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10/02/2022 B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 1 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br SUMÁRIO DIREITOS HUMANOS .................................................................................................................................................................. 2 TRATADO INTERNACIONAL DO SISTEMA INTERAMERICANO ................................................................................................... 2 CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA O RACISMO: DECRETO 10.932/2022.................................................................................................... 2 B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 2 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br DIREITOS HUMANOS EVENTUAL ATUALIZAÇÃO DESTE MATERIAL FICARÁ DISPONÍVEL NESTE LINK: https://1drv.ms/b/s!Augn79MQplfRhJBEAuzkjaXSvlh8Rw?e=Guz7gf TRATADO INTERNACIONAL DO SISTEMA INTERAMERICANO CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA O RACISMO: DECRETO 10.932/2022 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e Considerando que a República Federativa do Brasil firmou a Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, na Guatemala, em 5 de junho de 2013; Considerando que o Congresso Nacional aprovou a Convenção, por meio do Decreto Legislativo nº 1, de 18 de fevereiro de 2021, conforme o procedimento de que trata o § 3º do art. 5º da Constituição (A CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA O RACISMO FOI APROVADA COM STATUS DE EMENDA CONSTITUCIONAL); Atualmente, então, são 4 os tratados internacionais internalizados no ordenamento jurídico brasileiro com status de emenda constitucional: 1. Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência; [1] 2. Protocolo Facultativo da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência; [2] 3. Tratado de Marraqueche (para facilitar o acesso a obras publicadas às pessoas cegas, com deficiência visual ou com outras dificuldades para ter acesso ao texto impresso); 4. Convenção Interamericana contra o Racismo. Novidade importante 2022 [1] Também chamada de "Convenção de Nova York"; "Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência". [2] Também chamado “Protocolo Adicional da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”. Questão (Defensor DPESP 2019 FCC correta) É documento internacional de direitos humanos incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro sob o rito estabelecido pelo artigo 5º, parágrafo 3º, da Constituição Federal: Tratado de Marraqueche para Facilitar o Acesso a Obras Publicadas às Pessoas Cegas, com Deficiência Visual ou com Outras Dificuldades para ter Acesso ao Texto Impresso. Qual é a natureza jurídica dos tratados internacionais promulgados pelo Brasil? Os tratados internacionais são equivalentes a que espécie normativa? 1. Tratados internacionais que não tratem sobre direitos humanos; Status de lei ordinária 2. Tratados internacionais que versem sobre direitos humanos, mas que não tenham sido aprovados na forma do art. 5º, § 3º, da CF/88 (acrescentado pela EC 45/2004). (Procurador PGERO 2022 Cespe correta) A Emenda Constitucional n.º 45/2004 institui uma dupla hierarquia para os tratados internacionais de direitos humanos. Status supralegal 3. Tratados internacionais sobre Direito Tributário (art. 98 do CTN) Status supralegal[1] 4. Tratados internacionais sobre matéria processual civil (art. 13 do CPC/2015) Status supralegal[1] 5. Tratados internacionais que versem sobre direitos humanos e que tenham sido aprovados na forma do art. 5º, § 3º, da CF/88 (acrescentado pela EC 45/2004). (Procurador PGERO 2022 Cespe correta) A Emenda Constitucional n.º 45/2004 institui uma dupla hierarquia para os tratados internacionais de direitos humanos. Emenda constitucional [1] Posição defendida por Paulo Portela (Direito Internacional Público e Privado. Salvador: Juspodivm, 2021, p. 152) e pela maioria dos internacionalistas. Vale ressaltar, contudo, que o tema é polêmico e que há posições em sentido contrário, especialmente entre os autores de Direito Tributário. Para fins de prova, acho importante conhecer a redação da previsão legal: CTN, art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. CPC/2015, art. 13. A jurisdição civil será regida pelas normas processuais brasileiras, ressalvadas as disposições específicas previstas em tratados, convenções ou acordos internacionais de que o Brasil seja parte. Conteúdo (Dizer o Direito): https://bit.ly/33qpUY7. Dúvidas mais frequentes no tocante ao tema da hierarquia dos tratados de direitos humanos NOÇÃO CORRETA O Brasil não adota nem nunca recepcionou a supraconstitucionalidade dos tratados. Tratados de direitos humanos não mais têm hierarquia de lei ordinária. Os tratados de direitos humanos não estão acima da Constituição. Logo, não confundir “supraconstitucionalidade” com “supralegalidade”. Depois da EC 45/2014, apenas os tratados de direitos humanos aprovado no rito especial do § 3º do art. 5º da CF/88 têm status de emenda constitucional: CF/88, art. 5º (...) AUTOR: MARCO TORRANO INSTAGRAM: @MARCOAVTORRANO/@PROLEGES E-MAIL: PROLEGESMARCOTORRANO@GMAIL.COM B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 3 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. O mínimo de votos necessários para aprovação dos tratados de direitos humanos, para fins do § 3º do art. 5º da CF, é de 3/5 dos membros, em 2 turnos, de cada Casa do Congresso Nacional. Todos os tratados, de direitos humanos ou não, são sempre aprovados pelas duas Casas do Congresso Nacional, embora apenas os tratados de direitos humanos possam enfrentar dois turnos de votação. 1. Tratados em geral: ● Infraconstitucionalidade: tratados equivalem à lei ordinária e submetidos também aos critérios cronológicos e da especialidade. 2. Tratados de direitos humanos: ● Entendimento da doutrina após o art. 5º, § 2º, da CF/88: status constitucional. ● Entendimento tradicional do STF num primeiro momento: equivalência com a lei ordinária. ● Novos entendimentos do STF para os tratados anteriores à EC/45: supralegalidade (majoritário) e constitucionalidade material (minoritário). ● Abandono do entendimento de que os tratados de direitos seriam equivalentes à lei ordinária. ● Tratados de direitos humanos aprovados nos termos do procedimento previsto no art. 5.º, § 3º, da CF (EC/45): status de emenda constitucional (constitucionalidade material e formal). 3. Tratados de direito tributário: ● Tendência à supralegalidade. PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito internacional público e privado..., Juspodivm, 2021, p. 152/153. Considerando que o Governo brasileiro depositou, junto à Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos,em 28 de maio de 2021, o instrumento de ratificação à Convenção e que esta entrou em vigor para a República Federativa do Brasil, no plano jurídico externo, em 27 de junho de 2021; DECRETA: Art. 1º Fica promulgada a Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, firmada na 43ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos, na Guatemala, em 5 de junho de 2013, anexa a este Decreto. Art. 2º São sujeitos à aprovação do Congresso Nacional atos que possam resultar em revisão da Convenção e ajustes complementares que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional, nos termos do inciso I do caput do art. 49 da Constituição. Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 10 de janeiro de 2022; 201º da Independência e 134º da República. JAIR MESSIAS BOLSONARO Carlos Alberto Franco França Este texto não substitui o publicado no DOU de 11.1.2022 Processo de incorporação dos tratados internacionais de direitos humanos na ordem jurídica interna e suas fases Para que um tratado internacional seja formado é necessária a conjugação de vontades do Poder Executivo e do Poder Legislativo, daí falar em “TEORIA DA JUNÇÃO DE VONTADES” ou “TEORIA DOS ATOS COMPLEXOS” (adotada pelo Brasil), ocorrendo, assim, o processo de formação da vontade do Estado em celebrar e incorporar tratados internacionais de direitos humanos na ordem jurídica interna. 1. 1ª fase (fase da assinatura) Aqui, temos a negociação dos termos do tratado e a assinatura por parte do Estado, ambas — negociação e assinatura — de atribuição do Presidente da República. Após a assinatura, cabe ao Poder Executivo encaminhar o texto assinado do futuro tratado ao Congresso Nacional, no momento em que julgar oportuno (não há prazo, entendendo-se como ato discricionário do Presidente). 2. 2ª fase (fase da aprovação congressual ou fase do Decreto Legislativo) Ocorre a aprovação do texto do tratado pelo Congresso Nacional. Atenção (rito especial/qualificado): a partir de 2004, houve a inserção do § 3º do art. 5º da CF, que dispõe: “Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais”. Ou seja, para que o tratado receba o qualificativo do rito do § 3º do art. 5º da CF, é necessário que o Decreto Legislativo seja aprovado, por maioria de 3/5 e em dois turnos em cada Casa do Congresso Nacional. Sendo, ainda assim, obrigatório percorrer as demais fases (ratificação e promulgação). Exemplos de tratados aprovados de acordo com esse rito (= equivalentes à emenda constitucional, ou seja, com status de norma constitucional): (i) Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ii) e seu Protocolo Facultativo, (iii) o Tratado de Marraqueche para Facilitar o Acesso a Obras Publicadas às Pessoas Cegas, com Deficiência Visual ou com outras Dificuldades para ter Acesso ao Texto Impresso, bem como (iv) a Convenção Interamericana contra o Racismo. 3. 3ª fase (fase da ratificação) Trata-se fase da ratificação pelo Presidente da República, ato por meio do qual o Estado consente em obrigar-se aos termos do ato internacional (concluindo esta fase da ratificação, em regra, o tratado entra em vigor no plano internacional, o que pode ensejar a responsabilização internacional do Estado). Obs1. O Presidente pode formular reservas, além daquelas que obrigatoriamente lhe foram impostas pelas ressalvas ao texto aprovado pelo Congresso. A reserva é o ato unilateral pelo qual o Estado, no B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 4 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br momento da celebração final, manifesta seu desejo de excluir ou modificar o texto do tratado. Obs2. Não há a necessidade de submeter essas novas reservas ao Congresso. Obs3. Não há um prazo no qual o Presidente da República deve celebrar em definitivo o tratado. Obs4. O Presidente da República não é obrigado a ratificar. 4. 4ª fase (fase da promulgação, fase do Decreto Presidencial ou fase Decreto de Promulgação) Finalmente, aqui, ocorre a incorporação legislativa do tratado na ordem jurídica interna mediante decreto de promulgação do Presidente da República. Embora criticada por parte da doutrina, a qual enxerga no art. 5º, § 1º, da CF, uma imposição para que os tratados de direitos humanos sejam automaticamente incorporados e imediatamente aplicados, trata-se — a fase de promulgação — de uma fase exigida pelo STF (CR 8279-AgR, j. 17-6- 1998), sem a qual o tratado não tem vigor na ordem jurídica interna. Em 2018, essa posição do STF foi reiterada pelo TSE no caso da impugnação do registro da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Registro de Candidatura (11532) n. 0600903- 50.2018.6.00.0000, j. 31-8- 2018). Obs1. Não há prazo para sua edição, mas, ainda sem sua edição, o Brasil está vinculado internacionalmente (pois: superada a fase da ratificação), mas não internamente (fase da promulgação), o que — ainda assim — pode ensejar a responsabilização internacional do Estado. *Tabela baseada na obra RAMOS, André de Carvalho Ramos. Curso de Direitos Humanos..., 2021. Obs1. O Congresso Nacional é obrigado a adotar o rito especial/qualificado do art. 5º, § 3º, da CF? Não. Porém, conforme entendimento do STF, se não adotado o rito especial do art. 5º, § 3º, da CF, o tratado internacional de direitos humanos ingressará na ordem jurídica interna com posição de norma supralegal. Obs2. Pode o Congresso Nacional adotar o rito especial/qualificado do art. 5º, § 3º, da CF, em outro momento? Sim. Ou seja, o Congresso Nacional pode ter aprovado inicialmente o tratado por maioria simples e, posteriormente, decida submetê-lo ao procedimento especial/qualificado do art. 5º, § 3º. Bloco de constitucionalidade restrito: os tratados internacionais de direitos humanos submetidos ao procedimento especial do art. 5º, § 3º, passam a integrar o bloco de constitucionalidade restrito. A consequência prática seria, por exemplo, a possibilidade de o tratado servir como parâmetro do controle concentrado de constitucionalidade. Obs3. Há posição minoritária (Valerio de Oliveira Mazzuoli) de que o decreto de promulgação não seria necessário para que o tratado de direitos humanos passasse a vigorar na ordem jurídica interna: “Sem dúvida, é responsabilidade do governo promulgar e publicar tratados, mas a falta desses atos (até mesmo à luz do art. 27 da Convenção de Viena de 1969) não pode ser motivo para impedir aos cidadãos o acesso à justiça, uma vez que o tratado (de direitos humanos) em causa já se encontra ratificado pelo Estado (ou seja, o Brasil já é parte dessa normativa)” (MAZZUOLI, Curso de direitos humanos..., Método, 2019). Questões (Juiz TJGO 2021 FCC correta) Tratado internacional que venha a ser celebrado pela República Federativa do Brasil em matéria de proteção da igualdade será incorporado ao direito nacional e deverá ser cumprido em território brasileiro após sua aprovação pelo Congresso Nacional e posterior promulgação pelo Presidente da República, sendo equivalente à emenda constitucional desde que seja aprovado, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros. (Promotor MPEGO 2019 correta) Para valer no plano interno, o tratado de direitos humanos, conforme o entendimento do STF, depende da promulgação de um decreto executivo do Presidente da República autorizando a execução do tratado. (Defensor DPEPR 2017 FCC correta)Segundo jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, os tratados de direitos humanos serão incorporados pela ordem jurídica brasileira a partir da promulgação, por um decreto executivo do Presidente da República. (Juiz do Trabalho TRT23R 2015 FCC correta) Considere um hipotético tratado internacional sobre direitos humanos ratificado pelo Brasil no ano de 2001. Seu processo de aprovação nacional perante o Congresso Nacional e posterior envio de carta de ratificação, bem como promulgação mediante decreto presidencial, foram regularmente completados. O tratado está em vigor internacional desde 2001, imediatamente após a ratificação nacional. Com relação a sua aplicação no Brasil, de acordo com a posição mais recente do Supremo Tribunal Federal − STF, esse tratado equivale a uma norma infraconstitucional mas supralegal, tendo sido aprovado, em cada Casa do Congresso Nacional, por maioria simples e turno único de votação. (Promotor MPEGO 2019 incorreta) Segundo o STF, a aplicação dos tratados de direitos humanos na ordem jurídica brasileira pode se dar a partir da sua ratificação e depósito no cenário internacional, caso se constate mora irrazoável em promover a promulgação na ordem interna. B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 5 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br Convenção Interamericana contra o Racismo CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA O RACISMO, A DISCRIMINAÇÃO RACIAL E FORMAS CORRELATAS DE INTOLERÂNCIA OS ESTADOS PARTES NESTA CONVENÇÃO, CONSIDERANDO que a dignidade inerente e a igualdade de todos os membros da família humana são princípios básicos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial; Material atualizado (sem custo adicional)! Quer saber mais pormenores da DUDH/48? Clique no link. * Atualização sem custo adicional * Disponível https://www.proleges.com.br/produ ct-page/2023-direitos-humanos REAFIRMANDO o firme compromisso dos Estados membros da Organização dos Estados Americanos com a erradicação total e incondicional do racismo, da discriminação racial e de todas as formas de intolerância, e sua convicção de que essas atitudes discriminatórias representam a negação dos valores universais e dos direitos inalienáveis e invioláveis da pessoa humana e dos propósitos e princípios consagrados na Carta da Organização dos Estados Americanos, na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, na Carta Social das Américas, na Carta Democrática Interamericana, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial e na Declaração Universal sobre o Genoma Humano e os Direitos Humanos; RECONHECENDO o dever de se adotarem medidas nacionais e regionais para promover e incentivar o respeito e a observância dos direitos humanos e das liberdades fundamentais de todos os indivíduos e grupos sujeitos a sua jurisdição, sem distinção de raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica; CONVENCIDOS de que os princípios da igualdade e da não discriminação entre os seres humanos SÃO CONCEITOS DEMOCRÁTICOS DINÂMICOS que propiciam a (i) promoção da igualdade jurídica efetiva e (ii) pressupõem uma obrigação por parte do Estado de adotar medidas especiais para proteger os direitos de indivíduos ou grupos que sejam vítimas da discriminação racial em qualquer esfera de atividade, seja pública ou privada, com vistas a promover condições equitativas para a igualdade de oportunidades, bem como combater a discriminação racial em todas as suas manifestações individuais, estruturais e institucionais; CONSCIENTES de que o fenômeno do racismo demonstra uma CAPACIDADE DINÂMICA DE RENOVAÇÃO que lhe permite assumir novas formas pelas quais se dissemina e se expressa política, social, cultural e linguisticamente; LEVANDO EM CONTA que as vítimas do racismo, da discriminação racial e de outras formas correlatas de intolerância nas Américas são, entre outras, afrodescendentes, povos indígenas, bem como outros grupos e minorias raciais e étnicas ou grupos que por sua ascendência ou origem nacional ou étnica são afetados por essas manifestações; CONVENCIDOS de que determinadas pessoas e grupos vivenciam formas múltiplas ou extremas de racismo, discriminação e intolerância, motivadas por uma combinação de fatores como raça, cor, ascendência, origem nacional ou étnica, ou outros reconhecidos em instrumentos internacionais; LEVANDO EM CONTA que uma sociedade pluralista e democrática deve respeitar a raça, cor, ascendência e origem nacional ou étnica de toda pessoa, pertencente ou não a uma minoria, bem como criar condições adequadas que lhe possibilitem expressar, preservar e desenvolver sua identidade; CONSIDERANDO que a experiência individual e coletiva de discriminação deve ser levada em conta para combater a exclusão e a marginalização com base em raça, grupo étnico ou nacionalidade e para PROTEGER O PROJETO DE VIDA de indivíduos e comunidades em risco de exclusão e marginalização; O que se entende por “dano ao projeto de vida”? A primeira vez que Corte IDH reconheceu a existência do fenômeno “dano ao projeto de vida” foi no Caso Loayza Tamayo vs. Peru (“Caso Tamayo”), em 1997. Na visão da Corte IDH, isso seria uma nova modalidade de dano (dotada de autonomia), ou seja, que não se confunde com dano material ou moral: “O dano ao projeto de vida ameaça, em última instância, o próprio sentido que cada pessoa humana atribui à sua existência. Quando isso ocorre, um prejuízo é causado ao mais íntimo do ser humano: trata-se de um dano dotado de autonomia própria, que afeta o sentido espiritual da vida”. O que se entende por “projeto de vida”? Nessa mesma linha, o “projeto de vida”, segundo a Corte IDH (Caso Tamayo), “se associa ao conceito de realização pessoal, que por sua vez se sustenta nas opções que o sujeito tem para conduzir sua vida e alcançar o destino que se propõe. (...) Estas opções podem ter, em si mesmas, um alto valor existencial”. Quando a Corte IDH passou a quantificar o dano ao projeto de vida? A primeira que a Corte IDH quantificou o dano ao projeto de vida foi no Caso Cantoral Benavides vs. Peru, no qual decidiu que: “a via mais idônea para restabelecer o projeto de vida de Luis Alberto Cantoral Benavides consiste em que o Estado lhe proporcione uma bolsa de estudos superiores ou universitários, com o fim de cobrir os custos da carreira profissional que a vítima escolher – assim como os gatos de manutenção desta última durante o período de tais estudos – num centro de reconhecida qualidade acadêmica escolhido de comum acordo entre a vítima e o Estado”. Resumindo: B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 6 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br a) reconhecimento do dano ao projeto de vida: Caso Loayza Tamayo (Corte IDH); b) quantificação do dano ao projeto de vida: Caso Cantoral Benavides (Corte IDH). ALARMADOS com o aumento dos crimes de ódio motivados por raça, cor, ascendência e origem nacional ou étnica; RESSALTANDO o papel fundamental da educação na promoção do respeito aos direitos humanos, da igualdade, da não discriminação e da tolerância; e TENDO PRESENTE que, embora o combate ao racismo e à discriminação racial tenha sido priorizado em um instrumento internacionalanterior, a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 1965, os direitos nela consagrados devem ser reafirmados, desenvolvidos, aperfeiçoados e protegidos, a fim de que se consolide nas Américas o conteúdo democrático dos princípios da igualdade jurídica e da não discriminação, Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 1965 (SISTEMA GLOBAL / ONUSIANO) Resolução 2.106 (XX) da Assembleia Geral da ONU. Internalizada na ordem jurídica brasileira pelo Decreto de promulgação 65.810/1969. Foi elaborada em um momento histórico no qual existiam ainda Estados com políticas internas oficiais de segregação racial, com a finalidade de promover e encorajar o respeito universal e efetivo pelos direitos humanos, sem qualquer tipo de discriminação, em especial a liberdade e a igualdade em direitos, tendo em vista que a discriminação entre seres humanos constitui ameaça à paz e à segurança entre os povos. Ação Afirmativa: a Convenção permite a introdução de medidas especiais destinadas a assegurar o progresso adequado de grupos raciais ou étnicos. Mecanismos de monitoramento previstos: ● Relatórios periódicos; ● Comunicação interestatal; ● Peticionamento individual (= petição individual ao Comitê). [1] (Defensor DPESP 2006 FCC adaptada correta) A Convenção sobre Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial (ONU, 1965) autoriza a introdução de medidas especiais destinadas a assegurar o progresso adequado de grupos raciais ou étnicos. (Defensor DPEBA 2010 Cespe correta) A implementação de políticas voltadas para a inclusão da população negra no mercado de trabalho é de responsabilidade do poder público, devendo ser observados os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, ao ratificar a Convenção n.º 111 da Organização Internacional do Trabalho, de 1958, e a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 1965. RAMOS, André de Carvalho. Curso de direitos humanos..., Saraiva, 2021. [1] Decreto 4.738/2003: o Brasil reconheceu e aceitou a competência do Comitê para receber e analisar petições individuais. Art. 1º É reconhecida, de pleno direito e por prazo indeterminado, a competência do Comitê Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial para receber e analisar denúncias de violação dos direitos humanos conforme previsto no art. 14 da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 7 de março de 1966. #Relembrando: SISTEMA GLOBAL / ONUSIANO SISTEMA INTERAMERICANO Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 1965 Convenção Interamericana contra o Racismo, de 2013 Internalizada pelo Decreto de promulgação nº 65.810/1969. Internalizada pelo Decreto de promulgação nº 10.932/2022. ACORDAM o seguinte: CAPÍTULO I DEFINIÇÕES Artigo 1 Para os efeitos desta Convenção: 1. DISCRIMINAÇÃO RACIAL é qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência, em qualquer área da vida pública ou privada, cujo propósito ou efeito seja anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em condições de igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades fundamentais consagrados nos instrumentos internacionais aplicáveis aos Estados Partes. A discriminação racial pode basear-se em raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica. (Defensor DPECE 2022 FCC correta) A discriminação racial consiste em preferência, distinção, exclusão ou restrição baseada, isolada ou concomitante, em raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica, ou outras reconhecidas em instrumentos internacionais. 2. DISCRIMINAÇÃO RACIAL INDIRETA é aquela que ocorre, em qualquer esfera da vida pública ou privada, quando um dispositivo, prática ou critério aparentemente NEUTRO tem a capacidade de acarretar uma desvantagem particular para pessoas pertencentes a um grupo específico, com base nas razões estabelecidas no Artigo 1.1 (discriminação racial), ou as coloca em desvantagem, a menos que esse dispositivo, prática ou critério tenha um objetivo ou justificativa razoável e legítima à luz do Direito Internacional dos Direitos Humanos. Teoria do impacto desproporcional “A discriminação indireta é mais sutil: consiste na adoção de critério aparentemente neutro (e, então, justificável), mas que, na situação analisada, possui impacto negativo desproporcional em relação a determinado segmento vulnerável. A discriminação indireta levou à consolidação da TEORIA DO IMPACTO DESPROPORCIONAL, pela qual é vedada toda e qualquer conduta (inclusive legislativa) que, ainda que não possua intenção de discriminação, gere, na prática, efeitos negativos sobre determinados grupos ou indivíduos” (RAMOS, André de Carvalho. Curso de direitos humanos..., Saraiva, 2021). B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 7 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br (Juiz TJPE FGV correta) O Brasil é signatário de diferentes convenções de direitos humanos que vedam várias formas de discriminação direta. Você, contudo, se depara com uma situação que caracteriza discriminação indireta ou disparate impact. Tal situação se caracteriza quando: certas políticas, práticas e normas, com natureza universal e neutras em relação aos seus destinatários, produzem consequências menos gravosas para um grupo e mais gravosas para outro grupo, sem que haja uma justificação razoável para isso. 3. DISCRIMINAÇÃO MÚLTIPLA OU AGRAVADA é qualquer preferência, distinção, exclusão ou restrição baseada, de modo concomitante, em dois ou mais critérios (= combinação de fatores) dispostos no Artigo 1.1 (discriminação racial), ou outros reconhecidos em instrumentos internacionais, cujo objetivo ou resultado seja anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em condições de igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades fundamentais consagrados nos instrumentos internacionais aplicáveis aos Estados Partes, em qualquer área da vida pública ou privada. O que se entende por INTERSECCIONALIDADE ou FEMINISMO INTERSECCIONAL (Intersectionality)? A expressão “interseccionalidade” (Intersectionality), conceito sociológico, foi criada por Kimberlé Crenshaw, teórica feminista e professora estadunidente especializada em questões de raça e gênero, para retratar a soma/combinação de fatores de discriminação. Nessa linha, o feminismo interseccional, para análise e combate da discriminação de gênero, leva em conta, necessariamente, questões de raça/etnia e classe social (socioeconômica), pois se inter-relacionam. Exemplo: mulher negra, pobre e homossexual. Nas palavras da autora: [A interseccionalidade] trata especificamente da forma pela qual o racismo, o patriarcalismo, a opressão de classe e outros sistemas discriminatórios criam desigualdades básicas que estruturam as posições relativas de mulheres, raças, etnias, classes e outras. (...) Como um aporte tóerico metodológico para se pensar múltiplas exclusões e como de fato construir estratégias para o enfrentamento desse paradigma. Caso Gonzalez Lluy vs. Equador (Corte IDH) (Juiz Federal TRF3R 2018 adaptada correta) Fatores de discriminação não resolvidos, ou quando enfrentados de forma desconexa, se entrelaçam, aumentando a opressão em grandeza exponencial. Foi o que ocorreu com a violação de direitos de mulher refugiada, negra, pobre, analfabeta, homossexual e com a filha portadora de HIV, a quem foi negado pelo Estado o direito à educação. Ao apreciar essa situação, o Sistema Interamericano de Direitos Humanos reconheceu pela primeira fez o fenômeno da interseccionalidade. Trata-se dojulgamento do caso: Gonzalez Lluy vs. Equador. (Procurador da República PGR 2017 correta) A interseccionalidade dos direitos humanos, por detectar diferentes formas de opressão e tratamento discriminatório baseadas em raça, gênero, condição social, idade, orientação sexual, entre outras formas de identidade social que se inter-relacionam, exige reparações às vítimas que levem em conta essas especificidades. (Assistente Social Prefeitura de Chuí/RS Fundatec 2019 correta) O feminismo interseccional é uma abordagem teórica que tem sido utilizada por muitas teóricas negras feministas. (Assistente Social Prefeitura de Chuí/RS Fundatec 2019 correta) A proposta do feminismo interseccional possibilita uma análise dos marcadores sociais de gênero e de raça/etnia através do seu entrecruzamento, não sendo vistos de forma isolada, ou através de uma visão somatória ou aditiva de opressões. Artigo: https://bit.ly/3GpXI6m. O que se entende por “vulnerabilidade cruzada, múltipla ou agravada”? É a chamada hipervulnerabilidade (= vulnerabilidade cruzada, múltipla ou agravada). Ou seja, é a intersecção de mais de um fator de vulnerabilidade (= situação de risco social e de violação de direitos humanos). Exemplo: idoso superendividado e consumidor. 100 Regras de Brasília (ver nota de rodapé) (Defensor DPERS 2014 FCC correta) O documento conhecido como as “100 regras de Brasília”, elaborado em 2008 durante a Cúpula Judicial Ibero-americana, consiste em uma declaração de garantia efetiva aos direitos humanos, principalmente pela facilitação do acesso à justiça voltado às pessoas em situação de maior vulnerabilidade. Para fins de aplicação das regras contidas no documento e, de acordo com a concepção ali firmada, consideram-se em condição de vulnerabilidade as pessoas que por razão da sua idade, gênero, estado físico ou mental, ou por circunstâncias sociais, econômicas, étnicas e/ou culturais, encontram especiais dificuldades em exercitar com plenitude, perante o sistema de justiça, os direitos reconhecidos pelo ordenamento jurídico. ANADEP disponibiliza documento "Novas 100 regras de Brasília": https://bit.ly/3K9FmJa. 100 Regras de Brasília (anotada e grifada): https://1drv.ms/b/s!Augn79MQplfRhJAy-4gGjfJ1WjivIg?e=iog2yk. XIII Congresso Nacional de Defensores Públicos (Teses e Práticas exitosas). Tema. Defensoria Pública: em defesa das pessoas em situação de vulnerabilidade (https://www.anadep.org.br/wtksite/Livro_Congresso_2017.pdf). 4. RACISMO consiste em qualquer teoria, doutrina, ideologia ou conjunto de ideias que enunciam um vínculo causal entre as características fenotípicas ou genotípicas de indivíduos ou grupos e seus traços intelectuais, culturais e de B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 8 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br personalidade, inclusive o falso conceito de superioridade racial. O racismo ocasiona desigualdades raciais e a noção de que as relações discriminatórias entre grupos são moral e cientificamente justificadas. Toda teoria, doutrina, ideologia e conjunto de ideias racistas descritas neste Artigo são cientificamente falsas, moralmente censuráveis, socialmente injustas e contrárias aos princípios fundamentais do Direito Internacional e, portanto, perturbam gravemente a paz e a segurança internacional, sendo, dessa maneira, condenadas pelos Estados Partes. 1. Racismo individualista O racismo individualista trata o racismo como uma espécie de “patologia” social. Um fenômeno ético ou psicológico de caráter individual ou coletivo, atribuído a grupos isolados; ou ainda, uma “irracionalidade”, cuja providência mais adequada a ser tomada é no campo jurídico (sanção penal ou civil). Não haveria sociedades ou instituições racistas, mas indivíduos racistas, que agem isoladamente ou em grupo. O racismo é notado na forma de discriminação direta. 2. Racismo institucional O racismo institucional é o resultado do mau funcionamento das instituições, que passam a atuar em uma dinâmica que confere, ainda que indiretamente, desvantagens e privilégios a partir da raça. Admite-se aqui, portanto, o racismo como discriminação indireta. Por serem as instituições lugares de produção de sujeitos é necessário que haja medidas de “correção” dos mecanismos institucionais, como ações afirmativas que aumentem a representatividade de minorias raciais e que alterem a lógica interna dos processos decisórios. 3. Racismo estrutural O racismo estrutural é uma decorrência da própria estrutura social, ou seja, do modo “normal” com que se constituem as relações políticas, econômicas, jurídicas e até familiares, não sendo uma patologia social e nem um desarranjo institucional. Aqui, considera-se que comportamentos individuais e processos institucionais são derivados de uma sociedade cujo racismo é regra e não exceção. Nesse caso, além de medidas que coíbam o racismo individual e institucionalmente, torna-se imperativo pensar sobre mudanças profundas nas relações sociais, políticas e econômicas. Pela complexidade das ligações que apresenta com a política, a economia e o direito, é importante falar mais sobre o racismo estrutural. 4. Racismo recreativo A expressão foi cunhada por Adilson José Moreira. O racismo recreativo é uma política cultural que referenda por meio do humor a ideia de que negros não são atores sociais competentes. Isso permite que pessoas brancas hostilizem minoriais sociais sem perder uma imagem social positiva. Nas palavras do autor da expressão (Adilson José Moreira, 2019, p. 31): Esse conceito [de raicsmo recreativo] designa um tipo específico de opressão racial: a circulação de imagens derrogatórias que expressam desprezo por minoriais raciais na forma de humor, fator que compromete o status cultural e o estatus material dos membros desses grupos. Esse tipo de marginalziação tem o mesmo objetivo de outras formas de racismo: legitimar hierarquias raciais presentes na sociedade brasileira de forma que oportunidades sociais permaneçam nas mãos de pessoas brancas. Ele contém mecanismos que também estão presentes em outros tipos de racismo, embora tenha uma caracterísitca especial: o uso do humor para expressar hostilidade racial, estratégia que permite a perpetuação do racismo, mas que protege a imagem social de pessoas brancas. Exemplos práticos de racismo recreativo como política cultural (2019): Tião Macalé, o feio; Mussum, o bêbado; Vera Verão, a bicha preta; Adelaide, a desvairada.[1] ALMEIDA, Sílvio Luiz de. Três concepções de racismo: individualista, institucional e estrutural. Disponível: https://bit.ly/3uwTbff. MOREIRA, Adilson. Racismo recreativo..., Pólen, 2019. [1] Esses exemplos foram retirados da obra do Prof. Adilson José Moreira (2019, p. 98 a 116). (Defensor DPEPB 2022 FCC correta) Situação frequente na qual alguns indivíduos em meios de comunicação veiculam discurso que incita ao desprezo a práticas fundadas em religiões de matriz africana é definida como racismo estrutural, que pode gerar danos morais coletivos e individuais, sendo que a responsabilidade pode atingir os indivíduos que praticaram os atos discriminatórios e também os Entes Públicos que não coibirem tal conduta. (Procurador do Trabalho MPT 2020 correta) O chamado racismo institucional ou sistêmico pode ser compreendido como mecanismo estrutural que garante a exclusão seletiva de grupos racialmente subordinados, a exemplo, na realidade brasileira, de negros, indígenas e ciganos. (Defensor DPERJ 2021 FGV correta) “O recrudescimento cautelar do sistema de controle brasileiro refletiu os objetivos reais e ideais de um país racista que tinha como problema maior a questão negra, calcada emtermos genocidas como condição de sobrevivência da sua falsa branquidade. Contexto que impôs uma cisão em nosso Direito Penal: ao lado do Direito Penal declarado para os cidadãos, alicerçado no Direito Penal do fato construído às luzes do Classicismo, o Direito Penal paralelo para os “subcidadãos”, legitimado no Direito Penal do autor consolidado pela tradução marginal do paradigma racial-etiológico, que, por sua vez, situa seu fundamento na periculosidade que exala dos corpos negros, um sistema outrora identificado por Lola Aniyar de Castro (2005, p. 96) como “subterrâneo” que aqui jamais se ocultou, sendo operacionado sob os olhos de quem quiser enxergar.” (GÓES, Luciano. Abolicionismo penal? Mas qual abolicionismo, “cara pálida”?. Revista InSURgência. Brasília. Ano 3. v.3. n.2. B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 9 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br 2017. Pg. 98). Considerando a afirmativa acima, é possível compreender o fenômeno do encarceramento em massa no Brasil, sob o ponto de vista empírico e teórico, a partir da correlação entre: o racismo estrutural e o direito penal do inimigo; (Advogado Prefeitura de Formiga/MG 2020 Consulplan correta) O racismo institucional é o fracasso das instituições e organizações em prover um serviço profissional e adequado às pessoas em virtude de sua cor, cultura, origem racial ou étnica. Ele se manifesta em normas, práticas e comportamentos discriminatóriosadotados no cotidiano do trabalho, os quais são resultantes do preconceito racial, uma atitude que combina estereótipos racistas, falta de atenção e ignorância. Em qualquer caso, o racismo institucional sempre coloca pessoas de grupos raciais ou étnicos discriminados em situação de desvantagem no acesso a benefícios gerados pelo Estado e por demais instituições e organizações.Das alternativas a seguir, assinale a que evidencia manifestação do racismo institucional. Concepção pela qual se conferem privilégios e desvantagens a determinados grupos em razão da raça, normalizando estes atos por meio do poder e da dominação. (Psicólogo Prefeitura de Salvador/BA 2019 FGV correta) A prática de racismo institucional é marcada pelo tratamento diferenciado e desigual, efetivada em estruturas públicas e privadas, indicando a falha do Estado em prover assistência igualitária aos diferentes grupos sociais. 5. As MEDIDAS ESPECIAIS ou de AÇÃO AFIRMATIVA adotadas com a finalidade de assegurar o gozo ou exercício, em condições de igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades fundamentais de grupos que requeiram essa proteção não constituirão discriminação racial, desde que essas medidas não levem à manutenção de direitos separados para grupos diferentes e não se perpetuem uma vez alcançados seus objetivos. 6. INTOLERÂNCIA é um ato ou conjunto de atos ou manifestações que denotam desrespeito, rejeição ou desprezo à dignidade, características, convicções ou opiniões de pessoas por serem diferentes ou contrárias. Pode manifestar-se como a marginalização e a exclusão de grupos em condições de VULNERABILIDADE da participação em qualquer esfera da vida pública ou privada ou como violência contra esses grupos. CAPÍTULO II DIREITOS PROTEGIDOS Artigo 2 Todo ser humano é igual perante a lei e tem direito à igual proteção contra o racismo, a discriminação racial e formas correlatas de intolerância, em qualquer esfera da vida pública ou privada. Artigo 3 Todo ser humano tem direito ao reconhecimento, gozo, exercício e proteção, em condições de igualdade, tanto no plano individual como no coletivo, de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais consagrados na legislação interna e nos instrumentos internacionais aplicáveis aos Estados Partes. CAPÍTULO III DEVERES DO ESTADO Artigo 4 Os Estados comprometem-se a PREVENIR, ELIMINAR, PROIBIR e PUNIR, de acordo com suas normas constitucionais e com as disposições desta Convenção, todos os atos e manifestações de racismo, discriminação racial e formas correlatas de intolerância, inclusive: (OS ESTADOS COMPROMETEM-SE A PREVENIR, ELIMINAR, PROIBIR E PUNIR...) i. APOIO público ou privado a atividades racialmente discriminatórias e racistas ou que promovam a intolerância, incluindo seu financiamento; ii. PUBLICAÇÃO, CIRCULAÇÃO ou DIFUSÃO, por qualquer forma e/ou meio de comunicação, inclusive a internet, de qualquer material racista ou racialmente discriminatório que: a) defenda, promova ou incite o ódio (ex.: Caso Ellwanger – antissemitismo como crime de racismo; hate speech – discurso de ódio), a discriminação e a intolerância; e b) tolere, justifique ou defenda atos que constituam ou tenham constituído genocídio ou crimes contra a humanidade, conforme definidos pelo Direito Internacional, ou promova ou incite a prática desses atos; Corte IDH: crimes contra a humanidade são imprescritíveis, pois norma de Direito Internacional Geral (jus cogens) Segundo a Corte IDH, no julgamento do Caso Almonacid Arellano, os crimes contra a humanidade são imprescritíveis, pois norma de Direito Internacional Geral (jus cogens): “Mesmo que o Chile não tenha ratificado essa Convenção [sobre a Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e dos Crimes contra a Humanidade, de 1968], esta Corte considera que a imprescritibilidade dos crimes de lesa-humaindade surge como norma de Direito Internacional Geral (jus cogens), que não nasce com a Convenção, mas que está nela reconhecida. Consequentemente, o Chile não pode deixar de cumprir essa norma imperativa”. Em sentido contrário (STF, Ext 1362): “A circunstância de o Estado requerente ter qualificado os delitos imputados ao extraditando como de lesa- humanidade não afasta a sua prescrição, porquanto (a) o Brasil não subscreveu a Convenção sobre a Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e dos Crimes contra a Humanidade, nem aderiu a ela; e (b) apenas lei interna pode dispor sobre prescritibilidade ou imprescritibilidade da pretensão estatal de punir (cf. ADPF 153, Relator(a): Min. EROS GRAU, voto do Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, Dje de 6.8.2010). 4. O indeferimento da extradição com base nesses fundamentos não ofende o art. 27 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (Decreto 7.030/2009), uma vez que não se trata, no presente caso, de invocação de limitações de direito interno para justificar o inadimplemento do tratado de extradição firmado entre o Brasil e a Argentina, mas sim de simples incidência de limitação veiculada pelo próprio tratado, o qual veda a concessão da extradição “quando a ação ou a pena já estiver prescrita, segundo as leis do Estado requerente ou requerido” (art. III, c).” (STF. Plenário. Ext 1362. Rel. Min. Edson Fachin. Rel. p/ Acórdão Teori Zavascki, j. 09/11/2016). É necessária a edição de lei em sentido formal para a tipificação do crime contra a humanidade trazida pelo Estatuto de Roma, mesmo se cuidando de Tratado internalizado A definição dos crimes de lesa-humanidade, também chamados de crimes contra a humanidade, pode ser encontrada no Estatuto de Roma, promulgado no Brasil por força do Decreto nº 4.388/2002. No Brasil, no entanto, ainda não há lei que tipifique os crimes contra a humanidade. Diante da ausência de lei interna tipificando os crimes contra a humanidade, não é possível utilizar tipo penal descrito em tratado internacional para tipificar condutas internamente, sob pena de se violar o princípio da legalidade (art. 5º, XXXIX, da CF/88). B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 10 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.brDessa maneira, não se mostra possível internalizar a tipificação do crime contra a humanidade trazida pelo Estatuto de Roma, mesmo se cuidando de Tratado internalizado por meio do Decreto n. 4.388, porquanto não há lei em sentido formal tipificando referida conduta. STJ. 3ª Seção. REsp 1798903-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 25/09/2019 (Info 659). Buscador Dizer o Direito: https://bit.ly/3zSHEYq. É necessária a edição de lei em sentido formal para a tipificação do crime contra a humanidade trazida pelo Estatuto de Roma, mesmo se cuidando de Tratado internalizado. Questão (Defensor DPEMS 2022 FGV correta) O discurso de ódio (hate speech) racial é a manifestação de ideias que incitam a intolerância e a discriminação de raça contra determinado grupo, extrapolando ilegalmente a liberdade de expressão, com violação à Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial. Tal convenção prevê que os Estados-partes condenem a discriminação racial e comprometam-se a adotar, por todos os meios apropriados e sem tardar, uma política de eliminação da discriminação racial em todas as suas formas e de promoção de entendimento entre todas as raças, e, para esse fim, cada Estado-parte: compromete-se a não encorajar, defender ou apoiar a discriminação racial praticada por uma pessoa ou uma organização qualquer. Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (Decreto 4.388/2002) CRIME DE GENOCÍDIO Artigo 6º Crime de Genocídio Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por "GENOCÍDIO", qualquer um dos atos que a seguir se enumeram, praticado com intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, enquanto tal: a) Homicídio de membros do grupo; b) Ofensas graves à integridade física ou mental de membros do grupo; c) Sujeição intencional do grupo a condições de vida com vista a provocar a sua destruição física, total ou parcial; d) Imposição de medidas destinadas a impedir nascimentos no seio do grupo; e) Transferência, à força, de crianças do grupo para outro grupo. CRIMES CONTRA A HUMANIDADE Artigo 7º Crimes contra a Humanidade 1. Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por "CRIME CONTRA A HUMANIDADE", qualquer um dos atos seguintes, quando cometido no quadro de um ataque, generalizado ou sistemático, contra qualquer população civil, havendo conhecimento desse ataque: a) Homicídio; b) Extermínio; c) Escravidão; d) Deportação ou transferência forçada de uma população; e) Prisão ou outra forma de privação da liberdade física grave, em violação das normas fundamentais de direito internacional; f) Tortura; g) Agressão sexual, escravatura sexual, prostituição forçada, gravidez forçada, esterilização forçada ou qualquer outra forma de violência no campo sexual de gravidade comparável; h) Perseguição de um grupo ou coletividade que possa ser identificado, por motivos políticos, raciais, nacionais, étnicos, culturais, religiosos ou de gênero, tal como definido no parágrafo 3º, ou em função de outros critérios universalmente reconhecidos como inaceitáveis no direito internacional, relacionados com qualquer ato referido neste parágrafo ou com qualquer crime da competência do Tribunal; i) Desaparecimento forçado de pessoas; j) Crime de apartheid; k) Outros atos desumanos de caráter semelhante, que causem intencionalmente grande sofrimento, ou afetem gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental. 2. Para efeitos do parágrafo 1º: a) Por "ataque contra uma população civil" entende-se qualquer conduta que envolva a prática múltipla de atos referidos no parágrafo 1o contra uma população civil, de acordo com a política de um Estado ou de uma organização de praticar esses atos ou tendo em vista a prossecução dessa política; b) O "extermínio" compreende a sujeição intencional a condições de vida, tais como a privação do acesso a alimentos ou medicamentos, com vista a causar a destruição de uma parte da população; c) Por "ESCRAVIDÃO" entende-se o exercício, relativamente a uma pessoa, de um poder ou de um conjunto de poderes que traduzam um direito de propriedade sobre uma pessoa, incluindo o exercício desse poder no âmbito do tráfico de pessoas, em particular mulheres e crianças; d) Por "deportação ou transferência à força de uma população" entende-se o deslocamento forçado de pessoas, através da expulsão ou outro ato coercivo, da zona em que se encontram legalmente, sem qualquer motivo reconhecido no direito internacional; e) Por "tortura" entende-se o ato por meio do qual uma dor ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são intencionalmente causados a uma pessoa que esteja sob a custódia ou o controle do acusado; este termo não compreende a dor ou os sofrimentos resultantes unicamente de sanções legais, inerentes a essas sanções ou por elas ocasionadas; f) Por "gravidez à força" entende-se a privação ilegal de liberdade de uma mulher que foi engravidada à força, com o propósito de alterar a composição étnica de uma população ou de cometer outras violações graves do direito internacional. Esta definição não pode, de modo algum, ser interpretada como afetando as disposições de direito interno relativas à gravidez; g) Por "perseguição'' entende-se a privação intencional e grave de direitos fundamentais em violação do direito internacional, por motivos relacionados com a identidade do grupo ou da coletividade em causa; B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 11 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br h) Por "crime de APARTHEID" entende-se qualquer ato desumano análogo aos referidos no parágrafo 1°, praticado no contexto de um regime institucionalizado de opressão e domínio sistemático de um grupo racial sobre um ou outros grupos nacionais e com a intenção de manter esse regime; i) Por "desaparecimento forçado de pessoas" entende-se a detenção, a prisão ou o seqüestro de pessoas por um Estado ou uma organização política ou com a autorização, o apoio ou a concordância destes, seguidos de recusa a reconhecer tal estado de privação de liberdade ou a prestar qualquer informação sobre a situação ou localização dessas pessoas, com o propósito de lhes negar a proteção da lei por um prolongado período de tempo. 3. Para efeitos do presente Estatuto, entende-se que o termo "gênero" abrange os sexos masculino e feminino, dentro do contexto da sociedade, não lhe devendo ser atribuído qualquer outro significado. Questões (Juiz STM 2013 Cespe correta) De acordo com o Estatuto de Roma, instrumento que instituiu o TPI, são considerados crimes contra a humanidade a escravidão e o apartheid cometidos em caso de ataque generalizado ou sistemático contra qualquer população civil. (Procurador do Trabalho MPT 2013 correta) A escravidão, a agressão sexual, a escravatura sexual, a prostituição forçada e o crime de apartheid são expressamente previstos como crimes contra a humanidade no referido Estatuto. (Delegado PCSP 2018 Vunesp correta) No tocante ao Tribunal Penal Internacional, considerando o disposto, expressamente, no Estatuto de Roma, o Tribunal terá competência para julgar o genocídio, os crimes contra a humanidade, os crimes de guerra e os crimes de agressão. (Juiz Federal TRF5R 2013 Cespe correta) O crime de apartheid é praticado no contexto de um regime institucionalizado de opressão e domínio sistemático de um grupo racial sobre um ou mais grupos nacionais e com a intenção de manter esse regime. (Defensor DPEMS 2022 FGV correta) Um exemplo de incompatibilidade entre o ER e a CRFB/1988 é a previsão de: pena de prisão perpétua no ER, ao passo que a CRFB/1988 veda pena de caráter perpétuo. iii. VIOLÊNCIA motivada por qualquer umdos critérios estabelecidos no Artigo 1.1 (discriminação racial); iv. ATIVIDADE CRIMINOSA em que os bens da vítima sejam alvos intencionais, com base em qualquer um dos critérios estabelecidos no Artigo 1.1 (discriminação racial); v. qualquer AÇÃO REPRESSIVA fundamentada em qualquer dos critérios enunciados no Artigo 1.1 (discriminação racial), em vez de basear-se no comportamento da pessoa ou em informações objetivas que identifiquem seu envolvimento em atividades criminosas; vi. RESTRIÇÃO, de maneira indevida ou não razoável, do exercício dos direitos individuais à propriedade, administração e disposição de bens de qualquer tipo, com base em qualquer dos critérios enunciados no Artigo 1.1 (discriminação racial); vii. qualquer DISTINÇÃO, EXCLUSÃO, RESTRIÇÃO ou PREFERÊNCIA aplicada a pessoas, devido a sua condição de vítima de discriminação múltipla ou agravada, cujo propósito ou resultado seja negar ou prejudicar o reconhecimento, gozo, exercício ou proteção, em condições de igualdade, dos direitos e liberdades fundamentais; viii. qualquer RESTRIÇÃO RACIALMENTE discriminatória do gozo dos direitos humanos consagrados nos instrumentos internacionais e regionais aplicáveis e pela jurisprudência dos tribunais internacionais e regionais de direitos humanos, especialmente com relação a minorias ou grupos em situação de vulnerabilidade e sujeitos à discriminação racial; ix. qualquer RESTRIÇÃO ou LIMITAÇÃO do uso de idioma, tradições, costumes e cultura das pessoas em atividades públicas ou privadas; x. ELABORAÇÃO e IMPLEMENTAÇÃO de material, métodos ou ferramentas pedagógicas que reproduzam estereótipos ou preconceitos, com base em qualquer critério estabelecido no Artigo 1.1 (discriminação racial) desta Convenção; xi. NEGAÇÃO do acesso à educação pública ou privada, bolsas de estudo ou programas de financiamento educacional, com base em qualquer critério estabelecido no Artigo 1.1 (discriminação racial) desta Convenção; xii. NEGAÇÃO do acesso a qualquer direito econômico, social e cultural, com base em qualquer critério estabelecido no Artigo 1.1 (discriminação racial) desta Convenção; xiii. realização de pesquisas ou aplicação dos resultados de PESQUISAS SOBRE O GENOMA HUMANO, especialmente nas áreas da biologia, genética e medicina, com vistas à seleção ou à clonagem humana, que extrapolem o respeito aos direitos humanos, às liberdades fundamentais e à dignidade humana, gerando qualquer forma de discriminação fundamentada em características genéticas; xiv. RESTRIÇÃO ou LIMITAÇÃO, com base em qualquer dos critérios enunciados no Artigo 1.1 (discriminação racial) desta Convenção, do direito de toda pessoa de obter acesso à água, aos recursos naturais, aos ecossistemas, à biodiversidade e aos serviços ecológicos que constituem o patrimônio natural de cada Estado, protegido pelos instrumentos internacionais pertinentes e suas próprias legislações nacionais, bem como de usá-los de maneira sustentável; e Direito Ambiental Princípio da não discriminação e do acesso equitativo aos recursos naturais “Há profunda injustiça na distribuição não só dos bens sociais no âmbito da nossa comunidade política, mas também na distribuição e no acesso aos recursos naturais, de modo que a população mais necessitada acaba por ter não só os seus direitos sociais violados, como também o seu direito a viver em um meio ambiente sadio, equilibrado e seguro. O tema dos necessitados e dos refugiados ambientais é elucidativo a respeito desse cenário de B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 12 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br injustiça ambiental e da falta de um acesso equitativo aos recursos naturais. (...) A falta de um acesso equânime aos recursos ambientais compromete o respeito pela vida e dignidade, especialmente dos grupos sociais vulneráveis. O fortalecimento da busca por justiça (socio)ambiental no Brasil transporta justamente essa mensagem, ou seja, de que, assim como os custos sociais do desenvolvimento recaem de modo desproporcional sobre a população carente, também os custos ambientais desse mesmo processo oneram de forma injusta a vida dessa população, embora, em termos gerais (o problema, em verdade, é de maior ou menor intensidade, guardando relação com a disponibilidade de recursos para evitar ou minimizar problemas causados pela degradação) todos, pobres e ricos, sejam afetados. Essa é a relevância do princípio da não discriminação e do acesso equitativo aos recursos naturais” (FENSTERSEIFER e SARLET, 2021). Estado de Justiça Ambiental (J. J. Gomes Canotilho) “O regime jurídico delineado pelo Estado de Direito contemporâneo, além de seguir comprometido com a justiça social (garantia de uma existência digna no que diz com acesso aos bens sociais básicos), assume, como realça José J. Gomes Canotilho, a condição de um Estado de Justiça Ambiental, o que, entre outros aspectos, implica a proibição de práticas discriminatórias que tenham a questão ambiental de fundo, como decisão, seleção, prática administrativa ou atividade material referente à tutela ecológica ou à transformação do território que onere injustamente indivíduos, grupos ou comunidade pertencentes a minorias populacionais em virtude de raça, situação econômica ou localização geográfica. (...) A justiça ambiental deve reforçar a relação entre direitos e deveres ambientais, objetivando uma redistribuição de bens sociais e ambientais capaz de assegurar o acesso aos recursos naturais de forma isonômica. O reconhecimento de um direito fundamental ao meio ambiente expressa, além de um conteúdo democrático, um forte componente redistributivo, uma vez que a consagração do meio ambiente como um bem comum de todos, tal como reconhecido no art. 225, caput, da CF/1988, harmoniza com a noção de um acesso universal e igualitário ao desfrute de uma qualidade de vida compatível com o pleno desenvolvimento da personalidade de cada pessoa humana, considerando, ainda, que tal concepção abrange os interesses das futuras gerações.” (FENSTERSEIFER e SARLET, 2021). FENSTERSEIFER, Tiago; SARLET, Ingo Wolfgang. Curso de direito ambiental..., Forense, 2021. O que é Justiça Ambiental? “Por Justiça Ambiental entenda-se o conjunto de princípios que asseguram que nenhum grupo de pessoas, sejam grupos étnicos, raciais ou de classe, suporte uma parcela desproporcional das consequências ambientais negativas de operações econômicas, de políticas e programas federais, estaduais e locais, bem como resultantes da ausência ou omissão de tais políticas” (HERCULANO, 2002). HERCULANO, Selene. Resenhando o debate sobre justiça ambiental: produção teórica, breve acervo de casos e a criação da rede brasileira de justiça ambiental. In: Revista Desenvolvimento e Meio Ambiente, nº. 5, p. 143-149, jan/jun. 2002. Editora UFPR. “A origem da discussão envolvendo a questão da justiça ambiental pode ser encontrada nos EUA. Todavia, é preciso chamar a atenção para o fato de que lá o tema, em boa parte, foi vinculado à luta em prol da afirmação dos direitos civis e ao enfrentamento da discriminação racial, o que inclusive ensejou a denominação de racismo ambiental. Desde o final da década de 1970, a partir de alguns episódios que ensejaram a mobilização social, alguns grupos de ativistas em favor dos direitos civis, inclusive recorrendo às instâncias judiciais, passaram a se articular para contestar a recorrente criação de aterros para a deposição de resíduos perigosos em áreas urbanas com predomínio de negros e pessoas de baixa renda. A repercussão política de tal mobilização social fez que a Agência de Proteção Ambiental norte-americana (Environmental Protection Agency – EPA) elaborasse,no ano de 1983, estudo específico sobre o tema intitulado Siting of Hazardous Waste Landfills and their Correlation with Racial and Economic Status of Surrounding Communities (Implantação de Aterros de Resíduos Perigosos e sua Correlação com o Status Racial e Econômico das Comunidades Vizinhas). O estudo, por sua vez, revelou que três dos quatro aterros de resíduos perigosos localizados na denominada Região 4 estabelecida pela EPA (integrada pelos oito Estados do sul dos EUA) estavam em áreas ocupadas predominantemente pela população negra, o que se agravava ainda mais pelo fato de a população negra representar apenas 20% da população de tais Estados. A partir de tal contexto, a articulação social em torno do movimento de justiça ambiental cresceu e se organizou significativamente.” (FENSTERSEIFER e SARLET, 2021). O que é Justiça Climática? (Analista FUNSAÚDE/CE FGV 2021 adaptada correta) O conceito de justiça climática é fundamental para entendermos o atual debate internacional sobre as mudanças climáticas. Ele é um desdobramento de justiça ambiental e mostra o paradoxo causado pelo atual modelo de desenvolvimento: as sociedades que mais sofrem as B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 13 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br consequências do aquecimento global são as que menos contribuíram para esse fenômeno. Nesse contexto, considera todos os seres humanos igualmente responsáveis pelos recursos e pela destruição da natureza, cujos impactos atingem indistintamente a humanidade. Além disso, a justiça climática argumenta que grupos sociais distintos têm responsabilidade diferenciada sobre o consumo dos recursos naturais e que, na análise dos riscos ambientais, deve ser considerada. Questão (Defensor DPESP 2015 FCC correta) O tema justiça ambiental tem sua origem associada, segundo parte da doutrina, às lutas raciais desenvolvidas pelos negros nos Estados Unidos, na década de 1980. (Defensor DPESP 2015 FCC correta) O tema justiça ambiental prioriza, como estratégia de efetivação de justiça ambiental, a realização de estudos técnicos divergentes como suporte às comunidades afetadas por empreendimentos que gerem riscos, em contraposição aos Estudos de Impacto Ambiental elaborados pelos empreendedores-poluidores. (Analista SABESP 2014 FCC correta) Os efeitos da crise ambiental são sentidos no cotidiano dos seres humanos, configurando-se o risco e vulnerabilidade ambiental a que determinados grupos sociais são submetidos, demandando dessa forma, o que se denomina justiça ambiental. A justiça ambiental é definida como um conjunto de princípios que asseguram que nenhum grupo de pessoas suporte uma parcela desproporcional das consequências ambientais negativas de operações econômicas, de políticas ou programas federais, estaduais e locais. O que é RACISMO AMBIENTAL? A expressão “racismo ambiental” (racismo meio ambiental ou ecorracismo) surgiu no ano de 1981 pelo líder afro-americano de direitos civis Benjamin Franklin Chavis Jr. A expressão surgiu em um contexto de manifestações do movimento negro contra injustiças ambientais. O autor da expressão, Benjamin Franklin Chavis Jr., cunhou o termo para se referir à: Discriminação racial no ataque deliberado às comunidades étnicas e minoritárias por meio de sua exposição à locais e instalações de resíduos tóxicos e perigosos, juntamente com a exclusão sistemática de minorias na elaboração, cumprimento e reparação das políticas ambientais. Wikipédia: Racismo ambiental. Disponível: https://bit.ly/3gviqq5. (Sociólogo Prefeitura de Betim/MG 2020 AOCP correta) O ecorracismo ou racismo ambiental é utilizado por pesquisas que investigam a relação entre os problemas ambientais e as condições de vulnerabilidade social enfrentadas pela população negra. xv. RESTRIÇÃO do acesso a locais públicos e locais privados franqueados ao público pelos motivos enunciados no Artigo 1.1 (discriminação racial) desta Convenção. Artigo 5 Os Estados Partes comprometem-se a adotar as políticas especiais e AÇÕES AFIRMATIVAS necessárias para assegurar o gozo ou exercício dos direitos e liberdades fundamentais das pessoas ou grupos sujeitos ao racismo, à discriminação racial e formas correlatas de intolerância, com o propósito de promover condições equitativas para a igualdade de oportunidades, inclusão e progresso para essas pessoas ou grupos. Tais medidas ou políticas não serão consideradas discriminatórias ou incompatíveis com o propósito ou objeto desta Convenção, não resultarão na manutenção de direitos separados para grupos distintos e não se estenderão além de um período razoável ou após terem alcançado seu objetivo. Artigo 6 Os Estados Partes comprometem-se a formular e implementar políticas cujo propósito seja proporcionar tratamento equitativo e gerar igualdade de oportunidades para todas as pessoas, em conformidade com o alcance desta Convenção; entre elas políticas de caráter educacional, medidas trabalhistas ou sociais, ou qualquer outro tipo de POLÍTICA PROMOCIONAL, e a divulgação da legislação sobre o assunto por todos os meios possíveis, inclusive pelos meios de comunicação de massa e pela internet. Artigo 7 Os Estados Partes comprometem-se a adotar LEGISLAÇÃO que defina e proíba expressamente o racismo, a discriminação racial e formas correlatas de intolerância, aplicável a todas as autoridades públicas, e a todos os indivíduos ou pessoas físicas e jurídicas, tanto no setor público como no privado, especialmente nas áreas de emprego, participação em organizações profissionais, educação, capacitação, moradia, saúde, proteção social, exercício de atividade econômica e acesso a serviços públicos, entre outras, bem como revogar ou reformar toda legislação que constitua ou produza racismo, discriminação racial e formas correlatas de intolerância. Material atualizado (sem custo adicional)! Quer saber mais pormenores sobre injúria racial e racismo? Acesse o material Disponível https://www.proleges.com.br/acc ount/assinatura-anual-completa Também disponível no BDOD. B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 14 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br Material atualizado (sem custo adicional)! Quer saber mais pormenores sobre injúria racial e racismo? Acesse o material Disponível https://www.proleges.com.br/acc ount/assinatura-anual-completa Também disponível no BDOD. A Lei nº 7.716/89 pode ser aplicada para punir as condutas homofóbicas e transfóbicas 1. Até que sobrevenha lei emanada do Congresso Nacional destinada a implementar os mandados de criminalização definidos nos incisos XLI e XLII do art. 5º da Constituição da República, as condutas homofóbicas e transfóbicas, reais ou supostas, que envolvem aversão odiosa à orientação sexual ou à identidade de gênero de alguém, por traduzirem expressões de racismo, compreendido este em sua dimensão social, ajustam-se, por identidade de razão e mediante adequação típica, aos preceitos primários de incriminação definidos na Lei nº 7.716, de 08.01.1989, constituindo, também, na hipótese de homicídio doloso, circunstância que o qualifica, por configurar motivo torpe (Código Penal, art. 121, § 2º, I, “in fine”); 2. A repressão penal à prática da homotransfobia não alcança nem restringe ou limita o exercício da liberdade religiosa, qualquer que seja a denominação confessional professada, a cujos fiéis e ministros (sacerdotes, pastores, rabinos, mulás ou clérigos muçulmanos e líderes oucelebrantes das religiões afro-brasileiras, entre outros) é assegurado o direito de pregar e de divulgar, livremente, pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, o seu pensamento e de externar suas convicções de acordo com o que se contiver em seus livros e códigos sagrados, bem assim o de ensinar segundo sua orientação doutrinária e/ou teológica, podendo buscar e conquistar prosélitos e praticar os atos de culto e respectiva liturgia, independentemente do espaço, público ou privado, de sua atuação individual ou coletiva, desde que tais manifestações não configurem discurso de ódio, assim entendidas aquelas exteriorizações que incitem a discriminação, a hostilidade ou a violência contra pessoas em razão de sua orientação sexual ou de sua identidade de gênero; 3. O conceito de racismo, compreendido em sua dimensão social, projeta-se para além de aspectos estritamente biológicos ou fenotípicos, pois resulta, enquanto manifestação de poder, de uma construção de índole histórico-cultural motivada pelo objetivo de justificar a desigualdade e destinada ao controle ideológico, à dominação política, à subjugação social e à negação da alteridade, da dignidade e da humanidade daqueles que, por integrarem grupo vulnerável (LGBTI+) e por não pertencerem ao estamento que detém posição de hegemonia em uma dada estrutura social, são considerados estranhos e diferentes, degradados à condição de marginais do ordenamento jurídico, expostos, em consequência de odiosa inferiorização e de perversa estigmatização, a uma injusta e lesiva situação de exclusão do sistema geral de proteção do direito. STF. Plenário. ADO 26/DF, Rel. Min. Celso de Mello; MI 4733/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em em 13/6/2019 (Info 944). Buscador Dizer o Direito: https://bit.ly/31VjyQ5. A incitação de ódio público feita por líder religioso contra outras religiões pode configurar o crime de racismo A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus seguidores não está protegida pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão. Assim, é possível, a depender do caso concreto, que um líder religioso seja condenado pelo crime de racismo (art. 20, §2º, da Lei nº 7.716/89) por ter proferido discursos de ódio público contra outras denominações religiosas e seus seguidores. STF. 2ª Turma. RHC 146303/RJ, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/3/2018 (Info 893). Atenção. Compare com RHC 134682/BA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/11/2016 (Info 849). Buscador Dizer o Direito: https://bit.ly/3GrBUY6. Questão (Procurador PGERS 2015 Fundatec correta) Ao tratar do alcance da liberdade de expressão em relação ao chamado “discurso do ódio” (hate speech), o STF sustentou que: O direito à liberdade de expressão é um direito relativo, objeto de ponderação, à luz dos princípios da dignidade humana, proporcionalidade e razoabilidade, não podendo acolher a incitação ao ódio racial ou religioso. Artigo 8 Os Estados Partes comprometem-se a garantir que a adoção de medidas de qualquer natureza, inclusive aquelas em matéria de SEGURANÇA (PÚBLICA OU PRIVADA), não discrimine direta ou indiretamente pessoas ou grupos com base em qualquer critério mencionado no Artigo 1.1 desta Convenção (discriminação racial). Artigo 9 Os Estados Partes comprometem-se a garantir que seus SISTEMAS políticos e jurídicos reflitam adequadamente a diversidade de suas sociedades, a fim de atender às necessidades legítimas de todos os setores da população, de acordo com o alcance desta Convenção. Artigo 10 Os Estados Partes comprometem-se a garantir às VÍTIMAS do racismo, discriminação racial e formas correlatas de intolerância um tratamento equitativo e não discriminatório, acesso igualitário ao sistema de justiça, processo ágeis e eficazes e reparação justa nos âmbitos civil e criminal, conforme pertinente. Artigo 11 B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 15 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br Os Estados Partes comprometem-se a considerar AGRAVANTES os atos que resultem em discriminação múltipla ou atos de intolerância, ou seja, qualquer distinção, exclusão ou restrição baseada em dois ou mais critérios enunciados nos Artigos 1.1 (discriminação racial) e 1.3 (discriminação múltipla ou agravada) desta Convenção. Artigo 12 Os Estados Partes comprometem-se a realizar PESQUISAS sobre a natureza, as causas e as manifestações do racismo, da discriminação racial e formas correlatas de intolerância em seus respectivos países, em âmbito local, regional e nacional, bem como coletar, compilar e divulgar dados sobre a situação de grupos ou indivíduos que sejam vítimas do racismo, da discriminação racial e formas correlatas de intolerância. Artigo 13 Os Estados Partes comprometem-se a estabelecer ou designar, de acordo com sua legislação interna, uma INSTITUIÇÃO NACIONAL que será responsável por monitorar o cumprimento desta Convenção, devendo informar essa instituição à Secretaria-Geral da OEA. Artigo 14 Os Estados Partes comprometem-se a promover a COOPERAÇÃO INTERNACIONAL com vistas ao intercâmbio de ideias e experiências, bem como a executar programas voltados à realização dos objetivos desta Convenção. CAPÍTULO IV MECANISMOS DE PROTEÇÃO E ACOMPANHAMENTO DA CONVENÇÃO Artigo 15 A fim de monitorar a implementação dos compromissos assumidos pelos Estados Partes na Convenção: i. qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não governamental juridicamente reconhecida em um ou mais Estados membros da Organização dos Estados Americanos, pode apresentar à Comissão Interamericana de Direitos Humanos PETIÇÕES (= PETICIONAMENTO INDIVIDUAL) que contenham denúncias ou queixas de violação desta Convenção por um Estado Parte. Além disso, qualquer Estado Parte pode, quando do depósito de seu instrumento de ratificação desta Convenção ou de adesão a ela, ou em qualquer momento posterior, declarar que reconhece a competência da Comissão para receber e examinar as comunicações em que um Estado Parte alegue que outro Estado Parte incorreu em violações dos direitos humanos dispostas nesta Convenção (COMUNICAÇÃO INTERESTATAL). Nesse caso, serão aplicáveis todas as normas de procedimento pertinentes constantes da Convenção Americana sobre Direitos Humanos assim como o Estatuto e o Regulamento da Comissão; ii. os Estados Partes poderão consultar a Comissão sobre questões relacionadas com a aplicação efetiva desta Convenção. Poderão também solicitar à Comissão assessoria e cooperação técnica para assegurar a aplicação efetiva de qualquer disposição desta Convenção. A Comissão, na medida de sua capacidade, proporcionará aos Estados Partes os serviços de assessoria e assistência solicitados; iii. qualquer Estado Parte poderá, ao depositar seu instrumento de ratificação desta Convenção ou de adesão a ela, ou em qualquer momento posterior, declarar que reconhece como obrigatória, de pleno direito, e sem acordo especial, a competência da Corte Interamericana de Direitos Humanos em todas as matérias referentes à interpretação ou aplicação desta Convenção. Nesse caso, serão aplicáveis todas as normas de procedimento pertinentes constantes da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, bem como o Estatuto e o Regulamento da Corte; iv. será estabelecido um Comitê Interamericano para a Prevenção e Eliminação do Racismo, Discriminação Racial e Todas as Formas de Discriminação e Intolerância, o qual será constituído por 1 perito nomeado por cada Estado Parte, que exercerá suas funções de maneira independente e cuja tarefa será monitorar os compromissos assumidos nesta Convenção. O Comitê também será responsável por monitorar oscompromissos assumidos pelos Estados que são partes na Convenção Interamericana contra Toda Forma de Discriminação e Intolerância. O Comitê será criado quando a primeira das Convenções entrar em vigor, e sua primeira reunião será convocada pela Secretaria-Geral da OEA uma vez recebido o décimo instrumento de ratificação de qualquer das Convenções. A primeira reunião do Comitê será realizada na sede da Organização, três meses após sua convocação, para declará-lo constituído, aprovar seu Regulamento e metodologia de trabalho e eleger suas autoridades. Essa reunião será presidida pelo representante do país que depositar o primeiro instrumento de ratificação da Convenção que estabelecer o Comitê; e v. o Comitê será o foro para intercambiar ideias e experiências, bem como examinar o progresso alcançado pelos Estados Partes na implementação desta Convenção, e qualquer circunstância ou dificuldade que afete seu cumprimento em alguma medida. O referido Comitê poderá recomendar aos Estados Partes que adotem as medidas apropriadas. Com esse propósito, os Estados Partes comprometem-se a apresentar um RELATÓRIO (PERIÓDICO) ao Comitê, transcorrido 1 ano da realização da primeira reunião, com o cumprimento das obrigações constantes desta Convenção. Dos relatórios que os Estados Partes apresentarem ao Comitê também constarão dados e estatísticas desagregados sobre os grupos vulneráveis. Posteriormente, os Estados Partes apresentarão relatórios a cada 4 anos. A Secretaria-Geral da OEA proporcionará ao Comitê o apoio necessário para o cumprimento de suas funções. Mecanismos de monitoramento previstos na Convenção Interamericana contra o Racismo 1. Relatórios periódicos; 2. Comunicação interestatal; 3. Peticionamento individual. Convenção Interamericana contra o Racismo (mecanismos de monitoramento: COMPETÊNCIA) PETICIONAMENTO INDIVIDUAL (art. 15.i) ➔ Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). COMUNICAÇÃO INTERESTATAL (art. 15.i) ➔ Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). B u scad o r D izer o D ireito - w w w .b u scad o rd izero d ireito .co m .b r D isponibilizado para: E D N A R D O S ILV A C O S T A | ednardo.costa262@ gm ail.com | C P F : 095.575.497-69 Pág. 16 de 17 buscadordizerodireito.com.br / proleges.com.br RELATÓRIOS PERIÓDICOS (art. 15.v) ➔ Comitê Interamericano para a Prevenção e Eliminação do Racismo, Discriminação Racial e Todas as Formas de Discriminação e Intolerância. CAPÍTULO V DISPOSIÇÕES GERAIS Artigo 16 Interpretação 1. Nenhuma disposição desta Convenção será interpretada no sentido de restringir ou limitar a legislação interna de um Estado Parte que ofereça proteção e garantias iguais ou superiores às estabelecidas nesta Convenção. 2. Nenhuma disposição desta Convenção será interpretada no sentido de restringir ou limitar as convenções internacionais sobre direitos humanos que ofereçam proteção igual ou superior nessa matéria. Artigo 17 Depósito O instrumento original desta Convenção, cujos textos em espanhol, francês, inglês e português são igualmente autênticos, será depositado na Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos. Artigo 18 Assinatura e ratificação 1. Esta Convenção está aberta à assinatura e ratificação por parte de todos os Estados membros da Organização dos Estados Americanos. Uma vez em vigor, esta Convenção será aberta à adesão de todos os Estados que não a tenham assinado. 2. Esta Convenção está sujeita à ratificação pelos Estados signatários de acordo com seus respectivos procedimentos constitucionais. Os instrumentos de ratificação ou adesão serão depositados na Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos. Artigo 19 Reservas Os Estados Partes poderão apresentar reservas (Brasil não apresentou reservas à Convenção Interamericana contra o Racismo) a esta Convenção quando da assinatura, ratificação ou adesão, desde que não sejam incompatíveis com seu objetivo e propósito e se refiram a uma ou mais disposições específicas. Artigo 20 Entrada em vigor 1. Esta Convenção entrará em vigor no trigésimo dia a partir da data em que se depositar o segundo instrumento de ratificação ou de adesão na Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos. 2. Para cada Estado que ratificar esta Convenção, ou a ela aderir, após o depósito do segundo instrumento de ratificação ou adesão, a Convenção entrará em vigor no trigésimo dia a partir da data em que tal Estado tenha depositado o respectivo instrumento. Artigo 21 Denúncia Esta Convenção permanecerá em vigor indefinidamente, mas qualquer Estado Parte poderá denunciá-la mediante notificação por escrito dirigida ao Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos. Os efeitos da Convenção cessarão para o Estado que a denunciar um ano após a data de depósito do instrumento de denúncia, permanecendo em vigor para os demais Estados Partes. A denúncia não eximirá o Estado Parte das obrigações a ele impostas por esta Convenção com relação a toda ação ou omissão anterior à data em que a denúncia produziu efeito. Artigo 22 Protocolos adicionais Qualquer Estado Parte poderá submeter à consideração dos Estados Partes reunidos em Assembleia Geral projetos de protocolos adicionais a esta Convenção, com a finalidade de incluir gradualmente outros direitos em seu regime de proteção. Cada protocolo determinará a maneira de sua entrada em vigor e se aplicará somente aos Estados que nele sejam partes. Material atualizado (sem custo adicional)! 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