Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Brasília-DF. 
Cognição e ProCessos do 
desenvolvimento infantil 
e adolesCente
Elaboração
Milena Oliveira da Silva
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APRESENTAÇÃO .................................................................................................................................. 4
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA ..................................................................... 5
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 7
UNIDADE I
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO ................................. 9
CAPÍTULO 1
CONCEPÇÕES, TEORIAS, HISTÓRIA E VISÕES DE MUNDO SOBRE O INDIVÍDUO HUMANO ............ 9
CAPÍTULO 2
A CIÊNCIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO ......................................................................... 19
CAPÍTULO 3
SOBRE A COGNIÇÃO: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA COGNITIVA ..................................... 39
UNIDADE II
A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO ..... 43
CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO ÀS PREMISSAS FUNDAMENTAIS DA PSICANÁLISE ................................................ 43
CAPÍTULO 2
O OLHAR PSICANALÍTICO SOBRE A INFÂNCIA ......................................................................... 48
CAPÍTULO 3
O OLHAR PSICANALÍTICO SOBRE A ADOLESCÊNCIA ............................................................... 60
PARA (NÃO) FINALIZAR ...................................................................................................................... 67
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 68
4
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem 
necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela 
atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade 
de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos 
a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma 
competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para 
vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar 
sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a 
como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
5
Organização do Caderno 
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de 
forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões 
para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao 
final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e 
pesquisas complementares.
A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos 
e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Praticando
Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer 
o processo de aprendizagem do aluno.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
6
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Exercício de fixação
Atividades que buscam reforçar a assimilação e fixação dos períodos que o autor/
conteudista achar mais relevante em relação a aprendizagem de seu módulo (não 
há registro de menção).
Avaliação Final
Questionário com 10 questões objetivas, baseadas nos objetivos do curso, 
que visam verificar a aprendizagem do curso (há registro de menção). É a única 
atividade do curso que vale nota, ou seja, é a atividade que o aluno fará para saber 
se pode ou não receber a certificação.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
7
Introdução
Essa disciplina abarca três grandes conhecimentos: desenvolvimento humano, processos cognitivos 
(e a psicologia cognitiva) e as etapas da infância e adolescência (em variadas perspectivas teóricas). 
A proposta é a de seguirmos um caminho que vai desde uma introdução geral dos princípios da 
ciência do desenvolvimento humano (com uma abordagem mais centrada nas principais teorias 
interacionistas da psicologia), passando por uma aproximação e correlação do que vem sendo 
discutido sobre os processos cognitivos humanos e finalizando esse caminho, dentro das vastas 
possibilidades teóricas que concebem sua própria teoria do desenvolvimento, nos concentraremos 
no estudo do humano no olhar específico da psicanálise sobre o desenvolvimento infantil e 
adolescente.
É importante a priori compreender que a intenção principal da disciplina é apresentar um panorama 
geral de um estudo complexo e vasto, sendo objetivo despertar o discente para a complexa, mas 
fascinante jornada de compreender o ser humano (numa perspectiva da psicologia) e alertar que 
assim como nunca somos um produto final e acabado – mas sim em constante mudança – de 
nós mesmos, as teorias que pretendem estudar como o ser humano nasce, cresce e se desenvolve 
nunca são a verdade única e imutável. O que veremos aqui é fruto de um olhar da ciência de um 
tempo histórico específico. As respostas e verdades de ontem podem não se encaixar com o homem 
atual, assim como o que hoje defendemos como explicações comprovadas e balizadas acerca do 
desenvolvimento humano podem ser, em momentos futuros, um equívoco a partir de possíveis 
descobertas e revelações que hoje, nesse contexto cultural, nossos olhos da ciência não conseguiam 
ver com clareza.
Objetivos
 » Apresentar e aprofundar conhecimento sobre os principais conceitos e concepções 
do desenvolvimento humano destacando autores significativos da psicologia do 
desenvolvimento, psicologia cognitiva e da teoria psicanalítica.
 » Promover reflexão sobre o desenvolvimento humano e as concepções relacionadas 
ao tema que influenciam no comportamento do indivíduo.
 » Dialogar sobre a infância e adolescência na perspectiva psicanalítica.
8
9
UNIDADE I
A CONTRIBUIÇÃO 
DA PSICOLOGIA 
NO ESTUDO DO 
DESENVOLVIMENTO 
HUMANO
CAPÍTULO 1
Concepções, teorias, história e visões 
de mundo sobre o indivíduo humano
Há várias formas de aprendizado. Cada sujeito tem uma maneira de aprender, de fixar um conteúdo 
ou mesmo uma rotina ou conjunto de hábitos que foram sendo criados em sua história com a 
educação formal. Sem querer desmerecer os métodos de cada um que cursará esse módulo, temos 
uma propostapara este estudo. Durante toda a disciplina, seguiremos uma lógica de aproximação 
do conhecimento.
Sempre que um assunto novo surgir, há duas ações primárias que devem ser tomadas: compreensão 
histórica e cultural do assunto (de onde surgiu? Quando? Quem são seus criadores e defensores?) 
e suas definições ou concepções. Quando buscamos entender em que contexto surgiu uma teoria ou 
mesmo nasceu seu autor, geralmente entender da cultura da época torna esse tema menos estranho 
e mais fácil de nos aproximarmos e aprendermos. O que você acha?
Como o tópico introdutório está tratando de desenvolvimento humano, seguem 
algumas concepções de algumas perspectivas sobre o fenômeno, mas antes, você 
sabe o que é concepção?
Desenvolvimento humano: concepções, 
teorias e visões de mundo
Do latim conceptĭo, o termo concepção refere-se à ação e ao efeito de conceber. Capacidade, ato ou 
consequência de compreender; perceber alguma coisa.
Noutra acepção da palavra, concepção pode ser a faculdade de conceber, entender ou julgar algo. 
Nesse sentido, trata-se da percepção, da ideia, ou ainda da noção em relação a algo ou a alguém.
10
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
Concepções são formas de compreender os homens e o mundo. São ideias, modos de viver, pontos 
de vista e opiniões sobre nós mesmos, nossa realidade e o mundo que nos cerca. Estudar um pouco 
mais sobre as concepções de desenvolvimento humano significa buscar entender as diferentes 
implicações que elas têm para nosso aprendizado.
Para começar um questionamento básico: qual sua concepção de desenvolvimento humano?
Concepções de desenvolvimento humano
Concepção inatista
A teoria inatista do desenvolvimento é inspirada nas premissas do idealismo filosófico que parte 
do princípio que a consciência é determinante para a vida. A consciência é considerada a base e 
não o produto da atividade humana, nada existe fora do homem. O mundo real é um mero 
fenômeno da consciência.
É uma teoria baseada na crença de que as características e capacidades básicas de cada ser 
humano (comportamento, personalidade, crenças, valores, visão de mundo e etc.) são inatas. Ou 
seja, já estariam praticamente prontas no momento do nascimento ou potencialmente definidas 
e na dependência do amadurecimento para se manifestar. O ser humano já nasce pronto. O 
destino individual de cada ser humano já estaria determinado antes do nascimento.
A concepção inatista do desenvolvimento do homem explica que todas as capacidades e qualidades 
do ser humano já estão prontas quando ele nasce e que, durante sua vida, vão apenas amadurecendo 
ou desabrochando. De acordo com essa concepção, o desenvolvimento da pessoa ocorre de 
forma espontânea, e suas habilidades já são predeterminadas pelas condições herdadas, ou seja, 
quando o ser humano nasce, essas habilidades já nascem junto e pouco mudam durante a vida. O 
desenvolvimento vai obedecendo a um processo de maturação interna que não sofre transformações 
a partir das influências do meio social.
Pode parecer que uma visão assim não mais se reflete nos dias atuais, mas na verdade vemos e 
ouvimos ações e frases que remetem a essa crença inatista, principalmente ao falarmos de crianças 
e adolescentes. Quem nunca escutou ou mesmo disse algo como “Não nasci para isso”, “Filho de 
peixe, peixinho é” ou “Fulano tem o dom, nasceu sabendo desenhar”? 
Essa concepção tem influenciado muitas práticas. Tudo isso contribui para a criação de muitos 
preconceitos e prejulgamentos que prejudicam a criação ou educação de crianças, associando a 
muito de seus comportamentos, sucessos ou fracassos escolares a fatores genéticos. Quando 
acreditamos nessas explicações, estamos, de forma consciente ou não, sendo influenciados pela 
concepção inatista.
Mas, se essa concepção fosse verdadeira, as formas de capacitação não teriam uma função 
transformadora, porque quase nada poderia ser feito para mudar o que já está “programado” 
geneticamente no indivíduo. Nessa situação, o papel do professor, dos pais, do psicólogo, de qualquer 
11
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE I
outro que faz parte significativa da história de vida de uma pessoa ficaria reduzido, pois a mediação 
no processo de desenvolvimento do sujeito poderia ser desconsiderada. Precisamos entender a 
influência dessa concepção nas nossas práticas para que possamos, criticamente, orientar de outra 
forma nossas ações no campo profissional e também no campo pessoal.
Pontos de destaques para aprendizagem:
 » Na concepção inatista as capacidades humanas já nasceriam prontas e 
quase não mudariam ao longo da vida.
 » O que vivemos a partir do nascimento não influencia de forma 
fundamental sobre aquilo que já herdamos.
 » Enfatiza os aspectos biológicos do desenvolvimento humano.
 » A concepção inatista não é a única concepção que está presente na nossa 
vida, influenciando nossa atuação profissional. Existe outra concepção que 
entende o homem de forma oposta. Essa é a concepção ambientalista 
da formação do homem.
Concepção ambientalista
Essa outra concepção acredita que aquilo que a pessoa herda quando nasce não influencia sua 
forma de ser no futuro. Essa forma vai sendo construída, principalmente, pela influência dos fatores 
externos, quase como se o sujeito fosse uma massa de modelar. 
Esta teoria busca sua inspiração na filosofia empirista em que a experiência é a fonte de 
conhecimento. A teoria ambientalista, também chamada behaviorista ou comportamentalista, 
atribui exclusivamente ao ambiente a constituição das características humanas, privilegiando a 
experiência como fonte de conhecimento e de formação de hábitos de comportamento; preocupa-
se em explicar os comportamentos observáveis do educando, desprezando a análise de outros 
aspectos da conduta humana tais como: o raciocínio, o desejo, a imaginação, os sentimentos e a 
fantasia, entre outros. Defende a necessidade de medir, comparar, testar, experimentar e controlar 
o comportamento.
Segundo a concepção ambientalista, a pessoa se desenvolve a partir do sucesso ou do fracasso das 
respostas que dá quando atende ao que o ambiente solicita. Ela tende a repetir o que avalia como 
certo e, assim, os comportamentos são reforçados e se fixam como novas aprendizagens. O que deu 
errado tende a ser evitado pelo sujeito. Assim, esse é visto como uma folha em branco, que vai sendo 
preenchida pela realidade externa, isto é, suas experiências vão dando origem a comportamentos 
controlados pelo ambiente social.
Como consequência dessa concepção, passou-se a dar muita importância ao condicionamento de 
comportamentos nas atividades, e se utilizaram reforços para os comportamentos esperados dos 
sujeitos como elogios, notas, diplomas e prêmios. Houve uma ênfase nos métodos e técnicas de 
12
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
estudo e uma tendência para se colocarem os projetos de trabalho em um modelo padrão. Pouca 
valorização era dada às situações de aprendizagem espontânea e cooperativa.
Analisando algumas falas comumente ouvidas e que refletem essa visão específica do ser humano, 
algo como o dito popular “Diga-me com quem andas que te direi quem és” ou “aquela criança é fruto 
do meio que vive” mostram que há muita força sobre essa particular concepção.
Pontos de destaques para aprendizagem:
 » Nesta concepção (ambientalista) o sujeito segue um processo de 
desenvolvimento passivo por causa dos estímulos que reforçaram ou 
puniram comportamentos anteriores e pode ser manipulado e controlado.
 » Não dá ênfase às características desde o nascimento já que defende 
que a influência do ambiente é que vai determinar como a pessoa vai 
desenvolver-se e em que ela vai transformar-se.
As concepções inatistas e ambientalistas não são as únicas possibilidades de visão de homem 
presente em nossas vidas pessoais e profissionais. Há mais uma concepção que busca entender o 
homemde forma distinta. Essa é a concepção interacionista da formação do homem.
Concepção interacionista
Ao estudarmos as concepções, percebemos que não são apenas as concepções inatista e ambientalista 
que conseguem explicar o desenvolvimento humano. O cerne do interacionismo defende a integração 
das duas concepções anteriormente apresentadas.
A ideia central das teorias interacionistas do desenvolvimento é a de interação entre o organismo 
e o meio. A obtenção do conhecimento é entendida como um processo de construção contínua do 
ser humano em sua relação com o meio. Organismo e meio exercem ação recíproca e as novas 
construções dependem das relações que estabelecem com o ambiente a cada acontecimento ou 
momento.
Nessa teoria, a criança é concebida como um ser dinâmico, que interage com a realidade a todo o 
momento com objetos e pessoas. Essa interação com o ambiente faz com que construa estruturas 
mentais e adquira maneiras de fazê-las funcionar. O eixo central, portanto, é a interação organismo-
meio e essa interação acontece por dois processos simultâneos: a organização interna e a adaptação 
ao meio, funções exercidas pelo organismo ao longo da vida.
Nós nos desenvolvemos e aprendemos por meio da interação entre nossas características biológicas 
e o meio físico e sociocultural. O ser humano vivencia e conhece o mundo de forma ativa, porque 
transforma o ambiente enquanto é também modificado pelo meio social. A essa forma de entender 
o homem chamamos concepção interacionista.
13
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE I
Pontos de destaques para aprendizagem:
 » Segundo a Concepção Interacionista o ser humano é entendido como 
uma integração dinâmica e constantemente transformada de fatores 
internos e externos.
 » A história das pessoas e suas interações com seus grupos sociais 
influenciam o modo como se desenvolvem e como vão transformando a 
realidade pela sua ação.
 » Para a concepção interacionista, a ênfase do desenvolvimento psicológico 
humano tem seu foco nas relações sociais que são estabelecidas no 
contexto vivenciado pelo sujeito. A construção do mundo e de si ocorre 
por meio das interações sociais e da transformação cultural que ocorre 
nessas relações.
Agora que você conheceu as três concepções de desenvolvimento mais comuns – 
inatista, ambientalista e interacionisa – faça uma reflexão e responda: Qual dessas 
concepções mais combina com sua própria visão de mundo?
Ao rever as concepções inatista, ambientalista e interacionista de desenvolvimento humano, 
estamos também revendo nossa percepção sobre a realidade que nos cerca. É preciso ter clareza da 
concepção que está por trás das nossas ações, das nossas crenças, dos nossos comportamentos e das 
nossas práticas profissionais, para podermos agir com mais intencionalidade no planejamento das 
ações profissionais.
Concepções de desenvolvimento humano
Ciência que compreende estudos das mudanças do comportamento humano do nascimento à 
velhice; psicologia infantil, da adolescência; desenvolvimento mental, emocional, da personalidade 
e que descreve e explica o desenvolvimento do ser humano como uma temporal e ordenada sucessão 
de transformações, com uma diferenciação e complexidade crescentes. 
É o estudo científico das mudanças de comportamento relacionadas à idade durante a vida de uma 
pessoa. Este campo examina mudanças pela ampla variedade de tópicos, incluindo habilidades 
motoras, habilidades em solução de problemas, entendimento conceitual, aquisição de linguagem, 
entendimento da moral e formação da identidade.
Esta área de conhecimento da psicologia estuda o desenvolvimento do ser humano em todos os 
seus aspectos: físico-motor, intelectual, afetivo-emocional e social – desde o nascimento até a idade 
adulta. 
Ao realizarmos transformações nas nossas concepções de desenvolvimento, nossas ações e 
atuações profissionais também serão influenciadas por atitudes mais refletidas e conscientes. Visto 
14
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
a importância de conhecer algumas concepções alheias comumente aceitas e assim oportunizar a 
reflexão das nossas próprias concepções, a próxima noção temática que pede uma aproximação é a 
noção de criança. Como definir criança e/ou infância?
Concepções de infância e criança
Um dos lugares mais ricos e interessantes de iniciar o estudo de qualquer tema é o dicionário. O 
significado das palavras ali contido carrega consigo milhares de teorias e anos de como um tema 
foi e é visto e aceito na nossa sociedade atual. O que então o dicionário tem a dizer sobre a palavra 
“criança” e “infância”?
1. Uma criança é um ser humano no início de seu desenvolvimento. 
2. Infância [do latim infantia] – 1. Período de crescimento e desenvolvimento, no 
ser humano, que vai do nascimento até a puberdade. 2. Época em que se é criança; 
meninice, puerícia.
3. cri.an.ça, feminino
 › Ser humano que se começa a criar 
 › menino ou menina 
 › (Figurado) pessoa de pouco juízo; pessoa ingênua 
Se buscarmos nos pensadores mais antigos como a criança e a infância eram vistas e retratadas, 
encontraremos muitos ecos destes pensamentos antigos e as definições acima apresentadas.
De forma abreviada, segue alguns estudiosos e sua visão principal sobre o tema:
 » Santo Agostinho (354 – 430) - Viu a criança imersa no pecado, na medida em que, 
não possuindo a linguagem (“infante”: o que não fala e, portanto, aquele que não 
possui logos), mostrar-se-ia desprovida de razão, exatamente o que seria o reflexo 
da condição divina em nós, os adultos. 
 » Descartes (1596 – 1650) - Viu a criança como alguém que vive uma época do 
predomínio da imaginação, dos sentidos e sensações sobre a razão, e mais, uma 
época da aceitação acrítica das tradições, postas pelos preceptores e tudo o que 
macularia nosso pensamento, conduzindo-nos mais tarde, uma vez adultos, à 
dificuldade no uso da razão e, portanto, ao erro. 
Para os dois, Agostinho e Descartes, quanto mais cedo saíssemos da condição de criança, melhor 
para nós.
 » Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778) - Rompeu com a visão agostiniana e cartesiana 
na medida em que colocou o erro, a mentira e a corrupção como sendo frutos da 
incapacidade de julgar de quem não pode mais beneficiar-se, nos seus julgamentos, 
15
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE I
do crivo de um “coração sincero” e puro, próprio da condição infantil, o protótipo 
da condição do “bom selvagem”. 
A infância, até então, a inimiga número um da filosofia e, portanto, da verdade e do bem, agora, 
inversamente, seria a própria condição para a filosofia. Nela estariam a inocência e a pureza, 
necessárias para o acolhimento da verdade e para a participação no que é moralmente correto.
Ele vê a infância como um momento em que se vê, se pensa e se sente o mundo de um modo próprio. 
Para ele a ação do educador, neste momento, deve ser uma ação natural, que leve em conta as 
peculiaridades da infância, a “ingenuidade e a inconsciência” que marcam a falta da ‘razão adulta’.
A pobre criança que nada sabe, que não pode nada, nem nada conhece, não 
está a vossa mercê? “(...) Sem dúvida ela deve fazer só o que deve, porém deve 
querer só o que vós quereis que ela faça” (ROUSSEAU, 1979).
Celestin Freinet Provence (1896 – 1966): pedagogo anarquista francês que defendia que pela 
educação será possível construir um novo amanhã, desde que as intervenções educativas se 
pautem nas “virtualidades humanas”. Virtualidades que estão originalmente presentes na infância 
(criação, invenção, empreendimento, liberdade e cooperação) e que potencialmente possibilitarão 
a construção de uma nova sociedade (o capitalismo, para Rousseau, o socialismo humanista, para 
Freinet).
Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770 – 1831) foi um filósofo alemão que há pelo menos duzentos 
anos, desde Hegel, uma boa parte dos ocidentais começou a falar sobre as coisas do mundode um 
modo diferente, considerando-as menos como situações e elementos dados e imutáveis, “naturais” 
(no sentido essencialista do termo), mas como situações e elementos historicamente construídos. 
Assim, começamos a esboçar uma terceira via para conversarmos sobre as crianças. 
Novos sentimentos associados a essa nova forma de falar sobre o que fazer com as crianças, em 
favor da comodidade dos adultos e da comunidade, ganharam algumas pessoas das cidades do 
ocidente nos séculos XIX e XX. Nessas conversas, no início do século XIX, a infância já aparece 
como algo obtido por construção. Inclusive, uma construção que a entrelaça com a cidade e com 
a escola.
Philippe Ariès (1914 – 1984) foi um importante historiador e medievalista francês da família e 
infância que escreveu um livro chamado “A história social da criança e da família” no qual mostra 
como o conceito de infância tem evoluído pelos séculos, oscilando entre polos em que as crianças 
eram consideradas ora um “bibelô”, ora um “adulto em miniatura”. 
Hoje amplamente difundida, a obra de ARIÈS (1981) foi pioneira ao afirmar certas características 
históricas da infância, situando-a como produto da história moderna. Para ele, a “aparição da 
infância” se dá a partir do Mercantilismo, quando se altera o sentimento e as relações frente à 
infância, modificado conforme a própria estrutura social. 
Ariès ao relatar a história social da criança e da família, faz conhecer que no século XII praticamente a 
infância não era reconhecida ou não tinha espaço definido. As próprias pinturas da época retratavam 
as crianças parecidas com adultos em miniatura.
16
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
No passado a taxa de mortalidade infantil era muito alta e quando as crianças morriam os pais não 
manifestavam nenhum sentimento de perda ou tristeza, aceitando normalmente o fato. 
Antes vista com indiferença, a criança não era percebida com necessidades diferentes dos adulto. O 
estudo que o autor apresenta e que se ocupa das imagens de infância burguesa mostra como se dão 
as transformações do sentimento moderno de infância e de família. Nascido no contexto burguês, 
este sentimento sustenta-se na mudança de inserção da criança na sociedade, que deixa de assumir 
um papel produtivo direto, passando a ser merecedora de cuidados e de educação desde o momento 
em que consegue sobreviver, alterando significativamente as relações no meio social. 
Quanto ao sentimento de infância, Ariès (1981), destaca dois tipos: o de “paparicação”, que surgiu 
no ambiente familiar com crianças menores e o de “moralização”, que nasceu da necessidade de 
preservar e disciplinar as crianças. Este último originou-se com os “homens da lei” e religiosos e 
estendendo-se as famílias. Esta moralização vai inspirar a educação do século XX. 
Sua obra nos mostra que a constituição desse novo conceito de infância está na transição dos séculos 
XVII para o XVIII, quando ela passa a ser definida como um período de ingenuidade e fragilidade do 
ser humano, que deve receber todos os incentivos possíveis para sua felicidade.
O início do processo de mudança, por sua vez, nos fins da Idade Média, tem como marca o ato de 
mimar e paparicar as crianças, vistas como meio de entretenimento dos adultos (especialmente da 
elite), hábito criticado por Montaigne (1533-1592) e outros escritores da época. 
Vale ressaltar que morte também passa a ser recebida com dor e abatimento. 
Já no século XVII, as perspectivas transitam para o campo da moral, sob forte influência de um 
movimento promovido por Igrejas, leis e pelo Estado, no qual a educação ganha terreno: trata-se de 
um instrumento que surge para colocar a criança “em seu devido lugar”, assim como se fez com os 
loucos, as prostitutas e os pobres.
Embora com uma função disciplinadora, a escola não nasce com uma definição de idade 
específica para a criança ingressá-la. Isto porque os referenciais não eram o envelhecimento (ou 
amadurecimento) do corpo.
A criança e o adolescente eram concebidos na simples ideia de que eram objetos de intervenção do 
mundo adulto. 
A trajetória discutida até aqui mostra como a infância tem permanecido como “a mais duradoura 
das utopias concebidas pela modernidade”, só sendo repensada mais contemporaneamente, como 
afirma Calligaris (1994): 
Como tantos outros ideais imaginados nos últimos 200 anos, o do mundo 
maravilhoso das crianças também entra em crise na era pós-industrial e pós-
moderna.(...) Este tempo de separação da vida adulta, protegido pelo amor 
parental, miticamente feliz, surgiu em nossa cultura há apenas dois séculos, 
quando o individualismo triunfou no ocidente. 
17
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE I
De lá para cá a situação social da infância mantém contornos extremos. O 
mito da infância feliz esbarra cotidianamente na violência, no abandono, no 
consumo infantil, no abuso sexual, etc., que desvelam um outro lado do mundo 
infantil dos sonhos da humanidade, transformando-o “numa caricatura 
perversa do próprio mundo adulto”. 
As marcas dos contextos sociais, sempre presentes, mas mascaradas pelas abordagens centradas no 
indivíduo, gritam suas diferenças e imprimem novos contornos às “infâncias” da sociedade atual. 
Com uma vida organizada basicamente em função das expectativas e pretensões dos adultos, a 
criança volta novamente a ser vista como “adulto em miniatura”.
Mesmo tendo “conquistado” um espaço particular no mundo social, a criança, mais do que 
participar dele, torna-se depositária de nossas projeções; onde, então, preservar-se na liberdade e 
na independência em suas realizações? Projetando na infância seus anseios, a sociedade acaba por 
manter-se ambivalente em seus projetos educativos calcados, em alguns momentos, na preservação 
de uma infância idealizada, em outros, no enquadramento em um mundo adulto. 
Na sociedade centrada no adulto, a criança é promessa e potencialidade, uma condição a ser 
ultrapassada, e o adulto (educador) se relaciona, portanto, com um futuro adulto e não com uma 
criança concreta. 
Com todo esse passeio histórico sobre a infância e como a criança foi vista e tratada, 
será que tudo mudou ou podemos ver reflexos dessa história nos dias atuais? 
E a adolescência? Será que tem história para contar?
Concepções sobre a adolescência
Se existe alguma coisa quase certa é a de que cada pessoa tem uma opinião a dar 
quando o assunto é adolescência. Seja nossa própria história ou a de um adolescente 
conhecido, bombardeamos e somos bombardeados com opiniões que muitas vezes 
são carregadas de emoção e preconceito. Com o que foi aprendido até esse ponto, 
espera-se que ao menos antes de afirmarmos que sabemos tudo sobre um tema, 
seja dado um tempo antes. Vamos ver um pouco sobre a adolescência então?
Segundo Ferreira (1986), a adolescência é o período da vida humana que sucede a infância, começa 
com a puberdade, e se caracteriza por uma série de mudanças corporais e psicológicas, estendendo-
se aproximadamente dos doze aos vinte anos de idade. 
Período que se estende da terceira infância até a idade adulta, marcado por intensos processos 
conflituosos e persistentes esforços de autoafirmação. Corresponde a fase de absorção de valores 
sociais e elaboração de projetos que impliquem plena integração social.
Pode ser entendida como um processo de integração psicossocial, que pode na nossa sociedade, 
abranger um período de oito a nove anos e, por vezes até mais. Apresenta características bastante 
peculiares, se levarmos em consideração o ambiente sociocultural em que o indivíduo está inserido.
18
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
Diferente de uma fase problemática como o senso comum aponta, essa fase do desenvolvimento 
humano é marcada por mudanças físicas intensas (puberdade) que consequentemente impulsiona 
mudanças de tratamento e expectativa do meio em que os sujeitos estão inseridos.Aquele que até 
então era uma criança e tratada como tal, passa a ser cobrado como adulto de um dia para o outro, 
o problema é que o adolescente de repente não se encaixa mais no mundo infantil, mas não possui 
lugar (nem idade nem maturidade) no mundo dos adultos. Essa inadequação é grande responsável 
pelos comportamentos entendidos como difíceis do sujeito adolescente. 
Mais sobre a adolescência e os demais temas acima citados serão encontrados dentro das teorias 
e discussões que seguem. Uma vez sanada a questão inicial sobre as concepções, cabe retornar à 
discussão da ciência do desenvolvimento humano.
19
CAPÍTULO 2
A ciência do desenvolvimento humano
A Psicologia, comparada com as variadas ciências humanas e sociais, é um campo 
científico complexo cujo objeto é o sujeito, em suas várias facetas. Enquanto ciência 
se subdivide em diversas abordagens e possibilidades na busca da compreensão 
dos processos psicológicos de seu objeto. Possui uma história com diferentes 
olhares de como estudar tal fenômeno, mas nesta disciplina o foco é a construção 
de conhecimento na psicologia do desenvolvimento humano. 
Estudiosos do desenvolvimento enfrentam novos desafios neste século. As novas 
concepções de atuação profissional que enfatizam a prevenção e a promoção 
de saúde fazem com que profissionais de várias áreas busquem na psicologia do 
desenvolvimento subsídios teóricos e metodológicos para sua prática profissional. 
O que está em questão é o desenvolvimento harmônico do indivíduo, que integra 
não apenas um aspecto, mas todas as dimensões do desenvolvimento humano 
sejam elas: biológicas, cognitivas, afetivas ou sociais. 
O desenvolvimento humano é um processo de construção contínua que se estende ao longo da vida dos 
indivíduos, sendo fruto de uma organização complexa que envolve desde os componentes biológicos 
até as relações sociais. Até meados do século XX, embora diferentes áreas do saber estabelecessem 
parâmetros e critérios para estudar o desenvolvimento humano, não havia articulação entre estes 
saberes, resultando em pesquisas antagônicas e contraditórias (VAN GEERT, 2003).
A forma como os seres humanos se desenvolvem e se constituem na relação com os outros e com seu 
próprio sistema motivacional é de interesse da ciência psicológica. Conhecer as tendências clássicas 
e contemporâneas em psicologia do desenvolvimento humano, mesmo que um primeiro olhar é 
fundamental para que profissionais de várias áreas possam ampliar sua capacidade de atuação 
qualificada com o ser humano, em os mais diversos espaços institucionais ou privados. 
A ciência do desenvolvimento se concebe num conjunto de estudos interdisciplinares que se dedicam 
a entender os fenômenos relacionados ao desenvolvimento dos indivíduos, englobando diversas 
áreas da educação, psicologia, biologia, psicanálise, antropologia e áreas afins.
Um dos textos marcantes da ciência do desenvolvimento humanos, um clássico da psicologia, 
Biaggio (1978) fala da complicada missão de conceituar o desenvolvimento humano. A controvérsia 
emana sem dúvida do vasto campo de estudo que envolve esta disciplina. O desenvolvimento 
humano envolve o estudo de variáveis afetivas, cognitivas, sociais e biológicas em todo ciclo da vida. 
Desta forma faz interface com diversas áreas do conhecimento como: a biologia, a antropologia, a 
sociologia, a educação, a medicina entre outras.
20
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
Tradicionalmente, o estudo do desenvolvimento humano focou-se em compreender as fases da 
infância e da adolescência (também foco desta disciplina) o que resulta em grande parte dos manuais 
e matérias que tratam sobre o tema desenvolvimento hoje (BEE, 1984; COLE e COLE, 2004). 
Apesar de nos focarmos nessas duas fases, é necessário ressaltar que a visão de desenvolvimento 
humanos defendida nesta disciplina é a de um desenvolvimento global, que começa antes mesmo do 
nascimento e vai até a morte. O enfoque vem mudando ao longo das últimas décadas e há consenso 
que hoje devemos estudar todo o ciclo vital.
Nunca paramos de mudar e nos desenvolver e esta capacidade humana precisa ser pano de fundo 
diante de qualquer tipo de estudo e ação profissional daqueles que trabalham com os outros, 
sejam eles crianças, adolescentes, adultos, idosos. Até mesmo diante de perspectivas que discutem 
patologias ou estruturas de personalidade (como na psicanálise – outra grande contribuição na 
disciplina) até onde o sujeito se desenvolverá ou chegará é parte do instigante mistério da vida 
humana.
Estamos em constante mudança. As mudanças no desenvolvimento são adaptativas, sistemáticas 
e organizadas, e refletem essas situações internas e externas ao indivíduo que tem que se adaptar a 
um mundo em que as mudanças são constantes (PAPALIA; OLDS, 2000).
Variáveis internas podem ser entendidas como aquelas ligadas à maturação orgânica do indivíduo, 
as bases genéticas do desenvolvimento. Recentemente, os processos inatos que promovem o 
desenvolvimento humano voltam a ser discutidos por teóricos do desenvolvimento humano (COLE; 
COLE, 2004). 
As variáveis externas são aquelas ligadas à influência do ambiente no desenvolvimento. As 
abordagens sistêmicas de investigação do desenvolvimento humano há muito chamam atenção 
para a importância de se entender as diversas interações que ocorrem nos múltiplos contextos em 
que o desenvolvimento se dá. Incluindo-se nesta discussão uma análise do momento histórico em 
que o indivíduo se desenvolve. 
Biaggio (1978) argumenta que a especificidade da psicologia do desenvolvimento humano está em 
estudar as variáveis externas e internas aos indivíduos que levam as mudanças no comportamento 
em períodos de transição rápida (infância, adolescência e envelhecimento). Teorias contemporâneas 
do desenvolvimento aceitam que as mudanças são mais marcadas em períodos de transição rápida, 
mas mudanças ocorrem ao longo de toda a vida do indivíduo, não só nestes períodos. Portanto, é 
preciso se ampliar o escopo do entendimento do que é o estudo do desenvolvimento humano.
Assim, pelas questões acima citadas, consideramos que uma melhor definição de Psicologia do 
Desenvolvimento seria “O estudo, através de metodologia específica e levando em consideração 
o contexto sócio-histórico, das múltiplas variáveis, sejam elas cognitivas, afetivas, biológicas ou 
sociais, internas ou externas ao indivíduo que afetam o desenvolvimento humano ao longo da vida”.
Por meio da identificação dos fatores que afetam o desenvolvimento humano podemos pensar sobre 
trabalhos de intervenção mais eficazes, que levem a um desenvolvimento harmônico do indivíduo. 
Sendo assim, os conhecimentos gerados por essa área da psicologia trazem grandes contribuições 
21
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE I
para os trabalhos de prevenção e promoção de saúde. Aqui a concepção de saúde adquire uma 
perspectiva mais ampla e engloba os diversos contextos que fazem parte da vida dos indivíduos 
(escola, trabalho, família).
O interesse pelos anos iniciais de vida dos indivíduos tem origem na história do estudo científico do 
desenvolvimento humano, que se inicia com a preocupação com os cuidados e com a educação das 
crianças e com a própria concepção da infância (que veremos mais detalhadamente adiante neste 
Caderno de Estudos e Pesquisa ) como período particular do desenvolvimento (CAIRNS, 1983; 
COLE; COLE, 2004).
Mota (2005) sintetizou brilhantemente a história do desenvolvimento humano enquanto ciência e 
apresentou tal história em fases que merecem ser citadas aqui. Para a autora, o período formativo 
(de 1882 a 1912) aponta que os interesses de pesquisa nesta época envolviam principalmente a 
psicobiologia, psicologia da personalidade e desenvolvimento cognitivo.
 » A primeira fase (1920-1939) foi um período de grande investimento no estudo 
do desenvolvimento da criança, embora tenha se publicado os primeiros estudossobre envelhecimento e adolescência. Os principais interesses de estudo nesta 
época foram: o desenvolvimento intelectual, maturação e crescimento. Começa-se 
a criticar os métodos existentes de pesquisa na área do desenvolvimento humano. 
Sendo que a maioria das pesquisas ainda usa métodos descritivos e normativos. 
Há um aumento do interesse por estudos longitudinais e começa-se discutir a 
importância do uso deste tipo de metodologia para o estudo do desenvolvimento. 
Na prática o interesse por esse tipo de delineamento não se concretiza.
 » A próxima fase (1940 – 1959) foi grandemente influenciada pela depressão de 1930 
e pelas Guerras que levam a uma escassez de investimentos em pesquisa. Os avanços 
teóricos ficam limitados, pois como todos sabem métodos correlacionais não permitem 
que se estabeleçam relações de causa e efeito entre variáveis (BIAGGIO, 1978).
 » Na terceira fase (1960-1989) verificou-se uma re-emergência das pesquisas 
no campo do desenvolvimento. A Revolução Cognitiva atinge a psicologia do 
desenvolvimento. Vários aspectos da cognição são investigados dentro da abordagem 
do processamento de informação. Há um crescente interesse pela psicobiologia e 
pelas bases biológicas do comportamento. Aqui há a correlação entre dois saberes 
propostas nesta disciplina – desenvolvimento humano e cognição – destacando que 
apesar das divisões com fins didáticos, todo o conteúdo da disciplina fala de um 
movimento longo e complexo da construção do saber sobre o ser humano em sua 
trajetória de vida.
 » A quarta fase (1990- dias atuais) aponta para o caráter interdisciplinar da disciplina, 
a importância de se discutir e incorporar nas pesquisas os diversos contextos em que 
os indivíduos se desenvolvem, inclusive a dimensão histórica do desenvolvimento 
começa a ser discutida (DESSEN; COSTA JR, 2006). Na entrada do novo milênio os 
22
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
psicólogos do desenvolvimento são confrontados com novos desafios. Estes desafios 
envolvem, sobretudo, o caráter multidisciplinar dessa disciplina fazendo com que 
psicólogos do desenvolvimento precisem encontrar uma linguagem que facilite a 
comunicação entre profissionais de diferentes áreas de atuação (DESSEN; COSTA 
JR, 2006). Este é ainda um desafio que se tenta ultrapassar neste campo de atuação.
Cada vez mais o desenvolvimento é estudado ao longo do ciclo vital, ao invés da tradicional 
ênfase na infância e da adolescência. Em conclusão a ampliação da concepção de psicologia do 
desenvolvimento torna a produção nesta área de atuação bastante importante para elaboração de 
programas de intervenção na prevenção e promoção de saúde, especialmente nos contextos das 
práticas de profissionais da área de saúde e da de educação. Traz também com ela a necessidade de 
avanços metodológicos, para que se possam responder novas perguntas que surgem na medida em 
que o escopo da psicologia do desenvolvimento se amplia. 
Consciente dessas visões de mundo e da construção histórica da ciência do desenvolvimento 
humano cabe agora destacar algumas das principais teorias do desenvolvimento humano 
que possuem representatividade atual e que corroboram com a concepção interacionista do 
desenvolvimento.
Em busca de uma boa definição que resuma a visão de desenvolvimento humano 
apresentada até então e que terá eco com as teorias que serão apresentadas a seguir, 
destacamos a definição estabelecida por Ford e Lerner (1992): O desenvolvimento 
humano individual envolve processos de incremento e transformação que, pelo 
fluxo de interações entre as características atuais da pessoa e os contextos em que 
está inserida, produz uma sucessão de mudanças relativamente duradouras que 
elaboram ou aumentam a diversidade das características estruturais e funcionais da 
pessoa e os padrões de suas interações com o ambiente, ao mesmo tempo em que 
mantém a organização coerente e a unidade estrutural-funcional da pessoa como 
um todo.
Alguns olhares sobre o desenvolvimento 
humano
A psicologia é na verdade uma ciência que diversas abordagens que estudam o ser humano por 
diferentes fenômenos. Há abordagens que falam línguas parecidas e outras que não concordam em 
praticamente nada do que defendem sobre seu objeto de estudo. Acontece que todas as abordagens, 
parecidas ou não, possuem sua própria teoria de desenvolvimento humano. Independente dessas 
abordagens há um conjunto de estudiosos conhecidos como teóricos do desenvolvimento que são 
referência quando o assunto é o que estamos estudando aqui. Vamos conhecer três deles: Piaget, 
Vygotsky e Wallon.
23
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE I
Desenvolvimento humano segundo Piaget
Biografia
Figura 1. Jean Piaget
Jean Piaget (1896-1980) foi um renomado psicólogo e filósofo suíço, conhecido por seu trabalho 
pioneiro no campo da inteligência infantil. Piaget passou grande parte de sua carreira profissional 
interagindo com crianças e estudando seu processo de raciocínio. Seus estudos tiveram um grande 
impacto sobre os campos da Psicologia e Pedagogia. 
Nasceu no dia 9 de agosto de 1896, em Neuchâtel, na Suíça. Foi um menino prodígio. Interessou-se 
por História Natural ainda em sua infância. Aos 11 anos de idade, publicou seu primeiro trabalho 
sobre sua observação de um pardal albino. Esse breve estudo é considerado o início de sua brilhante 
carreira científica. Aos sábados, Piaget trabalhava gratuitamente no Museu de História Natural. 
Piaget frequentou a Universidade de Neuchâtel, onde estudou Biologia e Filosofia. Ele recebeu seu 
doutorado em Biologia em 1918, aos 22 anos de idade. Após formar-se, Piaget foi para Zurich, onde 
trabalhou como psicólogo experimental. Lá ele frequentou aulas lecionadas por Jung e trabalhou 
como psiquiatra em uma clínica. Essas experiências influenciaram-no em seu trabalho. Ele passou a 
combinar a psicologia experimental - que é um estudo formal e sistemático - com métodos informais 
de psicologia: entrevistas, conversas e análises de pacientes.
Em 1919, Jean Piaget mudou-se para a França, onde foi convidado a trabalhar no laboratório de 
Alfred Binet, um famoso psicólogo infantil que desenvolveu testes de inteligência padronizados 
para crianças. Jean Piaget notou que crianças francesas da mesma faixa etária cometiam erros 
semelhantes nesses testes e concluiu que o pensamento lógico se desenvolve gradualmente.
O ano de 1919 foi um marco em sua vida. Jean Piaget iniciou seus estudos experimentais sobre a 
mente humana e começou a pesquisar também sobre o desenvolvimento das habilidades cognitivas. 
24
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
Seu conhecimento de Biologia levou-o a enxergar o desenvolvimento cognitivo de uma criança como 
sendo uma evolução gradativa.
Em 1921, Jean Piaget voltou à Suíça e tornou-se diretor de estudos no Instituto J. J. Rousseau 
da Universidade de Genebra. Lá ele iniciou o maior trabalho de sua vida, ao observar crianças 
brincando e registrar meticulosamente as palavras, ações e processos de raciocínio delas.
Casou-se com Valentine Châtenay, uma de suas ex-alunas em 1923, com quem teve três filhas. Suas 
teorias foram, em grande parte, baseadas em estudos e observações de suas filhas que ele realizou 
ao lado de sua esposa. Seus estudos tiveram um grande impacto sobre os campos da Psicologia e 
Pedagogia.
Morreu em Genebra, em setembro de 1980 com 84 anos.
Algumas contribuições teóricas
As teorias de Jean Piaget tentam nos explicar como se desenvolve a inteligência nos seres humanos. 
Daí o nome dado a sua ciência de Epistemologia Genética, que é entendida como o estudo dos 
mecanismos do aumento dos conhecimentos. Convém esclarecer que as teorias de Piaget têm 
comprovação em bases científicas. Ou seja, ele não somente descreveu o processo de desenvolvimento 
da inteligência, mas, experimentalmente, comprovou suas teses. 
Resumir a teoria de JeanPiaget não é uma tarefa fácil, pois sua obra tem mais páginas que a 
Enciclopédia Britânica. Desde que se interessou por desvendar o desenvolvimento da inteligência 
humana, Piaget trabalhou compulsivamente em seu objetivo, até às vésperas de sua morte, em 1980, 
aos oitenta e quatro anos, deixando escrito aproximadamente setenta livros e mais de quatrocentos 
artigos.
A teoria de Piaget sobre o desenvolvimento cognitivo classifica o desenvolvimento em quatro etapas, 
e comprova que os seres humanos passam por uma série de mudanças previsíveis e ordenadas. 
Ou seja, geralmente todos os indivíduos vivenciam todos os estágios na mesma sequência, porém 
o inicio e o termino de cada estágio sofre variações dadas às diferenças individuais de natureza 
biológica ou do meio ambiente em que o indivíduo está inserido.
Para Piaget há a separação, no processo cognitivo entre aprendizagem e desenvolvimento. A 
aprendizagem faz referência a uma resposta particular, aprendida em função da experiência, 
obtida de forma ordenada (sistematizada) ou não. Já o desenvolvimento seria uma aprendizagem 
de fato. Responsável, portanto pela formação do conhecimento. A aprendizagem se dá pelos 
processos de assimilação, acomodação e os esquemas. O desenvolvimento passa por 4 estágios: 
sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal. Piaget considera 
4 períodos no processo evolutivo da espécie humana que são caracterizados “por aquilo que 
o indivíduo consegue fazer melhor” no decorrer das diversas faixas etárias ao longo do seu 
processo de desenvolvimento. 
25
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE I
O modelo piagetiano prima pelo rigor científico de sua produção, ampla e consistente ao longo de 
70 anos, que trouxe contribuições práticas importantes, principalmente, ao campo da educação, 
muito embora, curiosamente, aliás, a intenção de Piaget não tenha propriamente incluído a ideia 
de formular uma teoria específica de aprendizagem (LA TAILLE, 1992; BOCK et. al.,2002; COLL, 
1992; etc.).
Piaget formula o conceito de epigênese, argumentando que “o conhecimento não procede nem 
da experiência única dos objetos nem de uma programação inata pré-formada no sujeito, mas de 
construções sucessivas com elaborações constantes de estruturas novas” (PIAGET, 1976). Quer 
dizer, o processo evolutivo da filogenia humana tem uma origem biológica que é ativada pela ação 
e interação do organismo com o meio ambiente - físico e social - que o rodeia (COLL, 1992; LA 
TAILLE, 1992; FREITAS, 1999), significando entender com isso que as formas primitivas da mente, 
biologicamente constituídas, são reorganizadas pela psique socializada, ou seja, existe uma relação 
de interdependência entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer.
Esse processo, por sua vez, se efetua através de um mecanismo autorregulatório que consiste no 
processo de equilíbrio progressivo do organismo com o meio em que o indivíduo está inserido, como 
procuraremos expor em seguida.
Piaget sustenta que a gênese do conhecimento está no próprio sujeito, ou seja, o pensamento lógico 
não é inato ou tampouco externo ao organismo, mas é fundamentalmente construído na interação 
homem-objeto. Quer dizer, o desenvolvimento da filogenia humana se dá através de um mecanismo 
autorregulatório que tem como base um ‘kit’ de condições biológicas (inatas, portanto), que é ativado 
pela ação e interação do organismo com o meio ambiente - físico e social.
Simplificando ao máximo, o desenvolvimento humano, no modelo piagetiano, é explicado segundo o 
pressuposto de que existe uma conjuntura de relações interdependentes entre o sujeito conhecedor 
e o objeto a conhecer. Esses fatores que são complementares envolvem mecanismos bastante 
complexos e intrincados que englobam o entrelaçamento de fatores que são complementares, 
tais como: o processo de maturação do organismo, a experiência com objetos, a vivência social e, 
sobretudo, a equilibração do organismo ao meio.
A construção do conhecimento ocorre quando acontecem ações físicas ou mentais sobre objetos 
que, provocando o desequilíbrio, resultam em assimilação ou, acomodação e assimilação dessas 
ações e, assim, em construção de esquemas ou conhecimento. Em outras palavras, uma vez que a 
criança não consegue assimilar o estímulo, ela tenta fazer uma acomodação e após, uma assimilação 
e o equilíbrio é, então, alcançado.
A Assimilação é o processo cognitivo de colocar (classificar) novos eventos em esquemas existentes. 
É a incorporação de elementos do meio externo (objeto, acontecimento entre outros) a um esquema 
ou estrutura do sujeito. Em outras palavras, é o processo pelo qual o indivíduo cognitivamente capta 
o ambiente e o organiza possibilitando, assim, a ampliação de seus esquemas. Na assimilação o 
indivíduo usa as estruturas que já possui.
Em relação à Acomodação, esta pode ser vista como a modificação de um esquema ou de uma 
estrutura em função das particularidades do objeto a ser assimilado.
26
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
A acomodação pode ser de duas formas, visto que se pode ter duas alternativas: (a) criar um novo 
esquema no qual se possa encaixar o novo estímulo, ou (b) modificar um já existente de modo que 
o estímulo possa ser incluído nele. 
Após ter havido a acomodação, a criança tenta novamente encaixar o estímulo no esquema e aí 
ocorre a assimilação. Por isso, a acomodação não é determinada pelo objeto e sim pela atividade do 
sujeito sobre este, para tentar assimilá-lo.
O balanço entre assimilação e acomodação é chamado de adaptação. 
O conceito de equilibração torna-se especialmente marcante na teoria de Piaget pois ele representa 
o fundamento que explica todo o processo do desenvolvimento humano. Trata-se de um fenômeno 
que tem, em sua essência, um caráter universal, já que é de igual ocorrência para todos os indivíduos 
da espécie humana, mas que pode sofrer variações em função de conteúdos culturais do meio em 
que o indivíduo está inserido. 
Em síntese, pode-se dizer que, para Piaget, o equilíbrio é o norte que o organismo almeja, mas 
que paradoxalmente nunca alcança (LA TAILLE, op. cit.), haja vista que no processo de interação 
pode ocorrer desajustes do meio ambiente que rompem com o estado de equilíbrio do organismo, 
eliciando esforços para que a adaptação se restabeleça. 
Desenvolvimento humano segundo Vygotsky
Biografia
Figura 2 - Lev Semenovich Vygotsky
Lev Semenovich Vygotsky nasceu em 1896 na cidade de Orsha, na Rússia, e morreu em Moscou 
em 1934, vítima de tuberculose aos 38 anos. Formou-se em Direito, História e Filosofia nas 
Universidades de Moscou e A. L. Shanyavskii, respectivamente.
27
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE I
Aos 18 anos, matriculou-se no curso de medicina em Moscou, mas acabou cursando a faculdade 
de direito. Formado, voltou a Gomel, na Bielo-Rússia, em 1917, ano da revolução bolchevique, que 
ele apoiou. Lecionou literatura, estética e história da arte e fundou um laboratório de psicologia – 
área em que rapidamente ganhou destaque, graças a sua cultura enciclopédica, seu pensamento 
inovador e sua intensa atividade, tendo produzido mais de 200 trabalhos científicos.
Em 1924, casa-se com Roza Smekhova. Tiveram duas filhas. Desde 1920 conviveu com a 
tuberculose. Apesar de sua formação em Direito, destacou-se à época por suas críticas literárias 
e análises do significado histórico e psicológico das obras de Arte, trabalhos que posteriormente 
foram incorporados no livro “Psicologia da Arte”, escrito entre 1924 e 1926, incluindo naturalmente 
a tese de doutorado sobre Psicologia da Arte, que defendeu em 1925. O seu interesse pela Psicologia 
levou-o a uma leitura crítica de toda produção teórica de sua época, nomeadamente as teorias da 
“Gestalt”, da Psicanálise e o “Behaviorismo”, além das ideias do educador suíço Jean Piaget.
A experiência vivida na formação de professores levou-oao estudo dos distúrbios de aprendizagem 
e de linguagem, das diversas formas de deficiências congênitas e adquiridas, a exemplo da afasia. 
Complementando a sua formação para estudo da etiologia de tais distúrbios, graduou-se em 
Medicina retomando o curso iniciado e substituído por Direito em Moscou e retomado e concluído 
em Kharkov. O seu interesse em Medicina estava associado à manutenção do grupo de pesquisa 
(“troika”) de neuropsicologia com Alexander Luria e Alexei Nikolaievich Leontiev. As suas principais 
contribuições à defectologia estão reunidas no livro “Psicologia Pedagógica”.
Seu interesse simultâneo pelas funções mentais superiores, cultura, linguagem e processos 
orgânicos cerebrais pesquisados por neurofisiologistas russos com quem conviveu especialmente 
Luria e Leotiev, em diversas contribuições no “Instituto de Deficiências de Moscou”, na direção do 
departamento de Educação (especial) de Narcompros, entre outros institutos, além das publicações 
sobre o tema, encontram-se reunidos na obra “A Formação Social da Mente”, em que aborda os 
problemas da gênese dos processos psicológicos tipicamente humanos, analisando-os desde a 
infância à luz do seu contexto histórico-cultural.
Devido a vários fatores, inclusive a tensão política entre os Estados Unidos e a União Soviética após 
a última guerra, o trabalho de Lev Semenovich Vygotsky permaneceu desconhecido a grande parte 
do mundo ocidental durante décadas. Por esses dados biográficos podemos perceber de início o 
pano de fundo que influenciou decisivamente a sua formação e o seu trabalho: a revolução russa de 
1917 e o período de solidificação que se sucede. Vygotsky é um marxista e tenta desenvolver uma 
psicologia com estas características. 
Vygotsky desenvolve sua teoria em uma Rússia devastada pela guerra e cujo objetivo dos dirigentes 
que conduziam o novo estado era o de promover uma renovação para reconstruir o país, e sob a 
tutela da teoria marxista, uma nova sociedade, o que implicaria, também, a construção de uma nova 
ciência. Diante de tal quadro, ele propôs, então, uma nova psicologia que, baseada no método e nos 
princípios do materialismo dialético, compreendesse o aspecto cognitivo a partir da descrição e 
explicação das funções psicológicas superiores, as quais, na sua visão, eram determinadas histórica 
e culturalmente. 
28
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
A teoria de Vygotsky chega ao ocidente por meio de dois livros básicos: Pensamento e Linguagem 
e A Formação Social da Mente (respectivamente VYGOTSKY, 1993 e VYGOTSKY, 1991). O estilo 
nessas obras é bastante sintético e muitas vezes há apenas um delineamento de ideias. Sua obra é 
aberta e propiciou diferentes caminhos teóricos que foram tomados por aqueles seguidores de suas 
premissas.
Algumas contribuições teóricas
Contemporâneo de Piaget, Vygotsky apresenta sua teoria conhecida como Histórico Cultural. 
Algumas correntes teóricas da psicologia contemporânea apoiaram-se nas contribuições da 
concepção interacionista para elaborar explicações sobre o desenvolvimento humano. Entre essas 
produções teóricas, a abordagem histórico-cultural, com especial destaque para os trabalhos de 
Vygotsky (1989, 1991), evidencia a relação entre o indivíduo e seu contexto, pois integra os aspectos 
individual, social, cultural e histórico.
Vygotsky teve contato com a obra de Piaget e, embora teça elogios a ela em muitos aspectos, 
também a critica, por considerar que Piaget não deu a devida importância à situação social e ao 
meio. Ambos atribuem grande importância ao organismo ativo, mas Vygotsky destaca o papel do 
contexto histórico e cultural nos processos de desenvolvimento e aprendizagem, sendo chamado de 
sociointeracionista, e não apenas de interacionista como Piaget.
Piaget coloca ênfase nos aspectos estruturais e nas leis de caráter universal (de origem biológica) 
do desenvolvimento, enquanto Vygotsky destaca as contribuições da cultura, da interação social e a 
dimensão histórica do desenvolvimento mental. Mas, ambos são construtivistas em suas concepções 
do desenvolvimento intelectual. Ou seja, sustentam que a inteligência é construída a partir das 
relações recíprocas do homem com o meio.
Para essa abordagem, o desenvolvimento é influenciado pela aprendizagem que ocorre nas relações 
que partilhamos, nas experiências que vivenciamos e no contexto sociocultural do qual fazemos 
parte.
Seus interesses pela psicologia originam-se na preocupação com a gênese da cultura. Por entender 
que o homem é o construtor da cultura. A teoria por ele proposta surge como meio de superar o 
quadro apresentado pela psicologia, que se encontrava dividida em duas orientações: a naturalista e 
a mentalista. Na sua percepção, tal divisão acentuava a questão do dualismo mente-corpo, natureza-
cultura e consciência-atividade.
Vygotsky fala de um homem histórico e não do homem abstrato e universal; cuja origem e o 
desenvolvimento dos processos psicológicos superiores é social. Nesta perspectiva, o processo de 
desenvolvimento segue duas linhas diferentes em sua origem: um processo elementar, de base 
biológica, e um processo superior de origem sociocultural.
Quando nos desenvolvemos, estamos modificando ativamente o conhecimento que está disponível 
no nosso grupo social. Assim, o conhecimento se dá, inicialmente, a partir do mundo social e cultural 
para, só depois, ser transformado em nosso mundo interno.
29
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE I
Não aprendemos nem nos desenvolvemos apenas quando estamos “maduros” ou “prontos” para 
uma atividade, porque a aprendizagem pode desenvolver novas capacidades e habilidades que antes 
não existiam. 
As pessoas já nascem em um mundo que é histórico e social. Histórico porque nosso desenvolvimento 
é influenciado pelas experiências e conquistas de muitos outros indivíduos ao longo dos tempos. 
Social porque esse conhecimento é organizado e estruturado pelos grupos sociais (família, escola, 
trabalho, outros grupos etc.).
É dessa forma que o indivíduo tem uma participação ativa na construção do seu desenvolvimento, 
porque ele vai formando e transformando o conhecimento de si e do mundo, por meio da interação 
com as outras pessoas de seu grupo social.
A construção de cada indivíduo é influenciada pelo seu contexto, pela sua história e pelas relações 
sociais que partilha. Assim, o desenvolvimento humano se caracteriza em uma dimensão social e 
histórica.
A preocupação com o desenvolvimento cultural da humanidade levou Vygotsky a envolver-se 
com a infância, por meio de alguns estudos que lhe permitissem compreender o comportamento 
humano. Para isso dedicou-se ao estudo da “pedologia” – ciência da criança, voltada para o estudo 
do desenvolvimento humano, articulando os aspectos psicológicos, antropológicos e biológicos.
O caminho trilhado por Vygotsky baseou-se sempre nas contribuições de Marx, buscando sempre 
compreender o homem em processos constantes de interação social. Vale ressaltar que o interesse 
por questões educacionais, diferentemente de Piaget, sempre esteve presente em sua obra, sendo 
considerado por muitos, como que responsável pela elaboração de uma teoria de educação, enquanto 
atividade sócio-historicamente determinada. 
Suas preocupações foram direcionadas para o entendimento das origens sociais e das bases 
culturais do desenvolvimento individual, tendo como pressuposto fundamental que tais processos 
psicológicos superiores se desenvolvem nas crianças por meio da imersão cultural nas práticas das 
sociedades, pela aquisição dos símbolos e instrumentos tecnológicos da sociedade e pela educação 
em todas as suas formas.
Construiu sua teoria tendo por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo 
sócio-histórico, enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento, sendo 
essa teoria considerada histórico-social. Sua questão central é a aquisiçãode conhecimentos pela 
interação do sujeito com o meio.
As concepções de Vygotsky sobre o processo de formação de conceitos remetem às relações entre 
pensamento e linguagem, à questão cultural no processo de construção de significados pelos 
indivíduos, ao processo de internalização e ao papel da escola na transmissão de conhecimento, que 
é de natureza diferente daqueles aprendidos na vida cotidiana. Propõe uma visão de formação das 
funções psíquicas superiores como internalização mediada pela cultura.
30
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
As concepções de Vygotsky sobre o funcionamento do cérebro humano colocam que ele é a base 
biológica, e suas peculiaridades definem limites e possibilidades para o desenvolvimento humano. 
Essas concepções fundamentam sua ideia de que as funções psicológicas superiores (por ex. 
linguagem, memória) são construídas ao longo da história social do homem, em sua relação com o 
mundo. Desse modo, as funções psicológicas superiores referem-se aos processos voluntários, ações 
conscientes, mecanismos intencionais e dependem de processos de aprendizagem.
Os postulados básicos da teoria de Vygotsky dão destaque à mudança em quatro níveis históricos 
– filogênico (desenvolvimento das espécies), histórico (história dos seres humanos), ontogênico 
(história individual das crianças e microgenético; desenvolvimento de processos psicológicos 
particulares) – para que uma teoria do desenvolvimento humano seja elaborada consistentemente. 
Esses níveis foram considerados por ele e seus colaboradores, na proposição de suas teorias, na 
escola sócio-histórica. Aplicá-los ao problema do desenvolvimento cognitivo e da escolarização 
formal, permite-nos compreendê-los de forma mais aprofundada.
Há que se destacar, também, para o entendimento de sua teoria, no que se refere à relação entre 
desenvolvimento e aprendizagem, a contribuição deixada a respeito da “zona de desenvolvimento 
proximal”. 
Para Vygotsky, o desenvolvimento e a aprendizagem são processos interativos, no entanto, cabe ao 
processo de aprendizagem, realizado em um contexto social específico, possibilitar o processo de 
desenvolvimento, “o aprendizado pressupõe uma natureza social específica e um processo através 
do qual as crianças penetram na vida intelectual daqueles que as cercam”.
Por outro lado, há a teoria histórico-cultural, em que o vetor é do social para o individual. Essa 
teoria de Vygotsky vê o sujeito em sua totalidade, um sujeito concreto, datado, situado. Ela não vê 
apenas o desenvolvimento cognitivo, mas a integração de todos os desenvolvimentos e do sujeito 
com o meio.
A aprendizagem realiza-se, sempre, em um contexto de interação, por meio da internalização de 
instrumentos e signos que levam à apropriação do conhecimento. Vygotsky confere, portanto, 
grande importância à escola (lugar da aprendizagem e da produção de conceitos científicos); ao 
professor (mediador dessa aprendizagem) e às relações interpessoais pelas quais o processo se 
completa.
A escola trabalha com o conhecimento científico, relacionando-o ao conhecimento espontâneo 
ou cotidiano da criança. Os conceitos espontâneos são formados pela criança em sua experiência 
cotidiana, no contato com as pessoas de seu meio, de sua cultura, em confronto com uma situação 
concreta. Os conceitos científicos não são diretamente acessíveis à observação ou à ação imediata 
da criança, sendo adquiridos por meio do ensino, como parte de um sistema organizado de 
conhecimentos, mediante processos deliberados de instrução escolar.
A linguagem, sistema simbólico dos grupos humanos, representa um salto qualitativo na evolução da 
espécie. É ela que fornece os conceitos, as formas de organização do real, a mediação entre o sujeito 
e o objeto do conhecimento. É por meio dela que as funções mentais superiores são socialmente 
formadas e culturalmente transmitidas, portanto, sociedades e culturas diferentes produzem 
estruturas diferenciadas.
31
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE I
A cultura fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da realidade, ou seja, o 
universo de significações que permite construir a interpretação do mundo real. Ela dá o local de 
negociações no qual seus membros estão em constante processo de recriação e reinterpretação de 
informações, conceitos e significações.
O processo de internalização é fundamental para o desenvolvimento do funcionamento psicológico 
humano. A internalização envolve uma atividade externa que deve ser modificada para tornar-se 
uma atividade interna, é interpessoal e se torna intrapessoal.
Outro conceito central na teoria a o de Mediação: uma ideia para a compreensão de suas concepções 
sobre o desenvolvimento humano como processo sócio-histórico é a ideia de mediação: enquanto 
sujeito do conhecimento o homem não tem acesso direto aos objetos, mas acesso mediado, por meio 
de recortes do real, operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe, portanto enfatiza a construção 
do conhecimento como uma interação mediada por várias relações, ou seja, o conhecimento não 
está sendo visto como uma ação do sujeito sobre a realidade, assim como no construtivismo e sim, 
pela mediação feita por outros sujeitos. O outro social pode apresentar-se por meio de objetos, da 
organização do ambiente, do mundo cultural que rodeia o indivíduo.
Lev Vygotsky introduziu a noção de ZDP nos seus últimos escritos, na década de 1930, no bojo 
das discussões que levantava sobre a relação entre aprendizagem e desenvolvimento. Afinado com 
a ideologia marxista do materialismo histórico-dialético, Vygotsky tinha um interesse especial 
pelas questões da educação, particularmente da instrução escolar. Afirmava que o ensino eficaz 
não é aquele que espera o desenvolvimento cognitivo infantil, porém aquele que se antecipa a ele, 
impulsionando-o e incidindo sobre a ZDP. Ou, nas palavras de Vygotsky (1993), “o ensino deve 
orientar-se não ao ontem, senão ao amanhã do desenvolvimento infantil”. 
O pensador russo tinha grande preocupação com a instrução escolar e, consequentemente, atribuía 
à escola e ao professor um importante papel no desenvolvimento infantil. Vygotsky (1993) explica 
da seguinte maneira o conceito de ZDP, apontando para a importância do ensino e da instrução: A 
diferença entre “o nível de desenvolvimento atual, que se determina com ajuda das tarefas resolvidas 
de forma independente, e o nível que alcança a criança ao resolver as tarefas, não por sua conta, 
senão em colaboração, é o que determina a zona de desenvolvimento proximal” (p. 239).
Existem, pelo menos dois níveis de desenvolvimento identificados por Vygotsky: um real, já adquirido 
ou formado, que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria, e um potencial, ou seja, 
a capacidade de aprender com outra pessoa.
A aprendizagem interage com o desenvolvimento, produzindo abertura nas zonas de desenvolvimento 
proximal (distância entre aquilo que a criança faz sozinha e o que ela é capaz de fazer com a 
intervenção de um adulto; potencialidade para aprender, que não é a mesma para todas as pessoas; 
ou seja, distância entre o nível de desenvolvimento real e o potencial) nas quais as interações 
sociais são centrais, estando então, ambos os processos, aprendizagem e desenvolvimento, inter-
relacionados; assim, um conceito que se pretenda trabalhar, como por exemplo, em matemática, 
requer sempre um grau de experiência anterior para a criança.
32
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
A imitação é, em geral, uma das vias fundamentais no desenvolvimento cognitivo e cultural da 
criança. O próprio processo de imitação pressupõe uma determinada compreensão do significado 
da ação do outro. Neste sentido, o processo imitativo também se coloca como campo possibilitador 
de criação de ZDP, porque a criança poderá, por imitação, realizar ações que vão além de sua 
capacidade atual.Para Vygotsky, enquanto imita, a criança apreende a atividade do outro e realiza aprendizagem. 
Ela não faz uma mera cópia da ação do outro, como um ato mecânico, mas se envolve na atividade 
intelectualmente, o que implica representá-la e avaliar a adequação de sua imitação.
Brincadeira infantil
Outro contexto importante, no qual Vygotsky se refere à ZDP, é aquele relacionado à brincadeira 
infantil. Para ele, na brincadeira – referia-se especificamente ao jogo simbólico – a ação da criança 
se subordina ao seu significado. Este é o que importa e define o jogo, diferentemente da situação 
real, na qual a ação tem o predomínio em relação ao significado. Portanto, isso possibilita à criança 
ir além de sua própria capacidade. 
Assim, o brinquedo cria uma zona de desenvolvimento proximal da criança. No brinquedo, a criança 
sempre se comporta além do comportamento habitual de sua idade, além de seu comportamento 
diário; no brinquedo é como se ela fosse maior do que é na realidade.
 » Instrução Educacional: Para Vygotsky, a instrução (referindo-se ao ensino) 
deve ser orientada para os processos de desenvolvimento que se encontram 
em amadurecimento e consolidação na zona de desenvolvimento proximal. Ele 
alertava que a ZDP deveria ser considerada levando em conta tanto o nível de 
desenvolvimento da criança como a natureza da instrução.
Ganha importância, assim, o aspecto das precondições de desenvolvimento da criança e as 
possibilidades de aprendizagem, condicionadas a uma intervenção instrucional que funcione como 
mediadora no processo ensino/aprendizagem. Operar sobre a zona de desenvolvimento proximal 
possibilita trabalhar sobre as funções “em desenvolvimento”, ainda não plenamente consolidadas, 
mas sem necessidade de esperar sua configuração final para começar uma aprendizagem.
Alguns autores consideram a ZDP como um espaço de troca de significados e sentidos (simbólico) que se 
estabelece na interação entre indivíduos, em que circula o conhecimento e as aprendizagens acontecem. 
Assim, o interesse é a análise do processo de interação que possibilita a emergência da ZDP.
 » Conceito de Mediação e Privação: É fundamental a ação dos adultos no mundo 
da criança, seja na família, seja na vida escolar. As ações executadas, no sentido 
de orientar as aprendizagens infantis, constituem o que Vygotsky entende por 
mediação. A qualidade e a intensidade da mediação vão determinar em boa 
medida a condição positiva do desenvolvimento e da aprendizagem da criança. Em 
contrapartida, a presença fragilizada dos mediadores junto à criança pode provocar 
um desenvolvimento cognitivo e afetivo prejudicado, truncado, com reflexos diretos 
na aprendizagem escolar.
33
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE I
Assim, a criança, com uma aprendizagem lenta e difícil, pode ser uma criança cujo histórico de vida 
aponta para uma história de privação, de relacionamentos familiares conflituosos ou ausentes. Um 
resultado direto desta situação pode ser a dificuldade da criança para organizar-se cognitivamente, 
para estabelecer um processo coerente de pensamento, pode ser a impulsividade da criança no 
aprender, a hiperatividade. 
Vygotsky e a educação
O desenvolvimento cognitivo é produzido pelo processo de internalização da interação social 
com materiais fornecidos pela cultura, sendo que o processo se constrói de fora para dentro. Para 
Vygotsky, a atividade do sujeito refere-se ao domínio dos instrumentos de mediação, inclusive sua 
transformação por uma atividade mental. Para ele, o sujeito não é apenas ativo, mas interativo, 
porque forma conhecimentos e se constitui a partir de relações intra e interpessoais. Assim, a escola é 
o lugar em que a intervenção pedagógica intencional desencadeia o processo ensino-aprendizagem.
O professor tem o papel explícito de interferir no processo, diferentemente de situações informais 
nas quais a criança aprende por imersão em um ambiente cultural. Portanto, é papel do docente 
provocar avanços nos alunos e isso se torna possível com sua interferência na zona proximal.
O aluno não é tão somente o sujeito da aprendizagem, mas, aquele que aprende junto ao outro o que 
o seu grupo social produz, tal como: valores, linguagem e o próprio conhecimento.
A formação de conceitos espontâneos ou cotidianos desenvolvidos no decorrer das interações sociais 
diferenciam-se dos conceitos científicos adquiridos pelo ensino, parte de um sistema organizado de 
conhecimentos.
A aprendizagem é fundamental ao desenvolvimento dos processos internos na interação com 
outras pessoas. Ao observar a zona proximal, o educador pode orientar o aprendizado no sentido de 
adiantar o desenvolvimento potencial de uma criança, tornando-o real. Nesse ínterim, o ensino deve 
passar do grupo para o indivíduo. Em outras palavras, o ambiente influenciaria a internalização das 
atividades cognitivas no indivíduo, de modo que, o aprendizado gere o desenvolvimento. Portanto, 
o desenvolvimento mental só pode realizar-se por intermédio do aprendizado.
Como muito foi falado sobre esse pensador, segue uma síntese de seus principais 
pensamentos (LUCCI, 2006):
Os objetivos de sua teoria são caracterizar os aspectos tipicamente humanos do 
comportamento e elaborar hipóteses de como essas características se formam ao 
longo da história humana e de como se desenvolvem durante a vida do indivíduo:
 » o homem é um ser histórico-social ou, mais abrangentemente, um ser 
histórico-cultural; o homem é moldado pela cultura que ele próprio cria; 
 » o indivíduo é determinado nas interações sociais, ou seja, é por meio da 
relação com o outro e por ela própria que o indivíduo é determinado; 
é na linguagem e por ela própria que o indivíduo é determinado e é 
determinante de outros indivíduos; 
 » a atividade mental é exclusivamente humana e é resultante da 
aprendizagem social, da interiorização da cultura e das relações sociais; 
34
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
 » o desenvolvimento é um longo processo marcado por saltos qualitativos 
que ocorrem em três momentos: da filogênese (origem da espécie) para 
a sociogênese (origem da sociedade); da sociogênese para a ontogênese 
(origem do homem) e da ontogênese para a microgênese (origem do 
indivíduo único);
 » o desenvolvimento mental é, em sua essência, um processo sociogenético; 
 » a atividade cerebral superior não é simplesmente uma atividade nervosa 
ou neuronal superior, mas uma atividade que interiorizou significados 
sociais derivados das atividades culturais e mediada por signos; 
 » a atividade cerebral é sempre mediada por instrumentos e signos; 
 » a linguagem é o principal mediador na formação e no desenvolvimento 
das funções psicológicas superiores; 
 » a linguagem compreende várias formas de expressão: oral, gestual, 
escrita, artística, musical e matemática; 
 » o processo de interiorização das funções psicológicas superiores é 
histórico, e as estruturas de percepção, a atenção voluntária, a memória, 
as emoções, o pensamento, a linguagem, a resolução de problemas e o 
comportamento assumem diferentes formas, de acordo com o contexto 
histórico da cultura; 
 » a cultura é interiorizada sob a forma de sistemas neurofísicos que 
constituem parte das atividades fisiológicas do cérebro, as quais permitem 
a formação e o desenvolvimento dos processos mentais superiores.
Desenvolvimento humano segundo Wallon
Biografia
Figura 3 - Henri Wallon
Henri Wallon nasceu em Paris, França, em 1879. Graduou-se em medicina e psicologia. Fez também 
filosofia. Atuou como médico na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), ajudando a cuidar de pessoas 
com distúrbios psiquiátricos. 
35
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE I
Em 1925, criou um laboratório de psicologia biológica da criança. Quatro anos mais tarde, tornou-se professor 
da Universidade Sorbonne e vice-presidente do Grupo Francês de Educação Nova - instituição queajudou a revolucionar o sistema de ensino daquele país e da qual foi presidente de 1946 até morrer, 
também em Paris, em 1962.
Ao longo de toda a vida, dedicou-se a conhecer a infância e os caminhos da inteligência nas crianças. 
Militante de esquerda, ele participou das forças de resistência contra Adolf Hitler e foi perseguido 
pela Gestapo (a polícia política nazista) durante a Segunda Guerra (1939-1945). Em 1947, propôs 
mudanças estruturais no sistema educacional francês. Coordenou o projeto Reforma do Ensino, 
conhecido como Langevin-Wallon - conjunto de propostas equivalente à nossa Lei de Diretrizes 
e Bases. Nele, por exemplo, está escrito que nenhum aluno deve ser reprovado numa avaliação 
escolar.
Em 1948, lançou a revista Enfance, que serviria de plataforma de novas ideias no mundo da educação 
- e que rapidamente se transformou numa espécie de bíblia para pesquisadores e professores.
Faleceu em 1962.
Algumas contribuições teóricas
A gênese da inteligência para Wallon é genética e organicamente social, ou seja, “o ser humano é 
organicamente social e sua estrutura orgânica supõe a intervenção da cultura para se atualizar” 
(DANTAS, 1992). Nesse sentido, a teoria do desenvolvimento cognitivo de Wallon é centrada na 
psicogênese da pessoa completa.
Wallon teve como ponto de estudo principal “a afetividade”; para ele, a pessoa é formada por sua 
relação com o meio, sua hereditariedade, sua cognição e seu afetivo. Dentro dessa perspectiva 
Walloniana, trabalhamos o tratamento individualizado, o lúdico e o concreto, valorizando a 
identidade estrutural e funcional de nossas crianças.
Henri Wallon reconstruiu o seu modelo de análise ao pensar no desenvolvimento humano, 
estudando-o a partir do desenvolvimento psíquico da criança. Assim, o desenvolvimento da criança 
aparece descontínuo, marcado por contradições e conflitos, resultado da maturação e das condições 
ambientais, provocando alterações qualitativas no seu comportamento em geral.
Wallon realiza um estudo que é centrado na criança contextualizada, em que o ritmo no qual 
se sucedem as etapas do desenvolvimento é descontínuo, marcado por rupturas, retrocessos 
e reviravoltas, provocando em cada etapa profundas mudanças nas anteriores. Nesse sentido, 
a passagem dos estágios de desenvolvimento não se dá linearmente, por ampliação, mas por 
reformulação, instalando-se no momento da passagem de uma etapa a outra, crises que afetam a 
conduta da criança. Conflitos se instalam nesse processo e são de origem exógena quando resultantes 
dos desencontros entre as ações da criança e o ambiente exterior, estruturado pelos adultos e pela 
cultura e endógenos e quando gerados pelos efeitos da maturação nervosa (GALVÃO, 1995). Esses 
conflitos são propulsores do desenvolvimento.
36
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
Tendo em vista a proposta do atendimento à criança na Educação Infantil que engloba os aspectos 
funcionais e relacionais, é necessário que a escola e o educador conheçam os diferentes momentos 
do desenvolvimento da criança de 0 a 6 anos.
Segundo Wallon (1977; 1995), a criança deve ser estudada na sucessão das etapas de desenvolvimento 
caracterizadas pelos domínios funcionais da afetividade, do ato motor e do conhecimento, entendidos 
como sendo desenvolvidos, primordialmente, pelo meio social.
Os estágios do desenvolvimento propostos por Wallon (1977; 1995) têm início na vida 
intrauterina, caracterizada por uma simbiose orgânica. Após o nascimento, apresenta-se o 
estágio impulsivo-emocional no qual prevalece a emoção, caracterizado como o período da 
simbiose afetiva.
A predominância da afetividade orienta as primeiras reações do bebê às pessoas, às quais 
intermediam sua relação com o mundo físico. No período seguinte, que vai até os 2 anos de idade, a 
criança encontra-se no estágio sensório-motor e projetivo, voltando-se para a exploração do mundo 
físico. Gradualmente, com a aquisição da marcha e da linguagem, a criança apresenta modificações 
no seu padrão de interação com o mundo.
A aquisição da marcha e da prensão, dão à criança maior autonomia na manipulação de objetos e 
na exploração dos espaços. Também, nesse estágio, ocorre o desenvolvimento da função simbólica 
e da linguagem. O termo projetivo refere-se ao fato da ação do pensamento precisar dos gestos para 
se exteriorizar. O ato mental “projeta-se” em atos motores. Como diz Dantas (1992), para Wallon, o 
ato mental se desenvolve a partir do ato motor.
A partir dos 3 anos, ocorre o estágio do personalismo, momento da constituição do eu, no qual a 
criança em seu confronto com o outro passa por uma verdadeira crise de personalidade, caracterizada 
pelas mudanças nas suas relações com o seu entorno e pelo aparecimento de novas aptidões. Wallon 
(1977; 1995) considera esse estágio, que vai até os 6 anos de idade, como sendo muito importante 
para a formação da personalidade. Nesse estágio desenvolve-se a construção da consciência de si 
mediante as interações sociais, reorientando o interesse das crianças pelas pessoas.
Interlocução com as teorias de Piaget e Freud 
Destaca-se na teoria de Piaget as contradições e dessemelhanças entre as suas teorias, pois 
considerava esse o melhor procedimento quando se busca o conhecimento. Por parte de Piaget 
existia uma constante disposição em buscar da continuidade e complementariedade de suas obras. 
Os dois se propunham a análise genética dos processos psíquicos, no entanto, Wallon pretendia a 
gênese da pessoa e Piaget a gênese da inteligência.
Com a psicanálise de Freud mantém uma atitude de interesse e ao mesmo tempo de reserva. Embora 
com formação similar (neurologia e medicina) a prática de atuação os levou a caminhos distintos. 
Freud abandonando a neurologia para dedicar-se a terapia das neuroses e Wallon mantém-se ligado 
a esta devido ao seu trabalho com crianças com distúrbios de comportamento.
37
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE I
O método adotado por Wallon é o da observação pura. Considera que esta metodologia permite 
conhecer a criança em seu contexto, “só podemos entender as atitudes da criança se entendermos 
a trama do ambiente no qual está inserida”. Ao ingressar na escola, a família ainda se constitui 
no grupo por excelência para a criança. No entanto, a escola proporciona uma diversificação dos 
grupos nos quais a criança poderá se inserir. O papel do grupo formado por crianças da mesma 
idade passa a ser o de favorecer a aprendizagem social, ou seja, o convívio com os padrões e regras 
sociais. Durante esse estágio, o grupo permitirá à criança diferenciar-se dos outros e descobrir sua 
autonomia e sua originalidade (WALLON, 1995).
Wallon na educação infantil
O estágio do personalismo divide-se em três períodos distintos, todos com o objetivo de tornar o eu 
mais independente e diversificado. São eles: período da negação, idade da graça e período 
da imitação. 
No primeiro, o da negação, surge na criança a necessidade de se autoafirmar, de impor sua visão 
pessoal e lutar para fazer prevalecer sua opinião.
No período seguinte, o da idade da graça, por volta dos quatro anos de idade, a criança desenvolve 
maneiras de ser admirada e chamar a atenção para si pela sedução, com uma necessidade de 
agradar cujo objetivo é obter a aprovação dos demais. A criança passa a se considerar em função 
da admiração que acredita poder despertar nas pessoas. Ressalta-se a importância da oferta de 
oportunidades de expressão espontânea da criança, por meio de atividades como a música, a dança, 
as artes etc. Exercitar na criança as habilidades de representação do seu meio, ou seja, por meio 
do faz-de-conta ou do uso da linguagem, contribui para que ela adquira uma precisão maior na 
expressão de seu eu (GALVÃO, 1992).
O terceiro período, o da imitação, por volta dos 5 anos, é marcado por uma reaproximação ao 
outro, manifestada pelo gosto por imitar, que possui um papel essencial na assimilação do mundoexterior. O professor deve observar que sua figura geralmente desperta o desejo de identificação no 
aluno, devendo estar consciente de tal fato para estabelecer sua conduta. Wallon (1977) entende 
a imitação como uma necessidade de identificar-se com a realidade percebida para identificá-la 
melhor.
A partir dessas considerações, verifica-se que a Educação Infantil possui um papel importantíssimo 
na formação da personalidade da criança, visto que permite a sua adaptação à vivência em 
comunidade, em grupos que vão além dos limites familiares, e contribui para a formação do eu 
psíquico. A escola pode estimular o desenvolvimento de valores saudáveis nas interações, tais como 
a cooperação, a solidariedade, o companheirismo e o coletivismo. As atividades em grupo devem 
alternar-se com atividades individuais fazendo assim uso das alternâncias comuns nesse estágio 
para promover o desenvolvimento de mais recursos de personalidade.
Outros tantos pensadores poderiam ter sido apresentados neste Caderno de Estudos e Pesquisa 
em suas contribuições e suas teorias do desenvolvimento humano. Uma teoria que veremos mais 
adiante é a Psicanálise e como esta concebe o desenvolvimento infantil e adolescente.
38
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
Nessa aproximação com a discussão do desenvolvimento humano, sua história e alguns de seus 
renomados representantes, já iniciamos a apresentação de alguns fenômenos humanos que 
compõem o estudo da cognição (um dos grandes temas desta disciplina). Vamos a seguir discorrer 
um pouco mais sobre o tema antes de aprofundarmos o olhar sobre a psicanálise.
39
CAPÍTULO 3
Sobre a cognição: contribuições da 
psicologia cognitiva
O que é cognição? É a estruturação do conhecimento, o ato ou processo de conhecer, 
inclui estados mentais e processos como pensar, a atenção, o raciocínio, a memória, 
o juízo, a imaginação, o pensamento, o discurso, a percepção visual e audível, a 
aprendizagem, a consciência, as emoções.
Assim como todos os movimentos revolucionários da Psicologia, o movimento cognitivo não surgiu 
de uma hora para outra. Muitas características já haviam surgido antes em teorias que trabalhavam 
direta ou indiretamente com o tema como podemos ver com os teóricos que foram apresentados. O 
interesse na consciência era claro, no período inicial da psicologia, antes da disciplina ser considerada 
uma ciência normal, quando ainda estava associada aos filósofos como Platão e Aristóteles.
Quando Wundt (que é considerado por alguns o pai da Psicologia Científica) instituiu a psicologia 
como disciplina científica independente, seu trabalho concentrou-se na consciência. Ele pode 
ser considerado o precursor da psicologia cognitiva contemporânea devido a ênfase do seu 
trabalho na atividade criativa da mente. As escolas de pensamento estruturalista e funcionalista 
abordavam a consciência, estudando seus elementos e suas funções. O behaviorismo, no entanto, 
alterou radicalmente essa visão, descartando a consciência e ignorando-a por cerca de 50 anos, 
ou seja, consciência e cognição é assunto tão antigo e estudado como o próprio ser humano e o 
desenvolvimento humano.
Um precursor da psicologia cognitiva foi o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), que escreveu 
seu primeiro trabalho científico com 10 anos e viria, mais tarde, a estudar com Jung. Piaget também 
trabalhou com Théodore Simon, que, juntamente com Alfred Binet, desenvolveu o primeiro teste 
psicológico de habilidade mental. Piaget ajudava a aplicar os testes nas crianças. Posteriormente se 
tornaria importante por seu trabalho sobre o desenvolvimento infantil não com base nos estágios 
psicossexuais, conforme propunha Freud, mas em função dos estágios cognitivos.
As hipóteses iniciais de Piaget, publicadas em 1920 e 1930, embora altamente influentes na Europa, 
não foram muito bem-aceitas nos Estados Unidos por sua incompatibilidade com a posição 
behaviorista. Os primeiros teóricos cognitivos, no entanto, receberam bem a ênfase de Piaget nos 
fatores cognitivos. E, à medida que as ideias da Psicologia Cognitiva tomavam conta da psicologia 
americana, a importância dos conceitos de Piaget ficava ainda mais evidente. Em 1969, ele foi o 
primeiro psicólogo europeu a receber o Prêmio de Destaque pela contribuição científica. O enfoque 
do seu trabalho na criança ajudou a ampliar o campo de aplicação da psicologia cognitiva.
Com essa bagagem referencial, a Psicologia Cognitiva estuda os processos de aprendizagem e de 
aquisição de conhecimento. Atualmente, é um ramo da psicologia dividido em inúmeras linhas de 
pesquisas e algumas vezes discordantes entre si.
40
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
Cognição significa a aquisição de um conhecimento pela percepção, é o conjunto dos processos 
mentais usados no pensamento e na percepção, também na classificação, reconhecimento e 
compreensão para o julgamento por meio do raciocínio para o aprendizado de determinados 
sistemas e soluções de problemas. De uma maneira mais simples, podemos dizer que cognição é a 
forma como o cérebro percebe, aprende, recorda e pensa sobre toda informação captada pelos cinco 
sentidos.
Mas a cognição é mais do que simplesmente a aquisição de conhecimento e consequentemente, 
a nossa melhor adaptação ao meio - é também um mecanismo de conversão do que é captado 
para o nosso modo de ser interno. Ela é um processo pelo qual o ser humano interage com os 
seus semelhantes e com o meio em que vive, sem perder a sua identidade existencial. Ela começa 
com a captação dos sentidos e logo em seguida ocorre a percepção. É, portanto, um processo 
de conhecimento, que tem como material a informação do meio em que vivemos e o que já está 
registrado na nossa memória.
A psicologia cognitiva estuda a cognição, os processos mentais que estão por detrás do 
comportamento. É uma das disciplinas da ciência cognitiva. Esta área de investigação cobre 
diversos domínios, examinando questões sobre a memória, atenção, percepção, representação de 
conhecimento, raciocínio, criatividade e resolução de problemas. Pode-se definir cognição como 
a capacidade para armazenar, transformar e aplicar o conhecimento, sendo um amplo leque de 
processos mentais.
O problema do conhecimento humano sempre esteve intimamente relacionado com os temas 
estudados pela Psicologia Cognitiva. É totalmente divergente de outras abordagens da psicologia 
por dois motivos principais: 
 » Refuta a introspecção e adota o método científico positivista como método válido 
de investigação, o que contraria os métodos fenomenológicos, como a psicologia 
freudiana, por exemplo. 
 » Defende a existência de estados mentais internos, tais como: o desejo; as crenças 
(conjunto de suposições desejadas, inconsciente ou conscientemente por indivíduos 
ou grupos); as motivações (impulso de materialização do desejo na conduta dos 
indivíduos de forma consciente ou inconsciente), tais estados mentais vão contra os 
preceitos da psicologia comportamental.
Jean Piaget é um dos principais representantes da psicologia cognitiva, que ao contrário do que 
muitos pensam (e que já vimos anteriormente) não construiu uma teoria da aprendizagem, mas 
uma teoria do desenvolvimento mental humano. Conforme Piaget, a aprendizagem é entendida 
como o aumento do conhecimento e apenas ocorre aprendizagem quando o esquema de assimilação 
passa pelo processo de acomodação. Em outras palavras, para que alguém aprenda é preciso que 
haja uma reconfiguração da estrutura cognitiva (esquemas de assimilação) do indivíduo, resultando 
em novos esquemas de assimilação cognitiva.
A ideia de estrutura cognitiva é primordial para a compreensão da teoria de Piaget, elas 
podem ser definidas como modelos de ação física e mental próprias de atos característicos de 
41
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE I
inteligência e que correspondem aos estágios do desenvolvimento infantil.Para relembrar, 
segundo Piaget, existem quatro estágios de desenvolvimento, ou seja, quatro estruturas 
cognitivas primárias: sensório-motor, pré-operacional, operacional concreto e operacional 
formal. No primeiro estágio, sensório-motor (0-2 anos), a inteligência se expressa em ações 
motoras. No estágio pré-operatório (3-7 anos) a inteligência é de natureza intuitiva. Já no 
terceiro estágio, o operatório-concreto (8-11 anos), o desenvolvimento da inteligência se volta 
para operações lógicas, mas ainda na dependência de referenciais concretos. E no estágio final 
do desenvolvimento cognitivo, o operatório-formal (12-15 anos), é que o pensamento passa a 
realizar abstrações.
É por meio de processos de adaptação: assimilação e acomodação, que as estruturas cognitivas se 
transformam. A assimilação refere-se à interpretação de eventos por meio das estruturas cognitivas 
existentes, e a acomodação diz respeito à modificação da estrutura cognitiva com a finalidade de 
compreender o meio. A teoria de Piaget aproxima-se de outras teorias de aprendizagem construtivistas 
(VYGOTSKY e BRUNER) ao afirmar que o desenvolvimento cognitivo de um indivíduo consiste em 
seu constante esforço adaptar-se ao meio em que vive em termos de assimilação e acomodação.
Na tentativa de compreender a amplitude da Psicologia Cognitiva torna-se relevante argumentar 
acerca dos modelos mentais, que se configuram como as imagens, as abstrações, os pressupostos e 
as histórias que estruturam nossa mente. Desse modo, tais imagens, histórias, ideias enquadram o 
modo de ser de cada sujeito, de perceber as outras pessoas, e tudo que está em sua volta, inclusive 
os sentimentos, denominando-se assim cognições.
Pode-se entender as cognições como um conjunto de conhecimentos ou crenças. A partir disso, a 
pessoa estabelece um conjunto de estratégias que utiliza para aprimorar sua relação com o meio. 
Assim, as cognições são pensamentos ou autoafirmações atuais de uma pessoa, bem como suas 
percepções, avaliações, atitudes, lembranças, objetivos, padrões, valores, expectativas e atribuições. 
Tem-se então, as estratégias mentais que vão sendo construídas e desenvolvidas.
Gardner apud Senge (2007) afirma que nossos modelos mentais determinam não apenas a forma 
como entendemos o mundo, mas também como agimos. Os modelos são ativos, moldam nossa 
forma de agir. Se temos a crença de que não podemos confiar nas pessoas, agimos de forma diferente 
do que agiríamos se acreditássemos que são dignas de confiança. Felizmente, por mais distorcidos 
que sejam nossos modelos mentais, há sempre a possibilidade de alteração.
Para bem compreendermos os modelos mentais cabe ressaltar alguns aspectos, assim como 
enfatizar que esse modelo determina o que visto e sentido. Entretanto, não são estáticos, podem ser 
aperfeiçoados a fim de estar a serviço de uma melhor adaptação em prol de propiciar um bem estar 
e adaptabilidade.
Em conclusão, pode-se considerar que a psicologia cognitiva é uma área que objetiva estudar as 
funções e processos mentais do sujeito, bem como a memória, percepção, atenção, raciocínio. Desse 
modo, enfatiza-se que o interesse da Psicologia Cognitiva recai sobre a natureza do conhecimento, 
com base em estudos empíricos. A partir desse estudo foi possível conhecer as motivações e os 
interesses para o surgimento desse saber psicológico, entender algumas considerações sobre 
essa área e ainda tecer algumas considerações sobre o manejo desse profissional que trabalha 
especificamente com a cognição.
42
UNIDADE I │ A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
Em uma ocasião, Jerome Bruner descreveu a Psicologia Cognitiva como “uma revolução cujos 
limites ainda não podem ser previstos” (BRUNER, 1983, p. 274). O cientista Roger Sperry, ganhador 
do prêmio Nobel, comentou que a revolução da consciência ou cognitiva, comparada às revoluções 
psicanalítica e behaviorista na psicologia, é a reviravolta mais radical; a mais revisionista e mais 
transformadora.
O impacto da Psicologia Cognitiva é sentido na maioria das áreas de interesse das comunidades 
de psicologia americana e europeia. Ademais, os psicólogos cognitivos têm tentado aprofundar 
e consolidar o trabalho de diversas grandes disciplinas em um estudo unificado de aquisição do 
conhecimento. Essa perspectiva, intitulada ciência cognitiva, é uma fusão de psicologia cognitiva, 
linguística, antropologia, filosofia, ciência da computação, inteligência artificial e neurociência. 
Embora George Miller questionasse o que se transformaria a união de campos de estudo tão distintos 
(ciências cognitivas, ele sugeriu em vez de ciência cognitiva), não há como negar o crescimento 
da abordagem multidisciplinar. Vários laboratórios e institutos de ciência cognitiva foram criados 
nas universidades dos Estados Unidos; alguns departamentos de psicologia passaram a se chamar 
departamentos de ciência cognitiva. Qualquer que seja o nome, a abordagem cognitiva para o estudo 
do fenômeno mental e dos processos mentais passou a dominar a psicologia e as disciplinas aliadas.
A psicologia cognitiva não está terminada. Está ainda em evolução, marcando o lugar na história em 
andamento, portanto, ainda é cedo demais para avaliar suas contribuições definitivas. A disciplina 
é dotada de características de uma escola de pensamento: publicações próprias especializadas, 
laboratórios, encontros, desencontros, jargões e convicções, bem como o zelo dos adeptos. 
Até o momento falamos sobre a ciência psicológica, uma ciência da consciência humana. Mesmo 
não falando a mesma língua ou partindo de pressupostos em comum, os vários autores e teorias até 
então estudados evidenciam de maneira particular a relação entre o ser humano e seu meio na sua 
constituição enquanto sujeito único e social. 
O grande desafio dessa disciplina é o de tentar apontar para direções completamente opostas 
para demonstrar que há uma gama de saberes que corroboram entre si ou não, e cada um com 
sua metodologia e visão de mundo possui seus adeptos, defensores e é claro, seus críticos. Agora 
que muito foi lido e aprendido sobre a psicologia da consciência sobre o desenvolvimento humano 
e cognição, partiremos para a segunda parte desta disciplina: qual a visão de uma teoria do 
inconsciente frente aos temas desenvolvimento humano e cognição?
43
UNIDADE II
A CONTRIBUIÇÃO DA 
TEORIA PSICANALÍTICA 
SOBRE OS ESTUDOS 
DO DESENVOLVIMENTO 
HUMANO
Nesta parte II da nossa disciplina continuaremos a discutir o desenvolvimento humano, mais 
especificamente a infância e adolescência, só que agora numa visão da humanidade e do mundo 
virtualmente oposta ao que até então estudamos: na perspectiva psicanalítica.
Antes de discutirmos a psicanálise infantil, vamos falar um pouco sobre essa teoria e seu criador.
CAPÍTULO 1
Introdução às premissas fundamentais 
da psicanálise
Biografia
Figura 4 - Sigmund Freud
Em 6 de maio de 1856 nasceu em Freiberg, Sigmund Freud o criador da psicanálise. No ano 1877, 
abreviou o nome de Sigismund Schlomo Freud para Sigmund Freud. Freud foi o filho mais velho 
44
UNIDADE II │ A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
(entre sete filhos) do terceiro casamento de Jacob Freud e Amalia Freud. Devido à má situação 
econômica, a família mudou-se para Viena, Áustria.
Formou-se em Medicina da Universidade de Viena em 1873. Fez um curso de Psiquiatria, o que 
aumentou seu interesse pelas relações entre sintomas mentais e distúrbios físicos.
Aos 26 anos, recebeu seu diploma de médico. Apesar de se dirigir relutantemente para a clínica 
particular, seus interesses principais permaneciam na área da observação e exploração científicas. 
Freud obteve uma bolsa e foi para Paris trabalhar com Charcot que pesquisava a possibilidade de 
induzir ou aliviar sintomas histéricos com sugestão hipnótica. Freud percebeu que, na histeria, os 
pacientes exibem sintomas que são anatomicamente inviáveis. Tornou-se claro para Freud que a 
histeriaera uma doença psíquica cuja origem requeria uma explicação psicológica.
O trabalho na França aumentou seu interesse pela hipnose e pela histeria. Amplia suas pesquisas 
e descobre que os sintomas de pacientes histéricos baseiam-se em cenas do seu passado que 
lhes causaram grande impressão, mas foram esquecidas (traumas); a terapêutica, nisto apoiada, 
consistia em fazê-los lembrar e reproduzir essas experiências em um estado de hipnose. Ele achou, 
no entanto, que a hipnose não era tão efetiva quanto esperava. Afinal abandonou-a por completo 
passando a encorajar seus pacientes a falarem livremente e a relatarem o que quer que pensassem 
independentemente da aparente relação – ou falta de relação – com seus sintomas. Durante o 
desenvolvimento de suas pesquisas, utilizou-se por um tempo do método catártico.
Em 1896, Freud usou pela primeira vez o termo “psicanálise” para descrever seus métodos. Um 
dos procedimentos que desenvolveu foi a “livre associação”, método utilizado, em substituição 
à hipnose, que consistia em deitar o paciente no divã (espécie de sofá sem encosto) e encorajá-
lo a dizer o que viesse à sua mente. Freud analisava todo o material que aparecesse, e buscava 
entendê-los e encontrar os desejos, temores, conflitos, pensamentos e lembranças que pudessem se 
relacionar e que estivessem além do conhecimento consciente do paciente.
Em fevereiro de 1923 foi descoberto um tumor maligno, imediatamente foi feita uma cirurgia. 
Freud tinha que usar uma prótese. Após 33 cirurgias, tinha dificuldade em falar, mas mantinha suas 
atividades de rotina, abandonando apenas os problemas do movimento psicanalítico.
Casou com Martha Bernays. O casal teve seis filhos, um dos quais, Ana, tornou-se discípula, porta-
voz do pai, e psicanalista. Em março de 1938, quando da invasão da Áustria pela Alemanha, com 
a intervenção do diplomata americano William Bullitt e de um resgate pago por Marie Bonaparte, 
Freud e sua família deixaram Viena indo para Londres, residindo em Maresfield Gardens, 20; hoje 
Freud Museum. 
Freud passou sua vida desenvolvendo, ampliando e elucidando a psicanálise. Pelo poder de sua obra, 
pela amplitude e audácia de suas especulações, revolucionou o pensamento, as vidas e a imaginação 
de uma era. Seria difícil encontrar na história das ideias, alguém cuja influência fosse tão imediata, 
tão vasta e tão profunda. 
Morreu em Londres em 1939.
45
A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE II
A psicanálise
Fundada por Sigmund Freud (1856-1939), a teoria psicanalítica não se desenvolveu no ambiente da 
história da Psicologia, mas no da Medicina. O interesse de Freud era descobrir as causas da doença 
mental. De início, Freud buscou causas orgânicas, lesões cerebrais, ou fatores patogênicos para as 
neuroses e psicoses, tal qual a orientação desenvolvida pela medicina experimental. 
Fortemente influenciado por Charcot, médico francês que fez uso da sugestão hipnótica no tratamento 
da histeria, Freud põe em dúvida a abordagem organicista da psiquiatria da época e passa a utilizar 
uma abordagem psicológica para o estudo da doença mental. Apesar de usar o modelo cartesiano 
de ciência, discorda dos racionalistas no que se refere à razão humana. Para Freud, o homem é 
grandemente comandado pelo inconsciente, sendo que a consciência lógica e racional representa 
uma fina camada sobre um vasto domínio de forças instintivas e inconscientes. 
Freud defende algumas premissas básicas. Recupera a importância da afetividade para a Psicologia 
e postula o inconsciente como objeto de estudo, quebrando a tradição desta como ciência da 
consciência e da razão. 
Destaca a importância do estudo das fases do desenvolvimento infantil, os estudos dos determinantes 
da personalidade e a aplicabilidade da Psicanálise.
A Psicanálise, muito mais do que uma visão de mundo é concomitantemente uma teoria, uma 
técnica e um método que permite a criação de um espaço privilegiado no qual o sofrimento psíquico 
e o psiquismo são examinados.
Apesar de que nessa disciplina o foco é a visão de Freud e a Psicanálise acerca da infância e da 
adolescência, é imperativo uma apresentação resumida das teorias psicanalíticas que dão suporte e 
se correlacionam entre si.
Alguns fundamentos da Psicanálise
Podemos imaginar o jovem médico Freud, em contato com vários pacientes psiquiátricos sem 
problemas físicos aparentes que justificassem suas afasias, paralisias e cegueiras, por exemplo, e 
se perguntar: O que aconteceu a essas pessoas e porque quando questionadas estas não conseguem 
racionalmente explicar ou mesmo se lembrar de toda sua história? Qual poderia ser a causa de os 
pacientes esquecerem tantos fatos de sua vida interior e exterior?
A partir de questionamentos assim e pesquisas diversas, Freud construiu uma teoria complexa e 
polêmica. 
1a Teoria de personalidade (consciente, pré-consciente e 
inconsciente)
A primeira tentativa de construir uma teoria de personalidade, Freud traz a noção de inconsciente 
que será o pano de fundo de toda sua discussão, junto com as pulsões e libido do 
homem. Ele aponta que nossa psique possuía três partes interligadas: o consciente, o 
pré- consciente e o inconsciente.
46
UNIDADE II │ A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
 » Consciente - Segundo Freud, o consciente é somente uma pequena parte da mente, 
incluindo tudo do que estamos cientes num dado momento. O interesse de Freud 
era muito maior com relação às áreas da consciência menos expostas e exploradas, 
que ele denominava Pré-Consciente e Inconsciente. Tem a função de recepcionar 
as informações provenientes do exterior e do interior, mas sem conservar nenhum 
traço, nenhuma marca duradoura dessas informações. A consciência será um fato 
fugaz, e nunca um arquivo. Estas informações excitarão, no sistema Consciente, 
uma espécie de registro qualitativo sensível ao prazer e ao desprazer. O sistema 
Consciente cuida dos processos do pensamento e do juízo, e funciona em conjunção 
com o Inconsciente.
 » Pré-consciente - Estritamente falando, o Pré-Consciente é uma parte do 
Inconsciente, uma parte que pode tornar-se consciente com facilidade. As porções 
da memória que nos são facilmente acessíveis fazem parte do Pré-Consciente. Estas 
podem incluir lembranças de ontem, o segundo nome, as ruas onde moramos, certas 
datas comemorativas, nossos alimentos prediletos, o cheiro de certos perfumes 
e uma grande quantidade de outras experiências passadas. O Pré-Consciente é 
como uma vasta área de posse das lembranças de que a consciência precisa para 
desempenhar suas funções. Sua principal característica é que seus conteúdos podem 
ser recuperados por um ato da vontade, o que não ocorre com os do Inconsciente. 
Um conteúdo mental qualquer pode ser consciente ou inconsciente. Mas bastará 
um ato da vontade para fazê-lo entrar ou não na Consciência. O que caracteriza o 
Pré-Consciente é a capacidade voluntária de se chegar a ele.
 » Inconsciente – A premissa inicial de Freud era de que há conexões entre todos 
os eventos mentais e quando um pensamento ou sentimento parece não estar 
relacionado aos pensamentos e sentimentos que o precedem, as conexões estariam 
no inconsciente. Uma vez que estes elos inconscientes são descobertos, a aparente 
descontinuidade está resolvida. 
No inconsciente estão elementos instintivos não acessíveis à consciência. Além disso, há também 
material que foi excluído da consciência, censurado e reprimido. Este material não é esquecido 
nem perdido, mas não é permitido ser lembrado. O pensamento ou a memória ainda afetam a 
consciência, mas apenas indiretamente.
O inconsciente, por sua vez, não é apático e inerte, havendo uma vivacidade e imediatismo em 
seu material. Memórias muito antigas quando liberadas à consciência, podem mostrar que não 
perderam nada de sua força emocional. Assim sendo, para Freud a maior parte da consciência é 
inconsciente. Ali estão os principais determinantesda personalidade, as fontes da energia psíquica, 
as pulsões e os instintos.
2a Teoria de personalidade (ID, EGO e SUPEREGO)
Depois de anos de pesquisa e estudo, Freud reescreveu sua teoria da personalidade trazendo, a 
partir de 1920, especificamente após seu polêmico artigo “Além do Princípio do Prazer”, Freud 
47
A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE II
elabora sua segunda e definitiva concepção do aparelho psíquico, chamada Segundo Tópico, cujos 
componentes são ID, EGO e SUPEREGO.
 » O ID: Única instância equivalente com a primeira teoria (equivale ao inconsciente). 
É o polo psicobiológico da personalidade, constituído fundamentalmente por 
pulsões. Reservatório e fonte da energia psíquica, sendo que as outras duas 
instâncias são originárias dele. É regido pelo Princípio do Prazer.
 » O EGO (EU): Tem origem no Id em contato com o mundo exterior. Funciona 
proporcionando à pessoa estabilidade e identidade. Está a serviço da autoconservação 
na medida em que administra as exigências procedentes do Id, do Superego e do 
mundo exterior. É regido pelo Princípio da Realidade.
 » O SUPEREGO: Herdeiro do Complexo de Édipo e está constituído pelo precipitado 
das identificações com as exigências e proibições dos pais. Encontram-se no superego 
os valores ditados pela cultura em que viveu o sujeito, assim como suas crenças, 
visão de mundo e ideologias. É quem indica, assinala, determina e estabelece, a 
partir da história infantil do sujeito, o que ele deve fazer, preferir ou desejar. Regula 
e inibe os desejos do ID que possam ir contra seus sistemas reguladores de valores.
As observações de Freud revelaram uma série interminável de conflitos e acordos psíquicos. A um 
instinto opunha-se outro. Eram proibições sociais que bloqueavam pulsões biológicas e os modos 
de enfrentar situações frequentemente chocavam-se uns com os outros.
Esses três subsistemas se relacionam. A meta fundamental da psique é manter e recuperar, quando 
perdido, um nível aceitável de equilíbrio dinâmico que maximiza o prazer e minimiza o desprazer. 
A energia que é usada para acionar o sistema nasce no Id, que é de natureza primitiva, instintiva. O 
Ego, emergindo do Id, existe para lidar realisticamente com as pulsões básicas do Id e também age 
como mediador entre as forças que operam no Id e no Superego e as exigências da realidade externa. 
O Superego, emergindo do Ego, atua como um freio moral ou força contrária aos interesses práticos 
do Ego. Ele fixa uma série de normas que definem e limitam a flexibilidade deste último.
O Id é inteiramente inconsciente, o Ego e o Superego o são em parte. Grande parte do Ego e do 
Superego pode permanecer inconsciente e é normalmente inconsciente. Isto é, a pessoa nada 
sabe dos conteúdos e é necessário despender esforços para torná-los conscientes. Nesses termos, 
o propósito prático da psicanálise é, na verdade, fortalecer o Ego, fazê-lo mais independente 
do Superego, ampliar seu campo de percepção e expandir sua organização, de maneira a poder 
assenhorear-se de novas partes do Id (FREUD, 1933).
48
CAPÍTULO 2
O olhar psicanalítico sobre a infância
Freud criou uma teoria do desenvolvimento infantil a partir das experiências em consultório com 
seus pacientes adultos. No final do século XIX e início do século XX, Freud surpreendeu a sociedade 
europeia divulgando suas ideias relacionadas à sexualidade infantil. Em suas ideias, determinou que 
a sexualidade infantil pudesse ser conhecida pelas três fases distintas que poderiam se manifestar 
nos primeiros meses de vida ou na fase dos 5 e 6 anos.
A questão da sexualidade na infância foi sempre um dos pontos mais polêmicos de sua teoria. Freud, 
na prática clínica investigava as causas e funcionamento das neuroses. Percebeu que a maioria 
de pensamentos e desejos reprimidos tratava-se de conflitos de ordem sexual localizados nos 
primeiros anos de vida e inferiu que as ocorrências deste período da vida deixam marcas profundas 
na estruturação da pessoa.
Na teoria freudiana, sexualidade não designa apenas as atividades e o prazer que dependem do 
funcionamento do aparelho genital, mas toda uma série de excitações e de atividades presentes 
desde a infância.
Para Freud, é sobretudo a existência de uma sexualidade infantil, que atua desde o princípio da vida, 
que amplia o conceito de sexualidade.
Ao falar da sexualidade infantil, não reconhece apenas a existência de excitações ou de necessidades 
genitais precoces, mas todas aquelas que geram prazer, como sucção do polegar, independente do 
exercício de uma função biológica, como a nutrição.
As descobertas colocam a sexualidade no centro da vida psíquica, e é postulada a existência da 
sexualidade infantil. Os principais aspectos são:
 » A função sexual existe desde o princípio da vida;
 » O desenvolvimento sexual é longo e complexo até chegar a sexualidade adulta.
Teoria do desenvolvimento psicossexual
Cria a teoria do desenvolvimento psicossexual que possui cinco fases, denominadas de: Fase oral, 
Fase anal, Fase Fálica, Latência e Fase Genital.
49
A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE II
Fase oral
Esta fase organiza-se em torno da região da boca, lábios e língua. O prazer é sentido pelo bebê pelas 
experiências com a boca. Sugar, chupar e engolir são atividades predominantes nesta primeira fase. 
É importante distingui-las da alimentação e da necessidade que tem o bebê de saciar a fome. Estamos 
falando de uma possibilidade de o bebê se autoestimular e com isso receber sensações agradáveis e 
tranquilizadoras.
A fonte corporal das excitações pulsionais se dá predominantemente na zona bucal. A boca não 
é apenas aquela cavidade anatômica que cumpre determinadas funções de ordem biológica, mas 
também qualquer outro sistema ou atividade corporal que preencha os requisitos essenciais deste 
modelo; corpo oco, aconchegante, com movimentos de inclusão e expulsão etc, será entendido 
como boca. 
É pela boca que se mobilizará na luta pela preservação do equilíbrio com o meio, provando e 
conhecendo o mundo. A boca, para um bebê, corresponde ao seu órgão de sentido mais especializado, 
que mais informações lhe fornece a respeito do mundo. Além disso, é o órgão pelo qual ele pode 
obter prazer, obter alívio de tensões, alcançando conforto.
A criança na fase fetal já desenvolve o instinto da sucção. O bebê, logo após seu nascimento, acha 
prazer na sucção do seio materno e no vazio que sente quando retira a boca do seio. Seu gozo é 
inconsciente, agarrando-se ao seio materno com satisfação, olhando para os olhos da mãe durante 
este momento, tendo o fator alimentar se estabelecido como desejo secundário. A criança chupa 
tudo o que encontra, os dedos, lápis, só pelo prazer da sucção.
Freud mostrou que quando a sucção produz prazer, é combinada a fricção de certas partes do corpo, 
como a orelha, umbigo ou os genitais externos, sendo estes atos caracterizados como o movimento 
precursor que leva a criança a praticar a masturbação.
50
UNIDADE II │ A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
O fenômeno autoerótico de chupar o polegar mostra o prazer que se obtém do seio ou da mamadeira 
não se baseia só na gratificação da fome, mas também na estimulação da mucosa oral erógena; 
se não fosse assim, o infante retiraria desapontado o polegar, visto este não produzir leite. Aí, a 
excitação sexual apoiou-se, originalmente, na necessidade de alimento; tal qual, a excitação sexual 
primeira também se apoiou noutras funções fisiológicas, na respiração e sensações cutâneas, nas 
sensações de defecar e urinar.
Se não houver suficiente gratificação oral, alguma energia libidinal pode ficar fixada nesta fase, 
repercutindo em futuros comportamentos orais (fumar, comer demais etc.). Muitos fenômenos 
provenientes desta fase são retidos no adulto como o beijo e muitos costumes alimentares. O afã 
de saber,o estudo de idiomas, o cantar, a oratória, a declamação, são exemplos de sublimação das 
tendências orais.
Algumas manifestações de neuroses orais são: beber e comer em excesso, problemas da linguagem 
e fala, agressão com palavras (correspondendo ao morder), xingamentos, gozações, escrúpulos 
exagerados para não “incomodar”, desejo inconsciente de se instalar e desalojar todas as pessoas 
entre outros.
Fase anal
A análise das neuroses obsessivas permitiu a Freud inserir entre os períodos oral e fálico outro nível 
organizacional da libido, a saber, o nível sádico-anal. Embora o prazer anal se ache presente desde 
o início da vida, é no segundo ano que a zona erógena-anal parece tornar-se o executivo principal de 
toda excitação, a qual, então onde quer que se origine, tende a descarregar-se pela defecação.
É a fase em que a libido se concentra na região anal, que se torna uma área carregada de emoção 
agradável, sendo que em primeiro lugar está a satisfação física do “vazio” que sentimos após a saída 
das fezes, o esvaziar o intestino e em seguida na satisfação mental que a criança sente na execução 
51
A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE II
desta função para os seus pais. Essa região compreende a junção da pele e a membrana mucosa 
anorretal. As junções de pele e mucosas do corpo são sensíveis e ao receberem suave estimulação, 
produzem sentimentos de prazer.
Com o desenvolvimento e maturação da criança, seus interesses se ampliam também, deslocando-se 
para outra área do corpo. Ela passa a interessar-se por sensações oriundas da região anal, da mesma 
maneira que anteriormente concentrava seu interesse nas regiões da boca.
Seu desenvolvimento neuromuscular e os acontecimentos externos contribuem para este progresso. 
A criança torna-se então capaz de controlar a musculatura esfincteriana (anal e vesical) e a atenção 
da mãe se volta para este tipo de atividade. 
Momento de extremo prazer para a criança quando descobre que pode controlar esta atividade. 
Fase em que os produtos internos são sua maior atenção e preocupação.
Fase cheia de fantasias infantis. Há o desejo de agradar a mãe, onde a criança percebe o extremo 
interesse de sua mãe em sua aprendizagem dos hábitos de higiene. Ela pode sentir que fazendo seus 
produtos no vaso, estará agradando sua mãe, um presente, e fica confusa em relação ao destino 
deste presente; “já que está sendo tão importante, que a mamãe está prestando tanta atenção, como 
é que a gente imediatamente se livra deles dando descarga e eles desaparecem para sempre?”
Algumas crianças tem vontade de manusear, de mexer em seus produtos, e logo se deparam com as 
proibições dos adultos. O melhor substituto para tal desejo são brincadeiras com areia, massinha 
e a água e substituem simbolicamente os produtos da criança. Seu manuseio, sendo permitido, 
possibilita à criança que brinca com eles, viver suas fantasias, transformando-os em comida, batida, 
cobras e etc.
Fase fálica
Na fase fálica, o interesse da criança dirige-se à região genital, e seus órgãos sexuais propriamente 
ditos: o pênis no menino e o clitóris na menina. Com seu interesse voltado para esta região, a 
atividade de investigação da criança se dá em dois níveis:
52
UNIDADE II │ A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
 » Pesquisas pelo pensamento: Tentativa de interação entre sensações corporais e seu 
mundo mental. É uma época em que a linguagem da criança já permite que ela faça 
perguntas e entenda determinadas respostas. Muitos problemas se colocam para a 
criança neste período. Ela tem que achar soluções para inúmeros enigmas.
 » Pesquisas a nível corporal: Época em que a curiosidade a respeito do próprio corpo 
se manifesta, as pesquisas práticas se iniciam, as observações do corpo dos pais, a 
constatação das diferenças anatômicas entre sexos, perguntas e manipulações.
É nesta fase que os pais começam a ter problemas. Não sabendo o que fazer ficam “perdidos” frente 
às perguntas e atitudes das crianças.
Freud postula que nessa fase a criança vivencia dois complexos que definem os próximos passos do 
percurso libidinal que começou com o nascimento (oralidade): Complexo de Édipo e Complexo de 
Castração.
Complexo de Édipo e o complexo de castração
Para Freud é o principal agente da estruturação psíquica da criança.
Na fase fálica é onde surge o Complexo de Édipo, também chamado de complexo nuclear das 
neuroses. Nesse período os meninos focalizam o seu desejo e prazer na mãe e as meninas no pai. 
É nessa fase também que a criança distingue a diferença dos sexos masculino e feminino e então 
determina sua fixação pela pessoa mais próxima do sexo oposto.
A criança ao desejar o pai ou a mãe alimenta um conjunto de pulsões formadas pelo Id. O Superego 
que é formado pela razão, pela moral, pelas regras e normas de conduta busca censurar tais pulsões 
fazendo com que o id seja impedido de incentivar a satisfação plena da criança. O Ego, por sua vez, 
que é a consciência humana é incentivada pelos impulsos do Id e limitada pelas imposições do 
Superego, o que torna necessário buscar formas de satisfazer o Id sem transgredir o Superego.
53
A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE II
O Complexo de Édipo em meninos surge pelo desejo sexual pela mãe, onde vê o pai como ameaça e 
deseja se livrar dele buscando ainda se identificar. Em meninas, o complexo surge como o desejo de 
ganhar um bebê do pai e como não consegue se desilude. 
O Complexo de Édipo é derrubado nos meninos pela ameaça da castração, onde pensa que perderá 
seu pênis. A menina acredita que a castração já ocorreu, já que não mais possui o membro, 
descartando assim a ameaça.
A criança ao perceber a diferença anatômica entre meninos e meninas vivenciam uma fantasia em 
relação a essa “ausência” conhecida como o Complexo de Castração. O garoto se recusa em aceitar 
a castração e, portanto, a negação do sexo feminino. O menino “não poderá” aceitar o sexo oposto 
porque aceitá-lo implicará o fato de que também ele poderia perder o pênis. Ele organizará sua 
personalidade em torno de um forte medo de perder algo valioso para ele – o temor da castração. Já 
a menina fantasia de que ela também possui um pênis, só que “não está totalmente desenvolvido”, 
apoiando esta afirmação na existência do clitóris. Tanto o menino quanto a menina compartilham 
a fantasia de que só um sexo existe. A menina após a constatação da ausência real e concreta de um 
pênis, depois da comparação por observação do sexo oposto, organizará a sua personalidade em 
torno de um forte anseio de suprir, preencher essa falta e para Freud a mulher “castrada” seguirá 
sentindo inveja do pênis (falo).
Fase de Latência
Após a tensão dessa fase, a libido muda a direção (até então no próprio corpo) para outras direções, 
surgindo assim a fase da Latência.
54
UNIDADE II │ A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
A repressão da energia sexual, fruto da repressão do Édipo, sendo que a libido acaba sendo 
canalizada para o desenvolvimento intelectual e social da criança (sublimação). Eis aqui o porquê 
de ser este o período da escolaridade, do aprendizado, das operações matemáticas e gramaticais e, 
simultaneamente, o de um intenso contato múltiplo com objetos reais-concretos que funcionam como 
substitutivos dos objetos primários mãe, pai, irmãos etc. Daí ser este um período de socialização.
Nesta fase os interesses da criança na esfera sexual diminuem muito. Sua atenção e energia dirigem-
se às pesquisas e descobertas do mundo a sua volta. O contexto social passa a ter maior importância, 
e a criança volta toda a sua criatividade para o exercício destas novas funções.
Desvio das pulsões sexuais para novas metas, por meio dos mecanismos de sublimação e de 
formações reativas e da sua transformação em impulsos de afeição.
Com a transformação do investimentoamoroso nos pais em identificações, a autoridade paterna é 
introjetada e a severidade com relação às regras e normas é comum neste período.
Fase Genital
Para Freud é o início do que podemos chamar de puberdade. Iniciada por volta dos 10 anos, passando 
por transformações corporais, afetivas e sociais que culminam na adolescência.
É desencadeada pelas transformações físicas e psicológicas relacionadas ao amadurecimento dos 
órgãos sexuais. Implica na articulação das pulsões parciais das fases pré-genitais sob a primazia da 
genitalidade. Articula e integra o prazer com a possibilidade da reprodução.
A polaridade aqui é masculino x feminino, o que significa a aceitação da diferença dos sexos e, 
portanto da sua incompletude. As relações de objeto características da fase genital são aquelas que 
se assentam na diferença: eu vejo o outro como tendo algo a me oferecer que eu não tenho e vice-
versa. E para que isso ocorra é preciso avançar na questão do narcisismo.
55
A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE II
A psicanálise infantil sob outros olhares
Esse foi um breve resumo que introduziu a teoria do desenvolvimento infantil criada por Freud. 
Podemos perceber que esta difere bastante das teorias anteriores apresentadas na primeira parte 
desse Caderno de Estudos e Pesquisas e é por esse motivo que mereceu tal distanciamento na 
apresentação.
A partir do momento em que cunhou a questão do desenvolvimento psicossexual infantil, outros 
pós-freudianos também trouxeram algumas contribuições sobre o olhar da psicanálise sobre a 
criança.
A partir desse momento, vale destacar que o interesse pela psicanálise infantil só surgiria 
efetivamente, com os pós-freudianos. Freud proporcionou modificações às noções já existentes 
acerca da criança e da infância e, em 1933, retomou os debates sobre a expansão do campo teórico e 
clínico da psicanálise para a prática analítica com as crianças, época em que, Anna Freud e Melanie 
Klein, já haviam publicado seus primeiros trabalhos sobre o tema, partindo do caminho por ele 
aberto, embora, resultando em teorias diversas e até mesmo opostas em relação à posição da criança 
como sujeito inconsciente (SILVA; SANTOS, 2008).
Anna Freud
Figura 6 – Anna Freud
Filha mais nova dos três filhos de Martha e Sigmund Freud – única que seguiu os passos do pai. 
Nascida em 1895, em 1914 inicia formação: magistério primário, sendo que em 1918 inicia formação 
psicanalítica.
56
UNIDADE II │ A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
Acreditava que a terapia das crianças devia ser mantida dentro de uma dinâmica “pedagógica”, uma 
pesquisa do Ego e seus mecanismos de defesa. Pelas ferramentas da psicanálise, tratava as neuroses 
infantis interpretando seus sonhos e suas brincadeiras.
Ana Freud considerava as crianças muito frágeis para submeterem-se a uma análise e não acreditava 
que elas pudessem desenvolver a transferência e nem tão pouco associar livremente, devido 
a sua imaturidade psíquica. E dizia que o Complexo de Édipo não deveria ser examinado muito 
profundamente em função da imaturidade do Superego. E, também com base nesse raciocínio, 
ela defendia que a abordagem psicanalítica deveria vir associada a uma ação educativa (pedagogia 
psicanalítica) (SILVA; SANTOS, 2008).
Afirma que a análise do adulto tropeça com dificuldades maiores já que diz respeito aos objetos 
amorosos mais arcaicos e mais importantes do indivíduo (os seus pais, que introjetou por meio da 
identificação e cuja lembrança é protegida pela piedade filial). Enquanto que nos casos de crianças 
os conflitos envolvem pessoas vivas que existem no mundo exterior e que ainda não se encontram 
estabelecidas na memória. Anna Freud dizia que o analista de crianças além do treinamento analítico 
propriamente dito, também deveria possuir um segundo componente: o conhecimento pedagógico.
Anna Freud considera o ato de brincar uma questão secundária no marco de sua teoria e técnica em 
Psicanálise de Crianças. Sua preocupação é a entrada do pequeno sujeito no dispositivo analítico, 
a partir de um “treinamento” no qual o analista opera na forma de educador. Quando a criança 
entra no trabalho de análise, sua técnica consiste na interpretação dos sonhos, dos devaneios e dos 
desenhos. O brincar e a colocação de brinquedos, fundamentais na teoria kleiniana, são para ela 
métodos substitutivos e contingentes na análise com uma criança. Ela marca sua discordância do 
simbolismo que utiliza Melanie Klein com relação ao brincar na sessão. O importante para Anna 
Freud é o fato da criança estar em transferência, ou seja, numa vinculação tal com o analista que 
possibilite sua intervenção e a interpretação (VIDAL, s.d.).
Anna Freud entendia o brincar como atividade expressiva e não simbólica (pois o simbólico 
estava ligado ao reprimido) e Melanie Klein via o brincar como alocução e destinado ao analista, 
pressupondo diferentes níveis de simbolização conforme idade, nível de funcionamento mental, 
quantidade e qualidade das angústias da criança.
Melanie Klein
Figura 7 – Melanie Klein
57
A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE II
Criou sua própria doutrina. Ela implementou a técnica de brincar, inspirada nas observações de Freud 
sobre o brincar da criança com carretel. Melanie percebeu que isso representava simbolicamente as 
ansiedades e fantasias infantis. Assim, tratou seus pequenos pacientes na sala de recreio, e foi lá que 
descobriu o caminho para o inconsciente da criança.
Afirma que é possível uma transferência no tratamento da criança, tornando desnecessário todo o 
trabalho com os pais. A criança tem que lidar com duas perdas reais: seio e pênis. Ela enfrenta essas 
perdas em duas posições: Posição Esquizo-paranoide e Posição Depressiva.
Estes são períodos normais do desenvolvimento que perpassam a vida de todas as crianças, tais 
como as fases do desenvolvimento psicossexual criadas por Freud. Contudo, são mais maleáveis 
do que estas fases, devido ao fato de instalarem–se por necessidade, e não por maturação biológica 
(embora a autora não deixe de considerar as fases da teoria freudiana a respeito do desenvolvimento 
infanto–juvenil).
Segundo Simon (1986), o bebê nasce imerso na posição esquizo-paranoide, cujas principais 
características são: a fragmentação do Ego; a divisão do objeto externo (a mãe), ou mais 
particularmente de seu seio, já que este é o primeiro órgão com o qual a criança estabelece contato, 
em seio bom e seio mau – o primeiro é aquele que a gratifica infinitamente enquanto o segundo 
somente lhe provoca frustração – a agressividade e a realização de ataques sádicos dirigidos à figura 
materna.
Outro conceito importante na clínica de Klein foi o de Fantasia. De acordo com Klein, a 
fantasia pode ser considerada uma estrutura pela qual o sujeito se relaciona com os objetos 
exteriores. Durante o período inicial da vida, a mente infantil funciona basicamente por 
fantasia inconsciente, a qual suplementa o pensamento racional enquanto este não estiver 
desenvolvido. As fantasias são inatas no sujeito, uma vez que são as representantes dos 
instintos, tanto os libidinais quanto os agressivos, os quais agem na vida desde o nascimento. 
Elas apresentam componentes somáticos e psíquicos, dando origem aos processos pré-
conscientes e conscientes, e acabam por determinar, desta forma, a personalidade. Pode-
se concluir que as fantasias são a forma de funcionamento mental primária, de extrema 
importância neste período inicial da vida. 
Vê a brincadeira como uma forma de comunicação extremamente importante para a 
sessão com crianças. O brincar se transforma no componente essencial da análise de 
crianças, que possibilita o estabelecimento da transferência em análise. O acesso ao 
seu inconsciente devia realizar-se pela atividade lúdica que vai pontuando os diferentes 
tempos na direção da cura. Éabordada de forma inconsciente, pois ela é manifestação 
do desejo e da fantasia inconsciente. O brincar se torna um painel em que é projetado 
esse universo fantasmático: fantasmas de destruição e de ataque se articulam com 
sentimentos de depressão e culpa. 
58
UNIDADE II │ A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
Winnicott
Figura 8 - Winnicott
As doenças psíquicas, em especial as mais graves, tinham a ver com perturbações que ocorreram 
durante as fases iniciais da formação do psiquismo.
Aproximou a sessão de psicanálise à noção do brincar, ele olha para a brincadeira em si como um 
objeto de estudo. Os objetos transicionais: são aqueles que não pertencem ao corpo do bebê (não 
são, por exemplo, o polegar que é chupado) nem são plenamente reconhecidos como a realidade 
externa compartilhada no social. A transicionalidade está no encontro entre o mundo psíquico e o 
mundo socialmente construído.
A teoria sobre o brincar concebida por Winnicott originou mudanças significativas no pensamento 
psicanalítico atual. A relação analítica passou a ser apreciada como a criação de um espaço potencial 
em que duas pessoas tenham a possibilidade de brincar juntas. Apenas assim, o paciente pode 
desvendar seu self e desenvolver sua criatividade. O brincar transferido para a situação de análise 
infantil, no contato entre paciente e analista, constitui-se na principal realização da psicoterapia 
(FELICE, 2003).
Sua teoria do brincar parte do princípio de que a brincadeira é primária, e não resultado da 
sublimação dos instintos. É uma maneira fundamental de se viver, que facilita o crescimento e leva 
aos relacionamentos em grupo. O brincar aparece no contexto da relação mãe-bebê, a qual segue 
um encadeamento no processo de desenvolvimento. Primeiramente, a mãe é percebida como um 
objeto subjetivo, isto é, criado pelo bebê. A mãe, sensível e direcionada para as necessidades de seu 
filho, torna concreto o que ele está pronto para encontrar, possibilitando a experiência da ilusão e de 
controle onipotente sobre o mundo. Em um segundo estágio, o interjogo entre a realidade psíquica 
pessoal e a experiência de controle de objetos reais cria um espaço potencial entre a mãe e o bebê, 
no qual a brincadeira começa (FELICE, 2003).
59
A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE II
Muitos outros contribuíram para o desenvolvimento da psicanálise infantil, mas os três 
representantes, juntamente com Freud dão uma noção substancial e satisfatória para essa 
aproximação com a teoria.
Para finalizar a disciplina e nossa exploração da psicanálise, cabe olharmos mais detidamente sobre 
as construções teóricas acerca do fenômeno da adolescência.
60
CAPÍTULO 3
O olhar psicanalítico sobre a 
adolescência
Adolescência
Retomando algumas definições dessa fase, a adolescência pode ser vista como etapa do 
amadurecimento entre a infância e a condição de adulto. O termo refere-se ao período que vai 
do início da puberdade até a maturidade. Em geral, é definida como o período de tempo que os 
indivíduos necessitam para se considerarem autônomos e independentes socialmente.
A adolescência é a fase mais complexa e dinâmica do ponto de vista físico e emocional na vida do 
ser humano. É nesta fase que ocorrem as várias mudanças no corpo que repercutem diretamente na 
evolução da personalidade. Durante o período de transição, o adolescente oscila em comportar-se 
ora como criança, ora como adulto. 
Adolescência é uma fase do desenvolvimento psicológico e físico do ser humano, entre a infância 
e a maturidade plena. O adolescente, em geral, ainda não consegue firmar-se emocional e 
economicamente na sociedade. A adolescência engloba a pré-adolescência (10 aos 15 anos de idade), 
a adolescência propriamente dita (15 aos 20 anos) e a pós-adolescência (21 aos 26 anos).
A Adolescência é uma transformação bio-psico-social e não deve ser confundida com a puberdade 
que diz respeito apenas às mudanças anatomo-fisiológicas. Adolescência é uma atitude ou postura 
do ser humano perante essas transformações e mediante as influências transmitidas pelo meio 
familiar e pela cultura a que pertence. A Adolescência é, então, um papel social que surge quase 
sempre simultâneo à puberdade.
Atualmente, cada vez mais precocemente, crianças assumem o papel de adolescentes. E, como 
consequência, essa adolescência precoce desencadeia uma puberdade precoce, 
principalmente feminina, em que se encontram casos de meninas menstruando e desenvolvendo 
seios com apenas 9-10 anos de idade.
Winnicott sobre essa fase diz que o adolescente não quer ser compreendido. Os adultos devem 
guardar para si o que chegaram a compreender sobre a adolescência, pois é um período da vida 
que deve ser vivido e é essencialmente uma época de descoberta pessoal. A verdadeira cura para a 
adolescência pertence à passagem do tempo e aos processos gradativos do amadurecimento.
O importante [para o adolescente] é a provisão do ambiente bem adaptado às necessidades do 
indivíduo em dado momento e a importância do ambiente está em propiciar o desenvolvimento das 
potencialidades individuais.
61
A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE II
Freud associa as mudanças hormonais como marcos para o início da fase genital. Essas mudanças 
biológicas são conhecidas como Puberdade e as mudanças psicológicas decorrentes disso de 
Adolescência. É preciso compreender que adolescência e puberdade não são sinônimas.
 » Puberdade define-se como uma fase de maturação fisiológica que consagra, num 
e outro sexo, o aparecimento da função procriadora. Trata-se de um fenômeno 
de caráter universal, com diferenças existentes variando de acordo com as 
circunstâncias geográficas, climáticas, alimentares, entre outras.
O começo da puberdade é associado a mudanças drásticas na estatura e nos traços físicos. Nesse 
momento, a atividade da hipófise leva a um aumento na secreção de determinados hormônios. O 
hormônio do crescimento produz uma aceleração do crescimento, levando o corpo até quase a sua 
altura e peso adulto em cerca de dois anos.
A crise da puberdade é o momento em que os componentes que definem a sexualidade infantil 
(fases oral, anal e fálica), se diluem para integrarem-se num único conjunto da energia libidinal. 
Essas diferentes fases, caracterizadas também por diferentes zonas erógenas (boca, ânus, pênis, 
clitóris, vagina etc.), somadas aos impulsos parciais irão compor o ato sexual adulto. A partir disso, 
o indivíduo está pronto para viver uma genitalidade adulta.
Já o conceito de adolescência é fruto de uma situação social e histórica, peculiar à nossa sociedade 
ocidental moderna, na qual cada indivíduo é responsável pela sua trajetória de vida e pelo lugar 
que ocupará no socius. Em psicanálise, este processo é definido basicamente como um momento 
lógico (e não simplesmente cronológico), que em geral acompanha as transformações corporais 
da puberdade e as novas exigências pulsionais apresentadas ao sujeito, obrigando-o a um intenso 
trabalho psíquico.
Os desafios do adolescente e desafios da maturidade são essencialmente a consolidação da 
identidade, a escolha profissional que cause realização pessoal, escolha amorosa e integração às 
estruturas socioculturais da sociedade em que se vive.
Devemos entender a adolescência fundamentalmente como um momento de falência das 
identificações e dos ideais da infância, quando a identificação primária é colocada à prova, de modo 
que o ideal do eu deve buscar na cultura novas ancoragens para que possa se fazer operante.
Não é um simples produto de um tipo de sociedade ou sistema sócio-político, nem situação ligada 
a determinado nível scioeconômico e sim uma parte ou período fundamental de todo o processo de 
desenvolvimento humano, no qual os fatores sócio-político-econômicos participam em forma intensa. 
As manifestações externas de conduta são culturalmente diferentes.Entretanto, os psicodinamismos e 
a base do comportamento, assim como também condutas manifestas são essencialmente as mesmas.
O adolescente em sua busca de uma identidade adulta, passa por um período “turbulento” (variável 
segundo o seu ecossistema sociofamiliar), em que comportamentos considerados anormais ou 
patológicos em outras fases do desenvolvimento, devem ser considerados normais nessa transição 
para a vida adulta. 
62
UNIDADE II │ A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
A identidade adulta, entretanto, não é alcançada antes que o adolescente tenha 
elaborado e(ou) conscientizado o que podem ser consideradas as três “perdas” 
fundamentais deste período evolutivo: 1) a perda do corpo infantil, 2) a perda dos 
pais da infância e 3) a perda da identidade e papel sociofamiliar infantil. 
As transformações corporais que se desencadeiam a partir da puberdade são vividas 
geralmente com muita ansiedade pelo adolescente. Ele vive esse momento com 
uma mentalidade ainda infantil, num corpo que vai se desenvolvendo de forma 
incontrolável para o sujeito.
A sexualidade, que agora irrompe no nível genital, exige do adolescente uma 
reformulação dos seus mundos interno e externo. As restrições familiares e sociais, 
para “controlar” seus impulsos, chegam a tornar seu desenvolvimento tão ameaçado 
que podem causar um retardo do crescimento ou do aparecimento natural das 
funções sexuais próprias dessa fase. 
As mudanças corporais obrigam também o(a) adolescente a reformular seu “esquema 
corporal”, isto é, reformular a imagem mental que tem de seu próprio corpo o que 
só vai se tornando possível à medida que ele/ela elabora a perda do corpo infantil e 
consegue aceitar o novo corpo.
Nesta fase, uma intensificação da masturbação atesta a dificuldade de abandonar 
a bissexualidade reinante até então, assim como tem também uma função 
exploratória, de reconhecimento do próprio corpo e preparatória para o exercício, 
genital vivido com plenitude. 
Uma identidade adulta, alicerçada em responsabilidade e autoconhecimento, só 
poderá surgir a partir da aceitação do próprio corpo com todas as transformações 
próprias desta fase evolutiva, e as suas concomitantes psicológicas. 
Em relação a perder a visão dos pais da infância, o desenvolvimento é vivido, 
na adolescência, com muita agressividade e culpa, com avanços e regressões. 
Estabelece-se o fenômeno psicológico que foi chamado de “ambivalência dual” em 
que ambas as partes desejam e temem o crescimento, a maturação sexual e todas 
as responsabilidade e “riscos” que isso pode (ou poderia) implicar. 
Os pais até então idealizados e supervalorizados pelo filho ou filha (fato e fator 
necessário para um adequado desenvolvimento infantil), passam a ser alvo das mais 
violentas críticas e questionamentos, e surge a necessidade de uma busca de figuras 
de identificação fora do âmbito familiar. 
Nessa busca o adolescente tenta, procura, substituir muitos aspectos da sua 
identidade familiar por outra mais individual e enriquecida por novos elementos 
do seu âmbito social mais amplo. Eis aí que começa a verdadeira socialização num 
caminho que leve ao sentimento de individualidade.
63
A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE II
A perda da identidade e papel sociofamiliar infantil trata de que na infância, a relação 
de dependência é a situação natural do convívio da criança com os pais. Quando 
chega a adolescência há uma confusão de papéis, pois o adolescente não sendo 
mais criança e não sendo ainda adulto, tem dificuldade em se definir nas diversas 
situações da sua cultura (a “forma” varia de cultura em cultura e até de país em país, 
ou de região em região). 
Cada avanço que faz para obter sua dependência o deixa algo temeroso e inseguro. 
Procura assim o apoio do grupo em que deposita toda sua confiança e esperança, 
deixando a cargo dos pais as mais significativas obrigações e responsabilidades. 
A adesão a grupos, nessa fase, tem uma função importante para o estabelecimento 
de uma identidade adulta, pois facilita o distanciamento dos pais, mencionado acima, 
e permite novas “identificações” levando a novas configurações e reestruturações da 
personalidade. 
Por algum tempo o adolescente experimenta vários papéis, identificando-se com 
diferentes figuras ou grupos do seu meio social e assimilando valores e papéis fora 
do meio familiar. Nesta etapa da vida pode-se assumir diferentes identidades, que 
podem ser transitórias, ocasionais ou circunstanciais. Tudo numa mesma pessoa 
que começa a sentir e necessita entender a sua intimidade.
Para atingir uma identidade adulta, se sentir adulto, o adolescente deverá fazer uma 
síntese de todas essas identificações desde a infância. Só então terá um caráter mais 
estável e permanente, e a fase adulta será uma meta desejada e não temida. 
Estas “perdas” se elaboram realizando verdadeiros processos de LUTO, no sentido 
psicanalítico do termo. Isto obriga ao adolescente a utilizar todos os seus mecanismos 
de defesa, especialmente os chamados psicopáticos, nesta elaboração, que é o que 
leva a mencionada “conduta turbulenta”, ou a considerada aparentemente “anormal” 
ou até “patológica”, aos olhos dos adultos, com as características próprias do meio 
sociocultural.
Síndrome da adolescência normal
O/a adolescente exterioriza seus conflitos e seus estilos elaborativos de acordo com as suas 
possibilidades e as do seu meio, com as suas experiências e estruturas psicofísicas. Estas observações 
e estudos levam a propor a existência de modalidades que adequadamente analisadas e agrupadas, 
constituem uma verdadeira “síndrome da adolescência normal”.
Para pais, mestres, educadores e todos os que de alguma maneira trabalham com adolescentes, 
consideramos fundamentais estas ideias e suas aplicações. 
Esta aparente “patologia” (repito que aos olhos do mundo adulto) se apresenta com manifestações 
alternativas e, às vezes, crises diversas e transitórias, que permitem uma aproximação mais objetiva 
64
UNIDADE II │ A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
e menos preconceituosa em relação com a adolescência, que pode-se assim formular como a 
“SÍNDROME”.
Tal “síndrome” possui alguns sintomas ou características:
1. Busca de si mesmo e da identidade adulta
Durante a puberdade e na adolescência já estabelecida, acontecem importantes fatos 
biológicos, como a mudança corporal com aparecimento das características sexuais 
primárias e secundárias, ativação hormonal, modificações de atitudes físicas e do manejo 
do corpo, que não poucas vezes leva a um vagaroso processo de autoconhecimento 
que permite ter (e ainda conhecê-la pouco) uma identidade adolescente que procura 
constantemente ter a desejada identidade adulta, que só se consegue evolutivamente e 
elaborando o luto pela identidade infantil perdida. Assim vemos aos adolescentes, como 
já assinalamos, com diversas identidades: transitórias, ocasionais, circunstanciais e 
mudando com maior ou menor rapidez e/ou intensidade. 
Quem sou Eu?, é a pergunta que muitas vezes se formula o/a adolescente... entretanto, 
terá que aguardar a resposta. Ela chegará quando a adolescência vai-se transformando 
em “juventude” e “adultez jovem”. 
2. A tendência grupal
Nessa busca da individualidade o/a adolescente desloca o sentimento de dependência dos 
pais para o grupo de companheiros e amigos, no qual todos se identificam com cada um. 
Neste momento pertence mais ao grupo (pode ser até turma ou gang) de companheiros 
do que à família. Esta aceitação revela-se na obediência as regras grupais em relação a 
tudo, o que se observa na vestimenta, modas diversas, costumes e preferências de todos 
os tipos.
O grupo é importante e altamente significativo porque constitui o passo intermediário no 
mundo externo para alcançar a identidade adulta. 
3. Necessidade de intelectualizare fantasiar
Estas são as formas mais típicas do pensamento adolescente, onde se usam estas 
capacidades como mecanismos de defesa frente ao que acontece a nível corporal (que 
não poucas vezes se vivência como algo que acontece e ao que se “assiste” passivamente). 
É um tipo de fuga para o interior, uma espécie de reajuste emocional, que leva à preocupação 
por princípios éticos, filosóficos, sociais e políticos, que muitas vezes implicam formular-se 
um plano de vida bem diferente do que se tinha até esse momento, e que também permite a 
teorização acerca de grandes reformas que poderiam acontecer no mundo exterior. 
São os momentos de criatividade, de ilusões e de grandes projetos (que os adultos se 
encarregam de frustrar em nome da ordem e com medo do novo). Porém, é o que realmente 
move o mundo e a sua cultura, permitindo assim a evolução da humanidade toda.
65
A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO │ UNIDADE II
4. As crises religiosas 
As crises religiosas do adolescente manifestam-se por atitudes de ateísmo ou de 
misticismo, ambas geralmente como situações extremas e até cheias de fanatismo (vejam-
se os exemplos do que acontece no Oriente Médio ou em diversas seitas ocidentais ou 
orientais). 
Às vezes, o mesmo jovem passa por períodos de negação da religiosidade ou de exaltação 
da mesma, o que revela a situação mutável do seu mundo interno (com ajuda do mundo 
externo que em nome da “religião” justifica o crime e a exploração).
5. A deslocação temporal
Existe neste período evolutivo uma certa desorientação temporal, em que as urgências 
são enormes e as postergações irracionais. Há o que poderia chamar-se de “normal 
distemporalidade”. Tudo pode chegar a ser “agora ou nunca”, ou um permanente “ainda 
temos tempo”. 
É durante a adolescência que a dimensão temporal vai adquirindo lentamente 
características discriminativas. Presente, passado e especificamente futuro, são noções 
que são elaboradas durante a adolescência.
6. A evolução sexual desde o autoerotismo até a heterossexualidade 
Inicialmente, procura-se tímida, mais intensamente, um/uma parceira. É o momento 
dos contatos, das carícias mais íntimas, e(ou) do “amor apaixonado”, porém geralmente 
transitório e até fugaz. Os desejos são intensos e, nesta sociedade, fortemente reprimidos 
e até vividos com culpa. 
A evolução sexual adolescente vai de uma fase prévia de masturbação a uma atitude 
lúdica, que leva à aprendizagem: jogos eróticos, bailes, esportes, carinhos, todos com 
conteúdo exploratório de si mesmo e de outro/outra. 
Existe depois o desejo mais intenso e a relação genital, que muitas vezes é expressão de 
imaturidade, descontrole ou até também de atividade lúdica.
7. Atitude social reivindicatória
Na medida em que o adolescente não encontra o caminho adequado para a sua expressão 
vital e para a aceitação de uma possibilidade de realização, não poderá jamais ser um 
adulto satisfeito. 
O jovem, normal e adequado a seu processo evolutivo, deve contestar e reivindicar um 
mundo, uma sociedade, uma humanidade melhor, mais justa e mais cheia de amor. Se 
fosse o caso, só por isso é necessário entender e respeitar certas atitudes adolescentes, 
que ainda apavoram a muitos adultos.
66
UNIDADE II │ A CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA PSICANALÍTICA SOBRE OS ESTUDOS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
8. Contradições sucessivas em todas as manifestações da conduta
A conduta do adolescente está dominada pela ação. Ele não pode manter uma linha de 
conduta rígida, permanente e absoluta, embora o queira. Sua personalidade é permeável 
e sua instabilidade necessária. Lida permanentemente com o imprevisível, tanto no seu 
mundo interno como no externo. Joga com seu corpo, sua alma, sua conduta de acordo 
com as possibilidades confusas. 
Parece contraditório, embora seja esta, ou as condutas mais variáveis, as mais adequadas 
a este complexo momento evolutivo. Fixar-se numa só conduta, não corresponde a um 
comportamento normal, nem ajuda a aprender sobre a experiência.
9. Separação progressiva dos pais
Para atingir a maturidade é necessário ter individualidade e independência reais. 
A separação progressiva dos pais, a entrada na turma e a posterior individuação 
discriminativa são passos necessários do processo evolutivo humano. Muitos pais em 
nossa cultura se angustiam frente ao crescimento dos filhos e chegam até negá-lo. 
Existe a já mencionada “ambivalência dual” por ambas as partes que às vezes é fonte de 
conflitos que atrapalham o crescimento físico e psicológico normal. O conflito de gerações 
é uma realidade necessária para o desenvolvimento sadio, tanto dos filhos adolescentes 
como o de seus pais.
10. Constantes flutuações do humor e do estado de ânimo
Uma conquista, por mínima que seja entusiasma e alegra. Uma frustração aborrece e 
deixa triste. Isto acontece milhares de vezes ao dia. Sua luta com os pais, a sociedade, os 
preconceitos, o medo, seus triunfos físicos, ou sua realização intelectual, uma aprovação, 
uma rejeição; tudo constante e vertiginosamente alternando no dia a dia, explicam os 
sentimentos de solidão e os de exaltação. Estas mudanças de estado de ânimo são normais
As diversas manifestações da “síndrome da adolescência normal” acontecem. Se a 
descrição é dramática nem sempre sua exteriorização é dessa forma. O adolescente 
turbulento e violentamente contestador, alegre e triste existe. Porém, também existe 
aquele em quem a turbulência é mais interna que externa. 
Essa é uma das teorias desdobradas a partir da prática de psicanalistas no trabalho com 
crianças e adolescentes. A questão principal, portanto, a guisa de uma conclusão, é a de 
que há mais de uma visão ou olhar sobre o fenômeno da infância, da adolescência, da 
cognição e do desenvolvimento humano. Várias possibilidades de buscar compreender 
melhor o ser humano foram aqui apresentadas no intuito de, acima de tudo, alertar da 
necessidade de uma mente aberta e sedenta por informação que consequentemente 
resultará num profissional mais flexível e adaptado a difícil tarefa de conviver e promover 
um ambiente saudável e propício para si e para o outro. 
67
Para (não) Finalizar
Iniciamos esse módulo afirmando que somos sujeitos em constante desenvolvimento e que essa 
dinamicidade está inscrita histórica e culturalmente. Por um lado o fato de nunca deixarmos de 
mudar, crescer e nos desenvolver nos da a sensação de liberdade e esperança de que sempre podemos 
melhorar (caso sejamos pessoas otimistas é claro!). No entanto, a outra face dessa moeda é que ao 
nos dedicarmos ao estudo do ser humano estamos sempre tentando entender o desenvolvimento ou 
um fenômeno que não para ser estudado, ou seja, o saber dessa área sempre precisa de dedicação e 
atualização.
Vimos duas perspectivas interessantes e completamente opostas sobre o desenvolvimento humano: 
a Psicologia Consciente e a Psicanálise do Inconsciente. Qual é a correta? Qual é a melhor? Qual 
a mais aceita? Não há respostas para essas questões. Nossa missão aqui foi a de apresentar 
possibilidades de ver o mundo e o ser humano e o ideal é buscarmos àquelas que melhor combinem 
com nossas crenças e valores e nossa trajetória de saber. Importante é a partir de agora ser o mais 
flexível, cuidadoso e observador sobre os fenômenos humanos que se apresentem na nossa vida 
pessoal e profissional.
O mundo está mudando, o homem está se desenvolvendo e ter um posicionamento crítico e 
científico sobre isso é estimulante, cabe a nós, munidos dos saberes aqui discutidos, explorar essas 
habilidades aqui desenvolvidas ou aprofundadas.
68
Referências
ABERASTURY, Arminda; KNOBEL, Maurício. Adolescência normal: um enfoque psicanalitico. 
Porto Alegre: Arte Médica, 1981.
ABERASTURY, Arminda. A criança e seus jogos. Marialzira Perestrello, (trad.). Porto Alegre: 
Aritmed, 1992.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos 
mentais (4a ed. rev.). Porto Alegre: Artmed, 2003.
ARIÈS, Philippe.História Social da Criança e da Família. 2a ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981.
BEE, H. A criança em desenvolvimento. (R. Pereira, Trad.) São Paulo: Harbra, 1984.
BIAGGIO, A. Psicologia do Desenvolvimento. Petrópolis: Vozes, 1978. 
BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L. T. Psicologias – Uma introdução ao estudo 
de psicologia. São Paulo: Editora Saraiva: 2002.
BRUNER, J. Going Beyond the Information Given. New York: Norton. 1973. 
BRUNER, J. Acts of Meaning. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1990.
CAIRNS, R. The emergency of developmental psychology. In P. Mussen (Org.), Handbook of 
Child Psychology - Vol.1 (4a ed) (pp. 41-101). New York: John Wiley, 1983.
CALLIGARIS, C. O reino encantado chega ao fim. Folha de São Paulo, 24/7/1994, Caderno 
Mais , p 4-6.
CARNAP, R. Empiricism, Semantics and Ontology. In: Meaning and Necessity, 2a ed.). Chicago: 
University of Chicago Press, 1956.
COLE, M. Cultural-historical activity theory in the family of socio-cultural approaches. 
International Society for the Study of behavioral Development Newsletter, 1(47), 1-4, 
2005.
COLE, M.; COLE, S. O Desenvolvimento da criança e do adolescente. (M. Lopes, Trad.). 
Porto Alegre: Artmed, 2004.
COLL, C. As contribuições da Psicologia para a Educação: Teoria Genética e Aprendizagem 
Escolar. In: LEITE, L.B. (Org) Piaget e a Escola de Genebra. São Paulo: Editora Cortez,1992. 
p. 164-197.
COLL, C.; MARCHESI. A.; PALÁCIOS, J. Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia 
evolutiva, v.1. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
69
REFERÊNCIAS
DANTAS, Heloysa; LA TAILLE, Yves; OLIVEIRA, Marta Kohl. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias 
psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.
DAVIS, C.; OLIVEIRA, Zilma. Psicologia na Educação. São Paulo, Cortez, 1991.
DESSEN, M. A.; COSTA JÚNIOR, A. L. A ciência do desenvolvimento humano: desafios para 
pesquisa e para os programas de pós-graduação. In: D. Colinvaux, L. B. Leite & D. Dell’Aglio (Orgs.), 
Psicologia do Desenvolvimento: reflexões e práticas atuais (pp. 133-158). São Paulo: Casa do 
Psicólogo, 2006.
FELICE, Eliana Marcello de. O lugar do brincar na psicanálise de crianças. Psicol. teor. prat., 
São Paulo, v. 5, n. 1, jun. 2003. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo. php?script=sci_
arttext&pid=S1516-36872003000100006&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 12 de setembro 2013.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa.2a ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1986.
FREITAS, Ana L. S. de. Projeto Constituinte Escolar: a vivência da ‘reinvenção da escola’ na Rede 
Municipal de Porto Alegre. In: SILVA. Luiz H. da S. (Org.). Escola Cidadã: Teoria e Prática. 
Petrópolis, RJ: Vozes, 1999. p. 31-56. 
FORD, D. H.; LERNER, R. M. Developmental systems theory: as integrative approach. London: 
Sage, 1992.
FREUD, S. Autobiografia. In: Obras Completas. Madrid: Biblioteca Nueva; 1973: 2761-2799. 
GALVÃO, Izabel. Henri Wallon, uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. 
Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.
HALL, C.S.;LINDSEY, G. Teorias da personalidade. São Paulo: E.P.U, 1966.
KLEIN, M. O Desenvolvimento de uma Criança. In: Contribuição à Psicanálise, São Paulo: 
Mestre Jau, 1970.
J. FADIMAN; R. FRAGER. Teorias da Personalidade. Harbra – 1980.
LA TAILLE, Ives, Dantas, H. e Oliveira, M.K.. Piaget, Vygotsky e Wallon. Teorias Genéticas em 
Discussão. São Paulo: Summus, 1992.
LUCCI, M.A. A proposta de Vygotsky: a psicologia sócio-histórica. Profesorado. Revista de 
currículum y formación del profesorado. 10/ 2/2006.
MAJOR, René. Freud: Biografia. Porto alegre, RS; L&PM; 2007.
MOTA, Márcia Elia da. Psicologia do desenvolvimento: uma perspectiva histórica. Temas 
psicol., Ribeirão Preto, v. 13, n. 2, dez. 2005. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2005000200003&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 10 
set. 2013.
70
REFERÊNCIAS
OLIVEIRA, Marta Kohl. Vygotsky. Aprendizado e Desenvolvimento. Um processo sócio-histórico. 
São Paulo: Scipione, 1993.
PAPALIA, D.; OLDS, S. Desenvolvimento Humano. (D. Bueno, trad.) Porto Alegre: Artmed, 
1998.
PIAGET, J. Biologia e Conhecimento. 2a Ed. São Paulo, SP: Vozes, 1996. 
PIAGET, Jean. O desenvolvimento do pensamento: equilibração das estruturas cognitivas. 
Lisboa: Dom Quixote, 1977. 
PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho, imitação e 
representação. Rio de Janeiro: LTC, 1990. 
PIAGET, Jean. A equilibração das estruturas cognitivas-problema central do 
desenvolvimento. Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1976. 
PIAGET, Jean. O nascimento da inteligência na criança. 4a ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1982. 
389 p.
PINO, A. O social e o cultural na obra de Lev S. Vygotsky. In: Educação e Sociedade. Revista 
quadrimestral da ciência e da educação. N. 71, Ano XXI. Campinas, Unicamp, out. 2001, p. 
45-78.
ROUSSEAU, J.-J. Emílio ou da educação. 3a ed. São Paulo: Difel, 1979.
VAN GEERT, P. Dynamic Systems Approaches and Modeling of Developmental Processes. In: 
J. Valsiner & K. Conolly (Orgs.), Handbook of Developmental Psychology, (pp.640-672). 
London: Sage, 2003.
SENGE, Peter. Presença: propósito humano e o campo do futuro. São Paulo: Cultrix, 2007.
SILVA, J. K. S; SANTOS, I. M. Psicoterapia Infantil: Um Segmento da Psicanálise. Espírito 
Santo, 2008. Disponível em <http://pt.scribd.com/doc/4807272/MONOGR AFIA-PSICANALISE-
INFANTIL-UM-SEGMENTO-DA-PSICANALISE> Acesso em: 12 de setembro de 2013.
SIMON, R. Introdução à psicanálise – Melanie Klein. São Paulo: Epu, 1986.
VIDAL, Maria Cristina V. Questões sobre o Brincar. Letra Freudiana. Ano X. n. 9. Disponível 
em: <http://www.escolaletrafreudiana.com.br/UserFiles/110/File/artigos/letra09/006.pdf.> 
Acesso em: 10 de setembro de 2013.
VYGOTSKY, L. S. Fundamentos da Defectologia – Obras Completas. Tomo cinco. Cuba: 
Editorial Pueblo y Educación, 1997. 
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente – o desenvolvimento dos processos psicológicos 
superiores. São Paulo: Martins Fontes. 6a ed., 1998. 
71
REFERÊNCIAS
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2a ed., 1999. 
VYGOTSKY, L. S. Manuscrito de 1929. In: Educação e Sociedade – Revista quadrimestral 
da ciência e da educação. N. 71, Ano XXI. Campinas, Unicamp: out. 2001.
WALLON, Henri. A evolução psicológica da criança. Lisboa, Portugal: Ed. 70, 1995.
WALLON, Henri. Plano de Reforma Langevin-Wallon. In: MERANI, Alberto L. Psicologia e 
Pedagogia - as ideias pedagógicas de Henri Wallon. Lisboa: Editorial Notícias, 1977.
Referências complementares sugeridas
CÓRIA SABRINI, M. A . Psicologia do Desenvolvimento. São Paulo/SP: Editora Ática, 1998.
KOVÁCS, Maria Júlia. Educação para a Morte: temas e reflexões. São Paulo: Casa do Psicólogo, 
2003. Cap. 2; p. 102- 139 
PAPALIA, E. D.; OLDS, S. W. Desenvolvimento Humano. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
FREUD, S. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Rio de Janeiro: Imago.
GARCIA-ROZA, L. A. Freud e o inconsciente. Rio de janeiro: Zahar.
KLEIN, Melanie. Contribuições à Psicanálise. São Paulo: Mestre Jov, 1932.
LAJONQUIÈRE, L. (org.) Infância e ilusão (psico) pedagógica. 3a ed. Petrópolis: Vozes, 2002.
LEVISKY, L. Adolescência: reflexões psicanalíticas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1998.

Mais conteúdos dessa disciplina