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36 Unidade II Unidade II 5 MANUTENÇÃO DA VIABILIDADE DA VIDA NO PLANETA Desde o surgimento do planeta, muitos ciclos climáticos ocorreram. Os continentes mudaram de lugar e o clima já variou de quase totalmente desértico até uma grande bola coberta de gelo. A variação é a regra quando pensamos na evolução das condições ambientais do planeta ao longo de sua história. Essas variações levaram a cinco grandes ondas de extinção em massa, eliminando muitas das espécies que existiam. Se a variação é a regra, por que então a preocupação em manter o planeta estável? A justificativa pela busca da manutenção da viabilidade da vida no planeta está no fato de que a variação observada nos últimos 200 anos não é resultado de um ciclo natural, mas sim das ações humanas. 5.1 Mudanças climáticas Esta é uma expressão utilizada para descrever os ciclos de variações nas condições do clima, especialmente em relação à temperatura e ao volume de chuvas nas diferentes regiões do planeta. Essas alterações ocorrem de forma regular ao longo da história geológica do planeta, estando relacionadas a variações dos sistemas internos da Terra, quedas de meteoritos e ciclos solares. O clima no planeta é dinâmico e sempre foi influenciado por eventos naturais. Porém, pela primeira vez na história, uma espécie animal está entre os principais motivos das modificações climáticas. A ação humana vem alterando drasticamente os padrões naturais dessa dinâmica planetária. O aumento da temperatura global é causado diretamente pela liberação de carbono na forma de gás na atmosfera, decorrente da queima de combustíveis e do desmatamento. Vale destacar que os termos mudança climática e aquecimento global não devem ser confundidos: Aquecimento global Os termos “aquecimento global” e “mudanças climáticas” são, muitas vezes, usados de maneira intercambiável, mas isso não quer dizer que eles signifiquem a mesma coisa. O aquecimento global se refere ao aumento das temperaturas a longo prazo do nosso planeta causado por atividades humanas, observado e documentado desde o período pré‑industrial, no fim do século 19. Desde então, estima‑se que atividades humanas – principalmente a queima de combustíveis fósseis – já tenham aumentado a temperatura da Terra em mais de 1 °C, e esse número segue aumentando. 37 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Efeito estufa O aquecimento do nosso planeta impulsionado pela queima de combustíveis fósseis ocorre pelo efeito estufa. Ao queimar combustíveis fósseis – como carvão, petróleo ou gás –, gases de efeito estufa são emitidos na atmosfera, como dióxido de carbono e metano. Esses gases ficam “presos” na atmosfera do nosso planeta, atuando como um cobertor gasoso que retém o calor dos raios solares e aumenta a temperatura. Diversas atividades do nosso dia a dia resultam na emissão de gases de efeito estufa, desde usar gasolina para dirigir um carro, até a atividade industrial e o desmatamento de florestas. Mudanças climáticas O uso do termo mudanças climáticas se refere a um conjunto mais amplo de mudanças que ocorrem na temperatura e no clima, o que também inclui o aquecimento global, mas não se limita a ele. Ao falar de mudanças climáticas, também estamos nos referindo à elevação do nível do mar; redução de geleiras nas montanhas; à aceleração do derretimento do gelo nos polos; e às mudanças no comportamento da flora e da fauna. Todas estas mudanças são resultado direto do aquecimento no nosso planeta, e costumam nos afetar mais e mais rápido do que o aumento das temperaturas em si. “Um dos maiores fatores das mudanças climáticas é o aquecimento global, causado pela grande emissão de gases de efeito estufa”, resumiu Virginia Parente, professora do Instituto de Energia e Ambiente da USP (Pinotti, 2025). Os indivíduos que são obrigados a abandonar temporária ou definitivamente suas residências, pressionados por desastres naturais, são denominados genericamente de refugiados ambientais. Esse termo foi usado pela primeira vez na década de 1980 por Essam El‑Hinnawi, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Refere‑se às pessoas forçadas a deixar seu lugar, temporária ou permanentemente, devido a uma perturbação ambiental acentuada (natural e/ou desencadeada). Lembrete Atualmente, autores como Ian Angus apontam que vivemos a era do Antropoceno, em que o ser humano se tornou uma força destruidora do meio ambiente. 38 Unidade II Devemos ainda considerar que o impacto desses desastres não atinge de forma homogênea os diferentes países do mundo. Geralmente, as pessoas em maior vulnerabilidade social são as principais vítimas. Dessa forma, no atual cenário das mudanças climáticas, provocadas especialmente pelas ações humanas, observa‑se um aumento do número de pessoas na condição de refugiadas ambientais. 5.2 Aquecimento global A concentração dos gases que compõem a atmosfera da Terra não permaneceu a mesma ao longo da história geológica do planeta, variando conforme o clima, as erupções vulcânicas e o tipo de seres vivos aqui presentes. Por exemplo, antes de existirem seres autótrofos fotossintetizantes (algas e plantas), o gás oxigênio não fazia parte da atmosfera, e quando os seres heterótrofos aeróbios surgiram, a concentração de gás carbônico aumentou. O clima influencia a concentração de gases, pois favorece a maior quantidade e diversidade de seres vivos. Em períodos mais frios, a área dos continentes coberta por florestas diminui, o que altera a concentração de gases atmosféricos. Quando um vulcão expele gases que estavam presos abaixo do solo, a atmosfera também é afetada. Esses são exemplos do dinamismo das condições ambientais do planeta. Nos últimos 200 anos, a concentração de gases na atmosfera, especialmente os compostos de carbono, aumentou significativamente, um evento global sem precedentes. A principal causa desse aumento é a ação humana. Quadro 1 – Gases que causam o efeito estufa e a contribuição de cada um deles para o aquecimento global Gás Contribuição Gás carbônico (CO2) 49% Metano (CH4) 18% Clorofluorcarbonetos (CFCs) 14% Óxido nitroso (N2O) 6% Vapor d’água e outros gases 13% Fonte: Grupo UNIP/Objetivo. O carbono que hoje está no ar encontrava‑se, anteriormente, em reservatórios no subsolo. Volumes massivos de biomassa de seres vivos passaram por decomposição incompleta e foram mineralizados sob a forma de petróleo, gás natural e carvão mineral, o que chamamos de combustíveis fósseis. Os combustíveis fósseis sempre estiveram disponíveis para o uso humano, em especial o carvão mineral, mas foi somente quando grandes volumes desse material passaram a ser utilizados nas indústrias que seu uso se tornou um problema. 39 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Figura 9 – Plataforma de exploração de petróleo Disponível em: http://bit.ly/3JPrIPA. Acesso em: 5 set. 2025. Figura 10 – Mineração de carvão mineral Disponível em: http://bit.ly/4m8bhvf. Acesso em: 5 set. 2025. A partir de 1800, começou o processo de produção em massa de bens e o ser humano entrou no período da industrialização. As indústrias precisavam de uma fonte de energia e, inicialmente, o carvão e, depois, o petróleo e o gás natural passaram a ser usados em volumes e quantidades cada vez maiores. A partir do início do século XX, os automóveis se tornaram uma nova fonte de consumo de petróleo e, mais tarde, no mesmo século, os aviões também começaram a consumir derivados de petróleo. A exploração dos derivados de petróleo cresceu continuamente desde o início da industrialização até 2021. Todo esse carbono, que estava reservado como mineral no subsolo, passou a ser inserido na atmosfera, na forma gasosa, pelo processo de combustão. A concentração de gás carbônico na atmosfera aumentou 150% entre o período pré‑industrial e 2021 (figura 11). 40 Unidade II China India Africa Oceania 1750 1850 1950 20211800 1900 South America North America (excl. USA) Asia (excl. China and India) United States European Union (27) European (excl. EU‑27) 1.6trillion t 1.4 trillion t 1.2 trillion t 1 trillion t 800 billion t 600 billion t 400 billion t 200 billion t 0 t Figura 11 – Concentração de carbono na atmosfera nos últimos três séculos Fonte: Cumulative […] (2025). O gás carbônico é um dos principais gases do efeito estufa, sendo o metano o segundo mais relevante. Cada molécula desse gás funciona como um pequeno espelho, refletindo o calor emanado pela terra de volta para ela. Se os gases não estivessem presentes, a energia (calor) seria liberada do planeta em direção ao espaço. O aumento da concentração desses gases faz com que mais energia (calor) seja mantida na atmosfera, elevando a temperatura média do planeta. Observação Rigorosamente, o termo calor refere‑se à energia em trânsito, ou seja, a energia que flui de um corpo para outro em virtude da diferença de temperatura entre eles. O aumento da temperatura do planeta afeta o metabolismo de todos os seres vivos. No entanto, alguns são mais sensíveis do que outros a esse aumento, como é o caso dos animais que formam os recifes de corais (figura 12). Atualmente, a distribuição desses organismos vem sendo modificada e, uma vez que são a base de muitas cadeias alimentares, a existência de muitos seres vivos está ameaçada. 41 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Figura 12 – Despigmentação de corais causada pelo aumento da temperatura da água do mar Disponível em: http://bit.ly/4ngfj5A. Acesso em: 5 set. 2025. No ambiente terrestre, microrganismos presentes no solo são particularmente sensíveis ao aumento de temperatura, o que também afeta a distribuição e a existência de animais e plantas. Observação O sequestro de carbono refere‑se a procedimentos voltados à retirada de CO2 da atmosfera, dado que o aumento da concentração desse gás intensifica o efeito estufa. Entre esses procedimentos, destacam‑se: • o reflorestamento, já que as árvores, ao realizarem fotossíntese, consomem gás carbônico; • a injeção de CO2 em regiões profundas dos oceanos, onde o gás se combina com a água do mar. No entanto, cabe ressaltar que este último procedimento eleva a concentração de CO2 no local de injeção, causando a dissolução de corais e conchas. 5.3 Destruição de habitats Para que os seres vivos prosperem, é necessário que os ambientes em que vivem, ou seja, os ambientes para os quais estão evolutivamente adaptados, estejam viáveis. Quando desmatamos uma área, os organismos que viviam ali não são capazes de se mudar para outros ambientes. A destruição de habitats pela humanidade é um dos maiores desafios para a manutenção da biodiversidade do planeta. 42 Unidade II Figura 13 – Retirada de madeira da floresta Disponível em: http://bit.ly/3I8j8eg. Acesso em: 5 set. 2025. A população humana demanda cada vez mais espaço e insumos. Desmatamos áreas verdes para a produção de alimentos, a mineração e a construção de casas, rodovias e ambientes de lazer. O crescimento da população humana demanda novas áreas para moradia. Além disso, as cidades estão cada vez maiores. É comum, ainda, que muitas famílias construam casas de veraneio, de modo que uma única família pode ter mais de um imóvel. A produção de alimentos, embora tenha avançado significativamente no campo tecnológico, levando a uma maior produtividade por área do que no passado, também evoluiu na utilização de nutrientes e defensivos agrícolas que, muitas vezes, extrapolam os limites da área de cultivo e alcançam o ambiente natural. Alguns desses nutrientes e defensivos podem ser prejudiciais aos seres vivos que ali habitam. Para a produção de carne, por exemplo, com frequência ocorre a retirada de árvores em florestas ou a ocupação de áreas como o cerrado brasileiro, que, embora, não seja uma formação florestal propriamente dita, possui elevado e ainda não totalmente compreendido valor ecológico. Ainda, com o desenvolvimento tecnológico atual, a exploração de novos tipos de minérios tornou‑se necessária. Substâncias do subsolo que antes não eram utilizadas passaram a fazer parte de novos dispositivos, como carros elétricos e computadores modernos. A busca por esses novos minérios gera grande impacto ambiental. Além disso, continuamos a explorar minérios já conhecidos, como o ouro e o ferro, muitas vezes de forma ineficiente, embora já existam técnicas menos agressivas, porém menos lucrativas. Atualmente, o número de veículos é muito maior do que no passado, assim como as necessidades e possibilidades de deslocamento entre cidades. Essa maior capacidade de locomoção exige mais e maiores estradas. Entretanto, quando uma rodovia corta um ambiente natural, ela impede o trânsito seguro de animais: os menores não conseguem atravessá‑la e os maiores são frequentemente atropelados. Assim, ao 43 EDUCAÇÃO AMBIENTAL atravessar uma área natural, a estrada praticamente a divide em duas, dificultando que animais de um lado alcancem o outro. Essa redução do ambiente disponível para os animais pode ser extremamente danosa para as populações, especialmente por favorecer o isolamento reprodutivo. Figura 14 – Uma estrada de rodagem que pode ser um obstáculo intransponível para pequenos animais e um risco de atropelamento para animais maiores Disponível em: http://bit.ly/483NyJc. Acesso em: 5 set. 2025. Outro ponto importante na discussão sobre a destruição de habitats é o fato de que muitas espécies não têm ampla distribuição geográfica. Em outras palavras, diversas espécies são endêmicas ou microendêmicas, ou seja, existem exclusivamente em determinado ambiente (endêmicas) ou apenas em ambientes de dimensões pequenas (microendêmicas). Espécies de sapos que habitam um único rio podem ser extintas se houver alteração na qualidade da água, na cobertura vegetal da margem ou até na temperatura do rio. Conforme discutido anteriormente, algumas espécies podem ter potencial para a produção de medicamentos ou para aplicações em transgenia. Caso se tornem indisponíveis, a humanidade perderá um valioso recurso para a manutenção do seu futuro. Saiba mais Para saber mais sobre endemismo, consulte a matéria a seguir: ZATELLI, K. S. Endemismo: passado, presente, futuro. Mata Nativa, 19 fev. 2019. Disponível em: http://bit.ly/4mCSwB7. Acesso em: 28 ago. 2025. 44 Unidade II 5.4 Questão energética A função da tecnologia é melhorar a qualidade de vida da humanidade. No entanto, muitas vezes, as demandas requeridas pelas novas tecnologias podem representar riscos para o ambiente e para a própria sociedade. Um exemplo é a crescente necessidade de energia elétrica. No Brasil, a maior parte da energia é obtida por meio de usinas hidroelétricas. Assim, se a demanda aumentar, será necessário construir novas usinas ou recorrer a outras formas de geração, como a nuclear. No caso das hidroelétricas, sua construção costuma ser bastante danosa ao meio ambiente, pois modifica o curso dos rios de que dependem, impedindo que os seres vivos que neles habitam completem seus ciclos de vida. Além disso, os reservatórios das usinas alagam vastas áreas verdes e modificam o microclima da região, ampliando o impacto para além das margens do rio. Em resumo, as hidrelétricas apresentam como benefícios: • produção de energia elétrica de fonte renovável; • custo de produção mais baixo se comparado a outras fontes; • fornecimento de água para consumo humano e animal e para irrigação; • geração de empregos; • auxílio na estabilidade da rede elétrica; • possibilidade de aquicultura (criação de peixes ou outros animais aquáticos); • criação de áreas de lazer, turismo e esportes que atendem as comunidades do entorno. Contudo, mesmo apresentando diversas vantagens, as usinas hidrelétricas não estão livres de impactos socioambientais. Entre eles, talvez o mais significativo seja a inundação de grandes áreas a montante da represa para a formação da barragem (também chamada de lago em alguns locais). Esse terreno inundado pode incluir a moradia de famílias, comunidades ou cidades inteiras, que precisam ser realocadas. Esseslocais também abrigavam espécies animais que terão de migrar para outras áreas (com ou sem a ajuda do homem), além de espécies vegetais que ficam submersas e acabam morrendo. O solo e as rochas da área alagada podem conter minerais, bem como registros arqueológicos e paleontológicos, que se tornam inacessíveis para exploração. Essas áreas deixam ainda de ser aproveitáveis para atividades agropecuárias. As barragens também modificam o fluxo natural do rio, interferindo em processos biológicos, como a reprodução de peixes e outros organismos aquáticos, o que pode levar à extinção de espécies ou ao desequilíbrio da cadeia trófica. 45 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Além disso, a quantidade de água mobilizada no represamento pode afetar o microclima da região. O acúmulo de água favorece a evaporação, alterando o ciclo hidrológico local. Esse tipo de estrutura pode ter efeito na composição da atmosfera. A energia hidrelétrica deixou de ser classificada como uma fonte de energia totalmente limpa desde que estudos comprovaram a emissão de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono e metano. Apesar de essas emissões serem muito menores do que as derivadas dos combustíveis fósseis, elas não podem ser ignoradas, já que resultam da decomposição de matéria orgânica (vegetal e animal) que se acumula no fundo da área alagada em decorrência do represamento. Figura 15 – Usina hidroelétrica de Itaipu Disponível em: http://bit.ly/468CKHm. Acesso em: 5 set. 2025. Lembrete O principal responsável pelo efeito estufa é o gás carbônico, ou dióxido de carbono (CO2), mas há outros gases que também contribuem para isso, como: • o metano (CH4), um gás incolor e inodoro oriundo da decomposição de material orgânico; • os clorofluorcarbonetos (CFCs), gases oriundos da utilização de aerossóis, solventes, aparelhos de ar‑condicionado e geladeiras; • o óxido nitroso (N2O), um gás incolor, conhecido como gás hilariante, oriundo da reação entre o nitrogênio e o oxigênio. 46 Unidade II Já são conhecidos os efeitos deletérios da liberação excessiva de CO2 na atmosfera por atividades humanas sobre o efeito estufa, especialmente devido à queima de combustíveis fósseis para a geração de energia. Nesse contexto, discute‑se cada vez mais a importância da implementação de fontes energéticas de baixo impacto. Muitos defendem as usinas hidrelétricas como alternativas limpas, mas estudos recentes têm refutado essa visão ao revelar que seus reservatórios de água são emissores de metano (CH4), um dos gases do efeito estufa resultante da degradação anaeróbica de matéria orgânica. O CH4 é o principal componente do chamado biogás e é produzido por bactérias metanogênicas, que necessitam de gás carbônico (CO2), de um substrato oxidável e de uma fonte de nitrogênio, entre outros fatores ambientais, para se desenvolver. Nas usinas hidrelétricas, a formação de metano está associada à decomposição anaeróbica de plantas macrófitas no fundo do reservatório. Essas plantas herbáceas crescem com facilidade no lamaçal nas chamadas zonas de deplecionamento, áreas do reservatório que ficam expostas quando o volume de água atinge o mínimo operacional. Quando o nível da água volta a subir, essa vegetação fica submersa, favorecendo sua decomposição por bactérias metanogênicas e, consequentemente, a liberação de metano. Na hidrelétrica de Balbina, no estado do Amazonas, a área de deplecionamento corresponde a 22% do total da área inundada pelo represamento do rio Uatumã. Em virtude da constante flutuação no nível da represa, há uma produção intensa e contínua de metano, que será liberado na atmosfera, contribuindo para o agravamento do efeito estufa. Lembrete É importante lembrar que o efeito estufa é o nome dado ao fenômeno atmosférico em que uma camada de gases, como metano e gás carbônico, impede que a energia irradiada pela superfície do planeta, após ser aquecida pelo sol, se dissipe para as camadas mais altas da atmosfera. Essa retenção de energia é um mecanismo natural, responsável por manter a temperatura da Terra em níveis compatíveis com a vida. No entanto, o excesso de energia retida provoca o superaquecimento do planeta e, como consequência, o degelo dos polos, a elevação dos níveis dos oceanos, mudanças climáticas imprevisíveis, entre outros efeitos indesejáveis. 47 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Projeção: UTM ‑ Zona 20 S Datum: WGS 84 60º 0’ 0’’ W 60º 0’ 0’’ W 59º 0’ 0’’ W 59º 0’ 0’’ W 2º 0’ 0’’ S 1º 0’ 0’’ S 2º 0’ 0’’ S 1º 0’ 0’’ S N Florestas e áreas desmatadas Deplecionamento Sombras/Nuvens Água 0 25 50 Km Figura 16 – Mapa da região da hidrelétrica de Balbina, com base em sensoriamento remoto. As áreas de deplecionamento (em amarelo) são as principais geradoras de metano Adaptada de: Feitosa, Graça e Fearnside (2007, p. 6714). Em diversas partes do mundo, a obtenção de energia elétrica não está tão associada ao represamento de rios. Ela pode ser obtida, por exemplo, por meio da queima de combustíveis fósseis, em especial gás natural e carvão mineral, como é o caso das termelétricas. Em relação às termelétricas, vale destacar: • nas que utilizam carvão mineral, os impactos ambientais decorrem da mineração desse combustível e da emissão de gases poluentes na atmosfera. • nas que usam gás natural, os impactos ambientais estão relacionados tanto à emissão de gases poluentes para a atmosfera quanto ao elevado volume de água necessário para resfriamento. Em regiões sem a disponibilidade desses combustíveis (carvão e gás natural), recorre‑se às usinas nucleares para a produção de energia elétrica. Enquanto a queima de combustíveis fósseis libera gás carbônico para a atmosfera, nas usinas nucleares os riscos e danos ambientais estão relacionados à extração de materiais radioativos do solo, ao descarte dos resíduos radioativos após a produção de 48 Unidade II energia e à possibilidade de acidentes – tanto nas operações do ciclo do combustível nuclear quanto no funcionamento dos reatores –, que podem liberar radioisótopos. O Japão, por exemplo, faz amplo uso de energia nuclear, e o descarte da água aquecida dos reatores altera a temperatura do mar ao redor das usinas, modificando o ambiente e impossibilitando a manutenção da vida natural. Observação O ciclo do combustível nuclear corresponde ao conjunto de todas as etapas do processo industrial que transforma o minério de urânio encontrado em minas (com cerca de 0,7% de U‑235, isótopo físsil do urânio) no combustível nuclear usado nas usinas (com 3% a 5% de U‑235). Saiba mais Para saber mais sobre o enriquecimento de urânio pelo método da ultracentrifugação gasosa e sobre os riscos de um possível acidente em uma planta que utilize esse processo, leia a dissertação indicada a seguir. LAURICELLA, C. M. Análise de perigos em instalações de enriquecimento isotópico de urânio. 1998. Dissertação (Mestrado em Tecnologia Nuclear) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998. Figura 17 – Usina nuclear Disponível em: http://bit.ly/47oMBuO. Acesso em: 5 set. 2025. 49 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Saiba mais Entenda o processo de obtenção de energia atômica e suas implicações assistindo ao vídeo a seguir: URÂNIO enriquecido: o que é? A guerra no Oriente Médio no foco das atenções globais. Tempo e Dinheiro, 23 jun. 2025. Disponível em: http://bit.ly/45GIM2V. Acesso em: 28 ago. 2025. Existem, porém, alternativas mais sustentáveis, chamadas de energia limpa, como a eólica e a fotovoltaica. Embora os danos causados por essas modalidades sejam menores e mais facilmente mitigados, essas formas de geração de energia também apresentam desafios. A energia eólica, por exemplo, é uma fonte alternativa e renovável de eletricidade. Nos geradores eólicos (aerogeradores), o vento movimenta as pás, que acionam os geradores elétricos. Para garantir sua eficiência, os parques eólicos precisam ser instalados em locais com ventos intensos e constantes. Figura 18 – Turbinas para a geração de energia eólica Disponível em: http://bit.ly/47qivqP.Acesso em: 5 set. 2025. Mas a produção de energia eólica pode gerar impactos físicos sobre os animais que vivem no entorno dos parques, além de emitir barulhos que podem dificultar ou até inviabilizar a ocupação humana dessas áreas e afetar a fauna local. Já a energia fotovoltaica exige áreas extensas para a instalação dos painéis solares, o que leva à ocupação de espaços naturais. 50 Unidade II Também merecem destaque outras alternativas energéticas, como: • o biodiesel, uma fonte renovável obtida da biomassa, matéria orgânica de origem animal ou vegetal, que pode ser usada para a produção de energia; • o hidrogênio, uma fonte renovável e abundante empregada em células a combustível, dispositivos eletroquímicos nos quais ocorre a chamada combustão fria, com geração de energia, água e corrente elétrica. Embora esses processos causem menos danos ambientais, ainda enfrentam desafios de eficiência na produção de energia e apresentam aspectos negativos que se revelam conforme seu uso se expande. Enfim, diversos avanços tecnológicos na obtenção de energia foram alcançados recentemente, mas ainda não são suficientes para atender de forma eficaz à crescente demanda de energia. 5.5 Estiagem e regime de chuvas A região Sudeste do Brasil foi fortemente afetada por uma estiagem prolongada entre os anos de 2014 e 2015, com repercussões dentro e fora do país. Essa região abriga grandes metrópoles que concentram boa parte da população, da atividade industrial e do consumo de água do Brasil. Esse evento climático teve impactos profundos no abastecimento de água urbano, na produção agrícola, na geração de energia hidrelétrica e na saúde pública, afetando a vida de milhões de brasileiros. Evidências científicas, dados meteorológicos e estudos hidrológicos indicam que a estiagem não pode ser atribuída a uma única causa, mas sim a um conjunto de fatores interligados, incluindo alterações climáticas globais, fenômenos atmosféricos regionais, mudanças no uso e na ocupação do solo e deficiências na gestão hídrica. Entre os fatores envolvidos, destacam‑se: • Anomalias no regime de chuvas: na época da crise, houve drástica redução das precipitações, especialmente durante o verão, devido à influência da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Isso comprometeu a recarga dos mananciais. Além disso, sistemas de alta pressão (conhecidos como “bolhas quentes”) sobre o oceano Atlântico Sul e o interior do continente bloquearam a chegada de frentes frias e inibiram a formação de nuvens carregadas, mantendo o ar seco. • Oscilações climáticas globais: foi registrada a ocorrência do El Niño – Oscilação Sul (Enos) de intensidade moderada, que alterou os padrões de circulação atmosférica na América do Sul, reduzindo a incidência de chuvas no Sudeste e Centro‑Oeste. Também foi identificada a influência da Oscilação Decadal do Pacífico e anomalias na temperatura da superfície do Atlântico Tropical Sul. Esses eventos combinados reduziram a chegada de umidade ao interior do continente e a formação de chuvas na região Sudeste. 51 EDUCAÇÃO AMBIENTAL • Urbanização e uso do solo: a região Sudeste concentra grande parte da população brasileira e apresenta alto grau de urbanização e uso do solo. Quando a urbanização é feita sem planejamento e de maneira desordenada, ela provoca desmatamento, perda da cobertura vegetal, impermeabilização do solo e aumento do escoamento superficial, além de acarretar alterações no ciclo hidrológico regional. A consequência disso é a interferência na umidade do ar e na formação de nuvens. • Gestão dos recursos hídricos: outro efeito do adensamento populacional da região Sudeste é o descontrole na utilização dos recursos hídricos. Durante os anos que antecederam a crise, houve superexploração dos principais mananciais da região, como o Sistema Cantareira em São Paulo. Somam‑se a isso fragilidades na infraestrutura hídrica, como a falta de interligação entre sistemas de abastecimento, a limitada diversificação das fontes de água, vazamentos na rede de distribuição e a ausência de campanhas educativas permanentes sobre o uso racional da água. A carência de planejamento integrado e de políticas preventivas contribuiu significativamente para a gravidade da crise. Diante desse cenário, diversos efeitos impactaram a população, suas atividades e os ambientes naturais. Houve racionamento de água, afetando a qualidade de vida da população e as atividades industriais. A produção agrícola também caiu (por exemplo, café, cana‑de‑açúcar e hortaliças), refletindo na economia regional e nacional. A energia ficou mais cara, pois as hidrelétricas operaram com níveis reduzidos, sendo necessário acionar usinas termelétricas, mais caras e poluentes. Além disso, houve impactos na saúde pública, como a proliferação de doenças associadas ao armazenamento inadequado de água. Portanto, a grande estiagem de 2014‑2015 no Sudeste brasileiro foi causada por uma combinação complexa de fatores climáticos, ambientais e humanos. Esse evento reforça a importância de uma abordagem interdisciplinar e preventiva na gestão dos recursos hídricos, integrando ciência climática, planejamento territorial, educação ambiental e governança participativa. Diante das mudanças climáticas em curso, eventos extremos, como secas prolongadas, tendem a se tornar mais frequentes e intensos, exigindo planejamento adaptativo por parte das autoridades e da sociedade. 5.6 Antropoceno Para ilustrar o impacto do ser humano moderno sobre o ambiente natural, podemos recorrer ao termo Antropoceno, que define uma era geológica em que o clima do planeta é fortemente influenciado pelas atividades humanas. O tempo geológico da Terra é dividido em eras, que se distinguem umas das outras por padrões de comportamento naturais do planeta, separados por períodos de relativa estabilidade. Muitos cientistas, porém, defendem que, recentemente, as ações humanas passaram a ser o principal fator de modificação climática, impactando profundamente o ciclo do planeta. Assim, a adoção de medidas adaptativas e/ou mitigadoras de danos é emergencial para garantir às futuras gerações um ambiente viável para sua existência. 52 Unidade II Saiba mais Entenda a trajetória da espécie humana no tempo geológico do planeta assistindo ao vídeo disponível a seguir: ESCALA geológica do tempo | Série Evolução Humana | Ep. 03. 2020. 1 vídeo (14 min). Publicado por Canal USP. Disponível em: http://bit.ly/3Jw0fCB. Acesso em: 28 ago. 2025. 6 RISCOS DAS AÇÕES HUMANAS PARA O AMBIENTE Apesar de o ser humano possivelmente não ser capaz de acabar com a vida no planeta, no limite ele pode ser o responsável pela extinção da vida humana sobre ele. A luta pela manutenção de um planeta viável para todas as espécies é, em uma visão aprofundada, a luta pela preservação da própria humanidade, garantindo que, no futuro, sua existência ocorra da forma mais confortável possível. Quando causamos uma extinção, agredimos diretamente uma espécie, fazendo com que ela deixe de existir. Em algum momento, podemos acabar eliminando espécies vitais para a nossa sobrevivência. Muito se comenta sobre a qualidade de vida e a viabilidade do ambiente natural para sustentar as próximas gerações. Esse discurso pode soar um pouco extremo, mas precisa ser considerado. Quando degradamos o ambiente a ponto de causar modificações nas comunidades do planeta, colocamos em risco a manutenção de um sistema sobre o qual não temos total domínio, sobretudo no que se refere às suas interações com os seres vivos. O risco de tornarmos o planeta inabitável para os humanos é real e deve ser levado em conta em todas as nossas escolhas, desde o consumo cotidiano até as políticas nacionais e mundiais que apoiamos. Nesse sentido, química verde, também conhecida como química limpa ou química sustentável, é uma abordagem que busca reduzir os danos ao meio ambiente e à saúde humana causados pelas atividades de desenho, desenvolvimento e implementaçãode produtos e processos químicos. Para atingir esse objetivo, de acordo com os preceitos da química verde, é necessário: • sintetizar e transformar produtos químicos de maneira mais limpa, eficiente e segura; • minimizar o desperdício e o impacto ambiental ao longo de todo o ciclo de vida do produto, desde a matéria‑prima até a disposição final. 53 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Os 12 princípios da química verde, elaborados pelo Instituto Americano de Química Verde (American Chemical Society Green Chemistry Institute – ACS GCI), oferecem as diretrizes para o desenvolvimento de processos químicos mais sustentáveis: • Prevenção: é preferível evitar a formação de resíduos perigosos do que tratá‑los posteriormente. • Eficiência atômica: devem ser projetadas metodologias que maximizem a incorporação dos átomos dos reagentes no produto final. Quanto menor o desperdício, maior a eficiência. • Síntese segura: sempre que possível, deve‑se optar pela síntese de substâncias com baixa ou nenhuma toxicidade à saúde humana e ao meio ambiente. • Desenvolvimento de produtos seguros: os produtos gerados, após cumprirem sua função, não devem ser tóxicos ao ambiente. • Uso de solventes e auxiliares seguros: devem ser utilizados solventes e auxiliares de processos com menor toxicidade e impacto ambiental. • Eficiência energética: deve‑se minimizar o consumo de energia nos processos químicos e utilizar fontes renováveis sempre que possível. É preferível desenvolver processos que ocorram em condições ambientes. • Uso de matérias-primas renováveis: devem ser utilizadas matérias‑primas renováveis em vez de recursos não renováveis, priorizando o uso de biomassa sempre que possível. • Redução de derivados químicos: deve‑se minimizar o uso de grupos protetores e/ou modificadores (por exemplo, proteção e desproteção temporárias de grupos funcionais), pois são mais difíceis de decompor e podem gerar resíduos indesejados. • Catálise: devem ser usados catalisadores seletivos e eficientes, a fim de reduzir o consumo de reagentes e aumentar a velocidade das reações químicas. • Produtos degradáveis: deve‑se projetar produtos químicos biodegradáveis, evitando seu acúmulo no meio ambiente. • Monitoramento em tempo real para prevenção da poluição: devem ser desenvolvidos métodos de monitoramento em tempo real para prevenir a poluição. A formação de substâncias tóxicas deve ser prevista antes da sua geração para que qualquer desvio possa ser corrigido a tempo. • Química intrinsecamente segura: é importante prevenir acidentes durante e após a realização dos processos químicos. 54 Unidade II 7 HISTÓRICO MUNDIAL Para uma análise crítica da situação atual, é necessário que os processos históricos relacionados ao tema meio ambiente sejam apresentados. No caso da educação ambiental, o processo histórico é particularmente instigante, afinal, o ser humano chegou à Lua antes de começar a se preocupar com a questão ambiental. No começo do século XIX, um acelerado processo de urbanização acompanhou os primeiros passos da industrialização. A produção artesanal de bens foi substituída pela produção em larga escala de produtos uniformes. Para abastecer essa nova dinâmica produtiva, grandes quantidades de carvão mineral passaram a ser utilizadas e, para movimentar essa indústria, muitas pessoas abandonaram as áreas rurais e acumularam‑se em áreas muito mais densamente povoadas: as cidades. Essa nova realidade trouxe diversos desafios, sobretudo em relação a problemas que antes não existiam. O saneamento básico é um dos exemplos mais claros. A qualidade do ambiente urbano, em especial a salubridade do solo, da água e do ar, afetados pelos resíduos da produção industrial, também se tornou um ponto de atenção, visto que, muitas vezes, o descuido com essas condições culminou em grandes desastres ambientais. A Europa estava na vanguarda do processo de industrialização, e foi nesse contexto que ocorreram os primeiros desastres com perda de vidas humanas. Na Bélgica, em 1930, um episódio de inversão térmica no vale do Meuse levou ao aumento das concentrações de poluentes atmosféricos emitidos por indústrias siderúrgicas, causando o adoecimento de mais da metade da população e levando ao acréscimo significativo da mortalidade por doenças cardiorrespiratórias, que atingiram principalmente pessoas idosas (Firket, 1931). Nos Estados Unidos, a industrialização seguiu os modelos desenvolvidos na Europa. Em 1948, na pequena cidade de Donora, no estado da Pensilvânia, metade da população (cerca de 6 mil pessoas) adoeceu e 20 pessoas morreram em decorrência de um episódio de inversão térmica que elevou as concentrações de poluentes oriundos das indústrias localizadas na região (Ciocco; Thompson, 1961). No entanto, os problemas ambientais não eram exclusividade de países em rápido processo de industrialização. Vejamos um exemplo. Na década de 1940, a primeira‑dama Darcy Vargas fundou um complexo educacional para crianças carentes no município de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Pouco tempo depois, o Ministério da Saúde instalou no local uma fábrica de pesticidas para enfrentar a malária, que era endêmica na região naquela época. Nos anos 1950, a fábrica foi desativada e todo o material ali abandonado começou a se espalhar e se infiltrar no solo, provocando um processo de contaminação do meio ambiente e da população que não foi solucionado até hoje (Herculano, 2002). Outro episódio relevante ocorreu em Londres, no inverno de 1952. Após um período de inversão térmica associado a um maior uso de carvão para a calefação dos ambientes, houve aumento da concentração dos poluentes atmosféricos, provocando a morte de aproximadamente 4 mil pessoas. 55 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Assim como em Meuse, a população de pessoas idosas e com doenças cardiorrespiratórias foi a mais afetada (Logan, 1953). Em 1953, na baía de Minamata, no Japão, milhares de pessoas sofreram com os efeitos da contaminação por metilmercúrio (uma variação orgânica do mercúrio), responsável por acarretar desde pequenos problemas neurológicos até o nascimento de bebês com mutações genéticas. A doença recebeu o nome de mal de Minamata e só foi confirmada nos anos 1960, momento em que um episódio com as mesmas características de contaminação e manifestação de doenças ocorreu na cidade de Niigata (Bisinoti; Jardim, 2004). Figura 19 – Vítimas e apoiadores desfrutam de uma noite de relaxamento após sessão de julgamento do processo contra a empresa responsável pela contaminação, 1972 Fonte: Magno (2023, p. 232). Nessa época, iniciaram‑se as discussões sobre a qualidade ambiental, que permaneceram, por um bom tempo, exclusivamente no campo teórico. Um episódio marcante ocorreu em 1976, em Seveso, na Itália, quando a explosão de um reator químico liberou dioxina, resultando em 193 casos de cloroacne e na evacuação de mais de 700 pessoas da região. Em 1984, na cidade de Bhopal, na Índia, cerca de 40 toneladas de gases tóxicos fatais vazaram na fábrica de pesticidas da empresa norte‑americana Union Carbide. Aproximadamente 2,5 mil pessoas morreram imediatamente após o acidente e outras 8 mil faleceram nos três dias seguintes (Andersson et al., 1988). Na ocasião, alguns moradores próximos à fábrica foram os primeiros a notar um cheiro forte – e seus olhos começaram a arder. Alguns disseram que “parecia que alguém estava queimando um monte de pimenta”. 56 Unidade II O cheiro ficou ainda pior e mais forte. As pessoas logo começaram a se queixar de falta de ar e a vomitar. Caos e pânico eclodiram na cidade e em áreas vizinhas. Dezenas de milhares de pessoas tentaram escapar. “As pessoas começaram a cair no chão, espumando pela boca. Muitos não podiam abrir os olhos”, contou à BBC a moradora Hasira Bi. “Acordei por volta da meia‑noite. As pessoas estavam na rua vestindo o que usavam para dormir, algumas com apenas suas roupas íntimas.” Multidões de pessoas aterrorizadas começaram a fugir e inalaram ainda mais gás.“O gás venenoso era mais pesado do que o ar e, por isso, quando vazou, estabeleceu‑se em uma nuvem densa que se moveu silenciosamente pelos bairros pobres ao redor da fábrica”, disse Swaraj Puri, chefe da polícia de Bhopal na época, em entrevista à BBC em 2009, recordando a noite fatídica (Como […], 2014). Observação A instalação de indústrias de risco ou altamente poluentes por empresas de países desenvolvidos em países em desenvolvimento ainda é uma prática relativamente comum, seja pela legislação menos restritiva, seja pelos menores riscos de punição em casos de desastres. Em 2015, no município de Mariana, Minas Gerais, ocorreu o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco, considerado por muitos o pior desastre socioambiental da história brasileira. Uma enxurrada de lama, com o volume de mais de 40 milhões de metros cúbicos, devastou a região, causando a morte de 19 pessoas e desabrigando centenas, afetando a biodiversidade e provocando a contaminação da água de toda a bacia do rio Doce. As tristes imagens desse acidente ficarão para sempre nas nossas memórias. Essa sequência de eventos ilustra a necessidade de uma compreensão mais ampla sobre como os processos industriais afetam o meio ambiente e sobre as consequências de eventuais acidentes. Episódios anteriores já mostravam a urgência da discussão e a necessidade de regulamentar as atividades humanas para evitar tragédias com elevado número de mortes, tanto de pessoas quanto de outros seres vivos. Os eventos mais recentes revelam que o problema permanece sem solução e que os riscos de desastres ambientais em larga escala ainda existem. 57 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Lembrete A discussão sobre educação ambiental e sustentabilidade tem início a partir de desastres relacionados às vidas humanas. Conclui‑se que essa abordagem se preocupa mais com a segurança e o bem‑estar das pessoas do que com os demais seres vivos. Podemos dizer que a discussão teórica sobre as questões ambientais surgiu de forma tímida na década de 1960, ganhando força em 1970 e se tornando mais comum apenas a partir de 1980. É possível inferir que o fato de esse debate aparecer tão tardiamente atrasou a produção de conhecimento e a adoção de medidas efetivas de proteção ambiental, tão necessárias. Muitos danos já foram – e continuam sendo – causados pela falta de informação, de interesse ou por pressões econômicas, por exemplo. Em 1962, foi publicada a obra Primavera silenciosa, de Rachel Carson, na qual a autora avaliou o impacto do uso de pesticidas na biodiversidade no Reino Unido. Em 1965, o termo educação ambiental apareceu pela primeira vez. É importante ressaltar que esses marcos ocorreram no âmbito científico, sem alcançar o grande público nem despertar a devida atenção dos governos para a proteção ambiental. Saiba mais Para saber mais sobre o assunto, assista ao documentário Primavera silenciosa, disponível a seguir: DOCUMENTÁRIO Primavera Silenciosa | Silent Spring | com Rachel Carson 1962. 2022. 1 vídeo (45 min). Publicado pelo canal Lutz Global. Disponível em: http://bit.ly/3JBbmtW. Acesso em: 28 ago. 2025. Em 1972, em Estocolmo, na Suíça, aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, considerada o primeiro evento governamental a demonstrar interesse e preocupação com as questões ambientais. Entre 1972 e 1974, foi elaborado o Relatório do Clube de Roma, que preconizou que o aumento da população humana colocava em risco a sustentabilidade do planeta. Mantendo um olhar utilitarista, esse relatório propôs que o controle populacional dos países em desenvolvimento seria a solução para a manutenção do meio ambiente do planeta. Somente em 1977, em Tbilisi, capital da Geórgia (então parte da União Soviética), a comunidade política mundial entendeu a urgência de políticas públicas globais para a gestão ambiental, em um contexto de consumo impulsionado pelos avanços dos processos industriais. Esse movimento culminou na criação da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU), na década de 1980, cujo documento introduziu pela primeira vez o termo desenvolvimento sustentável. 58 Unidade II Contudo, a disseminação pública do conceito de proteção ambiental só ocorreu de modo robusto com a Eco‑92, a II Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. O evento reuniu representantes dos países que assinaram o documento Agenda 21. Paralelamente, nos mesmos dias e locais ocorreu a Rio‑92, que reuniu ONGs e representantes da sociedade civil. A Rio‑92 abordou de forma menos política as questões relevantes para o meio ambiente e a sustentabilidade na ocupação e preservação dos ambientes naturais. Figura 20 – Logotipo da Rio‑92 Disponível em: http://bit.ly/4mWrip7. Acesso em: 11 set. 2025. Iniciaram‑se, então, as Conferências das Partes (COP) da Convenção‑Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em que líderes mundiais passaram a discutir questões climáticas. Vinte anos após a Eco‑92, em 2012, foi realizada, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, com o intuito de contribuir para a definição da agenda do desenvolvimento sustentável para as décadas seguintes. As COPs continuam ocorrendo regularmente e são, com frequência, palco de calorosos debates entre diferentes modelos de governo e entre representantes governamentais e ambientalistas. A COP27, realizada no Egito em 2022, teve como principal pauta a compensação financeira por parte dos países mais ricos – maiores emissores de gases do efeito estufa – às nações mais vulneráveis. Esse direcionamento contrasta com os ideais iniciais da COP, indicando que o mundo vem atualizando e amadurecendo sua compreensão tanto sobre os grupos mais afetados pelo desequilíbrio ambiental quanto sobre aqueles que mais causam danos em nível mundial. O evento foi marcado, ainda, por intensa pressão de grupos de lobby ligados às indústrias de petróleo, gás e ao agronegócio, em um momento em que crescem as discussões sobre as responsabilidades ambientais e os riscos que ameaçam o planeta e as futuras gerações. A COP29 ocorreu em 2024 em Baku, no Azerbaijão, e a COP30, realizada em novembro de 2025, teve sede em Belém do Pará, no Brasil. A COP30 é a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes), um encontro global anual onde líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil discutem ações para combater as mudanças do clima. É considerado um dos principais eventos do tema no mundo (Rumo […], [s.d.]). 59 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Em relação aos temas discutidos na COP30, temos o que se segue: 1. Redução de emissões de gases do efeito estufa. 2. Adaptação às mudanças climáticas. 3. Financiamento climático para países em desenvolvimento. 4. Tecnologias de energia renovável e soluções de baixo carbono. 5. Preservação de florestas e biodiversidade. 6. Justiça climática e os impactos sociais das mudanças climáticas (Rumo […], [s.d.]). Saiba mais Acompanhe o histórico e as atualizações sobre as COPs consultando o link a seguir: UN CLIMATE Change Conferences. United Nations, [s.d.]. Disponível em: http://bit.ly/3JInwkB. Acesso em: 28 ago. 2025. Figura 21 – Manifestantes na COP Disponível em: http://bit.ly/46zC0fu. Acesso em: 11 set. 2025. 60 Unidade II 8 RELAÇÃO SOCIEDADE‑AMBIENTE COMO NORTEADORA DE AÇÕES POLÍTICAS Neste último segmento do livro‑texto, será feita uma reflexão sobre as responsabilidades pessoais de cada indivíduo no processo de busca pela sustentabilidade ambiental. Anteriormente, apresentamos algumas justificativas para a manutenção da biodiversidade, além de práticas individuais que podem ser adotadas para garanti‑la. Também discutimos o risco que a sociedade moderna representa para todas as formas de vida do planeta, em especial o potencial risco que oferece para a própria existência humana. Na sequência,relatamos um histórico que demonstrou como a discussão da questão ambiental é recente, e vimos que, muitas vezes, acidentes que levaram a vida de milhares de pessoas e reduziram a biodiversidade significativamente tiveram mais impacto do que as políticas públicas criadas para garantir o bem‑estar humano. De posse dessas informações, podemos aprofundar nossos questionamentos pessoais. Vejamos. • Qual é a minha parcela de responsabilidade na preservação ambiental? • De que forma minhas atitudes e ações contribuem para a degradação do meio ambiente? • Como posso ajudar a recuperar o meio ambiente? • Que ações posso adotar para reduzir meu impacto sobre o meio ambiente? • É possível fazer escolhas de consumo mais conscientes em termos ambientais? • É possível ter uma vida sustentável? • É possível ter uma vida sustentável com o modelo de vida atual? Além desses, existem centenas de outros questionamentos que podemos propor. As respostas sempre alcançam nossas atitudes pessoais. Inicialmente, precisamos valorizar o conhecimento, afinal, não é possível opinar sobre aquilo que não se compreende. Buscar informações validadas por especialistas é o primeiro passo. Muitas outras fontes, além das encontradas neste livro‑texto, são necessárias para entender o peso de nossas escolhas. Neste livro‑texto, apresentamos caminhos de reflexão, e esses caminhos devem ser aprofundados, considerando o estilo de vida e as aspirações de cada indivíduo. Existem escolhas mais simples, como as de consumo ou a gestão de resíduos domésticos e de áreas verdes próximas da sua casa. Outras exigem mais empenho, como a mobilização da comunidade para as questões ambientais. E há aquelas que demandam ainda mais dedicação, como a pressão política em sua cidade, a participação em grupos de estudo e ações de preservação em grande escala. Em certos momentos, conseguimos nos dedicar mais a essas causas; em outros, existe menor disponibilidade de 61 EDUCAÇÃO AMBIENTAL atenção para assuntos externos. O importante é que a questão ambiental esteja sempre presente em nossas escolhas. Independentemente do momento, é importante entender que, como cidadãos, precisamos decidir quais caminhos devem ser trilhados pelos governos locais, nacionais e globais. Como consumidores, definimos o sucesso ou o fracasso de empresas que apresentam, ou não, responsabilidade ambiental. A atenção a esse tema deve ser contínua. Trata‑se de uma questão central tanto para o nosso bem‑estar quanto para o das próximas gerações. Há grupos mais preocupados com o lucro imediato do que com a preservação ambiental. Contudo, esse lucro será usufruído apenas por alguns, enquanto os eventuais danos ambientais poderão ser sofridos por toda a população do planeta. Que tenhamos discernimento para criar um mundo cada vez mais saudável. 62 Unidade II Resumo As variações climáticas no planeta sempre ocorreram e são eventos naturais. No entanto, segundo cientistas, além dessas variações, o que vem ocorrendo nos últimos dois séculos é, também, resultado da interferência humana na composição da atmosfera, em virtude principalmente do aumento da concentração de gás carbônico. A crescente utilização de combustíveis fósseis como fonte de energia para indústrias, calefação e automóveis, por exemplo, vem causando o aumento das temperaturas médias mundiais, tanto nos oceanos quanto na atmosfera. O aumento da temperatura média global afeta diferentes tipos de indivíduos de formas distintas. A importância da manutenção da viabilidade da vida de todos os seres vivos do planeta é importante por vários motivos, sendo o principal deles a preservação da possibilidade e da qualidade de vida das próximas gerações humanas. Os riscos ambientais gerados pelo homem moderno derivam de vários fatores, além da emissão de gases do efeito estufa. A destruição de habitats, por exemplo, uma das principais causas de extinção, impede o acesso a inúmeras alternativas medicinais. Além da procura por espaço, o ser humano também agride o meio ambiente na busca por materiais e energia. A mineração, sobretudo aquela voltada para a extração de minérios raros utilizados na fabricação de produtos altamente tecnológicos, é extremamente danosa. Já a produção de energia é um desafio constante em um mundo que demanda quantidades cada vez maiores de recursos. A ação humana tem modificado tanto o meio ambiente que se tornou necessário propor a delimitação de uma nova era geológica, o Antropoceno, um período da história geológica do planeta marcado pelos danos causados pela nossa espécie. Nesse sentido, precisamos estar cientes do potencial nocivo e destrutivo de nossas ações. Tendo alguns eventos catastróficos como justificativa, entre 1960 e 1970, surgiram propostas de regulamentações voltadas a um processo mais sustentável para a ocupação do mundo pela nossa espécie. No entanto, muitas vezes, essa busca é dificultada por interesses econômicos, entre outros fatores. 63 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Atualmente, todos os países do mundo se veem obrigados a enfrentar os desafios de uma existência mais sustentável. As Nações Unidas promovem encontros anuais (as COPs) para discutir o futuro da relação entre a humanidade e o meio ambiente. Com esse cenário como pano de fundo, cabe refletirmos sobre nossa atuação em nosso ambiente particular. O que podemos fazer para proteger o futuro das próximas gerações? Ações individuais são parte essencial desse processo, o que requer a busca e a aplicação do conhecimento – esse é o papel da educação ambiental. Assim, uma das funções centrais da educação ambiental é contribuir para a organização da sociedade mundial a fim de estimular o desenvolvimento de políticas públicas que garantam o maior interesse comum de todos: a sobrevivência da nossa espécie. 64 Unidade II Exercícios Questão 1. Leia o texto a seguir. Sustentabilidade ambiental Para manter o ecossistema natural em equilíbrio, é necessário renovar o pacto entre o homem e o planeta. Nós iremos superar o desafio de reduzir as emissões nocivas e combater a poluição com o apoio das energias renováveis. Figura 22 Quando falamos sobre sustentabilidade ambiental devemos ter em mente um elemento fundamental: estamos tratando de um tema que diz respeito à própria existência do planeta em que vivemos. Não é por acaso que a ideia de sustentabilidade ambiental evoluiu com tanta força que quase se sobrepõe ao conceito de desenvolvimento sustentável. A partir de uma perspectiva puramente ecológica, nós passamos a reconhecer um significado mais abrangente, levando em conta as implicações sociais e econômicas no meio ambiente. Garantir a sustentabilidade ambiental significa manter nosso ecossistema natural em equilíbrio. Isso envolve lutar contra a poluição, tomar medidas drásticas sobre as emissões nocivas e a produção de resíduos e ativar ciclos econômicos de valor que utilizem a inovação para otimizar, reciclar ou reutilizar recursos. Um ecossistema de comportamentos para um único e grande objetivo. 65 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Poluição do ar, do solo e da água Buscar a sustentabilidade ambiental significa, antes de tudo, lidar com o inimigo número um: a poluição. Não devemos apenas pensar em uma cidade congestionada pelo trânsito e coberta por uma nuvem de fumaça. Essa sugestão simbólica refere‑se à poluição do ar: apenas uma das formas de poluição que podem prejudicar os processos de sustentabilidade ambiental. Gás de exaustão, combustão de gases naturais ou artificiais, sistemas de tratamento de resíduos, agentes químicos utilizados na agricultura ou indústria, emissões de CO2 dos sistemas de ventilação e aquecimento: esses são exemplos de atividades que implicam emissões de vapores e gases nocivos, incluindo a dioxina e o dióxido de carbono, que alteram negativamente a composição do ar que respiramos. Quando as emissões atingem concentrações excessivas, não é suficiente alternar os números das placas que podem dirigir em determinadodia, avisos de alerta não são suficientes: nossos corpos e o próprio meio ambiente não conseguem se livrar dos resíduos. Do céu à terra: a luta pela sustentabilidade ambiental também passa pelo controle da poluição do solo. Atividades humanas, como o uso de ativos químicos e fertilizantes, o descarte de resíduos não biodegradáveis, a emissão de água suja e solventes em áreas inadequadas, são prejudiciais pois alteram a composição química natural do solo. Por último, mas não menos importante, a água: a poluição da água contamina mares, rios e lagos de uma maneira cada vez mais alarmante. Essa poluição vai desde a emissão de esgoto a resíduos domésticos, industriais e urbanos. Uma das maiores batalhas pela redução do uso de plástico é motivada pela poluição das águas, pois os resíduos de plástico no oceano Atlântico aumentaram nos últimos anos. Objetivos para o desenvolvimento do meio ambiente Os objetivos que devemos perseguir para manter o equilíbrio entre o homem e o meio ambiente se resumem a uma única palavra: reduzir. • Reduzir as emissões de CO2 na atmosfera. • Reduzir a extração de substâncias naturais da crosta terrestre. • Reduzir a produção de determinados compostos químicos. • Reduzir a degradação física da natureza e dos processos naturais. A produção de energia a partir de fontes convencionais está entre os setores que mais alimentam a poluição. O CO2 resultante da combustão do carvão é responsável por 81% das emissões de gases do efeito estufa e é a principal causa do aquecimento global. Para reduzirmos as emissões de dióxido 66 Unidade II de carbono, devemos acelerar o processo de transição energética para as fontes renováveis, a fim de diminuir drasticamente os níveis de CO2 e garantir o futuro do nosso planeta. Adaptado de: SUSTENTABILIDADE ambiental. Enel Green Power, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/4md699e. Acesso em: 24 jun. 2025. Com base na leitura do texto e em seus conhecimentos prévios, avalie as afirmativas a seguir. I – A sustentabilidade ambiental diz respeito à capacidade de sustentação e de recomposição dos ecossistemas e requer atitudes como o controle da poluição e da emissão de produtos tóxicos e a restrição do consumo de combustíveis fósseis. II – O CO2 oriundo da queima de combustíveis fósseis (como o carvão mineral e o petróleo), das queimadas e dos desmatamentos é responsável por boa parte do efeito estufa. III – A poluição do solo é oriunda de mudanças na sua composição provocadas, por exemplo, pela utilização de determinados fertilizantes e pelo seu contato com certos resíduos sólidos e líquidos. É correto o que se afirma em: A) I, apenas. B) II, apenas. C) III, apenas. D) I e III, apenas. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa E. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: segundo o texto, “garantir a sustentabilidade ambiental significa manter nosso ecossistema natural em equilíbrio. Isso envolve lutar contra a poluição, tomar medidas drásticas sobre as emissões nocivas e a produção de resíduos e ativar ciclos econômicos de valor que utilizem a inovação para otimizar, reciclar ou reutilizar recursos”. 67 EDUCAÇÃO AMBIENTAL II – Afirmativa correta. Justificativa: segundo o texto, “o CO2 resultante da combustão do carvão é responsável por 81% das emissões de gases do efeito estufa e é a principal causa do aquecimento global”. III – Afirmativa correta. Justificativa: segundo o texto, “atividades humanas, como o uso de ativos químicos e fertilizantes, o descarte de resíduos não biodegradáveis, a emissão de água suja e solventes em áreas inadequadas, são prejudiciais pois alteram a composição química natural do solo”. Questão 2. (Enade, 2011) A definição de desenvolvimento sustentável mais usualmente utilizada é a que procura atender às necessidades atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras. O mundo assiste a um questionamento crescente de paradigmas estabelecidos na economia e, também, na cultura política. A crise ambiental no planeta, quando traduzida na mudança climática, é uma ameaça real ao pleno desenvolvimento das potencialidades dos países. O Brasil está em uma posição privilegiada para enfrentar os enormes desafios que se acumulam. Abriga elementos fundamentais para o desenvolvimento: • parte significativa da biodiversidade e da água doce existentes no planeta; • grande extensão de terras cultiváveis; • diversidade étnica e cultural; • rica variedade de reservas naturais. O campo do desenvolvimento sustentável pode ser conceitualmente dividido em três componentes: • sustentabilidade ambiental; • sustentabilidade econômica; • sustentabilidade sociopolítica. Nesse contexto, o desenvolvimento sustentável pressupõe: 68 Unidade II A) A preservação do equilíbrio global e do valor das reservas de capital natural, o que não justifica a desaceleração do desenvolvimento econômico e político de uma sociedade. B) A redefinição de critérios e de instrumentos de avaliação de custo‑benefício que reflitam os efeitos socioeconômicos e os valores reais do consumo e da preservação. C) O reconhecimento de que, apesar de os recursos naturais serem ilimitados, deve ser traçado um novo modelo de desenvolvimento econômico para a humanidade. D) A redução do consumo das reservas naturais com a consequente estagnação do desenvolvimento econômico e tecnológico. E) A distribuição homogênea das reservas naturais entre as nações e as regiões em nível global e regional. Resposta correta: alternativa B. Análise da questão A) Alternativa incorreta. Justificativa: o texto não faz referência à desaceleração do desenvolvimento econômico e político de uma sociedade. B) Alternativa correta. Justificativa: o desenvolvimento sustentável, considerado em um contexto de mudança de paradigmas, requer a inclusão de novas variáveis e a atualização de critérios e instrumentos avaliativos. C) Alternativa incorreta. Justificativa: o texto não afirma que os recursos naturais são ilimitados. D) Alternativa incorreta. Justificativa: o texto não afirma que o desenvolvimento sustentável gera estagnação do desenvolvimento econômico e tecnológico em função da redução do consumo das reservas naturais. E) Alternativa incorreta. Justificativa: o texto não afirma que a distribuição homogênea das reservas naturais seja um requisito para o desenvolvimento sustentável. 69 REFERÊNCIAS Audiovisuais DOCUMENTÁRIO Primavera Silenciosa | Silent Spring | com Rachel Carson 1962. 2022. 1 vídeo (45 min). Publicado pelo canal Lutz Global. Disponível em: http://bit.ly/3JBbmtW. Acesso em: 28 ago. 2025. ESCALA geológica do tempo | Série Evolução Humana | Ep. 03. 2020. 1 vídeo (14 min). Publicado por Canal USP. Disponível em: http://bit.ly/3Jw0fCB. Acesso em: 28 ago. 2025. URÂNIO enriquecido: o que é? A guerra no Oriente Médio no foco das atenções globais. Tempo e Dinheiro, 23 jun. 2025. Disponível em: http://bit.ly/45GIM2V. Acesso em: 28 ago. 2025. Textuais ALVES, R. R. ESG: o presente e o futuro das empresas. 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