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Trocadores de calor
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Trocadores de calor
1 Definição
Aparatos que facilitam as trocas de calor entre dois fluidos que se encontram em
temperaturas diferentes e evitam que eles se misturem.
Utilização:
- sistemas de aquecimento e ar condicionado doméstico;
- produção de potência em grandes usinas.
Pode compreender:
- convecção em cada fluido;
- condução através da parede que os separa;
⇒ Coeficiente Global de Transferência de Calor – U
que representa a contribuição de todos estes efeitos sobre a transferência de calor no
trocador.
2 Tipos
a) Tubo duplo: - trocador de calor mais simples;
- tubos concêntricos de diâmetros diferentes;
- podem apresentar fluxo paralelo ou oposto.
Figura 1 – Trocador de tubo duplo
Na figura 2 são apresentados os gráficos do comportamento da variação de temperatura
dos fluidos nos dois casos:
- no fluxo paralelo observa-se que o fluido quente nunca atingirá a temperatura do
fluido frio;
- no fluxo oposto, como há um gradiente favorável, o fluido frio pode atingir a
temperatura do fluido quente
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Figura 2 – Comportamento dos fluidos no trocador de tubo duplo
b) Compactos
Acontecem altas taxas de transferência de calor em pequenos volumes de trocador.
A grande superfície dos trocadores de calor compactos é obtida pela utilização de chapas
finas ou aletas onduladas estreitamente espaçadas nas paredes que separam os fluidos.
São usados em trocadores (gás-gás) e (gás-líquido).
Se:
� � 700�²/�
� 200��²/�� ⟹ �
�����
� � ������������ �� � � �� ����������� �� ��
�� �� ���
�
�
���� 1"
Figura 3 – Trocadores compactos
c) Escoamento cruzado:
- fluidos circulam perpendicularmente uns aos outros;
- são chamados “sem mistura” quando existem chicanas que forçam o escoamento
do fluido entre seus espaços e evitam que ele se mova na direção transversal;
- são chamados “com mistura” quando o fluido está livre para avançar em todas as
direções.
Atenção: NUNCA há mistura dos fluidos!
Nos trocadores de escoamento cruzado sem mistura, o fluido pode se apresentar em
temperaturas diferentes ao longo das chicanas.
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Figura 4 – Trocadores de escoamento cruzado
c) Casco e tubo: - ou carcaça e tubos;
- grande número de tubos acondicionados num casco por
onde circula o outro fluido.
Figura 5 – Trocador de casco e tubo
As chicanas são utilizadas para forçar o escoamento do fluido no casco, aumentar a
transferência de calor e manter a uniformidade do espaço entre os tubos.
São classificados quanto ao número de passes envolvidos no casco e no tubo:
- um passe no casco e dois passes nos tubos;
- dois passes nos cascos e quatro passes nos tubos.
Figura 6 – Passes envolvidos
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d) Placa e quadro:
- inovador;
- placas corrugadas com passagens para o escoamento;
- os fluidos quentes e frios escoam em passagens alternadas, assim, cada
escoamento de um fluido é cercado por dois escoamentos do outro fluido;
- apresentam grande flexibilidade pela simples adição das placas aos sistemas;
- são de fácil limpeza e alto rendimento térmico, apesar de apresentarem altas perdas de
carga;
- só podem ser usados em sistemas de baixa pressão (p<1,5MPa).
Figura 7 – Trocador de placa e quadro
Figura 8 – Corrugações mais comuns das placas de passagem de fluido
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Figura 9 – Exemplos de arranjos de passes para um trocador com 9 placas
e) Regenerativo:
- estático: formado por um meio poroso, chamado matriz, que tem grande
capacidade de armazenamento de calor, por onde os fluidos frio e quente escoam. A troca
é feita do fluido quente para a matriz , quando escoa o fluido quente, e da matriz para o
fluido frio, quando escoa o fluido frio.
- dinâmico: envolve um tambor rotativo e o escoamento contínuo dos fluidos quente
e frio através de diferentes partes do tambor que ora absorve calor, ora cede calor.
f) Evaporador: trocador de calor no qual um dos fluidos é resfriado e condensa ao
escoar através do trocador de calor.
g) Evaporador ou Caldeira: trocador de calor no qual um dos fluidos absorve o calor
e vaporiza.
h) Radiador de ambiente: trocador de calor que transfere o calor do fluido quente
para o espaço circundante por radiação.
3 Coeficiente Global de Transferência de Calor - U
Um trocador de calor normalmente envolve dois fluidos escoando separados por uma
parede sólida, portanto, o calor é transferido do fluido quente para a parede por
convecção, através da parede por condução e da parede para o fluido frio novamente por
convecção.
A rede de resistência térmica associada a este processo envolve três resistências, sendo
uma de condução e duas de convecção.
#$%&'(' � ln �'+,'&-. �/-,'&-.0 "
1223 2"
#4.-5'4,/5. � 1
67 3"
#9:9;< � #4.-5'4,/5. /-,'&-. = #$%&'(' = #4.-5'4,/5. '+,'&-. � 1
>7 4"
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Figura 10 – Rede de resistência térmica
Tenha o cuidado de considerar as áreas interna e externa de modo correto em cada
termo da equação de RTOTAL.
Como o tratamento para o cálculo da taxa de transferência de calor se dá pela equação
geral:
@A � ∆C
#9:9;<
� ∆C
1 >70 � >7∆C 5"
Quando a espessura parede do tubo é muito pequena e a condutividade térmica do
material é elevada, a resistência térmica condutiva pode ser desprezada.
A tabela 1 apresenta valores de U para vários trocadores de calor.
Tabela 1 – Coeficientes Globais de troca de calor
Tipo de trocador de calor U(W/m²°C)
Água-água 850 – 1700
Água-óleo 100 – 350
Água-gasolina ou querosene 300 – 1000
Aquecedores de água de alimentação 1000 – 8500
Vapor-óleo combustível leve 200 – 400
Vapor-óleo combustível pesado 50 – 200
Condensador de vapor 1000 – 6000
Condensador de freon (resfriado a água) 300 – 1000
Condensador de amônia (resfriado a água) 800 – 1400
Condensador de álcool (resfriado a água) 250 – 700
Gás-gás 10 – 40
Água em tubos aletados -ar (superfície do lado ar) 30 – 60
Água em tubos aletados -ar (superfície do lado água) 400 – 850
Vapor em tubos aletados -ar (superfície do lado ar) 30 – 300
Vapor em tubos aletados -ar (superfície do lado água) 400 - 4000
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4 Fator de incrustação - Rf
Efeito do acúmulo de depósitos nas superfícies das paredes dos trocadores de calor,
reduzindo seu rendimento, se apresentando como uma resistência adicional à troca de
calor.
Fatores intervenientes:
- Rf=0 para um trocador novo;
- aumenta com o aumento da temperatura de funcionamento do trocador;
- diminui com o aumento da velocidade dos fluidos;
- aumenta com o aumento do tempo de operação.
#/-4&EF,%çõ'F � #I
7 6"
Figura 11 - Incrustações
A tabela 2 apresenta fatores de incrustação representativos.
Tabela 2 – Fatores de incrustação
Fluido Rf (m²°C/W)
Água* abaixo de 50°C 0,0001
Água* acima de 50°C 0,0002
Óleo combustível 0,0009
Vapor (livre de óleo) 0,0001
Refrigerantes (líquidos) 0,0002
Refrigerantes (vapor) 0,0004
Vapores de álcool 0,0001
Ar 0,0004
* água destilada, marinha, fluvial e de alimentação de caldeiras.
As corrosões, incrustações químicas e biológicas também podem acontecer e devem ser
evitadas por meio de revestimentos adequados ou tratamentos químicos.
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5 Projeto e dimensionamento de trocadores de calor
A escolha de um trocador de calor para atender às necessidades é um problema para o
Engenheiro. Porém algumas análises devem ser realizadas até a etapa final da escolha:
I Análise térmica
a) Determinação da área de troca requerida para transmitir a quantidade de calor,
por unidade de tempo, conhecidas as velocidades dos escoamentos e as temperaturas
dos fluidos;
b) Atendimentoaos códigos de segurança.
II Projeto mecânico preliminar
a) pressão de operação;
b) temperatura de operação;
c) características corrosivas dos fluidos envolvidos;
d) expansões térmicas relativas ⇒ tensões;
e) relação do trocador de calor com os demais equipamentos do sistema.
III Projeto de fabricação
a) tradução das características analisadas e dimensões determinadas em uma
unidade que possa ser construída a um custo razoável;
b) seleção do tipo de trocador, materiais, vedações e otimização do arranjo mecânico
no sistema.
IV Padronização
Trocadores de calor não são itens de prateleira.
Caso seja possível se utilizar de algum modelo padrão, com diâmetros e pressões
adequados, será um ótimo parâmetro de economia no projeto.
V Considerações gerais para dimensionamento de trocadores
a) escoamento permanente - vazão mássica (�A ) constante dos 2 fluidos e
propriedades físicas dos fluidos constantes;
b) variações de energia cinética e potencial dos escoamentos são insignificantes;
c) calor específico (cp) pode ser tratado como um valor médio com pouca perda de
precisão;
d) condução de calor ao longo do eixo do tubo pode ser desprezada;
e) não há perda de calor para o meio envolvente, apenas a troca entre os fluidos;
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f) obediência à 1ª e 2ª leis da termodinâmica:
@AIKE/(. I&/. � @AIKE/(. LE'-,'
�A I�$IMCI,F%í(% P CI,'-,&%(%Q � �A L�$LMCL,'-,&%(% P CL,F%í(%Q
VI Taxa de Capacidade Térmica - C
Taxa de transferência de calor necessária para alterar a temperatura do fluido de 1°C ao
escoar através do trocador de calor:
RI � �A I�$I � RL � �A L�$L
Observe que em um trocador de calor:
- o fluido com grande taxa de capacidade térmica sofre uma pequena mudança de
temperatura;
- o fluido com pequena taxa de capacidade térmica sofre uma grande mudança de
temperatura.
Desta forma, se dobrarmos a vazão mássica de um fluido a mudança de temperatura do
fluido fica reduzida à metade.
RIMCI,F%í(% P CI,'-,&%(%Q � RLMCL,'-,&%(% P CL,F%í(%Q
Observe também que a única possibilidade do fluido quente sofrer a mesma diferença de
temperatura que o fluido frio é quando as taxas de capacidade térmica dos dois fluidos
são iguais.
Em trocadores de calor onde há mudança de fase, a taxa de transferência de calor é
expressa como:
@A � �A 3I
Onde �A é a taxa de evaporação ou condensação do fluido e Lf é a entalpia de vaporização
do líquido na temperatura ou pressão especificada.
Figura 12 – Variação de temperatura em trocadores de calor, condensadores e evaporadores.
A taxa de transferência de calor em um trocador de calor pode também ser expressa por:
@A � >7F∆CS
Onde ∆CS é uma diferença de temperatura média adequada entre os dois fluidos.
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VII Diferença de temperatura média logarítmica - DTML
As temperaturas dos fluidos variam de ponto a ponto, na medida em que o calor é
transferido do fluido mais quente para o mais frio. Observe as situações a e b para
trocadores de casco e tubos:
a) com mudança de fase:
CONDENSADOR DE PASSE ÚNICO:
- Tq é a temperatura do fluido quente que permanece constante para o vapor
condensando, que pode estar em movimento ou não;
- Te é a temperatura de entrada do fluido frio;
- Ts é a temperatura de saída do fluido frio.
EVAPORADOR DE PASSE ÚNICO:
- Tq é a temperatura do fluido quente que permanece constante para o líquido
evaporando, que pode estar em movimento ou não;
- Te é a temperatura de entrada do fluido quente;
- Ts é a temperatura de saída do fluido quente.
Figura 13 – Condensador e evaporador de passe único
b) sem mudança de fase:
CORRENTES PARALELAS DE PASSE ÚNICO:
- independentemente do comprimento do trocador, a temperatura final do fluido
mais frio nunca vai alcançar a temperatura de saída do fluido mais quente.
Figura 14 – Variações de temperatura
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CORRENTES OPOSTAS DE PASSE ÚNICO
- a temperatura do fluido mais frio pode exceder a temperatura de saída do fluido
mais quente, já que existe um gradiente de temperatura favorável ao longo de todo o
trocador;
- em reação ao trocador de correntes paralelas, para uma dada quantidade de calor
trocado por unidade de tempo é requerida uma área superficial menor.
c) Análise
�@ � >�7∆C = ��$�C
Pela 1ª lei da termodinâmica:
�@LE'-,' = �@I&/.
−M��$�CQL = ±M��$�CQI = >�7MCUL − CUIQ (7)
Sendo CU a temperatura média de cada fluido, q substituindo quente, f substituindo frio e,
no segundo termo da equação, o sinal:
- positivo é para o trocador de correntes paralelas;
- negativo é para o trocador de correntes opostas.
−M��$QLMCUL − CL,'Q = M��$QIMCUI − CI,'Q (8)
CUL = CL,' − M��$QIM��$QL MCUI − CI,'Q
Rearranjando, subtraindo CUI dos dois lados da equação:
CUL − CUI = CL,' + M��$QIM��$QL CI,' − W1 − M��$QIM��$QLX CUI = Y(CUI) (9)
Levando (9) em (7):
M��$QI�CI = >�7MCUL − CUIQ �CUICUL − CUI = >�7
M��$QI (10)
Integrando (10) da temperatura de entrada à temperatura de saída do fluido frio e ao
longo de todo o comprimento do trocador, ou seja, ao longo de toda a área de troca, de 0
até A:
�� [Y(CI,F)Y(CI,')\ = >7
M��$QI (11)
Da equação (8) obtém-se:
M��$QIM��$QL = −MCL,F − CL,'QMCI,F − CI,'Q
Levando em (11), rearranjando e chamando:
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MCUL − CUIQ = ∆C
@A � >7 ] ∆C'-,&%(% P ∆CF%í(%
�� ∆C'-,&%(% ∆CF%í(%⁄ "_ � >7∆CUUUU
Define-se assim a diferença de temperatura média logarítmica:
`Ca3 � ∆CUUUU � ∆C'-,&%(% P ∆CF%í(%"
�� �∆C'-,&%(% ∆CF%í(%0 �
Se o trocador é de correntes opostas:
M��$�CQL � M��$�CQI ∆CUUUU � ∆C' � ∆CF
Para trocadores mais complexos:
∆CUUUU5'&(%('/&% � `Ca3 ∙ c
Onde F é o fator de correção apresentado nos gráficos das figuras 15, 16, 17 e 18.
Figura 15 – Fator de correção para trocadores de 1 passe no casco e qualquer múltiplo de 2 passes nos tubos
Figura 16 – Fator de correção para trocadores de 2 passes no casco e qualquer múltiplo de 4 passes nos
tubos
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Figura 17 - Fator de correção para trocadores de um passe com escoamento cruzado e com os dois fluidos
sem mistura
Figura 18 - Fator de correção para trocadores de um passe com escoamento cruzado e com um fluido com
mistura e o outro fluido sem mistura
Os passos para a solução de exercícios sobre projetos e dimensionamentos de trocadores
de calor estão apresentados no documento:
“Roteiro para dimensionamento de Trocadores de Calor”