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2025.2 - UNIFAMAZ AES 3 - FUNÇÕES BIOLÓGICAS - MED 1 Ana Reiry Lima
AES 3 - PROBLEMA 01 
ABERTURA: 
FECHAMENTO: 
‘'Distúrbio neuroendócrino’' 
1. Descrever a organização do Sistema 
Nervoso (SN); 
Divisão anatomica 
Sistema Nervoso Central (SNC): É o centro 
de processamento e controle do corpo, prote-
gido por estruturas ósseas (crânio e coluna 
vertebral). 
Encéfalo: Localizado no crânio, é responsá-
vel por funções cognitivas, emoções, consci-
ência e controle da maioria das funções do 
corpo. 
Medula Espinhal: Estende-se pelo canal ver-
tebral, atuando como a principal via de comu-
nicação entre o encéfalo e o resto do corpo, 
além de mediar reflexos. 
Sistema Nervoso Periférico (SNP): Com-
preende todos os nervos e gânglios localiza-
dos fora do SNC, conectando o centro de con-
trole aos órgãos, músculos e glândulas. 
Formado por nervos cranianos e espinhais, 
que conduzem impulsos sensoriais (em dire-
ção ao SNC) e motores (para fora do SNC). 
Divisão funcional 
O SNP pode ser ainda mais dividido com 
base nas funções que controla: 
Sistema Nervoso Somático: Controla as 
ações voluntárias, como o movimento dos 
músculos esqueléticos, e também recebe in-
formações sensoriais da pele e órgãos dos 
sentidos. 
Sistema Nervoso Autônomo (ou Visceral): 
Regula funções involuntárias e vitais, como a 
respiração, digestão, batimentos cardíacos e 
transpiração. Divide-se em: 
Divisão Simpática: Prepara o corpo para si-
tuações de estresse ou emergência (resposta 
de "lutar ou fugir"), aumentando a frequência 
cardíaca e a energia. 
Divisão Parassimpática: Atua em momentos 
de calma e repouso, promovendo a digestão e 
diminuindo a frequência cardíaca (resposta de 
"descansar e digerir"). 
2. Caracterizar a anatomia (substância 
branca e substância cinzenta: função e 
estrutura) SN Central; 
A anatomia do Sistema Nervoso Central 
(SNC) inclui o encéfalo e a medula espinhal, é 
caracterizada pela organização distinta de 
dois tipos de tecidos principais: a substância 
cinzenta e a substância branca. 
A localização e a proporção desses tecidos 
variam entre o encéfalo e a medula espinhal, 
refletindo suas funções específicas. 
1. Substância Cinzenta 
Estrutura: 
A substância cinzenta é composta primaria-
mente pelos corpos celulares dos neurônios 
(somas), dendritos (as ramificações que rece-
bem sinais), terminais axônicos (onde os si-
nais são transmitidos) e células da glia (célu-
las de suporte). 
A principal característica que lhe confere a cor 
acinzentada é a ausência de mielina ao redor 
da maioria dos axônios nesta área. 
Função: 
É o local onde ocorre o processamento de 
informações. É responsável pela integração 
de sinais sensoriais e pelo início das respos-
tas motoras. Funções cognitivas superiores, 
como memória, tomada de decisão e lingua-
gem, ocorrem na substância cinzenta cortical. 
Localização no SNC 
Encéfalo: Localiza-se predominantemente na 
superfície externa (córtex cerebral e cerebe-
lar) e em núcleos profundos (como os gângli-
os da base). 
Medula Espinhal: Está localizada na região 
central, disposta em forma de "H" ou borbole-
ta. 
2. Substância Branca 
Estrutura 
A substância branca é composta principal-
mente por axônios mielinizados. A mielina é 
uma bainha lipídica (gordurosa) esbranquiça-
da que envolve os axônios e atua como um 
isolante elétrico. 
Essa bainha de mielina é o que confere a cor 
branca a essa região. Ela é produzida pelos 
oligodendrócitos no SNC. 
Função: 
Sua função principal é a condução rápida e 
eficiente de sinais (impulsos nervosos) entre 
diferentes áreas da substância cinzenta. Fun-
ciona como as "fiações" do sistema nervoso, 
conectando centros de processamento. A mie-
lina acelera significativamente a velocidade de 
transmissão dos impulsos nervosos (condu-
ção saltatória). 
Localização no SNC 
Encéfalo: Compõe a maior parte do volume 
interno, subjacente ao córtex cinzento. 
Medula Espinhal: Localiza-se na região ex-
terna, ao redor do centro cinzento em forma 
de "H". 
3. Caracterizar estruturas: células e teci-
dos do SNC (tipos, funções - condução 
de sinais, suporte e proteção); 
O tecido nervoso, que compõe o Sistema 
Nervoso Central (SNC), é formado por dois 
grupos principais de células: os neurônios e 
as células da glia (ou neuróglia). 
Neurônios (Células Nervosas) 
Os neurônios são as unidades funcionais bá-
sicas e a classe de células mais conhecida do 
sistema nervoso, especializadas em gerar e 
transmitir impulsos nervosos. 
2025.2 - UNIFAMAZ AES 3 - FUNÇÕES BIOLÓGICAS - MED 1 Ana Reiry Lima
Estrutura: Embora variem em forma, um 
neurônio típico possui três partes principais: 
Corpo Celular (Soma): Contém o núcleo e a 
maioria das organelas. É o centro metabólico 
da célula e onde os sinais de entrada são in-
tegrados. Na substância cinzenta, os corpos 
celulares formam aglomerados visíveis ao mi-
croscópio. 
Dendritos: Ramificações curtas que se es-
tendem do corpo celular. Sua função é rece-
ber sinais (impulsos elétricos) de outros 
neurônios e conduzi-los em direção ao corpo 
celular. 
Axônio: Um prolongamento geralmente mais 
longo que o dendrito. Sua função é transmitir 
o impulso nervoso para longe do corpo celu-
lar, em direção a outros neurônios, músculos 
ou glândulas. A maioria dos axônios no SNC é 
envolta por uma bainha de mielina. 
Função: Transmissão rápida de informações 
através de sinais elétricos (impulsos nervo-
sos). 
Classificação pela Morfologia (Forma) 
A classificação morfológica baseia-se no nú-
mero de prolongamentos que emergem do 
corpo celular (soma). 
Multipolar: Possuem um axônio e múltiplos 
dendritos. São o tipo mais comum no sistema 
nervoso central (SNC). 
Bipolar: Têm dois prolongamentos — um 
axônio e um dendrito — que saem de extre-
midades opostas do corpo celular. São encon-
trados na retina, na mucosa olfatória e nos 
gânglios coclear e vestibular. 
Pseudounipolar: Possuem um único prolon-
gamento que sai do corpo celular e depois se 
divide em dois ramos (um age como dendrito 
e o outro como axônio). São tipicamente en-
contrados nos gânglios sensoriais da raiz dor-
sal dos nervos espinais. 
Unipolar: Possuem apenas um prolongamen-
to que emerge do corpo celular. São raros em 
vertebrados adultos. 
Classificação pela Função 
A classificação funcional divide os neurônios 
com base na direção em que transmitem os 
impulsos nervosos. 
Sensoriais (Aferentes): Recebem estímulos 
do ambiente ou do próprio organismo (como 
tato, visão ou temperatura) e os transmitem 
para o SNC. 
Motores (Eferentes): Transmitem sinais do 
SNC para os órgãos efetores, como músculos 
e glândulas, controlando movimentos e secre-
ções. 
Interneurônios (Associativos): Encontrados 
exclusivamente dentro do SNC, eles estabe-
lecem conexões entre outros neurônios (sen-
soriais e motores), integrando a informação e 
formando circuitos neurais complexos. 
Células da Glia (Neuróglia) 
As células da glia são mais abundantes que 
os neurônios no SNC e desempenham fun-
ções essenciais de suporte, proteção e nutri-
ção, sem, no entanto, propagar impulsos ner-
vosos. Elas mantêm o ambiente local ideal 
para o funcionamento neuronal. 
No SNC maduro, existem quatro tipos princi-
pais de células gliais: 
Astrócitos: São as células gliais mais nume-
rosas e têm formato estrelado. 
Função: Suporte estrutural, regulação do 
ambiente químico (incluindo a captação de 
neurotransmissores), formação da barreira 
hematoencefálica e fornecimento de nutrien-
tes aos neurônios. 
Oligodendrócitos: Células que produzem a 
bainha de mielina no SNC. 
Função: A mielina atua como isolante e au-
menta drasticamente a velocidade de condu-
ção do impulso nervoso ao longo do axônio. 
Um único oligodendrócito pode mielinizar múl-
tiplos axônios. 
Micróglia: Células pequenas e móveis, com 
origem diferente das outras células gliais. 
Função: Atuam como células de defesa imu-
nológica do SNC, funcionando como macró-
fagos. Fagocitam restos celulares, patógenos 
e regulam processos inflamatórios. 
CélulasEpendimárias: Células epiteliais co-
lunares que revestem os ventrículos do cére-
bro e o canal central da medula espinhal. 
Função: Produção e movimentação do líqui-
do cefalorraquidiano (LCR), que amortece o 
cérebro e a medula. 
4. Caracterizar os neurotransmissores do 
SNC (mecanismos); 
Os neurotransmissores são mensageiros 
químicos essenciais do Sistema Nervoso 
Central (SNC) que permitem a comunicação 
(transmissão sináptica) entre os neurônios, ou 
entre neurônios e células efetoras, como 
músculos e glândulas. 
Características dos Neurotransmissores 
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Síntese e Armazenamento: São sintetizados 
nos neurônios (no corpo celular ou nos termi-
nais axônicos) a partir de precursores simples 
e armazenados em pequenas vesículas si-
nápticas. 
Liberação: São liberados na fenda sináptica 
em resposta a um impulso elétrico (potencial 
de ação) que chega ao terminal do axônio. 
Ação em Receptores: Atuam ligando-se a 
receptores específicos na membrana do 
neurônio pós-sináptico. 
Inativação Rápida: Após a ação, são rapi-
damente removidos da fenda sináptica por 
recaptação, degradação enzimática ou difu-
são para prevenir a estimulação contínua. 
Sinapses 
As sinapses no Sistema Nervoso Central 
(SNC) são as junções cruciais onde os neurô-
nios se comunicam entre si e com outras célu-
las-alvo. Elas são essenciais para a transmis-
são de informações que controlam todas as 
funções corporais, desde o movimento e a 
fala até a respiração e o pensamento automá-
tico. 
Comunicação Neural: A sinapse é o ponto 
de contato onde um neurônio (pré-sináptico) 
envia um sinal, ou mensagem, para outro 
neurônio (pós-sináptico) ou célula efetora. 
Transmissão de Sinais: O processo, chama-
do transmissão sináptica, converte um sinal 
elétrico (potencial de ação) em um sinal quí-
mico ou o transmite diretamente como corren-
te elétrica. 
Tipos de Sinapses no SNC 
Existem dois tipos principais de sinapses no 
SNC: 
Sinapses Químicas: São as mais comuns. 
Nelas, o sinal elétrico no neurônio pré-sinápti-
co desencadeia a liberação de neurotrans-
missores na fenda sináptica. Esses neuro-
transmissores viajam até a célula pós-sinápti-
ca, onde se ligam a receptores e geram um 
novo sinal elétrico ou resposta. O glutamato e 
o aspartato são exemplos de neurotransmis-
sores excitatórios no SNC. 
Sinapses Elétricas: Nesses tipos de sinap-
ses, existe uma conexão física direta (junção 
comunicante) que permite o fluxo contínuo e 
rápido de íons e corrente elétrica de uma cé-
lula para outra, sem a necessidade de neuro-
transmissores. 
As sinapses podem ser excitatórias (estimu-
lam a célula-alvo a agir) ou inibitórias (impe-
dem a célula-alvo de agir), dependendo do 
neurotransmissor envolvido e do tipo de re-
ceptor. 
Glutamato 
O glutamato é o principal neurotransmissor 
excitatório do Sistema Nervoso Central (SNC) 
e o neurotransmissor mais abundante no cé-
rebro. Ele desempenha um papel crucial na 
sinalização neural, na aprendizagem e na 
memória. 
Funções e características do glutamato no 
SNC 
Principal neurotransmissor excitatório: 
Sua função é estimular os neurônios, envian-
do mensagens que aumentam a probabilidade 
de um potencial de ação ocorrer. 
Abundância: É o aminoácido mais abundante 
no corpo humano e serve como precursor me-
tabólico para o GABA, o principal neurotrans-
missor inibitório do SNC. 
Mecanismo de ação 
O mecanismo de ação do glutamato no Sis-
tema Nervoso Central (SNC) envolve um pro-
cesso dinâmico de liberação e ligação a re-
ceptores específicos, que modulam a excitabi-
lidade neuronal. 
Síntese e Armazenamento 
O glutamato é sintetizado nos terminais pré-
sinápticos a partir da glutamina (fornecida pe-
las células da glia, como os astrócitos) e, em 
menor grau, do ciclo de Krebs. 
É então armazenado em vesículas sinápticas 
por meio de transportadores vesiculares de 
glutamato (VGLUTs),pronto para ser liberado. 
Liberação na Fenda Sináptica 
A chegada de um potencial de ação ao termi-
nal pré-sináptico abre canais de cálcio volta-
gem-dependentes (Ca2+). 
O influxo de cálcio desencadeia a fusão das 
vesículas com a membrana pré-sináptica, li-
berando o glutamato na fenda sináptica (o 
espaço entre os neurônios). 
Ligação aos Receptores Pós-Sinápticos 
Uma vez na fenda, o glutamato se difunde 
rapidamente e se liga a vários tipos de recep-
tores localizados na membrana do neurônio 
pós-sináptico. Estes receptores são classifi-
cados em duas categorias principais: 
A. Receptores Ionotrópicos (canais iônicos 
controlados por ligante) 
A ligação do glutamato a estes receptores 
abre imediatamente os canais iônicos, permi-
tindo o rápido influxo de íons positivos (Na+ e, 
em alguns casos, Ca2+) para dentro da célula 
pós-sináptica, o que a despolariza (torna mais 
positiva), facilitando a geração de um novo 
potencial de ação. 
Os principais tipos são: 
Receptores AMPA (ácido α-amino-3-hidro-
xi-5-metil-4-isoxazolpropiônico): São os 
principais mediadores da transmissão sinápti-
ca excitatória rápida. Quando ativados, permi-
tem a entrada de íons Na+. 
Receptores NMDA (N-metil-D-aspartato): 
São únicos porque sua abertura requer duas 
condições: 
1- a ligação do glutamato (e um co-agonista 
como a glicina). 
2- despolarização da membrana (para remo-
ver um bloqueio de íons magnésio, Mg2+). 
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Quando ativados, permitem a entrada de 
Ca2+, que atua como um segundo mensagei-
ro e é crucial para a plasticidade sináptica 
(base molecular da aprendizagem e 
memória). 
Receptores Kainato: Semelhantes aos 
AMPA, mas menos comuns, também permi-
tem a entrada de Na+. 
B. Receptores Metabotrópicos (mGluRs) 
Estes receptores não são canais iônicos dire-
tamente. Em vez disso, são acoplados a pro-
teínas G. Quando o glutamato se liga, ele ini-
cia uma cascata de segundos mensageiros 
dentro da célula, levando a efeitos mais len-
tos, duradouros e modulatórios. Existem vári-
os subtipos (Grupo I, II e III) que podem ser 
excitatórios ou inibitórios, e podem estar loca-
lizados na membrana pré-sináptica (autorre-
ceptores) ou pós-sináptica. 
Recaptura e Inativação 
Para interromper o sinal e prevenir a excitoto-
xicidade (dano neuronal por excesso de esti-
mulação), o glutamato é rapidamente removi-
do da fenda sináptica. 
A maioria do glutamato é transportada ativa-
mente para dentro dos astrócitos (células gli-
ais) por transportadores de aminoácidos exci-
tatórios (EAATs). 
Dentro do astrócito, o glutamato é convertido 
de volta em glutamina pela enzima glutamina 
sintetase. 
A glutamina é então transportada de volta 
para o neurônio pré-sináptico, onde é recon-
vertida em glutamato, fechando o ciclo (o ciclo 
glutamato-glutamina). 
Importância clínica: A desregulação dos ní-
veis de glutamato está implicada em diversas 
condições neurológicas e psiquiátricas, como 
depressão, esquizofrenia e doenças neurode-
generativas. 
Excitotoxicidade: Níveis excessivos de glu-
tamato podem levar à excitotoxicidade, um 
processo que pode causar lesão ou morte 
neuronal, o que é relevante em casos de le-
sões cerebrais agudas ou doenças crônicas. 
GABA 
O GABA (ácido gama-aminobutírico) é o prin-
cipal neurotransmissor inibitório no Sistema 
Nervoso Central (SNC). Sua função crucial é 
controlar a excitabilidade neuronal, atuando 
como um "freio" que modula a atividade cere-
bral contínua. 
Funções e características do GABA no 
SNC: 
Inibição Neuronal: O GABA reduz a excitabi-
lidade dos neurônios, causando uma hiperpo-
larização da membrana pós-sináptica, o que 
torna menos provável que um impulso nervo-
so seja disparado. 
Regulação da Atividade Cerebral: Ao equili-
brar a excitação (principalmente pelo neuro-
transmissor glutamato), o GABA ajuda a man-
ter um funcionamento cerebral saudável, pre-
venindo a hiperatividade. 
Efeito Calmante: O GABA desempenha um 
papel central na regulação da ansiedade e do 
estresse, produzindo umefeito calmante e 
relaxante. 
Prevenção de Convulsões: Níveis saudáveis 
de GABA são essenciais para prevenir a ativi-
dade elétrica excessiva no cérebro que pode 
levar a convulsões. 
Alvo Farmacológico: Devido ao seu papel 
na ansiedade e na sedação, o sistema ga-
baérgico é o alvo de medicamentos como os 
benzodiazepínicos, usados para tratar trans-
tornos de ansiedade e insônia. 
Desequilíbrios na neurotransmissão gabaérgi-
ca estão associados a diversas condições 
neurológicas e psicológicas, como ansiedade, 
depressão, esquizofrenia, epilepsia e até do-
enças como Alzheimer e Parkinson. 
Mecanismo de ação 
O mecanismo de ação do GABA (ácido gama-
aminobutírico) no Sistema Nervoso Central 
(SNC) é a neurotransmissão inibitória, que 
ocorre principalmente através da ativação dos 
receptores GABA-A e GABA-B. 
O processo pode ser descrito nas seguintes 
etapas: 
1. Liberação do Neurotransmissor 
Quando um neurônio pré-sináptico é ativado, 
ele libera GABA na fenda sináptica. 
2. Ligação aos Receptores Pós-Sinápticos 
O GABA liberado viaja pela fenda sináptica e 
se liga a receptores específicos na membrana 
do neurônio pós-sináptico. 
3. Ativação dos Receptores e Efeito Inibitó-
rio 
Existem dois tipos principais de receptores, 
com mecanismos ligeiramente diferentes: 
A. Receptores GABA-A (Ionotrópicos) 
São canais iônicos controlados por ligantes. 
Quando o GABA se liga a eles, o canal se 
abre imediatamente. 
Essa abertura permite a entrada de íons clo-
reto (Cl‾), que são carregados negativamente, 
para dentro do neurônio pós-sináptico. 
A entrada de cargas negativas resulta em hi-
perpolarização da membrana (torna o interior 
da célula mais negativo em relação ao exteri-
or). 
A hiperpolarização afasta o potencial de 
membrana do limiar necessário para disparar 
um impulso nervoso (potencial de ação), ini-
bindo efetivamente a comunicação neuronal. 
Este é o mecanismo de ação rápido e é o 
principal alvo de medicamentos como benzo-
diazepínicos e barbitúricos, que potencializam 
a entrada de cloreto. 
2025.2 - UNIFAMAZ AES 3 - FUNÇÕES BIOLÓGICAS - MED 1 Ana Reiry Lima
B. Receptores GABA-B (Metabotrópicos) 
São receptores acoplados à proteína G e seu 
efeito é mais lento e duradouro. 
Quando o GABA se liga, a proteína G é ativa-
da e inicia uma cascata de segundos mensa-
geiros que, em última instância, modula ca-
nais iônicos diferentes. 
Isso geralmente leva à abertura de canais de 
potássio (K+) ou ao bloqueio de canais de 
cálcio. 
A saída de K+ da célula também contribui 
para a hiperpolarização ou modulação da libe-
ração de outros neurotransmissores, exer-
cendo um efeito inibitório. 
4. Recaptura e Inativação 
Após a ligação e a produção do efeito, o 
GABA é rapidamente removido da fenda si-
náptica por transportadores específicos 
(GATs) nos neurônios e células da glia (astró-
citos), encerrando o sinal inibitório e prepa-
rando a sinapse para a próxima transmissão. 
Dopamina 
A dopamina é um neurotransmissor crucial no 
Sistema Nervoso Central (SNC), com funções 
que modulam desde o controle do movimento 
até a motivação e a cognição. Ela atua como 
um mensageiro químico, ligando-se a recepto-
res específicos nos neurônios e desempe-
nhando papéis excitatórios ou inibitórios, de-
pendendo do receptor e da via envolvida. 
Funções da dopamina no SNC: 
Controle Motor: É fundamental para o con-
trole da locomoção e coordenação muscular. 
A perda de neurônios dopaminérgicos na 
substância cinzenta está diretamente ligada à 
doença de Parkinson por exemplo. 
Motivação e Recompensa: Desempenha um 
papel central no sistema de recompensa do 
cérebro, associado a sentimentos de prazer e 
satisfação. É a responsável por nos motivar a 
buscar certas atividades (como comer ou inte-
ragir socialmente). 
Aprendizado e Memória: A dopamina partici-
pa na codificação e retenção de informações 
importantes, sendo essencial para o aprendi-
zado e a memória de trabalho. 
Regulação do Humor e Emoções: Influencia 
o humor, a atenção e os sentimentos de satis-
fação. Desequilíbrios nos níveis de dopamina 
podem estar associados a condições como 
depressão e esquizofrenia. 
Função Cognitiva: Está envolvida em fun-
ções executivas no córtex pré-frontal, como a 
tomada de decisões e o planejamento. 
Disfunções na atividade dopaminérgica, seja 
por excesso ou deficiência, podem levar a di-
versos problemas de saúde, incluindo trans-
tornos do controle de impulsos (como o jogo 
patológico) e sintomas psicóticos. 
Mecanismo de ação 
O mecanismo de ação da dopamina no Sis-
tema Nervoso Central (SNC) é complexo, en-
volvendo sua liberação, ligação a receptores 
específicos e a subsequente modulação da 
atividade neuronal. 
O processo pode ser resumido nas seguintes 
etapas: 
1. Síntese e Liberação 
Síntese: 
Conversão de Tirosina em L-DOPA: O ami-
noácido L-tirosina é convertido em L-DOPA 
(L-3,4-di-hidroxifenilalanina) pela enzima tiro-
sina hidroxilase (TH). Esta é a etapa limitante 
da velocidade de toda a via de síntese, o que 
significa que a quantidade de TH ativa contro-
la a taxa geral de produção de dopamina. 
Conversão de L-DOPA em Dopamina: A L-
DOPA é rapidamente descarboxilada pela en-
zima descarboxilase de L-aminoácidos aro-
máticos (AADC), também conhecida como 
DOPA descarboxilase, para formar a dopami-
na. 
Precursores: Tirosina: É o precursor direto 
mais comum e está prontamente disponível 
na dieta. 
Fenilalanina: Este aminoácido essencial pode 
ser convertido em tirosina pela enzima fenila-
lanina hidroxilase (PH), fornecendo uma via 
alternativa. 
Armazenamento: Após a síntese, ela é arma-
zenada em vesículas sinápticas. 
Liberação: Quando um impulso nervoso (po-
tencial de ação) chega ao terminal pré-sináp-
tico, essas vesículas se fundem com a mem-
brana e liberam a dopamina na fenda sinápti-
ca (o espaço entre os neurônios). 
* A dopamina em si não consegue atravessar 
a barreira hematoencefálica, ela deve ser sin-
tetizada dentro do cérebro para desempenhar 
suas funções neuronais. O tratamento para 
doenças como Parkinson frequentemente uti-
liza a administração de levodopa (L-DOPA), 
pois ela pode atravessar essa barreira e, sub-
sequentemente, ser convertida em dopamina 
no cérebro. *
2. Ligação aos Receptores 
A dopamina liberada viaja pela fenda sináptica 
e se liga a receptores dopaminérgicos locali-
zados na membrana do neurônio pós-sinápti-
co (ou, às vezes, em autorreceptores no pró-
prio neurônio pré-sináptico). 
Cinco tipos principais de receptores do-
paminérgicos, divididos em duas famílias 
com efeitos distintos: 
Família D1 (receptores D1 e D5): Quando 
ativados, geralmente têm efeitos excitatórios 
ou estimulantes. Eles estão acoplados a uma 
proteína Gs, que aumenta a produção de 
AMP cíclico (AMPc) intracelular, resultando 
em uma maior excitabilidade do neurônio. 
2025.2 - UNIFAMAZ AES 3 - FUNÇÕES BIOLÓGICAS - MED 1 Ana Reiry Lima
Família D2 (receptores D2, D3 e D4): Quan-
do ativados, geralmente têm efeitos inibitórios. 
Eles estão acoplados a uma proteína Gi, que 
diminui a produção de AMPc e pode abrir ca-
nais de potássio, reduzindo a excitabilidade 
do neurônio. 
3. Transdução de Sinal (Modulação Celu-
lar) 
A ligação da dopamina ao seu receptor inicia 
uma cascata de sinalização intracelular 
(transdução de sinal). Essa interação modula 
a atividade elétrica do neurônio pós-sináptico, 
determinando se o próximo neurônio será 
mais propenso a disparar um novo impulso 
nervoso ou não. 
4. Recaptura e Inativação 
Para finalizar o sinal e garantir que a comuni-
cação seja precisa e breve, a dopamina é ra-
pidamente removida da fenda sináptica por 
um transportador específico, chamado DAT 
(Transportador de Dopamina). Ela é levada de 
volta para o neurônio pré-sináptico, onde 
pode ser reembalada em vesículas ou degra-
dada por enzimas. 
O mecanismo de ação da dopamina é, portan-
to, essencialmente modulatório. Diferente de 
neurotransmissores como glutamato (excitató-
rio principal) ou GABA (inibitório principal), adopamina ajusta e sintoniza a forma como os 
circuitos cerebrais funcionam, influenciando a 
força das conexões sinápticas a longo prazo. 
Serotonina 
A serotonina, é um neurotransmissor crucial 
no Sistema Nervoso Central (SNC), onde atua 
na comunicação entre as células nervosas, 
influenciando uma vasta gama de funções 
corporais e comportamentais. Embora cerca 
de 90% da serotonina do corpo seja produzi-
da no trato gastrointestinal, a porção no SNC 
é vital para a saúde mental e física. 
Função da Serotonina no SNC: 
Regulação do Humor e Emoções: É popu-
larmente conhecida como o "hormônio da feli-
cidade" ou do bem-estar, pois ajuda a modu-
lar o humor, a ansiedade e a estabilidade 
emocional. Níveis baixos podem estar associ-
ados a mau humor, irritabilidade e sintomas 
de depressão. 
Sono e Apetite: A serotonina modula o ciclo 
sono-vigília e regula o comportamento alimen-
tar e o apetite. 
Funções Cognitivas: Está envolvida em pro-
cessos como cognição, aprendizado e memó-
ria. 
Controle Comportamental: Desempenha um 
papel no controle comportamental e no balan-
ço energético. 
Outras Funções: Também ajuda a regular o 
ritmo cardíaco, a temperatura corporal e as 
respostas à dor. 
Mecanismo de ação 
Síntese da Serotonina: A síntese da seroto-
nina (5-HT) no Sistema Nervoso Central 
(SNC) ocorre em duas etapas enzimáticas a 
partir do aminoácido essencial triptofano, ob-
tido por meio da dieta. 
Hidroxilação do Triptofano: O triptofano é 
transportado para dentro dos neurônios sero-
toninérgicos. A primeira e limitante etapa é a 
hidroxilação do triptofano pela enzima tripto-
fano hidroxilase (TPH). Essa enzima adiciona 
um grupo hidroxila ao triptofano, formando o 
5-hidroxitriptofano (5-HTP). 
Descarboxilação do 5-HTP: Em seguida, o 
5-HTP é rapidamente descarboxilado pela en-
zima descarboxilase de aminoácidos aromáti-
cos (AADC), resultando na formação da sero-
tonina (5-HT). 
Armazenamento e Liberação: Uma vez sin-
tetizada, a serotonina é armazenada em vesí-
culas nos terminais nervosos. Quando um im-
pulso nervoso chega, ela é liberada na fenda 
sináptica. 
Ligação a Receptores: Na fenda sináptica, a 
serotonina liga-se a diversos tipos de recepto-
res pós-sinápticos (e, às vezes, pré-sinápti-
cos), o que desencadeia sinais elétricos ou 
químicos no neurônio seguinte. Existem múl-
tiplos tipos de receptores 5-HT (5-HT1 a 5-
HT7), e os efeitos específicos da serotonina 
(como promoção da vigília ou inibição do sono 
REM) dependem do tipo de receptor ativado. 
Recaptação e Inativação: Para finalizar o 
sinal, a serotonina é rapidamente reabsorvida 
pelo neurônio pré-sináptico através de trans-
portadores específicos (como o SERT). Esse 
processo, chamado de recaptação, é o alvo 
de medicamentos antidepressivos como os 
Inibidores Seletivos da Recaptação de Sero-
tonina (ISRS), que aumentam a concentração 
de serotonina na fenda sináptica. 
Acetilcolina 
No Sistema Nervoso Central (SNC), a acetil-
colina (ACh) desempenha um papel crucial 
em diversas funções cerebrais, atuando como 
um neurotransmissor importante na memória, 
aprendizado, atenção, motivação e excitação 
(vigília). 
Funções da acetilcolina no SNC: 
Cognição e Memória: A ACh está fortemente 
envolvida nos processos cognitivos, sendo 
essencial para a formação e consolidação da 
memória. Baixos níveis de acetilcolina estão 
associados a problemas de memória, como 
os observados na doença de Alzheimer e no 
processo natural de envelhecimento. 
Atenção e Excitação: Modula o estado de 
alerta e a atenção, ajudando o cérebro a focar 
em estímulos relevantes. 
Sono REM: A acetilcolina tem um papel mo-
dulador no sono de movimento rápido dos 
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olhos (REM), com aumento da sua liberação 
durante esse estágio do sono. 
Controle Motor: Embora seja mais conhecida 
por seu papel na junção neuromuscular peri-
férica (onde causa contração muscular), no 
SNC, a ACh também participa de circuitos 
neurais envolvidos no controle dos movimen-
tos, como nos gânglios da base. 
Mecanismo de ação 
Síntese da acetilcolina (ACh) no Sistema 
Nervoso Central (SNC): ocorre nos terminais 
nervosos dos neurônios colinérgicos, a partir 
de dois precursores: colina e acetil-coenzima 
A (acetil-CoA). 
O processo é catalisado pela enzima específi-
ca colina acetiltransferase (ChAT), que trans-
fere um grupo acetil da acetil-CoA para a coli-
na, formando a acetilcolina: 
Colina+Acetil-CoA 𝐶ℎ𝐴𝑇→Acetilcolina+Coen-
zima A 
Captação de Colina: A colina, um nutriente 
essencial proveniente da dieta e da circulação 
sanguínea, é transportada para dentro do 
terminal nervoso colinérgico através de um 
transportador de alta afinidade dependente de 
sódio (CHT1). Este passo é considerado o 
fator limitante da síntese de ACh. 
Produção de Acetil-CoA: A acetil-CoA é pro-
duzida nas mitocôndrias do neurônio, deriva-
da do metabolismo da glicose. 
Reação Enzimática: No citoplasma do termi-
nal nervoso, a enzima ChAT (sintetizada no 
corpo celular e transportada para o axônio) 
catalisa a reação de síntese. 
Armazenamento: Uma vez sintetizada, a 
ACh é rapidamente transportada para dentro 
das vesículas sinápticas por um transportador 
vesicular de ACh (VAChT), onde fica armaze-
nada até ser liberada na fenda sináptica em 
resposta a um impulso nervoso. 
Liberação e Ligação a Receptores: A ACh é 
liberada na fenda sináptica e interage com 
receptores específicos nas membranas pré e 
pós-sinápticas. 
Receptores Nicotínicos: São canais iônicos 
ativados por ligantes (canais iônicos pentamé-
ricos). Quando a ACh se liga a eles, esses 
canais se abrem, permitindo o influxo de íons 
(como o sódio), o que geralmente resulta em 
um efeito excitatório e uma resposta neuronal 
rápida. 
Receptores Muscarínicos: São receptores 
acoplados à proteína G (metabotrópicos). A 
sua ativação desencadeia cascatas de sinali-
zação intracelular mais lentas e complexas, 
que podem ser tanto excitatórias quanto inibi-
tórias, dependendo do subtipo de receptor e 
da célula alvo. 
Modulação de Redes Neurais: A diversidade 
de receptores permite à ACh modular o esta-
do das redes neurais, coordenando a ativida-
de de grupos de neurônios e modificando a 
resposta a estímulos. Isso contribui para fun-
ções cognitivas complexas, como atenção, 
aprendizado, memória e regulação do sono 
(especialmente o sono REM). 
Inativação do Sinal: A ação da ACh é rapi-
damente encerrada pela enzima acetilcolines-
terase (AChE) na fenda sináptica, que a hidro-
lisa em acetato e colina, permitindo a recicla-
gem da colina. 
Noradrenalina 
No Sistema Nervoso Central (SNC), a nora-
drenalina (ou norepinefrina) atua como um 
neurotransmissor essencial na regulação da 
excitação, atenção, função cognitiva e nas 
reações de estresse. Ela é fundamental para 
o funcionamento normal do cérebro, influenci-
ando diretamente os padrões de comporta-
mento mental. 
Funções e efeitos da noradrenalina no 
SNC: 
Estado de Alerta e Foco: A noradrenalina 
ajuda a manter o indivíduo focado, alerta e 
ativo, sendo crucial para a vigília e a capaci-
dade de concentração. 
Resposta ao Estresse ("Luta ou Fuga"): 
Embora seja mais conhecida como um 
hormônio liberado na medula adrenal durante 
a resposta de "luta ou fuga", no cérebro ela 
modula as reações ao estresse. 
Regulação do Humor: Níveis adequados de 
noradrenalina estão associados ao bem-estar 
e à disposição. A depleção (esgotamento) 
desse neurotransmissor, juntamente com a 
serotonina e a dopamina, está implicada na 
causa da depressão, e muitos tratamentos 
farmacológicos visam aumentar suas concen-
trações no cérebro. 
Aprendizado e Memória: Pesquisas indicam 
que a noradrenalina pode desempenhar um 
papel importante na sinalização de surpresa, 
o que ajuda o cérebro a aprender com novas 
experiências. 
Fome e Saciedade: A noradrenalina também 
atua nos centros cerebrais que regulam a 
fome e a saciedade, influenciando o compor-
tamento alimentar. 
Mecanismo de ação 
Síntesee Liberação: A noradrenalina é sinte-
tizada dentro dos neurônios noradrenérgicos, 
principalmente na área do locus coeruleus no 
tronco cerebral. Quando um impulso nervoso 
(potencial de ação) chega ao terminal do 
neurônio pré-sináptico, a noradrenalina é libe-
rada na fenda sináptica. 
Interação com Receptores Adrenérgicos: 
Uma vez na fenda sináptica, a noradrenalina 
se difunde e se liga aos receptores adrenérgi-
cos nas células adjacentes. No SNC, os prin-
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cipais tipos de receptores para a noradrenali-
na são: 
Receptores Alfa-1 (α1): Atuam principalmen-
te para aumentar a excitabilidade neuronal. 
Receptores Alfa-2 (α2): Atuam como autor-
receptores (nas células que liberam a nora-
drenalina) e heterorreceptores (em outras cé-
lulas), geralmente inibindo a liberação de mais 
neurotransmissor e diminuindo a atividade 
neuronal, funcionando como um mecanismo 
de feedback negativo. 
Receptores Beta (β): Estes subtipos (princi-
palmente β1 e β2) estão envolvidos na modu-
lação de funções como memória e aprendiza-
do, geralmente aumentando os níveis de AMP 
cíclico (cAMP) dentro da célula, o que leva a 
uma série de mudanças metabólicas. 
Transdução de Sinal Intracelular: A ligação 
da noradrenalina a esses receptores desen-
cadeia uma cascata de eventos intracelulares 
(transdução de sinal). EX.: os receptores α1 
ativam o sistema de fosfolipase C, enquanto 
os receptores β ativam a adenilato ciclase. 
Esses segundos mensageiros alteram o fun-
cionamento da célula, como a abertura ou fe-
chamento de canais iônicos, afetando a exci-
tabilidade do neurônio e modulando a trans-
missão do sinal. 
Recaptura e Inativação: Para finalizar o sinal 
e garantir uma comunicação eficiente, a nora-
drenalina é rapidamente removida da fenda 
sináptica. O principal mecanismo é a recaptu-
ra pelo transportador de norepinefrina (NET) 
de volta para o neurônio pré-sináptico. Dentro 
do neurônio, ela pode ser reciclada ou degra-
dada pela enzima monoamina oxidase 
(MAO). 
*Fármacos utilizados para tratar condições 
como TDAH e depressão (como os Inibidores 
Seletivos da Recaptura de Noradrenalina - 
ISRNs) atuam bloqueando esse processo de 
recaptura, aumentando a quantidade de nora-
drenalina disponível na fenda sináptica.* 
5. Caracterizar o funcionamento do eixo 
hipotálamo e hipófise (relacionando 
com o controle hormonal). 
O funcionamento do eixo hipotálamo-hipófise 
caracteriza-se por um sistema de comunica-
ção crucial que integra os sistemas nervoso e 
endócrino, atuando como o principal centro 
regulador do organismo. A sua função primor-
dial é a manutenção da homeostase, equili-
brando diversas funções fisiológicas, como 
metabolismo, resposta ao estresse, cresci-
mento e reprodução, através de estímulos 
neurológicos e hormonais. 
Características do funcionamento: 
Comunicação em cascata: O processo co-
meça no hipotálamo, uma região do cérebro 
que funciona como elo entre o sistema nervo-
so e endócrino. Em resposta a estímulos 
(como estresse ou mudanças no ambiente 
interno), o hipotálamo secreta hormônios libe-
radores (ou inibidores). 
Controle da hipófise: Esses hormônios hipo-
talâmicos viajam até a hipófise (glândula pitui-
tária), que é dividida em adeno-hipófise (ante-
rior) e neuro-hipófise (posterior). 
Adeno-hipófise: os hormônios liberadores do 
hipotálamo estimulam a produção e secreção 
de hormônios tróficos (como TSH, ACTH, 
FSH, LH, GH, prolactina) na corrente sanguí-
nea. 
Neuro-hipófise: armazena e libera hormônios 
(ocitocina e hormônio antidiurético) que são, 
produzidos nos núcleos do próprio hipotála-
mo. 
Regulação de glândulas-alvo: Os hormônios 
hipofisários, por sua vez, viajam para glându-
las-alvo específicas (como a tireoide, as glân-
dulas adrenais, ovários/testículos) e estimu-
lam a liberação final de outros hormônios que 
terão efeitos diretos no corpo. 
Mecanismo de feedback: O funcionamento 
do eixo é finamente regulado por um sistema 
de feedback (ou retroalimentação). Quando 
os níveis dos hormônios finais (como cortisol 
ou testosterona) atingem um determinado ní-
vel, eles enviam sinais de volta ao hipotálamo 
e à hipófise para inibir a produção de seus 
próprios hormônios precursores, prevenindo a 
superativação do sistema. 
Mecanismo de ação 
O mecanismo de ação do eixo hipotálamo-
hipófise opera através de uma complexa hie-
rarquia de sinais neurais e hormonais, que 
culminam na regulação de diversas funções 
corporais. O processo envolve uma cascata 
de três níveis e mecanismos de retroalimen-
tação (feedback): 
Nível Hipotalâmico 
O hipotálamo, uma estrutura neural, atua 
como o ponto de integração primário, rece-
bendo sinais do sistema nervoso e respon-
dendo a estímulos como estresse, temperatu-
ra e níveis de nutrientes. 
Os neurônios hipotalâmicos sintetizam e 
liberam: 
Hormônios Liberadores (RH) e Inibidores (IH) 
na circulação porta-hipofisária, um sistema 
especializado de vasos sanguíneos que co-
necta diretamente o hipotálamo à hipófise an-
terior (adeno-hipófise). Ex.: incluem o CRH 
(hormônio liberador de corticotrofina) e o 
GnRH(hormônio liberador de gonadotrofinas). 
Ocitocina e Hormônio Antidiurético (ADH/
Vasopressina), que são produzidos no hipotá-
lamo, mas viajam através de axônios nervo-
sos para serem armazenados e liberados pela 
hipófise posterior (neuro-hipófise) diretamente 
na corrente sanguínea sistêmica. 
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- ADH (Hormônio antiriurático ou vaso-
pressina)**:controla a concentração de 
água nos rins. 
- Ocitocina**: estimula a contração uterina 
no parto e a ejeção do leite. 
**Neurônios magnocelulares no hipotálamo 
(nos núcleos supraóptico e paraventricular, 
sintetizam esses hormônios e são transporta-
do pelos amônios até a neuro-hipófise. 
Nível Hipofisário 
Os hormônios hipotalâmicos chegam à hipófi-
se e exercem suas ações: 
Adeno-hipófise: Os RHs e IHs estimulam ou 
inibem a síntese e secreção de hormônios 
tróficos (que estimulam outras glândulas). 
EX.: o CRH estimula a liberação de ACTH 
(hormônio adrenocorticotrófico), e o TRH es-
timula a liberação de TSH (hormônio estimu-
lante da tireoide). 
Neuro-hipófise: Impulsos nervosos do hipo-
tálamo disparam a liberação de ADH e ocito-
cina armazenados. 
Nível das Glândulas-Alvo 
Os hormônios tróficos da adeno-hipófise via-
jam pela corrente sanguínea e atuam em 
glândulas periféricas específicas (tireoide, 
adrenais, gônadas). Nessas glândulas, eles 
estimulam a produção e liberação dos hormô-
nios finais, como o cortisol, T3/T4 ou testoste-
rona/estrogênio, que terão efeitos sistêmicos 
no organismo. 
Mecanismo de Feedback 
O sistema é finamente ajustado por um me-
canismo de retroalimentação negativa (em 
alguns casos, positiva, como no ciclo mens-
trual). Níveis elevados dos hormônios finais 
(como o cortisol) inibem a produção de 
hormônios precursores tanto no hipotálamo 
quanto na hipófise, prevenindo a superativa-
ção do eixo e mantendo os níveis hormonais 
dentro de uma faixa fisiológica estreita.

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