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SLP1: Comunicação em Potencial 
Abertura:29/07 Fechamento 01/08 
Secretaria: Izabela 
Coordenador: Arthur 
Objetivos: 
1. Compreender a organização do Sist. Nervoso Macro/Microscópico (Anatomia) 
2. Entender o funcionamento do Sist. Nervoso. Neurotransmissão e potencial de ação. (Fisiologia) 
3. Estudar a composição do Sist. Nervoso. (Histologia, bioquímica) 
Parte 1: A Organização do Sistema Nervoso: Por Dentro e Por Fora (Morfologia e 
Histologia) 
 
 Para entender a comunicação, primeiro precisamos visualizar onde ela acontece. O sistema nervoso é uma 
vasta rede de neurônios que gera, modula e transmite informações por todo o corpo. Ele é um sistema 
incrivelmente complexo, pesando cerca de 2 kg em média, o que representa aproximadamente 3% do peso 
corporal total. 
 
 Ele é organizado em duas grandes subdivisões: 
Sistema Nervoso Central (SNC) 
Sistema Nervoso Periférico (SNP) 
 O Sistema Nervoso Central (SNC) 
 
 O que é? O SNC é a parte do sistema nervoso que se localiza dentro do esqueleto axial, ou seja, na 
cavidade craniana e no canal vertebral. Pense nele como o centro de comando e integração do corpo. Ele 
recebe e processa informações sensitivas, toma decisões e origina a maioria dos sinais que controlam nossos 
músculos e glândulas. É a fonte dos nossos pensamentos, emoções e memórias. 
 
 Ele é composto por duas estruturas principais: 
Encéfalo: Localizado dentro do crânio. O encéfalo humano adulto médio pesa aproximadamente 1.500g. Ele 
controla funções vitais (frequência cardíaca, respiração), integra informações sensório-motoras e é a base da 
inteligência, consciência, memória e emoções. 
Partes do Encéfalo: Os anatomistas classificam o encéfalo em quatro partes: 
Cérebro: É a maior parte do encéfalo. Ele é o centro de integrações e comando do sistema nervoso. 
Telencéfalo: Forma os grandes hemisférios cerebrais (direito e esquerdo), que ocupam quase toda a 
cavidade craniana. É o centro superior de controle motor geral, tomadas de decisão e interpretação 
sensitiva. Sua superfície é marcada por giros (pregas/circunvoluções) e sulcos (fendas superficiais), 
que aumentam a área do córtex, permitindo mais neurônios. Os hemisférios se comunicam principalmente 
pelo corpo caloso, um grande feixe de fibras nervosas mielinizadas. 
Lobos Cerebrais: Os hemisférios são divididos em lobos, que recebem nomes dos ossos do crânio que os 
recobrem: Frontal, Parietal, Temporal, Occipital e Insular. O lobo insular é profundo ao sulco lateral. 
Lobo Frontal: Contém a área motora primária (giro pré-central). Atua no movimento dos músculos 
esqueléticos, coordena informações e possui uma área de associação pré-frontal. 
Lobo Parietal: Contém a área somatossensitiva primária (giro pós-central). 
Lobo Occipital: Relacionado à visão (córtex e área de associação visual). 
Lobo Temporal: Relacionado à audição (córtex e área de associação auditiva). 
Lobo Insular: Envolvido em funções emocionais (fobias), sensoriais e motoras viscerais, vestibulares, 
movimentos somáticos e fala. 
Sistema Límbico: Inclui partes do telencéfalo e diencéfalo, envolvido no comportamento emocional, 
sexual e processamento de memorização. Componentes incluem giro do cíngulo, hipocampo, corpo 
amigdalóide, núcleos mamilares e anteriores do tálamo. 
Hipocampo: Uma formação profunda no lobo temporal, crucial para a memória de curto prazo. 
Diencéfalo: Localizado entre o telencéfalo e o mesencéfalo. É o núcleo central do encéfalo. Atua modelando 
o movimento, em sensibilidades conscientes, e no controle autônomo, regulação endócrina e ritmo 
circadiano. 
Tálamo: Duas massas ovais, a principal estação de retransmissão para a maioria dos estímulos sensitivos 
(exceto olfato). Também associado ao controle somático, visceral e emocional. Isa, percebe como o tálamo 
é como um "relé" central que decide o que vai para o córtex e o que não vai, como se fosse um 
porteiro das informações sensoriais? 
Hipotálamo: Localizado inferiormente ao tálamo. Controla muitas atividades corporais e é um dos principais 
reguladores da homeostase. Funções incluem: controle do SNA, produção de hormônios (ligação com 
a hipófise), regulação de emoções/comportamentos, alimentação (fome/saciedade/sede), temperatura 
corporal e ritmos circadianos. 
Epitálamo: Pequena região superior e posterior ao tálamo, contendo a glândula pineal (produz melatonina, 
regula gônadas) e núcleos habenulares (relacionados ao olfato e respostas emocionais a odores). 
Subtálamo: Menor formação diencefálica, com seu núcleo subtalâmico relacionado ao controle do movimento 
somático. 
Tronco Encefálico: Conecta a medula espinal ao restante do encéfalo. É formado por Mesencéfalo, Ponte e 
Bulbo (de superior para inferior). Dez dos doze pares de nervos cranianos possuem seus núcleos aqui. Age 
como via de passagem para tratos fibrosos, participa da inervação da face e cabeça, produz comportamentos 
automáticos de sobrevivência e integra reflexos auditivos/visuais. Lesões podem ser fatais devido à 
integração de reflexos vitais. 
Mesencéfalo: Parte superior do tronco encefálico. Atravessado pelo aqueduto do mesencéfalo. Contém os 
colículos superiores (reflexos visuais e motores da cabeça/olhos) e colículos inferiores (via auditiva). 
Também possui o núcleo rubro (regulação da atividade motora) e a substância negra (neurônios 
dopaminérgicos, participação no programa motor, relacionado à doença de Parkinson). 
Ponte: Parte média do tronco encefálico, entre o mesencéfalo e o bulbo. Conecta partes do encéfalo entre si 
através de feixes de axônios. Contém o centro respiratório pontino, que auxilia no controle da respiração. 
Participa do equilíbrio e da transmissão de informações do cérebro para o cerebelo. 
Bulbo (Medula Oblonga): Parte inferior do tronco encefálico, contínua com a medula espinal. Contém as 
pirâmides bulbares (fibras motoras corticospinais) e a decussação das pirâmides (cruzamento de 90% dos 
axônios, explicando o controle contralateral). Possui núcleos vitais como o centro cardiovascular (regula 
frequência cardíaca, pressão) e a área respiratória rítmica (ajusta o ritmo da respiração). Também controla 
reflexos como vômito, deglutição, espirro, tosse e soluço. 
Formação Reticular: Uma rede de núcleos dispersa por todo o tronco encefálico. Envolvida em diversas 
funções, incluindo controle vasomotor, ventilação, centro do vômito, controle do movimento somático, 
neuroendócrino, ativação cortical cerebral (sistema ativador reticular ascendente - SARA) e regulação do 
sono/vigília. Clínica: Lesões no SARA podem levar ao coma. 
Cerebelo: A "pequeno cérebro", a segunda maior parte do encéfalo, localizado dorsalmente à ponte e ao 
bulbo. Sua função primária é avaliar e corrigir movimentos iniciados no cérebro, tornando-os coordenados 
e naturais. Dividido em dois hemisférios e uma porção mediana chamada verme. Possui lobos 
(flóculo-nodular para equilíbrio, anterior para tônus muscular/propriocepção, posterior para coordenação de 
movimentos). Conectado ao tronco encefálico pelos pedúnculos cerebelares. 
Medula Espinal: A parte do SNC localizada dentro do canal vertebral. Estende-se do forame magno até a 
primeira ou segunda vértebra lombar (LI ou LII) em adultos. Apresenta dilatações (intumescências cervical e 
lombossacral) que contêm mais neurônios para inervação dos membros. Dá origem a 31 pares de nervos 
espinais. Transmite informações para a periferia e vice-versa, além de modificar e integrar informações e 
participar de reflexos. 
1.2. O Sistema Nervoso Periférico (SNP) 
 O que é? O SNP é formado por todo o tecido nervoso que se encontra fora do esqueleto axial (fora do 
SNC). Sua função é transmitir informações entre o SNC e o resto do corpo. 
 Ele é composto por: 
Nervos: São feixes de axônios. Podem ser: 
Nervos Cranianos: 12 pares que emergem do encéfalo. Conduzem impulsos do SNC para a periferia 
(motores) e da periferia para o SNC (sensitivos). Alguns são motores, outros sensitivos, e a maioria é mista. 
I. Olfatório:Olfação (sensitivo). Não se origina no tronco encefálico. 
II. Óptico: Visão (sensitivo). Não se origina no tronco encefálico. 
III. Oculomotor: Movimentação do bulbo do olho (motor), inervação do esfíncter da pupila e músculo ciliar 
(visceral). 
IV. Troclear: Movimentação do bulbo do olho (músculo oblíquo superior). 
V. Trigêmeo: Sensibilidade da face, parte da língua, dura-máter e inervação de músculos da mastigação 
(misto). 
VI. Abducente: Movimentação do bulbo do olho (músculo reto lateral). 
VII. Facial: Inervação de glândulas salivares (sensitiva), gustação dos 2/3 anteriores da língua (sensorial), 
músculos da mímica facial (motora). 
VIII. Vestibulococlear: Equilíbrio (porção vestibular) e audição (porção coclear) (sensitivo). 
IX. Glossofaríngeo: Inervação sensitiva/geral do 1/3 posterior da língua e faringe (misto). 
X. Vago: Inervação de vísceras (parassimpática), laringe e faringe (misto, importantíssimo). 
XI. Acessório: Inervação de músculos próximos ao ombro (motor), auxilia o vago na inervação visceral 
(sensitivo especial). 
XII. Hipoglosso: Movimentação da língua (motor). 
Nervos Espinais: 31 pares que emergem da medula espinal. Todos são mistos (função motora e sensitiva). 
São formados pela união de duas raízes com a medula espinal: a raiz anterior (fibras motoras) e a raiz 
posterior (fibras sensitivas, contendo o gânglio sensitivo). Os ramos anteriores formam plexos nervosos 
(cervical, braquial, lombar, sacral), exceto na região torácica (nervos intercostais). 
Isa, você consegue perceber a importância de os nervos espinais serem mistos? Isso significa que 
eles são como "estradas duplas", capazes de levar informações do corpo para o SNC (sensitivas) e do 
SNC de volta para o corpo (motoras) em uma única estrutura, otimizando a comunicação. 
Gânglios: Pequenas massas de tecido nervoso compostas principalmente por corpos celulares de neurônios, 
localizadas fora do SNC. Funcionam como pontos de sinapse. Podem ser sensitivos (relacionados ao 
sistema somático, contêm neurônios pseudounipolares) ou autonômicos (relacionados ao SNA, contêm 
neurônios multipolares). 
Plexos Entéricos: Extensas redes neuronais nas paredes dos órgãos do sistema digestório. Ajudam a 
regular o sistema digestório, controlando contrações musculares lisas, secreções e atividade de células 
endócrinas, muitas vezes independentemente do SNC. Conhecido como o "cérebro do intestino". 
Receptores Sensitivos: Estruturas do sistema nervoso que monitoram mudanças nos ambientes externo ou 
interno. Exemplos: receptores táteis da pele, fotorreceptores do olho, receptores olfatórios do nariz. 
1.3. Divisões Funcionais do SNP 
 
 Além da divisão anatômica, o SNP também é dividido funcionalmente: 
Sistema Nervoso Somático (SNS): Relaciona o organismo com o meio ambiente externo. 
Neurônios Sensitivos (Aferentes): Transmitem informações para o SNC de receptores na cabeça, tronco, 
membros e sentidos especiais (visão, audição, gustação, olfato). 
Neurônios Motores (Eferentes): Conduzem impulsos nervosos do SNC exclusivamente para os músculos 
esqueléticos. Essas respostas são controladas de forma consciente e voluntária. 
Sistema Nervoso Autônomo (SNA) ou Visceral: Relaciona-se com a inervação e controle das estruturas 
viscerais para a manutenção da homeostase. Sua atuação é involuntária. 
Neurônios Sensitivos (Aferentes): Levam informações de receptores viscerais (no estômago, pulmões, etc.) 
para o SNC. 
Neurônios Motores (Eferentes): Conduzem impulsos do SNC para o músculo liso, músculo cardíaco e 
glândulas. A parte motora do SNA é composta por dois ramos que geralmente têm ações opostas: 
Divisão Simpática: Relacionada com exercício ou ações de emergência – as respostas de "luta ou fuga" 
(ex: taquicardia, dispneia, raiva, medo). 
Divisão Parassimpática: Concentra-se nas ações de "repouso e digestão", restabelecendo o 
funcionamento normal do organismo. 
Sistema Nervoso Entérico (SNE): Já mencionado, é o "cérebro do intestino", atuando de forma 
independente, mas comunicando-se com o SNC.
 
 Pontos Principais da Organização do Sistema Nervoso para a APG: 
SNC vs. SNP: Entender a diferença de localização (esqueleto axial vs. fora dele) e função principal 
(comando/integração vs. transmissão). 
Componentes do Encéfalo: Cérebro (Telencéfalo e Diencéfalo), Tronco Encefálico e Cerebelo. Saiba o que 
cada um "faz". 
Córtex Cerebral: Sua importância para funções superiores e a estrutura de giros e sulcos. 
Tálamo: O "porteiro" das informações sensitivas. 
Hipotálamo: O regulador da homeostase e funções vitais. 
Bulbo: Essencial para a vida (respiração, batimentos cardíacos) e a decussação das pirâmides. 
Cerebelo: Coordenação e equilíbrio. 
Medula Espinal: Via de comunicação e centro de reflexos. 
Nervos: Cranianos (saber que são 12 pares e alguns exemplos de função) e Espinais (31 pares, mistos, 
formam plexos). 
Gânglios: Aglomerados de corpos celulares fora do SNC. 
Divisões Funcionais (SNS, SNA, SNE): Voluntário vs. Involuntário, Luta ou Fuga vs. Repouso e Digestão. 
Substância Cinzenta vs. Branca: Onde os corpos celulares estão (cinzenta) e onde estão os axônios 
mielinizados (branca). 
Meninges e Líquido Cerebrospinal: A proteção do SNC. 
Parte 2: Como Funciona a Comunicação entre os Neurônios (Neurotransmissão) 
 Agora que conhecemos a "estrutura", vamos entender como a "informação" flui por ela. A comunicação é a 
alma do sistema nervoso. 
 
 O Neurônio: A Unidade de Comunicação 
 A unidade fundamental do sistema nervoso é o neurônio, também conhecido como célula nervosa. Os 
neurônios são células altamente especializadas, responsáveis por receber, processar e enviar informações. 
Eles possuem uma propriedade chamada excitabilidade elétrica, que é a capacidade de responder a um 
estímulo e convertê-lo em um potencial de ação (ou impulso nervoso). 
 
 Estrutura do Neurônio: A maioria dos neurônios possui três partes principais: 
Corpo Celular (Pericário ou Soma): É o "centro de controle" da célula, contendo o núcleo, citoplasma e 
organelas típicas (como mitocôndrias e complexo de Golgi). É o principal centro trófico da célula, onde ocorre 
a síntese de proteínas. Também é capaz de receber e integrar estímulos. Possui agregados de retículo 
endoplasmático rugoso e polirribossomos que formam os corpúsculos de Nissl, indicando alta atividade 
sintética de proteínas. 
Dendritos: São prolongamentos ramificados que se ligam ao corpo do neurônio, aumentando sua superfície 
de contato. São as porções receptoras do neurônio, especializadas em receber estímulos (de outras células 
ou do ambiente) e traduzi-los em alterações do potencial de repouso da membrana. 
Axônio: É um prolongamento único, longo e fino, que se destaca do corpo celular através do cone de 
implantação. Sua função principal é propagar o impulso nervoso para outro neurônio, fibra muscular ou 
célula glandular. O trecho inicial do axônio, o segmento inicial (não mielinizado), é crucial para a geração do 
impulso nervoso devido à alta concentração de canais de Na+ dependentes de voltagem, sendo a 
zona-gatilho do potencial de ação. O axônio pode ter ramificações laterais chamadas axônios colaterais e 
termina em várias projeções finas, os terminais axônicos (ou telodendros/botões sinápticos). 
Tipos de Neurônios (Classificação Morfológica): 
Unipolar: Possuem apenas um prolongamento (o axônio). 
Bipolar: Dois prolongamentos deixam o corpo do neurônio (um axônio e um dendrito não ramificado). Pouco 
frequentes, encontrados na retina, mucosa olfatória. 
Pseudounipolar: Um único prolongamento sai do corpo celular e se divide em "T", formando dois ramos (um 
central para o SNC e outro periférico). Comuns em gânglios sensitivos. 
Multipolar: Apresenta um corpo com diversos dendritos e um axônio. São a maioria dos neurônios. Ex: 
neurônios motores. 
Tipos de Neurônios (Classificação Funcional): 
Motores (Eferentes): Transmitem informações para os órgãos efetores (músculos esqueléticos, lisos, 
cardíacoou glândulas). 
Sensitivos (Aferentes): Enviam informações captadas por terminações nervosas (receptores) para o SNC. 
Interneurônios (de Associação): Localizados principalmente no SNC, estabelecem conexões entre 
neurônios (sensitivos e motores), integrando e processando informações. A maioria é multipolar. 
A Neuróglia (Células da Glia): Os Ajudantes Essenciais 
 Se os neurônios são as estrelas da comunicação, as células da neuróglia (ou glia) são os coadjuvantes que 
tornam tudo possível. Elas constituem cerca de metade do volume do SNC e são muito mais numerosas que 
os neurônios (5 a 25 vezes mais). Ao contrário dos neurônios, as células da glia não geram ou propagam 
impulsos nervosos, mas podem se multiplicar e se dividir no sistema nervoso maduro. Suas funções são 
diversas: sustentação, proteção, nutrição, produção de líquido cerebrospinal e formação da bainha de 
mielina. 
 
 Tipos de Células da Neuróglia: 
 
 No Sistema Nervoso Central (SNC): 
Astrócitos: As células mais numerosas da neuróglia, com forma estrelada. Possuem prolongamentos que 
conectam neurônios a capilares sanguíneos ("pés vasculares"), formando parte da barreira 
hematoencefálica e controlando o ambiente extracelular. Funções: sustentação dos neurônios, regulação do 
ambiente químico (concentração de íons como K+, recaptação de neurotransmissores), armazenamento de 
glicogênio e influência na formação de sinapses. 
Oligodendrócitos: Células menores com poucos prolongamentos. São responsáveis pela formação e 
manutenção da bainha de mielina em torno dos axônios no SNC. Cada oligodendrócito pode mielinizar 
múltiplos axônios. 
Micróglia: Células pequenas e alongadas, com função de fagocitose. Derivam da medula óssea e 
funcionam como os macrófagos, removendo restos celulares e microrganismos, participando da inflamação e 
reparação do SNC. 
Células Ependimárias: Células epiteliais que revestem os ventrículos do encéfalo e o canal central da 
medula espinal. Elas, juntamente com capilares, formam o plexo coroide, responsável pela produção do 
líquido cerebrospinal (LCS). Também auxiliam na circulação do LCS. 
No Sistema Nervoso Periférico (SNP): 
Células de Schwann (Neurolemócitos): Células gliais no SNP que formam a bainha de mielina em torno 
das fibras nervosas periféricas. Ao contrário dos oligodendrócitos, cada célula de Schwann mieliniza 
apenas um segmento de um único axônio. Participam também da regeneração de axônios lesionados no 
SNP. 
Células Satélites: Células achatadas que envolvem os corpos celulares dos neurônios nos gânglios do SNP. 
Fornecem suporte estrutural e regulam as trocas de substâncias entre os corpos celulares neuronais e o 
líquido intersticial. 
Mielinização: A bainha de mielina é uma cobertura lipoproteica multicamada que envolve e isola alguns 
axônios, aumentando drasticamente a velocidade de condução do impulso nervoso. Axônios com 
mielina são chamados mielinizados; os sem mielina, amielínicos. A bainha de mielina não é contínua, 
apresentando interrupções chamadas nódulos de Ranvier, que são importantes para a condução saltatória 
do impulso. 
 
 Substância Cinzenta e Branca (Histologia): 
Substância Cinzenta: Composta principalmente por corpos celulares de neurônios (pericários), dendritos 
e axônios amielínicos, além de células da neuróglia. É o local onde ocorrem as sinapses. No cérebro, 
predomina externamente (córtex cerebral) e em ilhotas internas (núcleos). Na medula espinal, localiza-se 
internamente, formando um "H" ou "borboleta". 
Substância Branca: Composta principalmente por axônios mielinizados (fibras nervosas mielínicas) e 
oligodendrócitos. Tem um aspecto fibrilar. No cérebro, predomina internamente. Na medula espinal, 
localiza-se externamente. 
Meninges e Líquido Cerebrospinal (LCS): Três membranas de tecido conjuntivo, as meninges, circundam 
e protegem o encéfalo e a medula espinal. 
Dura-máter: A camada mais superficial e espessa. 
Aracnoide-máter: Delgada, localizada entre a dura-máter e a pia-máter. O espaço entre ela e a pia-máter é o 
espaço subaracnóideo, onde circula o LCS. 
Pia-máter: Ligada firmemente à superfície encefálica e medular. 
O LCS é um líquido claro, semelhante ao plasma, que banha o encéfalo e a medula espinal, fornecendo 
proteção (permite que o encéfalo flutue e o protege de impactos) e nutrientes. É produzido pelos plexos 
coroides nos ventrículos cerebrais. 
 
 Barreiras de Proteção: 
Barreira Hematoencefálica (BHE): Uma barreira estrutural e funcional que dificulta a passagem de 
substâncias (antibióticos, toxinas) do sangue para o tecido nervoso. Devido à baixa permeabilidade dos 
capilares e junções oclusivas entre as células endoteliais. 
Barreira Hematoliquórica (BHL): Protege o fluido cerebrospinal do sangue periférico, regulando sua 
composição química. 
As Sinapses: Onde os Neurônios se Encontram 
 
 A sinapse é a região de comunicação entre dois neurônios ou entre um neurônio e uma célula efetora 
(músculo, glândula). Pense nela como uma "ponte" ou "ponto de encontro" especializado. 
 
Neurônio Pré-sináptico: O neurônio que transmite o sinal para a sinapse. 
Neurônio Pós-sináptico: A célula que recebe o sinal (pode ser outro neurônio ou um efetor). 
Existem dois tipos principais de sinapses: 
Sinapses Elétricas: 
Estrutura: As membranas plasmáticas dos neurônios estão diretamente conectadas por estruturas 
chamadas junções comunicantes (gap junctions). Essas junções contêm proteínas (conexinas) que 
formam túneis, permitindo a passagem direta de íons de uma célula para outra. 
Vantagens: Comunicação mais rápida: O impulso passa diretamente. 
Sincronização: Permitem que um grupo de neurônios ou fibras musculares produza potenciais de ação em 
uníssono, o que é crucial, por exemplo, para a contração coordenada do coração. 
Direção: Geralmente bidirecional, ou seja, o sinal pode fluir em ambos os sentidos. 
Localização: Existem em vários locais do SNC, além de serem comuns em músculos lisos viscerais e no 
músculo cardíaco. 
Isa, imagine que a sinapse elétrica é como duas casas que compartilham a mesma fiação elétrica. A 
energia (impulsos) passa instantaneamente de uma para a outra, sem barreiras, permitindo que elas 
acendam as luzes ao mesmo tempo. Rápido e sincronizado! 
Sinapses Químicas: 
Estrutura: As membranas do neurônio pré-sináptico e pós-sináptico não se tocam, sendo separadas por um 
pequeno espaço preenchido por líquido intersticial, a fenda sináptica (20-50 nm). 
Mecanismo: Os impulsos nervosos não podem atravessar a fenda diretamente. Em vez disso, o neurônio 
pré-sináptico libera moléculas químicas chamadas neurotransmissores na fenda, que se difundem e se 
ligam a receptores na membrana do neurônio pós-sináptico. 
Direção: São unidirecionais, ou seja, o sinal flui apenas do neurônio pré-sináptico para o pós-sináptico. 
Tempo: São mais lentas que as sinapses elétricas, pois há um retardo sináptico (cerca de 0,5 ms) para a 
liberação e ligação dos neurotransmissores. 
Processo de Transmissão em Sinapse Química (Passo a Passo): 
Um impulso nervoso (potencial de ação) chega ao terminal axônico (botão sináptico) do neurônio 
pré-sináptico. 
A despolarização da membrana (causada pelo potencial de ação) abre os canais de Ca2+ dependentes de 
voltagem na membrana do botão sináptico. Como o cálcio é mais concentrado fora da célula, ele entra no 
neurônio pré-sináptico. 
O aumento da concentração de Ca2+ intracelular atua como um sinal, disparando a exocitose das vesículas 
sinápticas. Essas vesículas, que armazenam neurotransmissores, se fundem com a membrana pré-sináptica 
e liberam os neurotransmissores na fenda sináptica. 
As moléculas de neurotransmissores se difundem pela fenda e se ligam a receptores específicos na 
membrana plasmática do neurônio pós-sináptico. 
A ligação do neurotransmissor ao receptor causa a abertura ou fechamento de canais iônicos na 
membrana pós-sináptica, alterando seu potencial de voltagem. Essa mudança é chamada de potencial 
pós-sináptico.Dependendo do neurotransmissor e do receptor, o potencial pós-sináptico pode ser: 
Excitatório (PPSE - Potencial Pós-Sináptico Excitatório): Causa uma despolarização da membrana 
pós-sináptica, tornando-a menos negativa e mais provável de atingir o limiar para gerar um novo potencial 
de ação (ex: entrada de Na+). 
Inibitório (PPSI - Potencial Pós-Sináptico Inibitório): Causa uma hiperpolarização da membrana 
pós-sináptica, tornando-a mais negativa e menos provável de gerar um potencial de ação (ex: entrada de 
Cl- ou saída de K+) 
Se o potencial pós-sináptico despolarizante for forte o suficiente para atingir o limiar, ele dispara um novo 
potencial de ação no axônio do neurônio pós-sináptico. 
Término da Atividade do Neurotransmissor: A sinalização neural é de curta duração. Os 
neurotransmissores são rapidamente removidos ou inativados da fenda sináptica para que a próxima 
"mensagem" possa ser enviada. Isso pode ocorrer de várias maneiras: 
Difusão: Algumas moléculas se difundem para longe da sinapse. 
Degradação Enzimática: Enzimas na fenda sináptica degradam o neurotransmissor (ex: acetilcolinesterase 
degradando acetilcolina). 
Recaptação: O neurotransmissor é transportado de volta para a célula pré-sináptica (ou para neurônios 
adjacentes/glia) para ser reutilizado ou destruído. 
Automodulação: O neurotransmissor se liga a receptores no próprio terminal pré-sináptico, modulando sua 
própria liberação. 
Isa, a sinapse química é como o "telefone sem fio" do corpo, mas de alta tecnologia! A informação 
elétrica (potencial de ação) é convertida em uma "mensagem" química (neurotransmissor), que 
atravessa um pequeno espaço (fenda), se conecta a um "receptor" na próxima célula e volta a ser um 
sinal elétrico. Isso permite uma regulação muito mais fina e complexa da informação. 
 
 Pontos Principais da Comunicação Neural para a APG: 
Neurônio: Unidade funcional do SN, sua excitabilidade elétrica. 
Partes do Neurônio: Corpo celular (Nissl), dendritos (receptores), axônio (propagador, cone de 
implantação/zona-gatilho). 
Neuróglia: Células de suporte, suas funções e tipos (Astrócitos, Oligodendrócitos, Micróglia, Ependimárias no 
SNC; Schwann, Satélites no SNP). 
Bainha de Mielina: Sua importância para a velocidade da condução nervosa (mielinizados vs. amielínicos) e 
os nódulos de Ranvier. 
Sinapse: O ponto de comunicação. 
Tipos de Sinapses: 
Elétrica: Junções comunicantes, passagem direta de íons, rápida, bidirecional, sincronização. 
Química: Fenda sináptica, neurotransmissores, mais lenta (atraso sináptico), unidirecional. 
Processo da Sinapse Química: Sequência de eventos (chegada do PA, Ca2+ entra, vesículas liberam NT, 
NT liga no receptor, formação de PPSE/PPSI). 
Função dos Potenciais Pós-Sinápticos: Excitatório (despolariza, mais fácil ativar) vs. Inibitório 
(hiperpolariza, mais difícil ativar). 
 
 Parte 3: Neurotransmissores Importantes: O que São e o que Fazem 
 Os neurotransmissores são as "mensagens" químicas da sinapse. São compostos químicos sintetizados nos 
neurônios e armazenados em vesículas, liberados após um estímulo nervoso para atuar em receptores 
específicos (pré ou pós-sinápticos), regulando as atividades do SN central e periférico e mantendo a 
homeostase. 
 Cerca de 100 substâncias podem agir como neurotransmissores. Eles podem ser classificados em diferentes 
classes: 
 1. Neurotransmissores de Moléculas Pequenas: 
Acetilcolina (ACh): 
Onde atua: Liberada por muitos neurônios do SNP (neurônios motores bulbo-espinhais, fibras 
pré-ganglionares autônomas) e alguns do SNC. 
Função: Pode ser excitatória (na junção neuromuscular, causando contração muscular) ou inibitória 
(diminuindo a frequência cardíaca via nervo vago). 
Receptores: 
Nicotínicos: Canais de cátions (Na+, K+), despolarizam a célula pós-sináptica, aumentando a chance de 
potencial de ação. Encontrados no músculo esquelético, SNP autônomo e SNC. 
Muscarínicos: Receptores acoplados à proteína G, resposta mais lenta, efeitos variam (amplamente 
distribuídos no SNC, coração, músculo liso intestinal). 
Inativação: Rapidamente hidrolisada pela enzima acetilcolinesterase (AChE) na fenda sináptica. 
Clínica: Níveis mais baixos de ACh são encontrados em pacientes com doença de Alzheimer. 
Aminoácidos: 
Glutamato e Aspartato: 
Função: São os principais neurotransmissores excitatórios no SNC. Despolarizam as células-alvo, 
geralmente abrindo canais que permitem a entrada de íons positivos (Na+). 
Localização: Presentes no córtex cerebral, cerebelo e medula espinal. 
Inativação: Por recaptação para os botões sinápticos e neuróglia adjacente. 
Clínica: Excesso de glutamato pode ser tóxico (neurotoxicidade), contribuindo para doenças como Parkinson, 
AVC, Alzheimer. 
Ácido Gama-Aminobutírico (GABA) e Glicina: 
Função: São os principais neurotransmissores inibitórios no encéfalo (GABA) e medula espinal (Glicina). 
Hiperpolarizam as células-alvo, geralmente abrindo canais de Cl- (permitindo a entrada de cloreto na célula). 
Clínica: Fármacos ansiolíticos como o diazepam potencializam a ação do GABA. 
Isa, você pode pensar no glutamato como o "acelerador" do cérebro e no GABA como o "freio". 
Ambos são essenciais para manter o equilíbrio da atividade neural, assim como um carro precisa de 
ambos para funcionar bem e com segurança! 
Aminas Biogênicas (Catecolaminas): Produzidas a partir do aminoácido tirosina. 
Norepinefrina (Noradrenalina) e Epinefrina (Adrenalina): 
Função: Norepinefrina é o principal neurotransmissor da divisão simpática do SNP. Atuam no despertar, 
sonhos e regulação do humor. Epinefrina é usada por um pequeno número de neurônios no encéfalo. 
Ambas funcionam também como hormônios (liberadas pela glândula suprarrenal). 
Receptores: Adrenérgicos (alfa-1, alfa-2, beta-1, beta-2), que são acoplados à proteína G. 
Inativação: Recaptação e degradação por enzimas como a COMT e MAO. 
Dopamina: 
Função: Ativa em respostas emocionais, comportamentos de adição e experiências agradáveis. Ajuda 
a regular o tônus dos músculos esqueléticos e aspectos dos movimentos. 
Receptores: D1 a D5. A ativação do D2 controla o sistema extrapiramidal. 
Inativação: Recaptação ativa e degradação pela MAO. 
Clínica: A rigidez muscular da doença de Parkinson é causada pela degeneração de neurônios 
dopaminérgicos. Acúmulo excessivo de dopamina pode estar relacionado a uma forma de esquizofrenia. 
Serotonina (5-Hidroxitriptamina ou 5-HT): 
Localização: Concentra-se nos núcleos da rafe no tronco encefálico. 
Função: Envolvida na percepção sensorial, regulação da temperatura corporal, controle do humor, 
apetite e indução do sono. 
Inativação: Recaptação de triptofano e degradação pela MAO. 
Clínica: A depressão está relacionada à redução dos níveis de serotonina no SNC. Inibidores Seletivos da 
Recaptação de Serotonina (ISRSs) são usados para tratar depressão, ansiedade, TOC, etc.. 
ATP e Outras Purinas (Adenosina, AMP, ADP): 
Função: Neurotransmissores excitatórios no SNC e SNP. Geralmente co-liberados com outros 
neurotransmissores. 
Receptores: Ligam-se a receptores purinérgicos acoplados à proteína G. 
Gases (Óxido Nítrico - NO, Monóxido de Carbono - CO, Sulfeto de Hidrogênio - H2S): 
Óxido Nítrico (NO): 
Característica: Gás instável que se difunde livremente para a célula-alvo (não se liga a um receptor de 
membrana), agindo diretamente em proteínas intracelulares. 
Função: Medeia muitos processos neuronais, incluindo potencialização a longo prazo (forma de 
aprendizado), neurotoxicidade e afeta outros neurotransmissores ao alterar o influxo de cálcio. 
Monóxido de Carbono (CO) e Sulfeto de Hidrogênio (H2S): Produzidos pelo corpo em pequenas 
quantidades, atuam como neurotransmissores. CO pode atuar em processos de febre, inflamação, 
sobrevivência celular e dilatação de vasos sanguíneos. H2S é necessário para a formação e retenção de 
memórias. 
Neuropeptídeos: 
 
 São peptídeos (pequenas proteínas) que atuam como neurotransmissores ou neuromoduladores.Peptídeos Opioides (Endorfinas, Encefalinas, Dinorfinas): 
Função: Medeiam o alívio da dor (analgesia). Ativam neurônios centrais. As encefalinas, por exemplo, 
diminuem a quantidade de neurotransmissores liberados e hiperpolarizam a membrana pós-sináptica, 
reduzindo a percepção da dor. 
Clínica: Moléculas mais estáveis, como a morfina, são usadas como analgésicos, mimetizando a ação 
desses peptídeos. 
Substância P: 
Função: Presente em neurônios centrais e gânglios sensoriais dos nervos espinais. Sua liberação é 
disparada por estímulos dolorosos intensos. Modula a resposta neural à dor e ao humor; também modula 
náuseas e vômito.
 
 Pontos Principais dos Neurotransmissores para a APG: 
O que são: Mensageiros químicos que transmitem sinais nas sinapses. 
Acetilcolina (ACh): Conectá-la com contração muscular, SNP e doença de Alzheimer. 
Glutamato/Aspartato: Os "excitadores" principais do SNC. 
GABA/Glicina: Os "inibidores" principais do SNC e medula. Conecte o GABA com ansiolíticos. 
Dopamina: Lembre-se da relação com Parkinson e esquizofrenia, além de emoções e movimento. 
Serotonina: Conecte com humor, sono e depressão (ISRSs). 
Norepinefrina/Epinefrina: Relacione com "luta ou fuga" e despertar. 
Peptídeos Opioides (Endorfinas/Encefalinas): Associar com alívio da dor. 
Óxido Nítrico (NO): A peculiaridade de ser um gás que se difunde e atua na memória/aprendizado. 
Função Geral: Excitatória (mais chance de PA) ou inibitória (menos chance de PA).
 
 Parte 4: O Potencial de Ação: Como a Informação Viaja nos Neurônios 
 
 Finalmente, vamos entender a "eletricidade" por trás da comunicação. O potencial de ação é o que permite 
que a informação elétrica se propague por longas distâncias no neurônio. 
 
 O que é? Um potencial de ação (PA), também conhecido como impulso nervoso, é uma alteração súbita, 
rápida e transitória do potencial de repouso da membrana de um neurônio, que se propaga ao longo do 
axônio sem perder força. Apenas neurônios e células musculares têm essa propriedade, chamada 
excitabilidade. 
 2.1. O Potencial de Membrana em Repouso: Quando um neurônio não está transmitindo um impulso, ele 
está em repouso. 
Nesse estado, o interior da célula é negativo em relação ao exterior, com um potencial de cerca de 70 mV. 
Isso se deve principalmente à maior concentração de K+ dentro da célula e Na+ fora da célula, além da 
permeabilidade seletiva da membrana a esses íons através de canais de vazamento e o trabalho da bomba 
de sódio-potássio (Na+/K+ ATPase), que bombeia 3 Na+ para fora e 2 K+ para dentro, mantendo o 
gradiente eletroquímico e o potencial negativo. 
2.2. Fases do Potencial de Ação: Um potencial de ação é uma sequência rápida de eventos: 
Estímulo e Limiar: 
Um estímulo (qualquer mudança no ambiente forte o suficiente) faz com que a membrana do axônio se 
despolarize. Se essa despolarização atingir um valor crítico, o limiar (geralmente cerca de 55 mV na 
zona-gatilho), o potencial de ação é disparado. 
Lei do Tudo ou Nada: Se o estímulo atinge o limiar, o potencial de ação ocorre em sua amplitude máxima e 
constante ("tudo"). Se não atinge, não ocorre ("nada"). Isa, é como um interruptor de luz: ou está ligada 
com força total, ou está desligada. Não há "meia luz" para o potencial de ação. 
Fase de Despolarização (Ascendente): 
Ao atingir o limiar, os canais de Na+ dependentes de voltagem (comportas de ativação e inativação) se 
abrem rapidamente. 
O Na+ (íon positivo) flui rapidamente para dentro da célula, impulsionado tanto pelo gradiente de 
concentração quanto pela atração elétrica (o interior da célula é negativo). 
Esse influxo de Na+ torna o interior da célula menos negativo e, em seguida, positivo (atingindo cerca de 
+30 mV). A membrana inverte sua polaridade. 
Fase de Repolarização (Descendente): 
No pico do potencial de ação (+30 mV), os canais de Na+ dependentes de voltagem se fecham (estado 
inativado). 
Quase ao mesmo tempo, os canais de K+ dependentes de voltagem, que se abrem mais lentamente, agora 
estão totalmente abertos. 
O K+ (íon positivo) flui rapidamente para fora da célula (devido aos gradientes de concentração e 
elétrico). 
Essa saída de K+ faz com que o potencial de membrana retorne rapidamente ao seu estado negativo de 
repouso (-70 mV). 
Fase de Pós-Hiperpolarização (Undershoot): 
Os canais de K+ dependentes de voltagem se fecham lentamente. Isso faz com que a saída de K+ continue 
por um curto período mesmo após o potencial de repouso ser atingido. 
Como resultado, o potencial de membrana fica temporariamente mais negativo do que o potencial de 
repouso (podendo chegar a -90 mV). 
Eventualmente, todos os canais de K+ dependentes de voltagem se fecham, e o potencial de membrana 
retorna aos -70 mV, impulsionado pela bomba Na+/K+ que restaura os gradientes iônicos. 
2.3. Propagação do Potencial de Ação: 
Não Decrescente: O PA se propaga ao longo do axônio mantendo sua intensidade. Isso ocorre porque ele 
se regenera em cada segmento da membrana. O influxo de Na+ em um segmento despolariza o segmento 
adjacente, abrindo novos canais de Na+ e continuando o ciclo de retroalimentação positiva. 
Unidirecionalidade (Período Refratário): 
Período Refratário Absoluto: Imediatamente após o disparo de um PA, a célula não consegue gerar um 
segundo PA, independentemente da intensidade do estímulo. Isso ocorre porque os canais de Na+ estão 
inativados e precisam retornar ao seu estado de repouso. 
Período Refratário Relativo: Um segundo PA pode ser gerado, mas apenas por um estímulo maior que o 
usual, porque os canais de K+ ainda estão abertos (hiperpolarização dificulta atingir o limiar). 
Clínica: O período refratário garante que o PA se mova sempre em uma direção (do corpo celular para o 
terminal axônico) e não possa voltar para trás, pois o segmento anterior está inativado. Isso é crucial para a 
transmissão ordenada de informações. 
2.4. Velocidade de Condução: A velocidade de propagação do PA é influenciada por dois parâmetros: 
Diâmetro do Axônio: Quanto maior o diâmetro, mais rápido o PA se move. Axônios de maior diâmetro têm 
menos resistência ao fluxo de corrente. 
Mielinização (Resistência ao Vazamento): 
Axônios Mielinizados: A bainha de mielina (formada por oligodendrócitos no SNC e células de Schwann no 
SNP) isola eletricamente o axônio. A condução do impulso nesses axônios é chamada condução saltatória. 
O impulso "salta" de um nódulo de Ranvier para o próximo, onde os canais iônicos estão concentrados. Isso 
torna a condução muito mais rápida e eficiente em termos de energia. 
Axônios Não Mielinizados: O impulso se propaga de forma contínua ao longo de toda a membrana, o que é 
mais lento, pois mais canais precisam ser abertos e fechados em sequência. 
Clínica: Doenças desmielinizantes, como a Esclerose Múltipla, afetam a bainha de mielina no SNC, 
comprometendo a velocidade e eficácia da condução nervosa, levando a diversos sintomas neurológicos. Isa, 
percebe como a mielina é como o "isolamento de um fio elétrico"? Ela impede que a energia se 
dissipe e permite que o sinal chegue muito mais rápido ao seu destino, assim como um fio isolado 
conduz eletricidade de forma mais eficiente! 
 
 Pontos Principais do Potencial de Ação para a APG: 
Definição: O que é (sinal elétrico, se propaga, tudo ou nada). 
Limiar e Lei do Tudo ou Nada: A importância de atingir o limiar para o PA ocorrer. 
Fases do PA: 
Repouso: Potencial negativo (-70mV), K+ dentro, Na+ fora, bomba Na+/K+. 
Despolarização: Na+ entra, interior fica positivo (+30mV). 
Repolarização: Na+ canais fecham, K+ sai, interior volta a ser negativo (-70mV). 
Hiperpolarização: K+ continua saindo, interior mais negativo que o repouso. 
Íons Envolvidos: Na+ e K+ são os protagonistas. 
Propagação: Como o PA se "regenera" e se move em uma direção. 
Período Refratário: Essencial para a unidirecionalidade e para evitar sobreposição de PAs. 
Velocidade de Condução: Influência do diâmetro do axônio e, principalmente, da mielinização(condução 
saltatória).