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Convenção Interamericana Contra o Racismo

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10/02/2022 
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SUMÁRIO 
DIREITOS HUMANOS .................................................................................................................................................................. 2 
TRATADO INTERNACIONAL DO SISTEMA INTERAMERICANO ................................................................................................... 2 
CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA O RACISMO: DECRETO 10.932/2022.................................................................................................... 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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DIREITOS 
HUMANOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 EVENTUAL ATUALIZAÇÃO DESTE MATERIAL FICARÁ DISPONÍVEL NESTE LINK: 
https://1drv.ms/b/s!Augn79MQplfRhJBEAuzkjaXSvlh8Rw?e=Guz7gf 
 
 
TRATADO INTERNACIONAL 
DO SISTEMA INTERAMERICANO 
 
CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA O RACISMO: 
DECRETO 10.932/2022 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que 
lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e 
Considerando que a República Federativa do Brasil firmou 
a Convenção Interamericana contra o Racismo, a 
Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, na 
Guatemala, em 5 de junho de 2013; 
Considerando que o Congresso Nacional aprovou a 
Convenção, por meio do Decreto Legislativo nº 1, de 18 de 
fevereiro de 2021, conforme o procedimento de que trata 
o § 3º do art. 5º da Constituição (A CONVENÇÃO 
INTERAMERICANA CONTRA O RACISMO FOI APROVADA 
COM STATUS DE EMENDA CONSTITUCIONAL); 
Atualmente, então, são 4 os tratados internacionais 
internalizados no ordenamento jurídico brasileiro 
com status de emenda constitucional: 
1. 
Convenção Internacional sobre os Direitos das 
Pessoas com Deficiência; [1] 
2. 
Protocolo Facultativo da Convenção Internacional 
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência; [2] 
3. 
Tratado de Marraqueche (para facilitar o acesso a 
obras publicadas às pessoas cegas, com deficiência 
visual ou com outras dificuldades para ter acesso ao 
texto impresso); 
4. 
Convenção Interamericana contra o Racismo. 
 Novidade importante 2022 
[1] Também chamada de "Convenção de Nova York"; "Convenção da ONU 
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência". 
[2] Também chamado “Protocolo Adicional da Convenção Internacional sobre 
os Direitos das Pessoas com Deficiência”. 
 
Questão 
 (Defensor DPESP 2019 FCC correta) É documento 
internacional de direitos humanos incorporado ao 
ordenamento jurídico brasileiro sob o rito estabelecido pelo 
artigo 5º, parágrafo 3º, da Constituição Federal: Tratado de 
Marraqueche para Facilitar o Acesso a Obras Publicadas às 
Pessoas Cegas, com Deficiência Visual ou com Outras 
Dificuldades para ter Acesso ao Texto Impresso. 
 
Qual é a natureza jurídica dos tratados internacionais 
promulgados pelo Brasil? Os tratados internacionais são 
equivalentes a que espécie normativa? 
1. 
Tratados internacionais que não 
tratem sobre direitos humanos; 
Status de lei 
ordinária 
2. 
Tratados internacionais que 
versem sobre direitos humanos, 
mas que não tenham sido 
aprovados na forma do art. 5º, § 3º, 
da CF/88 (acrescentado pela EC 
45/2004). 
 (Procurador PGERO 2022 Cespe correta) 
A Emenda Constitucional n.º 45/2004 
institui uma dupla hierarquia para os 
tratados internacionais de direitos 
humanos. 
Status 
supralegal 
3. 
Tratados internacionais sobre 
Direito Tributário (art. 98 do CTN) 
Status 
supralegal[1] 
4. 
Tratados internacionais sobre 
matéria processual civil (art. 13 do 
CPC/2015) 
Status 
supralegal[1] 
5. 
Tratados internacionais que 
versem sobre direitos humanos e 
que tenham sido aprovados na 
forma do art. 5º, § 3º, da CF/88 
(acrescentado pela EC 45/2004). 
 (Procurador PGERO 2022 Cespe correta) 
A Emenda Constitucional n.º 45/2004 
institui uma dupla hierarquia para os 
tratados internacionais de direitos 
humanos. 
Emenda 
constitucional 
[1] Posição defendida por Paulo Portela (Direito Internacional Público e 
Privado. Salvador: Juspodivm, 2021, p. 152) e pela maioria dos 
internacionalistas. Vale ressaltar, contudo, que o tema é polêmico e que há 
posições em sentido contrário, especialmente entre os autores de Direito 
Tributário. Para fins de prova, acho importante conhecer a redação da 
previsão legal: 
CTN, art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam 
ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados 
pela que lhes sobrevenha. 
CPC/2015, art. 13. A jurisdição civil será regida pelas normas 
processuais brasileiras, ressalvadas as disposições específicas 
previstas em tratados, convenções ou acordos internacionais de 
que o Brasil seja parte. 
 Conteúdo (Dizer o Direito): https://bit.ly/33qpUY7. 
 
Dúvidas mais frequentes no tocante ao tema da hierarquia 
dos tratados de direitos humanos 
NOÇÃO CORRETA 
O Brasil não adota nem nunca recepcionou a 
supraconstitucionalidade dos tratados. 
Tratados de direitos humanos não mais têm hierarquia de lei 
ordinária. 
Os tratados de direitos humanos não estão acima da 
Constituição. Logo, não confundir 
“supraconstitucionalidade” com “supralegalidade”. 
Depois da EC 45/2014, apenas os tratados de direitos 
humanos aprovado no rito especial do § 3º do art. 5º da 
CF/88 têm status de emenda constitucional: 
CF/88, art. 5º (...) 
AUTOR: MARCO TORRANO 
INSTAGRAM: @MARCOAVTORRANO/@PROLEGES 
E-MAIL: PROLEGESMARCOTORRANO@GMAIL.COM 
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§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre 
direitos humanos que forem aprovados, em cada 
Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por 
três quintos dos votos dos respectivos membros, 
serão equivalentes às emendas constitucionais. 
O mínimo de votos necessários para aprovação dos tratados 
de direitos humanos, para fins do § 3º do art. 5º da CF, é de 
3/5 dos membros, em 2 turnos, de cada Casa do Congresso 
Nacional. 
Todos os tratados, de direitos humanos ou não, são sempre 
aprovados pelas duas Casas do Congresso Nacional, embora 
apenas os tratados de direitos humanos possam enfrentar 
dois turnos de votação. 
1. Tratados em geral: 
● Infraconstitucionalidade: tratados equivalem à lei ordinária e submetidos 
também aos critérios cronológicos e da especialidade. 
2. Tratados de direitos humanos: 
● Entendimento da doutrina após o art. 5º, § 2º, da CF/88: status 
constitucional. 
● Entendimento tradicional do STF num primeiro momento: equivalência com 
a lei ordinária. 
● Novos entendimentos do STF para os tratados anteriores à EC/45: 
supralegalidade (majoritário) e constitucionalidade material (minoritário). 
● Abandono do entendimento de que os tratados de direitos seriam 
equivalentes à lei ordinária. 
● Tratados de direitos humanos aprovados nos termos do procedimento 
previsto no art. 5.º, § 3º, da CF (EC/45): status de emenda constitucional 
(constitucionalidade material e formal). 
3. Tratados de direito tributário: 
● Tendência à supralegalidade. 
 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito internacional público e 
privado..., Juspodivm, 2021, p. 152/153. 
 
Considerando que o Governo brasileiro depositou, junto à 
Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos,em 
28 de maio de 2021, o instrumento de ratificação à Convenção 
e que esta entrou em vigor para a República Federativa do 
Brasil, no plano jurídico externo, em 27 de junho de 2021; 
DECRETA: 
Art. 1º Fica promulgada a Convenção Interamericana 
contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas 
de Intolerância, firmada na 43ª Sessão Ordinária da 
Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos, na 
Guatemala, em 5 de junho de 2013, anexa a este Decreto. 
Art. 2º São sujeitos à aprovação do Congresso Nacional 
atos que possam resultar em revisão da Convenção e ajustes 
complementares que acarretem encargos ou compromissos 
gravosos ao patrimônio nacional, nos termos do inciso I do 
caput do art. 49 da Constituição. 
Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua 
publicação. 
Brasília, 10 de janeiro de 2022; 201º da Independência e 
134º da República. 
JAIR MESSIAS BOLSONARO 
Carlos Alberto Franco França 
Este texto não substitui o publicado no DOU de 11.1.2022 
 
Processo de incorporação dos tratados internacionais de 
direitos humanos na ordem jurídica interna e suas fases 
Para que um tratado internacional seja formado é necessária 
a conjugação de vontades do Poder Executivo e do Poder 
Legislativo, daí falar em “TEORIA DA JUNÇÃO DE 
VONTADES” ou “TEORIA DOS ATOS COMPLEXOS” (adotada 
pelo Brasil), ocorrendo, assim, o processo de formação da 
vontade do Estado em celebrar e incorporar tratados 
internacionais de direitos humanos na ordem jurídica 
interna. 
1. 
1ª fase 
(fase da assinatura) 
Aqui, temos a negociação dos termos do tratado e 
a assinatura por parte do Estado, ambas — 
negociação e assinatura — de atribuição do 
Presidente da República. 
Após a assinatura, cabe ao Poder Executivo 
encaminhar o texto assinado do futuro tratado ao 
Congresso Nacional, no momento em que julgar 
oportuno (não há prazo, entendendo-se como ato 
discricionário do Presidente). 
2. 
2ª fase 
(fase da aprovação congressual 
ou fase do Decreto Legislativo) 
Ocorre a aprovação do texto do tratado pelo 
Congresso Nacional. 
 Atenção (rito especial/qualificado): a partir de 
2004, houve a inserção do § 3º do art. 5º da CF, que 
dispõe: “Os tratados e convenções internacionais 
sobre direitos humanos que forem aprovados, em 
cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, 
por três quintos dos votos dos respectivos membros, 
serão equivalentes às emendas constitucionais”. Ou 
seja, para que o tratado receba o qualificativo do 
rito do § 3º do art. 5º da CF, é necessário que o 
Decreto Legislativo seja aprovado, por maioria de 
3/5 e em dois turnos em cada Casa do Congresso 
Nacional. Sendo, ainda assim, obrigatório percorrer 
as demais fases (ratificação e promulgação). 
Exemplos de tratados aprovados de acordo com 
esse rito (= equivalentes à emenda constitucional, 
ou seja, com status de norma constitucional): 
(i) Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos 
das Pessoas com Deficiência 
(ii) e seu Protocolo Facultativo, 
(iii) o Tratado de Marraqueche para Facilitar o 
Acesso a Obras Publicadas às Pessoas Cegas, com 
Deficiência Visual ou com outras Dificuldades para 
ter Acesso ao Texto Impresso, bem como 
(iv) a Convenção Interamericana contra o Racismo. 
3. 
3ª fase 
(fase da ratificação) 
Trata-se fase da ratificação pelo Presidente da 
República, ato por meio do qual o Estado consente 
em obrigar-se aos termos do ato internacional 
(concluindo esta fase da ratificação, em regra, o 
tratado entra em vigor no plano internacional, o 
que pode ensejar a responsabilização internacional 
do Estado). 
Obs1. O Presidente pode formular reservas, além 
daquelas que obrigatoriamente lhe foram impostas 
pelas ressalvas ao texto aprovado pelo Congresso. A 
reserva é o ato unilateral pelo qual o Estado, no 
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momento da celebração final, manifesta seu desejo 
de excluir ou modificar o texto do tratado. 
Obs2. Não há a necessidade de submeter essas 
novas reservas ao Congresso. 
Obs3. Não há um prazo no qual o Presidente da 
República deve celebrar em definitivo o tratado. 
Obs4. O Presidente da República não é obrigado a 
ratificar. 
4. 
4ª fase 
(fase da promulgação, fase do Decreto Presidencial 
ou fase Decreto de Promulgação) 
Finalmente, aqui, ocorre a incorporação legislativa 
do tratado na ordem jurídica interna mediante 
decreto de promulgação do Presidente da 
República. 
Embora criticada por parte da doutrina, a qual 
enxerga no art. 5º, § 1º, da CF, uma imposição para 
que os tratados de direitos humanos sejam 
automaticamente incorporados e imediatamente 
aplicados, trata-se — a fase de promulgação — de 
uma fase exigida pelo STF (CR 8279-AgR, j. 17-6-
1998), sem a qual o tratado não tem vigor na 
ordem jurídica interna. Em 2018, essa posição do 
STF foi reiterada pelo TSE no caso da impugnação 
do registro da candidatura do ex-presidente Luiz 
Inácio Lula da Silva (Registro de Candidatura 
(11532) n. 0600903- 50.2018.6.00.0000, j. 31-8-
2018). 
Obs1. Não há prazo para sua edição, mas, ainda sem 
sua edição, o Brasil está vinculado 
internacionalmente (pois: superada a fase da 
ratificação), mas não internamente (fase da 
promulgação), o que — ainda assim — pode ensejar 
a responsabilização internacional do Estado. 
*Tabela baseada na obra RAMOS, André de Carvalho Ramos. Curso de Direitos 
Humanos..., 2021. 
 Obs1. O Congresso Nacional é obrigado a adotar o rito especial/qualificado 
do art. 5º, § 3º, da CF? Não. Porém, conforme entendimento do STF, se não 
adotado o rito especial do art. 5º, § 3º, da CF, o tratado internacional de 
direitos humanos ingressará na ordem jurídica interna com posição de norma 
supralegal. 
 Obs2. Pode o Congresso Nacional adotar o rito especial/qualificado do art. 
5º, § 3º, da CF, em outro momento? Sim. Ou seja, o Congresso Nacional pode 
ter aprovado inicialmente o tratado por maioria simples e, posteriormente, 
decida submetê-lo ao procedimento especial/qualificado do art. 5º, § 3º. 
Bloco de constitucionalidade restrito: os tratados internacionais de direitos 
humanos submetidos ao procedimento especial do art. 5º, § 3º, passam a 
integrar o bloco de constitucionalidade restrito. A consequência prática seria, 
por exemplo, a possibilidade de o tratado servir como parâmetro do controle 
concentrado de constitucionalidade. 
 Obs3. Há posição minoritária (Valerio de Oliveira Mazzuoli) de que o decreto 
de promulgação não seria necessário para que o tratado de direitos humanos 
passasse a vigorar na ordem jurídica interna: “Sem dúvida, é responsabilidade 
do governo promulgar e publicar tratados, mas a falta desses atos (até mesmo 
à luz do art. 27 da Convenção de Viena de 1969) não pode ser motivo para 
impedir aos cidadãos o acesso à justiça, uma vez que o tratado (de direitos 
humanos) em causa já se encontra ratificado pelo Estado (ou seja, o Brasil já 
é parte dessa normativa)” (MAZZUOLI, Curso de direitos humanos..., Método, 
2019). 
 
Questões 
 (Juiz TJGO 2021 FCC correta) Tratado internacional que 
venha a ser celebrado pela República Federativa do Brasil em 
matéria de proteção da igualdade será incorporado ao 
direito nacional e deverá ser cumprido em território 
brasileiro após sua aprovação pelo Congresso Nacional e 
posterior promulgação pelo Presidente da República, sendo 
equivalente à emenda constitucional desde que seja 
aprovado, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois 
turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros. 
 (Promotor MPEGO 2019 correta) Para valer no plano 
interno, o tratado de direitos humanos, conforme o 
entendimento do STF, depende da promulgação de um 
decreto executivo do Presidente da República autorizando a 
execução do tratado. 
 (Defensor DPEPR 2017 FCC correta)Segundo 
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, os tratados de 
direitos humanos serão incorporados pela ordem jurídica 
brasileira a partir da promulgação, por um decreto executivo 
do Presidente da República. 
 (Juiz do Trabalho TRT23R 2015 FCC correta) Considere um 
hipotético tratado internacional sobre direitos humanos 
ratificado pelo Brasil no ano de 2001. Seu processo de 
aprovação nacional perante o Congresso Nacional e 
posterior envio de carta de ratificação, bem como 
promulgação mediante decreto presidencial, foram 
regularmente completados. O tratado está em vigor 
internacional desde 2001, imediatamente após a ratificação 
nacional. Com relação a sua aplicação no Brasil, de acordo 
com a posição mais recente do Supremo Tribunal Federal − 
STF, esse tratado equivale a uma norma infraconstitucional 
mas supralegal, tendo sido aprovado, em cada Casa do 
Congresso Nacional, por maioria simples e turno único de 
votação. 
 (Promotor MPEGO 2019 incorreta) Segundo o STF, a 
aplicação dos tratados de direitos humanos na ordem 
jurídica brasileira pode se dar a partir da sua ratificação e 
depósito no cenário internacional, caso se constate mora 
irrazoável em promover a promulgação na ordem interna. 
 
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 Convenção Interamericana contra o Racismo 
CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA O RACISMO, A 
DISCRIMINAÇÃO RACIAL E FORMAS CORRELATAS DE 
INTOLERÂNCIA 
OS ESTADOS PARTES NESTA CONVENÇÃO, 
CONSIDERANDO que a dignidade inerente e a igualdade de 
todos os membros da família humana são princípios básicos 
da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Declaração 
Americana dos Direitos e Deveres do Homem, da Convenção 
Americana sobre Direitos Humanos e da Convenção 
Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de 
Discriminação Racial; 
 
 Material atualizado (sem custo adicional)! 
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Disponível 
 
https://www.proleges.com.br/produ
ct-page/2023-direitos-humanos 
 
REAFIRMANDO o firme compromisso dos Estados 
membros da Organização dos Estados Americanos com a 
erradicação total e incondicional do racismo, da discriminação 
racial e de todas as formas de intolerância, e sua convicção de 
que essas atitudes discriminatórias representam a negação 
dos valores universais e dos direitos inalienáveis e invioláveis 
da pessoa humana e dos propósitos e princípios consagrados 
na Carta da Organização dos Estados Americanos, na 
Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, na 
Convenção Americana sobre Direitos Humanos, na Carta 
Social das Américas, na Carta Democrática Interamericana, na 
Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Convenção 
Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de 
Discriminação Racial e na Declaração Universal sobre o 
Genoma Humano e os Direitos Humanos; 
RECONHECENDO o dever de se adotarem medidas 
nacionais e regionais para promover e incentivar o respeito e 
a observância dos direitos humanos e das liberdades 
fundamentais de todos os indivíduos e grupos sujeitos a sua 
jurisdição, sem distinção de raça, cor, ascendência ou origem 
nacional ou étnica; 
CONVENCIDOS de que os princípios da igualdade e da não 
discriminação entre os seres humanos SÃO CONCEITOS 
DEMOCRÁTICOS DINÂMICOS que propiciam a (i) promoção 
da igualdade jurídica efetiva e (ii) pressupõem uma obrigação 
por parte do Estado de adotar medidas especiais para 
proteger os direitos de indivíduos ou grupos que sejam vítimas 
da discriminação racial em qualquer esfera de atividade, seja 
pública ou privada, com vistas a promover condições 
equitativas para a igualdade de oportunidades, bem como 
combater a discriminação racial em todas as suas 
manifestações individuais, estruturais e institucionais; 
CONSCIENTES de que o fenômeno do racismo demonstra 
uma CAPACIDADE DINÂMICA DE RENOVAÇÃO que lhe 
permite assumir novas formas pelas quais se dissemina e se 
expressa política, social, cultural e linguisticamente; 
LEVANDO EM CONTA que as vítimas do racismo, da 
discriminação racial e de outras formas correlatas de 
intolerância nas Américas são, entre outras, 
afrodescendentes, povos indígenas, bem como outros 
grupos e minorias raciais e étnicas ou grupos que por sua 
ascendência ou origem nacional ou étnica são afetados por 
essas manifestações; 
CONVENCIDOS de que determinadas pessoas e grupos 
vivenciam formas múltiplas ou extremas de racismo, 
discriminação e intolerância, motivadas por uma combinação 
de fatores como raça, cor, ascendência, origem nacional ou 
étnica, ou outros reconhecidos em instrumentos 
internacionais; 
LEVANDO EM CONTA que uma sociedade pluralista e 
democrática deve respeitar a raça, cor, ascendência e origem 
nacional ou étnica de toda pessoa, pertencente ou não a uma 
minoria, bem como criar condições adequadas que lhe 
possibilitem expressar, preservar e desenvolver sua 
identidade; 
CONSIDERANDO que a experiência individual e coletiva de 
discriminação deve ser levada em conta para combater a 
exclusão e a marginalização com base em raça, grupo étnico 
ou nacionalidade e para PROTEGER O PROJETO DE VIDA de 
indivíduos e comunidades em risco de exclusão e 
marginalização; 
O que se entende por “dano ao projeto de vida”? 
A primeira vez que Corte IDH reconheceu a existência do 
fenômeno “dano ao projeto de vida” foi no Caso Loayza 
Tamayo vs. Peru (“Caso Tamayo”), em 1997. 
Na visão da Corte IDH, isso seria uma nova modalidade de 
dano (dotada de autonomia), ou seja, que não se confunde 
com dano material ou moral: 
 “O dano ao projeto de vida ameaça, em última 
instância, o próprio sentido que cada pessoa 
humana atribui à sua existência. Quando isso 
ocorre, um prejuízo é causado ao mais íntimo do ser 
humano: trata-se de um dano dotado de 
autonomia própria, que afeta o sentido espiritual 
da vida”. 
O que se entende por “projeto de vida”? 
Nessa mesma linha, o “projeto de vida”, segundo a Corte IDH 
(Caso Tamayo), “se associa ao conceito de realização 
pessoal, que por sua vez se sustenta nas opções que o sujeito 
tem para conduzir sua vida e alcançar o destino que se 
propõe. (...) Estas opções podem ter, em si mesmas, um alto 
valor existencial”. 
Quando a Corte IDH passou a quantificar o dano ao projeto de vida? A 
primeira que a Corte IDH quantificou o dano ao projeto de vida foi no Caso 
Cantoral Benavides vs. Peru, no qual decidiu que: “a via mais idônea para 
restabelecer o projeto de vida de Luis Alberto Cantoral Benavides consiste em 
que o Estado lhe proporcione uma bolsa de estudos superiores ou 
universitários, com o fim de cobrir os custos da carreira profissional que a 
vítima escolher – assim como os gatos de manutenção desta última durante o 
período de tais estudos – num centro de reconhecida qualidade acadêmica 
escolhido de comum acordo entre a vítima e o Estado”. 
Resumindo: 
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a) reconhecimento do dano ao projeto de vida: Caso Loayza Tamayo (Corte 
IDH); 
b) quantificação do dano ao projeto de vida: Caso Cantoral Benavides (Corte 
IDH). 
 
ALARMADOS com o aumento dos crimes de ódio 
motivados por raça, cor, ascendência e origem nacional ou 
étnica; 
RESSALTANDO o papel fundamental da educação na 
promoção do respeito aos direitos humanos, da igualdade, da 
não discriminação e da tolerância; e 
TENDO PRESENTE que, embora o combate ao racismo e à 
discriminação racial tenha sido priorizado em um 
instrumento internacionalanterior, a Convenção 
Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de 
Discriminação Racial, de 1965, os direitos nela consagrados 
devem ser reafirmados, desenvolvidos, aperfeiçoados e 
protegidos, a fim de que se consolide nas Américas o 
conteúdo democrático dos princípios da igualdade jurídica e 
da não discriminação, 
Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as 
Formas de Discriminação Racial, de 1965 
(SISTEMA GLOBAL / ONUSIANO) 
Resolução 2.106 (XX) da Assembleia Geral da ONU. 
Internalizada na ordem jurídica brasileira pelo Decreto de 
promulgação 65.810/1969. 
Foi elaborada em um momento histórico no qual existiam 
ainda Estados com políticas internas oficiais de segregação 
racial, com a finalidade de promover e encorajar o respeito 
universal e efetivo pelos direitos humanos, sem qualquer 
tipo de discriminação, em especial a liberdade e a igualdade 
em direitos, tendo em vista que a discriminação entre seres 
humanos constitui ameaça à paz e à segurança entre os 
povos. 
Ação Afirmativa: a Convenção permite a introdução de 
medidas especiais destinadas a assegurar o progresso 
adequado de grupos raciais ou étnicos. 
Mecanismos de monitoramento previstos: 
● Relatórios periódicos; 
● Comunicação interestatal; 
● Peticionamento individual (= petição individual ao 
Comitê). [1] 
 (Defensor DPESP 2006 FCC adaptada correta) A 
Convenção sobre Eliminação de todas as formas de 
Discriminação Racial (ONU, 1965) autoriza a introdução de 
medidas especiais destinadas a assegurar o progresso 
adequado de grupos raciais ou étnicos. 
 (Defensor DPEBA 2010 Cespe correta) A implementação 
de políticas voltadas para a inclusão da população negra no 
mercado de trabalho é de responsabilidade do poder 
público, devendo ser observados os compromissos 
internacionais assumidos pelo Brasil, ao ratificar a 
Convenção n.º 111 da Organização Internacional do 
Trabalho, de 1958, e a Convenção Internacional sobre a 
Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 
1965. 
 RAMOS, André de Carvalho. Curso de direitos humanos..., Saraiva, 2021. 
[1] Decreto 4.738/2003: o Brasil reconheceu e aceitou a competência do 
Comitê para receber e analisar petições individuais. 
Art. 1º É reconhecida, de pleno direito e por prazo indeterminado, 
a competência do Comitê Internacional para a Eliminação da 
Discriminação Racial para receber e analisar denúncias de violação 
dos direitos humanos conforme previsto no art. 14 da Convenção 
Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de 
Discriminação Racial, de 7 de março de 1966. 
 
#Relembrando: 
SISTEMA GLOBAL / 
ONUSIANO 
SISTEMA 
INTERAMERICANO 
Convenção Internacional 
sobre a Eliminação de Todas 
as Formas de Discriminação 
Racial, de 1965 
Convenção Interamericana 
contra o Racismo, de 2013 
Internalizada pelo Decreto 
de promulgação nº 
65.810/1969. 
Internalizada pelo Decreto 
de promulgação nº 
10.932/2022. 
ACORDAM o seguinte: 
CAPÍTULO I 
DEFINIÇÕES 
Artigo 1 
Para os efeitos desta Convenção: 
1. DISCRIMINAÇÃO RACIAL é qualquer distinção, exclusão, 
restrição ou preferência, em qualquer área da vida pública ou 
privada, cujo propósito ou efeito seja anular ou restringir o 
reconhecimento, gozo ou exercício, em condições de 
igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades 
fundamentais consagrados nos instrumentos internacionais 
aplicáveis aos Estados Partes. A discriminação racial pode 
basear-se em raça, cor, ascendência ou origem nacional ou 
étnica. 
 (Defensor DPECE 2022 FCC correta) A discriminação racial consiste em 
preferência, distinção, exclusão ou restrição baseada, isolada ou 
concomitante, em raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica, ou 
outras reconhecidas em instrumentos internacionais. 
2. DISCRIMINAÇÃO RACIAL INDIRETA é aquela que ocorre, 
em qualquer esfera da vida pública ou privada, quando um 
dispositivo, prática ou critério aparentemente NEUTRO tem a 
capacidade de acarretar uma desvantagem particular para 
pessoas pertencentes a um grupo específico, com base nas 
razões estabelecidas no Artigo 1.1 (discriminação racial), ou 
as coloca em desvantagem, a menos que esse dispositivo, 
prática ou critério tenha um objetivo ou justificativa razoável 
e legítima à luz do Direito Internacional dos Direitos Humanos. 
Teoria do impacto desproporcional 
“A discriminação indireta é mais sutil: consiste na adoção de 
critério aparentemente neutro (e, então, justificável), mas 
que, na situação analisada, possui impacto negativo 
desproporcional em relação a determinado segmento 
vulnerável. A discriminação indireta levou à consolidação 
da TEORIA DO IMPACTO DESPROPORCIONAL, pela qual é 
vedada toda e qualquer conduta (inclusive legislativa) que, 
ainda que não possua intenção de discriminação, gere, na 
prática, efeitos negativos sobre determinados grupos ou 
indivíduos” (RAMOS, André de Carvalho. Curso de direitos 
humanos..., Saraiva, 2021). 
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 (Juiz TJPE FGV correta) O Brasil é signatário de diferentes convenções de 
direitos humanos que vedam várias formas de discriminação direta. Você, 
contudo, se depara com uma situação que caracteriza discriminação indireta 
ou disparate impact. Tal situação se caracteriza quando: certas políticas, 
práticas e normas, com natureza universal e neutras em relação aos seus 
destinatários, produzem consequências menos gravosas para um grupo e 
mais gravosas para outro grupo, sem que haja uma justificação razoável para 
isso. 
3. DISCRIMINAÇÃO MÚLTIPLA OU AGRAVADA é qualquer 
preferência, distinção, exclusão ou restrição baseada, de 
modo concomitante, em dois ou mais critérios (= combinação 
de fatores) dispostos no Artigo 1.1 (discriminação racial), ou 
outros reconhecidos em instrumentos internacionais, cujo 
objetivo ou resultado seja anular ou restringir o 
reconhecimento, gozo ou exercício, em condições de 
igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades 
fundamentais consagrados nos instrumentos internacionais 
aplicáveis aos Estados Partes, em qualquer área da vida 
pública ou privada. 
O que se entende por INTERSECCIONALIDADE 
ou FEMINISMO INTERSECCIONAL 
(Intersectionality)? 
 
 
A expressão “interseccionalidade” (Intersectionality), 
conceito sociológico, foi criada por Kimberlé Crenshaw, 
teórica feminista e professora estadunidente especializada 
em questões de raça e gênero, para retratar a 
soma/combinação de fatores de discriminação. Nessa linha, 
o feminismo interseccional, para análise e combate da 
discriminação de gênero, leva em conta, necessariamente, 
questões de raça/etnia e classe social (socioeconômica), pois 
se inter-relacionam. Exemplo: mulher negra, pobre e 
homossexual. Nas palavras da autora: 
[A interseccionalidade] trata especificamente da 
forma pela qual o racismo, o patriarcalismo, a 
opressão de classe e outros sistemas 
discriminatórios criam desigualdades básicas que 
estruturam as posições relativas de mulheres, 
raças, etnias, classes e outras. (...) Como um aporte 
tóerico metodológico para se pensar múltiplas 
exclusões e como de fato construir estratégias para 
o enfrentamento desse paradigma. 
Caso Gonzalez Lluy vs. Equador (Corte IDH) 
 (Juiz Federal TRF3R 2018 
adaptada correta) Fatores de 
discriminação não resolvidos, ou 
quando enfrentados de forma 
desconexa, se entrelaçam, 
aumentando a opressão em 
grandeza exponencial. Foi o que 
ocorreu com a violação de direitos de mulher refugiada, 
negra, pobre, analfabeta, homossexual e com a filha 
portadora de HIV, a quem foi negado pelo Estado o direito 
à educação. Ao apreciar essa situação, o Sistema 
Interamericano de Direitos Humanos reconheceu pela 
primeira fez o fenômeno da interseccionalidade. Trata-se dojulgamento do caso: Gonzalez Lluy vs. Equador. 
 (Procurador da República PGR 2017 correta) A 
interseccionalidade dos direitos humanos, por detectar 
diferentes formas de opressão e tratamento discriminatório 
baseadas em raça, gênero, condição social, idade, 
orientação sexual, entre outras formas de identidade social 
que se inter-relacionam, exige reparações às vítimas que 
levem em conta essas especificidades. 
 (Assistente Social Prefeitura de Chuí/RS Fundatec 2019 
correta) O feminismo interseccional é uma abordagem 
teórica que tem sido utilizada por muitas teóricas negras 
feministas. 
 (Assistente Social Prefeitura de Chuí/RS Fundatec 2019 
correta) A proposta do feminismo interseccional possibilita 
uma análise dos marcadores sociais de gênero e de 
raça/etnia através do seu entrecruzamento, não sendo 
vistos de forma isolada, ou através de uma visão somatória 
ou aditiva de opressões. 
 Artigo: https://bit.ly/3GpXI6m. 
 
O que se entende por “vulnerabilidade cruzada, múltipla 
ou agravada”? 
É a chamada hipervulnerabilidade (= vulnerabilidade 
cruzada, múltipla ou agravada). Ou seja, é a intersecção de 
mais de um fator de vulnerabilidade (= situação de risco 
social e de violação de direitos humanos). Exemplo: idoso 
superendividado e consumidor. 
 100 Regras de Brasília (ver nota de rodapé) 
 (Defensor DPERS 2014 FCC correta) O documento 
conhecido como as “100 regras de Brasília”, elaborado em 
2008 durante a Cúpula Judicial Ibero-americana, consiste 
em uma declaração de garantia efetiva aos direitos 
humanos, principalmente pela facilitação do acesso à justiça 
voltado às pessoas em situação de maior vulnerabilidade. 
Para fins de aplicação das regras contidas no documento e, 
de acordo com a concepção ali firmada, consideram-se em 
condição de vulnerabilidade as pessoas que por razão da sua 
idade, gênero, estado físico ou mental, ou por circunstâncias 
sociais, econômicas, étnicas e/ou culturais, encontram 
especiais dificuldades em exercitar com plenitude, perante o 
sistema de justiça, os direitos reconhecidos pelo 
ordenamento jurídico. 
 ANADEP disponibiliza documento "Novas 100 regras de Brasília": 
https://bit.ly/3K9FmJa. 
 100 Regras de Brasília (anotada e grifada): 
 https://1drv.ms/b/s!Augn79MQplfRhJAy-4gGjfJ1WjivIg?e=iog2yk. 
 XIII Congresso Nacional de Defensores Públicos (Teses e Práticas exitosas). 
Tema. Defensoria Pública: em defesa das pessoas em situação de 
vulnerabilidade 
(https://www.anadep.org.br/wtksite/Livro_Congresso_2017.pdf). 
 
4. RACISMO consiste em qualquer teoria, doutrina, 
ideologia ou conjunto de ideias que enunciam um vínculo 
causal entre as características fenotípicas ou genotípicas de 
indivíduos ou grupos e seus traços intelectuais, culturais e de 
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personalidade, inclusive o falso conceito de superioridade 
racial. O racismo ocasiona desigualdades raciais e a noção de 
que as relações discriminatórias entre grupos são moral e 
cientificamente justificadas. Toda teoria, doutrina, ideologia 
e conjunto de ideias racistas descritas neste Artigo são 
cientificamente falsas, moralmente censuráveis, socialmente 
injustas e contrárias aos princípios fundamentais do Direito 
Internacional e, portanto, perturbam gravemente a paz e a 
segurança internacional, sendo, dessa maneira, condenadas 
pelos Estados Partes. 
1. 
Racismo individualista 
O racismo individualista trata o racismo como uma 
espécie de “patologia” social. Um fenômeno ético 
ou psicológico de caráter individual ou coletivo, 
atribuído a grupos isolados; ou ainda, uma 
“irracionalidade”, cuja providência mais adequada a 
ser tomada é no campo jurídico (sanção penal ou 
civil). Não haveria sociedades ou instituições 
racistas, mas indivíduos racistas, que agem 
isoladamente ou em grupo. O racismo é notado na 
forma de discriminação direta. 
2. 
Racismo institucional 
O racismo institucional é o resultado do mau 
funcionamento das instituições, que passam a 
atuar em uma dinâmica que confere, ainda que 
indiretamente, desvantagens e privilégios a partir 
da raça. Admite-se aqui, portanto, o racismo como 
discriminação indireta. Por serem as instituições 
lugares de produção de sujeitos é necessário que 
haja medidas de “correção” dos mecanismos 
institucionais, como ações afirmativas que 
aumentem a representatividade de minorias raciais 
e que alterem a lógica interna dos processos 
decisórios. 
3. 
Racismo estrutural 
O racismo estrutural é uma 
decorrência da própria 
estrutura social, ou seja, do 
modo “normal” com que se 
constituem as relações 
políticas, econômicas, 
jurídicas e até familiares, não 
sendo uma patologia social e 
nem um desarranjo 
institucional. Aqui, considera-se que 
comportamentos individuais e processos 
institucionais são derivados de uma sociedade 
cujo racismo é regra e não exceção. Nesse caso, 
além de medidas que coíbam o racismo individual e 
institucionalmente, torna-se imperativo pensar 
sobre mudanças profundas nas relações sociais, 
políticas e econômicas. Pela complexidade das 
ligações que apresenta com a política, a economia e 
o direito, é importante falar mais sobre o racismo 
estrutural. 
4. Racismo recreativo 
A expressão foi cunhada por 
Adilson José Moreira. O 
racismo recreativo é uma 
política cultural que referenda 
por meio do humor a ideia de 
que negros não são atores 
sociais competentes. Isso 
permite que pessoas brancas 
hostilizem minoriais sociais 
sem perder uma imagem social positiva. Nas 
palavras do autor da expressão (Adilson José 
Moreira, 2019, p. 31): 
Esse conceito [de raicsmo recreativo] 
designa um tipo específico de opressão 
racial: a circulação de imagens 
derrogatórias que expressam desprezo por 
minoriais raciais na forma de humor, fator 
que compromete o status cultural e o 
estatus material dos membros desses 
grupos. Esse tipo de marginalziação tem o 
mesmo objetivo de outras formas de 
racismo: legitimar hierarquias raciais 
presentes na sociedade brasileira de forma 
que oportunidades sociais permaneçam 
nas mãos de pessoas brancas. Ele contém 
mecanismos que também estão presentes 
em outros tipos de racismo, embora tenha 
uma caracterísitca especial: o uso do 
humor para expressar hostilidade racial, 
estratégia que permite a perpetuação do 
racismo, mas que protege a imagem social 
de pessoas brancas. 
Exemplos práticos de racismo recreativo como 
política cultural (2019): Tião Macalé, o feio; 
Mussum, o bêbado; Vera Verão, a bicha preta; 
Adelaide, a desvairada.[1] 
 ALMEIDA, Sílvio Luiz de. Três concepções de racismo: individualista, 
institucional e estrutural. Disponível: https://bit.ly/3uwTbff. 
 MOREIRA, Adilson. Racismo recreativo..., Pólen, 2019. 
[1] Esses exemplos foram retirados da obra do Prof. Adilson José Moreira 
(2019, p. 98 a 116). 
 (Defensor DPEPB 2022 FCC correta) Situação frequente na qual alguns 
indivíduos em meios de comunicação veiculam discurso que incita ao 
desprezo a práticas fundadas em religiões de matriz africana é definida como 
racismo estrutural, que pode gerar danos morais coletivos e individuais, 
sendo que a responsabilidade pode atingir os indivíduos que praticaram os 
atos discriminatórios e também os Entes Públicos que não coibirem tal 
conduta. 
 (Procurador do Trabalho MPT 2020 correta) O chamado racismo 
institucional ou sistêmico pode ser compreendido como mecanismo 
estrutural que garante a exclusão seletiva de grupos racialmente 
subordinados, a exemplo, na realidade brasileira, de negros, indígenas e 
ciganos. 
 (Defensor DPERJ 2021 FGV correta) “O recrudescimento cautelar do 
sistema de controle brasileiro refletiu os objetivos reais e ideais de um país 
racista que tinha como problema maior a questão negra, calcada emtermos 
genocidas como condição de sobrevivência da sua falsa branquidade. 
Contexto que impôs uma cisão em nosso Direito Penal: ao lado do Direito 
Penal declarado para os cidadãos, alicerçado no Direito Penal do fato 
construído às luzes do Classicismo, o Direito Penal paralelo para os 
“subcidadãos”, legitimado no Direito Penal do autor consolidado pela 
tradução marginal do paradigma racial-etiológico, que, por sua vez, situa seu 
fundamento na periculosidade que exala dos corpos negros, um sistema 
outrora identificado por Lola Aniyar de Castro (2005, p. 96) como 
“subterrâneo” que aqui jamais se ocultou, sendo operacionado sob os olhos 
de quem quiser enxergar.” (GÓES, Luciano. Abolicionismo penal? Mas qual 
abolicionismo, “cara pálida”?. Revista InSURgência. Brasília. Ano 3. v.3. n.2. 
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2017. Pg. 98). Considerando a afirmativa acima, é possível compreender o 
fenômeno do encarceramento em massa no Brasil, sob o ponto de vista 
empírico e teórico, a partir da correlação entre: o racismo estrutural e o 
direito penal do inimigo; 
 (Advogado Prefeitura de Formiga/MG 2020 Consulplan correta) O racismo 
institucional é o fracasso das instituições e organizações em prover um serviço 
profissional e adequado às pessoas em virtude de sua cor, cultura, origem 
racial ou étnica. Ele se manifesta em normas, práticas e comportamentos 
discriminatóriosadotados no cotidiano do trabalho, os quais são resultantes 
do preconceito racial, uma atitude que combina estereótipos racistas, falta de 
atenção e ignorância. Em qualquer caso, o racismo institucional sempre 
coloca pessoas de grupos raciais ou étnicos discriminados em situação de 
desvantagem no acesso a benefícios gerados pelo Estado e por demais 
instituições e organizações.Das alternativas a seguir, assinale a que evidencia 
manifestação do racismo institucional. Concepção pela qual se conferem 
privilégios e desvantagens a determinados grupos em razão da raça, 
normalizando estes atos por meio do poder e da dominação. 
 (Psicólogo Prefeitura de Salvador/BA 2019 FGV correta) A prática de 
racismo institucional é marcada pelo tratamento diferenciado e desigual, 
efetivada em estruturas públicas e privadas, indicando a falha do Estado em 
prover assistência igualitária aos diferentes grupos sociais. 
 
5. As MEDIDAS ESPECIAIS ou de AÇÃO AFIRMATIVA 
adotadas com a finalidade de assegurar o gozo ou exercício, 
em condições de igualdade, de um ou mais direitos humanos 
e liberdades fundamentais de grupos que requeiram essa 
proteção não constituirão discriminação racial, desde que 
essas medidas não levem à manutenção de direitos separados 
para grupos diferentes e não se perpetuem uma vez 
alcançados seus objetivos. 
6. INTOLERÂNCIA é um ato ou conjunto de atos ou 
manifestações que denotam desrespeito, rejeição ou 
desprezo à dignidade, características, convicções ou opiniões 
de pessoas por serem diferentes ou contrárias. Pode 
manifestar-se como a marginalização e a exclusão de grupos 
em condições de VULNERABILIDADE da participação em 
qualquer esfera da vida pública ou privada ou como violência 
contra esses grupos. 
 
CAPÍTULO II 
DIREITOS PROTEGIDOS 
Artigo 2 
Todo ser humano é igual perante a lei e tem direito à igual 
proteção contra o racismo, a discriminação racial e formas 
correlatas de intolerância, em qualquer esfera da vida pública 
ou privada. 
 
Artigo 3 
Todo ser humano tem direito ao reconhecimento, gozo, 
exercício e proteção, em condições de igualdade, tanto no 
plano individual como no coletivo, de todos os direitos 
humanos e liberdades fundamentais consagrados na 
legislação interna e nos instrumentos internacionais aplicáveis 
aos Estados Partes. 
 
CAPÍTULO III 
DEVERES DO ESTADO 
Artigo 4 
Os Estados comprometem-se a PREVENIR, ELIMINAR, 
PROIBIR e PUNIR, de acordo com suas normas constitucionais 
e com as disposições desta Convenção, todos os atos e 
manifestações de racismo, discriminação racial e formas 
correlatas de intolerância, inclusive: 
 
(OS ESTADOS COMPROMETEM-SE A PREVENIR, ELIMINAR, 
PROIBIR E PUNIR...) 
i. APOIO público ou privado a atividades racialmente 
discriminatórias e racistas ou que promovam a intolerância, 
incluindo seu financiamento; 
 
ii. PUBLICAÇÃO, CIRCULAÇÃO ou DIFUSÃO, por qualquer 
forma e/ou meio de comunicação, inclusive a internet, de 
qualquer material racista ou racialmente discriminatório que: 
a) defenda, promova ou incite o ódio (ex.: Caso Ellwanger 
– antissemitismo como crime de racismo; hate speech – 
discurso de ódio), a discriminação e a intolerância; e 
b) tolere, justifique ou defenda atos que constituam ou 
tenham constituído genocídio ou crimes contra a 
humanidade, conforme definidos pelo Direito Internacional, 
ou promova ou incite a prática desses atos; 
Corte IDH: crimes contra a humanidade são 
imprescritíveis, pois norma de Direito Internacional Geral 
(jus cogens) 
Segundo a Corte IDH, no julgamento do Caso Almonacid 
Arellano, os crimes contra a humanidade são imprescritíveis, 
pois norma de Direito Internacional Geral (jus cogens): 
“Mesmo que o Chile não tenha ratificado essa Convenção 
[sobre a Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e dos 
Crimes contra a Humanidade, de 1968], esta Corte considera 
que a imprescritibilidade dos crimes de lesa-humaindade 
surge como norma de Direito Internacional Geral (jus 
cogens), que não nasce com a Convenção, mas que está nela 
reconhecida. Consequentemente, o Chile não pode deixar 
de cumprir essa norma imperativa”. 
Em sentido contrário (STF, Ext 1362): “A circunstância de o Estado requerente 
ter qualificado os delitos imputados ao extraditando como de lesa-
humanidade não afasta a sua prescrição, porquanto (a) o Brasil não 
subscreveu a Convenção sobre a Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e 
dos Crimes contra a Humanidade, nem aderiu a ela; e (b) apenas lei interna 
pode dispor sobre prescritibilidade ou imprescritibilidade da pretensão 
estatal de punir (cf. ADPF 153, Relator(a): Min. EROS GRAU, voto do Min. 
CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, Dje de 6.8.2010). 4. O indeferimento da 
extradição com base nesses fundamentos não ofende o art. 27 da Convenção 
de Viena sobre o Direito dos Tratados (Decreto 7.030/2009), uma vez que não 
se trata, no presente caso, de invocação de limitações de direito interno para 
justificar o inadimplemento do tratado de extradição firmado entre o Brasil e 
a Argentina, mas sim de simples incidência de limitação veiculada pelo próprio 
tratado, o qual veda a concessão da extradição “quando a ação ou a pena já 
estiver prescrita, segundo as leis do Estado requerente ou requerido” (art. III, 
c).” (STF. Plenário. Ext 1362. Rel. Min. Edson Fachin. Rel. p/ Acórdão Teori 
Zavascki, j. 09/11/2016). 
 
É necessária a edição de lei em sentido formal para a 
tipificação do crime contra a humanidade trazida pelo 
Estatuto de Roma, mesmo se cuidando de Tratado 
internalizado 
A definição dos crimes de lesa-humanidade, também 
chamados de crimes contra a humanidade, pode ser 
encontrada no Estatuto de Roma, promulgado no Brasil por 
força do Decreto nº 4.388/2002. 
No Brasil, no entanto, ainda não há lei que tipifique os crimes 
contra a humanidade. Diante da ausência de lei interna 
tipificando os crimes contra a humanidade, não é possível 
utilizar tipo penal descrito em tratado internacional para 
tipificar condutas internamente, sob pena de se violar o 
princípio da legalidade (art. 5º, XXXIX, da CF/88). 
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tipificação do crime contra a humanidade trazida pelo 
Estatuto de Roma, mesmo se cuidando de Tratado 
internalizado por meio do Decreto n. 4.388, porquanto não 
há lei em sentido formal tipificando referida conduta. 
STJ. 3ª Seção. REsp 1798903-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares 
da Fonseca, julgado em 25/09/2019 (Info 659). 
 Buscador Dizer o Direito: https://bit.ly/3zSHEYq. É necessária a edição de 
lei em sentido formal para a tipificação do crime contra a humanidade trazida 
pelo Estatuto de Roma, mesmo se cuidando de Tratado internalizado. 
 
Questão 
 (Defensor DPEMS 2022 FGV correta) O discurso de ódio 
(hate speech) racial é a manifestação de ideias que incitam a 
intolerância e a discriminação de raça contra determinado 
grupo, extrapolando ilegalmente a liberdade de expressão, 
com violação à Convenção Internacional sobre a Eliminação 
de Todas as Formas de Discriminação Racial. Tal convenção 
prevê que os Estados-partes condenem a discriminação 
racial e comprometam-se a adotar, por todos os meios 
apropriados e sem tardar, uma política de eliminação da 
discriminação racial em todas as suas formas e de promoção 
de entendimento entre todas as raças, e, para esse fim, cada 
Estado-parte: compromete-se a não encorajar, defender ou 
apoiar a discriminação racial praticada por uma pessoa ou 
uma organização qualquer. 
 
Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional 
(Decreto 4.388/2002) 
CRIME DE GENOCÍDIO 
Artigo 6º 
Crime de Genocídio 
Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por 
"GENOCÍDIO", qualquer um dos atos que a seguir se 
enumeram, praticado com intenção de destruir, no todo ou 
em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, 
enquanto tal: 
a) Homicídio de membros do grupo; 
b) Ofensas graves à integridade física ou mental de membros 
do grupo; 
c) Sujeição intencional do grupo a condições de vida com 
vista a provocar a sua destruição física, total ou parcial; 
d) Imposição de medidas destinadas a impedir nascimentos 
no seio do grupo; 
e) Transferência, à força, de crianças do grupo para outro 
grupo. 
CRIMES CONTRA A HUMANIDADE 
Artigo 7º 
Crimes contra a Humanidade 
1. Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por 
"CRIME CONTRA A HUMANIDADE", qualquer um dos atos 
seguintes, quando cometido no quadro de um ataque, 
generalizado ou sistemático, contra qualquer população 
civil, havendo conhecimento desse ataque: 
a) Homicídio; 
b) Extermínio; 
c) Escravidão; 
d) Deportação ou transferência forçada de uma população; 
e) Prisão ou outra forma de privação da liberdade física 
grave, em violação das normas fundamentais de direito 
internacional; 
f) Tortura; 
g) Agressão sexual, escravatura sexual, prostituição forçada, 
gravidez forçada, esterilização forçada ou qualquer outra 
forma de violência no campo sexual de gravidade 
comparável; 
h) Perseguição de um grupo ou coletividade que possa ser 
identificado, por motivos políticos, raciais, nacionais, 
étnicos, culturais, religiosos ou de gênero, tal como definido 
no parágrafo 3º, ou em função de outros critérios 
universalmente reconhecidos como inaceitáveis no direito 
internacional, relacionados com qualquer ato referido neste 
parágrafo ou com qualquer crime da competência do 
Tribunal; 
i) Desaparecimento forçado de pessoas; 
j) Crime de apartheid; 
k) Outros atos desumanos de caráter semelhante, que 
causem intencionalmente grande sofrimento, ou afetem 
gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental. 
2. Para efeitos do parágrafo 1º: 
a) Por "ataque contra uma população civil" entende-se 
qualquer conduta que envolva a prática múltipla de atos 
referidos no parágrafo 1o contra uma população civil, de 
acordo com a política de um Estado ou de uma organização 
de praticar esses atos ou tendo em vista a prossecução dessa 
política; 
b) O "extermínio" compreende a sujeição intencional a 
condições de vida, tais como a privação do acesso a 
alimentos ou medicamentos, com vista a causar a destruição 
de uma parte da população; 
c) Por "ESCRAVIDÃO" entende-se o exercício, relativamente 
a uma pessoa, de um poder ou de um conjunto de poderes 
que traduzam um direito de propriedade sobre uma pessoa, 
incluindo o exercício desse poder no âmbito do tráfico de 
pessoas, em particular mulheres e crianças; 
d) Por "deportação ou transferência à força de uma 
população" entende-se o deslocamento forçado de pessoas, 
através da expulsão ou outro ato coercivo, da zona em que 
se encontram legalmente, sem qualquer motivo 
reconhecido no direito internacional; 
e) Por "tortura" entende-se o ato por meio do qual uma dor 
ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são 
intencionalmente causados a uma pessoa que esteja sob a 
custódia ou o controle do acusado; este termo não 
compreende a dor ou os sofrimentos resultantes 
unicamente de sanções legais, inerentes a essas sanções ou 
por elas ocasionadas; 
f) Por "gravidez à força" entende-se a privação ilegal de 
liberdade de uma mulher que foi engravidada à força, com o 
propósito de alterar a composição étnica de uma população 
ou de cometer outras violações graves do direito 
internacional. Esta definição não pode, de modo algum, ser 
interpretada como afetando as disposições de direito 
interno relativas à gravidez; 
g) Por "perseguição'' entende-se a privação intencional e 
grave de direitos fundamentais em violação do direito 
internacional, por motivos relacionados com a identidade do 
grupo ou da coletividade em causa; 
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h) Por "crime de APARTHEID" entende-se qualquer ato 
desumano análogo aos referidos no parágrafo 1°, praticado 
no contexto de um regime institucionalizado de opressão e 
domínio sistemático de um grupo racial sobre um ou outros 
grupos nacionais e com a intenção de manter esse regime; 
i) Por "desaparecimento forçado de pessoas" entende-se a 
detenção, a prisão ou o seqüestro de pessoas por um Estado 
ou uma organização política ou com a autorização, o apoio 
ou a concordância destes, seguidos de recusa a reconhecer 
tal estado de privação de liberdade ou a prestar qualquer 
informação sobre a situação ou localização dessas pessoas, 
com o propósito de lhes negar a proteção da lei por um 
prolongado período de tempo. 
3. Para efeitos do presente Estatuto, entende-se que o termo 
"gênero" abrange os sexos masculino e feminino, dentro do 
contexto da sociedade, não lhe devendo ser atribuído 
qualquer outro significado. 
Questões 
 (Juiz STM 2013 Cespe correta) De acordo com o Estatuto 
de Roma, instrumento que instituiu o TPI, são considerados 
crimes contra a humanidade a escravidão e o apartheid 
cometidos em caso de ataque generalizado ou sistemático 
contra qualquer população civil. 
 (Procurador do Trabalho MPT 2013 correta) A 
escravidão, a agressão sexual, a escravatura sexual, a 
prostituição forçada e o crime de apartheid são 
expressamente previstos como crimes contra a humanidade 
no referido Estatuto. 
 (Delegado PCSP 2018 Vunesp correta) No tocante ao 
Tribunal Penal Internacional, considerando o disposto, 
expressamente, no Estatuto de Roma, o Tribunal terá 
competência para julgar o genocídio, os crimes contra a 
humanidade, os crimes de guerra e os crimes de agressão. 
 (Juiz Federal TRF5R 2013 Cespe correta) O crime de 
apartheid é praticado no contexto de um regime 
institucionalizado de opressão e domínio sistemático de um 
grupo racial sobre um ou mais grupos nacionais e com a 
intenção de manter esse regime. 
 (Defensor DPEMS 2022 FGV correta) Um exemplo de incompatibilidade 
entre o ER e a CRFB/1988 é a previsão de: pena de prisão perpétua no ER, ao 
passo que a CRFB/1988 veda pena de caráter perpétuo. 
 
iii. VIOLÊNCIA motivada por qualquer umdos critérios 
estabelecidos no Artigo 1.1 (discriminação racial); 
 
iv. ATIVIDADE CRIMINOSA em que os bens da vítima sejam 
alvos intencionais, com base em qualquer um dos critérios 
estabelecidos no Artigo 1.1 (discriminação racial); 
 
v. qualquer AÇÃO REPRESSIVA fundamentada em 
qualquer dos critérios enunciados no Artigo 1.1 
(discriminação racial), em vez de basear-se no 
comportamento da pessoa ou em informações objetivas que 
identifiquem seu envolvimento em atividades criminosas; 
 
vi. RESTRIÇÃO, de maneira indevida ou não razoável, do 
exercício dos direitos individuais à propriedade, administração 
e disposição de bens de qualquer tipo, com base em qualquer 
dos critérios enunciados no Artigo 1.1 (discriminação racial); 
 
vii. qualquer DISTINÇÃO, EXCLUSÃO, RESTRIÇÃO ou 
PREFERÊNCIA aplicada a pessoas, devido a sua condição de 
vítima de discriminação múltipla ou agravada, cujo propósito 
ou resultado seja negar ou prejudicar o reconhecimento, gozo, 
exercício ou proteção, em condições de igualdade, dos 
direitos e liberdades fundamentais; 
 
viii. qualquer RESTRIÇÃO RACIALMENTE discriminatória 
do gozo dos direitos humanos consagrados nos instrumentos 
internacionais e regionais aplicáveis e pela jurisprudência dos 
tribunais internacionais e regionais de direitos humanos, 
especialmente com relação a minorias ou grupos em situação 
de vulnerabilidade e sujeitos à discriminação racial; 
 
ix. qualquer RESTRIÇÃO ou LIMITAÇÃO do uso de idioma, 
tradições, costumes e cultura das pessoas em atividades 
públicas ou privadas; 
 
x. ELABORAÇÃO e IMPLEMENTAÇÃO de material, 
métodos ou ferramentas pedagógicas que reproduzam 
estereótipos ou preconceitos, com base em qualquer critério 
estabelecido no Artigo 1.1 (discriminação racial) desta 
Convenção; 
 
xi. NEGAÇÃO do acesso à educação pública ou privada, 
bolsas de estudo ou programas de financiamento educacional, 
com base em qualquer critério estabelecido no Artigo 1.1 
(discriminação racial) desta Convenção; 
 
xii. NEGAÇÃO do acesso a qualquer direito econômico, 
social e cultural, com base em qualquer critério estabelecido 
no Artigo 1.1 (discriminação racial) desta Convenção; 
 
xiii. realização de pesquisas ou aplicação dos resultados de 
PESQUISAS SOBRE O GENOMA HUMANO, especialmente nas 
áreas da biologia, genética e medicina, com vistas à seleção ou 
à clonagem humana, que extrapolem o respeito aos direitos 
humanos, às liberdades fundamentais e à dignidade humana, 
gerando qualquer forma de discriminação fundamentada em 
características genéticas; 
 
xiv. RESTRIÇÃO ou LIMITAÇÃO, com base em qualquer dos 
critérios enunciados no Artigo 1.1 (discriminação racial) desta 
Convenção, do direito de toda pessoa de obter acesso à água, 
aos recursos naturais, aos ecossistemas, à biodiversidade e 
aos serviços ecológicos que constituem o patrimônio natural 
de cada Estado, protegido pelos instrumentos internacionais 
pertinentes e suas próprias legislações nacionais, bem como 
de usá-los de maneira sustentável; e 
 Direito Ambiental 
Princípio da não discriminação e do acesso equitativo aos 
recursos naturais 
“Há profunda injustiça na distribuição não só dos bens 
sociais no âmbito da nossa comunidade política, mas 
também na distribuição e no acesso aos recursos naturais, 
de modo que a população mais necessitada acaba por ter 
não só os seus direitos sociais violados, como também o seu 
direito a viver em um meio ambiente sadio, equilibrado e 
seguro. O tema dos necessitados e dos refugiados 
ambientais é elucidativo a respeito desse cenário de 
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injustiça ambiental e da falta de um acesso equitativo aos 
recursos naturais. (...) A falta de um acesso equânime aos 
recursos ambientais compromete o respeito pela vida e 
dignidade, especialmente dos grupos sociais vulneráveis. O 
fortalecimento da busca por justiça (socio)ambiental no 
Brasil transporta justamente essa mensagem, ou seja, de 
que, assim como os custos sociais do desenvolvimento 
recaem de modo desproporcional sobre a população 
carente, também os custos ambientais desse mesmo 
processo oneram de forma injusta a vida dessa população, 
embora, em termos gerais (o problema, em verdade, é de 
maior ou menor intensidade, guardando relação com a 
disponibilidade de recursos para evitar ou minimizar 
problemas causados pela degradação) todos, pobres e ricos, 
sejam afetados. Essa é a relevância do princípio da não 
discriminação e do acesso equitativo aos recursos naturais” 
(FENSTERSEIFER e SARLET, 2021). 
 
Estado de Justiça Ambiental 
(J. J. Gomes Canotilho) 
“O regime jurídico delineado pelo Estado de Direito 
contemporâneo, além de seguir comprometido com a justiça 
social (garantia de uma existência digna no que diz com 
acesso aos bens sociais básicos), assume, como realça José J. 
Gomes Canotilho, a condição de um Estado de Justiça 
Ambiental, o que, entre outros aspectos, implica a proibição 
de práticas discriminatórias que tenham a questão 
ambiental de fundo, como decisão, seleção, prática 
administrativa ou atividade material referente à tutela 
ecológica ou à transformação do território que onere 
injustamente indivíduos, grupos ou comunidade 
pertencentes a minorias populacionais em virtude de raça, 
situação econômica ou localização geográfica. (...) A justiça 
ambiental deve reforçar a relação entre direitos e deveres 
ambientais, objetivando uma redistribuição de bens sociais 
e ambientais capaz de assegurar o acesso aos recursos 
naturais de forma isonômica. O reconhecimento de um 
direito fundamental ao meio ambiente expressa, além de um 
conteúdo democrático, um forte componente redistributivo, 
uma vez que a consagração do meio ambiente como um bem 
comum de todos, tal como reconhecido no art. 225, caput, 
da CF/1988, harmoniza com a noção de um acesso universal 
e igualitário ao desfrute de uma qualidade de vida 
compatível com o pleno desenvolvimento da personalidade 
de cada pessoa humana, considerando, ainda, que tal 
concepção abrange os interesses das futuras gerações.” 
(FENSTERSEIFER e SARLET, 2021). 
 FENSTERSEIFER, Tiago; SARLET, Ingo Wolfgang. Curso de direito 
ambiental..., Forense, 2021. 
 
O que é Justiça Ambiental? 
 
“Por Justiça Ambiental entenda-se o conjunto de princípios 
que asseguram que nenhum grupo de pessoas, sejam grupos 
étnicos, raciais ou de classe, suporte uma parcela 
desproporcional das consequências ambientais negativas de 
operações econômicas, de políticas e programas federais, 
estaduais e locais, bem como resultantes da ausência ou 
omissão de tais políticas” (HERCULANO, 2002). 
 HERCULANO, Selene. Resenhando o debate sobre justiça ambiental: 
produção teórica, breve acervo de casos e a criação da rede brasileira de 
justiça ambiental. In: Revista Desenvolvimento e Meio Ambiente, nº. 5, p. 
143-149, jan/jun. 2002. Editora UFPR. 
“A origem da discussão envolvendo a questão da justiça 
ambiental pode ser encontrada nos EUA. Todavia, é preciso 
chamar a atenção para o fato de que lá o tema, em boa 
parte, foi vinculado à luta em prol da afirmação dos direitos 
civis e ao enfrentamento da discriminação racial, o que 
inclusive ensejou a denominação de racismo ambiental. 
Desde o final da década de 1970, a partir de alguns episódios 
que ensejaram a mobilização social, alguns grupos de 
ativistas em favor dos direitos civis, inclusive recorrendo às 
instâncias judiciais, passaram a se articular para contestar a 
recorrente criação de aterros para a deposição de resíduos 
perigosos em áreas urbanas com predomínio de negros e 
pessoas de baixa renda. A repercussão política de tal 
mobilização social fez que a Agência de Proteção Ambiental 
norte-americana (Environmental Protection Agency – EPA) 
elaborasse,no ano de 1983, estudo específico sobre o tema 
intitulado Siting of Hazardous Waste Landfills and their 
Correlation with Racial and Economic Status of Surrounding 
Communities (Implantação de Aterros de Resíduos Perigosos 
e sua Correlação com o Status Racial e Econômico das 
Comunidades Vizinhas). O estudo, por sua vez, revelou que 
três dos quatro aterros de resíduos perigosos localizados na 
denominada Região 4 estabelecida pela EPA (integrada pelos 
oito Estados do sul dos EUA) estavam em áreas ocupadas 
predominantemente pela população negra, o que se 
agravava ainda mais pelo fato de a população negra 
representar apenas 20% da população de tais Estados. A 
partir de tal contexto, a articulação social em torno do 
movimento de justiça ambiental cresceu e se organizou 
significativamente.” (FENSTERSEIFER e SARLET, 2021). 
O que é Justiça Climática? 
 (Analista FUNSAÚDE/CE FGV 2021 adaptada correta) O 
conceito de justiça climática é fundamental para 
entendermos o atual debate internacional sobre as 
mudanças climáticas. Ele é um desdobramento de justiça 
ambiental e mostra o paradoxo causado pelo atual modelo 
de desenvolvimento: as sociedades que mais sofrem as 
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consequências do aquecimento global são as que menos 
contribuíram para esse fenômeno. Nesse contexto, 
considera todos os seres humanos igualmente responsáveis 
pelos recursos e pela destruição da natureza, cujos impactos 
atingem indistintamente a humanidade. Além disso, a justiça 
climática argumenta que grupos sociais distintos têm 
responsabilidade diferenciada sobre o consumo dos 
recursos naturais e que, na análise dos riscos ambientais, 
deve ser considerada. 
Questão 
 (Defensor DPESP 2015 FCC correta) O tema justiça 
ambiental tem sua origem associada, segundo parte da 
doutrina, às lutas raciais desenvolvidas pelos negros nos 
Estados Unidos, na década de 1980. 
 (Defensor DPESP 2015 FCC correta) O tema justiça 
ambiental prioriza, como estratégia de efetivação de justiça 
ambiental, a realização de estudos técnicos divergentes 
como suporte às comunidades afetadas por 
empreendimentos que gerem riscos, em contraposição aos 
Estudos de Impacto Ambiental elaborados pelos 
empreendedores-poluidores. 
 (Analista SABESP 2014 FCC correta) Os efeitos da crise 
ambiental são sentidos no cotidiano dos seres humanos, 
configurando-se o risco e vulnerabilidade ambiental a que 
determinados grupos sociais são submetidos, demandando 
dessa forma, o que se denomina justiça ambiental. A justiça 
ambiental é definida como um conjunto de princípios que 
asseguram que nenhum grupo de pessoas suporte uma 
parcela desproporcional das consequências ambientais 
negativas de operações econômicas, de políticas ou 
programas federais, estaduais e locais. 
 
O que é 
RACISMO AMBIENTAL? 
A expressão “racismo ambiental” 
(racismo meio ambiental ou 
ecorracismo) surgiu no ano de 1981 
pelo líder afro-americano de direitos 
civis Benjamin Franklin Chavis Jr. 
A expressão surgiu em um contexto de manifestações do 
movimento negro contra injustiças ambientais. 
O autor da expressão, Benjamin Franklin Chavis Jr., cunhou 
o termo para se referir à: 
Discriminação racial no ataque deliberado às 
comunidades étnicas e minoritárias por meio de sua 
exposição à locais e instalações de resíduos tóxicos 
e perigosos, juntamente com a exclusão sistemática 
de minorias na elaboração, cumprimento e 
reparação das políticas ambientais. 
 Wikipédia: Racismo ambiental. Disponível: https://bit.ly/3gviqq5. 
 (Sociólogo Prefeitura de Betim/MG 2020 AOCP correta) O ecorracismo ou 
racismo ambiental é utilizado por pesquisas que investigam a relação entre os 
problemas ambientais e as condições de vulnerabilidade social enfrentadas 
pela população negra. 
 
xv. RESTRIÇÃO do acesso a locais públicos e locais privados 
franqueados ao público pelos motivos enunciados no Artigo 
1.1 (discriminação racial) desta Convenção. 
 
Artigo 5 
Os Estados Partes comprometem-se a adotar as políticas 
especiais e AÇÕES AFIRMATIVAS necessárias para assegurar o 
gozo ou exercício dos direitos e liberdades fundamentais das 
pessoas ou grupos sujeitos ao racismo, à discriminação racial 
e formas correlatas de intolerância, com o propósito de 
promover condições equitativas para a igualdade de 
oportunidades, inclusão e progresso para essas pessoas ou 
grupos. Tais medidas ou políticas não serão consideradas 
discriminatórias ou incompatíveis com o propósito ou objeto 
desta Convenção, não resultarão na manutenção de direitos 
separados para grupos distintos e não se estenderão além de 
um período razoável ou após terem alcançado seu objetivo. 
 
Artigo 6 
Os Estados Partes comprometem-se a formular e 
implementar políticas cujo propósito seja proporcionar 
tratamento equitativo e gerar igualdade de oportunidades 
para todas as pessoas, em conformidade com o alcance desta 
Convenção; entre elas políticas de caráter educacional, 
medidas trabalhistas ou sociais, ou qualquer outro tipo de 
POLÍTICA PROMOCIONAL, e a divulgação da legislação sobre o 
assunto por todos os meios possíveis, inclusive pelos meios de 
comunicação de massa e pela internet. 
 
Artigo 7 
Os Estados Partes comprometem-se a adotar LEGISLAÇÃO 
que defina e proíba expressamente o racismo, a discriminação 
racial e formas correlatas de intolerância, aplicável a todas as 
autoridades públicas, e a todos os indivíduos ou pessoas 
físicas e jurídicas, tanto no setor público como no privado, 
especialmente nas áreas de emprego, participação em 
organizações profissionais, educação, capacitação, moradia, 
saúde, proteção social, exercício de atividade econômica e 
acesso a serviços públicos, entre outras, bem como revogar ou 
reformar toda legislação que constitua ou produza racismo, 
discriminação racial e formas correlatas de intolerância. 
 
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A Lei nº 7.716/89 pode ser aplicada para punir as condutas 
homofóbicas e transfóbicas 
1. Até que sobrevenha lei emanada do Congresso Nacional 
destinada a implementar os mandados de criminalização 
definidos nos incisos XLI e XLII do art. 5º da Constituição da 
República, as condutas homofóbicas e transfóbicas, reais ou 
supostas, que envolvem aversão odiosa à orientação sexual 
ou à identidade de gênero de alguém, por traduzirem 
expressões de racismo, compreendido este em sua 
dimensão social, ajustam-se, por identidade de razão e 
mediante adequação típica, aos preceitos primários de 
incriminação definidos na Lei nº 7.716, de 08.01.1989, 
constituindo, também, na hipótese de homicídio doloso, 
circunstância que o qualifica, por configurar motivo torpe 
(Código Penal, art. 121, § 2º, I, “in fine”); 
2. A repressão penal à prática da homotransfobia não 
alcança nem restringe ou limita o exercício da liberdade 
religiosa, qualquer que seja a denominação confessional 
professada, a cujos fiéis e ministros (sacerdotes, pastores, 
rabinos, mulás ou clérigos muçulmanos e líderes oucelebrantes das religiões afro-brasileiras, entre outros) é 
assegurado o direito de pregar e de divulgar, livremente, 
pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, o seu 
pensamento e de externar suas convicções de acordo com o 
que se contiver em seus livros e códigos sagrados, bem assim 
o de ensinar segundo sua orientação doutrinária e/ou 
teológica, podendo buscar e conquistar prosélitos e praticar 
os atos de culto e respectiva liturgia, independentemente do 
espaço, público ou privado, de sua atuação individual ou 
coletiva, desde que tais manifestações não configurem 
discurso de ódio, assim entendidas aquelas exteriorizações 
que incitem a discriminação, a hostilidade ou a violência 
contra pessoas em razão de sua orientação sexual ou de sua 
identidade de gênero; 
3. O conceito de racismo, compreendido em sua dimensão 
social, projeta-se para além de aspectos estritamente 
biológicos ou fenotípicos, pois resulta, enquanto 
manifestação de poder, de uma construção de índole 
histórico-cultural motivada pelo objetivo de justificar a 
desigualdade e destinada ao controle ideológico, à 
dominação política, à subjugação social e à negação da 
alteridade, da dignidade e da humanidade daqueles que, por 
integrarem grupo vulnerável (LGBTI+) e por não 
pertencerem ao estamento que detém posição de 
hegemonia em uma dada estrutura social, são considerados 
estranhos e diferentes, degradados à condição de marginais 
do ordenamento jurídico, expostos, em consequência de 
odiosa inferiorização e de perversa estigmatização, a uma 
injusta e lesiva situação de exclusão do sistema geral de 
proteção do direito. 
STF. Plenário. ADO 26/DF, Rel. Min. Celso de Mello; MI 
4733/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em em 13/6/2019 
(Info 944). 
 Buscador Dizer o Direito: https://bit.ly/31VjyQ5. 
 
A incitação de ódio público feita por líder religioso contra 
outras religiões pode configurar o crime de racismo 
A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações 
religiosas e seus seguidores não está protegida pela cláusula 
constitucional que assegura a liberdade de expressão. 
Assim, é possível, a depender do caso concreto, que um líder 
religioso seja condenado pelo crime de racismo (art. 20, §2º, 
da Lei nº 7.716/89) por ter proferido discursos de ódio 
público contra outras denominações religiosas e seus 
seguidores. 
STF. 2ª Turma. RHC 146303/RJ, rel. Min. Edson Fachin, red. 
p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/3/2018 (Info 893). 
Atenção. Compare com RHC 134682/BA, Rel. Min. Edson 
Fachin, julgado em 29/11/2016 (Info 849). 
 Buscador Dizer o Direito: https://bit.ly/3GrBUY6. 
 
Questão 
 (Procurador PGERS 2015 Fundatec correta) Ao tratar do 
alcance da liberdade de expressão em relação ao chamado 
“discurso do ódio” (hate speech), o STF sustentou que: O 
direito à liberdade de expressão é um direito relativo, objeto 
de ponderação, à luz dos princípios da dignidade humana, 
proporcionalidade e razoabilidade, não podendo acolher a 
incitação ao ódio racial ou religioso. 
 
Artigo 8 
Os Estados Partes comprometem-se a garantir que a 
adoção de medidas de qualquer natureza, inclusive aquelas 
em matéria de SEGURANÇA (PÚBLICA OU PRIVADA), não 
discrimine direta ou indiretamente pessoas ou grupos com 
base em qualquer critério mencionado no Artigo 1.1 desta 
Convenção (discriminação racial). 
 
Artigo 9 
Os Estados Partes comprometem-se a garantir que seus 
SISTEMAS políticos e jurídicos reflitam adequadamente a 
diversidade de suas sociedades, a fim de atender às 
necessidades legítimas de todos os setores da população, de 
acordo com o alcance desta Convenção. 
 
Artigo 10 
Os Estados Partes comprometem-se a garantir às VÍTIMAS 
do racismo, discriminação racial e formas correlatas de 
intolerância um tratamento equitativo e não discriminatório, 
acesso igualitário ao sistema de justiça, processo ágeis e 
eficazes e reparação justa nos âmbitos civil e criminal, 
conforme pertinente. 
 
Artigo 11 
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Os Estados Partes comprometem-se a considerar 
AGRAVANTES os atos que resultem em discriminação 
múltipla ou atos de intolerância, ou seja, qualquer distinção, 
exclusão ou restrição baseada em dois ou mais critérios 
enunciados nos Artigos 1.1 (discriminação racial) e 1.3 
(discriminação múltipla ou agravada) desta Convenção. 
 
Artigo 12 
Os Estados Partes comprometem-se a realizar PESQUISAS 
sobre a natureza, as causas e as manifestações do racismo, da 
discriminação racial e formas correlatas de intolerância em 
seus respectivos países, em âmbito local, regional e nacional, 
bem como coletar, compilar e divulgar dados sobre a situação 
de grupos ou indivíduos que sejam vítimas do racismo, da 
discriminação racial e formas correlatas de intolerância. 
Artigo 13 
Os Estados Partes comprometem-se a estabelecer ou 
designar, de acordo com sua legislação interna, uma 
INSTITUIÇÃO NACIONAL que será responsável por monitorar 
o cumprimento desta Convenção, devendo informar essa 
instituição à Secretaria-Geral da OEA. 
Artigo 14 
Os Estados Partes comprometem-se a promover a 
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL com vistas ao intercâmbio de 
ideias e experiências, bem como a executar programas 
voltados à realização dos objetivos desta Convenção. 
CAPÍTULO IV 
MECANISMOS DE PROTEÇÃO E ACOMPANHAMENTO DA 
CONVENÇÃO 
Artigo 15 
A fim de monitorar a implementação dos compromissos 
assumidos pelos Estados Partes na Convenção: 
i. qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não 
governamental juridicamente reconhecida em um ou mais 
Estados membros da Organização dos Estados Americanos, 
pode apresentar à Comissão Interamericana de Direitos 
Humanos PETIÇÕES (= PETICIONAMENTO INDIVIDUAL) que 
contenham denúncias ou queixas de violação desta 
Convenção por um Estado Parte. Além disso, qualquer Estado 
Parte pode, quando do depósito de seu instrumento de 
ratificação desta Convenção ou de adesão a ela, ou em 
qualquer momento posterior, declarar que reconhece a 
competência da Comissão para receber e examinar as 
comunicações em que um Estado Parte alegue que outro 
Estado Parte incorreu em violações dos direitos humanos 
dispostas nesta Convenção (COMUNICAÇÃO INTERESTATAL). 
Nesse caso, serão aplicáveis todas as normas de procedimento 
pertinentes constantes da Convenção Americana sobre 
Direitos Humanos assim como o Estatuto e o Regulamento da 
Comissão; 
ii. os Estados Partes poderão consultar a Comissão sobre 
questões relacionadas com a aplicação efetiva desta 
Convenção. Poderão também solicitar à Comissão assessoria 
e cooperação técnica para assegurar a aplicação efetiva de 
qualquer disposição desta Convenção. A Comissão, na medida 
de sua capacidade, proporcionará aos Estados Partes os 
serviços de assessoria e assistência solicitados; 
iii. qualquer Estado Parte poderá, ao depositar seu 
instrumento de ratificação desta Convenção ou de adesão a 
ela, ou em qualquer momento posterior, declarar que 
reconhece como obrigatória, de pleno direito, e sem acordo 
especial, a competência da Corte Interamericana de Direitos 
Humanos em todas as matérias referentes à interpretação ou 
aplicação desta Convenção. Nesse caso, serão aplicáveis todas 
as normas de procedimento pertinentes constantes da 
Convenção Americana sobre Direitos Humanos, bem como o 
Estatuto e o Regulamento da Corte; 
iv. será estabelecido um Comitê Interamericano para a 
Prevenção e Eliminação do Racismo, Discriminação Racial e 
Todas as Formas de Discriminação e Intolerância, o qual será 
constituído por 1 perito nomeado por cada Estado Parte, que 
exercerá suas funções de maneira independente e cuja tarefa 
será monitorar os compromissos assumidos nesta Convenção. 
O Comitê também será responsável por monitorar oscompromissos assumidos pelos Estados que são partes na 
Convenção Interamericana contra Toda Forma de 
Discriminação e Intolerância. O Comitê será criado quando a 
primeira das Convenções entrar em vigor, e sua primeira 
reunião será convocada pela Secretaria-Geral da OEA uma vez 
recebido o décimo instrumento de ratificação de qualquer das 
Convenções. A primeira reunião do Comitê será realizada na 
sede da Organização, três meses após sua convocação, para 
declará-lo constituído, aprovar seu Regulamento e 
metodologia de trabalho e eleger suas autoridades. Essa 
reunião será presidida pelo representante do país que 
depositar o primeiro instrumento de ratificação da Convenção 
que estabelecer o Comitê; e 
v. o Comitê será o foro para intercambiar ideias e 
experiências, bem como examinar o progresso alcançado 
pelos Estados Partes na implementação desta Convenção, e 
qualquer circunstância ou dificuldade que afete seu 
cumprimento em alguma medida. O referido Comitê poderá 
recomendar aos Estados Partes que adotem as medidas 
apropriadas. Com esse propósito, os Estados Partes 
comprometem-se a apresentar um RELATÓRIO (PERIÓDICO) 
ao Comitê, transcorrido 1 ano da realização da primeira 
reunião, com o cumprimento das obrigações constantes desta 
Convenção. Dos relatórios que os Estados Partes 
apresentarem ao Comitê também constarão dados e 
estatísticas desagregados sobre os grupos vulneráveis. 
Posteriormente, os Estados Partes apresentarão relatórios a 
cada 4 anos. A Secretaria-Geral da OEA proporcionará ao 
Comitê o apoio necessário para o cumprimento de suas 
funções. 
Mecanismos de monitoramento previstos 
na Convenção Interamericana contra o Racismo 
1. Relatórios periódicos; 
2. Comunicação interestatal; 
3. Peticionamento individual. 
Convenção Interamericana contra o Racismo 
(mecanismos de monitoramento: COMPETÊNCIA) 
PETICIONAMENTO 
INDIVIDUAL 
(art. 15.i) 
➔ 
Comissão Interamericana de 
Direitos Humanos (CIDH). 
COMUNICAÇÃO 
INTERESTATAL 
(art. 15.i) 
➔ 
Comissão Interamericana de 
Direitos Humanos (CIDH). 
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RELATÓRIOS 
PERIÓDICOS 
(art. 15.v) 
➔ 
Comitê Interamericano para a 
Prevenção e Eliminação do 
Racismo, Discriminação Racial e 
Todas as Formas de 
Discriminação e Intolerância. 
 
CAPÍTULO V 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
Artigo 16 
Interpretação 
1. Nenhuma disposição desta Convenção será interpretada 
no sentido de restringir ou limitar a legislação interna de um 
Estado Parte que ofereça proteção e garantias iguais ou 
superiores às estabelecidas nesta Convenção. 
2. Nenhuma disposição desta Convenção será interpretada 
no sentido de restringir ou limitar as convenções 
internacionais sobre direitos humanos que ofereçam proteção 
igual ou superior nessa matéria. 
 
Artigo 17 
Depósito 
O instrumento original desta Convenção, cujos textos em 
espanhol, francês, inglês e português são igualmente 
autênticos, será depositado na Secretaria-Geral da 
Organização dos Estados Americanos. 
 
Artigo 18 
Assinatura e ratificação 
1. Esta Convenção está aberta à assinatura e ratificação 
por parte de todos os Estados membros da Organização dos 
Estados Americanos. Uma vez em vigor, esta Convenção será 
aberta à adesão de todos os Estados que não a tenham 
assinado. 
2. Esta Convenção está sujeita à ratificação pelos Estados 
signatários de acordo com seus respectivos procedimentos 
constitucionais. Os instrumentos de ratificação ou adesão 
serão depositados na Secretaria-Geral da Organização dos 
Estados Americanos. 
 
Artigo 19 
Reservas 
Os Estados Partes poderão apresentar reservas (Brasil não 
apresentou reservas à Convenção Interamericana contra o 
Racismo) a esta Convenção quando da assinatura, ratificação 
ou adesão, desde que não sejam incompatíveis com seu 
objetivo e propósito e se refiram a uma ou mais disposições 
específicas. 
 
Artigo 20 
Entrada em vigor 
1. Esta Convenção entrará em vigor no trigésimo dia a 
partir da data em que se depositar o segundo instrumento de 
ratificação ou de adesão na Secretaria-Geral da Organização 
dos Estados Americanos. 
2. Para cada Estado que ratificar esta Convenção, ou a ela 
aderir, após o depósito do segundo instrumento de ratificação 
ou adesão, a Convenção entrará em vigor no trigésimo dia a 
partir da data em que tal Estado tenha depositado o 
respectivo instrumento. 
 
Artigo 21 
Denúncia 
Esta Convenção permanecerá em vigor indefinidamente, 
mas qualquer Estado Parte poderá denunciá-la mediante 
notificação por escrito dirigida ao Secretário-Geral da 
Organização dos Estados Americanos. Os efeitos da 
Convenção cessarão para o Estado que a denunciar um ano 
após a data de depósito do instrumento de denúncia, 
permanecendo em vigor para os demais Estados Partes. A 
denúncia não eximirá o Estado Parte das obrigações a ele 
impostas por esta Convenção com relação a toda ação ou 
omissão anterior à data em que a denúncia produziu efeito. 
Artigo 22 
Protocolos adicionais 
Qualquer Estado Parte poderá submeter à consideração 
dos Estados Partes reunidos em Assembleia Geral projetos de 
protocolos adicionais a esta Convenção, com a finalidade de 
incluir gradualmente outros direitos em seu regime de 
proteção. Cada protocolo determinará a maneira de sua 
entrada em vigor e se aplicará somente aos Estados que nele 
sejam partes. 
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Disponível 
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