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DIDÁTICA E MANEJO DO ALUNO COM DEFICIENTES SENSORIAS 1 Sumário DIDÁTICA E MANEJO DO ALUNO COM DEFICIENTES SENSORIAS (AUDITIVA, VISUAL, SURDOCEGUEIRA) NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 DEFICIÊNCIA AUDITIVA.........................................................................3 O QUE CARACTERIZA OS DEFICIENTES AUDITIVOS.........................5 DIREITOS DOS DEFICIENTES AUDITIVOS...........................................7 DEFICIÊNCIA VISUAL..............................................................................8 O DEFICIENTE VISUAL E A LEI............................................................11 DEFICIÊNCIA VISUAL - DEFINIÇÕES E PERSPECTIVAS...................12 A IMPORTÂNCIA DA INCLUSÃO...........................................................14 DEFICIENTES VISUAIS E SUAS DIFICULDADES NA VIDA ADULTA.............................................................................................................15 INCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS CEGOS E COM BAIXA VISÃO NCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS CEGOS E COM BAIXA VISÃO...............16 O DESEMPENHO VISUAL NA ESCOLA................................................17 RECURSOS ÓPTICOS...........................................................................19 A APRENDIZAGEM E OS SENTIDOS...................................................20 A COMUNICAÇÃO DA PESSOA COM SURDOCEGUEIRA..................21 CUIDADOS ESPECIAIS PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA..............24 REFERÊNCIAS.......................................................................................26 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 DEFICIÊNCIA AUDITIVA Deficiência auditiva é considerada como a diferença existente entre o desempenho do indivíduo e a habilidade normal para a detecção sonora de acordo com padrões estabelecidos pela American National Standards Institute (ANSI - 1989). A audição desempenha um papel principal e decisivo no desenvolvimento e na manutenção da comunicação por meio da linguagem falada, além de funcionar como um mecanismo de defesa e alerta contra o perigo que funciona 24 horas por dia, pois nossos ouvidos não descansam nem quando dormimos. Tipos de Deficiência Auditiva: Condutiva Quando ocorre qualquer interferência na transmissão do som desde o conduto auditivo externo até a orelha interna. A grande maioria das deficiências auditivas condutivas pode ser corrigida através de tratamento clínico ou cirúrgico. Esta deficiência pode ter várias causa, entre elas pode-se citar: C orpos estranhos no conduto auditivo externo, tampões de cera , otite externa e média, mal formação congênita do conduto auditivo, inflamação da membrana timpânica, perfuração do tímpano, obstrução da tuba auditiva, etc. Sensório-Neural Quando há uma impossibilidade de recepção do som por lesão das células ciliadas da orelha interna ou do nervo auditivo. Este tipo de deficiência auditiva é irreversível. A deficiência auditiva sensório-neural pode ser de origem hereditária como problemas da mãe no pré-natal tais como a rubéola, sífilis, herpes, toxoplasmose, alcoolismo, toxemia, diabetes etc. Também podem ser causada por traumas físicos, prematuridade, baixo peso ao nascimento, trauma de parto, meningite, encefalite, caxumba, sarampo etc. Mista 4 Quando há uma alteração na condução do som até o órgão terminal sensorial associada à lesão do órgão sensorial ou do nervo auditivo. O audiograma mostra geralmente limiares de condução óssea abaixo dos níveis normais, embora com comprometimento menos intenso do que nos limiares de condução aérea. O QUE CARACTERIZA OS DEFICIENTES AUDITIVOS A perda auditiva pode ser definida como a diminuição da capacidade de perceber sons. Assim, pode-se dizer que uma pessoa que não é capaz de ouvir como alguém com audição normal - 25 dB ou mais - apresenta perda auditiva. O problema pode acontecer em apenas um ou nos dois ouvidos e pode causar dificuldade em falar ou ouvir sons comuns do cotidiano. O impacto na audição varia de acordo com a quantidade de decibéis que o indivíduo consegue ouvir. Então, os fonoaudiólogos classificam a perda auditiva nos seguintes níveis de gravidade: • Perda auditiva leve (entre 26 a 40 dB): Neste nível, algumas palavras não são compreendidas e a pessoa precisa pedir para que o interlocutor repita a fala. Os sons agudos são os mais difíceis de ouvir; • Perda auditiva moderada (entre 41 a 60 dB): Somente a voz forte e articulada é compreendida. Neste caso, os aparelhos auditivos costumam recuperar quase toda a capacidade auditiva; • Perda auditiva severa (entre 61 a 90 dB): A pessoa consegue ouvir poucos sons e, ainda assim, nem sempre compreende o que eles significam. Quem sofre com a perda auditiva severa costuma compensar 5 a dificuldade usando a leitura labial e pode recuperar uma parte da audição com os aparelhos auditivos; • Perda auditiva profunda (acima de 91 dB): A perda auditiva é praticamente total. Os níveis de perda auditiva são indicados em um audiograma, que é o instrumento pelo qual os fonoaudiólogos identificam a capacidade auditiva de cada pessoa. Assim, cada perda auditiva é única para cada indivíduo. Tendo em mente a classificação dos graus da perda auditiva, fica mais fácil compreender o que a legislação diz sobre o assunto. Segundo a Lei 13.146/2015, uma “pessoa com deficiência é aquela que tem impedimento de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.” DIREITOS DOS DEFICIENTES AUDITIVOS O Estatuto da Pessoa com Deficiência tem o principal objetivo de promover a igualdade e garantir a inclusão social e cidadania aos portadores de deficiência auditiva. Mesmo com as discussões sobre inclusão da perda auditiva unilateral, é importante que todas as pessoas com perda auditiva conheçam seus direitos garantidos pela lei. Alguns dos direitos dos portadores de deficiência que se estendem aos deficientes auditivos são: • Aposentadoria especial; • Passe livre no transporte público; • Meia-entrada em eventos artísticos, esportivos e culturais; • Assistência social; • Cotas em concursos públicos; 6 • Vagas de emprego; • Acesso ao ensino superior; • Auxílio do SUS. Independentemente da nomenclatura, é essencial procurar ajuda profissional ao perceber os sintomas da perda auditiva. DEFICIÊNCIA VISUAL É o comprometimento parcial (de 40 a 60%) ou total da visão. Não são deficientes visuais pessoas com doenças como miopia, astigmatismo ou hipermetropia, que podem ser corrigidascom o uso de lentes ou em cirurgias. Segundo critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) os diferentes graus de deficiência visual podem ser classificados em: - Baixa visão (leve moderada ou profunda): Compensada com o uso de lentes de aumento, lupas, telescópios, com o auxílio de bengalas e de treinamentos de orientação. - Próximo à cegueira: Quando a pessoa ainda é capaz de distinguir luz e sombra, mas já emprega o sistema braile para ler e escrever utiliza recursos de voz para acessar programas de computador, locomove-se com a bengala e precisa de treinamentos de orientação e de mobilidade. - Cegueira: Quando não existe qualquer percepção de luz. O sistema braile, a bengala e os treinamentos de orientação e de mobilidade, nesse caso, são fundamentais. 7 O diagnóstico de deficiência visual pode ser feito muito cedo, exceto nos casos de doenças degenerativas como a catarata e o glaucoma, que evoluem com o passar dos anos. INCLUSÃO DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA VISUAL A inclusão perpassa nossos valores e nossas crenças. Muitas vezes nossos conceitos e pontos de vistas estão muito cristalizados, nos impedindo de ver além e nos levando a cometer equívocos diante das necessidades educacionais de um aluno com deficiência. Cada professor irá partir da sua visão de mundo alicerçada na base de valores e crenças que carrega. Isso irá influenciar o modo como ele vê a sociedade, a educação, o ensino, os alunos, o seu papel como professor, o seu compromisso e a sua relação com os alunos com deficiência. Esses valores irão influenciar as ações desenvolvidas e guiará a sua prática profissional. E, para ajudar os professores na inclusão do aluno com deficiência visual seguem algumas dicas valiosas e que podem ajudar na prática em sala de aula e facilitar a inclusão. Fale e ensine de forma clara; Esteja disposto a ouvir o que seu aluno com deficiência visual tem a dizer e esteja aberto a modificações em sua prática cotidiana como: autorizar a gravação de aulas, ampliarem textos, escrever com letra maior e mais espaçada na lousa ou disponibilizar provas orais; Mantenha contato com o professor da sala de recursos encaminhando material para que ele possa construir gráfico e figuras em alto relevo; Evite subestimar a inteligência do seu aluno com deficiência visual, diminuindo a quantidade de exercícios, não cobrando dele as tarefas ou sua participação na aula e nos projetos. Isso poderá 8 causar um desconforto para o aluno com deficiência visual e fará com os demais alunos creiam que existe um favoritismo. O que não é legal! Lembre-se o raciocínio é o mesmo, igual aos demais alunos; Solicite com antecedência a impressão de material em Braile. Seu aluno tem esse direito garantido! Procure não achar ruim ou se assustar com o barulho da máquina Braille; Lembre-se: A bengala longa deve ficar ao lado do aluno com deficiência visual. Se você tirar ela de perto, estará tirando sua autonomia e independência; Alguns alunos com deficiência visual se habituaram a usar óculos escuros, pois mesmo sem a visão, podem ter foto sensibilidade ou por questões estéticas preferem usar e se sentem mais confortáveis. Não entenda como falta de educação. É uma necessidade!; Converse abertamente sobre as limitações do aluno com deficiência visual, com ele e com os demais colegas professores a fim de favorecer o aprendizado; Encoraje os colegas e esteja aberto também a ditar a matéria na lousa para que ele possa participar e assim você também ajudará no entrosamento e na cooperação mutua em sala de aula; Sempre que for necessário falar de uma imagem, um objeto procure descrever as características para melhor compreensão. Ao mudar o layout da sala ou acrescentar algum móvel no ambiente, informe o aluno com deficiência, pois muitos deles constroem uma espécie de mapa mental e gravam a disposição dos mesmos em um determinado local para poderem se localizar, se locomoverem e administrar o ambiente com autonomia e independência. Na dúvida, procure sempre ajuda! 9 Identificando as dificuldades que prejudicam o aprendizado, a diversidade é uma grande oportunidade de crescimento e aprendizagem para todos os envolvidos. O DEFICIENTE VISUAL E A LEI A Lei 7.853 de 24 de outubro de 1989 ampara a acessibilidade aos portadores de deficiências visuais, integração ao mercado de trabalho e educação adequada e adaptada. A Coordenadoria para a integração da Pessoa Portadora de Deficiência, conhecida como “CORDE” é o órgão federal responsável em coordenar e fiscalizar o cumprimento da lei em nível federal, estadual e municipal. A Lei nº. 7853/89 trata dos direitos e deveres dos portadores de deficiências, garantindo que em todo o território brasileiro ações sejam desenvolvidas para melhorias em sua vida, saúde, educação, trabalho e lazer. Em seu artigo 1º estabelece: “Ficam estabelecidas normas gerais que asseguram o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiências, e sua efetiva integração social, nos termos desta Lei”. Em dezembro de 1996, a Lei nº. 9394/96, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, garantiu escolaridade gratuita a todos em seu Capítulo V, nos artigos 58, 59 e 60. 10 DEFICIÊNCIA VISUAL - DEFINIÇÕES E PERSPECTIVAS Caracterizada pela limitação ou perda das funções básicas do sistema visual e do olho, a deficiência visual é hoje a realidade para mais de 6,5 milhões de pessoas no Brasil. O grau de visão passa por amplas possibilidades, desde a cegueira total, até a visão total ou perfeita. A deficiência visual compreende a cegueira e a baixa visão. Segundo o Ministério da Educação, chama-se de baixa visão a alteração da capacidade funcional decorrente de fatores como rebaixamento significativo da acuidade visual, redução importante do campo visual e da sensibilidade aos contrastes e limitação de outras capacidades. Entre os dois extremos da capacidade visual estão situadas patologias como miopia, estrabismo, astigmatismo, ambliopia, hipermetropia, que não constituem necessariamente deficiência visual, mas que na infância devem ser identificadas e tratadas o mais rapidamente possível, pois podem interferir no processo de desenvolvimento e na aprendizagem. Uma definição simples de baixa visão é a incapacidade de enxergar com clareza suficiente para contar os dedos da mão a uma distância de 3 metros, à luz do dia; em outras palavras, trata-se de uma pessoa que conserva resíduos de visão. Diagnóstico Quando a dificuldade visual for detectada, a pessoa deve ser encaminhada ao oftalmologista que o encaminhará para serviços especializados. Após testes em que são analisadas todas as funções visuais, o diagnóstico é dado. É importante ressaltar que se houver a perda visual, o tratamento precoce, atendimento educacional adequado, programas e serviços especializados levam a uma vida independente e produtiva. 11 Estatísticas Segundo dados do IBGE 23,9% da população brasileira declararam ter algum tipo de deficiência, em 2010. Entre as deficiências existentes, a deficiência visual é a mais comum, atingindo 3,5% da população do Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as principais causas de cegueira no Brasil são: catarata, glaucoma, retinopatia diabética, cegueira infantil e degeneração macular. Segundo dados do World Report on Disability 2010 e do Vision 2020, a cada 5 segundos, 1 pessoa se torna cega no mundo. Além disso, do total de casos de cegueira, 90% ocorrem nos países emergentes e subdesenvolvidos. Estima-se que, até 2020, o número de pessoas com deficiência visual poderá dobrar no mundo. Em contramão, a OMS alerta que 80% dos casos de cegueira poderiam ser evitados se houvessem maisações efetivas de prevenção e/ou tratamento. Ainda segundo a OMS, cerca de 36 milhões de pessoas no mundo são cegas e outras 217 milhões tem baixa visão. A IMPORTÂNCIA DA INCLUSÃO 12 As pessoas com deficiência visual têm conquistado cada vez mais espaço na sociedade. Mas ainda há um longo caminho para percorrer. Nesse sentido, existem instituições como a Fundação Dorina Nowill para Cegos, que há mais de 70 anos trabalha pela autonomia de crianças, jovens, adultos e idosos com deficiência visual (cegos e com baixa visão). Além dos serviços gratuitos e especializados de habilitação e reabilitação, a Fundação Dorina oferece cursos de qualificação e consultoria para que a inclusão desses profissionais no mundo do trabalho aconteça de forma efetiva. DEFICIENTES VISUAIS E SUAS DIFICULDADES NA VIDA ADULTA O desemprego afeta grande parte das pessoas inclusive aquelas que têm deficiência visual. A capacitação profissional para o domínio das novas tecnologias, sem dúvidas, amplia o acesso ao mercado de trabalho. Embora encontrem diferentes obstáculos, muitas delas ocupam cargos em diferentes setores que exigem escolaridade e treinamento equivalentes aos de qualquer indivíduo que enxerga. Um exemplo que impressionou o mundo foi o do fotógrafo piauiense João Maia. Mesmo com baixa visão, ele fotografou, em 2016, os Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro. Usando sua audição na hora de enquadrar os colegas deficientes, ele espera ser uma inspiração para quem se julga incapaz de fazer algo. O humorista Geraldo Magela, também conhecido como “o Ceguinho”, é famoso por fazer piadas e contar “causos” de deficientes visuais. Sua página no Facebook tem mais de 320 mil seguidores e, atualmente, ele tem investido na produção de conteúdo para WhatsApp. Agora que você já sabe mais sobre deficientes visuais e suas dificuldades, promova a inclusão dos que tem algum tipo de deficiência. 13 Com o avanço da tecnologia, há produtos modernos e funcionais para garantir uma rotina cada vez mais independente. INCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS CEGOS E COM BAIXA VISÃO NCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS CEGOS E COM BAIXA VISÃO A linguagem, a comunicação e as múltiplas formas de expressão cultural ou artística constituem-se de imagens e apelos visuais cada vez mais complexos e sofisticados. Os conteúdos escolares privilegiam a visualização em todas as áreas de conhecimento, de um universo permeado de símbolos gráficos, imagens, letras e números. Assim, necessidades decorrentes de limitações visuais não devem ser ignoradas, negligenciadas ou confundidas com concessões ou necessidades fictícias. Para que isso não ocorra, devemos ficar atentos em relação aos nossos conceitos, preconceitos, gestos, atitudes e posturas com abertura e disposição para rever as práticas convencionais, conhecer, reconhecer e aceitar as diferenças como desafios positivos e expressão natural das potencialidades humanas. Desta forma, será possível criar, descobrir e reinventar estratégias e atividades pedagógicas condizentes com as necessidades gerais e específicas de todos e de cada um dos alunos. Neste sentido, explicitamos alguns dos principais aspectos, características e peculiaridades em relação aos alunos cegos e com baixa visão com o objetivo de apontar caminhos, referências e pistas aos educadores tendo em vista a inclusão escolar desse alunado. Nesta perspectiva, abordaremos os seguintes conteúdos: baixa visão; alfabetização e aprendizagem de pessoas cegas e com baixa visão; uso de recursos didáticos para sua educação; finalizando com algumas perguntas frequentes acerca desses temas. 14 O DESEMPENHO VISUAL NA ESCOLA Na escola, os professores costumam confundir ou interpretar erroneamente algumas atitudes e condutas de alunos com baixa visão que oscilam entre o ver e o não ver. Esses alunos manifestam algumas dificuldades de percepção em determinadas circunstâncias tais como: objetos situados em ambientes mal iluminados, ambiente muito claro ou ensolarado, objetos ou materiais que não proporcionam contraste, objetos e seres em movimento, visão de profundidade, percepção de formas complexas, representação de objetos tridimensionais, e tipos impressos ou figuras não condizentes com o potencial da visão. O trabalho com alunos com baixa visão baseia-se no princípio de estimular a utilização plena do potencial de visão e dos sentidos remanescentes, bem como na superação de dificuldades e conflitos emocionais. Para isso, é necessário conhecer e identificar, por meio da observação contínua, alguns sinais ou sintomas físicos característicos e condutas freqüentes, tais como: tentar remover manchas, esfregar excessivamente os olhos, franzir a testa, fechar e cobrir um dos olhos, balançarem a cabeça ou movê-la para frente ao olhar para um objeto próximo ou distante, levantar para ler o que está escrito no quadro negro, em cartazes ou mapas, copiar do quadro negro faltando letras, tendência de trocar palavras e mesclar sílabas, dificuldade na leitura ou em outro trabalho que exija o uso concentrado dos olhos, piscarem mais que o habitual, chorar com freqüência ou irritar se com a execução de tarefas, tropeçar ou cambalear diante de pequenos objetos, aproximarem livros ou objetos miúdos para bem perto dos olhos, desconforto ou intolerância à claridade. Esses alunos costumam trocar a posição do livro e perder a seqüência das linhas em uma página ou mesclar letras semelhantes. Eles demonstram falta de interesse ou dificuldade em participar de jogos que exijam visão de distância. 15 Para que o aluno com baixa visão desenvolva a capacidade de enxergar, o professor deve despertar o seu interesse em utilizar a visão potencial, desenvolver a eficiência visual, estabelecer o conceito de permanência do objeto, e facilitar a exploração dirigida e organizada. As atividades realizadas devem proporcionar prazer e motivação, o que leva à intencionalidade e esta desenvolve a iniciativa e a autonomia, que são os objetivos primordiais da estimulação visual. RECURSOS ÓPTICOS Recursos ópticos para longe: telescópio: usado para leitura no quadro negro, restringem muito o campo visual; telessistemas, telelupas e lunetas. Recursos ópticos para perto: óculos especiais com lentes de aumento que servem para melhorar a visão de perto. (óculos bifocais, lentes esferoprismáticas, lentes monofocais esféricas, sistemas telemicroscópicos). Lupas manuais ou lupas de mesa e de apoio: úteis para ampliar o tamanho de fontes para a leitura, as dimensões de mapas, gráficos, diagramas, figuras etc. Quanto maior a ampliação do tamanho, menor o campo de visão com diminuição da velocidade de leitura e maior fadiga visual RECURSOS NÃO- ÓPTICOS Tipos ampliados: ampliação de fontes, de sinais e símbolos gráficos em livros, apostilas, textos avulsos, jogos, agendas, entre outros. Acetato amarelo: diminui a incidência de claridade sobre o papel. Plano inclinado: carteira adaptada, com a mesa inclinada para que o aluno possa realizar as atividades com conforto visual e estabilidade da coluna vertebral. 16 Acessórios: lápis 4B ou 6B, canetas de ponta porosa, suporte para livros, cadernos com pautas pretas espaçadas, tiposcópios (guia de leitura), gravadores. Softwares com magnificadores de tela e Programas com síntese de voz. Chapéus e bonés: ajudam a diminuir o reflexo da luz em sala de aula ou em ambientes externos. Circuito fechado de televisão CCTV: aparelho acoplado a um monitor de TV monocromático ou colorido que amplia até 60 vezes as imagens e as transfere para o monitor. A APRENDIZAGEM E OS SENTIDOS Os sentidos sensoriais são o único meio pelo qual é possível aprender. Olfato, visão, paladar, audição e tato são as habilidades físicas humanas que permitem o contato e as relaçõescom o meio. Explorar técnicas que privilegiem o uso dos sentidos facilita a captação dos mais diversos conteúdos. Uma criança toca os objetos ao seu alcance para depois reconhecê-los. O caminho do intelecto passa pelas mãos é por meio do movimento e do toque que as crianças exploram e decodificam o mundo ao seu redor. (Montessori, 2006). Segundo Guyton e Hall (2011), as informações para o sistema nervoso são fornecidas pelos receptores sensoriais que detectam estímulos como: som, luz, dor, frio e calor. Esses receptores transformam os estímulos sensoriais em sinais neurais, que são conduzidos para o sistema nervoso central, onde são processados. Existem cinco tipos básicos de receptores: mecanorreceptores, termorreceptores, nociceptores, receptores eletromagnéticos, quimiorreceptores. Cada tipo de receptor é sensível a um determinado estímulo que é especializado. A sensibilidade tátil resulta geralmente da estimulação dos receptores para o tato na pele ou nos tecidos imediatamente abaixo da pele. Nosso corpo possui os receptores táteis e 17 o receptor tátil com grande sensibilidade é o corpúsculo de Meissner (GUYTON e HALL, 2011). A perda de uma determinada função sensorial é compensada por outros sentidos, que são aguçados. A perda da visão potencializa o desenvolvimento do tato fazendo com que identifique os formatos, dimensões e texturas. A COMUNICAÇÃO DA PESSOA COM SURDOCEGUEIRA Samaniego (2004) salienta que a comunicação é uma característica humana essencial e uma necessidade social fundamental para a vida de qualquer ser humano, pois permite a interação, a troca de informações, desenvolvimento da linguagem, estabelecimento de relações, aquisição de autonomia e formação na identidade. Iniciamos nossa comunicação apoiados nas nossas interações e nas interpretações que as pessoas fazem dos nossos atos interativos. A autora complementa que “a comunicação é, portanto, a base sobre o que se estabelece o desenvolvimento da pessoa como parte integrante de uma sociedade.” (SAMANIEGO, 2004, p. 259) Assim, estruturamos a nossa comunicação tornando-a efetiva e eficaz no ambiente o qual pertencemos. Neste ambiente, desenvolvemos pouco a pouco uma linguagem (oral ou em língua de sinais). Segundo Reyes (2004, p.175): Todos sabemos que la comunicación es la clave del acceso al aprendizaje, al conocimiento y a la relación con los demás. Dentro de los programas de atención para personas sordociegas una parte muy importante es el desarrollo y la potenciación de las habilidades comunicativas, a través de la enseñanza del adecuado sistema de comunicación en cada caso y de otros cuando se a posible. Nesse contexto, a comunicação é o ponto de partida para o desenvolvimento e aprendizagem da pessoa com surdocegueira. A comunicação é a chave da inserção social das pessoas surdocegas no 18 ambiente social e cultural no qual vivem. Por esta razão, tudo o que estiver relacionado com a comunicação é objeto do maior interesse, tanto por parte dos profissionais, como das próprias pessoas surdocegas, na busca de sistemas de comunicação mais rápidos e eficazes. São inúmeros os recursos de comunicação que as pessoas com surdocegueira poderão utilizar. Autores como Araóz (1999), Amaral (2002), Cader-Nascimento e Costa (2005) e Maia (2002) relatam que, no Brasil, frequentemente, são utilizados os mais diversos sistemas de comunicação, dentre os quais são mais comumente utilizados: Libras Táteis: Refere-se à Língua Brasileira de Sinais comunidade surda adaptada às condições específicas da pessoa com surdocegueira. Para realização da comunicação por meio das Libras Tátil, mantém-se a mão da pessoa com surdocegueira em cima das mãos do interlocutor, assim ele poderá perceber a configuração da mão, o ponto articulação, o movimento e a orientação da mão no espaço e no tempo. Entretanto, para que essa comunicação seja fluida é importante que a Libras seja dominada tanto pelo emissor como pelo receptor da mensagem. Alfabeto Tátil: Alfabeto digital utilizado pela comunidade de pessoas com surdez para dar nomes a coisas, lugares e pessoas, adaptado para a condição específica da pessoa com surdocegueira. Esse é digitado na mão da pessoa com surdocegueira, que pela articulação ou posição dos dedos percebe a configuração tomada pela mão do emissor e decodifica a letra. Escrita Alfabética Tátil: Essa comunicação consiste no registro das letras do alfabeto que compõem a língua oral escrita na palma da mão da pessoa com surdocegueira ou em uma base plana. São duas as formas desse tipo de comunicação: dedo do emissor como lápis e dedo da pessoa com surdocegueira como lápis. 19 Tadoma: Esse sistema de comunicação conhecido também como “método de vibração” ocorre mediante a percepção tátil das vibrações produzidas durante o ato de falar. A pessoa com surdocegueira toca com a mão levemente no rosto do interlocutor de forma que a possibilite sentir a vibração das pregas vocais e o movimento labial deste. Sistema Braille Digital: sistema de comunicação que utiliza o próprio corpo da pessoa com surdocegueira, especificamente, pontos dos dedos indicador e médio da mão ou dedos indicador, médio e anelar. Os pontos utilizados possuem a mesma estrutura e signo gerador do Sistema Braille. O interlocutor marcará os pontos e formará as palavras com a ponta seu dedo indicador ou polegar, indicador e médio; b) a utilização dos dedos indicador, médio e anelar das duas mãos da pessoa com surdocegueira distendidos e paralelos, mãos paralelas, com dorso para cima, cada dedo representará uma tecla da máquina braille. O interlocutor digitará a palavra com a ponta dos dedos como se estivesse digitando na máquina braille. CUIDADOS ESPECIAIS PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA Fazer um planejamento para classes com jovens com deficiência exige cuidados especiais. A primeira coisa é conhecer a criança e a família. Esse contato, além de ajudar, a saber, com quem você vai passar o ano, também orienta sobre os materiais específicos de que pode precisar em aula. Outra forma de conseguir essas informações é procurar o profissional que oferece atendimento especializado. "Essa troca é importante para o professor ter ideia das habilidades e competências com as quais está lidando", explica Daniela Alonso, consultora na área de inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. 20 "Com isso, ele pode pensar em propostas colaborativas dentro de sala e aperfeiçoar seus métodos pedagógicos. Cada aluno tem necessidades próprias. Nenhuma deficiência é igual", diz. O caminho é abordar os assuntos com base em aspectos variados, por meio de técnicas ou recursos audiovisuais, considerando os saberes prévios da garotada. A valorização da experimentação e da criação em discussões, pesquisas ou trabalhos em grupo, com materiais que proporcionem diferentes níveis de compreensão, faz com que todas as crianças se sintam integradas e mais motivadas a aprender. E, quanto mais variados forem os instrumentos, melhor. "É bom ter em mente que, se o professor pensar só em imagens para traduzir os conceitos, ele não penaliza apenas quem é cego, mas também quem senta no fundo da sala ou tem mais facilidade em compreender verbalmente", completa. "A diversificação das técnicas em sala de aula fez todos responderem positivamente", conta a professora Margarete de Menezes Prade, da EE Coronel Ciro Carvalho de Abreu, em Porto Alegre (RS). Esse ano ela recebeu um jovem cego em sua turma do 3º ano e precisou reorganizar seus cursos. Colocou bonequinhos e miniaturas de bichos nas aulas de ciências sobre os animais e, com os estudantes, levou a apresentação dos trabalhos em grupo para além da cartolina e leitura, deixando-a mais dinâmica. "Ele apenas colocou em evidência onde eu precisavaagir diferente. Na hora de planejar as aulas, comecei a variar meus materiais de pesquisa e pensar em debates polêmicos e questões de diversidade", diz. Ela também tem a ajuda da máquina em braile e, no ano que vem, terá um ábaco para o ensino da matemática. "Quando fico em dúvida, os alunos ajudam, dão idéias e trazem material de casa", diz. 21 REFERÊNCIAS BESS, F. H. E HUMES, L. E.; 1995 Audiology: The Fundamentals. Baltimore Williams & Wilkins Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Coordenadoria de Estudos a Normas Pedagógicas, O Que Você Sabe Sobre Deficiência Auditiva; Guia de Orientação aos Pais, São Paulo, SE/ CENP, 1985. MONDELLI, M. F. C. G. , BEVILACQU, M. 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