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Felipe Lorenzo Della Lucia Iluminação Pública: História, tecnologia, cálculos e regulamentação 1ª edição Campinas Edição do Autor 2018 Índice Índice Lista de Figuras e créditos das imagens Prefácio 1 A iluminação pública 1.1 Histórico da Iluminação Pública 1.2 a iluminação pública no brasil 2 Iluminação pública – Aspectos técnicos 2.1 Principais conceitos de luminotécnica 2.2 Tipos de Lâmpadas Utilizadas na iluminação Pública 2.2.1 Lâmpadas Incandescentes 2.2.2 Lâmpadas de Vapor de Sódio de Baixa Pressão 2.2.3 Lâmpadas de Descarga de Alta Intensidade (High Intensity Discharge - HID) 2.2.4 Lâmpadas de Vapor de Mercúrio 2.2.5 Lâmpadas de Iodetos Metálicos 2.2.6 Lâmpadas de Vapor de Sódio de Alta Pressão 2.2.7 Lâmpadas de LED 2.3 Reatores e Ignitores 2.3.1 Reatores com Ajuste de Luminosidade (Dimerização) 2.4 luminárias 2.5 Braços para iluminação pública 2.6 Relé Fotoelético 2.7 Postes 2.8 A Norma NBR 51:01 – Iluminação Pública - Procedimento 2.9 topologias de iluminação pública 2.9.1 Iluminação unilateral 2.9.2 Iluminação Bilateral Alternada 2.9.3 Iluminação Bilateral Oposta 2.9.4 Iluminação Central 2.10 elaboração de um projeto de iluminação pública 2.11. Roteiro para o cáculo luminotécnico de iluminação pública 2.12. Exemplo 1 2.13. Exemplo 2 2.14. Exemplo 3 3 Iluminação pública - Aspectos Regulatórios 4 o futuro da iluminação pública Referências Lista de Figuras e créditos das imagens Figura 1- Iluminação através dos tempos. Domínio Público. Crédito a Maurice Dessertenne. Figura 2 - Luminárias instalada nas paredes das residências próxima às janelas. Típico de Paris do século XVII. Domínio Público: Commons CCO 2*. Crédito a Jorge Láscar. Figura 3 - Ilustração de um lanterneiro, responsável por acender as lâmpadas de iluminação pública nas ruas das cidades. Domínio Público. Figura 4 - Fotografia da iluminação da prefeitura com lâmpadas a arco na cidade de Detroit, Estados Unidos. O conceito de Moon Tower foi criado em Detroit e implantado também em outras cidades americanas como Nova Orleans e Austin. Foto de Lycurgus S. Glover. Domínio Público. Figura 5 - Moon Tower em Austin, Texas, utilizava originalmente lâmpadas a arco voltaico. A torre resistiu ao tempo e até hoje é utilizada para iluminar o capitólio do estado do Texas. Domínio Público: Commons CCO 2*. Crédito a Matthew Rutledge. Figura 6 - Thomas Edison em uma de suas apresentações de sua lâmpada incandescente. Domínio Público: Commons CCO 2*. Crédito a Jonnie Nord. Figura 7 - Oratórios na cidade do Rio de Janeiro. Oratórios eram locais onde as pessoas comuns rezavam e ficavam iluminados por luz de velas ou lamparinas a óleo. Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Domínio Público. Figura 8 - Escravos acendedores de luminárias a óleo. Fundação Biblioteca Nacional. Domínio Público. Figura 9 - Acendedores de luminárias a gás da cidade do Rio de Janeiro. Arquivo Fotográfico Light. Domínio Público. Figura 10 - Poste instalado para a condução do gás e sustentação da luminária. Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Domínio Público. Figura 11- Central da Estrada de Ferro Dom Pedro II (Atual Central do Brasil). Fundação Biblioteca Nacional. Domínio Público. Figura 12 – Iluminação pública em Campos dos Goytacazes, RJ, 1883. Domínio Público. Figura 13 – Chateau D´Eau – iluminação ornamental. Fundo Cezar Rabello Cotrim/Memória da Eletricidade. Figura 14 – Diferentes espectros de lâmpadas utilizadas na iluminação pública. Felipe Della Lucia, James Hooker. Figura 15 – Lâmpada incandescente e seus principais componentes. Felipe Della Lucia. Figura 16 - Lâmpada de vapor de sódio de baixa pressão. Domínio Público: Commons CCO 2*. Figura 17 – Lâmpada de vapor de mercúrio e seus principais componentes. Felipe Della Lucia. Figura 18 – Lâmpada de iodetos metálicos e seus principais componentes. Felipe Della Lucia. Figura 19 – Lâmpada de vapor de sódio de alta pressão e seus principais componentes. Felipe Della Lucia. Figura 20 – Comparação entre diferentes tipos de lâmpadas HID em termos de luminosidade e vida útil. Felipe Della Lucia. Figura 21 – Ignitor para lâmpadas de iluminação pública. Domínio Público: Commons CCO 2*. Figura 22 (a) Esquema elétrico de um reator. (b) Reator indutivo típico. Felipe Della Lucia. Figura 23 – Diagrama de blocos de um reator eletrônico genérico. Felipe Della Lucia. Figura 24 – Reator Eletrônico Moderno. Felipe Della Lucia. Figura 25 - Dimerização de lâmpada de vapor de sódio de alta pressão. Diferentes níveis de luminosidade. Felipe Della Lucia. Figura 26 - Diferentes tipos de luminárias. Felipe Della Lucia. Figura 27 - Coluna de luz produzida por diferentes tipos de luminárias. Felipe Della Lucia. Figura 28 – Tipo de luminária integrada. Felipe Della Lucia. Figura 29 – Diferentes tipos de luminárias LED. Domínio Público: Commons CCO 2*, CCO3** e CCO4*** Figura 30 – Diferentes tipos de braços para luminárias. Felipe Della Lucia. Figura 31 - Relés e Fotocélulas. Felipe Della Lucia. Figura 32 – Diferentes tipos de postes. Felipe Della Lucia. Figura 33 - Montagem típica de um sistema de iluminação pública. Felipe Della Lucia. Figura 34 – Malha de verificação detalhada para medidas de iluminância nas vias. Felipe Della Lucia. Figura 35 - Relação entre a largura da via, altura de montagem e espaçamento entre postes. Felipe Della Lucia. Figura 36 – Arranjo unilateral das luminárias. Felipe Della Lucia. Figura 37 – Arranjo bilateral alternado das luminárias. Felipe Della Lucia. Figura 38 – Arranjo bilateral oposto das luminárias. Felipe Della Lucia. Figura 39 – Arranjo em vias com canteiro central. Felipe Della Lucia. *https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/legalcode **https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/legalcode ***https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/legalcode https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/legalcode https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode Prefácio Este livro nasceu dentro de um contexto de escassez de obras a respeito de um tema de simples, porém tão importante denominado Iluminação Pública. Durante minhas pesquisas para a realização de meu projeto de doutorado pude constatar a dificuldade de se encontrar material a respeito desta área, principalmente no Brasil. Não conseguia encontrar dados recentes para a pesquisa (mais de dez anos de defasagem), órgãos e empresas não possuíam registros confiáveis, históricos e técnicos acerca do tema, o que dificultava a realização de pesquisa de qualidade. O mais curioso é que isso aconteceu justamente durante um período importante para o setor, quando as concessionárias de distribuição de energia estavam transferindo seus ativos para a responsabilidade das prefeituras. Era um tema de destaque no momento, porém sem muitas fontes bibliográficas que o abrangiam. Esta lacuna de informações na área me levou a desenvolver este livro, com o intuito de auxiliar técnicos, engenheiros, urbanistas, arquitetos e profissionais do setor. O futuro da iluminação pública reserva muitas oportunidades, especialmente quando associada à tecnologia da informação e a da internet das coisas. O primeiro capítulo aborda a história da iluminação pública, mostrando como foi a evolução deste setor no mundo e no Brasil. O segundo capítulo apresenta os aspectos técnicos da iluminação pública. Tipos de lâmpadas e suas características, normas de iluminação, cálculos luminotécnicos, etc. O terceiro capítulo abrange alguns aspectos de regulamentação da iluminação pública que ganharam certa importância após a transferência dos ativos da iluminação pública para as prefeituras. Como conclusão, foi preparado um capítulo com uma discussão sobre o futuro da iluminação pública, apresentando novas tecnologias para a modernização do setor e iniciativas que ainda estão em curso. 1 A iluminação pública 1.1 Histórico da Iluminação Pública Desde o início da civilização, o homem busca uma forma de iluminar adequadamentesuas aldeias, vilas e cidades. A iluminação significa principalmente segurança, uma das principais preocupações do homem após conquistar água, comida e abrigo. Eliminar as trevas era sinônimo de afastar os perigos que rondavam as noites, fossem eles provindos de predadores, inimigos, saqueadores ou mesmo acidentes que pudessem acontecer na ausência de luz. A iluminação pública dos centros urbanos passou por grandes mudanças ao longo da história, sendo algumas mudanças ocorridas de formas graduais e outras de formas mais abruptas. Durante a pré-história eram utilizadas tochas para a iluminação (Fig.1.1), mas o início das cidades foi marcado pela utilização de lâmpadas e velas alimentadas por combustíveis provindos de óleos animais e vegetais. Gorduras animais (óleo de baleia, cera de abelhas, sebos) e vegetais (óleos de oliva e sésamo, resinas), eram largamente utilizadas principalmente devido à característica de suas chamas, que apresentavam brilho adequado e o consumo do combustível era um processo lento, perdurando todo o período noturno [1]. Datam das primeiras civilizações, como os sumérios, egípcios (Fig.1.2 e 1.3), assírios (Fig.1.4 e 1.5), gregos e romanos (Fig.1.6 a 1.13) a utilização de lâmpadas, em sua maioria de argila ou metais, contendo um compartimento para o combustível e um pavio para a queima e produção de luz. Figura 1: Iluminação através dos tempos. Antiguidade: 1:Pré-história. 2-3:Egípcios; 4-5: Assírios;6-13: Romanos; 14-15: Cartagenos; 16-17: Período Merovíngio; Idade média e modernas: 19-20: século XI; 21: Século XII; 22: Século XIII;23-24: Século XIV;25-27: Século XV; 28: Século XVI; 29:Século XVII;30-31:Século XVIII - Período Contemporâneo: 32:Lâmpada de Argand;33-34:Lâmpada de Argand aperfeiçoada;35:Lâmpada de Stephenson;36: Lâmpada de rua; 37:Lâmpada de Davy; 38:Lamparina (teatro);39:Lâmpada de ferrovia;40:Lâmpada de Carcel;41:Gasificador;42:Lâmpada a gas;43:Lâmpada de rua a gás;44:Lâmpada a gás de rua de alta intensidade;45-46:Lâmpada a óleo;47:Lâmpada incandescente;48:Farol elétrico;49:Lâmpada elétrica de minas;50:Incandescente de rua;51:Lâmpada a arco;52:Queimador de acetileno;53:Lâmpada de acetileno para bicicleta;54:Lâmpada de acetileno;55:Lâmpada de rua japonesa;56:transportável;57:Lanterna para funerais;58: Lanterna portátil Durante o império romano e idade média, existiam pessoas (normalmente escravos) responsáveis por acender as lamparinas e velas distribuídas pelas ruas das cidades ao escurecer. Algumas cidades, como Paris do século XVII, exigiam ainda que os moradores que possuíam janelas voltadas para as ruas deveriam acender ao anoitecer, lamparinas penduradas em suas janelas de modo a iluminar as ruas [2]. Após a invenção de lanternas feitas em vidro, que melhoravam a qualidade da iluminação, a polícia parisiense assumiu a tarefa de acender as luminárias nas ruas da cidade. Figura 2. Luminárias instalada nas paredes das residências próxima às janelas. Típico de Paris do século XVII. Figura 3. (a) Ilustração de um lanterneiro, responsável por acender as lâmpadas de iluminação pública nas ruas das cidades. (b) profissão ainda existia na década de 1950 em Estocolmo. No século seguinte, ainda era muito comum as pessoas chamarem os lanterneiros (indivíduos que carregavam lanternas) de modo a cruzar as ruas das escuras cidades com segurança. Durante o reinado de Luís XIV, foram instaladas milhares de luminárias na cidade, e, em 1669, existiam 3 mil unidades, sendo que este número dobrou nos próximos 50 anos. Com a revolução industrial, a iluminação das cidades passou por um processo de modernização, principalmente devido à explosão populacional dos grandes centros urbanos, que aumentava a necessidade de melhorias na iluminação das ruas. No final do século XVIII e início do século XIX, William Murdoch foi o responsável por desenvolver e popularizar o uso de iluminação pública baseada na queima de gases (hidrocarbonetos) em 1790 [3] (Fig 1.43 a 1.46). Este tipo de iluminação se tornou bastante comum tanto nas cidades quanto nos subúrbios. Inicialmente as chamas das luminárias deveriam ser acesas manualmente, sendo posteriormente substituídas por sistemas automáticos de acendimento. O primeiro sistema público de iluminação pública a gás foi demonstrado em 28 de janeiro de 1807 em Londres, sendo criada a primeira companhia de iluminação pública a gás, a Gas Light and Coke Company que abastecia as luminárias com gás proveniente de carvão natural. Novamente em Paris, em 1817, uma rua comercial (Passage des Panoramas), foi a primeira a ser iluminada pela iluminação a gás e no ano de 1829, o primeiro sistema de iluminação pública a gás foi instalado na Praça do Carrossel, sendo que, o fato de a maioria das praças e monumentos parisienses serem iluminados por luminárias a gás, deu à cidade o apelido de “cidade luz”. Com o desenvolvimento comercial da eletricidade, a utilização de sistemas baseados em queima de gases perdeu gradativamente espaço para a eletricidade e a lâmpada elétrica, e em algumas décadas, foi completamente substituído. Concomitantemente ao desenvolvimento e início da exploração comercial da eletricidade, muitos inventores desenvolveram diferentes tipos de lâmpadas elétricas. A primeira delas pode ser atribuída ao inventor russo Pavel Yablochkov e utilizava arcos de descarga elétrica em corrente alternada para iluminar o ambiente [4]. Uma alta tensão elétrica era aplicada entre dois terminais, o que produzia um brilhante arco voltaico. A ideia inicial das lâmpadas de arco está ilustrada na Figura 4. Uma alta torre central de iluminação seria o local de instalação de um conjunto de lâmpadas de arco voltaico que iluminariam determinada região da cidade. Figura 4. Fotografia da iluminação da prefeitura com lâmpadas a arco na cidade de Detroit, Estados Unidos. O conceito de Moon Tower foi criado em Detroit e implantado também em outras cidades americanas como Nova Orleans e Austin. Poucas cidades aderiram a este conceito, sendo a maioria delas nos Estados Unidos. Na cidade de Austin, Texas, foi instalado uma torre do tipo (apelidada de Moon Tower) no ano de 1895 para iluminar o capitólio do estado do Texas. Curiosamente a torre resistiu ao tempo e se encontra instalado até hoje, agora com lâmpadas mais modernas. Figura 5. Moon Tower em Austin, Texas, utilizava originalmente lâmpadas a arco voltaico. A torre resistiu ao tempo e até hoje é utilizada para iluminar o capitólio do estado do Texas. As principais desvantagens do uso deste tipo de lâmpadas eram a constante manutenção necessária, uma vez que os eletrodos de carvão se gastavam rapidamente, e o tipo de luz que estas lâmpadas emitiam: um brilho muito intenso que causava desconforto visual quando utilizadas nas ruas das cidades, por isso necessária sua utilização em altas torres [5]. Paralelamente ao desenvolvimento de lâmpadas de arco voltaico, também eram testadas iniciativas que utilizavam lâmpadas com filamentos incandescentes. Entretanto este tipo de lâmpada apresentava durabilidade muito curta, devido à queima precoce dos filamentos. No ano de 1879, o inventor americano Thomas Alva Edison criou a primeira lâmpada com filamento incandescente com viabilidade comercial [6]. Esta lâmpada possuía um filamento de carbono (fibras de bambu carbonizadas) e eletrodos de platina que, com a passagem de corrente elétrica através de seus terminais, aquecia o filamento até o ponto em que este emitia luz por incandescência. O primeiro exemplo de utilização de suas lâmpadas foi na cidade de Menlo Park, NJ, em 31 de Dezembro de 1879, com o propósito principal de arrecadar fundos para financiar sua empresa, a Edison Electric Light Company, que viria a se tornar a empresa General Electric [6]. A empresa de Edison fabricava lâmpadas para a iluminação de ruas, avenidas, estradas, residências, prédios e fábricas, impactando de forma significativa a rotina e a organização da sociedade na época. As melhorias no desempenho das lâmpadas incandescentes eram contínuas,sendo que, em 1913, o filamento de carvão foi substituído pelo fio metálico helicoidal imerso em atmosfera inerte, aumentando significativamente a eficiência deste tipo de lâmpada. Figura 6. Thomas Edison em uma de suas apresentações de sua lâmpada incandescente. O século XX trouxe avanços tecnológicos em todos os ramos da ciência e também na iluminação pública. Foram criados novos tipos de lâmpadas e melhorias na forma de utilização dos componentes. As lâmpadas incandescentes foram utilizadas na iluminação pública até o advento das lâmpadas de descarga de alta intensidade (High Intensity Discharge - HID). As lâmpadas HID produzem luz a partir de uma descarga elétrica entre dois eletrodos de tungstênio situados dentro de um bulbo de vidro contendo um gás inerte (Argônio, Xenônio, etc.) e sais metálicos (Mercúrio, Sódio, etc.), cujos tipos definem o tipo de lâmpada HID em questão. O gás é utilizado com o propósito de facilitar a faísca de ignição inicial e, uma vez que o arco está formado, ele evapora e ioniza os sais metálicos, produzindo um plasma que brilha com características que dependem do gás, sua pressão e dos metais utilizados [7]. A grande vantagem das lâmpadas HID reside no fato de possuírem maior eficiência luminosa do que as lâmpadas incandescentes, ou seja, para o mesmo consumo de energia elétrica, produzem maiores quantidades de luz visível (lúmens). Enquanto uma lâmpada incandescente possui eficiência de 6 a 18 lm/W, as lâmpadas HID possuem eficiência entre 20-140 lm/W [7]. Atualmente, a tecnologia predominante na iluminação pública é a de lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão (High Pressure Sodium - HPS), uma variante das lâmpadas HID. Estas lâmpadas substituíram gradativamente as lâmpadas de vapor de mercúrio na iluminação pública também devido a sua maior eficiência luminosa (70-140 lm/W) [7]. As lâmpadas de LED (diodo emissor de luz) atualmente já começam a ganhar importância na iluminação pública principalmente devido a estimativas de maior tempo de vida e baixo consumo de energia. Espera-se que, com a redução do custo de lâmpadas e luminárias LED, este tipo de tecnologia predomine na iluminação pública mundial. No capítulo 2 serão apresentados os tipos de lâmpadas e outros equipamentos utilizados em iluminação pública. 1.2 a iluminação pública no brasil A história da iluminação pública no Brasil se confunde em grande parte com a própria iluminação da cidade do Rio de Janeiro. Uma vez que a capital do país era a cidade que mais tinha recursos financeiros, recebia também a maior quantidade de inovações provindas de outras regiões do mundo. O primeiro registro de que se tem notícia sobre a iluminação pública data de 1794, quando foram instaladas, pelo poder público, 100 luminárias do tipo a óleo de azeite em postes da cidade do Rio de Janeiro [8]. Até então, a iluminação era feita de forma particular em residências, oratórios e conventos, com luminárias fixadas nas ombreiras das portas. Figura 7. Oratórios na cidade do Rio de Janeiro. Oratórios eram locais onde as pessoas comuns rezavam e ficavam iluminados por luz de velas ou lamparinas a óleo. No início dos anos 1800, apesar de ser uma tecnologia bastante recente, foram realizadas tentativas de utilização de luminárias a gás na cidade do Rio de Janeiro. A primeira tentativa foi de Antônio da Costa, que conseguiu uma concessão de Dom Pedro I em 1828, mas não conseguiu fundos para tocar o projeto. Em 1834, dois ingleses, Charles Gregg e William Groove, foram outros candidatos para mais uma tentativa, através de outra concessão, mas também não conseguiram fazer o negócio ir para frente, uma vez que não dominavam a tecnologia. O resultado disso é que foram instaladas apenas mais luminárias a óleo (totalizando somente 119 unidades) [9]. Assim como já descrito anteriormente em outras localidades do mundo, as luminárias a óleo utilizadas na cidade eram acesas diariamente utilizando a de mão de obra escrava. Em 1849, as menos de 2 mil luminárias da cidade do Rio de Janeiro eram acendidas utilizando 67 escravos. Neste mesmo ano, a iluminação pública, que era responsabilidade do Ministério da Justiça, foi transferida para a polícia. Figura 8. Escravos acendedores de luminárias a óleo. No ano de 1851, a tecnologia de iluminação a gás já estava bem estabelecida principalmente na Europa e Estados Unidos, a primeira iniciativa realmente bem-sucedida foi implantada na cidade do Rio de Janeiro. Em uma concessão aberta no ano de 1849, Irineu Evangelista de Souza, mais conhecido como Barão de Mauá, assinou um contrato de concessão de 25 anos referente à iluminação a gás da cidade. No dia 11 de maio de 1852, foi assinado o contrato de fornecimento com o governo. Foi criada assim a Companhia de Iluminação a Gás, sendo que as obras foram concluídas em 1854 sendo a primeira seção composta por 637 postes e luminárias a gás espaçadas entre 33 e 44 metros. No dia 25 de março daquele ano, foi realizada a inauguração, sendo acendidos os lampiões que causaram grande impacto, conforme retratado no Jornal do Commercio: “A iluminação a gás foi inaugurada ontem nas ruas de São Pedro, Sabão, Rosário, Direita, Hospício, Ouvidor, Assembléia, Carioca, Conde de Lavradio, Arcos, Passeio, São Joaquim e Largo do Paço. Todas elas foram tomadas por uma multidão maravilhada. As palavras eram poucas, mas a observação podia ser ouvida por todos os lados: ‘Como pudemos passar tanto tempo sem esse importante melhoramento?’. Na verdade, o contraste entre os velhos candeeiros e a luz brilhante emanada dos lampiões falava por si mesmo. A distância em que foram postados os novos lampiões parece ter sido bem calculada. Somente em alguns pequenos trechos do centro do Largo do Paço a luz não parece tão forte quanto se poderia desejar. Até agora já foram instalados 637 lampiões, menos de um terço do total previsto no contrato.” [9]. Uma das vantagens de se investir em novas tecnologias, além dos benefícios de iluminação, é a necessidade de construção de infraestrutura de suporte para a nova companhia. Para a produção do gás foi necessária a construção de uma refinaria (Fábrica de Gás no Caminho do Aterrado) para a destilação do carvão natural e produção do gás combustível das luminárias. Para a destinação de resíduos do processo de destilação, foi construído o canal do Mangue, em 1860. Para a condução do gás às luminárias, foram desenvolvidos sistemas de tubulação subterrânea ao longo das ruas das cidades. Inicialmente eram 20 km de tubulações, sendo que na virada do século já se somavam mais de 500 km de tubos na cidade [10]. Anteriormente à utilização do gás as luminárias a óleo eram instaladas em baixas alturas e em sua maioria nas paredes das edificações. Agora, fazia-se necessário a instalação de postes que teriam a função de condução do gás até os combustores, aumentar a altura dos pontos de iluminação e espaçar de forma adequada uma luminária da outra. Para o acendimento das luminárias, inicialmente era utilizada a mão de obra escrava, assim como par as luminárias a óleo, e após a abolição da escravatura, foram contratados acendedores de luminárias, aumentado o quadro de funcionários envolvidos na iluminação pública. Figura 9. Acendedores de luminárias a gás da cidade do Rio de Janeiro. Figura 10. Poste instalado para a condução do gás e sustentação da luminária. A utilização de luminárias a gás continuou se desenvolvendo e crescendo nos anos seguintes. Como acontece com toda nova tecnologia que se sobrepõe à tecnologia antiga, as luminárias a óleo começaram a ser deixadas de lado e utilizadas apenas nas periferias e interior do país. No começo do século XX eram registradas 14.579 luminárias a gás na cidade do Rio de Janeiro. O sistema de iluminação a gás continuou operando ainda durante muitos anos até que começou a entrar em decadência, do mesmo modo que aconteceu com as luminárias a óleo, devido a inserção de uma nova tecnologia na iluminação pública: a eletricidade. O Imperador Dom Pedro II foi um grande entusiastada utilização de avanços tecnológicos no país. Em 1879, após ter participado da primeira edição da Feira Mundial de 1876 na Filadélfia, o imperador executou a primeira demonstração pública da lâmpada elétrica no Brasil ao iluminar a estação Central da Estrada de Ferro Dom Pedro II no Rio de Janeiro com energia gerada através de dois dínamos ligados a uma máquina a vapor para alimentar 6 lâmpadas de arco. Em 1881, foram utilizadas 16 lâmpadas, também de arco, para iluminar o campo da Aclamação (atual Praça da República) no Rio de Janeiro. Figura 11. Central da Estrada de Ferro Dom Pedro II (Atual Central do Brasil). Em Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, em 1883, pela primeira vez a energia elétrica foi utilizada em iluminação de vias públicas aos moldes como é hoje no Brasil. O sistema foi inaugurado pelo imperador Dom Pedro II e era alimentado por uma termoelétrica a vapor de 52 kW e 3 dínamos, destinada exclusivamente a alimentação de 39 lâmpadas [11]. Rapidamente o conceito foi difundido para outras cidades do país, sendo implantado em 1887 em Porto Alegre (usina termoelétrica da Companhia Fiat Lux) e no Rio de Janeiro (criação da Companhia de Força e Luz) e 1889 em São Paulo (usina termoelétrica Água Branca). No início da migração da iluminação a gás para a iluminação elétrica, o medo de falhas do novo sistema, levou os responsáveis a utilizar de redundância na iluminação pública, sendo que luminárias a gás e lâmpadas elétricas a arco eram instaladas intercaladamente ou lado a lado. Com o surgimento das lâmpadas incandescentes e a viabilidade comercial e produção em escala conquistado por Thomas Edison, este tipo de lâmpada ganhou importância e tomou o lugar das lâmpadas a arco, sendo o tipo de lâmpada predominante na iluminação pública brasileira. Figura 12. Iluminação pública em Campos dos Goytacazes, RJ, 1883. A primeira usina de dimensões adequadas para produzir simultaneamente força motriz e iluminação foi construída em 1889 no rio Paraibuna em Juiz de Fora, MG, recebendo o nome de hidrelétrica de Marmelos, considerada o início da história da energia elétrica no Brasil. A usina gerava energia para uma fabrica de tecidos e também para a iluminação pública da cidade. Neste mesmo ano, a companhia Light chega ao Brasil, o que aumentou consideravelmente a geração de energia elétrica no país. O aumento do capital privado nacional e estrangeiro na construção de usinas geradoras, na distribuição e operação de sistemas elétricos no país entre 1889 e 1929 impulsionou fortemente o uso de eletricidade nas cidades, sendo utilizada principalmente no transporte (bondes), para mover as máquinas nas indústrias, e também na iluminação pública. Datam desse período empresas como Companhia Força e Luz de Minas Gerais (CFLMG), São Paulo Tramway, Light & Power Company Ltd., Brazilian Traction, Light & Power Company e Guinle & Companhia. Em 1908 a primeira iluminação monumental do Brasil foi realizada no Chateau D´Eau, em homenagem ao centenário de abertura dos portos brasileiros às nações amigas. Figura 13. Chateau D´Eau – iluminação ornamental. Em 1911, a Light já havia instalado 3522 lâmpadas elétricas em 150 km de ruas na cidade do Rio de Janeiro. No ano de 1929, 22% (92 GWh) da energia elétrica consumida na então capital eram destinados à iluminação pública através de lâmpadas incandescentes. O Brasil utilizou predominantemente lâmpadas incandescentes na iluminação pública até os anos 1960 [8]. O Rio de Janeiro, em 1963, possuía 59.264 lâmpadas, sendo que apenas 5000 eram de fluorescentes e 88 a vapor de mercúrio. As lâmpadas incandescentes foram então gradualmente substituídas pelas lâmpadas de vapor de mercúrio e, a partir da década de 1990 as lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão têm substituído as lâmpadas de vapor de mercúrio, dado sua maior eficiência luminosa. No dia 30 de dezembro de 1985 foi criado pelo Ministério de Minas e Energia o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (PROCEL), executado pela Eletrobras. Este programa tem por objetivo a promoção do uso mais eficiente e o combate ao desperdício de energia elétrica no Brasil. O programa abrange diversas áreas de atuação voltadas para este objetivo: Equipamentos (identificação e estímulo de utilização de equipamentos mais eficientes), edificações (uso eficiente de energia na construção civil), poder público (menor consumo de energia nos municípios), indústria e comércio (redução de desperdício de energia na indústria e comércio), conhecimento (ações educacionais para racionalização do consumo). Calcula-se que desde a criação do programa até o final de 2014, 10,517 bilhões de kWh de energia elétrica foram economizados pelo programa, o equivalente a um ano de produção de energia por uma usina de 2,5 GW. No ano 2000, foi criado o programa Reluz dentro do âmbito do programa PROCEL. Até então, era difícil realizar a modernização e expansão dos sistemas de iluminação pública, principalmente devido à falta de recursos financeiros, seja por parte das concessionárias, seja por parte das prefeituras. O PROCEL Reluz surgiu para atuar no financiamento de projetos de iluminação pública, tornando os sistemas mais eficientes, valorizando os espaços públicos e melhorando as condições noturnas de segurança. Dentro do projeto Reluz, cinco tipos de projetos podem ser submetidos: projetos de melhorias e eficiência, projetos de expansão, iluminação especial (decorativas e em monumentos, praças, etc), iluminação de áreas esportivas e projetos de inovação tecnológica em iluminação pública. Os custos dos projetos são financiados em até 75% pela Eletrobras com juros subsidiados e carência de 24 meses. Desde o início, o programa estimulou a modernização da iluminação pública principalmente pela troca de lâmpadas de vapor de mercúrio por lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão. Até o final de 2014, cerca de 2,78 milhões de pontos de iluminação foram substituídos. Provavelmente a tendência continuará, no entanto, agora a tendência é trocar as lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão pelas de LED, à medida que o custo destas se reduzirem ao longo do tempo. Os resultados do programa tem sido relevantes auxiliando na redução na demanda de potência, assim como no consumo de energia elétrica no país, além de auxiliar na expansão do sistema de iluminação pública e melhorada a qualidade de iluminação nos municípios brasileiros. A Tabela 1.1 mostra os tipos de lâmpadas utilizadas na iluminação pública no Brasil e a quantidade de pontos que utiliza determinado tipo de lâmpada. Tabela 1.1. Tipos e Quantidades de Lâmpadas de Iluminação Pública no Brasil. Dados de 2008 [10]. Tipo de Lâmpada Quantidade Porcentagem do Total Vapor de Sódio 9.294.611 62,93% Vapor de Mercúrio 4.703.012 31,84% Mista 328.427 2,22% Incandescente 210.417 1,42% Fluorescente 119.535 0,81% Multivapores Metálicos 108.173 0,73% Outras 5.134 0,03% Total 14.763.309 100% De acordo com os dados mais recentes da Eletrobrás (2008), a demanda de iluminação pública no Brasil era estimada em 2,2 GW no ano de 2008, o que representa 4,5% da demanda nacional de energia elétrica e o consumo de energia na iluminação pública é estimado em 9,7 bilhões de kWh por ano, representando cerca de 3% do consumo de energia elétrica do país em 2008. A título de comparação, isto representa 15,7% da capacidade de geração da usina hidrelétrica de Itaipu, ou ainda 3 unidades geradoras das 20 existentes na usina. De acordo com dados da Eletrobrás, são 14.769.309 pontos de iluminação pública no país. Infelizmente não existem dados mais recentes a respeito do número e distribuição dos pontos de iluminação pública no país. A ANEEL ou Eletrobrás não realizam mais este tipo de catalogação, especialmente após a transferência de ativos de iluminação pública das concessionárias de energia elétrica para as prefeituras, tema que será abordado no capítulo de aspectos regulatórios. Acredita-se que,com a modernização do setor de iluminação pública pelo advento de novas tecnologias, e controle por parte das prefeituras, dados mais recentes e confiáveis poderão ser obtidos para melhor investigação e planejamento da iluminação pública. 2 Iluminação pública -Aspectos técnicos Este capítulo visa descrever os principais aspectos técnicos referentes à iluminação pública. De modo a aprofundar no tema, é necessário compreender os principais conceitos de luminotécnica, para, posteriormente estudar os principais componentes utilizados nos sistemas de iluminação. Além disso, cabe uma discussão a respeito da principal norma que rege a iluminação pública a NBR 51:01. Para maiores detalhes de cada item descrito neste capítulo, a respectiva norma técnica pode (e deve) ser consultada. Ao final do capítulo, serão explicadas as principais etapas na realização de um projeto de iluminação pública, de modo a atender a norma e iluminar adequadamente as vias públicas. 2.1 Principais Conceitos de luminotécnica A luz visível é um conceito aplicado exclusivamente à radiação eletromagnética compreendida na parte visível do espectro, isto é, comprimentos de onda compreendidos entre 380 e 780 nm, de acordo com a curva de sensibilidade do olho humano. O primeiro conceito de luminotécnica que podemos apresentar é o chamado Fluxo Luminosso (ɸ): quantidade de luz perceptível produzida por uma fonte luminosa. Sua unidade no SI é o lúmen (lm). O fluxo luminoso pondera os comprimentos de onda da luz de forma a levar em conta a sensibilidade do olho humano às diferentes cores, desta forma, é uma grandeza que está contida no fluxo radiante ou fluxo energético total (que leva em conta todos os comprimentos de onda do espectro). O fluxo luminoso é uma relação entre energia por unidade de tempo, logo, pode ser considerada uma unidade de potência, a potência enxergada pelo ser humano. A partir do fluxo luminoso, podemos estabelecer então o conceito de Iluminância (E): Fluxo luminoso incidente por unidade de área. A unidade de iluminância é o lux (lm/m2). É uma medida da quantidade (potência) de luz visível incidente sobre uma superfície ponderada pelos comprimentos de onda de acordo com a sensibilidade do olho humano. No mundo natural valores de iluminância variam de 0,5 lux (luz do luar) a 150.000 lux (luz do sol direta). O instrumento utilizado para medir a iluminância é o Luxímetro. Não se deve confundir a Iluminância com a Luminância. A segunda é uma grandeza que mensura a intensidade luminosa por unidade de área incidente sobre um ângulo sólido, ou seja, na superfície esférica. Sua unidade no SI é candela por metro quadrado (cd/m2); Outro conceito interessante utilizado em luminotécnica é o de Eficiência Luminosa (η). A eficiência luminosa é a quantidade de lúmens produzidos por Watt de uma fonte luminosa. Logo, sua unidade é o lm/W. É uma grandeza que mostra quão eficiente é uma fonte luminosa, ou seja, quanta potência é necessária ser entregue a uma fonte para se produzir luz visível, similar a um rendimento. Esta grandeza se mostra bastante útil na comparação entre diferentes tipos de lâmpadas, uma vez que mostra qual lâmpada é mais eficiente, ou seja, qual lâmpada precisa de menos energia para se produzir a mesma quantidade de luz visível. A Temperatura de Cor Correlata (TCC) é um parâmetro utilizado para definir a cor de uma fonte luminosa correlacionada a um corpo negro (radiador integral ou perfeito). Quando se diz que uma cor é fria e outa é quente, subentende-se que é possível definir a cor por meio de temperatura. Um pedaço de ferro à temperatura ambiente não emite luz. À medida que este pedaço é aquecido, ele começa a emitir luz em tonalidade alaranjada. Quanto mais quente o pedaço fica, mais clara é a luz que ele emite, até se tornar liquido. Dessa maneira, é possível tabelar a coloração da luz com a temperatura. O mesmo pode ser feito com as fontes luminosas. Quanto maior é a temperatura da fonte luminosa, mais branca é sua luz. A unidade utilizada para TCC é o Kelvin (K). TCCs acima de 4000 K aparentam luz branca e “fria” e cores abaixo de 3000 K aparentam mais cores mais “quentes”, amarelo-alaranjadas. O Índice de Reprodução de Cores (IRC) é uma medida do desvio da cor que um objeto é submetido ao ser iluminado por uma fonte de luz, quando comparado ao mesmo objeto, quando iluminado por uma fonte de luz padrão (corpo negro ou luz do dia) de mesma temperatura de cor. É definido em uma escala de porcentagem (%) de 0 a 100, onde 0 % é a não reprodução de cores e 100% a reprodução ideal, ou seja, sem alteração de cor quando comparado à fonte de referência. A Figura 14 mostra a diferença no espectro de emissão das lâmpadas na região da luz visível [12]. Quanto mais próximo do espectro da luz do dia, mais fielmente as cores dos objetos são reproduzidas (maior IRC) sendo que as lâmpadas incandescentes apresentam os melhores IRCs. Figura 14 – Diferentes espectros de lâmpadas utilizadas na iluminação pública. 2.2 Tipos de Lâmpadas Utilizadas na iluminação Pública Existem diversos tipos de lâmpadas que podem ser utilizadas na iluminação pública. Nas seções a seguir, são brevemente discutidos cada um dos tipos. 2.2.1 Lâmpadas Incandescentes Lâmpadas incandescentes consistem basicamente em um bulbo de vidro contendo um filamento metálico que incandesce e emite luz quando uma corrente elétrica flui através de seus terminais (vide Figura 15). Figura 15. Lâmpada incandescente e seus principais componentes. Cerca de 95% da energia emitida por este tipo de lâmpada é situada na faixa infravermelha do espectro (calor), fazendo com que sua eficiência luminosa seja baixa (6 a 18 lm/W) [7]. As atuais lâmpadas incandescentes possuem um filamento de tungstênio imerso em gás argônio. O tungstênio é normalmente escolhido devido ao seu alto ponto de fusão e baixa taxa de sublimação em altas temperaturas. O argônio tem a finalidade de reduzir ainda mais a taxa de sublimação do tungstênio e aumentar a temperatura de operação da lâmpada, aumentando também sua eficiência luminosa [7]. O tempo de vida das lâmpadas incandescentes não é afetado pelo número de vezes em que estas são acionadas (depende da qualidade de seu filamento), mas é estimado em torno de 1000 horas sendo significativamente menor do que o de outros tipos de lâmpadas [7]. Em lâmpadas incandescentes, o IRC é muito alto (próximo de 100 %), com temperatura da cor entre 2400 a 3100 K, o que representa a luz do dia na primeira hora após o amanhecer. Entretanto a eficiência luminosa das lâmpadas incandescentes é a mais baixa dentre todas as lâmpadas elétricas modernas (6 a 18 lm/W). O baixo preço e alto índice de reprodução de cores ainda fazem com que as lâmpadas incandescentes sejam utilizadas na iluminação pública e estimativas apontam que 2% da iluminação pública no mundo ainda seja feita com este tipo de lâmpada e 1,42% no Brasil [7]. 2.2.2 Lâmpadas de Vapor de Sódio de Baixa Pressão As lâmpadas de vapor de sódio de baixa pressão são utilizadas desde 1930 e possuem a maior eficiência luminosa (200 lm/W) dentre as lâmpadas convencionais utilizadas atualmente na iluminação pública (com exceção dos LEDs) [7]. Elas são do tipo de descarga de baixa intensidade e necessitam de um reator para realizar a ignição e manter a corrente na lâmpada, e assim como as lâmpadas fluorescentes e de alta intensidade de descarga, requerem um período de aquecimento antes que o brilho nominal seja atingido. A alta eficiência luminosa se deve principalmente ao fato de o espectro de emissão deste tipo de lâmpada ser extremamente estreito e concentrado na região mais sensível do olho humano. No entanto, este espectro estreito provoca uma piora no índice de reprodução de cores (ficando próximo de zero), fazendo com que este tipo de lâmpada não seja largamente utilizado na iluminação pública. O tempo de vida deste tipo de lâmpada varia de 10000 a 16000 horas, sendo que as potências típicas variem entre 26 e 180 W. A Figura 14 ilustra as diferenças nos espectrosentre diferentes lâmpadas. Figura 16. Lâmpada de vapor de sódio de baixa pressão. 2.2.3 Lâmpadas de Descarga de Alta Intensidade (High Intensity Discharge - HID) Lâmpadas de descarga de alta intensidade geram luz a partir da criação de um arco elétrico através de eletrodos de tungstênio. As lâmpadas são montadas em um tubo de quartzo ou alumina fundida e preenchidas com gases contendo vapores metálicos, que definem o tipo de lâmpada HID. O gás auxilia na geração da descarga elétrica e o vapor metálico emite luz ao ser aquecido e levar o metal ao ponto de vaporização. Existem três tipos de lâmpadas HID: Vapor de Mercúrio, Iodetos Metálicos e Vapor de Sódio. Assim como outros tipos de lâmpadas, as lâmpadas HID necessitam de um reator que promove a ignição e mantém estável a corrente através dos eletrodos. As Lâmpadas HID possuem diversas vantagens que fizeram com que sua utilização se popularizasse na iluminação pública: eficiência luminosa, longo tempo de vida, relativamente insensível à temperatura, pequenas dimensões (os valores serão discutidos em itens seguintes). Também são utilizadas em aplicações onde é necessário iluminar grandes áreas sendo necessária economia tanto na manutenção quanto no consumo de energia elétrica. Dentre as desvantagens, é possível citar o baixo IRC e relativo alto tempo de ignição e aquecimento [7]. 2.2.4 Lâmpadas de Vapor de Mercúrio As lâmpadas de vapor de mercúrio são as mais antigas lâmpadas HID e foram extensivamente utilizadas ao redor do mundo. A modalidade de vapor de alta pressão possui eficiência luminosa entre 23 e 60 lm/W, tempo de vida entre 6000 e 28000 horas e IRC entre 15 e 62. Este tipo de lâmpada possui baixo custo e, devido a esta razão, ainda são bastante utilizadas na iluminação pública, apesar da baixa eficiência quando comparadas às lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão [7]. O tempo de vida destas lâmpadas é determinado principalmente pela degradação dos eletrodos. A Figura 17 mostra os componentes das lâmpadas de vapor de mercúrio. A norma NBR-IEC 188 normatiza as lâmpadas de vapor de mercúrio. Figura 17. Lâmpada de vapor de mercúrio e seus principais componentes. 2.2.5 Lâmpadas de Iodetos Metálicos As lâmpadas de iodetos metálicos possuem eficiências luminosas inferiores às das lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão, no entanto possuem melhor IRC por produzir luz mais branca. Estas lâmpadas são bastante similares às lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão, e também possuem iodetos metálicos, tais como iodeto de sódio e iodeto de escândio, em combinação com o gás do interior do bulbo. A eficiência deste tipo de lâmpada está situada entre 47 e 105 lm/W e o IRC entre 65 e 92. Estas lâmpadas estão tipicamente disponíveis em potências entre 35 e 1500 W e o tempo de vida destas lâmpadas está situado entre 6000 e 20000 horas, determinado pela degradação dos eletrodos [7]. A Figura 18 mostra uma lâmpada de iodetos metálicos e seus principais componentes. A norma NBR-IEC 1167 normatiza este tipo de lâmpada. Figura 18. Lâmpada de iodetos metálicos e seus principais componentes. 2.2.6 Lâmpadas de Vapor de Sódio de Alta Pressão Nas lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão, a luz é produzida pela passagem de corrente elétrica (descarga) através do vapor de sódio contido na atmosfera da lâmpada. Os elétrons do sódio são excitados pela corrente elétrica, emitindo luz quando deixam o estado excitado e voltam para o estado fundamental [7]. Como nas lâmpadas descritas anteriormente, são utilizados dois bulbos na lâmpada (vide Figura 19). O bulbo interior é fabricado em alumina sinterizada, sendo resistente à corrosão causada pelo sódio e altas temperaturas [13]. O bulbo externo é tipicamente fabricado em vidro borosilicato ou quartzo fundido com vácuo e tem por finalidade a proteção do bulbo interno e sua isolação da temperatura ambiente [7]. Figura 19. Lâmpada de vapor de sódio de alta pressão e seus principais componentes. No bulbo interno, além do vapor de sódio, existe gás xenônio e amálgama de sódio e mercúrio que é parcialmente vaporizada quando a lâmpada atinge a temperatura de operação [13]. A principal função deste composto é o aumento da vida útil da lâmpada pela redução da condutividade térmica no interior da lâmpada, uma vez que o mercúrio tem baixa condutividade térmica. A tensão da lâmpada é fortemente dependente das condições térmicas de operação, sendo sua estabilização complexa, visto que o vapor saturado de sódio tem sua pressão alterada por pontos mais frios no tubo de descarga. Para a ignição das lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão, são utilizados pulsos de alta tensão (maior que 2 kV) e alta frequência (dezenas de kHz) para ionizar o gás no interior do bulbo interno. Após a ignição, é necessário um período de tempo, normalmente dez a quinze minutos, para atingir o brilho máximo [7]. Durante este período, o brilho e a cor da lâmpada variam até atingir a estabilidade. Uma vez atingida a estabilidade, a tensão das lâmpadas varia com a potência e, devido a esta característica, a lâmpada de vapor de sódio de alta pressão mantém sua resistência equivalente constante, mesmo quando ocorre variação na potência entregue à lâmpada [13]. O parâmetro que determina a vida útil destas lâmpadas é o lento e gradual aumento da tensão de operação causado principalmente pelo escurecimento das extremidades do tubo de descarga. A causa desse escurecimento é devida a mudança na pressão do gás e pelo material arrancado dos eletrodos durante a operação normal da lâmpada [13]. O aumento da tensão da lâmpada causa um aumento de potência entregue, acelerando ainda mais o processo de aumento da tensão do arco elétrico, causando a falha da lâmpada. As lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão são as que possuem maior eficiência luminosa dentre as lâmpadas HID (70-140 lm/W) [7]. Estas lâmpadas, entretanto, possuem coloração amarelada (IRC entre 21-83), sendo utilizada especialmente em aplicações em que a economia é mais importante do que a definição de cores [7]. O tempo de vida das lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão está situado entre 5000 e 28000 horas de uso e a potência nominal das lâmpadas está situada entre 40 e 400 W [7]. A Figura 20 ilustra a comparação entre diferentes tipos de lâmpadas HID em termos de luminosidade e tempo de vida para a potência de 400 W. É evidenciada a vantagem das lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão sobre as demais. As lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão são as mais utilizadas na iluminação pública no Brasil e no mundo [7], [8]. A normatização deste tipo de lâmpadas é feita pela norma NBR-IEC 662. Figura 20. Comparação entre diferentes tipos de lâmpadas HID em termos de luminosidade e vida útil. 2.2.7 Lâmpadas de LED As lâmpadas de LED ou diodos emissores de luz (Light Emitting Diodes) são compostas de diodos emissores de luz de alto brilho. As lâmpadas de LED tendem a ser o futuro da iluminação pública no mundo principalmente devido ao baixo consumo de energia, alta eficiência luminosa (em torno de 120 lm/W), alto IRC (entre 75 e 95) e longos tempos de vida (50000 a 100000 horas) [7]. Vantagens como longo tempo de vida, possibilidade de dimerização total e acionamento/desligamento instantâneo, prometem fazer com que as lâmpadas de LED ganhem muito espaço na iluminação pública. O custo das lâmpadas e luminárias de LED ainda é um obstáculo a ser superado, no entanto, nos próximos anos a tecnologia de iluminação com luminárias LED tende a ter seu custo reduzido, viabilizando sua utilização em projetos de iluminação. A tabela 2.1 mostra um resumo dos parâmetros das lâmpadas descritas anteriormente para facilitar a comparação. Tabela 2.1. Comparação de parâmetros de diferentes tipos de lâmpadas. Tipo de Lâmpada Eficiência Luminosa (lm/W) IRC Tempo de Vida (h) Tipo de Ignição Incandescente 6 a 18 Próximo de 100 1500 a 3000 Ligação Direta Vapor de Sódio de Baixa Pressão 200 Próximo de zero 10000a 16000 Ignitor +Reator Vapor de Mercúrio 23 a 60 15 a 62 6000 a 28000 Ignitor+Reator Iodetos Metálicos 47 a 105 65 a 92 6000 a 20000 Ignitor+Reator Vapor de Sódio de Alta Pressão 70 a 140 21 a 83 5000 a 28000 Ignitor+Reator LED > 120 75 a 95 50000 a 100000 Driver eletrônico 2.3 Reatores e Ignitores As lâmpadas de descarga de alta intensidade (vapor de mercúrio e vapor de sódio de alta pressão) necessitam de ignitores e reatores para operar. Ignitores são equipamentos capazes de fornecer alta tensão (entre 0,7 e 5 kV) pulsada para iniciar um arco de descarga elétrica no gás que ocupa o interior da lâmpada [7]. O ignitor pode ser obtido através de um circuito ressonante LCC (tensão de um capacitor paralelo à lâmpada sobe até atingir a tensão de ruptura de arco elétrico da lâmpada) ou através de pulsos de tensão sobre a lâmpada através de um transformador comandado por transistores, tiristores ou centelhadores [14-18]. Os ignitores podem ser montados separadamente ou integrados ao reator, sendo, atualmente, a maioria já é integrada ao reator. A Figura 21 mostra um ignitor típico utilizado em iluminação pública. Figura 21. Ignitor para lâmpadas de iluminação pública. A característica V/I destas lâmpadas não é linear, mas sim exponencial. Isso significa que, após a ignição da lâmpada, é necessário um circuito que limite a corrente através do gás, mantendo a descarga elétrica e a operação padrão da lâmpada. Este circuito é o reator. Existem dois tipos básicos de reatores: os indutivos e os eletrônicos. Os reatores indutivos são mais comuns na iluminação pública devido a seu baixo custo e robustez. Consistem em uma bobina de cobre enrolada em um núcleo ferromagnético, possuindo característica indutiva. Por este motivo, tipicamente são conectados a um capacitor, de forma a corrigir o fator de potência do componente, que, de acordo com a norma NBR 13953 (e NBR 5125), deve ser maior que 0,92. Mais de 50 % do volume total do reator é ocupado pelos elementos reativos do circuito (capacitores de barramento, indutores e transformadores) [7]. A Figura 22 ilustra o circuito típico de um reator indutivo. Figura 22. (a) Esquema elétrico de um reator. (b) Reator indutivo típico. Os reatores eletrônicos utilizam circuitos eletrônicos e componentes de estado sólido para a ignição e manutenção da corrente das lâmpadas. Estes reatores não só consomem menos energia do que os indutivos, mas também permitem as lâmpadas operar em frequências mais altas (acima de 20 KHz), o que também aumenta a eficiência luminosa das lâmpadas entre 10 e 15% [7]. A eficiência geral do sistema aumenta assim em torno de 25% [7]. Alguns estudos sugerem também que os reatores eletrônicos aumentam a vida útil das lâmpadas em até 30% [7]. Outras vantagens dos reatores eletrônicos são: menores dimensões e peso, menor centelhamento, menor ruído, melhor ignição e estabilidade operacional, maior fator de potência, menor distorção harmônica e maior amplitude de dimerização [7]. Entretanto, os reatores eletrônicos tem custo inicial mais elevado. A Figura 23 mostra um diagrama de blocos de um reator eletrônico genérico para lâmpadas de vapor de sódio. A tensão da rede é retificada por um retificador de onda completa com baixa ondulação. O estágio seguinte consiste na correção do fator de potência, visto que circuitos de retificação capacitivos possuem tipicamente baixos fatores de potência. Em seguida, um inversor é utilizado para converter a tensão contínua do barramento em tensão alternada de alta frequência e comumente senoidal. Figura 23. Diagrama de blocos de um reator eletrônico genérico. Os reatores podem ainda ser do tipo externos (quando instalados separadamente das luminárias e expostos ao ambiente) subterrâneos (quando instalados subterraneamente) ou integrados (quando acoplados no interior das luminárias. A Figura 24 é uma fotografia de um reator eletrônico moderno. Figura 24. Reator Eletrônico Moderno 2.3.1 Reatores com Ajuste de Luminosidade (Dimerização) Os reatores eletrônicos mais recentes incorporam em seus circuitos a capacidade de ajuste de luminosidade e potência dissipada pela lâmpada com o objetivo de economizar energia elétrica. Esta técnica, comumente denominada “dimerização” (referência ao termo “dimming”), pode ser dividida em duas classificações: dimerização em níveis discretos e dimerização contínua. Na dimerização em níveis discretos, a potência é comutada de um nível para outro de forma quase instantânea e os níveis de potência são fixos de forma discreta. Diferentes níveis discretos podem ser projetados de forma que o usuário possa escolher em qual potência a lâmpada vai operar em determinado momento. A dimerização contínua (analógica 1-10 VDC) permite o ajuste da luminosidade e potência em qualquer valor entre dois níveis específicos, por exemplo, 30% e 100%. Do ponto de vista de circuitos, o processo de dimerização pode ser realizado de três formas [14]: Variação da frequência de comutação do inversor [19]; Variação da razão cíclica (duty-cycle) do inversor [20]; Variação da tensão de barramento [21] [22]. A variação da tensão de barramento é um procedimento que requer a utilização de um conversor CC-CC entre o retificador e o inversor. É necessária a manutenção de mínima tensão de circuito, o que limita a faixa de dimerização do sistema. A redução deve ser feita de forma gradual de forma a não extinguir o arco e não acelerar a degradação da lâmpada. A variação da razão cíclica (duty cycle) do inversor impacta diretamente na tensão eficaz da saída do inversor. Deve-se atentar, no entanto, ao fato da forma com a qual a razão cíclica é alterada, visto que a forma de onda aplicada à lâmpada pode gerar grande distorção harmônica e, como consequência, gerar excitação da ressonância acústica [14]. A variação da frequência de comutação do inversor faz com que a impedância do filtro LC da saída do inversor também varie, alterando a potência entregue à lâmpada. Dessa forma, ao aumentar a frequência do inversor, a impedância do filtro também aumenta, reduzindo a potência da lâmpada. Dentre os cuidados de utilização da dimerização em lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão, os fabricantes recomendam esperar a lâmpada entrar em regime estacionário antes de utilizar a dimerização, manter pelo menos 30% da potência nominal de forma a evitar a erosão do material de cobertura dos eletrodos e não utilizar a dimerização por mais de 8 horas seguidas. Com relação ao brilho das lâmpadas em condição de dimerização, até a redução de 50% na potência nominal da lâmpada não são registradas mudanças significativas na cor da luz emitida [14]. Para valores menores de potência, medidas em esferas de integração mostram que a luz da lâmpada tende a se tornar mais amarelada, com espectro mais concentrado, o que prejudica o IRC [14]. A Figura 25 mostra uma lâmpada conectada a um reator com ajuste de luminosidade em quatro níveis de potência. Figura 25. Dimerização de lâmpada de vapor de sódio de alta pressão. Diferentes níveis de luminosidade. 2.4 luminárias As luminárias tem o propósito de dar sustentação mecânica para as lâmpadas, proteger as lâmpadas das intempéries e ainda, melhorar a distribuição da coluna de luz (direcionamento do fluxo luminoso). As luminárias mais comuns são presas a braços de sustentação que, por sua vez, são afixados aos postes. Existem diversos tipos de luminárias, sendo que cada tipo de lâmpada requer uma luminária específica. A Figura 26 apresenta diversos tipos de luminárias. A alimentação das luminárias geralmente é realizada com cabos condutores flexíveis de cobre de 1,5 mm2 com isolamento, propícios para uso no tempo. Com relação à queda de tensão, não é admitida queda superior a 10% da tensão nominal do conjunto reator e lâmpada. No interior das luminárias estão os soquetes para as lâmpadas, ou seja, o local onde as lâmpadas são rosqueadas. Geralmente os soquetes são feitos em cerâmica(e não plástico), uma vez que altas temperaturas são atingidas em suas proximidades. Também não são feitos em metal para isolar eletricamente a lâmpada do restante da luminária. A região da rosca é fabricada em latão para fornecer o contato elétrico à lâmpada. Os tipos de soquetes mais comuns no Brasil são o E27 (diâmetro menor) ou E40 (diâmetro maior). A norma aplicada às luminárias é a NBR-15129, explorando requisitos particulares de luminárias. De acordo com os resultados que se deseja obter, são escolhidos os tipos de luminárias e conjuntos ópticos. A Figura 27 ilustra a coluna de luz produzida por diferentes tipos de luminárias. Em praças públicas, local histórico, ou ainda em monumentos, pode ser desejado focar na beleza da iluminação, podendo-se utilizar então luminárias ornamentais, como aquelas da Figura 26 (e). Ainda são muito comuns na iluminação pública, o uso de luminárias abertas (Figura 26(a)), devido ao custo reduzido, entretanto, a tendência é de que estes tipos de luminárias sejam substituídos por luminárias fechadas, uma vez que as lâmpadas ficam muito expostas, sendo sujeitas a insetos, chuva, vandalismo, etc. Figura 26. Diferentes tipos de luminárias. (a) Luminária aberta estampada para 1 lâmpada; (b) Luminária aberta estampada com tela de proteção; (c) Luminária fechada para 1 lâmpada; (d) Luminária fechada tipo pétala para: (d1 – uma lâmpada tubular), (d2 – uma lâmpada ovóide), (d3 – duas lâmpadas); (e) Luminárias ornamentais: (e1 – Refrator transparente), (e2 – Refrator leitoso), (e3 – Lampião colonial). Figura 27. Coluna de luz produzida por diferentes tipos de luminárias. As luminárias mais modernas possuem ainda um projeto que maximize sua eficiência luminosa, concentrando a coluna de luz apenas na área de interesse, reduzindo assim perdas luminosas e aumento da poluição luminosa. Este direcionamento da coluna de luz pode ser feito através de corpos refletores das luminárias, ou seja, a parte interna da luminária é fabricada com material reflexivo, como alumínio polido e anodizado ou películas finas de prata ou camadas finas de vidro. Normalmente este tipo de luminária tem o custo inicial um pouco mais caro do que as demais, no entanto, o alto custo de energia elétrica no Brasil tem estimulado a utilização deste tipo de luminária. Existem ainda luminárias que integram também os equipamentos auxiliares das lâmpadas, como reatores, ignitores e relés fotoelétricos (Figura 28). Isso torna o conjunto de iluminação mais compacto, com menor poluição visual e de maior facilidade de trocas e reparos. Este tipo de luminária é denominado luminária fechada integrada. Figura 28. Tipo de luminária integrada. Diante do surgimento das luminárias para lâmpadas LED, a forma e aparência das luminárias ganhou maior liberdade, sendo que os projetistas podem escolher a luminária que mais lhe agrada dentro de um grande leque de possibilidades. A Figura 29 ilustra alguns modelos de luminárias LED. No ano de 2014, no Brasil, foi estabelecido um regulamento técnico para as lâmpadas de LED, conduzido dentro do âmbito do programa PROCEL. Foram desenvolvidas metodologias para a certificação de produtos e estabelecimento de regras iguais que tanto os fabricantes nacionais quanto internacionais devem respeitar para vender seus produtos no país. A regulamentação focou em eficiência energética e na durabilidade das lâmpadas e luminárias. Figura 29. Diferentes tipos de luminárias LED. 2.5 Braços para iluminação pública Os braços são suportes metálicos (geralmente ferro ou aço fundido) que tem a função de sustentação das luminárias e de eletroduto para a fiação de alimentação das lâmpadas e projetar a luminária a certa distância do poste, de modo a distribuir melhor a luminosidade. Os braços são de vital importância para o desempenho óptico do ponto de iluminação, uma vez que sua angulação e fixação devem manter as luminárias na posição horizontal. Também devem ser resistentes o suficiente para suportar diferentes condições climáticas (ventos de 150 km/h, sol, chuva, neve, maresia), sem comprometer a eficiência do conjunto óptico ou sofrer deformação permanente. O modo como os braços são afixados nos postes depende dos modelos dos postes. Nos postes quadrados, os braços são fixados utilizando parafusos, enquanto que em postes cilíndricos, são utilizadas cintas metálicas em volta do poste, presas aos braços. Postes ornamentais, muitas vezes, não utilizam de braços, sendo a luminária instalada diretamente a parte superior do poste. Existem diversos tipos de braços que podem ser fabricados, não existindo padronização. Cada empresa escolhe o tipo de braço adequado, desde que a iluminação respeite as normas técnicas e que os braços auxiliem na satisfação dos quesitos de iluminação, sendo que a norma recomenda não utilizar braços com ângulo superior a 10o. A Figura 30 ilustra três tipos bastantes comuns encontrados no Brasil. Os braços curtos têm projeção horizontal de 1,2 m e diâmetro externo do tubo de 25 a 26,5 mm, tipicamente utilizado com lâmpadas de baixa potência (abaixo de 100 W). O braço médio tem 2,9 m de projeção e diâmetro externo de 45 a 49 mm, tipicamente utilizado com lâmpadas de 100 a 250 W. O braço pesado tem projeção de 3,8 m e é tipicamente utilizado com lâmpadas de 400 W. É possível citar ainda braços longos especiais para áreas arborizadas de 5,6 m, de modo a desviar de galhos e troncos. Figura 30. Diferentes tipos de braços para luminárias. (a) Braço tipo curto – Projeção Horizontal de 1,2 m; (b) Braço Médio – Projeção Horizontal de 2,9 m; (c) Braço Pesado – Projeção Horizon-tal de 3,8 m; (d) Braço Longo para área arborizada – Projeção Horizontal de 5,6 m. 2.6 Relé Fotoelético Os relés fotoelétricos são chaves que acionam o circuito de iluminação em função de um nível de luminosidade incidente sobre uma fotocélula. Uma fotocélula é similar a um diodo polarizado reversamente. Quando luz em potência suficiente incide sobre a fotocélula, este diodo passa a conduzir corrente elétrica, abrindo os contatos da chave (relé), impedindo que a lâmpada receba energia. Durante a noite, quando esta potência se torna baixa, o diodo entra em modo de corte, fechando os contatos do relé, permitindo que a lâmpada seja alimentada. O relé em si pode ser do tipo bimetálico (térmico), magnético ou eletrônico. Nos relés bimetálicos, a dilatação térmica diferencial de uma junção metálica, faz com que os contatos se abram ou fechem, similarmente ao que ocorre nos disjuntores de proteção. Os relés magnéticos utilizam uma chave eletromecânica, no qual a passagem de corrente elétrica por uma bobina faz com que os terminais da chave se abram ou fechem, similarmente ao que ocorrem em contatoras. Os relés eletrônicos utilizam um circuito eletrônico com transistores (e tiristores) que habilita ou não a alimentação das lâmpadas dependendo do nível de corrente provinda da fotocélula. Podem usar ainda chaves eletromecânicas em seu funcionamento, e, possuem a possibilidade de programação com temporizadores e utilização de dispositivos supressores de surtos de corrente e tensão. A norma NBR 5123 é aquela que trata dos relés fotoelétricos. A figura 31 apresenta um tipo comum de relé fotoelétricos encontrados no mercado. A fotocélula aparece destacada na figura. Figura 31- Relé e Fotocélulas. Os relés são conectados antes dos reatores, de modo que todo o conjunto, reator e lâmpadas ficam totalmente desenergizados durante o dia. As duas fases provindas da alimentação são conectadas aos dois terminais de entrada do relé, sendo os terminais de saída conectados aos terminais de entrada do reator. Preferencialmente os relés são instalados nas luminárias, no entanto, muitas vezes são instalados nos postes, através de suportes (ou bases) adequados. O limiar de acendimento da lâmpada é entre 3 e 20 lux, dependendo do relé e para apagamento a partir de 80 lux. O consumo de energia do relé pode ser considerado desprezível. Um retardo de operação do relé é inserido sempre queutilizadas lâmpadas de descarga, uma vez que este tipo de lâmpada demora em torno de 15 minutos para atingir sua luminosidade normal de operação. Desse modo, o relé com retardo evita que a lâmpada seja apagada e ligada desnecessariamente. Outra característica importante a ser analisada durante a instalação dos relés é o modo de falha do relé. O modo de falha indica em qual estado (aberto ou fechado) o relé permanecerá no caso de uma falha. O modo falha em Aberto significa que os contatos do relé permanecem em aberto caso este apresente falha, ou seja, as lâmpadas permanecerão desligadas dia e noite. O modo de falha em Fechado significa que o relé em falha permanece fechado, ficando as lâmpadas acesas dia e noite. 2.7 Postes Existe uma infinidade de tipos de postes que são utilizados na iluminação pública no Brasil e no mundo. O tipo de poste utilizado é consequência de fatores de projeto, tais como os requisitos de iluminação na via, tipo de via, altura das luminárias, característica da rede de distribuição (subterrânea ou aérea), resistência mecânica necessária e estética. Os postes de concreto em seção circular com conicidade reduzida são bastante utilizados em regiões onde a rede de distribuição é subterrânea (Figura 32 (a)). Postes de aço reto escalonados são tipicamente utilizados com luminárias ornamentais em praças e parques (Figura 32 (b)). Os mais comuns são os postes de concreto de seção circular uniforme, sendo largamente utilizados nos bairros de centros urbanos (Figura 32 (c)). Para vias arteriais mais movimentadas, são tipicamente utilizados postes metálicos (aço carbono) simples ou em duplo T (Figura32 (d)). Figura 32. Diferentes tipos de postes. (a) Poste de concreto circular de conicidade reduzida; (b) Poste de aço escalonado reto; (c) Poste de aço reto; (d) Poste de aço ortogonal reto para braço simples ou duplo. Uma vez expostos os principais componentes de um sistema de iluminação pública, a Figura 33 mostra uma montagem típica do sistema. No poste é fixado, através de um suporte, o braço da luminária. A fiação da rede de 127/220 V provinda de um transformador de distribuição é utilizada para alimentar o relé fotoelétrico e o reator. Ao ser reduzida a claridade do dia, a fotocélula ativa o relé que fecha os contatos, permitindo que o reator seja energizado pela rede. Nesse momento ocorre a ignição da lâmpada, que, dependendo do tipo de lâmpada utilizada, atinge seu regime permanente de operação em até 30 minutos. Figura 33. Montagem típica de um sistema de iluminação pública. 2.8 A Norma NBR 51:01 – Iluminação Pública - Procedimento Ao longo das seções até o momento, foram mencionadas diversas normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) referentes aos componentes de iluminação pública e lâmpadas. Não cabe a este livro, repetir as normas, uma vez que estas podem ser facilmente consultadas sempre que necessário. Porém, nesta seção, cabe especial detalhamento a respeito da norma ABNT NBR 51:01 de 04/04/2012 – Iluminação Pública – Procedimento. Esta norma estabelece referências normativas, termos e definições, classificações de vias e procedimentos em geral para a realização de projetos de iluminação de vias públicas no Brasil, de modo a propiciar segurança aos tráfegos de pedestres e veículos. A norma exige que os projetos de iluminação pública devam atender aos requisitos específicos do usuário, provendo benefícios econômicos e sociais para os cidadãos, incluindo: a) Redução de acidentes noturnos; b) Melhoria das condições de vida, principalmente de comunidades carentes; c) Auxílio à proteção policial; d) Facilidade do fluxo do tráfego; e) Destaque a edifícios e obras públicas durante a noite; f) Eficiência energética. As vias públicas são classificadas da seguinte forma pela norma: Via de trânsito rápido: Avenidas e ruas asfaltadas, exclusiva para tráfego motorizado; Via arterial: Via exclusiva para tráfego motorizado, com grande volume, pouco acesso de tráfego, várias pistas e cruzamentos em dois planos, escoamento continuo, elevada velocidade de operação e estacionamento proibido; Via Coletora: Via exclusiva para tráfego motorizado, com volume de tráfego inferior e acesso de tráfego superior às vias arteriais; Via Local: Via que permite acesso a edificações e outras vias urbanas, com grade acesso e pequeno volume de tráfego. Via Rural: Estradas de rodagem que nem sempre apresentam tráfego motorizado; Rodovia: Vias para tráfego motorizado, com ou sem acostamento, com tráfego de pedestres e pavimentadas. Estradas: Vias rurais para tráfego motorizado, com ou sem acostamento, com tráfego de pedestres, não pavimentada. Com o intuito de quantificação, a Tabela 2.2 mostra a classificação das vias públicas de acordo com o tráfego noturno de veículos entre as 18 e 21 horas em ambos os sentidos, em pista única. Tabela 2.2 – Classificação das vias públicas segundo o volume de tráfego. Classificação Volume de tráfego entre as 18 e 21 horas Leve 150 a 500 Médio 501 a 1200 Intenso Acima de 1200 Além da classificação conforme o volume de tráfego, a norma classifica também as vias conforme a classe de iluminação (Tabela 2.3). Tabela 2.3 – Classificação das vias públicas conforme a classe de iluminação. Descrição da Via Classe da Iluminação Iluminância Média Mínima (Emed,min) (lux) Fator de Uniformidade Mínimo (U) Vias de trânsito rápido em geral com separação de pistas; Auto-Estradas. Volume de Tráfego Intenso V1 30 0,4 Volume de Tráfego Médio V2 20 0,3 Vias arteriais, alta velocidade de tráfego com separação de pistas; vias de mão dupla. Volume de Tráfego Intenso V1 30 0,4 Volume de Tráfego Médio V2 20 0,3 Vias coletoras; vias de tráfego importante; vias radiais urbanas e de interligação de bairros. Volume de Tráfego Intenso V2 20 0,3 Volume de Tráfego Médio V3 15 0,2 Volume de Tráfego Leve V4 10 0,2 Vias Locais; vias de Conexão Menos importante; vias de acesso residencial. Volume de Tráfego Médio V4 10 0,2 Volume de Tráfego Leve V5 5 0,2 Para a medição da iluminância nas vias públicas, a norma define a metodologia de medidas utilizando uma malha (grade) de verificação detalhada. Os pontos dessa grade devem ser definidos pelas interseções das linhas transversais e longitudinais à pista de rolamento e às calçadas, considerando a existência de: a) Uma linha transversal alinhada com cada luminária; b) Uma linha transversal no ponto médio entre as duas luminárias; c) Uma linha longitudinal no eixo de cada faixa; d) Uma linha longitudinal no eixo de cada calçada; e) Linhas que dividem o vão em quatro partes iguais. A Figura 34 ilustra a construção desta malha com os pontos de medição destacados e nomeados na sequência do alfabeto. São 15 pontos de medição quando a via possui apenas uma faixa de rolamento, para vias com duas faixas serão 30 pontos, 3 faixas, 45 pontos, 4 faixas, 60 pontos e 5 faixas 75 pontos. Figura 34. Malha de verificação detalhada para medidas de iluminância nas vias. Uma vez definida a malha de medição no local de interesse, devem ser realizadas as medidas de iluminância nos pontos de medição. De posse destes valores, é necessário determinar a Iluminância Mínima (Emin) e a Iluminância Média (Emed) da via. O valor de Emin é obtido diretamente das medidas e consiste no menor valor de iluminância de todos os pontos de medição. Emed é obtido através da equação 2.1. O parâmetro denominado fator de uniformidade mínimo (U) é obtido pela divisão da Emin por Emed, conforme a equação 2.2. O fator de uniformidade caracteriza o quão uniforme é a iluminação em determinada via, não sendo recomendado ter altos índices de iluminância em determinado ponto da via e baixos níveis em outros pontos. Na tabela 2.4 são apresentados o valor de Iluminância Média Mínima (Emed,min) que a viadeve apresentar. Este é o mínimo valor médio de iluminância que a via deve ter para ser considerada adequada perante a norma. Também é apresentado o fator de uniformidade mínimo que cada classe de iluminação deve apresentar. Pelos valores da tabela, é possível concluir que as vias de tráfego intenso e alta velocidade, requerem mais iluminação e iluminação mais uniforme, de modo a aumentar a segurança dos usuários da via. Vias de menor tráfego e menor velocidade requerem menor iluminação sem grandes requisitos de uniformidade. Analogamente às vias de tráfego de veículos, a norma também estabelece valores de Emed,min e U para vias de pedestres, tais como calçadões, praças, parques, etc. A Tabela 2.4 mostra tanto a classificação da via quanto os requisitos mínimos de iluminância e uniformidade. Tabela 2.4. Classificação da via e parâmetros de iluminância e uniformidade. Classe de Iluminação Características da Via Iluminância Horizontal média Fator de Uniformidade Mínimo P1 Vias de uso noturno intenso por pedestres (calçadões, zonas de comércio) 20 0,3 P2 Vias de grande tráfego noturno de pedestres (passeios de avenidas, praças, áreas de lazer). 10 0,25 P3 Vias de uso noturno moderado de pedestres (calçadas, acostamentos) 5 0,2 P4 Vias de pouco uso por pedestres (calçadas de ruas residenciais) 3 0,2 A norma também especifica como a iluminação deve ser compatível com a arborização e os cálculos para desobstrução da iluminação em árvores nos sentidos longitudinais e transversais, além de dar sugestões de como tratar diversas situações de vias específicas, tais como: cruzamentos, curvas e elevações, túneis, pistas convergentes e divergentes e como reduzir a poluição luminosa. Outras normas, como a NBR 5181 (Iluminação de túneis) e NBR 5461 (Iluminação), também podem ser úteis de acordo com projetos específicos. 2.9 topologias de iluminação pública A topologia de iluminação pública nada mais é do que a forma como serão dispostos os postes e as luminárias nas vias de modo a atender satisfatoriamente os critérios de iluminação estabelecidos na norma NBR 51:01. Tipicamente as distâncias entre os postes se situam entre 20 e 40 metros, no entanto estes valores variam de acordo com os requisitos de iluminância das vias. Uma regra geral que pode ser utilizada é fazer o vão livre entre os postes menor que 3 vezes a altura da montagem (Figura 35). Caso seja necessário reduzir a distância entre os postes ou ainda seja possível aumentar a distância, isso pode ser feito desde que os requisitos da norma sejam atendidos. A altura da montagem das luminárias, isto é, a distância entre a luminária e o chão, deve ser estabelecida de acordo com o tipo de via e os requisitos de iluminância. Tipicamente, vias classe V5 requem 7 metros de altura de montagem, vias V4 e V3 altura de 8 metros, vias V2 9 metros e V1 12 metros. Obviamente os valores também dependem do tipo de lâmpada utilizada, de modo a atender os requisitos da norma. Figura 35. Relação entre a largura da via, altura de montagem e espaçamento entre postes. Para a escolha do tipo de arranjo a ser instalado em determinado local, a via onde a iluminação será instalada deverá ser classificada de acordo com as categorias definidas pela norma. Posteriormente devem ser observadas as características geográficas do local de instalação, como a largura das vias, elevação, posição de prédios, residências, árvores e características do solo para então determinar as distâncias entre os postes, altura de montagem da luminária. Deve então ser escolhida uma topologia que consiga atender os requisitos mínimos de iluminação da via e que seja factível com os custos envolvidos na montagem. É desejável que as luminárias sejam instaladas de forma uniforme, mas não necessariamente simétricas, de modo a preservar e melhorar o aspecto urbanístico da montagem. Existem 4 tipos básicos de topologias que podem ser utilizadas, sendo outras possíveis derivadas destas. 2.9.1 Iluminação unilateral É o arranjo mais comumente utilizado, que se encaixa comumente em vias locais e coletoras, com tráfego motorizado leve ou médio. Normalmente é utilizado nas vias onde a largura da pista é menor ou igual a altura de montagem da luminária. Figura 36. Arranjo unilateral das luminárias. 2.9.2 Iluminação Bilateral Alternada Sistema no qual as luminárias são dispostas alternadamente entre os dois lados da via. Normalmente é utilizado em vias de tráfego motorizado intenso, e a largura da pista de rolamento estiver entre 1,0 e 1,6 vezes a altura da montagem, tipicamente resultando em valores entre 15 e 18 metros. Figura 37. Arranjo bilateral alternado das luminárias. 2.9.3 Iluminação Bilateral Oposta A iluminação Bilateral Oposta é aquela no qual os postes são posicionados em lados opostos das vias, sendo que as luminárias se situam frente a frente umas das outras. Este tipo de topologia é utilizado normalmente em vias mais largas de tráfego intenso, nas quais a faixa de rolamento é maior que 1,6 vezes a altura da montagem. Figura 38. Arranjo bilateral oposto das luminárias. 2.9.4 Iluminação Central Este tipo de topologia é utilizado em vias onde existe um canteiro central sendo utilizadas duas luminárias por poste. É recomendada em vias cuja largura da via de rolamento seja superior a 1,6 vezes a altura da montagem das luminárias. Existem ainda variações deste tipo de topologia, tais como dois postes nos canteiros centrais (indicado para canteiros mais largos que 6 metros) ou ainda manter as luminárias em suspensão por cabos no centro da via (em vias estreitas com edificações em ambos os lados). Figura 39. Arranjo em vias com canteiro central. Um caso especial de topologia de iluminação é a iluminação ornamental ou decorativa em praças, jardins, parques e centros históricos. Neste caso, existe certa flexibilidade quanto ao posicionamento e tipos dos postes e luminárias, visto que a estética é levada em consideração. Nestes casos, são comuns luminárias ornamentais, que tornam o local visitado mais atraente para o público, sendo a topologia projetada para se destacar o ambiente, assim como dar ênfase a monumentos e combinar com a arquitetura local. Este tipo de topologia tem ganhado espaço principalmente com o advento das luminárias e lâmpadas de LED que permitem que sejam a iluminação local seja variada significativamente, transformado a topologia da iluminação quase um processo artístico. 2.10 elaboração de um projeto de iluminação pública Nos itens anteriores abordamos os diversos aspectos técnicos envolvidos na iluminação pública. Analisamos os componentes utilizados, as topologias possíveis e as normas cabíveis. De posse desses conhecimentos, vamos agora passar pelas etapas de realização de um projeto de iluminação pública. Existem diversos equipamentos, de diferentes marcas, modelos, potências e especificações que podem ser utilizados nos projetos. De modo a restringir e padronizar os equipamentos utilizados, normalmente cada concessionária desenvolve seu próprio manual com essas informações. Estes manuais também dão diretrizes de projeto que levam em conta peculiaridades da região da concessionária. Por exemplo, uma concessionária que atende grande parte de municípios à beira mar utiliza equipamentos diferentes daquelas concessionárias que atendem no campo. Diante disso, tentaremos ser o mais abrangente possível, não focando em equipamentos específicos de determinada concessionária. A primeira etapa do projeto consiste em analisar o local onde será instalado o sistema de iluminação. Deverão ser observadas as características peculiares do local, tais como topografia, elevação, presença de arborização, edificações, tráfego motorizado e de pedestres, etc. Esse tipo de informação deve ser obtido junto a prefeitura, ou, caso esta não possua, determinado e medido através de um levantamento de campo. A próxima etapa consiste em determinar qual o tipo de via e qual sua categoriaperante a norma. Essa informação é fundamental para definirmos quais os requisitos mínimos de iluminância necessários ao longo da via e, por consequência, qual tipo de topologia será escolhido, assim como o tipo de lâmpada e potência. As luminárias escolhidas podem ser fechadas, integradas, ornamentais, etc., dependendo do tipo de projeto, orçamento dos padrões exigidos pela prefeitura ou estabelecidos pela concessionária. Definido o tipo de via e luminária, é necessário definir conjuntamente os tipos de lâmpadas e braços que serão utilizados. Existem diversas combinações entre estes componentes que podem ser realizadas de modo a atender os requisitos mínimos de iluminação. Como regra geral, é possível dizer que vias mais largas e vias que possuem maiores vãos livres entre postes requerem braços mais longos e potências maiores das lâmpadas utilizadas. Estas são características típicas de vias arteriais e coletoras. Vias locais com trânsito mais leve e menor largura de via necessitam de braços mais curtos e menores potências de lâmpadas. Com relação à topologia da iluminação, o mesmo tipo de regra geral pode ser aplicado: Em vias com trânsito mais leve e mais devagar, tipicamente é utilizado o arranjo unilateral de luminárias. Vias com trânsito médio requerem iluminação alternada e vias com trânsito intenso e rápido requerem topologia de luminárias opostas. Analogamente, podemos definir os mesmos parâmetros referentes ao tráfego de pedestres. Quanto mais intenso é o tráfego de pedestres, maior deve ser a potência da lâmpada, mais longo deve ser o braço da luminária e o arranjo deve ser gradualmente evoluído de unilateral para alternado e oposto. De modo a simplificar a escolha dos parâmetros a serem utilizados de tamanho de braço, potência da lâmpada e topologia do sistema, uma regra empírica foi estabelecida a partir da experiência de projetos de iluminação pública que pode ser aplicada de modo atender os requisitos da norma na grande maioria das situações. Para a aplicação desta regra, façamos as seguintes suposições: Possuímos lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão de 3 potências: baixa potência (100 W), média potência (150 W) e alta potência (250W); Temos disponíveis 3 comprimentos de braço: Curto (1,2 m), Médio (2,9 m) e longo (3,8 m); Podemos escolher entre 3 topologias estudadas: Arranjo unilateral, Bilateral Alternado e Bilateral Oposta. Os parâmetros observados nas vias são: Intensidade de tráfego de veículos: Leve, Médio e Intenso; Intensidade de tráfego de pedestres: Leve, Médio e Intenso; Largura da via: Pequena (8 m), média (12 m) e grande (16 m); Largura do vão entre os postes escolhida: pequena (28 a 32 m), média (32 a 36 m) e grande (40 m); Vamos agora atribuir uma pontuação para cada um dos parâmetros das vias de acordo com a Tabela 2.5. Tabela 2.5. Pontuação de cada um dos parâmetros das vias. Intensidade/ Dimensão Intensidade de tráfego de veículos Intensidade de tráfego de pedestres Largura da rua Largura do vão livre entre postes. Intensidade Leve 1 1 1 1 Intensidade Médio 5 2 3 5 Intensidade Intenso 10 12 9 9 Dimensão Pequena 1 1 1 1 Dimensão Média 5 2 3 5 Dimensão Grande 10 12 9 9 Agora, para cada parâmetro da via, vamos somar sua pontuação correspondente e determinar qual tipo de montagem usar verificando a Tabela 2.6. As abreviações da tabela são na seguinte ordem: Tipo de Braço (Curto – C, Médio – M, Longo – L), Potência da Lâmpada (Baixa – B, Média – M, Alta – A) e Topologia (Unilateral – U, Alternada – A, Oposta – O). Tabela 2.6. Relação entre a pontuação obtida e o tipo de sistema a ser utilizado. Pontuação Obtida Tipo de Sistema 4 a 13 pontos CBU 14 a 16 pontos CBA 17 a 20 pontos MMU 21 a 25 pontos MMA ou MAU 26 a 30 pontos MMO ou LAU 31 a 34 pontos MAA 35 a 40 pontos MAO A altura da montagem deve ser definida levando em consideração a largura da via e a topologia escolhida, conforme já descrito na seção 2.9. Se for escolhido arranjo unilateral, a altura da montagem deve ser maior que a largura da via, se a topologia adotada for bilateral alternada, a altura deve ser entre 1 e 1,6 vezes a largura e para topologia oposta, a altura deve ser maior que 1,6 vezes a largura da via. Devemos lembrar que isso é apenas uma regra geral, que pode ser alterada conforme a necessidade do projeto, orçamento e local físico. O importante é atender os requisitos mínimos de iluminação da norma. De modo a ilustrar melhor o procedimento de um projeto de iluminação pública, vamos utilizar um exemplo. Supondo que queremos realizar uma instalação em uma via coletora de tráfego médio de veículos (classe V3) e de tráfego intenso de pedestres. A via tem uma largura de 12 metros e o vão livre entre postes é pequeno (30 m). Olhando a Tabela 2.5, é possível verificar que a soma das pontuações da via (5+12+3+1) resulta em 21. De acordo com a Tabela 2.6, pode-se utilizar um braço médio, potência da lâmpada média (150 W) e arranjo alternado ou ainda um braço médio, potência alta e arranjo unilateral. 2.11. Roteiro para o cáculo luminotécnico de iluminação pública Caso o projetista queira ser mais quantitativo em seu projeto, ou ainda, queira checar os valores de iluminância da via em questão, é possível lançar mão de uma abordagem matemática do problema, utilizando conceitos e equações de luminotécnica, assim como parâmetros reais de lâmpadas e luminárias. Deste modo, foi elaborado um roteiro para sistematizar e simplificar este tipo de análise. O conceito de iluminância, já definido no início do capítulo e amplamente utilizado até aqui, ganha sua forma matemática na equação 2.3: onde: E = Iluminância na via; ρ = Iluminância para 1000 lúmens da lâmpada (fornecido pelo fabricante – exemplo Tabela 2.8); η = Fator de depreciação; Luminárias fechadas ~ 0,75, luminárias abertas ~ 0,65. Fl = Fluxo luminoso da lâmpada utilizada (fornecido pelo fabricante); Fc = Fator de correção entre a altura do ensaio do fabricante e altura real da montagem. Onde: H1 = Altura da montagem no ensaio do fabricante (informado na legenda da Tabela 2.8); H2 = Altura real da montagem no projeto. Apresentadas as equações, vamos para a sequência de passos necessária para os cálculos luminotécnicos da iluminação da via. 1. Determinação da largura das vias a serem iluminadas (L); 2. Definição da altura da montagem (H). 3. Definição do espaçamento entre postes (e). 4. Definição da grade de cálculo, semelhante àquela da Figura 34. Esta grade é obtida mapeando a região a ser iluminada em de quadrados com 0,5H por 0,5H onde H é a altura da montagem. 5. Obtenção dos dados das lâmpadas utilizadas e das luminárias (Tabela 2.7). Os dados principais são: o valor da luminosidade da lâmpada, o tipo de luminária (aberta, fechada, número de lâmpadas por luminária). Cálculo do fator de correção (Fc) através da equação 2.4. 6. Obtenção dos dados da iluminância em função da distância para a luminária utilizada (ρ). Estes dados são tabelados fornecidos pelo fabricante, indicando a iluminância em distâncias pré-definidas em função da altura da montagem do ensaio. Cada lâmpada apresentará um dado para cada distância (Tabela 2.8). A tabela será explicada em mais detalhes posteriormente. 7. Cálculo da iluminância de cada lâmpada em cada quadrado através da equação 2.3. 8. Cálculo da iluminância total em cada quadrado (soma contribuições das iluminâncias de cada lâmpada). 9. Cálculo da iluminância média, máxima, mínima e fator de uniformidade. Tabela 2.7 – Valores típicos de lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão para utilização no exemplo resolvido. Potência (W) Fluxo Luminoso (lm) Eficiência (lm/W) Base (Soquete) Corrente (A) Vida Média(horas) Nonimal Partida 70 6000 83 E-27 0,42 0,67 16000 150 13500 90 E-40 0,87 1,39 24000 250 25000 100 E-40 1,42 2,27 24000 400 50000 125 E-40 2,24 3,58 24000 Tabela 2.8 – Tabela para utilização nos exemplos 1 e 2. Iluminância de uma luminária fechada estampada com uma lâmpada Vapor de Sódio de Alta Pressão de 250 W. Altura de montagem no ensaio (H) de 7 metros e referência de valores a 1000 lm da lâmpada. A Tabela 2.8 é um documento fornecido pelo fabricante da luminária que mostra os valores de iluminância para aquele tipo específico de luminária. As condições do ensaio são descritas na legenda da tabela (altura da montagem e ordem de grandeza de lúmens). Assume-se que a luminária está localizada no ponto 0,0H, assinalado com um círculo preto. Note que existe o lado da calçada e o lado da via. O lado da calçada se refere à parte traseira da luminária, enquanto o lado da via se refere à via a qual efetivamente se deseja iluminar. Ambos os eixos vertical e horizontal tem suas dimensões normalizadas (divididas) pelo valor da altura da montagem do ensaio (H). À medida que caminhamos no eixo vertical da tabela, nos afastamos do lado da calçada e nos dirigimos para o meio da via, nos afastando da luminária. Repare que quando isso acontece, a iluminância vai reduzindo, uma vez que estamos ficando mais longe da luminária. No caso da luminária da Tabela 2.8, quando chegamos a uma distância de 3,0H (45 metros) a luminária já não consegue iluminar o local, apresentando o valor de iluminância igual a 0. Analogamente, à medida que caminhamos no eixo horizontal, estamos nos distanciando da luminária, porém, desta vez, ao longo da via. Deste modo, podemos descobrir o valor da iluminância em cada ponto da via através de um sistema de coordenadas. Suponha que queiramos saber qual o valor da iluminância a uma distância entre 1,0H e 1,5H na vertical e 0,5H e 1,0H na horizontal. Olhando na tabela, temos o valor de 0,53. Este é o valor que será utilizado para calcular a iluminância naquele local da via. 2.12. Exemplo 1 Como exemplo, podemos calcular os parâmetros de iluminância de uma via pública com posteação unilateral com uma luminária fechada para 1 lâmpada de vapor de sódio de alta pressão de 250 W. A altura da montagem (H) é de 7 m e a distância entre postes (e) de 27 m e largura da pista (L) de 6 m. Seguindo nosso roteiro, temos: 4) Grade de cálculo: 1 H = 7 m, logo e ~ 4H (27 dividido por 7) 1 H = 7 m, logo L ~ 1H (6 dividido por 7) Montamos então a grade de cálculo da seguinte forma: A distância entre postes é de 4H. Utilizando subdivisões de 0,5H, teremos 8 quadrículas entre os dois postes. A largura da via (pista) é de 1H. Utilizamos subdivisões de 0,5H, teremos duas linhas verticais de quadrículas, totalizando 16 quadrículas na grade, conforme pode ser visto no diagrama abaixo. 5) A luminária é fechada (η = 0,75) e a lâmpada de VSAP de 250 W (tabela 2.7) tem 25000 lm. 6) Pela tabela 2.8 temos os valores de iluminância dada a contribuição de cada luminária. Na quadrícula 1, verificamos que a contribuição da luminária 1 para a região do quadrículo 1 (ρ11) é de 5,36, dado que estamos entre 0 e 0,5H de distância da luminária. Já a contribuição da luminária 2 neste quadrículo (ρ21) é de 0, uma vez que esta luminária já está a mais de 3,0H de distância deste quadrículo. Do mesmo modo, podemos determinar a contribuição de cada luminária em todas as quadrículas. Na quadrícula 2, temos que a distância para a luminária 1 está entre 0,5H e 1,0H. Olhando a tabela 2.8, vemos que a iluminância neste ponto é de ρ12=3,45. Já a luminária 2 está entre 3,0H e 3,5H, contribuindo com ρ22= 0,03. Repetimos o processo para toda a grade. 7) Utilizando a equação 2.3 para calcular a iluminância da lâmpada 1 na quadrícula 1 (E11), temos: De forma análoga, temos a iluminância da lâmpada 2 na quadrícula 2 (E22): 8) Para cada um dos quadrados, resolvemos a equação com os respectivos parâmetros. Os resultados são mostrados abaixo. Note a simetria dos valores. Como as duas luminárias são idênticas e as distâncias simétricas, os valores de iluminância também são simétricos. 9) A iluminância média é calculada fazendo a média aritmética de todas as iluminância, conforme visto na seção 2.8. Para os valores do quadro acima, temos que a Emed = 39,32. Os valores máximos e mínimos obtidos foram: Emax= 100,5 lux e Emin = 9,18 lux O fator de uniformidade, também apresentado na seção 2.8 é: 2.13. Exemplo 2 Via pública com posteação bilateral alternada com uma luminária fechada para 1 lâmpada de vapor de sódio de alta pressão de 250 W. A altura da montagem (H) é de 8 m e a distância entre postes (e) de 26 m e largura da pista (L) de 12 m. Seguindo nosso roteiro, temos: 4) Grade de cálculo: 1 H = 8 m, logo e ~ 3H (26 dividido por 8) 1 H = 8 m, logo L ~ 1,5H (12 dividido por 8) 5) A luminária é fechada (η = 0,75) e a lâmpada de VSAP de 250 W (tabela 2.7) tem 25000 lm. 6) Pela tabela 2.8 temos os valores de contribuição de cada luminária na iluminância das regiões das respectivas quadrículas. Os valores estão mostrados no diagrama acima. 7) Conforme realizado no exemplo anterior, utilizando a equação 2.3, podemos calcular a iluminância da lâmpada 1 no quadrado 1 (E11), temos: De forma análoga, temos a iluminância da lâmpada 2 no quadrado 1 (E21): 8) Para cada um dos quadrados, resolvemos a equação com os respectivos parâmetros. Os resultados são mostrados abaixo. Conforme mostrado no exemplo 1, por simetria, é possível saber os valores de todas as quadrículas em branco. Como as três luminárias são idênticas e as distâncias simétricas, os valores de iluminância também são simétricos. 9) A iluminância média é calculada fazendo a média aritmética de todas as iluminância, conforme visto na seção 2.8. Para os valores do quadro acima, temos que a Emed = 56,85. Os valores máximos e mínimos obtidos foram: Emax= 83,04 lux e Emin = 35,00 lux O fator de uniformidade, também apresentado na seção 2.8 é: Note, ao comparar os exemplos 1 e 2, o fator de uniformidade pode ser melhorado adotando medidas que distribuam melhor a iluminância na via. Neste caso, fazendo um arranjo bilateral alternado, o fator de uniformidade aumentou de 23% para 61%. 2.14. Exemplo 3 Via pública com posteação no canteiro central com luminária de pétala para 1 lâmpada de vapor de sódio de alta pressão de 400 W tubular. A altura da montagem (H) é de 14 m e a distância entre postes (e) de 40 m e largura da pista (L) de 15 m. A montagem possui 4 luminárias tipo pétala por poste. Para este exemplo, necessitamos de utilizar a tabela com os dados de iluminância para a luminária tipo pétala. Tabela 2.9 – Exemplo 3. Iluminância de uma luminária tipo pétala com uma lâmpada de Vapor de Sódio de Alta Pressão de 400 W tubular. Altura de montagem (H) de 15 metros e referência de valores a 1000 lm da lâmpada. Seguindo nosso roteiro, temos: 4) Grade de cálculo: 1 H = 14 m, logo e ~ 3H(40 dividido por 14) 1 H = 14 m, logo L ~ 1H (15 dividido por 14) Para montar a grade de cálculo, procedemos conforme os exemplos anteriores. A grade possuirá 2 linhas e 6 colunas. No caso deste exemplo, é importante verificar o eixo das luminárias e a orientação das lâmpadas, de modo a se determinar em qual sentido as lâmpadas estão iluminando determinada região. Na grade abaixo, cada luminária foi desenhada como um triângulo, mostrando a direção para qual a luminária está orientada. 5) A luminária é fechada (η = 0,75) e a lâmpada de VSAP de 400 W (tabela 2.7) tem 50000 lm. 6) Pela tabela 2.9 temos os valores da contribuição de cada luminária apontados nas quadrículas acima. Note que quase todas as luminárias influenciam na iluminância de todas as quadrículas, sendo necessário inclusive levar em consideração a parte traseira da luminária (lado da calçada). 7) Utilizando a equação 2.3conforme feito nos exemplos anteriores para calcular a iluminância da lâmpada 1 na quadrícula 1 (Q1), temos: 8) Para cada um dos quadrados, resolvemos a equação com os respectivos parâmetros. Os resultados são mostrados abaixo. 9) A iluminância média é calculada fazendo a média aritmética dos valores do quadro acima. Emed = 43,17. Os valores máximos e mínimos obtidos foram: Emax= 86,63 lux e Emin = 14,14 lux O fator de uniformidade é: 3 Iluminação pública - Aspectos Regulatórios Conforme descrito no capítulo 1, originalmente no Brasil a iluminação pública era realizada por particulares, não obedecendo nenhuma regra específica. No início dos anos 1800, a responsabilidade da iluminação pública era do Ministério da Justiça e a partir de 1849 a responsabilidade foi transferida para a polícia. O surgimento da eletricidade viu na iluminação pública suas primeiras aplicações e em 1903 foi escrito o primeiro texto de lei que disciplinava o uso de energia elétrica, incluindo a iluminação pública, na qual era tipicamente realizado um contrato de concessão entre os municípios e a iniciativa privada. Mesmo com a constituição de 1934 (durante o Estado Novo), período no qual se viu enorme tendência estatizante marcada pelo governo Getúlio Vargas, a iluminação pública continuou na esfera municipal, conforme escrito no artigo 8º do decreto Lei no 3763 de 25/04/1941: “Parágrafo único – Os fornecimentos de energia elétrica para serviços de iluminação pública, ou para quaisquer serviços públicos de caráter local explorados pelas municipalidades, serão regulados por contratos de fornecimento entre estas e os concessionários ou contratantes, observando o disposto nos respectivos contratos de concessão ou de exploração, celebrados com o Governo Federal, para distribuição de energia elétrica na zona em que se encontrar o município interessado.” Na constituição federal de 1988, atualmente em vigor, de acordo com o artigo 30, inciso V, cabe aos municípios organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, ou seja, a iluminação pública seria uma responsabilidade dos municípios brasileiros. Além disso, na constituição federal, o artigo 149-A diz que os municípios e o distrito federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para custeio do serviço de iluminação pública, sendo ainda facultada a cobrança da contribuição na fatura do consumo de energia elétrica. Isso mostra que a regulamentação do sistema de iluminação pública em vigor no Brasil, é basicamente a mesma de mais de 100 anos atrás. Não que isto signifique que se trata de regulamentação arcaica, pelo contrário, mostra que sempre funcionou adequadamente, inclusive na maioria dos países do mundo, que adotam o mesmo tipo de regulamentação. No entanto, principalmente durante período no qual as empresas estatais de distribuição de energia elétrica dominaram o cenário brasileiro (regime militar), o que se observou era que pouquíssimos municípios possuíam ativos de iluminação pública, entregando a responsabilidade sobre a iluminação pública para as distribuidoras. Com base na constituição, a ANEEL então, em sua resolução normativa no 414 de 9 de setembro de 2010 (que estabelece as condições gerais de fornecimento de energia elétrica de forma atualizada e consolidada), determinou que todos os ativos de iluminação pública (Ativos Imobilizados em Serviço) deveriam ser repassados das concessionárias para as prefeituras, uma vez que seriam então de responsabilidade destas últimas. O artigo 218 desta resolução determinou que a transferência dos ativos fosse realizada até o dia 31 de dezembro de 2014 e que tal transferência deveria ser sem ônus. Neste documento, na seção X (Da Iluminação Pública), artigo 21, é dito que “a elaboração do projeto, a implantação, expansão, operação e manutenção das instalações de iluminação pública são de responsabilidade do ente municipal ou de quem tenha recebido deste a delegação para prestar tais serviços”. No parágrafo 2º, o texto ainda diz que os dentro destas “responsabilidades” incluem “todos os custos referentes à ampliação de capacidade ou reforma de subestações, alimentadores e linhas já existentes, quando necessárias ao atendimento das instalações de iluminação pública”. Em outras palavras, tudo que for relacionado à iluminação pública, deve ser custeado pelas prefeituras. Quanto à execução, o texto diz (parágrafo 1o) que “a distribuidora pode prestar os serviços descritos no caput mediante celebração de contrato específico para tal fim, ficando a pessoa jurídica de direito público responsável pelas despesas decorrentes”. Isso quer dizer que as prefeituras, podem subcontratar as concessionárias para realizar a execução dos serviços, desde que formalizado em contrato. Nesta mesma seção, são ainda definidos outros tópicos, como a tarifa aplicável à iluminação pública (B4a) e que, para o faturamento da energia destinada à iluminação pública, o tempo a ser considerado para consumo diário deve ser de 11 horas e 52 minutos. Este tempo pode ser diferente caso seja comprovado por estudo do Observatório Nacional aprovado pela ANEEL. Em pontos em que seja necessária iluminação permanente, o tempo de faturamento será de 24 horas por dia. A questão do tempo é mencionada porque, diferentemente das residências ou empresas, a cobrança de iluminação pública não se faz a partir da medição individual de cada ponto de consumo. Uma vez que seria complexo medir o consumo de cada lâmpada de cada poste (ou até mesmo inviável), é feito um cálculo multiplicando a potência consumida naquele ponto de entrega (lâmpadas e equipamentos) pelo tempo em que permaneceram ligados. Com este valor, é possível saber quanto de energia foi consumido naquele ponto de entrega e, multiplicado pelo valor da tarifa, obtém-se o valor em reais da energia consumida naquele ponto. O ponto de entrega considerado na iluminação pública é a conexão com a rede de distribuição da concessionária, ou seja, todos os equipamentos auxiliares utilizados na iluminação pública (reatores e ignitores, relés, etc), também entram na conta de faturamento, sendo que, seu consumo deve ser calculado conforme as normas da ABNT, dados dos fabricantes ou ainda ensaios de laboratórios credenciados, sendo que todos esses dados devem estar no contrato. Um artigo interessante da resolução normativa 414 é o artigo 26, que já antevê a utilização de equipamentos automáticos de controle de carga, ou seja, equipamentos que reduzem a energia elétrica consumida na iluminação (reatores dimerizáveis, por exemplo). Segundo este artigo, caso sejam utilizados estes equipamentos, seu funcionamento deve ser comprovado e reconhecido por órgão oficial e competente e a distribuidora deve proceder a revisão da estimativa de consumo e considerar a redução do consumo proporcionada por tais equipamentos. A implantação deste tipo de sistema deve ser precedida de apresentação do projeto técnico específico à distribuidora. No capítulo V, a seção III se destina exclusivamente às especificações sobre os contratos de iluminação pública. Além das regras gerais de fornecimento de energia elétrica (artigo 63), devem ser definidos diversos itens constantes nos artigos 68 e 69, tais como: I – especificação da propriedade dos ativos das instalações; II – forma e condições para prestação dos serviços de operação e manutenção, conforme o caso; III – procedimentos para alteração de carga e atualização do cadastro; IV – procedimentos para revisão do consumo de energia elétrica ativa, vinculado à utilização de equipamentos de controle automático de carga; V – tarifas e tributos aplicáveis; VI – condições de faturamento, incluindo critérios para contemplar falhas no funcionamento do sistema; VII – condições de faturamento das perdas referidas no art. 94; VIII – condições e procedimentos para o uso de postes e da rede de distribuição; e IX – condições para inclusão da cobrança de contribuição social para o custeio doserviço de iluminação pública na fatura de energia elétrica, quando cabível, em conformidade com o estabelecido por lei municipal. 4 o futuro da iluminação pública Atualmente no Brasil, a iluminação pública possui equipamentos obsoletos, problemas no monitoramento de ativos, falhas e elevado consumo de energia, ausência de monitoramento e baixos níveis de iluminância. A responsabilidade de operação e manutenção da rede de iluminação pública até então era cabida às distribuidoras de energia elétrica. Conforme descrito no capítulo anterior, no ano de 2010, foi definida a resolução normativa da ANEEL no 414/2010 que determinou a transferência do sistema de iluminação pública, registrado como Ativo Imobilizado em Serviço, para a pessoa jurídica de direito público competente (municípios). A data oficial para a transferência de ativos foi 31 de dezembro de 2014. É esperada a modernização dos parques de iluminação pública brasileira e que sejam tomadas medidas para melhoria da eficiência energética e luminosa. O termo smart grid vem sendo cada vez mais utilizado para se referir a redes de potência que incorporam avanços recentes em telecomunicações e controle para melhorar seu desempenho [23]. As redes elétricas historicamente vêm aumentando sua complexidade e, por consequência, necessitam de soluções que envolvam técnicas mais avançadas de tomadas de decisão e componentes que auxiliem em seu monitoramento. A iluminação pública é um setor que oferece grande espaço para incorporar os avanços de telecomunicações e controle, visto que ainda utiliza tecnologias antigas e ineficientes. Segundo dados da IEA (International Energy Agency), estima-se que entre 114 TWh por ano são consumidos apenas em iluminação pública e, pelo menos 57 TWh (50%) por ano poderiam ser economizados se novas tecnologias fossem implementadas em iluminação pública [7]. Em termos econômicos, isso representa cerca de 9,4 bilhões de dólares. Em vista disso, a eficiência energética é um tópico extremamente importante quando se estuda a iluminação pública. Tecnologias mais recentes, como as lâmpadas de LEDs (Light Emitting Diodes), prometem aumentar ainda mais a eficiência luminosa na iluminação pública e melhorar as características da iluminação: uniformidade, iluminância, conforto visual e confiabilidade. Além disso, novas tecnologias de telecomunicações e a tecnologia da informação também já começaram a ser utilizadas na iluminação pública. Algumas iniciativas para controlar e monitorar a iluminação pública foram previamente reportados utilizando uma tecnologia denominada Power Line Communications (PLC) [24] [25]. Esta tecnologia se aproveita da rede de alimentação das lâmpadas para enviar os sinais de comando pela mesma fiação. Apesar de interessante por utilizar a infraestrutura já existente, esta tecnologia possui alguns inconvenientes que podem comprometer a confiabilidade do sistema: O preço dos controladores remotos PLC é alto e a PLC geralmente sofre de problemas de variações de impedância e ruído elevado [24] [25]. Quando há um curto-circuito, ocorrem falhas de comunicação, uma vez que a rede não se recupera automaticamente. Além disso, esta tecnologia não tem foco em eficiência energética [24], [25]. Outras abordagens utilizam protocolo DALI (Digital Addressable Lighting Interface) para operar. Esta é uma abordagem melhor do que a PLC em diversos aspectos. Este protocolo foi criado por um conjunto de pessoas que trabalhavam em empresas como Osram, Phillips, Helvar e Tridonic e foi lançado no ano de 2001 [26]. O protocolo DALI foi criado para realizar o controle, através de um controlador central, sobre os reatores de lâmpadas fluorescentes instaladas em prédios e residências. Com o protocolo é possível ajustar a potência das lâmpadas, assim como ler dados de sensores. O sistema todo é cabeado e são necessários cinco fios, sendo dois reservados para a comunicação com os reatores [26]. As limitações deste protocolo são a necessidade de utilização destes cabos para conectar os reatores das lâmpadas às centrais de controle e o limite de cerca de 300 m de comprimento dos cabos, de forma que o sinal ainda seja interpretado pelos reatores. Além disso, os níveis lógicos do protocolo DALI são 9,5 V a 22,5 V para o nível lógico alto e -6,5 V a 6,5 V para o nível lógico baixo. Isso coloca o protocolo em um padrão incomum de níveis lógicos quando comparado com outras tecnologias [26]. Uma abordagem apresentada por Perez et al. tentou unir redes de sensores sem fio e o protocolo DALI para monitorar a iluminação pública, no entanto, o sistema exigiu um microcontrolador para decodificar as instruções do protocolo DALI e do protocolo sem fio [24]. Também foi necessário utilizar um circuito para ajustar os níveis de tensão de interface DALI e a utilização de cabeamento ainda era necessária para a conexão dos módulos à central de controle DALI, sendo apenas o sinal da central ao controlador sendo enviado sem fio [24]. Usar sistemas e redes GPRS (General Packet Radio Service) para transmitir informações também é possível, no entanto, além de aumentar a complexidade do sistema eletrônico, é necessário pagar tarifas para as operadoras para utilização do sistema (às vezes por a mensagem enviada), tornando o custo proibitivo [27]. O controle sem fio de potência, brilho e intensidade luminosa das lâmpadas de iluminação pública é um tema extremamente recente na literatura. É mais comum encontrar sistemas comerciais que não revelam seus princípios de funcionamento do que artigos em periódicos e congressos. Existem empresas, como Digi e Libellium, especializadas em redes distribuídas de sensores, no entanto, atuam somente no monitoramento de iluminação pública e privada, mas não na redução de potências de lâmpadas. Outras empresas, como GE, Schréder (através de sua subsidiária Owlet), Tvilight e Phillips, utilizam o protocolo Zigbee para gerenciar redes de iluminação pública, no entanto, são mais voltadas para a utilização da tecnologia em lâmpadas LED. Alguns estudos de caso são reportados em países da Europa como um sistema que reduz em até 50% a potência das lâmpadas, implantado pela Phillips em uma rodovia na Holanda (entre Purmerend e Wognum) e também na cidade de Roterdam. No entanto, ambos são casos em que lâmpadas de LED foram utilizadas [26]. Outas iniciativas de iluminação pública inteligente, como a da empresa Illuminetsys, utilizam ainda sistemas com detecção de presença, fazendo com que as luminárias ao longo de uma via tenham sua intensidade aumentada conforme as pessoas ou automóveis sigam próximas aos postes. O próprio autor desenvolveu um sistema de gestão de iluminação pública no qual é possível ajustar a luminosidade de cada ponto de iluminação de determinada área a partir de um computador instalado em uma central de controle. Com o sistema também é possível o monitoramento de diversos parâmetros ambientais, como temperatura, umidade, luminosidade e qualidade do ar. A Figura 40 ilustra o funcionamento do sistema desenvolvido [28]. Figura 40. Esquemático de funcionamento do sistema de gestão de iluminação pública. Um módulo de comunicação (MC) é conectado a um módulo de controle que, por sua vez é conectado a um unidade de potência (UP). O módulo de comunicação conecta, através de uma rede sem fio, um módulo a outro e estes módulos a uma central de controle com um software de controle. A unidade de controle (UC) recebe os comandos do módulo de comunicação e processa estes comandos eletronicamente que atuarão sobre o módulo de potência. Este é composto por um reator eletrônico dimerizável que ajusta a potência (e o brilho) das lâmpadas. A distância máxima entre os nós da rede é de 260 metros, o que é muito superior ao necessário, visto que a distância entre postes é tipicamente de 30 a 40 metros. Este tipo de rede é muito interessante na utilização em iluminação pública, pois, uma vez que o sistema é descentralizado, caso um nó apresente algum defeito, a informação automaticamente busca outro caminho atéchegar a seu destino. Isso aumenta muito a robustez da rede. A Figura 41 mostra a redução da potência das lâmpadas de um poste em uma via pública utilizando o sistema descrito. A utilização deste tipo de sistema permite grande economia de energia elétrica, atingindo taxas de retorno sobre o investimento acima de 15% ao ano na iluminação pública, além dos benefícios ambientais. Figura 41. Redução da potência das lâmpadas de postes com sistema de controle e dimerização. A Figura 42 mostra um conceito do que pode vir a se tornar a luminária do futuro. Integrado a uma luminária de LED, são instalados módulos de controle de potência (dimerização), medidores de consumo de energia, sensores ambientais (luminosidade, qualidade do ar, etc.), sensores de falta (rede e lâmpada), sistemas sem fio de comunicação, câmeras de monitoramento, dentre outros. Figura 42. Conceito de luminária para iluminação pública no futuro. Apesar de não existir ainda no Brasil uma regulamentação que incorpore tais iniciativas, acredita-se que em breve, será necessário criá-la, visto que o limite do surgimento de novas tecnologias na iluminação pública é a própria criatividade humana. 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Índice Lista de Figuras e créditos das imagens Prefácio 1 A iluminação pública 1.1 Histórico da Iluminação Pública 1.2 a iluminação pública no brasil 2 Iluminação pública – Aspectos técnicos 2.1 Principais conceitos de luminotécnica 2.2 Tipos de Lâmpadas Utilizadas na iluminação Pública 2.2.1 Lâmpadas Incandescentes 2.2.2 Lâmpadas de Vapor de Sódio de Baixa Pressão 2.2.3 Lâmpadas de Descarga de Alta Intensidade ( High Intensity Discharge - HID) 2.2.4 Lâmpadas de Vapor de Mercúrio 2.2.5 Lâmpadas de Iodetos Metálicos 2.2.6 Lâmpadas de Vapor de Sódio de Alta Pressão 2.2.7 Lâmpadas de LED 2.3 Reatores e Ignitores 2.3.1 Reatores com Ajuste de Luminosidade (Dimerização) 2.4 luminárias 2.5 Braços para iluminação pública 2.6 Relé Fotoelético 2.7 Postes 2.8 A Norma NBR 51:01 – Iluminação Pública - Procedimento 2.9 topologias de iluminação pública 2.9.1 Iluminação unilateral 2.9.2 Iluminação Bilateral Alternada 2.9.3 Iluminação Bilateral Oposta 2.9.4 Iluminação Central 2.10 elaboração de um projeto de iluminação pública 2.11. Roteiro para o cáculo luminotécnico de iluminação pública 2.12. Exemplo 1 2.13. Exemplo 2 2.14. Exemplo 3 3 Iluminação pública - Aspectos Regulatórios 4 o futuro da iluminação pública Referências