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Dor por Gabrieli do Nascimento Dias Rodrigues 2022.1 MEDICINA UNIDERP TURMA TXXV AVISO O arquivo é de uso pessoal. PROIBIDO O REPASSE. O CONTEÚDO DESTE MATERIAL DESTINA-SE EXCLUSIVAMENTE A EXIBIÇÃO PRIVADA. É PROIBIDA TODA FORMA DE REPRODUÇÃO, DISTRIBUIÇÃO OU COMERCIALIZAÇÃO DO CONTEÚDO OBTIDO. O COMPARTILHAMENTO, A TÍTULO GRATUITO OU ONEROSO, LEVA À RESPONSABILIZAÇÃO CIVIL E CRIMINAL DOS ENVOLVIDOS. A VIOLAÇÃO DE DIREITOS SOBRE ESSE PDF É CRIME (ART. 184 DO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO, COM PENAS DE 3 MESES A 4 ANOS DE RECLUSÃO E MULTA). Problema 01 PROBLEMA 1 Ai, como dói! Após ter caído e se machucado, Pedro, 10 anos, não parava de reclamar: – Vó! Meu braço está doendo! Doendo muito! Sua avó, Dona Cleomira, irritada, retruca: – Não reclama, menino! Só você sente dor neste mundo? Já imaginou quanta gente está sofrendo com dor neste momento? Será que todos reclamam tanto quanto você? Tenho dor forte nas costas toda semana há mais de 10 anos e estou aqui aguentando firme... – Pois é, mas a senhora vive nervosa, diz Pedro. – Meu neto, para piorar, não consegui dormir esta noite de tanta dor. – Ai vó, meu braço tá doendo muito aqui no machucado e doendo menos aqui ao redor do machucado. – Tome aqui este Ibuprofeno, coloque este gelo sobre o seu braço e pare de encher. Eu vou lá dentro passar um Cataflam nas minhas costas e tomar algum remédio; elas estão me matando. Chuva de ideias: ● DEFINIÇÃO DE DOR: experiência desagradável, geralmente associada a lesão tecidual, é algo que incomoda, irrita, atrapalha a rotina (pode causar DEPRESSÃO e ANSIEDADE), é um mecanismo de defesa, por alertar para ocorrência de lesões e limitar os movimentos até onde a anatomia do corpo aguenta ● SISTEMA SOMESTÉSICO: capta e conduz ao SNC informações sensoriais de tato, dor e temperatura ● NOCICEPTORES = receptores das vias dolorosas → vários tipos: mecânicos, térmicos, químicos ● Dor de Pedro é momentânea/ aguda/ rápida (“caiu e machucou”) e a dor da avó é crônica/ lenta (“dor forte nas costas toda semana há mais de 10 anos” e “não consegui dormir de tanta dor”) - Cada tipo de dor é desencadeada por estímulos diferentes, conduzida por tipos de fibras diferentes, em velocidade diferente e por vias diferentes (NEOESPINOTALÂMICA e PALEOESPINOTALÂMICA) ● Avaliação clínica da dor (DECÁLOGO DA DOR): localização, duração, intensidade (diferentes escalas, uma é numérica e outra é por desenhos de expressões, geralmente usada para crianças), irradiação, relação com funções orgânicas, fatores desencadeantes e atenuantes ● Diferença de idade entre Pedro e a avó: - Será que idosos tem mais ou menos terminações livres? - Idosos = redução da mielina dos nervos sensoriais → perda de sensação de dor ● Porque dói menos ao redor do machucado? Será que é porque os receptores não foram ativados? ● Ibuprofeno (AINE) ● Cataflam (AINE) = ação analgésica e anti-inflamatória com pouca ação antipirética ● GELO = antiinflamatório natural para edema, hematomas, torções PP: Como auxiliar Cleomira e seu neto Pedro a solucionar suas respectivas dores? Objetivo 1 - Identificar e diferenciar a dor aguda e crônica. Objetivo 2 - Explicar a fisiopatologia das dores aguda e crônica (todas as vias, fibras, receptores). Objetivo 3 - Explicar os tipos de hiperalgesia (primária e secundária). Objetivo 4 - Descrever os tipos de abordagem/ semiologia da dor (tipo, local, intensidade, duração). Objetivo 5 - Identificar as consequências biopssicososiais da dor. Objetivo 6 - Elucidar a epidemiologia da dor (tipo, locais, lombalgia). Objetivo 7 - Explicar mecanismo de ação, dosagem (adulta e pediátrica), indicação e contraindicação de: ibuprofeno, diclofenaco, dipirona, paracetamol e AAS - também ver “gelo como tratamento”. Objetivo 8 - Identificar as consequências da automedicação a curto e longo prazo. Objetivo 1 - Identificar e diferenciar a dor aguda e crônica. Objetivo 2 - Explicar a fisiopatologia das dores aguda e crônica (todas as vias, fibras, receptores). Objetivo 3 - Explicar os tipos de hiperalgesia (primária e secundária). Dor De acordo com a International Association for the Study of Pain (IASP): ● É uma experiência sensorial e emocional desagradável (incomoda, irrita, tira o sono e sossego, atrapalha a rotina), associada a lesão tecidual (ardência, fisgada, latejo, inflamação, irritação ou sensações insuportáveis) real ou potencial, ou relatada como se uma lesão existisse ● Pode ser modulada por questões: fisiológicas, emocionais, motivacionais, culturais ou experiências prévias de vida ● É um mecanismo de defesa: alerta para ocorrência de lesões ou estímulos potencialmente lesivos, ensina a evitar objetos ou situações capazes de provocar lesão, impõe limites nas atividades e movimentos e induz inatividade e repouso para que o indivíduo se recupere ● Resulta da ativação sinergística de um conjunto de estruturas corticais e subcorticais dispostas em rede, que desencadeia uma excitabilidade geral do cérebro: exerce forte efeito de alerta (impossível dormir em casos de dor grave) Faz parte do SISTEMA SOMESTÉSICO e é RESULTADO da ativação de nociceptores (neurônios aferentes primários), da lesão ou disfunção dos nociceptores ou do SNC: DOR NOCICEPTIVA (fisiológica): causada por estimulação excessiva dos nociceptores da pele e vísceras/ órgãos, pode ser SOMÁTICA ou VISCERAL ● Tipo da dor: depende de qual tipo de nociceptor está sendo sendo estimulado ● Localização da dor: depende da distribuição somatotópica dos terminais dos nociceptores no corno dorsal da medula espinhal ● Intensidade da dor: depende da intensidade do estímulo, o qual é proporcional ao número e/ou a frequência de disparo dos PA’s DOR NEUROPÁTICA (patológica): resulta de uma disfunção/ lesão do SNC (DOR CENTRAL) ou SNP, pode ser classificada em central, periférica ou mantida pelo SNC simpático DOR PSICOGÊNICA: dor sem um estímulo periférico ou sem lesão aparente �p� d� fibra� cutânea� TIPOS DE FIBRAS CUTÂNEAS TIPO DIÂMETRO MIELINIZAÇÃO NEUROTRANSMISSOR/ DESENVOLVIMENTO % ↳ adversa a prazer ↳ hauma ↳ dar el uscicepção OBS. E SOBREVIDA Aβ (neurônios inócuos) > 10 µm Grossa → 30 a 100 m/s OBS.: podem se modificar e passar a transmitir informações nociceptivas (DOR AGUDA) em casos de degeneração neuronal, inflamação tecidual ou lesão dos nervos periféricos É a responsável pela ALODINIA (percepção de dor a estímulos que em condições normais não provocariam sensação dolorosa) 20 Aδ (neurônios nociceptivos : DOR AGUDA) → lâminas I (principalment e), II, V e X 2 a 6 µm Fina → 12 a 30 m/s GLUTAMATO Neurotrofina-3 e BNDF (fator neurotrófico derivado do encéfalo) 10 C (neurônios nociceptivos : DOR CRÔNICA) → P (Lâmina I e lâmina II externa) e NP (lâmina II interna) 0,4 a 1,2 µm Ausente (são amielínicas ou mielínicas finas) → 0,5 a 2 m/s C peptidérgicos: Glutamato, SUBSTÂNCIA P, CGRP (peptídeo relacionado com o gene da calcitonina) C não peptidérgicos: Glutamato C peptidérgicos: NGF (fator de crescimento neuronal) C não peptidérgicos: BDNF 70 OBS.: há um elevado grau de convergência de terminais de fibras de vários órgãos = contribui para a DOR REFERIDA Nocicepçã� processo sensorial em resposta a danos ou estímulos potencialmente danosos, que geram os sinais que levam a dor (que pode existir com ou sem a ação dos nociceptores) OBS.: só é chamada de DOR a partir do momento em que é percebida no encéfalo NOCICEPTORES ou TERMINAÇÕES NERVOSAS LIVRES são neurônios do SNP, receptores das vias dolorosas, distribuídos em distribuídos em todo o corpo (camada superficial da pele e tecidos internos, meninges) exceto no SNC FUNÇÃO: ● Detecção dos estímulos nociceptivos ● TRANSDUÇÃO ● Transmissão até a medula espinhal tipo diametromielinizacas Verdansmissordesenv. 4 ● Síntese de moléculas (prostaglandinas, ATP e NO) que contribuem para a transmissão/ modulação da informação nociceptiva para os neurónios do corno dorsal ● OBS.: SOMAÇÃO ESPACIAL OU TEMPORAL (para provocar dor, são necessários vários potenciais de açãosucessivos e/ou a ativação simultânea de vários nociceptores) ATIVAÇÃO: por estímulos nociceptivos ou nóxicos ESTRUTURA: terminações nervosas pseudounipolares, ou seja, não possuem dendritos e tem 2 prolongamentos que se bifurcam a partir do corpo celular (localizado nos gânglios das raízes dorsais e no gânglio de gasser - do trigêmeo, V par craniano): ● PERIFÉRICO (longo): são TERMINAÇÕES NERVOSAS LIVRES que constituem FIBRAS SENSITIVAS em órgãos periféricos como DERME e EPIDERME) e CENTRAL (curto): penetram na medula espinhal pelas raízes dorsais e termina no corno dorsal, fazendo sinapses com os NEURÔNIOS ESPINHAIS) NOCICEPTORES DE ACORDO COM A MODALIDADE DE ESTÍMULO NOME TIPO DE ESTÍMULO TIPO DE FIBRA Polimodais (são maioria) - < 3m/s Mecânico, térmico e químico CMecano-insensíveis Térmico e químico Termonociceptores Térmico Quimionociceptores Químico Silenciosos (10 a 20% das fibras C) - <3m/s Nenhum (em condições fisiológicas), mas ao serem sensibilizados por mediadores químicos, passam a responder diversos estímulos Aδ tipo I Mecânico (podem responder a estímulos térmicos ou químicos de longa duração) Aδ Aδ tipo II Térmico OBS.: os nociceptores codificam o tipo de estímulo, sua intensidade (quanto maior é a intensidade, maior o número e frequência dos potenciais de ação) e localização (depende da distribuição de seus terminais no corno dorsal da medula) Neuroquímic� GLUTAMATO: neurotransmissor excitatório presente em todos os tipos de fibras nociceptivas, é abundante no sistema nervoso. Liberado imediatamente após a lesão tecidual, tem ação instantânea e é recaptado em milissegundos SUBTÂNCIA P: neuropeptídeo muito associado à dor crônica, que está presente nos nociceptores C peptidérgicos e tem liberação lenta e crescente e recaptação lenta, assim se mantém mais tempo na fenda sináptica e caracteriza a dor lenta e duradoura --------------------Dor Agud� ------------------- DOR AGUDA (até 3 meses) rápida, primária, pontual, em agulhada ou elétrica ● Sentida de 0,1 a 1 segundo após o estímulo doloroso → a dor persistente pode aumentar lentamente durante vários segundos/minutos e se manter se for estimulada por reações inflamatórias (associada a destruição tecidual) ● Tem relação temporal com a lesão e está ali para sinalizá-la, por isso cessa com o fim do estímulo ● FUNÇÃO: avisar rapidamente sobre o perigo para que pessoa se afaste imediatamente do estímulo, diminuindo a gravidade ● Não é sentida nos tecidos mais profundos do corpo ● OBS.: dor subaguda é de 3 a 6 meses TRANSDUÇÃO = conversão do estímulo nociceptivo/ nóxico em impulsos nervosos (potencial de ação ou elétrico despolarizante) Estímul� dolor��, nociceptiv� o� n�ic� ESTÍMULO MECÂNICO: traumas, pancadas, pressão direta, acidentes ESTÍMULO TÉRMICO: temperatura nociceptiva, < 5ºC ou > 45ºC ESTÍMULO QUÍMICO: substâncias químicas/irritantes (exógenas e endógenas), alimentos, condimentos, ácidos São recebidos por receptores de transdução na pontinha do axônio aferente primário: Receptore� d� Transduçã� MECÂNICOS TÉRMICOS (temp. elevada) TÉRMICOS (temp. baixa) QUÍMICOS TREK - 1 TRPV 1 TRPM8 TRPV 1 MDEG TRPV 2 ASIC DRASIC TRPV 3 DRASIC TREK - 1 RECEPTORES IONOTRÓPICOS: recebem glutamato e ATP, que abrem diretamente os canais iônicos e despolarizam a membrana dos nociceptores RECEPTORES METABOTRÓPICOS: recebem bradicinina e prostaglandinas, que ativam mecanismos intracelulares e modificam a concentração de AMP cíclico e Ca²+, ativando enzimas intracelulares que modulam os canais iônicos → NÃO EXCITAM as terminações nervosas, mas SENSIBILIZAM a fibra ao diminuir o limiar excitatório e aumentar sensibilidade NO: exerce efeito direto no terminal periférico dos nociceptores Ativaçã� d� outr� Nociceptore� Os nociceptores ativados liberam principalmente: GLUTAMATO, SUBSTÂNCIA P, CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina) ou ASPARTATO para o meio extracelular = contribui para a ativação de nociceptores vizinhos Hiperalgesia = estado de hiperexcitabilidade celular que leva ao aumento da percepção/sensibilidade da dor através do aumento da resposta dos nociceptores a estímulos nóxicos, e que geralmente está associada a ALODÍNIA (percepção de dor provocada por um estímulo habitualmente inócuo) Sensibil�açã� Periféric� o� Hiperalgesi� Primári� = sequência de acontecimentos que sinalizam e sensibilizam, é uma dor espontânea resultante do aumento da sensibilidade aos estímulos de qualquer tipo, que ocorre no local da lesão, imediatamente após a estimulação nóxica aguda (termina um pouco depois do fim do estímulo) e não induz qualquer alteração duradoura ou permanente na capacidade funcional dos neurônios ● FUNÇÕES: possibilita que a pessoa fique ciente do estímulo lesivo, facilita o aparecimento de respostas reflexas e comportamentos protetores, promovem o afastamento do estímulo nóxico e impede o agravamento das lesões ● Histamina ● Serotonina SINALIZADORES (ativadores, de aviso) ● Glutamato ● K+ ● H+ ● CGRP SENSIBILIZADORES (facilitam a passagem de íons e mantém a porta aberta) ● Leucotrienos ● Bradicinina ● Prostaglandina ● Substância P MECANISMOS: lesão → rompimento de membrana → liberação de fosfolipase A2 → cascata do ácido araquidônico → via da COX → prostaglandina + substâncias algiogênicas (mediadores químicos que facilitam a passagem de informações e são derivados da cascata do ácido araquidônico ou células imunológicas: bradicinina, serotonina, substância P) = SENSIBILIZAÇÃO PERIFÉRICA, ação: ● Excitatória direta sobre os nociceptores (abertura de canais iónicos → rápida despolarização da membrana = sensação dolorosa imediata e aguda) ou mastócitos (causa sua degranulação e consequente liberação de substâncias algiogênicas) ● Menos imediata porém mais prolongada: mecanismos intracelulares diminuem o limiar de ativação e facilitam potenciais de ação em resposta a estímulos de menos intensos → ocorre sensibilização e ativação de nociceptores silenciosos ● Indireta sobre os nociceptores: interleucina 1B ou TNFα, liberados por macrófagos e outras células durante a reação inflamatória, promovem a síntese e liberação de prostaglandinas e NO ● Se estímulo persiste, aumenta a sensibilidade e diminui o limiar de estimulação → excitação das fibras dolorosas fica progressivamente maior e nociceptor fica mais sensível a estímulos nóxicos e substâncias algiogênicas liberadas na inflamação = facilita disparos do potencial de ação ● Está intimamente relacionada a INFLAMAÇÃO TECIDUAL (aumento de substância P, NO e glutamato nos nociceptores) ● OBS: com a ação da BRADICININA, mais fibras C são recrutadas, o que aumenta e prolonga as respostas TRANSMISSÃO = vias e mecanismos que permitem que o impulso nervoso seja conduzido até a coluna posterior da medula espinhal Sensibil�açã� Centra� é um evento central/medular positivo e benéfico, que facilita a passagem de informações enquanto é preciso e em situações fisiológicas, cessa após o término do estímulo ● NEURÔNIOS ENVOLVIDOS: 1º e 2º (espinhal) ● GLUTAMATO é liberado e se liga a 2 tipos de receptores no NEURÔNIO ESPINHAL: - NMDA (maior afinidade): sempre que o neurônio está em repouso, Mg+ bloqueia o canal iônico e impede a passagem de Ca²+ = glutamato não exerce seu efeito - AMPA: provoca a rápida entrada de Na+ → despolarização da membrana e aparecimento do potencial de ação ● A abertura de canais de potássio sensíveis a voltagem repolariza a membrana e inativa os receptores, porém a despolarização transitória abre os canais de Ca²+ dependentes de voltagem ● Fibras precisam ser estimuladas repetitivamente por meio de: Potenciação a longo prazo (long term potentiation – LTP): fenômeno que facilita a transmissão sináptica, aumentando sua eficácia após estimulação de curta duração e alta frequência Windup: fenômeno neuroplástico que aumenta a resposta dos neurônios a um estímulo repetitivo em baixa frequência e com intensidade constante ● Assim, há aumento da concentração intracelular de Na+ e Ca²+ → desbloqueia receptoresde NMDA (tira Mg+), que passam a ser ativados pelo glutamato ● NMDA facilita a entrada de CÁLCIO → ativa a enzima ÓXIDO-NÍTRICO-SINTASE, que faz o ciclo do NO → produz mais NO, que atravessa a membrana pós sináptica e a fenda sináptica, chegando até o neurônio pré-sináptico, onde causa a liberação de mais GLUTAMATO → excita ainda mais terminal pós sináptico e remove Mg+ do receptor de NMDA OBS.: substância P, que é libertada simultaneamente com o glutamato, colabora com a ativação dos receptores de NMDA tornando-os mais resistentes ao bloqueio do Mg+ Hiperalgesi� Secundári� = fenômeno que ocorre na periferia/ao redor da lesão após uma estimulação nóxica prolongada ou de alta frequência, que perdura para além do período de estimulação e se tornam independentes dela ● MECANISMO (SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL, no corno dorsal da medula espinhal): impulsos nociceptivos passam pelas fibras C → glutamato se liga aos seus receptores NMDA (Mg+ deixa de bloquear e permite entrada de Ca²+) → produção de NO, que atua como segundo mensageiro → estimula liberação de glutamato → sensibilização central = medula estimula neurônios secundários a um nível acima e abaixo do mesmo segmento, que levam a informação para S1 = dói o machucado e ao redor ● OBS.: alodínia se manifesta essencialmente em resposta a estímulos mecânicos. É relacionados com o aparecimento de dor crônica e pode levar a alterações permanentes do sistema nociceptivo CONCEITOS: ● Anestesia: diminuição de todos os sentidos ● Analgesia: diminuição do sentido nociceptivo ESTÍMULO DOLOROSO SÚBITO → ativa: Imediatamente as fibras rápidas Aδ (mielinizadas, velocidade de 6 a 30 m/s - dor aguda inicial = forma de alarme, para indivíduo se afastar do estímulo) do 1º NEURÔNIO que estão ligadas aos nociceptores → origina a VIA NEOESPINOTALÂMICA (lateral): ● ESTÍMULOS ESPECÍFICOS: mecânicos e térmicos ● PROLONGAMENTO PERIFÉRICO → corpo celular no GÂNGLIO ESPINHAL → PROLONGAMENTO CENTRAL → entra pela RAIZ DORSAL na lâmina I do CORNO DORSAL da medula Posteriormente as fibras lentas C (amielinizadas, velocidade de 0,5 a 2 m/s - dor duradoura posterior = tende a aumentar com o passar dos minutos) do 1º NEURÔNIO que estão ligadas aos nociceptores → origina a VIA PALEOESPINOTALÂMICA (medial): ● ESTÍMULOS ESPECÍFICOS: mecânicos, térmicos (persistentes) e QUÍMICOS (principalmente) ● PROLONGAMENTO PERIFÉRICO → corpo celular no GÂNGLIO ESPINHAL → PROLONGAMENTO CENTRAL → entra pela RAIZ DORSAL na lâmina II ou III do CORNO DORSAL da medula LÂMINAS DE REXED A nocicepção envolve as lâminas de I a V: quanto menor o número, mais externa = NEOESPINOTALÂMICA e quanto maior o número e mais profunda = PALEOESPINOTALÂMICA MODULAÇÃO = no corno dorsal da medula espinhal, antes de chegar a níveis superiores do SNC, estruturas responsáveis pela supressão da dor também são ativadas pelas vias nociceptivas Modulaçã� Segmentar evento que ocorre no mesmo nível ou segmento medular e corresponde a antiga teoria do portão Estímulo nociceptivo → ativação de fibras C e Aδ → abertura das comportas da medula espinhal e SINAPSE no corno posterior → estímulo tátil (gelo, calor, massagem, acupuntura) → ativação das fibras Aβ (espessas e rápidas: 30 a 100 m/s): ● Ativação dos INTERNEURÔNIOS ENCEFALINÉRGICOS → liberação de OPIÓIDES ENDÓGENOS (todos eles são inibitórios), que se ligam aos seus receptores nos axônios do 1º e 2º neurônios ● Ocorre diminuição do influxo de cálcio nas fibras nociceptivas C e Aδ = dificulta a liberação de neurotransmissores (glutamato ou substância P) ou o alcance a seus receptores, e a passagem de íons = fechamento das comportas da medula espinhal, INFORMAÇÃO NÃO ASCENDE (ou ascende menos) Modulaçã� Suprasegmentar o� Sistem� Inibitóri� Descendent� vem de níveis acima do segmento medular e ocorre em situações (doenças, lesões e síndromes) nas quais existe muita informação ascendendo, e modula/silencia sinais mais baixos e intervalados, pois nem toda informação nociceptiva pode/precisa ascender ao encéfalo (só se for frequente e mais intenso) Trato espinotalâmico → tálamo e fibras colaterais para bulbo e mesencéfalo → estímulo da substância cinzenta periaquedutal (mesencéfalo) faz NÚCLEO MAGNO DA RAFE e LOCUS CERULEUS produzirem encefalinas (SEROTONINA e NORADRENALINA) → fibras descendem para a FORMAÇÃO RETICULAR e depois para o CORNO DORSAL → INTERNEURÔNIO ENCEFALINÉRGICO libera ENCEFALINA, que se acopla aos receptores opióides nos neurônios aferentes primários e secundários = BLOQUEIO DAS FIBRAS C E AΔ PERCEPÇÃO = impulso é integrado e percebido como DOR no encéfalo Vi� Neoespinotalâmic� Fibras secretam GLUTAMATO (ação instantânea que persiste por milissegundos) → SINAPSE com o 2º NEURÔNIO (NEURÔNIO ESPINHAL DE PROJEÇÃO), que tem axônios longos: Cruzam para o lado oposto da medula espinhal (em direção ao corno anterior) por meio da comissura anterior Fibras ascendem em direção ao SNC pelo TRATO ESPINOTALÂMICO (FEIXE ESPINOTALÂMICO LATERAL: substância branca) e vão para: ● MINORIA - nas áreas reticulares do tronco cerebral (entre a medula espinhal e o diencéfalo) ● MAIORIA - segue para o TÁLAMO → no complexo ventrobasal (NÚCLEO VENTRAL PÓSTERO-LATERAL ou VPL + NÚCLEO VENTRAL PÓSTERO-MEDIAL ou VPM) e nos NÚCLEOS INTRALAMINARES (em menor proporção) faz SINAPSE com o 3º NEURÔNIO Das áreas talâmicas, os sinais são transmitidos para outras áreas do encéfalo: REGIÃO S1 (área somestésica/ sensitiva primária, localizada no giro pós central) do CÓRTEX, envolvida no aspecto SENSITIVO DISCRIMINATIVO da dor: ● Detecção e percepção da localização (com maior precisão), intensidade (intensa), duração (rápida) e modalidade do estímulo (pontada) ● HOMÚNCULO SENSORIAL DE PENFIELD (somatotopia): informação vai para a área correspondente a parte do corpo que sofreu a injúria Vi� Paleoespinotalâmic� Fibras secretam SUBSTÂNCIA P (liberada lentamente) → SINAPSE com o 2º NEURÔNIO (NEURÔNIO ESPINHAL DE PROJEÇÃO, localizado na coluna posterior da medula, tem axônios longos) → entram na lâmina V A maioria não cruza, continua IPSILATERAL: atinge o TRONCO ENCEFÁLICO As poucas fibras que CRUZAM para o lado oposto (em direção ao corno anterior) e se juntam as fibras de dor rápida, também atingem TRONCO ENCEFÁLICO, mas principalmente o CÓRTEX (para atingi-lo, precisam cruzam obrigatoriamente) Ascendem em direção ao SNC pela VIA ESPINORRETICULAR → chegam no TRONCO ENCEFÁLICO, atingindo: ● FORMAÇÃO RETICULAR (núcleos reticulares do bulbo, ponte e mesencéfalo - são centros superiores de controle): LOCUS CERULEUS e NÚCLEO MAGNO DA RAFE = MODULAÇÃO SUPRASEGMENTAR → em paralelo, ocorre o aumento da FR, FC, O² e indivíduo pode correr ou fugir do estímulo ● Área tectal do mesencéfalo ● Região cinzenta periaquedutal ● Cerebelo Nessas regiões, fazem SINAPSE com o 3º NEURÔNIO Ascendem pela VIA RETÍCULO TALÂMICA para o TÁLAMO → no complexo ventrobasal (NÚCLEO VENTRAL PÓSTERO-LATERAL ou VPL + NÚCLEO VENTRAL PÓSTERO-MEDIAL ou VPM) e no NÚCLEO DORSO MEDIAL faz SINAPSE com o 4º NEURÔNIO Das áreas talâmicas, os sinais são transmitidos para diversas áreas do encéfalo, responsáveis pelo aspecto AFETO COGNITIVO da dor: REGIÃO S2 (área de associação/ somestésica/ sensitiva secundária), SISTEMA LÍMBICO e HIPOTÁLAMO ● Não existe caminho linear, e pela conectividade multi sináptica, o córtex não consegue precisar o local da dor = DOR mal localizada, difusa, de baixa intensidade e de crescente duração ● Relação entre a dor e a memória, os estados emocionais, a capacidade de tolerância à dor, racionalização e interpretação afetiva da dor -------------------Dor Crônic� ------------------- DOR CRÔNICA ou PERSISTENTE (> 6 meses) lenta, secundária, em queimação, persistente, pulsátil, nauseante, crônica (contínua) “Bug do sistema” Não tem relação temporal com a lesão tecidual ou estímulo, é uma disfunção do sistema somatossensorial, que é sempre precedida de dor aguda e a mantém mesmo após resolução da etiologia desencadeante → MECANISMOS (um pouco ligados a hiperalgesia secundária):● Manutenção ou persistência da neuroplasticidade a partir da nocicepção periférica repetitiva e contínua → a expressão de novos canais iônicos na membrana neuronal e brotamento de terminais axonais, facilitam o tráfego da informação ● Sensibilização central persistente ● Modulação supra segmentar ou sistema inibitório descendente falho → porque se cansa ou por situações de cada indivíduo ● Aspectos psicológicos (depressão, ansiedade, estresse crônico, diminuição da capacidade de enfrentamento) relacionados a percepção afeto-cognitiva da dor REFERÊNCIAS: Fisiopatologia da Dor - Prof. José Manuel Castro Lopes Tratado de Fisiologia Médica - Guyton - 13º edição Aulas de LMF Palestra: Noções gerais do estudo da dor - Prof. Rodrigo Trentin Consultoria P1 Resumos de veteranos https://land.icb.usp.br/pb/dor-e-nocicepcao/#:~:text=A%20dor%20pode%20tamb%C3%A9 m%20ser,a%20um%20est%C3%ADmulo%20nocivo%20externo. https://www.youtube.com/watch?v=xUJx5dp765o Objetivo 4 - Descrever os tipos de abordagem/ semiologia da dor (tipo, local, intensidade, duração). Semiologi� d� Dor LOCALIZAÇÃO: 1 ou mais regiões do corpo onde a dor ocorre → paciente deve apontar com a mão e devemos registrar de acordo com a nomenclatura das regiões da superfície corporal ● Detalhar se a dor é irradiada ou referida, e também pode ajudar a determinar a causa ● OBS.: avaliar a sensibilidade da área onde a dor se localiza e adjacências - HIPOESTESIA, HIPERESTESIA (sensibilidade aumentada aos estímulos táteis) ou HIPERALGESIA (hipersensibilidade aos estímulos álgicos) IRRADIAÇÃO: dor segue o trajeto de uma raiz nervosa ou nervo, que pode ser afetado por processos patológicos anteriores ou concomitantes e atingir segmentos medulares adjacentes = indica a estrutura nervosa comprometida e ajuda no diagnóstico QUALIDADE OU CARÁTER: sensação de a dor provoca → apresentar termos descritores ao paciente INTENSIDADE: interpretação global dos aspectos sensoriais, emocionais e culturais da dor ● OBS: a interferência da dor no sono, trabalho, relacionamento conjugal e familiar, atividade sexual, social e recreativa, fornecem pistas indiretas e objetivas da intensidade da dor, e devem ser valorizadas DURAÇÃO: determinar com o máximo de precisão possível a data de início da dor ● Se contínua: calcular duração de acordo com o tempo transcorrido entre o início e a anamnese ● Se cíclica: registrar a data e a duração de cada episódio ● Se intermitente: registrar data de início, duração média dos episódios, número médio de crises/dia e de dias por mês ● CLASSIFICAR EM: aguda (< 3 meses) e crônica (> 3 meses) EVOLUÇÃO: desde o início até o momento da anamnese → investigar: modo de instalação (SÚBITA ou INSIDIOSA), fator causal, modificações das demais características (inclusive intensidade), aumento ou redução progressiva RELAÇÃO COM FUNÇÕES ORGÂNICAS: leva em conta órgãos e estruturas situados na mesma área em que está localizada a dor (que é quase sempre acentuada pela atividade funcional do órgão em que se origina) FATORES DESENCADEANTES OU AGRAVANTES: fatores que desencadeiam ou agravam a dor: alimentos ácidos, picantes ou gordurosos, bebidas alcoólicas, chocolate, leite e derivados, decúbito dorsal prolongado → seu afastamento pode contribuir com o tratamento FATORES ATENUANTES: fatores que aliviam a dor: posturas e atitudes, repouso, distração, jejum, vômito, analgésicos, antiinflamatórios, relaxantes musculares, antidepressivos, fisioterapia → INDAGAR SOBRE MEDICAMENTOS (nome, doses e períodos em que foram usados) MANIFESTAÇÕES CONCOMITANTES: manifestações clínicas relacionadas à enfermidade base → sudorese, palidez, taquicardia, HA, mal estar, náuseas, vômitos REFERÊNCIAS: Semiologia Médica Porto - 8º edição Objetivo 5 - Identificar as consequências biopssicososiais da dor. Objetivo 6 - Elucidar a epidemiologia da dor (tipo, locais, lombalgia). Objetivo 8 - Identificar as consequências da automedicação a curto e longo prazo. Consequência� Biopsic�sociai� d� Dor o modelo médico ocidental é excelente no diagnóstico e tratamento da dor aguda, mas falha muito no entendimento e tratamento de pacientes com dor crônica (a encara como dor aguda persistente, repetindo o tratamento farmacológico/cirúrgico, que é ineficaz e danoso a longo prazo) DONA CLEOMIRA: irritada, aguenta firma uma dor de mais de 10 anos, nervosa, não consegue dormir de tanta dor, “as costas estão me matando” “impacto psicossocial e econômico da dor crônica é enorme para o indivíduo, para a família e para a sociedade” ● Depressão ● Ansiedade ● Problemas de sono ● Distúrbios de humor ● Mudança de características da personalidade ● Incapacidade ou perda de função na sociedade ● Queda na qualidade de vida e no desempenho de funções diárias ● Diminuição de produtividade → impacto econômico = má qualidade de vida ● Complicações em relacionamentos ● Consulta com vários profissionais, com a sensação de serem mal atendidos e incompreendidos pelo sistema de saúde ● Estresse físico e emocional para pacientes e seus cuidadores BÚSSOLA DA VIDA: apresenta o paciente no centro e cada um dos 10 domínios de valor representados por um círculo, o paciente descreve a importância e situação atual de cada domínio apesar da dor/ barreira e descreve as barreiras que o impedem de melhorar em cada domínio ● Pessoas envolvidas ativamente em diferentes áreas da vida (trabalho voluntário, atividades físicas, atividades sociais, cuidado com os membros da família, atividades culturais e espirituais) apresentam menos estresse e dor do que aquelas menos ativas Epidemiologi� d� Dor baseada nas queixas de pacientes no atendimento/atenção primária - DOR se manifesta em 70% dos pacientes que procuram consultórios no BRASIL por razões diversas, é a razão das consultas para ⅓ dos doentes, sendo 50% dos atendimentos devido a dor aguda e 50% devido a dor crônica Gera prejuízos sociais e econômicos: “nos EUA, aproximadamente 89 bilhões de dólares são gastos anualmente para o tratamento, compensações trabalhistas e litígios envolvendo doentes com dor crônica” CAUSAS DA OCORRÊNCIA CRESCENTE DE DOR: maior longevidade, prolongamento da vida do doente, novos hábitos de vida, afecções clínicas naturalmente fatais, modificações no meio ambiente, reconhecimento de novas condições álgicas e aplicação de novos conceitos que traduzem o significado da dor PERSPECTIVAS DA EPIDEMIOLOGIA NO ESTUDO DA DOR: ● Populacional: estuda variação e gravidade da dor, objetiva compreender sua distribuição e determinantes ● Do desenvolvimento: reconhece que os quadros de dor variam/ são dinâmicos e tem o objetivo de aprender os determinantes e sequelas da condição ● Ecológica: dor na visão multifatorial (integração entre agente, hospedeiro e fatores ambientais) 1º: dor lombar 2º: cefaléia 3º: orofaciais e toracoabdominal DOR AGUDA (50 milhões - população geral): dor de dente, traumatismos do tegumento e das estruturas musculoesqueléticas, IAM DOR PERSISTENTE (11 a 14% da população geral): região lombar, quadris, joelhos e outras articulações DOR CRÔNICA (prevalência varia de 7 a 40% e é intensa em 8% dos indivíduos): dor indefinida musculoesquelética, cefaléia, dor recorrente abdominal, lombar, craniana e/ou na articulação temporomandibular DORES MAIS COMUNS NO BRASIL ● Afecções do aparelho locomotor ● Cefaléias generalizadas e crônicas ● Epigastralgia ● Dor a micção ● Dores abdominais ● Artralgias ● Dor musculoesquelética generalizada DIVISÃO POR SEXO: 21,4% dos homens e 33% das mulheres de 45 a 64 anos sofrem dor em 4 ou mais locais do corpo e implicam em uso de medicamentos e avaliações médicas ● DORES MAIS COMUNS NAS MULHERES: fibromialgia, síndrome dolorosa miofascial, síndrome do cólon irritável, DORT (distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho), dores viscerais, cefaléia e artralgias → mulheres representam 70% dos indivíduos que frequentam clínicas de dor na suécia ● DORES MAIS COMUNS NOS HOMENS: decorrente do câncer, amputações, afecçôes isquêmicas, mielopatias, encefalopatias,gota, espondilite anquilosante e doença coronariana DIVISÃO POR FAIXA ETÁRIA: prevalência aumenta com o progredir da idade ● Dor aguda na criança: traumatismos do tegumento e de estruturas musculoesqueléticas advindos de acidentes ou induzidos por procedimentos terapêuticos, dor de dente (pela cárie e troca dentária, prevalência aumenta em indivíduos com baixa condição socioeconômica) ● Dor persistente na criança: cólica do RN, otite (35%), cefaléia (3%), dores abdominais (25%), dores de crescimento (15%) e anemia falciforme ● Dor nos idosos: crônica e relacionada a doenças degenerativas, tem pico entre 45 a 64 anos Consequência� d� Automedicaçã� administração de um medicamento sem a orientação ou supervisão de um profissional capacitado, designada pela iniciativa do usuário, com o objetivo de aliviar ou paliar sintomas e promover a saúde = medicamentos, que tem objetivos como profilaxia, paliação de sintomas e cura, podem acarretar sérios danos à saúde e até óbito se utilizados de maneira incorreta Dentre as principais classes de medicamentos utilizados por automedicação estão o Paracetamol (45%), Dipirona (15%) e o Ibuprofeno (6%) Quanto menor a escolaridade, maior a automedicação Está ligada ao desconhecimento quanto à natureza química dos medicamentos, que, se consumidos de forma descontrolada, passam a oferecer riscos à vida CURTO PRAZO ● Intoxicações → crianças e idosos são mais vulneráveis - Segundo o SINITOX (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas), 182 pessoas morreram em 2014 no Brasil por intoxicação por medicamentos ● Mascarar diagnósticos na fase inicial de doenças → retarda a melhora de sintomas e desfoca a terapêutica LONGO PRAZO ● Hepatopatias → excesso de metabólitos ● Doenças renais → sobrecarga ao excretá-los ● Cronificação da cefaleia → pelo uso abusivo de analgésicos ● Resistência bacteriana → pelo uso inapropriado de antibióticos REFERÊNCIAS: Fisiopatologia da Dor - Prof. José Manuel Castro Lopes http://www.atenas.edu.br/uniatenas/assets/files/magazines/USO_RACIONAL_DE_MEDIC AMENTOS_os_perigos_da_automedicacao.pdf Objetivo 7 - Explicar mecanismo de ação, dosagem (adulta e pediátrica), indicação e contraindicação de: ibuprofeno, diclofenaco, dipirona, paracetamol e AAS - também ver “gelo como tratamento”. Ant�-inflamatóri� Nã� Esteroidai� (AINES) surgiu de estudos a partir da aspirina ou ácido acetilsalicílico (AAS) RELEMBRANDO A CASCATA DO ÁCIDO ARAQUIDÔNICO Membrana fosfolipídica → estímulo lesivo ativa FOSFOLIPASE A2 → fosfolipídeos são convertidos em ÁCIDO ARAQUIDÔNICO: ● VIA DA CICLOXIGENASE: é a bloqueada pelos AINES e impede sinais flogísticos, mas gera efeitos colaterais - COX 1 (enzima fisiológica ou constitutiva): existe independente de um processo inflamatório, está presente fisiologicamente na mucosa duodenal e plaquetas, garantindo funções de manutenção - COX 2 (inflamatória): presente no processo inflamatório (induzida por citocinas) e FISIOLOGICAMENTE nos rins, SNC e endotélio - COX 3: variante constitutiva/ fisiológica da COX-1, encontrada no SNC SUBSTÂNCIA Prostaglandina (E2) Prostaciclina (produzida através de COX 2) Tromboxano A2 (produzido através de COX 1) LOCAL Mucosa do TGI e arteríolas renais Endotélio Plaquetas EFEITO FISIOLÓGICO Proteção gástrica e vasodilatação Vasodilatação Hemostasia 1ª (aumento da agregação plaquetária) ● VIA DA LIPOXIGENASE: - Leucotrienos INFLAMAÇÃO: PROSTAGLANDINAS + PROSTACICLINAS + BRADICININA (que também tem efeito hipotensor) + SEROTONINA, medeiam a resposta inflamatória: ↑ fluxo sanguíneo local, ↑ permeabilidade vascular, permitem a infiltração de leucócitos (ativam seus receptores), provocam FEBRE (PGE-2 atravessa a barreira hematoencefálica e age diretamente no hipotálamo), reduzem o limiar de estimulação dos nociceptores e fazem SENSIBILIZAÇÃO PERIFÉRICA e CENTRAL (aumentando a excitabilidade dos neurônios do corno dorsal espinhal, provocando hiperalgesia e alodinia) MECANISMO DE AÇÃO Atua no início da cascata do ácido araquidônico, inibindo a via da COX, que consequentemente inibe a produção de PROSTAGLANDINAS E PROSTACICLINAS, resultado = inibição ativa local competitiva e reversível das enzimas COX ● INIBIÇÃO DE COX 1: efeitos indesejáveis no TGI ● INIBIÇÃO DE COX 2: ação antipirética, analgésica e anti-inflamatória → diminuem a dor aguda inflamatória e SENSIBILIZAÇÃO PERIFÉRICA OBS.: No aspecto da inflamação, pouco importa se é COX 1 ou 2, pois as 2 participam da produção de substâncias ALGOGÊNICAS. AAS e AINEs apenas inibem a via da COX, deixando a via LOX (lipoxigenase) produtora de leucotrienos (LT) intacta, e também não cessam processos inflamatórios já instalados TIPOS DE AINEs ● NÃO SELETIVOS: inibidores de COX 1 e COX 2 → Diclofenaco (cataflam), meloxicam ● SELETIVOS PARA COX 2: inibidores seletivos da COX-2, tem terminação ou sufixo = “COXIBE” e são utilizados em inflamações muito intensas (artrite), porém não podem ser utilizadas a longo prazo → Nimesulida CONCEITOS Existem DIFERENÇAS ESTRUTURAIS entre COX 1 e COX 2 que tornam possível trabalhar com a seletividade SELETIVIDADE = não existe uma droga 100% seletiva, a seletividade é proporção, depende da dose = quanto maior a dose, menor a seletividade e mais EFEITOS COLATERAIS → EX: a mesma droga, apesar da seletividade para COX 2, pode inibir também COX 1 POTÊNCIA (nesse caso, os 2 tem potência igual) = menor dose/concentração em que o fármaco precisa para atingir 50% de sua resposta máxima (seja estimular ou inibir) → leva em consideração a dose ● EC50 ou C50 = menor dose um fármaco capaz de produzir 50% da resposta → EX: o C50 do AAS para COX 1 é 1,67 e para COX 2 é 278, o que significa que ele prefere inibir COX 1, pois a dose necessária para atingir 50% da resposta é menor, porém a medida que a dose aumenta, COX 2 também será inibida EFICÁCIA = refere-se à resposta máxima produzida pelo fármaco, leva em consideração se atingiu a resposta ou não → não avalia a dose FARMACOCINÉTICA ● Metabolismo hepático ● Excreção renal ● OBS.: atenção ao prescrever aos idosos, pois esses fármacos são lipossolúveis, se ligam às proteínas EFEITOS COLATERAIS ligados ao efeito fisiológico das substâncias bloqueadas pelos AINEs PROBLEMAS DE COAGULAÇÃO = fisiologicamente a lesão do endotélio ativa plaquetas, porém com a ação dos AINES, elas não são ativadas (pelo bloqueio de COX 1, que impede a produção de tromboxano A2), a agregação plaquetária não ocorre e AUMENTA O RISCO DE SANGRAMENTO ● OBS.: pode ser benéfico para pacientes com trombose, valvulopatias… → AAS em baixas doses ou infantil (75 a 100 mg nos EUA e 100 mg no BR) é protetor cardíaco ÚLCERAS PÉPTICAS ou GÁSTRICAS = a PROSTAGLANDINA E2 é fisiologicamente responsável pela secreção de muco (proteger o estômago do ácido clorídrico) e bicarbonato (diminui H+ ou acidez estomacal), estimulação do fluxo sanguíneo e regulação do crescimento de H. pylori, mas quando é inibida pelos AINEs, DIMINUI A PROTEÇÃO DA MUCOSA e causa lesão grave → pode sangrar, levar a anemia ou até mesmo romper e resultar em HDA (hemorragia digestiva alta) ATAQUE CARDÍACO = a PROSTACICLINA é produzida no endotélio e é fisiologicamente responsável por controlar a formação de trombos e promover vasodilatação para acomodá-los e não INTERROMPER O FLUXO SANGUÍNEO, porém frente a ação dos AINEs, ela não exerce mais a função, e mais trombos com vasodilatação diminuída, resulta em ataque cardíaco PROBLEMAS RENAIS = a PROSTAGLANDINA é fisiologicamente responsável pela dilatação das arteríolas renais e manutenção da taxa de filtração glomerular (TGF), e é principalmente necessária para idosos cardiopatas e hepatopatas, e com a ação dos AINEs, a diminuição da prostaglandina faz com que a vasodilatação não ocorra e a TFG diminua ● OBS.: sempre avaliar risco e benefício do medicamento, principalmente frente a idosos com polifarmácia ATRAPALHA O TRABALHO DE PARTO: há expressão de COX-2 e prostaglandina E2 e F2α no miométrio no momento do parto, então com a inibição da via daCOX, a gestação pode se prolongar HIPERSENSIBILIDADE (isso em todo medicamento, não colocar na prova) Diclofenac� MECANISMO DE AÇÃO Inibe as enzimas COX-1 e COX-2 FARMACOCINÉTICA ● Metabolismo hepático ● Excreção renal ● Dor crônica ● Dor patelofemoral ● Dor e inflamação no pós-operatório ● Artrite juvenil crônica ● Estados dolorosos inflamatórios pós-traumáticos: entorses efeitos laterais INDICAÇÃO ● Dismenorreia ● Inflamação dos anexos uterinos ● Síndromes dolorosas da coluna vertebral ● Reumatismo não articular ● Adjuvante no tratamento infecções graves acompanhadas de dor e inflamação em ouvido, nariz ou garganta CONTRAINDICAÇÃO ● Hipersensibilidade ● Tríade AAS: asma, inflamação do nariz + espirros e secreções + intolerância a AAS ● Insuficiência renal, hepática e cardíaca POSOLOGIA ADULTO: 50 mg 3 vezes/dia (8/8h) ou 75 mg 2 vezes/dia WB (adulto e criança > 14 anos ou > 45kg): 50-150 mg/dia VO, fracionados em 2-3x/dia, antes das refeições EFEITOS ADVERSOS ● Alterações do TGI ● Rash cutâneo ● Aumento de TGO e TGP Ibuprofen� MECANISMO DE AÇÃO Inibe as enzimas COX-1 e COX-2 FARMACOCINÉTICA ● Metabolismo hepático ● Excreção renal INDICAÇÃO ● Anti-inflamatório ● Antipirético ● Antirreumático ● Analgésico CONTRAINDICAÇÃO As mesmas do diclofenaco POSOLOGIA ADULTO: ● Analgesia: 200-400 mg a cada 4-6 h ● Anti-inflamatório: 300 mg/6-8 h ou 400-800 mg 3-4 vezes/dia (6 a 8/8h) CRIANÇA: ● Antipirético: 5-10 mg/kg a cada 6 h (máximo 40 mg/kg/dia) ● Anti-inflamatório: 20-40 mg/kg/dia fracionados em 3-4 doses EFEITOS ADVERSOS ● Alterações do TGI ● Irritabilidade ● Retenção líquida ● Zumbidos Ácid� Acetilsalicílic� o� Aspirin�®(AAS) MECANISMO DE AÇÃO Em baixas doses (infantil) acetila a serina na posição 50s, obstrui o local de ligação com a COX e impede a produção de intermediários inflamatórios, inativando a COX 1 irreversivelmente = PROTETOR CARDÍACO (atua como antiagregante plaquetário) Em doses repetitivas e crônicas, atua como AINE, inibe COX 1 e por consequência a prostaglandina central e periférica e a produção de TROMBOXANO A2 nas plaquetas e dificulta/inibe a agregação plaquetária Intoxicação de AAS → bloqueia a COX e a via dos LEUCOTRIENOS se sobressai, exercendo sua ação broncoconstritora FARMACOCINÉTICA ● Metabolismo hepático ● Excreção renal ● Meia vida de 2 a 3 horas INDICAÇÃO (é anti-inflamatório, antirreumático e antipirético) ● ALÍVIO SINTOMÁTICO DE: cefaléia, odontalgia, dismenorréia, mialgia ou artralgia, lombalgia, dor artrítica de pequena intensidade e dor e febre (no resfriado comum ou na gripe) ● REDUZIR RISCO DE: mortalidade em pacientes com suspeita ou antecedente de IAM, ataques isquêmicos transitórios (AIT), AVC em pacientes com AIT, morbidade e morte em pacientes com angina pectoris (instável e estável) ● PROFILAXIA DE: AVC (p. secundária), trombose venosa profunda e embolia pulmonar após imobilização prolongada (antiplaquetário) CONTRAINDICAÇÃO ● Hipersensibilidade ● Problemas de coagulação ● Crianças com doença febril aguda: dengue ● Asma POSOLOGIA Antiplaquetário: 40 a 80 mg/dia ADULTO (analgésico e antitérmico): 325 a 650 mg a cada 4-6h ● WB: 500 mg VO e se necessário, repetir a cada 4-8 horas, até 3x/dia CRIANÇA: 10mg/kg a cada 4-6h EFEITOS ADVERSOS ● Aumento do tempo de sangramento ● Hipersensibilidade ● Reações cutâneas ● Tonturas Dipiron� é uma pró-droga, inibe a COX porém não é AINE MECANISMO DE AÇÃO ● Bloqueio direto do influxo de cálcio no nociceptor ● Bloqueia a COX 2, inibe a síntese de prostaglandinas = diminui inflamação e dor ● Interfere na produção de substâncias álgicas (citocinas pró-inflamatórias: IL e TNF) = elas atuam menos no centro regulador do hipotálamo e não aumentam o limiar de temperatura e nem provocam ações de conservação de calor (que causaria febre) ● Inibe a COX 3 periférica, assim inibe a síntese de prostaglandina no SNC através da dessensibilização dos nociceptores FARMACOCINÉTICA ● Metabolismo hepático ● Excreção renal ● Efeitos após 30 a 60 minutos INDICAÇÃO (anti-inflamatório, antipirético e antiespasmódico) ● Dor crônica ● Febre recorrente ● Crise de cefaleia ● Lombalgia ● Cefaleia na infância CONTRAINDICAÇÃO ● Hipersensibilidade ● Função de MO comprometida ● < 3 meses de idade ou < 5kg (risco de convulsão, pois atravessa a barreira hematoencefálica) POSOLOGIA ADULTO: 30 mg/kg de 4 a 6/6h CRIANÇA: 20 mg/kg, VO, até 4 vezes ao dia ou 20 a 40 gotas EFEITOS ADVERSOS ● Asma alérgica ● Choque anafilático ● Anemias ● Alterações cutâneas ● Hipotensão Paracetamo� anti-inflamatório fraco, eficaz como antipirético e analgésico (dor não inflamatória) em doses típicas que inibem parcialmente a COX, exerce menos efeitos no TGI e NÃO É CONSIDERADO UM AINE MECANISMO DE AÇÃO Eleva o limiar da dor = ANALGESIA S Age inibindo a COX de forma proporcionalmente mais alta no cérebro, o que impede que pirógenos cheguem ao centro hipotalâmico de regulação da temperatura = ANTIPIRESE INDICAÇÃO As mesmas da dipirona, exceto cefaléia na infância CONTRAINDICAÇÃO ● Hipersensibilidade ● < 12 anos ● Gestantes POSOLOGIA ADULTO: 10-15 mg/kg a cada 4h (máximo 5 doses/dia) ● WB: dose usual 325-500 mg/dose, VO de 3/3h ou 4/4h CRIANÇA (WB): dose usual 10-15 mg/kg/dose, VO em 4-5 tomadas EFEITOS ADVERSOS ● HEPATOTOXICIDADE = dose diária máxima é 4g → se > 4g = hepatotoxicidade, pois a GLUTATIONA (que participa da metabolização para tornar o fármaco hidrossolúvel para que possa ser excretado) é saturada, fazendo com que NAPQI (metabólito tóxico) se acumule = necrose hepática ● Alterações de pele e tecidos ● Distúrbios do sistema imunológico ● Falência hepática Escad� d� Dor (OMS) é apenas didática, não funciona bem na prática é diretamente proporcional a queixa do paciente e por isso não precisa acontecer necessariamente nessa ordem (ex: em paciente com dor intensa, não faz sentido iniciar no passo 1, o ideal já seria o 3) ● Analgésicos não opióides = analgésicos menores (DIPIRONA, PARACETAMOL, AAS) ● OPIÓIDES FORTES = morfina, oxicodona ● Adjuvantes: ansiolíticos/antidepressivos, benzodiazepínicos (anticonvulsivantes), corticóides e relaxante muscular OPIÓIDES: ● MECANISMO DE AÇÃO: inibição pré-sináptica da liberação de neurotransmissores excitatórios (substância P e glutamato) e pós-sináptica através da ligação ao receptor µ acoplado à proteína G, o que ativa a abertura do canal de K+ e aumenta a sua condutância, levando à hiperpolarização e inibição da transmissão do impulso nervoso e aferência nociceptiva ● O uso prolongado causa dependência física, que se caracteriza por síndrome de abstinência quando da retirada abrupta ou uso de antagonista CORTICÓIDES: agem no citoplasma ou através de receptores na membrana nuclear da célula, assim inibem a formação de algumas proteínas e induzem a formação de ANEXINA 1 (metabólito), que inibe a fosfolipase A2, impedindo o início da CASCATA DO ÁCIDO ARAQUIDÔNICO; tem efeito duradouro com 1 só dose ● EX: dexametasona, prednisona, prednisolona (não passa por metabolização hepática) Manej�/ Terapi� Multimoda� d� Dor vai além da abordagem farmacológica, envolve o uso de métodos adjuvantes caracterizando o tratamento multimodal completo ● Gelo diminui a necessidade/dose de fármacos CONDUTA Dona Cleomira: ● Investigação da causa da dor ● Não dar ibuprofeno, pois ele não age no mecanismo etiológico e não sabemos o porquê da dor dela ● Ansiolítico (redução da ansiedade e insônia), antidepressivo (diminui o nervosismo e potencializa analgesia) ● Fisioterapia ● Medicina integrativa: acupuntura Pedro: ● Antissepsia do machucado: água corrente e sabão ou antisséptico e secar bem o local ● Aplicar gelo ● Ibuprofeno: 20-40 mg/kg/dia fracionados em 3-4 doses DOR CRÔNICA = REFERÊNCIAS: Goodman & Gilman Whitebook (WB) Artigo: Analgesia Multimodal no Tratamento da Dor Aguda Aula 1 de LPI - Profº Leandro Consultoria do problema 1 - Profº Rodrigo Problema 02 PROBLEMA 2 Dores que perturbam… Juliano, em seu estágio eletivo na Santa Casa, observa oscasos atendidos pelo preceptor em uma manhã de segunda-feira. Depara-se com o caso de Angélica, 37 anos de idade, atendente de telemarketing, que se queixa de dor difusa pelo corpo. No início dos sintomas, há 5 anos, a dor localizava-se na região cervical e nos ombros. Nos últimos anos, a dor tem se “espalhado” para a região lombar, coxas e calcanhares, bilateralmente. À palpação, existem pontos dolorosos nas regiões escapular e lombar, além de atrás dos joelhos e tornozelos, bilateralmente. Ela não apresenta déficit motor ou sensorial e seus reflexos tendinosos estavam preservados. A paciente diz que está sempre estressada, que seu sono é ruim e que se considera sedentária. Juliano também acompanhou o caso do Sr. Anastácio, 51 anos, entregador de gás, que há duas semanas, após movimento brusco para retirar um botijão do caminhão, apresenta dor lombar que irradia para face posterior da coxa direita, com diminuição de força no membro. Ao exame físico observou-se diminuição da sensibilidade no dorso do pé direito, em especial do 1º pododáctilo, reflexo Aquileu preservado e dificuldade de andar sobre os calcanhares. O preceptor solicitou exames complementares para os pacientes de modo a auxiliar no diagnóstico dos casos. Juliano questiona-se: como será o processo de diagnóstico diferencial aplicado pelo preceptor nos dois casos? PP: Como auxiliar Juliano a entender o processo de investigação do diagnóstico de ambos os casos Objetivo 1 - Descrever e identificar as hipóteses diagnósticas de Angélica e Anastácio: cervicalgia, cervicobraquialgia, fibromialgia, lombalgia, lombociatalgia, DORT, doenças reumatológicas (artrite reumatóide, osteoartrite, osteoartrose) e hipotireoidismo → ver: epidemiologia, fisiopatologia, quadro clínico e diagnóstico. Objetivo 2 - Explicar a semiotécnica dos testes de acordo com cada paciente. Objetivo 3 - Identificar os exames de rastreio para cada caso (sangue, imagem). Objetivo 4 - Conceituar o que é diagnóstico diferencial. Objetivo 5 - Explicar mais detalhadamente os diagnósticos dos pacientes (fibromialgia e lombociatalgia): epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, quadro clínico, diagnóstico e tratamento, incorporando a equipe multidisciplinar Objetivo 6 - Descrever indicações, contra indicações, mecanismo de ação, efeitos colaterais e posologia da pregabalina e duloxetina. Objetivo 1 - Descrever e identificar as hipóteses diagnósticas de Angélica e Anastácio: cervicalgia, cervicobraquialgia, fibromialgia, lombalgia, lombociatalgia, síndrome dolorosa miofascial, dor osteoarticular (artrite reumatóide, osteoartrite, osteoartrose?) e hipotireoidismo → ver: epidemiologia, fisiopatologia, quadro clínico e diagnóstico. Objetivo 2 - Explicar a semiotécnica dos testes de acordo com cada paciente. Objetivo 3 - Identificar os exames de rastreio para cada caso (sangue, imagem). Hipótese� diagn�tica� par� Angélic� Angélica, 37 anos, atendente de telemarketing, dor difusa pelo corpo, com início há 5 anos, quando se localizava na região cervical e nos ombros, porém tem se espalhado para a região lombar, coxas e calcanhares, bilateralmente. Tem pontos dolorosos bilateralmente à palpação (regiões escapular e lombar, atrás dos joelhos e tornozelos), não apresenta déficit motor ou sensorial e tem reflexos tendinosos preservados. Relata que está sempre estressada, tem “sono ruim” e é sedentária. EXAMES A SEREM PEDIDOS PARA ANGÉLICA: RM encéfalo e coluna vertebral, TC crânio e coluna (negativos para as hipóteses diagnósticas, exceto para cervicobraquialgia), hemograma, cortisol, fator reumatóide, FAN, TSH e T4 livre, VHS (> 20 mm) e PCR (> 0,5 a 1 mg/l) Dor Miofascial mialgia, miosite, miofasceíte, miofibrosite, miogelose, fibrosite, reumatismo muscular ou de partes moles e tensão muscular DEFINIÇÃO ● Algia de origem musculoesquelética, que aparece quando um ponto de gatilho (nódulo) é pressionado ● Acomete músculos, tecido conectivo e fáscias → principalmente regiões cervical, cintura escapular e lombar FATORES PREDISPONENTES: assimetria de membros inferiores, malformação da pelve, postura inadequada, sedentarismo, imobilismo prolongado, anormalidades (nutricionais, endócrinas e reumatológicas), infecções crônicas virais, bacterianas ou parasitárias EPIDEMIOLOGIA ● Presente em 21 a 93% da população mundial ● Uma das causas mais comuns de dor musculoesquelética ● Mais comum em mulheres e pessoas com meia idade (31 a 50 anos) ● Acomete mais pessoas em idade ativa e menos idosos (que já diminuiram esforços físicos diários) APRESENTAÇÃO CLÍNICA Dores são UNILATERAIS e podem ser persistentes (geralmente), contínuas ou episódicas: ● Dor muscular regional em peso/queimor/latejamento/pontadas ● Dor profunda e mal localizada (difusa) ● Dor à distância ou referida (sensibilização central e periférica) ● Limitação da amplitude de movimento ● Fadiga ● Parestesia ● Dor ao comprimir os pontos dolorosos FISIOPATOLOGIA MECANISMO ETIOLÓGICO: compressão mecânica/inflamatória → traumatismos, sobrecarga, isquemia, postura, lesões agudas, estresse emocional e modificações no SNC CONTRAÇÃO DOS PONTOS DOLOROSOS: macro/microtraumatismos localizados ou sobrecarga funcional → ruptura do retículo sarcoplasmático e liberação de Ca²+ no sarcoplasma → acúmulo de Ca²+ permite interação entre actina e miosina = hipertonia muscular localizada → aumento do consumo energético pela atividade contrátil, colapso da microcirculação local, isquemia depleta o ATP e bomba do retículo sarcoplasmático não consegue recaptar o Ca²+ e substâncias algogênicas fazem sensibilização central e periférica = aumento da sensibilidade a dor + MODIFICAÇÕES BIOQUÍMICAS que alteram as vias de transmissão até as áreas corticais = ● PONTOS DOLOROSOS ou DE GATILHO (profundos circunscritos de com resposta contrátil ao serem estimulados por sobrecarga dinâmica ou estática) → podem ser ATIVOS (quando pressionado gera dor referida em áreas padronizadas para cada músculo = compromete amplitude de movimento) e LATENTES (em áreas assintomáticas, menos dolorosos, só se tornam ativos mediante a estressores físicos exógenos, endógenos ou emocionais) ● REFLEXO CONTRÁTIL LOCALIZADO (RCL) ou TWITCH RESPONSE: contração muscular localizada, visível e palpável provocada por palpação (causa dor referida específica para cada músculo) ou punção da banda muscular do PONTO DOLOROSO DIAGNÓSTICO (é clínico) HISTÓRIA CLÍNICA ACHADOS NO EXAME FÍSICO (4 critérios): identificação dos pontos dolorosos em uma banda de tensão (pressioná-los com 2 kg) + reconhecimento de dor muscular + padrão de dor referida previsto + reflexo contrátil localizado EXAMES: não há exame laboratorial que confirme → só eletroneuromiografia de agulha com alterações específicas em doentes com PG Fibromialgia DEFINIÇÃO ● Condição dolorosa crônica difusa do sistema musculoesquelético (músculos + ligamentos + tendões) não-articular ● Caracterizada por dor à palpação em pontos dolorosos ● Associada a fadiga persistente, rigidez, sono leve (não reparador) e estresse emocional (alteração de memória, ansiedade, depressão) OBS.: não é progressiva ou degenerativa e não ameaça a sobrevida, mas causa prejuízos físicos EPIDEMIOLOGIA ● Prevalência de 2,5% no Brasil ● Predomina em mulheres entre 35 e 50 anos → porém pode afetar qualquer faixa etária e nível socioeconômico e cultural APRESENTAÇÃO CLÍNICA - compromete realização das atividades de vida diária, serviços domésticos e laborais Pacientes POLIQUEIXOSOS, queixas crescentes, difusas e BILATERAIS ● Rigidez articular e artralgia: mais intensas de manhã e anoite, agravadas pelo excesso de atividade física ● Fadiga generalizada/ persistente ● Parestesias (sem anormalidades no exame neurológico) ● Sensação de inchaço em mãos, pés e tornozelos porém sem inchaço ● SONO: dificuldade de instalação, despertares frequentes e precoces, agitação e não reparador ● Dor e distensão abdominal, alteração do hábito intestinal (constipação, diarréia ou alternância) ● MIOCLONIA: disfunção com movimentos periódicos dos membros● Disfunção cognitiva (memória e atenção) ● Problemas emocionais e inatividade FISIOPATOLOGIA (incerta) MECANISMO ETIOLÓGICO: falha no sistema nociceptivo/analgésico ● Déficit no SISTEMA DE CONTROLE INIBITÓRIO ● Hiperatividade (aumento em 3x) da SUBSTÂNCIA P → reduz limiar de excitabilidade ● Excesso de ativação dos receptores NMDA → responsáveis pela ● Déficit SEROTONINÉRGICO → não consegue inibir unidades nociceptivas na medula espinhal ● ANORMALIDADES: músculo esqueléticas, do sono (importante para a restauração física), genéticas ● Estresse crônico ou pós-traumatismos OBS.: MECANISMOS PSICOCOMPORTAMENTAIS influenciam a magnitude dos sintomas e a incapacidade funcional DIAGNÓSTICO (é clínico) Critério de classificação do Colégio Americano de Reumatologia (CAR), 1990 ● HISTÓRIA CLÍNICA: dor generalizada localizada no hemicorpo direito e esquerdo, acima e abaixo da cintura, além do eixo axial (região cervical, face anterior do tórax, dorso e região lombar) com duração > 3 meses ● EXAME FÍSICO (não entra nos critérios atuais): dor à palpação digital com 4 kg/cm em 11 ou mais do seguintes pontos dolorosos (bilateralmente): - Inserção dos músculos suboccipitais na nuca - Ligamentos dos processos transversos da 5º à 7º vértebra cervical - Bordo rostral do trapézio - Músculo supra-espinal - Junção do músculo peitoral com a articulação costocondral da segunda costela - 2 cm abaixo do epicôndilo lateral do cotovelo - Quadrante látero-superior da região glútea, abaixo da espinha ilíaca - Inserções musculares no trocanter femoral - 2 cm rostralmente à linha articular do côndilo medial do fêmur ● EXAMES: não há evidências de anormalidades laboratoriais ou nos exames de imagem → para descartar doenças inflamatórias, infecciosas e metabólicas ● OBS.: quando o número de pontos dolorosos é < 11 mas há concomitância de outros sinais e sintomas, o diagnóstico pode ser realizado Cervicobraquialgia DEFINIÇÃO Dor localizada na parte posterior do pescoço e/ou na nuca, causada por compressão de raízes nervosas que são distribuídas para os membros inferiores EPIDEMIOLOGIA Mais comum em mulheres e menos comuns que lombalgia APRESENTAÇÃO CLÍNICA ● Dores na porção posterior da cabeça ● Irradiação UNI (geralmente) ou BILATERAL ● Fraqueza muscular ● Perda de força no punho ● Incoordenação motora ● Dificuldade de executar tarefas diárias com as mãos FISIOPATOLOGIA MECANISMO ETIOLÓGICO: compressão mecânica/ inflamatório ANORMALIDADES que acometem as estruturas que compõe a coluna cervical (músculos, vísceras, vasos sanguíneos, nervos): ● DISFUNÇÕES INTERVERTEBRAIS: degeneração do disco intervertebral pelo avanço da idade ou traumatismo → reduz a capacidade amortecedora discal e causa sobrecarga no corpo vertebral, uncos vértebras e facetas articulares = hérnias discais (a maioria é posterolateral: protrusão do núcleo pulposo através das fibras do ânulo fibroso), osteófitos reacionais e compressão da medula espinhal ou raízes nervosas ● DANO EM ESTRUTURA ANATÔMICA: utilização excessiva, posturas inadequadas, permanência em ambientes ergonomicamente insatisfatórios, realização de tarefas sob tensão emocional, vibração e traumas (impactos diretos ou indiretos que resultam em aceleração, desaceleração e transferência de energia para a região cervical) ● OUTRAS: inflamações, infecções, neoplasias, alterações endócrinas e metabólicas DIAGNÓSTICO/ SEMIOLOGIA TESTE DE COMPRESSÃO (evitar na suspeita de instabilidade cervical) = com o paciente sentado, realizar compressão progressiva da cabeça → estreita o foraminal secundário, aumenta a pressão na raiz acometida, sobrecarga facetas articulares = mais sensibilização muscular e dor cervical TESTE DE TRAÇÃO = com o paciente sentado, tracionar a cabeça progressivamente → aumento do diâmetro foraminal, diminuição da compressão radicular e da tensão nas estruturas de sustentação = alívio da sintomatologia dolorosa MANOBRA DE SPURLING ou de compressão foraminal = extensão e rotação conjuntas da cabeça para o lado acometido → possível compressão ou irritação radicular = reprodução ou aumento da dor radicular SINAL DE LHERMITTE = flexão da coluna cervical = sensação de parestesias ou disestesias (sensação anormal: queimação, formigamento ou dor) nas mãos ou pernas → causado por hérnia de disco volumosa com compressão medular, formações osteofitárias em pacientes com canal vertebral estreito, neoplasias, aracnoidite TESTE DE ADSON = palpação do pulso radial durante a abdução, extensão e rotação externa do braço, com rotação homolateral do pescoço → TESTE POSITIVO = diminuição do pulso → sugestivo de síndrome do desfiladeiro torácico EXAMES: não há exame laboratorial que confirme, porém EXAMES DE IMAGEM (RX, TC e RM) podem estar alterados, evidenciando uma HÉRNIA DE DISCO Polimialgia Reumática (PMR) DEFINIÇÃO Doença inflamatória caracterizada por início subagudo ou agudo de dor restrita na parte posterior do corpo, em pescoço, ombros, braços, pelve e coxas + rigidez + sensibilidade matinal proeminente ● Envolve a SINÓVIA EPIDEMIOLOGIA ● Pouco comum ● 3 vezes mais comum em mulheres ● Acomete quase exclusivamente > 50 anos APRESENTAÇÃO CLÍNICA ● Febre baixa ● Perda de peso ● Fadiga (persistente em 40% dos pacientes) ● Rigidez matinal (duração de 45 min) → SINTOMA CHAVE ● Dor muscular da cintura pélvica ● Dor ou movimento diminuído no quadril FISIOPATOLOGIA MECANISMO ETIOLÓGICO: Fatores genéticos e ambientais + infecções + depressão DIAGNÓSTICO (exames) ● ≥ 50 anos ● Dor bilateral em ombro ● Sensibilidade nas cápsulas articulares do joelho, articulações dos punhos, mãos e dedos ● SEMIOLOGIA: realizar exame de movimento ativo do pescoço, ombros e quadris e averiguar dor e limitações EXAMES = ● Níveis anormais em PCR (> 0,5 a 1 mg/l) e VHS (> 20 mm), que traduzem inflamação ● US positivo para pelos menos 5 pontos de sinóvia inflamada Artrite Reacional ou Síndrome de Reiter DEFINIÇÃO ● Doença inflamatória classificada em hipersensibilidade do tipo 3 e caracterizada pela TRÍADE artrite, uretrite e conjuntivite, que ocorre após infecção geniturinária ou gastrointestinal ● Presença do gene HLA-B27 = pacientes são geneticamente predispostos EPIDEMIOLOGIA ● Acomete 5 homens:1 mulher ● 30 a 40 casos/ 100 mil habitantes ● 4,6/ 100 mil por ano → associados à Chlamydia trachomatis ● 5/ 100 mil por ano → associados à infecção intestinal ● 40 a 60% são assintomáticos APRESENTAÇÃO CLÍNICA Tem início de 1 a 4 semanas após a infecção e é caracterizada pela deposição de imunocomplexos em áreas tendinosas e musculares: ● ENTÉRICO = diarréia autolimitada ● GENITO URINÁRIO = uretrite com sintomas leves (serosa, com descarga matinal e oligossintomática → diagnóstico difícil em mulheres = pode evoluir para salpingite aguda ou crônica), prostatite assintomática ● CONJUNTIVITE = leve, de resolução espontânea (em 7 a 10 dias) e sem sequelas ● ARTRITE = dores articulares e oligoartrite assimétrica → grandes articulações de membros inferiores (com volumosos derrames articulares nos joelhos), tendão de aquiles e fáscia plantar com tenossinovites em dedos das mãos e pés FISIOPATOLOGIA MECANISMO ETIOLÓGICO: infeccioso/ inflamatório Invasão das células mucosas → replicação intracelular do agente infeccioso → antígenos bacterianos se ligam a macrófagos e monócitos e atingem a circulação → atividade humoral e celular = diminuição da atividade e dos níveis de Th1 ● Artrite assimétrica predominante de membros inferiores ● Evidência de infecção precedente: diarréia ou uretrite 4 semanas antes DIAGNÓSTICO (exames) EXAMES: ● Cultura de fezes positiva ● Anticorpos contra Chlamydia trachomatis no exame de urina ● FATOR REUMATÓIDE e FAN negativos ● VHS aumentado Hipotireoidismo Pode gerar POLIMIOSITE IDIOPÁTICA APRESENTAÇÃO CLÍNICA: fadiga, fraqueza, dor e rigidez muscular, dor, edema e rigidez articular Pode envolver depressão DIAGNÓSTICO: TSH alto e T4 livre baixo ● Diferencial: FIBROMIALGIA Hipótese� diagn�tica� par� Anastáci� Sr. Anastácio, 51 anos, entregadorde gás, há 2 semanas, após movimento brusco (para retirar um botijão do caminhão), apresenta dor lombar que irradia para face posterior da coxa direita, com diminuição de força no membro. Apresenta diminuição da sensibilidade no dorso do pé direito (em especial do 1º pododáctilo), reflexo Aquileu preservado e dificuldade de andar sobre os calcanhares. EXAMES A SEREM PEDIDOS PARA ANGÉLICA: RM e TC na coluna vertebral, fator reumatóide, PCR e VHS, hemograma, eletroneuromiografia Lombalgia Mecânica DEFINIÇÃO Dor e desconforto localizados entre a margem costal (último arco costal) e a prega cutânea (glútea inferior) AGUDA (0 a 6 semanas) = início súbito, é autolimitada, com recuperação espontânea porém tendência de recorrência dos sintomas (50% dos pacientes apresentam novo episódio em 1 ano) SUBAGUDA (0 a 3 meses) CRÔNICA (> 3 meses) = dor persistente que pode ser decorrente de fatores psicossociais, distúrbios vasculares e da neuromodulação central da dor EPIDEMIOLOGIA ● Afeta 70 a 85% dos adultos → se torna crônica em 7% ● Causa mais comum de incapacidade em < 45 anos ● Incidência é igual em homens e mulheres, porém mulheres apresentam mais incapacidade por conta da osteoporose ● Principal causa de absenteísmo do trabalho → CUSTOS: diretos (trabalho médico) e indiretos (absenteísmo no trabalho, perda de produtividade) FATORES DE RISCO = individuais (baixo nível educacional, falta de condicionamento físico, tabagismo, alcoolismo, fraqueza nos músculos abdominais), ocupacionais (levantamento de peso durante ¾ da jornada de trabalho, má postura, permanecer sentado por tempo prolongado, levantar/empurrar objetos pesados), constitucionais (ganho de peso, obesidade) e psicossociais (insatisfação frente à atividade ocupacional, depressão, ansiedade, divócio) APRESENTAÇÃO CLÍNICA CARACTERÍSTICAS DOS SINTOMAS: início insidioso/súbito, pela manhã, com duração de 3-4 dias, não exacerbados por espirros e tosse ● Dor limitada a lombar e nádegas → fatores agravantes (fim do dia - esforços físicos e movimento da coluna) e atenuantes (repouso no leito) ● Difícil irradiação para membros inferiores (coxa) SINAIS DE ALERTA = idade < 20 ou > 50 anos, déficit neurológico progressivo, câncer, infecção, trauma, imunocomprometido, história de abuso intravenoso de drogas, cirurgia da coluna FISIOPATOLOGIA (etiologia é inespecífica, > 50 condições ou doenças) MECANISMO ETIOLÓGICO: compressão mecânica/ inflamatória FATOR MECÂNICO (esforço físico, levantar pesos, permanecer sentado ou em pé por tempo prolongado) + distúrbios em músculos posteriores, tendões e ligamentos → NÃO há sinais neurológicos associados OUTROS FATORES: neurológico e vascular DIAGNÓSTICO ANAMNESE: decálogo da dor, antecedentes pessoais, histórico familiar e hábitos do paciente (tabagismo, posição de dormir, tipo de colchão e travesseiro, principais posições no trabalho, estudo e lazer) EXAME FÍSICO: dor à palpação da musculatura paravertebral, espasmo muscular, atitude antálgica, dor à mobilização, sinais radiculares negativos e EXAME NEUROLÓGICO NORMAL ● INSPEÇÃO ESTÁTICA: constituição física, deformidades, espasmos musculares, amiotrofias, lordose lombar, proeminência abdominal… ● INSPEÇÃO DINÂMICA: movimentos da coluna lombar (flexão anterior, extensão, inclinação lateral para os lados direito e esquerdo e rotações laterais), marcha (com o calcanhar e na ponta dos dedos), agachamento, coordenação e equilíbrio ● PALPAÇÃO: de músculos (espinhais, quadrado do lombo, glúteos, piriforme, abdominais), busca de pontos-gatilho miofasciais ou de dolorimento local, espasmo muscular e pontos de reparos ósseos, ligamentares e articulares ● SENSIBILIDADE: avaliar → dependendo do nível de compressão, compromete todo o trajeto ● FORÇA: avaliar a força ao vencer a resistência do dinamômetro e observar se há diferenças entre os membros ● REFLEXOS EXAMES DE IMAGEM: exclusão de infecções e tumores → não são solicitados dentro das 6 primeiras semanas, a não ser que existam sinais de alerta (diagnóstico prévio de CA, uso crônico de corticosteróides ou osteoporose, trauma mecânico importante recente acima dos 50 anos de idade, perda de peso ou febre sem causa conhecida, idade > 70 anos, déficit neurológico progressivo) ● RAIO-X: 2 incidências (anteroposterior e perfil), evidenciando as 5 vértebras lombares - INDICAÇÕES (não se solicita na 1º consulta): idade < 20 e > 50 anos, história de reumatismo lombar, presença de déficit neurológico, perda de peso por > 6 meses, suspeita de espondilite anquilosante, sinais de alerta na dor subaguda ou crônica ou 7 semanas de falha no tratamento conservador ● Em evoluções atípicas e insatisfatórias, cuja causa não foi determinada após 6 semanas de tratamento = solicitar TC (comprometimento discal, platôs vertebrais, articulações zigoapofisárias, canal e forames vertebrais) e RM (suspeita clínica de infecção, neoplasia, disfunção neurológica progressiva e casos de lesão traumática aguda grave) ● DENSITOMETRIA ÓSSEA: avalia chances de fratura EXAMES LABORATORIAIS (exclui infecções e tumores): normais SEMIOLOGIA Manobra de Valsalva: solicitar-se ao paciente que faça uma expiração forçada contra a própria mão, segurando por cerca de 5 a 10 segundos → aumento da pressão intratecal e exacerbação, dor secundária ou sua irradiação até o pé = significa que há compressão radicular Teste da elevação da perna estendida ou LASÈGUE: elevação da perna esticada do paciente, realizando flexão passiva do quadril, em 30 a 70º → evidência comprometimento do nervo ciático e flexibilidade dos músculos isquiotibiais = TESTE POSITIVO: amplitude de movimento < 30º de inclinação, indicando comprometimento de nervos periféricos, que reproduz sintomas radiculares, provocando dor em todo o trajeto do nervo ciático Teste de Kernig: paciente em decúbito dorsal e com a perna flexionada, o examinador tenta trazer o joelho do paciente para o abdome, verificando se há dor → dor à flexão: irritação meníngea ou da raiz nervosa, que estira a medula Teste do estiramento femoral: avalia compressões radiculares no nível de L4 ou superiores, é realizado em decúbito ventral, com elevação da coxa a partir da mesa de exame, realizando flexão do joelho em até 90º Teste de Hoover: enquanto paciente eleva a perna estendida, o examinador deve segurar o calcâneo do pé oposto e sentir uma pressão local Testes de Beevor: solicitar ao paciente, em decúbito dorsal com ambos os joelhos fletidos e os braços cruzados sobre o tórax, que eleve as costas da mesa de exame = avalia a integridade da inervação segmentar do músculo reto abdominal e espinal correspondente → em condições normais, cicatriz umbilical - - não se move, mas na fraqueza muscular, se move para o lado sadio → Reflexos tendíneos profundos (patelar, aquileu e isquiotibial medial) Lombociatalgia DEFINIÇÃO Dor lombar irradiada para 1 ou ambos os membros inferiores até a extremidade distal EPIDEMIOLOGIA Presente em 55% dos pacientes com dor irradiada para os membros inferiores APRESENTAÇÃO CLÍNICA DOR: início súbito, intensidade forte, caráter lancinante/queimação/choque/latejamento → com comorbidades mais graves e piora da qualidade de vida ● HIPERALGESIA ● HIPERPATIA (reação exagerada a estímulos álgicos intensos ou repetitivos em regiões hipoestésicas) ● ALODÍNIA (dor a um estímulo que normalmente não provoca dor) SINAIS DE ALARME = dor noturna, dor intensa, diminuição de peso, febre, calafrios, sudorese noturna, trauma, déficit neurológico FISIOPATOLOGIA Origem radicular → compressão por hérnia de disco Origem referida → dor miofascial Origem neurológica → se piora com tosse ou espirros MECANISMO ETIOLÓGICO: compressão mecânica/ inflamatória DISCO VERTEBRAL FISIOLÓGICO = 80% de água (sua absorção contínua leva a tensão no disco), alta densidade de cargas negativas, deformado por forças torsionais, tem maior carga axial na posição sentada, ajuda as lordoses a distribuir a carga HÉRNIAS DISCAIS - L4-L5 e L5-S1 ALTERAÇÃO = aumenta a degeneração discal → diminuicapacidade de deformação e absorção de impacto do NÚCLEO PULPOSO → aumenta a pressão dentro do disco, que fica menos resistente ao estresse → alterações viscoelásticas e biomecânicas → distribuição de cargas para a FACETA e ÂNULO: ● ABAULAMENTO DISTAL ● PROTRUSÃO (posterolateral) = ruptura interna do ânulo fibroso e herniação do núcleo, podendo haver compressão mecânica da raiz ● PROLAPSO DISCAL (borda) = ruptura da porção externa do ânulo fibroso, com herniação do núcleo e extravasamento do material discal (segue pelo caminho de menor resistência) ● HÉRNIA DE DISCO (invade canal medular) = material discal ultrapassa o limite do ligamento longitudinal posterior ● SEQUESTRO = material discal perde contato com seu ponto de origem e permanece livre no canal MECANISMO TORSIONAL L4 - L5 MECANISMO DE COMPRESSÃO L5 - S1 DIAGNÓSTICO ANAMNESE = decálogo da dor EXAME FÍSICO: inspeção estática e dinâmica, marcha, manobras especiais, palpação (partes ósseas e moles), avaliação de pontos-gatilho miofasciais EXAME NEUROLÓGICO: motricidade, sensibilidade (tátil, dolorosa, térmica e vibratória) e reflexos tendíneos profundos no tendão patelar (L4) e Aquileu (S1) EXAMES DE IMAGEM (indicados de acordo com a anamnese/exame físico): serve para diagnósticos diferenciais, tentar excluir fraturas, infecções, tumores ou síndrome da cauda equina ● RX = só solicitado mediante aos sinais de alarmes, é desnecessário na 1º consulta, tem pouco auxílio e pode ser solicitado, conforme a necessidade, após 4 semanas do tratamento ● RM (quanto mais escura a imagem, mais desidratado está o disco) = é o EXAME DE ESCOLHA, diferencia hérnia de disco, neurofibromas, cistos… SEMIOLOGIA QUADRÍCEPS ou REFLEXO PATELAR: com o paciente sentado e bem relaxado, solicitar que ele flexione as falanges dos dedos da mão, encaixe uma na outra e puxe, para distraí-lo, enquanto isso, percutir o ligamento patelar (abaixo da patela) e observar a extensão/estiramento do músculo da coxa → avalia L2-L4 TRÍCEPS SURAL ou REFLEXO AQUILEU ou AQUILIANO: apoiar a planta do pé solto com a mão e percutir com o martelo a região do tendão do tríceps sural (tendão de aquiles) e observar a extensão do pé → avalia L5-S1-3 TESTE DE ELEVAÇÃO DA PERNA ESTENDIDA OU LASEGUE (o mesmo da lombalgia) Espondiloartrose Grupo diversas de doenças inflamatórias (ESPONDILITE ANQUILOSANTE, ARTRITE REATIVA, ARTRITE PSORIÁSICA e ARTROPATIAS ENTEROPÁTICAS) que compartilham características semelhantes relacionadas DEFINIÇÃO à predisposição genética: ● ASPECTOS CLÍNICOS → dor axial inflamatória, associada à artrite, predominante em grandes articulações de membros inferiores, e entesopatias periféricas ● ASPECTOS RADIOLÓGICOS → sacroiliíte ● ASPECTOS LABORATORIAIS → soronegatividade para o fator reumatóide EPIDEMIOLOGIA Espondilite anquilosante → aparece na adolescência ou início da fase adulta, acomete 3x mais os homens e é raro se iniciar > 45 anos Artrite psoriásica → 6 a 42% dos pacientes com psoríase cutânea desenvolvem acometimento articular APRESENTAÇÃO CLÍNICA ● Dor nas costas ● Uveíte ● Erupção cutânea ● Dorsalgia (por pressão ligamentar, costovertebral ou discovertebral) DIAGNÓSTICO Dor axial inflamatória ou sinovite assimétrica predominante em membros inferiores + pelo menos 1 dos seguintes critérios: ● História familiar positiva (espondilite anquilosante, psoríase, uveíte anterior, doença inflamatória intestinal) ● Psoríase cutânea ● Doença inflamatória intestinal ● Uretrite ou diarréia aguda até 4 semanas precedendo a artrite ● Dor em nádegas alternante ● Entesopatia (inserção do tendão de Aquiles ou fáscia plantar) ● Sacroiliíte (bilateral graus 2 a 4 ou unilateral graus 3 ou 4) SEMIOLOGIA TESTE DE SCHOBER: com paciente na posição ereta, demarcar a junção lombossacral com uma linha que une a espinha ilíaca póstero-superior a uma marca 10 cm acima, solicitar ao paciente que realize flexão anterior da coluna lombar e medir a distância entre 2 marcas (distância normal é 15 cm) → avalia articulações sacroilíacas, avaliação do segmento dorsal, expansibilidade torácica e avaliação do segmento cervical Artrite Reumatóide DEFINIÇÃO Doença (ou distúrbio inflamatório sistêmico) causada pela interação de células T autorreativas com antígenos próprios, levando a liberação de citocinas e inflamação APRESENTAÇÃO CLÍNICA Pode afetar diversos tecidos e órgãos: pele, vasos sanguíneos, coração, pulmões, músculos e PRINCIPALMENTE ARTICULAÇÕES ● Alterações ósseas: erosão ● Dor articular: pela progressiva destruição da cartilagem articular e por anquilose (rigidez da sinóvia que impede movimentação) Erro na produção na medula óssea ou defeito no mecanismo de ativação do timo FISIOPATOLOGIA → Linfócito T sai defeituoso, se torna autorreativo e produz citocinas em excesso = processo inflamatório começa na SINÓVIA, porém a ultrapassa, e atinge vários órgãos, se tornando sistêmico REFERÊNCIAS: Dor: Princípios e Prática - Onofre Alves Neto Artigo: Lombociatalgia Artigo: Polimialgia reumática: as dores que se multiplicam “Artigo”: Diagnóstico Diferencial das Cervicalgias (capítulo 2) Palestra Semiologia Neurológica - Profº Aline Braga (HM IV) Propedêutica Médica da Criança ao Idoso Semiologia Médica - Porto - 8º Edição Super Material - Sanar flix - Exame Físico Neurológico Objetivo 5 - Explicar mais detalhadamente os diagnósticos dos pacientes (fibromialgia e lombociatalgia): epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, quadro clínico, diagnóstico e tratamento, incorporando a equipe multidisciplinar Objetivo 6 - Descrever indicações, contra indicações, mecanismo de ação, efeitos colaterais e posologia da pregabalina e duloxetina. Síndrom� �bromiálgic� (SFM) - Angélic�: prescrição de Pregabalina e Duloxetina e orientações para ter paciência, se consultar com psicólogo e realizar atividades físicas DEFINIÇÃO ● Condição dolorosa crônica difusa do sistema musculoesquelético (músculos + ligamentos + tendões) não-articular ● Caracterizada por dor à palpação em pontos dolorosos ● Associada a fadiga persistente, rigidez, sono leve (não reparador) e estresse emocional (alteração de memória, ansiedade, depressão) OBS.: não é progressiva ou degenerativa e não ameaça a sobrevida, mas é benigna, crônica e causa prejuízos físicos EPIDEMIOLOGIA ● Prevalência de 2,5% no Brasil ● Predomina em mulheres entre 35 e 50 anos → porém pode afetar qualquer faixa etária e nível socioeconômico e cultural ● 2º condição mais comuns nos consultórios de reumatologia APRESENTAÇÃO CLÍNICA - comprometimento das atividades de vida diária, serviços domésticos e laborais, alterações de humor e qualidade de vida, inatividade e problemas emocionais Pacientes POLIQUEIXOSOS, queixas crescentes, difusas e BILATERAIS ● Dor crônica generalizada → músculos, ligamentos, tendões ● Cefaléia crônica → diária, intensa e relacionada à tensão emocional ● Rigidez articular e artralgia → intensas de manhã e a noite, agravadas pelo excesso de atividade física, exposição ao frio, estresse e privação de sono ● Fadiga generalizada/ persistente → melhora pela manhã ● Parestesias em extremidades (sem anormalidades no exame neurológico) ● Sensação de inchaço em mãos, pés e tornozelos → não tem edema ● Tontura → pontos de gatilho podem comprometer a propriocepção ● Hipotensão arterial e síncopes ● SONO: dificuldade de instalação e retomada, despertares frequentes e precoces, agitação e não reparador ● SÍNDROME DO CÓLON IRRITÁVEL: dor e distensão abdominal, alteração do hábito intestinal (constipação, diarréia ou alternância) ● SÍNDROME DA BEXIGA IRRITÁVEL: desconforto suprapúbico, urgência e disúria ● SÍNDROME DAS PERNAS/BRAÇOS INQUIETOS: movimentos periódicos dos membros, desconforto, latejamento, prurido → MIOCLONIA (espasmos rápidos e repentinos nos músculos) ● SÍNDROME DE RAYNAUD: intolerância ao frio → vasoespasmos de extremidades = palidez, cianose e rubor de mãos e pés ● Disfunção cognitiva (dificuldade de recordar eventos, processar informações e realizar tarefas) → cérebro dedicaenergia lidando com a dor e prejudica memória e atenção PONTOS DOLOROSOS 18 ao total - Inserção dos músculos suboccipitais na nuca - Ligamentos dos processos transversos da 5º à 7º vértebra cervical - Bordo rostral do trapézio - Músculo supra-espinal - Junção do músculo peitoral com a articulação costocondral da segunda costela - 2 cm abaixo do epicôndilo lateral do cotovelo - Quadrante látero-superior da região glútea, abaixo da espinha ilíaca - Inserções musculares no trocanter femoral - 2 cm rostralmente à linha articular do côndilo medial do fêmur MECANISMO ETIOLÓGICO: falha no sistema nociceptivo/analgésico → anormalidades no processamento sensitivo/sensorial do SNC MECANISMOS NEUROGÊNICOS: ● Déficit no SISTEMA DE CONTROLE INIBITÓRIO/ modulação suprasegmentar → afeta projeções inibitórias do tálamo e núcleo caudado = maior percepção de estímulos dolorosos crônicos ● Alterações na SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL: excesso de ativação dos RECEPTORES DE NMDA (= hiperalgesia) ● Hiperatividade (aumento em 3x) da SUBSTÂNCIA P na medula → reduz limiar de excitabilidade e tolerabilidade à dor ● Hiperatividade SIMPÁTICA: IL-6 estimula secreção de ACTH na hipófise → sangue → adrenal → nível elevado de noradrenalina ● Déficit SEROTONINÉRGICO (seu precursor triptofano está reduzido ou depletado) → não consegue inibir unidades nociceptivas na medula espinhal ● Hiperatividade de NEUROTRANSMISSORES EXCITATÓRIOS e hipoatividade/deficiência dos INIBITÓRIOS ANORMALIDADES MÚSCULO ESQUELÉTICAS: predispostas por descondicionamento físico FISIOPATOLOGIA (incerta = uma desregulação ativa todo o cérebro e aumenta a intensidade do estímulo doloroso) ● Atrofia das fibras tipo II (contração rápida e baixa resistência a fadiga) ● Lise das fibras tipo I ou vermelhas, que tem acúmulo de glicogênio e mitocôndria ● Anormalidades mitocondriais → decréscimo de ATP e ADP ● Menor força muscular ANORMALIDADES DO SONO: relacionadas a fadiga, pois sono profundo é importante para a restauração física ● Surgimento de ondas α no sono δ ● Aumento do estágio 1 (SONOLENTO) e inibição do estágio 4 (SONO MAIS PROFUNDO) do sono não-REM = aumento do número de DESPERTARES MECANISMOS NEURO HUMORAIS: ● Ativação do hipotálamo → aumenta a secreção de ACTH → córtex da adrenal aumenta a secreção de CORTISOL e medula da adrenal libera ADRENALINA e NORADRENALINA → feedback negativo: inativa/ interfere no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal ● Diminuição do eixo somatomedina C (GH que participa da homeostase muscular) = menos GH (pois sua secreção ocorre nos estágios 3 e 4 do sono, que estão prejudicados) = menor reparação muscular (atrapalha recuperação frente a microtraumatismos musculares) MECANISMOS PSICOCOMPORTAMENTAIS: anormalidades no sono + anormalidades neuroendócrinas + estresse crônico + traumatismos + condição psicossocial = agravam estresse físico e emocional → ANORMALIDADES COGNITIVAS: incapacidade funcional, interferências na capacidade de atenção, concentração, memória e processamento de informações, ansiedade e depressão ASPECTOS GENÉTICOS: mutações específicas predispõe os indivíduos a desenvolverem a doença DIAGNÓSTICO (é clínico) ● HISTÓRIA CLÍNICA: dor generalizada/difusa a > 3 meses → localizada no hemicorpo direito e esquerdo, acima e abaixo da cintura, além do eixo axial (região cervical, face anterior do tórax, dorso e região lombar) ● EXAME FÍSICO: sem indicativo de doenças articulares, sistêmicas ou neurológicas, dor à palpação digital com 4 kg/cm nos pontos dolorosos ● EXAMES: não há evidências de anormalidades laboratoriais ou nos exames de imagem → servem para descartar doenças inflamatórias, infecciosas e metabólicas CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS (Colégio Americano de Reumatologia -1990): ● Definição da dor difusa como único sintoma para o diagnóstico, em detrimento de fadiga, sono não reparador e distúrbios cognitivos, que são igualmente importantes ● Dor em em 11 ou mais dos 18 pontos dolorosos bilateralmente → porém identifica apenas 20% das pacientes com dor difusa e é menos útil para homens (tem maior limiar de dor?) CRITÉRIOS PRELIMINARES DE DIAGNÓSTICO (Colégio Americano de Reumatologia - 2010): considerados complementares aos critérios de 1990 ● Índice de Dor Generalizada (IDG): soma de números de regiões dolorosas referidas pelo paciente. Sua pontuação está entre 0 e 19 ● Escala de Gravidade de Sintomas (EGS): pontua, de 0 a 3, a intensidade dos sintomas apresentados, nos últimos sete dias DIAGNÓSTICO Se IDG ≥ 7 ou EGS ≥5 --- Se IDG entre 3 e 6 ou EGS ≥ 9 Sintomas presentes há pelo menos 3 meses Não ter outra clínica/doença que justifique os sintomas ORIENTAÇÕES: informar sobre a benignidade da fibromialgia, mecanismo da dor, ser otimista, explicar sobre os fatores de melhora e de piora, como os aspectos emocionais influenciam (medo, crenças, desesperança, enfrentamento), aconselhar a redução da jornada de trabalho e escolha cuidadosa de tarefas (compatíveis com a limitação) e mostrar que o tratamento não depende só dos medicamentos e sim da atividade do paciente NÃO MEDICAMENTOSO: ● ATIVIDADE FÍSICA (de acordo com o suportado por cada paciente, forçar pode agravar o quadro): começar de modo leve (atividade aeróbica e de baixo impacto: natação, caminhada, hidroginástica) e aumentar a intensidade gradativamente, sendo de 2 a 3 vezes na semana, com até 75% da FCM → estimula a liberação de endorfinas e 210-idade&defama ↳ fea cardia,o ajustadadaelentae gradual TRATAMENTO tem efeito analgésico e antidepressivo, proporcionando bem estar global ● TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL: paciente pode ter depressão, sensaçaõ de perda ou dano, ansiedade e se sentir ameaçado, e o acompanhamento psicológico o ajuda a lidar com o diagnóstico, se sentir melhor, e aumenta sua adesão às mudanças de hábitos ● MEIOS FÍSICOS: calor, massagem, eletroterapia, acupuntura, infiltrações de pontos dolorosos e cinesioterapia (terapia com movimentos) FARMACOLÓGICO: feito com 2 grandes grupos de medicamentos ● GABAPENTINA (1200 - 2400 mg) e PREGABALINA (450 mg divididos em 2-3 x/dia) = diminuem a transferências dos impulsos nociceptivos para o SNC, se ligam à subunidade delta dos receptores dos canais de cálcio pré-sinápticos no corno posterior da medula e diminuem a liberação de neurotransmissores envolvidos nas vias da dor (substância P e glutamato) ● ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS, DUAIS e INIBIDORES DA RECAPTAÇÃO DE SEROTONINA + RELAXANTES MUSCULARES CENTRAIS + TRAMADOL: aumentam a eficácia do sistema inibitório descendente e aumentam a disposição de serotonina e noradrenalina no SNC - Antidepressivos tricíclicos = AMITRIPTILINA (12,5-50 mg) e CICLOBENZAPRINA (10 a 20 mg) 2-4h antes de dormir → melhoram fadiga e sono - Antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina = FLUOXETINA (maior eficácia se dose > 40mg associada a amitriptilina ou ciclobenzaprina) - Antidepressivos duais (usados somente quando há depressão associada) = DULOXETINA (30-60 mg até 2x/dia, porém 120 mg de dose máxima) e VENLAFAXINA (> 150 mg/dia) → inibem recaptação de serotonina e noradrenalina - Tramadol (associado ou não ao paracetamol - 37,5 mg de tramadol a 325 de paracetamol): indicado no início do tratamento (quando droga base ainda não atingiu efeito desejado) ou em casos de difícil controle → se assemelha ao antidepressivo dual pois sua ação opióide é fraca ● Mais usados (polifarmacia nesses casos é benéfica): para a associação de 2 fármacos, as doses são menores - Pregabalina + Duloxetina - Gabapentina + ciclobenzaprina Pregabalin� -e Gabapentina DEFINIÇÃO ● São anticonvulsivantes, agonistas do GABA de ação central ● É lipossolúvel → facilita sua transferência pela membrana hematoencefálica ● É mais potente que a gabapentina e tem risco de abuso (relatos de euforia) ● São classe C dos fármacos utilizados na gestação MECANISMO DE AÇÃO Se liga a uma subunidade auxiliar (proteína alfa-2) do canal de Ca²+ voltagem dependentes → neurotransmissores não são liberados das ~in foi associado amelhore significativafeitomelhora dencia X- teve e adversogrammend Leve cercasosda el0% fraco t fadigacientífica vesículas dos neurônios pré-sinápticos → regula a transmissão de mensagens excitatórias (mediadas por noradrenalina e serotonina) entre as células nervosas FARMACOCINÉTICA ● Absorvidas após administração oral ● Não são metabolizadas em humanos ● Tem meia vida de 6h ● Não se ligam a proteínas plasmáticas ● São excretados na urina, sem alteração INDICAÇÃO ● Terapia adjunta de convulsões parciais (associados a outros anticonvulsivantes) ● Enxaqueca ● Dor crônica ● Dor neuropática ● Fibromialgia (dor neuropática crônica) ● Transtorno bipolar ● Ansiedade generalizada CONTRAINDICAÇÃO ● Problemas hereditários de intolerância a galactose e deficientes de lactase ● Diabéticos ● Doentes renais ● Insuficiência cardíaca congestiva ● Operador de máquinas (sono?) ● Gravidez e amamentação POSOLOGIA ADULTO (fibromialgia): 75 - 150 mg 2x/dia → dose teto/máxima 600 mg/dia Manejo (receituário branco - carbonato - quando associado a duloxetina): iniciar 50 mg por 7 a 10 dias (preferência ao deitar), aumentar para 75 mg e eventualmente para 100 mg ou 150 mg (1 a 2 vezes ao dia) EFEITOS ADVERSOS É bem tolerada, porém pode haver efeitos brandos e moderados (costumam regredir em 2 semanas em tratamento continuado): ● Sonolência ● Tontura ● Ataxia (alteração na coordenação fina dos movimentos) ● Fadiga ● Hipocalemia ● Muito comum (10%): dor de cabeça, náuseas ● Comum (1 - 10%): nasofaringite, aumento do apetite, irritabilidade, depressão, insônia, confusão, diminuição da libido, artralgia, tremor, dor lombar Dul�etin� apartem estude DEFINIÇÃO É uma substância nova, um inibidor (de estrutura não tricíclica) de recaptação de serotonina-norepinefrina, e por atuar nos 2 neurotransmissores, tem melhor resposta ● O que a diferencia da amitriptilina é a estrutura química (pois ele é dual) e que tem menos efeitos colaterais (age menos nos receptores) ● É mais cara e ainda não ultrapassa a amitriptilina em evidências MECANISMO DE AÇÃO Age no SNC: Bloqueia a recaptação de SEROTONINA no terminal pré-sináptico e resulta em neurotransmissão serotoninérgica aumentada e prolongada (favorece o sistema opióide endógeno = produz analgesia) → quantidades maiores de serotonina nas sinapses, estimulam muitos subtipos de receptores pós-sinápticos da 5-HT, receptores dos terminais somato dendríticos e pré sinápticos que regulam a atividade serotoninérgica e a liberação de serotonina Inibição da MAO (monoaminoxidase = enzima que quebra a noradrenalina no neurônio pré sináptico) → NORADRENALINA não é degradada → resposta a NA é amplificada Também amplificam a via descendente da dor, que é inibitória FARMACOCINÉTICA ● Administração VO ● Absorção após 6h da administração, e de 6-10h com alimento INDICAÇÃO ● Depressão maior ● Transtorno de ansiedade generalizada ● Dor neuropática associada a neuropatia periférica ● Fibromialgia (quando há depressão ou ansiedade associada) ● Dor crônica associada a dor lombar, osteoartrite de joelho CONTRAINDICAÇÃO ● Alérgicos ● Pacientes em uso de drogas inibidoras de MAO (monoamina oxidase = tem a função de quebrar a noradrenalina) que pararam nos últimos 14 dias POSOLOGIA 60mg 1x/dia (terapêutica máxima) → máximo 120 mg 2x/dia (teto) Prescrição (quando associado a pregabalina): iniciar 30 mg/dia pela manhã, por 7 a 10 dias e aumentar para 60 mg/dia, sendo que alguns pacientes necessitam de 120 mg/dia EFEITOS COLATERAIS ● Constipação ● Boca seca ● Náuseas ● Diarréia ● Tontura ● Cefaléia ● Sonolência ou insônia Lombociatalgi� - Anastáci�: é uma situação aguda, prescrição de Ibuprofeno 600 mg 3 vezes ao dia e encaminhamento para ortopedista e fisioterapeuta DEFINIÇÃO Dor lombar (entre último arco costal e prega glútea) irradiada para nádegas e 1 ou ambos os membros inferiores até a extremidade distal EPIDEMIOLOGIA ● Presente em 55% dos pacientes com dor irradiada para os membros inferiores ● Apenas 30% possuem alterações em exames de RM ou TC APRESENTAÇÃO CLÍNICA DOR: início súbito, intensidade forte, caráter lancinante/queimação/choque/latejamento → com comorbidades mais graves e piora da qualidade de vida ● HIPERALGESIA ● HIPERPATIA (reação exagerada a estímulos álgicos intensos ou repetitivos em regiões hipoestésicas) ● ALODÍNIA (dor a um estímulo que normalmente não provoca dor) SINAIS DE ALARME = dor noturna, dor intensa, diminuição de peso, febre, calafrios, sudorese noturna, trauma, déficit neurológico MECANISMO ETIOLÓGICO: compressão mecânica/ inflamatória → principalmente entre L4-L5 (mecanismo torsional) e L5-S1 (mecanismo de compressão) PROTUSÃO DISCAL: reação inflamatória → aumenta a degeneração discal → diminui capacidade de deformação e absorção de impacto do NÚCLEO PULPOSO → aumenta a pressão intradiscal (disco fica menos resistente ao estresse) → alteração do anel fibroso → protusão do disco intervertebral no interior do canal vertebral → processo inflamatório da raiz nervosa HERNIA DE DISCO: … o mesmo processo de protusão → alterações viscoelásticas e biomecânicas → distribuição de cargas para a FACETA e ÂNULO: ● ABAULAMENTO DISTAL ● PROTRUSÃO (posterolateral) = ruptura interna do ânulo fibroso e herniação do núcleo = disco pode herniar para o interior do canal vertebral e pode haver COMPRESSÃO MECÂNICA DA RAIZ NERVOSA ● PROLAPSO DISCAL (borda - ligamento longitudinal posterior não se rompe) = ruptura da porção externa do ETIOLOGIA ânulo fibroso, com herniação do núcleo e extravasamento do material discal (segue pelo caminho de menor resistência) ● HÉRNIA DE DISCO (ligamento amarelo se rompe) = núcleo pulposo se degenera, ultrapassa o limite do ligamento longitudinal posterior e invade o canal medular ● SEQUESTRO = material discal perde contato com seu ponto de origem e permanece livre no canal intervertebral ou no forame intervertebral ESTENOSE DE CANAL VERTEBRAL: algumas situações causam diminuição do diâmetro do canal vertebral ● Espessamento ósseo das lâminas e facetas articulares ● Hipertrofia do ligamento amarelo (recobre as paredes laterais e posterior do canal vertebral e está em contato com as estruturas nervosas) ● Ossificação do ligamento longitudinal posterior ● Hiperlordose SÍNDROME PÓS-LAMINECTOMIA: pacientes submetidos a cirurgia de coluna lombar para alívio de dor, podem evoluir para dor crônica neuropática no membro inferior SÍNDROME DO MÚSCULO PIRIFORME: por hipertrofia do músculo piriforme ou variação anatômica dele e do tendão piriforme no assoalho pélvico, ocorre compressão do nervo ciático ANOMALIAS DE TRANSIÇÃO LOMBOSSACRAL ESPINHA BÍFIDA: os 2 hemiarcos posteriores a nível das apófises espinhosas não se unem FISIOPATOLOGIA Compressão mecânica da raiz, ou liberação de mediadores inflamatórios pelo disco lesionado → estímulos nociceptivos → brotamento nervoso dentro do disco vertebral degenerado MECÂNICO-DEGENERATIVA: alguma força provoca desequilíbrio entre o segmento funcional anterior e posterior e leva a dor por estímulo nervoso ou liberação de substâncias do núcleo pulposo que causará degeneração do disco intervertebral INFLAMATÓRIAS: Espondiloartropatias INFECCIOSAS: Espondilodiscites METABÓLICAS: Osteoporose, hiperparatireoidismo, osteomalácia, doença celíaca, pós Bypass ANAMNESE = decálogo da dor e sinais de alarme DIAGNÓSTICO EXAME FÍSICO: inspeção estática e dinâmica (posição antálgica, marcha, assimetria, lesões), manobras especiais, palpação (partes ósseas e moles: observar se há hipertonia ou não, pontos dolorosos, articulação sacroilíaca, pedir para o paciente flexionar a perna para avaliar se há lesão discal), avaliação de pontos-gatilho miofasciais EXAME NEUROLÓGICO: motricidade, sensibilidade (tátil, dolorosa, térmica e vibratória) e reflexos tendíneos profundos: ● QUADRÍCEPS ou REFLEXO PATELAR (L4): com o paciente sentado e bem relaxado, solicitar que ele flexione as falanges dos dedos da mão, encaixe uma na outra e puxe, para distraí-lo, enquanto isso, percutir o ligamento patelar(abaixo da patela) e observar a extensão/estiramento do músculo da coxa → avalia L2-L4 ● TRÍCEPS SURAL ou REFLEXO AQUILEU ou AQUILIANO (S1): apoiar a planta do pé solto com a mão e percutir com o martelo a região do tendão do tríceps sural (tendão de aquiles) e observar a extensão do pé → avalia L5-S1-3 EXAMES DE IMAGEM (indicados de acordo com a anamnese/exame físico): serve para diagnósticos diferenciais, tentar excluir fraturas, infecções, tumores ou síndrome da cauda equina ● RX = só solicitado mediante aos sinais de alarmes, é desnecessário na 1º consulta, tem pouco auxílio e pode ser solicitado, conforme a necessidade, após 4 semanas do tratamento ● RM (quanto mais escura a imagem, mais desidratado está o disco) = é o EXAME DE ESCOLHA (melhor visualização de tecidos moles), diferencia hérnia de disco, neurofibromas, cistos… ● TC = indica comprometimentos (discal, platôs vertebrais, articulações zigoapofisárias, canal vertebral ou forame intervertebral) CONSERVADOR: bons resultados ● REPOUSO de 3 a 4 dias na POSIÇÃO DE ZASSIRCHON (decúbito dorsal/supino, quadril 90º, joelho 90º e pernas sobre apoio) para retificação da coluna lombar ● MEDICAMENTOS: analgésicos não opióides (dipirona 500 mg até 4x/dia e paracetamol 500 mg de 4-6x/dia na dor leve e moderada), opióides (quando é resistente a analgésicos: Fosfato de codeína 30 mg 3-4x/dia, Cloridrato de TRATAMENTO tramadol 100-400 mg/dia, Oxicodona 5-10 mg 3 ou 4x/dia e Sulfato de morfina em casos graves), anti-inflamatórios (Valdecoxibe 10mg/dia, Rofecoxibe 50 mg/dia e Celecoxibe 100-200 mg de 12/2h), glicocorticóides (na lombociatalgia aguda, porém não existe evidência), relaxantes musculares (ciclobenzaprina 5-10 mg/dia e carisoprodol 350 mg/dia) e antidepressivos (se houver componente psicossomático) - Prescrição (ambos em comprimido): ibuprofeno 600 mg de 8/8h por 3 a 5 dias e ciclobenzaprina 5 a 10 mg ao deitar por 7 dias ● Estímulo das ATIVIDADES HABITUAIS precocemente ● Encaminhamento para FISIOTERAPIA e ORTOPEDIA 6 pilares da reabilitação: ● Controle da dor e processo inflamatório ● Restauração das amplitudes dos movimentos articulares e alongamentos de tecidos moles ● Melhora da força e resistência muscular ● Coordenação motora ● Melhoramento do condicionamento físico ● Manutenção de programas de exercícios (aumenta B-endorfina no sangue, diminui o pH intradiscal por aumentar a concentração de O² = diminui estímulo doloroso): alongamento, exercícios aeróbicos, exercícios de flexão e extensão ● TERAPIA COMPORTAMENTAL: mudança de padrões comportamentais reduz a incapacidade nas lombalgias crônicas CIRURGIA: discectomia, microdiscectomia, discectomia percutânea, discectomia artroscópica e discectomia associada a artrodese ● INDICAÇÕES (3 dos seguintes fatores): dor na perna persistente que falha ao tratamento conservador por 6 semanas → déficit neurológico bem definido, lasegue positivo, exames de imagem compatíveis com o exame clínico - ÚNICA INDICAÇÃO ABSOLUTA: síndrome da cauda equina ● É o melhor resultado para dor na perna, mas não para a lombalgia ● Pode permanecer uma lombociatalgia residual REFERÊNCIAS: Dor: Princípios e Prática - Onofre Alves Neto Goodman & Gilman Semiologia Médica - Porto - 8º Edição Artigo: Lombalgia e Lombociatalgia (capítulo 3) Palestra: Diagnóstico diferencial das lombalgias https://www.sanarmed.com/diagnostico-de-fibromialgia-deixando-de-lado-os-tender-points Problema 03 PROBLEMA 3 O sofrimento da dor Dra. Mariana, residente de neurologia da Santa Casa, atende Joana, dona de casa, 48 anos de idade. Joana sofre há mais de seis meses de dor ardente contínua na mão esquerda e no lado direito do rosto. Durante a anamnese, ela revelou que há quatro meses sofreu uma súbita crise de vertigens, perturbações na fala e fraqueza motora nos membros esquerdos. Naquela ocasião não consultou um médico, já que a maior parte dos sintomas havia abrandado em 2 dias, mas a fraqueza motora persistiu durante semanas. A dor atual apareceu cerca de 2 meses após esta crise. Ao exame físico, observa-se perda do controle do movimento e da força do braço esquerdo. Há também diminuição da sensibilidade ao frio e à dor na bochecha direita e nos dois terços inferiores do braço esquerdo. Outro caso é o de Dona Maria, 66 anos de idade, diabética há 15 anos, sem controle adequado dos níveis glicêmicos. Ela queixa-se de formigamento e ardência nos pés há 3 anos, que vêm se agravando e atrapalhando as caminhadas matinais. A residente coleta a história da paciente e faz o exame físico usando um monofilamento de nylon, um cubo de gelo e um diapasão. A residente também atendeu o Sr. Juarez, 62 anos, que sente dor em queimação no hemitórax direito e porção dorsal do braço direito. Ao exame físico, acontece piora da dor ao contato de uma gaze na região da queixa. Por conta da dor atual, acorda várias vezes à noite, perdeu o apetite e emagreceu três quilos; só não deixou de tomar sua “cachacinha” no final do dia… O chefe do Serviço decide solicitar exames complementares para auxiliar no diagnóstico dos casos e Dra. Mariana sai dai sala perguntando a outra residente quais seriam os mecanismos etiológicos das dores daqueles pacientes... PP: Como ajudar Dra. Mariana a solucionar cada caso? Objetivo 1 - Explicar e diferenciar (com epidemiologia, fisiopatologia, quadro clínico e exames) dor neuropática, neuralgia do trigêmeo, dor psicogênica, neuropatia diabética, polineuropatia do HIV, neuropatia pós-herpética e neuropatia alcoólica. Objetivo 2 - Descrever a semiotécnica aplicada em cada caso. Objetivo 3 - Descrever os mecanismos etiológicos das patologias centrais e periféricas. Objetivo 4 - Descrever a fisiopatologia da dor central encefálica na secção inferior do tronco. Objetivo 5 - Elucidar tudo sobre Gabapentina, Amitriptilina e Lidocaína. Objetivo 6 - Descrever as medidas multidisciplinares ou não farmacológicas que podem ser tomadas frente aos 3 casos do problemas. Objetivo 1 - Explicar e diferenciar (com epidemiologia, fisiopatologia, quadro clínico e exames) dor de origem central/encefálica, dor psicogênica, neuropatia diabética, dor complexa regional, neuropatia alcoólica, polineuropatia do HIV e neuropatia pós-herpética. Objetivo 3 - Descrever os mecanismos etiológicos das patologias centrais e periféricas. Hipótese� diagn�tica� par� Joan� Joana, dona de casa, 48 anos, sofre há > 6 meses de dor ardente contínua na mão esquerda e no lado direito do rosto. Há 4 meses sofreu uma súbita crise de vertigens, perturbações na fala e fraqueza motora nos membros esquerdos. Não consultou um médico pois a maior parte dos sintomas havia abrandado em 2 dias, mas a fraqueza motora persistiu por semanas. A dor atual apareceu 2 meses depois. Exame físico: perda do controle do movimento e da força do braço esquerdo, diminuição da sensibilidade ao frio e à dor na bochecha direita e nos dois terços inferiores do braço esquerdo. INTERMEDIÁRIA: RM mostra áreas de infarto na secção inferior do tronco cerebral, entre núcleo causal da ponte e trato piramidal do bulbo, superior a decussação das pirâmides. Lhe foram prescritos antidepressivos e tratamento multidisciplinar. Hipóteses: trauma raquimedular em C1, comprometimento do córtex, do tálamo (VPM e VPL), de tronco encefálico… Dor de Origem Central ou Dor Central Encefálica (DCE) DEFINIÇÃO DOR por anormalidades anatômicas e/ou funcionais em estruturas do SNC (fazem veiculação, integração e processamento da informação nociceptiva e somatossensitiva) em qualquer nível do neuroeixo, mas principalmente nas vias ESPINOTALAMOCORTICAIS OBS.: exige farmacologia mais complexa, pois é rebelde ao tratamento antálgico e raramente melhora com analgésicos convencionais CONCEITOS ● TALÂMICA: espontânea, persistente, paroxísticas e intolerável, com anormalidades na sensibilidade superficial e profunda, hemiparesia discreta e sem controle antálgico ● PSEUDOTALÂMICA (oriunda de lesões extratalâmincas, principalmente sediadas no lobo parietal) ● DISESTÉSICA: comum as neuropatiascentrais e periféricas ● POR DESAFERENTAÇÃO: dores relacionadas a lesões neurais no SNP ● CENTRAL: dor causada por lesão ou disfunção do SNC ● 85-90% dos casos são causados por doença cerebrovascular (DCV) ● É a evolução de 8,4% das vítimas de AVC ● É SUBDIAGNOSTICADA = pacientes são submetidos a inúmeras -anhal EPIDEMIOLOGIA consultas e não há identificação da etiologia ou diagnóstico, impedindo a terapêutica adequada ● Alta incidência após lesões de medula espinhal, tronco encefálico e porção ventro-posterior do tálamo FISIOPATOLOGIA ETIOLOGIA = doenças que afetam encéfalo e medula espinal, lesões vasculares, esclerose múltipla e lesões traumáticas medulares → lesões variam muito em localização, extensão e natureza, por isso é difícil estabelecer uma fisiopato = vários mecanismos LESÃO DAS VIAS DISCRIMINATIVAS SOMATOSSENSITIVAS ESPINOTALÂMICAS: ● Perda da atividade tônica inibitória exercida pelas vias espinotalâmicas (responsáveis pela veiculação e integração da experiência somatossensitiva: dor, temperatura e tato superficial): da NEOESPINOTALÂMICA (aspectos discriminativos e localizatórios da dor) sobre as PALEOESPINOTALÂMICA (aspectos discriminativos e localizatórios da dor) ● Lesão em estruturas especializadas para a percepção da temperatura e dor, como lâmina I do corno dorsal medular espinhal, projeções tálamo corticais e núcleos talâmicos ventrais posteriores e mediodorsais = DISFUNÇÕES NA SENSIBILIDADE TÉRMICA DESAFERENTAÇÃO E SENSIBILIDADE: lesão no núcleo ventral lateral do tálamo (recebe projeções corticais inibitórias), que resulta em perda da modulação cortical inibitória da dor = reações exageradas, espontâneas e persistentes AUSÊNCIA DA NECESSIDADE DE COMPROMETIMENTO LEMNISCAL PARA A OCORRÊNCIA DE DOR CENTRAL: lesões lemniscais esão presentes em vá´rios casos de dor central, mas não são necessárias para que ela ocorra → infarto látero-bulbar e síndrome de Wallenberg ATIVIDADE TALÂMICA ESPONTÂNEA e DESINIBIÇÃO RETICULAR TALÂMICA: tálamo é capaz de gerar dor mesmo quando não há aferência (diretas ou indiretas) ou eferências espinal = HIPERSSENSIBILIDADE LESÃO EM NÚCLEOS RETICULARES TALÂMICOS INIBITÓRIOS (gabaérgicos): reduz atividade inibidora dos núcleos intralaminares MODULAÇÃO ASCENDENTE DE RECEPTORES NAS VIAS ESPINOTALAMOCORTICAIS HIPERATIVIDADE GLUTAMATÉRGICA e HIPOATIVIDADE GABAÉRGICA: há desequilíbrio entre atividade excitatória e inibitória OBS.: isquemia leva a hipóxia e morte celular, "corta" o cabo, células vizinhas assumem o comando por neuroplasticidade = excitação cruzada, mecanismos excitatórios e inibitórios se misturam LOCALIZAÇÃO DAS LESÕES → mais importantes para o surgimento da dor do que o tamanho da lesão ● VIAS SOMATOSSENSITIVAS e ESPINOTALAMOCORTICAIS: desorganizam as estruturas que veiculam, integram e processam a experiência somatossensitiva e lesam unidades das vias espinotalâmicas e causam anormalidades na sensibilidade TERMODOLOROSA ● A QUALQUER NÍVEL DO NEUROEIXO: corno posterior da medula espinal, tratos medulares espinotalâmicos anterolaterais, projeções talamocorticais e córtex somatossensitivo parietal ● ENVOLVIMENTO TALÂMICO (em 60% dos casos): participa da fisiopatologia da dor central decorrente de lesões extra talâmicas ● OUTROS SÍTIOS que predispõe a dor central (porém não são específicas ou suficientes para gerá-la): região bulbar lateral, lobo parietal profundo, próximo ao córtex insular e medula espinal ● LESÕES COMUMENTE MÚLTIPLAS APRESENTAÇÃO CLÍNICA ● DOR de instalação insidiosa, que pode ser referida na superfície ou em profundidade do corpo - Localização: difusa/distribuída em amplas áreas do corpo (todo um hemicorpo direito ou esquerdo, metade caudal ou rostral) ou em regiões restritas (segmentos corporais, DE PREDOMÍNIO DISTAL = acometimento das extremidades dos membros e face) - Características: queimação, compressiva, fria, em fisgada, lancinante, em formigamentos, pruriginosa, coceira e dormência - Duração: contínua, diuturna (prolongada) - Intensidade: estável ou flutuante/variável (influenciada por eventos ambientais - modificações de temperatura, umidade do ar -, intrínsecos - estímulos cutâneos, mecânicos ou térmicos, visuais, acústicos, marcha - e atividade musculoesquelética e/ou visceral) - Fatores agravantes: estresse emocional, variações climáticas (frio) e movimentos - Fatores de melhora: clima quente e repouso ● DOR NO APARELHO LOCOMOTOR: dor musculoesquelética secundária a imobilização, podendo gerar déficit motor e incoordenação motora = limitação de funções, dor miofascial ● ALTERAÇÕES DE SENSIBILIDADE: déficit somatosensitivo térmico (principalmente) e doloroso - Anestesia - Parestesia - Distesias - Hipoestesia - Hiperpatia: ação dolorosa aumentada por estímulos repetitivos sublimiares ou pós-sensações dolorosas - Alodínia (ao toque frio) ● Comprometimento de funções motoras, cognitivas e de linguagem OBS.: dor pode se iniciar concomitantemente ao AVC ou anos após o evento Lesões em NVP Talâmico: dor em hemicorpo Lesões Vasculares Bulbares: dor na hemiface e hemicrânio ipsilateral à lesão e no hemicorpo contralateral (síndrome de Wallenberg) DIAGNÓSTICO CLINICO: anamnese (com foco nas características da dor e sintomas neurológicos) + exame físico + exame neurológico cuidadoso (ênfase na avaliação de sensibilidade) CRITÉRIOS: dor de caráter neuropático + sinais neurológicos indicativos que lesão do SNC (topograficamente relacionados à dor e à síndrome sensitiva) EXAMES LABORATORIAIS: não evidenciam nada EXAMES DE IMAGEM (TC e RM de encéfalo e medula): demonstram lesões não irrigadas no SNC relacionadas anatomicamente a dor central → na DCE pode haver lesões encefálicas não detectáveis por esses exames POTENCIAL NEURO EVOCADO Dor psicogênica DEFINIÇÃO Transtorno somatoforme (toma forma no soma: sinais físicos sem a presença de uma condição médica que a explique) com origem psicogênica (distúrbio psicológico ou psiquiátrico), não correlacionado com lesão ou patologias ● Ocorre em contexto de conflitos emocionais e problemas psicossociais suficientemente importantes para serem a causa do transtorno FISIOPATOLOGIA Não tem fisiopatologia - não explicável por processo fisiológico ou transtorno físico, e sim por processos internos e fatores ambientais APRESENTAÇÃO CLÍNICA Dor persistente, intensa e angustiante → localização e distribuição não se encaixam nos padrões neuroanatômicos normais ● Dor com distribuições de luvas ou estocadas ● Dor envolvendo todo o corpo ● Várias dores dispersas por todo o corpo ● Síndromes miofasciais DIAGNÓSTICO É de exclusão: quando não há achados físicos que expliquem os sintomas apresentados, é sempre a última opção a ser considerada - unhab Hipótese� diagn�tica� par� Mari� Dona Maria, 66 anos, diabética há 15 anos e sem controle adequado dos níveis glicêmicos. Queixa de formigamento e ardência nos pés há 3 anos, que vêm se agravando e atrapalhando as caminhadas. Passou por exame físico em que residente usou um monofilamento de nylon, um cubo de gelo e um diapasão. INTERMEDIÁRIA: exames de glicose de hemoglobina glicada alterados, lhe foi prescrito Amitriptilina e tratamento para DM tipo II. Neuropatia Diabética (Polineuropatia Simétrica Distal) DEFINIÇÃO Grupo heterogêneo de manifestações clínicas/subclínicas que acometem o SNP, que se apresentam sob variadas formas clínicas, mecanismos fisiopatológicos, instalação e evolução → complicações do DM EPIDEMIOLOGIA ● 1930 - implementação da insulinoterapia → aumento da expectativa de vida → aumento da prevalência ● Principal causa de neuropatia periférica em países desenvolvidos ● É desenvolvida por 50% dos pacientes diabéticos ● Apresentação clínica mais frequente: POLINEUROPATIA SIMÉTRICA DISTAL → prevalência 50% em diabéticos tipo 1 e 2 - Já pode estar presente em 20% dos pacientes no momento de diagnóstico - É sintomática em menos da metade dos pacientes ● É FATOR DE RISCO para úlceras, deformidades, amputações de membros inferiores e complicações microvascularesFATORES DE RISCO: idade avançada, homens, negros não hispânicos, maior duração da DM, HbA1c > 7%, insulinoterapia, histórico de HAS e DLP, albuminúria e acometimento crônico do nervo periférico HIPERGLICEMIA CRÔNICA É O PRINCIPAL FATOR DESENCADEANTE DAS VIAS PATOGÊNICAS periférico FISIOPATOLOGIA VIA METABÓLICA = glicose em altos níveis penetra os nervos periféricos e causa diferentes reações metabólicas, que leva ao estresse oxidativo, formação de radicais livres e gera disfunção mitocondrial, que se ativada criticamente, ativa a cascata de apoptose ● VIA DO POLYOL: glicose → aldose redutase → sorbitol → acúmulo intracelular de sorbitol e frutose → diminuição de transporte ativo dos metabólitos → ALTERA MECANISMOS REGULATÓRIOS INTRACELULARES = diminui atividade da bomba de Na+/K+ → acúmulo de Na+ intracelular aumenta a osmolaridade → altera potencial de repouso da membrana → estresse oxidativo diminui velocidade de condução nervosa = alterações estruturais reversíveis nos nódulos de ranvier (lacunas entre a bainha de mielina) ● PFGA (produtos finais de glicosilação avançada): reação não enzimática de grupos de aminoácidos e produtos da redução da glicose → ALTERAÇÃO DA FUNÇÃO INTRACELULAR das proteínas + MODIFICAÇÃO COMPONENTES EXTRACELULARES (laminina e fibronectina) essenciais para a regeneração axonal + ligação irreversível em receptores de macrófagos e células endoteliais = estresse oxidativo, secreção de citocinas, degradação da MEC e apoptose celular ● LESÃO ISQUÊMICA DO NERVO PERIFÉRICO: altos níveis de glicose → ativam a proteína C quinase excessivamente → produção de NO → lesão isquêmica ● DISLIPIDEMIA (DLP): ácidos graxos livres lesam diretamente as células de Schwann e promovem o aumento de substâncias pró-inflamatórias e do estresse oxidativo ● VIA DA HEXOSAMINA: hiperglicemia resulta em mudanças na expressão de alguns genes e no funcionamento de proteínas intracelulares VIA VASCULAR = disfunção microvascular generalizada do nervo: diminuição do fluxo sanguíneo → aumento da resistência vascular e diminuição da tensão de oxigênio = ANORMALIDADES MICROVASCULARES ENDONEURAIS: espessamento/duplicação da membrana basal, edema, proliferação endotelial e muscular lisa intimal e trombo plaquetário oclusivo VIA NEURODEGENERATIVA = declínio quanti e qualitativo da insulina → redução da atividade do IGF-1 (fator de crescimento insulina like 1) e NGF (fator de crescimento neuronal) → diminui produção de proteínas imprescindíveis para formação dos neurofilamentos, manutenção do transporte axonal, crescimento e regeneração = degeneração axonal e apoptose do corpo neuronal VIA INFLAMATÓRIA = agentes pró-inflamatórios em pacientes diabéticos com neuropatias, promovem o recrutamento de células inflamatórias, produção de citocinas e redução do fluxo sanguíneo = aumento da hipóxia, isquemia neural periférica e dificuldade na regeneração Desenvolvimento lento, progressivo e simétrico → PIORA NOTURNA, pode chegar a intenso e incapacitante SINTOMAS SENSITIVOS POSITIVOS: dor e parestesias em resposta APRESENTAÇÃO CLÍNICA excessiva a um estímulo ou espontâneas ATAXIA PROPRIOCEPTIVA: equilíbrio e coordenação motora prejudicadas SINTOMAS SENSITIVOS NEGATIVOS: resposta reduzida a determinado estímulo (perda de sensibilidade no segmento envolvido) ● Sensações de dormência e formigamento ● Desequilíbrio e quedas ● Dor em choques, picadas e queimação ● HIPERESTESIA = resposta exagerada a estímulos táteis ● HIPERALGESIA = sensibilidade exagerada a estímulos dolorosos ● HIPERPATIA = persistência da dor após a remoção do estímulo doloroso ● ALODINIA = sensação dolorosa causada por estímulos não dolorosos ● RARAMENTE: fraqueza discreta distal de membros inferiores e atrofia da musculatura das extremidades dos membros superiores e inferiores PADRÃO DE DISTRIBUIÇÃO “MEIAS/bota, LUVAS E AVENTAL/cinto”: clássica distribuição distal nos membros inferiores, com progressão comprimento-dependente, acometendo membros superiores, região central do abdômen e vértice ● Primeiros sintomas: sensitivos e autonômicos → envolvimento eminentemente de fibras finas ● Evolução: acometimento de fibras largas sensitivas ● Estágios graves: acometimento de fibras motoras OBS.: pode estar associada a outros tipos de ND, como mononeuropatias crônicas compressivas e neuropatias inflamatórias (polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória crônica ou PIDC) DIAGNÓSTICO EXAME NEUROLÓGICO = hipoestesia/hiperestesia distal nos segmentos, inicialmente nas modalidades termo algésicas, hiporeflexia (primariamente no reflexo aquiliano) e arreflexia profunda (casos graves) DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: etiologias tóxico-metabólicas (etílico carenciais, urêmicas, hipotireoidismo) TESTES NEUROFISIOLÓGICOS: ● ELETRONEUROMIOGRAFIA (ENMG): exame por meio de agulhas, mais utilizado e acessível; não identifica o envolvimento precoce da fibra de fino calibre e é desconfortável, mas documenta o envolvimento de fibras largas, avalia simetria, gravidade e progressão (tempo de evolução: aguda x crônica) da doença, excluindo condições coexistentes (miopatias, doenças da placa motora/ do neurônio motor inferior, doença desmielinizantes e neuropatias hereditárias) ● TESTE QUANTITATIVO DE SENSIBILIDADE (QST): identifica e quantifica alteração sensitivas (térmicas, dolorosas e vibratórias) nas polineuropatias, é feito em diferentes locais, aplicando estímulos térmicos (quentes e frios) e vibratórios (aferir grau de vibração experimentada); é útil, rápido, não invasivo e de fácil execução, porém capta alterações em qualquer ponto do neuroeixo, podendo ocasionar erro de análise, e tem baixa taxa de repetibilidade por depender da colaboração, atenção, motivação do paciente ● BIÓPSIA DE PELE: por meio de uma biópsia (punch) obtém um fragmento de aprox. 3mm de pele glabra (sem pelos) e identifica por visualização direta (marcação imunohistoquímica) de fibras nervosas epidérmicas de pequeno calibre (diagnostica neuropatias de fibras finas); é um procedimento invasivo e não agrega informações a respeito da etiologia da neuropatia Síndrome de Dor Complexa Regional (DCR) DEFINIÇÃO Grupo de desordens compostas por condições dolorosas regionais causada por evento nóxico que gera alterações sensoriais ● Acomete extremidades, nas quais a dor e a incapacidade funcional são desproporcionais em severidade e duração ● Pode estar associada a coloração anormal da pele, mudanças de temperatura do membro, atividade sub motora anormal ou edema EPIDEMIOLOGIA ● Tipo I é mais frequente que o II ● Predomínio em mulheres, adultos na média de 41 anos e crianças de 9 a 15 anos ● Frequentemente é UNILATERAL (maior incidência à direita) ● Em crianças, por estresse psicológico e traumas, acomete mais os membros inferiores ● Fatores genéticos: HLA (Antigenos Leucocitários Humanos), vários casos de na mesma família ETIOLOGIA Tem insuficiente compreensão = dificulta diagnóstico e tratamento mot FISIOPATOLOGIA TIPO I ou Distrofia Simpática Reflexa = pode se apresentar sem uma história de trauma importante (ex: punção venosa) TIPO II ou Causalgia = ocorre na presença de lesão real de nervo periférico FASE INICIAL = trauma → sensibilização de nociceptores inativos → ativação de aferentes primários → liberação do peptídeo calcitonina e substância P → vasodilatação nas arteríolas = aumenta o fluxo sanguíneo periférico → e induz extravasamento plasmático das vênulas = sinais inflamatórios (EDEMA e aumento da temperatura de pele por redução da ativação simpática dos vasos, que aumenta a sensibilidade a catecolaminas) + alterações tróficas ● Estímulo repetitivo das fibras C → ativa o receptor NK1 → despolarização do corno dorsal da medula → propagação prolongada do impulso doloroso = sensibilização central → HIPERALGESIA MECÂNICA (conduz a cronificação da dor) ● Envolve radicais livres FASE CRÔNICA = ● Diminuição da temperatura da pele por alterações centrais (perda do controle simpático) ● Fibras pós ganglionares simpáticas e adrenoceptores do aferenteprimário liberam norepinefrina = aumento de adrenoceptores na área de lesão e coluna dorsal APRESENTAÇÃO CLÍNICA TIPO I ● Dor espontânea profunda - Características: queimação, choque, pressão, agulhadas - Intensidade: intensa - Localização: difusa → não obedece território individual do nervo - Fatores desencadeantes: extremidade abaixada - Fatores atenuantes: extremidade levantada ● Hiperalgesia (desencadeada por estímulo mecânico e movimentos articulares) → contribui com a paralisação do membro ● Alodínia nas pontas dos dedos ● SINTOMAS MOTORES = diminuição da força muscular nas extremidades, tremores, distonias/ espasmos (contração espontânea), mioclonias ● SINTOMAS AUTONÔMICOS = aumento de sudorese, EDEMA, alterações de cor e temperatura da pele (diferença de temperatura varia de 2,5ºC a 4,5ºC) - Fase aguda: quente e vermelho - Fase crônica: frio, cianótico e pálido ● SINTOMAS TRÓFICOS E ÓSSEOS (aparecem em fases mais tardias): pele atrófica, unhas atróficas ou hipertróficas, aumento ou diminuição do crescimento do cabelo e sua textura, OSTEOPOROSE TIPO II (por lesão do nervo periférico) ● Dor espontânea mais superficial - Características: queimante - Fatores desencadeantes: movimentos e pressão nas articulações - Tem menor tendência a se espalhar, são mais intensos no território do nervo periférico afetado - Pode se exacerbar por estresse emocional ● Hiperalgesia ● Alodínia ao frio OBS.: tipo I e II podem estar simultaneamente presentes no mesmo paciente; é comum paciente apresentar quadro concomitante de síndrome miofascial DIAGNÓSTICO CLÍNICO CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA SDCR ● Dor contínua desproporcional ao evento inicial ● Relato de 1 sintoma em cada uma das categorias - Sensoriais: hiperestesia - Vasomotor: alteração de temperatura e /ou coloração - Sudumotor/balanço hídrico: edema e /ou sudorese - Motor e trófico: diminuição da motricidade, fraqueza, tremor e alterações tróficas do cabelo, pele e unhas ● Apresentar pelo menos 1 dos seguintes sinais em duas ou mais categorias: - Sensoriais: hiperalgesia (teste da agulha) e/ ou alodínea (leve toque) - Vasomotor: alteração assimétrica de temperatura e /ou cor - Sudomotor: edema e ou sudorese - Motor/trófico: disfunção motora e alterações tróficas da pele, cabelo e unhas EXAMES COMPLEMENTARES: ● Eletroneuromiografia: indica lesão de nervo (em SDCR Tipo II) mas não é útil no controle evolutivo da doença ● Termografia: determina diferenças de temperatura entre o membro afetado e o normal ● Raio-X: indica osteoporose (não é uma alteração específica para SDCR e pode ocorrer pelo desuso do membro) ● RM: edema dos tecidos profundos (músculos, tendões e tecido periarticular) Hipótese� diagn�tica� par� Juar� Sr. Juarez, 62 anos, sente dor em queimação no hemitórax direito e porção dorsal do braço direito. No exame físico, ocorre piora da dor ao contato de uma gaze na região da queixa. Pela dor atual, acorda várias vezes à noite, perdeu o apetite e emagreceu três quilos; só não deixou de tomar sua “cachacinha” no final do dia… INTERMEDIÁRIA: esposa lembra que ele apresentou vesículas na área de queixa há 6 meses atrás, foi pedido hemograma e sorologia para HIV, sífilis e hepatites e dosagem de B1 (mostrou hipovitaminose: deficiência de tiamina). Lhe foi prescrito Gabapentina e lidocaína. Neuropatia Alcoólica DEFINIÇÃO Dor concomitante a um transtorno por uso de substância (TUS), nesse caso o álcool, que provoca uma SINERGIA NEGATIVA na evolução clínica dos indivíduos EPIDEMIOLOGIA ● 80% dos pacientes com doença de Wernicke-korsakoff apresentam neuropatia periférica ● Muitos alcoólicos apresentam neuropatia periférica sem outros sinais ou sintomas neurológicos FATORES DE RISCO: homem, jovem, histórico de abuso ou dependência no passado, comorbidade de transtornos mentais, histórico familiar de dependência química, histórico de abuso físico ou sexual na infância, ambiente domiciliar desestruturado e caótico, personalidade impulsiva e dor após acidente automobilístico FISIOPATOLOGIA DEFICIÊNCIA DE B1/ TIAMINA (normalmente está presente em altas concentrações no músculo esquelético, fígado, coração, rins e cérebro): é comum em quadros de dependência de álcool, pois nesses casos há deficiência na ingestão; diminuição da conversão de tiamina em tiamina pirofosfato (forma ativa); diminuição da capacidade de estoque hepático; inibição do transporte intestinal na presença de álcool no lúmen intestinal proximal; prejuízo na absorção (pois alcool interfere no transporte ativo) NEUROPATIA PERIFÉRICA: causa pode ser nutricional (carência vitamínica ou ingestão hidrocarbonada excessiva e baixo consumo proteico) = DEGENERAÇÃO AXONAL DISTAL → compromete pequenas fibras que transportam estímulos álgicos e térmicos na parte distal dos membros = desmielinização secundária SÍNDROME DE WERNICKE-KORSAKOFF (SWK): a consequência mais grave do alcoolismo = perda neuronal encefálica e no cerebelo (células de purkinje do VERMIS cerebelar) + gliose (obstrução de pequenos vasos por placas de ateroma, que lesa substância branca do cérebro) + proliferação endotelial e petéquias ● Inicialmente: Encefalopatia de Wernicke (EW) = fase aguda, caracterizada pela tríade estado confusional agudo, oftalmoparesia (paresia de um ou mais músculos extra-oculares) e ataxia (perda da coordenação motora), podendo haver nistagmo ● Progressão (síndrome em si): amnésia anterógrada (incapacidade de formar novas memórias) e confabulação (produtos falsos da memória) APRESENTAÇÃO SÍNDROME DE WERNICK-KORSAKOFF (características podem ocorrer isoladas ou juntas): ● Movimentos oculares anormais: nistagmo e paresia do reto lateral ou do olhar horizontal → progride para oftalmoplegia completa (com preservação das pupilas) ● Ataxia da marcha e estática ● Tremor de intenção dos membros inferiores ● Dismetria (não compromete braços e disartria está ausente) ● Alteração do estado mental: desatenção, abulia (lentidão mental) e sof CLÍNICA comprometimento da memória ● OBS.: se não tratados, se tornam letárgicos e progridem para coma e morte NEUROPATIA PERIFÉRICA: ● Fraqueza ● Parestesias nos pés e nas mãos ● Dor nos pés e nas mãos: queimação ou lacerante ● Perda da propriocepção ● Comprometimento da sensibilidade vibratória e dolorosa distalmente ● PROGRESSÃO: fraqueza proximal e distal, sintomas vagais (rouquidão, disfagia), sinais autonômicos (taquicardia, hipotensão postural) DIAGNÓSTICO EXAME FÍSICO: ausência do reflexo aquileu EXAMES LABORATORIAIS: tiamina/B1 (no tratamento, é reposta por via oral ou parenteral), B6, ácido fólico/B9 e B12 QUESTIONÁRIOS (investigar papel que bebida alcóolica tem na vida do paciente): CAGE e AUDIT C = “Cut down", se já sentiu necessidade de diminuir a quantidade de bebida ou parar de beber A = “Annoyed", se sentir incomodado ou aborrecido ao ser criticado por beber G = “Guilty", sensação de culpa em relação a bebida E = “Eye-opener", necessidade de beber no início da manhã para se sentir em condições de trabalhar , para diminuir o nervosismo ou ressaca Polineuropatia do HIV DEFINIÇÃO HIV = infecção longitudinal persistente que termina em quadro clínico de imunodeficiência (AIDS) → supressão profunda das células T torna o indivíduo suscetível a infecções oportunistas, neoplasias secundárias e doenças neurológicas, que se não combatidas, tornam-se fatais EPIDEMIOLOGIA ● Ocorre em 30% dos portadores de HIV ● Polineuropatia distal axonal mais comum ● Maior incidência nos continentes africanos e asiático ● 2005 = 38,6 milhões de infectados no mundo e 620 mil no Brasil (com 14 mil mortes e sobrevida de 5 anos com tratamento) FATORES DE RISCO: homossexualidade, prostituição, uso de droga ilícitas injetáveis, transfusões de sangue CONSEQUÊNCIAS = extremo desconforto, afeta emprego, saúde emocional, independência, qualidade de vida FASE INICIAL (1 a 3 meses): vírus HIV infecta ser humano → se desenvolve FISIOPATOLOGIA dentro de linfócitos T e macrófagos (destruindo-as no decorrer do tempo) e se aloja em vilosidadesdo TGI (dificulta ação de anti-retrovirais) → contagem de linfócitos é > 500/mm³ e paciente é assintomático, ou tem distúrbios neurológicos, músculo esqueléticos → FASE TARDIA = neuropatias crônicas desmielinizantes (causadas pelo PRÓPRIO VÍRUS): ● Envelope glicoproteico viral se liga aos receptores de quimiocinas → desregulação dos macrófagos → liberam citocinas pró-inflamatórias neurotóxicas = LESÃO AXONAL ● OBS.: medicações utilizadas no controle da doença inibe a síntese de DNA → interfere na função mitocondrial = NEUROPATIA ASSOCIADA AIDS: após deterioração progressiva dos mecanismos imunológicos, infecção progride e linfócitos TCD4 caem a <200/mm³, ocorrem infecções oportunistas que dão origem a muitas síndromes dolorosas de difícil tratamento e raros tipos de câncer (ex: sarcoma de kaposi) ANATOMOPATOLOGIA = reação inflamatória no líquor, mielopatia vacuolar dos cornos posterior e lateral da medula, redução do número de fibras grossas mielinizadas, degeneração axonal de fibras mielinizadas grossas e finas, monócitos e macrófagos infectados pelo HIV dentro do endoneuro de gânglios espinhais e nervos e redução das fibras finas epidérmicas APRESENTAÇÃO CLÍNICA Neuropatias periféricas = eclodem em qualquer fase da infecção por HIV e AIDS ● Parestesia bilateral e simétrica ● DOR em ardência/queimação ● Perda de sensibilidade ● Perda ou diminuição dos reflexos do tornozelo (AQUILEU) ● Prejuízo na percepção de temperatura ● Perda de equilíbrio = quedas, dificuldades de marcha, de tomar banho ou de se vestir POLINEUROPATIA SENSORIAL DISTAL OU PÉ DOLOROSO AIDÉTICO: dor intensa com disestesias plantares e nos dedos dos pés, que progride no PADRÃO DE DISTRIBUIÇÃO DO TIPO MEIA (dos dedos, subindo tornozelos, até a metade inferior da perna) com redução ou abolição do reflexo de aquileu; pode haver déficit motor que dificulta ou impede a deambulação do paciente Distesias dos pés → pioram a noite e dependem da deambulação DIAGNÓSTICO ANAMNESE CUIDADOSA EXAME FÍSICO EXAMES COMPLEMENTARES: teste rápido de HIV, contagem de linfócitos TCD4, quantificação do RNA/carga viral, TC, RM, eletroneuromiografia (mostra distúrbios sensitivos, motores e reflexos, sugestivos que síndromes dolorosas neuropáticas comum em pacientes com AIDS) Neuropatia Pós-Herpética DEFINIÇÃO HERPES ZOSTER: infecção viral aguda que tem o vírus varicela-zóster (habita a pele humana e é reativado) como agente etiológico e causa erupção cutânea com múltiplas vesículas dolorosas no trajeto de um dermátomo cutâneo (localização radicular unilateral): ● Torácicos: 55% ● Lombossacrais: 17% ● Craniano: 15% ● Cervical: 12% ● Outras localizações: 1% NEURALGIA PÓS-HERPÉTICA (NPH) = dor persistente nos dermátomos afetados pelo vírus do herpes-zóster que ocorre 1 mês (ou mais de 3 meses?) após o desaparecimento do rash cutâneo causado pela infecção É autolimitante (mesmo que demore 1 década) EPIDEMIOLOGIA (acomete crianças, idosos e imunossuprimidos) ● 1 em cada 3 indivíduos irá desenvolver HZ ● Causa mais comum de dor crônica em idosos (> 60 anos) → atrapalha a vida: idosos se recolhem, se alteram ou modificam sua forma de vida, chegando a depressão por não encontrar alívio satisfatório e família ver isso como forma de chamar atenção ● É um problema de saúde pública ● 40% dos pacientes não encontram controle satisfatório e tem dor intratável FISIOPATOLOGIA Expressão aguda da V.Z: INFECÇÃO PRIMÁRIA → vírus fica quiescente em gânglios de nervos sensoriais cranianos e da raiz dorsal espinhais → se replica e reativa → LESÃO NO SNC e SNP: migra pelos nervos até a pele = dor, erupção e eritema ● Substâncias álgicas → ativação de nociceptores + redução do limiar da dor → sensibilização periférica = exacerbação de resposta a estímulos nóxicos e não nóxicos ● ALODÍNIA MECÂNICA (por isso paciebte sente dor ao toque da gase): inflamação e necrose hemorrágica no gânglio da raiz dorsal leva a perda neural de fibras C → há consequente brotamento de fibras A-beta (TATO) → amplia campo receptivo do neurônio, que se reorganiza e facilita a interpretação de estímulos periféricos mecânicos = estímulo de tato é percebido como informação de dor DOR POR INFECÇÃO = inflamação do perineuro e dano a estruturas de envoltura ou proteção nervosa (bainha de Schwann) → aferências dos neurônios primários respondem ao dano tissular e causam mudanças no corno posterior da medula → sensibiliza a entrada de impulsos + ação de aminoácidos excitatórios (glutamato → ativa NMDA), que causa mudanças prolongadas na fisiologia dos neurônios de 2º ordem da medula dorsal = indução de um estado hiperexcitável, limiar diminuído e atividade espontânea (mantém a dor na ausência de contínuo dano tissular) constante OBS.: tratamento precoce em jovens traz remissão rápida da dor, sem deixar sequelas álgicas APRESENTAÇÃO CLÍNICA ● Vesículas, prurido e irritação → dor aguda lancinante e hiperalgesia ● Vesículas estouradas → dor nociceptiva ao toque, não há lesão tecidual → cicatrizes acastanhadas ● DOR TIPO: queimação, latejante, cortante, penetrante, em choque, surda, paroxística, esmagadora, dilacerante, pungente DURAÇÃO: constante, de dia e a noite Não suporta a roupa Não cede com o calor ou frio Intensifica-se com o tempo Não se altera com o movimento 3 principais alterações de sensibilidade: ● ALODINIA = dor superficial intensa na estimulação tátil ● HIPERALGESIA = aumento de dor na estimulação nociva ● HIPERESTESIA = maior sensibilidade ao tato ● Parestesia ● Dor musculoesquelética ● Prurido crônico OBS.: altera de forma significativa a vida e comportamento social dos pacientes, que tendem a se recolher, se isolar, perdem o apetite e consequentemente perdem peso, tornando-se mais vulneráveis a adoecer por baixarem suas defesas imunológicas = pode comprometer desempenho físico, emocional e social do paciente → COMORBIDADES PSIQUIÁTRICAS DIAGNÓSTICO (clínico) ● ANAMNESE: histórico de HZ, dor persistente no dermátomo acometido e impacto na qualidade de vida ● EXAME FÍSICO: pode haver lesões residuais (das vesículas anteriores),áreas de hiperpigmentação, hipopigmentação ou cicatrizes nos dermátomos afetados previamente pelo HZ → vermelhidão e tonalidade acastanhada ● EXAMES LABORATORIAIS: - Avaliação sorológica seriada (VZV-DNA): pesquisa a presença de DNA do vírus HZ ou anticorpo anti-VZV no líquor - Teste sensorial quantitativo (TSQ): identificar o subtipo do fenótipo - Biópsia de pele TRATAMENTO: Sistêmicos: aciclovir + anti-inflamatório + analgésico (só diminui a dor) Tópicos (pomadas): Diminuição dos gatilhos REFERÊNCIAS: Dor: Princípios e Prática - Onofre Alves Neto Medicina Interna - Cecil (Neuropatias relacionadas ao álcool e fatores nutricionais) Artigo: Dor neuropática em pacientes com HIV em uso de TARV - 2016 Artigo: Neuralgia pós-herpética Artigo: Neuropatia diabética Artigo: Síndrome dolorosa complexa regional Consultoria Profº Rodrigo Objetivo 2 - Descrever a semiotécnica aplicada em cada caso. Prática� semiológica� voltada� par� � pacient� co� dor neuropátic� Dor → neuropática → patológica → destruição de nervos Possíveis DESCRITORES trazidos pelo paciente: em agulhada, choque, facada, sensação de queimação A região de dor é trajeto do nervo ou dermátomo? Exame físico confirma a hipótese FORMA DE REALIZAÇÃO DOS TESTES Não arrastar o equipamento sob a pele (exceto na semiotécnica de pressão) e sim encostar Explicar bem o procedimento e se certificar antes de que o paciente entendeu os comandos Testar primeiro uma região não comprometida e depois a alterada, para fins comparativos Sempre alternar os tipos de estímulos dentro de um mesmo teste de maneira aleatória (ex: ponta-romba-romba-ponta-romba-ponta-ponta), pois a maneira padronizada (ex: ponta-romba-ponta-romba) condiciona o paciente a acertar por decorar a ordem ● Lado a lado: escolhido frente a alterações bilaterais → ex: dor nos 2 pés = começar pelos pés e ascender ● Distal proximal: escolhido quando alteração é unilateral, atingindo apenas 1 hemicorpo SENSIBILIDADEDOLOROSA = “ponta ou romba/pé” → com as pontas do martelo neurológico ou de uma espátula partida ao meio (de modo a ter um formato pontiagudo em uma das pontas), encostar na pele do paciente e pedir para ele dizer se é ponta ou romba, e para obter dados da localização sensitiva, solicitar para que ele aponte o local que está sendo estimulado ● Determinar localização e o tipo de estímulo (hipoestesia, alodínia, hiperestesia ou anestesia) SENSIBILIDADE TÉRMICA = o ideal é que seja feita com tubos de ensaio contendo água morna e fria, porém na prática clínica se usa algodão embebido em álcool ou ponta do martelo neurológico para simular o frio e gaze ou algodão seco para simular o quente ● Na alodínia, pode ser usado como alternativa, no lugar do teste de sensibilidade dolorosa, que se torna insuportável para o paciente ● OBS.: é normal que paciente demore um pouco mais para responder a temperatura do que os outros estímulos (porém ainda sim, não é muito tempo) SENSIBILIDADE TÁTIL = é testada com o auxílio de monofilamentos dispostos em um kit, contendo vários calibres, porém no dia a dia pode se usar um pincel. A técnica consiste em encostar um monofilamento na pele, fazer um arco (com a ponta pressionada) e tirar da região, e então verificar se paciente sente esse filamento em todos os locais, e mudar de filamento, variando sua espessura → testar mão na hanseníase ou pé na diabetes (pontos específicos para testar) ● OBS.: dependendo da localização, é normal não sentir o filamento verde SENSIBILIDADE PROFUNDA ou PROPRIOCEPÇÃO = testa se o paciente é capaz de identificar em que posição está seu segmento corporal ou cinestesia (se se movimenta), seja de forma ativa ou passiva ● POSIÇÃO = o examinador manipula a mão do paciente, fazendo OK ou jóia, ou muda a posição, e paciente tem que identificar o movimento ● CINESTESIA = mover o membro e não mover algumas vezes, de maneira não padronizada, e pedir pra que paciente identifique se seu membro está ou não sendo movimentado - ARTRESTESIA: cinestesia nas articulações. Pegar a articulação no sentido latero-lateral e posicioná-la para cima ou para baixo, sempre testando de DISTAL para PROXIMAL (ou seja, se no punho está tudo certo, não precisa testar o cotovelo, pois o comprometimento está mais em baixo) → ANATRESIA = quando paciente não sente articulação SENSIBILIDADE VIBRATÓRIA ou PALESTESIA = testa-se com o diapasão, primeiro o fazemos vibrar, seguramos pelo cabo (para que a vibração não se interrompa) longe da haste, e colocamos na extremidade óssea, de DISTAL para PROXIMAL. Deve-se perguntar se paciente sente vibrar e quando ele sente parar (para quase ao mesmo tempo que o examinador também para de sentí-la) REFLEXOS TENDINOSOS PROFUNDOS = com paciente relaxado, movimentos rápidos e firmes ● Tricipital (C6 - C7) ● Bíceps (C5 - C6) ● Patelar (L2 - L4) ● Aquileu (S1): posições: apoiando a perna de costas, decúbito ventral ou sentado (segurar/apoiar o pé) FIM DAS AVALIAÇÕES: ● Delimitar áreas alteradas e comparar com o mapa sensitivo (dermátomos) ● Ver se paciente se encaixa no padrão de acometimento: - Córtex contralateral no giro pós central (S1) - Lesão medular bilateral - Polineuropatias (ex: diabética) - Mononeuropatia múltipla (não contíguos, acometidos ao mesmo tempo) - Mononeuropatia Objetivo 4 - Descrever a fisiopatologia da dor central encefálica na secção inferior do tronco. Objetivo 5 - Elucidar tudo sobre Gabapentina, Amitriptilina e Lidocaína. Objetivo 6 - Descrever as medidas multidisciplinares ou não farmacológicas que podem ser tomadas frente aos 3 casos do problema. Fármacos disponíveis de 1º escolha para os 3 pacientes: GABAPENTINA, AMITRIPTILINA, PREGABALINA E DULOXETINA -----------------------Cas� d� Joan�----------------------- ● Há > 6 meses: dor ardente contínua na mão esquerda e no face direita ● Há 4 meses: súbita crise de vertigens, perturbações na fala e fraqueza motora nos membros esquerdos ● 2 meses após a crise: perda do controle do movimento e da força do braço esquerdo, diminuição da sensibilidade ao frio e dor na bochecha direita e nos 2/3 inferiores do braço esquerdo ● RESULTADOS: RM mostra áreas de infarto na secção inferior do tronco cerebral, entre núcleo caudal da ponte (local de encontro dos neurônios TRIGEMINAIS de 1º e 2º ordem → cruzam → ascendem) e trato piramidal do bulbo (responsável por área motora), superior a decussação das pirâmides DIAGNÓSTICO = DOR DE ORIGEM CENTRAL/ENCEFÁLICA (AVC) LESÃO DO LADO DIREITO ● DOR na face/bochecha direita: SINTOMAS DO TRIGÊMEO (hemiface e crânio) SÃO IPSILATERAIS → ainda não houve cruzamento das fibras do TRIGÊMEO ● DOR na mão/ ⅔ inferiores do braço esquerdo: SINTOMAS DO RESTO DO CORPO SÃO CONTRALATERAIS → já houve o cruzamento das fibras na medula, antes de subir para a região infartada ● Perda do controle do movimento e força e fraqueza motora: pois trato piramidal do bulbo é responsável por uma ÁREA MOTORA ● Perturbações na fala: por fraqueza ipsilateral da língua, já que na região passa o NERVO HIPOGLOSSO ● Vertigem: infarto pode acometer NÚCLEO VESTIBULAR ou PEDÚNCULO CEREBELAR INFERIOR INFARTO ou comprometimento ANTES DO CRUZAMENTO DEPOIS DO CRUZAMENTO Sintomas IPSILATERAIS Sintomas CONTRALATERAIS OBS.: TATO FINO (epicrítico = propriocepção): cruzamento no BULBO TATO GROSSO (protopático = sensibilidade visceral, temperatura, dor, coceira): cruzamento na MEDULA FISIOPATOLOGIA ETIOLOGIA = doenças que afetam encéfalo e medula espinal → lesões vasculares (AVCs isquêmicos, hemorrágicos, hemorragias intraparenquimatosa ou subaracnóide, vasoespasmo e malformações arteriovenosas) e traumáticas (raquimedular e cranioencefálicos) Isquemia → hipóxia = morte neuronal → células vizinhas assumem o comando por neuroplasticidade = EXCITAÇÃO CRUZADA (mecanismos excitatórios e inibitórios se misturam) LESÃO DAS VIAS DISCRIMINATIVAS SOMATOSSENSITIVAS ESPINOTALÂMICAS: ● Perda da atividade tônica inibitória exercida pelas vias espinotalâmicas ● DISFUNÇÕES NA SENSIBILIDADE TÉRMICA = lesão em estruturas (lâmina I do corno dorsal medular espinhal, projeções tálamo corticais e núcleos talâmicos ventrais posteriores e mediodorsais) especializadas para a percepção da temperatura e dor LESÃO NO NÚCLEO VENTRAL LATERAL DO TÁLAMO (recebe projeções corticais inibitórias): ● Perda da modulação cortical inibitória da dor = DESAFERENTAÇÃO E SENSIBILIDADE (reações exageradas, espontâneas e persistentes) ATIVIDADE TALÂMICA ESPONTÂNEA e DESINIBIÇÃO RETICULAR TALÂMICA: tálamo é capaz de gerar dor mesmo quando não há aferência (diretas ou indiretas) ou eferências espinal = HIPERSENSIBILIDADE LESÃO EM NÚCLEOS RETICULARES TALÂMICOS INIBITÓRIOS (gabaérgicos): reduz atividade inibidora dos núcleos intralaminares HIPERATIVIDADE GLUTAMATÉRGICA e HIPOATIVIDADE GABAÉRGICA: há desequilíbrio entre atividade excitatória e inibitória OBS.: lesões lemniscais estão presentes em vários casos de dor central, mas não são necessárias para que ela ocorra = AUSÊNCIA DA NECESSIDADE DE COMPROMETIMENTO LEMNISCAL PARA A OCORRÊNCIA DE DOR CENTRAL Tratament� nã� medicament�� ● Clínico ● Neurologista ● FISIATRIA: medicina física ou reabilitadora → trata doenças variadas (dor nas costas, exaqueca) que atrapalham as atividades cotidianas por causar algum tipo de incapacidade, limitação física ou perda de habilidade - pode receitar MEDICAMENTOS e encaminhar para FISIOTERAPIA, FONOAUDIOLOGO, TERAPIA OCUPACIONAL e NUTRICIONISTA - tem o objetivo de devolver a independência e qualidade de vida do paciente ● FISIOTERAPIA ● PSIQUIATRAS e PSICÓLOGOS: manejar aspectos psicossociais Tratament� medicament�� oferece parcial controle da dor, que apenas reduz, melhorando a qualidade de vida - requer combinação de fármacos e terapêutica a longo prazo ● ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS (AMITRIPTILINA): efeito analgésico, atuam em sintomas de depressão e ansiedade, e efeito sedativo ajuda a regular o sono - MECANISMO: bloqueiam canais de sódio e cálcio, a recaptação de serotonina enoradrenalina e a transmissão glutamatérgica (via NMDA) = AMPLIFICAÇÃO DA VIA DESCENDENTE/ INIBITÓRIA DA DOR ● ANTIDEPRESSIVOS DUAIS (DULOXETINA): menor ação antálgica e mais eficaz no controle dos quadros depressivos, são mais bem tolerados em idosos e portadores de comorbidades - MECANISMO: recaptação de serotonina e noradrenalina ● ANTICONVULSIVANTES (carbamazepina, lamotrigina, GABAPENTINA e PREGABALINA): eficaz no controle das dores paroxísticas e lancinantes, da alodinia ● LIDOCAÍNA PARENTERAL: efeito analgésico de curta duração ● OPIÓIDES: tem algum efeito analgésico, precisa de mais estudos ● BLOQUEADORES DOS RECEPTORES DE NMDA (quetamina): tem eficácia analgésica, mas tem aplicabilidade restrita em decorrência dos efeitos colaterais psicodislépticos (provocam perturbações análogas às das psicoses) e indisponibilidade de apresentação oral TRATAMENTO POR ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA TRANSCUTÂNEA: estimulação (encefálica profunda por eletrodos implantados por estereotaxia no tálamo sensitivo e mesencéfalo periaquedutal) no córtex motor exerce alívio na dor central quando as vias lemniscais estão pelo menos parcialmente intactas TRATAMENTO CIRÚRGICO: em DCE de grande magnitude que tem repercussão funcional e se mostra resistente às terapêuticas convencionais -----------------------Cas� d� Mari�------------------------ DIAGNÓSTICO = NEUROPATIA DIABÉTICA Tratament� nã� medicament�� manejo da diabetes tipo II ● Controle glicêmico rigoroso ● Instruções alimentares e comportamentais ● Orientar auto avaliação, prevenção e tratamento do PÉ DIABÉTICO = repouso imediato no início de qualquer lesão ● Modificação do estilo de vida ● ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA (estimulação percutânea do nervo): reduz dor de 11 a 42%, melhora o sono e para melhores resultados, pode ser ASSOCIADA A AMITRIPTILINA para melhores resultados (mais eficaz do que só a amitriptilina) ● PALMILHAS MAGNETIZADAS: diminuição de 14% em 4 meses Tratament� medicament�� para a escolha dos fármacos deve levar em consideração as manifestações do paciente e efeitos adversos dos fármacos ● FÁRMACOS ANTIOXIDANTES (estresse oxidativo está envolvido na fisiopatologia da via metabólica): ácido α-lipoico - Via endovenosa (eficácia comprovada): 600 mg/dia por 3 semanas - Via oral (disponível no BR, necessita de comprovação) 600 mg/dia, em jejum ● SINTOMÁTICOS (1º linha): - ANTIDEPRESSIVOS DUAIS (duloxetina) - ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS (amitriptilina) - ANTICONVULSIVANTES (gabapentina e pregabalina) - Spray de capsaicina (o ideal é a 5%, porém no BR só tem creme a 0,075% = eficácia moderada e inconsistente) - Dinitrato de isossorbida ● SINTOMÁTICOS (2º linha): OPIÓIDES (tramadol, oxicodona, morfina) ● TRATAMENTO CIRURGICO = CIRURGIAS DESCOMPRESSIVAS são indicadas frente a vidência clínica e/ou eletromiográfica de aprisionamento significativo e comprometimento importante, porém há risco de não haver melhora e haver até piora Amitriptilin� - receita branca carbonada DEFINIÇÃO Antidepressivo tricíclico (apenas em estrutura, porém seu efeito é dual) que atua sobre as catecolaminas (noradrenalina e serotonina) e é usado em uma variedade de condições de dor → meia vida de 24h MECANISMO DE AÇÃO INIBE A RECAPTAÇÃO DE noradrenalina e SEROTONINA (principalmente) no neurônio pré-sináptico = prolonga a atividade delas, que agem na via inibitória da dor (sistema opióide endógeno) Inibe canais de sódio e potássio = DIFICULTA DESPOLARIZAÇÃO BLOQUEIA RECEPTORES NMDA (de glutamato, excitatório) Faz migração granulocítica e nas citocinas pró-inflamatórias = AÇÃO ANTI-INFLAMATÓRIA É ANTAGONISTA DOS RECEPTORES: o que explica seus efeitos colaterais ● α1-adrenérgico: tontura, hipotensão ● Beta: problemas cardíacos ● Colinérgico muscarínico: boca seca/xerostomia (Bloqueia a produção de saliva) e retenção urinária → é contrário a efeitos parassimpáticos e gera efeitos simpáticos ● Histaminérgicos ou H1 (potência 1,1): sonolência ● 5-HT2 INDICAÇÃO ● Dor neuropática crônica ● Dor aguda (ações analgésicas intrínsecas limitadas) ● Depressão ● Enurese noturna (“xixi na cama”) CONTRAINDICAÇÃO ● Hipersensibilidade ● Anormalidades de condução ventricular ou paciente vítima de IAM em menos de 30 dias (pois prolonga intervalo QT e predispõe a parada e infarto) ● Retenção urinária ● Glaucoma de ângulo fechado ● Epilepsias não controladas OBS.: risco de crise serotoninérgica com outros antidepressivos ou tramadol ORAL: ● Dose inicial: 1 vez por dia a noite - 10 mg para idosos ou pacientes sensíveis aos efeitos - 25 mg para demais pacientes POSOLOGIA (“titulação”) ● Aumento gradual a cada 5 a 7 dias: 25 mg de manhã e 25 mg a noite ● OBS.: ir analisando se é suficiente ou precisa de mais 25 mg de manhã ou 50 mg à noite, totalizando de 75 até 150 mg ● 50 mg (2 de 25mg) 3 vezes ao dia OU 60 mg de manhã, 30 a tarde e 60 a noite, totalizando 150 mg (dose máxima) ao final de 60 dias Apresentações comerciais: ● 25 mg - caixa com 10 e 20 cmp → SUS ● 30 mg (totaliza 120 mg se tomar 2 de manhã e 2 a noite) ● 75mg - caixa com 10 e 20 cmp EFEITOS ADVERSOS (amenizados pela titulação lenta e em doses baixas) Tem potencial para provocar efeitos colaterais graves, pois não é uma droga seletiva: ● Sonolência e sedação ● Tontura ● Hipotensão ortostática ● Efeitos anticolinérgicos: retenção urinária, constipação ● Efeitos cardíacos (pelo bloqueio de condução cardíaca) ● Xerostomia e visão turva ● Ganho ponderal ● Efeitos sexuais ● Convulsões ● (pela redução do limiar convulsivo) ------------------------Cas� d� Juar�--------------------- DIAGNÓSTICO = NEUROPATIA PÓS-HERPÉTICA → quadro auto resolutivo Tratament� medicament�� combinações de fármacos (considerar o perfil do paciente e as propriedades farmacológicas) com diferentes mecanismos de ação estão associados aos melhores resultados ● ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS (amitriptilina, nortriptilina ou desipramina): iniciados caso necessário (considerando nível da dor), em baixas doses → monitorar efeitos adversos ● ANTICONVULSIVANTES (gabapentina e pregabalina): são 1º linha no tratamento e reduzem a dor da NPH ● LIDOCAÍNA (emplastro): 1º linha no tratamento da dor neuropática, tem melhor tolerância que a pregabalina ● OPIÓIDES: controvérsia entre entidades em dizer se é de 1º, 2º ou 3º escolha, pelos efeitos adversos ● CAPSAICINA (emplastro a 8% em aplicações únicas que duram 60 min) ● BLOQUEIOS ANALGÉSICOS: peridural (transforaminal guiada com radioscopia = dispersão do fármaco junto ao gânglio da raiz dorsal) ● TOXINA BOTULÍNICA, RADIOFREQUÊNCIA, ESTIMULAÇÃO DE CORDÃO ESPINHAL, BOMBA IMPLANTÁVEL e ESTIMULAÇÃO ESPINHAL PROFUNDA = em estudo Gabapentin� DEFINIÇÃO Anticonvulsivante, análogo cíclico/ agonista de ação central (é lipossolúvel = facilita sua transferência pela membrana hematoencefálica) do GABA → classe C dos fármacos utilizados na gestação MECANISMO DE AÇÃO Bloqueia canal de Na+ e se liga a subunidade 2δ do canal de Ca²+ voltagem dependente → diminui influxo de cálcio → INIBE EXOCITOSE (liberação de neurotransmissores excitatórios das vesículas para a fenda sináptica) → regula a transmissão de mensagens excitatórias (mediadas por noradrenalina e serotonina) entre as células nervosas Promove LIBERAÇÃO DE GABA no neurônio pré-sináptico INIBE RECEPTORES NMDA = diminui efeitos do glutamato e controla melhor alodínia FARMACOCINÉTICA ● Administração ORAL ● Não apresenta farmacocinética linear devido à saturação na absorção (o que exige cuidado na titulação) ● Não é metabolizada e não se liga a proteínas plasmáticas ● É excretada na urina (sem alteração) INDICAÇÃO ● Dor neuropática → aumento do efeito analgésico e ação sinérgica em distúrbios dolorosos ● Terapia adjunta de convulsões parciais (associados a outros anticonvulsivantes) ● Enxaqueca ● Dor crônica ● Transtorno bipolar CONTRAINDICAÇÃO ● Hipersensibilidade ● < 12 anos ● Operador de máquinas ● Gravidez e amamentação (pode ser excretada no leite) POSOLOGIA (“titulação”) ● Iniciar com doses baixas: 300 mg - 1x/dia - a noite● Aumentar 300 mg a cada 7 a 10 dias, até alcançar 1200 mg divididas em 3 vezes ao dia: - 600 mg - 1x/dia - a noite - 900 mg = 300 mg de manhã e 600 mg a noite - 1200 mg = 600 mg de manhã e à noite ● OBS.: pode-se administrar até 3600 mg (necessário para controle de alguns pacientes) também dividido em 3 tomadas Apresentações comerciais (cápsula): 300 mg e 400mg, com embalagens de 10, 20, 30, 40 e 60 comprimidos EFEITOS ADVERSOS É bem tolerada, porém pode haver efeitos brandos e moderados (costumam regredir em 2 semanas em tratamento continuado): ● Sonolência ● Tontura ● Ataxia (alteração na coordenação fina dos movimentos) ● Edema periférico ● Fadiga Lidocaín� - receita branca carbonada DEFINIÇÃO Protótipo de anestésico local (gel ou spray) do tipo amida, que produz anestesia rápida, intensa, prolongada e ampla → geralmente é associado a outros fármacos MECANISMO DE AÇÃO Ao ser aplicado, cria uma barreira mecânica que funciona como elemento protetor diante de estímulos táteis → redução da excitabilidade neuronal e da dor = EFEITO ANESTÉSICO LOCAL, evita ALODÍNIA (diminui a trandução) ● Em doses pequenas inibe as descargas aberrantes geradas por lesões nervosas = causa analgesia tópica ● sem bloqueio total da condução nervosa (NÃO interfere na condução nervosa normal, mantendo a sensibilidade da pele a toques leves ou picadas) BLOQUEIA REVERSIVELMENTE o poro do CANAL DE Na+ VOLTAGEM DEPENDENTE (em nervos periféricos e a nível sistêmico, no coração e SNC) = inibem despolarização e PA das fibras nervosas = reduzem sensibilização periférica e hiperexcitabilidade do SNC, suprimindo a sensibilidade à dor APRESENTAÇÕES Formas: ORAL, TÓPICA, INTRAVENOSA, OFTÁLMICA e ESPINHAL FARMACOCINÉTICA ● Absorvida rapidamente após administração parenteral (não passa pelo TGI) → age 30 min após aplicação e tem maior eficácia em 4h ● Duração da ação por 12h ● Biodisponibilidade: 3% ● 70% do absorvido se liga a proteínas plasmáticas ● Meia vida de 1-2h ● Metabolização hepática INDICAÇÃO ● Alternativa para indivíduos sensíveis aos anestésicos locais do tipo éster CONTRAINDICAÇÃO ● Antecedente de sensibilidade a anestésicos locais do tipo amina ● Bloqueios cardíacos sinoatrial, atrioventricular ou intraventricular grave ● Gestantes e puérperas (atravessa a placenta e é excretada no leite) ● Crianças (não existem estudos) POSOLOGIA TÓPICA (não tem necessidade de titulação e desmame) Adesivo com hidrogel de lidocaína a 5% de 10 x 14 cm (totaliza 700 mg por adesivo): é muito flexível, age diretamente no local da dor, causando menos efeitos sistêmicos, menos toxicidade e não interage com fármacos administrados via oral ou intravenosa Pomada (preferência, permanece mais tempo na pele) ou gel 5%: ● 3 a 4 usos por dia (pois efeitos duram de 6h a 8h) ● Aplicar na área dolorosa e nos dermátomos circunvizinhos (ainda não afetados pela neuralgia) ● Esfregar por pelo menos 1 minuto (benefício começa pelo atrito, faz efeito mais rápido) Apresentações comerciais: ● Pomada 5% ● Solução injetável 1% e 2% / 10mg/ml e 20mg/ml → intravenosa: 1 a 2 mg/kg em 15 a 20 min EFEITOS ADVERSOS ● Reações locais: eritema e edema, alergia ● Sonolência ● Tinido ● Disforia ● Euforia ● Disgeusia ● Dormência perioral ● Abalos/ contrações musculares e tremores ● Vertigens e perda de consciência (precedida por sintomas de sedação) ● Hipotensão, bradicardia, bloqueio cardíaco, parada cardíaca ● Em altas doses: convulsões, alteração dos níveis de consciência, coma, depressão e parada respiratória REFERÊNCIAS: Dor: Princípios e Prática - Onofre Alves Neto (capítulo 73) Goodman & Gilman Artigo: Neuropatia Diabética Artigo: Neuralgia Pós-Herpética Artigo: Farmacoterapia sistêmica da dor neuropática Artigo: “Treatment of postherpetic neuralgia: An evidence-based report of the Quality Standards Subcommittee of the American Academy of Neurology Consultoria do dia 02/03/22 - Prof Rodrigo https://www.rededorsaoluiz.com.br/especialidades/fisiatria CONSULTORIA NEUROPATIA DIABÉTICA: Amitriptilina + medicamentos “racionais” Trato piramidal do bulbo: responsável por área motora Núcleo caudal da ponte: responsável pela nocicepção que vem da área trigeminal, onde a nocicepção é passada do neurônio primário para o secundário, é como se fosse o corno dorsal da medula ● Estou olhando o tronco encefálico de frente, a imagem está invertida ● Gânglio trigeminal com os 3 braços: oftálmico, maxilar e mandibular ● No subnúcleo caudal (principal núcleo do trigêmeo, passa muita informação), informação é passada para o neurônio de 2º ordem para cruzar e ascender ● O objetivo não é discutir diagnóstico e manejo do infarto do tronco cerebral e sim manejar a dor de origem central. Basta saber que ali tem microfocos de infarto com morte celular ● Bochecha esquerda e braço direito: o que possivelmente aconteceu é que antes da passagem da informação para o neurônio secundário que subiu, células da região foram afetadas, grupo de aferentes primários morreu, informação não passa para o secundário (acontece morte neuronal e outros neurônios vizinhos assumem a passagem da informação)… Por ali passam fibras nociceptivas que cruzaram a nível espinotalâmico do lado oposto e ascenderam ● Mão sobe tendo cruzado e bochecha cruza no subnúcleo caudal, e ainda está no mesmo lado = é o que justifica comprometimento trigêmeo e espinotalâmico ao mesmo tempo e a apresentação clínica ● Se o infarto fosse a nível de L2 na medula, tudo para baixo daquilo seria afetado, porém tem passagem de informação do mesmo segmento, o mesmo lado/ um lado só seria comprometido ● Se o infarto fosse no VPL do tálamo, onde passam fibras trigêmeo e espino, tem confluência de muita informação ● Artigo que traz considerações de 4 entidades para as patologias ● Mostra os de 1º escolha para cada doença de acordo com cada entidade ● De acordo com pelo menos 3 entidades importantes, o que foi prescrito para os pacientes está adequado ● Qual fármaco podemos tratar a primeira paciente, que também serve para neuropatia de origem central? GABAPENTINA e AMITRIPTILINA são os de maior força, DULOXETINA e PREGABALINA ● Dentro dos fármacos disponíveis, os de 1º escolha para os 3 pacientes seriam: - GABAPENTINA, AMITRIPTILINA, PREGABALINA E DULOXETINA (mais força para diabética e pós herpética) → informação vem de estudos, esses são os racionais que temos que levar para amanhã - GEL OU POMADA DE LIDOCAÍNA (levar os dados somente referente ao uso tópico) e AMITRIPTILINA ● Como escolher entre DULOXETINA (tem menos efeitos adversos) e AMITRIPTILINA - xerostomia, boca e pele seca, mudança de humor, ganho de peso, mudança no ritmo cardíaco, arritmia, hipocalemia (é a escolha a um tempo, mas tem efeitos adversos importantes, e com o passar dos anos, seus mesmos benefícios têm sido encontrados na DULOXETINA que é usada em seu lugar, enquanto amitriptilina fica no passado, mas ainda tem seu espaço, mas na proxima década, pode deixar de ser usada) → hoje o que nos faz escolher a AMITRIPTILINA é a história, tempo e conhecimento de lidar com a medicação ● NORTRIPTILINA: é a mesma droga da primeira passagem pelo fígado, é como se fosse a AMITRIPTILINA na primeira metabolização ● GABAPENTINA (farmacocinética não linear, comparada a pregabalina, é prescrita em detrimento da pregabalina pela história mesmo, já foi muito usada e é mais acessível, se tem no SUS) x PREGABALINA (não é muito escolha, apesar do mecanismo semelhante, pois não tem no SUS) Para essa revista, na neuropatia diabética a PREGABALINA é melhor, a duloxetina, gabapentina e duloxetina em 2011 não tinham a indicação A - é dinâmico ● Para a neuropatia pós herpética, não tem variação de indicação no grupo 1, só não inclui a duloxetina ● Há um tempo, para a polineuropatia diabética, tem a indicação de amitriptilina e venlafaxina (não é mais indicada) ● Pós herpética: amitriptilina, capsaicina, adesivos de lidocaína (mantém mais efeitos na pele mas é desconfortável demais no momento de remoção numa área alodínica) MANEJO TERAPÊUTICO:não matamos um agente patológico com uma medicação e sim lidamos com mecanismos complexos, onde tais drogas tendem a diminuir a queixa Problema 04 PROBLEMA 4 Se não bastasse uma, apareceu outra! Dona Alzira, 44 anos, lavadeira, queixa-se há 2 anos de cefaléia. Até seis meses atrás, aconteciam duas a três crises mensais de dor forte, latejante, principalmente do lado esquerdo da cabeça, quase sempre acompanhada de náuseas e vômitos. As crises perduravam por horas e, às vezes, por dias. Faz uso frequente de dipirona e paracetamol durante as crises. Nos últimos meses, as características da dor de cabeça mudaram: agora a cefaleia é diária, geralmente contínua, às vezes latejante de moderada à alta intensidade e outras vezes “tipo aperto” na região temporal, bilateralmente. Acha que é “dor psicológica”, pois é só ficar preocupada ou ansiosa que ela piora. Procurou atendimento no Ambulatório do CEMED e o médico perguntou a ela várias vezes se a “nova” dor de cabeça era a mesma dor de sempre e se tinha sentido alguma coisa diferente juntamente com as dores, como por exemplo, se ela havia desmaiado ou sentia alguma parte do corpo adormecida. O médico executou o exame físico na paciente, solicitou um exame de imagem e outro laboratorial. Outra paciente vista no Ambulatório, Dona Amélia, de 62 anos, sofre de dores horríveis na face, próximas ao olho direito e à maxila direita. Amélia descreve suas dores como “fogos de artifício” e choques muito intensos. Tem sofrido há vários anos, tendo sido atendida por médicos e dentistas. Na consulta atual, o médico solicitou exames de imagem, além de ter realizado o exame físico e coletado a história em detalhes. Estariam estas duas pacientes padecendo da mesma doença? CEFALÉIA PRIMÁRIA: ocorrem sem etiologia demonstrável nos exames clínicos ou laboratoriais → enxaqueca/migrânea, do tipo tensional e em salvas CEFALÉIA SECUNDÁRIA: provocada por doenças → trigeminal (VIA TRIGÊMINO TALÂMICA), pós-herpética, distúrbio de ATM, arterite temporal de células gigantes ● Quais os sinais de alerta? PP: Como diferenciar as dores de Dona Alzira e Dona Amélia? Objetivo 1 - Descrever a epidemiologia, quadro clínico e fisiopatologia dos tipos de cefaléias: tensional, em salvas, arterite temporal de células gigantes, neuralgia trigeminal, ATM, migrânea e pós-herpética. Objetivo 2 - Diferenciar cefaléia primária de secundária (dentro disso, elucidar seus sinais de alerta). Objetivo 3 - Elucidar os exames para cada paciente. Objetivo 4 - Explicar a evolução ou mecanismo de mudança dos sintomas de Dona Alzira. Objetivo 5 - Explicar a via trigeminotalâmica até o córtex pré-frontal. Objetivo 6 - Explicar de maneira mais detalhada a fisiopatologia da migrânea crônica e da neuralgia trigeminal Objetivo 7 - Elucidar tudo sobre Topiramato e Carbamazepina. Objetivo 1 - Descrever a epidemiologia, quadro clínico e fisiopatologia dos tipos de cefaléias: tensional, em salvas, arterite temporal de células gigantes, neuralgia trigeminal, ATM, migrânea/enxaqueca e pós-herpética. Objetivo 2 - Diferenciar cefaléia primária de secundária (dentro disso, elucidar seus sinais de alerta). Objetivo 3 - Elucidar os exames para cada paciente. Cefaléia� Primária� é a cefaléia que é a doença por si só, seus exames físico geral e neurológico costumam ser normais - geralmente são leves e infrequentes, porém podem causar sofrimento considerável e diminuir/abolir capacidade de trabalho do indivíduo, mas não tem nenhum outro fator como causa Migrânea ou Enxaqueca perturbação cefalálgica ou doença neurovascular primária comum e incapacitante EPIDEMIOLOGIA ● Prevalência global na população adulta: 11% ● 2004: 19º doença causadora de incapacidade no mundo ● Mais prevalente nas mulheres (25%), na proporção 3:1 comparada aos homens → hormônios femininos (estradiol) tem efeitos nas células endoteliais e na regulação hipotalâmica FATORES DISPARADORES: genética, hormonal (aumento ou baixa de estrógeno, menstruação, gravidez, menopausa), fatores estressantes, luz intensa, chocolate, cafeína, cheiros fortes, mudanças nos padrões de sono, atividades físicas e mudanças climáticas CLASSIFICAÇÃO, APRESENTAÇÃO CLÍNICA e DIAGNÓSTICO Critérios Diagnósticos da Sociedade Internacional de Cefaléia (2004) SEM AURA, comum ou hemicraniana simples - síndrome clínica caracterizada por cefaléia com características específicas e sintomas associados COM AURA, clássica, oftálmica, hemiparestésica, afásica, acompanhada ou complicada - sintomas neurológicos focais transitórios/completamente reversíveis, que se desenvolvem gradualmente e precedem ou acompanham a cefaléia (esses critérios não serão cobrados na prova) A - Pelo menos 5 crises que preencham critérios de B a D B - Cefaléia durante 4h a 72h (sem tratamento ou tratamento ineficaz) ● Se paciente dorme durante a crise e acorda sem dor, a A - Pelo menos 2 crises que preencham critérios de B e C B - ≥ 1 sintoma(s) de AURA totalmente reversível(is): ● VISUAIS (mais comuns): positivos (escotoma, luzes 2/6 / / / I / / duração do episódio é contada até o despertar C - Cefaléia com ≥ 2 características: ● Localização unilateral ● Caráter pulsátil ● Intensidade moderada ou grave = INCAPACITANTE ● Exacerbada por atividades da vida diária/ físicas (caminhar, subir escadas ou correr) D - Pelo menos 1 dos sintomas: ● Náuseas e/ou vômitos (aliviam a dor) ● Fotofobia e fonofobia E - Não melhor explicada por outro diagnóstico OBS.: ● Geralmente levam o paciente ao leito ● Em < 18 anos podem durar de 2 a 72h, podem ser bilaterais e é geralmente frontotemporal ● Tem relação com a MENSTRUAÇÃO (menstrual pura ou relacionada a menstruação) ● Se < 5 episódios porém tem os demais critérios = diagnóstico de “ENXAQUECA SEM AURA PROVÁVEL” tremulantes, manchas ou linhas) ou negativos (perda de visão) ● AUDITIVOS (não estão nos critérios, mas são bem comuns, como ouvir apitos) ● SENSITIVOS: positivos (formigamento, picada) ou negativos (dormência) ● FALA e/ou LINGUAGEM: afasia, disfasia (descoordenação da fala) ● MOTOR: diminuição de força (enxaqueca hemiplégica) → tem sintomas mais duradouros que podem durar até 72h ● TRONCO CEREBRAL ● RETINIANO C - ≥ 2 das características: ● Pelo menos 1 sintoma de aura se desenvolve gradualmente em ≥ 5 min e/ou ≥ 5 sintomas aparecem sucessivamente ● Cada sintoma individual de AURA dura de 5 a 60 min ● Pelo menos 1 sintoma de AURA é unilateral ● A AURA é acompanhada ou seguida em 60 minutos por cefaleia D - Não melhor explicada por outro diagnóstico OBS.: quando por exemplo 3 sintomas ocorrem durante uma aura, a duração máxima aceitável é de 3 x 60 min ● “AURA DA ENXAQUECA” = cefaléia que não preenche os critérios e portanto é uma aura sem cefaleia OBS.: quando um paciente respeita os critérios para mais de um subtipo, deve ser diagnosticado com os 2 = com e sem aura CRÔNICA: cefaléia idêntica a do tipo tensão ou da enxaqueca em ≥ 15 dias/mês, durante > 3 meses, na qual em ao menos 8 dias/mês possua características da cefaléia migranosa Sintomas da FASE PREMONITÓRIA/pródromo (horas ou dias antes da cefaleia - tronco encefalico): fadiga, dificuldade de concentração, rigidez cervical, sensibilidade à luz e ou som, náuseas, visão turva, bocejos, palidez, desejo de comida Fase de AURA (exclusivamente cortical) Fase de CEFALEIA: nocicepção + sintomas vagais + foto/fonofobia Sintomas da FASE DE RESOLUÇÃO/pósdromo (tronco encefálico): fadiga e mudanças de humor FISIOPATOLOGIA não é bem elucidada: há dúvida se a cefaléia se inicia no cérebro ou se é por disfunção do tronco encefálico, mas é um evento neurovascular LIVRO: Hiperexcitabilidade cortical ou depressão cortical alastrante de leão (principalmente occipital e se propaga anteriormente) = redução dos níveis de magnésio e aumento dos níveis de cálcio e glutamato → aumento da excitabilidade, diminui o limiar para o disparo da crise, tornando neurônios suscetíveis às crises de migrânea = SENSIBILIZAÇÃO PERIFÉRICA TRIGEMINAL (ativação de nociceptorestrigeminais que inervam as meninges, principalmente a DURA MÁTER) e disparo de suas projeções centrais = início da crise + fluxo sanguíneo cerebral diminuído na área afetada → de 1 a várias horas ocorre transição gradual para hiperemia ● Sequência de acontecimentos de diminuição de fluxo sanguíneo no córtex occipital, que leva a hipoxia, ondas de 2 a 6 mm/min caminham até chegar o córtex visual, área somestesica primária = dando início a migranea ● Isso não justifica a ativação ou não de S1, e sim o fenômeno dividido em partes, mas pode justificar a AURA Inflamação neurogênica = despolarização das fibras C sensoriais do trigêmeo → células do gânglio trigeminal projetam axônios únicos para as meninges e vasos sanguíneos cerebrais → liberação de neuropeptídeos (substância P e peptídeo relacionado ao gene da calcitonina/CGRP e neurocinina A/NKA) → estimulação/interação com a parede de vasos sanguíneos → VASODILATAÇÃO + exsudação/extravasamento de proteínas plasmáticas neurogênicas e degranulação de mastócitos = DOR E ATIVAÇÃO ACIONAL DO NERVO *Alteração na atividade hipotalâmica*= atividade aumentada no hipotálamo posterolateral durante FASE PREMONITÓRIA + ativação das vias de sinalização das células endoteliais vasculares pela regulação hipotalâmica parassimpática = contribui com a dor inflamatória (porém age numa via independente da vasodilatação) Modulação anormal do sistema nociceptivo cerebral = PREDISPOSIÇÃO A SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL, inicialmente transitória, mas se torna permanente com a continuação da doença → explica o aumento da duração da crise de migrânea e a troca da cefaleia episódica para a crônica OBS.: em crianças o córtex somatossensitivo primário é hiperexcitável (facilita SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL = transmissão e persistência da dor), há também hiperexcitabilidade neuronal trigeminal e medular ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ *M8,glutamen incleildeder ↓limiarde dispare↓ venismussetiver às crises CONSULTORIA (profº Rodrigo): PRIMEIRA PARTE (ativação do nociceptor): disfunção no hipotálamo, que de alguma forma se comunica como núcleo salivatório superior no tronco encefálico (é relacionado ao processamento de informações autonômicas) → núcleo salivatório superior através de fibras leva a descarga simpática aos tecidos ao redor e aos VASOS MENINGEAIS → ativa células endoteliais e a túnica média das artérias secreta peptídeo natriurético C e outros mediadores químicos → ativação do nociceptor primário SEGUNDA PARTE (a partir da ativação do nociceptor): a nocicepção das artérias meníngeas é conduzida pelo ramo oftálmico do trigêmeo → chega ao subnúcleo caudal da ponte (média a nocicepção trigemino talâmica) → sinapse com o neurônio 2º → alguns cruzam outros não cruzam → chegam ao TÁLAMO → S1 Transdução da nocicepção de origem migranosa: ocorre nos nociceptores aferentes primários ao redor das artérias meníngeas Mecanismo disparador da migrânea: ocorre no tronco encefálico, que por disfunção do hipotálamo, ativa o núcleo salivatório superior e leva a descarga simpática OBS.: mais da metade da migrâneas não tem mais vasodilatação, mas ela pode estar envolvida, juntamente com a serotonina liberada pelas plaquetas, porém esses não são mais os mecanismos principais Cefaléia do Tipo Tensional também chamada de: cefaléia de contração muscular, psicomiogênica, do estresse, comum, essencial, idiopática ou psicogênica EPIDEMIOLOGIA ● Prevalência global na população adulta: 42% → é a mais prevalente de todas as cefaleias primárias ● Prevalência de 88% nas MULHERES e 69% nos homens → 5 mulheres: 4 homens ● Prevalência diminui com a idade em ambos os sexos ● FATORES DE RISCO: distúrbios emocionais, estresse e tensão mental, Ansiedade, depressão APRESENTAÇÃO CLÍNICA Costuma ser leve = pacientes não procuram atendimento médico EPISÓDICA: ● Infrequente ou pouco frequente: < 12 dias/ano de dor → pouco impacto no indivíduo A - Pelo menos 10 crises em < 1 dia/mês (em média < 12 dias por ano) DIVISÃO e DIAGNÓSTICO preenchendo os critérios de B a D B - Cefaléia durando de 30 min a 7 dias C - Cefaléia tem pelo menos 2 características: ● Localização: bilateral ● Caráter: em pressão/aperto (não pulsátil) ● Intensidade: fraca ou moderada ● Não é agravada por atividade física rotineira (ex: caminhar, subir escadas) D - Ausência de náuseas ou vômitos (pode ocorrer anorexia) e fotofobia ou fonofobia (apenas 1 delas pode estar presente) E - não melhor explicada por outro diagnóstico OBS.: há tendência a aumento da sensibilidade à dor em região pericraniana e extra cefálica (tendão de aquiles e dedos = dor muscular - detectado pela palpação manual na SEMIOLOGIA) ● Frequente: crises em > 12 dias e < 180 dias/ano → incapacidade considerável A - Pelo menos 10 crises em 1 a 14 dias, em média por > 3 meses (≥ 12 dias e < 180 dias/ano), preenchendo os mesmos critérios de B a E da episódica infrequente OBS.: PODE COEXISTIR COM A ENXAQUECA SEM AURA, são diferenciadas por um calendário de registro das cefaléias, para proporcionar tratamento adequado e evitar abuso de medicações e consequências CRÔNICA: > 180 dias por ano → compromete qualidade de vida e causa grande incapacidade A - Cefaléia em ≥ 15 dias/ mês, em média, por > 3 meses (≥ 180 dias/ano), preenchendo critérios de B a D B - Cefaléia dura horas ou dias e pode ser contínua C - Igual a da episódica infrequente D - Acompanha-se de só 1 dos sintomas: fotofobia, fonofobia ou náuseas ligeiras, com ausência de vômitos e de náuseas moderadas ou graves E - Não melhor explicada por outro diagnóstico EXAME FÍSICO (presença ou ausência de dor à palpação de músculos pericranianos): movimentos giratórios e pressão firme com 2º e 3º dedos nos músculos (frontal, temporal, masseter, pterigóideo, esternocleidomastoideu, esplênio e trapézio) → pontuação da sensibilidade local de 0 a 3 para cada músculo → somar para calcular o valor total da sensibilidade dolorosa para cada indivíduo FISIOPATOLOGIA (não será cobrada em prova, mas é necessário saber apresentação clínica, o que a diferencia das demais cefaléias primárias e quais seus critérios diagnósticos) Pouco estudada e com várias correntes de origem: PSICOGÊNICA CONTRAÇÃO MUSCULAR CONVERGÊNCIA CONTINUUM ENTRE MIGRÂNEA E CEFALÉIA TENSIONAL: migrânea e cefaleia tensional com base neurológica comum que ocasionalmente se sobrepõe MODELO MIOGÊNICO SUPRA-ESPINAL VASCULAR: 3 sistemas (central, vascular e miogênico) tem seus estímulos (se vascular = interpretado como PULSÁTIL, se miogênico, interpretado como PRESSÃO) carreados para o neurônio do núcleo caudal do trigêmeo CENTRAL: controles centrais inibitórios e excitatórios sobre o neurônio do núcleo caudal VASCULAR: único neurônio do núcleo caudal conectado a 2 neurônios do gânglio trigeminal que se projetam para tecidos e vasos intra e extracranianos MIOGÊNICO: músculos da cabeça via ramo oftálmico do trigêmeo e músculos e ligamentos do pescoço via nervos cervicais superiores MECANISMOS PERIFÉRICOS: responsáveis pela cefaleia tensional episódica (frequente e infrequente) ● Aumento da excitabilidade da membrana do nociceptor periférico MECANISMOS CENTRAIS: exercem papel na cefaleia tensional crônica ● Alteração dos neurônios nociceptivos medulares e supramedulares ● Aumento da excitabilidade dos neurônios pela sensibilização central = HIPERSENSIBILIDADE DOLOROSA ● Diminuição da inibição = alterações na excitabilidade do corno dorsal OBS.: inflamação de músculos pericranianos - sensibilização central - via fica hiperexcitada Cefaléia em Salvas também chamada de: cluster headache, nevralgia ciliar, hemicraniana angioparalítica, cefaléia histamínica ou de horton → é um tipo de cefaléia TRIGÊMINO-AUTONÔMICA cujo nome “salvas” indica PERIODICIDADE (seu principal achado clínico) ● Manifesta-se em indivíduos de 20 a 40 anos ● Predomina no sexo MASCULINO → acomete 4 homem: 1 mulher EPIDEMIOLOGIA ● Prevalência na população geral: 0,05 a 2,4% ● É crônicaem 10 a 15% dos pacientes ● Em 5% dos casos é HEREDITÁRIA (transmissão autossômica dominante) ● FATORES DE RISCO: tabagismo, traumatismo de crânio ou história familiar de cefaléia APRESENTAÇÃO CLÍNICA Algumas crises são mais severas que outras e a duração varia: CRISE = crise individual num período de salva MINICRISE = período de crise que dura < 7 dias OBS.: é capaz de acordar o paciente DIVISÃO e DIAGNÓSTICO EM SALVAS: crises ocorrem em séries, durante semanas ou meses, sendo separadas por PERÍODOS DE REMISSÃO (duram meses ou anos) A - pelo menos 5 crises preenchendo critérios de B a D B - dor forte ou muito forte (pacientes são incapazes de se deitar e andam de um lado para o outro), estritamente unilateral, orbitária, supra-orbitária e/ou temporal, durante de 15 a 180 minutos ou 3h (se não tratada) C - acompanha pelo menos 1 dos sinais neurovegetativos IPSILATERAIS a dor: ● Hiperemia conjuntival e/ou lacrimejamento ● Congestão nasal e/ou rinorréia ● Edema palpebral ● Sudorese na fronte e região facial ● Rubor na fronte e região facial ● Sensação de ouvido cheio ● Miose e/ou ptose ● Sensação de inquietude ou agitação → pode induzir pacientes ao suicídio D - frequência desde 1 a cada 2 dias a 8 vezes/dia E - não melhor explicada por outro diagnóstico EPISÓDICA: crises de cefaleia em salva que ocorrem entre 7 dias a 1 ano, sendo separadas por períodos de dor de pelo menos 1 mês A - crises preenchendo de A a D para cefaléia em salvas e que ocorram em períodos B - pelo menos 2 períodos de salva com duração de 7 a 365 dias/ 1 ano (normalmente duram de 2 semanas a 3 meses) e separados por períodos de remissão/assintomáticos (livre de dor) ≥ 1 mês CRÔNICA A - crises preenchendo de A a D para cefaléia em salvas B - crises recorrem por > 1 ano sem períodos de remissão ou com remissões durando < 1 mês FISIOPATOLOGIA (similar a da migrânea, não cai na prova) Sinais autonômicos → ativação de fibras parassimpáticas cranianas (no tronco encefálico, se conectam com o núcleo caudal do trigêmeo) → ativação do sistema trigeminovascular (fibras, nervos, gânglios) → aumento do CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina) na veia jugular externa = vasodilatação e inflamação neurogênica nos vasos da dura-máter PERIODICIDADE (crises agudas): distúrbio no relógio biológico ou marca-passo, localizado no NÚCLEO SUPRAQUIASMÁTICO (substância cinzenta hipotalâmica posterior) OBS.: durante o período de salva, a crise pode ser DESENCADEADA por álcool, agentes vasodilatadores (histamina), hipoxemia (altitude ou apnéia do sono) e nitroglicerina MANEJO Responde ao tratamento para migrânea, terapia com oxigênio (100% 6L/min) e prednisona (até 80 mg/dia) CEFALEIA PRIMÁRIA POR ABUSO DE MEDICAÇÃO: ● Uso por 10 a 15 dias/mês ou + por 3 meses ● Cafenína em combinação com fármacos ● Opióides MECANISMO NÃO É BEM ESTABELECIDO: Interação entre agente terapêutico e suscetibilidade do paciente, mais comorbidades básicas e fatores de risco (obeso, alto consumo de cafeína) MANEJO: parar com tais medicações analgesicas ou dar temporariamente oxigênio puro ou prednisona para depois substituir por outras medicações Cefaléia� Secundária� cefaléia causada por doença orgânica, que faz parte do quadro sindrômico de uma doença, é originária de um transtorno → problemas oftalmológicos, sinusites, doenças dentárias, infecções, tumor cerebral, hemorragia cerebral e meningite Cefaléia atribuída a Disfunção Temporomandibular (DTM) cefaléia causada por perturbação que envolve estruturas da articulação temporo-mandibular e músculos faciais EPIDEMIOLOGIA Prevalência: 6 a 12% Mulheres procuram mais tratamento que os homens, na proporção 9:1 FISIOPATOLOGIA ETIOLOGIA: deslocamento de disco, osteoartrite, hipermotilidade articular e dor miofascial regional Força sobrecarrega complexo articular → dano às estruturas → altera funcionalmente a relação entre o disco, a cabeça mandibular e o tubérculo articular = dor e/ou disfunção APRESENTAÇÃO CLÍNICA (queixas mecânicas ou dolorosas relacionadas a função mastigatória) ● Dores em regiões específicas da região cefálica: pré-auriculares, músculos masseteres e temporais ● Dor à função mastigatória e dor à palpação ● Ruídos ou sons de estalido da articulação temporo-mandibular (ATM) nos movimentos de abrir e fechar a boca ● Restrição da amplitude de movimentos de abertura bucal ● UNILATERAL se dor é gerada pelo complexo temporomandibular ● BILATERAL se dor envolve os musculos DIAGNÓSTICO A - qualquer cefaleia preenchendo o critério C B - evidência clínica e/ou imagiológica de um processo patológico afetando a ATM, músculos da mastigação e/ou estruturas associadas C - evidência de causalidade demonstrada por pelo menos 2 situações: ● Cefaleia se desenvolveu em relação temporal com o início da perturbação temporomandibular ● 1 ou ambos: se agravou com a progressão da perturbação temporomandibular ou melhorou significativamente/resolveu a partir da melhoria/resolução da perturbação temporomandibular ● Cefaléia produzida ou exacerbada pelos movimentos ativos da mandíbula e passivos na amplitude de mobilização e/ou manobras (pressão na ATM e nos músculos mastigatórios anexos) aplicadas nas estruturas temporomandibulares ● Cefaleia que quando unilateral, é ipsilateral ao lado da perturbação temporomandibular D - não é melhor explicada por outro diagnóstico Queixas precisam ser reproduzíveis a palpação durante o exame físico EXAMES: uma das únicas cefaleias trabalhadas no problema em que é possível diagnosticar por exames de imagem ● RADIOGRAFIAS: dentes retidos, fenômenos eruptivos, desvios da linha média, patologias do complexo maxilomandibular, comprimento do processo estilóide e calcificações de ligamentos ● RM (não é pedida sempre, é preciso eliminar previamente toda e qualquer suspeita de patologia de origem muscular ou óssea que possa limitar a abertura bucal) OBS.: quando diagnóstico é incerto, cefaléia deve ser codificada como do tipo tensão ou um dos subtipos relacionados a dor pericraniana Cefaléia atribuída a Arterite de Células Gigantes (ACG) também chamada de: cefaléia atribuída a arterite temporal → cefaléia causada por sintomas de arterite de células gigantes EPIDEMIOLOGIA ● Aumenta o risco de sofrer acidentes isquêmicos cerebrais e demência FISIOPATOLOGIA Inflamação dolorosa das artérias cranianas/cefálicas, em especial os ramos da carótida externa e artéria temporal = sintomas de comprometimento sistêmico (febre, fadiga, mialgia, anorexia e perda de peso) ● Vaso inflamado → parede espessa → diminui passagem de sangue = diminui O² e nutrientes → infecções bacterianas desequilibram o sistema imunológico → células ativadas passam a agredir a parede dos vasos APRESENTAÇÃO CLÍNICA Cefaléia: ● Intensa ● Latejante ● Constante ● Progressiva ● Piora a noite e com exposição ao frio Claudicante da mandíbula = patognomônico OBS.: se crises recentes e repetidas de amaurose (perda temporária ou permanente da visão) estão associadas a cefaleia = investigar urgente, pode ser devido a neurite óptica isquêmica A - Qualquer cefaleia de novo preenchendo o critério C B - Diagnóstico de arterite de células gigantes C - Evidência de causalidade demonstrada por pelo menos 1 dos seguintes: ● Cefaleia desenvolveu-se em estreita relação temporal com outros sintomas e/ou sinais clínicos ou biológicos iniciais e/ou conduziu diagnóstico de ACG ● Presença de 1 ou ambos os seguintes: - Cefaleia agravou significativamente a partir do agravamento da DIAGNÓSTICO arterite - Cefaleia melhorou significativamente ou desapareceu nos primeiros 3 dias de tratamento com corticóides em altas doses - Cefaleia associa-se a hipersensibilidade do escalpe e/ou claudicante da mandíbula D - Não melhor explicada por outro diagnóstico ANAMNESE: idade > 50 anos → início tardio é um dos sinais de alarme EXAME FÍSICO: dor à palpação da artéria temporal ou à diminuição da amplitude de sua pulsação EXAMES COMPLEMENTARES: ● Velocidade de hemossedimentação elevada ● Positividadena biópsia da artéria temporal Neuralgia Trigeminal também chamada de: nevralgia ou “tic douloureux” EPIDEMIOLOGIA ● Uma das dores neuropáticas mais comuns na região cabeça e pescoço ● Incidência: 12,6 a 27/ 100 mil habitantes ● Incomum em < 40 anos e mais frequente em > 60 anos ● 55 a 70% dos pacientes são MULHERES ● 45% relatam dor no maxilar OBS.: geralmente é superestimada em artigos, pois o diagnóstico é dado de maneira incorreta em diversos outros tipos de dor na face FISIOPATOLOGIA Idiopática Compressão neuro-vascular (pela artéria cerebelosa superior, geralmente na 2º ou 3º divisão do nervo) Desmielinização focal do nervo trigêmeo Hiperatividade periférica ou central do nervo Massa intracraniana Esclerose múltipla MECANISMOS PERIFÉRICOS: resultam no desenvolvimento de atividade espontânea/exacerbada ● ALTERAÇÕES DEGENERATIVAS POR DANO DIRETO (lesão axonal, desmielinização) = lesão de um ramo do trigêmeo → liberação de citocinas pró-inflamatórias (TNF-alfa: provoca mudanças metabólicas e hemodinâmicas e ativa outras citocinas; IL-6: ativa células da glia centrais e exacerba inflamação), fatores de crescimento, enzimas hidrolíticas, NO (importante função na manutenção da dor) → diminuição do limiar de ativação dos nociceptores e aumento da excitabilidade da fibra e da transmissão excitatória = liberação de neuropeptídeos (SP, peptídeo relacionado ao gene da calcitonina/ CGRP, neuropeptídeo Y) e fatores neurotróficos (fator de crescimento nervoso e FATOR NEUROTRÓFICO DERIVADO DA GLIA/ GDNF: regula as vias nociceptivas) no nervo trigêmeo e gânglio trigeminal ● EXCITAÇÃO CRUZADA (ou transmissão efática): campo eletromagnético é gerado ao redor de fibras sensitivas periféricas lesadas → induz despolarização das fibras sensitivas adjacentes/vizinhas não estimuladas/lesadas = expande área em que a dor é percebida e contribui para ALODÍNIA E HIPERALGESIA MECANISMOS CENTRAIS (semelhante a atividade espontânea): facilitação, potenciação e amplificação das respostas centrais, redução de vias inibitórias e ativação permanente de vias excitatórias (mesmo na ausência de estímulo nociceptivo) ● EXACERBAÇÃO PATOLÓGICA DA SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL = mediadores inflamatórios sensibilizam nociceptores em excesso + neurotransmissores em excesso + neuroplasticidade + alterações eletrofisiológicas (na densidade de canais, ativação de receptores de NMDA) = aumento do período de despolarização neuronal e descarga repetitiva ● ALODÍNIA = pela neuroplasticidade há estabelecimento de novas sinapses entre neurônios nociceptivos e não nociceptivos = estímulos não nociceptivos passam a desencadear a dor ● HIPEREXCITABILIDADE NEURONAL = célula lesada → aumento da densidade de canais de Na+ na membrana neuronal + diminuição da expressão de canais de K+ + aumento na expressão da subunidade auxiliar dos canais de Ca²+ = despolarização da membrana com consequente influxo de cálcio e geração de PA ● OBS.: pacientes com maior duração da doença, têm redução do volume de substância cinzenta no córtex somatossensorial primário e secundário, tálamo e outras estruturas centrais APRESENTAÇÃO CLÍNICA e DIAGNÓSTICO A - ≥ 3 episódios de dor facial unilateral preenchendo critérios B e C B - Ocorrendo em ≥ 1 divisões do nervo trigêmeo e sem irradiação para além de sua distribuição C - ≥ 3 das seguintes características: ● Recorrente em acessos paroxísticos (intensificação repentina), durando de uma fração de segundo a 2 min ● Intensidade grave ● Tipo choque elétrico, fisgada, facada/lancinante, queimação ou guinada ou fogos de artificio ● Desencadeada por estímulos inócuos (não dolorosos: escovar os dentes, encostar na face) no lado afetado da face → ALODÍNIA (porém palpação pesada e mastigação não desencadeiam dor, só os estímulos mais leves) D - Não há déficit neurológico clinicamente evidente E - Não melhor explicada por outro diagnóstico ● Dor: intervalos não definidos - nunca cruza para o lado oposto e pode raramente ocorrer bilateralmente ● Existem PERÍODOS DE REMISSÃO e EXACERBAÇÃO ● TIQUE DOLOROSO (quando grave): contração dos músculos da face do lado afetado ● SINTOMAS AUTONÔMICOS discretos: lacrimejo e/ou hiperemia conjuntival ● Duração dos acessos de dor varia com o tempo: se tornam cada vez mais prolongados e graves ● OBS.: HIPOESTESIA ou HIPOALGESIA na região do trigêmeo afetada indica lesão axonal, e quando ambas estão presentes, há uma neuropatia trigeminal Neuralgia trigeminal secundária: tratar as causas Neuralgia trigeminal idiopática: mecanismo desconhecido Neuralgia trigeminal clássica EXAMES: RNM demonstra a compressão neurovascular do nervo trigêmeo e exclui causas secundárias Neuralgia Trigeminal Pós-Herpética cefaléia e/ou dor facial persistente ou recorrente com alterações sensitivas variáveis, causadas pelo Herpes zóster EPIDEMIOLOGIA Mais evidente nos idosos FISIOPATOLOGIA * Afeta mais a 1º divisão do nervo trigêmeo (porém também pode envolver 2º e 3º divisões) APRESENTAÇÃO ● Dor do tipo queimadura ou ardor (proeminente e extremamente incomodativo) ● ANOMALIAS SENSITIVAS e ALODÍNIA no território envolvido ● CICATRIZES pálidas ou levemente arroxeadas podem estar presentes (são sequelas da erupção herpética) A - Dor na cabeça e/ou na face persistente ou recorrente por ≥ 3 meses e preenchendo o critério C CLÍNICA e DIAGNÓSTICO B - História de Herpes zóster agudo afetando ≥ 1 dos ramos do trigêmeo C - Evidência de causalidade demonstrada por ambos os seguintes: ● Dor que se desenvolve em relação temporal com o Herpes zóster agudo ● Dor localizada na distribuição do mesmo ramo ou ramos do nervo trigêmeo D - Não melhor explicada por outro diagnóstico SINAIS DE ALARME - Cefaléia� Secundária� ● A 1º ou a pior cefaléia: deve-se pensar em hemorragia subaracnóidea ou meningite ● Cefaleia com PIORA PROGRESSIVA (inicialmente subaguda, que piorou em dias/semanas) ou MUDANÇA DE PADRÃO (intensidade, localização, qualidade, frequencia, novos sintomas associados): atenção para processos expansivos (tumor cerebral, hematoma subdural, abscessos) ou cefaléia por uso excessivo de medicação ● Cefaleia de início súbito: pensar em hemorragia subaracnóidea, apoplexia pituitária, sangramento intratumoral, malformação arteriovenosa (MAV) e tumor cerebral (principalmente de fossa posterior) ● Cefaleia nova em paciente com neoplasia ou HIV: pode significar metástase, abscesso cerebral (incluindo toxoplasmose) e meningite (crônica ou carcinomatosa) ● Cefaleia de INÍCIO TARDIO (após os 50 anos): cogita-se arterite de células gigantes (temporal) ou massas intracranianas/ tumor cerebral ● Cefaleia associada a sintomas/doença sistêmica (HA, febre, mal estar, artralgia, rigidez de nuca e rash cutâneo): buscar doenças sistêmicas como meningite, encefalite, doença de Lyme, infecção, colagenoses ou doença vascular e pesquisar antecedentes de doença neoplásica ● Cefaleia associada a sintomas/sinais neurológicos focais (que não os de aura = diplopia, vertigens, síncopes, convulsões, disestesias, ataxia, fraqueza muscular): pensar em MAV, doenças vasculares cerebrais (AVE, trombose venosa), tumores, doenças infecciosas, doenças do colágeno, síndrome do anticorpo antifosfolipídeo (SAF) ● Edema de papila ou PAPILEDEMA (aumento da pressão no cérebro faz inchar nervo óptico): pensar em tumor, pseudo tumor e meningite, hipertensão intracraniana e trombose de seios venosos ● Cefaleia desencadeada por esforço físico, tosse ou atividade sexual: pensar em sangramento intracraniano (aneurismas e patologias da carótida e vertebrobasilar) e malformação de Chiari tipo I ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Avaliaçã� da� Cefaléia� ANAMNESE: ● História detalhada (ingestantes e inalantes e história familiar de cefaléia) ● Dados pregressos de vida ● Antecedentes familiares ● Contactantes ● Interrogatório sobre os diversos aparelhos ● Informações sobre a cefaléia: momento da instalação, circunstâncias, horário, velocidadede início, intensidade, caráter da dor, duração, localização e irradiação, frequência das crises, ocorrência de sintomas neurológicos e físicos gerais que precedem e/ou a acompanham, variações sazonais, progressão dos sintomas, fatores de desencadeamento e de piora, tratamentos atuais e prévios (insatisfatórios ou efetivos), evidências de abuso de analgésicos, ergóticos e cafeína e correlação com o sono, com a profissão, com os problemas emocionais e com o impacto nas atividades de vida diária (prática, social e profissional) EXAME FÍSICO: o geral e o neurológico costumam ser normais nas cefaléias primárias ● Examinar cavidade oral, dentes, orelhas, seios da face ● Realizar exame de fundo de olho (pode evidenciar: hipertensão craniana, glaucoma, êmbolos, hemorragias retinianas) ● Observar: sinais vitais, presença de febre, rigidez nucal e evidências de traumatismos, sinais neurológicos focais (alterações da motricidade ocular e acuidade visual) ● Realizar palpação e percussão do crânio, mandíbulas, região cervical e artérias cervicais e pericranianas EXAMES COMPLEMENTARES (radiografia, TC, RM, potencial evocado) + avaliações (oftalmológicas, otorrinolaringológicas, odontológicas e bucomaxilofaciais): devem ser solicitados na suspeita de lesões estruturais pertinentes no segmento cefálico ● EXAMES HEMATOLÓGICOS E BIOQUÍMICOS: não se alteram em cefaléias benignas, só em afecções inflamatórias, metabólicas ou infecciosas ● RADIOGRAFIA SIMPLES: pode demonstrar fraturas e evidências de hipertensão intracraniana → seios da face (suspeita de sinusopatias) e coluna cervical (história de traumatismo) ● RM: mais sensível para avaliar tecidos moles ● TC ● ELETROENCEFALOGRAMA ● EXAME DO LÍQUOR: evidencia alterações da pressão intracraniana, afecções hemorrágicas, infecciosas, inflamatórias e neoplásicas REFERÊNCIAS: Dor: Princípios e Prática - Onofre Alves Neto (Capítulo 45) Classificação Internacional das Cefaléias - 3º edição 2014 Palestra cefaléias e consultoria com o Profº Rodrigo Artigo: Diagnósticos Diferenciais das Cefaléias Artigo: Neuralgia trigeminal: mecanismos periféricos e centrais Artigo: Migraine pathophysiology and its clinical implications Artigo: NEUROVASCULAR CONTRIBUTIONS TO MIGRAINE: MOVING BEYOND VASODILATION Artigo: Tension-type headache: current research and clinical management Artigo: MIGRAINE — CURRENT UNDERSTANDING AND TREATMENT Objetivo 4 - Explicar a evolução ou mecanismo de mudança dos sintomas de Dona Alzira. Cefaléi� co� pior� progressiv� o� mudanç� d� padrã� CASO DE DONA ALZIRA = 44 anos, lavadeira, cefaleia há 2 anos, que aconteciam 2 a 3 crises/mês de dor forte, latejante, principalmente do lado esquerdo, quase sempre acompanhada de náuseas e vômitos, que perdurava por horas ou dias. Fez uso frequente de dipirona e paracetamol durante as crises. Porém há 6 meses as características mudaram para cefaléia diária, contínua, às vezes latejante e outras vezes do tipo aperto na região temporal bilateralmente, de intensidade moderada a alta, que piora quando fica preocupada ou ansiosa MINHA CONCLUSÃO Inicialmente parece uma ENXAQUECA SEM AURA: ● Pelo menos 5 crises: “2 a 3 crises/mês” ● Dor por 4h a 72h: “perdurava por horas ou dias” ● Unilateral, pulsátil e intensidade moderada a grave: “principalmente do lado esquerdo”, “latejante” e “dor forte” ● Náuseas e/ou vômitos: “acompanhada de náuseas e vômitos” Depois evoluiu para uma CEFALÉIA DO TIPO TENSIONAL (frequente): ● Pelo menos 10 crises ocorrendo em 1 a 14 dias em média por > 3 meses (≥ 12 dias e < 180 dias/ano): “há 6 meses … cefaléia diária” ● Dura horas ou dias e pode ser contínua: “contínua” ● Localização bilateral: “região temporal bilateralmente” ● Caráter em pressão/aperto: “do tipo aperto” → porém “às vezes latejante” ● Intensidade fraca a moderada: “de intensidade moderada” → porém chega “a alta” ● FATORES DE RISCO (distúrbios emocionais, estresse e tensão mental): “piora quando fica preocupada ou ansiosa” OBS.: cefaléia tensional frequente pode coexistir com a enxaqueca sem aura = são diferenciadas (por um calendário de registro das cefaléias) para propor tratamento adequado e evitar o abuso de medicações/consequências Cefaléia crônica com piora GRADUAL e progressiva = pode ser evolução de cefaléia primária ● ENXAQUECA pode mudar o padrão: com o tempo e devido a uso constante de analgésicos e derivados de ergotamina, se torna mais duradoura, menos pulsátil e mais resistente a terapêutica habitual - Cefaléia crônica 1ª em portadores de enxaqueca → cefaléia tensional Cefaléia com piora RÁPIDA (em dias/semanas) = pode indicar surgimento de doenças intracranianas (processos expansivos: tumor cerebral, abscessos ou hematomas subdurais) Pacientes com CEFALÉIA PRÉVIA que apresentam mudanças no padrão da dor (piora na intensidade, mudança de localização ou de qualidade, aumento de frequência, novos sintomas associados ou qualquer outra variação) = pensar em complicação da cefaléia antiga ou uma outra causa para a cefaléia nova Objetivo 5 - Explicar a via trigeminotalâmica até o córtex pré-frontal. Vi� Trigemina� �teroceptiv� Receptores → se ligam a PROLONGAMENTOS PERIFÉRICOS dos NEURÔNIOS DE 1º ORDEM (pseudounipolares) de 4 nervos cranianos CORPOS CELULARES dos neurônios 1º estão em seus respectivos gânglios V - TRIGÊMEO: capta a maior parte das informações sensitivas da cabeça por meio dos nervos oftálmico, maxilar e mandibular GÂNGLIO TRIGEMINAL OU DE GASSER VII - FACIAL (7 ramos): contribui com a inervação de parte do pavilhão auricular GÂNGLIO GENICULADO IX - GLOSSOFARÍNGEO: capta informações sensitivas do palato mole, ⅓ posterior da língua e sensibilidade de parte da tuba auditiva GÂNGLIO SUPERIOR DO GLOSSOFARÍNGEO X - VAGO: capta informações sensitivas do pavilhão auricular GÂNGLIO SUPERIOR DO VAGO PROLONGAMENTOS CENTRAIS dos NEURÔNIOS DE 1º ORDEM chegam até o TRONCO ENCEFÁLICO: ● Prolongamentos centrais do facial, glossofaríngeo e vago e informações do trigêmeo (dor e temperatura, além de tato protopático e pressão) → chegam ao NÚCLEO DO TRATO ESPINAL no BULBO ● Prolongamento central do trigêmeo traz informações de tato epicrítico, propriocepção consciente e sensibilidade vibratória, além de tato protopático e pressão → chegam ao NÚCLEO SENSITIVO PRINCIPAL DO TRIGÊMEO na PONTE Nos núcleos ocorre SINAPSE com NEURÔNIOS DE 2º ORDEM → seus axônios CRUZAM o plano mediano → forma o LEMNISCO TRIGEMINAL → ascende em direção ao NÚCLEO VENTRAL PÓSTERO MEDIAL do TÁLAMO, onde ocorre SINAPSE com NEURÔNIOS DE 3º ORDEM Fibras ascendem através da CÁPSULA INTERNA e COROA RADIADA → chegam até o GIRO PÓS CENTRAL (em sua região súpero lateral, próximo ao sulco lateral, relacionada com a recepção de estímulos da face) REFERÊNCIAS: Dor: Princípios e Prática - Onofre Alves Neto (Capítulo 45) https://www.youtube.com/watch?v=LvnBmpT18zA Objetivo 6 - Explicar de maneira mais detalhada a fisiopatologia da migrânea crônica e da neuralgia trigeminal Objetivo 7 - Elucidar tudo sobre Topiramato e Carbamazepina. Don� A�ir� ● Ressonância e PCR normais ● DIAGNÓSTICO: migrânea crônica ● TRATAMENTO: Topiramato e orientações de mudanças de hábito Migrâne�/enxaquec� crônic� cefaleia que ocorre em ≥ 15 dias/mês, durante > 3 meses, e que em pelo menos 8 dias/mês possui as características de cefaléia migranosa (já teve diagnóstico prévio de migrânea episódica) ALTERAÇÕES GERAIS DA CRONIFICAÇÃO DA ENXAQUECA EPISÓDICA ALTERAÇÕES ESTRUTURAIS: ● Redução da substância cinzenta cortical das áreas de processamento da dor (lobo frontal e temporal bilateralmente): ↓ densidade da massa cinzenta + atrofia de regiões de processamento da dor = ↑ episódios e frequência das crises ● Acúmulo de ferro na substância cinzenta periaquedutal ou PAG (leva a DESMODULAÇÃO DA NOCICEPÇÃO TRIGEMINOVASCULAR), núcleo vermelho e estruturas dos gânglios da base: ocorre em resposta a ativação repetitiva de núcleos envolvidos no processamento central ● Desenvolvimento de lesões: - Subcorticais da substância branca: pela liberaçãode proteinases metálicas durante a depressão alastrante de leão → alteram barreira hematencefálica - Semelhantes a infartos cerebelares ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS: ● Metabolismo cerebral alterado: hiperexcitabilidade cortical (pacientes ficam muito suscetíveis a enxaqueca) + sensibilização central das vias nociceptivas ● Alodinia (marcador da sensibilização central, que libera radicais livres que danificam a PAG) → pode ser cutânea, no couro cabeludo, tronco ou membros e é a expressão clínica da sensibilização dos N2 e N3 ALTERAÇÕES BIOQUÍMICAS/FARMACOLÓGICAS: alterações da neurotransmissão central devido a proporções do GLUTAMATO no córtex cingulado anterior e ínsula = respostas paradoxais aos opióides ● Hiperalgesia induzida por opióides e analgésicos: - CAUSAS: excesso de medicação (barbitúricos > 5 dias/mês, opióides > 8 dias/mês, triptanos e AINEs em pacientes com > 10 episódios de cefaléia/ mês) e hipometabolismo - CONSEQUÊNCIAS: declínio nos níveis de analgesia, piora da dor em pacientes em uso de opióides - Morfina é capaz de modular a função das células da glia - OBS.: ocorre mesmo quando a exposição aos opióides é breve e os níveis séricos estão baixos ● Tolerância ao opióide: dose administrada não é mais eficaz, devendo administrar doses aumentadas para obter mesmo efeito RESISTÊNCIA AO TRATAMENTO FISIOPATOLOGIA EVOLUÇÃO EVOLUÇÃO MECANISMO BASE DA MIGRÂNEA: disfunção no hipotálamo → comunicação com o NÚCLEO SALIVATÓRIO SUPERIOR (tronco encefálico) que processa informações autonômicas = descarga parassimpática nos VASOS MENINGEAIS → ativação de células endoteliais e produção de mediadores químicos (peptídeo natriurético C) pela túnica média → ativa nociceptor primário → condução pelo RAMO OFTÁLMICO do trigêmeo → chega ao SUBNÚCLEO CAUDAL da PONTE → TÁLAMO → S1 ABUSO DE MEDICAMENTOS MECANISMOS DE CRONIFICAÇÃO: RELEMBRAR mudança de dor aguda para crônica do 1º problema → persistência da sensibilização central (nocicepção periférica repetitiva), neuroplasticidade (brotamento de novos canais iônicos) e falha do sistema inibitório descendente/ modulação supra segmentar DIAGNÓSTICO A - Cefaleia semelhante à migrânea ou a do tipo tensional em ≥ 15 dias/mês por > 3 meses, preenchendo os critérios B e C B - ≥ 5 crises preenchendo critérios B-D para migrânea sem aura e/ou critérios B-C para migrânea com aura C - Em ≥ 8 dias/mês por > 3 meses, preenchendo qualquer dos seguintes: ● Critérios C e D para migrânea sem aura ● Critérios B e C para migrânea com aura ● Interpretada pelo paciente como sendo migrânea no início e aliviada por um triptano ou derivado de ergotamina. D - Não melhor explicada por outro diagnóstico da ICDH-3 MEDIDAS NÃO FARMACOLÓGICAS MODIFICAÇÃO DO ESTILO DE VIDA E AUTOCUIDADO Identificação e prevenção dos fatores gatilho/desencadeantes (pode ser até uma mudança climática) Exercício físico Hidratação Sono adequado Manutenção da rotina diária INTERVENÇÕES ALTERNATIVAS E COMPLEMENTARES Relaxamento Psicoterapia Terapia cognitivo-comportamental (quando há nível elevado de estresse) Nutracêuticos Dieta (se houver alimento desencadeantes comprovado) → cafeína, chocolate Acupuntura MEDIDAS PARA MINIMIZAR A CRISE ● Repouso em quarto escuro ● Evitar barulhos ● Conciliar o sono ● Bolsas de gelo e/ou compressão da artéria temporal MEDIDAS FARMACOLÓGICAS enxaqueca não tem cura, o tratamento visa = alívio da dor, redução da frequência e intensidade das crises e limitação de sua progressão → para melhorar a resposta do paciente ao tratamento agudo e diminuir os impactos na qualidade de vida TRATAMENTO ABORTIVO → agudo trata pacientes com até 4 crises/mês, com duração máxima de 72h e visa aliviar ou terminar a crise ANALGÉSICOS e AINES (crises leves a moderadas) AAS IBUPROFENO DICLOFENACO DE POTÁSSIO PARACETAMOL (se intolerante a AINE): 1.000 mg VO, podendo ser repetido 2 a 4 horas após, até o máximo de 3 g/dia TRIPTANOS (crises moderadas a fortes) SUMATRIPTANO (Imigran e Sumax): 50 a 100 mg/dose, sendo o máximo de 200 mg VO/dia → cada caixa tem 2 cp, tomar um assim que perceber que a dor pode vir, e esperar 20 minutos, se a dor vier média, tomar o 2º cp NARATRIPTANO (Naramig): 1 a 2,5 mg/dose VO, podendo ser repetido até 5 mg/dia RIZATRIPTANO (Maxalt): 5 (deverá ser utilizada caso paciente esteja fazendo profilaxia com propranolol) a 10 mg/dose VO, podendo ser utilizado até 20 mg/dia OBS.: são mais efetivos se administrados nos pródromos ou logo após o início da crise, antes do estabelecimento da alodínia; são antagonistas de receptores serotoninérgicos 5-HT1B e 5HT1D, causam vasoconstrição nos vasos cranianos e inibem inflamação neurogênica; são contraindicados em pacientes com HA ou histórico de AVC; podem ser associados com os demais medicamentos, exceto a ERGOTAMINA CORTICOSTERÓIDES (ANTI-INFLAMATÓRIOS HORMONAIS) PREDNISONA: 20 mg 3x/dia VO → usada com cautela ANTIEMÉTICOS (se náuseas e vômitos) - associados ou 30 min antes dos demais medicamentos DOMPERIDONA: 20 mg VO METOCLOPRAMIDA: 20 mg VO ERGOTAMINAS Perdeu espaço, não tem vantagens e e tem muitos efeitos colaterais, como irritação do TGI, formigamento, letargia, tontura e cefaleia rebote OBS.: cuidado com o uso excessivo de medicação, pois o uso de medicação aguda por > 2 vezes/semana pode causar cefaléia por uso excessivo de medicação, o que aumenta a frequência das crises e dificulta o tratamento TRATAMENTO PREVENTIVO realizado de forma regular, visando a profilaxia do aparecimento de crises de enxaqueca, reduzindo a frequência e/ou intensidade delas 2/3 dos pacientes que recebem esses medicamentos, tem redução de 50% na frequência de dores de cabeça INDICAÇÕES ● > 3 ou 4 crises/mês ● Grau de incapacidade (pessoal, familiar, social e produtiva) importante ● Falência de medicação abortiva (por ineficácia, intolerância ou uso abusivo) ● Ineficácia da PROFILAXIA não farmacológica ● Subtipos especiais de migrânea: basilar, hemiplégica, com aura prolongada ou com auras frequentes, atípicas e infarto migranoso ● Crises que sigam um padrão regular (ex: menstruação) ANTICONVULSIVANTES TOPIRAMATO: iniciar com 25 mg e aumentar a cada 7 a 14 dias até 50 mg 2x/dia, não ultrapassando 100 mg ● Não pode ser usado por Gestantes ÁCIDO VALPROICO: 500 mg 1 a 2x/dia, totalizando até 1000 mg ● Mecanismo de ação: antiepitélico bloqueador dos canais de Ca²+, que provoca diminuição da liberação de neurotransmissores, evitando a efetivação da sinapse, o que diminui a excitabilidade neural e transmissão do estímulo nociceptivo AMITRIPTILINA: 50 mg 2x/dia, totalizando no máximo 100 mg ● Mecanismo de ação: antidepressivo tricíclico que inibe recaptação de serotonina e norepinefrina ao bloquear o mecanismo de bomba da membrana responsável por recaptá-los, e facilita a ação das projeções noradrenérgicas e serotoninérgicas descendentes, que são antinociceptivas e provocam analgesia ● Alternativa para adolescentes e gestantes ou mulheres com risco de gestação ANTIDEPRESSIVOS (baixa evidência de benefício) DULOXETINA VENLAFAXINA TOXINA BOTULÍNICA SUBCUTÂNEA Efeito direto na sensibilização periférica (inibe liberação de neurotransmissores) e indireto na sensibilização central (inibe liberação de substância P em neurônios do gânglio da raiz dorsal, liberação de glutamato e do gene da calcitonina - CGRP periférico nas células do gânglio trigeminal) Topiramat� - receituário C1: substâncias sujeitas a controle especial, em 2 vias DEFINIÇÃO Anticonvulsivante e bloqueador do canal de sódio MECANISMO DE AÇÃO ● Bloqueia canais de Na+ voltagem dependentes = reduz correntes nas células granulosas cerebelares ● Inibe canais de Ca²+ (tipo L e N) de alta voltagem = diminui hiperexcitação ● Ativa uma corrente de K+ hiperpolarizante ● Aumenta as correntes no receptor GABAa pós-sináptico = potencializa ação do GABA (aumenta a resposta neuronal a ele) = inibição ● Bloqueio da ativação dos receptores AMPA (é antagonista dele) = reduz atividade excitatória do glutamato ● Inibe fracamenteanidrase carbônica (tem papel fisiológico de excretar H+ e reabsorver bicarbonato nos túbulos renais,e por isso sua inibição pode causa acidose metabólica) = reduz hiperexcitabilidade Redução da concentração plasmática de estradiol → sugere necessidade de doses mais altas de ANTICONCEPCIONAIS ORAIS administrados junto com topiramato FARMACOCINÉTICA ● ABSORÇÃO: rapidamente após administração oral ● DISTRIBUIÇÃO: pouca ligação (10 a 20%) às proteínas plasmáticas ● METABOLISMO: só uma pequena quantidade é metabolizada por hidroxilação, hidrólise e glicuronidação ● EXCREÇÃO: renal/urinária, de forma principalmente inalterada; meia vida de 21h INDICAÇÃO ● Convulsões parciais ou tonicoclônicas generalizadas primária: - Monoterapia inicial (idade mínima de 10 anos) - Coadjuvante no tratamento (idade mínima de 2 anos) ● Síndrome de Lennox-Gastaut (crianças com 2 anos ou mais) ● Profilaxia da enxaqueca (adultos) ● Epilepsia parcial refratária ● Convulsões tonicoclônicas generalizadas refratárias CONTRAINDICAÇÃO ● Hipersensibilidade ● Gestante (é um teratôgeno) POSOLOGIA Apresentação: comprimidos de 25, 50 e 100 mg e cápsulas de 15 e 25 mg TITULAÇÃO: iniciar com doses baixas (25 mg VO a noite) e aumentar a cada 7 a 14 dias, de 25 em 25 mg, até 50 mg 2x/dia EFEITOS ADVERSOS Bem tolerado, efeitos mais comuns são: ● Sonolência/ sedação ● Fadiga ● Perda ponderal ● Parestesia ● Anorexia ● Nervosismo ● Cálculos renais (pela inibição da anidrase carbônica) ● Deficiência cognitiva ou retardo psicomotor ● Problemas de fala ou linguagem ● Alteração do paladar de bebidas gaseificadas Don� Améli� ● RM: normal, porém mostra íntima relação da artéria cerebelar superior com o nervo trigêmeo ● DIAGNÓSTICO: neuralgia trigeminal clássica ● TRATAMENTO: Carbamazepina TRATAMENTO GERAL não tem cura, paciente se torna refratário a medicação e busca outra alternativa para manejo, pois tem muitos efeitos adversos, então tende a abandonar o tratamento MEDIDAS NÃO FARMACOLÓGICAS: ● Acupuntura ● Estimulação elétrica transcutânea TRATAMENTO FARMACOLÓGICO: ● CARBAMAZEPINA → melhora inicial de 40 a 100% ● OXCARBAZEPINA → 300 a 1800 mg/dia ● GABAPENTINAS ● OUTROS: difenildantoína, clonazepam, topiramato, lamotrigina, lidocaína, capsaicina ou anestésicos locais (aplicação tópica) CIRURGIA (se caso tratamento medicamentoso for ineficaz ou com efeitos colaterais intoleráveis que impedem o uso contínuo dos medicamentos): tem o objetivo de produzir anestesia na face, é uma forma de conter o que já foi instalado, pode até levar a eliminação da queixa dolorosa, porém a patologia continua se instalando ● COMPRESSÃO MECÂNICA ATRAVÉS DA INSUFLAÇÃO DO BALÃO (pelo forame oval): bloqueio periférico de ramos do nervo trigêmeo ● DESCOMPRESSÃO MICROVASCULAR: identificar o vaso que está comprimindo a raiz trigêmeo, movê-lo para cima do nervo e inserir uma pequena esponja para manter a pulsação da artéria separada da raiz nervosa ● ABLAÇÃO: morte do nervo, que leva a anestesia dolorosa ● Outros: neurectomia, injeções de álcool, indução de radiofrequência, estímulo de alta frequência que lesa o nervo Carbam�epin� (drog� d� escolh�) - receituário C1: substâncias sujeitas a controle especial, em 2 vias DEFINIÇÃO Anticonvulsivante usado no tratamento de crises convulsivas parciais e tonicoclônicas e desde 1960, para tratar neuralgia do trigêmeo ● Relacionada quimicamente aos antidepressivos tricíclicos ● OBS.: deve-se monitorar funções renal e hepática durante seu uso MECANISMO DE AÇÃO ● ESTABILIZA A MEMBRANA DO NERVO HIPEREXCITADO = se liga em canais de Na+ dependentes de voltagem (mais potente em bloquear canais Nav 1.8 do que Nav 1.7 ou 1.3 = estão superregulados e contribuem para a dor) em células que estão disparando repetidamente/com despolarização de alta frequência (quanto mais alta a frequência dos disparos, maior o bloqueio produzido) → impede os canais de retornarem ao seu estado de repouso = reduz número de canais funcionais disponíveis para gerar um PA subsequente, ou seja limita as deflagrações repetitivas dos potenciais de ação evocados pela despolarização persistente - OBS.: VANTAGEM = pela capacidade de discriminar canais de sódio no estado de repouso, aberto e inativado, NÃO interfere indevidamente nos disparos de baixa frequência de neurônios no estado normal ● Inibe canais de Ca²+ dependentes de voltagem OBS.: efeitos seletivos e evidentes quando usados em nível terapêutico = não tem efeito sobre a atividade espontânea ou respostas à aplicação iontoforética de GABA ou glutamato FARMACOCINÉTICA ● ABSORÇÃO (após administração oral): lenta e errática, concentração plasmática (variam entre 6 e 12 μg/mL) de pico 4-8h após ingestão, podendo ser retardada em até 24h, tem hidrossolubilidade ilimitada, suas concentrações no líquor correspondem a sua concentração livre no plasma ● DISTRIBUIÇÃO: se distribui rapidamente para todos os tecidos e 75% se liga às proteínas plasmáticas ● METABOLISMO: via metabólica predominante envolve a conversão em 10,11-epóxido, que posteriormente é metabolizado em compostos inativos; tem capacidade de aumentar sua conversão em metabólitos ativos por ação de enzimas oxidativas hepáticas ● EXCREÇÃO: 72% na urina, principalmente como glicuronídeos e 28% nas fezes INDICAÇÃO ● Crises tonicoclônicas generalizadas e parciais simples e complexas ● Neuralgia do trigêmeo → pacientes se beneficiam no início, mas só 70% obtém alívio contínuo - OBS.: não se tem evidências de sua eficácia sobre outos tipos de dor neuropática ● Neuralgias glossofaríngeas ● Dor fulgante (“tabética”) associada ao emaciamento corporal ● Transtorno maníaco depressivo CONTRAINDICAÇÃO ● Hipersensibilidade (limita as deflagrações repetitivas dos potenciais de ação evocados pela despolarização persistente dos neurônios da medula espinhal ou do córtex) ● Depressão da medula óssea ● Bloqueio atrioventricular ● Uso de IMAO ● Histórico de porfirias hepáticas POSOLOGIA Apresentação: comprimido simples ou de liberação prolongada de 100, 200 e 400 mg e suspensão oral de 20 mg/mL TITULAÇÃO: 200 a 1200 mg por dia: iniciar com baixas doses, 200 mg/dia e aumentar a cada 7 dias, sendo no máximo 1200 mg/dia em até 3x/dia ● Efeito antidiurético: elevação das concentrações plasmáticas do hormônio antidiurético (ADH) ● Elevação transitória de transaminases hepáticas no plasma ● Sonolência ● Vertigem EFEITOS ADVERSOS (frequentes no tratamento crônico) → exigem suspensão do fármaco em 5 a 20% dos pacientes ● Ataxia ● Diplopia ● Borramento visual ● Náuseas ● Vômitos ● Xerostomia ● Leucopenia (leve e transitória, regride em 4 meses) ● Trombocitopenia transitória ● Toxicidade hematológica grave (anemia aplásica, agranulocitose) ● Complicação tardia: retenção hídrica/edema e aumento de peso → reduções de osmolalidade e concentração plasmática de Na+ (hiponatremia) ● OBS.: na INTOXICAÇÃO AGUDA há estupor, coma, irritabilidade exacerbada, convulsões e depressão respiratória INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS ● Induz as enzimas CYP2C, CYP3A (metaboliza anticoncepcionais) e UGT = acelera metabolismo dos fármacos degradados por elas → fenitoína, contraceptivos orais, varfarina e corticosteróides ● Em administração concomitante, reduz as concentrações de valproato, lamotrigina, tiagabina e topiramato e o efeito terapêutico do haloperidol ● Não é aconselhável combiná-la com outros fármacos antiepilépticos REFERÊNCIAS: Goodman & Gilman WhiteBook Palestra + consultoria com o Profº Rodrigo Artigo: MIGRAINE — CURRENT UNDERSTANDING AND TREATMENT Artigo: Trigeminal Neuralgia Artigo: Latin American consensus on guidelines for chronic migraine treatment Problema 05 PROBLEMA 5 Planos frustrados Dr. Luciano, residente do terceiro ano de anestesia da Santa Casa, prepara-se para anestesiar o Sr. Miguel, paciente de 43 anos que será submetido a gastrectomia total. O paciente é hipertenso, está em uso regular das medicações anti-hipertensivas e possui bom controle dos níveis pressóricos. Nos dias anteriores, passou em consultacom o cardiologista e fez uma série de exames que retornaram com resultados dentro da normalidade. Dr. Luciano, ao fazer o exame físico na sala cirúrgica, observou normalidade dos sistemas, apesar de um leve ressecamento das mucosas, e classificou o paciente como ASA II. Sua intenção é fazer uma anestesia peridural associada com anestesia geral. O preceptor entra na sala cirúrgica e, sem nem discutir o caso, diz: – “Faremos apenas anestesia geral, pois é mais segura. E para analgesia, uma dose de morfina subcutânea resolve”. Decepcionado com as alterações nos planos, Dr. Luciano inicia o procedimento e questiona se a decisão do preceptor foi correta. Sr. Miguel foi submetido à gastrectomia há 36 horas e está na enfermaria da Santa Casa. Ele sente uma dor terrível no abdômen, mal consegue respirar mais fundo e ao tossir pensa que vai desmaiar de tanta dor. Seu pulso está acelerado e as extremidades frias. Finalmente, a enfermeira lhe administra dois anti-inflamatórios, um analgésico e um opióide. O paciente no leito ao lado também foi operado e está usando uma maquininha que tem um botão que dispara um remédio de dor e ele dorme tranquilo. GASTRECTOMIA TOTAL = remoção de todo o estômago, linfonodos e omento ASA (Sociedade Americana de Anestesiologia) = questionário feito antes de realizar uma cirurgia para conferir dados do paciente (histórico e clínico) ANESTESIA PERIDURAL = apenas em uma região do corpo, como da cintura para baixo, dura mais e ajuda na anestesia ou diminui a dor no pós operatório ANESTESIA GERAL = mais vantajosa pois tem uma via aérea permanente “MAQUININHA” = bomba de infusão de morfina PP: Como compreender a conduta mais correta para o Sr. Miguel? Objetivo 1 - Explicar as avaliações para os riscos pré-cirúrgicos e pré-anestésicos (exames pré-operatórios). Objetivo 2 - Descrever a classificação ASA. Objetivo 3 - Elucidar os tipos de anestesia: geral, peridural, local com bloqueio e raqui (indicações, riscos, como são administradas e o que são). Objetivo 4 - Explicar as repercussões sistêmicas do pós-operatório. Objetivo 5 - Descrever o mecanismo de ação, indicação, posologia e efeitos dos opióides (tramadol, morfina, codeína e oxicodona). Anestesiologi� visão geral da especialidade que estuda e proporciona ausência da dor e outras sensações, com a finalidade de preservar a vida e saúde do paciente - MEDICINA PERIOPERATÓRIA - cuida do paciente antes, durante e depois do procedimento, pré, trans e pós operatório Exercida pelo anestesiologista ou anestesista - bastidores, estão atrás das cortinas, tem a função de manter pacientes equilibrados e possibilitar procedimentos cirúrgicos. é o único médico que prescreve, aplica, observa e registra os resultados das medicações que prescreveu. é muito habilidoso no manejo de drogas e via aérea, porém tem vínculo restrito com o paciente PRÉ OPERATÓRIO Antes - encaminhada para a cirurgia, cardiologista pede os exames necessários e paciente conhece anestesista no momento da cirurgia Agora - na foto ao lado Classificação do ASA TRANSOPERATÓRIO amnésia, analgesia, relaxamento e controle dos sinais vitais ● GERAL ● CONDUTIVA - bloqueio de condução ● FOTO (preocupações do transoperatório) - conforto vale para o paciente e para o cirurgião, cuidado com escaras por pressão, pois paciente não sente dor e não percebe que machuca ● MONITORIZAÇÃO - ECG - SpO2 - saturação arterial de o2, mostra a porcentagem de moléculas de hemoglobinas que estão ligadas ao oxigênio, o normal é em torno de 95 e 96, pode ter interferência de esmalte, unhas acrílicas, frio - monitor demora para mostrar problemas de ventilação ou indicar que paciente parou de respirar - PANI - PA não invasiva, sensor escuta os sons e da a PA sistolica e diastolica - etCO2 (anestesia geral) - inspiramos 0% de CO2 mas expiramos em torno de 7%, que vem do metabolismo celular, a capnografia dá números indiretos da ventilação e diretos do metabolismo. se está muito alta, quer dizer que estou represando CO2 no pulmão, se está muito baixa, e porque parou de trazer CO2, que abaixo de 20, indica parada cardíaca. é o primeiro monitor que detecta parada cardíaca - Temperatura - para cirurgias acima de 1h, pois pacientes fazem hipotermia - Hipnose - faz eletroencefalograma, que da um numero de o (morte cerebral) a 100 (acordado), onde 40 indica anestesia muito profunda, e 60 é o normal em cirurgias no geral - Transmissão neuromuscular - eletrodo na projeção de algum nervo, principalmente radial e um sensor em 2 dedos, tendo diversos padrões de disparo de choque, que da um numero que significa que x% dos receptores estão ocupados, e pode determinar a não extubação do paciente, que pode não conseguir respirar sozinho FÁRMACOS: algumas ampolas são quase idênticas ● INALATÓRIOS = administrados de forma inalatória, porém tem um vaporizador e uma máquina que determina a quantidade que eu quero que saia da substância. Ventilador da anestesia recircula o próprio ar do paciente, pois é preciso reaproveitar o que o paciente exala, porem passa por um aparelho que segura o CO2, voltando ar sem CO2 para o paciente. Ele é muito poluente, 70 vezes mais reativo para a camada de ozônio - Halogenados: isoflurano (mais barato, muito estável, mais barato, mas é adstringente, ruim de cheirar, é evitado em crianças), sevoflurano (cheiro agradável, paciente dorme e acorda caro, porém é muito caro) e desflurano (melhor, estável, rápida ação, muito mais caro e seu ponto de ebulição é 26) são os mais usados, mas também existe o éter - N2O (óxido nitroso): para causar anestesia, precisa estar em concentração em 4% sempre, é usado como adjuvante, para baratear valor total ● VENOSOS - Hipnótico = propofol, etomidato, midazolam (em doses baixas) - Sedativos = midazolam (é um benzodiazepínico - usado em doses altas) ● Flumazenil (antagonista do benzodiazepínico) - reverte efeito se paciente dorme muito - Analgesicos = na anestesia, é sinonimo de opióide → morfina (10 mg por mL é endovenoso, 1 mg por mL usado na peridural) e derivados do fentanil (fentanil - mais potente que morfina, meia vida de 50 min ou 1h, faz efeito em 3 a 5 min -, sufentanil, remifentanil - meia vida de 5 minutos, precisa de infusão contínua - e alfentanil - rápido início de ação, para pacientes que precisam de intubação rápida, como os pacientes com estômago cheio -) → decidimos qual usar com base na farmacocinética ● NATURAL - opiáceo ● SINTÉTICO - opioide - Relaxantes musculares ● Succinilcolina: é um despolarizante = abre o canal → entra sódio → despolarização da célula, mas não sai do receptor → acetilcolinesterase não atua nela → potência fica positivo e próximo impulso não chega → paciente faz contração dolorosa ou trismo e depois relaxa ● Rocurônio: tem o sugamadex como antagonista específico, que reverte seu efeito, mas é caro RAQUIANESTESIA = anestesia direto no líquor, onde as fibras nervosas estão totalmente expostas e uma pequena quantidade de anestésico é suficiente para bloquear o nervo. É sempre feita depois de L2, pois perfura a dura máter e tem risco de atingir a medula. Pequenas doses podem atingir alto nível de bloqueio devido a movimentação liquórica. Bloqueio é profundo, motor e sensitivo (porém, ao injetar um anestésico hiperbárico, mais denso que o liquor, ele desce, e se colocar o paciente deitado, pode-se alcançar um bloqueio apenas sensitivo, atingindo somente o corno posterior) ● Muito usada em CESÁREA ● MEDICAMENTOS: BUPIVACAÍNA (tem fast in ou slow off) isobárica ou hiperbárica e adjuvantes (morfina, fentanil ou sufentanil e clonidina) em pequena quantidade (pois já está dentro do SNC) ● SINAIS DE INTOXICAÇÃO POR ANESTÉSICO LOCAL: zumbido e gosto metálico = assim que constata-los, parar a injeção, pois o próximo sintoma são convulsão e parada cardíaca - Tratamento = massagear e lavar, e como o anestésico tem afinidade por lipídios, podemos colocar lipídios no sangue para auxiliar no sequestro das substâncias ● AGULHA: 27, bem fininha, ponta desenha para divulsionar e não romper afibra ● CEFALEIA PÓS RAQUI: furo não fecha, vaza líquor para o espaço peridural, e essa quantidade que vaza, que supera a quantidade de líquor produzido. Quando paciente senta, o cérebro e demais estruturas, que perderam a sustenção pois antes boiavam no líquor, se rebaixam, causando a dor em 12 a 24h após o procedimento. É obrigatório que a cefaléia tenha como fatores desencadeantes começo ou piora quando senta e como fator atenuante, se deitar - TRATAMENTO: tampão sanguíneo de até 15 mL de sangue, para ele coagular e tampar o buraco, porém é uma perfuração com agulha de peridural, podendo perfurar por acidente a dura-máter e piorar o problema PERIDURAL = injeta acima da dura-máter, não atinge o líquor es im estruturas locais, e para conseguir espalhar por todo nivel, quantidade de anestésico é mais alta, cerca de 3 mL por nível, pois precisa passar pela dura-máter, que é espessa e fibrosa. Nesse tipo de anestesia, a fibra motora é a última a ser alcançada e paciente demora para perder a propriocepção e não tem relaxamento muscular ● AGULHA = 18 G ● Mais usadas no PARTO NORMAL, pois mulher precisa sentir os músculos e fazer força no período de expulsão, mas se caso for feita em cesarianas, é em torno do nível T6 ● Duração depende da quantidade e extensão do bloqueio RAQUI ou PERI + GERAL = associação é vantajosa no que se refere a analgesia, e pode dar certo, mas tem altas chances de se complicar e gerar repercussões sistêmicas, pois analgesicos no geral são cardio depressores, e o bloqueio de neuroeixo também bloqueia o SNA simpático, provocando perda o tônus simpático (que faz contração média de um vaso = ocorre vasodilatação dos vasos de capacitância - vênulas - por ausência do simpático), além de afetar fibra sensitiva e motora ● Morfina tem meia vida de 4h independente da via, e o ideal é fazer analgesia no fim da cirurgia, o problema evidenciado no caso que vimos foi o momento que ele fez a aplicação, no meio da cirurgia, já perdeu boa parte da analgesia ● OBS.: está tudo bem fazer só a anestesia geral, desde que cuide da analgesia do paciente, que pode até infartar devido às repercussões sistêmicas da dor. O ideal para o paciente do problema que foi submetido a uma gastrectomia total, seria o cateter de peridural e PCA, que tem como vantagem colocar anestésico local próximo à medula enquanto durar a dor operatória e trazer mais conforto ao paciente RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA = sala de recuperação é o local onde mais acontecem os efeitos adversos da anestesia, droga pode recircular, ocupar receptores novamente e causas insuficiência respiratória, vômito e broncoaspiração POS-OPERATORIO = a principal responsabilidade é controle da dor, aqui não subimos e sim descemos a escada da dor, analisando caso a caso, mas geralmente usa-se opioides fortes, depois fracos e assim vai ● O ideal é o uso de PCA (máquina que paciente está usando, é uma bomba de infusão que permite que ele dispare doses extras, tem algum bloqueio por segurança, profissional pode regular o disparo do medicamento, para que paciente não aperte toda hora sem necessidade, pois paciente pode ter depressão respiratória, mas é difícil pq paciente começa a ter intoxicação, vomita, dorme, e assim não aperta mais o botão) Objetivo 1 - Explicar as avaliações para os riscos pré-cirurgicos e pré-anestésicos (exames pré-operatórios). Objetivo 2 - Descrever a classificação ASA. Avaliaçã� Pr�-Operatóri� � Prepar� Pr�-Anestésic� (APA) objetivo não é liberar ou não um paciente para o ato anestésico-cirúrgico, mas tentar fazer uma avaliação prévia do paciente que será submetido a anestesia, e definir o risco-benefício do ato para cada um, na situação em que se encontra no momento da APA pré-operatória é feita pelo cardiologista e a pré-anestésica pelo anestesista REVISÃO DO PRONTUÁRIO + CONSULTÓRIO DE AVALIAÇÃO PRÉ ANESTÉSICA (CAPA): consulta ambulatorial/entrevista com o paciente antes da internação, que determina o estado clínico do paciente e possibilita o relacionamento anestesiologista-paciente, estando presente nesse momento todas as avaliações descritas a partir desse tópico ● INTERVALO DE TEMPO entre consulta e procedimento realizado sob anestesia é determinado pela gravidade da doença e grau de invasividade do procedimento → não existe padrão, mas não deve ser realizada: - Muitos meses antes do procedimento: pode haver alterações no estado clínico por descompensação de doenças existentes ou aparecimento de novas doenças e perda do relacionamento anestesiologista-paciente adquirido na consulta - Muito próximo a data prevista para o procedimento: paciente pode ter doenças concomitantes que necessitem de encaminhamento para avaliação especializada = cirurgia provavelmente será adiada Portadores de doenças graves = realizar antes do dia do procedimento Portadores de doenças não graves e procedimentos pouco ou não invasivos = pode ser feita antes ou no dia do procedimento Crianças ASA I (sem doenças associadas) = realizar próximo à cirurgia para que ela não se esqueça do anestesiologista Crianças com infecções frequentes de vias aéreas = reavaliar na véspera ou no mesmo dia da cirurgia ● VANTAGENS: pacientes se sentem mais seguros, cirurgiões reduzem tempo de internação pré-operatória, reduz nº de cirurgias suspensas e de exames laboratoriais, avaliação adequada e global do paciente (ficha APA que mostra o que é importante), possibilidade de examinar o paciente com calma e decidir sobre a liberação para a cirurgia RISCO ANESTÉSICO-CIRÚRGICO: avalia, por meio de sistemas de classificação, o risco perioperatório e probabilidade de morbimortalidade inerentes ao ato anestésico, baseando-se na TRÍADE: anestesia propriamente dita (fármacos e técnicas), procedimento a ser realizado sob anestesia/sedação (podendo ser cirúrgico, diagnóstico ou terapêutico - endoscopia; tomografa; ressonância magnética; litotripsia; redução incruenta de fraturas; intervenções guiadas por imagem - ) e fatores intrínsecos do paciente (idade, condição clínica, complicações anestésicas anteriores e fatores de risco) AMERICAN SOCIETY OF ANESTHESIOLOGISTS (ASA) classificação mais usada, proposta inicialmente como classificação de estado físico, porém utilizada no mundo todo como avaliação de risco perioperatório por sua facilidade ● LIMITAÇÕES: subjetividade, valor apenas para o momento da APA em si (pode estar alterada no momento da anestesia) ● OBS.: existem outros sistemas de classificação de risco, como: Johns Hopkins (considera invasividade e perda sanguínea estimada), American College of Surgeons National Surgical Quality Improvement Project (NSQIP) risk calculator (considera dados antropométricos, comorbidades, tipo de procedimento e complicações anteriores) e Estudo VISION (baseado na avaliação de mortalidade pós-operatória até 30 dias após cirurgias não cardíacas). Há também scores associados à cirurgia cardíaca: EuroSCORE II; Society of Thoracic Surgeons (STS), Mayo Clinic e delirium pós-operatório ANAMNESE HISTÓRIA CLÍNICA: ● Idade ● Sistemas e órgãos: especialmente condição cardiorrespiratória ● História pessoal ou familiar: hipertermia maligna e deficiência de pseudocolinesterase ● Alergias (inclusive REAÇÕES AOS DERIVADOS DO LÁTEX = profissionais de saúde que terão contato com ele deverão trocar todo o material derivado de látex no centro cirúrgico, CTI e enfermaria) ● Condições de dentição (presença ou não de todos os dentes, próteses fixas e móveis) PRESENÇA DE COMORBIDADES ATUAIS E ANTERIORES e FATORES DE RISCO: DM, HA, IAM; para pacientes que serão submetidos a anestesia regional: interrogar sobre doenças neurológicas, musculares ou ósseas (no pós operatório, podem levantar suspeita de lesão causada pela anestesia ou apresentar agravamento) FATORES PROGNÓSTICOS MAIORES Síndromes coronarianas instáveis: ● IAM agudo (< 7 dias) ou recente (7 - 30 dias) com evidências de risco isquêmico devido a sintomas clínicos ou estudo não-invasivo ● Angina instável ou (Canadian classe III ou IV) = alto risco para IAM Insuficiênciacardíaca congestiva descompensada Arritmias graves: ● Ventriculares sintomáticas com doença cardíaca subjacente ● Supraventriculares com frequência ventricular não controlada Doença valvular grave FATORES PROGNÓSTICOS INTERMEDIÁRIOS Angina moderada (Canadian classe I e II) IAM prévio ou presença de onda Q Insuficiência cardíaca congestiva prévia ou compensada Diabetes Mellitus Insuficiência renal crônica FATORES PROGNÓSTICOS MENORES Idade avançada ECG anormal (HVE,BRE,anormalidades do seguimento ST-T) Outro ritmo que não o sinusal Baixa capacidade funcional História de AVC Hipertensão arterial não controlada OBS.: HA deve ser supervalorizada quando acompanhada de lesões em órgãos alvo, hipertrofia ventricular esquerda ou sobrecarga ANESTESIAS PRÉVIAS USO DE MEDICAMENTOS E/OU TERAPIAS ALTERNATIVAS: medicamentos de uso contínuo geralmente podem ser mantidos no período pré-operatório, devendo-se anotar as doses e horário de administração e verificar possíveis interações com agentes anestésicos ● Antiarrítmicos, anti-hipertensivos, betabloqueadores, digitálicos, estatinas, diuréticos, medicamentos para tratamento de hipotireoidismo, hipertireoidismo, miastenia grave e regimes antirretrovirais para tratamento da síndrome da imunodefciência adquirida = MANTER, inclusive no dia do procedimento, exceto diuréticos de alça (causam depleção volêmica) e inibidores da ECA e bloqueadores do receptor de angiotensina (causam hipotensão intra operatória), que RECOMENDA-SE RETIRAR de 12 a 24h antes da cirurgia ● Hipoglicemiantes = suspender de 24 a 48h antes de pacientes com disfunção renal ou submetidos a exame com contraste por via venosa, e no dia da cirurgia, até que a alimentação normal seja restabelecida ● Anticoagulantes, fitoterápicos (alho, gynkgo biloba e ginseng) ou não = avaliar risco benefício do uso de anticoagulante versus procedimento anestésico adotado, pois o uso pode aumentar o risco perioperatório → suspender AAS 15 dias antes ● AINES: suspender por pelo menos 24h antes, chegando a 10 dias no caso do piroxicam ● Medicamentos de ação no SNC (antidepressivos, antiepilépticos, antipsicóticos, antiparkinsonianos e benzodiazepínicos): provocam muitas interações medicamentosas com os anestésicos e técnicas, seu uso é mantido até o dia do procedimento, pois pode levar à descompensação de quadros mentais ● Fitoterápicos e suplementos vitamínicos: não costumam ser relatados pelo paciente, então insistir no questionário, orientar sobre os perigos da não informação ao anestesiologista e avaliar necessidade de descontinuação do uso antes do procedimento, pois podem levar a interações medicamentosas e complicações ● Drogas e álcool: paciente precisa de confiança plena no anestesiologista para se sentir confortável para relatar uso/abuso de drogas ou álcool, pois podem haver complicações no ato anestésico e pós operatório ● Quimioterápicos: analisar riscos e benefícios da suspensão, principalmente se optar por anestesia de neuroeixo (pois quimioterápicos causam neuropatias periféricas) USO/ABUSO DE SUBSTÂNCIAS LÍCITAS OU ILÍCITAS: tabagismo, etilismo e dependência de drogas CAPACIDADE FUNCIONAL ou ATIVIDADE FÍSICA: quantificada por equivalentes metabólicos consumidos nas tarefas (METs), associados ao consumo de O² nas atividades CONDIÇÃO EMOCIONAL DO PACIENTE: pode haver medo envolvido no processo, em relação ao tipo de procedimento, anestesia, dor, incapacitação, dependência e morte, então AVALIAR os sintomas psicológicos de ansiedade e depressão e verificar se necessita de intervenção farmacológica EXAME FÍSICO SINAIS VITAIS: principalmente a PA (HA crônica é frequente e é capaz provocar suspensão ou adiamento de cirurgias), porém diferenciar quais pacientes são hipertensos e quais estão hipertensos no momento da consulta (ex: estresse ou manguito inadequado em obesos) AVALIAÇÃO DE PERMEABILIDADE DAS VIAS AÉREAS (pode não ser eficaz): feita pelos anestesistas de maneira minuciosa (observação de: dentes falhos, anômalos e próteses e anormalidades em boca, cavidade oral, queixo e pescoço), com o objetivo de prever a dificuldade na intubação traqueal → TESTES PREDITIVOS DE INTUBAÇÃO OROTRAQUEAL (IOT) DIFÍCIL: ● Teste de Mallampati: com o paciente sentado e pescoço em posição normal (perpendicular ao chão), boca em abertura total e língua em protrusão máxima, observar a cavidade oral com os olhos à mesma altura do paciente e classificá-la de acordo com as estruturas visíveis da faringe, em 4 categorias I - palato mole, fauce, úvula e pilares visíveis II - palato mole, fauce e úvula visíveis III - palato mole e base da úvula visíveis IV - palato mole parcialmente ou não visível OBS.: classes II e IV (comum em gestantes, mas sem correlação com o crescimento de intubação difícil na gestação = uso limitado na gestação) são sugestivas de intubação difícil ● Distância esterno-mento: com o paciente sentado, pescoço em extensão máxima e boca fechada, medir a distância entre o manúbrio (bordo superior do esterno) e o queixo, se ≤ 12,5cm = sugestiva de intubação difícil ● OUTROS: distância tiro-mento; comprimento entre os incisivos durante protrusão voluntária; visibilidade da úvula (Mallampati > 2); forma do palato (muito arqueado ou estreito); largura do pescoço ● OBS.: atenção aos PREDITORES DE VENTILAÇÃO DIFÍCIL (presença de barba; ausência de dentes; IMC > 26 kg.m²; idade > 55 anos; Mallampati III ou IV; protrusão mandibular limitada e histórico de apneia do sono ou ronco), que também podem ser devido a vedação ineficiente/ineficaz entre máscara e face do paciente e/ou excessiva resistência à entrada de ar gerado pelo balão de ventilação FATORES QUE PODEM INTERFERIR NA ANESTESIA REGIONAL: abscessos, tatuagens, processos inflamatórios na região a ser puncionada EXAME CARDIOPULMONAR EXAMES COMPLEMENTARES: exames pré-operatórios são solicitados independentemente do tipo de anestesia a ser realizada, mas de acordo com história clínica, exame físico do paciente e grau de invasividade do procedimento, com o objetivo de guiar e otimizar o cuidado perioperatório → TEM MAIOR VALOR QUANDO COMBINADO COM OS ÍNDICES DE RISCO ● Instituições propõe que resultados de exames realizados até 6 meses antes do procedimento são aceitáveis se a condição clínica do paciente não sofreu mudanças significativas ● Exames para pacientes APARENTEMENTE SAUDÁVEIS, ASSINTOMÁTICOS, COM CONDIÇÕES NÃO DETECTADAS PELA HISTÓRIA CLÍNICA E EXAME FÍSICO (ASA I): são os de rotina ELETROCARDIOGRAMA (ECG): alterações são mais frequentes em idosos ou pacientes com fatores de risco cardíacos → evidencia: doenças cardiovasculares e respiratórias ● Em condições específicas após consulta com especialistas, pode-se solicitar outros exames cardiológicos: - ECOCARDIOGRAMA: pode mostrar regurgitação mitral ou estenose aórtica e avaliar a função ventricular no repouso - TESTE DE ESTRESSE: avalia função ventricular no estresse - TESTE ERGOMÉTRICO: avalia tolerância ao exercício e detecta doença coronariana e isquemia miocárdica RADIOGRAFA DE TÓRAX: alterações são mais frequentes em tabagistas e nos extremos de idade → evidencia: tabagismo, infecção respiratória recente, DPOC e doença cardíaca ● Em condições específicas após consulta com especialistas, pode-se solicitar outros exames de avaliação pulmonar (PROVA DE FUNÇÃO PULMONAR, GASOMETRIA ARTERIAL E VENOSA, OXIMETRIA DE PULSO E ESPIROMETRIA) HEMOGLOBINA e HEMATÓCRITO: evidenciam doença hepática, história de anemia, sangramento e outras alterações hematológicas TESTES DE COAGULAÇÃO: evidencia alterações da coagulação e doenças renal e hepática TESTES DE BIOQUÍMICA SANGUÍNEA (dosagem sérica de sódio, potássio, ureia, creatinina e glicose): valores podem variar nos extremos de idade → evidenciam: doenças endócrinas e risco de doenças renal e hepática URINA DO TIPO I: indicada apenas em procedimentos urológicos específicos ou quando há infecção urinária TESTE DE GRAVIDEZ: para mulheres em idade fértil que podem estar em início de gestação ainda não diagnosticadaÍNDICES DE RISCO CARDÍACO (ou escalas pré-operatórias): é o foco da investigação pré-operatória, pois a morte por injúria cardíaca é 4x mais comum no 1º dia de pós-operatório ● Avalia a possibilidade de complicações cardíacas e tenta prevê-las no período perioperatório ● Existem muitas escalas, porém poucas são aplicadas: RCRI (Revised Cardiac Risk Index ou Índice de Risco Cardíaco Revisado) é o mais preciso e fácil de memorizar: CRITÉRIOS DEFINIÇÕES Cirurgias de alto risco Cirurgia torácica Cirurgia abdominal Cirurgia vascular (aorta, renal, mesentérica) Doença coronariana História de IAM História de angina recorrente Uso de nitroglicerina sublingual Teste de esforço positivo Onda Q no ECG Angioplastia ou RVM prévias com angina presente Insuficiência cardíaca congestiva falência de VE no exame físico História de dispnéia paroxística noturna História de EAP (edema agudo pulmonar) Congestão pulmonar no RX Doença cérebro vascular História de ataque isquêmico transitório História de AVC Insuficiência renal crônica Creatinina > 2.0 mg/dL Diabetes Mellitus insulino dependente CRITÉRIOS CLASSE FUNCIONAL 0 I 1 II 2 III > 3 IV Por fim, define-se se pacientes necessitam de INTERVENÇÕES PERIOPERATÓRIAS: PLANEJAMENTO ANESTÉSICO: a escolha dos fármacos e da técnica anestésica depende das condições clínicas do paciente, do procedimento (ambulatoriais = baixíssima taxa de morbimortalidade, comparado a grandes cirurgias), da habilidade técnica do profissional e condições do local onde o procedimento será realizado ● Planejar as possíveis técnicas anestésicas para cada paciente e nos mais complicados (síndromes raras, ASA > II) decidir sobre os cuidados especiais e informar: - Paciente da decisão e relatar em detalhes a sequência de eventos (desde a entrada no hospital, até a alta da recuperação anestésica), tirar suas dúvidas e informá-lo sobre o direito de opinar na decisão (anestesista deve ser aberto ao diálogo) = etapa importante, pois paciente tem muita ansiedade - Anestesiologistas do centro cirúrgico e cirurgiões (por escrito e pessoalmente) sobre os cuidados → fundamental para a qualidade do ato anestésico, principalmente quando quem faz a APA não é o próprio anestesiologista ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ JEJUM: instituído em procedimentos eletivos para garantir esvaziamento gástrico e prevenir regurgitação e broncoaspiração; recomendações de jejum variam de acordo com o tipo de alimento ingerido: CATEGORIA ALIMENTOS TEMPO DE JEJUM Líquidos claros (sem resíduos) Água, suco de fruta sem polpa, café ou chá sem leite e bebidas gaseificadas ou com carboidratos 2h antes → são eliminados rapidamente do estômago Líquidos não claros (com resíduos) - 6h → demoram mais para sair do estômago e podem deixar resíduos e partículas no órgão Leite materno - 4h Leite industrializado e fórmulas infantis OBS: leite industrializado não diluído contém proteínas e gorduras e é considerado um alimento SÓLIDO 6h Refeições leves Chá/líquidos claros e torrada ou bolacha de água e sal 6h Refeições pesadas Carne, frituras e alimentos gordurosos 8h → tempo de esvaziamento de alimentos sólidos depende do volume, densidade calórica e adição de gordura ● EXCEÇÃO PARA O PROTOCOLO DE JEJUM: gestantes em trabalho de parto, pacientes com obesidade mórbida, gastroparesia, mau esvaziamento gástrico de qualquer etiologia, suboclusão ou obstrução intestinal e doença do refluxo gastroesofágico moderado a grave ● OBS.: mastigação de chiclete no período pré-operatório causa um pequeno aumento do volume gástrico e nenhuma alteração no pH → não tem significância clínica em termos de risco de aspiração do conteúdo gástrico em pacientes saudáveis (ASA I) MEDICAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA (MPA): uso de fármacos na véspera ou no dia da cirurgia, que deve ser decidido ao término da APA adequada (considerando aspectos emocionais do paciente, peso, se tem dor aguda/crônica - devem receber analgésicos -, ou se tem hipoproteinemia - devem receber medicamentos em doses menores -), com o objetivo de reduzir ansiedade e medo, diminuir metabolismo basal, potencializar fármacos anestésicos, auxiliar na sedação, reduzir dor no pré-operatório e promover analgesia pós-operatória. ● É CONTRAINDICADA PARA: pacientes com história de reação paradoxal ou alérgica ao BZD, usuários de drogas e álcool, portadores de DPOC, apneia do sono, miopatias, miastenia grave e insuficiência respiratória ou ASA III MEDICAMENTO CLASSE DOSE MIDAZOLAM (mais usado) Benzodiazepínico (EFEITOS: sedação; produção de amnésia; relaxamento muscular; depressão mínima da ventilação e do sistema cardiovascular e ação anticonvulsivante) ADULTOS: via muscular (2,5 mg a 15 mg) e oral (5 mg a 15 mg) CRIANÇAS: vias vias muscular: (0,05–0,1mg.kg-1), oral (0,25–0,75mg.kg), sublingual (0,2–0,3mg.kg-1), nasal (0,2–0,3mg.kg-1) e retal (0,3 – 0,35mg.kg-1 em 5ml de solução salina) REFERÊNCIAS: Bases do Ensino da Anestesiologia: Airton Bagatini, Luiz Marciano Cangiani… - Sociedade Brasileira de Anestesiologia - 2016 Artigo: Avaliação e Preparo pré-operatório: Classificação do estado físico Consultoria - Profº Rodrigo Objetivo 3 - Elucidar os tipos de anestesia: geral, peridural, local com bloqueio e raqui/ subaracnóidea (indicações, riscos, como são administradas e o que são). Anestesi� Gera� Caracterizada por estado reversível de: ● HIPNOSE E AMNÉSIA = bloqueio da função mental → inconsciência/ sedação: depende do estado emocional do paciente, sendo a sedação consciente o ideal para um paciente calmo, cooperativo e sem depressão respiratória ● ANALGESIA = bloqueio sensitivo → interrupção da estimulação dolorosa ● IMOBILIDADE = bloqueio motor → impede movimentação e gera relaxamento muscular = necessidade de ventilação mecânica durante toda a cirurgia ● BLOQUEIO AUTONÔMICO E DA RESPOSTA AO ESTRESSE CIRÚRGICO = minimiza as respostas neurovegetativas e cardiovasculares OBJETIVO PRINCIPAL: inconsciência ou ausência do processamento de pensamento PROFUNDIDADE DA ANESTESIA: é difícil definir pois a consciência não pode ser medida diretamente, mas se pode aferir respostas aos estímulos, e a profundidade é determinada pelo estímulo aplicado, a resposta medida e a concentração do fármaco no sítio de ação que inibe a resposta TIPOS DE ANESTESIA GERAL INALATÓRIA ● Agente anestésico volátil sob pressão ● AGENTES MAIS UTILIZADOS = - Óxido nitroso (N2O): analgésico fraco, potencializa o efeito dos hipnoanalgésicos e barbitúricos e produz vasodilatação periférica e hipóxia por difusão → deve ser administrado junto com o oxigênio - Halogenados (halotano, isoflurano, enflurano e outros) ● Estado de anestesia é alcançado quando o agente inalado atinge a concentração adequada no cérebro INTRAVENOSA ● Anestésico é infundido por acesso venoso ● AGENTES MAIS UTILIZADOS = - Anestésicos não-opióides: Barbitúricos, Benzodiazepínicos, Cetamina, Etomidato - Propofol - Opióides: Fentanil, Sufentanil, Alfentanil, Remifentanil e Midazolam - Bloqueadores neuromusculares BALANCEADA ● Combinação de fármacos anestésicos inalatórios (responsáveis pela manutenção da anestesia durante o transoperatório) e intravenosos, com mecanismos que ação diferentes e atuação de forma sinérgica para alcançar os objetivos da anestesia → são necessárias doses menores = reduz índices de toxicidade e mortalidade ● É a mais usada atualmente ● EXEMPLO: agente hipnótico venoso de ação rápida associado a um opióide ESTÁGIOS DA ANESTESIA (PLANOS DE GUEDEL) Estágio I (Analgesia): paciente consciente, porém sonolento, há redução das respostas aos estímulos álgicos Estágio II (Excitação ou delírio): perda de consciência e início do período de excitação com reações indesejáveis como vômito, tosse, laringoespasmo, pupilas dilatadas e respiração irregular Estágio III (Anestesia Cirúrgica): sem movimento espontâneo, respiração tornando-se irregular, relaxamento muscular, pupilas contraídas →anestesia é considerada adequada quando o estímulo doloroso não produz respostas somáticas autonômicas deletérias (p.ex., hipertensão, taquicardia) Estágio IV (Paralisia Bulbar): respiração superficial ou ausente, pupilas não reativas, hipotensão que pode progredir para parada circulatória e morte 3 FASES DA ANESTESIA GERAL FASE DE INDUÇÃO: tem o objetivo de levar o paciente do estado semi-consciente (1) para o plano anestésico-cirurgico (3) ● AGENTES INDUTORES (anestésicos intravenosos ou agentes inalatórios, de forma isolada ou combinada) + ventilação com oxigênio a 100% sob máscara facial + bloqueadores neuromusculares = intubação orotraqueal para obtenção definitiva de via aérea ● Indução de Sequencia Rápida (IRS = usa anestésicos intravenosos de ação rápida e bloqueadores neuromusculares de curta duração, induzindo anestesia em 30 segundos): pode ser usada para indução anestésica de pacientes com alto risco de broncoaspiração (obstrução intestinal, estenose pilórica, gestação e obesidade), para rápida IOT, que comprime a cartilagem cricóide e a previne FASE DE MANUTENÇÃO: manter o paciente no plano anestésico cirúrgico durante toda a operação → administração de anestésicos inalatórios e novas doses de agentes intravenosos e bloqueadores neuromusculares FASE DE RECUPERAÇÃO: devido a depressão no sistema nervoso simpático causada pela anestesia, quando paciente se recupera dela e é extubado, ocorre transição abrupta do estado HIPERADRENÉRGICO para o ADRENÉRGICO, podendo causar complicações = isquemia coronariana, taquiarritmias, elevações da PA, broncoaspiração e laringoespasmo → é fundamental que paciente fique em OBSERVAÇÃO nas salas de recuperação anestésica Anestesi� Loca� OBJETIVO: inibição dos canais iônicos de sódio voltagem-dependente, que bloqueiam a transmissão do PA e a condução de impulsos nos tecidos nervosos ADMINISTRAÇÃO: ● TÓPICA: em pele e mucosas ● INFILTRATIVA: infiltração do anestésico em meio intra e/ou extravascular ou na região a ser manipulada → ex: lidocaína nas bordas de uma ferida traumática antes da realização de uma sutura - Pode-se associar a um VASOCONSTRITOR (epinefrina) para produzir vasoconstrição local, limitar a absorção sistêmica do anestésico local e prolongar a duração da ação ● BLOQUEIO DE CAMPO: aplicação do anestésico local ao redor do tecido a ser operado → ex: exérese de tumores, lesões circulares da pele/subcutâneo, drenagem e remoção de corpos estranhos FÁRMACOS MAIS UTILIZADOS: ● Lidocaína ● Bupivacaína ● Ropivacaína Anatomi� (par� raqu� � peridura�) necessária para se escolher melhor o espaço e a via de punção, evitando lesões neurológicas COLUNA VERTEBRAL (33 vértebras) 7 Cervicais 12 Torácicas 5 Lombares 5 (fundidas) Sacrais 4 (fundidas) Coccígeas Entre as vértebras T5 a T9, os processos espinhosos são verticalizados e dificultam a punção MEDULA ESPINHAL termina em: T12 (30%), L1 (60%) ou L3 (10%) = punção nos espaços L3 - L4 ou L4 - L5 é mais segura, pois geralmente acima de L2 têm medula espinhal Estruturas envolvidas na punção (atravessadas pela agulha) = tem consistência diferentes e podem ser percebidas à medida que a agulha vai avançando 1 - PELE 2 - SUBCUTÂNEO 3 - LIGAMENTO SUPRAESPINHOSO 4 - LIGAMENTO INTERESPINHOSO 5 - LIGAMENTO AMARELO 6 - ESPAÇO PERIDURAL ● EXTRA: 8 - VEIAS AVALVULARES NO ESPAÇO PERIDURAL 7 - DURA-MÁTER, ESPAÇO SUBDURAL (é tênue, não contém líquor, a injeção de anestésico aqui é acidental, decorrente da tentativa de injeção no espaço subaracnóideo ou peridural), ARACNÓIDE e ESPAÇO SUBARACNÓIDEO (é onde o líquor circula livremente, desde o saco dural até os ventrículos cerebrais; tudo que é injetado no líquor pode atingir a medula) OBS.: PIA MÁTER é fenestrada e permite contato direto da medula com o líquor Alteraçõe� d� fisiologi� decorrente� d� bloquei� locai� n� neuroe�� (subaracnóide� � peridura�) ORDEM DE SUPRESSÃO Medula espinhal → raízes nervosas Fibras sensitivas (bloqueia dor) → motoras → proprioceptivas Bloqueio pode se estender e causar alterações clínicas em diversos sistemas: Bloqueio SUBARACNÓIDEO alto (ultrapassa T4): bloqueia totalmente o SN simpático, pois suas fibras pré-ganglionares são do tipo B (mais finas, periféricas e mais sensíveis aos anestésicos locais do que as C, de dor); são alterações bem toleradas em pacientes ASA I, mas que podem levar a complicações sérias em ASA II e III ● ALTERAÇÕES NO SISTEMA CIRCULATÓRIO = vasodilatação (com dilatação máxima das veias), diminuição da resistência periférica e da pressão venosa, aumento do volume sanguíneo na microcirculação e contido nas veias (sequestro de sangue circulante), diminuição do retorno venoso, redução do gradiente de pressão veia-átrio direito e bradicardia reflexa (pela estimulação dos receptores de estiramento na porção de deságue das grandes veias), hipotensão acentuada (já esperada), redução da pós carga e do DC, diminuição da volemia, diminuição do fluxo sanguíneo hepático e na artéria pulmonar ● ALTERAÇÕES CORONARIANAS = redução da pressão aórtica (que controla o fluxo sanguíneo coronariano), do trabalho cardíaco e da demanda de O² = redução do fluxo coronariano ● ALTERAÇÕES NO SISTEMA NERVOSO = hipotensão arterial pode influenciar a resistência cérebro vascular (que é aurorregulada e mantém o fluxo apesar de alterações na PA média ou PAM) e causar distúrbios na função cerebral (efeito indireto do bloqueio simpático: isquemia de centros respiratórios bulbares pode causar DEPRESSÃO RESPIRATÓRIA) → limite de segurança da PAM para normotensos é 55 mmHg e para hipertensos 90 mmHg ● ALTERAÇÕES RENAIS = diminuição do fluxo sanguíneo renal (se PAM < 80 mmHg), obstrução das fibras parassimpáticas causa atonia da bexiga, aumento do tônus do esfíncter vesical e retenção urinária ● ALTERAÇÕES NO SISTEMA RESPIRATÓRIO = interfere na respiração: diminuição de 20% da CAPACIDADE INSPIRATÓRIA, afeta músculos expiratórios e volume de reserva expiratório pode chegar a 0 (fármacos utilizados na sedação podem interferir na ventilação e provocar insuficiência respiratória) ● ALTERAÇÕES NO SISTEMA GASTROINTESTINAL = aumento de secreções, relaxamento dos esfíncteres, aumento do peristaltismo Alterações PERIDURAIS ocorrem da mesma forma, porém mais gradativas/lentas e suaves/ menos intensas, são alterações proporcionais à extensão do bloqueio peridural ● Quando adrenalina é adicionada ao anestésico local utilizado na anestesia, pode ocorrer: taquicardia, aumento do DC e FC (efeito a-adrenérgico), diminuição da resistência vascular sistêmica (pela estimulação b-adrenérgica) ● Bloqueios extensos (chegam a T1): causam redução do fluxo sanguíneo coronariano, cerebral, renal e hepático, alteração na capacidade de tossir e eliminar secreções das vias aéreas e pode ocorrer paralisia da musculatura intercostal e maior incidência de náuseas e vômitos ● Normalmente não provoca alterações significativas na mecânica ventilatória ou no transporte de gases Anestesi� Subaracnóide� o� Raqu� simples, eficaz, baixa toxicidade e baixo custo → FORMAS: raquianestesia, raquianestesia contínua, raqui-peridural ou variantes da técnica (segmentar em sela ou unilateral) ANESTÉSICOS UTILIZADOS: LOCAIS LIDOCAÍNA: ● 5%: hiperbárica, bloqueio sensitivo e motor rápido e de modo profundo, maior incidência de sintomas neurológicos transitórios ● 2% sem glicose: tem densidade próxima a do líquor e comportamento hipobárico, bloqueia 4 segmentos acima quando é injetada em paciente sentado, e em paciente em decúbito lateral, fica mais restrita ao local ● Com epinefrina: se torna isobárica BUPIVACAÍNA: ● 0,5% com glicose a 8%: é o mais utilizado, é hiperbárica ● 0,5% isobárica: sofre influência do local da injeção e a diferença da altura de nível pode variar até 2 dermátomos OUTROS (não muito utilizados): Procaína, Prilocaína, Mepivacaína, Tetracaína e Ropivacaína DETERMINANTES DA ALTURA DO BLOQUEIO SUBARACNÓIDEO ● Posição do paciente logo após a injeção ● Inclinação da mesa operatória ● Curvatura normal da coluna vertebral (cifosescausam distribuição bimodal) ● DENSIDADE (relação massa/volume expressa em g/mL, sendo que a temperatura altera o volume) e BARICIDADE (relação densidade da solução e densidade do líquor a 37ºC) do anestésico = torna possível prever seu comportamento quanto a DISPERSÃO no espaço subaracnóideo - Aumento de dose e volume = bloqueios mais altos BARICIDADE VALORES DESCRIÇÃO HIPOBÁRICA (maioria) Valor < 1 Menos densa que o líquor = SOBE → paciente muito tempo sentado = atinge nível alto e pode deprimir a ventilação Importante para anestesia UNILATERAL: decúbito lateral por 6 min após injeção lombar = bloqueio mais intenso e duradouro no membro inferior que ficou para CIMA ● OBS.: Comportamento pode estar presente em OBESOS e IDOSOS, mesmo em uso de solução hiperbárica ISOBÁRICA Valor muito próximo a 1 Não sofrem influência da gravidade HIPERBÁRICA (geralmente preparadas com adição de glicose de 5% a 8%) Valor > 1 Mais densa que o líquor = DESCE (influência da ação da gravidade) → paciente muito tempo sentado = fica restrita aos dermátomos lombares baixo e sacral (bloqueio em sela) Importante para anestesia UNILATERAL: decúbito lateral por 6 min após injeção lombar = bloqueio mais intenso e duradouro no membro inferior que ficou para BAIXO FÁRMACOS ADJUVANTES É comum a associação de ANESTÉSICOS LOCAIS e OPIÓIDES MORFINA: doses de 50 µg a 100 µg - até 24h de analgesia - hidrofílica e hipobárica (maior difusão ROSTRAL) Fentanil: doses de 10 µg a 25 µg - 4 a 6 h de analgesia - lipofílico e hipobárico - mais utilizado com bupivacaína Sufentanil: 7 a 9 h de analgesia - lipofílico e hipobárico Adjuvantes + anestésico local HIPERBÁRICO = mistura HIPERBÁRICA (difusão caudal) Adjuvantes + anestésico local HIPOBÁRICO = mistura HIPOBÁRICA (difusão rostral) ● OBJETIVO: melhorar a qualidade do bloqueio, possibilitar menor dose de anestésico, promover analgesia mais prolongada no pós-operatório e diminuir o tempo de permanência hospitalar ● MECANISMO: se ligam aos seus receptores nas lâminas II e V do corno dorsal da medula e substância gelatinosa de Rolando → diminuem liberação dos neurotransmissores excitatórios das fibras sensitivas (A delta e C) sem atuar em fibras simpáticas, motoras, táteis e proprioceptivas ● EFEITOS COLATERAIS (opióides injetados pela via subaracnóidea): prurido, náusea, vômito, retenção urinária, depressão respiratória → por interação com receptores opióides no cérebro (mais comum em opióides hidrofílicos) TÉCNICA DE PUNÇÃO EXAME DA COLUNA: inspeção e palpação da coluna lombar → se possível/disponível, analisar radiografias em pacientes com histórico de dificuldade de punção e alterações anatômicas à palpação MONITORIZAÇÃO BÁSICA: PA, FC e saturação, eletrocardiografia, verificação do estado ventilatório, PUNÇÃO VENOSA (calibre depende do porte da cirurgia) POSIÇÃO DO PACIENTE: depende da indicação e conduta do anestesiologista, em ambas os espaços lombares se abrem bem e tornam possível o acesso pela VIA MEDIANA, porém idosos, pacientes com fraturas ou membros imobilizados e artrose coxofemoral = não conseguem fazer a flexão dos membros inferiores: acesso pela via PARAMEDIANA ● DECÚBITO LATERAL (direito ou esquerdo) com FLEXÃO DA COLUNA LOMBAR e MEMBROS INFERIORES em relação ao abdome ● SENTADO EM FLEXÃO DA COLUNA: pressão do líquor na região lombar é maior e facilita seu escoamento VIA MEDIANA VIA PARAMEDIANA pele → subcutâneo → ligamento supraespinhoso → ligamento interespinhoso → ligamento amarelo → espaço peridural → dura-máter → membrana subaracnóidea pele → subcutâneo → musculatura paravertebral → ligamento amarelo → dura-máter → membrana subaracnóidea PUNÇÃO e INJEÇÃO DO FÁRMACO: ● Preparo da bandeja com materiais: agulha, seringa, fármacos e antisséptico Cefaléia por perda de líquor pelo orifício provocado pela punção = EVOLUÇÃO DAS AGULHAS ● Diminuição do calibre (22G ou 23G) = limita a velocidade de injeção e diminui incidência e a gravidade da cefaleia ● Pontas não cortantes = podem divulsionar as fibras da dura-máter e fazer um orifício pequeno com pouca possibilidade de se alongar (quando as fibras são cortadas, orifício pode se abrir, pela elasticidade da dura máter), resultando em menor perda de líquor ● Antissepsia da pele e enxugar o excesso de antisséptico ● Colocar campo estéril ● Palpar crista ilíaca → traçar uma linha imaginária que une as cristas ilíacas e passa pela apófise espinhosa de L4 → palpar concomitantemente com o polegar, a apófise espinhosa de L4 → identificar espaços (L3 - L4 ou L4 - L5) - OBS.: em obesos pode haver dificuldade de localização dos espaços pela longa distância da pele aos processos espinhosos ● VIA MEDIANA (agulha 0,45 x 13, seringa de 3 a 5 mL e solução de anestésico local): infiltrar inicialmente perpendicular, a pele, subcutâneo e ligamento supraespinhoso (muito resistente) → inclinar de 5 a 10º em sentido cefálico, se necessário e continuar introduzindo agulha (uma mão serve de guia e a outra empurra): transpor ligamento infraespinhoso, amarelo e dura-máter (ao ser perfurada, sente-se um CLIQUE) → retirar mandril e esperar gotejamento do líquor - Gotejamento lento ou ausente = introduzir agulha por mais 1 ou 2 mm, girá-la a 180º ou aspirar suavemente - REDIRECIONAMENTO DA AGULHA: se já foi introduzida alguns centímetros, não tem resultados e pode provocar a QUEBRA; redirecionar sem o recuo da agulha pode flexionar a haste, mas não corrigir sua direção - Para repetir a punção = retroceder agulha até o subcutâneo; - OBS.: se houver resistência óssea, não está na posição correta, e se paciente referir dor próxima ao ligamento supraespinhoso, agulha está fora da linha média, atravessando musculatura paravertebral ● VIA PARAMEDIANA: agulha é introduzida a 1,5 cm da linha média (direita ou esquerda) num ângulo de 25º - se tocar estrutura óssea = redirecionar em sentido cranial ou caudal até sentir a resistência do ligamento amarelo ● Perda máxima de líquor durante procedimento: 2 mL ou aprox. 40 gotas Pode ocorre ACIDENTE DE PUNÇÃO COM SANGRAMENTO (gotejamento de líquor + sangue) em ambas as vias, pois a aracnóide é vascularizada = esperar o clareamento do líquor para injetar solução anestésica ● Conectar seringa com solução anestésica na agulha → realizar aspiração suave para verificar se líquor flui normalmente → manter canhão da agulha fixo durante injeção com velocidade pré determinada (de acordo com o anestésico escolhido e limitada pelo fino calibre da agulha, que tem menor diâmetro interno, e orifício de saída) POSICIONAMENTO APÓS A INJEÇÃO: de acordo com o que se deseja obter de nível de anestesia PESQUISA DO NÍVEL DE ANESTESIA: verificar se atingiu o segmento desejado por meio da sensibilidade térmica (algodão embebido em álcool), dolorosa (pinça ou mandril da agulha) ou tátil (algodão) e antever problemas hemodinâmicos decorrentes do nível alto de bloqueio POSICIONAMENTO DEFINITIVO PARA A CIRURGIA INDICAÇÕES não possui indicação absoluta e pode ser técnica de escolha de acordo com as condições clínico-cirúrgicas ou preferência do paciente, seja para uso em procedimentos diagnóstico ou terapêutico Todas as faixas etárias (de prematuros a idosos: tem vantagens em relação a anestesia geral, como menor resposta neuroendócrina ao estresse, boa analgesia, menor incidência de disfunção respiratória, TVP e isquemia miocárdica) Procedimentos em membros inferiores e abdome inferior Criança com alto índice de previsão de IOT difícil ou portadoras de epidermólise bolhosa (intubação pode causar danos na cavidade oral e traqueia) CESARIANAS CONTRAINDICAÇÕES Recusa do paciente após explicação sobre vantagens e desvantagens Hipovolemia (pois pacientes assim mantém a PA por mecanismo compensatório simpático - vasoconstrição e taquicardia -, anulado pelo bloqueio subaracnóideo) Infecção no local da punção ou sepse: possibilidade de meningite ou infecção no trajeto de punção Hipertensão intracraniana (descompressão súbita pela perda liquórica pode causar herniação cerebral com compressãobulbar) Coagulopatias ou trombocitopenia (risco de formação de hematoma peridural ou subdural) Pacientes em uso de anticoagulantes (principalmente pacientes com stent metálicos, stent farmacológico ou valva metálica) Pacientes que receberam trombolíticos nos últimos 10 dias EVENTOS ADVERSOS Cefaleia pós punção da dura máter (resultante da perda liquórica para o espaço extradural, o que diminui a pressão, sendo mais grave na desidratação) → principalmente em mulheres e gestantes (alterações hormonais, esforço no parto, perda líquida) ● Surge de 24 a 48 h após o procedimento ● É de leve intensidade quando se utiliza agulha de fino calibre ● Tem remissão espontânea em 7 dias ● TRATAMENTO MAIS EFICAZ : tampão sanguíneo peridural (injeção de 10 a 20 mL de sangue autólogo no espaço peridural → oclui o orifício, expande espaço peridural, comprime saco dural, diminui espaço subaracnóideo e aumenta a pressão liquórica) - INDICAÇÃO: cefaleias incapacitantes - CONTRAINDICAÇÃO: sepse e coagulopatias - EFEITOS ADVERSOS (raros): meningismo, elevação da temperatura corporal, lombalgias, dores na nuca, dor radicular transitória e infecção Estrabismo convergente (geralmente unilateral, é mais tardia e pode perdurar por meses) Hipotensão (já é esperada, não é tanto um efeito adverso): se acentuada, para tratar = paciente em cefalodeclive de 20º (melhora retorno venoso), infusão venosa de cristalóide (1000 a 1500 mL = compensa volume sequestrado pela vasodilatação e eleva a PA, porém resposta não é imediata, pelo tempo de infusão) Fístula liquórica Lesões medulares (permanentes) e radiculopatias (transitórias) Aracnoidite adesiva: reação inflamatória que evoluir para obliteração do espaço subaracnóideo de forma crescente, devido a proliferação da pia-máter e aracnóide Síndrome da cauda equina: sinais e sintomas decorrentes de lesão neurológica em ramos e raízes dorsais e ventrais abaixo de L2 Meningite asséptica Anestesi� Peridura� segura, eficaz, ampla indicação em cirurgias que podem ser realizadas sob bloqueio neuroaxial e proporciona analgesia pós operatória mais prolongada do que a subaracnóidea quando se usa a técnica contínua Muitos procedimentos que são realizados sob anestesia subaracnóidea, também podem ser feitos sob anestesia peridural e necessitam do mesmo nível de bloqueio ANESTÉSICOS UTILIZADOS: LOCAIS ● Escolhidos de acordo com o que melhor se relaciona com o tempo proposto para o procedimento ● CATÉTER PERIDURAL: possibilita bloqueio peridural de caráter intermitente ou contínuo → se acoplado a uma BOMBA DE INFUSÃO, pode ser controlada pelo paciente, para lhe dar mais conforto e qualidade ● FATORES QUE INTERFEREM NA ALTURA DE SEU BLOQUEIO (são os mesmos da subaracnóidea): propriedades físico-químicas dos anestésicos locais, massa, volume e concentração utilizada, adição de adrenalina e fatores relacionados ao paciente (idade, peso e altura) ● Calcular dose de acordo com o PESO IDEAL do paciente, e não o peso real FÁRMACOS DURAÇÃO Lidocaína 2% Intermediária Bupivacaína 0,25%, 0,5% e 0,75% Longa Ropivacaína 0,2%, 0,75% e 1% Longa Clorprocaína 3% Menor duração Mepivacaína 2% Intermediária Etidocaína 1 a 1,5% Longa OBS.: quanto maior o volume da solução administrada (considerar o total, inclusive o volume do fármaco adjuvante), maior é a extensão do bloqueio simpático FÁRMACOS ADJUVANTES ADRENALINA: aumenta a duração do bloqueio (possibilita absorção sistêmica), produz vasoconstrição dos vasos peridurais (resulta em contato prolongado do anestésico com as raízes nervosas) = bloqueio mais duradouro e intenso OPIÓIDES: escolhidos de acordo com o tipo de cirurgia, local da incisão cirúrgica e necessidade de analgesia ● MORFINA: hidrofílica (chega em dermátomos mais altos) → dose 1 a 2 mg, sendo que o total diário não deve exceder 4 mg - duração: até 24h - efeitos adversos semelhantes ● Fentanil: lipofílico → dose 100 µg - associado ou não ao anestésico local - reduz à metade a necessidade de agentes inalatórios e melhora a analgesia pós-operatória - duração: 2 a 4 h - efeitos adversos: prurido toracofacial, náuseas e retenção urinária ● Sufentanil: lipofílico → duração: 4 a 8 h - indicações e efeitos adversos semelhantes LIPOFÍLICOS: menor distribuição pelo espaço peridural (concentrados próximos ao local da injeção), atuação nos receptores opióides medulares → cirurgias em membros inferiores ou abdome inferiores HIDROSSOLÚVEIS: tem dispersão cranial/rostral e atua em receptores opioides medulares e supramedulares → cirurgias em abdome superior e região torácica CLONIDINA: fármaco não opióide lipofílico mais utilizado por via peridural (0,5 a 1,5 µg.kg-1) - efeitos em 20 min e pico em 1 h - rápida distribuição sistêmica = efeitos centrais (baixas doses: diminuição do tônus simpático e hipotensão, e altas doses: vasoconstrição e HA) e periféricos ● INDICAÇÃO: manter boa qualidade de analgesia pós-operatória, diminuir o risco de depressão respiratória induzida por opióides ● MECANISMO: efeitos parassimpaticomiméticos e diminuição da liberação de noradrenalina de núcleos supra espinhais ● EFEITOS COLATERAIS (são dose-dependentes): hipotensão arterial intensa se a punção peridural for realizada em nível mais alto (pois bloqueia fibras cardioaceleradoras), xerostomia, sedação TÉCNICA DE PUNÇÃO MESMOS PROCEDIMENTOS INICIAIS DA ANESTESIA SUBARACNÓIDEA: posicionamento, sedação, assepsia da pele, monitorização e alinhamento da agulha MATERIAIS ● AGULHA (de Thuohy com ponta de Huber): maior calibre, rigidez e sensibilidade tátil ao atravessar os ligamentos → progressão é mais fácil do que a agulha de anestesia subaracnóidea ● ALETA DE WEISS (optativo): facilita a progressão delicada da agulha de peridural ● SERINGA DE BAIXA RESISTÊNCIA ● SERINGAS DESCARTÁVEIS: injeção de solução anestésica ● MATERIAL PARA ASSEPSIA PUNÇÃO: executada no ESPAÇO INTERVERTEBRAL MAIS PRÓXIMO DA INCISÃO CIRÚRGICA (porém região cervical e torácica necessitam de maior treinamento, pois acima de L2 há medula e podem ocorrer acidentes que resultam em lesão medular), localizado pela palpação (ou US em pacientes obesos) As curvaturas da coluna vertebral determinam particularidades técnicas para a identificação do espaço peridural nos variados níveis: ● Flexão da coluna cervical: abre espaços cervicais ● Flexão da coluna toracolombar: abre espaços lombares e projeta para trás a coluna torácica (mantém inclinação das vértebras) ● OBS.: os espaços interespinhosos torácicos são os únicos que não aumentam de decúbito dorsal para decúbito lateral em flexão e as vértebras torácicas tem inclinação exagerada das apófises espinhosas = quase impossível punção torácica nos espaços de T4 a T7 pela VIA MEDIANA ● Avançar lentamente a agulha para identificar as estruturas (principalmente o LIGAMENTO AMARELO): - VIA MEDIANA: pele → subcutâneo → ligamento supraespinhoso → ligamento interespinhoso → ligamento amarelo (se nota claramente o aumento da resistência) → espaço peridural (é virtual, com pressão subatmosférica) - SINAL DE DIGLIOTTI: acoplar seringa de baixa resistência na agulha, contendo ar (somente ar = digliotti modificada) e solução fisiológica → introduzir milimetricamente mantendo a pressão no êmbolo → assim que o ligamento amarelo é rompido, o ar na seringa é injetado no espaço peridural com facilidade, como dentro de uma veia → injetar solução anestésica local - OBS.: as variações das pressões torácica e abdominal são transmitidas ao espaço peridural (que é virtual) ao longo de toda a coluna vertebral ● VERIFICAR SE NÃO ESTÁ NO VASO SANGUÍNEO (agulha ou catéter): injetar lidocaína (3 ml) com adrenalina na concentração de 1:200.000 (5 µg.ml-1) → suficientes para identificar injeção intravascular, pois causam aumento da FC em até 40 segundos e o início de um bloqueio subaracnóideo ● CATETER (biocompatível, flexível, atraumático, resistente e radiopaco, com ponta romba, fundo cego e orifícios laterais): passar por dentro da agulha e introduzir no máximo 5 cm dentro do espaço peridural(evitar risco de sair do espaço, formar nós ou entrar em um vaso sanguíneo) → deve ter conector luer-lock para seringa ou equipo para infusão → fixar junto a pele do paciente com curativo adesivo e fazer anestesia contínua - VANTAGENS: titular adequadamente o volume do anestésico local, observar reações do paciente a concentrações mais diluídas, repetir a dose caso seja necessário em cirurgias mais prolongadas e manter analgesia no pós-operatório DIFUSÃO E MECANISMO DE AÇÃO DISPERSÃO: mais uniforme em volumes menores e influenciada por: ● LOCAL DA PUNÇÃO: se dispersa no sentido cranial e caudal igualmente, fibras lombares mais baixas e sacrais tem maior diâmetro e demoram mais tempo para serem bloqueadas (necessitam de maior massa de anestésico) ● FATORES RELACIONADOS AOS PACIENTES: idade (dispersão maior em idosos, que tem espaço peridural menos complacente, o que provoca resistencia a saída do fármaco = diferença de 4 dermátomos), altura, peso, gestação (dispersão é maior, devido ao fator mecânico de crescimento uterino e alterações hormonais que tornam as fibras mais sensíveis aos anestésicos) ● TIPO DE SOLUÇÃO: - Manter concentração constante e aumentar o volume = bloqueio mais intenso e extenso - Grandes volumes = bloqueios extensos → volume altera a dispersão independente da dose OBS.: Diferente da subaracnóidea ou raqui, o POSICIONAMENTO DO PACIENTE durante e após a injeção do anestésico local não influenciam o nível do bloqueio ATUAÇÃO: ● Atravessam forames intervertebrais e atuam nos NERVOS ESPINHAIS DOS ESPAÇOS PARAVERTEBRAIS ● GÂNGLIOS DAS RAÍZES DORSAIS DAS CADEIAS PARAVERTEBRAIS ● RAÍZES ESPINHAIS DENTRO DE SUAS BAINHAS RADICULARES DURAIS ● PERIFERIA DA MEDULA ESPINHAL (espaço subaracnóideo) INDICAÇÕES ANTES DO ESTÍMULO CIRÚRGICO = impede sensibilização medular, reduz dor e necessidade de analgésicos, impede o desenvolvimento de dor crônica INTRA OPERATÓRIO = reduz resposta endócrino-metabólica ao estresse cirúrgico, preserva funções vitais do paciente e proporciona analgesia adequada, reduz risco de tromboembolia e consumo de opióides no pós-operatório, sangramentos durante a cirurgia, incidência de náusea e vômitos PÓS-OPERATÓRIO = maior conforto ao paciente, mobilização mais precoce, reduz complicações tromboembólicas, preserva função gastrointestinal, reduz risco de fístulas anastomóticas gastroesofágicas CONTRAINDICAÇÕES Recusa do paciente após receber explicações elucidativas sobre o assunto Infecção no local de punção (risco de meningite e abscesso peridural) Hemorragia grave e instabilidade hemodinâmica Portadores de coagulopatias (risco de hematoma espinhal) ou que recebem fármacos anticoagulantes ou antiplaquetários → respeitar intervalo de tempo imposto para cada medicação EFEITOS ADVERSOS Dor lombar (30%): trauma pela agulha, lesão do periósteo, irritação pelo anestésico, estiramento do ligamento, posicionamento inadequado Perfuração acidental da dura-máter: pode causar cefaléia (mais precoce e intensa do que a da anestesia subaracnóidea, pelo maior calibre da agulha → TRATAMENTO = tampão peridural) ou RAQUIANESTESIA TOTAL (quando pela falta de refluxo de líquor, não se percebe a perfuração e injeta-se quantidade muito grande de anestésico local, porém no espaço subaracnóideo → CONDUTA = sedação e intubação + ventilação mecânica e esperar reversão) Punção venosa acidental (injeção de anestésico local endovenosa, podendo levar a intoxicação, convulsões e colapso cardiocirculatório → PREVENÇÃO = injeção de dose teste) Lesões medulares (trauma direto da agulha nas raízes nervosas ou contato do catéter com as estruturas neurais) Abscesso (diagnosticado por RNM, é grave, necessita de analgesia intensa e tratamento cirúrgico precoce para evitar lesões neurológicas sérias) Hematoma espinhal (TRATAMENTO = descompressão cirúrgica precoce) Síndrome da artéria espinhal anterior da medula (isquemia da medula por redução do fluxo sanguíneo na artéria radicular magna/ espinhal anterior = paralisia motora e astenia das pernas e perda variável de sensibilidade dolorosa e térmica) REFERÊNCIAS: Bases do Ensino da Anestesiologia: Airton Bagatini, Luiz Marciano Cangiani… - Sociedade Brasileira de Anestesiologia - 2016 Bases da Anestesia - Miller - 6º edição Objetivo 4 - Explicar as repercussões sistêmicas do pós-operatório. Dor P�-Operatóri� gira em torno da liberação de substâncias algogênicas (histaminas, prostaglandinas, hidrogênio) e produção de CATECOLAMINAS de maneira intensa e prolongada e estimulação do SNA simpático, ativação de sensibilização central e periférica, alodínia e hiperalgesia = REPERCUSSÕES respiratórias, hemodinâmicas e metabólicas INSTABILIDADE CARDIOVASCULAR: ● Taquicardia ● Arritmias cardíacas ● Aumento do volume sistólico ● Vasoconstrição periférica = aumento da PA ● Aumento do DC e do consumo de O² ● Alterações na coagulação ● Favorecimento de trombose profunda (principalmente em idosos e submetidos a cirurgias extensas): consequência da redução de movimentação e falta de deambulação precoce ● Predispõe a infartos DISFUNÇÃO RENAL: por hipovolemia (ATENÇÃO PARA A HIDRATAÇÃO DO PACIENTE NO PÓS-OPERATÓRIO) associada a vasoconstrição periférica REPERCUSSÕES PULMONARES (principalmente em cirurgia em tórax ou abdome): ● Prejuízo da expansibilidade pulmonar (musculatura dolorida) → dificuldade na ventilação profunda → redução do volume ventilatório = HIPOXEMIA (queda de O² no sangue), TAQUIPNÉIA e consequentemente taquicardia (coração tenta bombear mais O² para o corpo), e também ATELECTASIA (colabamento dos alvéolos) ● Dificuldade em eliminar secreções do trato respiratório = infecções respiratórias (pneumonias) ● Pneumotórax ● Broncoaspiração ALTERAÇÕES NO METABOLISMO: ● Aumento do catabolismo = elevação dos níveis de glicose (ATENÇÃO ESPECIAL SE PACIENTE JÁ FOR DIABÉTICO) ● Maior consumo energético e protéico ● Retenção hídrica ALTERAÇÕES NO TRATO URINÁRIO E TGI: ● Reduz o tônus intestinal = SÍNDROME DO ÍLEO PARALÍTICO ● Retarda o esvaziamento gástrico ● Predispõe à náuseas e vômitos ● Aumenta o tônus do esfíncter vesical = retenção urinária ALTERAÇÕES GERAIS: ● Redução da resposta imune ● Interrupção do sono = maior desgaste físico, fadiga e menor motivação para cooperar com o tratamento ● Psicológicas e emocionais REFERÊNCIAS: Dor: Princípios e Prática - Onofre Alves Neto Artigo: CONTROLE DA DOR NO PÓS-OPERATÓRIO Áudios da Ana Helena pot doMoblema - gardetomic totzt-ned VE ↳ apósalguns dias -> placa -> med VO local A -> catten -conduzido por numa agulhaC↳ seideual -- efeite motos * diferencion I silves8 t ·laval↳agulha namba uraqui- efeitos asequivalentes Anteriasaber associal, asal spicice a concentrações ↳bloqueia canal de Nat Caso 1 alesasmusculo esquelitica por traçar agrata do tomozel ↳compresse gelo dia por Imi ↳ diclofenaco gel dia a compressar gelo (diclofenaco dietilâmico/pitanico ↳ ilemprofeno G00ug 3x/dia 818h Caso 2 a dias/semanas a lesãolamben musaesqueltica repeleleve papoencagemodela segmentan I compressa asquente,diretamenteseria & diclofenaco gel nxIdia acompensa ↳eleupisfer 600g 3x/dia ↳ tramachelv.o. 50 mg bahxldia??? sopioide in resgatequando buprofen inresolver e ele mesa de algo t Revisã� par� � prov� CONSULTORIA: PROVA ● Medicamentos: descrever mecanismo de ação, dose, volume e quantas vezes por dia, não será pedida titulação do fármaco no manejo inicial; os medicamentos nas alternativas não vão ser os de primeira, segunda ou terceira opção, para evitar se confundir ● DICA: vamos manejar o que manejamos de verdade nos problemas ● Não terão pegadinhas ● Enunciados serão claros e objetivos ● O único índice visto no problema 5, será o ASA ● 3 questões de LPI fechadas → conteudistas ● Situações clínicas - raciocinar SITUAÇÃO 1 - lesão musculoesquelética por torção aguda do tornozelo ● Compressa gelada 10 vezes por dia por 10 minutos ● Diclofenaco gel 4 vezes ao dia com compressas (diclofenaco dietilamonio ou potássico) ● Ibuprofeno 600 mg 3 vezespor dia ● Pode ser adicionada a dipirona, porém ela não é muito importante pois é mais para dor em movimentação, e ele precisa de repouso ● Ficar quieto, imobilizar o pé SITUAÇÃO 2 - lesão lombar músculo esquelética repetitiva por sobrecarga → não é uma lesão aguda, mas é recente ● Compressa quente 5 vezes por dia por 10 minutos ● Diclofenaco gel 4 vezes por dia com compressas (diclofenaco dietilamonio ou potássico) ● Ibuprofeno 600 mg 3 vezes por dia ● Tramadol v.o. 50 mg 3 a 4 vezes ao dia → ou pode ser um analgesico simples, nesse caso pode ser utilizado para controlar a dor no momento, porém não é obrigatório SITUAÇÃO 3 - neuropatia periférica diabética ● Capsaicina 0,0075% 4 vezes ao dia - aplicar capsaicina nos lugares onde tem hiperalgesia e alodinia - em lugares com dormência, pouco adianta ● Pregabalina até 300 mg por dia ou gabapentina 900 a 180 mg por dia ou amitriptilina 50 a 100 mg por dia: - OBS - Amitriptilina é muito versátil e serve para quase todos os problemas - FOTO DO SLIDE (felliphe) - Tramadol + amitriptilina = sindrome serotoninergica - Uso concomitante de cisaprida = aumento do intervalo QT, arritmias - Risco C para a gravidez SITUAÇÃO 4 - dor pós-operatória ambulatorial (extração de dente, procedimento dermatológico ou otorrinolaringológico, em que houve intervenção de rompimento de tecidos, que desencadeia inflamação) ● Compressa gelada 10 vezes por dia por 10 minutos ● Ibuprofeno 600 mg 3 vezes por dia ● Dipirona 500 mg 4 vezes por dia ● Tramadol v.o. 50 mg 3 a 4 vezes ao dia SITUAÇÃO 5 - migrânea crônica ● Topiramato 50 a 100 mg por dia ou Amitriptilina 25 a 100 mg por dia ou Ácido valpróico 500 mg a 1 g por dia - são os melhores para a crônica ● OBS. em casos de migrânea aguda, não cronificada, seja com aura ou sem aura, pode-se usar betabloqueador = atenolol 50 a 200 mg por dia ou propranolol 80 a 160 mg por dia - TEM DIVERGÊNCIA de literatura SITUAÇÃO 6 - neuralgia trigeminal ● Carbamazepina 200 a 400 mg 3 vezes ao dia ou oxcarbazepina 300 mg 3 vezes ao dia ● Possível associação com amitriptilina 50 a 100 mg por dia (reduzir dose da carbamazepina ou oxcarbazepina) SITUAÇÃO 7 - dor após cirurgia artroscópica do joelho ● Compressa gelada 10 vezes por dia por 10 minutos ● Ibuprofeno v.o. 600 mg 3 vezes ao dia - tem que ter ● Morfina (opióide forte) v.o. 10 mg de 4 em 4 horas ou tramadol (opioide fraco) v.o. 50 mg de 4 em 4 h ou codeína v.o. 30 mg de 4 em 4 h → podemos adicionar a dipirona para manejo, mas a dipirona e analgesico menor nao sao o foco, pois essa dor pode ser controlada pelo antiinflamatorio e o opioide SITUAÇÃO 8 - dor pós operatória cirurgia abdominal em ambiente hospitalar ● Morfina subcutánea (ampolas 1 a 10 mg por mL) 2 a 10 mg (a cada 4h), endovenosa 5 a 10 mg (a cada 4h) - Vantagem subcutânea e intramuscular - a dispersão nos tecidos e lenta e prolongada, não depende de um acesso venoso, conteúdo estomacal, motilidade - OBS. dependendo da concentração da morfina na ampola, pode se optar por ‘boulos’, 5 a 10 mg de morfina, que pode estar em 0,5 mL, ao invés de colocar 5 mL ● Ibuprofeno v.o. 600 mg 3 vezes ao dia ● Dipirona v.o. 500 mg 4 vezes ao dia ou paracetamol v.o. 500 mg 6 em 6 h PROBLEMA 5: ● 1 opioide (CODEÍNA 30 mg ou mais, se for fazer endovenoso, 5 a 10 mg) ● 2 antiinflamatórios (ibuprofeno ou nimesulida ou diclofenaco, que tem preferência por cox 2 e mecanismos semelhantes e TENOXICAM) ● 1 analgesico (dipirona 1g, 500 mg de 6 em 6h) ● Não foi dita se a cirurgia foi por vídeo ou aberta, e qual a patologia, mas é um procedimento de medio para grande, em um paciente de 43 anos → exames complementares são eletro, raio X de tórax, hemograma completa, exame de coagulação, creatinina ● OBS - indicações de exames pela associação de anestesiologia são mais brandos do que os da sociedade brasileira de cardiologia, eles pedem menos exames = saber que entre as 2 existem divergências FARMACOLOGIA DOS OPIOIDES - morfina e o basal para potência Problem� 1 4 event� d� percepçã� dolor�� nociceptiv� (fisiológic�) TRANSDUÇÃO: conversão do estímulo nóxico em impulsos nervosos ● Estímulo mecânico, térmico (< 5ºC ou > 45ºC) ou químico é recebido por NOCICEPTORES acoplados na ponta do prolongamento periférico do axônio aferente primário → nociceptores são ativados e liberam GLUTAMATO, SUBSTÂNCIA P, CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina) e ASPARTATO para o meio extracelular = INFLAMAÇÃO TECIDUAL = lesão (rompimento de membrana) → fosfolipase A2 → cascata do ácido araquidônico → via da COX → prostaglandina + substâncias algiogênicas ● SENSIBILIZAÇÃO PERIFÉRICA OU HIPERALGESIA PRIMÁRIA (dor espontânea que ocorre imediatamente após estimulação aguda no local da lesão, faz com que pessoa fique ciente do estímulo lesivo, facilita aparecimento de respostas reflexas e comportamentos protetores para se afastar do estímulo e impedir agravamento e pode estar associada a ALODÍNIA ou dor provocada por estímulo inócuo) = rápida despolarização da membrana dos nociceptores e de mastócitos (aumento substâncias algogênicas) + diminuição do limiar de ativação = facilitação do PA em resposta a estímulos menores em NEURÔNIOS VIZINHOS, promoção da síntese e liberação de prostaglandinas e NO, aumento da sensibilidade e excitação progressiva das fibras dolorosas e aumento da sensibilidade/resposta dos nociceptores aos estímulos nóxicos TERAPÊUTICA PARA DIMINUIR A DOR NESSA ETAPA: AINES, pois agem nos mediadores de inflamação ou substâncias algogênicas (prostaglandinas, prostaciclinas, bradicinina e serotonia), que sensibilizam os nociceptores e contribuem para a sensibilização periférica e central TRANSMISSÃO: vias e mecanismos que permitem que o impulso nervoso seja conduzido a coluna posterior da medula espinhal ● Potenciação a longo prazo (estímulos de curta duração e alta frequência) ou windup (estímulo repetitivo em baixa frequência) = facilitam a transmissão sináptica ● SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL (evento positivo e benéfico que facilita a passagem de informações em situações fisiológicas, e cessa após o término do estímulo) = liberação de GLUTAMATO e SUBSTÂNCIA P (torna os receptores NMDA mais resistentes ao bloqueio por Mg+) → glutamato se liga aos receptores AMPA (enquanto os receptores NMDA, pelo qual tem mais afinidade, tem seu canal de Ca²+ bloqueado pelo Mg+ no neurônio em repouso, impedindo o efeito do glutamato) → despolarização transitória da membrana → repolarização da membrana, porém abertura dos canais de Ca²+ → aumento da concentração de Na+ e Ca²+ → desbloqueio dos receptores NMDA, que são ativados pelo GLUTAMATO → facilita a entrada de cálcio → ativa ÓXIDO-NÍTRICO-SINTETASE → maior produção de NO (atua como segundo mensageiro) → NO atravessa a membrana pós-sináptica e fenda pós-sináptica → causa liberação de mais GLUTAMATO no neurônio pré-sináptico → CICLO (remove ainda mais Mg+ do receptor de NMDA ● HIPERALGESIA SECUNDÁRIA (ocorre na periferia/ ao redor da lesão após estimulação nóxica prolongada que perdura além do período de estimulação e se tornam independentes dela) = SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL no corno dorsal da medula espinhal → estimula neurônios secundários um nível acima e um nível abaixo do mesmo segmento = dói a lesão e ao redor ESTÍMULO DOLOROSO SÚBITO (mecânico e térmico) → ativa VIA NEOESPINOTALÂMICA ou LATERAL (dor aguda inicial = forma de alarme, para indivíduo se afastar do estímulo): ● Nociceptores estão ligados ao PROLONGAMENTO PERIFÉRICO das fibras rápidas Aδ (mielinizadas, velocidade de 6 a 30 m/s) → corpo celular no GÂNGLIO ESPINHAL → PROLONGAMENTO CENTRAL → entra pela RAIZ DORSAL no CORNO DORSAL (lâmina I - mais externa) da medula ESTÍMULO DOLOROSO SÚBITO (mecânico, térmico e principalmente QUÍMICO) → ativa VIA PALEOESPINOTALÂMICA ou MEDIAL (dor duradoura posterior = tende a aumentar com o passar dos minutos): ● Nociceptores estão ligados ao PROLONGAMENTO PERIFÉRICO das fibras lentas C (amielinizadas, velocidade de 0,5 a 2 m/s) → corpo celular no GÂNGLIO ESPINHAL → PROLONGAMENTO CENTRAL→ entra pela RAIZ DORSAL no CORNO DORSAL (lâmina II ou III - mais internas) da medula TERAPÊUTICA PARA DIMINUIR A DOR NESSA ETAPA: bloqueio com ANESTÉSICO LOCAL, que impede que os neurotransmissores da dor cheguem ao córtex MODULAÇÃO: vias nociceptivas provocam possível ativação de estruturas responsáveis pela supressão da dor no corno dorsal da medula espinhal, antes de chegar a níveis superiores ● SEGMENTAR (antiga teoria do portão, ocorre no mesmo nível ou segmento medular) = estímulo nociceptivo ativa fibras C e Aδ → abre comportas da medula espinhal e SINAPSE no corno posterior → estímulo tátil (gelo, calor, massagem, acupuntura) → ativação das fibras Aβ (espessas e rápidas: 30 a 100 m/s): - Ativa INTERNEURÔNIOS ENCEFALINÉRGICOS → liberam de OPIÓIDES ENDÓGENOS (inibitórios), que se ligam aos seus receptores nos axônios do 1º e 2º neurônios - Diminuição do influxo de cálcio nas fibras C e Aδ = dificulta a liberação de neurotransmissores = INFORMAÇÃO NÃO ASCENDE (ou ascende menos) ● SUPRASEGMENTAR ou SISTEMA INIBITÓRIO DESCENDENTE (vem de níveis acima do segmento medular e ocorre quando tem muita informação ascendendo, silencia os sinais mais baixos e intervalados): trato espinotalâmico → tálamo, bulbo e mesencéfalo (estímulo da substância cinzenta periaquedutal) → estimula NÚCLEO MAGNO DA RAFE e LOCUS CERULEUS produzirem encefalinas (SEROTONINA e NORADRENALINA) → fibras descendem para a FORMAÇÃO RETICULAR e CORNO DORSAL → INTERNEURÔNIO ENCEFALINÉRGICO libera ENCEFALINA → se acopla aos receptores opióides nos neurônios aferentes primários e secundários = BLOQUEIO DAS FIBRAS C e Aδ TERAPÊUTICA PARA DIMINUIR A DOR NESSA ETAPA: OPIÓIDES, pois se acoplam aos seus receptores de neurônios aferentes primários e secundários, diminuem o influxo de cálcio nas fibras nociceptivas (C a Aδ) e dificultam a liberação de neurotransmissores e ascensão da dor PERCEPÇÃO: impulso é integrado e percebido como DOR no encéfalo NEOESPINOTALÂMICA: GLUTAMATO (ação instantânea e pouco persistente) → SINAPSE com o 2º NEURÔNIO (têm axônios longo) → CRUZAMENTO (em direção ao corno anterior por meio da comissura anterior) → ascendem pelo TRATO ESPINOTALÂMICO (FEIXE LATERAL: substância branca) → minoria vai para áreas reticulares do tronco cerebral e a maioria para o TÁLAMO (NÚCLEO VENTRAL PÓSTERO-LATERAL ou VPL + NÚCLEO VENTRAL PÓSTERO-MEDIAL ou VPM e nos NÚCLEOS INTRALAMINARES) e faz SINAPSE com o 3º NEURÔNIO → CÓRTEX S1 (área somestésica/ sensitiva primária, localizada no giro pós central) → SOMATOTOPIA (homúnculo = informação vai para a área correspondente a parte do corpo que sofreu a injúria) e aspecto SENSITIVO DISCRIMINATIVO da dor (detecção e percepção da localização, intensidade, duração e modalidade de estímulo da dor = localização precisa, intensa, rápida e em pontada) PALEOESPINOTALÂMICA (tem conectividade multi sináptica): SUBSTÂNCIA P (liberada lentamente) → SINAPSE com o 2º NEURÔNIO (têm axônios longos) → entram na lâmina V → a maioria CONTINUA IPSILATERAL e poucas CRUZAM (se juntam as fibras de dor rápida) → ascendem pela VIA ESPINORRETICULAR → SINAPSE com o 3º NEURÔNIO no TRONCO ENCEFÁLICO (formação reticular - contribui com a reação de luta ou fuga, pois aumenta FR, FC e O² -, área tectal do mesencéfalo, região cinzenta periaquedutal), CEREBELO e principalmente o CÓRTEX (para atingi-lo, precisam cruzam obrigatoriamente) → ascendem pela VIA RETÍCULO TALÂMICA para o TÁLAMO (NÚCLEO VENTRAL PÓSTERO-LATERAL ou VPL + NÚCLEO VENTRAL PÓSTERO-MEDIAL ou VPM e NÚCLEO DORSO MEDIAL) e faz SINAPSE com o 4º NEURÔNIO → CÓRTEX S2 (área de associação/ somestésica/ sensitiva secundária), SISTEMA LÍMBICO e HIPOTÁLAMO, responsáveis pelo aspecto AFETO COGNITIVO da dor (consegue precisar o local da dor = DOR mal localizada, difusa, de baixa intensidade e de crescente duração; relação entre a dor e a memória, os estados emocionais, a capacidade de tolerância à dor, racionalização e interpretação afetiva) TERAPÊUTICA PARA DIMINUIR A DOR NESSA ETAPA: PSICOFÁRMACOS, ANTICONVULSIVANTES, ANTIDEPRESSIVOS Dor agud� � dor crônic� DOR AGUDA = até 3 meses e de 3 a 6 meses quando é subaguda. É em agulhada ou elétrica. Sentida de 0,1 a 1 seg após estímulo doloroso e aumenta lentamente durante vários segundos/minutos e se mantém se for estimulada por reações inflamatórias (dor persistente). Tem relação temporal com a lesão, sinaliza rapidamente sobre o perigo para que pessoa se afaste e diminua a gravidade, e cessa com o fim do estímulo DOR CRÔNICA = > 6 meses. É em queimação, pulsátil, nauseante ou contínua. É quase sempre precedida de dor aguda e a mantém mesmo após resolução da etiologia, por isso não tem relação temporal com a lesão tecidual ou estímulo. É resultado de uma disfunção somatossensorial → MECANISMOS: ● Nocicepção periférica repetitiva e contínua = manutenção ou persistência da neuroplasticidade (expressão de novos canais iônicos na membrana neuronal e brotamento de terminais axonais), que facilita o tráfego da informação ● Sensibilização central persistente ● Modulação supra segmentar ou sistema inibitório descendente falho ● Aspectos psicológicos (depressão, ansiedade, estresse crônico, diminuição da capacidade de enfrentamento) relacionados à percepção afeto-cognitiva da dor AINES SELETIVIDADE ● NÃO SELETIVOS: inibem COX 1 e COX 2 ● SELETIVOS: terminação COXIBE (inibem apenas COX 2) OBS.: não existe droga 100% seletiva, quanto maior a dose, menor a seletividade e mais efeitos colaterais MECANISMO DE AÇÃO Atua no início da cascata do ácido araquidônico, inibindo reversivelmente a via da COX e consequentemente a produção de mediadores inflamatórios como PROSTAGLANDINAS e PROSTACICLINAS e os sinais flogísticos produzidos por elas ● COX 1 (fisiológica ou constitutiva): PROSTAGLANDINA E2 está presente na mucosa duodenal (proteção gástrica e vasodilatação) e TROMBOXANO A2 nas plaquetas (faz hemostasia 1ª, aumento da agregação plaquetária) - INIBIÇÃO: efeitos indesejáveis no TGI ● COX 2 (inflamatória): presente na inflamação e FISIOLOGICAMENTE nos rins e SNC, além de PROSTACICLINA no endotélio (faz vasodilatação e é responsável pela acomodação do trombo) - INIBIÇÃO = efeitos indesejáveis e ação antipirética, analgésica e anti-inflamatória → diminuem a dor aguda inflamatória e SENSIBILIZAÇÃO PERIFÉRICA INDICAÇÃO ● Dor crônica ou pós operatória ● Inflamação ● Estados dolorosos inflamatórios pós-traumáticos: entorses ● Dismenorreia ● DIPIRONA e PARACETAMOL (não são AINES): febre recorrente (diminui produção de substâncias álgicas, que atuam menos no hipotálamo como pirogênios), cefaléia, lombalgia CONTRAINDICAÇÃO ● Insuficiências: renais, hepáticas ou cardíacas ● Hipersensibilidade ● DICLOFENACO: tríade AAS (asma, inflamação do nariz, espirros e secreções e intolerância a AAS) ● DIPIRONA: função de MO comprometida, < 3 meses ou < 5kg ● PARACETAMOL: < 12 anos e gestantes ● AAS: problemas de coagulação, asma e doença febril aguda POSOLOGIA DICLOFENACO (adulto): 50 mg 3 vezes/dia (8/8h) ou 75 mg 2 vezes/dia IBUPROFENO (adulto): 200-400 mg a cada 4-6 h (dose máxima 2400 mg/dia) DIPIRONA (adulto): 30 mg/kg de 4 a 6/6h PARACETAMOL (adulto): 10-15 mg/kg a cada 4h (máximo 4g/dia) AAS: ● Infantil: 100 mg → seletivo para COX 1, a inativa irreversivelmente e impede a produção de intermediários inflamatórios = efeito cardioprotetor (como antiagregante plaquetário e previne formação de trombos) ● Doses repetitivas e crônicas: 200 mg → deixa de ser seletiva e passa a atuar como AINE e pode dificultar a agregação plaquetária e causar sangramentos EFEITOS ADVERSOS PROBLEMAS DE COAGULAÇÃO = bloqueio de COX 1 impede a produção de TROMBOXANO A2 e a agregação plaquetária não ocorre e AUMENTA O RISCO DE SANGRAMENTO → AAS em baixas doses ou infantil (75 a 100 mg nos EUA e 100 mg no BR) é protetor cardíaco e pode ser benéfico para pacientes com trombose e valvulopatias ÚLCERAS PÉPTICAS ou GÁSTRICAS = bloqueio de COX 1 impede a produção de PROSTAGLANDINA E2 e não ocorre secreção de muco (protege o estômagodo ácido clorídrico) e bicarbonato (diminui H+ ou acidez estomacal), estimulação do fluxo sanguíneo e regulação do crescimento de H. pylori = risco de hemorragia digestiva e anemia ATAQUE CARDÍACO = bloqueio de COX 2 (pelos COXIBES) impede produção de PROSTACICLINA, que não controla mais a formação de trombos ou promove a vasodilatação para acomodá-los, causando obstrução do vaso e INTERRUPÇÃO DO FLUXO SANGUÍNEO PROBLEMAS RENAIS = bloqueio de COX 1 impede produção PROSTAGLANDINA e a dilatação das arteríolas renais e manutenção da taxa de filtração glomerular (TGF) não ocorre ATRAPALHA O TRABALHO DE PARTO: com a inibição da COX, as prostaglandina E2 e F2α, presentes no miométrio no momento do parto, não são produzidas e gestação pode se prolongar AAS - INTOXICAÇÃO: bloqueia COX, faz a via dos LEUCOTRIENOS se sobressair e exerce ação broncoconstritora PARACETAMOL - HEPATOTOXICIDADE: > 4g/dia = glutationa é saturada e acumula NAPQI (metabolito tóxico), causando necrose hepática Escad� d� DOR É diretamente proporcional a queixa do paciente e não precisa acontecer necessariamente na ordem SUBIR = em dor crônica e relacionada ao câncer DESCER = em dor aguda, crônica agudizada e PÓS-OPERATÓRIO ● Analgésicos não opióides = analgésicos menores (DIPIRONA, PARACETAMOL, AAS) ● OPIÓIDES FRACOS = codeína e tramadol ● OPIÓIDES FORTES = morfina e oxicodona ● ADJUVANTES = ansiolíticos/antidepressivos, benzodiazepínicos (anticonvulsivantes), corticóides (AIE - anti-inflamatórios esteroidais) e relaxante muscular Problem� 2 Síndrom� �bromiálgic� (SFM) condição dolorosa crônica difusa do sistema musculoesquelético (músculos + ligamentos + tendões) não-articular, que predomina em mulheres entre 35 e 50 anos e é caracterizada por dor à palpação em pontos dolorosos - não é degenerativa, mas causa prejuízos APRESENTAÇÃO CLÍNICA - compromete atividades de vida diária, serviços domésticos/laborais e inatividade Pacientes POLIQUEIXOSOS, queixas crescentes, difusas e BILATERAIS ● 18 PONTOS DOLOROSOS: dor crônica generalizada → músculos, ligamentos, tendões ● Cefaléia crônica → diária, intensa e relacionada a tensão ● Rigidez articular e artralgia → intensas de manhã e à noite, agravadas pelo excesso de atividade física, exposição ao frio e estresse ● Fadiga generalizada/ persistente ● Parestesias em extremidades (sem anormalidades no exame neurológico) ● Sensação de inchaço (sem edema) em mãos, pés e tornozelos ● Tontura → pontos de gatilho podem comprometer a propriocepção ● Hipotensão arterial e síncopes ● SONO: dificuldade de instalação e retomada, agitação, despertares frequentes e precoces e não reparador ● SÍNDROME DO CÓLON IRRITÁVEL: dor, distensão abdominal, alteração do hábito intestinal (constipação, diarréia ou alternância) ● SÍNDROME DA BEXIGA IRRITÁVEL: desconforto suprapúbico, urgência e disúria ● SÍNDROME DAS PERNAS/BRAÇOS INQUIETOS: movimentos periódicos dos membros, desconforto, latejamento, prurido → MIOCLONIA (espasmos rápidos e repentinos nos músculos) ● SÍNDROME DE RAYNAUD: intolerância ao frio → vasoespasmos de extremidades = palidez, cianose e rubor de mãos e pés ● Disfunção cognitiva MECANISMOS NEUROGÊNICOS: ● Déficit no SISTEMA DE CONTROLE INIBITÓRIO = maior percepção de estímulos dolorosos crônicos ● Excesso de ativação dos RECEPTORES DE NMDA = aumento da FISIOPATOLOGIA anormalidades no processamento sensitivo/sensorial do SNC SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL ● Hiperatividade do SNA SIMPÁTICO (estimula secreção hipofisária de ACTH → sangue → adrenal → aumento de NA) e NEUROTRANSMISSORES EXCITATÓRIOS (substância P) ● Déficit SEROTONINÉRGICO ● Hipoatividade de NEUROTRANSMISSORES INIBITÓRIOS ANORMALIDADES MÚSCULO ESQUELÉTICAS: lise das fibras tipo I, atrofia das fibras tipo II (contração rápida), decréscimo de ATP e ADP e menor força ANORMALIDADES DO SONO (é importante para a fadiga, pois faz restauração física): aumento do estágio 1 (SONOLENTO) e inibição do estágio 4 (SONO MAIS PROFUNDO) do sono não-REM = menos GH e menor reparação muscular MECANISMOS NEURO HUMORAIS: ativação do hipotálamo → aumenta ACTH → adrenal: secreção de CORTISOL (córtex) e ADRENALINA e NORADRENALINA (medula) MECANISMOS PSICOCOMPORTAMENTAIS: anormalidades no sono + anormalidades neuroendócrinas + estresse crônico + traumatismos + condição psicossocial = agravam estresse físico e emocional → ANORMALIDADES COGNITIVAS: incapacidade funcional, interferências na capacidade de atenção, concentração, memória e processamento de informações, ansiedade e depressão DIAGNÓSTICO é clínico ● HISTÓRIA CLÍNICA: dor generalizada/difusa bilateral, acima e abaixo da cintura e eixo axial (região cervical, tórax, dorso e região lombar) ● EXAME FÍSICO: dor à palpação digital com 4 kg/cm nos pontos dolorosos ● EXAMES: não há evidências laboratoriais ou de imagem CRITÉRIOS PRELIMINARES DE DIAGNÓSTICO (Colégio Americano de Reumatologia - 2010): considerados complementares aos critérios de 1990 Índice de Dor Generalizada (IDG): soma de números de regiões dolorosas referidas → 0 a 19 Escala de Gravidade de Sintomas (EGS): pontua de 0 a 3 a intensidade dos sintomas dos últimos 7 dias Se IDG ≥ 7 ou EGS ≥5 --- Se IDG entre 3 e 6 ou EGS ≥ 9 Sintomas presentes há pelo menos 3 meses Não houver outra doença que justifique os sintomas DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS Dor miofascial, cervicobraquialgia, polimialgia reumática, artrite reacional ou síndrome de reiter e hipotireoidismo TRATAMENTO ORIENTAÇÕES: informar sobre a benignidade, dor (fatores de melhora e piora), influência de aspectos emocionais influenciam (medo, crenças, desesperança, enfrentamento), aconselhar a redução da jornada de trabalho, escolha cuidadosa de tarefas e mostrar que o tratamento depende do paciente NÃO MEDICAMENTOSO ATIVIDADE FÍSICA (esitmula endorfinas e tem efeito analgésico e antidepressivo): 2 a 3 vezes na semana, até 75% da FCM, leve (aeróbica de baixo impacto: natação, caminhada, hidroginástica) no inicio e aumentar a intensidade gradativamente TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL: acompanhamento psicológico para lidar com o diagnóstico e depressão, sensação de perda ou dano, ansiedade e ameaça MEIOS FÍSICOS: calor, massagem, eletroterapia, acupuntura, infiltrações de pontos dolorosos e cinesioterapia (terapia com movimentos) FARMACOLÓGICO (pregabalina OU gabapentina + duloxetina) PREGABALINA: anticonvulsivante, agonista do GABA de ação central, lipossolúvel (passa facilmente pela barreira hematoencefálica) ● MECANISMO DE AÇÃO: se liga a subunidade proteína alfa-2 do canal de Ca²+ e impede exocitose de neurotransmissores (noradrenalina e serotonina) dos neurônios pré-sinápticos = regula transmissão de mensagens excitatórias ● FARMACOCINÉTICA: não se liga a proteínas plasmáticas, não são metabolizadas e são excretadas na urina sem alteração ● INDICAÇÕES: fibromialgia, dor crônica e neuropática e enxaqueca ● CONTRAINDICAÇÕES: gestação e lactação (classe C), diabéticos, doentes renais, insuficiência cardíaca congestiva e operador de máquinas ● EFEITOS ADVERSOS: são brandos - sonolência, tontura, ataxia, fadiga, hipocalemia, cefaleia, náuseas ● POSOLOGIA: cápsulas - 50 a 150 mg/dia a noite - OU: 50 mg/dia ao deitar por 7 a 10 dias → reavaliar → 150 mg (1 a 2x/dia, a noite) → no máximo 600 mg/dia DULOXETINA: antidepressivo dual, inibidor de recaptação de serotonina-norepinefrina, de estrutura dual e menos efeitos colaterais do que a amitriptilina, porém mais caro e não a ultrapassa em evidências ● MECANISMO DE AÇÃO: bloqueia a recaptação de serotonina no terminal pré-sináptico e prolonga a neurotransmissão serotoninérgica, que favorece a via descendente da dor/ sistema opióide endógeno e causa analgesia. Inibe a MAO (que quebra a NA no neurônio pré-sináptico), assim a noradrenalina não é degradada e tem sua resposta amplificada ● INDICAÇÕES: fibromialgia associada a depressão ou ansiedade, dor neuropática associada a neuropatia periférica e dor crônica (lombar, osteoartrite de joelho) ● CONTRAINDICAÇÕES: pacientes em usode inibidores de MAO ou que pararam nos últimos 14 dias ● EFEITOS ADVERSOS: constipação, xerostomia, náusea, diarréia, tontura, cefaléia, sonolência ● POSOLOGIA: cápsulas - 30 a 60 mg/dia pela manhã Lombociatalgi� dor lombar (entre último arco costal e prega glútea) irradiada para nádegas e 1 ou ambos os membros inferiores até a extremidade distal APRESENTAÇÃO CLÍNICA DOR: início súbito, forte intensidade, caráter lancinante/queimação/choque/latejamento ● HIPERALGESIA ● ALODÍNIA (dor a um estímulo que normalmente não provoca dor) SINAIS DE ALARME = dor noturna, dor intensa, diminuição de peso, febre, calafrios, sudorese noturna, trauma, déficit neurológico ETIOLOGIA MECANISMO ETIOLÓGICO: compressão mecânica/ inflamatória → principalmente entre L4-L5 (mecanismo torsional) e L5-S1 (mecanismo de compressão) PROTUSÃO DISCAL: reação inflamatória causa degeneração discal → diminui capacidade absorção de impacto do NÚCLEO PULPOSO e aumenta a pressão intradiscal → protusão do disco para interior do canal vertebral → compressão mecânica da raiz nervosa + processo inflamatório = nocicepção HÉRNIA DE DISCO: alterações viscoelásticas e mecânicas causam abaulamento distal → protusão (posterolateral) e compressão mecânica da raíz nervosa → prolapso discal (ruptura externa do ânulo fibrosos e herniação de núcleo para o caminho de menor resistência) → HÉRNIA de disco (rompimento do ligamento amarelo e invasão do canal medular) → sequestro (material discal perde contato com seu ponto de origem) ESTENOSE DE CANAL VERTEBRAL: situações que causam diminuição do diâmetro do canal vertebral: espessamento das lâminas e facetas articulares, hipertrofia do ligamento amarelo e hiperlordose SÍNDROME PÓS-LAMINECTOMIA: pacientes submetidos a cirurgia de coluna lombar que evoluir para dor crônica neuropática em membro inferior SÍNDROME DO MÚSCULO PIRIFORME: hipertrofia do músculo piriforme que comprime nervo ciático ANOMALIAS DE TRANSIÇÃO LOMBOSSACRAL ESPINHA BÍFIDA: os 2 hemiarcos posteriores a nível das apófises espinhosas não se unem DIAGNÓSTICO ANAMNESE = decálogo da dor e sinais de alarme EXAME FÍSICO: posição antálgica, assimetria, lesões EXAME NEUROLÓGICO: motricidade, sensibilidade (tátil, dolorosa, térmica e vibratória) e reflexos tendíneos profundos: ● TESTE DE LASÉGUE (ou elevação da perna estendida): elevação da perna esticada do paciente, realizando flexão passiva do quadril, em 30 a 70º → evidência comprometimento do nervo ciático e flexibilidade dos músculos isquiotibiais = TESTE POSITIVO: dor em todo o trajeto do nervo ciático em amplitude de movimento < 30º, indica comprometimento de nervos periféricos/ sintomas radiculares ● QUADRÍCEPS ou REFLEXO PATELAR (avalia L2 a L4): distrair o paciente sentado e bem relaxado, ao solicitar que flexione as falanges dos dedos da mão, encaixe uma na outra e puxe. Percutir o ligamento patelar e observar a extensão/estiramento do músculo da coxa ● TRÍCEPS SURAL ou REFLEXO AQUILEU ou AQUILIANO (avalia L5 - S1 A S3): apoiar a planta do pé solto com a mão, percutir com o martelo o tendão de aquiles e observar a extensão do pé EXAMES DE IMAGEM (solicitar de acordo com a anamnese/exame físico, para tentar excluir diagnósticos diferenciais): ● RX = mediante aos sinais de alarmes ou após 4 semanas de tratamento ● RM (EXAME DE ESCOLHA): imagem escura evidencia um disco desidratado, e diferencia hérnia de disco, neurofibromas e cistos ● TC = indica comprometimentos discal, no canal vertebral ou no forame intervertebral) DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS Lombalgia, espondiloartrose, artrite reumatóide TRATAMENTO REPOUSO de 3 a 4 dias na POSIÇÃO DE ZASSIRCHON (decúbito dorsal/supino, quadril 90º, joelho 90º e pernas sobre apoio) para retificação da coluna lombar TERAPIA COMPORTAMENTAL: mudança de padrões comportamentais reduz a incapacidade nas lombalgias crônicas Estímulo das ATIVIDADES HABITUAIS precocemente Encaminhamento para FISIOTERAPIA e ORTOPEDIA MEDICAMENTOS: ● Analgésicos não opióides (dor leve a moderada): dipirona 500 mg até 4x/dia e paracetamol 500 mg de 4-6x/dia ● Opióides (casos graves ● Anti-inflamatórios: ibuprofeno 600 mg de 8/8h por 3 a 5 dias, valdecoxibe 10mg/dia, rofecoxibe 50 mg/dia e celecoxibe 100-200 mg de 12/2h ● Glicocorticóides (na lombociatalgia aguda) ● Relaxantes musculares: ciclobenzaprina (SÓ PARA DOR MUSCULOESQUELÉTICA AGUDA) 5 a 10 mg/dia ao deitar por 7 dias e carisoprodol 350 mg/dia ● Antidepressivos (se houver componente psicossomático) Problem� 3 Dor d� Orige� Centra� o� Dor Centra� Encefálic� (DCE) DOR NEUROPÁTICA, causada por anormalidades anatômicas e/ou funcionais em estruturas do SNC (fazem veiculação, integração e processamento da informação nociceptiva e somatossensitiva) em qualquer nível do neuroeixo, mas principalmente nas vias ESPINOTALAMOCORTICAIS FISIOPATOLOGIA ETIOLOGIA = doenças que afetam encéfalo e medula espinal → lesões vasculares (AVCs isquêmicos, hemorrágicos, doença cerebrovascular, hemorragias intraparenquimatosa ou subaracnóide, vasoespasmo e malformações arteriovenosas) e traumáticas (lesões de medula espinhal, tronco encefálico e porção ventro-posterior do tálamo) → pode iniciar concomitante ao evento ou anos após seu acontecimento Isquemia → hipóxia = morte neuronal → células vizinhas assumem o comando por neuroplasticidade = EXCITAÇÃO CRUZADA (mecanismos excitatórios e inibitórios se misturam) LESÃO DAS VIAS DISCRIMINATIVAS SOMATOSSENSITIVAS ESPINOTALÂMICAS: ● Perda da atividade inibitória das vias espinotalâmicas ● DISFUNÇÕES NA SENSIBILIDADE TÉRMICA = lesão em estruturas (lâmina I do corno dorsal medular espinhal, projeções tálamo corticais e núcleos talâmicos) especializadas para a percepção da temperatura e dor LESÃO EM NÚCLEOS TALÂMICOS: ● NÚCLEO VENTRAL LATERAL DO TÁLAMO (recebe projeções corticais inibitórias): perda da modulação cortical inibitória da dor = DESAFERENTAÇÃO E SENSIBILIDADE (reações exageradas, espontâneas e persistentes) ● NÚCLEOS RETICULARES TALÂMICOS INIBITÓRIOS (gabaérgicos): reduz atividade inibidora dos núcleos intralaminares ATIVIDADE TALÂMICA ESPONTÂNEA e DESINIBIÇÃO RETICULAR TALÂMICA: tálamo é capaz de gerar dor mesmo quando não há aferências ou eferências espinal = HIPERSENSIBILIDADE HIPERATIVIDADE GLUTAMATÉRGICA e HIPOATIVIDADE GABAÉRGICA: desequilíbrio entre atividade excitatória e inibitória OBS.: lesões lemniscais estão presentes em vários casos de dor central, mas não são necessárias para que ela ocorra LOCALIZAÇÃO DAS LESÕES INFARTO ou comprometimento ANTES DO CRUZAMENTO (trigêmeo) DEPOIS DO CRUZAMENTO (resto do corpo) Sintomas IPSILATERAIS Sintomas CONTRALATERAIS OBS.: TATO FINO (epicrítico = propriocepção): cruzamento no BULBO TATO GROSSO (protopático = sensibilidade visceral, temperatura, dor, coceira): cruzamento na MEDULA APRESENTAÇÃO CLÍNICA DOR de instalação insidiosa, superficial ou profunda ● Localização: distribuída em amplas áreas do corpo (todo um hemicorpo ou metade caudal ou rostral) ou em regiões restritas (segmentos corporais distais = extremidades e membros) ● Características: queimação, compressiva, fria, em fisgada, lancinante, em formigamentos, pruriginosa, coceira e dormência ● Duração: contínua ● Intensidade: estável ou flutuante (influenciada por eventos ambientais, intrínsecos e atividade musculoesquelética e/ou visceral) ● Fatores agravantes: estresse emocional, frio e movimentos ● Fatores de melhora: clima quente e repouso DOR MUSCULOESQUELÉTICA: secundária a imobilização, podendo gerar déficit motor, incoordenação e limitação de funções ALTERAÇÕES DE SENSIBILIDADE: déficit somatosensitivo térmico (principalmente) e doloroso = anestesias, parestesias, distesias, hipoestesias, hiperpatias (ação dolorosa aumentada por estímulos repetitivos sublimiares ou pós-sensações dolorosas) e alodínia ao toque frio Comprometimento de funções motoras, cognitivas e de linguagem CLINICO: anamnese (características da dor e sintomas neurológicos) + exame físico + exame neurológico (ênfase na avaliaçãode sensibilidade = feita lado a lado se houverem alterações bilaterais e distal proximal quando a alteração é unilateral): ● SENSIBILIDADE DOLOROSA: “ponta ou romba/pé” → com um objeto (martelo neurológico, espátula quebrada, alfinete de segurança) com formato pontiagudo em uma das pontas, encostar na pele do paciente e pedir para ele identificar se é ponta ou romba e apontar o local estimulado (localização sensitiva) ● SENSIBILIDADE TÉRMICA: tubos de ensaio com água morna e fria ou algodão embebido em álcool ou ponta do martelo neurológico para simular o frio e gaze ou algodão seco para simular o quente → maior latência para detecção, paciente demora um pouco mais para responder DIAGNÓSTICO ● SENSIBILIDADE TÁTIL: testada com o auxílio de monofilamentos de vários calibres ou um pincel, que são encostados na pele, fazendo um arco, enquanto se verifica se paciente sente o filamento em todos os locais, depois mudar de filamento, variando sua espessura → hanseníase, pé diabético ● SENSIBILIDADE PROFUNDA ou PROPRIOCEPÇÃO: testa se paciente consegue identificar em que posição está seu segmento corporal → posição (manipular mão do paciente, fazendo Ok ou jóia), cinestesia (mover e não mover o membro, de forma não padronizada, para que o paciente identifique se está sendo movimentado ou não) ● SENSIBILIDADE VIBRATÓRIA ou PALESTESIA: fazer o diapasão vibrar, segurar pelo cabo e colocar na extremidade óssea, de distal para proximal e perguntar se o paciente sente vibrar e quando ele sente parar CRITÉRIOS: dor neuropática + sinais neurológicos indicativos que lesão do SNC (topograficamente relacionados à dor e à síndrome sensitiva) EXAMES LABORATORIAIS: não evidenciam nada EXAMES DE IMAGEM (TC e RM de encéfalo e medula): podem ou não demonstrar lesões não irrigadas no SNC POTENCIAL NEURO EVOCADO TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO ● FISIATRIA: medicina reabilitadora que trata doenças variadas que atrapalham as atividades cotidianas por causar algum tipo de incapacidade, limitação física ou perda de habilidade; receita medicamentos e encaminha para fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapia ocupacional e nutricionista, para devolver independência e qualidade de vida ● Fisioterapia ● Psiquiatra e psicólogos ● Estimulação elétrica transcutânea MEDICAMENTOSO - controle parcial da dor: antidepressivos tricíclicos e duais, anticonvulsivantes, lidocaína parenteral e opióides GABAPENTINA: anticonvulsivante agonista do GABA de ação central, lipossolúvel (passa facilmente pela barreira hematoencefálica) ● MECANISMO DE AÇÃO (semelhante ao da pregabalina): bloqueia canal de Na+, se liga a subunidade 2δ do canal de Ca²+ e impede exocitose de neurotransmissores (noradrenalina e serotonina) dos neurônios pré-sinápticos, regulando transmissão de mensagens excitatórias, promove liberação de GABA no neurônio pré-sináptico e inibe receptores de NDMA (diminui efeitos do glutamato e controla alodínia) ● FARMACOCINÉTICA: não se liga a proteínas plasmáticas, não são metabolizadas e são excretadas na urina sem alteração ● INDICAÇÕES: dor crônica e neuropática e enxaqueca ● CONTRAINDICAÇÕES: gestação e lactação (classe C), operador de máquinas, < 12 anos e hipersensibilidade ● EFEITOS ADVERSOS: são brandos - sonolência, tontura, ataxia, fadiga e edema periférico ● POSOLOGIA: 400 mg 3x/dia, totalizando 1200 mg/dia DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS Dor psicogênica (distúrbio psicológico ou psiquiátrico sem correlação com lesão ou patologias) Neuropati� Diabétic� Grupo heterogêneo de manifestações clínicas originadas de complicações da DM, que acometem o SNP, que se apresentam sob variadas formas (POLINEUROPATIA SIMÉTRICA DISTAL é a mais frequente), mecanismos, instalação e evolução FATORES DE RISCO: idade avançada, homens, negros não hispânicos, maior duração da DM, HbA1c > 7%, insulinoterapia, histórico de HAS e DLP, albuminúria e acometimento crônico do nervo periférico FISIOPATOLOGIA HIPERGLICEMIA CRÔNICA É O PRINCIPAL FATOR DESENCADEANTE DAS VIAS PATOGÊNICAS VIA METABÓLICA = glicose em altos níveis penetra os nervos e causa reações metabólicas que levam ao estresse oxidativo, formação de radicais livres, disfunção mitocondrial e ativa a cascata de apoptose ● VIA DO POLYOL: glicose → aldose redutase → sorbitol → acúmulo intracelular de sorbitol e frutose → diminuição de transporte ativo dos metabólitos → ALTERA MECANISMOS REGULATÓRIOS INTRACELULARES = diminui atividade da bomba de Na+/K+ → acúmulo de Na+ intracelular → aumenta a osmolaridade e altera potencial de repouso → estresse oxidativo diminui velocidade de condução = alterações estruturais reversíveis nos nódulos de ranvier (lacunas entre a bainha de mielina) ● PFGA (produtos finais de glicosilação avançada): reação de aminoácidos e produtos da glicose → ALTERAÇÃO DA FUNÇÃO INTRACELULAR das proteínas + MODIFICAÇÃO COMPONENTES EXTRACELULARES essenciais para a regeneração axonal + ligação irreversível em receptores de macrófagos e células endoteliais = estresse oxidativo, secreção de citocinas, degradação da MEC e apoptose ● LESÃO ISQUÊMICA DO NERVO PERIFÉRICO: altos níveis de glicose → ativam a proteína C quinase excessivamente → produção de NO → lesão isquêmica ● DISLIPIDEMIA (DLP): ácidos graxos livres lesam diretamente as células de Schwann e promovem o aumento de substâncias pró-inflamatórias e do estresse oxidativo ● VIA DA HEXOSAMINA: hiperglicemia muda expressão de alguns genes e funcionamento de proteínas intracelulares VIA VASCULAR = disfunção microvascular generalizada diminui do fluxo sanguíneo → aumento da resistência vascular e diminuição da tensão de oxigênio = ANORMALIDADES MICROVASCULARES ENDONEURAIS: espessamento/duplicação da membrana basal, edema, proliferação endotelial e muscular lisa intimal e trombo plaquetário oclusivo VIA NEURODEGENERATIVA = declínio quanti e qualitativo da insulina → redução da atividade do IGF-1 (fator de crescimento insulina like 1) e NGF (fator de crescimento neuronal) → diminui proteínas imprescindíveis para formação dos neurofilamentos, manutenção do transporte axonal, crescimento e regeneração = degeneração axonal e apoptose do corpo neuronal VIA INFLAMATÓRIA = agentes pró-inflamatórios → recrutamento de células inflamatórias + produção de citocinas + redução do fluxo sanguíneo = aumento da hipóxia, isquemia neural periférica e dificuldade na regeneração APRESENTAÇÃO CLÍNICA Desenvolvimento lento, progressivo e simétrico → PIORA NOTURNA, pode chegar a intenso e incapacitante Primeiros sintomas: sensitivos e autonômicos → envolvimento eminentemente de fibras finas ● Dor em choques, picadas e queimação HIPERESTESIA = resposta exagerada a estímulos táteis HIPERALGESIA = sensibilidade exagerada a estímulos dolorosos HIPERPATIA = persistência da dor após a remoção do estímulo doloroso ALODINIA = sensação dolorosa causada por estímulos não dolorosos Evolução: acometimento de fibras largas sensitivas ● Sensações de dormência e formigamento Estágios graves: acometimento de fibras motoras ● RARAMENTE: fraqueza discreta distal de membros inferiores e atrofia da musculatura das extremidades dos membros superiores e inferiores_ ● Desequilíbrio e quedas PADRÃO DE DISTRIBUIÇÃO “MEIAS/bota, LUVAS E AVENTAL/cinto”: clássica distribuição distal nos membros inferiores, acometendo membros superiores, região central do abdômen e vértice EXAME NEUROLÓGICO = hipoestesia/hiperestesia distal nos segmentos, hiporreflexia (reflexo aquiliano) e arreflexia profunda (casos graves) TESTES NEUROFISIOLÓGICOS: ● ELETRONEUROMIOGRAFIA (ENMG): com agulhas, desconfortável, mas documenta o envolvimento de fibras largas e avalia simetria, gravidade e progressão da doença DIAGNÓSTICO ● TESTE QUANTITATIVO DE SENSIBILIDADE (QST): identifica e quantifica alteração sensitivas (térmicas, dolorosas e vibratórias) nas polineuropatias em diferentes locais, por meio da aplicação de estímulos térmicos e vibratórios; é útil, rápido, não invasivo e de fácil execução, mas capta alterações em qualquer ponto do neuroeixo (= erro de análise)● BIÓPSIA DE PELE: punch obtém um fragmento de aprox. 3mm de pele glabra (sem pelos) e identifica neuropatia por visualização direta de fibras nervosas epidérmicas de pequeno calibre; é invasivo e não agrega informações a respeito da etiologia TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO ● Controle glicêmico rigoroso ● Instruções alimentares e comportamentais e modificações no estilo de vida ● Autoavaliação, prevenção e tratamento do pé diabético ● Estimulação elétrica associada a amitriptilina MEDICAMENTOSO ANTIOXIDANTES: ácido α-lipoico → age no estresse oxidativo CAPSAICINA 0,075% 4x/dia nos locais onde há hiperalgesia e alodinia (não adianta aplicar em locais com dormência) AMITRIPTILINA: antidepressivo tricíclico que atua sobre as catecolaminas (noradrenalina e serotonina) ● MECANISMO DE AÇÃO: inibe recaptação de noradrenalina e principalmente serotonina no neurônio pré-sináptico e prolonga sua atividade para que ajam na via inibitória da dor (sistema opióide endógeno); inibe canais de sódio e potássio e dificulta despolarização; bloqueia receptores NMDA (de glutamato, excitatório); ação anti-inflamatória; - Efeito ANTAGONISTA dos receptores α1-adrenérgico, beta, colinérgico muscarínico, histaminérgicos e 5-HT2 = explica seus efeitos colaterais ● INDICAÇÕES: dor aguda, dor neuropática e depressão ● CONTRAINDICAÇÕES: anormalidades na condução ventricular, vítima de IAM em < 30 dias, retenção urinária, glaucoma de ângulo fechado e epilepsias não controladas ● EFEITOS ADVERSOS: tontura e hipotensão, problemas cardíacos (bloqueio de condução), xerostomia, retenção urinária e constipação, sonolência e sedação ● POSOLOGIA: 50 a 100 mg/dia, ou 50 mg 3x/dia, totalizando de 75 (apresentação de 25 mg) a 150 mg/dia OU pregabalina (até 300 mg por dia) OU gabapentina (900 a 1800 mg por dia) DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS Etiologias tóxico-metabólicas (etílico carenciais, urêmicas, hipotireoidismo) Síndrome de dor complexa regional Neuropati� P�-Herpétic� dor persistente nos dermátomos afetados pelo vírus do herpes-zóster que ocorre 1 mês (ou > 3 meses) após o desaparecimento do rash/erupção cutânea com múltiplas vesículas dolorosas no trajeto de um dermátomo, causado pela infecção; é autolimitante → causa mais comum de dor crônica em idosos FISIOPATOLOGIA INFECÇÃO PRIMÁRIA → vírus fica quiescente em gânglios de nervos sensoriais cranianos e da raiz dorsal espinhal → se replica e reativa → LESÃO NO SNC e SNP: migra pelos nervos até a pele = dor, erupção e eritema ● Substâncias álgicas + inflamação do perineuro e dano a estruturas de envoltura ou proteção nervosa (bainha de Schwann): ação de aminoácidos excitatórios (glutamato ativa NMDA) → redução do limiar da dor → indução de um estado hiperexcitável, e atividade espontânea (mantém a dor na ausência de contínuo dano tissular) constante = SENSIBILIZAÇÃO PERIFÉRICA ● Exacerbação de resposta a estímulos nóxicos e não nóxicos + necrose no gânglio da raiz dorsal, que leva a perda neural de fibras C e consequente brotamento de fibras A-beta (TATO) → reorganização dos neurônios = ALODÍNIA (estímulo tato é percebido como dor) APRESENTAÇÃO CLÍNICA ● Vesículas, prurido e irritação → dor aguda lancinante e hiperalgesia ● Vesículas estouradas e cicatrizes acastanhadas ● DOR TIPO: queimação, latejante, cortante, penetrante, em choque, surda, paroxística, esmagadora, dilacerante, pungente DURAÇÃO: constante, de dia e a noite Não suporta a roupa Não cede com o calor ou frio Intensifica-se com o tempo Não se altera com o movimento 3 principais alterações de sensibilidade: ● ALODINIA = dor superficial intensa na estimulação tátil ● HIPERALGESIA = aumento de dor na estimulação nociva ● HIPERESTESIA = maior sensibilidade ao tato ● Parestesia ● Dor musculoesquelética ● Prurido crônico OBS.: pacientes tendem a se recolher, se isolar, perdem o apetite e consequentemente peso e se tornam mais vulneráveis a adoecer = comprometer desempenho físico, emocional e social → COMORBIDADES PSIQUIÁTRICAS DIAGNÓSTICO ● ANAMNESE: histórico de HZ, dor persistente no dermátomo acometido e impacto na qualidade de vida ● EXAME FÍSICO: lesões residuais (das vesículas teriores), áreas de hiperpigmentação, hipopigmentação ou cicatrizes nos dermátomos afetados previamente ● EXAMES LABORATORIAIS: avaliação sorológica seriada (VZV-DNA: pesquisa a presença de DNA do vírus HZ ou anticorpo anti-VZV no líquor) e teste sensorial quantitativo (TSQ: identificar o subtipo do fenótipo) TRATAMENTO Combinação de fármacos com diferentes mecanismos de ação: ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS (amitriptilina, nortriptilina ou desipramina), ANTICONVULSIVANTES (gabapentina e pregabalina - 1º linha), lidocaína gel 5%, opióides, capsaicina, toxina botulínica LIDOCAÍNA: anestésico local que produz anestesia rápida, intensa, prolongada e ampla, geralmente associada a outros fármacos ● MECANISMO DE AÇÃO: cria uma barreira mecânica que protege dos estímulos táteis e bloqueia reversivelmente o canal de Na+ (em nervos periféricos, coração e SNC), inibindo assim a despolarização aberrante e PA das fibras, o que reduz sensibilização periférica e hiperexcitabilidade do SNC, suprimindo a dor = efeito anestésico local (em doses baixas não interfere na condução nervosa normal e mantém a sensibilidade da pele a toques leves) que evita alodínia ● FARMACOCINÉTICA: absorvida após 30 min da administração parenteral ● INDICAÇÕES: dor local, sensibilidade aos anestésicos locais do tipo éster ● CONTRAINDICAÇÕES: sensibilidade a anestésicos do tipo amina, bloqueios cardíacos (nó sinoatrial, atrioventricular ou intraventricular), gestantes ● EFEITOS ADVERSOS: reações locais (eritema, edema, alergia), sonolência, tinido, disforia, euforia, disgeusia, vertigens, hipotensão, bradicardia, bloqueio cardíaco, convulsões, alteração do nível de consciência ● POSOLOGIA: pomada (permanece na pele por mais tempo) ou gel 5% de 8/8h (sendo 3 a 4 usos por dia) na área dolorosa e dermátomos circunvizinhos, esfregar por pelo menos 1 minuto (atrito gera benefício) DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS Polineuropatia do HIV, neuropatia alcoólica Problem� 4 Migrâne� o� Enxaquec� doença neurovascular primária comum e incapacitante, mais prevalente em mulheres, que pode ser disparada por diversos fatores (genética, hormonal - aumento ou baixa de estrógeno, menstruação, gravidez, menopausa -, estresse, luz intensa, chocolate, cafeína, cheiros fortes, mudanças nos padrões de sono, atividades físicas e mudanças climáticas) FISIOPATOLOGIA MECANISMOS BASE DA MIGRÂNEA Hiperexcitabilidade cortical ou depressão cortical alastrante de leão (principalmente occipital e se propaga anteriormente) = redução de magnésio e aumento de cálcio e glutamato → aumento da excitabilidade + diminuição do limiar para o disparo da crise = SENSIBILIZAÇÃO PERIFÉRICA TRIGEMINAL (torna neurônios suscetíveis às crises de migrânea, ativa nociceptores que inervam as meninges e dispara suas projeções centrais) + diminuição do fluxo sanguíneo cerebral no córtex occipital/visual e hipóxia (= AURA) Inflamação neurogênica = despolarização das fibras C do trigêmeo → projeção de axônios para as meninges e vasos sanguíneos cerebrais → liberação de neuropeptídeos → interação com a parede de vasos sanguíneos = VASODILATAÇÃO + exsudação/extravasamento de proteínas plasmáticas neurogênicas e degranulação de mastócitos = DOR Modulação anormal do sistema nociceptivo cerebral = PREDISPOSIÇÃO A SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL, inicialmente transitória, que se torna permanente com a continuação da doença → explica o aumento da duração da crise de migrânea e a troca da cefaleia episódica para a crônica MIGRÂNEA CRÔNICA EVOLUÇÃO EVOLUÇÃO MECANISMO BASE DA MIGRÂNEA: disfunção no hipotálamo → comunicação com o NÚCLEO SALIVATÓRIO SUPERIOR (tronco encefálico) que processa informações autonômicas = descarga simpática nos VASOS MENINGEAIS → ativação de células endoteliais e produção de mediadores químicos (peptídeo natriurético C) pela túnica média → ativa nociceptor primário → condução pelo RAMO OFTÁLMICOdo trigêmeo → chega ao SUBNÚCLEO CAUDAL da PONTE → TÁLAMO → S1 ABUSO DE MEDICAMENTOS MECANISMOS DE CRONIFICAÇÃO: RELEMBRAR mudança de dor aguda para crônica do 1º problema → persistência da sensibilização central (nocicepção periférica repetitiva), neuroplasticidade (brotamento de novos canais iônicos) e falha do sistema inibitório descendente/ modulação supra segmentar FASES FASE PREMONITÓRIA/pródromo (horas ou dias antes da cefaleia - tronco encefalico): fadiga, dificuldade de concentração, rigidez cervical, sensibilidade à luz e ou som, náuseas, visão turva, bocejos, palidez, desejo de comida FASE DE AURA (exclusivamente cortical) FASE DE CEFALEIA: nocicepção + sintomas vagais + foto/fonofobia FASE DE RESOLUÇÃO/pósdromo (tronco encefálico): fadiga e mudanças de humor CLASSIFICAÇÃO, APRESENTAÇÃO CLÍNICA e DIAGNÓSTICO Critérios Diagnósticos da Sociedade Internacional de Cefaléia (2004) SEM AURA - cefaléia com características específicas e sintomas associados COM AURA - sintomas neurológicos focais transitórios, reversíveis e graduais, que precedem ou acompanham a cefaléia (não serão cobrados na prova) A - Pelo menos 5 crises que preencham critérios de B a D B - Cefaléia durante 4h a 72h (sem tratamento ou tratamento ineficaz) ● Se paciente dorme durante a crise e acorda sem dor, a duração do episódio é contada até o despertar C - Cefaléia com ≥ 2 características: ● Localização unilateral ● Caráter pulsátil ● Intensidade moderada ou grave = INCAPACITANTE ● Exacerbada por atividades da vida diária/ físicas (caminhar, subir escadas ou correr) A - Pelo menos 2 crises que preencham critérios de B e C B - ≥ 1 sintoma(s) de AURA totalmente reversível(is): ● VISUAIS (mais comuns): positivos (escotoma, luzes tremulantes, manchas ou linhas) ou negativos (perda de visão) ● AUDITIVOS (não estão nos critérios, mas são bem comuns, como ouvir apitos) ● SENSITIVOS: positivos (formigamento, picada) ou negativos (dormência) ● FALA e/ou LINGUAGEM: afasia, disfasia (descoordenação da fala) ● MOTOR: diminuição de força (enxaqueca hemiplégica) → tem sintomas mais duradouros que podem durar até 72h D - Pelo menos 1 dos sintomas: ● Náuseas e/ou vômitos (aliviam a dor) ● Fotofobia e fonofobia E - Não melhor explicada por outro diagnóstico OBS.: ● Geralmente levam o paciente ao leito ● Em < 18 anos podem durar de 2 a 72h, podem ser bilaterais e é geralmente frontotemporal ● Tem relação com a MENSTRUAÇÃO C - ≥ 2 das características: ● Pelo menos 1 sintoma de aura se desenvolve gradualmente em ≥ 5 min e/ou ≥ 5 sintomas aparecem sucessivamente ● Cada sintoma individual de AURA dura de 5 a 60 min ● Pelo menos 1 sintoma de AURA é unilateral ● A AURA é acompanhada ou seguida em 60 minutos por cefaleia D - Não melhor explicada por outro diagnóstico OBS.: duração aceitável é a quantidade de sintomas x 60 min CRÔNICA: cefaléia idêntica a do tipo tensão ou da enxaqueca em ≥ 15 dias/mês, durante > 3 meses, na qual em ao menos 8 dias/mês possua características da cefaléia migranosa A - Cefaleia semelhante à migrânea ou a do tipo tensional em ≥ 15 dias/mês por > 3 meses, preenchendo os critérios B e C B - ≥ 5 crises preenchendo critérios B-D para migrânea sem aura e/ou critérios B-C para migrânea com aura C - Em ≥ 8 dias/mês por > 3 meses, preenchendo qualquer dos seguintes: ● Critérios C e D para migrânea sem aura ● Critérios B e C para migrânea com aura ● Interpretada pelo paciente como sendo migrânea no início e aliviada por um triptano ou derivado de ergotamina. D - Não melhor explicada por outro diagnóstico da ICDH-3 NÃO MEDICAMENTOSO ● MODIFICAÇÃO DO ESTILO DE VIDA, AUTOCUIDADO E INTERVENÇÕES COMPLEMENTARES: identificação e prevenção dos fatores gatilho, exercício físico, dieta, hidratação, sono adequado, relaxamento, psicoterapia e acupuntura ● NO MOMENTO DE CRISE: repouso em quarto escuro, evitar barulhos, conciliar sono e bolsas de gelo e/ou compressão da artéria temporal MEDICAMENTOSO ABORTIVO agudo, até 4 crises/mês, com duração máxima de 72h - administrar 1 de cada classe TRATAMENTO ANALGÉSICOS e AINES: AAS, ibuprofeno (600 mg 3x/dia para crise leva a moderada), diclofenaco de potássio, paracetamol (500 mg 6/6h se intolerância a AINE) TRIPTANOS (mais eficazes se administrados nos pródromos ou logo após o início da crise): sumatriptano (20 a 100 mL via oral de 2/2h), naratriptano, rizatriptano → são agonistas de 5-HT (da serotonina) e tem maior afinidade pelos sub receptores 1B e D e sua ativação leva a vasoconstrição e eventualmente vômitos e diarréia CORTICOSTERÓIDES (AI hormonais): prednisona (20 mg 3x/dia) ANTIEMÉTICOS (se náuseas e vômitos): domperidona e metoclopramida PREVENTIVO > ¾ crises/mês, grau de incapacidade, falência de medicação abortiva e crises com padrão regular - visa a profilaxia, reduzir a frequência e/ou intensidade das crises - Usar 1 deles ANTICONVULSIVANTES: topiramato, ácido valpróico (500 mg a 1 g/dia) e amitriptilina (25 a 100 mg/dia) ANTI-HIPERTENSIVOS (migrânea aguda, não cronificada, seja com aura ou sem aura, pode-se usar betabloqueador): atenolol (50 a 200 mg/dia) e propranolol (80 a 160 mg/dia) ANTIDEPRESSIVOS: duloxetina e venlafaxina TOXINA BOTULÍNICA SUBCUTÂNEA TOPIRAMATO: anticonvulsivante bloqueador de canal de Na+ ● MECANISMO DE AÇÃO: bloqueia canais de Na+ e reduz correntes nas células granulosas cerebelares, inibe canais de Ca²+ (tipo L e N) e diminui hiperexcitação, ativa corrente de K+ hiperpolarizante, potencializa a ação do GABA, bloqueia ativação dos receptores AMPA e reduz excitação pelo glutamato ● FARMACOCINÉTICA: pouca ligação a proteínas plasmáticas, metabolização de pequena quantidade e excreção quase totalmente inalterada ● INDICAÇÕES: profilaxia da enxaqueca ● CONTRAINDICAÇÕES: hipersensibilidade e gestante (É UM TERATÓGENO) ● EFEITOS ADVERSOS: bem tolerado - sonolência, fadiga, perda ponderal, parestesia, anorexia, nervosismo, cálculos renais (pois inibe fracamente a anidrase carbônica, que excreta H+ e reabsorve bicarbonato nos túbulos renais = pode causar acidose) ● POSOLOGIA: 50 a 100 mg/dia → (50 mg 2x/dia) ● Piora progressiva ou mudança de padrão SINAIS DE ALERTA ● Início tardio > 50 anos ● Associada a sintomas/doença sistêmica (HA, febre, mal estar, artralgia) ● Associada a sintomas sinais neurológicos (diplopia, síncopes, convulsões, ataxia, fraqueza muscular) diferentes dos de aura ● Papiledema (aumento de pressão no cérebro faz inchar o nervo óptico) DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS Cefaléia do tipo tensional, cefaléia em salvas Neuralgi� Trigemina� dor neuropática mais comum em cabeça e pescoço, mais frequente em mulheres e em > 60 anos FISIOPATOLOGIA Idiopática Compressão neuro-vascular (pela artéria cerebelar superior, geralmente na 2º ou 3º divisão do nervo) Desmielinização focal do nervo trigêmeo Hiperatividade periférica ou central do nervo Massa intracraniana Esclerose múltipla MECANISMOS PERIFÉRICOS: resultam no desenvolvimento de atividade espontânea/exacerbada ● ALTERAÇÕES DEGENERATIVAS POR DANO DIRETO (lesão axonal, desmielinização) = lesão de um ramo do trigêmeo → liberação de citocinas pró-inflamatórias → diminuição do limiar de ativação e aumento da excitabilidade = liberação de neuropeptídeos e fatores neurotróficos no trigêmeo e gânglio trigeminal ● EXCITAÇÃO CRUZADA (ou transmissão efática): campo eletromagnético é gerado ao redor de fibras sensitivas lesadas → induz despolarização das fibras sensitivas adjacentes não lesadas = expande área em que a dor é percebida = ALODÍNIA E HIPERALGESIA MECANISMOS CENTRAIS (semelhante a atividade espontânea): facilitação, potenciação e amplificação das respostas centrais ● Excesso de mediadores inflamatórios, sensibilização de nociceptores e neurotransmissores + neuroplasticidade + alterações eletrofisiológicas = aumento da despolarização neuronal e descarga repetitiva = EXACERBAÇÃO PATOLÓGICA DA SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL ● Neuroplasticidade → estabelecimento de novas sinapses entre neurônios nociceptivos e não nociceptivos= ALODÍNIA ● Célula lesada → aumento da densidade de canais de Na+, diminuição de canais de K+ e aumento da expressão dos canais de Ca²+ = despolarização e PA = HIPEREXCITABILIDADE NEURONAL APRESENTAÇÃO CLÍNICA PERÍODOS DE REMISSÃO e EXACERBAÇÃO: ● Dor unilateral (estímulo não cruza para o lado oposto) e raramente bilateral ● TIQUE DOLOROSO (quando grave): contração dos músculos da face do lado afetado ● SINTOMAS AUTONÔMICOS discretos: lacrimejo e/ou hiperemia conjuntival Neuralgia trigeminal secundária: tratar as causas Neuralgia trigeminal idiopática: mecanismo desconhecido Neuralgia trigeminal clássica DIAGNÓSTICO A - ≥ 3 episódios de dor facial unilateral preenchendo critérios B e C B - Ocorrendo em ≥ 1 divisões do nervo trigêmeo e sem irradiação para além de sua distribuição C - ≥ 3 das seguintes características: ● Recorrente em acessos paroxísticos (intensificação repentina), durando de uma fração de segundo a 2 min ● Intensidade grave ● Tipo choque elétrico, fisgada, facada/lancinante, queimação ou guinada ou fogos de artificio ● Desencadeada por estímulos inócuos (não dolorosos: escovar os dentes, encostar na face) no lado afetado da face → ALODÍNIA (porém palpação pesada e mastigação não desencadeiam dor, só os estímulos mais leves) D - Não há déficit neurológico clinicamente evidente E - Não melhor explicada por outro diagnóstico EXAMES: RNM demonstra a compressão neurovascular do nervo trigêmeo e exclui causas secundárias NÃO FARMACOLÓGICO TRATAMENTO não tem cura e tratamento pode ter muitos efeitos adversos = diminui adesão ● Acupuntura ● Estimulação elétrica transcutânea FARMACOLÓGICO (CARBAMAZEPINA, OXCARBAZEPINA e GABAPENTINA - com possível associação com amitriptilina 50 a 100 mg/dia, que reduz dose da carbamazepina ou oxcarbazepina) CARBAMAZEPINA: anticonvulsivante ● MECANISMO DE AÇÃO: se liga aos canais de Na+ em células que estão disparando repetidamente/ tem despolarização de alta frequência (são seletivos e não interferem nos disparos de baixa frequência de neurônios em estado normal), impede os canais de retornarem ao seu estado de repouso e reduz número de canais disponíveis para gerar um PA subsequente = estabiliza a membrana do nervo hiperexcitado e limita as deflagrações repetitivas do PA pela despolarização persistente ● FARMACOCINÉTICA: excreção urinária e fecal ● INDICAÇÕES: neuralgias trigeminal e glossofaríngeas ● CONTRAINDICAÇÕES: hipersensibilidade, depressão da medula óssea, bloqueio atrioventricular, uso de IMAO ● EFEITOS ADVERSOS: efeito antidiurético, elevação das transaminases hepáticas, sonolência, vertigem, diplopia, vômitos, xerostomia, leucopenia, trombocitopenia e toxicidade hematológica grave (anemia aplásica) ● POSOLOGIA: 200 a 400 mg 3x/dia, totalizando 1200 mg/dia CIRÚRGICO caso tratamento medicamentoso for ineficaz ● Descompressão neurovascular ● Ablação DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Disfunção temporomandibular, cefaléia atribuída a arterite de células gigantes, neuralgia trigeminal pós-herpética, Problem� 5 Anestesi� Gera� Caracterizada por estado reversível de HIPNOSE E AMNÉSIA (bloqueio da função mental → inconsciência/ sedação e ausência de pensamento), ANALGESIA (bloqueio sensitivo → interrupção da estimulação dolorosa), IMOBILIDADE (bloqueio motor → impede movimentação e gera relaxamento muscular = necessidade de ventilação mecânica) e BLOQUEIO AUTONÔMICO E DA RESPOSTA AO ESTRESSE CIRÚRGICO (minimiza as respostas neurovegetativas e cardiovasculares TIPOS DE ANESTESIA GERAL INALATÓRIA - agente anestésico volátil sob pressão Óxido nitroso (N2O): produz vasodilatação periférica e hipóxia por difusão e deve ser administrado junto com o oxigênio Halogenados: halotano, isoflurano, enflurano, sevoflurano e desflurano INTRAVENOSA HIPNÓTICOS: Propofol, Etomidato, Midazolam (em doses baixas) SEDATIVOS: Midazolam (é um benzodiazepínico - usado em doses altas) → efeito revertido pelo Flumazenil (antagonista do benzodiazepínico) e Propofol OPIÓIDES: Morfina, Fentanil, Sufentanil, Remifentanil e Alfentanil RELAXANTES MUSCULARES: Succinilcolina e Rocurônio BALANCEADA Combinação de fármacos anestésicos inalatórios e intravenosos, com mecanismos que ação diferentes e atuação de forma sinérgica (necessita de doses menores) para alcançar os objetivos da anestesia 3 FASES DA ANESTESIA GERAL FASE DE INDUÇÃO: objetiva levar o paciente do estado semi-consciente (1) para o plano anestésico-cirurgico (3) ● AGENTES INDUTORES (anestésicos intravenosos ou inalatórios, isolados ou combinados) + ventilação com oxigênio a 100% sob máscara facial + bloqueadores neuromusculares = IOT (obtenção definitiva de via aérea) ● Indução de Sequência Rápida (IRS): anestésicos intravenosos de ação rápida e bloqueadores neuromusculares de curta duração, que induz anestesia em 30 segundos) → usada para pacientes com alto risco de broncoaspiração FASE DE MANUTENÇÃO: manter o paciente no plano anestésico cirúrgico durante toda a operação → administração de anestésicos inalatórios e novas doses de intravenosos e bloqueadores neuromusculares FASE DE RECUPERAÇÃO: devido a depressão no sistema nervoso simpático causada pela anestesia, quando paciente se recupera dela e é extubado, ocorre transição abrupta do estado HIPERADRENÉRGICO para o ADRENÉRGICO, podendo causar complicações = isquemia coronariana, taquiarritmias, elevações da PA, broncoaspiração e laringoespasmo → é fundamental que paciente fique em OBSERVAÇÃO nas salas de recuperação anestésica Raquianestesi� simples, eficaz, baixa toxicidade e baixo custo - anestesia aplicada L2 (evita risco de atingir a medula), pois perfura a dura-máter e é feita diretamente no líquor, onde as fibras nervosas estão totalmente expostas MEDICAMENTOS: lidocaína 5% ou 2% sem glicose ou com epinefrina, bupivacaína 0,5% com glicose a 8% ou 0,5% isobárica ADJUVANTES: melhora a qualidade do bloqueio, possibilita menor dose de anestésico e promove analgesia mais prolongada - diminui a liberação de neurotransmissores excitatórios sem atuar em fibras simpáticas, motoras, táteis e proprioceptivas → morfina, fentanil, sufentanil DETERMINANTES DA ALTURA DO BLOQUEIO: posição do paciente, inclinação da mesa operatória, curvatura normal da coluna vertebral e BARICIDADE do medicamento ● HIPOBÁRICA: menos densa que o líquor = SOBE → útil para bloqueio unilateral ● ISOBÁRICA ● HIPERBÁRICA: mais densa que o líquor = DESCE → útil para bloqueio unilateral ou bloqueio em partes inferiores ou dorsais, como por exemplo o corno posterior da medula (sensitivo) TÉCNICA: com paciente em decúbito lateral e flexão da coluna lombar e membros inferiores ou sentado em flexão da coluna, fazer antissepsia, colocar campo estéril, palpar crista ilíaca e traçar uma linha imaginária que as une (passa pela apófise espinhosa de L4) e identificar os espaços L3-L4 ou L4-L5: ● VIA MEDIANA: infiltrar agulha perpendicularmente ou inclinar 5 a 10º em sentido cefálico (se necessário) - pele → subcutâneo → ligamento supraespinhoso → ligamento interespinhoso → ligamento amarelo → espaço peridural → dura-máter (sentir o clique) e membrana subaracnóidea → retirar mandril e esperar gotejamento do líquor ● VIA PARAMEDIANA: introduzir agulha a 1,5 cm da linha média (no lado direito ou esquerdo) num ângulo de 25º e transpor pele → subcutâneo → musculatura paravertebral → ligamento amarelo → dura-máter e membrana subaracnóidea ● Em ambas as vias, conectar seringa com solução anestésica na agulha e injetar com velocidade pré delimitada, e após um tempo, fazer a pesquisa do nível de anestesia com os testes de sensibilidade térmica, dolorosa e tátil ● OBS.: usar agulha 22G ou 23G, fina/ menor calibre e com ponta não cortante para divulsionar as fibras da dura-máter INDICAÇÕES: procedimentos em membros inferiores e abdome inferior em todas as faixas etárias e CESARIANAS CONTRAINDICAÇÕES: recusa do paciente, hipovolemia, infecção no local de punção e coagulopatias EFEITOS ADVERSOS: bloqueio alto (motor e sensitivo) devido a movimentação liquórica,meningite e CEFALEIA PÓS RAQUI (local da punção não fecha e provoca vazamento de líquor para o espaço peridural, produção de líquor não vence a quantidade perdida, causando dor, que se intensifica quando paciente senta - estruturas do SNC perdem a sustentação e se rebaixam - e se alivia quando deita) ● SINAIS DE INTOXICAÇÃO: zumbido e gosto metálico, convulsão e parada cardíaca Anestesi� Peridura� segura, eficaz, ampla indicação e analgesia pós-operatória mais prolongada que a subaracnóidea - aplicada em qualquer nível da coluna vertebral, antes da dura-máter e sem atingir o líquor, por isso quantidade de anestésico é mais alta (precisa passar pelas meninges, dura-máter é espessa e fibrosa) e fibra motora é a última a ser alcançada, além da demora para propriocepção e ausência do relaxamento muscular MEDICAMENTOS: lidocaína 2%, bupivacaína 0,25%, 0,5% ou o,75%, ropivacaína 0,2%, 0,75% e 1%, clorprocaína 3%, mepivacaína 2% e etidocaína 1 a 1,5% → catéter peridural pode ser acoplado ao PCA e controlado pelo próprio paciente para lhe dar mais conforto e qualidade ADJUVANTES: adrenalina, opióides (morfina, fentanil, sufentanil), lipofílicos, hidrossolúveis e clonidina DETERMINANTES DA ALTURA DO BLOQUEIO: propriedades dos fármacos, volume e concentração, adição de adrenalina e peso e altura dos pacientes TÉCNICA: puncionar espaço intervertebral mais próximo da incisão cirúrgica (nas vértebras torácicas é mais difícil, pois eles não aumentam com a posição do paciente e tem inclinação exagerada dos processos espinhosos) → avançar agulha e ir identificando as estruturas: pele → subcutâneo → ligamento supraespinhoso → ligamento interespinhoso → ligamento amarelo (se nota claramente o aumento da resistência) → espaço peridural (é virtual, com pressão subatmosférica) ● Verificar se agulha não está no vaso sanguíneo (saída de sangue ou teste por meio da injeção de 3 mL de lidocaína = causa aumento da FC em 30 segundos) INDICAÇÕES: antes do estímulo cirúrgico (impede sensibilização medular, reduz dor e necessidade de analgésicos), intra operatório (reduz resposta ao estresse cirúrgico e risco de tromboembolia) e pós-operatório (maior conforto ao paciente, mobilização precoce) e PARTO NORMAL (paciente precisa sentir músculos e fazer força no período de expulsão) CONTRAINDICAÇÕES: recusa do paciente, infecção no local de punção, coagulopatias, hemorragias graves EFEITOS ADVERSOS: dor lombar, perfuração acidental da dura-máter (conduta é raquianestesia total, sedação e intubação + ventilação mecânica), punção venosa acidental, lesões medulares, abscesso Repercussõe� sistêmica� d� Dor gira em torno da liberação de substâncias algogênicas (histaminas, prostaglandinas, hidrogênio) e produção de CATECOLAMINAS de maneira intensa e prolongada e estimulação do SNA simpático, ativação de sensibilização central e periférica, alodínia e hiperalgesia = REPERCUSSÕES respiratórias, hemodinâmicas e metabólicas INSTABILIDADE CARDIOVASCULAR: ● Taquicardia ● Arritmias cardíacas ● Aumento do volume sistólico ● Vasoconstrição periférica = aumento da PA ● Aumento do DC e do consumo de O² ● Alterações na coagulação ● Favorecimento de trombose profunda (principalmente em idosos e submetidos a cirurgias extensas): consequência da redução de movimentação e falta de deambulação precoce ● Predispõe a infartos DISFUNÇÃO RENAL: por hipovolemia (ATENÇÃO PARA A HIDRATAÇÃO DO PACIENTE NO PÓS-OPERATÓRIO) associada a vasoconstrição periférica REPERCUSSÕES PULMONARES (principalmente em cirurgia em tórax ou abdome): ● Prejuízo da expansibilidade pulmonar (musculatura dolorida) → dificuldade na ventilação profunda → redução do volume ventilatório = HIPOXEMIA (queda de O² no sangue), TAQUIPNÉIA e consequentemente taquicardia (coração tenta bombear mais O² para o corpo), e também ATELECTASIA (colabamento dos alvéolos) ● Dificuldade em eliminar secreções do trato respiratório = infecções respiratórias (pneumonias) ● Pneumotórax ● Broncoaspiração ALTERAÇÕES NO METABOLISMO: ● Aumento do catabolismo = elevação dos níveis de glicose (ATENÇÃO ESPECIAL SE PACIENTE JÁ FOR DIABÉTICO) ● Maior consumo energético e protéico ● Retenção hídrica ALTERAÇÕES NO TRATO URINÁRIO E TGI: ● Reduz o tônus intestinal = SÍNDROME DO ÍLEO PARALÍTICO ● Retarda o esvaziamento gástrico ● Predispõe à náuseas e vômitos ● Aumenta o tônus do esfíncter vesical = retenção urinária ALTERAÇÕES GERAIS: ● Redução da resposta imune ● Interrupção do sono = maior desgaste físico, fadiga e menor motivação para cooperar com o tratamento ● Psicológicas e emocionais Opióide� Morfin� (fort�) = originada do ópio extraído das papoulas, que tem seu suco leitoso desidratado e pulverizado para obter o pó de ópio que a contém, é hidrofílica (quantidades menores atravessam a barreira hematoencefálica e chega ao SNC), tem afinidade por receptores MOP e é o padrão utilizado para comparar os demais opióides MECANISMO DE AÇÃO: interage com receptores mi, podendo provocar ● Ações analgésicas = ativa indiretamente o neurônio da via inibitória da dor, nos neurônios PRÉ-SINÁPTICOS fecham os canais de Ca²+ e diminui a liberação de neurotransmissores (substância P e glutamato) e nos neurônios PÓS-SINÁPTICOS abre os canais de K+ e causa hiperpolarização, redução da excitabilidade neuronal e PA e a transmissão de impulsos nociceptivos ● Liberação de histamina: broncoconstrição e vasodilatação FARMACOCINÉTICA: metabolizada em morfina-6-glicuronídeo ou M6G (principal metabólito ativo, responsável pela maior parte da analgesia) e morfina-3-glicuronídeo ou M3G, e excreção renal e hepática INDICAÇÕES: analgesia em dores graves, sedação CONTRAINDICAÇÕES: comprometimento da função respiratória, hipotensão, asma, traumatismo craniano ou hipertensão intracraniana pré-existente EFEITOS ADVERSOS: depressão respiratória (revertida pelo uso de NALOXONA, que funciona como antídoto para os opióides), obnubilação mental, retenção urinária (inibe detrusor e provoca BEXIGOMA) e constipação (inibe liberação de Ach, que coordena os movimentos peristálticos), hipotensão, tontura, disforia, náuseas, vômitos POSOLOGIA: 5 mg VO, 2 a 5 mg via subcutânea, 5 a 10 mg IV, todas a cada 4h, sendo que não existe dose máxima diária, o que limita seu uso é a ocorrência de efeitos adversos Oxicodon� (fort�) = análogo da codeína → 20 mg a cada 4 a 6h Codeín� (frac�) = opiáceo fraco, indicado para dor moderada, originado de modificações simples na estrutura da morfina (age após sua conversão no metabólito ativo da morfina), porém é menos eficaz do que ela e mais lipossolúvel (entra mais facilmente no SNC) → 30 a 120 mg, V.O de 4/4h, dose máxima de 360 mg/dia Tramado� (frac�) = análogo sintético da codeína, que tem 1/10 da potência da morfina, é indicado para dor branda (de leve a moderada) e é um AGONISTA MOR FRACO que complementa a ação de outros opióides → 50 mg/dia de 4/4h, sendo 400 mg/dia a dose máxima ● MECANISMO DE AÇÃO É DIFERENCIADO: inibe recaptação de norepinefrina e serotonina, estimula receptores alfa2-adrenérgicos, inibe vias descendentes nociceptivas e potencializa a liberação de serotonina LPI AINES: efeitos adversos (sangramento e infarto), particularidades do uso de AAS Cefaléi� CARÁTER DAS CEFALÉIAS: ● MIGRÂNEA SEM AURA: unilateral, pulsátil, intensidade moderada ou forte, exacerbação por atividade física rotineira e associação com náusea e/ou fotofobia e fonofobia - Sintomas prodrômicos: fadiga, dificuldade de concentração rigidez cervical, sensibilidade `luz e/ou som, náusea, visão borrada, bocejos e palidez - Sintomas pósdrômicos: cansaço, dificuldade para se concentrar e rigidez cervical ● CEFALÉIA TENSIONAL: ≥ 10 crises, com frequencia de < 1 dia/mês ou < 12 dias/ano, com duração de 30 min a 7 dias, bilateral, em pressão ou aperto, fraca ou moderada, não agravada por atividade física e com ausência de náuseas e vômitos e com possível presença de fotofobia ou fonofobia ● CEFALÉIA EM SALVAS: > 5 crises, com frequência desde 1/ 2 dias ou 8/dia com dorforte ou muito forte unilateral, orbital, supraorbital e/ou temporal, durando de 15 a 180 min, com pelo menos 1 dos sintomas (lacrimejamento, congestão nasal ou rinorreia, edema palpebral, sudorese frontal e facial e miose e/ou ptose) ipsilaterais a cefaleia, inquietude e agitação ANTI EMÉTICOS: se houver náuseas ou vômitos, qual usar e porquê? ● METACLOPRAMIDA (plasil): antagonista de D2 e 5HT3 e agonista de 5HT4 → duração do tratamento em situações agudas deve ser no máximo 5 dias, porém não é muito usado - MECANISMO DE AÇÃO: o que o caracteriza como antiemético é ser AGONISTA 5HT4 (receptores ativados pela serotonina, liberada pelas células cromafins, que se conectam com neurônios motores excitatórios e inibitórios ao longo do TGI), o que causa mimetismo do peristaltismo (bem próximo ao fisiológico) - CONTRAINDICAÇÃO: crianças < 1 ano - NÃO RECOMENDAÇÃO: entre 1 a 18 anos → só como segunda linha para prevenção de náuseas e vômitos tardios induzidos pela quimioterapia ou náuseas e vômitos no pós-operatório - EFEITOS COLATERAIS (resultado do ANTAGONISMO DE D2 - fisiologicamente modula a liberação de serotonina e exerce inibição na via nigroestriatal, reduzindo a liberação de acetilcolina - e resulta em estriado desinibido, aumento de Ach e distúrbios extrapiramidais): sensação de inquietude, movimentos involuntários dos membros e face, torcicolo, crises oculógiras (contração de músculos extra-oculares, mantendo olhar fixo para cima ou lateral), protrusão rítmica da língua, fala lenta ou trismo e discinesia tardia (movimentos repetitivos e involuntários, mesmo após para de utilizar), podendo até a causar sintomas parkinsonianos em caso de distúrbios extrapiramidais de longa duração - OBS.: injetável somente em ambiente hospitalar, devido a possibilidade de eventos cardiovasculares e extrapiramidais ● DIMENIDRATO (dramin): antagonista de H1 → melhor opção, juntamente com a BROMOPRIDA - POSOLOGIA: 5 mg/kg/dia, 3 a 4x/dia, sendo a 1º dose 30 min antes do estímulo emético ● BROMOPRIDA: bloqueio dos receptores da dopamina-2 (D2) no sistema nervoso central e no trato gastrintestinal MANEJO DE URGÊNCIA: repouso sob penumbra e ambiente tranquilo e silencioso ● Dor com duração < 72h = antiemético parenteral se houver vômito ou uso prévio de medicações: dimenidrato 30 mg IV ou 50 mg IM (dose maior pois é errática) → jejum e reposição de fluídos em casos de desidratação → dipirona 1g IV → cetoprofeno 100 mg IV → reavaliar em 1h: - Se houver melhora: liberar paciente e encaminhar para acompanhamento ambulatorial - Se não houver melhora: sumatriptano 6 mg subcutâneo e se necessário, repetir dose em 2h → se houver piora ou não melhorar, encaminhar paciente para hospital terciário ● Dor com duração > 72h (= ESTADO MIGRANOSO) = jejum e acesso venoso para reposição de fluídos se necessário (soro fisiológico em pinça aberta) → tratamento como citado anteriormente + dexametasona 10 mg IV - Se não houver melhora: CLORPROMAZINA 0,1 a 0,25 mg/kg IM → se em 1h a dor se mantiver, repetir clorpromazina até 3 vezes (enquanto se atentar para sintomas extrapiramidais causados pela medicação, e não repetir dose caso eles ocorram) TRATAMENTO ABORTIVO e PROFILÁTICO Potênci� � Eficáci� POTÊNCIA = menor dose do fármaco necessária para atingir 50% de sua resposta máxima (seja estimular ou inibir), ou seja, o FÁRMACO MAIS POTENTE é o que necessita da MENOR DOSE para atingir IC50 ou 50% de sua resposta → LEVA EM CONSIDERAÇÃO A DOSE e é a mesma coisa que o IC50 ou C50 ● IMAGEM = considerando o PONTO PRETO como o IC50, A e C precisaram da mesma dose para atingí-lo, então são igualmente potentes ● Nesse caso, C é mais potente pois alcançou IC50 com menor dose (3 mg) que o A (4 mg) EIXO X (horizontal) = dose EIXO Y (vertical) = resposta em % ● Nesse caso, A é mais potente, pois alcançou o IC50 com menor dose (cerca de 2 mg) que o B (cerca de 7 mg) EFICÁCIA = refere-se à atingir a resposta máxima (100%) esperada do fármaco → é independente da dose e não leva em consideração o tempo ● A maioria geralmente atinge a resposta e é eficaz, a diferença está na potência OBS.: se todos são eficazes, usamos o mais potente, porém se ele tem mais efeitos adversos que um com menos potência, convém usar o fármaco menos potente para evitar os efeitos TESTE DE COMPRESSÃO (evitar na suspeita de instabilidade cervical) = com o paciente sentado, realizar compressão progressiva da cabeça → estreita o foraminal secundário, aumenta a pressão na raiz acometida, sobrecarga facetas articulares = mais sensibilização muscular e dor cervical TESTE DE TRAÇÃO = com o paciente sentado, tracionar a cabeça progressivamente → aumento do diâmetro foraminal, diminuição da compressão radicular e da tensão nas estruturas de sustentação = alívio da sintomatologia dolorosa MANOBRA DE SPURLING ou de compressão foraminal = extensão e rotação conjuntas da cabeça para o lado acometido → possível compressão ou irritação radicular = reprodução ou aumento da dor radicular SINAL DE LHERMITTE = flexão da coluna cervical = sensação de parestesias ou disestesias (sensação anormal: queimação, formigamento ou dor) nas mãos ou pernas → causado por hérnia de disco volumosa com compressão medular, formações osteofitárias em pacientes com canal vertebral estreito, neoplasias, aracnoidite TESTE DE ADSON = palpação do pulso radial durante a abdução, extensão e rotação externa do braço, com rotação homolateral do pescoço → TESTE POSITIVO = diminuição do pulso → sugestivo de síndrome do desfiladeiro torácico Manobra de Valsalva: solicitar-se ao paciente que faça uma expiração forçada contra a própria mão, segurando por cerca de 5 a 10 segundos → aumento da pressão intratecal e exacerbação, dor secundária ou sua irradiação até o pé = significa que há compressão radicular Teste da elevação da perna estendida ou LASÈGUE: elevação da perna esticada do paciente, realizando flexão passiva do quadril, em 30 a 70º → evidência comprometimento do nervo ciático e flexibilidade dos músculos isquiotibiais = TESTE POSITIVO: amplitude de movimento < 30º de inclinação, indicando comprometimento de nervos periféricos, que reproduz sintomas radiculares, provocando dor em todo o trajeto do nervo ciático Teste de Kernig: paciente em decúbito dorsal e com a perna flexionada, o examinador tenta trazer o joelho do paciente para o abdome, verificando se há dor → dor à flexão: irritação meníngea ou da raiz nervosa, que estira a medula Teste do estiramento femoral: avalia compressões radiculares no nível de L4 ou superiores, é realizado em decúbito ventral, com elevação da coxa a partir da mesa de exame, realizando flexão do joelho em até 90º Teste de Hoover: enquanto paciente eleva a perna estendida, o examinador deve segurar o calcâneo do pé oposto e sentir uma pressão local Testes de Beevor: solicitar ao paciente, em decúbito dorsal com ambos os joelhos fletidos e os braços cruzados sobre o tórax, que eleve as costas da mesa de exame = avalia a integridade da inervação segmentar do músculo reto abdominal e espinal correspondente → em condições normais, cicatriz umbilical não se move, mas na fraqueza muscular, se move para o lado sadio → reflexos tendíneos profundos (patelar, aquileu e isquiotibial medial) QUADRÍCEPS ou REFLEXO PATELAR: com o paciente sentado e bem relaxado, solicitar que ele flexione as falanges dos dedos da mão, encaixe uma na outra e puxe, para distraí-lo, enquanto isso, percutir o ligamento patelar (abaixo da patela) e observar a extensão/estiramento do músculo da coxa → avalia L2-L4 TRÍCEPS SURAL ou REFLEXO AQUILEU ou AQUILIANO: apoiar a planta do pé solto com a mão e percutir com o martelo a região do tendão do tríceps sural (tendão de aquiles) e observar a extensão do pé → avalia L5-S1-3