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0 1 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 2 2. SISTEMA TEGUMENTAR ...................................................................................... 3 3. ESTRUTURAS DA PELE ....................................................................................... 5 3.1 Epiderme .......................................................................................................... 5 3.2 Funções da epiderme ....................................................................................... 9 3.2.1 Função imunológica ........................................................................................... 9 3.2.2 Produção de melanina e proteção contra lesões por radiação ultravioleta ..... 10 3.2.3 Síntese de vitamina D ..................................................................................... 10 3.2.4 Regulação térmica .......................................................................................... 11 3.2.5 Proteção contra traumatismo .......................................................................... 11 3.3 Derme ............................................................................................................12 3.3.1 Vascularização ............................................................................................... 14 3.4 Hipoderme ...................................................................................................... 14 4. GLÂNDULAS SUDORÍPARAS E SEBÁCEAS .................................................... 17 4.1 Unidade pilissebácea ...................................................................................... 23 5. SISTEMA PIGMENTAR DA PELE HUMANA ...................................................... 24 6. TIPOS DE PELE ................................................................................................... 26 6.1 Pele sensível .................................................................................................. 28 7. FISIOLOGIA DO ENVELHECIMENTO DA PELE ................................................ 28 8. DERMATITES ....................................................................................................... 32 8.1 Dermatite de contato....................................................................................... 32 8.2 Dermatite seborreica....................................................................................... 35 8.3 Dermatite atópica ............................................................................................ 36 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 38 2 1. INTRODUÇÃO O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma per- gunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a res- posta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser se- guida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 3 2. SISTEMA TEGUMENTAR Fonte: shre.ink/cdOk O Sistema Tegumentar do ser humano ou “pele”, como é conhecida, é uma estrutura que recobre toda a superfície corporal e extensão externa. É considerado o maior em termos de cobertura corporal, abrangência e peso. Consiste em camadas separadas firmemente conectadas umas às outras, melhorando a presença de uma melhor proteção contra fatores externos. Além da pele, existem neste sistema outras estruturas que, pelas suas propri- edades especiais, têm como principais responsabilidades a preservação e sustenta- ção da vida humana. Essas estruturas também são chamadas de anexos, desta- cando-se: unhas, pelos, glândulas sudoríparas, sebáceas e mamárias. Quanto aos pelos, são estruturas ricas em queratina, formadas em folículos pilosos localizados na intussuscepção da epiderme. A pele é um conjugado de células isoladas ou de células Matriz Extracelular (MEC). Órgãos são agrupamentos ou conjunto de tecidos anatomicamente diversos que formam estruturas complexas, às vezes com funções bem definidas (específicas), mas com alguma dependência de outras estruturas para o metabolismo celular. Em- bora a estrutura da pele seja bem definida, ao nível histológico apresenta várias ca- racterísticas dependendo da sua localização no corpo. Sabemos que sua função pri- mordial é a proteção, mas a pele desempenha outras funções complementares es- senciais. Para essas MEC (grupos de células combinadas ou semelhantes com a mesma especialização/função), esse grupo especializado é chamado de “rede” em alguma 4 literatura. Essas estruturas são compostas por polissacarídeos, proteínas fibrosas e proteínas de adesão que são secretadas pela célula. Com exceção do sangue, a MEC é composta por componentes solúveis e insolúveis. As categorias de componentes solúveis incluem glicosaminoglicanos, proteo- glicanos e glicoproteínas, o único componente insolúvel que consistindo em proteínas fibrosas e adesivas - colágeno, elastina, fibronectina, laminina. Essa matriz, em forma de malha, serve como suporte estrutural, justificando o termo rede dentro dos tecidos e podendo influenciar o desenvolvimento celular e a função bioquímica. A MEC ajuda as células a aderirem umas às outras e é um reservatório para vários hormônios que controlam a expressão gênica, portanto o crescimento e a diferenciação celular (PORTH; KUNERT, 2004). A MEC, seja pele ou qualquer outro tecido, contém sempre três componentes principais: proteoglicanos, que sustentam e mantêm as células, devido à adesão, e fibras colágenas insolúveis que fornecem força e elasticidade a essas estruturas; e proteínas associadas à matriz, que ligam esses componentes a receptores de super- fície celular que capturam informações, como descreve Netter (2008). Todos esses componentes formam uma rede complexa conforme a Figura 1. Figura 1 – Esquema da rede dos vários componentes da matriz extracelular na inter- face com a célula Fonte: shre.ink/1f9g 5 De acordo com Silva et al. (2018), o papel da MEC nos tecidos é crítico porque é a estrutura primária para organização das células em tecidos e tecidos em órgãos. A MEC desempenha um papel dinâmico na regulação do comportamento celular, in- teragindo com receptores específicos ou inespecíficos. No entanto, essa organização molecular da MEC pode ter algumas variáveis: o estágio de desenvolvimento celular; o tipo de cada tecido; e a forma de resposta aos processos patológicos. Acredita-se que essas alterações sejam protetoras, regulam as interações célula-matriz e são im- portantes na embriogênese, cicatrização de feridas, crescimento tumoral e homeos- tase normal dos tecidos. 3. ESTRUTURAS DA PELE 3.1 Epiderme A palavra epitélio leva o nome do grego epi - sobre; theleo – papila, referindo- se à estrutura ou localização deste tecido que se encontra em outra camada de estru- turas celulares denominada tecido conjuntivo, formando assim novas projeções deno- minadas papilas. As células epiteliais estão localizadas próximas a outras camadas de tecido (PORTH; KUNERT, 2004). O revestimentoé uma das principais funções do epitélio e/ou epiderme, que cobre toda a superfície do corpo e nos protege. Internamente, reveste órgãos e outras estruturas do corpo, como os sistemas digestivo, respiratório e geniturinário, cavida- des corporais, vasos sanguíneos e tecidos linfáticos. Não obstante, desempenha outra atividade fundamental associada ao estado de defesa humano, que ajuda a captar a atividade sensorial e a atividade decorrente de lesões específicas (por exemplo, calor ou exposição a substâncias nocivas contun- dentes), como o revestimento do epitélio testicular. Todas as nossas superfícies epi- teliais, incluindo a pele e as membranas mucosas do trato gastrointestinal, trato geni- turinário (urinário e reprodutivo), trato respiratório e pulmões, são protegidas por pep- tídeos antimicrobianos chamados defensinas. As células epiteliais dessa superfície, quando atacadas por patógenos microbianos, secretam defensinas, que eliminam po- tenciais invasores alterando as membranas celulares (SHERWOOD, 2011). 6 A pele se regenera em média a cada dois meses. A epiderme interna é com- posta de células cubóides que crescem e se dividem rapidamente. As células da ca- mada externa morrem e se achatam. A epiderme não tem suprimento direto de sangue e suas células dependem principalmente da rica rede vascular abaixo da derme para difundir e distribuir nutrientes para nutrição (SHERWOOD, 2011). Balogh et al. (2011) descrevem que a epiderme é composta principalmente por cinco camadas de células denominadas queratinócitos. São células que surgem da camada basal interna, migram para a superfície da pele, passam por um processo de maturação e sofrem uma série de alterações. Essas alterações fisiológicas, denomi- nadas queratinização ou cornificação, provocam a separação (eliminação) de cada uma de suas subcamadas. Já as subcamadas existentes da epiderme, cada uma das quais é descrita a seguir com seus conceitos ou finalidades, estão dispostas do in- terno para periférico (externo). Camada basal É a superfície interna do tecido onde os queratinócitos são formados. Nela, também contém uma camada de matrizes intercelulares e extracelulares que atuam como uma interface entre a derme e a epiderme. Garante a adesão entre a derme e a epiderme e atua como um filtro seletivo para as moléculas que se movem entre as duas camadas. Este é um local muito importante por as imunoglobulinas serem depo- sitadas, formando uma barreira e impedindo a passagem de corpos estranhos como, por exemplo, a bactéria. A peculiaridade desse grupo celular é que ele está em cons- tante renovação, representado pelos queratinócitos jovens. Os principais componen- tes envolvidos na formação da membrana basal são o colágeno tipo IV (fornecem suporte mecânico às células adjacentes e atuam como uma barreira de filtração se- mipermeável para macromoléculas em órgãos como rins e pulmões); glicoproteínas (laminina, entactina e proteoglicanos), tendo a função estrutural de lubrificante e agente protetor; e o colágeno tipo VII, responsável pela formação de uma rede que adere ao tecido conjuntivo e epitelial e conecta os dois tecidos com fibrilas ancoradas. Camada espinhosa Os queratinócitos produzem queratina (fibras proteicas) e tornam-se fusifor- mes. Essa camada é mais espessa em comparação com outras estruturas e possui 7 tecido intersticial em forma de rede, o que a torna resistente à tensão e ao atrito. Sua identificação como espinha vem de sua formação irregular que se assemelha a espi- nhos e dá a impressão (uma impressão porque espinhos não existem no sistema ce- lular) de sua formação como artefatos de reparação e preparação do tecido: as células encolhem e seus desmossomos (conjunto celular de duas partes, proteínas especiais) permanecem juntos. Camada granular A queratinização começa: as células produzem grânulos duros que se tornam queratina e gordura epidérmica à medida que crescem para cima. Composto por três ou quatro camadas, suas células permanecem planas e seus núcleos e organelas começam a colapsar, e dois tipos de grânulos que ajudam a formar a queratina se acumulam na camada superficial. Partículas transparentes de queratina contribuem para a formação de queratina na superfície. Os grânulos lamelares, “discos”, contêm glicolipídios impermeáveis, expelidos para o espaço extracelular e se tornam um dos principais fatores na redução da perda de água da epiderme. A membrana plasmática dessas células se condensa à medida que as proteínas citosólicas se ligam à super- fície celular interna e os lipídios liberados dos grânulos lamelares cobrem a superfície celular externa. Torna-a mais resistente a danos, "reforça" tornando a camada externa a área mais forte da pele. Camada lúcida As células são compactas, planas e indistinguíveis umas das outras. Essa ca- mada extra de células é encontrada na região palmoplantar onde a pele é mais es- pessa, enquanto nos lábios (cavidade oral) está entre o estrato córneo e o estrato granuloso (que se acredita ser mais fino). Camada córnea A camada mais externa da epiderme, com uma média de 20 camadas planas de células mortas, dependendo da localização da pele no corpo. Essas células mortas são regularmente removidas em um processo chamado esfoliação. O estrato córneo também contém poros de glândulas sudoríparas e aberturas de glândulas sebáceas. 8 A inflamação dos folículos é observada nessas áreas. Vejamos na Figura 2 as cama- das da epiderme. Figura 2 – Camadas da epiderme Fonte: shre.ink/1fsL As células epidérmicas estão intimamente relacionadas aos desmossomos, que se ligam aos filamentos de queratina para formar um revestimento forte e coeso. Durante a maturação das células produtoras de queratina, os filamentos dessas es- truturas gradualmente se acumulam e se entrelaçam no citosol. À medida que as cé- lulas envelhecem e morrem, esse núcleo de fibras de queratina permanece e forma escamas planas e endurecidas que fornecem uma cutícula dura e protetora (GUYTON; HALL, 2017). Cabe ressaltar que, conforme apontado por Mendonça e Rodrigues (2011), em- bora as escamas da camada mais externa do estrato córneo caiam ou quebrem por abrasão, elas são constantemente substituídas por células em divisão nas camadas mais profundas da epiderme. Os autores destacam ainda que a velocidade da divisão celular e a espessura dessa camada de queratina varia conforme a parte do corpo, sendo mais espessa em áreas onde a pele é submetida a mais estresse, como a plantar dos pés. O epitélio ou epiderme é um grupo único de tecidos que cobrem toda a super- fície do corpo, cavidades e ductos e atuam como comunicação entre os espaços bio- lógicos. Eles também formam outras estruturas (glândulas) formadas por uma ou mais 9 células cuja função é produzir certos tipos de produtos e subprodutos chamados hor- mônios, sucos digestivos, lágrimas e suor (GUYTON; HALL, 2017). 3.2 Funções da epiderme 3.2.1 Função imunológica As células epiteliais na interface entre a pele e o ambiente representam a pri- meira linha de defesa do sistema imune inato. As células epiteliais respondem a estí- mulos ambientais por meio de múltiplos complexas estruturas, incluindo os receptores semelhantes ao toll (TLRs), que são no mínimo 10, o receptor parecido a NOD (domí- nio de oligomerização ligado ao nucleotídeo), lectinas tipo C e proteína de reconheci- mento de peptideoglicanos. A ativação de células epiteliais mediada por TLR também está associada à produção de defensinas e catelicidinas, uma família de peptídeos antimicrobianos (GALLO; HOOPER, 2012). Figura 3 - Corte transversal da pele Fonte: shre.ink/cKwX 10 As células dendríticas unem o sistema imunológico inato e adaptativo. As célu- las dendríticas cutâneas estimulam a autorrenovação das células T e a produção de citocinas sintasee óxido nítrico. A função precisa das células dendríticas epidérmicas de Langerhans tem sido objeto de muitos estudos, sugerindo que essas células são importantes para a regulação das respostas imunes adaptativas (KAPLAN, 2010). 3.2.2 Produção de melanina e proteção contra lesões por radiação ultravioleta (UV) Os melanócitos representam a décima célula da camada de células basais. Outro grupo de melanócitos nos folículos pilosos é responsável pela cor do cabelo e pela substituição dos melanócitos na epiderme quando necessário. Os melanócitos produzem melanina, um polímero colorido que absorve a parte ultravioleta do espec- tro. A melanina é sintetizada a partir da tirosina através de várias etapas que requerem tirosinase. A melanina produzida é armazenada no melanossoma, sendo uma espe- cializada organela. Os queratinócitos englobam os melanossomas e os transportam para a área acima do núcleo do queratinócito, que atua como um escudo protetor contra a radia- ção UV. Um melanócito fornece melanossomos para até 30 a 40 queratinócitos, todos os humanos apresentam o mesmo número de melanócitos e todas as pessoas têm o mesmo número de melanócitos. Alterações na cor da pele é devido a variações nos melanossomos. As pessoas de pele escura têm melanossomas crescentes e mais dispersos. A exposição aos raios UV estimula a produção de melanina no corpo e confere à pele uma cor "bronzeada". A deficiência de tirosinase associa-se ao albi- nismo e a falta de melanócitos causa o vitiligo. 3.2.3 Síntese de vitamina D As principais fontes de vitamina D são os precursores da vitamina D, da dieta e da pele. Após a exposição à luz ultravioleta, a provitamina D3 (7-di-hidrocolesterol) na pele é convertida em vitamina D e depois em vitamina D3. A vitamina D3 é conver- tida na forma metabolicamente ativa no fígado e nos rins (BRENNER; HEARING, 2008). 11 3.2.4 Regulação térmica A pele ajuda a regular e manter a temperatura central do corpo, regulando a transpiração e alterando o fluxo sanguíneo da pele. A evaporação do suor ajuda a regular a temperatura corporal. Em condições normais, produzimos 900 ml de suor por dia. O aumento da atividade física ou a elevação da temperatura ambiente podem resultar em 1,4 a 3 L de suor em 24 hora (SHIBASAKI; WILSON; CRANDALL, 2006). A regulação do fluxo sanguíneo nos capilares, papilas dérmicas e outros vasos da pele desempenha um papel importante na perda de calor por convecção e na pre- servação do calor. O fluxo sanguíneo através da pele normalmente representa cerca de 5% do débito cardíaco, mas em temperaturas extremamente frias esse fluxo san- guíneo cai para quase zero e em temperaturas extremamente quentes pode chegar a 60%. A disfunção da termorregulação pode levar à hipertermia ou hipotermia (CHARKOUDIAN, 2010). 3.2.5 Proteção contra traumatismo Varia entre 1 e 4 mm a espessura da derme. Ela protege e amortece as estru- turas subjacentes contra danos e suporta vasos sanguíneos, nervos e estruturas cir- cundantes. É separado da epiderme por uma membrana basal formada pela camada basal da epiderme. O colágeno é responsável pela resistência à tração da pele e re- presenta 75% do peso seco da derme. Defeitos na síntese de colágeno estão associ- ados a doenças como a síndrome de Ehlers-Danlos (hiperextensão das articulações e da pele). As fibras elásticas são responsáveis pela elasticidade e resiliência da pele e constituem 2-3% do peso seco da pele. A falha na formação de fibrilas elásticas está associada à cutis laxa e à síndrome de Marfan. Portanto, as funções da epiderme são: Proteção do corpo contra agentes físi- cos e químicos e microorganismos parasitas pelo estrato córneo, a camada mais externa da epiderme, que consiste principalmente em células mortas completamente preenchidas por queratina; resistência às forças de tensão a epiderme; graças à im- permeabilidade da queratina, evita a desidratação e a perda de eletrólitos e evita que o corpo encharque em contato com a água; restrição da passagem de corrente devido 12 à alta impedância que a caracteriza; proteção contra a entrada de substâncias tóxicas; proteção contra os efeitos nocivos da radiação ultravioleta causada pela melanina (CUCÉ; NETO, 1990) 3.3 Derme Abaixo da epiderme está a derme, uma camada de tecido conjuntivo que con- tém muitas fibras de elastina para "estiramento" e fibras de colágeno para "força", bem como uma rica rede de vasos sanguíneos e terminações nervosas especializadas. Mendonça e Rodrigues (2011) indicaram que a vascularização cutânea não apenas supre a derme e a epiderme, mas também desempenha um papel importante na termorregulação. Controlar o calibre desses vasos sanguíneos e o volume de san- gue que flui através deles regula a quantidade de troca de calor entre esses vasos sanguíneos na superfície da pele e o ambiente externo. (Figura 4). Figura 4 – Derme Fonte: shre.ink/1fhw Em relação às funções e responsabilidades da derme, Taube e Taïeb (2000) descrevem que, por meio de seus componentes mesenquimais, ela fornece suporte mecânico, estabilidade e espessura à pele. Também contém células dendríticas e ma- 13 crófagos em sua composição, que ativam outra de suas funções: a proteção imunoló- gica. Os mastócitos nessas estruturas respondem a estímulos inflamatórios e estão envolvidos na cicatrização de feridas. Além de nutrir a pele, os vasos sanguíneos cutâneos dessa área estão envol- vidos na termorregulação, função compartilhada com as glândulas sudoríparas. Os plexos maior e menor estão envolvidos na inervação de vários órgãos da pele, res- ponsáveis por detectar sensações como dor, pressão e mudanças de temperatura (MENDONÇA; RODRIGUES, 2011). Em termos de termorregulação, o ambiente humano é muito mais frio que o corpo. Em vez disso, o próprio corpo gera calor interno que ajuda a manter a tempe- ratura corporal. A produção de calor depende principalmente da oxidação de combus- tíveis metabólicos nos alimentos. Mudanças na temperatura corporal em qualquer di- reção afetam a atividade celular, ou seja, um aumento na temperatura acelera as re- ações químicas celulares, enquanto uma diminuição na temperatura diminui a ativi- dade correspondente. Borth e Kunnert (2004) apontam que a função celular é sensível a flutuações na temperatura corporal. O hipotálamo (estrutura que controla e regula a temperatura) consegue manter uniformemente a temperatura corporal no nível ideal para que o metabolismo celular ocorra normalmente (estabilidade). Se a temperatura for aumen- tada ou diminuída, devido ao desequilíbrio resultante, ocorre a desnaturação irrever- sível das proteínas, levando a um aumento do consumo de energia e oxigênio pela célula (alta temperatura) e uma redução dos referidos substratos (baixa temperatura). No entanto, quando a hipotermia ocorre por indução (controlada), ela pode ser usada para fins terapêuticos porque reduz o metabolismo celular (por exemplo, reduzindo o consumo de oxigênio e o estresse nervoso). Essa estratégia de atendimento é comu- mente usada em pacientes que sofreram um evento clínico de parada cardiorrespira- tória (PCP) e, em alguns casos, requerem hipotermia para reduzir a atividade das células cerebrais. Receptores nas extremidades periféricas das fibras nervosas aferentes na derme detectam pressão, temperatura, dor e outros impulsos somatossensoriais. Ter- minações nervosas eferentes na derme regulam o calibre dos vasos sanguíneos, a ereção do pelo e a secreção das glândulas exócrinas na pele. 14 3.3.1 Vascularização O suprimento vascular da pele é limitado à derme e consiste no plexo profundo, que se comunica com o plexo superficial. Esses plexos correm paralelos à superfície da pele, conectados reciprocamente por vasos sanguíneos transversais. O plexo superficial fica na superfície da retina e contémpequenas arteríolas que dão origem a alças capilares que ascendem ao topo de cada papila dérmica e retornam como capilares venosos. O plexo profundo está localizado na base da retina e consiste em arteríolas e veias de paredes espessas. As ligações estão ligados por vasos sanguíneos interli- gados, e a regulação da circulação sanguínea na pele através desses vasos sanguí- neos contribui para o controle da temperatura corporal. 3.4 Hipoderme A pele é ancorada ao tecido subjacente (músculo ou osso) pela "hipoderme". Devemos observar que o termo "hipo" significa "abaixo ou está abaixo". Quanto ao termo chamado tecido subcutâneo, pode-se entender que "sub" significa “embaixo de” e cutâneo como “pele”, a qual é puramente uma camada frouxa de tecido conjuntivo (PORTH; KUNERT, 2004). O tecido celular subcutâneo, também chamado de “tecido adiposo”, tem origem no mesoderma, também possui funções protetoras, mas se distingue pelas funções principais, além do armazenamento de energia, isolamento térmico, determinando a harmonia da forma corporal, áreas e a suavidade da sua superfície (GUYTON; HALL, 2017). Silva (2010) afirma que a camada areolar (uma das principais características desse grupo celular) é composta por células esféricas, abauladas e sobrepostas, com tecido conjuntivo muito fino que mantém as células no lugar, por onde passam vasos sanguíneos e nervos que chegam à derme para formar seus respectivos plexos. Segundo Mistry, Ghosh e Bandyopadhyay (2010) e Silva (2010), as camadas lamelares dessa massa de tecido consistem em pequenos adipócitos fusiformes, an- corados à lamela por uma tendência natural de armazenar mais gordura em excesso, resultando em dismorfias localizadas em que a genética é o fator determinante. Alguns 15 autores, como Soares e Gonçalves (2012), explicam que o termo dismorfia pode ser entendido como um transtorno mental cujo principal sintoma é a preocupação extrema com problemas imaginários ou defeitos mínimos do próprio corpo. Segundo Porth e Kunert (2004), a camada subcutânea é composta principal- mente por tecido adiposo e conjuntivo que sustenta ou sustenta as estruturas vascu- lares e neurais que ocorrem na camada externa da pele. Apesar de manter estreita relação funcional com a derme e da dificuldade em distinguir os limites das duas es- truturas, há controvérsias se o tecido subcutâneo pertence ao espaço terciário ou é uma camada de tecido, havendo controvérsia na literatura. No entanto, devido às mui- tas glândulas e folículos capilares profundos que se estendem ao longo das camadas da pele, os humanos são suscetíveis a várias doenças de pele, como a foliculite. A quantidade de tecido adiposo no tecido subcutâneo está relacionada à quan- tidade de lipídios armazenados nos adipócitos, pois a camada de tecido adiposo no tecido subcutâneo difere dependendo da dieta e da parte do corpo. A função do tecido subcutâneo como regulador da temperatura corporal é reconhecida ao se enfatizar o papel dos lipídios no isolamento térmico. Vejamos a Figura 5, representando a 1) Epi- derme com epitélio e queratina, 2) Derme com tecido conjuntivo frouxo e 3) Hipoderme com tecido adiposo unilocular. Figura 5 - Camadas da pele Fonte: shre.ink/cdiR 16 A seguir, na Tabela 1, estão de forma simplificada os componentes, estruturas e funções da pele. Tabela 1- Componentes, estruturas e funções da pele Fonte: Bohjanen, (2017) 17 4. GLÂNDULAS SUDORÍPARAS E SEBÁCEAS Dentro da derme subjacente estão várias dobras especiais que compõem as glândulas “sudoríferas e sebáceas” da pele, e próximo a este mesmo compartimento estão os folículos pilosos. Fonseca-Alaniz et al. (2006) descrevem glândulas sudorí- paras distribuídas por todo o corpo. Essa glândula sudorípara libera uma solução sa- lina diluída na superfície da pele através de pequenas aberturas, os chamados poros sudoríparos, também comumente chamados de "suor". As glândulas sudoríparas (sudor = suor) distribui-se pela superfície da pele, com exceção dos mamilos e partes da genitália externa. Esse número chega a 3 mi- lhões por pessoa. Existem dois tipos específicos que compõem esse grupo. "Glându- las écrinas e apócrinas" (Figura 3). Dentre as funções desempenhadas por cada es- trutura, se destaca o suor liberado por essas glândulas que ajuda a resfriar a pele (corpo) e regular a temperatura corporal. Segundo Mertins et al. (2016), outro benefí- cio derivado desse evento (sudorese) está relacionado ao suporte clínico na interpre- tação de diagnósticos à beira do leito, principalmente em pacientes que sofrem de lesão cardíaca (por exemplo, infarto agudo do miocárdio). Segundo estudos (82% dos casos), além da dor, os indivíduos que vivenciam tais eventos apresentam com mais frequência a presença de sudorese excessiva, por- que a estimulação dos capilares é ativada como compensação e a constrição dos capilares é notável, induzindo (estimulando) as glândulas sudoríparas a expelir ex- cesso de líquido através do suor, diminuindo a sobrecarga do coração nesse período (GUYTON; HALL, 2017). Guyton e Hall (2017) descrevem glândulas sudoríparas écrinas ou merócrinas espalhadas por toda a pele, mas mais concentradas nas regiões palmoplantares, axi- las e testa. São glândulas, com propriedade de aparecer de forma tubular, fluindo pela epiderme até a superfície e formando parte de três segmentos: porção secretora; con- duto sudoríparointradérmico; e conduto sudoríparo-intraepidérmico (Figura 6). Sua parte excretora está localizada na junção dermo-hipodérmica ou na parte inferior da derme, constituída por células maiores (gigantes em relação às demais), cilíndricas, com citoplasma claro, levemente basofílicas. Nas partes normais essas 18 células estão dispostas em ácinos, em cuja borda existem pequenas células fusifor- mes denominadas "células mioepiteliais", envoltas por uma membrana hialina, que, devido ao seu poder contrátil, se mostram responsáveis para remover a expulsão da secreção sudoral (suor ou transpiração) (GUYTON; HALL, 2017). Figura 6 – Glândula écrina e glândula apócrina Fonte: shre.ink/1fxt Segundo Guyton e Hall (2017), referindo-se às glândulas écrinas, tais estrutu- ras são inervadas por fibras simpáticas pós-ganglionares não mielinizadas. Do ponto de vista fisiológico, eles são dominados por mediadores parassimpáticos, embora se- jam menos responsivos aos mediadores simpatomiméticos. Assim, drogas parassim- patomiméticas como acetilcolina, acetilbetametilcolina e pilocarpina estimulam a su- dorese, enquanto drogas parassimpatolíticas como a atropina a inibem. A secreção sudoral (suor ou transpiração) apresenta as seguintes característi- cas: incolor, inodora, hipotônica, constituída por 99% de água e menores concentra- ções de substâncias dissolvidas como sódio, vitamina C, anticorpos, cloretos, potás- sio, ureia, proteínas, lipídios, aminoácidos, ácidos, cálcio, fósforo e ferro. Em tempe- raturas adversas, a sudorese (sudorese excessiva) pode produzir de 10 a 12 litros 19 dessa substância em 24 horas se uma pessoa for significativamente exposta à desi- dratação (SHERWOOD, 2011). Sherwood (2011) menciona que a sudorese é regulada pela divisão simpática do sistema nervoso autônomo, sobre a qual temos pouco controle. Sua principal fun- ção é evitar o superaquecimento do corpo humano. O suor causado pelo calor começa na testa e depois se espalha para outras partes do corpo. Por outro lado, a transpira- ção causada por um fator emocional, o chamado "suor frio" causado por medo, con- fusão ou nervosismo, começa nas palmas das mãos, plantas dos pés e axilas e só depois se espalha para outras partes do corpo. Em relação às glândulas apócrinas, Sherwood (2011) afirmou que as glândulas apócrinas geralmente fluem para as glândulas pilossebáceas de folículos pilosos in- vasores devido à suaformação embrionária, e não diretamente na superfície da epi- derme como imaginado. Quanto à distribuição anatômica das glândulas apócrinas, estas encontram-se na região axilar, na área perimamilar e região anogenital e, ainda, modificadamente, no conduto auditivo externo, constituindo as glândulas cerumino- sas; nas pálpebras, formando as glândulas de Moll; e na mama, constituindo as glân- dulas mamárias. As glândulas sudoríparas apócrinas contêm aproximadamente 2.000 unidades, principalmente na região axilar, anal e genital. Essas glândulas são maiores que as glândulas apócrinas e seus ductos se abrem novamente próximo aos folículos pilosos. Gayton e Hall (2017) observaram que algumas características estruturais são comuns a toda a pele em comparação com outras partes do corpo. Como mencionado acima, a pele é formada por duas camadas principais interligadas, a epiderme (ca- mada externa) e a derme (camada interna), seguidas de uma terceira camada, a hi- poderme. A camada basal (membrana basal) é dividida em duas camadas. Tecido subcutâneo, uma camada de tecido conjuntivo adiposo e frouxo que conecta a derme aos tecidos subjacentes do corpo (Figura 7). Embora a pele seja um dos principais componentes do sistema de membranas, ela é melhor descrita histologicamente e funcionalmente, e é altamente organizada e estratificada, mas nunca é estática como essa descrição sugere, pois é um órgão di- nâmico e em constante evolução. 20 Figura 7 – Imagem tridimensional da pele Fonte: shre.ink/1fBo Quanto à forma das glândulas individuais, elas são tubulares e consistem em uma parte secretora e outra tubular (permite a comunicação). A parte ductal consiste em duas camadas de células epiteliais, mas não contém uma epiderme eosinofílica como as écrinas. Desta forma, pequenas secreções leitosas são secretadas em inter- valos mais longos (SHERWOOD, 2011). Sobre a composição de sua secreção, Sherwood (2011) afirma que contém proteínas, açúcares, amônia, ácidos graxos e, às vezes, cromogênios como indodil. Acredita-se que o odor produzido pela secreção apócrina seja causado por bactérias das áreas topográficas habitadas pelas glândulas sebáceas que atuam na secreção e produzem produtos secundários odoríferos. O verdadeiro significado funcional da se- creção apócrina em homens é desconhecido, mas acredita-se que represente a atrofia da função sexual que ocorre durante a puberdade e também contribui para a termor- regulação e remoção de substâncias tóxicas. 21 A quantidade de suor produzida depende de muitos fatores, incluindo: Autorre- gulação corporal; idade; equilíbrio hormonal; temperatura ambiente; e a quantidade e tipo de exercício ou atividade física praticada, uma vez que os músculos esqueléticos são geradores de calor devido ao movimento do corpo. Depende também de outros fatores como: Ex.: estado emocional e estresse (pessoas ansiosas geralmente suam profusamente quando estão nervosas). Tipos especiais de glândulas sudoríparas nas axilas e genitália produzem suor rico em proteínas que suporta o crescimento de bactérias superficiais, desencadeando dois eventos principais. A maioria do suor, assim como as secreções glandulares, li- bera substâncias químicas que geralmente são muito tóxicas para as bactérias. Este é o terceiro benefício atribuído às glândulas sudoríparas (PONEC, 1991; LEO- NHARDT, 2007). As glândulas sebáceas produzem uma substância chamada sebo. Um tipo es- pecífico de substância cuja composição consiste em uma secreção oleosa liberada pelos folículos pilosos adjacentes. O sebo vaza dos folículos pilosos para a superfície da pele, oleando a camada externa do cabelo e a queratina, contribuindo para a im- permeabilidade da pele e evitando o ressecamento e danos (rachaduras), pode-se dizer que isso indica proteção insuficiente devido à produção insuficiente de sebo. O sebo é inodoro, mas produzir odores é o dano que ele causa através do contato com bactérias. É parcialmente formado por sebo o cerúmen no conduto auditivo (GUYTON; HALL, 2017). As glândulas sebáceas, segundo Tagliolatto, Alchorne e Enokihara (2011), ge- ralmente são estruturas agrupadas associadas aos folículos pilosos (Figura 8). Essas estruturas pertencem às categorias alveolar e holócrinas, ou seja, tem como atividade as secreções formadas pelas células produtoras. Os alvéolos dessas unidades pos- suem uma camada externa de células epiteliais que se diferenciam em células arre- dondadas e acumulam secreções contendo lipídeos (gordura). Quando essas células morrem, elas se aproximam do centro dos alvéolos e se rompem para liberar o sebo que formaram, dando-lhes uma impressão e aparência oleosas. 22 Figura 8 - Glândulas sebáceas associadas e agrupadas aos folículos pilosos Fonte: shre.ink/cbar Segundo Guyton e Hall (2017), esta categoria de glândulas é um importante local de atividade androgênica, regulada por hormônios sexuais e afetada por altera- ções hormonais e oscilatórias que ocorrem durante a evolução e desenvolvimento humano, sendo que seu tamanho pode aumentar com a idade. O desenvolvimento e a função das glândulas sebáceas fetais e neonatais são regulados pelos andrógenos maternos e pela síntese de esteroides endógenos, le- vando ao aumento da secreção das glândulas sebáceas nas primeiras horas de vida. Um novo pico ocorre por volta dos 9 anos e pode ocorrer até cerca dos 17 anos, quando os níveis adultos são atingidos. As mulheres tendem a produzir menos sebo após a menopausa, enquanto os homens não apresentam mudanças significativas até os 80 anos (GUYTON; HALL, 2017). Outra característica associada às glândulas sebáceas é que elas são ativa- mente estimuladas ou ativadas durante a puberdade, contribuindo para o entupimento dos folículos pilosos, tornando a pele desses indivíduos mais oleosa e propensa à formação de acne. 23 4.1 Unidade pilissebácea Fonte: shre.ink/cbqE As unidades pilossebáceas são encontradas em toda a superfície da pele, ex- ceto na área palmoplantar, lábios e glande. Eles consistem em pelos circundados por epitélio contínuo com a epiderme, glândula sebácea, músculo liso e, em algumas áreas do corpo, um ducto secretor da glândula apócrina que desemboca acima da glândula sebácea. A haste pilosa é a parte do pelo que se projeta para fora da pele, e sua raiz é a região que fica dentro da pele. A haste é composta por cutícula externa, córtex inter- mediário e medula. A bainha epitelial da raiz divide-se em bainhas radiculares exter- nas e internas. A externa dá continuidade às células da camada espinhosa da epi- derme superficial, e a interna é formada por três camadas celulares distintas: camada de Henle, camada de Huxley e cutícula, formada por escamas que se entrelaçam com as escamas da cutícula do pelo. Na parte inferior do folículo piloso há uma extensão chamada bulbo piloso que contém células da matriz pilosa. Nela ocorre a atividade mitótica do pelo, sendo en- contrados os melanócitos, responsáveis pelo crescimento e pigmentação do pelo. O couro cabeludo pode ser considerado a junção de tecidos moles que con- tém um revestimento resistente sobre a calota craniana e a face posterior da borda do crânio. A sua pele é bem espessa com pouca concentração de me- lanina e que é protegida pelos cabelos (MAKISHI, 2015, apud MIRANDA, 2018). 24 Existem dois tipos de pelo: lanugo ou cabelo fetal, que é curto, delicado e cla- ros, idêntico ao cabelo adulto, e um último, mais grosso, escuro e maior, encontrado nas axilas, cabelo, barba e região pubiana. O pelo não cresce continuamente, mas ciclicamente, e três fases diferentes podem ser distinguidas: Anágena: com duração de 2 a 3 anos, fase de crescimento ativo; corres- ponde a 85% dos cabelos; Catágena: fase de involução, com duração de três semanas; corres- ponde a 1% dos cabelos; Telógena:fase de queda, com duração de 3 a 4 meses; corresponde a 14% dos cabelos. 5. SISTEMA PIGMENTAR DA PELE HUMANA Fonte: shre.ink/cd2Q A pigmentação humana é uma característica fenotípica determinada por fatores genéticos, ambientais, idade, doença, hormônios e exposição à radiação ultravioleta (PNEUMAN 2012). A melanina é responsável pela pigmentação da pele e também absorve os radicais livres gerados no citoplasma pela luz visível ou radiação ionizante (CHANG, 2012). 25 A pigmentação da pele é o fenótipo mais visível do corpo humano, a cor da pele é um dos fatores mais variáveis entre os indivíduos da espécie humana, e as diferen- ças de pigmentação constituem um dos fenótipos mais importantes e enigmáticos co- nhecidos (MIOT et al., 2007). Existem poucos estudos na literatura que reflitam glo- balmente a base genética e evolutiva da pigmentação humana e os correspondentes aspectos culturais relacionados aos padrões de cores, mas o entendimento completo desse mecanismo é um tema que desperta curiosidade (COSTIN; HEARING, 2007). A cor da pele é influenciada principalmente pela produção de melanina, um pigmento marrom denso de alta massa molecular que parece mais concentrado quando sintetizado em abundância. A pigmentação é o resultado de um extenso pro- cesso de síntese de melanina nos melanócitos. Esse processo biológico é denomi- nado melanogênese e envolve uma sequência detalhada de eventos que levam a esse fenótipo, a pigmentação (VIDEIRA; MOURA; MAGINA, 2013). Já as variações que o processo de pigmentação pode causar estão relaciona- das às características da melanina produzida no corpo. Fatores como tamanho, nú- mero e densidade dos melanossomas e o pH do ambiente melanossomal afetam di- retamente esse fenótipo. A melanina é classificada em dois tipos principais, eumela- nina e feomelanina, e a pele mais escura está associada a maiores quantidades de eumelanina e melhor proteção contra danos radiação ultravioleta (NAN et al., 2009). Em humanos, a cor da pele depende da atividade melanogênica dentro dos melanócitos, da taxa de síntese de melanina, bem como do tamanho, número, com- posição e distribuição de partículas do citoplasma dos melanócitos, (melanossomas), além da natureza química da melanina que elas contêm (SULAIMON; KITCHELL, 2008). A expressão de diferentes genes, que atuam em diferentes fases do processo da melanogênese, como a estabilização e o transporte de enzimas durante a síntese, a produção e a manutenção dos melanossomos e o balanço entre a síntese de dife- rentes tipos de melanina, são peças-chave neste processo sofisticado de pigmenta- ção, cujo resultado apresenta uma ampla variabilidade (PEREIRA et al., 2006). O processo de melanogênese (síntese de melanina) é demasiado complexo, e existem diversos caminhos e agentes reguladores que interagem entre si no interior do melanócito, e que cooperam com outros tipos de células cutâneas (DEL BINO et 26 al., 2018). A melanina é sintetizada no interior dos melanócitos, em organelas especi- alizadas chamadas melanossomos, sendo organelas semelhantes aos lisossomos produzidos pelo complexo golgiense e pelo retículo endoplasmático rugoso, que os tornam maduros e pigmentados, (vesículas cheias de melanina, localizadas dentro de células chamadas de queratinócitos), que por reações enzimáticas convertem a tiro- sina, um aminoácido não essencial, em melanina (WHITEMAN et al., 1999). Quando localizados na junção dérmico-epiderme, os melanócitos interfolicula- res são conectados através de seus dendritos, a aproximadamente 40 queratinócitos (os queratinócitos são o tipo celular mais comum da pele, compondo a maioria da epiderme) e então, a partir desta junção, tem-se como resultado uma unidade deno- minada: epidérmico-melânica (BORANGA et al., 2021). Com a função de atuar como o principal colaborador no processo de pigmen- tação, a melanina é expressa em duas formas, e o modo com que ela se apresenta depende da função das enzimas melanossomais e da disponibilidade de substratos. As principais apresentações são: feomelanina (coloração amarelo-avermelhada) e eu- melanina (coloração marrom-preta) (ALALUF et al., 2003). A melanina é o resultado da adição de polímeros com propriedades físico-quí- micas, obtidos enzimaticamente após etapas derivadas do aminoácido tirosina. Após um longo processo de expressão e maturação, esta molécula de melanina desloca-se para os queratinócitos da pele, onde se organiza de forma mais nítida nas camadas basais (REES et al., 2000). 6. TIPOS DE PELE Segundo Gurgel (2015), é importante entender as propriedades mais importan- tes da pele. Porque quando se trata de tipos de pele, você sempre deve procurar um equilíbrio entre o teor de água (umidade) e o teor de gordura (glândulas sebáceas) buscando sempre em ambas as partes a igualdade. As glândulas sebáceas e as glândulas sudoríparas têm influência decisiva na aparência e saúde da pele. Enquanto as glândulas sebáceas produzem o sebo que é uma secreção de aspecto oleoso, as glândulas sudoríparas produzem o suor que é uma secreção de caráter aquoso (COSTA, 2006). 27 Segundo Costa (2006) estas secreções (suor e sebo) são lançadas sobre a pele formando a emulsão epicutânea, também chamada de manto hidrolipídico, em que suas variações na quantidade ou na composição de determinam o tipo de pele. Esta emulsão epicutânea também é responsável por proteger a pele ao conter partí- culas ou substâncias agressivas que entram na pele, evitando ou minimizando o res- secamento ou desidratação excessiva da pele, impedindo ou inibindo o crescimento de microorganismos agressivos. Segundo Diniz et al. (2009), a classificação clássica da pele é dividida em qua- tro tipos principais: normal, seca, oleosa e mista, descritas a seguir: ● Pele normal: a produção de sebo e suor é equilibrada, de aparência suave e cor e textura normais. A superfície é sutilmente brilhante, com furos finos. Resiste razoavelmente aos agentes de saponificação e contato com o sol; ● Pele seca: é facilmente confundida com a pele alípica (baixo teor de gordura, espessura fina, quase sem brilho ou poros finos. Suave ao toque, fácil de descascar com a idade, fácil de obter rugas faciais. O contato com o sabonete é delicado. É fácil para causar vermelhidão e queimaduras solares devido a mudanças no ambiente). A pele seca carece de umidade no estrato córneo, considerada desidratada devido à alta acidez (potencial de Hidrogênio (pH)). Tem uma cor branco-rosada e um aspecto pálido com algumas fissuras. A pele é fina, mas áspera, com pouca secreção de sebo e suor e enruga facilmente. Fraca resistência ao sabão, muitas vezes desca- mando, muito sensível à luz solar, propenso a vermelhidão e queimaduras na pele. ● Pele oleosa: classificam-se em: oleosa hidratada (pele normal oleosa, visi- velmente espessa e brilhante, com aberturas profundas e visíveis, rica produção de sebo, mais comum em jovens, boa resistência às intempéries e contato com sabone- tes); oleosa desidratada (parece espessa e brilhante). Apresenta os óstios profundos e abertos, a secreção de sebo é rica, a secreção de suor é reduzida e é fácil formar rugas e descamação. Seborreia, hiperseborreia ou seborreia acentuada (produção de sebo muito elevada, sensação baça e áspera de microquistos, comedogênica, propensa a acne. Irritável, sensível às alterações climá- ticas e à exposição solar). 28 ● Pele mista: possui uma zona gordurosa específica, muitas vezes chamada de zona T, porque cobre a área ao redor da testa, nariz e queixo. O restante do rosto é considerado normal ou seco, com níveis de umidade normais e uniformes. Segundo Costa (2006), quando o estrato córneo está enfraquecido, a pele fica mais suscetível a fatores externos (como influências ambientais como frio, calor, mu- danças de temperatura, vento, poluição e usoexcessivo de medicamentos tópicos) e a pele é classificado como sensível, caracterizado por reações exageradas. 6.1 Pele sensível Para Gurgel (2015), a pele sensível (PS), também conhecida como pele reativa, não está associada ao ressecamento ou sebo, podendo ser oleosa ou seca. Não é uma pele muito tolerante, a derme é rica em vasos sanguíneos e pode reagir a dife- rentes substâncias. Segundo Santos (2015), a pele sensível difere da pele reativa porque a barreira protetora da pele fina é porosa, os irritantes são facilmente permeáveis e a resposta inflamatória não é intensa ou rápida consoante os dados de concentração do irritante. A pele reativa pode ser menos permeável a irritantes, mas causa uma forte resposta inflamatória. Esses dois termos estão intimamente relacionados, mas não são sinôni- mos. Portanto, a sensibilidade da pele depende da avaliação de uma barreira cutânea frágil ou de uma reação tópica exagerada a um irritante. Dieamant et al. (2013) definiram a PS como um estado de tolerância reduzida ao uso repetido ou crônico de cosméticos e produtos de higiene pessoal, manifestada por sinais clínicos evidentes como eritema, edema, descamação, até alterações neu- rossensoriais. Sinais de desconforto como dores no corpo, queimação, coceira, res- secamento e dor. A fisiopatologia da PS consiste em uma resposta inflamatória de- sencadeada por uma disfunção da barreira cutânea associada a um defeito na res- posta imune neuroendócrina da pele. Santos (2015) concluiu em seu estudo que a fisiopatologia da pele sensível não é bem compreendida. Histologicamente, havia vasodilatação e infiltrado inflama- tório. A perda de água aumenta, a barreira de permeabilidade muda e os irritantes podem penetrar facilmente na pele. 29 Dieamant et al. (2013) afirmaram que a pele sensível tópica é considerada uma categoria não específica de hipersensibilidade cutânea. Hipotetiza-se que o aumento da permeabilidade do estrato córneo associado a uma exacerbação da resposta neu- roendócrina no nível da pele pode ser a causa, pois se acredita ser uma resposta inflamatória inespecífica, a fisiopatologia da PS começa com penetração de sensibili- dade anormal. Neuropeptídeos liberados de terminações nervosas e células da pele, como substância P, CGRP e peptídeos POMC, como b-endorfinas e encefalinas, são essenciais para a regulação da resposta imune da pele e para a manutenção e repa- ração dos tecidos. A pele saudável contém aproximadamente 15-20% de água. A pele seca apa- rece quando os níveis de umidade caem abaixo de 10%. O sistema nervoso deve intervir por mudanças na sensibilidade e vasodilatação. A neuroinflamação pode ser decorrente da liberação de neurotransmissores como a substância P, peptídeo relaci- onado ao gene da calcitonina, um peptídeo intestinal vasoativo que estimula a vaso- dilatação. Também estão associados à secreção de interleucina (IL)-1, (IL)-8, (PG), prostaglandina E2, PG F2 e fator de necrose tumoral (TNF)-α. Embora outro estudo tenha mostrado que as citocinas e os eicosanóides desempenham um papel impor- tante na manutenção da homeostase e na regulação dos processos inflamatórios na pele (SANTOS, 2015). Certos tipos de células na derme e na epiderme produzem essas citocinas e eicosanóides, regulados por eventos fisiológicos e patológicos. A prostaglandina E2 (PGE2) aumenta progressivamente os níveis teciduais em lesões cutâneas sensíveis com doenças inflamatórias da pele. O leucotrieno LTB, a interleucina IL1, a interleu- cina IL6 e o fator de necrose tumoral TNF permanecem inalterados na epiderme sen- sível (SANTOS, 2015). As Dermatites (processos inflamatórios da Derme) constituem um importante grupo de doenças de pele e compreendem diversas dermatoses com características clínicas semelhantes, porém com mecanismos fisiopatológicos e desencadeantes dis- tintos (PRESA, 2014). 30 7. FISIOLOGIA DO ENVELHECIMENTO DA PELE Fonte: shre.ink/ckf5 O envelhecimento é um processo irreversível, lento e progressivo que pode ser influenciado por fatores intrínsecos e extrínsecos. Além disso, cronológica ou endó- gena definida como verdadeira é inevitável, pois não há controle volitivo individual. Neste caso, trata-se do desgaste natural do organismo. O envelhecimento extrínseco é causado por fatores externos, como poluição, radiação ultravioleta (UV), tabagismo e álcool. Quando isso acontece, a pele das áreas expostas, como rosto, braços e tórax, parecerá mais velha. Apesar de todos esses fatores atacarem o corpo, os raios ultravioleta são os que mais prejudicam o corpo, pois podem causar estresse oxidativo e quebrar o colá- geno e a elastina na pele através da formação de radicais livres que alteram o meta- bolismo. Existem outras teorias que tentam explicar o processo de envelhecimento da pele. A teoria dos radicais livres é a mais difundida. Como esse radical possui um ou mais elétrons desemparelhados, acredita-se que esteja associado a lesões celulares que levam ao envelhecimento da pele, pois, além de sua incidência aumentada, tam- bém causa danos ao DNA induzidos pelo câncer. Esse fato também pode estar rela- cionado a fatores externos que danificam as membranas celulares, prejudicam a pele, 31 aceleram a degradação das fibras de colágeno e elastina e causam envelhecimento precoce. De acordo com Carroso e Costa (2011): Com o passar do tempo todos vão envelhecer, porém, com o crescimento da expectativa de vida também houve a valorização da juventude e do belo, fa- zendo com que as pessoas se preocupem cada vez mais com a aparência facial, aumentando os cuidados com a pele (CARRORO; COSTA, 2011). Entre outras teorias que tentam justificar o envelhecimento dos tecidos estão o desgaste. Isso afirma que o corpo tem alguns pequenos custos ao longo do tempo, levando a um declínio no funcionamento do organismo. O sistema autoimune informa que mutações podem ocorrer durante a divisão celular, ativando o sistema imunoló- gico e causando a senescência por meio da morte celular. A teoria do relógio biológico revela haver um momento no organismo em que o corpo começa a envelhecer. A última é a proliferação, onde o número de divisões celulares diminui ao longo do tempo, levando à senescência. Os radicais livres também estão envolvidos no desenvolvimento do processo de envelhecimento, principalmente por desencadear reações químicas como a oxida- ção. Tais reações desencadeiam processos nocivos no corpo e afetadas por radiação, doenças, tabagismo e estresse. As alterações relacionadas com a idade manifestam-se numa pele mais fina, frágil e seca, com rugas finas e rugas inelásticas. Os elementos presentes na epi- derme são reduzidos, resultando numa redução da sua espessura. De fato, sua ação é clinicamente mais suave, lenta e gradual, levando a uma perda gradual de elastici- dade, atrofia da pele e aumento das linhas faciais. Os principais sinais do envelhecimento da pele são rugas, pele seca, perda de luminosidade e hiperpigmentação. Todos estão associados à deterioração funcional dos componentes do tecido conjuntivo. As fibras de elastina perdem sua elasticidade. Há um aumento na concentração de lipídios. O colágeno endurece, o número de li- nhas verticais anexadas diminui e as moléculas de água são perdidas. Além disso, substâncias básicas amorfas também são decompostas, dificultando a passagem de nutrientes. Com o envelhecimento, o tecido conjuntivo perde sua função, a adesão uni- forme das células adiposas ao tecido subcutâneo torna-se difícil, as fibras de elastina perdem sua flexibilidade e função de suporte na pele e a troca de oxigênio entre os 32 tecidos diminui. Acrescenta e desnatura as fibras elásticas, levando à desidratação da pele e ao aparecimento de rugas. 8. DERMATITES De acordo com Andrade et al. (2018), a dermatite é uma doença crônica e a eliminação da substânciaquímica que irrita a pele do paciente é o melhor tratamento. É dividida em vários tipos, como: dermatite de contato, dermatite atópica, dermatite seborreica, dermatite alérgica, entre outras. Geralmente causa uma reação alérgica na pele, causando sintomas como vermelhidão, coceira e descamação. A dermatite pode ocorrer por vários motivos, incluindo o contato com uma substância que causa irritação ou até mesmo uma alergia. As principais complicações da pele sensível e as correspondentes abordagens descritivas da literatura são discutidas abaixo, nomeadamente dermatite de contato, dermatite seborreica e dermatite atópica. 8.1 Dermatite de contato A dermatite de contato (DC) é mais frequentemente diagnosticada na faixa etária da infância e é mais comum em adultos jovens, embora também tenha sido observada em crianças pequenas (PRESA, 2014). Assim, a dermatite de contato é basicamente dividida em dermatite de contato irritativa, Dermatite de Contato Irritativa (DCI) e Dermatite de Contato Alérgica (DCA) (ANDRADE et al., 2018). I- Dermatite de contato Irritativa A Dermatite de contato Irritativa (DCI) é a principal forma encontrada na cri- ança, e é secundária à irritação direta de uma substância sobre a pele. O desenvolvi- mento desse processo inflamatório cutâneo depende de muitas citocinas, quimiocinas e células do sistema imunológico, além de fatores relacionados à própria substância e ao próprio indivíduo. 33 Fonte: shre.ink/cdRl Nos CDI, as características clínicas podem aparecer no primeiro contato com a pele, mas a forma mais comum é devido à exposição repetida (PRESA, 2014). Se- gundo Pozza (2017), a DCI é definida como uma reação inflamatória da pele causada pela exposição direta a diversos estímulos externos (físicos e químicos). Segundo Andrade et al. (2018), a CDI é causada por uma infecção decorrente da exposição direta a patógenos, que desencadeia uma resposta inflamatória. Isso significa que pode danificar a pele no contato inicial e causar reações bastante graves, como bolhas e feridas. Exemplos desses reagentes são principalmente ácidos ou ál- calis. A CDI também pode ser causado por irritantes relativamente primários, irritantes que danificam a pele após exposição repetida e prolongada, como urina, fezes, sabo- netes e sabões. Pires e Pscheidt (2014) descrevem em seu estudo que se uma resposta infla- matória não imune é caracterizada por vesículas, bolhas, edema, eritema, descama- ção e outras condições, então a dermatite irritativa é dividida em aguda e crônica cu- mulativa, dependendo do estágio. O local de ação é a pele e as membranas mucosas, e a reação resultante depende da natureza do material da vítima, com pouco efeito na resposta imune do indivíduo. Substâncias muito ácidas ou muito básicas podem cau- sar irritação, dependendo de sua concentração. 34 II- Dermatite de contato alérgica Fonte: shre.ink/cdgo Segundo Duarte e Figueiredo (2014), a dermatite alérgica de contato (DAA) corresponde a uma resposta imune na qual são formados anticorpos celulares (linfó- citos T) contra substâncias entrando em contato com a pele. Exposição a alérgenos na infância, a dermatite alérgica de contato pode representar até 20% de todos os casos de dermatite em crianças. Segundo Preza (2014), essa é uma incerteza diagnóstica importante na faixa etária pediátrica. Sua etiologia depende das características do local específico da pele (áreas finas são mais sensíveis), da integridade da pele e da identidade do alérgeno subjacente, e está associada a uma reação alérgica celular retardada envolvendo lin- fócitos T mediada pelo sistema imunológico. Envolve a sensibilização do sistema imunológico a um alérgeno específico e, após nova exposição ao alérgeno, ocorre uma reação eczematosa dentro de 8 a 72 horas, mediada por linfócitos T de memória. Nessa dermatite, concentrações relativa- mente baixas de alérgenos podem ser suficientes para provocar uma resposta infla- matória em vez de irritante, embora os autores deste estudo diferenciem isso clínica e histologicamente a DCI da DCA. Em relação à epidemiologia, estudos mostram uma incidência de dermatite de contato bis-alérgica de 15 para 1 entre todas as doenças de pele em crianças, também é possível que essa doença seja subdiagnosticada por não ser possível. Alguns estu- dos mostraram positividade aos testes de contato com relevância clínica de 56% a 35 93%, variando de 14% a 70% nas crianças. Em um estudo mais recente, encontraram uma taxa ainda maior de: sensibilização de 26,6% a 95,6%, com relevância de 51,7% a 100% (DUARTE; FIGUEIREDO, 2014). 8.2 Dermatite seborreica Fonte: shre.ink/cdgW Segundo Gomes (2015), a dermatite seborreica (DS) é uma doença inflamató- ria cutânea comum, prevalente na infância e na idade adulta. Sua etiologia é desco- nhecida. Em adultos, acredita-se que seja uma doença multifatorial na qual fungos, imunidade celular alterada e possível predisposição genética desempenham papéis importantes. Mesmo em crianças, a principal suspeita recai sobre os fungos. É caracterizada por lesões cutâneas semelhantes a erupções cutâneas com manchas vermelhas que podem coçar e descamar. As lesões geralmente aparecem em áreas da pele que produzem muito sebo, como couro cabeludo, rosto, tórax, canal auditivo e costas (SARAIVA et al., 2017). Embora a etiologia não tenha sido identificada, é consenso que três fatores são importantes no desenvolvimento desta doença: Secreção das glândulas sebáceas, alterações na microflora da pele (especial- mente o fungo Malassezia sp.) e respostas imunes individuais (NETO et al., 2013). Para Saraiva et al. (2017) é uma alteração crônica que não é transmitida pelo contato. É uma inflamação que ocorre no estrato córneo, que possui muitas glândulas 36 sebáceas, e se caracteriza por manchas escamosas amareladas e vermelhidão re- donda ou oval. Há dois picos de incidência. Uma delas é para recém-nascidos até três meses e a outra para adultos entre 30 a 60 anos. As manifestações bimodais da doença (natal e pós-púbere) sugerem que ela esteja relacionada aos hormônios sexuais. Os homens são afetados com mais frequência em todas as faixas etárias e não apresen- tam predisposição racial. A apresentação bimodal desta doença (no nascimento e após a puberdade) sugere que ela está relacionada aos hormônios sexuais. Os ho- mens são mais comumente afetados em todas as faixas etárias e não têm predispo- sição racial (SARAIVA et al, 2017). 8.3 Dermatite atópica De acordo com Simon (2015), a dermatite atópica (DA), também conhecida como eczema atópico, é uma doença inflamatória crônica da pele comum em recém- nascidos e crianças, mas pode persistir na idade adulta, muitas vezes com surtos e remissões sazonais. É caracterizada por coceira, pele seca e lesões eczematosas, que são geralmente divididas em faixas etárias. Fonte: shre.ink/cdoK DA é um dos maiores problemas de saúde pública do mundo, a prevalência da doença está aumentando constantemente e afeta 10-20% crianças e 1-3% dos adul- tos em todo o mundo. É frequentemente a primeira manifestação clínica da doença 37 atópica, que precede a asma e a rinite alérgica. Metade das crianças com dermatite atópica provavelmente desenvolverá outra doença atópica mais tarde na vida (SI- MON, 2015). Saraiva et al. (2017) a DA é uma doença inflamatória crônica recidivante de etiologia multifatorial que provoca uma diminuição significativa na qualidade de vida dos doentes acometidos. Caracteriza-se por prurido intenso, xerose, hiperatividade da pele e lesões com morfologia e distribuição características que variam conforme as faixas etárias das crianças. Em pacientes pediátricos atópicos, a inflamação é carac- terizada por níveis aumentados de IgE (Imunoglobulina E). O termo atopia agora se refere à tendência de indivíduose/ou famílias em pro- duzir anticorpos específicos da classe IgE em resposta a sensibilizados e alérgenos. A prevalência aumentou nos últimos anos e os fatores que provavelmente contribuem para esse aumento de casos são predisposição genética, poluição ambiental, doenças infecciosas e exposição a alérgenos (SARAIVA et al., 2017). Quanto à etiologia da DA, muitas vezes ela precede ou está associada a outras doenças atópicas, como hipertermia, asma, alergia alimentar e reações anafiláticas. Os principais sintomas são descamação da pele, coceira, inflamação e líquen plano (um espessamento da pele que torna as linhas da pele visíveis), a coceira é o sintoma mais típico da coceira intensa associada a várias complicações que podem levar a escoriações e infecções graves da pele. Outro achado clínico é a pele seca e áreas afetadas. A pele pode ser áspera e escamosa (ZAZULA et al., 2014). Segundo Pozza (2017), a dermatite atópica é ca- racterizada pela diminuição da função de barreira da pele, diminuição dos níveis de ceramidas (lipídios da membrana) e aumento da permeabilidade da barreira, mesmo quando a pele não é exposta a toxinas. Um fator que pode ocorrer em cerca de 20- 30% das pessoas com dermatite atópica, os níveis de filagrina na epiderme são redu- zidos devido a uma mutação genética (perda de função) desta proteína. 38 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS ALALUF, S. et al. Ethnic variation in tyrosinase and TYRP1 expression in photoex- posed and photoprotected human skin. Pigment cell research, v. 16, n. 1, p. 35-42, 2003. BALOGH, T. S. et al. Proteção à radiação ultravioleta: recursos disponíveis na atuali- dade em fotoproteção. Anais brasileiros de Dermatologia, v. 86, p. 732-742, 2011. BOHJANEN, K. Estrutura e funções da pele. Dermatologia Clínica. Seção I Bases para, 2017. BORANGA, B. E. C. et al. 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