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Origem da Psicologia 
Científica
Tânia Maria de Carvalho Câmara Monte
Origem da Psicologia 
Científica
2
Introdução
Neste conteúdo, apresentaremos as primeiras teorias em Psicologia: o Mentalismo, 
o Estruturalismo, o Behaviorismo Metodológico, o Behaviorismo Radical e o 
Cognitivismo.
Objetivos da Aprendizagem
• Descrever os avanços técnicos em ciências e suas implicações sobre as ori-
gens da Psicologia Científica; 
• Compreender os pressupostos filosóficos (suposições), que norteiam o pen-
samento científico em Psicologia;
• Descrever o conceito de ciência e suas características;
• Comparar e diferenciar o conhecimento científico de outros tipos de conheci-
mento (senso comum, religioso, filosófico etc.);
• Compreender a definição de comportamento, enquanto relação entre o indi-
víduo e o seu ambiente; 
• Reconhecer os tipos de comportamento existentes (reflexo e operante); e
• Conhecer as características do método experimental e a possibilidade de sua 
aplicação em relação ao comportamento.
3
Origem da Psicologia Científica
Figura 1 - Psicologia.
Fonte: Plataforma Deduca (2021).
#PracegoVer: A imagem de uma escada vermelha em uma 
caverna com contornos de uma face humana. 
A Psicologia científica tem suas origens na Universidade de Leipzig (Alemanha), com 
Wilhelm Wundt. Nesta universidade, Wundt cria o primeiro laboratório de Psicologia 
Experimental do mundo para o estudo dos chamados processos psicológicos 
básicos; e, ao fazê-lo, permite que
profissionais de diferentes lugares sejam treinados em relação ao uso do método 
experimental aplicado à experiência consciente (SAMPAIO, 2005; GAUER, 2007). 
Após as revoluções científicas coperniciana, galileana e newtoniana, o 
método experimental tornou-se a base para o estabelecimento da Física 
como o modelo acabado de ciência natural. Com Copérnico, o mundo 
deixou de ser o centro do universo; Galileu provou que o experimento 
era a base para a explicação dos fenômenos físicos que se passam 
4
nesse universo; e depois de Newton, o universo passou a ser entendido 
como uma máquina que funciona como um relógio, regida por um 
parcimonioso e elegante conjunto de leis matemáticas. Em comum, 
essas revoluções tinham como base o método científico ou experimental. 
A orientação nomotética da mecânica newtoniana e a prática do método 
experimental introduzido por Galileu foram, desde o século XVII, aplicados 
às mais diversas realidades que alguém pretendesse conhecer, e entre 
essas realidades estava a psicológica. O século XIX presenciou diversas 
tentativas de transformar a psicologia em uma ciência autônoma, ou, 
de maneira mais genérica, de conceber uma prática científica que desse 
conta da vida mental. As iniciativas mais bem-sucedidas, na medida 
em que estabeleceram marcos amplamente reconhecidos na história 
da psicologia científica, foram aquelas que levaram os problemas 
psicológicos para o laboratório (GAUER, 2007, p. 1).
A fundação do primeiro laboratório de Psicologia Experimental e 
as contribuições da Fisiologia
Figura 2 - Wilhelm Wundt (1832-1926).
Fonte: https://psicoeduca.com.br
#PraCegoVer: Retrato de Wilhelm Wundt. Ele é um homem branco e apare-
ce dos ombros para cima. Tem os cabelos curtos, lisos e pretos. Usa barba 
e bigodes pretos. Está de óculos de grau e usa uma roupa preto com golas 
brancas.
A fundação do primeiro Laboratório de Psicologia Experimental do mundo, na 
Universidade de Leipzig (Alemanha), por Wilhelm Wundt (1832-1926), em dezembro 
https://psicoeduca.com.br
5
de 1879, representa um marco simbólico, tanto em relação à utilização do método 
experimental para o estudo de processos psicológicos (consciência, sensação, 
percepção, emoções e sentimentos), quanto em relação ao surgimento da Psicologia 
Moderna ou Científica. Em outras palavras, diz respeito ao avanço da Psicologia, 
enquanto uma ciência independente da Filosofia e do seu método de estudo, a 
especulação (SAMPAIO, 2005). 
Considerado o pai da Psicologia Moderna ou Científica, Wundt: [...] era um 
paralelista psicológico em sua atitude em relação ao problema corpo-
mente. De um lado havia o mundo físico, o mundo dos objetos materiais; 
de outro havia o mental, o mundo da experiência. A psicologia devia tratar 
primordialmente do último, e podia, por isso, ser definida como 'a ciência 
da experiência imediata'. Por experiência Wundt incluía fenômenos 
como as sensações, percepções, sentimentos, emoções e que tais. [...] O 
problema para a psicologia era, na verdade, de o que fazer cientificamente 
a propósito desta experiência, e Wundt dava uma dupla resposta: a 
experiência deveria ser analisada em seus elementos; os elementos 
deviam, por sua vez, ser examinados com a natureza de suas conexões 
uns com os outros; e, finalmente, as leis destas conexões deveriam ser 
determinadas (KELLER, 1970, p. 21). 
Acreditava que as atividades ou processos mentais possuíam o seu correspondente 
físico, ou seja, que mudanças em:
[...] estímulos do mundo exterior, agindo sobre os órgãos dos sentidos, 
provocavam impulsos nervosos que, por sua vez, davam lugar à atividade 
do cérebro. Com a atividade do cérebro vinha a atividade mental, mas a 
primeira, na realidade, não 'causava' a segunda, nem poderia a segunda 
causar a primeira. Eram duas esferas de atividade distintas, uma 
fisiológica e a outra psicológica; e 'psicologia fisiológica' parecia a Wundt 
a melhor maneira de designar o interesse duplo da nova psicologia e a 
íntima relação entre as duas áreas de pesquisa (KELLER, 1970, p. 22-23).
Por exemplo, uma estimulação física, como uma picada de agulha na pele de 
um indivíduo, teria uma correspondência psicológica na mente deste indivíduo. 
Para explorar a mente ou consciência do indivíduo, Wundt cria um método que 
denomina introspeccionismo. Nesse método, o experimentador pergunta ao sujeito, 
especialmente treinado para a auto-observação, os caminhos percorridos no seu 
interior por uma estimulação sensorial (a picada da agulha, por exemplo) (BOCK; 
FURTADO; TEIXEIRA, 2001, p. 51).
6
Figura 3 - Estimulação física.
FONTE: HTTPS://BLOG.MAXIEDUCA.COM.BR
#PraCegoVer: Um menino sendo vacinado por um profissional de saúde, que 
aproxima uma injeçãoe um chumaço de algodão de seu braço esquerdo.
Cabe salientar que Wundt teve em seus trabalhos, na Universidade de Leipzig, 
a contribuição de Weber e Fechner, além de cientistas como Edward B. Titchner 
(Estruturalismo), William James (Funcionalismo), de Edward L. Thorndike 
(Associacionismo) (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001).
Figura 4.
Fonte: https://blog.maxieduca.com.br 
#PraCegoVer: as primeiras experiências feitas no laboratório por Wilhelm 
Wundt. Foto preto e branca. Um homem de barba e bigodes brancos sentado 
em uma cadeira com uma mesa à frente com objetos por cima. Ao redor deste 
homem, cinco homens em pé. 
https://blog.maxieduca.com.br
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As primeiras teorias em Psicologia 
Neste tópico apresentaremos as primeiras teorias em Psicologia: o Mentalismo, 
o Estruturalismo, o Behaviorismo Metodológico, o Behaviorismo Radical e o 
Cognitivismo. 
Segundo Skinner (1974), todas elas buscaram, de alguma forma, descrever, 
compreender e/ou explicar o porquê as pessoas agem de determinada maneira. Nas 
palavras de Skinner (1974, p. 13):
Por que as pessoas se comportam de uma certa maneira? Esta era, no 
começo, uma questão prática provavelmente: Como poderia alguém 
antecipar e, a partir daí, preparar-se para aquilo que uma pessoa faria? 
Mais tarde, o problema tornou-se prático num outro sentido: Como poderia 
alguém ser induzido a comportar-se de uma certa forma? Eventualmente, 
tornou-se um problema de compreensão e explicação do comportamento. 
Tal problema poderia ser sempre reduzido a uma questão acerca de 
causas (SKINNER, 1974, p. 13).
Na sequência, confira as “explicações” formuladas a respeito dos “motivos” pelos 
quais agimos de certa maneira.
O Mentalismo
Dá-se o nome de "mentalistas" àquelas teorias que compreendem as nossas ações 
ou o nosso comportamentocomo resultante de processos mentais ou de agentes 
internos, imateriais (SKINNER, 1974).
Em outras palavras, chamamos de mentalista qualquer descrição que faça uso 
de "eventos mentais” para explicar uma ação, como se estes eventos (mentais e 
comportamentais) possuíssem naturezas diferentes (SKINNER, 1974). Segue um 
exemplo, oferecido por BAUM (2019, p. 59): [...] Suponha que você pergunte a um 
amigo por que ele comprou certo par de sapatos, e o amigo responde: 'Eu só os queria' 
ou "Fiz isso por impulso". 
8
EVENTO MENTAL (CAUSA) EVENTO FÍSICO(EFEITO)
Pensamentos e sentimentos Comportamentos (ações)
Quadro 1 - Modelo mentalista. Evento mental como causa de eventos físicos. 
Fonte: elaborada pela autora (2021)
#PraCegoVer Tabela com duas linhas e duas colunas. Na primeira coluna: 
Evento Mental (causa), abaixo: Pensamentos e sentimentos. Na segunda 
coluna: Evento físico (efeito) e abaixo Comportamentos (ações) 
EVENTO MENTAL (CAUSA) EVENTO FÍSICO (EFEITO)
Vontade Impulso Comprar um par de sapatos
Quadro 2 - Vontade e Impulso.
Fonte: elaborada pela autora (2021)
#PraCegoVer Tabela com duas linhas e duas colunas. Na primeira coluna: Eve-
to Mental (causa), abaixo: Vontade Impulso. Na segunda coluna: Evento físico 
(efeito) e abaixo Comprar um par de tênis. 
O exemplo anterior e sua representação nos conduzem à seguinte conclusão: 
agimos em função da nossa vontade ou do nosso impulso. Ou ainda, é a vontade 
ou o impulso, que causam determinadas ações, por exemplo, a compra de sapatos 
(BAUM, 2019). Descrições como essas são comuns em nosso dia a dia. Comumente 
dizemos que brigamos, porque estamos nervosos; que choramos, porque estamos 
tristes (SKINNER, 1974); que um amigo não muda de opinião, porque é teimoso.
Em outras palavras:
Tendemos a dizer, muitas vezes de modo precipitado, que se uma coisa 
se segue a outra, aquela foi provavelmente causada por esta. [...] Dos 
múltiplos exemplos de explicação do comportamento humano, um deles 
é aqui especialmente importante. A pessoa com a qual estamos mais 
familiarizados é a nossa própria pessoa; muitas coisas que observamos 
pouco antes de agir ocorrem em nossos próprios corpos [pensamentos 
e sentimentos, por exemplo] e é fácil tomá-las como causas do nosso 
comportamento (SKINNER, 1974, p. 13, negrito nosso). 
9
Tais descrições podem ser classificadas por Skinner (1974) como:
Mentalistas
(a mente causa a ação ou o comportamento)
Dicotômicas
(existem eventos mentais e eventos comportamentais) 
Causais
(é sempre um evento anterior e mental que causa um evento posterior, 
comportamental).
Se tais afirmações (mentalistas) estiverem corretas, devemos nos perguntar: pode um 
evento imaterial (mente) causar um evento material (comportamento, ação)? Como 
essa relação causal acontece? Como podemos levar uma pessoa a agir de determinada 
forma, se o que causa o seu comportamento é imaterial (mental)? Podemos prever o 
que uma pessoa fará se ela age baseada em coisas que acontecem exclusivamente 
em sua mente? Essas perguntas são a base de uma ciência psicológica: a definição 
de um objeto de estudo, de um método, a busca por previsão e controle e a formulação 
de uma teoria (SKINNER, 1974).
O Estruturalismo
Correspondem às descrições estruturalistas o dizer aquilo que as pessoas fazem 
sem se ater às questões causais (SKINNER, 1974). Nesse caso, entende-se que: 
[...] as pessoas provavelmente farão outra vez aquilo que fazem com 
frequência; elas obedecem a certos costumes porque é usual obedecer-
lhes, demonstram certos hábitos de voto ou de compra e, assim por diante. 
A descoberta de princípios organizadores na estrutura do comportamento 
– tais como os ‘universais’ culturais ou linguísticos, padrões arquetípicos 
em literatura, ou tipos psicológicos – pode possibilitar a previsão de 
casos de comportamento que não tinham ainda ocorrido anteriormente 
(SKINNER, 1974, p. 15). 
10
Exemplo de casos de comportamento que não tinham ainda 
ocorrido anteriormente:
dizemos que entre os 10 e 16 meses de vida uma criança começa a exibir as 
primeiras palavras. Tal descrição nos oferece uma previsão de quando uma 
criança irá falar.
Passagem do tempo (entre os 10 e 16 meses de idade) Falar
Quadro 3 - Evento comportamental.
Fonte: elaborada pela autora (2021)
PraCegoVer: Tabela com duas colunas: Na primeira Passagem do tempo (entre os 10 e 16 meses de idade). Na 
segunda: Falar
O exemplo anterior, nos permite afirmar que é esperado (possível ou provável) que 
uma criança fale suas primeiras palavras entre os 10 e 16 meses, uma vez que essa 
ação ocorre com frequência entre crianças da mesma idade. Nessa direção, podemos 
afirmar que não estamos diante de uma relação causal, em que a mera passagem do 
tempo causa um evento comportamental (falar) e, por isso, os termos “causa e efeito” 
foram retirados (suprimidos) da tabela anterior.
Outra forma de compreender as concepções estruturalistas se refere à possibilidade 
de reconhecer a estrutura das coisas. O estruturalismo, criado por Edward Titchner, 
afirmava que as nossas experiências conscientes podem ser subdivididas em 
componentes. Para identificar esses componentes, treinou voluntários em um 
procedimento chamado introspecção (olhar para dentro). Neste, os participantes 
recebiam um estímulo simples e, após sua suspensão deveriam reconstruir suas 
sensações e sentimentos, descrevendo o que viram e o que sentiram
(KELLER, 1974; BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001).
O Estruturalismo está preocupado com a compreensão do mesmo fenômeno 
que o Funcionalismo: a consciência. Mas, diferentemente de W. James, Titchner 
irá estudá-la em seus aspectos estruturais, isto é, os estados elementares 
da consciência como estruturas do sistema nervoso central. Esta escola foi 
inaugurada por Wundt, mas foi Titchner, seguidor de Wundt, quem usou o termo 
estruturalismo pela primeira vez, no sentido de diferenciá-la do Funcionalismo. O 
método de observação de Titchner, assim como o de Wundt, é o introspeccionismo, 
e os conhecimentos psicológicos produzidos são eminentemente experimentais, 
isto é, produzidos a partir do laboratório (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001, p. 
52).
11
Em ambos os casos (organização temporal do que as pessoas fazem com frequência 
e descrição dos componentes de uma experiência consciente) podemos dizer 
que previsão do comportamento (e não o controle) foi alcançada pela proposta 
Estruturalista. Basicamente, esta teoria se propõe a descrever (em sequência) ou 
estruturar o que ocorre sem se ater às causas do que ocorre. Retomando o exemplo 
de que crianças frequentemente falam entre os 10 meses e os 16 meses de idade, 
encontramos um desafio: não podemos manipular o tempo para fazer com que uma 
pessoa fale antecipadamente; o que significa que a busca pela estrutura ou ordem 
das coisas não nos oferece controle sobre o comportamento (SKINNER, 1974).
Behaviorismo Metodológico
O termo Behaviorismo é oriundo do inglês behavior e significa comportamento. 
Em 1913, o psicólogo americano John Watson se utilizou do termo para designar 
uma teoria, que propõe o comportamento observável como o objeto de estudo da 
Psicologia. De acordo com Baum (2019), Watson afirmava que:
A psicologia era a ciência da mente, assinalando que nem a introspecção, 
nem analogias com a consciência animal produziam os resultados 
confiáveis produzidos pelos métodos de outras ciências. Ele argumentou 
que somente se estudasse o comportamento a psicologia poderia atingir 
a confiabilidade e a generalidade que precisava para se tornar uma ciência 
natural (BAUM, 2019, p. 37).
Segundo Skinner (1974 p. 17), o behavorismo metodológico, "obteve sucesso, por 
desfazer-se de muitos problemas decorrentes do mentalismo e por formular de 
outras maneiras alguns conceitos previamente associados com eventos privados".
12
Exemplo behavorismo metodológico:
De acordo com esta teoria, , não dizemos que corremos porque estamos 
com medo (premissa mentalista na qual os sentimentos atuam como causado comportamento), mas que corremos porque vimos um ladrão (causa 
imediatamente anterior a nossa ação e que pode ser observada em comum 
acordo). 
Quadro 4 - Modelo behaviorista metodológico: Evento ambiental anterior e observável causa 
um evento comportamental posterior e igualmente observável.
Fonte: elaborada pela autora (2021)
#PraCegoVer Tabela com duas linhas e três colunas. Na primeira linha: Evento Físico(causa). Evento mental e evento 
físico (efeito). Na linha de baixo: Evento ambiental anterior e observável; Sentimentos e pensamentos e Evento 
comportamental posterior.
Quadro 5 - Ladrão (causa).
Fonte: elaborada pela autora (2021)
#PraCegoVer: Tabela com duas linhas e três colunas. Na primeira linha: Evento Mental (causa); Evento Físico 
(causa); Evento mental e evento físico (efeito). Na segunda linha: Ladrão; medo; correr.
Ao privilegiar o estudo daquilo que poderia ser observado em comum acordo como 
causa do comportamento, o Behaviorismo Metodológico exclui a introspecção como 
método da Psicologia, cria condições para que o ambiente seja observado e corrige 
(compensa) “[...] uma injustificada concentração na vida interior" (SKINNER, 1974, p. 
17). 
Entretanto, a ênfase no ambiente imediatamente anterior e observável como causa 
do comportamento deixa em aberto o papel dos estados mentais (pensamentos e 
sentimentos) sobre o comportamento. Nas palavras de Skinner (1974): 
EVENTO FÍSICO 
(CAUSA) EVENTO MENTAL EVENTO FÍSICO 
(EFEITO)
Evento ambiental anterior e 
observável
Sentimentos e 
pensamentos
Evento comportamental 
posterior
EVENTO FÍSICO 
(CAUSA) EVENTO MENTAL EVENTO FÍSICO 
(EFEITO)
Ladrão Medo Corre
13
A maioria dos behavioristas metodológicos admitia a existência dos fatos 
mentais, ao mesmo tempo que os excluía de consideração. Pretendiam 
eles realmente dizer que tais acontecimentos não importavam? Que 
o estágio intermediário na tripla sequência do físico-mental-físico não 
contribuía para nada - em outras palavras, que os sentimentos e estados 
mentais eram simplesmente epifenômenos? [...] Os sentimentos que 
experimentamos imediatamente antes de agir não terão nenhuma relação 
com o nosso comportamento? (p. 18). 
Dito de outra maneira, no Behaviorismo Metodológico, temos a explicação de como 
um evento físico (ambiental) causa outro evento físico (comportamental), o que 
nos confere previsão e controle sobre o objeto de estudo da Psicologia, mas não 
nos oferece uma explicação acerca do papel dos eventos mentais (sentimentos e 
pensamentos) nesta relação.
Behaviorismo Radical 
O Behaviorismo Radical, filosofia da Análise do Comportamento, corresponde 
a uma das inúmeras teorias que se dedicaram a elucidar (esclarecer) os motivos 
pelos quais nos comportamos (SKINNER, 1974; SÉRIO, 2005). Diferente do 
Behaviorismo Metodológico, o Behaviorismo Radical atribui aos sentimentos, 
emoções e pensamentos uma natureza física e, assim, os inclui em uma análise do 
comportamento (SKINNER, 1974; TOURINHO, 2003; SÉRIO, 2005). Nas palavras de 
Tourinho (2003):
“Para Skinner, a inacessibilidade de sentimentos e pensamentos à 
observação pública direta não os exclui do campo de interesses de uma 
ciência do comportamento. Ao abordá-los, a análise do comportamento 
apenas refuta a suposição de que são fenômenos ‘mentais’, preferindo 
interpretá-los como eventos com dimensões físicas, ainda que inacessíveis 
à observação pública” (p. 03).
Nessa direção, podemos afirmar que os pensamentos, as emoções e os sentimentos 
fazem parte daquilo que um behaviorista radical deve explicar (SKINNER, 1998). 
No capítulo X (Emoções), do livro "Ciência e Comportamento Humano", de Skinner 
(1998), podemos observar o posicionamento desse autor em relação às emoções e o 
tratamento que estas devem ter em uma ciência do comportamento:
14
"Se o problema da emoção for concebido apenas como questão de estados 
internos, não é provável que se consiga progressos em tecnologia prática. 
Não é de qualquer auxílio, na solução de um problema prático, dizer-se 
que algum aspecto do comportamento do homem se deve à frustração 
ou à ansiedade; precisamos também saber como a frustração ou a 
ansiedade foi induzida e como pode ser alterada. No final, encontramo-nos 
lidando com dois eventos - o comportamento emocional e as condições 
manipuláveis das quais esse comportamento é função - que constituem 
o objeto próprio do estudo da emoção" (p. 184).
Ainda sobre as características do Behaviorismo Radical em comparação com as 
demais filosofias da ciência, podemos observar que o ambiente posterior à resposta 
(e não apenas o ambiente anterior a ela, como no caso do Behaviorismo Metodológico 
e do Mentalismo) passa a ser considerado (SKINNER, 1974; SÉRIO, 2005). Segundo 
Skinner (1957): 
“Muitas vezes, estamos mais interessados, entretanto, no comportamento 
que produz algum efeito no mundo ao redor. Este comportamento origina 
a maioria dos problemas práticos nos assuntos humanos e é também 
de um interesse teórico especial por suas características singulares. As 
consequências do comportamento podem retroagir sobre o organismo. 
Quando isto acontece, podem alterar a probabilidade de o comportamento 
ocorrer novamente” (p. 65).
E, finalmente, numa lógica Behaviorista Radical, o ambiente que antecede a resposta 
ganha um novo significado (em comparação com a lógica mecanicista do Mentalismo 
e do Behaviorismo Metodológico, na qual o antes causa do depois): surge como 
efeito das consequências de nossas ações e, num segundo momento e em situações 
similares, tornam as respostas mais prováveis no futuro mediante a sua apresentação 
(SKINNER, 1974).
Vejamos como as informações acima (a importância do ambiente posterior à 
resposta; a noção de que todas as nossas ações são materiais; e a ideia de ambiente 
antecedente como àquele sinaliza a ocasião da resposta, mas que não possui com 
esta uma relação causal) podem ser representadas, segundo o Behaviorismo Radical.
15
EVENTO FÍSICO EVENTO FÍSICO EVENTO FÍSICO
Ambiente anterior à
resposta ou ação
Resposta, ação ou
atividade do organismo
Ambiente posterior à
resposta ou ação
Quadro 6 - Exemplo. Modelo Behaviorista Radical.
Fonte: elaborada pela autora (2021)
#PraCegoVer: Tabela com duas linhas e três colunas. Na primeira linha: Evento 
físico (ambiente anterior à ação); Evento físico (resposta, ação ou atividade do 
organismo); Evento físico (ambiente posterior à ação). Na segunda linha: res-
posta, ação ou atividade do organismo; ambiente posterior à ação; e ambiente 
anterior à ação.
EVENTO FÍSICO
(Ambiente)
EVENTO FÍSICO
(Resposta)
EVENTO FÍSICO 
(Ambiente)
País invadido por um 
grupo terrorista
Deixar o país
Buscar asilo em outros 
lugares, medo
Suspender o contato
um grupo terrorista
evitar danos à vida
Quadro 7 - Modelo Behaviorista Radical.
Fonte: elaborada pela autora (2021)
#PraCegoVer: Tabela com duas linhas e três colunas. Na primeira linha: Evento 
físico; Ambiente; Evento físico Resposta e novamente Evento Físico Ambiente. 
Na segunda linha, na coluna relacionada ao Evento Físico (ambiente), Pais 
invadido por um grupo terrorista, próxima coluna, relacionado com evento fí-
sico (resposta) Deixar o país, Buscar asilo em outros lugares e Medo, na outra 
coluna, relacionado ao evento físico ambiente, suspender o contato com grupo 
terrorista e Evitar danos à vida.
Em uma perspectiva Skinneriana (e operante), esse exemplo pode ser assim descrito: 
respostas, ações ou atividades do organismo (ex.: deixar o país, buscar asilo em 
outros lugares) produzem como consequências (a suspensão do contato com um 
grupo terrorista; e a evitação de danos à vida) que, por sua vez, afetam as próprias 
respostas (no sentido de torná-las mais prováveis no futuro) e marcam a ocasião na 
qual estas ações ocorreram (país invadido por um grupo terrorista).
Constituem “descrições Behavioristas Radicais”, àquelas que destacam o papel da 
consequência como causa do comportamento; que entendem que o que sentimos 
e pensamos tema mesma natureza física daquilo que fazemos abertamente; e que 
atribuem aos eventos antecedentes outro papel: o de modular a probabilidade de 
nossas ações em função das consequências com as quais estiveram relacionados 
no passado (SKINNER, 1974; 1998; SÉRIO, 2005).
16
Destaca-se aqui que controle e previsão são possíveis em uma ciência do 
comportamento. Podemos controlar ações, no sentido de aumentar ou reduzir 
temporariamente a sua frequência pela apresentação de uma determinada 
consequência; e prever sua ocorrência pela apresentação daqueles eventos 
antecedentes que estiveram relacionados com o seu fortalecimento (SÉRIO, 2005). 
Cognitivismo
Constituem descrições cognitivistas, àquelas que privilegiam a cognição, o raciocínio, 
a interpretação, a recuperação e uso de informações perante os fatos dos fatos como 
a causa
do comportamento. Trata-se de uma escola de pensamento da Psicologia que teve 
suas origens em oposição ao behaviorismo; e conectada à inteligência artificial e à 
linguística de Chomsky (OLIVEIRA, 1990; CASTANÕN, 2010).
“Uma maneira conveniente de esboçar a postura ontológica e metodológica que 
caracteriza o cognitivismo é contrastando-o com o behaviourismo e com o que se 
pode denominar “neuropsicologia” - ou seja, a tentativa de explicar os fenômenos 
mentais em termos dos sistemas nervosos que hipoteticamente constituem seu 
substrato. Em comum com estas duas alternativas, o cognitivismo é ontologicamente 
materialista; ao contrário destas, entretanto, ele não procura a redução do estudo 
dos fenômenos mentais seja ao estudo dos comportamentos, seja ao do sistema 
nervoso.
As explicações que os cognitivistas tentam elaborar envolvem deliberadamente 
termos mentais; pode-se dizer portanto que o cognitivismo é mentalista porém não 
dualista” (OLIVEIRA, 1990, p. 88).
17
Segue abaixo um exemplo de como o objeto de estudo do Cognitivismo pode ser 
representado. 
EVENTO
FÍSICO
EVENTO
FÍSICO
EVENTO
FÍSICO
EVENTO
FÍSICO
Ambiente anterior 
a interpretação 
dos fatos e à 
resposta
Raciocínio 
Cognição Memória 
Interpretação dos 
fatos
Resposta do indivíduo 
modulada pelas 
cognições
Ambiente posterior 
à resposta
Quadro 8 - Modelo Cognitivista.
Fonte: elaborada pela autora (2021).
#PraCegoVer: Tabela com duas linhas e quatro colunas. Na primeira linha de 
todas as colunas: Evento físico Na segunda linha, primeira coluna (ambiente 
anterior à interpretação dos fatos e à resposta); na segunda coluna (raciocínio, 
cognição, memória e interpretação dos fatos); na terceira coluna (resposta do 
indivíduo modulada pelas cognições) e na quarta coluna (ambiente posterior 
à ação). 
AMBIENTE ANTE-
RIOR A INTERPRE-
TAÇÃO DOS FA-
TOS E À RESPOSTA
RACIOCÍNIO COG-
NIÇÃO MEMÓRIA 
INTERPRETAÇÃO 
DOS FATOS
RESPOSTA DO 
INDIVÍDUO MO-
DULADA PELAS 
COGNIÇÕES
AMBIENTE 
POSTERIOR 
À RESPOSTA
Cachorro “Pode me ferir” Sair correndo Afastar-se do 
cachorro
Quadro 9 - Modelo Cognitivista.
Fonte: elaborada pela autora (2021).
#PraCegoVer: Tabela com duas linhas quatro colunas. Na primeira linha: 
Ambiente anterior à interpretação dos fatos e à resposta; raciocínio, cognição, 
memória e interpretação dos fatos; resposta do indivíduo modulada pelas 
cognições; ambiente posterior à ação. Na segunda linha: cachorro; "pode me 
ferir"; sair correndo; afastar-se do cachorro.
18
Observe os estudos de Atkinson e Shifrin, que falam sobre memória, 
esquecimento e cognição. ATKINSON, Richard C.; SHIFFRIN, Richard 
M. Memória humana: Um sistema proposto e seus processos de 
controle. In: Psicologia da aprendizagem e motivação. Academic 
Press, 1968. p. 89-195. Disponível em < https://www.sciencedirect.
com/science/article/pii/S0079742108604223. Acesso em: 13 
ago 2021.
Saiba mais
O cognitivismo busca explicar como a mente humana recebe um processo e armazena 
informações. Segundo essa teoria existem três diferentes sistemas de memórias 
interagindo entre si que são: a memória sensorial, que capta informações; a memória 
de curto prazo, que processa essas informações; e à memória de longo prazo, que 
armazena tudo. 
19
Conclusão
Mentalismo 
abordagem que enfatiza que o comportamento é produto da manifestação da 
mente. Tem-se como principal abordagem ou representação dessa forma de 
pensar, a Psicanálise. 
Estruturalismo
Representa a possibilidade de compreensão da ação humana em função 
das fases do desenvolvimento. Seu principal representante é a Psicologia do 
Desenvolvimento (Piaget, Vigotsky etc.).
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Cogntivismo
Conjunto de teorias. Estuda a maneira como as pessoas constroem modelos 
mentais. Análises a partir de um estímulo, coordenando ideias e a cognição, o 
raciocínio, processando as informações para ofertar-se uma resposta.
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Referências
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