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Conteúdo:
AulA 01: Intelecção de texto lIterárIo
Aspectos do Texto ............................................................................................................................................................................................................................................... 2
Texto e Contexto ................................................................................................................................................................................................................................................. 2
Exercícios ........................................................................................................................................................................................................................................................... 2
AulA 02: Foco nArrAtIvo
Introdução .......................................................................................................................................................................................................................................................... 6
Foco Narrativo .................................................................................................................................................................................................................................................... 6
Exercícios ........................................................................................................................................................................................................................................................... 7
AulA 03: Intelecção de texto não lIterárIo (em compArAção com lIterárIo)
Texto não literário ............................................................................................................................................................................................................................................. 10
Linguagem Formal e Linguagem Informal ......................................................................................................................................................................................................... 10
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 10
AulA 04: SInonímIA e AntonímIA / pAronímIA e HomonímIA / HIperonímA e HIponímIA
Semântica: Sinonímia e Antonímia .................................................................................................................................................................................................................... 13
Semântica: Paronímia e Homonímia.................................................................................................................................................................................................................. 13
Semântica: Hiperonímia e Hiponímia ................................................................................................................................................................................................................ 13
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 14
AulA 05: FIgurAS de lInguAgem I
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 16
AulA 06: FIgurAS de lInguAgem II
Figuras de linguagem II ..................................................................................................................................................................................................................................... 19
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 20
AulA 07: denotAção e conotAção – texto teórIco
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 23
AulA 08: AmbIguIdAde e polISSemIA
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 27
AulA 09: texto nArrAtIvo e texto poétIco
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 32
AulA 10: texto dISSertAtIvo
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 36
AulA 11: conto e crônIcA
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 41
AulA 12: coeSão e coerêncIA
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 44
AulA 13: tIpoS de dIScurSo
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 48
AulA 14: FunçõeS dA lInguAgem
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 53
AulA 15: metAlInguAgem
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 58
AulA 16: IntertextuAlIdAde
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 62
AulA 17: lInguAgem verbAl e não verbAl
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 65
AulA 18: InFerêncIA textuAl
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 69
AulA 19: preSSupoSto e SubentendIdo
Exercícios......................................................................................................................................................................................................................................................... 72
AulA 20: texto e pArAtexto
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 75
AulA 21: ArtIgo de opInIão
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 80
AulA 01: gêneroS lIterárIoS
Gênero lírico ..................................................................................................................................................................................................................................................... 84
Gênero dramático ............................................................................................................................................................................................................................................. 84
Gênero narrativo ............................................................................................................................................................................................................................................... 84
Gênero épico ..................................................................................................................................................................................................................................................... 85
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 85
lIterAturA
AulA 02: trovAdorISmo / HumAnISmo
Quando nasce a língua ..................................................................................................................................................................................................................................... 88
Humanismo: o teatro de Gil Vicente .................................................................................................................................................................................................................. 89
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 90
AulA 03: clASSIcISmo / QuInHentISmo
Breve panorama histórico – Renascimento ...................................................................................................................................................................................................... 92
Inovações temático-formais – Quadro comparativo.......................................................................................................................................................................................... 92
Luís de Camões – O grande poeta da língua..................................................................................................................................................................................................... 92
Quinhentismo: Literatura informativa e jesuítica .............................................................................................................................................................................................. 93
Padre José de Anchieta (1534 – 1597) .............................................................................................................................................................................................................. 94
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 94
AulA 04: bArroco
Contexto histórico ..............................................................................................................................................................................................................................................96
Aspectos gerais .................................................................................................................................................................................................................................................96
Duas faces da mesma moeda: Cultismo e Conceptismo ....................................................................................................................................................................................97
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................... 98
AulA 05: ArcAdISmo
Contexto histórico ............................................................................................................................................................................................................................................100
Aspectos gerais ...............................................................................................................................................................................................................................................100
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................... 102
AulA 06: romAntISmo
Exercícios ........................................................................................................................................................................................................................................................104
AulA 07: poeSIA romântIcA brASIleIrA
Exercícios ........................................................................................................................................................................................................................................................108
AulA 08: proSA romântIcA brASIleIrA
Exercícios ........................................................................................................................................................................................................................................................110
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
AulA 09: reAlISmo
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 114
AulA 10: mAcHAdo de ASSIS e o reAlISmo brASIleIro
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 116
AulA 11: nAturAlISmo
Exercícios ...................................................................................................................................................................................................................................................118
AulA 12: pArnASIAnISmo
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 122
AulA 13: SImbolISmo
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 127
AulA 14: pré-modernISmo
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 132
AulA 15: vAnguArdAS europeIAS
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 137
AulA 16: modernISmo 1ª FASe
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 142
AulA 17: modernISmo 2ª FASe (poeSIA e proSA)
SEGUNDA FASE DO MODERNISMO BRASILEIRO (1930-1945) – PROSA .................................................................................................................................................... 148
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 151
AulA 18: modernISmo 3ª FASe 
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 157
AulA 19: póS-modernISmo 
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 161
AulA 20: QueStõeS veStIbulAreS ................................................................................................................................................................................................................. 164
AulA 21: QueStõeS veStIbulAreS ................................................................................................................................................................................................................. 167
AulA 22: QueStõeS veStIbulAreS ................................................................................................................................................................................................................. 169
AulA 23: QueStõeS veStIbulAreS ................................................................................................................................................................................................................. 174
AulA 24: QueStõeS veStIbulAreS ................................................................................................................................................................................................................ 178
AulA 01: FormAção de pAlAvrAS
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 182
grAmátIcA
AulA 02: SujeIto
Definição ..................................................................................................................................................................................................................................................... 184
Classificação do Sujeito .............................................................................................................................................................................................................................. 184
AulA 03: predIcAdo
Definição ..................................................................................................................................................................................................................................................... 186
Os Verbos no Predicado .............................................................................................................................................................................................................................. 186
 Predicação Verbal ....................................................................................................................................................................................................................................... 186
Classificação do Predicado .......................................................................................................................................................................................................................... 187
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 188
AulA 04: termoS IntegrAnteS dA orAção
Definição ..................................................................................................................................................................................................................................................... 189
AulA 05: termoS ASSeSSórIoS dA orAção
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................193
AulA 06: conjunçõeS
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................194
AulA 07: regrAS báSIcAS de AcentuAção
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................197
AulA 08: período
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................198
AulA 09: período compoSto I: orAçõeS coordenAdAS
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................200
AulA 10: 
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................202
AulA 11: 
orAçõeS SubordInAdAS AdjetIvAS
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................204AulA 12: 
pronomeS relAtIvoS
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 206
AulA 13: orAçõeS AdverbIAIS
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 208
AulA 14: orAçõeS reduzIdAS
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 211
AulA 15: emprego dA vírgulA no período SImpleS
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 213
AulA 16: emprego dA vírgulA no período compoSto 
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 214
AulA 17: concordâncIA nomInAl I
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 217
AulA 18: concordâncIA nomInAl II
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 219
AulA 19: concordâncIA verbAl
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 222
AulA 20: cASoS eSpecIAIS de concordâncIA verbAl
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 224
AulA 21: FunçõeS dA pAlAvrA Que
Funções da Palavra QUE ............................................................................................................................................................................................................................. 225
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 226
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
AulA 22: FunçõeS dA pAlAvrA Se
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 228
AulA 23: regêncIA verbAl I
Exercícios ................................................................................................................................................................................................................................................... 230
AulA 24: regêncIA verbAl II
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................232
AulA 25: emprego dA crASe
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................235
AulA 26: cASoS eSpecIAIS e FAcultAtIvoS do uSo dA crASe 
Os casos especiais e facultativos do uso da crase relacionam-se a pressupostos específicos ..................................................................................................................... 237
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................237
AulA 27: FunçõeS SIntátIcAS doS pronomeS oblíQuoS 
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................242
AulA 28: colocAção pronomInAl 
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................243
AulA 29: FormA e grAFIA de AlgumAS pAlAvrAS e expreSSõeS 
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................247
AulA 01: A redAção nA provA dA AFA, eFomm e eSpcex 
Proposta de Redação na Prova de Admissão da AFA, da EFOMM e da EsPCEx ............................................................................................................................................248
Exercícios ....................................................................................................................................................................................................................................................250
redAção
AulA 02: A eStruturA dA dISSertAção-ArgumentAtIvA 
Planejamento do Texto Dissertativo-Argumentativo ......................................................................................................................................................................................252
Apresentação das Partes Básicas do Texto Dissertativo ................................................................................................................................................................................252
Estrutura do Texto Dissertativo-Argumentativo ..............................................................................................................................................................................................253
Princípios para a Estruturação do Texto Dissertativo-Argumentativo .............................................................................................................................................................253
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................254
AulA 03: A Introdução no texto dISSertAtIvo-ArgumentAtIvo 
Estrutura Interna de um Parágrafo .................................................................................................................................................................................................................255
Tipos de introdução e tópicos frasais .............................................................................................................................................................................................................255Argumentação e contra-argumentação .........................................................................................................................................................................................................256
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................257
Proposta de Redação (IME/2016) ...................................................................................................................................................................................................................257
Proposta de Redação (EsPCEx/2015) .............................................................................................................................................................................................................257
AulA 04: o deSenvolvImento no texto dISSertAtIvo-ArgumentAtIvo 
Elaboração dos Parágrafos de Desenvolvimento ............................................................................................................................................................................................258
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................259
Proposta de Redação (AFA/2017)...................................................................................................................................................................................................................260
AulA 05: A concluSão no texto dISSertAtIvo-ArgumentAtIvo 
Conclusão ......................................................................................................................................................................................................................................................261
Estrutura do Parágrafo Conclusivo .................................................................................................................................................................................................................261
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................262
Proposta de Redação (EsPCEx/2018) .............................................................................................................................................................................................................262
AulA 06: A conStrução do repertórIo SocIoculturAl produtIvo e do IndícIo de AutorIA
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................265
AulA 07: A conStrução do repertórIo SocIoculturAl noS pArágrAFoS de deSenvolvImento
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................267
AulA 08: “brAInStormIng” ou “tempeStAde de IdeIAS” pArA plAnejAmento do texto
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................269
AulA 09: grAmátIcA textuAl – coeSão textuAl reFerencIAl
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................271
AulA 10: grAmátIcA textuAl – coeSão textuAl lexIcAl
Exercícios ......................................................................................................................................................................................................................................................273
AulA 11: grAmátIcA textuAl – coeSão SeQuencIAl (pArte I) ...........................................................................................................................................................................273
AulA 12: grAmátIcA textuAl – coeSão SeQuencIAl (pArte II) ..........................................................................................................................................................................275
AulA 13: coeSão textuAl – pArAlelISmo SIntátIco e SemântIco ......................................................................................................................................................................276
AulA 14: concordâncIA verbAl com o SujeIto SImpleS ....................................................................................................................................................................................278
AulA 15: grAmátIcA textuAl – coeSão textuAl lexIcAl ...................................................................................................................................................................................279
AulA 16: regencIAl verbAl I ...........................................................................................................................................................................................................................281
AulA 17: com mAIS de umA regêncIA com mudAnçA de SentIdo ........................................................................................................................................................................282
AulA 18: regêncIA nomInAl (grAmátIcA textuAl) ............................................................................................................................................................................................284
AulA 19: crASe – pArte I (grAmátIcA textuAl) .............................................................................................................................................................................................284
AulA 20: crASe – pArte II (grAmátIcA textuAl) ............................................................................................................................................................................................286
AulA 21: colocAção pronomInAl (grAmátIcA textuAl) ..................................................................................................................................................................................287
AulA 22: pontuAção (pArte I) ......................................................................................................................................................................................................................288
AulA 23: pontuAção (pArte II) .....................................................................................................................................................................................................................289
AulA 24: ortogrAFIA ......................................................................................................................................................................................................................................291
AulA 25: AcentuAção gráFIcA ........................................................................................................................................................................................................................293IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
2
Português
COMPREENSÃO DE TEXTO
Aula 01: 
Intelecção de Texto Literário
Aspectos do Texto
O texto (do latim textu, tecido) é um conjunto de partes 
articuladas e organizadas entre si. Para entender um texto em sua 
totalidade, é preciso relacionar as partes, pois o todo é a síntese das 
partes. Para que o leitor tenha acesso à totalidade, é necessário ainda 
extrair significados que podem estar implícitos, como o tema, o assunto 
do qual se fala; e a mensagem, uma crítica do autor, por exemplo. 
O que torna literário um texto? As várias abordagens críticas 
e concepções que envolvem a determinação do texto literário podem 
levar o estudante a certa confusão inicial sobre o que é literário e o 
que não é, e essa confusão é normal e inevitável. Por este motivo, 
vamos indicar algumas características que se podem atualmente 
atribuir ao texto literário com certa segurança, e o que distinguem 
de outros tipos de textos.
Uma dessas características é a despreocupação com a 
sistematização e a transmissão de um saber, de uma experiência. 
Pode-se aprender muito com literatura, sem dúvida; todavia, o ensino 
não é um compromisso do texto literário, e o saber e a experiência 
que ele eventualmente possa transmitir não são inteiramente 
fidedignos. O aprendizado científico sobre a seca no Nordeste, 
por exemplo, será possibilitado com muito mais eficiência numa 
obra de geografia ou de geopolítica do que num romance como 
Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
Outra característica que distingue o texto literário de outro é 
a criação de um mundo com regras próprias, o mundo do possível, 
da ficção. O mundo da literatura, portanto, constrói uma realidade 
própria, que é o mundo ficcional, ou seja, suprarrealidade, que, em 
muitos aspectos, é bastante semelhante ao mundo real, mas cujo 
funcionamento obedece a regras que são suas.
Texto e Contexto
A palavra “contexto” pode ser entendida como a situação que 
cerca o ser. Na linguagem verbal, o contexto é a frase; o período, o 
parágrafo, ou o próprio texto, o todo. Se desconhecemos o significado 
de uma palavra, devemos interpretá-la, levando em consideração o 
contexto que a cerca (a situação em que a palavra é inserida). 
Por vezes, o significado do texto depende de conhecimento 
de mundo, de situações vivenciadas pelo leitor. Se este não tiver 
acesso ao conhecimento de mundo exigido, o entendimento do 
texto será parcial.
Um texto não é um amontoado de partes, há uma 
articulação entre os parágrafos, uma organização dos períodos, um 
encadeamento das partes, das ideias; enfim, há uma progressão 
lógica que organiza o texto, fazendo com que o leitor entenda 
claramente o que está sendo exposto. 
Há significados que são extraídos da superfície do texto – 
significados explícitos –, e há outros que são depreendidos de suas 
entrelinhas – significados implícitos. O termo “implícito” é sinônimo 
de pressuposto, subentendido. Por não estar na superfície do texto, 
o implícito é mais difícil de ser percebido. No discurso literário, o
implícito está presente na relação que se estabelece entre a obra 
e o leitor. Ao ler uma poesia, um conto ou um romance, o leitor 
sempre vai à procura da mensagem que a obra quer passar e do 
tema tratado, os quais costumam estar implícitos. 
Aula
01
Exercícios
• Leia atentamente os seguintes textos para responder às questões
de 1 a 5.
Texto I
MEMÓRIAS DA CASA VELHA
Vou subindo a ladeira calçada de pedras velhas irregulares 
e escorregadias, ladeada de casas velhas, de paredes desbotadas. 
Tudo é silêncio e, não fosse aquela mulher, também velha e 
desbotada, que me espia triste do alto de uma janela, diria 
que ninguém mora mais aqui, que todos se foram, que muitos 
morreram e que outros se mudaram.
Quando chego à última curva, a respiração se faz difícil pelo 
esforço da subida, mas sinto-me recompensado ao avistar o grande 
portão aberto em arco. Reconheço-o facilmente, embora suas 
grades estejam enferrujadas e não brancas, como antigamente.
Até há pouco chovia. Agora um sol alegre ilumina a 
copa das árvores, vence a folhagem e espeta seus raios na relva. 
Mesmo assim, quando entro, sinto a terra úmida debaixo dos 
meus sapatos.
Há quantos anos entrei por esta mesma alameda? Vinte, 
vinte e cinco? Talvez. Lembro-me que ficara impressionado com 
a majestade do jardim. Seria ele mais belo então? Mais tratado 
era, por certo. Agora, abandonado, tudo aquilo que perdeu em 
simetria, em colorido, ganhou em placidez, em santidade. Sim, 
penso que estou a entrar numa catedral vazia, enquanto caminho 
devagar, olhando em torno.
Antes havia marrecos neste laguinho: agora, folhas mortas 
bóiam, sem pressa de chegar à outra margem. Aliás, não eram 
somente marrecos. Lembro-me de dois cisnes a me olharem 
espantados, sem compreenderem que aquele menino também 
os via pela primeira vez.
“Um dia um cisne morrerá, por certo” quando li o 
soneto de Salusse, numa antologia de parnasianos, lembrei-me 
imediatamente do casal de cisnes que vivia neste lago.
Se o cisne vivo nunca mais nadou, não sei. Sei que os bichos 
se foram todos. Apenas os pássaros continuam a usufruir deste 
jardim. Oiço o chilrear de centenas deles sobre a minha cabeça 
e, sem me importar com isso, vou subindo na direção da casa. 
Foi o vento na minha nuca ou foi de pura saudade que me 
veio este tremor? Lá está a varanda grande, cingida de trepadeiras. 
Minha mãe me segurava pela mão e falava, mas o alvoroço das 
moças era mais alto que a sua voz. Uma delas (quem seria?) 
apaixonou-se por meus cabelos louros e, naquela tarde em que 
aqui estive, penteou-me tantas vezes!
Quando minha mãe abaixou-se para me beijar e partir, 
quase chorei na frente das moças.
Depois esqueci. Elas brincaram comigo, me deram lanche, 
me deixaram correr no gramado.
Olho a casa e penso que a gente que mora lá embaixo, 
na ladeira, deve andar a inventar coisas, a dizer que ela é mal- 
-assombrada. Triste, coitada. Triste é o que ela é.
Sei que ninguém mais vem cá e esta roseira deve saber 
também, mas, sem qualquer vaidade, continua a expor as suas 
rosas. Quanto àquele canteiro, que as rolinhas estão ciscando, era 
de crisântemos, mas não se usa mais essa flor.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
3
Português
O casarão está em ruínas. Nada mais dá ideia de abandono 
do que esta janela de vidros quebrados ou aquela fonte sem 
repuxo. Já não há os crisântemos de outrora, a fonte, as moças 
na varanda, seu riso.
Tudo é silêncio, tudo é quietude. Somente os pássaros. Os 
pássaros e as lembranças.
Pela tarde, à hora do crepúsculo (hoje todos os crepúsculos 
terminam aqui) minha mãe veio me buscar. Quase a vejo 
caminhando, a sorrir para mim. Tão moça e tão linda (conta-se 
que, no seu tempo, foi a mais bonita aluna do Colégio Sion), ela 
me acenava com um embrulho na mão; o presente que prometera, 
caso me comportasse bem.
A alegria que senti ao revê-la! Lembro-me que corri em sua 
direção e tão afoito, que caí de peito na relva, como um mergulho. 
O pão com geleia que uma das moças me dera caiu também e 
lá ficou esquecido.
Não chorei. Contive as lágrimas como contenho agora, 
enquanto vou descendo pelo mesmo caminho. Vou devagar, 
porém. Já não há nem a pressa, nem a alegria de então.
PORTO, Sérgio. In: Antologia Escolar de Crônicas.
 Texto II
DE VOLTA À CASA PATERNA
Como a ave que volta ao ninho antigo,
depois de um longo e tenebroso inverno,
eu quis também rever o lar paterno,
o meu primeiro e virginal abrigo.
Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,
o fantasma, talvez, do amor materno
tomou-me as mãos, olhou-me grave, terno,
e passo a passo caminhou comigo.
Era esta a sala! Oh, se me lembro! E quanto!
Em que, da luz noturna à claridade,
minhas irmãs e minha mãe... o pranto
jorrou-me em ondas. Resistir, quem há-de?
Uma ilusão gemia em cada canto,
chorava em cada canto uma saudade.
GUIMARÃES JÚNIOR, Luís. In: Antologia de Poetas Brasileiros.
01. (Efomm) “Pela tarde, à hora do crepúsculo (hoje todos os
crepúsculos terminamaqui) minha mãe veio me buscar.”
A respeito da Casa Velha, este trecho lembra
A) infelicidade.
B) saudade.
C) assombração.
D) decadência.
E) alienação.
02. (Efomm) A identidade dos dois textos está no seu caráter
A) histórico.
B) etnográfico.
C) sociopsicológico.
D) memorialista.
E) pedagógico.
03. (Efomm) Em suas lembranças, o autor visualiza pessoas, fatos
e coisas relacionadas à Casa Velha.
A respeito de sua mãe, diz: “Quase a vejo caminhando, a sorrir 
para mim.” O emprego do advérbio deve-se ao fato de o autor:
A) querer, efetivamente, rever sua mãe.
B) emotivamente, ter ficado bem próximo de vê-la.
C) aproximando-se, no tempo, fazer todo o esforço para vê-la.
D) só não chegar a vê-la porque perdeu detalhes importantes
daquele momento.
E) objetivamente, ter ficado bem perto de vê-la.
04. (Efomm) “Memórias da Casa Velha” não evidencia
A) algo a que o autor estivesse espiritualmente ligado.
B) uma relação espaço-tempo, mas, essencialmente, uma
relação tempo-pessoa.
C) uma relação de abandono físico, mas uma relação de
abandono espiritual traduzida na seguinte passagem:
“Agora, abandonado, tudo aquilo que perdeu em simetria,
em colorido, ganhou em placidez, em santidade”.
D) sensibilidade do autor.
E) uma afetividade permanente entre as moças e o menino
louro.
05. O autor relata algumas ações e acontecimentos. O tempo
simultâneo de fatos é expresso em que alternativa?
A) “Quando chego à última curva, a respiração se faz difícil
pelo esforço da subida.”
B) “Até há pouco chovia. Agora um sol alegre ilumina a capa
das árvores, vence a folhagem.”
C) “Antes havia marrecos neste laguinho; agora folhas mortas
boiam sem pressa de chegar à outra margem.”
D) “A alegria que senti ao revê-la.”
E) “Contive as lágrimas como contenho agora, enquanto vou
descendo pelo mesmo caminho.”
06. (EsPCEx) Leia os versos a seguir e responda.
CATAR FEIJÃO
Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar*
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e o oco, palha eco.
*Alguidar: recipiente de barro, metal ou material
plástico, usado para tarefas domésticas.
Em “Catar feijão”, João Cabral de Melo Neto revela
A) o princípio de que a poesia é fruto de inspiração poética,
pois resulta de um trabalho emocional.
B) influência do Dadaísmo ao escolher palavras, ao acaso, que
nada significam para a construção da poesia.
C) preocupação com a construção de uma poesia racional
contrária ao sentimentalismo choroso.
D) valorização do eu lírico, ao extravasar o estado de alma e o
sentimento poético.
E) valorização do pormenor mediante jogos de palavras,
sobrecarregando a poesia de figura e de linguagem
rebuscada.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
4
Português
07. (EsPCEx) Leia o trecho do romance São Bernardo e faça o que
se pede.
“(...)
O que estou é velho. Cinquenta anos pelo S. Pedro. 
Cinquenta anos perdidos, cinquenta anos gastos sem objetivo, a 
maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, 
calejei, e não é um arranhão que penetra esta casca espessa e 
vem ferir cá dentro a sensibilidade embotada.
(...)
Cinquenta anos! Quantas horas inúteis! Consumir-se uma 
pessoa a vida inteira sem saber para quê!
Comer e dormir como um porco! Levantar-se cedo todas 
as manhãs e sair correndo, procurando comida! E depois guardar 
comida para os filhos, para os netos, para muitas gerações. 
Que estupidez! Que porcaria!
Não é bom vir o diabo e levar tudo?
(...)
Penso em Madalena com insistência. Se fosse possível 
recomeçarmos... Para que enganar-me? Se fosse possível 
recomeçarmos, aconteceria exatamente o que aconteceu. Não 
consigo modificar-me, é o que mais me aflige.
(...)
Foi este modo de vida que me inutilizou. Sou um aleijado. 
Devo ter um coração miúdo, lacunas no cérebro, nervos diferentes 
dos nervos dos outros homens. E um nariz enorme, uma boca 
enorme, dedos enormes.
(...)”
Quanto ao trecho lido, é correto afirmar que
A) há predomínio de uma visão ufanista do narrador.
B) o intimismo dificulta uma visão crítica.
C) a abordagem universal permite alcançar a dimensão regional.
D) a incapacidade de modificar o modo de vida revela traços
deterministas.
E) o narrador externo explora conflitos internos do personagem.
08. (EsPCEx) Leia o trecho do conto “O Peru de Natal” e responda.
“O nosso primeiro Natal em família, depois da morte de 
meu pai, acontecida cinco meses antes, foi de consequências 
decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos 
familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: 
gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves 
dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza 
cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, duma 
exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos 
faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas 
felicidades materiais, um vinho bom, uma estação de águas, 
aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom 
errado, quase dramático, o puro-sangue dos desmancha-prazeres.
Morreu meu pai sentimos muito, etc. Quando chegamos 
nas proximidades do Natal, eu já estava que não podia mais 
pra afastar aquela memória obstruente do morto, que parecia 
ter sistematizado pra sempre a obrigação de uma lembrança 
dolorosa em cada almoço, em cada gesto da família... A dor já 
estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara 
apenas regularmente de meu pai, mais por instinto de filho que 
por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom 
do morto.
Foi decerto por isso que me nasceu, esta sim, 
espontaneamente, a ideia de fazer uma das minhas chamadas 
“loucuras”. Essa fora, aliás, e desde muito cedo, a minha 
esplêndida conquista contra o ambiente familiar. Desde cedinho, 
desde os tempos de ginásio, em que arranjava regularmente 
uma reprovação todos os anos; desde o beijo às escondidas, 
numa prima, aos dez anos...eu consegui no reformatório do lar 
e vasta parentagem, a fama conciliatória de “louco”. “É doido 
coitado!” (…)
Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas 
“loucuras”:
– Bom, no Natal, quero comer peru.
Houve um desses espantos que ninguém não imagina.”
Nesse fragmento, o universo ficcional constitui
A) o ponto de vista externo do narrador, que valoriza a célula
dramática das novelas românticas.
B) característica da primeira geração modernista, que repudiava
o conservadorismo.
C) a temática da prosa de costumes, enaltecendo a primeira
geração romântica.
D) uma temática nacionalista ao exaltar o conservadorismo.
E) a valorização do sistema patriarcal.
• Considere o texto a seguir para responder às questões 09 e 10.
QUARTO DE DESPEJO
“O grito da favela que tocou a consciência do mundo 
inteiro”
2 de MAIO de 1958. Eu não sou indolente. Há tempos 
que eu pretendia fazer o meu diário. Mas eu pensava que não 
tinha valor e achei que era perder tempo.
...Eu fiz uma reforma para mim. Quero tratar as pessoas 
que eu conheço com mais atenção. Quero enviar sorriso amável 
as crianças e aos operários.
...Recebi intimação para comparecer as 8 horas da noite 
na Delegacia do 12. Passei o dia catando papel. A noite os meus 
pés doíam tanto que eu não podia andar.
Começou chover. Eu ia na Delegacia, ia levar o José
Carlos. A intimação era para ele. O José Carlos tem 9 anos.
3 de MAIO. ...Fui na feira da Rua Carlos de Campos, catar 
qualquer coisa. Ganhei bastante verdura. Mas ficou sem efeito, 
porque eu não tenho gordura. Os meninos estão nervosos por 
não ter o que comer.
6 de MAIO. De manhã não fui buscar agua. Mandei o 
João carregar. Eu estava contente. Recebi outra intimação. Eu 
estava inspirada e os versos eram bonitos e eu esqueci de ir na 
Delegacia. Era 11 horas quando eu recordei do convite do ilustre 
tenente da 12ª Delegacia.
...o que eu aviso aos pretendentes a política, é que o 
povo não tolera a fome. Épreciso conhecer a fome para saber 
descrevê-la. 
Estão construindo um circo aqui na Rua Araguaia, Circo 
Theatro Nilo.
9 de MAIO. Eu cato papel, mas não gosto. Então eu penso: 
Faz de conta que estou sonhando.
10 de MAIO. Fui na Delegacia e falei com o Tenente. Que 
homem amável! Se eu soubesse que ele era tão amável, eu teria 
ido na Delegacia na primeira intimação.
(...) O Tenente interessou-se pela educação dos meus filhos. 
Disse-me que a favela é um ambiente propenso, que as pessoas 
têm mais possibilidades de delinquir do que tornar-se útil a pátria 
e ao país. Pensei: se ele sabe disso, porque não faz um relatório 
e envia para os políticos? O Senhor Jânio Quadros, o Kubistchek, 
e o Dr. Adhemar de Barros? Agora falar para mim, que sou uma 
pobre lixeira. Não posso resolver nem as minhas dificuldades (...). 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
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Português
O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. 
A fome também é professora. Quem passa fome aprende a pensar 
no próximo e nas crianças.
11 de MAIO. Dia das mães. O céu está azul e branco.
Parece que até a natureza quer homenagear as mães que 
atualmente se sentem infeliz por não realizar os desejos de seus 
filhos. (...) O sol vai galgando. Hoje não vai chover. Hoje é o nosso 
dia. (...) A D. Teresinha veio visitar-me. Ela deu-me 15 cruzeiros. 
Disse-me que era para a Vera ir no circo. Mas eu vou deixar o 
dinheiro para comprar pão amanhã, porque eu só tenho cruzeiros 
(...) Ontem eu ganhei metade da cabeça de um porco no frigorifico. 
Comemos a carne e guardei os ossos para ferver. E com o caldo 
fiz as batatas. Os meus filhos estão sempre com fome. Quando 
eles passam muita fome eles não são exigentes no paladar. (...)
Surgiu a noite. As estrelas estão ocultas. O barraco está 
cheio de pernilongos. Eu vou acender uma folha de jornal e passar 
pelas paredes. É assim que os favelados matam mosquitos.
13 de MAIO. Hoje amanheceu chovendo. É um dia 
simpático para mim. É o dia da Abolição. Dia que comemoramos 
a libertação dos escravos. Nas prisões os negros eram os bodes 
expiatórios. Mas os brancos agora são mais cultos. E não nos 
trata com desprezo.
Que Deus ilumine os brancos para que os pretos sejam 
feliz. (...) Continua chovendo. E eu tenho só feijão e sal.
A chuva está forte. Mesmo assim, mandei os meninos para 
a escola. Estou escrevendo até passar a chuva para mim ir lá no 
Senhor Manuel vender os ferros. Com o dinheiro dos ferros vou 
comprar arroz e linguiça. A chuva passou um pouco. Vou sair. (...) 
Eu tenho dó dos meus filhos. Quando eles vê as coisas de comer 
eles brada: Viva a mamãe!. A manifestação agrada-me. Mas eu 
já perdi o habito de sorrir. Dez minutos depois eles querem mais 
comida. Eu mandei o João pedir um pouquinho de gordura a 
Dona Ida. Mandei-lhe um bilhete assim:
“Dona Ida peço-te se pode me arranjar um pouquinho de 
gordura, para eu fazer sopa para os meninos. Hoje choveu e não 
pude catar papel. Agradeço. Carolina” 
(...) Choveu, esfriou. É o inverno que chega. E no inverno 
a gente come mais. A Vera começou a pedir comida. E eu não 
tinha. Era a reprise do espetáculo. Eu estava com dois cruzeiros. 
Pretendia comprar um pouco de farinha para fazer um virado. 
Fui pedir um pouco de banha a Dona Alice. Ela deu-me a banha 
e arroz. Era 9 horas da noite quando comemos.
E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a 
escravatura atual – a fome!
DE JESUS, Carolina Maria. Quarto de Despejo.
09. (AFA) O título do livro Quarto de Despejo pode sugerir algumas 
inferências. Assinale aquela que não pode ser comprovada pelo 
relato.
A) O ambiente onde escreve Carolina assemelha-se a um quarto 
de despejo.
B) Tal qual os objetos que Carolina recolhe nas ruas, ela e seus
filhos são restos ignorados pelo poder público.
C) Os relatos da vida da autora são comparados aos pertences
deixados em um quarto de despejo.
D) Há uma alusão ao local onde vivem as pessoas que trabalham
com serviços domésticos em casas de luxo.
10. (AFA) Diário é um gênero textual no qual são registrados
acontecimentos cotidianos com base em uma perspectiva
pessoal. A partir dessa definição, é correto afirmar que, no
texto,
A) o vocabulário utilizado vai de encontro às características de
relatos pessoais.
B) a linguagem utilizada foi inadequada.
C) a incorreção de alguns aspectos gramaticais ajuda a dar
autenticidade a ele.
D) não há elementos suficientes que o caracterizem como um
diário.
11. Considere o texto a seguir
A HORA DA ESTRELA 
Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula 
disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da 
Pré-História havia a Pré-História da Pré-História e havia o nunca 
e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o 
Universo jamais começou.
[...]
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta 
continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas 
acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-Pré-História 
já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não 
existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. 
Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. 
[...] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas 
nordestinas que andam por aí aos montes.
Como eu irei dizer agora, esta história será o 
resultado de uma visão gradual – há dois anos e meio venho 
aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência 
de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que 
estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não 
inicio pelo fim que justificaria o começo – como a morte 
parece dizer sobre a vida – porque preciso registrar os fatos 
antecedentes.
Clarice Lispector
A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a 
trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a obra 
A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. 
Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o narrador
A) observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante,
sendo indiferente aos fatos e às personagens.
B) relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os
motivos que levaram aos eventos que a compõem.
C) revela-se um sujeito que reflete sobre questões existenciais
e sobre a construção do discurso.
D) admite a dificuldade de escrever uma história em razão da
complexidade para escolher as palavras exatas.
E) propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e
metafísica, incomuns na narrativa de ficção.
12. Leia o texto a seguir.
TENTAÇÃO
Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade 
das duas horas, ela era ruiva. 
Na rua vazia as pedras vibravam de calor – a cabeça da 
menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. 
Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto 
do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o 
soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo 
que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina 
ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra 
desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de 
morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se 
num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
6
Português
de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante 
da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de 
senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já 
habituado, apertando-a contra os joelhos.
Foi quando se aproximou a sua outra metade neste 
mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação 
surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, 
e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, 
doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. 
Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu 
comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro. 
A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, 
o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se
olhavam.
 Entre tantos seresque estão prontos para se tornarem 
donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter 
aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob 
os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande 
soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela 
passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo. 
Os pelos de ambos eram curtos, vermelhos.
Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas 
que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se 
também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, 
com encabulamento, surpreendidos. 
No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali 
estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas 
ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos 
secos – lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva 
carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. 
Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez 
à gravidade com que se pediam. 
Mas ambos eram comprometidos. 
Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que 
só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza 
aprisionada.
A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset 
ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou 
espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que 
nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos 
pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, 
até vê-la dobrar a outra esquina.
Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou 
para trás.
Clarice Lispector
No texto, quem é o narrador?
A) A mãe.
B) Alguém presente na história, mas sem participar ativamente.
C) Alguém que não presente na história.
D) A menina ruiva.
E) O cachorro.
13. Pode-se afirmar que, no texto literário, impera
A) defesa de ideias rumo a um ponto de vista.
B) valorização da construção de espaços e personagens.
C) abordagem de uma temática amorosa.
D) superação de algumas formas antigas de arte.
E) predomínio de linguagem rebuscada.
14. Assinale a opção que não seja um texto literário:
A) poesia.
B) romance.
C) relatório.
D) fábula.
E) sátira.
15. O discurso literário tem como característica:
A) a explicação de tudo.
B) a objetividade.
C) a clareza de ideias.
D) a regularidade.
E) significados implícitos.
Aula 02: 
Foco Narrativo
Introdução
Vejamos o sentido e o uso das expressões ponto de vista e 
foco narrativo. Das duas, a mais antiga, e, sem dúvida, a mais usada 
internacionalmente é o ponto de vista, que provém da linguagem 
relativa à arte da pintura. O Dicionário Caldas Aulete assim define o seu 
sentido: “o [ponto de vista] que o pintor escolhe para pôr os objetos 
em perspectiva; lugar alto, donde se descobre um largo horizonte; (fig.) 
modo de ver ou entender um assunto ou uma questão” (Dicionário 
contemporâneo da Língua Portuguesa, 1925, p. 1165)1. 
O Grande Dicionário Webster, em sua edição de 1971, 
indica, para a expressão inglesa correspondente – point of 
view – os sentidos de “posição particular (no espaço, tempo 
ou desenvolvimento) da qual se avalia ou de onde se considera 
alguma coisa, maneira particular de se considerar ou avaliar algo, 
atitude mental baseada na razão, ou opinião, a respeito de alguma 
coisa” (Webster’s Third New Internacional Dictionary of the English 
Language, p. 1750).
É fácil compreender a transposição desses sentidos gerais 
para um uso mais específico na crítica da ficção. Assim é que Cleanth 
Brooks e R. P. Warren (1959) se referem ao termo, dizendo que “é 
usado de maneira menos precisa para indicar as atitudes e ideias 
básicas do autor”, e, mais estritamente, com referência “ao narrador 
da história – à mente através da qual é apresentado o material da 
história” (Brooks; Warren, 1959 [1943], p. 687)2. 
Esses mesmos autores, entretanto, vieram a utilizar um novo 
termo, oriundo da Física, para expressar a mesma ideia: foco. Foco é 
o “ponto para onde convergem, ou de onde divergem, os eixos de
ondas sonoras ou luminosas que se refletem ou refratam” (Grande
Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, [s.d.], p. 507). Tanto no caso
da refração como no da reflexão as ondas se modificam. Mais no
primeiro caso, menos no segundo. Assim, o termo focus of narration,
que tem sido traduzido em português como “foco narrativo”,
parece-nos excelente, pois além de sugerir o ponto de partida da
visão, indica a inevitável marca que deixa o narrador no material
da sua narrativa.
Foco Narrativo
O foco narrativo pode ser apresentado das seguintes maneiras: 
a) em primeira pessoa;
b) em terceira pessoa;
c) sendo um narrador onisciente;
d) com monólogo interior;
e) um narrador que se dirige ao leitor;
f) um narrador que comenta, a metalinguagem.
1 O Dicionário Caldas Aulete é conhecido como Dicionário contemporâneo da Língua 
Portuguesa. Essa definição é perfilhada, com pequenas alterações, por Laudelino 
Freire ([s.d.], p. 4050) e por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira ([s.d.], p. 1123).
2 BROOKS, C.; WARREN, R. P. Understanding Fiction. 2.ed. Nova York: Appleton Century 
Crofts, 1959 [1943].
Aula
02
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
7
Português
Pode-se ainda refinar a catalogação, de acordo com o que segue:
a) Em primeira pessoa, trata-se do narrador-personagem: narra e
participa da história;
b) Em terceira pessoa, trata-se do narrador-observador: apenas
relata os fatos, não participa da história;
c) O narrador-onisciente revela o passado das personagens, seu
interior, estados psicológicos, pensamentos, ou até mesmo algo 
que tenha falado para si mesmo;
d) O monólogo interior pode ser definido como o fluxo de ideia,
nele estão presentes, segundo Othon M. Garcia3, a memória, a
imaginação e os sentidos. A linguagem costuma ser desprovida 
de hábitos linguísticos socializados (às vezes, a pontuação é
caótica para que possa remeter ao atropelo dos pensamentos);
e) O narrador dirige-se ao leitor, criando um efeito de aproximação;
f) O romance, por meio do narrador, comenta o próprio romance.
Por exemplo:
“Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me 
canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros 
capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco 
da eternidade”. 
Machado de Assis. Memórias Póstumas de Brás Cubas. 
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. 
Exercícios de Fixação
• Leia o texto abaixo para responder às questões que seguem.
O OUTRO MARIDO
Era conferente da Alfândega – mas isso não tem 
importância. Somos todos alguma coisa fora de nós; o eu 
irredutível nada tem a ver com as classificações profissionais. 
Pouco importa que nos avaliem pela casca. Por dentro, sentia-se 
diferente, capaz de mudar sempre, enquanto a situação exterior 
e familiar não mudava. Nisso está o espinho do homem: ele 
muda, os outros não percebem.
Sua mulher não tinha percebido. Era a mesma de há 23 
anos, quando se casaram (quanto ao íntimo, é claro). Por falta 
de filhos, os dois viveram demasiado perto um do outro, sem 
derivativo. Tão perto que se desconheciam mutuamente, como 
um objeto desconhece outro, na mesma prateleira de armário. 
Santos doía-se de ser um objeto aos olhos de Dona Laurinha. 
Se ela também era um objeto aos olhos dele? Sim, mas com 
a diferença de que Dona Laurinha não procurava fugir a essa 
simplificação, nem reparava; era de fato, objeto. Ele, Santos, 
sentia-se vivo e desagradado.
Ao aparecerem nele as primeiras dores, Dona Laurinha 
penalizou-se, mas esse interesse não beneficiou as relações 
do casal. Santos parecia comprazer-se em estar doente. Não 
propriamente em queixar-se, mas em alegar que ia mal. A 
doença era para ele ocupação, emprego suplementar. O médico 
da Alfândega dissera-lhe que certas formas reumáticas levam 
anos para ser dominadas, exigem adaptação e disciplina. Santos 
começou a cuidar do corpo como de uma planta delicada. E 
mostrou a Dona Laurinha a nevoenta radiografia da coluna 
vertebral com certo orgulho de estar assim tão afetado.
– Quando você ficar bom...– Não vou ficar. Tenho doença para o resto da vida.
3 Othon Moacir Garcia, (Mendes, 1912 — Rio de Janeiro,/2002) foi um filólogo, 
linguista, ensaísta e crítico literário brasileiro. Othon Garcia se elegeu membro da 
Academia Brasileira de Filologia (cadeira 21) e da Sociedade Brasileira de Filologia.
Para Dona Laurinha, a melhor maneira de curar-se é 
tomar remédio e entregar o caso à alma de Padre Eustáquio, 
que vela por nós. Começou a fatigar-se com a importância que 
o reumatismo assumira na vida do marido. E não se amolou
muito quando ele anunciou que ia internar-se no hospital
Gaffré e Guinle.
– Você não sentirá falta de nada – assegurou-lhe Santos. 
– Tirei licença com ordenado integral.
Eu mesmo virei aqui todo começo de mês trazer o 
dinheiro. Hospital não é prisão.
– Vou visitar você todo domingo, quer?
– É melhor não ir. Eu descanso, você descansa, cada
qual no seu canto.
Ela também achou melhor, e nunca foi lá. Pontualmente, 
Santos trazia-lhe o dinheiro da despesa, ficaram até um pouco 
amigos nessa breve conversa a longos intervalos. Ele chegava e 
saía curvado, sob a garra do reumatismo que nem melhorava 
nem matava. A visita não era de todo desagradável, desde 
que a doença deixara de ser assunto. Ela notou como a vida 
de hospital pode ser distraída: os internados sabem de tudo 
cá de fora.
– Pelo rádio – explicou Santos.
Um dia, ela se sentiu tão nova, apesar do tempo e das
separações fundamentais, que imaginou uma alteração: por 
que ele não ficava até o dia seguinte, só essa vez?
– É tarde – respondeu Santos. E ela não entendeu se ele
se referia à hora ou a toda a vida passada sem compreensão. É 
certo que vagamente o compreendia agora, e recebia dele mais 
que a mesada: uma hora de companhia por mês.
Santos veio um ano, dois, cinco. Certo dia não veio. 
Dona Laurinha preocupou-se. Não só lhe faziam falta os 
cruzeiros; ele também fazia. Tomou o ônibus, foi ao hospital 
pela primeira vez, em alvoroço. Lá ele não era conhecido. Na 
Alfândega informaram-lhe que Santos falecera havia quinze 
dias, a senhora quer o endereço da viúva?
– Sou eu, a viúva – disse Dona Laurinha, espantada.
O informante olhou-a com incredulidade. Conhecia
muito bem a viúva do Santos, Dona Crisália, fizera bons 
piqueniques com o casal na Ilha do Governador. Santos fora seu 
parceiro de bilhar e de pescaria. Grande praça. Ele era padrinho 
do filho mais velho de Santos. Deixara três órfãos, coitado.
E tirou da carteira uma foto, um grupo de praia. 
Lá estavam Santos, muito lépido, sorrindo, a outra mulher, os 
três garotos. Não havia dúvida: era ele mesmo, seu marido. 
Contudo, a outra realidade de Santos era tão destacada da sua, 
que o tornava outro homem, completamente desconhecido, 
irreconhecível.
– Desculpe, foi engano. A pessoa a que me refiro não
é esta – disse Dona Laurinha, despedindo-se.
Carlos Drummond de Andrade.
01. (EsPCEx) Considere: “Começou a fatigar-se com a importância 
que o reumatismo assumira na vida do marido.” A palavra
destacada indica um estado de
A) fastio.
B) enjoo.
C) arrepio.
D) distração.
E) desconfiança.
02 (EsPCEX) No trecho, “Ele chegava e saía curvado, sob a garra 
do reumatismo que nem melhorava nem matava.”, os verbos 
destacados indicam, respectivamente,
A) ação – ação – ação – ação.
B) ação – estado – ação – estado.
C) estado – ação – estado – ação.
D) estado – ação – ação – ação.
E) ação – ação – estado – ação.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
8
Português
03. (EsPCEx) Considere: “Era conferente da Alfândega – mas isso
não tem importância.”
O narrador caracteriza, no trecho acima transcrito, o
personagem, para, logo em seguida, dizer que tal classificação 
é irrelevante. Marque a alternativa que explica a razão dessa
aparente contradição.
A) Não é importante mencionar o cargo que o personagem
ocupava, pois a história envolve o ser humano e seus
problemas mais profundos.
B) O texto trata de um indivíduo cujos problemas – tanto de
saúde quanto familiares – não têm importância, já que era
conferente da Alfândega.
C) O cargo que o personagem ocupava não era relevante para
a história, pois não se tratava de uma posição de destaque
na sociedade.
D) Não tem importância o personagem ser conferente da
Alfândega porque a história é sobre a amante.
E) O autor propõe uma ironia: ser conferente da Alfândega e
ter duas famílias.
04 (AFA) Leia o texto para responder às perguntas:
FAVELÁRIO NACIONAL
Quem sou eu para te cantar, favela,
Que cantas em mim e para ninguém
a noite inteira de sexta-feira
e a noite inteira de sábado
E nos desconheces, como igualmente não te
conhecemos?
Sei apenas do teu mau cheiro:
Baixou em mim na viração,
direto, rápido, telegrama nasal
anunciando morte... melhor, tua vida.
...
Aqui só vive gente, bicho nenhum
tem essa coragem.
...
Tenho medo. Medo de ti, sem te conhecer,
Medo só de te sentir, encravada
Favela, erisipela, mal-do-monte
Na coxa flava do Rio de Janeiro.
Medo: não de tua lâmina nem de teu revólver
nem de tua manha nem de teu olhar.
Medo de que sintas como sou culpado
 e culpados somos de pouca ou nenhuma irmandade.
Custa ser irmão,
custa abandonar nossos privilégios
e traçar a planta
da justa igualdade.
Somos desiguais
e queremos ser
sempre desiguais.
E queremos ser
bonzinhos benévolos
comedidamente 
sociologicamente
mui bem comportados.
Mas, favela, ciao,
que este nosso papo
está ficando tão desagradável.
vês que perdi o tom e a empáfia do começo?
...
ANDRADE, Carlos Drummond de. Corpo. Rio de Janeiro: Record, 1984.
Os versos que resumem o real motivo do sentimento do eu 
lírico em relação à “favela” são:
A) “Medo de que sintas como sou culpado”
B) “Tenho medo. Medo de ti, sem te conhecer,”
C) “Medo só de te sentir, encravada / Na coxa flava do Rio de
Janeiro”
D) “Sei apenas do teu mau cheiro:”
05. (AFA) Para o eu lírico, a situação precária de vida dos moradores 
da favela é causada, principalmente, pela(o)(s)
A) condições sanitárias do ambiente em que vivem.
B) violência do ambiente, representada no poema pela lâmina
e revólver.
C) descaso que os mais abastados têm em mudar a realidade
social do país.
D) qualidade de vida dos moradores que está aquém da dos
bichos.
06. (AFA) Em uma das opções abaixo, percebe-se que o verbo foi
utilizado de forma coloquial, não seguindo a rigidez imposta
pelas regras gramaticais. Assinale a opção em que há essa
ocorrência.
A) “E nos desconheces, como igualmente não te conhecemos?”
B) “Custa ser irmão/ custa abandonar nossos privilégios”
C) “vês que perdi o tom e a empáfia do começo?”
D) “Aqui só vive gente, bicho nenhum/ tem essa coragem.”
07. (AFA) Nos versos abaixo, percebe-se que foram utilizadas figuras 
de linguagem, enfatizando o sentimento do eu lírico. Porém,
há uma opção em que não se verifica esse fato. Assinale-a.
A) “Baixou em mim na viração / direto, rápido, telegrama nasal”
B) “Medo: não de tua lâmina nem de teu revólver”
C) “Aqui só vive gente, bicho nenhum”
D) “Favela, erisipela, mal-do-monte”
• Leia o texto abaixo para responder às questões seguintes.
A JANTA
A pior hora era do jantar.
Depois da escola, todo mundo chegava a mil. Tinha o 
banho, a mãe atormentada com aquele tanto de criança fazendo 
algazarra, molhando tudo, bagunçando a casa limpa que tanto 
trabalho devia ter dado pra limpar. Ela era a mais velha. A mais 
levada também. Atordoava a mãe, hoje ela sabe. As brigas pela 
televisão, o lugar no sofá... Era também a mais mandona. Sempre 
querendo que os irmãos fizessem assim, fizessem assado. 
Depois tudo ia se acalmando, uns cochilavam no sofá, 
outros no chão. Vez por outra saía um arranca-rabo. Ela impunha 
respeito, senão a mãe vinha brigar. Afinal, era ela a mais velha.
Ela ficava esperando o bife. Era um sinal. Demorava 
sempre. A mãe vinha pra sala, olhava as crianças, ouvia um 
reclamando do outro, ficava brava, voltava pra cozinha. Depois 
voltava a passar pela sala, ignorando a reclamação dos irmãos. 
Tinham fome. Ia até a porta e ficava lá. Às vezes pegava de prosa 
com uma vizinha. Demorando...
E ela ali, fingindoprestar atenção na televisão, 
preocupada com o bife.
De repente, a mãe passava de volta, sumindo pra dentro. 
Então vinha o chiado da frigideira, o cheirinho de carne na chapa. 
Os irmãos se excitavam.
A mãe começava a trazer as travessas pra sala. Vinha, 
voltava, vinha e voltava. Demorava. Finalmente trazia a travessa 
dos bifes, a criançada já sentada em volta da mesa. A mãe não 
deixava ninguém comer enquanto ela não se sentasse. E ela 
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IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
9
Português
sempre parecia que não ia sentar nunca.
Então, quando não tinha mais jeito, sentava. Começava 
a servir o arroz, o feijão, o bife já esfriando, filho por filho, prato 
por prato. A criançada se acalmava, boca cheia. Só o mastigar e 
o barulho dos talheres nos pratos podiam ser ouvidos. Ninguém 
olhava pra ninguém, todos concentrados na comida. Ninguém
olhava o lugar vazio do pai assombrando todo mundo.
AMARAL, Tata. A janta.
08. Qual é o foco narrativo desse texto?
A) Terceira pessoa, narrador-observador.
B) Primeira pessoa.
C) Monólogo interior.
D) Terceira pessoa, narrador onisciente.
E) Narrador que comenta, a metalinguagem.
09. Nesse conto, o jantar significava
A) a melhor hora do dia.
B) um momento de respeito.
C) um momento feliz.
D) um momento de intrigas.
E) um momento de paz.
10. No trecho “Ninguém olhava o lugar vazio do pai assombrando
todo mundo”, o termo destacado por ser substituído por
A) resoluto.
B) destemendo.
C) amedrontando.
D) ousado.
E) encorajando.
11. O conto acompanha a perspectiva de qual personagem?
A) Do narrador.
B) Da mãe.
C) Da irmã mais velha.
D) Do pai.
E) Dos irmãos.
• Leia o texto para responder às próximas questões.
COMO SURGIU A EXPRESSÃO “ARRANCA-RABO”?
“Prezado Sérgio, reparei que às vezes você utiliza a 
expressão popular ‘arranca-rabo’ para falar de briga, discussão 
violenta. Meu saudoso pai também a repetia com frequência. 
Venho trazer então à sua apreciação, aliás sempre ponderada, 
algo que me intriga há muitos anos: é possível dizer como 
surgiu a referida expressão?” (Adeilson Martins)
Caro Adeilson, a origem de palavras e expressões 
desse tipo costuma ser nebulosa. Certeza mesmo é difícil ter, 
mas tomo a liberdade de repassar sua consulta ao famoso 
pesquisador e folclorista potiguar Luís da Câmara Cascudo 
(1898-1986), que conta uma história interessante.
Em seu livro Locuções tradicionais no Brasil, Câmara 
Cascudo garante que a palavra composta “arranca-rabo”, 
considerada pelo Houaiss um brasileirismo, tem na verdade 
“proveniência portuguesa” e, mais ainda, se enraíza numa 
prática existente há “mais de três mil anos”. Cortar, arrancar, 
decepar a cauda dos animais, notadamente os equinos, era 
30
troféu guerreiro de valia inestimável. Quatorze séculos antes 
de Cristo, o fidalgo Amenemheb, oficial do faraó Tutmés III, 
vangloriava-se de ter, no combate de Kadesch, no Oronte, 
cortado a cauda da montada do rei inimigo.
A carga simbólica guerreira do rabo cortado teria sido 
reavivada na cultura brasileira, segundo Câmara Cascudo, 
pelos cangaceiros: Arrancar o rabo ao cavalo de sela do chefe 
adversário era proeza comentada. Os velhos cangaceiros, 
antigos e recentes, Jesuíno Brilhante, Adolfo Meia-Noite, 
Antônio Silvino, Lampião, pelo Nordeste, não esqueciam de 
infligir ao gado das fazendas depredadas o bárbaro suplício, 
humilhando os proprietários.
Sérgio Rodrigues. Revista Veja.
12. Assinale a passagem correta que demonstra a intertextualidade 
do autor:
A) “Meu saudoso pai também a repetia com frequência”.
B) “segundo Câmara Cascudo, pelos cangaceiros: Arrancar
o rabo ao cavalo de sela do chefe adversário era proeza
comentada”.
C) “Caro Adeilson, a origem de palavras e expressões desse
tipo costuma ser nebulosa”.
D) “Quatorze séculos antes de Cristo, o fidalgo Amenemheb,
oficial do faraó Tutmés III, vangloriava-se de ter, no combate 
de Kadesch, no Oronte, cortado a cauda da montada do Rei 
inimigo”.
E) Venho trazer então à sua apreciação, aliás sempre
ponderada, algo que me intriga há muitos anos: é possível
dizer como surgiu a referida expressão?
13. No trecho da carta: “Prezado Sérgio, reparei que às vezes você
utiliza a expressão popular ‘arranca-rabo’ para falar de briga,
discussão violenta”, o foco narrativo é em
A) primeira pessoa.
B) terceira pessoa, narrador-observador.
C) monólogo interior.
D) narrador que comenta, a metalinguagem.
E) terceira pessoa, narrador onisciente.
14. Nesse texto, o autor
A) não sabe responder à carta do leitor.
B) responde à carta do leitor de forma brincalhona.
C) utiliza outras fontes de pesquisa para chegar próximo da
resposta correta.
D) tangencia o assunto da carta.
E) chega à conclusão que “arranca-rabo” é um brasileirismo.
15. Em relação ao texto, é correto afirmar que
A) Adeilson trata-se do autor da crônica.
B) o narrador do texto não pode ser identificado com o autor,
neste caso.
C) Adeilson é a quem se destina a resposta do colunista.
D) Adeilson é o protagonista da carta.
E) pode-se identificar pelo menos três vozes diferentes no texto 
destacado.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
10
Português
Aula 03: 
Intelecção de Texto não literário 
(em comparação com literário)
Texto não literário
Os textos não literários são textos cujo principal objetivo é 
transmitir informações, e eles não contêm os mesmos elementos 
narrativos e artísticos dos textos literários. Os textos não literários 
são textos informativos e objetivos. As funções desse tipo de texto 
utilitário são informar, convencer, explicar, comunicar. A linguagem é 
objetiva, denotativa, concisa e clara. Adota geralmente a gramática 
normativa em sua produção ou utiliza de jargões específicos da área 
a qual deseja comunicar, como por exemplo, um texto jurídico. 
Os elementos de composição do texto não literário são 
os fatos e as informações. Podemos elencar outros exemplos 
de textos não literários: diários pessoais (ou seja, não os diários 
literários), notícias atuais, receitas, jornais, artigos, livros didáticos, 
documentos, receitas e manuais de instruções. Nos textos 
não literários, utilizam-se fatos para comprovar um ponto, 
e as suas escritas são feitas de forma objetiva.
Linguagem Formal e Linguagem 
Informal
A linguagem formal é a linguagem que usamos em situações 
mais formais e é marcada pelo uso da norma culta. É utilizada, 
por exemplo, em situações profissionais, acadêmicas, discursos 
políticos, entrevistas de empregos, palestras, concursos públicos 
e documentos oficiais ou quando não há intimidade entre os 
interlocutores, em que se requer mais seriedade. Geralmente, 
é utilizada quando falamos com superiores, autoridades. 
A linguagem informal é utilizada em situações mais 
descontraídas, quando há uma familiaridade entre os interlocutores. 
Nela não é necessário o uso da norma culta e é comum o uso de 
gírias e coloquialismos. É mais casual e espontânea, foge um 
pouco das normas gramaticais, é usada principalmente quando 
falamos de forma mais impulsiva e casual, como em conversas 
com família e amigos. O tom da linguagem informal é mais 
pessoal do que da linguagem formal. Este tipo de linguagem não 
é utilizado apenas quando falamos, podemos usar linguagem 
informal quando escrevemos, como um cartão postal para um 
membro da família ou uma mensagem de texto para um amigo. 
Algumas publicidades também utilizam desse tipo de linguagem 
para causar efeito.
Exercícios de Fixação
• Leia.
 Texto I
 INÉDITO NO BRASIL: 
“GUIA DE INVESTIGAÇÃO DA FADIGA HUMANA 
EM OCORRÊNCIAS AERONÁUTICAS”
A detecção da fadiga como fator contribuinte às 
ocorrências aeronáuticas tem sido um desafio para as 
Aula
03
investigações do Sistema de Investigação e Prevenção de 
Acidentes Aeronáuticos (SIPAER). As dificuldades ocorrem 
devido à complexidade dos fatores envolvidos na determinação 
desse fenômeno. Para auxiliar no tratamento dessas questões, 
a Comissão Nacional da Fadiga Humana (CNFH), desde 
2013, vem desenvolvendo trabalhos e pesquisas voltadosao 
aprimoramento das técnicas sobre investigação da fadiga. As 
ações desenvolvidas têm por objetivo agregar conhecimento 
às discussões sobre a temática e promover melhores práticas 
de gerenciamento para investigação das suas causas.
A CNFH é uma comissão temporária do Comitê 
Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CNPAA), 
órgão independente que congrega a comunidade aeronáutica 
duas vezes ao ano. As plenárias são sediadas no Centro 
de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos 
(CENIPA), em Brasília/DF. O Comitê tem por finalidade reunir 
representantes de entidades nacionais envolvidas, direta ou 
indiretamente, com a atividade aérea. Visa estabelecer a 
discussão, em âmbito nacional, de soluções para problemas 
ligados à segurança de voo. Em 2014, durante a 62ª Plenária do 
CNPAA, foi aprovada a metodologia de investigação da fadiga 
humana em ocorrências aeronáuticas, proposta pela CNFH. 
Essa metodologia foi embasada em conhecimentos técnicos 
e científicos sobre a fadiga, além dos processos investigativos 
empregados.
Estimular o uso dessa metodologia na investigação de 
ocorrências aeronáuticas conduzidas pelo Estado brasileiro, 
bem como prover recursos auxiliares aos investigadores que 
atuam com essa realidade, motivaram a elaboração do “Guia de 
Investigação da Fadiga Humana em ocorrências aeronáuticas”. 
Inédito no contexto da aviação brasileira, é a primeira vez que 
o país conta com uma publicação voltada exclusivamente à 
investigação da fadiga. Esse material está disponível no site do 
CENIPA a todos os profissionais que atuam com investigação e 
prevenção de acidentes aéreos. O aporte teórico apresentado 
como base da metodologia provê conhecimentos que poderão 
ser utilizados tanto no âmbito do gerenciamento dos riscos 
da fadiga quanto na respectiva investigação. O Guia resulta 
do empenho coletivo de profissionais comprometidos com 
a segurança de voo. Representantes de várias organizações 
do setor aéreo brasileiro colaboraram com a produção desse 
material, o que favoreceu o intercâmbio de ideias.
Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos – CENIPA. 
NOTAER, Ano XLI Nº 1, janeiro de 2018, p. 2.
• Considere o texto acima para responder às questões.
01. A detecção da fadiga como fator contribuinte às ocorrências 
aeronáuticas tem sido um desafio para as investigações do 
Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos 
(SIPAER). O termo em negrito pode ser substituído por, exceto:
A) esgotamento.
B) exaustão.
C) descanso.
D) prostração.
02. No texto anterior, o autor afirma que
A) o alcoolismo é um fator contribuinte para as ocorrências 
aeronáuticas.
B) a Comissão Nacional da Fadiga Humana (CNFH) tem feito 
levantamentos sobre investigação do sono dos pilotos. 
C) a fadiga é um distúrbio do sono.
D) pela primeira vez, o Estado brasileiro investiga sobre a fadiga 
humana em ocorrências aeronáuticas.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
11
Português
03. Assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta.
A) O Brasil foi pioneiro na investigação da fadiga humana em
ocorrências aeronáuticas.
B) Em 2014, foi aprovada a metodologia de investigação da
fadiga humana em ocorrências aeronáuticas.
C) O Estado brasileiro investiga a detecção da fadiga como fator 
contribuinte às ocorrências aeronáuticas, desde 2014.
D) O Estado brasileiro não provém de recursos auxiliares aos
investigadores que atuam com a realidade da fadiga humana 
em ocorrências aeronáuticas.
04. O texto anterior pode ser classificado como
A) formal, com coloquialismo.
B) culto, com gírias da aeronáutica.
C) não literário e formal.
D) literário e formal.
05. As ações desenvolvidas têm por objetivo agregar conhecimento 
às discussões sobre a temática e promover melhores práticas
de gerenciamento para investigação das suas causas. Assinale
a alternativa que apresenta uma inferência correta.
A) No texto, o autor discute sobre novas técnicas de pilotar
com segurança.
B) O autor acredita que grande parte dos acidentes aéreos
ocorre devido à fadiga.
C) O autor defende a aplicação de exames do sono, como a
polissonografia.
D) O autor diz que contou com várias organizações do setor
aéreo brasileiro para a investigação da fadiga.
Texto II
DE UM AVIÃO
Se vem por círculos na viagem
Pernambuco – Todos-os-Foras.
Se vem numa espiral
da coisa à sua memória.
O primeiro círculo é quando 
o avião no campo do Ibura.
Quando tenso na pista
o salto ele calcula.
Está o Ibura onde coqueiros,
onde cajueiros, Guararapes.
Contudo já parece
em vitrine a paisagem.
O aeroporto onde o mar e mangues,
onde o mareiro e a maresia.
Mas ar condicionado,
mas enlatada brisa. [...]
João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra. 
06. No texto, “De um avião”:
I. há alusão de que o eu lírico está em pleno voo;
II. há alusão de que o eu lírico está pilotando um navio;
III. Na 4ª estrofe, é perceptível que o eu lírico se compara com
frustração à liberdade do mareiro.
Está(ão) correta(s) a(s) proposição(ões)
A) I e III apenas.
B) I apenas.
C) I, II e III.
D) II e III apenas.
E) II apenas.
07. O texto II pode ser classificado em
A) formal, com coloquialismo.
B) culto, com jargões da navegação.
C) não literário e formal.
D) literário e formal.
E) literário e informal.
08. No texto, o sentimento passado pela voz poética é
A) responsabilidade.
B) frieza.
C) nostalgia.
D) experimentação.
E) conforto.
Texto III
NASCER NO CAIRO, SER FÊMEA DE CUPIM
Conhece o vocábulo escardinchar? Qual é o feminino de 
cupim? Qual é antônimo de póstumo? Como se chama o natural 
de Cairo?
O leitor que responder “não sei” a todas estas perguntas 
não passará provavelmente em nenhuma prova de Português de 
nenhum concurso oficial. Mas, se isso pode servir de algum consolo 
à sua ignorância, receberá um abraço de felicitações deste modesto 
cronista, seu semelhante e seu irmão.
Porque a verdade é que eu também não sei. Você dirá, meu 
caro professor de Português, que eu não deveria confessar isso; que 
é uma vergonha para mim, que vivo de escrever, não conhecer meu 
instrumento de trabalho, que é a língua.
Concordo. Confesso que escrevo de palpite, como outras 
pessoas tocam piano de ouvido. De vez em quando um leitor 
culto se irrita comigo e me manda um recorte de crônica anotado, 
apontando erros de Português.
[...]
Alguém já me escreveu também que eu sou um escoteiro ao 
contrário: “Cada dia você parece que tem de praticar a sua má ação 
– contra a língua”. Mas acho que isso é exagero. Como também
é exagero saber o que quer dizer escardinchar. Já estou mais perto
dos 50 que dos 40; vivo de meu trabalho quase sempre honrado,
gozo de boa saúde e até estou gordo demais, pensando em meter
um regime no organismo – e nunca soube que fosse escardinchar.
Espero que nunca, na minha vida, tenha escardinchado ninguém;
se o fiz mereço desculpas, pois nunca tive essa intenção.
Por que exigir essas coisas dos candidatos aos nossos 
cargos públicos? Por que fazer do estudo da língua portuguesa 
uma série de alçapões e adivinhas, como essas histórias que uma 
pessoa conta para “pegar” as outras? O habitante do Cairo pode 
ser cairense, caireu, caireta, cairota ou cairiri – e a única utilidade 
de saber qual a palavra certa será para decifrar um problema de 
palavras cruzadas [...]
No fundo o que esse tipo de gramático deseja é tornar a 
língua portuguesa odiosa; não alguma coisa através da qual as 
pessoas se entendam, mas um instrumento de suplício e de opressão 
que ele, gramático, aplica sobre nós, os ignaros.
Mas a mim é que não escardincham assim; sem mais nem 
menos: não sou fêmea de cupim, nem antônimo de póstumo; e 
sou cachoeirense, de Cachoeiro, honradamente – de Cachoeiro 
do Itapemirim!
BRAGA, Rubem. In: Ai de ti Copacabana. Rio de Janeiro: Record, 1987, p. 159-161.
09. Pelo contexto, é possível inferir que escardinchar seja
A) alegrar.
B) dificultar.
C) pisar.
D) fofocar.
E) zombar.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
12
Português
10. Assinale a opção em que o autor assume umaposição associada 
a uma crítica aos gramáticos:
A) Porque a verdade é que eu também não sei. Você dirá, meu
caro professor de Português, que eu não deveria confessar
isso.
B) O habitante do Cairo pode ser cairense, caireu, caireta,
cairota ou cairiri – e a única utilidade de saber qual a palavra 
certa será para decifrar um problema de palavras cruzadas
[...]
C) é uma vergonha para mim, que vivo de escrever, não
conhecer meu instrumento de trabalho, que é a língua.
D) tornar a língua portuguesa odiosa; não alguma coisa através
da qual as pessoas se entendam.
11. Há uma passagem em que, apesar de toda a contrariedade, o
autor demonstra brio ante as condutas dos gramáticos. Assinale 
a opção em que isso ocorre.
A) Espero que nunca, na minha vida, tenha escardinchado
ninguém.
B) Mas a mim é que não escardincham assim.
C) vivo de meu trabalho quase sempre honrado, gozo de boa
saúde e até estou gordo demais
D) No fundo o que esse tipo de gramático deseja é tornar a
língua portuguesa odiosa.
E) Confesso que escrevo de palpite, como outras pessoas tocam
piano de ouvido.
12. A respeito do texto, é incorreta a afirmação:
A) O autor defende a posição dos gramáticos.
B) O autor envia mensagens para os professores de português.
C) O autor acredita no uso de palavras difíceis para se
comunicar.
D) O autor infere no texto o que seria a palavra escardinchar.
E) O autor reside em Copacabana.
13. (AFA) Leia:
RETRATO
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
– em que espelho ficou perdida
a minha face?
MEIRELES, Cecília. Obra Poética de Cecília Meireles. 
Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958.
Sobre os versos acima, é correto afirmar que
A) o poema traz referência à perda de todos os sentidos
humanos, ocasionada pelo envelhecimento.
B) a visão do eu lírico oscila entre o pessimismo e o otimismo
ante a efemeridade do tempo.
C) o tom melancólico se desfaz no décimo verso, quando o eu
lírico constata a inevitabilidade da transformação física.
D) o eu lírico sente-se perplexo diante da consciência tardia das 
mudanças trazidas pela passagem do tempo.
14. (AFA) Analisando os versos do poema “Retrato”, assinale a
opção correta.
A) Percebe-se que foi utilizado, no poema, o pronome “este” e 
suas variações, em referência a algo que, do ponto de vista
espacial, está próximo do eu lírico.
B) A repetição do advérbio de modo “assim” (v. 2) reforça as
características físicas do eu lírico no passado.
C) Em “Tão simples, tão certa, tão fácil” (v. 10), o advérbio em 
destaque foi empregado para atenuar as mudanças sofridas 
pelo eu lírico ao longo da vida.
D) A substituição da expressão “em que espelho” (v. 11) por
“onde” poderia ocorrer sem provocar alteração no sentido
e na sintaxe do verso original.
15. (AFA) Considere o texto poético:
ENVELHECER
A coisa mais moderna que existe nessa vida é
[envelhecer
A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra
[cabeça aparecer
Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que
[agora é pra valer
 Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a
[esquecer
Não quero morrer pois quero ver como será que deve
[ser envelhecer
 Eu quero é viver para ver qual é e dizer venha pra o
[que vai acontecer
(...)
Pois ser eternamente adolescente nada é mais
[démodé* com os ralos fios de cabelo sobre a
[testa que não para de crescer
Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e
[esquece de aprender
Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai
 [correr.
(...)
Arnaldo Antunes/ Ortinho/ Marcelo Jeneci
Disponível em: <www.arnaldoantunes.com.br>.
*démodé: fora de moda.
Assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta. 
A) A expressão “vira a cara para o presente”, no verso 08, foi
utilizada no sentido de encarar fixamente o presente.
B) O eu lírico destaca, nos versos de 02 a 04, apenas as perdas
físicas que caracterizam a chegada da velhice.
C) Conservar os cabelos longos, quando já estão ralos devido
à calvície, é uma atitude fora de moda.
D) No verso 01, é possível perceber uma alusão ao aumento
da expectativa de vida na modernidade, já que envelhecer
tornou-se comum.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
13
Português
Aula 04: 
Sinonímia e Antonímia / 
Paronímia e Homonímia / 
Hiperoníma e Hiponímia
Semântica: Sinonímia e Antonímia
Sinonímia é a relação estabelecida entre duas ou mais 
palavras que apresentam significados iguais ou semelhantes. Alguns 
exemplos: zelo – cuidado; economizar – poupar; excluir – eliminar. 
Leia as frases abaixo e perceba suas semelhanças: 
1. A ausência do aluno acarreta reprovação.
 A falta do aluno causa reprovação.
2. A presença do aluno exclui sua reprovação.
 O comparecimento do aluno elimina sua reprovação.
A palavra “ausência“, por sinonímia, pode ser substituída por 
“falta”, como também há semelhança entre os termos “acarreta” e 
“causa”. O mesmo ocorre com “presença” e “comparecimento” e 
também os verbos “exclui” e “elimina”. As quatro orações expressam 
a mesma coisa, caracterizando, desse modo, a sinonímia, que é um 
recurso muito inteligente da língua portuguesa, pois amplia o nosso 
vocabulário, deixando-o mais rico, por exemplo: “A festa foi top”, 
em vez de usar esta gíria para qualificar tudo o que você sentiu ou passou 
na festa, simplesmente você pode substituir o termo, por sinonímia, 
dessa maneira: A festa foi incrível/ extraordinária/ fantástica/ 
adorável/ produtiva/ encantadora/ inigualável/ etc. Atente-se 
sempre ao contexto da frase para aplicar a sinonímia adequada. 
Por exemplo: – “O longa foi formidável”. Sem nenhum contexto, 
você não saberá do que se trata o termo destacado, “longa”. Mas 
se, antes dessa frase, tiver dito: – “Neste fim de semana, assisti a um 
filme sobre inteligência artificial”. Daí, sim, você relaciona os sentidos 
e conclui que “longa” se refere ao filme. 
Antonímia é a relação estabelecida entre duas palavras ou 
mais que apresentam significados diferentes, contrários. Alguns 
exemplos: zelo – descuido; economizar – gastar; excluir – incluir. 
Semântica: Paronímia e Homonímia
Algumas palavras deixam dúvidas quanto à escrita, pois são 
muito parecidas com outras. Neste tópico, serão analisados alguns 
desses conceitos.
Os parônimos são palavras parecidas na grafia ou na 
pronúncia, mas diferentes no sentido. Analise, a seguir, alguns 
desses casos:
comprimento = extensão cumprimento = saudação
descrição = representação discrição = prudência, reserva
delatar = denunciar dilatar = retardar, estender
deferir = conceder diferir = diferenciar
entender = compreender intender = exercer vigilância
mandado = ordem judicial mandato = tempo de um cargo político
peão = que anda a pé pião = espécie de brinquedo
recrear = divertir recriar = criar novamente
soar = produzir som suar = transpirar
Aula
04
Os homônimos são palavras que possuem grafia ou 
pronúncia igual, mas sentidos diferentes:
acento = sinal gráfico assento = lugar onde se senta
caçar = perseguir animais cassar = anular, revogar
chá = bebida xá = soberano do Irã
cessão = doação, anuência
seção (secção) = divisão, corte
sessão = reunião
incipiente = principiante insipiente = ignorante
manga = fruta manga = parte do vestuário
paço = palácio passo = passada
ruço = pardacento russo = natural da Rússia
Os homônimos perfeitos são aquelas palavras iguais na 
grafia e na pronúncia. Por exemplo: são = sadio / são = santo/ são 
= verbo ser.
Os homônimos homógrafos são aquelas palavras iguais 
apenas na grafia. Logo, a pronúncia será diferente. Por exemplo: 
sábia/ sabia/ sabiá. 
Os homônimos homófonos são aquelas palavras iguais 
somente na pronúncia. Logo, a grafia será diferente. Por exemplo: 
assento/ acento. 
Semântica: Hiperonímia e Hiponímia
A hiperonímia indica uma relação hierárquica de 
significado,isto é, quando uma palavra superior engloba uma 
palavra inferior. O hiperônimo é uma palavra hierarquicamente 
superior porque apresenta um sentido mais abrangente que abarca 
o sentido do hipônimo, uma palavra hierarquicamente inferior, com 
sentido mais restrito.
A hiponímia indica, assim, essa mesma relação hierárquica 
de significado. Foca-se, no entanto, na perspectiva da palavra 
hierarquicamente inferior, hipônimo, que, a nível semântico, pode 
ser incluída em uma classe superior que abrange o seu significado, 
hiperônimo. Veja os exemplos abaixo:
– País é hiperônimo de Brasil. 
– Mamífero é hiperônimo de cavalo.
– Jogo é hiperônimo de xadrez.
– Brasil é hipônimo de país.
– Cavalo é hipônimo de mamífero.
– Xadrez é hipônimo de jogo.
Os hiperônimos:
• Apresentam um sentido abrangente;
• Transmitem a ideia de um todo;
• Representam as características genéricas de uma classe;
• Permitem a formação de subclasses associadas a elas.
Os hipônimos:
• Apresentam um sentido restrito;
• Transmitem a ideia de um item ou uma parte de um todo;
• Representam as características específicas de uma subclasse;
• Permitem a associação a uma classe superior mais abrangente.
O uso de hiperônimos e hipônimos é essencial para a 
construção de uma boa coesão lexical em um texto. Os hiperônimos 
e hipônimos atuam como um recurso coesivo lexical que permite 
a abordagem de um tema evitando repetições vocabulares. Além 
disso, desempenham uma função anafórica no texto, fazendo 
referência a uma informação previamente mencionada sem a repetir, 
por meio do uso de substantivos genéricos e específicos.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
14
Português
Exercícios 
01. Considerando-se o par de palavras eminentes – iminentes, 
é correto afirmar que se trata de exemplo de
A) antonímia.
B) sinonímia.
C) paronímia.
D) homonímia.
E) homofonia.
02. A palavra “tráfico” não deve ser confundida com “tráfego”, seu 
parônimo. Em que item a seguir o par de vocábulos é exemplo 
de homonímia e não de paronímia?
A) estrato – extrato
B) flagrante – fragrante
C) eminente – iminente
D) inflação – infração
E) cavaleiro – cavalheiro
03. Indique a letra na qual as palavras completam, corretamente, 
os espaços das frases abaixo.
 Quem possui deficiência auditiva não consegue ____________ 
os sons com nitidez.
 Hoje são muitos os governos que passaram a combater o 
______________ de entorpecentes com rigor.
 O diretor do presídio ____________ pesado castigo aos 
prisioneiros revoltosos.
A) discriminar – tráfico – infligiu 
B) discriminar – tráfico – infringiu 
C) descriminar – tráfego – infringiu 
D) descriminar – tráfego – infligiu 
E) descriminar – tráfico – infringiu 
ORGULHO FERIDO
Um editorial da respeitada revista britânica The Lancet 
sobre o futuro de Cuba acendeu uma polêmica com pesquisadores 
latino--americanos. O texto da revista sugeriu que o país pode 
mergulhar num caos após a morte do ditador Fidel Castro, que 
sofre de câncer, tal como ocorreu nos países do Leste Europeu 
após a queda de seus regimes comunistas. E conclamou os 
Estados Unidos a preparar ajuda humanitária para os cubanos. De 
quebra, a publicação insinua que há dúvidas sobre a capacidade 
do sistema de saúde cubano fazer frente a esse quadro. (...)
Disponível em: <http://revistapesquisa.fapesp.br/2006/10/01/orgulho-ferido/>
04. Quatro ações são atribuídas, no primeiro parágrafo do texto, 
ao editorial da revista britânica The Lancet: sugerir, conclamar 
e insinuar. Considerando-se o contexto, não haveria prejuízo 
para o sentido se tivessem sido empregados, respectivamente,
A) aventar – convocar – sugerir. 
B) propor – reiterar – infiltrar.
C) conceder– atribuir– insuflar.
D) retificar – conceder – induzir.
E) insinuar – proclamar – confessar. 
05. Quanto à sinonímia, associe a coluna da esquerda com a da 
direita e indique a sequência correta.
I. insigne ( ) ignorante
II. extático ( ) saliente
III. insipiente ( ) absorto
IV. proeminente ( ) notável
A) II – IV – III – I
B) III – IV – II – I
C) IV – III – I – II
D) III – II – IV – I
06. O apaixonado rapaz ficou extático diante da beleza da noiva. 
A palavra destacada é sinônima de
A) imóvel.
B) encantado.
C) firme.
D) sem respirar. 
E) indiferente.
07. Indique o item em que o antônimo da palavra ou expressão 
está corretamente apontado.
A) duradouro sucesso – efêmero 
B) fama em ascendência – excelsa 
C) elegante região – carente 
D) sala lotada – desabitada
E) vida mansa – pacata
08. Assinale a alternativa correta, considerando que à direita de 
cada palavra há um sinônimo. 
A) emergir = vir à tona; imergir = mergulhar 
B) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país) 
C) delatar = expandir; dilatar = denunciar 
D) deferir = diferenciar; diferir = conceder 
E) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação 
09. Os sinônimos de exilado, sustentar e banimento são, 
respectivamente,
A) degradado – sustar – prescrição.
B) degredado – sustar – proscrição.
C) degredado – suster – proscrição.
D) degradado – suster – prescrição.
E) degradado – sustar – proscrição.
10. Os hiperônimos de gato, rosa e amor são, respectivamente,
A) esporte – órgão – sentimento.
B) insetos – mamíferos – veículos.
C) felino – flor – sentimento.
D) felino – sentimento – esporte.
E) felino – sentimento – órgão.
11. Semanticamente é possível perceber nas palavras grifadas 
na frase “A mãe conta que a conta da filha foi invadida por 
hackers”, um exemplo de palavras
A) sinônimas.
B) parônimas.
C) antônimas.
D) homônimas.
E) polissêmicas.
12. Em “Mas compreendi, num lampejo”, a palavra em destaque 
tem o sentido de
A) relance.
B) clarão repentino e breve.
C) mesmo instante.
D) lance.
E) chamuscar.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
15
Português
13. O título “Pensar é transgredir” pode ser interpretado como:
A) Pensar é se divertir.
B) Pensar é dar asas à imaginação e distorcer a realidade.
C) A partir de nossas ideias, podemos ultrapassar os limites e 
nos realizar.
D) A partir de nossas ideias, podemos realizar sonhos. 
E) A partir de nossas ideias, podemos imaginar situações não 
reais. 
Texto IV
NORUEGA COMO MODELO DE REABILITAÇÃO 
DE CRIMINOSOS
O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de 
reincidência criminal em todo o mundo. No país, a taxa média 
de reincidência (amplamente admitida mas nunca comprovada 
empiricamente) é de mais ou menos 70%, ou seja, 7 em cada 10 
criminosos voltam a cometer algum tipo de crime após saírem da 
cadeia. Alguns perguntariam “Por quê?”. E eu pergunto: “Por 
que não?” O que esperar de um sistema que propõe reabilitar e 
reinserir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada 
oferece para que essa situação realmente aconteça? Presídios em 
estado de depredação total, pouquíssimos programas educacionais 
e laborais para os detentos, praticamente nenhum incentivo cultural, 
e, ainda, uma sinistra cultura (mas que diverte muitas pessoas) de 
que bandido bom é bandido morto (a vingança é uma festa, dizia 
Nietzsche). [...]
14. (EsPCEx) Em dois momentos do texto, o redator cita Nietzsche, 
que teria afirmado: “a vingança é uma festa”. A partir do que 
se depreende da leitura, essa “festa” significa:
A) uma notória satisfação das pessoas em geral em relação às 
matanças e às condições humilhantes a que são submetidos 
os presos no Brasil.
B) um presídio cujas celas contenham uma cama, vaso sanitário, 
chuveiro, toalhas brancas, televisão de tela plana, composto, 
ainda, por ampla biblioteca, ginásio de esportes e chalés 
para os presos receberem seus familiares.
C) uma sinistra cultura de nada oferecer para que um criminoso 
possa se reabilitar e ser reinserido em uma sociedade que 
conta com presídios em estado de depredação total e 
pouquíssimos programas educacionais para os detentos.
D) a situação de ser considerada, a Noruega, o melhor país 
para se viver, com a menor taxa de homicídios do mundo, 
onde o sistema carcerário chega a reabilitar cerca de 80% 
dos criminosos.
E) a atitude dos presos no Brasil que, após o cumprimento 
da pena, exercemsua liberdade roubando e matando as 
pessoas, comprovando que o sistema poderia ser melhor 
se aderisse ao adágio “bandido bom é bandido morto”. 
15. “(…) uma sinistra cultura de que bandido bom é bandido 
morto.” O adjetivo em destaque apresenta, no texto, 
o significado de
A) errada. 
B) maligna. 
C) desprezível.
D) forte.
E) correta.
Aula 05: 
Figuras de Linguagem I
I. Histórico das Figuras de Linguagem
até praticamente o século XIX, as figuras e os tropos faziam 
parte da Retórica, disciplina cujo âmbito era por demais complexo 
e extenso. Constituíam as “flore rhetoricales”, que mereceram 
dos antigos particular atenção. Aristóteles na “Poética”, Cícero no 
“De Oratore”, Quintiliano em “Institutio Oratoria”, dentre outros, 
cuidaram do assunto com especial interesse, mormente esse último 
que chegou mesmo a estabelecer o sistema então tradicional e fixo.
Daí a natural reação operada no século XIX, coincidente com 
o eclodir da estética romântica, que se consubstanciava na liberdade 
da forma e inspiração, favorecendo os processos de ampla pesquisa 
e renovação. As figuras consideradas como “adornos voluntários” 
mereceram de artistas e estudiosos franca repulsa, como se fossem 
meros artifícios que tornavam falsas e inautênticas as pretensas 
obras de arte. 
Hoje em dia não se permitem tais excessos. A moderna 
estilística, já no entender de um Charles Bally4, veio substituir a 
Retórica, não para aboli-la de vez, como quiseram alguns radicais 
iconoclastas, mas para colocá-la em seu devido lugar, aproveitando, 
outrossim, aquilo que de útil legou à sistemática da teoria literária, 
atualizando-lhe e arejando-lhe os métodos.
II. INTRODUÇÃO
O estudo das figuras de linguagem é ocupado pela estilística, 
que promove a criatividade linguística. Veremos as figuras ligadas à 
sintaxe e à fonética. O uso da linguagem figurada5 está presente 
na poesia, nos romances, nas propagandas, nos ensaios, nas 
manchetes, enfim, onde houver a intenção de dar à linguagem um 
colorido, uma graça, um efeito de sentido.
Figuras: aspecto sonoro (fonético) Figuras: aspecto sintático
• onomatopeia
• aliteração
• assonância
• paranomásia
• elipse
• zeugma
• anáfora
• hipérbato
• silepse
• assíndeto
• polissíndeto
• pleonasmo
• anacoluto
• quiasmo
• apóstrofe
III. REFORÇO SISTEMÁTICO
A análise da linguagem figurada é feita pela Estilística – 
“disciplina linguística que estuda a expressividade de uma língua, 
isto é, a sua capacidade de sugestionar e emocionar mediante 
determinados processos e efeitos de estilo” (Novo Dicionário Aurélio). 
4 Charles Bally (Genebra, 4 de fevereiro de 1865 – 10 de abril de 1947) foi um 
linguista francês. De 1883 a 1885, estudou língua e literatura clássica, em Genebra. 
Continuou os estudos de 1886 a 1889, em Berlim, onde lhe foi atribuída uma 
PhD. Após seus estudos, trabalhou como professor particular para a família real da 
Grécia, a partir de 1889 até 1893. 
5 Veremos este assunto na aula: Denotação e Conotação. 
Aula
05
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
16
Português
Esses processos e efeitos são gerados pelas figuras de 
linguagem. Podemos nos espelhar e acrescentar uma classificação 
mais sistemática àquela apresentada na introdução acima:
a) figuras de sintaxe ou de construção: silepse, elipse, pleonasmo,
repetição, polissíndeto, anáfora, anacoluto, hipérbato;
b) figuras de palavras: metáfora, metonímia ou sinédoque,
catacrese, antonomásia;
c) figuras de pensamento: antítese, gradação, hipérbole,
eufemismo, prosopopeia.
A metáfora é uma comparação subentendida, que consiste 
na transferência da significação própria de uma palavra para outra 
significação. A metáfora é uma comparação em que falta a locução 
comparativa e que se caracteriza pela substituição de um elemento 
por outro, em virtude de uma associação subjetiva. É o produtor 
da metáfora que vê uma relação de semelhança entre o objeto e a 
figura que ele escolhe para representá-lo:
– A tarde é a tristeza do sol. (José de Alencar)
“Mas vejo aquela cujo olhar são pirilampos” (António Nobre)
“E o Universo – Bíblia imensa
Que Deus no espaço descreveu?” (Castro Alves)
A metonímia é a substituição do sentido de uma palavra 
pelo de outra que com ela apresenta uma relação constante. Há 
uma relação de correspondência ou contiguidade. Dito de outro 
modo, é a substituição de uma expressão por outra, feita por uma 
associação objetiva. Há um relacionamento de traços entre o termo 
substituído e o termo substituto:
O ex-jogador é bom de copo.
Gostávamos de ler Machado.
Minha filha completou 18 primaveras. 
Entre bom de copo e bebe muito, Machado e a obra literária 
de Machado de Assis e primaveras e anos há afinidade de sentido. 
Outros exemplos: O marfim (alvura) de teus dentes; em rapaz (na 
juventude) era meu braço direito (amparo, confiança); acendeu um 
Malboro (marca de cigarro); o Ford quase o derrubou (o inventor 
é usado pelo invento).
A anáfora é a repetição de um termo no início de cada 
verso ou de cada frase.
Amor é fogo que arde sem se ver.
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer. [...] (Luís Vaz de Camões)
Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, 
tudo acaba. (Padre Antônio Vieira)
Castro na boca, Castro n’alma, Castro em toda a parte. (Antonio 
Ferreira)
A epístrofe seria a repetição de palavras ou expressões no fim 
de cada verso (ou de cada um dos membros da frase), por exemplo:
Gastos largos, esperanças do mundo largas, vaidades largas, 
consciências largas, com apertos, e estreitezas se hão de castigar 
(Frei Heitor Pinto).
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada. (Álvaro de Campos)
A aliteração é a repetição de um fonema consonantal. 
Exemplos:
Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos (Eugênio de 
Castro)
Velho vento vagabundo!
No teu rosnar sonolento
Leva ao longe este lamento (Cruz e Souza)
A assonância é a repetição de um fonema vocálico 
(reiteração vogal).
Sem lenço, sem documento (Caetano Veloso)
Pense Forte, Pense Ford (J. Walter Thompson. Cliente: Ford 
do Brasil)
Vestindo água, só saído o cimo do pescoço, o burrinho tinha 
de se enqueixar para o alto, a salvar também de fora o focinho. 
Uma peitada. Outro tacar de patas. Chu-áa... – ruge o rio, como 
chuva deitada no chão. Nenhuma pressa! Outra remada, vagarosa. 
No fim de tudo, tem o pátio, com os cochos, muito milho, na Fazenda; 
e depois o pasto: sombra, capim, sossego... Nenhuma pressa. 
Aqui, por ora, este poço doido, que barulha como um fogo, e faz 
medo, não é novo: tudo é ruim e uma só coisa, no caminho: como 
os homens e os seus modos, costumeira confusão. É só fechar os 
olhos. Como sempre. Outra passada, na massa fria. E ir sem afã, à 
vaga surda, amigo da água, bem como o escuro, filho do fundo, 
poupando forças para o fim. Nada mais, nada de graça; nem um 
arranco, fora de hora. Assim.
João Guimarães Rosa. O burrinho pedrês. Sagarana.
Exercícios 
01. Como exemplos da expressividade sonora, presente nesse
excerto, podemos citar a onomatopeia, em Chu-áa! Chu-áa...,
e a fusão de onomatopeia com aliteração, em:
A) “vestindo água”
B) “ruge o rio”
C) “poço doido”
D) “filho do fundo”
E) “fora de hora”
Saltos altos estalam seco nas ressonantes escadas de 
pedra. Ar de inverno no castelo, cotas de malha enforcadas, 
castiçais de ferro tosco por sobre as espirais das espiraladas 
escadas. Tiques e taques de saltos altos, ecos altos e ocos. 
Alguém lá embaixo quer falar com a senhorita. 
James Joyce. Adaptado.
02. Em de saltos altos, ecos altos e ocos, o significante (letra/som)
aproxima-se do significado; tal recurso também é observado
em:
A) A luz das tuas feridas é o fato de o sofrimento levar à
espiritualidade.
B) “Ouvia zum de besouro na cabeça, estava enlouquecendo”.
C) A árvore no alto da montanha parecia um velho sábio.
D) Às tuas feridas, ofereço-lhes o meu mel.
E) – Não me seduza, o seu tropeço é a minha sorte.
03. Leia os versos e depois assinale a alternativa correta.
Amo do nauta odoloroso grito
Em frágil prancha sobre o mar de horrores,
Porque meu seio se tornou de pedra,
Porque minh’alma descorou de dores.
Fagundes Varela. “Tristeza”. Poesias completas.
No primeiro verso, há uma figura que se traduz por:
A) pleonasmo D) anacoluto
B) hipérbato E) polissíndeto
C) gradação
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
17
Português
04. Leia o fragmento a seguir:
Pois para temperar a tirania,
Como quis que aqui fosse a neve ardente
Permitiu parecesse a chama fria. 
Gregório de Matos. Antologia Poética. 
 No último verso, encontramos algumas figuras de linguagem. 
Uma delas é:
A) eufemismo D) elipse
B) anacoluto E) anáfora
C) pleonasmo
05. Leia.
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Vinícius de Moraes. 
 A repetição da conjunção e constitui uma figura de linguagem 
que chamamos:
A) eufemismo
B) anacoluto
C) hipérbato
D) hipérbole
E) polissíndeto
06. Indique no texto a seguir a figura utilizada:
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ó ódio cíclico!
Ódio fundamentado, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burguês!
Mário de Andrade. Ode ao burguês.
A) anáfora
B) metáfora
C) metonímia
D) aliteração
E) assonância
07. Cite a figura utilizada no texto a seguir:
 Esta gente já terá vindo? Parece que não. Saíram há um bom 
pedaço.
Machado de Assis. 
A) anáfora
B) metáfora
C) silepse
D) gradação
E) anacoluto
08. Leia.
I. E treme, e cresce, e brilha, e afia o ouvido, e escuta...
Olavo Bilac.
II. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não.
João Guimarães Rosa.
III. Aproximou-se do chiqueiro das cabras, viu o bode velho 
fazendo um barulho feio com as ventas arregaçadas, 
lembrou-se do acontecimento da véspera.
Graciliano Ramos.
IV. Minha vida é uma pobre rosa ao vento.
Cecília Meireles.
V. Não vi mais o acampo deles, as esporas tilintim.
Guimarães Rosa. 
 Assinale a alternativa incorreta quanto aos recursos estilísticos 
das respectivas frases:
A) I. Polissíndeto
B) II. Elipse do artigo
C) III. Silepse
D) IV. Metáfora
E) V. Onomatopeia
LUZ DO SOL
Que a folha traga e traduz
Em verde novo, em folha, em graça,
Em vida, em força e em luz
Caetano Veloso. Luz do sol. 
09. O recurso estilístico de natureza sintática encontrado no verso 
Em verde novo, em folha, em graça, é:
A) hipérbole D) antítese
B) epístrofe E) anáfora
C) anástrofe
[...]
Quero você
Toma conta do céu
Toma conta da terra
Toma conta do mar
Toma conta de mim
Maria Antonieta d’Alkmin
[...] 
 Oswald de Andrade. Canção e calendário.
10. A figura de sintaxe que predomina nesse trecho do poema, para 
marcar o ritmo veloz e a atitude lúdica peculiar aos modernistas 
da primeira fase, é:
A) o anacoluto
B) a hipérbole
C) a personificação
D) o pleonasmo
E) a anáfora
11. No período: “Nós nos tornamos pavões exibicionistas.”, 
encontra-se a seguinte figura de linguagem (figura de palavra): 
A) comparação
B) eufemismo
C) prosopopeia
D) onomatopeia
E) metáfora
SER DIFERENTE É NORMAL
Todo mundo tem seu jeito singular
de ser feliz, de viver e de enxergar
se os olhos são maiores ou são orientais
e daí, que diferença faz?
Todo mundo tem que ser especial
em oportunidades, em direitos, coisa e tal
seja branco, preto, verde, azul ou lilás
e daí, que diferença faz?
Já pensou, tudo sempre igual?
Ser mais do mesmo o tempo todo não é tão legal
Já pensou, sempre tão igual?
Tá na hora de ir em frente:
ser diferente é normal!
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
18
Português
Todo mundo tem seu jeito singular
de crescer, aparecer e se manifestar
se o peso na balança é de uns quilinhos a mais
e daí, que diferença faz?
Todo mundo tem que ser especial
em seu sorriso, sua fé e no seu visual
se curte tatuagens ou pinturas naturais
e daí, que diferença faz?
Já pensou, tudo sempre igual?
Ser mais do mesmo o tempo todo não é tão legal
já pensou, sempre tão igual?
Tá na hora de ir em frente:
Ser diferente é normal!
Adilson Xavier/ Vinícius Castro.
12. A musicalidade de um texto é resultado da utilização de vários 
recursos. Assinale a alternativa que analisa corretamente os 
recursos que foram empregados para garantir a musicalidade 
do texto:
A) O texto possui uma métrica regular, tendo em vista que 
apresenta apenas versos octossílabos e alexandrinos.
B) O locutor explora a rima no final dos versos, mas também 
a rima encadeada.
C) As rimas da primeira estrofe, quanto à qualidade, 
classificam-se como preciosas.
D) Quanto à disposição, as rimas do estribilho classificam-se 
como emparelhadas.
E) Nenhuma das anteriores.
13. São recursos estilísticos que foram explorados no texto da 
canção, exceto:
A) Metonímia. 
B) Antítese. 
C) Repetição.
D) Eufemismo
E) Nenhuma das anteriores.
14. As palavras que ocorrem em um texto têm sempre uma função 
determinada. Leia os trechos abaixo e analise a função que é 
indicada para as expressões destacadas.
I. “E daí, que diferença faz?” – O termo que exprime um 
estado de dúvida, de incerteza;
II. “Ser mais do mesmo não é tão legal.” – Vocábulo que 
expressa intensificação;
III. “Todo mundo tem que ser especial” – Termo que exprime 
obrigatoriedade;
IV. “...em oportunidades, em direitos, coisa e tal” – Expressão 
coloquial utilizada para sugerir impaciência.
Está(ão) correta(s) apenas
A) II. D) I e IV.
B) I, III e IV. E) Nenhuma das anteriores.
C) II e III.
• Texto para a questão 15.
A PIPOCA
A culinária me fascina. De vez em quando eu até me 
até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente 
com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais 
escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que 
poderia ter o nome de “culinária literária”. Já escrevi sobre 
as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, 
ora-pro-nóbis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, 
bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar 
metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre 
o filme A festa de Babette, que é uma celebração da comida 
como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e 
competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, 
poeta, psicanalista e teólogo – porque a culinária estimula todas 
essas funções do pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam 
a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, 
que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. 
Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho 
mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples 
molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas 
ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com 
uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na 
minha mente aconteceu. Minhas ideias começaram a estourar 
como pipoca.
Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o 
ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que 
estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou 
a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético 
porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a 
dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma 
panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca 
tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos são 
o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, 
a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não 
é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria 
devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi 
com a Mãe Stella, sábia poderosa do candomblé baiano: que 
a pipoca é a comida sagrada do candomblé...
A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse 
eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos 
aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria 
de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista do 
tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os 
milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é 
que houve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e 
colocá-las em uma panela sobre o fogo, esperando que assimos grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo 
fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O 
que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. 
Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da 
panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era 
o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se 
transformavam em flores brancas e macias que até as crianças 
podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, 
de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, 
molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. 
É muito divertido ver o estouro das pipocas! E o que é que isso 
tem a ver com o candomblé? É que a transformação do milho 
duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação 
porque devem passar os homens para que eles venham a ser o 
que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve 
ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca 
somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo 
poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em 
outra coisa − voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. 
Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho 
de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As 
grandes transformações acontecem quando passamos pelo 
fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida 
inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosas. Só 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
19
Português
que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor 
jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a 
vida nos lança em uma situação que nunca imaginamos. Dor. 
Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar 
doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de 
dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão – sofrimentos cujas 
causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o 
fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade 
da grande transformação. Imagino que a pobre pipoca, fechada 
dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense 
que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, 
fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. 
Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. 
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso 
prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: 
pum! − e ela aparece como uma outra coisa, completamente 
diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta 
rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está 
representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição 
é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de 
um jeito para ser de outro. “Morre e transforma-te!” − dizia 
Goethe. Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando 
sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o 
que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, 
que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me 
valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. 
Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo 
William, extraordinário professor-pesquisador da Unicamp, 
especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o 
assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma 
explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia 
as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas 
“piruá” é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram 
casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: 
“Fiquei piruá!” Mas acho que o poder metafórico dos piruás 
é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais 
que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que 
não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas 
serem. Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida 
perde-la-á.” A sua presunção e o seu medo são a dura casca do 
milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras 
a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não 
vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da 
pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para 
nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que estouraram, 
são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida 
é uma grande brincadeira...
15. O autor faz uso, de uma figura de linguagem, a metonímia, na 
passagem:
A) (...) ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a 
dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de 
uma panela.
B) Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, 
de forma inesperada e imprevisível.
C) Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela 
ficam os piruás que não servem para nada.
D) Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá 
é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do 
Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua.
E) Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá 
dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora 
chegou: vai morrer.
Aula 06: 
Figuras de Linguagem II
FIGURAS DE LINGUAGEM II
Texto teórico
Nesta aula, veremos um complemento mais detalhado das 
figuras de linguagem trabalhadas na aula 01. Figuras ligadas ao 
aspecto sonoro recebem investimento no nível do som, além da 
aliteração e da assonância, temos: a paronomásia, a onomatopeia.
Paronomásia é também chamada de paraquese em 
português (calembour em francês), a paronomásia consiste no 
emprego de palavras semelhantes na grafia e/ ou no som, mas 
diferentes ou opostas no sentido. Todo trocadilho se vale da 
paronomásia; os poetas, jornalistas, redatores também a utilizam 
para dar elegância ao texto.
Sagres sagrou então a Descoberta...
Miguel Torga. “Sagres”. Poemas ibéricos. Coimbra: Coimbra Editores, 1965, p. 21 
Mas não tremas, nem temas
Padre Antônio Vieira
Onomatopeia consiste no emprego de palavras que 
reproduzem sons da natureza, de animais ou de objetos. No 
plano literário, a onomatopeia também consiste na recorrência de 
determinados sons com o objetivo de, via sonoridade (repetição de 
fonemas), exprimir certo conteúdo. O emprego da onomatopeia cria 
uma aproximação entre forma e conteúdo, ou entre o significante, 
parte sensível do signo (som, imagem gráfica), e o significado, parte 
ausente do signo (partindo do princípio de que a palavra é signo, 
pois representa por meio da linguagem um referente, isto é, um 
elemento da realidade: as vozes, as ondas etc.). 
• o roçar do rio nas pedras e nas margens
[...]
Reza, reza o rio
Córrego pro rio e o rio pro mar
Reza correnteza, roça a beira,
doura a areia
[...]
 Caetano Veloso
Figuras ligadas ao aspecto sintático exploram uma das áreas 
da língua, a sintaxe. Pode-se dividi-las assim (as mais importantes):
• omissão: assíndeto, elipse e zeugma;
• repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto;
• inversão: hipérbato;
• ruptura: anacoluto
• concordância ideológica: silepse. 
Elipse trata-se do ocultamento de uma ou mais palavras 
subentendidas no contexto ou na desinência verbal. Exemplo: 
Se conversar, diretoria! (elipse de “você irá à”). O uso da elipse visa 
à concisão, portanto, é um procedimento estilístico que deve ser 
utilizado nas redações:
Aula
06
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
20
Português
• Na descrição de ambientes, de estados psicológicos, de 
personalidade:
Subiu a escada. A cama arrumada. O quarto. O cheiro do 
jasmineiro. E a voz de uma das filhas, embaixo:
— Papai! O telefone...
• Em texto rápidos como um diário íntimo ou um caderno de notas:
Outubro, 10 – Depressão. Hipocondria. Reações súbitas de 
ódio. Depois, desalento. Pelo menos, antes havia um mistério algo 
excitante. Agora, mais melancolia, apenas.
Ciro dos Anjos. Montanha.
Zeugma é a omissão de uma ou mais palavras anteriormente 
expressas (costuma ser o verbo). Exemplo: Vieira vivia para fora [...] 
Bernardes, para a cela... (AntonioFeliciano de Castilho) – zeugma 
de vivia.
Pleonasmo é uma repetição com objetivo enfático. Exemplo: 
Com a vida isolada que vivo, gosto de afastar os olhos de sobre nossa 
arena política para ler em minha alma. (Gonçalves Dias). Como vício 
de linguagem, trata-se de uma repetição de ideias, desnecessária ao 
texto. Pleonasmos viciosos mais presentes no cotidiano: acabamento 
final, certeza absoluta, quantia exata, etc.
Polissíndeto é a repetição intencional de uma conjunção 
coordenativa, visando criar determinadas sugestões, como enfatizar 
determinado aspecto. Exemplo: E zumbia, e voava, e voava e 
zumbia... (Machado de Assis); Tua irmã é carinhosa, e doce, e meiga, 
e casta, e consoladora. (Eça de Queirós).
Exercícios 
01. Identifique qual das alternativas trata-se de metáfora:
A) Eles morreram de rir daquela cena.
B) Aqueles olhos eram como dois faróis acesos
C) Ah! O doce sabor da vitória
D) Aquele velho é uma raposa!
02. “Muito bom aquele encanador. Colocou em nossa casa vários 
canos furados.”. Esta frase trata-se de qual tipo de figura de 
linguagem?
A) metonímia 
B) ironia
C) indireta
D) antítese
03. A figura de linguagem que ocorre no trecho “A voz áspera 
daquele cantor nos fazia ter vontade de morrer” ocorre em 
qual outro destes?
A) Aquela melodia era música nos meus ouvidos.
B) Sentia o cheiro bom das flores.
C) Cada vez que ela chegava perto, sentia o cheiro doce daquele 
perfume horrível.
D) Todos podiam ver como ela era parecida com sua vizinha.
04. Quais figuras de linguagem temos neste texto: “Às sete horas 
da manhã, a rua acordava. Era possível ouvir o grito irritantes 
daquelas lindas crianças que choravam rios de lágrimas 
enquanto suas mães terminavam de preparar o café da manhã. 
O brilho do sol naquele dia ensolarado não era suficiente para 
animar os adultos, que acordavam com o ‘trim’ do despertador 
para trabalhar.”?
A) Personificação – Ironia – Hipérbole – Pleonasmo – 
Onomatopeia.
B) Metáfora – Sarcasmo – Sinestesia – Hipérbole – Pleonasmo 
– Zeugma.
C) Metonímia – Indireta – Sinestesia – Hipérbole – Pleonasmo 
– Zeugma.
D) Personificação – Indireta – Sinestesia – Hipérbole – Pleonasmo 
– Onomatopeia.
05. “Aquela personagem da novela é complicada: ela chora, e grita, 
e sofre, e teima, e perde, e ganha, e casa, e separa. Nunca vi 
igual.”. O trecho exemplifica qual figura de linguagem?
A) assíndeto C) polissíndeto
B) hipérbole D) anáfora
06. Se o polissíndeto e a anáfora tem em comum a repetição, qual 
a diferença entre essas figuras de linguagem?
A) A anáfora tem uma repetição, mas não das conjunções. Elas 
são omitidas nesta figura de linguagem.
B) A repetição da anáfora é somente de sons, como ‘três tigres 
comem três pratos de trigo’, onde o som repetitivo do R é 
evidente.
C) A afirmação está incorreta. A anáfora não tem repetição e 
é completamente oposta ao polissíndeto porque omite as 
conjunções.
D) A anáfora é uma figura de linguagem que tem repetição de 
palavras e expressões. Ela não se prende só às conjunções.
07. 
Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a 
expansão de duas formas, pode determinar a supressão de 
duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, 
rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de 
uma é a condição da sobrevivência da outra, e a destruição não 
atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador 
e benéfico da guerra.
Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. 
As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que 
assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra 
vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos 
dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se 
suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a 
destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina 
a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, 
aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das 
ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações 
não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só 
comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo 
motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação 
que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao 
vencedor, as batatas.
ASSIS, Machado fr. Quincas Borba. Rio de Janeiro, 
Civilização Brasileira/INL, 1976.
 Assinale dentre as alternativas abaixo, aquela em que o uso da 
vírgula marca a supressão (elipse) do verbo:
A) (…) mas, rigorosamente, não há morte(…)
B) A paz, nesse caso, é a destruição(…)
C) Daí a alegria da vitória, os hinos, as aclamações, recompensas 
públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas.
D) Ao vencido, ódio ou compaixão, ao vencedor, as batatas.
E) Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam 
a dar-se(…)
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
21
Português
08. 
 TENHO FASES
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
outro desapareceu…
Lua Adversa – Cecília Meireles.
 Indique a alternativa que não contenha a mesma figura de 
linguagem presente nesse verso do poema:
A) “O meu olhar é nítido como um girassol” (Alberto Caeiro)
B) A casa dela é escura como a noite.
C) A tristeza é um barco imenso, perdido no oceano.
D) “Meu amor me ensinou a ser simples como um largo de 
igreja” (Oswald de Andrade)
E) Ele é lerdo como uma lesma.
09. A catacrese, figura que se observa na frase “Montou o cavalo 
no burro bravo”, ocorre em:
A) Os tempos mudaram, no devagar depressa do tempo.
B) Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal.
C) Amanheceu, a luz tem cheiro.
D) Última flor do Lácio, inculta e bela, és a um tempo esplendor 
e sepultura.
E) Apressadamente, todos embarcaram no trem.
10. Assinale a alternativa em que o autor não utiliza prosopopeia.
A) “A poesia vai à esquina comprar jornal”. (Ferreira Gullar)
B) “A luminosidade sorria no ar: exatamente isto. Era um 
suspiro do mundo.” (Clarice Lispector)
C) “As palavras não nascem amarradas, elas saltam, se beijam, 
se dissolvem…” (Drummond)
D) “Meu nome é Severino, Não tenho outro de pia”. (João 
Cabral de Melo Neto)
E) “Quando essa não-palavra morde a isca, alguma coisa se 
escreveu.” (Clarice Lispector)
11. 
“A novidade veio dar à praia
na qualidade rara de sereia
metade um busto de uma deusa maia
metade um grande rabo de baleia
a novidade era o máximo
do paradoxo estendido na areia
alguns a desejar seus beijos de deusa
outros a desejar seu rabo pra ceia
oh, mundo tão desigual
tudo tão desigual
de um lado este carnaval
do outro a fome total
e a novidade que seria um sonho
milagre risonho da sereia
virava um pesadelo tão medonho
ali naquela praia, ali na areia
a novidade era a guerra
entre o feliz poeta e o esfomeado
estraçalhando uma sereia bonita
despedaçando o sonho pra cada lado”
Gilberto Gil – A Novidade.
 Gilberto Gil em seu poema usa um procedimento de construção 
textual que consiste em agrupar ideias de sentidos contrários 
ou contraditórios em uma mesma unidade de significação. 
A figura de linguagem acima caracterizada é:
A) sinédoque
B) metonímia
C) paradoxo
D) hipérbole
E) sinestesia
12. 
Um dia, o Simão me chamou: – “Vem ver. Olha ali”. 
Era uma mulher, atarracada, descalçada, que subia o caminho 
do morro. (Diante do Sanatorinho havia um morro. Os doentes 
em bom estado podiam ir até lá em cima, pela manhã e à tarde.) 
Lembro-me de que, de repente, a mulher parou e acenou para 
o Sanatorinho. Não sei quantas janelas retribuíram. E o curioso 
é que, desde o primeiro momento, Simão saltou: – “É minha! 
Vi primeiro!”.
Uns oitenta doentes tinham visto, ao mesmo tempo. 
Mas o Simão era um assassino. Comoele próprio dizia, sem 
ódio, quase com ternura, “matei um”. E o crime pretérito 
intimidava os demais. Constava que trouxera, na mala, com 
a escova de dentes, as chinelas, um revólver. Naquela mesma 
tarde, foi para a cerca, esperar a volta da fulana. E conversaram 
na porteira. Simão voltou, desatinado. Conversara a fulana. 
Queria um encontro, na manhã seguinte, no alto do morro.
A outra não prometera nada. Ia ver, ia ver. Simão estava 
possesso: – “Dez anos!”, e repetia, quase chorando: –“Dez 
anos não são dez dias!”. Campos do Jordão estava cheio de 
casos parecidos. Nada mais cruel do que a cronicidade de 
certas formas de tuberculose. Eu conheci vários que haviam 
completado, lá na montanha, um quarto de século. E o próprio 
Simão falava dos dez anos como se fosse esta a idade do seu 
desejo.
Na manhã seguinte, foi o primeiro a acordar. (…) 
Havia uma tosse da madrugada e uma tosse da manhã. Eu me 
lembro daquele dia. Nunca se tossiu tanto. Sujeitos se torciam e 
retorciam asfixiados. E, súbito, a tosse parou. Todo o Sanatorinho 
sabia que, no alto do morro, o Simão ia ver a tal mulher do riso 
desdentado. E justamente ela estava subindo a ladeira. Como na 
véspera, deu adeus; e todas as janelas e varandas retribuíram. 
Uma hora depois, volta o Simão. Foi cercado, envolvido: – “Que 
tal?”. Tinha uma luz forte no olhar: – “Tem amanhã outra vez”. 
Durante todo o dia, ele quase não saiu da cama: – sonhava. 
Às seis, seis e pouco, um médico entra na enfermaria. Falou 
pra todos: – “Vocês não se metam com essa mulher que anda 
por aí, uma baixa. Passou, hoje de manhã, subiu a ladeira. 
É leprosa”. Ninguém disse nada. O próprio Simão ficou, no seu 
canto, uns dez minutos, quieto. Depois, levantou-se. No meio 
da enfermaria, como se desafiasse os outros, disse duas vezes: 
– “Eu não me arrependo, eu não me arrependo”.
RODRIGUES, Nelson. A menina sem estrela. São Paulo: 
Companhia das Letras, 1993, p. 132-3.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
22
Português
 A partir da convenção seguinte:
I. Animização;
II. Metáfora;
III. Metonímia;
IV. Silepse.
 Preencha os parênteses com a adequada classificação das 
figuras de linguagem:
( ) ”… e todas as janelas e varandas retribuíram.”
( ) ”Campos do Jordão estava cheio de casos parecidos.”
( ) ”… Simão ia ver a tal mulher do riso desdentado.”
 A sequência correta encontra-se em
A) I, III, II. D) II, III, II.
B) III, IV, II. E) III, IV, III.
C) I, IV, II. 
13. 
 TECENDO A MANHÃ
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
MELO, João Cabral de. In: Poesias Completas. 
Rio de Janeiro, José Olympio, 1979.
 Nos versos
“E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo…”
tem-se exemplo de
A) aliteração D) silepse 
B) antítese E) sinestesia
C) eufemismo 
14. 
 DESCOBERTA DA LITERATURA
No dia a dia do engenho/ toda a semana, durante/
cochichavam-me em segredo: / saiu um novo romance./
E da feira do domingo/ me traziam conspirantes/
para que os lesse e explicasse/ um romance de barbante./
Sentados na roda morta/ de um carro de boi, sem jante,/
ouviam o folheto guenzo, / o seu leitor semelhante,/
com as peripécias de espanto/ preditas pelos feirantes./
Embora as coisas contadas/ e todo o mirabolante,/
em nada ou pouco variassem/ nos crimes, no amor, nos lances,/
e soassem como sabidas/ de outros folhetos migrantes,/
a tensão era tão densa,/ subia tão alarmante,/
que o leitor que lia aquilo/ como puro alto-falante,/
e, sem querer, imantara/ todos ali, circunstantes,/
receava que confundissem/ o de perto com o distante,/
o ali com o espaço mágico,/ seu franzino com gigante,/
e que o acabasse tomando/ pelo autor imaginante/
ou tivesse que afrontar/ as brabezas do brigante./
(…)
João Cabral de Melo Neto
 Sobre as figuras de linguagem usadas no texto, relacione as 
duas colunas abaixo:
COLUNA 1 COLUNA 2
(I) Romance de barbante
(II) Roda morta; folheto guenzo
(III) Como puro alto-falante
(IV) Perto/distante
 Ali/espaço mágico
 Franzino/gigante
(V) Cochichavam-me em segredo
( ) Pleonasmo
( ) Metáfora
( ) Comparação
( ) Metonímia
( ) Antítese
 A ordem correta é:
A) I, II, III, IV, V
B) II, I, III, IV, V
C) V, II, III, I, IV
D) III, I, IV, V, II
E) II, IV, V, III, I
15. 
 O AÇÚCAR
O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.
Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
[dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.
(…)
Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
Ferreira Gullar. Toda Poesia. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira, 1980, p. 227-8.
 A antítese que configura uma imagem da divisão social do 
trabalho na sociedade brasileira é expressa poeticamente na 
oposição entre a doçura do branco açúcar e
A) o trabalho do dono da mercearia de onde veio o açúcar.
B) o beijo de moça, a água na pele e a flor que se dissolve na 
boca.
C) o trabalho do dono do engenho em Pernambuco, onde se 
produz o açúcar.
D) a beleza dos extensos canaviais que nascem no regaço do 
vale.
E) o trabalho dos homens de vida amarga em usinas escuras.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
23
Português
Aula 07: 
Denotação e Conotação – Texto Teórico
I. Linguagem e Comunicação
As palavras revestem nossas ideias e sentimentos. 
São riquíssimas em significado e sonoridade e raramente designam 
apenas uma coisa. Veja, por exemplo, o verbo dormir nos enunciados 
abaixo:
a) Ela informou à mãe que as crianças estavam dormindo ainda.
b) “Escurece e, como ninguém veio ainda acender as luzes, 
a varanda do casarão dos Albuquerques fica dormindo na 
sombra”. (Érico Veríssimo)
c) Não durma no ponto, as inscrições terminam hoje. 
Na frase a, dormir foi usado em seu sentido usual de 
“descansar no sono”; na frase b, houve uma extensão de seu 
sentido literal, já que uma varanda não dormiria e, sim, ficaria “sem 
luz e sem ninguém”. Na frase c, dormir remete-nos a um novo 
conceito, fruto de associações feitas no contexto de “não perder 
tempo”, “ficar atento”. 
Toda palavra utilizada em um contexto novo torna-se, em 
razão disso, uma nova palavra. (J. R. Firth)
Quando fazemos uso da linguagem, a escolha e a 
combinação do vocabulário farão com que cada comunicação 
tenha determinadas características (simples, confusa, sofisticada, 
emocionante, convincente), dependendo do contexto. 
II. Denotação
A denotação (do latim denotatione, indicação) está presente 
no texto no instante em que o enunciador utiliza as palavras em 
sentido literal (ao pé da letra), ela “remete”, como afirma Massaud 
Moisés no Dicionário de termos literários, ao que no sentido é 
comum a todos os falantes de uma mesma língua. Assim, a palavra 
mala, em sentido denotativo, terá sempre o mesmo significado: saco 
de couro ou pano; caixa de madeira revestida de couro ou lona, 
destinada, geralmente, ao transporte de roupas (Dicionário Escolar 
da língua portuguesa, Francisco da Silveira Bueno). A denotação 
move-se, mais frequentemente, no discurso científico caracterizado 
pela “univocidade” das palavras em sentido literal, em conformidadecom o dicionário. A denotação tem sua equivalência na função 
referencial, também, chamada função denotativa. Dessa forma, 
todos os textos de caráter informativo, que apresentem linguagem 
objetiva, também fazem uso da denotação (livros didáticos, manuais, 
memorandos etc.). Quando se tem a denotação, a carga semântica 
(o significado) deriva, não do contexto, mas da convenção.
III. Conotação
A conotação (do latim cum + notatione, notação, marca) é 
empregada no texto no momento em que uma palavra ou expressão 
tem seu sentido literal alterado. Por associação mental e por meio 
do encadeamento de imagens ou alusões, chega-se a um outro 
sentido, que não o literal. A poesia é por excelência conotativa, 
ao passo que a prosa narrativa típica (um romance, um conto, 
etc.) promove uma harmonia entre esses dois níveis de linguagem. 
Segundo Massaud Moisés, em um texto poético cada palavra pode 
assumir mais de um sentido, em um texto em prosa (parágrafo) 
o vocábulo isolado tende para a denotação, e só adquire sentido 
conotativo no conjunto da obra em que se insere. 
Aula
07
Exercícios de Fixação
01. O termo (ou expressão) destacado que está empregado em seu 
sentido próprio, denotativo, ocorre em
A) “(....)
 É de laço e de nó
 De gibeira o jiló
 Dessa vida, cumprida a sol (....)”
Renato Teixeira. Romaria. Kuarup Discos. setembro de 1992.
B) “Protegendo os inocentes
 é que Deus, sábio demais,
 põe cenários diferentes
 nas impressões digitais.”
Maria N. S. Carvalho. Evangelho da Trova. /s.n.b.
C) “O dicionário-padrão da língua e os dicionários unilíngues 
são os tipos mais comuns de dicionários. Em nossos dias, 
eles se tornaram um objeto de consumo obrigatório para 
as nações civilizadas e desenvolvidas.”
Maria T. Camargo Biderman. O dicionário-padrão da língua. 
Alfa (28), 2743, 1974 Supl.
D) 
O Globo. O menino maluquinho: agosto de 2002: 
E) “Humorismo é a arte de fazer cócegas no raciocínio 
dos outros. Há duas espécies de humorismo: o trágico e o 
cômico. O trágico é o que não consegue fazer rir; o cômico 
é o que é verdadeiramente trágico para se fazer.” 
Leon Eliachar. www.mercadolivre.com.br <http://www.mercadolivre.com.br>. 
Acesso em julho de 2005.
02. Sobre a conotação e a denotação, podemos afirmar, exceto:
A) A conotação é utilizada principalmente na linguagem poética 
e na literatura, mas pode ser encontrada em gêneros textuais 
do cotidiano, como letras de músicas, anúncios publicitários, 
entre outros.
B) Uma palavra ou expressão é usada no sentido denotativo 
para representar diferentes significados dependendo do 
contexto da enunciação.
C) Os textos não literários devem preferir a denotação, pois essa 
tem como finalidade informar o receptor da mensagem de 
maneira clara e objetiva, livre de ambiguidades e metáforas.
D) A conotação e a denotação são as variações de significado 
que ocorrem no signo linguístico, que, por sua vez, é 
composto de um significante (letras e sons) e um significado 
(conceito, ideia).
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
24
Português
03. O filme Cazuza – O tempo não para me deixou em uma espécie 
de felicidade pensativa. Tento explicar por quê. Cazuza mordeu 
a vida com todos os dentes. A doença e a morte parecem ter-se 
vingado de sua paixão exagerada de viver. É impossível sair da 
sala de cinema sem se perguntar mais uma vez: o que vale mais, 
a preservação de nossas forças, que garantiria uma vida mais 
longa, ou a livre procura da máxima intensidade e variedade de 
experiências? Digo que a pergunta se apresenta “mais uma vez” 
porque a questão é hoje trivial e, ao mesmo tempo, persecutória. 
(...) Obedecemos a uma proliferação de regras que são ditadas 
pelos progressos da prevenção. Ninguém imagina que comer, 
fumar, tomar pinga, transar sem camisinha e combinar, 
sei lá, nitratos com Viagra seja uma boa ideia. De fato não é. 
À primeira vista, parece lógico que concordemos sem hesitação 
sobre o seguinte: não há ou não deveria haver prazeres que 
valham um risco de vida ou, simplesmente, que valham o 
risco de encurtar a vida. De que adiantaria um prazer que, por 
assim dizer, cortasse o galho sobre o qual estou sentado? Os 
jovens têm uma razão básica para desconfiar de uma moral 
prudente e um pouco avara que sugere que escolhamos sempre 
os tempos suplementares. É que a morte lhes parece distante, 
uma coisa com a qual a gente se preocupará mais tarde, muito 
mais tarde. Mas sua vontade de caminhar na corda bamba e 
sem rede não é apenas a inconsciência de quem pode esquecer 
que “o tempo não para”. É também (e talvez sobretudo) um 
questionamento que nos desafia: para disciplinar a experiência, 
será que temos outras razões que não sejam só a decisão de 
durar um pouco mais? 
Contardo Calligaris, Folha de S. Paulo.
 Considere as seguintes afirmações:
I. Os trechos “mordeu a vida com todos os dentes” e 
“caminhar na corda bamba e sem rede” podem ser 
compreendidos tanto no sentido figurado quanto no sentido 
literal;
II. Na frase “De que adiantaria um prazer que (...) cortasse o 
galho sobre o qual estou sentado”, o sentido da expressão 
destacada corresponde ao de “se está sentado”;
III. Em “mais uma vez”, no início do terceiro parágrafo, o autor 
empregou aspas para indicar a precisa retomada de uma 
expressão do texto.
 Está correto o que se afirma em:
A) I, somente.
B) I e II, somente.
C) II, somente.
D) II e III, somente.
E) I, II e III.
04. Assinale a alternativa em que não foram utilizadas palavras no 
sentido figurado:
A) O vento acariciava meus cabelos.
B) Minha vida é um livro aberto.
C) Estou com uma fome de leão.
D) A propaganda é a alma do negócio.
E) Antes do meio-dia, a coluna estava pronta.
05. A frase em que o termo destacado está empregado no sentido 
denotativo é:
A) “Além dos ganhos econômicos, a nova realidade rendeu 
frutos políticos.”
B) “...com percentuais capazes de causar inveja ao presidente.”
C) “Os genéricos estão abrindo as portas do mercado...”
D) “...a indústria disparou gordos investimentos.”
E) “Colheu uma revelação surpreendente:...”
06. Assinale o segmento em que não foram usadas palavras em 
sentido figurado:
A) Lendo o futuro no passado dos políticos (...)
B) As fontes é que iam beber em seus ouvidos.
C) Eram 75 linhas que jorravam na máquina de escrever com 
regularidade mecânica.
D) Antes do meio-dia, a coluna estava pronta.
E) (...) capaz de cortar com a elegância de um golpe de florete.
07 Assinale a alternativa cujo termo destacado não é linguagem 
conotativa:
A) “... mas um defunto autor, para quem a campa foi outro 
berço ”
B) “Acresce que chovia – peneirava – uma chuvinha miúda, 
triste”
C) “A natureza parece estar chorando a perda irreparável ...”
D) “... no discurso que proferiu à beira da minha cova.”
08. Marque a alternativa cuja frase apresenta palavra(s) 
empregada(s) em sentido figurado:
A) O homem procura novos caminhos na tentativa de fixar suas 
raízes.
B) “Mas lá, no ano dois mil, tudo pode acontecer. Hoje, não.”
C) “... os planejadores fizeram dele a meta e o ponto de 
partida.”
D) “Pode estabelecer regras que conduzam a um viver 
tranquilo ...”
E) “Evidentemente, (...) as transformações serão mais rápidas.”
09. Assinale a alternativa em que não há palavra empregada em 
sentido figurado:
A) “O estrangeiro ainda tropeça com muita frequência na 
incompreensão das sociedades por onde passa.”
B) “Quando a luz estender a roupa nos telhados, seremos, na 
manhã, duas máscaras calmas.”(Mário Quintana)
C) “Vejo que o amor que te dedico aumenta seguindo a trilha 
de meu próprio espanto.”
D) Não, eu te peço, não te ausentes / Porque a dor que agora 
sentes / Só se esquece no perdão.”
E) “Sinto que o tempo sobre mim abate sua mão pesada.”
 Carlos Drummond de Andrade
10. Feita a leitura dos fragmentos expostos de I a V abaixo, responda 
ao que se pede. 
I. “Quer ver desejo? / É o desejo tando desejando/ A lua 
olhando esse amor na brecha do telhado” (Jessier Quirino) 
II. “Dois risquin de sobrancelha, os ói azul festejado/ 
Platibandinha de testa, semfranzido ou pinicado/ Linda 
não, aquelas tuia/ Dei dois viva de aleluia, nesse sonho 
iluminado”. (Linda não, aquelas tuia. Jessier Quirino). 
III. “Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque 
os corpos se entendem, mas as almas não”. (Arte de Amar. 
Manuel Bandeira). 
IV. “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”. (Fernando 
Pessoa) 
V. “O ex-secretário de Estado da Casa Civil do Rio de Janeiro 
Régis Fichtner foi preso nesta quinta-feira (23) em mais 
uma etapa da Operação Lava Jato realizada em território 
fluminense. ” 
Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas- 
-noticias/2017/11/23/ex-secretario-da-casa-civil-do-rio-e-empresarios-sao- 
-alvo-de-esdobramento-da-lava-jato.htm>. Acesso em: 22 nov. 2017. 
 Há registros de conotação apenas nos fragmentos 
A) I, II, III e IV. D) I, IV e V.
B) I e IV. E) III, IV e V.
C) II, III, IV e V.
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Português
11. Leia o texto de Drauzio Varella para responder à questão.
Passei dois anos escrevendo o livro que acabo de 
terminar. A tarefa não foi realizada em tempo integral, mas 
nos momentos livres que ainda me restam. 
Há escritores que precisam de silêncio, solidão e 
ambiente adequado para a prática do ofício. Se fosse esperar 
por essas condições, teria demorado 20 anos para publicá-lo, 
tempo de vida de que não disponho, infelizmente. 
Por força da necessidade, aprendi a escrever em 
qualquer lugar em que haja espaço para sentar com o 
computador. Por exemplo, nas salas de embarque durante as 
viagens de bate e volta que sou obrigado a fazer. Consigo me 
concentrar apesar das vozes esganiçadas que anunciam os 
voos, os atrasos, as trocas de portões, a ordem nas filas, os 
nomes dos retardatários.
Mal o avião levanta voo, puxo a mesinha e abro o 
computador. Estou nas nuvens, às portas do paraíso celestial. 
O telefone não vai tocar, ninguém me cobrará o texto que 
prometi, a presença na palestra para a qual fui convidado, os 
e-mails atrasados. 
Minha carreira de escritor começou com “Estação 
Carandiru”, publicado quando eu tinha 56 anos. Foi tão grande 
o prazer de contar aquelas histórias, que senti ódio de mim 
mesmo por ter vivido meio século sem escrever livros. 
 A dificuldade vinha da timidez e da autocrítica. Para 
mim, o que eu escrevesse seria fatalmente comparado com 
Machado de Assis, Gógol, Faulkner, Joyce, Pushkin, Turgenev ou 
Dante Alighieri. Depois do que disseram esses e outros gênios, 
que livro valeria a pena ser escrito? 
A resposta encontrei em “On Writing”, livro que 
reúne entrevistas e textos de Ernest Hemingway sobre o ato 
de escrever. Em conversa com um estudante, Hemingway diz 
que, ao escritor de nossos tempos, cabem duas alternativas: 
escrever melhor do que os grandes mestres já falecidos ou 
contar histórias que nunca foram contadas. 
De fato, se eu escrevesse melhor do que Machado de 
Assis, poderia recriar personagens como Dom Casmurro ou 
descrever com mais poesia o olhar de ressaca de Capitu. 
Restava a outra alternativa: a vida em uma cadeia com 
mais de 7.000 presidiários, na cidade de São Paulo, nas últimas 
décadas do século 20, não poderia ser descrita por Tchékhov, 
Homero ou pelo padre Antonio Vieira. O médico que atendia 
pacientes no Carandiru havia dez anos era quem reunia as 
condições para fazê-lo. 
Seguindo o mesmo critério, publiquei outros livros. 
Às cotoveladas, a literatura abriu espaço em minha agenda. 
Há escritores talentosos que se queixam dos tormentos e da 
angústia inerentes ao processo de criação. Não é o meu caso, 
escrever só me traz alegria. 
Diante da tela do computador, fico atrás das palavras, 
encontro algumas, apago outras, corrijo, leio e releio até sentir 
que o texto está pronto. Às vezes, ficou melhor do que eu 
imaginava. Nesse momento sou invadido por uma sensação 
de felicidade plena que vai e volta por vários dias. 
Disponível em: <www.folha.uol.com.br>. Acesso em: 13 maio 2017. Adaptado.
Verifica-se o emprego de palavras com sentido figurado em: 
A) Consigo me concentrar apesar das vozes esganiçadas... (3° 
parágrafo)
B) ... aprendi a escrever em qualquer lugar em que haja espaço 
para sentar com o computador. (3° parágrafo)
C) Seguindo o mesmo critério, publiquei outros livros. (10° 
parágrafo)
D) Às cotoveladas, a literatura abriu espaço em minha agenda. 
(10° parágrafo) 
E) Há escritores que precisam de silêncio, solidão e ambiente 
adequado para a prática do ofício. (2° parágrafo)
12. Observe o fragmento destacado no período abaixo. De acordo 
com a significação das palavras, em relação à semântica, 
marque a alternativa correta.
 “[...] para não morrermos soterrados na poeira da banalidade, 
embora pareça que ainda estamos vivos”.
A) Antonímia. C) Conotação. 
B) Denotação. D) Paronímia.
13. 
 DADOS PESSOAIS, UMA QUESTÃO POLÍTICA 
 No mundo, foram vendidos 1,424 bilhão de smartphones 
em 2015; 200 milhões a mais que no ano anterior. Um terço da 
humanidade carrega um computador no bolso. Manipular esse 
aparelho tão prático é algo de tal forma óbvio que quase nos faz 
esquecer o que ele nos impõe em troca e sobre o que repousa 
toda a economia digital: as empresas do Vale do Silício oferecem 
aplicativos a usuários que, em contrapartida, lhes entregam 
seus dados pessoais. Localização, histórico da atividade on-line, 
contatos etc. são coletados sem pudor, analisados e revendidos 
a anunciantes publicitários felizes em mirar as “pessoas certas, 
transmitindo-lhes sua mensagem certa no momento certo”, 
como alardeia a direção do Facebook. “Se é gratuito, então 
você é o produto”, já anunciava um slogan dos anos 1970. 
 Enquanto as controvérsias sobre vigilância se multiplicam 
desde as revelações de Edward Snowden em 2013, a extorsão 
de dados com objetivos comerciais quase não é percebida 
como uma questão política, ou seja, ligada às escolhas comuns 
e podendo se tornar objeto de uma deliberação coletiva. Fora 
das associações especializadas, ela praticamente não mobiliza 
ninguém. Talvez porque é pouco conhecida. 
 Nos anos 1970, o economista norte-americano Dallas 
Smythe avisava que qualquer pessoa arriada diante de uma tela 
é um trabalhador que ignora a si próprio. A televisão, explica, 
produz uma mercadoria, a audiência, composta da atenção 
dos telespectadores, que as redes vendem para os anunciantes. 
“Você contribui com seu tempo de trabalho não remunerado 
e, em troca, recebe os programas e a publicidade”. O labor 
não pago do internauta se mostra mais ativo do que o do 
espectador. Nas redes sociais, nós mesmos convertemos nossas 
amizades, emoções, desejos e cólera em dados que podem 
ser explorados por algoritmos. Cada perfil, cada “curtir”, 
cada tweet, cada solicitação, cada clique derrama uma gota 
de informação de valor no oceano dos servidores refrigerados 
instalados pela Amazon, pelo Google e pela Microsoft em 
todos os continentes. 
Pierre Rimbert. Le Monde Diplomatique Brasil, setembro de 2016.
 No texto, emprega-se a linguagem figurada com o propósito 
de intensificar o sentido de uma informação em:
A) No mundo, foram vendidos 1,424 bilhão de smartphones 
em 2015; 200 milhões a mais que no ano anterior.
B) ... felizes em mirar as “pessoas certas, transmitindo-lhes sua 
mensagem certa no momento certo”...
C) ... a extorsão de dados com objetivos comerciais quase não 
é percebida como uma questão política...
D) ... oferecem aplicativos a usuários que, em contrapartida, 
lhes entregam seus dados pessoais.
E) ... cada clique derrama uma gota de informação de valor 
no oceano dos servidores refrigerados.
14. Que opção apresenta,. explicitamente, conotativo da 
linguagem?
A) Além dos livros de bons escritores nacionais que devemos 
ler, sugere-se, também, a leitura de bons livros de escritores 
estrangeiros. 
B) Um estilo pessoal, elaborado e mantido pelo escritor, é ao 
mesmo tempo único, inconfundível, mas também inteligível 
para todos.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
26
Português
C) É exatamente ao trabalho dos bons autores que osgramáticos se reportam para dizer o que é recomendável
ou não, o que está adequado ou inadequado.
D) Dificultamos o próprio pensamento, por falta de
conhecimentos sobre conjugação verbal, ortografia,
pontuação, crase, preposições, conjunções etc,
E) É preciso saber dizer as palavras contundentes, carregadas
de certeza, de pensamentos que mergulhem as suas próprias 
raízes na realidade.
15. 
OS ASTRÔNOMOS
O lugar de estudo era isso. Os alunos se imobilizavam 
nos bancos: cinco horas de suplício, uma crucificação. Certo 
dia vi moscas na cara de um, roendo o canto do olho, entrando 
no olho. E o olho sem se mexer, como se o menino estivesse 
morto. Não há prisão pior que uma escola primária do interior. 
A imobilidade e a insensibilidade me aterram. Abandonei os 
cadernos e as auréolas, não deixei que as moscas me comessem. 
Assim, aos nove anos ainda não sabia ler. [...] 
Emília respondeu com uma pergunta que me espantou. 
Por que não me arriscava a tentar a leitura sozinho?
Longamente lhe expus a minha fraqueza mental, 
a impossibilidade de compreender as palavras difíceis, 
sobretudo na ordem terrível em que se juntavam. Se eu fosse 
como os outros, bem; mas era bruto em demasia, todos me 
achavam bruto em demasia.
Emília combateu a minha convicção, falou-me dos 
astrônomos, indivíduos que liam no céu, percebiam tudo 
quanto há no céu. [...] Ora, se eles enxergavam coisas tão 
distantes, por que não conseguiria eu adivinhar a página aberta 
diante dos meus olhos? Não distinguia as letras? Não sabia 
reuni-las e formar palavras?
Matutei na lembrança de Emília. Eu, os astrônomos, 
que doidice! Ler as coisas do céu, quem havia de supor? 
E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com lobos, 
o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta,
a cabana do lenhador. Reli as folhas já percorridas. E as partes
que se esclareciam derramavam escassa luz sobre os pontos
obscuros. Personagens diminutas cresciam, vagarosamente me 
penetravam a inteligência espessa. Vagarosamente.
Os astrônomos eram formidáveis. Eu, pobre de mim, 
não desvendaria os segredos do céu. Preso à terra, sensibilizar-
me-ia com histórias tristes, em que há homens perseguidos, 
mulheres e crianças abandonadas, escuridão e animais ferozes.
Graciliano Ramos (1892/1953). “Os astrônomos”, 
in: Infância. Rio de Janeiro: Record, 2006. Adaptado.
A imagem construída através da declaração “não deixei que as 
moscas me comessem.” (1º§) demonstra, predominantemente, 
a utilização de uma linguagem em que
A) há um exagero por parte do autor ao utilizar as palavras no
sentido denotativo.
B) o sentido denotativo é visto mediante a constatação da
presença de moscas no referido ambiente.
C) o sentido conotativo é empregado compondo uma
mensagem implícita acerca do ambiente escolar.
D) há uma inversão entre o posicionamento do autor e a
expressão de sua ação na utilização do sentido conotativo.
Aula 08: 
Ambiguidade e Polissemia
Texto teórico
Ambiguidade – latim ambiguu(m), ambíguo, que apresenta 
duas faces, dois sentidos.
O vocábulo “ambiguidade”, ou anfibologia (Grego 
amphibologia, discurso ambíguo), emprega-se em Gramática para 
designar os equívocos de sentido provenientes de construção 
defeituosa da frase ou do uso de termos impróprios. Em crítica 
literária, a palavra foi introduzida por Wiliam Empson: [em seu 
livro Seven types of ambiguity, publicado em 1930] a seu ver, 
ambiguidade consiste em “toda nuança verbal, posto ligeira, que dê 
lugar a diferentes reações ao mesmo fragmento de linguagem”. [...]
Em razão do sentido pejorativo que o vocábulo “ambiguidade” 
pode adquirir (“dúbio” e cognatos), seria de preferir ambivalência, 
polivalência, plurivocidade, multivocidade, ou, conforme sugere 
Wheelwrigth (1964:61), plurissignificação: “ um símbolo expressivo 
tente, em qualquer circunstância da sua realização, a conter mais 
de uma referência legítima, de tal forma que seu sentido exato se 
torna a tensão entre duas ou mais direções de carga semântica”.
Em oposição ao “discurso científico”, que se caracteriza 
pela univalência dos signos, o caráter ambíguo ou múltiplo do texto 
literário, sobretudo o poético, decorre necessariamente de encerrar 
uma linguagem por excelência metafórica. De onde a vizinhança da 
ambiguidade com a metáfora, a conotação, a ironia e termos afins.
[...]
M. Moisés. Dicionário de termos literários. 12 ed. Ver. e ampl. 
São Paulo: Cultrix, 2004, p. 19. 
Há mecanismos linguísticos e visuais que desencadeiam a 
ambiguidade. É interessante que o usuário da língua os conheça 
para que não seja levado ao erro. 
Pronome pessoal
No carnaval, no mesmo dia, o vizinho bateu o carro na zona 
norte e o seu irmão mais velho foi atropelado na zona sul. Por quê? 
Porque ele não foi prudente.
O pronome pessoal ele pode referir-se a vizinho ou a irmão. 
Pronome relativo
A vizinha do chefe, que estava muito doente, ligou para o 
escritório.
O relativo que pode recuperar vizinha ou chefe.
Pronome possessivo
Os assessores do presidente comunicaram a sua demissão.
O pronome sua pode se referir a assessores ou a presidente.
Elipse
O rapaz foi maltratado pelo pai inúmeras vezes, sempre 
de maneira muito cruel. O vizinho, um alemão de dois metros de 
altura e com forte sotaque, sabia do fato, mas não denunciava às 
autoridades, pois temia uma reação violenta do pai, uma pessoa 
imprevisível. Certa vez, em pleno carnaval, discutiram de maneira tão 
violenta, que uma viatura da polícia que passava pelo local chegou 
a intervir. Dois anos depois, o rapaz, cansado de tanta briga, fugiu 
de casa. Não se obteve notícia do filho.
Quem discutiu, o vizinho e o pai ou o pai e o filho? (elipse 
do sujeito de discutir). 
Aula
08
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
27
Português
Ordem das palavras
Encontrei um sapato de menino muito feio.
Em outra ordem, teríamos: Encontrei um sapato muito 
feio de menino.
Artigo definido sem o contexto
A mulher é pura emoção.
Trata-se da classe das mulheres, ou de uma em particular 
(o artigo como anafórico?) Em “Mulher é pura emoção”, teríamos 
a classe; em “A mulher do vizinho é pura emoção”, teríamos o 
indivíduo (com o acréscimo do adjunto adnominal). 
Léxico (vocabulário se insere em dois campos semânticos)
– Tu precisas de um lenço, meu filho! Enfia na testa, criatura 
de Deus!
O termo testa pode ser cabeça ou consciência.
Ambiguidade obtida por meio da paranomásia (trocadilho)
Um bêbado chega em um bar e pergunta:
— Você poderia me vender uma pinga fiada?
O dono do bar responde:
— Tá vendo aquele cara bem forte e alto, é o seguinte, de 
tanto ele malhar seu pescoço ficou pequeno, e quem chama ele de 
pescocim, leva uma baita surra; se você chamar ele de pescossim 
eu te vendo fiado por um ano!
O bêbado chega até a mesa, dá uma batida nas costas do 
cara e diz:
— Meu amigo, como vai?
— Mas eu nem te conheço.
— A gente pesca unto!
— Não pesco não!!
— Pesco sim!!!!
O termo Pescossim é nome próprio, mas se pronunciado 
pausadamente remete à frase “pescou, sim”.
Semântica
 A semântica tem por objetivo estudar o sentido das 
palavras em uma determinada língua. O usuário da língua emprega 
palavras e as ordena com o intuito de construir um sentido. Cabe 
à Semântica avaliar essa construção de ideias.
Polissemia (do Grego poli, “muitos”, e sema, “significado”)
Propriedade que uma palavra possui de apresentar diferentes 
sentidos. Um exemplo de vocábulo polissêmico é LETRA, que possui 
no mínimo três sentidos:
1. sinal gráfico do alfabeto;
2. texto de uma canção;
3. título de crédito.
Todos os significados estão relacionados à escrita. Se isso não 
acontecer, teremos um caso de homonímia e não polissemia, por 
exemplo, manga de camisa e manga (fruta); a fruta origina-se do 
malaio manga, enquanto a parte da vestimenta, do latim manica. 
Exemplo 1:
Coloque-se na posição correta para a foto. (postura física)
Gostou da posição dos móveis? (local)
Felipe atingiu uma boa posição na sociedade. (situação 
econômica)
Esta é a minha posição (opinião)Exemplo 2:
Rompeu a roupa no arame farpado. (rasgou)
Romper um segredo. (revelar)
Romperam as músicas! (principiaram)
O senador rompeu com o governo. (brigou com, desligou-se 
de)
A cavalaria romperá as hostes inimigas. (destroçará)
Subcategoria da polissemia
Pode haver uma focalização maior em uma parte dos 
sentidos contidos na palavra, nesse caso teremos uma subcategoria 
da polissemia. Veja o exemplo da palavra escola:
• A firma do meu pai construiu esta escola. (estrutura física)
• A escola de David venceu o campeonato de futebol no ano 
passado. (grupo de pessoas participantes)
Nos dois casos, temos a referência à escola, como instituição 
escolar, mas o sentido muda.
Novo significado
As palavras assumem no decorrer do tempo novos 
significados; isso se dá principalmente por meio de mecanismos 
metafóricos (analogia) ou metonímicos (implicação). Veja o texto 
a seguir, a palavra impeachment assumiu outros significados na 
boca do povo depois de Collor ter sido deposto do governo (a 
palavra estava na mídia, o que fez com que ela fosse empregada 
com muita recorrência).
[...] E esse tal de impíxima, dotô, que tão querendo botá pra 
cima dele? É alguma mandinga?
— Não, Félix, Impeachment quer dizer impedimento, como 
no futebol.
— E por que ficam chamando impedimento de impíxima? 
Tudo hoje é impíxima. Impíxima pra lá. Impíxima pra cá. Todo mundo 
só fala nisso [...]. [...] fui na vendinha e tomei duas. Deu vontade 
de ir ao banheiro, mas não pude porque o banheiro tava cheio de 
impíxima até a boca [...].
Carlos Eugênio Junqueira Ayres. “O Impíxima”. A Tarde (Salvador), 
edição de 5 set. 1992.
Exercícios de Fixação
01. O Nordeste se rende ao hábito de tomar café expresso. 
A região é a nova aposta das redes de cafeterias para expandir 
sua atuação no mercado nacional. Só este ano, a expectativa 
é que pelo menos mais 11 franquias sejam inauguradas nas 
principais capitais nordestinas. [...] O mito de que o café é 
um hábito dos paulistas começa a ser quebrado no Nordeste. 
Um bom indicador é o consumo per capita, que em âmbito 
nacional chega a 3,4 por habitante/ano, contra um índice de 
3,2 quilos na região.
Adriana Guarda. Gazeta Mercantil, 12 mar. 2003.
 Sobre o texto, é possível afirmar:
A) a inauguração de 11 franquias em capitais nordestinas é 
algo certo.
B) a região Nordeste é ainda inexplorada como consumidora 
de café.
C) não há mais o mito de que tomar café seja um hábito apenas 
dos paulistas.
D) no texto, a palavra aposta envolve a ideia de desafio.
E) as expressões se rende e começa a ser quebrado se 
equivalem em significado. 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
28
Português
02. Leia o seguinte texto:
— Toma outra xícara, meia xícara só.
— E papai?
— Eu mando vir mais; anda, bebe!
Ezequiel abriu a boca. Cheguei-lhe a xícara, tão trêmulo 
que quase a entornei, mas disposto a fazê-la cair pela goela 
abaixo, caso o sabor lhe repugnasse, ou a temperatura, porque 
o café estava frio... Mas não sei que senti que me fez recuar. Pus 
a xícara em cima da mesa, e dei por mim a beijar doidamente 
a cabeça do menino.
— Papai, papai! Exclamava Ezequiel.
— Não, não, eu não sou teu pai!
Machado de Assis. Dom Casmurro. 27 ed. São Paulo: Ática, 1994, p. 173.
 A cena criada por Machado de Assis está relacionada a: 
A) abuso de autoridade paterna.
B) excesso de carinho paterno.
C) reflexo de conflito interior.
D) violenta rejeição à criança.
E) cuidado com a alimentação da criança.
03. 
 TIGRÃO, A FEBEM E NÓS
SÃO PAULO – Não houve ontem, ao que consta, 
nenhuma morte, nenhuma rebelião na Febem, a Fundação 
Estadual do Bem-Estar do Menor (sic). Na falta de notícias mais 
emocionantes, programas de TV dedicados à “família brasileira” 
devem tê-la divertido com o funk do Tigrão.
O fenômeno musical (?) da vez, oriundo do Rio, chegou 
aos bolsões ricos de São Paulo.
Tchutchuquinhas dos Jardins e da Vila Olímpia (bairro 
novo-rico da capital que explica por que Maluf é possível) 
imitam as “minas” da Cidade de Deus, boca quente do crime 
do Rio. Repetem sorrindo que “um tapinha não dói”.
Fernando de Barros e Silva. Folha de S. Paulo, p. A-2. 19 mar. 2001.
 O trecho contém dois sinais entre parênteses: “sic” e “?”. 
Seria possível explicá-los como
A) um recurso padrão de linguagem, no primeiro caso, sempre 
que quisermos marcar que transcreveu-se exatamente o 
que alguém disse, deixando marcado o “erro” linguístico 
cometido; e no segundo caso para indicar uma dúvida em 
relação à ortografia usada.
B) um recurso irônico, no primeiro caso, por desconsiderar 
tal instituição como garantidora do que representa; e, no 
segundo caso, por duvidar de que o referido grupo seja, de 
fato, um fenômeno musical.
C) um recurso para marcar que não se escreve Bem-Estar 
separado por hífen; e, no segundo caso, por duvidar de que 
esse grupo seja um fenômeno. 
D) um recurso para marcar que não se escreve palavra 
hifenizada com a segunda usando maiúscula; e, no segundo 
caso, por duvidar de que esse grupo seja um fenômeno. 
E) um recurso para indicar que a instituição não é uma 
fundação; e, no segundo caso, para indicar que alguns 
resistem à ideia de que esse grupo seja um fenômeno 
musical. 
04. Assinale a única frase em que a ordem de colocação das palavras 
não produz ambiguidade.
A) Rossi pede ao STF processo por calúnia contra Motta.
B) É só colocar as moedas, girar a manivela e ter a escova já 
com pasta embalada nas mãos.
C) Casal procura filho sequestrado via Internet.
D) Câmara torna crime porte ilegal de armas.
E) Regressou a Brasília depois de uma cirurgia cardíaca com 
cerimonial de chefe de Estado.
05. No ano passado, o governo promoveu uma campanha a fim 
de reduzir os índices de violência. Noticiando o fato, um jornal 
publicou a seguinte manchete:
 CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA DO GOVERNO DO 
ESTADO ENTRA EM NOVA FASE
 A manchete tem um duplo sentido, e isso dificulta o 
entendimento. Considerando o objetivo da notícia, esse 
problema poderia ter sido evitado com a seguinte redação:
A) Campanha contra o governo do Estado e a violência entram 
em nova fase.
B) A violência do governo do Estado entra em nova fase de 
Campanha.
C) Campanha contra o governo do Estado entra em nova fase 
de violência.
D) A violência da campanha do governo do Estado entra em 
nova fase.
E) Campanha do governo do Estado contra a violência entra 
em nova fase.
06. A frase em que não há ambiguidade de sentido é:
A) Esse é o tipo de técnico de um time que ninguém deseja 
que se torne campeão.
B) Ele é o autor do romance que faz enorme sucesso junto ao 
público feminino.
C) A razão que ela me deu para ingressar em sua associação 
só me fez desconfiar ainda mais dela.
D) Gostaria que você consultasse sua mãe, antes de ceder sua 
chácara por ocasião da nossa formatura.
E) Quando ela me entregou a carta, percebi logo que as notícias 
não deviam ser as mais alvissareiras.
07. 
 ERRO DE PORTUGUÊS
Quando o português chegou
debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido o português
Oswald de Andrade
 Assinale a alternativa correta.
A) Considerando que a oposição VESTIR vs. DESPIR representa 
a oposição COLONIZADOR vs. COLONIZADO, vemos, no 
primeiro polo, a impotência diante do poder.
B) O título apresenta clara e exclusivamente a denúncia da 
decadência da língua portuguesa, devido a um crescente 
descuido dos falantes.
C) A ambiguidade do título ajuda a construir o significado 
de desestabilização de tudo o que é sério, respeitável e 
cristalizado.
D) As ações do colonizador e do colonizado relacionam-se a 
ideias de cerceamento da liberdade; naquelas, a alegria do 
sol; nestas, a tristeza da chuva.
E) O tom predominante de lamento triste propõe uma 
recuperação positiva da figura do colonizador português, 
mal assimilada pelos índios. 
08. Nos casos abaixo, assinale o item em que não ocorre um caso 
de ambiguidade lexical:
A) Estudantes viram piranhas.
B) Corto cabelo e pinto.
C) A mãe olhava a filha sentadono sofá.
D) O dinheiro estava no banco.
E) A manga é mole. 
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29
Português
09. Leia os versos da letra de música de Milton Nascimento. Mas é 
preciso ter força,/ é preciso ter raça, / é preciso ter gana sempre 
(...) /. Mas é preciso ter manha, / é preciso ter graça, / é preciso 
ter sonho sempre. / Quem traz na pele essa marca, / possui a 
estranha mania / de ter fé na vida.
 Nos versos, o eu lírico faz referência a uma “marca na pele” que 
tem relação estreita com a fé que se tem na vida. Depreende-se, 
dos versos, que ter fé na vida pressupõe:
A) desejo e determinação. 
B) ambição e intolerância.
C) atitudes realistas e ocasionais.
D) sonhos e atitudes passivas.
E) mania dos fracos.
10. Em “Meu avô morreu dois anos depois, e, ruminando sua 
morte, escrevi meus primeiros poemas com alguma marca 
própria.”, a expressão em negrito pode ser substituída 
adequadamente por:
A) sofrendo e elaborando a sua morte.
B) procurando evitar o sofrimento da sua morte.
C) sonhando com a sua morte.
D) ignorando a sua morte.
E) esquecendo a sua morte.
11. A polissemia – possibilidade de uma palavra ter mais de um 
sentido – está presente em todas as frases abaixo, exceto em:
A) Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje.
B) CBN: a rádio que toca a notícia.
C) Na vida tudo é passageiro, menos o motorista.
D) Os dentes do pente mordem o couro cabeludo.
E) Os surdos da bateria não escutam o próprio barulho.
12. (Escola militar) “Mas essas são consequências aparentemente 
colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer 
no massacre contra o preso produzido dentro dos presídios”.
 Há um trecho, dentro do período destacado acima, que provoca 
ambiguidade. Marque-o:
A) aparentemente colaterais.
B) produzido dentro dos presídios.
C) contra o preso.
D) manifesta mais prazer.
E) no massacre.
13. (Escola militar) 
 QUARTO DE DESPEJO
“O grito da favela que tocou a consciência 
do mundo inteiro”
2 de MAIO de 1958. Eu não sou indolente. Há tempos 
que eu pretendia fazer o meu diário. Mas eu pensava que 
não tinha valor e achei que era perder tempo.... Eu fiz uma 
reforma para mim. Quero tratar as pessoas que eu conheço 
com mais atenção. Quero enviar sorriso amável as crianças e 
aos operários.
...Recebi intimação para comparecer as 8 horas da noite 
na Delegacia do 12. Passei o dia catando papel. A noite os meus 
pés doíam tanto que eu não podia andar.
Começou chover. Eu ia na Delegacia, ia levar o José 
Carlos. A intimação era para ele. O José Carlos tem 9 anos.
3 de MAIO. ...Fui na feira da Rua Carlos de Campos, 
catar qualquer coisa. Ganhei bastante verdura. Mas ficou 
sem efeito, porque eu não tenho gordura. Os meninos estão 
nervosos por não ter o que comer. [...]
11 de MAIO. Dia das mães. O céu está azul e branco. 
Parece que até a natureza quer homenagear as mães que 
atualmente se sentem infeliz por não realizar os desejos 
de seus filhos. (...) O sol vai galgando. Hoje não vai chover. 
Hoje é o nosso dia. (...) A D. Teresinha veio visitar-me. Ela deu-me 
15 cruzeiros. Disse-me que era para a Vera ir no circo. Mas eu 
vou deixar o dinheiro para comprar pão amanhã, porque eu 
só tenho 4 cruzeiros.(...) Ontem eu ganhei metade da cabeça 
de um porco no frigorifico. Comemos a carne e guardei os 
ossos para ferver. E com o caldo fiz as batatas. Os meus filhos 
estão sempre com fome. Quando eles passam muita fome eles 
não são exigentes no paladar. (...) Surgiu a noite. As estrelas 
estão ocultas. 
[...]
DE JESUS, Carolina Maria. Quarto de Despejo.
 Atente para o excerto abaixo e para as afirmativas que a ele se 
referem. “Parece que até a natureza quer homenagear as mães 
que atualmente se sentem infeliz por não realizar os desejos 
de seus filhos.”
I. De acordo com a experiência de vida de Carolina, todas as 
mães se sentem infelizes, pois não têm meios de realizar os 
desejos de seus filhos;
II. A mudança de posição do vocábulo até [Parece até que 
a natureza quer homenagear...] não provoca mudança 
semântica e sintática no enunciado;
III. O verbo realizar, para atender à norma-padrão da língua, 
deverá ser flexionado, tendo em vista que o seu sujeito está 
claro na oração.
 Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões) feita(s) em:
A) III apenas.
B) II apenas.
C) I, II e III.
D) I e II apenas.
E) I e III apenas.
14. No texto a seguir, sobre as eleições em São Paulo, há 
ambiguidade no último período, o que pode dificultar o 
entendimento.
Ao chegar à Liberdade [bairro da cidade de São Paulo], 
a candidata participou de uma cerimônia xintoísta (religião 
japonesa anterior ao budismo). Depois, fez um pedido: “Quero 
paz e amor para todos”. Ganhou um presente de um ramo 
de bambu.
Folha de S. Paulo, 9 jul. 2000. Adaptado. 
 A ambiguidade deve-se
A) à inadequação na ordem das palavras.
B) à ausência do sujeito verbal.
C) ao emprego inadequado dos substantivos.
D) ao emprego das palavras na ordem indireta.
E) ao emprego inadequado de elemento coesivos.
15. Dentre as seguintes frases, assinale aquela que não contém 
ambiguidade.
A) Peguei o ônibus correndo.
B) Os professores do colégio, que detêm um terreno na zona 
Sul, pediram demissão.
C) O guarda deteve o suspeito em casa.
D) O menino viu o incêndio do prédio.
E) Deputado fala da reunião no canal 2. 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
30
Português
Aula 09: 
Texto Narrativo e Texto Poético
Texto narrativo
Narrar é o mesmo que contar, relatar, informar 
acontecimentos. Eis aí o papel da narrativa, visto de forma 
geral. Deste modo, essa proposta é meramente didática, para que 
possa o estudante perceber a natureza da modalidade narrativa.
Normalmente, um romance, um conto, uma novela 
(textos pertencentes à prosa literária) são narrativas. Todavia, há 
narrativas em verso – por exemplo, a bela narrativa épica de Camões, 
Os Lusíadas.
A feitura do texto narrativo baseia-se em dois polos: o do 
acontecimento real, verdadeiro, conhecido, e o do inventado, 
gerado na mente do escritor. Claro que o relato de uma viagem de 
férias ao planeta Marte pertence à invenção narrativa. Por outro 
lado, o texto que narra uma obra científica, um livro de História, 
uma notícia de jornal incluem-se na área da narrativa real:
“Por volta do século XII, com a desintegração do 
feudalismo, começa a surgir um novo sistema econômico, social 
e político: o capitalismo. A característica essencial do novo 
sistema é o fato de, nele, o trabalho ser assalariado e não servil, 
como no feudalismo. Outros elementos típicos do capitalismo: 
economia de mercado, trocas monetárias, grandes empresas e 
preocupação com o lucro.
O capitalismo nasce da crise do sistema feudal e cresce 
com o desenvolvimento comercial, depois das Primeiras Cruzadas. 
Foi se formando aos poucos, durante o período final da Idade 
Média, para finalmente dominar toda a Europa Ocidental, a partir 
do século XVI. Mas foi somente depois da Revolução Industrial, 
iniciada no século XVIII na Inglaterra, que se estabeleceu o 
verdadeiro capitalismo” 
ARRUDA. José Jobson de, História Moderna e Contemporânea.
A narrativa de ficção apresenta uma proposta do possível 
de acontecer, imaginado pela criatividade do artista. Esse tipo de 
texto carece da verossimilhança: elemento da composição capaz de 
angariar a conivência do leitor para a possibilidade de ser factível 
o texto.
A narração é a modalidade de texto que relata fatos, 
acontecimentos que se desenvolvem dentro de um período de 
tempo. Por isto, toda narração conta algo que tem um momento 
inicial, um período de evolução e um processo de finalização. 
Há, nesse tipo de texto, uma “voz” que conversa com o leitor. 
Essa voz chama-se narrador. É o narrador que nos faz saber os 
acontecimentos trazidos no texto narrativo. Há também seres que 
executam ações. São as personagens.
Um narrador (aquele que conversa com o leitor) pode 
(ou não) fazer parte de seu relato. Leia os textos seguintes, para 
notar essa afirmação:
Aula
09
Texto I
ANÚNCIO DE JOÃO ALVES
Figurao anúncio no jornal que o amigo me mandou, 
e está assim redigido:
À PROCURA DE UMA BESTA
A partir de 6 de outubro do ano cadente, sumiu-me uma 
besta vermelho-escura com os seguintes característicos: calçada 
e ferrada de todos os membros locomotores, um pequeno quisto 
na base da orelha direita e crina dividida em duas seções em 
consequência de um golpe, cuja extensão pode alcançar de 4 a 6 
centímetros, produzido por jumento.
Essa besta, muito domiciliada nas cercanias deste comércio, 
é muito mansa e boa de sela, e tudo me induz ao cálculo de que 
foi roubada, assim que hão sidos falhas as indagações.
Quem, pois, apreendê-la em qualquer parte e a fizer 
entregue aqui ou pelo menos notícia exata ministrar, será 
razoavelmente remunerado.
Itambé do Mato Dentro, 19 de novembro de 1899. 
(a) João Alves Júnior
 
55 anos depois, prezado João Alves Júnior, tua besta 
vermelho-escura, mesmo que tenha aparecido, já é pó no pó. 
E tu mesmo, se não estou enganado, repousas suavemente no 
pequeno cemitério do Itambé. Mas teu anúncio continua modelo 
no gênero, senão para ser imitado, ao menos como objeto de 
admiração literária.
Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem. 
Não escreveste apressada e toscamente, como seria de esperar de 
tua condição rural. Pressa, não a tiveste, pois, o animal desapareceu 
a 6 de outubro, e só a 19 de novembro recorreste à ‘Cidade de 
Itabira’. Antes, procedestes a indagações. Falharam. Formulaste 
depois o raciocínio; houve roubo. Só então pegaste da pena, e 
traçaste um belo e nítido retrato da besta.
Não disseste que todos os seus cascos estavam 
ferrados; preferiste dizê-lo ´de todos os membros locomotores´. 
Nem esqueceste esse pequeno quisto na orelha e essa divisão da 
crina em duas seções, que teu zelo naturalista e histórico atribuiu 
com a segurança a um jumento.
Por ser ‘muito domiciliada nas cercanias deste comércio’, isto 
é, povoado e sua feirinha semanal, inferiste que não teria fugido, mas 
antes fora roubada. Contudo, não o afirmas em tom peremptório: 
´tudo me induz a esse cálculo´. Revelas a prudência mineira, que não 
avança (ou não avançava) aquilo que não seja a evidência mesma. 
É cálculo, raciocínio, operação mental e desapaixonada como 
qualquer outra, e não denúncia formal.
Finalmente – deixando de lado outras excelências de 
tua prosa útil – a declaração positiva: quem a aprender ou pelo 
menos ‘notícia exata ministrar’, será ‘razoavelmente remunerado’. 
Não prometes recompensa tentadora; não fazes praça de 
generosidade ou largueza; acenas como o razoável, com a justa 
medida das coisas, que deve prevalecer mesmo no caso de bestas 
perdidas e entregues.
Já é muito tarde para sairmos à procura de tua besta, meu 
caro João Alves do Itambé; entretanto essa criação volta a existir, 
porque soubeste descrevê-la com decoro e propriedade, em um 
dia remoto, e o jornal a guardou e alguém hoje a descobre, e 
muitos outros são informados da ocorrência. Se lesses os anúncios 
de objetos e animais perdidos, na imprensa de hoje, ficarias triste. 
Já não há essa precisão de termos e essa graça no dizer, nem 
essa moderação nem essa atitude crítica. Não há, sobretudo, este 
amor à tarefa bem feita, que se pode manifestar até mesmo em 
um anúncio de besta sumida”.
Carlos Drummond de Andrade, Fala, amendoeira.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
31
Português
Texto II
O MESTRE DE PRIMEIRAS LETRAS
Unamos agora os pés de demos um salto por cima da 
escola, a enfadonha escola, onde aprendi a ler, escrever, contar, dar 
cacholetas, apanhá-las, e ir fazer diabruras, ora nos morros, ora nas 
praias, onde quer que fosse propício a ociosos.
Tinha amarguras esse tempo; tinha os ralhos, os castigos, 
as lições árduas e longas, e pouco mais, mui pouco e mui leve. Só 
era pesada a palmatória, e ainda assim... Ó palmatória, terror dos 
meus dias pueris, tu que foste o “compelle intrare” com que um 
velho mestre, ossudo e calvo, me incutiu no cérebro o alfabeto, a 
prosódia, a sintaxe, e o mais que ele sabia, benta palmatória, tão 
preguejada dos modernos, quem me dera ter ficado sob o teu jugo, 
com a minha alma imberbe, a minhas ignorâncias, e o meu espadim, 
aquele espadim de 1814, tão superior à espada de Napoleão!
Que querias tu, afinal, meu velho mestre de primeiras letras? 
Lição de cor e compostura na aula; nada mais, nada menos do que 
quer a vida, que é das últimas letras; com a diferença que tu, se me 
metias medo, nunca me meteste zanga.
Vejo-te ainda agora entrar na sala, com as tuas chinelas 
de couro branco, capote, lenço na mão, calva à mostra, barba 
rapada; vejo-te sentar, bufar, grunhir, absorver uma pitada inicial, e 
chamar-nos depois à lição.
E fizeste isto durante vinte e três anos, calado, obscuro, 
pontual, metido em uma casinha da rua do Piolho, sem enfadar o 
mundo com a tua mediocridade, até que um dia deste o grande 
mergulho nas trevas, e ninguém te chorou, salvo um preto velho – 
ninguém, nem eu que te devo os rudimentos da escrita.
Chamava-se Ludgero o mestre; quero escrever-lhe o nome 
todo nesta página: Ludgero Barata – um nome funesto, que servia 
aos meninos de eterno mote a chufas.
Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas.
Texto III
O SERTANEJO
O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo 
exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral.
A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, 
revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a 
estrutura corretíssima das organizações atléticas.
É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, 
reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, 
sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta a translação 
de membros desarticulados. Agrava-o a postura normalmente 
abatida, em um manifestar de displicência que lhe dá um caráter 
de humildade deprimente. A pé, quando parado, recosta-se 
invariavelmente ao primeiro umbral ou parede que encontra; 
a cavalo, se sofreia o animal para trocar duas palavras com um 
conhecido, cai logo sobre um dos estribos, descansando sobre a 
espenda da sela. Caminhando, mesmo a passo rápido, não traça 
trajetória retilínea e firme. Avança celeremente, em um bambolear 
característico, de que parecem ser o traço geométrico os meandros 
das trilhas sertanejas. E se na marcha estaca pelo motivo mais vulgar, 
para enrolar um cigarro, bater o isqueiro, ou travar ligeira conversa 
com um amigo, cai logo – cai é o termo – de cócoras, atravessando 
largo tempo em uma posição de equilíbrio instável, em que todo 
o seu corpo fica suspenso pelos dedos grandes dos pés, sentado 
sobre os calcanhares, com uma simplicidade a um tempo ridícula 
e adorável.
É o homem permanentemente fatigado.
Reflete a preguiça invencível, a atonia muscular perene, 
em tudo: na palavra remorada, no gesto contrafeito, no andar 
desaprumado, na cadência langorosa das modinhas, na tendência 
constante à imobilidade e à quietude.
Entretanto, toda esta aparência de cansaço ilude.
Nada é mais surpreendedor do que vê-la desaparecer 
de improviso. Naquela organização combalida operam-se, em 
segundos, transmutações completas. Basta o aparecimento de 
qualquer incidente exigindo-lhe o desencadear das energias 
adormidas. O homem transfigura-se. Empertiga-se, estadeando 
novos relevos, novas linhas na estatura e no gesto; e a cabeça firma-
se-lhe, alta, sobre os ombros possantes, em uma descarga nervosa 
instantânea, todos os efeitos do relaxamento habitual dos órgãos; 
e da figura vulgar do tabaréu canhestro, reponta, inesperadamente, 
o aspecto dominador de um titã acobreado e potente, em um 
desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias.
Euclides da Cunha, Os sertões.
Note o seguinte: no último texto, de Euclides da Cunha, há um 
narrador que não se inclui no relato; ele fala como se estivesse 
observando os fatos, de fora. O que relata não ocorre com ele 
próprio, mas com o sertanejo.
Texto poético
O texto poético, também identificado como texto 
“lírico”, a partir denomenclaturas de gêneros atribuídas desde 
os gregos – que dividiam os gêneros textuais em épicos, líricos e 
dramáticos, normalmente versificados os dois primeiros tipos –, 
apresenta-se, normalmente, em verso, e tem como objetivo 
despertar a sensibilidade do leitor. Um poema, portanto, sendo 
um texto poético, preocupa-se com a forma, a estética e o sentido 
despertado no leitor, para além de um conteúdo ou da coerência 
de uma mensagem. Normalmente, um poema é apresentado em 
versos, sejam eles versos brancos – sem rimas – ou não. Mas há 
poemas também escritos em formato de prosa, ou seja, poemas 
que seguem a estrutura de escrita até o fim da linha ou mesmo 
que nascem em parágrafos ou blocos de texto. A questão do texto 
poético está, portanto, centrada nos efeitos que ele busca junto 
a seu leitor. 
Assim, a linguagem, em um texto poético, é mais expressiva, 
dando-se especial atenção ao ritmo e à musicalidade. Chamamos 
poema a um texto escrito em verso – ainda que haja poemas 
que contrariam essa estrutura versificada, sobretudo no caso de 
produção pós-moderna. Verso é cada uma das linhas de um poema, 
que normalmente termina antes do fim da margem de uma página. 
Estrofe é um conjunto de versos. As estrofes são separadas por um 
espaço em branco. Uma estrofe pode ter um ou mais versos e um 
poema pode ter uma ou várias estrofes.
As estrofes são designadas de acordo com o número de 
versos que as compõem.
Número de versos Estrofe
2 Dístico ou parelha
3 Terceto
4 Quadra
5 Quintilha ou quinteto
6 Sextilha ou sexteto
7 Septena, septilha ou hepteto
8 Oitava
9 Nona ou noneva
10 Décima
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
32
Português
 Nos poemas, é frequente (mas não obrigatório) haver rima. 
A rima acontece quando dois ou mais versos terminam com sons 
iguais ou semelhantes. 
Rima: igualdade ou semelhança de sons no fim dos versos. 
Classifica-se conforme a posição que os versos ocupam na estrofe.
Rima emparelhada 
Versos que rimam dois a 
dois. 
a a b b
Rima cruzada 
Versos que rimam 
alternadamente. 
a b a b
Rima interpolada 
Versos que rimam 
separados por dois ou mais 
versos. 
a b b a 
Um verso que não rima designa-se verso solto ou verso 
branco.
Métrica: medida de um verso, que corresponde ao seu 
número de sílabas métricas. Para contar o número de sílabas 
métricas, contam-se as suas sílabas gramaticais até à última sílaba 
tônica. Sílabas gramaticais que terminam e começam em vogais, e 
que são pronunciadas em uma só emissão de som, contam apenas 
como uma sílaba métrica. Por isso, o número de sílabas métricas 
nem sempre corresponde ao número de sílabas gramaticais. 
Os versos classificam-se tendo em conta o número de sílabas 
métricas que têm.
Número de sílabas Designação do verso
1 Monossílabo 
2 Dissílabo 
3 Trissílabo 
4 Tetrassílabo 
5 
Pentassílabo ou redondilha 
menor 
6 Hexassílabo 
7 
Heptassílabo ou redondilha 
menor 
8 Octossílabo 
9 Eneassílabo 
10 Decassílabo
 Há muito o que descobrir por trás de uma simples estrofe 
e de um simples verso, pois, na maioria das vezes, o objetivo do 
poeta é fazer uma denúncia, criticar algo relacionado ao contexto 
social, ou explorar a profundidade do psicológico e da beleza ou 
do caos do mundo, e somente iremos decifrar tudo isso através 
do nosso conhecimento, nossa bagagem de leituras, as relações 
que estabelecemos a partir de um primeiro instante de leitura. 
Esta interpretação apoiada nos sentidos possíveis de um texto – e 
mesmo em seus sentidos subentendidos – é a chamada “Análise do 
Discurso”, e através dela conseguimos desvendar a intencionalidade 
do autor e fazer com que a leitura, de um modo geral, nos faça 
sentido.
Vejamos agora um poema de Ulisses Tavares, o qual retrata 
muito bem esta questão:
ALÉM DA IMAGINAÇÃO
Tem gente passando fome.
E não é a fome que você imagina
entre uma refeição e outra.
Tem gente sentindo frio.
E não é o frio que você imagina
entre o chuveiro e a toalha.
Tem gente muito doente.
E não é a doença que você imagina
entre a receita e a aspirina.
Tem gente sem esperança.
E não é o desalento que você imagina
entre o pesadelo e o despertar.
Tem gente pelos cantos.
E não são os cantos que você imagina
entre o passeio e a casa.
Tem gente sem dinheiro.
E não é a falta que você imagina
entre o presente e a mesada.
Tem gente pedindo ajuda.
E não é aquela que você imagina
entre a escola e a novela.
Tem gente que existe e parece
imaginação
Ulisses Tavares. São Paulo, Brasiliense, 1984.
Através do poema, podemos identificar uma verdadeira 
crítica às mazelas da sociedade, fazendo referência principalmente à 
desigualdade que tanto assola o nosso país atualmente. E se formos 
analisar o título- “imaginação” iremos identificá-lo com tudo o que 
foi dito anteriormente, haja visto que o real significado da palavra 
vai além do que ele literalmente representa.
DUARTE, Vânia Maria do Nascimento. “Como “descortinar” um texto poético “; 
Brasil Escola. 
Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br>. Acesso em: 11 de março de 2018.
Exercícios de Fixação
• Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 5.
UM QUARTO DE RAPAZ (Elsie Lessa)
Abro as venezianas na alegria do sol desta manhã e só 
não ponho a mão na cabeça porque, afinal das contas, o correr 
dos anos nos dá uma certa filosofia. Essa rapaziada parece que 
é mesmo toda assim.
Quem sai para uma prova de matemática não há mesmo 
de ter deixado a cama feita, tanto mais quando ficou lendo 
Carlos Drummond de Andrade até às tantas, como prova este 
Poesia até agora, rubro de vergonha de ter sido largado no chão 
junto a este cinzeiro transbordante e às meias azuis de náilon. 
E dizer que desde que esse menino nasceu tento provar-lhe 
que já não estamos – hélas! – no tempo da escravidão e que 
somos nós mesmos, brancos, pretos ou amarelos, intelectuais 
ou estudantes em provas, que devemos encaminhar ao destino 
conveniente as roupas da véspera. Qual, ele não se convence. 
Também uma manta escocesa, de suaves lãs macias, que a mãe 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
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Português
da gente trouxe embaixo do braço da Inglaterra até aqui, para 
que nos aqueça nas noites de inverno, não devia ser largada 
no chão, nem mesmo na companhia de um livro de versos. E 
quem é que está ligando para tudo isso?
Ó mocidade inquieta, só mesmo o que está em ordem 
dentro deste quarto são os montes de discos. E estes livros, 
meu Deus? Como é que gente que gosta de ler pode deixar 
os próprios livros em uma bagunça dessas? Coitado do Pablo 
Neruda, olha onde foi parar! E o Dom Quixote de la Mancha, 
Virgem Santíssima! Há três gerações que os antepassados 
desse menino não fazem outra coisa senão escrever livros, e 
ele os trata assim!
− Livro é pra ler! Não é para enfeitar estante!
− Está certo! Que não enfeite, mas também não
precisam ser empurrados desse jeito, lá para o fundo, com esse 
monte de revistas de jazz em cima! E custava, criatura, custava 
você pendurar essas calças nesse guarda-roupa que é para você, 
sozinho, que é provido de cabides, que não têm outro destino 
senão abrigar as suas calças?
− Mania de ordem é complexo de culpa, já te avisei!
Meu quarto está ótimo, está formidável. E não gosto que mexa, 
hein, senão depois não acho as minhas coisas!
E pensar que esse menino um dia casa e vai levar essas 
noções de arrumação para a infeliz da esposa, e que juízo, que 
juízo vai fazer essa moça de mim, meu Deus do céu! Há bem uns 
quinze anos que esse problema me atormenta, tenho trocado 
confidências com amigas e há várias opiniões a respeito. Umas 
acham que um dia dá um estalo de Padre Vieira na cabeça 
desses moleques e passam a pendurar a roupa, tirar pó de livro, 
desamarrar o sapato antes de tirar do pé.
Pode ser. Deus permita! Mas que agonia, enquanto 
isso não acontece.
Dizer que peregrinei por antiquários para descobrir 
nobres jacarandás, de boa estirpe, que o rodeassem em todas as 
suas horas, que lhe infundissem o gosto das coisas belas. Qual!
Pendurei a balada do “If” em cimade todos esses discos 
de jazz, e sobre a vitrola, já nem sei por quê, esse belo retrato 
de Napoleão, em esmalte, vindo das margens do Sena! E ele 
está se importando? O violão está sem cordas, e em cima do 
meu retrato, radioso retrato da minha juventude, ele já pôs o 
Billy Eckstine, a Sarah Vaughan, a Ava Gardner de biquíni e duas 
namoradas ora descartadas! E não tira um, antes de colocar o 
outro! Vai empurrando por cima e já a moldura estoura com 
essa variedade de predileções! São Sebastião, na sua peanha 
dourada, está de olhos erguidos para o alto e, felizmente, não 
vê a desordem que anda cá por baixo.
Vejo eu, olho em roda para saber por onde começar. 
Custava ele despejar esses cinzeiros?
Onde já se viu fumar na cama e fazer furos nos meus 
lençóis? E, em tempos de provas, é hora de ficar folheando livros 
de versos, até tarde da noite, desse jeito? O caderno de física 
está assim de poesias e letras de fox e caricaturas de colegas, 
não sei também se de algum professor! E para que seis caixas 
de fósforo em cima dessa vitrola? E onde já se viu misturar na 
mesma mesa esse nunca assaz manuseado Manuel Bandeira, 
e El son entero, de Nicolás Guillén, e os poemas de Mário de 
Andrade, e os Pássaros Perdidos de Tagore, e Fernando Pessoa, 
e esse pocket book policial? Quer ler Graham Greene, e fazer 
versos, e fumar feito um desesperado, e não perder praia no 
Arpoador, nem broto na vizinhança, nem filme na semana e 
passar nas provas. E em que mundo isso é possível?
Guardo os chinelos, que ficam sempre emborcados. Já 
lhe disse que isso é atraso de vida.
E ele morre de rir. E ponho as cobertas em cima da cama. 
E abro as janelas, para sair esse cheiro de fumo. E deixo só uma 
caixa de fósforos. Mas não faço mais nada, porque abri um 
caderno, de letra muito ruim, até a metade com os seus versos.
01. (EFOMM) Percebe-se na mãe uma irritação constante,
manifestada ao longo do texto. Além disso, é possível identificar 
também uma ideia de frustração, que se evidencia na opção:
A) “Abro as venezianas na alegria do sol desta manhã e só não 
ponho a mão na cabeça porque, afinal das contas, o correr
dos anos nos dá uma certa filosofia”.
B) “Também uma manta escocesa, de suaves lãs macias, que
a mãe da gente trouxe embaixo do braço da Inglaterra até
aqui, para que nos aqueça nas noites de inverno, não devia
ser largada no chão (...)”
C) “Que não enfeite, mas também não precisam ser empurrados
desse jeito, lá para o fundo, com esse monte de revistas de
jazz em cima!”
D) “Umas acham que um dia dá um estalo de Padre Vieira na
cabeça desses moleques e passam a pendurar a roupa, tirar
pó de livro, desamarrar o sapato (...)”
E) “O caderno de física está assim de poesias e letras de fox
e caricaturas de colegas, não sei também se de algum
professor!”
02. (EFOMM) Há uma passagem em que, apesar de toda a
contrariedade, a mãe demonstra esperança de melhora nas
atitudes do filho. Assinale a opção em que isso ocorre.
A) “E ele está se importando? O violão está sem cordas, e em
cima do meu retrato, radioso retrato da minha juventude
(...)”
B) “Umas acham que um dia dá um estalo de Padre Vieira na
cabeça desses moleques e passam a pendurar a roupa (...)”
C) “E, em tempos de provas, é hora de ficar folheando livros
de versos, até tarde da noite, desse jeito?”
D) “Onde já se viu fumar na cama e fazer furos nos meus
lençóis?”
E) “Quer ler Graham Greene, e fazer versos, e fumar feito um
desesperado, e não perder praia no Arpoador (...)”
03. (EFOMM) A respeito do texto, é incorreta a afirmação:
A) A narradora relata a desordem do quarto do seu filho
adolescente.
B) O filho da narradora era apaixonado por jazz e literatura.
C) O filho da narradora gostava de ler obras barrocas.
D) O filho da narradora era devoto de São Sebastião, protetor
da Humanidade.
E) O filho da narradora não gostava que ninguém arrumasse
o quarto dele.
04. (EFOMM) Considerando o quadro que a mãe encontra ao entrar 
no quarto do filho, pode-se afirmar que a ideia principal do
texto é apresentada na opção
A) O dia ensolarado era propício para que a mãe arrumasse o
quarto do rapaz.
B) Mãe e filho param um momento para conversar sobre o
quarto desarrumado.
C) O rapaz gostava que a mãe arrumasse o quarto dele quando 
tinha tempo para isso.
D) A mãe encontra o quarto de seu filho desarrumado com
alguma frequência.
E) É normal que mães generosas como aquela arrumem o
quarto de seus filhos.
05. (EFOMM) A despeito do estilo da escritora, que prima pela
norma culta literária, observa-se, dado o tipo de gênero literário, 
uma aproximação a certas marcas da língua oral. Um desses
exemplos da modalidade falada Não se encontra na opção
A) “− Livro é pra ler! Não é para enfeitar estante!”
B) “Quer ler Graham Greene, e fazer versos, e fumar feito um
desesperado, e não perder praia no Arpoador, nem broto
na vizinhança, nem filme na semana (...)”
C) “Essa rapaziada parece que é mesmo toda assim”.
D) “Coitado do Pablo Neruda, olha onde ele foi parar!”
E) “E ponho as cobertas em cima da cama”.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
34
Português
Exercícios Propostos
RETRATO
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração 
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
– em que espelho ficou perdida a minha face?
MEIRELES, Cecilia. Obra poética de Cecília Meireles. 
Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958.
01. (AFA) Sobre os versos acima, é correto afirmar que:
A) o poema traz referência à perda de todos os sentidos 
humanos, ocasionada pelo envelhecimento.
B) a visão do eu lírico oscila entre o pessimismo e o otimismo 
ante a efemeridade do tempo.
C) o tom melancólico se desfaz no decimo verso, quando o eu 
lírico constata a inevitabilidade da transformação física.
D) o eu lírico sente-se perplexo diante da consciência tardia das 
mudanças trazidas pela passagem do tempo.
02. (AFA)
ENVELHECER 
A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer
A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer
Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer
Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer
Não quero morrer pois quero ver como será que deve ser 
envelhecer
Eu quero é viver para ver qual é e dizer venha pra o que vai 
acontecer [...]
Pois ser eternamente adolescente nada é mais démodé com 
os ralos fios de cabelo sobre a testa que não para de crescer
Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece 
de aprender
Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr
Arnaldo Antunes, Ortinho, Marcelo Jeneci.
 Assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta:
A) A expressão “vira a cara para o presente”, no verso 8, foi 
utilizada no sentido de encarar fixamente o presente.
B) O eu lírico destaca, nos verso 2 e 4, apenas as perdas físicas 
que caracterizam a chegada da velhice.
C) Conservar os cabelos longos, quando já estão ralos devido 
à calvície, é uma atitude fora de moda.
D) No verso 1, é possível perceber uma alusão ao aumento 
da expectativa de vida na modernidade, já que envelhecer 
tornou-se comum.
03. (AFA) Assinale a opção que aponta corretamente a figura de 
linguagem presente no texto:
A) “Pois ser eternamente adolescente nada é mais démodé”, 
metonímia.
B) “Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e 
esquece de aprender”, antítese.
C) “Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora 
é pra valer”, prosopopeia.
D) “A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer”, 
eufemismo.
• Leia o texto abaixo para responder as questões de 04 a 07.
 NORUEGA COMO MODELO DE 
REABILITAÇÃO DE CRIMINOSOS
O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de 
reincidência criminal em todo o mundo. No país, a taxa média 
de reincidência (amplamente admitida mas nunca comprovada 
empiricamente) é de mais ou menos 70%, ou seja, 7 em cada10 criminosos voltam a cometer algum tipo de crime após 
saírem da cadeia.
Alguns perguntariam “Por quê?”. E eu pergunto: 
“Por que não?” O que esperar de um sistema que propõe 
reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo de 
crime, mas nada oferece, para que essa situação realmente 
aconteça? Presídios em estado de depredação total, 
pouquíssimos programas educacionais e laborais para os 
detentos, praticamente nenhum incentivo cultural, e, ainda, 
uma sinistra cultura (mas que diverte muitas pessoas) de que 
bandido bom é bandido morto (a vingança é uma festa, dizia 
Nietzsche).
Situação contrária é encontrada na Noruega. 
Considerada pela ONU, em 2012, o melhor país para se 
viver (1º no ranking do IDH) e, de acordo com levantamento 
feito pelo Instituto Avante Brasil, o 8º país com a menor taxa 
de homicídios no mundo, lá o sistema carcerário chega a 
reabilitar 80% dos criminosos, ou seja, apenas 2 em cada 
10 presos voltam a cometer crimes; é uma das menores taxas 
de reincidência do mundo. Em uma prisão em Bastoy, chamada 
de ilha paradisíaca, essa reincidência é de cerca de 16% entre 
os homicidas, estupradores e traficantes que por ali passaram. 
Os EUA chegam a registrar 60% de reincidência e o Reino 
Unido, 50%. A média europeia é 50%.
A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao 
fato de ter seu sistema penal pautado na reabilitação e não na 
punição por vingança ou retaliação do criminoso. A reabilitação, 
nesse caso, não é uma opção, ela é obrigatória. Dessa forma, 
qualquer criminoso poderá ser condenado à pena máxima 
prevista pela legislação do país (21 anos), e, se o indivíduo 
não comprovar estar totalmente reabilitado para o convívio 
social, a pena será prorrogada, em mais 5 anos, até que sua 
reintegração seja comprovada.
O presídio é um prédio, em meio a uma floresta, 
decorado com grafites e quadros nos corredores, e no qual as 
celas não possuem grades, mas sim uma boa cama, banheiro 
com vaso sanitário, chuveiro, toalhas brancas e porta, televisão 
de tela plana, mesa, cadeira e armário, quadro para afixar 
papéis e fotos, além de geladeiras. Encontra-se lá uma ampla 
biblioteca, ginásio de esportes, campo de futebol, chalés para os 
presos receberem os familiares, estúdio de gravação de música 
e oficinas de trabalho.
Nessas oficinas são oferecidos cursos de formação 
profissional, cursos educacionais, e o trabalhador recebe uma 
pequena remuneração. Para controlar o ócio, oferecer muitas 
atividades, de educação, de trabalho e de lazer, é a estratégia.
A prisão é construída em blocos de oito celas cada 
(alguns dos presos, como estupradores e pedófilos, ficam em 
blocos separados). Cada bloco tem sua cozinha. A comida é 
fornecida pela prisão, mas é preparada pelos próprios detentos, 
que podem comprar alimentos no mercado interno para 
abastecer seus refrigeradores.
Todos os responsáveis pelo cuidado dos detentos devem 
passar por no mínimo dois anos de preparação para o cargo, em 
um curso superior, tendo como obrigação fundamental mostrar 
respeito a todos que ali estão. Partem do pressuposto que, ao 
mostrarem respeito, os outros também aprenderão a respeitar.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
35
Português
A diferença do sistema de execução penal norueguês 
em relação ao sistema da maioria dos países, como o brasileiro, 
americano, inglês, é que ele é fundamentado na ideia de que 
a prisão é a privação da liberdade, e pautado na reabilitação e 
não no tratamento cruel e na vingança.
O detento, nesse modelo, é obrigado a mostrar 
progressos educacionais, laborais e comportamentais, e, dessa 
forma, provar que pode ter o direito de exercer sua liberdade 
novamente junto à sociedade.
A diferença entre os dois países (Noruega e Brasil) é a 
seguinte: enquanto lá os presos saem e praticamente não cometem 
crimes, respeitando a população, aqui os presos saem roubando e 
matando pessoas. Mas essas são consequências aparentemente 
colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer no 
massacre contra o preso produzido dentro dos presídios (a vingança 
é uma festa, dizia Nietzsche).
LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista, diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e 
coeditor do Portal atualidadesdodireito.com.br.
04. (EsPCEx) “(…) uma sinistra cultura de que bandido bom é 
bandido morto.”
O adjetivo em destaque apresenta, no texto, o significado de:
A) errada.
B) maligna. 
C) desprezível.
D) forte.
E) correta.
05. (EsPCEx) Em dois momentos do texto, o redator cita Nietzsche, 
que teria afirmado: “a vingança é uma festa”. A partir do que 
se depreende da leitura, essa “festa” significa
A) uma notória satisfação das pessoas em geral em relação às 
matanças e às condições humilhantes a que são submetidos 
os presos no Brasil.
B) um presídio cujas celas contenham uma cama, vaso sanitário, 
chuveiro, toalhas brancas, televisão de tela plana, composto, 
ainda, por ampla biblioteca, ginásio de esportes e chalés 
para os presos receberem seus familiares.
C) uma sinistra cultura de nada oferecer para que um criminoso 
possa se reabilitar e ser reinserido em uma sociedade que 
conta com presídios em estado de depredação total e 
pouquíssimos programas educacionais para os detentos.
D) a situação de ser considerada, a Noruega, o melhor país 
para se viver, com a menor taxa de homicídios do mundo, 
onde o sistema carcerário chega a reabilitar cerca de 80% 
dos criminosos.
E) a atitude dos presos no Brasil que, após o cumprimento 
da pena, exercem sua liberdade roubando e matando as 
pessoas, comprovando que o sistema poderia ser melhor 
se aderisse ao adágio “bandido bom é bandido morto”.
06. (EsPCEx) “Mas essas são consequências aparentemente 
colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer 
no massacre contra o preso produzido dentro dos presídios “.
 Há um trecho, dentro do período destacado anteriormente, 
que provoca ambiguidade. Marque-o:
A) aparentemente colaterais
B) produzido dentro dos presídios
C) contra o preso
D) manifesta mais prazer
E) no massacre
07. (EsPCEx) Em “Alguns perguntariam ‘Por quê?’. E eu pergunto: 
‘Por que não?”, as perguntas retóricas constituem:
A) crítica ao senso comum, por meio do discurso subjetivo.
B) linguagem apelativa, com intuito de persuadir o leitor.
C) verossimilhança, por meio do discurso direto.
D) diálogo entre textos, fazendo alusão ao discurso alheio.
E) estratégia argumentativa, ponto de partida da análise do 
autor.
• Texto da questão 08 a 10.
A MAÇÃ DE OURO
A Apple supera a Microsoft em valor de mercado, 
premiando o espírito visionário e libertário de Steve Jobs. 
A Microsoft e a Apple vieram ao mundo praticamente ao 
mesmo tempo, em meados dos anos 1970, criadas na garagem 
de jovens estudantes. Mas as empresas não trilharam caminhos 
paralelos. A Microsoft desenvolveu o sistema operacional mais 
popular do mundo e rapidamente se tornou uma das maiores 
corporações americanas, rivalizando com gigantes da velha 
indústria. A Apple, ao contrário, demorou a decolar. Fazia 
produtos inovadores, mas que vendiam pouco. Isso começou 
a mudar quando Steve Jobs, um de seus fundadores, que 
fora afastado nos anos 80, assumiu o comando criativo da 
empresa, em 1996. A Apple estava à beira da falência e só 
ganhou sobrevida porque recebeu um aporte de 150 milhões 
de dólares da Microsoft. Jobs iniciou o lançamento de produtos 
genuinamente revolucionários nas áreas que mais crescem na 
indústria de tecnologia. Primeiro com o iPod e a loja virtual 
iTunes. Depois vieram o iPhone e, agora, o iPad. Desde o início 
de 2005, o preço das ações da empresa foi multiplicado por 
oito. Na semana passada, a Apple alcançou o cume. Tornou-se 
a companhia de tecnologia mais valiosa do mundo, superando 
a Microsoft. Na sexta-feira, a empresa de Jobs tinha valor de 
mercado de 233 bilhões de dólares, contra 226 bilhões de 
dólares da companhia de Bill Gates.
A marca, para além da disputa pessoal entre os maiores 
gênios da nova economia, coroa a estratégia definida por Jobs. 
Quando ele retornouà Apple, tamanha era a descrença no 
futuro da empresa que Michael Dell, fundador da Dell, afirmou 
que o melhor a fazer era fechar as portas e devolver o dinheiro a 
seus acionistas. Hoje, a Dell vale um décimo da Apple. O mérito 
de Jobs foi ter a presciência do rumo que o mercado tomaria.
BARRUCHO, Luís Guilherme & TSUBOI, Larissa. A maçã de ouro. 
In: Revista Veja, 02 de jun. 2010, p.187. Adaptado)
08. Sobre o texto, é correto afirmar que:
A) a Apple, para conseguir superar sua crise econômica, contou 
somente com a ajuda do lançamento de produtos inovadores 
criados por Jobs.
B) Michael Dell, fundador da Dell, só passou a acreditar no 
futuro da Apple quando Steve Jobs retornou à empresa.
C) Apple e Microsoft se ajudaram mutuamente e, por isso, 
ambas se firmaram no mundo da tecnologia.
D) entre os idealizadores da nova economia havia, além da 
concorrência de mercado, uma disputa pessoal.
09. Assinale a alternativa que traz uma leitura correta do texto.
A) As trajetórias da Microsoft e da Apple jamais se cruzaram 
desde 1970.
B) O preço das ações da Apple alcançou o óctuplo de seu valor 
desde 2005.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
36
Português
C) O comando financeiro de Jobs foi fundamental para o 
sucesso da Apple.
D) A relação amistosa entre Gates e Jobs marcou o início das 
duas maiores empresas de tecnologia do mundo.
10. No texto, a frase final, “O mérito de Jobs foi ter a presciência 
do rumo que o mercado tomaria”, implica dizer corretamente 
que
A) Jobs foi um visionário.
B) Jobs teve muitos receios em vida.
C) Jobs deve ser consagrado por seus feitos.
D) Jobs era dotado de inteligência superior.
Aula 10: 
Texto Dissertativo
Normalmente , no un iverso de um estudante , 
sobretudo daquele que se encontra no ensino médio, quando 
se ouve a palavra “dissertar”, ela vem ligada ao substantivo 
“dissertação-argumentativa”. Convencionou-se chamar assim o 
gênero textual solicitado em grande parte das provas de vestibular, 
na etapa da redação, para ingresso em instituições superiores de 
ensino. Vale nos perguntarmos então, ainda, por que dissertar é 
importante nesse processo.
Bem, em primeiro lugar, é necessário entender o gênero 
solicitado nesses concursos, ou seja, pensar sobre a natureza da 
dissertação-argumentativa. Como o próprio nome sugere, esse 
tipo de redação é composto por dois conceitos fundamentais: a 
habilidade de dissertar – que pode ser oral, mas, neste caso, refere-
se à escrita de um texto – e a habilidade de argumentar sobre um 
determinado tema.
Dissertar é expor um problema, refletir sobre ele, explorá-lo, 
avaliar seus aspectos componentes, descrevê-lo. No ato de dissertar, 
seja por via oral ou escrita, o autor do texto não necessariamente 
se posiciona com seus próprias preceitos, conclusões e abordagens 
mais pessoais acerca do problema. Daí entra o caráter argumentativo 
do texto solicitado, a fim de somar à dissertação o seu aspecto de 
discussão.
É através de uma argumentação consistente que o autor do 
texto convencerá o leitor hipotético acerca de seu parecer sobre a 
temática abordada. Para além de simplesmente expor um problema, 
o autor vai arriscar-se também a propor caminhos de solução ou 
de clarificação sobre uma determinada questão. É preciso que sua 
argumentação seja, portanto, muito bem embasada.
Uma argumentação pressupõe um convencimento. Logo, 
ao ser solicitada uma dissertação-argumentativa em um concurso, 
isto significa dizer que o tema do texto provavelmente dirá respeito 
a um problema urgente ou de resolução intrincada, com fortes 
aspectos sociais e políticos, de modo que o autor do texto não 
pode permanecer imparcial e impassível diante do tema proposto.
Pensando, contudo, especificamente na ideia de dissertação, 
pode-se dizer que o ato de dissertar é simples, e encontra-se em 
praticamente toda escrita de qualquer que seja o texto, em algum 
de seus momentos. Dissertar é explorar, refletir, tatear um tema, 
expondo seus aspectos, seus fatos, suas contradições; e para que 
se possa escrever uma dissertação ou entender o pensamento 
dissertativo de um texto, é necessário também habilitar uma boa 
capacidade de interpretação textual.
Aula
10
Assim, cabe expor ainda como se dá um útil e eficaz processo 
de interpretação. A Hermenêutica, a área da filosofia que se dedica 
a esse estudo interpretativo de textos, diz que é preciso seguir três 
etapas básicas para se obter uma leitura ou uma abordagem eficaz 
de um texto, sendo elas: 
a) Pré-compreensão: toda leitura supõe que o leitor entre no texto 
já com conhecimentos prévios sobre o assunto ou área específica. 
Isso significa dizer, por exemplo, que se você pegar um texto do 
3º ano do curso de Direito estando ainda no 1º ano, vai encontrar 
dificuldades para entender o assunto, porque você não tem 
conhecimentos prévios que possam embasar a leitura.
b) Compreensão: já com a pré-compreensão ao entrar no texto, o 
leitor vai se deparar com informações novas ou reconhecer as 
que já sabia. Por meio da pré-compreensão o leitor “prende” a 
informação nova com a dele e “agarra” (compreende) 
a intencionalidade do texto. É costume dizer: “Eu entendi, mas 
não compreendi”. Isso significa dizer que quem leu entendeu o 
significado das palavras, a explicação, mas não as justificativas 
ou o alcance social do texto.
c) Interpretação: agora sim. A interpretação é a resposta que 
você dará ao texto, depois de compreendê-lo (sim, é preciso 
“conversar” com o texto para haver a interpretação de fato). 
É formada então o que se chama “fusão de horizontes”: o do 
texto e o do leitor. A interpretação supõe um novo texto. Significa 
abertura, o crescimento e a ampliação para novos sentidos.
Consultoria: Guia do Estudante
Exercícios de Fixação
01. (EsPCEx) Aprender não significa armazenar todo o estoque de 
um só golpe. No estudo da língua materna, a criança seleciona 
as palavras e, para realizar construções “gramaticais”, não 
aprende todas as frases possíveis, mas as regras de construção; 
e, consequentemente, mesmo que não as perceba, conseguirá 
construir sequencias linguísticas.
SIAMA-CAZACU, Tatiana. Psicolinguistica aplicada ao ensino de línguas. Adaptado.
 Sobre o fragmento acima, é correto afirmar que a autora 
defende a ideia de que 
A) o falante nativo de uma língua não aprende todas as frases 
possíveis do idioma, mas, desde criança, mesmo sem se dar 
conta, compreende as regras de construção das sequências 
linguísticas.
B) as crianças não conseguem absorver todas as frases de uma 
língua materna de uma só vez. Isso só será possível quando 
adulta, pois, aos poucos, vai armazenando todo o estoque 
linguístico ao longo de sua vida.
C) as sequências linguísticas da língua materna só serão 
aprendidas plenamente pela criança quando, em sua fase 
escolar, ela passar a ter contato e compreender as regras 
formais da língua contidas na Gramática.
D) os falantes nativos de qualquer idioma falam perfeitamente 
sem conhecer as regras de construção gramatical, pois este 
conhecimento somente será necessário para a utilização da 
palavra escrita.
E) o conhecimento formal da Gramática é que possibilitará ao 
falante de um idioma as condições plenas de se expressar 
na língua materna, pois é o estudo gramatical que permite 
realizar as construções possíveis do idioma.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
37
Português
02. (EsPCEx) Leia o texto a seguir e responda o que se pede.
“(...)
— Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta.
Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, 
com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando 
bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em 
guardar coisas dos outros. Vermelho, queimando, tinha os olhos 
azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra 
alheia, cuidava de animais alheios, descobria-se, encolhia-se 
na presença dos brancos e julgava-se cabra.
Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, 
alguém tivesse percebido a frase imprudente.
Corrigiu-a, murmurando:
— Vocêé um bicho, Fabiano.
Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um 
bicho, capaz de vencer dificuldades.”
Fragmento de Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
 A partir do texto apresentado, é correto afirmar que o 
personagem Fabiano
A) subestima-se pela própria condição animal.
B) questiona a própria condição humana.
C) valoriza-se como ser humano.
D) sente vergonha da condição animal.
E) abomina a própria condição animal.
•	 Texto para as questões de 03 a 05.
 O OUTRO 
Na redação, o secretário fazia sua cozinha, quando 
a senhora, não primaveril, mas ainda não invernosa, dele se 
aproximou timidamente. E sacando da bolsa um recorte de 
jornal, perguntou-lhe se sabia o endereço de Emílio Moura, 
autor dos versos ali estampados. 
O secretário explicou-lhe que o assunto era de 
competência do Silva, encarregado do suplemento literário. 
O Silva não ia demorar, estava na hora dele. Não queria sentar-
se, esperar? 
Ela recolheu cuidadosamente o fragmento e dispôs-se a 
aguardar o Silva, que, como acontece nessas ocasiões, tardou 
um pouquinho. Mas que tardasse dois anos, não fazia diferença, 
a julgar pelo semblante da senhora, de paciente determinação. 
Diante do Silva, exibiu novamente o papelzinho e fez-
lhe a pergunta. 
— Endereço do Emílio Moura? Pois não, minha senhora. 
Com licença, deixe ver aqui no caderninho: rua tal, número 
tantos, em Belo Horizonte ... 
O rosto da senhora se transfigurou: 
— Belo Horizonte? O senhor tem certeza de que ele 
está em Belo Horizonte? 
— Se está, no momento, não sei, minha senhora. Mas 
sempre morou lá, isso eu posso lhe garantir. 
Nova mutação se operou na fisionomia da visitante, 
onde o desaponto parecia querer instalar-se, mas era combatido 
pela dúvida: 
— O senhor ... o senhor conhece pessoalmente Emílio 
Moura? 
— Conheço, sim. Há muitos anos. 
— Muitos? Que idade tem ele, mais ou menos? 
— Fez cinquenta há pouco tempo, a senhora não leu 
nos jornais a comemoração? 
— Tem certeza de que não está enganado? Perdoe a 
insistência, mas podia me fazer o retrato físico de Emílio Moura? 
— Perfeitamente. Trata-se de um senhor alto, magro, 
cabelos ainda pretos, pequena costeleta, bigodinho, usa piteira 
e fuma cigarro de palha. Que mais? Meio calado, extremamente 
simpático, muito querido por todos. Completo a ficha: professor 
da Universidade, casado, com filhos. 
A senhora olhava para o papel, dobrava-o, esboçava 
o gesto de jogá-lo fora, depois o desdobrava e alisava com 
carinho. E, na ponta de longo silêncio: 
— Senhor Silva, este pedacinho de jornal me trouxe 
uma grande esperança e agora uma profunda decepção. Muito 
obrigada. Desculpe. 
Ia retirar-se, sem que o Silva compreendesse níquel, mas 
voltou-se, e rapidamente desfolhou esta confidência: 
— Há quatro anos ando à procura de Emílio Moura. 
Éramos muito amigos, ele fazia versos lindos, que eu, na 
qualidade de sua melhor amiga, lia em primeira mão. Um dia, 
contou-me que ia viajar para Montevidéu, onde ficaria algum 
tempo. Escreveu-me de lá duas vezes, e da segunda anunciava 
que seguiria para o Canadá. Nunca mais recebi a menor notícia. 
Ninguém sabe informar nada. Quando li no jornal esta poesia 
com o nome dele, fiquei cheia de esperança, mas agora não sei 
o que pensar. O senhor me diz que Emílio Moura tem cinquenta 
anos e é professor em Belo Horizonte. O que eu conheço tem 
trinta e dois anos e nunca morou em Minas, que eu saiba, mas 
como os versos dele são parecidos com estes que o seu jornal 
publicou! A mesma doçura, uma sensação de fim de tarde, 
meio triste, o senhor não imagine ... Enganei-me. Desculpe 
mais uma vez, e passe bem, Sr. Silva. 
Saiu, levando nas mãos o papelzinho, como uma flor. 
Carlos Drummond de Andrade
03. (EFOMM) “Na redação, o secretário fazia sua cozinha, quando 
a senhora, não primaveril, mas ainda não invernosa, dele 
se aproximou.” Nessa passagem destacada, o autor, quanto 
à personagem principal da crônica, fornece ao leitor uma 
informação acerca
A) da sobriedade. 
B) da idade. 
C) da elegância.
D) do temperamento.
E) da beleza.
04. (EFOMM) “Ela recolheu cuidadosamente o fragmento e dispôs-
se a aguardar o Silva, que, como acontece nessas ocasiões, 
tardou um pouquinho.” Com essa passagem o autor dá 
entender que
A) é comum não ser pontual quando se chega ao local de 
serviço.
B) a impaciência da personagem dava-lhe a impressão de que 
o tempo demorava a passar.
C) a pessoa a quem se espera sempre tarda a chegar.
D) o Silva, como todo literato, não era pessoa de cumprir 
horário.
E) de fato, o Silva era um funcionário impontual.
05. (EFOMM) “— Perfeitamente, trata-se de um senhor alto, 
magro, cabelos ainda pretos, pequena costeleta, bigodinho, 
usa piteira e fuma cigarro de palha. Quer mais? Meio calado, 
extremamente simpático, muito querido por todos. Completo 
a ficha: professor da Universidade, casado, com filhos.” Na 
passagem, vê-se um exemplo, quanto ao modo de organização 
do discurso, de texto
A) expositivo.
B) argumentativo.
C) dissertativo.
D) descritivo.
E) narrativo.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
38
Português
Exercícios Propostos
•	 Leia o texto para responder à questão 01.
ME RESPONDA, SARGENTO 
Dez anos, sargento, apartada do João. Uma tarde, 
sem se despedir, montou no cavalinho pampa, em dez anos 
de espera nunca deu notícia. Com a morte do meu velho, que 
me deixou o sítio, quinze dias atrás lá estava eu, bem quieta, 
cuidando da casa e da criação, ajudada pelo meu afilhado José, 
esse anjo de oito aninhos. Quem vai entrando sem bater palma 
nem pedir licença? Chegou maltrapilho, chapéu na mão me 
rogou para fazer vida comigo. Mais de espanto que de saudade 
aceitei, bom ou mau, eu disse, é o meu João. 
Nos primeiros dias foi bonzinho, quem não gosta 
de uma cabeça de homem no travesseiro? Logo começou a 
beber, não me valia em nada no sítio. Eu saía bem cedo com o 
menino a lidar na roça, o bichão ficava dormindo. Bocejando de 
chinelo e desfrutando as regalias, não quer castigar o corpinho, 
não joga um punhado de milho para as galinhas. Só então, 
sargento, burra de mim, descobri o mistério: ele voltou por 
amor da herança. Na primeira semana vendeu o leitão mais 
gordo do chiqueiro, não me deu satisfação, o sargento viu 
algum dinheiro? Nem eu. 
Ontem chegou bêbado e de óculos escuro, espantou o 
menino para o terreiro e, fechados no quarto, bradou que eu 
tinha um amante, o meu afilhado bem que era filho e, antes 
de contar até três, eu dissesse o nome do pai. Por mais que, de 
joelho e mão posta, negasse que havia outro homem, por mim 
o testemunho dos vizinhos, ele me cobriu de palavrão, murro, 
pontapé. Pegou da espingarda, me bateu com a coronha na 
cabeça. Obrigou a rezar na hora da morte e pedir louvado. Que 
eu abrisse a boca, encostou o cano, fez que apertava o gatilho. 
Não satisfeito, sacou da garrucha, apagou o lampião a bala. 
Disparou dois tiros na minha direção, só não acertou porque 
me desviei. Uma bala se enterrou na porta, a outra furou a 
cortina, em três pedaços a cabeça do São Jorge. 
Cansado de reinar, deitou-se vestido e de sapato, que a 
escrava servisse a janta na cama. Provou uma garfada e atirou 
o prato, manchando de feijão toda a parede: “Quero outra, 
esta não prestou”. Deus me acudiu, ao voltar com a bandeja 
ele roncava espumando pelo dente de ouro. Agarrei meu filho, 
chorando e rezando corri a noite inteira, ficasse lá no sítio era 
dona morta. E agora, sargento, que vai ser da minha vida, que 
é que eu faço? 
Dalton Trevisan. O pássaro de cinco asas. Rio de Janeiro, 
Civilização Brasileira, 1975. 
01. (EFOMM) O termo sargento, empregado na frase interrogativa 
“O sargento viu algum dinheiro?” aponta, na realidade, para 
A) o próprio sargento, personagem do diálogo. 
B) o respeito da mulher pobre pela autoridade. 
C) mera denominação, sem qualquer significado no contexto. 
D) pessoa indefinida. 
E) o terror da personagem, que não conseguia distinguir as 
pessoas com quem falava. 
•	 Leia o texto a seguir para responder às questões 02 e 03.
PROMESSASCONTRA SINAIS DA IDADE
O tempo passa, e com ele os sinais da idade vão se 
espalhando pelo nosso organismo. Entre eles, os mais evidentes 
ficam estampados em nossa pele, e rostos, na forma de rugas, 
flacidez e perda de elasticidade. Um estudo publicado ontem 
no periódico científico Journal of Investigative Dermatology, 
no entanto, identificou um mecanismo molecular em células da 
pele que pode estar por trás deste processo, abrindo caminho 
para o desenvolvimento de novos tratamentos para, se não 
impedir, pelo menos retardar o envelhecimento delas e, talvez, 
as de outros tecidos e órgãos do corpo.
Na pesquisa, cientistas da Universidade de Newcastle, 
no Reino Unido, analisaram amostras de células da pele de 
vinte e sete doadores com idades entre seis e 72 anos, tiradas 
de locais protegidos do Sol, para determinar se havia alguma 
diferença no seu comportamento com a idade. Eles verificaram 
que, quanto mais velha a pessoa, menor era a atividade de suas 
mitocôndrias, as “usinas de energia” de nossas células. Essa 
queda, porém, era esperada, já que há décadas a redução na 
capacidade de geração de energia por essas organelas celulares 
e na sua eficiência neste trabalho com o tempo é uma das 
principais vertentes nas teorias sobre envelhecimento.
BAIMA, César. O Globo,27 de fev.2016, p.24.
02. (AFA) Sabe-se que, ao divulgar informações de caráter 
científico em um texto, alguns recursos de linguagem podem 
ser empregados para transmitir ao leitor maior confiabilidade 
quanto ao conteúdo apresentado. Em relação ao texto, assinale 
a alternativa que não apresenta um desses recursos.
A) Referência a um periódico científico no qual foram 
publicados os resultados da pesquisa em questão.
B) Emprego de afirmação categórica sobre o resultado irrefutável 
da pesquisa no sentido de retardar o envelhecimento.
C) Menção ao fato de a pesquisa ser desenvolvida em uma 
universidade, ou seja, um espaço científico confiável.
D) Apresentação de dados numéricos ao se referir à quantidade 
de indivíduos pesquisados pelos cientistas.
03. Pode-se afirmar, quanto a natureza do texto, que seu 
objetivo seja
A) transmitir informações.
B) convencer sobre a eficiência de estudos científicos.
C) apontar soluções para o envelhecimento precoce.
D) explicar sobre os estudos desenvolvidos nos Estados Unidos 
quanto às células tronco.
•	 Leia o texto para responder às questões de 04 a 07.
FALTA DE EDUCAÇÃO E VELOCIDADE 
Os anjos da morte estão cansados de nos recolher, 
a nós que nos matamos ou somos assassinados no tráfego 
das estradas, cidades, esquinas deste país. Os anjos da morte 
estão exaustos de pegar restos de vidas botadas fora. Os anjos 
da morte andam fartos de corpos mutilados e almas atônitas. 
Os anjos da morte suspiram por todo esse desperdício. 
Não sei se as propagandas que tentam aos poucos aliviar 
essa tragédia ajudam tanto a preservar vidas quanto as 
intermináveis, ricas e coloridas propagandas de cerveja 
ajudam a beber mais e mais e mais, colaborando para uma 
parte dessa carnificina. Mas sei que estou no limite. Não 
apenas porque abro jornais, TV e computador e vejo a 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
39
Português
mortandade em andamento, mas porque tenho observado 
as coisas em questão. Recentemente, dirigindo em uma 
autoestrada, percebi um motorista tentando empurrar para 
o canteiro central um carro que seguia à minha frente na
faixa esquerda, na velocidade adequada ao trajeto. Chegava
provocadoramente perto, pertinho, pertíssimo, quase batia
no outro, que se desviava um pouco lutando para manter-se
firme no seu trajeto sem despencar.
[...]
Atenção: os jovens são – em geral, mas não sempre 
– mais arrojados, mais imprudentes, têm menos experiência
na direção. Portanto, são mais inclinados a acidentes, bobos
ou fatais, em que a gente mata e morre. Mas há um número
impressionante de adultos – mais homens do que mulheres,
diga-se de passagem, porque talvez sejam biologicamente
mais agressivos – cometendo loucuras ao dirigir, avançando
o sinal, quase empurrando o veículo da frente com seu
parachoque, não cedendo passagem, ultrapassando em
locais absurdos sem a menor segurança, bebendo antes de
dirigir, enfim, usando o carro como um punhal hostil [...].
Cada um se porta como quer – ou como consegue. Isso vem
do caráter inato, combinado com a educação recebida em
casa. Quando esse comportamento ultrapassa o convívio
cotidiano e pode mutilar pais de família, filhos e filhas
amados, amigos preciosos, ou seja lá quem for, então é
preciso instaurar leis férreas e punições comparáveis. Que
não permitam escapadelas nem facilitem cometer a infração
com branda cobrança. Que não admitam desculpas e
subterfúgios, não premiem o erro, não pequem por uma
criminosa omissão. Precisamos em quase tudo de autoridade
e respeito, para que haja uma reforma generalizada,
passando da desordem e do caos a algum tipo de segurança
e bem-estar. [...]
Autoridade justa, mas muito rigorosa, é o que talvez 
nos deixe mais lúcidos e mais bem-educados: em casa, na 
escola, na rua, na estrada, no bar, no clube, dentro do nosso 
carro. E os fatigados anjos da morte poderão, se não entrar 
em férias, ao menos relaxar um pouco.
Lya Luft
04. Depreende-se da leitura que
A) as propagandas contra a violência no trânsito são tão eficazes 
quanto as de cerveja.
B) motoristas inconsequentes e agressivos provocam acidentes 
de trânsito.
C) somente a educação de qualidade reverterá o caos presente 
no trânsito.
D) as mulheres não são capazes de violência no trânsito em
função de sua natureza dócil.
E) o consumo de álcool é a principal causa de acidentes no
trânsito.
05. No trecho: “Os anjos da morte andam fartos de corpos
mutilados e almas atônitas.”, a palavra em destaque pode
ser substituída, sem prejuízo de significado no contexto e
respectivamente, por
A) desesperançadas
B) amaldiçoadas
C) perplexas
D) emocionadas
E) abnegadas
06. Na conclusão do texto, a autora
A) mostra que nos últimos anos o consumo de álcool por
menores tem aumentado muito.
B) analisa cientificamente o que leva os jovens a serem mais
imprudentes no volante.
C) ressalta a importância de ações mais rígidas e justas contra
motoristas infratores.
D) critica a ineficácia das propagandas que tentam coibir o
consumo de álcool.
E) apresenta um Projeto de Lei para ajudar a diminuir o caos
no trânsito.
07. Em “Os anjos da morte estão exaustos de pegar restos de vidas 
botadas fora”, a expressão “botadas fora” sugere a ideia de
A) que os anjos estão cansados de seu ofício.
B) a vida humana pode ser comparada ao lixo.
C) não existe morte sem que haja um destino após ela.
D) que não se pode contornar o destino.
eE vidas descartadas de maneira banal.
• Texto para as questões 08 a 10.
A detecção da fadiga como fator contribuinte às 
ocorrências aeronáuticas tem sido um desafio para as 
investigações do Sistema de Investigação e Prevenção de 
Acidentes Aeronáuticos (SIPAER). As dificuldades ocorrem 
devido à complexidade dos fatores envolvidos na determinação 
desse fenômeno. Para auxiliar no tratamento dessas questões, 
a Comissão Nacional da Fadiga Humana (CNFH), desde 
2013, vem desenvolvendo trabalhos e pesquisas voltados ao 
aprimoramento das técnicas sobre investigação da fadiga. 
As ações desenvolvidas têm por objetivo agregar conhecimento 
às discussões sobre a temática e promover melhores práticas de 
gerenciamento para investigação das suas causas.
A CNFH é uma comissão temporária do Comitê 
Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CNPAA), 
órgão independente que congrega a comunidade aeronáutica 
duas vezes ao ano. As plenárias são sediadas no Centro 
de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos 
(CENIPA), em Brasília/DF. O Comitê tem por finalidade reunir 
representantes de entidades nacionais envolvidas, direta ou 
indiretamente, com a atividade aérea. Visa estabelecer a 
discussão, em âmbito nacional, de soluções para problemas 
ligados à segurança de voo. Em 2014, durante a 62°Plenária do 
CNPAA, foi aprovadaa metodologia de investigação da fadiga 
humana em ocorrências aeronáuticas, proposta pela CNFH. 
Essa metodologia foi embasada em conhecimentos técnicos 
e científicos sobre a fadiga, além dos processos investigativos 
empregados.
Estimular o uso dessa metodologia na investigação de 
ocorrências aeronáuticas conduzidas pelo Estado brasileiro, 
bem como prover recursos auxiliares aos investigadores que 
atuam com essa realidade, motivaram a elaboração do “Guia de 
Investigação da Fadiga Humana em ocorrências aeronáuticas”. 
Inédito no contexto da aviação brasileira, é a primeira vez que 
o país conta com uma publicação voltada exclusivamente à
investigação da fadiga. Esse material está disponível no site do
CENIPA a todos os profissionais que atuam com investigação e
prevenção de acidentes aéreos. O aporte teórico apresentado
como base da metodologia provê conhecimentos que poderão 
ser utilizados tanto no âmbito do gerenciamento dos riscos
da fadiga quanto na respectiva investigação. O Guia resulta
do empenho coletivo de profissionais comprometidos com
a segurança de voo. Representantes de várias organizações
do setor aéreo brasileiro colaboraram com a produção desse
material, o que favoreceu o intercâmbio de ideias.
NOTAER, Ano XLI/nº1, janeiro de 2018, p. 2.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
40
Português
08. Pode-se afirmar que o principal objetivo do texto é
A) alertar sobre a fadiga.
B) trazer à tona os riscos da fadiga e sua relação com o mundo 
da aeronáutica.
C) promover órgãos da aeronáutica responsáveis pelo bem estar 
dos pilotos.
D) divulgar a criação de um guia da aeronáutica.
E) relacionar a fadiga com o grande aumento de acidentes 
aéreos.
09. No texto anterior, o autor afirma que:
A) o alcoolismo é um fator contribuinte para as ocorrências 
aeronáuticas.
B) a Comissão Nacional da Fadiga Humana (CNFH) tem feito 
levantamentos sobre investigação do sono dos pilotos. 
C) a fadiga é um distúrbio do sono.
D) pela primeira vez, o Estado brasileiro investiga sobre a fadiga 
humana em ocorrências aeronáuticas.
E) é necessário que as investigações sobre a fadiga no trabalho 
se expandam a todas as áreas.
10. Ainda acerca do texto, pode-se afirmar corretamente, a partir 
de sua leitura e interpretação:
A) são necessários ainda estudos mais aprofundados na área 
da aeronáutica, a fim de perceber quais os riscos da fadiga 
às tarefas de pousar e taxiar.
B) os órgãos competentes buscam formas de punir também 
os pilotos, por negligência ao assumirem o posto.
C) antes de a CNFH divulgar alguns de seus resultados, o Brasil 
não estava atento ao fato de que a fadiga poderia ser o 
maior problema dos pilotos que dormem em serviço.
D) o estudo sobre a fadiga é inédito no Brasil, sendo inaugurado 
agora no contexto da aeronáutica.
E) a Comissão Nacional da Fadiga Humana (CNFH) desenvolve 
há alguns anos trabalhos voltados ao aprimoramento das 
técnicas sobre investigação da fadiga.
Aula 11: 
Conto e Crônica
Crônica
s. f. 1. Narração histórica, por ordem cronológica. 2. Seção ou 
coluna, de jornal ou revista, consagradas a assuntos especiais.
con.to.1
s. m. 1. Narração falada ou escrita. 2. História ou historieta 
imaginadas. 3. Fábula. 4. Mentira inventada para iludir indivíduos 
rústicos; engodo, embuste. – C.-do-vigário: embuste para apanhar 
dinheiro das pessoas de boa-fé.
O Conto é a forma narrativa, em prosa, de menor extensão 
(no sentido estrito de tamanho), ainda que contenha os mesmos 
componentes do romance. Entre suas principais características, 
estão a concisão, a precisão, a densidade, a unidade de efeito ou 
impressão total – da qual falava Poe (1809-1849) e Tchekhov (1860-
1904): o conto precisa causar um efeito singular no leitor; muita 
excitação e emotividade.
Crônica é o único gênero literário produzido essencialmente 
para ser veiculado na imprensa, seja nas páginas de uma revista, 
seja nas páginas de um jornal. Quer dizer, ela é feita com uma 
Aula
11
finalidade utilitária e pré-determinada: agradar aos leitores dentro 
de um espaço sempre igual e com a mesma localização, criando-se 
assim, no transcurso dos dias ou das semanas, uma familiaridade 
entre o escritor e aqueles que o leem. A crônica é, primordialmente, 
um texto escrito para ser publicado no jornal. Assim o fato de ser 
publicada no jornal já lhe determina vida curta, pois à crônica de 
hoje seguem-se muitas outras nas próximas edições.
Basicamente, o que diferencia o conto da crônica é a 
densidade poética.
O conto é pesado, a crônica é leve. O conto deve provocar 
e inquietar, a crônica deve entreter e deleitar. A crônica é a prosa 
curta, amena e coloquial, com toques de malícia e humor, sobre 
os fatos políticos da atualidade ou sobre os hábitos e costumes 
dos diversos segmentos sociais. O conto é todo o resto, é toda a 
prosa curta que não é crônica. No conto a história é completa e 
fechada como um ovo. É uma célula dramática, um só conflito, 
uma só ação. A narrativa passiva de ampliar-se não é conto. Poucas 
são as personagens em decorrência das unidades de ação, tempo 
e lugar. Ainda em consequência das unidades que governam a 
estrutura do conto, as personagens tendem a ser estáticas, porque 
as surpreende no instante climático de sua existência. O contista 
as imobiliza no tempo, no espaço e na personalidade (apenas uma 
faceta de seu caráter).
A crônica é um gênero híbrido que oscila entre a literatura 
e o jornalismo, resultado da visão pessoal, particular, subjetiva do 
cronista ante um fato qualquer, colhido no noticiário do jornal ou no 
cotidiano. É uma produção curta, apressada (geralmente o cronista 
escreve para o jornal alguns dias da semana, ou tem uma coluna 
diária), redigida em uma linguagem descompromissada, coloquial, 
muito próxima do leitor. Quase sempre explora a humor; mas às 
vezes diz coisas sérias por meio de uma aparente conversa – fiada. 
Noutras, despretensiosamente faz poesia da coisa mais banal e 
insignificante.
E, finalmente, a crônica é o relato de um flash, de um 
breve momento do cotidiano de uma ou mais personagens. 
O que diferencia a crônica do conto é o tempo, a apresentação da 
personagem e o desfecho.
No conto, as ações transcorrem em um tempo maior: dias, 
meses, até anos, o que não se dá na crônica, que procura captar um 
lance curioso, um momento interessante, triste ou alegre. No conto, 
a personagem é analisada e/ou caracterizada, há maior densidade 
dramática e frequentemente um conflito, resolvido em desfecho. 
Na crônica, geralmente não há desfecho, esse fica para o leitor 
imaginar e, depois, tirar suas conclusões. Uma das finalidades da 
crônica é justamente apresentar o fato, nu, seco e rápido, mas não 
concluí-lo. A possível tese fica a meio caminho, sugerida, insinuada, 
para que o leitor reflita e chegue a ela por seus próprios meios.
Assim, podemos dizer que:
Crônica
Texto narrativo e pode ser, em maior ou menor grau, de 
cunho ficcional. Versa sobre experiências, vivências ou pontos de 
vista pessoais do cronista. Pode tratar de relatos sobre fatos ocorridos 
em tempos distantes ou em momentos atuais e – por que não? 
– até divagações sobre o que esteja por acontecer. De qualquer 
forma, basicamente, são impressões essencialmente pessoais de 
quem escreve.
Conto
Texto narrativo e essencialmente ficcional. É uma trama que 
gira em torno de algum acontecimento ou circunstância, no mais 
das vezes não real, envolvendo um ou mais personagens. 
O que diferencia um conto de uma novela ou um romance 
é a limitação em algum ou alguns de seus elementos. Ele pode ser 
curto ou longo, porém tende a não ser demasiadamente longo em 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
41
Português
função da própria limitação de seus demais aspectos. Tende a ter 
poucos personagens – às vezes, um só – enquanto que os outros 
gêneros narrativos costumam ter um “elenco” bem maior, até para 
que as diversas tramas tenham lá seu próprio desenvolvimento.
Exercícios de Fixação
•	 Texto para as questões de 01 e 02.
LEITE DERRAMADO
“Um homemmuito velho está em um leito de hospital. 
E desfia a quem quiser ouvir suas memórias. Uma saga familiar 
caracterizada pela decadência social e econômica, tendo como 
pano de fundo a história do Brasil dos últimos dois séculos.”
Não sei por que você não me alivia a dor. Todo dia a 
senhora levanta a persiana com bruteza e joga sol no meu 
rosto. Não sei que graça pode achar dos meus esgares, é uma 
pontada cada vez que respiro. Às vezes aspiro fundo e encho 
os pulmões de um ar insuportável, para ter alguns segundos 
de conforto, expelindo a dor.
Mas bem antes da doença e da velhice, talvez minha 
vida já fosse um pouco assim, uma dorzinha chata a me espetar 
o tempo todo, e de repente uma lambada atroz.
Quando perdi minha mulher, foi atroz. E qualquer coisa 
que eu recorde agora, vai doer, a memória é uma vasta ferida. 
Mas nem assim você me dá os remédios, você é meio desumana. 
Acho que nem é da enfermagem, nunca vi essa cara sua por 
aqui. Claro, você é a minha filha que estava na contraluz, me dê 
um beijo. Eu ia mesmo lhe telefonar para me fazer companhia, 
me ler jornais, romances russos. Fica essa televisão ligada o 
dia inteiro, as pessoas aqui não são sociáveis. Não estou me 
queixando de nada, seria uma ingratidão com você e com o seu 
filho. Mas se o garotão está tão rico, não sei por que diabos não 
me interna em uma casa de saúde tradicional, de religiosas. Eu 
próprio poderia arcar com viagem e tratamento no estrangeiro, 
se o seu marido não me tivesse arruinado.
BUARQUE, Chico. Leite derramado. São Paulo: 
Companhia das Letras, 2009, p. 10 – 11.
01. (AFA) Assinale a alternativa que apresenta uma inferência 
incorreta.
A) O personagem acredita que a televisão ligada evita a 
comunicação entre as pessoas que dividem o ambiente.
B) Percebe-se um tom sarcástico nos três últimos períodos do 
excerto.
C) O grau aumentativo foi utilizado no substantivo “garotão” 
de forma pejorativa, ratificando a crítica ao neto.
D) A fala compulsiva do personagem tem como objetivo 
provocar piedade naqueles que estão ao seu redor.
02. (AFA) O discurso do personagem só não nos permite afirmar 
que ele:
A) está resignado com o tratamento que recebe de sua filha e 
de seu neto.
B) apresenta-se pouco lúcido, tomado por incertezas e 
angústias.
C) lamenta-se não só das perdas emocionais como das materiais 
e sociais.
D) é um homem orgulhoso e culto, ressentido por não ser bem 
servido pelos outros.
• Texto para as questões de 03 a 05 fixação e 01 proposto.
FELICIDADE CLANDESTINA
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente 
crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto 
nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, 
enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. 
Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias 
gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para 
aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos 
entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por 
cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, 
com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra 
bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era 
pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa 
menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente 
bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu 
com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu 
nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava 
a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a 
exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, 
informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de 
Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar 
vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente 
acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua 
casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria 
esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar em um 
mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela 
não morava em um sobrado como eu, e sim em uma casa. Não 
me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me 
que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse 
no dia seguinte para buscá-lo.
Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança 
de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar 
pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas 
de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o 
dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha 
vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando 
pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto 
da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia 
seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e 
o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda 
não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal 
sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do 
“dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia 
que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo 
de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me 
escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando-
me mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer 
esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar 
um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo 
ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o 
emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, 
sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, 
ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
42
Português
Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela 
menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. 
Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco 
elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato 
de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu.
Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: 
mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que 
acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. 
Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua 
filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, 
ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se 
refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar 
o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por 
quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o 
livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, 
grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, 
e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. 
Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando 
bem devagar.
Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, 
comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar 
em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, 
meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o 
tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, 
li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear 
pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi 
que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por 
alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela 
coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria 
ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como 
demorei! Eu vivia no ar...
Havia orgulhoe pudor em mim. Eu era uma rainha 
delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com 
o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não 
era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o 
seu amante.
Clarice Lispector
03. (EFOMM) As palavras da narradora ilustram o comportamento 
da menina má que, como bruxa dos contos de fadas, tripudia 
sobre a menina inocente. Assinale a opção em que não se 
confirma essa afirmação.
A) Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim 
recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada.
B) O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e 
diabólico.
C) Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu 
sofrer, às vezes adivinho.
D) (...) a potência de perversidade de sua filha desconhecida e 
a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas 
de Recife.
E) Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura 
vingança, chupando balas com barulho.
04. (EFOMM) A narradora sutilmente fala da inveja, alavancando 
o desenvolvimento do tema. É o que se percebe na opção:
A) Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, 
em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava 
em mãos um cartão-postal da loja do pai.
B) Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que 
ela me submetia: continuava a implorar-lhe as humilhações 
a que ela me submetia (...)
C) Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos 
imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos 
livres.
D) Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer 
sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, 
informou-me que possuía ‘As reinações de Narizinho’, de 
Monteiro Lobato.
E) Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança 
da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar em um mar 
suave, as ondas me levavam e me traziam.
05. (EFOMM) “Não era mais uma menina com um livro: era uma 
mulher com o seu amante”. Quanto à relação da menina com 
o livro, é Incorreto afirmar que
A) o encontro com seu livro-amante passa a ser o próprio ato 
de leitura, que ganha dimensões mais sedutoras à medida 
que é adiada.
B) a felicidade clandestina da menina boa era mostrar à menina 
má que o livro passou a ser dela.
C) ela encara o livro como uma verdadeira personificação, 
dando-lhe um valor especial.
D) a menina atribui ao livro sentimentos e intenções positivas.
E) a felicidade clandestina da menina era “esquecer” que estava 
com ele para depois ter a “surpresa” de achá-lo.
Exercícios Propostos
01. (EFOMM) Assinale a passagem que demonstra estar a 
personagem à beira da exaustão.
A) Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo 
me tomava toda (...)
B) Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu 
sofrer (...)
C) E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se 
cavando sob os meus olhos espantados.
D) Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, 
ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua 
mãe.
E) Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem 
devagar.
• Texto para as questões seguintes.
VENDE FRANGO-SE
Alguém encontrou esta pérola escrita em uma 
placa em frente a um mercadinho de um morro do Rio: 
“Vende frango-se”. É poesia? Piada? Apenas mais um erro de 
português? É a vida e ela é inventiva. Eu, que estou sempre 
correndo atrás de algum assunto para comentar, pensei: isto dá 
samba, dá letra, dá crônica. Vende frango-se, compra casa-se, 
conserta sapato-se.
Prefiro isso aos “q tc cmg?” espalhados pelo mundo 
virtual, prefiro a ingenuidade de um comerciante se 
comunicando do jeito que sabe, é o “beija eu” dele, o “quer 
vim aqui casa?” de tantos. Vende carne-se, vende carro-se, 
vende barco-se. Não incentivo a ignorância, apenas cedo um 
olhar mais adocicado ao que é estranho a tanta gente, o nosso 
idioma. Tão poucos estudam, tão poucos leem, queremos o 
quê? Ao menos trabalham, negociam, vendem frangos, ao 
menos alguns compram e comem e os dias seguem, não 
importa a localização do sujeito indeterminado. Vive-se.
Talvez eu tenha é ficado agradecida por este senhor ou 
senhora que anunciou-se de forma errônea, porém inocente, 
já que é do meu feitio também trocar algumas coisas de lugar, 
e nem por isso mereço chicotadas, ao contrário: o comerciante 
do morro me incentivou a me perdoar. Esquecer o nome de 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
43
Português
um conhecido, não reconhecer uma voz ao telefone, chamar 
Gustavos de Olavos, confundir os verbos e embaralhar-se toda 
para falar: sou a rainha das gafes, dos tropeços involuntários. 
Tento transformar em folclore, já que falta de educação não é. 
Conserta destrambelhada-se. Eu me ofereço pro serviço. Quem 
não? Sabemos todos como é constrangedor não acertar, mas 
lá do alto do seu boteco, ele nos absolve. Ele, o autor de um 
absurdo, mas um absurdo muito delicado.
Vende frango-se, e eu acho graça, e achar graça é uma 
coisa boa, sinal de que ainda não estamos tão secos, rudes e 
patrulheiros, ainda temos grandeza para promover o erro alheio 
a uma inesperada recriação da gramática, fica eleito o dono da 
placa o Guimarães Rosa do morro, vale o que está escrito, e do 
jeito que está escrito, uma vez que entender, todos entenderam. 
Fica aqui minha homenagem à imperfeição.
Martha Medeiros.
02. O texto pode ser identificado como:
A) uma fábula.
B) um artigo jornalístico.
C) um editorial.
D) uma crônica.
E) uma denúncia.
03. O principal objetivo do texto seria o de:
A) condenar os erros cometidos pelos falantes incultos da
língua.
B) igualar em um mesmo patamar forma culta e forma coloquial
da linguagem.
C) divertir-se à custa dos erros intelectuais de pessoas menos
favorecidas.
D) celebrar o erro como uma forma de reinventar-se.
E) chamar a atenção para a imperfeição presente sobretudo
nas mulheres.
04. O texto alcança ao longo da narrativa um efeito de:
A) humor, ao brincar com as possibilidades de “erros” e
demonstrar o lado positivo daquilo que, ao mesmo tempo,
é também um problema.
B) denúncia, ao mostrar o analfabetismo funcional que alberga 
grande parte da população brasileira mais pobre.
C) ironia, ao sugerir que todos os falantes de uma língua devam
imitar a norma dos menos favorecidos, como se isto fosse
algo positivo a se fazer.
D) tristeza, ao indicar que o narrador do texto é uma pessoa
que erra continuamente na vida, de acordo com o que ele
mesmo afirma, por se tratar de uma narrativa em primeira
pessoa.
E) crítica, uma vez que a autora do texto menospreza
determinadas normas da língua, como por exemplo a que
é usada no contexto da Internet, permeada de abreviações.
05. A autora, ao trazer para seu texto a comparação de uma
determinada figura à de Guimarães Rosa, pretende com isso
A) demonstrar domínio e leitura dos autores consagrados da
literatura brasileira.
B) indicar que ambas têm um traço em comum, a saber, a
capacidade de inventar neologismos.
C) expor seu nível de erudição a fim de ser chancelada por seus 
leitores.
D) ironizar a imagem do autor da placa, uma vez que, mornado 
no morro, jamais poderá ser como Guimarães Rosa.
E) indicar que não existe superioridade entre o autor
consagrado da literatura brasileira e aquele que escreveu
a placa, demonstrando assim estarem as duas figuras no
mesmo patamar de erudição.
• Leia o texto abaixo para responder às questões de 06 a 10.
JOÃO PORÉM, O CRIADOR DE PERUS
Agora o caso não cabendo em nossa cabeça. O pai 
teimava que ele não fosse João, nem não. A mãe, sim. Daí o 
engano e nome, no assento de batismo. Indistinguível disso, 
ele viçara, sensato, vesgo, não feio, algo gago, saudoso, semi-
surdo; moço. Pai e mãe passaram, pondo-o sozinho. A aventura 
é obrigatória. Deixavam ao Porém o terreno e, ainda mais, um 
peru pastor e três ou duas suas peruas.
E tanto; aquilo tudo e egiptos. Desprendado quanto ao 
resto, João Porém votou-se às aves — vocação e meio de ganho. 
De dele rir-se? A de criar perus, os peruzinhos mofinos, foi 
sempre matéria atribulativa, que malpaga, às poucasestimas.
Não para o João. Qual o homem e tal a tarefa: 
congruíam-se, como um tom de vida, com riqueza de fundo 
e deveres muito recortados. Avante, até, próspero. Tomara a 
gosto. O pão é que faz o cada dia.
Já o invejavam os do lugar — o céu aberto ao público 
— aldeiazinha indiscreta, mal saída da paisagem. Ali qualquer 
certeza seria imprudência. Vexavam-no a vender o pequeno 
terreiro, próprio aos perus vingados gordos. Porém tardava-
os, com a indecisão falsa do zarolho e o pigarro inconcusso 
da prudência. Tornaram; e Porém punha convicção no tossir, 
prático de economias quiméricas, tomadas as coisas em seu 
meio.
Desistiram então de insistir, ou de esperar que, 
mais-menos dia, surgida alguma peste, ele desse para trás. Mas 
lesavam-no, medianeiros, no negócio dos perus, produzidos 
já aos bandos; abusavam de seu horror a qualquer espécie de 
surpresas. Porém perseverava, considerando o tempo e a arte, 
tão clara e constantemente o sol não cai do céu. No fundo, 
coqueirais. Mas inventaram, a despautação, de espevitar o 
espírito.
Incutiram-lhe, notícia oral: que, de além-cercanias, em 
desfechada distância, uma ignorada moça gostava dele. A qual 
sacudida e vistosa — olhos azuis, liso o cabelo — Lindalice, 
no fino chamar-se. João Porém ouviu, de sus brusco, firmes 
vezes; miúdo meditou. Precisava daquilo, para sua saudade 
sem saber de quê, causa para ternura intacta. Amara-a por fé 
— diziam, lá eles. Ou o que mais, porque amar não é verbo; é 
luz lembrada. Se assim com aquela como o tivessem cerrado 
noutro ar, espaço, ponto. Sonha-se é rabiscos. Segredou seu 
nome à memória, acima de mil perus, extremadamente [...].
ROSA, João Guimarães Rosa. Tutameia.
06. Sobre o texto e seu gênero, assinale apenas a opção correta:
A) trata-se de um conto em que se problematiza a questão da
criação ilegal de animais.
B) o texto pode ser entendido como uma anedota popular.
C) o texto pode ser considerado uma crônica por conta de seu
registro linguístico.
D) o texto trata-se um conto cujo principal objetivo é relatar
fatos sobre a vida de um personagem.
E) trata-se de um conto com episódios sobre a vida no campo
em épocas remotas.
07. Sobre o que se depreende do texto, pode-se afirmar
corretamente:
A) o nome de João teve origem a partir do caráter contestador
de seu pai.
B) João herda os perus de herança a seus avós.
C) João não é o personagem principal do conto, uma vez que
as ações indicam a figura de Lindalice.
D) por tratar-se de uma crônica, o texto foca-se na vida
cotidiana das personagens.
E) houve uma briga entre os pais de João ao escolherem seu
nome.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
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Português
08. Considerando as ações do texto, é correto inferir que:
A) os pais do protagonista do conto opuseram-se a uma história 
de amor.
B) os pais do personagem principal forçaram-no a criar perus.
C) João Porém não tinha uma boa relação com seus familiares.
D) o personagem principal é um menino quando descobre estar 
apaixonado.
E) seu protagonista, em dado momento, tornou-se órfão.
09. Ainda sobre o protagonista da história e sua identidade, é 
correto afirmar:
A) era fácil enganar João, porém, por ser ingênuo e temerário.
B) João, porém tinha grande apreço pelas aves que criava.
C) o protagonista do conto reluta em aceitar a proposta 
dos aldeões de alugar o seu terreno, por ser um homem 
ambicioso.
D) João, porém era um homem que amava surpresas e 
artimanhas.
E) João, porém conhecia a moça Lindalice desde a infância, 
por quem sempre fora apaixonado.
10. Sobre as ações decorridas no trecho destacado, pode-se dizer 
corretamente que:
A) ninguém acredita no sucesso de João, porém no que diz 
respeito à venda de seus perus.
B) as pessoas da região levam João, porém a acreditar que uma 
determinada moça estava apaixonada por ele.
C) João Porém acaba enganado pelo povo da cidade, que lhe 
rouba dinheiro e alguns animais.
D) João é alvo constante de invenções feitas pelo povo da aldeia, 
decidindo, portanto, vingar-se.
E) por se tratar de um homem bom, João, porém nem desconfia 
da armadilha armada para ele por Lindalice.
Aula 12: 
Coesão e Coerência
Crônica
Para que um texto tenha o seu sentido completo, ou seja, 
transmita a mensagem pretendida, é necessário que esteja coerente 
e coeso. Na construção de um texto, assim como na fala, usamos 
mecanismos para garantir ao interlocutor a compreensão do que 
é dito ou lido.
Em resumo, podemos dizer que a coesão trata da conexão 
harmoniosa entre as partes do texto, do parágrafo, da frase. ela 
permite a ligação entre as palavras e frases, fazendo com que um 
dê sequência lógica ao outro. a coerência é a relação lógica entre 
as ideias, fazendo com que umas complementem as outras, não se 
contradigam e formem um todo significativo que é o texto.
Quando falamos de coesão textual, falamos a respeito 
dos mecanismos linguísticos que permitem uma sequência lógico- 
-semântica entre as partes de um texto, sejam elas palavras, frases, 
parágrafos, etc. Entre os elementos que garantem a coesão de um 
texto, temos:
Referências e reiterações: este tipo de coesão acontece 
quando um termo faz referência a outro dentro do texto, quando 
reitera algo que já foi dito antes ou quando uma palavra é substituída 
por outra que possui com ela alguma relação semântica. Alguns 
Aula
12
destes termos só podem ser compreendidos mediante estas relações 
com outros termos do texto, como é o caso da anáfora e da catáfora.
Substituições lexicais: este tipo de coesão acontece quando 
um termo é substituído por outro dentro do texto, estabelecendo 
com ele uma relação de sinonímia, antonímia, hiponímia ou 
hiperonímia, ou mesmo quando há a repetição da mesma unidade 
lexical (mesma palavra).
Conectores: estes elementos coesivos estabelecem as 
relações de dependência e ligação entre os termos, ou seja, são 
conjunções, preposições e advérbios conectivos.
Correlação dos verbos (coesão temporal e aspectual): 
consiste na correta utilização dos tempos verbais, ordenando assim 
os acontecimentos de uma forma lógica e linear, que irá permitir a 
compreensão da sequência dos mesmos.
 Quando falamos em coerência textual, falamos acerca da 
significação do texto, e não mais dos elementos estruturais que 
o compõem. um texto pode estar perfeitamente coeso, porém 
incoerente. É o caso do exemplo abaixo:
“As ruas estão molhadas porque não choveu”.
Há elementos coesivos no texto acima, como a conjunção, 
a sequência lógica dos verbos, enfim, do ponto de vista da coesão, 
o texto não tem nenhum problema. Contudo, ao ler o que diz o 
texto, percebemos facilmente que há uma incoerência, pois se as 
ruas estão molhadas, é porque alguém molhou, ou a chuva, ou 
algum outro evento. Não ter chovido não é o motivo de as ruas 
estarem molhadas. O texto está incoerente.
Podemos entender melhor a coerência compreendendo os 
seus três princípios básicos:
Princípio da não Contradição: em um texto não se pode 
ter situações ou ideias que se contradizem entre si, ou seja, que 
quebram a lógica.
Princípio da não Tautologia: Tautologia é um vício de 
linguagem que consiste n a repetição de alguma ideia, utilizando 
palavras diferentes. Um texto coerente precisa transmitir alguma 
informação, mas quando hárepetição excessiva de palavras 
ou termos, o texto corre o risco de não conseguir transmitir a 
informação. Caso ele não construa uma informação ou mensagem 
completa, então ele será incoerente
Princípio da Relevância: Fragmentos de textos que falam 
de assuntos diferentes, e que não se relacionam entre si, acabam 
tornando o texto incoerente, mesmo que suas partes contenham 
certa coerência individual. Sendo assim, a representação de ideias 
ou fatos não relacionados entre si, fere o princípio da relevância, e 
trazem incoerência ao texto.
Ingedore Villaça Koch; Luis Carlos Travaglia
Exercícios de Fixação
• Questões de 01 a 03 ainda referentes ao conto Felicidade 
clandestina, transcrito nas atividades da aula 3.
01. (EFOMM) Assinale a opção em que a expressãodestacada
Não tem valor de adjetivo.
A) (...) continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela 
não lia.
B) (...) o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife.
C) (...) entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai.
D) Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho.
E) (...) eu nadava devagar em um mar suave (...)
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Português
02. (EFOMM) “Comigo exerceu com calma ferocidade o seu 
sadismo”. Nessa passagem a figura de estilo que aparece 
destacada é:
A) catacrese. D) hipérbole.
B) oxímoro. E) metáfora.
C) metonímia.
03. (EFOMM) “Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia 
seguinte e que ela o emprestaria”. Na transposição do discurso 
indireto para o direto, teremos:
A) Passe pela minha casa no dia seguinte que eu lhe empresto 
o livro – disse-me.
B) Passasse pela minha casa no dia seguinte que eu lhe 
emprestaria o livro – disse-me.
C) Passe pela minha casa no dia seguinte que eu lhe emprestava 
o livro – disse-me.
D) Se passar pela minha casa amanhã, lhe emprestarei o livro 
– disse-me.
E) Passe pela minha casa amanhã que eu lhe emprestarei o 
livro – disse-me.
04. Leia:
O mundo é grande
O mundo é grande e cabe
Nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
Na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
No breve espaço de beijar.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. 
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983.
 Neste poema, o poeta realizou uma opção estilística: a reiteração 
de determinadas construções e expressões linguísticas, como o 
uso da mesma conjunção para estabelecer a relação entre as 
frases. Essa conjunção estabelece, entre as ideias relacionadas, 
um sentido de:
A) comparação. D) alternância.
B) conclusão. E) finalidade.
C) oposição.
05. Leia o texto.
Cultivar um estilo de vida saudável é extremamente 
importante para diminuir o risco de infarto, mas também 
de problemas como morte súbita e derrame. Significa que 
manter uma alimentação saudável e praticar atividade física 
regularmente já reduz, por si só, as chances de desenvolver 
vários problemas. Além disso, é importante para o controle da 
pressão arterial, dos níveis de colesterol e de glicose no sangue. 
Também ajuda a diminuir o estresse e aumentar a capacidade 
física, fatores que, somados, reduzem as chances de infarto. 
Exercitar-se, nesses casos, com acompanhamento médico e 
moderação, é altamente recomendável.
ATALIA, M. Nossa vida. Época. 23 mar. 2009.
 As ideias veiculadas no texto se organizam estabelecendo 
relações que atuam na construção do sentido. A esse respeito, 
identifica-se, no fragmento, que:
A) a expressão “Além disso” marca uma sequencia de ideias.
B) o conectivo “mas também” inicia oração que exprime ideia 
de contraste.
C) o termo “como”, em “como morte súbita e derrame”, 
introduz uma generalização.
D) o termo “Também” exprime uma justificativa.
E) o termo “fatores” retoma coesivamente “níveis de colesterol 
e de glicose no sangue”.
Exercícios Propostos
01. Indique as relações semânticas estabelecidas pelos conectivos 
em destaque:
I. Como a chuva estava muito forte, não foi possível continuar 
o show;
II. Eu não consegui apresentar o trabalho porque estava muito 
nervosa!;
III. Os manifestantes terão suas reivindicações atendidas, exceto 
se usarem de violência;
IV. Estava doente, mas foi trabalhar;
V. Os brasileiros são tão trabalhadores quanto os norte-
americanos.
A) causa, causa, condição, oposição, comparação.
B) comparação, condição, finalidade, oposição, tempo.
C) causa, causa, conformidade, oposição, condição.
D) finalidade, comparação, tempo, condição, causa.
E) causa, causa, condição, condição, causa.
02. Considere:
Gripado, penso entre espirros em como a palavra 
gripe nos chegou após uma série de contágios entre línguas. 
Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe que disseminou 
pela Europa, além do vírus propriamente dito, dois vocábulos 
virais: o italiano influenza e o francês grippe. O primeiro era 
um termo derivado do latim medieval influentia, que significava 
“influência dos astros sobre os homens”. O segundo era apenas 
a forma nominal do verbo gripper, isto é, “agarrar”. Supõe-se 
que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa 
do organismo infectado. 
RODRIGUES. S. Sobre palavras. Veja, São Paulo, 30 nov. 2011.
 Para se entender o trecho como uma unidade de sentido, 
é preciso que o leitor reconheça a ligação entre seus elementos. 
Nesse texto, a coesão é construída predominantemente 
pela retomada de um termo por outro e pelo uso da elipse. 
O fragmento do texto em que há coesão por elipse do sujeito é:
A) “[...] a palavra gripe nos chegou após uma série de contágios 
entre línguas.”
B) “Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe [...]”.
C) “O primeiro era um termo derivado do latim medieval 
influentia, que significava ‘influência dos astros sobre os 
homens’.”
D) “O segundo era apenas a forma nominal do verbo gripper 
[...]”.
E) “Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o 
vírus se apossa do organismo infectado.”
• Texto para as próximas questões.
Cada um fala como quer, ou como pode, ou como 
acha que pode. Ainda ontem me divertiu este trechinho de 
crônica do escritor mineiro Humberto Werneck, de seu livro 
Esse inferno vai acabar.
“− Meu cabelo está pendoando – anuncia a prima, 
apalpando as melenas. Tenho anos, décadas de Solange, 
mas confesso que ela, com o seu solangês, às vezes me pega 
desprevenido. 
− Seu cabelo está o quê? 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
46
Português
 − Pendoando – insiste ela, e, com a paciência de quem 
explica algo elementar a um total ignorante, traduz: 
 − Bifurcando nas extremidades. 
É assim a Solange, criatura para a qual ninguém morre, 
mas falece, e, quando sobrevém esse infausto acontecimento, 
tem seu corpo acondicionado em um ataúde, em um esquife, 
em um féretro, para ser inumado em alguma necrópole, ou, 
mais recentemente, incinerado em crematório. Cabelo de gente 
assim não se torna vulgarmente quebradiço: pendoa.” 
Isso me fez lembrar uma visita que recebemos em casa, 
eu ainda menino. Amigas da família, mãe e filha adolescente 
vieram tomar um lanche conosco. D. Glorinha, a mãe, 
achava meu pai um homem intelectualizado e caprichava no 
vocabulário. A certa altura pediu ela a mim, que estava sentado 
em uma extremidade da mesa: 
− Querido, pode alcançar-me uma côdea desse pão? 
− Por falta de preparo linguístico não sabia como 
atender a seu pedido. Socorreu-me a filha adolescente: 
− Ela quer uma casquinha do pão. Ela fala sempre assim 
na casa dos outros. 
− A mãe ficou vermelha, isto é, ruborizou, enrubesceu, 
rubificou, e olhou a filha com reprovação, isto é, dardejou-a 
com olhos censórios. 
Veja-se, para concluir, mais um trechinho do Werneck: 
“Você pode achar que estou sendo implicante, metido 
a policiar a linguagem alheia. Brasileiro é assim mesmo, 
adora embonitar a conversa para impressionar os outros. 
Sei disso. Eu próprio já andei escrevendo sobre o que chamei 
de ruibarbosismo: o uso de palavreado rebarbativo como forma 
de, em uma discussão, reduzir ao silêncio o interlocutor ignaro. 
Uma espécie de gás paralisante verbal.” 
Cândido Barbosa Filho, inédito.
03. A mãe ficou vermelha, isto é, ruborizou, enrubesceu, rubificou, 
e olhou a filha com reprovação, isto é, dardejou-a com olhos 
censórios.
 A expressão isto é, nos dois empregos realçados na frase acima,
A) introduz a conclusão de que o significado das falas 
corriqueiras se esclarece mediante uma elaborada sinonímia.
B) inicia a tradução adequada de um enunciado anterior cuja 
significação se mostrara bastante enigmática.
C) funciona como os dois pontos na frase Cabelo de gente 
assim não se torna vulgarmente quebradiço: pendoa.
D) introduz uma enumeração de palavras que seriam evitadas 
pela prima Solange, levando-se em conta o que diz dela o 
cronista Werneck.
E) inicia uma argumentação em favor da simplificação 
da linguagem, de modo a evitar o uso de palavreado 
rebarbativo.
04.“Chega o Ano Novo, mas os nossos grandes problemas estão 
nos velhos hábitos situados naquela zona malandra centrada 
entre o Estado (essa milionária máquina gerencial pública 
com suas regras opostas ao bom-senso) e a sociedade. Nós, 
os cidadãos comuns que não recebemos milionários auxílios-
residência, não temos licença-prêmio ou atrasados a receber e 
nem fomos eleitos para algum cargo público com o propósito 
de usá-lo para virarmos nobres e, melhor que isso, ficarmos 
fora do alcance da lei. Nós, os comuns, não temos emprego – 
temos impostos e trabalho!” 
Roberto DaMatta. O Globo. 04/01/2012.
 Levando em conta as relações de coesão estabelecidas pelas 
palavras destacadas nas alternativas a seguir, assinale a 
afirmativa incorreta:
A) “isso” refere-se, anaforicamente, ao termo “virarmos 
nobres”.
B) “(l)o” recupera, anaforicamente, o termo “cargo público”.
C) “nós” refere-se, cataforicamente, ao termo “cidadãos 
comuns”.
D) “que” retoma, anaforicamente, o termo “cidadãos 
comuns”.
E) “suas” remete, cataforicamente, ao termo “regras opostas”.
05. “Todos querem que nós ____________________.”
 Apenas uma das alternativas completa coerente e 
adequadamente a frase anterior. Assinale-a.
A) desfilando pelas passarelas internacionais.
B) desista da ação contra aquele salafrário.
C) estejamos prontos em breve para o trabalho.
D) recuperássemos a vaga de motorista da firma.
E) tentamos aquele emprego novamente.
Texto
A importância de Rodolfo Coelho Cavalcante para o 
movimento cordelista pode ser comparada à de outros dois 
grandes nomes: Leandro Gomes de Barros − que montou, 
por volta de 1906, a primeira grande folhetaria do Recife, 
praticamente iniciando o gênero − e João Martins de Athayde 
− que em 1921 adquiriu as impressoras, a loja, os títulos dos 
folhetos e a rede de distribuição da folhetaria de Leandro, 
conseguindo expandi-la ainda mais, por todo o Nordeste. 
Rodolfo produziu muito, mas não é sua atividade pessoal como 
autor e comerciante de folhetos que o torna tão importante 
para o movimento cordelista. Tampouco seu trabalho na 
indústria do cordel, que já estava bem firmada quando ele 
apareceu. Nunca, aliás, possuiu impressora própria. Sempre 
mandou fazer seus folhetos. Sua ação foi a favor 
da classe sofrida dos folheteiros, que, em grande número, 
viviam − e vivem − em feiras, mercados, praças e locais de 
peregrinação a escrever e vender seus folhetos, para ganhar a 
vida e sustentar, às vezes, família numerosa. Quando Rodolfo 
surgiu, os cordelistas, considerados como camelôs, eram 
escorraçados, presos e maltratados. Publicando artigos de 
jornal, fazendo contatos com as autoridades, organizando 
congressos, fundando associações e agremiações de classe, 
Rodolfo conseguiu modificar tal situação, dando dignidade 
e representatividade aos cordelistas. Não foi por acaso que a 
Academia Brasileira de Literatura de Cordel no Rio de Janeiro 
acolheu-o como patrono.
Eno Theodoro Wanke. Introdução. 
Rodolfo Coelho Cavalcante. S. Paulo: Hedra, 2000. p. 34-5. Adaptado.
06. Tampouco seu trabalho na indústria do cordel, que já estava 
bem firmada quando ele apareceu. Nunca, aliás, possuiu 
impressora própria. (2º parágrafo)
 Os elementos grifados na frase anterior têm, respectivamente, 
o sentido de:
A) também não − a propósito.
B) não mais que − porém.
C) muito menos − qual seja.
D) tal e qual − portanto.
E) ainda assim − por sinal.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
47
Português
07. Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas 
do período a seguir.
 “Informaram aos candidatos que, ___________ , seguiam a 
comunicação oficial, o resultado e a indicação do local do exame 
médico, e que estariam inteiramente à ________ disposição 
para verificação.”
A) anexo – vossa
B) anexos – sua
C) anexo – sua
D) anexas – vossa
E) anexos – vossa
• Leia o trecho a seguir, de Morte e vida severina, de João Cabral 
de Melo Neto, e responda às questões 08 a 10:
“– Severino retirante,
deixa agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
(…)
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,”
08. Quanto ao gênero literário, é correto afirmar que o fragmento 
lido é:
A) narrativo, que conta em prosa histórias do sertão nordestino.
B) uma peça teatral, desprovido de lirismo e com linguagem 
rústica.
C) bastante poético e marcado por rimas, sem metrificação.
D) uma epopeia, que traduz o desencanto pela vida dura do 
sertão.
E) dramático, que encena conflitos internos do ser humano.
09. Em relação a esse mesmo fragmento, pode-se ainda afirmar 
que
A) trata da impotência do homem frente aos problemas do 
sertão e da cidade.
B) Severino representa todos os homens que são latifundiários.
C) reflete sobre as dificuldades que o homem encontra para 
trabalhar.
D) trata da temática que descarta a morte como solução para 
os problemas.
E) é um texto bem simples e poético sobre o significado do 
amor da época.
10. Na estrofe 
“E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio [...]”
O fio refere-se a:
A) espetáculo.
B) desfiar.
C) vida.
D) resposta.
E) ver.
Aula 13: 
Tipos de Discurso
Ao falarmos em tipos de discurso, aqui, intentamos designar 
especificamente o estudo das vozes que se manifestam numa 
narrativa. Desse modo, ao apontar-se a voz, identifica-se a instância 
que é responsável pela narração de um relato – seja a partir de uma 
perspectiva interna ou externa à obra em que se analisa a presença 
do discurso. Vejamos, portanto, quais são os seus tipos definidos 
e como se caracterizam.
Discurso direto
Em sua aplicação, o narrador delega voz à personagem: 
trata-se de um efeito de realidade. O discurso direto pode aparecer 
pontuado de diversas maneiras, porém o mais frequente é o uso 
do travessão e das aspas, indicando que, naquele ponto, quem 
fala é o personagem, e não o narrador. Pode ser introduzido ou 
não por verbos dicendi ou sentiendi. Os verbos dicendi referem-se 
à maneira pela qual alguém se expressa, quais palavras usa para 
fazê-lo, os verbos que indicam a voz e a expressão oral. Os verbos 
sentiendi ou de sentir são assim chamados por analogia aos dicendi, 
e expressam estados de alma, reações psicológicas, atitudes, 
gestos etc. (por exemplo, suspirar, esbravejar, lamentar, suplicar). 
Observe, no excerto a seguir, o discurso direto que é introduzido 
pela indicação de fala com os traços:
Duas mulheres conversando:
–– Graças a mim, o meu marido ficou milionário!
–– Ué! – estranhou a outra. – Quando vocês se casaram ele 
já não era milionário?
–– Não, quando nos casamos ele era multimilionário!
Sírio Possenti. Os humores da língua. Agenda 2003. 
Campinas: Mercado de Letras, 2003.
Discurso indireto
O discurso indireto tem por finalidade reproduzir a fala da 
personagem por meio do discurso do narrador, ou seja, este diz no 
lugar daquela; trata-se de um efeito de distanciamento. 
Elisiário confessou que estava com sono.
Joaquim Maria Machado de Assis.
Há casos em que o narrador-personagem constrói seu 
próprio discurso indireto:
Engrosso a voz e afirmo que sou estudante.
Graciliano Ramos.
O discurso indireto emprega verbo declarativo (dizer, 
afirmar etc.), conjunção integrante “que” ou “se” e subordinada 
substantiva.
Discurso indireto livre
A voz que narra confunde-se com a da personagem; revela-
se o que a personagem pensa, ou o que ela diz para si mesma, de 
modo que fala ou reflexão da personagem se confundem com a 
própria narração. Esse tipo de discurso não possui a pontuação 
do discurso direto (aspas, travessão, verbo discendi), apresenta-se 
na terceira pessoa, mas uma terceira pessoa que substitui uma 
primeira, fazendo com que as duas instâncias narrativas confluam. 
Aula
13
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
48
Português
É frequente o emprego do pretérito imperfeito (“devia”, “tinha”, 
“havia”), do futurodo pretérito (diria, haveria...), de exclamações 
e de interrogações. Veja o exemplo a seguir:
Afinal para que serviam os soldados amarelos? Deu um 
pontapé na parede, gritou enfurecido. Para que serviam os solados 
amarelos? Os outros presos remexeram-se, o carcereiro chegou à 
grade, e Fabiano acalmou-se.
Graciliano Ramos. Vidas Secas. Rio de Janeiro: Record, 2006, p. 33.
Transformação de discurso
Discurso direto Discurso indireto
Presente do Indicativo
Todos os presentes disseram:
–– Não acreditamos nele.
Imperfeito do Indicativo
Todos os presentes disseram 
Que não acreditavam nele.
Perfeito do Indicativo
O secretário perguntou:
–– Ele não assinou o 
requerimento?
Mais-que-perfeito do 
Indicativo
O secretário perguntou se ele 
não assinara (tinha assinado) o 
requerimento.
Futuro do Presente Futuro do Pretérito
O mecânico garantiu:
–– Eu consertarei o carro.
O mecânico garantiu que 
consertaria meu carro.
Presente do Subjuntivo
–– Duvido de que o senado 
aprove a proposta – disse-lhe o 
deputado.
Imperfeito do Subjuntivo
O deputado disse-lhe que 
duvidava que o senado 
aprovasse a proposta do 
governo. 
Futuro do Subjuntivo
O aluno disse:
–– Só sairei quando José 
chegar.
Imperfeito do Subjuntivo
O aluno disse que só sairia 
quando José chegasse.
Imperativo
–– Passe-me o cartão – 
pediu-me ela.
Imperfeito do Subjuntivo
Ela pediu-me que lhe passasse 
o cartão.
Tab. 1 Verbos.
Discurso direto Discurso indireto
eu, nós, você(s), senhor(a)(s)
O filho afirmou:
–– Eu amo sonhar.
ele(s), ela(s)
O filho afirmou que ele amava 
sonhar. 
meu(s), minha(s), nosso(a)(s)
–– Meus pais participarão da 
passeata – disse a menina. 
seu(s), sua(s), dele(a)(s)
A menina disse que seus pais 
participariam da passeata. 
este(a)(s), isto, isso
–– Isso lhe pertence? – 
perguntou Jonas ao amigo. 
aquele(a)(s), aquilo
Jonas pergunto se aquilo 
pertencia ao amigo.
Tab. 2 Pronomes.
Discurso direto Discurso indireto
ontem, hoje, amanhã
–– Hoje não posso atendê-lo – 
disse o médico.
no dia anterior, naquele dia, 
no dia seguinte
O médico disse que naquele 
dia não podia atendê-lo. 
aqui, cá, aí
–– Não entro mais aqui! – 
afirmou o empregado.
ali, lá
O empregado afirmou que não 
entrava mais ali.
Tab. 3 Advérbios
Exercícios de Fixação
• Leia o texto a seguir para responder às perguntas.
 A PIPOCA
A culinária me fascina. De vez em quando eu até me 
até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente 
com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito 
sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia 
ter o nome de “culinária literária”. Já escrevi sobre as mais 
variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, 
picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, 
sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um 
livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A festa 
de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de 
feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca 
escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e 
teólogo – porque a culinária estimula todas essas funções do 
pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam 
a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, 
que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. 
Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho 
mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples 
molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas 
ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma 
paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha 
mente aconteceu.
Minhas ideias começaram a estourar como pipoca. Percebi, 
então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. 
Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, 
de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a 
mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético 
porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a 
dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma 
panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca 
tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos são o 
pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a 
mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não 
é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria 
devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi 
com a Mãe Stella, sábia poderosa do candomblé baiano: que 
a pipoca é a comida sagrada do candomblé...
A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse 
eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos 
aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de 
me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista do tamanho, 
os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. 
Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que 
teve a ideia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre 
o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem 
ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a 
gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.
Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da 
panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que 
acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam 
em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. 
O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples 
operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para 
os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido 
ver o estouro das pipocas! E o que é que isso tem a ver com o 
candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
49
Português
macia é símbolo da grande transformação porque devem 
passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. 
O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo 
que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos 
nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder 
do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra 
coisa − voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. 
Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho 
de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes 
transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem 
não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São 
pessoas de uma mesmice e dureza assombrosas. Só que elas não 
percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. 
Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança 
numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de 
fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um 
emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, 
ansiedade, depressão – sofrimentos cujas causas ignoramos. 
Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo 
o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande 
transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, 
lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora 
chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em 
si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode 
imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca 
não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo 
poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! − e 
ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, 
que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e 
feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está 
representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição 
é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de 
um jeito para ser de outro. “Morre e transforma-te!” − dizia 
Goethe.
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando 
sobre os piruás com os paulistas descobri que elesignoram o 
que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, 
que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me 
valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. 
Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo 
William, extraordinário professor-pesquisador da Unicamp, 
especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o 
assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma 
explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia 
as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas 
“piruá” é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram 
casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: “Fiquei 
piruá!” Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito 
maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo 
esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir 
coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o 
dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida perde-la-á.” A sua 
presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não 
estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. 
Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar 
alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, 
no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. 
Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que estouraram, são 
adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é 
uma grande brincadeira...
Rubem Alves. Disponível em: <http://www.releituras.com/rubemalves_pipoca.asp>. 
Acesso em: 31 de mai. 2016.
01. (Efomm) Não sei como aconteceu, mas o fato é que houve 
alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e colocá-las 
numa panela sobre o fogo (...).
 A palavra destacada no fragmento anterior não é substituída 
adequadamente por
A) esbagoar.
B) desfiar.
C) desmanchar.
D) desfazer.
E) desgabar.
02. (Efomm) No texto, os grãos duros se transformam em flores 
brancas e macias, uma transformação culinária, da qual o autor 
parte para pensar em outras transformações. Assinale a opção 
em que o autor não traduz a ideia de transformação.
A) Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, 
de forma inesperada e imprevisível.
B) É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como 
borboleta voante.
C) Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!”
D) (...) a ressurreição é o estouro do milho de pipoca.
E) (...) são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem 
que a vida é uma grande brincadeira...
03. (Efomm) Rubem Alves demonstra em sua crônica que o ser 
humano, quando passa por dificuldades, transforma-se em 
uma pessoa melhor. O processo doloroso pode ser revelado 
na passagem:
A) Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que 
com as panelas.
B) Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do 
que o jeito delas serem.
C) A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.
D) É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como 
borboleta voante.
E) (...) sob o ponto de vista do tamanho, os milhos da pipoca 
não podem competir com os milhos normais.
04. (Efomm) Para o autor, se uma pessoa busca uma verdadeira 
metamorfose, faz-se necessário submeter-se a um procedimento 
básico. Assim, para evoluir, o ser humano necessita passar por 
um processo de
A) abjuração. D) rejeição.
B) inconformismo. E) revolta.
C) padecimento.
05. (Efomm) Analise as afirmativas a seguir e assinale a opção 
incorreta.
A) Como tema principal do texto, o autor utiliza a pipoca para 
referir-se às pessoas hipócritas e medíocres que não querem 
se transformar em pessoas melhores e permanecem do 
mesmo jeito a vida toda.
B) O que “une” o significado de “pipoca” e “pensamento” 
semanticamente tão diferentes é a constatação de que elas 
têm algo em comum, ou melhor, o estouro (surgimento) 
inesperado e imprevisível.
C) A pipoca se revela para ele como extraordinário objeto 
poético, pois, ao pensar nela, suas ideias começaram a 
estourar, assim como uma pipoca surge na panela.
D) O autor acrescenta ao texto o sentido religioso da pipoca 
que, como o pão e o vinho cristãos, é um alimento sagrado 
para o Candomblé.
E) Para o autor, a pipoca comida é inspiração que faz sonhar; 
a pipoca comida que estoura são pensamentos que surgem; 
a pipoca comida é o alimento sagrado para o Candomblé, 
assim como o pão e o vinho são para os cristãos.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
50
Português
Exercícios Propostos
01. (Efomm) Minha prima, passada dos quarenta, lamentava:
‘Fiquei piruá!’
 Essa passagem com a transposição do discurso direto para o 
indireto, considerando-se a norma culta, ficaria adequadamente 
organizada na opção:
A) Minha prima, passada dos quarenta, lamentava que ficou 
piruá.
B) Minha prima, passada dos quarenta, lamentava que tinha 
ficado piruá.
C) Minha prima, passada dos quarenta, havia lamentado que 
ficou piruá.
D) Minha prima, passada dos quarenta, lamentava que teria 
ficado piruá.
E) Minha prima, passada dos quarenta, lamentava que ficará 
piruá.
• Leia:
Os meninos deitaram-se e pegaram no sono. Sinhá Vitória 
pediu o binga ao companheiro e acendeu o cachimbo. Fabiano 
preparou um cigarro. Por enquanto estavam sossegados. O 
bebedouro indeciso tornara-se realidade. Voltaram a cochichar 
projetos, as fumaças do cigarro e do cachimbo misturaram-se. 
Fabiano insistiu nos seus conhecimentos topográficos, falou 
no cavalo de fábrica. Ia morrer na certa, um animal tão bom. 
Se tivesse vindo com eles, transportaria a bagagem. Algum 
tempo comeria folhas secas, mas além dos montes encontraria 
alimento verde. Infelizmente pertencia ao fazendeiro – e 
definhava, sem ter quem lhe desse a ração. Ia morrer o amigo, 
lazarento e com esparavões, num canto de cerca, vendo os 
urubus chegarem banzeiros, saltando, os bicos ameaçando-lhe 
os olhos. A lembrança das aves medonhas, que ameaçavam 
com os bicos pontudos os olhos de criaturas vivas, horrorizou 
Fabiano. Se elas tivessem paciência, comeriam tranquilamente 
a carniça. Não tinham paciência, aquelas pestes vorazes que 
voavam lá em cima, fazendo curvas. 
–– Pestes.
02. O discurso indireto livre está presente nesse fragmento de texto. 
Um exemplo dele está na alternativa:
A) Os meninos deitaram-se e pegaram no sono.
B) Voltaram a cochichar projetos, as fumaças do cigarro e do 
cachimbo misturaram-se.
C) A lembrança das aves medonhas, que ameaçavam com 
os bicos pontudos os olhos de criaturas vivas, horrorizou 
Fabiano.
D) Fabiano insistiu nos seus conhecimentos topográficos, falou 
no cavalo de fábrica.
E) Não tinham paciência, aquelas pestes vorazes que voavam 
lá em cima, fazendo curvas.
• Leia:
 HISTÓRIA ESTRANHA
Um homem vem caminhando por um parque quando 
de repente se vê com sete anos de idade. Está com quarenta, 
quarenta e poucos. De repente dá com ele mesmo chutando 
uma bola perto de um banco onde está a sua babá fazendo 
tricô. Não tem a menor dúvida de que é ele mesmo. Reconhece 
a sua própria cara, reconhece o banco e a babá. Tem uma 
vaga lembrança daquela cena. Um dia ele estava jogando bola 
no parque quando de repente aproximou-se um homem e... 
O homem aproxima-se dele mesmo. Ajoelha-se, põe as mãos 
nos seus ombros e olha nos seus olhos. Seus olhos se enchem 
de lágrimas. Sente uma coisa no peito. Que coisa é a vida. 
Que coisa pior ainda é o tempo. Como eu era inocente. 
Como os meus olhos eram limpos. O homem tenta dizer 
alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a 
si mesmo, longamente. Depois sai caminhando, chorando, sem 
olhar para trás. O garoto fica olhando para a sua figura que se 
afasta. Também se reconheceu. E fica pensando, aborrecido: 
quando eu tiver quarenta, quarenta e poucos anos, como eu 
vou ser sentimental!
Luis Fernando Verissimo. Comédias para se ler na escola.
03. O discurso indireto livre é empregado na seguinte passagem:
A) Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo.
B) Reconhece a sua própria cara, reconhece o banco e a babá. 
Tem uma vaga lembrança daquela cena.
C) Um homem vem caminhando por umparque quando de 
repente se vê com sete anos de idade.
D) O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o 
que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente.
E) O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta.
• Leia:
O anúncio luminoso de um edifício em frente, 
acendendo e apagando, dava banhos intermitentes de sangue 
na pele de seu braço repousado, e de sua face. Ela estava 
sentada junto à janela e havia luar; e nos intervalos desse 
banho vermelho ela era toda pálida e suave. Na roda havia 
um homem muito inteligente que falava muito; havia seu 
marido, todo bovino; um pintor louro e nervoso; uma senhora 
recentemente desquitada, e eu. Para que recensear a roda que 
falava de política e de pintura? Ela não dava atenção a ninguém. 
Quieta, às vezes sorrindo quando alguém lhe dirigia a palavra, 
ela apenas mirava o próprio braço, atenta à mudança da cor. 
Senti que ela fruía nisso um prazer silencioso e longo. “Muito!”, 
disse quando alguém lhe perguntou se gostara de um certo 
quadro - e disse mais algumas palavras; mas mudou um pouco 
a posição do braço e continuou a se mirar, interessada em si 
mesma, com um ar sonhador.
Rubem Braga. A mulher que ia navegar.
04. Considere: “‘Muito!’, disse quando alguém lhe perguntou se 
gostara de um certo quadro.” 
 Se a pergunta a que se refere o trecho fosse apresentada em 
discurso direto, a forma verbal correspondente a “gostara” 
seria
A) gostasse. D) gostará.
B) gostava. E) gostaria.
C) gostou.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
51
Português
05. Assinale a alternativa que melhor complete o seguinte trecho:
 No plano expressivo, a força da ____________ em _____________ 
provém essencialmente de sua capacidade de _____________ o 
episódio, fazendo ______________ da situação a personagem, 
tornando-a viva para o ouvinte, à maneira de uma cena de 
teatro __________ o narrador desempenha a mera função de 
indicador de falas.
A) narração – discurso indireto – enfatizar – ressurgir – onde.
B) narração – discurso onisciente – vivificar – demonstrar-se – donde.
C) narração – discurso direto – atualizar – emergir – em que.
D) narração – discurso indireto livre – humanizar – imergir – na 
qual.
E) dissertação – discurso direto e indireto – dinamizar – 
protagonizar – em que.
Texto I
Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, 
de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão 
científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina 
fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de 
dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física. William 
Blake* sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a 
mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. 
Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça 
ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que 
vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia 
à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho 
para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo. 
Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho 
para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e 
não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
Rubem Alves. A complicada arte de ver. Folha de S.Paulo, 26.10.2004.
* William Blake (1757-1827) foi poeta romântico, pintor e gravador 
inglês. Autor dos livros de poemas Song of Innocence e Gates 
of Paradise.
06. No último parágrafo do texto há um exemplo de discurso
A) indireto livre. 
B) indireto.
C) de autoridade. 
D) direto.
E) de injunção.
Texto II
Na semana passada, ouvi uma senhora suspirar: –– “Tudo 
anda tão confuso!”. E, de fato, o homem moderno é um pobre 
ser dilacerado de perplexidades. Nunca se duvidou tanto. Outro 
dia, um diplomata português perguntou se a mulher bonita era 
realmente bonita. Respondi-lhe: –– “Às vezes”. Já escrevi umas 
cinquenta vezes que a grã-fina é a falsa bonita. Seu penteado, 
seus cílios, seus vestidos, seu decote, sua maquiagem, suas joias – 
tudo isso não passa de uma minuciosa montagem. E se olharmos 
bem, veremos que sua beleza é uma fraude admirável. Todos se 
iludem, menos a própria. No terreno baldio, e sem testemunhas, 
ela há de reconhecer que apenas realiza uma imitação de beleza. 
Portanto, a pergunta do diplomata português tem seu cabimento. 
E minha resposta também foi justa. Às vezes, a mulher bonita 
não é bonita, como a grã-fina. Mesmo as que são bem-dotadas 
fisicamente têm suas dúvidas.
Crônica de Nelson Rodrigues 
07. Reescrevendo-se o trecho um diplomata português perguntou 
se a mulher bonita era realmente bonita em discurso direto, 
tem-se, corretamente:
A) Um diplomata português perguntou: – Se a mulher bonita 
era realmente bonita?
B) Um diplomata português perguntou: – Quando a mulher 
bonita é realmente bonita?
C) Um diplomata português perguntou se: – A mulher bonita 
era realmente bonita?
D) Um diplomata português perguntou: – E se a mulher bonita 
for realmente bonita?
E) Um diplomata português perguntou: – A mulher bonita é 
realmente bonita?
08. Leia o trecho:
“Virgília recebeu-me com esta graciosa palavra: 
– O senhor hoje há de valsar comigo”. 
Iniciando a frase anterior com “Virgília recebeu-me”, e 
transpondo o discurso direto para o discurso indireto, a forma 
correta para completar o fragmento, sem alteração do sentido 
original, é:
A) acrescentando, graciosa, que eu, naquele dia, haveria de 
valsar com ela.
B) ao exclamar graciosamente que - O senhor hoje há de valsar 
comigo!
C) dizendo com graça que eu, naquele dia, havia de valsar com 
ela.
D) sugerindo, graciosa, que a personagem devia valsar com ela 
naquela hora.
E) declarando, com graça, que “o senhor tinha de valsar 
comigo” naquele dia.
09. Leia:
“Impossível dar cabo daquela praga. Estirou os 
olhos pela campina, achou-se isolado. Sozinho num mundo 
coberto de penas, de aves que iam comê-lo. Pensou na 
mulher e suspirou. Coitada de Sinhá Vitória, novamente nos 
descampados, transportando o baú de folha.”
O narrador desse texto mistura-se de tal forma à 
personagem que dá a impressão de que não há diferença entre 
eles. A personagem fala misturada à narração. Esse discurso 
é chamado:
A) discurso indireto livre.
B) discurso direto.
C) discurso indireto.
D) discurso sem narrador.
E) discurso do personagem.
10. Sobre o discurso indireto, é incorreto afirmar:
A) No discurso indireto, o narrador utiliza suas próprias palavras 
para reproduzir a fala de um personagem.
B) O narrador é o porta-voz das falas e dos pensamentos das 
personagens.
C) Normalmente é escrito na terceira pessoa. As falas são 
iniciadas com o sujeito, mais o verbo de elocução seguido 
da fala da personagem.
D) No discurso indireto as personagens são conhecidas através 
de seu próprio discurso, ou seja, através de suas próprias 
palavras.
E) É recorrente o uso da conjunção “que”. 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
52
Português
Aula 14: 
Funções da Linguagem
Em seu Manual de Semântica, Mônica Rector esclarece 
que o termo “Função vem do latim functione, que significa 
execução de um encargo”. Dessa maneira, diz a linguista, seria 
adequado considerar que as funções da linguagem seriam 
instrumentos executores subordinados às múltiplas exigências a 
que a linguagem tem de se adaptar para ser o suporte efetivo 
da comunicação. Ou seja, as funções seriam os diversos trajes 
de que a linguagem se reveste de acordo com a intenção da 
mensagem que se quer transmitir. O estudos das funções é de 
grande importância para a Literatura e para a Língua Portuguesa, 
a sua cobrança nos exames vestibulares é uma prova disso. O 
seu entendimento passa pela correlação com a chamada teoria 
da comunicação. Observe o esquema a seguir:
Receptor 
Função 
Conativa
Emissor 
Função 
Emotiva
Referente
Função Referencial
Mensagem
Função Poética
Código
Função Metalinguística
Canal
Função Fática
• Emissor: quem emite a mensagem (indivíduo ou grupo).
• Receptor: quem recebe a mensagem(indivíduo ou grupo).
• Mensagem: conteúdo das informações transmitidas.
• Canal de comunicação: é a via de circulação das mensagens 
(meios técnicos: voz, ondas sonoras, ouvido, excitação luminosa 
etc).
• Código: é um conjunto de signos e regras de combinação destes 
signos (Língua Portuguesa, código Morse etc.).
Descrição das funções da linguagem
Função emotiva (ou expressiva)
Centralizada no emissor, a função emotiva expressa a sua 
atitude em relação ao conteúdo da mensagem e da situação. É 
o caso da interjeição com valor emotivo, julgamentos subjetivos 
(uso da primeira pessoa), entonações características, reticências e 
apostos.
Nota-se a presença dessa função principalmente nos textos 
poéticos, nos quais o eu-lírico dá vazão aos seus sentimentos e 
emoções; em cartas de caráter pessoal, nas quais o destinador coloca 
os seus juízos de valor e seus sentimentos; em textos impressionistas, 
nos quais a visão de mundo do emissor é colocada no modo de 
retratar uma dada realidade; em textos analíticos, nos quais o crítico 
dá sua opinião sobre o objeto discutido. 
Aula
14
Função apelativa (ou conativa)
Centralizada no receptor, essa função procura estabelecer 
um diálogo direto com o destinatário da comunicação (o receptor, 
emprego da segunda pessoa do discurso). É frequente o uso de 
demonstrativos, possessivos de segunda pessoa, imperativos e 
vocativos. Você encontrará com muita facilidade essa função em 
textos publicitários, em cartas de caráter profissional e em discursos 
políticos.
Função poética
A função poética suplementa o sentido da mensagem por 
meio do jogo de sua estrutura, de seu ritmo e de sua sonoridade; 
dá-se maior ênfase à forma e estrutura. É comum o uso de figuras 
de linguagem (pode ser empregada na prosa ou na poesia) e jogos 
de palavras. Essa função está presente na poesia, mas também é 
comum seu emprego em romances (a prosa-poética, por exemplo, 
de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos etc.), anúncios publicitários, 
entre outros tipos de texto. 
Função referencial (denotativa ou informativa)
Centralizada no referente, essa função remete-se aos 
referentes situacionais ou textuais, trata-se de uma ênfase ao 
assunto. O contexto – ou referente – é o objeto sobre o qual se fala. 
Observa-se seu emprego nos livros didáticos, nas bulas de remédio, 
nos manuais de instrução, placas informativas etc. Sua função é 
informar, por isso o uso preferencialmente da terceira pessoa (a 
objetividade predomina).
Não se percebe nem a presença do destinador, nem do 
destinatário; a neutralização de ambos é intencional, a objetividade 
não é obra do acaso. Se a função emotiva está centrada no “eu”, 
a conativa no “tu”, a referencial – também chamada “denotativa” 
ou “informativa” – está centrada no “ele” neutro, equivalente a 
um “isso”.
Função fática
Serve para prolongar, interromper a comunicação e verificar 
se o canal funciona. O canal é a conexão entre os indivíduos 
envolvidos na comunicação, ele possibilita que os indivíduos se 
comuniquem. Quando se diz “olá, como vai?”, a finalidade é 
estabelecer o primeiro contato; quando se fala ao microfone “Som, 
som, testando”, o emissor quer saber se o canal funciona; são 
exemplos de emprego dessa função da linguagem. Em síntese, essa 
função tem o objetivo de instaurar ou manter o contato.
Função metalinguística
Centralizada no código, a função metalinguística serve para 
dar explicações ou precisar o código utilizado. Os dicionários e as 
nomenclaturas utilizadas na ciência (objeto direto, por exemplo) 
possuem essa finalidade (a linguagem fala da própria linguagem). 
Temos metalinguagem pictórica (pintura), televisiva, teatral, 
cinematográfica etc. O filme Cinema Paradiso, por exemplo, é 
exemplo de metalinguagem cinematográfica, pois é um filme que 
comenta a estrutura cinematográfica. 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
53
Português
Exercícios de Fixação
• Considere o texto a seguir para responder às questões que 
seguem.
 UM CINTURÃO
As minhas primeiras relações com a justiça foram 
dolorosas e deixaram-me funda impressão. Eu devia ter quatro 
ou cinco anos, por aí, e figurei na qualidade de réu. Certamente 
já me haviam feito representar esse papel, mas ninguém me 
dera a entender que se tratava de julgamento. Batiam-me 
porque podiam bater-me, e isto era natural.
Os golpes que recebi antes do caso do cinturão, 
puramente físicos, desapareciam quando findava a dor. Certa 
vez minha mãe surrou-me com uma corda nodosa que me 
pintou as costas de manchas sangrentas. Moído, virando a 
cabeça com dificuldade, eu distinguia nas costelas grandes 
lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos 
molhados com água de sal – e houve uma discussão na família. 
Minha avó, que nos visitava, condenou o procedimento da 
filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à toa, sem querer. 
Não guardei ódio a minha mãe: o culpado era o nó. Se não 
fosse ele, a flagelação me haveria causado menor estrago. 
E estaria esquecida. A história do cinturão, que veio pouco 
depois, avivou-a.
Meu pai dormia na rede, armada na sala enorme. 
Tudo é nebuloso. Paredes extraordinariamente afastadas, rede 
infinita, os armadores longe, e meu pai acordando, levantando-
se de mau humor, batendo com os chinelos no chão, a cara 
enferrujada.
Naturalmente não me lembro da ferrugem, das rugas, 
da voz áspera, do tempo que ele consumiu rosnando uma 
exigência. Sei que estava bastante zangado, e isto me trouxe 
a covardia habitual.
Desejei vê-lo dirigir-se a minha mãe e a José Baía, pessoas 
grandes, que não levavam pancada. Tentei ansiosamente fixar-
me nessa esperança frágil. A força de meu pai encontraria 
resistência e gastar-se-ia em palavras.
Débil e ignorante, incapaz de conversa ou defesa, fui 
encolher-me num canto, para lá dos caixões verdes. Se o pavor 
não me segurasse, tentaria escapulir-me: pela porta da frente 
chegaria ao açude, pela do corredor acharia o pé de turco. 
Devo ter pensado nisso, imóvel, atrás dos caixões. Só queria 
que minha mãe, sinhá Leopoldina, Amaro e José Baía surgissem 
de repente, me livrassem daquele perigo.
Ninguém veio, meu pai me descobriu acocorado e sem 
fôlego, colado ao muro, e arrancou-me dali violentamente, 
reclamando um cinturão. Onde estava o cinturão? Eu não 
sabia, mas era difícil explicar-me: atrapalhava-me, gaguejava, 
embrutecido, sem atinar com o motivo da raiva. Os modos brutais, 
coléricos, atavam-me; os sons duros morriam, desprovidos de 
significação.
Não consigo reproduzir toda a cena. Juntando vagas 
lembranças dela a fatos que se deram depois, imagino os berros 
de meu pai, a zanga terrível, a minha tremura infeliz.
Provavelmente fui sacudido. O assombro gelava-me o 
sangue, escancarava-me os olhos.
Onde estava o cinturão? Impossível responder. Ainda 
que tivesse escondido o infame objeto, emudeceria, tão 
apavorado me achava.
Situações deste gênero constituíram as maiores torturas 
da minha infância, e as consequências delas me acompanharam.
O homem não me perguntava se eu tinha guardado a 
miserável correia: ordenava que a entregasse imediatamente. 
Os seus gritos me entravam na cabeça, nunca ninguém se 
esgoelou de semelhante maneira.
Onde estava o cinturão? Hoje não posso ouvir uma 
pessoa falar alto. O coração bate-me forte, desanima, como se 
fosse parar, a voz emperra, a vista escurece, uma cólera doida 
agita coisas adormecidas cá dentro. A horrível sensação de que 
me furam os tímpanos com pontas de ferro.
Onde estava o cinturão? A pergunta repisada ficou-me 
na lembrança: parece que foi pregada a martelo.
A fúria louca ia aumentar, causar-me sério desgosto. 
Conservar-me-ia ali desmaiado, encolhido, movendo os dedos 
frios, os beiços trêmulos e silenciosos. Se o moleque José ou um 
cachorro entrasse na sala, talvez as pancadas se transferissem. 
O moleque e os cachorros eram inocentes, mas não se tratava 
disto.
Responsabilizando qualquer deles, meu pai me esqueceria, 
deixar-me-ia fugir, esconder-me na beira do açude ou no quintal. 
Minha mãe, José Baía,Amaro, sinhá Leopoldina, o moleque e os 
cachorros da fazenda abandonaram-me. Aperto na garganta, a 
casa a girar, o meu corpo a cair lento, voando, abelhas de todos os 
cortiços enchendo-me os ouvidos – e, nesse zunzum, a pergunta 
medonha. Náusea, sono. Onde estava o cinturão?
Dormir muito, atrás de caixões, livre do martírio. Havia 
uma neblina, e não percebi direito os movimentos de meu 
pai. Não o vi aproximar-se do torno e pegar o chicote. A mão 
cabeluda prendeu-me, arrastou-me para o meio da sala, a folha 
de couro fustigou-me as costas. Uivos, alarido inútil, estertor. 
Já então eu devia saber que gogos e adulações exasperavam o 
algoz. Nenhum socorro. José Baía, meu amigo, era um pobre-
diabo. Achava-me num deserto. A casa escura, triste; as pessoas 
tristes. Penso com horror nesse ermo, recordo-me de cemitérios 
e de ruínas malassombradas.
Cerravam-se as portas e as janelas, do teto negro 
pendiam teias de aranha. Nos quartos lúgubres minha irmãzinha 
engatinhava, começava a aprendizagem dolorosa.
Junto de mim, um homem furioso, segurando-me um 
braço, açoitando-me. Talvez as vergastadas não fossem muito 
fortes: comparadas ao que senti depois, quando me ensinaram 
a carta de A B C, valiam pouco. Certamente o meu choro, os 
saltos, as tentativas para rodopiar na sala como carrapeta eram 
menos um sinal de dor que a explosão do medo reprimido. 
Estivera sem bulir, quase sem respirar. Agora esvaziava os 
pulmões, movia-me num desespero.
O suplício durou bastante, mas, por muito prolongado 
que tenha sido, não igualava a mortificação da fase preparatória: 
o olho duro a magnetizar-me, os gestos ameaçadores, a voz 
rouca a mastigar uma interrogação incompreensível.
Solto, fui enroscar-me perto dos caixões, coçar as 
pisaduras, engolir soluços, gemer baixinho e embalar-me com 
os gemidos. Antes de adormecer, cansado, vi meu pai dirigir-se à 
rede, afastar as varandas, sentar-se e logo se levantar, agarrando 
uma tira de sola, o maldito cinturão, a que desprendera a fivela 
quando se deitara.
Resmungou e entrou a passear agitado. Tive a impressão 
de que ia falar-me: baixou a cabeça, a cara enrugada serenou, 
os olhos esmoreceram, procuraram o refúgio onde me abatia, 
aniquilado.
Pareceu-me que a figura imponente minguava – e a minha 
desgraça diminuiu. Se meu pai se tivesse chegado a mim, eu o 
teria recebido sem o arrepio que a presença dele sempre me deu.
Não se aproximou: conservou-se longe, rondando, 
inquieto. Depois se afastou.
Sozinho, vi-o de novo cruel e forte, soprando, 
espumando. E ali permaneci, miúdo, insignificante, tão 
insignificante e miúdo como as aranhas que trabalhavam na 
telha negra.
Foi esse o primeiro contato que tive com a justiça.
Graciliano Ramos
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
54
Português
01. (Efomm) O texto apresenta uma criança
A) conformada com a pobreza em que vive com a família.
B) amada pelos pais, mas em alguns momentos mostrada como
rebelde.
C) feliz, porém repreendida quando aborrecia seus pais.
D) desprezada não só pela mãe dela como também pela avó.
E) solitária, evocando uma imagem de constante sofrimento.
02. (Efomm) A partir da leitura de Um Cinturão, é incorreta a afirmação:
A) O autor retrata as experiências infantis do menino-narrador.
B) O conto se centra no menino e na violência que enfrentou.
C) O texto é caracterizado pelo inter-relacionamento entre as
condições sociais e psicológicas das personagens.
D) A avó repudiava as atitudes do pai do personagem.
E) O foco narrativo do texto é em 1ª pessoa e num tom
confessional.
03. (Efomm) Nas passagens a seguir, há evidência de o autor-
-personagem ser uma criança quando se deu o fato. A única
passagem que não contém esse indício está na opção:
A) Desejei vê-lo dirigir-se a minha mãe e a José Baía, pessoas
grandes, que não levavam pancada.
B) Situações deste gênero constituíram as maiores torturas da
minha infância, e as consequências delas me acompanharam.
C) As minhas primeiras relações com a justiça foram dolorosas e
deixaram-me funda impressão. Eu devia ter quatro ou cinco 
anos, por aí, e figurei na qualidade de réu.
D) Débil e ignorante, incapaz de conversa ou defesa, fui encolher-me
num canto, para lá dos caixões verdes.
E) O suplício durou bastante, mas, por muito prolongado que
tenha sido, não igualava a mortificação da fase preparatória:
o olho duro a magnetizar-me, os gestos ameaçadores, a voz
rouca (...).
04. (Efomm) No que diz respeito ao mecanismo de coesão utilizado, 
a palavra retomada não está indicada corretamente na opção:
A) Minha avó, que nos visitava, condenou o procedimento da
filha e esta afligiu-se. – a mãe da criança.
B) Se não fosse ele, a flagelação me haveria causado menor
estrago. – o ódio.
C) O homem não me perguntava se eu tinha guardado a
miserável correia (...). – o pai da criança.
D) Responsabilizando qualquer deles, meu pai me esqueceria
(...). – o moleque e os cachorros.
E) Pareceu-me que a figura imponente minguava (...). – o pai
da criança.
• Considere o texto a seguir para as próximas questões.
SUCESSO TEM FÓRMULA 
“Serve para toda competição: qualidade valorizada, 
seleção dos melhores, prática obsessiva e persistência. Quem 
aplicar essa receita terá os mesmos resultados” 
Durante séculos, a Inglaterra dominou os mares e, 
dessa forma, muito mais do que os mares. Para isso tinha 
os melhores navios. E, para tê-los, precisava de excelentes 
carpinteiros navais (...). 
A Revolução Industrial tardia da Alemanha foi 
alavancada pela criação do mais respeitado sistema de formação 
técnica e vocacional do mundo (...). 
Assim como temos a Olimpíada para comparar os atletas 
de diferentes países, existe a Olimpíada do Conhecimento 
(World Skills International). É iniciativa das nações altamente 
industrializadas, que permite cotejar diversos sistemas de 
formação profissional. Compete-se nos ofícios centenários, 
como tornearia e marcenaria, mas também em desenho de 
websites ou robótica. 
Em 1982, um país novato nesses misteres se atreveu 
a participar dessa Olimpíada: o Brasil, por meio do SENAI. E 
lá viu o seu lugar, pois não ganhou uma só medalha. Mas em 
1985 conseguiu chegar ao 13º lugar. Em 2001 saltou para o 
sexto. Aliás, é o único país do Terceiro Mundo a participar, 
entra ano e sai ano. 
Em 2007 tirou o segundo lugar. Em 2009 tirou o 
terceiro, competindo com 539 alunos, de sete estados, em 44 
ocupações. É isso mesmo, os graduados do SENAI, incluindo 
alunos de Alagoas, Goiás e Rio Grande do Norte, conseguiram 
colocar o Brasil como o segundo e o terceiro melhor do mundo 
em formação profissional! (...) 
Deve haver um segredo para esse resultado que mais 
parece milagre, quando consideramos que o Brasil, no Programa 
Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), por pouco escapa 
de ser o último. Mas nem há milagres nem tapetão. Trata-se 
de uma fórmula simples, composta de quatro ingredientes. 
Em primeiro lugar, é necessário ter um sistema de 
formação profissional hábil na organização requerida para 
preparar milhões de alunos e que disponha de instrutores 
competentes e capazes de ensinar em padrões de Primeiro 
Mundo.(...) 
Em segundo lugar, cumpre selecionar os melhores 
candidatos para a Olimpíada. O princípio é simples (mas a 
logística é diabolicamente complexa). Cada escola do SENAI faz 
um concurso, para escolher os vencedores em cada profissão. 
Esse time participa então de uma competição no seu estado. 
Por fim, os times estaduais participam de uma Olimpíada 
nacional. Dali se pescam os que vão representar o Brasil. É a 
meritocracia em ação. 
Em terceiro lugar, o processo não para aí. O time 
vencedor mergulha em árduo período de preparação, por 
mais de um ano. Fica inteiramente dedicado às tarefas de 
aperfeiçoar seus conhecimentos da profissão. É acompanhado 
pelos mais destacados instrutores do SENAI, em regime de 
tutoria individual. 
Em quarto, é preciso insistir, dar tempo ao tempo. Para 
passar do último lugar, em 1983, para o segundo, em 2007, 
transcorreram 22 anos. Portanto, a persistênciaé essencial. Essa 
quádrupla fórmula garantiu o avanço progressivo do Brasil nesse 
certame no qual apenas cachorro grande entra. (...) 
A fórmula serve para toda competição: qualidade 
valorizada, seleção dos melhores, prática obsessiva e 
persistência. Quem aplicar essa receita terá os mesmos 
resultados.
Revista Veja
05. O texto apresenta ingredientes da fórmula do sucesso, porém
um desses ingredientes não está diretamente relacionado à
aquisição prévia de conhecimentos. Esse ingrediente é a(o)
A) formação profissional.
B) qualidade valorizada.
C) seleção dos melhores.
D) aperfeiçoamento de conhecimentos.
E) persistência.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
55
Português
Exercícios Propostos
01. O resgate de momentos históricos no 1º e 2º parágrafos do 
texto é utilizado com a finalidade prioritária de
A) noticiar as novas descobertas relacionadas ao assunto em 
questão.
B) ampliar nossos conhecimentos relacionados à construção 
de navios.
C) mostrar que há muito tempo o sucesso tem fórmula.
D) apresentar dados estatísticos sobre resultados do passado.
E) minimizar o papel do profissional frente aos resultados.
02. Leia a seguir:
A linguagem
na ponta da língua
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele e quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquemáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
Ja esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a priminha.
O português são dois; o outro, mistério.
Carlos Drummond de Andrade. Esquecer para lembrar. 
Rio de Janeiro: José Olympio, 1979.
 Explorando a função emotiva da linguagem, o poeta expressa 
o contraste entre marcas de variação de usos da linguagem em
A) situações formais e informais.
B) diferentes regiões dos pais.
C) escolas literárias distintas.
D) textos técnicos e poéticos.
E) diferentes épocas.
03. Leia as passagens a seguir, extraídas de São Bernardo, de 
Graciliano Ramos:
I. “Resolvi estabelecer-me aqui na minha terra, município 
de Viçosa, Alagoas, e logo planeei adquirir a propriedade 
S. Bernardo, onde trabalhei, no eito, com salário de cinco 
tostões”;
II. “Uma semana depois, à tardinha, eu, que ali estava 
aboletado desde meio-dia, tomava café e conversava, 
bastante satisfeito”;
III. “João Nogueira queria o romance em língua de Camões, 
com períodos formados de trás para diante”;
IV. “Já viram como perdemos tempo em padecimentos inúteis? 
Não era melhor que fôssemos como os bois? Bois com 
inteligência. Haverá estupidez maior que atormentar-se um 
vivente por gosto? Será? Não será? Para que isso? Procurar 
dissabores! Será? Não será?”;
V. “Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, 
seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios 
naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. 
Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia”.
 Assinale a alternativa em que ambas as passagens demonstram 
o exercício de metalinguagem em São Bernardo:
A) III e V.
B) I e II.
C) I e IV.
D) III e IV.
E) II e V.
• Considere os trechos a seguir para responder à questão 
seguinte:
 Texto I
Perante a Morte empalidece e treme,
Treme perante a Morte, empalidece.
Coroa-te de lágrimas, esquece
O Mal cruel que nos abismos geme.
Cruz e Souza. Perante a morte.
 Texto II 
Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende o cobarde do forte;
Pois choraste, meu filho não és!
(Gonçalves Dias, I Juca Pirama.)
 Texto III
Corrente, que do peito destilada,
Sois por dous belos olhos despedida;
E por carmim correndo dividida,
Deixais o ser, levais a cor mudada.
Gregório de Matos. Aos mesmos sentimentos.
 Texto IV
Chora, irmão pequeno, chora,
Porque chegou o momento da dor.
A própria dor é uma felicidade...
Mário de Andrade. Rito do irmão pequeno.
 Texto V 
Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira
é esta,
Que impudente na gávea tripudia?!...
Silêncio! ...Musa! Chora, chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto...
Castro Alves. O navio negreiro.
04. Dois dos cinco textos transcritos expressam sentimentos 
de incontida revolta diante de situações inaceitáveis. Esse 
transbordamento sentimental se faz por meio de frases e 
recursos linguísticos que dão ênfase à função emotiva e à 
função conativa da linguagem. Esses dois textos são:
A) I e IV.
B) II e III.
C) II e V.
D) III e V.
E) IV e V.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
56
Português
• Considere o poema a seguir.
 DE GRAMÁTICA E DE LINGUAGEM
E havia uma gramática que dizia assim:
“Substantivo (concreto) é tudo quanto indica
Pessoa, animal ou cousa: João, sabiá, caneta”.
Eu gosto é das cousas. As cousas, sim!...
As pessoas atrapalham. Estão em toda parte. 
Multiplicam-se em excesso.
As cousas são quietas. Bastam-se. Não se metem 
com ninguém.
Uma pedra. Um armário. Um ovo. (Ovo, nem sempre,
Ovo pode estar choco: é inquietante...)
As cousas vivem metidas com as suas cousas.
E não exigem nada.
Apenas que não as tirem do lugar onde estão.
E João pode neste mesmo instante vir bater à nossa 
porta.
Para quê? não importa: João vem!
E há de estar triste ou alegre, reticente ou falastrão.
Amigo ou adverso... João só será definitivo
Quando esticar a canela. Morre, João...
Mas o bom, mesmo, são os adjetivos,
Os puros adjetivos isentos de qualquer objeto.
Verde. Macio. Áspero. Rente. Escuro. Luminoso.
Sonoro. Lento. Eu sonho
Com uma linguagem composta unicamente de 
adjetivos
Como decerto é a linguagem das plantas e dos 
animais.
Ainda mais:
Eu sonho com um poema
Cujas palavras sumarentas escorram
Como a polpa de um fruto maduro em tua boca,
Um poema que te mate de amor
Antes mesmo que tu saibas o misterioso sentido:
Basta provares o seu gosto...
05. Observe os pares de versos:
“Substantivo (concreto) é tudo quanto indica
Pessoa, animal ou cousa: João, sabiá, caneta.”
“Antes mesmo que tu saibas o misterioso sentido:
Basta provares o seu gosto...”
 Considerando-se o título e os sentidos propostos no poema, é 
correto afirmar sobre os versos que
A) o primeiro par remete à ideia de gramática; o segundo, à 
ideia de linguagem. Neles predominam, respectivamente, a 
função metalinguística e a apelativa.
B) ambos os pares remetem à ideia de gramática; portanto, 
neles predomina a função metalinguística.
C) o primeiro par remete à ideia de gramática; o segundo, à 
ideia de linguagem. Nos dois pares, predomina a função 
referencial.
D) ambos os pares remetem à ideia de linguagem. No primeiro, 
a função é metalinguística; no segundo, referencial.
E) o primeiro par remete à ideia de linguagem; o segundo, à 
ideia de gramática. Em ambos os pares, estão presentes as 
funções apelativa e referencial.
• Leia o poema:
FORA DE SI
eu fico louco
eu fico fora de si
eu fica assim
eu fica fora de mim
eu fico um pouco
depois eu saio daqui
eu vai embora
eu fico fora de si
eu fico oco
eu fica bem assim
eu fico sem ninguém em mim
06. A leitura do poema permite afirmar corretamente que o poeta 
explora a ideia de
A) buscar a completude no Outro, conforme atesta a função 
apelativa, reforçando que o Eu, quando fora de si, 
necessariamente se funde com o Outro.
B) sair de sua criação artística, retratando, pela função poética, 
a contradição do fazer literário, que não atinge o poeta.
C) perder a noção de si mesmo, e também perder a noção das 
outras pessoas, o que se mostra num poema metalinguístico.
D) extravasar o seu sentimento, como denuncia a função 
emotiva, reafirmando a situação de desencanto e desengano 
do poeta.
E) criar literariamente como brincar com as palavras, o que se 
pode comprovar pela função fática da linguagem.
07. Assinale a opção em que a manchete de jornal está mais em 
acordo com os cânones da ‘‘objetividade jornalística’’:
A) O mestre do samba volta em grande forma (O Estado de 
S. Paulo, 17/7/1999.)
B) O pior do sertão na festa dos 500 anos (O Estado de 
S. Paulo, 17/7/1999.)
C) Proteínadireciona células no cérebro (Folha de S. Paulo, 
24/7/1999.)
D) A farra dos juros saiu mais cara que a da casa própria (Folha 
de S. Paulo, 13/6/1999.)
E) Dono de telas ‘‘falsas’’ diz existir ‘‘armação’’ (O Estado de 
S. Paulo, 21/7/1999.)
08. Nos trechos citados a seguir, a linguagem figurada SÓ NÃO se 
faz presente em:
A) A origem das matérias está na pauta das edições de domingo, 
quando o número maior de páginas, em proporção ao 
espaço mais amplo dedicado aos anúncios, exige/permite 
a inserção de artigos e reportagens de análise produzidas 
durante a semana.
B) Enquanto um vende esperança, o outro prefere pintar um 
quadro sombrio. Chego a pensar que o sucesso de um as 
aperturas do outro influenciaram a escolha dos repórteres 
e editores.
C) O Globo engorda o seu otimismo com percentuais positivos, 
seu concorrente preenche toda uma página com relatos de 
desempregados e demonstrativos de que a classe média foi 
a mais atingida.
D) A escola deve se transformar em uma extensão sem muros 
e sem cercas elétricas do mundo de textos que a rodeia.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
57
Português
• Leia o texto:
 SELINHO, SIM, MAS SÓ PARA POUCOS
Primeiro, Hebe Camargo, toda animada, pediu a 
Sílvio Santos um “selinho” (beijinho). Não ganhou: “Nem 
selinho, nem selo, nem selão”, ouviu dele, categórico. Em 
seguida, Gilberto Gil entrou no palco, de mão estendida para 
cumprimentá-lo. O que fez o apresentador? Disse “selinho”, 
esticou os lábios e zás - tascou um beijinho na boca do músico. 
A cena foi ao ar de madrugada, no encerramento do Teleton, 
a Maratona beneficente exibida pelo SBT. Gil ficou surpreso. 
Hebe fingiu brabeza e Sílvio riu muito. “Tirei uma onda, foi só 
uma bicotinha”, diz ele. “Tudo tem uma primeira vez”.
Veja, 07.11.2001, pág. 101.
09. Considerando a situação em que a expressão “Tirei uma onda” 
foi dita pelo apresentador Sílvio Santos, pode-se entender que 
ele
A) fez uma brincadeira com o músico.
B) ofendeu os artistas e o público.
C) quis deixar o público horrorizado.
D) pretendeu magoar Hebe Camargo.
E) não teve ideia da repercussão da sua atitude.
• Leia.
Senhor feudal
Se Pedro Segundo
Vier aqui
Com história
Eu boto ele na cadeia.
Oswald de Andrade
10. No contexto, a expressão “com história”, significa
A) um colóquio de intelectuais.
B) uma conversa fiada.
C) um comunicado urgente.
D) uma prosa de amigos.
E) um diálogo sério.
Aula 15: 
Metalinguagem
A palavra metalinguagem, formada com o prefixo grego 
meta, que expressa as ideias de comunidade ou participação, mistura 
ou intermediação e sucessão, designa a linguagem que se debruça 
sobre si mesma. Por extensão, diz-se também: metadiscurso, 
metaliteratura, metapoema e metanarrativa.
Em seu estudo sobre as funções da linguagem, Roman 
Jakobson (1974) considera “função metalinguística” quando a 
linguagem fala acerca da própria linguagem, voltando-se para si 
mesma. Ou seja, existe uma relação em que se usa um código para 
explicar ou explorar um aspecto desse próprio código enquanto 
código. Tal função reenvia o código utilizado à língua e a seus 
elementos constitutivos. A gramática, por exemplo, é um discurso 
essencialmente metalinguístico porque se trata do código explicando 
o próprio código. Quando se faz análise sintática, faz-se uso dessa 
mesma função.
Aula
15
Quando consultamos o dicionário para nos inteirarmos 
do significado da palavra metalinguagem, por exemplo, estamos 
ao mesmo tempo nos valendo da função metalinguística, pois o 
dicionário é um repertório de palavras sobre palavras, à disposição 
do falante, nativo ou não. 
Mesmo no dia-a-dia, fazemos uso constante da função 
metalinguística sem, muitas vezes, nos darmos conta disso. Ao 
interromper um falante para perguntar o significado de uma palavra, 
estamos também nos utilizando desta função.
Mas há um conceito de metalinguagem mais específico e 
complexo do que isto que apontamos, porque envolve um trabalho 
mais elaborado do código sobre o código. O cinema, os quadrinhos, 
a propaganda, as artes plásticas e a própria literatura fazem amplo 
uso dessa função, intensificando seu aspecto criativo e original. 
Assim, quando um escritor escreve um poema e discute o seu 
próprio poema ou o próprio fazer poético e a função de escritor, 
explicitando procedimentos utilizados em sua construção, ele está 
usando a metalinguagem.
Observe:
“Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
 
Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
 
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre”.
BANDEIRA, 1990, p.119
O poeta, no ato mesmo de fazer o poema, expõe seu 
conceito de poesia, explicitando sua função catártica, ou seja, 
aquela de meio de vazão dos sentimentos, de alívio mesmo de 
sofrimentos. Fundem-se, em seus versos, a ideia de poema e vida 
e, paradoxalmente, a de representação da morte. Registre-se que, 
no caso desse texto, o poeta não se distingue do eu lírico, pois ele 
se declara o autor. Essa característica que dá ao verso um toque 
pessimista pode ser considerada uma marca da poesia de Manuel 
Bandeira. Por outro lado, o eu lírico/autor busca no poema transcrito 
a adesão do leitor visando a compreensão do código, aqui visto 
no sentido mais específico de concepção do poema. É como se o 
poeta quisesse fazer um pacto com seu leitor, dando-lhe uma chave 
do que entende por poesia naquele momento. Este é o caso do 
poema “Os meus versos”, da poeta portuguesa Florbela Espanca:
Rasga estes versos que eu te fiz, amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!
Rasga-os na mente, se o souberes de cor,
Que volte ao nada o nada dum momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!…
 
Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente…
 
Rasga os meus versos…Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
não fosse o amor de toda a gente!…
ESPANCA, 1987, p. 72.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
58
Português
O interlocutor expresso na poesia seria, num primeiro 
momento, o ser amado pelo eu lírico, para, em seguida, tornar-
se qualquer leitor que já tenha amado. É curioso observar que 
a expressão “Pobre endoidecida”, no último terceto, opera uma 
ambiguidade em relação ao eu que enuncia e ao receptor, pois 
pode ser vista como aposto ou como vocativo.
Como ressalta Décio Pignatari, vivemos uma infinidade de 
linguagens e o processo metalinguístico é inerente ao trabalho 
criador:
“A multiplicação e a multiplicidade de códigos e linguagens 
cria uma nova consciência de linguagem, obrigando a contínuos 
cotejos entre eles, a contínuas operações intersemióticas e, portanto, 
a uma visada metalinguística, mesmo no ato criativo, ou melhor, 
principalmente nele, mediante processos de metalinguagem 
analógica, processos internos ao ato criador”.
PIGNATARI, 1974, p.79.
Drummond, no seu livro Farewell, publicado postumamente, 
toma como tema de alguns poemas quadros famosos, apropriando-
se inclusive de seus títulos. Assim fala de “O Grito”, conhecido 
quadro de Edward Munch:
A natureza grita, apavorante.
Doem os ouvidos, dói o quadro.
ANDRADE, 1996, p.30. 
Note-se que o escritor escreve seu poema enquanto lê o 
quadro: sua escrita é, simultaneamente, leitura intersemiótica, uma 
vez que se trata de um poema voltado para um outro código, no 
caso o pictórico.
Exercícios de Fixação
• Leia o texto para responder às questões.
A MULHER BOAZINHA 
Qual o elogio que uma mulher adora receber?
Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns 
setecentos: mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam 
eles físicos ou morais.
Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com 
a sua cara.Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é 
uma provocação, e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua 
presença de espírito, da sua aura de mistério, de como ela tem 
classe: ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia 
da chave de casa.
Mas não pense que o jogo está ganho: manter o 
cargo vai depender da sua perspicácia para encontrar novas 
qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe, que ela 
tem uma voz que faz você pensar obscenidades, que ela é um 
avião no mundo dos negócios.
Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade, 
seu bom gosto musical.
Agora quer ver o mundo cair?
Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha.
Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja, 
cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando 
um favor.
Nunca teve um chilique.
Nunca colocou os pés num show de rock.
É queridinha.
Pequeninha.
Educadinha.
Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos.
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas 
e nenezinhos.
A vida feminina era esse frege: bordados, paredes 
brancas, crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto 
íamos alimentando um desejo incontrolável de virar a mesa.
Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as 
coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos 
atrizes, estrelas, profissionais.
Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da 
geração teen.
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
As boazinhas não têm defeitos.
Não têm atitude.
Conformam-se com a coadjuvância.
PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das 
intenções, é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, 
persistentes, ciumentas, apressadas, é isso que somos hoje.
Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
As “inhas” não moram mais aqui.
Foram para o espaço, sozinhas.
Martha Medeiros. 
01. (AFA) O principal objetivo do texto é:
A) mostrar como as mulheres, após séculos de submissão,
conquistaram o respeito masculino.
B) descrever um perfil feminino que não é mais desejável nos
dias de hoje.
C) analisar o processo de libertação das mulheres que hoje
assumem o controle de suas vidas.
D) instruir a mulher a não mais se adequar a um ideal de
submissão e passividade.
02. (AFA) Há, no texto, o predomínio da variante coloquial da
língua. O único trecho a seguir que não corrobora com essa
afirmativa é:
A) “Nunca teve um chilique.”
B) “Descreve aí uma mulher boazinha.”
D) “Pitchulinha é coisa de retardada.”
D) “Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.”
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
59
Português
03. (AFA) Segundo o locutor, a mulher
A) de qualquer época, adora ser lembrada principalmente por
seus atributos físicos.
B) era conformada com a situação na qual vivia, surgindo assim,
por exemplo, as patricinhas.
C) sempre ansiou expressar suas convicções, preferências e
temperamentos.
D) é chamada de boazinha porque gosta de cultivar a imagem
de serena, educada e santa.
04. (AFA) Observe as inferências feitas a partir da leitura global
do texto e assinale a alternativa que contém uma afirmação
incorreta.
A) “Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe” é um
argumento forte de valorização de uma mulher, já que há
uma crença de que os homens consideram suas mães sempre 
as melhores cozinheiras de suas vidas.
B) Depois que o homem ganha uma mulher através dos elogios 
certos, nas horas certas e que se referem aos atributos
mais valorizados por ela, a conquista está garantida e o
relacionamento está destinado ao sucesso.
C) As mulheres hoje querem receber os elogios que as tratem
como bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes,
ciumentas, apressadas, velozes, produtivas e enigmáticas.
D) Ao dizer que “as ‘inhas’ não moram mais aqui” e que
“foram para o espaço, sozinhas”, o locutor afirma que as
mulheres boazinhas perderam seu lugar social e ainda por
cima ficaram sozinhas.
05. (AFA) Analise as assertivas feitas em relação ao que se discute
no texto e as inferências possíveis acerca dessa discussão.
Julgue-as como adequadas ou inadequadas. Em seguida,
assinale a alternativa que contém apenas assertivas adequadas.
I. As mulheres gostam de receber elogios e, quando os
recebem, aceitam-nos e ficam mais receptivas não se
preocupando muito com a veracidade deles;
II. A expressão “bom” é própria da linguagem oral e se
encontra nesse texto escrito com o objetivo de chamar o
leitor para estar mais próximo do locutor;
III. As expressões “e ela irá com a sua cara”, “ela é um avião
no mundo dos negócios” e “quer ver o mundo cair” foram
empregadas para tornar o texto acessível a todo tipo de
leitor, inclusive aos menos escolarizados;
IV. Em determinado ponto, o texto se apresenta com
características injuntivas, ou seja, instruem o leitor a agir de
uma forma que, segundo o locutor, irá causar boa impressão
nas mulheres;
V. “Namoradinha do Brasil” era um título concedido a
celebridades que se encaixavam no perfil de mulher
“boazinha”, ou seja, aquela que “nunca teve um chilique”
que “nunca colocou os pés num show de rock”, que vivia
“rodeada de panelinhas e nenezinhos” e, principalmente,
conservava-se solteira para manutenção do título;
VI. As mulheres hoje em dia, para serem valorizadas, não podem
e não devem aceitar elogios que as associem às tarefas
domésticas e aos seus atributos que não sejam aqueles
relacionados à sua competência e ao seu novo papel na
sociedade moderna.
A) I, IV e VI
B) I, II, IV e V
C) I, II e IV
D) II, III e VI
Exercícios Propostos
01. Pode-se definir “metalinguagem” como a linguagem que
comenta a própria linguagem, fenômeno presente na literatura 
e nas artes em geral. O quadro “Van Gogh pintando girassóis”,
de Paul Gauguin, é um exemplo de metalinguagem porque:
A) destaca a qualidade do traço artístico.
B) mostra o pintor no momento da criação.
C) implica a valorização da arte tradicional.
D) indica a necessidade de inspiração concreta.
E) destaca as cores presentes no quadro.
02. Em qual função da linguagem a ênfase é dada ao código
comunicativo, tendo como principal objetivo o uso de um
código que possibilite explicar o próprio código?
A) Função fática.
B) Função metalinguística.
C) Função referencial ou denotativa.
D) Função apelativa ou conativa.
• Considere o trecho a seguir.
Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não 
há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou 
um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina 
de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, 
eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado 
estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. 
Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. 
E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui.
LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
03. A metalinguagem ganha relevo no processo narrativo de
A hora da estrela. O narrador, Rodrigo S. M., dada a insistente
angústia de que o ato de escrever sobre a obtusa Macabéa
lhe provoca, coloca-se também como uma personagem que
experimenta a autocrítica ao mesmo tempo em que se sente
fatalmente ligado à personagem que criara. Isso se evidencia
na seguinte passagem:
A) “Desculpai-me mas, vou continuar a falar de mim que sou
meu desconhecido, e ao escrever me surpreendo um pouco 
pois descobri que tenho um destino”.
B) “Com esta história eu vou me sensibilizar, e bem sei que cada
dia é um dia roubado da morte. Eu não sou um intelectual,
escrevo com o corpo. E o que escrevo é uma névoa úmida”.
C) “Pareço conhecer nos menores detalhes essanordestina,
pois se vivo com ela. E com muito adivinhei a seu respeito,
ela se me grudou na pele qual melado pegajoso ou lama
negra”.
D) “(Esta história são apenas fatos não trabalhados de matéria-
-prima e que me atingem direto antes de eu pensar. Sei muita
coisa que não posso dizer. Aliás pensar o quê?)”.
E) “(Escrevo sobre o mínimo parco enfeitando-o com púrpura, 
joias e esplendor. É assim que se escreve? Não, não é
acumulando e sim desnudando. Mas tenho medo da nudez, 
pois ela é a palavra final.)”.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
60
Português
04. Considere:
Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o 
sentido de um texto. É, a partir do texto, ser capaz de atribuir-
lhe significado, conseguir relacioná-lo a todos os outros textos 
significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura 
que seu autor pretendia e, dono da própria vontade, entregar-
se a essa leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo uma 
outra não prevista.
LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. 
São Paulo: Ática, 1993.
Nesse texto, a autora apresenta reflexões sobre o processo de 
produção de sentidos, valendo-se da metalinguagem. Essa 
função da linguagem torna-se evidente pelo fato de o texto
A) ressaltar a importância da intertextualidade.
B) propor leituras diferentes das previsíveis.
C) apresentar o ponto de vista da autora.
D) discorrer sobre o ato da leitura.
E) focar a participação do leitor.
05. Leia as passagens a seguir, extraídas de São Bernardo, de
Graciliano Ramos:
I. Resolvi estabelecer-me aqui na minha terra, município de
Viçosa, Alagoas, e logo planeei adquirir a propriedade S.
Bernardo, onde trabalhei, no eito, com salário de cinco
tostões;
II. Uma semana depois, à tardinha, eu, que ali estava aboletado 
desde meio-dia, tomava café e conversava, bastante
satisfeito;
III. João Nogueira queria o romance em língua de Camões, com
períodos formados de trás para diante.
IV. Já viram como perdemos tempo em padecimentos inúteis?
Não era melhor que fôssemos como os bois? Bois com
inteligência. Haverá estupidez maior que atormentar-se um
vivente por gosto? Será? Não será? Para que isso? Procurar
dissabores! Será? Não será?
V. Foi assim que sempre se fez. [respondeu Azevedo Gondim]
A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata 
de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é
outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia.
Assinale a alternativa em que ambas as passagens demonstram 
o exercício de metalinguagem em São Bernardo:
A) III e V.
B) I e II.
C) I e IV.
D) III e IV.
E) II e V.
06. A função metalinguística predomina em todos os fragmentos,
exceto em:
A) “Amo-te como um bicho simplesmente de um amor
sem mistério e sem virtude com um desejo maciço e
permanente.” (Vinicius de Morais)
B) “Proponho-me a que não seja complexo o que escreverei,
embora obrigada a usar as palavras que vos sustentam.”
(Clarice Lispector)
C) “Não narro mais pelo prazer de saber. Narro pelo gosto de
narrar, sopro palavras e mais palavras, componho frases e
mais frases.” (Silviano Santiago)
D) “Agarro o azul do poema pelo fio mais delgado de lã de
seu discurso e vou traçando as linhas do relâmpago no vidro 
opaco da janela.” (Gilberto Mendonça Teles)
E) Que é Poesia? Uma ilha cercada de palavras por todos os
lados.” (Cassiano Ricardo)
Texto I 
Fundamentam-se as regras da Gramática Normativa 
nas obras dos grandes escritores, em cuja linguagem as classes 
ilustradas põem o seu ideal de perfeição, porque nela é que se 
espelha o que o uso idiomático estabilizou e consagrou.
LIMA, C. H. R. Gramática normativa da língua portuguesa. 
Rio de Janeiro: José Olympio, 1989. 
Texto II 
Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. 
As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, 
sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade 
real não tem para mim interesse de nenhuma espécie — nem 
sequer mental ou de sonho —, transmudou-se-me o desejo para 
aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. 
Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de 
Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas 
as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer 
inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua 
fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um 
ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida. 
PESSOA, F. O livro do desassossego. São Paulo: Brasiliense, 1986. 
07. A linguagem cumpre diferentes funções no processo de
comunicação. A função que predomina nos textos I e II
A) destaca o “como” se elabora a mensagem, considerando-se 
a seleção, combinação e sonoridade do texto.
B) coloca o foco no “com o quê” se constrói a mensagem,
sendo o código utilizado o seu próprio objeto.
C) focaliza o “quem” produz a mensagem, mostrando seu
posicionamento e suas impressões pessoais.
D) orienta-se no “para quem” se dirige a mensagem,
estimulando a mudança de seu comportamento.
E) enfatiza sobre “o quê” versa a mensagem, apresentada com 
palavras precisas e objetivas.
08. Leia o poema “Poesia”, de Carlos Drummond de Andrade,
para responder à questão:
“Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever. 
No entanto ele está cá dentro 
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro 
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.” 
Que função de linguagem se destaca no poema?
A) fática.
B) metalinguística.
C) conativa.
D) emotiva.
E) poética.
09. Quando a intenção do emissor está voltada para a própria
mensagem, quer na seleção e combinação das palavras, quer
na estrutura da mensagem, com as mensagens carregadas de
significados, temos a função de linguagem denominada
A) fática.
B) poética.
C) emotiva.
D) referencial.
E) metalinguística.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
61
Português
• Leia:
DESABAFO 
Desculpem-me, mas não dá pra fazer uma cronicazinha 
divertida hoje. Simplesmente não dá. Não tem como disfarçar: 
esta é uma típica manhã de segunda-feira. A começar pela luz 
acesa da sala que esqueci ontem à noite. Seis recados para 
serem respondidos na secretária eletrônica. Recados chatos. 
Contas para pagar que venceram ontem. Estou nervoso. Estou 
zangado. 
CARNEIRO, J. E. Veja, 11 set. 2002. Fragmento. 
10. No texto, predomina a seguinte função de linguagem
A) apelativa, em que se exploram os jogos de palavras de duplo 
sentido, comuns na empresas.
B) metalinguística, que consiste em usar o código como objeto 
de análise do texto.
C) fática, empregada para expressar ideias de forma claramente 
evasiva.
D) referencial, uma vez que busca efeitos de objetividade por 
meio da conotação.
E) emotiva, marcada pela subjetividade, dando vazão aos 
sentimentos expressos nas empresas.
Aula 16: 
Intertextualidade
Intertextualidade é o nome dado à relação que se 
estabelece entre dois textos, quando um texto já criado exerce 
influência na criação de um novo texto. 
Diversos autores utilizam textos já existentes e reconhecidos, 
chamados de textos fontes, para servir de base às suas novas 
criações. Contribuem assim para o enriquecimento da exploração 
de um determinado tema, da exaltação de uma personalidade, da 
comemoração de um acontecimento, da valorização da cultura de 
um povo.
A intertextualidade pode ocorrer de várias formas, nos 
diversos gêneros: na prosa, na poesia, nas letras de música, na 
publicidade, nas imagens, na pintura etc.
Embora possa ocorrer de forma acidental, sendo uma mera 
coincidência, a intertextualidade é majoritariamente planejada, 
apresentando vestígios mais ou menos diretos do texto original, 
que permitem aos leitores reconhecerem a influência exercida pelo 
texto fonte.
Intertextualidade explícita e intertextualidade 
implícita
A intertextualidade pode ser caracterizada como explícita ou 
implícita, de acordo com a relação estabelecida com o texto fonte, 
ou seja, se mais direta ou se mais subentendida.
A intertextualidade explícita... 
• é facilmente identificada pelosleitores;
• estabelece uma relação direta com o texto fonte;
• apresenta elementos que identificam o texto fonte;
• não exige que haja dedução por parte do leitor;
• apenas apela à compreensão do conteúdos.
A intertextualidade implícita...
• não é facilmente identificada pelos leitores;
• não estabelece uma relação direta com o texto fonte;
Aula
16
• não apresenta elementos que identificam o texto fonte;
• exige que haja dedução, inferência, atenção e análise por parte 
dos leitores;
• exige que os leitores recorram a conhecimentos prévios para a 
compreensão do conteúdo.
Exemplos de intertextualidade
Dos diversos exemplos de intertextualidade existentes na 
literatura brasileira, um dos mais conhecidos é o poema “Canto 
de Regresso à Pátria”, de Oswaldo de Andrade, cujo texto fonte é 
o poema “Canção de Exílio”, de Gonçalves Dias.
CANÇÃO DO EXÍLIO (TEXTO FONTE)
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores 
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Gonçalves Dias.
CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA (INTERTEXTUALIDADE)
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.
Oswald de Andrade.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
62
Português
Tipos de intertextualidade 
A intertextualidade pode assumir diversas formas e ser 
feita de diversas maneiras, apresentando, assim, diferentes tipos. 
Destacamos os seguintes como os principais:
Paráfrase
Na paráfrase, a intertextualidade incide na temática. Há 
uma reafirmação das ideias do texto fonte. É utilizado um tema 
previamente explorado por outro autor na criação de um novo texto 
com estrutura e estilo próprios. 
Exemplo de paráfrase:
“Minha terra tem palmeiras / onde canta o sabiá...” 
(“Canção do exílio”, Gonçalves Dias)
“Moro num país tropical / abençoado por Deus / e bonito 
por natureza...” (“País Tropical”, Jorge Ben Jor)
Paródia
Na paródia, ocorre a subversão da temática do texto fonte, 
alterando e contrariando o que foi expresso anteriormente de forma 
irônica e satírica. Visa a crítica e a reflexão, promovidas através de 
um momento de fruição e jocosidade. 
Exemplo de paródia:
Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé 
(ditado popular).
Se Maomé não vai à montanha, a montanha vaia Maomé 
(paródia).
Referência ou alusão
Na referência ou alusão, é feita a sugestão ou insinuação de 
um acontecimento, personalidade, personagem, local, obra,... Não 
é apresentada a intertextualidade de forma direta, mas sim através 
da apresentação de características simbólicas. 
Exemplo de referência ou alusão: 
A mais bonita de todas era sem dúvida Helena - a minha 
filha e não a outra. 
(Alusão a Helena de Troia, a mulher mais bonita do mundo)
Citação
Na citação, ocorre uma intertextualidade direta, havendo 
a reprodução de parte do texto fonte. Há uma transcrição das 
palavras de outro autor, devidamente destacada com aspas e com 
a identificação desse autor. A citação visa conferir credibilidade ao 
novo texto.
Exemplo de citação:
Segundo Bechara (2015, p.276), “o verbo se diz pronominal 
quando o pronome oblíquo se refere ao pronome reto”.
Epígrafe
Na epígrafe, um autor utiliza uma passagem de um texto 
fonte para iniciar um novo texto, estabelecendo uma relação com 
essa passagem na criação da nova criação. É muito utilizada em 
trabalhos acadêmicos, atuando como um pensamento que serve 
de base à obra.
Exemplo de epígrafe:
“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as 
possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” 
(Paulo Freire)
Pastiche
No pastiche, há a imitação direta do estilo de outros autores, 
mesclando esses diversos estilos numa única obra. Aparece como 
uma criação independente, sem o intuito de criticar ou satirizar. 
O pastiche é muito utilizado em músicas e imagens. 
Exemplo de pastiche:
“Quis gravar “amor”
no tronco de um velho freixo:
“Marília”, escrevi.”
(Manuel Bandeira)
Tradução
A tradução é a passagem de um texto de uma língua 
estrangeira para a língua nativa de um determinado país. 
É considerada uma intertextualidade por haver diferentes 
interpretações e pela possibilidade de uso de diferentes expressões 
na adequação à realidade da nova língua.
Exercícios de Fixação
01. (AFA) Leia.
 ELAS QUEREM O TOPO
Marcela Buscato
O sucesso de algumas mulheres pioneiras em áreas 
dominadas pelos homens mostra que elas podem chegar lá – 
e revela como isso anda difícil.
O passeio preferido da brasiliense Neiriane Marcelli da 
Silva Costa, quando criança, era acompanhar seu pai, suboficial 
da Força Aérea Brasileira (FAB), nos desfiles militares. Ela gostava 
de observar os aviões no céu e sonhava em estar um dia no 
lugar dos pilotos. “Eu me desiludia ao pensar que nunca poderia 
realizar meu sonho, porque apenas homens pilotavam aviões 
militares”, diz Marcelli, hoje com 28 anos. Até o dia em que 
oficiais da FAB foram ao colégio dela para contar uma novidade: 
a partir daquele ano, 2002, as meninas também poderiam se 
inscrever no curso de oficiais aviadores. Marcelli se formou cinco 
anos depois na Academia da Força Aérea (AFA), integrou um 
esquadrão em Belém, no Pará, e hoje ensina os cadetes da AFA, 
em Pirassununga, interior de São Paulo. O ambiente, dominado 
por homens, nunca a intimidou. “Não pensei se faria alguma 
diferença ser mulher. Era o que queria fazer.”
A tenente Marcelli faz parte de uma geração de mulheres 
criadas para pensar que o limite para elas é o mesmo que 
para os homens: o céu. Algumas alcançaram essa fronteira 
literalmente, como Marcelli. Outras, no sentido figurado. Nunca 
as mulheres chegaram tão longe: à Presidência da República ou 
da Petrobrás, a maior empresa do país. As conquistas, como 
sempre, dão origem a novas e ainda mais ambiciosas aspirações. 
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
63
Português
As mulheres querem permanecer na liderança e avançar em 
muitas áreas. Elas conquistaram um território dominado pelos 
homens. Contaram com mudanças na sociedade (que permitiu 
mulheres oficiais aviadoras) e com alta dose de determinação 
pessoal. Suas histórias contêm lições para outras desbravadoras 
– e para os homens também. (...)
Época, número 823, 10 de março de 2014. 
Editora Globo; p.60 – adaptado.
 Assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta.
A) Na geração de Marcelli, não mais são encontradas 
mulheres passivas e conformadas que se satisfazem com a 
coadjuvância.
B) A conquista de Marcelli foi possível devido somente à sua 
grande determinação pessoal e coragem de enfrentar 
desafios.
C) As mulheres já alcançaram o topo ao ocupar os mais altos 
cargos como Presidência da República e da maior empresa 
brasileira.
D) Não há limites para a ambição feminina que se alimenta dos 
exemplos e das conquistas de desbravadoras como Marcelli.
• Leia o trecho a seguir, de Morte e vida severina, de João Cabral 
de Melo Neto, e responda:
“– Severino retirante,
deixa agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
(…)
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente,se fabrica,”
02. (EsPCEx) Quanto ao gênero literário, é correto afirmar que o 
fragmento lido é
A) narrativo, que conta em prosa histórias do sertão nordestino.
B) uma peça teatral, desprovido de lirismo e com linguagem 
rústica.
C) bastante poético e marcado por rimas, sem metrificação.
D) uma epopeia, que traduz o desencanto pela vida dura do 
sertão.
E) dramático, que encena conflitos internos do ser humano.
03. (EspCEx) Em relação a esse mesmo fragmento, pode-se ainda afirmar 
que
A) trata da impotência do homem frente aos problemas do 
sertão e da cidade.
B) Severino representa todos os homens que são latifundiários.
C) reflete sobre as dificuldades que o homem encontra para trabalhar.
D) trata da temática que descarta a morte como solução para 
os problemas.
E) é um texto bem simples e poético sobre o significado do 
amor da época.
• Leia o texto a seguir para responder as questões que seguem.
CHORO DO POETA ATUAL
Deram-me um corpo, só um!
Para suportar calado
Tantas almas desunidas
Que esbarravam umas nas outras,
De tantas idades diversas;
Uma nasceu muito antes
De eu aparecer no mundo,
Outra nasceu com este corpo,
Outra está nascendo agora,
Há outras, nem sei direito,
São minhas filhas naturais,
Deliram dentro de mim,
Querem mudar de lugar,
Cada uma quer uma coisa,
Nunca mais tenho sossego,
Ó Deus, se existis, juntai
Minhas almas desencontradas.
Murilo Mendes
04. A ideia expressa no primeiro verso mostra certa oposição às 
outras dos versos seguintes. A que se deve isso?
A) Ao fato de querer o eu-lírico variar sempre seu aspecto físico.
B) À evidência de que só os diferentes estados de alma 
tranquilizam o poeta.
C) Ao lamento feito pelo sujeito lírico de que é abrigo de 
numerosos estados de espírito.
D) Às debilidades naturais do corpo quando se evidenciam os 
estragos provocados pelo tempo.
05. Observe:
I. “Deram-me um só corpo, só um!
 Para suportar calado
 Tantas almas desunidas”
II. “Deliram dentro de mim
 Querem mudar de lugar”
III. “Há outras, nem sei direito 
 São minhas filhas naturais”
IV. “Cada uma quer uma coisa
 Nunca mais tenho sossego”
 Em que grupo de versos se verifica a inconstância, um dos 
atributos da alma do eu-lírico?
A) I e II C) II e IV
B) I e III D) II e III
Exercícios Propostos
01. Nos dois últimos versos, há um apelo a Deus. Infere-se deles 
que o eu-lírico almeja a tranquilidade para
A) todas as pessoas que não se entendem.
B) aquele que abriga espíritos desencontrados.
C) um mundo ameaçado por opiniões contraditórias.
D) seu próprio interior, através da conciliação das almas.
02. No título “Choro do poeta atual”, o termo destacado refere-se 
ao poeta
A) no momento em que ele se realiza totalmente.
B) durante sua atualização nos assuntos do mundo.
C) em seu presente momento, que é de instabilidade.
D) quando ele participa dos acontecimentos da atualidade.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
64
Português
• Leia o texto a seguir para responder às questões.
POEMA TRANSITÓRIO
Eu que nasci na Era da Fumaça: – trenzinho
vagaroso com vagarosas
paradas
em cada estaçãozinha pobre
para comprar
pastéis
pés-de-moleque
sonhos
- principalmente sonhos!
porque as moças da cidade vinham olhar o trem passar;
elas suspirando maravilhosas viagens
e a gente com um desejo súbito de ali ficar morando
sempre...Nisto,
o apito da locomotiva
e o trem se afastando
e o trem arquejando
é preciso partir
é preciso chegar
é preciso partir é preciso chegar... Ah, como esta vida é urgente!
...no entanto
eu gostava era mesmo de partir...
e - até hoje - quando acaso embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente...
como uma nave espacial perdida entre as estrelas.
QUINTANA, Mário. Baú de Espantos. in: MARÇAL, Iguami Antônio T. Antologia 
Escolar, Vol.1; BIBLIEX; p. 169.
03. Em função do que é dito nos versos do poema, observa-se que 
o “eu lírico”:
A) viaja, não só fisicamente, mas também por meio de seus 
pensamentos.
B) é um homem agitado, que leva uma vida de passageiro com 
luxo e mordomias.
C) deseja ser mau e mórbido, por isso faz suas viagens pelas 
estrelas.
D) tem fome e pouco dinheiro, logo não gasta com comidas 
que não alimentam.
E) é uma voz que clama por tranquilidade e brada contra a 
poluição do ar.
04. Levando em conta o contexto do poema (Texto de Interpretação), 
em qual das alternativas há um sentido semelhante ao de 
“acomodo-me no meu lugar”?
A) Ajeito-me no meu canto. 
B) Entendo-me com minhas ideias.
C) Adapto-me ao meio em que vivo. 
D) Limito-me a ficar pensativo. 
E) Satisfaço-me com o lugar que me dão.
05. A expressão “viajar indefinidamente”, no Texto de Interpretação, 
só não significa
A) viajar sem se preocupar com o tempo de chegar. 
B) aventurar-se pelo mundo sem ter um objetivo definido.
C) passear de modo errante, a esmo. 
D) sair por aí sem definir o nome das pessoas conhecidas.
E) não ter a preocupação de saber o lugar para onde se vai.
06. Sobre a intertextualidade, assinale a alternativa incorreta:
A) A intertextualidade implícita não se encontra na superfície 
textual, visto que não fornece para o leitor elementos que 
possam ser imediatamente relacionados com algum outro 
tipo de texto-fonte.
B) Todo texto, em maior ou menor grau, é um intertexto, pois 
é normal que durante o processo da escrita aconteçam 
relações dialógicas entre o que estamos escrevendo e outros 
textos previamente lidos por nós.
C) Na intertextualidade explícita, ficam claras as fontes nas 
quais o texto baseou-se e acontece, obrigatoriamente, de 
maneira intencional. Pode ser encontrada em textos do tipo 
resumo, resenhas, citações e traduções.
D) A intertextualidade sempre acontece de maneira proposital. 
É um recurso que deve ser evitado, pois privilegia o plágio 
dos textos-fonte em detrimento de elementos que confiram 
originalidade à escrita.
07. Sobre o conceito de intertextualidade, podemos afirmar:
I. Introdução de novos elementos no texto. Pode-se também 
retomar esses elementos para introduzir novos referentes;
II. Operação responsável pela manutenção do foco nos objetos 
de discurso previamente introduzidos;
III. Elemento constituinte do processo de escrita e leitura. Trata-
se das relações dialógicas estabelecidas entre dois ou mais 
textos;
IV. Pode ocorrer de maneira implícita ou explícita;
V. Responsável pela continuidade de um tema e pelo 
estabelecimento das relações semânticas presentes em um 
texto.
Estão corretas as proposições:
A) Todas estão corretas.
B) Apenas I, II e V estão corretas.
C) Apenas III e IV estão corretas.
D) III, IV e V estão corretas.
E) I e II estão corretas.
08. Leia:
Diferentemente do texto escrito, que em geral compele 
os leitores a lerem numa onda linear – da esquerda para a 
direita e de cima para baixo, na página impressa – hipertextos 
encorajam os leitores a moverem-se de um bloco de texto a 
outro, rapidamente e não sequencialmente. Considerando que 
o hipertexto oferece uma multiplicidade de caminhos a seguir, 
podendo ainda o leitor incorporar seus caminhos e suas decisões 
como novos caminhos, inserindo informações novas, o leitor-
navegador passa a ter um papel mais ativo e uma oportunidade 
diferente da de um leitor de texto impresso. Dificilmente dois 
leitores de hipertextos farão os mesmos caminhos e tomarão 
as mesmas decisões.
MARCUSCHI, L. A. Cognição, linguagem e práticas interacionais. 
Rio: Lucerna, 2007.
 No que diz respeito à relação entre o hipertexto e o 
conhecimento por ele produzido, o texto apresentado deixa 
claro que o hipertexto muda a noção tradicional de autoria, 
porque:
A) é o leitor que constrói a versão final do texto.
B) o autor detém o controle absoluto do que escreve.
C) aclara os limites entre o leitor e o autor.
D) propicia um evento textual-interativo em que apenas o autor 
é ativo.
E) só o autor conhece o que eletronicamente se dispõe para o 
leitor.
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
65
Português
• Textos para a questão 09.
 Texto I
“Mulher, Irmã,escuta-me: não ames,
Quando a teus pés um homem terno e curvo
jurar amor, chorar pranto de sangue,
Não creias, não, mulher: ele te engana!
As lágrimas são gotas da mentira
E o juramento manto da perfídia.”
Joaquim Manoel de Macedo
 Texto II
“Teresa, se algum sujeito bancar o
sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um 
bonde
Se ele chorar
Se ele ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredite não Teresa
É lágrima de cinema
É tapeação
Mentira
CAI FORA”
Manuel Bandeira
09. Os autores, ao fazerem alusão às imagens da lágrima sugerem 
que
A) há um tratamento idealizado da relação homem/mulher.
B) há um tratamento realista da relação homem/mulher.
C) a relação familiar é idealizada.
D) a mulher é superior ao homem.
E) a mulher é igual ao homem.
• Leia:
Chega!
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.
Minha boca procura a Canção do Exílio..
Como era mesmo a Canção do Exílio.?
Eu tão esquecido de minha terra...
Ai terra que tem palmeiras
onde canta o sabiá!
 ANDRADE, Carlos Drummond de. “Europa, França e Bahia”. 
In: Alguma Poesia. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1964.
10. Neste excerto, a citação e a presença de trechos ........ 
constituem um caso de........ .
 Os espaços pontilhados da frase anterior deverão ser 
preenchidos, respectivamente, com o que está em:
A) do famoso poema de Álvares de Azevedo / discurso indireto.
B) da conhecida canção de Noel Rosa / paródia.
C) do célebre poema de Gonçalves Dias / intertextualidade.
D) da célebre composição de Villa-Lobos / ironia.
E) do famoso poema de Mário de Andrade / metalinguagem.
Aula 17: 
Linguagem verbal e Não verbal
Em nossa rotina, ao nos comunicarmos, usamos 
frequentemente a linguagem verbal. Contudo, quando estamos 
diante de uma situação comunicativa ou de um texto que prescinde 
palavras, lidamos aí com a linguagem não verbal. Ao lermos, por 
exemplo, uma placa, esse seria um exemplo de linguagem verbal, 
se nela houver só imagens. Essas imagens, embora sem texto que 
as acompanhe, possuem ainda um significado que quer transmitir 
uma mensagem especifica. Neste caso, ao lidarmos com a placa 
enquanto um signo simbólico, estamos lidando com ela enquanto 
linguagem. Assim como decodificamos palavras, podemos também 
fazê-lo com outros processos simbólicos. Por esta razão é possível 
pensar em texto não verbal.
Assim, podemos dizer que a linguagem verbal é aquela em 
que o uso da escrita impera como meio de comunicação. Linguagem 
não verbal, portanto, é o uso de imagens, figuras, desenhos, 
símbolos, dança, tom de voz, postura corporal, pintura, música, 
escultura e gestos como meio de comunicação. A linguagem não 
verbal está, por exemplo, nos semáforos de trânsito. Num nível 
ainda mais complexo, a linguagem não verbal também pode ser 
até percebida nos animais, quando seus gestos querem indicar ao 
bando ou aos humanos uma determinada mensagem. Um cachorro, 
por exemplo, encontra formas de indicar que está com fome ao 
seu dono.
Exercícios 
Leia o texto a seguir.
O ADOLESCENTE
A vida é tão bela que chega a dar medo.
Não o medo que paralisa e gela,
estátua súbita.
mas
esse medo fascinante e fremente de curiosidades que faz
o jovem felino seguir para frente farejando o vento
ao sair, a primeira vez, da gruta.
Medo que ofusca: luz!
Cumplicemente,
as folhas contam-te um segredo
velho como o mundo:
Adolescente, olha! A vida é nova…
A vida é nova e anda nua
vestida apenas com teu desejo!
QUINTANA, Mário. Nariz de vidro. São Paulo, Moderna, 1984, p. 7.
01. (AFA) Assinale a alternativa que não traz uma análise correta 
do poema.
A) O mais antigo segredo da vida é que ela se renova a cada 
olhar.
Aula
17
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
66
Português
B) A ausência da vírgula, antes do pronome relativo que, verso
2, indica que qualquer medo paralisa e gela.
C) O terceiro verso é uma metáfora de medo e simboliza
a sensação paralisante desse sentimento.
D) A beleza da vida provoca não só o medo, mas também
a curiosidade das pessoas.
02. (AFA) Analise as proposições a seguir, considerando o texto do
poema.
I. O adolescente é aquele que segue em frente à procura de
desafios;
II. Encontram-se, na 1ª estrofe, apenas termos verbais
flexionados no indicativo;
III. O verso 6 “o jovem felino seguir para frente…” é um objeto 
direto;
IV. Nas palavras adolescente, fascinante e gruta, as letras
destacadas formam encontros consonantais.
Estão corretas apenas
A) I e III.
B) III e IV.
C) I e IV.
D) II e III.
03. (AFA) Assinale a alternativa em que há a correta relação entre
a ideia principal e as estrofes do poema de Quintana.
A) 1ª estrofe – O segredo / 2ª estrofe – O desejo / 3ª estrofe –
A curiosidade cr ia oportunidade / 4ª estrofe –
O deslumbramento / 5ª estrofe – A beleza da vida nos
amedronta.
B) 1ª estrofe – A beleza da vida nos amedronta / 2ª estrofe
– O segredo / 3ª estrofe – O desejo / 4ª estrofe –
O deslumbramento / 5ª estrofe – A curiosidade cria
oportunidade.
C) 1ª estrofe – A curiosidade cria oportunidade / 2ª estrofe –
O deslumbramento / 3ª estrofe – O segredo / 4ª estrofe –
A beleza da vida nos amedronta / 5ª estrofe – O desejo.
D) 1ª estrofe – A beleza da vida nos amedronta / 2ª estrofe –
A curiosidade cr ia oportunidade / 3ª estrofe –
O deslumbramento / 4ª estrofe – O segredo / 5ª estrofe –
O desejo.
04. (AFA) A linguagem da poesia é plurissignificativa. Ou seja: tem
vários sentidos. Com base nisso, assinale a alternativa incorreta
sobre o poema de Mário Quintana.
A) A palavra “medo”, na 1ª estrofe, apresenta o sentido próprio
de “estátua súbita”.
B) O verso “Medo que ofusca: luz!” é uma metáfora para
o medo que move os jovens para frente.
C) Em “velho como o mundo”, há uma comparação que mostra
a linguagem denotativa predominante no poema.
D) Em “jovem felino” que sai “da gruta” e segue “para frente”,
há uma referência ao medo que impulsiona o jovem.
05. Em “O fogo do meu isqueiro é praticamente frio diante do
fogo da minha paixão por aquela mulher.”, a palavra destacada
apresenta-se, respectivamente, no sentido
A) denotativo – denotativo.
B) conotativo – conotativo.
C) denotativo – conotativo.
D) conotativo – denotativo.
06. Considere:
Mineiro de Araguari, o cartunista Caulos já publicou seus trabalhos em diversos 
jornais, entre eles o Jornal do Brasil e o The New York Times.
No cartum apresentado, o significado da palavra escrita 
é reforçado pelos elementos visuais, próprios da linguagem não 
verbal. A separação das letras da palavra em balões distintos 
contribui para expressar principalmente a seguinte ideia:
A) dificuldade de conexão entre as pessoas.
B) aceleração da vida na contemporaneidade.
C) desconhecimento das possibilidades de diálogo.
D) desencontro de pensamentos sobre um assunto.
07. Leia.
QUINO
QUINO
Déjenme inventar. Buenos Aires: Ediciones de La Flor, 2003.
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67
Português
Nos quadrinhos, o uso simultâneo das linguagens verbal e não 
verbal contribui para a construção de sentidos do texto.
 Na tira do cartunista argentino Quino, utilizam-se recursos 
gráficos que lembram o cinema.
A associação com a linguagem artística do cinema, que lida 
com o movimento e com o instrumento da câmera, é garantida 
pelo procedimento do cartunista demonstrado a seguir:
A) ressaltar o trabalho com a vassoura para sugerir ação.
B) ampliar a imagem da mulher para indicar aproximação.
C) destacar a figura da cadeira para indiciar sua importância.
D) apresentar a sombra dos personagens para sugerir
veracidade.
08. 
Tirinha Garfield, de Jim Davis.
Sobre a tirinha de Garfield, é correto afirmar que:
A) A linguagem verbal é o elemento principal para
o entendimento da tirinha.
B) O uso da linguagem verbal não faz diferença para
a compreensão da tirinha.
C) O uso simultâneo das linguagens verbal e não verbal colabora 
para o entendimento da tirinha.
D) A sequência cronológica dos fatos relatados nas imagens
não influencia na compreensão da tirinha.
09. Observe:
Gráficos são exemplos de utilização simultânea das linguagens verbale não verbal. 
É preciso analisar as duas ocorrências para a compreensão do texto.
Nos gráficos, os elementos visuais e os elementos textuais 
são fundamentais para o entendimento total da mensagem 
transmitida. No gráfico em questão, a linguagem verbal e a 
linguagem não verbal têm como intenção mostrar ao leitor 
que:
A) O número de casamentos entre pessoas acima de 60 anos
diminuiu em um período de cinco anos.
B) O número de pessoas acima de 60 anos que estão inseridas
no mercado de trabalho é proporcionalmente inverso
à quantidade de pessoas que se casam nessa faixa etária.
C) Apresenta dados para o leitor que comprovam o aumento
no número de casamentos entre pessoas acima de 60 anos,
assim como o aumento da inserção de pessoas acima de
60 anos no mercado de trabalho.
D) Apresenta a preocupação com a diminuição no número
de casamentos entre pessoas de várias faixas etárias da
população brasileira, assim como a dificuldade dessas
pessoas para conseguir emprego no mercado de trabalho.
10. Leia.
A linguagem não verbal pode produzir efeitos interessantes, dispensando, assim, 
o uso da palavra. Cartum de Caulos.
Disponível em: <www.caulos.com>.
O cartum faz uma crítica social. A figura destacada está em 
oposição às outras e representa a
A) opressão das minorias sociais.
B) carência de recursos tecnológicos.
C) falta de liberdade de expressão.
D) defesa da qualificação profissional.
E) reação ao controle do pensamento coletivo.
11. 
Os balões presentes no texto indicam que a personagem está
A) sonhando.
B) falando.
C) pensando.
D) gritando.
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Português
12. No cartoon da questão 10, a linguagem verbal
A) é dispensável, pois a linguagem não verbal produz os 
sentidos necessários.
B) complementa a linguagem não verbal na produção de 
sentidos.
C) contradiz a linguagem não verbal, dificultando a leitura.
D) instaura o equívoco responsável pelo humor.
13. Quanto à construção e organização do cartoon da questão 
10 há
A) erro de concordância nominal, na linguagem verbal do 
quarto quadrinho.
B) incoerência, pois é um animal irracional que reflete sobre 
questões humanas.
C) falta de sinais de pontuação que impossibilitam uma leitura 
mais adequada.
D) instauração de uma interlocução direta com o leitor, no 
último quadrinho.
14. Observe:
 
KUCZYNSKIEGO, P. Ilustração, 2008.
Disponível em: <http://capu.pl>.
Acesso em: 3 ago. 2012.
 Através da linguagem não verbal, o artista gráfico polonês Pawla 
Kuczynskiego aborda a triste realidade do trabalho infantil.
 O artista gráfico polonês Pawla Kuczynskiego nasceu em 1976 
e recebeu diversos prêmios por suas ilustrações. Nessa obra, ao 
abordar o trabalho infantil, Kuczynskiego usa sua arte para
A) difundir a origem de marcantes diferenças sociais.
B) estabelecer uma postura proativa da sociedade.
C) provocar a reflexão sobre essa realidade.
D) propor alternativas para solucionar esse problema.
E) retratar como a questão é enfrentada em vários países do 
mundo.
15. Sobre as linguagens verbal e não verbal, é incorreto afirmar 
que:
A) A linguagem verbal utiliza qualquer código para se expressar, 
enquanto a linguagem não verbal faz uso apenas da língua 
escrita.
B) São utilizadas para criar atos de comunicação que nos 
permitem dizer algo.
C) A linguagem não verbal é aquela que utiliza qualquer código 
que não seja a palavra, enquanto a linguagem verbal utiliza 
a língua, seja oral ou escrita, para estabelecer comunicação.
D) Linguagem verbal e não verbal, quando simultâneas, 
colaboram para o entendimento do texto.
Aula 18: 
Inferência Textual
Muitas vezes, diante de um texto, seus leitores compreendem 
facilmente as palavras contidas ali, contudo, se mostram incapacidades 
de compreender o sentido do texto como um todo. A mensagem que, 
sub-repticiamente, se insere sob a primeira camada de interpretação. 
Normalmente, identificamos o primeiro sentido do texto como 
o “literal”. Ou seja, aquilo que está, de fato, ao nível da letra. 
Contudo, a partir desse primeiro sentido, é possível ainda apreender 
outras ideologias por trás do discurso que mobiliza qualquer 
construção textual. Quando nos perguntamos, portanto, o que um 
autor quis dizer com determinado texto argumentativo, que lado 
de uma questão política um jornal defende por mais imparcial que 
pareça, ou qual a mensagem mais profunda de um poema que 
fala sobre a natureza, a tudo isso tentamos acessar uma espécie de 
significado que só se dá a conhecer por meio da inferência textual – 
ou seja, aquilo que é possível interpretar com base no que está dito 
no texto, mas que não é declarado literalmente, evidentemente.
Literal é algo que está em conformidade com a letra de um 
texto e o sentido próprio e exato das palavras usadas no mesmo. 
Ou seja, não se tem em conta o sentido figurado ou sugerido. 
Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que o texto nem sempre 
fornece todas as informações possíveis. E é por isso que se buscam 
as informações implícitas, por meio da inferência.
Há elementos implícitos que precisam ser recuperados pelo 
leitor para a produção do sentido de um texto. A partir de elementos 
presentes no texto, estabelecemos relações com as informações 
implícitas. Por isso, o leitor precisa estabelecer relações dos mais 
diversos tipos entre os elementos do texto e o contexto, de forma 
a interpretá-lo adequadamente. 
A geração de inferências é um processo fundamental para 
a leitura. Quem não faz inferências não lê. Para se compreender 
um texto, é preciso fazer inferências, ou seja, é preciso que o leitor 
complete o texto com informações que não estão explícitas nele.
Inferências são, portanto, a adição de informações que 
o leitor faz ao texto; são operações cognitivas que o leitor realiza 
para construir proposições novas a partir de informações que ele 
encontrou no texto. Inferências não ocorrem apenas quando o leitor 
estabelece ligações entre as palavras e organiza redes conceituais no 
interior do texto. Ocorrem, também, quando o leitor busca, fora do 
texto, informações e conhecimentos adquiridos pela sua experiência 
de vida, com os quais preenche os “vazios” textuais.
Exemplos de Inferência
Aristóteles definiu uma série de silogismos, que podem ser 
usados como blocos de construção para o raciocínio mais complexo. 
Começamos com o mais famoso de todos eles:
1. Todos os homens são mortais.
2. Sócrates é um homem.
Portanto, Sócrates é mortal.
O processo anterior é chamado de dedutivo.
As premissas e a conclusão são verdadeiras – e, por sua vez, 
a lógica segue junto com a inferência. 
Mas a verdade de uma conclusão nem sempre se segue da 
verdade das premissas. A validade de uma inferência depende da 
forma da inferência. Isto é, a palavra “válido” não se refere à verdade 
das premissas ou da conclusão, mas sim à forma da inferência. 
Uma inferência pode ser válida, mesmo se as partes são falsas, e 
pode ser falsa, mesmo se as partes são verdadeiras. Mas uma forma 
Aula
18
IBRAPEM - PREPARAÇÃO É A MISSÃO
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Português
válida e com premissas verdadeiras sempre terá uma conclusão 
verdadeira. Considere o seguinte exemplo:
A – Todos os frutos são doces.
B – A banana é uma fruta.
C – Portanto, a banana é doce.
Agora voltamos a uma forma inválida:
Todo A é B. C é um B. Portanto, C é um A.
Para mostrar que esta forma é inválida, buscamos 
demonstrar como ela pode levar a partir de premissas verdadeiras 
para uma conclusão falsa.
Todas as maçãs são frutas (correto).
Bananas são frutas (correto). Portanto, as bananas são 
maçãs (errado).
Inferir, enfim, é a definição do exercício que operamos 
diante de um texto, de uma exposição oral, de um debate, enfim, 
de qualquer produção de afirmativas ou de comunicação, a fim 
de verificarmos quais são os nexos que repousam sob a superfície 
da expressão mais imediata de um sentido ou de uma mensagem.
Exercícios 
• Leia o texto a seguir para responder às questões.
SÃO BERNARDO
Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não 
conheci

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