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Definição e classificação dos neurotransmissores 2 PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL, SEM AUTORIZAÇÃO. Lei nº 9610/98 – Lei de Direitos Autorais 3 Introdução No encéfalo humano, a maioria dos neurônios se comunicam através de mensageiros químicos, os chamados neurotransmissores. A liberação dos neurotransmissores corresponde a uma etapa fundamental do processamento neural, ou seja, da propagação da informação de um neurônio para outro. Dessa forma, a compreensão da neurotransmissão possibilita não só o entendimento de processos fisiológicos do sistema nervoso, mas também de diversos processos patológicos relacionados a doenças neurológicas e a transtornos psiquiátricos (Kandel et al., 2014). O que é um neurotransmissor? Neurotransmissores são sinais químicos liberados de terminais pré-sinápticos na fenda sináptica. Contudo, conforme Purves et al. (2005), existem alguns critérios para se definir um mensageiro químico como neurotransmissor: 1) A substância deve estar presente no interior do neurônio pré-sináptico; 2) A substância deve ser liberada em resposta à despolarização pré-sináptica dependente de Ca2+; 3) Receptores específicos para esta substância devem ser encontrados na célula pós-sináptica. Figura 1 - Neurotransmissores liberados na sinapse Fonte: Meu Cérebro, 2022. Como foi essa descoberta? Na metade do século XX, o farmacêutico alemão Otto Löewi foi um dos grande contribuidores para o debate científico sobre a transferência ou não de sinais químicos 4 entre os neurônios (Bear, 2017). Otto Löewi realizou um dos experimento-chave para a descoberta dos neurotransmissores. Neste experimento, Löewi primeiro isolou e perfundiu dois corações de rãs e monitorou as suas taxas de batimentos. No primeiro coração ele estimulou o nervo vago e a taxa de batimentos cardíacos diminui. Contudo, o fluído da perfusão deste coração, quando transferido para o segundo coração, também foi capaz de diminuir a taxa de batimentos cardíacos. Com este experimento, Löewi demonstrou que a estimulação do nervo vago é capaz de diminuir os batimentos cardíacos mediante a liberação de um sinal químico presente no líquido da perfusão. Esta substância química foi originalmente descrita como “substância do vago” e posteriormente reconhecida como o neurotransmissor acetilcolina (Purves et al., 2005). Formas de neurotransmissão A neurotransmissão pode ocorrer através de diversas maneiras em função da forma como são estabelecidas as sinapses. Se a sinapse ocorrer entre um axônio e um dendrito, a sinapse é chamada axodendrítica. Se o contato axonal ocorre com o corpo celular ou soma, a sinapse é chamada axossomática. Por fim, a sinapse pode ocorrer na membrana pós-sináptica de outro axônio, formando uma sinapse axoaxônica. A área de contato entre o terminal pré-sináptico e pós-sináptico também pode apresentar características distintas. O axônio pré-sináptico pode entrar em contato com um único espinho dendrítico pós-sináptico, ou ainda pode se ramificar em vários contatos de um único espinho dendrítico. O espinho dendrítico, por sua vez, pode ser grande o suficiente para receber um único, mas extenso, contato pré-sináptico, ou pode ser ramificado e representar vários terminais pós-sinápticos distintos (Lent, 2022). Categorias de neurotransmissores Ainda segundo Purves et al. (2005), os neurotransmissores podem ser divididos em duas grande categorias com base exclusivamente em seu tamanho: Os neurotransmissores peptidérgicos, também chamados de neuropeptídeos,1. correspondem a moléculas transmissoras relativamente grande, composta por aminoácidos que variam de 3 a 30 aminoácidos de tamanho; Os neurotransmissores pequenos, formados por moléculas menores, dentre as2. quais nós podemos citar aminoácidos como glutamato e GABA, ou aminas biogênicas, como as catecolaminas e a serotonina. Co-transmissão Apesar de usualmente se pensar que os neurônios liberam um único transmissor, atualmente já se sabe que os neurônios podem conter e liberar dois ou mais neurotransmissores diferentes. Neste caso, estas moléculas são denominadas co- transmissores e podem realizar a co-transmissão. Co-transmissores frequentemente são empacotados em vesículas sinápticas diferentes e são liberados a partir da estimulação pré-sináptica em frequências distintas. A estimulação em baixas frequências libera 5 preferencialmente neurotransmissores pequenos, enquanto a estimulação em altas frequências é capaz de liberar tanto neurotransmissores pequenos quanto neuropeptídeos (Bear, 2017). O ciclo de vida do neurotransmissor Todo neurotransmissor passa por uma série de processos que correspondem a etapas do seu ciclo de vida. No primeiro momento o neurotransmissor é sintetizado no neurônio pré-sináptico. Em seguida ocorre a sua liberação na fenda sináptica em resposta ao influxo pré-sináptico de Ca2+. Após sua liberação na fenda sináptica ocorre a ligação do neurotransmissor a receptores pós-sinápticos. Por fim, ocorre a metabolização e/ou transporte deste neurotransmissor de volta ao neurônio pré-sináptico (Lent, 2022). Os principais neurotransmissores do sistema nervoso Os neurotransmissores são substâncias químicas que desempenham um papel fundamental na comunicação entre os neurônios no sistema nervoso. Existem muitos neurotransmissores diferentes, mas os principais incluem: Acetilcolina (ACh): A acetilcolina desempenha um papel importante na transmissão de impulsos nervosos nos sistemas nervosos central e periférico. Ela está envolvida em funções como contração muscular, memória e aprendizado. Dopamina: A dopamina desempenha um papel essencial em diversas funções, incluindo o controle do movimento, regulação do humor, motivação, recompensa e prazer. Desempenha um papel crítico na patofisiologia de distúrbios como a doença de Parkinson e a esquizofrenia. Serotonina: A serotonina é um neurotransmissor que regula o humor, o sono, o apetite, a ansiedade e várias outras funções. Distúrbios do equilíbrio da serotonina estão associados a condições como depressão e ansiedade. Noradrenalina (Norepinefrina): A noradrenalina é envolvida na resposta de "luta ou fuga" do corpo, aumentando a frequência cardíaca, elevando a pressão sanguínea e estimulando a atenção. Ela desempenha um papel importante na regulação do estresse. GABA (Ácido gama-aminobutírico): O GABA é o principal neurotransmissor inibitório no sistema nervoso central e desempenha um papel crucial na regulação da atividade cerebral, ajudando a prevenir a superexcitação neural. Glutamato: O glutamato é o principal neurotransmissor excitatório no cérebro e está envolvido em processos cognitivos, aprendizado e memória. Endorfinas: As endorfinas são neurotransmissores que atuam como analgésicos naturais do corpo e estão envolvidas na regulação da dor, bem como na promoção de sensações de prazer e bem-estar. O equilíbrio e a regulação adequada desses neurotransmissores são fundamentais para o funcionamento saudável do sistema nervoso. 6 Considerações finais A descoberta dos neurotransmissores e a sua descrição de funcionamento nos neurônios representa um passo importante para a correlação de processos neurais com comportamentos complexos. Apesar de ainda não ser possível correlacionar diretamente todos os processos neurais com toda a complexidade do comportamento humano, o reconhecimento dos neurotransmissores possibilitou a elaboração de drogas que são fundamentais para o tratamento de doenças neurológicos e transtornos psiquiátricos. 7 Referências BEAR, Mark F. Neurociências: Desvendando o sistema Nervoso. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. KANDEL, Eric R. et al. Princípios de Neurociências. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. LENT, Robert. Cem Bilhões de Neurônios? Conceitos Fundamentais de Neurociência. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Atheneu, 2022. PURVES, Dale et al. Neurociências. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.