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A produção de fumo era viável em pequena escala, e isso criou um setor de pequenos
proprietários, formado por antigos produtores de mandioca ou imigrantes portugueses com
poucos recursos. Ao longo dos anos, esse setor cresceu ao mesmo tempo que crescia nele a
presença de mulatos. Uma amostra de 450 lavradores de fumo baianos, entre 1684 e 1725,
revelou que somente 3% eram mulatos, enquanto em um estudo semelhante realizado no fim
do século XVIII, esse percentual subiu para 27%.
Seria equivocado porém pensar que nas plantações de fumo se con¬centrou uma
verdadeira classe média rural, ou seja, um campesinato vivendo do trabalho familiar. Houve
grandes proprietários que combinaram o fumo com outras atividades. Números levantados a
partir de recenseamentos locais indicam que pelo menos a metade dos lavradores era
composta de escravos.
2.17.3. A PECUÁRIA
A criação de gado começou nas proximidades dos engenhos, mas a tendência à ocupação
das terras mais férteis para o cultivo da cana foi empurrando os criadores para o interior. Em
1701, a administração portuguesa proibiu a criação em uma faixa de oitenta quilômetros da
costa para o interior. A pecuária foi responsável pelo desbravamento do "grande sertão". Os
criadores penetraram no Piauí, Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e, a partir da
área do Rio São Francisco, chegaram aos Rios Tocantins e Araguaia. Mais do que o litoral,
foram essas regiões que se caracterizaram por imensos latifúndios, onde o gado se
esparramava a perder de vista. No fim do século XVII, existiam propriedades no sertão baiano
maiores do que Portugal, e um grande fazendeiro chegava a possuir mais de 1 milhão de
hectares.
Por muito tempo os historiadores acreditaram que, pelas características mais livres do
manejo do gado, a população do sertão fosse composta sobretudo de índios e mestiços.
Estudos recentes constataram também aí a presença de escravos de origem africana, ao lado
da gente livre pobre.
2.18. AS INVASÕES HOLANDESAS
As invasões holandesas que ocorreram no século XVII foram o maior conflito político-
militar da Colônia. Embora concentradas no Nordeste, elas não se resumiram a um simples
episódio regional. Ao contrário, fizeram parte do quadro das relações internacionais entre os
países europeus, revelando a dimensão da luta pelo controle do açúcar e das fontes de
suprimento de escravos.
A resistência às invasões representou um grande esforço financeiro e militar com base em
recursos não só externos como locais. Foi um indício das possibilidades de ação autônoma da
gente da Colônia, embora estivesse ainda longe a existência de uma identidade separada da
Metrópole. Como diz o historiador Evaldo Cabral de Mello, a guerra foi uma luta pelo açúcar e,
sobretudo em seu último período, sustentada pelo açúcar, através dos impostos cobrados pela
Coroa.

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