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OLHANDO DE PERTO Registre-se que Francisco da Costa Alegre é um autor bilíngue. Carlos [Menezes] do Espírito Santo (1952) lança Poesia do Colonialismo (1978) um ano após haver co- participado da antologia antes indicada. Conquanto haja persistido na vida cultural, não se tem notícia de nova obra de literatura de invenção de sua autoria. Outra antologia, esta, organizada por Inocência Mata, O Coro dos Poetas e Prosadores de São Tomé e Príncipe [São Tomé e Príncipe; Pontevedra/Braga: UNEAS/Irmandade da Fala de Galiza e Portugal, 1992] traz ao cenário da literatura das ilhas alguns nomes mais: Aíto Bonfim, Fernando de Macedo, Frederico Gustavo dos Anjos, o já mencionado Francisco Costa Alegre e Sacramento Neto. O primeiro destes, cujo verdadeiro nome é Angelo de Jesus Bonfim, é autor da peça de teatro que inaugura o gênero dramático nas ilhas. A Berlinização ou Partilha de África (1987), de Poemas (1992), e do romance O Suicídio Cultural (1992). Seus três livros se compreendem naquela que temos qualificado de literatura de fala insubmissa [cf. meu livro LIA, pp.24-52]. A narrativa, através de contos, novelas, ou de romances, tem-se debruçado sobre a realidade da roça e dos espaços marginais urbanos chegando quase ao documental. Nessa perspectiva temos de Albertino Bragança o livro Rosa do Riboque e Outros Contos (1985) e de Albertina Bragança a novela Sam Genti (1985). Numa linha inventiva mais de natureza etno-histórica são as novelas de Sacramento Neto: Tonga Sofia (1981), Milongo (1985), Peneta (1989), A Rainha (1992), a poesia de Fernando de Macedo no livro Anguéné (1990), e os dois livros de poemas de Francisco Costa Alegre: Madala (1991) e Cinzas da Madala (1993). A demanda pós-colonial de que vimos tratando neste tópico se fecha com a poesia de Conceição Lima, "cuja estréia ocorre em livro com a coletânea O Útero da Terra (Lisboa: Editorial Caminho, 2004). Passados dois anos, a autora nos deu seu segundo livro A Dolorosa Raiz do Micondó (Lisboa: Editorial Caminho, 2006). [...] A postulação poética pulsante nos dois títulos indicados é a realizada pela A. quando aproveita o passado seu e de seu povo, marcados fundamente pela ação colonialista, como matéria lírica extraída de uma mentalidade etnicamente incorruptível e de uma memória coletiva de raiz arcana." [PONTES, Roberto. "Conceição Lima e a Demanda Pós-Colonial em São Tomé". Fortaleza: IAPEL – Instituto Afrobrasiluso de Pesquisa e Estudos Literários, 2009]. Não poderíamos deixar de mencionar o trabalho de ensaísta, crítica e historiadora da Literatura desempenhado pela tomé-princense Inocência Mata, do qual muito me servi neste tópico final. Ela é Professora Assistente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Mestra em Literaturas Brasileira e Africanas de Língua Portuguesa pela mesma Universidade (1986). Publicou Pelos Trilhos da Literatura Africana em Língua Portuguesa (Pontevedra/Braga, 1992) e Emergência e Existência de uma Literatura. O Caso Sãotomense (Linda-a-Velha, 1993). Organizou a antologia O Coro dos Poetas e Prosadores de São Tomé e 80