estas grandes transformações sofridas pela Terra são divididas em tempos geológicos. Esta escala de tempo, que se preocupa com as mudanças geológicas da Terra, é medida em milhões de anos. São quatro divisões principais que constituem a escala geológica de tempo: https://www.estudopratico.com.br/camadas-terra/ 8 Éon, Era, Período e Época. Dentre estes, o Éon é o que representa a maior porção de tempo, seguido das Eras, Período até chegar às Épocas, que são momentos do tempo geológico a partir da Era Mesozoica. As Eras geológicas contam a história evolutiva do planeta Terra. São marcadas por características específicas das mudanças pelas quais o planeta passava naquele momento histórico. Elas estão descritas na Tabela Estratigráfica Internacional, onde também são registradas mudanças que possam ocorrer a partir de descobertas científicas. 1.5 Qual é a origem da humanidade segundo a ciência? A hipótese científica mais aceita atualmente para a origem da humanidade é de que a espécie humana moderna (chamada de Homo sapiens) surgiu na África, há cerca de 200 mil anos, depois de um processo evolutivo de milhões de anos. Segundo informações da Human Origins Program (Programa Origens Humanas) do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian (Estados Unidos), antes do homem moderno, outros hominídeos já ocupavam o planeta. O programa afirma que a maioria dos cientistas reconhece cerca de 15 a 20 espécies diferentes de humanos primitivos. No entanto, não há concordância sobre como essas espécies estão relacionadas ou quais delas simplesmente se extinguiram. 1.6 Como ocorreu a evolução humana? Acredita-se que os primeiros hominídeos (linhagem Homo) evoluíram de um ancestral comum entre os grandes primatas de hoje, que viveu entre 8 e 6 milhões de anos atrás, de acordo com o Smithsonian. Algumas espécies como o Australopithecus garhi, Australopithecus sediba, Australopithecus africanus, e Australopithecus afarensis, são apontadas como ancestrais ou irmãs dos hominídeos. Cerca de dois milhões de anos atrás, teria surgido, então, o primeiro exemplar dos hominídeos, o Homo habilis. Ele também seria o primeiro da linhagem a ser capaz de usar ferramentas, de acordo com dados da Enciclopédia da Vida, mantida pelo Museu Nacional de História Natural do Smithsonian. Em seguida na linha evolutiva há o surgimento do Homo erectus, que tinha uma forma de andar e proporções corporais mais próxima a dos humanos modernos. O H. erectus foi a primeira espécie humana a exibir uma face plana, nariz proeminente e, possivelmente, uma cobertura mais escassa de pêlos corporais. Também é nesse momento que os hominídeos começam a dominar o uso do fogo. Mas um não teve que ser extinto para o outro surgir. Segundo a Enciclopédia, foi descoberto que o H. habilis e H. erectus coexistiram por cerca de meio milhão de anos, sugerindo que H. erectus não evoluiu imediatamente do H. habilis, mas sim de um ancestral comum. Um crânio neandertal, um dos mais completos encontrados até agora, permanece próximo a esqueletos humanos. Museu de l'Homme, Paris, França. Humanos migraram da África para o mundo Até então, a evolução humana acontece inteiramente no continente africano. Segundo o programa do Smithsonian, todos https://www.estudopratico.com.br/era-mesozoica-caracteristicas-e-divisoes/ https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/05/dente-de-hominideo-misterioso-adiciona-novo-capitulo-a-historia-humana https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2022/05/dente-de-hominideo-misterioso-adiciona-novo-capitulo-a-historia-humanahttps://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2018/05/ferramentas-de-700-mil-anos-apontam-para-misterioso-ancestral-humano https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2017/12/ancestral-humano-de-36-milhoes-de-anos-e-revelado-ao-publico https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2021/12/pegadas-antigas-sugerem-existencia-de-parente-misterioso-dos-humanos 9 os fósseis dos primeiros seres humanos, que viveram entre seis e dois milhões de anos atrás, vêm da África. A migração dos hominídeos pelo planeta começou, provavelmente, entre dois milhões e 1,8 milhões de anos atrás, conta o Programa Origens Humanas. Os primeiros humanos partiram da África primeiramente para a Ásia e, um pouco mais tarde (entre 1,5 milhões e 1 milhão de anos atrás), chegaram à Europa. (Veja também: DNA de fósseis encontrados no Brasil, incluindo o povo de Luzia, reescrevem a história da ocupação das Américas) Graças às diferenças de clima enfrentadas nos novos habitats, o gênero Homo continuou sua evolução. Há cerca de 500 mil anos, na Eurásia, surge o Homo neanderthalensis (nome que significa pessoa do vale de Neander), também conhecidos como neandertais. Eles eram mais fortes, mais baixos e robustos do que os humanos modernos, uma adaptação à vida em ambientes frios, segundo o Programa Origens Humanas. Mas os seus cérebros eram tão grandes como os nossos e, muitas vezes, até maiores, de forma a serem proporcionais a seus corpos mais musculosos. O programa do Smithsonian também diz que os neandertais controlavam o fogo, viviam em abrigos e ocasionalmente faziam arte e objetos simbólicos ou ornamentais. Há, por exemplo, evidências de que os neandertais enterravam deliberadamente seus mortos e, ocasionalmente, até marcavam seus túmulos com oferendas, como flores. Nenhuma espécie humana anterior havia praticado esse comportamento sofisticado e simbólico. O R I G E M D A H U M A N I D A D E Conheça esta história que começa aproximadamente 7 milhões de anos atrás e ainda é envolta em muitos mistérios. Quando surgiu o Homo sapiens Simultaneamente à existência dos neandertais, o Homo sapiens (nome que significa “pessoa sábia” em latim) evoluiu na África, durante uma época de mudanças climáticas dramáticas, há cerca de 300 mil e 200 mil anos atrás, de acordo com o Smithsonian. Mas os humanos modernos não surgiram tão desenvolvidos como são hoje. O programa do Museu Nacional de História descreve que as habilidades que definem a “sabedoria” do H. sapiens, como a linguagem, a vivência em grandes grupos, o cozimento de alimentos e a agricultura foram desenvolvidas ao longo de milhares de anos. Entre 14 mil e 8 mil anos atrás, os humanos passaram por um grande processo de sedentarização conhecido como "Revolução Agrícola” (ou Revolução Neolítica). Esse processo se dá no momento em que o H. sapiens deixa de ser nômade e passa a se assentar em terras, plantar alimentos e domesticar animais. Segundo o Smithsonian, é a partir desse processo que os humanos começam a transformar as paisagens naturais da Terra. CAPÍTULO 2 2.1 SER HUMANO NOS DIAS ATUAIS O HOMEM, QUE REALIDADE É ESSA? As pessoas sempre quiseram viver em grupo? O que moveu os indivíduos a se agruparem? https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2020/09/pegadas-antigas-encontradas-arabia-saudita-migracao-humana https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2018/11/dna-estudo-fossil-fosseis-luzia-brasil-estreito-bering-america-eua-estados-unidos-clovis-povos-ocupacao-migracao-lagoa-santa-minas-gerais https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2018/11/dna-estudo-fossil-fosseis-luzia-brasil-estreito-bering-america-eua-estados-unidos-clovis-povos-ocupacao-migracao-lagoa-santa-minas-gerais https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/exames-de-dna-revelam-um-parente-dos-seres-humanos-com-dentes-gigantes https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2018/02/encontrada-arte-rupestre-mais-antiga-do-mundo-feita-por-neandertais https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2019/10/estudo-controverso-aponta-a-origem-do-homem-moderno https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2019/10/estudo-controverso-aponta-a-origem-do-homem-moderno https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2020/06/rosto-de-mulher-de-75-mil-anos-revela-os-primeiros-humanos-de-gibraltar 10 As pessoas vivem em grupos. Essa constatação não representa a realidade total da evolução do ser humano nem da sociedade humana; também não esgota as características do ser humano, hoje visto e entendido como ser de relações. Outras questões precisam ser respondidas: as pessoas sempre viveram e sempre quiseram viver em grupo? O que moveu os indivíduos a se agruparem? Parece que não é errado dizer que nem sempre os seres humanos viveram em grupo, formando o que chamamos de sociedade. Também não erramos quando afirmamos que o ser humano está, constantemente, insatisfeito. E se está insatisfeito é porque possui necessidades. Essa parece ser a principal e, talvez, primeira explicação para a organização das sociedades humanas. A satisfação das necessidades. Sendo assim podemos dizer que as pessoas gostam de estar sozinhas, mas vivem em grupos. Gostam de estar sozinhas porque a solidão permite liberdades que não é possível no grupo. Mas necessitam do grupo porque nem tudo de que precisam conseguem isoladamente. A associação ocorre, portanto, não porque o ser humano é, essencialmente, gregário, mas é segregacionista, é sectério, e se agrupa por necessidade de sobrevivência. O grupo, portanto, nasce dos interesses pessoais e das necessidades dos indivíduos. 2.2 O que é, então, o ser humano? Sabemos, inicialmente, que o ser humano é um animal que ganhou a classificação de racional. Aristóteles lhe afirmou mais uma característica: é político, de onde a característica da sociabilidade. Racional porque consegue abstrair e aprender com as experiências. E, mais do que aprender, consegue reproduzir e ampliar as aplicações das experiências adquiridas. Isso porque aprendeu a raciocinar. É, além disso, político porque vive, sobrevive e explora as relações sociais. Embora, como dissemos antes, goste do isolamento, prefere viver em grupo. O grupo, portanto, não é essencial, mas opção: para satisfazer suas necessidades, para satisfazer seus desejos, para superar seus medos, para superar suas fraquezas. Nisso podem ser observadas mais algumas das características desse ser chamado homem. Diferentemente dos demais animais, o humano é frágil, desprovido de garras ou pele resistente aos ataques dos predadores e intempéries. Essa fragilidade produziu e ajudou no desenvolvimento de outra característica: o medo. Como mecanismo de superação dos medos os humanos desenvolvem mecanismos para conviver ou para superar adversidades da natureza. Um desses mecanismos é a vida grupal. Os humanos, portanto, vivem em grupo, entre outros motivos, porque assim se protegem mutuamente. Tanto para enfrentar a natureza como para atingir objetivos comuns. O grupo passa ser um mecanismo de defesa. Os humanos aproveitam-se de suas fraquezas para produzir forças. A força do grupo nasce de uma característica muito marcante do ser humano: a capacidade de tirar benefício dos demais membros do grupo, o que indica outra característica do humano: o egocentrismo, sendo que o grupo aparece como refúgio, fortaleza e espaço de onde o indivíduo tira proveito e benefícios. As relações grupais não estão para o grupo, mas para os indivíduos do grupo. Trata-se, portanto, de uma relação interesseira. Dessa forma é que devemos entender a característica humana da sociabilidade. A sociabilidade, ou a capacidade de o ser humano viver, sobreviver e existir em coletividade parece ser o que mais bem o caracteriza. Entretanto aqui precisamos fazer uma ressalva. Não nos parece que os humanos sejam, essencialmente, seres sociais, mas se fazem sociais a partir de suas necessidades e para superar seus medos. Dizendo de outraforma, o ser humano é um ser sectário e tende a se isolar e a viver isolado. Socializa-se 11 porque se percebe impotente diante da natureza, mais forte que ele. E, por ter medo de não sobreviver procura ajuda dos seus semelhantes. Assim se faz sociável numa atitude tipicamente egocêntrica, medrosa e aproveitadora. Para fugir de seus medos e disfarçar sua fraqueza aproveita-se da fraqueza dos seus semelhantes. Assim sendo os indivíduos usam a sociedade como caminho, preparação, para o isolamento, depois de se aproveitar das fraquezas dos outros seres, como ele, fracos e medrosos. Além disso, o ser humano se percebe no mundo e se vê completamente diferente das demais realidades existentes. Em todas as correntes de filosofia encontramos a mesma afirmação: o ser humano é pensante. É ele quem dá sentido a existência dos existentes. Dá sentido porque pensa, porque se socializa e porque manipula os elementos da realidade, gerando cultura. Além disso, e sem entrar no mérito da discussão religiosa, pode-se dizer que o ser humano transcende à realidade humana. Pensar não é só o que se pode entender etimologicamente, com a palavra, dizendo que ser humano é capaz de pesar, avaliar. Esse pensar refere-se também à capacidade humana de fazer escolhas. O ser humano é aquele que avalia, escolhe, e faz isso a partir de um processo reflexivo que exige uma postura introspectiva. Esta por sua vez deriva da capacidade de abstração. Na verdade quando se diz que o ser humano é capaz de pensar pretende-se afirmar que ele é capaz de falar sobre as realidades com as quais não está em contato imediato. Ele pode representá-las, mentalmente e nisso se dá um processo de reflexão, pois se trata de “voltar a ver” o que não está presente. Essas características (pensamento, abstração, manipulação...) permitem, que o ser humano produza o que chamamos de progresso humano (outro nome da cultura). O progresso é resultante da vida social, da superação dos medos e dos desafios. O progresso humano pode ser visto como resultado da capacidade humana de resolver problemas (capacidade reflexiva-pensante) e de se associar a outros humanos para fortalecer suas fraquezas diante das realidades mais fortes e que demandam inteligência (ler o interior das realidades) e ação conjunta. Progredir implica em superar as limitações humanas e naturais em benefício do grupo e, consequentemente, em benefício dos indivíduos. O progresso ganha sentido, como toda ação humana, não em si mesmo, mas pelo benefício que produz. Daí o sentido da produção humana. O ser humano manipula o mundo e gera cultura. Ou seja, diferentemente de outras criaturas, a humana se autoproduz reproduzindo o meio que o circunda. Recria o mundo natural que o circunda e recria o já criado, dando-lhe novo significado. Sua insatisfação o leva a ressignificar as realidades mesmo as que já possuem significado; recria a utilização e a utilidade das realidades mesmo as que já têm significado e utilidade consagrada. Graças a essa capacidade recriadora o ser humano pode produzir o mundo e reproduzir o que existe. Com isso dinamiza não só sua existência como as realidades que o circundam e seus concidadãos. Nesse 12 processo cria ou recria a cultura uma das marcas mais tipicamente humanas, pois, principalmente por essa capacidade de recriar a cultura, o ser humano se diferencia dos demais existentes. Capítulo 3 3.1 Consumismo O que é o consumismo? Consumismo significa fazer compras em excesso. A expressão é usada para identificar o comportamento ou tendência de uma pessoa em exagerar nos hábitos de consumo ou em fazer compras por impulso. Esse comportamento pode se caracterizar pelo desenvolvimento de uma conduta compulsiva, em que a pessoa consome objetos, serviços ou alimentos de maneira exagerada e sem refletir sobre a real necessidade de fazer uma compra. Assim, quando se fala em consumismo, refere-se ao investimento em produtos que não são necessários, ou seja, itens supérfluos. Quem tem esse tipo comportamento é chamado de consumista. 3.2 Causas do consumismo Para entender as causas do consumismo, é preciso compreender um pouco sobre as razões que levaram ao seu surgimento. O crescimento dos hábitos de consumo acontece após o aumento da produção industrial, o que ocorre a partir da Revolução Industrial, momento em que foram feitos mais investimentos na produção de serviços. Com o investimento na produção, a quantidade de mercadorias disponíveis para os consumidores cresceu cada vez mais. E para vender o que era produzido, foi preciso estimular o desejo de compra nos consumidores. 13 Por consequência disso, os hábitos de consumo foram cada vez mais incentivados e crescentes. Com o passar do tempo, o ato de consumir passou a ser associado a ideias positivas, como felicidade, sentimento de satisfação ou de ser bem-sucedido. 3.3 Consumismo, capitalismo e globalização Por essas razões, o consumismo é considerado um dos problemas originados pela existência do sistema capitalista, estando presente em todas as sociedades contemporâneas. Outro fator que contribui para o consumismo é a globalização, já que ela faz com que diferentes produtos sejam facilmente encontrados em todas as partes do mundo. O fácil acesso a muitos produtos também colabora para o estímulo ao consumo desenfreado. Além do crescimento da produção industrial e da expansão do sistema capitalista, há o surgimento do mercado da publicidade. Juntamente com os meios de comunicação, que chegam facilmente a todas as pessoas, ela também influenciou o aumento do consumo. A partir do crescimento do consumo surgiu a expressão sociedade de consumo, que representa a relação existente entre o comportamento consumista e o capitalismo. Na sociedade de consumo, a produção de bens e serviços é excessiva em relação à necessidade e demanda dos consumidores.. 3.4 Consequências do consumismo Com o passar do tempo, o aumento do consumo alterou o estilo de vida das pessoas. Hoje, sabe-se que o consumismo pode gerar inúmeras consequências, como o endividamento e o aparecimento de doenças como ansiedade e depressão. 3.5 Consequências para o meio ambiente O consumismo também causa danos ao meio ambiente, como excesso de produção de lixo, além da grande quantidade de poluição gerada pelas indústrias. Atualmente, já se sabe que o consumo em excesso não é uma alternativa sustentável e causa severos impactos ao meio ambiente. O lixo eletrônico é um problema mais recente ligado ao aumento do consumo. Hoje em dia, o consumo de produtos eletrônicos é cada vez mais crescente e a durabilidade destes produtos não é tão extensa. Isso acontece principalmente em razão da obsolescência programada (diminuição da vida útil de um produto para estimular o consumo de novas mercadorias). 3.6 O consumismo no Brasil O país acompanha a tendência mundial do consumo em excesso. Há pesquisas que apontam que somente 24% dos consumidores se consideram conscientes em relação a seus próprios padrões de consumo. Dados levantados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas também demonstram que 55% das pessoas se consideram em transição em relação ao consumo, ou seja, são as pessoas que têm refletido sobre o impacto e a necessidade de suas compras. 14 Outra pesquisa, da ONG Akatu, revela que, em relação à motivação para repensar hábitos de consumo, os moradores das regiões norte, nordeste e centro-oeste sentem-se mais estimulados por motivos concretos (em benefício de gerações futuras, pela sustentabilidade e pelo impacto social, por exemplo). Já os moradores da região sudeste, repensam seus hábitos por razões emocionais (economia própria, desejo de uma vida mais simples e mais benefícios à saúde). 3.7 Diferença entre consumismo e consumo Consumismo e consumo se referem ao ato de comprar, mas os termos possuem diferenças em seus significados. O consumismo é a tendência ou hábito de fazer comprasem excesso, ou seja, além das necessidades ou sem um propósito específico. Já consumo, significa o ato de comprar ou adquirir um bem ou um serviço, por exemplo. Entretanto, diferente do consumismo, não significa necessariamente um comportamento exagerado. Lowsumerism O lowsumerism, formado pelas palavras low e consumerism, pode ser traduzido como “pouco/baixo consumo”. É um movimento surgido mais recentemente que busca levar as pessoas a refletir sobre seus hábitos de consumo. O lowsumerism não propõe apenas a redução do consumo, o mais importante é levar as pessoas a terem consciência sobre o papel que o consumo tem em suas vidas. São reflexões propostas pelo movimento: • questionar a real necessidade de adquirir um novo bem, • estimular a criatividade para reutilizar produtos e objetos, • praticar hábitos de consumo mais sustentáveis, • refletir a respeito das políticas de fabricação das empresas de quem costuma consumir, • questionar a qualidade e a quantidade da informação consumida, • perceber quais são os impactos ambientais gerados pelos atos de consumo. Capítulo 4 4.1 O lixo e seu impacto ambiental 15 O lixo (também chamado de resíduo) é considerado um dos maiores problemas ambientais da nossa sociedade. A população e o consumo per capita crescem e, junto com eles, a quantidade de resíduos produzidos. Na maioria das vezes, o lixo não é descartado de maneira correta e pode resultar em diversos problemas para o meio ambiente, como contaminação da água, do solo e até mesmo do ar. Veja nesse texto um pouco mais sobre o lixo e o impacto ambiental que ele ocasiona. 4.2 Cultura do lixo Em nosso país, a população em geral não apresenta uma cultura de interesse no destino dos resíduos, residindo a maior preocupação na necessidade de um serviço de recolhimento. Uma vez recolhidos pelo serviço público de coleta, para muitos o problema já está resolvido. Esta cultura tem como consequência a falta de interesse em fazer uma redução significativa na geração de lixo, como base para a gestão sustentável. As pessoas não pensam na preservação dos recursos naturais e não têm interesse nos mecanismos de eliminação, a menos que eles representem uma ameaça para a saúde. No entanto, devemos lembrar que somos todos consumidores e responsáveis pelos resíduos que geramos em relação à qualidade e à quantidade. Portanto, também temos um papel fundamental na geração de resíduos e em seu destino final. 4.3 Lixo e seu impactos ambientais Materiais não renováveis Um dos maiores problemas é o consumo de energia e materiais que são usados para fazer embalagens e produtos que depois descartamos. Essa energia e esses materiais geralmente vêm de recursos não renováveis, como petróleo e minerais. Quando descartamos o que consideramos lixo, estamos, na verdade, jogando fora os recursos naturais. 4.4 A contaminação da água A água da superfície é contaminada pelo lixo que jogamos em rios e canais. Em lugares onde há concentração de resíduos líquidos (lixiviados e chorume) há contaminação do solo e das águas subterrâneas. Deve-se notar que nos aterros sanitários devidamente licenciados pelos órgãos ambientais, os lixiviados não contaminam a água ou o solo porque são controlados e adequadamente tratados, ao contrário dos lixões, onde não há qualquer controle. A descarga de resíduos em córregos e canais abandonados em vias públicas, também pode ocasionar a obstrução de redes de esgotos. Na época de chuvas, provoca inundações que podem causar a perda de bens materiais e, o que é pior, vidas humanas. Contaminação de solo A presença de óleos, solventes, gorduras, metais pesados e ácidos, entre outros resíduos contaminantes, alteram as propriedades físicas, químicas e do solo, podendo representar um grande risco à população. 4.5 A poluição do ar Os resíduos sólidos abandonados em lixões a céu aberto deterioram a qualidade do ar que respiramos por causa da queima e da fumaça, além de vetores (insetos, roedores e pequenos animais) que ocasionam incômodos e podem disseminar doenças. A visibilidade é reduzida e a poeira levantada pelo vento em períodos de seca podem transportar microrganismos que produzem infecções respiratórias e irritação nasal e ocular, além de ser inconveniente respirar odores desagradáveis. Além disso, a degradação da matéria orgânica dos resíduos produz uma mistura de gás conhecida como biogás, 16 composta principalmente de metano e dióxido de carbono (CO2 e CH4), conhecidos como gases efeito estufa (GEE), que contribuem para o processo de das alterações climáticas; adicionalmente, o metano acumulado pode causar explosões. 4.6 Lei sobre descarte de lixo Desde 2014, foi sancionada a lei que prevê multa para quem não fizer o descarte correto desses itens. Mas 71% dos municípios brasileiros ainda não fazem isso de maneira correta e seletiva, a ponto de não prejudicar o meio ambiente (quer entender um pouco melhor como eles prejudicam o ambiente. 4.7 Como resolver o problema Para que o lixo não seja um problema para a sociedade, é necessário realizar o descarte correto. Atualmente a gestão de resíduos é feita através da reciclagem, compostagem, aterro sanitário ou incineração. É importante que os resíduos não sejam descartados incorretamente, que sejam levados para aterros sanitários ou submetidos aos processos anteriormente citados. Além disso, também é necessário educar a sociedade sobre o lixo e seu impacto ambiental e a necessidade de reduzir o consumo de matérias primas e energia. Capítulo 5 5.1 Impactos ambientais causados pela mineração São diversos os impactos ambientais causados pela mineração, como a alteração da paisagem e a contaminação do solo, do ar e dos recursos hídricos. A mineração é uma atividade econômica e industrial associada a diversos impactos ambientais, como a contaminação de recursos hídricos. São muitos os impactos ambientais causados pela mineração, atividade econômica e industrial que consiste na pesquisa, exploração, extração e beneficiamento de minérios presentes em depósitos no subsolo. Apesar de ser considerada sinônimo de desenvolvimento socioeconômico e ser essencial à sociedade — considerando-se que os minérios se encontram em praticamente todos os bens de consumo —, a atividade mineradora apresenta alto potencial de impactos ambientais. Como é o caso da poluição dos recursos hídricos e do solo, além da perda de biodiversidade tanto em relação à fauna quanto à flora. 5.2 Principais impactos ambientais gerados pela mineração De acordo com a Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o impacto ambiental é definido no artigo 1º da Resolução Conama-001 como: “[…] qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam o bem-estar e a saúde da população; as atividades 17 socioeconômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais.” Na mineração, os impactos ambientais podem ser gerados desde o planejamento do projeto, perpassando as etapas de implantação, operação e desativação. Por isso é necessário, antes de qualquer implementação da atividade mineradora, avaliar quais são os possíveis impactos negativos que podem ser causados ao meio ambiente na área a ser explorada. 5.3 São estes os principais impactos ambientais causados pela mineração: 1) Degradação da paisagem A mineração mais comum no Brasil é a lavra a céu aberto. A exploração de minério dessa forma requer desmatar uma determinada área e retirar o solo fértil (também chamado pelas mineradoras de solo estéril, pois possui baixo teor de minério). A área é "recortada" em blocos, que conferem à região uma paisagem repleta de "degraus", modificando então toda a paisagem. 2) Desmatamento Para realizar a mineraçãode lavra a céu aberto, a primeira etapa refere-se à retirada da cobertura vegetal. Diversas áreas são desmatadas, provocando possíveis alterações climáticas e causando prejuízos à fauna e à flora. 3) Poluição e contaminação dos recursos hídricos A contaminação dos recursos hídricos pode ocorrer de três maneiras na mineração: - Por meio do alto consumo de água para beneficiamento do minério; - Por meio do rebaixamento do lençol freático durante a etapa de extração do minério, diminuindo o fluxo de água dos rios e impactando também a recarga dos aquíferos; - Possível contaminação das águas por meio de rejeitos com concentração de substâncias tóxicas que são levadas até os recursos hídricos pelo escoamento superficial das águas ou através do solo, o qual, ao contaminar-se, pode também contaminar os recursos hídricos. As minerações de ferro, areia e granito, por exemplo, podem contaminar e poluir as águas pela lama gerada durante o processo de mineração. Essa lama precisa ser contida por barragens. 4) Poluição, contaminação e compactação do solo Uma das etapas da mineração é a retirada do solo fértil e seu posterior recorte. Ao deixar o solo desnudo, pode haver perda de fertilidade e favorecimento da sua compactação. Ao longo da extração de minérios, os solos podem ser contaminados, como é o caso das minerações de chumbo e zinco, as quais possuem grande concentração de arsênio em seus rejeitos. Algumas áreas acabam tornando-se inutilizadas, visto que algumas substâncias podem permanecer por um longo tempo no solo . 5) Poluição sonora e alteração da qualidade do ar O preparo das áreas para mineração dá-se, muitas vezes, por meio de explosões. Maciços rochosos muito compactados passam pelo processo de desmonte com o auxílio de explosivos, causando então ruídos que perturbam a biodiversidade e muitas vezes espantam animais de suas áreas. Outro problema é a alteração da qualidade do ar. Durante os processos de construção da infraestrutura necessária, bem como na fase de transporte dos minérios, há emissão de partículas sólidas e poluentes à atmosfera. 6) Redução da biodiversidade O desmatamento, a poluição sonora, bem como a contaminação e poluição dos recursos hídricos e do solo provocam também a perda de biodiversidade. Muitos animais perdem seu habitat e acabam fugindo https://brasilescola.uol.com.br/geografia/o-desmatamento.htm https://brasilescola.uol.com.br/quimica/poluicao-agua.htm https://brasilescola.uol.com.br/biologia/poluicao-solo.htm https://brasilescola.uol.com.br/biologia/poluicao-sonora.htm 18 para outras áreas, bem como há perda de espécies de plantas na região devido à retirada da cobertura vegetal. 7) Redução da disponibilidade de minerais Em algumas áreas de mineração, há o esgotamento total do recurso mineral extraído, o que as torna inutilizáveis. 8) Geração de resíduos e disposição inadequada de rejeitos A produção de rejeitos (resíduos que sobram após o beneficiamento do minério valioso) não é um problema desde que esses sejam contidos ou remanejados para recuperação de áreas. Contudo, durante a fase de extração, se não realizada de maneira correta, esses resíduos podem alcançar os recursos hídricos, contaminando-os. Outro problema é o volume dos depósitos de rejeitos contidos por barragens, que, se não fiscalizadas, podem romper e ter esse volume transportado a áreas mais baixas, alcançando cursos d'água e poluindo o meio ambiente. O volume do depósito pode ser também um problema, quando em elevado nível, pois pode ser levado pelas águas das chuvas até outros recursos hídricos. 5.4 O que são barragens de rejeito? Basicamente, as barragens de rejeitos são construções formadas por barramentos maciços impermeáveis e com dispositivos de drenagem, destinadas ao depósito de resíduos gerados pelo beneficiamento dos minérios (etapa em que são separados os materiais que possuem valor dos que não serão utilizados). Impactos ambientais causados pela mineração do ferro A mineração de ferro provoca alteraçãona paisagem, desmatamento e devastação do solo. No Brasil, a mineração de ferro acontece principalmente nos estados de Minas Gerais (Quadrilátero Central), Pará (Serra do Carajá) e Mato Grosso do Sul (Maciço do Urucum). O Brasil possui grandes reservas de minério de ferro, sendo esse um dos protagonistas na balança comercial do país, especialmente a nível de exportação, e a China seu maior comprador. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o Brasil é o segundo maior produtor do minério de ferro do mundo. As reservas alcançam cerca de 29 bilhões de toneladas. 5.5 Os principais impactos ambientais associados à mineração de ferro são: • Poluição atmosférica, devido ao uso de explosivos nas minas que emitem gases poluentes; • Poluição sonora, devido às explosões; • Poluição das águas pela lama gerada e que requer construção de barragens para conter os rejeitos e, consequentemente, evitar a contaminação química dos recursos hídricos e do solo. 19 O desmatamento também é um grande problema ambiental, principalmente nas áreas do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais. Essa região é abrangida pelo bioma Mata Atlântica, e parte dos remanescentes das áreas de Mata Atlântica pertence às mineradoras. Nas áreas de exploração do ferro, a vegetação é removida para dar lugar à lavra a céu aberto, iniciando também outro impacto ambiental, a exposição dos solos, os quais perdem a sua fertilidade e ficam expostos a processos erosivos. O Ministério do Meio Ambiente também aponta problemas nas áreas de mineração de ferro como a presença de antigas barragens de contenção, que podem romper-se e provocar sérios danos ao local em que se encontram. 5.6 Impactos ambientais causados pela mineração do ouro A mineração de ouro provoca poluição dos recursos hídricos e do solo por meio do uso de mercúrio. A mineração do ouro, especificamente no Brasil, dá-se, principalmente, nos estados do Pará, Minas Gerais e Mato Grosso. O principal impacto causado por essa atividade está relacionado ao uso do mercúrio no processo de garimpagem, o qual auxilia na concentração do ouro na bateia (utensílio utilizado na mineração que ajuda na busca de minérios). O mercúrio possui alta volatilidade, podendo ser oxidado e metilado. Torna-se, assim, uma substância tóxica, o que afeta tanto o ser humano quanto os animais. O escoamento superficial das águas também pode levar o mercúrio até os recursos hídricos, contaminando-os e colocando em risco a ictiofauna (conjunto de peixes existentes em uma região) e a qualidade da água. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, os principais impactos ambientais provocados pela mineração do ouro, além do uso inadequado de mercúrio, são: - Aumento expressivo da turbidez da água, especialmente em Minas Gerais. Turbidez da água refere-se à dificuldade que um feixe de luz encontra ao atravessar uma quantidade de água, devido à concentração de substâncias nela. - As áreas de garimpo, especialmente em Minas Gerais, na província aurífera do Quadrilátero Ferrífero, apresentam rejeitos ricos em arsênio. Rejeitos de minérios com concentração de arsênio foram depositados às margens de rios, contaminando os recursos hídricos e o solo. Impactos ambientais causados pela mineração em Minas Gerais Minas Gerais é um dos estados mais ricos em minérios no Brasil, representando cerca de 67% das reservas minerais do país. Segundo o Departamento Nacional de Produção de Minerais (DNPM), o estado é o maior produtor brasileiro de minérios, representando cerca de 47% da produção. A intensa atividade mineradora no estado vai de encontro a diversos problemas ambientais. A mineração também provoca contaminação dos cursos d'água na região e degradação do solo. De acordo com o relatório "Mineração e Meio Ambiente no Brasil", elaborado para o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, os principais minérios encontrados em Minas Gerais associados a impactos ambientaissão o ferro, o ouro e o calcário. https://brasilescola.uol.com.br/quimica/metal-mercurio.htm https://brasilescola.uol.com.br/quimica/arsenio.htm 20 Rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho, Minas Gerais. (Crédito da imagem: Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.) Nos últimos anos, Minas Gerais vivenciou dois grandes impactos sobre o meio ambiente por meio da mineração. No ano de 2015, houve o rompimento da barragem do Fundão, pertencente à mineradora Vale e controlada pela Samarco Mineração, na cidade de Mariana, o que provocou um dos maiores impactos ambientais do país. Em 2019, um novo rompimento de barragem, também da mineradora Vale, deixou a cidade de Brumadinho em Minas Gerais sob lama de rejeitos, causando destruição da cidade, centenas de mortes, perda de biodiversidade, poluição e contaminação dos recursos hídricos e do solo. Capítulo 6 6.1 A agropecuária e os problemas ambientais O desmatamento é um dos grandes problemas ambientais provocados pela agropecuária A agropecuária é o conjunto das atividades ligadas à agricultura e à pecuária. Apresenta grande importância para a humanidade e para a economia, visto que sua produção é destinada ao consumo humano e para a venda dos produtos obtidos. No entanto, vários problemas ambientais estão sendo desencadeados em virtude da expansão da agropecuária e da utilização de métodos para o cultivo e criação de animais. O desmatamento é uma prática muito comum para a realização da agropecuária. A retirada da cobertura vegetal provoca a redução da biodiversidade, extinção de espécies animais e vegetais, desertificação, erosão, redução dos nutrientes do solo, contribui para o aquecimento global, entre outros danos. As queimadas, método muito utilizado para a retirada da vegetação original, intensificam a poluição atmosférica, além de reduzirem os nutrientes do solo, sendo necessário usar uma quantidade maior de produtos químicos (fertilizantes) durante o cultivo de determinados alimentos, fato que provoca a poluição do solo. Outro agravante é a utilização de agrotóxicos (inseticidas e herbicidas), que contaminam o solo, o lençol freático e os rios. Esses produtos, destinados à eliminação de insetos nas plantações, infiltram-se no solo e atingem as águas subterrâneas. As águas das chuvas, ao escoarem nessas plantações, podem transportar os agrotóxicos para os rios, causando a contaminação da água. https://brasilescola.uol.com.br/biologia/impactos-ambientais-acidente-mariana-mg.htm https://brasilescola.uol.com.br/biologia/rompimento-barragem-brumadinho.htm 21 Na pecuária, além da substituição da cobertura vegetal pelas pastagens, outro problema ambiental é a compactação do solo gerada pelo deslocamento dos rebanhos. O solo compactado dificulta a infiltração da água e aumenta o escoamento superficial, podendo gerar erosões. Esses animais, através da liberação de gás metano, também contribuem para a intensificação do aquecimento global. Portanto, diante da necessidade de produzir alimentos para atender a demanda global e ao mesmo tempo preservar a natureza, é necessário que métodos sustentáveis sejam implantados na agropecuária, de forma a reduzir os problemas ambientais provocados por essa atividade. O pousio, por exemplo, é uma técnica que visa o “descanso” do solo até que haja a recuperação da sua fertilidade Capítulo 7 7.1 Perda de biodiversidade: quais as causas e as consequências? Várias espécies vegetais e animais estão a desaparecer a um ritmo acelerado devido à atividade humana. Mas porquê é essencial preservar a biodiversidade? A biodiversidade, ou a variedade de todos os seres-vivos no nosso planeta, tem decrescido a um ritmo alarmante nos últimos anos, principalmente devido às atividades humanas que desencadeiam mudanças na utilização dos solos, poluição e alterações climáticas. A Comissão Europeia apresentou a nova Estratégia de Biodiversidade para 2030 em maio de 2020, na sequência dos apelos feitos pelo Parlamento Europeu em janeiro de Durante uma sessão plenária em junho de 2021, o Parlamento adotou a posição dos seus membros sobre a ’Estratégia de Biodiversidade da UE para 2030 – Trazer a natureza de volta às nossas vidas’, de modo a assegurar que, até 2050, os ecossistemas do mundo sejam restaurados, resilientes e adequadamente protegidos. 7.2 O que é a biodiversidade? Tradicionalmente, a biodiversidade é definida como a variedade da vida na Terra, em todas as suas formas. Inclui o número das espécies, as suas variações e interações destes seres com os seus complexos ecossistemas. Num relatório da ONU publicado em 2019, os cientistas alertaram que um milhão de espécies, num total estimado de 8 milhões, estão em vias de extinção, podendo muitas delas desaparecer em apenas décadas. Alguns investigadores consideram até que estamos no meio do sexto evento de extinção em https://www.europarl.europa.eu/resources/library/images/20200115PHT70303/20200115PHT70303_original.jpg https://www.europarl.europa.eu/resources/library/images/20200115PHT70303/20200115PHT70303_original.jpg https://www.europarl.europa.eu/news/pt/headlines/priorities/clima/20180703STO07129/as-respostas-da-ue-as-alteracoes-climaticas https://www.europarl.europa.eu/news/pt/press-room/20210604IPR05513/biodiversidade-metas-vinculativas-para-proteger-a-vida-selvagem-e-as-pessoas https://www.europarl.europa.eu/news/pt/press-room/20210604IPR05513/biodiversidade-metas-vinculativas-para-proteger-a-vida-selvagem-e-as-pessoas https://www.europarl.europa.eu/doceo/document/A-9-2021-0179_PT.pdf https://www.europarl.europa.eu/doceo/document/A-9-2021-0179_PT.pdf https://news.un.org/en/story/2019/05/1037941 https://www.europarl.europa.eu/resources/library/images/20200115PHT70303/20200115PHT70303_original.jpg 22 massa na História da Terra. As extinções em massa estudadas até agora fizeram com que entre 60 a 95% de todas as espécies terrestres desaparecesse. São necessários milhões de anos para que os ecossistemas recuperem após este tipo de eventos. 7.3 Porque é a biodiversidade importante? Os ecossistemas saudáveis fornecem muitas coisas essenciais que tomamos como garantidas. As plantas conservam a energia solar, tornando-a acessível a outras formas de vida. As bactérias e outros organismos vivos decompõem a matéria orgânica em nutrientes que providenciam às plantas um solo saudável para crescerem. Os polinizadores são essenciais para a reprodução das plantas, garantindo a produção alimentar para os humanos. As plantas e os oceanos agem, por sua vez, como os maiores sumidouros de carbono. O ciclo da água depende em grande parte dos organismos vivos. Em resumo, a biodiversidade fornece-nos ar limpo, água potável e boa qualidade dos solos para as plantações. Ajuda-nos a lutar contra as alterações climáticas e a adaptar-nos a estes novos desafios. Uma vez que os organismos interagem em ecossistemas dinâmicos, o desaparecimento de uma das espécies pode impactar de forma considerável a cadeia alimentar. É impossível prever com exatidão as consequências que uma extinção em massa teria para os Humanos, mas sabe-se que que a biodiversidade na natureza permite ao ser-humano prosperar. 7.4 Principais causas para a perda de biodiversidade • Alterações do uso dos solos (ex: deflorestação, utilização intensiva da monocultura, urbanização) • Exploração direta, como por exemplo a caça ou a sobrepesca • Alterações climáticas • Poluição • Espécies invasoras 7.5 Como a falta da biodiversidade pode nos afetar? A diversidade biológica é o recurso do qual dependem famílias, comunidades, nações e gerações futuras. É o elo entre todos os organismos existentes na terra, que liga cada um deles a um ecossistema interdependente, em que cada espécie desempenha sua função. É uma verdadeira teia da vida. O patrimônio natural da Terra é composto por plantas, animais, terra, água, a atmosfera e os sereshumanos! Juntos, fazemos todos parte dos ecossistemas do planeta, o que equivale a dizer que, se houver uma crise de biodiversidade, nossa saúde e meios de subsistência também entram em risco. Porém, atualmente estamos usando 25% mais recursos naturais do que o planeta é capaz de fornecer. O resultado é que espécies, habitats e comunidades locais estão sofrendo pressões ou ameaças diretas. Um exemplo de ameaça que já atinge seres humanos é a perda de acesso à água doce. 7.6 A biodiversidade é a base da saúde do planeta e tem um impacto direto sobre a vida de todos nós. Indo direto ao ponto: a redução da biodiversidade significa que milhões de pessoas estão diante de um futuro em que os estoques de alimentos serão mais vulneráveis a pragas e doenças e a oferta de água https://www.europarl.europa.eu/news/pt/headlines/society/20191129STO67758/porque-estao-a-desaparecer-as-abelhas-e-os-polinizadores-infografia https://www.europarl.europa.eu/news/pt/headlines/priorities/clima/20190926STO62270/o-que-e-a-neutralidade-das-emissoes-de-carbono-como-pode-ser-atingida-ate-2050 23 doce será irregular ou escassa. Para os seres humanos, isso é preocupante. Você sabe o que é exploração florestal? No mercado da decoração existem diversos tipos de móveis feitos a partir de grandes troncos de árvores. Esses produtos existem graças à atividade de exploração florestal a qual compreende técnicas próprias de manejo de eucaliptos, cerejeiras, carvalhos, que, após passarem por processos de corte, refile e acabamento, se transformam em cadeiras, mesas, cômodas e etc. Contudo, a intensificação dessa atividade tem prejudicado seriamente o meio ambiente quando realizadas de forma ilegal. Para combater as técnicas clandestinas de exploração florestal, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas estabelece às indústrias diretrizes do Centro de Operações e Técnicas Florestais (COTF) a fim de que a atividade seja regulamentada e não resulte no desmatamento excessivo. Embora haja empenho das instituições, ainda não existe um resultado plausível, pois a questão confronta com a produção intensa de produtos madeireiros impulsionado pelo mercado capitalista. Segundo a World Wide Foundation, ONG ambientalista, o mercado asiático investiu no ano de 1996, mais de US$ 500 milhões de dólares na indústria madeireira do Brasil, principalmente por que observaram a rapidez e facilidade com que a floresta amazônica é desmatada. A Mata Atlântica não está atrás, detentora da maior biodiversidade brasileira, a região também sofreu com o desmatamento que derrubou 23,5 mil hectares de áreas verdes em 2012. 7.7 O que promove a exploração florestal? Um dos principais motivos que ocasiona a exploração é a construção de estradas. A derrubada de árvores está diretamente relacionada à construção de rodovias e a movimentos migratórios. O acesso rodoviário facilita a entrada na mata e a extração seletiva de madeira. 7.8 Solução para a exploração florestal no Brasil É preciso buscar uma harmonia entre as atividades de extração madeireira, a necessidade de consumo do mercado e o ciclo de desenvolvimento das florestas. Uma das alternativas é o plantio da madeira certificada FSC (Forest Stewardship Council), técnica que consiste no manejo apropriado da árvore tornando possível a retirada de exemplares e o plantio de outras árvores no lugar em curto período de tempo. Além desse método de manejo, o FSC estabelece que o plantio deve respeitar terras indígenas, além de monitoramento do manejo e cálculo de seus impactos ambientais. http://pensamentoverde.com.br/atitude/desmatamento-mata-atlantica-derruba-235-mil-hectares-area-verde/ 24 A importância das indústrias para a nossa sociedade é algo indiscutível, no entanto, quando deixam de lado a preocupação ambiental podem causar grandes impactos, principalmente na natureza, por isso o relacionamento entre a indústria e o meio ambiente deve ser estabelecido de uma forma muito transparente para a sociedade e, principalmente, estabelecido com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável. Para o futuro é previsto uma agenda integrada dos países com o objetivo de promover um desenvolvimento sustentável. É uma agenda denominada de Agenda 2030 e os objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS) são apresentados em uma plataforma digital. Os processos de transformação utilizados pela indústrias diariamente causam impactos ambientais, poluem o ar, o solo a água, por isso ações de sustentabilidade devem ser tomadas para que esse impacto seja, no mínimo, reduzido e controlado. A indústria química é uma das indústrias que mais devemos monitorar e controlar os resíduos industriais. Dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) demonstram que acidentes com produtos químicos (óleo diesel, gasolina, ácido sulfúrico, entre outros) vem aumentando e ocorrem na hora de transportar esse produto. Quando ocorre o acidente existe a probabilidade de contaminar o ambiente, geramos um impacto na flora, fauna, clima, sociedade e nos trabalhadores. Dependendo da gravidade do acidente podemos provocar impactos na indústria e prejudicar o desenvolvimento sustentável, comprometendo os recursos para futuras gerações. Capítulo 8 8.1 Os impactos da indústria no meio ambiente Os métodos de produção das indústrias causam diversos impactos no meio ambiente. Entre os principais impactos podemos destacar: • Poluição do ar A poluição do ar é constantemente colocada em debate sobre a relação entre indústria e meio ambiente, afinal, todos os dias são lançadas toneladas de gases tóxicos (óxido de enxofre, óxido de nitrogênio e monóxido de carbono) na atmosfera. Gases, estes que pioram a qualidade do ar que a população respira, causando doenças respiratórias, e destroem a camada de ozônio, o que aumenta a incidência de raios ultravioletas e aumenta a temperatura da terra. • Destruição da fauna e da flora Os impactos causados pelas indústrias provocam uma grande reação em cadeia, cada impacto citado aqui tem relação direta com os demais e uns levam aos outros, o aumento da temperatura do planeta causada pela poluição do ar pode levar a queimadas em biomas como o cerrado, por exemplo. Além disso, diversas indústrias descartam de maneira irresponsável seus dejetos na natureza, contaminando animais, florestas e fontes de água e devido a irregularidades ainda podem causar grandes desastres ambientais, como por exemplo o rompimento da barragem em Brumadinho, no ano de 2019. https://onsafety.com.br/industria/ https://onsafety.com.br/o-papel-da-seguranca-do-trabalho-no-desenvolvimento-sustentavel/ https://onsafety.com.br/o-papel-da-seguranca-do-trabalho-no-desenvolvimento-sustentavel/ https://onsafety.com.br/impactos-das-mudancas-climaticas-na-seguranca-e-saude-do-trabalho/ 25 • Contaminação da água As indústrias são as principais poluidoras dos nossos corpos hídricos. Isso, por simples irresponsabilidade, grandes indústrias despejam toneladas de resíduos tóxicos em rios e lagos, prejudicando todo o ecossistema, tornando a água imprópria para o consumo e afetando a fauna local. Além do desequilíbrio ecológico que essas práticas trazem, isso pode trazer diversos impactos negativos na saúde da população que vive ao redor dessas áreas. • Aquecimento global Como dito anteriormente, as ações das indústrias causam uma reação em cadeia, em que uma coisa leva a outra e todas nos trazem até aqui, ao aquecimento global. As atividades industriais duplicaram a concentração de GEE (Gases do Efeito Estufa) na atmosfera, com o principal gás sendo o dióxido de carbono, porém além desses ainda são emitidas grandes quantidades de gás metano, óxido nitroso e óxidos de nitrogênio. É importante salientar que a indústria não é apenas o local físico de uma fábrica, mas todo o processo que as envolvem, portanto, todo o CO2 despejado por carros e caminhões a serviço desse ciclo entramnessa conta. Todos os impactos citados anteriormente acarretam nesse “super impacto”, que provoca mudanças climáticas graves, aumento do nível do mar, derretimento de calotas polares, desertificação de áreas de florestas, aumento da temperatura e diversos outros problemas. Um exemplo recente do aquecimento global é a precipitação de neve nas regiões sul do Brasil, um ponto importante de se destacar, pois apesar do nome, o aquecimento global não é responsável apenas por altas temperaturas mas sim por um desequilíbrio nelas. Capítulo 9 9.1 O que é o desenvolvimento sustentável? Desenvolvimento sustentável é um conceito sistêmico que se traduz num modelo de desenvolvimento global que incorpora os aspectos de um sistema de consumo em massa no qual a preocupação com a natureza, via de extração da matéria-prima, é máxima, ou seja, a realização de atividades industriais prezando ao máximo os cuidados com o meio ambiente. 9.2 Quais são os principais prejuízos do descarte de lixo nos rios? Todos os anos, as fortes chuvas que afetam diversas regiões do Brasil resultam em enchentes, em razão do entupimento das redes de drenagem de águas pluviais por resíduos. Em 2019, após fortes chuvas, uma cidade do interior de São Paulo foi invadida por mais de 17 toneladas de lixo após o rio Tietê transbordar. Essa notícia evidenciou o problema do descarte inadequado do lixo no país. Quando o lixo é disposto nas vias públicas, causa problemas de infraestrutura e alagamentos. Ao chegar nos rios, esses resíduos provocam desequilíbrio ambiental, representando uma grande ameaça à vida aquática, além de contaminar a água utilizada para consumo humano, que fica inapropriada e passa a causar diversas doenças. https://super.abril.com.br/ciencia/o-que-a-neve-no-sul-do-brasil-tem-a-ver-com-o-aquecimento-global/ https://blog.brkambiental.com.br/author/brkambiental/ https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,salto-recolhe-mais-de-17-toneladas-de-lixo-apos-enchente-no-rio-tiete,70002732387 https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,salto-recolhe-mais-de-17-toneladas-de-lixo-apos-enchente-no-rio-tiete,70002732387 https://blog.brkambiental.com.br/descarte-de-lixo-2/ 26 Essas são apenas algumas das inúmeras consequências do descarte incorreto do lixo. Quer saber mais sobre o tema? 9.3 Qual a situação do descarte de lixo no panorama brasileiro? A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) disponibiliza, periodicamente, o Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil. O mais recente, que traz os dados de 2022, apresentou os desafios que o país enfrenta para alcançar uma gestão integrada e sustentável de lixo, especialmente no momento pós pandemia de Covid-19. O cenário da gestão de resíduos sólidos permaneceu praticamente estagnado nos últimos anos. O último Panorama revelou que o país gerou, em 2022, 81,8 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, ou seja, 224 mil toneladas por dia. Desse montante, somente 76,1 milhões de toneladas foram coletados e 5,7 milhões de toneladas não tiveram um destino específico. Isso representa um índice de cobertura de coleta de 93% para o país. Contudo, apenas 61% do total coletado segue para os aterros sanitários. O restante — que corresponde a cerca de 30 milhões de toneladas — foi despejado em locais inadequados. 9.4 Quais são os principais problemas causados pelo descarte inadequado de lixo? Por que ainda há descarte de lixo nos rios? Apesar de a sociedade em geral estar cada vez mais consciente do impacto das ações no meio ambiente — diminuindo o consumo de água e de plástico, por exemplo —, muitas pessoas ainda não se sensibilizaram quanto ao descarte apropriado de resíduos sólidos. A manutenção da limpeza das cidades e dos rios é um trabalho conjunto de três setores: o Governo, a sociedade civil e a iniciativa privada. Juntos, eles têm a responsabilidade de colocar em prática a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O Governo, em todas as esferas, deve agir fiscalizando e punindo descartes irregulares. Também é responsável por fornecer os dispositivos necessários para recolher e transportar corretamente o lixo, limpando as vias públicas, promovendo a coleta seletiva e criando centros de triagem. Já a iniciativa privada pode contribuir com a promoção de ações que reduzam a geração de resíduos, como a logística reversa, em que a empresa recolhe as embalagens utilizadas pelos consumidores e as reutiliza na produção de novos produtos. Além disso, as empresas podem desenvolver processos para reutilização de materiais ou utilização de produtos biodegradáveis, como é o caso do plástico verde, criado a partir da cana-de-açúcar. 9.5 Qual é a punição legal para quem joga lixo nos rios? Algumas cidades brasileiras já têm iniciativas para combater o descarte inadequado de lixo, como Rio de Janeiro, Cuiabá, Joinville, Salvador e Teresina. O cidadão que for flagrado pode pagar multa, que varia de R$ 170 a R$ 3.400, dependendo da quantidade de resíduos jogados nas vias públicas. No caso dos rios, as penas podem ser mais graves. De acordo com o artigo 54 da Lei n.º 9.605/98, a pessoa “que causar poluição de qualquer natureza que resulte, ou possa resultar, em danos à saúde humana, ou que provoque mortandade de animais ou destruição significativa da flora” deve responder legalmente. Se o crime é culposo (sem intenção), a pena varia de multa até reclusão de um a quatro anos. Já em casos em que ocorre poluição hídrica que cause interrupção do abastecimento de água, a pena pode chegar a cinco anos de prisão. 9.6 Como a sociedade pode contribuir para evitar o descarte de lixo nos rios? http://www.abrelpe.org.br/ http://abrelpe.org.br/panorama/ https://blog.brkambiental.com.br/lixao-a-ceu-aberto/ https://blog.brkambiental.com.br/consumo-consciente-de-agua/ http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/residuos-solidos/politica-nacional-de-residuos-solidos.html http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/residuos-solidos/politica-nacional-de-residuos-solidos.html https://blog.brkambiental.com.br/coleta-seletiva-de-lixo/ https://alunosonline.uol.com.br/quimica/plastico-verde.html http://conexaoplaneta.com.br/blog/multa-para-quem-jogar-lixo-nas-ruas-e-aprovada-no-senado-e-pode-valer-para-todo-o-brasil/ https://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/104091/lei-de-crimes-ambientais-lei-9605-98#art-54 27 É dever da sociedade civil utilizar a coleta de resíduos disponibilizada pelo Governo, bem como cumprir a proibição de descartar lixo em terrenos baldios e áreas de preservação, ou ocasionar seu acúmulo em vias públicas. A população pode exigir dos seus representantes políticos, como vereadores e deputados, que disponibilizem coleta seletiva ou locais adequados para o descarte. É possível, ainda, fazer parcerias com associações de catadores de material reciclável, que podem coletar plástico, papel e alumínio para reciclagem. Em locais em que a coleta seletiva já é feita, é dever dos cidadãos não realizar o descarte de nenhum tipo de resíduo — como entulho, ferro-velho, equipamentos eletrônicos, mobílias, entre outros — em vias públicas ou terrenos abandonados. Além disso, é preciso verificar se o serviço público recolhe o material que se deseja descartar. Em alguns casos, como restos de material de obras de um imóvel, é necessário contratar caçambas para recolher o resíduo gerado. Manter a cidade limpa é dever de toda a sociedade e inclui atuação conjunta dos moradores, da prefeitura e das empresas locais. A coleta do lixo, usualmente, ocorre em dias específicos separados por tipo de resíduo (doméstico, industrial ou hospitalar), e a agenda desse serviço é aberta ao público. Por isso, é dever de cada um conhecer e respeitar as datas de coleta e não colocar o lixo nas ruas antes da hora, o que pode atrair animais que acabam por rasgar os sacos e espalhar os detritos. 9.7 Qual é a solução para o descarte incorreto do lixo? Para resolveros problemas causados pelo descarte incorreto do lixo, é preciso implementar ações de longo prazo, como o combate à poluição. Nesse sentido, é fundamental investir em educação ambiental e conscientizar a população sobre a importância do descarte correto, oferecendo informações sobre o armazenamento dos detritos, a separação dos resíduos orgânicos e sólidos, o reaproveitamento e a reciclagem de materiais. Além disso, outra medida é investir em equipamentos para a despoluição dos rios. O primeiro passo para isso é implementar o saneamento básico nas cidades, com a construção de redes de coleta e tratamento para os esgotos. Com essa ação, o rio já começa a se despoluir. Contudo, por ser um processo que pode levar muitos anos, é importante adotar outros métodos para acelerar a despoluição, como a criação de ilhas artificiais com plantas aquáticas que filtram a água, utilização de reatores que aumentam o nível de oxigênio e melhoram a qualidade da água, entre outros. 9.8 Como é feita a despoluição de rios? Como vimos, a melhor alternativa para enfrentar os efeitos do descarte inadequado do lixo é promover a despoluição dos rios. Para isso, existem algumas técnicas avançadas que podem ser utilizadas para garantir o melhor resultado. Confira, a seguir, os principais métodos e como eles funcionam: • flotação: utilizada em rios menores, faz a separação físico-química da sujeira a partir de substâncias despejadas na água, como polieletrólito e sulfato de alumínio; • dragagem: aplicada em rios maiores, utiliza bombas de sucção para fazer a retirada de camadas de sujeira e acabar com as placas depositadas no fundo do rio; • gradeamento: utilizada tanto em rios quanto em estações de tratamento, são inseridas grades de metal na parte rasa do rio, para reter materiais como papéis e garrafas plásticas; • técnicas nucleares: aplicadas a reservatórios e lagoas, usam um radioisótopo para fazer o mapeamento do trajeto e da quantidade de poluentes presentes na terra e na água; http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/residuos-solidos/catadores-de-materiais-reciclaveis https://blog.brkambiental.com.br/reciclagem-na-educacao-infantil/ https://blog.brkambiental.com.br/residuos-da-construcao-civil/ https://blog.brkambiental.com.br/educacao-ambiental/ https://blog.brkambiental.com.br/educacao-ambiental/ https://blog.brkambiental.com.br/reciclagem-no-brasil/ https://blog.brkambiental.com.br/qualidade-da-agua/ https://blog.brkambiental.com.br/poluentes-da-agua/ 28 • técnicas ecológicas: de fácil implantação em canais, rios e lagos, instala jardins flutuantes cobertos por plantas aquáticas que filtram os poluentes. Como vimos, o descarte inadequado do lixo acarreta muitos problemas, como o entupimento das galerias pluviais, a contaminação dos rios e mares, a destruição da flora e fauna aquática e a proliferação de diversas doenças. Por isso, é importante ter consciência de que pequenas atitudes podem afetar bastante o meio ambiente, e que é preciso fazer o descarte adequado para diminuir o impacto do lixo produzido pela sociedade. Gostou das informações? Para saber mais sobre esse assunto, conheça 5 rios que foram despoluídos! Capítulo 10 10.1 Poluição do solo A manipulação equivocada do lixo na cidade, e o uso de agrotóxicos nas áreas rurais vem contribuindo para contaminação e poluição do solo. O uso indevido do solo e a má gestão dos resíduos urbanos e rurais. A constante ação humana no meio ambiente provoca vários desequilíbrios ambientais, seja afetando os cursos hídricos, o ar atmosférico ou degradando os solos, interferindo diretamente nas relações ecológicas da fauna e flora. Altamente degradável, o solo é um meio bastante afetado pela pressão antrópica. Sua poluição afeta particularmente o nível superficial da crosta terrestre, camada da biosfera que abriga considerável biodiversidade. Esse meio, diferente do que pensamos, não é inerte e tampouco sustenta apenas as relações humanas. No extrato superficial do solo habitam espécies de macro e microorganismos importantes à manutenção do equilíbrio biológico no planeta: bactérias, fungos, nematódeos, artrópodes, anelídeos, moluscos e pequenos vertebrados, aliados à vegetação, dão vida e sustentação a esse substrato. No entanto, exposta aos mais variados tipos de impactos, prejudicam as formas viventes e o seu “pleno” desenvolvimento regular. A poluição do solo, dependendo da magnitude, pode causar malefícios irreparáveis tanto à natureza, que responde lentamente aos processos de reparação, quanto à frágil estrutura corpórea do homem. Sendo o homem o agente causador, a origem poluidora dos solos pode ser urbana ou rural, refletindo os danos característicos em cada meio de ocupação humana. Em áreas urbanas o principal problema é a enorme quantidade de lixo lançado sobre a superfície aliada à falta de tratamento. Detritos domésticos, hospitalares, industriais, dentre outras substância, como produtos químicos derivados do petróleo e chumbo, são despejados na natureza sem o mínimo controle ambiental e sanitário. Além de acumular no ambiente, dependendo da degradabilidade do dejeto, pode interferir https://blog.brkambiental.com.br/saude-saneamento-basico/ https://blog.brkambiental.com.br/rios-despoluidos-5-exemplos-que-mostram-que-a-revitalizacao-e-possivel/ 29 organicamente nos níveis tróficos ecológicos. Nas áreas rurais, a contaminação do solo, ocorre exclusivamente pelo uso inadequado e abusivo de agrotóxicos e fertilizantes. O DDT, inseticida largamente utilizado nas lavouras para eliminar insetos, atualmente proibido em vários países, é uma substância com alta capacidade de retenção no solo e nos tecidos e órgãos dos animais. Essa substância desencadeia sérios danos à saúde de animais e dos seres humanos, pode causar problemas dermatológicos, hepáticos e até o desenvolvimento de um câncer. Dessa forma, diante de toda a problemática que envolve a gestão de resíduos urbanos e utilização de defensivos agrícolas, merece esse assunto maior atenção governamental na aplicação e implementação constitucional em defesa da preservação ambiental, bem como a responsabilidade social da população. Listamos os 7 principais tipos de poluição e seus impactos para a sociedade Mudanças bruscas no meio ambiente, resultado de ações antrópicas (aquelas realizadas pelo homem) ou de acontecimentos naturais, são o que chamamos de impacto ambiental. Desmatamento, poluição, impermeabilização do solo, queimadas e contaminação do solo são os exemplos mais frequentes. Segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), essas ações podem afetar as condições de vida da população, as atividades socioeconômicas, os seres vivos e seus ecossistemas, os recursos ambientais e sua disponibilidade. Entre os diversos problemas citados, um dos mais preocupantes é, sem dúvidas, o aumento da poluição em suas diferentes formas. Isso porque a questão tomou proporções tão grandes no planeta que acabou ganhando categorizações. 10.2 Quais são os principais tipos de poluição? Em primeiro plano, a poluição consiste na introdução de substâncias ou de energia no meio ambiente que causam alterações físicas e químicas com efeito negativo em seu equilíbrio. Ela acontece naturalmente ou pela ação antrópica, afetando o ecossistema como um todo. Abordaremos, a seguir, os principais tipos de poluição, destacando como eles são gerados e como prejudicam a vida humana e dos demais seres vivos. 1. Poluição atmosférica A poluição do ar se tornou uma grande preocupação no mundo. É causada pela contaminação do ar por gases, líquidos e partículas sólidas em suspensão, material biológico e energia, considerados poluentes para a atmosfera. Sobretudo nos grandes centros urbanos, a poluição do ar altera a qualidade de vida da população, o que acarreta a multiplicação e o agravamento de doenças respiratórias. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que cerca de 7 milhõesde mortes prematuras em todo mundo são causadas por poluição do ar dentro e fora de casa, sendo um importante fator de risco que afeta a população. Também provoca alterações climáticas, como a intensificação do efeito estufa e do aquecimento global. 2. Poluição hídrica Trata-se da contaminação ou alteração química das águas dos rios, lagos, oceanos e subterrâneas. As principais situações estão relacionadas ao lançamento de esgotos sem tratamento em áreas urbanas, ao depósito irregular de resíduos sólidos nos rios, ao escoamento de compostos químicos e outros compostos pela agricultura e por indústrias. https://blog.brkambiental.com.br/preservacao-da-amazonia/ http://www.cprh.pe.gov.br/ARQUIVOS_ANEXO/resolu%C3%A7%C3%A3o%20conama%200186;1505;20100818.pdf https://blog.brkambiental.com.br/transmissao-coronavirus/ https://www.who.int/mediacentre/news/releases/2014/air-pollution/en/ https://blog.brkambiental.com.br/poluentes-da-agua/ https://blog.brkambiental.com.br/lancamento-de-esgoto/ 30 É importante destacar que o lixo e a poluição de ruas, estradas e solo em geral é arrastada pela água da chuva em direção aos mananciais, com impactos no ecossistema e em toda a cadeia alimentar desses ambientes. A poluição dos oceanos é ainda mais preocupante, pois pode resultar na extinção de muitas espécies, causando desequilíbrio ecológico e prejuízos ao habitat, além da degradação das regiões costeiras. 3. Poluição do solo É causada pela alteração do ambiente e introdução de componentes químicos. A produção agrícola é a principal responsável pela poluição do solo e a mais afetada por ela. Em geral, ocorre pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, fertilizantes, insumos agropecuários e metais pesados. Além disso, nos lixões, que diferente dos aterros sanitários não protegem o solo da decomposição do lixo, ocorre a produção de um líquido poluente chamado chorume, que penetra no solo pode causar problemas ambientais por meio da contaminação do solo. 4. Poluição térmica Embora pouco conhecida, a poluição térmica pode gerar impactos significativos. Ocorre com o aumento ou a diminuição da temperatura do meio de suporte de algum ecossistema, como um rio, afetando a fauna e a flora ali presentes. A poluição térmica pode ocorrer na atmosfera ou nas águas. A liberação de resíduos quentes por uma usina nuclear, por exemplo, desequilibra totalmente o meio. 5. Poluição sonora e visual A poluição sonora e a poluição visual são consideradas problemas no espaço urbano, em que há aglomeração de pessoas. A poluição sonora consiste no excesso de ruídos gerados pelo trânsito, por construções civis e por equipamentos eletrônicos, que causam desconforto e prejuízos à saúde da população. Já a poluição visual acontece pela grande quantidade de publicidade e formas de comunicação visual expressas em anúncios, placas, outdoors, além de fios elétricos, vandalismos, entre outros. Esse excesso é considerado prejudicial, tanto em relação à condição estética das cidades, quanto no desenvolvimento de desconforto e estresse na população. 6. Poluição luminosa Consiste no excesso de luz artificial emitida pelas cidades grandes de várias formas, como iluminação pública, anúncios publicitários luminosos, sinalizações, luminárias externas, entre outras. A poluição luminosa pode afetar o funcionamento saudável dos organismos vivos. A perturbação das condições naturais de luz e escuridão influencia em vários fatores do comportamento de animais e plantas. Além disso, esse tipo de poluição produz outros impactos ambientais, pois requer um maior consumo de energia elétrica que, muitas vezes, é proveniente das usinas termelétricas — resultante da queima de combustíveis fósseis que potencializam o efeito estufa. 7. Poluição radioativa Devido aos diversos efeitos negativos, a poluição nuclear é considerada muito perigosa. Ela é proveniente da radiação, ou seja, do efeito químico de resíduos da energia nuclear ou atômica. Na maioria das vezes, a poluição radioativa resulta do lixo gerado nas usinas nucleares que, em excesso, pode causar mutações genéticas e originar doenças, como câncer. Quais delas são mais comuns no Brasil? No ranking de países mais poluidores do mundo, o Brasil ocupa a sexta posição, emitindo sobretudo gases do efeito estufa. A maioria das emissões está associada ao desmatamento e à degradação do solo, ou seja, em razão de poluição atmosférica e do solo. Segundo pesquisas da OMS, a quantia de poluentes considerada aceitável para um metro cúbico de ar é de, no máximo, 20 microgramas. Nesse caso, as cidades do Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Cubatão (SP), Campinas (SP) e Curitiba (PR) são vistas como as mais poluídas do país. De modo geral, todos os tipos de poluição estão presentes nos https://blog.brkambiental.com.br/mananciais/ https://blog.brkambiental.com.br/saneamento-ambiental-no-brasil/ https://blog.brkambiental.com.br/aterro-sanitario/ https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/09/18/a-gente-nao-vive-vegeta-vitimas-do-cesio-137-relatam-dor-33-anos-depois.htm https://www.voaportugues.com/a/brasil-%C3%A9-o-sexto-pa%C3%ADs-mais-poluidor-do-mundo/5153632.html https://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/oms-80-da-populacao-urbana-mundial-vive-sob-niveis-nocivos-de-poluicao-19296625 31 centros urbanos destacados. No entanto, as mais comuns são, sem dúvida, poluição atmosférica, hídrica e térmica. 10.3 Quais são os impactos da poluição na sociedade? Como mostramos acima, a poluição provoca diversos impactos tanto ao meio ambiente quanto à sociedade. Os poluentes atmosféricos interferem nas mudanças climáticas, aumentando os efeitos do aquecimento global e, consequentemente, o derretimento das calotas polares. Além disso, também afeta os padrões de chuva, a intensidade das tempestades e características climáticas regionais, como as monções. Vale ressaltar que os poluentes presentes na camada de ozônio podem reduzir a quantidade de radiação solar que atinge a superfície do planeta, afetando a taxa na qual a água evapora e se move para a atmosfera, além de influenciar a formação de nuvens e a capacidade de transporte de água. Na saúde da população, o ar poluído afeta principalmente os pulmões, causando doenças respiratórias, cardiovasculares e até mesmo câncer. Os gases poluentes são originados do tráfego de veículos, de lixões e da agricultura, geralmente pela queima dos combustíveis fósseis. É importante destacar que cada vez mais as pessoas se conscientizam sobre os efeitos negativos da poluição por meio da educação ambiental. No entanto, é necessário adotar medidas mais amplas e eficazes, a fim de reduzi-la, e fomentar os cuidados com o meio ambiente. Ampliar o acesso à energia limpa, melhorar os combustíveis utilizados no transporte, reduzir as emissões veiculares, incentivar o tratamento dos resíduos e a coleta seletiva, aumentar a fiscalização das ações e oferecer incentivos fiscais às empresas são alguns tipos de ações que podem ser implementadas para reduzir a poluição. 10.4 Poluição genética É um termo popularizado pelo ambientalista Jeremy Rifkin em seu livro “The Biotech Century” para se referir aos riscos da introdução não intencional de genes advindos de espécies domésticas, exóticas ou de organismos geneticamente modificados (OGM) em um genoma selvagem, por ação humana. Isso pode acontecer pela reprodução, com a produção de um híbrido, ou pela incorporação direta ao genoma de um organismo. 10.5 OGM e transgênicos Os Organismos Geneticamente Modificados, como o nome diz, são aqueles que sofreram uma ou mais alterações em seus genes por meio de técnicas da engenharia genética, genericamente conhecidas como tecnologias de DNA recombinante. Mas o que é um transgênico? Organismos transgênicos são OGM que receberam genes de outros organismos. Assim, nem todo OGM é um organismo transgênico, mas todo transgênico é um OGM. Outra diferença importante é que as alterações de genes que ocorremem OGM que não sofrem transgenia são possíveis de acontecerem naturalmente em um longo período de tempo, já as que acontecem em organismos transgênicos, não. 10.6 Como os transgênicos podem afetar o meio ambiente? Os produtos transgênicos surgiram como uma resposta da biotecnologia para a produção de commodities (produtos de origem primária comercializados internacionalmente) resistentes a agrotóxicos e pragas e capazes de gerar maior lucro em menos tempo. Entretanto, não há garantias https://blog.brkambiental.com.br/mudancas-climaticas/ https://blog.brkambiental.com.br/educacao-ambiental/ https://blog.brkambiental.com.br/cuidados-com-o-meio-ambiente/ https://blog.brkambiental.com.br/separacao-do-lixo/ https://www.ecycle.com.br/transgenico-transgenicos/ 32 sobre a segurança do uso dessa tecnologia.Plantas transgênicas contêm genes de outras espécies, sejam estas outras plantas, bactérias, vírus, ou animais. Se estes genes modificados são transferidos para outros organismos, há uma contaminação genética ou poluição do fundo genético (“genetic pool”, em inglês) natural. Esse fenômeno tem o potencial de se multiplicar conforme plantas e microrganismos crescem e se reproduzem e ainda gerar resultados imprevisíveis, pois os OGM não podem ser contidos ao habitat em que foram inicialmente introduzidos. Isso gera grandes riscos para a biodiversidade e, no Brasil, vai de encontro ao Princípio da Precaução. Capítulo 11 11.1 Descarte incorreto dos resíduos sólidos Sabemos bem que precisamos recolher nosso lixo e descartá-los no local correto. Mas você já parou para analisar a quantidade de coisa que jogamos fora diariamente? Papéis, embalagens plásticas, isopor, pilhas, restos de comida, lixo do banheiro, lâmpadas queimadas, medicamentos vencidos, aparelhos eletrônicos que não funcionam mais, garrafas de vidro, óleo de cozinha usado… Tantas coisas! 11.2 Destino correto do lixo Coleta Seletiva O primeiro passo para o descarte correto do lixo é a coleta seletiva. Ela é feita de maneira bem básica com o lixo mais cotidiano da sua residência: basta separá-lo entre lixo seco (inorgânico) e lixo úmido (orgânico). O lixo orgânico é aquele de origem animal ou vegetal, como os alimentos (cascas, restos de comida etc). Já o lixo seco tem origem industrial, como as embalagens (plástico, vidro etc). A principal função da Coleta Seletiva é separar os materiais que podem ser reciclados para que sejam encaminhados aos Centros ou Cooperativas de Reciclagem. Então, para realizar a separação de maneira eficiente e garantir o descarte correto do lixo, separe todos os itens de plástico, vidro, papel ou metal e entregue para a Coleta Seletiva. https://www.ecycle.com.br/biodiversidade/ 33 O lixo orgânico pode ser compostado por um minhocário e produzir adubo para seus vasos ou horta (saiba como fazer um lendo este artigo ou se preferir, compre um em nossa loja) Vale lembrar que NÃO são recicláveis: papeis sujos com alimento ou dejetos, adesivos e fitas autocolantes, papéis metalizados ou plastificados, esponja de aço, lata de tinta ou combustível, tomada, isopor, espumas, espelhos, cristal, cerâmica e vidros temperados. 11.3 Lixo Eletrônico Entretanto, não descartamos apenas comidas e embalagens, não é mesmo? Um outro tipo de material que precisa de atenção é o lixo eletrônico, ou seja, aquele aparelho eletrônica que você não usa mais ou qualquer resíduo de equipamento eletrônico que precise ser descartado. O descarte correto do lixo eletrônico deve ser separado. Existem Cooperativas que trabalham com a reciclagem de material eletrônico, informe-se sobre a existência de alguma delas na sua cidade! Aqui em São Carlos você pode levar seu lixo eletrônico (pilhas, baterias, celulares, fone quebrado, impressora velha, monitor, tomadas, lâmpadas etc) na Universidade de São Paulo (USP) ou na Universidade Federal de São 34 Carlos (UFSCar) pois elas recolhem e reutilizam esses materiais, dando a destinação adequada. Você pode obter mais informações nos ecopontos de sua cidade. 11.4 Outros Tipos de Resíduo Você deve se atentar, também, ao descarte de medicamentos e do óleo de cozinha usado. Nosso primeiro impulso é descartá-los junto com o material orgânico… mas estaríamos cometendo um grande erro! Medicamentos vencidos devem ser levados de volta à farmácia ou à Unidade Básica de Saúde mais próxima. Se descartados de maneira incorreta, como lixo comum, podem trazer grandes prejuízos para o solo e a água. Já o óleo de cozinha usado não deve nunca ser despejado na pia. Existem diversos pontos de coleta, inclusive em supermercados ou na própria prefeitura da cidade, para esse tipo de resíduo. 11.5 Formas de contaminação genética A modificação genética de plantas pode ocasionar a contaminação genética de quatro formas, basicamente: 1. Plantas nativas próximas ao cultivo de plantas geneticamente modificadas (GM) são polinizadas por estas; 2. Plantações orgânicas ou sem modificações em seus genes são polinizadas por plantações modificadas geneticamente; 3. Uma população semi-selvagem de plantas GM se desenvolve se um cultivo geneticamente modificado sobrevive tanto em ambiente natural como no da agricultura; 4. Microrganismos no solo ou no intestino de animais que se alimentam de um cultivo geneticamente modificado adquirem os genes deste. 11.6 Invasões biológicas, erosão genética e o gene exterminador O risco da poluição genética também vem da invasão biológica, quando espécies invasoras se cruzam com espécies nativas. É cada vez mais comum as invasões de espécies advindas de atividades agrícolas e florestais. Assim, a biodiversidade também é ameaçada pela erosão genética, já que, por conta do total desuso de cultivos não híbridos (que deixam de ser rentáveis) e pela poluição genética, há o colapso de fundos genéticos de espécies nativas e perda de biodiversidade. Outro fenômeno preocupante é o chamado gene exterminador (do inglês, “gene terminator“) e suas consequências de impacto imensurável. Esse gene leva à infertilidade das sementes formadas após a primeira geração, obrigando o agricultor a comprar novas sementes para cada novo plantio, o que gera dependência para o agricultor e um lucro permanente para os produtores das sementes da primeira geração. O agravante é que, espécies modificadas com esse gene podem invadir áreas para além do seu cultivo intencional, e disseminar esse gene e seus efeitos para espécies selvagens. 11.7 O perigo da poluição genética para a soberania alimentar https://www.ecycle.com.br/o-que-e-invasao-biologica/ https://www.ecycle.com.br/biodiversidade/ 35 Por conta do mercado de commodities, a poluição genética ameaça também a soberania alimentar. Uma das bases desta é o acesso de agricultores a sementes de qualidade, mas mesmo os agricultores que não utilizam sementes geneticamente modificadas podem ter a qualidade de suas plantações alterada, sendo uma possível consequência disto a incapacidade de produzir novas gerações, caso ocorra a poluição genética advinda de uma espécie modificada com o gene exterminador. Esse risco pode ter consequências que inviabilizem a produção de alimentos e a existência de vida humana na Terra. 11.8 Como o risco da poluição genética pode ser minimizado? As empresas de biotecnologia responsáveis pela criação de novos organismos geneticamente modificados e transgênicos, em conjunto com atores políticos, podem tomar algumas medidas para reduzir o risco da poluição genética: • Avaliações independentes dos impactos ambientais devem ser realizadas a fim de evitar ao máximo o cultivo de espécies GM. • Ao plantar cultivos GM, isso pode ser feito com espaços reduzidos entre os indivíduos, pois isso tende a reduzir a abundância de flores. Nas bordas destes cultivos, podem ser plantadas fileiras de variedades de genótipos inertes, comreduzida ou sem a capacidade de gerar híbridos. • Testes de campo dos cultivos GM devem ser feitos em espaços confinados. • Além disso, é importante que novos cultivos de espécies GM não tenham lançamento comercial até a comprovação de que estes cultivos não causem poluição genética. Capítulo 12 12.1 Destruição de habitat Em todo planeta existe degradação ou destruição de habitat. Do passado até o presente, ela tende a ocorrer em locais de alta densidade humana. Isso significa que ocorre um processo de mudança nessa terra e nos recursos naturais dela, fazendo com que animais e plantas se desloquem ou deixem de existir, naquele ambiente. Causas A degradação se inicia quando o ser humano precisa manipular o meio em que vive para desenvolver atividades de produção e urbanização. Os principais fatores dessa destruição, no mundo, tem sido: • Em primeiro lugar a pecuária, que além de desflorestar, para a criação de pastos, desmata para produção de alimentação para a criação. Além disso, produz dejetos que contaminam o solo e as águas, chegando a atingir os oceanos. Nos países tropicais há uma taxa de 7 milhões de hectares devastados, todo ano, para esta atividade. Leia mais: poluição causada pela pecuária. • Agricultura: A expansão da agricultura causa impactos ambientais como: erosão, contaminação das águas com agrotóxico, compactação e impermeabilização dos solos pelo uso intensivo de máquinas agrícolas, contaminação de alimentos e animais, desmatamento da cobertura nativa; assoreamento de rios e reservatórios, disseminação de pragas, alterações no clima, e finalmente, a perda de habitat natural para animais e plantas, colocando a biodiversidade em risco. A agropecuária leva à exposição do solo, que se torna mais suscetível à erosão. • Extração de madeira: O uso da madeira e sua retirada de forma não sustentável, sem manejo apropriado, é um dos grandes fatores de desflorestamento. Um exemplo disso é a exploração da https://www.ecycle.com.br/soberania-alimentar/ https://www.infoescola.com/ecologia/recursos-naturais/ https://www.infoescola.com/geografia/urbanizacao/ https://www.infoescola.com/pecuaria/ https://www.infoescola.com/geografia/oceanos/ https://www.infoescola.com/ecologia/poluicao-causada-pela-pecuaria/ https://www.infoescola.com/ecologia/impactos-ambientais/ https://www.infoescola.com/geologia/erosao/ https://www.infoescola.com/geologia/assoreamento/ https://www.infoescola.com/ecologia/habitat/ https://www.infoescola.com/geografia/biodiversidade/ 36 madeira na Amazônia, para construção civil no país e para exportação. O desmatamento na Amazônia cresceu de forma assustadora, chegando a 19 ha/hora no início de 2019. • Construções civis: Além de transformar o espaço físico para a urbanização, há uso de madeira paras as construções. As regiões com maior número de pessoas, como a sudeste, é a que mais usa no Brasil. • Queimadas e Incêndios: São atividades realizadas geralmente para “limpar” a terra para agropecuária. Podem ser geradas de forma intencional, ou acidental, causando bastante impacto nas comunidades naturais. Quanto mais cresce a população humana de um determinado local, maior a urbanização, o que aumenta a demanda de recursos renováveis e não renováveis, de energia e cresce o impacto causado ao meio natural, nas florestas e águas do planeta. Além das florestas, o homem destrói áreas alagadiças, drenando ou aterrando para desenvolvimento de estruturas que impactam as espécies que dependem delas, como a fauna aquática, aves que se alimentam por ali, ou plantas exclusivas deste tipo de ambiente. Os manguezais são ecossistemas muito importante nas regiões tropicais do globo, além das raízes das árvores drenarem os sedimentos que descem dos rios, os manguezais são a base da cadeia alimentar marinha. São desmatados com frequência para cultivo de arroz e criação de camarão, além de aterrados, para construções. A poluição dos rios é uma atividade comum onde há ocupação humana próxima, seja pelo descarte de dejetos, produtos químicos, pesticidas, agrotóxico, etc. A poluição pode levar à morte de um rio, como ocorreu com o Rio Doce, em um derramamento de lama tóxica, em 2015. Os danos causados à fauna e flora podem ser irreversíveis. Os recifes de corais, são habitats marinhos que também sofrem com a sua destruição, podendo chegar a uma perda de 70% nas próximas décadas. Espécies endêmicas são aquelas encontradas apenas em uma região, a destruição de habitats é uma grande ameaça de extinção a essas espécies. Consequências As consequências da destruição de habitat podem ser diversas: Fragmentação de habitat, mudanças climáticas, aumento de espécies invasoras, desertificação e é a maior causa de extinção de espécies, hoje. É importante destacar que mesmo não havendo a destruição do habitat, pode haver a degradação dele, há longo prazo, com atividades que não alteram a estrutura da comunidade de imediato. A poluição ambiental, com os pesticidas, produtos químicos, emissões de esgoto industrial e urbano, emissão de gases poluentes, são algumas das situações em que há degradação do habitat ao longo de gerações, para as espécies. 12.2 Aquecimento global e a extinção de espécies O aquecimento global está intimamente relacionado com a extinção de espécies, e isso se deve ao fato de o aumento da temperatura desencadear doenças e falta de alimento. https://www.infoescola.com/geografia/desmatamento-da-amazonia/ https://www.infoescola.com/geografia/desmatamento-da-amazonia/ https://www.infoescola.com/ecologia/queimadas/ https://www.infoescola.com/biologia/aves/ https://www.infoescola.com/biologia/cadeia-alimentar/ https://www.infoescola.com/plantas/arroz/ https://www.infoescola.com/meio-ambiente/poluicao-dos-rios/ https://www.infoescola.com/produtos-quimicos/ https://www.infoescola.com/agricultura/pesticidas/ https://www.infoescola.com/biologia/recifes-de-corais/ https://www.infoescola.com/biologia/fragmentacao-de-habitat/ https://www.infoescola.com/ecologia/especie-invasora/ https://www.infoescola.com/geografia/desertificacao/ https://www.infoescola.com/biologia/extincao/ https://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2019/07/destruicao-de-habitat-19735894.jpg 37 Os ursos polares são um exemplo de espécie afetada pelo aquecimento global O aquecimento global pode ser definido como um processo em que há o aumento da temperatura média dos oceanos e da camada de ar próxima à superfície da Terra. Esse processo pode ocorrer como consequência de fenômenos naturais e também de atividades humanas. A ação humana é responsável por elevar a emissão de gás carbônico, um composto que provoca o aumento do efeito estufa. O aquecimento global desencadeia efeitos graves para o nosso planeta, tais como: derretimento das calotas polares, desaparecimento de ilhas e de regiões costeiras, além do aumento de eventos climáticos extremos, como tempestades e ondas de calor. Outro problema que merece atenção, e já pode ser notado atualmente, é a extinção de espécies de animais e plantas. 12.3 Quais espécies correm risco de extinção em razão do aquecimento global? De acordos com relatórios do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC), 30% das espécies do planeta correm o risco de desaparecer caso a temperatura global do planeta aumente 2ºC. Apesar de parecer uma mudança pequena, é suficiente para afetar diretamente várias espécies, principalmente aquelas que são sensíveis às condições ambientais, como anfíbios e fitoplâncton. Assim, houve uma queda drástica, por exemplo, no número fitoplânctons. Segundo alguns especialistas, isso ocorre por causa do aumento da temperatura das águas do mar. Esse aumento deixa a coluna de água estratificada em algumas regiões, o que dificulta a chegada de nutrientes ao fitoplâncton. Essas modificações no mar afetam toda a cadeia alimentar, uma vez que o fitoplâncton é a base dessas cadeias. • Urso-polar Não podemos esquecer de citaro símbolo maior do aquecimento global e de seu impacto na natureza: os ursos polares. Esses animais estão fortemente ameaçados, pois habitam em uma área que está sofrendo intenso degelo e, por isso, ocorreu uma redução de sua área de caça, onde eles geralmente capturavam suas presas, que sobem para respirar em espaços entre o gelo e água. Diminuindo a área de caça, reduz-se a capacidade de conseguir comida e, consequentemente, os ursos morrem. Alguns cientistas destacam ainda que essa situação causou um aumento na ocorrência de canibalismo entre esses seres. • Sapos tropicais Um caso bastante peculiar envolve algumas espécies de sapos tropicais. Segundo a WWF Brasil, mais de 70 espécies de sapos desses locais estão morrendo em decorrência da ação de fungos que se desenvolvem melhor com temperaturas mais elevadas. Isso mostra que o aquecimento global pode desencadear também o risco de doenças causadas por alguns parasitas. • Tartarugas marinhas Os problemas não param por aí. Se o aquecimento global desencadeia a elevação do nível do mar e consequente redução das áreas costeiras, um outro grupo de animais pode ser afetado: as tartarugas marinhas. Esses animais necessitam de locais adequados para colocarem seus ovos, assim, o aquecimento afeta sua reprodução. Além disso, como o sexo é determinado pela temperatura da areia, aumentos de temperatura podem afetar a proporção entre machos e fêmeas. De certa forma, todas as espécies são influenciadas pelo aumento de temperatura, uma vez que a extinção de apenas uma afeta toda a cadeia alimentar e o equilíbrio do ecossistema. Dessa forma, é fundamental https://brasilescola.uol.com.br/geografia/consequencias-do-aquecimento-global.htm https://brasilescola.uol.com.br/biologia/anfibios.htm https://brasilescola.uol.com.br/biologia/plancton.htm https://brasilescola.uol.com.br/animais/urso-polar.htm https://brasilescola.uol.com.br/geografia/a-era-degelo.htm https://brasilescola.uol.com.br/geografia/aquecimento-global.htm https://brasilescola.uol.com.br/animais/tartaruga-marinha.htm https://brasilescola.uol.com.br/animais/tartaruga-marinha.htm https://brasilescola.uol.com.br/biologia/cadeia-alimentar.htm 38 que comecemos a apresentar atitudes mais corretas com o meio ambiente a fim de garantir um planeta saudável para as futuras gerações. 12.4 A exploração animal nas indústrias de cosméticos Há décadas animais são explorados em laboratórios para teste de segurança de produtos de beleza. Vale a pena todo esse sofrimento em nome da aparência? Descubra como fazer a sua parte da luta contra exploração de animais. A exploração animal está presente em diversos âmbitos de nossas vidas. Ocorre que, em muitos casos, elas passam despercebidas, seja porque são habituais em nossa sociedade ou porque nem chegam ao nosso conhecimento. Uma forma de exploração recorrente é a que acontece nas indústrias de cosméticos! Em tais indústrias, muitos bichinhos, como coelhos, ratos e até cachorros, são utilizados em laboratórios como cobaias de testes de produtos por terem características parecidas com as dos seres humanos, como pele, olhos, etc. Esta prática é considerada atrasada, visto que já existem avanços científicos em relação a meios alternativos de se obter o teste de produtos de beleza e de cosméticos antes de chegarem nas mãos do consumidor. Entidades como a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals, em inglês – Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais), a maior e uma das principais organizações de defesa dos direitos dos animais ao redor do mundo, entre muitas outras, trabalham por meio de pesquisa, de resgate de animais e de investigações para evitar que animais indefesos sofram crueldades neste meio. É muito importante que também façamos a nossa parte! Hoje em dia, há diversas marcas de produtos de beleza e de cosméticos que não compactuam com o sofrimento animal. É só dar uma olhadinha na embalagem do produto antes de comprar e, se preciso, procurar na internet para ter certeza de que a marca não faz teste em animais. Capítulo 13 13.1 Calotas Polares: quais as consequências de seu derretimento? Não é novidade que o degelo das calotas polares vem se acelerando nas últimas décadas. Mas você sabe quais os principais impactos ambientais esse processo pode causar ao nosso planeta? Descubra neste conteúdo da Ambscience. https://diaadianoticia.com.br/proxima-pandemia-pode-ser-provocada-pelo-derretimento-de-calotas-polares/ 39 O que são calotas polares? O planeta contém grandes mantos de gelo que cobrem as áreas do pólo norte e pólo sul. Estas grandes geleiras estão presentes tanto no mar quanto nas montanhas e quando estas massas chegam a revestir áreas extensas, damos a elas o nome de calotas polares. Mas como estas massas se formam? Toda esta cobertura de gelo vem se formando desde a idade do gelo e essas áreas são de grande importância pois resultam na formação de paisagem, solo e relevo. Além disso, essas geleiras são responsáveis pelo maior volume de água doce existente no planeta. Muitas espécies se mantêm vivas graças ao derretimento destas áreas nas estações mais quentes. 13.2 Quais ações aceleram o derretimento das calotas polares? Ocorre que com o aquecimento global, a tempertura média dos oceanos sofre alteração. A alta concentração de gases do efeito estufa causa o bloqueio do calor do sol e este calor fica pairando pela superfície, elevando a temperatura do planeta. De acordo com os relatórios climáticos, o aquecimento global está diretamente associado a várias atividades humanas e tudo indica que ate 2100, a temperatura da Terra poderá aumentar entre 1,8ºC a 4ºC. Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), as calotas polares das regiões da Antártica e Groenlândia apresentam um derretimento seis vezes mais intenso do que na década de 1990. O estudo aponta que se não houver uma redução considerável dos índices de emissão de carbono, o nível do mar vai continuar se elevando, expondo a população de cerca de 400 milhões de pessoas, em diversos países, a grandes inundações costeiras nas próximas décadas. Os principais elementos produzidos nos gases de efeito estufa, além do dióxido de carbono, são: gás metano, hexafluoreto de enxofre, óxido nitroso, perfluorcarbonetos e clorocarboneto. Esses gases em sua maioria são produzidos por atividades humanas como a utilização de veículos, processos industriais, pecuária e queima de combustíveis fósseis. Estima-se que só da década de 2010 até agora, aproximadamente 475 bilhões de toneladas de gelo foram perdidas, seis vezes mais do que os 81 bilhões perdidos na década de 1990. Segundo o professor de observação da Terra na Universidade de Leeds, Andrew Shepherd, as calotas polares levaram cerca de 30 anos para responderem às alterações climáticas e acelerarem o derretimento. Porém, uma vez desencadeado este processo, ele não poderá ser revertido, ainda que a emissão de gases seja reduzida. Porém, sua diminuição pode minimizar danos futuros ao planeta. Mas como reduzir esses impactos? A primeira medida é adotando fontes de energia renováveis, diminuindo o uso de combustíveis fósseis. Outra iniciativa é reduzir a produção de lixo, incentivando práticas de reciclagem.