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Entrepista Clínica: osicodiagnóstico e psicoterapia A entrevista não é de uso exclusivo do psicólogo, pode ser um recurso usado na escola, hospital, empresa, clínica, campo esportivo, campo jurídico. É usada de diferentes formas e é um importante recurso que o psicólogo usa no seu trabalho. Em qualquer tipo de entrevista terá uma demanda de algo: pode ser uma informação sobre algo ocorrido, uma simples opinião sobre uma situação ou a solicitação de ajuda especializada diante a constatação de um sofrimento físico ou psíquico. A entrevista clínica é um procedimento poderoso e pelas suas características é o único procedimento capaz de adaptar-se à diversidade de situações clínicas relevantes e de fazer explícitas particularidades que escapam a outros procedimentos, principalmente dos padronizados. Tem o objetivo de conhecer (levanto dados para fazer intervenção) o meu paciente, de buscar dados para intervir em dada situação. A entrevista tem por finalidade fazer um levantamento de informações que possibilitem relacionar eventos e experiências, fazer influências, estabelecer conclusões e tomar decisões. Cada corpo conceitual encontra na entrevista uma rica forma de expressão de seus recursos técnicos. É importante mencionar a necessidade de que a entrevista clínica esteja de acordo com o objetivo específico a que se propõe e à orientação teórico-técnica do entrevistador. Arzeno (2003) detalha essas etapas em sete passos: 1. O primeiro passo inclui desde a solicitação da consulta pelo cliente até o primeiro encontro pessoal com o profissional. Nessa fase é importante observar como é feito o contato inicial, quais as primeiras impressões, etc. 2. O segundo passo envolve a realização das primeiras entrevistas, quando se busca identificar o motivo latente e manifesto da consulta, as ansiedades e defesas que o paciente, pais e/ ou família se apresentam, as expectativas e fantasias da doença e de cura que trazem. É importante observar como o paciente se coloca, o que é priorizado no relato, que tipo de relação estabelece com o psicólogo, para identificar os aspectos transferenciais e contratransferenciais, bem como as resistências e a capacidade de elaboração e mudança. 3. Momento de reflexão sobre o material colhido e análise das hipóteses iniciais, para planejamento dos passos seguintes e escolha dos instrumentos diagnósticos a serem empregados. 4. O quarto passo é o momento da realização da estratégia diagnostica planejada- entrevista e aplicação dos testes e técnicas selecionadas, de acordo com o caso. EM geral, age-se conforme o planejado, mas, se houver a necessidade, podem-se introduzir modificações, durante o processo. 5. O quinto passo é o momento da análise e integração das dados levantados. É o estudo conjunto do material apreendido nas entrevistas, nos testes e na história clínica, para obter uma compreensão global do caso. Essa fase exige do profissional domínio teórico-metodológico e grande capacidade analítica, a fim de identificar as recorrências e convergências entre os dados, assim como os aspectos mais relevantes dentro do material, que possibilitam uma compreensão ampla da personalidade do individuo e/ou da dinâmica familiar e do casal. 6. O sexto passo é o momento da devolução da informação, que pode ser feita em uma ou mais entrevistas. Geralmente, é realizada de forma separada- uma com o indivíduo que foi trazido como protagonista principal da consulta e outra com os pais e o restante da família. Frequentemente, durante a entrevista devolutiva, surgem novos elementos, os quais ajudam a validar as conclusões e esclarecer os pontos obscuros. 7. O último passo envolve a elaboração do laudo psicológico com as conclusões diagnósticas e prognósticas, incluindo as recomendações terapêuticas adequadas ao caso. A elaboração do laudo é um aspecto importante do processo, pois, quando mal feito, pode prejudicar o paciente, em vez de ajuda-lo. E o terapeuta também é responsável por todas as informações. A ENTREVISTA NA ORGANIZAÇÃO E NA ESCOLA A entrevista na organização: para o entendimento da técnica de entrevista institucional são necessárias algumas considerações sobre instituição, sobre a psicologia institucional e sobre o papel do profissional nessa área. Instituições são normas e valores (não-fixos, transformam-se ao longo da história e definem os padrões de comportamento aceitos socialmente) que caracterizam o funcionamento da sociedade e garantem sua reprodução. Ex: família, educação, trabalho, religião. Na instituição o indivíduo depara-se com normas, tarefas e exigências a cumprir, papeis e funções determinadas; é um encontro com um “pequeno mundo pronto”, no qual precisará viver e conviver... e, ao mesmo tempo, uma necessidade de reconhecimento por sua singularidade, uma busca de realização dos objetivos individuais. É o encontro do coletivo social (regras, leis, papeis) com diferentes indivíduo (diferentes necessidades e desejos- conscientes e/ou inconscientes). Portanto viver coletivamente implica instituir-se em grupos e instituições, dividir papeis, trabalho e conviver com diferenças, hierarquias e relações de poder e nesse contexto, os processos individuais (conscientes e inconscientes) são considerados tendo o mesmo grau de importância que os processos sociais. A psicologia institucional então, abarca o conjunto de organismos de existência física concreta, que tem um certo grau de permanência em algum campo ou setor específico da atividade ou vida humana, para estudar neles todos os fenômenos humanos que se dão em relação à estrutura, dinâmica, funções e objetivos da instituição. Realizar um trabalho preventivo, visando à melhoria da saúde mental de seus integrantes; Auxiliar a instituição na ampliação da percepção de seus esquemas de ação (pode incluir um plano de ação), levando à revisão e modificação de condutas e pautas de funcionamento estereotipadas; Propiciar momentos de reflexão aos integrantes da instituição de diferentes níveis hierárquicos (desenvolvimento de ideias/projetos), ampliando sua consciência dentro da realidade na qual estão inseridos, bem como dos papéis por eles desempenhados neste contexto; Promover o desenvolvimento e enriquecimento da personalidade, por meio de aspectos sadios do ego; Colaborar para baixar o nível de ansiedade despertada pela tarefa a fim de que as equipes de trabalho possam ligar-se adequadamente à rotina diária ampliando seus esquemas de pensar, agir e senti; Desenvolver com os integrantes da instituição a capacidade de efetuar vínculos sadios nos diferentes momentos e papéis vivenciados; Trabalhar com as diversas áreas e/ou setores, visando à maior integração entre as partes e com a totalidade da instituição. Entrevista na escola O objetivo é criar ambientes de ensino-aprendizagem mais sadios, com estratégias que permitam ajustar variáveis do aluno, do professor, da tarefa, da família e da escola. Essa perspectiva substitui o modelo de mudanças do sujeito (quase sempre o aluno) por outro de olhar e mudança sistêmicos. Começo apontando os aspectos mais gerais da entrevista na escola, que fazem parte dos cuidados que devemos ter no uso da técnica. A condução mais adequada em escola, tendo em vista os objetivos do trabalho preventivo e pontual é a SEMIDIRIGIDA, receptiva e participativa, ou seja, quem é chamado ou procura o psicólogo escolar, traz ansiedade, não está procurando tratamento emocional e, muitas vezes, terá somente aquele momento com o profissional da saúde. Por isso, a atitude de receptividade, empatia é fundamental para que possamos atingir os objetivos. É preciso proporcionar momentos de livre expressão de sentimentos e situações, direcionando também para o foco e objetivo do encontro. Há um roteiro que sempre orienta a entrevista na escola: 1. Esclarecerobjetivos e tempo de duração do encontro, bem como quem é o entrevistador. 2. Colher dados, incentivar a expressão dos sentimentos e percepção. 3. Fornecer informações e observações que a escola possui. 4. Dar orientações (aconselhamentos). 5. Encaminhar para atendimento com profissionais de fora da escola (psicólogo clínico, médicos de várias especialidades, fonoaudiólogo). Claro que esta etapa pode ou não ocorrer, conforme a necessidade. 6. Planejar a continuidade do processo de acompanhamento da situação escolar especifica. O trabalho do psicólogo escolar mais do que proporcionar mudanças pessoas aspira influir sobre a estrutura, o contexto e o desenvolvimento de professores e alunos, bem como de administradores, pais e outros profissionais da comunidade educativa, otimizando o processo e os resultados. O psicólogo que recebe essa queixa é aquele que circula entre os alunos e professores, fazendo suas observações atentas e que nesse momento também utilizará a entrevista para compor seu entendimento e planejamento da continuidade do processo. A entrevista psicológica, propriamente dita, será realizada com quem está diretamente implicado na queixa- o aluno. Conforme a faixa etária dele a condução do processo e os recursos utilizados poderá variar atendendo às particularidades de cada situação. A primeira entrevista- crianças e adolescentes Material lúdico; Percepção de mundo externo (externo da vida, da rotina, das questões angustiantes) = às vezes a percepção de mundo externo da criança e do adolescente pode ser despertada pelo material lúdico. Tem que prestar atenção. Preciso ter recursos múltiplos para trabalhar com crianças. A primeira entrevista- adultos e idosos Paciente: Joao Dos Santos; (nomes fictícios). Idade: 32 anos; Profissão: Contador; Estado civil: casado. TRANSCRIÇÃO DIALÓGICA = Transcrição mais fiel possível. Não demorar muito tempo para fazer para não ficar uma transcrição empobrecida. Momento de indagação do paciente/ de pausa: as reticencias (...) Tem o acolhimento, também está validando todas as possíveis angustias do paciente e eu estou dando um tempo que deve ser respeitado (que é o tempo dele). Estou me arriscando a dizer sobre divisor de águas = eu digo que PODE parecer, não estou fazendo uma afirmativa. Nós temos muitos pacientes que vão com a ideia pronta de que o psicólogo vai resolver todos os problemas, que ele sabe tudo que está acontecendo. E não é assim. Devolutiva = “você quer se ajudar?”. Pergunta se ele quer se ajudar, mas ele vai para outro caminho e eu também vou na dele. Finalização do atendimento. Como é a primeira sessão, tem varias lacunas no atendimento do João. Esse é o contrato que é feito com o paciente + falar sobre o sigilo. A clareza é mostrar que profissionalmente eu estou disponível, que durante a sessão o espaço é do paciente. TEM que fazer o contrato com o paciente (se você esqueceu na primeira questão, na próxima você já faz inicialmente). Entrepista Clínica no contexto hosoitalar: repisões e reflexões O psicólogo hospitalar é clínico (a clínica não tem só a ver com o consultório). Psicologia Hospitalar, historicamente, iniciou-se no hospital, pelas mãos da clínica e posteriormente foi assumindo outras áreas de atuação (trabalho e institucional). Dinamismo, objetividade, clareza e praticidade são ingredientes fundamentais para um bom psicólogo hospitalar e da saúde. O que significa “ir a um hospital”? Mobilização de diversos sentimentos: alivio, preocupação com a saúde, exames de rotina, “sentenças” associadas aos diagnósticos e suas consequências. Principal instrumento do psicólogo hospitalar é a ESCUTA: o que nosso paciente nos fala? Exames, procedimentos, família, equipe. Principal provocação do psicólogo hospitalar: sentimentos dos pacientes serem aflorados. (ajudar acessar esses sentimentos para que eles sejam colocados no atendimento- papel do psicólogo de acolher a angústia, a raiva, os sentimentos). Psicólogo Hospitalar e a da saúde: facilitar e permitir. É ajudar o paciente a ter acesso as suas dores e ajuda-lo numa possível autorização de sentimentos. Exemplo: atendimento mecanizado (engessado). Paciente fala dos seus medos, sequelas, de não viver... Invadido = quando adoecemos estamos sendo invadidos, de alguma forma, por uma doença e isso é muito angustiante. Invasão de situações que podem estar associadas a essa doença. Podemos ajudar o paciente a entender melhor o seu diagnóstico. O trabalho do psicólogo vai se situar em três níveis : 1. Observação; 2. Diagnóstico; 3. Intervenção. Sendo utilizados no atendimento ao paciente, na compreensão de sua interação com a equipe e instituição maior, seja no contato com a família. Abrindo uma ampla rede de informações a serem integradas. Cabe ao psicólogo quando solicitado: Origem da solicitação (de qual setor); quem solicitou; qual o motivo; avaliando também a demanda do solicitante. Motivos: choro? Ansiedade por cirurgia? Que linguagem está sendo utilizada com o paciente? É acessível? Setting terapêutico: local apropriado para o paciente e o psicólogo; disponibilidade psíquica (âmbito mental e comportamental) do paciente e psicólogo. Avaliar a necessidade de atender o paciente, o familiar... Perceber como é esse momento breve focal. É possível fazermos o encaminhamento quando necessário; Número de entrevistas é variável; Periodicidade; Foco atual > gerador da doença. ENTREVISTA CLÍNICA – PESQUISA (OUTRO TEMA) Bleger diz que pode-se diferenciar as entrevistas segundo o beneficiário do resultado; assim, podemos distinguir: a) A entrevista que se realiza em benefício do entrevistado b) A entrevista cujo o objetivo é a pesquisa c) A entrevista que se realiza para um terceiro (uma instituição). Cada uma delas implica variáveis distintas a serem levadas em conta, já que modificam ou atuam sobre a atitude do entrevistador, assim como do entrevistado, e sobre o campo total de entrevista. Uma diferença fundamental é que, excetuando o primeiro tipo de entrevista, os dois outros requerem que o entrevistador desperte interesse e participação, que motive o entrevistado. Item B: a entrevista cujo objetivo é a pesquisa, na qual importam os resultados científicos. O registro de dados na obserpação e na entrevista A observação é uma técnica de coleta de dados para conseguir informações e utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenômenos que se deseja estudar. É um elemento básico de investigação científica, utilizado na pesquisa de campo e se constitui na técnica fundamental da Antropologia. Na Observação na Pesquisa: Do ponto de vista científico, a observação oferece uma série de vantagens e limitações: Duas vantagens: Exige menos do observador do que as outras técnicas e permite a coleta de dados sobre um conjunto de atitudes comportamentais típicas. Duas limitações: O observado tende a criar impressões favoráveis ou desfavoráveis no observador e vários aspectos da vida cotidiana, particular, podem não ser acessíveis ao pesquisador. Na investigação científica são empregadas várias modalidades de observação, que variam de acordo com as circunstâncias. São quatro tipos: 1. Segundo os meios utilizados: observação não estrutura (assistemática) e estruturada (sistemática); 2. Segundo a participação do observador: observação não participante e participante. 3. Segundo o número de observações: individual ou equipe. 4. Segundo o lugar onde se realiza: observação efetuada na vida real (trabalho de campo) e a efetuada em laboratório. Entrevista: é um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenhainformações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional. É um procedimento utilizado na investigação social, paa coleta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou no tratamento de um problema social. Para Goode e Hatt (1969), a entrevista “consiste no desenvolvimento de precisão, focalização, fidedignidade e validade de um certo ato social como a conversação”. Trata-se, pois, de uma conversação efetuada face a face de uma maneira metódica; proporciona ao entrevistado verbalmente, a informação necessária. Objetivos da Entrevista: a entrevista tem como objetivo principal a obtenção de informações do entrevistado, sobre determinado assunto ou problema. Quanto ao conteúdo, Selltiz (1965), apresenta seis tipos de objetivos: 1. Averiguação de fatos. Descobrir se as pessoas que estão de posse de certas informações são capazes de compreendê-las; 2. Determinação das opiniões sobre os fatos. Conhecer o que as pessoas pensam ou acreditam que os fatos sejam; 3. Determinação de sentimentos. Compreender a conduta de alguém por meio de seus sentimentos e anseios. 4. Descoberta de planos de ação. Descobrir por meio de definições individuais dadas, qual a conduta adequada, a fim de prever qual seria a sua; 5. Conduta atual ou do passado. Inferir que a conduta a pessoa terá no futuro, conhecendo a maneira pela qual ela se comportou no passado ou se comporta no presente, em determinadas situações. 6. Motivos conscientes para opiniões, sentimentos, sistemas ou condutos. Descobrir por que e quais fatores podem influenciar as opiniões, sentimento e condutas. O registro de dados da entrevista: deve ser feito no momento em que ela acontece, mediante anotações por parte do entrevistador ou com auxílio de gravação. Na entrevista não cabe ao entrevistador concordar ou não das opiniões emitidas pelo entrevistado, ele deve apenas ouvir procurando guia-lo, levando-o a precisar, desenvolver e aprofundar os pontos abordados, mantendo-se interessado em sua fala. Elaborar perguntas em ordem lógica de ideias, mas que possam criar uma atmosfera agradável de conversação,, ou seja, de pontos mais fáceis ao mais difíceis de interrogação; Uma única ideia em cada pergunta. Isso evita perguntas duvidosas. Evitar perguntas que sugerem a resposta; Adotar uma linguagem coerente ao entendimento do entrevistado; Redigir as respostas, tal qual foi dito pelo entrevistado, no entanto o ideal é usar o gravador e transcrever as respostas depois; Olhar para o entrevistador enquanto faz as perguntas. Isso demonstra interesse; observa-se reações; não se deixa absorver no registro das repostas; Completar o registro logo após a entrevista para evitar esquecimentos. Não influenciar respostas, repetir a pergunta; Se a resposta ficou incompleta deve ser refeita no momento ou em outro momento oportuno. Evitar fazer da aplicação do questionário um interrogatório. Podem ser transcritas as repostas e voltar para nova entrevista para completar lacunas e dúvidas. Finalização de uma entrevista: devemos tomar a decisão de finalizar uma entrevista, quando: O tempo previsto tenha se esgotado; Caso seja observado sinais de cansaço no paciente ou em você mesmo; Caso existam dificuldades em dar continuidade na entrevista, exemplo: empatia, falta de interesse. Finalizar a entrevista da melhor maneira possível. O desenvolvimento do raciocínio clínico do avaliador: integração de dados – funcionamento da entrevista O campo da entrevista deve ser configurado fundamentalmente pelas variáveis da personalidade do entrevistado. Importante o entrevistador ficar atento ao que oferece ao seu paciente. Raciocínio clínico: processo cognitivo, conduta adequada, possibilidade de um problema clinico encontrado. Fatores que intervêm no enquadramento da entrevista: tempo, lugar e papel técnico do profissional. Tempo: refere-se ao horário e um limite na extensão da entrevista. O que considerar o tempo de 50 minutos de sessão? E sessões de 30 minutos? Lugar: o espaço abarca o quadro ou o terreno ambiental no qual se realiza a entrevista. Localização? Estratégias que podem ser utilizadas? Papel técnico do profissional: implica que, em nenhum caso, o entrevistador deve permitir que seja apresentado como um amigo. O entrevistador também não deve entrar com suas reações nem com o relato de sua vida, nem entrar em relações comerciais ou de amizade, nem pretender outro benefício da entrevista que não seja seus honorários e o seu interesse científico ou profissional. Quando fazemos uma intervenção perguntando, as perguntas devem ser diretas, sem segundas intenções, adequadas à situação e ao grau de tolerância do entrevistado. A abertura da entrevista também não deve ser ambígua, recorrendo-se a frase gerais ou de duplo sentido. Pergunta dupla: “Qual o seu nível de satisfação ou insatisfação em relação ao seu trabalho?” Pergunta adequada: “Como é o seu trabalho?” Depende dos conteúdos trazidos pelo paciente. Pergunta tendenciosa/ruim: “Você não quer mais continuar casado, não é?”. Pergunta boa: “Como você acredita que seu casamento está?”. Emoções na entrevista; Paciente que fala muito, está deixando de dizer o mais importante? A linguagem do indivíduo (o que ele nos quer falar?). O silêncio do entrevistado é o fantasma no entrevistador principiante, para quem o silêncio do entrevistado significa um fracasso. NÃO HÁ ENTREVISTAS FRACASSADAS! Toda entrevista fornece informações importantes sobre a personalidade do entrevistado. É necessário reconhecer os diferentes tipos de silêncio. A interoretação Uma questão frequente é a de saber se deve interpretar nas entrevistas realizadas com fins diagnósticos. Nesse sentido existem posições muito variadas. Rogers: não interpreta e tampouco pergunta, estimulando o entrevistado a prosseguir por meio de diferentes técnicas, como por exemplo, repetindo em forma interrogativa a última palavra do entrevistado ou estimulando-o , com o olhar, o gesto ou a atitude, a prosseguir. Na psicanálise tem o objetivo de entender o funcionamento da mente humana e os processão psíquicos são, em boa parte, inconscientes. Ou seja, para a psicanálise, nós não temos consciência de vários fatores que definem nossas emoções e comportamentos. A psicoterapia fenomenológico-existencial busca compreender o paciente na relação específica e concentra, na relação terapêutica – terapeuta-paciente. Refere- se à situação do atendimento, ao encontro terapeuta-paciente e à compreensão daquilo que aparece no existir do paciente, priorizando, assim, o entendimento do paciente a partir dele mesmo e a partir da maneira como ele vive. Fenomenológico-existencial: conceitos que se integram; Fenomenológica existencial: são duas coisas diferentes; Fenomenológica-existencial: não existe! O psicólogo comportamental é o profissional da psicologia que orienta sua intervenção clínica baseado na análise do comportamento de seu paciente aplicando a Análise Experimental do Comportamento. Possibilita ao paciente a identificação dos seus comportamentos disfuncionais, ou seja, aqueles que causam sofrimento e trazem prejuízos a saúde, prejuízos sociais, emocionais ou comportamentais. Lacan (chegar no núcleo de cada paciente, especialmente por meio da livre associação). Esta terapia constitui-se pela noção de sujeito e de que o inconsciente se estrutura como linguagem. O tempo da sessão é variável e depende do tempo lógico. Ao contrário de outras formas de terapia, na linha lacaniana o terapeuta intervém quando considera necessário. A entrevista é sempre uma experiência vital muito importante para o entrevistado; significa que, com muita frequência: É a única possibilidade que tem de falar o mais sinceramente possível de si mesmo com alguém quenão o julgue, mas que o compreenda. Outro caso muito frequente em que temos que intervir é para relacionar aquilo que o próprio entrevistado esteve comunicando. Para interpretar, devemos guiar-nos pelo volume da ansiedade que estamos resolvendo e pelo volume da ansiedade que criamos, tendo-se em conta, também, se serão dadas outras oportunidades para que o entrevistado possa resolver ansiedades que vamos mobilizar. Convém que o entrevistador principiante se limite primeiro, e durante algum tempo, a compreendo o entrevistado, até que adquira a experiência e o conhecimento suficientes para utilizar a interpretação. O alcance ótimo de uma entrevista é o da entrevista operativa na qual se procura compreender e esclarecer um problema ou situação que o entrevistado traz como sendo o centro ou motivo da entrevista. Toda interpretação fora de contexto e de timing é uma agressão, e que parte da formação do psicólogo consiste, também, em aprender a calar E, como “regra de ouro”, que é tanto mais necessário calar-se quanto maior for a compulsão para interpretar. Timing; Qual o momento para interpretar? Tenho que interpretar o tempo todo da sessão? Cuidados nas interpretações. A elaboração de docqmentos em psicologia Constituem modalidades de documentos psicológicos: 1- Declaração; 2- Atestado Psicológico; 3- Relatório: psicológico e multiprofissional; 4- Laudo Psicológico; 5- Parecer Psicológico. DECLARAÇÃO: Consiste em um documento escrito que tem por finalidades registrar, de forma objetiva e sucinta, informações sobre a prestação de serviço realizado ou em realização, abrangendo as seguintes informações: 1. Comparecimento da pessoa atendida e seu acompanhante; 2. Acompanhamento psicológico realizado ou em realização; 3. Informações sobre tempo de acompanhamento, dias e horários. É vedado o registro de sintomas, situações ou estados psicológicos na Declaração. Estrutura: Deve apresentar as informações da estrutura detalhada abaixo, em forma de itens ou texto corrido: 1. Titulo: Declaração; 2. Expor no texto: - Nome da pessoa atendida: identificação do nome completo ou nome social completo; - Finalidade: descrição da razão ou motivo do documento; - Informações sobre o local, dias, horários e duração do acompanhamento psicológico. O documento deve ser encerrado com indicação do local, data de emissão, carimbo, em que conste o nome completo ou social completo do psicólogo, acrescido de sua inscrição profissional e assinatura. ATESTADO PSICOLÓGICO: consiste em um documento que certifica, com fundamento em um diagnóstico psicológico, uma determinada situação, estado ou funcionamento psicológico, com a finalidade de afirmas as condições psicológicas de quem, por requerimento, o solicita. Presta-se também a comunicar o diagnóstico de condições mentais que incapacitem a pessoa atendida, com fins de: 1. Justificar faltas e impedimentos; 2. Justificar estar apto ou não para atividades específicas após realização de um processo de avaliação psicológica, dentro do rigor técnico e ético que subscrevem a Resolução CFP n° 09/2018 e a presente, ou outras que venham a alterá-las ou substituí-las; 3. Solicitar afastamento e /ou dispensa, subsidiada na afirmação atestada do fato. Diferentemente da declaração, o atestado psicológico resulta de uma avaliação psicológica. É responsabilidade do psicólogo atestar somente o que foi verificado no processo de avaliação e que esteja dentro do âmbito de sua competência profissional. A emissão de atestado deve estar fundamentada no registro documental, conforme dispõe a Resolução CFP n° 01/2009 ou aquelas que venham a alterá-la ou substituí-la, não isentando o psicólogo de guardar os registros em seus arquivos profissionais, pelo prazo estipulado nessa resolução. Os conselhos regionais podem, no prazo de até cinco anos, solicitar ao psicólogo a apresentação da fundamentação técnico-cientifica do atestado. Estrutura: a formulação desse documento deve restringir-se à informação solicitada, contendo expressamente o fato constatado. As informações deverão estar registradas em texto corrido, separadas apenas pela pontuação, sem parágrafos, evitando, com isso, riscos de adulteração. No caso em que seja necessária a utilização de parágrafos, o psicólogo deverá preencher esses espaços com traços. O atestado psicológico deve apresentar as informações da estrutura detalhada abaixo: 1. Titulo: Atestado Psicológico; 2. Nome da pessoa ou instituição atendida: identificação do nome completo ou do nome social completo e, quando necessário, outras informações sócio- demográficas; 3. Nome do solicitante: identificação de quem solicitou o documento, especificando se a solicitação foi realizada pelo Poder Judiciário, por empresas, instituições públicas ou privadas, pelo próprio usuário do processo de trabalho prestado ou por outros interessados; 4. Finalidade: descrição da razão ou motivo do pedido; 5. Descrição das condições psicológicas do beneficiário do serviço psicológico advindas do raciocínio psicológico ou processo de avaliação psicológica realizado, respondendo a finalidade deste. Quando justificadamente necessário, fica facultado ao psicólogo o uso da CID ou outras classificações de diagnóstico, científica e socialmente reconhecidas, como fonte para enquadramento de diagnóstico; 6. O documento deve ser encerrado com indicação do local, data de emissão, carimbo, em que consiste nome completo ou social completo do psicólogo, acrescido de sua inscrição profissional, com todas as laudas numeradas, rubricadas da primeira até a penúltima lauda e a assinatura do psicólogo na última página. É facultado ao psicólogo destacar, ao final do atestado psicológico, que este não poderá ser utilizado para fins diferentes do apontado no item de identificação, que possui caráter sigiloso e que se trata de documento extrajudicial. RELATÓRIO PSICOLÓGICO Consiste em um documento que, por meio de uma exposição escrita, descritiva e circunstanciada, considera os condicionantes históricos e sociais da pessoa, grupo ou instituição atendida, podendo também ter caráter informativo. Visa a comunicar a atuação profissional do psicólogo em diferentes processos de trabalho já desenvolvidos ou em desenvolvimento, podendo gerar orientações, recomendações, encaminhamentos e intervenções pertinente à situação descrita no documento, não tendo como finalidade produzir diagnóstico psicológico. Estrutura: deve apresentar as informações da estrutura detalhada abaixo, em forma de itens ou texto corrido. O relatório psicológico é composto por cinco itens: identificação, descrição da demanda, procedimento, análise e conclusão. Exemplo: Declaração Declaro para os devidos fins que, Juliana Paes, RG: 123455-09 e CPF: 456.789.000-87 está em tratamento psicoterapêutico de 10 de janeiro de 2017 até a presente data, com sessões semanais e duração de cada sessão de 50 minutos. Ribeirão Preto/SP, 02 de maio de 2021. ______________ William Bonner CRP 07/1111000