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Hanseníase HM VII, 26/01/23 - Dr. Paulo Victor Amorim CONCEITOS GERAIS Doença infecciosa causada pelo Mycobacterium leprae (alta infectividade e baixa patogenicidade) ● BAAR: típicas (hanseníase e tuberculose) e atípicas (não tuberculose) - aglomera-se em globias ● bacilo de Hansen (BH) tem tropismo pela pele e nervos periféricos (degradação células Schwann) ● replicação mais longa (2 semanas) que da TB (2 dias) - maioria população resistência intrínseca ● incubação em média de 2 a 7 anos (pode chegar até 20 anos) - homem como único hospedeiro ● doença primariamente neurológica (pura), mas costuma também acometer pele ● transmissão pelas VAS (contato direto não contamina) - parasita intracelular obrigatório ● indivíduos com boa resposta imunológica evoluem mais rapidamente com incapacidades ● Brasil é 2º país (subnotificado durante pandemia) - <15 anos reflete intensa contaminação local ➯Definição do caso requer ⩾1 das seguintes características 1. alteração sensibilidade em lesão(ões) de pele: térmica à dolorosa à tátil (estesiômetros) 2. acometimento neural compatível: espessamento de tronco neural, dor… 3. baciloscopia positiva: pele da lesão ou linfa do lóbulo da orelha ou cotovelo Paucibacilar <5 lesões HI - Hanseníase Indeterminada ● mácula hipocrômica de bordas mal delimitadas (lanterna ou dermatoscópio) ● ausência obrigatória de lesões troncos nervosos periféricos (só nervículos) ● sensibilidade alterada (sem incapacidade): hipoestésica ou anestésica HT: Hanseníase Tuberculóide ● placa eritemato descamativas ○ localizada e assimétrica ● máxima capacidade contenção bacilar ○ imunidade celular (TH1) ● aspecto tricofitoide (“lesões fúngicas”) ○ centro tende normalidade, até 1 tronco nervoso acometido - cuidado falso negativo em face ● hanseníase nodular da infância - difícil teste sensibilidade (assemelha alergia picada inseto em face) Multibacilar >6 lesões HD - Hanseníase dimorfa ou Borderline ● oscilação no padrão de reação ao bacilo ● maior número de lesões, maioria dos casos e de reações ● borda espessa e mal definida (intermediárias) ● lesões foveolares (“queijo suíço”), arciformes, reniformes HV: hanseníase virchowiana ● generalizada e simétrica (pior prognóstico) ○ acometimento orelha é sempre multibacilar ○ TH2 - imunidade humoral não é suficiente ● fácies leonina (aspecto brilhante): infiltrações generalizadas ○ madarose pela destruição folículos pilosos ○ angiodermite-like ou púrpura-like no dorso do pé ● otorrino: congestão nasal, rinorreia, disfagia, rouquidão ● ictiose adquirida: dificuldade de manter coesão da pele ○ ressecada destruição glândula (sudorípara e sebácea) ● hansenomas são pequenas lesões (ddx: sarcoidose, leishmania difusa anérgica, molusco, papulose linfomatóide) Baciloscopia para Hanseníase (BAAR) ● coleta de raspado intradérmico em locais isquemiados: 4 amostras (lóbulo, cotovelo, joelho, lesão) ● índice quantitativo (até 6+) e morfológico (íntegro/viável, fragmentado e granuloso) ● qualquer quantidade de bacilo íntegro requer tratamento (reduz 0,75-1 ponto/ano) Lesões ● comprometimento autonômico ○ ressecamento, fissuras e ictiose adquirida ● neurite tratada com corticoide e imobilização ○ nervo facial: ptose palpebral, lagoftalmia ○ nervo trigêmio: úlcera de córnea, diminuição da sensibilidade palpebral Tratamento ● SUS fornece esquema de poliquimioterapia (PQT) ○ não existe mais a cartela paucibacilar ○ somente a multibacilar com diferentes posologias ● não há contraindicação em gestação ou lactação ○ em crianças, cartela calculada sob peso ● paucibacilar: 6 doses de 6-9 meses | multibacilar: 12 doses de 12-18 meses ○ dose supervisionada RFM garante ingestão da mais eficaz (restante autoadministradas) ● RFM: Rifampicina: urina e suor avermelhados, hepatotoxicidade (eleva transaminase) ● DDS: Dapsona: neuropatia periférica e anemia hemolítica (principalmente se deficiência em G6PD) ● CFZ: Clofazimina: bronzeamento persistente ou que ameniza após anos de suspensão Reação Hansênica ● fenômenos agudos ou subagudos antes, durante ou após tratamento com PQT ○ ocorre em 30% dos pacientes (não ocorre na forma indeterminada) ○ fatores desencadeantes são quaisquer eventos imunológicos (vacina, infecções…) ○ piora das lesões neurológicas e incapacidades (mais que na doença) Tipo 1 ou Reação Reversa ● placas eritêmato edematosas bem delimitadas ○ surgimento de múltiplas novas lesões ● aumento súbito e inesperado da imunidade celular ○ reação tipo IV (hipersensibilidade) ● “neurite silenciosa”, costuma regredir entre 4 a 6 meses ○ início da PQT (mais frequente) ou durante tratamento ● tratamento: corticóide (ótima resposta) e anti inflamatório Tipo 2 - Eritema Nodoso Hansênico é o mais comum ● nódulos ou placas polimórficas de aparecimento súbito ○ nodoso, anular, papular, urticariforme… ○ dolorosos e com sintomas sistêmicos ● exacerbação da imunidade humoral (reação tipo III) ○ MHV, MHDV, MHD - frequente durante o tratamento ○ pode ter curso recalcitrante (15 dias cada surto) ● tratamento: corticóide e talidomida Fenômeno de Lúcio ● máculas eritemato purpúricas com necrose e ulceração ○ ausência de febre, hipersensibilidade e leucocitose ○ HP: vasculite e trombose na derme papilar ● regridem após tratamento - resolução com cicatriz atrófica ○ episódio único no início do tto, sem recorrência ● ocorre em MHV não tratados | tratamento: corticóide Leishmaniose Tegumentar Americana HM VII, 10/02/23 - Dr. Paulo Victor Amorim ASPECTOS GERAIS Doença infecto parasitária crônica provocada por protozoários do gênero Leishmania (braziliensis) ● endêmica em 4 continentes, ocorre em 88 países (90% Brasil, Bolívia e Peru) - “úlcera de Bauru” ○ problema de saúde pública: 12 milhões de pessoas no mundo e 400 mil casos novos/ano ○ Brasil: todo o território nacional mas maior incidência na região Norte > Nordeste (litoral) ● promastigota (flagelada, TGI inseto e cultura) e amastigota (aflagelada, hospedeiro vertebrado) ○ protozoários família Tripanossomas, gênero Leishmania e subgêneros Leishmania e Viannia ○ espécies no Brasil: L. braziliensis L. naiifi L. amazonensis L. lainsoni L. guyanensis L. shawi ● vetores: flebotomíneos gêneros Lutzomyia (mosquito palha) e Psychodopygus ○ silvestre: animais silvestres (preguiça, tamanduá, gambá) ○ ocupacional (ou lazer): exploração de florestas, madeira, agricultura ○ periurbana (ou rural): animais domésticos (cães, equinos), homem - peridomiciliar Clínica variada ● depende da espécie Leishmania, local inoculação, número parasitas, status imunológico (Th1) ○ LC - cutânea: local ou disseminada, inoculação → pápula de crescimento centrífugo ulcerado ○ LRC - recidiva cutis (intermediária): lesões satélite em LC já cicatrizada pelo tto ○ LM - mucosa: inoculação ou contiguidade (normalmente tardia por reativação) ○ LCDA - cutâneo difusa anérgica: pior resposta hospedeiro, lesões múltiplas e disseminadas ● normalmente, a resposta é autolimitada com febre e sem lesões de pele (evoluiriam <3 meses) ○ lesões de pele costumam regredir sem tratamento, mas há risco de recidivas na mucosa ○ HIV: evolução mais rápida, lesões mais precoces e disseminadas e estabilização mais longa FORMAS CLÍNICAS Leishmaniose cutânea ● Úlcera: “em moldura”, ovaladas, indolor, sem grande quantidade de secreção, fundo granuloso e friável, crescimento centrífugo (úlcera central), bordas eritematosas, elevadas e delimitadas ○ lesão papuloeritematosa→ úlcera, incubação média de 2 meses (2 sem – 2 anos) ○ áreas expostas - localizada única (<10) ou múltiplas ou disseminada (face ou tronco) ● Verrucosas: camada espessa de queratina (PLECT), úlcero vegetante ● Impetigóide: pequenas e várias lesões ulceradas crostosas ao redor orifícios ● Ectimatoide: halo inflamatório ao redor, com sensação dolorosa leve (desproporcional à lesão) ● Eczematoide: crosta espessa (ddx: tuberculose cutânea, esquistossomose cutânea) ● Nodular: lesão não ulcerada em aspecto de pápula (ddx: alergia picada inseto) ● Espopotricoide: distribuição cutâneolinfática (ddx: esporotricose, micobacteriose atípica) ● Lupóide: madarose, eritema (ddx: LES discóide, HANS infiltrada) ● Leishmânides: “metástases” linfáticas ou lesões satélites ● Cicatriz: pós-tratamento, centro branco e atrófico e bordas mais hipercrômicas ● Recidivante: lesões satélites que surgem posteriormente a uma lesão central antiga Leishmaniose mucosa ● resultam da disseminação hematogênica por inoculação direta ou contiguidade ○ simultaneamente às lesões cutâneas ou meses ou anos após cicatrização ● nasal > ocular, faríngea e laríngea ○ eritema e infiltração do septo nasal: ulceração, perfuração e destruição ■ “nariz de anta ou tapir” (ddx: vasculite Wegner, paracoccidioidomicose) ○ palato úlcero vegetante ■ granulações, sulcos, cruz de Escomel ou espulha (T com destruição da úvula) ■ ddx: paracoccidioidomicose - “estomatite moriforme de Aguiar Pupo” Leishmaniose cutânea difusa ● Leishmaniose Difusa Anérgica ○ lesões cutâneas queloidianas ou nódulo-infiltradas amplamente disseminadas ○ acometimento tecido ósseo das extremidades (mãos e pés) - mucoso raro (ricas em parasitas) ○ indivíduos com baixa imunidade celular, refratária ao tratamento - Montenegro (-) Formas associadas ao Calazar ● Leishmaniose Visceral ou Calazar ○ mais comum que a cutânea na maioria dos casos brasileiros (exceto Norte) ● Leishmaniose Dérmica Pós-Calazar - rara, meses a anos após ○ máculas, pápulas, placas ou nódulos (riquezas de parasitas e Montenegro -) ○ semelhante a forma cutânea difusa anérgica (difere pela história prévia de Calazar) ● Leishmanioma - não descrita no Brasil ○ lesão papulonodular no local da picada do flebótomo (rica em parasitas) Diagnóstico Diferencial ● ulceradas ○ úlcera de estase: menos emoldurada, fundo vermelho mais vivo, estigmas de insuficiência venosa (região arroxeada, edema linfático…), dolorosa se arterial e indolor se venosa ○ úlcera tropical: mais crostosa e superficial, também transmitida por inseto (amazonas) ○ anemia falciforme: dolorosas, mais comum em negros, acompanha crise vasooclusiva ○ sífilis cutânea tardia: goma sifilítica (3ª), não contagiosas, cicatrizes atróficas e não retráteis ○ pioderma gangrenoso: associada a Crohn, RCU, NEO, artrites e doenças hematológicas ● mucosas: rinoscleromas, granuloma médio facial, paracoccidioidomicose, CEC ● verrucosas: Paracoccidioidomicose, Leishmaniose, Esporotricose, Cromomicose/CEC, Tuberculose Diagnóstico ● costuma ser clínico associado obrigatoriamente com o vínculo epidemiológico ○ histopatológico (mucosas), PCR (específico), cultura, imuno-histoquímica, sorologia ● exame direto nas formas recentes - impressão por aposição ○ escarificação (borda), punção aspirativa (100% início, 75% após 6m, 20% após 1a) ● reação de Montenegro (suspensa do SUS) ○ reação de hipersensibilidade retardada, suspensão de antígenos de leishmanias ○ (+) se pápula de ≥5 mm + clínica condizente - (reação cruzada gera falsos negativos) TRATAMENTO Fármacos sistêmicos ● antimoniato de Meglumina (Glucantime®) 10-20 mg/kg/dia IM / IV ○ contraindicado: <1 e >50 anos, gestantes, ICC, IR, insuficiência hepática ■ cutâneas: 20 dias, aguardar 10 dias (repetir até 3x ou iniciar Anfotericina B) ■ mucosas 30 dias, aguardar 10 dias (repetir até 5x ou iniciar Anfotericina B) ○ efeitos adversos: artralgia, mialgia, náuseas, vômitos, cefaleia, leucopenia, alargamento do intervalo QT, SST, arritmia cardíaca, morte súbita, IRA ■ monitoramento: ECG, função renal, hepática, leucograma ■ Pentoxifilina VO: papel adjuvante nas formas mucosas, além de regular circulação ● anfotericina B (Lipossomal) ○ indicada em: gestantes, <1 e >50 anos, IR, ICC, insuficiência hepática, transplantados renais ○ cutânea e cutânea difusa 20 dias e mucosa 30 dias - mais nefrotóxica, porém previsível ● pentamidina: indicada na LC Difusa contra L. guyanensis (requer biópsia - centros de referência) ● miltefosina: VO, exclusivo para formas cutâneas, contraindicado em gestantes, usado em cães Medidas Locais ● compressas antissépticas (água boricada), crioterapia com nitrogênio líquido, imiquimode ● glucantime intralesional: lesão única <3 cm, refratária, recidivante ou se contraindicado EV/VO ○ contraindicação: lesão em cabeça ou periarticular, Leishmaniose Recidiva Cutis Infecções Sexualmente Transmissíveis HM VII, 17/02/23 - Dr. Paulo Victor Amorim SÍFILIS Infecção causada pelo Treponema pallidum com transmissão sexual e vertical e de crescimento lento ● não confere imunidade, fonte exclusivamente humana, agente destruído por calor e baixa umidade ● apresentação extremamente polimórfica (2ª) causado por uma espiroqueta (1ª) - humoral/celular Sífilis Primária, Protossifiloma ou Cancro Duro ● lesão indolor, única, erosada ou exulcerada, bordas duras, fundo limpo e discreta serosidade ○ colo uterino e vulva, glande e sulco balanoprepucial - 50% extra-genitais (lábios e boca) ● 20-30 dias após contágio (dor não descarta diagnóstico - microscopia de campo escuro auxilia) ○ micropoliadenopatia regional, indolor, não inflamatória (inguinal) ○ involução espontânea 1-4 semanas (maligna demora 2 anos) Sífilis Secundária ● disseminação de treponemas pelo organismo até 6 meses após o cancro ou simultâneamente ○ primária pode ser simultânea a secundária, somente a terciária ocorre isoladamente ○ nódulos no cotovelo, HIV acelera todas as fases e agrava todas as manifestações ○ costuma poupar região cervical e face, existe possibilidade de transmissão em pele íntegra ○ sinais gerais: cefaléia, rinorreia, mialgia, artralgia, poliadenopatia ● lesões cutâneas (>95%) tipo máculas, pápulas e lesões anulares com regressão em 4-12 semanas ○ exantema morbiliforme ■ não pruriginosa, macular ou maculopapular palmoplantar, descamativa (externa) ■ roséola sifilítica: sifílides papulosas ou papuloescamosas (ddx: pitiríase rósea tem descamação interna, leve prurido e geralmente não acomete perna) ■ placas mucosas: múltiplas, erosivas, ovais, assintomáticas ○ condiloma plano ■ zonas de atrito (sulcos interglúteos e inguinofemoral, perianal e vulvar) ■ lesões 2ª mais contagiosas (ddx: condiloma alcuminado HPV mais profundo) ○ alopecia “em clareira” ■ irregular e irreversível (cicatricial) ■ região occipital e temporoparietal ○ sifílide “elegante” (etnia negra) ■ configuração anular e circinada ○ “colar de vênus” ■ lesões hipocrômicas no pescoço pouco frequentes (sexo feminino) ○ sífilis maligna precoce ■ papulopústulas, ulcerações com crostas hemorrágicas ou melicéricas (comum HIV) ■ dolorosas, disseminadas (face e couro cabeludo), não involuem espontaneamente Sífilis Latente Recente-Tardia ● assinto/oligomática, sorologia positiva (treponemas em tecidos) e com transmissão ativa ○ polimicroadenopatia, cefaléia discreta, dores osteoarticulares, alopecia ● tadia (>1 ano): tratamento ausente ou inadequado, formas cutânea, óssea, cardiovascular e nervosa Sífilis Terciária ● neurossífilis e sífilis cardiovascular são as com alta morbimortalidade - restante benignas ○ tem tratamento: lesões tegumentares(16%), lesões CV (10%), neurolues (6%) e óbito (10%) ● sífilis cutânea ○ lesão única ou poucas não contagiosa, assimétrica e localizada (semelhante 1ª extra genital) ■ bordas infiltradas acastanhadas, alto teor destrutivo local, involução não espontânea ○ lesão tuberocincinada: anulares ou circinadas (não fecham), indolor, sem drenagem ■ descamativas, vermelho-acastanhada, crescimento centrífugo e cicatrização central ○ gomas: nódulos ou placas eritematosas em braços, dorso e face - raramente têm treponemas ■ lesão papular/nodular→ amolecimento e necrose no centro → úlcera secretiva ■ ddx: esporotricose, TB cutânea, infecções fúngicas profundas (paracoccidioides) ● sífilis óssea ○ recente: periostite de ossos longo, osteoalgias, artralgias ○ tardia: osteíte gomosa, periostite, osteíte esclerosante, artralgias e artrites, sinovites, nódulos justa articulares ● sífilis cardiovascular ○ latência: 10-40 anos, homens e negros (<5 anos em HIV) ○ aortite (70-80% aorta ascendente):IAo, aneurisma (risco de dissecção), estenose orificial de coronária ○ outros vasos: aneurisma, endarterite obliterante ● neurossífilis ou neurolues ○ após 5 a 35 anos de evolução, assintomática ou sintomática – Penicilina cristalina ○ MGE sifilítica (2 anos após infecção inicial), sífilis cerebrovascular (6-7 anos) ○ neurossífilis parenquimatosa (15-20 anos após) ■ paralisia geral progressiva (meningoencefalite crônica) ■ tabes dorsalis: alteração marcha e reflexo profundo, dores neuropáticas lancinantes ■ atrofia óptica, pupila Argyll Robertson (perda fotomotor direto, mantém acomodação) Sífilis Congênita ● sintomática ou latente: prematuridade, abortamento, PIG, morte neonatal ● recente: cutâneo mucosa (nasal, faríngea, oral, nasal) ○ lesões cutaneomucosas, palmoplantares e área fraldas, descamativa e eritematosas (2ª) ○ fissuras radiais periorificiais, condilomas planos anogenitais, placas mucosas ○ sem tratamento: rinite (73%) hemorrágica ou purulenta→ 2ª-3ª semana evolui morte (50%) ○ pseudoparalisia de Parrot: dor da osteocondrite limita o movimento (apesar de conseguir) ○ hepatoesplenomegalia, pênfigo sifilítico (vesículas ou bolhas, especialmente na congênita) ● tardia: sequelares (ósseo, sistêmico) ○ tríade de Hutchinson: ceratite parenquimatosa, surdez labiríntica, incisivos semilunares ○ osteíte, periostite, tíbia lâmina sabre, nariz em sela (leish, hans, acondrocondiase), fronte olímpica, tabes dorsalis e paralisia geral Diagnóstico laboratorial ● pesquisa do T. pallidum: indicações cancro, lesões cutaneomucosas (2ª), sífilis congênita recente ○ microscopia de campo escuro, imunofluorescência direta, PCR ■ identifica treponemas vivos (examinador dependente) em lesão rica (cancro duro) ● sorologia: sempre requisitar ambos ○ não treponêmicos: acompanhamento (não gera imunidade permanente) ■ VDRL: marcador quantificável (ex: 1:2, 1:4, 1:8) que demora a positivar (50d) ● sífilis 1ª pode vir negativa (muito recente) mas 2ª não (exceto efeito prozona) ○ excesso Ac que floculam em massa única que não positiva teste - HIV ● pode ser falso positivo ○ transitórias (<6 meses): gravidez, imunizações, hemotransfusão, viroses, malária, TB, endocardite infecciosa, imunossupressores e drogas ○ persistentes (>6 meses): inflamatórias crônicas, autoimunes, hanseníase ○ treponêmicos: diagnóstico (muito específico) ■ FTA-Abs: fluorescent treponemal antibody absorption (cancro duro [-] não exclui) ● primeiros reagentes a positivar (15-20d) e formam cicatriz sorológica ● altas sensibilidade e especificidade, raro apresentar falso-positivos ■ teste rápido também é persistentemente positivo (não acompanha tratamento) ● LCR: realizada pré e pós tratamento (Penicilina cristalina IV ou Ceftriaxona IV 2g 12/12h) ○ sífilis não tratada (2-5 anos duração), neurossífilis sintomática e definição de sua alta ○ reações sorológicas persistentemente + após tratamento Diagnóstico Diferencial ● 1ª - cancro duro ○ cancro mole: múltiplas, dolorosas, purulentas e com adenopatia ○ herpes simples, donovanose ○ linfogranuloma venéreo ○ trauma, CEC, doença de Behçet ● 2ª - roséola ○ farmacodermias (história exposição) ○ urticária, síndromes exantemáticas ○ pitiríase rósea: lesão maior inicial, posteriormente menores, com descamanação interna ● 2ª - condiloma plano: acuminado do HPV ● 3ª - infecções crônicas (hans, micoses profundas, TB cutânea, leish), linfoma cutâneo, NEO Tratamento ● Penicilina procaína se LCR normal e Penicilina cristalina se LCR anormal ○ 2,4 MI UI dose única (2x 1,2/glúteo) ou 7,2 MI se 3ª ou não souber duração (3x 2,7/semana) ○ neurossífilis: 18-24 MI UI/dia ou Ceftriaxona 2g 2x/dia 10-14 dias (dessensibilizar gestante) ● gestantes: estearato de eritromicina | congênita: tratar se mãe não/inadequadamente tratada ● HIV/AIDS: mesmo tratamento (maiores: persistência cancro, taxa neurolues e tempo evolução) ● reação de Jarisch-Herxheimer: destruição maciça treponemas gera exacerbação lesões cutâneas ○ 24h após início tratamento (liberação súbita de Ag treponêmicos) - cefaleia, febre, artralgias Controle de Cura ● cura bacteriológica: recente requer negativação sorológica em 6-9 meses e tardia, até 2 anos ● VDRL (3, 6 e 12 meses): queda ≥2 titulações nos primeiros 6 meses (1 dose) ou 12 meses (3 doses) ● “cicatrizes sorológicas” em baixos títulos (HIV demora mais para negativas) Retratamento ● persistência ou recorrência dos sinais clínicos ou aumento ≥2x titulação de VDRL inicial ● se dúvida, considerar reinfecção ou falha terapêutica (pesquisar LCR) CANCRO MOLE Múltiplas lesões com bordas amolecida, exsudato seropurulento, fundo sujo, dolorosa ● infecção aguda exclusiva de humanos por Haemophilus ducreyi (bacilo gram - ) ● aspecto oposto da Sífilis 1ª, elevado contágio, pele/mucosa por micro escoriações Mácula→ vesico pústulas → úlceras múltiplas e dolorosas por autoinoculação ● exsudato necrótico purulento, linfadenopatia unilateral e bubão (30-50%) ● único orifício de drenagem no linfonodo (ddx: LGV em bico de regador) ● halo granulomatoso, purulento, friável que não evolui para sintomas sistêmicos ● Cancro Misto de Rollet: coinfecção com Treponema (endurecido + purulento/doloroso) ● mulher: vulva, ao redor intróito vaginal (ddx herpes simples genital - recorrente) ● homem: freio e prepúcio balanoprepucial (linfonodo puncionável com agulha grossa) Tratamento ● Azitromicina 1g VO dose única ou Ceftriaxona 250mg IM DONOVANOSE ou Granuloma Inguinal Ulceração plana, fundo granuloso e friável com evolução crônica e progressiva ● lesões vegetantes e múltiplas pela Klebsiella granulomatis (bacilo Gram -) ● pápula → pústula → úlcera volumosa e vegetante (ddx cancro duro, protosifiloma) ● não costuma ter adenopatia, lesão mais regular e friável que sífilis ● quando cronificadas, formam grandes lesões vegetantes (ddx CEC, condiloma culminado gigante) Tratamento ● Azitromicina 1g/semana ou Doxiciclina 100mg 2x/dia - tratar até a resolução das lesões ● higiene e antissepsia com água boricada ou permanganato de potássio LINFOGRANULOMA VENÉREO ou Doença de Nicholas-Favre Envolvimento linfático aumenta risco de sequelas deformantes (mais comum ♂ aguda e ♀ crônica) ● Chlamydia trachomatis (Gram -) intracelular obrigatório (L: LGV, A-C: tracoma ocular e D-K: IST) ○ incubação 3-30 dias desenvolve forma primária de acordo com local de inoculação Pústula → úlcera: úlcera genital, úlcera extragenital, proctite hemorrágica ● sintomas intestinais: dor, sangue, constipação, tenesmo, secreção mucóide/mucopurulenta ○ acometimento anorretal: lesão perianal, anal ou retal ● linfangite aguda: usualmente são múltiplos linfonodos acometidos e formação de bubão ○ clamidia fagocitada por macrófago migra para tecido linfático e linfonodo ○ síndrome inguinal e/ou femoral - pênis, vulva, uretra) e s. anorretal (vagina, ânus, reto) ● linfangite crônica: perda função do vaso gera edema duro com fibrose associada ○ elefantíase genital (vagina, prepúcio ou escroto com pseudo fimose), estenose retal ○ estiomene (“corroer” - deformação pela fibrose), fístulas inguinais e anorretais, cicatrizes ○ sinal de Groose: típico do LGV (acometimento inguinal e femoral simultâneo - Ver imagem) Diagnóstico clínico ● outros: sorologia, cultura, bacterioscopia, (corpúsculos de gamma-miyagawa), biologia molecular Tratamento ● Doxiciclina 100 mg 2x/dia - 3 semanas ● Azitromicina 1 g/semana ou Eritromicina 500 mg (6/6h) por 3 semanas ÚLCERAS GENITAIS - Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de 2021 Abordagem sindrômica (SUS), ao invés de etiológica, diminuiu número de infecções ● quando houver dúvida diagnóstica, iniciar ambas as principais medicações e avaliar seguimento ○ Penicilina benzatina: 2,4 mi UI - Sífilis 1ª ○ Azitromicina 1g: dose única - Cancro mole, 3 semanas - LGV e até cicatrização - Donovanose ○ OBS: lesões vesiculosas ativas devem ser tratadas como Herpes genital Modelo de prescrição para úlceras genitais ● Penicilina benzatina 2,4 MI UI IM (1,2/nádega) + Azitromicina 1g, VO, doseúnica ○ se após uma semana não houver nenhuma melhora, seguir para 3 semanas ○ se em 3 semanas houver melhora mas ainda restar lesão, continuar semanalmente até cura