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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS DEPARTAMENTO DE FÍSICA DAVI OTONI SARAIVA MATHEUS ALVES DE OLIVEIRA RELATÓRIO DE FÍSICA EXPERIMENTAL BÁSICA: ELETROMAGNETISMO RESISTÊNCIA INTERNA DE UM VOLTÍMETRO Belo Horizonte 2024 RESUMO O relatório a seguir tem como intuito descrever o experimento realizado com o objetivo de determinação da resistência interna de um voltímetro, com base nas teorias apresentadas durante as aulas de Fundamentos de Eletromagnetismo. O experimento se baseia no carregamento de um capacitor, por meio de uma fonte, até uma certa tensão V0 e então acompanhar a diminuição do valor da tensão, no voltímetro, com o passar do tempo. Dessa forma, ao plotar os pares de valores tensão x tempo, é possível construir um gráfico com os valores obtidos e, ao usar uma linearização e regressão de forma apropriada, encontrar uma aproximação para o valor da resistência interna do voltímetro utilizado com base na equação fornecida. INTRODUÇÃO O capacitor trata-se de placas metálicas colocadas de maneiras paralelas, coaxiais, em casos de capacitores cilíndricos e esféricos. Tem como função principal o armazenamento de energia elétrica e sua liberação de forma abrupta. Ao se conectar um capacitor à uma fonte de energia, como no caso do experimento feito, ocorre transferência de cargas e, com o tempo, o aumento da tensão. Porém, o contrário ocorre, isso sendo, a sua carga escoa ao longo do tempo, ao conectá-lo à um resistor, assim, sua tensão diminui. Isso pode ser representado pelos gráficos a seguir: Figura 01: (a) Gráfico representando o aumento da tensão do capacitor ao longo do tempo, ao conectar em uma fonte. (b) Gráfico representando a queda de tensão do capacitor ao conectá-lo com um resistor. Esse processo pode ser descrito, matematicamente, pela equação: (1) PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Para realizar o experimento foi utilizado: ● Fonte de tensão contínua; ● Voltímetro analógico 40V; ● Capacitor de 2200 ;µ𝐹 ● Conjunto de jumpers; Inicialmente, foi montado o circuito esquematizado do roteiro com a devida atenção para a polarização correta do capacitor e para a tensão da fonte, a qual selecionamos um valor inicial de 10V. Após um curto intervalo de tempo, quando o capacitor obteve a tensão máxima fornecida entre seus terminais, a fonte foi separada do circuito pela retirada de um dos seus cabos e assim ligamos o voltímetro em paralelo com o capacitor. Nesse esquema, o capacitor é continuamente descarregado e podemos ver os valores de tensão no terminal do voltímetro ao comparar a deflexão do ponteiro com a graduação interna. Para obter um conjunto de valores Vxt do circuito capacitor-voltímetro, colocamos o voltímetro ao lado de um cronômetro comum e filmamos o conjunto até que ocorresse o descarregamento completo do capacitor. A filmagem do cronômetro ao lado do voltímetro permitiu obter uma extensa faixa de valores da tensão no tempo. No entanto, para facilitar a plotagem do gráfico, decidimos adotar como critério a escolha somente dos pares de valores com os quais a tensão medida estivesse na graduação do voltímetro. Como a tensão de escolha sob o capacitor foi de 10V e o voltímetro tem uma escala de 1V, foi esse o intervalo de tensão que usamos para selecionar os valores. RESULTADOS E DISCUSSÃO Ao final, foi possível montar uma tabela com os dados obtidos, para que dessa forma fossem melhor analisados e então encontrar resultados. A tabela se deu da seguinte forma: Tensão (± 0,6V) Tempo (± 0,01s) 10,0 0,00 9,0 11,45 8,0 23,63 7,0 36,27 6,0 51,20 5,0 67,09 4,0 88,19 3,0 114,41 2,0 149,50 1,0 196,36 Tabela 01: Tabela de resultados obtidos para tensão e tempo. A incerteza da medição do voltímetro foi obtida da ficha técnica do componente. Identificamos o voltímetro utilizado como o modelo FM-72 da linha de voltímetros da Renz®, o qual possui um erro tabelado de 1,5% da escala total. Para o cronômetro foi utilizado sua menor medida de tempo como base, já que não existe a ficha técnica para tal. Assim, partiu-se para a montagem de gráfico, para que fosse possível uma melhor análise dos dados obtidos. Figura 02: Gráfico de tensão. É possível perceber o comportamento exponencial, como já visto no gráfico (b) da figura 01, assim, percebe-se, inicialmente, que os resultados apresentam algo já dentro do esperado e que o experimento seguiu por um caminho correto. Subsequentemente, fez-se necessária a linearização deste gráfico, por se tratar de um gráfico de comportamento exponencial, foi preciso, anteriormente, a aplicação do logaritmo natural, da seguinte forma (2)𝑙𝑛 (𝑉) = 𝑙𝑛(𝑉𝑜) − 𝑡 𝑅𝐶 Sendo Vo a tensão inicial, R a resistência interna do voltímetro e C a capacitância do capacitor utilizado. Figura 03: Gráfico de Tensão x Tempo linearizado por logaritmo natural. Com o gráfico linearizado em mãos, é possível encontrar o valor para o coeficiente angular, sendo ele 0,011. Assim, sendo A o coeficiente angular, tem-se: (3)𝐴 = − 1 𝑅𝐶 Então, para encontrar o valor da resistência, basta apenas isolar o R e tendo o valor da capacitância, já dado pelo equipamento, sendo e assim: 𝐶 = 2200 𝑥 10−6 (4)𝑅 = − 1 𝐴𝐶 (5)𝑅 = 4, 13 · 104Ω ± 0, 4 Assim, foi possível definir a resistência daquele voltímetro. Após análise em conjunto com o professor e estudo de outros materiais experimentais, com valores de resistência para voltímetros, foi possível perceber que o valor de 41,13kΩ é satisfatório e condiz com o esperado para um voltímetro real. Já que para o funcionamento de um voltímetro é necessária alta resistência. CONCLUSÃO Ao final, pode-se conseguir com uma certa proximidade de valores reais e esperados. Foi estudado também a realização do mesmo experimento para o caso de um voltímetro digital e há várias diferenças fundamentais no processo de medição em voltímetro digital para um analógico. No que concerne a tentativa de medição da resistência interna a partir do descarregamento do capacitor, um empecilho de realizar o mesmo processo seria que o valor da resistência de um voltímetro digital é relativamente bem maior do que o de um analógico. Enquanto que o analógico frequentemente estabelece algumas dezenas de kilo Ohms, um digital pode alcançar Mega Ohms. Ao analisar esse efeito na equação (1), percebe-se que uma resistência mais elevada implica em uma taxa de descarregamento do capacitor reduzida em proporção desse incremento, o que por sua vez poderia tornar o processo extremamente vagaroso. Segue uma comparação com a equação (1): Para usando a relação obtida pelo experimento𝑌 = 10𝑒(− 0. 011𝑥), Para com uma resistência 100x maior𝑌 = 10𝑒(− 0. 00011𝑥), REFERÊNCIAS NUSSENZVEIG, Herch Moysés. Capacitância e Capacitores Dielétricos. In: NUSSENZVEIG, Herch Moysés. Física Básica 3: Eletromagnetismo. 5. ed. São Paulo: Edgar Blücher LTDA, 1997. cap. 5, p. 75-96. ISBN 85-212-0134-6. NUSSENZVEIG, Herch Moysés. Circuitos. In: NUSSENZVEIG, Herch Moysés. Física Básica 3: Eletromagnetismo. 5. ed. São Paulo: Edgar Blücher LTDA, 1997. cap. 10, p. 189-230. ISBN 85-212-0134-6. AHMAD, Amna. Digital vs. Analog Meters: How Do They Compare?. In: AHMAD, Amna. Digital vs. Analog Meters: How Do They Compare?. [S. l.], 22 ago. 2023. Disponível em: https://eepower.com/technical-articles/digital-vs-analog-meters-how-do-they-compare/# . Acesso em: 21 jun. 2024.